Finalizada em: 01/05/2019
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Capítulo 1


Mais um belo fim de tarde para correr pelo Hyde Park, principalmente quando se levou um fora da sua namorada. Ou melhor, ex-namorada. Balancei a cabeça, espantando os pensamentos e voltando a correr. Eu tinha que tirar Claire da cabeça, já havia se passado duas semanas. Ela, provavelmente, já deve estar se divertido com outros caras por aí, enquanto eu ainda não consigo esquecê-la. Ah, por que é tão difícil encontrar essa tal garota certa, uh? Todas parecem ser complicadas demais! Por que não podem ser simplesmente bonitas, sexies, legais, inteligentes, doces, boas de cama, não sentirem tanto ciúmes, entender o que a gente fala, fazer os nossos gostos de vez em quando... Ok, é impossível achar alguém assim.
Continuei correndo, tentando tirar qualquer pensamento da cabeça. Avistei mais à frente um garoto em uma bicicleta, ele estava com a expressão de assustado. Visualizei o outro lado, e observei uma senhora andar devagar, sem prestar a atenção por onde andava. Eu sabia no que aquilo ia dar. Sem pensar duas vezes, corri até a senhora e a puxei depressa, fazendo-nos cair no chão. O garoto com a bicicleta passou por nós em uma velocidade incrível, mas parou quando bateu em um banco. É, ele não deve estar muito bem. Lembrei-me da senhora que estava ainda ao chão, e a ajudei a se levantar.
- A senhora está bem? – perguntei, preocupado. Ele me olhou ainda um pouco assustada.
- Bem? Eu estou mais do que bem! – sorriu, mostrando todas as rugas que a idade lhe trouxe. – Você me salvou, garoto. Obrigada!
- Não por isso. – sorri, aliviado. Ela se aproximou de mim e segurou minhas mãos, olhei-a sem entender. Ela usava um lenço na cabeça, muitas bijuterias e também usava um lápis de olho preto, um pouco forte para a sua idade.
- O que eu posso fazer por você, criança? Há algo que você deseje muito? – perguntou ainda segurando minhas mãos. Continuei sem entender.
- Ahn, não, obrigado. Eu tô bem – sorri amarelo.
- Espera! – ela fechou os olhos e depois os abriu, sorrindo. – Uma garota.
- Como é? – franzi o cenho.
- Eu já sei, criança. – falou, voltando a fechar os olhos. Eu a senti apertar minhas mãos e um leve tremor passar por elas. Puxei minhas mãos na hora.
- Ahn, eu já vou indo. – avisei, afastando-me.
- Acontecerá, filho. Acontecerá! – ela disse alto, enquanto me afastava. Fiz uma cara estranha e sai de perto.
- Louca! – sussurrei e voltei a correr, mas dessa vez fui para a casa.



Ouvi o despertador tocar ao meu lado, no criado-mudo. Mexi-me na cama, preguiçosamente, sem querer levantar. Encarei o maldito que ainda tocava incessantemente. Bufei, desligando-o. Quando estava pronto para me levantar da cama, ouvi um suspiro baixo. Paralisei. Era um fantasma? Qual é, , cresça! Deve ter sido coisa da minha cabeça. Mas notei no segundo seguinte que não era, pois ouvi de novo. Girei meu rosto para o outro lado, encontrando um corpo enrolado no meu lençol. Gesticulei um “o que diabos?” sem entender o que era aquilo. Eu dormi com alguém noite passada e não me lembro? Me movi um pouco mais para perto da pessoa, e pude ver os seus cabelos castanhos caindo sobre o meu travesseiro. Mas ainda assim não conseguia visualizar seu rosto. Me aproximei mais um pouco para poder vê-lo, mas ela se movimentou mais rápido, virando o rosto na minha direção. E, puta merda! Que garota linda! Ela ainda dormia, tinha os lábios vermelhos entreabertos, um rosto de boneca, um narizinho perfeito. Linda, cara, linda.
- Ah, meu Deus! – sussurrei. Eu tinha dormido mesmo com uma garota tão linda assim? Espero que ela seja maior de idade. Aproximei meu rosto do dela, só para ter certeza que ela era real, quando ouvi um sorrisinho vindo dela.
- Para de me olhar dormir, você sabe que eu odeio. – falou de olhos fechados.
- Ahm... – disse, sem saber muito o que falar. Apenas me afastei dela. – Erm...
- Que foi? – sussurrou, abrindo os olhos. Wow! Lindos olhos também.
- Eu não... Eu só... Eu não sei. – disse apenas, fazendo uma careta. Ela me olhou sem entender. Sentou-se na cama, e o lençol que cobria seu corpo escapou um pouco, mostrando a bela curva dos seus generosos seios cobertos apenas por um sutiã. Caralho! Eu, claro, não pude deixar de fitá-los. Ela riu.
- Tô vendo que já melhorou! – balançou a cabeça, aproximando-se de mim. Me afastei. – Joguinhos? Mesmo? Essa hora da manhã, ?
- Desculpa, mas eu não me lembro de você. – confessei, enfim. Ela revirou os olhos, mexendo no cabelo e fazendo um nó com ele.
- Larga de criancice, ! – retirou o restante do lençol que a cobria, levantando-se da cama. Caralho, puta merda! Que mulher é essa? Que corpo é esse? Fiquei ali babando, enquanto ela andava até o meu banheiro como se fossem íntimos. Olhei ao meu redor, só para ter certeza que eu estava mesmo no lugar certo. Eu não consigo entender porque eu não me lembrava de nada da noite passada. Eu bebi? Sai? Resolvi me levantar e ir até aquela garota, pelo menos saber o seu nome. O banheiro estava com a porta aberta, e ela estava lá, terminando de escovar os dentes. Espera, aí! Por que tem uma escova a mais no meio das minhas coisas? Ela me olhou através do espelho, esperando alguma reação. Nada. Cuspiu o restante da pasta de dente e enxaguou a boca, secando-a rapidamente com o dorso da mão. – Tá de mau-humor hoje?
- O quê? Não! – neguei. – Eu só, desculpe, não me lembro de você. – ela suspirou, descrente.
- Acho que você bateu a cabeça muito forte no chão ontem, quando caiu na casa do . – fez uma careta.
- Você conhece o ? – perguntei surpreso.
- Arght! – bufou, rolando os olhos. – Já vi que tá tentando testar minha paciência. – disse, saindo do banheiro, apenas a segui.
- Mas é sério, porra! – comecei a ficar irritado. Ela parou de andar e olhou pra mim. – Eu não me lembro de nada. – ela franziu o cenho, cruzando os braços.
- Hmm... – fez, aproximando-se de mim. – Vamos fazer o seu joguinho então, . – riu. – Então, você não se lembra de mim? Não sabe como nos conhecemos?
- Moça, eu não sei nem o seu nome. – confessei, suspirando alto em seguida.
- Ah, não? – ela riu, achando graça. – Ok, meu nome é . .
- ? Bonito nome. – comentei.
- É, mas você adora me chamar de . – explicou, aproximando-se ainda mais. Fiquei parado no mesmo lugar. – Ou de amor, linda, anjo... Ás vezes de gostosa e delícia. – ela riu. E eu continuava confuso.
- E eu te conheço de onde? Como você veio parar na minha casa? – perguntei, enfim.
- Hm, a gente se conheceu na festa de aniversário do . – colocou seus braços em volta do meu pescoço. Mas eu tirei e me afastei. – Ah, pelo amor de Deus, !
- Como você veio parar na minha casa? – voltei a perguntar. Ela revirou os olhos e foi se sentar na cama. – Responde!
- Cara, como você tá chato hoje, hein? Não entendi esse joguinho seu. – fitou as unhas.
- , me responde, por favor! – pedi, quase suplicando.
- Ok, ok! – se deu por vencida. – Há quase um ano você pediu que eu viesse morar com você, .
- UM ANO? – gritei, não acreditando. – Tá louca?
- Eu desisto! – falou alto, andando até o meu closet e pegando uma camisa minha e uma short jeans. Ei! Não tinha esse short antes ali. Os vestiu rapidamente. – Quando você parar de infantilidade, desce e fala comigo. – avisou, saindo logo em seguida. Me vi sozinho naquele quarto, tentando entender o que tinha acabado de acontecer ali. Eu só podia estar dentro de um sonho. Nada daquilo fazia sentido. E quem ela acha que é para falar comigo daquele jeito? Sai atrás dela, disposto a tirar algumas satisfações. Passei pela sala e ela não estava lá, então fui até a cozinha, encontrando-a. , se é esse o nome dela mesmo, estava de costas, pegando algumas coisas na geladeira. Na minha geladeira.
- Ei, você tá comendo o meu peito de peru! – falei alto. Ela se virou, não acreditando no que eu havia falado.
- Eu não vou comer tudo, . Eu sei que você adora isso aqui com pasta de amendoim. – fez uma careta de nojo.
- Como você sabe disso? – perguntei assustado. Poucas pessoas sabiam daquela minha esquisitice.
- Eu sei muita coisa sobre você, amor. – sorriu, tentando ser paciente. Levou as coisas que havia pegado para o balcão. Sentou-se em um banco e puxou outro, batendo a mão sobre o mesmo. – Vem cá, vem! – me chamou. Suspirei algumas vezes antes de me render. Ok, eu precisava entender o que estava acontecendo. Andei até ela e me sentei ao seu lado. Ela segurou minha mão com uma mão e com a outra, segurou meu rosto. Seu toque era incrível. – O que tá acontecendo, uh? Eu tô ficando assustada.
- Acredite, eu estou muito mais assustado. – confessei.
- Ok, talvez a pancada tenha sido realmente forte. – tentou se convencer. – Vamos tentar entender essa sua perda de memória. Mas se for brincadeira, eu juro que...
- Não é, eu juro! – falei rápido. – Me ajuda! – ela suspirou, assentindo. – Agora me diz o que está acontecendo? Como tudo isso aconteceu? Como eu conheci você?
- Bom, a gente se conheceu há mais de um ano, na festa do , você me convidou pra sair, e saímos sempre depois disso. – ela tentava se lembrar. – Ahm, você me pediu em namoro e...
- A gente namora? – perguntei, não acreditando que eu namorava uma garota daquelas. Ela balançou a cabeça, concordando. – Nossa.
- É. Ahm, depois de um tempo, você me pediu pra morar com você e, bom, aqui estamos nós. – sorriu, sem jeito. – Se lembrou de algo?
- Não. – falei baixo, abaixando a cabeça. Ela se aproximou de mim, abraçando-me com força. Eu nada fiz.
- Tudo bem, amor. Nós vamos dar um jeito de consertar isso. – sussurrou próximo a minha orelha, depositando um beijo na mesma. Fitou meus olhos e sorriu. – Eu te amo. – e eu não soube o que dizer.
- Eu... Eu sinto muito. – foi o que saiu. Ela fez uma cara triste, soltando-se de mim.
- Tudo bem. – afastou-se. – Sabe, eu acho que vou visitar a Zoe, ok? Você tá precisando ficar sozinho. – não disse nada. Apenas fiquei a observando se afastar e sumir das minhas vistas. Ouvi o barulho da porta da frente se fechar minutos mais tarde. Olhei ao meu redor, procurando algo que me ajudasse a lembrar de algo. Fitei a geladeira, nela havia algumas fotos pregadas que antes não estavam lá. Caminhei até elas, pegando uma que estava pregada a um imã. Na foto estava eu e . Parecíamos estar em um restaurante. Eu estava sentado e ela estava atrás de mim, me abraçando. Os dois sorriam. É, confesso que eu parecia estar bastante feliz naquela foto. Por que diabos eu não me lembro de nada? Olhei para as fotos de novo e observei uma em que estávamos todos nós, incluindo o e sua namorada, . Era isso, eu sabia quem ia me ajudar a me lembrar.


- Caralho, já vai! – ouvi a voz de do outro lado da porta. Bati mais uma vez. – Porra! – e ele finalmente abriu. – Cara, eu vou te matar!
- , eu preciso da sua ajuda. – avisei, entrando como um furacão na sua casa. Ele fez uma careta, a cara toda amassada. É, acho que eu tinha o acordado.
- Não dava pra esperar eu acordar, hein? – coçou o cabelo, andando até mim. Neguei. – Que foi, cara?
- Eu acho que estou num universo paralelo! – falei, jogando meu corpo no sofá atrás de mim. franziu o cenho, confuso.
- Você tá bêbado? – perguntou.
- Não, cara. É sério! – respirei fundo. – Acordei hoje e tinha uma garota dormindo na minha cama, linda, mas eu não a conheço.
- Como assim? Você tá traindo a ? – perguntou surpreso.
- É isso! Esse é o nome dela, mas eu não a conheço... E, pelo jeito, todo mundo conhece, menos eu. – suspirei, cansado. – Eu não sei mais o que fazer, .
- , eu não estou te entendendo. – se aproximou, sentando-se ao meu lado. – O que você tá falando?
- Eu também não entendo, cara. – gesticulei rápido. – Eu só me lembro de acordar com essa garota ao meu lado, sem nem saber seu nome. Eu juro, eu não a conheço.
- Cara, isso é estranho! – fez uma careta. – O que a acha disso?
- Acha que eu estou brincando. – dei de ombros.
- É, eu também. – concordou, olhando-me desconfiado.
- Mas eu não estou, ok? – falei mais alto. Levantou as mãos em forma de rendição.
- Tudo bem, tudo bem. Mas como eu posso te ajudar? – perguntou.
- Eu não sei. – fui sincero.
- Quer a minha opinião? Volta pra casa. – eu ia protestar, mas ele continuou. – É sério. Se alguém pode explicar tudo o que está acontecendo, o que uma garota estranha tá fazendo na sua casa é ela mesma. Conversa com a , .
- É, tudo bem. – concordei, sem vontade. – Mas espero que ela me entenda e não ache que eu estou brincando.
- Ela vai, ok? Eu vou pedir pra falar com ela depois. – disse, dando-me tapinhas nas costas.
- Tá bom. – me levantei, seguindo para a porta. veio atrás.
- , quando você acordou e viu a , não se perguntou como conseguiu aquela garota?
- Exatamente! – concordei rápido. – Eu não entendo como uma garota daquelas pode me dar moral.
- É, buddy, nem eu! – riu, me empurrando para fora da casa dele. Desgraçado! Então, era isso. Voltar para a minha “atual” vida. Ou o que for.


Assim que cheguei em casa, também já havia voltado. Ela estava sentada no sofá, comendo um pote de sorvete. Seu olhar se direcionou para mim, esperando alguma reação.
- Oi. – falei, fechando a porta e jogando a chave do carro em cima da mesinha de centro. Me sentei ao seu lado.
- Oi. – respondeu de volta. – Tá se sentindo melhor?
- Um pouco. – confessei.
- O me ligou, falou que você foi lá. – concordei com a cabeça. – Eu tava com saudades. – fitei seus olhos, e eles pareciam ser bem sinceros quando disse aquilo.
- Desculpa não me lembrar de tudo o que aconteceu entre a gente, ok? – pedi, sentindo-me culpado.
- O que eu posso fazer, né? – deu de ombros, sorrindo triste. – Ei, tá com fome? Eu fiz alguns sanduíches.
- Bom, eu acho que quero sim. – sorri, agradecido.
- Vou buscar, então. – sorriu, finalmente. Levantando-se e indo até a cozinha, voltando rapidamente com um prato em mãos. Depositou o prato sobre a mesinha e voltou a se sentar ao meu lado, ligando a TV. Peguei um dos sanduíches e comecei a comer. Hm, e estava realmente muito bom. Do jeito que eu gostava.
- Tá muito bom, . – falei. Ela sorriu. Deus, como ela era linda.
- Fiz do jeito que você sempre gostou – comentou, aproximando-se de mim. - ... – me chamou, mordendo os lábios.
- Hm? – respondi, terminando de engolir o pedaço do sanduíche.
- Quero te beijar! – soltou. Quase engasguei. riu, batendo nas minhas costas. – Calma, calma!
- Você quer? – perguntei, fitando os olhos dela. Ela mordeu o lábio inferior, assentindo.
- Você não me beijou hoje, sinto falta. – confessou baixinho.
- Mesmo eu estando assim? Sei lá, não me lembrando da gente? – perguntei, curioso. Ela riu.
- Mas eu me lembro, amor. E eu tô pedindo um beijo, não sexo. – engasguei de novo e ela riu. - , você não tem mais dez anos.
- É porque eu não consigo me imaginar com você... – devolvi o sanduíche para o prato. – Sabe? – fiz as curvas de uma mulher com as mãos. – Você é linda demais, cara.
- E daí? Você é lindo também! – sorriu, aproximando-se de mim. Não me afastei. – Vai? Só um beijinho? – pediu, fazendo biquinho. Eu sorri, achando aquilo bonitinho. – Fecha os olhos, anda.
- ... – comecei, mas ela me interrompeu.
- Shh, fica quieto! – mandou, praticamente se sentando no meu colo. – Talvez assim você se lembre. – mordeu o lábio inferior, aproximando a boca da minha. Eu podia sentir sua respiração bater na minha boca. puxou meu lábio inferior com os dentes, estava pronta para me beijar... Quando o telefone tocou. Ela bufou, voltando a se sentar direito.
- Ahm, eu atendo! – falei rápido, estendendo a mão até a base e atendendo ao telefone. – Alô?
- Olá, querido! – reconheci a voz, franzindo o cenho.
- Mãe? – perguntei surpreso. Minha mãe quase nunca me ligava, e quando eu digo quase, eu quero dizer nunca. – Por que você tá ligando?
- ! - repreendeu, rindo.
- Olha os modos, garoto! – repreendeu-me também. Revirei os olhos. – Onde está a ?
- Você conhece a ? – perguntei, fitando a própria. Ela sorriu de lado, dando de ombros.
- Ora, claro que conheço! Querido, você está bem? – perguntou preocupada.
- Não sei, mãe. – cocei a nuca. suspirou, estendendo a mão, pedindo o telefone. Entreguei, observando-a conversar naturalmente com a minha mãe. Cara, a minha mãe. Já posso acordar?
- Oi, Sue. Pois é, ele não está muito disposto hoje. – uma pausa. – Ah, sim, claro. Não nos esquecemos! – sorriu, depois me fitou. – Hm, eu vou conversar com ele, ok? Se ele estiver se sentindo melhor nós iremos. Sim, tudo bem. Você também, sogrinha. – uma risadinha. – Ok, tchau, até mais. – e desligou, jogando o telefone no colo. - , você sabe que dia é hoje?
- Sexta? – perguntei em duvida.
- Hoje é a comemoração das bodas dos seus pais. – ela explicou, pacientemente.
- É? – ela concordou. – E?
- E nós temos que ir. – falou, esperando alguma reação. Fiz uma careta. - Ah, , não faz essa cara. São os seus pais, poxa. Eles marcaram isso há tempos, eles esperam que você vá. Assim como todo mundo.
- Todo mundo quem? – levantei uma sobrancelha.
- O resto dos convidados? – falou óbvia. – Meus pais vão estar lá também.
- Seus pais? – falei surpreso. – Eu conheço os seus pais? – ela assentiu. – Puxa!
- Você não se lembra deles também, né? – neguei. Ela suspirou. – Não se preocupe, eu te ajudo com isso, ok?
- Não sei se é uma boa eu ir, . – confessei, levantando-me. – Isso tudo tá muito confuso.
- Eu sei, amor. – falou, levantando-se também. – Mas eu vou estar ao seu lado o tempo todo, vai dar tudo certo.
- Ah, cara... – enfiei os dedos no cabelo. – Eu tô pressentindo que eu vou me ferrar.
- Não vai, eu não vou deixar isso acontecer. – sorriu, aproximando-se. – Além do mais, você estará entre a sua família e amigos, nada de ruim pode acontecer.
- Ok, você ganhou! – sorriu largamente. – Mas não vai se acostumando.
- Ah, é melhor você ir se acostumando, . – sorriu maliciosa. – Eu sempre ganho. – avisou, andando e subindo as escadas, sumindo das minhas vistas. Bufei, jogando-me no sofá. O que ia acontecer com a minha vida agora?


Me olhei no espelho de cima a baixo. É, não estava nada mal. Estava vestido uma camisa social vinho e uma calça preta também social. Não era muito o meu estilo, mas me obrigou a colocar isso. E por falar nela, ela já está trancada no banheiro há quase uma hora. Passei a mão no cabelo, tentando dar uma arrumada ou desarrumada, não sei, e fui bater na porta do banheiro.
- Ei, tá tudo bem, aí? – perguntei, aproximando o ouvido da porta.
- Tá, sim. Já estou saindo! – avisou. Ouvi a porta se abrir e me afastei, dando espaço para ela passar. Mas antes que conseguisse me movimentar direito, eu a fitei. Uau. Ela sorriu, vendo a minha cara de idiota, encarando-a. – Ficou bom? – perguntou, dando uma voltinha. estava usando um vestido longo, que deixava seus ombros e costas de fora, lindas costas e com uma bela tatuagem, diga-se de passagem; seu cabelo estava em um coque meio baixo e sua boca estava com um batom vermelho. Linda, cara.
- Uau. – foi o que eu consegui dizer.
- Não está exagerado? – perguntou, insegura, andando até o espelho do quarto, se analisando.
- Você tá linda! – falei, sincero. Ela sorriu, se virando pra mim.
- Você também tá. – se aproximou, arrumando a gola da minha camisa. Me fitou nos olhos durante um tempo, abriu a boca pra falar algo, mas desistiu, e optou por somente sorrir. – Então, vamos? Já estamos atrasados.
- Sim, claro! – concordei, pigarreando e enfiando uma mão dentro do bolso da calça.
- Ok, vou pegar a minha bolsa e te encontro no carro. – avisou, e saiu andando até o closet. Balancei a cabeça positivamente e sai, rumando para a sala, pegando a chave do carro sobre a mesinha, e me dirigindo para fora da casa, onde o carro estava estacionado. Assim que entrei no carro, fitei o volante. Isso tudo era tão maluco e irreal. Às vezes tenho a impressão de que eu vou acordar a qualquer minuto, e que estarei deitado na minha cama, sozinho e louco. Fui acordado do meu transe pela porta sendo fechada por . Apenas a fitei e sorri. Se for um sonho mesmo, é melhor eu aproveitá-lo.


No momento em que coloquei os pés no local da festa, me arrependi de ter ido. Muita gente. Muita gente conhecida, mas muita gente desconhecida também. Senti a mão de procurar a minha e entrelaçá-las, apertando-as.
- Vai ficar tudo bem, eu tô aqui. – sussurrou pra mim. Assenti, e deixei que ela nos guiasse. Um casal já mais velho se aproximou de nós.
- Querida, você está deslumbrante! – uma jovem senhora de cabelos castanhos e olhos verdes, falou, fitando .
- Obrigada, mãe. – ela respondeu, sorrindo. Mãe? Opa!
- , vai aparecer para o jogo na próxima quarta? – o senhor, ao que tudo indicava era pai de , perguntou.
- Ahm, jogo? – falei, confuso.
- É, a gente tinha combinado de ir assistir ao jogo do Chelsea. – explicou como se fosse obvio. Olhei para , pedindo alguma ajuda. Ela entendeu, e suspirou.
- Pai, e eu já temos compromisso quarta. – falou, fazendo uma careta. – Desculpe, mas é inadiável.
- Ah, ok. Deixa para uma próxima, então. – concordou, dando de ombros. – Querida, são os Lavigne. Vamos lá dizer um oi.
- Claro! – a senhora concordou, sorrindo. – Até mais tarde, queridos. – e saíram para longe de nós. Respirei aliviado. olhou para baixo, suspirando. Meu coração se apertou de culpa.
- Eu sinto muito por isso, mas eu realmente não me lembro deles. – falei, tentando me explicar. Ela me fitou, sorrindo triste.
- Tudo bem, vamos dar um jeito nisso depois. – pegou a minha mão novamente. – Ah, outra coisa, os nomes dos meus pais são Dominick e Richard. – assenti, repetindo mentalmente, tentando decorar. me olhava ainda direito sem saber se acreditava em mim ou não, acho que assim como é pra mim, também era surreal pra ela.
- Eu juro que não é uma brincadeira de mal gosto. – falei, apertando a sua mão entre a minha. Ela mordeu o lábio inferior, assentindo.
- Eu acredito em você. – falou, enfim. – Porque você sabe bem que eu mandaria te castrar se fosse uma brincadeira. – ameaçou, me fuzilando com os olhos.
- Não será necessário! – falei, rindo.
- Casaaal! - se aproximou de nós, gritando. Típico. Rimos. Ao seu lado, , que revirava os olhos, acostumado com a namorada. – Oi, fofinho! – me cumprimentou, apertando meu nariz. era estranha, às vezes se comportava como a minha mãe. Mas era minha amiga e também, namorada do meu melhor amigo.
- Oi, . Tô bem também, e você? – ironzei, recebendo um dedo do meio de volta. – Oh!
- Oi, amiga. – ela me ignorou, voltando a atenção para .
- Oi, . - riu do jeito dela. – Você está linda.
- Olha quem fala, né? Tá maravilhosa! – piscou para ela.
- Papo de mulher é caído, né? - falou baixo. Ri, concordando. Rasgação de seda, credo. – Oi, . - a cumprimentou, sorrindo. sorriu de volta, voltando a conversar com . – E aí, como você tá, cara? – perguntou, direcionando o olhar pra mim. Olhei para as meninas, que conversam animadas sobre algo que havia passado na TV. O puxei para se afastar um pouco delas e desabafei.
- Cara, tá tudo muito estranho. – falei, fitando-o. – Não parece a minha vida, não tem nada na minha cabeça pra me fazer lembrar dessa garota, entende? Nada. – eu falava gesticulando muito. Minha cabeça parecia que ia explodir. – Eu não tenho ideia de quem são algumas pessoas aqui, eu não tenho ideia de quem é ela. – apontei para . Ela olhou na mesma hora e sorriu, e depois respondeu algo para . – Ela. – abaixei o tom. – Eu não sei quem é essa garota incrível. – voltei a fita-lo. – E eu queria muito saber.
- Eu também não entendo como tudo isso na sua cabeça aconteceu, porque num dia você está feliz com a e no outro não se lembra mais de nada. – me olhou, confuso. – Seja lá o que for, cara, a gente vai te ajudar. Eu prometo! – colocou a mão no meu ombro. – Até lá, já que essa garota é tão incrível... – sorriu, me virando para fitá-las. – Porque não vai até lá e tenta conhecê-la um pouco melhor, uh?
- É... – falei, sorrindo de lado. – Me parece uma boa ideia.



Capítulo 2



O plano de conhecer melhor era ótimo, estava disposto a tentar entender o que estava acontecendo ali, com o meu cérebro, minha vida. Então perguntei a tudo o que ele sabia sobre ela, sobre a nossa vida juntos. Bom, basicamente ele me explicou o que ela já havia me dito. Nos conhecemos na festa de aniversário do , por meio de , que já era amiga de na época. Ele disse que assim que eu a vi, fiquei bobo e quis conhecê-la. É, parece ser coisa minha mesmo. Ele me disse que éramos o tipo de casal que todo mundo queria ser. Éramos divertidos e era bem óbvio que nos amávamos. E claro, minha família inteira era louca por ela. Minha irmã mais nova, Blue, teve a audácia de me dizer que ela era a irmã que ela nunca teve. Acredite, Blue não era amigável com muitas pessoas. Ela odiava Claire. Poxa, Claire. Melhor eu nem pensar nela.
- Quem quer álcool? - perguntou alto, levantando uma garrafa de whisky.
- Já começou a furtar as coisas da festa. – falei, rindo. me acompanhou. – E os copos, espertona?
- E quem precisa de copos, ? – falou, levantando a sobrancelha. riu, negando.
- Estamos numa festa de bodas, amiga. A gente precisa de copos, caso contrário, vão achar que somos animais. – ressaltou, . – Pode deixar, eu vou arranjar alguns pra gente.
- Eu vou com você. – falei, indo para o seu lado, prontamente. Ela me olhou e balançou a cabeça, concordando. Rumamos para a cozinha, então, andando lado a lado. Ouvi um suspiro vindo dela. A fitei. – Tudo bem?
- Hm? Ah, tá sim. – forçou um sorriso. Franzi o cenho.
- O que foi, hein? – tentei de novo. – Me fala, . – parei de andar, esperando que ela me contasse. mordeu o lábio, me encarando. Deu de ombros.
- Sei lá, é muito estranho. – desviou o olhar. – Normalmente, você andaria de mãos dadas comigo, não me soltaria por nada. – sorriu triste.
- Eu sinto muito, de verdade. – passei a mão no cabelo, bagunçando, sem me importar com nada. Olhei para trás e vi um canto mais afastado daquelas pessoas todas. Puxei até lá. – Olha, eu queria que tudo isso fosse uma piada, mas não é, infelizmente. Eu não sei mais o que eu posso fazer. Me ajuda?
- Tudo bem, , eu não queria parecer querer forçar nada. – falou, tentando aliviar a tensão. Eu me sentia um lixo, sem saber direito o que fazer. – Mas você tem que me entender, não é fácil pra mim também.
- Eu sei que não é. – puxei sua mão e a segurei forte. Ela as observou por um segundo e depois voltou a me fitar. – Mas a gente vai conseguir passar por isso, certo? - balançou a cabeça, concordando.
- Certo. – falou, enfim. – Vamos, claro! – sorriu, abraçando-me de repente. Me surpreendi com o ato, mas a abracei de volta.
- Vem, vamos pegar os copos para aqueles bêbados. – falei, segurando sua mão e nos levando até a cozinha. Lá, dei de cara com o meu pai.
- Filhão! – falou, abraçando-me. Sorri, retribuindo. Essa galera gosta de um abraço, né?
- Fala, James! – nos soltamos. – Minha mãe teve muita paciência por aguentar você por tantos anos.
- Sua mãe teve sorte. – piscou, rindo. E eu me vi refletido nele. – Já não posso dizer o mesmo da , né, querida?
- O é um homem maravilhoso, vocês fizeram um bom trabalho. - sorriu, entrelaçando o braço ao meu. – Parabéns pelas bodas.
- Obrigado! – agradeceu, logo após virando-se para pegar uma garrafa de whisky. – Esse povo está bebendo demais. Parece que as garrafas de bebidas estão sumindo. – comentou, pensativo. e eu nos entreolhamos, segurando o riso. – De qualquer forma, divirtam-se! – levantou a garrafa. – Eu sei que eu vou.
- É seu pai mesmo. - comentou baixo. Meu pai se despediu e saiu, voltando para a festa. Fui até o armário onde estavam os copos e peguei dois pares, voltando para o lado de .
- Pronta? – perguntei, mostrando os copos.
- Preparando o meu fígado. – fez uma careta, rindo. – Mas vamos lá. – quando voltamos, o casal vinte estava dançando ao som de alguma música do Elvis que tocava. Rimos.
- Belos movimentos, ! – ironizei, entregando dois copos para .
- Eu sei me mexer, né, cara? Ao contrário de você. – se gabou, levantando a gola da camisa. Revirei os olhos, entregando o restante dos copos a ele.
- Vai, , encha esse copo. – pedi, estendendo o meu copo.
- Calma, isso não é refrigerante, . – avisou, abrindo a garrafa na boca. Muito elegante. – Aqui. – encheu meu copo como eu havia dito, fazendo o mesmo com o restante. – Ok, ok. Vamos brindar! – levantou o copo. – A esse momento, por estarmos juntos e vivos.
- À nós! - falou, levantando o copo também, fizemos o mesmo.
- À nós! – dissemos uníssonos. E bebemos quase metade do copo.
- Uuuh! – gritei, sentindo o álcool descer rasgando.
- Arght! Isso aqui é muito bom. - falou, fazendo uma careta, e chacoalhando a cabeça. – É ruim, mas é bom.
- É ruim, mas é bom?! - riu.
- Ah, você entendeu, sua chata! - falou, mostrando língua. abraçou a namorada pelos ombros, e fitou a mim e .
- Algum problema, cara? – perguntei, tomando mais um gole da minha bebida.
- Não, nada. – deu de ombros. – Só estava lembrando de quando toda essa doideira começou.
- Como assim? – questionei, sem entender.
- Lembrei de você chegando pra mim e falando... – pigarreou. – “Cara, eu acho que tô apaixonado.” – na cabeça dele, ele me imitou, mas na minha, eu nunca havia dito aquilo. Sorri, franzindo o cenho. – Eu sei que você não se lembra disso, mas a gente, sim. – apontou para ele e as meninas. abaixou a cabeça, fixando sua atenção ao copo que segurava. – Eu só espero que você se recupere logo, meu amigo.
- É, eu também. – fitei , que ainda fitava o copo. Suspirou, levantando a cabeça, sorriu amarelo e virou-se para .
- Amiga, vamos ao banheiro, por favor? – pediu, sem tirar o olhar dela. concordou, pegou a mão da amiga e sumiram casa adentro.
- Eu preciso de um cigarro. – falei, tateando os bolsos da minha calça.
- Achei que você tivesse parado. - comentou.
- Péssima hora para se parar. – rebati, passando a mão no cabelo.
- Cara, se acalma! – pediu, colocando a mão sobre o meu ombro. – Amanhã nós vamos à uma clínica, você vai fazer alguns exames e vamos saber o que está acontecendo.
- E se não me lembrar? – refutei.
- Aí, você terá a chance de começar tudo de novo. – foi sincero. – E claro, de dar uns pegas numa garota bem gata. – rimos. – Vai dar certo, você vai ver.
- Tomara. – sorri. – Valeu, cara! – o abracei brevemente. – Eu acho que eu só preciso me focar em ter a rotina que eu tinha antes de esquecer tudo. É muita coisa pra processar. – coloquei a mão na cabeça, sentindo-a começar a doer. – Eu acho que preciso ir pra casa descansar.
- Tem certeza? – assenti, balançando a cabeça.
- É, eu só avisar os meus pais. – falei, entregando o copo para ele. – Eu vou procurar a e vamos. Até, cara.
- Se cuida, maninho. – pediu, enquanto eu me afastava. Enfiei as mãos dentro dos bolsos da calça, andando até onde os meus pais estavam. Eu não havia contato nada a eles, não queria preocupá-los logo no dia deles. Quem sabe mais à frente, se eu não me lembrasse, eu contaria. Meus pais pareciam se divertir, cantavam, dançavam e riam. Sorri, me aproximando deles. – Fala, casal.
- Oi, meu amor. – minha mãe sorriu, beijando o meu rosto. Já tá bêbada. – Estava falando para o seu pai como os meus bebês cresceram. – fez um bico enorme. – Eu lembro de trocar as fraldas de vocês.
- Linda lembrança, hein, mãe? – rimos. – De qualquer forma, eu só vim me despedir.
- Mas por quê, filho? – meu pai perguntou, não entendendo.
- Minha cabeça não está muito legal hoje, eu acho melhor eu ir pra casa. – avisei, fazendo uma careta. – Mas eu sei que vocês vão se divertir sem mim.
- Vou sentir sua falta, fofinho. – minha mãe me abraçou forte, retribui. – Amo você.
- Também te amo, mãe. – sorri, sabendo que ela estava realmente bêbada.
- Eu te amo também, filho, mas de uma forma mais masculina. – meu pai falou, estendendo a mão. Ri, aceitando-a.
- Até mais, gente. – falei, me afastando deles. Olhei em volta, tentando achar , mas não encontrei. Lembrei-me que ela disse que iria ao banheiro, então fui até lá. Antes de encontrá-la, ouvi sua voz ao longe, conversando com .
- Parece gozação, sabe? Como ele pode acordar um dia e não se lembrar de nada? Se for uma piada, eu juro que vou dar um tiro bem na testa dele. – falou, parecendo com raiva. riu. – Não ria, é sério.
- , fica tranquila, tudo vai dar certo. – ela disse, tentando acalmar a amiga.
- Desculpa, é só que é tudo muito difícil. – suspirei, levantei a postura e fiz questão de fazer barulho, avisando que tinha alguém se aproximando.
- Hey, , já estávamos voltando! - sorriu, abraçada a .
- Oi, , tudo bem. Eu só vim buscar a , eu não estou me sentindo muito bem, acho melhor descansar. – avisei, fitando-as. me olhou com o semblante preocupado.
- O que você está sentindo? – perguntou, aproximando-se de mim. – Alguma dor?
- Só dor de cabeça. – tentei tranquilizá-la. – Você pode ficar, se quiser. Eu realmente prefiro ir.
- Não, tudo bem, nós vamos. – concordou. – A gente se fala depois, . – acenou para a amiga.
- Melhoras, meu amigo. – desejou, sorrindo.
- Valeu, . – joguei uma piscadinha para ela. Logo após, estávamos voltando para a casa, finalmente. O transito de Londres estava aquele caos de sempre, demoraríamos para chegar lá. Liguei o som do carro, e tocava alguma faixa calma. Batuquei os dedos no volante ao ritmo da música. estava quieta, fitando somente as ruas. – Você podia ter ficado e aproveitado a festa.
- Não, eu queria vir também. – me olhou, finalmente. – Como está se sentindo?
- Só uma dorzinha incomoda, mas nada muito forte. – falei, fitando seus olhos. Ela sorriu, mostrando uma covinha na bochecha. – Você é muito linda.
- ... – sorriu, sem graça.
- Ah, então quer dizer que você ainda fica sem graça quando eu digo isso? Bom saber. – ri, fazendo-a rir junto comigo. – O que mais te deixa sem graça?
- Eu não vou falar as coisas que me deixam sem graça, né? – rebateu, sendo óbvia.
- Que isso, deveria, você tem que me ajudar. – falei, fingindo estar ofendido. Ela riu. Eu gostava de fazê-la rir.
- Eu posso te ajudar te falando outras coisa, não isso. – insistiu.
- Ok, você ganhou. – me dei por vencido. – Vai, me conta alguma coisa sobre nós.
- Hmm... – fez uma cara pensativa. – Nosso primeiro beijo foi na porta da casa dos meus pais.
- Sério? Demoramos muito a nos beijar? – perguntei curioso.
- Nos beijamos depois do nosso primeiro encontro oficial. – falou. A olhei, confuso. – Nos conhecemos na casa do , mas apenas conversamos. Conversamos muito. – pareceu se lembrar, e riu. – Você me chamou pra sair, um encontro de verdade, bom, nesse dia nos beijamos.
- Eu demorei pra te beijar? Cara, que perdedor. – me indignei comigo mesmo.
- Ei, eu acho encantador. – rebateu, fazendo uma carinha fofa. Sorri.
- E o que mais? – pedi, gostando de ouvir as histórias.
- A gente terminou uma vez. – falou, mordendo os lábios. A fitei, surpreso.
- Foi? Por quê?
- Durou menos de uma semana, foi bem no início. – deu de ombros. - Nós brigamos porque eu achei um guardanapo com um número de telefone e com marca de beijo de batom no bolso da sua calça.
- Oh, não. – fiz uma careta. Ela assentiu. – Eu te traí?
- Você jurou que não. – falou, voltando a fitar as ruas. – Eu não acreditei e terminei tudo.
- E por que voltou? – perguntei muito curioso. Ela riu, descrente.
- Você ficou no meu pé o tempo todo, queria voltar por tudo. – gesticulava com as mãos. – Me ligou dois dias seguidos, mandou dezenas de flores, escreveu uma música pra mim. – prestava atenção as coisas que ela falava. – E eu era muito apaixonada por você. Pensei comigo mesma, “alguém que faz todas essas coisas porque me quer de volta, não pode ser uma má pessoa.” – explicou, mordendo o lábio em seguida. – Decidi dar uma segunda chance, então.
- Se arrependeu depois? – questionei, fitando-a, esperando sua reação. Ela sorriu.
- Nem por um minuto. – sorri junto, balançando a cabeça positivamente. Depois de algum tempo, finalmente chegamos em casa. O silencio era aconchegante dentro da casa. Joguei as chaves do carro na mesa de centro da sala, depois joguei o meu corpo no sofá. permaneceu em pé. – Quer que eu pegue um remédio pra você?
- Não precisa, eu me viro depois. – assentiu, cruzando os braços. – Senta aqui. – pedi, batendo a mão no lugar ao meu lado. Ela prontamente se sentou. Suspirou, jogando a bolsa de lado, aconchegando-se ao meu lado. - vai me levar à uma clinica amanhã para fazer uns exames e etc. – comentei.
- É? Que bom! – falou, fitando-me. – Quer que eu vá?
- Só se você quiser. – respondi.
- Eu vou. – decidiu-se. Concordei, balançando a cabeça. Estiquei o braço no encosto do sofá, batucando os meus dedos inquietos sobre o mesmo. – Ahm, acho que eu vou me deitar. – avisou, levantando-se. A acompanhei com o olhar.
- Tudo bem, eu vou dormir no sofá hoje. – avisei, estudando sua reação. pareceu surpresa com a notícia, mas apenas concordou.
- Você que sabe. – cruzou os braços. – Bom, boa noite.
- Boa noite, . – respondi, assistindo-a subir pelas escadas e desaparecer pelo corredor. Dei um longo suspirou, cansado. Foi um longo, longo dia. Espero que amanhã tudo volte ao normal.


Mas não voltou. Acordei meio sonolento ainda, com dificuldade para abrir os olhos. Ouvi o cachorro do vizinho latir, acordei de vez, me dando por vencido. Joguei para o lado a coberta que havia pegado ontem à noite, Esfreguei os olhos, tentando despertar. A casa estava silenciosa, deveria estar dormindo ainda. Andei a passos lentos e suaves até o quarto, abrindo vagarosamente a porta. Sim, lá estava ela, toda jogada na cama, os cabelos jogados sobre o travesseiro e suas pernas enroladas no lençol. Entrei no banheiro, tentando não fazer barulho. Fitei meu reflexo no espelho e fiz uma careta. Estava acabado. Lavei meu rosto, esfregando com certa força, escovei os dentes e aproveitei para fazer a barba. Quando sai, ainda dormia. Achei melhor deixá-la dormindo, enquanto aproveitava para dar uma passeada até a padaria para comprar o café da manhã. Troquei de roupa rapidamente, colocando uma camisa e uma bermuda qualquer. Quando pisei na rua, o ar gélido encontrou o meu rosto. Tinha sol, mas ainda sim fazia um pouco de frio. Respirei fundo, e me pus a andar até a padaria. Enquanto andava, observei meus vizinhos, todos pareciam iguais, assim como eu me lembrava. É, acho que poucas coisas mudaram, claro, a não ser a minha vida inteira. Quando cheguei ao local, o atendente sorriu.
- ! – falou meu nome, animado. – Quanto tempo!
- E aí, Tony, tudo bem? – o cumprimentei, dando um aceno de cabeça.
- Tudo ótimo. Como vai a ? – perguntou. É claro que ele também a conhecia.
- Vai bem. – me limitei a falar.
- O que vai levar hoje? – perguntou, apontando para a vasta diversidade de doces, pães e salgados que havia ali.
- O que você me recomenda? – pedi, sem saber direito o que levar. O que gostava?
- Esse croissant acabou de sair, tá uma delicia. – apontou para o mesmo. – Mas acho que a vai preferir se levar um café com scones. – bingo! O que eu queria saber.
- Então eu vou levar. Aliás, coloca dos dois, por favor. – assentiu, fazendo o que eu havia pedido. Paguei as coisas e voltei para a casa. Quando entrei, ouvi já acordada, na cozinha. Fui até lá. Ela estava de costas, pegando algo na geladeira. usava uma camisola azul clara que não cobria nem metade do seu corpo. Qual é, eu sou homem! Meu corpo se desperta com esse tipo de visão. E até onde eu sei, ela é minha namorada, então tenho direitos. Me aproximei dela, tentando chamar a sua atenção. – Bom dia.
- Ah, oi. Bom dia. – sorriu, assustada. – Achei que você tivesse saído.
- Saí, mas voltei com o café. – falei, levantando as sacolas em minhas mãos.
- Ótimo! – pegou uma das sacolas, abrindo-a. - Scones! - falou animada. Sorri, satisfeito por ter acertado no pedido. – Eu amo isso aqui. Como você sabia?
- Na verdade, Tony me falou. – dei de ombros, culpado. Ela soltou um fraco “ah, sim.”
- Ei, achei algo que talvez possa te ajudar. – falou, deixando a comida sobre a mesa e esticando-se sobre a mesma, alcançando o celular. – Achei esse vídeo.
- Vídeo? Ótimo! – falei, animado, pegando o celular de sua mão e apertando play.
- Ok, olha pra câmera e repete isso que você acabou de dizer. – a voz de soava, enquanto a câmera filmava o meu rosto. Eu sorria, enquanto ela continuava a falar. – Repete, amor.
- , desliga isso. – eu pedia, enquanto ela ria. Tentei pegar o celular, mas ela se esquivou.
- , você me ama? – ela perguntou, dando zoom no meu rosto. Eu bagunçava o cabelo, rindo.
- Eu te amo, . Eu te amo muito. – falei, pegando o celular e virando a camera para o rosto dela. – E você, me ama?
- Eu amo mais do que eu poderia imaginar que amaria. – sorriu, vindo se encostar no meu ombro. A câmera focou os dois. Sorrimos idiotamente um para o outro, nos beijando demoradamente. Me viro novamente para a câmera, e ela continua me fitando.
- É com essa mulher que eu vou me casar, ter filhos e ficar velhinho. – falei, voltando a fita-la. sorriu, roubando-me um selinho.
- Vamos ver se eu vou querer também, né. – se fez de difícil.
- Vamos embora que lá em casa eu te mostro como faço você querer também. – fiz uma cara maliciosa, seguido de um sorriso de lado.
- ! – ela riu, tomando o celular da minha mão. – Vou desligar isso aqui e...

O vídeo acabava assim. Olhei perplexo para o celular, sem muita reação. Era eu. Era ela. Como eu posso não me lembrar disso?
- Então? – perguntou após um tempo. A fitei.
- Nossa! – foi o que eu conseguir dizer.
- Yeah. – ela falou, comendo um pedaço do seu bolinho.
- Nós éramos bem apaixonados, né? – fiz uma careta. Nunca me imaginei assim por uma mulher.
- Pois, é. – riu, sem humor. – Eu ainda sou. – sussurrou. Senti meu coração apertar.
- , eu juro que eu vou fazer de tudo para que essas memórias voltem. – ela me fitou, atenciosa. Me aproximei dela, segurando em seus ombros. – Eu quero muito que elas voltem, que esse sentimento volte. De qualquer forma, nós ainda podemos começar algo, não?
- Eu só quero que você fique bem. – falou, segurando forte na minha camiseta, aproximando seu rosto do meu. Sorri, segurando em seu queixo, depositando um selinho ali. Ela me olhou, surpresa.
- E vou ficar. – falei, piscando pra ela. O telefone da casa começou a tocar. Me soltei dela e fui atender. - falando.
- Fala, putão! – a voz de ecoou do outro lado da linha. – Se arruma, daqui a vinte minutos eu tô passando ai pra gente ir até a clinica.
- Beleza, cara. Tô aguardando! – falei, despedindo-me e desligando. Olhei em direção a cozinha e vi , comendo seu bolinho, satisfeita. Sorri. Eu mais do que nunca queria fazer isso funcionar.

Capítulo 3



Meu pés balançavam insistentemente. Estralava meus dedos a cada dois minutos. Estava inquieto na clínica. Tinha feito uma tomografia e estava esperando os resultados na sala de espera. estava sentado ao meu lado, mexendo no celular; estava inquieta também, mordendo a unha do dedão. Se as tomografias não acusassem nada, eu não saberia mais o que fazer, mas, por outro lado, se acusem algo grave, eu também não saberia o que fazer. É, não estava sendo nada fácil.
- ? – uma enfermeira perguntou alto, procurando por mim. Havia mais pessoas na sala aguardando. Me levantei, rapidamente. Ela sorriu, se aproximando. – A dra. Hamilton irá vê-lo agora.
- Ah, sim. – concordei, e olhei para os dois ao meu lado. – Eu posso levar alguém comigo?
- Mas é claro! – concordou, pacientemente. Olhei para e sorri.
- Entra comigo? – pedi, estendendo a mão. Ela concordou, aceitando a minha mão e se levantando.
- Me acompanhem, por favor. – a enfermeira pediu, e nós a seguimos para uma salinha logo adiante. Assim que ela abriu a porta pude avistar a médica sentada em frente a uma mesa, digitando algo num laptop. Assim que nos viu, sorriu e se levantou.
- Olá, você deve ser o , certo? – estendeu a mão para mim. Aceitei, concordando. – Muito prazer.
- O prazer é meu. – sorri. – Esta é a . – avisei, apontando, discretamente. apertou a mão dela, sorrindo.
- Sentem-se, por favor. – pediu, voltando a se sentar. Fizemos o mesmo. – Bom, estava lendo a sua anamnese e vi que você disse estar com perda de memória? – perguntou, fitando o laptop e depois a mim.
- Sim, eu não consigo me recordar de uma parte da minha vida, mais especificamente, do último ano. É como se não fizesse sentido o que as pessoas me dizem que já aconteceu. – fui sincero. suspirou ao meu lado. Não devia ter trazido ela comigo.
- Entendo. – dra. Hamilton balançou a cabeça, positivamente, voltando a fitar o computador. – Bom, , sua tomografia não apresenta nenhuma lesão no cérebro. Está tudo normal. – ela falava enquanto clicava no mouse. Virou a tela do computador para nós, e pude ver o meu cérebro bem nítido. – Aqui, nessa parte, é onde fica a memória. – apontou com uma caneta. – Não tem sinal de lesão. O cérebro é uma parte muito instável do corpo. Às vezes é normal acordar confuso, com alteração de humor. – olhou para mim e depois para . – Você sente alguma dor frequente?
- Não, nada anormal. – dei de ombros. – Senti uma dor de cabeça ontem, mas não foi forte.
- Certo. – falou, puxando um bloco de prescrições. Ficou em silêncio um tempo enquanto escrevia alguma coisa lá. Encarei , que parecia apreensiva. - , eu estou receitando alguns remédios que talvez possam te ajudar. – destacou a folha, me entregando. – Mas quero ficar de olho em você, ok? Vou pedir mais alguns exames daqui uns dias, assim que começar a tomar os remédios. Existem casos onde o paciente tem uma perda de memória momentânea, devido a algum tombo, batida e essas coisas. Então, vamos ficar de olho, sua memória pode voltar logo. – sorriu. – No mais, eu quero que você tenha a sua rotina normal, faça o que sempre fez, isso vai fazer o seu cérebro ativar o automático, vai forçar você a se lembrar aos poucos das coisas, certo? – concordei. – Peça a alguém próximo que faça alguns jogos de memória com você, alguns testes só para checar de vez em quando como anda tudo. Vocês têm alguma dúvida?
- E se não voltar? – fiz a temida pergunta. Ela suspirou, cruzando os dedos das mãos sobre a mesa.
- É um risco que corremos, mas vamos pensar positivo, ok? – pediu, nos fitando. - , você pode ficar de olho nesse mocinho, por mim?
- É claro, eu faço isso. - falou, sorrindo.
- Vocês dois são o quê? – perguntou dra. Hamilton, fitando-nos. riu.
- Eu sou a namorada, apesar dele não se lembrar disso. – riu sarcástica. Sorri, sem graça, bagunçando o cabelo.
- Poxa, isso deve ser complicado pra vocês. – falou pesarosa, fitando . – Posso indicar um psicólogo, caso precisem, ok?
- Não, tudo bem. Não será necessário! - respondeu, balançando a mão, negando. – Vamos ficar bem, certo? – me fitou.
- Vamos, sim! – concordei, hesitante. Íamos?
- Bom, então é isso. – a médica se levantou e fizemos o mesmo. – Aguardo você, ok? Tome a medicação corretamente, confio em você. – ela fitou . – E em você.
- Pode deixar. - sorriu.
- Se cuidem. Boa sorte, . – desejou, estendendo a mão, aceitei e apertei.
- Vou precisar. – ri, descrente. Saímos do consultório, encontramos e contamos tudo para ele. Ele disse o de sempre “tudo vai dar certo, parceiro”. É, eu estava começando a achar que não. Seguimos para um restaurante onde tínhamos combinado com de nos encontrar e almoçar.
- Amiga, quer dividir o salmão? Porque sei que esses dois são frescos e não comem. - falou, revirando os olhos. riu, concordando.
- Claro, jamais dispensaria um bom salmão. – falou, piscando pra amiga, depois voltando a fitar o cardápio.
- Olha só, se acham melhores que a gente, bro! - falou, batendo o ombro de leve no da namorada, que riu, mostrando a língua pra ele. – A sua sorte é que você gostosa, se não seria chata para caralho.
- ! - repreendeu alto, nos fazendo rir. Ele deu de ombros. – Você é sem noção, menino. – falou, voltando a atenção para o cardápio.
- Vocês dois são muito figuras. – falei, rindo, pegando meu celular do bolso. Chequei as mensagens, tentando achar algo novo ou antigo que pudesse me ajudar. Rolei as mensagens e quase todas eram de . Ou, como estava na agenda “minha gata”. Minha gata? Cara, que brega. Ri, lendo aquilo.
- Qual é a graça? - perguntou, aproximando-se de mim.
- Nada, só estou lendo algumas mensagens aqui de uma tal de “minha gata”. – respondi, rindo. Ela riu também.
- Ah, para! Eu gosto. – fez bico. – Era nossa piadinha. - disse, pegando o celular dela também e abrindo na agenda, mostrando-me a tela. – Viu? – li o nome que meu número estava gravado: “meu miau”. Ri ainda mais.
- A gente era assim tão brega? – levantei a sobrancelha, intrigado.
- Sim, e não é brega. É fofo! – sorriu, mostrando aquela covinha. Cara, essa garota é muito linda. Voltei a atenção para o meu celular, rolando as mensagens. Abri uma:
“Traz leite.
Te amo <3”

Ri, mostrando a mensagem pra ela.
- Ah, você tá vendo as mensagens mais chatas! – revirou os olhos, tomando o celular da minha mão. Ia reclamar, mas desisti, deixando que ela procurasse algo bom por lá. – Ah, olha essa! – me mostrou o visor do celular.
“Oi, amor. Desculpa, eu sei que está tarde, mas as coisas enrolaram aqui no trabalho. Eu tô morta, mas preciso de um tempo com o , se é que me entende.
Me busca mais tarde? Te espero, meu miau. Te amo!”

- Eu fui te buscar? – perguntei, fitando-a. balançou a cabeça, concordando.
- Foi, sim. Você quase sempre ia me buscar. – avisou, se ajeitando na cadeira quando o garçom se aproximou da mesa. fazia o pedido enquanto eu a fitava. Eu a admirava pela paciência comigo, não estava sendo fácil para ela também. Ouvi a risada baixa de , o olhei.
- Você fazia essa mesma cara toda a vez que a olhava. – falou baixo, ainda rindo. Sorri, sem jeito.
- Ah, não enche! – mandei, mostrando o dedo. Finalmente fizemos os pedidos, quando os pratos chegaram, atacamos sem muito cerimônia. Estava tudo muito bom. Até do salmão eu provei, claro, roubando do prato de , que não protestou.
- O que vão fazer agora? - perguntou, abraçada ao namorado. O tempo esfriara de repente, mas ainda estava um tempo gostoso.
- Eu preciso ir pra casa, descansar. Muita coisa para o meu cérebro fracassado processar. – falei, cruzando os braços.
- Não fala assim, chuchu! - falou, soltando-se do namorado e vindo me abraçar. Sim, ela é uma pessoa muito sentimental. – Vai ficar tudo bem, você vai ver.
- É o que as pessoas dizem. – falei, depositando um beijo no topo de sua cabeça, soltando-a. Ela fez um careta. – Eu tô bem, , prometo.
- Sei. – falou, voltando para o lado de .
- Vou deixar vocês em casa, então. – ele disse, pegando a chave do carro.
- Não precisa, cara. A gente vai de táxi, não é tão longe. – avisei, enfiando as mãos dentro do bolso.
- Certeza? – perguntou.
- Ele tem razão, . Não precisa, a gente vai de táxi. - concordou, apertando o casaco no corpo.
- Certo, então. Se cuida, cara! – pediu, dando tapinhas no meu braço.
- Tchau, amiga. A gente se fala! - abraçou e beijou o rosto de . Esperamos eles entrarem no carro e partir. Olhei para e ela se balançava, tentando se esquentar.
- Tá com muito frio? – perguntei, aproximando-me dela.
- Você não? – perguntou de volta. Ri, negando. – Seu anormal.
- Vem cá! – falei, puxando-a pela mão e a abraçando. sorriu, se aconchegando no meu peito.
- Você tá quentinho. – sussurrou. Sorri.
- Sou meio lobo. – ri da minha própria piada.
- Nossa, , que péssima! – riu.
- Será que a gente acha algum táxi? – perguntei, olhando em volta.
- Nem me importo mais. Tá tão quentinho aqui.- avisou, suspirando. Ri.
- , sua folgada! – ela riu, olhando pra cima, pra mim.
- Sabia que você tem uma pintinha castanha clara na sua íris esquerda? – perguntou, ainda fitando-me. Balancei a cabeça, negando. – É, você tem.
- É? O que mais eu tenho? – perguntei, devolvendo o olhar. Ela me fitava, concentrada.
- Seus olhos riem quando você ri de verdade. É fofo! – falou. Dei um sorrisinho de lado. Ela também sorriu, voltando a encostar a cabeça no meu peito. – E eu amo esse sorriso. – confessou baixo. Encarei o topo da sua cabeça, sem saber o que dizer. Respirei fundo, soltando-me dela.
- Vem, vamos arranjar um táxi antes que a gente congele aqui. – pedi, forçando um sorriso, procurando um táxi. Ela concordou, segurando a minha mão. Olhei rapidamente para as nossas mãos juntas. Era um calor gostoso, cara. não me olhou, apenas tentou chamar um táxi que tinha visto. E assim voltamos pra casa, eu com um milhão de incertas sobre o que iria acontecer, com as incertezas de que um dia poderia voltar tudo ao normal. É, vamos aguardar.


O céu lá fora estava escuro, as luzes da sala estavam desligadas, somente a luz da televisão iluminava o local. Eu estava deitado no chão, sobre o tapete, assistindo algum seriado estranho que a havia colocado. Ela estava deitada no sofá, abraçada a um travesseiro. Girei minha cabeça para fita-la, e ela estava apagada. Ri, vendo o jeito torto que ela estava dormindo. Iria sentir muita dor quando acordasse se ficasse naquela posição. Me levantei devagar, não fazendo barulho para não acordá-la. Me aproximei dela, abraçando suas pernas com um braço e com o outro, o seu pescoço, levantando-a e colocando-a no meu colo. Ela suspirou baixo, abraçando o meu pescoço, mas sem acordar. Sorri. Nos guiei até o quarto, abrindo a porta com o ombro, empurrando-a de leve. O quarto estava escuro, mas a luz da lua deixava uma certa claridade entrar. Andei até a cama, depositando sobre a mesma, ajeitando-a para que ficasse confortável. Quando ia tirar seu braço do meu pescoço, ela sussurrou:
- Não. – ela abriu os olhos. – Deita aqui.
- Tudo bem. – falei, empurrando-a um pouco para o lado para que eu pudesse me encaixar ali. Pude ver me encarando, devolvi o olhar. – O que você está pensando?
- Nada. – falou baixo. Passou a ponta dos dedos sobre o meu rosto, descendo até a minha nuca, fazendo um cafuné ali. Fechei os olhos. Aquilo era bom. – Só estava com saudades. – confessou. Abri os olhos novamente. – Não importa o que aconteça, a gente sempre vai achar um caminho de volta um para o outro. – falou, e eu não soube o que dizer. – Você sempre dizia isso quando a gente brigava.
- É? Parece que eu sabia das coisas. – disse e ri, ela sorriu junto. – Desculpa tá sendo um chato desmemoriado. Eu sei que não era isso que você planejava pra sua vida.
- Para, ... – pediu, calma. – Você não tem culpa do que está acontecendo. Até onde eu sei, pra você, a intrusa na sua casa sou eu. – riu, sem muito humor.
- Uma intrusa bem gata! – falei, fazendo-a rir. Ah, cara, eu gostava de fazê-la rir.
- É. – disse, bocejando. Ri, fazendo a virar de costas para mim. Encostei meu corpo junto ao seu, deixando o calor deles se juntarem e nos esquentarem naquela noite fria de Londres.
- Dorme, você tá morrendo de sono. – falei, vendo-a concordar com a cabeça. se aconchegou no meu corpo, relaxando.
- Boa noite, .
- Boa noite, .

Capítulo 4


Coloquei um engradado de cerveja no carrinho de supermercado, peguei um pacote de batata frita, três pizzas e sorri satisfeito, empurrando o caminho até a seção de xampus, encontrando lá, lendo algum rotulo de condicionador.
- Pronto, já fiz minhas compras. – avisei, sorrindo e apontando para o carrinho. levantou as sobrancelhas, olhando para o carrinho e os itens lá dentro.
- Suas compras são isso? – perguntou, cruzando os braços. Balancei a cabeça, concordando. – Ai, céus! Homens! – revirou os olhos, se aproximando de mim. – Vem, vamos fazer compras de verdade. – falou, me puxando e, consequentemente, puxando o carrinho conosco.
- O que há de errado com o que eu comprei? – perguntei incrédulo. Ela riu.
- Nada, mas não dá pra viver com isso, né, ? – falou óbvia, rindo.
- O que você compraria, ô espertona? – perguntei, desafiando-a.
- Ahm, comida de verdade? Coisas realmente necessárias? – enumerou, me fitando. Bufei, me dando por vencido.
- Tá, que seja! – dei de ombros, seguindo-a de má vontade. ria da minha cara emburrada.
- Parece uma criança, credo! – riu ainda mais. Mostrei língua, rindo também. – E vamos andar logo, não esquece que mais tarde tem show do John Mayer pra gente ir com a e o . – avisou, lembrando-me. O pai de tinha uns contatos e conseguiu dois pares de ingresso, de última hora, para o show de hoje. Ela e estavam super animadas, eu e meio que estávamos sendo obrigados a ir.
- Não sei o que vocês, mulheres, vêm de bom naquele cara. – rolei os olhos. – Ele é tão sem graça. - riu, colocando um saco de verduras dentro do carrinho.
- Larga de ser chato! O Mayer arrasa e você tá com dor de cotovelo. – deu de ombros, voltando a escolher umas frutas.
- Eu não. Eu me garanto. – sorri convencido.
- Fica quietinho, vai. – pediu, colocando o indicador sobre os lábios. Balancei a cabeça, rindo, encostando-me ao carrinho, observando-a escolher as frutas. era delicada até pra escolher fruta, cara. Ela pegava alguma, balançava, olhava, cheirava e colocava na sacola ou devolvia ao monte. Sorri, vendo-a fazer uma careta para alguma estragada que ela pegou. Ela viu e riu, sem graça.
- Acho que tá estragada. – avisou, dando de ombros. – Ok, vamos pegar mais algumas coisas e vamos embora logo. - depois de darmos algumas voltas no supermercado fazendo compras de verdade, como diria , fomos pagar e finalmente seguimos para casa. Ajudei a carregar as compras para dentro de casa e a guarda-las. – Pronto. – avisou, fechando o armário e se virando para mim. – Vou tomar banho agora e começar a me arrumar, você liga para o e pergunta que horas a gente se encontra, ok?
- Sim, senhora! – bati continência. Ela riu, me deu um selinho e foi andando para o quarto. Ri, acompanhando-a subir as escadas. Ela deve ter feito isso por hábito. Balancei a cabeça, rindo e andando até a sala, me joguei no sofá e peguei o telefone da base, discando para .
- Alô? – atendeu, rapidamente.
- Fala, minha nega! – ri, ajeitando-me sobre o sofá. Ele riu. – Cara, que horas vocês vão sair para o show?
- Umas oito, eu acho, espera, aí. – pediu, abafando o microfone do telefone. Ouvi um “amor, a gente vai às oito mesmo?” e logo depois ele voltou. – É isso mesmo, cara. A gente se encontra lá na entrada, perto daquela cafeteria, pode ser?
- Beleza, então. Qualquer coisa, eu te ligo. Falou! – e desliguei, depois dele soltar um “ok, falou!”. Suspirei, passando a mão no cabelo, bagunçando-o. Olhei no meu relógio de pulso e vi que já eram seis e cinquenta. Me levantei e rumei para o quarto. A porta estava aberta, então entrei. Pude ouvir o barulho do chuveiro ligado e a voz de cantando alguma música. Sorri, ela tinha a voz bonita. Abri o meu armário atrás de alguma roupa boa, acabei de optando por uma camiseta preta, uma calça jeans também preta e meu allstar branco. É, ia ficar bom. Tirei a camisa que eu vestia, jogando-me na cama, mexendo no celular. Minutos depois, a porta do banheiro foi aberta e aquele cheiro gostoso de sabonete invadiu o quarto. se assustou ao me ver ali, fitando-a.
- Não sabia que estava aqui. – falou, mordendo o lábio, segurando a toalha em volta do corpo. Não tive como não olhar a parte descoberta das suas pernas. Eu sou homem, né?
- É, estava esperando pra poder ir tomar banho também. – Avisei, levantando-me, desviando o olhar. – Já falei com o , a gente se encontra lá as oito.
- Ah, ok. Eu vou me arrumar rápido, prometo. – sorriu, andando para o outro lado do quarto, abrindo o armário. Concordei, entrando no banheiro. Fechei a porta e me debrucei sobre a pia. Encarei meu reflexo no espelho e fiz uma careta. Tudo isso ainda era muito estranho, toda essa nova vida e essa garota. Apesar de ser uma das garotas mais doces que eu já conheci, ainda sim era tudo muito estranho. Deixei meus pensamentos para depois e fui tomar um banho, fui relativamente rápido, pois quando sai estava em frente ao espelho se maquiando. Não que precisasse, já que ela era linda sem nenhum pingo de maquiagem. Nossos olhares se encontraram no reflexo do espelho, ela sorriu e eu retribui. – Ah, coloquei sua jaqueta sobre a cama, acho melhor você levá-la, acho que vai fazer frio.
- Ok, obrigado. – agradeci, visualizando a mesma junto com a outras peças de roupa. Peguei a calça e a camiseta, voltando para o banheiro e me trocando. Sai de lá passando a mão no cabelo ainda molhado, tentando arrumá-lo. ainda estava sentada em frente ao espelho se arrumando, parei atrás dela, ainda tentar arrumar o cabelo. Bufei, irritado. Ela riu, se levantando.
- Vem cá! – pediu, puxando-me pela mão e me fazendo sentar onde ela estava antes. Passou os dedos delicadamente pelos meus cabelos, arrumando sem muito esforço. Sorri. – O quê?
- Eu gosto quando você cuida de mim. – confessei. Ela mordeu o lábio.
- Você sempre pedia para eu arrumar seu cabelo, porque dizia que só eu conseguia deixar do jeito que você gosta. – falou, terminando de arrumar o meu cabelo. – Pronto, tá lindo! – me encarei no espelho e sorri, satisfeito com o resultado.
- Obrigado. – agradeci, segurando a sua cintura. Ela suspirou, assentindo e sorrindo pelo nariz. – Tá pronta?
- Sim, só vou pegar minha bolsa. – avisou, andando até um cabideiro com várias bolsas. Só aí eu prestei atenção ao que ela vestia: Uma camiseta comprida de banda, uma jaqueta com estampa militar e uma bota que ia até um pouco a cima do joelho. Cara, linda, linda.
- Você tá com um short aí debaixo, certo? – perguntei, levantando a sobrancelha. Qual é, tava bem curto, né.
- ! – riu, levantando a barra da camiseta, relevando um short jeans ali.
- Ah, tá. – respirei aliviado. Ah, só tava pensando na segurança dela, ok? Pode ter algum marmanjo com más intenções por aí. – Ok, vamos! – enfim, seguimos para o local onde seria o show, o transito como sempre não estava muito tranquilo, mas conseguimos chegar não muito além do horário combinado. Ia ligar para para saber se eles já haviam chegado, mas não foi preciso, pois assim que andamos mais um pouco avistamos ele e abraçados mais adiante. Sorriu, acenando pra gente.
- Ahhhh, meu Deus! Amiga, vamos ver o John! - falou animada. riu, concordando.
- “John”. - fez aspas com os dedos, falando. – Tão intimas, hein?
- Ah, fica quietinho, amor. - falou, revirando os olhos. – Esse aqui só reclamou o dia todo. Não confessa de jeito de nenhum que além de maravilhoso... – olhou para o namorado enquanto falava. – ele também tem muito talento.
- Aceita que dói menos, querido. - falou, cruzando os braços. – O também tá com essa antipatia, mas aposto que vão se divertir muito lá dentro. - avisou, me dando uma olhada de lado. Olhei pra , dando de ombros.
- Mulheres! – sussurrei pra ele, que riu, concordando. Entramos finalmente, andamos até achar um lugar bom e sem muita gente, acabamos por ficar mais ao lado, não tinha muita gente ali e podia ser ver o palco bem. e estavam abraçados, conversando baixo entre eles. os fitou e suspirou, cruzando os braços e desviando o olhar para as pessoas. Mordi os lábios, passando a mão sobre o queixo. – Cara, eu vou buscar algo pra gente beber. Vocês vão querer algo?
- Eu quero uma água com gás. - pediu, fitando-me.
- Eu quero uma cerveja. - pediu.
- Eu vou com você. - avisou, rindo. – Você não vai conseguir trazer tudo de uma vez mesmo. – concordei, saindo de lá com atrás de mim. Fomos até um quiosque que vendia bebidas, entramos na fila para comprar, mas ainda tinha muita gente na nossa frente. Engatamos em alguma conversa trivial sobre alguma banda que tinha lançado umas músicas novas fodas. E foi quando eu a vi, apenas alguns passos de mim. Gargalhando de algo, abraçada por um cara um pouco mais alto que ela. Ele sorriu, depositando um beijo na bochecha dela. Meus olhos estavam parados, vidrados nela. Seu cabelo estava mais curto, mais ruivo, seus olhos verdes estavam mais brilhantes. Ela sorriu de algo que o cara disse e olhou as pessoas ao seu redor, mas seu olhar caiu no meu também. Seu sorriso sumiu. – Cara, tudo bem? – ouvi a voz de me chamar, mas eu não consegui me mover. – Oh, merda! – ele praguejou, seguindo o meu olhar.
- É ela. – consegui falar.
- , esquece isso. – pediu, puxando o meu braço. - ! – me chamou alto, me fazendo o encarar. – Vem, vamos voltar.
- Mas, cara, eu preciso... – falei, dando um passo para a frente. Ele me segurou.
- Vamos! – falou, já me puxando para voltar para onde estávamos. Olhei pela última vez para ela e ela ainda me fitava. Sorriu. Sorri de volta, mas logo eu a perdi de vista entre as pessoas. Avistamos as garotas conversando mais adiante, parou, se virando pra mim. – Não comente nada com a , por favor.
- Eu não vou. – falei, balançando a cabeça. Suspirei alto, bagunçando o cabelo que havia arrumado mais cedo. – Você tem noção de que era Claire?
- É claro que eu sei, , mas vocês não tem mais nada há anos. – falou, tentando ser paciente.
- É, mas na minha cabeça a gente terminou há poucas semanas. – falei, revidando.
- Ok, eu sei. – falou mais baixo. – Depois a gente conversa sobre isso, agora vamos esquecer a Claire e focar no show e nas garotas, ok?
- Tá, mas só uma coisinha.
- O quê?
- Não pegamos as bebidas. – avisei, abanando as mãos.
- Droga! – xingou, batendo a mão na testa. – Ok, a gente vai voltar lá, mas você vai me prometer não olhar para os lados, ok?
- , relaxa, eu não vou agarrar ninguém. – falei, como se fosse óbvio. Ele concordou, e voltamos para o quiosque para buscar as bebidas. Não, eu não olhei para os lados, não sei se ela ainda estava lá. Meu amigo não me deixou olhar sequer de soslaio. Voltamos enfim com as bebidas.
- Credo, como demoraram! - reclamou, pegando a água da mão do namorado.
- A fila tava grande, pequena. - avisou, dando uma olhadinha rápida pra mim.
- É, fila grande. – confirmei, entregando a cerveja de , que sorriu, agradecida, tomando um gole. A fitei. tinha uma beleza que não era cansativa, era natural. Ela percebeu que eu a olhava e franziu o cenho.
- O quê? Tô com espuma no rosto? – perguntou, passando a mão no rosto. Balancei a cabeça, negando.
- Não é nada, não. – dei de ombros, bebendo a minha cerveja. As luzes do local se apagaram, avisando que o show iria dar inicio. soltou um gritinho animada, nos fazendo rir. Ela e se posicionaram mais à frente, e eu e atrás, apenas observando-as. John Mayer subiu ao palco acompanhado de gritos histéricos e solos de guitarra. Suas famosas músicas Free Fallin’, Slow Dancing in a Burning Room, Gravity foram acompanhadas por um coro de todo o público. Quando os acordes de Your Body is a Wonderland soou, houve um delírio mutuo. sorriu, virando-se para o namorado e abraçando a cintura dele, enquanto deixava John Mayer os embalar. os observou e depois virou a atenção para o palco novamente, cruzando os braços. Ela balançava o corpo no ritmo da música. Aproximei-me dela devagar, colocando meus braços em volta do seu corpo. Balançando meu corpo com o dela. Ela sorriu, fitando-me. -But you look so good it hurts sometimes... - cantarolei, vendo-a sorrir e voltar a olhar para o cantor sobre o palco. Beijei sua bochecha, demoradamente. era uma garota legal, boa demais pra mim, eu tinha certeza. Tem toda essa história da memória, tem Claire, que eu sei que preciso resolver isso direito se eu quiser tentar algo com , porque não seria justo com ela. Suspirei, apertando meu corpo ao dela.
- Londres! – John Mayer gritou ao término da música. – Essa música é para todas as garotas que são mães, que são filhas e que são amantes. – ele falou ao fundo de gritinhos. Sorriu. – Garotos, sejam bons com as garotas que colorem seu mundo. – e dedilhou o começo de Daughters. se virou para mim, encostando a cabeça no meu peito. Apoiei meu queixo sobre sua cabeça, deixando-a brincar com a corrente que eu usava. Fechei os olhos, prestando atenção na letra da música. olhou para cima, para os meus olhos e sorriu de lado, mostrando a covinha na sua bochecha. Sem pensar muito, aproximei meu nariz do dela, que respirou alto, fechando os olhos. Passei meu nariz por sua bochecha e voltei a tocar no seu nariz. Ela abriu os olhos e aproximou a boca da minha, esperando que eu desse o próximo passo. E eu dei. Finalmente encostando a boca na dela, pressionado nossos lábios suavemente. Os braços de foram parar em volta do meu pescoço, nos aproximando mais, se é que isso ainda era possível. Entreabri a boca, deixando que o beijo fosse aprofundando. E sim, é como dizem, “encaixou”. Minha boca encaixou na dela. E sim, o gosto e o calor de seus lábios me fizeram arrepiar. Sim, isso é bem menininha, mas foda-se, era o que eu sentia no momento. Apertei minhas mãos na sua cintura, intensificando o beijo, passando a língua por seus lábios, enquanto ela apertava minha nuca. Ela sorriu entre o beijo, mordendo o meu lábio. Sorri junto, voltando a beijá-la com mais força e urgência.
”You are the god and the weight of her world.”
O beijo foi perdendo a intensidade e ficando mais suave. Dei um selinho demorado em seus lábios e um beijo em sua bochecha, encostando minha testa a sua, recuperando o ar. continuava de olhos fechados, fazendo um carinho bom na minha nuca.
- Ei. – chamei, fazendo-a abrir os olhos e me encarar. Dei um selinho nela. – Isso foi bom.
- Muito bom. – sorriu, me dando outro selinho mais demorado. Virou-se de costas para mim, fazendo com que eu a abraçasse forte, segurando minhas mãos em volta de sua cintura. Sorri, apertando-a. Olhei para o lado, e notei que e nos fitavam, sorrindo. Sorri pra eles, dando um beijo no topo da cabeça de . É, eu finalmente havia a beijado e tinha sido muito bom, realmente muito bom. É, , você tá encrencado.

Capítulo 5


Coloquem pra carregar ou ouçam pelo spotify: You – The Pretty Reckless



- Cara, você tá muito fraquinho! – falei, zombando de , que xingava enquanto eu o derrotava no FIFA.
- Você tá roubando! – alertou, quase gritando. Apenas ri.
- Roubando no futebol? Aceita que dói menos, meu amigo! – falei, dando mais um drible e fazendo outro gol. – GOL, CARALHO! – gritei, levantando e fazendo uma dancinha comemorativa. Ouvi uma risadinha e me virei, dando de cara com e , rindo da minha cara. Fiz uma careta, me aproximando de . – Eu fiz cinco gols, ! – contei, fazendo o número com os dedos.
- Roubou, isso sim. - choramingou, enquanto ia até ele e se sentava em seu colo.
- Vê se cresce! – falei, mostrando língua. Me virei para , que sorria, sorri de volta. – Oi pra você.
- Oi, né. – respondeu, entrelaçando os braços no meu pescoço e ficando na pontinha dos pés. Encostei meus lábios aos dela demoradamente, sugando o seu inferior. Beijar virou um hábito, um hábito muito bom e que me acostumei rapidamente. Qual é, ela era gata e gente boa.
- Ô casal! - falou, batendo palmas, chamando a nossa atenção. – Pornografia só na TV, ok?
- Vai se ferrar! – mandei, rindo e mostrando o dedo pra ele. Beijei a bochecha de e abracei seu pescoço de lado, ela entrelaçou a mão a minha. – Vamos pra casa?
- Vamos, sim. – concordou, encostando a cabeça no meu peito. – Amanhã a gente tem aquele almoço na casa da sua mãe.
- É verdade. – concordei, enfiando a mão dentro do bolso da calça e pegando a chave do carro. Nos despedimos de e e fomos para a casa. Assim que entramos, me joguei no sofá, esparramado. parou na minha frente.
- Tô cansada. Torrei meus neurônios tentando ajudar a a finalizar aquele artigo pra revista. – suspirou, fazendo uma careta. – Acho que vou dormir.
- Vai nada! – falei, a puxando pelo braço até ela cair sobre mim. Ela riu, se ajeitando.
- Você tomou o remédio que a médica pediu, hoje? – perguntou preocupada, passando os dedos pelo meu cabelo, brincando com ele. Balancei a cabeça, confirmando. – Não é justo. – falou, fazendo bico.
- O que? – perguntei, levantando uma sobrancelha, confuso.
- Você é muito lindo, . – falou ainda com aquela carinha. Apenas, ri, negando.
- Não sou, não. – apoiei minhas mãos em sua cintura. Ela mordeu o lábio inferior, observando meu rosto. – Linda aqui é só você. – ela fez uma careta.
- Nah! – falou, negando também. encostou o indicador na ponta do meu nariz e foi desenhando o meu rosto com ele. Fechei meus olhos, gostando do toque. Senti uma respiração bater na minha boca e abri os olhos. estava a milímetros do meu rosto, encostando o nariz no meu. Sorri, roçando nossos lábios e narizes. deixou a mão escorregar até meu pescoço, acariciando o mesmo com o polegar. Encostou os lábios aos meus e os pressionou, demoradamente. Ela entreabriu a boca, deixando que o beijo se aprofundasse. Era lento, calmo e delicado. colocou uma perna de cada lado da minha cintura, e eu segurei firmemente a dela, colocando os meus polegares para dentro de sua blusa, acariciando-a levemente. apertou os dedos no meu pescoço, subindo para o meu cabelo e descendo os beijos para o meu pescoço. Um arrepio passou pelo meu corpo, se acumulando na minha nuca. Seus lábios quentes e seu hálito batiam a cada beijo depositado pela região que ela trilhava. Fechei os olhos, respirando alto. Minhas mãos apertaram a sua cintura, fazendo-a soltar um gemido baixo. Ela sorriu perto do meu ouvido, beijando o local, logo após. Beijou meu maxilar, meu queixo e voltou a beijar minha boca, dessa vez com mais urgência. Desci minhas mãos até as suas pernas, segurando-as de forma firme, apenas para que trocássemos de posição. Deitei-a no sofá, encaixando-me entre as suas pernas. sorriu durante o beijo e me puxou pela camiseta, como se pudéssemos ficar mais perto. Deixei um braço meio estendido, segurando o meu peso para que não caísse todo sobre ela. As mãos de entraram para dentro da minha camiseta, contrai o abdômen sentindo suas unhas deslizarem por ali. Minha mão livre estava indecisa entre sua cintura e sua coxa, mas se decidiu fixar na cintura quando senti o indicador de passar pelo cós da minha calça. Respirei fundo, desacelerando o beijo, dei um selinho nela e encostei as nossas testas. Abri os olhos e ela me olhava, confusa. Eu tinha consciência dos sentimentos dela por mim, tinha consciência do que aquilo significava pra ela, tinha consciência de que ela não era só mais uma. – É melhor irmos dormir. – beijei de leve sua testa, me levantando e estendendo a mão para ela. ficou meio sem reação e visivelmente sem graça. Aceitou a minha mão e se levantou, andando na frente. Suspirei, bagunçando o cabelo, derrotado. Cara, como é difícil ser homem! Enrolei para ir para o quarto, quando entrei, ela já estava vestida com um blusão meu e sentada na ponta da cama, fitando o nada. Passei direto, tirando a minha camiseta e entrando no banheiro, tirei minha calça e fiquei só de boxer, pegando uma regata antiga que estava pendurada por ali. Sai do banheiro e vi deitada na cama, mas sabia que ela não estava dormindo, obviamente. Seu cabelo estava espalhado pelo travesseiro, seu corpo coberto por um lençol. Apaguei a luz do quarto e me aproximei, deitando-me ao seu lado, enfiando-me debaixo do lençol também. Passei meu braço pela sua cintura, aproximando nossos corpos, suspirou. Depositei um beijo no seu ombro. – Desculpa. – pedi baixo, afastando-me um pouco dela, mas ela me segurou antes disso. Suspirou, prendendo meu braço em volta da sua cintura.
- Não me solta! – pediu quase em um sussurro. Concordei, deixando minha mão descansar sobre a sua barriga. O cansaço do dia me atingiu rapidamente, fazendo-me pegar num sono profundo em poucos minutos.


jogou a cabeça pra trás, gargalhando de algo que minha irmã, Blue, havia dito. Sorri junto, fitando-a de longe.
- ? – meu tio Steve me chamou, e eu balancei a cabeça, despertando do meu transe.
- Desculpa, tio. Pode repetir? Eu viajei aqui. – pedi, olhando para ele e tomando um gole da minha cerveja.
- Nada, meu querido! – ele riu, dando um tapinha nas minhas costas. – Também já tive sua idade e sei o que você tá passando. – observou . Fiz o mesmo. Blue segurou uma das mãos dela e tagarelava sem parar, gesticulando e rindo. pareceu sentir os olhares sobre ela e se virou, nos encarando. Mordeu o lábio sem graça e colocou uma mecha de cabelo atrás da orelha, voltando a fitar minha irmã. – Já estive muito apaixonado. – falou, sorrindo para mim. Sorri sem jeito, encarando meu copo.
- É. – disse apenas.
- Tio ! – Peter, filho do meu primo, chegou correndo e grudando nas minhas pernas. Sorri, pegando-o e o colocando no meu colo.
- Fala, campeão?! – baguncei seu cabelo, que riu alto. – Como você tá grande, moleque!
- A mamãe disse que eu vou ficar maior que o papai. – contou baixo, como se fosse um segredo. Ri.
- É mesmo? Eu também acho. – falei no mesmo tom que ele. se aproximou de nós, agachando-se a minha frente e apertando a barriga de Peter, que riu.
- Oi, príncipe! – beijou a bochecha do pequeno. – Tá cada dia mais lindo, hein?
- Obrigado, tia. – agradeceu, sorrindo para e tocando no rosto dela, suavemente. Era estranho ver toda essa interação que ela tinha com toda a minha família. Era incrível, todo mundo gostava dela, sem exceção. Sorri os observando. Arrumei o cabelo de Peter, ajeitando-o no meu colo, enquanto ele falava alguma coisa com .
- E vocês, quando irão fazer um desses? – tio Steve perguntou, apontando o neto. abriu a boca sem saber o que dizer, me olhou esperando que eu a ajudasse.
- Ainda é cedo, tio. – falei por fim, observando-a concordar. – Temos tempo para pensar sobre isso no futuro.
- Não pense demais, meu querido . A gente nunca sabe o que a vida nos reserva no futuro. – soltou, piscando e se levantando. – Vamos procurar sua mãe, Pete? – falou para o neto, que concordou, pulando do meu colo e saindo correndo. Meu tio riu e seguiu o neto. se sentou ao meu lado, onde tio Steve estava antes.
- Sua família é muito querida! – comentou, observando aquela galera toda que estava presente em um dos churrascos que meus pais costumavam fazer parar reunir a família. Assenti, observando junto. Meus pais estavam mais adiante: meu pai na churrasqueira, fazendo alguns hambúrgueres, minha mãe ao seu lado, conversando sobre algo bem animada. Minha mãe sorriu e ficou nas pontas dos pés, dando um beijo na bochecha do meu pai e se virando, andando até a minha tia Molly. Sorri. Meus velhos eram muito apaixonados. – E eu sou apaixonada pelos seus pais. – falou, como se lesse meus pensamentos. A fitei, e ela me imitou. Me aproximei de seu rosto e encostei meus lábios brevemente nos dela, que sorriu. – Vou buscar mais cerveja, quer?
- Quero, essa já tá quente! – fiz uma careta, entregando o copo pra ela. se levantou, se afastando até o freezer que tinha lá fora, no quintal da casa dos meus pais. Minha irmã apareceu, me dando um tapinha no ombro. – Fala, pentelha! – me virei para ela, e só então eu percebi que ela não estava sozinha. Um rapaz da mesma idade que ela, aparentemente, estava logo atrás, segurando em sua mão. Fechei a cara.
- Eu quero te apresentar uma pessoa. – falou, mordendo a boca, nervosa. Me levantei rapidamente, fitando o individuo.
- Blue. – falei, num tom autoritário.
- . – falou do mesmo tom que eu. – Relaxa, ok? – pediu, me fuzilando com os olhos.
- Ei! - voltou, entregando o meu copo cheio. Sorriu, estendendo a mão. – Você deve ser o Mark, certo?
- Isso mesmo. – o garoto concordou, aceitando a mão de .
- Prazer, Mark. Eu sou a . – se apresentou, sorrindo. Me beliscou, pedindo para eu ter alguma reação.
- Você é o irmão da Blue, certo? – perguntou animado, estendendo a mão para mim. Olhei para a sua mão estendida e depois o fitei. tossiu, me empurrando. Coloquei o copo sobre a mesa e aceitei a mão, apertando-a com certa força. O tal Mark segurou uma careta. Sorri, satisfeito.
- , irmão mais velho dela. E você é o que? – perguntei sem rodeios.
- Ahm... – ele a olhou em duvida. Ela deu de ombros.
- Larga de ser um mala, ! – Blue falou, revirando os olhos. – Mark é meu namorado, não se faça de desentendido.
- Mamãe sabe desse namorico? – falei, cruzando os braços.
- Claro que sabe! – bufou, ficando irritada. - , me ajuda, faz ele parar de ser chato!
- Você conhece bem seu irmão. – sorriu em meio a uma careta. Puxou-me pelo braço. – A gente vai deixar vocês sozinhos, ok? Divirtam-se! – e me levou para longe deles.
- Ei, calma, eu ainda nem ameacei ele. – falei, tentando voltar para onde eles estavam, mas me impediu.
- Ela não é mais criança, ! – falou como se fosse obvio. – Blue já tem dezessete anos, é quase uma mulher quer você queira ou não.
- Mulher nada. É um pirralha ainda! – os fitei de longe, de mãos dadas e sorrindo um para o outro. – Eu devia ir lá falar umas coisas pra aquele mole... - me interrompeu, virando meu rosto para fita-la.
- Deixa eles, ok? Ela tá feliz, tá super apaixonadinha. – sorriu. entrelaçou os braços no meu pescoço, me fazendo abaixar um pouco. Encostei o nariz no dela e a vi fechar os olhos, quando sentiu meus lábios pressionarem os seus. Entreabriu a boca levemente, só para que pudéssemos sentir o gosto um do outro. Minhas mãos estavam em sua cintura, apertando-a firmemente. A tirei do chão, fazendo-a rir durante o beijo.
- Ah, meu casal preferido! – ouvi a voz de minha mãe. Coloquei no chão novamente, virando-me para fitar minha mãe, que nos observava com as mãos juntas perto do rosto, encantada. Ri, balançando a cabeça. Mães.
- Precisa de alguma ajuda, Sue? - perguntou, prendendo o cabelo num coque.
- Não se preocupe, , está tudo sob controle. – sorriu, apertando o queixo de , que concordou. – Relaxe, divirtam-se! – dona Sue olhou pra mim e suspirou. – Meu filho é lindo, não é, querida?
- É até bonitinho! - falou, mordendo os lábios, segurando a risada. Levantei a sobrancelha, a fitando.
- Valeu pelo bonitinho! – a cutuquei na cintura, fazendo a rir.
- Eu sei que ele é lindo, eu fiz um bom trabalho. – minha mãe deu de ombros, ficando nas pontas dos pés e depositando um beijo na minha bochecha, assim como fizera mais cedo com o meu pai. Manias. – Ah, mas a também é linda. Vocês dois são um casal maravilhoso! – falou animada, apenas rimos. – Meu Deus, a sobremesa! – falou assustada, de repente, saindo correndo em seguida. Nos entreolhamos e desatamos a rir.
- Minha família é toda doida. – comentei, balançando a cabeça, rindo. Minha família estava comendo, bebendo e se divertindo. Eu gostava de dias assim, era muito bom, cara.


- Eu acho que estou com sono. - comentou, encostada ao meu peito, enquanto estávamos deitados numa espreguiçadeira em frente à piscina da casa dos meus pais. Passei os dedos por seu cabelo, fazendo um leve cafuné.
- Quer ir pra casa? – perguntei. Ela se remexeu, negando.
- Não, só quero descansar um pouco. – levantou a cabeça, me fitando. – Acho que comi demais. – fez uma careta, me fazendo rir. (soltem a música/ou usem o spotify)
- Vem cá! – pedi, me levantando e a puxando junto comigo. A guiei até o meu antigo quarto, fechando a porta assim que entramos. Encostei o corpo de junto ao meu, e ela entrelaçou os braços no meu pescoço, balançando o corpo no ritmo de uma música imaginária. Ela fechou os olhos e encostou a cabeça no meu peito. Beijei o topo de sua cabeça, fazendo-a olhar para mim. Cara, essa mulher é simplesmente linda. Acho que ela não tem ideia do quanto ela é linda, o quanto o sorriso dela é contagiante, que o toque dela é quente e carinhoso. Meu corpo tinha respostas rápidas quando ela estava por perto, e isso parecia loucura. Não demorei muito e encostei minha boca a dela, beijando-a com delicadeza. Não, eu não estava com pressa. E parece que ela também não, pois correspondeu na mesma intensidade. Minhas mãos seguraram seu rosto enquanto as dela, se agarravam a minha cintura, apertando a camisa que vestia. Beijei sua bochecha, seu queixo e sua garganta, descendo para o seu pescoço descoberto, vi aquela parte se arrepiar e sorri, me sentindo satisfeito por causar aquilo, não queria ser o único a sentir isso.

You don’t want me, no. You don’t need me like I want you, like I need you

Segurei na cintura de , impulsionando-a para cima, fazendo com que ela colocasse suas pernas em volta de mim. Ela me olhou fixamente, passando os dedos pelo meu cabelo, enquanto eu a prensava contra a parede mais próxima. Ela mordeu o lábio sem parar de me olhar.
- Você vai até o final dessa vez? – perguntou, relembrando a noite passada. Dei um selinho demorado nela e voltei a fita-la.
-Eu não quero apressar nada, . – balançou a cabeça, tentando me entender. – Mas a gente pode se divertir, certo? – concordou novamente, grudando nossos lábios rapidamente.
- Eu só quero você. – soprou, sem desgrudar nossas bocas. Pressionei meu corpo no dela, fazendo-a suspirar e soltar um gemido baixo. apertou as pernas em volta de mim, prendendo-me o mais próximo possível dela. Eu conseguia sentir um coração acelerado, batendo muito forte, mas eu não sabia se era o dela ou o meu. Prendeu meu lábio entre os dentes, puxando-o lentamente, e sem se afastar muito voltou a me beijar com mais força. A desencostei da parede, guiando-nos cegamente até a minha antiga cama, deitando-a cuidadosamente lá. deixou as pernas caírem na cama, uma de cada lado do meu corpo, me fazendo encaixar entre elas, deixando-me livre para beijar seu pescoço e colo. Eu não vou negar, eu a queria, queria muito, mas sabia que ia me arrepender depois se fizesse tudo o que meu corpo mandasse. Então, voltei a trilhar os beijos por seu colo, pescoço e boca, depositando um selinho demorado, e mais outro, e mais outro. Sorri, passando meu nariz no dela, que correspondeu. Me joguei do seu lado da cama, puxando-a para deitar sobre o meu peito, em seguida. Ela suspirou, regularizando o ar, assim como eu.
- Vou te deixar descansar agora. – avisei, beijando sua testa. fechou os olhos, respirando fundo.
- Você é malvado. – sussurrou num tom quase infantil. Ri, apenas.
- Dorme, . – pedi, acariciando a pele descoberta do seu braço. Fazendo isso, acabei adormecendo junto com ela, ali, no meu antigo quarto, com antigas memórias, mas não as que eu queria que voltassem.

And I want you in my life… And I need you in my life…

Capítulo 6



Ouvi um barulho irritante, alto e constante perto de mim. Bufei, escondendo a cabeça nas costas de . Ela riu pelo nariz.
- Faz isso parar! - pedi baixo. – Coisa chata.
- Espera! – pediu, se esticando até o criado-mudo e desligando o despertador. Ah, então era isso. Se virou pra mim e sorriu, passando os dedos pelo meu rosto. – Prontinho, seu manhoso. – beijou a ponta do meu nariz, me fazendo sorrir. – Bom dia.
- Bom dia, . – falei, observando-a com aquela carinha amassada, os cabelos jogados no travesseiro e um sorriso brincando nos lábios. Passeei os olhos pelo seu corpo coberto por uma camisola, na verdade não cobria muito, o que fez meus olhos se fixar nas curvas dos seus seios. Estava frio?
- Para de me provocar essa hora, ! – falou, estapeando de leve meu braço. Apenas ri, mordendo o lábio. – Acho melhor eu levantar. – ameaçou sair da cama, mas eu a prendi, abraçando sua cintura.
- Ei, aonde você pensa que vai a essa hora? – perguntei, fazendo-a se virar pra mim.
- Trabalhar? – respondeu como se fosse óbvio. – Minhas férias terminaram, meu bem, ao contrário do senhor, né? Que ainda tem mais uma semana. – avisou, me empurrando e se levantando. se levantou, arrumando a alça da camisola, que estava caindo para o lado, obviamente, eu não consegui controlar meu olhar. – Não me olha com essa cara, menino. – revirou os olhos, rindo, andando até o banheiro. Suspirei, me enroscando nos lençóis da cama, deitando a cabeça nos dois travesseiros, fechando os olhos devagar. Sem perceber, peguei novamente no sono, só me dei conta disso quando ouvi passos de saltos pelo quarto. Abri os olhos, rapidamente, focalizando terminando de colocar um brinco em frente ao espelho.
- Ei. – falei mole, piscando algumas vezes. Ela sorriu, se virando para mim.
- Desculpe, te acordei? – perguntou, andando até mim e se sentando na cama.
- Nah. – falei, encostando meu nariz no seu braço. – Você tá cheirosa.
- Isso se chama sabonete. Você deveria tentar qualquer dia desses, sabia? – ironizou, abaixando o rosto até o meu. – Preciso ir.
- Certeza? – perguntei, passando o meu nariz no dela, de um lado para o outro. Ela sorriu, mordendo o lábio e assentindo.
- Volta a dormir, aproveita enquanto pode. – pediu, segurando meu rosto e depositando um selinho demorado em meus lábios.
- Que horas você sai? – perguntei, vendo-a levantar e arrumar a saia preta, que ia até um pouco abaixo do joelho.
- Às cinco. Por quê? – perguntou, guardando o celular dentro da bolsa, que estava pendurada em seu ombro. Sentei-me na cama, bagunçando ainda mais o cabelo.
- Vou te buscar na revista. – falei, jogando uma piscadinha para ela, que sorriu.
- Sério? – assenti. – Certo. Então eu te espero às cinco. – concordei. Segundos depois, ouvimos uma buzina soar. deu um sobressalto, assustada, olhando no relógio de pulso. – É a , tenho que ir. – avisou novamente, se afastando. – Beijos, se cuida! – falou mais alto, já saindo do quarto. Logo depois, ouvi a porta da frente bater e soube que estava sozinho em casa. O que eu vou fazer o dia todo?

***


Acabei por ir dar uma caminhada e depois combinei de ir almoçar com , pois ele disse que tinha novidades para me contar. Fiquei apreensivo, pois ele nunca me escondia as coisas e sempre me contava por telefone mesmo, mas dessa vez ele quis contar pessoalmente. Tomei um banho rápido, me troquei e fui até o local de sempre para nos encontrarmos. Avistei meu amigo sentado mais adiante, estralando os dedos das mãos, ri com a cena.
- Fala, princesa! – falei, dando um tapinha nas suas costas, pegando-o de surpresa. – Calma, sou eu.
- E ai, cara?! – falou, sorrindo nervoso. Levantei a sobrancelha, desconfiado. Sentei-me a sua frente e um garçom rapidamente se aproximou. – Você já pediu?
- Ainda não, estava te esperando. – avisou, pegando o cardápio que o garçom lhe entregara.
- A gente vai pensar aqui e depois te chamamos, ok? Obrigado. – avisei ao garçom rapidamente, visto que não parecia muito bem naquela hora. Assim que o garçom saiu, me virei para ele e soltei: - O que está acontecendo?
- O quê? Nada! – falou rápido, dando de ombros. Continuei o fitando, esperando a resposta correta. – Tá, bom, vai. – suspirou, enfiando a mão dentro do casaco e tirando uma caixinha preta de lá. abriu a mesma e se revelou um anel da Tiffany’s dentro dela.
- Você tá me pedindo em casamento? – perguntei, apontando para o anel. Ele riu, negando.
- Vou pedir a para casar comigo. – falou enfim, sorrindo largamente e aliviado de ter contado aquela noticia, finalmente.
- Caralho! – falei alto, chamando um pouco de atenção. Uma senhora mais adiante tampou os ouvidos do menininho ao seu lado. Sorri sem jeito, voltando a fitar meu amigo. – Isso é serio? Você tá decidido?
- Sim, é o que eu quero. Sinto que é o certo! – gesticulava rápido. - , sem dúvidas, é a mulher da minha vida. Estamos juntos há quase cinco anos, é ela quem eu quero para passar a vida ao lado.
- Meu menino cresceu! – falei, sorrindo feliz por ele, que riu sem jeito. – Cara, eu fico muito feliz por vocês! – fui sincero. – Vocês dois nasceram pra ficarem juntos, porque outra mulher não te aguentaria mesmo. – ele riu, revirando os olhos. – Parabéns, .
- Valeu, cara! – sorriu agradecido, fechando e guardando a caixinha. – Você é o primeiro que sabe, então, fica quieto. Não conte nem para a , ok? Quero surpresa absoluta.
- Prometo! – falei, fazendo um “”X” com os dedos em frente a boca. – Quando você pretende pedi-la?
- Esta noite. – sorriu ansioso. – Eu tinha reservado um restaurante super chique, mas depois pensei, “cara, o melhor local para fazer isso é na nossa casa, fazendo o que a gente sempre fez”. Então, decidi que será lá, onde já tivemos os melhores e piores momentos do nosso relacionamento.
- Ah, me dá uma lencinho que eu vou chorar! – zoei, fazendo-o mostrar o dedo.- Relaxa, vai dar tudo certo. Vocês dois vão ser muito felizes, eu posso apostar isso.
- É, nós vamos! – sorriu, concordando.
- Será que podemos comer agora? Eu tô morto de fome! – fiz uma careta, colocando a mão sobre a barriga.
- Gordo! – acusou, balançando a cabeça e chamando o garçom de volta. – E como estão as coisas entre você e a ? Já se acostumou a tê-la por perto?
- É, eu tô me acostumando ainda. – confessei, fazendo uma careta. – Às vezes é estranho vê-la ali, do meu lado, quando acordo. Não é algo ruim, obviamente. – fiz uma cara maliciosa e riu, concordando. – Mas ainda não me acostumei cem por cento. – fui sincero. O garçom surgiu novamente ao nosso lado, fizemos nossos pedidos e não demorou muito para que logo estivéssemos almoçando.
- Ei, o que você vai fazer sábado? - perguntou, dando uma garfada na sua batata assada.
- Até onde eu sei, nada. Por quê? – devolvi a pergunta, tomando um pouco do meu suco, após.
- A e eu estávamos pensando em passar o final de semana na casa de praia dos pais dela, em Bournemouth. O que acha? – me fitou, esperando uma resposta. – Dá uma última vez foi legal.
- Eu não lembro da última vez! – fui sarcástico. fez uma careta. Dei de ombros. – Mas posso me lembrar dessa, certo? – ele concordou, balançando a cabeça positivamente. – Vou falar com a , mas, provavelmente, ela vai topar, ainda mais com a amiga louca pra contar os detalhes do pedido do casamento. – falei, afinando a voz e fingindo jogar o cabelo. riu.
- Gay! – falou alto, voltando a comer. – Beleza, vou esperar a resposta de vocês pra organizar tudo, então.
- Ainda hoje eu te falo, ok? – concordou, sem tirar o olho da comida. Depois eu que era o gordo, né? Comemos e batemos papo. Mais tarde, depois de umas duas sobremesas, voltei para a casa, eram quase quatro horas da tarde. Resolvi ir para o quarto, tomar banho e ir buscar , mas antes peguei meu celular e mandei uma mensagem pra ela:

“Estava pensando em comer fora, topa?”


Enviei e deixei o celular sobre a cama, indo me arrumar enquanto esperava a resposta. Tomei um banho relativamente rápido, vesti uma camiseta azul claro, uma calça jeans surrada, que eu tinha há anos. Passei os dedos pelos cabelos molhados, tentando arrumar, mas nunca ficava bom. Não sei como conseguia deixar daquele jeito. Peguei a carteira, enfiando no bolso traseiro da calça e, finalmente, o celular, visualizando a resposta dela.

“Topo muito! YAY! Obrigada, baby. <3”


Sorri, guardando o aparelho e rumando para fora de casa, indo para a revista. O transito não estava tão ruim, acho que o horário pior seria às seis. Quando estacionei o carro em frente ao trabalho de , eram cinco e quatro. Mandei uma mensagem avisando que havia chegado, três minutos depois ela já estava saindo pela porta, sorrindo assim que viu.
- Oi, moço! – cumprimentou assim que entrou no carro, sorri, aproximando o meu rosto do dela.
- Oi, ! – falei, aguardando ela aproximar os dez centímetros restantes de distância. E ela o fez, selando nossos lábios num beijo rápido. – Como foi o dia?
- Ah, cansativo como sempre! – deu de ombros, se ajeitando e colocando o cinto de segurança, enquanto eu ligava o carro novamente, colocando-o nas ruas. – Ah, eu tinha chamado a pra ir comer conosco, mas ela disse que o tá um saco hoje, que não quer sair de casa. – rolou os olhos, e eu ri.
- Ah, é? Talvez ele só queira aproveitar a namorada, ué. – sugeri, olhando sua reação, rapidamente.
- Talvez ele tenha se cansado da gente. – falou, num tom horrorizado. Comecei a rir. – É sério! Já pensou nessa probabilidade? Eu já e tô achando que eles vão largar a gente.
- Você acha que eles vão... – voltei a rir. – terminar com a gente? – ela também riu, dando de ombros.
- Talvez, quem sabe. – mordeu o lábio inferior, fitando a cidade.
- Relaxa, . Eles só querem privacidade! – falei, tirando uma mão do volante e colocando sobre o seu joelho, acariciando levemente. Ela balançou a cabeça, assentindo. – Ah, por falar neles, o chamou a gente pra ir à casa de praia dos pais da , no final de semana, eu disse que ia ver com você.
- Eu vou adorar! – sorriu animada. – Hmm, banho de mar.
- É, biquínis. – sorri de lado. riu, me estapeando. – Ouch!
- Larga de ser pra frente, vai! – rolou os olhos. – Onde a gente vai comer? Tô com fome.
- O que você tá afim de comer?
- Hmm, sushi? – perguntou em dúvida.
- Certeza? – fiz um careta.
- Já vi que não, né? – balancei a cabeça, negando. – Ok, tá. Pizza?
- Yeah, pizza! – comemorei, fazendo-a rir.
- Claro, pizza sempre ganha! – comentou, se dando por vencida. Minutos mais tarde estávamos numa pizzaria não muito longe de casa, pedimos uma pizza de pepperoni e duas cervejas. Eu não comi, pois estava muito cheio ainda do almoço com , fiquei só na cerveja, assistindo devorar a pizza a sua frente. – Tem certeza que não quer? Isso aqui tá ótimo! – e deu uma grande mordida no seu pedaço.
- Eu tô vendo! – ri, tomando um gole da minha bebida. riu, tampando a boca quando um pepperoni quase saiu pela mesma. Uma lady! O celular de vibrou sobre a mesa, ela largou a pizza e foi ver o que era. Soltou um gritinho estridente, assustando a mim e um grupo de adolescentes que estavam na mesa ao lado. – O que foi?
- Olha isso! – falou alto, virando a tela do celular para mim. Na tela aparecia uma foto de e , abraçados. mostrando a mão e a seguinte legenda: “Eu disse sim!”.
- Ele pediu mesmo! – falei, sorrindo.
- AHM? Você sabia disso? – perguntou, arregalando os olhos.
- Ele me contou essa tarde! – dei de ombros, roubando um pepperoni da pizza, mas logo senti um tapa no meu braço. – Ouch! O que eu fiz dessa vez?
- Por que não me disse nada? – perguntou com a expressão brava.
- Porque ele pediu pra não contar, oras. – falei o óbvio, sentindo seu olhar quase me fuzilar.
- Homens! – rolou os olhos. – Ah, foda-se! Eu tô tão feliz por eles! – sorriu, mudando de humor rapidamente.
- Mulheres! – ri.
- Olha a carinha de choro dela. – comentou, fitando a foto no seu celular. – Eu vou responder a foto. Vem cá! – falou, me puxando pela gola da minha camiseta, aproximando-se de mim. – Sorria! – pediu, mirando a câmera do celular para o nosso rosto. Sorri, depositando um beijo na sua bochecha enquanto ela ria.
- Deixa eu ver! – pedi, pegando o celular e vendo a foto. – Modelos demais!
- Casalzão desses! – concordou, rindo, pegando de volta o celular. Escreveu uma legenda e enviou. Voltamos a comer e a beber, sim, eu comi, fazer o quê? Meu celular começou a tocar no bolso da minha calça, quando peguei, vi o nome da minha irmã piscar na tela. Franzi o cenho, estranhando a ligação. Atendi rapidamente.
- Fala, pirralha?!
- Fala, seu mala! – respondeu, rindo. – Onde você tá?
- Numa pizzaria, por quê?
- Você e a vão fazer alguma coisa mais tarde? – perguntou mais baixo. Ri, sem entender.
- O que você tá aprontando, Blue? – perguntei enfim, curioso de o porquê de tantas perguntas.
- Ahm, é porque eu e Mark queríamos ir à uma boate, mas eles não vão nos deixar entrar sem um responsável. – comecei a rir. – Para de rir, ! Arght! Eu te odeio!
- O que foi? - perguntou, sem entender. Encostei o celular na orelha dela também pra ela ouvir.
- Blue, você não pode entrar nesses locais exatamente por não ter idade pra isso, menina. – falei, soando muito o meu pai. franziu o cenho, prestando atenção na conversa.
- Por favor, maninho! Só dessa vez, seja um irmão legal, por favooor! – pediu arrastado.
- Blue, hoje é terça-feira, não é dia de ir à boates. Você não tem aula amanhã? – perguntei, sendo óbvio.
- Eu tô de férias, ! – bufou alto, parecendo perder a paciência. – Deixa eu falar com a , então.
- Não. – falei, simplesmente. Senti a mão de arrancar o celular da minha mão. – Ei!
- Oi, Blue! – falou, se afastando de mim. – É, eu ouvi. Sim, querida, eu te entendo. Mas tem certeza que vocês querem ir à um local desses? Tem tanto local legal pra vocês irem. – uma pausa. parecia séria, focada no que minha irmã lhe dizia. – Certo. Ok, eu tenho uma ideia, mas me ouça, ok? Tá. E se a gente fosse na boate sexta, uh? Eu prometo que convenço seu irmão a ir. – ela riu, me fitando. – Tá, Blue, eu faço o que for preciso. Aham, tudo bem, então. Até lá! Também te amo, baixinha! – e desligou.
- Eu não vou levar minha irmã pra uma boate, ! – cruzei os braços, decidido. Ela mordeu o lábio, virando a minha cadeira para ficar de frente pra ela.
- , se você não levá-la, ela vai sozinha ou pior, vai escondido com Mark. É isso que você quer? – desafiou, olhando nos meus olhos. Balancei a cabeça, negando. – Pois é, eu acho que não. Então, relaxa, vamos com eles e tudo vai dar certo. A gente pode se divertir também, . – sorriu, descruzando meus braços e se aproximando de mim. – Meu marrentinho! – riu, beijando meus lábios e minha bochecha. – Vem, vamos pagar e ir embora, estou cansada e quero minha cama.
- Você sempre ganha? – perguntei, me levantando. Ela riu, dando de ombros. – Droga!

***


Quinta-feira, oito da noite. Eu estava na casa da minha mãe, porque ela me obrigou a ir jantar com ela, pois meu pai tinha viajado. Blue tinha saído com o namoradinho, o que eu ainda não havia aprovado, mas ninguém me ouve nesse casa; estava na casa de , porque ela disse que precisavam “colocar o papo em dia”. Vai entender essas mulheres, passam o dia juntas, mas precisam conversar ainda mais. Então, aqui estou, deitado no colo de mamãe, assistindo TV enquanto ela faz cafuné em mim. Isso era muito bom, cara.
- Querido, quando você pretende pedir a em casamento? – minha mãe perguntou assim, do nada. Girei meus olhos para encontrar com os dela.
- O quê? – perguntei, não acreditando no que tinha ouvido.
- É, você me contou que e vão se casar, certo? Acho que vocês dois também podiam embarcar nessa. – deu de ombros, sorrindo. Respirei fundo. Não tinha contado nada a minha mãe sobre a minha amnésia, e preferia deixar assim. Então, tentei dar a melhor resposta possível.
- Mãe, estamos bem onde estamos. Moramos juntos já, ok? Isso é um passo grande! – falei, fitando-a.
- Na minha época não tinha essa coisa de morar juntos. Ou casava, ou largava! – foi sincera, o que me fez rir. – Mas você que sabe da sua vida, tchutchuquinho!
- Tchutchuquinho não, mãe! – rolei os olhos, rindo.
- Sabe que eu amo a , né? Só espero que você saiba dar valor a mulher que você tem, filho. – aconselhou, beijando a minha testa.
- Eu sei, mãe. – sorri fraco. Eu sabia?
- Eu sei, meu bem. Eu criei meu filho sabendo como se trata uma mulher. – piscou. – Ah, que saudades do seu pai.
- Mas já dona, Sue? – ri, me sentando direito.
- Seu pai é um chato, mas é o meu chato. – deu de ombros. – Eu gosto da companhia dele.
- Vocês dois são dois melosos que se merecem! – avisei, depositando um beijo na bochecha dela e me levantando. – Ainda tem aquele doce de morango? Como é o nome mesmo?
-Trifle! - mamãe falou, se levantando também. – Tem, sim. Olha na geladeira, perto do suco verde.
- Suco verde? – fiz uma careta, andando até a cozinha.
- É uma delícia, , não faça essa cara! – brigou comigo, como sempre, passou direto por mim e foi pegar uma taça. Senti meu celular vibrar, indicando uma nova mensagem.

, você vai dormir na casa da sua mãe hoje? Seu pai não chegou ainda, né?”


- Mãe, o papai vai voltar hoje? – perguntei, em dúvida.
- Não, querido, só amanhã cedo, por quê? – se sentou em frente ao balcão, colocando o doce na taça.
- Vou dormir aqui hoje com você, então.
- Não precisa, filho. A Blue logo vai chegar! – sorriu, mas eu sabia que ela estava apenas sendo educada.
- Na ausência do senhor James, eu sou o homem da casa. – falei decidido, fazendo-a rir.
- Mas e a ? – perguntou, fitando-me. – Chama ela também, .
- Ok, eu vou chamar.

“Vou dormir aqui esta noite. Quer se juntar a mim? =)”

“Vou pegar um táxi e chego daqui a pouco. :*”


- Ela já está a caminho! – sorri, guardando o celular. – Agora... DOCE! – falei animado, pegando a taça cheia e comendo. Minutos mais tarde, uma batida na porta da frente me despertou da conversa animada que estava tendo com a minha mãe. – Eu atendo! – falei, levantando-me do banco e indo até porta. Olhei no olho mágico e sorri, abrindo a porta. – Em que posso ajudar?
- Estou procurando um moço que atende pelo nome de , sabe? Bonito, muito bonito. – ela sorriu, mordendo o lábio inferior. – Mas acho que você serve!
- Engraçadinha! – ri, puxando-a pela mão para entrar, fechando a porta logo após. Segurei em sua cintura, enquanto ela abraçava meu pescoço, fazendo um carinho na minha nuca. Cara, era possível que eu já estivesse com saudades dela? Ah, mãe... será que saudades prematura era de família? – Como foi lá?
- Foi ótimo! Acho que engordei uns cinco quilos comendo e conversando com a . – riu, culpada, fazendo uma careta. – Cadê a Sue? – perguntou, soltando-se de mim, dando alguns passos para frente, mas eu a puxei de volta. Ela sorriu, me vendo sorrir junto. – O quê?
- Calma, aí. Daqui a pouco você vê a minha mãe. – falei, segurando-a pela cintura de novo. ficou nas pontas dos pés e passou o nariz de um lado e do outro no meu.
- Tava com saudades? – perguntou, fitando meus olhos. Balancei a cabeça, concordando. Ela sorriu, largamente. – Também. – e me beijou. – Hmm, morango!
- Hmm, lábios! – brinquei, fazendo-a rir e a beijando novamente. Rimos durante o beijo, mas sem nos soltar. Apertei a cintura dela com uma certa força e urgência, fazendo-a gemer um pouco, ai, me lembrei que eu estava na porta de entrada da casa da minha mãe. Depositei um selinho longo em seus lábios e a soltei. sorriu, limpando o canto da minha boca e entrelaçou os dedos aos meus, me puxando casa a dentro.
- Sue? – chamou alto.
- Oi, meu bem! – minha mãe apareceu, sorrindo. me soltou, indo abraçar minha mãe.
- Como você está? – perguntou, segurando as mãos dela. – Seu filho me chamou pra apossar da sua casa essa noite.
- Eu estou melhor agora com os meus bebês em casa. – sorriu. – Aliás, está faltando um bebê, mas ela já deve estar chegando. Já mandei mensagem!
- Eu vou ter uma conversinha sobre horários com a Blue. – falei, cruzando os braços.
- Não começa, . - riu, rolando os olhos. O telefone da casa começou a tocar, mamãe correu para atender.
- Oi, Jimmy! – falou, sorrindo. Olhei para e ela me fitou, rindo.
- Acho que isso vai demorar! – falei, puxando-a pela mão e a levando para a cozinha. Antes de entrarmos direito, coloquei-a entre a parede e o meu corpo.
- ! – riu, fingindo repreensão. – Sua mãe está logo ali.
- Ali, não aqui. – joguei uma piscadinha pra ela, beijando seu pescoço logo em seguida. Ela suspirou, entrelaçando os dedos pelo meu cabelo, enquanto eu agarrava sua cintura firmemente. Beijei seu queixo, o canto da sua boca e finalmente seus lábios, sendo retribuído com a mesma urgência. puxou meu corpo para mais perto do seu, se é que era possível. Obviamente, meu corpo tem respostas rápidas ao dela, o que só me faz passar vergonha. Ela riu, sentindo “algo” se evoluindo entre nós.
- Ô, ? – ouvimos uma voz atrás de nós. Nos soltamos rapidamente. Minha irmã mais nova estava parada atrás de nós, nos fitando com uma sobrancelha levantada.
- Sim, Blue? - perguntou, arrumando a blusa.
- Não, nada. É porque você tinha uma sujeira no rosto, mas já saiu. – falou isso, olhando diretamente pra mim.
- Ê, pirralha! – estreitei os olhos, encarando-a.
- Não comecem! - interveio, andando até a minha irmã, abraçando-a. – Oi, princesa!
- Oi, ! – ela sorriu, retribuindo o abraço. – Meu irmão só fez algo certo na vida, escolhendo você.
- Isso eu concordo! - riu, olhando pra mim. Balancei a cabeça, acompanhando-a.
- Muito espertas vocês. – falei, andando até Blue, beliscando o braço dela, esperando ela me xingar e depois depositando um beijo na testa dela, que sorriu. – Isso são horas, mocinha?
- Você não é meu pai, . – rolou os olhos, se afastando de nós. – Eu vou te dar um prêmio, , por aguentá-lo, sério.
- Você me ama, Blue. – sorri, cruzando os braços.
- Sorte sua, se não já tinha te matado! – sorriu de volta, caminhando para fora da cozinha. – Vou dormir, tchau pra vocês.
- Boa noite! - respondeu, acompanhando-a com o olhar. – A gente devia ir também, tenho que acordar cedo amanhã, ainda tenho trabalho. – fez uma careta, vindo me abraçar.
- Ok. – concordei, beijando o topo da sua cabeça. Assim que minha mãe terminou de matar as saudades do meu pai, ela nos ajudou a arrumar o quarto para dormir, levando cobertores e lençóis limpos para nós. Minha mãe queria emprestar uma roupa para dormir, mas Blue disse que era coisa de velho e então emprestou uma das suas. Vai entender a cabeça dessas mulheres. Assim que apaguei as luzes do quarto, me deitei na cama junto a . Ela abraçou minha cintura e beijou minhas costas, descansando a cabeça ali mesmo. Entrelacei meus dedos aos seus, sua mão delicada se encaixou na minha, apertando-a levemente. Era bom sentir alguém que realmente se importa com você. é uma mulher doce, frágil e sexy, claro, ela é muito sexy, mas ela é muito mais do que isso. Só de observar como ela trata a minha família, nota-se o caráter e intenção dela. É pura, seu sentimento é puro, e eu me sentia muito culpado por não poder corresponder a esse sentimento na mesma intensidade. Suspirei, frustrado comigo mesmo e com esse cérebro maldito. Senti apertar minha mão. Sorri, levando o dorso da mesma até meus lábios, encostando-os levemente. – Boa noite.


Acordei no dia seguinte, não sozinho, mas sim por uma certa menina-mulher mordendo meu ombro, fazendo-me rir durante uma careta. era meio canibal, eu devia anotar isso. Tomamos um café rápido, que minha mãe havia preparado, e fomos para casa, pois tinha que ir trabalhar ainda. Enquanto ela terminava de se arrumar no quarto, fui tomar um banho, porque eu iria leva-la hoje, já tinha ido pra revista.
- Não se esqueça que prometemos levar sua irmã à boate hoje. - avisou. Suspirei, enfiando minha cabeça debaixo do chuveiro.
- Você prometeu! – rebati.
- , vai ser divertido, ok? Se esforça! – sua voz estava mais perto, o que deduzi que ela estava mais próximo a porta. – E amanhã nós vamos à praia com os nossos amigos. Será um final de semana maravilhoso!
- Hmm... – fiz, encarando a porta. – Tudo bem, vai. Vamos levar aquela pentelha pra sair. – dei-me por vencido, terminando de tomar banho. Enrolei uma toalha na cintura e peguei uma menor pra secar o cabelo. Sai do banheiro esfregando a toalha na cabeça, fitando sentada na cama, enquanto mexia no celular. Ela me olhou, descendo os olhos pelo meu peitoral nu. Mordeu o lábio inferior e mirou os olhos para outro lugar.
- Ahm, eu vou te esperar lá embaixo, ok? – avisou, levantando-se rápido. Assenti, depois balancei a cabeça, negativamente, assim que ela saiu. Eu tinha que dar um jeito nisso. Aprontei-me rapidamente e em pouco tempo já estava a deixando no trabalho. Despedi-me dela e resolvi ir infernizar um pouco a vida do meu amigo. Eu tinha que desabafar com alguém, é muita coisa pra uma cabeça confusa como a minha de uma vez só.

Capítulo 7



e eu somos sócios numa agência de publicidade. Não é o negócio mais rentável do mundo, mas a gente se sai bem nisso. Sempre tivemos vontade de ser nossos próprios chefes, depois, claro, de experiências terríveis com alguns por aí. Entrei na pequena empresa, vendo os quadros de algumas bandas, alguns trabalhos e fotos de caricaturas penduradas ali. Vi Brooke, que ficava no atendimento, cuidando dos prazos e briefing, sentada a frente de um computador. Sorriu ao me ver.
- Chefinho, você por aqui já? - falou rindo, ajeitando os óculos redondos sobre o rosto.
- Vim ver o . Ele está? - perguntei, parando em frente a sua mesa. Ela assentiu, voltando a olhar para o computador.
- Sim, ele tá na sala. - avisou. Olhou pra mim e sorriu. - Fica à vontade.
- Valeu. - ri, deixando-a trabalhar e rumando para a sala de , que ficava mais ao fundo. Vi de longe a plaquinha pregada a sua porta: ”Diretor de arte”. Dei duas batidas, ouvindo um “entra” dele, logo após. - Oi, meu princeso! - falei, entrando. Ele estava sentado atrás de sua mesa, com um computador a sua frente e uma pilha de papel.
- Fala, ! - sorriu. - Com saudades já?
- De você? Sempre, meu amor! - brinquei, jogando uma piscadinha pra ele, que riu, balançando a cabeça. - Deixei a no trabalho agora a pouco. - expliquei, puxando a cadeira a sua frente, sentando-me, enfim. - Não ia pra casa ficar sozinho lá, né? Vim ver como estão as coisas por aqui.
- Relexa, , está tudo em ordem por aqui. - afirmou, cruzando as mãos sobre a mesa. - Pode não parecer, mas eu sei cuidar dessa agência.
- Eu sei, . - ri, me ajeitando na cadeira. - Você é meu sócio e não é só por amizade.
- Acho bom. - avisou, voltando a olhar para o computador. - Tudo certo pra amanhã?
- Tá, sim. Que horas estão pensando em sair?
- Cedo, umas oito. - avisou, depois olhou pra mim. - Tudo bem?
- Tudo certo. - concordei, passando a mão no cabelo, bagunçando um pouco. - Vai fazer o que hoje à noite?
- Jantar com os sogros. - fez uma careta, fazendo-me rir. - Pra oficializar o pedido e essas coisas. - deu de ombros. - E você?
- Ah, cara, a Blue inventou de ir à uma boate com o namoradinho. - falei, cansado. - E a me obrigou a ir com eles.
- Vai levar a sua irmã mais nova pra balada, ? - confirmei, e ele riu. - Queria muito ver isso.
- É, vai rindo, mas vai ter que bajular os sogros. - ri, rebatendo.
- Eles me amam, caro . - piscou, sorrindo presunçoso. - Não é à toa que liberaram a casa de praia pra gente, né?
- Liberaram por causa da filha deles, não por você. Baixa a bola! - ri, fazendo-o mostrar o dedo do meio. - No que você tá trabalhando essa semana?
- Ah, isso! - sorriu animado. - Um grupo de amigos fabricou um tipo de cerveja orgânica e querem que a gente cuide da publicidade. Eu vi o briefing deles, é bem interessante.
- Quer ajuda com isso? - ofereci, me empolgando também.
- Seria ótimo, cara! - sorriu, virando a tela do computador pra mim, mostrando e explicando sobre o produto. Acabei por passar o dia na agência. O tempo passou tão rápido que quando olhei para o relógio, já passava das seis. Despedi-me de deitada no sofá, segurando um livro perto dos olhos. Ela sorriu, me fitando.
- Café! - falou alto, levantando-se.
- Oi pra você também. - falei, rindo e entregando o copo para ela, que riu, tomando um gole.
- Ah, isso aqui é divino! - sorriu, satisfeita. Balancei a cabeça, rindo e indo me sentar no sofá. fez o mesmo, em seguida. - Onde você tava?
- Passei o dia na agência com o . - sorri, tomando o meu café. - Foi bom. - ela assentiu e continuou me fitando, mordendo o lábio inferior. - O que foi? - ela sorriu de um jeito sapeca, tirando o copo da minha mão e colocando no chão, fazendo o mesmo com o dela. Inclinou o corpo sobre mim, deixando a pontinha do seu nariz encostar no meu. Sorri, entendendo aonde ela queria chegar. Coloquei minhas mãos na sua cintura, puxando-a para mais perto de mim. Ela mordeu meu lábio inferior e puxou devagar com os dentes, me fazendo arrepiar e sorrir. Quando ela ia se afastar, grudei meus lábios aos dela iniciando um beijo calmo. se ajeitou no sofá, colocando os joelhos sobre o mesmo, num movimento rápido girei nossas posições e fiquei por cima dela, que riu, se segurando a minha camisa. Puxei o lápis que prendia seu cabelo num coque, deixando meus dedos se emaranhar por ali. por si mesma aumentou a velocidade e urgência do beijo. Suspirei, deixando meus dedos entrarem para dentro da sua blusa, acariciando sua pele quente, fui subindo minha mão até sentir a borda do seu sutiã. mordeu meu lábio, me incentivando. Fiz o desenho do bojo com o dedão, descendo os beijos para o seu pescoço, enquanto ela se agarrava em meus cabelos. Abri uns dois botões da sua camisa, depositando mais beijos em seu colo descoberto, fazendo-me fitar seus lindos seios sobre as minhas mãos. A fitei, observando sua respiração pesada e seus lábios vermelhos. Dois segundos depois o telefone tocou. - Ah, não! - suspirei frustrado, deixando minha cabeça cair sobre seu peito. riu, afagando meu cabelo. O telefone continuava a tocar.
- Deixa que eu atendo. - falou, tentando sair debaixo de mim. - , sai!
- Arght! - fiz, encarando-a. Sorri, beijando seus lábios de leve e saindo de cima dela.
- Alô? - atendeu o bendito (maldito?) telefone. - Oi, princesa! - ela falou, fazendo-me ter certeza de que era minha irmã do outro lado da linha. Irmã às vezes pode ser tão brochante, cara. - Ok, espera, aí. - pediu, tirando o telefone de perto da boca e me fitando. - Ela quer saber que horas a gente vai passar lá pra buscar ela e o Mark.
- Hm, às nove? - perguntei, indeciso. balançou a cabeça, concordando. Passei os dedos pelo cabelo, tentando arrumá-lo enquanto ela terminava de conversar com a minha irmã, o que não durou muito.
- Ela tá animada! - riu, colocando o telefone de volta a base. - Por favor, não estrague o humor dela. Não fica pegando no pé, enchendo o saco dela e nem do Mark. - a olhei indignado.
- Eu não faço isso! - disse, incrédulo. Ela cruzou os braços, levantando a sobrancelha. - Tá, só um pouco.
- E hoje o senhor vai se comportar, tá? - pediu, terminando de arrumar o meu cabelo.
- Tá, mãe. - revirei os olhos, rindo.
- Idiota! - riu junto, me estapeando. Essa mulher adora me bater. - Vou tomar banho e começar a me arrumar. Quer ajuda pra escolher a roupa?
- Sugere alguma? - pedi, vendo-a se levantar e entortar a boca, pensando.
- Não pode ser aquela camisa azul com detalhe em branco. Você fica muito sexy nela, não quero nenhumazinha olhando pra você. - fez, revirando os olhos. Segurei o riso. - Hm, tem aquela regata branca com a estampa do Paul McCartney também. Não, melhor não. Vai ficar mostrando muito seus braços, vai chamar atenção, melhor não.
- É melhor eu ir pelado, então? - sugeri, tentando conter o riso.
- Muito engraçadinho! - ela bufou, cruzando os braços. Me levantei, parando a sua frente.
- , relaxa, mulher. Eu vou estar lá com você, ok? Não com outra pessoa! - sorri, beijando a sua testa.
- Tá. - falou, dando de ombros. - Vou tomar banho.
- Ok. - concordei, vendo-a se virar para ir para o quarto, mas não sem antes ouvi-la resmungar baixo um “ninguém mandou ter namorado gostoso, ”. Ri baixo, voltando a sentar no sofá e tentando tomar meu café, agora frio.

***


Estávamos a caminho da Fabric, um nightclub muito badalado em Londres. Já que era pra levar a pirralha a algum lugar, então vamos fazer isso direito. Blue e Mark estavam no banco do passageiro, bem animados, diga-se de passagem. estava ao meu lado, terminando de retocar o batom, que eu dei um jeito de tirar mais cedo, com ajuda do espelho do carro.
- Não sei pra que ficar passando isso, aí. - falei, fitando a rua a frente. - Eu vou tirar mesmo.
- ! - ela riu, terminando e guardando o batom na bolsa. Sorri, observando-a quando paramos num sinal vermelho. estava linda: calça jeans justa, uma regata cinza com uma jaqueta preta por cima, calçando uma bota de cano curto. O cabelo estava num rabo de cavalo alto, deixando bem a mostra a sua nuca. Sacanagem. Mas ela estava linda. Simples, porém muito linda. Será que ela sabia o quanto ela era linda? - O sinal abriu, , para de me secar! - pediu, rindo sem graça.
- E limpa a baba que tá caindo, aí. - Blue falou, me cutucando. Ri, balançando a cabeça.
- Me deixem! - pedi, olhando o trânsito. Logo eu avistei a boate, era um prédio com arquitetura antiga, vitoriano, mas que por dentro era fantástico. Era uma antiga fábrica que deu lugar a esse barulho que chamamos de música. Procurei um local mais próximo possível para estacionar, assim não andávamos muito para ir e voltar. Desci do carro e fui até o outro lado, assim que saiu entrelacei a mão a dela. Blue e Mark fizeram o mesmo, nos seguindo até a entrada. Pegamos uma fila não muito grande, pois não demorou até fazermos todo o processo de mostrar identidade, eu ser o responsável pela minha irmã e o namoradinho dela, então, finalmente, entramos para a festa em si. O lugar estava lotado, mas nada caótico. Pegamos um lounge pra ficarmos mais confortável, um pouco longe do palco onde havia um dj tocando, naquele momento. Blue e se sentaram, e eu continuei em pé com Mark. - Vou buscar algo para beber. Vai querer o que, ?
- Cerveja, por favor. - pediu, se ajeitando no sofá.
- Eu também. - Blue falou. Eu a fitei, rindo.
- Você vai beber refrigerante, maninha.
- Ah, para de falso moralismo, ! - retrucou alto, para que pudéssemos a ouvir. - Você começou a beber com dezesseis anos.
- Sou um péssimo exemplo, Blue. - pisquei pra ela.
- Qual é, maninho! Estamos na Inglaterra, onde uma criança de cinco anos pode beber legalmente. - deu de ombros, me fitando. - Por favoooor?
- Só uma! - falei, dando-me por vencido. - Vem comigo, Mark.
- Ok. - concordou, me seguindo até o bar do outro lado. Pedi quatro heineken e aguardei o garçom trazer, encostando-me no balcão.
- Então, Mark, há quanto tempo você está de namorico com a irmã dos outros? - perguntei, sorrindo sínico. Ele riu, meio nervoso.
- Eu estou com a sua irmã há uns meses, . - foi firme, se encostando no balcão também. - Eu sei que você tem toda essa proteção de irmão mais velho, eu admiro isso, de verdade. Mas pode confiar em mim, cara. Eu faria qualquer coisa pela Blue. - sorriu, virando o olhar para onde ela estava. Segui seu olhar. Ela e conversavam animadas, rindo e gesticulando. Um rapaz as observava, se aproximou devagar. O vi parar em frente a mesa delas, segurando uma garrafinha de cerveja. Elas pararam de conversar e repararam no homem a sua frente, prestando atenção em algo que ele dizia. riu, apontando pra ele e soltou um “ahhh” antes dele se abaixar e dar um beijo na bochecha dela. Respirei fundo, apertando meu maxilar. O garçom colocou as garrafas de cerveja sobre o balcão, chamando nossa atenção.
- Vinte libras. - informou. Peguei minha carteira para pagar, mas Mark me impediu.
- Deixa que eu pago, . - pediu, pegando a própria carteira e entregando vinte libras para o garçom. Sorri, agradecido. Voltei a observar a mesa com o cara ainda conversando com e Blue.
- Vamos, Mark. Tem um indivíduo querendo o nosso território. - avisei, pegando duas garrafas e ele as outras duas. - E cara, eu sei que pego muito no pé dela, mas ela é minha irmãzinha, entende? Eu só quero o que é o melhor pra ela. - ele ia me interromper, mas eu continuei. - E talvez, quem sabe, você possa ser. Mas vou ficar de olho em vocês, não se engane a respeito. - sorri, dando uma piscada e fui de encontro as mulheres. Assim que nos aproximamos, o rapaz nos olhou, meio confuso. Dei uma breve olhada pra ele e entreguei a cerveja para , que aceitou, agradecida.
- , esse é o Aaron, um ex-colega de escola. - apresentou, apontando discretamente. - Aaron, esse é o , meu namorado, que havia lhe dito.
- Como vai? - ele falou, estendendo a mão. Acenei com a cabeça, aceitando a mão.
- Esse é o Mark, namorado da Blue, que é irmã do . - falou e riu, vendo o rosto dele fazer uma careta, confuso.
- Balada em família, uh? - riu, sem jeito, tomando um gole da sua cerveja. - Bom, não vou atrapalhar mais vocês. - acenou com a cabeça, se afastando. - Depois a gente conversa mais, . Foi bom te ver!
- Tchau, Aaron! - ela sorriu, cordial. E ele sumiu no meio das pessoas.
- Atrapalhou o flerte do cara, . - Blue disse, rindo. revirou os olhos.
- Como é? - perguntei, sem entender, olhando dela para .
- Não é nada. - falou, repreendendo Blue com o olhar. Ela deu de ombros, rindo.
- O cara tava cantando a . - ela falou, enfim, pegando a cerveja da mão do namorado.
- Blue Carolyn ! - falou alto. - Não é nada disso, .
- Relaxa, . - ri, sentando-me junto a ela no sofá. - Você não fez nada. O cara que era meio babaca! - dei de ombros, tomando outro gole da minha cerveja.
- Verdade, era mesmo. - Blue concordou. - Mas a falou de você assim que ele mencionou a palavra “dar uma volta”. - falou, mostrando a língua, logo após.
- Dar uma volta, hein? - repeti, balançando a cabeça. - Esse povo.
- Ahh, eu amo essa música! - Blue pulou, animada, se levantando. - Vamos dançar!
- Pode ir, a gente vai ficar por aqui. - falei e encarei , esperando ela concordar comigo. Ela sorriu, balançando a cabeça, assentindo.
- É, divirtam-se! - falou enfim. Blue sorriu e puxou o pobre Mark pelas mãos. Esse garoto vai sofrer na mão dessa pirralha. - Então, o senhor não quer ir dançar?
- Agora não. - sorri, aproximando o rosto do dela, que sorriu.
- Não? E o que você quer fazer? - perguntou, colocando a mão livre no meu cabelo, perto da minha nuca, fazendo um carinho ali. Dei um gole na minha cerveja, deixando meus lábios gelados e encostando aos dela brevemente, depois a fitando.
- Te beijar. - fui direto. Ela mordeu o lábio inferior, concordando.
- Acho isso ótimo, então. - sorriu, beijando-me rapidamente. Deixei a garrafa sobre a mesa, colocando uma mão sobre a perna dela e a outra em sua nuca, enquanto beijava avidamente seus lábios. Coisas estranhas acontecem com o meu corpo quando eu a beijo. Esses arrepios que parecem nunca terminar, essa sensação de formigamento nos dedos, meu coração dispara muito, mais muito rápido. Espero que ela não esteja escutando, seria muito constrangedor. desceu sua mão até a minha camisa, se segurando ali. Minhas camisas sempre acabam amassadas por ela. Valeu mesmo, . Segurei seu rabo de cavalo, puxando seu rosto para trás, fazendo-a me fitar. Ela mordeu o lábio.
- Eu disse que não adiantava retocar o batom. - soprei contra seus lábios, vendo-a rir baixinho.
- É nude mesmo. - riu, aproximando o rosto do meu pescoço e deixando vários beijos por ali. Fechei os olhos, suspirando. Malditos arrepios! Subi minha mão que estava na sua perna até sua cintura, apertando-a com força.
- Para de me provocar. - sussurrei, perto do seu ouvido. Ouvi sua risada baixa, depois sentindo-a subir os beijos até meu queixo, deixando uma mordida ali.
- Eu não tô fazendo nada, bobão. - deu de ombros, voltando a se sentar direito, pegando a cerveja e bebendo. A fitei, assistindo-a sorrir e beber, olhando-me de canto. Ri, balançando a cabeça. Passeei os olhos pelo local, tentando achar a minha irmã, que encontrei mais a frente, dançando bem animada com o namorado.
- Desde quando eu tô tão velho? - perguntei, encostando-me ao sofá.
- Você não tá velho, . - avisou, se aconchegando no meu braço.
- Claro que tô. - rebati. - Olha lá, minha irmãzinha tem um namorado e tá na balada. - ela riu, olhando também para onde eles estavam.
- Eles são fofos juntos. - comentou. - Sua irmã tá bem apaixonada.
- Primeiro amor é assim mesmo. - dei de ombros. - Primeira decepção é barra.
- Você se lembra da sua primeira decepção amorosa? - perguntou, fitando-me. A olhei de volta, assentindo.
- Eu tinha uns quinze anos, eu acho. Tinha essa garota da escola que eu era afim, bem afim mesmo. - ri, lembrando-me. - Ela era o sonho dos caras da escola inteira, mas só eu tive a iniciativa de ir falar com ela e chamar pra sair. - me gabei. riu, revirando os olhos. - Sempre fui lindo, né?
- Menos, !
- Então, uma semana após sairmos, eu descobri que ela estava ficando com um amigo meu. - confessei, fazendo uma careta. - Doeu, cara. Ela foi o meu primeiro amor.
- Coitadinho do pequeno . - falou, apertando minha bochecha. Apenas ri. - Dizem que a gente nunca esquece dois amores: o primeiro e o último. - a fitei. sorriu de lado, mostrando a covinha. Retribui o sorriso, dando um beijo em sua testa.
- É verdade, linda. - soprei, encostando a testa a dela. - Quer ir dançar?
- Vamos! - se animou, se levantando e me puxando junto. nos puxou até ficarmos ao lado de Blue e Mark. - Fala, cunhadinha!
- Vem, ! - ela riu, puxando-a pelas mãos para dançar. Apenas segui a batida da música. Dançar não é muito o meu forte, digamos assim. Blue e pareciam se divertir dançando e cantando junto com a música remixada. - Dança direito, maninho.
- Esse é o meu máximo! - quase gritei para que ela me ouvisse. Blue riu, revirando os olhos. - Só sei dançar acompanhado, licença. - falei, puxando pela cintura, colocando seu corpo perto de mim. Ela riu, jogando beijos para a minha irmã. Coloquei meu rosto na curva de seu pescoço, abraçando-a por trás. fechou os olhos, balançando o corpo na batida música. Mark fez o mesmo com Blue. Ri pelo nariz, decidindo não olhar e prestar atenção somente na mulher em que eu estava agarrado, exalando um aroma maravilhoso. apertou minha mão na sua cintura. - Vai ficar me provocando mesmo? - se virou de frente pra mim, sorrindo perversamente.
- Só estou dançando. - riu, cruzando os braços no meu pescoço.
- Você está me fazendo parecer um adolescente… - falei, segurando firme sua cintura.
- Ah, é? Por quê?
- Porque eu tô querendo muito te levar pra um canto escuro e me aproveitar de você. - confessei, mordendo o lábio inferior dela.
- Danadinho! - riu, fazendo o mesmo comigo. - Anda logo!
- Eu que sou danado, né? - falei, enquanto ela me levava pra algum canto escuro da balada. A noite se baseou em dançar, beijar muito a , vigiar minha irmã e beber, sim, nós bebemos para caramba aquela noite. Óbvio que assim que vi que eu seria o motorista da rodada, eu parei. Mas tinha duas bêbadas comigo. No fim da festa, deixei Mark na casa dele, Blue na minha mãe e, finalmente, e eu fomos pra casa.
- Canta comigo, ! - falou alto, aumentando o som do carro. Ri, estacionando o mesmo na garagem de casa. - I got new rules, I count ‘em! - cantou alto, fazendo uma dancinha. - I gotta tell them to myseeeelf.
- Ok, cantora, já chega, né? - desliguei o som. Ela fez um biquinho adorável. Desci do carro e dei a volta, abrindo a porta pra ela e a ajudando a sair do carro. Ela tropeçou e riu, se segurando em mim. - Cuidado, . - pedi, abrindo a porta da frente, seguindo logo após para o quarto. Assim que a coloquei sentada na cama, ia me afastar, mas ela me puxou pela camisa, me fazendo cair em cima dela. - Hey.
- Vem cá, gostoso! - sussurrou, puxando minha camisa pra cima enquanto beijava meu pescoço.
- ... - chamei baixo, mas ela não me ouviu. - ?
- Hmm? - fez, terminando de tirar minha camisa. Segurei seu rosto, fazendo-a parar e me olhar.
- Calma, ok? Hoje não. - falei, tirando suas mãos do meu abdômen e a puxando para se levantar. - Vem, melhor você tomar uma banho antes de dormir.
- Você é muito chato! - bufou, andando até o banheiro. - Por que você não quer fazer isso comigo?
- Eu quero, . - suspirei, ajudando a tirar a jaqueta. - Mas olha como você está? Não ia ser legal pra nenhum dos dois.
- Arght! - fez, revirando os olhos. - Odeio quando você tem razão. - levantou os braços. - Me ajuda a tirar a blusa. - pediu, fazendo biquinho. Ri, assentindo e tirando a blusa que ela usava. terminou de tirar a calça, jogando-a de qualquer jeito para o lado. Sorri, ajudando-a entrar no box do banheiro, fechando-o logo após. Vi sua silhueta lá dentro terminar de tirar a lingerie, jogando para fora, caindo no meu ombro. Apenas ri, olhando pra cima, como se falasse com Deus.
- É sério? - deixei de lado, encostando me à pia. abriu o chuveiro e soltou um grunidinho. - Tudo bem?
- Tava gelada! - avisou, rindo. - Agora tá quentinho. - concordei, me virando de frente para o espelho. Meu cabelo estava todo bagunçado, tinha marcas dos beijos de pelo meu pescoço e boca. Ri, passando a mão pelo meu torso descoberto. Ouvi a porta do box se abrir e encontrei os olhos de pelo reflexo do espelho. - Terminei. - avisou. Respirei fundo e me virei, pegando o roupão dela que estava ao lado do box. Ali estava ela, completamente nua na minha frente, sem ter noção do aquilo fazia comigo. - Eu tô com friiio! - falou, me despertando do meu transe encarando seu corpo. Passei o roupão pelo seu corpo, deixando que ela terminasse de se vestir. Ajudei-a voltar para o quarto, e antes que eu perguntasse o que ela queria vestir, ela já tinha se jogado na cama de roupão e tudo. - Boa noite.
- Não é melhor você colocar algo quente? - perguntei, parando a sua frente. Ela negou, fechando os olhos.
- Já tá quentinho. - avisou, se encolhendo.
- Tem certeza? - perguntei, sentando-me ao seu lado na cama. Ela nada respondeu. Me levantei e fui até o armário, pegando uma calça moletom e um blusão, deixando sobre a cama. - Vou deixar aqui em cima, caso queira. - avisei, colocando perto dela. Rumei para o banheiro, dessa vez, para que eu pudesse tomar banho. Assim que sai, tinha vestido o pijama, me fazendo rir. Coloquei uma regata e uma calça de moletom também, apaguei a luz e me deitei ao seu lado. continuava com os olhos fechados. Aproximei meus lábios do seus, depositando um selinho rápido. - Dorme bem, . - ela nada respondeu, continuou a dormir profundamente. Aproveitei e fiz o mesmo, sentindo mais tarde um corpo quente se enroscar ao meu.


- Anda logo, casal, eu quero praia! - nos apressou, assim que entramos para guardar nossas coisas na casa de praia dos pais de .
- Calma, sua apressada! - riu, gritando de volta. Um ser saltitante apareceu à porta do quarto, batendo palmas.
- É porque o sol tá ótimo agora. - falou, ajeitando os óculos de sol na cabeça. apareceu logo depois, abraçando a noiva de lado.
- Prontos? - perguntou.
- Outro apressado. - sussurrou pra mim, que ri, concordando. - Já vamos, zinho! - avisou, prendendo o cabelo num coque, depois pegando a bolsa com as coisas que havia guardado antes de sairmos de casa. - Pronta!
- Vamos logo, seus apressados! - falei, entrelaçando os dedos nos de , puxando-a para a praia junto com o restante dos meus amigos. A praia de Bournemouth não estava cheia, logo arrumamos um local para colocar nossas coisas, perto do Píer mesmo. As meninas, obviamente, lembraram-se de trazer tudo. Estenderam duas toalhas grandes sobre a areia, ajeitou o guarda-sol para que protegesse os quatro e logo nos sentamos.
- Amor, deixa eu passar protetor em você, vem aqui. - pediu, chamando o noivo. logo se aproximou dela, virando de costas, para que ela espalhasse o produto. me olhou, levantando a sobrancelha.
- O senhor também, anda logo! – pediu autoritária, apontando o local à sua frente. Dei de ombros, fazendo o mesmo que meu amigo. Essas mulheres e suas manias de mandar na gente. A gente reclama, mas gosta quando elas cuidam, vai. Tirei a regata que vestia, deixando que ela passasse o protetor em mim. Senti as mãos pequenas e macias de deslizarem pelas minhas costas.
- Isso é bom, hein. – falei baixo. Ela riu, continuando a espalhar.
- Vira pra mim. – pediu e eu a atendi, virando-me de frente pra ela. lambuzou os dedos e passou pelo meu rosto, fazendo-me fechar os olhos. Após um tempo, senti seus lábios rapidamente sobre os meus, afastando logo em seguida. – Pronto, .
- Obrigado. – agradeci, abrindo os olhos. – Você não vai passar? – perguntei, fitando-a. Ela assentiu. Me aproximei dela, assistindo-a me olhar, curiosa. – Eu te ajudo. – falei, passando o meu rosto no dela, lambuzando-a também com o protetor que ela havia acabado de passar em mim.
- , para! – riu, me empurrando pra trás.
- Pronto, devidamente protegida! – falei, espalhando direito a bagunça que eu havia feito no seu rosto. Ela mostrou língua, mas deixando eu arrumar.
- Vai entrar agora, ? - perguntou, levantando-se. negou, colocando os óculos de sol.
- Vou pegar um pouco de sol antes. Podem ir! – avisou, deitando-se na toalha.
- Você vem, ? - perguntou, observando-me sentado ainda. Olhei pro mar e depois para , optei por me levantar também.
- Já venho! – avisei. Ela assentiu, ajeitando-se. Corremos para o mar, e adivinhem só? Estava gelado, sim. Mas só foi a primeira leva de água, depois o corpo se acostumou com a temperatura. O casal animado que são os meus amigos, pareciam duas crianças brincando. Olhei para onde estava, continuava deitada, alheia a todos. Um grupo de rapazes ao lado a observavam, fazendo comentários entre si e caras maliciosas. Bufei alto.
- Que foi, cara? - perguntou, passando a mão sobre o braço, retirando o excesso de água.
- Nada, não. – falei dando de ombros, mas sem deixar de fitar . Ele acompanhou meu olhar e riu, baixo. – Por que sempre têm caras rodeando ela?
- Meu amigo, você já reparou na mulher que tem em casa? - falou, passando os dedos pelo cabelo. – Claro que ela chama atenção onde passa.
- Vou concordar com a nessa. - falou, depois olhou para a noiva. – Com todo respeito, amor.
- Pela eu perdoo. – riu, dando um tapinha no ombro dele, de leve. – A questão é o seguinte, , a é linda, vai ter marmanjo babando nela onde ela for. – deu de ombros. – Mas ela tá com você. E acredite, eu sei que ela poderia ter quem ela quiser, mas ela escolheu você.
- Que gracinha, o tá com ciúmes. - riu, tentando apertar minhas bochechas, mas eu me afastei antes.
- Tô coisa alguma! – revirei os olhos. – Vou voltar!
- É, vai lá marcar o território. - falou mais alto, enquanto eu me afastava. – Cuidado pra não urinar nela.
- Vai se ferrar! – falei alto, mostrando o dedo pra ele, que apenas riu. Quando me aproximei, lancei um olhar fechado para os caras que estavam a secando. Eles sorriram sem graça e viraram os olhares para outro lugar. Deitei ao lado dela, tentando tapar a visão deles sobre o corpo dela.
- Já voltou? - perguntou, virando-se para mim.
- Já me encharquei o suficiente. – falei, jogando o seu cabelo para trás. – Tá com sede?
- Sim, compra água de coco pra gente? – pediu sorrindo. Assenti, alcançando a bolsa dela e pegando a minha carteira de lá. – Bem gelada, hein. – olhei em volta, procurando meus amigos, mas eles estavam longe, se divertindo. Acho que não iriam querer tomar nada agora. Fui até um quiosque que tinha mais a frente, pedi dois cocos e o aguardei fazer o processo para me entregar. Uma morena parou ao meu lado, sorriu pra mim e mordeu um canudo que estava em suas mãos. Só o canudo mesmo, sem coco. Levantei a sobrancelha, sorri sem graça e virei o rosto para o vendedor.
- ? – ela chamou pelo meu nome. A fitei, sem saber quem era. – Você é o , certo?
- Sou, sim. – respondi meio incerto. – Desculpe, a gente se conhece?
- Eu sou a Treena, namorada... Aliás, ex-namorada do Joshua, irmão da Claire. – se explicou e um flash de memória me veio à mente. Claro, eu me lembrava dela nas reuniõezinhas que o Joshua fazia na casa dele.
- E, aí? Como vai? – falei sorrindo. Ela sorriu satisfeita, por eu ter me lembrado dela.
- Vou bem. Que coincidência a gente se encontrar em Bournemouth, hein? – falou, jogando o cabelo escuro para trás. – Veio sozinho?
- Não, estou com uns amigos. – disse, observando o vendedor colocar os cocos sobre o balcão.
- Ah, eu vim com umas amigas também. – sorriu, ajeitando a parte de baixo do biquíni azul. Meu olhar acompanhou o movimento, foi mais forte que eu. – Nossa, eu fiquei sabendo sobre o término com a Claire. Sinto muito!
- É, pois é. – falei sem jeito, bagunçando o cabelo. Claire não era um assunto muito fácil pra mim. – Você tem visto ela?
- Desde que eu e Joshua terminamos nos vimos poucas vezes. – deu de ombros. Ouvimos alguém chamando o seu nome, e viramos o rosto no mesmo instante. Um grupinho de três meninas mais a frente acenava para ela, chamando-a de volta. – Bom, eu tenho que voltar pra lá. – apontou. – Já sei! – falou empolgada, saltitante. – Moço, oi? Você tem um papel e uma caneta, aí? – ele assentiu, entregando pra ela, que anotou algo rapidamente. – Aqui, toma meu número. A gente pode combinar de sair algum dia, tomar um café e jogar conversa fora, pode ser? – me estendeu o papel. Não sabia se aceitava por educação, se negava e avisava que eu tinha namorada, não sabia se ela queria mesmo só conversar. Suspirei, optando por pegar o papel, enfim.
- Tudo bem. – falei, sorrindo. Ela sorriu, ficou na ponta dos dedos e beijou minha bochecha.
- Tchau, ! – acenou, se afastando. Apenas acenei com a cabeça. Balancei a cabeça, voltando a minha realidade, pegando os cocos e voltando pra onde meus amigos estavam, finalmente. Durante o caminho de volta, vi os caras que estavam ao lado secando novamente e me senti um hipócrita. Eu tinha acabado de aceitar o telefone de uma garota e estou recriminando um bando de garotos. Me senti culpado, tentando lembrar mentalmente de jogar aquele papel que estava no meu bolso, fora. Assim que parei ao lado de , e também se aproximaram. Entreguei o coco para ela e me sentei ao seu lado, tomando o meu.
- Fala, galera! - falou, se sentando na toalha, puxando a noiva para fazer o mesmo. - A gente encontrou um uns amigos de Londres aqui. Um deles está organizando um luau pra mais tarde. Animam?
- Eu topo! - falei, animado.
- Eu também! - concordou, sorrindo.
- Beleza! Não é longe daqui, mais tarde a gente aparece, então. - se espreguiçou, encostando a cabeça no ombro de . - Mais alguém tá com fome?
- Amor, você sempre tá com fome! - ela falou, rindo.
- Preciso nutrir essa gostosura pra você, né? - sorriu, piscando pra ela e roubando-lhe um selinho.
- Eu trouxe uma banana. - falou, pegando a bolsa e tirando uma banana de lá, entregando para . - Come só pra aguentar mais um pouco, depois a gente come algo de verdade.
- É, come e fica quieto! - avisou, deitando-se na toalha. - E passa o protetor nas minhas costas.
- Por que eu fui arrumar uma noiva tão mala? - reclamou, pegando o protetor e passando em .
- Você me ama, ! - sorriu, virando o rosto para o lado e fechando os olhos.
- Acho que é agora que você vai pro mar comigo, né? - falou, levantando-se e deixando o coco de lado. Sorri, assentindo e me levantando também. Ela segurou minha mão e me puxou para perto do mar, colocou a pontinha do pé na água e deu um gritinho. - Tá fria!
- É só até acostumar, depois fica boa. - ela me olhou, em dúvida. - Confia em mim.
- Tá. - concordou, andando devagar até sentir a água subindo pelas suas pernas, me levando junto. - Ahhh, fria, fria!
- Vem cá! - ri, me aproximando dela, segurando-a pela cintura. - Vamos mergulhar juntos, ok? - ela balançou a cabeça concordando. - No três… - avisei, e ela grudou os braços no meu pescoço. - Um… - ela fechou os olhos, rindo. - Dois… - sorri, aproximando o rosto do dela. - Três! - falei baixo, encostando a boca na dela e nos puxando para baixo, mergulhando rapidamente nossos corpos. Segundos depois emergimos, rindo. - Melhor?
- Sim, deu uma esquentada! - riu, jogando água no meu rosto.
- Ei! - reclamei, fazendo o mesmo com ela, que apenas riu. Grudei minhas mãos em sua cintura, escondendo meu rosto no seu pescoço. - Quer mergulhar de novo?
- Mas já? - perguntou alto, fazendo-me olhar pra ela. Assenti e ela fez uma careta. - Só se você conseguir me pegar! - soltou-se de mim, correndo pela areia. Ri, correndo atrás dela parecendo um idiota. Ela passou rápido por algumas pessoas, fazendo os mesmos nos olhar, rindo ou intrigados.
- ! - chamei alto, rindo. Ela continuou a correr e a rir, mas acabou desacelerando me fazendo a alcançar e a pegar no colo, jogando-a no meu ombro. - Peguei! - falei, mordendo sua coxa.
- Eu te deixei me alcançar, ok? - falou, tentando recuperar o folêgo. Ri, olhando em volta algumas pessoas nos fitando. Achei dentre elas o olhar de Treena sobre nós. Ela sorriu sem graça, virando-se para as amigas e se afastando. É melhor assim. - Me põe no chão, seu ogro!
- Nah, essa visão tá boa! - avisei, dando um tapinha no seu bumbum, que riu, estapeando minhas costas.
- Larga de taradice, me larga! - pediu, e eu a coloquei de volta a areia. - Quer dar uma volta na praia?
- Claro! - a abracei de lado, e ela a minha cintura. Demos algumas voltas na praia até reclamar que os pés dela estavam queimando e eu ter que levá-la de volta no colo. Folgada. Decidimos então voltar para a casa, fizemos um churrasco com alguns hambúrgueres que compramos na volta. Não ficou ruim, eu mandava bem no churrasco, sem falsa modéstia. Depois do almoço tardio, e ficaram na sala, deitados no sofá assistindo à alguma série enquanto eu e decidimos ir para o quarto, descansar um pouco.
- Ai, tô morta! - avisou, se jogando na cama. Ri, fechando a porta e me jogando ao seu lado. passou a mão pelos meus cabelos, sorri apreciando o carinho, apoiando o queixo sobre a sua barriga. - Eu vi você conversando com aquela menina.
- Era uma conhecida, só. - expliquei, fitando-a. Ela concordou, balançando a cabeça. - Ela me deu o número dela. - falei, esperando alguma reação. continuou a me fitar e mexer no meu cabelo. - Mas eu não pedi. - avisei. - Já deve ter até derretido na água.
- Eu confio em você. - falou, sem tirar os olhos dos meus. Me apoiei nas duas mãos, segurando meu peso sobre o seu corpo.
- Eu sei. - beijei de leve seus lábios. - Mas eu queria explicar.
- Obrigada por isso. - agradeceu, segurando meu rosto, aproximando do meu. - Eu te amo. - falou, estudando meu rosto. Sorri, encostando nossos lábios demoradamente, aprofundando o beijo logo em seguida. se segurou no meu braço, deslizando as mãos para a barra da camiseta que eu vestia, puxando-a para cima sem parar de me beijar. Me desgrudei dela apenas para tirar por completo a camisa, apoiando uma das minhas mãos na sua coxa coberta pelo vestido curto de praia. Deixei meu peso soltar um pouco sobre ela, fazendo-a gemer baixo. Uma de suas mãos bagunçava o meu cabelo e a outra me puxava para baixo, forçando meu corpo sobre o seu. Subi a mão para dentro do seu vestido, sentindo o nó do biquíni entre meus dedos. Decidi me livrar primeiro daquele vestido que estava me incomodando. Ajudei a se sentar e tirei seu vestido, voltando a colar nossas bocas. Ela passou as pequenas unhas pelas minhas costas nuas, enquanto eu decidi descer os beijos pelo seu pescoço e colo, fazendo-a arfar. Beijei toda a extensão do seu ombro, puxando o laço da parte superior do biquíni, deixando os cordões deslizar pelo seus seios. Passei a língua pelo seu pescoço, sentindo-a se encolher e se arrepiar com o movimento. Segurei em sua cintura, fazendo-a se deitar novamente. A olhei nos olhos, mordeu o lábio inferior e fechou os olhos. Beijei seus lábios, sua garganta, o meio dos seus seios, sua barriga, a parte interna das suas coxas e voltei refazendo o caminho. Retirei a única parte que faltava para mim, a minha bermuda ainda um pouco úmida. abriu os olhos quando sentiu minha mão parar sobre o nó da calcinha do biquíni. Beijei sua virilha, desfazendo o nó enquanto isso, depositei um beijo sobre a sua intimidade antes de retirar a última peça, enfim. Segurei suas mãos no alto da sua cabeça, provocando-a, enlouquecendo-a e deixando a mim mesmo louco por ela. Era insano pensar que aquilo tudo parecia tão certo e tão conectado? Burrice minha achar o contrário! A olhei pela última vez antes de me encaixar finalmente nela. E como em um turbilhão de emoções, nossa conexão foi certeira.
Deus me ajude a não ser dependente dessa mulher.

Capítulo 8



terminou de pentear o cabelo molhado, assim que saiu do banho. Eu estava sentado na cama, esperando-a terminar para que pudéssemos ir ao luau do amigo do . Ela riu, fitando-me através do espelho.
- Para de me encarar! - pediu, virando-se para mim. Ri, sem graça, desviando o olhar. - Anda, pega o meu secador dentro da mala, por favor.
- Sim, madame! - concordei, levantando-me e indo até a mala de , pegando um pequeno secador de cabelos de lá, entregando para ela, logo em seguida.
- Vou ser mais rápida, prometo. - falou, ligando o secador na tomada. - Só falta secar o cabelo.
- Tá bom, vou ficar te esperando lá fora. - avisei, e ela concordou, ligando o secador. Encaminhei-me para fora, indo para a sala, onde meus dois amigos estavam. no sofá, assistindo à alguma coisa e ao celular, conversando com alguém. - Fala, cara! - disse, sentando-me ao seu lado. - A já vai vir, tá só secando o cabelo.
- Beleza! - concordou, fitando a noiva andando de um lado para o outro.
- Eu sei, mami, mas eu prefiro buquê de rosas azuis, não vermelhas. - falou, passando a mão nos cabelos.
- O que tá acontecendo? - perguntei, confuso.
- Estão falando do casamento. - disse, virando a atenção novamente para a TV. - E a gente ainda nem escolheu a data. - riu, nervoso, dando de ombros.
- Cara, mulheres são estranhas! - ri junto, fitando o clipe do Queens que começava na TV. Minutos depois, apareceu já pronta, e, finalmente, fomos ao encontro do pessoal no luau. Quando achamos o local, que não foi difícil, vimos que tinha umas quinze pessoas ali. Todas sentadas em cima de toalhas sobrepostas a areia, uma grande fogueira no meio iluminava o local, existiam vários casais por ali, um cara tinha um violão e tocava algo e a garota ao seu lado, cantava baixo. Estava perfeito.
- ! - um cara loiro e alto, cumprimentou o . - Que bom que vieram!
- Não perderíamos essa, Carl. - o respondeu. - Carl, esses são e , eles moram em Londres também. - nos apresentou.
- É um prazer, Carl. - falei, estendendo a mão, que ele aceitou, cordialmente.
- Isso aqui tá lindo, Carl. - falou, olhando em volta e sorrindo.
- Valeu. - sorriu, agradecido. - Fiquem à vontade. Tem bebida no cooler, sanduíches na caixa ao lado, gente boa e muita música.
- Valeu, cara! - sorriu, abraçando pelos ombros. Carl pediu licença e saiu, indo se juntar a um outro grupo de pessoas. - Querem beber alguma coisa?
- Claro, vamos ver o que ele tem, aí. - falei, rumando e sendo seguido pelos outros até o tal cooler, onde achamos vários tipos de bebidas: água, suco, cerveja e vodka. Optamos por cerveja mesmo, cada um pegou uma e fomos nos sentar na roda perto da fogueira. Carl estava abraçado a uma garota de cabelos longos com dreads, pareciam felizes.
- É a Beverly, esposa dele. - explicou, observando que eu estava os fitando. - E eles tem um filhinho juntos, o Evan, ele é um amor.
- De onde vocês os conhecem? - perguntou, lendo meus pensamentos.
- Os pais do eram vizinhos deles, acabamos nos conhecendo em uma dessas visitas aos meus sogrinhos. - riu, tomando um gole da sua cerveja. O casal que tocava e cantava, agora estavam cantando uma música lenta e suave, era gostoso de se ouvir, cara. encostou a cabeça no meu ombro, observando o casal a frente. Sorri, abraçando-a de lado, nos fazendo ficar mais próximos. Isso é bem coisa de menininha, mas essa tarde eu senti uma conexão muito forte com ela, e pra mim isso parecia surreal. Me envolver tão forte e tão rápido com uma mulher que eu não conhecia há muito tempo, isso era surreal.
- , você ainda toca? - Carl perguntou alto, chamando a nossa atenção. riu, sem jeito, coçando a cabeça.
- Arranho um pouco. - confessou. Carl sorriu, satisfeito, pegando o violão do amigo e entregando a ele. - Cara, não faz isso comigo na frente de todo mundo.
- Qual é, nos dê essa honra! - falou, fazendo todos rirem e concordar. - Já estamos cansados da cantoria da Jane aqui. - riu, olhando pra mulher que estava cantando. Ela riu, dando de ombros. - É a sua vez!
- Ok, então. - concordou, ajeitando o violão sobre o colo. Me olhou de lado e sorriu. Oh, não. Não faz isso, . - , vem cá, você conhece essa, pode ajudar.
- Eu tô bem aqui, cara. - falei, sem graça, me agarrando a , que riu, se soltando de mim.
- Anda, vai lá. Eu quero ver isso! - pediu, sorrindo fofa. Droga!
- Eu te mato! - sussurrei pra , indo me sentar ao seu lado. - O que você quer tocar?
- Eu? Vocẽ que vai tocar! - riu, me entregando o violão. Eu neguei,
- Não, nem vem! - ri, tentando não pegar o violão, mas ele foi mais rápido, soltando o instrumento no meu colo.
- Eu faço a segunda voz. - piscou pra mim, sorrindo satisfeito. Suspirei alto, fitando aquelas pessoas todas me olhando. Eu não funcionava muito bem com tanta pressão. Busquei o olhar de , que sorria, esperando eu começar. Respirei fundo, fechando os olhos e começando a dedilhar uma música no violão. Ouvi rir ao reconhecer a música. Havíamos feito essa música na faculdade, numa dessas noites à toa, que ele estava começando a se apaixonar por . Nomeamos a música de Falling in love e me pareceu certa tocar naquele momento.
- Everyday feels like a monday, there is no escaping from the heartache… - comecei, notando os olhares sobre mim. - Now I wanna put it back together, 'cause it's always better late than never. - vi entrelaçar os dedos aos do noivo, ela sabia muito bem que aquela música era dela. Um casal se levantou e começou a dançar juntos enquanto eu cantava, sorri. Voltei a fitar , que não tirava os olhos de mim. - I wanna tell you when I call you, I could have fallen in love… - suspirei, continuando. - I wish I'd fallen in love.
-Out of our minds and out of time, wishing I could be with you… - entrou, cantando. Beijou o dorso da mão de e a fitou. - To share the view…
Cantamos juntos o refrão animados. Me surpreendi por ainda lembrar a letra e as cifras da música. Nessa altura, outros casais já tinham se levantado e também estavam dançando juntos. Quando finalizamos a música, houveram muitos aplausos. Encarei e ele tinha o mesmo olhar de surpresa e satisfação que o meu.
- Não conhecia essa música. - Carl falou, abraçado a esposa.
- Ela é inédita! - respondeu, jogando uma piscadinha para a noiva, que sorriu. Entreguei o violão para .
- Se vira agora! - avisei, me levantando e parando em frente a , estendendo a mão. - É a nossa vez de dançar.
- Yay! - fez, aceitando a mão e se levantando. começou a tocar uma música do Ed Sheeran, Give Me Love. Coloquei os braços de em volta do meu pescoço, descansando as minhas em sua cintura. Balançando-nos ao ritmo lento da música. Afundei o rosto na curva do seu pescoço, sem parar de nos balançar. Sentia meus pés se enchendo de areia, mas não ligava, o vento bagunçando nossos cabelos e eu não dava a mínima. Desenterrei meu rosto do seu pescoço, encostando a minha testa a dela, que sorriu, subindo uma mão e acariciando meu rosto. - Obrigada por esse final de semana, tá sendo incrível.
- O final de semana ainda não acabou. - avisei, dando-lhe um selinho demorado e depois a pegando pela mão, fazendo-a rodopiar. riu, segurando o vestido que se esvoaçava com o vento. Puxei-a de volta para perto do meu corpo. - E sim, tá sendo incrível. - beijei levemente seus lábios. - E você é linda.
- Ah, não… - riu sem jeito, tentando esconder o rosto no meu peito. - Não começa!
- ? - a chamei, mas ela não se moveu. - , olha aqui. - pedi, e ela o fez. - Não adianta, eu vou falar isso sempre, porque é verdade. E deixar você vermelhinha é muito divertido.
- Bestão! - riu, empurrando-me de leve. Senti algo puxando a barra da minha calça dobrada, então olhei para baixo, dando de cara com uma criança loira, segurando uma rosa. Sorri. se agachou, ficando na altura dele. - Oi, pequeno!
- Pra você! - e estendeu a rosa. fez um bico, fofo, aceitando a rosa e dando um beijo na bochecha dele. Olhei em volta, vendo Carl e Beverly nos observando, percebendo que aquele pequeno ser deveria ser Evan, filho deles. Me agachei também.
- Valeu, amigão! - baguncei o pouco cabelo dele, que riu, correndo de volta para os pais. Notei que os casais todos estavam com uma rosa em mãos.
- Tem um bilhete enrolado. - comentou, chamando a minha atenção. Ela desenrolou o bilhete e leu em voz alta. - “Lembre-se de momentos assim. Faça acontecer!”. - leu, depois sorriu, fitando-me. - Que lindo!
- É, foi bem legal! - falei, abraçando-a de lado e nos guiando de volta para onde estávamos sentados. O luau todo em si foi muito bom. se encantou por Evan, e brincava com ele o tempo todo. Quando já estávamos cansados do dia, resolvemos ir embora. Cada casal foi para o seu quarto. Troquei a camiseta e calça que eu estava por uma regata e boxer. colocou uma camisola fina e fresca. Deitei-me na cama, fitando a janela ao lado, entreaberta, deixando a luz da lua entrar pelo quarto. Logo se deitou ao meu lado, virando-se para mim. Sorri, colocando minha mão sobre a sua cintura, puxando-a para mais perto. Ela apoiou sua mão sobre meu peito, aproximando o rosto do meu. Fechei os olhos passando a pontinha do meu nariz no seu, sentindo a respiração rápida dela bater contra meus lábios. mordeu meu lábio inferior, puxando-o devagar. Abri meus olhos e fitei os dela, atento a toda malícia que estava estampada ali. - Quer fazer aquilo de novo?
- Aham… - respondeu, se soltando de mim rapidamente e sentando-se sobre meu quadril. Ri, segurando-a pela cintura. - Mas agora é a minha vez!
- Pode apostar que sim! - concordei rindo. E todo o cansaço foi embora de vez.

***


Acordei sentindo os raios do sol quase queimarem minha retina. Bufei, virando-me pro outro lado. Tateei a cama, mas não havia sinal de por ali. Sentei-me na cama, espreguiçando-me e coçando os olhos. Fui até o banheiro para escovar os dentes, aproveitei pra tomar um banho logo e em seguida, sai do quarto.
- Bom dia, minha flor! - falou assim que me viu adentrando a cozinha. Ele estava encostado a porta com uma xícara em mãos. estava do outro lado do balcão, fazendo um sanduíche. estava sentada sobre o mesmo segurando uma xícara grande.
- Bom dia! - desejei para geral, andando até avisou, dando de ombros.
- Arght! - fez, rolando os olhos. - Não queria ir embora. Londres anda muito chata!
- Aqui é divertido exatamente por não morarmos aqui, amiga. - riu, explicando a ela. - Igual Londres é chata, porque você mora lá, mas se fosse às vezes, seria sempre divertida. - encostou a cabeça nas minhas costas. - Eu gosto de Londres.
- Também gosto, só estou meio entediada lá, eu acho. - deu de ombros, terminando o sanduíche e mordendo-o.
- , sua mulher tá reclamando que anda entediada. - falei, chamando sua atenção. - Você não anda fazendo seus serviços direito.
- Cala a boca, ! - mandou, mostrando o dedo, nos fazendo rir.
- A gente podia fazer o casamento aqui, né? - deu a ideia, sorrindo.
- Não ia caber a sua família e a minha nessa casa, amor. - avisou, andando até ela e depositando a xícara que segurava ao seu lado.
- Eu sei, mas existem outras casas que podem ser alugadas, ou podem vir de Londres direto pra cá. - explicou, virando-se para ele.
- A gente pensa nisso depois, ! - falou, fitando-me, fazendo uma careta. Segurei um riso.
- ! - falou alto, assustando-o. - Eu vi isso!
- Calma, amor! - pediu, tentando segurá-la, mas ela se afastou.
- Calma o caralho! - falou, assustando todos. - Arght! - e saiu da cozinha. nos olhou sem entender.
- Vai atrás dela, ! - falou, apontando por onde ela havia saido. assentiu e foi atrás dela. Ri, virando-me para .
- Esses dois! - falei, balançando a cabeça, negativamente.
- Que ir para a praia e deixar eles se resolverem? - perguntou, ainda abraçada a minha cintura. Assenti, puxando-a para mais perto, fechando suas pernas na minha cintura.
- Se segura! - pedi, e ela riu, apertando as pernas em volta de mim. Nos guiei até o nosso quarto, depositando-a sobre a cama. Dei um selinho nela e me afastei.
- Vou só pegar a bolsa com umas coisas e colocar um biquíni. - avisou, levantando-se. Andou até a bolsa sobre o criado mudo ao lado do espelho, verificou o que tinha dentro e deixou-a sobre a cama. Pegou um biquíni amarelo dentro da mala e entrou no banheiro, minutos depois saiu já com a parte de baixo e um short. segurava a parte da frente sem ter amarrado nada. - Amarra pra mim, por favor? - pediu, virando-se de costas pra mim. Fui até ela, fazendo dois laços no biquíni. Beijei sua nuca e seu pescoço, fazendo-a se encolher e rir.
- Prontinho! - me afastei, andando até a porta. pegou a bolsa e se juntou a mim. - Deixamos um aviso pra eles?
- Eu estou levando o celular, a gente manda mensagem quando chegar lá. - avisou, prendendo o cabelo num rabo de cavalo alto. - Vamos?
- Vamos! - concordei, estendendo a mão para que ela segurasse. Pegamos um local perto da casa, assim ficaria mais fácil de e nos achar. Assisti a tirar o short lentamente, colocando-o de lado, ajeitou os óculos sobre o rosto, colocou a mão na cintura e me fitou.
- O quê? - perguntou. Dei de ombros, sorrindo. Ela revirou os olhos, rindo e deitou-se de bruços na toalha sobre a areia. Fitei seu corpo descoberto… Puta merda, que mulher é essa?
- Amarelo é uma cor bonita, né? - falei, colocando meus braços atrás da cabeça, descansando-a ali. riu.
- Vou fingir que não entendi. - avisou, abaixando a haste dos óculos e me fitando por cima dos mesmos. - E que eu também acho azul uma cor muito bonita. - avisou, olhando pra minha sunga. Rimos. - Vou mandar uma mensagem para os meninos. - concordei, assistindo-a pegar o celular e digitar rapidamente uma mensagem. - Ah, a sua prima Daphne me mandou uma mensagem. - comentou, fitando o aparelho em suas mãos. A observei, esperando que ela continuasse. - Perguntou o que vamos fazer na quarta à noite, ela precisa de alguém que cuide do Peter, porque ela e o Eric vão a um jantar da empresa dele. - me fitou. - E a babá regular deles não vai poder.
- Cuidar de uma criança? - perguntei, ponderando e pensando na situação. - Não sou muito bom com crianças.
- É sim, e você sabe disso. - avisou, sorrindo. - E eu também vou estar lá.
- Você quer mesmo fazer isso, né? - ri, vendo-a balançar a cabeça positivamente. - Tá bom, vai. Mas se ele chorar, você cuida!
- Ele não vai chorar, o Peter é um amorzinho. - avisou, voltando a fitar o celular, digitando uma mensagem. - Aff, olha isso! - falou, virando a tela do celular para mim. Havia uma mensagem de : ”Já vamos para aí. Estavamos transando!”.
- Não presta mesmo! - ri, voltando a fitar o mar. - Amanhã eu volto à rotina. - suspirei.
- É, mas você gosta dessa correria que eu sei. - falou, tirando o protetor de dentro da bolsa.
- Gosto, me distrai. - confessei, observando algumas pessoas na praia.
- Gosto também, porque a gente sai juntos e você me deixa no trabalho. - sorriu, passando o protetor no colo.
- Deixo? - perguntei, recebendo essa nova informação. Ela assentiu.
- Sim, é caminho, de qualquer jeito. - deu de ombros. - Quando você saía mais cedo, me buscava também, se não, eu voltava com a .
- Entendi. - disse, absorvendo e tentando me lembrar disso. - Você conseguiu se acostumar comigo sem memória?
- Não completamente. - confessou, fitando-me. Devolvi o olhar. - Nós éramos bem mais intimos, sinto que ainda tem uma resistência, mas estamos indo bem. - suspirou, desviando o olhar. - E você?
- O mesmo. - falei, ainda a fitando, mesmo ela não olhando pra mim. - Ainda tenho medo de te machucar, não saber corresponder o que você sente. - fui sincero. - Me acostumar a ter você na minha vida, surpreendentemente, foi fácil. Me sentir bem ao seu lado também. - voltou a me olhar. - Só não quero te machucar.
- Você não vai. - sorriu, tocando meu peito. - Eu sei que não.
- CA-SAL! - ouvimos a voz de se aproximar. - Achamos vocês!
- Tá melhor, amiga? - perguntou, sentando-se.
- Tô maravilhosa! - falou sorridente, deixando suas coisas próximas às de .
- Muito bem, ! - falei, fazendo um high-five com ele. As garotas apenas riram, resmungando um “garotos!”.
- Agora que vocês chegaram para olhar as coisas, eu posso ir para o mar. - avisou, levantando-se. - Vem comigo, .
- Beleza, eu vou. - concordou com a amiga, tirando o vestido que vestia, ficando apenas de biquíni. As duas correram para o mar, deixando e eu a sós.
- Cara, já que amanhã você vai voltar para agência, eu tenho algo pra te contar. - avisou, estudando a minha reação. Esperei que ele continuasse. - Um dos caras daquela ideia da cerveja é namorado da Claire. - o fitei rapidamente. - É, eu sabia que você ia ter essa reação. Aparentemente, ela mesma indicou a agência. - deu de ombros. - Vai entender.
- Mas ela já foi à agência? - perguntei enfim. Ele balançou a cabeça, concordando. - Por que ela faz isso? Ela sabia que tinha a chance de me encontrar lá.
- Cara, eu não sei. Só estou te contando pra que, caso ela apareça, você esteja avisado. - bateu de leve no meu ombro. - Só não faça merda.
- Tá, eu sei. - suspirei, bagunçando o cabelo. Por que logo agora Claire tinha que voltar à cena?

Capítulo 9



Vi a tela do meu celular acender sobre a minha mesa, indicando uma nova mensagem. Suspirei, ignorando e prestando atenção na tela do meu computador, onde estava fazendo um design para uma nova campanha. Passei a manhã toda focado nisso, sem comida, sem café, só com uma garrafinha de água. É, voltar ao trabalho era outra realidade. O telefone do escritório tocou alto, fazendo-me levar um susto, porque o lugar estava muito silencioso.
- ! - atendi, deixando no viva voz.
- , quer ir almoçar no restaurante aqui do lado? - a voz de soou do outro lado da linha. - Termino daqui cinco minutos.
- Claro, pode ser. - concordei, me encostando na cadeira. - Passa aqui e a gente vai.
- Beleza, até. - e desligou. Decidi dar por encerrado a minha parte da manhã, desligando a tela do computador. Peguei meu celular e fui ver a mensagem que havia chegado. O nome de aparecia na tela.

“A disse que a Beverly enviou essa foto para ela.”


E logo embaixo uma foto nossa dançando na praia, em Bournemouth. A foto tinha ficado bonita. O vento balançava o vestido dela, eu tinha a mão em sua cintura, enquanto nós dois riamos. A praia, o pôr-do-sol, as cores. Perfeito, cara. Sorri, respondendo-a.

“Acabou de virar meu novo papel de parede. :D”

Enviei, fazendo o que disse, logo em seguida, deixando a foto como papel de parede do celular. Sorri, achando graça. Desde quando eu fazia essas coisas de casal? Ouvi uma batida na porta, e encarei a mesma.
- Pronto? - perguntou, abrindo levemente a porta. Assenti, levantando-me. - Por que você tá com um sorrisinho besta?
- Não enche! - ri, empurrando-o para andar. Ele riu, dando de ombros. - Brooke, estamos saindo para o almoço. Qualquer assunto importante, estou com o celular.
- Ok, chefinho! - sorriu, batendo continência. - Ah, antes que eu me esqueça, deixaram isso aqui para vocês. - falou, pegando algo dentro de sua gaveta. Era um envelope azul claro com o nome da agência escrito.
- Obrigado. - agradeci, pegando-o e abrindo.
- O que é? - perguntou, se aproximando de mim.
- É um convite para o lançamento de uma marca. - falei, enquanto lia rapidamente o papel. - College Bros? - perguntei, em dúvida.
- Ah, são os caras daquela cerveja que te falei. - ele explicou, pegando o convite da minha mão, lendo também. - Eles avisaram que iam fazer uma festa de lançamento da marca, no caso, College Bros.
- Entendi. - concordei. - Bom, vamos almoçar?
- Ahm, claro! - concordou, entregando o convite de volta para Brooke. Andamos em silêncio até a outra esquina, onde ficava o restaurante. Assim que pegamos uma mesa e sentamos, se pronunciou. - Nós vamos, certo?
- ... - falei sem muita vontade.
- Cara, nós somos os publicitários deles. A gente deve ir! - explicou, aceitando o cardápio da mão do garçom, que apareceu para nos atender. - Você tem que superar essa coisa toda da sua ex.
- Só pra te lembrar, essa coisa da minha ex, na minha cabeça, tem poucos meses. - falei mais alto, perdendo a paciência. apenas assentiu e levantou as mãos, como se rendesse.
- Foi mal, só queria ajudar e te explicar que profissional é uma coisa, pessoal é outro. - falou, encarando o cardápio. Fitei o garçom parado à nossa frente com cara de paisagem. Suspirei, fitando o meu cardápio.
- Eu quero a macarronada com molho vermelho e um suco de framboesa. - pedi, fechando o cardápio e entregando a ele.
- O mesmo. - pediu, fazendo o mesmo que eu. Assim que o garçom saiu, meu amigo me fitou, esperando alguma reação da minha parte. - Do que você tem medo?
- Eu não sei. - fui sincero. - Parte de mim quer encontrá-la para por um ponto final nisso tudo que eu ainda sinto. - suspirei, apoiando os cotovelos sobre a mesa e as mãos sobre o rosto. - Outra parte que esquecer tudo isso e só focar na , não magoá-la e fazê-la feliz.
- Eu sou a favor da sua segunda parte. - comentou com um sorrisinho no rosto. Concordei, balançando a cabeça.
- Eu queria isso também. - confessei, fitando-o. - Mas a parte que quer vê-la cara a cara grita mais alto.
- Só me avisa se a gente for, porque você tem que me avisar se vai levar a , se for levar, eu tenho que levar a . Caso não, preciso saber também. - pediu, gesticulando com as mãos.
- Eu não posso levar a . - falei rapidamente. - Eu tenho que fazer isso sem pressão.
- Então, nós vamos?
- Acho que sim. - concordei, balançando a cabeça. - A festa é só no sábado, até lá eu te aviso.
- Ok, então. - concordou, pegando o celular e mexendo nele. - Espero que dê tudo certo.
- É, eu também.


Minha cabeça rodou, doeu e quase explodiu de tanto pensar sobre essa droga de festa. Acabou com o meu dia de trabalho. Acabei por ficar até mais tarde na agência, tentando recuperar o tempo perdido. Cheguei em casa quase oito da noite. Assim que abri a porta, vi deitada no sofá, dormindo abraçada a uma almofada. Sorri, vendo que ela havia pegado no sono enquanto assistia tv. Me agachei a sua frente, vendo-a ressonar alto, mostrando que estava bem cansada. Deixei minhas chaves do carro e da casa sobre a mesa, tirei minha carteira do bolso, celular e fiz o mesmo. Tirei os fios de cabelos que caiam sobre o rosto de , observando aquele rosto calmo. Cara, que mulher! Ela estava em uma posição péssima ali. Peguei seu braços suavemente, colocando sobre meu pescoço e passando suas pernas pelos meus braços. Ela remexeu, mas não acordou, apenas apertou os braços sobre meu pescoço. Andei com ela até o quarto, abrindo a porta com o ombro, entrando no quarto escuro. Coloquei sobre a cama, delicadamente, não querendo acordá-la. Puxei o edredom sobre seu corpo, beijei levemente sua testa e sai do quarto. Passei pela cozinha, tentando achar algo para forrar o estômago, não havia comido desde o almoço. Peguei um saco de batata chips no armário, voltando para a sala, sentando-me no sofá, onde antes dormia. Na tv passava algum filme qualquer, que não soube identificar. Ouvi passos, girei minha cabeça na direção dos mesmos, dando de cara com , coçando os olhos, parecendo uma criança. Ela andou até mim, sentando-se ao meu lado, encostando a cabeça no meu ombro, abraçando meu braço. Sorri, beijando o topo da sua cabeça.
- Volta a dormir. - falei, fitando a tv.
- Não, eu tava te esperando a chegar e dormi. - avisou, se encolhendo perto do meu corpo. - Você demorou.
- Desculpa, enrolei hoje lá. - pedi, estendendo o saco de batata para ela. - Quer?
- Nah. - negou. - Tá frio!
- Vai pra cama, . - pedi de novo.
- Só se você for comigo. - pediu, virando-se para mim, fazendo um biquinho adorável.
- Mas é teimosa, hein? - falei, rindo. Ela deu de ombros. - Ok, vai. Vamos para o quarto! - dei-me por vencido, desligando a tv e deixando as batatas de lado. se levantou, me puxando pelas mãos e nos guiou até o quarto. - Deita, aí, mulher. Eu vou tomar um banho e já volto.
- Tá. - concordou, se sentando na cama e puxando o edredom. Entrei no banheiro, tirei minhas roupas e joguei no cesto de roupas sujas, estralei o pescoço e os dedos das mãos. Estava bem cansado também, o dia havia sido bem longo. Liguei a ducha na água quente e joguei meu corpo debaixo, deixando a água tentar me relaxar um pouco. A história de Claire insistia em rondar minha mente. Não, isso não era saudável ou bom. Apoiei a mão no box, deixando a água cair sobre a minha cabeça. Claire e eu ficamos quase três anos juntos, eu a pedi em casamento, ela era minha noiva. NOIVA. Um belo dia ela decidiu que não tinha certeza se era isso que ela queria para a vida, que era nova ainda, que tinha muitas coisas para fazer, muitos países para visitar. Simples assim. E sim, eu tentei persuadi-la disso. Disse que podíamos fazer tudo isso juntos, mas isso não foi o suficiente para ela não me abandonar. Cara, esse dia foi o pior da minha vida! Eu não sabia mais o que fazer. Ela simplesmente pegou suas coisas e voltou para a casa da mãe. Deixando-me sozinho sem saber o que tinha acabado de acontecer. Depois disso eu não fui atrás dela, ela tinha tomado uma decisão, certo? Bom, eu não podia forçá-la a ficar comigo. Balancei a cabeça, tentando tirar essas lembranças da mente. Desliguei a ducha e me enrolei numa toalha, saindo do quarto em seguida. continuava sentada na cama, direcionou o olhar pra mim e sorriu, mordendo o lábio inferior. - Você tem as costas tão bonitas.
- Tenho? - perguntei, rindo, enquanto abria o armário, pegando uma calça de moletom e uma regata. Vai sem cueca mesmo.
- Tem… é…. - ela falou, fazendo algum desenho imaginário com as mãos. - É desenhada, sei lá.
- Vou levar isso como elogio, então. - disse, tirando a toalha e colocando as roupas, sobre o olhar vidrado de . Terminei de me vestir, desliguei a luz do quarto e me sentei na cama, ao seu lado. - Vem cá, senhorita teimosia! - falei, puxando-a para se deitar sobre o meu peito, colocando o edredom sobre nós dois. Ela se aconchegou por ali, abraçando a minha cintura.
- Boa noite, amor. - soprou. Suspirei baixo, fazendo um cafuné na sua cabeça.
- Boa noite.

***


- Daphne, querida! - falou, assim que abriu a porta. Ela sorriu, abraçando-a. - Você está linda!
- Ah, imagina! - ela abanou o ar. Eric, seu marido, estava logo ao seu lado, segurando Peter no colo.
- Fala, ! - cumprimentou, sorrindo.
- Tudo bem, pessoal? - perguntei. - Entrem, por favor.
- Entraríamos, mas estamos atrasados já. - Eric falou, olhando para mulher. - Só viemos deixar o Pete mesmo.
- E aí, campeão, pronto para uma noite divertida? - perguntei, estendendo os braços para que ele viesse para o meu colo, e ele veio, prontamente.
- Simmm! - falou alto e animado, nos fazendo rir.
- Ótimo, você despertou o lado super animado dele. - Daphne alertou, rindo. - Se virem agora.
- Relaxem e divirtam-se, está tudo sob controle. - falou, garantido. - Qualquer coisa, ligamos para vocês.
- Certo, certo. - ela concordou, dando um passo para trás. - Ele não costuma dormir muito tarde, então, em breve ele deve estar capotando de sono por, aí.
- Ok. - concordamos. - Tchau, aproveitem o vale night. - falei, e eles riram. - Dá tchau para os seus pais, Pete. - Tchau, mãe! - acenou rapidamente.
- Tchau, meu amor. - Daphne acenou de volta.
- Vamos logo, querida. - Eric a apressou, puxando-a pela mão, se não ela não sairia de lá. Assim que eles partiram, fechamos a porta. fitou Peter, sorrindo.
- Está com fome, príncipe? - perguntou, segurando sua mãozinha.
- Sim, tia. - balançou a cabeça, afirmando.
- Certo, vou fazer algo para a gente comer, então. - avisou. - Você quer ficar lá na cozinha comigo ou com o tio ?
- Com o tio ! - respondeu prontamente, fazendo-me rir. riu, revirando os olhos.
- Boa escolha! - falei pra ele, beijando sua bochecha, que apenas riu. - Você cuida da comida que a gente cuida do filme que vamos assistir, certo, Pete?
- Filme, yay! - celebrou, levantando as mãos. Rimos, concordando.
- Certo, não quebrem minha sala! - pediu, antes de sumir para a cozinha. Sentei-me no sofá, colocando Peter sentado ao meu lado. Peguei o controle da TV, que já estava ligada, procurando pelo catálogo de filmes infantis.
- Que filme você quer assistir? - perguntei olhando as opções. - Meu Malvado Favorito, Big Hero, Minions, Carros, Toy Story?
- Big Hero! - falou alto.
- Boa, garoto! - ri, escolhendo o filme. - Esse filme é bom! - olhei para a criança ao meu lado e pude observá-lo sorrir animado. Peter tinha apenas três anos, mas era muito esperto para a sua idade. Obviamente, era o xodó da família . Seus cabelos eram cheios e castanhos, dono de um par de olhos extremamente verdes, herdados da mãe. - Vem, !
- Vem, tia! - ele me imitou. Ouvi a risada de da cozinha.
- Daqui a pouco, meus amores. - avisou, falando mais alto. - Podem começar a assistir sem mim, agorinha eu chego, aí.
- Já que ela diz! - falei, dando de ombros e apertando o play. Peter comemorou, prestando a atenção no filme, em seguida. Minutos mais tarde, voltou a sala segurando um prato com três sanduíches. Minha barriga roncou.
- Aqui, Pete! - entregou um ao pequeno, que aceitou, rapidamente dando uma mordida. Me passou o prato, peguei um e devolvi o outro a ela. - Ahh, Big Hero, eu amo esse gordão!
- É o Baymax, tia. - Peter a corrigiu, falando de boca cheia.
- Ops, desculpa. - riu, observando o garoto. - Baymax, certo.
- Vai, mexeu com a criança errada! - falei pra ela, que deu de ombros, mordendo seu sanduíche. Fiz o mesmo com o meu. - , isso aqui tá maravilhoso!
- Tá gostoso, tia. - Peter balançou a cabeça, concordando comigo.
- Ah, que bom que gostaram, crianças! - sorriu satisfeita. Continuamos a assistir ao filme e terminar os sanduíches.
- Tia, tia… Olha, as bolinhas no chão! - cutucava e apontava para a TV, impressionado. riu, concordando com ele.
- É sim, Pete. - ela me fitou, fazendo uma cara fofa. - Eu quero morder esse menino!
- , precisamos devolvê-lo inteiro aos pais. - falei, segurando um riso. Ela rolou os olhos, rindo.
- Só um pedacinho, né, Peter? - falou, aproximando a boca do bracinho dele. Peter riu, quando sentiu a mordida fraca de em seu braço.
- Ouch, tia! - reclamou, ainda rindo.
- Se reclamar, eu vou morder a barriga! - ela ameaçou, levantando a sobrancelha.
- Nãão! - gritou, já escondendo a barriguinha. Ri, puxando-o para perto de mim. - Me ajuda, tio !
- Você tá assustando a criança, ! - avisei, vendo o pequeno se esconder perto de mim, mas sem parar de rir.
- É porque eu ainda tô com fome, queria só um pedacinho. - avisou, aproximando novamente a boca dele, mas ao invés de morder, começou a distribuir beijinhos. Peter ria ainda mais alto.
- Cócegaaaas! - falava entre risos. Peter segurou o rosto de , fazendo-a parar. - Tia, faz cócegas no tio.
- O tio é chato, não deixa. - fez um bico. Balancei a cabeça, negativamente, rindo.
- Eu deixo dar beijinho. - falei, assistindo virar o olhar para mim e jogar uma piscadinha. Ri alto, pela cara maliciosa que ela fez.
- Beijinho eu sempre dou. - falou, sentando-se direito e puxando Peter junto com ela, colocando-o sobre seu colo.
- Eu sei, linda! - falei, aproximando de seu rosto, depositando um beijo estalado em sua bochecha. Ela sorriu. - Perdemos metade do filme.
- Ahhh, que pena! – ela falou, fitando Peter. – Quer que volte um pouco do filme, Pete?
- Quero assistir Minions! – pediu, apontando para a TV.
- Ok, vamos ver Minions, então. – ela concordou, pegando o controle e colocando no filme em questão. Começamos à assistir Minions, mas não durou muito tempo, pois logo estava me cutucando, mostrando Peter dormindo em seu colo. Ri, me levantando.
- Pode deixar que eu o pego e coloco na cama. – falei, pegando-o cuidadosamente, rumando para o quarto depois. veio logo atrás. Deitei Peter sobre a nossa cama, cobrindo-o com um lençol. Sorri, me afastando e parando ao lado de , que estava encostada no batente da porta. - Somos bons tios.
- É. - concordou, ainda fitando a criança dormindo. - Seríamos bons pais. - e me encarou. Levantei a sobrancelha, confuso. - Não agora, bobão. Um dia, quem sabe. - deu de ombros. - É só uma hipótese.
- Você quer ter filhos, então? - perguntei, empurrando-a para fora do quarto e encostando a porta.
- Claro! - respondeu animada. - Dois, no mínimo.
- Dois? - ri, achando graça de sua repentina animação. assentiu, andando de volta para a sala, a segui.
- Sim, pra não ser uma criança sozinha. - deu de ombros. - Eu fui criada sem irmãos, às vezes era bom, outras vezes, me sentia solitária. - se sentou no sofá, me puxando para fazer o mesmo. - Você se vê sem a sua irmã?
- Não. - respondi prontamente. - Não mesmo. - Blue era mais nova que eu, era mulher, era o oposto de mim, mas era minha irmãzinha. E acho que eu não saberia ter uma outra vida onde ela não estivesse. - Blue é uma parte de mim.
- Exatamente. - concordou, se aconchegando nos meus braços. - Sua mãe e Blue moldaram a forma como você trata as mulheres.
- E isso foi bom? - perguntei, em dúvida.
- Foi ótimo. - virou o rosto para mim. - Eu te acho um cavalheiro! - sorriu. - Você me trata de uma forma tão doce e pura, você me respeita à cima de tudo, . - segurou meu rosto entre suas mãos. - Você é raro, !
- Ah, ! - falei, desviando o olhar, sem graça. Ela riu.
- Viu? É assim que eu me sinto quando você me deixa sem graça! - avisou, soltando o meu rosto e voltando a se aninhar nos meus braços.
- Mas você fica linda vermelhinha! - falei, fazendo-a rir.
- E você também, meu bem! - pegou o controle, tirando do filme dos Minions que ainda passava, voltando ao catálogo de filmes. - Quer assistir à alguma coisa?
- Ahm, quero ver uma série. - falei, vendo-a passear pelos nomes dos filmes.
- Que série?
- A série de beijos que eu quero de te dar. - avisei. soltou uma gargalhada tão gostosa, que foi impossível não rir junto. - Shh, vai acordar o Peter.
- Desculpa! - pediu, tapando a boca. - Você é muito idiota, !
- Eu sei, é parte do meu charme. - sorri de lado, jogando uma piscadinha pra ela, que riu, balançando a cabeça.
- E essa piadinha tá batida. Só por isso, vai ter que assistir Uma Linda Mulher comigo. - avisou, selecionando o filme e colocando pra rodar.
- Ah, não! É filme de mulherzinha! - reclamei, tentando pegar o controle, ela riu, escondendo dentro do short. - Você sabe que eu posso pegar aí, né?
- Nem tenta! - falou, apontando o dedo no meu rosto. - Vai, vamos assistir!
- O que eu ganho com isso?
- Minha gratidão? - perguntou, fitando-me.
- Não posso usar muito isso, aí. - falei, dando de ombros.
- Ei! - ela reclamou, me dando um tapa no braço.
- Ouch! - passei a mão no local. - Já começou a me bater.
- Fica quieto, vamos assistir, sim. - avisou, apontando para TV. - Shh! - ...
- Shh, eu quero ver! - fez, assistindo atenciosamente ao filme.
- Ainda prefiro te beijar. - avisei, colando a boca na sua orelha. Ela se arrepiou, mordendo o lábio inferior, fortemente. Sorri, satisfeito. - Beijar seu pescoço… - falei, beijando sua nuca e deixando uma mordidinha ali. - Beijar seu corpo inteiro… - soprei em seu ouvido, deixando uma mordida no lóbulo da sua orelha.
- Puta merda, ! - falou alto, virando-se para mim. - Para de me provocar! - pediu, e enfiou a mão no meu cabelo, puxando-me para mais perto, assim, podendo enfim me beijar. me beijava quase que furiosamente, mordendo e voltando a beijar minha boca. Sentou-se no meu colo, rapidamente. Segurei sua cintura, fortemente, sentindo suas mãos puxar meus cabelos. parou de me beijar de repente, abaixou a cabeça e soltou um palavrão baixo.
- O que foi? - perguntei, sem entender.
- Peter. - falou a palavra chave, nos despertando para a realidade. Joguei a cabeça para trás,
- Porra! - fechei os olhos. se levantou de cima de mim, imediatamente eu peguei uma almofada e coloquei no meu colo. - Porra, porra!
- Viu? Assistir ao filme é menos dolorido! - alertou, voltando a se sentar direito no sofá. fez uma careta, puxando-me para deitar no seu colo, - Depois a gente termina isso, . Não adianta ficar chateado! - passou as mãos no meu cabelo, fazendo um carinho gostoso. - Vamos assistir ao filme. - pediu, voltando a prestar atenção no filme. Acabamos assistindo ao tal do filme, que, na minha opinião, é bem mentira, mas tentar argumentar isso com ela, é caso perdido. Logo após o filme acabar, comemos uns marshmallows que achamos no armário, Daphne e Eric vieram buscar Peter, que foi embora ainda dormindo, e nós finalmente ficamos à sós. - , eu tenho uma reunião sábado na revista. - avisou, arrumando a cama para que pudéssemos nos deitar. Assenti, tirando a camisa que eu vestia, jogando em um canto qualquer. - Não deve demorar, se quiser fazer algo à noite. - engoli o seco. Sábado era a festa da tal marca de cerveja. Era agora, eu tinha que decidir se ia ou não.
- Sábado tem uma festa de lançamento da marca de um cliente. - falei, sentando-me na cama. Ela me olhou, prestando atenção. - Eu vou com o , vai ser chato e não vamos demorar também.
- Tudo bem. Eu te espero em casa! - sorriu, compreensiva. - Talvez eu ligue para vir pra cá, não sei.
- Ok, certo! - concordei, observando-a desligar a luz e sentar ao meu lado. sorriu, me puxando para deitar e puxando o edredom sobre nós.
- Você quer dormir agora? - perguntou, virando o rosto para me fitar. Retribui o olhar, levantando a sobrancelha.
- O que você tem em mente? - perguntei, vendo-a morder o lábio, dando de ombros.
- Sei lá, eu não estou com sono ainda. - avisou, se mexendo debaixo do edredom, subindo sua mão sobre minha calça de moletom, brincando com o elástico do cós da mesma. - A gente podia terminar o que começamos mais cedo.
- Você quer terminar aquilo então, né? - ela sorriu concordando. passou uma perna de cada lado do meu corpo, sentando sobre o meu quadril. Sorri pervertidamente, colocando os braços cruzados atrás da cabeça. inclinou a cabeça, distribuindo beijos pelo meu pescoço e peito. Fechei os olhos, apreciando aquele contato. Senti seus lábios sobre a minha orelha, mordendo meu maxilar, meu queixo e enfim, beijando minha boca. Eu não aguentei muito tempo sem tocar sua pele, cravando minhas mãos fortemente na sua cintura. sorriu enquanto me beijava, possivelmente, porque sentia a força e desespero nas minhas mãos indecisas entre sua cintura e coxas. Enfiei os dedos por debaixo da camisola, que ela havia colocado mais cedo, sentindo sua pele se arrepiar ao meu toque quente. buscou um pouco de ar, voltando a beijar meu pescoço, descendo pelo meu peitoral, barriga e parando bem abaixo do umbigo, me olhando maliciosa. Mordi o lábio inferior, fitando-a. sorriu, prendendo o cabelo num coque. – Vai, pode continuar... – incentivei. Ela assentiu, descendo a minha calça. Ah, meu amigo, quando uma mulher prende o cabelo assim, pode saber que você vai ter sorte durante a noite.


- , anda logo! - me gritou da sala. – Tá pior que mulher!
- É a merda desse cabelo que não fica bom! – gritei de volta. Bufei, passando os dedos pelo meu cabelo tentando arrumá-los, mas sem muito sucesso. Dois minutos depois, apareceu na porta do quarto, cruzando os braços e batendo o pé. – Em vez de brigar comigo, me ajuda, né?
- Vem cá, sua donzela! – ela riu, me puxando pela mão, fazendo-me sentar na cama, parando a minha frente e arrumando meu cabelo. Sorri, vitorioso. – Você só faz isso porque sabe que eu vou acabar arrumando depois, né?
- Sim! – confessei, rindo. Ela revirou os olhos, rindo também. Eram sete horas da noite de uma sexta-feira, combinamos de ir jantar na casa dos pais de . Eu evitei ao máximo esse momento, mas é chegada a hora. disse que vai tentar contornar assuntos que eu supostamente deveria saber, espero que dê certo.
- Prontinho, senhor vaidoso! – falou, apertando meu nariz como se eu fosse uma criança. Fiz uma careta, levantando-me. – Vamos?
- É, acho que sim! – concordei, apreensivo.
- Calma, amor, vai dar tudo certo. – tentou me acalmar, segurando em meu rosto. – Meus pais sempre te amaram.
- Ok. – assenti, segurando em sua cintura e aproximando nossos rostos. Selei nossos lábios rapidamente. – Vamos logo! – a puxei pela mão para fora de casa, entrando no carro e seguindo, finalmente, para a casa dos . A casa era grande, porém parecia ser aconchegante. O jardim era bem cuidado, as portas brancas e as paredes de tijolinhos muito bem feitos. Uma típica casa britânica. Respirei fundo, estacionando o carro e descendo, em seguida. tocou a campainha e aguardou, segurando em minha mão. Um minuto depois a porta foi aberta pela mesma jovem senhora de cabelos castanhos e olhos verdes, que eu me lembrava da festa dos meus pais.
- Queridos! – falou animada. Sorri sem jeito. a abraçou forte, beijando o rosto da mãe. – Que saudades, filha. Nem parece que vive na mesma cidade que eu.
- Desculpa, mãe. – pediu, sorrindo amarelo. – Estava muito ocupada esses dias.
- Pois arranje um tempo para a sua velha mãe. – falou em repreensão, mas com um tom de brincadeira. - , meu filho!
- Oi, Nick! – cumprimentei, chamando-a pelo apelido, assim como disse que eu fazia. – Como vai?
- Vou bem, querido. – segurou minhas mãos, apertando-as de leve. Sorri. – Bem, entrem, seu pai está assistindo um jogo na TV, como sempre. – revirou os olhos, nos fazendo rir. Isso me lembrou muito .
- Ah, pai! - falou, rindo. Encaminhamo-nos para a sala, onde logo puder ver o senhor sentado confortavelmente em uma grande poltrona. – Richard!
- Minha abelhinha! – o senhor falou animado, levantando-se rapidamente. riu, jogando-se nos braços do pai.
- Quanto tempo não ouço esse apelido. – falou, enquanto ainda abraçava o pai.
- Ele está sempre na minha memória. – riu, soltando-se dela. – Não é todo dia que você fica com o rosto inchado por ter sido picada por uma abelha.
- Eu tinha seis anos, pai. – ela riu, revirando os olhos como a mãe havia feito minutos antes. Ri com a semelhança.
- Pra mim, você sempre será minha abelhinha! – sorriu, beijando a bochecha da filha. Girou os olhos até mim, sorrindo largamente. - , meu companheiro!
- Fala, Richard! – ri nervoso ao ver o senhor alto, um pouco acima do peso, alguns cabelos grisalhos, mas um sorriso enorme se aproximar. Ele me abraçou forte, e eu pude sentir que realmente aquela família me amava. Senti amor, mas me senti um impostor ali.
- Está me devendo vinte libras pela aquela aposta. – avisou, apontando para mim e rindo. – Mas hoje eu vou deixar passar. Hoje vamos apenas jantar e conversar.
- Valeu, Richard! – ri, parando ao lado de , entrelaçando os dedos aos dela. Ela me dava algum tipo de força, não sei explicar. Ela apertou seus dedos aos meus.
- Mãe, quer alguma ajuda na cozinha? – perguntou. Dominick negou, sorrindo.
- Já está pronto, meu amor. Só estávamos esperando vocês! – avisou, abrindo caminho. – Vamos para a sala de jantar. – pediu, apontando o caminho, que fez me levando junto. Os pratos e talheres estavam postos à mesa. escolheu um local e eu me sentei ao seu lado. - , como está a Sue?
- Está bem, cuidando dos filhos e do marido. – ri, lembrando que minha mãe sempre dava essa resposta quando perguntavam se ela estava bem.
- Mande um abraço meu para ela. – assenti. – Precisamos ir visita-los em breve, Ric!
- Concordo, querida. – Richard falou, sentando-se também. – James e eu precisamos marcar aquele jantar para assistir aquele campeonato.
- Você só pensa em futebol, pai? - riu, observando a mãe trazer uma panela e colocar sobre a mesa.
- Estou velho, querida. – deu de ombros. – Não me resta muita coisa para fazer.
- Você não está velho, senhor ! – o repreendeu, balançando a cabeça, negativamente. – Mas seria bom fazer uma caminhada para ajudar na circulação e no coração. Mãe, a senhora tem que levar ele quando for.
- Acha que eu não tento, ? Mas seu pai é cabeça dura demais! – deu de ombros, colocando a ultima panela sobre a mesa. – Fiquem à vontade para se servir.
- Hmm, o cheiro está ótimo, sogrinha! – falei, fazendo sorrir. É, ela chamava minha mãe assim, o que me dava o direito também.
- Fiz o seu prato favorito, . – avisou, sentando-se, enfim. – Carne ao molho vermelho. – sorri, pois realmente eu gostava.
- Por que ele ganha o prato favorito, e eu não? - reclamou, cruzando os braços.
- Tudo bem, . Eu divido com você! – falei, rindo, beijando seu rosto.
- Engraçadinho. – riu, dando um tapinha de leve na minha coxa.
- Vai esfriar, vamos comer! – falei, sentindo minha barriga roncar. O jantar foi muito agradável. Os pais de são ótimos; ri muito com o pai dela e me senti em casa com a hospitalidade da mãe. Mais tarde, após o jantar, Dominick fez um chá e nos serviu, estava delicioso.
- Então, quando é o casório? – Richard perguntou, direcionando o olhar pra mim. Engasguei com o chá, tossindo algumas vezes. – Calma, filho! – pediu, dando tapinhas nas minhas costas.
- Pai, não vamos entrar nesse assunto de novo. - pediu, lançando um olhar de reprovação ao pai, que deu de ombros, dando-se por vencido. – Bom, nós temos que ir, né, ?
- Ahm, é, claro! – assenti ainda meio atordoado. Deixei a xícara sobre a mesa e me levantei, seguido por e seus pais. – Obrigado pelo jantar, Nick, estava tudo muito gostoso.
-Imagina, querido! – me abraçou. – Apareça sempre que quiser, você faz parte da família.
- Obrigado. – sorri, retribuindo o abraço.
- Até a próxima, ! – Richard falou, abraçando-me de lado.
- Até, Richard! – sorri, dando um tapinha no seu ombro.
- Tchau, minha princesa! – Dominick abraçou a filha. – Venha nos visitar logo.
- Prometo que venho, mãe. - sorriu, beijando a testa da mãe. Ela sorriu e abraçou o pai, sendo retribuída. – Até mais, grande Ric!
- Se cuida, abelhinha! – pediu, soltando-se dela. Acenamos e, finalmente, voltamos para o carro, rumando em direção a nossa casa. ficou calada o caminho todo, estranhei.
- Está tudo bem? – perguntei, assim que paramos num semáforo. Ela suspirou, assentindo.
- Tá sim, acho que só estou cansada! – sorriu, encostando-se ao banco. – Você gostou dos meus pais?
- Sim, eles são ótimos, . – falei verdadeiramente. – Você teve a quem puxar!
- É, eles são pessoas maravilhosas! – sorriu, fitando a rua. – Sinto saudades deles.
- , não se prenda a minha falta de memória. – falei sério, oscilando entre olhar para ela e para rua. – Você pode e deve ir visitá-los sempre.
- Eu sei. – falou somente. – Eu farei isso.
- Tenho que ir visitar a minha mãe também. – falei, lembrando-me que ainda não havia falado com ela essa semana. Seguimos o restante do caminho conversando sobre coisas aleatórias, ligou o rádio e começou a cantar algumas músicas de rap que passavam, mas ela mesmo começava a rir, porque era rápido demais e ela se atrapalhava toda. Eram dez e pouco da noite quando chegamos em casa. Resolvemos ter uma sexta-feira tranquila como um casal normal. Sem festas, nem bebidas e nem barulho. Optamos por assistir TV debaixo do edredom, porque começava a ficar frio. Trocamos nossas roupas por algo mais confortável, e logo estávamos deitados no sofá, no escuro, debaixo de coberta e assistindo um filme que passava. Amanhã seria um dia longo, não sabia o que me esperava, só podia torcer para que eu não me arrependesse depois.

Capítulo 10



- Maninha, seja uma boa irmã e faça uma pipoca pra gente. - pedi, deitado no sofá da sala da casa dos meus pais. Blue riu.
- Vai sonhando, maninho. - falou, jogando a almofada em mim. - Faz você!
- Eu sou visita, Blue! - tentei justificar.
- Ah, cria vergonha, . - mandou, voltando a prestar atenção na série da MTV que passava na tv. - Pai, fala para o seu filho largar de ser folgado.
- Vocês dois parem de brigar! - meu pai falou, sem levantar o olhar do seu jornal, enquanto estava sentado no outro sofá. - Não tem nenhuma criança aqui.
- Tinha que colocar o papai no meio? - falei, jogando a almofada de volta nela.
- Ei! - reclamou, segurando a almofada depois que atingiu seu rosto. - Eu vou chamar a mamãe.
- Crianças! - meu pai resmungou baixo, irritado. - Vou contar até três, se vocês não pararem de brigar, eu vou colocar os dois para lavarem meu carro.
- O quê? - perguntei alto, rindo. - Pai, eu não tenho mais dez anos.
- Então pare de agir como se tivesse. - avisou, fitando-me. Rolei os olhos, assentindo. - Bom menino. - falou e voltou a ler o jornal.
- Por que você tá aqui mesmo? Cadê a ? - Blue perguntou, direcionando o olhar pra mim.
- Ela tá numa reunião na revista. - avisei, cruzando os braços e fitando a tv.
- Tá explicado, então. - deu de ombros. - Tá irritadinho porque tá longe dela.
- Fica quieta, Blue! - mandei, revirando os olhos. - Vai atrás do seu namoradinho lá.
- Você não manda em mim! - rebateu.
- Chega! - meu pai falou alto, chamando a nossa atenção. - Vocês dois, lá fora, agora!
- Mas pai… - ela tentou, fazendo aquela carinha de “filha mais nova” que ela sempre fazia.
- Sem mais, andem logo! - avisou. - Quero aquele carro brilhando quando terminarem! - bufamos, nos levantando e rumando para a fora. Pegamos os materiais para limpar o carro do senhor James, que ele tinha muito ciúmes, por sinal, e fomos começar a lavar.
- Viu o que você fez? - Blue resmungou, irritada.
- Eu? Você que ficou me enchendo o saco! - rebati, indo encher o balde de água.
- Porque você sempre me enche o saco primeiro! - ela falou, revirando os olhos, pegando as duas esponjas e entregando uma para mim. - Você me odeia, só pode! - suspirei, pegando o balde e colocando perto de nós dois.
- Acho que é normal a gente brigar. - dei de ombros. - Somos irmãos, faz parte. Mas isso não quer dizer que eu te odeie. - expliquei, passando a esponja no carro, sendo observado por Blue. - Você é minha irmã mais nova, é meu dever te encher o saco. - ri, fazendo-a rir junto. - Mas você sabe que eu te amo, baixinha. - falei, passando espuma na ponta do nariz dela. Ela sorriu.
- Te amo também, seu chato! - me abraçou de lado. - Anda logo, vamos deixar isso aqui um brinco, se não o papai nos mata!
- Cadê a mamãe pra defender a gente? - perguntei. Blue riu, porque sabia que era verdade, ela sempre nos defendia do nosso pai.
- Ela tava no quarto conversando no telefone com a tia Lily. - avisou, jogando um pouco de água no capô do carro. Assenti, continuando a lavar a minha parte do carro. Mordi o lábio, pensando em uma pergunta perigosa.
- Blue, você se lembra da Claire? - perguntei, fitando-a, esperando sua reação. Ela fez uma careta.
- Aquela sua ex chata? Claro que lembro! - avisou, dando de ombros.
- Ela não era chata. - falei. Blue me fitou, levantando a sobrancelha.
- Claro que era! - rebateu, balançando a cabeça, indignada. - , eu tentava me aproximar dela, mas ela sempre me cortava. - falou, como se fosse óbvio. - Quantas vezes eu tentei ter uma conversa normal com ela, mas ela sempre me deixava falando sozinha, mudava de assunto ou corria de mim? Acabei cansando e a deixando de lado. - deu de ombros. - Até porque eu lembro do término de vocês.
- Você lembra? - perguntei, prestando atenção no que ela dizia. Ela assentiu, suspirando.
- Sim. Você chegou arrasado aqui em casa! - mordeu o lábio, me fitando. - Acho que nunca tinha te visto tão derrotado quanto aquele dia. Você ficou uma semana se afogando no álcool.
- É, foi barra! - concordei, passando a mão molhada no cabelo. - Acho que nunca entendi direito como tudo aconteceu.
- Não fica pensando naquela mocréia, . - pediu, apontando o dedo pra mim. - Isso não é saudável. Esquece aquela mulher! Nem sei porque você tá lembrando dela agora. Isso já faz tanto tempo!
- Verdade, muito tempo mesmo. - ri sem graça. Balancei a cabeça, espantando os pensamentos e voltando a focar no carro. - Esquece isso.
- É, acho melhor mesmo. - Blue falou, fitando o portão de casa. - Sua namorada tá vindo aí. - visualizei se aproximar, rindo.
- Que milagre é esse? - ela riu, nos observando incrédula. - Já sei, o Jimmy obrigou vocês, certo? - nós assentimos. - Brigaram? - assentimos novamente, sem jeito. - Eu sabia!
- Culpa do , é claro! - Blue falou, rolando os olhos. - Oi, !
- Oi, princesa! - falou, sorrindo e se aproximando dela, abraçando-a meio desajeitado para não se molhar. Se soltou da minha irmã e se aproximou de mim. - Não vou te abraçar porque você tá muito molhado.
- Eu tô sexy! - falei, jogando uma piscadinha pra ela. revirou os olhos, rindo.
- Eu vou fingir que não ouvi isso e vou cumprimentar os meus sogros. - avisou, se afastando de mim.
- Eu vou terminar aqui e nós vamos, ok? Eu tenho a festa mais tarde! - avisei, e ela assentiu.
- Ok, vou lá dentro rapidinho! - avisou, entrando e sumindo por lá.
- Viu? Isso sim que é cunhada! - Blue falou, apontando o local onde estava antes. Ri, jogando água nela.
- Fica quieta, pirralha! - mandei. Ela soltou um gritinho, jogando água de volta.
- Para, ! - pediu alto. - Vamos terminar isso logo, por favor.
- Vai, vamos logo! - falei, voltando ao serviço. Minutos mais tarde, secamos o carro, mas estávamos ensopados. Entrei na casa e fui atrás de , que estava na cozinha, tomando chá e conversando com os meus pais. Sorri, aproximando-me dela por trás e a abraçando. Ela soltou um gritinho de nojo.
- Arght! Sai, ! - pediu, tentando se soltar.
- Nope! - falei, beijando sua bochecha. Minha mãe riu.
- Você tá sujando a menina toda, filho. - avisou.
- Tô nada. - falei, soltando-me dela. - Vamos?
- Vamos, sim! - assentiu, levantando-se. - Depois a gente continua o papo, pessoal.
- Volte depois, . - meu pai pediu, sorrindo e abraçando a minha mãe.
- Volto sim! - concordou, passando a mão no vestido, tentando limpar onde eu sujei. Eu apenas ri.
- Não vai adiantar limpar assim, . - dei de ombros, observando-a ri, balançando a cabeça.
- Vamos logo, ! - falou, puxando-me pela mão. - Tchau, sogrinhos! - acenou, e recebeu sorrisos e acenos de volta. Logo estávamos dentro do carro, indo de volta para a casa. foi dirigindo já que ela estava com o carro hoje. Antes de ir para a reunião ela me deixou na casa dos meus pais e agora foi me buscar.
- Foi tudo bem na reunião? - perguntei, sentando-me direito no banco. Ela assentiu, sem tirar a atenção do trânsito.
- Foi bom! - falou, dando de ombros. - A vai lá pra casa mais tarde quando o for te buscar.
- Beleza! - concordei. Fitei , ela estava calma, concentrada no trânsito; seu cabelo estava preso com uma caneta, ela tinha essa mania de prender com lápis ou caneta sempre que achava um por perto. Será que eu devo mesmo ir à essa festa? Mordi meu lábio, em dúvida, sem tirar meus olhos dela. não tinha ideia que a minha ex estaria lá. Muito menos que eu queria conversar com ela. Me pergunto se alguma vez eu já havia contado a ela sobre o meu passado?
- Ah, a Kat, lá da revista, viu a nossa foto na praia e disse que parece cena de filme. - contou, rindo. Ri junto. Era contagiante a risada dela. - Mas achei que ela olhou muito pra você. - rolou os olhos, e eu ri ainda mais. - “Nossa, seu namorado é bonito, né? Ele tem um irmão?” - falou, imitando uma voz chata. Imaginei que deveria ser a voz da tal Kat. - Atrevida!
- Isso tudo é ciúmes? - perguntei, levantando a sobrancelha. Ela deu de ombros, sem me olhar.
- Achei ela muito pra frente, só isso. - se defendeu, mordendo o lábio inferior com força. - Ok, e também é ciúmes.
- Ah, eu sabia! - ri, colocando a minha mão sobre o seu joelho. Ela riu, olhando-me rapidamente. - Linda!
- Vai começar! - balançou a cabeça, rindo. - Vê se não demora lá na festa hoje. Eu queria passar a noite agarradinha em você. - falou, fazendo manha. Ri, achando graça desse lado dela.
- Farei o possível, prometo. - falei, levantando a mão. - Palavra de escoteiro.
- Enquanto isso, a e eu vamos adiantar os preparativos do casamento. - avisou, estacionando o carro na garagem de casa.
- Já? - perguntei, surpreso. - Eles já escolheram uma data?
- Parece que estão em dúvida entre duas, mas devem decidir logo. - falou, pegando a bolsa no banco de trás e saindo do carro, fiz o mesmo.
- Cara, parece que está acontecendo tudo tão rápido! - falei mais para mim do que pra ela, mas ela concordou, abrindo a porta de casa.
- Nem acredito que esses dois vão se casar. - riu, jogando-se no sofá. - Estão virando adultos, meus bebês.
- Dúvido muito. - falei, jogando-me ao seu lado.
- Nem pensar, ! - ela tentou me empurrar. - Você tá molhado e fedido.
- Ei! - reclamei alto. - Eu não tô fedendo!
- Tá sim, anda, vai tomar banho! - falou, apontando para o lado do quarto.
- Tá parecendo a minha mãe. - rolei os olhos, me levantando. Ela riu, mostrando a língua em seguida.
- Sua mãe é gata, meu sonho parecer com ela. - rebateu, tirando os sapatos e colocando os pés sobre o sofá.
- Você também é gata, . - falei. Ela sorriu de lado, me fitando.
- Eu sei, baby. - e jogou uma piscada, me fazendo rir. Balancei a cabeça e fui para o quarto, tomar um banho e me preparar para mais tarde. Eu ainda não sabia direito o que ia falar para Claire, acho que só saberia quando estivesse cara a cara com ela. Suspirei, tirando minhas roupas úmidas, jogando-as no cesto de roupa. Entrei no box do banheiro e liguei o chuveiro, colocando a água no modo quente. Ouvi um assobio e virei o rosto para a porta. Sorri, observando encostada à porta, me fitando, enquanto mordia a unha do dedão.
- Quer entrar? - perguntei, molhando os cabelos. Ela sorriu, negando. - Certeza?
- Não. - e riu. - Mas se eu entrar aí, eu tenho certeza que nós vamos demorar.
- É, isso é fato! - concordei, rindo. continuava a me fitar. - Vai ficar me olhando mesmo?
- Não posso?
- Se continuar me olhando desse jeito, eu vou aí te buscar. - ameacei. Ela riu, revirando os olhos.
- Exagerado! - falou, desencostando-se da porta. - Eu vou preparar algo pra gente comer, então, seu tarado. - e saiu do banheiro. Ri, voltando ao meu banho, terminando-o rapidamente. Enrolei uma toalha na cintura e fui até a cozinha, terminaria de me arrumar depois de comer algo. - Ah, tenha misericórdia! - falou alto quando me viu. Largou o pedaço de queijo que estava cortando sobre a mesa.
- O quê? - parei de andar, levantando as mãos.
- Toalha, ? Só toalha? - perguntou, aproximando-se de mim.
- ! - ri, observando-a balançar a cabeça negativamente, enquanto andava a passos lentos até mim.
- Você não presta! - riu, puxando-me pelo nó da toalha. Sorri de lado, segurando em sua cintura. ficou nas pontas dos pés, encostando levemente os lábios aos meus... Quando a campainha da porta soou. - Droga!
- Eles chegaram cedo! - falei, soltando-me dela. concordou, andando até a porta.
- A me enviou uma mensagem enquanto você estava no banho, avisando que eles estavam vindo já. - explicou, indo abrir a porta, fui atrás. - Oi, amiga!
- Oi, meu chuchu! - pulou no pescoço de , que riu. Ela me olhou, levantando a sobrancelha. - Uh, o tema da festa é nudismo?
- Engraçadinha! - ri, balançando a cabeça.
- , se eu não fosse praticamente sua irmã, eu diria que te pegaria. - avisou, jogando uma piscada pra mim, que ri, jogando outra.
- EI! - e , que estava logo atrás da noiva, falaram uníssonos.
- Relaxa, amor, eu não pegaria ele, eu só pegaria você. - falou, abraçando o noivo de lado.
- Amor, até eu pegaria o ! - rebateu, me fazendo rir alto.
- Ok, estou com medo. É melhor eu ir me trocar! - avisei, apontando na direção do quarto. Ouvi apenas as risadas. Voltei ao quarto e fui atrás da roupa que usaria. Optei por uma calça escura e uma camisa azul clara. Me olhei no espelho e sorri, satisfeito. Passei os dedos pelo cabelo, tentando ajeitar, mas parece que só ela sabia arrumá-lo. Passei um pouco de perfume, peguei minha carteira e voltei para onde eles estavam.
- Que princeso! - falou, fazendo joinha. riu. E só agora eu havia percebido que ela tinha trocado de roupa. Ela trocara o vestido por um short jeans e um blusão de moletom meu. Cara, como pode uma garota ficar linda vestindo isso? É, ela ficava.
- Eu fiz uns sanduíches, se você quiser comer antes. - avisou, aproximando-se de mim com o prato com os sanduíches. - Sei que você não gosta de comer quando vai à esses eventos. - sorri, porque era verdade.
- Obrigado. - agradeci, dando um selinho rápido nela e pegando um. - Vocês querem?
- Eu não, eu tô na dieta da noiva! - avisou.
- Dieta? Aqueles três cupcakes hoje faziam parte da dieta? - perguntou, levando um tapa da amiga, em seguida. - Ai, sua grossa!
- Eu estava me despedindo, ok? Fica quieta, . - mandou, rolando os olhos. Nós rimos. Mulheres.
- Já sabem uma data para o casório? - perguntei, fitando meus amigos. fez uma careta.
- Estamos entre duas, mas até final do mês nós decidimos. - avisou, fazendo concordar.
- Sim, mas precisamos agilizar os preparativos em si. - ela avisou. - Por isso, já que estão os dois aqui, finjam surpresa e façam festa quando eu contar isso, então… - pediu, fitando o noivo, sorrindo, depois voltou a nos fitar. - Queremos que vocês sejam nossos padrinhos.
- Ahhh, amiga! - sorriu, abraçando . - Eu já sabia que seria a madrinha, mas eu te amo por ter convidado mesmo assim.
- Eu achei que eu fosse ser sua madrinha! - falei, fingindo espanto. Ela riu, mostrando o dedo. - BEST MAN! - falei alto. riu.
- BEST MAN! - me imitou e a gente bateu peito contra peito. - Claro que só poderia ser você, mano.
- Valeu, ! - abracei-o de lado.
- Terminou de comer, seu fresco? Melhor irmos, se não pegamos trânsito. - avisou. Concordei, terminando de engolir o último pedaço do sanduíche. Virei para , entrelaçando meus dedos aos dela, puxando-a para mais perto.
- Não demora, tá? - pediu, encostando o nariz ao meu.
- Farei o possível. - falei, sorrindo. Beijei sua testa e depositei um beijo rápido em seus lábios. - Se cuidem!
- Vocês também! - pediu, me dando um selinho. - Não bebam muito, hein? - pediu, fitando .
- Por que você tá olhando pra mim? O bêbado é o seu namorado! - rebateu.
- Cala a boca, vamos embora! - pedi, empurrando meu amigo para fora. - Tchau, garotas!
- Juízo! - gritou enquanto nos afastamos. - Amo vocês. - ouvimos antes de sair e fechar a porta atrás de nós.
- Pronto? - perguntou, fitando-me. Assenti. - Você vai falar com ela mesmo?
- Pretendo. - confessei. - Primeiro eu preciso vê-la.
- Você que sabe. - deu de ombros. Finalmente rumamos para a festa, era um pouco distante de onde estávamos, mas encontrámos fácil. Assim que chegamos vimos uma galera na frente do local, estava bem badalado. Demos nossos nomes para a hostess e logo ela liberou nossa entrada. O lugar estava incrível! Várias luzes brilhavam no local meio escuro, vários garçons, música dançante e a logo da marca de cerveja ao fundo, junto com uma pilha delas espalhadas pelo local. Um garçom se aproximou de nós.
- Senhores, aceitam uma College Bros? - ofereceu. Sorrimos, aceitando uma long neck cada. A cerveja era realmente boa.
- Olha, o Hayden e o Charlie, os donos da marca. - avisou, apontando discretamente para mais a frente de nós. Observei dois caras conversando animados. Reconheci um deles do show do John Mayer, quando ele estava abraçado a Claire. - O moreno é o Hayden, namorado da Claire. - explicou como se lesse meus pensamentos. - Eles são pessoas boas.
- Vamos até lá cumprimentá-los. - pedi, andando e sendo seguido por .
- , que bom que você veio! - o tal do Hayden falou animado assim que viu meu amigo. Cumprimentou-o com um aperto de mão, depois virou-se para mim. - Você deve ser o , certo?
- Isso mesmo. Prazer! - falei, estendendo a mão, que ele aceitou prontamente.
- Eu sou Hayden e esse é o meu amigo, Charlie. - apertei a mão dele também.
- Então, gostando? - o tal Charlie falou, apontando para a garrafinha de cerveja nas nossas mãos.
- Sim, muito boa! - falou, sendo sincero. - Parabéns, caras.
- Valeu! - Hayden agradeceu, satisfeito. - Ah, minha rainha! - ele falou, olhando para alguém atrás de mim, sorrindo. Respirei fundo com medo de me virar. Tomei um gole da cerveja, bem grande, diga-se de passagem e me virei. Lá estava ela. Sardinhas nas bochechas, cabelo ruivo preso, olhos verdes brilhantes e um batom vermelho nos lábios, que combinavam com o vestido que vestia da mesma cor. Ela sorriu, fitando-me.
- Oi, ! - ela falou, me acordando do meu transe.
- Oi, Claire! - respondi, acenando com a cabeça.
- Oi, ! - ela sorriu para ele, cumprimentando-o com um beijo no rosto. - Como vai?
- Bem, e você? - respondeu, sorrindo.
- Bem também. - me olhou de lado, depois sorriu, virando-se para o namorado. - Baby, a festa tá arrasando! - falou animada, indo para o lado de Hayden, que sorriu, beijando bochecha dela.
- Não vou nem apresentá-los, porque Claire me disse que são amigos de longa data. - Hayden falou, olhando para mim.
- Ah, é. Nos conhecemos há um tempo! - falei, rindo sem graça e tomando um gole da cerveja. Claire segurou um riso, mordendo o lábio inferior.
- Olha, Hayden, os Wilsons vieram! - Charlie cutucou o amigo, apontando para um grupo mais a frente.
- Preciso fazer um social, se me dão licença! - Hayden pediu. - Amor, fica aí com seus amigos, eu já volto. - ela assentiu, observando o namorado partir e sumir pela festa. pigarreou, chamando nossa atenção.
- Vou dar uma volta, eu acho que vi um velho conhecido. - avisou, lançando-me um olhar de “tô te dando a deixa, mas não faz merda.” Assenti, vendo-o se afastar também, deixando apenas eu e Claire, cara a cara.
- Ahm, então, como tá a vida? - perguntei, tentando ser casual. Ela riu.
- Tá bem, as coisas vão indo bem. - deu de ombros. - E a sua?
- Está bem, eu acho. - fui sincero. - Está há muito tempo com o Hayden?
- Estamos juntos há seis meses. - falou, balançando a cabeça. Ela riu. - Por que estamos nos tratando como se fossemos dois desconhecidos? - riu mais uma vez. - Vem cá, ! - e me puxou para um abraço, assim, simples, do nada. Deixei Claire se aninhar em mim, abraçando meu pescoço. Não tive muita reação, minhas mãos estavam paradas, mas sem pensar muito, deixei-as envolver sua cintura. Suspirei, inalando o cheiro do seu cabelo.
- Você ainda usa xampu de lavanda. - comentei. Ela riu, desencostando o rosto do meu corpo e me fitando.
- É o meu preferido.
- É o seu preferido. - repeti, sabendo exatamente que era. - Lembro de acordar sentindo esse cheiro todos os dias. Eu gostava.
- É, eu sei. Eu também gostava daquele seu perfume com cheirinho de hortelã, depois do banho. - comentou sorrindo.
- É, eu mudei. - falei enfim.
- As coisas mudam, é normal. - sorriu triste, se afastando de mim. - Ainda está com aquela menina? Qual o nome dela mesmo?
- A ? - ela assentiu. - Sim, estamos juntos.
- Puxa, está durando! - falou surpresa. - Espero que esteja feliz.
- Ela é uma garota incrível! - falei, sendo sincero. E realmente era. - Passei por uns problemas recentemente, e ela esteve ao meu lado o tempo todo. - suspirei lembrando-me da paciência que tem e teve comigo.
- Ei, quer tomar alguma coisa diferente de cerveja orgânica? - ela ofereceu. Assenti. Ela sorriu, puxando-me pela mão pelo local até chegar numa mesa onde havia dois barmen fazendo drinques. - Já sei, você não curte drinques, mas eles tem whisky também, e eu sei que você gosta. - avisou, virando para um dos caras a sua frente. Debruçou-se sobre o balcão e pediu algo a ele, que não pude ouvir direito devido a música alta. Minutos depois, ele colocou dois copos sobre o balcão, servindo-os com whisky. Claire pegou os copos e entregou um a mim. - Um brinde a esse reencontro! - falou, levantando o copo.
- Um brinde! - falei, batendo o copo no dela. Bebemos o conteúdo quase todo de uma vez, fazendo uma careta logo após.
- Não vale fazer careta! - ela falou, olhando minha cara quando terminei de beber. - Se lembra da festa do Joshua? Você bebeu tanto whisky que vocês dois correram pela rua só de cueca no frio de Londres. - nós rimos.
- Cara, aquele dia foi louco! - falei, lembrando-me perfeitamente. - Ele ainda me deve um tênis novo, já que ele perdeu um pé aquele dia. - sorri. - Como ele está?
- Está bem, daquele jeito largado dele, mas bem. - deu de ombros, bebendo seu whisky. - Perguntou de você esses tempos atrás.
- Perguntou? - perguntei, levantando a sobrancelha. - O que ele perguntou?
- Perguntou quando iríamos ficar juntos de novo. - deu de ombros. - Ele estava bêbado, sei lá. - avisou, fitando-me.
- Você respondeu o quê? - perguntei, interessado. Ela mordeu o canto da boca, desviando o olhar.
- Que não sabia se um dia você me perdoaria. - fitou-me novamente, estudando a minha reação.
- Claire… - falei baixo.
- Eu sei, eu ferrei com o nosso relacionamento, ok? - falou mais alto, fazendo-me a ouvir. - , eu me arrependo de ter feito aquilo, de ter saído assim. Eu tentei várias vezes ir atrás de você, pedir perdão, mas não parecia que eu merecia isso.
- É, você acabou com a minha vida. - ri sem humor, tomando o restante do conteúdo do copo. - Eu fiquei dias sem saber o que tinha acontecido, o que eu tinha feito de errado pra você me deixar.
- Me desculpa, por favor. - pediu, segurando minha mão. - Eu era imatura, não sabia o que queria.
- Claire, você jogou um relacionamento de anos fora por puro capricho! - falei mais alto.
- Não era capricho, eu precisava me entender antes de seguir a vida. - ela rebateu. - Mas agora eu sei, , eu sei que eu errei, eu sei como as coisas funcionam, sei que você foi a pessoa que mais me fez feliz durante todo esse tempo. - sorriu triste. Suspirei, soltando nossas mãos. - Você precisa entender que eu precisava juntar as partes que faltavam de mim antes de me unir a você, completamente. - continuou a se explicar. - Eu juntei, eu me encontrei, ! E tenho absoluta certeza que a parte mais feliz da minha vida foi ao seu lado. - sorriu, aproximando-se de mim novamente. - A parte em que eu mais fui amada. - eu ia a interromper, mas ela continuou. - Eu só deixei escapar. - respirou fundo, fitando-me intensamente. - Olha, eu sei que é muita coisa pra digerir assim, de uma vez, mas vamos nos encontrar fora daqui, vamos conversar, por favor?
- Não sei se é uma boa ideia. - fui sincero. Ela assentiu.
- Eu sei, parece ridículo. - riu. - Mas não é, ok? Por favor, me dá uma chance? Vamos conversar.
- Ei, tá tudo bem aqui? Me pareceu ter ouvido uns gritos! - chegou rapidamente, perguntando. Fitei Claire, que não tinha tirado os olhos de mim.
- Tá tudo bem, sim. - falei, suspirando. - Acho melhor irmos embora, .
- Sério? Ok, você que manda! - me olhou, em dúvida, mas assentiu. - Tchau, Claire! - acenou. Claire sorriu fraco, acenando de volta. deu alguns passos na frente. Ia me virar para ir embora, quando Claire segurou meu braço, fitei sua mão ali e depois seu rosto.
- Por favor! - pediu mais uma vez. - Amanhã, Parlez-vous Café, às nove? Eu vou estar te esperando. - avisou.
- Ok, Claire! - balancei a cabeça, concordando. - Agora me solta.
- Desculpa. - pediu baixo, soltando-me. Aproximou-se de mim e beijou demoradamente a minha bochecha. - Até amanhã. - nada respondi, apenas a fitei uma última vez e virei as costas, indo atrás de . Corri para fora do local, precisava de ar urgente. Quando o vento gelado bateu no meu rosto, eu me senti vivo de novo. Busquei ar, respirando rápido, apoiando as mãos nos joelhos.
- Cara, tá tudo bem? - correu até mim, colocando a mão nas minhas costas.
- Eu não estava preparado para isso, . - fui sincero, levantando-me e fitando-o. - Eu juro que não.
- Calma, , vamos procurar outro lugar. - pediu, me guiando até o carro.
- Eu não posso ir pra casa agora. - falei assim que entrei no carro. assentiu, ligando o carro.
- Vamos lá pra casa até você se acalmar, ok? - avisou e eu assenti, suspirando e passando as mãos no cabelo, bagunçando-o. - Me explica o que aconteceu lá dentro! - pediu, e eu contei tudo durante o caminho para a casa dele. Assim que ele estacionou, soltou: - Porra!
- É. - disse apenas.
- E você vai mesmo encontrar com ela? - perguntou saindo do carro, fiz o mesmo.
- Eu disse que ia. - falei, seguindo-o até a entrada de sua casa. - Eu meio que já sabia que essa primeira conversa ia ser turbulenta, muitos sentimentos para colocar pra fora de uma vez. - suspirei alto, entrando na casa dele, andei até o armário de bebidas e peguei uma garrafa de tequila. - Ela disse que estava arrependida de ter me deixado.
- , ela vai falar qualquer coisa pra ter você de novo. - ele avisou, tentando pegar a garrafa da minha mão. - Você não pode beber desse jeito.
- Me deixa! - falei, abrindo a tampa e bebendo uma quantidade considerável do conteúdo. Senti descer queimando pela minha garganta, me fazendo arrepiar.
- Não, ! - falou alto, tomando a garrafa de mim. O fitei, sentindo meu rosto queimar.
- Eu ia casar com ela, . - falei baixo, sentindo meus olhos arderem. - Eu tinha planejado uma vida com aquela mulher.
- Eu sei. - ele falou simplesmente, esperando, não sei, as minhas emoções saírem de vez. Me joguei no sofá, cobrindo meu rosto com as mãos, molhando-as com as minhas lágrimas. Senti sentar ao meu lado. - Eu sei que você esperava mais dela, eu sei que você sofreu muito quando ela foi embora, eu sei também que você nunca superou completamente toda essa história. - ele suspirou, continuando. - Mas sabe também do que eu sei? - o fitei, esperando ele responder. - Sei que você conheceu uma garota incrível e que faria tudo por você.
- . - disse baixo, limpando meu rosto.
- É, a . - repetiu. - E, na minha opinião, você será um idiota se deixar ela escapar.
- Eu sei que você é team , . - avisei, assistindo-o balançar a cabeça, concordando.
- Mas sou team também. - avisou. - Eu quero que você seja feliz, meu irmão. - de um tapinha nas minhas costas. - Só isso. - respirei fundo, jogando minha cabeça no encosto do sofá, sentindo o teto rodar. Ótimo, o efeito da bebida estava acontecendo.
- Droga! - resmunguei. Ouvi um barulho de mensagem de celular, baixo, girei a cabeça e vi pegar o celular no bolso. Ele sorriu. - O que é?
- Dá uma olhada! - e virou a tela do celular para mim. Na tela havia uma foto de e na cozinha, as duas segurando uma taça de vinho cada. sorria para câmera, enquanto fazia uma careta. Tinha uma mensagem embaixo: “Se vocês podem, a gente também pode.”. Sorri.
- A também nunca gostou muito da Claire, né? - perguntei, fitando-o.
- Ela gostava, mas depois que a Claire te deixou, foi instantâneo pegar raiva dela por tudo o que houve. - deu de ombros. - Mas obviamente que a tem uma amizade leal com a , então…
- É, eu sei. - falei baixo. - Tá tudo girando.
- Ninguém mandou você beber quase meia garrafa de tequila de uma vez, ! - avisou em tom de reprovação. - Como eu vou te levar pra casa assim? O que eu vou falar pra ?
- Não se preocupa, eu sei me virar. - suspirei. - Só me leva pra casa.
- Tem certeza? Nós podemos esperar mais um pouco. - ele tentou me impedir quando fui me levantar, mas acabei sendo mais rápido, quase cai, mas me pus de pé.
- Não, tudo bem. Só vamos. - ele concordou a contragosto. Logo estávamos de novo dentro do carro, indo de volta para a minha casa. O caminho inteiro fomos em silêncio. Minha cabeça girava literal e figuradamente com todas as informações que recebi essa noite. Eu só precisava de um colo, e mesmo que sabendo que isso era errado, eu precisava do colo dela. . Assim que chegamos, respirei fundo antes de sair do carro. - Eu tô fedendo álcool?
- Com certeza, né? - foi óbvio. - Mas elas sabem que a gente ia beber no evento.
- Ok. - concordei, andando lentamente até a porta de casa, abrindo-a, em seguida. Ouvi risadas vindo da cozinha, nos aproximamos. e estava sentadas à mesa, da mesma forma que estavam na foto, tomando vinho e rindo. sorriu ao me ver.
- Já voltaram? Estava tão ruim assim? - perguntou, fitando o noivo.
- É, o não estava se sentindo muito bem. - ele avisou. Fiz uma careta. se levantou imediatamente, vindo ao meu encontro com o semblante preocupado.
- O que você tem? - perguntou, aproximando-se. - Álcool eu sei que tem. - falou assim que sentiu o cheiro.
- Nada demais, só um mal estar. - falei. Ela me observou, levantando a sobrancelha.
- Bom, nós já vamos indo, né, amor? - avisou, fitando a noiva, que assentiu, levantando-se também.
- Tudo bem. - concordou, postando-se ao lado de . - Se cuidem! Se precisar de algo, me liga, . -
- Ok, obrigada! - abraçou a amiga, beijando sua bochecha.
- Tchau, feioso. Melhoras! - ela falou, acenando pra mim, que sorri sem graça, acenando de volta. beijou a testa de e sussurrou algo no ouvido dela, que apenas balançou a cabeça, concordando.
- Até mais, cara. - deu um tapinha no meu ombro. Enquanto os acompanhava até a porta, eu me joguei no sofá, fitando a TV desligada. Minutos depois, senti o corpo quente de sentar ao meu lado. Ela nada disse. Fechei os olhos sentindo o perfume emanar do seu corpo. Abri os olhos, girando a cabeça até encontrar seus olhos preocupados e curiosos sobre mim. Me aproximei dela, deixando meu rosto se aninhar em seu peito. Ela suspirou, afagando meu cabelo. Fechei os olhos novamente, sentindo uma sensação de alívio. Toda aquela turbulência se esvaindo.
- Eu tô aqui. - ela sussurrou. - Eu não sei o que houve, mas eu tô aqui. - apertei minhas mãos em volta da sua cintura, apertando meus olhos também, fortemente. Eu era um babaca, eu tinha certeza disso. Tinha certeza também que eu iria acabar machucando uma das pessoas mais incríveis que eu já conheci.

Capítulo 11




Peguei o bule de café, da cafeteira, despejando o conteúdo numa caneca grande. Suspirei, sentando-me à mesa, encarando o nada. Olhei para o relógio de parede marcando oito e trinta e sete. Balancei a cabeça, negativamente. Será que Claire iria mesmo aquele café? Esperava mesmo que eu fosse? estava dormindo depois de uma noite agitada. Eu não consegui dizer a ela o real motivo de eu estar daquele jeito, acabei por dizer que eram coisas sobre a perda de memória. Não sei se ela engoliu, mas depois de horas se remexendo na cama, ela dormiu. Eu me sinto péssimo por ter mentido pra ela, eu sei que ela não merece, talvez eu não a mereça. Batuquei os dedos na caneca, me sentindo acelerado. Ouvi passos se aproximando e levantei o olhar, fitando entrando devagar na cozinha.
- Bom dia. - falou, andando até o armário e pegando uma caneca.
- Bom dia. - respondi, bebendo meu café logo em seguida.
- Está se sentindo melhor? - perguntou, parando ao meu lado, pegando o bule e despejando café em sua caneca.
- Acho que sim. - falei, fitando-a. Ela me olhou de volta, assentindo.
- Que bom! - sentou-se à minha frente, tomando seu café. Olhei novamente o relógio, batucando os dedos na caneca. - Vai sair hoje? - perguntou, fazendo-me fitá-la. tinha o olhar curioso, talvez tentando me decifrar. Expirei, negando com a cabeça.
- Não, eu vou ficar em casa…. - sorri. - Com você.
- É? Eu gosto disso. - sorriu de volta, tomando o café em seguida. - A gente pode assistir filmes o dia inteiro.
- Por mim, tudo bem. Eu deixo você escolher os filmes. - falei, jogando uma piscada pra ela, que riu, levantando a sobrancelha.
- Vai deixar eu escolher os filmes? - perguntou, desconfiada. Assenti com a cabeça. - O que você fez?
- O quê?
- Você nunca me deixa escolher todos os filmes. - continuava a me olhar, desconfiada. Abri a boca e fechei algumas vezes, sem emitir som.
- Eu só estou sendo bonzinho, só isso. - falei enfim, dando de ombros.
- Ok, eu não vou questionar, se não você muda de ideia. - falou rápido, se levantando. - Eu vou tomar um banho e já venho pra gente começar a assistir.
- Traz o edredom, tá frio hoje. - pedi, e ela assentiu, saindo da cozinha em seguida. Olhei novamente o relógio. Oito e cinquenta e cinco. É, eu não ia a lugar nenhum.


ria do ator do filme que passava na TV, me fazendo rir mais pela sua risada do que pelo filme em si.
- Nem é tão engraçado assim, vai. - falei, cutucando-a.
- Então, por que você tá rindo? - perguntou, sorrindo de lado. Sorri, puxando-a para mais perto de mim, ficando entre minhas pernas.
- Porque você tá rindo e isso me faz querer rir também. - confessei. Ela mordeu o lábio inferior, sem jeito. - Sua risada é fofa.
- Fofa como uma hiena? - rolou os olhos, rindo.
- Não, fofa como um panda rolando na grama. - falei, observando-a rir mais uma vez.
- Adorei a comparação. - sorriu, depositando um selinho rápido nos meus lábios. Meu celular acendeu a tela sobre a mesa, indicando uma nova mensagem. Estiquei a mão para alcançá-lo, visualizando a tela. Número desconhecido. Franzi o cenho, abrindo a mensagem, enfim.

“Eu fiquei te esperando, mas você não foi. :( Eu sei que você ainda tá chateado, mas não faz isso, vamos conversar direto. A gente tem uma história juntos, passamos tantos momentos bons juntos.
xo Claire.
PS: Antes que você pergunte, eu consegui seu número na agência.”


Caralho! Ela não tem limites. Respirei fundo, apertando em responder.

“Claire, me esquece! Tudo o que a gente viveu ficou no passado. Você que escolheu o final da história, aceitei-o. Eu estou com outra pessoa e ela não merece isso.”


- Eu amo essa parte! – a voz de me despertou para a realidade. Enviei a mensagem e deixei o celular sobre a mesa, abraçando-a apertado. sorriu, entrelaçando nossos dedos e beijando o dorso da minha mão. Escondi meu rosto na curva do seu pescoço, distribuindo beijinhos ali, sentindo o aroma que sua pele emanava.
- Você é cheirosa. – falei com a voz abafada pelo contato com a sua pele. Ela riu.
- Eu nem tô com perfume, amor. – falou e eu respirei mais um pouco daquele aroma.
- Eu sei, é sua pele mesmo que tem um cheiro bom. – beijei seu pescoço novamente, e ela se arrepiou. Sorri, satisfeito.
- A gente não ia assistir filme? – perguntou, rindo.
- Assiste, aí, que eu fico te beijando daqui. – falei, depositando um beijo na sua bochecha. Ela me fitou, levantando a sobrancelha.
- Se você vai me beijar daí, eu vou querer te beijar daqui também, ué. – falou como se fosse óbvio. Apenas ri. – Fala se não é uma proposta maravilhosa?
- Que tal a gente se beijar e depois ir tomar sorvete? – sugeri.
- Tomar sorvete no frio? – assenti. Ela fez uma cara pensativa. – Tá. Mas primeiro a gente se beija, né?
- Vem cá! – ri, puxando-a para se virar de frente pra mim, segurando-a pela cintura e grudando nossas bocas devagar. enfiou os dedos no meu cabelo, puxando-me para grudar ao seu corpo. Coloquei suas pernas em volta da minha cintura, acabando com qualquer mínimo espaço que poderia haver entre nós. Encostei minhas costas no sofá, deixando que ela comandasse. diminuiu a velocidade do beijo, beijando a ponta do meu nariz e encostando a testa a minha, fitando meus olhos.
- Eu amo você. – sussurrou sem parar de me olhar. Passei o polegar pelo seu rosto, beijando levemente seus lábios.
- Você é incrível. – falei, voltando a beijá-la. apertou os dedos no meu pescoço, beijando-me de forma urgente. Desci minhas mãos, deslizando pela lateral do seu corpo, sentindo-o se esquentar sobre os meus dedos. Passeei o polegar pelo cós do seu short, abrindo o único botão do mesmo. suspirou quando sentiu meus dedos deslizarem o zíper. Ela desceu os beijos para o meu pescoço, puxando rapidamente minha camiseta para cima até tirá-la por completo. Cruzou fortemente as pernas em volta da minha cintura e se jogou de costas no sofá, puxando-me com ela, fazendo com que eu ficasse entre suas pernas. mordeu o lábio inferior com força, pegando minha mão e colocando sobre o short já aberto. Sorri, abaixando a minha cabeça, levantando levemente sua blusa e beijando sua barriga, umbigo e descendo até chegar ao short, puxando-o rapidamente para baixo. Trilhei beijos pela sua virilha e coxas, enquanto suas mãos puxavam meus cabelos, incentivando-me. Empurrei sua blusa para cima, beijando seus seios expostos. correspondeu, puxando a minha bermuda para baixo com os dedos dos pés. Ri, fitando-a. - Habilidosa, uh?
- Você não faz ideia. - rebateu, voltando a me beijar. Terminei de tirar a bermuda, jogando-a de lado. Rapidamente senti uma mão entrar na minha cueca. Respirei fundo, beijando-a com força e rapidamente.
- ... - ofeguei.
- Shh… - fez com a boca ainda colada a minha. Em segundos as últimas peças de roupas estavam no chão e finalmente estamos juntos de novo. Uma fusão que me enlouquecia! Minutos mais tarde, estávamos no chão, deitada sobre o meu peito, que subia e descia rapidamente, tentando achar fôlego. Beijei o topo da sua cabeça, deslizando os dedos pelas suas costas, calmamente.
- Beijo intenso, né? - comentei, fazendo-a rir.
- Pelo menos deu calor para tomar sorvete. - avisou, apoiando o queixo no meu peito e fitando-me. Sorri, concordando e tirando uma mecha de seu cabelo que caía sobre o seu rosto. - Vem, vamos tomar banho. - pediu, levantando-se. Continuei deitado, fitando seu corpo nu a minha frente.
- Vai ter segundo round no banho? - perguntei, percorrendo seu corpo com os olhos. Ela riu, rolando os olhos.
- Larga de ser tarado! - puxou meu braço, tentando me levantar. - Anda! - Dei-me por vencido, levantando-me, enfim. - A gente vai tomar sorvete agora, sem mais.
-Ok, ok. Você venceu! - me rendi, levantando minhas mãos. - As damas primeiro. - apontei o caminho.
- Aham, pra você ficar olhando a minha bunda, né? - balançou a cabeça, rindo.
- Essa é a minha garota! - falei, jogando uma piscadinha pra ela.
- Idiota! - falou alto e saiu andando na frente. Ri, entortando a cabeça para o lado, gravando bem aquela visão na minha mente. - Eu sei que você tá olhando! - gritou.
- Pode apostar que sim!

***


- Ah, meu Deus! - exclamou, apontando na proteção de vidro. - Eles têm um de tutti-frutti colorido!
- , você tem vinte e quatro ou sete anos de idade? - perguntei, rindo e fitando o vendedor, que também ria.
- Engraçadinho! - mostrou língua pra mim e depois se virou para o vendedor. - Eu vou querer uma bola desse, por favor.
- E o senhor? - ele perguntou, fitando-me.
- Um de framboesa. - pedi e ele assentiu, indo preparar os sorvetes. Assim que ele nos entregou, fomos nos sentar numa das mesas que haviam fora do estabelecimento. - Cara, isso aqui é bom!
- É? Deixa eu provar! - pediu, metendo a colher no meu sorvete e pegando.
- Ei, toma do seu! - fingi brigar, colocando o sorvete para o outro lado.
- Nem vem, eu posso. - deu de ombros, rebatendo.
- Pode nada!
- Posso sim. Tudo o que é seu, é meu! - falou, olhando-me como se eu ousasse discordar.
- Então, eu quero um pouco do seu! - falei, levantando a minha colher pra pegar, mas ela foi mais rápida, movendo o sorvete para o lado contrário. - Ué, o que aconteceu com “o que é seu, é meu?”
- Não com o meu sorvete colorido! - riu, lambendo o sorvete e mostrando a língua roxa depois. Ri, balançando a cabeça.
- Muito madura! - comentei, voltando a tomar o meu. Senti meu celular vibrar dentro do bolso da minha calça. Suspirei, com medo de ser Claire novamente. Desde mais cedo, quando enviei a mensagem para ela, que ela havia sumido. Resolvi não olhar para não precisar confirmar minhas suspeitas.
- O aniversário da sua irmã é no sábado, né? - assenti com a cabeça. - Já comprou o presente dela? - fiz uma careta, negando. - Eu sabia!
- Não tive tempo ainda. - tentei me defender.
- Você que é preguiçoso mesmo, confessa! - me cutucou de leve, fazendo me rir e dar por vencido. - A gente podia ir ao shopping achar alguma coisa pra ela, o que acha?
- Agora?
- Sim, agora! - confirmou como se fosse óbvio. - Anda, termina logo e vamos.
- Cara, como você é mandona! - reclamei, comendo depressa o meu sorvete, sentindo meu cérebro congelar.
- E você adora isso! - sorriu.
- É, gosto. - aproximei o rosto do dela. - Me mantém na linha!
- Eu sei. - sorriu, beijando meus lábios gelados. - Agora vamos, .
- Vamos, senhora apressada! - deixei o restante do meu sorvete na mesa e me deixei ser levado por aquela menina-mulher até o carro. Minutos bem mais tarde, finalmente estávamos no shopping, entrando na milésima loja atrás de algo para Blue. O que eu daria aquela criança? - , eu não tenho a mínima ideia do que dar pra ela.
- Ah, , relaxa! - sorriu, parando a minha frente. - Eu tô aqui pra ajudar.
- Mas já entramos em três lojas e você não achou nada também. - falei, cruzando os braços.
- É porque eu não achei nada que ela fosse gostar, oras. - deu de ombros, virando-se para a estante com várias bolsas.
- Garotas gostam de barbie e essas coisas, não? - perguntei, gesticulando com as mãos. virou-se para mim, rindo.
- Ela não tem dez anos, . - balançou a cabeça, negativamente. - Ah, acho que já sei. - falou de repente. - Conheço a loja certa.
- Ah, não! - joguei a cabeça pra trás. - Outra loja?
- Sim, senhor! - sorriu animada, puxando-me pela mão, entrelaçando nossos dedos e me guiando pelo shopping. Em seguida, entramos numa loja de sapatos e logo fomos abordados por uma vendedora que levou para um área de “sapatos de salto”, ou sei lá o quê. Aproveitei para me sentar por ali mesmo, esperando que ela voltasse com o presente em mãos. É, isso não era muito a minha praia. Respirei fundo, encostando-me ao assento, observando o movimento fora da loja. Enfiei a mão dentro do bolso e retirei meu celular, ligando o visor. Mensagem de número desconhecido. Olhei para onde estava e ela ainda conversava e olhava sapatos com a vendedora. Abri a mensagem, mas não havia um texto. Havia apenas uma foto. Uma foto antiga onde estava eu e Claire, abraçados com roupa de frio, a neve no chão. Eu sorria para a câmera e ela beijava minha bochecha. Eu lembrava bem daquele dia, éramos pra ter ficado em casa, mas ela queria muito ir pra neve e então me convenceu a ir ao Hyde brincar por lá. Nos divertimos muito aquele dia. Claire estava pegando pesado com as lembranças. Respirei fundo, saindo da foto assim que vi se aproximar, segurando um embrulho. - Ah, ela vai amar!
- Achou, então? - ela concordou, sorridente. - Ótimo!
- Mas a moça não quis colocar num embrulho roxo, que é a cor preferida dela. - fez um bico, chateada. Segurei um riso.
- Não quis? Que abusada! - falei, fitando-a.
- Sim, eu odeio ela! - revirou os olhos.
- Odiamos ela, então. - cruzei os braços, fechando o rosto. Ela me fitou, estapeando-me logo após.
- Você tá me zoando! - me bateu novamente. - Eu odeio você também.
- Odeia nada! - sorri, aproximando-me dela.
- Odeio sim. - rebateu, cruzando os braços também.
- Quer um abraço? - ela sorriu, confirmando. Sorri junto, beijando seus lábios e a abraçando.
- Senhores… - a voz da vendedora soou, nos fazendo nos soltar e a fitá-la. - O pagamento é por esse lado. - apontou o caminho. riu, olhando-me.
- Isso é com você, amor. - mandou beijos.
- Depois não vem dizer que é “nosso” presente, hein? - fiz aspas com os dedos.
- Claro que é! - faltou mais alto, observando eu me afastar. - Eu ajudei a escolher!
- Sorte sua! - falei de volta, balançando a cabeça. Ela riu, fazendo joinha. Logo menos eu já tinha pago o presente e, enfim, estávamos voltando para a casa.
- Tô com fome! - avisou, colocando a mão sobre a barriga.
- Pede uma pizza pra gente! - sugeri, retirando a carteira e o celular do bolso, deixando sobre a mesinha perto do sofá. - Eu vou tomar banho. Acho que já passei da validade!
- Vai, fedorentinho! - falou, aproximando-se de mim e beijando levemente meus lábios. - Vou pedir de pepperoni pra você.
- Obrigado! - sorri agradecido. sentou-se no sofá, pegando o telefone da base.
- Qual pizzaria? - perguntou, em dúvida.
- Joe’s? - sugeri.
- Nah, a gente sempre pede lá. - fez uma careta. - Que tal Franco?
- Ótimo! - concordei.
- Você tem o número?
- Acho que sim, dá uma olhada na minha agenda do celular. - falei, e ela assentiu, pegando meu celular. - Vou lá, já venho. - avisei e sai, rumando pra ir tomar banho. Retirei minhas roupas e me enfiei debaixo da água quente, fiquei vários minutos lá, até sentir minha pele se enrugar, avisando-me que já era hora de encerrar o banho. Vesti uma roupa quente, penteei o cabelo pra trás e baguncei-o logo em seguida. Voltei pra sala, encontrando encarando o chão. Franzi o cenho, me aproximando. - ? - chamei. Ela girou o olhar até mim, mas não me deu um sorriso, como ela sempre dava, não foi um olhar aconchegante, que ela sempre tinha, foi um olhar frio e sem expressão. - O que houve?
- Fui procurar o número da pizzaria, como você pediu, mas assim que peguei o seu celular, tinha uma mensagem. - ela falou e, na mesma hora, meu corpo inteiro gelou e travou. - Um número desconhecido. Pensei que fosse algo importante, então eu abri, porque nós nunca tivemos problemas de confiança quanto a celulares.
- ... - tentei falar, mas ela me interrompeu, continuando.
- Era uma mensagem que dizia… - ela olhou para o celular em sua mão. - “Nós nos divertimos na festa, lembramos o tempo em que estávamos juntos. Pareceu tão certo estarmos ali, me senti em casa de novo. Me senti que eu estava sendo eu! , você e eu sabemos que no final de tudo, nós vamos acabar juntos, porque nós temos uma história de anos. Eu ainda te amo, e sim, eu sei que você ainda me ama, porque eu vi como você ficou quando a gente se encontrou de novo. Eu vou estar aqui, te esperando, ok?” - suspirou, fechando os olhos. - “Beijos, pra sempre sua Claire.”
- , eu não tenho nada com ela! - me defendi, aproximando-me dela. Ela continuava de olhos fechados. - Ela estava na festa que eu e o fomos, encontramos ela por acaso, eu juro.
- Na festa de lançamento? - perguntou, abrindo os olhos e me fitando. Assenti. Ela riu sarcástica. - A festa que você chegou transtornado? A porra da festa que você chegou praticamente chorando? - ela se levantou rápido. - Agora tudo faz sentido! - falou alto.
- Me desculpa. - pedi baixo, sentindo-me um lixo.
- Eu, aqui, preocupada com você, pensando em várias formas de te fazer sentir bem… - ela gesticulava, nervosa. - E você se encontrando com a sua ex?
- Ela estava na festa! - repeti. - Não foi um encontro.
- Você sabia que ela estaria lá? - rebateu. Fiquei em silêncio. - Responde!
- Sim, mas…
- Então foi um encontro! - decidiu. - Caralho, , ela anda te mandando foto de vocês juntos, pelo amor de Deus! - vociferou, jogando o celular em mim, que consegui pegar a tempo.
- Eu não quero nada com ela, . Ela é louca! - tentei me aproximar, mas ela se afastou.
- Você ainda sente alguma coisa por ela? - perguntou, fitando-me sem piscar. Eu engasguei.
- Não. Eu não sei! - falei alto, andando de um lado para o outro. - A minha cabeça não anda legal, você sabe disso. Eu não sei o que eu ando sentindo. - coloquei as mãos na cabeça, sentindo-a começar a latejar. - Eu não me lembro da minha vida no último ano!
- Mas dela você não esqueceu! - falou baixo, sorrindo triste. - Ela, a mulher que quase acabou com você, você nunca esqueceu.
- Assim como não me esqueci do , da , da minha família… - justifiquei, enumerando nos dedos. - Ela fez parte de alguns anos da minha vida, não do último ano, mas ela fez. - respirou fundo, voltando a se sentar no sofá, encolhendo as pernas sobre o mesmo e escondendo o rosto entre os joelhos. Suspirei, andando devagar até ela, sentando-me ao seu lado.
- Eu também li o que você mandou pra ela. - sussurrou com o rosto abafado. - Eu vi que você pediu pra ela te esquecer e que você estava comigo. - me fitou, fazendo-me olhar seu rosto molhado pelas lágrimas que caiam. Meu coração se apertou, minha garganta secou. Eu nunca quis vê-la daquele jeito. - Eu não sei o que você sente por mim, . - seu tom de voz era baixo e calmo, mas muito triste. - Mas eu sei que não é o mesmo que você sente por ela.
- Não fala isso! - pedi, apoiando os cotovelos sobre os joelhos. - Eu tô te conhecendo, eu gosto muito de você, te acho uma mulher incrível. Você é forte, você é leal, você é companheira… - a fitei. - Você é uma pessoa maravilhosa, . Eu adoro estar com você! Estar ao seu lado me acalma, me faz muito bem, é inexplicável tudo o que sinto quando você está longe e depois volta para perto de mim. - gesticulava rápido. - É surreal.
- Mas você não me ama. - afirmou, triste. Limpou algumas lágrimas que caíam sobre o seu rosto, aproximando-se de mim. - Eu não quero ser incrível, eu quero ser amada. - beijou minha bochecha, se levantando em seguida. - Talvez ela esteja certa. Vocês tem uma história juntos e no final vocês fiquem juntos. Eu só sou um desvio.
- Não, , não faz isso! - me levantei também, parando a sua frente. - Eu não quero ficar com ela. - ela apenas desviou-se de mim, andando a passos rápidos até o quarto, a segui. pegou uma bolsa, colocou sua carteira, celular e alguns objetos lá dentro. Meu coração acelerou percebendo o que ela estava fazendo. - Não, não! - falei alto, aproximando-me dela. - Não faz isso, por favor. Não vai! - supliquei, caindo de joelhos em sua frente, abraçando sua cintura. - Não me deixa! - seu corpo parou, estagnou e eu só ouvia sua respiração rápida e seus fungados. Segundos depois, ela tirou meus braços do seu corpo e voltou a andar, a segui novamente, ela foi em direção a porta de entrada. - Não importa o que aconteça, a gente sempre vai achar o caminho de volta um para o outro. - falei alto. parou de andar, fitei suas costas. Ela se virou pra mim, limpando algumas lágrimas.
- Você se perdeu no caminho. - e abriu a porta, saindo. Ouvi o baque da porta se fechando, fazendo meus joelhos amolecerem, deixando-me cair no chão, sentindo meu corpo inteiro doer. Física e emocionalmente acabado.
- PORRA! - gritei, sentindo meus olhos arderem. Eu fodi com a minha vida. Perdi a única mulher que me quis exatamente como eu sou. Agora já era, eu estava sozinho naquela casa e tudo o que queria agora era ela, os braços dela, o corpo dela em volta do meu dizendo que ia ficar tudo bem, mas eu não os tinha, eu tinha perdido tudo.

Capítulo 12



- Cara, a gente tem uma reunião hoje à tarde. Se você não aparecer de novo, eu juro que vou te caçar com um taco de golfe! - a voz de surgiu do outro lado da linha. - Atende logo esse telefone, droga! Eu sei que você está aí. - ele suspirou.
- Yep! - falei pra mim mesmo, jogando mais uma batatinha na boca, enquanto fitava a TV ligada em algum canal aleatório.
- Olha, eu sei que deve tá difícil, mas não vai ser assim que você vai resolver as coisas. - suspirou mais uma vez, cansado. - Bom, se cuida!
- Aham. - murmurei, largando o saco de batata sobre o sofá. A casa estava escura, o silêncio reinava nela há dois dias. É, dois dias sem ela, sem vê-la, sem notícias, sem a sua risada, seu corpo, seus olhos. Respirei fundo, me afundando no sofá, talvez ele me absorvesse e me fizesse sumir. Ouvi um barulho de fechadura se destrancando, meu olhar rapidamente foi até a porta. Segundos depois ela foi aberta, me coloquei de pé de imediato, meu coração batia rapidamente.
- Oi, ! - falou, adentrando a sala. - Desculpa, eu não sabia que você estava em casa. Achei que já estava na agência. - caminhou até mim. Observou o local escuro e uma tonelada de lixo ao meu lado. - Ahm, a me emprestou a chave dela, eu… Eu só vim buscar algumas roupas pra ela.
- Ela não vai voltar, né? - perguntei, sentando-me novamente e fitando-a. Ela suspirou, retirando a bolsa do ombro e se sentando ao meu lado.
- Você sabe que eu torço muito por vocês, eu os amo muito. - começou, fitando meus olhos. - Mas ela é minha amiga também, . Ela está certa. Você precisa decidir sua vida! - segurou minha mão. - me contou tudo sobre a Claire, sobre a festa, sobre as mensagens. Não é segredo que nunca gostei daquela mulher, você sabe. - assenti, desviando o olhar. - Mas eu também sei que vocês tem um passado, e você está confuso com toda esta história de perda de memória. - voltei a fita-la. - Por isso você precisa tomar a decisão certa, sem voltas, sem arrependimento.
- Eu só quero a de volta. - sussurrei.
- Ela precisa de um tempo. Espera um pouco, ok? Olha o lado dela também, não tá sendo nada fácil. - suspirou, soltando-me e se levantando. - Eu preciso ir, eu vou pegar algumas coisas dela aqui. - assenti, voltando a fitar a TV. - Eu te amo, menino. Eu quero que você fique bem, tá? Você tem a mim e o . - eu nada respondi. Ela exalou o ar e eu ouvi seus passos se distanciando. Minutos mais tarde os ouvi se aproximar novamente, ela pegou a bolsa sobre o sofá, e eu vi em suas mãos uma pequena mala. Fechei os olhos, não querendo digerir aquilo. - Se cuida, !
- ? - a chamei, e ela me olhou, esperando eu continuar. - Obrigado. - ela sorriu, acenando com a cabeça e saindo porta a fora, deixando-me sozinho novamente. Suspirei alto, levantando-me e arrastando o meu corpo até a cozinha, parei em frente à geladeira e fitei as fotos pregadas nela mais uma vez. Arranquei a que estava eu e , segurando-a firmemente entre meus dedos. Abri a geladeira e peguei mais uma garrafinha de cerveja, abri rapidamente e bebi quase metade da garrafa. Voltei para o sofá, me jogando com tudo, fitando a foto em minhas mãos, sentindo meu coração doer e minha garganta arder. Eu olhava a porta a todo momento na esperança que ela aparecesse de repente. Mas, no fundo, eu sabia que isso não ia acontecer. Eu tinha ferrado com tudo!


Abri meus olhos rapidamente ao ouvir uma batida na porta. Meu corpo todo doía pela posição horrível que eu havia dormido no sofá. Eu não tinha noção de que horas eram, estava tudo escuro, como já estava antes. Ouvi a batida novamente, bufei, pegando uma almofada e cobrindo a cabeça. Foda-se quem era!
- , abre essa porta! - ouvi a voz de do outro lado. - Eu sei onde está a chave reserva, vai me fazer usá-la?
- Que mala! - resmunguei. - VAI EMBORA! - gritei, jogando a almofada na porta.
- Cara, vamos conversar. - ele pediu calmamente. - Eu só quero te ajudar. - suspirei cansado, dando-me por vencido e me levantando, arrastando-me até a porta e abrindo-a. me olhou de cima a baixo, fazendo uma careta. - Há quanto tempo você não toma um banho?
- Não enche! - falei, deixando a porta aberta e voltando para o sofá. Ele entrou logo em seguida, fechando a porta atrás de si.
- Desde quando você é esse bundão que desiste das coisas? - falou, sentando-se ao meu lado. Apenas bufei, deitando-me e escondendo o rosto. - Vai ser assim? Acabou? Você não vai tentar consertar as coisas?
- Ela não quer falar comigo, ! - fui ríspido. - Eu tentei ligar pra ela, mas ela não atende.
- E o que você tem a dizer a ela? - indagou, curioso. Suspirei, fechando os olhos.
- Que eu sou um idiota… - falei, minha voz saindo abafada. - Que eu cometi um erro... - suspirei alto. - Eu só quero ela de volta.
- Eu conversei com ela, sabe? - ele começou a falar, me fazendo apurar os ouvidos para escutá-lo melhor. - Ela também sente a sua falta. - desenterrei meu rosto do sofá, fitando-o. - Mas ela me disse que cansou, . Ela disse que achou que estava fazendo a coisa certa, mas que depois disso tudo pareceu errado e que ela estava lutando pela relação de vocês sozinha. - desviei o olhar, sentindo meu olho e nariz arderem. - Ela te ama e quer você de volta, mas ela não sabe se é a coisa certa. - ele tocou na minha perna, fazendo-me olhá-lo novamente. - É a coisa certa?
- Eu nunca quis machucá-la. - fui sincero, sentando-me no sofá. - Eu só queria descobrir o que aconteceu com a minha vida. - baguncei meus cabelos, nervoso. - Eu ainda quero descobrir o que houve comigo e com a droga desse cérebro.
- Eu entendo, cara, mas a não tem culpa e você sabe. - assenti, fitando meus pés. - Eu sempre torci muito por vocês dois, porque os dois são importantes pra mim, mas eu não quero que ninguém mais se machuque.
- Eu também não. - o fitei novamente. Ele assentiu. - Sábado é aniversário da minha irmã e eu não sei o que eu vou dizer para a minha família. - cobri meu rosto com as minhas mãos, sem ter noção do que fazer. - Minha irmã e ela são muito unidas, eu não sei, de verdade, o que dizer.
- Seja sincero, você já percebeu que esconder as coisas nunca acabam bem. - sorriu sem humor, apenas balancei a cabeça, concordando. - E você precisa voltar ao trabalhar, .
- Eu sei, desculpa por esses dias. - pedi, sem muita vontade de realmente voltar a trabalhar. - Eu prometo aparecer lá amanhã.
- Se não for, eu juro que te busco e te levo amarrado. - ameaçou sério. Ri, assentindo. - Aliás, acho que vou ficar por aqui hoje.
- O quê? Não precisa, cara. - falei rapidamente. Ele me ignorou.
- Tem comida aqui? - se levantou, rumando para a cozinha.
- , sério, não precisa ficar. Você tem a te esperando. - fui atrás dele. - Não precisa ser largado como eu.
- A tá ocupada com os preparativos do casamento. - avisou, abrindo meu armário.
- E você não vai ajudar? - levantei a sobrancelha. Ele riu, se virando pra mim.
- Ela disse que meu único papel é não atrapalhar. - deu de ombros, pegando um saco de doritos. - Tem cerveja?
- Na geladeira. - apontei. - ...
- Desiste, ! - parou a minha frente, jogando o pacote de doritos pra mim. - Hoje eu sou seu homem.
- Seu gay! - ri, balançando a cabeça. - Obrigado.
- Irmãos são pra isso. - e piscou, sorrindo. Foi até a geladeira e pegou duas garrafas de cerveja. - Tem Need For Speed?
- Eu sempre ganho de você, tem certeza? - perguntei, voltando para a sala e sendo seguido por ele.
- Eu andei treinando, meu amigo. - riu, sentando-se no sofá. Colocou as garrafas de cervejas sobre a mesa, foi até o videogame ligando e pegando os controles, entregando-me um. - Só não vale chorar!
- Vai à merda! - ri, sentindo-me melhor por ter um amigo tão leal na minha vida. Ficamos horas jogando, bebendo e comendo besteira. Logo ele ligou para a noiva, avisando que dormiria na minha casa. No dia seguinte, realmente me obrigou a ir para a agência. Então, só me restou voltar ao trabalho. Vou confessar, não me sentia motivado e nem inspirado para isso, mas de acordo que o dia foi passando, me manter ocupado foi melhor para a minha sanidade. Bom, pelo menos até o momento que eu resolvi passar na sala de e vi Hayden e Claire lá.
- E aí, ?! - Hayden me cumprimentou, animado, assim que me viu. Eu continuava estagnado na porta. pigarreou, chamando a minha atenção, fazendo-me acordar pra realidade. Forcei um sorriso, fitando-o.
- Oi, Hayden. Como vai? - me limitei a encará-lo apenas e esquecer que Claire estava ao seu lado.
- Bem, e você? Não te vi na festa depois daquela hora! - comentou, fazendo-me começar a suar debaixo da camisa social.
- Tivemos um probleminha e tivemos que ir embora mais cedo. - falou, intercedendo por mim. Ele assentiu, parecendo acreditar.
- Oi, ! - a voz de Claire soou em meus ouvidos. Mantive meu contato visual apenas em Hayden. Suspirei baixo, desviando o olhar para .
- Olá. - respondi, sem olhá-la. - , não quero atrapalhar vocês, depois eu volto, não era nada de importante. - avisei, acenando com a cabeça e saindo de lá rapidamente. Desabotoei os dois primeiros botões da minha camisa e corri de volta para o meu escritório, sentindo-me sufocado. - Droga! - vociferei, batendo o punho na mesa. Enfiei os dedos no cabelo, bagunçando-os. Apoiei as mãos sobre a mesa, respirando rápido, sentindo meu coração acelerar e uma adrenalina percorrer meu corpo. Ouvi um clique de porta se abrindo, virei minimamente minha cabeça para o lado, apenas para confirmar quem estava entrando ali.
- Você não respondeu minha mensagens. - ouvi sua voz novamente. Fechei os olhos, respirando fundo.
- Quando alguém não te responde, é porque ela não quer falar com você. - fui direto, virando-me para ela. Claire me olhava séria, fitando-me com o olhar triste.
- Você nunca vai me perdoar, não é? - mordeu o lábio vermelho, fitando as mãos. Suspirei, encostando-me à mesa.
- Não será assim que você vai conseguir um perdão, Claire. - avisei, fitando-a. Ela desviou o olhar para mim, dando alguns passos a frente. - Além do mais, você tem o Hayden, e eu tenho a .
- Ele não é você. - falou rapidamente, ficando perigosamente perto. Engoli o seco, sentindo sua respiração perto do meu rosto. - Me diz que você também não pensa em mim, e eu nunca mais te procuro.
- As coisas não funcionam assim. - desviei o olhar dela.
- Não? - perguntou, colocando as pequenas mãos no meu rosto, fazendo-me fitá-la. - Talvez assim funcionem. - avisou, logo após pressionando levemente os lábios aos meus. Desencostou-os brevemente e me fitou, esperando alguma reação. Minha boca formigou com o contato. Meus olhos se fixaram nos seus grandes glóbulos verdes, pareciam ansiosos e confusos.
- Droga! - sussurrei antes de voltar a colar meus lábios aos dela, sendo correspondido com a mesma intensidade. Minhas mãos se encaixaram na sua cintura, aproximando seu corpo do meu, senti suas mãos em volta do meu pescoço enquanto a ouvi arfar com a adrenalina. Eu sabia que continha raiva e urgência naquela beijo, eu não estava sendo gentil e nós dois sabíamos disso. Girei nossos corpos, prensando-a contra a mesa, enquanto me encaixava entre suas pernas. Mordi sua boca com força, fazendo-a gemer alto, o que me fez pressionar ainda mais meu corpo contra o dela. Meu corpo tremia, parecia que ele queria machucá-la, mas ao mesmo tempo eu sabia que não deveria, era errado. Aos poucos eu fui diminuindo a velocidade do beijo e parando, encostando minha testa a dela, recuperando o fôlego. Ela respirava rápido, fitando-me intensamente. Sua boca estava vermelha e logo no canto, reparei que havia um pequeno machucado, causado pela minha mordida. - Você está sangrando.
- Ah! - ela fez, tocando o machucado com o dedo. - Tudo bem, vai passar. - falou, limpando rapidamente. - Eu vou ficar bem.
- Não… - falei, me soltando dela e me afastando. - Não está bem. - suspirei, fitando-a. - Nada disso está bem.
- , é só um corte, vai cicatrizar.
- Será? - fiz uma careta. - Será que tudo isso um dia vai cicatrizar, Claire? - mordi meus lábios, nervoso. - Enquanto eu te beijava, eu só pensava em te machucar! Eu queria que você sentisse dor!
- Você está magoado, eu entendo. - ela tentou se aproximar, mas eu dei um passo para trás.
- Não, isso não é certo! - balancei a cabeça. - Eu… Eu só… - respirei fundo, fitando-a. - É melhor você ir.
- O quê? Não, a gente precisa conversar! - se contrapôs, aproximando-se.
- Não, a gente não precisa. - rebati, abrindo a porta. - Seu namorado está te esperando. - ela me fitou, esperando eu mudar de ideia, mas isso não aconteceu. - Vai.
- Ok. - se deu por vencida, arrumando o vestido e saindo pela porta, mas parando antes que eu pudesse fechar. - Sempre será eu e você.
- Tchau, Claire! - falei, enfim fechando a porta, encostando-me nela logo após. Senti vontade de vomitar, meu estômago se revirava. Por que a vida não podia ser um pouco mais fácil?

***


Quinta-feira, dez da noite. Eu estava mais uma vez enfurnado em casa, comendo o restante da lasanha e bebendo, pra variar. Não, eu não tinha sono. Eu até tentava dormir, mas eu não conseguia ficar na cama por muito tempo, ainda mais com o cheiro dela no travesseiro. Na TV passava algum jogo do Chelsea, mas eu não prestava muita atenção, só olhava fixamente mesmo. Eu ainda usava minhas roupas do dia, não tive coragem nem para tomar um banho e trocar de roupa. É, eu sei, eu estava na pior. O meu celular tocou sobre a mesa a minha frente, estiquei o pescoço para ver a bina: . Rapidamente eu peguei o celular e o atendi.
- Fala, ! - falei ao atender, mas ouvi apenas uma música alta e algumas vozes. - ?
- Ah, oi, ! Graças a Deus! - ela falou, suspirando aliviada. - Que bom que você atendeu!
- Por quê? Aconteceu alguma coisa? Você está bem? A está bem? - perguntei, preocupado. Ela fez um barulho estranho com a boca.
- É exatamente por isso que eu liguei, eu… , não! Garota, fica quieta, pelo amor de Deus! - ela se interrompeu, aparentemente brigando com ? - , eu preciso que você venha ao The Victoria, imediatamente. - pediu, sendo enfática. - Quando você chegar, eu te explico. Vem logo!
- Ahm, ok, eu já estou indo! - avisei, desligando em seguida. Desliguei a TV e catei a chaves do carro, rumando para o pub que havia falado. O trânsito não era dos melhores, mas consegui chegar lá relativamente rápido. Durante o caminho tentei formular várias hipóteses para me ligar com tanta urgência para ir à um pub, mas nada me veio à mente. Pulei do carro, mal estacionando e correndo para a entrada do local. The Victoria é sempre muito cheio, então, achá-las não seria fácil. Respirei fundo, passeando os olhos pelas pessoas, tentando achar aqueles rostos tão conhecidos, mas o que achei que seria uma tarefa árdua, se tornou algo fácil, assim que vi subindo no palco, onde alguns músicos tocavam. - Merda! - falei, observando-a rir de um jeito alto e mole. usava um vestido justo, desenhando perfeitamente as curvas do seu corpo. Um dos músicos, o cara que estava tocando o violão, olhou pra ela e sorriu, malicioso. Meu sangue ferveu. sorriu de volta, aproximando-se dele.
- ! - ouvi meu nome ser chamado, mas meus olhos não conseguiam se desviar da cena a minha frente. - Ainda bem que você chegou! - virei a cabeça para fitar .
- O que ela está fazendo ali? - falei, alterando o tom da minha voz.
- Ela bebeu além do que devia. - avisou, suspirando e fitando a amiga. - Recebemos folga, amanhã, na revista, então, ela decidiu que queria sair para beber, mas acho que ela exagerou um pouco.
- Cadê o ? - perguntei, voltando a fitar , que agora estava ao lado do cantor, tentando pegar o microfone dele. Oh, não!
- Ele está na casa dos pais. - ela também a olhava, inerte. - , cacete! - falou brava.
- Temos uma jovem aqui querendo fazer uma participação especial, parece. - o cantor falou, pausando a música. Ela riu, concordando. - Qual é o seu nome, princesa?
- . - falou no microfone, sorrindo molemente. O cantor sorriu, olhando-a de cima a baixo. Cerrei meus punhos com força.
- Você quer cantar alguma música? - perguntou, colocando a mão na cintura dela.
- O que esse cara pensa que tá fazendo? - vociferei, falando pelos dentes.
- Falando? - falou, dando de ombros. A fitei, levantando a sobrancelha. Ela me olhou, sorrindo esquisito.
- Você tá bêbada também. - constatei, dando um tapa na minha própria testa. - Ah, cara!
- Mas estou melhor que ela. - apontou para a amiga. agora estava rindo de algo que o tal cantor disse no ouvido dela.
- Ok, a princesa aqui quer cantar uma música! - avisou, dando espaço para ela em frente ao pedestal. - Qual música vai ser?
- Before He Cheats! - falou alto.
- Pega a indireta, ! - riu, empurrando-me de leve. Apenas a fitei brevemente, revirando os olhos e voltando a observar . Os primeiros dedilhados da música começaram, fazendo o pessoal no pub vibrar. tirou o microfone do pedestal, acenando para várias pessoas, como se as conhecessem.
-Right now, he's probably slow dancing with a bleached-blond tramp… - cantou, e por incrível que pareça, ela era afinada. revirou os olhos, bagunçando o cabelo. - And she’s probably getting frisky. - ela riu, se abaixando até um cara que estava logo abaixo do palco, passou a mão pelo rosto dele e ele sorriu, malicioso. era linda e era muito óbvio que qualquer cara iria querê-la. Era só ela sorrir que qualquer homem caía aos pés dela, facilmente. O tal cara meio que chamou ela pra baixo, enquanto ela continuava a cantar.
- Vem cá, gatinha! - ele continuava a chamar.
- Já chega! - falei alto, andando a passos rápidos até o palco. - ! - a chamei, mas ela não me escutou. - ! - chamei novamente, enfim, fazendo-a me olhar. Ela sorriu largamente, soltando um gritinho.
- Before he cheeeeats! - cantou, apontando pra mim. Ah, ótimo, agora todo mundo estava me olhando. Sorri sem graça para algumas pessoas ao redor.
- , desce daí, acabou o show! - pedi, estendendo a mão. Ela riu, se esquivando. - , anda logo!
- Eu tô cantando, garoto, me deixa! - falou, bufando. Contei até três mentalmente e a puxei pelo braço, jogando-a nas minhas costas. Ela soltou um gritinho, rindo. Segurei firmemente em suas pernas, guiando-nos para fora do pub, durante o percurso, puxei pela mão que estava livre e sai a arrastando até o carro.
- Entra, . - pedi, depois de destravar o carro. Ela assentiu, entrando no banco do carona e afivelando o cinto de segurança. Suspirei, ajeitando no banco traseiro, enquanto ela ainda protestava.
- Não, eu quero voltar! - fez biquinho, tentando me empurrar pelo peito.
- Você vai dormir agora. - avisei, tentando prender o cinto nela, mas ela ficava tirando. - , pára!
- Você nunca faz o que eu peço! - disse emburrada, cruzando os braços, feito uma criança. Ri pelo nariz, porque era bem o contrário: eu sempre acabava fazendo o que ela queria. Assim que consegui prender o cinto, fechei a porta e fui para o lado do motorista, seguindo, enfim, para a casa de .
- Você consegue me explicar o que aconteceu aqui? - perguntei a . Ela girou a cabeça devagar até encontrar meus olhos. Fez um bico, dando de ombros.
- A gente só queria se divertir. - avisou, dando uma olhada para trás, fitando a amiga, que agora olhava fixamente para a janela. - Ela estava triste.
- Eu sei. - falei, suspirando, fitando pelo retrovisor. Seu olhar encontrou o meu, e ela piscou devagar. - Tá sentindo alguma coisa, ?
- Raiva. - falou, desviando o olhar. Balancei a cabeça, voltando a prestar atenção nas ruas. Alguns minutos mais tarde, estávamos na casa de .
- Você está com a chave? - perguntei para , enquanto descíamos do carro. Dei a volta, pegando no colo, já que ela não estava com muitas forças. Segundos depois a porta da frente foi aberta. surgiu, franzindo a testa, confuso.
- O que está acontecendo? - perguntou, observando a cena.
- Amoooor! - riu, dando pulinhos e correndo até ele. Ele riu.
- A senhorita está bêbada? - perguntou, abraçando-a de lado. Ela levantou as duas mãos, fazendo uma careta.
- Talvez sim, talvez não. - respondeu.
- É, você está! - riu mais uma vez. Ele fitou e eu, levantando uma sobrancelha. - Ela está bem?
- Está muito bêbada e mole. - avisei, nos guiando até a casa.
- Estou com raiva! - avisou, falando meio embolado.
- Quer ajuda? - ofereceu, dando espaço para que eu passasse com . Balancei a cabeça, negando.
- Pode deixar. - disse, seguindo pela casa. - Ela está no quarto de hóspedes, certo? - ele confirmou com a cabeça. - Eu cuido dela, relaxa. Cuida da sua noiva, que ela está bem eufórica. - avisei, apontando com a cabeça para o ser sorridente ao seu lado. Ele riu, assentindo.
- Qualquer coisa, é só falar. - concordei com um aceno de cabeça, rumando para o quarto de hóspedes da casa de , que eu sabia muito bem onde ficava.
- Eu te odeio. - ela falou baixo, tentando sair do meu colo. - Você é um idiota! - vociferou com raiva, esmurrando o meu peito com força. Respirei fundo, levando-a até o banheiro. Coloquei-a dentro do box, sentada. Agachei-me a sua frente, segurando-a com uma mão e com a outra, liguei a ducha de uma vez, na água fria. Seu grito ecoou pelo banheiro. Ela se agarrou fortemente a minha camisa.
- Me desculpa. - pedi, enquanto ela se molhava debaixo do chuveiro sem me soltar. - Me desculpa.
- Frio, friio! - ela gaguejou. Tirei seu cabelo molhado do rosto, limpando o excesso de água do mesmo, ela me fitou com os olhos e a pontinha do seu nariz vermelhos. - Eu não te odeio.
- Eu sei. - falei apenas. encostou a cabeça no meu peito, molhando-me mais, mas eu não ligava. Respirei fundo, abraçando-a fortemente. Beijei o topo da sua cabeça, alcançando o registro do chuveiro e desligando.
- Sono. - falou baixo. Assenti, levantando-me e a puxando junto comigo. Peguei uma toalha, que estava logo ao lado, cobrindo-a rapidamente e a levando de volta para o quarto. A sentei na beirada da cama, passando a toalha pelo seu cabelo, secando-o do jeito que deu. Aproximei-me dela, agachando-me um pouco para que meu rosto ficasse da altura do seu. Ela me fitou, piscando pesadamente. Coloquei minhas mãos nas suas costas, fazendo nos ficar realmente próximos. Ela fitou minha boca e depois meus olhos. Mordi a boca, tentando não pensar no quanto eu queria a beijar e o quanto eu estava com saudades dela. Abri o zíper de seu vestido, deslizando o mesmo pelos seus ombros, cintura até tirar por completo do seu corpo. Minhas mãos coçavam de vontade de tocar sua pele, deslizar meus dedos por toda a extensão dele, minha boca e minha língua. Fechei os olhos fortemente, tentando me concentrar em apenas vesti-la. Fui até a mochila que havia feito para ela quando foi lá em casa, peguei uma camisola e voltei, fitando-a. estava só de lingerie, bem ali, na minha frente. Mas seu rosto estava tão sereno, seus olhos quase se fechando que minha vontade se tornou protetora. Eu só queria que ela ficasse bem.
- Levanta os braços. - pedi, parando a sua frente. Ela levantou vagarosamente. Coloquei a camisola nela e a deitei na cama, puxando o grosso cobertor sobre seu corpo. Seu cabelo úmido se espalhava pelo travesseiro, resquícios de rímel se espalhava por baixo de seus olhos, sua boca estava vermelha e entreaberta.
- Meus lábios… - ela falou, tocando-os levemente. - Estão dormentes.
- É o efeito do álcool, . - avisei, passando os dedos pelos seus lábios. Ela piscou longamente. - É melhor você dormir.
- Ok. - fechou os olhos. - Boa noite, .
- Boa noite, . - falei baixo, observando-a pegar no sono facilmente. Beijei levemente seus lábios, tão leve que não sei se realmente eu os toquei. Respirei fundo e me levantei, saindo do quarto, deixando a porta encostada. estava na sala, sentado no sofá.
- Ela está melhor? - perguntou, fitando-me. Parei a sua frente, assentindo.
- Ela dormiu, mas já estava melhor. - cruzei os braços, sentindo minha camisa colar no corpo por causa da água.
- Você está bem? - perguntou, preocupado. Balancei a cabeça, negando.
- Acho que não. - o fitei, sorrindo sem humor. - Eu não posso… Eu não consigo ficar sem ela. - ele sorriu, assentindo.
- Eu prefiro que não fique. - concordou.
- Escuta, amanhã provavelmente ela não se lembrará de muita coisa. - falei, sério. - Eu não quero que conte que eu estive aqui e a ajudei.
- Tem certeza? - perguntou em dúvida.
- Tenho. - respondi, passando a mão no cabelo, nervosamente. - Só me dá notícias quando ela acordar, ok? Se ela está bem e essas coisas.
- Pode deixar. - concordou. Eu assenti, rumando para a porta de entrada.
- Ah, ela deve sentir ressaca, então, deixa um analgésico pra ela ao lado da cama. - pedi, lembrando-me de súbito. riu, concordando novamente.
- Tem certeza que não quer ficar e cuidar dela? - sorriu ladino, desafiando-me.
- Não vou ficar. - balancei a cabeça. - Tchau, !
- Se cuida, ! - falou de volta, abrindo a porta para que eu saísse. - Eu vou cuidar dela.
- Eu sei que sim. - sorri, me afastando. Acenei e voltei para o carro, colocando-o em movimento e voltando para a casa. Que ironia do destino se acordasse com amnésia alcoólica. Destino cruel. Agora eu tinha pensar em como eu a conseguiria de volta. Eu tinha que conseguir. Eu precisava.

Capítulo 13



Ponto de vista da

Batuquei a caneta na agenda a minha frente, tentando lembrar dos compromissos que tinha essa semana na revista. Cruzei as pernas sobre a cama, suspirando alto, passeando os olhos pelo meu atual quarto. Era o quarto de hóspedes de e , mas tinha se tornado meu nos últimos dias. Terríveis últimos dias. Eu nunca pensei que passaria por isso, não com ele, não com o único relacionamento que eu entrei de cabeça e olhos fechados, sem medo de me machucar. Bom, aqui estou eu, machucada. Fiz um coque no cabelo e prendi com a caneta, fechando a agenda e colocando-a no criado-mudo ao lado. Meu celular vibrou sobre o mesmo, indicando uma nova mensagem. Peguei e visualizei a tela. Era . De novo ele. Nos últimos dias ele sempre me mandava mensagem, mas eu nunca respondia. Não consigo, não mais. Abri a mensagem, respirando fundo antes disso.

“Sinto saudades! Todos os dias quando eu acordo, eu sinto a sua falta.


- Não faz isso comigo! - pedi baixo, colocando a mão na testa, suspirando alto. Como eu sentia a falta dele também, do cheiro, do toque, dos beijos, dos abraços e da risada escandalosa dele. Sentia falta de cada detalhe daquele ser. Segundos depois outra mensagem chegou.

“Eu sei que eu estraguei tudo, e eu sinto muito, muito por isso.”


Mordi o lábio com força, apertando o celular em minhas mãos, controlando minha vontade de ligar para ele e ouvir sua voz. Fechei os olhos e apertei o celular contra o peito, respirando alto. Ouvi batidas na porta, abri os olhos, fitando a mesma.
- Oi, amiga! - entrou, encostando-se à porta. - e eu estamos saindo para ir jantar. Tem certeza que não quer ir conosco?
- Tenho, obrigada. - sorri agradecida, fitando-a. Ela olhou o celular em minhas mãos.
- Ele mandou mensagem de novo? - perguntou, e eu balancei a cabeça, assentindo. - Eu já disse o que eu acho, né?!
- Eu sei que você quer nós dois juntos, eu sei que você acha que nós dois deveríamos passar por isso juntos, eu sei que você acha que ele tem o direito de estar confuso diante do que ele está passando, eu sei que você acha que ele me ama… - falei rapidamente, buscando ar em seguida. - Eu sei, , você deixou bem claro!
- É, quem bom! - sorriu sarcástica. Às vezes eu queria bater nela. - Te amo, tá?
- Eu sei disso também. - ri, sabendo que era impossível ficar brava com essa mulher. - Anda, vá jantar com o seu homem. - falei, gesticulando com as mãos.
- Já vou. - avisou, aproximando-se de mim e beijando minha testa. - Se cuida, . Não vamos demorar. Tem comida na geladeira.
- Ok, mãe. - rimos. - Eu sei me cuidar, .
- Às vezes eu duvido, hein. - riu, se afastando. - Até mais tarde.
- Até. - joguei beijo e ela logo saiu, deixando-me sozinha naquela casa. Encostei-me à cabeceira da cama, fitando o teto branco. E se ela estivesse certa? E se não houvesse um real culpado nessa situação? Voltei a fitar meu celular mais uma vez, deslizando os dedos suavemente pelo botão de “responder”. - É melhor eu ir comer algo, é mais produtivo. - alertei para mim mesma, deixando o celular de lado e me levantando, rumando para a cozinha. Fui até a geladeira e achei uma lasanha congelada. É, seria isso mesmo. Coloquei no microondas e me sentei à mesa, esperando esquentar. Suspirei, apoiando a cabeça na mão. Tédio era o que me definia ultimamente, era o nada o que eu fazia durantes horas. Não que eu tivesse vontade de fazer muita coisa. A única coisa que rondava a minha mente era que se eu tivesse com o , nós estaríamos rindo de alguma piada sem graça dele, estaríamos assistindo algum filme bobo que eu teria escolhido, mas assistiríamos só até a metade, porque logo estaríamos nos beijando. Arght, esses pensamentos não saíam da minha cabeça. Não saía da minha cabeça a conversa que tive com Brigite, a garota da xerox lá da revista, ela reclamando do namorado, sobre tudo, como ele a irritava, como ele nunca fazia o que ela queria, sobre como ele nunca a surpreendia e como ela ainda lutava por eles. nunca foi assim. Ele nunca reclamava de nada, ele sempre fora muito carinhoso comigo, sempre me respeitou muito, sempre fez tudo o que podia por mim. Será que eu estava jogando uma relação valiosa fora? Fechei os olhos fortemente, sentindo meu corpo todo doer, implorar pelos braços dele em volta de mim mais uma vez. Ele me machucou, doeu muito saber que ele esteve com aquela mulher de novo. Me doeu também vê-lo tão confuso sobre a própria vida. Me doeu saber que ele não sabia quem eu era quando acordou. Me machucou vê-lo sem perspectiva sobre a própria vida. Mas me fez feliz quando ele quis ficar comigo. Me fez sorrir quando depositou a sua confiança toda em mim, quando acreditou no que eu sentia e dizia a ele. Um tropeço. Um erro. Eu ia deixar aquele cara por um erro? Eu ia achar alguém com o coração como o dele? Eu sabia a resposta, mas eu não tinha coragem de dizer em voz alta. O microondas apitou, avisando que a lasanha estava pronta, apenas a fitei, sentindo fome alguma. Levantei rápido, andando a passos largos até o quarto, abri o armário onde eu estava colocando minhas roupas e puxei tudo, tirando tudo de lá e jogando sobre a cama. Peguei a mochila debaixo da cama, colocando-a sobre a mesma, abrindo-a. - Dane-se! - falei alto, enfiando as roupas de qualquer jeito lá dentro. Peguei meus sapatos, que estavam ao lado da cama, e enfiei lá dentro também. Peguei minha bolsa e minhas maquiagens, e sai guardando tudo de volta na mala. Arrastei a mochila até a sala, jogando-a no chão, pegando o bloco de anotações ao lado do telefone e me sentando no sofá. Tirei a caneta do meu cabelo e comecei a escrever, rapidamente. Enquanto terminava de escrever, alguém bateu à porta da frente, fazendo-me bufar, impaciente. Será que a esqueceu de avisar que ia sair? Terminei de escrever e deixei o bloco ao lado do telefone, novamente. A batida soou de novo. - Já vai! - respondi alto, levantando-me e indo abrir a porta. Agradeci mentalmente por estar segurando fortemente a porta, caso contrário, minhas pernas teriam me traído e eu estaria no chão. Seus olhos brilhantes fitaram os meus, surpresos.
- Eu, ahm… Oi. - ele disse, enfiando as mãos dentro dos bolsos da calça. - A me enviou uma mensagem dizendo para encontrar ela e o aqui. - tentou se explicar. - Ela disse que você estava na casa dos seus pais. Desculpa, eu não sabia.
- Eles saíram para jantar. - falei, desviando o olhar e fitando o chão.
- Ah, ok. - ele concordou. - Ela deve ter se esquecido, não sei. Bom, avisa a ela que eu estive aqui, então, por favor. - pediu, virando-se para voltar a andar. Age, !
- Você quer entrar? - perguntei rápido. Ele parou onde estava e se virou, fitando-me novamente.
- Se for tudo bem pra você? - questionou cuidadosamente, aproximando-se novamente. Balancei a cabeça, assentindo e dando espaço para que ele entrasse. Ele sorriu e passou ao meu lado, entrando. Seu cheiro invadiu minhas narinas, quase que me dopando. Fechei a porta e me encostei nela, fitando-o, parado a minha frente, em pé. Parecíamos dois estranhos que se viam pela primeira vez. - Como você está?
- Estou bem. - falei, soando não muito convincente. Ele assentiu, passando a mão no cabelo. Ah, que saudades de passar a mão nesse cabelo. - Está com fome? Eu esquentei uma lasanha, caso queira.
- Eles estão te dando lasanha congelada? - ele perguntou, rindo. Ri também, assentindo. - Clássico daqueles dois.
- É, mas são ótimos amigos. - falei, mordendo o lábio inferior. Acompanhei seu olhar fitar minha boca, engolindo o seco e desviando depois. - Vem, eu te dou um pouco! - falei, desencostando-me da porta, andando rumo à cozinha.
- Sinto sua falta. - ele falou, fazendo-me parar de andar e escutá-lo. - Muita. - respirei fundo antes de me virar e encará-lo. tinha o olhar cansado, havia olheiras abaixo dos seus olhos, olhos que eu tanto amava.
- Eu sei. - falei baixo, sem parar de fitá-lo. Ele deu um passo na minha direção, eu não me movi do lugar.
- Volta pra casa! - pediu, dando mais um passo. - Eu juro que não quero mais te magoar.
- Eu sei. - repeti, observando-o se aproximar de mim cada vez mais.
- Eu sou apaixonado por você. - falou enfim, parando a poucos centímetros de mim. Eu podia sentir sua respiração bater no meu rosto, mas eu não sabia dizer se era a minha ou a dele que tinha acelerado. Meu coração pulava feito louco no meu peito.
- O que… O que disse? - perguntei, sentindo minha voz falhar. colocou uma mão sobre meu rosto e a outra na minha cintura.
- Eu sou apaixonado por você, . Eu acho que me apaixono mais todos os dias. - repetiu, encostando a testa a minha. Mordi fortemente os lábios. - Desculpa demorar a dizer isso. - suspirou alto. - Eu queria ter dito há muito tempo, mas você pediu um tempo para pensar, desculpa, eu só queria… - respirou fundo, fitando-me. - Você é tudo o que eu quero. - fechei os olhos, pendurando-me em seu pescoço.
- Ah, meu Deus! - sussurrei, apertando-o em meus braços. Ele apertou os braços na minha cintura, escondendo o rosto na curva do meu pescoço, fazendo-me arrepiar. - Ah, .
- Saudades desse cheiro. - ele falou, passando o nariz pelo meu pescoço. - Dessa pele… - sussurrou, encostando os lábios no meu ombro. Mordi os lábios, enfiando a mão no seu cabelo. Deslizou os lábios até o canto da minha boca. - Saudades dessa boca. - falou, fitando-a. Sorri, dando-lhe um selinho. Ele sorriu de volta, encostando os lábios de novo aos meus. Minha cabeça estava a mil. Eu não conseguia pensar direito, o seu cheiro me deixava alta, sua boca cobrindo a minha me fazia perder todos os sentidos. colocou intensidade no beijo, segurando-me fortemente, quase me tirando do chão. Suas mãos desceram pela lateral do meu quadril, puxando-me para o mais perto possível dele, no segundo seguinte, eu estava no seu colo, com as pernas cruzadas na sua cintura. Ele nos guiou até o sofá, sentando-se lá, fazendo-me ir junto, consequentemente. Passei as mãos pela suas costas. Ah, suas costas, como eu as amava. - O vai nos matar por estarmos fazendo isso no sofá dele. - ele sussurrou sem desgrudar os lábios dos meus. Ri, assentindo.
- Mas eu não tô ligando pra ele agora. - falei, sorrindo de lado e voltando a beijá-lo. Ele riu, segurando em minha cintura e colocando os dedões para dentro da minha blusa, acariciando minha pele. Puxei seu lábio entre meus dentes, soltando-o devagar, voltando a grudar nossos lábios. Eu precisava de ar? Precisava, mas eu realmente não estava me importando com isso. foi desacelerando o beijo e me dando vários selinhos demorados. Senti sua respiração descompassada bater contra minha boca. Sorri, passando os dedos sobre seus lábios e encostando a testa a dele. - Senti muito a sua falta. - confessei, fechando os olhos. - Demais.
- Linda! - soprou, dando-me um selinho. Abraçou minha cintura e encostou a cabeça no meu ombro. Sorri, acariciando seus cabelos. Beijou meu pescoço e me fitou, retirando-me de seu colo, levantou-se e parou à minha frente, estendendo a mão. - Vamos pra casa? - pediu, sorrindo. Olhei sua mão estendida a minha frente e mordi o lábio inferior.
- Já era tempo! - falei, aceitando a mão e me levantando.


abriu a porta de casa e deu espaço para que eu entrasse primeiro. Sorri, finalmente me sentindo em casa.
- Bem-vinda de volta, madame! - falou, jogando a minha mochila no chão e vindo até mim, abraçando-me por trás. Segurei suas mãos sobre a minha cintura, sentindo-me aquecida.
- Ah, como eu gosto do cheiro dessa casa! - confessei, sorrindo. Ele beijou meu pescoço.
- Eu gosto do seu cheiro. - falou, beijando novamente. Fechei os olhos, sentindo seus lábios passearem entre meu pescoço e mandíbula. Virei-me de frente pra ele e cruzei meus braços no seu pescoço, enquanto suas mãos continuavam em volta da minha cintura.
- Eu te odiei esses dias, sabia? - confessei, mordendo meus lábios, passando os dedos pelo seu cabelo. Ele suspirou alto, encostando a testa a minha, fechando os olhos.
- Eu também me odiei, . - falou, abrindo os olhos e me fitando. - Muito.
- Na verdade, eu não consegui te odiar de verdade. - dei de ombros, dando-me por vencida. - Mas eu odiei a forma como estávamos. - expirei, soltando o ar de uma vez. - A forma como eu sentia tanto a sua falta. - apertei de leve sua nuca. beijou a ponta do meu nariz, a minha testa e me apertou em seus braços, deixando minha cabeça descansar em seu peito.
- Isso não vai mais acontecer. - avisou, acariciando de leve meus cabelos. - Eu prometo! - sorri, fechando os olhos e me deixando aconchegar, abraçando-o pela cintura. Ah, eu estava em casa novamente!

***

Estiquei a mão até a bacia de pipoca sobre o meu colo, apanhando um punhado de delas. Me remexi, no sofá, deitada no colo de , enquanto assistíamos a algum programa qualquer na TV. Depois de dias perturbadores, eu mal podia acreditar que eu estava ali de novo, no lugar onde eu me sentia tão confortável. Sorri, antes de colocar as pipocas na boca. Fitei , observando seu olhar concentrado na TV. Ele deve ter sentido o olhar sobre ele, pois segundos depois ele me fitou de volta. Levantou a sobrancelha, confuso.
- O que foi? - perguntou. Balancei a cabeça, negativamente. - A TV é pra lá, .
- Eu tô bem assim, obrigada. - rebati, rindo. Ele rolou os olhos, dando risada também. - Eu só senti falta disso, muita falta. - ele sorriu, apertando meu nariz, fazendo-me contorcer o rosto numa careta.
- Eu também senti. - confessou, abaixando o rosto até o meu, depositando um selinho demorado em meus lábios. - Essa casa sem você, sério, não é a mesma coisa. - mordi o lábio, prestando atenção às suas palavras. - Você estava em todos os cantos. Seu perfume estava em todos os lugares. , mesmo você não estando aqui, você preenchia essa casa inteira.
- Você é lindo! - falei baixo, puxando-o pela gola da camiseta, aproximando o rosto novamente do meu.
- Sou mesmo. - e riu, beijando-me enfim. Toda sensação que eu sentia quando seus lábios estavam sobre os meus eram tão novas e tão conhecidas ao mesmo tempo, era uma mistura tão satisfatória entre amor e desejo. Ao mesmo tempo que eu queria abraçá-lo fortemente, eu queria arrancar suas roupas na mesma proporção. Isso fazia sentido? Ele riu durante o beijo, tirando a bacia de pipoca do meu colo, colocando-a no chão. Puxou-me pelo pescoço, fazendo-me sentar no sofá, tudo isso sem desgrudar a boca da minha. Me ajeitei para mais perto dele, agarrando-o pela camisa, deslizando a outra mão pelo seu pescoço, enquanto uma de suas mãos segurava levemente meu queixo, a outra, em compensação, segurava minha cintura com força. me empurrou lentamente até minhas costas encontrarem o encosto do sofá, se encaixou entre minhas pernas e trilhou beijos pelo pescoço e ombro. Mordi o lábio inferior com força, fechando os olhos. - Vamos para o quarto!
- É? - perguntei ofegante. Ele balançou a cabeça, concordando.
- A gente merece um quarto… - respondeu, saindo de cima de mim e me puxando consigo. - A gente merece um colchão bem grande. - ri, concordando e me deixando ser levada até o nosso quarto. Assim que entramos, ligou as luzes, fiz uma careta.
- Desliga isso! - pedi, tentando alcançar o interruptor, ele me impediu.
- Não, eu quero te olhar! - falou, fitando-me intensamente. Senti minhas bochechas esquentarem. - Eu quero gravar cada parte do seu corpo… - falou, aproximando-se de mim novamente. - Cada expressão sua, cada gemido… - sussurrou perto do meu ouvido. - Cada vez que você morder os lábios pra não gritar. - fechei os olhos, mordendo os lábios. beijou meu pescoço e logo deixou uma mordida ali, fazendo-me arrepiar. Ele puxou a cordinha do meu short, soltando o pequeno laço, puxando para baixo logo após. Chutei o mesmo para o lado, observando cada movimento que fazia. Ele fitou minhas pernas, traçando o caminho lateral delas até minha cintura com as mãos, subindo até meu top. Ele fixou os olhos nos meus e lentamente foi levantando o top, levantei os braços para que ele retirasse por completo, deixando-me apenas de calcinha a sua frente. Ele sorriu malicioso, olhando-me de cima a baixo, deixando-me incrivelmente sem graça. Sim, esse cara ainda conseguia me deixar sem jeito. - Damn!
- ... - falei, sem graça. Ele sorriu, segurando meu rosto com as duas mãos, aproximando o rosto do meu.
- Você é maravilhosa… - soprou perto dos meus lábios. - E eu estou muito afim de você. - beijou de leve meus lábios, sugando-os logo após. - E estou muito apaixonado. - sorri idiotamente, finalmente beijando-o devagar. Sem parar de beijá-lo, puxei para cima a camiseta que ele vestia, parando somente para jogá-la ao chão junto ao meu short. apertou as mãos na minha cintura subindo até meus seios, fazendo-me morder seus lábios. Deixei minhas unhas trilharem o caminho das suas costas, com certeza deixariam marcas por ali. Como se eu ligasse! arfou ao sentir minhas mãos descerem até o cós da sua bermuda, enfiando os dedos por dentro da mesma. - Ah, ... - sussurrou quase em desespero. Sorri, satisfeita. Eu não era a única desesperada ali.
- Quer saber o que dias sem seu corpo fazem comigo? - perguntei baixo, virando-o de costas para a cama, jogando-o lá. Ele sorriu maliciosamente.
- Me mostra, ! - respondeu no mesmo tom. Ri alto, jogando-me por cima dele. Ah, é, todos nós sabemos que saudades a gente mata aos poucos. Aquela foi uma longa noite!

***

Ouvi uma risada de criança ao longe e soube que a festa já tinha começado. Era aniversário de dezoito anos de Blue, irmã de , a família em peso e amigos estavam presentes na festa de piscina da pequena. segurou minha mão e nos guiou para dentro da casa dos pais, onde acontecia a festa. Assim que entramos, foi notável o alvoroço, a casa estava lotada: os jovens na piscina, os mais velhos conversando e bebendo e as crianças brincando numa piscina de plástico. Sorri, pois eu amava aquele clima familiar. Avistei Blue mais a frente, conversando animada com um grupo de garotas da mesma idade que ela. Ela usava um maiô verde esmeralda, que contrastava bem com a cor de seus olhos.
- Como meu pai deixa essa garota usar esse pano de chão? - resmungou ao observar a irmã. Ri baixo, achando graça dos ciúmes dele. era do tipo de irmão que amava implicar, mas que no fundo era muito protetor com tudo.
- Não começa, é o dia dela! – alertei, apertando sua mão. Ele rolou os olhos, assentindo e nos puxando para onde estava o restante dos convidados. Blue nos viu chegar e sorriu largamente, correndo até nós. Prendeu-me fortemente num abraço apertado. – Feliz aniversário, princesa! – desejei, abraçando-a de volta.
- Obrigada, ! – agradeceu, soltando-me. Sorri, colocando uma mecha de cabelo dela atrás da orelha.
- Você está linda! – falei, sendo sincera. Blue era o tipo de garota que era fácil se encantar, pois além de linda por fora, era encantadora por dentro. A educação dos era impecável. Blue se virou para o irmão, que a fitava com os olhos cerrados.
- Oi, ! – ela falou, sorrindo sarcástica.
- Vem cá, pirralha! – ele falou, rindo, puxando-a pelos braços e a abraçando. Ela sorriu, aconchegando-se no irmão mais velho. – Feliz aniversário, maninha! – beijou o topo da cabeça dela. – E para de crescer! – ela riu.
- Eu não, eu tô adorando ver você virar um tiozão. – zombou, soltando-se dele.
- Te amo, baixinha! – declarou baixo. Ela sorriu, terna.
- Também te amo, . – ele jogou uma piscadinha pra ela, me fazendo sorrir boba, fitando os dois.
- Ei, aqui, trouxe um presente pra você! – ele falou, lembrando-se do embrulho roxo em suas mãos. Ela saltitou, animada, apanhando o presente e abrindo apressadamente.
- Não acredito! – exclamou animada. – Eu estava atrás de um desses! – olhou desconfiada para o irmão. – É claro que não foi você que escolheu, né?
- Tá duvidando do meu bom gosto, menina? – fingiu estar ofendido, fazendo-me rir e revirar os olhos.
- Claro! – foi óbvia. – Você só teve bom gosto quando escolheu a , só.
- Muito obrigada, cunhadinha! – ri, fazendo um toquinho de mãos com ela, que concordou, rindo junto.
- Muito engraçadas vocês, hein? – falou, batendo o braço no meu ombro, de leve. Dei de ombros. – Anda logo, eu quero beber! – pediu, segurando novamente minha mão e me puxando para a festa. Blue riu e voltou a se juntar aos amigos na piscina. nos guiou até onde os pais dele estavam junto com os tios. – Fala, Jimmy! – chamou alto, dando um tapinha nas costas do pai, que riu, abraçando o filho.
- Oi, sogrinho! – sorri, cumprimentando-o, também, com um abraço.
- Ah, minha nora querida! – abraçou-me de lado. – Essa aqui é uma menina de ouro, Henry. – falou ao irmão, que estava ao seu lado. – Meu menino não podia ter escolhido nora melhor.
- Ah, que isso, James! – sorri sem graça, fitando o restante da roda. Soltei-me de James e fui até Sue, dando-lhe um abraço. - Como vai, Sue?
- Vou bem, minha querida, e, você? - beijou minha bochecha, passando a mão pelo meus cabelos. Sorri, assentindo. - Vivian, essa é a , namorada do . Acho que você não a conheceu na última festa de família.
- Não, realmente. - sorriu, estendendo a mão. - Prazer, . Sou Vivian, tia do e esposa do Henry.
- É um prazer, Vivian! - sorri, aceitando a mão.
- Ah, me Deus! - ouvi uma exclamação alta atrás de nós, chamando nossa atenção, fazendo-nos virar para encontrar o dono da voz, ou melhor, a dona. Uma garota de uns vinte e poucos anos sorria largamente. Ela usava um short jeans e a parte de cima de um biquíni, sua pele era bronzeada e seus cabelos eram longos e cacheados. Ela correu até nós e saltou, pulando no pescoço de . Levantei a sobrancelha, observando a cena. - , eu não acredito!
- Mel! - ele sorriu, abraçando-a de volta. - Quanto tempo, garota!
- Você me largou! - se soltou dele, dando um tapinha em seu ombro.
- Desculpa, quebrei a nossa promessa. - fez uma careta, rindo.
- É, você quebrou! - ela fez um biquinho, cruzando os braços. - Me deixou em Oxford e ficou em Londres. Você prometeu que iria me buscar!
- Me perdoa, Mel. - ele sorriu, abraçando-a de lado. - Nós éramos muito novos quando fizemos essa promessa.
- Só perdoo se depois me levar pra dar uma volta em Londres. - avisou, jogando uma piscadinha pra ele.
- Tá combinado! - ele sorriu, concordando. Cruzei os braços, fitando-os, curiosa. Dei um pigarro um pouco alto, chamando atenção deles. olhou pra mim e sorriu, sem jeito. - Ah, Mel, essa é a . - ele apresentou, apontando para mim. - , essa é a minha prima Melanie.
- É um prazer, . - a morena acenou.
- Igualmente, Melanie. - sorri, sem mostrar o dentes. - nunca havia me falado sobre você. - lancei um olhar significativo para ele, que deu de ombros.
- Esses dois eram unha e carne na adolescência, depois entrou para a universidade e ficou difícil ir com tanta frequencia para Oxford. - Vivian falou, observando-os. - Melanie ficou bem triste aquela época.
- Triste? Eu fiquei arrasada, mãe! - Melanie rebateu, fuzilando . - Mas, ok, não vou guardar mágoas, pois estava com saudades desse menino! - agarrou o braço de . - Vai me pagar uma bebida ou não?
- Mel, a bebida é por conta da casa! - ele riu, apontando para uma grande mesa onde estavam as bebidas da festa.
- Ali só tem suco, , eu tô falando de bebida de gente de grande. - sorriu maliciosa, fazendo-o rir. virou-se para o pai, esperando alguma reação do mais velho.
- No freezer tem cerveja e no bar tem whisky. - avisou, rindo e dando de ombros. - Não exagerem!
- Isso eu não prometo! - Melanie avisou, puxando com ela para dentro da casa. E sim, eu fiquei lá, apenas observando sendo ser deixada para trás. Senti uma mão no meu ombro e me virei, encontrando com Sue, sorrindo.
- Não se preocupe, eles só estão há muito tempo se ver! - avisou, jogando uma piscadinha pra mim. Assenti, balançando a cabeça.
- É. - disse apenas. - Bom, eu vou pegar algo para beber. - avisei, andando até a mesa de bebidas, pegando um copo de suco de morango e indo até Daphne, que terminava de enxugar Peter. Sorri, aproximando-me deles. - Oi, príncipe!
- Tiiiia! - ele pulou animado, soltando-se da mãe e correndo até mim. Agachei-me e o abracei.
- Ah, que coisinha mais gostosa da tia! - falei, beijando o rosto dele, que riu. - A tia tava com saudades.
- Também, tia! - ele falou, soltando-se de mim. - Sede! - apontou para o meu copo de suco. Ri, estendendo para ele, que pegou prontamente e bebendo o conteúdo.
- Peter! - Daphne ralhou, dando um tapinha na própria testa. - Desculpa, !
- Imagina! - abanei o ar, dando de ombros. Afaguei o cabelo molhado de Peter, enquanto ele tomava com muito gosto o suco. - Como vai a vida?
- Vai bem, hoje só sou eu e Peter, porque Eric teve que viajar a trabalho. - rolou os olhos, mas depois sorriu, fitando o filho. - Mas Pete me distrai bastante.
- Aposto que sim. - sorri, beijando a cabeça da criança.
- Onde está ? - perguntou, procurando por ele. Suspirei.
- Sumiu com a prima, uma tal de Melanie. - expliquei, mordendo o lábio e a fitando.
- Oh, Mel ! - ela riu. - Esses dois juntos já causaram bastante bagunça por onde passaram.
- Ah, é? nunca havia me falado sobre ela. - confessei.
- Eles eram muito unidos na idade de Blue, mas com o tempo se afastaram. - explicou, dando de ombros. - Já estragaram alguns carros do tio Jimmy e do tio Henry, já fez a tia Sue buscá-los na delegacia, já quase colocaram fogo num banco. - ela riu, balançando a cabeça. - Mas, graças a Deus, eles cresceram e criaram juízo!
- Nossa! - soltei, surpresa. - Esse é um lado que eu não conhecia do .
- É, mas como eu disse, já faz tempo. É só história agora! - piscou pra mim. - Ei, Pete, quer ir comer alguma coisa?
- Não, eu quero ficar com a tia . - avisou, se apertando mais em mim. Sorri, fazendo uma cara fofa.
- Não se preocupa, eu fico de olho nele. - avisei, vendo-a assentir e se levantar.
- Vou aproveitar o sossego e comer algo, qualquer coisa me avisa. - pediu e eu assenti, concordando. - Juízo, Peter ! - ele apenas riu, se escondendo nos meus braços. Daphne saiu de perto, indo comer algo. Sorri, arrumando o cabelo de Peter e o segurando pela mão.
- Vamos procurar o tio ? - perguntei, fitando-o. Ele sorriu largamente, pulando em excitação. Ri, achando fofo e nos guiando para dentro da casa dos meus sogros. Ouvi risadas vinda da copa e segui o som até lá, encontrando e Melanie, esta sentada sobre o balcão com uma garrafa de whisky nas mãos e parado a sua frente, segurando um copo cheio do mesmo.
- Tiiio! - Peter gritou assim que viu , o mesmo se virou, fitando-me e depois o pequeno mais embaixo. sorriu, deixando o copo sobre o balcão e se agachando.
- Pete! - chamou a criança, que soltou-se de mim e correu até o mais velho. - Fala, campeão! - o abraçou, bagunçando o cabelo que eu tinha acabado de arrumar. Balancei a cabeça. - Você está muito grande, Peter!
- Grandão! - ele falou alto, ficando nas pontas dos dedos e levantando os braços. Nós rimos.
- Nem dá pra acreditar que esse serzinho é filho do Eric. - Melanie falou, observando Peter. - Estou ficando velha!
- Está mesmo! - concordou, rindo, recebendo um tapa no braço logo após. - Ouch! Eu vivo apanhando sem motivo!
- Dúvido! - ela riu, deixando a garrafa de lado e me fitou, finalmente. - Chega mais, ! - pediu, sorrindo. Levantei a sobrancelha, desconfiada, mas me aproximei. - estava me falando de você!
- Estava? - perguntei, fitando-o. Ele sorriu, pegando Peter no colo, deixando-o brincar com o seu cabelo, bagunçando-o na verdade. Ah, outro cabelo que eu tinha arrumado com tanto carinho.
- Sim, ele me disse que vocês moram juntos. - explicou, fitando-me. - E eu disse que ele era muito sortudo, porque você é muito bonita pra ele. - ela riu, fitando .
- Ahm, obrigada… Eu acho. - falei baixo. Fitei a garrafa de whisky pela metade sobre o balcão. Suspirei. - Vocês beberam?
- Só um pouco, já estava aberta! - explicou, mas com o olhar preso em Peter. Mordi o lábio, desconfortável ali.
- Bom, é melhor eu levar o Peter para comer alguma coisa. - avisei, pegando Peter do colo de . - Não é, príncipe? Você está com fome?!
- Quero bolo! - avisou, esticando a mão para fora da casa. Sorri, beijando sua bochecha. nos fitou, sereno e terno, sem piscar.
- A gente se vê depois! - avisei, acenando com a cabeça e saindo de lá. - Adultos são complicados, não é, Pete? - perguntei como se ele fosse saber a resposta. Ele apenas sorriu, fitando a mesa de comidas. Nos guiei até lá, pegando um pedaço de bolo de laranja e colocando num pratinho. Andei até a piscina onde os mais jovens estavam e nos sentei em uma das espreguiçadeiras que tinham ali perto. Ajeitei Peter no meu colo e deixei que ele se alimentasse, enfim. Blue estava dentro da piscina abraçada ao namorado, Mark. Sorri, achando-os fofos. Eles combinavam e estava visivelmente apaixonados. Ela me viu ali e se aproximou, sorrindo.
- Cunhas, eu quero um sobrinho! - ela pediu, segurando o pezinho de Peter, que sorriu para ela com a boca cheia de bolo. Ri, balançando a cabeça.
- Nem vem, isso tá longe de acontecer, Blue! - falei, voltando a ajeitar Peter no meu colo.
- Eu vou amar ter um mini furacão correndo por aqui. - ela falou, sorrindo sonhadora. Mark riu, abraçando-a por trás.
- Não dá corda pra ela, . - ele beijou a bochecha da namorada. - Essa garota sonha demais!
- E você ama isso! - alfinetou, apertando o nariz dele, que riu, dando de ombros. - Cadê o meu irmão? - Blue perguntou ao reparar que o mais velho não estava ao meu lado.
- Está com Melanie na copa. - avisei.
- Arght, Melanie! - Blue revirou os olhos. - Eu pedi pra minha mãe convidar a tia Vivian, não a demônia da filha dela.
- Blue! - falei, rindo.
- É sério, eu não suporto muito aquela garota. - deu de ombros. - Ela sempre tentou roubar a atenção de de mim quando eu era criança, peguei birra. Processe-me!
- Quem é você e o que fez com a minha princesa? - perguntei, rindo. Ela riu junto.
- Sua princesa tá crescendo, ! - sorriu, mordendo os lábios. - Por falar nisso, depois a gente precisa de um tempo à sós, só as meninas.
- Ah, é? Algo que queira me contar? - perguntei, levantando a sobrancelha, curiosa. Ela e Mark se entreolharam e sorriram, depois ela virou-se para mim novamente.
- Depois a gente conversa! - e sorriu.
- Blue, Blue! - ri, balançando a cabeça.
- Quero mais não! - Peter avisou, empurrando o prato para longe. Tirei o prato de perto, colocando ao meu lado, enquanto limpava a boca dele com os dedos mesmo. Ouvi a risada de e girei meu rosto até a entrada da casa. Lá estava ele e Melanie, saindo de dentro da casa, rindo bastante. Ela tinha o braço entrelaçado ao dele e falava algo no ouvido do mesmo. Mordi meu lábio, observando-os. virou-se para mim, fitando-me. Peter se remexeu nos meus braços, ficando em pé no meu colo, apertando as mãozinhas no meu rosto, fazendo-me sorrir para ele. Segundos depois, ouvi passos se aproximarem e surgir ao meu lado. Ele sorriu, parando a minha frente.
- Ei! - cumprimentou, depois fitou a irmã e o namorado. - Fala, Mark!
- E aí, ?! - Mark acenou e puxou Blue para longe de nós. sentou-se ao nosso lado na espreguiçadeira, acompanhei com o olhar seus movimentos.
- Se divertindo? - perguntei, arrumando novamente o cabelo de Peter, que tinha o olhar preso em .
- Nah, eu prefiro aqui com você! - confessou, segurando a mãozinha de Peter entre seus dedos. O fitei. - Sabe, esse tempo que estive conversando com Melanie me fez perceber uma coisa.
- Ah, é? - ele assentiu. - O quê?
- Eu mudei. - falou simplesmente. - Eu amadureci. - suspirou, fitando-me. - É bom relembrar da época que eu era meio inconsequente, aprontava muito, me divertia bastante, não vou negar… Mas, , esse ficou para trás há alguns anos. - sorriu, fitando-me e depois Peter. - E vendo você aqui, segurando Peter, me fez querer continuar nesse que sou hoje. Eu quero um futuro pra gente, sabe? Quero ser esse cara maduro o suficiente para ser alguém que você queira pra vida toda! - sorri boba, segurando sua mão. Ele sorriu.
- Você é o meu cara pra vida toda, ! - sorri, aproximando meu rosto do dele e beijando de leve seus lábios.
- Titia! - Peter fez, escondendo o rosto entre as mãos. Nós rimos.
- A gente pode até pensar, daqui um tempo, ter um desses. - falou, beijando a bochecha de Peter. Eu ri.
- Segura a onda, aí! - rimos. sorriu, deitando-se na espreguiçadeira e, consequentemente, levando Peter e eu juntos. Deixei o pequeno ficar no meio de nós dois, enquanto ele brincava com o cordão de . Senti um olhar sobre nós e girei o rosto, encontrando Sue e James nos fitando, abraçados e sorridentes. Tá aí um casal que eu levava como exemplo pra vida. Sorri mais uma vez e me aconcheguei nos braços de , sentindo-me abençoada.

Fim do ponto de vista da

Capítulo 14



Fitei a tela do meu computador, satisfeito com o meu trabalho estampado ali. Horas de trabalho para conseguir que eu gostasse, enfim, do resultado final. Estiquei minhas costas na cadeira, estralando os dedos das mãos, sentindo o peso do dia por todo o meu corpo. O telefone da minha sala tocou e no segundo toque, eu atendi.
- . – apertei o botão de alto falante.
- Tá ocupado, ? – a voz de ecoou na sala silenciosa.
- Não, encerrei já, quase indo embora, por quê? – perguntei, desligando o computador.
- Ótimo, também já encerrei. Você vai fazer alguma coisa depois que sair daqui? – perguntou, interessado. Neguei. – Então, e eu queríamos sair pra jantar com você e a . Topa?
- Claro, só tem que ver com ela. – informei, encostando o cotovelo na mesa e apoiando a cabeça na mão, fitando o telefone.
- A já falou com ela, a topou. Só fiquei de confirmar com você mesmo. – explicou.
- Tudo bem, então. Quando sair, passa aqui e a gente vai. – pedi. Ele concordou e desligou. Suspirei cansado, pegando a carteira sobre a mesa e enfiando no bolso da calça, peguei o celular e acessei o instagram, vi que havia postado um novo story, abri rapidamente. Na foto ela segurava uma caneca de café em frente ao rosto e a legenda embaixo. “Amor da minha vida, não vivo sem.” Ri, clicando em responder. Digitei rapidamente: “Amor da sua vida, né? Bom saber!” e enviei. Rapidamente eu recebi uma resposta dela. Ela mandou uma foto da proteção de tela de seu celular, onde estava uma foto nossa, eu rindo e ela beijando minha bochecha. Sorri, pois eu me lembrava daquele dia. acrescentou uma legenda embaixo: “Esse é o amor da minha vida inteira! <3”. Sorri idiotamente, fitando aquela foto. Enviei um coração pra ela e bloqueei a tela do celular, logo em seguida, bateu na porta e me chamou para irmos para o restaurante. Nos encaminhamos para lá e assim que chegamos ao local, as meninas já estavam nos esperando numa mesa. Cumprimentei com um abraço e com um selinho, sentando-me ao seu lado. Um garçom apareceu entregando o cardápio para cada um, escolhemos o prato e as bebidas, que logo foram entregues a nossa mesa.
- Então, o que devo a honra do casal nos convidar para um jantar em plena segunda-feira? - perguntou, tomando um gole do seu suco. e se entreolharam sorrindo. Levantei a sobrancelha, observando-os.
- Bom, como vocês dois são nossos padrinhos, decidimos que seriam os primeiros a saberem. - falou, sorrindo e fitou o noivo.
- Nós marcamos a data do casamento! – falou enfim. pulou animada, me fazendo rir.
- Até que enfim! – sorriu feliz.
- Então, pra quando é? – perguntei curioso.
- Não agendem nada para daqui quatro semanas. - avisou, sorrindo.
- QUATRO? - quase gritou. – Isso é praticamente amanhã, amiga.
- E por isso que eu sei que você vai me ajudar a deixar tudo lindo até lá, né? – ela pediu, puxando as mãos da amiga.
- Por que tão em cima? – perguntei, fitando .
- Decidimos fazer o casamento em Bournemouth mesmo, essa é época que a maré fica mais baixa e dá pra fazer o casamento na praia. – ele sorriu, fitando a noiva, que assentiu sorrindo também. – Vamos precisar de ajuda e contamos com vocês!
- É claro, maninho! – falei, fazendo um toque de mãos com ele.
- A gente precisa ir atrás da decoração, sua louca! - avisou, fitando a amiga.
- Sim, senhora! – ela riu, animada. – Eu tenho várias ideias!
- O que a gente pode ajudar? - perguntou, fitando-as.
- Amor, só esteja lá na hora! - avisou, segurando o braço dele.
- Ouch! – ele fez, colocando a mão no peito. – Eu não vou estragar nada, amor.
- Eu sei que não, por isso você vai ficar de fora! – sorriu daquele jeito meio maníaco dela, segurei uma risada. – Porque se estragar, talvez você não seja convidado para o casamento.
- Relaxa, , eu vou cuidar da sua despedida de solteiro! – avisei, jogando uma piscada pra ele, que riu.
- Eu te mato se tiver stripper nessa despedida, ! - alertou, apontando o dedo pra mim. Levantei as mãos em rendição.
- Mas qual a graça se não tiver? – perguntei, fazendo uma careta. me deu um tapinha no braço. – Ouch!
- Sem strippers, ! - também avisou, fuzilando-me com o olhar. Rolei os olhos, concordando.
- Tá bom, vai. – falei, virando-me para e joguei uma piscada.
- Eu vi isso! - avisou, fuzilando o noivo. O tava ferrado na mão dessa mulher. – E vocês, como estão? – perguntou, fitando e eu.
- Estamos bem. - respondeu me olhando e sorrindo. – Ainda não acredito que você armou tudo, mulher!
- Eu não conseguia mais assistir vocês dois daquele jeito, amiga. – ela deu de ombros. – Só foi sair de cena e mandar uma mensagem para o . – ela estalou os dedos. – E pronto, mágica feita!
- Seremos gratos por isso, ! – falei, sorrindo. – Apesar de ter sido feito de bobo!
- Foi por uma boa causa, , foca nisso! – pediu rindo e nos fazendo rir junto. – A melhor coisa foi chegar em casa e ler o bilhetinho da . - sorriu, sem jeito. – “Amiga, obrigada por tudo, mas eu preciso voltar para o meu lar. Onde eu jamais deveria ter saído!”. – repetiu as palavras do bilhete. – “Ps: deixei uma lasanha no forno, desculpa!”. – revirou os olhos. – Aquilo lá custa dinheiro, .
- Eu pedi desculpas, oras! – deu de ombros. – E o comeu depois que eu sei.
- Mas não deveria, ele tá na dieta do noivo! – fitou de canto de olho.
- Você é que tá, eu disse que não ia entrar nessa! – riu, tomando um gole da sua cerveja.
- Arght, homens! – balançou a cabeça, negativamente. – Por falar nisso, , sexta, depois da viagem, a gente vai atrás do meu vestido de vez, aquelas lojas que fomos estão com vestidos lindos.
- Certo, eu também gostei! - sorriu, concordando. – E, meninos, depois eu vou enviar o endereço para vocês olharem os fraques que a gente escolheu.
- Nem isso a gente vai escolher? - perguntou, frustrado.
- Claro que vai, mas a partir daqueles que já pré-selecionamos! - riu, dando de ombros. – Não reclama, tem que combinar com o vestido.
- Ok. – respondeu a contragosto, cruzando os braços, parecendo uma criança contrariada.
- Não faz essa carinha, amor, vai ficar tudo lindo, eu prometo. - disse, apertando a bochecha dele. – E nós vamos ser muito felizes!
- Disso eu tenho certeza! – ele sorriu, beijando-a rapidamente. Mais tarde, depois de finalmente nos alimentarmos, cada casal seguiu para as suas respectivas casas. Eu estava morto, assim que entrei no quarto, me joguei na cama. riu, sentando-se ao meu lado. Senti os dedos de deslizarem por meu cabelo, fazendo um carinho bom. Sorri, apreciando.
- Isso é bom. – falei, fechando os olhos. Ouvi sua risada baixa e logo ela se deitou ao meu lado, de frente pra mim, sem deixar de acariciar meus cabelos. Abri os olhos, fitando-a. – Vem cá! – falei, puxando-a pela cintura e juntando nossos corpos. Escondi o rosto na curva do seu pescoço e inspirei o aroma que o mesmo emanava. Cara, aquilo era viciante.
- Isso faz cócegas! – confessou, rindo. Ri junto, passando meu nariz pelo seu pescoço, assistindo o mesmo se arrepiar ao meu toque.
- Esse arrepio é de cócegas também? – perguntei baixo, perto do ouvido dela. Ela riu, assentindo. – Tem certeza?
- Tenho! – a voz saiu baixa e contida. Beijei seu pescoço, ouvindo suspirar. Sorri satisfeito, depositando uma mordida leve no local e assoprando logo após. – Ok, ok. Não é cócega!
- Eu sabia! – ri, desenterrando o rosto do seu pescoço e a fitando. mordeu o lábio, levantando a mão até meu rosto e apertou o meu queixo, aproximando meu rosto do seu. Senti seus lábios encostarem levemente sobre os meus e seus olhos se fixaram aos meus, esperando uma reação. Sorri, pressionando ainda mais nossas bocas, fazendo-a entreabrir os lábios para que eu pudesse finalmente a beijar. Quando eu ia aprofundar o beijo, senti algo vibrando no meu bolso.
- Amor, seu bolso está se mexendo! - ela sussurrou sem desgrudar a boca da minha. - Está animado comigo?
- Infelizmente, não sou eu! - soprei, suspirando e enfiando a mão no meu bolso, retirando de lá um celular. - É o seu celular, que você enfiou no meu bolso no restaurante. - expliquei, verificando a bina. Rolei os olhos. - Jake.
- Ah, é o Jake! - ela sorriu, pegando o celular.
- Esse cara te liga toda hora, ! - falei, soltando-me dela.
- Não começa, ! - avisou, sentando-se na cama. - Você sabe que ele é o novo estagiário da revista e eu estou o supervisionando. Aliás, ele vai comigo amanhã na viagem.
- É? Ótimo, hein! - forcei um sorriso. Ela riu, apertando meu nariz.
- Ciumentinho! - falou, colocando a mão sobre a minha boca, tampando-a. - Agora, shh, eu preciso atender. - avisou, fazendo-me rolar os olhos e assentir. - Ei, Jake! - atendeu enfim, soltando-me. - Imagina, não está incomodando. - a fitei, levantando uma sobrancelha, desafiando-a. Ela riu, balançando a cabeça. - Isso. Vamos sair amanhã à tarde! Ok, tudo bem. - peguei sua mão livre e coloquei sobre o meu cabelo, instigando-a fazer cafuné no mesmo. Deitei minha cabeça em seu colo e a fitei, sorrindo. Ela retribuiu o sorriso e se dando por vencida, acariciando meus cabelos. Fechei os olhos com um sorrisinho bobo no rosto. - O voo sai às quatro e meia. Aham, só nós quatro. - avisou. Abri os olhos, voltando a fitá-la. Ela mordeu o lábio, desviando o olhar do meu e rindo. - Não seja bobo, Jake. - bufei, rolando os olhos. Sim, eu queria atenção. Sim, eu estava com ciúmes. - Eu acabei de sair de um jantar, mas obrigada pelo convite. - abri a boca levemente, fitando-a. O cara tinha a convidado para jantar? Que abusado, cara!
- Ok, chega! - avisei, aproximando a boca do microfone do celular. - Ela tá ocupada agora, amigo.
- ! - me repreendeu, afastando-se de mim. - Desculpe, Jake. Não liga! - me fuzilou com o olhar. - Ahm? Ah, é o meu namorado! - ela balançou a cabeça, negativamente. Apenas ri, dando de ombros. - Ele é um ridiculo! - mostrou língua pra mim. - Ok, então. Até amanhã! Beijos. - e desligou, finalmente.
- Até que enfim! - falei, puxando-a pela cintura. Ela riu, entrelaçando os braços no meu pescoço.
- Você é um bobão, sabia? - perguntou, sentando-se no meu colo. Sorri, assentindo.
- Sabia. - encostei meu nariz ao dela. - Mas um bobão muito sexy, né?
- Muito intrometido também. - mordeu o lábio, enfiando os dedos no meu cabelo. - Ele só é um colega, .
- Eu sei, mas eu saquei que ele queria te levar pra jantar, . - beijei sua bochecha. Ela sorriu, assentindo.
- Mas eu não iria, meu amor. - avisou, fitando-me. Suspirei, escondendo o rosto entre os seios dela. Ela riu, puxando meu cabelo e me fazendo a fitar novamente. - Agora esquece o Jake, tá? Aproveita, porque você vai ficar sem mim por dois dias.
- Você tem que ir mesmo? - perguntei, fazendo uma careta.
- Eu preciso ir, baby. - fez um biquinho, beijando meus lábios rapidamente.
- Vocês vão amanhã à tarde? - perguntei e ela assentiu. - Então, a parte da manhã vai ser nossa.
- Mas você trabalha, ! - levantou a sobrancelha, rebatendo.
- Eu falto a parte da manhã, não tem problemas! - dei de ombros.
- O vai te matar! - avisou, rindo.
- Ele deve fazer a mesma coisa, . - avisei, lembrando que a noiva dele viajaria também. Ela fez uma cara pensativa.
- Ok, não serei eu quem vai te dissuadir. - riu, dando-se por vencida. - Prometo te trazer um presente de Milão.
- Traz você de volta, é só o que eu quero! - avisei, colocando uma mecha de cabelo dela atrás da orelha. Ela sorriu, assentindo e encostando o nariz ao meu.
- Mas vou trazer uma lingerie nova, então. - sussurrou. Sorri malicioso.
- Isso é super permitido! - avisei, derrubando-a de uma vez na cama, fazendo-a soltar um gritinho de surpresa. Ri, ficando por cima dela, prendendo seus braços acima da sua cabeça. mordeu o lábio inferior, fitando-me. - Não morde o lábio assim.
- Não? - perguntou, voltando a morder. Neguei, aproximando o rosto do dela e falando baixo.
- Esse é o meu trabalho! - alertei, puxando o lábio dela com os dentes.
- Você fala demais, ! - falou, rindo e me puxando para beijá-la. Ri durante o beijo, mas me entreguei assim que senti sua língua se misturar a minha. Desci minhas mãos para a sua cintura, apertando-a com certa força. Ouvi arfar baixo, segurando um gemido. Ela entrelaçou as pernas na minha cintura, trazendo-me para ainda mais perto dela. Acho que a intenção dela era nos fundir. Senti seus dedos hábeis abrir os botões da minha camisa rapidamente, deslizando pelos meus braços e indo para no chão, ao lado da cama. Desci os beijos para o pescoço dela, enquanto puxava e bagunçava meu cabelo. Subi seu vestido até a altura do quadril, embreando minhas mãos até a sua calcinha. Enrosquei meus dedos na lateral da mesma e a puxei até tirar completamente do seu corpo. Fitei-a intensamente enquanto subia meus dedos pela sua perna, dedilhando o caminho até seu ápice. mordeu fortemente seus lábios enquanto suas unhas cravaram no meu braço. Aproximei minha boca da dela, voltando a beijá-la sem que minhas mãos parassem de trabalhar lá embaixo. Ela apertava sem dó algum meus braços, e eu sabia que iam ficar marcas, mas eu, sinceramente, não estava ligando. Eu diminuí meus movimentos, mas sem parar de beijá-la. gemeu contra o minha boca, descendo as mãos até o botão e zíper da minha calça, abrindo-a rapidamente. Eu sabia o que ela queria, acredite, eu também queria muito. Então, ajudei-a terminar de retirar minha calça do corpo, levando junto a minha boxer. Desgrudei meus lábios dos dela, a fitando. Ela me olhou respirando rápido, com os lábios vermelhos e já inchados.
- Ok, vem cá! - pedi, puxando-a pela mão e a levantando. Apoiei minhas mãos atrás do seu vestido e desci o zíper do mesmo, empurrando-o para baixo até atingir o chão. Nos guiei até o banheiro, abrindo o box do mesmo e nos colocando lá dentro. Abri o chuveiro e deixei a água morna cair sobre nós. Encostei na parede do box, de costas pra mim, afastei seu cabelo já molhado para o lado, beijando sua nuca e ombros. - Eu vou sentir sua falta… - sussurrei ao seu ouvido, deixando uma mordida no local. Ela se encolheu, arrepiando. - Frio? - perguntei, ela negou. - Cócegas? - ela negou novamente, virando-se para mim.
- É você! - confessou, fitando-me e depois minha boca. - Você causa isso em mim. - puxou minhas mãos para agarrar a sua cintura, levantando uma perna até o meu quadril.
- Essa é a minha garota! - encostei nossas testas, beijando levemente seus lábios. Sem muito aviso, fiz aquele banho valer a pena. Cada segundinho dele, cada pedacinho dela, cada marca deixada, cada momento em seus braços. Ah, cada beijo daquela boca. É, eu realmente ia sentir saudades.

***


Joguei o controle da TV no sofá, bufando e girando o rosto para o corredor.
- ! - gritei seu nome. - Larga isso e vem logo!
- Eu preciso terminar de arrumar a minha mala! - ela gritou de dentro do quarto. Balancei a cabeça, passando a mão no cabelo. Mulheres!
- Depois você termina! - pedi. - A gente combinou de passar a manhã juntos.
- Daqui a pouco eu vou. - avisou.
- Não. Vou contar até cinco, se não eu vou até aí te buscar. - ameacei. Ouvi sua risada. - Um, dois, três…
- AMOR! - ela gritou, rindo.
- Quatro, ... Vai querer que eu te busque? - perguntei. Ouvi passos rápidos pelo corredor e sorri, observando-a andar rápido até mim, vestindo uma calça de moletom e uma regata branca. Não muito diferente de mim, só trocando a cor da regata por preta. - Ah, sim!
- Como você é chato! - falou, mostrando a língua e se jogando no sofá, ao meu lado. A abracei de lado, puxando-a para encostar a cabeça no meu peito. - Ah, você colocou 10 Coisas que Eu Odeio em Você. - sorriu animada, fitando-me. - Você é lindo!
- Eu sou chato e depois sou lindo? - perguntei, levantando a sobrancelha. Ela balançou a cabeça, concordando.
- Você consegue ser os dois, baby! - riu, se aconchegando mais em mim. Fixamos nossa atenção no filme que passava à nossa frente, eu mais que , que se mexia toda hora nos meus braços.
- O que foi? Tá ansiosa? – perguntei, tocando seu braço. Ela riu pelo nariz, culpada.
- Um pouco. – confessou, mordendo os lábios. – Mas não sei ao certo se é pela viagem ou se é por ficar longe de você. – sorri, beijando sua testa. – Talvez os dois.
- Vai dar tudo certo, linda! – falei, fitando-a. – Logo você volta e a gente fica junto de novo, tá? Se divirta lá, você merece!
- Posso me divertir com os italianos? – sorriu, mordendo o lábio inferior. Levantei a sobrancelha.
- Ah, é assim? – desafiei, virando-a de frente pra mim. – Saiba que Londres tem muita inglesa, .
- Ok, parei. Perdeu graça! – rebateu, cruzando os braços feito uma garotinha mimada. Sorri, aproximando o rosto dela e beijando sua bochecha demoradamente.
- É brincadeira, . É só você que me interessa, é só essa boca que eu quero. – avisei, encostando a testa a dela, fitando sua boca. prendeu seus dedos na minha regata, puxando-me para mais perto dela e encostando de leve os lábios aos meus.
- Acho bom mesmo. - sussurrou sem desgrudar nossas bocas. Sorri, pressionando nossos lábios e a empurrando para trás, fazendo-a deitar no sofá. Ela riu. - A gente não ia assistir ao filme?
- Agora você quer assistir ao filme? - perguntei, levantando a sobrancelha. Ela deu de ombros, segurando o riso. - Beleza, se você quer, a gente assiste. - ameacei me afastar.
- Não, não! - ela riu, puxando-me de volta. Ri do jeito desesperado dela. - Esquece o filme, eu já assisti mil vezes mesmo.
- Boa resposta! - falei baixo, encostando a boca no seu pescoço e trilhando beijos pelo mesmo. Eu só queria aproveitar a companhia dela o máximo possível. Ah, garota, como você fez minha vida girar tanto?


- Ô BLUE?! - gritei da sala, esperando uma resposta. Ouvi um sonoro “que foi, garoto?” vindo da cozinha e soube que ela havia me ouvido. - Traz comida, eu tô com fome.
- Quê? - ela colocou a cabeça para dentro do cômodo onde eu estava. - Então, vai pra sua casa, ué. - deu de ombros, rindo e me desafiando.
- O que custa ser uma boa anfitriã, maninha? Mamãe te deu educação que eu sei. - sorri, piscando pra ela, que revirou os olhos.
- Mãe, dá um jeito no seu filhinho! - falou alto, voltando para a cozinha. Segundos depois dona Sue voltou com um saco de salgadinhos em mãos. Sorri, satisfeito.
- Não é pra se empanturrar de besteira, . O jantar não vai demorar pra sair. - avisou, entregando-me os salgadinhos.
- Sempre tem espaço para mais, mãezinha! - sorri, jogando uma piscadinha pra ela.
- Nao, senhor! Eu prometi a que não deixaria você comer demais. - avisou, apontando o dedo para mim. Balancei a cabeça, negativamente.
- Vocês, mulheres, são muito paranóicas! - falei, abrindo o saco de salgadinhos e devorando alguns. - Quais recomendações ela fez? Ela sabe que você é minha mãe, certo? - fui irônico.
- Não seja idiota, menino! - pediu, revirando os olhos. - Ela se preocupa com você, só pediu pra eu ficar de olho em você pra não virar um folgado.
- Que adorável! - ri, sendo sarcástico. - Pode deixar, não vou virar um folgado, mãe.
- Não vai mesmo! - Blue falou, entrando na sala e se sentando ao meu lado. - Se depender de mim, vai andar na linha. - sorriu desafiadora, puxando o saco de salgadinhos da minha mão.
- Ei! - reclamei.
- Vocês dois, não briguem! - minha mãe pediu, balançando a cabeça e indo para a cozinha, logo após.
- Quando a volta? - Blue perguntou, entregando-me os salgadinhos. Suspirei, aceitando-os de volta.
- Amanhã à noite. - respondi, fitando a TV.
- Você vai fazer alguma comemoração? - perguntou, espalhando-se no sofá, jogando as pernas sobre o meu colo. A fitei, sem entender.
- Comemoração pela volta dela? - questionei, rindo.
- Não, idiota! - ela deu um tapinha no meu braço. - De aniversário de namoro de vocês! - a fitei, com o semblante confuso. Ela riu, descrente. - Ai, homens! - de um tapa na própria testa. - Você esqueceu, né?
- E como você sabe disso? - rebati.
- Porque eu ajudei a ano passado, bobinho! - sorriu, convencida. - Quem você acha que a ajudou a decorar o seu escritório? - Blue falava e minha cabeça não trabalhava ao meu favor. Óbvio que não lembrava de nada disso, muito menos de data de namoro. Suspirei, derrotado, enfiando mais salgadinhos na boca.
- O que você acha que eu devo fazer? - decidi entrar na onda. Eu deveria fazer algo? Na minha cabeça não havia tanto tempo que estávamos juntos, mas, de qualquer forma, estamos juntos desde então, da trágica amnésia. Talvez fosse legal fazer algo para ela. É.
- Podia pedir ela em casamento! - falou, dando de ombros.
- Blue, não começa. - pedi.
- Ah, , vocês estão juntos há dois anos já.
- Eu decido quando é a hora, ok? - pedi, fitando-a. Ela bufou, dando-se por vencida. - Vamos, me ajuda! O que eu faço?
- Hmm… - fez, pensativa. - Ela não é muito de sair, né?
- Não, ela gosta de ficar em casa. - avisei, apoiando meu cotovelo nas pernas de Blue.
- Ótimo. - ela sorriu, tendo uma ideia. - Você ainda sabe cozinhar, certo?
- Ainda tento. - ri, culpado.
- Você não é tão ruim, então, tudo bem.
- Ah, valeu. - fui irônico, fazendo-a rir.
- A gente precisa comprar vinho, dos bons, ok? Não seja pão duro! - alertou, me empurrando de leve.
- Eu não sou pão duro! - reclamei, ofendido.
- Tá, que seja! - deu de ombros, se ajeitando no sofá. - Agora a decoração, eu tenho uma ideia, mas você vai precisar me ajudar com as memórias.
- Memórias? - ri, nervoso. - Claro, o que eu puder lembrar.
- Ótimo! - sorriu, animada. - Vai ser perfeito!
- Valeu pela ajuda, tampinha! - sorri, agradecido. Ela sorriu de volta, encostando a cabeça no meu ombro.
- Sorte sua que eu gosto da . - riu. - Amanhã, no almoço, você me busca na escola e a gente compra as coisas, tudo bem?
- Ok, combinado! - concordei, depositando um beijo na sua testa. - Ei, cadê o seu namoradinho? Desgrudou dele?
- A gente não fica vinte e quatro horas juntos, . - falou baixo. - Apesar de ser minha vontade.
- Mas tá apaixonada mesmo, hein? - ri, beliscando-a de leve, que riu, sem jeito.
- Como você é chato, né?! - rolou os olhos, rindo. - Cala a boca, vai começar o programa! - avisou, apontando para a TV, que passava algum programa de culinária. Ri, assentindo. Após o jantar, decidi voltar para a casa, estava cansado do dia e precisava urgente de um banho pra relaxar. Assim que saí do banho, vi meu celular vibrando sobre a cama, sorri ao ver o visor acender e o nome de brilhar no mesmo. Prendi a toalha a minha cintura e me joguei na cama, atendendo enfim, era uma chamada de vídeo pelo FaceTime.
- Buonasera, mi amore! - falei, fazendo-a rir.
- Oi, amor! - ela sorriu, acenando brevemente. - Como estão as coisas por aí?
- Bem, só entediantes sem você por perto. - avisei, fazendo uma cara triste, Ela riu, fazendo um biquinho.
- Sinto muito, . Mas amanhã eu tô de volta, prometo. - sorriu, jogando uma piscadinha. - O que você está fazendo?
- No momento, conversando com a garota mais linda do mundo! - falei, arrancando uma risadinha tímida dela.
- Mas você tá demais, hein? - riu, se ajeitando no que parecia ser uma cama.
- Que nada! - ri, apoiando um braço atrás da cabeça. - Eu estava no banho só, . - ela sorriu de lado, levantando a sobrancelha.
- Você tá pelado por acaso? - mordeu a boca. Ouvi um “ECA!” ao fundo. riu, olhando para o lado. - Cala a boca, ! - girou a câmera para o lado, mostrando deitada na cama ao lado.
- Vocês dois, se comportem! Eu não sou obrigada a ouvir essas sacanagens de vocês! - avisou, mandando um “joinha”, nos fazendo rir.

- Mas que pena! - avisei. - Já ia mandar um nude pra .
- O quê? - falou, girando a câmera de volta para ela. - Manda, amor, eu juro que não mostro pra . - pediu, rindo e fitando a amiga. Ouvi a voz de novamente gritando “vocês são nojentos, credo!” e desatamos a rir. - Vai ligar para o , vai. - pediu, rindo e fitando-a. - É doida! - falou, voltando a atenção pra mim.
- Como está aí? Se divertindo?! - perguntei enfim, fitando-a. Ela sorriu, assentindo.
- Maravilhoso, . Esse lugar é incrível. Você precisa conhecer! - falou animada, fazendo-me sorrir feito bobo. - Ah, para de sorrir assim!
- Assim como? - ri, confuso.
- Com esse sorrisinho fofo! - fez uma careta. - Eu não consigo me concentrar.
- Ah, desculpa, eu vou parar de sorrir, então. - segurei um riso, tentando ficar sério.
- Eu te bato se você parar de sorrir pra mim, . - ameaçou, franzindo o cenho.
- Isso jamais vai acontecer, . Fica tranquila! - avisei, piscando pra ela, que sorriu.
- Amor, preciso desligar. Amanhã cedo tenho reunião com o pessoal. - fez uma careta, desolada. - Até amanhã, babe.
- Até, amor. - falei. sorriu e aproximou o celular do rosto, mandando beijos e enfim, desligando. Suspirei, largando o celular de lado e fitando o teto. Incrível como a sua vida pode, literalmente, mudar de um dia para o outro. Apesar do susto e toda a confusão, eu não podia reclamar, eu estava genuinamente feliz com toda essa reviravolta do destino. E amanhã prometia, seria um grande dia!


Capítulo 15




Estacionei o carro em frente a escola de Blue e aguardei aquela tampinha aparecer. Vários adolescentes saíam juntos da grande escola. Visualizei minha irmã mais à frente, conversando animadamente com mais duas garotas. Sorri e desci o vidro da janela do carro.
- Blue! - chamei sua atenção. Ela procurou quem a chamava e sorriu assim que me encontrou, apressou os passos até o carro e as amigas vieram juntas.
- Achei que ia me dar o bolo! - avisou, fazendo uma careta. Ri, balançando a cabeça negativamente.
- Oi, . - uma das meninas me cumprimentou. E eu tentei me lembrar do nome dela, mas não me veio nada a mente. - É Lyla!
- Ah, sim. Claro! Oi, Lyla. - sorri amarelo, voltando a olhar para a minha irmã. - Desculpe, meninas, mas precisamos ir.
- Claro, tudo bem. - a tal da Lyla falou, sorrindo demais pra mim. Apenas desviei o olhar para Blue, apressando-a.
- Tchau, gente, depois a gente combina sobre o baile final. - Blue avisou, abrindo a porta do carro e entrando. Acenaram e, finalmente, eu voltei a colocar o carro nas ruas de Londres.
- Baile, uh? Quanto tempo eu não vou a um. - falei, rindo.
- Claro, quando você foi ainda tocava fita e videocassete, maninho. - rebateu, rindo da minha cara.
- Não começa, se não te largo no meio da rua. - ameacei, desacelerando o carro. Ela arregalou os olhos, balançando a cabeça negativamente.
- Parei, juro. - falou, dando-se por vencida e levantando os braços em rendição.
- Boa garota! - falei, rindo. - Então, onde vamos primeiro?
- Bem, deixa eu ver aqui. - avisou, pegando o celular de dentro da mochila. - Eu fiz uma lista de coisas que a gente precisa comprar.
- O que você tá inventando, afinal? - perguntei, levantando a sobrancelha. Ela riu, sapeca, dando de ombros.
- Logo você vai saber, meu caro irmão! - jogou uma piscadinha pra mim. - A gente tem que comprar a decoração primeiro.
- Tô vendo que vai ser uma longa tarde! - suspirei, apertando os dedos no volante e seguindo até a loja mais próxima que Blue havia indicado. Aliás, lojas, no plural. Passamos uma boa parte da tarde comprando fitas, post its, balões e, claro, comida. Depois das compras, fomos para a minha casa e Blue me ajudou a decorar; eu fiquei encarregado de escrever os bilhetes e colar no espelho do banheiro. Suspirei, terminando de escrever o último e o juntando aos outros.
- Certo, agora eu preciso ir embora pra casa. - Blue avisou, terminando de amarrar o último balão. Sorriu, satisfeita, olhando para o trabalho feito. - Que horas a chega?
- O voo tá marcado pra chegar às oito. - falei, olhando para o meu relógio de pulso, checando o horário. - Eu tenho algum tempo ainda.
- Certo, é o tempo que você tem para assar o salmão e fazer aquelas coisas estranhas lá que você coloca nele. - falou, fazendo um gesto exagerado com as mãos.
- Muito obrigado pelo coisas estranhas, maninha. - ela riu, dando de ombros. - Eu te levo em casa.
- Não precisa, . Eu peço um uber e vou. Fica e termina de preparar tudo. - avisou, andando até a sala. Eu a segui.
- Tem certeza? - perguntei, fitando-a. Ela assentiu, sorrindo.
- Absoluta! - pegou a mochila sobre o sofá e o celular de dentro da mesma, acessando o aplicativo e chamando um motorista. - Depois me fala como foi a reação dela.
- Pode deixar! - ri, batendo continência. - Obrigado por tudo, Blue.
- Imagina, . - sorriu, vindo me abraçar. Retribui, beijando o topo da sua cabeça.
- Me manda mensagem quando chegar em casa, ok? - pedi, e ela concordou, balançando a cabeça. Minutos depois, a carona dela chegou e ela foi embora. Observei a sala com balões e fitas no teto e no chão. Isso ia dar um trabalho para limpar depois. - Não estraga o romantismo, . - alertei a mim mesmo. Andei até a cozinha e fui preparar o salmão. Modéstia à parte, meu salmão era muito bom. Salmão com limão e molho, uma delícia. E eu sabia que gostava também. Enquanto eu deixava o salmão no forno, fui tomar um banho, tomando cuidado para não estragar nada no quarto. Um arrepio bom percorreu meu corpo quando pensei nela e na sua reação. Espero que ela goste. É, não é algo que eu faça, não é a minha cara fazer coisas românticas assim, mas eu achei que ela merecesse. é uma garota única. E eu nunca tive dúvidas disso. Depois do banho, enrolei uma toalha na cintura e voltei para o quarto, vi a tela do meu celular acender e fui ver o que era. Duas mensagens: uma de há quase duas horas e outra de Blue há apenas alguns segundos. Sorri, abrindo-as.
"Saindo de Milão, babe! Até daqui a pouco. xx"

Li rapidamente e olhei o relógio, tinha que correr para ir buscá-la no aeroporto. Abri a mensagem de Blue.
"A mamãe pediu pra você mandar foto da decoração. Eu esqueci de tirar! x"
Ri, mirando o celular na decoração do quarto e do banheiro e enviando para ela. Corri até meu armário tirando de lá uma camisa branca e uma calça preta jeans. Passei a mão no cabelo, tentando ajeitá-lo enquanto ia até a cozinha, verificar o meu assado. Assim que abri o forno o cheiro delicioso chegou até as minhas narinas. Estava perfeito. Desliguei o forno e deixei o salmão lá dentro. Conferi a mesa, arrumada e com flores? Check! Andei até a sala, decorada? Check! Voltei para o quarto e o visualizei, decorado ao extremo? Check! Sorri, satisfeito com toda a arrumação. Valeu, Blue! Catei a chave do carro sobre o criado mudo, o celular sobre o mesmo e parti para fora de casa, entrando no carro e rumando para o aeroporto. Era agora ou nunca!


- O avião delas pousou. - me avisou, tirando a minha atenção do celular e fitando o painel a nossa frente. Assenti, botando-me de pé e ele fez o mesmo. Nos encaminhamos até o portão de desembarque, aguardando-as. - Preciso te confessar uma coisa. - falou baixo, rindo nervoso. O fitei, esperando que ele continuasse. - Estou nervoso!
- Com a volta da ? - perguntei, rindo. Ele revirou os olhos.
- Não, idiota! - deu um soquinho no meu braço.
- Ouch, cara! - falei, massageando o local.
- Com o casamento. - confessou, enfim. Sorri, fazendo uma careta.
- Que bonitinho, tá nervoso com o casório! - ri, apertando suas bochechas e levando outro tapa. - Ouch! Você tá violento, cara! - falei, massageando o local novamente. - Não, sério. Tá perto, né? Poucas semanas pra vocês se casarem! - ele assentiu, sorrindo. - Arrependido?
- Nem um pouco! - sorriu largamente, fitando-me. - Jamais. - falou, voltando a olhar para a frente e eu vi seu sorriso se alargar ainda mais, se era possível. Olhei para a frente e vi o motivo do seu sorriso bobo. As meninas se aproximavam de nós.
- AMOOOR! - gritou, correndo até nós, se jogando nos braços do noivo. - Ah, que saudades!
- Eu também, meu amor! - sussurrou beijando o rosto inteiro da noiva. veio logo atrás, sorrindo para o casal e logo depois fitando-me. Sorri de lado e abri os braços. Ela mordeu os lábios e se aninhou neles. Ah, como era bom abraçá-la de novo. Ela apertou os braços em torno da minha cintura, apertou forte. Beijei sua testa, seu olho, sua mandíbula e sussurrei no seu ouvido.
- Senti saudades, linda. - e depositei um beijo no local, assistindo-a se arrepiar. Ela fitou meu rosto e sorriu, aproximando a boca da minha.
- Senti muito a sua falta. - respondeu de volta, encostando levemente os lábios aos meus. - Muito. - repetiu, pressionando de vez nossas bocas. Sorri, beijando-a enfim. Um beijo rápido, mas cheio de "quero mais".
- Ai, casal, vão ficar de sacanagem no meio do aeroporto? - falou alto, chamando a nossa atenção. riu, virando-se para ela e mostrando língua, abraçando-me de lado.
- Vamos procurar um local para jantar. Querem ir conosco? - convidou fitando-nos. Sorri, negando.
- Eu comprei pizza pra gente, valeu. – avisei, agradecendo. Não, eu não havia contado da surpresa para . deu de ombros, concordando comigo. – Então, até depois, pessoal. – falei, abraçando pelo pescoço e pegando a mala dela com a mão livre.
- Tchau, amiga! - falou, soltando-se de e vindo abraçá-la rapidamente. – Tchau, chatinho! – falou, me dando um beijo na bochecha.
- Tchau, chatona! – ri, recebendo uma careta dela. Encaminho-nos finalmente para o carro, seguindo para a nossa casa. – Como foi a viagem? – perguntei, tirando uma mão do volante e colocando sobre o joelho dela.
- Foi maravilhosa! – sorriu, encostando a cabeça no banco, virando o rosto para mim. – O lugar é incrível, ! A arquitetura é linda, as pessoas são estilosas e simpáticas.
- Fico feliz que tenha gostado tanto. Espero que isso não te leve embora da velha Londres. – brinquei, apertando de leve sua perna. Ela riu, negando.
- Jamais. – sorriu, colocando a sua mão sobre a minha. – Londres é uma parte de mim. Aqui eu tenho tudo o que quero... – elevou a minha mão até a altura do seu rosto e beijou o dorso da mesma. – Todos que eu quero.
- É? Bom saber! – falei, parando num sinal e aproveitando para deixar um selinho rápido em seus lábios. – Mas, e aí? Pronta pra voltar pra casa?
- Louca de saudades da nossa cama, bem quentinha e um do lado me esquentando. – falou, mordendo o lábio inferior.
- Opa, disso aí eu também gosto! – rimos. Minutos mais tarde, estacionei o carro em frente a casa. – Vai entrando, que eu levo a mala. – avisei, abrindo a porta e saindo do carro, seguido por , que concordou, andando até a porta. Mexeu na bolsa de mão e tirou a chave de lá. Segurei um sorriso e fui pegar a mala dela no porta-malas. Assim que ela abriu, a casa estava toda escura. Me aproximei dela, parando na porta, andou até o interruptor e acendeu a luz da sala. Revelando toda a decoração que Blue e eu havíamos feito: Balões em formato de coração brancos e vermelhos no teto, pétalas vermelhas pelo chão formando um caminho até o quarto. Ela soltou uma exclamação baixa, cobrindo a boca, surpresa.
- Ai, meu Deus! – falou baixo, virando-se para mim. – Eu não acredito que você fez isso! – quase gritou, sorrindo e pulando no meu pescoço. Ri, abraçando-a. – Isso tá lindo!
- Calma, ainda tem mais! – avisei, soltando-me dela e apontando o caminho de rosas a nossa frente. – Segue o caminho!
- Oh, ok! – falou, mordendo o lábio inferior. e se virando para frente, seguindo o caminho de rosas. Fui atrás dela. Ela parou em frente a porta do quarto e abriu devagar, o quarto estava escuro também. andou até o interruptor e acendeu a luz, relevando o também decorado quarto: Balões também no teto e pétalas sobre a cama, no meio, uma caixinha retangular preta com um laço azul claro. Ela sorriu, virando-se para mim, a alegria estampada no rosto, me fazendo sorrir junto. Andei até a cama e peguei a caixinha sobre ela, parando a sua frente.
- Não é nada muito chique, mas eu lembrei de você quando vi. – avisei, abrindo a caixinha e mostrando a ela o conteúdo da mesma: uma pulseira dourada, simples, com um pingente no centro no formato de um coração.
- É linda! – sorriu, fitando-me. – Por que tudo isso? – perguntou, enfim. Suspirei, tirando a pulseira da caixa e pegando seu braço.
- A Blue me falou que hoje é um dia especial pra nós dois. – falei, colocando a pulseira em seu braço, se encaixando perfeitamente. Sorri, satisfeito. A fitei. – Não, eu não me lembrei, infelizmente. – fiz uma careta, observando-a prestando atenção. – Mas, de qualquer forma, esse ainda pode ser o nosso dia. Não lembro do começo daquele relacionamento, mas eu lembro do começo desse. – enfatizei, entrelaçando meus dedos aos seus. – E, puxa, eu estou muito feliz com esse!
- Ah, ... – ela sorriu, e eu vi algumas lágrimas se acumularem nos seus olhos.
- Vem cá! – pedi, puxando-a e nos guiando até o banheiro, deixando que ela visse os post its colados no espelho. Eles formavam um coração e em cada um deles continham algo escrito. – É, eu escrevi todos eles. – ri, sem jeito. – Não sou muito bom com as palavras, mas eu tentei ser sincero. - apontei um. – Eu amo o seu sorriso. – li em voz alta. – Eu amo como você me faz rir. – li outro e apontei um próximo dela. – Eu amo suas panquecas. – nós rimos. Ela enxugou uma lágrima e apontou um.
- “Eu amo seu traseiro.” Fofo! – riu, fitando o próximo. – “Eu amo como você briga por nós”. – leu, sorrindo e me fitando rapidamente. – “Eu amo quando você cuida de mim.” – continuou lendo. – “Eu amo como você me beija”, “Eu amo como você trata a minha família”, “Eu amo o seu cheiro”, “Eu amo o modo como você me olha”, “Eu te acho sexy.” – riu alto. – Bom, obrigada! – apertou minha bochecha. Ela olhou um post it no meio do coração, mas ele estava fechado. Franziu o cenho e apontou para o mesmo. – E esse? O que é?
- Abre! – pedi, respirando fundo. Ela deu de ombros, abrindo-o e leu o que estava escrito.
- “Eu amo...” – leu em voz alta. – Eu amo o quê? Três pontinhos? – riu, sem entender. Suspirei, mordendo a boca e a fitando. - ?
- Eu amo... Você! – falei. Ela abriu levemente a boca, surpresa. – É, eu amo você, . Eu falo isso de verdade, é o que ando sentindo.
- Eu também te amo, meu amor! – ela sorriu, abraçando meu pescoço, colocando seu rosto bem perto do meu. Sorri, segurando sua cintura. – Ah, só Deus sabe o quanto eu amo você. O quanto ouvir isso mexe comigo! – foi sincera. – Esse com certeza é o nosso dia!
- É o nosso dia, sim. – soprei, encostando o nariz ao dela. – Você é linda!
- É verdade! – falou baixo, rindo, encostando de leve os lábios aos meus.
- Eu fiz o jantar. – avisei, colocando uma mecha de cabelo dela atrás da orelha. – Quer comer agora?
- Hmm, acho que pode esperar um pouco. – falou, mordendo e puxando meu lábio. – Eu senti muita falta do meu namorado, sabe? Acho que preciso matá-la logo.
- Acho justo! – falei, segurando seu queixo e beijando seus lábios devagar. Aquele arrepio constante se apossou novamente de mim. Segurei na cintura de e dei impulso, levantando-a e a colocando sentada na pia de mármore do banheiro. Ela riu sem desgrudar nossas bocas, enrolando as pernas em volta da minha cintura. Apertando e aproximando ainda mais nossos corpos. Ah, cara, que saudades que eu estava desse corpo nas minhas mãos. Desci minhas mãos até as suas coxas, apertando-as levemente sobre a calça jeans, recebendo um suspiro de aprovação por isso. desceu os beijos para o meu pescoço e eu senti meu corpo todo se incendiar.
- Hmm, cheiroso… - ela falou sem desgrudar os lábios do meu pescoço. - Ao contrário de mim. - desenterrou a cabeça do meu pescoço e me fitou, fazendo beicinho. - Tô com cheiro de avião. - fez uma careta. Ri, segurando seu rosto com as duas mãos e depositando um beijo rápido em seus lábios.
- Nada que a gente não possa resolver. - avisei, descendo as mãos até a barra da sua camiseta, puxando-a pra cima e a jogando no cesto ao lado. Trilhei beijos do seu pescoço até seus seios, deixando minhas mãos descerem até o zíper da sua calça, abrindo o mesmo. - Se segura em mim. - pedi, puxando a calça para fora do corpo dela. prendeu os braços em volta do meu pescoço, enquanto eu terminava de tirar a peça. Segurei firmemente suas coxas e a levantei da pia, ela soltou um gritinho e amarrou as pernas em volta da minha cintura.
- Vai entrar comigo no banho? - perguntou, mordendo o lábio inferior. Oscilei o olhar entre sua boca e seus olhos, sorrindo de lado.
- Não há nada que eu queira mais. - falei baixo, entrando no box com ela em meu colo.
- Então, a gente precisa tirar essa roupa sua. - avisou, descendo do meu colo e parando as mãos pequenas nos botões da minha camisa. Deixei meus braços parados ao lado do meu corpo, esperando que ela fizesse o serviço, enfim. abriu calmamente botão por botão, deixando a camisa deslizar pelos meus braços até atingir o chão. A fitei concentrada em todo o processo. Ela mordia com força a boca, suspirei, puxando o rosto dela para me olhar. Ela me fitou, esperando uma reação.
- Não machuca essa boca. - pedi, passando o polegar pela mesma, fazendo-a soltar os lábios que ela mordia. - E isso me deixa louco! - avisei, encostando-a no box de uma vez, pegando-a de surpresa. Ela sorriu, arfando. Grudei nossas bocas com urgência, louco pra voltar a beijá-la. Em meio ao nosso beijo, voltou ao processo de tirar o restante da minha roupa. E bom, eu fiz o mesmo com a lingerie que ela vestia. Alguém me explica, como é possível querer tanto uma pessoa? Isso é saudável? A minha sanidade era colocada à prova todas as vezes que eu me entregava a essa mulher. Um dia eu ia falhar, eu tinha certeza que a insanidade se apossaria de mim e eu me entregaria a loucura que me era imposta diante de . Felizmente eu me entregaria.

***


Passei a mão no cabelo, tentando conter que o vento o bagunçasse ainda mais. Ventava bastante na praia de Bournemouth, mas nada que pudesse estragar a decoração do tão sonhado casamento dos meus amigos. Sorri, observando o local apropriadamente montado. Os assentos formando um círculo e dentro do círculo a tenda dos noivos. e queriam que os convidados ficassem em volta deles, porque assim eles estariam em volta de quem os amam. Casal romântico, não vou negar. O corredor por onde a noiva passaria estava coberto por flores e lanternas de velas. Enfiei as mãos dentro da calça que eu usava. As meninas optaram por uma peça simples: camisa azul oceano e uma calça branca pra mim e um vestido azul oceano para . O casamento aconteceria dali uma hora, os convidados já começavam a se aproximar e se sentarem em seus lugares.
- Hey, achei você! - ouvi a voz de , virando-me para encontrá-la. Sorri assim que a vi. Ela andava rápido até mim, fazendo seu vestido se esvoaçar junto com o vento. Seu cabelo estava preso apenas com algumas mechas soltas, enfeitado com algumas flores pequenas. Linda, cara. Simplesmente linda! - O está te procurando. - avisou e foi me puxando para andar, mas eu a segurei. Ela riu, virando-se para mim de novo. - O que foi?
- Você tá linda! - falei, observando-a mais de perto. Ela sorriu, sem graça. Ah, eu adorava isso! - Não faz essa carinha envergonhada pra mim, aí, eu me apaixono ainda mais.
- Larga de ser bobo! - pediu, dando-me um tapinha no ombro. - Anda, vamos logo! - pediu, arrastando-me para até a casa de praia, onde a central do casamento acontecia. - Ele tá no quarto. - avisou, apontando o quarto no fim do corredor. Assenti e me soltei dela, indo até o quarto onde o meu amigo estava. Dei duas batidas na porta e ouvi um “entra” dele. Enfiei a cabeça para dentro do quarto e o fitei.
- Tá de roupa, né? - perguntei, já sabendo a resposta. Ele rolou os olhos, apontando para o próprio corpo vestido. usava calça e camisa branca, apenas o blazer era azul, assim como a minha camisa. - O que foi?
- Eu esqueci os meus votos! - falou alto. Eu arregalei os olhos.
- É sério isso? - perguntei, andando até ele. Ele começou a rir. - Idiota.
- Não, sério. Não te chamei aqui pra te zoar. - avisou, rindo baixo. Bufei, cruzando os braços. - Preciso de um favor.
- Contanto que eu não precise matar ninguém. - dei de ombros. - Manda!
- Eu vou cantar música. - confessou, sorrindo. - Mas eu preciso que você toque e me ajude a cantar na cerimônia.
- Claro! - respondi prontamente. - Qual vai ser?
- All About You. - respondeu sorrindo. Sorri junto.
- Ah, cara, perfeito! - dei um tapinha nas suas costas. - Até que enfim você vai cantar essa música.
- Chegou a hora, né?! - falou nervoso, começando a estalar os dedos das mãos. - Você está com as alianças, aí?
- Sim, tudo certo! - avisei, enfiando a mão no bolso da calça só para conferir, sentido a caixinha dentro do mesmo. - Quando você vai cantar?
- Logo após os meus votos, fica preparado. - pediu, apontando pra mim. Assenti, balançando a cabeça. Ouvimos batidas na porta e a cabeça de apareceu através da mesma.
- Tudo certo por aqui? - perguntou, fitando-nos.
- Tudo ótimo! - garantiu.
- Certo. Então, está na hora, senhor ! - ela sorriu, abrindo a porta. - Pronto?
- Definitivamente. - suspirou e passou a mão no cabelo, depois me fitou. - Esteja pronto!
- Pode deixar! - ri, balançando a cabeça.
- Da licença, meus amigos, que eu preciso prometer amor eterno a uma certa moça. - avisou, jogando uma piscadinha pra gente e saiu. riu, aproximando-se de mim. Passou a mão no meu cabelo, tentando ajeitá-lo.
- O que ele queria? - perguntou, fitando-me. Dei de ombros.
- Nada demais. - dei de ombros. Ela levantou a sobrancelha, incerta.
- Jura? - assenti. Se era surpresa, que seja surpresa para todos. - Ok, então. Vamos lá?
- Vamos! - entrelacei nossos dedos e nos guiei de volta à praia, onde todos os convidados já estavam em seus lugares, a banda, o reverendo a postos e o noivo ao seu lado, bem nervoso. Ri da cara de . Uma cerimonialista apareceu ao nosso lado, mandando ficamos em nossos lugares que já ia começar. A pequena banda começou a tocar All of Me do John Legend, anunciando a entrada dos padrinhos, no caso, somente eu e . e eram melhores amigas e ela optou por ter só quem realmente importava com ela no altar. E bom, e eu somos como irmãos. Nada mais justo. Olhei para e ela sorriu, entrelaçando o braço ao meu. A cerimonialista entregou um pequeno buquê de flores lilases para ela, que aceitou prontamente, nos pondo a andar em passos lentos e precisos. Fitei os convidados, todos sorrindo, alguns conhecidos meus, outros nem tanto. Olhei para o meu amigo e ele sorria, mas sorria muito. Era nítida a felicidade dele. Quando chegamos na frente do altar, beijei a testa de e deixei que ela seguisse para um lado e eu fui para ao lado de . A música foi trocada e Daughters do John Mayer começou a tocar, iniciando a entrada dos pais dos noivos. Vi o senhor e a senhora entrarem sorrindo e orgulhosos do filho. Os pais de não poderiam estar diferentes. Ambas as famílias sempre se deram muito bem, os pais de sempre apoiaram o relacionamento dos dois e se fossem por eles, já era da família há muito tempo. Os pais de se acomodaram nas cadeiras perto do filho, a mãe de fez o mesmo, ficando perto de onde estava. O pai de deu a volta, e foi esperar para acompanhar a filha. Os acordes de Somewhere Over the Rainbow se iniciaram, dando início a entrada do pajem e da daminha. Evan, filho de Beverly e Carl, foi escolhido por e Diana, priminha mais nova de , por ela mesma. Evan vinha andando desajeitadamente e sorridente, segurando uma plaquinha escrita “Foge, tio! Ela é muito brava!”, o que fez todos os convidados rirem. Diana vinha logo atrás, segurando outra plaquinha e nela estava escrito “Foge não. Ela é o amor da sua vida!”. Sorri, fitando meu amigo, que sorria feito bobo, fitando as crianças. Beverly esperava o filho e a mini companheira dele ao lado do altar, levando-os para os seus devidos lugares depois. De repente os convidados todos se levantaram e Lucky do Jason Mraz e Colbie Caillat começou a tocar. Senti meu amigo quase prender o ar ao meu lado. Fitei e ela sorria, fitando o final do corredor de rosas. Mirei meu olhar para o final do mesmo e já apontava no mesmo. Ela vestia um vestido longo branco, simples, de alças e com bordados no busto; uma fenda mostrava um pouco da sua perna e uma pequena cauda atrás. Seu cabelo estava meio preso de lado com uma flor segurando-o. segurava um buquê de orquídeas lilases e azuis. Ela estava linda, cara! Ela caminhava até o altar acompanhada do pai. Todos os convidados sorriam, choravam e a admiravam. Era a hora dela. fitou o noivo no altar e sorriu, gesticulando a letra da música enquanto ela tocava.
- I’m lucky I’m in love with my best friend… - sorriu e andou até ao encontro deles. abraçou o sogro e o mesmo disse algo em seu ouvido que o fez rir, mas ele concordou, soltando-se dele e virando-se para . Pegou sua mão e beijou o dorso da mesma, gesticulando um “você tá linda” pra ela, que sorriu devolvendo um “você também”, logo depois os dois se posicionaram na frente do reverendo para que enfim começasse o ritual. Durante a cerimônia vi enxugar as lágrimas algumas vezes, mas o passo a seguir pegou a todos de surpresa, quando foi chegada a hora dos votos e resolveu se pronunciar.
- Bom, quem me conhece há um tempo sabe que eu sempre tive essa veia artística. - riu, nervoso. Ri junto, indo até a banda e pedindo o violão emprestado para um deles, que prontamente emprestou. Voltei novamente para o lado do meu amigo, que sorriu ao me ver de volta. franziu o cenho sem entender, assim como . - A verdade, é que tem que essa música, eu e escrevemos ela há algum tempo. Na verdade, a melodia é dele e a letra é minha. - explicou, passando a mão na testa e limpando um suor que aparecia por ali. - Eu sempre quis guardá-la para cantar num momento especial. - ele sorriu, fitando a noiva. - E o momento chegou!
- Ah, meu Deus! - falou baixo, tapando a boca. me fitou e assentiu com a cabeça, dando-me permissão para começar.
- Espero que goste, porque ela é sua! - avisou, fitando-a. Ela sorriu, assentindo. Comecei a dedilhar os acordes da música no violão, impressionado comigo mesmo por ainda lembrar de todos. - It’s all about you, it’s all about you, baby. Yesterday you asked me something I thought you knew, so I told you with a smile! It's all about you! - ele cantou. sorria e se balançava no ritmo da música. - Then you whispered in my ear and you told me too, said you make my life worthwhile: It's all about you! - cantei junto com ele. me fitava e sorria, e aqueles olhos me prendiam. esticou a mão e segurou a mão do atual marido enquanto ele cantava e a fitava da forma mais pura que existe. finalizou a música e beijou a testa de . Uma noiva chorosa estava presente e firme no altar, ela ia matá-lo depois por ter estragado a maquiagem dela. Devolvi o violão aos músicos de verdade e voltei ao meu lugar, aguardando a cerimônia se encerrar. Entreguei as alianças para e finalmente o reverendo pronunciou as famosas palavras: “Eu vos declaro, marido e mulher.” Quando eles se beijaram um chuva de aplausos explodiu na praia junto com uma chuva de pétalas de flores sobre eles assim que caminhavam para fora do local armado. Ri, sentindo as pétalas caírem sobre mim e também. Ela riu, segurando a minha mão e nos encaminhamos logo atrás dos noivos.
- Hey, aquilo foi lindo! - ela disse quando paramos de andar. - A música é linda!
- O cara tem bom gosto. - falei rindo, observando nossos amigos mais adiantes sorrindo um para o outro. Sorri e voltei a fitar a mulher a minha frente. - Mas eu tenho mais! - joguei uma piscadinha pra ela, que riu. A segurei pela cintura e levantei, girando-a no ar. Ela riu, segurando em meu pescoço.
- ! - repreendeu ainda rindo. - Tá louco?
- Eu tô feliz! - confessei, colocando-a de volta no chão. - Muito feliz! - segurei seu queixo, depositando um beijo rápido em seus lábios.
- Somos dois, então! - avisou, mordendo o lábio. - Então, a gente vai ficar aqui ou vamos começar a nos embebedar na festa?
- Essa é a minha garota! - falei, rindo. Abracei-a pelos ombros e ela entrelaçou os dedos aos meus, guiando-nos até onde a comemoração iria acontecer. E que comece a festa!


Capítulo 16




- Vai lá, no três, hein? - avisou alto, fazendo todos os caras ao redor da mesa concordarem. Cada um segurou firme seu copo de tequila e esperou o noivo contar. - Um… - ele começou, rindo. - Dois, hein? - avisou, fitando-me. - TRÊS! - gritou, virando o copo de uma vez e sendo seguidos por todos, inclusive por mim. Senti o conteúdo descer queimando pela minha garganta. Quantas doses já haviam sido mesmo?
- Se o noivo não começar a maneirar, não vai ter noite de nupcias hoje, viu? - falei, tampando a boca, como se fosse um segredo, mas sendo escutado por todos. Os caras riram, concordando. mostrou o dedo.
- Comigo não tem essa de não ter nada, ok? - falou todo pomposo, jogando uma piscadinha. Apenas ri, dando de ombros. - Cadê a minha mulher? - perguntou de repente, olhando em volta. Olhei junto, procurando a minha. Avistamos as duas junto com mais algumas mulheres mais a frente. - Ô, AMOR??!! - gritou, chamando atenção. Ri, dando um tapa nas costas dele e o empurrando até elas. - Olá, garotas! - falou, parando a frente delas e sorrindo. - Posso roubar minha esposa um pouco?
- À vontade, chuchu! - respondeu, fazendo um gesto com as mãos. Ele sorriu malicioso, fitando , que riu.
- Não me olha assim, a gente não vai transar escondido. - avisou, rindo e apontando pra ele, fazendo-nos rir.
- Poxa, sra. ! - falou como se estivesse ofendido, colocando a mão sobre o peito. - Jamais pensaria algo assim.
- Cala a boca, vamos logo! - riu, puxando-o pela gola.
- Casal adorável, uh? - falei, postando-me ao lado de .
- E vocês? Quando irão se casar? - Jenna, uma das primas de , perguntou, fitando . Ela mordeu o lábio, dando de ombros.
- Não sei, a hora certa vai chegar, quem sabe?! - avisou, sorrindo. Passei o braço por sobre os seus ombros, trazendo-a para mais perto de mim. Beijei o topo da sua cabeça.
- A hora certa vai chegar! - concordei, fitando Jenna, que sorriu, dando-se por satisfeita.
- Vocês fazem um casal lindo, deixo claro! - sorriu. - Nina, vamos procurar o papa? - se virou para irmã, que concordou. Acenaram e sumiram de nossas vistas. abraçou a minha cintura, agarrando-se mais a mim.
- Acho que estou tonta. - confessou, rindo. Ri junto, puxando o rosto dela para que eu pudesse fitá-la. Seus olhos estavam pequenos e um sorriso frouxo habitava seus lábios. É, ela estava bêbada.
- Você tá bêbada, . - informei o óbvio. Ela deu de ombros, ficando na ponta dos pés e roubando um selinho de mim. >br>- Rá, você também! - rebateu, rindo. Balancei a cabeça, concordando.
- Quer ir pra dentro ou quer ficar mais um pouco? - perguntei, tirando uma mecha de cabelo que o vento insistia em bagunçar, do rosto de .
- Vamos ficar mais um pouco, eu gosto da energia desse lugar. - suspirou, soltando-se de mim. Deu alguns passos abrindo os braços e fechando os olhos, inspirando o ar. Sorri, cruzando os braços e a fitando. Cara, que mulher! abriu os olhos e fez uma careta, me olhando. - O que foi? Por que tá me olhando com essa cara?
- Nada. - dei de ombros. - Só te olhando mesmo.
- Então, para! - pediu, abanando a mão na minha direção. - Eu fico sem graça!
- Naah, eu gosto de te deixar sem graça. - confessei, jogando uma piscadinha pra ela, que riu, balançando a cabeça negativamente.
- Como você é idiota! - falou, aproximando-se de mim novamente.
- Como você é linda! - rebati, puxando-a pela mão. Ela sorriu, pousando as duas mãos sobre o meu peito. Segurei seu rosto e aproximei o meu, encostando nossos narizes. Seus olhos passearam por toda a extensão do meu rosto, fixando-se em minha boca. Sorri de lado, encostando meus lábios aos dela suavamente. suspirou baixo, apertando a minha camisa em seus dedos. Meu corpo formigava a cada toque dela, eu sentia todos os meus sentidos se aguçarem a cada vez que eu beijava seus lábios. Acredite, pareciam sensações novas todas as vezes.
- AMIGAAA! - ouvimos a voz de gritar. - !! - nos separamos, rindo. se virou para onde a amiga a chamava. - Vem cá, anda! - chamou, gesticulando com uma das mãos e balançando o buquê com a outra. fez uma careta e depois se virou pra mim.
- Vai lá e agarra aquele buquê. - pedi, beijando sua bochecha rapidamente. - Eu e os meninos fizemos uma aposta de qual namorada pegaria. Vale um combo de whisky dezoito anos.
- Uh, já é nosso, então! - riu, puxando a barra do vestido e saindo correndo até onde as mulheres se aglomeravam. Ri, andando sem pressa até onde os caras estavam rindo e observando aquela zona se formar, logo atrás delas.
- A Liz tá empenhada, caras, já era! - Dave falou, apontando e acenando para a namorada que pulava animada no meio das outras.
- Eu tô com medo da Jenna pegar, isso sim. - Parker confessou, rindo. - Vai que ela quer casar mesmo?
- Medroso! - zombou, dando um tapinha nas costas dele. - E você, ? Não tá com medo da pegar?
- Hm… - fiz, fitando-a. Ela ria e conversava algo com uma das amigas de , ela parecia se divertir, o que me fez sorrir. Seu olhar se encontrou com o meu e ela mandou beijos, abrindo os braços. Ri. - Não, nenhum um pouco.
- Esse é o meu garoto! - falou alto, me abraçando pelo pescoço e bagunçando meu cabelo.
- Sai, cara! - ri, soltando-me dele.
- VAMOS LÁ! - avisou, chamando a atenção das mulheres. Elas soltaram gritinhos animados e se posicionaram na areia da praia. - UM… - começou a contagem. ria, olhando ligeiramente para trás. - DOIS… - falou ainda mais alto. - TRÊS! - gritou, jogando o buquê com força para trás. Foi questão de segundos: uma hora estava na mão de e no outro estava vindo em minha direção. Meu reflexo foi rápido, pegando-o no ar. Olhei para o buquê nas minhas mãos sem acreditar naquilo. Uma chuva de risadas explodiu na praia. - Ahhhh! - soltou, rindo e correndo até mim.
- Assim não vale, ! - Dave avisou, rindo. - Isso é trapaça.
- Meu menino pegou o buquê, cara! - comemorou, fazendo-me fitá-lo e rir, finalmente voltando a realidade.
- Amor! - se aproximou de mim, rindo. - Você pegou! - ela riu ainda mais. - Isso sim é uma surpresa.
- Parabéns, casal. - falou parando ao meu lado. - Quero ser a madrinha.
- Isso é feitiçaria sua, né? - falei, apontando pra ela com o buquê. Ela deu de ombros.
- Foi os céus atendendo minhas preces. - sorriu, piscando pra mim e indo para o lado do marido. Fitei e ela sorriu, fitando a mim e o buquê em minhas mãos. Mordi meus lábios e estendi o buquê para ela, que me olhou sem entender.
- É seu. - falei. Ela abriu a boca, mas não emitiu som, apenas aceitou o buquê. Segurei seu rosto com as duas mãos e aproximei minha boca da dela, sussurrando: - Eu prometo que um dia será nós dois. - e dei um selinho demorado nela. As pessoas na praia gritaram e assobiaram, comemorando animados.
- Ah, eu amo essa música! - avisou assim que as caixas de som começaram a soar You and Me do Lifehouse. Alguns casais se dispersam pela praia e começaram a dançar, puxei pela mão livre e a coloquei no meu pescoço, descansando as minhas em sua cintura, nos balançando no ritmo da música.
- Você não precisava ter feito aquilo. - falou, fitando-me. Franzi o cenho, não entendendo.
-O quê?
- Ter dito aquilo, eu sei que as pessoas estavam nos olhando, mas não precisava ter dito. - avisou, sorrindo terna e colocando a mão sobre o meu rosto. Sorri, depositando um beijo na palma da sua mão.
- Eu disse porque eu quis dizer. - avisei. Ela mordeu o lábio inferior.
- Jura? - questionou. Eu balancei a cabeça, assentindo. segurou um sorriso. - Ah, eu te amo! - e pulou no meu pescoço, abraçando-me. Apertei minhas mãos na sua cintura, tirando-a do chão momentaneamente.

“Something about you now
I can’t quite figure out
Everything she does is beautiful
Everything she does is right…”


***

Ponto de Vista da

Observei pegar uma rosa dentre as várias que estavam no vaso e analisá-la, fazendo uma careta logo após. Ri, balançando a cabeça.
- Eu prefiro a orquídea. – avisei, apontando para a mesma que estava ao meu lado. – Vai colocar na sua sala?
- Sim. É, acho que é melhor mesmo! – decidiu, colocando a rosa de volta ao vaso e caminhando até a orquídea. – Ugh, quero viajar logo!
- Ninguém mandou marcar a lua-de-mel atrasada. Agora vai ter que esperar até quinta! – avisei, cruzando os braços e a fitando. Ela mostrou língua. – Muito madura!
- Pelo menos vou para o Caribe. – falou, sonhadora, piscando os olhos exageradamente. – Boa sorte em Londres.
- Eu gosto de Londres, você que tem birra! – dei de ombros.
- Não tenho birra, só enjoei. – se defendeu, pegando a orquídea. – Certo, vou levar essa. Vou pagar e a gente almoça, ok? – concordei, acompanhando-a até o caixa. entregou ao rapaz que cuidava das entregas, pagou e finalmente saímos da floricultura. – Tem um restaurante muito bom aqui perto. A gente podia ir lá!
- Claro, eu só quero comer. Estou faminta! – avisei, entrelaçando meus braços aos dela, que riu, guiando-os até o tal restaurante. O lugar era calmo e bem bonitinho, tinha um ar caseiro, mas com toques de requinte. Escolhemos uma mesa perto da janela e nos sentamos, esperando o garçom trazer o cardápio. Após fazermos o pedido, e eu emendamos em vários assuntos sobre a sua viagem, casamento e os meninos. Notei minha amiga passear os olhos por algo atrás de mim, meio dispersa. - Ei, eu tô aqui! - acenei, rindo.
- Oi? Eu tô te ouvindo, amiga. - sorriu amarelo, fitando-me. Cerrei os olhos, não acreditando.
- O que foi? Tá de olho na comida de alguém? - perguntei rindo e me virando para onde ela tanta olhava, meu sorriso morreu na hora. Eu a conhecia, claro que eu sabia como ela era. Qual é, que mulher não sabe quem é a ex do seu namorado? Lá estava ela, sentada sozinha à mesa, comendo alguma coisa e mexendo no celular. Claire. É, achei que ela tinha sumido da minha vida. Ela deve ter sentido o olhar sobre ela, pois os seus olhos caíram sobre mim na mesma hora. - Droga! - murmurei, virando-me e me sentando reto novamente. me fitou, segurando minha mão e apertando-a.
- Não liga pra ela, finge que ela não tá aqui. – pediu, calmamente. Balancei a cabeça concordando e respirando fundo em seguida. Chamei o garçom e pedi uma água bem gelada, que ele não tardou a trazer. Tomei quase todo o conteúdo do copo de uma vez.
- Ela tá olhando pra cá? – perguntei a . Ela olhou de soslaio para onde Claire estava, depois voltando a me fitar e balançando a cabeça, positivamente. Bufei. – Ugh, odeio essa sensação!
- Abstrai, amiga. – falou, gesticulando com as mãos. – Ô-ou.
- O quê? – perguntei, arregalando os olhos. sorriu falsamente. Eu conhecia esse sorriso.
- Ela tá vindo pra cá. – murmurou. Suspirei alto, ajeitando-me na cadeira e fixando meu olhar no copo a minha frente.
- Oi, ! Quanto tempo! – Claire falou, assim que se aproximou da nossa mesa. Fitei seus cabelos ruivos e seus olhos verdes. Eu te odeio, !
- Oi, Claire, como vai? - perguntou sem muita emoção.
- Vou bem, eu acho. – sorriu sem jeito. Seu olhar caiu em mim. – Erm, oi.
- Oi. – respondi seca.
- Olha, ... , certo? – balancei a cabeça, concordando. – Eu sinto muito por tudo o que aconteceu com o , ok? Nós tivemos uma longa história e acho que me deixei levar por isso. Mas, olha, ele disse que o beijo não significou nada pra ele. – à medida que ela ia falando, sentia todo o sangue do meu rosto se esvair. Eu apertava minhas mãos em punho sem nem me dar conta da minha própria força. Beijo? Eu devo ter ouvido errado. – Se ele está feliz com você, bom, eu só posso desejar felicidades, não é? – sorriu, sem mostrar os dentes. – Ahm, eu vou deixá-las em paz agora. Sinto muito! – pediu, encostando a mão no meu ombro. Olhei duramente para onde sua mão tocava, fazendo-a retirar a mão rapidamente dali. – Tchau, meninas!
- Tchau. - foi a única que respondeu, fazendo assim Claire finalmente sair de perto de nós. Fitei minha amiga e comecei a rir, mas eu ria muito. me olhou sem entender e soltou um sorrisinho confuso. - Amiga, tá tudo bem?
- Você ouviu o que ela disse? - perguntei ainda rindo. - Ela disse que ela e o se beijaram.
- Erm, eu não vi a graça ainda. - falou, confusa.
- Não tem graça. Na verdade, eu tô rindo de nervosa. - respirei fundo, tentando recuperar o folêgo. - Eu tô rindo de raiva, porque eu sou uma idiota.
- Não, , não fala assim. - pediu, tentando pegar minha mão sobre a mesa, mas eu afastei. - Vai ver nem é verdade, essa mulher é doida e só falou isso pra te provocar.
- Não parecia mentira, . - rebati. Coloquei a cabeça entre as mãos, apoiando meus cotovelos na mesa. - Eu nem sei mais o que pensar.
- Não entra na onda dela, pelo amor de Deus! - suplicou, aumentando o tom de voz. - Vocês dois estão tão bem agora. Deixa isso pra lá, se realmente aconteceu, deve ter sido na época que vocês estavam brigados.
- E isso deu o direito dele correr pra ela assim que eu saí de casa. - pontuei, pegando minha bolsa e minha carteira. - Olha, eu preciso ir embora!
- Não, eu não vou te deixar ir embora assim! - alertou, segurando a minha mão. - Vamos almoçar e depois você pensa em tudo com a cabeça fria.
- , desculpa, mas eu perdi a fome. - avisei, fazendo uma careta. - Eu não vou conseguir comer agora. Meu estômago tá dando voltas só de pensar.
- Me faz companhia, então, por favor! - pediu com um sorrisinho fofo. - Toma um suco, então.
- Ok, ok! - dei-me por vencida. - Eu fico, mas não me peça pra não pensar nisso.
- A cabeça é sua, você tem o direito de pensar o que quiser. - falou, levantando as mãos em rendição. - Mas fica calma, por favor. Eu odeio te ver assim!
- É, eu também. - bufei, apoiando o queixo na mão. O celular de começou a tocar sobre a mesa. Ela suspirou, alcançando-o rapidamente.
- É o . - avisou antes de atender. - Oi, amor. Espera um pouco! - pediu ao marido. - , vou atender lá fora pra não atrapalhar o pessoal aqui dentro, ok? Já volto.
- Ok. - dei de ombros sem me mover de posição. se levantou e rumou para fora do restaurante. Batuquei os dedos sobre a mesa, ansiosa. Parece que sempre tem um balde de água gelada pronto pra ser jogado na minha cabeça quando tudo parece ir bem. - UGH! Parece até piada. - falei sozinha. Senti meu celular vibrar dentro da minha bolsa, abri a mesma e peguei o celular, visualizando uma mensagem de , na verdade, era um áudio. Coloquei para tocar:

“Ei, linda, escuta, a minha mãe nos chamou pra jantar na casa dela hoje. Topa? Acho que vai ser legal se formos. Ah, estou com essa música na cabeça o dia todo… - ele assobiou uma melodia que reconheci rapidamente. - I know a girl she puts the color inside of my world… - ele cantarolou e depois riu. - Daughters, do John Mayer? De qualquer forma, essa música tá na minha cabeça e você também. Bom, a gente se vê mais tarde. Beijos, te amo.”


Encarei o celular em minhas mãos, sem saber que emoção sentir. Raiva? Eu tinha bastante. Amor? Eu tinha muito também. Mordi a boca, angustiada. voltou rapidamente, sentando-se novamente.
- Voltei, voltei. - avisou, fitando-me. - O que foi?
- Ele me mandou uma mensagem. - avisei, direcionando o olhar para ela. Apertei play de novo e deixei que ela ouvisse a mensagem dele.
- , eu conheço o há muitos anos. Eu tenho total convicção do que eu vou dizer agora: Ele te ama, ok? Ele não é de mandar áudios fofos no meio do dia, ele não é assim! Ele só faz isso quando realmente se importa. Vai por mim, eu conheço vocês dois e sei que vocês são feitos um para o outro. - sorriu daquele jeito romântica sem cura dela. Era impossível não sorrir de volta. - Tá, ninguém é perfeito! Todo mundo comete erros e ele cometeu os dele, mas, obviamente, ele se arrependeu. Amiga, eu vi ele definhar quando vocês estavam separados, eu vi ele desistir de tudo porque não tinha mais você por perto. Acho que alguém que não se importa não agiria assim, né? - questionou, levantando a sobrancelha. Suspirei alto, cansada.
- É. Eu sei. Mas ele nunca me contou sobre isso, por quê?
- Talvez ele não quisesse te magoar por nada. A louca lá mesmo disse que ele falou que não significou nada! - falou exasperada. - Sei lá, eu posso tá sendo precipitada, mas eu realmente acho que você não deveria começar uma briga por causa disso.
- Eu já te disse que odeio quando você me convence das coisas? - revirei os olhos, dando-me por vencida. - Ok, eu vou tentar não falar nada. Mas se eu estourar, a gente vai entrar nessa.
- Ok, aí, você decide! - concordou, jogando uma piscadinha. Minutos mais tarde a nossa comida chegou. Eu belisquei um pouco da minha, mas não consegui comer direito. Só tomei um suco e fiquei por isso mesmo. e eu seguimos para a revista e por lá eu fiquei até o final do expediente, confesso que meu corpo estava presente, mas minha mente vagava longe dali. Quando cheguei na porta de casa, respirei fundo antes de abrir a mesma. Assim que entrei, passeei os olhos pela sala, mas não estava lá. Larguei a bolsa no sofá, retirando os sapatos e colocando-os de lado.
- ? - chamei, esperando uma resposta que não tardou.
- Na cozinha! - ouvi sua voz de dentro do cômodo. Mordi os lábios e me encaminhei até lá, encontrando-o com as mangas da camisa social dobradas até os cotovelos, enquanto ele terminava de montar o que parecia uma panqueca.
- O que você tá fazendo? - perguntei, aproximando-me dele. Ele riu pelo nariz, sem jeito.
- Bom, eu tentei fazer uma panqueca daquelas que você faz, porque imaginei que você estivesse com fome. - explicou, fazendo uma careta. - Mas não sei se ficou bom. - confessou, terminando de colocar a calda por cima. - Tudo bem se não quiser comer. Eu não ligo! - falou, apontando para o prato. Fitei as panquecas; com morangos cortados e formando pequenos corações. Sorri, voltando a minha atenção para o seu rosto. Agarrei seu pescoço com os meus braços, ficando nas pontas dos dedos e aproximando nossos rostos. Ele sorriu, abraçando a minha cintura.
- Obrigada. - falei, encostando nossos lábios de leve. - Eu precisava disso.
- Eu sei. - ele falou, tirando uma mão da minha cintura e passando sobre o meu cabelo. - A me ligou. - levantei a sobrancelha, confusa. - Ela me disse que Claire foi falar com você.
- O quê? - falei, soltando-me dele.
- Calma, tudo bem. Eu imagino que você deva estar brava com tudo, mas eu juro que eu não sou o mesmo cara. , eu nunca estive tão feliz com alguém na vida. E beijar a Claire, foi um erro enorme. - ele falou, passando a mão nos cabelos e os bagunçando. - Eu não te contei antes porque eu não via motivos para isso, entende? Eu não gostei, não tinha significado e não teve emoção. Eu não senti nada. E, nossa, quando eu te beijo… Meu Deus! - ele sorriu largamente. - Eu não achei que fosse verdade tudo o que falam naqueles livros mela-cueca que você lê, mas, sim, meu estômago se remexe inteiro, eu me arrepio, minhas mãos suam e eu pareço um menino de novo. - mordi a boca, observando-o. - Eu sinto muito se isso te feriu de alguma forma, eu juro que nunca quis isso. - ele voltou a segurar na minha cintura. - Eu só quero você. - beijou minha bochecha. - Ninguém mais. Só você.
- Eu não quero mais brigar, eu tô exausta disso. - suspirei alto, entrelaçando meus braços em seu pescoço novamente. - Eu só quero paz no nosso relacionamento.
- Esquece isso, então. - pediu, encostando a testa a minha. - Só a gente importa, mas ninguém.
- Me lembra de matar a depois, por favor. - pedi, balançando a cabeça. - É a segunda vez que ela age pelas minhas costas.
- É a segunda vez que funciona, né? - avisou. Revirei os olhos, rindo e concordando. - Ela é a nossa fada-madrinha.
- Só não fala isso pra ela, tá? Ela vai ficar se sentindo! - pedi, rindo. Ele concordou, beijando meus lábios rapidamente. - Ok, agora eu vou comer as minhas panquecas.
- Eu não sei se ficou bom, . - avisou, soltando-me. - Não precisa comer se não quiser, é sério.
- Mas é claro que eu vou comer. - avisei, pegando o garfo e tirando um pedaço. Passei o pedaço na calda e coloquei na boca. me fitou, esperando uma reação. Mastiguei, fazendo mistério.
- E? - perguntou, ansioso.
- E… que ficou ótimo! - avisei, observando-o sorrir aliviado. - Obrigada! - sorri, dando-lhe um selinho.
- Imagina. - sorriu fofo. - E aí, quer ir visitar sua sogra ou quer ficar em casa?
- Estou com saudades da Sue, vamos sim.
- Ótimo, vou enviar uma mensagem avisando pra ela. - falou, passando as mãos pelas minhas costas, deslizando os dedos por dentro da minha camisa. Senti sua boca ir ao encontro do meu pescoço, deixando beijos por ali. Fechei os olhos, apreciando o momento. - Quer tomar um banho?
- Difícil dizer não, assim, né? - falei, enfiando os dedos no seu cabelo. Ele riu contra a minha pele, fazendo-me arrepiar.
- Essa é a intenção. - subiu os beijos pelo meu maxilar, orelha e, finalmente, a minha boca. desceu as mãos pela lateral do meu corpo, parando nas minhas coxas, apertando-as com força. Ele as puxou pra cima, fazendo-me dar um impulso e grudar minhas pernas em volta do seu quadril. Ele me colocou sentada na mesa da cozinha sem parar de me beijar. Inclinei meu corpo para trás, deixando meu colo a vista, o que não passou despercebido por ele, que começou a distribuir beijos por ele todo. - Se eu pudesse… - sussurrou sem desgrudar os lábios da minha pele. - Eu passaria o dia todo te beijando.
- Não é má ideia. - sussurrei de volta. Ele riu, subindo os beijos até meu queixo. Desgrudou a boca do meu corpo e me fitou.
- Você tem duas opções: a gente faz isso aqui, em cima da mesa da cozinha ou a gente vai para o quarto com cama confortável e um banheiro com uma ducha quente.
- Hmm… - fiz, pensativa. - E você tem uma alternativa, ... - ele levantou a sobrancelha, curioso. - Calar a boca e continuar me beijando.
- Opção aceita! - ele riu, voltando a me beijar ali mesmo, na mesa da cozinha, da nossa casa, onde vivíamos bem a nossa vida. Nós dois. Eu e ele. e . e . É, eu não ia deixar ninguém estragar isso de novo.

Fim do Ponto de Vista da .


Capítulo 17



Observei conversar animada com a minha mãe, segurando uma taça de vinho numa mão e acariciando as pontas dos cabelos com a outra. Ajeitei-me melhor no sofá, tomando um pouco do vinho que tinha em mãos. riu de algo que minha mãe havia dito e seu olhar se encontrou com o meu. Sorri, jogando uma piscadinha pra ela, que retribuiu sorrindo de volta.
- Seu olhinho tá bem pequeninho, amor. - ela avisou, rindo. - Tá com sono ou tá bêbado?
- Eu tô bem! - avisei, dando de ombros. - Cansado do dia só.
- Vocês vão passar à noite aqui, né? - minha mãe perguntou, fitando-me. Direcionei meu olhar para , esperando uma resposta.
- Você que sabe! - ela falou, devolvendo o olhar.
- Quer dirigir? - perguntei. Ela negou, fazendo uma careta e levantando a taça de vinho. Ri, levantando a minha também. - Ok, a gente fica.
- Ótimo, vou arrumar o quarto para vocês daqui a pouco. – avisou, voltando a fitar .
- Mãe, cadê a Blue que até agora não apareceu? – perguntei, sentindo falta daquela pirralha.
- Está com o Mark, filho. Vai dormir lá hoje! – avisou sem dar muita importância. Levantei a sobrancelha, surpreso.
- E você não liga? – rebati. Ela riu, dando de ombros.
- Sua irmã tem dezoito anos, . Ela já sabe o que faz! – avisou, sorrindo docemente. Ah, mãe, me ajuda, né?!
- O quê? Claro que não! O papai sabe disso? – perguntei rapidamente.
- Sei o quê? – meu pai apareceu na sala, sentando-se ao meu lado.
- Que a sua princesinha tá dormindo na casa do namorado? – tentei instigá-lo. Ele soltou uma risadinha descrente.
- , você na idade dela passava à noite fora há muito tempo já. - cruzou os braços, fitando-me. - E eu e sua mãe não sabíamos com quem estava.
- É diferente, eu sabia me defender! - rebati alto.
- Ela também. Nós confiamos no Mark, querido. - minha mãe falou, sorrindo. - Fique tranquilo.
- Eu só estou pensando na segurança dela. - levantei os braços, dando-me por vencido.
- Você só está com ciúmes, porque está vendo a sua irmã crescer e não precisar mais de você. - avisou, segurando um riso. - Mas, não se preocupe, ela sempre será a sua irmãzinha. - finalizou, observando minha cara de tacho. Odiava quando ela estava certa.
- Eu vou ao banheiro. - falei somente, levantando-me rapidamente, deixando a taça sobre a mesa de centro e me encaminhando até o banheiro mais próximo. Assim que entrei, fechei a porta e me encostei na mesma, respirando fundo. Girei meu rosto para o lado e vi meu reflexo no espelho: minhas bochechas estavam rosadas por causa do vinho e meu olhos, realmente, estavam pequenos. Enfiei a mão dentro do bolso da minha calça e tirei de lá meu celular, abrindo o aplicativo de mensagens e digitando uma logo após.

“Fique bem. Se cuide. Se precisar de mim, eu sempre estarei aqui.
Qualquer hora, qualquer lugar.
Te amo, pirralha. Você é meu mundo! <3”


Enviei a Blue a mensagem e guardei novamente o celular no bolso. É, eu era um irmão mais velho bem protetor. Ouvi batidas na porta e logo após a voz de soar do outro lado.
- ? Tá tudo bem? - perguntou com o timbre preocupado.
- Tá, sim. Daqui a pouco eu saio. - avisei rapidamente. Andei até a pia e liguei a torneira, deixando a água fria molhar meus pulsos, tentando relaxar.
- Olha, eu não queria que você ficasse chateado, só estava sendo sincera. - falou, tentando se explicar. - Desculpe. - fechei a torneira e sequei as mãos na toalhinha ao lado, abri a porta e fitei .
- Você só disse a verdade. - confessei. Ela deu um sorrisinho de lado, estendendo a mão na minha direção. Aceitei e entrelacei nossas mãos, puxando seu corpo para que eu pudesse a abraçar. - Obrigado por tudo.
- Eu não fiz nada. - sussurrou com o rosto abafado em meu peito. Beijei o topo da sua cabeça.
- Fez sim. - ela levantou a cabeça, fitando-me. - Faz todos os dias.
- Ah, ... - falou sem graça, voltando a esconder o rosto no meu peito. Ri, achando graça da sua vergonha. - Podemos ir nos deitar? Você só sabe me deixar sem graça. - riu, soltando-se de mim.
- Ei! - me fitou. - Eu amo você.
- É, eu sei. - sorriu. - Eu também amo você. - puxou-me pela mão e nos guiou de volta a sala, onde ficamos mais um pouco até o sono realmente bater e irmos nos deitar, finalmente. No dia seguinte, passamos em casa apenas para trocar de roupa e cada um ir para o trabalho. A semana ainda era longa. Assim que entrei na sala de , vi uma cena um tanto quanto constrangedora: sentada sobre a mesa de enquanto ele a segurava pelas pernas e se beijavam. Pigarreei alto, chamando a atenção deles.
- Com licença, senhor e senhora ! - pedi, fazendo-os se assustar e se soltarem rapidamente. corou e desceu da mesa, ajeitando o vestido. - Vou bater antes de entrar na próxima, prometo.
- Por favor. - resmungou baixo, mas não o suficiente que eu não conseguisse ouvir. Segurei um riso.
- Ok, eu volto depois! - avisei, ameaçando sair, mas me interrompeu.
- Não precisa, seu chato! - foi simpática como sempre. - Eu já estou de saída, tenho que ir pra revista. Só vim confirmar uma coisas com o .
- Aham, eu vi bem a confirmação. - brinquei, recebendo um olhar ameaçador em troca. Levantei os braços, rendendo-me.
- Tchau, amor. A gente se vê no almoço? - perguntou ao marido, que confirmou, balançando a cabeça. Beijou-o rapidamente e se virou, vindo em direção a porta. - Tchau, . A já foi pra revista?
- Deixei-a lá antes de vir pra cá. - expliquei. Ela concordou e acenou, saindo da sala. - Ela vai me matar por isso, né?
- É, que bom que sabe, meu amigo! - riu da minha cara de desespero. - Mas, então, o que queria falar comigo? - perguntou, dando a volta na mesa e se sentando na sua cadeira, fitando o computador a sua frente.
- Bom, na verdade, queria te contar algo que decidi fazer. - avisei, mordendo os lábios, nervoso. Andei até a sua mesa e me sentei na cadeira em frente.
- Algum projeto novo? - perguntou, digitando algo rapidamente no computador, bem concentrado. Fiz um estalo com a língua, negando em seguida.
- Não, é algo pessoal. - expliquei. Ele parou de digitar e me fitou, curioso.
- E tem a ver com o quê? - cruzou as mãos sobre a mesa, observando-me. Passei a mão no cabelo, nervoso. Eu nunca tinha dito aquilo em voz alta. Muito menos pra outra pessoa
- Eu vou pedir a em casamento. - falei enfim. abriu a boca levemente, mas não emitiu som algum. Seu olhar estava fixo em mim. - ??
- É, eu… Cara! - ele sorriu, enfim. - Cara!! - faltou mais alto, sorrindo. - Eu não acredito! Já era hora, meu amigo. - suspirei, aliviado.
- Você acha que é uma boa ideia? - perguntei, ansioso. - Acha que ela vai aceitar? Ela pode achar loucura. É loucura, né? Eu sabia! Deixa isso pra lá, ela vai dizer não, claro que vai. - comecei a tagarelar sem parar. começou a rir. O fitei, confuso. - O quê?
- Relaxa, , ela vai dizer o maior sim que você vai ouvir na vida. Eu te garanto! - sorriu confiante. Ri, me achando um idiota.
- Eu sou um fracassado mesmo, né? - baguncei o cabelo, rindo de mim mesmo.
- Você é, mas a gente ainda te ama. - avisou, fazendo um coração com as mãos, rindo. - Pretende fazer quando o pedido?
- Eu não sei, vou comprar o anel hoje. - falei, estralando os dedos. - O pedido pode ser a qualquer momento a partir disso.
- Ahh, meu garoto! - me puxou pela mão, dando um soquinho no meu ombro. - Estou feliz por vocês. Vocês serão muito felizes, eu tenho certeza!
- Obrigado, . - agradeci, sorrindo feito bobo.
- Ei, eu vou ser o padrinho, né? - perguntou, apontando pra ele mesmo.
- Não, imagina. - rolei os olhos, rindo. - Óbvio, !
- Acho bom mesmo. - cerrou os olhos, apontando de mim para ele. Ri, balançando a cabeça e me levantando.
- Vou pra minha sala, tentar trabalhar e ficar menos nervoso. - avisei, andando em direção a porta.
- Relaxa, é só o resto da sua vida! - brincou, jogando uma piscadinha zombeteira.
- É, valeu. - respondi, fazendo um joinha sem graça e saindo da sala dele e rumando para a minha, onde permaneci até a hora do almoço, quando resolvi que precisava ir logo até a joalheria antes que eu pirasse de vez. Resolvi ir a pé mesmo, porque não ficava tão longe assim e andar me ajudaria a respirar direito, andava muito sedentário também. O clima de Londres naquele dia estava agradável, frio, mas nada insuportável, nada comparado aos dias de inverno. Andava a passos lentos, observando a cidade movimentada, os carros sempre apressados, os pedestres em modo automático, as crianças no parque com a mais pura alegria.
- ! - ouvi uma voz me chamando, virei rapidamente, procurando quem era, mas não achei. Girei o rosto em todas as direções, mas não encontrei. Franzi o cenho, confuso. Enfiei as mãos dentro dos bolsos e continuei andando, mas apressando os passos até a joalheria. Parei num sinaleiro, aguardando ficar verde para os pedestres, observando o movimento das ruas aumentar. O trânsito de Londres sempre foi um caos. Levantei a cabeça, observando o sinal ficar verde, respirei fundo e me pus a atravessar a faixa.
- ?! - ouvi novamente alguém me chamar, dessa vez mais alto, virei-me rapidamente, atordoado, procurando quem era. Mas, novamente, eu não via ninguém. Minha cabeça doía, uma pontada forte logo atrás, perto da nuca, deixando-me desnorteado e com a visão turva. Tudo foi muito rápido: uma buzina alta, uma freada brusca e um impacto forte. E tudo ficou escuro.

***


Um som baixo de um bip ecoava na minha cabeça. Eu queria abrir os olhos, mas não conseguia, alguma coisa parecia me impedir. Sentia meu corpo dolorido e formigando. Sentia frio também. Ouvia vozes ao longe, pareciam conhecidas, mas eu não sabia distinguir quem eram. Forcei minhas pálpebras a se abrirem, aos poucos elas foram cedendo, deixando a claridade entrar, fazendo-me fechá-las novamente. Resmunguei baixo, tentando abri-las de novo e com muito esforço, consegui. Fitei o teto branco, me sentindo agoniado, preso. Girei o rosto devagar, olhando alguns aparelhos ligados e fazendo barulhos irritantes. Fiz uma careta, odiando aquele lugar imediatamente. Vi ao longe, através de um vidro, meus pais, e .
- Mãe. - tentei chamar, mas minha voz parecia não ter força para sair. - Mãe. - tentei mais uma vez. Respirei fundo, tentando pegar fôlego. - Mãe! - chamei novamente, saindo com mais força dessa vez. Vi a cabeça da minha mãe se virar rapidamente, dando um salto e correndo para onde eu estava.
- Meu filho, meu Deus! - ela falou alto, cobrindo a boca, segurando um choro. Minha cabeça latejava, me deixando com caretas de dor. - Ele acordou, Jimmy. - avisou ao meu pai, que estava logo atrás dela. Visualizei meus amigos se aproximarem surpresos e pareciam emocionados.
- Bem-vindo de volta, cara! - falou, sorrindo de lado. - Sentimos a sua falta.
- Onde está o médico? Preciso chamá-lo! - minha mãe avisou, saindo apressada do quarto.
- Como está se sentindo, filho? - meu pai perguntou, tocando levemente minha mão.
- Com dor de cabeça. - falei baixo, sentindo minha boca seca. - E com sede.
- Já vamos dar algo pra você beber, vamos só esperar o médico vir, ok? - pediu, e eu concordei, mesmo sem entender direito o que estava havendo. Vi me olhar com cuidado, sem acreditar direito que eu estava ali. Rapidamente me lembrei de .
- Cadê a ? - perguntei baixo. Ela se aproximou, fazendo uma careta.
- Oi? Eu não ouvi, . - pediu, parando ao meu lado. - Tenta não se esforçar muito.
- É, fique calmo, filho.
- Cadê a ? - repeti mais alto. Ela voltou a franzir o cenho, confusa.
- Quem? - perguntou, sem entender. Quando abri a boca para falar novamente, minha mãe voltou ao quarto com o médico.
- Aqui, eu disse que tinha ouvido ele falar algo mais cedo! - ela disse, aproximando-se do meu pai. Um senhor de cabelos grisalhos se aproximou de mim. Ele sorriu, tirando uma lanterninha e um estetoscópio do bolso do jaleco.
- Bom dia, ! - falou, colocando o estetoscópio no meu peito, ficando em silêncio por alguns segundos, deslizando aquele troço gelado. - Como está se sentindo?
- Com dor de cabeça. - fui sincero. Ele concordou, pegando a lanterna e direcionando no meu olho. - E com sede.
- Certo. - ele disse, anotando algo numa prancheta ao meu lado. - Vou pedir uns exames e logo que fizermos, eu peço para trazerem algo pra você beber, ok? - balancei a cabeça, concordando. - Ele parece estar bem, o coração está um pouco acelerado, mas isso é normal. - ele disse para os meus pais, que o fitavam preocupados. - Vou pedir os exames e vamos esperar os resultados, mas, no geral, ele está bem. - virou-se para mim novamente. - Você é um rapaz forte, . - sorriu, acenando com a cabeça. - Com licença. - e saiu do quarto. Girei minha cabeça até encontrar os olhos de novamente.
- A , onde ela está, por favor? - pedi novamente, já ficando irritado. me olhava em dúvida, sem saber o que falar. Fitou , também com o semblante confuso.
- Quem é ? - perguntou baixo a ele, que deu de ombros. Ela mordeu os lábios, virando-se para mim novamente. - Eu não sei quem é essa pessoa, . Sinto muito!
- O quê? - disse alto, me arrependendo logo após sentir minha cabeça vibrar de dor. - Como assim?
- Eu não sei. Você estava saindo com alguém? - ela perguntou preocupada e confusa.
- É a , minha namorada, sua melhor amiga, nós moramos juntos. - falei depressa. Minha mãe segurou minha mão.
- Calma, querido, não se exalte! - pediu, tentando me acalmar, mas meu coração estava acelerado.
- Namorada? Minha melhor amiga? , eu não estou entendendo. - ela parecia tão confusa quanto o restante deles. Os observei, fitando-me com pena.
- O que aconteceu? Por que eu estou aqui? - perguntei, sentindo minha pressão subir.
- Calma, ! - me segurou quando tentei me sentar. - Acho que ainda é cedo pra fazer esforços.
- O que aconteceu, droga?! - falei alto, assustando-os. Eles se entreolharam, conversando entre si pelo olhar. limpou a garganta e me fitou.
- Você sofreu um acidente e bateu a cabeça. - começou a explicar.
- Que acidente? Como assim?
- Nós não estávamos lá, só sabemos o que nos contaram. - ele suspirou, passando a mão no rosto. - Um ciclista colidiu com você no Hyde Park, o impacto foi muito forte que te jogou no chão, fazendo você bater a cabeça com força. - ele estalou os dedos. - Acharam o nosso número com você e nos ligaram, avisando que você estava aqui. - deu de ombros. - Você está desacordado há três dias.
- Três dias? - falei alto. Ele concordou, balançando a cabeça. - Mas tem dias que não vou ao Hyde.
- Você estava lá quando te trouxeram pra cá. - avisou. - Sinto muito.
- Mas e a ? O que aconteceu? - tentei novamente.
- , nós realmente não sabemos quem é essa pessoa. - ela falou, suspirando, cansada. - Eu sinto muito, mas ela não existe.

Capítulo 18



Ouvi uma batida na porta, sem muita vontade, girei meu rosto para ver a enfermeira entrando no meu quarto, carregando uma bandeja com aquela sopa horrível que serviam no hospital.
- Bom dia, . – desejou, sorrindo.
- Pode de chamar de . – pedi, sentando-me na cama, esperando-a colocar a bandeja sobre a mesinha retrátil, empurrando até mim.
- Ok, . Eu trouxe sua comida, eu sei que você não sente muita fome, mas é preciso se alimentar. – informou, ajeitando os talheres e me entregando. – Se precisar de algo, é só apertar aquele botão. – avisou, apontando para um botãozinho azul atrás de mim. Assenti com a cabeça, concordando. – Bom apetite.
- Valeu. – agradeci baixo, sem muita vontade de falar. Fazia dois dias desde o dia que eu havia acordado, e não, não era só um sonho ruim. Meus amigos e meus pais pensavam que eu era louco ou que eu havia sonhado durante meu tempo desacordado. Era real demais para ter sido só um sonho. Ela era real demais. Suspirei, afastando a comida de mim, sem a mínima vontade de comer. Encarei minhas mãos sobre o meu colo, belisquei meu braço, mas só ardeu e eu não acordei de nenhum pesadelo. Vi minha irmã entrar no quarto, aproximando-se de mim.
- Oi, feioso! – puxou a cadeira que tinha ali, sentando-se perto de mim. – Como você tá?
- Do mesmo jeito. – falei apenas, dando de ombros. – Isso tudo parece mentira.
- Eu sei. – ela disse paciente. – Mas não é, sinto muito. Eu queria mesmo ter um namorado. – riu.
- É, ele era legal. – falei, lembrando-me do tal Mark que eu havia conhecido, sonhado, não sei. – Ela era demais, também.
- É? Você vai achar alguém legal, maninho. – avisou, segurando minha mão. – Não sendo aquela bruxa da Claire, tá ótimo.
- Ninguém realmente gostava dela, né? – ri, observando-a concordar.
- Você a amava, nós só a aturamos por você. – deu de ombros, rindo. – Que bom que isso acabou, minha paciência estava esgotada. Desculpe.
- Tudo bem. – dei de ombros. – Eu não sinto falta dela mesmo.
- Ótimo! – sorriu. – Quando você sair daqui, vamos arranjar uma garota linda e inteligente pra você.
- É, eu não acho que quero encontrar alguém agora. – sorri triste, apertando o nariz dela. – Muita coisa pra processar ainda, sei lá.
- Entendo. Bom, de qualquer forma, em pouco tempo você vai voltar pra casa. – avisou, sorridente. – Eu deixo você ficar lá em casa uns dias.
- Muito gentil da sua parte, obrigado. – entrei na brincadeira, zoando também. – Quero sair logo daqui, estou cansado de não fazer nada e comer essa comida horrível.
- Em breve, tenha paciência. – pediu, jogando uma piscadinha.
- Você não deveria estar na escola? - perguntei, franzindo o cenho.
- Deveria, mas eu queria vir visitar meu irmão chato. - avisou, dando de ombros.
- Você não deveria faltar aula, Blue! - repreendi, balançando a cabeça.
- Um dia não vai me fazer mais burra, . - avisou como se fosse óbvio. - E além disso, você faltava aulas quando estudava. Acha que eu não sei?
- E sabe disso como? - rebati, cruzando os braços.
- Papai. - mostrou língua. - Não queria que eu seguisse o péssimo exemplo.
- Valeu, Jimmy. - agradeci, rindo. - Então, por favor, não siga esse péssimo exemplo.
- Mas você nem ficou tão burro, então tá tudo bem. - riu da minha cara, fazendo-me rir também.
- Obrigado por me fazer rir. - agradeci sincero, observando-a sorrir e assentir. - Não tá sendo muito fácil. Parece loucura, mas tudo isso parece um grande pesadelo.
- Ela realmente marcou a sua memória, né?
- Ela era a mulher da minha vida, maninha. - sorri triste. - E eu acho que nunca vou superar essa loucura que a minha mente criou. É insano!
- Vai superar, sim. Você vai ver, logo essa história maluca vai realmente só ficar na sua memória. - segurou minha mão e a apertou. - Eu prometo!
- Não promete, Blue. Tá tudo bem. - avisei, mesmo sabendo que por dentro nada estava bem. Eu não estava bem. Vi o médico dar dois toques na porta e entrar no meu quarto.
- Bom dia, ! - desejou, aproximando-se de mim. - Olá, senhorita . Que ótimo encontrá-la aqui! - avisou, sorridente. - Vim levar esse rapaz para dar uma volta pelo hospital, mas visto que você está fazendo companhia para ele, se importaria de levá-lo?
- De maneira alguma! - Blue sorriu, levantando-se.
- Ótimo! - ele sorriu de volta, depois me fitando. - Pronto? Você precisa exercitar seus músculos e os fazer acordar também. Você ficou muito tempo deitado, o que não faz bem para a sua circulação.
- Tudo bem. - concordei, colocando as pernas para o lado, apoiando-me na cama e me colocando de pé. Blue me segurou pelo braço. - Eu não vou cair, Blue.
- Só tô garantido, ô machão! - ela falou, revirando os olhos. O médico riu baixo.
- Bom, vou deixá-los caminhar em paz. Volto daqui a pouco pra medir sua pressão. - avisou, acenando rapidamente com a cabeça e saindo do quarto. Blue me fitou e sorriu.
- E aí, vamos dar uma volta na parte do jardim?


Ouvi uma música ao fundo e uma voz suave cantando junto com a mesma. Esfreguei os olhos, abrindo-os lentamente. Visualizei a TV ligada num noticiário, algumas latinhas de refrigerante sobre a mesinha de centro e vários papéis de chocolate. Me remexi, sentindo-me desconfortável no sofá, minhas costas doíam. Levantei devagar, sentando-me na ponta, tentando focar minha visão. Ouvi uma risada feminina e franzi o cenho, confuso. Blue? Levantei-me e caminhei rumo ao som, que vinha da cozinha. Andei a passos lentos e zonzos até o local, assim que entrei na cozinha, vi um corpo feminino de costas, em frente ao fogão. Meu coração acelerou muito rápido.
- ? - chamei, quase gritando seu nome. Ela riu, virando-se para mim, segurando uma colher de pau.
- Acordou, belo adormecido? - balançou a cabeça, negativamente.
- Meu Deus! - falei alto, correndo em direção a ela. Puxei-a pela cintura, abraçando-a fortemente.
- Ei, o que foi? - perguntou, assustando-se com o meu desespero.
- Você tá aqui. - sussurrei, fechando os olhos e a apertando em meus braços.
- Amor? Tá tudo bem? - ela perguntou novamente, retribuindo o abraço, afagando meus cabelos.
- Eu nunca mais vou te soltar. - avisei, beijando seu pescoço. - Nunca mais.
- Aw, alguma hora eu vou precisar ir ao banheiro, . - riu, afastando-se um pouco de mim para me fitar. - Ei, calma! - sorriu, segurando meu rosto entre as suas mãos. Respirei fundo, tentando controlar a respiração. Eu podia sentir meu coração quase pular pela boca.
- Eu tive um pesadelo horrível. - falei, fazendo uma careta.
- Que pesadelo? - perguntou, franzindo o cenho, confusa.
- Eu sonhei que você não existia, que tudo isso foi criação da minha cabeça. Foi horrível.
- ? - me chamou, fitando-me, descendo as mãos para os meus ombros, segurando-os com força. - Mas eu não existo.
- O quê? - perguntei baixo, fitando-a, sem entender.
- Eu não existo, meu amor. - sorriu, passando a mão na minha nuca. - Eu sou fruto da sua imaginação.
- Para com isso, . - ri, nervoso. - Não tem graça. É sério.
- Também estou falando sério. - fez uma careta. - Eu só existo aqui. - e bateu o indicador na minha testa. - Na sua cabecinha.
- Não! - falei alto, afastando-me dela. - Isso não é verdade.
- Sinto muito.
- Não! - repeti, dando passos para trás.
- Ei, calma, volte aqui. - esticou a mão, tentando-me alcançar. - A gente ainda pode ser feliz desse lado, não? - sorriu, ainda tentando me alcançar. Balancei a cabeça, negativamente.
- Isso não pode ser verdade. - senti o ar faltar dos meus pulmões, minha garganta secou e eu senti um frio enorme.
- Vem?! - chamou, sorrindo.
- ?! - sussurrei, esticando a mão para alcançá-la, mas ela parecia se afastar de mim agora. - , por favor!
- Eu sinto muito. - falou, abaixando a cabeça. Sua silhueta parecia se apagar aos poucos. Cocei os olhos rapidamente, tentando enxergar melhor, mas a cada momento ela se desfazia mais.

- NÃO! - gritei, abrindo os olhos. Fitei o teto branco do hospital com a respiração descompassada, meu corpo estava molhado de suor e minha cabeça doía. Passei os dedos pelos cabelos úmidos de suor, sentindo-me cansado e… Bom, triste e sozinho. O quarto estava escuro, as luzes do corredor eram as únicas coisas que iluminavam o local. Eu queria chorar, gritar e esmurrar algo, mas nada disso iria adiantar. Ela não iria voltar. Ela não iria magicamente aparecer na minha frente. - Porque ela não existe. - disse a mim mesmo, em voz alta. Talvez assim eu conseguisse assimilar e entender de uma vez por todas que eu nunca mais iria vê-la de novo. Ela, literalmente, era a mulher dos meus sonhos.


***


- Não reclama da camisa, foi a mamãe que escolheu. - Blue avisou, fitando-me. - Roxo não é uma cor ruim, vai?!
- Só não é a minha preferida, né? - falei, fazendo uma careta. - Mas, tudo bem, qualquer coisa serve pra eu sair logo daqui. - avisei, suspirando, fitando o quarto onde passei a última semana. Havia recebido alta pela manhã, não que tivesse dormido direito depois daquele pesadelo terrível, mas foi bom saber que eu poderia ir pra casa, enfim. Um acalento em meio à tempestade. Blue havia trazido um par de roupas para que eu pudesse sair com dignidade do hospital. Meus pais viriam nos buscar daqui a pouco, enquanto isso, aguardávamos a última visita do médico. Eu estava ansioso e minha perna não parava de balançar, louco pra sair correndo dali.
- avisou que vai passar lá em casa depois pra te ver. - minha irmã me avisou, fitando o celular. - Ele ficou bem preocupado com você esses dias. Aliás, os dois ficaram, tanto ele quanto a .
- São bons amigos. - sorri, sendo sincero.
- Eu acho os dois muito fofos juntos. - confessou, sorrindo. - Acho bonito o relacionamento deles. Já faz tanto tempo, mas o amor ainda é o mesmo.
- Eles devem se casar em breve.
- Espero que sim. - falou, dando de ombros, voltando a fitar o celular. Suspirei baixo, levantando-me da cama, onde eu estava sentado.
- Por que essa demora toda? - resmunguei, andando até a porta do quarto, encostando-me no batente da porta. O hospital estava tranquilo hoje, não sei porque era um sábado, mas as pessoas decidiram não se machucar muito nesse dia. Na central de enfermagem, um grupo de mulheres conversavam animadas, rindo e gesticulando. Não sabia que dava pra ser feliz de verdade num hospital, mas parecia que para elas, sim. Um mulher de costas, mexeu no cabelo, que estava amarrado num rabo de cavalo baixo, enfiou as mãos dentro do jaleco branco, virando-se levemente de lado para conversar com a mulher ao seu lado. Quando meus olhos focalizaram seu perfil, meu coração acelerou e eu comecei a suar frio. - O quê? - falei baixo, quase num sussurro. Não podia ser. - Blue?! - tentei chamar a minha irmã, mas minha voz saiu rouca e baixa. - BLUE!
- Ei, o que foi? - perguntou, levantando-se rápido e parando a minha frente. - Tá tudo bem? Você tá amarelo! Ah, meu Deus, você tá passando mal?
- Não. Eu só… - tentei formar palavras. Era ela. - Me belisca.
- O quê? Tá doido? - ela riu, negando.
- Me belisca, Blue, anda! - pedi outra vez, soando um pouco desesperado. Ela me olhou, confusa, deu de ombros e beliscou de leve meu braço. Mas eu senti a ardência fraca. Fitei meu braço, no local onde ela havia acabado de beliscar, passando os dedos rapidamente e constatando que não era um sonho novamente. Voltei meu olhar para o posto de enfermagem logo a frente, constatando que ela era real, sim. - É ela.
- Ela quem? - Blue perguntou, olhando para onde eu fitava, tentando achar o que eu tanto observava. As enfermeiras se dispersaram, indo cada uma para um local. Ela se virou, pegando uma caneta no bolso do uniforme azul claro e escrevendo algo no bloco sobre o balcão. Ela acenou pra alguém ao seu lado e, finalmente, virou-se para mim. Seus olhos encontraram os meus, e meu corpo todo se arrepiou. Ela sorriu, caminhando a passos lentos até mim e Blue. Eu estava estagnado, sem reação, sem fala. O sorriso, o olhar, o cabelo. Era ela.
- Ei! - ela falou, parando a nossa frente. Sorriu para mim e para minha irmã, verdadeiramente. - Como se sente? - perguntou, voltando a atenção para mim. Eu nada falei, continuava a fitá-la sem reação e sem acreditar.
- , a moça tá falando com você! - Blue avisou, cutucando-me. Sorriu sem graça. - Ele tá meio distraído esses dias, desculpa.
- Tudo bem, é normal depois do baque que ele sofreu. - avisou, educadamente.
- Você é uma das enfermeiras que cuidou dele? - minha irmã perguntou, confusa.
- Oh, não! - ela se apressou a corrigir. - Ah, desculpa, eu estou aqui falando como se vocês soubessem que eu sou. - bateu na própria testa. - Eu sou uma interna cirúrgica, aqui no hospital. Eu encontrei o no parque.
- Foi você?! - Blue perguntou surpresa, e eu só conseguia encará-las.
- Sim, fui eu. - sorriu, sem jeito. Girou o olhar até mim. - Espero que esteja bem.
- Eu… É. - falei.
- Vamos começar de novo, foi tudo muito confuso aquele dia. - gesticulou rápido, rindo. - Prazer, meu nome é .
- ??!! - Blue praticamente gritou o nome dela, fazendo se tornar real o que girava na minha mente. Ela existia. Minha mente não a criou. Ela é real.
- Ahm, sim. - ela confirmou, sem entender o motivo da gritaria da minha irmã mais nova.
- Você é real. - falei em voz alta. me fitou, sorrindo.
- É, eu sou. - continuava com o rosto um pouco confuso. - Vocês estão bem?
- Sim, me desculpa. - Blue pediu, rindo, sem graça. - Eu me exaltei um pouco. - minha irmã virou-se para mim, segurando meu braço. - , ela é…?
- Sim. - concordei, balançando a cabeça.
- Caraca! - falou baixo, depois virando-se para novamente. - Erm, você podia nos contar como você achou o , por favor?
- Eu imaginei que vocês iam querer saber! - riu, balançando a cabeça. - Eu conto sim.

Ponto de Vista da ; Uma semana atrás.

Paguei o café ao senhor que me atendia quase todos os dias no Hyde Park, meu caminho diário até o Saint Mary's Hospital. Estava atrasada e meu chefe ia me matar. Segurei com força o copo de café numa mão e a ajeitei a bolsa no meu ombro com a outra, tentando andar rápido, mas sem derrubar a bebida, o que pra mim era pra ser um trabalho fácil, devido a minha concentração e precisão, dado ao fato que eu pretendia me especializar em neurologia. Eu era fascinada pela mente humana, minha mãe disse que eu devia ter feito psicologia, mas eu preferi ver como funciona por dentro. Andava com pressa e sem prestar muito atenção no caminho, mas ao ouvir um gritinho exasperado se aproximar, girei meus olhos rapidamente para desviar a tempo de um ciclista desgovernado que vinha em minha direção.
- Ei! - gritei. - Presta atenção! - foi o tempo de eu dizer e ver tudo acontecer rapidamente em frente aos meus olhos: O ciclista quase atropelar uma senhora; um rapaz empurrar senhora para o outro lado; o ciclista derrubar o rapaz e o mesmo cair com força no chão; ciclista bater num banco e finalmente parar. - Droga! - falei alto, correndo até o ciclista caído no chão. Deixei meu café de lado e me abaixei até o jovem caído. - Você tá bem?
- Sim, acho que só ralei a perna. - ele fez uma careta, tentando se levantar.
- Não levanta, fica quieto aqui. Eu já volto! - pedi, correndo até a senhora, que parecia perdida e atordoada. - A senhora tá bem? Sente alguma coisa?
- Eu? Eu não sei, querida. - ela parecia assustada. A guiei até o banco, sentando-a no mesmo.
- Respire fundo, vai ficar tudo bem. Eu já volto. - repeti a fala, correndo até o rapaz jogado no chão. Me agachei até ele, fitando-o. Ele estava com um corte feio na parte de trás da cabeça, estava amarelo e com os lábios pálidos. - Ei, ei. Eu vou chamar uma ambulância para vir te ajudar, fica comigo. - pedi, pegando o pulso dele e aferindo, sentindo-o fraco. Seus olhos estavam sonolentos, querendo se fechar. Oh, não! - Alguém liga pra o Saint Mary's e chama a ambulância, por favor. - pedi, observando o tumulto de gente ao nosso redor. Uma jovem concordou, pegando o celular e discando rapidamente. Voltei a minha atenção para o rapaz. - Então, conversa comigo, ok? - pedi, sorrindo e segurando sua mão, que estava gelada. - Qual o seu nome?
- . - murmurou.
- Prazer, . Eu me chamo . - me apresentei. - Você tem alguém que eu possa ligar? Parente? Amigos?
- . - ele falou, quase fechando os olhos.
- Ei, continua a falar comigo! - pedi, exasperada. - Esse , você sabe o número dele de cabeça?
- Agência Buddy’s Media.
- Ele trabalha nessa agência? - perguntei em duvida, ele balançou a cabeça, concordando. Fez uma careta de dor. - Não se mexe, por favor. - segurei seu rosto, tentando imobilizar seu pescoço. Não sabia a intensidade de seus ferimentos e não queria piorar. me fitou e sorriu, fazendo-me sorrir também. - O que foi?
- Você é bonita. - falou com o sorrisinho. Eu devo ter ficado bem vermelha, porque senti meu rosto esquentar rapidamente.
- Ah, imagina! - falei, desviando o olhar. Segundos depois, ouvi o barulho da ambulância se aproximar. - Graças a Deus! - sussurrei, aliviada. - A ajuda chegou, vai dar tudo certo agora.
- Sinto muito. - ele falou, fazendo uma careta.
- Pelo o quê? - perguntei, confusa.
- Eu queria ter te conhecido antes. - falou, fitando-me. - Porque agora eu não vou te ver mais.
- Não?
- Não, porque eu vou desmaiar. - avisou, fechando os olhos e desmaiando em seguida.
- Droga! - praguejei, levantando-me e observando os paramédicos correrem até nós com uma maca. Passei todas as informações sobre o ocorrido a eles, fui na ambulância junto com , fitando seu rosto, agora bem sereno. Assim que chegamos ao hospital, corri até o neurologista de plantão e também meu mentor, pedindo sua ajuda com o caso dele. O levaram para que pudesse medicá-lo e tratá-lo devidamente. Lembrei de avisar alguém conhecido dele, tentando achar a tal agência que ele havia mencionado. Não demorei até achar o número no Google, discando rapidamente, esperando alguém atender.
- Buddy’s Media, bom dia!
- Bom dia, eu gostaria de falar com .
- Quem deseja?
- Ele não me conhece, é sobre um conhecido dele. .
- Oh, o senhor . Vou transferir.
- Obrigada. - dois bips e ouço uma voz masculina.
- falando.
- Oi, , eu só preciso te informar que o sofreu um acidente e está sendo atendido no Saint Mary's. Você precisa vir pra cá agora!

Fim do Ponto de Vista da

- Deus! - Blue soltou, após ela terminar de contar. - Agora tudo faz sentido.
- O quê? - perguntou, curiosa.
- Uma longa história, . - Blue falou, rindo. Virou-se para mim, tocando meu ombro. - Acho que entendemos um pouco o porquê do seu “sonho”, né?
- É. - falei, entendendo-a. Fiz uma careta, passando a mão na minha cabeça, sentindo o relevo da pequena cicatriz deixada na mesma. Eu sabia que não estava louco. Eu sabia que não podia criar uma pessoa do nada. Fitei parada a minha frente, esperando alguma reação de verdade minha. Senti-me envergonhado, sorrindo sem jeito. - Muito obrigado por tudo, de verdade.
- Imagina, só fiz o meu trabalho. - esclareceu. Fez um barulho com a boca, enfiando as mãos no jaleco de novo. - Bom, eu preciso ir. Foi bom ver que você está bem.
- Sim, já recebi alta, inclusive. - avisei, apontando para trás, para o quarto. - Estou indo embora.
- Oh, sério? Isso é ótimo! - sorriu, sincera. - Boa sorte pra vocês!
- Valeu. - falei, agradecendo verdadeiramente. Ela acenou e se virou, andando para longe de nós. Blue me deu um tapa no braço. - Ei! Pirou?
- É isso? - me olhou, cruzando os braços. - Vai deixar ela ir assim?
- O quê?
- , faz alguma coisa! É a mulher dos seus sonhos, maninho. - ela falou como se fosse óbvio.- Não deixa ela escapar de novo.
- Mas a gente nem se conhece, Blue!
- Mas podem se conhecer! - falou, empurrando-me para frente. - Anda!
- ! - chamei-a sem pensar. Ela parou de caminhar e se virou, fitando-me. Ai, Deus! - Quer tomar um café?



Capítulo 19



Mudei de canal novamente, sem prestar muito atenção ao que passava. Suspirei, entediado e cansado de ficar em casa sem poder fazer nada. Aliás, não me deixavam fazer nada. O médico me deu alta, mas a minha mãe não. É, mães.
- Eu já tô tonta, . - Blue avisou, fazendo careta e se ajeitando no sofá.
- Desculpa. - pedi, entregando o controle a ela.
- Você tá assim por causa da , né? - perguntou, fitando-me. - O que ela disse mesmo?
- “Minha vida pessoal é uma bagunça, você não vai querer entrar nessa.” - repeti as exatas palavras dela após eu tê-la convidado para tomar um café comigo. É, não foi um sentimento bom ouvir aquilo, mas eu não podia forçá-la, ela não me conhecia. Na verdade, eu também não a conhecia. - Tudo bem, ela não tem culpa.
- Nenhum de vocês dois tem, maninho. - Blue avisou, sorrindo fraco. - Não fique assim, as coisas vão se acertar. Ela só não sabe ainda a pessoa incrível que você é.
- Obrigado! - ri, assentindo. - Tudo bem, eu sou o enfermo aqui, será que você poderia trazer o sorvete?
- Vai começar a ser folgado, é? Eu vou te expulsar daqui. - colocou a mão na cintura, fitando-me.
- Por favor? - pedi, fazendo a minha melhor cara de pidão. Ela riu, rolando os olhos.
- Arght, como eu te odeio! - falou, levantando-se.
- Odeia nada!
- Você que acha! - avisou, andando e sumindo cozinha a dentro. Ri, balançando a cabeça e voltando a fitar a TV, que estava em algum canal aleatório. Meu celular se acendeu ao meu lado, avisando uma nova mensagem. Era o .

“Fala, minha nega?! Como você está? A vai fazer um jantar aqui hoje e pediu pra te chamar, disse que não aceita não como resposta.”


Ri, lendo a mensagem e o respondendo rapidamente. Seria bom sair um pouco e distrair a mente. Blue voltou com pote de sorvete e duas colheres em mãos, entregando-me uma. Jogou-se ao meu lado e deixou o sorvete entre nós dois.
- Cadê a mamãe? - perguntei, pegando um pouco do sorvete.
- Foi na tia Molly, eu acho. - avisou, dando de ombros e tomando o sorvete.
- Bom, se ela não chegar a tempo, avisa a ela que eu fui jantar na casa do e da , ok? - falei, e ela assentiu. - Certo, mas primeiro eu vou comer esse sorvete, porque eu realmente senti falta.
- Gordinho! - riu, apontando pra mim. - Aproveita mesmo, porque a mamãe vai querer só te dar verduras quando chegar.
- É por isso que eu vou jantar fora. - falei, sorrindo largamente. Ela concordou, rindo.


- Ok, espera! - falou, dando a volta na mesa e se sentando à minha frente, segurando uma garrafinha de cerveja. - Então, a tal existe mesmo?
- Existe, cara! - falei, logo após tomando um gole do suco de uva. É, ninguém mandou bater a cabeça e ter que tomar antibióticos. - Ela trabalha no hospital onde eu estava.
- Isso é loucura! - concordou, sentando-se ao lado do namorado, fitando-me incrédula. - E como você reagiu?
- Fiquei sem reação, na verdade. - dei de ombros, fazendo uma careta. - Ela contou toda essa história sobre ter me achado no parque e eu fiquei meio, sei lá, pasmo, sabe? - eles concordaram, balançando a cabeça. - Eu até tentei a chamar para tomar café, mas ela negou.
- Oh, não! - fez, colocando a mão na boca, apreensiva. Mordi o lábio, segurando uma risada. - Sinto muito, chuchu.
- Tudo bem, ela não tem culpa. - repeti o que tinha dito mais cedo para Blue. E ela não tinha mesmo.
- Será que ela tem algum compromisso com alguém? - indagou, pensativo.
- Bom, eu não pensei nisso. - fui sincero, suspirando em seguida. - Eu nunca pensei nela com outra pessoa.
- Você vai voltar ao hospital? - perguntou, curiosa.
- Sim, eu tenho retorno daqui a dois dias. - informei, fitando o copo de suco a minha frente. - Mas não posso procurar ela, . Ela já deixou claro que não quer.
- Não, você tá certo. - balançou a cabeça, rapidamente. - Não é bom forçar nada.
- É, o jeito é seguir minha vida e esquecer isso. - avisei, fitando-os e tentando forçar um sorriso. deu um sorriso de pena e concordou.
- Você precisa tirar isso da sua cabeça, fazer coisas pra dispersar. - avisou, gesticulando. - Você pode nos ajudar a organizar a festa de aniversário do .
- Já estamos em maio? - perguntei, assustando-me. - Puxa, eu realmente perdi a noção do tempo.
- Sim, estamos em maio e na próxima semana é o aniversário do . - explicou. - A gente não quer nada grande, só algo mais intimista. Só pra não passar em branco o dia do meu amorzinho aqui. - falou, virando-se para ele e apertando sua bochecha, que fez uma careta. - Você quer ajudar?
- Claro, vai ser bom! - concordei, levantando meu copo de suco. - Até lá eu vou poder tomar cerveja?
- Pergunte seu médico. - avisou, levantando-se e indo até a geladeira. riu, se aproximando de mim.
- A gente rouba uma pra você. - sussurrou, como se contasse um segredo. Rimos, e eu concordei. Como era bom me sentir em casa de novo. Depois de muita conversa e risos, voltei para a casa da minha mãe, onde eu ia ficar nos próximos dias. Dona Sue era bem protetora quando queria. Assim que entrei, minha mãe estava deitada no sofá com os pés em cima do colo do meu pai; ele assistindo o noticiário, ela folheando uma revista. Me senti com quinze anos de novo, quando voltava de alguma festinha e eles estavam exatamente assim, me esperando.
- Boa noite, ! - meu pai falou, levantando o olhar para mim. Sorri, assentindo com a cabeça.
- Boa noite, família. - respondi, indo até eles. Minha mãe tirou os pés do colo do meu pai, dando-me lugar para sentar.
- Como foi a noite, meu filho? - ela perguntou, passando a mão nos meus cabelos. Fechei os olhos, deitando a cabeça em seu ombro.
- Foi boa, me diverti com os meus amigos. - fui sincero.
- Está cansado? Mamãe já arrumou a cama pra você. - falou, fazendo-me novamente me lembrar do de quatorze, quinze anos. Sorri, sentindo-me aquecido.
- Obrigado, mãe. - levantei a cabeça, fitando-a. - Bom, acho melhor eu me deitar.
- É melhor mesmo, meu amor. - ela concordou, beijando minha bochecha levemente. - Toma seu remédio, eu deixei ao lado do abajur no criado-mudo.
- Ok, boa noite! - beijei sua testa, levantando-me.
- Se cuida, filho. - meu pai pediu, estendendo a mão. Sorri, aceitando-a e apertando-a.
- Pode deixar. - bocejei e andei até o meu antigo quarto, que estava sendo meu atual quarto. Tirei o celular e a carteira do bolso, deixando-os sobre o criado-mudo. Peguei o remédio e o copo de água, que estava ao lado, tomando-os rapidamente. Troquei minha calça jeans pelo meu moletom antigo, mas quentinho; enfiei-me debaixo do cobertor e fitei o teto. Mordi os lábios, pensativo, suspirei baixo, alcançando meu celular e entrando no instagram. Digitei “ ” na busca e um milhão delas apareceram. Procurei por “Saint Mary's Hospital” e a foto do hospital logo apareceu. Expirei antes de clicar no perfil e abrir, mostrando várias fotos do hospital, bebês, aparelhos de imagem e o corpo médico. O perfil seguia duzentas e quinze pessoas. Cliquei no mesmo, abrindo a aba de pesquisa e digitei novamente: “ ”. Havia só uma. Era ela. Hesitei, não sabendo se devia clicar ou não. Se eu deveria ir a fundo nisso ou desistir de vez. Fechei os olhos, grunhindo baixo de raiva. Fitei o perfil de novo e decidi clicar, abrindo o perfil de . Não tinha muitas fotos. Na verdade, existiam somente cinco fotos no seu perfil. Abri uma onde ela estava com uma garota, sorrindo e segurando uma taça de vinho em frente a câmera. Ela parecia feliz, genuinamente feliz. Sorri junto. Voltei e abri uma em que ela estava com um rapaz, ele beijava o topo da cabeça dela e ela sorria de olhos fechados. A legenda dizia: “Eu te amo”. Meu coração acelerou e eu senti um aperto forte. Será que ela tinha namorado? Suspirei, voltando a tela principal e decidi abrir a última foto que ela postou: ela usando uma jaleco branco e por baixo o uniforme azul claro, no pescoço, o estetoscópio. Na legenda dizia: “É sobre salvar vidas. É sobre amor.”. Dizia que havia sido postada há quinze minutos. Ela estava online. Meu dedo formigou querendo enviar uma mensagem a ela. Mas seria muito evasivo e muito estranho isso. Optei por apenas sair da rede social, deixar o celular de lado e dormir. Eu tinha que esquecer isso de vez.


- Ok, senhor . Pode aguardar aqui, daqui a pouco o doutor Watanabe vai chamá-lo, ok? - uma enfermeira avisou, apontando para um local cheio de cadeiras. Assenti e fui me sentar. Respirei fundo e fitei a pulseira plástica amarrada ao meu braço, com o meu nome e data de nascimento escritos. Observar aquele hospital e imaginar que fiquei desacordado ali por dias, inventando uma vida inteira pra mim ainda era bem surreal. Geralmente, hospitais eram movimentados e barulhentos, bom, o Saint Mary's era o contrário disso. Todas as vezes que presenciei, o local estava sempre calmo e silencioso. O que era bom, digo, pra um hospital, certo? Senti meu celular vibrar dentro do bolso, avisando uma nova mensagem. Era .

“Oi, chuchu! Nosso encontro pra comprar as coisinhas pra festa do ainda tá de pé? xx”


Respondi rapidamente e voltei a guardar o celular no bolso. Estalei os dedos das mãos, ansioso. E não era pelo encontro com o médico, mas sim por, talvez, encontrar aqui. Minutos se passavam e minha ansiedade só aumentava até eu ouvir meu nome ser chamado. Era o médico que havia me atendido nos últimos dias. Ele sorriu pra mim e me chamou para entrar para a sala a sua frente. Levantei-me a passos lentos e fui até ele, cumprimentando-o e entrando na sala.
- Como vai? - ele perguntou, sentando-se do outro lado da mesa em frente a um computador.
- Bem, eu acho. - fui sincero, dando de ombros.
- Certo. - falou, digitando algo no computador e olhando fixamente a tela. - Estou dando uma olhada na tomografia que você fez, parece estar tudo certinho, senhor . Seu cérebro não inchou e nem criou coágulos, o que eu tive medo depois da queda. - sorriu, fitando-me. - O que é ótimo! Tem tomado os remédios?
- Claro, minha mãe não me deixa esquecê-los. - avisei, rindo, ele acompanhou.
- Mães estão aí para isso, não é mesmo? - riu, me fazendo concordar, balançando a cabeça. - Vou pedir só pra você colher um pouco de sangue pra eu verificar melhor suas plaquetas e ficar tudo correto pra eu te liberar de vez, ok? - assenti, concordando com o que ele havia dito. - Só um segundo! - pediu, tirando o telefone, que estava ao lado do computador, da base e discando um número rapidamente. - Pode vir aqui um minuto, por favor? - pediu a pessoa do outro lado, ouviu a resposta e devolveu o telefone a base. Segundos depois, a porta foi aberta e meu coração disparou. - , poderia acompanhar e colher o sangue do senhor , por favor?
- Claro! - ela se virou pra mim, sorrindo. - Ei, como vai?
- Bem. - respondi apenas.
- A vai colher seu sangue e quando os resultados estiverem prontos, você vai retornar até mim, ok? - o Dr. Watanabe avisou, virando-se para mim. Assenti, levantando-me.
- Pode vir por aqui, por favor. - ela pediu, abrindo a porta e esperando que eu passasse para então fechá-la, novamente. Andamos lado a lado por um pequeno corredor, me guiou até uma salinha onde havia uma cadeira com um suporte para apoiar o braço. Sentei-me ali. - Como foram os dias longe do hospital?
- Foram bons, eu acho. - sorri sem graça. - Comi comida de verdade. - ela riu, fazendo-me rir também.
- Isso é bom. - concordou, preparando alguns materiais. - Eu mesma não como a comida daqui.
- Ah, fala sério! - ri. - Isso é não é justo!
- É, eu sei. - riu também. A risada dela era contagiante. - Mas eu não consigo. - deu de ombros, pegando meu braço e colocando um elástico em volta do mesmo, apertando-o. - Eu trago comida de casa, na verdade, salada. Ou, às vezes, passo o dia com café.
- Você é médica, sabe que isso não é bom, certo? - perguntei, levantando a sobrancelha. Ela mordeu o lábio, dando de ombros, pegando um par de luvas e as vestindo. - Eu não sabia que vocês também faziam esse trabalho, sabe? - apontei para o que ela fazia. - Digo, achei que eram as enfermeiras.
- Também. - avisou. - Eu sou interna cirúrgica, mas internos não tem muito o que opinar. - rolou os olhos. - Eu só sigo ordens do meu chefe.
- O doutor Watanabe? - assentiu. - Ah, ele parece ser um cara legal.
- Ele é. Muito inteligente também. - sorriu. - Quero ser como ele um dia.
- isso é legal. - concordei, sorrindo. Ela balançou a cabeça, passando os dedos pelo meu braço, tentando achar uma veia.
- Vai ser rápido, ok? Eu prometo! - avisou, pegando uma seringa e um tubo de coleta. - Te dou um pirulito depois.
- Ah, ok, agora me sinto mais corajoso! - ri, fazendo uma careta. Ela riu, inserindo a agulha no meu braço. Senti um ardor rápido e ela tirou o elástico que prendia o meu braço. Após colher o sangue, identificar os tubos e colocar no local de depósito apropriado, colocou um pequeno band-aid no local e sorriu pra mim.
- Vou pegar seu pirulito! - avisou animada, indo até uma gaveta mais a frente, vasculhando a mesma. - Oh, não!
- O quê? - perguntei, levantando-me e indo até ela. Ela se virou pra mim, fazendo uma careta.
- Acabou os pirulitos! - fez um biquinho adorável, que me fez querer abraçá-la, mas me contive.
- Tudo bem, quem sabe uma próxima? - falei, enfiando as mãos dentro dos bolso da calça. Ela tirou as luvas e jogou no lixo mais próximo.
- Eu odeio prometer as coisas e não cumprir. - arfou, irritada. - Já sei! - sorriu, animada. - Eu vou enviar isso para o laboratório, ok? Me aguarda só um minuto lá fora?
- Ahm, claro. - concordei, saindo e a aguardando ao lado da porta. Não demorou muito até aparecer, sorrindo.
- Vamos? - perguntou, enfiando as mãos dentro do jaleco branco.
- Para onde, exatamente? - perguntei em dúvida. Ela sorriu, colocando- se a andar, apenas a segui.
- Vamos tomar um café! - avisou, jogando-me uma piscadinha. Abri a boca levemente e depois sorri largamente. - Vamos aguardar enquanto seus resultados ficam prontos.
- Ok, tudo bem! - falei, andando lado a lado com ela.
- O café daqui também não é muito bom, mas tem um aqui na frente que é ótimo. - avisou, enquanto andávamos para fora do hospital. Um vento frio passou por nós, fazendo-me arrepiar e me amaldiçoar por não ter trazido um casaco. nos guiou até um pequeno café bem em frente ao hospital, pediu para eu me sentar numa mesa e foi até o balcão, voltando com dois copos de café logo após.
- Ei, você pagou por isso? Não, deixa que eu pago! - pedi rapidamente. Ela revirou os olhos, rindo.
- Homens! - falou baixo, entregando-me um copo e se sentando à minha frente. - Relaxa, só aceita!
- Agora me sinto mal. - falei, fazendo uma careta. - Eu queria ter pago.
- É só um café, garoto! - ela riu, tomando um gole do dela. - Não é um carro!
- Eu sei, mas mesmo assim. - ri, sem jeito, tomando um gole daquele saboroso líquido quente. - Isso é bom.
- Não disse? - riu, tomando mais um pouco do dela.
- Posso te fazer uma pergunta? - tentei, já que minha cabeça estava dando dós de dúvidas.
- Manda!
- Por que você quis tomar o café agora? Digo, por que recusou antes e agora me convidou? - perguntei enfim, fitando-a. Ela mordeu os lábios.
- Pensei melhor. - deu de ombros. - É só um café, certo?
- Certo. - concordei. Era, não era?
- Posso te fazer uma pergunta também? - perguntou. Assenti a cabeça, concordando. - Por que me chamou pra tomar um café?
- Hm, porque eu gosto de café! - avisei, rindo. Ela riu, estapeando minha mão de leve.
- Eu tô falando sério!
- Porque eu gostei de você e queria te conhecer. - falei enfim. Ela me fitou, sorrindo de lado e desviando o olhar. Não, eu não iria contar a ela o sonho bizarro e louco que eu tive de uma vida inteira com ela. Não mesmo.
- Você não é um serial killer, né? - perguntou, aproximando-se de mim e fitando meu rosto.
- Bom, quantas pessoas precisam pra se tornar um serial? - perguntei, pensativo. Ela fingiu pensar, colocando o dedo sobre a boca.
- Seis, eu acho.
- Não, então eu não sou. - afirmei, jogando uma piscadinha pra ela, que riu. - Eu gosto da sua risada.
- Eu gosto que me façam rir. - foi sincera, encostando-se a cadeira novamente. - Eu não devia tá fazendo isso.
- Isso o quê? - perguntei, encostando-me também.
- Isso. - apontou para mim e para ela.
- Não estamos fazendo nada, . - fui sincero.
- É, não estamos. - concordou, balançando a cabeça e fitando-me. - Você é um paciente.
- Não sou seu paciente. - rebati.
- Mesmo assim. - avisou. - Eu não deveria.
- É só um café. - voltei a falar. - Agora, se eu te chamasse para, sei lá, sair comigo, né?
- É? Mas você não chamaria, né? - cruzou os braços, sorrindo de lado.
- Eu? Nah. - falei, dando de ombros e tomando mais um pouco do café. - Eu até poderia, mas não sei. Acha que devo?
- Não posso. - falou, mordendo os lábios. - Isso é loucura!
- Eu não sou seu paciente. - voltei a falar.
- Você não me chamou pra sair. - rebateu.
- Touché. - falei e rimos. Ela olhou no relógio no pulso e suspirou.
- Precisamos voltar. - avisou, levantando-se. - Seus resultados vão ficar prontos em breve.
- Mas já? Sério? - fiz uma careta e ela concordou. - Tá tão bom aqui.
- Me desculpe. - riu, culpada. - Minha vida é uma loucura.
- Eu imagino. - falei, levantando-me também. Seguimos de volta ao hospital, andando a passos lentos, sem muita vontade de voltar.
- É aqui que você fica. - avisou, parando na sala de espera onde eu estava antes. - Eu preciso voltar ao trabalho.
- Tudo bem, eu entendo. - sorri, passando a mão no cabelo. Ela acompanhou com o olhar, mordendo o lábio inferior.
- Isso é loucura. - falou baixo, rindo, nervosa. - Ok, eu vou me arrepender disso, mas, ok. - falou, tirando um bloco de notas amarelo do bolso do jaleco e uma caneta, anotou algo rapidamente e estendeu pra mim. - É o meu número.
- Oh! - falei, pegando o papel de suas mãos. - Eu vou guardar bem.
- Ok, eu espero que sim. - sorriu sem jeito, afastando-se. - Bom, a gente se vê por aí, .
- Me chama de .
- . - repetiu, sorrindo. - Me chama de .
- Ok, . - meu coração acelerou quando eu repeti em voz alta o seu apelido. Que saudades de chamar por ele. Ela balançou a cabeça negativamente e saiu andando, afastando-se de onde eu estava. Sorri bobo e fitei o papel em minhas mãos. Ah, moleque! Eu tinha o telefone dela! Rapidamente me sentei em um dos bancos e peguei meu celular do bolso, digitando e salvando o telefone dela o mais rápido possível. Abri a tela de mensagens e digitei:

“Ei, é o , anota meu número aí. :)”


Enviei enfim, guardando novamente o celular no bolso e fitando as pessoas na sala de espera. Não podia controlar um sorriso bobo que se apossou dos meus lábios. Eu era patético. Minutos mais tarde, o doutor Watanabe me chamou novamente, olhou meus exames e finalmente me liberou. Segui do hospital direto para a casa de , onde eu havia combinado com eles de ir ajudar com os preparativos da festa da próxima semana.

***


Já passavam das dez da noite, eu estava jogado no sofá da sala da casa dos meus pais, Blue estava na casa das amigas, meu pai estava trancado no escritório e minha mãe estava no quarto, dormindo, provavelmente, quando meu celular vibrou sobre a mesinha de centro, indicando uma nova mensagem.

“Ei, tá acordado? 👀”


Era o que dizia a mensagem que havia mandado. Me surpreendi com a mensagem dela, mas respondi rapidamente.

“Yep. Estou bem acordado! Tudo bem?”

“Tudo bem. Estou de plantão hoje, mas está tão parado! 🙃”

“E isso é bom, não?”

“Em termos médicos, sim. Para o meu aprendizado? Não! LOL O que você tá fazendo?”

“Assistindo à um filme! Acho que se chama Her, não sei.”

“Ah, eu amo filmes! Queria assistir à um. :(”

“Pode vir pra cá assistir comigo. =)”

“É, né? Espertinho!”

“Posso te fazer uma pergunta?”

“Diga!”

“Você tem namorado?”


Enviei e fitei meu celular, apreensivo e ansioso pela resposta. O que não tardou aparecer na minha tela. Eu queria saber a resposta? Sim. Eu tinha medo da resposta? Sim.

“Sim.


Era o que dizia a mensagem. Senti o sangue do meu rosto se esvair e meus dedos ficarem trêmulos. Eu realmente não queria ter lido aquilo. Uma nova mensagem dela veio logo em seguida.

“Na verdade, eu sou casada e tenho cinco filhos. Meu marido tem noventa e cinco anos, estou esperando a morte dele para ficar com a herança. Sabe como é, prioridades, né? ;)”


E eu respirei aliviado, sabendo que era uma brincadeira. Brincadeira sem graça, hein, ? Ela logo enviou outra mensagem.

“Eu sou solteira, . Se não, acho que não seria muito certo te mandar mensagem às dez da noite, né?”

“Ah, sério? Ih, vou ter que avisar a minha esposa então! :O”

“Engraçadinho! Bom, vou te deixar em paz e ir estudar para o exames.”

“Você pode sair amanhã?”

“Eu trabalho amanhã e depois, e depois, e depois também.”

“Quando você tem folga?”

“Na próxima semana, apenas. :(”

“Então fica marcado!”

“Marcado o quê?”

“O nosso encontro. ;)”

“HAHAHA Eu não vou sair com você.”

“Tem certeza?”

“Tenho.”

“Boa noite, então. Bom plantão!”


Enviei e deixei o celular sobre o sofá, fitando a tela da TV novamente. Ouvi o barulho da porta se abrir e fitei minha irmã chegando. Ela sorriu e veio até mim.
- E ai, feioso? - perguntou, jogando-se ao meu lado. Ri, dando espaço para que ela se sentasse direito.
- E ai, tampinha? - rebati, fitando-a.
- Cadê o pessoal dessa casa? - perguntou, passeando os olhos pelo local.
- Mesmo lugar de sempre: Dona Sue dormindo e Dr. James trabalhando no escritório.
- É, imaginei. - deu de ombros, encostando a cabeça no encosto do sofá. - Ei! - reclamou, dando uma pulinho. - Alguma coisa vibrou aqui. - avisou, sentindo meu celular vibrar onde ela estava sentada. Retirou de lá e visualizou a bina. - ? Quem é… EI! - falou alto, fitando-me surpresa. - É “a” ?
- É sim. - ri, tentando pegar o celular, mas ela se esquivou. - Blue, me dá isso!
- E como você conseguiu o número dela? E por que, diabos, você não me contou? - perguntou indignada. Balancei a cabeça, rindo. - Para de rir!
- Desculpa! - pedi, segurando o riso. - É só porque não tive oportunidade ainda, Blue. Eu peguei o telefone dela hoje, aliás, ela me deu o telefone hoje.
- Ai, meu Deus, me conta! - falou, animada, sentando-se de frente pra mim.
- Blue, eu não sou suas amiguinhas que gostam de fofocas. - rolei os olhos, estendendo a mão. - Me dá o celular.
- Arght, eu te odeio, sabia? - falou, entregando-me o celular.
- Odeia nada e eu vou te contar, calma. - avisei, abrindo a mensagem de .

“Ugh! Ok, tá marcado. Eu vou me arrepender. Eu vou, sim!”


- Isso! - comemorei, rindo, feliz. - Ela topou!
- Topou o quê? Ah, conta as coisas direito, ! - exigiu, me estapeando.
- Topou sair comigo! - sorri, jogando uma piscadinha pra ela, que riu.
- Jura? Isso é ótimo! - falou animada. - E pra onde vocês vão?
- Eu não sei ainda. Ela só tem folga na próxima semana, vou ter que pensar em algo.
- Só não estraga o encontro, por favor. - revirou os olhos, colocando a mão na cabeça, teatralmente.
- Ah, me poupa, Blue! - empurrei-a de leve, fazendo-a reclamar e depois rir.
- Vai dar tudo certo maninho. - sorriu.
- Obrigado. - sorri de volta, sentindo-me pela primeira, em muito tempo, confiante.

***


Durante os dias que se seguiram, eu e conversávamos todos os dias. Ela me fazia muito bem, ela não era como eu sonhara, ela era melhor do que eu podia imaginar. Ela era engraçada e muito inteligente, era esforçada e muito dedicada em todo o seu trabalho no hospital. Às vezes ela falava alguns termos médicos e eu não entendia, mas ela falava muito entusiasmada, então eu não me importava e deixava ela falar sobre. Ela era bem ocupada, não era todas as horas que ela podia falar, mas eu entendia, era o trabalho dela e era importante.
- , traz essa coisinha colorida aí, por favor? - pediu, apontando para um saco de fitas coloridas. Ri, pegando o saco e levando até onde ela estava terminando de amarrar uns balões. - Obrigada, chuchu.
- Tá ficando ótimo, ! - falei sincero, observando a decoração na casa deles.
- É, eu também acho! - concordou, rindo, observando também. - Espero que o goste também.
- Ele vai adorar, relaxa. - avisei, cruzando os braços e encostando-me à mesa. - Ele chega que horas?
- Ele disse que só ia resolver alguma coisa na agência e ia vir pra me ajudar. - deu de ombros.
- Ele deve tá me odiando por não está ajudando na agência esses dias. - falei, suspirando.
- Imagina, . Ele entende tudo o que você passou, fica tranquilo. - sorriu, passando a mão no meu braço. - Logo você vai voltar.
- É, eu combinei de voltar na próxima semana. - avisei, e ela concordou, balançando a cabeça. Senti meu celular vibrar no bolso da calça, avisando uma nova mensagem.

“Adivinha? Tenho folga hoje! UHU! Quer fazer algo?”


- Ah, cara! - falei baixo, fitando a mensagem. Ela tinha que ter folga logo no dia da festa do meu melhor amigo?
- O que foi, ? - perguntou, fazendo uma careta.
- Lembra da ? Que te falei que estávamos conversando e tudo mais? - ela balançou a cabeça, assentindo. - Então, hoje ela tem folga!
- E isso é bom, não? - perguntou, confusa.
- Sim, é. Mas hoje é a festa do . - avisei como se fosse óbvio.
- E daí? Por que você não a traz com você? - sugeriu, sorrindo.
- Tudo bem por você? - perguntei animado. Ela sorriu, assentindo.
- Claro! E eu quero mesmo conhecer essa garota. - me fitou, fazendo uma cara esnobe, fazendo-me rir.
- Ok, eu vou chamá-la. - avisei, digitando uma mensagem rapidamente para ela.

“Ei, hoje é aniversário de um amigo. Quer me acompanhar? Juro que ele é uma ótima pessoa.”

“Eu não quero te atrapalhar, . A gente marca outro dia, sem problemas.”

“Eu estou te chamando, não há problema algum, . Vamos? :)”

“Se eu passar vergonha, eu te mato.”

“Não vai, prometo. Eu posso te buscar?”

“Eu vou te enviar meu endereço. :)”

“Ótimo! Te pego às oito. Até lá!”


- E aí, ela vem? - perguntou, fitando-me ansiosa.
- Ela vem! - concordei, sorrindo. - Acho que vocês vão se dar bem.
- Acho bom, porque se eu não for com a cara dela. Você vai ter que arranjar outra namorada. - avisou, apontando o dedo na minha cara.
- Ela não é minha namorada. - corrigi.
- Ainda, . - sorriu, dando de ombros e voltando a organizar as coisas da festa.
- Cheguei, pessoal! - avisou, aproximando-se de nós.
- Amor, adivinha? O vai trazer uma garota! - avisou, pulando animada até o namorado. Ri, balançando a cabeça.
- Fofoqueira! - falei. Ela mostrou a língua.
- É? Pois estava passando da hora. Quem é a maluca? - perguntou, segurando a namorada pela cintura.
- Não é maluca, é a . - falei. Ele sorriu, surpreso.
- Ah, esse é o meu garoto! - veio até mim, bagunçando meu cabelo, fazendo-me rir. - Não afugenta a pobre moça, ok?
- Ah, vai se ferrar vocês dois! - mandei, rindo.
- Ih, tá nervoso já. Desse jeito não vai conseguir conversar com a moça. - ele falou, zombando da minha cara.
- Desisto de vocês! - avisei, dando-me por vencido. - É melhor eu ir, se não eu acabo batendo na cara do aniversariante. - ameacei, fuzilando-o com o olhar.
- É meu aniversário, ok? Me deixa! - riu, soltando-se de . - Eu acompanho você até o carro.
- Por quê? Vai abusar de mim? - perguntei, levantando a sobrancelha.
- Era pra ser segredo, né? - ele falou, balançando a cabeça.
- Se roubar meu homem, eu mando te castrar, . - avisou, mandando beijos logo após.
- Recado entendido, . - ri, concordando. - Até mais tarde.
- Até, chuchu! - sorriu, voltando a mexer nos preparativos. veio até mim e juntos fomos até o meu carro.
- Valeu pela carona! - agradeci, rindo.
- Na verdade, eu precisava falar com você a sós. - avisou, mordendo a boca. Franzi o cenho, confuso.
- O que foi? - perguntei. Ele respirou fundo e enfiou a mão no bolso do casaco e retirou de lá uma caixinha azul. Minha boca abriu, surpreso. - Não acredito!
- É, pode acreditar! - sorriu nervoso. - Eu pretendo fazer isso essa noite.
- Cara, isso é maravilhoso! - falei, feliz por eles.
- Será que ela vai aceitar? - perguntou ansioso.
- Se ela não aceitar, eu aceito. - sorri, piscando pra ele. Rimos. - Sem dúvidas, ela vai aceitar. Relaxa, vai dar tudo certo.
- Valeu, cara! - sorriu, animado. - Te vejo mais tarde?
- Até lá! - avisei, despedindo-me dele e rumando para a minha casa, onde havia voltado há dois dias já. Confesso que foi estranho voltar pra casa mesmo sabendo que não haveria ninguém me esperando lá, que seria só eu e eu novamente. Mas forcei a minha mente a aceitar aquilo para o meu próprio bem. Dei uma olhada no endereço que havia me mandado e não era longe da minha casa, o que me deixou extremamente feliz. Decidi comer algo e depois ir tomar banho para me preparar para a festa mais tarde. Optei por usar uma camisa vinho e uma calça preta, tentei arrumar meu cabelo, mas, pra variar, eu nunca achava um jeito que ficasse bom. Desisti e passei só os dedos mesmo, joguei um pouco de perfume e me encarei no espelho. Não estava de todo o mal. Respirei fundo e olhei meu relógio de pulso, marcava sete e meia, era hora de sair de casa e ir buscar . Peguei as chaves do carro, minha carteira e sai de casa, entrando no carro e colocando ele pelas ruas de Londres. Liguei o som e deixei em alguma estação qualquer, e qual a minha surpresa quando John Mayer começou a cantar You’re Body is a Wonderland pelas caixinhas de som do meu carro. Sorri, balançando a cabeça. Ah, destino. Minutos mais tarde, ao entrar na rua onde indicara, procurei a casa de número 256, dirigindo devagar pela rua, achando-a quase no final da mesma. Enviei uma mensagem para ela avisando que já havia chegado, ela respondeu quase que imediatamente, avisando que já estava saindo. Desliguei o motor do carro e fitei a entrada da casa, apreensivo e ansioso. A porta da casa se abriu e ela saiu, andando até o carro. Sorri, saindo do carro e dando a volta até chegar a ela. vestia um vestido vermelho que ia até um pouco acima do joelho, rodado e com um decote generoso. - Uau!
- Ficou bom? - perguntou, dando uma rodadinha e rindo.
- Você tá linda! - falei, fitando-a como um idiota. Ela sorriu, sem jeito.
- Obrigada. - mordeu o lábio inferior. - Você também tá lindo.
- Valeu. - sorri, abrindo a porta do carro pra ela. - Vamos?
- É, vamos! - concordou, entrando no carro. Dei a volta e entrei no meu lugar.
- Você mora perto da minha casa. - avisei, voltando a dirigir pelas ruas.
- Ah, é? Então foi fácil achar, né? - perguntou, virando-se para mim. Balancei a cabeça, concordando.
- Sim, foi. Você mora sozinha? - perguntei, fitando-a brevemente.
- Não, moro com os meus pais ainda. - riu. - Estou esperando terminar a residência para sair de casa, pelo menos.
- É, faz sentido. - concordei, rindo.
- Você mora sozinho? - perguntou, interessada.
- Moro, sim. - falei.
- E gosta? - indagou, curiosa.
- É bom, tenho a minha privacidade, faço as coisas quando quero e não preciso dar satisfação ou perguntar nada a ninguém. - dei de ombros, sendo sincero. Vi pelo canto de olho ela concordar, balançando a cabeça.
- E pode levar garotas sempre que quiser também. - falou, rindo.
- Não é bem assim. - ri, sem jeito. - Eu não sou esse tipo cara.
- Ah, não? - perguntou, levantando a sobrancelha. - Não é do tipo que leva várias garotas pra casa?
- Não sou do tipo que leva várias garotas pra casa. - afirmei. - Sou do tipo que quer levar uma garota pra casa. - falei, fitando-a. Ela sorriu, balançando a cabeça.
- Vou fingir que não entendi, . - riu, sem jeito.
- É brincadeira, ! - avisei, vendo-a rolar os olhos, sorrindo.
- Você é um baita de um sem graça, isso sim.
- Eu sou? Por quê? - perguntei, rindo, curioso.
- Porque você consegue me deixar sem graça. - confessou, sorrindo. - São poucas as pessoas conseguem.
- Ponto pra mim. - falei, sorrindo.
- Chato! - mostrou língua, virando-se para a frente.
- Se te deixa mais tranquila, você é a única que me deixa nervoso também. Muito nervoso! - confessei, mordendo os lábios e a fitando. Ela sorriu de lado.
- Sério? - perguntou, balancei a cabeça concordando. - Estamos quites, então.
- Quites! - concordei, rindo. Minutos mais tarde, chegamos finalmente a casa de e . Haviam algumas pessoas lá fora já, em frente ao jardim deles. Estacionei o carro e desci, indo até e abrindo a porta do carro pra ela, ajudando-a a descer. Ofereci meu braço pra ela e ela encaixou o dela ao meu, deixando-me guiar-nos até a casa. Assim que entramos a casa estava bastante cheia, tinha me esquecido que o termo “intimista” de era diferente do de outras pessoas. Avistei o casal mais a frente, conversando com outro amigo nosso. - Aqueles ali são os meus amigos, os donos da festa. Vou te apresentar a eles. - avisei, encaminhando-nos até lá. assim que nos viu, sorriu largamente. E eu gesticulei um mudo “comporte-se” para ela, que riu, concordando. - Ei, casal!
- Ei, ! - respondeu.
- Ah, agora minha festa tá completa! - falou, sorrindo e me dando um tapinha no ombro.
- Essa é a . - apresentei, apontando-a. - , esses são e .
- É um prazer conhecê-la, ! - falou, estendendo a mão. sorriu, aceitando-a.
- O prazer é meu. O aniversário é seu, né? - perguntou, e ele assentiu, em afirmação. - Parabéns!
- Obrigado! - agradeceu, sorrindo.
- Fiquem à vontade, ok? Tem comida na mesa e bebidas no freezer. - avisou, apontando respectivamente.
- Ok, valeu! - agradeci, balançando a cabeça.
- Vem, , vamos buscar comida para essas madames. - pediu, abraçando-me pelo pescoço.
- Eu já volto. - avisei a e fui arrastado por até a mesa de comida. - Tá, o que foi? Fala!
- Cara, que gata! - ele falou enfim. Ri, concordando. - Que a minha garota não me ouça, claro.
- É, ela ia te matar! - ri, pegando um pratinho sobre a mesa e colocando alguns salgadinhos e frios no mesmo.
- Ela não vai ficar com você. - ele falou, dando de ombros. O fitei, fazendo uma careta. - Ela é areia demais para o seu caminhão, meu amigo.
- Cala a boca! - ri, empurrando de leve. - Se a ficou com você, eu tenho chance.
- Bingo! - riu, concordando. Pegou um pratinho de comida também. Nos encaminhamos até as bebidas e eu peguei duas águas com gás, eu não sabia se gostava de cerveja, e então voltamos até onde elas estavam.
- Vamos pegar uma mesa? - perguntei, apontando para a comida e as bebidas em minhas mãos.
- Claro! - concordou, ajudando-me com as bebidas.
- Podem sentar na mesa com a gente ali. - avisou, apontando para uma mesa toda decorada mais a frente. Assenti e nos encaminhamos para lá, finalmente sentando e podendo comer e beber um pouco. Durante a festa, e se deram muito bem, conversaram muito e riram bastante, as minhas custas, deixo claro, mas se divertiam bastante. se soltou e eu pude conhecê-la um pouco mais, e confesso, estava a cada instante mais encantado com aquela garota. Após algumas cervejas, sim, eu e tomamos algumas, começou a tocar músicas animadas e foi todo mundo para o centro da festa dançar. É claro que a me arrastou também. Eu não sei dançar e isso estava explícito no modo como eu me movia, fazendo-a rir. Se isso a divertia, então tudo bem pagar esse mico. - Evan, troca a faixa! - gritou para o rapaz que comandava o som. Ele assentiu e segundos depois, a música mudou e começou a tocar Love On The Brain da Rihanna. me fitou, mordendo os lábios. Sorri, estendendo a mão para ela, que sorriu aceitando, colocando os braços ao redor do meu pescoço. Suspirei, deixando minhas mãos descansar em sua cintura, aproximando nossos corpos. Ela encostou a cabeça no meu peito, se movendo no ritmo da música.
- Seu coração tá acelerado. - avisou.
- É, ele é um delator maldito. - ri, sem jeito. Ela levantou a cabeça, fitando-me. Seus dedos deslizaram pela minha nuca e meus cabelos, deixando-me anestesiado. Encostei minha testa a sua, sem deixar de fitá-la. - Você é realmente linda, sabe disso, né?
- Para! - riu, sem graça. - Não me deixa vermelha no meio dos seus amigos.
- Eu só constatei um fato. - dei de ombros, sorrindo.
- Você é um bobo! - avisou, voltando a encostar a cabeça no meu peito. Suspirei, fechando os olhos, seguindo o ritmo da música.

“Baby, you got me like, ah, woo, ah
Don't you stop loving me
Don't quit loving me
Just start loving me.”


O som de repente abaixou e nós nos afastamos, sorrindo um para o outro. Mais a frente, e estavam abraçados, perto da mesa de som.
- Ei, pessoal, obrigado a todos que vieram hoje comemorar essa data comigo! - falou mais alto, fazendo-se ouvir por todos na festa. - Eu sei que vieram pessoas de longe para estar aqui hoje, obrigado, Dan. - falou, apontando para um rapaz alto ao fundo. Ele sorriu em resposta, levantando uma garrafinha de cerveja. - Sem vocês minha vida seria muito sem graça, de verdade. - sorriu, fitando-nos. - E claro, sem a minha garota também. - sorriu, virando-se para e beijando-a rapidamente. - A ideia dessa festa foi dela, ela que organizou tudo. - contou, sorrindo. - E claro, o também ajudou, meu sócio e melhor amigo. - apontou pra mim. Ri, mandando beijos pra ele. - Te amo, minha nega. - falou, mandando beijos também. - Ia rolar essa festa hoje, com tanta gente especial, e eu pensei? Por que não tornar isso ainda mais especial? - ele se virou para . - Por que não comemorar isso com o amor da minha vida?
- ? - ela perguntou, confusa.
- Amor, estamos juntos há quatro anos, não teve um dia sequer que eu não acordei pensando o quanto eu tive sorte em ter você na minha vida. - ele sorriu, enfiando a mão no bolso da calça. colocou as mãos na boca, surpresa quando ele ajoelhou, deixando todo mundo extasiado. - E eu quero você para todo o restante dela, porque não faz sentido uma vida sem você do lado. - ele tirou o anel do bolso, mostrando pra ela. - Quer se casar comigo?
- Ah, meu Deus! - ela sorriu. - SIM! - disse alto. - Sim, sim, sim!
- Graças a Deus! - soltou aliviado, fazendo todos rir. Ele colocou o anel no dedo dela e a beijou enquanto a levantava do chão. A sala explodiu em aplausos e assobios animados. Até entrou no meio da animação, aplaudindo e soltando gritinhos.
- Eu tô noiva, caralho! - falou alto, correndo até mim e me abraçando. Ri, abraçando-a de volta.
- Parabéns, ! - desejei, beijando a sua bochecha.
- Obrigada, . - agradeceu, emocionada.
- Ei, parabéns! - falou, virando-se para ela. sorriu, puxando-a para um abraço. sorriu de volta e retribuiu o abraço. cochichou algo no ouvido dela e me fitou, mordendo o lábio. Elas se soltaram e balançou a cabeça, concordando e limpando as lágrimas que caiam do rosto de .
- Vou casar, ! - se aproximou gritando. Ri, balançando a cabeça, negativamente.
- Boa sorte! - falei, apertando a sua mão e o abraçando. - Felicidades, meu amigo! Vocês serão ainda mais felizes, eu tenho certeza.
- Valeu, cara! - sorriu, soltando-se de mim e abraçando rapidamente. O restante da festa ocorreu com toda alegria e euforia possível, foi realmente uma festa e tanto. Quando o pessoal já começava a ir embora e vi que já estava cansada, me despedi dos meus amigos e tratei de levar de volta para a casa. Assim que chegamos em frente a sua casa, ela desceu do carro e eu também, no impulso. Andamos lado a lado até a porta, e ela parou, ficando frente a frente comigo.
- Bom, eu adorei a noite de hoje, . - falou, sorrindo.
- Fico feliz em saber disso. Meus amigos a amaram! - falei, sendo sincero.
- Eu também os amei. De verdade, eles são incríveis! - mordeu os lábios, ansiosa. - Quando a me abraçou, ela me abraçou de verdade, sabe? - assenti, concordando. - Ela me abraçou como se fossemos amigas há anos. Foi bom, havia tempo que ninguém me abraçava assim.
- Eles são como irmãos pra mim. - confessei, aproximando-me dela.
- Enquanto ela me abraçava, ela me disse algo. - falou, dando um passo em minha direção, colocando nossos corpos mais próximos. Sorri, colocando uma mecha de cabelo dela atrás da orelha.
- O que ela disse? - perguntei, deslizando minha mão até seu queixo.
- Bom, ela pediu para que eu não machucasse seu coração. - falou, mordendo o lábio inferior, e agarrando-se a minha cintura.
- E você vai? - indaguei, colocando a minha outra mão em seu rosto. Ela suspirou, fitando-me.
- Eu tenho medo de você machucar o meu. - confessou, oscilando o olhar entre minha boca e meus olhos. Aproximei minha boca a dela, mas sem encostá-las.
- Eu não vou fazer nada que você não queira, . - soprei. Ela voltou a suspirar.
- Eu quero. - sussurrou, apertando as mãos em minha cintura.
- O que você quer?
- Que você me beije. - confessou, fitando-me. Sorri de lado, finalmente encostando nossos lábios e a beijando de verdade. E, meu Deus, que sensação incrível e real. Era dez vezes melhor do que eu sonhei, era dez vezes mais macio, era dez vezes mais intenso, era dez vezes mais forte e alucinante. Era real. Eu estava cem por cento acordado e meu corpo inteiro formigava e se aquecia ao seu toque. Dei selinhos demorados e fui parando o beijo, encostando a minha testa a dela no final. - Eu preciso entrar.
- Tudo bem. - falei, afastando-me dela. Ela sorriu, segurando a minha mão e me puxando de volta.
- Ok, só mais um. - e riu, beijando-me novamente.



Capítulo 20



Batuquei os dedos sobre o teclado do computador, observando o resultado de horas, dias de trabalho. Sorri, satisfeito, é, estava bom. Eu tinha paixão pelo que fazia e o fazia com todo o prazer do mundo. Assim que voltei ao trabalho, há alguns dias, parecia que nunca havia saído daqui. Foi bom retomar as rédeas e fazer aquilo que me fazia feliz. Meu celular vibrou sobre a mesa, avisando uma nova mensagem. Rapidamente peguei o aparelho e fitei a tela, sorrindo. Era .

“Ei, o que tá fazendo? Tenho um tempo vago agora, quer almoçar comigo?”


Sorri bobo e tratei de respondê-la rapidamente.

“É claro! Te encontro daqui a pouco. ;)”


Enviei a mensagem e logo em seguida, desliguei a tela do computador e me levantei, pegando minha carteira e saindo da sala, dirigindo-me até a entrada da agência. Brooke estava lá, entretida em algo no seu computador. Bati no balcão de leve, chamando sua atenção. Ela levantou os olhos, fitando-me.
- Estou saindo. Se o perguntar por mim, avisa e diz que eu tô com o celular ligado, qualquer coisa, ok? - pedi, falando rapidamente.
- Tá bom, chefinho! - ela sorriu, assentindo. Agradeci com um sorriso e me pus a caminhar até onde o meu carro estava estacionado. Em vinte minutos estava na porta do Saint Mary’s Hospital, estacionei em uma vaga perto da entrada e desci, rumando para a entrada enfim. Assim que me aproximei, vi na porta, conversando com um rapaz. Ela sorria. Sorri junto, observando-a. O rapaz falou algo que a fez rir mais, estapeando-o no braço. Ele sorriu e se aproximou dela, colocando uma mecha de cabelo de atrás da orelha. Ela abaixou a cabeça, dando de ombros, parecia sem graça. Ele segurou nos ombros dela e colocou o rosto na altura do dela e a fitou, dizendo algo para ela que a fez sorrir e balançar a cabeça. Ele sorriu de volta e a abraçou, beijando sua testa. Não vou mentir, senti o sangue do meu corpo se esquentar e eu apertar em punhos minhas mãos. Eu ia dar meia volta e voltar para o carro, mas antes disso fui visto. sorriu e acenou pra mim, chamando-me. Sorri sem jeito, enfiando as mãos dentro do bolso e andando até eles. - Oi, ! - falei, assim que me aproximei deles. Ela sorriu, vindo até mim e beijando minha bochecha. - E aí, cara?! - cumprimentei o rapaz a minha frente. Assim que o fitei, o reconheci da foto do instagram de que havia visto antes, com a tal legenda “eu te amo”. Um nó se formou no meu estômago.
- , este é o Dylan. - ela apresentou, apontando-o e sorrindo. - Dylan, esse é o .
- É um prazer finalmente te conhecer, cara! - ele falou, estendendo a mão para mim. Franzi o cenho, confuso e aceitei o aperto de mão. - A me falou muito de você.
- Dylan! - ela o repreendeu, balançando a cabeça. O tal Dylan riu, dando de ombros.
- Não estou mentindo, anjo. - ele falou, fitando-a. “Anjo”? Ok, eu tô perdendo alguma coisa aqui.
- Eu deveria te odiar por me passar vergonha na frente dos outros. - falou, rindo e me fitando. - Não liga pra ele, ok?
- Você me ama, ! - ele rebateu, puxando-a para perto dele e a abraçando de lado. Mordi a boca, sentindo-me desconfortável ali.
- Desculpa, mas quem é você mesmo? - perguntei enfim. riu e abriu a boca para falar, mas antes que ela conseguisse dizer alguma coisa, a porta automática do hospital se abriu e um mini furacão em forma de uma menininha saiu de lá e logo atrás uma mulher. A menininha se pendurou na perna de , que riu.
- Titiaaa! - a criança falou, enquanto se abaixava para ficar na altura dela. - Eu ganhei um pirulito. - ela avisou, mostrando o objeto em suas pequenas mãos.
- Nossa, que corajosa! - ela sorriu, apertando de leve o nariz da pequena. - Conheço gente que também merece um pirulito por não chorar durante a coleta de sangue. - ela avisou, fitando-me rapidamente. Ri sem graça, passando a mão no cabelo, bagunçando-o. se levantou e virou-se para a mulher, que agora estava ao lado de Dylan. - Foi tudo bem, Liv?
- Foi, sim. - sorriu para , assentindo. - A Melissa se comportou direitinho. O pediatra disse que não deve ser nada demais, só uma virose ou início de gripe.
- Ótimo! - sorriu, enfiando as mãos dentro do jaleco. - Olivia, este é o . - se virou, apresentando-me.
- Ah, finalmente! - ela sorriu, virando-se para mim.
- , estas são Olivia e Melissa. - falou, apontando para a criança ao seu lado, passando a mão pelo seu cabelinho mel. - Olivia é esposa do Dylan. - sorriu, mordendo a boca. A olhei, sem entender. - O Dylan é meu irmão mais velho.
- Ah, cara! - eu ri, sentindo-me um idiota. riu, adorando a minha cara de idiota. - É um prazer, Olivia.
- O prazer é nosso, . - ela falou, entrelaçando o braço ao do marido. - A contou coisas muito boas sobre você.
- Ah, é? - sorri, fitando-a. E ela fuzilou a cunhada com o olhar.
- É normal me passar vergonha na família, sabe? - rebateu, balançando a cabeça. Ri e me aproximei de Melissa, agachando-me perto de dela.
- Oi, princesa! - falei, observando-a sorrir.
- Oi, tio! Olha o que eu ganhei. - e mostrou o pirulito de novo.
- Parabéns pela coragem, Melissa. É um prêmio para poucos! - falei e joguei uma piscadinha pra ela, que riu, assentindo. - Você é linda, sabia?
- Sabia! - falou, confiante. - Minha mamãe me disse que eu sou a menina mais linda do mundo.
- Quer saber? Ela tem razão! - falei baixo, como se contasse um segredo.
- Mas vai ficar se achando demais essa menina. - Dylan falou, fitando a filha. Melissa riu e correu até o pai, grudando nas pernas dele. Levantei-me e fiquei ao lado de . - Bom, a gente já vai.
- Tchau e se cuidem! - pediu, indo abraçar o irmão e a cunhada. - Qualquer coisa com a Melissa, me liguem, ok?
- Pode deixar, doutora! - Dylan brincou e depois me fitou. - Você bebe ?
- Bebo sim, por quê?
- Ótimo, depois vamos marcar de tomar umas cervejas e conversar. - avisou, sorrindo e depois jogando uma piscadinha pra irmã, que mordeu o lábio, sorrindo. - Vamos, mocinha! - pediu, segurando a filha pela mão e acenando pra gente, sumindo ele e a esposa também das nossas vistas. Enfiei as mãos dentro do bolso e me virei para , sem graça.
- De zero a dez, qual a chance de eu ter feito papel de idiota aqui e você não querer me ver nunca mais? - perguntei, fazendo uma careta. Ela riu, aproximando-se de mim. Olhou de um lado para o outro e estalou um selinho na minha boca, fazendo-me sorrir.
- A chance de você ter feito papel de idiota é dez. - avisou, rindo. - Mas a chance de eu não querer te ver mais é zero.
- Ufa! - falei, suspirando aliviado. Ela riu.
- Então, tá com fome? - perguntou, enfiando as mãos dentro do jaleco.
- Bastante, pra ser sincero. - confirmei, rindo. Ela balançou a cabeça, assentindo.
- Ok, vamos lá dentro pra eu guardar esse jaleco e nós vamos, tá? - concordei e seguimos para dentro do hospital. me pediu para que eu a aguardasse na recepção enquanto ela ia guardar o jaleco, concordei e me sentei em uma das cadeiras próximas dali. Minutos mais tarde, avistei-a andando lado a lado com um homem, que devia ser médico ali, pois usava as cores do hospital e jaleco, óbvio. Eles pararam de andar mais a frente e se fitaram, ele disse algo e tentou pegar na mão dela, mas ela se esquivou, sorrindo sem graça e se afastando. Ele riu e balançou a cabeça, concordando com algo e se afastando dela. suspirou e olhou na minha direção, um sorriso surgiu em seus lábios e ela se aproximou de mim, enfim. - Ei, pronto. Vamos?!
- Claro, vamos! - concordei, levantando-me. Pusemo-nos a andar para fora do hospital, finalmente, rumando para algum restaurante ali perto, o que não foi difícil de achar. Logo estávamos fazendo nossos pedidos e esperando os mesmos chegarem. - Então, você é a caçula? - perguntei com um sorriso. Ela riu, balançando a cabeça.
- Eu sou, mas não sou mimada, juro. - falou rápido, apontando o dedo pra mim. Ri, fingindo acreditar.
- Tá certo, doutora! - falei, zombando-a.
- É sério! - ela riu. - Aposto que você é mimado.
- Eu? Jamais! - falei, encostando-me à cadeira e a fitando. - Minha irmã é, mas ela é a caçula.
- Ah, cala a boca! - riu, estapeando a minha mão sobre a mesa. - Vou mandar meu irmão te bater.
- Típico de irmã mais nova pedir ajuda do irmão mais velho. - falei, esperando-a me estapear novamente, o que não tardou a acontecer. - Ei, para de me bater!
- Você bem que merece! - falou, mostrando a língua.
- Muito madura! - ri. - Já pode se especializar em pediatria com essa atitude.
- É, não. - falou, mordendo o lábio inferior. - Não me dou bem com o chefe da pediatria.
- Você não se dá bem com alguém? Dúvido! - sorri, desafiando-a. Ela fez uma careta, dando de ombros.
- Ele só não aceitou nosso término muito bem. - confessou baixo, mordendo a unha do dedão em seguida. A fitei, meio perdido.
- Ahm, você namorou o chefe da pediatria? - perguntei, tentando entender. Ela balançou a cabeça, assentindo. - Ahm, ok.
- Não diria que eu realmente namorei o Travor, foi mais um casinho que se enrolou demais. - tentou se explicar, sorrindo amarelo. - Mas já acabou, é passado.
- É? - perguntei, aproximando-me dela.
- Sim. Cem por cento! - sorriu.
- Por acaso, esse Travor não era aquele cara que você estava conversando agora a pouco, era? - rebati, levantando a sobrancelha.
- Bom, era. Como você sabe?
- Eu vi o jeito que ele te olhava e tentava te tocar. - suspirei, encostando-me a cadeira novamente.
- É, mas acabou. - falou novamente, puxando a minha mão e entrelaçando-a à dela. - Eu juro.
- , relaxa, você não me deve nada. - falei, tentando soar casual, mas me mordendo por dentro. - De qualquer forma, a gente tá só se conhecendo e se curtindo. Nós podemos ser amigos, se não der certo de outra forma.
- Você quer ser só o meu amigo? - rebateu, fitando-me.
- Eu já tenho muitas amigas.
- Ótimo, porque eu também. - concluiu.
- Ótimo. - concordei, imitando-a. - Quer celebrar a nossa “não-amizade” em um jantar mais tarde?
- Eu tenho plantão hoje. - fez uma careta.
- Tudo bem, a gente marca pra outro dia. - falei, dando de ombros. Ela me fitou, pensativa. - O que foi?
- Eu vou pedir para a Jodie me substituir hoje. Ela me deve isso, de qualquer forma. - sorriu.
- Tem certeza? Eu não quero te atrapalhar.
- Não vai atrapalhar, eu quero sair com você. - avisou, piscando pra mim. Sorri idiotamente, assentindo. - Ok, aonde o senhor vai me levar?
- Não sei. Aonde você quer ir?
- Nada de lugar cheio de frescuras, por favor. - pediu, rolando os olhos. Ri.
- Ok, sem frescuras. - concordei. - Gosta de pizza?
- Amo! - sorriu, fitando-me.
- Então, eu já sei. - avisei.
- Onde?
- Surpresa, mulher! - falei, observando a cara de decepção dela.
- Você é um estraga prazeres, .
- Eu sei, eu sou ótimo mesmo. - falei, fazendo-a rir.
- Ah, fica quieto! - riu, balançando a cabeça. Mais tarde, nossos pedidos chegaram e finalmente almoçamos. não tinha um horário flexível, então logo ela teve que voltar para o hospital. Deixei combinado de buscá-la mais tarde no hospital mesmo para irmos jantar. Voltei para o meu trabalho também e por lá fiquei até mais tarde, indo direto para a casa logo após. Liguei para a minha mãe avisando que estava vivo e bem. Depois do acidente, ela me fez prometer ligar diariamente para ela e dar notícias. Coisa de mãe, eu acho. Joguei-me no sofá e me distrai um pouco nos aplicativos do meu celular, rendendo-me ao instagram, por fim. Procurei o perfil de e comecei a segui-la. Acho que agora não era estranho, certo? Ela havia postado uma foto duas horas atrás. Uma foto dela usando luvas e gorro cirúrgicos, a legenda dizia: “Hora de voar sozinha.” Sorri, feliz por ela. Decidi deixar um comentário. “Boa sorte! :)”. Simples e direto. Suspirei, deixando o celular de lado e fitando o teto. Quando um sonho surreal fez da minha vida o que ela é hoje? Desculpa, mãe, mas eu sou muito agradecido pelo meu trauma neurológico. Ri sozinho, me achando mais doido do que é aceitável. Decidi me levantar e ir tomar um banho, separei uma camiseta cinza e uma calça jeans preta, deixei sobre a cama e me encaminhei para o banheiro, disposto a tomar um banho quente e relaxante, mas estava ansioso demais para demorar no banho, então foi relativamente rápido. Sai do banheiro jogando a toalha no cabelo molhado, tentando secá-lo, sem muito sucesso. Vesti a roupa que separei e passei as mãos no cabelo, deixando-o meio bagunçado propositalmente. Olhei-me brevemente no espelho, só pra checar se está tudo certo. Catei a carteira e o celular, voltando para a sala, pegando a chave do carro. Antes de sair de casa, peguei o celular para mandar uma mensagem para , avisando que já estava indo, mas antes que pudesse enviar algo já havia uma mensagem dela na tela. Abri, rapidamente.

“Eu não vou conseguir sair hoje. Sinto muito!”


Franzi o cenho, sem entender direito. Rapidamente digitei uma mensagem e enviei.

“O que houve?”

“Eu não tô bem. Perdi uma paciente hoje.”

“Eu sinto muito, . Eu posso fazer algo?”

“Eu só preciso ficar sozinha um pouco.”

“Tudo bem, estarei aqui se precisar.”


Não obtive resposta. Suspirei, voltando para a sala e me jogando no sofá, fitando o celular em minhas mãos. Todo o encontro tinha ido por água abaixo em questão de minutos. Suspirei, jogando o celular no sofá e me levantando novamente, andando até a cozinha e pegando uma cerveja na geladeira. Já que ia ficar sozinho, pelo menos tinha a companhia de uma cerveja. Abri a long neck com a barra da camisa, encostei-me ao balcão e sorvi quase todo o conteúdo da garrafa. Gelada e amarga. É, disso eu entendia. Eu imaginei que sair com alguém sem horários certos, cronograma bagunçado e que troca o dia pela noite seria complicado, mas na prática era muito mais difícil. Mas eu também sabia que valia o esforço. Eu sabia que valia a pena. Olhei no relógio de pulso e conferi as horas. Oito e vinte e cinco. Era cedo ainda, eu poderia ver o que o estava fazendo. Caminhei de volta a sala e alcancei o celular, ligando a tela disposto a falar com o meu amigo, mas antes disso, havia uma nova mensagem de na tela.

“Onde você tá?”


Perguntava simplesmente a mensagem. Sentei-me no sofá e suspirei, enviando uma resposta.

“Em casa.”

“Eu posso ir até aí?”

“Claro! Quer que eu te busque?”

“Não precisa. Me manda a localização que eu pego um uber.”


Enviei enfim o meu endereço e me levantei rápido, correndo até a cozinha e descartando a garrafa no lixo, corri de volta para a sala e tentei dar uma arrumada no local. Ótimo, eu deixo a casa bagunçada justo no dia que ela resolve vir pra cá. Ajeitei as almofadas do sofá, retirei o lixo e os copos que estavam sobre a mesinha de centro, organizei os controles, os livros e consegui deixar o mais apresentável possível. Fui até o banheiro e escovei os dentes rapidamente, passei as mãos no cabelo e me encarei no espelho.
- Respira. - falei a mim mesmo. Balancei a cabeça e voltei para a sala, liguei a TV e deixei em algum canal qualquer. Não demorou muito e ouvi um barulho de carro do lado de fora. Meu coração acelerou e eu me senti um adolescente de novo, no dia que encontrei a primeira namoradinha de escola. Ouvia passos lentos se aproximarem da porta e logo depois, o barulho da campainha ecoou na sala. Respirei fundo e fui abrir a porta, finalmente. fitou meus olhos longamente, assim que abri a porta. - Ei, entra! - pedi, dando espaço para que ela entrasse. Ela forçou um sorriso e cruzou os braços, passando por mim e entrando. vestia uma calça jeans clara, uma camiseta preta e tênis; seus cabelos estavam presos num rabo de cavalo alto e ela carregava uma bolsa grande. - Como você tá? - perguntei, fechando a porta e me virando pra ela. Ela abriu a boca para falar algo, mas desistiu, fechando a boca e balançando a cabeça, dando de ombros. - Vem cá! - pedi, aproximando-se dela e a puxando para um abraço. Ela inspirou fundo e me abraçou com força, correspondi na mesma intensidade. Beijei o topo da sua cabeça e deixei que ela se sentisse confortável e aquecida.
- Ela se foi. - disse com a voz abafada. - Louise se foi.
- Eu sinto muito. - falei, verdadeiramente. Ela fungou baixinho, e eu podia sentir minha camisa ser molhada pelas suas lágrimas.
- Eu a conhecia há dois anos. Ela vinha lutando contra essa doença com tanta força, e ela era muito forte. - começou a falar e a cada palavra me abraçava com mais força. - E justo hoje, quando finalmente íamos operá-la, eu ia operá-la. - ela se interrompeu, chorando ainda mais.
- ... - disse baixo, fechando os olhos. Meu coração se apertava a cada soluçada que ela dava de dor.
- Um aneurisma se rompeu. - falou enfim, desenterrando a cabeça do meu peito e me fitando. - E levou todas as chances dela. - explicou, fitando-me. Seu nariz estava vermelho, sua boca estava levemente branca e seus olhos vermelhos, procuravam alguma razão para tudo aquilo. Segurei seu rosto e beijei sua testa, seus olhos, seu nariz e dei um selinho em seus lábios.
- Ela deve estar num lugar melhor agora, . - falei enfim. - Se ela estava doente a tanto tempo, ela finalmente descansou. - ela suspirou, balançando a cabeça, concordando. Ela passou as mãos nos olhos, limpando as lágrimas que restavam por ali.
- Desculpa te perturbar com isso e estragar o nosso encontro. - pediu, fazendo uma careta. - Eu sempre lidei com essas coisas sozinha.
- Não, . - falei, interrompendo-a. - Você não precisa lidar com isso sozinha… - busquei suas mãos e entrelacei as minhas. Ela me fitou. - Não mais.
- Obrigada, . - sorriu, voltando a me abraçar. - É muito bom te abraçar. - sorri ao ouvir isso. - E você é cheiroso.
- Você também, gatinha! - sorri, beijando sua bochecha. - Tá com fome?
- Não sei, acho que não. - avisou, dando de ombros.
- O que você comeu hoje?
- Hmm… - fez, pensando. - Almocei um hambúrguer.
- Só almoçou? ! - falei, repreendendo-a. Ela fez um bico, sem graça. - Ok, eu vou pedir alguma coisa pra gente comer, ok? E não aceito um não!
- Ok, tudo bem. Pode pedir, eu deixo. - sorriu, voltando a me abraçar. - É sério, é muito bom te abraçar. - ri, passando a mão no seu rabo de cavalo.
- Faz assim, deixa eu só pedir a comida e a gente fica ali, oh, naquele sofá abraçados, pode ser? - sugeri. Ela fez um barulho com a boca e fitou o sofá e depois a mim.
- Ok, pode ser. - concordou, soltando-se de mim. Deu uma olhada pela sala e sorriu, colocando a bolsa sobre a mesa e sentando-se no sofá. - Sua casa parece ser muito bonita.
- Obrigado, a minha irmã ajudou a decorar! - dei de ombros, sendo sincero. Peguei meu celular de cima do sofá e procurei algum restaurante com delivery, fazendo o pedido online mesmo. Rápido e prático. - Você come macarrão?
- Amo! - respondeu rapidamente.
- Ótimo, então. - confirmei o pedido da comida e deixei o celular sobre a mesinha de centro. - Onde estávamos mesmo? - perguntei, deitando-me no sofá e a puxando para deitar na minha frente, abraçando sua cintura. respirou fundo, apertando a minha mão sobre ela. Encaixei meu rosto na curva do seu pescoço, depositando um beijo demorado ali, fazendo-a se encolher e rir. - Cócegas?
- Arrepios. - confessou, tentando me olhar de soslaio. Ri, concordando. - Mas arrepios bons.
- Ah, é? - balançou a cabeça, assentindo.
- Arrepios que eu não sentia há muito tempo. - sorriu, virando-se de frente pra mim. Fitei seu rosto próximo ao meu, louco de vontade de beijá-la, mas não quis forçar e nem me precipitar. colocou sua mão sobre o meu rosto e acariciou minha bochecha, fazendo-me sorrir. - Você até que é bonitinho.
- Valeu! - ri, e ela mordeu os lábios, fitando-me.
- Eu não acredito que eu estou aqui.
- Não? Por quê? - indaguei, levantando a sobrancelha.
- Tudo isso não parece real. - confessou, enfim.
- Acredite em mim quando eu digo que é. - rebati, sentindo a maior certeza de que era real, sim, de que eu não estava sonhando de novo.
- Deixa eu testar algo, então. - avisou, puxando-me pela nuca e pressionando os lábios contra os meus. Sorri entre o beijo e o aprofundei, apertando sua cintura entre minhas mãos, trazendo seu corpo para mais perto do meu, se é que era fisicamente possível. Senti os dedos de se entrelaçarem nos meus cabelos, puxando-os levemente. Ela se remexeu no sofá, colocando uma perna sobre o meu quadril, imediatamente a segurei e apertei sua coxa, fazendo-a deixar um gemido escapar. Eu sabia que tinha que me controlar, mas minha mente lutava contra os impulsos do meu corpo. Não faz isso comigo, . Subi a mão trilhando o caminho das suas curvas sob os meus dedos, parando debaixo da sua blusa, segurando firme sua cintura, sentindo o contato quente da sua pele. Me arrepiei ao sentir descer a mão e fazer o mesmo comigo. Justo. Senti ela contrair a barriga ao passear meus dedo pela mesma, fazendo-a reprimir um gemido. Minha cabeça girava e meu corpo parecia que ia pegar fogo. Ao notar que minha camiseta estava sendo puxada para cima, minha respiração acelerou e eu mordi de leve seu lábios, voltando a beijá-la com ainda mais intensidade. Segurei a sua perna ao redor do meu quadril e fui me sentando, levando-a comigo durante o processo. sentou-se no meu colo sem parar de me beijar, mas pulamos de susto quando a campainha soou alto na casa. Nos entreolhamos e começamos a rir. Ela colocou a mão na testa e riu sem jeito, saindo de cima de mim. Tentei regularizar a minha respiração junto com os batimentos do meu coração. A campainha soou de novo, fazendo-me levantar e ir atender. Era o entregador, trazendo a nossa comida. Peguei a entrega, agradeci e ele se foi. Assim que voltei, ainda estava sentada no sofá e me observava, mordendo os lábios.
- Comida? - perguntei, apontando para a caixa de macarrão em minhas mãos.
- Ok, comida! - ela assentiu, sorrindo. - Mas, primeiro, onde é o banheiro?
- Nesse corredor, última porta. - expliquei, apontando. Ela assentiu e se levantou, passando por mim e indo até onde eu indicara. Levei a comida para a cozinha, colocando-a sobre a mesa, peguei dois pratos e talheres, juntando-os ao macarrão. Caminhei até a geladeira e observei o interior da mesma: suco ou cerveja? Antes que eu pudesse decidir, ouvi passos se aproximarem e olhei para o lado, assistindo se aproximar de mim, parando ao meu lado. - Suco ou cerveja?
- Suco. Eu trabalho amanhã! - fez uma careta. Ri, assentindo e pegando o suco, enfim, nos encaminhando para a mesa. Apontei o local onde ela poderia se sentar e ela logo o fez. Comemos rindo e conversando, me contando empolgada sobre os casos estranhos e engraçados que já passaram pelo hospital, me contou sobre sua família, sobre sua fascinação sobre medicina desde pequena; quis saber sobre mim, sobre a minha família e sobre o que eu fazia. Depois de comermos, fomos assistir à um filme de terror escolhido por ela, eu jamais imaginaria que ela gostava desse tipo de filme. Mas foi surpreendentemente bom. - Tá na cara que esse sangue é falso, credo.
- Claro que não! - rebati, rindo da cara de indignação que ela fez.
- , sangue de verdade é mais espesso e mais escuro que aquele suco de framboesa, por favor, né? - avisou, rolando os olhos.
- Como é difícil assistir filme de terror com uma médica. - avisei, fitando-a. Ela riu, mostrando a língua. se aconchegou no meu ombro, deitando a cabeça no mesmo.
- Preciso ir embora. - comentou, sem muita vontade.
- Fica. - pedi baixo.
- Não posso.
- Eu juro que não vou te atacar. - falei, brincando. Ela mordeu o lábio inferior e me fitou.
- Eu confio em você. - suspirou, sentando-se de direito. - Eu não confio em mim.
- ... - falei, rindo. - Ok, eu não vou insistir. É você que sabe!
- Arght! - esbravejou, levantando-se - Eu preciso ir mesmo. Amanhã cedo eu tenho que estar no hospital e preciso começar a estudar. Minha provas de certificação estão perto e eu preciso passar, ou nada do que eu fiz durante todos esses anos vão ter valido a pena.
- Tudo bem, eu entendo. - falei, levantando-me também. - Eu te deixo em casa.
- Não precisa, eu pego um uber.
- Tem certeza? - perguntei, levantando a sobrancelha.
- Tenho sim, obrigada. - sorriu, pegando a bolsa sobre a mesinha e dentro dela, buscando o celular, pedindo um uber após. - Hm, tem uma mensagem do meu irmão aqui pedindo pra eu te chamar pra ir com a gente a noite dos jogos.
- Noite dos jogos? - perguntei, confuso.
- É, uma vez ao mês nós nos reunimos em um pub da cidade, jogamos dardos, rimos e bebemos horrores. - deu de ombros explicando e me fitando. - Somos sempre nós três: Eu, Dylan e Olivia. Mas ele pediu pra te chamar dessa vez.
- Você quer que eu vá? - fiz a pergunta, levantando a sobrancelha.
- Se eu não quisesse, eu não teria te contado a mensagem, né? - rolou os olhos, rindo. Soltei um suspiro, aliviado. - Mas sinta-se à vontade para recusar se não quiser ir, ok? Tá tudo bem.
- O quê? Jamais. Eu quero ver você bêbada! - ri, indo abraça-la.
- Não é um cena bonita. Eu deveria vetar sua ida. - confessou, encostando a cabeça no meu peito.
- Aposto que fica sexy. - rebati, e ela riu, levantando a cabeça e me fitando.
- Obrigada por hoje. - agradeceu, sorrindo. - Eu amei tudo.
- Imagina, eu que amei a sua companhia, linda. - avisei, abaixando a cabeça e depositando um selinho demorado em seus lábios. Ela suspirou e sorriu, fechando os olhos.
- Você é um perigo, . - falou, abrindo os olhos e me fitando. Soltei um murmúrio sem entender. - Tem alguma coisa sobre você que me aquece, que me conserta e, ao mesmo tempo, me deixa desconcertada. Eu não sei se isso é bom ou ruim, mas eu torço para que seja bom.
- Eu torço junto. - confessei.
- Eu acho que você é o meu band-aid: você juntou meus pedaços há muito tempo quebrado, estancou a ferida que estava aberta. - falou, soltando-se de mim e sorrindo. - Só não puxe o band-aid com força se for arrancar.
- Esse band-aid aqui não pretende ir a lugar nenhum. - sorri, beijando sua testa. Minutos depois o uber dela chegou e ela finalmente foi embora. Havia no meu rosto um sorriso idiota e eu não conseguia controlar. Eu não queria controlar.

***


Peguei um pedaço da torta de maçã sobre a mesa, coloquei no prato e fui me sentar no meu lugar. Observei Blue mais a frente conversando baixo e rindo junto com Harley, o namoradinho que ela resolveu apresentar a família. É, minha irmãzinha, senhoras e senhores! Eu não sabia se estava preparado para isso até minha mãe resolver marcar esse jantar para nos apresentar a ele. É, ele não era um cara ruim, mas ainda não tive minha conversa de homem pra homem com ele.
- Para de encará-los. - minha mãe sussurrou, aproximando-se de mim. Suspirei, fitando meu bolo. - Você passou por isso também.
- Era diferente. - falei, pegando um garfo e espetando o bolo. Minha mãe riu.
- Era sim, você era mais novo. - rebateu, fitando-me. Eu abri a boca para protestar, mas desistir e acabei rindo, balançando a cabeça.
- Ninguém me avisou que eu teria que me preocupar com irmã quando eu nasci, né? - falei, fazendo uma careta e comendo o bolo.
- Ninguém me avisou que eu teria que me preocupar com dois filhos a vida inteira mesmo depois que eles crescessem. - falou, dando de ombros e rindo. - Mas são as melhores preocupações que uma mãe poderia sonhar.
- Você é muito coruja, mãe. - nós rimos.
- E você? - perguntou. A olhei, confuso. - Quando vai trazer aqui a tal da ?
- Mãe, nós não estamos namorando. - avisei, desviando o olhar. - Eu já falei isso.
- Bobagem, eu conheço esse seu olhar. - falou, apontando pra mim.
- O quê? Que olhar?
- Esse aí mesmo. Esse olhar de apaixonado. Eu vejo você de sorrisinho, assobiando por aí. - avisou, cruzando os braços. - Sua mãe não é boba, .
- Ai, dona Sue, não viaja! - ri, sem graça. Eu realmente estava me comportando feito um adolescente apaixonado? Damn it!
- Olha, meu filho, eu só quero que você seja feliz. - sorriu, passando a mão pelos meus cabelos. - Eu vou ser sua mãe o resto da vida, mas eu quero que você encontre alguém com quem possa dividir isso também. Eu quero netos, ok? Então, é melhor você começar a namorar logo essa garota.
- Vou avisar, pode deixar. - ri, depositando um beijo na sua bochecha. Senti meu celular vibrar no meu bolso, avisando uma nova mensagem, rapidamente o peguei, visualizando o nome de ali. Sorri instintivamente.
- Viu? É esse sorriso! - minha mãe avisou, piscando pra mim e se levantando em seguida. Sorri, sem graça, abrindo a mensagem enfim. Era uma foto dela, deitada sobre vários livros e cadernos. E embaixo a mensagem: “Eu tô cansada de estudar. Quero seu abraço! :(”. Ri, balançando a cabeça, abrindo a câmera e tirando foto do meu bolo. Enviei junto com a mensagem: “Eu tenho bolo e um cara namorando a minha irmã mais nova. Quer trocar?”. Não demorou muito para vir uma resposta. “Quero o bolo e você. :)”. Meu coração acelera sozinho toda vez que ela fala coisas assim. Acho que preciso fazer uns exames cardiológicos. Não deve ser normal essa sensação. Logo uma nova mensagem chegou: “Ok, eu vou voltar a estudar e decorar como detectar um AVC antes de acontecer. A noite de jogos é na quinta. Estou animada! YAY! :*”. Suspirei, fitando a tela do celular. É, eu ia interagir com o irmão dela. E se ele me odiasse e pedisse para eu me afastar dela? Bufei, irritado comigo mesmo. Voltei a fitar o casal a minha frente, sentindo-me um otário. Eu ia passar pela mesma coisa que Harley. Ia ser julgado pelo irmão mais velho. Vendo o sorriso de Blue e sentindo como ela estava feliz, isso me tranquilizava. E eu esperava, sinceramente, que Dylan achasse o mesmo de mim.
- Ei, Harley! - chamei sua atenção. Ele me fitou de volta, esperando uma resposta. - É o seguinte, tudo bem namorar a minha irmãzinha, mas eu estarei de olho em você, ok? Nenhum movimento brusco!
- ! - Blue resmungou, colocando a mão na testa.
- Tudo bem, amor. Deixa ele falar! - ele pediu, sorrindo pra ela. Ela suspirou alto, fuzilando-me com o olhar.
- É, me deixa falar! - concordei, fitando-a. - Essa garota aí, que você chama de amor, é realmente o amor da minha vida. Ela é parte de mim. E eu não vou deixar ninguém… Ouviu? Ninguém machucar ela. - avisei, levantando-me. Ele me seguiu com o olhar. - Tirando isso, bem-vindo a família . - sorri pra ele.
- Ahm, obrigado. - agradeceu, sem jeito. Blue balançava a cabeça negativamente, sorrindo. Joguei uma piscadinha pra ela e me retirei da sala de jantar. Me despedi dos meus pais e finalmente voltei para a casa.


Ponto de vista da

Posicionei o estetoscópio no peito do paciente e auscultei os batimentos do seu coração. Concentrei minha mente e meu ouvido em cada batida que ele dava e cada ruído que eu ouvia.
- Respira fundo e solta, por favor. - pedi, movendo o aparelho. - Mais uma vez. - pedi, concentrando-me. - Ok, obrigada. - agradeci, sorrindo e colocando o estetoscópio de volta ao redor do meu pescoço. Peguei o prontuário dele e anotei rapidamente seu diagnóstico. - Está tudo bem, senhor Mathis! - avisei, vendo seu rosto aliviado. - Creio que logo receberá alta. Vi que a cicatriz está curando bem, isso é um bom sinal.
- Ah, isso me deixa muito feliz, doutora. ! - o senhor de sessenta e cinco anos falou, animado, virando-se em seguida para a esposa ao seu lado. - Logo sairemos daqui, Julies.
- Assim que você estiver totalmente bem, meu velho. - ela falou, segurando a mão dele e sorrindo. - Muito obrigada, doutora. - agradeceu, sorrindo para mim.
- Imagina. - sorri, enfiando as mãos dentro do jaleco. - Vejo vocês depois. - avisei, saindo do quarto e rumando para o posto de enfermagem. - Gina, você viu a Summer?
- Ela estava na pediatria, doutora. . - avisou. Sorri, assentindo e indo até lá. Peguei o elevador até o terceiro andar e assim que as portas de abriram, avistei Summer mais a frente conversando e rindo com uma criança sentada numa cadeira de rodas. Aproximei-me delas.
- Oi, meninas! - falei, fitando-as.
- Olha quem veio te ver, Lisa! - Summer falou, levantando o olhar para mim e sorrindo. - A doutora. .
- Eu dei três passos hoje, doutora! - contou feliz.
- Isso é impressionante, Lisa. - falei animada. - Mal vejo a hora de ver você correndo por esses corredores. - me agachei a sua frente. - Afinal, corredores são feitos para correr, certo?
- , não dá ideia! - Summer riu, balançando a cabeça.
- A gente pode apostar corrida então? - Lisa perguntou, animada.
- Fechado! - concordei, estendendo a mão para ela, que apertou prontamente.
- Duas crianças! - Summer falou, girando os olhos. - Ok, corredora, agora você precisa descansar. - avisou, apontando para a garotinha de cabelos cacheados a sua frente. Lisa fez uma careta, chateada. - Não adianta fazer essa cara, mocinha.
- Eu só queria brincar mais um pouco. - cruzou os braços.
- Amanhã você brinca, ok? Prometo. - Summer avisou, jogando uma piscadinha pra ela, que se deu por vencida. - Certo. Annie, pode levar a Lisa para o quarto dela, por favor? - pediu a uma enfermeira mais a frente, que prontamente veio até nós. - Boa noite, princesa!
- Boa noite, doutora. Mitchell. - a criança sorriu. - Boa noite, doutora. .
- Bons sonhos, Lisa. - desejei, sorrindo para ela enquanto ela se distancia sendo levada pela enfermeira. Suspirei e me virei para Summer. - Pronta?
- Pronta para estudar a noite toda de novo? Não, mas vamos lá! - falou, dando de ombros. Ri, empurrando-a para a sala de residentes no segundo andar, onde, graças a Deus, não havia ninguém naquele turno. Summer se jogou no sofá que havia lá, se esparramando toda.
- Não é pra dormir, Summer! - avisei, falando alto. Ela só gemeu. Bufei, indo até a mesa e me sentando à mesma, abrindo a notebook e os livros que já estavam por ali. - Onde a gente parou mesmo?
- Convulsões. - avisou, fitando o teto. - Vai, sua vez!
- Ok. - suspirei, fitando o livro sobre a mesa. - Sou uma jovem de trinta e poucos anos, tenho tontura, dor no estômago e espasmos musculares.
- Tem alteração de visão? - pergunta.
- Não.
- Hmm… - fez, fitando-me. - Mudança de humor repentina?
- Sim.
- Tônico-clônica! - falou alto, sentando-se e apontando pra mim.
- Causas?
- Como é evento motor e alteração da consciência, pode ter várias causas: Drogas, febre, lesões na cabeça, nível baixo de açúcar no sangue, AVC ou até mesmo doença cardíaca.
- Ok, tratamentos? - perguntei, encostando-me a cadeira e a fitando, esperando uma resposta. Ela fez uma careta, pensando. - Summer?
- Espera, eu tô pensando! - falou rápido.
- Sua paciente tá morrendo! - avisei, segurando um riso.
- Não me pressiona, ! - mordeu o lábio.- Caralho, eu vi isso ontem!
- Eu tô morrendo, morrendo! - falei, dramatizando, colocando a mão na testa. - Piii, piii, piii… - fiz, imitando um monitor cardíaco. - Piiiiii…. Morri.
- Idiota. - falou, jogando uma almofada em mim. Ri, segurando-a antes de encostar em mim.
- Ei! - repreendi, jogando-a de volta.
- Vaca! - esbravejou, rindo, quando a almofada atingiu seu rosto. O meu pager bipou duas vezes dentro do meu jaleco, logo depois o de Summer. Enfiei a mão dentro do jaleco, pegando o pager e visualizando: “Trauma. PS”.
- Ok, trauma chegando! - avisei, levantando-me e sendo seguida por Summer. Queria ter tempo para estudar como deveria, mas como Summer mesmo já dizia: “A gente estuda na prática, não deixando nenhum paciente morrer.” Ser médica é isso, é não ter horários, é não fazer muitos planos, é viver o agora e tentar salvar o máximo de vidas possíveis. Depois de horas no PS, conseguimos estudar por três horas seguidas, o que é um grande avanço. Quando decidimos descansar um pouco, já eram quase seis da manhã. O residentes do plantão seguinte já estavam chegando. Decidi fazer isso em casa e aproveitar o resto do dia de folga. Troquei de roupa e pedi um uber, finalmente indo para a casa. Assim que entrei em casa, encontrei meu pai terminando de colocar um casaco para sair para o trabalho. - Saindo, senhor Michael?
- E clientes deixam a gente em paz? - perguntou rindo, vindo até mim e beijando minha testa. Sorri. - Bom dia, minha filha!
- Boa noite, porque eu ainda não dormi. - avisei, dando de ombros.
- Descanse, então, que o seu velho tem muitos clientes pela frente. - falou, pegando a maleta sobre o sofá.
- Cadê a mamãe? - perguntei, virando-me para ele.
- Da última vez que a vi, estava no quarto ainda. - assenti, jogando minha bolsa no sofá. - Tchau, querida.
- Bom trabalho, pai. - acenei e andei até o quarto dos meus pais. Dei duas batidas na porta, colocando o rosto para dentro do quarto. - Diana?
- Oi? - ouvi a voz da minha mãe surgir, sua cabeleira castanha jogada na almofada encostada atrás de suas costas, apoiando-a enquanto ela segurava um livro entre as mãos. - Ah, oi, querida! - sorriu.
- Acordada já? - perguntei, entrando no quarto e me jogando na cama ao seu lado.
- Sabe que seu pai não sai enquanto eu não me despeço dele. - avisou, rindo. Assenti, encostando a cabeça em seu colo. Suspirei, sentindo sua mão fazendo carícias nos meus cabelos. - Como foi o plantão?
- Cansativo, como sempre. - avisei, fitando o teto. - Mas incrível, como sempre.
- Eu não sei como você consegue, .
- Eu amo isso, mãe. - sorri, fitando-a.
- E é por isso que você foi a primeira da sua turma em Harvard. - sorriu orgulhosa. - Seu irmão ligou ontem à noite. Perguntou se você quer carona ou encontra ele mais tarde?
- Eu vou mandar mensagem pra ele depois. Obrigada! - avisei, agradecendo. - Dylan e vão se conhecer de verdade hoje, mãe.
- E isso é um problema? - rebateu.
- Não, não é. - suspirei, fazendo uma careta. - E se Dylan inventar de querer ser irmão mais velho e afugentar o ? Ele já fez isso antes, você sabe.
- , seu irmão não é mais criança, ele não faria nada pra te magoar. - avisou, terna, com aquele jeitinho meigo que só ela tinha.
- É, você tem razão. - concordei, virando-me de lado e fechando os olhos. - Eu gosto dele, sabe?
- Você vê um futuro para vocês? - perguntou, curiosa.
- Eu não sei se ele consegue ver isso. - abri os olhos, suspirando baixo. - Nenhum cara aguenta muito tempo namorar uma médica.
- Ele é um cara qualquer, então?
- Não, não mesmo.
- Então, ele não vai desistir.
- É. Eu espero. - bocejei alto, fechando os olhos de novo. - Eu espero.
Acabei dormindo ali mesmo na cama dos meus pais, dormi por horas a fio, o que eu realmente precisava mesmo. Acordei bem mais tarde com a minha mãe me chamando, dizendo que eu precisava acordar para comer alguma coisa e me arrumar para mais tarde, e foi o que eu fiz. Mandei mensagem para Dylan após receber uma de , dizendo que iria me buscar para irmos ao pub. Tomei um banho demorado, passei uma maquiagem leve e coloquei um vestido soltinho. Eu não era muito de me arrumar, mas eu gostava do que via. Mais tarde, ouvi uma buzina soar do lado de fora da casa. Me despedi dos meus pais e sai, encontrando dentro do carro, aguardando-me. - Ei!
- Oi, ! - sorriu, aproximando-se de mim e me dando um selinho. Sorri de volta, sentindo-me aquecida. - Ok, qual vai ser o pub?
- O Dylan que escolheu, então é o Roadtrip. - avisei, colocando o cinto de segurança.
- Olha só, ótima escolha! - sorriu, ligando novamente o carro e o colocando de volta às ruas. - Já gostei do seu irmão.
- Vocês vão se dar bem, então. - sorri, sentindo-me aliviada.
- É o que todos esperamos. - riu, nervoso. - Como foi o dia?
- Dormi bastante. - confessei, rindo. - Tive plantão e só consegui descansar hoje cedo.
- Ainda se sente cansada? - perguntou, tirando uma mão do volante e entrelaçando a minha, beijando levemente meus dedos. Mordi meu lábio, sentindo um arrepio passar por todo o meu corpo. olhou brevemente pra mim e depois voltou atenção para a direção.
- Não, estou bem. - avisei, sorrindo. Encostei-me no assento, fitando-o de lado, tentando lembrar qual foi a última vez que me senti tão bem e confortável com alguém. A resposta foi imediata: nunca. Eu nunca havia sentido uma conexão tão forte e isso me assustava. Eu sou uma cientista, eu trabalho com fatos e não sentimentos, mas havia fatos que eram impossíveis de se acreditar até sentir.
- O que foi? - perguntou, fitando-me assim que o carro parou num sinal. - Tá caladinha.
- Nada não, só pensando em ciências. - ri sozinha com a minha própria piada. levantou a sobrancelha, confuso. - Deixa pra lá!
- Ok? - falou, rindo, sem jeito e voltando a dirigir. Minutos mais tarde, chegamos até o pub, meu irmão e minha cunhada já nos esperavam lá. Pegamos uma mesinha mais longe do bar e perto da máquina de videogame e dos dardos. Enquanto Dylan e foram buscar as bebidas, Olivia e eu ficamos sentadas, esperando.
- Ele é uma gracinha, . - Olivia comentou, fitando-os de longe. Sorri, fitando-os também. Os dois conversavam animados e riam de algo, enquanto esperavam as bebidas. - E parece gostar de você de verdade.
- É. Ele é ótimo. - mordi os lábios, abaixando a cabeça.
- E você? - perguntou, enfim. Mirei meu olhar para ela, esperando uma continuação. - Gosta dele?
- Ah, Liv! - suspirei, apoiando as mãos no queixo e os cotovelos sobre a mesa, voltando a fitá-los. - Acho que tô ferrada.
- Ah, minha garotinha! - riu, animada, apertando minhas bochechas, fazendo-me rir. - Se serve de consolo, ele te olha de um jeito muito protetor e cuidadoso.
- Você acha? - fiz uma careta, indecisa. - Você não acha que ele pode fugir a qualquer momento?
- Você é muito cética, . Abre esse coraçãozinho pelo menos uma vez. - falou, cutucando o dedo sobre o meu peito, no lugar do coração. - Não vai deixar essa sorte passar, vai? Eu te garanto que esse raio não cai duas vezes no mesmo lugar.
- Nem todo mundo conhece o amor da vida na escola como você, Liv. - rebati, rindo.
- Não, algumas pessoas conhecem no hospital. - avisou, jogando uma piscadinha. Ri, balançando a cabeça. Logo em seguida os meninos voltaram, trazendo canecas de chopps enormes.
- Vocês querem me embebedar, né? - falei, pegando uma. - Você quer que eu pague mico na frente do , né, maninho?
- É sempre divertido, sis. - Dylan riu, levantando a caneca e tomando um gole depois.
- Não se preocupe, eu vou cuidar para que isso não aconteça. - avisou, beijando minha bochecha de leve. - E se acontecer, eu prometo não filmar.
- Chatos! - ri, mostrando língua. se sentou ao meu lado, passando o braço pelo encosto atrás de mim, aproximando-se, enquanto engatava uma conversa sobre o Chelsea e Liverpool com o meu irmão. Os dois pareciam amigos de décadas, conversavam, riam e até se zoavam. O que me deixou mais calma e mais solta com tudo aquilo. Saber que eles se deram bem me aliviava e me fazia pensar que aquilo poderia dar certo.
- Cara, preciso ir ao banheiro! - Dylan avisou, tomando o restante da caneca de uma vez. Arregalei os olhos, rindo.
- Você vai dirigir, certo? - perguntei a Olivia, que só havia bebido um pouco. Ela assentiu, revirando os olhos. - Ótimo.
- Certo, eu vou com você. - Olivia avisou, levantando-se e puxando o marido pelas mãos. - Aproveitem! - falou baixo para nós dois, sorriu e piscou, saindo em seguida junto com Dylan, deixando e eu finalmente à sós.
- Seu irmão é uma figura! - falou, rindo e tomando um gole da cerveja. - Juro que essa é a última, eu tô bem. - avisou, apontando para a caneca de cerveja. Ri, assentindo, virando meu corpo para ele. - E você é linda.
- Nah. - falei, fazendo uma careta. Ele não sorriu, mas me fitou. Muito intensamente. Colocou uma mecha do meu cabelo atrás da orelha e passou o polegar pelo meu queixo e maxilar. Suspirou baixo e fitou toda a extensão do meu rosto, fazendo-me fazer o mesmo com ele. Fazendo-me reparar em cada detalhe perceptível em seu rosto. Aquela pintinha castanha na sua íris, uma cicatriz pequena perto da orelha direita, os lábios cheios e convidativos. Engoli seco, sentindo meu coração dançar no meu peito. aproximou o rosto do meu e colou seus lábios aos meus, pressionando-os docemente. Suspirei alto, colocando minhas mãos em volta do seu pescoço, juntando-nos mais ainda. Ele desceu as mãos para a minha cintura, apertando-a entre suas mãos firmes e fortes. Beijar aquele homem era uma sensação indescritível. Era surreal. Era bom demais pra ser verdade.
- Viu? Não pode deixar as crianças sozinhas, Liv. - ouvi a voz de Dylan, fazendo-nos separar rapidamente e rir.
- Você é um sem noção, Dylan! - Olivia falou, rindo e voltando a se sentar junto com o meu irmão. - Não liga pra ele, ele só tá ciúmes da caçulinha.
- Ele fez isso com todos? - perguntou, rindo.
- Que todos? Você é o primeiro que ela nos apresenta! - Olivia falou, fitando-me. Eu ia matar a minha cunhada. Ri, sem graça para , que sorriu fofo. Arght!
- Interessante. - falou baixo, fitando-me e se aproximando de mim, roubando-me um selinho.
- Fica quieto! - mandei, rindo e voltando a beber a minha cerveja. A noite correu muito melhor do que eu imaginaria que seria. se ofereceu pra pagar toda a consumação, mas Dylan não queria deixar e eles quase brigaram por isso. Homens. Acabou por dividir pelos dois. Caminhamos os quatro para fora do pub, rindo da quase queda de Dylan, até o carro deles.
- Vou levar o Dylan até uma starbucks. Querem vir? - Olivia perguntou, virando-se para nós.
- Eu vou passar, vou pra casa mesmo. - avisou, abraçando-me de lado. - Mas pode ir, , não se preocupe comigo.
- Não, tudo bem, eu também vou passar. - avisei, sorrindo para Olivia.
- Sério? Mas é o seu lugar favorito no mundo! - Olivia falou, rindo. Sorri, mordendo os lábios e abraçando ainda mais forte .
- Eu tenho um novo lugar favorito agora. - sorri para ela, jogando uma piscadinha. Ela sorriu orgulhosa, assentindo, deixando o marido no lado do carona e colocando o cinto nele. - Se cuidem!
- Vocês dois também. - avisou, entrando no carro. - Mas não façam nada que eu não faria.
- Liv! - repreendi, rindo.
- Seja feliz, . Só isso! - avisou, sorrindo e mandando beijos.
- Tchau, Dylan! - despediu, abaixando-se na altura da janela. Dylan quase dormia no banco. Nós rimos, nos afastando. - Tchau, Olivia, foi uma ótima noite.
- Foi mesmo. - concordou, balançando a cabeça. - Tchau, crianças! - acenou rapidamente e deu partida no carro, saindo logo em seguida, deixando-me sozinha com . Ele me abraçou pela cintura, de costas, colocando a cabeça na curva do meu pescoço e depositando um beijo demorado ali. Arrepios malditos.
- Vem, vou deixar você em casa. - avisou, sem me soltar. Mordi meus lábios com força.
- Eu quero ir pra sua casa. - falei, enfim. Senti sua respiração acelerar e ele me virar de frente para ele, encarando-o.
- Tem certeza? - balancei a cabeça, concordando. - O quanto você bebeu?
- O suficiente para saber o que eu quero. - respondi firme. Puxando-o pelo gola da camisa e beijando-o rapidamente. - E eu quero você.


Senti o toque do tecido macio sobre as minhas costas assim que me deitou sobre a sua cama. Respirei fundo, fitando seus olhos a meia luz que o quarto trazia. Seu toque era tão gentil e cálido, que me fazia tremer e arrepiar a cada toque seu. Deslizei uma mão sobre seu pescoço e peito, segurou seu peso sobre mim, beijando meu pescoço e colo. Fechei meus olhos, jogando minha cabeça para trás, dando mais acesso ao meu pescoço, onde ele continuava a beijar e mordiscar cada centímetro exposto. Segurei seu braço, apertando-o levemente, estimulando-o a continuar. Com uma mão ágil, passou os dedos pelos botões do meu vestido, abrindo-os por onde passava. Seus olhos sedentos fixaram-se no meu corpo seminu, fazendo-me sentir tão desejada que toda a vergonha que eu sentia, se evaporou. Sua mão livre dedilhou a curva da minha cintura, desenhou o formato dos meus seios e a linha da minha calcinha, fazendo-me arfar, segurando um gemido. Apertei minhas mãos no tecido da sua camisa, puxando-a para cima, até retirar totalmente do seu corpo, deslizando minhas mãos sobre seu peito nu, cravando minhas unhas pequenas em suas costas puxando-o para mais perto de mim. sorriu antes de me beijar com urgência, deixando meu coração louco dentro de mim. Um calor instantâneo percorreu meu corpo inteiro, aquecendo-me rapidamente. À medida que as nossas roupas saiam de nossos corpos mais nossos corpos se conectavam. Pele a pele, boca a boca, mãos a mãos. O alívio de saber que nossos corpos se conectam tanto quanto nossas mentes era ótimo. Eu sabia que aquilo tudo não era só carnal, mas ficava feliz que essa parte estava muito mais do que completa também. Ah, se estava.

Fim do ponto de vista da

Ouvi uma movimentação no quarto e abri os olhos devagar, deixando meus olhos se acostumarem a luz. Virei-me rapidamente e vi enrolada a um lençol, procurando alguma coisa no chão.
- Ei. - falei baixo, minha voz saindo rouca. Ela virou-se para mim, sorrindo.
- Te acordei? Desculpa, volta a dormir. - pediu, aproximando-se de mim.
- Volta pra cama, , tá cedo. - pedi, passando a mão no cabelo. Ela fez uma careta.
- Não posso, eu tenho que ir para o hospital. - avisou, suspirando. - Desculpa.
- Tudo bem, eu te levo. - falei, fazendo menção de sentar na cama.
- Não precisa, sério. Eu vou te uber, táxi ou até andando. Não é tão longe! - falou, sentando-se na beirada da cama, gesticulando rápido.
- , para, eu te levo! - rebati, sentando-me na cama. - Eu quero te levar.
- Tem certeza? Eu não queria te acordar.
- Queria sair sorrateira pela manhã? - perguntei, levantando a sobrancelha.
- Não, não é isso. - se apressou em se corrigir. - Eu não quis dizer isso. Eu só não quero te incomodar.
- Eu tô brincando, , calma. - sorri, fitando-a. Cara, que visão maravilhosa de se ter pela manhã. tinha o cabelo bagunçado e a carinha de sono, mas seus olhos brilhavam. Linda, cara.
- Eu não quero te incomodar. - repetiu. Suspirei, puxando-a pela mão, fazendo se aproximar de mim.
- , entenda uma coisa… - falei, fitando-a nos olhos. - Eu gosto de você e sei o que vem junto. Eu quero o pacote completo. - ela mordeu o lábio, sorrindo.
- Você gosta de mim? - perguntou, fazendo uma carinha de criança levada.
- Não deu pra perceber? Quer repetir a noite passada pra ter certeza? Sem problemas pra mim. - ri, fazendo-a rir junto comigo. - Eu não quero brincar com você, eu não quero só curtição com você. - ela balançou a cabeça, assentindo e prestando atenção. - Eu olho nos seus olhos e consigo ver meu futuro inteiro através deles. E parece loucura, mas eu vejo.
- Você tem certeza sobre tudo isso, certo? - perguntou, indecisa.
- Eu tenho. 100% de certeza. - avisei.
- Você não vai querer fugir depois, certo?
- Depende. Você vem comigo? - sorri.
- Eu não te mereço, garoto! - riu, segurando meu rosto entre suas mãos. - Ok, , você me ganhou. - sorriu, dando-me um selinho longo. - Que se dane a ciência. - riu, beijando-me enfim. Ah, essa garota! Essa é a minha garota! descolou os lábios dos meus e me fitou, sorrindo. - Você já teve a sensação de déjà vu? Como se algo já tivesse acontecido antes? - indagou. Sorri largamente.
- Pode apostar que sim.



Epílogo



Olhei no relógio pendurado na sala e marcavam quatro e meia da tarde. Cruzei as pernas em forma de quatro, sentado no sofá, fitando a TV desligada a minha frente. Girei os olhos até a mesinha de telefone ao lado, onde um porta retratos descansava junto. Na foto, eu e riamos um para o outro enquanto eu a abraçava pela cintura. vestia um vestido branco que ia té o um pouco abaixo do joelho, seus cabelos estavam presos e tinha um detalhe de uma flor pendurada; Eu vestia uma camisa branca e um paletó cinza por cima, calça preta e cabelos penteados para trás. Era evidente a nossa alegria. Qualquer um que nos viesse poderia apontar isso. Era cedo, bem cedo. Foi na prefeitura. Meus pais e minha irmã. Os pais dela, o irmão e a cunhada. Meus melhores amigos, que também viraram os dela e a melhor amiga dela. Nossas testemunhas. Testemunha do nosso simples casamento, mas que nunca faltou amor. Ela já era uma cirurgia maravilhosa. Chefe da neurologia no Saint Mary’s Hospital. Era o momento certo. Foi o momento certo. Foi como a gente sonhou. A lua de mel foi rápida, mas nós vivemos nela todos os dias. A casa ganhou o toque especial dela, ganhamos um cachorro bagunceiro e que era a vida dessa casa, mas que me devia alguns móveis quebrados e rasgados. Ganhei uma segunda mãe, porque Diana me tratava como um filho, assim como Michael. Ganhei o irmão que nunca tive, Dylan era meu companheiro junto com nas bagunças e na hora de pedir desculpas para as nossas mulheres por termos atrasados os jantares e coisas assim. Minha irmã nunca foi tão unida com alguém como ela se tornou de , o que só me deixava ainda mais feliz. Meus pais a amavam que às vezes, ok, na maioria das vezes, eles ficavam mais do lado dela do que do meu. Vai entender. Até a minha mãe, cara!
Ouvi barulho de salto e me virei, fitando o corredor, observando andar apressada até mim, terminando de colocar os brincos.
- Ok, eu sei que estamos atrasados. - avisou. Sorri, levantando-me e a fitando. - O quê? Tá exagerado esse vestido para um batizado?
- Não. - falei, rapidamente. Ela vestia um vestido branco que ia até dois dedos acima do joelho, saltos e cabelos soltos. - Você tá linda!
- Sério? - perguntou, sorrindo, em dúvida. - Não tá muito, sei lá, cheguei?
- Você é a madrinha, pode ser cheguei. - avisei, dando de ombros.
- Não, amor. - ela riu, aproximando-se de mim e ajeitando a gola da minha camisa, também branca. - Você sabe que a nos mata se a gente chamar mais atenção que o próprio filho dela, né?
- O Leon ama o padrinho dele, ele não se importa. - sorri, segurando a sua cintura. Ela riu, revirando os olhos e se afastando de mim, andando até o sofá e pegando a bolsa sobre o mesmo. Andou até a porta e se virou para mim, esperando eu ir até ela. A fitei novamente, vendo meu futuro inteiro ali, parado à minha frente. É ela. Sempre foi. Não importa o que aconteça, a gente sempre achou um caminho de volta um para o outro.
- Você vem? - perguntou, estendendo a mão na minha direção.
- Para sempre.



FIM



Nota da autora:
Acabou. Enfim, o FIM. Eu fico feliz que eu tenha conseguido terminar mais uma fanfic, fico feliz mesmo por esse feito, porque pra mim significa muito. Mas fico triste também porque tenho que me despedir dessa história que eu amei tanto escrever. Her tem três anos de existência, e foram o três anos mais criativos e frustrantes que eu já passei, mas valeu a pena cada minuto.
Eu sempre fui uma escritora solitária, minha mente sempre vagou sozinha e funciono bem assim. Mas menos de um ano atrás, conheci uma pessoa que me ajudou muito no processo de criatividade e pressão (risos nervosos) para escrever. E sim, eu sou muito grata por tudo o que você fez e me ajudou, Helen. Não teria conseguido chegar aqui tão rápido se não fosse você.
E agradeço TODAS vocês que acompanharam essa história comigo, da que começou junto comigo a que acabou de começar a ler Her. Meu MUITO OBRIGADA! Jamais vou conseguir expressar tamanha gratidão por tanto AMOR que senti durante esse tempo todo de fanfic.
Eu amo vocês, de verdade.
Vejo vocês em breve, vocês podem ME AGUARDAR! <3





Outras Fanfics:

Long/Andamento: Met An Angel
Long/Finalizada: Johnny
Short: Lovin' Arms
Short Especial Behind The Scenes: The One About 2006


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