Última atualização: 16/10/2018

Capítulo 1

Londres, Inglaterra

andava apressada pelos corredores do King Edward VII Hospital, estava indignada com a mensagem que recebera no final de semana de Luka Modrić, volante do Real Madrid e um de seus melhores amigos.
Sua pequena mala de rodinhas parecia voar, tamanha era a pressa que andava em direção ao "Centro Ortopédico de Excelência". Ao chegar à área de espera do local, avistou Debbie, mãe de uma das poucas pessoas que a fariam largar o que quer que estivesse fazendo, para entrar em um avião seja lá para onde fosse em menos de 24 horas: Gareth Bale.
- ! – Debbie se levantou animada ao avistar a mulher – Que bom que você está aqui, fico tão mais tranquila em saber que teremos alguém de confiança lá dentro.
- Eu não deixaria de estar aqui por nada nesse mundo, mesmo quando aquele desnaturado não teve a capacidade de sequer me avisar, acredita?!
- Ah, querida, nós sabemos como você é ocupada com seu trabalho, aposto que ele não quis te incomodar.
- Me ofende ouvir esse tipo de coisa. E aí, em que quarto o bonitão está? Espero que esteja pronto para o meu puxão de orelha.
A mais velha deu risada da forma de falar de , já estava acostumada com o jeito dela de ser, sempre direta, mas sabia do carinho enorme que ela tinha por seu filho.
- Eu sei que você está preocupada demais para estar realmente brava comigo – o galês disse sorrindo assim que viu a careta que a amiga lhe fez, e apenas virou a palma da mão em um convite mudo para ela se aproximar.
- Odeio como você me conhece, mas preocupada não resume o que sinto no momento – ela segurou sua mão, antes de abraçá-lo com força, da melhor forma que conseguiu – Nunca mais me deixe de fora de qualquer coisa importante que aconteça em sua vida, ok?
- Não queria que você largasse tudo para vir até aqui, você ainda está com o Schumacher?
- Sim e não, você sabe que era uma oportunidade que eu não poderia deixar passar, tanto financeiramente quanto profissionalmente. Não posso falar nada por conta do meu contrato de confidencialidade, mas infelizmente não há nada que eu possa fazer por ele, mas por você tem.
Gareth observou sua amiga levantar o lençol e tocar com delicadeza e cuidado o seu tornozelo. Conhecera através de Modrić, em sua época de Tottenham Hotspur, ela era um dos motivos pelo quais o amigo tinha atraído a atenção do Real Madrid em 2012.
Chamá-la de fisioterapeuta era quase um insulto, a mulher à sua frente era a pessoa mais inteligente que havia conhecido em toda sua vida, tinha duas graduações, dois mestrados e da última vez que conversaram afundo estava na fase final de seu Doutorado em Ciência do Esporte, Exercício e Reabilitação. Se havia duas pessoas a quem ele confiava plenamente seu instrumento de trabalho, essas pessoas eram Jaime Benito e Loew.
, como era mais conhecida por todos, não era a pessoa mais entendida de futebol do mundo, mas sabia ler o corpo de um atleta como poucos. Era apaixonada em tentar decifrar como um ser humano conseguia se transformar em uma máquina imbatível. Dedicou os últimos 11 anos de sua vida entre estudos e pesquisas e finalmente tinha conseguido fazer sair do papel a versão final do programa que vinha trabalhando em cima, há 7 longos anos.
Apesar da transferência de Luka para o Real Madrid, nunca deixou de tentar acompanhar a carreira de um dos poucos jogadores da primeira divisão que acreditaram nela desde o início. Isso fez com que nascesse uma grande amizade entre ela e Vanja, esposa do volante. Tanto que tinha o privilégio de ocupar o melhor cargo do mundo: ser madrinha de Ema, filha do casal.
Viciada em trabalho, a única forma que conseguia de se desligar de suas pesquisas por um curto espaço de tempo, era quando ia visitar a afilhada e aproveitar um pouco do sol da Espanha.
Apesar de ter tido algum contato com Gareth na época que trabalhava com Modrić, nunca chegou a trabalhar com ele de fato, apenas fazia algumas massagens aqui e ali quando ele queria um cuidado extra. Só fora conhecê-lo quando já estava em Madrid e Ema ainda era um bebê. Para deixar o casal sem preocupações, tomou para si a responsabilidade de mostrar Madrid ao galês, em sua primeira semana na cidade.
O laço que formaram era tão grande, que desde então trocavam mensagens para se manter atualizados da vida um do outro e saiam juntos sempre que ela estava na cidade. Certo dia, a levou para conhecer a Rekovery Clinic, de Jaime Benito, seu fisioterapeuta, e assim que os dois se cumprimentaram ele se arrependeu na hora, passara as duas horas seguintes ouvindo os dois conversarem sobre lesões, tratamentos e biomecânica.
e Jaime passaram a manter contato e trocar ideias sobre o programa de treinamento e recuperação do jogador. Ela sabia que ele estava em excelentes mãos, e sempre que estava em Madrid cuidavam dele a quatro mãos.
- O Dr. Calder é excelente, ele me ajudou na pesquisa que fiz para uma de minhas teses, e ele já autorizou minha entrada no centro cirúrgico, tenho certeza que dará tudo certo e manterei seus pais e o Jaime informados. Não se preocupe, você sabe que nós dois sempre cuidaremos do que for melhor para você.
- Obrigado, me desculpe por não ter te avisado antes, não queria dar trabalho.
- Você sabe que trabalho é a coisa que eu mais amo ter e se envolve você, melhor ainda. - ela sorriu lhe dando um beijo na testa – Eu vou me preparar para entrar no teatro, te vejo quando você acordar.

(...)

- Ei – segurou na mão de Bale - Está tudo bem, sou eu.
- Eu... Como foi? - perguntou ainda sob o efeito da anestesia.
- Foi tudo perfeito, B., não poderia ter sido melhor, ainda estamos na recuperação, os médicos já falaram com seus pais, eu vou ficar aqui com você até a anestesia passar, tá?
- Eu estou tremendo, isso é normal?
- É sim, durante a cirurgia seu corpo baixou a temperatura e essa "tremedeira" é importante para trazer a temperatura para o normal de novo. É incomodo, mas deve passar nos próximos trinta minutos.
- Pode me distrair?
encarou o amigo com um sorriso bobo no rosto, um homem daquele tamanho precisando de conforto. Desde seu término com Emma o sentia mais carente do que o normal. Ocupada com a defesa de sua tese no Doutorado, deixou de ir a Madrid com a mesma frequência de antes e sentia-se em dívida com o amigo.
- Você sabe que temos conceitos diferentes para distração, mas finalmente defendi minha tese, foi com certeza a parte mais difícil de todos os meus anos de estudos, mas passei e não pretendo estudar nunca mais. Hoje, durante sua operação, tive uma ideia...
- Qual?
- Eu estou semi-desempregada, o trabalho com o Schumacher foi bom porque eu realmente precisava de algo fácil, que me pagasse bem e permitisse que eu tivesse tempo suficiente para estudar e escrever a tese. O Jaime me disse que ele está indo pro Japão com o time e pelo que contei pra ele sobre a sua cirurgia, estamos bastante otimistas. Pensei se você não gostaria de me ter como sua fisio até a volta dele?
- Você está falando sério?
- Sim, eles querem renovar meu contrato por mais 6 meses, mas eu não me importaria em passar as últimas semanas do ano em Madrid com a Ema e com você.
- Mil vezes sim, eu tenho dinheiro suficiente para te pagar, Doutora? - seu sorriso enviesado e cheio de ironia fez com que lhe desse um tapa na testa.
- Ei, acabei de ser operado, estou tremendo aqui e você já vem com agressão física?
- Aposto que um mês do meu salário equivale a um dia do seu – ela disse lhe dando um beijo na mão, como pedido de paz – Mas eu não vou te cobrar, só quero te ajudar. Quer um pouco de água?
- Por favor – ele a observou ir falar com a enfermeira.
Gareth sempre quis ter como sua fisioterapeuta. Viu, dia após dia, Luka ficar cada vez melhor em campo, e quando perguntou ao amigo o que ele vinha tomando, conheceu .
Ela estava no começo de um projeto e Luka era um, de cinco jogadores, que ela usava como “cobaia”. O fim de seu mestrado significava que o projeto estava finalmente pronto e ele faria de tudo para, quando finalmente estivesse recuperado de sua lesão, contratá-la para trabalhar com ele.
- Fica lá em casa então, e não vamos discutir porque você sabe que estou certo, sei que você ama a Ema e o Ivano, mas ama silêncio ainda mais.
- Tudo bem, faz mais sentido mesmo, mas não vou atrapalhar sua solteirice?
- Pra isso que inventaram os headphones, sabia? – o jogador deu uma risada extremamente fofa ao ver a cara de nojo da amiga – Você me conhece.
- Verdade, esqueci que você é um unicórnio.
- Unicórnio, ?
- Sim, homens como você não existem: amigo, romântico, carinhoso, leal e milionário ainda por cima. Por que não me aparece alguém assim?
- Obrigado pela parte que me toca.
- Não esquece que quando te conheci você parecia um pau de vira tripa, só ficou bonito e gostoso agora que tá no Real Madrid, se eu fosse a Emma pediria reembolso, isso sim. Mas falando sério, tenho certeza que logo, logo aparece alguém pra te fazer feliz de novo e... AH MEU DEUS!
exclamou tão alto que as pessoas a sua volta imediatamente se viraram para os dois, fazendo com que Gareth quisesse se enfiar embaixo do lençol. Não devia ser coincidência que Lena fosse tão parecida com sua amiga no quesito fazê-lo passar vergonha, sabia exatamente o que falar para deixá-lo vermelho e usava isso como uma arma de alta destruição, Alaina estava indo pelo mesmo caminho. Já podia até imaginar o que iria acontecer quando as duas se conhecessem. E por mais contraditório que fosse, ele não via a hora.
- Desculpa – pediu num sussurro e se virou para ele mais uma vez - Já apareceu alguém, não é? Me conta, quem anda tirando o sono do meu Balezinho? - Gareth sabia que não tinha escapatória, e até achou bom ter uma opinião feminina.
- A nova assistente do Zidane, sobrinha dele na verdade...
- Ah eu vi, Alaina o nome dela, não é? A Vanja me mandou uma foto, achei bem bonita, tava na hora de darem chance para nós mulheres no futebol masculino mesmo. Ela deve ser boa, o tio não ia arriscar expô-la dessa forma para vê-la falhar.
- É, eu treino às vezes com ela. Ela sabe o que está fazendo, era técnica do feminino do Paris Saint Germain.
- Uau, fico tão feliz quando ouço essas coisas, mas pegar a sobrinha do técnico e colega de trabalho não é muito profissional, não é?
- Não, mas eu não sei o que fazer pra tirar ela da minha cabeça, . Nunca me senti tão atraído por uma mulher como me sinto por ela, tentei evitar ao máximo, ela até achou que eu não gostasse dela, nem com a Emma foi assim.
- Ela tá interessada pelo menos?
- Ai que tá, eu às vezes acho que sim, mas ela veio com todo um discurso em como quer ser respeitada na profissão e pelos fãs do Real, e que prefere não misturar as coisas se envolvendo com um jogador, mas já ficou com o Özil e o Trapp.
- Caramba, respeito! O Kevin é praticamente a reencarnação de um Deus grego.
- , a sua função é me ajudar, não apontar o quão maravilhoso o outro cara é.
- Gareth, você também é, já se olhou no espelho? A cor dos seus olhos e essa sua risadinha fofa conquistam qualquer uma.
- Ela me beijou – Bale soltou e levou seu indicador aos lábios antes que sua amiga desse um berro de novo e fossem expulsos do local.
- Como assim?! - sua voz saiu um oitavo acima do normal.
- Eu chamei ela pra fazer alguma coisa fora do CT outro dia, só nós dois – preferiu contar a história do começo, para que pudesse entender tudo o que vinha se passando em sua cabeça, desde que viu Alaina pela primeira vez.
- O quê? Sexo? - ela o interrompeu.
- Lógico que não, chamei ela pra andar de bicicleta.
- Ah, pelo amor de Deus, cai na realidade – fez gestos exagerados, atraindo novamente atenção para os dois – Andar de bicicleta? Pior que você tá falando sério, não é?
Antes que pudesse falar mais alguma coisa, os dois perceberam a chegada dos três médicos responsáveis pela cirurgia de Gareth, que agradeceu aos céus, pois não estava com a menor vontade de ouvir um sermão sobre a sua falta de atitude justo agora, mas pelo menos a conversa tinha surtido efeito, a tremedeira tinha passado e ele mal havia percebido.
Jesus Olmo, o médico responsável pelo Real Madrid, começou a explicar como tinha sido a cirurgia para o jogador e se afastou, não era médica e não teria nada de bom a acrescentar. Decidiu ligar para Jaime, enquanto caminhava de volta à sala de espera do local.
amava a forma de ser de Gareth, um homem perfeito demais para existir, mas que realmente existia. O amava como amava seus irmãos, e saber que ele já estava interessado em alguém, menos de um ano do término com Emma, a fazia se sentir bem melhor por nunca ter achado que o casal tinha muito futuro. Mas não podia deixar de rir sozinha ao pensar em como o amigo era sem jeito com mulheres. Emma tinha sido sua única namorada e era completamente compreensível sua insegurança e até inocência em como lidar com alguém que o atraísse dessa forma. Sempre tentou o incentivar a aproveitar o status para sair com mulheres que o atraíssem, apenas pela experiência de ficar com alguém por ficar, mas ele nunca foi adiante com nenhum plano. Não que não o entendesse, ela mesma não perdia tempo com casinhos passageiros, esteve ocupada demais para se prender a qualquer um, e estava muito mais interessada em uma mente sexy do que um corpo malhado. Talvez fosse esse um dos motivos pelo qual se entenderam desde o início.
Tarde da noite, quando o jogador já estava dormindo, chegou ao hospital para que os pais de Gareth pudessem descansar antes da longa jornada de volta ao País de Gales na manhã seguinte. Acostumada a observar seus pacientes, decidiu ficar acordada para caso ele precisasse de algo durante a noite, e aproveitou o silêncio para avisar sua mãe e irmãos de seus próximos passos e também Luka e Vanja. Sabia como todos a apoiariam em sua decisão, afinal, já estavam acostumados com o jeito de ser, havia muito pouco que não fazia pelos amigos e pessoas que amava.

(...)

Gareth já tinha ido ao banheiro, tomado metade do seu café da manhã e parecia ter morrido na cama ao seu lado:
- Como você ronca! - foi a primeira coisa que ouviu ao acordar.
- Você tá falando sério? - perguntou sincera ao se espreguiçar.
- Não - Bale abriu um sorriso ao vê-la finalmente em pé; Estava entediado.
- Tá com alguma dor? Fome? Quer ir ao banheiro?
- Já fiz tudo isso e tomei os remédios, até falei com meus pais, eles vão chegar daqui a pouco. Você dormiu bem?
- Acho que sim, tentei ficar acordada caso você precisasse, mas pelo visto não deu certo.
- Quais seus planos daqui até o dia que formos pra Madrid?
- Sobre esses planos, temos quase duas semanas pela frente, podemos continuar nossa conversa de ontem?
- Vai tirar sarro da minha cara?
- Provavelmente – ela fez uma careta divertida – Desculpa, mas esse passeio de bicicleta doeu aqui dentro. Aposto que a Alaina já até tinha pensado se estava com a depilação em dia, antes de saber qual era a sua ideia de fazer algo a sós.
- Você queria que eu fizesse o quê? Não é como se ela tivesse se declarado ou nada do tipo, pelo contrário, as palavras dela sempre me fazem pensar que realmente não tenho chances, mas as atitudes são totalmente apostas.
- Como o beijo? Como foi?
- Como o beijo, . Ela se ofereceu pra me levar no aeroporto, fomos conversando no caminho, normal, quando eu já estava descendo do carro ela me chamou e aconteceu.
- E você fez essa cara de idiota na frente dela também ou só agora comigo?
- Ah, não dá pra conversar com você!
- Eu estou brincando, Bale. É que é tão lindo! Você e a Emma já estavam tão naquela fase rotina do relacionamento, que nunca te vi assim, com os olhinhos brilhando e sorrindo sozinho. Eu gosto dessa sua versão.
- Eu nem sei como cheguei no avião, para ser sincero. Quer dizer, no passeio que fizemos, ela comentou de novo como é preocupada com a carreira e a aceitação dela, mas eu disse para que ela vivesse o hoje, e acho que foi isso que ela fez, não sei. Uma vez ela disse que eu não era como os outros jogadores e não quer me magoar, e eu sei que ela prefere algo sem compromisso a um relacionamento.
- Ou seja, ela basicamente não sabe se quer tomar suco de laranja ou andar de bicicleta? - riu ao ver o ponto de interrogação na cara do amigo – Eu não a conheço, mas pra mim algumas coisas estão um pouco óbvias; Ela chegou no Real pra trabalhar e, apesar da Eva ter criado o precedente no Chelsea, ser assistente técnica é outra história, não é? Provavelmente ela pensou que respiraria trabalho e quando tivesse afim procuraria mais um de seus casos sem compromisso. Daí chega o destino e fala "Nem pensar, Alaina, toma aqui esse homão da porra: 1,83 metros de puro músculo, um olhar tão sexy que você não vai saber o que te atingiu quando ele te encarar e, pra ajudar, um dos melhores jogadores do mundo que, por sinal, não é um mulherengo, pelo contrário, romântico e a procura de um relacionamento de verdade". Consegue imaginar o nó que não está a cabeça dela?
- Eu te amo, sabia? - o jogador abriu um sorriso com a cara surpresa de .
- Por que isso agora? - seu rosto de lado a fazia parecer um cachorrinho que não entendia o que o dono quis dizer.
- Porque por mais que a gente se veja no máximo duas ou três vezes ao ano e acabamos nos falando menos do que eu gostaria, parece que quando nos vemos não passou um dia desde a última vez que te vi. E por ser assim, amiga pra todas as horas, e por mais que faça de sua meta de vida me deixar desconfortável, sempre sabe o que falar na hora certa. Só queria poder fazer por você metade do que você fez por mim.
- Você sabe que vivo pros estudos, Gareth, e não acho que tem muita coisa sobre função neuromuscular ou pesquisa quantitativa que eu possa pedir sua opinião. Mas apesar das circunstâncias, e de estar triste por você, por dentro eu estou explodindo em felicidade de poder te tratar, e ainda ficar esse tempo em Madrid antes do Natal; Se não fosse isso, eu não veria os Modrićs tão cedo, e o amor aqui é mais do que recíproco.
- Acho que você e a Lena vão se dar bem.
- Eu não vejo a hora de conhecê-la – finalizou dando um beijo na testa de Bale.

(...)

Gland, Suiça

terminava de arrumar suas malas no pequeno apartamento que chamou de seu nos últimos doze meses. Nunca se imaginara vivendo em um local tão silencioso e cheio de paz como o Lago de Genebra, e não saberia nem como agradecer a oportunidade única que teve quando aceitou o convite de Sabine Kehm, empresária de Michael, para fazer parte da equipe de fisioterapeutas que cuidavam do ex-automobilista 24 horas por dia.
Fora seu curso em Medicina Tradicional Chinesa que havia chamado a atenção da equipe médica e da família Schumacher, que buscava sempre dar mais conforto à pessoa que viveu a vida inteira se dedicando à velocidade e que agora passava todos os segundos de sua vida confinado a uma cama.
Ao longo do ano cultivou diversas amizades, incluindo Mick, filho de Corinne e Michael, a quem contou sobre seu projeto de Doutorado e, quando o piloto estava em casa com os pais, trabalhavam juntos numa forma de melhorar seu desempenho na ADAC Formula 4.
Já tinha se acostumado ao local e se não fosse Gareth se machucar, provavelmente teria estendido seu contrato pelos próximos seis meses, apenas para que, com calma, pudesse traçar seus próximos passos. Aos 29 anos, não sabia o que era uma vida sem estudar e, por mais que tivesse planejado tudo isso há muito tempo, se via em dúvida do que fazer dali em diante. Sabia que teria emprego com diversos esportistas, mas ainda não tinha encontrado seu lugar, um lugar ao qual realmente pertencesse.
Talvez um pouco de desorganização e três de seus melhores amigos pelos próximos dias não fosse assim tão ruim.

(...)

Madrid, Espanha

- Pronta para Espanha? - Bale perguntou assim que o avião pousou em Madrid.
- Ay caramba! – disse divertida, dando o último gole no copo de sangria que tinham lhe oferecido, fazendo todos rirem - Tudo bem, podem rir, sei que ainda preciso aprender o espanhol, mas é difícil pra caramba.
- Você ainda tem o português para te ajudar. Já me viu falando?
- Realmente, tenho dó de você, mas o bom é que não sou famosa e até que dou pro gasto, então quando saio pra dançar sempre encontro um espanhol que acha meu "portunhol" sexy.
- A é quase uma dançarina do Strictly Come Dancing, mãe - Gareth chamou a atenção de Debbie - Acho que você ia adorar vê-la dançar.
- Jura, ? Não sabia isso sobre você, eu amo aquele programa, assisto todos os anos.
- Foi quase uma recomendação médica, me disseram que eu tinha que encontrar uma forma de relaxar, mas eu não consigo sentar na praia e olhar pro nada, por exemplo, aí quando vim pra cá a primeira vez, Vanja me levou em uma aula e me apaixonei. Sempre que estou aqui vou tanto nessa escola, como no bar que eles sempre vão dançar. Depois de quatro anos, realmente tive que aprender uma coisa ou outra, e modéstia parte mando muito bem – os encarou convencida, arrancando mais uma vez risadas de todos.
Conforme iam passando pelas casas dentro do condomínio, Bale apontava para quem do seu time morava ali, já que agora frequentaria o clube e provavelmente conheceria a todos em breve. Viu as casas de Sergio Ramos, Karim Benzema, o próprio Zidane e Lena, e ainda descobriu que jogadores de outros times também tinham casas por ali.
- E ali, depois da vizinha, mora o com o filho – Frank, pai de Gareth comentou – O maior ganhador de Bola de Ouro do Real Madrid.
- Ah essa premiação eu conheço, sei que o Messi é o que mais ganhou esse prêmio no geral. Não vejo a hora do Balezinho ganhar o dele.
- Será que dá pra parar com essa mania de me chamar de “Balezinho” na frente das pessoas? - fez uma cara sofrida pro amigo, que a encarava com outra de volta – Eu sou muito maior que você.
- É um apelido carinhoso, tá? Nunca mais te chamo também, pode implorar que eu me recuso, girafa.
- Dramática.
- Adoro essa amizade de vocês – Frank os interrompeu sorrindo.
- Ah, isso é o que vamos ver, nunca passei tanto tempo assim com o Balezinho mostrou a língua ao jogador - Mesmo porque ele não conhece ainda meu lado fisioterapeuta carrasca, essas próximas duas semanas é que vão ditar se essa amizade nasceu pra ficar.
- Espero que não - Gareth respondeu tentando se manter sério, encarando a amiga de rabo de olho.
- GARETH FRANK BALE! Eu ia te dar uma folga amanhã por ser domingo, mas acabo de mudar todo meu planejamento e esteja preparado para acordar cedo e trabalhar esse pé feio que você tem – cruzou os braços parecendo uma criança birrenta.
- Eu só tava brincando, – o jogador acabou falando com o nada, pois já tinha saído do carro para pegar suas malas.
- Até parece que não conhece as mulheres, filho – Frank lhe deu uma piscada do banco da frente e saiu do carro para ajudá-lo.
Embora ameaçado, o jogador acordou com um café da manhã digno de hotel cinco estrelas na cama. sempre fora cuidadosa com a alimentação dela e o galês sabia que com a dele não seria diferente.
Passou o domingo xingando diversas gerações da Família Loew. Claro que ambos sabiam que ela estava sendo dura com ele não por conta da brincadeira da noite anterior, mas porque era necessário.
observava as feições de Gareth e morria de dó do jogador, sabia que não era fácil, mas ser jogador do Real Madrid significava muita dedicação, e se quisesse se manter como titular, ainda teria que suar muito a camisa fora de campo.



Capítulo 2

Para , morar com Gareth era ainda melhor do que morar com sua própria mãe, Debbie e Frank estavam adorando paparicar os dois com comidinhas caseiras e bastante engordativas. Nem uma semana e já podia sentir sua calça jeans favorita mais justa que o normal.
Por mais que cozinhasse para os dois, por saber exatamente quais nutrientes o jogador precisava, não tinha como resistir a um bolo de cenoura com calda de chocolate, recém saído do forno, após um longo dia de exercícios. Já estava até se acostumando novamente com o famoso chá preto com leite, tão comum no Reino Unido e que lhe fez muita companhia nas noites que passava acordada estudando para suas duas pós graduações.
Desde o fim de sua adolescência, passou a cuidar mais de sua alimentação e exercícios físicos, pois quando seus irmãos ainda eram pequenos, ganharam de aniversário skates e passavam o dia inteiro na frente da casa que moravam, praticando mil manobras. Ela tinha 7 anos de diferença com os trigêmeos e como irmã mais velha e protetora, adorava os ver praticando suas habilidades e ficar de olho para que não se machucassem.
Certo dia decidiu brincar com eles e, devido a sua total falta de habilidade com o objeto, acabou no hospital com uma fratura no braço direito tão feia que precisou fazer uma cirurgia para colocar tudo de volta no lugar. Sua sorte era ser filha de um do melhores ortopedistas do país, mas o seu azar foi a necessidade do uso de corticoide para a sua recuperação. Acabara engordando quase 15kg, numa época que gostaria de chamar a atenção dos garotos por sua forma, só não contava que realmente chamaria, mas por conta de sua forma arredondada.
Quando finalmente conseguiu perder todo o peso, mais de um ano depois, prometeu a si mesma que se dependesse dela nunca mais passaria pelo mesmo, e hoje se exercitar era algo que precisava não apenas para manter-se em forma, mas também sã.
- Já está acordada, querida? Por que não dorme até mais tarde? Não são nem 7 horas.
- Ah, Debbie, eu não consigo. Preciso ou estar de ressaca e doente ou ter virado a noite para acordar mais tarde do que isso. Acredite, eu amaria ser como essas pessoas que conseguem ficar na cama até as nove da manhã fazendo nada.
- Meu filho que o diga, acho que nunca consegui tirar ele da cama tão cedo, da forma que você faz.
- Não é por mal, eu perguntei a ele se estava tudo bem com esse programa e ele disse que sim. Acho que o Gareth se coloca muita pressão para voltar logo ao campo. Se dependesse só dele acho que acabaria se lesionando de novo de tão ansioso que está para jogar, mas hoje vou dar um descanso, ele merece e precisa.
- Você tem reparado que ele passa bastante tempo no celular? Às vezes o pego sorrindo olhando para a tela. Você acha que ele conheceu alguém?
sorriu da forma mais contida que conseguiu. Que mãe no mundo não era curiosa para saber da vida romântica do filho? Apesar de saber a resposta, jamais trairia a confiança do amigo, ainda mais quando nem ela sabia ao certo o que de fato estava acontecendo. Bale realmente passava horas conversando com Alaina e às vezes durante os exercícios o pegava sorrindo sozinho, com o que ela tinha apelidado como "o sorriso da Lena". Talvez quem visse de fora não percebesse, mas ela sabia distinguir os diversos sorrisos e olhares que ele dava e por mais que ela amasse a forma como ele a olhava, com carinho de irmão, o "sorriso da Lena" era o seu novo favorito. A francesa parecia realmente mexer com o galês, de uma forma única, e só esperava que ela fosse tão boa para ele como sabia que Bale seria para ela.
- Eu acho que ele tem falado com o time, e você sabe como são os homens, deve rolar um monte de besteira e fotos censuradas naquele grupo deles. Ele também ficou bastante amigo da Alaina, a nova assistente do time, sobrinha do Zidane – deu de ombros, como se fizesse pouco caso apenas para não atiçar ainda mais a curiosidade da mulher a sua frente – Deve ser difícil ficar longe de todos num jogo tão importante.
- Ela é muito bonita, não? Queria tanto que ele encontrasse alguém de novo para cuidar dele, quando formos embora.
- Meu amor – Frank apareceu com uma cara de sono na cozinha – Nosso filho já é um rapaz crescido, sabe muito bem se cuidar sozinho, quando aparecer alguém que valha a pena, tenho certeza que ele irá nos contar – disse dando um beijo na cabeça da esposa.
- Eu sei, querido, mas uma mãe nunca deixa de se preocupar com os filhos. Não é verdade, ?
- Oh se é, minha mãe perdeu o rumo quando meus irmãos decidiram fazer faculdade em outro estado, imagina passar 18 anos com três pestes e de repente puf, casa vazia. Ela agora tem como missão de vida me arranjar um marido, diz que estou ficando velha para arrumar um bom partido – sorriu pensando em sua mãe, apesar da busca desenfreada por um homem que lhe desse netos, a amava mais que qualquer pessoa no mundo.
- Você e meu filho nunca... - quase cuspiu o pedaço de bolo que tinha colocado na boca.
- DEBBIE! - Frank chamou a atenção da mulher – Que deselegância, querida, a está ajudando nosso filho, sem cobrar um centavo, e você me faz uma pergunta dessa? Querida, não responda.
- Não, Frank, está tudo bem – sorriu simpática para o senhor e observou Debbie murchar um pouquinho pela bronca que tinha levado - Eu amo seu filho, muito, mas como amigo-irmão. Quando o conheci ele já namorava e esse jeitinho todo certo e fofo de ser realmente é difícil não ter uma mulher que não se encante, mas não, somos apenas amigos e também nunca ficamos nem nada. Ia ser legal se a gente tivesse interesse um no outro, mas não... Só amizade mesmo – finalizou já se levantando, pronta para escapar de qualquer pergunta que poderia estar rondando a cabeça da mãe do jogador.

Como fazia quase toda manhã, seguiu para um dos lagos dentro do condomínio e estendeu seu colchonete para fazer sua meditação diária e praticar um pouco de yoga. No começo ficava entediada, não conseguia entender como uma pessoa ficava parada numa posição completamente desconfortável por pura e livre espontânea vontade, mas depois que sua mãe voltou de uma de suas viagens de autoconhecimento, ficou tão impressionada com a energia e paz que emanava da mulher, que se forçou a continuar indo as aulas.
Hoje agradecia sua insistência, pois se não fosse isso, provavelmente já teria pirado pelo fato de não ter a mínima ideia do que iria fazer após o ano novo. Já havia prometido a Vanja que voltaria após o Natal para passar a virada com eles, já que Luka estava no Japão com o time e estava morrendo de saudades do amigo. De quebra poderia trabalhar, mesmo que de graça, com Jaime. Mas depois disso, à sua frente tinha um grande ponto de interrogação e isso nunca tinha acontecido antes.
Estava ansiosa para encontrar um atleta ou faculdade para colocar seu programa em prática, talvez quando tivesse um novo emprego e sua vida tivesse mais estabilizada também fosse atrás de um namorado, já estava solteira há alguns anos, desde que se envolvera com um jogador da NFL, quando trabalhou com dois atletas do New England Patriots, mas não deu muito certo; O rapaz, embora absurdamente lindo, estava mais interessado em festas, carros e ser reconhecido do que se aprimorar na carreira, e pouco depois que terminaram descobriu que ele tinha engravidado uma modelo qualquer e ficou aliviada em saber que tinha se livrado de uma pessoa que não tinha os mesmos objetivos de vida que ela.
- Bom dia, B. – entrou em seu quarto como vinha fazendo todas as manhãs.
- Caramba, , você não dorme nunca? – o jogador bufou prendendo o cabelo antes de se sentar na cama. Parecia que tinha acabado de dormir.
- Credo, que mau humor, quem manda ficar de conversinha com a Lena até tarde? Fora que já são 10 horas, te dei a manhã de folga e vamos ter um dia light.
- Já? – olhou o celular e sorriu ao ver uma nova mensagem da assistente – O que você tem em mente pra hoje?
- Pensei de irmos ao Valdebebas pra usar a piscina e depois só fazer um pouco de acupuntura e Tui Na, o que acha? Eu vou sair hoje à noite, e não queria voltar muito tarde.
- Graças a Deus! – o jogador exclamou aliviado e se questionou se estava sendo muito dura com o amigo – Sim, por favor, tudo que eu queria hoje é uma dessas suas massagens, você faz nas costas também? Estou com uma dor aqui – disse apontando sem jeito para um local que não pôde ver, já que estava de frente pra ele.
- Faço, devia te cobrar extra pelo seu tamanho.
- Até parece que quando você tava com aquele seu namoradinho, que parece um armário, não rolava umas massagens grátis.
- Claro que rolava, mas ele sabia muito bem como me recompensar – sorriu maliciosa pro amigo que a encarou com uma sobrancelha erguida.
- Meus dedos são bem longos – disse um pouco tímido encarando as próprias mãos, mas por fim encarou a amiga sério com um sorriso de lado no rosto.
- GARETH! - deu um gritinho chocada – O que é isso? Que nojo! Eu não quero saber essas coisas.
- Grrr – resmungou consigo mesmo, colocando um travesseiro na cara em frustração – Desculpa, , eu só estava me testando. Por que com você eu tenho coragem de falar esse tipo de coisa, mas quando a Lena me provoca, fico mudo e não sei o que falar?
- Ahhh! – compreensão e um baita alívio surgiu no rosto de - Acho que você se sente mais confortável comigo porque sabe que não precisa me impressionar. Não fica pensando nisso, as coisas vão saindo conforme vocês forem se conhecendo melhor, ai você mostra que veio a jogo para ser o atacante que é.
- Assim eu espero, as coisas estão bem legais entre a gente – comentou mais para si mesmo, sem esperar resposta da amiga – E você, quer que eu te apresente algum jogador?
- E eu tenho cara de maria-chuteira? - colocou as mãos na cintura em tom de reprovação, e os dois riram, pois , pelo meio em que vivia, sempre teve rodeada de esportistas – Eu tenho um encontro hoje, na verdade. Meu antigo professor de dança viu no Instagram que estou aqui e me chamou pra dançar e provavelmente um algo a mais, claro que não vai levar a nada, mas sabe como é, to precisando fazer bom uso desse corpo, não levanto peso por prazer – sorriu já se levantando da cama do amigo para ir para seu quarto, enquanto ele ia tomar café da manhã.
- Argh! Muita informação, muita informação, abortar, abortar – O jogador disse entre risadas.
- Isso foi só uma vingança contra seus dedos longos, na próxima, eles vão ficar pela metade – comentou mandando um beijo no ar e saiu do quarto o deixando rindo sozinho, para logo pegar o celular e checar a mensagem de Lena.

(...)

já estava há uns bons minutos no telefone com sua namorada, sem realmente prestar muita atenção no que ela dizia. Alisava distraidamente o próprio abdômen, enquanto assistia a uma partida de futebol japonês qualquer. Sempre que se pegava assistindo times que não considerava serem de elite, agradecia aos céus por ter nascido com tanta determinação para chegar aonde chegou. Não que isso fosse suficiente, seu lema de vida era sempre buscar ser o melhor em tudo que fazia e se propunha a realizar. Queria quebrar recordes não apenas nos campos, mas em todos os momentos de sua vida.
Estava bastante entediado em seu quarto de hotel, e acreditou que pudesse encontrar um pouco de distração com Georgina, mas assim que ouviu sua voz fez uma careta, mal tinham assumido o romance e já não tinha tanta certeza se queria levá-lo para frente. Gostava muito dela, mas desde seu término com Irina, ainda não tinha encontrado alguém que mexesse com ele da forma que ela o fez.
Já tinha falado com sua mãe e seu filho, que acabaram ficando em Madrid. Sorriu ao se lembrar das duas pessoas mais importantes de sua vida, não tinha a menor vergonha de assumir que era sim o filhinho da mamãe, e que não havia nada nesse mundo que não faria para protegê-los. Tinha muitos desejos e ambições profissionais, mas sua maior meta era proporcionar a Jr. uma vida muito melhor que a que teve.
Ouviu alguém na porta e levantou-se para atender, deu de cara com Marcelo, um de seus melhores amigos dentro do time, mas que tinha a irritante mania de sempre esquecer ou perder a chave do quarto. riu da cara que o amigo fez quando reparou que ele usava somente uma das cuecas de sua marca. Fez um sinal para indicar que já ia terminar a ligação e o outro assentiu, se jogando em sua cama e trocando de canal para um seriado qualquer.
- Você tava falando com sua namorada? - Marcelo perguntou interessado.
- Sim, por quê? - disse ao colocar uma bermuda e camiseta.
- Eu falo com a operadora de telemarketing da minha TV a cabo mais empolgado do que você fala com ela.
- Você também notou? Estava indo tudo bem, mas não sinto a menor falta dela, liguei agora pra ver se sentia alguma coisa, mas só senti vontade de desligar mesmo – os dois riram juntos e encararam a televisão, pensativos.
- Talvez por ela ser mais nova? Afinal, você já passou dos 30, né? Sei lá cara, você é o , pode pegar quem quiser, a hora que quiser. Vai ficar perdendo tempo com alguém que você não tem a menor vontade de sequer falar?
- Não sei se nasci para ser que nem você e a Clari, sou feliz assim, achei que tivesse acostumado já.
- Acostumado eu estou, mas não quer dizer que eu não pense que uma hora você vai achar alguém que encaixe com você.
, embora estivesse refletindo sobre as palavras do amigo, não estava com a menor vontade de “se encaixar" com alguém. Já tinha sim pensado em subir ao altar e ter mais filhos, mas não era algo que via como um sonho a ser realizado, se acontecesse ficaria feliz, caso contrário, gostava de acreditar que ficaria bem da mesma forma. Tinha uma carreira, uma paixão, muitos empreendimentos e uma família linda. Estava feliz e fazia questão de manter essa parte de sua vida o mais simples possível.
Os dois decidiram por pedir serviço de quarto para o jantar, e chamaram Kroos, Modrić e Kovačić para jogar poker.
- O Bale mandou um abraço pra todos – Luka colocou o celular no bolso e sentou-se na mesa que tinha no quarto – Chega em Madrid hoje, com a e os pais.
- ? A Loew? - Kroos o encarou com um sorrisinho no rosto, chamando a atenção dos demais.
- Não, a sua filha - respondeu ao amigo com um tom debochado e levou um tapa na nuca em resposta.
- Quem é essa? - Marcelo perguntou olhando de um para o outro - Já tá namorando de novo? Jurava que tava rolando um clima entre ele e a Alaina.
- A madrinha da Ema – Modrić respondeu e acrescentou antes que fizessem mais perguntas – E não, eles são só amigos. Ela na verdade é nossa fisioterapeuta por fora também, vai cuidar do Bale enquanto o Jaime está aqui e depois passar a virada comigo, a Vanja e as crianças.
- Sabe aquelas nerds que vivem de estudar? Ela mesma, você fala com ela e se sente o mais burro do planeta.
- Burro você é mesmo, né? – Marcelo comentou causando uma gargalhada geral, a que Toni respondeu mostrando o dedo do meio para todos, acompanhado de um palavrão em alemão.
- Conheci ela no Spurs, ela foi lá apresentar o projeto de pós graduação e me interessei. Fui meio que cobaia, mas nunca joguei tão bem, como quando ela cuidou de mim. Então já convidei pra ser parte da família logo, pra não correr o risco de perder contato, a mulher sabe o que faz, nunca mais largo dela – disse rindo.
- Se eu fosse solteiro não largava dela também – Kroos comentou rindo e levou mais um soco no braço do croata – Brincadeiras à parte, sempre que ela visita o Luka fica uma noite com as crianças pra gente sair num encontro duplo. O Leon a adora, mas ainda não conheceu a Amelie.
- Portanto, respeito quando a verem no clube – Modrić deu um aviso olhando a todos com a cara séria - Ela é como uma irmã para nós.
- Relaxa, não acho que você terá esse problema – respondeu ao analisar tudo o que tinham dito sobre a tal .

(...)

encarava os olhares de choque dos companheiros de time e equipe técnica com um sorriso no rosto. Assim como o mundo todo, eles tinham acabado de ficar sabendo que ele era, mais uma vez, o ganhador da Bola de Ouro. Por mais que já tivesse ganhado três vezes e ficado em segundo lugar outras cinco, sempre era uma surpresa ser o vencedor. Há nove anos concorria ao prêmio, e tirando apenas 2010 quando não ficara entre os finalistas, via seu nome fazer parte da seleta lista, com diversos outros jogadores talentosos, mas que, felizmente, não mais do que ele.
Gostaria muito de ter compartilhado com todos, não apenas o fato de ter ganhado o troféu, como também que haviam feito uma pequena cerimônia de premiação dentro das dependências do Santiago Bernabéu, para que pudessem tirar as fotos oficiais que estampariam a revista, mas fora orientado a guardar o segredo e achou que seria divertido observar a reação de todos ao vivo. Sua mãe, Dolores, e seu filho haviam comparecido, como sempre, para lhe dar suporte.
Logo, todos começaram a se movimentar para parabenizá-lo e um sorriso, ainda maior, se abriu em seu rosto. Por mais que gostassem de criar mil polêmicas sobre algumas de suas atitudes, tinha aquele time como uma extensão de sua família e sem eles não teria as mesmas oportunidades e prêmios que havia conquistado ao longo dos anos.
Quando acreditou ter terminado de agradecer a todos, Sergio Ramos apareceu com um bolo feito pelo hotel no formato do troféu e após algumas fotos para as redes sociais, fez um breve discurso a pedido de todos, logo voltando a sua mesa para terminar sua refeição.

(...)

Finalmente chegara o dia da final do Mundial de Clubes, terminava de cortar os aperitivos saudáveis que havia feito para a família Bale, enquanto Debbie terminava a parte engordativa. As duas conseguiram chegar a um acordo em relação à alimentação na casa e balanceavam para que a mãe pudesse mimar o filho e a fisioterapeuta cuidar.
Gareth já estava no sofá, local que passava boa parte do tempo, e Frank tinha acabado de voltar do mercado, com bebidas e outros ingredientes que precisariam para os próximos dias.
concordou em sentar para assistir ao jogo, já que geralmente quando ia a Madrid recusava todos os convites para ir ao Valdebebas ou Bernabeu. Pelas suas contas deve ter ido em apenas três jogos, em quase quatro anos. Não porque não gostava de futebol, amava ver seus amigos jogarem, mas sabia que se fosse ao estádio ia pensar em trabalho, e provavelmente Gareth e Luka teriam que tirá-la a força do local. Havia prometido a si mesma que Madrid era significado de descanso e diversão, e até seu amigo precisar dela, tinha conseguido cumprir o combinado. Agora que finalmente tinha conhecido toda a estrutura do clube, queria morar ali pra sempre. Já havia conhecido diversos centros de treinamento altamente avançados, da época em que trabalhara com o Crimson Tides no Alabama e com os próprios New England Patriots em Boston, mas os recursos usados pelo Real Madrid eram de deixar qualquer fisioterapeuta babando.
Sentou ao lado do amigo, colocando os pés em seu colo, Gareth havia lhe implorado para não treinarem naquele dia, e como também estava bastante cansada, aceitou de bom grado, mas claro que aproveitou para ter algo em troca: uma massagem nos pés.
Enquanto o jogador fazia a sua parte no combinado, ele sorria para a amiga, que percebeu que o sorriso não alcançava seus olhos, sabia o quanto o jogador estava triste com sua lesão e que trocaria tudo para estar lá no Japão, e por mais que Lena estivesse o bombardeando de fotos todos os dias, nada podia se comparar com estar ao lado de seus companheiros.
O começo do jogo fora cheio de expectativas, Benzema marcou logo nos primeiros dez minutos, deixando o quarteto bastante empolgado, porém o time japonês marcou um gol no final do primeiro tempo, e marcara de novo no início do segundo. Gareth parecia não respirar, sentia-se ainda pior por não estar fazendo sua parte. deu um aperto em sua mão em solidariedade, o que o ajudou a recobrar seu otimismo. Confiava em seus companheiros e sabia que o time iria reagir.
Logo, marcou uma cobrança de pênalti, trazendo o resultado para um empate, que se seguiu até o fim da partida. A prorrogação trouxe silêncio e concentração, Debbie parecia rezar e sorriu vendo a cena, claro que se declarava madridista para quem perguntasse, mas o motivo era óbvio: seus amigos. Quando fora ao estádio ficou arrepiada ao sentir a energia e amor que a torcida emanava, mesmo no box com a família dos jogadores, podia ver como o time era especial.
Durante o jogo, foi impossível não reparar no talento dos jogadores, não sabia dizer qual era o seu favorito, além dos camisas 11 e 19, obviamente. Até chegara a se questionar se seu programa de mapeamento do corpo dos atletas seria efetivo com profissionais como aqueles, mas caso fosse, o Real Madrid seria ainda mais imbatível nos campos.
O camisa 7, como previsto, mostrou o porquê era conhecido como o melhor do mundo e marcou de novo.
- Mais um gol e o filho da mãe faz um hat trick! – Gareth exclamou animado já na ponta do sofá.
- O que é isso? - perguntou curiosa
- Quando um jogador marca três vezes em uma única partida.
- Eu achava que era quando eles marcavam de cabeça - riu de si mesma, fazendo pai e filho caírem na gargalhada
- Tem também o hat trick perfeito que é quando o jogador marca com um pé de cada vez e depois um de cabeça - Gareth explicou ainda atento ao jogo.
- Em 2007 o Peter Crouch marcou um perfeito contra o Arsenal – Frank adicionou e fez uma nota mental para procurar o vídeo no youtube.
- O Neymar também - o Bale mais novo completou ao se lembrar das origens brasileiras da amiga – Foi recente, num amistoso, mas não lembro agora contra quem.
- Vou olhar depois – sorriu para os dois e voltou sua atenção para o jogo.
Debbie foi a primeira a se levantar ao ver completar o tal hat trick, garantindo ao Real Madrid o título de campeões mundiais. Logo, todos repetiram o gesto e aproveitou pra tirar uma foto do amigo comemorando o final da partida e postou no Instagram e Facebook com a seguinte legenda:

Hoje como espectador, muito em breve como titular! Hala Madrid! ⚽️🏆

O grupo assistiu a entrega das medalhas e depois de muita comemoração, Gareth voltou a se sentar, agora muito mais animado, pegando o celular para parabenizar toda a equipe e provavelmente checar uma certa conversa em especial. fizera o mesmo com Luka, avisando que o veria no dia seguinte, e o parabenizando mais uma vez pela conquista.

(...)

No jardim, estava pensativa, não imaginava o quanto iria gostar de assistir a uma partida de futebol. Como a maioria dos americanos, sua família era apaixonada por futebol também, mas o americano. A fisioterapeuta cresceu acompanhando seu pai e o restante de sua família em diversas viagens pelo país para assistir aos jogos da NFL. Seus irmãos eram devotos do Cleveland Browns, e como boa irmã mais velha, sempre os levava para assistir aos jogos do time.
Mas futebol, era a primeira vez que vivia uma experiência como a que tinha acabado de ter. Apesar de ser metade brasileira, só ia ao país no final do ano para passar as festas com a família, e acabava não vendo nenhuma partida.
De todos os jogadores que vira hoje, só não ia muito com a cara de . Não o conhecia pessoalmente, mas as coisas que via e ouvia sobre o jogador não lhe agradavam muito. Lembrava de ter visto um vídeo em que fizeram uma compilação das vezes em que o camisa 7 foi visto em pleno jogo, admirando a si mesmo, ou então a forma em que se portava, confirmando que sabia que era o melhor jogador do mundo, além de ser bonito e gostoso. Quer dizer, ele até poderia ser tudo isso, mas precisava ser arrogante a ponto de concordar?
Humildade era algo que seus pais haviam lhe ensinado desde pequena, viviam dizendo que da mesma forma que conquistaram tudo o que tinham, poderiam perder em um piscar de olhos e a criaram para ter sempre os dois pés no chão e ser educada com todas as pessoas, da faxineira ao presidente, e se tinha uma coisa que a tirava do sério era ostentação, e parecia ser a personificação da palavra.
Fora que morria de vontade de confirmar se os boatos eram verdadeiros, que o jogador realmente jogava pro outro time, nunca perguntara nenhuma fofoca aos amigos, por pura vergonha. Todos a achavam sempre tão séria, não queria perder a credibilidade, mas assim como todo mundo, quando via alguma das roupas que o atacante usava, não tinha como não ficar curiosa.
A única coisa que sabia, através de Luka e Gareth era que ele era bastante focado, mas assim como todo o time, muito brincalhão e gente boa, bem menos arrogante do que comentavam por aí. Claro que também o achavam excêntrico, mas estavam acostumados com a forma dele de ser, e no quesito talento, o camisa 7 realmente merecia o título de dono do mundo.

(...)

A proximidade do Natal fazia sorrir mais que o normal, logo estaria na Bahia com a sua família materna. Já estava acostumada a revezar os natais, passando um ano com a família Goes no Brasil, outro com a família Loew nos Estados Unidos. Amava como duas famílias podiam ser tão diferentes e de alguma forma dar certo. Seus pais se amaram o suficiente para superar as diferenças e fazer os opostos se atraírem. Da sua mãe, herdara a aparência física, o sorriso, a vaidade e o excesso de sinceridade. Do pai, herdara a paixão por esportes e os estudos, o amor pela profissão, a timidez - muitas vezes confundida com seriedade -, e o perfeccionismo.
Sua mãe havia nascido no sul do Brasil, porém quando Gisela conheceu Todd, eles passaram muitos anos viajando por todo o Brasil e foi ali, naquele pedacinho de paraíso na Bahia, que seus pais haviam decidido ter uma casa de praia. E que casa! Era seu lugar favorito em todo o mundo, a casa era um paraíso particular, dava direto na areia e a paz que sentia ali não encontrava em nenhuma outra cidade. O único lugar no mundo que conseguia “não fazer nada”, a internet funcionava quando queria e sua família a proibia de ler um artigo médico sequer. Passava os dias andando de bicicleta, fazendo wakeboard, mergulhando e curtindo a família, que via muito menos do que gostaria.
Aproveitava também para paparicar e ser muito mimada por seus três irmãos, Cameron, Nate e Carter, o famoso trio CNC, como eram conhecidos pelos amigos, e o maior presente que ganhara em toda sua vida.
Seus pais os tiveram quando tinha 7 anos e embora os três estivessem muito ocupados terminando a faculdade e aproveitando seus 22 anos para dar muita atenção a irmã, quando se juntavam a conexão que havia entre os quatro era de dar inveja a qualquer um.
tinha ficado pra traz no quesito altura há bastante tempo, e os meninos aproveitavam para revidar os anos de “escravidão”, que foram obrigados a seguir as ordens da irmã, sempre certinha, tentando pôr ordem na casa. Adoravam tirá-la do sério, apenas pelo prazer de vê-la irritadinha. Mas quando saiam de sua bolha familiar, agiam como guarda-costas da fisioterapeuta, a quem carinhosamente chamavam de quarterback.
O som de carros fez sair de seus pensamentos no que aconteceria nos próximos dias e a fez voltar para aquele parque em La Finca, onde estava mais uma vez, meditando e praticando yoga. Notou vários carros entrando quase que em sequência pelas ruas do condomínio, e acreditou serem os jogadores, que deveriam ter acabado de chegar do Japão. Ligou seus headphones e resolveu dar uma corrida pelo condomínio, antes de ir embora para acordar Gareth. O jogador já estava em clima de festas, porém apesar da folga no dia anterior, Jaime já havia combinado de visitá-los e depois ele e iriam para a Rekovery estudar o que havia sido feito e o que poderiam fazer para continuar sua reabilitação.
se assustou ao abrir a porta e ver Gareth acordado àquela hora, tanto que nem notou que atrás dele, estava Alaina. A assistente era ainda mais bonita pessoalmente, e se viu fascinada com os traços genéticos da mulher a sua frente. Sabia que Zidane era francês, mas com certeza tinha algo mais ali. Gareth imediatamente entrou em “modo alarme”, provavelmente sabendo que estava prestes a passar vergonha.
- Ah, agora tudo faz sentido. Você deve ser a Lena, né? - sorriu se aproximando do casal
Por ser muito tímida ao conhecer pessoas novas, já tinha se preparado mentalmente para conhecer a assistente, e prometera a si mesma que ia tentar ser o menos seca possível, não queria que Alaina se sentisse desconfortável. Só não imaginava que o encontro seria dessa forma, sem nenhum aviso prévio, mas ao perceber que no processo poderia deixar Bale vermelho, abriu ainda mais o sorriso e se aproximou do casal à sua frente.
- E você é a .
- Eu mesma – respondeu simpática e encarou Gareth com um olhar que o jogador definiu como "fudeu" - Finalmente estamos nos conhecendo! Ouvi falar bastante de você - "o tempo todo" adicionou mentalmente.
- Ouviu, é? - Lena sorriu olhando de para Gareth, que já estava com as bochechas mudando de cor, ao ver seu pior pesadelo se tornar realidade.
- Claro, quando o Real Madrid te contratou só se falava disso - prendeu o riso, ao ver seu amigo soltar um suspiro aliviado - Já foi um grande avanço a Eva Carneiro fazer parte da equipe médica do Chelsea, mas foi ainda mais legal te contratarem como assistente técnica. Tenho certeza de que isso vai ajudar a abrir a mente das pessoas e, consequentemente, as mulheres vão ter mais espaço no futebol masculino. E pelo que falam você tem tudo pra crescer nesse meio. Já te admiro muito por isso - respondeu sincera, notando que Alaina pareceu um pouco surpresa com o rumo da conversa.
- Obrigada. Eu realmente espero poder fazer as pessoas acreditarem que uma mulher pode comandar um time de futebol masculino. Por enquanto, sei que um monte de gente ainda acha que o Zizou só me escolheu pro cargo por ser meu tio - disse, revirando os olhos.
- Eu enxergo o fato de ele ser seu tio de outra forma. Ele não te colocaria no fogo cruzado se não tivesse plena certeza de que você é competente, ia preferir te proteger e deixar bem longe disso tudo - afirmou e resolveu incluir o amigo, que as encarava com um sorriso de canto – O que você acha, Gareth?
- Da parte dos jogadores nunca rolou esse tipo de pensamento. A gente confia cegamente no Zizou.
- Não vejo a hora de todo mundo pensar como vocês – notou um brilho a mais surgir nos olhos da assistente ao ouvir a resposta de Bale.
- O papo tá ótimo, mas vou subir pra tomar um banho. E você, moço, vai se preparando que daqui a pouco a gente começa a ralação. O Jaime disse que vai aparecer aqui pela tarde – a fisioterapeuta falou vendo o amigo fazer uma careta de sofrimento, a qual já tinha acostumado – Até mais, Lena.

(...)

- E aí? – estava deitada em sua cama pensando na vida, quando Gareth entrou ansioso.
- Ela é linda, B. e parece ser divertida, acho que podemos ser amigas, mais do que fui com a Emma – fez uma careta ao citar o nome da ex de Bale, fazendo-o lhe dar um empurrão para que pudesse se deitar na cama com ela – O que ela veio fazer aqui essa hora?
- Me entregar a medalha do Mundial – sorriu retirando o objeto do bolso e entregando para .
- Que linda! E vocês deram uns pegas no sofá?
- Claro, com minha mãe na cozinha e meu pai no quarto – resmungou encarando com aqueles olhos que pareciam feitos no Photoshop - Ela ainda vai me deixar louco, queria tomar uma atitude e empurrar ela na parede, sei lá, mas aí respiro fundo e não faço nada, porque tenho medo de estragar tudo.
- Ela gosta de você, ninguém aparece na casa de ninguém nesse horário pra “entregar medalha”. Deixa rolar, não é como se nenhum dos dois fosse a algum lugar.
- É... – suspirou pensativo e os dois caíram em um silêncio confortável.
- Você acha que eu devo ir nessa festa hoje? Esse Benzema é legal?
- Muito, dou risada pra caramba com ele, é o melhor amigo da Lena, lembra?
- Ah é, minha versão masculina – riu sozinha ao se lembrar do ocorrido com a tal foto “por engano” – Já disse que posso mandar uma foto por você também.
- Vai sonhando, você já... mandou fotos assim?
- Vai sonhando – riu, imitando o amigo – Já recebi bastante, mas nunca mandei. O Julian tem algumas fotos mais sexys minhas, que ele mesmo tirou, mas só confio nele – deu de ombros – Eu posto foto de biquíni sem medo de ser feliz, então não posso falar muita coisa, sou a favor de livre escolha, se um dia eu tiver vontade acho que até mandaria, mas pra alguém que eu realmente confiasse.

(...)

deu um suspiro cansado, mas feliz, passara a manhã toda tratando Bale e logo no começo da tarde Jaime chegou para vê-los e examinar o jogador. Enquanto um fora liberado para aproveitar a tarde, a outra seguiu com Jaime para a clínica para conversar sobre o trabalho feito. Iria para o Brasil em dois dias e precisava deixar tudo em dia para aproveitar sua família.
Fechou o zíper de sua bota e desceu para avisar a Gareth que estava pronta.
- O que é isso? - perguntou atônita ao ver o amigo vestindo apenas uma bermuda de treino e agasalho – Por que você não está pronto ainda?
- Porque eu não vou - respondeu irônico encarando a produção da amiga
- Por que não? - rebateu se sentando ao lado dele no sofá - Está com alguma dor?
- Não, só sem vontade mesmo, não vai ninguém do time, fora que provavelmente vamos ser os únicos que não falam francês lá, não vejo como pode ser divertido, ainda mais com essa bota aqui.
- Nossa que mau humor! – falou pensativa encarando a TV, mas sem prestar atenção no que estava passando – Mas a Lena vai estar lá, isso não seria motivo suficiente? Aliás, o único motivo que você precisa pra ir nessa festa? Caramba, B., você sabe que odeio me enfiar no meio de um monte de gente que não conheço, me arrumei toda pra te fazer companhia. Vocês ficaram quase um mês sem se ver, a coitada veio aqui morta de cansaço “entregar a medalha” e você não vai nem fazer o esforço de sei lá, tomar a tal atitude que você me disse hoje de manhã? Depois não reclama que só fica no 0x0, bunda mole desse jeito.
- Caramba, eu sempre esqueço desses seus surtos de sinceridade, e essas piadinhas ridículas ligadas a futebol.
- Não me enche, elas são demais e você sabe que não tenho muito filtro, mas também sabe que estou certa. Quer chance maior de conversar com ela do que uma festa longe de todo o time? Eu só estou indo por você e pra te ajudar, mas desse jeito não dá nem vontade - comentou chateada, pronta para tirar o colar que estava usando.
- Você tem razão, eu vou! - disse mais alto e determinado que o normal, fazendo fechar o colar de novo e sorrir animada – Já tinha tomado banho pra dormir, vou só me trocar - levantou mais animado, dando um beijo na testa de – Obrigado.
- Vai lá ficar gato pra sua assistente, eu vou tirando o carro da garagem.
Do lado de fora, estava tão concentrada em arrumar o banco do passageiro, de forma que Gareth conseguisse esticar a perna, que nem reparou no carro com as janelas escurecidas que diminuiu consideravelmente a velocidade, ao se deparar com as pernas definidas da fisioterapeuta.

(...)

A dupla de amigos tinha acabado de entrar na casa de Benzema. Enquanto se retraia naturalmente e encarava as pessoas a sua frente com um certo pânico no olhar, Gareth buscava um par de olhos em especial.
Sentindo diversos olhares se virarem para sua amiga, a analisando de cima abaixo, Bale passou a mão por sua cintura de forma protetora e sorriu ao encontrar Alaina olhando para os dois.
- Ei, Lena – a cumprimentou quando já estavam mais próximas uma da outra – Espero que realmente não tenha problema eu ter vindo de penetra.
- Não tem mesmo, quando você conhecer o Karim, vai entender – a assistente respondeu olhando para Gareth. entendia, ele estava realmente lindo aquela noite.
- E onde ele está? Queria dar parabéns e apresentar a - perguntou tentando achar o amigo no meio de tanta gente, mas metade parecia ter a cara do jogador, provavelmente seus muitos irmãos.
- Sabe que nem eu sei? Bêbado por aí com certeza, querem se sentar? - perguntou olhando para a perna de Gareth, a que todos assentiram.
Alaina ia apontando algumas pessoas e falando seus nomes para que Bale e Loew não se sentissem tão deslocados, no caminho acabou conhecendo Lola, namorada de Karim, a quem com certeza não tinha agradado. Lena tinha dito que ela era modelo, e a fisioterapeuta podia ver os motivos por ela ter tal profissão, era magra, loira e linda, então não entendia o modo que a menina ficava a encarando de forma ameaçadora.
Apesar do cansaço, batia o pé ao som do rap francês que tocava, e ouvia a conversa entre Gareth e Alaina, os dois pareciam ter bastante sintonia. Riu sozinha ao ver que era a maior vela do universo, até pensou em dar a famosa desculpa de ir ao banheiro para deixar os dois a sós, mas antes que pudesse falar, Lena ofereceu a todos uma bebida e como estava agoniada em estar sentada há tanto tempo, seguiu a assistente até a cozinha, onde após um claro sinal de marcação de território, conheceu Karim Benzema.
Entendeu o ciúme de Lola, apesar de discreto, viu quando ele demorou alguns segundos a mais em seu decote, fora que não era cega, o jogador era ainda mais bonito ao vivo. Amava homens com barba e sentiu suas pernas fraquejarem quando ele lhe deu uma piscadinha sexy.
Quando voltaram para o local onde estavam sentados, Gareth e Alaina engataram em uma conversa com um ex-jogador do time, que não conhecia, e a mulher sabia que sua hora tinha chegado, Bale ficaria mais do que bem com a assistente, e já sonhava com sua cama.
Antes de ir embora, foi à procura do aniversariante, com um pequeno embrulho de tecido em mãos. Seus pais eram extremamente sociáveis e passara toda a adolescência recebendo e frequentando diversos eventos sociais. Aprendera desde cedo com eles a sempre se apresentar, agradecer e se despedir do anfitrião, e a nunca chegar de mãos vazias a casa de alguém, ainda mais se fosse aniversário da pessoa.
Estava receosa em encontrar Lola junto com o jogador, não sabia se teria coragem de falar com ele sabendo que a modelo estaria desejando sua morte a todo tempo, mas respirou aliviada ao vê-lo novamente na cozinha, sozinho, se servindo de uma dose de whisky.
- Benzema? – o chamou por cima da música que tocava.
- , certo?
- Isso, mas me chama de , por favor.
- Então me chama de Karim – o homem a sua frente respondeu abrindo um sorriso fofo.
- Eu não consigo, sou meio esquisita. – confessou fazendo um gesto com os braços, já se odiando por ver o filtro de suas palavras sumindo.
- Onde? - viu o rosto do jogador a sua frente se virar de lado, curioso.
- Sei que não parece, mas sou muito tímida, vir numa festa que não conheço nem o aniversariante vai além das minhas habilidades. Só vim mesmo pra ajudar o Bale – confessou apontando para onde Gareth e Alaina estavam minutos antes.
- Ah é, você sou eu.
- Como assim?
- Eu sou o melhor amigo da Lena, e você do Gareth, você ouviu aquela hora sem querer, eu até tento ajudar os dois, mas é difícil.
- Ah sim – deu uma risadinha – Bota difícil nisso.
- Quer uma bebida?
- Não, obrigada, eu já vou indo. Eu... só vim me despedir mesmo, é que meus pais me ensinaram a nunca ir à casa de alguém sem um presente, e como era seu aniversário dei uma stalkeada no seu Instagram, de leve, prometo – confessou rindo, se sentindo bastante estúpida, ainda mais quando Karim a encarou ainda mais curioso – Eu paguei no cartão do Bale, então pode agradecer a ele, eu só realmente não teria coragem de vir aqui sem isso – disse lhe entregando o pequeno envelope de veludo vermelho.
- Não precisa... - Karim abriu o embrulho, e viu seu sorriso se transformar em choque – Wow, jazakAllahu khair! - disse tocado pela delicadeza da mulher à sua frente.
- Eu não sei o que isso significa, mas de nada. Não sabia se você era praticante da sua religião, mas li que o Tasbeeh laranja ajuda a aliviar a tensão e influencia energias positivas, achei algo legal para se desejar a um jogador de futebol.
- Já gostei de você, , obrigado, de verdade!
- Não foi nada e feliz aniversário de novo, acho que a gente ainda se vê por aí – sorriu e deu tchau ao aniversariante, indo em direção a porta.

(...)

estava frustrada dentro do carro, já tinha saído da casa de Benzema há uns 15 minutos e não fazia ideia de onde estava, o pior era saber que tinha se perdido dentro do próprio condomínio. Cameron, o mais saidinho dos seus irmãos, já estaria rindo da cara dela.
Apesar de já ter se acostumado a fazer o caminho da portaria até a casa de Gareth, não prestou a menor atenção em como chegou a casa do camisa 9, e agora não conseguia encontrar nem a casa onde estava hospedada, nem a portaria.
Claro que o mais fácil seria ligar para Gareth e pedir socorro, mas caso ele tivesse finalmente beijado Alaina de novo, não ia ser ela a responsável por atrapalhar o milagre do ano.
Resolveu que o melhor a se fazer era dirigir para a última casa que tinha visto a luz acesa e bater na porta, mas antes que pudesse fazer a volta com o carro, viu um farol alto vindo em sua direção e criou coragem para sair do carro naquele frio e fazer um sinal para que o motorista parasse.
O carro diminuiu a velocidade e parou ao lado de , ela não conseguia ver quem estava dentro, até o vidro se abrir por completo. Seu rosto não conseguiu esconder o choque ao perceber que era .
- Está todo bien? - perguntou com uma expressão preocupada no rosto, olhando de para o carro dela.
- Si, es que non sei...desculpa, posso falar em português? Meu portunhol é muito ruim – a fisioterapeuta quis se chutar, era óbvio que sim, podia falar português com um cara de Portugal.
- Brasileira! - disse abrindo um sorriso enorme – Claro que pode.
- Mais ou menos, minha mãe é, mas eu nasci nos Estados Unidos – se aproximou ainda mais do carro, apoiando o braço na porta, sem perceber que sorria abertamente.
- American? Meu inglês não é tão bom quanto o seu português. O carro quebrou? - colocou a cabeça um pouco pra fora da janela e conseguiu sentir o perfume que o jogador usava, "cheiroso, muito cheiroso".
- Na verdade, estou bem perdida, estava no aniversário do Benzema e agora não sei como voltar pra casa.
- Ah, me segue que eu te deixo lá, antes que você morra de frio. Quer meu casaco? - antes que terminasse de processar o que havia dito, o jogador tinha em mãos o casaco que estava no assento do passageiro.
- Não, imagina, eu já vou voltar pro carro – respondeu bastante surpresa com a atitude do jogador.
- Tudo bem, só faz a volta com o carro, a casa fica pra lá.
- Obrigada, de verdade! - sorriu dando um tchauzinho e correu para o quentinho do carro.
seguia o jogador e não conseguia acreditar no que tinha acabado de acontecer. De todos os moradores do condomínio, justo ele tinha que aparecer? Além de tudo, fora simpático e cavalheiro ao lhe oferecer o casaco, pensou que talvez, se tivesse aceitado a oferta, poderia sentir o cheiro do perfume dele novamente. Por que todos os homens gays eram sempre tão vaidosos? Amava homens que se cuidavam, e jamais reclamaria se eles viessem acompanhados com um corpo igual ao dele.
parou com o carro na calçada oposta à casa de Bale, e esperou entrar na garagem, mas a fisioterapeuta estava muito intrigada com uma coisa que só se deu conta ao chegar na rua em que morava. Estacionou o carro de qualquer jeito na rua, e já vestindo sua jaqueta correu até o carro do jogador, que abriu o vidro novamente, com mais um sorriso largo no rosto.
- Ei, me toquei que nunca te disse onde estava hospedada, como você sabia?
- Eu te vi mais cedo tirando o carro da garagem. Eu moro ali, e pra ir pra qualquer lugar passo aqui na frente.
- Ah sim, claro. Bom, acho que você já percebeu que eu sei quem você é – viu o jogador assentir pra ela – Prazer, Loew, sou amiga do Gareth e do Luka – estendeu a mão ao jogador e estranhou ao notar a cara de surpresa que ele fez, quando ela lhe disse seu nome.
- , mas pode me chamar de . Fala pro Bale que eu mandei um abraço?
- Claro! E, de novo, muito obrigada, você salvou minha vida, provavelmente estaria lá ainda, congelando.
- Não foi nada, passei no Karim pra desejar feliz aniversário a ele, não faço aquele caminho normalmente.
- Dei sorte então – sorriu dando uma piscadinha pro jogador – Obrigada de novo, , acho que talvez ainda te veja antes de ir embora, então, até mais?
- Espero que sim, , até mais.

(...)

Aquela era a tal nerd que vivia de estudar?
observava hipnotizado, o movimento que o quadril da mulher fazia, ao andar de volta para o carro. Estivera pensando naquelas pernas e vestido desde que saíra mais cedo para jantar. Se perguntou se Gareth estaria namorando novamente, mas no Japão Luka tinha dito que não.
Quando finalmente entrou em casa, seguiu para a sua, mas não sem antes enviar uma mensagem para Toni Kroos.

: Agora eu entendi o que você quis dizer com "se eu fosse solteiro também não largava da tal ". Ela é fisioterapeuta mesmo?
Kroos: Gostosa né? 🍑 É sim, excelente, precisa ver as massagens que ela faz. 💆
: Acho que to precisando ficar solteiro. 🙈


Capítulo 3

corria por La Finca xingando todos os santos fitness do mundo. Quando acordou naquela manhã, empolgada por saber que estaria no Brasil naquela noite, queria pensar em qualquer coisa menos em se exercitar e, se esse qualquer coisa viesse no formato de pizza, ainda melhor. O único problema era que a fisioterapeuta odiava fazer voos longos, simplesmente não conseguia dormir, já tinha baixado alguns artigos médicos que estavam pendentes para ler e separado alguns e-mails para responder, mas sabia que precisava de mais se quisesse tentar dormir por pelo menos duas horas.
A cada passo que dava, olhava o relógio, sentia como se tivesse correndo há 3 horas, mas tinham passado apenas 38 minutos. Já teria desistido se não tivesse ainda longe da casa de Gareth, ao menos correndo chegaria mais rápido, queria tomar um banho e acordar logo o amigo para saber como fora a noite anterior, já estava dormindo quando ele chegou e nem teve a chance de contar que tinha conhecido o camisa 7.
Por estar ouvindo música, tomou um baita susto ao ouvir uma buzina tão próxima de si, levou a mão ao coração enquanto se virava na direção do som. Lá estava ele de novo.
– Desculpa, não queria lhe assustar - disse, rindo, e se surpreendeu por achar o sorriso dele bonito, geralmente o achava tão forçado nas fotos.
– Não, tudo bem, eu que estava distraída tentando fazer o tempo passar mais rápido e essa tortura acabar logo. - se aproximou do carro, diferente do dia anterior, e teve que se abaixar um pouco para conseguir ver o jogador direito.
– Quer uma carona?
– Hm - olhou pro relógio, vendo que ainda faltavam 20 minutos para terminar o que tinha planejado correr, mas, ao mesmo tempo, sem a menor vontade de dar mais um passo. - Eu até gostaria de aceitar, mas estou suada, não quero molhar seu carro.
, tá falando sério? Ontem tu me disse que sabia quem eu era, quer alguém mais suado que um futebolista?
– Tem razão. - afirmou derrotada. - Certeza, né? - disse uma última vez e viu o jogador gargalhar e assentir, abrindo a porta do carona para ela.
– Tu acorda sempre cedo assim mesmo? - lhe passou uma garrafa de água que ele tirou sabe-se lá de onde e se viu mais uma vez surpresa com suas atitudes.
– Pior que acordo, sou o maior pesadelo do Bale, e você? Não está de férias também?
– Estou, é que fui levar minha mãe ao aeroporto. – explicou, mas logo emendou: - Tu és fisioterapeuta, né? - o encarou, surpresa.
– Tô começando a ficar com medo - disse, se ajeitando no banco para ficar de frente para o jogador. – O que mais você sabe sobre mim?
– Sei que é madrinha da Ema e que vive de estudar, ao menos foi o que ouvi.
– Aposto que o segundo saiu da boca do Toni, aquele alemão vive para me encher o saco – fez uma careta engraçada. – Me ama tanto que colocou o nome da filha igual o meu.
– Foi ele mesmo, mas também elogiou-te. O que mais teria pra saber de ti, ? - estranhou a pergunta, o que ele poderia querer saber? E o mais importante, o que Toni poderia ter dito?
– A primeira coisa é que você deve me chamar de por favor. - assentiu e ela sorriu para ele antes de suspirar e continuar a falar num tom levemente derrotado: - Na verdade, o Toni está certo, eu realmente vivia de estudar, terminei meu doutorado faz umas semanas e, agora, eu só quero colocar meu projeto em prática. Na verdade, isso é um jeito mais chique de dizer que estou desempregada mesmo.
– Que projeto? – a encarou, curioso.
– Você não quer que eu comece a falar sobre isso, eu só vou parar ano que vem e quando foi que chegamos aqui? - perguntou admirada ao nem perceber que já estava na frente da casa de Gareth.
– Eu gostaria de saber, não estou com pressa. – e, para provar seu ponto, puxou o freio de mão e desligou o carro. – Conte-me, . – ele deu uma piscadinha para a fisioterapeuta ao usar seu apelido e ela não sabia dizer se aquilo fora completamente ridículo ou sexy. De qualquer forma, sentiu-se corar e abaixou a cabeça. nunca pensou que se sentiria dessa forma ao lado dele.
– Bem, eu sou apaixonada pelo corpo humano e por entender esportistas como você, que só com o corpo fazem feitos inacreditáveis. Além de fisioterapeuta, eu também sou biomecânica clínica, quando me inscrevi nas minhas pós-graduações tive a ideia de criar um programa de mapeamento do corpo humano. Eu faço diversos testes para entender como o seu corpo funciona e, a partir daí, crio um programa de nutrição, exercício e reabilitação focado nas suas necessidades individuais. Cada caso é um caso, mas há pelo menos 25% de melhora na performance do esportista. Já se arrependeu de ter me perguntado isso?
– Na verdade, estou bastante impressionado. O Modrić fez parte desse projeto, certo?
– Fez sim. – sorriu ao pensar no amigo e pode sentir o amor que a mulher tinha por Luka. – Era total amador, foi na base de muitos erros e acertos, demorou sete anos para eu finalmente estar feliz com o resultado, mas o Luka acreditou em mim desde o primeiro dia.
– Pode mostrar-me como funciona?
– Eu adoraria, mas eu estou indo pro Brasil daqui a pouco. Por falar nisso, vou fazer escala em Lisboa.
– Jura, já foi pra lá alguma vez? - fez que não com a cabeça e continuou: - Se soubesse antes, tinha pedido pro avião que levou minha mãe te deixar em Lisboa.
– Imagina! - arregalou os olhos, como se pousar e decolar um avião pudesse ser comparado com uma carona de carro. – Jamais pediria algo do tipo. Bom, eu vou entrar, prometi uma massagem de Natal no bonitão lá antes de ir embora. Obrigada de novo, você está virando meu salvador aqui em La Finca.
– Sempre que precisar, foi um prazer conhecer-te, . Um Feliz Natal a todos os seus.
– Pra sua família também , bom descanso.
saiu do carro rezando aos céus para que não tivesse uma marca de suor onde estivera sentada. Quando já estava do outro lado da calçada, tomou outro susto com a buzina do carro de .
– É pessoal isso? - perguntou, colocando as mãos na cintura, tentando em vão parecer brava, pois estava rindo de si mesma.
– Desculpa, esqueci de perguntar a ti se tem previsão de voltar a Madrid ano que vem? – estranhou a pergunta, ainda mais que o jogador parecia um pouco ansioso com a resposta.
– Na verdade não... - fez uma pausa dramática para tentar entender o motivo da pergunta. - Eu volto esse ano mesmo, o Bale ainda precisa de mim e vou passar a virada com os Modrićs. Foi isso que eu quis dizer ontem quando disse que ainda te veria, só não imaginei que fosse ser logo no dia seguinte, mas semana que vem vou estar lá no centro de treinamento.
– Acho que ando com sorte, vejo-te lá, . - sem saber o que responder, apenas acenou e voltou a seguir seu caminho.
A fisioterapeuta andou o mais rápido que pôde, tentando não deixar transparecer que estava fugindo. Podia sentir o olhar do jogador em si a deixando ainda mais consciente e nervosa. Sem coragem de olhar para a rua, fechou a porta, finalmente soltando o ar de seus pulmões.
Alguns bons minutos depois, começou a gargalhar:
– Está tudo bem, querida? Ouvi a porta, mas você demorou a aparecer.
– Ah, Debbie, está sim, só acho que preciso logo de um novo emprego e um namorado, estou começando a ver coisas onde elas não existem.
– Já conheceu alguém aqui? Também, linda do jeito que você é.
– Você é uma fofa, sabia? Mas não, esse alguém tá beeem longe do meu alcance, digamos que nós dois gostamos da mesma coisa, sabe? De qualquer forma, somos muito diferentes, é mais uma atração que não sei de onde saiu.
– Logo, logo vai aparecer não só um trabalho como um homem maravilhoso para você, só pelo que faz pelo meu filho já dá pra saber o tipo de pessoa que você é.
– O tipo de pessoa que hoje vai comer tudo que tiver naquela sua mesa de café da manhã, Debbie, nem me venha com suco verde, porque hoje eu só quero saber de suas panquecas e, se tiver o resto do bolo de ontem, também vou querer.
– Ah, fico feliz em ouvir isso. Vai tomar banho, então, e deixa comigo que eu mesma tiro o Gareth da cama.

(...)

– E foi isso! – Bale terminou de contar como tinha sido sua noite e , apesar de não ver o rosto do amigo por conta do exercício que faziam, conseguia sentir pela sua voz o quanto ele estava animado.
– Estou tão feliz por você, Balezinho, acho que agora as coisas começam a se ajeitar pra vocês, a Alaina parece ser bem determinada com as coisas que quer e você assim todo príncipe... já quero ser madrinha de casamento.
– Vamos com calma, , agora com o Natal vamos ficar sem nos ver, mas estou pensando em chamá-la para um jantar quando voltarmos, como num encontro, sabe?
– Acho ótimo, inclusive, lembra quando nos conhecemos e te levei pra conhecer Madrid e acabamos sem querer naquele restaurante italiano? Impossível ter algum lugar mais romântico do que aquele nessa cidade.
– Verdade, você lembra onde era?
– Acho que sim, eu olho na internet e te mando, tá?
– Tá, agora me fala, como alguém consegue se perder num condomínio desse tamanho?
– Acho que já deu de rir da minha cara, né? - se fingiu de brava, mas os dois estavam rindo. – Sorte que seu companheiro de time me achou, eu provavelmente estaria lá ainda. Estou pensando em fazer aquele meu brownie em agradecimento, você acha que o comeria? Ele tem cara de quem não sai da dieta nem no Natal.
– Caramba, não fez uma vez pra mim essa semana, foi só o aparecer que já tá me trocando?
– Nossa, que drama, nem parece que larguei meu emprego, entrei num avião e estou aqui trabalhando de graça pra você.
– Ei, eu te comprei um presente, tá? Sei como você é curiosa, então escondi na sua mala pra você só achar no Brasil e, quanto ao , faz sim, acho que ele vai gostar.
Gareth, depois de quatro anos, conhecia como poucos, a mulher era difícil de se abrir com as pessoas, mas algumas de suas ações eram muito fáceis de ler. Alguma coisa em havia lhe chamado a atenção, o que para ele era um tanto quanto curioso, já que a amiga sempre tirava sarro de seu companheiro de time. Não conseguia imaginar duas pessoas mais diferentes do que os dois, mas então se deu conta de sua própria situação e deu risada. Se ele e Alaina, que eram tão opostos, conseguiam achar semelhanças, por que não e ?

(...)

Barra Grande, Brasil

descia do pequeno avião que pegara para chegar até sua casa e, já de longe, podia ver um de seus irmãos a esperando próximo ao carro que foi buscá-la e não conseguiu mais se segurar, largou a bolsa e a mala que carregava e correu ao encontro do irmão o mais rápido que pôde. Não tinha vergonha em assumir que só percebeu que era Carter quando já estava pulando em seu colo.
– Você tá chorando mesmo? - Carter perguntou, rindo, mas preocupado ao sentir sua irmã fungar em seu ombro.
– Posso estar feliz em te ver? A última vez que nos vimos foi no seu aniversário.
– Não vamos lembrar daquele dia – seu irmão caçula dissera com uma careta no rosto. – Ter todos os seus amigos babando na sua irmã não é legal.
– Deixa de ser bobo, cadê o Cam e o Nate?
– Eu não sou suficiente? - perguntou, fazendo uma cara de cachorro abandonado e lhe respondeu com uma careta.
– De novo isso? Já disse mil vezes...
"Amo vocês três da mesma maneira". sorriu animada ao ouvir três vozes em sincronia, repetindo o seu discurso de sempre. Os outros dois estavam dentro do carro, esperando para lhe fazer uma surpresa.
Após matar a saudade dos irmãos, os quatro entraram no carro para ir para casa. No caminho, a mais velha dos irmãos Loew ligou seu celular com o número da Suíça e colocou seu chip brasileiro no aparelho antigo que sempre carregava consigo. Enquanto esperava as mensagens se atualizarem, notou uma mensagem de um número desconhecido no seu WhatsApp que começava com o código da Espanha. A curiosidade falou ainda mais alto ao notar a pequena foto no topo do aplicativo e abriu aquela conversa antes de todas as outras.

+ 034 91 356 ***: Ei , pedi seu telemóvel ao Bale, tudo bem? O que ainda tem para descobrir sobre ti, 😉 masterchef?
+ 034 91 356 ***: Eu e meu filho, principalmente, adoramos a surpresa 😝 Espero que tenha chegado bem, bst

– Nem pensar, quarterback – Cameron, seu irmão mais brincalhão, tomou o celular de sua mão, bloqueando a tela e guardando no bolso. – Veio aqui pra ficar de conversa no celular ou pra ficar com a gente?
– Tudo bem, tudo bem – levantou as mãos ao ar, “se rendendo”. – Me contem tudo, mamãe já bebeu quantas caipirinhas?
– Aguenta que ela vai chorar quando te ver – Nate comentou do banco do motorista.
– É, às vezes a gente pega ela nos olhando e cai uma lágrima do olho dela, a velha tá precisando de um namorado.
– Carter! - disse séria, mas caiu na gargalhada. - Duvido chamar ela assim na frente dela.
– Eu não, prezo pela minha vida – o mais novo dos três respondeu ainda rindo. – Ah, estamos com três amigos aqui, tá? Vamos ficar até dia 29 e depois vamos pra Fernando de Noronha.
– Tudo bem, não fazendo barulho na frente do meu quarto à noite... – deu de ombros e os três irmãos se entreolharam, rindo.
– Uma vez , sempre – os três novamente disseram em uníssono.
Sua família materna era enorme, Gisela tinha três irmãs, todas muito bem casadas e uma mais divertida do que a outra, resultando em doze primos de diversas idades. O Natal acabava sendo bastante animado e o ano novo ainda mais, já que sempre chegavam mais pessoas e a semana virava uma grande festa. Apesar de ser umas das únicas a ter seu próprio quarto, fazia questão de dividi-lo com Carter.
sempre afirmou que amava os três irmãos da mesma forma, o que era verdade, porém, sua afinidade maior era com o caçula. Carter tivera uma complicação em seu nascimento e acabou ficando um mês a mais que os outros na UTI e, embora idênticos na aparência física, ele ainda era o mais "atrasado" em relação a Cameron e Nate, fazendo com que lhe desse mais atenção e com isso criassem mais afinidade.
Sua chegada foi recebida com festa por toda sua família, até sua avó Linda estava acordada àquela hora. A via bem menos do que gostaria, mas sempre mandava notícias e fotos suas por mensagem e morria de rir ao ver as tentativas da avó de respondê-las.
Quando deu 3 da manhã no horário do Brasil, subiu para o quarto tão cansada da viagem e troca de fuso horário que só conseguiu tomar um banho para espantar o calor que fazia na Bahia e adormeceu antes mesmo de Carter aparecer no quarto dez minutos depois.
Do outro lado do oceano, um certo jogador já tinha acordado e visto as duas marquinhas azuis de sua mensagem tendo sido finalmente entregue e lida. Bufou, frustrado, ao ver que não tivera resposta.

(...)

bem que havia tentado esquecer de quem eram as pernas que estavam dentro daquele vestido, teria sido bem sucedido se elas não viessem acompanhadas de um corpo e rosto iguais aos de , se ao menos ela não ficasse tão linda sorrindo. A mulher não tinha como ser mais seu tipo e pelo pouco que haviam conversado pareciam ter bastante em comum também.
Apesar de amiga de dois de seus companheiros de time, nunca tinha ouvido falar de Loew antes, não que estranhasse, não era tão próximo de Luka e Gareth fora do time, o que era uma pena, queria muito ter intimidade o suficiente para perguntar se ela tinha namorado. Georgina ainda era sua namorada e não faria nada para magoá-la, mas, desde que chegara no Japão, percebeu que não estava tão encantado pela espanhola quanto acreditou estar e, só pelo tamanho do seu interesse na fisioterapeuta, já sabia que seu atual relacionamento estava fadado a acabar.
Encontrar correndo pelo condomínio tinha sido pura sorte, gostaria de ter tido mais tempo para lhe perguntar sobre o tal programa que ela tinha mencionado. O clube dispunha de diversos profissionais dedicados a estudar os jogadores para mandar fazer as chuteiras e caneleiras de acordo com as necessidades individuais, fora a grande equipe médica que mantinha todo o elenco em sua melhor forma, mas, pelo que tinha entendido, ela parecia ter um programa ainda mais interessante que poderia vir a acrescentar ainda mais ao programa que o clube oferecia.
Depois do problema que tiveram em 2015 com o médico responsável pelo time, que acabou forçando Sergio Ramos a fazer uma votação no vestiário para banir Jesus Olmo de frequentar o local, a maioria dos jogadores começou a se tratar por fora do clube, mesmo tinha em seu novo contrato que o clube pagaria pelo profissional de sua escolha. E, se pudesse juntar o útil ao agradável e fosse competente como parecia ser, não via por que não tentar tê-la de alguma forma por mais tempo em Madrid.
O jogador tinha ido passar as férias em casa, aliás, em sua cidade Natal, a casa em questão era um de seus muitos empreendimentos fora do futebol, seu hotel, onde logo ao lado tinha um museu com toda sua trajetória desde pequeno até ser contratado pelo grande Real Madrid. Sempre que estava na cidade ficava hospedado ali e fazia uma visita ao seu museu. Apesar dos milhões em sua conta, gostava de se reconectar com o do passado, aquele que lutou muito por seus sonhos e conseguiu lidar com todas as dificuldades da vida para chegar aonde chegou.
Um sonho realizado dentre tantos que vinha pondo em prática para quando chegasse a hora de se aposentar dos campos pudesse continuar se envolvendo em coisas que amasse e lhe dessem prazer.
Estava em seu quarto colocando os e-mails em dia, aproveitando que seu filho tinha dormido com sua mãe, quando Miguel e Ricky, seus dois melhores amigos, apareceram para tomarem juntos o café da manhã.
– Fala, , bom dia!
– Fala Paixão, Ricky, e a Nana e a Claudia?
– Foram pro spa, e a sua?
– Qual delas? – respondeu, já gargalhando, entre ele e os amigos sempre saiam besteiras do tipo. – A Geo vai passar com a família, vamos nos ver na volta, mas... eu conheci uma pessoa - jogou a novidade e observou os amigos se sentarem curiosos.
– Quem? – Ricky perguntou, interessado.
? – Miguel respondeu com o celular do amigo em mãos. – “Cheguei bem sim, desculpe não ter respondido antes, meu irmão roubou meu celular e estava tão cansada que acabei esquecendo de pegar de volta até agora, fico feliz que tenham gostado. Espero que esteja aproveitando sua família. .” – repetiu o que via na tela, imitando uma voz feminina. - Ah, chegou mais uma: "ps: o que significa bst?".
– É ela, não é? Esse sorriso aí eu conheço bem, predador que encontrou a caça - Ricky disse ao observar o rosto do amigo ir mudando conforme a mensagem era lida.
– É, o nome dela... amiga do Bale - suspirou alto, pensando na mulher.
contou com mais detalhes como havia conhecido para os amigos enquanto respondia a mensagem dela.
– Não tinha como ser mais tua cara – Miguel o interrompeu com um sorriso de quem estava aprontando no rosto e virou a tela de seu celular para os outros dois, que o encaravam curioso e puderam ver uma foto de Bale e no aniversário de Modrić do ano anterior. – O único problema é que a conta dela é fechada.
– No da mulher do Luka tá cheio de foto dela também - disse Rick.
O trio passou o café da manhã procurando por mais informações sobre a fisioterapeuta antes de irem para a academia, já que, mesmo de férias, não poderia deixar de cuidar de sua forma física, que a cada temporada parecia melhorar ainda mais.
Estar com sua família lhe dava um sentimento de preenchimento. Desde que seu pai faleceu em 2005, ele e seus irmãos ficaram ainda mais unidos e o senso de responsabilidade que ele tinha crescera ainda mais. Mesmo sendo o mais novo, ficava feliz em saber que, apesar de todos os seus irmãos estarem encaminhados, teria condições de ajudá-los pelo resto da vida.

(...)

– Papai – seu filho, que estava na piscina, se aproximou, o fazendo colocar o celular de lado.
– Fala, filho – disse, brincando com o menino.
– Vamos na piscina comigo?
– Claro que vamos! – disse, empolgado, já tirando sua camiseta e pegando o menino no colo. – Quer pular? – perguntou a Jr., que assentiu empolgado e saiu correndo, se jogando com tudo na piscina.
A piscina interna e aquecida os ajudavam a esquecer o fato de que a temperatura do lado de fora estava bem abaixo do que o normal. Quando não estava ocupado com o futebol, sua primeira prioridade sempre seria Jr., nenhuma pessoa ou negócio viria na frente de seu filho e, sempre que o menino o chamava para brincar, largava o que estivesse fazendo para lhe dar atenção, mesmo que sua mente ainda estivesse presa numa foto que tinha acabado de receber de Toni Kroos.
– Vou contar e tu pula, tá? - disse para o menino que ainda estava pra fora da piscina.
– Ai meu filho, cuidado pra não machucar o menino – sua mãe apareceu na hora e deu risada, balançando a cabeça.
– Ô mãe, sempre preocupada, o não é de açúcar não, eu vou segurar.
– Olha lá, tô de olho.
– Sim senhora – respondeu, ainda rindo, sabendo que a mãe não tinha jeito, mais protetora que ela não existia.
Dolores era como a maioria das mães, quando Jr. nasceu, a viu se transformar em uma leoa ainda mais feroz e então soube que, por mais que seu filho não fosse ter a presença constante de uma mãe, ele teria a presença de diversas figuras femininas que poderiam fazer o papel tão bem quanto. Muita gente pelo mundo era filho de mãe ou pai solteiro e não via qual diferença fazia se seu filho fosse criado apenas por ele, todo mundo ao seu redor entendia, menos a mídia.
Seus poucos dias de folga estavam passando da exata forma que tinha planejado, diversão, descanso e também bastante trabalho. Passara a conversar com por mensagem todos os dias e até começaram a trocar algumas fotos de onde estavam e o que estavam fazendo, ela parecia diferente da pessoa que tinha conhecido e não sabia muito bem como agir, preferia o contato casual que tinham tido pessoalmente.
Kroos, pelo contrário, parecia estar adorando o interesse de na mulher, pois, quando viu a foto que postou dentro de um barco vestindo apenas um maiô preto que deixava toda suas costas à mostra, e outras partes de seu corpo também, sabia que tinha que enviá-la ao colega de time.

Kroos: Achei que gostaria de apreciar as paisagens brasileiras, elas ficam um espetáculo nessa época do ano. 😈🌄?
: Se tivesse como, agradeceria a Pedro Alvares Cabral pessoalmente, essa paisagem é realmente espetacular. O Brasil tem ainda mais relevos do que imaginei. 😍
Kroos: Se alguém perguntar, principalmente minha mulher, não fui eu quem te mandou isso não.
Kroos: Ah, e, se der em casamento, não aceito nada menos do que ser o padrinho.
(...)

! – Cameron exclamou, nervoso. – Eu não tenho mais cinco anos.
– Tá, então, espero que você caia e se machuque – retrucou, nervosa, se afastando, mas logo se virou arrependida. – Desculpa Cam, eu não quis dizer isso – disse para o irmão, que parecia bastante chocado com o que acabara de ouvir.
– A gente sabe o que está fazendo – Nate, seu irmão mais sensato, respondeu a abraçando de lado antes que Cameron a respondesse à altura e os dois começassem uma de suas discussões intermináveis. – Praticamos wake o tempo todo, esqueceu que moramos na Califórnia agora? Só você que se mudou pro inverno, o Cam tá profissional e sabe fazer essas manobras.
– Tô parecendo a mamãe, né? – disse olhando para um Cameron emburrado se segurando no barco ainda com a prancha nos pés. Sem esperar resposta se jogou no mar indo de encontro a Cameron. – Desculpa, eu não quero que você se machuque, você sabe que me preocupo e, se alguma coisa acontecer um dia com vocês, nem sei o que faria.
– Não vai, quarterback, eu treinei o ano todo para aproveitar o final do ano, prometo que não morro antes que você, o que vai ser bem difícil já que você vai viver pra sempre – deu uma piscadinha divertida para a irmã.
Os quatro irmãos estavam há horas no mar com suas duas primas mais velhas Luisa e Lara, e os três colegas de faculdade dos meninos, Andy, Ethan e Ben. O pequeno grupo tinha saído logo após o café da manhã para aproveitar e fazer o esporte aquático favorito da família Loew. O combinado era que, ao meio-dia, quando o sol já estivesse quente, almoçariam em um restaurante de frutos do mar simples que ficava ao lado da cachoeira onde passariam o resto do dia tomando sol e se divertindo.
gostava de brincar no wake, mas não era mestra no assunto, apenas gostava de deslizar pela água sem muitas manobras radicais, ver seus irmãos fazendo coisas perigosíssimas a deixava bastante preocupada e, por mais que tentasse relaxar, não conseguia parar de se preocupar com a velocidade que Nate pilotava a lancha e as manobras que Cameron fazia. Até Carter, que geralmente pegava leve, estava voando.
– Eu não sou chata assim normalmente – brincou com os amigos do irmão que estavam sentados na frente do barco tomando sol. – Mas nunca vi eles fazendo isso.
– Minha mãe é igualzinha – Ben comentou e levou um tapa de Andy.
– Ai, o que eu fiz? – disse, passando a mão na cabeça.
– Acabou de chamar a irmã do CNC de velha - comentou o óbvio e viu o menino ficar vermelho. - Agradeça que, se fosse um deles que tivesse ouvido você, ia levar muito mais.
– Desculpa , foi sem querer, mas é que...
– Não se preocupa – disse, rindo. – Eu entendi. Ei, Andy, você tira uma foto aqui pra mim?
– Claro – ele se levantou do pequeno assento e a ajudou a subir até a ponta da lancha. – Como você quer?
– Você não me questionou quando te passei aqueles exercícios pra melhorar seu passe nos jogos, eu não vou dizer a um fotógrafo como fazer seu trabalho.
– Amador, , eu só tiro foto por brincadeira, mas pode deixar que eu vou dar o meu melhor, acho que a modelo ajuda bastante – disse tímido e com o tom de voz bem abaixo do normal.
não era de se envolver com qualquer um, muito menos um cara mais novo, mas Andy havia lhe chamado a atenção desde o primeiro momento em que se viram. Ela tinha descido para tomar café da manhã com os primos e, assim que apareceu na varanda, sentiu seus olhos irem direto aos dele, que a fitavam de volta. Talvez ter descido só de biquíni sem nem ao menos conhecer todos que estavam na casa antes não tinha sido sua melhor ideia, seus irmãos odiavam quando os amigos a olhavam, mas não era nada que podia evitar, considerando onde estavam. Seu corpo não era o mais forte e definido do mundo e nem se achava a mais gostosa, como geralmente estereotipavam as mulheres brasileiras, mas se cuidava muito mais do que a maioria das pessoas e a consequência era um corpo que a deixava feliz e segura de si.
Andy, apesar de jogar futebol americano e ser amigo de seus irmãos, que por onde passavam atraíam olhares, era bastante tímido e muito inteligente, isso fez com que ficasse ainda mais impressionada com o garoto e, sem perceber, passaram horas dividindo uma rede no quiosque em frente ao mar conversando sobre tudo e nada ao mesmo tempo enquanto todo mundo nadava no mar à meia-noite, obviamente sem o conhecimento das mães e tias que tinham saído para uma noite de descanso e paz longe dos filhos e maridos.
A conversa dos dois só fora cortada quando seus irmãos se deram conta de onde o amigo tinha passado as últimas horas. riu sozinha, o que estava acontecendo com ela? Primeiro sentia-se atraída por um cara completamente oposto ao que estava acostumada e, agora, um menino de apenas 22 anos.
vinha trocando mensagens com , mas ainda estava sem entender o que estava acontecendo, desde o dia em que chegara e recebeu sua mensagem, os dois passaram a conversar todos os dias sobre o que estavam fazendo e como estavam suas férias. foi o primeiro a enviar uma selfie e sentiu-se aliviada ao ver que o filho estava junto, os dois estavam sem camisa e sorriam para foto. A fisioterapeuta ficou encantada ao ver como pai e filho eram parecidos e o quanto parecia ser um pai coruja, isso fez com que ele ganhasse pontos com ela, ainda mais que a foto era despida de qualquer pose, eram apenas os dois sorrindo para uma foto particular. Sorriu ao fechar o aplicativo e abrir o próprio arquivo para retribuir de alguma forma, pensou que talvez ele estivesse em busca de uma amiga? Decidiu por enviar uma foto da vista que tinha do seu quarto ao nascer do sol e uma sua com Carter na piscina natural que tinham ido no dia seguinte ao que chegara. Sinalizou que aquele era seu irmão mais novo e guardou o telefone no quarto para passar mais tempo com sua família.
Ao longo dos dias conversaram pequenas amenidades, mas sem perceber já não deixava seu celular no quarto, começou a deixá-lo próxima de si e sempre se via checando se tinham mensagens novas do atacante.
– Com quem você tá falando? – Cameron deitou sua cabeça nas pernas da irmã e, imediatamente, ela começou a fazer carinho nos cabelos mais claros do irmão.
– Com um amigo – respondeu dando de ombros, encarando-o.
?
– Como você sabe? – o questionou curiosa.
– Ele está te mandando mensagem o tempo todo, você deixa ele cada hora em um canto. Passei e vi as notificações.
– Privacidade mandou lembranças - respondeu já levemente de mau humor por saber o que estava por vir.
– O que ele quer com você? Caramba, , quantos homens você tem atrás de você?
– Nenhum? – respondeu sem paciência para iniciar uma discussão com seu irmão. – E que tal você parar de ser tão ciumento, você acaba dando corda pros outros dois e eu não quero me estressar. Esse ano vou embora mais cedo e quero ficar em paz aqui.
– Eu me sinto responsável, o Carter sempre fala que exagero, mas... eu não consigo.
– Por mim? – interrompeu seu irmão mais desregrado e irresponsável completamente surpresa, esperava ouvir isso de Nate ou Carter, mas nunca de Cameron – Você sabe que sou metódica até para me envolver com alguém, não vou sair por aí ficando com um cara por semana e, se não estou namorando, fico no máximo com uma ou outra pessoa que eu tenha muita afinidade, afinal, também preciso me divertir, né? Você nunca deve ter me visto com alguém que não tenha sido o Julian ou então aqueles namorinhos bobos de escola que eu tive.
– Eu sei, mas, sem o pai, eu me sinto responsável por você e não quero te ver sofrendo por um cara que não te merece.
– Você sente falta dele, né? - decidiu não discutir com o irmão sobre seu sentimento de posse sobre sua vida amorosa, resolveu focar no assunto que não era muito discutido entre sua família.
– Sinto, mas eu sei que você e a mãe protegeram a gente de muita coisa, tenho medo de achar ele um herói e não ser bem essa a história real.
– O que está acontecendo? – Nate chegou, se jogando do outro lado da irmã, que sorriu e deixou o celular de lado para fazer um cafuné na cabeça do outro irmão, ela não sabia, mas aquilo era o que os irmãos mais amavam em , ela largava tudo por eles. Sabiam o quanto a irmã era workaholic e prezava por seu trabalho, mas era só eles pedirem que ela dava um jeito de largar tudo para ficar com eles.
– A gente tá falando do papai – respondeu. – E como Cam se sente responsável por mim e minha vida amorosa - rolou os olhos tentando demonstrar como não gostava quando eles decidiam virar seus guarda-costas.
– Nós todos, mas ele demonstra mais – Nate respondeu, dando de ombros. - Eu sei que você sabe fazer escolhas e se der errado vamos todos estar aqui. Não falo muito disso porque acho que magoaria a mãe, mas durante nossa infância e adolescência você foi mais mãe do que ela, claro que a amo tanto quanto, é só... diferente e, querendo ou não, queremos ver você feliz, mas também não queremos que deixe a gente de lado, acho que vem daí o meu ciúme pelo menos, não sei os dois.
– Foi uma época difícil, conciliar inscrições e visitas às faculdades e não deixar vocês sofrerem, mas o papai foi um bom homem, sem ele não teríamos tudo o que temos hoje e muito menos essa casa para ficarmos juntos, nem que seja por alguns dias.
– Você sabe que pode contar com a gente sempre, né? Mesmo com a diferença de idade e a distância, estamos sempre aqui e até que de vez em quando sai um conselho bom.
– Eu sempre imaginei, mas é bom ouvir isso – sorriu completamente emocionada ao perceber que seus irmãos não eram mais meninos, que tinham finalmente se transformado em homens.
– O que eu perdi? – Carter chegou, encarando os três, preocupado ao ver a irmã com os olhos cheios de lágrimas.
– Como sempre, atrasado – Cameron começou, já cutucando Nate.
– Demorou quinze minutos pra nascer e, desde então, tenta acompanhar a gente.
– Ouch!! – os dois colocaram a mão na orelha depois de ter levado um puxão cada de .
– Deixem o Carter em paz – disse firme. – Não vão estragar o respeito que acabei de criar por vocês.
– Ah, é? – Nate se levantou com o olhar travesso e sabia que estava ferrada. - Você ouviu isso? - olhou para Cameron.
– Piscina? – Cam disse, rindo.
– MAR! – os outros dois responderam juntos e a mulher nem tentou correr, sabia que contra três não tinha a menor chance, mesmo quando estava defendendo um deles.

(...)
: Tão difícil abandonar isso para voltar pra Madrid. 😫

enviou uma foto da praia que ficava em frente à sua casa onde toda sua família estava reunida tomando sol ou nadando no mar.

: Tu não podes ficar mais uns dias? Tenho certeza que o Bale não se importaria, se aqui estivesse esse sol eu também não ia querer ir embora.
: Tá querendo me ver longe? Eu preciso voltar, já troquei as passagens e não sou de desmarcar compromissos.
: Muito pelo contrário, gostei de conhecer-te. Que horas tu chegas em Lisboa? Posso pedir ao meu avião que busque a ti para que venha mais tranquila.
: 😱😱😱😳
: Claro que não! 😤

Assim que enviou sua última mensagem, viu que começou a responder, mas, sentindo-se estranha e bastante incomodada com a sugestão do jogador, decidiu deixar o celular de lado e focar na festa que fariam àquela noite. Como nesse ano todos os irmãos Loew iriam embora antes do Ano Novo, decidiram por fazer uma festa antes do Natal.
estava tão entretida com a organização e ajudando sua mãe e tias na cozinha, que acabou não olhando mais o celular, deixando um tanto quanto intrigado ao que poderia ter feito de errado, quando a única coisa que ele tinha feito era tentar ser cuidadoso com alguém que vinha lhe despertando o interesse.
A sala da casa tinha sido toda alterada para acomodar as comidas e bebidas já preparada por todos, seus primos menores já estavam dançando algumas músicas na pista de dança e se aproximou de Rafa, seu priminho de apenas seis anos e o pegou no colo para dançar com ele ao som de Katy Perry. Conforme geralmente acontecia, bastava que o som da melodia entrasse por seus ouvidos para que esquecesse de tudo à sua volta e soubesse exatamente o que fazer. Estava se divertindo tanto quanto o garoto, que, às gargalhadas, pedia que a “tia” continuasse a rodopiar.
Quando a música acabou, apesar dos protestos, o colocou no chão sentindo o peso de tê-lo segurado por tanto tempo. Seu olhar acabou caindo sem querer em Andy que a olhava bastante... impressionado. Sentindo-se bem melhor após fazer a coisa que mais amava no mundo, ainda o encarando, puxou Nate para dançar, fazendo questão de sempre fitá-lo quando o movimento permitia, já tinha cansado de analisar o que estava acontecendo com ela e, após as diversas caipirinhas que tinha tomado durante as preparações da noite, tentou se deixar levar pelo que estava sentindo sem se preocupar com seu lado racional.
– Vem! Dança comigo! – ofereceu sua mão para Andy depois de dançar cinco músicas com Nate.
– Jamais, eu não sei dançar um terço do que você está fazendo e também tenho amor à minha vida – disse bastante tímido.
– Estou só te chamando pra dançar, Andy, não pra ir pro matadouro – disse naturalmente, fazendo com que Ben caísse na gargalhada. – Eu sou uma boa professora, prometo – respondeu sem malícia alguma, mas viu nos olhos dos dois que eles levaram e muito sua frase para o lado errado.
– Disso a gente não duvida. – Ben a olhou divertido e cochichou alguma coisa para Andy que coçou a cabeça olhando para o chão ainda mais nervoso.
– Eu não sei...
– Deixa pra lá então. – levemente irritada com seja lá o que os dois tanto se olhavam, virou-se para sair do local.
– Não tudo bem, eu danço! - sentiu o toque de Andy em seu braço e se virou sem esconder suas emoções. – Desculpa, eu não quis te irritar.
– Eu não tenho mais a sua idade, Andy, não gosto de imaturidade e achei que você fosse diferente – respondeu sem dó deixando o garoto ainda mais vermelho e completamente perdido.
Irritada com Andy e ainda mais consigo mesma, descontou na dança sua frustração. Queria ter apenas uma noite legal com alguém que parecia ser adorável, um homem que embora mais novo tinha lhe chamado a atenção, ao menos com ele, ela sabia que o interesse era mútuo.
Passara as próximas três horas divertindo-se com sua família, já que todos gostavam de seu dom e acabavam pedindo que ela os ensinasse alguma coisa, resultando em toda a família dançando Maluma e dando altas gargalhadas da descoordenação de alguns de seus tios.
Com uma caipirinha em mãos, tirou as sandálias dos pés, as colocando no quiosque em frente à praia e foi dar uma breve caminhada no escuro. Apesar de seguro, manteve-se em proximidade à casa. Sentou-se na areia e observou o mar que, naquela noite, estava mais agitado que o normal, sabia que mais algumas horas e ele tomaria toda a areia.
– Oi – virou-se assustada, dando de cara com Andy, não tinha o visto de aproximar.
– E...
– Eu sei que mereço tudo que você quer me falar, acredite, passei as últimas horas me xingando de todos os nomes e sei que estraguei seja lá o que te fez falar comigo da primeira vez, mas eu vim tentar me desculpar. Se vale de alguma coisa, eu danço muito mal, mas eu estava disposto a passar vergonha só para poder dançar com você.
– E por que não dançou?
– Seus irmãos, eles te colocam num pedestal e morrem de ciúmes de você, desde que os conheço sempre ouvi seu nome atrelados a elogios – disse sentando-se ao lado da mulher. – Eles já estão de olho em mim desde o dia na rede e ainda mais depois das fotos que tirei pra você no barco.
– E o Ben?
– Ele é um idiota, disse que se fosse ele não perderia a oportunidade de “aprender” com você por conta do CNC, mas eu não sou assim, por isso achei melhor não ir, só não imaginei que fosse te chatear e quando percebi que provavelmente nunca mais vou te ver, tentei voltar atrás, mas aí já era tarde demais.
– Tá tudo bem, Andy – disse dando de ombros. – Pode voltar pra lá tranquilo, eu vou daqui a pouco, vou andar até o coqueiro caído e volto.
– Eu vou com você, está escuro lá – disse, se levantando e caminhando em silêncio ao lado da fisioterapeuta.

– Eu tenho uma foto sua aqui – se virou curiosa para o garoto que estava sentado no coqueiro ao lado dela em silêncio.
– Como?
– Eu tirei muitas fotos desse lugar, digamos que algumas delas tem você de alguma forma ou outra, idiota eu sei. Imaturo - respondeu envergonhado ao repetir o que tinha ouvido há pouco. - Eu me achava um homem até te conhecer, às vezes fico com vergonha de falar alguma coisa e você cair na real e se perguntar o porquê de estar falando comigo. Isso é, se eu não tiver entendido tudo errado, aí sim eu provavelmente nunca vou superar um mico desse.
– Você não está sozinho nessa, é estranho pra mim também – riu encarando a areia. – Você tem a idade dos meus irmãos, mas acho que a gente não escolhe muito por quem vamos nos sentir atraídos.
– Ainda bem que não, acho que só assim pra você me olhar, você é linda, – Andy disse se levantando e encaixando as pernas de entre as suas. – Eu vou te beijar.
abriu um sorriso doce ao ver quão nervoso Andy estava à sua frente, sentiu-se poderosa por um momento e o deixou livre para fazer o que havia dito, sabia que ele ainda estava incerto se ela realmente ia beijá-lo de volta. O garoto se aproximou devagar, com medo do que estava prestes a fazer, mas, quando seus lábios se encontraram, tanto quanto Andy tiveram certeza de que o que estavam fazendo era a coisa a certa, eles lidariam com as consequências dos seus atos depois... bem depois.
– Me desculpa por ter dito o que disse lá na sala, mas seu amigo não ajudou em nada, é óbvio que mesmo você sendo bastante maduro comigo ainda tem 22 anos e vai agir conforme sua idade, mas fiz parecer que era só isso que você era – disse, sorrindo e fazendo um carinho nos cabelos do menino à sua frente, que aproveitou a situação para puxar para mais perto ainda, abraçando sua cintura.
– Não tem problema, será que ainda posso dançar com você? Ou ao menos tentar?
– Sem música? - Andy tirou o celular do bolso passando pra .
A fisioterapeuta passou os olhos rapidamente nas músicas que ele tinha no celular e decidiu-se por One Dance, do Drake, não tinha nada em espanhol e sabia o que fazer de qualquer forma. Ofereceu sua mão já dançando e, dessa vez, Andy a aceitou sem receios, colocou as mãos do garoto em sua cintura e tentou da forma mais básica que conseguiu fazê-lo dançar, mas acabou mais dançando para ele que a encarava desacreditado por ter uma mulher como dançando da forma que fazia somente para ele. No fim, estavam mais se beijando do que dançando.
– Se antes já não ia esquecer de você dançando, agora acho que posso me considerar o homem mais sortudo do mundo. Não achei que era possível você ficar mais sexy do que de biquíni, mas hoje você ganhou.
– Acho que tem um outro look que pode ganhar desse vestido... – disse maliciosa passando os braços em volta do pescoço de Andy, que era tão grande que tinha que ficar na ponta dos pés para conseguir sussurrar em seu ouvido. – Se eu não estivesse usando nada.
– Você t... tem certeza? - Andy a encarou completamente surpreso e para provar que estava falando sério se afastou do garoto deslizando uma alça do vestido por seu ombro.
– Depois de uma certa idade só beijar não é suficiente, Andy - disse manhosa, colocando uma de suas mãos no peito do garoto que tinha seu olhar preso na alça do vestido que parecia querer cair a qualquer instante. - O seu jeito tímido e fofo de ser, junto com sua inteligência me atraíram antes mesmo de te ver sem camisa, mas depois... futebol americano realmente faz maravilhas pro corpo masculino – finalizou, deslizando a outra alça do vestido para o lado e seu vestido, que era feito de um tecido fino, acabou caindo por seu corpo até tocar o chão. - Só tem um problema, eu não planejei nada disso e não tem bolso nesse vestido.
– Eu tenho uma na minha carteira – Andy respondeu, apressado e ainda atordoado por saber que, assim que o braço dela saísse da frente de seu peito, ele provavelmente deixaria de responder por si. – Eu não tinha a menor esperança que isso fosse acontecer, mas... - disse, novamente tímido, coçando a cabeça. - Um cara pode sonhar, né?
– Se fosse qualquer outro dia isso me faria rir, mas no momento só vou agradecer. Vem! - disse, finalmente tirando as mão da frente de seus seios, oferecendo sua mão a Andy como tinha feito momentos atrás, que não só a aceitou, como se abaixou para pegar o vestido e a pegou no colo como se pesasse 10kg, entrelaçando suas pernas em sua cintura.
– Prometo não decepcionar – disse entre beijos e soltou um gemido baixo ao espalmar a bunda da fisioterapeuta, coisa que teve vontade de fazer desde o momento que a viu.

(...)

– Me dá um beijo – pediu, já puxando Andy para junto de si antes de pular novamente em seu colo. – Estamos chegando de volta ao mundo real.
– Eu te ajudo – Andy se abaixou para ajudar a colocar as sandálias de volta e, quando olhou para cima, a viu sorrir de lado. Imediatamente se lembrou que a calcinha dela ainda estava em seu bolso. – Você não tem amor no coração – disse rindo tentando focar na tarefa que fazia.
– Ei, casal – Lara disse, rindo ao lado de Ethan, fazendo com que os dois a olhassem e, só depois, se dessem conta do que tinham feito. – Deixa eu tirar uma foto de vocês – disse em inglês e os dois sorriram para a foto, mas logo sua prima completou em português: – Precisamos contar aos pais do pobre menino a causa da morte dele.
– Lara! – exclamou, exasperada, e Andy as encarou, curioso, sem entender uma palavra.
– Eu vim antes, os três estão putos, melhor você dispersar – disse, rindo, e olhou para a casa vendo três semblantes idênticos vindo em sua direção e, logo atrás, sua mãe tentando segurá-los.
– Andy, desculpa – sussurrou sofrida e o menino logo entendeu o que estava acontecendo. - Podem parar, não aconteceu nada – disse, tentando acalmar os ânimos.
Seu filho da puta! – Carter empurrou , a tirando do caminho, e virou um soco em Andy.
– CARTER! – o chamou, assustada, de todos ele era quem ela menos esperava ter uma atitude dessas.
– Agora não, – disse, raivoso, indo para cima de Andy, que ainda estava no chão com a mão no rosto.
– Agora sim, pode parar, nós só fomos dar uma volta na praia – retrucou, indo ao encontro de Andy, mas foi barrada por Cameron.
– Volta na praia ou volta na areia? Seu cabelo está todo sujo e seu vestido molhado. – Cam sorriu, irônico, e Nate se aproximou de para ver se o que o irmão falava era verdade.
– Duas regras, duas únicas regras, não beber e ir pro mar e não dar em cima da , é tão difícil respeitar a irmã dos outros? - Carter disse irritado, tentando acertar outro soco em Andy, mas ele era muito mais alto e forte que o primeiro e conseguiu se esquivar.
– Quanto machismo, Carter, fui eu quem o chamou, ok? Por que você não vem tirar satisfação comigo?
– Porque eu não quero nem olhar na sua cara – disse, ríspido, e sentiu na hora seus olhos se encherem de água, já tinha brigado feio com Cameron diversas vezes e ficado quinze dias sem falar com Nate, mas Carter era a primeira vez que eles tinham sequer falado torto um com o outro.
– Carter, chega. – Gisela usou seu tom de mãe, fazendo com que Carter a olhasse. – Vem comigo, Andy, eu tenho curativo no meu quarto – disse doce para o menino, que seguiu o caminho sem olhar para ninguém.
– Por que vocês não falam nada do Ethan e da Lara? - apontou o casal que estava junto desde a primeira noite que se conheceram, antes mesmo de chegar.
– Porque ela não é nossa irmã, simples assim. Poxa, , qual a dificuldade? - Cameron a encarou, decepcionado.
– Dificuldade do quê? Viver? Agora preciso virar freira?
– Não, mas também não precisava ter pegado o meu amigo, obrigado por acabar com minhas férias e destruir minha amizade. – Carter saiu irritado, deixando a todos surpresos.
– Nunca esperei isso dele – Nate abraçou . – Vamos pro meu quarto, você pode dormir comigo hoje, quem sabe não viro o irmão favorito? - disse, tentando animar a irmã. - Só para constar, eu também estou bravo, mais com ele do que você, mas acho que o Cam e o Car já fizeram todo o trabalho por mim.

(...)

– Bom dia, quarterback – ouviu Nate dizer em suas costas e se virou na cama, encontrando o irmão com um sorriso no rosto. – Você tá melhor?
– Por que você não brigou comigo?
– Você queria que eu brigasse? - questionou a irmã, divertido. – Acima de tudo, eu te amo e sei que você nunca vai fazer algo sem pensar um milhão de vezes, o foda é que vou ter que ver o Andy pro resto da faculdade sabendo que ele viu minha irmã nua - comentou, a fazendo rir. - Já fico feliz que não tenha sido o Ben, se você tivesse ficado com ele acho que teria que trocar de faculdade. O Andy é gente boa, ele é mais amigo do Carter do que meu, mas ele é o tipo de cara que só fica com alguém se for pra namorar.
– Ele é um fofo mesmo e até que sabia o que estava fazendo, me surpreendeu.
– Pelo menos isso – Nate disse sem vergonha alguma, ele sempre gostou da opinião da irmã em assuntos amorosos e sexuais e estava feliz que estava se abrindo com ele, entre os dois não havia assuntos proibidos.
Alguém bateu na porta e Nate se levantou para abri-la.
– É a mãe - disse, abrindo espaço para que Gisela entrasse.
– Se for pra me dar sermão, eu passo – resmungou, escondendo o rosto embaixo da coberta.
– Eu vou descer – Nate disse, saindo de fininho.
– Filha – Gisela a chamou, deitando-se na cama, e colocou a coberta sobre sua cabeça, fitando os olhos idênticos aos seus. - Você faz isso desde pequena, sempre que fazia algo errado se escondia embaixo das cobertas.
– Mas eu não fiz nada de errado, não me importa o que eles achem, a vida é minha.
– E ficou com um menino que podia ser seu irmão.
– Desculpa, mãe, mas eu não vou ouvir isso, moro fora de casa há 12 anos, de todas as pessoas do mundo achei que você fosse uma das poucas que não fosse me julgar por ficar com alguém mais novo do que eu.
– Meu amor, eu não estou chateada nem te julgando, eu só quero ver você feliz. É que eu achei que tivesse conhecido alguém, está sempre com o celular na mão, sorrindo, acabei criando expectativas.
– Ah! – riu, aliviada, e acabou se dando conta de que tinha completamente esquecido de responder o camisa 7. – Eu tenho falado com o .
– Ah meu Deus, filha, eu acho ele um gato! Ia amar tê-lo como genro, ele é tão bonito quanto parece?
– Mãe! - deu uma gargalhada. – Acho que você teria que esperar os meninos irem me visitar para saber se poderia tê-lo como genro.
– Mentira?! Então ele é gay mesmo? Puxa, pior que eu acho que os três são bem héteros, mas algo me diz que você também gostaria que ele não fosse gay?
– Eu só o vi duas vezes rapidamente, mas... ele me surpreendeu, é um cavalheiro e está sempre cheiroso e com um sorriso no rosto, mas aqueles verdadeiros, sabe? Deixa eu te mostrar.
Sentindo-se bem melhor e por saber que sua mãe estava apenas sendo sua mãe, esperando por netos, mostrou as conversas que vinha tendo com o atacante.
, ele parece bem interessado em você, tem certeza que ele é gay?
– Eu acho que ele vê em mim uma amiga, sabe? – deu de ombros, mostrando à sua mãe uma foto do jogador que recebera outro dia. - Ainda estou formando uma opinião sobre o que acho dele, além da aparência física.
– De repente ele é bissexual.
– Ai, mãe, você não pode ser uma mãe careta normal?
– Se eu tento ser careta, você vem me dar sermão de como mora sozinha e não sei o que; se tento ser moderna, reclamam, como posso ganhar?
– Boba, olha essa foto, eu nunca tinha reparado o quanto os lábios dele são beijáveis.
– E os do Andy? Ele é uma graça mesmo, né? Estava super chateado de ter feito você e o Carter brigarem, até perguntou se eu o ajudaria a trocar a passagem dele.
– Você não deixou, né?
– Claro que não, não vou deixá-lo passar a véspera de Natal num avião, seu irmão também está triste, dormiu comigo, mas são meninos, logo se acertam. Vamos, princesa, estão todos te esperando para tomar café da manhã.

(...)

– Ei! – entrou no quarto que Andy dividia com os amigos com um saco de gelo na mão.
– Acho melhor você não vir aqui, ... – pediu, já se sentando na cama, e acabou vendo que, além de estar sem camisa, usava apenas cueca, uma delícia.
– Não se preocupa, ontem deixei a situação sair do controle porque foi algo totalmente inesperado, hoje a quarterback está de volta, como você tá? - perguntou, se sentando próxima a ele para ver seu olho machucado. – Tá doendo?
– Um pouco – assumiu, deixando com que ela colocasse o gelo em seu olho. – Como você está? Eu queria ter falado com você, mas não quero piorar a situação e também não sabia muito como agir quando te visse, pensei que pudesse estar arrependida.
– Andy, eu penso muito antes de fazer alguma coisa, portanto, não me arrependo de nada nessa vida, mas queria te pedir desculpas. Se eu soubesse que eles iam agir dessa forma, teria feito as coisas diferentes.
– Eu não estou arrependido, sei que errei e fui muito fura olho, mas você é maravilhosa, , eu só me arrependeria se tivesse te deixado ir embora sem ter certeza se o interesse era mútuo ou só coisa da minha cabeça.
– Realizou um sonho de ficar com uma mulher mais velha?
– Não, eu nunca me atraí antes pra ser sincero, eu tenho uma irmã mais velha e nunca me interessei por nenhuma amiga dela, mas... você é diferente.
– Tirando nossas idades, temos muito em comum, e eu gosto do seu jeito, não sei se é só aqui que você é assim, mas não me importa. Eu gostei muito de ontem à noite pra ser sincera, você me surpreendeu bastante.
– Jura? Ou está falando só porque tá com dó do meu olho? - disse, brincalhão, tentando dar uma piscadinha, e logo se arrependeu, fazendo uma careta de dor.
– Eu juro, pode se gabar pros seus amigos... que não sejam meus irmãos, claro – brincou, tentando amenizar a situação. - Você vai ficar aqui o dia todo mesmo?
– Estou com um pouco de vergonha de sair, nem pelo olho, mas mais pela sua família.
– Não se preocupe, meus tios vão provavelmente te parabenizar – disse, rindo ao se lembrar das piadas que tinha ouvido no café da manhã. – Minhas tias ficaram falando que, se fossem uns anos mais novas, também investiriam no Ethan e no Ben, para o horror da Lara e indignação dos meus tios.
– Sua família é bem divertida.
– Quer que eu fique um pouco com você?
– Eu não sei...
– Vai começar de novo? – rolou os olhos, o fazendo rir.
– Tudo bem – disse, rindo. – Melhor eu aproveitar enquanto posso. – moveu-se na cama, abrindo o braço para que se encaixasse ali.
– Mas só de cueca, lindo desse jeito, quem vai aproveitar sou eu – riu ao ver a cara que Andy fez.

(...)

observava sua família se cumprimentar à meia-noite com um sorriso no rosto, mas um aperto no peito. Amava o Natal e tudo que envolvia a data, sempre fora assim desde pequena. Seu pai sempre a incentivou a ser exagerada e o resultado era uma mesa para a ceia impecável e uma casa completamente decorada. Sua família já estava acostumada com o seu modo de ser e sabiam que, quando chegassem em seus quartos, teriam todos um novo pijama com motivos natalinos para usarem na virada e, por mais que fosse uma tradição americana, quando chegassem na sala para tomar café da manhã, teriam uma meia com pequenas lembranças e presentes que ela comprava ao longo do ano.
Seus tios e primos trocavam presentes logo após a meia-noite, mas sua família em si estava tão acostumada com a tradição americana que sempre os abriam no dia 25 de manhã, prolongando a bagunça que acontecia nessa data. Sorriu sozinha ao olhar para sua nova pulseira de ouro, presente de Gareth. Estava ansiosa para abrir a caixinha vermelha desde que a encontrou em sua mala e não iria esperar até a manhã seguinte para saber o que tinha dentro, o amigo a conhecia bem. Já havia lhe enviado Feliz Natal quando deu meia noite em Wales e, depois, enviou uma foto sua com a pulseira já devidamente em seu lugar, mas ele deveria estar comemorando com a família, já que não tinha tido resposta ainda.
Queria enviar Feliz Natal e responder uma pessoa em especial, mas estava com vergonha depois de tê-lo ignorado sem querer por mais de 24 horas. A última mensagem que recebera havia sido um emoji com uma lágrima caindo e já tinha ensaiado diversas frases, mas não sabia ao certo o que dizer.
Depois que cumprimentou todas as pessoas que vieram ao seu encontro, saiu de fininho, indo até o mar, e parou para observar a lua que estava tão forte que iluminava toda a extensão da praia.
– Passou horas organizando tudo para quando desse meia noite fugir de todo mundo? - Andy a abraçou por trás e colocou suas mãos por cima das do rapaz.
– Não estou no clima esse ano – respondeu, desanimada, mas feliz por não estar completamente sozinha.
– Eles estão tentando – se referia a seus irmãos que tentaram conversar com ela durante o dia, mas foram ignorados completamente.
– Eles te mandaram aqui? - riu pela ironia do momento. – Depois de tudo?
– Talvez, o Carter me pediu desculpas e eu também, na vinda Cameron que pediu para nem sequer olhar pra você, mas digamos que falhei na missão. Assumi minha parcela na culpa, mas eles também disseram que exageraram. Eu entendo, tenho vontade de socar alguns caras que ficam com a minha irmã. Enfim, está tudo bem entre a gente, porque não faz tudo ficar bem entre vocês também? Sei o quanto você e o Carter são apegados e como sou o culpado disso tudo, por favor? Posso ficar só de cueca de novo se isso for ajudar em alguma coisa – gargalhou alto ao ouvir o que ele dissera.
– Eu vou pensar no assunto – disse, se virando para abraçar Andy quando sentiu seu celular vibrar.

Balezinho: Eu pensei que as coisas estivessem indo bem entre eu e Lena, mas ela tá ficando com um cara. Não sei o que pensar. 😞

– Está tudo bem? - perguntou, preocupado ao ver o queixo de ir ao chão.
– Eu preciso fazer uma ligação, me desculpe – disse, já apertando o botão para ligar para Gareth. – Eu volto daqui a pouco. – Andy assentiu, lhe dando um beijo na testa, e voltou para a casa.

(...)

– Ei, como você está? - perguntou receosa para o amigo. – Feliz Natal!
Feliz Natal, , não são meia-noite aí? A gente não precisa se falar hoje, eu sei que você comemora no dia 24, eu só precisava desabafar.
– Tá tudo bem, meu Natal também não está dos melhores, vai me fazer bem ouvir os problemas alheios, o que aconteceu? Como você ficou sabendo?
Eu liguei pra desejar Feliz Natal e conversar também, mas, ela estava ocupada.
– Você tem certeza que entendeu certo? - perguntou, chocada, a forma que via Alaina olhar Gareth não parecia ser coisa de momento.
Ela confessou – Gareth fechou os olhos ao relembrar a ligação que tinha terminado há pouco. – Disse que não teve uma noite muito boa e acabou enchendo a cara – soltou um riso debochado.
– Por isso que eu quase nunca bebo, odeio o que o álcool pode fazer com as pessoas.
Desculpa, não queria tocar nesse assunto com você.
– Ta tudo bem, Balezinho, já faz muito tempo. Ela parecia arrependida pelo menos?
Ela me pediu para não odiá-la, digamos que não consegui esconder minha frustração, foi como se tivesse levado um tiro pelas costas, sabe? Não estava esperando isso mesmo.
– Pra ser sincera, nem eu, meu voto era todo dela já. Eu sinto muito Bale, queria poder fazer você não se sentir assim.
Só tem uma coisa que eu não entendi muito bem, ela disse que eu não devia esperar muito dela, que ela não era a Emma.
– Graças a Deus! - disse, brincalhona, e sorriu, vencedora, ao ouvir o amigo dar uma risadinha do outro lado. – Brincadeira, a Emma foi passar o Natal com você, né?
Foi sim, foi estranho no começo, fazia tempo que a gente não se via, praticamente desde o término, mas, depois, ficou tudo normal como sempre foi.
– A Alaina sabia? Digo, da Emma estar com vocês?
Não sei, por quê?
– Sei lá, tô tentando entender o porquê de ela trazer a Emma para uma discussão quando ela que foi pega fazendo merda.
Hm, não saberia te dizer, a Vicky postou uma foto nossa no Instagram dela e a Lena segue ela, você acha que pode ter sido isso?
– Peraí – fechou a ligação rapidamente, indo ao aplicativo de fotos checar a página de Vicky. – Olha, se eu visse meu crush príncipe sentado ao lado da ex ia me sentir jogada pra escanteio mesmo, ainda mais com essa mãozinha no seu joelho.
Quantas piadas em relação a futebol tem na sua cabeça?
– É mais forte do que eu, quando eu vejo, já saiu – riu por ser a mais pura verdade. – Mas, sinceramente, isso não é desculpa de nada, acho que a Lena já te conhece o suficiente para saber que você não é homem de fazer joguinho.
Eu concordo, às vezes fico achando que ela só está procurando uma desculpa pra fugir, qualquer coisa para que isso que estamos construindo deixe de existir.
– Eu só não quero que ela te faça de trouxa, caramba, tava começando a gostar dela, até comprei um biquíni brasileiro de presente, achei que você fosse curtir vê-la com um.
Sei, iguais os que você fica postando mostrando a bunda no Instagram?
– Ah, qual é, como diria um grande filósofo brasileiro contemporâneo: "tudo que é bonito é pra se mostrar" - disse, metida, e pôde ouvir o amigo do outro lado gargalhar.
Às vezes me pergunto o que passa nessa sua cabeça, mas aí me lembro que é exatamente isso que me faz te procurar quando não estou bem.
– A gente faz o que pode. – sorriu verdadeiramente ao ouvir as palavras do amigo.
E você, quer me contar o porquê de seu Natal não estar dos melhores? Achei que fosse a viciada em Papai Noel.
– E sou, mas deixa pra lá, não quero falar disso agora, eu te conto em dois dias.
Vou te esperar. Feliz Natal, , espero que seu dia 25 seja melhor do que o seu 24.
– Eu também Balezinho, fica bem e, se precisar, já sabe, eu acabo com a Lena pra você.
desligou a ligação com um peso ainda maior em seu peito, o que Alaina tinha na cabeça para magoar seu amigo dessa forma? Com o WhatsApp ainda aberto, viu sua vontade de falar com crescer e abriu a conversa esquecida com ele para pensar no que dizer, só não esperava receber na mesma hora uma mensagem dele.

: Feliz Natal, 🎅, sei que comemoram dia 24 aí no Brasil, espero que esteja tendo uma boa noite com os seus.
: Não sei se disse algo para chatear-te ou se está ocupada com sua família, mas, como sumiu, espero que esteja bem. Bst, x
(...)

arregalou os olhos ao ver que sua mensagem foi imediatamente lida, indicando que do outro lado do oceano tinha sua conversa aberta.

: Ei, Feliz Natal, ainda acordado?
: Cheguei há pouco de um jantar e agora estou a olhar meu filho dormir.
: Que fofo 👼 , ele deve estar super empolgado para acordar amanhã.
: Tive que lhe prometer sonhos de Natal de pequeno almoço para fazê-lo dormir, não foi fácil.
: Sonhos de Natal??
: O Marcelo disse-me que aí no Brasil chamam de bolinho de chuva, mas não sei se é igual o daqui.
: Ai meu Deus 😍 . Eu amo bolinho de chuva, vou pedir pra minha avó fazer amanhã pra mim.
: Posso levar uns pra ti se quiser?
: COM CERTEZA SIM! Desculpe, faz muito tempo que não como um, me deu uma vontade agora.
: E como está seu Natal?
: Já tive melhores 😌
: Quer conversar?
: Você está com seu filho, não se preocupa comigo.
: Não será incômodo algum, ele fica bem aqui no quarto, eu vou até a sala da minha suíte.
: Tem certeza? Não quero incomodar.

nem esperou terminar de digitar sua próxima frase, levantou-se da cama com cuidado para não acordar e sentou-se no sofá que tinha na sala de seu quarto de onde o filho poderia vê-lo caso acordasse assustado. Assim que se sentou, apertou o número de .
Você sabe que não precisava né?
– Deixa de bobeira, o que aconteceu?
Meus irmãos, briguei com dois.
– Dois? Quantos irmãos tu tens?
Três ué, até te mandei as fotos deles estranhou a pergunta, tinha certeza que tinha enviado foto de todos.
– Não, tu mandou-me a foto do mesmo irmão todas as vezes – ficou confuso ao ouvir gargalhar do outro lado.
Eles são trigêmeos idênticos, , eu até coloquei os nomes na legenda.
– Ahhhh! – riu com a confusão. – Eu tava bastante confuso cada hora vendo um nome diferente, fiquei perguntando-me se ele tinha um nome triplo ou se as caipirinhas estavam a te afetar. Por que brigou com eles?
Eu fiz uma coisa que eles não gostaram, nada de errado, só que eles se sentem responsáveis por mim mesmo sendo sete anos mais novos, e no calor do momento acabaram falando coisas que nunca me disseram antes. Eles são as pessoas mais importantes da minha vida, então, quando brigamos, me afeta muito.
– Eu sou o irmão mais novo da minha família, brigávamos muito quando éramos mais novos, agora damo-nos todos bem, já tentou conversar com eles?
Não - pode ouvi-la murchar um pouco. – Eles tentaram... só de pensar em alguma coisa acontecendo com eles já me dá vontade de chorar, mas o Carter, aquele da foto embaixo do mar, é o mais especial pra mim e foi justo com ele que eu briguei. Isso nunca tinha acontecido antes.
– Não fica chateada, , tenho certeza que teus irmãos amam-te tanto que não sabem como demonstrar. Tu pareces ser uma ótima irmã e aposto que eles devem querer proteger-te de todo mal, eu faria isso se tivesse a ti como minha irmã. - "Graças a Deus que não tenho", pensou , rindo sozinho.
Nunca imaginei que falar com você fosse me fazer tão bem estava sentada na rede em frente ao quiosque e aquele aperto que sentia em seu coração já estava bem menor. – Justo hoje um amigo precisou de mim e acabou que não desabafei com ele, ele precisava mais de mim. Não costumo me abrir com pessoas que não conheço muito bem, mesmo ele sendo o dono do mundo sorriu largo ao ouvir seu apelido no Brasil saindo da boca de .
– Fico muito feliz em ouvir isso, achei que estivesse chateada comigo.
Não, me desculpe por ter sumido, não era minha intenção, eu vou te deixar ir, , você tem uma manhã e tanto te esperando, vou ficar esperando meus sonhos de Natal.
– Pode deixar que não esqueço, fica bem , se precisar estou aqui, de verdade, tens meu telemóvel e pode usá-lo.
Nossa, , obrigada, eu nem sabia que falar com você era o que eu estava precisando, Feliz Natal e te vejo em alguns dias.
– Pra ti também .
desligou a ligação sentindo o sono bater ainda mais forte, estava pronto para dormir quando decidiu tentar entender uma última vez se estava ou não chateada com ele e só podia agradecer a sorte por estar lá quando ela mais precisava. Gostou de saber que família era algo tão importante para ela, mais uma coisa que tinham em comum.
Seu Natal ficou infinitamente melhor.

(...)

– Então eu realmente sou o favorito?
– Ai que susto, Carter. – quase caiu da rede ao ouvir seu irmão tão perto de si.
– Não faz essa cara, por favor.
– Que cara?
– Cara de quem tá magoada com o idiota do irmão mais novo – disse com um semblante triste, se sentando ao lado da irmã.
– Você ouviu minha conversa?
– Eu sei que trigêmeos supostamente tem uma conexão que transcende a alma e nós três realmente temos, mas o que eu tenho com você é ainda mais forte, você é a pessoa mais especial do mundo pra mim, - disse, confirmando que tinha sim ouvido. - Brigar com você é como se eu tivesse ferindo a mim mesmo, eu sei que eu errei, mas poxa, ele é um dos meus melhores amigos.
– Eu entendo, mas não fiz de propósito... aconteceu e eu ando muito confusa com algumas coisas e acho que carente também, me desculpa se te chateei ficando com o Andy e estraguei suas férias.
– Não, não se desculpe, eu preferia que isso não tivesse acontecido, mas, quando vi vocês dormindo juntos, eu percebi que o lance de vocês era algo legal. Não te via assim tranquila há muito tempo e me odiei por ter te tratado daquele jeito, mas, na hora que o Cameron me disse que você tinha sumido e o Andy não voltava nunca do quarto e bem depois vejo vocês voltando da praia, tirando foto parecendo casal... eu não vi mais nada, justo o amigo que eu trouxe. – riu anasalado pela ironia
– Vocês estão bem né?
– Sim. – Carter levantou o braço para que a irmã se encaixasse ali e ela o fez. – Mas, na verdade, pouco me importa o Andy se eu não estiver bem com você, esse foi o primeiro ano que você não foi a primeira pessoa que desejei Feliz Natal. Acha que consegue me perdoar? Eu prometo tentar não me importar se você e o Andy quiserem ficar juntos até você ir embora, mesmo depois de descobrir que agora também preciso ficar de olho no .
– Não precisa se preocupar com ele. – “infelizmente”, pensou . – Eu sei que vocês se sentem responsáveis por mim e é lindo de certa forma, mas de outra é bastante chato, mas acho que preciso me acostumar que vocês não são mais os meninos que precisam de mim e que agora querem ser esses guarda-costas briguentos. Não quero mais falar disso.
– Nem eu, Feliz Natal, quarterback – disse, dando um beijo no topo da cabeça da irmã.
– Vejo que os irmãozinhos estão de bem já? - Nate apareceu com uma garrafa de vinho e logo atrás Cameron segurando taças e uma cara de quem sabia que ia ter que se desculpar também.
– Seu posto de irmão favorito já acabou. – Carter deu língua para Nate puxando para mais perto dele. – Não durou nem 24 horas. – riu com Nate, se jogando na rede ao lado deles, tentando puxar para ele.
– Vocês quatro nunca mudam não? - Gisela chegou, chamando a atenção dos quatro filhos. – Essa amizade de vocês é o maior presente que eu e seu pai poderíamos querer, hoje e sempre.
Feliz Natal, mãe! - os quatro disseram em uníssono e se levantaram para abraçar Gisela.

Madrid, Espanha

Gareth, Jaime e já estavam na Ciudad Real Madrid há algum tempo trabalhando na recuperação do jogador. O clima estava ameno e o trio trocava histórias da pequena folga que tiveram. tinha deixado seu celular com Gareth e ele ia passando as fotos para ver como tinha sido as férias da amiga.
– Quando vamos pra sua casa ? Sério, ano após ano vejo você postando fotos desse lugar, mas convite que é bom nada.
– Já convidei várias vezes, mas você sempre tem essa frescura que é branco albino e vai morrer no calor da Bahia, não estou aqui?
– Sim, mas você voltou praticamente de outra cor, se eu ficasse um dia naquele sol ia voltar em carne viva isso sim.
– Exagerado. – sorriu enquanto pegava seu celular de volta.
– Com licença. – os três ainda sorrindo se viraram em direção à porta, dando de cara com Alaina. Tanto quanto Gareth permaneceram em silêncio.
– E aí, francesinha? - Jaime se adiantou falando simpático, indo ao encontro da assistente. - Aproveitou os dias de folga?
– É, deu pra descansar - Alaina respondeu e rolou os olhos, nervosa, pois sabia muito bem como ela tinha "aproveitado" os dias de folga.
– Que bom, porque daqui até o final da temporada vai ser dureza, hein? - o fisioterapeuta falou e riu ao ver a careta feita pela assistente técnica.
– Faz parte, né? - ela disse, levantando os ombros. - Oi, .
– Oi. – tinha prometido a si mesma que ia se segurar, mas só de olhar para cara de Lena sentiu-se mais irritada do que acreditou estar, ainda mais quando olhou de relance para o amigo e conseguiu sentir tudo que ele estava sentindo naquele momento.
– Gareth, posso falar com você rapidinho? - Alaina perguntou com cuidado.
– Tem a ver com o clube ou com a recuperação dele? - antes que se desse conta, já havia saído em defesa do amigo.
– Não - Lena respondeu um tanto quanto chocada com as palavras de .
– Então, por favor, nos dê licença, estamos ocupados agora e não vejo que outro assunto poderia ser mais urgente do que a volta do Gareth ao campo.
encarou Alaina com firmeza e se surpreendeu que não viu a assistente sequer se abalar pelo que tinha ouvido, ela se manteve firme em sua postura, mas não se pronunciou.
– Tá tudo bem, . – ouviu a voz calma do amigo atrás de si e relaxou ainda mais sua postura quando sentiu sua mão em seus ombros, como se pedisse para que ela se acalmasse. - Eu vou dar uma pausa, pegar alguma coisa pra comer lá no refeitório.
– Ok, mas quero você de volta em dez minutos, não estou aqui de brincadeira. - viu o jogador a olhar assustado e soltar uma risadinha antes de sair pela porta.
– O que eu perdi!? – Jaime encarava assustado.
– Acho que exagerei, né? – ainda sentia seu coração palpitar forte desde a hora que viu Lena entrar na sala onde trabalhava com Jaime e Gareth. - Ah, Jaime, desculpa, mas estou muito chateada com a Lena, nem eu sei de onde saiu tudo isso.
– Acho que é seguro assumir que ela fez algo para o Bale já que você parecia uma leoa defendendo a cria.
– É mais ou menos isso. – riu, tomando um gole de água.
– O que é bem engraçado, porque Gareth é bem maior que você – comentou, rindo, fazendo acompanhá-lo. – Tava mais pra uma leoa tentando esconder um elefante.
– Ai, sem graça. – deu um encontrão de ombros em Jaime brincalhona. – Agora tô curiosa pra saber o que eles estão falando.
– Mulheres. – Jaime riu e juntos arrumaram a maca onde seria feito o próximo exercício.
– Jaime, já prendeu nossa pitbull? – Gareth entrou com uma cara desacreditada, mas soltou a sua famosa risadinha que a amiga tanto amava. – Eu não sabia que agora tinha uma guarda-costas desse tamanho pra me defender – disse, dando um beijo na cabeça da amiga.
– Vocês dois não vão me deixar em paz? Eu peguei muito pesado mesmo? – perguntou enquanto ajudava Gareth a se deitar da forma que era preciso.
– Se eu tivesse seis anos, provavelmente não, mas, considerando que já sou bem grandinho sim, não se preocupa, eu achei mais engraçado do que qualquer outra coisa, quem não te conhece pode até acreditar que você é toda essa braveza.
– Foi tão inesperado que até a Lena ficou sem saber o que fazer, porque, pelo que conheço dela, ela não é de ficar quieta assim. – Jaime complementou.
– Dane-se, ela mereceu – disse segurando o quadril de Gareth dando de ombros fazendo com que os dois homens se encarassem assustados provavelmente pensando "mulheres".

(...)

– Atrapalho-te? – levantou o olhar do computador onde trabalhava e deu de cara com vestindo a roupa de treino do time.
– Claro que não – disse, sorrindo, já se levantando para cumprimentá-lo. – E aí, preparado para o resto da temporada?
– Opa, sempre, fez boa viagem?
– Fiz sim, estou morta de cansaço, mas não vou reclamar, não depois dos dias maravilhosos que tive na Bahia.
– Dá pra ver que tomou bastante sol – comentou, olhando para os braços da fisioterapeuta visivelmente mais morenos do que da última vez que a tinha visto. – Eu trouxe pra ti os sonhos de Natais antes que fiquem ruim e também uma prenda.
Prenda? - o encarou, confusa, e lhe entregou uma caixa. – Ah, presente, nossa não precisava, mas obrigada, eu na verdade também trouxe uma coisa, mas para seu filho, eu juro que tentei encontrar algo pra você, mas lá no interior da Bahia realmente foi difícil - disse, sincera, e sorriu ao ver que ela também tivera o cuidado de pensar nele e em seu filho durante o curto período de folga que tiveram. – Está lá na casa do Gareth, eu deixo na sua casa hoje à noite.
– Tenho certeza que o vai amar, está tudo bem com seus irmãos agora?
– Sim. – sorriu tímida, se lembrando do momento em que praticamente vomitou todos aqueles sentimentos para alguém que não conhecia muito bem. – Obrigada de novo, sinto como se fosse só isso que dissesse para você.
– Não tem problema, significa que estou fazendo algo bom para ti, não vai lá no refeitório?
– Eu estou fugindo do Luka, ele quer me apresentar ao time todo de uma vez e eu sei que ele vai me apresentar de uma forma bastante constrangedora.
– Não achei que fosse tímida.
– Bastante – disse já sem jeito. – Obrigada de novo pelo presente.
– Pode abrir, acho que vai gostar.
abriu a caixa que tinha as iniciais do jogador bastante curiosa, não era muito boa em esconder suas emoções quando não gostava de alguma coisa e estava tentando ao máximo não fazer uma desfeita. Abriu com cuidado o papel de seda preto e observou o tecido de forma curiosa, sabendo que o jogador a encarava.
– Mas o que... – disse enquanto puxava o item de dentro da caixa e arregalou os olhos ao ver a peça se abrir até o chão e perceber que era um cobertor enorme preto com as iniciais do jogador e o número de sua camisa estampados em rosa. – Wow! – disse, tentando parecer emocionada já que tinha a coberta em sua frente e não podia ver o jogador.
– Tem o outro lado também. – virou e não pode mais esconder sua cara de horror, o outro lado era todo rosa com a silhueta praticamente em tamanho real do jogador em preto.
– Gostou? – o encarou sem saber o que dizer. – Essa foi uma edição especial que fizemos em apoio ao câncer de mama, parte da renda foi revertida a uma instituição de caridade.
– Nossa, que legal! - Sorriu realmente feliz pela iniciativa. – É lindo e parece bem quentinho, com certeza vou usar bastante agora no inverno.
– Que bom, vou deixar-te em paz agora, percebi que só tenho seu telemóvel do Brasil, imaginei que não tivesse o usando mais por isso apareci de surpresa.
– É verdade. - bateu na cabeça de leve. – Eu ainda só tenho um número da Suíça que uso aqui, mas te mando uma mensagem agora mesmo.
– Obrigado, vejo-te mais tarde.
– Até – sorriu, fechando a porta, e se virou para encarar a tal "prenda".
"Meu Deus, o que eu vou fazer com isso?" – gargalhou sozinha ao perceber que demorou até demais para que esse lado do jogador voltasse a aparecer. – "Quem compra uma coisa dessa?"

(...)

Hasta el amanecer de Nicky Jam saía da pequena caixa de som que tinha levado consigo aquele dia para a Ciudad Real Madrid, tinha combinado com seu professor que seria essa a primeira música que iria coreografar na vida, ele tinha lançado o desafio quando soube que ela ficaria na capital espanhola até o começo de janeiro e a fisioterapeuta ficou empolgada em ter um novo desafio a vencer.
A música não era muito rápida, o que ajudava para que memorizasse os passos que fazia, o ritmo simples e contínuo a deixava livre para criar passos simples, mas carregados de sensualidade para acompanhar o que dizia a letra. Não via a hora de dançar com alguém e não mais de frente pro espelho. Mexia seus quadris em movimentos lentos da forma que acreditava ser a melhor para aquela melodia, fechou os olhos ainda dançando para imaginar que, à sua frente, tinha um parceiro que precisaria ser levado.
Er, no creo que tu eres Jaime. - abriu os olhos imediatamente sentindo seu rosto esquentar.
– Ai, desculpa. - sorriu, desligando apressadamente a caixa de som. – Bem, no sabes si Jaime se corto a barba, yo poderia muy bem ser el – disse, causando uma gargalhada gostosa no rapaz à sua frente e imediatamente o achou simpático.
Ahora te estoy imaginando con una barba. – retrucou ainda com um sorriso enorme no rosto e sentiu-se bem menos idiota por ter sido pega no flagra dançando sozinha. – Sabes a donde fue?
Puedes hablar despacio comigo? Eu entendo bastante, mas respondo sempre nessa minha confusão entre português e espanhol.
Claro, sin problemas. Você sabe aonde o Jaime foi? Eu precisava falar com ele.
– Ah bem, ele foi chamado pelo Dr. Olmo faz uma hora já, parecia algo importante, mas não sei te dizer quando ele volta.
– Ah tudo bem, obrigad...
– Eu posso te ajudar? - interrompeu o rapaz. – Como você pode ver, estou sem nada pra fazer.
– Você é...? - perguntou, incerto.
– Ah sim – disse, se dando um tapinha na cabeça. – Sou Loew, fisioterapeuta, não sou uma louca que está aqui vestindo essa roupa só para sair agarrando os jogadores por aí, tenho uma credencial – disse, tirando do bolso a identificação de equipe médica visitante do clube.
– Não imaginei que fosse, você está ajudando o Bale né? - a viu assentir e prosseguiu: - Já ouvi falar de você, bom é que eu machuquei meu tornozelo outro dia e agora durante o treino senti ele bastante, daí a Lena me pediu pra vir aqui.
– Ah, bom, eu não posso ajudar muito porque não sei seu caso, mas quer sentar aqui e eu vejo se posso pelo menos ajudar até o Jaime voltar? Eu posso dar uma olhada rápida no seu arquivo.
– Tudo bem! – deu de ombros dando um pulinho para se sentar na maca. – Você está aqui a semana toda?
– Tô sim, até o final da próxima, quando não estou com o Bale eu e o Jaime estudamos a função neuromuscular do Gareth e as diversas fases que prevemos para a recuperação dele, daí eu uso um programa de computador que simula os movimentos de um jogador de futebol e, com isso, trabalhamos em cima das estatísticas de possíveis futuras lesões antes que a que ele tem no momento esteja completamente recuperada.
– Nossa, não entendi nada. – riu, fazendo com que risse junto. – Eu sou o Isco, aliás – disse, estendendo a mão para a fisioterapeuta.
Isco? - associou o nome a um jogador que tinha visto entrar no jogo que assistira na casa de Gareth.
– É Francisco, na verdade, mas nem minha mãe me chama assim.
– Ah, adoro o seu nome, me chama de então.
já não aguentava mais rir das coisas que Isco falava, a fisioterapeuta já tinha olhando seu tornozelo e feito dois exercícios leves apenas para ajudá-lo a passar o tempo enquanto Jaime, Carlos e o restante da equipe não voltava e, ainda assim, o jogador parecia ter mais coisas para lhe contar. não sabia que era possível rir da forma que estava fazendo e ainda conseguir respirar.
– Tive uma ideia – ele disse, levantando com cuidado da maca e indo em direção à caixa de som que usava antes. – Como liga?
– Pra quê?
– Pra gente dançar, ué. - a olhou com uma cara de obviedade.
– Com esse tornozelo? - fez a sua maior cara de profissional.
– Não tá doendo, só quando eu jogo, prometo que não faço muita força com ele – disse, cruzando os dedos da mão em promessa e riu, pois imediatamente se lembrou de seus três irmãos.
– Só um pouco, já me basta você me pegando no flagra.
– Sim, senhora – sorriu todo feliz por ter conseguido o que queria.
Isco começou a se movimentar ao ritmo da música e deixou sua boca ir ao chão, ele sabia dançar, e sabia disso, já que a cara de convencido que fez tirou mais um sorriso do rosto de . Tomou sua mão e deixou que ele colocasse a outra em sua cintura para seguir os passos que ela fazia. No começo, ambos se encaravam confusos, às vezes olhando para o chão para ver aonde estavam indo seus pés, mas, quando a música começou pela segunda vez, nem parecia que era a primeira vez que dançavam juntos.
Já familiarizados com o ritmo e espaçamento um do outro, a música finalmente começou a fluir e eles podiam traduzir o que o outro queria fazer sem que precisassem dizer um ao outro. girava seu corpo sob o comando de Isco ainda sem acreditar em como ele era bom, já tinha reparado em como ele tinha as perninhas tortas e achou que deu ainda mais um charme ao seu modo de dançar.
Eu não acredito! - disse toda empolgada. – Você é sensacional.
– Obrigado. – ele se curvou em reverencia a fazendo bater palmas de brincadeira. – Você dança muito bem também, é profissional?
– Jamais, só por diversão mesmo, eu adoro, e você?
– Sempre gostei também, quando posso saio para dançar, vou bastante na El Sol, mas gosto muito do Mom...
– Moma 56! – complementou animada, vendo o jogador a encarar surpreso e os dois entraram em uma conversa sobre outros lugares que frequentavam para dançar.

(...)

A primeira semana pós-Natal havia sido tranquila para , ainda queria morrer quando Luka trouxe oito jogadores na sala que estava trabalhando para conhecê-la, a única coisa que havia ajudado a vergonha que passou foi que Toni Kroos estava no meio e como os dois viviam entre tapas e beijos pode transformar toda sua vergonha em ataque ao alemão, isso fez com que os outros jogadores morressem de dar risada e a convidassem para almoçar com eles no refeitório. Sem saída, acabou aceitando e, por mais que tenha mais observado do que falado, não se sentiu tão deslocada.
Nesse ano a festa de Ano Novo seria na casa de Toni e Jessica Kroos, que moravam quase no final de La Finca, fazendo com que fosse logo cedo para a casa do casal ajudar nos preparativos. Vanja, esposa de Luka, também tinha ido com Ivano e Ema e, enquanto as crianças brincavam, as mulheres decoravam a mesa e a casa. Surpreendentemente, Toni cortava maçãs para mais tarde recheá-las com amêndoas, pinolis e canela e levá-las ao forno para fazer o verdadeiro Bratapfel, sobremesa típica alemã, tradicionalmente servida no Natal.
Quando eram sete e meia da noite, e Gareth tocaram a campanhia do casal e logo foram recebidos por Toni.
– Graças a Deus vocês chegaram – disse com uma cerveja na mão. - , sei que você não presta pra muita coisa, mas o Leon não para de perguntar por você e ele precisa ir dormir, dormir entendeu? Eu tenho certeza que você deu chocolate escondido pra ele, se você entrar lá no quarto agora ele provavelmente vai estar pendurado no lustre.
– Exagerado. – passou lhe dando um beijo na bochecha. – Fazer o que se sou a tia favorita? - Complementou, indo direto ao quarto de Leon.
– Entra aí, Bale – Toni deu espaço para o galês entrar e foram se juntar a Luka e Vanja, Mateo e Izabel e mais alguns amigos conhecidos por todos.
A noite, apesar de um pouco gelada, estava linda, o céu estava todo estrelado e logo o pequeno grupo poderia ver os fogos de artifício que Toni tinha organizado. O alemão era tão obcecado pelos explosivos que tinha passado em todas as casas do condomínio arrecadando dinheiro para comprar praticamente a loja toda, garantindo um show que faria a Disney ficar com inveja, ao menos era o que ele imaginava.
Durante o jantar, se sentou ao lado de Gareth e pôde perceber que o amigo parecia bastante distante e ela tinha uma leve impressão onde sua mente estava. Só podia desejar que o ano que estava prestes a entrar trouxesse tudo aquilo que ele merecia.
– Deixa eu tirar uma foto sua, – Toni disse já com o celular em mãos e fez uma pose divertida, levantando uma perna para fazer um charme. – Vou mandar aqui no grupo do time, ver se algum jogador solteiro fica interessado em você pra desencalhar de uma vez.
– O quê!? - deu um gritinho agudo correndo para o lado do amigo para ver a foto. – Você está brincando, né?
– Claro que estou, até parece que eu ia querer você mais tempo do que o necessário aqui em Madrid – disse, fazendo uma cara de assustado ao perceber o que tinha dito. – Nossa, peguei pesado agora, eu tô brincando , não vou postar no grupo não e fico feliz que tenha finalmente conseguido passar mais tempo aqui com a gente, eu te encho o saco, mas adoramos quando você vem nos visitar.
– Nossa, fui de chocada de um modo ruim para chocada de um jeito bom em menos de 3 segundos, acho que meu cérebro pifou aqui, mas obrigada, eu adorei finalmente poder conhecer a Amelie, ela é linda demais, mesmo sendo sua filha.
– Você acha que um dia a gente consegue conversar normal? - perguntou, divertido.
– Acho que a gente até conseguiria, mas qual seria a graça?
Quando foi se juntar às meninas, Kroos rapidamente sacou o celular, enviando as duas fotos que tinha tirado para . Não sabia por que, mas achava que os dois tinham muito em comum apesar de serem tão diferentes na forma de se expressar.

(...)

– Ei, está tudo bem? - foi ao encontro de Gareth quando o viu sozinho no jardim da casa de Toni, pensando na vida. – Vai ficar aqui sozinho no frio mesmo?
– Tá sim, é só que, imaginei que meu final de ano fosse ser diferente, não que não esteja divertido aqui, mas....
– A Lena não tá aqui. - afirmou o óbvio.
– É... durante o jantar eu fiquei vendo os casais e meio que imaginei como seria se ela estivesse junto.
– Você gosta dela de verdade, né?
– Você sabe que sim – disse, encarando , e ela podia ver em seus olhos o quão grande era aquele simples "gostar". - Se o que eu sentissse por ela não fosse tão novo e diferente de tudo que já senti antes, acho que já teria desistido, mas eu não consigo.
– Por que você não vai atrás dela? Pede uma explicação, acho que vocês dois se devem uma conversa franca, a sós. Você sempre fica inseguro em tomar uma atitude, mas acho que está mais do que na hora de você se impor.
Você está me dizendo isso? Achei que fosse Team Anti-Lena.
– Como eu posso odiar alguém que faz meu amigo se sentir assim? Claro que eu fiquei brava com ela pelo que aconteceu no Natal, mas... te vendo assim e, pra ser sincera, vendo a Alaina te olhar de rabo de olho a todo momento lá em Valdebebas, me faz achar que ela está bastante arrependida com a forma que lidou com tudo isso. Todo mundo merece uma segunda chance e, se você está disposto a dar uma a ela, que amiga eu seria se não te apoiasse?
– Eu acho que você tem razão, vou mandar uma mensagem pra ela – disse, decidido, fazendo com que fosse pega de surpresa.
– Vai falar o quê? - perguntou, curiosa, vendo o amigo tirar o celular do bolso.
– Vou pedir pra ela se encontrar comigo naquela ponte que tem aqui no condomínio, sabe? É um lugar especial pra mim, foi lá que paramos no dia que a chamei pra andar de bicicleta – disse, fazendo uma careta por se lembrar do que a amiga havia lhe dito sobre aquele encontro.
– Bom, espero que ela apareça, e se ela demorar pra ver a mensagem?
– Eu não tenho pressa – disse, dando de ombros. – Se depois de hoje ela não se decidir, eu vou tirar meu time de campo e aceitar que devemos ser só amigos.
– E você está preparado para caso ela só queira isso?
– Não, mas sei que vou ficar bem. – sorriu dando um beijo na testa da amiga. – Você avisa o pessoal?
– Aviso sim, você já vai agora?
– Vou, fica com o carro, eu vou andando, está uma noite gostosa.
– Tudo bem, então acho que Feliz Ano Novo? - disse em dúvida.
– Feliz Ano Novo, , fico feliz que estamos passando nosso primeiro feriado juntos, você foi fundamental não só na minha recuperação, como com todos os seus conselhos... mesmo tirando sarro de mim sempre que pode, eu espero te ver muito mais em 2017.
– Estamos aqui pra isso – sorriu, dando um abraço no jogador. – Boa sorte, Balezinho, eu vou estar aqui torcendo, amo você e me manda uma mensagem depois só para eu saber que você está bem?
– Pode deixar.
Gareth havia saído da casa de Kroos há algum tempo e não conseguia se sentir em paz sabendo que o amigo estava prestes a tomar um enorme passo no escuro. Agoniada, decidiu que não conseguiria esperar por notícias, avisou a Jessica que iria até em casa trocar de sapatos, mas na verdade foi direto para a casa do técnico do Real Madrid, quem atendeu a porta foi uma mulher que lhe lembrava muito Alaina e declinou o convite para entrar, preferindo esperar do lado de fora, mesmo sabendo que seu vestido não ia protegê-la do frio que fazia aquela noite.
Alaina abriu a porta um tanto quanto desconfiada e se perguntou se estava fazendo a coisa certa, por um segundo toda sua coragem tinha ido embora.
– Er, oi Lena... eu vim na paz, prometo. - soltou depois que as duas ficaram em um silêncio bastante desconfortável.
– Oi - disse, ainda incerta, e a fisioterapeuta não podia a culpar - Você queria falar comigo?
– Queria sim, você chegou a olhar seu celular na última hora?⁠⁠⁠⁠
– Meu celular? Não. - observou o semblante de Lena ir de desconfiado a preocupado em poucos segundos.
– Vai lá, eu te espero aqui.
– Tem certeza que não quer entrar?
– Tenho sim, estarei aqui.
– Tá, só um minutinho - assentiu e esperou na porta até que a assistente voltasse com o semblante ainda mais sério e espantado - Ele tá realmente me esperando?
– Tá, sim. - deu uma risadinha ao ver a cara de desespero que Alaina fazia. - Mas não se preocupa, ele vai te esperar, eu vim aqui por isso. Será que a gente podia conversar? - Alaina apenas acenou com a cabeça e respirou fundo ainda incerta de tudo o que pretendia falar. - Bom, primeiro eu queria me desculpar pelo modo que falei com você aquele dia, foi bastante desnecessário, mas o Gareth é muito importante pra mim acabei me alterando mais que o necessário.
– Tudo bem, . Entendo que você só quis defender o seu amigo, eu faria o mesmo.
– O Gareth e o Jaime tiraram sarro da minha cara o resto do dia, me chamando de guarda-costas e pitbull - riu, se lembrando do que havia escutado e pode ver Lena esboçar um sorriso. - Você gosta dele? - soltou já sem rodeios.
– É, eu gosto - Lena respondeu depois de um tempo pensativa - Só não tenho certeza ainda se isso é algo bom pra ele.
– Lena, tudo que envolve você é bom pra ele, eu nunca o vi assim, nem com a Emma – confessou encarando Lena quando trouxe à tona o nome da ex de Bale. - Eu nunca gostei muito dela pra ser sincera.
– Não? Por quê? Não conheço ela pessoalmente, mas, pelas fotos que já vi dos dois juntos, me pareciam ser quase como o casal perfeito – Lena a questionou tão interessada que pode notar um leve ciúmes em sua fala.
– Perfeitinho demais, sem graça, sabe? Pensa na versão feminina do Bale, às vezes tinha certeza que ia chegar na casa deles e os dois estariam tomando chá e jogando xadrez. O Gareth precisa de alguém que o tire da zona de conforto, não alguém que se afunde lá com ele. - se questionou se estava sendo sincera demais, mas, por entender a confusão de sentimentos que Alaina parecia ter, decidiu que precisava ser o mais franca possível.
– E comigo? Você não acha que seríamos um casal sem graça?
– Você me parece ser o completo oposto de sem graça e, pra ser sincera, tudo que o Bale precisa nessa nova fase da vida dele, mas só se você também estiver pronta para ser tudo o que ele precisa.
, eu queria poder fazer o Gareth feliz, mas tenho medo de não ser a pessoa... certa. E acabar ferrando tudo.
– Do que você tem medo? Porque, se tem uma pessoa que pode te fazer feliz, é ele, o Bale é o tipo de homem que só se encontra uma vez na vida.
– Eu sei que, no meu lugar, qualquer outra mulher não pensaria duas vezes, mas eu tenho medo de não ser boa o suficiente – viu Alaina dar um suspiro carregado de emoções. - O Gareth é um príncipe, ele merece uma princesa.
– Merece, mas isso não quer dizer que você não pode ser quem ele esteja procurando, eu acho que cabe a ele decidir se te acha boa o suficiente ou não – disse, finalmente se sentindo à vontade naquela conversa, e abriu um sorriso sincero ao dizer: – E eu acho que nós duas sabemos muito bem o que ele pensa sobre você - a outra abriu um sorriso tímido e sem graça ao ouvir as palavras de .
– Eu quero tentar... Acho que estou pronta pra tentar ser essa pessoa - disse, encarando a fisioterapeuta. - Se ele não estiver me odiando depois do que aconteceu no Natal.
– Quem estava te odiando era eu - confessou, já incapaz de ter o mesmo sentimento pela assistente. - Ele me mandou uma mensagem acho que assim que desligou com você, ele estava bastante... chateado.
– Se você estava me odiando, por que tá aqui tentando me ajudar?
– Na verdade, não estou, estou aqui pelo Gareth. Ele está lá te esperando, mas eu queria te pedir que pensasse bem se você vai mesmo ao encontro dele ou não. Se você for, gostaria que fosse decidida a deixar seus medos de lado, mas, se acha que não está pronta, eu prefiro que você não vá. Ele é muito príncipe, como você mesma disse, para que fiquem brincando com os sentimentos dele.
– Minha intenção jamais foi sacanear o Gareth. Eu só quero o bem dele e, depois de toda essa confusão, eu andei pensando bastante e estou disposta a tentar algo com ele pra valer se ele ainda quiser.
– Acho que você já sabe a resposta para essa pergunta, ela está aí no seu celular.
observou Alaina tentar assimilar tudo o que tinha ouvido ainda pensativa, logo deu uma olhada rápida no relógio e reparou que estava ali há mais tempo do que tinha planejado.
– Tá esperando o quê? Anda, eu te dou uma carona. - sorriu, encorajando a assistente a encontrar a coragem que faltava para ir atrás do camisa 11.
O caminho até a ponte foi silencioso, sabia que Lena estava nervosa com o que estava prestes a acontecer e decidiu dar o tempo que a assistente precisava para colocar as ideias no lugar.
– Vai lá, ele já deve estar prestes a ter um treco – riu ao pensar no amigo parado naquela ponte ao que parecia ser quase uma hora.
– Obrigada por isso, – Lena falou com um sorriso que não alcançou seus olhos.
– Não precisa, agradeça fazendo meu amigo feliz – disse sincera dando uma piscadinha divertida - Feliz Ano Novo.
– Feliz Ano Novo pra você também.
A fisioterapeuta viu Alaina respirar fundo e abrir a porta para sair, mas antes que pudesse sequer pensar em dar partida no carro novamente, a assistente se virou a pegando de surpresa com um abraço apertado. pode sentir naquele gesto o quanto foi fundamental ter se metido na vida amorosa do amigo, só podia lhe restar desejar que quando acordasse no dia seguinte o amigo tivesse com um sorriso de ponta a ponta. Ganhar uma nova amiga em Madrid também não lhe parecia de todo um mal.

(...)

Na volta para a casa da família Kroos, reconheceu a casa de Benzema, riu sozinha ao se lembrar de tudo que tinha acontecido na noite do aniversário do atacante. Imediatamente seus pensamentos foram para , queria enviar uma mensagem a ele, mas sentia-se estranha desde o presente que havia ganhado. O que ele esperava, que ela dormisse com uma silhueta gigante dele? Se perguntou se toda sua família ganhava algo parecido de Natal.
Sorriu ao ver um casal descer de um carro e trocar um beijo apaixonado, mas estava tão perdida em seus pensamentos que nem notou que tinha algo errado ali.

(...)

já estava na casa de Toni Kroos há uns dez minutos esperando por , sentia-se um pouco tolo por ter ido lá com a desculpa de desejar Feliz Ano Novo para todos quando nunca tinha feito isso antes. Agora era mais do que óbvio que todos saberiam que tinha o mínimo interesse que fosse na fisioterapeuta.
– Chegou quem não tava faltando. – ouviu a voz de Toni e desviou seu olhar da conversa que tinha com Kovačić.
– Resmunga, mas bem veio me pedir de canto pra vir aqui amanhã pegar o Leon e a por umas duas horas pra poder "dormir" até mais tarde.
– Opa, pode ir lá em casa pegar o Ivano e a Ema também? – Luka entrou na conversa. – Não esqueça que você é madrinha dela, temos prioridade.
– Ok baixinho, amanhã pego a creche toda e levo pra passear - respondeu já cansada só de pensar que teria que entreter três crianças e um bebe de apenas cinco meses.
– Não combinamos que não é pra me chamar assim na frente de convidados?
– Mas que convi... – deixou seu sorriso desaparecer e encarou o jogador de uma forma que ele não pode identificar. – , o que você está fazendo aqui?
O problema era que nem ele mesmo sabia, mas desde que recebera a foto de em seu vestido de manga longa dourado, que, apesar de curto, era muito elegante, disse a todos em sua casa que precisava dar uma saída e apareceu na casa de Toni sem muito planejamento.
– Eu vim para desejar-te Feliz Ano Novo, não vou ficar muito tempo.
– Claro. – deu finalmente um sorriso, mas parecia ainda bastante confusa. – Sua família deve estar te esperando, não falta muito para meia-noite, eu te acompanho até a porta. – sentiu sua empolgação murchar ao se sentir expulso da casa do companheiro de time.
– Eu liguei pra ti, mas não tive resposta. - comentou incerto acenando para as pessoas à sua volta.
– Ah, nossa, não faço a mínima ideia de onde meu telefone esteja, acho que deixei no quarto do Leon assim que cheguei.
– Não queria lhe atrapalhar .
– O quê? Não, jamais, é que realmente são quase meia-noite e te fiz esperar por mim
– Sim, o Luka me disse que você estava em casa, mas não vi o carro na garagem quando saí.
– Digamos que contei a eles uma pequena mentirinha, eu estava em outro lugar. - disse, secreta, causando um desconforto ainda maior no jogador.
– Sem problemas, espero que tenha um ótimo ano e que 2017 lhe traga tudo que desejas.
– Obrigada, , o que eu espero mesmo é um emprego, tenho uma entrevista em Chicago no dia 12 e, apesar de ser basquete, que não é meu esporte favorito, preciso tentar.
– Espero que dê tudo certo. - disse, sério, apertando o botão para destravar o seu carro.
– Obrigada por vir, eu espero que 2017 seja ainda melhor pra você, não sei se é possível você ainda almejar alguma coisa, mas tenho certeza que seja lá o que for, você vai conquistar. – disse sorridente.
Por estar num degrau acima do jogador, estava na mesma altura que ele e, tomada pelo clima de final de ano e o abraço que tinha recebido de Lena há pouco, o puxou para um abraço e não conseguiu evitar respirar mais fundo quando notou que lá estava aquele perfume maravilhoso que ele usava e não saía de sua cabeça.
lhe deu um beijo no rosto e acabou corando por sentir um choque passar em seu corpo, mas o jogador não reparou, estava ainda pensando na conversa que tinham acabado de ter. , que chegou a acreditar que podia ser a sorte que o ano de 2017 iria lhe trazer, acabou levando um balde de água fria. A fisioterapeuta não parecia tão interessada nele quanto havia imaginado e nada lhe tirava da cabeça que ela havia saído para se encontrar com alguém que fosse especial para ela, claramente alguém que não era ele.



Capítulo 4

O início do ano não poderia ter começado melhor para uma workaholic como , tinha os cuidados com Gareth como sua prioridade enquanto acertava alguns ajustes para sua entrevista com o Chicago Bulls na semana seguinte, mas, para sua alegria, Jaime havia lhe pedido ajuda para fazer a recuperação de alguns jogadores. Por já conhecer o histórico de Luka e Mateo, achou por mais fácil tratar deles.

− Ai, , que delícia - Luka gemia todo escandaloso fazendo a amiga morrer de vergonha e os jogadores espalhados pela sala gargalharem alto.
− LUKA! - disse exasperada, mas dando risada - Para.
− Isso, aí mesmo, continua… - o volante a ignorou ainda dando risada.
− Se você fizer mais um som...esquisito, juro que ao invés de te ajudar na recuperação vou te deixar aleijado.
Esquisito? - Kroos, que estava com a bota de compressão pneumática palpitou do outro lado da sala - tá solteira há tanto tempo que já esqueceu que esse som tem outro nome.
− Tem sim e você logo logo vai descobrir que não vai poder emitir mais nenhum se entrar na brincadeira do baixinho. - advertiu o alemão, que a ignorou completamente. - E pode ter certeza que eu sou solteira, mas aproveitei e muito meu Natal. - rebateu mandado um beijo pra Toni, que tinha os olhos arregalados com a revelação.
− E ae ! - continuou seu trabalho, mas não pode evitar olhar entrar na sala dando um oi pra todo mundo e ver seu olhar parar nela além do necessário, porém ele não a cumprimentou, apenas abriu um sorriso que a fisioterapeuta acreditou ser forçado e logo o viu se aproximar de Marcelo.

Desde a véspera do ano novo que não tinha notícias do jogador, tentou contato no dia seguinte para o chamar para passar o dia com ela, mas tinha sido ignorada e, desde então, tinha a sensação de que tinha feito alguma coisa errada.

Assim como muitas mulheres, tinha a mania de analisar demais uma situação e se arrependia de ter sido espontânea e ter procurado o jogador sem nenhum aviso. Agora se via ali, tensa por saber que ele estava na sala, mas sem coragem de sequer olhar para ele.

zinha - Luka passou a mão na frente da amiga que estava distraída com os próprios pensamentos - Faz aquela macumba em mim?
− Modrić! - gargalhou, chamado uma atenção para si que odiava - Meu Deus, vão achar que eu sou o quê?
− Ah, eu nunca sei o nome daquele negócio.
− Do que vocês estão falando? - Toni perguntou curioso, parecendo um menininho de 5 anos que foi colocado longe dos amigos no trabalho da escola.
− Tô pedindo pra fazer aquele negócio que parece macumba com maconha, lembra?
− Como é que é? - Isco entrou na conversa e logo falou algo em espanhol que a mulher acreditou ser a tradução, já que os jogadores que ainda estavam na sala a encararam divertidos.
− Não tem nada disso - falou apressada - É uma técnica chinesa chamada Moxabustão. Eu queimo duas ervas, que não é a maconha próximo a sua pele, é como se fosse acupuntura, ajuda a circular o sangue e a sua energia.
− É muito bom, eu até saio meio zen. - Luka fez um gesto como se tivesse fumando um baseado, arrancando gargalhada de todos. Era exatamente por ser assim que tinha ficado amiga dele anos atrás, mas odiava o fato dele saber a deixar com vergonha como ninguém.
− Opa, também quero - Isco se aproximou dando um beijo no rosto da mulher que ainda ria. - Tudo bem?
− Tudo sim. Eu nem tenho as folhas aqui, mas posso comprar. Só precisa conversar com o Jaime porque não quero arranjar problemas.
− Vou pedir pra ele então. Como você sabe fazer isso?
− Estudei um ano e meio em Beijing, Medicina Tradicional Chinesa.
− Caramba, essa eu não sabia, você é muito nerd mesmo. - Toni se intrometeu novamente - Aprendeu a falar Chinês?
− Só mandarim e coisas do dia a dia, já que o curso era em inglês mesmo - disse liberando Modrić - 托尼属于卡罗尔.
− O que você disse?
− Se eu te contasse teria que te matar - riu da cara que Kroos fez - Vou só olhar o Gareth e começamos tá, Mat? - o croata assentiu e subiu na maca que Luka havia liberado.
− Eu preciso ir, só queria saber se você vai na sexta. - Isco perguntou tocando de leve a cintura de .
− Vou sim. Aliás, vamos todos, não? No aniversário da Lena? - questionou e Luka e Mateo assentiram - Vocês eu já sei que vão, tô no grupo das suas esposas, estamos todas empolgadas, vamos dançar hasta el amanecer.
− Me inclui nessa, hein? Vou indo. - Isco disse dando outro beijo na mulher, que sequer percebeu que os encarava curioso.
− Que grupo? - ouviu Toni questionar.
− A Jessica também tá e sim, falamos mal de todos vocês.
− Que calúnia, eu sou perfeito.
− Vai sonhando… - respondeu saindo da sala, ainda ouvindo Toni perguntar o que falavam dele.

tinha acompanhado a conversa de longe com vontade de participar, mas sem coragem. Tinha ficado bastante confuso ao acordar no primeiro dia do ano e ver duas mensagens e uma chamada perdida da mulher em seu telefone, ficou ainda mais surpreso quando Miguel lhe disse que ela tinha ido até sua casa. Por ainda estar incomodado com o modo que havia sido tratado no dia 31 preferiu deixar para conversar com pessoalmente, porém nas poucas vezes que se cruzaram ela nunca estava sozinha.

Quando entrou na sala para conversar com Marcelo, ficou surpreso ao vê-la ajudando Luka, e ainda mais pelo que ela tinha acabado de dizer. Quando seus olhares se encontraram ficou sem saber o que fazer, não sabia se a cumprimentava como sempre faziam ou se deveria agir de forma mais formal, acabou se atrapalhando todo e em troca viu franzir o cenho, antes de abrir um sorriso fechado; um que ele nunca tinha recebido.


− Ficou sabendo? - Marcelo cutucou - Parece que o Carlos vai sair.
− Por quê tu tá contando isso? - questionou curioso, já que o amigo sabia que ele se tratava com outros fisioterapeutas.
− Por conta dessa baba aí que caiu quando a amiga do Bale saiu da sala.
− Tu achas que ela tem namorado? - perguntou baixinho pro jogador, mas recebeu uma gargalhada escandalosa do outro. - Ô Marcelo, estou a falar sério contigo. - disse um pouco irritado.
− Não sei, mas não achei que fosse estar vivo pra ver isso: você interessado em alguém que não é modelo e nem atriz.
− Ela vai embora semana que vem.
− Ficou sabendo? Parece que o Carlos vai sair. - repetiu o que tinha dito há pouco. - Um sai, outro precisa entrar....


(...)


tinha acabado de prender o pé de Gareth num equipamento chamado CPM, uma máquina de movimento rotativo contínuo, que forçaria o jogador a fazer uma flexão dorsal. Ficaria assim por quinze minutos e logo após trocaria os comandos para trabalhar na inversão do seu pé, dois pontos que apesar de já estarem bem mais avançados em sua recuperação, ainda preocupavam a fisioterapeuta.

− Qual a escala? - perguntou séria para o amigo.
− Quatro - disse fazendo uma cara bem mais suave do que quando começaram os mesmos exercícios semanas atrás - Já sinto bem menos dor, só no próximo que semana passada ainda era um seis.
− É normal nessa fase ainda sentir dor na inversão, afinal, você é um jogador de futebol e esse é um movimento que você faz repetitivamente nos treinos e jogos, mas estou feliz com o resultado. Quando acabar aqui nos vamos na academia pra melhorar isso, tá?
− O que você tem? - Gareth assimilou o que ela disse, mas decidiu focar no que estava bem claro a sua frente: a amiga estava estranha.
− Nada, por quê?
− Você está quieta demais, isso é quase um milagre, só acontece quando você está chateada. Aconteceu alguma coisa?
− Não é nada. - deu de ombros, fingindo prestar uma atenção maior do que realmente dava aos resultados que surgiam na tela do computador, antes de bufar frustrada - É que eu acho que eu fiz alguma coisa pro , mas não sei o quê.
− E sua mente está criando mil teorias e tentando buscar soluções? - a encarou com a sobrancelha enviezada, sabia como ficava quando achava que tinha chateado alguém.
− Mais ou menos isso.
− O que aconteceu? Deu algum problema no passeio com as crianças?
− Ele não foi. - ela respondeu, o intrigando ainda mais - Eu até liguei e mandei mensagens, mas ele não respondeu, então fui chamá-lo, mas seja lá quem atendeu a porta não pareceu muito feliz com a minha intromissão, devo ter atrapalhado alguma coisa.
− Por que não me disse? Você cuidou dos quatro sozinha?
− Você precisava descansar pro seu encontro com a Alaina, não iria atrapalhá-lo.
, eu mais do que ninguém sou grato por esse seu jeito de fazer tudo por seus amigos, mas você precisa aprender a pedir ajuda, eu teria segurado a Melie enquanto você brincava com os outros três.
− Realmente, o Leon e o Ivano estavam mais parecidos com dois filhotes do capeta.
− Agora entendi porque você passou o dia dormindo. Da próxima vez me chama, não carrega o mundo nas costas.
− Eu estou bem, só cansada - a amiga sorriu com a preocupação do camisa 11 - Eu prometo que essa semana vou pegar leve.
− E então, o que aconteceu? Eu não sabia que o estava namorando.
− Nem eu - se lembrou do rapaz que abriu a porta no dia primeiro - Pode ser só um caso também, ele deve ter uma lista interminável de pretendentes.
− E nessa lista tem seu nome? - perguntou o que há dias vinha suspeitando.
− Com certeza - ela sorriu dando a língua para o amigo - Se ele se interessasse por mim claro, gostoso daquele jeito, eu adoraria descobrir se toda aquela performance também aparece fora dos campos. A Lena que tem sorte, vai poder provar toda essa estamina que tá acumulada há tempos nesse corpo.
− Por que mesmo quando estamos falando de você, a conversa sempre se vira pra mim?
− Te ver vermelho é praticamente um mantra de vida. Como se sente agora sendo um rapaz comprometido, após um único encontro? - rolou os olhos de brincadeira, conhecia o amigo, mas gargalhou quando ficou sabendo que ele não havia se aguentado e a pedido em namoro.
− Eu estou apaixonado pra caramba, , não tinha como não ter nada menos do que isso com a Lena.
− Fico feliz que tenham se acertado. Muito! Vocês fazem um casal lindo demais.
− Ela que é linda. - respondeu mesmo sabendo que soava bem cafona.
− Você também é. Fico mais tranquila em saber que vou embora e você terá alguém pra cuidar de você. Sua mãe então vai provavelmente acender uma vela em agradecimento.
− Sem graça, foi bom ter uma housemate. É estranho chegar em casa e não ter ninguém pra conversar, vou sentir sua falta.
− Eu também, mas não fica muito animado porque ainda tenho mais de uma semana aqui.
− Não foge do assunto, o que tá acontecendo com o ?
− Ei, - Jaime apareceu na porta, vermelho.
− Está tudo bem? - perguntou preocupada.
− Você pode me ajudar de novo? Foi mal Bale, eu...o Carlos tá com o Olmo de novo e o Javi precisar ir com o Isco na piscina, posso abusar e pedir pra você dar uma mão com alguns jogadores?
− Claro! - ela sorriu mesmo vendo a cara feia que o amigo fazia - Quando você acabar me manda uma mensagem e eu volto. - Bale assentiu e seguiu Jaime.
− O que você quer que eu faça? O Luka e o Mateo de novo?
− Não.. - Jaime riu já cansado - Posso pedir pra você cuidar de dois e ajudar a alongar outros dois?
− Pode - riu do desespero do outro - Quem são?
− O Casemiro tá saindo do gelo, presta atenção no posterior direito dele? O Nacho reclamou da panturrilha, pensei em fazer um TEM?! - andava concordando e anotando mentalmente para não esquecer.
− Não faz essa cara, eu vou te dar a pasta de cada um e tem foto de todos.
− Ufa, ainda bem, porque eu não faço a mínima ideia de quem eles sejam.
− Você está salvando minha vida, não quer ficar aqui pra sempre? - riu abraçando a fisioterapeuta de lado.
− Com esse salário que eu ganho fica impossível - brincou tirando uma gargalhada do outro.
− E se você recebesse um? - questionou enigmático tirando um olhar curioso de , que logo sumiu quando viu andando em sua direção - Er, Jaime, eu chego lá em dois minutos, tá?
− Tudo bem - concordou apertando o passo.
− Oi, . - ela sorriu incerta, cumprimentando o jogador.
− Olá, , tudo bem?
− Tudo. Você não faz a recuperação aqui? - perguntou para quebrar o clima, apontando pra sala onde Jaime tinha acabado de entrar.
− Muito pouco, geralmente faço em casa.
− Ah, o Jaime me pediu ajuda de novo, achei que fosse te encontrar por lá que nem ontem.
− Queres falar alguma coisa comigo? - perguntou a olhando ansioso, já que era o momento perfeito para falar com ela sobre o fim de semana.
− Você tá com muita pressa? - perguntou um pouco sem graça.
, - tocou em seu braço - nunca tenho pressa pra ti. O que foi?
− Eu só queria pedir desculpas por ter ido na sua casa sem avisar, se eu soubesse que você estava dormindo nem teria aparecido. Desculpa se atrapalhei alguma coisa ou causei algum problema, não era minha intenção.
− Não atrapalhaste em nada, podes ir a minha casa quantas vezes quiser, estava realmente a dormir. Foi bom o passeio?
− Horrível - riu - Definitivamente não estou pronta para cuidar de quatro crianças sozinha, você não perdeu nada, só ganhou valiosas horas de sono.
− Não importar-me-ia em perder alguma horas de sono contigo. - sabia que sua frase não tinha segundas intenções, mas sua mente só conseguia pensar em suas mãos naquele abdômen ridiculamente definido.
− Então por que tem me ignorado? - perguntou direta, surpreendendo o jogador. - Eu fiz alguma coisa?
− Sim - respondeu sincero e viu a mulher arregalar os olhos à sua frente, o fazendo abrir um sorriso involuntário.
− O que eu fiz? - perguntou curiosa ao que viu Jaime aparecer na porta - Droga, eu tenho que ir, vou ficar pensando nisso o dia todo. Me perdoa, seja lá o que eu tenha feito?
− Vai lá, , dá-me um beijo - pediu se aproximando do rosto da fisioterapeuta - Fica difícil continuar chateado contigo desse jeito, falamo-nos noutra altura.

seguiu para sala de fisioterapia com um sorriso de ponta a ponta. Do outro lado, tinha a mesma reação, balançava a cabeça de um lado para o outro ainda sem acreditar como uma mulher conseguia lhe fazer ir da certeza de não ter chance alguma para a completa incerteza em apenas algumas horas. era uma incógnita. Uma que ele queria muito ter tempo o suficiente de desvendar, e por isso tinha marcado uma reunião com Florentino Pérez.
O presidente já conhecia o currículo da mulher e confiava em seu trabalho com Luka e Gareth, então quando a maior estrela do time quis conversar com ele sobre , Florentino aceitou prontamente, ainda mais por saber o desgosto que o atacante carregava em relação ao médico do time.

− Nunca fui pra São José dos Campos não, mas sempre que dá vou pra São Paulo, adoro a cultura que tem na cidade. - conversava com Casemiro, enquanto forçava sua perna, alongando seu adutor. - Eu também dou cursos de algumas técnicas para fisioterapeutas de ONGs quando tô por lá.
? - a mulher se virou, sem parar o trabalho, para ver quem a chamava. - Tá terminando com o Casemiro?
− Oi, Javi, tô sim. Precisa de alguma coisa?
− Já conheceu nosso Capitão? - o fisioterapeuta deu espaço para o jogador se aproximar com um sorriso no rosto.
− Sergio... Ramos? - questionou em dúvida, mas quase certa, um homem como aquele era difícil de esquecer o nome ou o rosto. - Pessoalmente não. - sorriu para os dois.
− Isso, queremos ver se você nos ajuda, ele tá com uma dor na perna que não passa, já tentamos de tudo. Pensamos que talvez você possa tentar algum de seus métodos?!
− Claro, com o maior prazer - sorriu para os dois, pegando a ficha do jogador - Senta ali na maca, Sergio, vou conversar cinco minutos com o Javi sobre seu histórico.

raramente se sentia intimidada por alguém, mas sabia da importância que Sergio tinha para o time, ele era o capitão, afinal; E pelo que tinha conversado com Gareth, o camisa 4 era muito querido e respeitado por todos, além claro de ter toda sua pose e fama de brigão, que a deixavam um pouco reticente. Assim que terminou de olhar o histórico e exames do jogador, pediu que ele se deitasse na maca e examinou a área que o incomodava, assim como toda a extensão de sua perna.

− Bom, acho que posso te ajudar - sorriu para Ramos, que a encarava sério - Acho não, eu tenho certeza.
− E por que você tá com essa cara de quem vai me dar uma má notícia? - Sergio a olhou desconfiado.
− Porque vai doer. - se adiantou quando viu seus olhos se arregalarem - Tem um método chamado ART, não tem nenhum exame que você possa fazer que pode detectar o que você tem, mas minhas mãos podem e foi isso que eu fiz.
− Quanto vai doer?
− Bastante, provavelmente menos do que uma bolada na cara, mas vamos fazer uma aposta? Se você sair daqui com a mesma dor que chegou eu deixo você me chutar na mesma intensidade da dor que você vai sentir.
− E se eu não sentir? - perguntou sorrindo surpreso com a proposta.
− Você me dá três camisas autografadas pra eu dar pros meus irmãos.
− Já gostei de você. - o capitão deu uma piscadinha para , que se posicionou de forma a fazer seu trabalho.
− Melhor você falar isso quando eu terminar. - falou antes de ver o jogador prender a respiração ao que ela apertou seu flexor do quadril.
− Por quê você tá com a mão aí se a dor que eu tenho é na perna?
− Confia em mim, prometo que não estou me aproveitando de você.

O procedimento não era novo, mas nem todos os profissionais podiam usá-lo em seus pacientes, pois era patenteado e requeria muitas horas de estudo prático, além de um certificado ao final do curso. aproveitou a época que ficou com Schumacher para renovar o seu certificado e estava contente por poder usar algo além do comum, já que por mais que amasse Gareth, estava bastante entediada de cuidar apenas dele.

Embora compenetrada, tinha um sorriso no rosto, já que alguns jogadores pararam para ver o que estava acontecendo quando Ramos urrou em dor, e ficavam fazendo piadinhas com o mesmo, até ele soltar um palavrão calando a todos.

− Retiro o que disse. Não gosto de você não, parece delicada, mas no fundo é uma torturadora - Sergio disse com o rosto vermelho de tanto que se segurou para não emitir mais algum som - Fala verdade, você torce pro Barcelona, né? - soltou como um desabafo, fazendo gargalhar.
− Eu acho que seu eu responder qualquer coisa que não seja Real Madrid, eu morro, não? Mas hoje é meu dia de sorte, sou madridista sim, desde que nasci. - brincou fazendo uma cara de medo pro zagueiro. - Prometo que falta pouco, agora só vou alongar essa perna inteira, do quadril até seu pé.
− Não sei o que é mais constrangedor, fazer isso com um homem ou uma mulher. - comentou quando pediu para ele apoiar o pé direito em seu ombro, enquanto usava sua própria perna para alongar a perna esquerda do jogador em mais um movimento bastante dolorido
− Prontinho, acabei. - sorriu dando um tapinha na perna dele, que se sentou na maca completamente mal humorado.
− Isso é uma forma de fisioterapia mesmo? Tem certeza que não aprendeu nos livros de tortura da Idade Média?
− Larga de drama, capitão. Levanta. - disse confiante e Sergio fez o que fora pedido e andou de um lado para outro dentro da sala.
− Não acredito. - falou um pouco alto - Como…o que você fez?
− É meio chato de explicar, mas no seu caso, você usa o corpo mais do que deveria e acabou criando uma "cicatriz" no músculo e quanto mais você usa, mais elas aparecem e seu músculo vai diminuindo e enfraquecendo. Isso vale para ligamentos e o nervo também. O que eu faço é sentir cada músculo, nervo e ligamento, encontro onde está essa cicatriz e diminuo o tecido em que ela se encontra com a sua ajuda e os movimentos que fizemos, pra depois alongar ele de novo, por isso que dói. Acho que isso quer dizer que não vou levar nenhum chute?
− Vou precisar arranjar camisa do time todo pra te dar, isso sim. - disse rindo. - Essa dor volta?
− Precisaria acompanhar de perto, antes de ir embora eu te examino de novo e falo o que você precisa fazer pra manter ela longe.
− Obrigado, , de verdade.
− É um prazer, não é todo dia que eu posso ajudar o Capitão do time. Cadê o Nacho? Ele é minha próxima vítima.
− Aqui.

Ramos saiu da sala de fisioterapia perguntando a Javi onde poderia encontrar Bale, logo se direcionou à sala de apoio dos médicos da equipe, onde o encontrou fazendo um exercício em um dos equipamentos que o clube dispunha, conversando com .

− Desculpa atrapalhar, mas posso falar com você sobre sua amiga? A ?
− Você também? - Bale tinha os olhos arregalados - acabou de chegar aqui pedindo a mesma coisa. Ela fez algo errado?
− Por que nunca contou que ela é o dos fisioterapeutas?

(...)


Por ter ajudado Jaime e toda a equipe nos últimos dois dias, não tinha o menor pique para malhar. Seus braços doíam depois de passar seis meses tratando de uma única pessoa para depois, do nada, cuidar de oito jogadores num espaço de 24 horas, mas só de pensar em não fazer nada ficava agoniada, por isso estava, como sempre, correndo pelo condomínio.

Apesar de escuro, já estava mais acostumada com a vizinhança, então se sentiu à vontade para correr por toda extensão do local sem medo de se perder. Passou pela casa de Toni e Jessica Kroos e sorriu ao ver o quarto de Leon com a luz acesa, com certeza um dos dois estaria lhe contando alguma história para dormir. Continuou seu caminho, até ver um casal encostado num carro se beijando apaixonado, sem querer atrapalhar o momento, decidiu atravessar a rua, porém no mesmo instante o casal se separou e a mulher se virou para a fisioterapeuta a pegando de surpresa.

− Desculpe. - disse se esquivando antes que se chocasse com a mulher e continuou sua corrida tentando se lembrar de onde a tinha visto antes.

Foi só quando passou pela casa de Alaina e viu um Audi estacionar e de lá sair um dos filhos do Zidane, que a fisioterapeuta ligou os pontos. O choque que passou em seu rosto foi indescritível, era o mesmo carro que vira na noite de Ano Novo. Naquele momento tudo passou a fazer sentido, a mulher era Lola, namorada de Benzema e ela estava tendo um caso com um dos primos de Lena.

(...)


− Você não vai entrar? - Gareth encarou quando ela estancou na porta do refeitório da residência dos jogadores na Ciudad Real Madrid.
− Vai lá que eu já vou. - abriu um sorriso forçado, achando que o amigo acreditaria que estava tudo bem.
− Você anda estranha. - foi a última coisa que disse antes de passar pela porta.

mal dormira na noite anterior, ficara se debatendo se deveria se intrometer e, se caso decidisse que sim, se devia falar com Benzema, o primo de Lena ou a própria? Não podia desabafar com Gareth, pois ele odiava fofoca e a mandaria cuidar da própria vida, porém nesse caso ela se sentia no dever de fazer alguma coisa, afinal, era o melhor amigo de Alaina.

− Oi, . - encarou à sua frente, sem enxergá-lo de fato.
− Ah, oi! - disse desanimada, voltando a olhar pro nada.
− Sou tão desagradável assim? - o jogador soltou intrigado.
− Hm, quê? - a mulher parecia o estar vendo pela primeira vez - Ah, oi, tudo bem?
− Estás bem? - perguntou colocando uma mão no ombro da fisioterapeuta preocupado, analisando seu rosto.
− Eu tô nervosa, eu preciso falar com a Lena sobre algo que eu vi, não é um assunto agradável, mas agora que tô aqui a coragem foi embora.
− Com a Lena? Não pode ser assim tão ruim, pode?
− É pior. - suspirou alto, soltando uma risada sem humor.
− E tu precisas falar com ela?
Nesse caso sim, acho que é o certo a se fazer. Quer dizer, se eu visse alguém fazendo algo errado com um amigo seu, você gostaria de saber, certo?
− Com certeza. - a encarou se perguntando o que poderia ser de tão ruim que ela tinha visto - Ei, vem cá. - disse espontâneo se aproximando da mulher, sem que ela sequer entendesse o que estava acontecendo.
− Mas o que… - logo se viu presa dentro dos braços do jogador, que a envolvia com carinho e proteção. se surpreendeu com o próprio gesto, mas ao apoiar seu queixo no topo da cabeça de , sentiu que aquilo era certo. - Obrigada. - disse definitivamente mais calma do que estava segundos atrás.
− Ajudou? - questionou pronto para se soltar do abraço.
− Mais 30 segundos - pediu um pouco tímida, mas relaxou ao ouvi-lo gargalhar e lhe dar um beijo na cabeça, voltando a abraçá-la forte.
− Vamos, eu entro contigo. - finalizou quando o tempo extra pedido se acabou.
− Obrigada. - sorriu caminhando ao lado de , que estava adorável com o boné para trás e a roupa de treino. - De verdade.
− Não há de que, . Falamo-nos depois.

(...)


não tinha sido escalado para o jogo daquele dia, por isso seguia para casa após a reunião que acabara de ter com Florentino Perez, Zinedine Zidane, Sergio Ramos e Jaime Benitez.

Carlos Almarez, um dos principais fisioterapeutas do time, tinha sido convidado para assumir os Los Leones, apelido dado a Seleção Espanhola de Rugby, seu esporte favorito, então apesar de tristes pela partida de um membro tão querido por todos, estavam contentes por vê-lo realizar um sonho antigo. E, conforme Marcelo havia dito, com sua saída, vinha a necessidade de substituí-lo o mais rápido possível, para que o profissional que entrasse em seu lugar tivesse tempo suficiente para se adaptar a equipe e, principalmente, ao time.

Jaime já havia sondado os planos futuros de sem que ela percebesse e sugeriu seu nome a Jesus Olmo, que embora tenha aceitado a sugestão, estava em busca de outros profissionais antes de fazer sua escolha final e era por isso que , embora tenha estacionado o carro em sua casa, seguia a pé para casa de Gareth Bale.

? - o encarou com uma interrogação no rosto e ele não conseguiu não reparar que ela usava apenas um shorts jeans bastante curto, moletom e um tênis de uma de suas marcas favoritas. O jogador já havia notado como a mulher a sua frente era vaidosa e fazia questão de estar sempre bem arrumada, algo que o agradava muito, pois era mais uma coisa que tinham em comum.
− Quando fui ao Toni desejar-te um bom ano parecia que estava a te incomodar, como se não quisestes que eu tivesse aparecido. - soltou sem nem esperar ela dizer mais nada. já nem queria mais tocar no assunto, parecia que tinha se passado semanas desde o pequeno mal entendido e por tudo que vinha observando da fisioterapeuta, sabia que tinha sido algo somente em sua cabeça. - Já foi, mas acredito que tu não deixarias isso passar.
− Nossa, entra. - disse um pouco atordoada abrindo mais a porta - Me desculpa, confesso que reli nossas conversas, repassei algumas que tivemos na cabeça e nada parecia fazer sentido. Minha família preza bastante essas datas especiais quando estamos juntos, então, por saber que já tinha te feito esperar demais por mim enquanto eu estava com a Lena, não quis te segurar. Me sinto idiota agora.
− Com a Lena? Então por que disseste a todos que tinha ido a sua casa trocar os sapatos e a mim que havias mentido?
− Pelo Gareth, ele e a Alaina tiveram alguns problemas durante as férias e estavam para se assumir de vez ou terminar o que nem começaram, mas não era uma história minha para contar, entende? Igual hoje de manhã, não gosto de fofoca, então não me achei no direito de revelar o que sabia, não é e nunca será nada pessoal. Estou perdoada?
− Como lhe disse antes, é difícil chatear-me contigo. Estás a trabalhar? - perguntou ao ver papéis jogados na mesa de centro da casa de Gareth e o computador ligado.
− Estou preparando a apresentação do meu projeto para a entrevista semana que vem.
− Isso faz-me lembrar que ficastes de mostrar o tal projeto.
− Quer ver agora? Eu preciso de uma pausa mesmo, já estou ficando vesga.
− Vamos lá.

ouvia falar com um sorriso no rosto, via seus olhos brilharem enquanto mostrava na TV o resultado de todos os seus anos de estudos. Era visível o quanto ela tinha se dedicado a colocar seu projeto em prática e só parou quando acreditou estar perfeito, nem que para isso tivesse que recomeçar tudo do zero ou buscar ainda mais conhecimento.
Seu interesse na mulher aumentou instantaneamente ao ver a paixão que ela tinha pela profissão, sentiu um arrepio percorrer seu corpo ao perceber que era assim que ele se sentia pelo futebol.

Poderia não ter o talento nato de Messi como muitos falavam por aí, mas dedicação, perseverança e sacrifício ele tinha de sobra e mesmo que não tivesse, ia atrás de sempre conseguir mais, e a mulher a sua frente era igualzinha e merecia tudo que tinha alcançado até então. Se o Real Madrid encontrasse alguém tão competente como ela, ele mesmo seria o primeiro a sugerir sua contratação, mas o jogador sabia que não tinha, como Sergio mesmo havia lhe dito, ela era sua versão no mundo dos fisioterapeutas e apesar de seu interesse na mulher, sua profissão vinha sempre em primeiro lugar e acreditava que deixá-la ir embora sem nem lhe dar a chance de provar o que poderia fazer pelo clube era um grande erro.

(...)


− Ah, Isco, eu estou tão empolgada. - disse animada quando o jogador estacionou o carro em frente a famosa casa noturna Banloo, tinha ido com ele para o aniversário de Lena, para dar mais chances ao novo casal de ficarem a sós o máximo de tempo possível, já bastava ser hóspede de Gareth.
− E eu não sei? Tá falando dessa festa na minha orelha a semana toda.
− Ihh tá se achando, perninha torta, só para a sua informação, já tenho uma fila enorme de pessoas que querem dançar comigo e coloquei você em último.
− Eu sei que estou em primeiro. - piscou para a mulher convencido, saindo do carro e dando a volta para abrir a porta para ela.

, apesar de acostumada com a atenção que esportistas causavam, se assustou ao passar pela multidão que parecia bastante eufórica com a presença de tantos jogadores no local. Isco passou o braço sob os ombros da mulher a ajudando se livrar das pessoas que tentavam chegar a ele e foram em direção a sala denominada Love & Sex, que Benzema havia reservado para que todos tivessem privacidade total.

O espaço já estava bastante cheio com a presença de quase toda a equipe do time principal assim como a equipe médica, técnica e até alguns dos funcionários que trabalhavam na Ciudad Real Madrid. passou os olhos pelo local e encontrou seu grupo de sempre sentado em um canto da sala, balançou a cabeça em negação ao ver Modrić já com uma garrafa de whisky a sua frente.
Disposta a aproveitar um pouco mais a noite, já que aquela seria sua despedida da cidade por tempo indeterminado, foi em direção ao bar escolher algo para beber. Enquanto esperava o barman lhe trazer o drink que havia pedido, sentiu alguém parar ao seu lado.

− Ei Benzema, parabéns, esse lugar é demais e o DJ parece ser ótimo, você é um ótimo amigo.
− Oi, , obrigado. Você tá linda. - disse a olhando de cima abaixo, demorando um pouco mais em sua perna, que estava toda a mostra por conta da fenda enorme que havia aberto em sua saia, quando se sentou no banco do bar.
− Obrigada, você também. Vim pronta pra dançar sem medo de nada aparecer. A sua namorada não veio? - perguntou se odiando, queria mais que a tal Lola já tivesse sido despachada.
− Ela está viajando a trabalho. - disse dando de ombros - Então, você gosta de dançar?
− Demais, se quiser estarei a disposição. - sorriu dando um pulinho para descer do banco em que estava sentada - Opa, isso pareceu uma cantada. - continuou, fazendo Benzema gargalhar - Se quiser dançar, eu vou adorar.
− Preciso de mais alguns desses antes. - piscou pra fisioterapeuta lhe dando tchau.

A noite estava animadíssima, quando Alaina chegou, como era costume na maioria das casas noturnas, 27 garrafas de champagne com velas pirotécnicas foram trazidas por garçonetes e todos cantaram parabéns para a assistente técnica, que tinha um sorriso enorme no rosto por ver quantas pessoas foram prestigiá-la, mesmo sabendo que em dois dias teriam o jogo contra o Granada.

saiu mais uma vez da pista de dança em busca de um copo d'água e, embora não quisesse admitir, queria saber se já tinha chegado, já que ele havia lhe enviado uma mensagem no começo da noite avisando que chegaria um pouco depois.

La torturadora - o capitão do time abriu um sorriso pra quando se trombaram no meio do local, logo dando espaço para que uma mulher estonteante se colocasse a sua frente - , essa é minha esposa, Pilar. Mi vida, essa é a Loew. - disse e as duas se cumprimentaram com um beijo.
− Caramba Ramos, eu achava que as mulheres sentiam inveja da sua esposa por ser casada com você, mas a verdade é que inveja eu tenho é sua, por ser casado com uma mulher linda como ela. E esse olho? Já evito ficar perto da noiva do Mateo porque instantâneamente viro a amiga feia. - comentou arrancando uma risada alta do casal - Desse jeito vou ter que me esconder no banheiro.
− Imagina, você que é linda, quem me dera ter um cabelo lindo assim. Muito obrigada por ter tirado essa dor do Sergi, já não aguentava mais ele resmungando durante a noite que não conseguia achar uma posição pra dormir.
− Não foi nada, gostei de vê-lo xingar de dor. - Sergio fez uma cara de bravo para as duas, mas logo abriu um sorriso. - Querem se sentar com a gente? - apontou para seu grupo e viu os dois assentirem.

O pequeno grupo que havia se formado consistia em Luka Modrić, Toni Kroos, Mateo Kovačić, Sergio Ramos, Lucas Vázquez e suas acompanhantes. Gareth, apesar de estar sentado com eles, estava mais ocupado babando na namorada, que dançava sensualmente na pista de dança, do que nas gargalhadas que todos davam ao ver Sergio e tentando ensinar Luka a dançar o reggaeton.

Logo em seguida, Isco tirou de seus amigos pedindo desculpas a todos e os dois seguiram pra pista de dança onde dançaram as próximas músicas entre muitas risadas. O jogador estava obcecado com o movimento que a saia da fisioterapeuta fazia quando a rodava e achou que fosse passar mal a qualquer segundo, de tanto que o moreno a girou no lugar.

− Chega. - colocou a mão no peito e o outro ainda rindo lhe deu um abraço.
− Você tá bem? - questionou preocupado.
− Sim, só preciso que você pare de me rodar. E de uma água também. - falou se abanando.
− Aqui. - o jogador roubou a garrafa de Asensio e entregou à amiga, que aceitou de bom grado pedindo desculpas ao outro.

Quando a música acabou, o DJ começou a introduzir uma nova música que não prestou muita atenção ao nome.

− Acho que podemos dançar mais essa, o que acha?
− Acho que não. - disse olhando um ponto atrás da mulher, que o encarou sem entender a recusa. - Vieram te roubar de mim. - completou a segurando pelos ombros, para que ela virasse para o lado oposto a tempo de ver se aproximar a passos lentos com um sorriso de lado no rosto.
− Posso? - o atacante estendeu a mão à mulher e Isco fez um gesto exagerado em concordância.
− Ei! - disse feliz ao ver o jogador, que assim que pegou sua mão lhe rodou no mesmo lugar, a trazendo para perto de si - Você sabe dançar! - afirmou um pouco desnorteada por ter sido rodada mais uma vez.
− Não como tu. - disse próximo ao ouvido de , devido ao barulho do local - Mas não lhe farei passar vergonha. - finalizou colocando sua mão na lombar da mulher, aproximando seus corpos ainda mais.

estava impressionada com , nunca achou que ele fosse de dançar e muito menos que sabia ser divertido durante os passos que davam. Mesmo não sendo tão bom quanto Isco, o jogador tinha bastante gingado e arriscava algumas "manobras" mais elaboradas, mas mesmo que pudesse tomar as rédeas e ensiná-lo algumas coisas, deixou que ele os liderasse e não estava arrependida, assim como nos campos, o jogador envolvia a todos com seus passes e com ela não foi diferente.

Seus olhos estavam fixos no rosto do jogador, vendo-o manter um sorriso aberto todo o tempo. Permitiu-se reparar nas pequenas sardas que ele tinha por todo o nariz e nas maçãs do rosto, nunca as tinha visto e achou que lhe dava um ar mais inocente, quase como se ele fosse tocável, e não o melhor do mundo.

não se lembrava de ter visto nada mais sexy do que quando viu e Isco dançando na pista. Tinha chego um tempo antes e tentou procurá-la disfarçadamente, mas quando a encontrou o mais novo a estava puxando para o meio da sala. Juntou-se ao seu grupo de sempre, com Marcelo, Pepe e Coentrão que estavam acompanhados de suas esposas, ao mesmo tempo que a via dançar. A fisioterapeuta usava uma blusa de alcinha branca curta, que deixava apenas um pouco de sua barriga aparecendo, a saia longa abraçava sua cintura, deixando o seu corpo ainda mais desenhado, ainda mais irresistível.

Marcelo havia sugerido que ele a chamasse para dançar, mas o jogador estava em dúvida se deveria ou não. Não sabia se era o certo a se fazer, mas quando Isco puxou a perna de até a sua cintura, fazendo com que seu corpo tombasse, a saia da fisioterapeuta se abriu dos pés até praticamente a sua cintura, deixando toda sua perna definida a mostra. Bastou uma única olhada para Marcelo para ter a certeza de que sim, precisava ir até ela.

Em algum ponto da música, que jamais se lembraria qual, se virou tirando o cabelo da nuca para se aproximar do jogador de costas, e esse colocou a mão em sua cintura, ainda desacreditado em como ela dançava sensualmente. Tinha certeza que não era o único ali a estar hipnotizado com os passos que ela dava, principalmente quando seu quadril estava tão próximo ao seu corpo, subindo e descendo conforme o ritmo da música, rebolando a ponto de deixá-lo completamente maluco.

Mesmo suada de tanto dançar ele ainda podia sentir seu perfume e quando apoiou sua mão na que ele tinha em sua cintura, sentiu um choque passar por seu braço e se não estivesse na frente de todos os seus colegas de time, e o mais importante, se não tivesse uma namorada, teria virado a mulher para si e a beijado até matar a vontade que tinha dela naquele momento. estava extasiada e até um pouco anestesiada por ter a presença do jogador tão perto de si, era rídiculo como se sentia atraída por .

Quase no final da música, o "casal" viu Pilar e Sergio, Vanja, Jessica e Macarena se aproximarem e acabaram se soltando para dançarem todos juntos. Ao final da música todos deram risadas, ainda tentando se lembrar do que o cantor falava no refrão, até que fez um sinal para o jogador que iria voltar para sua mesa para buscar algo para beber e o procuraria depois.

Meia hora depois, resolveu criar coragem para entrar no meio do grupinho de portugueses que parecia dominar uma parte da sala privada. Tocou no braço de , que prontamente abriu um espaço para que ela se juntasse a eles e a apresentou à Clarice, esposa de Marcelo. As duas pareceram se entender, pois passaram os próximos quarenta minutos conversando e dando risada e Marcelo deu um sorriso cheio de significado para o amigo.

Em certo momento Gareth chamou por e a mesma se desculpou, dizendo que precisava voltar ao seu grupo, o que deixou intrigado, já que a mulher à sua frente não mais tinha o sorriso que se manteve em seu rosto durante todo o tempo que estavam juntos e parecia chateada com alguma coisa, mas não se sentia no direito de lhe perguntar nada.

− Eu te conto depois. - disse em seu ouvido, antes de trocar seu número de telefone com a esposa de Marcelo e ir embora.

(...)


Gareth havia contado a o que tinha se passado na casa de Alaina e vendo como a assistente estava chateada, juntou todas as esposas que conseguiu encontrar e foram todas dançar na pista mais um pouco até serem interrompidas por seus maridos e namorados, fazendo com que Lena risse ainda mais com a cena, já que muitos tinham passado da conta e dançavam de forma engraçada.

− Eu quero. - viu Benzema se aproximar dela visivelmente chateado e até um pouco raivoso. - Dança comigo? - pediu um pouco tímido e mesmo cansada e com os pés doendo a fisioterapeuta lhe estendeu a mão.
− Só se for agora. - disse rindo e quando o francês a puxou viu os encarando, a mulher lhe soprou um beijo de forma engraçada antes de se entregar ao ritmo da música e se deixar ser guiada pelo homem à sua frente.

E mesmo tendo dançado com várias pessoas naquela noite, só conseguia pensar em uma: a única que ela não poderia ter.


Capítulo 5

Após sua costumeira yoga matinal, seguiu preguiçosa para a cozinha. Tinha dormido muito pouco na noite passada e se recusou a correr tão cedo, ainda mais que seus pés ainda doíam de tanto dançar. Decidiu meditar dentro do próprio quarto, com o aquecedor ligado, já que embora Madrid fosse muito mais quente que Gland, ainda assim era frio pros seus padrões. Andava com a cabeça baixa, rindo das fotos e vídeos que Isco, e algumas das esposas haviam lhe enviado, quando parou na porta da cozinha ao ver uma cena altamente fofa. Gareth e Alaina conversavam entre carinhos e por mais que quisesse fazer um escândalo e deixá-lo vermelho, a fofura dos dois era tanta que acabou tirando algumas fotos, antes de finalmente entrar na cozinha com um sorriso no rosto.

- Ah, meu casal! - disse animada chamando a atenção dos dois - Bom dia!!! Fico mais feliz em saber que dormiu aqui, Lena, tava preocupada de estar sendo... Bem, você sabe...empata foda. - "sussurrou" para a assistente, que sabia que o único intuito de era deixar o namorado com vergonha.
- Ei, , bom dia. - Lena respondeu com uma piscada pra mulher - Fica tranquila, nem lembrei que você tava aí, sabe como é né...
- Ah que bom, nem eu lembraria de mim mesma com um homem desse na cama - riu aliviada ao ver que a mulher tinha entrado em sua brincadeira - Nem precisa se preocupar com barulho nem nada, porque além de dormir fácil, meu quarto é o mais distante do Gareth. Gritem à vontade.
- ! - Gareth disse roxo, fazendo as duas mulheres se entreolharem e caírem na gargalhada, fazendo-o bufar - Achei que ainda tivesse dormindo depois de ontem, dançou a noite inteira.
- Nada, já fiz yoga, mas meus pés estão destruídos, saí pouco depois de vocês, vim com o e o Benzema. - comentou dando um sorriso triste para Alaina - Tenho certeza que logo vocês se acertam, ele só precisa de um tempo, o bom é que homem esquece fácil.
- É, espero que sim. - a mulher falou e Gareth lhe deu um beijo na cabeça em apoio.
- Olha que fofos vocês. - querendo mudar logo de assunto, entregou o celular aos dois para que vissem as fotos que tinha tirado, enquanto se ocupava de preparar o que iria comer.
- Adorei, posso me enviar essas?
- Pode sim, aproveita e salva seu contato? Sabe como é, sei que tô indo embora, mas se quiser me mandar dormir fora só falar - riu ao ver Bale a encarar com os olhos arregalados e seu rosto começar a esquentar novamente. Alaina lhe deu um beijo em apoio, rindo da timidez do namorado - Posso sempre ir pra casa do Toni ou do Luka.

(...)

- . - Gareth a chamou da piscina em que fazia os exercícios, a mulher estava sentada na borda, com os pés na água. - O que você vai fazer se o trabalho em Chicago não der certo?
- Vou pra Califórnia ficar com meus irmãos um tempo e começo a contatar meus conhecidos, eu já recebi alguns e-mails de pessoas curiosas sobre o projeto, mas é que antes eu ia para onde meus cursos estavam, agora quero ir pra onde vou me sentir realizada e feliz. Chicago é frio pra caramba, mas é lindo demais e ficaria mais fácil de ver minha família. Por outro lado, gosto muito da Europa e tenho o passaporte alemão por conta dos meus avós. Vamos ver, o Bulls demitiu agora no final do ano a Jen Swanson, que faz um trabalho similar ao meu e basquete seria um desafio enorme.
- Mas você disse que prefere futebol, não? Tanto o americano, como o nosso?
- Sim, por isso que se acabar não dando certo não vou ficar assim tão chateada. Acho que ainda não procurei nada além deles porque no fundo sei que preciso de um tempo pra mim mesma, estar rodeada de amigos ou família. Passei tantos anos longe de todo mundo, que só de estar aqui por um mês ao lado de vocês me faz ver que preciso focar nessa parte da minha vida também, não vou aceitar nada que seja muito longe de novo.
- Eu imagino, tantos anos grudada nos livros, longe de todo mundo.
- Ei, vocês - se virou encontrando o capitão do time vindo em sua direção.
- Oi, Ramos, tudo bem? - o jogador se abaixou para cumprimentá-la.
- Você deveria estar fazendo isso? - apontou para as pernas dela dentro da água.
- Vai me dedurar?
- Não, vim perguntar se você vai ficar aqui o dia todo!
- Hm - olhou pra Gareth - Até umas 14h só, por quê?
- Nada. – o capitão disse trocando um olhar com o jogador na piscina - Você acha que quando acabar com o Bale, pode fazer aquele negócio em mim? Queria testar como me sinto antes de um jogo.
- Faço sim, aliás, se preferir e eu puder, venho amanhã à tarde, seu músculo vai estar mais solto na hora do jogo, senão faço hoje mesmo.
- Vou falar com o Jaime pra você vir aqui amanhã então. Te vejo no almoço?
- Sim, senhor.

O falatório dos jogadores no refeitório preenchia o ambiente, Gareth e tinham dado uma pausa nas sessões e o jogador a chamou para almoçar com ele. O que a fisioterapeuta nem imaginava era que ele tinha um motivo para isso. Com sua bandeja em mãos, escaneou o refeitório e sorriu tímida ao perceber que seguia seus passos. Os dois trocaram um sorriso e foi inevitável não se lembrar da noite anterior, depois de dançar com Karim, voltou a se sentar com o jogador, mas todo mundo já começava a ir embora e acabaram não conseguindo conversar muito mais.

- , você já conheceu o Zizou? - Bale perguntou do outro lado da mesa, quando ela se sentou ao lado de Luka e Toni.
- Não, pra ser sincera eu tenho medo dele, até já vi ele por aí, mas troco o caminho ou me finjo de paisagem se ele tá por perto.
- Por quê? - Luka a olhou confuso.
- Ah sei lá, ele tem uma cara de bravo, fora que toda vez que olho pra ele lembro da cabeçada que ele deu em alguém numa copa aí.
- ? - a mulher fechou os olhos ao entender porque os amigos estavam segurando a risada.
- Filhos da mãe - sussurrou, antes de se virar na cadeira e levantar - Oi?
- Zinedine Zidane, prazer. - o homem tinha um sorriso fechado no rosto e a única coisa que queria saber era se ele tinha ouvido o que ela tinha acabado de falar.
- O prazer é meu - disse tímida dando a mão ao técnico, ao que ele deu um passo rápido pra frente, a assustando.
- Não se preocupa, não vou te dar uma cabeçada. - sentiu o rosto esquentar ao ouvir a gargalhada que se explodiu em sua mesa e viu Zizou sorrir de lado pra ela.
- Me desculpe. - disse com a completa certeza que estava roxa. - Eu n…
- Tá tudo bem, eu que me desculpo pela brincadeira, quis me apresentar oficialmente já que fiquei sabendo pelo Jaime que tem nos ajudado a cuidar dos jogadores. Gostaria de se juntar a mim, para conversarmos?
- Cl..claro. - disse nervosa, pegando sua bandeja da mesa e seguindo o técnico para um local mais afastado, ainda encarando vez ou outra seu grupo que a olhava divertido.

, que observava toda a conversa, sorriu ao ver seguir Zinedine até a mesa em que o técnico sempre almoçava. Achava engraçado como a mulher naturalmente se retraia quando estava no refeitório, mas com ele era completamente diferente. Na noite anterior lhe ofereceu carona pra casa, com a esperança de passarem um tempo a sós, mas ela apareceu com Benzema, que parecia ter visto dias melhores e ficou feliz em ajudá-lo, já que raramente bebia e poderia dirigir.

Sabia que se as coisas não dessem certo para a fisioterapeuta, essa seria sua última semana na cidade e queria achar um modo de poder passar um pouco mais de tempo ao seu lado, não conseguia parar de pensar na noite anterior e em como haviam dançado tão próximos um do outro. Se fechasse os olhos quase podia sentir o corpo da mulher encostado ao seu e ver o sorriso dela que tanto o encantava cada vez que ela se virava para ele, era visível como ela amava dançar e o fazia como poucos. Ele até já havia tentado entender o que se passava com ele, mas tinha desistido, entrou em sua vida para bagunçá-la de vez, essa era a única certeza que tinha. Se não tivesse a premiação da FIFA, um dos pontos mais altos de sua carreira, para ir na última noite da mulher na cidade, algo que vinha esperando há meses, provavelmente teria planejado alguma loucura.

- Eu tenho ouvido muito seu nome pelos corredores e na sexta o e o Sergio vieram falar comigo sobre você.
- Falar o quê?? - virou o rosto olhando para onde sabia que estava sentado e reparou que ele ainda a observava, escaneou o local em busca de Sergio e ele também parecia estar de olho na conversa, aumentando ainda mais a curiosidade da fisioterapeuta - Olha se eu fiz algo errado, me desc…
- Não - o técnico riu ao ver que realmente a mulher tinha medo dele - Foram coisas boas, fica tranqüila. Eu só queria te conhecer melhor, saber quais cursos você fez, onde estudou. Como antes você só tratava do Gareth não me atentei muito, mas gosto de conhecer todos que estão na minha equipe, mesmo que temporariamente.
- Ah tá! - sorriu aliviada, afinal, falar de trabalho era fácil pra ela, um território mais do que conhecido, que a fazia se transformar em outra pessoa, sua timidez ia embora e a confiança tomava conta de si.

(…)

tinha acabado de chegar no box dos familiares dos jogadores no Bernabéu quando viu Pilar, esposa de Sergio, com Marco no colo e no banco ao lado Sergio Jr. Ela tinha ido cedo para a Ciudad Real Madrid fazer a técnica de ART no capitão, que aceitou uma vídeo chamada da esposa, porque os filhos queriam lhe desejar boa sorte. ficou tão encantada com os meninos, que prontamente Pilar a convidou para se sentar ao lado dela durante a partida. Gareth tinha ido junto com ela ao estádio, mas tinha passado no vestiário para falar um oi para Lena e o time, e a encontraria mais tarde.

- Ah, meu Deus, que filhos mais lindos vocês fizeram, não consigo me conformar como um é loiro e o outro tão moreno, mas também não posso falar muito, meus irmãos tem os cabelos bem mais claros que os meus, são quase loiros.
- É verdade, o Sergio me disse que você tem irmãos trigêmeos, deve ser uma loucura.
- Sim, olha só, aposto que com 22 anos dão mais trabalho do que os seus - tirou o celular da bolsa, vendo que tinha algumas mensagens de Isco e , que não passou despercebido pela esposa de Sergio.
- Você fez bastante amizade com alguns jogadores durante sua estada, não?
- Um pouco, acho que a aproximação maior foi com o e o Isco mesmo. - disse dando de ombros ao entregar o celular para a mulher para que visse as fotos de suas férias em seu Instagram.
- Estava conversando com o Sergio que adoraria te convidar pra jantar lá em casa, mas ele me disse que você vai embora essa semana.
- Infelizmente, amanhã eu tenho uma apresentação de dança, o Isco vai ser meu parceiro. No dia seguinte o plano era jantar com o meu grupo de sempre, mas vocês vão todos para a Suíça no prêmio da FIFA.
- Seria muito legal se você pudesse ir também, mas posso me adicionar aqui no seu Instagram? Assim mantemos contato e quando você vier visitar marcamos alguma coisa?
- Claro, com certeza eu vou amar, mas nem posso reclamar, ver todos eles recebendo o prêmio de melhores do mundo é sensacional, fico aqui me chutando por sempre ter evitado vir aos jogos ou ter ido ao CT por medo de não descansar, mas a verdade é que essa estadia foi a melhor de todas, conheci tanta gente legal que até me dá vontade de ficar mais um pouco.
- Ah eu tenho certeza que você vai encontrar algo tão bom quanto merece, o que é essa apresentação com o Isco? Vi vocês dançando no aniversário da Lena, vocês estão…
- Jamais - a interrompeu rindo - O Isco é como um irmão mais novo pra mim, adoro a companhia dele, me faz rir como poucos - disse fazendo uma careta divertida para Sergio Jr. que brincava de se esconder atrás da mãe para que a fisioterapeuta “o achasse”.

Estar ao lado das pessoas que mais amavam aqueles jogadores em campo fez toda a diferença para a experiência da mulher, logo que Gareth apareceu ele se sentou ao seu lado, com a carinha de quem daria tudo para estar em campo. lhe deu a mão em conforto e permaneceram daquela forma até o começo do jogo, quando recebeu oficialmente o seu mais novo Ballon d’Or e todos se levantaram para bater palmas. A mulher reparou que em alguns box para o lado a comemoração era mais intensa e Pilar lhe disse que era ali que os familiares do camisa 7 sempre ficavam, apontou para a mãe do jogador que parecia chorar de emoção e para uma morena muito bonita que ficou sabendo ser sua irmã, logo atrás reconheceu o rapaz que tinha aberto a porta para ela no ano novo e quem ela tinha plena convicção que era o namorado do jogador e, apesar de já saber daquilo, quando sem querer o olhar dos dois se encontraram, ela os desviou rapidamente, tentando esquecer como tinha se sentido ao ter o corpo do jogador colado ao seu. A sua sorte era que iria embora em dois dias, caso contrário sabia que as coisas provavelmente sairiam de seu controle de uma forma que nunca havia acontecido antes. já tinha se interessado por pessoas erradas, mas um cara gay era pedir para sair com o coração partido.

Enquanto todos estavam atentos ao começo do jogo, pegou o celular para tirar algumas fotos pra mandar para seus irmãos e se lembrou das mensagens que tinha recebido dos jogadores.

Isco: Já estou até me sentindo outro depois dessa massagem, vou fazer um gol pra você de despedida e outro de agradecimento. 😝

: Diga-me quando estiver no estádio, tenho uma prenda pra ti.
: 😓


Sabendo de que nada adiantaria responder a nenhum dos dois naquele momento, voltou sua atenção para o jogo, mesmo curiosa e com medo da tal prenda. Ainda tinha o cobertor guardado em seu armário e não saberia o que fazer se ganhasse mais um. Nem teve tempo de pensar em mais nada, pois logo em seguida Isco marcou um gol, a fazendo pular da cadeira e quase grudar o rosto no vidro de tão feliz que ficou ao ver o novo amigo marcar um dos gols prometidos. O time parecia dominar o coitado do adversário, já que ainda no primeiro tempo Benzema e marcaram e para surpresa da fisioterapeuta, Isco marcou de novo fazendo-a ter certeza que amava aquele time e aqueles jogadores em campo, não poderia sequer ter imaginado uma despedida como aquela. Gareth ria toda vez que a amiga pulava a cada gol feito, ele mesmo estava feliz e surpreso com o desempenho dos colegas ainda na primeira metade do jogo.

- Olha, eu dou muita sorte pra esse time mesmo viu. - disse metida para o amigo - Venho no estádio e o primeiro tempo acaba 4x0?
- Menos, , menos. - Gareth bagunçou o cabelo dela - Eu vou pegar alguma coisa pra comer, você quer?
- Quero, o mesmo que você pegar, vou no banheiro e dar uma volta ali fora rapidinho, quero ver os torcedores. - respondeu para o amigo que assentiu.

: Ahhh eu sou muito boa com as mãos mesmo, 2 gols?!? Não esquece que me prometeu essa camisa suada e fedida autografada de lembrança. 💓💓

: Ei 🙈, desculpa, estava ocupada com a Pilar e os mini Sergios, mas te vi aqui de cima recebendo seu prêmio e fazendo um gol lindo de cabeça. Parabéns, melhor do mundo 🏆🏆🏆🏆.


- ? - tomou um susto ao ouvir seu nome no meio da multidão e se virou, dando de cara com o namorado de .
- Eu? - o olhou curiosa e um pouco reticente.
- Eu sou o Miguel, amigo do .
- Sei. - a mulher deu uma risadinha ao estender a mão ao rapaz - Foi você que abriu a porta pra mim no dia primeiro, não? Desculpa incomodar, eu não sabia que o estava ocupado.
- Não tem problema, já estava acordado há um tempo. O pediu para entregar-te essa prenda antes do jogo, mas não consegui.
- Ah me desculpa, eu acabei me distraindo com os filhos do Sergio, mas mandei uma mensagem pra ele agora, deve ver no final do jogo. - disse enquanto o homem lhe entregava o tal presente - Não acredito! - comentou animada olhando a camisa do Real Madrid com o nome e número do jogador.
- Fico feliz que tenha gostado, vai ficar feliz em saber.
- Eu amei, aqui, tira uma foto pra mim que vou mandar pra ele. - pediu tirando o casaco para colocar a camisa do jogador por cima de sua blusa.
- Foi um prazer conhecer você, . - Miguel disse após lhe devolver o telefone.
- O meu também... Miguel, por que você não quis ir na festa da Lena? - a mulher perguntou curiosa e o viu franzir o cenho.
- Era algo mais pro pessoal do clube, seria estranho.
- Ah, mas sempre cabe mais um, ainda mais você. - falou sem querer dar na cara que sabia o segredo dos dois.
- O quis ir sozinho pra passar um pouco mais de tempo contigo, já que vais embora essa semana.
- Ahhh - sorriu achando incrivelmente fofo como os dois pareciam ser bastante transparentes um com o outro. - Gostei muito de poder conhecer ele melhor, tinha uma imagem completamente diferente e me surpreendi. Na próxima vez que eu vier, podemos sair os três?
- Claro, será um prazer. - o homem respondeu mesmo estranhando a pergunta - Preciso ir ao banheiro antes do segundo tempo, nos vemos noutra altura?
- Sim, até mais. - se despediu voltando ao box, mas antes de se sentar para assistir ao segundo tempo, enviou uma mensagem a , agradecendo pelo presente e enviou a foto que tinha pedido que Miguel tirasse.

(...)

Apesar de muito cansada, tinha um sorriso no rosto, tinha acabado de chegar em casa depois do longo dia que tivera. Após a vitória de 5x0 do time, saiu com Alaina e Veronique Zidane e apesar de que fazer compras e passar horas num cabeleireiro fosse terapia para quase todas as mulheres, ainda assim era bastante cansativo. Vaidosa, sempre tinha seu encontro semanal com a manicure, mas enquanto Lena tingia os cabelos aproveitou para também fazer uma hidratação e escova no cabelo já que de qualquer forma teria que esperá-la. Encarou a sacola com o seu vestido, satisfeita e empolgada para o dia seguinte.

Esperava uma ligação de Carter quando olhou seu telefone e estaria mentindo se não tivesse feliz por ver algumas mensagens de .

: Obrigado, 😍, estamos sempre a nos desencontrar aqui.

: Fico feliz que tenhas gostado da prenda, estás ainda mais linda do que já és. O número 7 combina contigo 😉

: É porque você não me viu depois de passar horas no salão. 💅💃

riu de si mesma, aquilo com certeza seria algo que ela falaria para qualquer pessoa por brincadeira, mas não com a intenção que tinha usado com e ela sabia bem disso.

- Ainda bem que estou indo embora. - suspirou derrotada antes de sorrir ao ver o rosto de seu irmão na chamada que acabava de receber.

(...)

Gareth enviou uma mensagem discretamente e encarou , não sabia o que iria acontecer depois daquela reunião, mas ele gostaria muito que a resposta da amiga fosse positiva.

- Preciso te levar aqui num lugar, vem comigo. - disse ao virar o corredor para o lado oposto ao centro de treinamento da primeira equipe.
- Você não tá aprontando nada com o Luka e o Toni, né? Porque se estiver acho bom manter meu cabelo intacto ou vai devolver o dinheiro que gastei ontem.
- Agora entendo porque você gosta tanto de me deixar vermelho, é bem legal te ver com medo.
- Não é medo, é desconfiança. Você que disse para eu descansar essa semana, aí vem me dizer que preciso vir aqui hoje? Eu vou sair com o Isco à noite, queria tentar dormir um pouco e poupar meus pés.
- Você e o Isco estão ficando ou algo do tipo?
- Lógico que não - riu da pergunta de Gareth - Ele é bem mais novo do que eu, não tem nada demais.
- O jeito que vocês estavam dançando parecia que tinha algo ali sim.
- Ah, nós temos muita química dançando mesmo, você que deveria ter aceitado minhas aulas quando ofereci, poderia estar dançando igual com a Lena agora.
- E o ? - Bale ignorou a amiga, tinha uma leve desconfiança que o jogador estava interessado em , mas quando Isco entrou na jogada, ficou confuso. A mulher parecia bem mais solta e desinibida ao lado do mais novo, mas quando falava de geralmente ela se policiava demais, algo que até então ele nunca tinha presenciado.
- O que tem ele? - se fez de tonta, mas Gareth se manteve firme - Não tenho nada com ele, você sabe, ele está namorando.
- Você gosta dele. - compreensão passou nos olhos do jogador.
- Não. - disse apressada - Ele só é diferente do que eu imaginava, mas ao mesmo tempo exatamente como imaginei. Mas não é como se eu tivesse alguma chance e estou indo embora também. Já foi. - falou desviando o olhar do galês que entendeu aquilo como o fim da conversa.
- Acho que chegamos - comentou batendo em uma porta antes de abri-la.
- Chegamos onde?

O jogador abriu um espaço para que entrasse e, receosa, inclinou a cabeça para ver o que tinha dentro do local, estava com medo de que fosse alguma pegadinha com ela por ser seus últimos dias na cidade. Luka tinha mania de aprontar e ela conhecia bem a peça, mas ficou bastante confusa quando viu , Sergio e Jaime no local.

- Entra. - Bale pediu ainda parado no mesmo lugar.
- Presente de despedida? – fez uma cara maliciosa pro amigo que revirou os olhos, Gareth não entendia como ela sempre tinha algo na ponta da língua para responder.
- Entra. - o jogador deu um empurrão de leve em fazendo com que ela desse um passo a frente - Eles querem conversar com você.
- Sobre?
- Relaxa, - disse segurando na maçaneta.
- Você não vai ficar? - se virou para o amigo, preocupada.
- Não, eu não tenho nada a ver com isso. - falou fechando a porta. - Boa sorte.
- Traíra. - murmurou para o jogador que riu antes de deixá-la sozinha com os três na sala de reunião.
- Bom dia, - os homens falaram quase que juntos, a fazendo se virar para eles.
- Bom dia? - disse incerta - Já estão com tanta saudade que vão me pedir pra ficar? - riu vendo os três se encararem curiosos.
- Senta cá, - apontou pra cadeira que tinha ao lado dele - Queremos conversar contigo.
- Eu não sei o que estou fazendo aqui, mas não fui eu e se for alguma pegadinha, no cabelo não. - assim que disse isso, se lembrou da mensagem que tinha enviado para , sua vontade naquele momento era de sair correndo e nunca mais voltar. Não imaginou que fosse vê-lo logo no dia seguinte ou jamais teria enviado algo do tipo.

viu a mulher o encarar tímida, mas a verdade era que depois da mensagem que recebera, a primeira coisa que notou assim que ela passou pela porta foram seus cabelos soltos. Era incrível como a achava cada vez mais bonita, também não era nada mal a calça justa que ela usava. O jogador tinha ficado bastante surpreso com a resposta da fisioterapeuta ao seu elogio ao vê-la usando a camisa com seu nome, sabia que tinha avançado um limite, mas eram os últimos dias da mulher na cidade e caso a proposta não desse certo, provavelmente não a veria de novo. Não custava nada ser um pouco mais ousado, já que sua atitude claramente tinha dado certo.

caminhou sentindo seu coração bater mais rápido, sabia que fosse lá o que estivesse acontecendo ali tinha a ver com seu trabalho com os jogadores, mas a formalidade do local a deixou confusa. Sentou-se ao lado de , ficando de frente para Sergio e Jaime. segurou em sua mão por baixo da mesa, fazendo um carinho de leve, talvez com a intenção de acalmá-la, mas para sentir o toque do jogador causava o efeito totalmente contrário.

- Você não está errada. - Jaime disse rindo ao ver o rosto confuso da mulher - Não te contei isso antes porque decisões importantes levam muito tempo para serem tomadas aqui, mas a verdade é que o Carlos foi convidado para assumir a Seleção Nacional de Rugby e você conhece ele…
- Mais viciado impossível - riu se lembrando das discussões que tiveram sobre as diferenças do Futebol Americano e do Rugby - Fico feliz por ele, era o que ele sempre quis mesmo.
- Só que agora nossa equipe está defasada, apesar de termos a equipe de apoio, não tem como eu e o Javi darmos conta de todos os jogadores sozinhos, ainda mais com a lesão do Bale. E, aparentemente, tem uma fisioterapeuta chamando tanta atenção dos jogadores que eles gostariam muito que ela pudesse ficar com a gente até o fim da temporada.
- Eu??? - disse encarando aos três, surpresa - Eu falei brincando aquela hora. De verdade? Mesmo com o ART? - perguntou se virando para Sergio, que tinha um sorriso no rosto.
- Sim, torturadora, o Javi me contou da saída do Carlos e que o Jaime estava pensando em te chamar, como só tinha te visto de longe, ele teve a ideia de te pedir pra me tratar, quem se deu mal no final fui eu.
- Mentira! O ART foi um teste? - perguntou surpresa tirando um sorriso de todos os presentes, a energia da mulher era algo que todos apreciavam, ela sempre tinha um sorriso no rosto e com frequência tirava outro de seja lá com quem estivesse falando.
- Você teve muitos testes. - Sergio disse ainda rindo, fazendo com que o encarasse, chocada.
- Eu estava a conversar com o Bale quando o Sergio chegou elogiando-te, querendo saber se tinha alguma chance de tu ficares. Não sei se sabes, mas ano passado tivemos um problema com nosso médico atual, o Dr. Olmo, ele não pode entrar em nosso vestiário, então quando sabemos que vai ter uma mudança no quadro médico preferimos trazer alguém de nossa confiança, do que da dele.
- Mas vocês acham que ele me aceitaria?
- Ele não tem escolha, - Sergio voltou a falar - Quando cheguei pra falar com o Bale, o disse que também queria que você ficasse, então nós dois fomos direto falar com o Florentino e o Zizou, por isso ele quis saber sobre seu currículo.
- Meu Deus que trouxa que eu fui, pensando aqui a Veronique e a Lena pareciam interessadas demais no meu projeto ontem. - disse pensativa, vendo os três a encararem divertidos.
- O Dr. Olmo vai entrevistar outros candidatos - Jaime se apressou em dizer antes que causasse alguma confusão - Mas você é a única a ter a recomendação de dois dos mais influentes jogadores do time. Além, claro, de que tenho certeza que o Bale e o Modrić também gostariam muito que você ficasse.
- Eu... nem sei o que dizer. Estou realmente lisonjeada e feliz por estar aqui ouvindo um convite desses, de verdade, mas eu não me considero mais uma fisioterapeuta e sim biomecânica do esporte. Apesar de ter amado meus dias aqui e poder ter a oportunidade única de passar esses próximos 6 meses trabalhando em um dos melhores clubes do mundo, com os melhores jogadores do mundo, eu quero colocar meu projeto pra frente. Parar tudo agora seria um grande erro.
- Nós já sabíamos que você ia falar isso. - Jaime disse para .
- Nós estamos no meio de uma temporada de sucesso - Sergio continuou - Nossa maior preocupação é manter a rotina que estamos usando desde o início, não podemos parar tudo e começar um novo projeto sem planejamento, o Zizou ficou preocupado quanto a isso...
- Mas tanto ele quanto o Florentino e o Dr. Olmo querem conhecer teu projeto, eu disse que era algo que nunca tinha visto antes e que com certeza seria interessante entender melhor e, se todos concordarem, dar-lhe uma oportunidade.
- O Zizou disse que nada impede de trabalharmos juntos enquanto isso, de uma forma que não afete o time, mas que ao mesmo tempo possa nos mostrar como seria a rotina dos jogadores, caso esse projeto fosse pra frente.
- Eu faria o tratamento normal com vocês, mas também teria certa liberdade em colocar o projeto em prática?
- Isso. Marcamos uma reunião pra ti depois de amanhã às 10 horas com o conselho do time e a equipe médica. Sei que tens outra entrevista essa semana, mas antes que aceites um novo trabalho quero que saibas que tens uma oportunidade aqui.
- QUÊ? - os olhou espantada - Caramba, já marcaram tudo sem nem saber se eu ia aceitar?
- Temos toda uma equipe pronta pra te convencer a ficar. - Sergio comentou sorrindo e começava a entender um pouco mais o capitão, era perceptível a forma que ele comandava a equipe com seriedade, mas muito carisma.
- Bom, se eles estão dispostos a me ouvir, eu com certeza tenho interesse, apesar do pouco tempo que tenho agora pra me preparar para duas entrevistas. Só vocês mesmo.
- Uma mulher difícil - Jaime falou brincando. - Eu preciso ir, mas qualquer coisa me liga?
- Sim e você está ok com isso? Trabalharmos juntos?
- Quem você acha que foi a primeira pessoa a passar pela minha cabeça?

(...)

se via presa em um misto de emoções, estava muito feliz e mais ainda lisonjeada por ter sido notada em algo que estava fazendo por puro prazer e amor, mas ser fisioterapeuta já não bastava mais para ela. Queria mais, queria seu projeto, conhecer cada jogador de forma única, estudar um a um e descobrir onde poderiam melhorar ou onde deveriam se preservar. Era aquilo que movia a mulher, ossos e músculos e tudo que vinha junto, mesmo quando tinha que calcular estatísticas, calorias e exercícios ainda assim era onde se sentia mais feliz. Poder se fixar em um único lugar pelos próximos seis meses ao lado de alguns de seus melhores amigos e dos novos que fizera enquanto estava em Madrid não lhe parecia de todo um mal, mas sabia que precisava se manter objetiva e focar no futuro, caso contrário poderia acabar se acomodando com algo que há muito não se via mais fazendo.

- Terra para ! - se assustou ao sentir um jato de água atingir seu rosto e logo em seguida a risada mais gostosa do mundo escapar da boca de Isco Jr. Mesmo chocada com a audácia de Isco, que gargalhava segurando a pistola de água em mãos, a mulher conseguiu rir da situação.
- Ei, Isquinho - disse se abaixando para falar com o menino - Você não acha que seu pai merece um jato desse na cara também? - perguntou vendo o pequeno assentir empolgado e viu Isco sair correndo pelo jardim onde os três estavam brincando pela última hora. Bubu, o cachorro do jogador, já tinha desistido deles e só os observava de longe, deitado em sua caminha feito rei.

Era finalmente o dia que o professor de dança de iria ver a coreografia que ela tinha criado para a música de Nicky Jam. A ideia era a mulher dançar com um dos alunos da escola, mas desde que tinha conhecido Isco, o jogador pedia quase que diariamente para que ele pudesse ser o parceiro dela. Os dois vinham criando tanta cumplicidade, respeito e carinho um pelo outro que até entendia porque as pessoas estavam se questionando se os dois estavam ficando, mas para Isco era quem a fazia se sentir em casa, talvez por se lembrar muito de seus irmãos quando estava com ele.
Tinha ido para a casa do jogador no fim da tarde, ele a buscou após o treino para que ela pudesse conhecer seu filho e irem juntos para a boate onde teriam as apresentações de três alunos e depois o local se tornaria uma grande festa com muita sangria e dança.

- Chega! - implorou se jogando na grama, sendo acompanhada por Isco e o filho dele que se jogou em cima do pai. - Meu Deus, faz tempo que não passo horas brincando com uma criança, até esqueci como é cansativo. Uma não né, duas.
- Engraçadinha, eu vou dar banho no Isco, você quer jantar aqui em casa ou saímos?
- Se você deixar eu olhar sua geladeira e tiver algo que preste posso cozinhar, o Marco vem pra cá?
- Vem... tem problema se de repente o Álvaro e a Alice forem juntos?
- Por que eu tenho a impressão que mesmo que eu fale que tem, eles vão de qualquer forma?
- Sabe o que é - Isco coçava a nuca de uma forma adorável - Eles perguntaram se eu tava te dando uns pegas porque disse que íamos sair hoje a noite só nós dois e quando expliquei o que era...eles querem me ver dançando.
- Não tem problema, nunca conversei com o Morata, acho, mas tá tudo bem, com uma condição...
- Qual? - o jogador perguntou pegando o filho no colo para irem se arrumar.
- Se tudo der certo e eu começar a trabalhar aqui, você tem que deixar eu estudar essa sua perninha torta.

Isco a encarou chocado, causando uma gargalhada na mulher. O espanhol virou o rosto do filho para o outro lado e mostrou o dedo do meio de brincadeira para , antes de mandar um beijo e ir embora rindo.

Após todos terem tomado banho e a mãe de Isco Jr. ter buscado o menino, os dois amigos seguiram pra cozinha para preparar o jantar. explicava seu projeto para o jogador quando a campainha tocou e logo diversas vozes preencheram o ambiente. Marco Asensio chegava com seu irmão e logo atrás Alvaro Morata e sua noiva, Alice Campello.

- Tô me sentindo mãe de vocês - comentou com Isco quando os dois estavam na cozinha colocando os pratos pra lavar.
- Pelo menos seria uma mãe gostosa - o jogador disse olhando a mulher de cima a baixo de brincadeira.
- Já tá todo mundo achando que nós damos uns pegas, se você me olha assim na frente dos outros vão achar que estamos mesmo.
- Não me leve a mal, eu com certeza te pegaria... - Isco se aproximou de rindo, pronto para falar alguma bobeira.
- Cheguei na hora errada? - Asensio estava parado na porta da cozinha, completamente constrangido.
- Não! - respondeu trocando um olhar divertido com o amigo - Estamos comentando que todo mundo acha que estamos juntos.
- E não estão?
- Não!! - os dois disseram juntos. - Devem achar isso porque dançamos no aniversário da Lena, dança é algo íntimo, sensual, então se todo mundo acha que estamos juntos é porque estamos fazendo o trabalho certo. - disse abraçando Isco de lado. - Mas não tem nada a ver.
- Não faz essa cara, Marco, eu ainda sou teu bro - Isco disse rindo e abraçando Asensio do outro lado, que deu um tapa na nuca do jogador em resposta.

(...)

estava com sua família e amigos a caminho da Suíça, onde seria a primeira edição do prêmio The Best da FIFA. Estava contente com a pausa nos treinos e rotina e bastante animado e confiante que tivera uma ótima atuação no ano anterior e que poderia ser sim o vencedor do prêmio naquela noite. Diversos colegas de time também estavam indo para a premiação por fazerem parte do World 11, categoria destinada a premiar os melhores jogadores em todas as categorias e não somente atacantes. Ficava feliz em ver seus amigos tendo o reconhecimento que mereciam. Marcelo, Toni, Sergio, Luka e Gareth estariam com ele naquela noite.
Quando chegou pela manhã para o treino que teriam, viu Kroos o chamar com uma cara engraçada, riu imaginando o que estava por vir:

- Fala Alemão! - disse bagunçando o cabelo do amigo.
- Tenho a versão completa aqui, tá preparado?
- Pra?
- Você não viu os vídeos que o Morata e o Asensio mandaram no grupo?
- Ainda não.
- Ahhh, então vai me agradecer.
- Tu és um mexeriqueiro mesmo. - disse brincando, mas mesmo assim se aproximou do celular do amigo - É a ?
- Caramba, tô aqui te ajudando, se não quiser vou mostrar pra outra pessoa.
- Não, não, deixa-me ver o que é que tens completo.

Toni deu play no vídeo e, sem que percebesse, tomou o celular da mão do amigo e se viu em outro mundo, um no qual só conseguia ver, ouvir e sentir a mulher que estava na tela dançando. estava com os cabelos soltos e um vestido que brilhava cada vez que a luz batia nele, e a forma que seu corpo se movia era ainda mais sensual e bonito do que ele poderia se lembrar ter visto ao vivo. Aquilo era incrivelmente sexy. O fato do vestido ser curto tornava tudo ainda melhor, já que eram poucas as vezes que ele podia ver uma de suas partes favoritas no corpo da mulher.

Sabia que dançava bem, mas aquilo já era outro nível e se pegou imaginando como seria se pudesse dançar daquela forma com ela, de preferência que fossem apenas os dois, na sala de sua casa, pois ele tinha certeza que se estivesse tão perto dela como Isco estava, dificilmente conseguiria se controlar. Ao final do vídeo, Toni fez questão de dizer que e Isco não estavam juntos, como se soubesse que ele estava com dúvidas.

Era raro sentir ciúmes, ainda mais de uma mulher que ele nem podia chamar de sua, mas para uma coisa aquele vídeo tinha servido, era diferente de qualquer mulher que ele havia conhecido antes e ele seria muito trouxa se não se esforçasse mais e finalmente tomasse uma atitude para, quem sabe um dia, poder chamá-la de sua. O jogador estava cansado de dúvidas, ele iria atrás de uma certeza.

(...)

: Meu Deus, desde que um tal de me adicionou no Instagram estou recebendo mil pedidos de amizade! 😳😱

riu, mas ficou preocupado. Estava terminando de se vestir quando viu a mensagem e, sabendo que tinha tempo suficiente, deitou por alguns minutos na cama, somente com a calça do terno que usaria.

: Desculpa, , às vezes esqueço-me das consequências. Podes me excluir se quiseres.

: Claro que não, já contei pra todos os meus amigos que o melhor do mundo tá me seguindo 😜. Tô me achando aqui. O que você tá fazendo?

: Falando contigo. E tu?

: Trabalhando numa certa apresentação e aproveitando a casa do Bale só pra mim. Pena que com vocês todos longe acabei não me despedindo direito, queria ao menos me despedir de você e do Sergio, os outros eu já estou acostumada.

: Posso convidar-te para um pequeno-almoço amanhã?

: Como assim? Não se esquece que não tenho um avião e estamos em países diferentes.

: Posso?

: Pode!

: 😘

: Rick, muda o horário do vôo amanhã, quero chegar em Madrid às 8 da manhã e preciso da tua ajuda.


(...)

sorria sozinha para a tela do celular, desde que havia visto o pedido do jogador para segui-la no aplicativo de fotos acabou se distraindo de sua apresentação e passou mais horas do que devia olhando as fotos do homem, obviamente demorando tempo demais nas que ele se encontrava com roupas de menos. Se odiava por estar tão encantada com o jogador, mas quem poderia culpá-la, seu perfil estava cheio de fotos de cueca e só sendo cega para não reparar em cada músculo que esculpia aquele corpo milimetricamente desenhado.

Já estava quase terminando as anotações quando recebeu uma nova mensagem do jogador. Riu sozinha ao ver três opções de gravata em cima de uma camisa branca.

: Qual preferes?

: A listrada, adorei.


Alguns minutos depois recebeu uma nova foto, dessa vez era o jogador pronto em frente ao espelho.

: Sabia que tinha feito a escolha certa, você tá bem interessante com esse terno.

: Interessante???

: Apenas uma forma mais elegante de dizer gostoso mesmo 🙈. Eu acho lindo esse tom de azul para terno, ainda mais em você. Boa sorte, com certeza vai ganhar o prêmio.

: 😎😍😘


(...)


- Eu não acredito - riu ao atender a porta e dar de cara com segurando uma cesta enorme.
- Bom dia, !
- Bom dia, . Não acredito que você veio mesmo - tinha um sorriso maior que a própria boca e apesar de tentar disfarçar, não conseguia esconder seu encantamento.
- Por que não viria? - o jogador se aproximou dando um beijo no rosto dela - O Gareth e a Lena já chegaram?
- Não, ficaram por lá, o vôo deles chega mais tarde. Vem, vamos colocar isso na mesa.

seguiu a mulher com um sorriso no rosto, era aquela reação que ele esperava quando decidiu convidá-la para um café da manhã de despedida, faria aquele momento a sós, longe de todos, valer a pena. estava descalça com os pés cheios de curativos e usava apenas um shorts jeans e uma blusa simples que caia por seu ombro, mas o que mais agradava o homem no momento era o cabelo preso de qualquer forma, o rosto sem maquiagem e o sorriso cansado no rosto. Sorriu fraco ao perceber que a achava tão bonita daquele jeito, como quando a vira produzida.

- Acordei-te? - perguntou ao colocar a cesta na mesa.
- Claro que não, acordei às 7, quer dizer, primeiro acordei às duas da manhã no sofá, com o computador no rosto. Perdi a premiação, mas passei a manhã revendo algumas partes e acho que a primeira ordem da casa seria te parabenizar? - se aproximou do jogador. - Você é realmente incrível, não tem um prêmio que não ganha.
- Obrigado, . - o homem agradeceu depois de darem um abraço rápido demais, na opinião dos dois - Se for pra ter uma recepção dessa a cada prêmio que ganho terei que providenciar mais alguns.
- Bobo, e o Miguel?
- Tá na casa dele, acho, por quê?
- Ah, achei que ele viria, gostaria de conhecê-lo melhor. Vocês se conhecem faz tempo? - a mulher perguntou se ocupando de abrir a cesta e perdeu o olhar confuso que o jogador lhe deu.
- Muito tempo, desde os meus 14 anos, dividimos um quarto quando jogamos no mesmo time. Mas tem um tempo já que chamei ele pra trabalhar comigo, estamos nessa juntos desde então.
- Nossa, quanto tempo! Assim dá pra ter o pessoal e profissional sempre lado a lado. - concordou, mesmo completamente confuso com a conversa que tinham acabado de ter.

Quando Miguel lhe contou o que tinha conversado com no estádio os dois já tinham ficado sem entender o porquê da mulher ter sugerido de saírem os três juntos e agora novamente perguntava sobre ele. Sabia que não tinha interesse no amigo, mas não entendia a fixação com ele.

- Nossa pra quem é tudo isso?!
- Não sabia do que gostas de comer, trouxe um pouco de cada pra ti.
- Ei, tá me chamando de esfomeada? - perguntou fingindo estar brava, tirando um sorriso do jogador - Eu como certinho também, quer dizer, provavelmente não como você, mas hoje vou ter que acabar experimentando um pouco de tudo, mesmo porque é bem difícil negar qualquer coisa que tenha morango. - riu olhando o doce à sua frente.

Os dois passaram a próxima hora sentados lado a lado, conversando sobre coisas do dia a dia. Apesar da paixão por esporte e pelo corpo, ambos se viram surpresos que em nenhum momento o assunto se voltou para o futebol. Puderam contar um pouco mais da vida de cada um e dar risadas o suficiente pelo resto da semana. nem percebeu que pouco a pouco ia se aproximando do jogador, a ponto de suas pernas estarem apoiadas na cadeira em que estava sentado e no qual ele fazia um esforço descomunal para ignorar a coxa da mulher que vez ou outra roçava na dele. Logicamente a mulher não tinha o corpo tão definido quanto o dele, mas agora que estavam perto podia ver que suas pernas eram ainda mais definidas e estava tomando todo o autocontrole que ele tinha para não atropelar os passos que queria dar em relação à mulher à sua frente.

Há tempos que não se sentia dessa forma com alguém, tão à vontade. Nunca achou que teria assunto o suficiente para falar com , mas a verdade era que não só tinham, como parecia ser infinito. Ainda não acreditava em como, por muito tempo, teve uma visão completamente diferente do jogador e depois de passar as últimas três semanas conversando com ele, nem se lembrava do que um dia achou.

- Eu amei essa nossa possível despedida, , você certamente foi uma surpresa incrível nessa minha estadia. - disse ao acompanhar o jogador até o hall de entrada.
- Surpresa foi conhecer a ti perdida no meio do condomínio - riu ao se lembrar da noite em que a viu a primeira vez. - Tu estava apenas de vestido numa noite fria, achei que algo de ruim tinha acontecido.
- Você é demais, sabia? - a mulher falou parecendo desacreditada, chamando a atenção de - Eu... queria te falar uma coisa, mas estou me sentindo meio idiota.
- O quê? - o jogador perguntou voltando sua atenção para a mulher.
- Eu queria pedir desculpas, é que... eu tinha uma visão completamente diferente de você, te achava egoísta, metido, arrogante, mas desde aquele dia na casa do Benzema você foi um cavalheiro e a cada dia que passa me surpreendo ainda mais com você. A mídia realmente não faz ideia de quem você é e eu me sinto idiota por ter me deixado levar. Essas últimas semanas me fizeram mudar quase que completamente de opinião sobre você.
- Quase?
- Sim, algumas coisas são exatamente como imaginei. Sei que é inesperado e com certeza não muda nada em sua vida, mas me arrependeria se não te dissesse isso, mesmo que não faça a menor diferença pra você.
- Claro que faz, , tu não sabes o quanto - o jogador disse surpreendendo a mulher - A verdade é que estou acostumado com o que falam de mim, não me importa. Minha família e amigos sabem quem eu sou, mas fico feliz que tenhas mudado de opinião, pois desde o início fui quem eu sou contigo.
- Fico feliz em saber disso - se não soubesse das escolhas do jogador provavelmente o beijaria naquele segundo - Obrigada por esses dias incríveis e por toda a ajuda aqui no condomínio, enquanto eu estava no Brasil e precisava desabafar, lá no CT... E principalmente por acreditar em mim como profissional, me faz me odiar ainda mais por tudo que pensava de você. Você é um homem incrível.

, surpreso consigo mesmo, olhou para baixo tímido. Há muito tempo que não se sentia genuinamente feliz e lisonjeado com um elogio como aquele. Estava acostumado a ser mal interpretado pela mídia, mas nunca sequer imaginou que pensava o mesmo, e saber que, mesmo sem saber, acabou mudando a visão que a mulher tinha dele causava um novo sentimento de alegria e felicidade. Sentiu um sorriso de lado surgir em seu rosto e encarou a mulher, definitivamente o havia surpreendido e mais, vinha criando uma chama que nem ele mesmo sabia reconhecer. Era uma nova vontade, um novo desejo de ser o melhor do mundo, mas dessa vez longe dos gramados.

(...)

Os saltos do sapato de batiam no chão, ela tinha um sorriso automático no rosto enquanto encarava aquele monte de senhores conversando entre si, já tinha ligado seu notebook ao projetor e esperava as últimas pessoas chegarem para começar sua apresentação. Se não estivesse em seu modo profissional, teria saído correndo ao ver e Sergio chegarem com Zidane. Os encarou curiosa e viu Sergio a cumprimentar de longe, antes de sentar em uma das cadeiras, logo lhe deu uma piscada, que a fez abafar uma risada. Não que estivesse com vergonha deles, mas não esperava que os dois fossem estar presentes.

se virou para o projetor, checando pela milésima vez o nada, já que sabia que estava tudo ok, só queria começar logo para afastar os nervos. Florentino Perez logo entrou e a cumprimentou, antes de se sentar ao lado do Dr. Jesus Olmo e o restante da equipe médica, pedindo que ela então começasse.

- Bom dia a todos, para quem ainda não me conhece sou a Loew, trabalho com fisioterapia e biomecânica do esporte há muitos anos e…

ouvia a tudo atentamente, mas sua mente voltava à introdução da mulher a sua frente. Ele sabia que tinha habilidades únicas que o faziam ser uma das maiores estrelas do esporte mundial, que todo o seu esforço fosse em campo, na alimentação ou no tempo que passava longe de sua família e amigos o fazia ser quem era e tinha orgulho de tudo que havia conquistado até então. Mal tinha terminado o colégio, enquanto tinha passado a vida estudando, sempre nas melhores faculdades para o assunto que ela queria aprender. A fisioterapeuta estava a cinco faculdades de distância dele e de repente o jogador se viu inseguro. O que uma mulher como ela poderia querer com alguém como ele?

Tinha sim viajado o mundo, conhecia lugares e pessoas e entendia sobre futebol como poucos. Ao longo dos anos aprendera com a vida muito mais do que provavelmente aprenderia na escola, mas e se não fosse o suficiente? Pela primeira vez em sua vida se viu se questionando se uma mulher o acharia interessante o suficiente. Por mais que tenham tido uma ótima manhã juntos e tivesse lhe dito aquelas palavras que fizeram o seu dia, ao ver ela ali na sua frente, começou a se questionar.

Após diversas perguntas e situações a qual para todas a mulher tinha uma resposta precisa, inteligente e que provavam o seu conhecimento no assunto, a reunião se encerrou e o jogador permaneceu sentado, cumprimentando a todo o membro do conselho do clube e observou quando Sergio se aproximou da mulher para se despedir, antes de passar por ele e sair porta afora.

- Acho que foi tudo bem, né?
- Tu fostes muito mais que bem, estavam a testar teu conhecimento e em todas tinhas a resposta na ponta da língua.
- Ah, realmente, mas não esperaria nada menos do que isso, se eu for juntar todos os salários de vocês tenho bastante consciência do patrimônio do clube e do investimento que é para eles manter vocês na melhor forma sempre. Podia ao menos ter me dito que vinha assistir, né?
- Não queria que tu se sentisses pressionada, vais para o aeroporto agora?
- Sim. - comentou olhando o relógio - O meu carro está chegando, já deixei marcado.
- Te acompanharia até a saída, mas preciso voltar pro treino.
- Sempre um cavalheiro.
- És errado torcer para que tua entrevista em Chicago não seja tão boa quanto a que fizestes agora?
- Ah meu Deus, não sei se é errado, mas espero que não aconteça nada não. Porque se não der certo aqui ainda preciso trabalhar.
- Desculpa, vou dizer então que espero que isso não seja uma despedida, mas um até breve.
- Bem melhor, mas o Luka já me disse que se pedirem referencia pra ele vai dizer que nunca nem ouviu falar de mim.
- Espero que faças boa viagem. Posso pedir que envie uma mensagem para saber que chegastes bem?
- Pode sim, eu mando – riu do cuidado dele - Obrigada por tudo, de novo.

se aproximou do jogador, que tinha um sorriso lindo e espontâneo para ela, um que aos poucos vinha se tornando o seu favorito. abriu os braços e riu sozinho quando ela se colocou nas pontas dos pés para alcançar seus ombros. Suas mãos passaram pela cintura de e, antes que pudesse parar, a apertou contra si e fechou os olhos, deixando apenas aquela sensação gostosa tomar conta de si. Seu rosto estava próximo demais da nuca da mulher e foi impossível não sentir o cheiro de sua pele misturado com o seu perfume.

Do outro lado tinha sensações parecidas, que o perfume dele a deixava entorpecida era fato, desde que ele passou pela porta da casa de Gareth naquela manhã já o estava sentindo preso em sua memória, mas agora ela sabia que ele ficaria preso nela pelo resto do dia, a torturando a cada minuto, enquanto tentava dormir no avião. Tão perto, mas tão longe. Os braços enormes do jogador a apertavam ainda mais contra seu corpo e quando a respiração do homem bateu contra seu pescoço, sentiu os pelos de seus braços se arrepiarem e pediu com todas as forças que não reparasse.

Depois do que pareceu uma eternidade, mas que ao mesmo tempo pareceu apenas segundos, os dois se soltaram devagar, relutantes em perder o contato que tinham. sem parar pra pensar, levou sua mão ao rosto de e se aproximou dela, dando um beijo relativamente demorado no canto de sua boca. A mulher o encarou com os olhos claramente arregalados, mas naquele exato momento seu celular tocou, era o motorista informando que tinha acabado de chegar no CT, ela pediu que o jogador esperasse um segundo, mas tudo que ele fez foi sorrir antes de depositar mais um beijo, dessa vez em sua testa, e ir embora.

- Mas... ele não era gay? – perguntou num sussurro para si mesma, antes de fechar sua mochila e andar apressada para a recepção, onde havia deixado suas malas.


Capítulo 6

Chicago nessa época do ano era ainda mais fria que Madrid, muito mais fria. Era de se esperar que após anos morando em locais bastante gelados já tivesse se acostumado com o frio, mas nisso ela era 100% brasileira, adorava esquiar, mas amava muito mais deslizar sua prancha pelas águas do que pela neve. Se queimar de biquíni e não apenas ficar com a marca dos óculos por passar o dia esquiando em alguma montanha qualquer ensolarada.
A fisioterapeuta adorava a cidade, o time a havia colocado em um hotel próximo ao píer e a vista do Lago Michigan foi o que bastou para que ela saísse de sua cama quentinha e fosse correr um pouco, para ver se conseguia combater o famoso e inoportuno jetlag. Sua pequena mala, que tinha feito para ficar duas semanas em Madrid, já estava dando nos nervos, não aguentava as mesmas roupas e a falta de todo o resto de seu guarda roupa. Tinha deixado todos os seus equipamentos e roupas na Inglaterra quando vagou seu quarto na Suíça e estava esperando ver para onde iria antes de gastar dinheiro mudando todas suas caixas, mais uma vez.
Enquanto terminava sua última volta, agradeceu pelo Chicago Bulls ter deixado em seu quarto um agasalho do time, que ela usava naquele momento para tentar combater os dois dígitos negativos que faziam. Apesar de ser apenas 6 da manhã na cidade, para era meio dia e sua fome começava a falar alto. Voltou para o hotel e, antes mesmo de ir para o quarto, marchou em direção ao restaurante. No caminho foi parada por um funcionário questionando se ela tinha três irmãos chamados Nathan, Carter e Cameron, já que eles haviam enviado uma encomenda para ela e queria se certificar que estava tudo bem colocar em seu quarto. Riu imaginando o que poderia ser e após confirmar ser irmã dos três mandou uma mensagem para eles, sabendo que só veriam bem mais tarde, já que em LA era ainda mais cedo que Chicago.
- Ah que lindas! - disse para si mesma ao ver sete rosas em cima de uma caixa e, curiosa, se colocou a abrir a embalagem.
- Surpresa!!! - deu um pulo pra trás, caindo no chão, ao ver sair do banheiro seus três irmãos com celulares em mãos.
- Eu mato vocês!!! - exclamou ainda assustada, mas rindo - Parem de me filmar. - exigiu brava, fazendo o trio rir ainda mais alto, antes de se jogarem no chão para abraçá-la.
- Desculpa - Carter foi o primeiro a falar, depois que os quatro se acalmaram, uma do susto e os outros da adrenalina. - Não queríamos te assustar a ponto de você achar que ia morrer.
- Eu nem sei o que senti, não deu tempo. Vocês postaram meu vídeo, né?
- O que você acha? - Cameron falou divertido, mostrando o celular pra irmã - Não acredito que você pensou que fossemos deixar você aqui sozinha.
- Quer desculpa maior pra faltar na faculdade? - Nate disse rindo.
- Sei, o que tem naquela caixa? - ainda estava curiosa com o tamanho dela.
- Um presente pra você? - os três se encararam suspeitos, aumentando a curiosidade da mulher.
- Abre! - Carter disse dando a mão para que ela se levantasse do chão.
- Graças a Deus! - a mulher disse pegando o enorme casaco em mãos - Eu já achei que fosse ter que comprar um, tá muito mais frio que imaginei e meu casaco mais quente não seria suficiente.
- Que bom que pensamos nisso então. - Cameron falou um pouco duro, olhando pros irmãos.
- Vou tomar banho, vocês ficam aqui até quando?
- Amanhã à noite só, temos um jogo no sábado e se não aparecermos o técnico nos mata.
- Tudo bem.
Sua estadia no país já tinha valido a pena no segundo que a mulher viu seus três maiores amores saírem de seu banheiro. Após o susto e o banho, os irmãos Loew saíram pela cidade fazendo os passeios mais turísticos possíveis, pôde ficar a par do ano novo dos meninos e ainda teve que ouvi-los brincar e reclamar que Andy tinha se apaixonado por ela e que quase tinha ido junto com eles para o Illinois.
Quando pararam para almoçar, a mulher tirou o casaco e os agradeceu mais uma vez pelo presente e quando todos estavam entretidos em ler o menu do local, Carter a olhou culpado e tirou do bolso do próprio casaco um pequeno envelope.
- O que é isso? - disse curiosa, chamando a atenção dos outros dois.
- Carter! - os outros irmãos resmungaram.
- Por que você não abre? - Cameron continuou e estranhou ao ver o irmão com sua cara de quem estava com ciúmes.
Ao abrir o cartão, o rosto dela esquentou, na mesma proporção que sua boca se abriu.

Vi que em Chicago estás ainda mais frio que em Madrid.
Senti-me mal por desejar que não tivesses uma boa entrevista.
Bst,


- Por que vocês fingiram que foram vocês? - os questionou um pouco irritada
- Esse cara não presta, - Cameron se pronunciou - É milionário, todo marombado e sei lá, ele é esquisito. Não tem cara de quem se contenta com uma mulher só.
- Ele é gay, meninos, quer dizer... eu acho. - falou se lembrando mais uma vez do acontecido no dia anterior.
- Ele te disse isso?
- Não, né? Não sou íntima dele assim, mas tenho quase certeza que conheci o namorado dele.
- Namorado? Ele não namorou aquela modelo lá por quatro anos? - Nate perguntou pros outros dois irmãos.
- Que modelo? - franziu o cenho.
- Ah uma gostosa aí - Cameron sacou o celular e a mulher riu ao ver que o browser do irmão estava no Google com as palavras “Namoradas de .
- Nossa, eles... namoraram mesmo? - passava as fotos, vendo o jogador com uma modelo extremamente bonita. - Ela é maravilhosa.
- Vai ver ele corta pros dois lados. - Carter falou brincalhão, fazendo com que Cameron cuspisse um pouco da água que estava tomando.
- Ai Meu Deus! - riu dos três - Eu não sei se quero ouvir essas coisas, ele é um cavalheiro, vocês deviam aprender com ele.
- Olha, aqui diz que ele já pegou a Kim Kardashian.
- Mentira?! - A fisioterapeuta puxou o celular pra ver a notícia.
- , você sabe que o Google serve pra muito mais do que pesquisar sobre ossos, lesões e faculdades, né? - Nate disse rindo da irmã que lhe devolveu uma careta.
- Tem todo um mundo aqui de bobeiras que você precisa ser apresentada…não tem problema se às vezes você parar de estudar e tirar cinco minutos pra rir. - Cameron continuou.
- Serve pra investigar a vida de quem você tá interessada também, ainda mais se ele for um dos homens mais famosos do mundo.
- Eu prefiro que a pessoa me conte a vida dela, não a internet.
- Ia ser bacana ser cunhado do , poderíamos passar as férias num iate em St. Tropez de graça - Nate falou rindo da cara emburrada de Cameron.
- Você tá gostando dele, ? - a mulher sorriu com carinho pro irmão mais novo ao ver que ele estava sendo sincero, não prestes a rir da cara dela ou ter uma crise de ciúmes.
- Gostar é uma palavra forte, vocês me conhecem, mas... Eu nunca achei que fosse dizer isso. Tenho achado ele bastante interessante sim, mas é o que eu disse, acho que ele namora esse amigo de infância.
- Por que você não pergunta pra ele?
- Se ele é gay? - falou num tom mais agudo - Jamais!
- O Luka e o Gareth não sabem nada?- Nate perguntou genuinamente curioso por ela.
- Você não perguntou pra eles. - Cameron debochou da irmã, conhecia bem o jeito dela.
- Não, eu nem sei se vou voltar pra Madrid, eles ficaram de me dar uma posição amanhã ou depois, e se aqui der certo e for legal…
- Eu acho que você devia voltar, já passamos tempo demais longe de você.
- Mas se for o seu sonho ficar no Real Madrid, adoraríamos conhecer a Espanha - Nate disse olhando firme para os irmãos, ele sempre tinha um pouco mais de senso em deixar que a irmã tomasse as decisões que fossem melhor para ela, sem apelar para chantagem, embora quisesse mais do que tudo poder vê-la mais vezes.
Enquanto os quatro almoçavam, começou mais uma vez a colocar todos os prós e contras na balança. Caso fosse aceita em Madrid não poderia ter dias e semanas como o que estava tendo com seus irmãos, mas por outro lado teria a chance de pôr em prática o sonho de uma vida, ao lado de pessoas que também considerava sua família. Porém, se ficasse, teria seus irmãos, avós e mãe a apenas algumas horas de distância. Estava acostumada a morar fora, longe de todos, mas agora que se via com escolhas, estava quase enlouquecendo tentando decidir o que deveria fazer, que rumo seguir.
Os irmãos Loew ficaram no hotel enquanto pegou o táxi em direção ao The Advocate Center, centro de treinamento do Chicago Bulls. No caminho tentou ligar para , mas a ligação caiu na caixa postal e decidiu tentar mais tarde. Embora com vergonha de falar com o jogador, sabia que o agradecimento tinha que ser por voz, não mensagem. Eram atitudes como aquela que a mulher não entendia, mas que ao mesmo tempo aumentava ainda mais tudo o que vinha sentindo pelo homem, sempre tão atencioso com suas necessidades. Claro que se soubesse de início que era um presente dele não teria tirado as etiquetas, sequer usado a peça e provavelmente ainda daria um jeito de devolver, mas internamente e mesmo contra seus próprios pensamentos, se viu abraçando a si mesma, trazendo o conforto do casaco para ainda mais perto de si, permitindo-se imaginar que talvez, mas só talvez ele realmente não fosse gay.
A fisioterapeuta foi recebida por Shawn Respert e Chip Shaefer, responsáveis pela performance e desenvolvimento dos atletas, e durante as próximas três horas passou por entrevistas e uma série de perguntas com a diretoria e equipe médica do time, assim como mostrou seu projeto na teoria e prática para os jogadores. Como tinham acabado de ter uma pessoa que fazia algo bem parecido e que criou uma polêmica enorme entre o público e os métodos aplicados, todos queriam entender o que as diferenciaria e quais resultados ela poderia trazer. A sorte da fisioterapeuta era que vinha acompanhando o trabalho da mulher e sabia exatamente o que responder e demonstrar.
Todos pareciam mais do que acostumados em ter uma presença feminina no local e ficou feliz ao ser tratada com o maior respeito por todos aqueles jogadores que quase tinham o dobro de sua altura. Mostraram a ela todo o local, enquanto a enchiam de mais perguntas.
Ao final da entrevista, o dia já estava quase no fim e cansada, porém muito feliz e realizada, seguiu de volta para o hotel e sorriu ao ver a mensagem de que dizia estar disponível para ela a qualquer hora que fosse. riu sozinha, era impossível ter qualquer opinião ruim sobre o jogador se ele fosse ser cada vez mais fofo com ela. Respondeu a mensagem dizendo que se falariam no dia seguinte, já que era quase meia noite para ele, mas logo sentiu seu aparelho vibrar.
- Boa noite, !
- Oi, , não queria te incomodar. - comentou, mas o sorriso no rosto da mulher traduzia que sim, queria que ele a tivesse ligado e o jogador pôde perceber isso em sua voz.
- Desculpe-me por mais cedo, estava a passar algumas horas com minha família e não vi tua ligação.Obrigado por avisar-me que chegastes bem.
- Não tem problema, eu que queria agradecer pelo casaco, salvou minha vida, mas... não precisava, você não precisa me dar presente algum. Meus irmãos estão aqui e achei que fosse deles, só depois percebi que tinha um cartão e que era seu. - disse omitindo a parte em que foi interrogada pelos seres mais ciumentos que conhecia.
- Senti-me mal por dizer que não queria que fosses bem na entrevista, e quando vi o casaco que estavas a usar quando saístes daqui fiquei preocupado.
- Será que dá pra ser menos fofo? - disse sorrindo sozinha e imaginou que o jogador não estivesse muito diferente, e realmente não estava.
desde o momento em que se permitiu ultrapassar todos os seus limites, não conseguia parar de pensar no quanto gostaria de ter beijado . Sabia que por ele a teria beijado, mesmo que fosse errado, mas não queria estragar sua oportunidade, caso um dia a tivesse. Sentia-se diferente com a mulher e parecia calcular todos os seus passos para que não acabasse enfiando os pés pelas mãos ou pior, que acabasse decepcionado. Eram apenas mais alguns dias e aí sim ele faria o que fosse necessário, estava decidido e nada mudaria sua opinião.
- Como fostes na entrevista?
- Foi maravilhosa, fiquei lá por 4 horas, conheci todos os jogadores, a estrutura, a equipe médica. Eles pareceram gostar do projeto, mas eu disse pra eles que tinha feito uma entrevista na Europa e que receberia a resposta amanhã ou depois, e eles disseram para antes de aceitar qualquer coisa, conversar com eles.
- E o que preferes?
- É complicado, aqui eu não conheço ninguém, mas trabalharia somente no meu projeto, aí eu teria que voltar a ser fisioterapeuta ao mesmo tempo que tocaria meu projeto em paralelo, para talvez conseguir uma oportunidade na próxima temporada…
- Tens un ‘mas’ vindo?
- Tem sim - riu da forma que ele falou - Tem o Gareth, a familia do Luka…
- A mim?
- Principalmente você, afinal, quantas pessoas tem a oportunidade de estudar a máquina ? - disse num tom brincalhão, escondendo a verdade dentro de seu sarcasmo.
- Tá certo, - o jogador respondeu rindo - Conversei com o Zizou hoje e eles gostaram bastante de ti, mas tinham mais algumas pessoas a entrevistar, se eu souber de algo, aviso-te.
- Obrigada, estou chegando no meu hotel. Posso te chamar amanhã?
- Quando quiser. Vai lá aproveitar o tempo que tens com teus irmãos, ri bastante com o vídeo que colocastes hoje em teu Instagram.
- Eu provavelmente vou ter cabelos brancos antes dos 30 se depender deles, boa noite .
- ... Boa noite, .
não percebeu, mas havia se referido ao jogador da maneira que ele mais gostava, pela primeira vez. Ela sempre o chamava de e ele nunca entendeu o porquê, mas era como gostava de ser chamado pelas mulheres, e se viu ainda mais ansioso e com esperança quando o chamou assim. Desligou o telefone com a certeza e o sorriso de que as coisas estavam finalmente indo ao seu favor.

(...)

Era sábado e estava nervosa, a data limite para que o Real Madrid lhe desse a resposta tinha chegado e ela se via ansiosa por qualquer notícia, para o bem ou para o mal. Estava sozinha na cidade, seus irmãos tinham ido embora na noite anterior e já tinha estendido sua hospedagem por mais uma noite. Para quem havia planejado toda uma vida, estar sem rumo aos 44 minutos do segundo tempo a estava deixando maluca. Encarou a TV se questionando se deveria ocupar seu tempo vendo mais um episódio da série que seus irmãos a fizeram assistir ou se deveria voltar à sua lista do que fazer se as coisas dessem certo em Madrid, Chicago ou se tudo desse errado e fosse para LA.
O som de seu celular tocando a acordou e bufou ao ver que tinha dormido em alguma parte do seriado, culpa do jetlag que vinha fazendo dos seus últimos três dias um inferno. Testou a própria voz antes de atender a chamada, viu que era local e não queria que pensassem que estava dormindo às 3 da tarde, embora fosse exatamente o que estivesse fazendo.
- Loew.
- Olá, , aqui quem fala é o Chip, te atrapalho?
- Claro que não, estava agora mesmo terminando os relatórios que disse que enviaria do Lavine e do Valentine. - mentiu, desligando a TV que ainda passava Black Mirror.
- Ah não se preocupe quanto à isso, não temos pressa. A verdade é que gostamos muito do seu projeto, você sabe como estávamos relutantes em seguir por um caminho parecido, mas conversando com alguns especialistas na sua área, percebemos que tem bastante gente curiosa com a versão final do seu software e trabalho, e seríamos idiotas em te perder para qualquer time rival. Gostaria de poder te dar uma resposta definitiva agora, já que imagino que tenha ouvido a resposta do time na Europa que tem interesse em você, mas tanto a Dr. Kathy, como alguns jogadores gostariam de conversar mais um pouco com você na segunda feira, se fosse possível?
- Eu… - abriu o notebook desesperada, não sabia se tinha ou não tido resposta do Real Madrid e sabia menos ainda o que responder ao homem do outro lado da linha - Na verdade eu não sei se eles me responderam, estava tão absorta no trabalho e preciso checar meus e-mails, posso trabalhar no assunto e te dar uma resposta em quarenta minutos?
- Claro que pode, quero apenas que saiba que temos muito interesse, só queremos tirar mais algumas dúvidas que surgiram quando você foi embora.
- Não se preocupe, eu te ligo assim que possível.
Com o computador em mãos e seu e-mail aberto, respirou fundo. Sorriu ao ver o nome de Emília Gutiérrez, responsável por sua possível contratação, no novo e-mail que havia recebido uma hora antes, se xingou por ter dormido e abriu o e-mail ao mesmo tempo que viu algumas mensagens de Gareth, Jaime e Alaina em seu celular. Ela tinha sido escolhida. O sorriso que se abriu no rosto da mulher, nem ela mesmo conseguiria definir, mas o pânico que se instaurou dentro dela, conhecia bem. Não sabia o que fazer.

Jaime: Não deveria fazer isso, mas nem Olmo teve o que falar, você foi a melhor candidata que tivemos. Pronta pra dividirmos a sala permanentemente?

Balezinho: Se minha opinião vale de alguma coisa, volta?! 😁😁 O seu quarto ainda está do jeito que você deixou.🙊
Balezinho: Mais arrumado que o meu 😂 xx

Lena: O Gareth pediu que te mandasse uma mensagem caso a dele tenha ficado muito ruim. 😂
Lena: Sei que não é uma decisão fácil de se tomar e você tá livre pra ver o que é o melhor pra você, mas eu adoraria te ter como aliada contra esse bando de macho. Se você ficar com a gente, vai ser divertido! 😉


releu todas as mensagens sorrindo e se pôs a ler o contrato, tinha enviado um e-mail formalizando a reunião que tiveram, onde colocou suas condições. Pediu que fosse colocado no documento seu projeto, para que não fosse pega de surpresa com nenhuma cláusula mal explicada. Enquanto lia o documento enviou uma mensagem para sua mãe com um simples SOS. O código entre as duas quando precisavam de um conselho urgente. Não demorou para que seu celular tocasse.
- Oi, meu amor!
- Oi, mãe, onde você tá?
- Na casa dos seus avós. - falou baixinho - Ainda bem que você ligou, adoro sua avó, mas ela já está me deixando louca. Já recebeu as respostas?
- É por isso que eu tô te ligando.
- Imaginei! Me sinto mais culpada agora de não ter ido com seus irmãos te ver, mas…
- Mãe, esquece isso, você tem a Fundação e a exposição pra cuidar, já sou bem grandinha, só preciso de um conselho.
- Qualquer coisa, meu amor.
- Eu recebi a proposta do Real Madrid, só que o Chicago Bulls quer marcar uma segunda entrevista pra segunda feira, mas... o Madrid está com pressa, eles estão no meio de vários campeonatos e já estava difícil comigo ajudando, imagina agora que fui embora?
- Hm… - sua mãe disse pensativa - Filha, eu amo te ajudar, mas você nunca pediu minha opinião antes pra decidir pra onde ir, o que está diferente agora?
- É que… Eu estudei a vida toda para colocar esse projeto pra frente, ficar aqui em Chicago é o certo a se fazer. Já no Madrid vou voltar várias casas e se tudo correr bem, daqui seis meses talvez tenha a oportunidade de focar nele.
- Mas?
- Mas não está tão fácil assim virar as costas pra Madrid.
- Pra Madrid ou alguém em especial?
- ... Eu não sei o que fazer mãe.
- Princesa, você sabe que larguei tudo no Brasil para criar uma família com seu pai aqui, mas nem por isso foi uma má decisão. Tive sim que dar alguns passos pra trás quando cheguei, mas não sei se estaria onde estou se lá atrás não tivesse escutado o meu coração.
- Por favor, não me fala que a próxima frase é “e não teria vocês”, porque vou te chamar de velha.
- É verdade, eu não teria nem você, nem seus irmãos, e você consegue imaginar sua vida sem eles?
- Não. - sorriu ao se lembrar do trio. - Mas é difícil trocar o certo pelo duvidoso, tanto profissionalmente quanto...você sabe.
- São só seis meses, se o Chicago Bulls gostou tanto assim de você, ainda vão te querer em julho. E se não quiserem, há milhões de times e esportistas que te contratariam. O Julian seria o primeiro, tanto profissionalmente quanto... você sabe. - disse rindo do outro lado da linha.
- Julian mãe? O que tenho a ver? - respondeu rindo, relembrando de seu último namorado.
- Tudo bem, meu amor, só estou mostrando que se não der certo por lá, não é o fim da linha.
- Obrigada, mãe.
- Já posso planejar minhas férias em Madrid?
- É... Acho que pode. - disse com um sorriso no rosto e a cabeça longe, em um certo camisa 7.

(...)

- Meu Deus, eu não acredito que rejeitei o Chicago Bulls pra vir aqui filmar vocês lutando boxe. - ria, tentando combater o cansaço de retornar ao fuso horário europeu.
- Se quiser te dou trabalho. - Jaime disse sem fôlego, escapando da tentativa de Bale em acertá-lo.
- Não, não, você prometeu que meu primeiro dia seria só te seguir, conversar e ler o histórico dos jogadores.
- Quando seus equipamentos chegam? - Jaime perguntou, embora não tirasse os olhos do galês.
- Primeira semana de fevereiro. O bom é que me dá tempo de acostumar com todo mundo aqui.
- Com… - Jaime tentou responder, mas quase foi atingido por um soco, fazendo Gareth e caírem na risada.
- Lena, ainda bem que você chegou, não aguento mais essas duas crianças. - a fisioterapeuta sorriu para a francesa quando a viu entrar no local.
- É isso que vocês ficam fazendo a manhã inteira? - questionou observando a cena, sorrindo para a situação.
- Você vai me bater se eu deixar o olho do seu namorado roxo?
- Nah, ele sabe se defender sozinho - a assistente respondeu, rindo levemente.
As duas mulheres observavam a lutinha com um sorriso no rosto, não importava a idade, homens sempre agiriam como meninos quando pudessem.
- Ai, meu Deus! - disse num tom agudo, quando Gareth se empolgou demais e acertou sem querer um soco no rosto de Jaime.
Preocupada abaixou um pouco o celular, mas reparou que Jaime ria e, aliviada, se virou para o casal e o que encontrou a fez sorrir. Gareth apaixonado era algo que nunca tinha visto antes, pelo menos não da maneira que o camisa 11 agia quando falava e estava junto da assistente técnica e, como amiga dele, ela só conseguia ficar feliz em como a vida do homem tinha mudado desde que Alaina entrou nela.
- Vocês são tão fofos - disse, fazendo o casal sair da bolha em que estavam.
- Você tá filmando a gente? - Lena perguntou, quando finalmente se soltaram.
- Talvez… - respondeu com um sorrisinho arteiro, terminando o vídeo.
- Eu levo um soco no nariz e ninguém tá nem aí, né? - Jaime disse exagerado, ainda no chão. Gareth riu e se aproximou, livrando uma das mãos da luva para estendê-la na direção dele.
- Foi mal, cara. Eu não calculei bem o soco.
- O que eu vou dizer, né? Levar um soco de Gareth Bale é pra poucos - brincou, se pondo de pé com a ajuda do jogador.
- Ei, . Seja bem-vinda. Agora oficialmente – Lena disse, a cumprimentando com um abraço.
- Obrigada, Lena - sorriu para a mulher quando se afastaram. - Pelo menos agora vou receber um salário pra aturar esse tipo de coisa - completou, apontando para os dois homens.
- Não precisa fazer charminho, todo mundo sabe que você adora isso - Gareth deu uma de suas risadinhas, feliz por ter a amiga ali por mais tempo.
- Relaxa, eles costumam ser mais civilizados do que isso - disse Alaina em um tom divertido, rindo levemente. - Mas, falando sério, eu fiquei muito feliz quando meu tio disse que você tinha aceitado a proposta. Imagino que tenha sido uma decisão muito complicada, mas acho que tem tudo pra dar certo.
- Foi mais difícil do que quando decidi estudar em Beijing sem saber uma palavra em Mandarim. Mas... algo me fez escolher aqui, sempre que vinha era por pouco tempo e eu gosto muito da família do Luka e do Gareth, poder ficar mais tempo com eles, com o Isco e… o também. - confessou tímida e Lena assentiu, lhe dando total atenção - Espero que ter seguido o coração pela primeira vez na vida valha a pena.
- Isso vai ser menos complicado do que aprender Mandarim. Só acho - ela disse em meio a risos, fazendo rir também. - Já estando enturmada, tudo fica mais fácil.
- Lena... - antes que pudesse responder, as duas ouviram alguém chamar pela assistente técnica.
observou Karim falar com a assistente em francês e não entendeu nada, mas quando Lena arregalou os olhos e o jogador lhe entregou o celular, viu que o assunto parecia sério. Encarou Gareth, que tinha o cenho franzido, provavelmente tão curioso quanto ela.
- O que aconteceu? - Bale se aproximou curioso, mas foi ignorado pela namorada, o deixando preocupado. - Lena, tá tudo bem? - repetiu a pergunta, dessa vez mais firme.
- Uma revista de fofoca francesa divulgou uma foto antiga minha de lingerie - Lena disse visivelmente chateada, fazendo arregalar os olhos e encarar o amigo.
Pelo visto sua chegada estava começando cheia de emoção.

(...)

O telefone de estava cheio de mensagens e ligações perdidas. Isco, Luka, Vanja e até não foram suficientes para tirar um sorriso que fosse do rosto dela. A mulher deveria estar feliz por sua decisão, mas no momento só conseguia pensar em Alaina. A assistente tinha levado tanto tempo para conseguir uma oportunidade como aquela, para vir um homem completamente sem escrúpulos e querer denegrir sua imagem com uma maldita foto.
Não via Gareth e Lena desde que os dois saíram do ginásio e ela foi para a parte administrativa do prédio entregar toda a documentação que havia sido pedida quando efetivou sua contratação no dia anterior. Na volta, abriu o vídeo que Vanja tinha enviado de Ema e Ivano e sorriu, já tinha combinado de vê-los após o jogo do dia seguinte e, por mais que estivesse cansada, não via a hora de passar um tempo com as crianças.
- Oi, . - a mulher deu de cara com Benzema no corredor e os dois trocaram um olhar nada contente.
- Você viu a Lena? - perguntou preocupada, sabia que Gareth seria um príncipe, mas só uma mulher poderia entender o que ela estava passando, ainda mais , que também estava no ramo há anos e havia muito pouco que não tivesse escutado.
- Estou indo pro refeitório ver se encontro ela, eu tô muito puto, se eu descubro quem foi…
- Benzema, não vai adiantar nada espancar alguém, a foto já tá na internet.
- É que… É foda isso, Lena é minha irmã, . Sei que não sou exemplo de muita coisa, mas mexeu com ela, mexeu comigo. - pôde notar a respiração do jogador acelerar e tocou em seu braço, o trazendo de volta de seus pensamentos.
- Ao invés de ficar nervoso, você precisa se acalmar para ajudá-la, a cabeça dela deve estar explodindo. O melhor que você pode fazer é não demonstrar isso na frente da Lena, só vai piorar a situação, vem aqui! - pediu, mesmo sem o menor jeito e deu um abraço torto no francês e não o soltou até ouvi-lo dar uma risadinha.

procurava há algum tempo, tinha visto suas coisas na sala de fisioterapia e Javi havia lhe dito que ela estava no ginásio. O jogador já tinha ouvido o murmurinho sobre uma tal foto de Alaina que tinha vazado, mas não parou para ouvir.
Os dois tinham conversado no sábado, quando a mulher lhe disse que tinha aceitado a proposta do Real Madrid e estaria mentindo se não tivesse ficado com um sorriso no rosto pelo resto do dia quando soube da notícia e que ele era o segundo a saber, perdendo só para a mãe de .
Quando a encontrou foi inevitável não fazer uma careta, ela estava abraçada à Benzema.
- Finalmente uma mulher nesse time que me dá bola. - brincou dando um beijo na testa de , antes de bagunçar seu cabelo. - Fico feliz que você esteja aqui, ainda mais numa hora dessas, a Lena vai precisar.
- Karim, isso é só uma das coisas que passamos, tenho certeza que assim como eu, a Lena ouviu e passou por coisas que vocês homens nem imaginam, ainda mais trabalhando num meio tão machista como o nosso. Você consegue pensar em algum esporte em que tenhamos as mesmas oportunidades? - disse exaltada - Os próximos dias vão ser horríveis, mas tenho certeza que logo mais vai ter outro escândalo no futebol e vão deixar ela em paz.
- Eu sei, , eu sinto muito que vocês tenham que passar por isso, é tudo uma grande merda, na verdade, queria poder protegê-la de alguma forma. Vou lá no refeitório ver se ela apareceu, te vejo depois.
- Tudo bem, eu também já estou indo. - Karim deu uma piscada pra mulher, antes de se virar e cumprimentar e ir embora.
- Oi, ! - sorriu verdadeiramente pela primeira vez naquele dia ao ver o jogador encostado na parede do corredor, com os braços cruzados.
- Oi, , bem-vinda! - disse, ainda um pouco sem saber o que fazer, devido ao teor da conversa dela com Karim, mas a abraçou rapidamente.
- Obrigada, queria que fosse num dia melhor, você tá sabendo o que aconteceu, né?
- Estavam a comentar hoje mais cedo, mas não vi a fotografia, não quero deixar Lena constrangida. Espero que ela fique bem, ainda não a vi, estava a te procurar.
- Que bom, eu queria mesmo falar com você, vem comigo! - pediu, estendendo a mão para o homem, que a olhou engraçado. - Por favor!
se viu hipnotizado com o sorriso da mulher para ele, podia ver como ela estava cansada, mas ainda assim com uma disposição de dar inveja. O jogador pegou na mão dela com a plena certeza que iria com para onde ela quisesse. começou a andar à sua frente e o homem não conseguia disfarçar o sorriso que tinha no rosto ao vivenciar aquela cena, tudo na mulher o agradava, chegava a ser ridículo como se sentia ao lado dela.
olhou pra trás, vendo o jogador a encarar com a sobrancelha erguida e riu sozinha, sem nem perceber que ele tinha o olhar fixo no movimento de seu quadril. agradecia aos céus por aquela herança brasileira da mulher.
Quando os dois chegaram à sala dos fisioterapeutas, ele logo reconheceu o casaco que tinha pedido pra comprarem para ela pendurado na cadeira.
- Primeiro eu preciso te pedir um favor. - disse o encarando séria - Sem mais presentes, promete?
- M…
- Não, senhor, tem que prometer. - a mulher disse da mesma maneira que ele costumava dar bronca em seu filho. - Por mais que você tenha salvado minha vida em Chicago... Fico um pouco, muito, sem graça.
- Tá bem, entendido.
- Bom, eu não tive muito tempo, mas isso é um mini agradecimento pelos presentes que me deu e mais ainda por ter acreditado em mim e me dado essa oportunidade. - sorriu tirando a sacola de trás de sua mesa e encarou o jogador que parecia surpreso. - Quando vi pensei em você.
- Nã…
- Precisava sim. - ela o interrompeu, rindo - Eu vou te agradecer e você vai aceitar. Melhor você me falar quando é seu aniversário também, pra eu pensar um ano antes no que te dar de presente, porque olha... foi difícil - começou a falar sem parar e achou adorável como ela parecia estar sem jeito - O que sua família te dá de presente?
- Eu não preciso de “presentes”, , sou afortunado de poder ter quase tudo que quero e faz-me feliz poder compartilhar o que conquistei com as pessoas que gosto. Faço de coração, mas entendo porque pedistes para que eu pare.
- Bom, eu tentei. - falou por fim, lhe entregando a sacola.
- Disse que pensastes em mim? - tirou o casaco da sacola, mais curioso com o que a levou a escolher aquele presente do que a peça em si.
- Sim, quando vi achei que combinaria com você e seu estilo. Se não gostar...
- Não. - ele riu ao interrompê-la - Eu adorei, achas que estou interessante? - o jogador perguntou ao vestir o casaco e viu de canto de olho arregalar os olhos, antes de o encarar envergonhada.
- Bastante - a mulher respondeu sem saber onde enfiar a cara e se aproximou dela, não queria dar um passo maior que a perna, mas com ela ali pelos próximos seis meses, ele havia dito a si mesmo que não perderia um dia que fosse.
- Estou a brincar contigo, , gostei muito. - ele se aproximou da fisioterapeuta, ainda olhando a si mesmo - É uma das minhas lojas favoritas, mas não precisavas agradecer. Não teria feito o que fiz se não fosses competente. - admitiu puxando a mulher para um abraço.
- É tão quentinho quanto parece. - pareceu recobrar sua confiança, arrancando uma gargalhada do jogador - Já almoçou?
- Não, queria falar contigo antes, vamos?
- Vamos sim.
No refeitório o assunto parecia ser a foto de Alaina, conseguia ver que estava incomodada com o falatório, já tinha percebido que ela era o tipo que vivia todas as dores dos amigos, algo que ele admirava muito na mulher. Podia sentir sua preocupação por Bale e também por Alaina, mesmo que as duas ainda não fossem amigas de fato. Tentou conversar com ela pra distrair, mas logo Bale entrou com cara de poucos amigos e após se servir no buffet sentou ao lado da fisioterapeuta e o jogador se virou pra falar com Marcelo e assim deixá-la livre para conversar com o amigo.
O silêncio na sala aumentou drasticamente quando viram Zidane começar sua entrevista coletiva em preparação para o jogo que teriam no dia seguinte, ainda parecia confortar Gareth quando Lena chegou com cara de pouco amigos e se sentou sozinha, distante de todos e principalmente do namorado. franziu o cenho entendendo a situação e teria voltado sua atenção ao amigo, se não fosse o conteúdo da pergunta que tinha sido feita ao técnico.
Enquanto Alaina e prestavam atenção na TV, os jogadores olhavam para a assistente técnica, cada um tinha o seu motivo, mas para ele, sua única vontade era dizer pra mulher que ficaria tudo bem, estava mais que acostumado com a perseguição da mídia e em breve as fotos ficariam no passado. O problema era que ele não podia fazer com que todos pensassem o mesmo, já que o grupo de Isco, Asensio, Carvajal, Vázquez e Morata parecia se divertir com a situação, fazendo com que Lena, que já estava à ponto de ebulição, explodisse.
- Algum problema? - , Gareth e ouviram ela perguntar em alto e bom tom - Eu fiz uma pergunta e quero uma resposta.
sentiu se remexer em sua cadeira e tanto ele quanto Gareth seguraram em suas mãos, pedindo calma através do ato. Ele encarou o galês apreensivo, pareciam saber o que estava prestes a acontecer. Carvajal respondeu em tom baixo e o camisa 7 não soube dizer o que fora dito, mas logo a assistente rebateu.
- O que é isso? Que papelão, viu? Vocês já são homens formados, isso é ridículo! 20 e poucos anos e nunca viram peitos?
Todos pareciam tão chocados com o que estava acontecendo ali que nem ou Gareth conseguiram conter o arrastar de cadeira que surgiu entre eles, a única coisa que fizeram, ainda no piloto automático, foi encarar a fisioterapeuta.
- Se nunca viram, vão ver agora. - disse num tom de voz que ele nunca tinha ouvido antes e, para o choque do jogador e de todo o refeitório, abriu seu agasalho, ficando apenas com um top decotado preto, dando a uma visão que ele não estava preparado. - Vocês deveriam apoiar a Lena, não agir feito moleques.
Por estar sentado, seu olho caiu primeiro no abdômen de , mas estava tão chocado com o que tinha acabado de acontecer ao seu lado que no segundo seguinte, antes mesmo que ele pudesse subir o olhar, marchou em direção a Lena, dando seu braço à assistente e as duas foram para fora do refeitório, e nunca antes aquele local estivera tão cheio e tão silencioso ao mesmo tempo.
- A é foda - Bale riu trocando olhares com Luka, antes de se virar para . - Nunca queira estar do lado oposto ao dela numa briga.
Mas estava inerte, ele ainda tinha a visão da mulher de apenas segundos atrás presa em sua mente, o homem precisaria de tempo para processar tudo que tinha se passado a centímetros dele.
- Caralho, muleque, que mulher é essa? - Marcelo disse baixo para o amigo, batendo em seu ombro em conforto.
- A que eu quero pra mim.

(...)

Depois que se despediu de Alaina, voltou para sua sala para ler o histórico e tratamento de cada jogador e fazer anotações, mas seu humor não era dos melhores. Tinha dormido poucas horas, mais a diferença de fuso, além de tudo que tinha se passado naquele refeitório, a mulher estava pronta para ir embora. Exceto que não podia, teriam um jogo fora de casa no dia seguinte e ela tinha feito todo um cronograma para que sua adaptação ao time fosse rápida e eficaz, e pretendia cumpri-lo.
Ouviu alguém bater na porta depois de algum tempo e rolou os olhos ao ver que era Isco, o ignorou e voltou para seus papéis. Não sabia o quão envolvido ele estava no que aconteceu na hora do almoço, mas no seu atual estado, preferia evitar ver qualquer um daquele grupo.
- Eu não tive tempo de te contar que quando fiquei sabendo que você era a mais nova contratada do time, pedi para te colocarem no quarto ao lado do meu. - o espanhol iniciou se aproximando - Achei que podíamos conversar através da varanda nos momentos de tédio, é fácil pular de um quarto pro outro também.
- É sobre isso que você veio falar?
- Não, , eu estou com vergonha do que aconteceu mais cedo, claro que eu vi a foto e é impossível não notar as diferenças, mas a Lena é da equipe, não deveríamos ter sido tão…
- Babacas? Machistas? E se fosse com alguém que não é da equipe, estaria tudo bem?
- Você falando desse jeito é ainda pior, não tivemos a intenção, o Lucas falou que vai se redimir com a Lena.
- E você?
- Eu vou pedir desculpas pra ela também, mas queria que ficasse tudo bem entre a gente primeiro, eu gosto muito de você , estava empolgado em te ter aqui.
- Tá tudo bem, Isco, homem tem essa mania idiota de agir feito adolescente quando estão juntos, eu só achava que você fosse diferente.
- Eu gosto de pensar que sou, eu sinto muito.

(...)

Apesar do clima dos últimos dias, aos poucos a equipe voltava ao normal. Até com Isco, que olhava com cara de cachorro que caiu da mudança, as coisas estavam quase bem. Tudo que acontecia ao seu redor a fazia ter a certeza que tinha feito a escolha certa, mesmo que, desde a notícia de sua contratação, apenas um dia antes da foto vazada de Lena, o Real Madrid vinha chamando uma atenção que não esperava. viu o interesse em sua vida aumentar e percebeu não estar nada preparada para aquilo, mas Gareth e vinham se superando no quesito amizade e sempre que ela precisava, a ajudavam com conselhos e em como lidar com as consequências de sua escolha.
O jogo que tiveram dias antes contra o Celta de Vigo poderia e deveria ter sido melhor. O clima no vestiário era qualquer coisa, menos alegre, mas para a fisioterapeuta era pura euforia. Sorriu durante toda a partida, amara seu último ano, onde pôde se dedicar aos estudos e a si mesma. Com o ex-piloto de Formula 1 tinha tempo de sobra, mas estava mais que pronta para passar os dias ocupada e chegar em casa exausta, com a sensação de dever cumprido.
No avião, explicava para como as coisas funcionavam. Ele tinha percebido que a mulher estava nervosa com seu primeiro jogo e fez questão que ela se sentasse ao lado dele. Os dois vinham conversando com uma frequência ainda maior, mas era visível que alguma coisa tinha mudado depois do quase beijo. tentava encontrar uma forma e momento a sós para que pudessem conversar, mas com todo o trabalho que ambos tinham estava impossível.
observava o homem contar histórias sobre quando chegou ao clube, ainda sem acreditar no quanto estava interessada nele. Embora prestasse atenção na conversa, era impossível não notar as poucas sardas que cobriam seu rosto, algo que ela adorava. Percebeu que ele também tinha algumas nos lábios e sem perceber mordeu os próprios. E foi naquele momento, observando o jogador de perfil, que a mulher se deu conta: era lindo.

se viu nervoso sentado ao lado da mulher, ainda não tinha conseguido esquecer o que aconteceu no dia anterior e, se fosse possível, estava ainda mais atraído por ela. parecia ser várias mulheres dentro de uma. Nunca esperou uma reação como a que ela tivera, mas agora que tinha acontecido, sabia que aquilo era completamente ela, algo que a fazia ainda mais única para ele.
As duas mulheres haviam sido tema de muitas conversas entre toda a equipe nas últimas 24 horas e o consenso geral fora que contratá-las havia sido a melhor decisão que o clube tinha feito. Não poderiam ter escolhido pessoas melhores para trabalhar com eles, Alaina e eram inteligentes, competentes e não só mereciam, como teriam o respeito de todos.
Ao final da partida, saiu do vestiário já de banho tomado e viu esperando por alguém, sorriu para ela e caminhou em sua direção, queria saber como tinha sido seu primeiro jogo, mas sentiu seu telefone vibrar.
- É o Miguel - murmurou para mulher, que assentiu – Fala,Paixão! - o jogador atendeu a chamada com um sorriso enorme e arregalou os olhos ao ver como o homem à sua frente havia chamado a pessoa do outro lado da linha. Paixão!
não sabia de onde tinha vindo aquele sentimento dentro de si, era desconhecido, algo que ela definitivamente não gostava. Ali a ficha caiu, não só estava em um relacionamento com o amigo, como era de conhecimento de todos os jogadores. A forma que ele havia falado com Miguel, o chamado de paixão em alto e bom tom, deixou mais que claro que ela sempre estivera certa e todos à sua volta errados. era gay e parte do motivo pelo qual havia aceitado aquela oportunidade acabava de desaparecer à sua frente.
Assustada com a dupla descoberta, encarou o nada, sem saber o que fazer ou pensar. Tentou sair do local e esperar os outros no estacionamento, mas o homem segurou em seu pulso, pedindo que ela esperasse.
- Estavas a me esperar? - perguntou ansioso.
- Hm, qualquer jogador que eu conheça, na verdade - deu um sorrisinho fechado.
- Pois acabas de encontrar um.
A mulher se chutou internamente e seguiu , ao seu lado e ao seu ver ele não parecia nada gay. Como podia?
- Vou ali responder algumas perguntas, podes esperar no próximo corredor se quiser.
- Tudo bem.
nem sempre parava na zona mista, sabia que era uma briga entre os jornalistas quando ele aparecia, mas viu alguns profissionais ansiosos e resolveu fazer sua parte. Após algumas perguntas sobre o jogo, fora questionado sobre a foto de Alaina e internamente revirou os olhos, respondeu da melhor forma que pôde e se virou para um outro profissional.
- Agora vocês têm uma fisioterapeuta também, certo? - assentiu sem saber onde aquilo ia dar - Acha que, abrindo espaço para mulheres no time, coisas desse tipo podem acontecer e desviar o foco?
- Acho que pode sim acontecer, ninguém sabe o dia de amanhã e podemos acordar com mais uma foto vazada, dessa vez minha, do Marcelo, do James... Ter mulheres em grandes times ainda é uma novidade e as pessoas aparentemente não sabem lidar com isso, mas elas são tão profissionais e humanas como todos os outros membros da equipe e devem ser encaradas e tratadas como tal. - respondeu cansado de tanta notoriedade para uma simples foto da assistente de lingerie, que ele particularmente achou de muito bom gosto. Em nada diferia da foto que Toni tinha lhe enviado de dentro do barco semanas antes, a não ser o seu interesse.

(...)

trabalhava em Toni Kroos enquanto observava o movimento e falatório absorta em seus pensamentos. Às vezes olhava um jogador e tentava lembrar o nome dele, outras o tratamento que fazia. Estava cansada, mas feliz, o calendário de jogos estava cheio e vinha passando mais tempo em Valdebebas do que na casa de Gareth.
- Caramba, tem nem preliminar com essas mulheres hoje em dia. - Toni brincou quando começou a fazer uma de suas técnicas em seu quadril - Vai mais um pouquinho pro lado, .
- Não se preocupa, eu vou massagear sua bunda. - a mulher piscou quando o alemão se virou para ela. - É a melhor parte do meu trabalho.
- Opa! Sou o próximo? - Isco brincou do outro lado da sala, onde estava usando a bota de compressão pneumática.
- Hoje você não tá comigo, Isco.
- Com quem a gente precisa falar pra só ter mulher fisioterapeuta nesse time? - James Rodríguez soltou - Nada contra você, Jaime, mas como faço pra me transferir pra lista da ?
- Quem ouve até acha que são todos solteiros - o fisioterapeuta comentou invocado, entrando na brincadeira, e estendeu um pouco mais que o necessário a perna do colombiano, que resmungou de dor.
- Ou que eu tô aqui só pra massagear bunda. - disse brava, fazendo todos ficarem em silêncio - Também gosto das coxas... - complementou rindo e viu os jogadores relaxarem - Quem vem depois desse alemão branquelo aqui?
- Eu - engoliu em seco ao ouvir uma certa voz, acompanhada daquele sotaque.
Nem se fosse cega ela achava que estaria imune àquele corpo, não era somente suas habilidades em campo que lhe chamavam a atenção. Nas últimas semanas pôde observar, nem que fosse pelo canto do olho, o corpo do homem à sua frente. Ela ainda tentava encontrar alguma área que tivesse algum “defeito” ou “problema”, mas tinha quase certeza que seria impossível. E, ao que tudo indicava, aquele seria o dia que teria aquelas pernas sob seus cuidados para tirar a prova.
O jogador tirou a calça de treino que usava, ficando apenas com um shorts curto que tomou tudo que tinha dentro de si para não ficar tímida, estava mais que acostumada a ver homens de cueca ou shorts e mais nada, não entendia por que justo com ele mal conseguia lembrar do próprio nome.

estava se xingando, tamanha era sua vergonha naquele momento, não era a primeira mulher a massagear seu corpo e provavelmente não seria a última, mas o efeito que ela lhe causava estava beirando ao ridículo. Já lembrava de sua infeliz ideia de convidar a fisioterapeuta para correr na esteira do clube e só faltou cuspir a água que tomava quando ela apareceu de shorts e um agasalho que logo foi descartado, deixando tudo que ele não tinha visto no dia do refeitório à mostra. A mulher se desculpou explicando que suava muito e não queria passar vergonha na frente dele, ainda completamente alheia ao fato de que a única coisa que se passava na cabeça do jogador era ela suada sim, mas também ofegante, embaixo dele.
Talvez fosse sua culpa que estivesse assim, numa situação bastante constrangedora ao sentir a mulher trabalhar seu posterior de coxa. As mãos de eram divinas e ele não estava conseguindo se conter, a sua sorte era que tinha conseguido se segurar enquanto ela massageava e exercitava a parte da frente, mas quando se virou, foi como se não conseguisse mais se controlar.
- Ai caramba - murmurou fechando os olhos, com a esperança que conseguisse controlar a situação até ela acabar.
- Eu tô te machucando? - perguntou preocupada e um pouco tensa, já tinha se perdido em seus pensamentos muitas vezes e tinha quase certeza que nunca tinha demorado tanto numa coxa quanto tinha na de .
- Não está não, , estou a pensar numa coisa aqui.
- Ok.

7: Ô Marcelo, preciso de tua ajuda. 😨😩


Enviou a mensagem, olhando o amigo que conversava com Casemiro e James, que logo viu a notificação e encarou de volta.

M12: Daqui de onde estou parece que não precisa de mais nada, gajo.

7: Ai que está meu problema… + 🙌 =🍆🍆🍆 = 😰😳


A gargalhada de Marcelo preencheu o ambiente chamando a atenção de todos, inclusive .
- Desculpa, um amigo meu aqui descobriu do nada que ia viajar e quando foi fazer a mala ficou maior que o esperado e agora tá desesperado. - disse rindo ainda mais alto.

M12: O que você quer que eu faça?

7: És o próximo, quando ela terminar preciso que a distraia, por favor.


Marcelo assentiu para ele, ainda rindo, e sabia que teria que aguentar o amigo pelos próximos dias, ou semanas.
- Pronto, você pode fazer o alongamento de sempre só pra finalizar?
- Claro. - disse balançando a cabeça, sem acreditar no que estava acontecendo com ele.
- ! - Marcelo a chamou, fazendo com que a mulher desse alguns passos pra frente - Eu tô acostumado a fazer ali naquela maca, tem problema? - apontou para o local mais distante de onde estava.
- Acho que não, mas minhas coisas estão todas aqui. - a mulher tentou olhar por sob seus ombros, mas o brasileiro rapidamente falou.
- Ah tem problema não, fico por aqui mesmo, valeu! - disse pulando na maca que antes era ocupada pelo camisa 7 e que agora se encontrava de costas pra ela, já com a calça colocada.
- Tudo bem. - respondeu com o cenho franzido, sem entender nada.

(...)

- Oi, . - abriu a porta empolgada - O Gareth pediu que eu viesse aqui.
- Pediu sim - respondeu deixando a mulher à sua frente ainda mais curiosa - Mas espero que não fique muito chateada se eu te falar que ele não tá aqui.
- Onde ele está? Tá tudo bem? - questionou a fisioterapeuta, que parecia estar adorando o mistério.
- Depende do ponto de vista, entra. - pediu fazendo espaço para que Alaina entrasse - Estamos ali na sala.
Alaina entrou na casa do namorado com o cenho franzido, sem entender o que estava acontecendo, mas seu rosto se abriu em surpresa ao encontrar a sala de TV cheia de mulheres e repleta de taças de vinho e petiscos por toda a mesa de centro.
- O que está acontecendo aqui? - perguntou ao ver Vanja Modrić, Jessica Kroos, Izabel Andrijanic, Pilar Rubio, Macarena Rodriguez, Clarice Alves, CamilleVarane e sua própria tia, Veronique.
- Uma noite longe dos machos - a fisioterapeuta falou, lhe entregando uma taça de vinho - Eu queria ter feito isso na semana que sua foto vazou, mas tivemos tantos jogos que foi impossível. Conversei com a Veronique e o Gareth e eles me ajudaram a organizar tudo aqui. Sei que não tem muitas amigas aqui em Madrid ainda, então juntei todas que eu já conhecia, mais as que conheci no seu aniversário e aqui estamos.
- Nós ficamos bastante tristes por você quando tudo isso aconteceu - Pilar se aproximou de Lena. - Quando a fez um grupo dando essa ideia, aceitamos na hora.
- Grupo esse que você agora faz parte - disse rindo, mostrando o celular.
- Não acredito. - disse realmente feliz, dando um gole em seu vinho - Era exatamente o que eu estava precisando.
- Nós também. - Vanja respondeu. - Os homens que devem estar rezando para que essa nossa noite acabe logo.
- Onde eles estão? - Lena perguntou curiosa, fazendo as mulheres darem risadas.
- Na minha casa… com nove crianças - Jessica respondeu tirando uma gargalhada da mulher.
- É, acho que temos a noite inteira então. Obrigada a todas.
- Vamos fazer um brinde. - propôs.
E aquela noite foi regada a muitas risadas, vinho, dança e a celebração de novas amizades

(...)

Com o time em concentração para o último jogo do mês, tinha acabado de jantar e viu sentada sozinha em um dos sofás e se aproximou da mulher.
- Oi, , posso sentar-me contigo?
- Claro que pode. - ela tirou os pés do estofado, dando espaço para ele
- O que estás a ler?
- Um artigo chamado "O futuro da pesquisa de biomecânica do esporte relacionada ao desempenho"- sorriu fraco para o jogador - Prometo que sou normal.
- Gosto como tens paixão por sua profissão, não são todas as pessoas que entendem o meu lado de colocar o futebol acima de quase tudo.
- Eu entendo, meu pai também colocou a ortopedia em primeiro lugar, herdei dele ser essa nerd. - comentou colocando seu artigo de lado e se virou para o homem, apoiando o cotovelo no encosto do sofá. - Você anda bastante pensativo esses dias, tá tudo bem?
- Faço aniversário essa semana, fico um pouco mais quieto nessa época.
- Ahh, não acredito, quantos anos você vai fazer?
- 32. E você, quantos anos tens?
- 29. Faço 30 esse ano, infelizmente - brincou fazendo um pouco de drama. - Preciso pensar no que te dar de presente, achei que fosse ter uns 5 meses de preparação.
- Posso contar-lhe uma história? É um pouco longa.
- Claro que pode. Eu adoro histórias e qualquer coisa que me tire desse artigo.
- Eu decidi levar o futebol a sério quando tinha 7 anos, meu pai trabalhava como roupeiro no CF Andorinha, na cidade onde nasci. Por muito tempo via ele no relvado a me assistir, mas minha mãe e minhas irmãs nunca apareciam, mas num certo dia… - reparou que os olhos do jogador se encheram de lágrimas - Eu nunca esqueço-me daquela imagem, estava a aquecer e reparei que elas estavam ali, na bancada. As três tinham ido ver-me jogar e não sabiam muito o que fazer, mas só de estarem lá, era a única coisa que me importava. Senti-me tão bem nesse momento… Significou muito para mim. Foi como se algo tivesse mudado dentro de mim. Eu sentia-me verdadeiramente orgulhoso. Nessa altura não tínhamos muito dinheiro. A vida na minha cidade era uma luta diária. Eu jogava com chuteiras velhas que o meu irmão mais velho já não usava ou que os meus primos me davam. - encarou despido de qualquer pose ou máscara. - Mas, quando se é criança, o dinheiro não é uma preocupação. Tudo o que conta é aquilo que sentimos. E, nesse dia, esse sentimento era muito forte. Senti-me protegido e amado. Em meu país, dizemos menino querido da família. Recordo essa memória com nostalgia, sobretudo porque esse período da minha vida acabou por se revelar muito curto. O futebol deu-me tudo, mas também me afastou de casa quando eu ainda não estava realmente preparado para tal. Quando tinha 11 anos, deixei minha cidade e mudei-me para a academia do Sporting. Esse foi o período mais difícil da minha vida. É uma loucura para mim pensar nisso agora. Mas eu tinha um sonho e aquela era a minha oportunidade de segui-lo. Eles deixaram-me ir… e eu fui. Eu chorava quase todos os dias. Ainda estava em meu país, mas foi como se me tivesse mudado para outro. O sotaque fez com que parecesse uma língua completamente diferente. A cultura também era diferente. Não conhecia ninguém e sentia-me muito só. A minha família só podia vir visitar-me mais ou menos de quatro em quatro meses. Eu sentia tanto a falta deles que cada dia era doloroso. Foi o futebol que me fez aguentar.
- Nossa, eu…nem sei o que falar - se aproximou do jogador, segurando em sua mão. deu um sorriso pequeno de lado para a mulher e levou a mão livre para os olhos dela, onde algumas lágrimas estavam presas, mas uma única tinha escapado e a secou antes de continuar.
- Tudo o que passei foi para chegar onde cheguei, , mas nada disso nunca fez ou fará sentido se não tiver minha família e as pessoas que amo ao meu lado. Não odeio ganhar prendas, mas gosto muito mais de ganhar presentes, pessoas presentes, por isso digo que não precisas dar-me nada. Estou pensando em pedir a meus amigos que organizem uma festa para mim em uma boate, posso contar com sua presença?
- Eu não perderia por nada desse mundo - tentava em vão se manter forte, mas a verdade era que por dentro estava em cacos, depois de ouvir o trecho de uma história que parecia ser uma enorme lição de vida.

(...)

No dia seguinte, após a vitória contra o Real Sociedad por 3x0, onde ele havia feito um dos três gols, se ofereceu para deixar em casa.
- Boa noite, . - ela abraçou com força o jogador quando ele a acompanhou até a porta da casa de Bale - Obrigada por me contar aquela história ontem e pela carona hoje.
- Boa noite, . - o jogador deu um beijo demorado no rosto da mulher - Gosto quando me chamas de , mas a verdade é que gosto de qualquer coisa que envolva a ti. - disse dando um último beijo na mão da mulher, antes de ir embora para sua casa.
entrou em casa ainda com a ideia que tivera durante o jogo em sua cabeça, não seria fácil, mas também não seria impossível.

Marcelo, fiquei sabendo que essa semana é aniversário do , você tem como me conseguir o telefone do Miguel?


À caminho de sua casa o jogador ainda sentia o perfume da mulher em seu corpo. aprendera desde pequeno o significado de saudade, solidão e sacrifício, e com a chegada do seu 32º aniversário, queria apenas um presente, o único que ele ainda não tinha, ele queria Loew.
- Oi, Gio! - disse, já sem o sorriso que antes preenchia seu rosto, quando ligava para a namorada.
- Oi, guapo, tudo bem?
- Podemos conversar? Queria muito falar com você, posso passar na sua casa agora?



Capítulo 7

- Vai, chuta como se eu fosse o Piquete. - gritou para Gareth.
- É Piqué, . - Bale respondeu, depois de alguns segundos rindo de como a amiga tinha chamado o jogador do Barcelona - E ele não é goleiro.
- Ah tanto faz o nome e posição dele, só chuta essa bola.
- !! - Bale chamou sua atenção, preocupado, do jeito que ela falava com tanta segurança, até parecia que a fisioterapeuta estava acostumada a pegar gols de quem quer que fosse, quanto mais dele.
- Tô falando sério, Gareth, eu aguento!
- Fica no meio do gol, não se mexe e não tenta pegar a bola, ok? - se rendeu ao ver que a amiga estava decidida.
- Tá bom vai logo. - bufou, cansada de ouvir todas as recomendações do jogador.

Bale chutou a bola tão forte, que fechou os olhos com medo, mas quando ouviu o objeto tocar o fundo da rede, abriu-os, rindo, e pegou a bola, antes de sair correndo até ele, que também sorria ao ver a amiga tão feliz com algo tão simples.

- Isso foi demais! Eu nunca poderia ser goleira, uma bolada dessa e eu provavelmente morreria.
- Pergunta pra Lena, digamos que um dia, sem querer, eu tenha acertado as costas dela.
- Nossa, e ela mesmo assim tá com você? De livre e espontânea vontade? - brincou trombando no corpo do amigo, que retribuiu mostrando a língua.
- Não entendo porque você precisa ficar lá no gol enquanto testo isso pra você. - apontou para os diversos pontinhos pretos que tinha colocado em sua perna, que na verdade calculavam diversas informações sobre ele.
- Não precisa, é que eu sempre quis saber qual era a sensação de ser um goleiro e ter um dos melhores jogadores do mundo batendo um pênalti contra mim. - deu de ombros, tirando uma gargalhada do amigo.
- Você é maluca.
- E como está se sentindo nessas últimas semanas que voltou a treinar em campo?
- Só não tá melhor porque não tô 100%, nada contra você e o Jaime, mas não aguentava mais ficar trancado dentro daquele prédio.
- Tudo bem, não é como se você fosse muito agradável de ficar se olhando, Alaina devia estar maluca o dia que te viu e te achou bonito o suficiente pra querer namorar você.
- Ok, é isso! São muitos anos e principalmente essas últimas semanas com você tirando sarro da minha cara. - Gareth disse sério, fazendo com que congelasse no lugar preocupada - É hora da vingança.

Bale assustou ao pegá-la por sob os ombros e começou a caminhar, rindo dos protestos da mulher.

- Hoje você vai descobrir como é legal quando você me manda pra piscina gelada.
- Não, Balezinho, eu já disse como sua bunda fica bonita desse ângulo?
- Desculpa, não dá pra ouvir daqui de cima não. - o jogador ria sozinho, enquanto caminhava com a amiga pelo corredor.
- Eu vou te m…
- Você tem sorte que tem uma pessoa muito interessante vindo na nossa direção, mas pode começar a dormir com um olho aberto. - Gareth brincou, ao colocar de volta ao chão.
- Posso saber o que você pretendia fazer carregando a desse jeito? - Alaina se aproximou sorrindo e cumprimentou a fisioterapeuta. Desde o episódio das fotos vazadas e principalmente depois do jantar na casa de Gareth, as duas vinham se falando com mais frequência, algo que não passou despercebido pelo jogador.
- Nada demais, ia apresentar a piscina gelada pra ela. - respondeu ainda rindo, antes de abraçar a namorada de um jeito exagerado e beijá-la.
- Sei que fui uma das pessoas que mais torceu por vocês, mas ver isso todo dia já tá me dando nojo - falou brincando - Morar e trabalhar com vocês, tá complicado.
- Até que a piscina não parecia tão ruim assim, não acha, mon amour? - Lena encarou Gareth antes de se virar para uma desconfiada - Mas não se preocupe, o que é seu tá guardado. - a assistente técnica piscou, antes de se despedirem e irem cada um para seu caminho, deixando preocupada com a tal “ameaça” de Lena.

Depois de guardar o equipamento e deixar a informação sobre Gareth sendo transmitida para seu computador, seguiu para o refeitório, encarando a mensagem que tinha recebido no dia anterior. Sua tia tinha a péssima mania de lembrar com antecedência o que o dia seis daquele mês significava para a Família Loew e ela odiava aquilo mais que tudo. Seus irmãos, assim que viram o lembrete no grupo da família a chamaram, assim como sua mãe, para todos ela garantiu que estava bem, mas tanto ela quanto eles sabiam que não era bem verdade.

- Posso sentar aqui? - indagou aos jogadores espanhóis mais novos, Isco, Asensio, Lucas e Morata, e os viu se entreolharem - O quê? Vocês ainda estão com medo de mim? - perguntou rindo deles.
- O Luka e o Gareth te chamaram de Pitbull - Asensio respondeu - E a gente concordou.
- Ah, qual é! Eu estava certa e vocês sabem disso - deu de ombros - São peitos, todos nós temos, vocês veem todos os dias os das suas namoradas ou essas modelos de Instagram que vocês seguem, que eu bem sei. - comentou dando de ombros, fazendo os homens parecerem mais aliviados.
- Então está tudo bem? - Morata a encarou sério.
- Tá sim… Se a Alaina já tá rindo da situação, quem sou eu pra ficar de cara feia pra vocês? Mas tô de olho! - complementou em tom de ameaça.
- Uma vez só foi suficiente - Lucas admitiu e pôde ver que ele realmente estava arrependido.
- … - Isco, que estava sentado calado ao lado da mulher, a chamou baixinho, enquanto os outros pareciam ocupados em alguma conversa - Entre a gente também?
- Também - a mulher afirmou, dando um beijo no rosto do homem.
- Então você quer ir na Banloo comigo? – perguntou esperançoso e pôde ver de onde Isco Jr. tinha tirado a carinha de pedinte que ela nunca conseguia dizer não.
- Essa semana eu não posso. – murchou os ombros, encarando o homem.
- Então não tá tudo tão bem assim…
- Tá sim, eu só tô com bastante coisa pra fazer, não é nada pessoal. - admitiu colocando a cabeça no ombro do jogador, o surpreendendo, sempre via sorridente e alegre, mas ali ela parecia diferente.
- O Isquinho vai tá lá em casa, quer assistir um filme com a gente? Eu te busco em casa.
- Só vou se for da Disney.
- Acho que isso não será um problema... Obrigado, . - Isco deu um beijo na cabeça da mulher, aliviado por perceber que estavam realmente bem novamente.

O espanhol também não entendia como, nem por que tinha se aproximado de da forma que havia feito, pareciam ter simplesmente clicado, do tanto que riam juntos desde a primeira vez que se viram. Ele mesmo se surpreendeu ao perceber que não tinha o menor interesse nela, a não ser por sua amizade, o fato de ela ser mais velha contribuía para o respeito e admiração que vinha criando pela mulher. Ficou feliz ao saber que ela ficaria pelos próximos seis meses no clube, já que nunca fora muito próximo de nenhuma mulher que não fosse de sua família e ter uma melhor amiga não lhe parecia de todo um mal.

Quando os jogadores ficaram sabendo da intenção do clube de trazer uma mulher para a comissão técnica, ficaram receosos, sem saber como seria ter uma mulher frequentando áreas que antes eram só deles. Mas quando Alaina apareceu, após um período natural de ajuste de ambos os lados, já nem se importavam com a presença dela, então a chegada de foi algo que eles receberam de forma natural.

- Eu senti falta disso. - o homem admitiu baixinho, com vergonha de que os outros o escutassem.
- Eu também, Isco. Eu também.

(...)

ria da gargalhada que Isco Jr. dava toda vez que o galo HeiHei aparecia em Moana, a mulher tinha pego o DVD emprestado com Vanja e o sorriso que tinha no rosto do pequeno a fazia esquecer de seus problemas.

- Você quer conversar? - Isco perguntou baixinho para não atrapalhar o filho e viu a mulher o encarar curiosa – Não é só o trabalho que está te incomodando.
- Não agora, talvez semana que vem? - pediu sorrindo para o mais novo, que concordou. - Eu tô tão cansada, que só de ficar aqui assim, sem preocupações, já me ajuda.
- Sempre que precisar, sei que você tem seus amigos de antes... Mas eu também estou aqui.
- Eu sei que posso contar com você. Eu sinto muita falta dos meus irmãos, mas de alguma forma você ajuda a me sentir mais próxima deles - agradeceu, fazendo um carinho na barba do homem, que sorriu de volta para ela.
- Como anda o presente pro ?
- Não anda, ainda nem tive tempo de começar, a Vanja tá me ajudando e vou lá amanhã pra ver se adianto alguma coisa, mas com a chegada das minhas roupas e equipamentos, parece que teve uma explosão na casa do Bale.
- Se quiser eu posso te ajudar, nem que seja pra te fazer companhia?
- Eu adoraria.
- Papai, eu quero ir no banheiro. - Isco Jr. se virou para os adultos, tirando um sorriso de ambos.
- Vamos lá, campeão.
- Depois a gente pode fazer mais pipoca?
- Eu faço. - se prontificou e pausou o filme para ir à cozinha.

A mulher sorriu, observando Isco pegar o filho no colo e sair correndo com ele, fazendo sons que nem de perto pareciam o do Heihei, o que a fez rir e se lembrar de quando era criança e ela e seu pai iam a todas as estréias dos filmes da Disney nos cinemas, só os dois. Era uma tradição de pai e filha, a qual ela sentia muita falta.

- Você é um ótimo pai, Isco, apesar de novinho e falar muita bobeira, quando você tá com seu filho é outra pessoa, bem diferente do que aquele com quem eu briguei.

(...)

Desde pequeno, quando decidiu sair da cidade onde nasceu para ir em busca de seu maior sonho, aprendeu a tomar decisões, fosse na sua vida pessoal, profissional ou dentro de campo, todos os dias ele fazia uma escolha. Às vezes ele se questionava se tinha feito o certo, ou o que aconteceria se ele tivesse ido por um outro caminho, mas não naquele dia, já que ele tinha certeza que tinha tomado a melhor decisão. Estava oficialmente solteiro.

Claro que se sentiu mal ao conversar com a garota, ex-namorada, mas ambos sabiam que algo havia mudado entre eles, o que Georgina não imaginava era que não era um algo, mas sim um alguém.

- Fala, . - Marcelo cumprimentou o jogador que acabava de chegar ao refeitório.
- És verdade mesmo? - Pepe o questionou e assentiu com um sorriso malandro no rosto.
- Solteiraaaço. - brincou, imitando a forma de falar dos brasileiros.
- Ai maluco, tô impressionado. Tá determinado mesmo. - Marcelo soltou e riu do sotaque carioca que o homem puxou.
- A fisioterapeuta? - Coentrão, que estava alheio às novidades, questionou. - Pensei que o Isco tava na liderança.
- Se estava, não está mais - comentou, gargalhando alto, sendo acompanhado dos amigos. - Eles são só amigos e sabes que quando quero algo corro atrás dos meus objetivos. Tem algo diferente, não nela, mas em mim. Não é como se tivesse saído a procurar por alguém, ela só... Chegou. Tenho vontade de passar todo meu tempo livre com ela. Preciso saber o que é.
- Ihhh moleque, já vi isso de monte por aqui, não ficando igual o Morata... - os dois riram alto de como o espanhol agia na vida real e redes sociais com a noiva. - Precisando de ajuda é só pedir.

Disposto a finalmente tomar uma atitude sem que nada o impedisse, o jogador foi atrás da mulher. Apesar das grandes chances do jogo que teriam contra o Celta de Vigo no final da semana ser cancelado por conta do mau tempo na Galícia, o time ainda treinava como se a partida fosse acontecer. Tinham acabado de almoçar e todos estavam descansando antes de irem para a fisioterapia. encontrou na academia praticando yoga, ela não percebeu que tinha companhia e ele decidiu não interromper. Aquilo seria interessante.

não se lembrava se algum dia tinha visto alguém praticar yoga, mas naquele momento ele tinha certeza que tinha nascido para assistir a mulher à sua frente fazendo aquilo. Era algo tão bonito, mas incrivelmente sexy e natural ao mesmo tempo.

tinha o corpo deitado sob uma perna, que estava completamente estendida, enquanto a outra ela segurava com as mãos, de onde ele estava, cada coisa que ela fazia parecia doer, mas ela emanava paz. Uma paz que ele nem sabia que precisava e queria sentir.

Algumas poses que a mulher fazia pareciam difíceis, como se precisasse de força para completá-las, mas sua respiração continuava tranquila, ritmada, como se tudo aquilo fosse fácil. Suas mãos se moviam de forma tão delicada, que mais parecia que ela estava dançando parada. Quando virou em sua direção, ela pareceu surpresa ao vê-lo, mas logo murmurou “cinco minutos” e ao que ele assentiu, lhe deu uma piscada adorável e voltou a se concentrar. balançou a cabeça, sem acreditar que uma simples piscada fez seu coração acelerar.

Se o jogador já estava encantado, o que fez a seguir, foi o suficiente para que ele se impressionasse de vez. A fisioterapeuta apoiou as mãos no chão de forma inversa e como se estivesse flutuando, levantou todo seu corpo apenas com a força dos braços, levando as pernas para o ar e sua cabeça em direção ao chão. Em seguida, passou uma perna por debaixo da outra, apoiando todo o peso do corpo em uma única mão, para então com calma, voltar à posição inicial, abrir os olhos e sorrir ao ouvir o jogador bater palmas.

- Fizestes esse último pra impressionar-me? - perguntou brincalhão, se aproximando da mulher, lhe dando um beijo no rosto.
- Depende… Funcionou? - rebateu divertida.
- Oficialmente impressionado, , tens algo que não sabes fazer? És inteligente, uma ótima profissional, sabes dançar e agora isso.
- Ah, mas tem muito mais coisa que não sei fazer do que sei. Não sei cantar, jogar futebol e... também não consigo lamber meu próprio cotovelo - brincou tentando demonstrar, fazendo o homem rir. - Viu? Você queria falar comigo?
- Sim, queria saber se podes me acompanhar na piscina. Quero fazer um exercício por lá, antes de ir pra sala com os outros.
- Vamos sim, eu só vou no quarto me trocar, pode ser?

Enquanto enrolava o tapete, o jogador se deu conta do que ela tinha acabado de falar e quando ele parou de fato para reparar no por que ela precisava se trocar, sabia que era um caso perdido. Até então sempre via por inteiro, gostava de seu sorriso fácil, sua inteligência, timidez, mas também gostava e muito de reparar em suas curvas, adorava as pernas da mulher e ainda mais o conjunto da obra quando ela estava de costas. Mas ali estava ela, usando uma roupa que deixava todo o seu corpo em evidência, um top que desenhava seus seios com exatidão e durante todo o tempo que esteve ali ele nem sequer se tocou disso, porque estava absorto em seus próprios pensamentos, enquanto admirava a mulher à sua frente pelo que ela o fazia sentir como mulher e não somente pelo que ele achava de seu corpo. Era a confirmação que precisava para ter certeza que aquilo era diferente, algo que já tinha sim sentido antes, mas não na mesma intensidade ou proporção.

Ambos caminharam lado a lado, presos em seus próprios pensamentos escada acima para onde ficavam os quartos dos jogadores e equipe, dizia a si mesma que não tinha nada demais em ver o jogador só de shorts mais uma vez, uma hora teria que se acostumar com o fato de que ele mexia e muito com ela, e que pelos próximos seis meses, suas mãos estariam no corpo dele. O problema seria se acostumar com ele só de shorts e ainda por cima todo molhado. Ela só rezava para que não deixasse nada transparecer ou morreria de vergonha.

estava na piscina há vinte minutos fazendo os exercícios ao qual estava acostumado sob o olhar atento da fisioterapeuta, mas ele conseguia ver que ela estava longe. Sempre que estavam juntos e a sós gostavam de conversar um pouco sobre tudo, adorava contar as coisas mais absurdas que os irmãos faziam e gostava quando lhe mostrava fotos e vídeo de seu filho, mas por mais que ele não se incomodasse com o silêncio, sabia que não era algo qualquer. Não a conhecia ainda muito bem, mas pelo que sabia aquilo era atípico, tentou em vão descobrir se algo a estava incomodando e tudo que recebeu em resposta foram perguntas que voltavam o foco novamente para ele e preferiu não insistir.

Por um momento ele desejou já conhecê-la por inteiro para saber exatamente o que falar ou fazer, para pelo menos mostrar que estava ali e estaria quantas vezes fosse necessário. Nem ele entendia o que era que tinha que o fazia querer cuidar e proteger.

- Você já fez acupuntura? - perguntou quando ele se sentou na maca que ficava no local, para que ela pudesse examinar a panturrilha dele.
- Algumas vezes, queres que eu faça?
- Se você me permitir. - sorriu ainda segurando a perna do jogador, que para se prevenir, manteve a toalha em cima do colo. Não saberia onde enfiar a cara se um dia ela soubesse o que tinha acontecido semanas antes. - Não tem nada estranho aqui, você tem algumas cicatrizes musculares, mas eu resolvo isso agora lá na sala, mas queria fazer a acupuntura também, acho que pode ajudar.
- Confio em ti, , se achas que devo fazer…
- Obrigada, eu vou indo pra sala, te encontro lá? - perguntou, já indo em direção a saída do lugar.

(...)

- Você tem alguma irmã gêmea? - Gareth questionou encostado na porta do quarto da amiga, observando impressionado a diferença do local em apenas algumas horas.
- Bem que eu queria, eu tenho muita roupa!! - resmungou frustrada, olhando todas as malas e caixas espalhadas pelo quarto.
- Nunca ouvi uma mulher reclamar disso antes. - riu ao entrar no quarto, vendo que até as pilhas espalhadas pareciam ter certa ordem.
- Ah, eu não aguento mais guardar coisa, minha sorte é que vai caber tudo nesses armários. Eu prometo que assim que a correria acabar eu procuro um lugar pra ficar.
- Por quê? - Bale encarou a mulher com o cenho franzido - Se você acha que tá me incomodando, não tá. Não foi você quem disse que eu podia "gritar" à vontade? - perguntou dando sua risadinha característica.
- Ah eu sei, mas você tem a sua vida, uma namorada nova… Não quero tirar sua liberdade.
- Você me ofende falando essas coisas, sério, se quiser ficar os seis meses aqui não tem problema. Nunca tive a casa tão arrumada e cheirosa, sempre tem uma vela acesa em algum canto novo e não posso deixar um copo na pia pra lavar depois, que quando volto já está até guardado.
- Não consigo evitar, só vou conseguir relaxar quando não tiver uma caixa ou mala nesse quarto.
- Quer ajuda? - Gareth caminhou até , que o encarou chocada - Tô falando sério... Eu sei tirar coisa de caixa.
- Tem certeza?
- Tenho.
- Essas aí são meus sapatos, é só tirar e colocar direto naquelas prateleiras.
- Tá… - o jogador assentiu, abrindo as caixas que a mulher havia indicado – , seus irmãos me mandaram uma mensagem... - Bale começou com cuidado - Por que você não avisou?
- Ai, eu vou matar eles!
- Eles estão preocupados com você, eu achei que você tava estranha por conta da sua mudança chegando e o trabalho novo, mas agora... Faz todo o sentido.
- Eu não quero transformar isso em algo maior do que já é, Gareth, faz doze anos e quando penso nele, parece que foi em outra vida que tive um pai.
- E é isso que te incomoda? Você estar esquecendo ele?
- Não, eu tenho raiva que ele não lutou por mim e pelos meus irmãos.
- … - Gareth se aproximou da amiga, preocupado.
- Tá tudo bem, Balezinho, eu só queria que um dia minha tia parasse de mandar esses lembretes idiotas. Que um ano fosse março, abril e eu lembrasse sem querer e com nostalgia, não... isso que eu tô sentindo.
- Você precisa se dar tempo, , não existe um cronômetro que resolve por nós quando devemos ou não deixar de sentir alguma coisa. Ele foi e ainda é o seu pai, não é porque ele não está mais aqui que deixou de ser.
- Você é mesmo um príncipe, hein?
- A gente tenta, né? - Gareth voltou para seus afazeres, quando viu algo no armário da mulher - ... Isso aqui é seu?
- Isso o q… Ai não!!! - exclamou desesperada, se levantando, criando uma curiosidade que até então não existia no jogador.
- Mas...o.que.é.isso? - Gareth disse puxando o objeto que a fisioterapeuta havia colocado na prateleira mais alta do armário. - Você que comprou? - perguntou confuso, deixando que o cobertor se abrisse sozinho e quando o segurou, a cara de espanto que se formou no rosto do jogador fez a mulher querer se matar.
- Claro que não... Quem compra isso? - disse séria, tentando puxar de volta da mão do amigo - Foi… Oquemedeudepresente.
- Foi o quê? - Gareth segurava a risada, deixando ainda mais sem saber o que falar.
- O me deu de presente no ano passado. - resmungou tentando tirar o cobertor da mão dele, que o levantou pro alto, rindo. - Gareth! Não tem graça, me devolve.
- Tem sim e muita, deixa eu tirar uma foto sua com ele. – falou, jogando a peça em cima da mulher e a empurrando na cama, sem conseguir conter a gargalhada que dava. - Eu disse que era pra ficar esperta, agora tenho essa foto pra te chantagear quando quiser tirar sarro da minha cara.
- Sem graça. - riu, ajeitando o cabelo, antes de voltar a dobrar o cobertor direitinho e colocá-lo no mesmo lugar de onde nunca deveria ter saído.

Algumas horas depois, o quarto da fisioterapeuta já voltava a parecer algo que ela considerava aceitável, enquanto ela passava aspirador, o jogador decidiu fazer o jantar, já que em sua maioria, se ele não estava com Alaina, fazia questão de cozinhar para ele e desde que Carter o havia contatado perguntando da irmã, quis de alguma forma tentar melhorar a semana da amiga.

Pouco depois da janta, já tinha tomado banho e estava na cama enviando uma mensagem aos irmãos, quando recebeu uma em especial.

: Ei , hoje te senti diferente do normal, um pouco mais fechada do que estou acostumado. Só quero que saibas que estou aqui por ti se quiseres distrair-se com um filme ou praticar em paz sua yoga em minha academia, 😉. Saibas que podes ligar-me a qualquer hora do dia ou da noite, faço-me sempre disponível pra ti.

: Às vezes quando não estou bem, não gosto de incomodar a ninguém com meus problemas, mas posso ser esse ninguém pra ti, se permitires. Boa noite e besitos, . 💙

- Gay, , gay, gay, gay. – suspirou frustrada, tentando em vão esconder o sorriso que tinha em seu rosto.

Naquela noite, no celular de , passou a ser .

(...)

ouviu a risada de Alaina, antes mesmo de chegar a sala, Gareth parecia um gato andando pela casa, sempre silencioso. Por muitas vezes ela se assustava quando ele aparecia do nada, já com Lena era o oposto, ela trazia vida e barulho para o ambiente.

- Oi, Lena - disse abrindo um sorriso para o casal.
- Você não vai? - Gareth a encarou confuso.
- Vou ué, tô pronta. - respondeu encarando a si mesma, como se fosse óbvio.
- Mas... Você tá de calça jeans!
- E o que tem isso? - Alaina entrou na conversa, sem entender onde o namorado queria chegar.
- Me fez ver, sei lá, uns 200 vestidos, pra ir assim? - o jogador a encarou incrédulo e frustrado.
- Tá muito feio? Como não penso em ficar muito, não pensei em me produzir toda.
- … - Gareth a encarou preocupado, se ajeitando no sofá para observar melhor a amiga.
- O que foi? - Alaina que estava no meio dos dois, os encarou confusa - Aconteceu alguma coisa?
- Não, é... Algo particular da - Bale disse para a namorada com pesar, não queria invadir a privacidade da amiga.
- Tá tudo bem, Gareth, não vou te fazer guardar algo da Lena. É que amanhã é aniversário de morte do meu pai e eu não lido tão bem com isso, fico meio... assim. Sei que é idiota, mas não consigo evitar e eu prometi ao que iria no aniversário dele, não quero que ele fique chateado.
- Nossa, , eu sinto muito - Lena disse claramente surpresa, provavelmente sem imaginar que esse era o rumo da conversa - E não tem nada disso de evitar, temos o direito de sentir o que sentimos por quantos dias, meses ou anos forem necessário.
- O seu homem me disse algo bem parecido essa semana. - sorriu agradecida, vendo o casal se encarar surpreso e apaixonado.
- Vamos virar esse tipo de casal mesmo? - Lena brincou com o jogador, dando um beijo rápido nele e se virou para a fisioterapeuta - Você não quer mesmo ir?
- Quero sim, muito. Você sabe que amo dançar e seria um bom dia pra me jogar na pista e tentar esquecer que dia é amanhã, mas também não quero estragar a festa de ninguém com esse ânimo que eu tô.
- Ah não, então deixa comigo! - Lena exclamou se colocando em pé - Me mostra esses 200 vestidos, que vamos encontrar um maravilhoso, que só de se olhar nele seu humor vai começar a melhorar. - se levantou um pouco mais animada ao ver a empolgação da francesa - De você eu cuido mais tarde.

As duas subiram para o quarto da fisioterapeuta e deixou que Alaina tomasse frente na escolha do vestido perfeito. Quando acordou naquela manhã, estava decidida a ir ao aniversário de e enquanto Gareth tomava seu café da manhã fez praticamente um desfile para o amigo, que foi paciente o suficiente para dar a opinião do que estava achando, mesmo sendo algo bem atípico para ambos. Ele sabia que a amiga não estava no seu normal. Porém, ao longo do dia, se viu olhando a pasta que tinha no celular com fotos do pai e sentiu seu ânimo cair a ponto de nem querer sair de casa.

- Gosto desse - Lena falou, indicando o vestido azul marinho de um ombro só e com a manga longa que tinha em mãos. - E fica bom com a sua maquiagem. - complementou pelo fato do vestido ser brilhante.
- Vou confiar, você tem bom gosto - disse pegando o cabide com o vestido da mão da mulher.
- Vai se trocar enquanto escolho sandálias que combinem.

Alguns minutos depois, voltou para o quarto, colocando as sandálias que Lena tinha separado e foi se observar em frente ao grande espelho que tinha no local, sorriu feliz com o resultado, há tempos que não usava aquele vestido e adorava como ele moldava seu corpo.

- - olhou para Lena através do espelho, enquanto trocava o brinco que usava - Você tá gostando de alguém?
- Eu?? - a mulher perguntou claramente chocada com a pergunta da francesa - Olha, se for o Isco, somos realmente só…
- Na verdade, tô falando do . - Lena a cortou, fazendo com que sentisse seu coração bater mais rápido e murmurou algo para si mesma - Quê?
- Tá tão ridiculamente óbvio assim? - suspirou frustrada, agora receberia o olhar de pena de Alaina, por ser a mulher que se apaixonou por um homem gay.
- Um pouquinho - a francesa respondeu, rindo. - Pelo menos pro meu olhar de psicóloga, duvido que mais alguém tenha percebido. Notei que você sempre dá uma vacilada quando fala dele.
- Ai meu Deus, que vergonha! - se virou para a mulher - Lena, nem eu sei como isso foi acontecer, eu achava ele tudo que a mídia fala: metido, arrogante, egoísta e nem tão bonito assim, mas desde que o conheci, tudo mudou. Ele é um dos homens mais atencioso e cavalheiros que já conheci... Sem falar em como ele é cheiroso também.
- O é um amor mesmo - Lena riu do desabafo da mulher - Ele veio conversar comigo quando minhas fotos vazaram e foi extremamente atencioso.
- Você deve me achar uma ridícula.
- Por que eu acharia? - Alaina a encarou confusa.
- Ué, pelo fato dele…
- Não esqueceram de nada não? - Gareth apareceu no quarto, vendo as duas sentadas no ottoman que ficava em frente à cama da amiga - Tipo, eu lá no sofá?
- Que exagero! - Alaina abriu um sorriso apaixonado ao ver o namorado, que estava realmente lindo aquela noite - Não estamos aqui há nem dez minutos.
- Quinze. - disse se aproximando de - Essa é a que eu conheço. - falou dando um abraço na amiga - Vamos?
- Vamos sim. - Alaina respondeu, encarando a outra - Essa conversa não terminou aqui. - riu, dando uma piscadinha pra mulher.

(...)

O Teatro Barceló, era uma das casas noturnas mais conhecidas em Madrid, e foi lá que decidiu comemorar com os amigos o seu 32° aniversário. Pela manhã, tinha feito uma pequena comemoração em família e à noite pretendia aproveitar o fato de que o jogo tinha realmente sido cancelado, para curtir a noite inteira sem ter que se preocupar com treino no dia seguinte.

O jogador havia reservado a sala Scotch, que era espaçosa o suficiente para idealizar sua vontade de ter um pequeno cassino em parte do andar inferior e ainda com espaço suficiente para a pista de dança, além do enorme bar que atenderia a todos os seus 300 convidados. Por prezar privacidade para si e seus colegas de time, o andar superior era de acesso exclusivo aos jogadores e funcionários do clube, permitindo a todos se divertirem da forma que quisessem.

, Gareth e Alaina chegaram pouco depois do início da festa e o andar de baixo já estava relativamente cheio e animado. observava a tudo sem saber se tinha feito a melhor escolha.

- Eu vou beber alguma coisa. - anunciou com o tom de voz já alto, por conta da música que tocava.
- ! - Gareth a encarou preocupado, tirando uma careta da mulher.
- Tá tudo bem, vai subindo que eu vou com ela. - Lena estalou um beijo no namorado, antes de ir atrás da mulher, que já seguia em direção ao bar.
- Eu odeio ficar bêbada, mas eu acho que hoje eu vou. - confessou, chamando o barman.
- De vez em quando não faz mal a ninguém, eu bem sei - Lena riu, a apoiando - Se achar que vai fazer alguma bobeira, promete me procurar?
- Eu pretendo passar a noite toda nessa pista, mas pode deixar. Uma tequila pra começar? - a mulher perguntou para a assistente técnica, que confirmou e então mostrou sua pulseira, que indicava que elas não pagariam por nada naquela noite.
- Ótima ideia.

Após o shot da bebida, as duas mulheres seguiram para o andar de cima e repararam que o local era relativamente menor que o anterior, porém tinha a mesma decoração em tons de verde escuro e iluminação indireta, dando um ar mais intimista ao local. Ao fundo, um pequeno bar daria a todos a opção de escolha entre descer e se misturar com os outros convidados, ou curtir entre eles mesmos a noite.

As duas diminuíram o passo ao chegar no topo da escada, tentando reconhecer alguém para que pudessem se aproximar, mas logo sentiram diversos olhares caírem em suas direções e um deles fez se arrepiar dos pés a cabeça.

- De nada. - Alaina disse no ouvido da mulher, que riu alto.
- Obrigada mesmo, Lena, eu já estou feliz de ter vindo.
- Nos falamos depois. - disse dando um aperto na mão da mulher em apoio e foi atrás do namorado.

Para a única coisa que sobrou, foi andar em direção ao aniversariante do dia, que parecia ter o seu olhar preso no dela. Se ela não soubesse a verdade, teria certeza do desejo do jogador nela naquele momento.

- Parabéns, ! – a mulher sorriu verdadeiramente, abrindo os braços pra cumprimentar o aniversariante. – Eu não sei o que te desejar, então que tenha ainda muitos anos de carreira pela frente e seja muito feliz, obrigada por me convidar pra sua festa – disse ainda presa ao abraço dele.
- Obrigado, , estou muito feliz que viestes, estás muito gira.
- O que é gira? – se soltou relutante do abraço, para encarar em dúvida.
- Bonita. – explicou abrindo um sorriso e segurou na mão dela, a girando no lugar - Interessante. - completou olhando no fundo dos olhos da mulher.
- Você não vai esquecer disso, não? – perguntou rindo de si mesma e o viu negar com a cabeça.
- Fica difícil, ainda mais que sempre ficas tão sem graça quando lembro-te do assunto. – o jogador rebateu próximo demais do ouvido da mulher.
- Você também está lindo. – admitiu. O jogador usava um tênis vermelho, calça preta e uma jaqueta também vermelha com detalhes em preto nas mangas e gola.
- Obrigado, . Queres algo para beber? Eu busco pra ti.
- Imagina, é seu aniversário, eu vou buscar.
- Exatamente por ser meu aniversário que eu faço somente o que quero. - comentou colocando sutilmente a mão na lombar da mulher, o que não passou despercebido por ela.
- … - viu um homem se aproximar do jogador, que ela não sabia quem era, mas parecia conhecer. O outro sussurrou algo para o jogador, que fez uma cara feia - O gerente da casa estás a me chamar, posso te procurar mais tarde? Quero roubar-te pra dançar comigo.
- Quando quiser. – “e não só pra dançar” respondeu mentalmente, rindo de si mesma, e recebeu um beijo no rosto do jogador.

(…)

A voz de Luis Fonsi e Justin Bieber ecoava por todo o local, mas principalmente na pista de dança, que a cada minuto parecia ainda mais cheia. Apesar dos convidados terem sido selecionados por terem alguma relação com , muitos haviam feito valer a chance de levar um acompanhante e cada vez que um jogador aparecia no andar inferior, era possível ver olhares os seguindo, algo que não ajudava em nada a inquietação de .

Já tinha passado um bom tempo dançando com Isco, Marco e Igor Asensio, e embora também tivesse se divertido vendo os três jogarem no cassino, sua atenção já não era deles há tempos. Tinha ido àquela festa por conta única e exclusivamente do aniversariante, a quem mal tinha falado, já que a todo momento alguém diferente se aproximava dele.

Cansada daquela noite e principalmente da música que tocava, foi ao banheiro, aproveitando que o local parecia tranquilo. Ao sair da cabine ajeitando o vestido, deu de cara com uma morena retocando o batom de frente pro espelho.

- Que lindo seu batom, sempre quis usar assim escuro, mas com certeza não ficaria tão bonita quanto você. - disse ao se aproximar da pia para lavar as mãos.
- Ah, imagina que não. Ficaria linda sim e combina bastante com teu vestido.
- Obrigada, quem sabe numa próxima vez eu tente. Tá gostando da festa?
- Estaria mais se a guria que me trouxe não sumisse de cinco em cinco minutos a procura dos jogadores. - a morena fez uma careta engraçada e riu alto.
- Eu vou pro bar pegar alguma coisa pra beber, quer ir comigo? De repente você a encontra. - disse indo em direção à porta.
- Se você não se importar - a morena deu de ombros, guardando o batom na bolsa. - Ah, me chamo Mia.
- , prazer. - as duas sorriram, mas logo a porta se abriu repentinamente, quase acertando a fisioterapeuta.
- Mia, onde você tava? Estou te procurando faz tempo, o Asensio e o James estão aqui embaixo, vem comigo. - a outra pegou na mão da morena e deu um passo pra trás, com medo de levar uma portada na cara.
- Lita! - Mia segurou a amiga, apontando com os olhos para a terceira pessoa no local. - Não estamos sozinhas.
- Acho que você a encontrou, Mia. Nos vemos por aí. - acenou para a morena, que retribuiu o gesto.
- Aquela não era a nova fisioterapeuta do time... Loew?

Rindo do ocorrido, foi novamente ao bar para pedir a sua quarta tequila da noite, começava a se sentir mais leve e alegre, exatamente o que estava buscando. Cheio, estava quase impossível fazer qualquer pedido, mas num canto bem escondido do bar, a mulher viu Karim Benzema e decidiu se aproximar do jogador.

- Ei, Benzema. - tocou em seu ombro e o viu se virar um pouco nervoso, o que a assustou.
- Ah! Oi, , achei que fosse mais alguém pedindo foto, me desculpa.
- Tá tudo bem, eu só vim pegar uma bebida, está impossível ali no meio e não quero subir.
- O que você quer? Eu peço pra você.
- Uma tequila. - o viu assentir - Não... Duas, não sei quanto tempo vai demorar pra conseguirmos outra. - ela se explicou, quando o homem a olhou com a sobrancelha erguida.
- Vou te acompanhar. - o francês rapidamente chamou a atenção do barman e fez o pedido, voltando a olhar a mulher.
- Obrigada, Benzema!
- Me chama de Karim.
- É mania, mas prometo que vou tentar. O que você está fazendo aqui sozinho e escondido?
- Bebendo. - deu de ombros, encarando o copo de whisky à sua frente que já estava ao fim - Nem sei por que vim, meu dia foi uma merda. Não sou a melhor companhia pra ninguém hoje.
- Eu te entendo, já tive dias melhores, nem o Isco conseguiu me animar. Eu só vim pelo , mas ele tá rodeado de gente, não dá nem pra conversar. Acho que uma garrafa de tequila e a minha cama seria bem mais divertido do que ficar aqui.
- Senta aí, então. - o francês cutucou um cara que estava sentado ao seu lado e pediu para que ele cedesse o lugar para , que riu do jeito do homem ao reconhecer quem estava falando com ele.
- Misery loves company. – A fisioterapeuta deu de ombros, repetindo uma das muitas citações que sua mãe sempre lhe dizia - As duas ao mesmo tempo? - perguntou ao ver os quatro copinhos serem colocados lado a lado.
- Sim, pronta?
- Pronta! - disse virando os dois copos, antes de morder o limão que estava cheio de sal.

Karim e bebiam em silêncio, aproveitando a companhia um do outro sem a necessidade de puxar assunto a todo momento, ambos estavam no bar há um certo tempo e tinham cansado da tequila, Benzema tentava convencer a mulher que whisky era melhor e mesmo não sendo fã da bebida, aceitou um copo para acompanhar o jogador.

- Quer me falar por que o seu dia foi uma merda? Se tiver a ver com a Lola, sei que você não pediu minha opinião, mas você é muito pra ela, Karim. É bonito, bem sucedido, um cara legal pra caramba e aposto que é gostoso. Com certeza você merece alguém muito melhor. - a mulher deu de ombros, tirando um sorriso do jogador.

Benzema encarou surpreso, não sabia de onde tinha saído aquilo e por mais que não estivesse mal por conta da Lola, era por outra mulher e as palavras dela o fizeram se sentir um pouco melhor.

- Não é por causa dela. - disse com um sorriso fechado - Mas obrigado, , ter a Lena aqui já tem sido muito legal e agora você também, que é meio doidinha, mas até que não é de todo mal de se olhar também. - brincou dando uma piscadinha pra ela e um beijo em sua mão em agradecimento.
- O que você acha de irmos dançar? - pediu, vendo o homem a encarar em dúvida. - Já bebemos demais, daqui a pouco nos expulsam daqui.
- Não tô a fim, . - resmungou terminando em um gole o resto da bebida. - Vou ficar por aqui mesmo, com isso. - apontou para o copo que tinha em mãos.

encarou o jogador por um tempo sem saber o que fazer, também estava triste, mas achava que de nada valia estar numa festa e não tentar aproveitar, senão o tanto que tinha bebido ia virar fossa e não falsa alegria. Preocupada, achou melhor ir atrás de quem o conhecia como ninguém, Alaina Zidane.

- Casal, desculpa atrapalhar - pediu com cuidado, ao encontrar os dois se beijando.
- Tá tudo bem, ? - Lena perguntou preocupada.
- Comigo sim, com o Karim é que eu não tenho muita certeza.
- Ai, meu Deus - a francesa disse em meio a um suspiro. - O que ele tá aprontando?
- Por enquanto nada, tá no bar lá de baixo enchendo a cara – falou gesticulando exagerada. - Percebi que ele não tá muito bem e fiz companhia por um tempo. Aí chamei pra dançar pra ver se ele se animava, mas não quis. Como é seu amigo e você provavelmente sabe o que tá rolando, pensei que seria mais seguro avisar, porque ele tá com cara de que só vai sair daquele bar carregado.
- Era só o que me faltava ter que ser babá do Karim - Alaina rolou os olhos, mas pôde ver preocupação. - Vamos lá resgatar ele.

concordou e as duas desceram juntas para onde a mulher tinha deixado o jogador, que ainda estava no mesmo lugar, com a cara ainda mais emburrada.

- Você já bebeu o suficiente por hoje – a assistente técnica disse, pegando o jogador de surpresa ao tirar o copo dele.
- Me deixa, Lena – Karim resmungou, tentando pegar a bebida de volta, mas a mulher foi mais rápida e bebeu tudo de uma só vez. riu da cara que a francesa fez, já que até pouco tempo atrás, era ela tomando daquele whisky forte.
- Definitivamente, já chega por hoje – Alaina disse firme, finalmente chamando a atenção do amigo. - Levanta e vem dançar com a gente.
- Não tô a fim - Karim rebateu, repetindo o que tinha dito para ela, mas num tom bem mais rude dessa vez.
- Você tem noção de que qualquer homem dessa festa daria tudo pra dançar com duas mulheres dessas? - perguntou Alaina, apontando para as duas.
- Ela tem razão - concordou , dizendo metida – Fora que a gente dança muito bem.

Benzema encarou as duas, que o desafiavam com o olhar, e não disfarçou quando desceu e subiu os olhos pelo corpo das duas. Podia estar desacreditado no amor, mas ainda era homem e só um cego pra não saber que as duas eram atraentes.

- Tanto faz, não vou poder levar vocês pra cama depois - disse, se voltando para o balcão novamente, fazendo as duas mulheres se entreolharem e gargalharam em resposta.
- Deixa de ser safado. Vem logo, você não tem escolha - Alaina disse firme, segurando no braço dele.

Ainda rindo, se prontificou a segurar o outro braço, o fazendo bufar e rir ao mesmo tempo. Sem saída, o jogador se levantou e as acompanhou para o meio da pista e lá foi impossível não se contagiar aos ver as duas mulheres dançando só para ele. Sabia que a fisioterapeuta também não estava num bom dia e ver Lena deixar o namorado de lado para animá-lo o fez se sentir especial. Há tempos que os dois não saiam apenas eles e a adição de uma pessoa tão divertida quanto a melhor amiga tornou tudo ainda melhor, mesmo que a música não fosse de seu agrado.

Os três se divertiam na pista, cada um de sua forma, chamando atenção de quem estava por perto. Benzema tinha uma mão para trás, segurando a cintura de , que estava dançando colada atrás dele e outra em Lena que estava à sua frente. Algumas músicas e muitas risadas depois a francesa decidiu ir atrás do namorado e Karim girou no lugar, a puxando para si, bem mais animado do que antes.

- Parece que alguém finalmente tá a fim, hein? – a mulher disse levantando os braços, feliz pelo jogador.
- Você me fez companhia metade da noite, nada mais justo que eu retribuir. – respondeu voltando a dançar junto da mulher.

Para quem via e Karim dançando, nem poderia imaginar que por dentro ambos estavam o completo oposto do que demonstravam, tamanha era a falsa animação deles na pista de dança, pareciam muito mais do que apenas amigos se divertindo, algo que não estava passando despercebido por .

O homem estava conversando com Miguel e Ricky, observando o andar de baixo, quando o sorriso que vinha causando o dele entrou na pista de dança. Na hora deixou de prestar atenção na conversa para observá-la, desde que haviam se cumprimentado, tinha sumido e não conseguia encontrá-la. Não tinha pensado muita coisa ao ver que ela estava acompanhada de Alaina e Benzema, podia ver como os três estavam se divertindo dançando juntos, até imaginou como seria se estivesse junto, mas bastou a assistente técnica deixar os dois sozinhos na pista, para que seu sorriso se fechasse.

Os dois pareciam íntimos demais, as mãos do amigo estavam na cintura da mulher, que dançava com o corpo colado ao dele. não sentia ciúmes de nada, achava desnecessário, já que seus relacionamentos eram sólidos e confiava em si mesmo e em suas parceiras, mas continuava, como sempre, sendo um mistério.

Sempre que achava que tinha chances com a mulher, algo acontecia para colocá-lo de volta em seu lugar, e ver Benzema sussurrar algo no ouvido dela para logo em seguida os dois se abraçarem, foi tortura suficiente para o jogador.

- Vou dar uma volta. - anunciou aos amigos.
- - Miguel o parou por um instante -, eles só estão a dançar, irmão.
- Do que estás a falar?
- Não faz-te de tonto, porque sabes que não és. Vai até a gaja e a tire pra dançar - Ricky entrou em sua frente, estranhando a atitude do amigo.
- Tanto faz, nos vemos noutra altura.

Ambos, que sabiam da surpresa que a fisioterapeuta tinha preparado para o jogador, ficaram sem saber o que fazer. Desde que ela contatou Miguel com a ideia do presente que queria dar ao camisa 7, os dois ficaram felizes, era a certeza que o amigo não tinha transparecendo para eles. só precisava aguentar mais algumas horas, já que todos queriam que a surpresa fosse completamente inesperada.

A caminho para o primeiro andar, o jogador encontrou com Alaina vindo em sua direção.

- Chama ela pra dançar. – disse sem especificar a quem se referia, o fazendo se sentir um pouco tonto, por já não conseguir esconder seu interesse.
- Ela já tá se divertindo, não vou atrapalhar. – disse sincero e um pouco transparente demais para os olhos da mulher.
- Você é o aniversariante, pode qualquer coisa. – deu de ombros, arrancando uma risada do jogador, já que tinha dito algo bem parecido para a fisioterapeuta horas antes. – E merece se divertir, né? Não é sempre que a gente tem como aproveitar uma festa dessas no meio da temporada.
- Talvez eu siga seu conselho, Lena. – disse mais calmo, depois de ouvir as palavras de incentivo da mulher.
- Saiba que meus conselhos costumam ser certeiros. – rebateu misteriosa, piscando para o jogador, como se soubesse de algo que ele não sabia. – Feliz aniversário, . – completou dando um abraço no homem.

Menos irritado com seus próprios sentimentos, desceu as escadas e se surpreendeu ao dar de cara com e Karim subindo. O francês riu da cara do amigo e o cumprimentou com um aperto de mão e um abraço.

- Não se preocupa, bro, eu sei que não fui o primeiro do BBC a ficar de olho nela. – disse baixinho no ouvido do amigo, que acabou gargalhando junto ao outro. - Obrigado, . - Karim deu um beijo no rosto da mulher, antes de os deixar sozinhos.
- Estás muito cansada para dançar comigo? – perguntou com a sobrancelha erguida.
- Imagina, finalmente vou ter sua atenção só pra mim. – disse animada, dando meia volta para que pudessem descer.
- Finalmente? - perguntou curioso e deu a mão para a mulher, para que ela descesse em segurança, por conta do salto alto que usava.
- Sim, tentei várias vezes falar com você, mas sempre tinha alguém diferente à sua volta, resolvi não atrapalhar.
- Deveria ter atrapalhado, , estava a te procurar ainda há pouco.
- Vamos recuperar o tempo perdido, então. – disse levantando os ombros.

Na pista, o reggaeton tinha dado vez ao R&B e , como da última vez, deixou que o homem tomasse a frente, percebia que era algo natural dele e não podia negar que se atraia por isso. Apesar de novamente as pessoas em volta estarem animadas por ter, não somente o melhor do mundo, como também alguns outros jogadores espalhados pela pista, ele não via mais ninguém a não ser , que estava absurdamente linda na roupa que usava. Gostava como ela conseguia ser sexy e elegante ao mesmo tempo.

Mal os dois encontraram um canto para que ficassem mais à vontade e o corpo da mulher começou a se mexer no ritmo da música que tocava, e se de longe já era difícil não olhar, de perto então era uma missão impossível. dançava animada, sorrindo para o jogador, que já tinha esquecido que precisava piscar. Se aproveitando da falta de espaço, deu um passo à frente, encostando seu corpo ao da mulher, que não se importou e continuou a dançar, mas dessa vez só para ele.

- Tu dançando és algo... indescritível. - confessou próximo ao ouvido de , que abriu um sorriso ainda maior.
- Seus admiradores devem pensar o mesmo ao te ver jogar. – respondeu, apoiando as mãos no ombro dele devido à falta de espaço no local.
- Acho que ainda prefiro ver a ti. - disse diretamente e por saber como ficava tímida com certas coisas que ele falava, pegou em sua mão, a girando no lugar.

O tanto que havia bebido, parecia estar finalmente fazendo efeito em , sentia tudo ao extremo, a música que tocava, o calor que sentia e principalmente as mãos de que tocavam seu corpo durante a dança e a faziam se arrepiar e, claro, o maldito perfume que ele usava e que era seu mais novo vício. Não podia negar que tinha se virado de costas para ele propositalmente, fazendo seus corpos se colarem por inteiro, gostava de ter a atenção total do jogador, nem que fosse por algumas músicas. Estava tão presa em seus próprios sentimentos, que poderiam ter duas ou duzentas pessoas ao redor deles, mas ela só conseguir ver e sentir um: Ele.

Still Got Time, do Zayn começou a tocar e se virou novamente para , o fazendo perceber que ela gostava daquela música, já que recitava a letra com exatidão.

- Come give it to me, yeah ah yeah, Come give it to me, play by play - cantou brincalhona e se aproximou do jogador de forma sedutora, o puxando pela jaqueta, fazendo respirar fundo.
- Se continuar a olhar–me desse jeito... – disse em forma de aviso no ouvido dela, para ter certeza que ela o escutaria. fez uma careta engraçada, tirando uma risada do jogador.
- That smile gon' take you places, and I know you want to see some faces - a mulher murmurou, ainda o encarando - Esse seu sorriso, , é o sorriso mais lindo que você tem. Quando te vejo em fotos você não sorri com os olhos, com a alma, mas quando você sorri dessa forma assim, eu vejo que conheço o verdadeiro , aquele que poucas pessoas no mundo tem a sorte de conhecer, e esse você é lindo demais.

sabia que a bebida havia falado por ela, mas naquele momento ela não se importava, tinha ido para aquela festa somente por ele e iria pensar nas consequências de suas palavras depois, bem depois.

sorriu. Sorriu como há muito não fazia e como há muito não sentia vontade. era linda demais, uma pessoa que ele a cada dia que passava admirava mais, não só pela inteligência, beleza, bom humor e palavras, mas por tudo que ela o fazia sentir a todo momento, até quando não estava com ela, a sentia presente. Só de estar ao lado dela, se sentia mais feliz, mais vivo.

- Sabe, , - ele a puxou para si, cansado daquele jogo - This could be something if you let it be something - falou um pouco tímido por conta do sotaque falho, repetindo o refrão da música no ouvido dela e quando afastou o rosto, ele não deixou que os olhos dela desviassem dos dele.

Os olhos da mulher se arregalaram de leve, fazendo com que sorrisse internamente, ele então decidiu que o melhor a se fazer, era sair daquela pista, ali não era lugar para que aquilo acontecesse.

- Vamos subir?! – perguntou extremamente confusa quando o jogador segurou em sua mão, a puxando para fora da pista e o viu assentir. As coisas só ficaram ainda mais confusas quando ela notou que os olhos dele se moveram para seus lábios.

ainda não acreditava no que estava fazendo e no que tinha ouvido naquela pista de dança, ele sabia que a partir dali a relação que tinha com mudaria para sempre. Se quando a beijou no canto da boca já os sentia mais próximos e unidos, aquela noite era a chance que faltava para ter a certeza do que ela sentia. A química que os dois compartilharam na pista, sem sequer se lembrar que estavam no meio de tantas outras pessoas, foi algo incrível e ele não se perdoaria se perdesse o momento perfeito.

Segurando na mão da mulher, agradeceu aos seguranças que liberaram a entrada deles novamente ao segundo andar do local e assim que chegaram no pequeno patamar no meio da escada, entrou na frente da mulher, fazendo com que ela desse alguns passos para trás, batendo com as costas na parede, completamente confusa.

- Já te disse que estás linda hoje? – perguntou, se permitindo analisar pausadamente a mulher dos pés a cabeça, que sentiu seus joelhos enfraquecerem ao ser praticamente despida com os olhos pelo jogador.
- Linda ainda não – disse um pouco rouca –, gira e interessante sim. - completou sentindo seu coração bater.
- Interessante realmente é a palavra pra definir-te hoje, .
- Obrigada. – apoiou as mãos no peito do jogador, tamanha era a proximidade entre eles, seus olhos demonstravam o quanto estava assustada com o que estava acontecendo ali.
- , – a chamou, apoiando os braços na parede, sem desviar por um segundo dos olhos dela – Nós podemos ser alguma coisa.... – repetiu a letra da música, encarando os lábios dela, deixando que seu desejo tomasse conta de suas ações. Se permitindo sentir a química que os envolvia.
- e o seu... a sua... – perguntou se confundindo toda e se odiando por praticamente gaguejar, mas quem a poderia culpar tendo um homem como a despindo com os olhos, quando ela tinha plena certeza que ele era gay até minutos atrás.

Mesmo sem ter para onde ir, tentou dar um passo para trás e a acompanhou, não deixando que seus corpos perdessem o contato. O jogador levou uma de suas mãos ao rosto da mulher, acariciando com desejo o local. Não havia mais espaço algum entre eles e a única coisa que ela conseguiu fazer, quando viu o rosto dele se aproximar ainda mais do dela, foi fechar os olhos, mas, ao contrário do que esperava, não sentiu os lábios dele nos dela, mas sim seus corpos se afastarem.

Frustrada e envergonhada, a fisioterapeuta abriu os olhos sem saber como agir, mas se sentiu aliviada ao ver o jogador de costas pra ela, conversando novamente com o mesmo homem que os havia interrompido horas antes. Quando finalmente a encarou novamente, os olhos dele pareciam duros, furiosos, mas suavizaram ao vê-la.

- Desculpa, , esse é o Ricky, um dos meus melhores amigos e empresário. – ele disse no ouvido da mulher que estendeu a mão para o outro, o cumprimentando – Ele veio avisar-me que tinha alguém ali embaixo a tirar fotos de nós dois. – completou ao ver a mulher arregalar os olhos e olhar pra baixo e concluir que realmente quem passasse ali conseguia ver parte da escada.
- Eu vou subir. – disse rapidamente, não dando chances de nenhum dos dois responder. – Meu Deus, o que eu estava fazendo? - murmurou sozinha, correndo para o bar, para pedir dessa vez mais uma dose de qualquer coisa que fosse forte, muito forte.

(...)

- A gatinha tem telefone? - Kroos se aproximou de e, apesar da cantada barata, ficou feliz por não ser , não estava em condições de encarar o jogador, agora que o momento tinha passado.
- Tenho o da sua mulher, serve? – disse debochada, agradecendo ao barman quando ele colocou o copo de algum drink forte que ela tinha pedido para ver se conseguia colocar a cabeça no lugar.
- Nossa, o vai ter um prejuízo com o que você e a Lena beberam hoje, tá louco, parecem duas bocas de litro.
- Virou minha mãe e não tô sabendo, é isso? - encarou o jogador, que se assustou com a forma de falar da mulher – Desculpa, Toni, soou mais estúpido do que eu pretendia.
- Tá tudo bem, tô acostumado a ser o cachorro sarnento. - disse arrancando um sorriso fraco da mulher - Pelo menos te fiz sorrir, a Jess tá preocupada com você, disse que tá estranha.
- Ah… - se virou para as amigas, que estavam conversando entre si - Fiquei pouco mesmo com elas hoje, quando terminar de arrumar minha mudança eu vou lá na sua casa tomar café da manhã.
- Vai fazer o brownie? - o alemão encarou a mulher de um jeito tão engraçado, que não foi possível não rir.
- Faço sim, agora vai lá encher o saco de outro. - disse brincalhona, o empurrando, e levantou a mão pro barman - Eu tô bem, me deixa. - disse ao ver o olhar do jogador sob ela.
- Se precisar sair carregada, me avisa que eu vou embora antes - Toni disse rindo e pulou do banco correndo, antes que a mulher jogasse o gelo que tinha em seu copo nele.
- … - Gareth encostou a mão no ombro da mulher - A gente já vai embora, quer carona?
- Não, vou ficar mais um pouco. - disse olhando pro amigo - Vou ver se o Isco me deixa em casa, ou se quiser eu durmo na casa dele ou do Luka, tanto faz. - comentou procurando para ver se via algum dos dois, mas o que encontrou foram os olhos de a fitando intensamente e, em resposta, tomou um longo gole de sua nova bebida.
- Vem pra casa, por favor. - o galês pediu e olhou brevemente para quem a amiga encarava - E para de beber, daqui a pouco vai passar mal. Posso mesmo ir embora, me promete que vai ficar bem? - continuou e fez um sinal para o barman, pedindo uma água para ela.
- Não pareço bem? - encarou o amigo, que sabia que a resposta era não. - Não é como se o tivesse quase me beijado nem nada.
- O quê? - Gareth a encarou surpreso - Quer dizer, depois da forma que você dançou com o Karim e com ele, me surpreende não ter acontecido nada mais do que uma tentativa, com qualquer um dos dois.
- Não me dá ideias, porque agora vou ficar aqui pensando que poderia estar aproveitando minha noite a três, com dois homens gostosos.
- !!!- Gareth a encarou com os olhos arregalados e a mulher soltou uma gargalhada alta. - Com você não dá pra saber se o que você fala é resultado da bebida ou não, porque você é assim todo dia.
- Ah, você que é muito certinho. - a mulher disse tentando tomar mais um gole de seu drink e Gareth empurrou a garrafa de água para ela.
- Você gosta dele. - Gareth afirmou depois de olhar novamente para e constatar que ele ainda olhava a mulher. - E ele gosta de você.
- Sim, somos amigos - deu de ombros - Não vejo problema em dançar assim com quem tenho intimidade… - resmungou empurrando a garrafa de volta para o homem depois de tomar um pouco do líquido.
- Não tô falando de gostar como amigos e você sabe disso. - Gareth rolou os olhos da teimosia da mulher e tomou um gole da água dela.
- Tá, eu gosto dele, mas o que vai mudar isso pra mim se ele é gay? - a outra rebateu, fazendo com que o jogador cuspisse toda a água que tinha tomado.
- O quê? Quem é gay? - Bale a encarou chocado, limpando a boca.
- Como quem, Gareth? O - a mulher disse óbvia e o galês voltou a encarar o camisa 7 - Minha família que tá certa, ele deve gostar de homem e mulher, mas ele é comprometido. Vai ver que é um relacionamento aberto, não sei… porque o jeito que ele me olhou ali atrás, nossa senhora, até esqueci meu nome. Depois vão me perguntar como fui gostar de um cara que obviamente é g…
- , cala boca - Gareth colocou a mão na boca da amiga, rindo, a única forma que encontrou de fazê-la parar de vomitar as palavras - Eu não sei de onde você tirou que ele é gay.
- Você nunca pegou ele olhando essas suas coxas, não? – o galês esfregou a mão no rosto, estupefato.
- Você deve estar muito bêbada, porque nem sabe mais o que está falando. Por que ele tentaria te beijar se ele tivesse namorando ou fosse gay? Não passa pela sua cabeça que talvez... ele não seja?
- Vai se despedir do pessoal - os dois amigos se viraram para ver Alaina ao lado deles - Você também já tá indo, ?
- Não, Deus me livre ser empata foda - respondeu sincera, fazendo a assistente técnica gargalhar e as bochechas de Bale corarem, se sóbria a mulher não tinha filtro, bêbada virava uma bomba atômica. - Vai indo que eu vou mais tarde.
- Toma essa água, que eu vou pedir pro Isco ou o Luka te deixarem em casa. Pensa no que eu disse. – falou se despedindo da mulher.
- Tá bom. - disse emburrada, tomando a água que o amigo tinha colocado novamente em frente a ela.

Próximo aos dois, Ricky, amigo de , pegava seu drink ainda sem conseguir acreditar no que tinha acabado de ouvir.

- Vais continuar a me ignorar? - aproveitou o momento que Gareth e Alaina se afastaram, para se aproximar.
- Não tô te ignorando, . - suspirou, sentindo os efeitos dos últimos três drinks que havia tomado tomarem conta de suas ações. - Eu só precisava clarear a mente.
- E conseguistes?
- Eu acho que piorou pra ser sincera…
- , se estás chateada por conta das fotos que estavam a tirar…
- Antes fosse esse o maior dos meus problemas - se levantou e sentiu tudo começar a girar.
- Estás bem? - ficou preocupado ao ver a mulher se apoiar no balcão para se equilibrar.
- Eu preciso ir embora. - falou repentinamente, pegando a garrafa de água que estava no balcão - Você viu o Bale?
- Ele já foi embora com a Lena, eu te levo.
- Imagina, eu moro com o Bale. - disse tropeçando com o salto.
- Eu te levo. - o jogador disse categórico, mostrando que ela não tinha escolha.

(...)

- , estou preocupado contigo, estás a passar mal? – encarou a mulher pelo canto do olho, mantendo o foco nas ruas da cidade.
- Eu não vou estragar o seu carro, fica tranquilo. - respondeu com as mãos na cabeça.
- Não importo-me com meu carro, mais do que contigo. Toma. - ainda confuso, entregou a garrafa de água para a mulher.
- Obrigada. - levantou a cabeça e o encarou, enquanto abria a garrafa - Por isso e por me levar pra casa também, eu... acho que bebi demais.
- Pensei que não gostasses de beber dessa forma, . – disse, pois ambos já haviam conversado sobre o assunto.
- Eu gosto de tomar um vinho entre amigos ou depois de uma semana intensa de trabalho, não isso que eu fiz hoje à noite.
- E por que bebestes então? Confesso que estou decepcionado contigo, não imaginei que fizesse esse tipo de coisa, pareces tão ligada a teu corpo e tua saúde. Estive a noite toda em busca de uma oportunidade de passar um tempo contigo, mas não dessa forma.

, que prestava atenção nas ruas, perdeu o olhar magoado e chocado que lhe lançou, ele sequer podia imaginar o dia que ela tivera e que foi apenas para não decepcioná-lo que ela tinha saído de casa numa noite em que a única coisa que queria era deitar na cama com um pote de sorvete e uma garrafa de vinho. Naquele momento, ele não era o único decepcionado com alguém ali dentro.

O silêncio incomodava o jogador, mas tinha o corpo e o rosto voltado para a janela e ele não sabia o que dizer para chamar sua atenção e tentar entender por que ela tinha bebido daquela forma. Quando dançaram não notou nada de diferente nela e por isso não entendia o que tinha acontecido desde o momento em que quase se beijaram para onde estavam agora, sem sequer olhar um para o outro.

Ao estacionar em frente à casa de Bale, soltou um suspiro cansado, pensou que seu aniversário terminaria de uma forma bem diferente. O que sentia dentro de si também era completamente inesperado.

- Obrigada e desculpa por atrapalhar o seu aniversário. - disse sem virar o rosto pro jogador - Pede desculpas ao Miguel também, você não precisava me dar carona e deixá-lo sozinho. - finalizou ao abrir a porta do carro e sair sem esperar resposta.
- , espera, eu te ajudo - saiu do carro às pressas e segurou no braço da mulher para ajudá-la chegar até a porta. E foi só então que o jogador viu as marcas das lágrimas no rosto dela e ele não se lembrava de se sentir tão culpado por suas palavras antes, da forma que se sentia naquele momento.
- Eu consigo chegar em casa sozinha. - disse puxando o braço para longe dele.
- Eu v… - ele tentou dizer, mas parou no exato momento em que o encarou nervosa.
- Eu sempre levo meses pra me abrir com alguém, me sentir tão à vontade como me senti com você assim de primeira, mas nunca mais confunda isso com me conhecer ou saber da minha vida e do meu passado, porque você não sabe. Eu pensei que se eu esquecesse minhas regras por você eu não me arrependeria, mas vejo que me enganei. Nunca mais fale comigo dessa forma, você não é nada meu pra julgar o quanto eu bebo ou deixo de beber numa noite como essa. Boa noite, . - a mulher disse pronta para ir embora e ele abaixou a cabeça, sentindo o peso de suas palavras. - Ah! Feliz Aniversário, espero que goste da surpresa que eu passei a semana inteira fazendo pra você.

Sem palavras e principalmente com um buraco enorme no peito, voltou para o carro estarrecido, mesmo antes de ouvir tudo aquilo da mulher, merecidamente, ele sabia que tinha exagerado no que havia lhe dito, mas foi difícil para o jogador ver justo se perder na bebida, nem que fosse por uma única noite. Tudo que tinha vivido com o pai e o irmão o faziam ter o controle absoluto de seu corpo e ter medo, muito medo de perder mais alguém para algo que era um veneno, mas a mulher tinha razão, ele não a conhecia tanto quanto gostaria e deixou que seu julgamento precipitado causasse uma situação que ele não sabia como iria resolver.

Cansado, o jogador chegou em casa pronto para dormir, seu filho estava com sua mãe e tinha a casa inteira para ele e foi por isso que se surpreendeu ao ver um presente enorme na frente da poltrona em que geralmente se sentava para tirar os sapatos. Curioso e com as palavras da fisioterapeuta ainda em sua cabeça, se pôs a rasgar o embrulho do que parecia ser um quadro, mas nem se fosse a pintura mais cara do mundo, o jogador sentiria o que estava sentindo naquele momento.

Em suas mãos tinha uma camisa do Real Madrid que tinha sido emoldurada como um quadro, mas não era isso que chamou sua atenção, mas sim o número 7 que estava costurado abaixo de seu nome, o número era feito de diversos remendos de várias cores e texturas e ao lado uma pequena nota escrita à mão.

“Eu fiz esse número 7 a partir de pedaços de todas as camisas, de cada time que você já passou. Você me contou que o futebol te deu tudo, mas te afastou de sua família. Cada um desses remendos contam a incrível história de um menino que saiu de casa aos 11 anos em busca de um sonho e continuam com você ainda sendo o melhor do mundo aos 32. A história do menino querido da família. Obrigada por me deixar fazer parte dessa história e ser parte do seu presente. Feliz Aniversário. xx”


Nem que ele quisesse, conseguiria segurar as lágrimas que caíram ao ver cada pedaço de sua história desenhando aquele número que significava tanto em sua vida. Ele já nem sabia se era só por ver sua história contada de forma tão poética que ele estava tão emotivo ou se tinha a ver com o cuidado que tivera ao fazer algo tão incrível para ele.
Ele ainda não sabia o que, mas faria o que fosse para se desculpar com a pessoa que tinha virado sua vida do avesso, desde o primeiro dia que a viu.

(...)

se encontrava em frente a porta da casa de Bale, nervoso, mal tinha conseguido dormir, tamanho era o vazio em seu peito. Tinha diversas mensagens de Ricky em seu celular, mas não conseguia falar com ninguém, aquilo era algo que ele precisava fazer antes de qualquer outra coisa.

- Oi, . - Gareth disse, depois da surpresa de ver o colega de time em sua porta.
- A está em casa? – perguntou ansioso.
- Hoje não é um bom dia pra ela, será que vocês não podem se falar amanhã?
- O que aconteceu? - sentiu o incômodo dentro de si crescer.
- Não cabe a mim te contar. – respondeu duro, preocupando ainda mais o outro.
- Eu preciso falar com ela, por favor? – Gareth olhou para dentro de casa pensativo, antes de voltar os olhos para o amigo.
- Ela não levantou ainda, , nem saiu do quarto pra falar a verdade. – bufou frustrado e Bale o encarou surpreso, reconheceu na expressão do amigo algo que ele fazia quando estavam perdendo um jogo importante - Você gosta dela.
- E tens como não? – retrucou categórico, fazendo o outro segurar uma risada – Me conheces um pouco e sabes que não estaria aqui se a não fosse importante pra mim. Não sei o que tem hoje, mas gostaria de tentar melhorar o dia dela.
- A é uma das minhas melhores amigas, . Esse jeito dela de ser é quem ela é, mas isso não quer dizer que é só isso que ela é. Ela é uma das pessoas mais incríveis e especiais que já conheci, eu me preocupo com ela. – o galês falou sério.
- Eu a vejo por inteiro, Bale. A é especial pra mim também, de uma forma diferente do que pra ti, se me entendes. - disse abrindo um sorriso tímido - Ela me disse algumas coisas ontem e eu preciso fazer isso por ela hoje. Se ela não quiser me ver, eu vou embora.
- Você gosta mesmo dela. – o galês suspirou ainda preocupado, mas baixou um pouco a guarda ao abrir a porta para que o homem o seguisse – Ela pediu pra ficar sozinha, mas... Boa sorte. – o outro disse depois de bater na porta da mulher.
- ? – entrou devagar, as cortinas estavam todas abertas e podia ver que a mulher ainda estava na cama. - Sei que hoje não é um bom dia pra ti e se quiseres vou-me embora, mas... Trouxe algo pra ti. - continuou quando não teve resposta.
- Não envolve tequila, nem whisky? - perguntou com a voz rouca e baixa, tirando um riso leve do jogador.
- Não, é um sumo de frutas que tomo de pequeno-almoço todas as manhãs, achei que depois de ontem pudesse não estar sentindo-se bem.
- Hm. - a mulher demonstrou curiosidade, se virando para ele e o viu levantar uma garrafa - Obrigada, quem sabe assim meu abdômen fica igual o seu. - deu de ombros, fazendo o homem balançar a cabeça, desacreditado que mesmo magoada com ele, ainda era capaz de continuar sendo exatamente quem era.
- És uma miúda linda, , tens um corpo que muitas raparigas gostariam de ter, não precisas mudar nada, só se quiseres fazer por ti e mais ninguém.
- Caramba, você não me deixa nem te odiar por algumas horas.

Quando ouviu a voz do jogador em seu quarto, fechou os olhos em dor, gostaria de dizer que era a ressaca ou seu estômago, que parecia estar queimando, tamanho o estrago que tinha feito em si mesma, mas a dor era maior, era em seu peito. Estava com vergonha do que havia dito a ele, mas ao mesmo tempo não se arrependia. Prometera não ser fácil com , mas era humanamente impossível ficar brava com ele, quando o homem parecia saber exatamente o que fazer e lhe dizer em todos os momentos.

O viu a encarar surpreso e aliviado e se sentou na cama, ajeitando um espaço para que ele fizesse o mesmo. Sem esperar que ela se arrependesse, o homem sentou com uma perna dobrada e a outra ainda no chão, de frente para ela, que parecia mais cansada e triste do que ele já havia visto antes.

- Tu és surpreendente, sabia? - levou sua mão ao rosto da mulher, fazendo um carinho rápido em seu rosto cansado - Mas não quero que diminuas minha culpa, não fui justo contigo e devo-lhe desculpas. Conhecemo-nos há pouco tempo, mas saber que não estamos bem parece errado pra mim. Não podia começar meu dia sem antes vir aqui.
- Tá tudo bem, , vamos deixar isso pra lá.
- Se estivesse realmente bem não estarias a me chamar de . - disse e observou o encarar com o cenho franzido.
- Tem razão. - a mulher riu ao ver que ele estava certo - Eu não sou rancorosa, , mas você me disse aquelas coisas sem motivo, sem me perguntar o porquê, e isso me machucou. Eu nem lembro de tudo que te falei, mas me conheço e queria que me desculpasse se te ofendi em algum momento também.
- Não dissestes nada que eu não merecesse, , desde o Natal quando me disse que não costumas abrir-se com pessoas que não tens muita intimidade senti-me privilegiado por ter te feito sentir-se assim comigo, e não quero que não te sintas mais assim. A verdade é que deixei-me levar pelo que vivi em minha família e não foi correto.
- Como assim? - a mulher o encarou mais uma vez confusa e sem perceber moveu-se de forma a ficar mais próxima dele.
- Meu pai faleceu por problemas com bebida e quase perdi meu irmão para as drogas. - disse e viu a mulher o encarar chocada e seus olhos se encherem de lágrimas - Basta uma busca rápida pela internet que descobres tudo sobre minha vida, achei que soubesses. - se explicou, já que devido a sua profissão, apesar de não gostar, entendia que a falta de privacidade era inevitável.
- Eu sei algumas coisas sobre você, mas não tudo. Seria injusto procurar sobre seu passado quando você não pode fazer o mesmo comigo. - afirmou fazendo o homem mais uma vez se surpreender - Tirando as fotos que você posta, porque aquela de terno acabei dando uma pesquisada porque ficou realmente... de muito bom gosto.

gargalhou ao entender o significado da palavra e não conseguiu não rir junto, sua cabeça doía, mas o homem à sua frente parecia fazer tudo ficar melhor.

- Muito bom gosto… - repetiu saboreando as palavras - Estás a tentar me fazer esquecer do interessante?
- Estou. - respondeu categórica, finalmente tomando o suco que ele havia trazido.
- Eu não percebi que tinha algo errado contigo, acredito que a decepção maior foi comigo mesmo - voltou ao assunto que o havia levado até ali - Ao te ver naquele estado, foi impossível não lembrar do que minha família passou.
- Eu sinto muito, de verdade, principalmente por ter te feito passar por isso bem no seu aniversário - procurou a mão do jogador e a alcançou. - Eu… É muito difícil eu beber dessa forma, mas ontem foi diferente e acabei me perdendo sem querer. O Karim também teve um dia ruim e fui fazer companhia pra ele…
- Não me deves explicação alguma, o Bale disse que hoje não é um bom dia pra ti, não precisa contar-me o motivo, só quero que saibas que estou aqui.

Naquele momento, percebeu que não só queria, mas precisava contar ao jogador seus motivos, nunca imaginou que pudesse ter algo tão triste em comum com e isso só fez com que ela o visse, mais uma vez, com outros olhos. Parecia alguma brincadeira de mau gosto, mas que ao mesmo tempo a estava conectando ainda mais ao homem à sua frente.

Onde estava o jogador que tinha o corpo perfeito? A arrogância de saber ser o melhor do mundo? Alguém que ela nunca imaginou que estaria frente a frente em um de seus piores dias, dentro de seu quarto, num momento tão íntimo, mas que ao mesmo tempo a fazia se sentir em casa. À sua frente, via a si mesma, um ser humano com um passado que machucava, deixava feridas.

- … - tinha os olhos cheios de lágrimas e o jogador se sentiu mal, parecia não estar dizendo nada certo para animá-la. - Hoje faz doze anos que meu pai morreu... E foi pelo mesmo motivo do seu.
- Ah, , eu sinto muito. - compreensão e choque tomou conta do rosto do jogador e não conseguiu mais segurar as lágrimas. abraçou a mulher como ele gostaria de ter sido abraçado quando lhe disseram que seu pai tinha falecido. - Gosto das coisas que temos em comum, mas isso me deixa triste em saber, esse ano vais fazer doze anos da morte de meu pai também, sei como te sentes.
- Nossa! - a mulher exclamou chocada - Eu queria muito ir ao seu aniversário, mas quando chegou na hora... decidi ir só pra te falar parabéns. - começou a se explicar, ainda presa ao choro, o que fez o homem se odiar ainda mais - O Bale e a Lena acabaram me convencendo, mas quando cheguei lá, não sei... O Karim tava na fossa também, acabamos praticamente afogando as mágoas na tequila e no whisky. - riu, ainda sentindo a dor do estrago que os dois tinham feito. - Achei que estava bem, mas quando levantei, parece que tudo que bebi finalmente fez efeito.
- Não deverias ter ido, eu...
- Não, eu queria fazer isso por você, só... acabei estragando tudo.
- Estamos de bem, sim? - perguntou vendo secar as lágrimas com as mãos e assentir - Então não fizestes nada, muito pelo contrário, acredito que isso faz-me te conhecer um bocadinho mais.
- Você tem razão.
- O que pretendes fazer agora? - perguntou querendo distraí-la um pouco de seus pensamentos.
- Eu ia ficar na cama sentindo pena de mim mesma, ver se minha cabeça e estômago param de doer porque amanhã quero terminar de testar meus equipamentos e começar a montar a minha sala nova.
- Pois bem. – o jogador colocou a outra perna no chão, ficando de costas para , que se moveu na cama para ver o que ele estava fazendo – Chega um pouco pra lá.
- O que você tá fazendo? - riu ao vê-lo apenas de meia, se sentando ao lado dela, apoiando as costas na cabeceira da cama.
- Vou ficar aqui contigo.
- Você tá brincando comigo? - o encarou duvidosa, fazendo o homem sorrir.
- Estou a falar sério, não precisamos conversar se não quiseres. Quero só estar aqui por ti, como não estive ontem.
- Você é incrível. - encostou a cabeça no ombro do jogador de forma carinhosa em agradecimento.

Os dois estavam em um silêncio confortável há algum tempo, tinha ligado a TV e enquanto escolhia algo para assistir, foi buscar algo para comer. Quando voltou, ela tinha um sorriso culpado no rosto e o homem a encarou desconfiado.

- Eu amei o seu suco, mas hoje eu preciso disso. - falou mostrando o pote de sorvete que tinha em mãos, o fazendo gargalhar.
- Não te culpo, encontrei algo para assistirmos. - concordou, deixando a bandeja de coisas que tinha trazido na mesinha ao lado do homem. - … - disse ao ver se ajeitar para ficar mais confortável e fazer um gesto para que ela deitasse a cabeça em seu colo.
- Não te preocupes, só quero que se sintas melhor. - afirmou sincero, apoiando um travesseiro em sua perna. Viu a mulher assentir e embora os dois estivessem apreensivos, bastou que ela deitasse a cabeça em seu colo para que tudo finalmente parecesse estar de volta ao seu lugar.
- Eu gosto do seu perfume, qual é? - disse depois de um tempo, virando o rosto para ele.
- É da minha coleção, tenho alguns diferentes, estou sempre a variar entre eles e de outras marcas.
- Esse é o meu favorito, é de muito bom gosto. - falou escondendo uma risada ao levar a colher à boca, fazendo o jogador querer mais do que tudo beijá-la naquele momento. - Hmmm, eu amo esse sorvete, quer? - ofereceu levantando o pote em direção ao jogador.
- Não, obrigado. Sabes que não como doces. - disse e o encarou como se visse um desafio.
- Só hoje, vai, não é como se fosse fazer diferença no seu corpo, quer dizer, vai fazer sim, de tão bom que é. - enquanto o jogador pensava em outra forma de lhe dizer não, a mulher se ajoelhou na cama, o atropelando para pegar a colher extra que tinha trazido.
- … - o homem se perdeu em palavras quando a bunda da fisioterapeuta entrou em seu campo de visão, fechou os olhos por um segundo para pensar em qualquer coisa que não fosse o corpo da mulher tão próximo de si.
- É só hoje, amanhã se você quiser podemos correr juntos? - pediu sorrindo de forma tão doce, que ele puxou a colher da mão dela fingindo estar emburrado, a fazendo assistir com gosto enquanto ele tomava do sorvete.
- Obrigada, fez meu dia! - a mulher riu da careta que o jogador fez, mas a verdade é que ele estava feliz, aquela era a primeira risada sincera que via no rosto dela.

fazia carinho nos cabelos da mulher, que estava distraída assistindo ao documentário que ele tinha escolhido, mas seus olhos estavam no celular dela, que a todo momento se acendia com alguma chamada ou mensagem, que ele podia ver que eram de seus irmãos, e a cada uma delas, o desligava.

- Não quer falar com teus irmãos?
- Se eu falar vou desabar de vez, estou tentando me manter distraída.
- Então preciso agradecer-te por minha prenda, foi uma das coisas mais especiais que já ganhei na vida.
- De verdade? - se virou para ele animada e o homem sorriu ao ver que tinha conseguido o que queria - Ou só tá falando pra me agradar?
- Pra te agradar eu tomei o gelado - o homem disse fazendo a mulher rir alto - Já ganhei muitas coisas impressionantes, diferentes e outras um tanto bizarras, mas nada tão bonito quanto o que me destes. Passou um filme em minha cabeça ao reconhecer as camisas dos times que joguei e pelas cores pude me lembrar de alguns momentos bons e ruins ao longo desses anos. Foi uma das prendas mais especiais que já recebi em toda minha vida, pode ter certeza. Vou pedir para colocarem em meu quarto.
- Eu fico feliz, depois que você me contou uma parte da sua história aquele dia, eu queria fazer algo por você que não envolvesse dinheiro. Não sei se você sabe, mas foi o Miguel que me ajudou a conseguir as camisas e a Vanja me emprestou a máquina e me ajudou a costurar todas para que conseguíssemos fazer um 7 que não ficasse muito torto. - riu se lembrando do trabalho que foi juntar as peças.
- Estás a falar sério? - o homem a encarou surpreso e confirmou balançando a cabeça - Ele não me disse nada, realmente foi uma surpresa.
- Era a intenção.

Os dois voltaram ao documentário que assistiam quando começou a fungar, deixando o jogador em alerta, ele não queria se precipitar mais uma vez, mas quando a viu levar a mão aos olhos, a puxou para cima, para que pudesse abraçá-la forte. Aquilo foi o que bastou para que finalmente chorasse tudo o que estava entalado.

sabia o que era aquele choro, um que estava cansado de se esconder e que a faria se sentir infinitamente melhor quando terminasse. Por muitas vezes havia sido ele naquele estado, mas ao contrário de , ele não tinha ninguém para segurá-lo.

- Eu acostumei, sabe, é fácil esquecer na correria do dia a dia, ocupada no trabalho, mas chega essa época minha família gosta de relembrar os momentos e não percebem que nem todo mundo gosta disso. Meus irmãos mal lembram dele e isso me machuca ainda mais. Foi com o meu pai que aprendi a falar eu te amo, sempre fui fechada, demoro pra me abrir com as pessoas, mas ao final de cada conversa ele dizia que me amava e não ia embora até eu repetir. No começo eu ficava com raiva, mas então se tornou natural. E ver uma pessoa que você ama, se entregar assim a um vício... você sabe como é.
- Tenho diversas fotos de meu pai espalhadas por minha casa e um dia o perguntou-me sobre ele e eu lhe disse que agora ele estava no céu. Na hora veio-me a cabeça que meu filho nunca conheceria meu pai e acabei por chorar e o vi sair correndo. Pensei que pudesse ter lhe assustado e o segui até seu quarto, o miúdo estava a procurar por algo. Quando encontrou veio até mim e deu-me um avião de brinquedo, disse que era para eu usar para buscar a meu pai. Naquele momento eu entendi que posso encontrar meu pai em meu filho, pois cada gesto do tens um pouco de meu pai, porque em cada gesto meu, também. O sou eu e eu sou meu pai, assim como seu pai está em ti, nos teus irmãos e um dia você o verá nos seus filhos.
- Você tá tentando me animar ou me fazer chorar de novo? - perguntou soluçando e rindo ao mesmo tempo, fazendo o jogador se aproximar, para secar suas lágrimas.
- Se dependesse de mim só te veria chorar de alegria, .

Exausta, acabou pegando no sono, ficou por um tempo a olhando dormir tranquila, como se algo tivesse finalmente se libertado de dentro dela. Muitas vezes ele se viu sozinho, longe de sua família e amigos e gostaria que alguém tivesse feito por ele, o que ele tinha feito por ela. Sabia que encontrariam um tempo na semana para conversarem sobre a noite anterior, por isso que com cuidado se levantou da cama, indo até as grandes janelas para fechá-las e desligou a tv.

Antes de sair do quarto, se aproximou da mulher, dando um beijo em seu rosto e pegou a bandeja com o resto do sorvete para levar de volta à cozinha antes que estragasse. O celular dela vibrou mais uma vez.

- Tá tudo bem? - Gareth apareceu no corredor, pegando a bandeja da mão do amigo.
- Ela voltou a dormir. - disse trocando um olhar com Gareth, era estranho estar na casa dele, eram colegas de time, mas nunca foram amigos a ponto de estarem na casa um do outro - Sabes qual dos irmãos da que ela tem mais afeição? Não consigo lembrar-me dos nomes todos.
- O Carter, por quê?
- Podes me dar o número dele?

(...)

ria sozinho, ele vinha fazendo isso desde segunda, quando seu amigo Ricky disse que precisava falar com ele com urgência. Ao sair da casa de Bale no dia anterior, foi até a casa de sua mãe buscar o filho para passar o resto do seu domingo com ele, mas na segunda, assim que acordou, o amigo já estava chegando em sua casa com Miguel, para não só ver o presente que eles tinham ajudado a tornar realidade, como para que Ricky pudesse contar tudo que tinha ouvido a fisioterapeuta dizer, e desde então o jogador não sabia fazer outra coisa a não ser gargalhar.

No começo ficou confuso, nunca tinha dado nada a entender que teria outra preferência sexual que não fosse ela, mas ao lembrar das inúmeras vezes em que mencionou Miguel em uma conversa duvidosa o fez chorar de rir como há muito tempo não fazia. Finalmente tudo que via de “estranho” na mulher parecia fazer sentido.

Para muitos, algo do tipo poderia ser uma ofensa, mas ele não estava nem aí, pelo contrário, só fazia seu encanto pela mulher crescer ainda mais, sentia-se mal, pois desde que soube o que ela de fato achava dele, aproveitou para se divertir às custas da mulher. Havia pedido sua opinião sobre a roupa que usava, especificando que era para um encontro com Miguel, omitindo o fato que a esposa e o filho do homem estariam presentes.

Como o time todo estava de folga, estava dormindo no Valdebebas para colocar seu projeto em prática e isso estava acabando com o jogador, já que não via a hora de vê-la e acabar com o mal entendido o mais rápido possível. Ainda preocupado, tinha enviado flores e sorvete para que fossem entregues a ela e só então conseguiu ouvir novamente sua voz, que parecia bem mais animada do que da última vez que a vira.

agradecia mentalmente a folga que tivera com o time, já que não só conseguira montar sua sala de teste de performance com a ajuda de Jaime e Javi, que iriam acompanhar todo o processo, como também tinha ficado longe de , evitando a conversa que precisavam ter. Não aguentava mais a confusão dentro de sua cabeça, tinha certeza que o homem ia beijá-la e nem dois dias depois pediu conselho sobre que roupa vestir pra sair com Miguel.

Odiava perder o controle de suas emoções e se via numa montanha russa há semanas, tinha ido a Madrid para ajudar um amigo e acabou por conseguir uma oportunidade única, não queria desperdiçá-la focando seu tempo analisando demais uma situação.

Riu de si mesma, já que embora quisesse certezas e focar somente em seu trabalho, estava olhando há tempo demais a nova foto que tinha postado, ele estava só de cueca embaixo do chuveiro, no que parecia ser a gravação de um comercial para sua marca.

- Ei , estás ocupada? - ouviu a voz do jogador perto demais e acabou deixando o celular cair no chão.
- Não, não... Sim, quer dizer, tô sim. - disse pegando apressada o aparelho antes que o jogador chegasse nele. - Tudo bem?
- Sim e contigo? - perguntou curioso, vendo a mulher bloquear a tela e colocar o aparelho no bolso.
- Ah eu recebi uma mensagem e quando fui ver estava no Instagram há dez minutos. - disse tentando disfarçar, fazendo o jogador concordar e observar o local.
- Então aqui estás teu projeto, o que são todas essas coisas?
- São alguns dos testes, outros preciso de espaço então vamos fazer em campo. Essa plataforma você já deve conhecer, ela calcula uma série de variáveis bilaterais, capturando assimetrias de força nas fases excêntrica, concêntrica e de pouso. No geral todo mundo usa a plataforma única, essa é nova e eu consigo analisar uma perna de cada vez também, às vezes uma está mais fraca que a outra e acaba prejudicando a performance. - concordou impressionado, às vezes esquecia o quanto ela sabia de sua profissão, talvez em breve fosse saber mais sobre seu corpo do que ele mesmo.
- Interessante, estou curioso para ver meus resultados, quando podemos começar?
- Eu preciso ver com o clube na verdade, eles vão vir aqui essa semana e vamos traçar um objetivo.
- Quero ser o primeiro, .
- Tá certo. - riu ao notar o tom profissional do jogador - Acho que você tem esse direito, já que é o responsável por isso existir. Vou mandar mensagem no grupo com o que preciso de todos e você me responde quando pode me dar algumas horas do seu dia. - não pôde evitar o que veio a seguir.
- Tá certo, vistes a foto que postei hoje de manhã? - perguntou prendendo o riso.
- Foto? Não, qual foto? - perguntou morta de vergonha, se aproximando do jogador que estava com o celular em mãos.
- São dos photoshoots que fiz para as minhas marcas. Essas são de minha nova coleção de underwear.
- Ah, nossa, ia morrer de vergonha de ficar assim na frente desse monte de gente.
- Estou acostumado, escolhi gravar com essa, pois o Miguel disse que combina com meu tom de pele, o que achas? - o jogador perguntou sério, observando a mulher de canto de olho, sem saber se conseguiria se manter daquela forma por muito tempo.
- Se o Miguel gostou dessa azul... Ele deve saber né?
- Estou a perguntar pra ti agora - se aproximou dela de forma perigosa - Qual gostas mais? - perguntou fazendo com que ela pegasse o aparelho de suas mãos e se posicionou ao lado dela, de forma a segurar de leve em sua cintura.
- Hm, eu… - tossiu desconfortável, não só tinha a mão do jogador em sua cintura, como praticamente podia senti-lo respirar em seu pescoço.
- ? - Jaime entrou na sala, fazendo os dois dispersarem e ir em direção ao fisioterapeuta morta de vergonha.
- Vou deixar-lhes trabalhar.

Assim que saiu da sala, chorou de tanto rir.

(...)

Luka e Toni observavam a fisioterapeuta há algum tempo, estava sentada no mesmo lugar desde a hora em que chegaram para treinar, já tinham almoçado e ela ainda parecia ocupada e estressada com alguma coisa.

- Vou buscar alguma coisa pra ela comer. - Modrić falou voltando ao refeitório e o outro só assentiu.
- E aí, alemão? - tocou no ombro do homem, que o encarou divertido.
- Achava que você era mais rápido, hein? Tá doido, depois os alemães que são frios.
- Por que diz isso? - perguntou confuso e viu o homem voltar seu olhar pra - O que há de errado com ela? É por conta do pai?
- Você sabe? - Kroos o encarou surpreso - Retiro o que disse, foram dois anos pra saber a história toda e você já sabe... Não tão juntos por que ainda?
- Tu realmente és a nosso favor?
- Você não tá vendo ela ali? Aquela é a profissional, parece um robô, até esquece de comer quando alguma coisa dá errado, se a gente não tivesse fisio agora ela ficaria ali até resolver o problema... Conhece alguém assim? - o homem deu de ombros - Vocês não poderiam ser mais diferentes... mesmo sendo completamente iguais, sei lá, só achei que combinavam e ainda acho que estou certo.
- Também acho que estás. - confessou encarando os próprios pés com um sorriso de lado.
- Ah garoto. - Kroos bateu no ombro do jogador e os dois trocaram um comprimento - Assim que se fala, sou muito foda mesmo.
- Devo ir falar com ela?

Os dois viram Luka se aproximar da fisioterapeuta com uma salada de frutas e um café e ela sorriu pro amigo, dando um beijo em seu rosto.

- O Luka conhece ela como ninguém.

As palavras do alemão, não saiam da cabeça de , eles tinham passado o dia todo se preparando para o jogo que teriam no dia seguinte contra o Osasuna e agora podiam relaxar nas dependências do Valdebebas. A partida era fora de casa, portanto seguiriam para Pamplona no dia seguinte em busca da liderança na La Liga, mas apesar de completamente focado em seu trabalho, ainda pensava em . Ela tinha passado o dia todo imersa em seus computadores e durante a sessão de fisioterapia que tiveram, conversou com todos, mas a todo momento voltava a murmurar números para si mesma.

Desde o domingo passado vinham se falando todas as noites por telefone antes de dormirem e era algo que ele já tinha como um dos pontos favoritos do seu dia, mas com ambos estando no mesmo local, antes de se retirar para seu quarto de vez, decidiu procurar pela mulher para conversarem pessoalmente e não se surpreendeu ao entrar em sua sala, dando de cara com ela dormindo com a cara no computador.

- Ei, . - disse baixinho, tocando de leve no ombro da mulher para que ela não se assustasse.
- Hm - a mulher abriu os olhos e logo fez uma careta, levando uma das mãos ao pescoço. - Eu dormi. – constatou, tirando um sorriso fechado do jogador.
- Dormiu. - disse simplesmente, se agachando para que seus olhos ficassem no mesmo nível - Vem, te acompanho até seu quarto.
- Não, tá cedo ainda. - afirmou olhando o relógio e ouviu o homem rir quando constatou que já era tarde da noite. - Nossa, a última vez que olhei no relógio eram 7 horas ainda.
- Precisas desligar isso tudo?
- Não, mas acho que vou ficar aqui mais umas horas, amanhã a gente só começa mais tarde.
- , passastes a semana toda trabalhando nisso, depois de uma semana difícil pra ti.
- Ma…
- O que comestes hoje?
- Eu não tô com fome. - respondeu sincera, mas reconhecia que tinha também um pouco de birra em seu tom - Eu comi uma salada de fruta na hora do almoço. - confessou ao ver que ele não ia desistir.
- Precisas descansar, , semana passada já estavas estranha por conta de seu pai, nessa semana que devia ter descansado, passastes o tempo todo aqui. Sei que teu projeto é importante, sou o mais interessado nele, mas se ficares doente não vai ser pior?
- Odeio quando não tenho razão. - disse tirando uma risada do homem e suspirou fundo, antes de se levantar. - Vai mesmo me acompanhar até a porta de casa?
- Como um bom cavalheiro. - riu, dando o braço pra mulher - Tens falado com teus irmãos?
- Sim, liguei pra eles quando acordei no domingo e temos nos falado todo dia, minha mãe também. Está tudo bem de novo, quer dizer, o Carter me fez umas perguntas engraçadas. - Como assim? - o jogador riu sozinho.
- Não sei, só parecia que ele sabia de algo que eu não. - deu de ombros vendo o homem assentir. - Quer entrar?
- Quero que descanses.
- Eu vou, prometo. - disse rindo do tom de - Vou tomar um banho e direto pra cama.
- Dormes aconchegada, gira. - falou passando o dedo de leve no nariz da mulher.
- Eu gosto quando você fala coisas no seu português, é diferente.
- Diferente como?
- Se eu falar o que eu acho, nunca mais vou escutar o fim disso. - riu, fazendo o outro a acompanhar - Boa noite, .
- Boa noite, . - o homem viu ficar na ponta dos pés pra alcançar seu rosto e ele aproveitou para puxá-la pra um abraço.

Quando a porta se fechou, fechou os olhos frustrado, era o momento perfeito e ele não tinha feito nada.

- De amanhã não passa. - disse a si mesmo, indo para seu quarto.

(...)

O sol entrando pela persiana entreaberta foi a primeira coisa que viu quando abriu os olhos naquela manhã, a segunda foi uma silhueta masculina em sua varanda particular que a fez franzir o cenho, era .

Saiu da cama ainda cansada, sentindo seu corpo pedir por mais um tempo sem fazer nada, mas sua curiosidade era maior. Abriu a persiana por completo e se odiou por sorrir da forma que o fez ao ver a mesinha de centro com um enorme café da manhã, ou pequeno-almoço, como diria o homem à sua frente.

Ele usava a roupa de treino do time e não poderia estar mais gostoso, bateu no vidro para chamar a atenção do jogador e riu ao ver que o tinha assustado, mas estava tão presa na cena à sua frente, que se esqueceu completamente do pijama curto de seda que usava, mas não, foi a primeira coisa que reparou, depois do sorriso dela. Muito se dizia das coxas dos jogadores de futebol, mas as coxas de mereciam muito mais do que apenas uma rápida olhada.

- Isso são horas de invadir o quarto das pessoas? - disse ao abrir a porta de sua varanda, mas só colocou parte do corpo pra fora - Como você entrou aqui?
- O Isco - se explicou - Ele estava com medo de que ficasses brava com ele.
- Se fosse qualquer outra pessoa, eu ficaria. - deu uma piscadinha pro jogador - Eu vou me trocar rapidinho e já venho.
- Sem pressa.

A fisioterapeuta correu pro banheiro se arrumar e por conta do tempo que ainda não estava dos melhores, colocou sua roupa de yoga, já que pretendia praticar antes de irem para o aeroporto e o casaco que tinha ganho do jogador.

- Serviço de quarto? - disse se sentando ao lado dele, dando um beijo demorado em seu rosto.
- Siiiii. - disse rindo - Quis fazer isso por ti em seu primeiro dia em campo. Estás nervosa pra hoje?
- Um pouco, eu vi uns vídeos da Eva, eu espero que eu não entre, mas se entrar, que não seja vaiada ou nada do tipo.
- Talvez lhe digam coisas que não gostarias de ouvir.
- Ah, isso eu já estou acostumada, se você soubesse o que já ouvi nessa vida. Muito pouco me afeta quando estou trabalhando.
- Fico feliz de saber.

observava o jogador sem acreditar como ele podia ter feito tanto por ela em tão pouco tempo, ainda não entendia o que ele via ou queria com ela, tinha dias e momentos que tinha certeza que ele estava interessado nela como mulher, em muitos outros parecia que ele fazia questão de afirmar que tinha um relacionamento com Miguel. Nunca vira tanto sentido na frase “tão perto, mas tão longe”.

Naquele momento mesmo, estavam tão próximos que suas pernas se tocavam, seus braços se esbarravam e seus olhos não desviavam dos seus. A boca do jogador parecia sempre tão convidativa e ele estava ali, na sua frente, lindo e cheiroso como sempre. O cuidado que ele tinha com ela era uma das coisas que mais gostava nele.

se virou no pequeno sofá, ficando de frente para o homem que continuava sua história sem nem ter ideia do turbilhão de pensamentos que preenchiam sua mente. Era isso, ela precisava saber.

- - sussurrou baixo o suficiente para ser quase imperceptível, mas alto o bastante para que ele parasse de falar. - Obrigada. - disse simplesmente e ele pareceu entender o que aquela palavra carregava - Às vezes eu fico pensando no que tudo isso pode significar, mas a verdade é que eu cansei de entender, de pensar. Eu só preciso... saber.

- O que queres saber? - se virou de frente pra mulher, curioso.

nada disse, ao invés disso ela deixou que suas ações falassem. Em um curto impulso, se ajoelhou no sofá, inclinando seu corpo em direção ao jogador que a encarava diretamente nos olhos, hipnotizado por sua atitude. Ela estava quieta, mas ele sabia o que ia acontecer e estaria mentindo se não tivesse sentindo seu corpo tremer em antecipação.

Quando a mão de tocou seu rosto, ele não se segurou, levou suas duas mãos ao rosto da mulher, a puxando para si, e a beijou como há muito tempo vinha sonhando em fazer. Beijar a mulher era ainda mais gostoso e envolvente do que ele poderia ter imaginado, ela não apenas beijava, ela se doava por inteiro e aquilo fez com que tivesse a confirmação do que sempre soube; beijar era como ver toda sua vida passar em um instante e saber que você nunca mais seria o mesmo, se não estivesse ao lado dela.
Era ela, por inteiro.

Com leveza, o jogador a virou, para que ela se sentasse em seu colo sem deixar que seus lábios se partissem, ele precisava de mais e queria muito mais. Passou seus braços pelo corpo da mulher, grudando seu corpo ao dela, sem querer descobrir como seria quando aquele beijo acabasse. Estava completamente envolvido nas carícias que os lábios da mulher o faziam sentir.

Por que a boca dele tinha que ser tão convidativa? A forma que ele a segurava fazia com que se sentisse protegida, os braços do jogador pareciam dizer que, contanto que ela ficasse ali, tudo sempre estaria bem, e como gostaria de ficar ali pra sempre. Tudo que os dois queriam era que aquele momento nunca mais terminasse, porque um beijo como aqueles não merecia ser esquecido, um beijo como aquele, devia ser repetido.

abriu os olhos e sorriu, fazendo com que o jogador mordesse seu lábio inferior em desejo. também abriu seus olhos e os lábios inchados da mulher foram a primeira coisa que eles viram, e então levou seu olhar ao dela e ele viu algo que o assustou na mesma proporção que o acalmou, ele se viu ali, preso naquele olhar.

- … - o jogador disse fechando os olhos por tempo suficiente para que a mulher interpretasse tudo errado.
- Desculpa, eu não quis… - se levantou do colo do jogador, assustada - Eu não deveria... - ela dava passos para trás, o desespero crescendo dentro de si - Me desculpa, o Miguel, eu… acho melhor eu ir.

No segundo que fechou os olhos, se arrependeu de ter sido impulsiva, tinha dito a si mesma que iria perguntar a real pra ele, mas não estava mais aguentando aquele sentimento preso dentro de si com ele sempre sendo tão maravilhoso com ela. E agora ela seria a pessoa que o fez trair o namorado.

- Eu não sou gay. - Ouviu o homem dizer apressado no momento em que ela colocou a mão na maçaneta e seu corpo pareceu congelar. A mão do jogador tocou a sua e pode sentir o corpo dele encostar ao seu, a prendendo contra a porta.
- Você não é gay? - a mulher repetiu o que ele tinha dito, como se precisasse ouvir de novo aquelas palavras.
- Se soubesses o que passa em minha cabeça quando te vejo, ... - se aproximou ainda mais dela, sussurrando em seu ouvido - Saberias há muito tempo que não.
- Mas o Miguel... você chama ele de Paixão!!! - se virou pro jogador surpresa e deu um passo pra trás e então começou a rir.
- Paixão é o sobrenome dele, , Miguel Paixão. - disse ainda rindo, ela podia ver lágrimas no rosto do jogador. levou uma mão ao rosto da mulher e a outra para sua cintura - Ele é casado e tem até filho, gira.
- Mentira??
- A Nana estava até em meu aniversário. Agora entendi porque estavas sempre a perguntar dele e com esse sobrenome, entendo porque que tenhas ficado confusa.
- Mas... Eu te chamei de gostoso, , na cara dura. - abriu a porta, voltando para seu quarto e o jogador a acompanhou.
- Só dissestes porque achavas que eu era gay? - ele tinha um sorriso permanente no rosto.
- Sim... Não. Meu Deus, você deve ter me achado uma tarada oferecida, enquanto eu tava achando que ia ter um melhor amigo gay. Que vergonha! - colocou as mãos no rosto, sem coragem de encarar o jogador que a olhava com ainda mais encanto.
- Então não me achas interessante? - o jogador perguntou divertido, gostando de ver aquela versão da mulher.
- Eu acho que você já sabe essa resposta, eu... me sinto uma idiota. Peraí, e o encontro que você tinha com ele? E a foto que ele escolh... Há quanto tempo você sabe? - a mulher colocou a mão na cintura e o encarou chocada ao se dar conta do fato.
- Desde segunda... O Ricky meu amigo ouviu sua conversa com o Bale no dia do meu aniversário. Se não estivesses a trabalhar eu teria te dito isso no mesmo dia, mas estavas ocupada e decidi divertir-me um pouco.
- Nossa, que sacanagem… - riu de si mesma - Desculpa, eu às vezes tinha certeza que você era, outras que não, mas não ia simplesmente perguntar isso pra ninguém.
- - sabia que ela estava nervosa com a descoberta - Não importo-me com isso, a verdade é que fez-me gostar ainda mais de ti. Nunca conheci alguém assim antes, tão espontânea e divertida, inteligente e madura ao mesmo tempo. A cada dia que passa me surpreende e encanta mais.
- Tem certeza que é de mim que você tá falando? - perguntou brincalhona, tirando o casaco que usava, de repente completamente alerta ao fato de que estava somente com um top. Tinha muitas vezes ficado assim na frente dele, mas agora as coisas pareciam... diferentes.

não conseguia fechar o sorriso que tinha no rosto, acompanhou com o olhar quando ela foi para o quarto e voltou usando uma regata.

- Tudo bem. O que a gente faz agora? - perguntou ainda parada na saída do quarto.
- Agora que sabes que não tenho relacionamento algum com o Miguel ou qualquer outra pessoa, homem ou mulher... Eu vou beijar-te de novo.

se aproximou novamente dela e conseguiu deixar escapar uma risadinha, antes de ter seu corpo empurrado de leve contra a parede e ter os lábios do jogador novamente nos seus. A forma que ele a beijava demonstrava todo o desejo que sentia por ela naquele momento, nunca imaginou que um dia estaria aos beijos com em seu quarto, mas enquanto sentia pequenos beijos e mordidas sendo distribuídos em sua mandíbula, ela teve uma única certeza... Ele definitivamente não era nada gay.

- Preciso ir… - murmurou ocupado demais beijando o pescoço da mulher - És tão linda, , ficaria aqui o dia inteiro se pudesse, mas estou atrasado. - ele riu de si mesmo - Linda, ela me faz fazer coisas que nunca fiz na minha vida.
- O que é isso?
- Uma música que me veio a cabeça agora pensando em ti, nunca me atraso pra nada e no primeiro beijo que lhe dou, já perdi a hora.
- Desculpa, eu… - foi calada com mais um beijo rápido do jogador.
- Não me importo, hoje à noite, depois do jogo, sentas comigo no avião? - perguntou enquanto pegava seu telefone que tinha deixado na varanda - Quero que me contes todas as vezes que teve certeza que eu gostava de homem.
- Eu nunca vou ouvir o fim disso, vou? - o questionou, caminhando até a porta de seu quarto.


estava atrasado, mas vendo o sorriso tímido da mulher à sua frente e sabendo que ainda o veria por muito tempo, assim de perto, foi o suficiente para que ele a pegasse no colo, para um último beijo antes de correr para se encontrar com o restante do time.

Se antes ele já achava que ela era única, agora ele sabia que tinha encontrado o seu mais novo 7 da Sorte. O único que ainda faltava, o do amor. 💕


Capítulo 8

- Ele não é gay! - disse apressada, ao entrar no quarto de Alaina Zidane.
- O quê? - a assistente técnica perguntou, olhando pra fora do corredor, confusa, antes de encarar o furacão que tinha passado por sua porta adentro. - Quem não é gay?
- Como quem, Lena, o ! - disse em tom de obviedade e a francesa a encarou completamente perdida.

estava um turbilhão de pensamentos, ainda se arrepiava só de pensar nos beijos que trocou com , agora não só tinha o perfume dele preso em suas roupas, mas o cheiro e gosto do homem em sua pele. Ainda não conseguia acreditar como tinha sido cega por tanto tempo acreditando que ele não gostava de mulheres.

Em sua defesa, relembrou os momentos em que teve dúvida e constatou que seus motivos eram válidos, ao menos era o que dizia repetidamente a si mesma ao pensar em como seria a reação dos jogadores se descobrissem o que ela realmente achava do camisa 7.

finalmente ouviu Lena explodir em uma gargalhada contagiante e a encarou entediada e divertida ao mesmo tempo, demorou, mas a mulher finalmente conseguiu segurar a crise de riso que teve.

- Eu não acredito que você achava que ele era gay. Você percebeu a forma que ele te olhava no aniversário dele?
- Bom, sim. - retrucou sentindo-se tola - Mas as provas estavam todas a meu favor, ele chamou o cara de Paixão no telefone, como eu ia saber que esse era o sobrenome dele? Aliás, quem tem o sobrenome Paixão? - gesticulou exagerada - Quando fui na casa dele no ano novo, o Miguel abriu a porta com cara de sono e disse "O tá dormindo ainda, fomos pra cama tarde".
- Mas eles são praticamente irmãos, cresceram juntos.
- Exatamente por isso, Lena, toda essa amizade podia ser um disfarce para ficarem juntos. Não é uma ideia tão descabida assim. - encarou a assistente técnica, em dúvida de suas próprias palavras. - Ou é?
- Bom, por um lado…
- Ahá! Se você entendeu meu lado, espero que o também.
- Era isso que você ia me dizer aquele dia no seu quarto? - viu a outra assentir - Peraí, como você descobriu que ele não joga pro outro lado?
- A gente se beijou. - soltou, para a surpresa de Alaina.
- Eu sabia que isso ia acontecer, vocês fazem um casal lindo.
- Calma aí também, né? Foram só uns beijos depois dessa revelação bombástica, vamos ver o que vai ser… Ainda não terminei meu test drive. – completou, rindo de si mesma.
- Enquanto isso você deixa rolar.
- Sim, e com aquele corpo... Quero rolar na cama, de preferência. - deu uma piscada pra Alaina e as duas acabaram rindo juntas.

O jogo contra o Osasuna foi ainda melhor que o esperado, o Real Madrid ganhou de 3-1, passando o Barcelona na tabela e alcançando o desejado primeiro lugar na La Liga. Após um jogador do time adversário se machucar de forma preocupante em um confronto com Isco, marcou aos 24 minutos do primeiro tempo e estaria mentindo se naquele dia não estivesse jogando com uma motivação a mais. Tinha finalmente beijado , que estava pela primeira vez junto a equipe técnica. Claro que seu foco era no jogo, mas assim que entrou em campo, a procurou com o olhar e sorriu. Gostou de saber que ela estava ali.

No segundo tempo, Benzema corria em direção à grande área, quando foi empurrado pelo adversário; a bola pareceu encontrar Isco com facilidade, que acabou marcando o segundo gol para o time. Lucas, com assistência de Marcelo, garantiu a vitória já nos minutos adicionais, colaborando com o bom humor de todos no vestiário e por todo o caminho de volta.

(...)

- O Marcelo?
- Não, .
- O Bale? Já sei, o Kroos, ele é loirinho, olho azul? - continuou e negou, rindo do jeito da mulher.
- Não, não e não.
- Poxa, nem o Sergio?
- O que tem ele?
- Ah ele é gostoso pra caramba. - deu de ombros, tirando uma careta de .
- , não sinto-me atraído por nenhum de meus companheiros de trabalho, já você…
- Não é atração, é só a realidade. Faz parte do meu trabalho ver todos vocês praticamente nus, claro que ninguém ganha de você, mas não sou cega. - respondeu sincera e o jogador, mesmo lisonjeado, não conseguia parar de rir.
- Aliás, há uma pessoa que acho...interessante.
- Quem?! - ela se virou empolgada para , que tirou a atenção da rua para encará-la por um segundo.
- Você. - respondeu em tom de obviedade.
- Poxa, a teoria da minha mãe tava errada. - estava decepcionada demais para prestar atenção no que tinha acabado de ouvir.
- Sua mãe também estás a pensar que gosto de homens?
- Bom, sim, mas a culpa é minha. Ela leu nossas conversas do Natal e pensou que você pudesse ser bissexual. - ao dizer isso, acabou rindo da gargalhada que soltou - Tá vendo, pelo menos estou te fazendo rir o tempo todo.
- Como nunca, gira.

Sem se aguentar, colocou a mão na perna de , apertando de leve, já que no momento era a única coisa que podia fazer. sentiu um arrepio tomar conta de seu corpo e colocou sua mão em cima da dele e foi a vez do jogador de ter a mesma sensação, com um simples gesto dela. Ele mal podia esperar para descobrir como seriam juntos.

Os dois estavam a caminho de La Finca em seu carro, não tinham tido privacidade alguma para conversar sobre tudo que aconteceu de manhã e aquele era o primeiro momento que tinham a sós.

- Obrigada, . - desceu do carro, quando o jogador abriu a porta para ela - Sempre um cavalheiro. Quer dizer, era o que eu achava, agora não sei se era assim só porque estava tentando me conquistar.
- Tinha o interesse, mas nunca vou deixar de tratar uma mulher como se deve, , ainda mais a ti.
- Certo. - respondeu se dando conta que não sabia muito bem como agir.
- Eu queria muito conversar contigo, mas preciso fazer minha recuperação e já estás tarde, posso te ligar amanhã?
- Pode. - ele se aproximou de , ainda tentando se convencer que aquilo estava realmente acontecendo. Num ato despercebido, passou a língua pelos próprios lábios, que fez com que ela acabasse com o espaço que tinha entre eles e o beijou.
- Boa noite, gira. - disse, dando um beijo na testa dela.
- Boa noite, .

Quando o jogador já tinha descido os degraus, o chamou, fazendo-o se virar para ela.

- Nos vemos noutra altura. - ela riu, acenando para ele.
- Estás a imitar meu sotaque?
- Um bocadinho. - respondeu rindo e podia jurar ter sentido seu coração pular uma batida ao ver o sorriso dela para ele.

Sem se aguentar, subiu os degraus da escada de Gareth de dois em dois e assim que chegou ao topo, envolveu seus braços nela, tombando seu corpo, para então beijá-la mais uma vez, antes que aquele dia se acabasse.

- Dormes aconchegada, . - disse, antes de dar um último beijo nela.
- Eu gosto quando você fala isso.
- Eu percebi. - ele falou e deu uma piscadinha convencida, antes de ir embora pra valer.

Enquanto seguia para seu quarto, com o telefone já na mão, pronta para ligar para sua mãe, descia do carro cansado, mas feliz. Sempre que os jogos eram fora de casa, ele fazia sua recuperação pós jogo no próprio clube, já que perdia muito tempo no avião e sabia da importância de fazer os exercícios em até duas horas do final da partida.

Mas naquele dia, ele precisava passar o maior tempo possível ao lado da fisioterapeuta e mesmo quase perdendo a janela ideal para começar seus exercícios, pulou na piscina de sua casa para nadar por 20 minutos, antes de pular na piscina gelada para terminar aquela noite. Sabia que não seria sempre assim e podia se dar ao luxo de atrasar um pouco uma vez na vida.
De madrugada, já pronto para dormir, se viu encarando o teto e rindo sozinho. Mal podia esperar para ter em seus braços novamente.

(...)

se sentia um pouco tolo, sabia que era cedo demais para isso, mas ao mesmo tempo não queria parecer insensível. Já tinha feito o caminho até a sala de algumas vezes, mas sem encontrar a coragem necessária de fazer algo, que até dias atrás faria sem pensar.

- Ei, bom dia - sorriu ao ver o jogador entrar em sua sala.
- Ei guapa, buenos dias. - apoiou a mão na mesa para dar um beijo rápido na fisioterapeuta.
- Vai me acostumar mal desse jeito.
- Quero acostumar-te bem. - disse, olhando para a porta.
- Ninguém vai vir aqui agora. - ela se levantou da cadeira, passando os braços pelo corpo do jogador, que levou suas mãos para sua cintura. - Tá tudo bem? Você parece um pouco nervoso.
- Sabes que dia é hoje?
- Se eu sei? - levou os olhos para as flores em sua mesa, pegando o cartão para mostrar a ele - Eu sou viciada em datas comemorativas, adoro presentear as pessoas e minha família sabe disso. Meus irmãos sempre mandam flores e minha mãe me dá alguma massagem zen. - riu dando de ombros. - Ah! - exclamou ao perceber o porquê do jogador estar tenso.
- Tenho algo pra ti. - tirou do bolso uma pequena caixa e entregou a .
- Eu não acredito! - exclamou feliz ao ver a pulseira que tinha o símbolo do infinito, cravejado com um pequeno brilhante - Como você… Não, não tem como. - disse mais para si mesma, fazendo o homem a encarar confuso - Eu amei, , de verdade. - disse, já colocando o acessório no pulso. - Obrigada!
- Estava com medo de levar outra bronca de ti, sei que estamos ainda a nos conhecer, mas não...
- Tá tudo bem, . A verdade é que eu também comprei uma coisa pra você. Depois da nossa conversa, eu percebi que se for pra ser quem eu era quando achava que você era gay, isso faz parte do pacote. - disse pegando o pequeno embrulho que tinha feito pra ele.

e se encontraram nos dias seguintes ao primeiro beijo, ela tinha ido à casa do jogador enquanto seu filho estava na escola e treinaram juntos na academia que ele tinha em casa. Apesar de saber para que eram, nunca tinha feito pilates antes e foi divertido ver o jogador a ensinar usar alguns de seus aparelhos. Gostava que tinham isso em comum e em meio a risadas, exercícios e suor, aproveitaram e muito a presença um do outro.

Embora estivesse se divertindo, sentia-se retraída. Desde que descobriu que o jogador não era gay, percebeu que estava se segurando nas coisas que falava, afinal, antes não tinha a menor intenção de agradar a ele como mulher, apenas como amiga, mas agora estava sempre consciente de suas ações e até mesmo de suas piadas. Algo que não passou despercebido pelo jogador, e quando finalmente sentaram para conversar, se abriu com ele.

- Não quero que fiques com vergonha de ser quem és, , foi exatamente por ser desse jeito que me interessei por ti.

E era por isso que ela tinha comprado algo para ele de Dia de San Valentin. Nos Estados Unidos a data era comemorada não apenas entre namorados, mas por pessoas que se amavam. Ela havia preparado um café da manhã para Bale e tinha entregue uma cesta de guloseimas para as Famílias Modrić, Kroos e Kovacić. Isco ganharia uma massagem surpresa e para ela tinha pensado em algo mais divertido.

- Estás a me dar meu próprio perfume? - ele questionou divertido, olhando a caixa preta e azul com detalhes em ouro rose, da edição especial de seu perfume Legacy.
- Quando vi seu post sobre ele, eu já sabia que era isso que queria te dar. Talvez não tenha sido a melhor ideia, mas isso entre nós dois é tão novo, não queria que achasse que eu estava pulando algumas fases. - se explicou um pouco tímida e o jogador ao ver o desconforto da mulher, tocou em seu rosto para que ela o encarasse - Mas, quando parei pra pensar em nós, decidi que precisava mostrar como você se tornou especial pra mim, independente de sermos ou não algo mais que amigos.
- Isso é algo que a em busca de um amigo gay diria. - sorriu, colocando a embalagem de lado, para novamente a envolver em seus braços.
- Sim, e eu não queria te assustar, por isso pensei em algo divertido. Quando nos conhecemos na rua do condomínio, você estava usando esse perfume e no aniversário da Lena também.
- Estava com esse aquele dia em seu quarto. - o jogador se lembrou - O que tens esse em especial?
- Você fica ainda mais irresistível com ele. - confessou, levando o rosto para o pescoço do jogador, depositando um beijo no local - O seu cheiro natural misturado a esse perfume é...muito interessante. - ela riu abafado, se aproveitando para distribuir uma trilha de beijos por todo o maxilar de , que a abraçou ainda mais forte, se permitindo focar apenas no que os lábios da mulher o faziam sentir.
Os dois puderam aproveitar um ao outro por alguns minutos, que embora curtos, foram intensos o suficiente para que percebessem o quanto se queriam. estava sentada em sua mesa, ofegante, e ainda em pé, entre suas pernas, beijando e mordiscando seu lábio de uma forma que a fazia ansiar por ainda mais contato entre os dois.

- Eu não sei o que isso vai ser, gira, tudo que eu sei é que não consigo ficar longe de você. - disse, ainda com seu rosto preso ao da mulher - Feliz Dia de San Valentin.
- Feliz Dia de San Valentin, . Obrigada por minha pulseira, esse símbolo significa muito pra mim. - a mulher encarou novamente o objeto, o que fez o homem sorrir suspeito.
- Janta comigo.
- Quê? - o encarou divertida.
- Hoje, como num primeiro encontro. Sei que vais dizer que estamos em concentração, só diga sim.
- Sim. - a mulher sorriu ao ver a empolgação de , que a beijou em resposta.
- Bato em tua porta às 8. - ele piscou divertido e pegou seu perfume, ainda rindo - Não te preocupes, estarei a usar esta prenda.

(...)

, mesmo nervosa, sorriu quando às 19.58 ouviu batidas em sua porta. Já vinha reparando que estava sempre na hora ou até mesmo adiantado, algo que para ela era fundamental. Odiava atrasos. Ao abrir a porta, a primeira coisa que sentiu foi seu perfume favorito, sendo usado pelo homem que pouco a pouco vinha se tornando sua pessoa favorita.

- Eu tô horrível, eu sabia! - soltou, ao ver a cara de para ela, tinha poucas roupas em Valdebebas e tivera que ser extra criativa ao escolher o que vestir. - Em minha defesa, é injusto ser convidada para um primeiro encontro um dia antes de um jogo, sem qualquer aviso. Isso é basicamente tudo que eu tinha em meu armário que não fosse de yoga ou com o logo do Real Madrid - falou por fim, franzindo o cenho ao ver o sorriso no rosto do jogador aumentar.
- Estás muitas coisas, , mas horrível certamente não é uma delas.

não tinha muitas expectativas para o encontro, era de última hora, estavam em concentração e ainda teriam que dormir cedo, mas não queria perder a oportunidade de ter o primeiro encontro em uma data tão especial. O problema é que ele, como sempre, havia subestimado a fisioterapeuta, ela usava um body preto transparente cheio de corações por toda a peça, um sutiã da mesma cor, shorts jeans e uma bota preta. Os cabelos que ele tanto gostava, estavam soltos. Um enorme contraste de como ela se vestia no dia a dia no clube.

- Uau, você preparou tudo isso sozinho? - sorriu ao entrar na residência do jogador e se deparar com o local a meia luz, a tv ligada tocando uma música que ela não reconhecia e a mesa de centro posta para um jantar a dois, com algumas velas espalhadas pelo local e uma rosa branca atravessada em seu prato. - Oficialmente impressionada, g… Eu posso falar giro pra homem? - ela perguntou, se virando para ele, que ainda tinha os olhos presos nela.
- Honestamente, com esta roupa podes me chamar do que quiser, . - respondeu, dando alguns passos em direção a ela.
- Você gostou? Eu uso pra dormir, não usaria isso em um encontro, m… - não conseguiu terminar a frase, já que foi calada com um beijo que fez suas pernas estremecerem.
- Dormes assim?! - perguntou surpreso, sentindo sua calça ficar um pouco mais apertada, ao imaginá-la apenas com aquele body em sua cama. Para evitar piorar a situação, convidou a mulher a se sentar em uma das almofadas que estavam no chão, de frente para o sofá, enquanto tentava pensar em qualquer coisa, menos nela vestindo apenas aquele body.
- Você já viu o nosso uniforme? Não tem auto-estima que aguente passar dez anos usando roupas masculinas. Você sabe que eu amo o que faço, mas a única hora do dia que eu posso ser mais feminina é quando vou dormir. - disse, se explicando - É por isso que adoro vestidos também.
- Não estou a reclamar - disse dando mais um beijo na mulher, antes de servi-los.

Como no dia seguinte teriam jogo, o jantar foi ideal para que o atacante pedisse que seu restaurante italiano favorito em Madrid entregasse algumas opções de saladas, um risoto de limão e um linguado ao mel, que em sua opinião era um dos melhores na cidade.

Enquanto saboreavam a entrada e o prato principal, conversaram sobre o clube e quis saber mais sobre a fisioterapeuta e seu passado.

- Eu nasci em Cleveland, Ohio e morei minha vida toda lá, quando meu pai morreu, eu… precisei de um tempo pra assimilar, sabe? Tinha terminado a escola e fiquei um tempo em casa com meus irmãos, depois fui viajar, o famoso “gap year”. Fui pro Brasil ficar com minha avó na nossa casa de praia, fiz trabalho voluntário na África por três meses e depois fui pra Ásia. Foi nessa viagem que eu decidi que queria voltar um dia pra aprender a medicina Chinesa, sou apaixonada por aquele lado do mundo.
- E desde pequena sabias que queria ser fisioterapeuta?
- Quase isso, meu pai e avô eram ortopedistas, mas eu não me via dentro de uma sala cirúrgica por horas, eu queria algo mais diversificado. Como os dois sempre trataram de muitos esportistas, sempre tinham acesso aos clubes e centros de treinamento. Foi numa visita que eu descobri a fisioterapia. Eu estou falando demais? - perguntou preocupada, tomando um gole de seu vinho, fazendo colocar sua mão em cima da dela, negando com a cabeça.

A conversa continuou por mais alguns minutos, enquanto ambos terminavam seus pratos. quis saber mais sobre o jogador, mas a verdade era que ele adorava quando ela contava mais sobre o seu passado, a forma que ela sorria com os olhos ao se lembrar de algum fato ou pessoa o fazia se sentir como se estivesse lá, junto com ela.

- Eu acho que esse foi o melhor risoto que eu já comi na vida, se não fosse tão tarde eu certamente terminaria o que sobrou. Estava perfeito.

ainda não entendia o que era aquela paz que sentia sempre que estava junto a mulher, tivera muitos relacionamentos sérios no passado e sabia que nunca tinha sentido isso antes. Eles tinham ido para a varanda aproveitar a noite estrelada em Madrid e observava abraçada ao agasalho que ele havia lhe emprestado contando uma história qualquer, quando se viu dizendo a si mesmo “não a deixe escapar”. E ele faria exatamente aquilo.

- Se não fosse a partida de amanhã, teria te acompanhado, és um de meus vinhos favoritos. - o jogador disse ao ver a mulher terminar a taça que havia tomado durante a refeição.
- Não seja por isso. - piscou brincalhona, ainda sentindo o líquido em sua boca, ao passar suas pernas pelo corpo do jogador, que imediatamente levou suas mãos para a cintura dela.

colocou uma de suas mãos em cima da do jogador, e a outra foi para o rosto dele, que tomou os lábios de nos seus, ainda sentindo o gosto do vinho tinto em sua boca. Ele amava como os lábios dela eram macios e viciantes.

Quando suas mãos começaram a passear por toda a lateral do corpo de , ela aproveitou para sentar em seu colo, sentindo sua intimidade encostar na dele, e moveu seu quadril de forma a se ajeitar melhor, o que para foi praticamente tortura, já que se até então vinha se segurando, agora não podia mais controlar o que estava sentindo.

- Nunca mais quero experimentar vinho de outra forma, gira.
- Eu tenho certeza que tem outras formas tão ou mais interessantes. - piscou, chupando mais uma vez o lábio inferior dele, antes de se levantar, não sem antes constatar que o jeans do jogador formava um volume interessante. - Vamos ali no sofá? Prefiro não correr o risco de alguém nos ver aqui.

nada disse, apenas se levantou colocando a mão no bolso para ajustar seu membro, que latejava em desejo pela mulher. Não ajudou o fato dela estar vestindo um shorts justo, que deixava sua bunda ainda mais convidativa e sexy.

Os dois estavam presos entre carícias, beijos e respirações ofegantes. sempre viu o quanto ele era gostoso, mas sentir aquele corpo sob o seu, era uma experiência que ela teria o prazer em repetir. apertava suas coxas, como se dependesse delas para viver, enquanto ela corria suas unhas pelas costas mais que definidas do jogador. Ambos já prestes a começar a tirar as poucas peças de roupas que os separavam, quando um som vindo do celular de os interrompeu.

- Droga. - ela riu abafado - Nessas horas eu gostaria de ser menos certinha.
- O que foi? - perguntou confuso pelo alarme do aparelho, mas sem de fato parar de beijar o colo da mulher.
- Eu coloquei meu celular pra tocar às 22 para me lembrar que você precisa descansar para o jogo de amanhã. Isso… - ela apontou para os dois - Já foi bem além do que você deveria estar fazendo hoje, antes de tudo, estamos aqui pra trabalhar.
- Tens razão. - o jogador se sentou, ainda atordoado, encarando o próprio colo - Preciso de uns minutos… És um furacão, .
- Você se resolve daqui, que eu me resolvo de lá. - disse ajoelhada no sofá, roubando um longo beijo de . - Prefiro que não me acompanhe até meu quarto, caso eu encontre com alguém pelo caminho.
- Tens certeza? - perguntou preocupado e a mulher assentiu. - Ei, … - ele a chamou quando ela já estava na porta, pronta pra sair. - Dormes aconchegada, gira.
- Pode ter certeza que eu vou. - desceu seu olhar para o volume na calça do jogador, antes de morder os lábios e o encarar com os olhos cheios de desejo. - Boa noite, . - falou por fim, jogando um beijo, antes de bater a porta.
- Que mulher! - exclamou sozinho, abrindo os botões de sua camisa, pronto para tomar um banho gelado.

“Dormes aconchegada, gira.”

nunca se sentira tão sexy e ao mesmo tempo cuidada por alguém, em uma mesma noite. Ao chegar em seu quarto, ela se despiu de seus sapatos, shorts e sutiã, ficando apenas com o body que fazia as vezes de pijama. Podia sim se trocar, mas queria dormir com o cheiro, as marcas e o gosto do jogador que estavam presos em seu corpo e sua mente.

E foi relembrando tudo que viveram naquele dia e principalmente naquela noite, que se permitiu deitar na cama e levar suas mãos por todo seu corpo, parando no ponto que implorava por ser tocado. Hoje ela teria que usar suas mãos, mas sabia que em breve um certo camisa 7 poderia terminar o que havia começado.

(...)

Vésperas de jogos eram os dias em que os fisioterapeutas do Real Madrid mais trabalhavam, precisavam se certificar que todos os jogadores estavam prontos e descansados para a partida. Naquele dia, e Jaime ainda iriam trabalhar um pouco mais em Gareth, já que sabiam que o galês ia entrar em campo por alguns minutos e queriam ter certeza que tudo correria bem.

- Você e a Lena pareciam apaixonadinhos como sempre hoje de manhã, já está tudo bem?
estava um pouco triste pelo amigo, pois só ela sabia o quanto ele havia se dedicado a comemorar o primeiro Dia dos Namorados com Alaina, que havia completamente se esquecido da data. Ela mesma tivera que provar suas pizzas, inclusive uma em que a massa ainda estava crua, até ele aperfeiçoar a técnica.

- Já foi, fiquei chateado na hora, mas acho que preciso aceitar que a Lena não é tão romântica quanto eu sou e que tá tudo bem.
- Eu acho que ela compensa em outras áreas, não? Está sempre preocupada com você, já veio conversar comigo sobre sua recuperação. Ela se importa e isso entre vocês ainda é muito novo. Acho que com o tempo você fica um pouco mais desprendido e ela um pouco mais romântica. Faz parte de um relacionamento os dois pegarem os trejeitos um do outro e encontrarem um balanço.
- É, pode ser. Só tive a Emma antes, então é difícil ver essas coisas. Obrigado, . E você e o ? E por favor, me poupe dos detalhes que eu não quero saber.
- Droga - riu, se fingindo de indignada - Estamos nos conhecendo, agora que eu sei que ele não é gay. - acrescentou num sussurro para o amigo, para que ninguém os ouvisse - Vamos ver no que vai dar, mas o meu foco é o trabalho mesmo.
- Eu ainda não consigo acreditar que você achava isso, depois eu que sou o inexperiente. - o galês falou, rindo da amiga - Só não esquece de se divertir um pouco.
- Ah, mas pode ter certeza que eu vou. - piscou divertida para Bale, o liberando da maca - O é o próximo. - ela complementou, rindo da cara do amigo. - O Jaime tá na outra sala te esperando.
- Estas empolgada hoje? Pareces feliz. - perguntou curioso a , os dois não se viam desde o dia anterior.
- E por que eu não estaria? - a mulher mordeu os lábios, olhando descaradamente para as coxas do jogador, o fazendo rir alto. - O que eu posso fazer se isso faz parte do meu trabalho? Não tem nenhum músculo na sua barriga te incomodando, não?
- Tem, mas esses vou deixar para minha fisioterapeuta pessoal cuidar mais tarde. - o jogador encarou profundamente, a fazendo morder os lábios - As mãos dela são divinas.
- As suas coxas que são. - a mulher respondeu baixinho, fazendo morder o próprio lábio.

tentava se concentrar o máximo que podia em não se deixar abalar enquanto massageava e tratava as pernas de . Ao contrário da vez em que tivera problemas por ter as mãos dela nele, agora era ele quem se divertia vendo a mulher completamente focada no seu trabalho, mas ao mesmo tempo perdida em seu corpo.

Era incrível como ela nunca perdia o profissionalismo, mas já podia reconhecer alguns gestos e ações de que mostravam o quanto ela o desejava e isso o fazia ter reações opostas. Como profissional ele estava mais do que focado em sua concentração e na partida que teriam no dia seguinte, mas como homem ele só queria que os próximos dias passassem logo para que pudessem ter novamente momentos a sós, sem pressa e em um local sem o risco de serem pegos.

- Tá pensando no quê? - ela lhe perguntou curiosa, ao ver que ele estava distraído.
- Em ti. – respondeu, deixando a mulher surpresa pela sinceridade da resposta e um pouco tímida - Quando acho que estou a te conhecer um pouco mais, me surpreende. Vais da confiança à timidez em alguns segundos, gira.
- Geralmente é o contrário, eu surpreendendo as pessoas, mas quando fazem isso comigo eu fico com vergonha mesmo. Na semana que vem a gente pode fazer os testes de força corporal? No domingo vocês vão estar ocupados com o regenerativo, mas na segunda eu dei uma olhada e seria o dia ideal, pedi pro Antonio reservar um dos campos pra mim.
- Vou mandar-me um lembrete e confirmo contigo.
- Fala, . - Marcelo cumprimentou o amigo e a fisioterapeuta - Vi que tô contigo hoje, falta quanto pra acabar o ?
- Eu termino em vinte minutos, tudo bem? - questionou, olhando o relógio.
- Pra mim não tem problema nenhum. - Marcelo começou, deixando tenso - O problema é se meu amigo tiver problema com o espaço na mala de novo. - o brasileiro finalizou rindo, antes de sair da sala para voltar mais tarde.
- O quê… - olhava da porta pra sem entender o que o outro tinha dito, até que a ficha pareceu cair - Mentira, você ficou…
- Da mesma forma que tens me deixado todos esses dias.

(...)

Os próximos dias foram cheios para e . A fisioterapeuta não podia estar mais feliz em ver um de seus melhores amigos e uma das melhores pessoas do mundo voltar a fazer o que amava.

Gareth era talentoso e merecia estar em campo, prova disso era o gol que havia feito contra o Espanyol, marcando com ainda mais brilho sua volta aos holofotes. Vê-lo voltar ao Bernabéu foi ainda mais emocionante de dentro do campo. Era quase uma tortura assistir ao jogo sem poder torcer como faria se estivesse no box junto a Frank e Debbie, mas estava agradecida por pelo menos ter tido a oportunidade de ver seu retorno ao vivo.

Naquela noite, o jogador foi jantar na casa dos Zidanes para comemorar o gol e a volta aos campos e ela aproveitou para dormir cedo, há dias que vinha conciliando seu trabalho, projeto e , e estava exausta. Apesar de estar completamente encantada com o jogador, eles se viam apenas quando o filho dele estava na escola ou com a avó e isso complicava ainda mais os horários que podiam ficar juntos.

Após o treino regenerativo no domingo, foi para casa passar o resto do dia com Frank e Debbie. Adorava conversar por horas com os pais de Gareth, e como Alaina estava ocupada com a própria família, os quatro foram jantar na casa de Luka e Vanja Modrić.

Na segunda de manhã, estava no campo combinado com , mas não tinha sinal dela em lugar algum. Podia ver algumas coisas que ele não sabia para o que servia, alguns cones e postes móveis do que parecia ser um percurso em zigue zague.

Logo a mulher chegou correndo e foi impossível não sorrir. Suas bochechas estavam vermelhas e o coque no cabelo estava bagunçado, ele já sabia que a primeira coisa que ela faria, seria arrumar o cabelo.

- Ai desculpa! - falou soltando o cabelo, antes de prendê-lo em um rabo de cavalo - Por que você tá rindo? Eu esqueci os sensores da largada, é rapidinho de conectar.
- Não tem problema, gira. Tenho duas horas só pra ti.
- Eu sei, mas não quero abusar e odeio atrasos. Você dormiu bem? O tá melhor ?
- Acordei meia hora antes de vir pra cá - sorriu culpado pra mulher - Ele tá melhor sim, tomou um remédio ontem e já acordou melhor.
- Fico feliz em saber.

A fisioterapeuta se sentia estranha, estava adorando conhecer melhor ao jogador, mas toda vez que conversavam sobre seu filho, parecia hesitar. Antes de toda confusão ser explicada, ele parecia muito mais aberto em dividir coisas sobre o filho e agora sentia como se estivesse ultrapassando uma barreira invisível e não sabia como agir. Nunca tinha namorado nenhum homem com filhos, mas amava crianças, não sabia o que seria deles dois e muito menos como seria conhecer Júnior.

- Bom, essa vai ser a primeira parte do meu projeto com você, serão quatro fases e essa é a de força corporal. O primeiro passo é definir sua velocidade e agilidade, por isso esses dois percursos. Você vai correr o mais rápido que conseguir em linha reta e depois nesse zigue zague. São apenas 25 metros cada, então acho que não será muito difícil pra você.
- Sim, senhora. - afirmou divertido e ao mesmo tempo impressionado com a seriedade e profissionalismo da mulher.

Após os exercícios, eles voltaram para a sala do clube, onde ela pôde analisar os resultados, enquanto ele passava pelo scanner de corpo para que ela também pudesse ter uma visão completa da musculatura do jogador.

- Cada um é uma peça de um quebra cabeça pra mim, eu preciso ter todos para te ver por inteiro - explicou quando quis saber o que cada teste significava - Lá no campo, o percurso em zigue zague me mostra como você se move quando está jogando normalmente, passando a bola entre vocês. Já o percurso reto, mostra seu corpo durante o contra-ataque. O Bale é ridiculamente rápido, ele consegue desbancar facilmente a maioria dos oponentes e é esse trabalho que quero fazer com vocês. Quero que os laterais corram tão rápido quanto, criando mais oportunidades de gols, e que a defesa, quando estiver do lado do outro time, consiga voltar correndo no caso de um contra-ataque.
- Entendi, e esse que fizemos aqui?
- Esse é um dos mais legais - apertou um botão e apareceu um boneco que replicava as medidas e musculatura do jogador - Esse é você! Eu preciso analisar com calma, mas daqui consigo ver que sua panturrilha esquerda é mais fraca que a direita e isso é algo que com certeza afeta sua performance e iremos trabalhar.

não sabia se estava mais impressionado com ou com o que estava vendo. Tinha feito coisas parecidas ao longo de sua carreira, mas nada tão completo e específico que pudesse ajudar não só a ele, como todo o time a melhorar a performance. Ele só conseguia olhar para a mulher ao seu lado com admiração.

Tivera algumas namoradas ao longo da vida, mas nenhuma chegava aos pés de , ela era linda por fora, mas ainda mais por dentro. Ele percebeu ali que o que mais o atraía nela, não eram suas pernas definidas, o sorriso que ela dava pra ele ou as sensações que tinha quando ela beijava seu pescoço, era a inteligência e a paixão pela profissão.
o encarou confusa, ele estava quieto há algum tempo e se virou para se certificar que ele ainda estava ali, quando seus olhos se encontraram, não pensou em mais nada, apenas em beijar a mulher que vinha virando sua vida do avesso.

- O que foi isso? - se recompôs.
- Sua inteligência me excita.

(...)

Fevereiro estava quase ficando para trás, e com ele o fim do primeiro mês oficial de no clube, porém o que ela não poderia imaginar é que aquele último jogo lhe traria ainda uma surpresa bastante... molhada.

O Real Madrid tinha ido até Castelon para o jogo contra o Villarreal e aos poucos ela ia se acostumando com os torcedores querendo sua atenção, acenou para alguns tímida e Lena riu da fisioterapeuta.

- Você está nessa há mais tempo que eu, nem vem.
- Desde o Gareth isso ficou ainda mais intenso, mas pelo menos até então eles têm sido bastante respeitosos. As crianças são as mais fofas.

Imagino que para as meninas, ver você e eu em campo é algo incrível, querendo ou não estamos abrindo as portas para um mundo ainda muito preconceituoso.

- Girl power! - Alaina brincou, pondo a mão pro alto e imitou seu gesto, rindo.

Aos poucos ia aprendendo que não era só porque o Real Madrid era um dos melhores times do mundo que as vitórias vinham fáceis. O time passou os primeiros 45 minutos sem marcar um gol e o clima no vestiário estava diferente, eles sabiam que precisavam marcar para se manter no topo. Não era sua primeira vez num vestiário e nem a primeira vez num vestiário com um cara com quem ela estava ficando.

Na época em que trabalhou com alguns atletas do New England Patriots, engatou um namoro com Julian Edelman e os dois eram profissionais o suficiente para manter a relação bem longe do trabalho, e assim estava sendo com , mas ainda assim ela queria poder dizer e fazer algo para que o rosto marcado com preocupação se transformasse em perseverança.

O segundo tempo parecia ter passado como um borrão, tamanha era a adrenalina de . O jogo mal tinha completado 10 minutos, quando Casemiro se chocou com um jogador do time adversário e antes que ela sequer pudesse processar o que estava acontecendo, se levantou preocupada, pegando seu kit médico. Jaime disse algo que só depois ela foi descobrir, que foi um boa sorte.

Assim que o juiz pediu que a equipe médica se aproximasse, ela correu para o meio do campo com seus outros colegas e enquanto o médico fazia perguntas a Casemiro, ela abaixou seu meião, examinando rapidamente a pancada que ele tinha recebido em sua panturrilha e prestando atenção em suas respostas.

- Não foi nada grave - ela afirmou assim que aplicou rapidamente sua técnica de ART - Da pra continuar até o fim?

Ao ver o brasileiro concordar, aplicou o spray gelado que continha um anestésico ao mesmo tempo que massageou o local, tentando soltar o nervo para que a dor passasse mais rápido.

Como estavam mais próximos do lado oposto ao do banco, tiveram que dar toda a volta quando o jogo voltou a acontecer, e por mais que o barulho da torcida fosse bastante alto, seu coração parecia bater ainda mais alto.

voltou a se sentar no banco de reservas e Alaina a abraçou de lado em forma de apoio. Isco apertou seu joelho e os dois se entreolharam e deram uma risada.

- Eu não sei como vocês fazem isso todo dia. - disse para o jogador, que bagunçou o cabelo dela em resposta.

(...)

- , estava te procurando, vem cá! - Sergio Ramos encontrou a mulher do lado de fora do vestiário.
- Tá tudo bem?!
- Sim, o Casemiro pediu pra te chamar, a panturrilha dele tá doendo de novo.

concordou e passou a andar ao lado do capitão até o vestiário. Geralmente ela ficava do lado de fora para esperar os homens tomarem seus banhos e só quando todos estavam terminando, ela e Alaina entravam.

Assim que ela entrou no vestiário, estranhou que todos ainda estavam com o uniforme, apenas alguns tinha tirado a camisa.

- Ninguém tá com pressa de ir embora, não?! - perguntou curiosa e no segundo seguinte não viu mais nada.

Todos os jogadores correram em sua direção, completamente suados, e a abraçaram, gritando algo que ela não saberia distinguir, tamanha era sua surpresa. Logo estava sendo jogada com cuidado para o alto e não conseguiu fazer outra coisa a não ser rir junto com eles.

- Ai que nojo! - resmungou divertida ao sentir sua pele grudando com todo o suor e por ter Isco abraçado a ela de lado.
- Você não sabe há quanto tempo a gente estava esperando essa oportunidade. - Sergio Ramos disse rindo e estendeu uma camisa do Real Madrid para ela.

Ainda desconfiada, fez cara de nojo, mas quando notou que a camisa era nova, a levantou curiosa e se emocionou ao ver e o número 1 gravados no que seria a primeira de muitas vezes que ainda entraria em campo para ajudar ao time.

- Eu nem sei o que dizer, obrigada! Obrigada por me darem a oportunidade de estar aqui. - falou se segurando para não chorar e logo foi abraçada pelo grupo novamente.

Ainda rindo sozinha, foi para os chuveiros e encontrou com Lena.

- Girl power uma ova! - resmungou brincalhona com a assistente técnica, já que, claramente, ela sabia do tal plano.

(...)

Todo o time e equipe se encontravam no celular avisando esposas, amigos e familiares que não voltariam para Madrid àquela noite. Uma neblina forte acabou por cancelar o vôo de volta e ao invés de ficarem horas presos num avião esperando o controle aéreo autorizar a partida, preferiram voltar para o hotel e irem para casa no dia seguinte.

Para e o plano era agridoce, aquela era para ser a primeira vez que passariam a noite toda juntos. Seu filho sempre ficava na casa da avó, que era no mesmo condomínio, quando os jogos eram em outras cidades e não viam a hora de avançarem mais uma fase no possível relacionamento. Mas, embora seus planos tivessem sido cancelados, conseguiram fugir quase despercebidos para a piscina do local.

- Eu gosto como você é tão dedicado, um sonho para qualquer preparador físico e fisioterapeuta. - tinha as pernas dentro da piscina e observava o jogador fazer sua recuperação ativa.
- Acredito que és um sonho para qualquer esportista também, te dedicas tanto quanto eu. Tens um futebolista em especial que sente-se muito sortudo em poder ter a ti no time dele. - disse dando algumas braçadas para chegar onde ela estava. - Ainda mais em dias como hoje.
- Sei, pra mim não é nenhum sufoco ver esse "futebolista" nadando só de cueca também. - se abaixou para dar um beijo em - É quase uma tortura te ver assim. Quando pra mim você era gay, eu ao menos me contentava que você estava completamente fora do meu alcance, mas agora…. - ela deixou no ar e mordeu o lábio inferior.
- Ainda bem que essa água é gelada. - disse, fazendo gargalhar.

(...)

Depois de voltarem da piscina, foi para seu quarto se trocar e foi com Lena para o restaurante do hotel, onde se sentou com seu grupo de sempre. Isco, embora estivesse em outra mesa, se mudou para a dela para que pudesse mostrar o vídeo do vestiário e os dois aproveitaram para combinar de sair pra jantar e dançar na semana seguinte.

A fisioterapeuta estivera tão ocupada com seu projeto e , que sua amizade com o jogador tinha sido deixada um pouco de lado e a verdade é que não via a hora de contar pra ele o que estava acontecendo com ela, sem saber que Isco também tinha uma novidade.

Assim que o espanhol terminou sua janta, ela voltou a prestar atenção na conversa de seu grupo e pegou o assunto no caminho.

- O que é Rendezvous, gente? - perguntou sem entender nada da conversa que se desenrolava.
- Olha lá, outra desinformada - Karim fez uma cara desacreditada.
- É um aplicativo de encontros, tipo o Tinder, sabe? Diz o Karim que é só pra pessoas famosas - explicou a assistente técnica.
- Famosas ou que tenham dinheiro - o homem respondeu - Empresários, por exemplo.
- E vocês estão dizendo que o Gareth tem um perfil num aplicativo de encontros românticos? - o olhar que deu para o galês só não foi mais cômico que o que ele deu pra ela. - Eu preciso ver isso.
- Eu também, me mostra aí - Lena pediu, encarando ansiosamente o namorado.
- Muito obrigado por isso, Benzema - Bale falou em um tom irônico.

via Lena mexer no aplicativo completamente atônita, não sabia se era surpresa ou orgulho do amigo que estava sentindo, por ao menos ter tentado conhecer pessoas de uma forma que ela sabia que para ele era completamente esquisita e fora de questão.

A verdade é que assim como Bale, ela também não via muito sentido em aplicativos de encontro, preferia ficar sozinha do que conversar com alguém pela internet e ter um encontro de uma noite com um homem que nunca mais veria. Até mesmo para ficar com Andy no final do ano, precisou de alguns dias para ter certeza que seria algo que valeria a pena, mas o que Benzema falava fazia muito sentido. Jogadores não tinham a mesma liberdade que pessoas comuns.

ficou pensativa, mas continuou prestando atenção na conversa, enquanto via a assistente técnica avaliar algumas mulheres para Karim, que parecia interessado nas possíveis escolhas da amiga.

- Uau, que estilosa - Alaina falou, chamando atenção da fisioterapeuta.
- Cadê? Deixa eu ver - pediu e Lena virou o aparelho para mostrar a foto. - Bonita. Qual é o seu tipo de mulher, Karim?
- Que tenha vagina - Lena respondeu pelo melhor amigo e arregalou os olhos.
- Olha quem fala! - o outro protestou, a fazendo rir.
- Meu tipo de homem agora é Gareth Bale - Lena brincou e sorriu com suas palavras.

Pouco depois, todos foram para seus quartos e mesmo exausta, não conseguia dormir. Podia ouvir pela respiração pesada de Alaina que ela já tinha dormido há algumas horas e ficou com inveja. Diminuiu o brilho da tela de seu celular e quando entrou em suas mensagens, sorriu ao ver uma de enviada pouco depois de já terem se dado boa noite. Resolveu responder e se surpreendeu quando apareceram as três bolinhas, indicando que ele estava digitando. Eles passaram os próximos vinte minutos conversando.

: Espero que consigas dormir agora, gira.
: Você também, . 😘
: O Pepe estás a roncar ainda. Preferia dividir o quarto contigo...
: ...mas só o quarto? 😎
: Sabes que não 😝😏
: Você esqueceu de falar o meu boa noite… 😢

Apesar da mensagem constar como lida, não teve resposta. Ela chegou a acreditar que tivesse caído no sono.

: Não esqueci, só vim dizer pessoalmente.

Ainda desacreditada, a fisioterapeuta saiu do quarto com o maior cuidado possível, e quando terminou de fechar a porta, foi surpreendida por um beijo de tirar o folêgo.

- Sabes como és difícil dormir sabendo que estás assim a apenas alguns quartos de distância? - segurava o rosto de com uma das mãos e a outra estava em sua cintura, fazendo um carinho por debaixo do tecido fino de seu pijama. – Ainda mais sabendo que era para estarmos assim?
- Precisamos remarcar a nossa noite. - disse, se perdendo em palavras, quando passou a distribuir pequenos beijos por todo o seu maxilar e pescoço. – O mais rápido... possível - acabou deixando escapar um gemido ao sentir a respiração do jogador em sua orelha, seguida de uma mordida que fez todo seu corpo estremecer. Ele tinha encontrado um de seus pontos fracos.
- , eu penso em ti o dia todo. Quando estou a acordar, a treinar, na academia. E quando te vejo no Valdebebas, ou como hoje em campo, toda vez, faz-me perder o fôlego. Não importa o que estejas a vestir, podes estar de uniforme ou assim, tão sexy, sempre quero te beijar, tocar seu corpo... por inteiro. Eu não consigo parar de pensar em nós dois, juntos numa cama. Mas uns dias a mais de antecipação não precisam ser algo ruim. - disse aproximando seus lábios do ouvido dela novamente e sussurrou - Agora quero ouvir de novo aquele som que fizestes há pouco. Pretendo fazer-te o repetir muitas vezes ainda.
Ao ouvir o que disse, curvou o pescoço para dar ainda mais acesso aos lábios dele, só a antecipação do que ele faria, a fazia estremecer. Sentir seu membro excitado roçar em sua intimidade foi praticamente tortura, ainda mais que o tecido fino de seu pijama aumentava ainda mais o contato entre eles, tanto que acabou gemendo de novo e apesar de saber que parecia ter obedecido a uma ordem, ela não se importava, o que estava sentindo era bom demais para ser orgulhosa.
- Dormes aconchegada, gira.
E ela iria.


Capítulo 9

- Ah eu estou tão feliz que conseguimos sair. - deu um beijo no rosto de Isco, assim que entrou no carro dele.
- Trouxe tudo?
- Sim, você tem certeza que não tem problema dormir na sua casa, né?
- Nenhum, o Isquinho tá com a mãe essa semana, somos só nós dois. E mesmo que estivesse, ele ia amar ter a “tia ” em casa.
- Tudo bem então, eu não gosto de ficar aqui sem ninguém, a casa fica ainda maior. Não sei como o Gareth consegue morar numa casa gigante sozinho.
- Desse tamanho e com medo de ficar sozinha, ? - Isco a instigou e desviou da mão da fisioterapeuta, que tentou fazer cócegas nele. - Quando ele volta?
- Depois de amanhã.
- Se quiser pode ficar comigo até ele voltar, não tem problema.
- Obrigada, vamos na Opium mesmo?
- Sim, o DJ é o melhor, você vai adorar.
- Não vejo a hora. Essa semana foi bastante... intensa. Estou precisando muito dançar e gastar toda a energia acumulada. - riu do duplo sentido de sua frase.
- Tô vendo, veio vestida pra atrair todos os olhares. - o amigo brincou, a fazendo deixar escapar um sorriso por se lembrar da resposta de sobre o que ele tinha achado do vestido que ela estava usando naquela noite.
- Não é pra tanto, é só um vestido. - disse encarando seu vestido preto, que era um pouco curto, mas apenas porque lhe davam maior liberdade para se mexer. - De qualquer forma, só tem um olhar que eu quero atrair. - olhou para Isco de canto de olho, e o viu arregalar os olhos ao se dar conta do que ela tinha dito.
- O que isso quer dizer? - o jogador acenou para o segurança que ficava na entrada de La Finca e voltou sua atenção para .
- Esse era um dos motivos que eu queria sair com você. Pra te contar que conheci alguém, quer dizer, já o conhecia, mas estamos… nos conhecendo.
- Certo, e eu o conheço? - Isco viu a mulher assentir. - Jogador ou equipe? - perguntou interessado.
- Jogador. - respondeu, o intrigando ainda mais.

Não que o espanhol não tivesse suas suspeitas, às vezes via a amiga conversando ou dançando com algum colega de equipe e se perguntava se podia estar acontecendo algo, mas era tão profissional que ficava difícil desvendar qualquer coisa e sabia que se um dia acontecesse algo sério, ela se abriria com ele, assim como estava acontecendo naquele momento.

- Karim ou ?
- Ei! Não vale, por que só os dois?
- Levando em conta que todos que você tem intimidade são casados, ou bem, eu, fui por eliminação. Mesmo porque estranharia se você me falasse que está saindo com o Asensio.
- Por quê? Tá achando que eu não tenho chances? – perguntou brincalhona.
- Me sentiria duplamente traído, meus dois melhores amigos no clube saindo pelas minhas costas. - Isco fez uma careta adorável - E outra que ele é ainda mais novo que eu e não te vejo saindo com um pirralho.
- Você tem razão, é o . - abriu um sorriso que para Isco foi um tanto quanto fofo.
- Hmmm, . - foi a vez de Isco cutucar a cintura de - Pelo visto te pegou de jeito.
- Infelizmente, ainda não. - piscou para o amigo, o fazendo gargalhar. - É bastante estranho pra mim, eu não ia muito com a cara dele, sequer o achava interessante, mas desde que o conheci, ele me surpreendeu tanto, Isco.
- Deu pra perceber que ele estava interessado, o não é muito discreto em ambientes que se sente à vontade. Ele não teria ido dançar com você no aniversário dele, na frente de todas aquelas pessoas, se o interesse não fosse forte também. O cara não pode ir ao mercado sem ter a foto numa capa de jornal.
- Posso te perguntar uma coisa e você promete que não vai rir?
- Não posso prometer, mas prometo tentar.
- Você não acha que a primeira vista, ele tem cara de... gay? - perguntou, a fim de entrar em seu assunto atual quase que favorito, provar que suas suspeitas não eram assim tão infundadas, e observou a reação do amigo.
- Se você que está com ele acha isso, quem sou eu pra falar alguma coisa.
- Não é isso, é que eu achava que ele era gay. - confessou, se sentindo tola. - Achava não, tinha certeza e quando ele descobriu, pensei que fosse morrer de vergonha.
- Eu até entendo de onde saiu essa sua opinião. - Isco soltou depois de um tempo rindo. - Antes de vir pro time, talvez eu pensasse um pouco igual, mas quem conhece ele, sabe que de gay ali não tem nada.
- Assim eu espero. Você acredita que demorou e muito para eu descobrir que não? Foi na semana do aniversário dele e desde então estamos meio que juntos. - finalizou, ao ver o GPS sinalizar que tinham chegado.
- Eu vou querer saber mais dessa história lá dentro. Vamos?

Isco entregou a chave de sua Ferrari preta ao manobrista e se juntou a , que já o esperava na entrada do local. Como sempre, o mais novo passou a mão pela cintura da amiga de forma protetora e juntos seguiram a hostess que os levaria a mesa que ele tinha reservado, para que pudessem ter liberdade para dançar e conversar sem muitas interrupções.

A casa noturna já estava bastante cheia, mas não demorou para que os dois pudessem aproveitar as músicas que tocavam. Diferente das outras vezes que saíram para dançar, a Opium era mais voltada a música eletrônica e e Isco dançavam ao som de Rockabye, a música que vinha tomando conta de todas as paradas musicais, junto com Despacito, que tiveram a chance de escutar em primeira mão no aniversário de Lena e que agora parecia tocar onde quer que fossem.

- She tells him "Ooh love", no one's ever gonna hurt you, love. I'm gonna give you all of my love, Nobody Matters Like You - os dois cantavam, enquanto dançavam próximos um do outro.
- Estou adorando o DJ, ele realmente é ótimo. Quando meus irmãos vierem me visitar vou trazê-los aqui, eles adoram música eletrônica e não vão reclamar que só levo eles para dançar música latina. - comentou, pegando as bebidas que haviam pedido para a garçonete e entregando uma para Isco.
- Me avisa quando for, a gente pode fazer um churrasco pra eles lá em casa também.
- Eles vão adorar. - afirmou, logo voltando a dançar.

Os dois se divertiram como há tempos não podiam fazer; amava que para o espanhol nunca tinha tempo ruim, qualquer música ele topava dançar e até mesmo quando algumas pessoas se aproximavam pedindo por uma foto, ele mantinha o sorriso no rosto o tempo inteiro.

já podia sentir seus pés pedindo descanso e se assustou ao ver que eram três da manhã, estava dançando há horas. Se jogou no sofá ao lado do amigo, que tinha sentado algumas músicas atrás, sem entender de onde saia toda a energia da fisioterapeuta, ainda mais que os dois tinham decidido por não beber nada alcoólico naquela noite.

- Você não gostou de ninguém? - se aproximou do jogador, para que ele pudesse a ouvir sob o som da música. - Não me importo em ser sua compinche.
- Talvez você não seja a única interessada em apenas uma pessoa. - Isco não se aguentou, teve que gargalhar ao ver o encarar com a cara em choque, ainda maior que a que ele tinha feito para ela mais cedo.
- Como você só me fala isso agora?! Tinha que ter me contado assim que entrei no seu carro. - resmungou inconformada - Vamos embora? Já quero saber toda essa história aí.
- Vamos sim, cansou de dançar?
- Meus pés sim e pra ser sincera essas últimas músicas estão um pouco chatas. - disse com uma careta, fazendo com que Isco se levantasse prontamente.

Assim que o jogador apertou o botão de sua garagem, aproveitou para enviar uma mensagem a avisando que tinha chegado bem e segura, conforme ele havia pedido, e que logo iria dormir. Queria ter mandado uma foto que tinha tirado durante a noite, mas não queria correr o risco de acordá-lo, deixaria para o outro dia. Já com os saltos em mãos, seguiu o jogador casa adentro e os dois foram direto para a cozinha.

- Milkshake de chocolate? - Isco questionou, vendo assentir animada e se colocou a procurar os ingredientes necessários. - Parece que estou falando com meu filho.
- Sem graça, nós não bebemos nada alcóolico, posso me recompensar com açúcar, fora que estou morrendo de fome, posso comer um pouco dessa salada aqui? - pediu, vendo o mais novo a encarar engraçado ao encontrá-la com sua geladeira aberta.
- Sinta-se em casa, . - respondeu debochado, pegando alguns talheres para que pudessem dividir o prato, já que também estava com fome.
- Quero todos os detalhes. - soltou ao se sentar do outro lado do balcão - Quem é ela? Onde se conheceram? E o mais importante: quando eu vou conhecê-la?
- Nem eu saí com ela ainda. - Isco riu ao ver a cara de interrogação da amiga. - Foi no aniversário do , depois que você sumiu, fui ao bar te procurar e ela estava lá sozinha. Acabamos conversando o resto da noite. Pedi o telefone e ela me deu o Instagram. - completou balançando a cabeça em negação, vendo rir da cara dele.
- Assim que eu gosto, nem começou e já está te colocando na linha.
- Agora já tenho o número dela, até chamei pra sair, mas ela estava ocupada com um cliente. Ela é arquiteta recém formada e... brasileira. - disse por último, por saber o que estava por vir.
- Mas não é possível, esse é o tipo de informação que se solta logo no começo, Isco, preciso te dar umas dicas em como fofocar com uma mulher.
- Chega, vamos subir, vou te mostrar o seu quarto. - falou, descendo do banco que estava sentado, podia ver crescendo em curiosidade e ele estava cansado.
- Tudo bem, mas amanhã vou querer saber mais sobre essa brasileira.
- Eu tenho certeza que vai. - respondeu balançando a cabeça, sem acreditar na empolgação da amiga.

Isco manteve o sorriso a caminho de seu quarto, depois de ter certeza que estava bem acomodada. Era diferente para ele conhecer alguém e conversar apenas por mensagem, sem se encontrar pessoalmente, mas tinha algo na brasileira que o tinha feito não se apressar. Quando a viu sozinha no bar, chegou com a intuição de possivelmente acabar a noite acompanhado, mas a conversa entre eles tinha sido tão fácil que o fim da noite chegou sem que ele sequer se desse conta e, por mais que quisesse tê-la beijado naquela noite, tinha uma leve impressão que esperar valeria a pena.

E até então, estava.

(...)

tinha um olho no filme que assistia e outro na conversa com . A última vez que se viram foi quando ele a deixou em casa, na volta de Castellón e, desde então, o jogador andava ocupado com seus negócios fora do futebol, era inclusive um post dele de uma marca de celular que olhava enquanto conversavam. Ela gostava como ele sempre contava sobre as empresas que o procuravam para possíveis parcerias, em como a incluía em seu dia a dia, mesmo quando não conseguiam se ver.

No dia seguinte a saída com Isco, a fisioterapeuta acordou com algumas mensagens extras e rolou os olhos ao ver que alguns vídeos dançando com o amigo tinham surgido pela internet, mas logo gargalhou ao ver os comentários dos jogadores no grupo de Whatsapp que fazia parte. Não era sempre que falavam muito por ali, mas quando acontecia alguma coisa, passavam horas tirando sarro um do outro, o que estava acontecendo com o camisa 22.

tinha visto os vídeos antes mesmo dela acordar, mas a única coisa que o incomodou era o fato de Isco estar com ela, quando era tudo que ele mais queria. Aquelas reuniões estavam todas agendadas antes mesmo deles ficarem e não podia cancelar nenhuma, caso contrário, com certeza estaria dividindo a mesma cama que ela.
Os dois estavam trocando mensagens, quando ouviu um barulho.

- Gareth? - perguntou um pouco mais alto, abaixando o som da TV.
- Quem mais seria? - o ouviu responder e se animou, tinha sentido falta da rotina que tinha criado com o amigo. Inclusive só estava esperando ele voltar, para continuarem a assistir The Fall com Gillian Anderson e Jamie Dornan, sabia que teria que ouvir uma semana se visse um episódio da série que fosse sem ele.
- Exatamente. Se não fosse você, eu teria que chamar a polícia - respondeu se livrando do cobertor para encará-lo melhor - Como foi a viagem?
- Normal - o jogador disse, dando de ombros, o que fez com que estreitasse os olhos, aquilo não era o normal do amigo.

Só ela sabia como Gareth estava empolgado e ansioso para levar Alaina para conhecer sua cidade natal, família e amigos e a cara que ele tinha naquele momento, em nada parecia com o amigo que ela tinha se despedido ainda no aeroporto.

- “Normal” não me parece muito bom - afirmou e o encarou desconfiada. - Aconteceu alguma coisa.

A cara impassível de Gareth foi a resposta que ela precisava. Conhecia o galês, sabia de sua timidez e reserva sobre comentar alguns fatos de sua vida, mas aquele em especial não seria algo que ele esconderia. Imaginava que ele chegaria cheio de histórias e já ria sozinha pensando em como poderia deixá-lo desconfortável, um de seus passatempos favoritos.

A fisioterapeuta foi realmente se dar conta que as coisas não tinham saído nada como o previsto, quando, ao invés de respondê-la, o jogador virou as costas e foi em direção ao quarto, a ignorando por completo. Ainda em choque, demorou alguns segundos para que conseguisse ter uma reação, mas logo tratou de ir atrás do amigo.
Bale estava prestes a fechar a porta, mesmo sabendo que estava atrás, algo que ela sabia não ser de seu feitio. Seu coração se apertou ao tentar entender o que de tão ruim poderia ter acontecido.

- Você sabe que pode falar comigo sobre qualquer coisa, né? - disse em um tom calmo e pôde finalmente notar o quanto o jogador estava nervoso. Sua mandíbula estava trancada e seus olhos impassíveis.

Ainda em silêncio, Gareth adentrou seu quarto, jogando sua mochila no chão, antes de também se jogar na cama. se aproximou cautelosa e sentou ao lado dele e esperou.

- Eu briguei com a Lena. - Gareth soltou e não viu nenhuma novidade ali, aquilo era óbvio.
- Ah, Gareth… Isso é normal, todo casal briga de vez em quando. - falou, demonstrando compaixão, e iniciou um sorriso divertido a fim de dissipar o humor do homem à sua frente. - Pra ser sincera, fico até aliviada de ouvir isso. Não é possível os dois agirem tão apaixonadinhos o tempo inteiro.
- Os dois ou só eu? - o galês retrucou e soltou uma risada sarcástica. - Nem do Dia dos Namorados ela se lembrou.
- Vai voltar nesse assunto só porque tá chateado, é? Pensei que isso já tinha sido resolvido - entendia ele ter ficado chateado com o esquecimento da assistente técnica, mas sabia que em uma relação não era saudável ficar lembrando de discussões já resolvidas, para remoer ainda mais o que sentia. - O que aconteceu?
- Emma e Nancy apareceram lá na casa dos meus pais - Bale começou e compreensão passou por . - Lena estava à vontade antes disso, conversando com minha irmã e meu cunhado. Você sabe como ela não tem a mínima dificuldade de se enturmar, né? - disse e a amiga assentiu concordando, sempre quis ter a mesma facilidade. - Mas, depois que eu a apresentei para as duas, ela falou que ia ajudar a minha mãe na cozinha e sumiu. Eu fiquei sem entender nada.
- Que estranho. Será que... ela ficou com ciúmes? - arriscou , sem querer atrapalhar o desabafo do amigo, embora imaginasse bem o porquê de uma mulher tão segura quanto Lena se retrair em frente à Nancy.
- Ela disse que só quis me dar espaço pra poder conversar com elas. - falou e levantou os ombros, inseguro diante do argumento usado pela namorada. - Me pareceu uma explicação plausível, o problema foi que ela mudou da água pro vinho depois disso. Mesmo quando a Emma e a Nancy já tinham ido embora, ficou toda calada e distante, mas preferi não tocar no assunto enquanto não estivéssemos sozinhos. E, então, quando estávamos no avião já voltando pra Madrid, ela veio com um papo de que a Emma ainda gosta de mim.
- Sério? E como a Lena chegou a essa conclusão? - perguntou, franzindo o cenho em sinal de confusão.
- Segundo ela, pela forma como a Emma me olha - Gareth respondeu, debochado, e bufou.
- Bom, é possível. - falou a outra, dando de ombros. - O relacionamento de vocês era bastante sólido, os dois imaginaram que seria para sempre.
- Nem vem você também - ele retrucou e rolou os olhos.
- Foi por isso que vocês brigaram? - questionou em dúvida, procurando maiores explicações para tentar entender o que tinha acontecido.
- Não exatamente. - o jogador disse e respirou fundo enquanto organizava os flashes que ainda estavam frescos em sua memória.

Enquanto ouvia Gareth narrar a conversa que tivera com Alaina e outros acontecidos da viagem, se lembrou das poucas vezes que esteve em Madrid e teve o desprazer de encontrar com Nancy. Emma sempre fora simpática e a tratou bem, mas desde a primeira vez que chegou na casa do amigo e encontrou sua ex-sogra, que não pensava nada muito bom sobre a mulher, toda vez que seus olhares se encontravam a outra a estava encarando com o que parecia ser fúria no olhar. Tanto, que até deixou de contatar o galês quando sabia que a mulher estava junto, algo que ela nunca teve coragem de revelar a Gareth.
Então para ela, não foi um choque ouvi-lo dizer o que Lena tinha escutado, acreditava sim que ela era capaz de ser baixa àquele ponto e chegou até a entender do porquê da francesa ter duvidado de toda a relação, Nancy sabia muito bem como jogar baixo.

- Essa tua ex-sogra também, hein? Que mulher inconveniente, isso pra não falar outra coisa. Nunca fui com a cara dela. - falou, balançando a cabeça negativamente. - Bom, eu acho que essa insegurança da Lena em relação ao futuro de vocês é compreensível. Não deve ser fácil pra uma pessoa tão decidida e acostumada a escolher sozinha o rumo da própria vida de repente se ver apaixonada e tendo que incluir esse outro alguém nos planos que já estavam definidos desde sempre.
- Mas precisava dizer na minha cara que não vê um futuro comigo? - Gareth perguntou, a dor estampada em seus olhos.
- Ela estava de cabeça quente e aposto que já deve ter se arrependido nesta altura - disse tentando se colocar no lugar da mulher e, ao mesmo tempo, confortar o amigo.
- O problema é que eu me sinto como se fosse o único que estivesse empenhado em fazer esse namoro dar certo. - Gareth revelou e parecia ser algo que ele vinha segurando há um bom tempo.
- Ela me pareceu bastante sincera ao dizer que estava disposta a tentar um relacionamento com você quando fui atrás dela no Ano Novo - observou com honestidade. - Odeio te ver assim, Gareth, mas o único jeito é ter uma conversa pra esclarecer as coisas que vocês disseram um ao outro hoje e os dois chegarem a uma conclusão juntos. Acho que nada que eu fale agora vá te fazer se sentir muito melhor.

sabia que a diferença de personalidade seria um problema para o casal, mas via o quanto o amigo estava apaixonado e o quanto Alaina estava se abrindo para ele, era apenas questão de tempo para que pudessem aprender a lidar com o jeito um do outro, ainda mais que ambos estavam em momentos decisivos em suas carreiras. Bale vinha de uma longa recuperação e Alaina fazia história com a oportunidade que tivera.

- E se ela achar que o melhor é terminar? - perguntou sem esconder sua maior angústia e abriu um sorriso, amava o jeito melodramático do amigo.
- Pior pra ela, posso garantir que não vai encontrar outro Balezinho dando sopa por aí - Retrucou e ele soltou um riso anasalado.
- Eu me assustei quando ela pediu um tempo pra pensar - confessou e encarou a amiga com seus olhos inseguros. - Quer dizer, pedir um tempo nunca é um bom sinal, né?
- Relaxa, deve ter falado de cabeça quente, amanhã vocês conversam e voltam a ser o casal mais fofinho que existe - falou, apertando a bochecha dele, e riu da careta de desgosto que ele fez. - Vou te deixar descansar agora, Balezinho. Boa noite e tenta não ficar remoendo isso, faça como a Lena, dê um tempo pra você mesmo.
- Boa noite, . - O jogador sorriu em agradecimento e recebeu um beijo no topo da cabeça. Antes de a mulher deixar seu quarto, no entanto, acrescentou: - Obrigado por ouvir meus dramas sem reclamar. Só de ter alguém pra desabafar eu já me sinto melhor.
- Disponha - disse, sorrindo, e encostou a porta ao sair. - Eu sou uma ótima amiga mesmo. - falou alto o suficiente para que Gareth a ouvisse e gritasse um “metida” em resposta, a fazendo rir.

voltou a sala e pausou o filme, desligando a TV. Pegou seu celular e percebeu que tinha deixado falando sozinho.

: Desculpa, o Gareth chegou aqui com a maior cara de enterro, fui conversar com ele e não deu tempo de te avisar.

: Aceito tuas desculpas se vieres acompanhada de uma descrição detalhada do que estás a vestir. 😏


riu sozinha, balançando a cabeça em negação. Caminhou tranquila para seu quarto segurando seu cobertor e teve uma ideia que a fez rir alto.
Dobrou a peça que carregava, guardando-a no armário e pegou o maldito presente que tinha ganhado meses antes. Se despiu do tricot leve que usava e também de seu pijama, ficando apenas com sua calcinha. Abriu o cobertor preto e rosa, se enrolando nele, de forma a deixar seus ombros e colo e uma de suas pernas completamente a mostra.

: Na falta de você, estou usando o seu outro você.

Enviou a foto acompanhada de sua legenda, antes de seguir para o banheiro terminar de se arrumar para dormir, tinha adorado seus dias de folga, mas queria poder tê-los passado com . Ao menos tinham toda uma tarde juntos planejada, já que estariam em concentração e além de terem combinado de conversar sobre os resultados do jogador em seu programa, poderiam matar um pouco da vontade e saudade que sentiam um do outro.

: Cada dia que passa fica mais difícil me segurar perto de ti 🔥🔥🔥
: Vou dormir a imaginar que na próxima vez que estiveres assim, estarás ao meu lado.

(...)

Os olhos fechados de eram sinal de que aquilo era bom, muito bom. Poderia sim abri-los, mas perderia todas as sensações que estavam sendo gravadas em sua memória, de forma que nenhum contato visual seria capaz de fazer. O perfume de era sua fragrância favorita, não imaginava que um dia sentiria algo tão gostoso, masculino, viciante, quanto o cheiro da pele do homem.

A barba, que ele fazia questão de manter imperceptível, raspava em sua pele de forma a fazer com que quisesse muito mais do que aquilo. O jogador estava há uns bons minutos preso na pele de seu pescoço, beijando, lambendo, sugando, que ela já podia sentir suas pernas fracas, ansiosas. Estavam ali há alguns minutos, mas o desejo que tinham um pelo outro era tanto, que precisavam de apenas segundos para que tudo ficasse mais intenso, quente, sufocante.

Desejosa, levou suas mãos que estavam embrenhadas nos cabelos do jogador para a barra de sua camiseta, a tirando em um ato que foi bem vindo para , estava se sentindo quente. tinha certeza que nunca se cansaria de encarar o torso descoberto do jogador assim, tão próximo de si, tão perfeito, tão... dela.
Como poderia, se junto com aquela visão, podia sentir o olhar dele queimar sob sua pele.
Suprimiu um sorriso ao finalmente subir seu olhar do abdômen do jogador para seus olhos e encontrá-lo a encarando divertido.

- Viestes para conversar sobre meus resultados em teu projeto e já estamos assim.
- Eu não me importo, e você? – perguntou, passando a língua pelos próprios lábios ao encaixar seus braços no corpo do jogador, a fim de puxá-lo novamente para perto de si.
- Nem um pouco, gira. - respondeu, abrindo o sorriso que tanto amava - Mas, não tão rápido. - disse tirando uma careta da mulher, que logo sumiu ao sentir os dedos quentes do jogador, dessa vez em sua cintura e o observou puxar o tecido de sua blusa para cima, para deixá-la apenas com o top de yoga que usava com o uniforme da equipe.

Perdido em pensamentos e no corpo de , a encarou fissurado, já tinha visto aquela parte do corpo da mulher antes, mas nunca tão de perto e ao toque de seus dedos. Podia ver os anos de trabalho que ela tivera com o corpo e a encarou tão desejoso quanto ela havia feito com ele segundos antes. Ela estava ainda mais linda do que ele um dia já tinha achado e se daquela forma ele já podia sentir todo seu corpo responder ao dela, mal podia imaginar como seria quando os dois não tivessem nada os separando.

voltou a se deitar com parte de seu corpo sob a mulher e levou uma de suas mãos ao rosto dela, deslizando com carinho as costas de seus dedos na pele suave da fisioterapeuta. Era mais uma das vezes em que ele mal podia acreditar na mulher que tinha em sua cama e fazia questão de tentar guardar todos os detalhes daquele rosto. Beijou os lábios dela de forma gentil, delicada, saboreando cada sensação que eles eram capazes de trocar. E quando finalmente aprofundou o beijo, sentiu todo seu corpo corresponder a ela de uma forma que nunca tinha acontecido antes com mais ninguém.

As mãos de arranhavam delicadamente suas costas, o fazendo puxá-la ainda mais para si. Passou seus braços pelo corpo da mulher, a prendendo tão próximo de si, que todas suas curvas se moldavam a ele. Poderia ficar ali a beijando e a adorando por horas, mas pausou seus pensamentos quando ouviu o som que vinha virando sua vida do avesso. Sorriu, entre o sopro e a mordidela que tinha dado no lóbulo da mulher, se lembrando da primeira vez que o tinha ouvido. Sentira a eletricidade passar sob seu corpo e, desde então, fazia questão de explorar aquele ponto, que parecia causar o mesmo efeito em ambos.

- Se soubesses o que faz comigo quando gemes dessa forma, .
- Eu acho que posso sentir. - respondeu num sussurro, soltando uma risadinha ao mover seu corpo, de forma a pressionar o volume que sentia em sua perna, fazendo com que o jogador mordesse seu lábio inferior com certa força.

já não conseguia mais esconder como se sentia quando estava com , as sensações eram muitas e seu corpo reagia quase que automaticamente a ela, como se estivesse se tornando dependente do que ela o fazia sentir. Disposto a mostrar o quanto ela o fazia bem, decidiu reciprocar seus sentimentos.

Sem pausar os beijos que trocavam, deslizou sua mão que até então estava sob um dos seios ainda cobertos da mulher, com cuidado pelo abdômen e cintura de , antes de passarem sem pressa pelo elástico da calça que ela vestia, até encontrar o pequeno tecido, que o fez sentir seu membro latejar em desejo e frustração.

- - abriu os olhos e encontrou os dele a encarando atentamente. - Nós não temos tanto tempo assim... pra isso. Sei que é bobo, mas queria que fosse sem pressa, de preferência longe da concentração. - pediu em súplica, sentindo a mão do jogador se encaixar em sua intimidade, por cima de sua calcinha, a pressionando de leve.
- Ah gira, podes ter certeza que quando finalmente conseguir te ter por inteiro, algumas horas não serão suficiente. - voltou a beijar o pescoço da mulher. - Agora eu só quero te fazer sentir-se bem, não me disse que já usastes seus dedos pensando em mim? Agora quero que use os meus. - disse ainda sem desprender seu olhar do dela, começando a mover seus dedos sob o tecido deliciosamente úmido, de forma a fazer com que a mulher amolecesse sob seu toque - Mesmo porque, dar prazer és ainda mais gratificante do que receber e quando gemes meu nome dessa forma, já tenho tudo que preciso.


- Dá pra prestar atenção no que eu tô falando? - disse frustrada, colocando as duas mãos na cintura, o que aumentou ainda mais o sorriso no rosto do camisa 7.
- Desculpa, desculpa, desculpa. - o jogador disse, metade sincero, pois realmente queria prestar atenção na explicação da mulher sobre os resultados que encontrou em seu programa, mas por outro, não conseguia parar de pensar em como o uniforme que ela usava podia esconder curvas que o estavam fazendo perder toda a razão. Sabia que não ia aguentar muito mais sem saber como seria tê-la para si. - És a miúda mais linda que já vi na minha vida, gira.
- !! - exclamou exasperada, o fazendo gargalhar, o que a fez se dar por vencida e caminhar até o sofá do quarto do jogador, passando as duas pernas pelo corpo dele, que aproveitou a posição para colocar as mãos na sua parte favorita do corpo da fisioterapeuta.
- Vais me chamar de toda vez que ficar brava comigo, gira? - perguntou divertido, mas ela não o respondeu, apenas se ajeitou em seu colo e o beijou da mesma forma que fazia desde a primeira vez, com tudo que ela tinha.

Era incrível a mudança de personalidade quando ela se entregava a ele, tão diferente da profissional centrada e competente que via pelos corredores. A que tinha a sua frente era intensa, quente, sensual.

Há tempos que não se sentia daquela forma, desde Andy que não ficava com ninguém e ter um homem como , que mexia com ela desde o primeiro dia que se viram, era simplesmente incrível. Entre beijos e alguma direção em como gostava de ser tocada, o jogador tinha superado suas expectativas, mas agora só conseguia pensar em ter as mãos dele novamente em si e o principal, terminar o que tinham começado, mas nem por isso deixava de levar seu trabalho a sério.

- Você que é um lindo, . - disse sorrindo por entre o último beijo que deu nele, antes de se levantar novamente - Mas agora eu sou a fisioterapeuta, tá? Senão vou começar a marcar esse tipo de coisa lá na minha sala e não vamos ter mais desculpa pra ficar aqui.
- Sim, senhora! - o jogador aceitou derrotado e se levantou para pegar uma água em seu minibar, tirando uma risada de ao ver como o tinha deixado, de novo. - Ramos tem razão, és uma torturadora. - completou dando um beijo no rosto da mulher, acompanhado de um tapa de leve em sua bunda, antes de voltar a se sentar - Estou pronto. Queres que eu treine com um maratonista?
- Eu não quero nada, estou apenas sugerindo. Um profissional especializado em sprint pra ser mais específica, eu acho que vai te ajudar, olha…

Quando a fisioterapeuta bateu na porta de algumas horas depois de chegar à concentração, ambos sabiam que iriam misturar trabalho com prazer, mas o que não imaginava era que a parte prazerosa viria antes. Não que fosse um problema, mas assim como o jogador, também queria mais que tudo terminar o que tinham começado, sabia que agora era questão de apenas encontrarem um dia que pudessem ficar juntos por uma noite inteira para que toda aquela “tensão” se esvaísse de ambos.

Não demorou para que os dois voltassem ao modo profissional que os fazia se destacar em suas profissões e mostrava na tv da residência do jogador o que tinha conseguido analisar até então. Sabia como ele queria sempre estar à frente de qualquer atleta e quando viu a oportunidade de ajudá-lo em um ponto que julgava ter espaço para melhora, não hesitou em preparar uma pequena apresentação do que tinha coletado.
estava adorando poder conhecer ainda mais de seu corpo com , ela falava sua língua materna, o que o ajudava a entender ainda mais as explicações. Se não entendia algum termo médico, ela sempre encontrava uma forma de explicar de modo diferente, até que ele entendesse.

- Jantamos juntos? - o jogador perguntou quando já se despediam e assentiu. - Achas que ao invés de nos despedirmos como sempre, podes dormir aqui essa noite?
- , não acho que seja uma boa ideia, ainda mais depois de hoje… Não quero ser culpada se amanhã você jogar mal. - admitiu, recostando a cabeça nos ombros do homem.
- Prometo que é só dormir, . Eu... preciso ter um pouco mais de ti hoje, nem que seja só para estar ao seu lado. - falou apertando ainda mais o abraço nela, guardando a sensação boa que sentia sempre que a tinha em seus braços.
- Assim fica difícil dizer não.


saia do quarto de com seu notebook e alguns papéis em mãos, iria passar em seu quarto para tomar um banho rápido, quando viu Alaina no corredor.

Embora estivesse com seu uniforme e material de trabalho, agradeceu que era a assistente técnica e não um jogador ou membro da equipe que a tinha visto saindo do quarto do camisa 7. Apesar de não estarem escondendo o que tinham dos amigos, não iam escancarar para todos de uma vez, queriam se preservar e ver onde aquilo tudo ia dar, antes de assumir qualquer coisa oficialmente.

Sem saber se a mulher à sua frente queria conversar, já que não a via desde o último jogo, se aproximou com calma, tentando entender se deveria parar e falar com ela ou se o melhor era continuar andando. Alaina parecia tão incerta quanto, tanto que a primeira ação que tomou quando as duas pararam frente à frente, foi tomar de seu chá, em um claro sinal de dúvida e desconforto. Não era como se as duas não se lembrassem da pequena desavença que tiveram, quando a assistente magoou o amigo no final do ano passado.

- Espero que não esteja achando que sou uma bruxa - disse, fazendo uma careta.
- Claro que não, Lena - respondeu sincera, até rindo da imagem que a outra estava dela, e pôs uma das mãos em seu ombro, de maneira a confortá-la. - Faz o que for melhor pra você.
- Estava com o Gareth agora pouco e ele simplesmente ignorou a minha presença. - Lena exalou um suspiro exausto. - Ainda soltou uma indireta, acredita? Eu tô arrependida de ter gerado essa confusão e não quero terminar com ele, mas assim é impossível a gente conversar.
- É o jeito dele, vive tudo intensamente. É muito drama king - vocalizou o que vinha pensando sobre o amigo, já que fora impossível não rir ao imaginá-lo soltando indiretas para a namorada. - Ele realmente ficou magoado, tá achando que não é uma prioridade na sua vida como você é na dele, acho que até duvidando se você realmente gosta dele ou se tá só passando o tempo, mas eu entendo que você tem seu ponto e que não é bem assim.
- Eu tô me sentindo péssima, . Vê-lo irritado e machucado daquela forma foi horrível - disse a francesa, esboçando um sorriso triste. - Só quero que a gente fique bem, tô sentindo falta dele.
- Fica tranquila, vocês logo, logo vão fazer as pazes. Não liga pra opinião da mãe da Emma. Pelas coisas que o Gareth me contava, ela se intrometia no namoro deles, ficou até forçando a barra pra voltarem quando os dois decidiram terminar.
- Inacreditável - resmungou, balançando a cabeça de um lado para o outro. - Você sabe sobre ele ajudar elas com um salão de beleza?
- Ah, é verdade. Ele deu esse salão pra Emma quando eles namoravam e ela toca o negócio com a mãe e as irmãs. É o meio de sustento delas - explicou - Não que eu concorde com isso, mas nunca tive coragem de falar isso pra ele.
- Acho que isso me surpreendeu mais do que deveria - Lena confessou. - Eu já sabia que as famílias deles são muito próximas e que teria que lidar com o fato de Emma estar sempre por perto e isso não é um problema pra mim, mas não imaginei que o laço que ainda une eles fosse desse nível. Quer dizer, mesmo que elas trabalhem no salão, dependem dele pra se sustentar de alguma forma. E ele nunca falou nada disso comigo.
- É, isso é algo que vocês vão ter que conversar, Lena - a fisioterapeuta disse, levantando os ombros. - Acho que quando o assunto é a Emma e você, ele ainda está aprendendo a lidar.
- Vou tentar conversar com ele amanhã depois do jogo - ela falou e bebericou o chá. - Bom, não vou ficar te alugando.
- Imagina - falou, sorrindo. - Sou amiga do Gareth há mais tempo, mas te considero uma amiga também. Pode contar comigo sempre que precisar.
- Obrigada, . Digo o mesmo - Alaina respondeu, retribuindo o sorriso, e continuou em um tom divertido: - Se precisar de alguém pra te acobertar pra dormir no quarto do , você sabe onde me encontrar.
- Engraçadinha - a outra rebateu, rindo, mas por dentro estava se perguntando se a francesa tinha alguma escuta no quarto de . - Você e seu namorado se merecem.

(...)

O último jogo contra o Las Palmas era o atual assunto entre , Toni, Gareth e Luka. Os quatro amigos estavam na sala da fisioterapeuta, fazendo os exercícios para o programa dela e relembravam o cartão vermelho que Bale tinha tomado dias antes, ao empurrar o adversário que tinha dito palavras não muito legais sobre sua namorada. tinha certeza que se ele e Alaina não estivessem brigados, algo do tipo jamais teria acontecido, mas não pôde deixar de parabenizar o amigo por uma atitude completamente inesperada.

- Nunca imaginei que viveria pra ver o dia que Balezinho ia tomar um vermelho por perder o controle. Quem diria que aí dentro tem toda essa fúria guardada, aproveita e usa ela na cama com a Lena.
- ! - exclamou e a mulher riu ao ver o sangue se concentrar em suas bochechas, tirando gargalhadas dos outros dois.
- Pelo menos não sou o único com um apelido ridículo. - Modrić comentou, tentando não se mover muito, já que estava no scanner corporal - Baixinho… - completou resmungando baixinho.
- Queria ter feito mais, mas não queria ser suspenso ou tomar alguma multa. - disse dando de ombros.
- Agora com os braços no lugar, assim. - se levantou, demonstrando a Toni, que estava na plataforma de força, como deveria pular. - Dez vezes.
- Trabalho escravo. - o alemão resmungou de brincadeira, fazendo o que lhe fora pedido - Achei que ao menos teríamos brownies.
- Se fizer tudo direitinho, talvez ganhe uma recompensa no final.
- Agora sou cachorro? - retrucou, jogando o boné na amiga, que o pegou rindo e colocou na cabeça.
- Isso mesmo, bom garoto.

Os três tinham ido fazer seus testes juntos, Bale estava sentado ao lado da fisioterapeuta esperando sua vez e aproveitou para observar as informações chegarem nas telas disponíveis. Cada uma mostrava uma coisa diferente, o deixando bastante curioso.

- Todas elas são só para os dois?
- Isso, nessas duas são o Toni e aqui é o Modrić, estou escaneando o corpo dele e essa mostra a composição óssea, se você apertar F7 você vai ver os músculos - a mulher disse e Gareth apertou, fazendo cara de surpreso e passou a alternar entre os dois por brincadeira.
- E se eu apertar o F8? - disse já com o dedo em cima do botão.
- Esse é o meu favorito, se você apertar vai ver ele pelado. - falou e já começou a rir do desespero na cara de Bale ao olhar rapidamente pro lado oposto ao da tela, já que tinha apertado o botão antes mesmo dela terminar a frase.
- O quê?! - O croata e o alemão perguntaram assustados, fazendo a mulher rir ainda mais alto.
- Você se acha muito engraçadinha, não? - Gareth perguntou abaixando ainda mais a aba do boné que agora usava.
- Acho, eu lá tenho cara que quero ver vocês pelados?
- Se me visse garanto que ia ficar apaixonada, mas não adianta, sou casado e pertenço a só uma mulher. Vai ter que continuar a me ver em seus sonhos, .
- Pesadelos você quis dizer, né? - a fisioterapeuta respondeu fazendo uma careta com a língua para Kroos.
- Eu também já posso fazer todos? - Gareth perguntou, quando os outros dois voltaram a se concentrar no que precisavam fazer.
- Sim, não vejo por que não. Eles são simples, talvez a terceira ou quarta fase eu deixe pra depois, mas pensamos nisso mais pra frente, preciso terminar esse primeiro.

Gareth assentiu e os dois passaram a observar as informações sendo registradas simultaneamente.

- E você e o ?
- Ah, é começo, então está tudo indo bem, muito bem. Aquela fase de descobertas, mas… Eu nunca namorei alguém que tivesse filho antes, não sei como agir, nem como tocar no assunto. Fora que entre o Junior e os milhões de negócios fora do futebol, é bem raro termos momentos longos juntos.
- Mas vocês estão sempre juntos pelos cantos.
- Aqui no clube é fácil porque quando ele não está treinando, dá pra escapar aqui e ali, mas fora daqui é quase uma operação militar nos encontrarmos, tanto que ainda nem fizemos nada a mais, sabe?
- Como não, ? Outro dia você disse que tava indo no quarto dele e voltou horas depois.
- Ah, pra essas coisas, com um corpo daquele, eu preciso de muito mais que uma, duas horas. Uma noite toda não seria nada mal.
- Você imagina seus irmãos fazendo sexo?
- Eca! Claro que não, que nojo, Bale.
- Então vamos combinar que esse tipo de conversa você tenha com Lena, a Vanja, qualquer pessoas, até o Toni se você quiser, menos eu.
- Do que estamos falando? - os outros dois se aproximaram rindo do que Gareth havia dito.
- Da minha vida sexual - respondeu, vendo os outros dois pararem confusos e um pouco tímidos, a fazendo rir. - É que eu tô saindo com alguém, o Gareth perguntou dele e eu só respondi que não vejo a hora de, vocês sabem… - falou esperando a reação dos dois passarem de confusos para chocados, mas ela sequer imaginava que quem ia ficar chocada era ela.
- Então você e o finalmente se beijaram? - Kroos a encarou debochado, com um sorrisinho metido de lado.
- Co… Como… - tentou perguntar, extremamente surpresa e confusa.
- Esse som é você tentando me perguntar como eu sei? - apenas balançou a cabeça para cima e para baixo, assentindo ainda em choque.
- Você também sabia? - Bale perguntou para Luka, que tinha o rosto tão ou mais surpreso quanto ela e negou.
- Quem você acha que armou pra vocês? - Toni abriu ainda mais o sorriso vencedor.
- … Eu estou sem palavras. Como assim, Toni?!
- Até que demorou. - o amigo deu de ombros, se aproximando dela - Desde a primeira vez que ele te viu ficou interessado, isso foi ano passado ainda. Lembra quando tirei umas fotos suas e falei que ia mandar pro grupo? Era pra ele. Por que você acha que ele apareceu lá no ano novo? Pra ver essa minha cútis impecável que não era.
- Nossa, eu fui tão lerda assim? - se virou para Gareth, que apesar de também estar admirado, dava uma de suas risadinhas fofas.
- A achava que ele era gay. - disse aos amigos, aproveitando para pelo menos uma vez na vida se vingar dela a altura.
- Bale!!! - a fisioterapeuta deu um tapa no amigo e recebeu uma língua de fora em resposta.
- Mas ele tinha uma namorada! Ele terminou com ela pra tentar algo com você. - Kroos explicou como se fosse óbvio, vendo o rosto da fisioterapeuta cair.
- Quê?! Namorada?! Que namorada?
- Pra quem é inteligente pra caramba, tá bem lerdinha, hein? – o alemão a cutucou.
- Eu... não sabia de nada disso.
- Tava tão presa no fato dele ser gay, que acabou perdendo todo o resto. – Gareth opinou.
- Por isso que tava demorando tanto. - Toni comentou, como se encontrasse a resposta para alguma divagação interna. - Eu comecei fazendo isso de brincadeira, mas vendo vocês dois juntos, achei que podia dar alguma coisa, pelo visto deu certo.
Os três discutiram um pouco mais sobre toda a confusão já desfeita e percebeu que Luka parecia em outro mundo. Geralmente ele era bem falante quando o assunto era sua vida amorosa. Quando a mulher finalmente os liberou, o croata voltou a se aproximar:

- , eu entendo onde o Toni quer chegar, mas o … Eu não sei não, gosto dele como jogador, colega de time, mas ele te trata bem? - perguntou sério, fazendo sorrir, amava o jeito cuidadoso do croata com ela.
- Ah, o que eu faço com você, baixinho? - abraçou o jogador comovida. - Nós estamos nos conhecendo ainda, faz só um mês, mas eu não vou apressar nada. Minha prioridade sempre foi e será meu emprego, claro que não vou começar nada se não acho que tem algum futuro, mas até então tem valido a pena sim.
- Se ele te machucar - Modrić olhou pra Toni - Eu mato esse alemão.
- Eu?! Eu acho que vou ser o padrinho dos filhos de vocês, todos os sete. - Kroos deu de ombros, ignorando os olhares assustados dos outros a menção de sete filhos. - Melhor só um, né? Senão vai dar muito gasto de presente anual. O primeiro tá bom e se quiser chamá-lo de Toni, a criança vai ser bem sortuda...
- Vai sonhando que eu vou ter sete filhos... - encarava os amigos assustada. - Eu prometo que até então ele tem sido um homem incrível, respeitador e um verdadeiro cavalheiro. Vocês sabem que eu nunca ficaria com alguém que eu não achasse que valesse a pena.
- Você sabe que pode me falar qualquer coisa, né? Sempre.
- Claro que sei, Luka, eu só mantive isso em segredo porque ainda estou vendo onde vai, mas a Jess e a Vanja já sabem. O Gareth também porque moro com ele. É sério, eu tô muito feliz. - abraçou o croata novamente e encarou Toni. - Nunca imaginei que diria isso, mas obrigada por seja lá o que você tenha feito.
- Ah eu também quero um abraço. - Kroos abraçou os dois exagerado, fazendo rir.
- Ótimo, só eu estou de fora desse abraço coletivo. - Gareth resmungou todo dramático, fazendo os três rirem e se juntarem a ele, que ficou vermelho de tanto que o apertaram.

(...)

tinha acabado de sair da Crunch Fitness, seu mais novo empreendimento, uma academia no centro comercial de Alcalá Norte, próximo ao aeroporto de Barajas. Era a primeira das duas unidades que pretendia abrir em 2017 e aquela em particular, seria inaugurada em apenas alguns dias. Tinha ido junto com os arquitetos e seus empresários dar o ok final em um projeto que tinha feito parte desde o início. Sempre fazia questão de estar a par de todos seus negócios do início ao fim.
Era difícil para ele às vezes se dar conta de tudo que tinha conquistado, quando olhava pra trás e via um menino sozinho e assustado em um dormitório no Sporting, para onde agora estava, no topo do mundo.

M12:, tá fazendo o quê?

7: Tô com o Paixão e o Rique, saindo da Crunch Fitness.

M12: Chega aqui em casa então, vamos fazer Pescada à Gomes de Sá. Clarice falou pra te chamar.


O plano do jogador era sair da reunião e ir para algum restaurante conversar com seus dois amigos e empresários sobre os planos para a inauguração. Já tinha acertado dele fazer uma aparição e uma aula demonstrativa para a mídia, mas também queria ficar ciente do que mais seria feito em termos de marketing para atrair clientes. Saindo dali iria para casa esperar seu filho chegar da escola para passarem a tarde juntos, conforme prometera ao menino quando saiu de casa logo pela manhã.

Queria muito apresentá-lo à , mas os dois ainda não tinham conversado sobre o assunto desde o dia que se beijaram. Sabia que ela gostava de crianças pelas conversas que tiveram sobre como ela tinha praticamente criado os irmãos e ele agora também sabia em primeira mão o quanto ela era importante para os trigêmeos, mas Júnior era a pessoa mais importante em sua vida e precisava ter muitas certezas, não apenas que ela faria espaço em sua vida para seu filho, como também entender em que momento ele saberia com certeza que o que tinham seria duradouro o suficiente para não iludir o menino com mais uma pessoa que ele se apegaria e um dia iria embora.

Como pai, seu dever era amá-lo e protegê-lo e por mais que tivesse todos aqueles sentimentos por , que às vezes nem ele conseguia fazer sentido de tão forte que eram, de nada adiantaria se as coisas não dessem certo entre ela e seu filho.

Embora Júnior ainda fosse pequeno, seu namoro com Irina fora duradouro o suficiente para que soubesse que apesar do carinho que a modelo tinha com o filho, ela não o amaria como se ele fosse dela e sabia que o filho merecia um amor muito maior que ela poderia dar. Com Georgina tinha ficado pouco tempo para saber como teria sido, o filho a tinha conhecido e os dois pareceram se entender, mas com , ainda estava ele mesmo conhecendo todos os lados da mulher antes de terem a tal conversa, a que ele vinha acompanhado da melhor parte de si e que se ela o quisesse, teria também que querer seu filho.

- Fala, papai. Tá bonitão, hein?! - Marcelo atendeu a porta zombeteiro, tirando um sorriso presunçoso do amigo.
- Por que estás tão animado?
- Nada não, chega aí, a Clari tá na cozinha. Eu tô olhando o Liam na piscina. Com esse tempo que tá fazendo não teve nem como falar não pra ele, o Enzo vai provavelmente chegar da escola e pular direto.

A temperatura em Madrid tinha aumentado consideravelmente nos últimos dias, dando a seus moradores a chance de guardarem os casacos que vinham usando durante todo o inverno e aproveitarem o sol da melhor maneira.

- vai querer também que já sei. - comentou e parou para afagar a cabeça de um dos muitos cachorros que o amigo tinha.

Marcelo continuou a andar e ele logo o seguiu para a parte externa da casa. O brasileiro o olhava ansioso, com um sorriso bastante suspeito, fazendo com que o encarasse com o cenho franzido.

- Cadê o Lili? - perguntou, dando mais alguns passos para que conseguisse ver a piscina por completo e foi impossível esconder a cara de surpresa.

estava na piscina brincando com o menino e tinha um sorriso tão bonito no rosto, que automaticamente imitou o gesto, sem nem perceber. O misto de sensações que tinha toda vez que a via se fez presente, ainda mais forte do que antes, mas, ao contrário do que esperava, não se surpreendeu ou se assustou, na verdade riu de si mesmo por sequer cogitar que aquilo poderia ser um problema.

Sabia que o que tinham estava bem no começo e que devia ir com calma e deixar que a relação amadurecesse normalmente, mas por conta de sua situação, também precisava pensar no futuro e ver brincando com Liam só não era mais certo, porque não era com seu filho.

A fisioterapeuta jogou Liam na água mais uma vez, se deliciando com a gargalhada que ele dava, tinham poucas coisas no mundo mais gostosas do que o som de uma criança se divertindo. Sentia falta da época que seus irmãos eram apenas bebês e qualquer brincadeira os faziam rir daquela forma. Agora que estava em Madrid, matava a saudade dessa fase com os filhos de Luka, Toni, Isco, Sergio e agora Marcelo.

Desde o aniversário de Lena que tinha mantido contato com Clarice, esposa de Marcelo. parecia se dar bem com todas as mulheres que tinha conhecido, mas por conta da nacionalidade foi mais fácil a aproximação entre as duas. Não demorou para que a outra descobrisse da paixão e habilidade da fisioterapeuta com a yoga e sempre que tinha uma folga do clube ou de suas atividades pessoais, combinava de praticar e ensinar Clarice sobre uma de suas maiores paixões.

Tinha chegado cedo, quando Enzo saia para a escola e Liam ainda dormia. Quando terminaram a prática se deparou com o dia lindo e quente que se abria e foi impossível negar a oferta de Clarice de lhe emprestar um biquíni para que ela pudesse tomar sol e aproveitar da piscina do lateral brasileiro.

Marcelo se aproximou chamando o filho e para que saíssem da água por um minuto e depois de ter certeza que Liam estava seguro, subiu os pequenos degraus da piscina, sem se dar conta que estava sendo lentamente despida com os olhos.

vestia um biquíni cortininha preto, deixando quase todo seu corpo a mostra e a cada degrau que subia, deixava ainda mais sem fala. Os sentimentos de amor que passavam por sua cabeça, rapidamente deram lugar a outros que ele tentava há dias suprimir. Se antes já não sabia se tinha como achá-la mais atraente, aquela visão o fazia ter ainda mais consciência do tanto que a desejava, do tanto que precisava tê-la por inteiro.

Assim que tirou o excesso de água dos cabelos, a mulher se virou em direção a área coberta, onde estavam as toalhas e parou em seus calcanhares ao se dar conta de quem estava ali. Completamente surpresa e tímida com a situação inesperada, se aproximou com calma, sem saber o que fazer, tentava encontrar respostas no olhar do jogador, mas eles estavam fixos em seu corpo. Se estivessem entre quatro paredes, saberia exatamente como agir, mas com plateia, só conseguia pensar em se jogar de volta na água. Não que o jogador já não a tivesse visto com roupas curtas de academia ou de pijama, mas aquele tanto de pele era a primeira vez e ela estava em total desvantagem.

Encarou Marcelo, que parecia achar tudo aquilo muito divertido, a fazendo suspeitar se aquele encontro era assim tão inesperado para ele também.

- Oi, - disse quando estava próxima o suficiente de ser ouvida - Não sabia que você vinha aqui hoje. - soltou o que vinha pensando desde que seus olhos caíram sobre ele.
- Nem eu. - respondeu sincero, agora ele também se perguntava o que iria acontecer ali.

Ouviu Marcelo fazer um barulho com a garganta e jogar nele uma toalha para que entregasse a mulher. Quando se aproximou e fez menção de segura-lá, hesitou por um segundo, subindo seu olhar pelo corpo dela, da mesma forma que tinha feito em seu aniversário, mas ao final, deu uma piscadinha para tentar descontrair da situação em que se encontravam.

encarou com a toalha aberta, pronta para que ela se enrolasse, e depois Marcelo, que parecia estar vendo o último episódio de uma novela, de tão vidrado que estava.
Com a certeza que precisava e, disposta a fazer o feitiço virar contra o feiticeiro, se virou para que pudesse colocar a toalha em suas costas.

- Obrigada. – agradeceu, se virando novamente para o jogador, que estava pronto para agir formalmente, quando se colocou nas pontas dos pés, abrindo a toalha para abraçá-lo e dar um beijo rápido em sua boca. E, mesmo com ela toda molhada, não se importou, na verdade, adorou a atitude e passou seus braços pelo corpo quase nu da mulher, correspondendo ao beijo que tanto sentira falta.
- Caraca, maluco. - Marcelo falou alto, fazendo ambos rirem sobre o beijo e, ainda abraçados, o encararem.
- Eu poderia te matar. - rebateu, fazendo Marcelo cair na gargalhada.
- Vocês estão juntos?! - perguntou, ainda com os olhos arregalados. - Aí, quis surpreender e acabei surpreendido. Ô Lili, vai chamar a mamãe. - pediu pro menino, o vendo correr em direção a cozinha.
- Qual era sua intenção com isso? - questionou, se soltando do abraço de , não queria deixá-lo mais molhado do que já estava.
- Pô, eu sabia que o tava na sua, só queria dar uma força aí. - se virou para , que tinha um sorriso um tanto quanto tímido no rosto, o que ela achou adorável, eram poucas as vezes que tinha visto ele daquela forma. - Ajudar meu amigo, sabe como é.
- Ai Marcelo, o que faço contigo. - riu do amigo, puxando para si e dando um beijo na cabeça dela. - Demorou, mas consegui conquistar minha chance.
- Vocês ficam tão lindos juntos. - Clarice apareceu e abriu um sorriso carinhoso, sua marca registrada, dando um beijo e um abraço rápido no jogador. - Tudo bem, ?
- Não é possível, só eu não sabia? - o lateral resmungou, abraçando a esposa, que estava de olho em Liam brincando com os buldogues do casal.
- A me contou hoje de manhã, amor, ia te contar mais tarde, mas você também, nem me avisou que ia chamar o .
- Armei uma bagunça e me lasquei. - falou de seu jeito divertido, gerando uma gargalhada geral.
- É que nem a gente conversou sobre isso ainda. - explicou, encarando mais uma vez o homem ao seu lado - Estou tentando ir com calma, vocês sabem como o chama atenção em tudo o que faz…

Depois da confusão desfeita, Marcelo e Clarice voltaram para a cozinha e puxou para próximo dele de novo.

- Eu tô toda molhada!
- Não acho que és o momento para dizer frases de duplo sentido, gira. - o jogador disse, dando um beijo muito mais casto que gostaria na mulher. - Não sei se interessante és suficiente pra descrever teu corpo, és muito gira e… muito gostosa. - disse mais baixinho no ouvido dela, fazendo se arrepiar.
- Obrigada, não sei se eu falar o mesmo surge algum efeito, porque não deve ter uma pessoa no mundo que não te ache um gostoso. - disse rindo, o abraçando ainda mais forte.
- No momento só a ti me importa a opinião, . Quero fazer-te um convite. - a encarou decidido.
- Qual?
- Depois de hoje, percebi que não quero e também não sei se consigo ficar mais longe de ti. Quando voltarmos de Nápoles, teremos dois dias de folga. Passa eles comigo?
- Mas e seu filho?
- Ele está a ficar na minha mãe esses dias, está muito corrido e passo lá depois dos treinos pra fica um pouco com ele. Tinha alguns compromissos agendados de qualquer forma, mas agora vou cancelar a todos pra termos um tempo só nosso.
-Tem certeza? Sabe que...
- Tenho, és minha prioridade, , e quero passar meus dias de folga ao teu lado. Tenho muitos planos para nós. - falou, grudando mais uma vez seus lábios aos da mulher. - Achas que podes usar esse biquíni de novo, só pra mim dessa vez?
- Esse é da Clarice, mas prometo que tenho outros melhores e... menores.
- Me vuelve loco, .

(...)

O começo de março tinha sido bastante cheio para o Real Madrid, eram três jogos seguidos, com apenas dois dias para descanso, treino e recuperação entre eles. e mal se viam durante o dia, tirando a manhã que acabaram se encontrando na casa de Marcelo.
Durante a viagem a Nápoles, ficaram o máximo de tempo juntos, mas tinham concordado que com o pouco tempo de preparo que o time tinha de um jogo para outro, era importante que obedecessem as regras de uma concentração. Se não trabalhassem juntos, ela não o veria de qualquer forma e queriam acima de tudo terminar aquela jornada cansativa com sucesso.

Quando voltaram para Madrid, na manhã após a vitória de 3x1 contra o time italiano, pegou uma carona com até a casa de Gareth, que viajaria com Alaina para Marbella, num presente tardio de aniversário e pegou a pequena mala que tinha preparado para passar os próximos dias na casa do jogador. De qualquer forma, se esquecesse algo, não era como se estivesse assim tão longe de casa para ir buscar.

Enquanto foi fazer seus treinos e tratamento de recuperação na academia e piscina que tinha em casa, a fisioterapeuta aproveitou para fazer yoga, estava precisando de um tempo só para si, seu corpo e sua mente, depois de mais de dez dias sem descanso. Permitiu que sua mente se livrasse de todos os pensamentos e focou apenas no que sentia quando estava em seu tapete: a paz, a meditação e a leveza que tomava conta de seu corpo, relaxando todos os seus músculos que pediam por cuidado.

saiu da piscina e foi direto para seu quarto tomar banho. Seu corpo doía de todo o esforço que tinha feito e o descanso que teria nos próximos dias seria mais que bem vindo. Das enormes janelas de seu quarto, que davam para o jardim de sua casa, viu praticando yoga e sorriu, ela estava finalmente ali, sem hora para ir embora. A teria só para si por dois dias inteiros e poderiam aproveitar um ao outro como raramente conseguiam. Adorava observá-la quando ela praticava seus exercícios, todas as poses que ela fazia, pareciam transformar seu corpo em uma obra de arte.

- Que saudade que eu estava de morar em um lugar que tem um verão decente! Na Suíça é muito difícil passar de 25 graus.

A mulher tinha os braços abertos, saudando o sol que tinha resolvido aparecer mais uma vez naquela semana, forte o suficiente para que ela pudesse ficar de biquíni novamente. Após sua prática, apareceu no quarto do jogador que saía do banho, a fazendo se perder em pensamentos ao encontrá-lo enrolado em uma toalha. Tirou uma gargalhada alta do homem ao morder os próprios lábios e olhar para cima murmurando um "Obrigada, Deus" e a viu entrar no banheiro para também tomar um banho.

estava deitado na espreguiçadeira que tinha na área externa de seu quarto tomando sol apenas de cueca, enquanto admirava a mulher à sua frente. Nem ele acreditava em como era sortudo, era uma visão e tanto. Sabia que se ela se virasse naquele instante, veria o quanto ele estava na dela, mas não se importava, na verdade queria que ela soubesse tudo que sentia quando estava ao seu lado.

O jogador não se lembrava de ter demorado tanto para ficar com alguém antes, mas tinha sido positivamente surpreendido com todo o mal entendido e "demora". Pôde se aproximar de primeiro como amigo, para depois evoluir para onde estavam naquele momento. Tinha sido importante para ele a conhecer como profissional, amiga e mulher antes de terem qualquer coisa, pareceu maturar seus sentimentos e quando finalmente a beijou, teve a certeza que toda aquela espera tinha valido a pena.

Desde que terminara com Georgina, tinha intensificado sua agenda fora do futebol, mas agora que tinha alguém tão especial em sua vida, já tinha conversado com seu agente e empresários, pedindo por mais tempo livre para dar a atenção que sua nova relação merecia. Se até então ele tinha conseguido lidar com sua carreira, família, negócios e amigos, poderia também encaixar em seus planos uma namorada. Ao menos era o que esperava que a mulher à sua frente se tornasse quando ambos estivessem prontos.

- Por que você tem que ser tão gostoso? - questionou do nada, o tirando de seus pensamentos.

Quem podia julgá-la com aquele homem tão lindo à sua frente? a tinha conquistado com todo o cavalheirismo e cuidado que tinha com ela, mas o achava tão lindo por dentro, quanto por fora.

O jogador abriu um sorriso de lado e estendeu o braço para que ela se aproximasse dele, a puxando para que pudesse lhe dar um beijo. Mas, ao invés de sair de perto do jogador, a mulher apenas se endireitou, observando mais uma vez a vista do local e sentindo os raios de sol aquecerem sua pele.

- Não sei qual resposta queres, gira, mas não penso diferente, não quando tenho essa vista também. - respondeu, deslizando a mão pela parte de trás da perna da mulher, num carinho sutil, sem intenções. - Não sabes como essa parte de teu corpo me agrada.
- Minha bunda?! - soltou, direta, e se virou de lado para dar uma visão mais privilegiada ao jogador, que encarou aquela parte de seu corpo com luxúria, subindo a mão até o local, acariciando de leve. - Com certeza uma herança do meu gene brasileiro. - respondeu brincando, antes de, ainda sem tirar os olhos do jogador, desfazer o laço de seu biquíni. - Você acha que minha marca de sol aumentou? - perguntou provocativa, fingindo inocência ao observar as reações do camisa 7.

Com ele ainda absorto em sua marca de biquíni, voltou a refazer o laço de qualquer forma, vendo-o a encarar fingindo-se bravo.
Dando uma risadinha, passou uma perna pela espreguiçadeira onde ele estava parcialmente deitado, sentando em seu colo e, como sempre fazia, se ajeitou sensualmente, com o único intuito de instigá-lo e torturá-lo ainda mais.

- Estas marquinhas são muito sexy, gira - respondeu ao enganchar o dedo na tira da parte de cima do biquíni, apenas o suficiente para que visse a marca do bronzeado. Agora que finalmente tinha tempo suficiente com ela, não tinha pressa alguma, muito pelo contrário, tomaria todo o tempo do mundo.

já não tinha mais o olhar brincalhão de segundos atrás, ver a forma que o jogador a olhava com desejo e tesão, a fez se arrepiar. Sentiu todas as partes de seu corpo acordarem com o simples toque do dedo de em sua pele, que para provocá-la, manteve-o por dentro da peça, roçando de leve em seu mamilo, a tocando como uma pena caindo sobre seu corpo, eficaz o suficiente para fazê-la arfar. Contente com a reação, fez o contorno dos seios da mulher com calma, raspando a unha de leve na parte exposta daquela parte do corpo da fisioterapeuta.

Levou seus braços em torno do corpo da mulher, a trazendo para ainda mais perto de si, para que pudesse tomar um dos seios ainda escondidos pelo tecido em sua boca. Mordeu a peça, raspando o dente na parte que despontava sob o tecido, implorando para que sua língua o encontrasse. apoiou um dos braços nas costas da espreguiçadeira e levou sua outra mão para os cabelos do jogador, o convidando para que ele a tocasse naquela parte tão sensível de seu corpo sem nada os separando.

A língua quente do jogador a estava levando a loucura, já não podia controlar suas próprias reações e em como seu corpo reagia ao toque dele. Era impossível não começar a se mover de forma lenta e sensual no colo de , friccionando ainda mais sua intimidade a dele.

Não demorou para que os beijos fossem distribuídos por todo o seu colo, subindo até que a boca do jogador encontrasse a sua e os dois pudessem matar a saudade de sentir um ao outro. dificilmente se cansaria um dia de beijar a mulher, o envolvia com seu beijo, corpo e cheiro. A forma que ela rebolava numa dança sexy sobre seu membro, o instigando a cada segundo, o deixava ainda mais louco. Estar vestindo tão pouco, a céu aberto, aumentava ainda mais o clima que os envolvia pouco a pouco.

Sem separar o beijo, uma de suas mãos desceu pelas costas de , parando no pequeno laço do biquíni estampado que ela usava. Sem pressa, o desfez, levando suas mãos aos seios ainda cobertos da mulher, levando a peça consigo, até sentir o toque de seus dedos nela. arfou ao sentir as mãos de preencherem seus seios com firmeza, e foi impossível não gemer, da forma que ele tanto amava, ao senti-lo tocar o bico de seu seio, o deixando ainda mais enrijecido.

Nem ele sabia o porquê daquele som ter o efeito que tinha nele, mas ouvi-lo era como ligar algo instintivo dentro dele, animal. Mordeu o lábio inferior de , tombando seu corpo para que pudesse dar atenção àquela parte do corpo dela, circundando com a língua seus mamilos, um por um, os chupando até sentir enfraquecer em seu abraço.

- São bastante sensíveis, gira, uma delícia. - murmurou entredentes, ainda de olhos fechados, se perdendo em luxúria e naquele corpo que tanto precisava clamar.
- Muito. - foi a única coisa que conseguiu responder num sussurro desconexo, jogando a cabeça para trás, oferecendo ainda mais seus seios para o jogador, implorando por mais, muito mais.

Muito mais era o que o jogador também queria e precisava da mulher, por isso trouxe as pernas dela de forma a se entrelaçarem em sua cintura e se levantou com cuidado para não derrubá-la, sem quebrar o contato de sua boca com o corpo de . Não importava onde, ele só sabia que precisava continuar a tocando, beijando e conhecendo cada cantinho daquele paraíso que era o corpo de .

Enquanto caminhava para seu quarto, que tinha a enorme porta de vidro aberta, soltou os laços da parte de baixo do biquini da mulher, puxando e o jogando para bem longe. era linda demais para ficar tão coberta quando próxima dele.

sentiu o toque do algodão em seu corpo e do macio do colchão, quando a deitou com cuidado em sua cama e se colocou por cima dela. Aos poucos o jogador foi descendo seu olhar, mãos e beijos, parando mais uma vez em seus seios, antes de descer ainda mais.
Sem querer perder um só detalhe daquela cena, a fisioterapeuta se apoiou em seus cotovelos, mordendo o próprio lábio de tanto tesão que estava. parecia saber misturar suavidade com força em cada toque, o que só fazia com que sua ansiedade para que ele chegasse ao destino final aumentasse ainda mais.

deixou uma trilha molhada do umbigo até a intimidade da mulher, dando um beijo em seu ponto mais sensível, antes de se levantar e a encarar completamente embriagado em seu corpo.

- Vira pra mim, gira. - pediu sério, dominante, excitando ainda mais , que adorava quando ele assumia aquela postura.

Sem hesitar ou sequer tirar os olhos dos dele, se virou com calma, ficando da forma que ele havia pedido, empinando sua bunda de forma a provocá-lo ainda mais. Dois podiam jogar aquele jogo.
Aumentando a expectativa de ambos, caminhou calmamente até sua cômoda, ligando a caixa de som e a playlist feita especialmente para a mulher que tinha em sua cama.

- Eu não tenho palavras pra descrever tudo que sinto quando estou ao teu lado, . - ofegou ao sentir as mãos do jogador deslizar por seus pés, subindo delicadamente até sua panturrilha. - Essa canção é de um cantor português, não deves conhecer, mas desde que te conheci, toda vez que a escuto penso em ti. - o primeiro calafrio percorreu seu corpo quando sentiu o beijo que ele deixou na dobra interna de seu joelho. - Desde o começo soube que eras diferente, mas agora que estás aqui, assim, ainda mais linda do que achei ser possível... - o toque dos dedos de estavam em seu posterior de coxa, sentia os desenhos que suas mãos quentes faziam em seu corpo, sua respiração abafada bater contra a sua pele. Estava assumidamente pronta para ele e não tinha a menor vergonha que seu corpo demonstrasse aquilo. - Quero apenas que feches os olhos e ouças e sintas o que estás a fazer comigo. - fechou os olhos quando as mãos firmes do jogador apalparam sua bunda com força. - És tão... interessante, tão linda, tão... gostosa. - a respiração de aumentou ao sentir aquelas palavras sendo ditas entre suas pernas - Suas curvas sempre me enlouqueceram, mas essa em especial, és minha parte favorita em ti e eu quero te tocar aqui e te adorar até que eu não aguente mais me segurar. E então, gira, eu vou te ter.

O que veio a seguir fez cravar as unhas na cama, sentir seu coração acelerar e a impossibilitar de manter seus pensamentos coesos. Sentiu a língua do jogador encontrar sua intimidade, a fazendo ter certeza que jamais seria tocada daquela forma por mais ninguém.

nunca mais se esqueceria daquele dia, do dia em que descobriu que tinha nascido para ser seu. Só seu.

(...)

-

o chamou depois de um longo tempo em que ambos precisaram de silêncio para compreender o que tinha acontecido naquela cama. Nem , nem tinham sentido algo parecido antes e se viram assustados, como era possível sexo como o que tiveram?

- Fala, gira. - o jogador a encarou, a puxando para perto de si. Não sabia se estava pronto para não ter seu corpo junto ao dela tão cedo.
- Eu posso te fazer uma pergunta?
- Podes o que quiser comigo, , sempre. - selou seus lábios aos da mulher, não conseguia conter o mais novo sentimento que começou a nutrir por ela.
- Você tinha uma namoradA quando nos conhecemos? - encarou o jogador, que franziu o cenho.
- Depois de tudo que fizemos, esse és o primeiro assunto em tua mente?
- Não. - sorriu, dando um beijo no ombro do jogador - Mas o Toni veio me dizer que você tinha uma namorada e que terminou com ela por minha causa?
- Ele está certo. Não queria magoá-la, mas acima de tudo, não queria estragar nada do que pudéssemos vir a ter, começando de forma errada.
- Eu a conheci?

pegou seu celular na cômoda, procurando uma foto sua com a morena e a mostrou a , que franziu o cenho.

- Mas essa é sua irmã! - a mulher exclamou, tomando o aparelho da mão do jogador.
- Eu acho que saberia se estivesse a namorar minha irmã, gira.

não conseguia mais conter o sorriso que tentava segurar, aquela era a , a sua , tantas mulheres em apenas uma e todas elas estavam ali, com ele.
saiu de seu abraço, se sentando na cama e o encarou ainda confusa, sem o menor embaraço por estar nua à sua frente.
- Eu já tinha visto ela antes, no jogo que fui e você me deu a camiseta. Eu achei que ela fosse sua irmã, vocês tem o cabelo da mesma cor. - disse rindo de si mesma. - Nossa, eu fui muito lerda mesmo, você nem tentou esconder ela de mim nem nada e eu achando que você era gay.
- Espero que depois de hoje não tenha mais dúvidas.
- Não tenho. - riu das palavras do jogador, devolvendo o celular para ele e aproveitou para se sentar no colo dele novamente.
- Gostas de sentar em meu colo. - afirmou, segurando na cintura da mulher.
- Eu gosto de olhar pra você, . - levou as mãos ao rosto do jogador, acariciando de leve o maxilar dele. - Gosto de ter meu corpo no seu, de ficar no seu abraço. Gosto como me sinto quando estou assim, com você.

a puxou para si, abraçando a mulher que se aninhou em seu ombro. Ela gostava de se sentir protegida, ele gostava de protegê-la.

- Eu também tenho uma pergunta. - falou sabendo que tinha atenção de - Eu notei que tens uma tatuagem pequena aqui. - tocou a costela esquerda, próximo ao seio.
- Tenho. - a mulher riu, já tinha se esquecido dela. se distanciou relutante do abraço e se virou desajeitada para que ele visse o desenho de perto - É o símbolo do infinito. Eu nunca teria feito, mas era algo meu e do meu pai. Quando ele morreu eu precisava de alguma coisa e na Tailândia eles tem esse método feito com bambu, não as máquinas normais que vemos por aí e decidi que queria uma, mas não sabia o que, foi então que me decidi por ele. Por isso que eu amei essa pulseira que você me deu, significa muito pra mim. - respondeu observando a jóia que tinha ganho de dia dos namorados.
- Faz sentido agora.
- O quê? - o encarou confusa e o jogador pareceu pensar por um segundo.
- Que tenhas gostado tanto da prenda. - disfarçou, a trazendo mais uma vez para si.
- Eu posso ouvir a minha música de novo? Sabe como é, eu estava ocupada aquela hora pra prestar atenção em tudo que ela diz.

pegou seu celular para colocar a playlist para tocar novamente e fechou os olhos, deixando que o carinho que fazia nas costas nua da mulher e a melodia que saía da caixa de som traduzisse a sua mais nova e melhor história de amor.

- De novo? - perguntou num sussurro, sentindo seu corpo começar a corresponder aos beijos e mordidas que começou a distribuir ao som da música, em seu ombro e pescoço.

A apertou ainda mais forte quando ela começou a sua dança favorita, a que ela fazia só para ele.

- De novo.

Continue a ler o restante dessa cena (+18) em: Um 7 Interessante.





Continua...



Nota da autora: Cheguei!
Ahhhh finalmente esse casal parou de enrolar e chegou nos finalmentes.

Me digam, o que acharam? O que imaginam (ou querem) que venha por aí?

Quero aproveitar e pedir desculpas pela demora, como falei no meu grupo do facebook, esses últimos meses foram muito corridos no trabalho e também não estava gostando 100% do que tinha escrito, demorou, mas eu finalmente fiquei MUITO feliz com o que escrevi. Imagino que vocês queiram correr pra cena restrita, mas...

Caso queiram acompanhar a história, saber o que mais escrevo ou só dar um oi, cliquem no ícone do FB abaixo.

Até a próxima,

Carol





Qualquer erro nessa fanfic ou reclamações, somente no e-mail.
Para saber quando essa fic vai atualizar, acompanhe aqui.


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