Última atualização: 07/10/2017

Capítulo 1


Mais um belo fim de tarde para correr pelo Hyde Park, principalmente quando se levou um fora da sua namorada. Ou melhor, ex-namorada. Balancei a cabeça, espantando os pensamentos e voltando a correr. Eu tinha que tirar Claire da cabeça, já havia se passado duas semanas. Ela, provavelmente, já deve estar se divertido com outros caras por aí, enquanto eu ainda não consigo esquecê-la. Ah, por que é tão difícil encontrar essa tal garota certa, uh? Todas parecem ser complicadas demais! Por que não podem ser simplesmente bonitas, sexies, legais, inteligentes, doces, boas de cama, não sentirem tanto ciúmes, entender o que a gente fala, fazer os nossos gostos de vez em quando... Ok, é impossível achar alguém assim.
Continuei correndo, tentando tirar qualquer pensamento da cabeça. Avistei mais à frente um garoto em uma bicicleta, ele estava com a expressão de assustado. Visualizei o outro lado, e observei uma senhora andar devagar, sem prestar a atenção por onde andava. Eu sabia no que aquilo ia dar. Sem pensar duas vezes, corri até a senhora e a puxei depressa, fazendo-nos cair no chão. O garoto com a bicicleta passou por nós em uma velocidade incrível, mas parou quando bateu em um banco. É, ele não deve estar muito bem. Lembrei-me da senhora que estava ainda ao chão, e a ajudei a se levantar.
- A senhora está bem? – perguntei, preocupado. Ele me olhou ainda um pouco assustada.
- Bem? Eu estou mais do que bem! – sorriu, mostrando todas as rugas que a idade lhe trouxe. – Você me salvou, garoto. Obrigada!
- Não por isso. – sorri, aliviado. Ela se aproximou de mim e segurou minhas mãos, olhei-a sem entender. Ela usava um lenço na cabeça, muitas bijuterias e também usava um lápis de olho preto, um pouco forte para a sua idade.
- O que eu posso fazer por você, criança? Há algo que você deseje muito? – perguntou ainda segurando minhas mãos. Continuei sem entender.
- Ahn, não, obrigado. Eu tô bem – sorri amarelo.
- Espera! – ela fechou os olhos e depois os abriu, sorrindo. – Uma garota.
- Como é? – franzi o cenho.
- Eu já sei, criança. – falou, voltando a fechar os olhos. Eu a senti apertar minhas mãos e um leve tremor passar por elas. Puxei minhas mãos na hora.
- Ahn, eu já vou indo. – avisei, afastando-me.
- Acontecerá, filho. Acontecerá! – ela disse alto, enquanto me afastava. Fiz uma cara estranha e sai de perto.
- Louca! – sussurrei e voltei a correr, mas dessa vez fui para a casa.



Ouvi o despertador tocar ao meu lado, no criado-mudo. Mexi-me na cama, preguiçosamente, sem querer levantar. Encarei o maldito que ainda tocava incessantemente. Bufei, desligando-o. Quando estava pronto para me levantar da cama, ouvi um suspiro baixo. Paralisei. Era um fantasma? Qual é, , cresça! Deve ter sido coisa da minha cabeça. Mas notei no segundo seguinte que não era, pois ouvi de novo. Girei meu rosto para o outro lado, encontrando um corpo enrolado no meu lençol. Gesticulei um “o que diabos?” sem entender o que era aquilo. Eu dormi com alguém noite passada e não me lembro? Me movi um pouco mais para perto da pessoa, e pude ver os seus cabelos castanhos caindo sobre o meu travesseiro. Mas ainda assim não conseguia visualizar seu rosto. Me aproximei mais um pouco para poder vê-lo, mas ela se movimentou mais rápido, virando o rosto na minha direção. E, puta merda! Que garota linda! Ela ainda dormia, tinha os lábios vermelhos entreabertos, um rosto de boneca, um narizinho perfeito. Linda, cara, linda.
- Ah, meu Deus! – sussurrei. Eu tinha dormido mesmo com uma garota tão linda assim? Espero que ela seja maior de idade. Aproximei meu rosto do dela, só para ter certeza que ela era real, quando ouvi um sorrisinho vindo dela.
- Para de me olhar dormir, você sabe que eu odeio. – falou de olhos fechados.
- Ahm... – disse, sem saber muito o que falar. Apenas me afastei dela. – Erm...
- Que foi? – sussurrou, abrindo os olhos. Wow! Lindos olhos também.
- Eu não... Eu só... Eu não sei. – disse apenas, fazendo uma careta. Ela me olhou sem entender. Sentou-se na cama, e o lençol que cobria seu corpo escapou um pouco, mostrando a bela curva dos seus generosos seios cobertos apenas por um sutiã. Caralho! Eu, claro, não pude deixar de fitá-los. Ela riu.
- Tô vendo que já melhorou! – balançou a cabeça, aproximando-se de mim. Me afastei. – Joguinhos? Mesmo? Essa hora da manhã, ?
- Desculpa, mas eu não me lembro de você. – confessei, enfim. Ela revirou os olhos, mexendo no cabelo e fazendo um nó com ele.
- Larga de criancice, ! – retirou o restante do lençol que a cobria, levantando-se da cama. Caralho, puta merda! Que mulher é essa? Que corpo é esse? Fiquei ali babando, enquanto ela andava até o meu banheiro como se fossem íntimos. Olhei ao meu redor, só para ter certeza que eu estava mesmo no lugar certo. Eu não consigo entender porque eu não me lembrava de nada da noite passada. Eu bebi? Sai? Resolvi me levantar e ir até aquela garota, pelo menos saber o seu nome. O banheiro estava com a porta aberta, e ela estava lá, terminando de escovar os dentes. Espera, aí! Por que tem uma escova a mais no meio das minhas coisas? Ela me olhou através do espelho, esperando alguma reação. Nada. Cuspiu o restante da pasta de dente e enxaguou a boca, secando-a rapidamente com o dorso da mão. – Tá de mau-humor hoje?
- O quê? Não! – neguei. – Eu só, desculpe, não me lembro de você. – ela suspirou, descrente.
- Acho que você bateu a cabeça muito forte no chão ontem, quando caiu na casa do . – fez uma careta.
- Você conhece o ? – perguntei surpreso.
- Arght! – bufou, rolando os olhos. – Já vi que tá tentando testar minha paciência. – disse, saindo do banheiro, apenas a segui.
- Mas é sério, porra! – comecei a ficar irritado. Ela parou de andar e olhou pra mim. – Eu não me lembro de nada. – ela franziu o cenho, cruzando os braços.
- Hmm... – fez, aproximando-se de mim. – Vamos fazer o seu joguinho então, . – riu. – Então, você não se lembra de mim? Não sabe como nos conhecemos?
- Moça, eu não sei nem o seu nome. – confessei, suspirando alto em seguida.
- Ah, não? – ela riu, achando graça. – Ok, meu nome é . .
- ? Bonito nome. – comentei.
- É, mas você adora me chamar de . – explicou, aproximando-se ainda mais. Fiquei parado no mesmo lugar. – Ou de amor, linda, anjo... Ás vezes de gostosa e delícia. – ela riu. E eu continuava confuso.
- E eu te conheço de onde? Como você veio parar na minha casa? – perguntei, enfim.
- Hm, a gente se conheceu na festa de aniversário do . – colocou seus braços em volta do meu pescoço. Mas eu tirei e me afastei. – Ah, pelo amor de Deus, !
- Como você veio parar na minha casa? – voltei a perguntar. Ela revirou os olhos e foi se sentar na cama. – Responde!
- Cara, como você tá chato hoje, hein? Não entendi esse joguinho seu. – fitou as unhas.
- , me responde, por favor! – pedi, quase suplicando.
- Ok, ok! – se deu por vencida. – Há quase um ano você pediu que eu viesse morar com você, .
- UM ANO? – gritei, não acreditando. – Tá louca?
- Eu desisto! – falou alto, andando até o meu closet e pegando uma camisa minha e uma short jeans. Ei! Não tinha esse short antes ali. Os vestiu rapidamente. – Quando você parar de infantilidade, desce e fala comigo. – avisou, saindo logo em seguida. Me vi sozinho naquele quarto, tentando entender o que tinha acabado de acontecer ali. Eu só podia estar dentro de um sonho. Nada daquilo fazia sentido. E quem ela acha que é para falar comigo daquele jeito? Sai atrás dela, disposto a tirar algumas satisfações. Passei pela sala e ela não estava lá, então fui até a cozinha, encontrando-a. , se é esse o nome dela mesmo, estava de costas, pegando algumas coisas na geladeira. Na minha geladeira.
- Ei, você tá comendo o meu peito de peru! – falei alto. Ela se virou, não acreditando no que eu havia falado.
- Eu não vou comer tudo, . Eu sei que você adora isso aqui com pasta de amendoim. – fez uma careta de nojo.
- Como você sabe disso? – perguntei assustado. Poucas pessoas sabiam daquela minha esquisitice.
- Eu sei muita coisa sobre você, amor. – sorriu, tentando ser paciente. Levou as coisas que havia pegado para o balcão. Sentou-se em um banco e puxou outro, batendo a mão sobre o mesmo. – Vem cá, vem! – me chamou. Suspirei algumas vezes antes de me render. Ok, eu precisava entender o que estava acontecendo. Andei até ela e me sentei ao seu lado. Ela segurou minha mão com uma mão e com a outra, segurou meu rosto. Seu toque era incrível. – O que tá acontecendo, uh? Eu tô ficando assustada.
- Acredite, eu estou muito mais assustado. – confessei.
- Ok, talvez a pancada tenha sido realmente forte. – tentou se convencer. – Vamos tentar entender essa sua perda de memória. Mas se for brincadeira, eu juro que...
- Não é, eu juro! – falei rápido. – Me ajuda! – ela suspirou, assentindo. – Agora me diz o que está acontecendo? Como tudo isso aconteceu? Como eu conheci você?
- Bom, a gente se conheceu há mais de um ano, na festa do , você me convidou pra sair, e saímos sempre depois disso. – ela tentava se lembrar. – Ahm, você me pediu em namoro e...
- A gente namora? – perguntei, não acreditando que eu namorava uma garota daquelas. Ela balançou a cabeça, concordando. – Nossa.
- É. Ahm, depois de um tempo, você me pediu pra morar com você e, bom, aqui estamos nós. – sorriu, sem jeito. – Se lembrou de algo?
- Não. – falei baixo, abaixando a cabeça. Ela se aproximou de mim, abraçando-me com força. Eu nada fiz.
- Tudo bem, amor. Nós vamos dar um jeito de consertar isso. – sussurrou próximo a minha orelha, depositando um beijo na mesma. Fitou meus olhos e sorriu. – Eu te amo. – e eu não soube o que dizer.
- Eu... Eu sinto muito. – foi o que saiu. Ela fez uma cara triste, soltando-se de mim.
- Tudo bem. – afastou-se. – Sabe, eu acho que vou visitar a Zoe, ok? Você tá precisando ficar sozinho. – não disse nada. Apenas fiquei a observando se afastar e sumir das minhas vistas. Ouvi o barulho da porta da frente se fechar minutos mais tarde. Olhei ao meu redor, procurando algo que me ajudasse a lembrar de algo. Fitei a geladeira, nela havia algumas fotos pregadas que antes não estavam lá. Caminhei até elas, pegando uma que estava pregada a um imã. Na foto estava eu e . Parecíamos estar em um restaurante. Eu estava sentado e ela estava atrás de mim, me abraçando. Os dois sorriam. É, confesso que eu parecia estar bastante feliz naquela foto. Por que diabos eu não me lembro de nada? Olhei para as fotos de novo e observei uma em que estávamos todos nós, incluindo o e sua namorada, . Era isso, eu sabia quem ia me ajudar a me lembrar.


- Caralho, já vai! – ouvi a voz de do outro lado da porta. Bati mais uma vez. – Porra! – e ele finalmente abriu. – Cara, eu vou te matar!
- , eu preciso da sua ajuda. – avisei, entrando como um furacão na sua casa. Ele fez uma careta, a cara toda amassada. É, acho que eu tinha o acordado.
- Não dava pra esperar eu acordar, hein? – coçou o cabelo, andando até mim. Neguei. – Que foi, cara?
- Eu acho que estou num universo paralelo! – falei, jogando meu corpo no sofá atrás de mim. franziu o cenho, confuso.
- Você tá bêbado? – perguntou.
- Não, cara. É sério! – respirei fundo. – Acordei hoje e tinha uma garota dormindo na minha cama, linda, mas eu não a conheço.
- Como assim? Você tá traindo a ? – perguntou surpreso.
- É isso! Esse é o nome dela, mas eu não a conheço... E, pelo jeito, todo mundo conhece, menos eu. – suspirei, cansado. – Eu não sei mais o que fazer, .
- , eu não estou te entendendo. – se aproximou, sentando-se ao meu lado. – O que você tá falando?
- Eu também não entendo, cara. – gesticulei rápido. – Eu só me lembro de acordar com essa garota ao meu lado, sem nem saber seu nome. Eu juro, eu não a conheço.
- Cara, isso é estranho! – fez uma careta. – O que a acha disso?
- Acha que eu estou brincando. – dei de ombros.
- É, eu também. – concordou, olhando-me desconfiado.
- Mas eu não estou, ok? – falei mais alto. Levantou as mãos em forma de rendição.
- Tudo bem, tudo bem. Mas como eu posso te ajudar? – perguntou.
- Eu não sei. – fui sincero.
- Quer a minha opinião? Volta pra casa. – eu ia protestar, mas ele continuou. – É sério. Se alguém pode explicar tudo o que está acontecendo, o que uma garota estranha tá fazendo na sua casa é ela mesma. Conversa com a , .
- É, tudo bem. – concordei, sem vontade. – Mas espero que ela me entenda e não ache que eu estou brincando.
- Ela vai, ok? Eu vou pedir pra falar com ela depois. – disse, dando-me tapinhas nas costas.
- Tá bom. – me levantei, seguindo para a porta. veio atrás.
- , quando você acordou e viu a , não se perguntou como conseguiu aquela garota?
- Exatamente! – concordei rápido. – Eu não entendo como uma garota daquelas pode me dar moral.
- É, buddy, nem eu! – riu, me empurrando para fora da casa dele. Desgraçado! Então, era isso. Voltar para a minha “atual” vida. Ou o que for.


Assim que cheguei em casa, também já havia voltado. Ela estava sentada no sofá, comendo um pote de sorvete. Seu olhar se direcionou para mim, esperando alguma reação.
- Oi. – falei, fechando a porta e jogando a chave do carro em cima da mesinha de centro. Me sentei ao seu lado.
- Oi. – respondeu de volta. – Tá se sentindo melhor?
- Um pouco. – confessei.
- O me ligou, falou que você foi lá. – concordei com a cabeça. – Eu tava com saudades. – fitei seus olhos, e eles pareciam ser bem sinceros quando disse aquilo.
- Desculpa não me lembrar de tudo o que aconteceu entre a gente, ok? – pedi, sentindo-me culpado.
- O que eu posso fazer, né? – deu de ombros, sorrindo triste. – Ei, tá com fome? Eu fiz alguns sanduíches.
- Bom, eu acho que quero sim. – sorri, agradecido.
- Vou buscar, então. – sorriu, finalmente. Levantando-se e indo até a cozinha, voltando rapidamente com um prato em mãos. Depositou o prato sobre a mesinha e voltou a se sentar ao meu lado, ligando a TV. Peguei um dos sanduíches e comecei a comer. Hm, e estava realmente muito bom. Do jeito que eu gostava.
- Tá muito bom, . – falei. Ela sorriu. Deus, como ela era linda.
- Fiz do jeito que você sempre gostou – comentou, aproximando-se de mim. - ... – me chamou, mordendo os lábios.
- Hm? – respondi, terminando de engolir o pedaço do sanduíche.
- Quero te beijar! – soltou. Quase engasguei. riu, batendo nas minhas costas. – Calma, calma!
- Você quer? – perguntei, fitando os olhos dela. Ela mordeu o lábio inferior, assentindo.
- Você não me beijou hoje, sinto falta. – confessou baixinho.
- Mesmo eu estando assim? Sei lá, não me lembrando da gente? – perguntei, curioso. Ela riu.
- Mas eu me lembro, amor. E eu tô pedindo um beijo, não sexo. – engasguei de novo e ela riu. - , você não tem mais dez anos.
- É porque eu não consigo me imaginar com você... – devolvi o sanduíche para o prato. – Sabe? – fiz as curvas de uma mulher com as mãos. – Você é linda demais, cara.
- E daí? Você é lindo também! – sorriu, aproximando-se de mim. Não me afastei. – Vai? Só um beijinho? – pediu, fazendo biquinho. Eu sorri, achando aquilo bonitinho. – Fecha os olhos, anda.
- ... – comecei, mas ela me interrompeu.
- Shh, fica quieto! – mandou, praticamente se sentando no meu colo. – Talvez assim você se lembre. – mordeu o lábio inferior, aproximando a boca da minha. Eu podia sentir sua respiração bater na minha boca. puxou meu lábio inferior com os dentes, estava pronta para me beijar... Quando o telefone tocou. Ela bufou, voltando a se sentar direito.
- Ahm, eu atendo! – falei rápido, estendendo a mão até a base e atendendo ao telefone. – Alô?
- Olá, querido! – reconheci a voz, franzindo o cenho.
- Mãe? – perguntei surpreso. Minha mãe quase nunca me ligava, e quando eu digo quase, eu quero dizer nunca. – Por que você tá ligando?
- ! - repreendeu, rindo.
- Olha os modos, garoto! – repreendeu-me também. Revirei os olhos. – Onde está a ?
- Você conhece a ? – perguntei, fitando a própria. Ela sorriu de lado, dando de ombros.
- Ora, claro que conheço! Querido, você está bem? – perguntou preocupada.
- Não sei, mãe. – cocei a nuca. suspirou, estendendo a mão, pedindo o telefone. Entreguei, observando-a conversar naturalmente com a minha mãe. Cara, a minha mãe. Já posso acordar?
- Oi, Sue. Pois é, ele não está muito disposto hoje. – uma pausa. – Ah, sim, claro. Não nos esquecemos! – sorriu, depois me fitou. – Hm, eu vou conversar com ele, ok? Se ele estiver se sentindo melhor nós iremos. Sim, tudo bem. Você também, sogrinha. – uma risadinha. – Ok, tchau, até mais. – e desligou, jogando o telefone no colo. - , você sabe que dia é hoje?
- Sexta? – perguntei em duvida.
- Hoje é a comemoração das bodas dos seus pais. – ela explicou, pacientemente.
- É? – ela concordou. – E?
- E nós temos que ir. – falou, esperando alguma reação. Fiz uma careta. - Ah, , não faz essa cara. São os seus pais, poxa. Eles marcaram isso há tempos, eles esperam que você vá. Assim como todo mundo.
- Todo mundo quem? – levantei uma sobrancelha.
- O resto dos convidados? – falou óbvia. – Meus pais vão estar lá também.
- Seus pais? – falei surpreso. – Eu conheço os seus pais? – ela assentiu. – Puxa!
- Você não se lembra deles também, né? – neguei. Ela suspirou. – Não se preocupe, eu te ajudo com isso, ok?
- Não sei se é uma boa eu ir, . – confessei, levantando-me. – Isso tudo tá muito confuso.
- Eu sei, amor. – falou, levantando-se também. – Mas eu vou estar ao seu lado o tempo todo, vai dar tudo certo.
- Ah, cara... – enfiei os dedos no cabelo. – Eu tô pressentindo que eu vou me ferrar.
- Não vai, eu não vou deixar isso acontecer. – sorriu, aproximando-se. – Além do mais, você estará entre a sua família e amigos, nada de ruim pode acontecer.
- Ok, você ganhou! – sorriu largamente. – Mas não vai se acostumando.
- Ah, é melhor você ir se acostumando, . – sorriu maliciosa. – Eu sempre ganho. – avisou, andando e subindo as escadas, sumindo das minhas vistas. Bufei, jogando-me no sofá. O que ia acontecer com a minha vida agora?


Me olhei no espelho de cima a baixo. É, não estava nada mal. Estava vestido uma camisa social vinho e uma calça preta também social. Não era muito o meu estilo, mas me obrigou a colocar isso. E por falar nela, ela já está trancada no banheiro há quase uma hora. Passei a mão no cabelo, tentando dar uma arrumada ou desarrumada, não sei, e fui bater na porta do banheiro.
- Ei, tá tudo bem, aí? – perguntei, aproximando o ouvido da porta.
- Tá, sim. Já estou saindo! – avisou. Ouvi a porta se abrir e me afastei, dando espaço para ela passar. Mas antes que conseguisse me movimentar direito, eu a fitei. Uau. Ela sorriu, vendo a minha cara de idiota, encarando-a. – Ficou bom? – perguntou, dando uma voltinha. estava usando um vestido longo, que deixava seus ombros e costas de fora, lindas costas e com uma bela tatuagem, diga-se de passagem; seu cabelo estava em um coque meio baixo e sua boca estava com um batom vermelho. Linda, cara.
- Uau. – foi o que eu consegui dizer.
- Não está exagerado? – perguntou, insegura, andando até o espelho do quarto, se analisando.
- Você tá linda! – falei, sincero. Ela sorriu, se virando pra mim.
- Você também tá. – se aproximou, arrumando a gola da minha camisa. Me fitou nos olhos durante um tempo, abriu a boca pra falar algo, mas desistiu, e optou por somente sorrir. – Então, vamos? Já estamos atrasados.
- Sim, claro! – concordei, pigarreando e enfiando uma mão dentro do bolso da calça.
- Ok, vou pegar a minha bolsa e te encontro no carro. – avisou, e saiu andando até o closet. Balancei a cabeça positivamente e sai, rumando para a sala, pegando a chave do carro sobre a mesinha, e me dirigindo para fora da casa, onde o carro estava estacionado. Assim que entrei no carro, fitei o volante. Isso tudo era tão maluco e irreal. Às vezes tenho a impressão de que eu vou acordar a qualquer minuto, e que estarei deitado na minha cama, sozinho e louco. Fui acordado do meu transe pela porta sendo fechada por . Apenas a fitei e sorri. Se for um sonho mesmo, é melhor eu aproveitá-lo.


No momento em que coloquei os pés no local da festa, me arrependi de ter ido. Muita gente. Muita gente conhecida, mas muita gente desconhecida também. Senti a mão de procurar a minha e entrelaçá-las, apertando-as.
- Vai ficar tudo bem, eu tô aqui. – sussurrou pra mim. Assenti, e deixei que ela nos guiasse. Um casal já mais velho se aproximou de nós.
- Querida, você está deslumbrante! – uma jovem senhora de cabelos castanhos e olhos verdes, falou, fitando .
- Obrigada, mãe. – ela respondeu, sorrindo. Mãe? Opa!
- , vai aparecer para o jogo na próxima quarta? – o senhor, ao que tudo indicava era pai de , perguntou.
- Ahm, jogo? – falei, confuso.
- É, a gente tinha combinado de ir assistir ao jogo do Chelsea. – explicou como se fosse obvio. Olhei para , pedindo alguma ajuda. Ela entendeu, e suspirou.
- Pai, e eu já temos compromisso quarta. – falou, fazendo uma careta. – Desculpe, mas é inadiável.
- Ah, ok. Deixa para uma próxima, então. – concordou, dando de ombros. – Querida, são os Lavigne. Vamos lá dizer um oi.
- Claro! – a senhora concordou, sorrindo. – Até mais tarde, queridos. – e saíram para longe de nós. Respirei aliviado. olhou para baixo, suspirando. Meu coração se apertou de culpa.
- Eu sinto muito por isso, mas eu realmente não me lembro deles. – falei, tentando me explicar. Ela me fitou, sorrindo triste.
- Tudo bem, vamos dar um jeito nisso depois. – pegou a minha mão novamente. – Ah, outra coisa, os nomes dos meus pais são Dominick e Richard. – assenti, repetindo mentalmente, tentando decorar. me olhava ainda direito sem saber se acreditava em mim ou não, acho que assim como é pra mim, também era surreal pra ela.
- Eu juro que não é uma brincadeira de mal gosto. – falei, apertando a sua mão entre a minha. Ela mordeu o lábio inferior, assentindo.
- Eu acredito em você. – falou, enfim. – Porque você sabe bem que eu mandaria te castrar se fosse uma brincadeira. – ameaçou, me fuzilando com os olhos.
- Não será necessário! – falei, rindo.
- Casaaal! - se aproximou de nós, gritando. Típico. Rimos. Ao seu lado, , que revirava os olhos, acostumado com a namorada. – Oi, fofinho! – me cumprimentou, apertando meu nariz. era estranha, às vezes se comportava como a minha mãe. Mas era minha amiga e também, namorada do meu melhor amigo.
- Oi, . Tô bem também, e você? – ironzei, recebendo um dedo do meio de volta. – Oh!
- Oi, amiga. – ela me ignorou, voltando a atenção para .
- Oi, . - riu do jeito dela. – Você está linda.
- Olha quem fala, né? Tá maravilhosa! – piscou para ela.
- Papo de mulher é caído, né? - falou baixo. Ri, concordando. Rasgação de seda, credo. – Oi, . - a cumprimentou, sorrindo. sorriu de volta, voltando a conversar com . – E aí, como você tá, cara? – perguntou, direcionando o olhar pra mim. Olhei para as meninas, que conversam animadas sobre algo que havia passado na TV. O puxei para se afastar um pouco delas e desabafei.
- Cara, tá tudo muito estranho. – falei, fitando-o. – Não parece a minha vida, não tem nada na minha cabeça pra me fazer lembrar dessa garota, entende? Nada. – eu falava gesticulando muito. Minha cabeça parecia que ia explodir. – Eu não tenho ideia de quem são algumas pessoas aqui, eu não tenho ideia de quem é ela. – apontei para . Ela olhou na mesma hora e sorriu, e depois respondeu algo para . – Ela. – abaixei o tom. – Eu não sei quem é essa garota incrível. – voltei a fita-lo. – E eu queria muito saber.
- Eu também não entendo como tudo isso na sua cabeça aconteceu, porque num dia você está feliz com a e no outro não se lembra mais de nada. – me olhou, confuso. – Seja lá o que for, cara, a gente vai te ajudar. Eu prometo! – colocou a mão no meu ombro. – Até lá, já que essa garota é tão incrível... – sorriu, me virando para fitá-las. – Porque não vai até lá e tenta conhecê-la um pouco melhor, uh?
- É... – falei, sorrindo de lado. – Me parece uma boa ideia.



Capítulo 2



O plano de conhecer melhor era ótimo, estava disposto a tentar entender o que estava acontecendo ali, com o meu cérebro, minha vida. Então perguntei a tudo o que ele sabia sobre ela, sobre a nossa vida juntos. Bom, basicamente ele me explicou o que ela já havia me dito. Nos conhecemos na festa de aniversário do , por meio de , que já era amiga de na época. Ele disse que assim que eu a vi, fiquei bobo e quis conhecê-la. É, parece ser coisa minha mesmo. Ele me disse que éramos o tipo de casal que todo mundo queria ser. Éramos divertidos e era bem óbvio que nos amávamos. E claro, minha família inteira era louca por ela. Minha irmã mais nova, Blue, teve a audácia de me dizer que ela era a irmã que ela nunca teve. Acredite, Blue não era amigável com muitas pessoas. Ela odiava Claire. Poxa, Claire. Melhor eu nem pensar nela.
- Quem quer álcool? - perguntou alto, levantando uma garrafa de whisky.
- Já começou a furtar as coisas da festa. – falei, rindo. me acompanhou. – E os copos, espertona?
- E quem precisa de copos, ? – falou, levantando a sobrancelha. riu, negando.
- Estamos numa festa de bodas, amiga. A gente precisa de copos, caso contrário, vão achar que somos animais. – ressaltou, . – Pode deixar, eu vou arranjar alguns pra gente.
- Eu vou com você. – falei, indo para o seu lado, prontamente. Ela me olhou e balançou a cabeça, concordando. Rumamos para a cozinha, então, andando lado a lado. Ouvi um suspiro vindo dela. A fitei. – Tudo bem?
- Hm? Ah, tá sim. – forçou um sorriso. Franzi o cenho.
- O que foi, hein? – tentei de novo. – Me fala, . – parei de andar, esperando que ela me contasse. mordeu o lábio, me encarando. Deu de ombros.
- Sei lá, é muito estranho. – desviou o olhar. – Normalmente, você andaria de mãos dadas comigo, não me soltaria por nada. – sorriu triste.
- Eu sinto muito, de verdade. – passei a mão no cabelo, bagunçando, sem me importar com nada. Olhei para trás e vi um canto mais afastado daquelas pessoas todas. Puxei até lá. – Olha, eu queria que tudo isso fosse uma piada, mas não é, infelizmente. Eu não sei mais o que eu posso fazer. Me ajuda?
- Tudo bem, , eu não queria parecer querer forçar nada. – falou, tentando aliviar a tensão. Eu me sentia um lixo, sem saber direito o que fazer. – Mas você tem que me entender, não é fácil pra mim também.
- Eu sei que não é. – puxei sua mão e a segurei forte. Ela as observou por um segundo e depois voltou a me fitar. – Mas a gente vai conseguir passar por isso, certo? - balançou a cabeça, concordando.
- Certo. – falou, enfim. – Vamos, claro! – sorriu, abraçando-me de repente. Me surpreendi com o ato, mas a abracei de volta.
- Vem, vamos pegar os copos para aqueles bêbados. – falei, segurando sua mão e nos levando até a cozinha. Lá, dei de cara com o meu pai.
- Filhão! – falou, abraçando-me. Sorri, retribuindo. Essa galera gosta de um abraço, né?
- Fala, James! – nos soltamos. – Minha mãe teve muita paciência por aguentar você por tantos anos.
- Sua mãe teve sorte. – piscou, rindo. E eu me vi refletido nele. – Já não posso dizer o mesmo da , né, querida?
- O é um homem maravilhoso, vocês fizeram um bom trabalho. - sorriu, entrelaçando o braço ao meu. – Parabéns pelas bodas.
- Obrigado! – agradeceu, logo após virando-se para pegar uma garrafa de whisky. – Esse povo está bebendo demais. Parece que as garrafas de bebidas estão sumindo. – comentou, pensativo. e eu nos entreolhamos, segurando o riso. – De qualquer forma, divirtam-se! – levantou a garrafa. – Eu sei que eu vou.
- É seu pai mesmo. - comentou baixo. Meu pai se despediu e saiu, voltando para a festa. Fui até o armário onde estavam os copos e peguei dois pares, voltando para o lado de .
- Pronta? – perguntei, mostrando os copos.
- Preparando o meu fígado. – fez uma careta, rindo. – Mas vamos lá. – quando voltamos, o casal vinte estava dançando ao som de alguma música do Elvis que tocava. Rimos.
- Belos movimentos, ! – ironizei, entregando dois copos para .
- Eu sei me mexer, né, cara? Ao contrário de você. – se gabou, levantando a gola da camisa. Revirei os olhos, entregando o restante dos copos a ele.
- Vai, , encha esse copo. – pedi, estendendo o meu copo.
- Calma, isso não é refrigerante, . – avisou, abrindo a garrafa na boca. Muito elegante. – Aqui. – encheu meu copo como eu havia dito, fazendo o mesmo com o restante. – Ok, ok. Vamos brindar! – levantou o copo. – A esse momento, por estarmos juntos e vivos.
- À nós! - falou, levantando o copo também, fizemos o mesmo.
- À nós! – dissemos uníssonos. E bebemos quase metade do copo.
- Uuuh! – gritei, sentindo o álcool descer rasgando.
- Arght! Isso aqui é muito bom. - falou, fazendo uma careta, e chacoalhando a cabeça. – É ruim, mas é bom.
- É ruim, mas é bom?! - riu.
- Ah, você entendeu, sua chata! - falou, mostrando língua. abraçou a namorada pelos ombros, e fitou a mim e .
- Algum problema, cara? – perguntei, tomando mais um gole da minha bebida.
- Não, nada. – deu de ombros. – Só estava lembrando de quando toda essa doideira começou.
- Como assim? – questionei, sem entender.
- Lembrei de você chegando pra mim e falando... – pigarreou. – “Cara, eu acho que tô apaixonado.” – na cabeça dele, ele me imitou, mas na minha, eu nunca havia dito aquilo. Sorri, franzindo o cenho. – Eu sei que você não se lembra disso, mas a gente, sim. – apontou para ele e as meninas. abaixou a cabeça, fixando sua atenção ao copo que segurava. – Eu só espero que você se recupere logo, meu amigo.
- É, eu também. – fitei , que ainda fitava o copo. Suspirou, levantando a cabeça, sorriu amarelo e virou-se para .
- Amiga, vamos ao banheiro, por favor? – pediu, sem tirar o olhar dela. concordou, pegou a mão da amiga e sumiram casa adentro.
- Eu preciso de um cigarro. – falei, tateando os bolsos da minha calça.
- Achei que você tivesse parado. - comentou.
- Péssima hora para se parar. – rebati, passando a mão no cabelo.
- Cara, se acalma! – pediu, colocando a mão sobre o meu ombro. – Amanhã nós vamos à uma clínica, você vai fazer alguns exames e vamos saber o que está acontecendo.
- E se não me lembrar? – refutei.
- Aí, você terá a chance de começar tudo de novo. – foi sincero. – E claro, de dar uns pegas numa garota bem gata. – rimos. – Vai dar certo, você vai ver.
- Tomara. – sorri. – Valeu, cara! – o abracei brevemente. – Eu acho que eu só preciso me focar em ter a rotina que eu tinha antes de esquecer tudo. É muita coisa pra processar. – coloquei a mão na cabeça, sentindo-a começar a doer. – Eu acho que preciso ir pra casa descansar.
- Tem certeza? – assenti, balançando a cabeça.
- É, eu só avisar os meus pais. – falei, entregando o copo para ele. – Eu vou procurar a e vamos. Até, cara.
- Se cuida, maninho. – pediu, enquanto eu me afastava. Enfiei as mãos dentro dos bolsos da calça, andando até onde os meus pais estavam. Eu não havia contato nada a eles, não queria preocupá-los logo no dia deles. Quem sabe mais à frente, se eu não me lembrasse, eu contaria. Meus pais pareciam se divertir, cantavam, dançavam e riam. Sorri, me aproximando deles. – Fala, casal.
- Oi, meu amor. – minha mãe sorriu, beijando o meu rosto. Já tá bêbada. – Estava falando para o seu pai como os meus bebês cresceram. – fez um bico enorme. – Eu lembro de trocar as fraldas de vocês.
- Linda lembrança, hein, mãe? – rimos. – De qualquer forma, eu só vim me despedir.
- Mas por quê, filho? – meu pai perguntou, não entendendo.
- Minha cabeça não está muito legal hoje, eu acho melhor eu ir pra casa. – avisei, fazendo uma careta. – Mas eu sei que vocês vão se divertir sem mim.
- Vou sentir sua falta, fofinho. – minha mãe me abraçou forte, retribui. – Amo você.
- Também te amo, mãe. – sorri, sabendo que ela estava realmente bêbada.
- Eu te amo também, filho, mas de uma forma mais masculina. – meu pai falou, estendendo a mão. Ri, aceitando-a.
- Até mais, gente. – falei, me afastando deles. Olhei em volta, tentando achar , mas não encontrei. Lembrei-me que ela disse que iria ao banheiro, então fui até lá. Antes de encontrá-la, ouvi sua voz ao longe, conversando com .
- Parece gozação, sabe? Como ele pode acordar um dia e não se lembrar de nada? Se for uma piada, eu juro que vou dar um tiro bem na testa dele. – falou, parecendo com raiva. riu. – Não ria, é sério.
- , fica tranquila, tudo vai dar certo. – ela disse, tentando acalmar a amiga.
- Desculpa, é só que é tudo muito difícil. – suspirei, levantei a postura e fiz questão de fazer barulho, avisando que tinha alguém se aproximando.
- Hey, , já estávamos voltando! - sorriu, abraçada a .
- Oi, , tudo bem. Eu só vim buscar a , eu não estou me sentindo muito bem, acho melhor descansar. – avisei, fitando-as. me olhou com o semblante preocupado.
- O que você está sentindo? – perguntou, aproximando-se de mim. – Alguma dor?
- Só dor de cabeça. – tentei tranquilizá-la. – Você pode ficar, se quiser. Eu realmente prefiro ir.
- Não, tudo bem, nós vamos. – concordou. – A gente se fala depois, . – acenou para a amiga.
- Melhoras, meu amigo. – desejou, sorrindo.
- Valeu, . – joguei uma piscadinha para ela. Logo após, estávamos voltando para a casa, finalmente. O transito de Londres estava aquele caos de sempre, demoraríamos para chegar lá. Liguei o som do carro, e tocava alguma faixa calma. Batuquei os dedos no volante ao ritmo da música. estava quieta, fitando somente as ruas. – Você podia ter ficado e aproveitado a festa.
- Não, eu queria vir também. – me olhou, finalmente. – Como está se sentindo?
- Só uma dorzinha incomoda, mas nada muito forte. – falei, fitando seus olhos. Ela sorriu, mostrando uma covinha na bochecha. – Você é muito linda.
- ... – sorriu, sem graça.
- Ah, então quer dizer que você ainda fica sem graça quando eu digo isso? Bom saber. – ri, fazendo-a rir junto comigo. – O que mais te deixa sem graça?
- Eu não vou falar as coisas que me deixam sem graça, né? – rebateu, sendo óbvia.
- Que isso, deveria, você tem que me ajudar. – falei, fingindo estar ofendido. Ela riu. Eu gostava de fazê-la rir.
- Eu posso te ajudar te falando outras coisa, não isso. – insistiu.
- Ok, você ganhou. – me dei por vencido. – Vai, me conta alguma coisa sobre nós.
- Hmm... – fez uma cara pensativa. – Nosso primeiro beijo foi na porta da casa dos meus pais.
- Sério? Demoramos muito a nos beijar? – perguntei curioso.
- Nos beijamos depois do nosso primeiro encontro oficial. – falou. A olhei, confuso. – Nos conhecemos na casa do , mas apenas conversamos. Conversamos muito. – pareceu se lembrar, e riu. – Você me chamou pra sair, um encontro de verdade, bom, nesse dia nos beijamos.
- Eu demorei pra te beijar? Cara, que perdedor. – me indignei comigo mesmo.
- Ei, eu acho encantador. – rebateu, fazendo uma carinha fofa. Sorri.
- E o que mais? – pedi, gostando de ouvir as histórias.
- A gente terminou uma vez. – falou, mordendo os lábios. A fitei, surpreso.
- Foi? Por quê?
- Durou menos de uma semana, foi bem no início. – deu de ombros. - Nós brigamos porque eu achei um guardanapo com um número de telefone e com marca de beijo de batom no bolso da sua calça.
- Oh, não. – fiz uma careta. Ela assentiu. – Eu te traí?
- Você jurou que não. – falou, voltando a fitar as ruas. – Eu não acreditei e terminei tudo.
- E por que voltou? – perguntei muito curioso. Ela riu, descrente.
- Você ficou no meu pé o tempo todo, queria voltar por tudo. – gesticulava com as mãos. – Me ligou dois dias seguidos, mandou dezenas de flores, escreveu uma música pra mim. – prestava atenção as coisas que ela falava. – E eu era muito apaixonada por você. Pensei comigo mesma, “alguém que faz todas essas coisas porque me quer de volta, não pode ser uma má pessoa.” – explicou, mordendo o lábio em seguida. – Decidi dar uma segunda chance, então.
- Se arrependeu depois? – questionei, fitando-a, esperando sua reação. Ela sorriu.
- Nem por um minuto. – sorri junto, balançando a cabeça positivamente. Depois de algum tempo, finalmente chegamos em casa. O silencio era aconchegante dentro da casa. Joguei as chaves do carro na mesa de centro da sala, depois joguei o meu corpo no sofá. permaneceu em pé. – Quer que eu pegue um remédio pra você?
- Não precisa, eu me viro depois. – assentiu, cruzando os braços. – Senta aqui. – pedi, batendo a mão no lugar ao meu lado. Ela prontamente se sentou. Suspirou, jogando a bolsa de lado, aconchegando-se ao meu lado. - vai me levar à uma clinica amanhã para fazer uns exames e etc. – comentei.
- É? Que bom! – falou, fitando-me. – Quer que eu vá?
- Só se você quiser. – respondi.
- Eu vou. – decidiu-se. Concordei, balançando a cabeça. Estiquei o braço no encosto do sofá, batucando os meus dedos inquietos sobre o mesmo. – Ahm, acho que eu vou me deitar. – avisou, levantando-se. A acompanhei com o olhar.
- Tudo bem, eu vou dormir no sofá hoje. – avisei, estudando sua reação. pareceu surpresa com a notícia, mas apenas concordou.
- Você que sabe. – cruzou os braços. – Bom, boa noite.
- Boa noite, . – respondi, assistindo-a subir pelas escadas e desaparecer pelo corredor. Dei um longo suspirou, cansado. Foi um longo, longo dia. Espero que amanhã tudo volte ao normal.


Mas não voltou. Acordei meio sonolento ainda, com dificuldade para abrir os olhos. Ouvi o cachorro do vizinho latir, acordei de vez, me dando por vencido. Joguei para o lado a coberta que havia pegado ontem à noite, Esfreguei os olhos, tentando despertar. A casa estava silenciosa, deveria estar dormindo ainda. Andei a passos lentos e suaves até o quarto, abrindo vagarosamente a porta. Sim, lá estava ela, toda jogada na cama, os cabelos jogados sobre o travesseiro e suas pernas enroladas no lençol. Entrei no banheiro, tentando não fazer barulho. Fitei meu reflexo no espelho e fiz uma careta. Estava acabado. Lavei meu rosto, esfregando com certa força, escovei os dentes e aproveitei para fazer a barba. Quando sai, ainda dormia. Achei melhor deixá-la dormindo, enquanto aproveitava para dar uma passeada até a padaria para comprar o café da manhã. Troquei de roupa rapidamente, colocando uma camisa e uma bermuda qualquer. Quando pisei na rua, o ar gélido encontrou o meu rosto. Tinha sol, mas ainda sim fazia um pouco de frio. Respirei fundo, e me pus a andar até a padaria. Enquanto andava, observei meus vizinhos, todos pareciam iguais, assim como eu me lembrava. É, acho que poucas coisas mudaram, claro, a não ser a minha vida inteira. Quando cheguei ao local, o atendente sorriu.
- ! – falou meu nome, animado. – Quanto tempo!
- E aí, Tony, tudo bem? – o cumprimentei, dando um aceno de cabeça.
- Tudo ótimo. Como vai a ? – perguntou. É claro que ele também a conhecia.
- Vai bem. – me limitei a falar.
- O que vai levar hoje? – perguntou, apontando para a vasta diversidade de doces, pães e salgados que havia ali.
- O que você me recomenda? – pedi, sem saber direito o que levar. O que gostava?
- Esse croissant acabou de sair, tá uma delicia. – apontou para o mesmo. – Mas acho que a vai preferir se levar um café com scones. – bingo! O que eu queria saber.
- Então eu vou levar. Aliás, coloca dos dois, por favor. – assentiu, fazendo o que eu havia pedido. Paguei as coisas e voltei para a casa. Quando entrei, ouvi já acordada, na cozinha. Fui até lá. Ela estava de costas, pegando algo na geladeira. usava uma camisola azul clara que não cobria nem metade do seu corpo. Qual é, eu sou homem! Meu corpo se desperta com esse tipo de visão. E até onde eu sei, ela é minha namorada, então tenho direitos. Me aproximei dela, tentando chamar a sua atenção. – Bom dia.
- Ah, oi. Bom dia. – sorriu, assustada. – Achei que você tivesse saído.
- Saí, mas voltei com o café. – falei, levantando as sacolas em minhas mãos.
- Ótimo! – pegou uma das sacolas, abrindo-a. - Scones! - falou animada. Sorri, satisfeito por ter acertado no pedido. – Eu amo isso aqui. Como você sabia?
- Na verdade, Tony me falou. – dei de ombros, culpado. Ela soltou um fraco “ah, sim.”
- Ei, achei algo que talvez possa te ajudar. – falou, deixando a comida sobre a mesa e esticando-se sobre a mesma, alcançando o celular. – Achei esse vídeo.
- Vídeo? Ótimo! – falei, animado, pegando o celular de sua mão e apertando play.
- Ok, olha pra câmera e repete isso que você acabou de dizer. – a voz de soava, enquanto a câmera filmava o meu rosto. Eu sorria, enquanto ela continuava a falar. – Repete, amor.
- , desliga isso. – eu pedia, enquanto ela ria. Tentei pegar o celular, mas ela se esquivou.
- , você me ama? – ela perguntou, dando zoom no meu rosto. Eu bagunçava o cabelo, rindo.
- Eu te amo, . Eu te amo muito. – falei, pegando o celular e virando a camera para o rosto dela. – E você, me ama?
- Eu amo mais do que eu poderia imaginar que amaria. – sorriu, vindo se encostar no meu ombro. A câmera focou os dois. Sorrimos idiotamente um para o outro, nos beijando demoradamente. Me viro novamente para a câmera, e ela continua me fitando.
- É com essa mulher que eu vou me casar, ter filhos e ficar velhinho. – falei, voltando a fita-la. sorriu, roubando-me um selinho.
- Vamos ver se eu vou querer também, né. – se fez de difícil.
- Vamos embora que lá em casa eu te mostro como faço você querer também. – fiz uma cara maliciosa, seguido de um sorriso de lado.
- ! – ela riu, tomando o celular da minha mão. – Vou desligar isso aqui e...

O vídeo acabava assim. Olhei perplexo para o celular, sem muita reação. Era eu. Era ela. Como eu posso não me lembrar disso?
- Então? – perguntou após um tempo. A fitei.
- Nossa! – foi o que eu conseguir dizer.
- Yeah. – ela falou, comendo um pedaço do seu bolinho.
- Nós éramos bem apaixonados, né? – fiz uma careta. Nunca me imaginei assim por uma mulher.
- Pois, é. – riu, sem humor. – Eu ainda sou. – sussurrou. Senti meu coração apertar.
- , eu juro que eu vou fazer de tudo para que essas memórias voltem. – ela me fitou, atenciosa. Me aproximei dela, segurando em seus ombros. – Eu quero muito que elas voltem, que esse sentimento volte. De qualquer forma, nós ainda podemos começar algo, não?
- Eu só quero que você fique bem. – falou, segurando forte na minha camiseta, aproximando seu rosto do meu. Sorri, segurando em seu queixo, depositando um selinho ali. Ela me olhou, surpresa.
- E vou ficar. – falei, piscando pra ela. O telefone da casa começou a tocar. Me soltei dela e fui atender. - falando.
- Fala, putão! – a voz de ecoou do outro lado da linha. – Se arruma, daqui a vinte minutos eu tô passando ai pra gente ir até a clinica.
- Beleza, cara. Tô aguardando! – falei, despedindo-me e desligando. Olhei em direção a cozinha e vi , comendo seu bolinho, satisfeita. Sorri. Eu mais do que nunca queria fazer isso funcionar.

Capítulo 3



Meu pés balançavam insistentemente. Estralava meus dedos a cada dois minutos. Estava inquieto na clínica. Tinha feito uma tomografia e estava esperando os resultados na sala de espera. estava sentado ao meu lado, mexendo no celular; estava inquieta também, mordendo a unha do dedão. Se as tomografias não acusassem nada, eu não saberia mais o que fazer, mas, por outro lado, se acusem algo grave, eu também não saberia o que fazer. É, não estava sendo nada fácil.
- ? – uma enfermeira perguntou alto, procurando por mim. Havia mais pessoas na sala aguardando. Me levantei, rapidamente. Ela sorriu, se aproximando. – A dra. Hamilton irá vê-lo agora.
- Ah, sim. – concordei, e olhei para os dois ao meu lado. – Eu posso levar alguém comigo?
- Mas é claro! – concordou, pacientemente. Olhei para e sorri.
- Entra comigo? – pedi, estendendo a mão. Ela concordou, aceitando a minha mão e se levantando.
- Me acompanhem, por favor. – a enfermeira pediu, e nós a seguimos para uma salinha logo adiante. Assim que ela abriu a porta pude avistar a médica sentada em frente a uma mesa, digitando algo num laptop. Assim que nos viu, sorriu e se levantou.
- Olá, você deve ser o , certo? – estendeu a mão para mim. Aceitei, concordando. – Muito prazer.
- O prazer é meu. – sorri. – Esta é a . – avisei, apontando, discretamente. apertou a mão dela, sorrindo.
- Sentem-se, por favor. – pediu, voltando a se sentar. Fizemos o mesmo. – Bom, estava lendo a sua anamnese e vi que você disse estar com perda de memória? – perguntou, fitando o laptop e depois a mim.
- Sim, eu não consigo me recordar de uma parte da minha vida, mais especificamente, do último ano. É como se não fizesse sentido o que as pessoas me dizem que já aconteceu. – fui sincero. suspirou ao meu lado. Não devia ter trazido ela comigo.
- Entendo. – dra. Hamilton balançou a cabeça, positivamente, voltando a fitar o computador. – Bom, , sua tomografia não apresenta nenhuma lesão no cérebro. Está tudo normal. – ela falava enquanto clicava no mouse. Virou a tela do computador para nós, e pude ver o meu cérebro bem nítido. – Aqui, nessa parte, é onde fica a memória. – apontou com uma caneta. – Não tem sinal de lesão. O cérebro é uma parte muito instável do corpo. Às vezes é normal acordar confuso, com alteração de humor. – olhou para mim e depois para . – Você sente alguma dor frequente?
- Não, nada anormal. – dei de ombros. – Senti uma dor de cabeça ontem, mas não foi forte.
- Certo. – falou, puxando um bloco de prescrições. Ficou em silêncio um tempo enquanto escrevia alguma coisa lá. Encarei , que parecia apreensiva. - , eu estou receitando alguns remédios que talvez possam te ajudar. – destacou a folha, me entregando. – Mas quero ficar de olho em você, ok? Vou pedir mais alguns exames daqui uns dias, assim que começar a tomar os remédios. Existem casos onde o paciente tem uma perda de memória momentânea, devido a algum tombo, batida e essas coisas. Então, vamos ficar de olho, sua memória pode voltar logo. – sorriu. – No mais, eu quero que você tenha a sua rotina normal, faça o que sempre fez, isso vai fazer o seu cérebro ativar o automático, vai forçar você a se lembrar aos poucos das coisas, certo? – concordei. – Peça a alguém próximo que faça alguns jogos de memória com você, alguns testes só para checar de vez em quando como anda tudo. Vocês têm alguma dúvida?
- E se não voltar? – fiz a temida pergunta. Ela suspirou, cruzando os dedos das mãos sobre a mesa.
- É um risco que corremos, mas vamos pensar positivo, ok? – pediu, nos fitando. - , você pode ficar de olho nesse mocinho, por mim?
- É claro, eu faço isso. - falou, sorrindo.
- Vocês dois são o quê? – perguntou dra. Hamilton, fitando-nos. riu.
- Eu sou a namorada, apesar dele não se lembrar disso. – riu sarcástica. Sorri, sem graça, bagunçando o cabelo.
- Poxa, isso deve ser complicado pra vocês. – falou pesarosa, fitando . – Posso indicar um psicólogo, caso precisem, ok?
- Não, tudo bem. Não será necessário! - respondeu, balançando a mão, negando. – Vamos ficar bem, certo? – me fitou.
- Vamos, sim! – concordei, hesitante. Íamos?
- Bom, então é isso. – a médica se levantou e fizemos o mesmo. – Aguardo você, ok? Tome a medicação corretamente, confio em você. – ela fitou . – E em você.
- Pode deixar. - sorriu.
- Se cuidem. Boa sorte, . – desejou, estendendo a mão, aceitei e apertei.
- Vou precisar. – ri, descrente. Saímos do consultório, encontramos e contamos tudo para ele. Ele disse o de sempre “tudo vai dar certo, parceiro”. É, eu estava começando a achar que não. Seguimos para um restaurante onde tínhamos combinado com de nos encontrar e almoçar.
- Amiga, quer dividir o salmão? Porque sei que esses dois são frescos e não comem. - falou, revirando os olhos. riu, concordando.
- Claro, jamais dispensaria um bom salmão. – falou, piscando pra amiga, depois voltando a fitar o cardápio.
- Olha só, se acham melhores que a gente, bro! - falou, batendo o ombro de leve no da namorada, que riu, mostrando a língua pra ele. – A sua sorte é que você gostosa, se não seria chata para caralho.
- ! - repreendeu alto, nos fazendo rir. Ele deu de ombros. – Você é sem noção, menino. – falou, voltando a atenção para o cardápio.
- Vocês dois são muito figuras. – falei, rindo, pegando meu celular do bolso. Chequei as mensagens, tentando achar algo novo ou antigo que pudesse me ajudar. Rolei as mensagens e quase todas eram de . Ou, como estava na agenda “minha gata”. Minha gata? Cara, que brega. Ri, lendo aquilo.
- Qual é a graça? - perguntou, aproximando-se de mim.
- Nada, só estou lendo algumas mensagens aqui de uma tal de “minha gata”. – respondi, rindo. Ela riu também.
- Ah, para! Eu gosto. – fez bico. – Era nossa piadinha. - disse, pegando o celular dela também e abrindo na agenda, mostrando-me a tela. – Viu? – li o nome que meu número estava gravado: “meu miau”. Ri ainda mais.
- A gente era assim tão brega? – levantei a sobrancelha, intrigado.
- Sim, e não é brega. É fofo! – sorriu, mostrando aquela covinha. Cara, essa garota é muito linda. Voltei a atenção para o meu celular, rolando as mensagens. Abri uma:
“Traz leite.
Te amo <3”

Ri, mostrando a mensagem pra ela.
- Ah, você tá vendo as mensagens mais chatas! – revirou os olhos, tomando o celular da minha mão. Ia reclamar, mas desisti, deixando que ela procurasse algo bom por lá. – Ah, olha essa! – me mostrou o visor do celular.
“Oi, amor. Desculpa, eu sei que está tarde, mas as coisas enrolaram aqui no trabalho. Eu tô morta, mas preciso de um tempo com o , se é que me entende.
Me busca mais tarde? Te espero, meu miau. Te amo!”

- Eu fui te buscar? – perguntei, fitando-a. balançou a cabeça, concordando.
- Foi, sim. Você quase sempre ia me buscar. – avisou, se ajeitando na cadeira quando o garçom se aproximou da mesa. fazia o pedido enquanto eu a fitava. Eu a admirava pela paciência comigo, não estava sendo fácil para ela também. Ouvi a risada baixa de , o olhei.
- Você fazia essa mesma cara toda a vez que a olhava. – falou baixo, ainda rindo. Sorri, sem jeito.
- Ah, não enche! – mandei, mostrando o dedo. Finalmente fizemos os pedidos, quando os pratos chegaram, atacamos sem muito cerimônia. Estava tudo muito bom. Até do salmão eu provei, claro, roubando do prato de , que não protestou.
- O que vão fazer agora? - perguntou, abraçada ao namorado. O tempo esfriara de repente, mas ainda estava um tempo gostoso.
- Eu preciso ir pra casa, descansar. Muita coisa para o meu cérebro fracassado processar. – falei, cruzando os braços.
- Não fala assim, chuchu! - falou, soltando-se do namorado e vindo me abraçar. Sim, ela é uma pessoa muito sentimental. – Vai ficar tudo bem, você vai ver.
- É o que as pessoas dizem. – falei, depositando um beijo no topo de sua cabeça, soltando-a. Ela fez um careta. – Eu tô bem, , prometo.
- Sei. – falou, voltando para o lado de .
- Vou deixar vocês em casa, então. – ele disse, pegando a chave do carro.
- Não precisa, cara. A gente vai de táxi, não é tão longe. – avisei, enfiando as mãos dentro do bolso.
- Certeza? – perguntou.
- Ele tem razão, . Não precisa, a gente vai de táxi. - concordou, apertando o casaco no corpo.
- Certo, então. Se cuida, cara! – pediu, dando tapinhas no meu braço.
- Tchau, amiga. A gente se fala! - abraçou e beijou o rosto de . Esperamos eles entrarem no carro e partir. Olhei para e ela se balançava, tentando se esquentar.
- Tá com muito frio? – perguntei, aproximando-me dela.
- Você não? – perguntou de volta. Ri, negando. – Seu anormal.
- Vem cá! – falei, puxando-a pela mão e a abraçando. sorriu, se aconchegando no meu peito.
- Você tá quentinho. – sussurrou. Sorri.
- Sou meio lobo. – ri da minha própria piada.
- Nossa, , que péssima! – riu.
- Será que a gente acha algum táxi? – perguntei, olhando em volta.
- Nem me importo mais. Tá tão quentinho aqui.- avisou, suspirando. Ri.
- , sua folgada! – ela riu, olhando pra cima, pra mim.
- Sabia que você tem uma pintinha castanha clara na sua íris esquerda? – perguntou, ainda fitando-me. Balancei a cabeça, negando. – É, você tem.
- É? O que mais eu tenho? – perguntei, devolvendo o olhar. Ela me fitava, concentrada.
- Seus olhos riem quando você ri de verdade. É fofo! – falou. Dei um sorrisinho de lado. Ela também sorriu, voltando a encostar a cabeça no meu peito. – E eu amo esse sorriso. – confessou baixo. Encarei o topo da sua cabeça, sem saber o que dizer. Respirei fundo, soltando-me dela.
- Vem, vamos arranjar um táxi antes que a gente congele aqui. – pedi, forçando um sorriso, procurando um táxi. Ela concordou, segurando a minha mão. Olhei rapidamente para as nossas mãos juntas. Era um calor gostoso, cara. não me olhou, apenas tentou chamar um táxi que tinha visto. E assim voltamos pra casa, eu com um milhão de incertas sobre o que iria acontecer, com as incertezas de que um dia poderia voltar tudo ao normal. É, vamos aguardar.


O céu lá fora estava escuro, as luzes da sala estavam desligadas, somente a luz da televisão iluminava o local. Eu estava deitado no chão, sobre o tapete, assistindo algum seriado estranho que a havia colocado. Ela estava deitada no sofá, abraçada a um travesseiro. Girei minha cabeça para fita-la, e ela estava apagada. Ri, vendo o jeito torto que ela estava dormindo. Iria sentir muita dor quando acordasse se ficasse naquela posição. Me levantei devagar, não fazendo barulho para não acordá-la. Me aproximei dela, abraçando suas pernas com um braço e com o outro, o seu pescoço, levantando-a e colocando-a no meu colo. Ela suspirou baixo, abraçando o meu pescoço, mas sem acordar. Sorri. Nos guiei até o quarto, abrindo a porta com o ombro, empurrando-a de leve. O quarto estava escuro, mas a luz da lua deixava uma certa claridade entrar. Andei até a cama, depositando sobre a mesma, ajeitando-a para que ficasse confortável. Quando ia tirar seu braço do meu pescoço, ela sussurrou:
- Não. – ela abriu os olhos. – Deita aqui.
- Tudo bem. – falei, empurrando-a um pouco para o lado para que eu pudesse me encaixar ali. Pude ver me encarando, devolvi o olhar. – O que você está pensando?
- Nada. – falou baixo. Passou a ponta dos dedos sobre o meu rosto, descendo até a minha nuca, fazendo um cafuné ali. Fechei os olhos. Aquilo era bom. – Só estava com saudades. – confessou. Abri os olhos novamente. – Não importa o que aconteça, a gente sempre vai achar um caminho de volta um para o outro. – falou, e eu não soube o que dizer. – Você sempre dizia isso quando a gente brigava.
- É? Parece que eu sabia das coisas. – disse e ri, ela sorriu junto. – Desculpa tá sendo um chato desmemoriado. Eu sei que não era isso que você planejava pra sua vida.
- Para, ... – pediu, calma. – Você não tem culpa do que está acontecendo. Até onde eu sei, pra você, a intrusa na sua casa sou eu. – riu, sem muito humor.
- Uma intrusa bem gata! – falei, fazendo-a rir. Ah, cara, eu gostava de fazê-la rir.
- É. – disse, bocejando. Ri, fazendo a virar de costas para mim. Encostei meu corpo junto ao seu, deixando o calor deles se juntarem e nos esquentarem naquela noite fria de Londres.
- Dorme, você tá morrendo de sono. – falei, vendo-a concordar com a cabeça. se aconchegou no meu corpo, relaxando.
- Boa noite, .
- Boa noite, .

Capítulo 4


Coloquei um engradado de cerveja no carrinho de supermercado, peguei um pacote de batata frita, três pizzas e sorri satisfeito, empurrando o caminho até a seção de xampus, encontrando lá, lendo algum rotulo de condicionador.
- Pronto, já fiz minhas compras. – avisei, sorrindo e apontando para o carrinho. levantou as sobrancelhas, olhando para o carrinho e os itens lá dentro.
- Suas compras são isso? – perguntou, cruzando os braços. Balancei a cabeça, concordando. – Ai, céus! Homens! – revirou os olhos, se aproximando de mim. – Vem, vamos fazer compras de verdade. – falou, me puxando e, consequentemente, puxando o carrinho conosco.
- O que há de errado com o que eu comprei? – perguntei incrédulo. Ela riu.
- Nada, mas não dá pra viver com isso, né, ? – falou óbvia, rindo.
- O que você compraria, ô espertona? – perguntei, desafiando-a.
- Ahm, comida de verdade? Coisas realmente necessárias? – enumerou, me fitando. Bufei, me dando por vencido.
- Tá, que seja! – dei de ombros, seguindo-a de má vontade. ria da minha cara emburrada.
- Parece uma criança, credo! – riu ainda mais. Mostrei língua, rindo também. – E vamos andar logo, não esquece que mais tarde tem show do John Mayer pra gente ir com a e o . – avisou, lembrando-me. O pai de tinha uns contatos e conseguiu dois pares de ingresso, de última hora, para o show de hoje. Ela e estavam super animadas, eu e meio que estávamos sendo obrigados a ir.
- Não sei o que vocês, mulheres, vêm de bom naquele cara. – rolei os olhos. – Ele é tão sem graça. - riu, colocando um saco de verduras dentro do carrinho.
- Larga de ser chato! O Mayer arrasa e você tá com dor de cotovelo. – deu de ombros, voltando a escolher umas frutas.
- Eu não. Eu me garanto. – sorri convencido.
- Fica quietinho, vai. – pediu, colocando o indicador sobre os lábios. Balancei a cabeça, rindo, encostando-me ao carrinho, observando-a escolher as frutas. era delicada até pra escolher fruta, cara. Ela pegava alguma, balançava, olhava, cheirava e colocava na sacola ou devolvia ao monte. Sorri, vendo-a fazer uma careta para alguma estragada que ela pegou. Ela viu e riu, sem graça.
- Acho que tá estragada. – avisou, dando de ombros. – Ok, vamos pegar mais algumas coisas e vamos embora logo. - depois de darmos algumas voltas no supermercado fazendo compras de verdade, como diria , fomos pagar e finalmente seguimos para casa. Ajudei a carregar as compras para dentro de casa e a guarda-las. – Pronto. – avisou, fechando o armário e se virando para mim. – Vou tomar banho agora e começar a me arrumar, você liga para o e pergunta que horas a gente se encontra, ok?
- Sim, senhora! – bati continência. Ela riu, me deu um selinho e foi andando para o quarto. Ri, acompanhando-a subir as escadas. Ela deve ter feito isso por hábito. Balancei a cabeça, rindo e andando até a sala, me joguei no sofá e peguei o telefone da base, discando para .
- Alô? – atendeu, rapidamente.
- Fala, minha nega! – ri, ajeitando-me sobre o sofá. Ele riu. – Cara, que horas vocês vão sair para o show?
- Umas oito, eu acho, espera, aí. – pediu, abafando o microfone do telefone. Ouvi um “amor, a gente vai às oito mesmo?” e logo depois ele voltou. – É isso mesmo, cara. A gente se encontra lá na entrada, perto daquela cafeteria, pode ser?
- Beleza, então. Qualquer coisa, eu te ligo. Falou! – e desliguei, depois dele soltar um “ok, falou!”. Suspirei, passando a mão no cabelo, bagunçando-o. Olhei no meu relógio de pulso e vi que já eram seis e cinquenta. Me levantei e rumei para o quarto. A porta estava aberta, então entrei. Pude ouvir o barulho do chuveiro ligado e a voz de cantando alguma música. Sorri, ela tinha a voz bonita. Abri o meu armário atrás de alguma roupa boa, acabei de optando por uma camiseta preta, uma calça jeans também preta e meu allstar branco. É, ia ficar bom. Tirei a camisa que eu vestia, jogando-me na cama, mexendo no celular. Minutos depois, a porta do banheiro foi aberta e aquele cheiro gostoso de sabonete invadiu o quarto. se assustou ao me ver ali, fitando-a.
- Não sabia que estava aqui. – falou, mordendo o lábio, segurando a toalha em volta do corpo. Não tive como não olhar a parte descoberta das suas pernas. Eu sou homem, né?
- É, estava esperando pra poder ir tomar banho também. – Avisei, levantando-me, desviando o olhar. – Já falei com o , a gente se encontra lá as oito.
- Ah, ok. Eu vou me arrumar rápido, prometo. – sorriu, andando para o outro lado do quarto, abrindo o armário. Concordei, entrando no banheiro. Fechei a porta e me debrucei sobre a pia. Encarei meu reflexo no espelho e fiz uma careta. Tudo isso ainda era muito estranho, toda essa nova vida e essa garota. Apesar de ser uma das garotas mais doces que eu já conheci, ainda sim era tudo muito estranho. Deixei meus pensamentos para depois e fui tomar um banho, fui relativamente rápido, pois quando sai estava em frente ao espelho se maquiando. Não que precisasse, já que ela era linda sem nenhum pingo de maquiagem. Nossos olhares se encontraram no reflexo do espelho, ela sorriu e eu retribui. – Ah, coloquei sua jaqueta sobre a cama, acho melhor você levá-la, acho que vai fazer frio.
- Ok, obrigado. – agradeci, visualizando a mesma junto com a outras peças de roupa. Peguei a calça e a camiseta, voltando para o banheiro e me trocando. Sai de lá passando a mão no cabelo ainda molhado, tentando arrumá-lo. ainda estava sentada em frente ao espelho se arrumando, parei atrás dela, ainda tentar arrumar o cabelo. Bufei, irritado. Ela riu, se levantando.
- Vem cá! – pediu, puxando-me pela mão e me fazendo sentar onde ela estava antes. Passou os dedos delicadamente pelos meus cabelos, arrumando sem muito esforço. Sorri. – O quê?
- Eu gosto quando você cuida de mim. – confessei. Ela mordeu o lábio.
- Você sempre pedia para eu arrumar seu cabelo, porque dizia que só eu conseguia deixar do jeito que você gosta. – falou, terminando de arrumar o meu cabelo. – Pronto, tá lindo! – me encarei no espelho e sorri, satisfeito com o resultado.
- Obrigado. – agradeci, segurando a sua cintura. Ela suspirou, assentindo e sorrindo pelo nariz. – Tá pronta?
- Sim, só vou pegar minha bolsa. – avisou, andando até um cabideiro com várias bolsas. Só aí eu prestei atenção ao que ela vestia: Uma camiseta comprida de banda, uma jaqueta com estampa militar e uma bota que ia até um pouco a cima do joelho. Cara, linda, linda.
- Você tá com um short aí debaixo, certo? – perguntei, levantando a sobrancelha. Qual é, tava bem curto, né.
- ! – riu, levantando a barra da camiseta, relevando um short jeans ali.
- Ah, tá. – respirei aliviado. Ah, só tava pensando na segurança dela, ok? Pode ter algum marmanjo com más intenções por aí. – Ok, vamos! – enfim, seguimos para o local onde seria o show, o transito como sempre não estava muito tranquilo, mas conseguimos chegar não muito além do horário combinado. Ia ligar para para saber se eles já haviam chegado, mas não foi preciso, pois assim que andamos mais um pouco avistamos ele e abraçados mais adiante. Sorriu, acenando pra gente.
- Ahhhh, meu Deus! Amiga, vamos ver o John! - falou animada. riu, concordando.
- “John”. - fez aspas com os dedos, falando. – Tão intimas, hein?
- Ah, fica quietinho, amor. - falou, revirando os olhos. – Esse aqui só reclamou o dia todo. Não confessa de jeito de nenhum que além de maravilhoso... – olhou para o namorado enquanto falava. – ele também tem muito talento.
- Aceita que dói menos, querido. - falou, cruzando os braços. – O também tá com essa antipatia, mas aposto que vão se divertir muito lá dentro. - avisou, me dando uma olhada de lado. Olhei pra , dando de ombros.
- Mulheres! – sussurrei pra ele, que riu, concordando. Entramos finalmente, andamos até achar um lugar bom e sem muita gente, acabamos por ficar mais ao lado, não tinha muita gente ali e podia ser ver o palco bem. e estavam abraçados, conversando baixo entre eles. os fitou e suspirou, cruzando os braços e desviando o olhar para as pessoas. Mordi os lábios, passando a mão sobre o queixo. – Cara, eu vou buscar algo pra gente beber. Vocês vão querer algo?
- Eu quero uma água com gás. - pediu, fitando-me.
- Eu quero uma cerveja. - pediu.
- Eu vou com você. - avisou, rindo. – Você não vai conseguir trazer tudo de uma vez mesmo. – concordei, saindo de lá com atrás de mim. Fomos até um quiosque que vendia bebidas, entramos na fila para comprar, mas ainda tinha muita gente na nossa frente. Engatamos em alguma conversa trivial sobre alguma banda que tinha lançado umas músicas novas fodas. E foi quando eu a vi, apenas alguns passos de mim. Gargalhando de algo, abraçada por um cara um pouco mais alto que ela. Ele sorriu, depositando um beijo na bochecha dela. Meus olhos estavam parados, vidrados nela. Seu cabelo estava mais curto, mais ruivo, seus olhos verdes estavam mais brilhantes. Ela sorriu de algo que o cara disse e olhou as pessoas ao seu redor, mas seu olhar caiu no meu também. Seu sorriso sumiu. – Cara, tudo bem? – ouvi a voz de me chamar, mas eu não consegui me mover. – Oh, merda! – ele praguejou, seguindo o meu olhar.
- É ela. – consegui falar.
- , esquece isso. – pediu, puxando o meu braço. - ! – me chamou alto, me fazendo o encarar. – Vem, vamos voltar.
- Mas, cara, eu preciso... – falei, dando um passo para a frente. Ele me segurou.
- Vamos! – falou, já me puxando para voltar para onde estávamos. Olhei pela última vez para ela e ela ainda me fitava. Sorriu. Sorri de volta, mas logo eu a perdi de vista entre as pessoas. Avistamos as garotas conversando mais adiante, parou, se virando pra mim. – Não comente nada com a , por favor.
- Eu não vou. – falei, balançando a cabeça. Suspirei alto, bagunçando o cabelo que havia arrumado mais cedo. – Você tem noção de que era Claire?
- É claro que eu sei, , mas vocês não tem mais nada há anos. – falou, tentando ser paciente.
- É, mas na minha cabeça a gente terminou há poucas semanas. – falei, revidando.
- Ok, eu sei. – falou mais baixo. – Depois a gente conversa sobre isso, agora vamos esquecer a Claire e focar no show e nas garotas, ok?
- Tá, mas só uma coisinha.
- O quê?
- Não pegamos as bebidas. – avisei, abanando as mãos.
- Droga! – xingou, batendo a mão na testa. – Ok, a gente vai voltar lá, mas você vai me prometer não olhar para os lados, ok?
- , relaxa, eu não vou agarrar ninguém. – falei, como se fosse óbvio. Ele concordou, e voltamos para o quiosque para buscar as bebidas. Não, eu não olhei para os lados, não sei se ela ainda estava lá. Meu amigo não me deixou olhar sequer de soslaio. Voltamos enfim com as bebidas.
- Credo, como demoraram! - reclamou, pegando a água da mão do namorado.
- A fila tava grande, pequena. - avisou, dando uma olhadinha rápida pra mim.
- É, fila grande. – confirmei, entregando a cerveja de , que sorriu, agradecida, tomando um gole. A fitei. tinha uma beleza que não era cansativa, era natural. Ela percebeu que eu a olhava e franziu o cenho.
- O quê? Tô com espuma no rosto? – perguntou, passando a mão no rosto. Balancei a cabeça, negando.
- Não é nada, não. – dei de ombros, bebendo a minha cerveja. As luzes do local se apagaram, avisando que o show iria dar inicio. soltou um gritinho animada, nos fazendo rir. Ela e se posicionaram mais à frente, e eu e atrás, apenas observando-as. John Mayer subiu ao palco acompanhado de gritos histéricos e solos de guitarra. Suas famosas músicas Free Fallin’, Slow Dancing in a Burning Room, Gravity foram acompanhadas por um coro de todo o público. Quando os acordes de Your Body is a Wonderland soou, houve um delírio mutuo. sorriu, virando-se para o namorado e abraçando a cintura dele, enquanto deixava John Mayer os embalar. os observou e depois virou a atenção para o palco novamente, cruzando os braços. Ela balançava o corpo no ritmo da música. Aproximei-me dela devagar, colocando meus braços em volta do seu corpo. Balançando meu corpo com o dela. Ela sorriu, fitando-me. -But you look so good it hurts sometimes... - cantarolei, vendo-a sorrir e voltar a olhar para o cantor sobre o palco. Beijei sua bochecha, demoradamente. era uma garota legal, boa demais pra mim, eu tinha certeza. Tem toda essa história da memória, tem Claire, que eu sei que preciso resolver isso direito se eu quiser tentar algo com , porque não seria justo com ela. Suspirei, apertando meu corpo ao dela.
- Londres! – John Mayer gritou ao término da música. – Essa música é para todas as garotas que são mães, que são filhas e que são amantes. – ele falou ao fundo de gritinhos. Sorriu. – Garotos, sejam bons com as garotas que colorem seu mundo. – e dedilhou o começo de Daughters. se virou para mim, encostando a cabeça no meu peito. Apoiei meu queixo sobre sua cabeça, deixando-a brincar com a corrente que eu usava. Fechei os olhos, prestando atenção na letra da música. olhou para cima, para os meus olhos e sorriu de lado, mostrando a covinha na sua bochecha. Sem pensar muito, aproximei meu nariz do dela, que respirou alto, fechando os olhos. Passei meu nariz por sua bochecha e voltei a tocar no seu nariz. Ela abriu os olhos e aproximou a boca da minha, esperando que eu desse o próximo passo. E eu dei. Finalmente encostando a boca na dela, pressionado nossos lábios suavemente. Os braços de foram parar em volta do meu pescoço, nos aproximando mais, se é que isso ainda era possível. Entreabri a boca, deixando que o beijo fosse aprofundando. E sim, é como dizem, “encaixou”. Minha boca encaixou na dela. E sim, o gosto e o calor de seus lábios me fizeram arrepiar. Sim, isso é bem menininha, mas foda-se, era o que eu sentia no momento. Apertei minhas mãos na sua cintura, intensificando o beijo, passando a língua por seus lábios, enquanto ela apertava minha nuca. Ela sorriu entre o beijo, mordendo o meu lábio. Sorri junto, voltando a beijá-la com mais força e urgência.
”You are the god and the weight of her world.”
O beijo foi perdendo a intensidade e ficando mais suave. Dei um selinho demorado em seus lábios e um beijo em sua bochecha, encostando minha testa a sua, recuperando o ar. continuava de olhos fechados, fazendo um carinho bom na minha nuca.
- Ei. – chamei, fazendo-a abrir os olhos e me encarar. Dei um selinho nela. – Isso foi bom.
- Muito bom. – sorriu, me dando outro selinho mais demorado. Virou-se de costas para mim, fazendo com que eu a abraçasse forte, segurando minhas mãos em volta de sua cintura. Sorri, apertando-a. Olhei para o lado, e notei que e nos fitavam, sorrindo. Sorri pra eles, dando um beijo no topo da cabeça de . É, eu finalmente havia a beijado e tinha sido muito bom, realmente muito bom. É, , você tá encrencado.

Capítulo 5


Coloquem pra carregar ou ouçam pelo spotify: You – The Pretty Reckless



- Cara, você tá muito fraquinho! – falei, zombando de , que xingava enquanto eu o derrotava no FIFA.
- Você tá roubando! – alertou, quase gritando. Apenas ri.
- Roubando no futebol? Aceita que dói menos, meu amigo! – falei, dando mais um drible e fazendo outro gol. – GOL, CARALHO! – gritei, levantando e fazendo uma dancinha comemorativa. Ouvi uma risadinha e me virei, dando de cara com e , rindo da minha cara. Fiz uma careta, me aproximando de . – Eu fiz cinco gols, ! – contei, fazendo o número com os dedos.
- Roubou, isso sim. - choramingou, enquanto ia até ele e se sentava em seu colo.
- Vê se cresce! – falei, mostrando língua. Me virei para , que sorria, sorri de volta. – Oi pra você.
- Oi, né. – respondeu, entrelaçando os braços no meu pescoço e ficando na pontinha dos pés. Encostei meus lábios aos dela demoradamente, sugando o seu inferior. Beijar virou um hábito, um hábito muito bom e que me acostumei rapidamente. Qual é, ela era gata e gente boa.
- Ô casal! - falou, batendo palmas, chamando a nossa atenção. – Pornografia só na TV, ok?
- Vai se ferrar! – mandei, rindo e mostrando o dedo pra ele. Beijei a bochecha de e abracei seu pescoço de lado, ela entrelaçou a mão a minha. – Vamos pra casa?
- Vamos, sim. – concordou, encostando a cabeça no meu peito. – Amanhã a gente tem aquele almoço na casa da sua mãe.
- É verdade. – concordei, enfiando a mão dentro do bolso da calça e pegando a chave do carro. Nos despedimos de e e fomos para a casa. Assim que entramos, me joguei no sofá, esparramado. parou na minha frente.
- Tô cansada. Torrei meus neurônios tentando ajudar a a finalizar aquele artigo pra revista. – suspirou, fazendo uma careta. – Acho que vou dormir.
- Vai nada! – falei, a puxando pelo braço até ela cair sobre mim. Ela riu, se ajeitando.
- Você tomou o remédio que a médica pediu, hoje? – perguntou preocupada, passando os dedos pelo meu cabelo, brincando com ele. Balancei a cabeça, confirmando. – Não é justo. – falou, fazendo bico.
- O que? – perguntei, levantando uma sobrancelha, confuso.
- Você é muito lindo, . – falou ainda com aquela carinha. Apenas, ri, negando.
- Não sou, não. – apoiei minhas mãos em sua cintura. Ela mordeu o lábio inferior, observando meu rosto. – Linda aqui é só você. – ela fez uma careta.
- Nah! – falou, negando também. encostou o indicador na ponta do meu nariz e foi desenhando o meu rosto com ele. Fechei meus olhos, gostando do toque. Senti uma respiração bater na minha boca e abri os olhos. estava a milímetros do meu rosto, encostando o nariz no meu. Sorri, roçando nossos lábios e narizes. deixou a mão escorregar até meu pescoço, acariciando o mesmo com o polegar. Encostou os lábios aos meus e os pressionou, demoradamente. Ela entreabriu a boca, deixando que o beijo se aprofundasse. Era lento, calmo e delicado. colocou uma perna de cada lado da minha cintura, e eu segurei firmemente a dela, colocando os meus polegares para dentro de sua blusa, acariciando-a levemente. apertou os dedos no meu pescoço, subindo para o meu cabelo e descendo os beijos para o meu pescoço. Um arrepio passou pelo meu corpo, se acumulando na minha nuca. Seus lábios quentes e seu hálito batiam a cada beijo depositado pela região que ela trilhava. Fechei os olhos, respirando alto. Minhas mãos apertaram a sua cintura, fazendo-a soltar um gemido baixo. Ela sorriu perto do meu ouvido, beijando o local, logo após. Beijou meu maxilar, meu queixo e voltou a beijar minha boca, dessa vez com mais urgência. Desci minhas mãos até as suas pernas, segurando-as de forma firme, apenas para que trocássemos de posição. Deitei-a no sofá, encaixando-me entre as suas pernas. sorriu durante o beijo e me puxou pela camiseta, como se pudéssemos ficar mais perto. Deixei um braço meio estendido, segurando o meu peso para que não caísse todo sobre ela. As mãos de entraram para dentro da minha camiseta, contrai o abdômen sentindo suas unhas deslizarem por ali. Minha mão livre estava indecisa entre sua cintura e sua coxa, mas se decidiu fixar na cintura quando senti o indicador de passar pelo cós da minha calça. Respirei fundo, desacelerando o beijo, dei um selinho nela e encostei as nossas testas. Abri os olhos e ela me olhava, confusa. Eu tinha consciência dos sentimentos dela por mim, tinha consciência do que aquilo significava pra ela, tinha consciência de que ela não era só mais uma. – É melhor irmos dormir. – beijei de leve sua testa, me levantando e estendendo a mão para ela. ficou meio sem reação e visivelmente sem graça. Aceitou a minha mão e se levantou, andando na frente. Suspirei, bagunçando o cabelo, derrotado. Cara, como é difícil ser homem! Enrolei para ir para o quarto, quando entrei, ela já estava vestida com um blusão meu e sentada na ponta da cama, fitando o nada. Passei direto, tirando a minha camiseta e entrando no banheiro, tirei minha calça e fiquei só de boxer, pegando uma regata antiga que estava pendurada por ali. Sai do banheiro e vi deitada na cama, mas sabia que ela não estava dormindo, obviamente. Seu cabelo estava espalhado pelo travesseiro, seu corpo coberto por um lençol. Apaguei a luz do quarto e me aproximei, deitando-me ao seu lado, enfiando-me debaixo do lençol também. Passei meu braço pela sua cintura, aproximando nossos corpos, suspirou. Depositei um beijo no seu ombro. – Desculpa. – pedi baixo, afastando-me um pouco dela, mas ela me segurou antes disso. Suspirou, prendendo meu braço em volta da sua cintura.
- Não me solta! – pediu quase em um sussurro. Concordei, deixando minha mão descansar sobre a sua barriga. O cansaço do dia me atingiu rapidamente, fazendo-me pegar num sono profundo em poucos minutos.


jogou a cabeça pra trás, gargalhando de algo que minha irmã, Blue, havia dito. Sorri junto, fitando-a de longe.
- ? – meu tio Steve me chamou, e eu balancei a cabeça, despertando do meu transe.
- Desculpa, tio. Pode repetir? Eu viajei aqui. – pedi, olhando para ele e tomando um gole da minha cerveja.
- Nada, meu querido! – ele riu, dando um tapinha nas minhas costas. – Também já tive sua idade e sei o que você tá passando. – observou . Fiz o mesmo. Blue segurou uma das mãos dela e tagarelava sem parar, gesticulando e rindo. pareceu sentir os olhares sobre ela e se virou, nos encarando. Mordeu o lábio sem graça e colocou uma mecha de cabelo atrás da orelha, voltando a fitar minha irmã. – Já estive muito apaixonado. – falou, sorrindo para mim. Sorri sem jeito, encarando meu copo.
- É. – disse apenas.
- Tio ! – Peter, filho do meu primo, chegou correndo e grudando nas minhas pernas. Sorri, pegando-o e o colocando no meu colo.
- Fala, campeão?! – baguncei seu cabelo, que riu alto. – Como você tá grande, moleque!
- A mamãe disse que eu vou ficar maior que o papai. – contou baixo, como se fosse um segredo. Ri.
- É mesmo? Eu também acho. – falei no mesmo tom que ele. se aproximou de nós, agachando-se a minha frente e apertando a barriga de Peter, que riu.
- Oi, príncipe! – beijou a bochecha do pequeno. – Tá cada dia mais lindo, hein?
- Obrigado, tia. – agradeceu, sorrindo para e tocando no rosto dela, suavemente. Era estranho ver toda essa interação que ela tinha com toda a minha família. Era incrível, todo mundo gostava dela, sem exceção. Sorri os observando. Arrumei o cabelo de Peter, ajeitando-o no meu colo, enquanto ele falava alguma coisa com .
- E vocês, quando irão fazer um desses? – tio Steve perguntou, apontando o neto. abriu a boca sem saber o que dizer, me olhou esperando que eu a ajudasse.
- Ainda é cedo, tio. – falei por fim, observando-a concordar. – Temos tempo para pensar sobre isso no futuro.
- Não pense demais, meu querido . A gente nunca sabe o que a vida nos reserva no futuro. – soltou, piscando e se levantando. – Vamos procurar sua mãe, Pete? – falou para o neto, que concordou, pulando do meu colo e saindo correndo. Meu tio riu e seguiu o neto. se sentou ao meu lado, onde tio Steve estava antes.
- Sua família é muito querida! – comentou, observando aquela galera toda que estava presente em um dos churrascos que meus pais costumavam fazer parar reunir a família. Assenti, observando junto. Meus pais estavam mais adiante: meu pai na churrasqueira, fazendo alguns hambúrgueres, minha mãe ao seu lado, conversando sobre algo bem animada. Minha mãe sorriu e ficou nas pontas dos pés, dando um beijo na bochecha do meu pai e se virando, andando até a minha tia Molly. Sorri. Meus velhos eram muito apaixonados. – E eu sou apaixonada pelos seus pais. – falou, como se lesse meus pensamentos. A fitei, e ela me imitou. Me aproximei de seu rosto e encostei meus lábios brevemente nos dela, que sorriu. – Vou buscar mais cerveja, quer?
- Quero, essa já tá quente! – fiz uma careta, entregando o copo pra ela. se levantou, se afastando até o freezer que tinha lá fora, no quintal da casa dos meus pais. Minha irmã apareceu, me dando um tapinha no ombro. – Fala, pentelha! – me virei para ela, e só então eu percebi que ela não estava sozinha. Um rapaz da mesma idade que ela, aparentemente, estava logo atrás, segurando em sua mão. Fechei a cara.
- Eu quero te apresentar uma pessoa. – falou, mordendo a boca, nervosa. Me levantei rapidamente, fitando o individuo.
- Blue. – falei, num tom autoritário.
- . – falou do mesmo tom que eu. – Relaxa, ok? – pediu, me fuzilando com os olhos.
- Ei! - voltou, entregando o meu copo cheio. Sorriu, estendendo a mão. – Você deve ser o Mark, certo?
- Isso mesmo. – o garoto concordou, aceitando a mão de .
- Prazer, Mark. Eu sou a . – se apresentou, sorrindo. Me beliscou, pedindo para eu ter alguma reação.
- Você é o irmão da Blue, certo? – perguntou animado, estendendo a mão para mim. Olhei para a sua mão estendida e depois o fitei. tossiu, me empurrando. Coloquei o copo sobre a mesa e aceitei a mão, apertando-a com certa força. O tal Mark segurou uma careta. Sorri, satisfeito.
- , irmão mais velho dela. E você é o que? – perguntei sem rodeios.
- Ahm... – ele a olhou em duvida. Ela deu de ombros.
- Larga de ser um mala, ! – Blue falou, revirando os olhos. – Mark é meu namorado, não se faça de desentendido.
- Mamãe sabe desse namorico? – falei, cruzando os braços.
- Claro que sabe! – bufou, ficando irritada. - , me ajuda, faz ele parar de ser chato!
- Você conhece bem seu irmão. – sorriu em meio a uma careta. Puxou-me pelo braço. – A gente vai deixar vocês sozinhos, ok? Divirtam-se! – e me levou para longe deles.
- Ei, calma, eu ainda nem ameacei ele. – falei, tentando voltar para onde eles estavam, mas me impediu.
- Ela não é mais criança, ! – falou como se fosse obvio. – Blue já tem dezessete anos, é quase uma mulher quer você queira ou não.
- Mulher nada. É um pirralha ainda! – os fitei de longe, de mãos dadas e sorrindo um para o outro. – Eu devia ir lá falar umas coisas pra aquele mole... - me interrompeu, virando meu rosto para fita-la.
- Deixa eles, ok? Ela tá feliz, tá super apaixonadinha. – sorriu. entrelaçou os braços no meu pescoço, me fazendo abaixar um pouco. Encostei o nariz no dela e a vi fechar os olhos, quando sentiu meus lábios pressionarem os seus. Entreabriu a boca levemente, só para que pudéssemos sentir o gosto um do outro. Minhas mãos estavam em sua cintura, apertando-a firmemente. A tirei do chão, fazendo-a rir durante o beijo.
- Ah, meu casal preferido! – ouvi a voz de minha mãe. Coloquei no chão novamente, virando-me para fitar minha mãe, que nos observava com as mãos juntas perto do rosto, encantada. Ri, balançando a cabeça. Mães.
- Precisa de alguma ajuda, Sue? - perguntou, prendendo o cabelo num coque.
- Não se preocupe, , está tudo sob controle. – sorriu, apertando o queixo de , que concordou. – Relaxe, divirtam-se! – dona Sue olhou pra mim e suspirou. – Meu filho é lindo, não é, querida?
- É até bonitinho! - falou, mordendo os lábios, segurando a risada. Levantei a sobrancelha, a fitando.
- Valeu pelo bonitinho! – a cutuquei na cintura, fazendo a rir.
- Eu sei que ele é lindo, eu fiz um bom trabalho. – minha mãe deu de ombros, ficando nas pontas dos pés e depositando um beijo na minha bochecha, assim como fizera mais cedo com o meu pai. Manias. – Ah, mas a também é linda. Vocês dois são um casal maravilhoso! – falou animada, apenas rimos. – Meu Deus, a sobremesa! – falou assustada, de repente, saindo correndo em seguida. Nos entreolhamos e desatamos a rir.
- Minha família é toda doida. – comentei, balançando a cabeça, rindo. Minha família estava comendo, bebendo e se divertindo. Eu gostava de dias assim, era muito bom, cara.


- Eu acho que estou com sono. - comentou, encostada ao meu peito, enquanto estávamos deitados numa espreguiçadeira em frente à piscina da casa dos meus pais. Passei os dedos por seu cabelo, fazendo um leve cafuné.
- Quer ir pra casa? – perguntei. Ela se remexeu, negando.
- Não, só quero descansar um pouco. – levantou a cabeça, me fitando. – Acho que comi demais. – fez uma careta, me fazendo rir. (soltem a música/ou usem o spotify)
- Vem cá! – pedi, me levantando e a puxando junto comigo. A guiei até o meu antigo quarto, fechando a porta assim que entramos. Encostei o corpo de junto ao meu, e ela entrelaçou os braços no meu pescoço, balançando o corpo no ritmo de uma música imaginária. Ela fechou os olhos e encostou a cabeça no meu peito. Beijei o topo de sua cabeça, fazendo-a olhar para mim. Cara, essa mulher é simplesmente linda. Acho que ela não tem ideia do quanto ela é linda, o quanto o sorriso dela é contagiante, que o toque dela é quente e carinhoso. Meu corpo tinha respostas rápidas quando ela estava por perto, e isso parecia loucura. Não demorei muito e encostei minha boca a dela, beijando-a com delicadeza. Não, eu não estava com pressa. E parece que ela também não, pois correspondeu na mesma intensidade. Minhas mãos seguraram seu rosto enquanto as dela, se agarravam a minha cintura, apertando a camisa que vestia. Beijei sua bochecha, seu queixo e sua garganta, descendo para o seu pescoço descoberto, vi aquela parte se arrepiar e sorri, me sentindo satisfeito por causar aquilo, não queria ser o único a sentir isso.

You don’t want me, no. You don’t need me like I want you, like I need you

Segurei na cintura de , impulsionando-a para cima, fazendo com que ela colocasse suas pernas em volta de mim. Ela me olhou fixamente, passando os dedos pelo meu cabelo, enquanto eu a prensava contra a parede mais próxima. Ela mordeu o lábio sem parar de me olhar.
- Você vai até o final dessa vez? – perguntou, relembrando a noite passada. Dei um selinho demorado nela e voltei a fita-la.
-Eu não quero apressar nada, . – balançou a cabeça, tentando me entender. – Mas a gente pode se divertir, certo? – concordou novamente, grudando nossos lábios rapidamente.
- Eu só quero você. – soprou, sem desgrudar nossas bocas. Pressionei meu corpo no dela, fazendo-a suspirar e soltar um gemido baixo. apertou as pernas em volta de mim, prendendo-me o mais próximo possível dela. Eu conseguia sentir um coração acelerado, batendo muito forte, mas eu não sabia se era o dela ou o meu. Prendeu meu lábio entre os dentes, puxando-o lentamente, e sem se afastar muito voltou a me beijar com mais força. A desencostei da parede, guiando-nos cegamente até a minha antiga cama, deitando-a cuidadosamente lá. deixou as pernas caírem na cama, uma de cada lado do meu corpo, me fazendo encaixar entre elas, deixando-me livre para beijar seu pescoço e colo. Eu não vou negar, eu a queria, queria muito, mas sabia que ia me arrepender depois se fizesse tudo o que meu corpo mandasse. Então, voltei a trilhar os beijos por seu colo, pescoço e boca, depositando um selinho demorado, e mais outro, e mais outro. Sorri, passando meu nariz no dela, que correspondeu. Me joguei do seu lado da cama, puxando-a para deitar sobre o meu peito, em seguida. Ela suspirou, regularizando o ar, assim como eu.
- Vou te deixar descansar agora. – avisei, beijando sua testa. fechou os olhos, respirando fundo.
- Você é malvado. – sussurrou num tom quase infantil. Ri, apenas.
- Dorme, . – pedi, acariciando a pele descoberta do seu braço. Fazendo isso, acabei adormecendo junto com ela, ali, no meu antigo quarto, com antigas memórias, mas não as que eu queria que voltassem.

And I want you in my life… And I need you in my life…



Continua...



Nota da autora: Ahhhh, gente, que lindas vocês comentando aqui. <3 Tô adorando essa interação de vocês, continuem, continuem!
Pp malvado, né? HEHEHE Lá vem coisas por, aí, aguardem e continuem comentando. Ah, e estou colocando Johnny de volta ao site, pra quem ainda não leu, poder ler, ok?!
Obrigada pelo carinho, meninas.





Outras Fanfics:
Short: Lovin' Arms
Short Especial Behind The Scenes: The One About 2006


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