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Última atualização: 30/10/2020

Capítulo 01 - Dépaysement

“Sentir-se um peixe fora d’água”.



Não havia nada que odiasse mais do que despedidas. Pelo menos era isso o que ela pensava enquanto apertava seus braços ao redor do namorado, que escondia o rosto na curva do pescoço dela e inalava a maior quantidade de perfume que conseguia. Talvez assim ele pudesse manter o cheiro da moça consigo por todo aquele tempo em que precisariam ficar afastados.
Os dias que antecederam sua partida pareceram passar tão rápido que por mais ansiosa que ela estivesse com o que viria pela frente, não conseguiu deixar de praguejar o universo. Se Pietro ao menos estivesse partindo com ela, tudo seria muito mais simples.
Porém, nada nunca foi simples para ela.
— Prometa que vai me escrever todos os dias — escutou a voz do rapaz murmurar, antes dele afastar o rosto de seu pescoço para encará-la nos olhos. deixou um sorriso torto se formar em seus lábios.
— Não preciso fazer isso, você sabe que eu vou — deu um selinho nos lábios dele. — Vai passar rápido, Pietro, você vai ver.
Se ela continuasse repetindo aquilo, talvez o universo conspirasse ao seu favor, certo?
— Mal vejo a hora de estar junto de você — tocou o rosto dela, lhe fazendo um carinho que foi interrompido pela chamada de passageiros, indicando que era a hora de embarcar. — Odeio ter que te deixar ir.
— Pense nisso como uma chance de você realmente se preparar para conhecer o Senhor — ela brincou, piscando de leve para o rapaz. — Preciso ir.
— Boa viagem, gata. Não esqueça de mim — beijou a namorada pela última vez e deixou que ela se afastasse.
— Ih, quem é você mesmo? — brincou. — Pietro Langdon, nem se eu quisesse, esqueceria você.
— Eu te amo, — disse, alto, chamando atenção de algumas pessoas.
— Eu também te amo, babe. Até logo — a garota então apressou seus passos e entregou o cartão de embarque para que pudesse seguir até o avião.
Olhou uma última vez na direção de Pietro e lançou um beijo para o rapaz, sorrindo e lhe dando as costas antes que desistisse de ir embora.
odiava despedidas, mas sempre bancava a mais forte em todas elas. Não derramava lágrimas, mantinha todos os pensamentos o mais positivos possíveis e só quando estava sozinha, devidamente acomodada em seu assento, ela deixava que as emoções tomassem conta de si.
Do lugar onde estava, ela conseguia avistar a janela onde ela sabia que o namorado permanecia ainda parado. Pietro só sairia do aeroporto quando o avião decolasse, não tinha dúvida alguma quanto a isso.
— São apenas alguns meses, — murmurou, para si mesma, sentindo os olhos se enchendo de lágrimas.
Sentia que a saudade já dava as caras em seu coração, junto à ansiedade do que vinha pela frente e o medo do rumo que sua vida tomaria dali em diante. estava deixando toda a sua vida em Ohio para trás e, sendo sincera, esperava que não precisasse mais voltar a morar ali. Não que odiasse, mas todos os seus sonhos lhe aguardavam em Baltimore – Maryland.
Pensou em sua mãe, que só não lhe trouxe ao aeroporto por estar de plantão no hospital onde era enfermeira e praguejou pela milésima vez a chefe que não permitiu a troca de horário. No entanto, no fundo, sabia que a mãe também não gostava de despedidas. Talvez a garota nem tivesse forças para realmente partir se a mais velha estivesse no aeroporto.
Colocou algum filme aleatório para assistir durante o voo e conseguiu se manter entretida até chegar ao seu destino.
Ao ouvir o piloto anunciar que pousariam em poucos minutos, o frio na barriga lhe deixou até meio enjoada e a garota respirou fundo, se achando boba e soltando uma risada baixa.
Desembarcou quase sem acreditar que realmente estava ali, respirando novos ares e prestes a conhecer tantas outras coisas novas.
Assim que cruzou a porta de desembarque, no entanto, viu alguém que não era novo para ela e seu coração se aqueceu porque ali estava uma saudade que ela conseguiria aliviar.
— Pai! — gritou, vendo o mais velho parar de procurar por ela e vir quase correndo em sua direção.
Completamente atrapalhada com as malas, deixou a bolsa de mão cair para pular no pescoço do pai e abraçá-lo bem forte, sentindo-se absurdamente feliz por estar ali com ele.
— Minha menina! — a voz grave do homem soou, com o mesmo alívio que ela sentia, e quando ambos se desvencilharam um sorriso torto se formou em seus lábios. — Não consigo imaginar sua mãe aceitando esse tanto de tatuagens.
Uma gargalhada escapou dos lábios de e ele a acompanhou.
— Ela chorou até a quinta. Depois disso, desistiu de implicar com elas — deu de ombros. — Mas se esse é o seu jeito de perguntar como minha mãe está, Senhor Charles, saiba que ela está ótima. Continua trabalhando feito maluca, mas está ótima — estreitou os olhos para ele, vendo-o coçar a nuca, sem jeito.
— Que bom que ela está bem então. Falando em trabalho, precisamos ir porque o meu está me aguardando — torceu a boca. — Aqui, deixe eu ajudar com essas malas.
O ajudar dele na verdade era carregar todo o peso sozinho e mesmo que dissesse que conseguia levar uma de suas duas malas, Charles insistiu.
Pararam diante do carro e até arregalou os olhos. Não entendia nada de carros, mas logo viu que aquele valia uma fortuna.
— Minha nossa — não conteve seu espanto, observando o pai guardar as coisas no porta-malas.
— Você ainda não viu nada, querida. Ele tem mais dois — riu da surpresa dela.
— E para que tudo isso se ele nem dirige? — questionou, se sentando no banco do carona.
— Quem disse que ele não dirige, ? — Charles deu partida e logo seguiu pelas ruas da cidade.
— É meio óbvio que não, papai. O cara tem motorista, segurança e sei lá mais o quê — deu de ombros, mexendo no rádio do carro, sem nem ligar se era do patrão do pai. — Nenhum cd? Ele deve ser entediante — Charles riu alto.
— Está enganada quanto ao Senhor , . Ele não gosta de andar com motorista e seguranças. Só o faz porque precisa — explicou, em defesa do homem, mesmo que ele nem estivesse ali para ouvi-lo. Sua expressão então adquiriu um tom mais sério. — Tem sido dias difíceis, música não tem adiantado muita coisa.
não soube se deveria ou não questionar o porquê, mas acabou deixando para lá quando pararam diante da casa onde ela moraria dali em diante.
Era muito maior do que havia imaginado e se segurou para não deixar a boca aberta com o quanto só a visão externa a havia agradado.
— É difícil de acreditar que ele não gosta dessas coisas. Olha só o tamanho dessa casa! — Charles desceu do carro e deu a volta, abrindo a porta para a filha e a esperando sair para depois ir pegar suas malas.
— Você queria que um senador morasse onde? Em um apartamento no subúrbio? — comentou, cheio de graça.
— Não sei se consigo me acostumar a morar aqui, pai. Espero conseguir um emprego logo, aí eu alugo um apartamento e...
— Nada disso, . Você não vai gastar com aluguel, filha. Já falei que não tem problema você ficar aqui comigo. O Senhor é gente muito boa, você vai ver — tranquilizou a garota, vendo que ela estava desconfortável.
— Ah, pai — suspirou, pegando a bolsa de mão e acompanhando o mais velho até a entrada dos fundos.
— E o seu namoradinho? Achei que vinha com você — perguntou, indicando o corredor que dava acesso ao novo quarto de .
— Ele vem, mas vai ter que aplicar de novo para a faculdade. Não conseguiu passar dessa vez — fez uma careta e o pai acenou, notando que aquilo lhe chateava.
— Passa rápido, você vai ver — sorriu e ela retribuiu, parando diante da porta que o mais velho indicou. — Vá em frente.
abriu a porta do quarto e seus olhos logo se iluminaram em satisfação. Assim como a casa, era muito maior do que ela esperava. Tinha uma cama king size que parecia tão fofa que lhe deixava louca para sair correndo e pular em cima e a cabeceira era de ferro francesa dourada. Havia um criado mudo em cada lado e na frente um grande espelho.
— Tem sacada e tudo! — quase gritou, observando a grande porta de vidro fechada e seguiu com o olhar para a mesa de estudos próxima do local, o que ela achou perfeito porque seria maravilhoso estudar podendo observar o mundo lá fora.
Uma porta dava acesso ao banheiro, surpreendentemente pequeno comparado ao tamanho do quarto, enquanto a outra guardava um closet.
— Eu nem tenho roupa para isso — deu risada e não conseguiu mais resistir à tentação de se jogar na cama. — Minha nossa! E eu achando que ia dividir o quarto contigo, pai.
Parado na soleira da porta, Charles apenas observava a filha, sorrindo por ver o quanto ela havia gostado.
— O Senhor fez questão de que você tivesse o próprio quarto. Você pode mudar a cor dele se quiser e deixar mais a sua cara.
— O que o senhor faz para ele ser generoso desse jeito? Se eu contar para qualquer pessoa, vai ser difícil de acreditar — riu, boba.
é como um irmão mais novo, filha. Meu pai também era chefe de segurança e meu avô cuidava dos antes disso. Você só não cresceu aqui porque, bem... Eu e sua mãe nos separamos — terminou de colocar as malas da filha no closet, porque ali já facilitava as coisas para ela.
— É verdade. Se é como o senhor diz, faz sentido. Fico feliz que ele não seja nenhum carrasco — Charles balançou a cabeça em negação, rindo. Então olhou para seu relógio de pulso e praguejou baixo por estar quase atrasado.
— Não é, minha querida. Vou deixá-la descansar. Preciso acompanhar o Senhor em um compromisso. Fique à vontade e se você sentir fome, procure pela Julieta na cozinha — se apressou e despediu-se de .
— Tudo bem, pai. Não sei onde é a cozinha, mas eu me viro, não se preocupe — assentiu para o pai, sorrindo.
— Até logo, querida — Charles saiu, encostando a porta e dando privacidade para .
Ainda deitada na nova cama, olhou para o teto, vendo o belo lustre e suspirando sem ainda acreditar que ia mesmo morar em um lugar como aquele. Não ia mentir, ela nunca teve nada daquilo, mas a ideia de ter lhe agradava e muito, era por isso que ela havia se esforçado muito para passar na Universidade de Baltimore. Queria um dia ter um lugar como aquele para chamar de seu e ela teria, não desistiria enquanto não tivesse.
Pensou no tanto que o pai se dedicava ao trabalho e em como ele falava bem de , o que a deixava realmente curiosa para conhecê-lo. Queria tirar suas próprias conclusões sobre o senador e de repente se sentiu um tanto idiota porque nunca nem sequer havia visto a cara dele.
— Você vai cursar Direito e não sabe a cara do senador, como você é esperta, hein, ? — resmungou, resolvendo pegar o celular para pesquisar sobre o dono da casa, então se deu conta de que o pai não havia lhe passado a senha do wi-fi. — Droga — bufou, porque sem internet ela não poderia nem falar com Pietro e contar sobre a casa fabulosa onde agora morava.
Ela devia era arrumar logo as coisas no closet, mas a cama estava tão macia e os olhos de de repente estavam tão pesados que ela parecia até ter tomado sonífero. Só deu tempo de a garota largar o celular ao seu lado na cama mesmo, porque não tinha forças para se esticar até o criado mudo, então ela se rendeu aos braços de Morfeu.


💋



Meio atordoada, quando a garota despertou, estava até escuro lá fora. Deu um pulo na cama, sentando-se rapidamente e se arrependendo porque ficou levemente tonta. Seu estômago reclamou imediatamente e ela pegou o celular para ver que horas eram. Oito e trinta e sete da noite.
Minha nossa, ela havia dormido demais!
Precisava desesperadamente arrumar alguma coisa para comer, então saiu da cama e conferiu o estado de seus cabelos, caçando a escova dentro da bolsa para penteá-los rapidamente antes de se aventurar pela casa. Acabou tendo que refazer seus planos, porque seus cabelos na verdade estavam em um estado deplorável e se sentiu até meio nojenta por não ter nem tomado um banho antes de se deitar.
Após pegar tudo o que era necessário, entrou no banheiro e ainda não conseguia acreditar que ela tinha uma banheira só para ela. Parecia que havia entrado em um daqueles contos de princesa.
Pena que seu príncipe havia ficado em Ohio.
Torceu a boca em um bico enquanto passava o sabonete pelo corpo rapidamente. Não tinha intenção de ficar esquecida dentro daquela banheira, pelo menos não naquele momento, já que a fome continuava fazendo seu estômago reclamar.
Limpinha e cheirosa, ela logo tratou de vestir algo confortável. Normalmente, não usava pijama para dormir, preferia usar uma de suas camisetas grandes de banda e alguma calcinha que não ficasse lhe incomodando. E como ela não podia sair andando pela casa de calcinha, colocou ao menos um shorts.
Sem a menor paciência para secar os cabelos, ela apenas tirou o excesso de umidade e então saiu do quarto, seguindo por aquele corredor e tentando gravar em sua memória de onde havia saído.
Aquela casa realmente era grande demais, porque em menos de três minutos já estava perdida. Quantos andares aquilo tinha? Balançou a cabeça e mordeu os lábios.
— Bem que podia passar alguma alma viva por aqui — resmungou, para si mesma.
Desceu por uma escada circular, encontrando uma sala pequena, com algumas poltronas e seguiu por outro corredor, indo parar em outra sala.
— Minha nossa, quantas salas! — e ela ia passar reto, como havia feito com a anterior, mas algo ali lhe chamou a atenção.
Bem no canto, próximo a uma janela com as cortinas meio cerradas, havia um belíssimo piano.
Seus olhos brilharam de imediato e um pequeno sorriso quis se formar em seus lábios. Ela não fazia ideia de que tipo de piano era aquele, a marca ou qualquer outra coisa, nem ao menos sabia tocar, mas ela era simplesmente fascinada por aquele instrumento desde pequena.
Sem pensar direito, ela seguiu até o piano e seus dedos o tocaram suavemente, revelando a temperatura fria devido ao ambiente e lhe causando uma sensação agradável, porque seu sorriso então se alargou e seus olhos se cerraram.
Quando era muito pequena, Charles colocava música clássica para que ouvisse e ela prosseguiu com aquele hábito.
Todas as vezes em que ouvia uma música, ela se pegava imaginando como seria se tornar uma grande pianista e tocar para aqueles teatros lotados.
às vezes era tão sonhadora!
— Você toca? — seus pensamentos foram interrompidos por uma voz grave, fazendo a moça pular de susto e olhar rapidamente em sua direção.
Surpreendeu-se quando seus olhos localizaram um homem parado a alguns metros dela, não apenas por ela não ter escutado seus passos, mas também porque tinha gostado imensamente de sua aparência. Podia-se ver os músculos dele ressaltados sob a camisa social clara, que fazia um conjunto perfeito com a calça de lavagem escura e a gravata perfeitamente alinhada. precisou conter a vontade de morder a boca, principalmente, quando subiu seu olhar até o rosto dele e notou o perfeito par de olhos , lhe encarando com curiosidade.
Minha nossa! Como é que ela conseguiria pensar em qualquer coisa que fosse com um deus daqueles trabalhando na mesma casa que ela morava?
Pietro que lhe perdoasse pelos pensamentos, mas socorro?
— Se eu toco? — resolveu falar, antes que ele pensasse que ela era alguma doida e o homem assentiu apenas. — Ah, não. Meu sonho de consumo sempre
foi ter um desses em casa, mas nunca tive condições — sorriu, dando de ombros, sentindo uma enorme dificuldade em desviar o olhar dele. — E você, toca? — perguntou, por pura educação, e ele demorou alguns segundos para lhe responder, encarando-a demoradamente, como se retribuísse a análise que havia lhe feito.
— Eu costumava tocar, agora não mais — disse, por fim, arriscando dar mais alguns passos na direção da moça, diminuindo a distância entre eles.
— Sério? E por que não? Acho que se eu tivesse um desses e soubesse tocar, ficaria várias horas do meu dia só fazendo isso — soltou, de forma sonhadora, então riu um pouco de si mesma. — Não que eu seja uma desocupada, mas... Você entendeu — e ele apenas acenou afirmativamente, achando no mínimo curioso o jeito dela.
— Não sou nenhum grande pianista, na verdade. Minha esposa costumava passar mais tempo do que eu aí e ela sim era fantástica — se surpreendeu pela resposta e só conseguiu pensar que a esposa daquele cara tinha tirado uma sorte grande. Além de bonito, ele exalava um charme quando falava que fez a moça desejar momentaneamente não ter namorado algum.
— Entendi — ela levou uma das mãos aos cabelos, ajeitando uma mecha para trás da orelha e contendo a vontade de olhá-lo de cima a baixo novamente. Parecia que tinha voltado a ter catorze anos e os hormônios à flor da pele. — E onde ela está? Sua esposa? — não sabia por que estava insistindo em prolongar a conversa, mas ela o fazia.
— Infelizmente, está morta — o choque atravessou o corpo de em um arrepio desagradável e ela imediatamente arregalou os olhos, levando suas mãos até a boca.
— Oh, minha nossa! Me desculpe. Eu não sabia... Nossa, desculpa mesmo! — disparou a falar, imaginando o quanto falar aquilo poderia ter custado a ele, mesmo que não soubesse há quanto tempo a esposa dele havia falecido.
— Tudo bem, não se preocupe com isso — fez um gesto que demonstrava isso mesmo, por mais que o olhar dele dissesse o oposto. Falar na esposa morta ainda lhe doía, sim, mas ele precisava se acostumar a isso uma hora ou outra.
— É sério. Não consigo nem imaginar o quanto você deve sofrer por isso. Fui meio idiota e não atentei você ter falado dela no passado. Me perdoe, de verdade — insistiu, sentindo-se tão mal por aquilo que sua vontade foi a de sair correndo dali.
— Eu entendo. É sério — repetiu o que ela havia dito, frisando e lhe lançando um singelo sorriso.
— Eu... Na verdade, está mesmo na hora de eu ir. Meu pai já deve estar chegando e eu não quero causar problemas com o chefe dele... Digo, nosso chefe, certo? — disparou a falar, sentindo-se nervosa, mas repetindo mentalmente que precisava se acalmar porque ela não costumava agir daquela forma. Talvez a gafe a tenha deixado daquele jeito.
— Chefe? — ouviu-o questionar, arqueando uma sobrancelha. Em seguida, um meio sorriso divertido tomou conta das feições dele. — Você deve ser a .
A garota então voltou a encará-lo em surpresa. Como é que ele sabia?
— Isso. , filha do Charles — assentiu e estendeu a mão, em um cumprimento, tentando não se mostrar tão abalada e falhando em tudo.
— o sorriso dele se alargou quando segurou a mão de e ela desejou que um buraco se abrisse abaixo de si para que pudesse se enterrar.
— Socorro, você é o ? O chefe do meu pai? — ele assentiu, achando graça. — Desculpa! De verdade, eu não fazia ideia de como você era, o que é uma vergonha já que eu vim para cá fazer faculdade de Direito. Eu devia ao menos saber quem é o senador, mas enfim. Desculpa mesmo, Senhor ! — então ela o viu negar com a cabeça.
— Primeiro, você precisa parar de se desculpar, — e algo no tom dele fez com que a moça se sentisse um tanto mais calma. — E, segundo, eu ainda não sou senador. Sou apenas candidato, mas seu pai já anda tratando como se eu tivesse ganhado a eleição, então não a culpo por isso não, embora seja preocupante você não saber quem são os candidatos.
— É, eu não andei muito focada em política com todo o lance de passar para a faculdade e fazer a mudança — fez uma careta, mas acabou sorrindo de volta ao ver a expressão leve no rosto dele. — Prazer em te conhecer, Senhor .
— Me chame de . E o prazer é meu, — ela precisava tomar muito cuidado para não ficar imersa no quanto aqueles olhos eram atraentes. Pareciam dizer tantas coisas que sentia-se louca para desvendar o que tudo aquilo seria.
— Ah, ! Aí está você! — a voz de Charles chamou-a de volta à Terra e a moça desviou seu olhar para o pai, que imediatamente se voltou para . — Aposto que ela se perdeu e veio parar aqui sem nem saber como voltar. Espero que não tenha lhe interrompido, Senhor .
— De forma alguma, Charles. estava me contando o apreço que tem por pianos — sorriu para homem, que voltou a encarar a filha brevemente.
— Se deixar, ela fica tagarelando até semana que vem sobre isso — implicou com a moça, que lhe deu língua. — Vamos lá, mocinha. Tenho certeza de que está desesperada de fome.
Para falar a verdade, até havia esquecido da fome, mas não podia e nem ia dizer aquilo ao pai.
— Sim, por favor — assentiu, olhando para ao ouvi-lo rir baixo. — Bom, tenha uma boa noite, — piscou para o homem, que lhe abriu um sorriso.
Honestamente, ela não se importava de ficar parada o tempo que fosse só admirando o quanto aquele cara sorria bonito. Na verdade, estava procurando os defeitos porque não tinha encontrado nada ainda e ninguém era tão perfeito assim.
Foca no Pietro, . Foca no Pietro.
— Boa noite, lhe respondeu, e a moça passou por ele para encontrar o pai. Os olhos do candidato a analisaram discretamente, então ele deu um aceno de cabeça para o homem. — .
Andaram pelos corredores, fazendo um breve silêncio, então Charles relaxou um pouco sua postura profissional.
— Devia ter visto a sua cara, filha. Parecia que estava vendo um fantasma — deu risada dela, que revirou os olhos.
— Pai, acabei de conhecer seu chefe e já o fiz falar na esposa morta! Isso é a definição de querer se enterrar — contou, rindo para não chorar.
— Uh, é mesmo? — Charles pareceu surpreso. — Mas olha só, não precisa ficar com receio de nada. é um cara legal, sei que deve ter percebido isso.
— Sim, muito legal — assentiu.
E muito gostoso também.
— Ele gostou de você, fazia um tempo que eu não o via rir de forma sincera — o comentário fez com que algo dentro de se agitasse e quando deu por si, ela abria um sorriso bobo.
— Isso é porque eu sou maravilhosa, pai — disfarçou, soltando em um tom convencido que fez Charles rir e negar com a cabeça.
— Ô maravilhosa, apenas tenha cuidado ao sair explorando a casa. Hoje você foi parar na sala de música, mas imagino que não seria tão agradável assim acabar entrando no quarto do cara sem querer.
Agradável seria pouco, na verdade.
— Relaxa, senhor Charles. Só esqueci de pegar a senha do wi-fi e não vi sinal algum de Julieta. Tô me sentindo um peixinho fora d’água nessa casa gigante, mas logo eu pego o jeito da coisa — reprimiu um graças a Deus quando viu que finalmente chegaram à cozinha.
— E eu não tenho dúvida alguma disso — o mais velho concordou.
Depois daquilo, não tornou a encontrar com e depois de passar quase duas horas conversando com Pietro via SMS, imaginou que o fogo todo que tinha sentido quando viu o homem certamente passaria.
não fazia ideia do quanto estava enganada.


💼



permaneceu parado próximo ao piano, virado na direção da porta por onde havia saído com o pai. Não soube explicar, mas a presença da garota emanava uma energia tão agradável que, por alguns minutos, toda a sensação de luto foi embora.
era o completo oposto do que ele havia imaginado quando Charles conversou com ele a respeito da mudança da garota para a sua casa. sabia da idade de , mas, por algum motivo, pensou nela com uma aparência bem mais jovem, praticamente uma adolescente, talvez porque Carter, sua irmã mais nova, sempre seria uma pirralha aos seus olhos e ela era apenas três anos mais nova que a filha de Charles.
Foi inevitável para ele analisar a moça de cima a baixo assim que seu olhar a encontrou, na sala de sua casa. Primeiro, porque ela parecia fascinada diante daquele piano e, segundo, porque era linda.
Ele se sentiu péssimo por olhar a garota daquela forma, principalmente, quando precisou conter a vontade súbita de umedecer os lábios. O sentimento de culpa ameaçou lhe corroer não apenas por Charles, mas por sua falecida esposa. fez o possível para não demonstrar o conflito interno e de repente não precisou mais se esforçar tanto. disparou a falar e, a cada frase afobada da moça, ele sentia vontade de sorrir.
Um suspiro longo escapou de seus lábios assim que seus olhos se voltaram para o piano, então caminhou até a garrafa de uísque, disposta sob uma mesinha de canto, se servindo de uma dose generosa e bebendo um longo gole. Queria expulsar qualquer pensamento e o álcool andava lhe ajudando muito ultimamente.
De forma quase involuntária, ele voltou para perto do piano e sentou-se diante do instrumento. Fixou seu olhar no teclado coberto, então ergueu a tampa para que as teclas entrassem em seu campo de visão. Dedilhou algumas delas e um sorriso triste surgiu em seus lábios ao mesmo tempo em que deixou a lembrança lhe atingir com força.


— Mas o que é que você está fazendo escondido aqui, senador ? — o homem levou um pequeno susto ao ouvir a voz muito próxima. Ele observava o céu sem estrelas através da janela da sala, pensando que sentia falta das viagens que ele e a esposa costumavam fazer.
— Só me peguei sentindo falta de quando ficávamos só nós dois — ele confessou, sentindo as mãos de Amelia tocarem seus ombros e apertarem com delicadeza.
— Devo expulsar todos os seus convidados então? Não acharia nada ruim, para falar a verdade — a mulher brincou, fazendo com que sorrisse e se virasse para encará-la.
— Já que estamos sendo sinceros, eu também não, só que eu perderia vários eleitores fazendo isso — fez uma careta, vendo a esposa imitar seu gesto e então aproximar seus lábios dos dele, lhe dando um selinho calmo. — Gosto quando me chama de senador — tocou o rosto da mulher com uma das mãos, lhe fazendo um carinho.
— Só estou prevendo seu futuro, meu amor. Tenho certeza de que você vai vencer — encarou-o nos olhos, sorrindo pela carícia do marido. — Agora venha, preparei uma surpresa para você — entrelaçou seus dedos nos dele, puxando-o de volta ao salão, onde havia deixado seus convidados.
— Aí está nosso homem do momento! — sorriu para Todd Phillips, seu assessor parlamentar, assim que ele veio em sua direção, abraçando-o pelos ombros e lhe dando um tapinha.
— Aqui estou eu, Todd. Pode respirar sossegado agora. Sei que não vive sem mim — retrucou, em tom amistoso, fazendo com que o assessor balançasse a cabeça em negação, rindo.
— Não posso discordar, você quem paga meu salário — a resposta fez com que gargalhasse.
Suas atenções então se voltaram para Amelia , assim que a mulher as requisitou com o tilintar delicado em uma taça.
— Gostaria de agradecer a todos que vieram prestigiar conosco o lançamento da candidatura de meu marido, — ela disse, em tom educado, abrindo um sorriso ao indicar o homem, estendendo a taça em sua direção. — Esta noite, é tudo sobre ele, o futuro senador do estado de Maryland. , meu amor, essa música é sua, assim como meu coração é todo seu — Amelia largou a taça e sentou-se diante do piano.
abriu um sorriso enorme, sem conseguir ver mais nada ao seu redor além da esposa.

Wise men say
(Homens sábios dizem)
Only fools rush in
(Que só os tolos se apressam)
But I can't help
(Mas eu não consigo evitar)
Falling in love with you
(Me apaixonar por você)

Shall I stay
(Se eu ficasse)
Would it be a sin
(Seria um pecado)
If I can't help
(Se eu não consigo evitar)
Falling in love with you?
(Me apaixonar por você?)



Ele reconheceu a música assim que as primeiras notas começaram ao piano e seu sorriso se alargou ainda mais, se é que aquilo era possível. Um misto de emoções tomou conta e ao mesmo tempo em que ele não conseguia desviar seus olhos de Amelia, também não conseguia refrear as batidas de seu coração, que naquele momento eram tão aceleradas que ele sentia quase doer. Era o tamanho de seu amor por aquela mulher.


Like a river flows
(Como um rio que corre)
Surely to the sea
(Certamente para o mar)
Darling, so it goes
(Querido, é assim)
Some things are meant to be
(Algumas coisas estão destinadas a acontecer)

Take my hand
(Pegue minha mão)
Take my whole life too
(Tome minha vida inteira também)
For I can't help
(Porque eu não consigo evitar)
Falling in love with you
(Me apaixonar por você)



A voz de Amelia soava tão doce e perfeitamente afinada. Cada uma daquelas palavras exalava o sentimento verdadeiro entre os dois e, sem vergonha nenhuma daquilo, sentiu que seus olhos ficavam marejados.
Ele amava Amelia , tinha se apaixonado por cada detalhe daquela mulher desde a primeira vez em que a havia visto.
O que seria dele sem ela? Não conseguiria viver sem ela.


Like a river flows
(Como um rio que corre)
Surely to the sea
(Certamente para o mar)
Darling, so it goes
(Querido, é assim)
Some things are meant to be
(Algumas coisas estão destinadas a acontecer)

Take my hand
(Pegue minha mão)
Take my whole life too
(Tome minha vida inteira também)
For I can't help
(Porque eu não consigo evitar)
Falling in love with you
(Me apaixonar por você)

For I can't help
(Porque eu não consigo evitar)
Falling in love with you
(Me apaixonar por você)


Um suspiro carregado de tristeza e dor ecoou dos lábios de . Deixou sua mão cair do piano para o colo e seus lábios tremeram, o choro não pôde ser contido.
Como ele viveria sem Amelia? Ele não queria, ele não podia, mas precisava. Precisava porque ela jamais permitiria que ele desistisse.
As lágrimas escorreram pela bochecha do homem e ele soluçou em silêncio, deixando que esse fosse a única testemunha de seu desabafo.
Perdeu as contas de quanto tempo permaneceu ali, tomado pela dor da ausência do amor de sua vida, até que o pranto foi se dissipando e a calmaria chegou ao seu coração dolorido.
Num gole só, virou o restante de uísque de seu copo, seus olhos se voltaram para a porta e por fim ele decidiu se recolher aos seus aposentos. Fechou a tampa do piano e se levantou, deixando o cômodo.
O dia seguinte seria cheio e ele mais uma vez precisava de toda a força do mundo para vencê-lo e conseguir vencer também a eleição.
Por Amelia.


Continua...



Nota da autora: Apresento a vocês esse romance que eu estava louca para postar hahaha. O tanto que eu já amo esses personagens não está escrito e eu estou torcendo muito para que vocês gostem deles tanto quanto eu.
Para saber mais sobre as histórias que eu escrevo e interagir comigo, me sigam lá no instagram e entrem no meu grupo!
Beijos e até a próxima.
Ste.



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