FFOBS - HER, por Luana Magalhães

Última atualização: 22/05/2018

Capítulo 1


Mais um belo fim de tarde para correr pelo Hyde Park, principalmente quando se levou um fora da sua namorada. Ou melhor, ex-namorada. Balancei a cabeça, espantando os pensamentos e voltando a correr. Eu tinha que tirar Claire da cabeça, já havia se passado duas semanas. Ela, provavelmente, já deve estar se divertido com outros caras por aí, enquanto eu ainda não consigo esquecê-la. Ah, por que é tão difícil encontrar essa tal garota certa, uh? Todas parecem ser complicadas demais! Por que não podem ser simplesmente bonitas, sexies, legais, inteligentes, doces, boas de cama, não sentirem tanto ciúmes, entender o que a gente fala, fazer os nossos gostos de vez em quando... Ok, é impossível achar alguém assim.
Continuei correndo, tentando tirar qualquer pensamento da cabeça. Avistei mais à frente um garoto em uma bicicleta, ele estava com a expressão de assustado. Visualizei o outro lado, e observei uma senhora andar devagar, sem prestar a atenção por onde andava. Eu sabia no que aquilo ia dar. Sem pensar duas vezes, corri até a senhora e a puxei depressa, fazendo-nos cair no chão. O garoto com a bicicleta passou por nós em uma velocidade incrível, mas parou quando bateu em um banco. É, ele não deve estar muito bem. Lembrei-me da senhora que estava ainda ao chão, e a ajudei a se levantar.
- A senhora está bem? – perguntei, preocupado. Ele me olhou ainda um pouco assustada.
- Bem? Eu estou mais do que bem! – sorriu, mostrando todas as rugas que a idade lhe trouxe. – Você me salvou, garoto. Obrigada!
- Não por isso. – sorri, aliviado. Ela se aproximou de mim e segurou minhas mãos, olhei-a sem entender. Ela usava um lenço na cabeça, muitas bijuterias e também usava um lápis de olho preto, um pouco forte para a sua idade.
- O que eu posso fazer por você, criança? Há algo que você deseje muito? – perguntou ainda segurando minhas mãos. Continuei sem entender.
- Ahn, não, obrigado. Eu tô bem – sorri amarelo.
- Espera! – ela fechou os olhos e depois os abriu, sorrindo. – Uma garota.
- Como é? – franzi o cenho.
- Eu já sei, criança. – falou, voltando a fechar os olhos. Eu a senti apertar minhas mãos e um leve tremor passar por elas. Puxei minhas mãos na hora.
- Ahn, eu já vou indo. – avisei, afastando-me.
- Acontecerá, filho. Acontecerá! – ela disse alto, enquanto me afastava. Fiz uma cara estranha e sai de perto.
- Louca! – sussurrei e voltei a correr, mas dessa vez fui para a casa.



Ouvi o despertador tocar ao meu lado, no criado-mudo. Mexi-me na cama, preguiçosamente, sem querer levantar. Encarei o maldito que ainda tocava incessantemente. Bufei, desligando-o. Quando estava pronto para me levantar da cama, ouvi um suspiro baixo. Paralisei. Era um fantasma? Qual é, , cresça! Deve ter sido coisa da minha cabeça. Mas notei no segundo seguinte que não era, pois ouvi de novo. Girei meu rosto para o outro lado, encontrando um corpo enrolado no meu lençol. Gesticulei um “o que diabos?” sem entender o que era aquilo. Eu dormi com alguém noite passada e não me lembro? Me movi um pouco mais para perto da pessoa, e pude ver os seus cabelos castanhos caindo sobre o meu travesseiro. Mas ainda assim não conseguia visualizar seu rosto. Me aproximei mais um pouco para poder vê-lo, mas ela se movimentou mais rápido, virando o rosto na minha direção. E, puta merda! Que garota linda! Ela ainda dormia, tinha os lábios vermelhos entreabertos, um rosto de boneca, um narizinho perfeito. Linda, cara, linda.
- Ah, meu Deus! – sussurrei. Eu tinha dormido mesmo com uma garota tão linda assim? Espero que ela seja maior de idade. Aproximei meu rosto do dela, só para ter certeza que ela era real, quando ouvi um sorrisinho vindo dela.
- Para de me olhar dormir, você sabe que eu odeio. – falou de olhos fechados.
- Ahm... – disse, sem saber muito o que falar. Apenas me afastei dela. – Erm...
- Que foi? – sussurrou, abrindo os olhos. Wow! Lindos olhos também.
- Eu não... Eu só... Eu não sei. – disse apenas, fazendo uma careta. Ela me olhou sem entender. Sentou-se na cama, e o lençol que cobria seu corpo escapou um pouco, mostrando a bela curva dos seus generosos seios cobertos apenas por um sutiã. Caralho! Eu, claro, não pude deixar de fitá-los. Ela riu.
- Tô vendo que já melhorou! – balançou a cabeça, aproximando-se de mim. Me afastei. – Joguinhos? Mesmo? Essa hora da manhã, ?
- Desculpa, mas eu não me lembro de você. – confessei, enfim. Ela revirou os olhos, mexendo no cabelo e fazendo um nó com ele.
- Larga de criancice, ! – retirou o restante do lençol que a cobria, levantando-se da cama. Caralho, puta merda! Que mulher é essa? Que corpo é esse? Fiquei ali babando, enquanto ela andava até o meu banheiro como se fossem íntimos. Olhei ao meu redor, só para ter certeza que eu estava mesmo no lugar certo. Eu não consigo entender porque eu não me lembrava de nada da noite passada. Eu bebi? Sai? Resolvi me levantar e ir até aquela garota, pelo menos saber o seu nome. O banheiro estava com a porta aberta, e ela estava lá, terminando de escovar os dentes. Espera, aí! Por que tem uma escova a mais no meio das minhas coisas? Ela me olhou através do espelho, esperando alguma reação. Nada. Cuspiu o restante da pasta de dente e enxaguou a boca, secando-a rapidamente com o dorso da mão. – Tá de mau-humor hoje?
- O quê? Não! – neguei. – Eu só, desculpe, não me lembro de você. – ela suspirou, descrente.
- Acho que você bateu a cabeça muito forte no chão ontem, quando caiu na casa do . – fez uma careta.
- Você conhece o ? – perguntei surpreso.
- Arght! – bufou, rolando os olhos. – Já vi que tá tentando testar minha paciência. – disse, saindo do banheiro, apenas a segui.
- Mas é sério, porra! – comecei a ficar irritado. Ela parou de andar e olhou pra mim. – Eu não me lembro de nada. – ela franziu o cenho, cruzando os braços.
- Hmm... – fez, aproximando-se de mim. – Vamos fazer o seu joguinho então, . – riu. – Então, você não se lembra de mim? Não sabe como nos conhecemos?
- Moça, eu não sei nem o seu nome. – confessei, suspirando alto em seguida.
- Ah, não? – ela riu, achando graça. – Ok, meu nome é . .
- ? Bonito nome. – comentei.
- É, mas você adora me chamar de . – explicou, aproximando-se ainda mais. Fiquei parado no mesmo lugar. – Ou de amor, linda, anjo... Ás vezes de gostosa e delícia. – ela riu. E eu continuava confuso.
- E eu te conheço de onde? Como você veio parar na minha casa? – perguntei, enfim.
- Hm, a gente se conheceu na festa de aniversário do . – colocou seus braços em volta do meu pescoço. Mas eu tirei e me afastei. – Ah, pelo amor de Deus, !
- Como você veio parar na minha casa? – voltei a perguntar. Ela revirou os olhos e foi se sentar na cama. – Responde!
- Cara, como você tá chato hoje, hein? Não entendi esse joguinho seu. – fitou as unhas.
- , me responde, por favor! – pedi, quase suplicando.
- Ok, ok! – se deu por vencida. – Há quase um ano você pediu que eu viesse morar com você, .
- UM ANO? – gritei, não acreditando. – Tá louca?
- Eu desisto! – falou alto, andando até o meu closet e pegando uma camisa minha e uma short jeans. Ei! Não tinha esse short antes ali. Os vestiu rapidamente. – Quando você parar de infantilidade, desce e fala comigo. – avisou, saindo logo em seguida. Me vi sozinho naquele quarto, tentando entender o que tinha acabado de acontecer ali. Eu só podia estar dentro de um sonho. Nada daquilo fazia sentido. E quem ela acha que é para falar comigo daquele jeito? Sai atrás dela, disposto a tirar algumas satisfações. Passei pela sala e ela não estava lá, então fui até a cozinha, encontrando-a. , se é esse o nome dela mesmo, estava de costas, pegando algumas coisas na geladeira. Na minha geladeira.
- Ei, você tá comendo o meu peito de peru! – falei alto. Ela se virou, não acreditando no que eu havia falado.
- Eu não vou comer tudo, . Eu sei que você adora isso aqui com pasta de amendoim. – fez uma careta de nojo.
- Como você sabe disso? – perguntei assustado. Poucas pessoas sabiam daquela minha esquisitice.
- Eu sei muita coisa sobre você, amor. – sorriu, tentando ser paciente. Levou as coisas que havia pegado para o balcão. Sentou-se em um banco e puxou outro, batendo a mão sobre o mesmo. – Vem cá, vem! – me chamou. Suspirei algumas vezes antes de me render. Ok, eu precisava entender o que estava acontecendo. Andei até ela e me sentei ao seu lado. Ela segurou minha mão com uma mão e com a outra, segurou meu rosto. Seu toque era incrível. – O que tá acontecendo, uh? Eu tô ficando assustada.
- Acredite, eu estou muito mais assustado. – confessei.
- Ok, talvez a pancada tenha sido realmente forte. – tentou se convencer. – Vamos tentar entender essa sua perda de memória. Mas se for brincadeira, eu juro que...
- Não é, eu juro! – falei rápido. – Me ajuda! – ela suspirou, assentindo. – Agora me diz o que está acontecendo? Como tudo isso aconteceu? Como eu conheci você?
- Bom, a gente se conheceu há mais de um ano, na festa do , você me convidou pra sair, e saímos sempre depois disso. – ela tentava se lembrar. – Ahm, você me pediu em namoro e...
- A gente namora? – perguntei, não acreditando que eu namorava uma garota daquelas. Ela balançou a cabeça, concordando. – Nossa.
- É. Ahm, depois de um tempo, você me pediu pra morar com você e, bom, aqui estamos nós. – sorriu, sem jeito. – Se lembrou de algo?
- Não. – falei baixo, abaixando a cabeça. Ela se aproximou de mim, abraçando-me com força. Eu nada fiz.
- Tudo bem, amor. Nós vamos dar um jeito de consertar isso. – sussurrou próximo a minha orelha, depositando um beijo na mesma. Fitou meus olhos e sorriu. – Eu te amo. – e eu não soube o que dizer.
- Eu... Eu sinto muito. – foi o que saiu. Ela fez uma cara triste, soltando-se de mim.
- Tudo bem. – afastou-se. – Sabe, eu acho que vou visitar a Zoe, ok? Você tá precisando ficar sozinho. – não disse nada. Apenas fiquei a observando se afastar e sumir das minhas vistas. Ouvi o barulho da porta da frente se fechar minutos mais tarde. Olhei ao meu redor, procurando algo que me ajudasse a lembrar de algo. Fitei a geladeira, nela havia algumas fotos pregadas que antes não estavam lá. Caminhei até elas, pegando uma que estava pregada a um imã. Na foto estava eu e . Parecíamos estar em um restaurante. Eu estava sentado e ela estava atrás de mim, me abraçando. Os dois sorriam. É, confesso que eu parecia estar bastante feliz naquela foto. Por que diabos eu não me lembro de nada? Olhei para as fotos de novo e observei uma em que estávamos todos nós, incluindo o e sua namorada, . Era isso, eu sabia quem ia me ajudar a me lembrar.


- Caralho, já vai! – ouvi a voz de do outro lado da porta. Bati mais uma vez. – Porra! – e ele finalmente abriu. – Cara, eu vou te matar!
- , eu preciso da sua ajuda. – avisei, entrando como um furacão na sua casa. Ele fez uma careta, a cara toda amassada. É, acho que eu tinha o acordado.
- Não dava pra esperar eu acordar, hein? – coçou o cabelo, andando até mim. Neguei. – Que foi, cara?
- Eu acho que estou num universo paralelo! – falei, jogando meu corpo no sofá atrás de mim. franziu o cenho, confuso.
- Você tá bêbado? – perguntou.
- Não, cara. É sério! – respirei fundo. – Acordei hoje e tinha uma garota dormindo na minha cama, linda, mas eu não a conheço.
- Como assim? Você tá traindo a ? – perguntou surpreso.
- É isso! Esse é o nome dela, mas eu não a conheço... E, pelo jeito, todo mundo conhece, menos eu. – suspirei, cansado. – Eu não sei mais o que fazer, .
- , eu não estou te entendendo. – se aproximou, sentando-se ao meu lado. – O que você tá falando?
- Eu também não entendo, cara. – gesticulei rápido. – Eu só me lembro de acordar com essa garota ao meu lado, sem nem saber seu nome. Eu juro, eu não a conheço.
- Cara, isso é estranho! – fez uma careta. – O que a acha disso?
- Acha que eu estou brincando. – dei de ombros.
- É, eu também. – concordou, olhando-me desconfiado.
- Mas eu não estou, ok? – falei mais alto. Levantou as mãos em forma de rendição.
- Tudo bem, tudo bem. Mas como eu posso te ajudar? – perguntou.
- Eu não sei. – fui sincero.
- Quer a minha opinião? Volta pra casa. – eu ia protestar, mas ele continuou. – É sério. Se alguém pode explicar tudo o que está acontecendo, o que uma garota estranha tá fazendo na sua casa é ela mesma. Conversa com a , .
- É, tudo bem. – concordei, sem vontade. – Mas espero que ela me entenda e não ache que eu estou brincando.
- Ela vai, ok? Eu vou pedir pra falar com ela depois. – disse, dando-me tapinhas nas costas.
- Tá bom. – me levantei, seguindo para a porta. veio atrás.
- , quando você acordou e viu a , não se perguntou como conseguiu aquela garota?
- Exatamente! – concordei rápido. – Eu não entendo como uma garota daquelas pode me dar moral.
- É, buddy, nem eu! – riu, me empurrando para fora da casa dele. Desgraçado! Então, era isso. Voltar para a minha “atual” vida. Ou o que for.


Assim que cheguei em casa, também já havia voltado. Ela estava sentada no sofá, comendo um pote de sorvete. Seu olhar se direcionou para mim, esperando alguma reação.
- Oi. – falei, fechando a porta e jogando a chave do carro em cima da mesinha de centro. Me sentei ao seu lado.
- Oi. – respondeu de volta. – Tá se sentindo melhor?
- Um pouco. – confessei.
- O me ligou, falou que você foi lá. – concordei com a cabeça. – Eu tava com saudades. – fitei seus olhos, e eles pareciam ser bem sinceros quando disse aquilo.
- Desculpa não me lembrar de tudo o que aconteceu entre a gente, ok? – pedi, sentindo-me culpado.
- O que eu posso fazer, né? – deu de ombros, sorrindo triste. – Ei, tá com fome? Eu fiz alguns sanduíches.
- Bom, eu acho que quero sim. – sorri, agradecido.
- Vou buscar, então. – sorriu, finalmente. Levantando-se e indo até a cozinha, voltando rapidamente com um prato em mãos. Depositou o prato sobre a mesinha e voltou a se sentar ao meu lado, ligando a TV. Peguei um dos sanduíches e comecei a comer. Hm, e estava realmente muito bom. Do jeito que eu gostava.
- Tá muito bom, . – falei. Ela sorriu. Deus, como ela era linda.
- Fiz do jeito que você sempre gostou – comentou, aproximando-se de mim. - ... – me chamou, mordendo os lábios.
- Hm? – respondi, terminando de engolir o pedaço do sanduíche.
- Quero te beijar! – soltou. Quase engasguei. riu, batendo nas minhas costas. – Calma, calma!
- Você quer? – perguntei, fitando os olhos dela. Ela mordeu o lábio inferior, assentindo.
- Você não me beijou hoje, sinto falta. – confessou baixinho.
- Mesmo eu estando assim? Sei lá, não me lembrando da gente? – perguntei, curioso. Ela riu.
- Mas eu me lembro, amor. E eu tô pedindo um beijo, não sexo. – engasguei de novo e ela riu. - , você não tem mais dez anos.
- É porque eu não consigo me imaginar com você... – devolvi o sanduíche para o prato. – Sabe? – fiz as curvas de uma mulher com as mãos. – Você é linda demais, cara.
- E daí? Você é lindo também! – sorriu, aproximando-se de mim. Não me afastei. – Vai? Só um beijinho? – pediu, fazendo biquinho. Eu sorri, achando aquilo bonitinho. – Fecha os olhos, anda.
- ... – comecei, mas ela me interrompeu.
- Shh, fica quieto! – mandou, praticamente se sentando no meu colo. – Talvez assim você se lembre. – mordeu o lábio inferior, aproximando a boca da minha. Eu podia sentir sua respiração bater na minha boca. puxou meu lábio inferior com os dentes, estava pronta para me beijar... Quando o telefone tocou. Ela bufou, voltando a se sentar direito.
- Ahm, eu atendo! – falei rápido, estendendo a mão até a base e atendendo ao telefone. – Alô?
- Olá, querido! – reconheci a voz, franzindo o cenho.
- Mãe? – perguntei surpreso. Minha mãe quase nunca me ligava, e quando eu digo quase, eu quero dizer nunca. – Por que você tá ligando?
- ! - repreendeu, rindo.
- Olha os modos, garoto! – repreendeu-me também. Revirei os olhos. – Onde está a ?
- Você conhece a ? – perguntei, fitando a própria. Ela sorriu de lado, dando de ombros.
- Ora, claro que conheço! Querido, você está bem? – perguntou preocupada.
- Não sei, mãe. – cocei a nuca. suspirou, estendendo a mão, pedindo o telefone. Entreguei, observando-a conversar naturalmente com a minha mãe. Cara, a minha mãe. Já posso acordar?
- Oi, Sue. Pois é, ele não está muito disposto hoje. – uma pausa. – Ah, sim, claro. Não nos esquecemos! – sorriu, depois me fitou. – Hm, eu vou conversar com ele, ok? Se ele estiver se sentindo melhor nós iremos. Sim, tudo bem. Você também, sogrinha. – uma risadinha. – Ok, tchau, até mais. – e desligou, jogando o telefone no colo. - , você sabe que dia é hoje?
- Sexta? – perguntei em duvida.
- Hoje é a comemoração das bodas dos seus pais. – ela explicou, pacientemente.
- É? – ela concordou. – E?
- E nós temos que ir. – falou, esperando alguma reação. Fiz uma careta. - Ah, , não faz essa cara. São os seus pais, poxa. Eles marcaram isso há tempos, eles esperam que você vá. Assim como todo mundo.
- Todo mundo quem? – levantei uma sobrancelha.
- O resto dos convidados? – falou óbvia. – Meus pais vão estar lá também.
- Seus pais? – falei surpreso. – Eu conheço os seus pais? – ela assentiu. – Puxa!
- Você não se lembra deles também, né? – neguei. Ela suspirou. – Não se preocupe, eu te ajudo com isso, ok?
- Não sei se é uma boa eu ir, . – confessei, levantando-me. – Isso tudo tá muito confuso.
- Eu sei, amor. – falou, levantando-se também. – Mas eu vou estar ao seu lado o tempo todo, vai dar tudo certo.
- Ah, cara... – enfiei os dedos no cabelo. – Eu tô pressentindo que eu vou me ferrar.
- Não vai, eu não vou deixar isso acontecer. – sorriu, aproximando-se. – Além do mais, você estará entre a sua família e amigos, nada de ruim pode acontecer.
- Ok, você ganhou! – sorriu largamente. – Mas não vai se acostumando.
- Ah, é melhor você ir se acostumando, . – sorriu maliciosa. – Eu sempre ganho. – avisou, andando e subindo as escadas, sumindo das minhas vistas. Bufei, jogando-me no sofá. O que ia acontecer com a minha vida agora?


Me olhei no espelho de cima a baixo. É, não estava nada mal. Estava vestido uma camisa social vinho e uma calça preta também social. Não era muito o meu estilo, mas me obrigou a colocar isso. E por falar nela, ela já está trancada no banheiro há quase uma hora. Passei a mão no cabelo, tentando dar uma arrumada ou desarrumada, não sei, e fui bater na porta do banheiro.
- Ei, tá tudo bem, aí? – perguntei, aproximando o ouvido da porta.
- Tá, sim. Já estou saindo! – avisou. Ouvi a porta se abrir e me afastei, dando espaço para ela passar. Mas antes que conseguisse me movimentar direito, eu a fitei. Uau. Ela sorriu, vendo a minha cara de idiota, encarando-a. – Ficou bom? – perguntou, dando uma voltinha. estava usando um vestido longo, que deixava seus ombros e costas de fora, lindas costas e com uma bela tatuagem, diga-se de passagem; seu cabelo estava em um coque meio baixo e sua boca estava com um batom vermelho. Linda, cara.
- Uau. – foi o que eu consegui dizer.
- Não está exagerado? – perguntou, insegura, andando até o espelho do quarto, se analisando.
- Você tá linda! – falei, sincero. Ela sorriu, se virando pra mim.
- Você também tá. – se aproximou, arrumando a gola da minha camisa. Me fitou nos olhos durante um tempo, abriu a boca pra falar algo, mas desistiu, e optou por somente sorrir. – Então, vamos? Já estamos atrasados.
- Sim, claro! – concordei, pigarreando e enfiando uma mão dentro do bolso da calça.
- Ok, vou pegar a minha bolsa e te encontro no carro. – avisou, e saiu andando até o closet. Balancei a cabeça positivamente e sai, rumando para a sala, pegando a chave do carro sobre a mesinha, e me dirigindo para fora da casa, onde o carro estava estacionado. Assim que entrei no carro, fitei o volante. Isso tudo era tão maluco e irreal. Às vezes tenho a impressão de que eu vou acordar a qualquer minuto, e que estarei deitado na minha cama, sozinho e louco. Fui acordado do meu transe pela porta sendo fechada por . Apenas a fitei e sorri. Se for um sonho mesmo, é melhor eu aproveitá-lo.


No momento em que coloquei os pés no local da festa, me arrependi de ter ido. Muita gente. Muita gente conhecida, mas muita gente desconhecida também. Senti a mão de procurar a minha e entrelaçá-las, apertando-as.
- Vai ficar tudo bem, eu tô aqui. – sussurrou pra mim. Assenti, e deixei que ela nos guiasse. Um casal já mais velho se aproximou de nós.
- Querida, você está deslumbrante! – uma jovem senhora de cabelos castanhos e olhos verdes, falou, fitando .
- Obrigada, mãe. – ela respondeu, sorrindo. Mãe? Opa!
- , vai aparecer para o jogo na próxima quarta? – o senhor, ao que tudo indicava era pai de , perguntou.
- Ahm, jogo? – falei, confuso.
- É, a gente tinha combinado de ir assistir ao jogo do Chelsea. – explicou como se fosse obvio. Olhei para , pedindo alguma ajuda. Ela entendeu, e suspirou.
- Pai, e eu já temos compromisso quarta. – falou, fazendo uma careta. – Desculpe, mas é inadiável.
- Ah, ok. Deixa para uma próxima, então. – concordou, dando de ombros. – Querida, são os Lavigne. Vamos lá dizer um oi.
- Claro! – a senhora concordou, sorrindo. – Até mais tarde, queridos. – e saíram para longe de nós. Respirei aliviado. olhou para baixo, suspirando. Meu coração se apertou de culpa.
- Eu sinto muito por isso, mas eu realmente não me lembro deles. – falei, tentando me explicar. Ela me fitou, sorrindo triste.
- Tudo bem, vamos dar um jeito nisso depois. – pegou a minha mão novamente. – Ah, outra coisa, os nomes dos meus pais são Dominick e Richard. – assenti, repetindo mentalmente, tentando decorar. me olhava ainda direito sem saber se acreditava em mim ou não, acho que assim como é pra mim, também era surreal pra ela.
- Eu juro que não é uma brincadeira de mal gosto. – falei, apertando a sua mão entre a minha. Ela mordeu o lábio inferior, assentindo.
- Eu acredito em você. – falou, enfim. – Porque você sabe bem que eu mandaria te castrar se fosse uma brincadeira. – ameaçou, me fuzilando com os olhos.
- Não será necessário! – falei, rindo.
- Casaaal! - se aproximou de nós, gritando. Típico. Rimos. Ao seu lado, , que revirava os olhos, acostumado com a namorada. – Oi, fofinho! – me cumprimentou, apertando meu nariz. era estranha, às vezes se comportava como a minha mãe. Mas era minha amiga e também, namorada do meu melhor amigo.
- Oi, . Tô bem também, e você? – ironzei, recebendo um dedo do meio de volta. – Oh!
- Oi, amiga. – ela me ignorou, voltando a atenção para .
- Oi, . - riu do jeito dela. – Você está linda.
- Olha quem fala, né? Tá maravilhosa! – piscou para ela.
- Papo de mulher é caído, né? - falou baixo. Ri, concordando. Rasgação de seda, credo. – Oi, . - a cumprimentou, sorrindo. sorriu de volta, voltando a conversar com . – E aí, como você tá, cara? – perguntou, direcionando o olhar pra mim. Olhei para as meninas, que conversam animadas sobre algo que havia passado na TV. O puxei para se afastar um pouco delas e desabafei.
- Cara, tá tudo muito estranho. – falei, fitando-o. – Não parece a minha vida, não tem nada na minha cabeça pra me fazer lembrar dessa garota, entende? Nada. – eu falava gesticulando muito. Minha cabeça parecia que ia explodir. – Eu não tenho ideia de quem são algumas pessoas aqui, eu não tenho ideia de quem é ela. – apontei para . Ela olhou na mesma hora e sorriu, e depois respondeu algo para . – Ela. – abaixei o tom. – Eu não sei quem é essa garota incrível. – voltei a fita-lo. – E eu queria muito saber.
- Eu também não entendo como tudo isso na sua cabeça aconteceu, porque num dia você está feliz com a e no outro não se lembra mais de nada. – me olhou, confuso. – Seja lá o que for, cara, a gente vai te ajudar. Eu prometo! – colocou a mão no meu ombro. – Até lá, já que essa garota é tão incrível... – sorriu, me virando para fitá-las. – Porque não vai até lá e tenta conhecê-la um pouco melhor, uh?
- É... – falei, sorrindo de lado. – Me parece uma boa ideia.



Capítulo 2



O plano de conhecer melhor era ótimo, estava disposto a tentar entender o que estava acontecendo ali, com o meu cérebro, minha vida. Então perguntei a tudo o que ele sabia sobre ela, sobre a nossa vida juntos. Bom, basicamente ele me explicou o que ela já havia me dito. Nos conhecemos na festa de aniversário do , por meio de , que já era amiga de na época. Ele disse que assim que eu a vi, fiquei bobo e quis conhecê-la. É, parece ser coisa minha mesmo. Ele me disse que éramos o tipo de casal que todo mundo queria ser. Éramos divertidos e era bem óbvio que nos amávamos. E claro, minha família inteira era louca por ela. Minha irmã mais nova, Blue, teve a audácia de me dizer que ela era a irmã que ela nunca teve. Acredite, Blue não era amigável com muitas pessoas. Ela odiava Claire. Poxa, Claire. Melhor eu nem pensar nela.
- Quem quer álcool? - perguntou alto, levantando uma garrafa de whisky.
- Já começou a furtar as coisas da festa. – falei, rindo. me acompanhou. – E os copos, espertona?
- E quem precisa de copos, ? – falou, levantando a sobrancelha. riu, negando.
- Estamos numa festa de bodas, amiga. A gente precisa de copos, caso contrário, vão achar que somos animais. – ressaltou, . – Pode deixar, eu vou arranjar alguns pra gente.
- Eu vou com você. – falei, indo para o seu lado, prontamente. Ela me olhou e balançou a cabeça, concordando. Rumamos para a cozinha, então, andando lado a lado. Ouvi um suspiro vindo dela. A fitei. – Tudo bem?
- Hm? Ah, tá sim. – forçou um sorriso. Franzi o cenho.
- O que foi, hein? – tentei de novo. – Me fala, . – parei de andar, esperando que ela me contasse. mordeu o lábio, me encarando. Deu de ombros.
- Sei lá, é muito estranho. – desviou o olhar. – Normalmente, você andaria de mãos dadas comigo, não me soltaria por nada. – sorriu triste.
- Eu sinto muito, de verdade. – passei a mão no cabelo, bagunçando, sem me importar com nada. Olhei para trás e vi um canto mais afastado daquelas pessoas todas. Puxei até lá. – Olha, eu queria que tudo isso fosse uma piada, mas não é, infelizmente. Eu não sei mais o que eu posso fazer. Me ajuda?
- Tudo bem, , eu não queria parecer querer forçar nada. – falou, tentando aliviar a tensão. Eu me sentia um lixo, sem saber direito o que fazer. – Mas você tem que me entender, não é fácil pra mim também.
- Eu sei que não é. – puxei sua mão e a segurei forte. Ela as observou por um segundo e depois voltou a me fitar. – Mas a gente vai conseguir passar por isso, certo? - balançou a cabeça, concordando.
- Certo. – falou, enfim. – Vamos, claro! – sorriu, abraçando-me de repente. Me surpreendi com o ato, mas a abracei de volta.
- Vem, vamos pegar os copos para aqueles bêbados. – falei, segurando sua mão e nos levando até a cozinha. Lá, dei de cara com o meu pai.
- Filhão! – falou, abraçando-me. Sorri, retribuindo. Essa galera gosta de um abraço, né?
- Fala, James! – nos soltamos. – Minha mãe teve muita paciência por aguentar você por tantos anos.
- Sua mãe teve sorte. – piscou, rindo. E eu me vi refletido nele. – Já não posso dizer o mesmo da , né, querida?
- O é um homem maravilhoso, vocês fizeram um bom trabalho. - sorriu, entrelaçando o braço ao meu. – Parabéns pelas bodas.
- Obrigado! – agradeceu, logo após virando-se para pegar uma garrafa de whisky. – Esse povo está bebendo demais. Parece que as garrafas de bebidas estão sumindo. – comentou, pensativo. e eu nos entreolhamos, segurando o riso. – De qualquer forma, divirtam-se! – levantou a garrafa. – Eu sei que eu vou.
- É seu pai mesmo. - comentou baixo. Meu pai se despediu e saiu, voltando para a festa. Fui até o armário onde estavam os copos e peguei dois pares, voltando para o lado de .
- Pronta? – perguntei, mostrando os copos.
- Preparando o meu fígado. – fez uma careta, rindo. – Mas vamos lá. – quando voltamos, o casal vinte estava dançando ao som de alguma música do Elvis que tocava. Rimos.
- Belos movimentos, ! – ironizei, entregando dois copos para .
- Eu sei me mexer, né, cara? Ao contrário de você. – se gabou, levantando a gola da camisa. Revirei os olhos, entregando o restante dos copos a ele.
- Vai, , encha esse copo. – pedi, estendendo o meu copo.
- Calma, isso não é refrigerante, . – avisou, abrindo a garrafa na boca. Muito elegante. – Aqui. – encheu meu copo como eu havia dito, fazendo o mesmo com o restante. – Ok, ok. Vamos brindar! – levantou o copo. – A esse momento, por estarmos juntos e vivos.
- À nós! - falou, levantando o copo também, fizemos o mesmo.
- À nós! – dissemos uníssonos. E bebemos quase metade do copo.
- Uuuh! – gritei, sentindo o álcool descer rasgando.
- Arght! Isso aqui é muito bom. - falou, fazendo uma careta, e chacoalhando a cabeça. – É ruim, mas é bom.
- É ruim, mas é bom?! - riu.
- Ah, você entendeu, sua chata! - falou, mostrando língua. abraçou a namorada pelos ombros, e fitou a mim e .
- Algum problema, cara? – perguntei, tomando mais um gole da minha bebida.
- Não, nada. – deu de ombros. – Só estava lembrando de quando toda essa doideira começou.
- Como assim? – questionei, sem entender.
- Lembrei de você chegando pra mim e falando... – pigarreou. – “Cara, eu acho que tô apaixonado.” – na cabeça dele, ele me imitou, mas na minha, eu nunca havia dito aquilo. Sorri, franzindo o cenho. – Eu sei que você não se lembra disso, mas a gente, sim. – apontou para ele e as meninas. abaixou a cabeça, fixando sua atenção ao copo que segurava. – Eu só espero que você se recupere logo, meu amigo.
- É, eu também. – fitei , que ainda fitava o copo. Suspirou, levantando a cabeça, sorriu amarelo e virou-se para .
- Amiga, vamos ao banheiro, por favor? – pediu, sem tirar o olhar dela. concordou, pegou a mão da amiga e sumiram casa adentro.
- Eu preciso de um cigarro. – falei, tateando os bolsos da minha calça.
- Achei que você tivesse parado. - comentou.
- Péssima hora para se parar. – rebati, passando a mão no cabelo.
- Cara, se acalma! – pediu, colocando a mão sobre o meu ombro. – Amanhã nós vamos à uma clínica, você vai fazer alguns exames e vamos saber o que está acontecendo.
- E se não me lembrar? – refutei.
- Aí, você terá a chance de começar tudo de novo. – foi sincero. – E claro, de dar uns pegas numa garota bem gata. – rimos. – Vai dar certo, você vai ver.
- Tomara. – sorri. – Valeu, cara! – o abracei brevemente. – Eu acho que eu só preciso me focar em ter a rotina que eu tinha antes de esquecer tudo. É muita coisa pra processar. – coloquei a mão na cabeça, sentindo-a começar a doer. – Eu acho que preciso ir pra casa descansar.
- Tem certeza? – assenti, balançando a cabeça.
- É, eu só avisar os meus pais. – falei, entregando o copo para ele. – Eu vou procurar a e vamos. Até, cara.
- Se cuida, maninho. – pediu, enquanto eu me afastava. Enfiei as mãos dentro dos bolsos da calça, andando até onde os meus pais estavam. Eu não havia contato nada a eles, não queria preocupá-los logo no dia deles. Quem sabe mais à frente, se eu não me lembrasse, eu contaria. Meus pais pareciam se divertir, cantavam, dançavam e riam. Sorri, me aproximando deles. – Fala, casal.
- Oi, meu amor. – minha mãe sorriu, beijando o meu rosto. Já tá bêbada. – Estava falando para o seu pai como os meus bebês cresceram. – fez um bico enorme. – Eu lembro de trocar as fraldas de vocês.
- Linda lembrança, hein, mãe? – rimos. – De qualquer forma, eu só vim me despedir.
- Mas por quê, filho? – meu pai perguntou, não entendendo.
- Minha cabeça não está muito legal hoje, eu acho melhor eu ir pra casa. – avisei, fazendo uma careta. – Mas eu sei que vocês vão se divertir sem mim.
- Vou sentir sua falta, fofinho. – minha mãe me abraçou forte, retribui. – Amo você.
- Também te amo, mãe. – sorri, sabendo que ela estava realmente bêbada.
- Eu te amo também, filho, mas de uma forma mais masculina. – meu pai falou, estendendo a mão. Ri, aceitando-a.
- Até mais, gente. – falei, me afastando deles. Olhei em volta, tentando achar , mas não encontrei. Lembrei-me que ela disse que iria ao banheiro, então fui até lá. Antes de encontrá-la, ouvi sua voz ao longe, conversando com .
- Parece gozação, sabe? Como ele pode acordar um dia e não se lembrar de nada? Se for uma piada, eu juro que vou dar um tiro bem na testa dele. – falou, parecendo com raiva. riu. – Não ria, é sério.
- , fica tranquila, tudo vai dar certo. – ela disse, tentando acalmar a amiga.
- Desculpa, é só que é tudo muito difícil. – suspirei, levantei a postura e fiz questão de fazer barulho, avisando que tinha alguém se aproximando.
- Hey, , já estávamos voltando! - sorriu, abraçada a .
- Oi, , tudo bem. Eu só vim buscar a , eu não estou me sentindo muito bem, acho melhor descansar. – avisei, fitando-as. me olhou com o semblante preocupado.
- O que você está sentindo? – perguntou, aproximando-se de mim. – Alguma dor?
- Só dor de cabeça. – tentei tranquilizá-la. – Você pode ficar, se quiser. Eu realmente prefiro ir.
- Não, tudo bem, nós vamos. – concordou. – A gente se fala depois, . – acenou para a amiga.
- Melhoras, meu amigo. – desejou, sorrindo.
- Valeu, . – joguei uma piscadinha para ela. Logo após, estávamos voltando para a casa, finalmente. O transito de Londres estava aquele caos de sempre, demoraríamos para chegar lá. Liguei o som do carro, e tocava alguma faixa calma. Batuquei os dedos no volante ao ritmo da música. estava quieta, fitando somente as ruas. – Você podia ter ficado e aproveitado a festa.
- Não, eu queria vir também. – me olhou, finalmente. – Como está se sentindo?
- Só uma dorzinha incomoda, mas nada muito forte. – falei, fitando seus olhos. Ela sorriu, mostrando uma covinha na bochecha. – Você é muito linda.
- ... – sorriu, sem graça.
- Ah, então quer dizer que você ainda fica sem graça quando eu digo isso? Bom saber. – ri, fazendo-a rir junto comigo. – O que mais te deixa sem graça?
- Eu não vou falar as coisas que me deixam sem graça, né? – rebateu, sendo óbvia.
- Que isso, deveria, você tem que me ajudar. – falei, fingindo estar ofendido. Ela riu. Eu gostava de fazê-la rir.
- Eu posso te ajudar te falando outras coisa, não isso. – insistiu.
- Ok, você ganhou. – me dei por vencido. – Vai, me conta alguma coisa sobre nós.
- Hmm... – fez uma cara pensativa. – Nosso primeiro beijo foi na porta da casa dos meus pais.
- Sério? Demoramos muito a nos beijar? – perguntei curioso.
- Nos beijamos depois do nosso primeiro encontro oficial. – falou. A olhei, confuso. – Nos conhecemos na casa do , mas apenas conversamos. Conversamos muito. – pareceu se lembrar, e riu. – Você me chamou pra sair, um encontro de verdade, bom, nesse dia nos beijamos.
- Eu demorei pra te beijar? Cara, que perdedor. – me indignei comigo mesmo.
- Ei, eu acho encantador. – rebateu, fazendo uma carinha fofa. Sorri.
- E o que mais? – pedi, gostando de ouvir as histórias.
- A gente terminou uma vez. – falou, mordendo os lábios. A fitei, surpreso.
- Foi? Por quê?
- Durou menos de uma semana, foi bem no início. – deu de ombros. - Nós brigamos porque eu achei um guardanapo com um número de telefone e com marca de beijo de batom no bolso da sua calça.
- Oh, não. – fiz uma careta. Ela assentiu. – Eu te traí?
- Você jurou que não. – falou, voltando a fitar as ruas. – Eu não acreditei e terminei tudo.
- E por que voltou? – perguntei muito curioso. Ela riu, descrente.
- Você ficou no meu pé o tempo todo, queria voltar por tudo. – gesticulava com as mãos. – Me ligou dois dias seguidos, mandou dezenas de flores, escreveu uma música pra mim. – prestava atenção as coisas que ela falava. – E eu era muito apaixonada por você. Pensei comigo mesma, “alguém que faz todas essas coisas porque me quer de volta, não pode ser uma má pessoa.” – explicou, mordendo o lábio em seguida. – Decidi dar uma segunda chance, então.
- Se arrependeu depois? – questionei, fitando-a, esperando sua reação. Ela sorriu.
- Nem por um minuto. – sorri junto, balançando a cabeça positivamente. Depois de algum tempo, finalmente chegamos em casa. O silencio era aconchegante dentro da casa. Joguei as chaves do carro na mesa de centro da sala, depois joguei o meu corpo no sofá. permaneceu em pé. – Quer que eu pegue um remédio pra você?
- Não precisa, eu me viro depois. – assentiu, cruzando os braços. – Senta aqui. – pedi, batendo a mão no lugar ao meu lado. Ela prontamente se sentou. Suspirou, jogando a bolsa de lado, aconchegando-se ao meu lado. - vai me levar à uma clinica amanhã para fazer uns exames e etc. – comentei.
- É? Que bom! – falou, fitando-me. – Quer que eu vá?
- Só se você quiser. – respondi.
- Eu vou. – decidiu-se. Concordei, balançando a cabeça. Estiquei o braço no encosto do sofá, batucando os meus dedos inquietos sobre o mesmo. – Ahm, acho que eu vou me deitar. – avisou, levantando-se. A acompanhei com o olhar.
- Tudo bem, eu vou dormir no sofá hoje. – avisei, estudando sua reação. pareceu surpresa com a notícia, mas apenas concordou.
- Você que sabe. – cruzou os braços. – Bom, boa noite.
- Boa noite, . – respondi, assistindo-a subir pelas escadas e desaparecer pelo corredor. Dei um longo suspirou, cansado. Foi um longo, longo dia. Espero que amanhã tudo volte ao normal.


Mas não voltou. Acordei meio sonolento ainda, com dificuldade para abrir os olhos. Ouvi o cachorro do vizinho latir, acordei de vez, me dando por vencido. Joguei para o lado a coberta que havia pegado ontem à noite, Esfreguei os olhos, tentando despertar. A casa estava silenciosa, deveria estar dormindo ainda. Andei a passos lentos e suaves até o quarto, abrindo vagarosamente a porta. Sim, lá estava ela, toda jogada na cama, os cabelos jogados sobre o travesseiro e suas pernas enroladas no lençol. Entrei no banheiro, tentando não fazer barulho. Fitei meu reflexo no espelho e fiz uma careta. Estava acabado. Lavei meu rosto, esfregando com certa força, escovei os dentes e aproveitei para fazer a barba. Quando sai, ainda dormia. Achei melhor deixá-la dormindo, enquanto aproveitava para dar uma passeada até a padaria para comprar o café da manhã. Troquei de roupa rapidamente, colocando uma camisa e uma bermuda qualquer. Quando pisei na rua, o ar gélido encontrou o meu rosto. Tinha sol, mas ainda sim fazia um pouco de frio. Respirei fundo, e me pus a andar até a padaria. Enquanto andava, observei meus vizinhos, todos pareciam iguais, assim como eu me lembrava. É, acho que poucas coisas mudaram, claro, a não ser a minha vida inteira. Quando cheguei ao local, o atendente sorriu.
- ! – falou meu nome, animado. – Quanto tempo!
- E aí, Tony, tudo bem? – o cumprimentei, dando um aceno de cabeça.
- Tudo ótimo. Como vai a ? – perguntou. É claro que ele também a conhecia.
- Vai bem. – me limitei a falar.
- O que vai levar hoje? – perguntou, apontando para a vasta diversidade de doces, pães e salgados que havia ali.
- O que você me recomenda? – pedi, sem saber direito o que levar. O que gostava?
- Esse croissant acabou de sair, tá uma delicia. – apontou para o mesmo. – Mas acho que a vai preferir se levar um café com scones. – bingo! O que eu queria saber.
- Então eu vou levar. Aliás, coloca dos dois, por favor. – assentiu, fazendo o que eu havia pedido. Paguei as coisas e voltei para a casa. Quando entrei, ouvi já acordada, na cozinha. Fui até lá. Ela estava de costas, pegando algo na geladeira. usava uma camisola azul clara que não cobria nem metade do seu corpo. Qual é, eu sou homem! Meu corpo se desperta com esse tipo de visão. E até onde eu sei, ela é minha namorada, então tenho direitos. Me aproximei dela, tentando chamar a sua atenção. – Bom dia.
- Ah, oi. Bom dia. – sorriu, assustada. – Achei que você tivesse saído.
- Saí, mas voltei com o café. – falei, levantando as sacolas em minhas mãos.
- Ótimo! – pegou uma das sacolas, abrindo-a. - Scones! - falou animada. Sorri, satisfeito por ter acertado no pedido. – Eu amo isso aqui. Como você sabia?
- Na verdade, Tony me falou. – dei de ombros, culpado. Ela soltou um fraco “ah, sim.”
- Ei, achei algo que talvez possa te ajudar. – falou, deixando a comida sobre a mesa e esticando-se sobre a mesma, alcançando o celular. – Achei esse vídeo.
- Vídeo? Ótimo! – falei, animado, pegando o celular de sua mão e apertando play.
- Ok, olha pra câmera e repete isso que você acabou de dizer. – a voz de soava, enquanto a câmera filmava o meu rosto. Eu sorria, enquanto ela continuava a falar. – Repete, amor.
- , desliga isso. – eu pedia, enquanto ela ria. Tentei pegar o celular, mas ela se esquivou.
- , você me ama? – ela perguntou, dando zoom no meu rosto. Eu bagunçava o cabelo, rindo.
- Eu te amo, . Eu te amo muito. – falei, pegando o celular e virando a camera para o rosto dela. – E você, me ama?
- Eu amo mais do que eu poderia imaginar que amaria. – sorriu, vindo se encostar no meu ombro. A câmera focou os dois. Sorrimos idiotamente um para o outro, nos beijando demoradamente. Me viro novamente para a câmera, e ela continua me fitando.
- É com essa mulher que eu vou me casar, ter filhos e ficar velhinho. – falei, voltando a fita-la. sorriu, roubando-me um selinho.
- Vamos ver se eu vou querer também, né. – se fez de difícil.
- Vamos embora que lá em casa eu te mostro como faço você querer também. – fiz uma cara maliciosa, seguido de um sorriso de lado.
- ! – ela riu, tomando o celular da minha mão. – Vou desligar isso aqui e...

O vídeo acabava assim. Olhei perplexo para o celular, sem muita reação. Era eu. Era ela. Como eu posso não me lembrar disso?
- Então? – perguntou após um tempo. A fitei.
- Nossa! – foi o que eu conseguir dizer.
- Yeah. – ela falou, comendo um pedaço do seu bolinho.
- Nós éramos bem apaixonados, né? – fiz uma careta. Nunca me imaginei assim por uma mulher.
- Pois, é. – riu, sem humor. – Eu ainda sou. – sussurrou. Senti meu coração apertar.
- , eu juro que eu vou fazer de tudo para que essas memórias voltem. – ela me fitou, atenciosa. Me aproximei dela, segurando em seus ombros. – Eu quero muito que elas voltem, que esse sentimento volte. De qualquer forma, nós ainda podemos começar algo, não?
- Eu só quero que você fique bem. – falou, segurando forte na minha camiseta, aproximando seu rosto do meu. Sorri, segurando em seu queixo, depositando um selinho ali. Ela me olhou, surpresa.
- E vou ficar. – falei, piscando pra ela. O telefone da casa começou a tocar. Me soltei dela e fui atender. - falando.
- Fala, putão! – a voz de ecoou do outro lado da linha. – Se arruma, daqui a vinte minutos eu tô passando ai pra gente ir até a clinica.
- Beleza, cara. Tô aguardando! – falei, despedindo-me e desligando. Olhei em direção a cozinha e vi , comendo seu bolinho, satisfeita. Sorri. Eu mais do que nunca queria fazer isso funcionar.

Capítulo 3



Meu pés balançavam insistentemente. Estralava meus dedos a cada dois minutos. Estava inquieto na clínica. Tinha feito uma tomografia e estava esperando os resultados na sala de espera. estava sentado ao meu lado, mexendo no celular; estava inquieta também, mordendo a unha do dedão. Se as tomografias não acusassem nada, eu não saberia mais o que fazer, mas, por outro lado, se acusem algo grave, eu também não saberia o que fazer. É, não estava sendo nada fácil.
- ? – uma enfermeira perguntou alto, procurando por mim. Havia mais pessoas na sala aguardando. Me levantei, rapidamente. Ela sorriu, se aproximando. – A dra. Hamilton irá vê-lo agora.
- Ah, sim. – concordei, e olhei para os dois ao meu lado. – Eu posso levar alguém comigo?
- Mas é claro! – concordou, pacientemente. Olhei para e sorri.
- Entra comigo? – pedi, estendendo a mão. Ela concordou, aceitando a minha mão e se levantando.
- Me acompanhem, por favor. – a enfermeira pediu, e nós a seguimos para uma salinha logo adiante. Assim que ela abriu a porta pude avistar a médica sentada em frente a uma mesa, digitando algo num laptop. Assim que nos viu, sorriu e se levantou.
- Olá, você deve ser o , certo? – estendeu a mão para mim. Aceitei, concordando. – Muito prazer.
- O prazer é meu. – sorri. – Esta é a . – avisei, apontando, discretamente. apertou a mão dela, sorrindo.
- Sentem-se, por favor. – pediu, voltando a se sentar. Fizemos o mesmo. – Bom, estava lendo a sua anamnese e vi que você disse estar com perda de memória? – perguntou, fitando o laptop e depois a mim.
- Sim, eu não consigo me recordar de uma parte da minha vida, mais especificamente, do último ano. É como se não fizesse sentido o que as pessoas me dizem que já aconteceu. – fui sincero. suspirou ao meu lado. Não devia ter trazido ela comigo.
- Entendo. – dra. Hamilton balançou a cabeça, positivamente, voltando a fitar o computador. – Bom, , sua tomografia não apresenta nenhuma lesão no cérebro. Está tudo normal. – ela falava enquanto clicava no mouse. Virou a tela do computador para nós, e pude ver o meu cérebro bem nítido. – Aqui, nessa parte, é onde fica a memória. – apontou com uma caneta. – Não tem sinal de lesão. O cérebro é uma parte muito instável do corpo. Às vezes é normal acordar confuso, com alteração de humor. – olhou para mim e depois para . – Você sente alguma dor frequente?
- Não, nada anormal. – dei de ombros. – Senti uma dor de cabeça ontem, mas não foi forte.
- Certo. – falou, puxando um bloco de prescrições. Ficou em silêncio um tempo enquanto escrevia alguma coisa lá. Encarei , que parecia apreensiva. - , eu estou receitando alguns remédios que talvez possam te ajudar. – destacou a folha, me entregando. – Mas quero ficar de olho em você, ok? Vou pedir mais alguns exames daqui uns dias, assim que começar a tomar os remédios. Existem casos onde o paciente tem uma perda de memória momentânea, devido a algum tombo, batida e essas coisas. Então, vamos ficar de olho, sua memória pode voltar logo. – sorriu. – No mais, eu quero que você tenha a sua rotina normal, faça o que sempre fez, isso vai fazer o seu cérebro ativar o automático, vai forçar você a se lembrar aos poucos das coisas, certo? – concordei. – Peça a alguém próximo que faça alguns jogos de memória com você, alguns testes só para checar de vez em quando como anda tudo. Vocês têm alguma dúvida?
- E se não voltar? – fiz a temida pergunta. Ela suspirou, cruzando os dedos das mãos sobre a mesa.
- É um risco que corremos, mas vamos pensar positivo, ok? – pediu, nos fitando. - , você pode ficar de olho nesse mocinho, por mim?
- É claro, eu faço isso. - falou, sorrindo.
- Vocês dois são o quê? – perguntou dra. Hamilton, fitando-nos. riu.
- Eu sou a namorada, apesar dele não se lembrar disso. – riu sarcástica. Sorri, sem graça, bagunçando o cabelo.
- Poxa, isso deve ser complicado pra vocês. – falou pesarosa, fitando . – Posso indicar um psicólogo, caso precisem, ok?
- Não, tudo bem. Não será necessário! - respondeu, balançando a mão, negando. – Vamos ficar bem, certo? – me fitou.
- Vamos, sim! – concordei, hesitante. Íamos?
- Bom, então é isso. – a médica se levantou e fizemos o mesmo. – Aguardo você, ok? Tome a medicação corretamente, confio em você. – ela fitou . – E em você.
- Pode deixar. - sorriu.
- Se cuidem. Boa sorte, . – desejou, estendendo a mão, aceitei e apertei.
- Vou precisar. – ri, descrente. Saímos do consultório, encontramos e contamos tudo para ele. Ele disse o de sempre “tudo vai dar certo, parceiro”. É, eu estava começando a achar que não. Seguimos para um restaurante onde tínhamos combinado com de nos encontrar e almoçar.
- Amiga, quer dividir o salmão? Porque sei que esses dois são frescos e não comem. - falou, revirando os olhos. riu, concordando.
- Claro, jamais dispensaria um bom salmão. – falou, piscando pra amiga, depois voltando a fitar o cardápio.
- Olha só, se acham melhores que a gente, bro! - falou, batendo o ombro de leve no da namorada, que riu, mostrando a língua pra ele. – A sua sorte é que você gostosa, se não seria chata para caralho.
- ! - repreendeu alto, nos fazendo rir. Ele deu de ombros. – Você é sem noção, menino. – falou, voltando a atenção para o cardápio.
- Vocês dois são muito figuras. – falei, rindo, pegando meu celular do bolso. Chequei as mensagens, tentando achar algo novo ou antigo que pudesse me ajudar. Rolei as mensagens e quase todas eram de . Ou, como estava na agenda “minha gata”. Minha gata? Cara, que brega. Ri, lendo aquilo.
- Qual é a graça? - perguntou, aproximando-se de mim.
- Nada, só estou lendo algumas mensagens aqui de uma tal de “minha gata”. – respondi, rindo. Ela riu também.
- Ah, para! Eu gosto. – fez bico. – Era nossa piadinha. - disse, pegando o celular dela também e abrindo na agenda, mostrando-me a tela. – Viu? – li o nome que meu número estava gravado: “meu miau”. Ri ainda mais.
- A gente era assim tão brega? – levantei a sobrancelha, intrigado.
- Sim, e não é brega. É fofo! – sorriu, mostrando aquela covinha. Cara, essa garota é muito linda. Voltei a atenção para o meu celular, rolando as mensagens. Abri uma:
“Traz leite.
Te amo <3”

Ri, mostrando a mensagem pra ela.
- Ah, você tá vendo as mensagens mais chatas! – revirou os olhos, tomando o celular da minha mão. Ia reclamar, mas desisti, deixando que ela procurasse algo bom por lá. – Ah, olha essa! – me mostrou o visor do celular.
“Oi, amor. Desculpa, eu sei que está tarde, mas as coisas enrolaram aqui no trabalho. Eu tô morta, mas preciso de um tempo com o , se é que me entende.
Me busca mais tarde? Te espero, meu miau. Te amo!”

- Eu fui te buscar? – perguntei, fitando-a. balançou a cabeça, concordando.
- Foi, sim. Você quase sempre ia me buscar. – avisou, se ajeitando na cadeira quando o garçom se aproximou da mesa. fazia o pedido enquanto eu a fitava. Eu a admirava pela paciência comigo, não estava sendo fácil para ela também. Ouvi a risada baixa de , o olhei.
- Você fazia essa mesma cara toda a vez que a olhava. – falou baixo, ainda rindo. Sorri, sem jeito.
- Ah, não enche! – mandei, mostrando o dedo. Finalmente fizemos os pedidos, quando os pratos chegaram, atacamos sem muito cerimônia. Estava tudo muito bom. Até do salmão eu provei, claro, roubando do prato de , que não protestou.
- O que vão fazer agora? - perguntou, abraçada ao namorado. O tempo esfriara de repente, mas ainda estava um tempo gostoso.
- Eu preciso ir pra casa, descansar. Muita coisa para o meu cérebro fracassado processar. – falei, cruzando os braços.
- Não fala assim, chuchu! - falou, soltando-se do namorado e vindo me abraçar. Sim, ela é uma pessoa muito sentimental. – Vai ficar tudo bem, você vai ver.
- É o que as pessoas dizem. – falei, depositando um beijo no topo de sua cabeça, soltando-a. Ela fez um careta. – Eu tô bem, , prometo.
- Sei. – falou, voltando para o lado de .
- Vou deixar vocês em casa, então. – ele disse, pegando a chave do carro.
- Não precisa, cara. A gente vai de táxi, não é tão longe. – avisei, enfiando as mãos dentro do bolso.
- Certeza? – perguntou.
- Ele tem razão, . Não precisa, a gente vai de táxi. - concordou, apertando o casaco no corpo.
- Certo, então. Se cuida, cara! – pediu, dando tapinhas no meu braço.
- Tchau, amiga. A gente se fala! - abraçou e beijou o rosto de . Esperamos eles entrarem no carro e partir. Olhei para e ela se balançava, tentando se esquentar.
- Tá com muito frio? – perguntei, aproximando-me dela.
- Você não? – perguntou de volta. Ri, negando. – Seu anormal.
- Vem cá! – falei, puxando-a pela mão e a abraçando. sorriu, se aconchegando no meu peito.
- Você tá quentinho. – sussurrou. Sorri.
- Sou meio lobo. – ri da minha própria piada.
- Nossa, , que péssima! – riu.
- Será que a gente acha algum táxi? – perguntei, olhando em volta.
- Nem me importo mais. Tá tão quentinho aqui.- avisou, suspirando. Ri.
- , sua folgada! – ela riu, olhando pra cima, pra mim.
- Sabia que você tem uma pintinha castanha clara na sua íris esquerda? – perguntou, ainda fitando-me. Balancei a cabeça, negando. – É, você tem.
- É? O que mais eu tenho? – perguntei, devolvendo o olhar. Ela me fitava, concentrada.
- Seus olhos riem quando você ri de verdade. É fofo! – falou. Dei um sorrisinho de lado. Ela também sorriu, voltando a encostar a cabeça no meu peito. – E eu amo esse sorriso. – confessou baixo. Encarei o topo da sua cabeça, sem saber o que dizer. Respirei fundo, soltando-me dela.
- Vem, vamos arranjar um táxi antes que a gente congele aqui. – pedi, forçando um sorriso, procurando um táxi. Ela concordou, segurando a minha mão. Olhei rapidamente para as nossas mãos juntas. Era um calor gostoso, cara. não me olhou, apenas tentou chamar um táxi que tinha visto. E assim voltamos pra casa, eu com um milhão de incertas sobre o que iria acontecer, com as incertezas de que um dia poderia voltar tudo ao normal. É, vamos aguardar.


O céu lá fora estava escuro, as luzes da sala estavam desligadas, somente a luz da televisão iluminava o local. Eu estava deitado no chão, sobre o tapete, assistindo algum seriado estranho que a havia colocado. Ela estava deitada no sofá, abraçada a um travesseiro. Girei minha cabeça para fita-la, e ela estava apagada. Ri, vendo o jeito torto que ela estava dormindo. Iria sentir muita dor quando acordasse se ficasse naquela posição. Me levantei devagar, não fazendo barulho para não acordá-la. Me aproximei dela, abraçando suas pernas com um braço e com o outro, o seu pescoço, levantando-a e colocando-a no meu colo. Ela suspirou baixo, abraçando o meu pescoço, mas sem acordar. Sorri. Nos guiei até o quarto, abrindo a porta com o ombro, empurrando-a de leve. O quarto estava escuro, mas a luz da lua deixava uma certa claridade entrar. Andei até a cama, depositando sobre a mesma, ajeitando-a para que ficasse confortável. Quando ia tirar seu braço do meu pescoço, ela sussurrou:
- Não. – ela abriu os olhos. – Deita aqui.
- Tudo bem. – falei, empurrando-a um pouco para o lado para que eu pudesse me encaixar ali. Pude ver me encarando, devolvi o olhar. – O que você está pensando?
- Nada. – falou baixo. Passou a ponta dos dedos sobre o meu rosto, descendo até a minha nuca, fazendo um cafuné ali. Fechei os olhos. Aquilo era bom. – Só estava com saudades. – confessou. Abri os olhos novamente. – Não importa o que aconteça, a gente sempre vai achar um caminho de volta um para o outro. – falou, e eu não soube o que dizer. – Você sempre dizia isso quando a gente brigava.
- É? Parece que eu sabia das coisas. – disse e ri, ela sorriu junto. – Desculpa tá sendo um chato desmemoriado. Eu sei que não era isso que você planejava pra sua vida.
- Para, ... – pediu, calma. – Você não tem culpa do que está acontecendo. Até onde eu sei, pra você, a intrusa na sua casa sou eu. – riu, sem muito humor.
- Uma intrusa bem gata! – falei, fazendo-a rir. Ah, cara, eu gostava de fazê-la rir.
- É. – disse, bocejando. Ri, fazendo a virar de costas para mim. Encostei meu corpo junto ao seu, deixando o calor deles se juntarem e nos esquentarem naquela noite fria de Londres.
- Dorme, você tá morrendo de sono. – falei, vendo-a concordar com a cabeça. se aconchegou no meu corpo, relaxando.
- Boa noite, .
- Boa noite, .

Capítulo 4


Coloquei um engradado de cerveja no carrinho de supermercado, peguei um pacote de batata frita, três pizzas e sorri satisfeito, empurrando o caminho até a seção de xampus, encontrando lá, lendo algum rotulo de condicionador.
- Pronto, já fiz minhas compras. – avisei, sorrindo e apontando para o carrinho. levantou as sobrancelhas, olhando para o carrinho e os itens lá dentro.
- Suas compras são isso? – perguntou, cruzando os braços. Balancei a cabeça, concordando. – Ai, céus! Homens! – revirou os olhos, se aproximando de mim. – Vem, vamos fazer compras de verdade. – falou, me puxando e, consequentemente, puxando o carrinho conosco.
- O que há de errado com o que eu comprei? – perguntei incrédulo. Ela riu.
- Nada, mas não dá pra viver com isso, né, ? – falou óbvia, rindo.
- O que você compraria, ô espertona? – perguntei, desafiando-a.
- Ahm, comida de verdade? Coisas realmente necessárias? – enumerou, me fitando. Bufei, me dando por vencido.
- Tá, que seja! – dei de ombros, seguindo-a de má vontade. ria da minha cara emburrada.
- Parece uma criança, credo! – riu ainda mais. Mostrei língua, rindo também. – E vamos andar logo, não esquece que mais tarde tem show do John Mayer pra gente ir com a e o . – avisou, lembrando-me. O pai de tinha uns contatos e conseguiu dois pares de ingresso, de última hora, para o show de hoje. Ela e estavam super animadas, eu e meio que estávamos sendo obrigados a ir.
- Não sei o que vocês, mulheres, vêm de bom naquele cara. – rolei os olhos. – Ele é tão sem graça. - riu, colocando um saco de verduras dentro do carrinho.
- Larga de ser chato! O Mayer arrasa e você tá com dor de cotovelo. – deu de ombros, voltando a escolher umas frutas.
- Eu não. Eu me garanto. – sorri convencido.
- Fica quietinho, vai. – pediu, colocando o indicador sobre os lábios. Balancei a cabeça, rindo, encostando-me ao carrinho, observando-a escolher as frutas. era delicada até pra escolher fruta, cara. Ela pegava alguma, balançava, olhava, cheirava e colocava na sacola ou devolvia ao monte. Sorri, vendo-a fazer uma careta para alguma estragada que ela pegou. Ela viu e riu, sem graça.
- Acho que tá estragada. – avisou, dando de ombros. – Ok, vamos pegar mais algumas coisas e vamos embora logo. - depois de darmos algumas voltas no supermercado fazendo compras de verdade, como diria , fomos pagar e finalmente seguimos para casa. Ajudei a carregar as compras para dentro de casa e a guarda-las. – Pronto. – avisou, fechando o armário e se virando para mim. – Vou tomar banho agora e começar a me arrumar, você liga para o e pergunta que horas a gente se encontra, ok?
- Sim, senhora! – bati continência. Ela riu, me deu um selinho e foi andando para o quarto. Ri, acompanhando-a subir as escadas. Ela deve ter feito isso por hábito. Balancei a cabeça, rindo e andando até a sala, me joguei no sofá e peguei o telefone da base, discando para .
- Alô? – atendeu, rapidamente.
- Fala, minha nega! – ri, ajeitando-me sobre o sofá. Ele riu. – Cara, que horas vocês vão sair para o show?
- Umas oito, eu acho, espera, aí. – pediu, abafando o microfone do telefone. Ouvi um “amor, a gente vai às oito mesmo?” e logo depois ele voltou. – É isso mesmo, cara. A gente se encontra lá na entrada, perto daquela cafeteria, pode ser?
- Beleza, então. Qualquer coisa, eu te ligo. Falou! – e desliguei, depois dele soltar um “ok, falou!”. Suspirei, passando a mão no cabelo, bagunçando-o. Olhei no meu relógio de pulso e vi que já eram seis e cinquenta. Me levantei e rumei para o quarto. A porta estava aberta, então entrei. Pude ouvir o barulho do chuveiro ligado e a voz de cantando alguma música. Sorri, ela tinha a voz bonita. Abri o meu armário atrás de alguma roupa boa, acabei de optando por uma camiseta preta, uma calça jeans também preta e meu allstar branco. É, ia ficar bom. Tirei a camisa que eu vestia, jogando-me na cama, mexendo no celular. Minutos depois, a porta do banheiro foi aberta e aquele cheiro gostoso de sabonete invadiu o quarto. se assustou ao me ver ali, fitando-a.
- Não sabia que estava aqui. – falou, mordendo o lábio, segurando a toalha em volta do corpo. Não tive como não olhar a parte descoberta das suas pernas. Eu sou homem, né?
- É, estava esperando pra poder ir tomar banho também. – Avisei, levantando-me, desviando o olhar. – Já falei com o , a gente se encontra lá as oito.
- Ah, ok. Eu vou me arrumar rápido, prometo. – sorriu, andando para o outro lado do quarto, abrindo o armário. Concordei, entrando no banheiro. Fechei a porta e me debrucei sobre a pia. Encarei meu reflexo no espelho e fiz uma careta. Tudo isso ainda era muito estranho, toda essa nova vida e essa garota. Apesar de ser uma das garotas mais doces que eu já conheci, ainda sim era tudo muito estranho. Deixei meus pensamentos para depois e fui tomar um banho, fui relativamente rápido, pois quando sai estava em frente ao espelho se maquiando. Não que precisasse, já que ela era linda sem nenhum pingo de maquiagem. Nossos olhares se encontraram no reflexo do espelho, ela sorriu e eu retribui. – Ah, coloquei sua jaqueta sobre a cama, acho melhor você levá-la, acho que vai fazer frio.
- Ok, obrigado. – agradeci, visualizando a mesma junto com a outras peças de roupa. Peguei a calça e a camiseta, voltando para o banheiro e me trocando. Sai de lá passando a mão no cabelo ainda molhado, tentando arrumá-lo. ainda estava sentada em frente ao espelho se arrumando, parei atrás dela, ainda tentar arrumar o cabelo. Bufei, irritado. Ela riu, se levantando.
- Vem cá! – pediu, puxando-me pela mão e me fazendo sentar onde ela estava antes. Passou os dedos delicadamente pelos meus cabelos, arrumando sem muito esforço. Sorri. – O quê?
- Eu gosto quando você cuida de mim. – confessei. Ela mordeu o lábio.
- Você sempre pedia para eu arrumar seu cabelo, porque dizia que só eu conseguia deixar do jeito que você gosta. – falou, terminando de arrumar o meu cabelo. – Pronto, tá lindo! – me encarei no espelho e sorri, satisfeito com o resultado.
- Obrigado. – agradeci, segurando a sua cintura. Ela suspirou, assentindo e sorrindo pelo nariz. – Tá pronta?
- Sim, só vou pegar minha bolsa. – avisou, andando até um cabideiro com várias bolsas. Só aí eu prestei atenção ao que ela vestia: Uma camiseta comprida de banda, uma jaqueta com estampa militar e uma bota que ia até um pouco a cima do joelho. Cara, linda, linda.
- Você tá com um short aí debaixo, certo? – perguntei, levantando a sobrancelha. Qual é, tava bem curto, né.
- ! – riu, levantando a barra da camiseta, relevando um short jeans ali.
- Ah, tá. – respirei aliviado. Ah, só tava pensando na segurança dela, ok? Pode ter algum marmanjo com más intenções por aí. – Ok, vamos! – enfim, seguimos para o local onde seria o show, o transito como sempre não estava muito tranquilo, mas conseguimos chegar não muito além do horário combinado. Ia ligar para para saber se eles já haviam chegado, mas não foi preciso, pois assim que andamos mais um pouco avistamos ele e abraçados mais adiante. Sorriu, acenando pra gente.
- Ahhhh, meu Deus! Amiga, vamos ver o John! - falou animada. riu, concordando.
- “John”. - fez aspas com os dedos, falando. – Tão intimas, hein?
- Ah, fica quietinho, amor. - falou, revirando os olhos. – Esse aqui só reclamou o dia todo. Não confessa de jeito de nenhum que além de maravilhoso... – olhou para o namorado enquanto falava. – ele também tem muito talento.
- Aceita que dói menos, querido. - falou, cruzando os braços. – O também tá com essa antipatia, mas aposto que vão se divertir muito lá dentro. - avisou, me dando uma olhada de lado. Olhei pra , dando de ombros.
- Mulheres! – sussurrei pra ele, que riu, concordando. Entramos finalmente, andamos até achar um lugar bom e sem muita gente, acabamos por ficar mais ao lado, não tinha muita gente ali e podia ser ver o palco bem. e estavam abraçados, conversando baixo entre eles. os fitou e suspirou, cruzando os braços e desviando o olhar para as pessoas. Mordi os lábios, passando a mão sobre o queixo. – Cara, eu vou buscar algo pra gente beber. Vocês vão querer algo?
- Eu quero uma água com gás. - pediu, fitando-me.
- Eu quero uma cerveja. - pediu.
- Eu vou com você. - avisou, rindo. – Você não vai conseguir trazer tudo de uma vez mesmo. – concordei, saindo de lá com atrás de mim. Fomos até um quiosque que vendia bebidas, entramos na fila para comprar, mas ainda tinha muita gente na nossa frente. Engatamos em alguma conversa trivial sobre alguma banda que tinha lançado umas músicas novas fodas. E foi quando eu a vi, apenas alguns passos de mim. Gargalhando de algo, abraçada por um cara um pouco mais alto que ela. Ele sorriu, depositando um beijo na bochecha dela. Meus olhos estavam parados, vidrados nela. Seu cabelo estava mais curto, mais ruivo, seus olhos verdes estavam mais brilhantes. Ela sorriu de algo que o cara disse e olhou as pessoas ao seu redor, mas seu olhar caiu no meu também. Seu sorriso sumiu. – Cara, tudo bem? – ouvi a voz de me chamar, mas eu não consegui me mover. – Oh, merda! – ele praguejou, seguindo o meu olhar.
- É ela. – consegui falar.
- , esquece isso. – pediu, puxando o meu braço. - ! – me chamou alto, me fazendo o encarar. – Vem, vamos voltar.
- Mas, cara, eu preciso... – falei, dando um passo para a frente. Ele me segurou.
- Vamos! – falou, já me puxando para voltar para onde estávamos. Olhei pela última vez para ela e ela ainda me fitava. Sorriu. Sorri de volta, mas logo eu a perdi de vista entre as pessoas. Avistamos as garotas conversando mais adiante, parou, se virando pra mim. – Não comente nada com a , por favor.
- Eu não vou. – falei, balançando a cabeça. Suspirei alto, bagunçando o cabelo que havia arrumado mais cedo. – Você tem noção de que era Claire?
- É claro que eu sei, , mas vocês não tem mais nada há anos. – falou, tentando ser paciente.
- É, mas na minha cabeça a gente terminou há poucas semanas. – falei, revidando.
- Ok, eu sei. – falou mais baixo. – Depois a gente conversa sobre isso, agora vamos esquecer a Claire e focar no show e nas garotas, ok?
- Tá, mas só uma coisinha.
- O quê?
- Não pegamos as bebidas. – avisei, abanando as mãos.
- Droga! – xingou, batendo a mão na testa. – Ok, a gente vai voltar lá, mas você vai me prometer não olhar para os lados, ok?
- , relaxa, eu não vou agarrar ninguém. – falei, como se fosse óbvio. Ele concordou, e voltamos para o quiosque para buscar as bebidas. Não, eu não olhei para os lados, não sei se ela ainda estava lá. Meu amigo não me deixou olhar sequer de soslaio. Voltamos enfim com as bebidas.
- Credo, como demoraram! - reclamou, pegando a água da mão do namorado.
- A fila tava grande, pequena. - avisou, dando uma olhadinha rápida pra mim.
- É, fila grande. – confirmei, entregando a cerveja de , que sorriu, agradecida, tomando um gole. A fitei. tinha uma beleza que não era cansativa, era natural. Ela percebeu que eu a olhava e franziu o cenho.
- O quê? Tô com espuma no rosto? – perguntou, passando a mão no rosto. Balancei a cabeça, negando.
- Não é nada, não. – dei de ombros, bebendo a minha cerveja. As luzes do local se apagaram, avisando que o show iria dar inicio. soltou um gritinho animada, nos fazendo rir. Ela e se posicionaram mais à frente, e eu e atrás, apenas observando-as. John Mayer subiu ao palco acompanhado de gritos histéricos e solos de guitarra. Suas famosas músicas Free Fallin’, Slow Dancing in a Burning Room, Gravity foram acompanhadas por um coro de todo o público. Quando os acordes de Your Body is a Wonderland soou, houve um delírio mutuo. sorriu, virando-se para o namorado e abraçando a cintura dele, enquanto deixava John Mayer os embalar. os observou e depois virou a atenção para o palco novamente, cruzando os braços. Ela balançava o corpo no ritmo da música. Aproximei-me dela devagar, colocando meus braços em volta do seu corpo. Balançando meu corpo com o dela. Ela sorriu, fitando-me. -But you look so good it hurts sometimes... - cantarolei, vendo-a sorrir e voltar a olhar para o cantor sobre o palco. Beijei sua bochecha, demoradamente. era uma garota legal, boa demais pra mim, eu tinha certeza. Tem toda essa história da memória, tem Claire, que eu sei que preciso resolver isso direito se eu quiser tentar algo com , porque não seria justo com ela. Suspirei, apertando meu corpo ao dela.
- Londres! – John Mayer gritou ao término da música. – Essa música é para todas as garotas que são mães, que são filhas e que são amantes. – ele falou ao fundo de gritinhos. Sorriu. – Garotos, sejam bons com as garotas que colorem seu mundo. – e dedilhou o começo de Daughters. se virou para mim, encostando a cabeça no meu peito. Apoiei meu queixo sobre sua cabeça, deixando-a brincar com a corrente que eu usava. Fechei os olhos, prestando atenção na letra da música. olhou para cima, para os meus olhos e sorriu de lado, mostrando a covinha na sua bochecha. Sem pensar muito, aproximei meu nariz do dela, que respirou alto, fechando os olhos. Passei meu nariz por sua bochecha e voltei a tocar no seu nariz. Ela abriu os olhos e aproximou a boca da minha, esperando que eu desse o próximo passo. E eu dei. Finalmente encostando a boca na dela, pressionado nossos lábios suavemente. Os braços de foram parar em volta do meu pescoço, nos aproximando mais, se é que isso ainda era possível. Entreabri a boca, deixando que o beijo fosse aprofundando. E sim, é como dizem, “encaixou”. Minha boca encaixou na dela. E sim, o gosto e o calor de seus lábios me fizeram arrepiar. Sim, isso é bem menininha, mas foda-se, era o que eu sentia no momento. Apertei minhas mãos na sua cintura, intensificando o beijo, passando a língua por seus lábios, enquanto ela apertava minha nuca. Ela sorriu entre o beijo, mordendo o meu lábio. Sorri junto, voltando a beijá-la com mais força e urgência.
”You are the god and the weight of her world.”
O beijo foi perdendo a intensidade e ficando mais suave. Dei um selinho demorado em seus lábios e um beijo em sua bochecha, encostando minha testa a sua, recuperando o ar. continuava de olhos fechados, fazendo um carinho bom na minha nuca.
- Ei. – chamei, fazendo-a abrir os olhos e me encarar. Dei um selinho nela. – Isso foi bom.
- Muito bom. – sorriu, me dando outro selinho mais demorado. Virou-se de costas para mim, fazendo com que eu a abraçasse forte, segurando minhas mãos em volta de sua cintura. Sorri, apertando-a. Olhei para o lado, e notei que e nos fitavam, sorrindo. Sorri pra eles, dando um beijo no topo da cabeça de . É, eu finalmente havia a beijado e tinha sido muito bom, realmente muito bom. É, , você tá encrencado.

Capítulo 5


Coloquem pra carregar ou ouçam pelo spotify: You – The Pretty Reckless



- Cara, você tá muito fraquinho! – falei, zombando de , que xingava enquanto eu o derrotava no FIFA.
- Você tá roubando! – alertou, quase gritando. Apenas ri.
- Roubando no futebol? Aceita que dói menos, meu amigo! – falei, dando mais um drible e fazendo outro gol. – GOL, CARALHO! – gritei, levantando e fazendo uma dancinha comemorativa. Ouvi uma risadinha e me virei, dando de cara com e , rindo da minha cara. Fiz uma careta, me aproximando de . – Eu fiz cinco gols, ! – contei, fazendo o número com os dedos.
- Roubou, isso sim. - choramingou, enquanto ia até ele e se sentava em seu colo.
- Vê se cresce! – falei, mostrando língua. Me virei para , que sorria, sorri de volta. – Oi pra você.
- Oi, né. – respondeu, entrelaçando os braços no meu pescoço e ficando na pontinha dos pés. Encostei meus lábios aos dela demoradamente, sugando o seu inferior. Beijar virou um hábito, um hábito muito bom e que me acostumei rapidamente. Qual é, ela era gata e gente boa.
- Ô casal! - falou, batendo palmas, chamando a nossa atenção. – Pornografia só na TV, ok?
- Vai se ferrar! – mandei, rindo e mostrando o dedo pra ele. Beijei a bochecha de e abracei seu pescoço de lado, ela entrelaçou a mão a minha. – Vamos pra casa?
- Vamos, sim. – concordou, encostando a cabeça no meu peito. – Amanhã a gente tem aquele almoço na casa da sua mãe.
- É verdade. – concordei, enfiando a mão dentro do bolso da calça e pegando a chave do carro. Nos despedimos de e e fomos para a casa. Assim que entramos, me joguei no sofá, esparramado. parou na minha frente.
- Tô cansada. Torrei meus neurônios tentando ajudar a a finalizar aquele artigo pra revista. – suspirou, fazendo uma careta. – Acho que vou dormir.
- Vai nada! – falei, a puxando pelo braço até ela cair sobre mim. Ela riu, se ajeitando.
- Você tomou o remédio que a médica pediu, hoje? – perguntou preocupada, passando os dedos pelo meu cabelo, brincando com ele. Balancei a cabeça, confirmando. – Não é justo. – falou, fazendo bico.
- O que? – perguntei, levantando uma sobrancelha, confuso.
- Você é muito lindo, . – falou ainda com aquela carinha. Apenas, ri, negando.
- Não sou, não. – apoiei minhas mãos em sua cintura. Ela mordeu o lábio inferior, observando meu rosto. – Linda aqui é só você. – ela fez uma careta.
- Nah! – falou, negando também. encostou o indicador na ponta do meu nariz e foi desenhando o meu rosto com ele. Fechei meus olhos, gostando do toque. Senti uma respiração bater na minha boca e abri os olhos. estava a milímetros do meu rosto, encostando o nariz no meu. Sorri, roçando nossos lábios e narizes. deixou a mão escorregar até meu pescoço, acariciando o mesmo com o polegar. Encostou os lábios aos meus e os pressionou, demoradamente. Ela entreabriu a boca, deixando que o beijo se aprofundasse. Era lento, calmo e delicado. colocou uma perna de cada lado da minha cintura, e eu segurei firmemente a dela, colocando os meus polegares para dentro de sua blusa, acariciando-a levemente. apertou os dedos no meu pescoço, subindo para o meu cabelo e descendo os beijos para o meu pescoço. Um arrepio passou pelo meu corpo, se acumulando na minha nuca. Seus lábios quentes e seu hálito batiam a cada beijo depositado pela região que ela trilhava. Fechei os olhos, respirando alto. Minhas mãos apertaram a sua cintura, fazendo-a soltar um gemido baixo. Ela sorriu perto do meu ouvido, beijando o local, logo após. Beijou meu maxilar, meu queixo e voltou a beijar minha boca, dessa vez com mais urgência. Desci minhas mãos até as suas pernas, segurando-as de forma firme, apenas para que trocássemos de posição. Deitei-a no sofá, encaixando-me entre as suas pernas. sorriu durante o beijo e me puxou pela camiseta, como se pudéssemos ficar mais perto. Deixei um braço meio estendido, segurando o meu peso para que não caísse todo sobre ela. As mãos de entraram para dentro da minha camiseta, contrai o abdômen sentindo suas unhas deslizarem por ali. Minha mão livre estava indecisa entre sua cintura e sua coxa, mas se decidiu fixar na cintura quando senti o indicador de passar pelo cós da minha calça. Respirei fundo, desacelerando o beijo, dei um selinho nela e encostei as nossas testas. Abri os olhos e ela me olhava, confusa. Eu tinha consciência dos sentimentos dela por mim, tinha consciência do que aquilo significava pra ela, tinha consciência de que ela não era só mais uma. – É melhor irmos dormir. – beijei de leve sua testa, me levantando e estendendo a mão para ela. ficou meio sem reação e visivelmente sem graça. Aceitou a minha mão e se levantou, andando na frente. Suspirei, bagunçando o cabelo, derrotado. Cara, como é difícil ser homem! Enrolei para ir para o quarto, quando entrei, ela já estava vestida com um blusão meu e sentada na ponta da cama, fitando o nada. Passei direto, tirando a minha camiseta e entrando no banheiro, tirei minha calça e fiquei só de boxer, pegando uma regata antiga que estava pendurada por ali. Sai do banheiro e vi deitada na cama, mas sabia que ela não estava dormindo, obviamente. Seu cabelo estava espalhado pelo travesseiro, seu corpo coberto por um lençol. Apaguei a luz do quarto e me aproximei, deitando-me ao seu lado, enfiando-me debaixo do lençol também. Passei meu braço pela sua cintura, aproximando nossos corpos, suspirou. Depositei um beijo no seu ombro. – Desculpa. – pedi baixo, afastando-me um pouco dela, mas ela me segurou antes disso. Suspirou, prendendo meu braço em volta da sua cintura.
- Não me solta! – pediu quase em um sussurro. Concordei, deixando minha mão descansar sobre a sua barriga. O cansaço do dia me atingiu rapidamente, fazendo-me pegar num sono profundo em poucos minutos.


jogou a cabeça pra trás, gargalhando de algo que minha irmã, Blue, havia dito. Sorri junto, fitando-a de longe.
- ? – meu tio Steve me chamou, e eu balancei a cabeça, despertando do meu transe.
- Desculpa, tio. Pode repetir? Eu viajei aqui. – pedi, olhando para ele e tomando um gole da minha cerveja.
- Nada, meu querido! – ele riu, dando um tapinha nas minhas costas. – Também já tive sua idade e sei o que você tá passando. – observou . Fiz o mesmo. Blue segurou uma das mãos dela e tagarelava sem parar, gesticulando e rindo. pareceu sentir os olhares sobre ela e se virou, nos encarando. Mordeu o lábio sem graça e colocou uma mecha de cabelo atrás da orelha, voltando a fitar minha irmã. – Já estive muito apaixonado. – falou, sorrindo para mim. Sorri sem jeito, encarando meu copo.
- É. – disse apenas.
- Tio ! – Peter, filho do meu primo, chegou correndo e grudando nas minhas pernas. Sorri, pegando-o e o colocando no meu colo.
- Fala, campeão?! – baguncei seu cabelo, que riu alto. – Como você tá grande, moleque!
- A mamãe disse que eu vou ficar maior que o papai. – contou baixo, como se fosse um segredo. Ri.
- É mesmo? Eu também acho. – falei no mesmo tom que ele. se aproximou de nós, agachando-se a minha frente e apertando a barriga de Peter, que riu.
- Oi, príncipe! – beijou a bochecha do pequeno. – Tá cada dia mais lindo, hein?
- Obrigado, tia. – agradeceu, sorrindo para e tocando no rosto dela, suavemente. Era estranho ver toda essa interação que ela tinha com toda a minha família. Era incrível, todo mundo gostava dela, sem exceção. Sorri os observando. Arrumei o cabelo de Peter, ajeitando-o no meu colo, enquanto ele falava alguma coisa com .
- E vocês, quando irão fazer um desses? – tio Steve perguntou, apontando o neto. abriu a boca sem saber o que dizer, me olhou esperando que eu a ajudasse.
- Ainda é cedo, tio. – falei por fim, observando-a concordar. – Temos tempo para pensar sobre isso no futuro.
- Não pense demais, meu querido . A gente nunca sabe o que a vida nos reserva no futuro. – soltou, piscando e se levantando. – Vamos procurar sua mãe, Pete? – falou para o neto, que concordou, pulando do meu colo e saindo correndo. Meu tio riu e seguiu o neto. se sentou ao meu lado, onde tio Steve estava antes.
- Sua família é muito querida! – comentou, observando aquela galera toda que estava presente em um dos churrascos que meus pais costumavam fazer parar reunir a família. Assenti, observando junto. Meus pais estavam mais adiante: meu pai na churrasqueira, fazendo alguns hambúrgueres, minha mãe ao seu lado, conversando sobre algo bem animada. Minha mãe sorriu e ficou nas pontas dos pés, dando um beijo na bochecha do meu pai e se virando, andando até a minha tia Molly. Sorri. Meus velhos eram muito apaixonados. – E eu sou apaixonada pelos seus pais. – falou, como se lesse meus pensamentos. A fitei, e ela me imitou. Me aproximei de seu rosto e encostei meus lábios brevemente nos dela, que sorriu. – Vou buscar mais cerveja, quer?
- Quero, essa já tá quente! – fiz uma careta, entregando o copo pra ela. se levantou, se afastando até o freezer que tinha lá fora, no quintal da casa dos meus pais. Minha irmã apareceu, me dando um tapinha no ombro. – Fala, pentelha! – me virei para ela, e só então eu percebi que ela não estava sozinha. Um rapaz da mesma idade que ela, aparentemente, estava logo atrás, segurando em sua mão. Fechei a cara.
- Eu quero te apresentar uma pessoa. – falou, mordendo a boca, nervosa. Me levantei rapidamente, fitando o individuo.
- Blue. – falei, num tom autoritário.
- . – falou do mesmo tom que eu. – Relaxa, ok? – pediu, me fuzilando com os olhos.
- Ei! - voltou, entregando o meu copo cheio. Sorriu, estendendo a mão. – Você deve ser o Mark, certo?
- Isso mesmo. – o garoto concordou, aceitando a mão de .
- Prazer, Mark. Eu sou a . – se apresentou, sorrindo. Me beliscou, pedindo para eu ter alguma reação.
- Você é o irmão da Blue, certo? – perguntou animado, estendendo a mão para mim. Olhei para a sua mão estendida e depois o fitei. tossiu, me empurrando. Coloquei o copo sobre a mesa e aceitei a mão, apertando-a com certa força. O tal Mark segurou uma careta. Sorri, satisfeito.
- , irmão mais velho dela. E você é o que? – perguntei sem rodeios.
- Ahm... – ele a olhou em duvida. Ela deu de ombros.
- Larga de ser um mala, ! – Blue falou, revirando os olhos. – Mark é meu namorado, não se faça de desentendido.
- Mamãe sabe desse namorico? – falei, cruzando os braços.
- Claro que sabe! – bufou, ficando irritada. - , me ajuda, faz ele parar de ser chato!
- Você conhece bem seu irmão. – sorriu em meio a uma careta. Puxou-me pelo braço. – A gente vai deixar vocês sozinhos, ok? Divirtam-se! – e me levou para longe deles.
- Ei, calma, eu ainda nem ameacei ele. – falei, tentando voltar para onde eles estavam, mas me impediu.
- Ela não é mais criança, ! – falou como se fosse obvio. – Blue já tem dezessete anos, é quase uma mulher quer você queira ou não.
- Mulher nada. É um pirralha ainda! – os fitei de longe, de mãos dadas e sorrindo um para o outro. – Eu devia ir lá falar umas coisas pra aquele mole... - me interrompeu, virando meu rosto para fita-la.
- Deixa eles, ok? Ela tá feliz, tá super apaixonadinha. – sorriu. entrelaçou os braços no meu pescoço, me fazendo abaixar um pouco. Encostei o nariz no dela e a vi fechar os olhos, quando sentiu meus lábios pressionarem os seus. Entreabriu a boca levemente, só para que pudéssemos sentir o gosto um do outro. Minhas mãos estavam em sua cintura, apertando-a firmemente. A tirei do chão, fazendo-a rir durante o beijo.
- Ah, meu casal preferido! – ouvi a voz de minha mãe. Coloquei no chão novamente, virando-me para fitar minha mãe, que nos observava com as mãos juntas perto do rosto, encantada. Ri, balançando a cabeça. Mães.
- Precisa de alguma ajuda, Sue? - perguntou, prendendo o cabelo num coque.
- Não se preocupe, , está tudo sob controle. – sorriu, apertando o queixo de , que concordou. – Relaxe, divirtam-se! – dona Sue olhou pra mim e suspirou. – Meu filho é lindo, não é, querida?
- É até bonitinho! - falou, mordendo os lábios, segurando a risada. Levantei a sobrancelha, a fitando.
- Valeu pelo bonitinho! – a cutuquei na cintura, fazendo a rir.
- Eu sei que ele é lindo, eu fiz um bom trabalho. – minha mãe deu de ombros, ficando nas pontas dos pés e depositando um beijo na minha bochecha, assim como fizera mais cedo com o meu pai. Manias. – Ah, mas a também é linda. Vocês dois são um casal maravilhoso! – falou animada, apenas rimos. – Meu Deus, a sobremesa! – falou assustada, de repente, saindo correndo em seguida. Nos entreolhamos e desatamos a rir.
- Minha família é toda doida. – comentei, balançando a cabeça, rindo. Minha família estava comendo, bebendo e se divertindo. Eu gostava de dias assim, era muito bom, cara.


- Eu acho que estou com sono. - comentou, encostada ao meu peito, enquanto estávamos deitados numa espreguiçadeira em frente à piscina da casa dos meus pais. Passei os dedos por seu cabelo, fazendo um leve cafuné.
- Quer ir pra casa? – perguntei. Ela se remexeu, negando.
- Não, só quero descansar um pouco. – levantou a cabeça, me fitando. – Acho que comi demais. – fez uma careta, me fazendo rir. (soltem a música/ou usem o spotify)
- Vem cá! – pedi, me levantando e a puxando junto comigo. A guiei até o meu antigo quarto, fechando a porta assim que entramos. Encostei o corpo de junto ao meu, e ela entrelaçou os braços no meu pescoço, balançando o corpo no ritmo de uma música imaginária. Ela fechou os olhos e encostou a cabeça no meu peito. Beijei o topo de sua cabeça, fazendo-a olhar para mim. Cara, essa mulher é simplesmente linda. Acho que ela não tem ideia do quanto ela é linda, o quanto o sorriso dela é contagiante, que o toque dela é quente e carinhoso. Meu corpo tinha respostas rápidas quando ela estava por perto, e isso parecia loucura. Não demorei muito e encostei minha boca a dela, beijando-a com delicadeza. Não, eu não estava com pressa. E parece que ela também não, pois correspondeu na mesma intensidade. Minhas mãos seguraram seu rosto enquanto as dela, se agarravam a minha cintura, apertando a camisa que vestia. Beijei sua bochecha, seu queixo e sua garganta, descendo para o seu pescoço descoberto, vi aquela parte se arrepiar e sorri, me sentindo satisfeito por causar aquilo, não queria ser o único a sentir isso.

You don’t want me, no. You don’t need me like I want you, like I need you

Segurei na cintura de , impulsionando-a para cima, fazendo com que ela colocasse suas pernas em volta de mim. Ela me olhou fixamente, passando os dedos pelo meu cabelo, enquanto eu a prensava contra a parede mais próxima. Ela mordeu o lábio sem parar de me olhar.
- Você vai até o final dessa vez? – perguntou, relembrando a noite passada. Dei um selinho demorado nela e voltei a fita-la.
-Eu não quero apressar nada, . – balançou a cabeça, tentando me entender. – Mas a gente pode se divertir, certo? – concordou novamente, grudando nossos lábios rapidamente.
- Eu só quero você. – soprou, sem desgrudar nossas bocas. Pressionei meu corpo no dela, fazendo-a suspirar e soltar um gemido baixo. apertou as pernas em volta de mim, prendendo-me o mais próximo possível dela. Eu conseguia sentir um coração acelerado, batendo muito forte, mas eu não sabia se era o dela ou o meu. Prendeu meu lábio entre os dentes, puxando-o lentamente, e sem se afastar muito voltou a me beijar com mais força. A desencostei da parede, guiando-nos cegamente até a minha antiga cama, deitando-a cuidadosamente lá. deixou as pernas caírem na cama, uma de cada lado do meu corpo, me fazendo encaixar entre elas, deixando-me livre para beijar seu pescoço e colo. Eu não vou negar, eu a queria, queria muito, mas sabia que ia me arrepender depois se fizesse tudo o que meu corpo mandasse. Então, voltei a trilhar os beijos por seu colo, pescoço e boca, depositando um selinho demorado, e mais outro, e mais outro. Sorri, passando meu nariz no dela, que correspondeu. Me joguei do seu lado da cama, puxando-a para deitar sobre o meu peito, em seguida. Ela suspirou, regularizando o ar, assim como eu.
- Vou te deixar descansar agora. – avisei, beijando sua testa. fechou os olhos, respirando fundo.
- Você é malvado. – sussurrou num tom quase infantil. Ri, apenas.
- Dorme, . – pedi, acariciando a pele descoberta do seu braço. Fazendo isso, acabei adormecendo junto com ela, ali, no meu antigo quarto, com antigas memórias, mas não as que eu queria que voltassem.

And I want you in my life… And I need you in my life…

Capítulo 6



Ouvi um barulho irritante, alto e constante perto de mim. Bufei, escondendo a cabeça nas costas de . Ela riu pelo nariz.
- Faz isso parar! - pedi baixo. – Coisa chata.
- Espera! – pediu, se esticando até o criado-mudo e desligando o despertador. Ah, então era isso. Se virou pra mim e sorriu, passando os dedos pelo meu rosto. – Prontinho, seu manhoso. – beijou a ponta do meu nariz, me fazendo sorrir. – Bom dia.
- Bom dia, . – falei, observando-a com aquela carinha amassada, os cabelos jogados no travesseiro e um sorriso brincando nos lábios. Passeei os olhos pelo seu corpo coberto por uma camisola, na verdade não cobria muito, o que fez meus olhos se fixar nas curvas dos seus seios. Estava frio?
- Para de me provocar essa hora, ! – falou, estapeando de leve meu braço. Apenas ri, mordendo o lábio. – Acho melhor eu levantar. – ameaçou sair da cama, mas eu a prendi, abraçando sua cintura.
- Ei, aonde você pensa que vai a essa hora? – perguntei, fazendo-a se virar pra mim.
- Trabalhar? – respondeu como se fosse óbvio. – Minhas férias terminaram, meu bem, ao contrário do senhor, né? Que ainda tem mais uma semana. – avisou, me empurrando e se levantando. se levantou, arrumando a alça da camisola, que estava caindo para o lado, obviamente, eu não consegui controlar meu olhar. – Não me olha com essa cara, menino. – revirou os olhos, rindo, andando até o banheiro. Suspirei, me enroscando nos lençóis da cama, deitando a cabeça nos dois travesseiros, fechando os olhos devagar. Sem perceber, peguei novamente no sono, só me dei conta disso quando ouvi passos de saltos pelo quarto. Abri os olhos, rapidamente, focalizando terminando de colocar um brinco em frente ao espelho.
- Ei. – falei mole, piscando algumas vezes. Ela sorriu, se virando para mim.
- Desculpe, te acordei? – perguntou, andando até mim e se sentando na cama.
- Nah. – falei, encostando meu nariz no seu braço. – Você tá cheirosa.
- Isso se chama sabonete. Você deveria tentar qualquer dia desses, sabia? – ironizou, abaixando o rosto até o meu. – Preciso ir.
- Certeza? – perguntei, passando o meu nariz no dela, de um lado para o outro. Ela sorriu, mordendo o lábio e assentindo.
- Volta a dormir, aproveita enquanto pode. – pediu, segurando meu rosto e depositando um selinho demorado em meus lábios.
- Que horas você sai? – perguntei, vendo-a levantar e arrumar a saia preta, que ia até um pouco abaixo do joelho.
- Às cinco. Por quê? – perguntou, guardando o celular dentro da bolsa, que estava pendurada em seu ombro. Sentei-me na cama, bagunçando ainda mais o cabelo.
- Vou te buscar na revista. – falei, jogando uma piscadinha para ela, que sorriu.
- Sério? – assenti. – Certo. Então eu te espero às cinco. – concordei. Segundos depois, ouvimos uma buzina soar. deu um sobressalto, assustada, olhando no relógio de pulso. – É a , tenho que ir. – avisou novamente, se afastando. – Beijos, se cuida! – falou mais alto, já saindo do quarto. Logo depois, ouvi a porta da frente bater e soube que estava sozinho em casa. O que eu vou fazer o dia todo?

***


Acabei por ir dar uma caminhada e depois combinei de ir almoçar com , pois ele disse que tinha novidades para me contar. Fiquei apreensivo, pois ele nunca me escondia as coisas e sempre me contava por telefone mesmo, mas dessa vez ele quis contar pessoalmente. Tomei um banho rápido, me troquei e fui até o local de sempre para nos encontrarmos. Avistei meu amigo sentado mais adiante, estralando os dedos das mãos, ri com a cena.
- Fala, princesa! – falei, dando um tapinha nas suas costas, pegando-o de surpresa. – Calma, sou eu.
- E ai, cara?! – falou, sorrindo nervoso. Levantei a sobrancelha, desconfiado. Sentei-me a sua frente e um garçom rapidamente se aproximou. – Você já pediu?
- Ainda não, estava te esperando. – avisou, pegando o cardápio que o garçom lhe entregara.
- A gente vai pensar aqui e depois te chamamos, ok? Obrigado. – avisei ao garçom rapidamente, visto que não parecia muito bem naquela hora. Assim que o garçom saiu, me virei para ele e soltei: - O que está acontecendo?
- O quê? Nada! – falou rápido, dando de ombros. Continuei o fitando, esperando a resposta correta. – Tá, bom, vai. – suspirou, enfiando a mão dentro do casaco e tirando uma caixinha preta de lá. abriu a mesma e se revelou um anel da Tiffany’s dentro dela.
- Você tá me pedindo em casamento? – perguntei, apontando para o anel. Ele riu, negando.
- Vou pedir a para casar comigo. – falou enfim, sorrindo largamente e aliviado de ter contado aquela noticia, finalmente.
- Caralho! – falei alto, chamando um pouco de atenção. Uma senhora mais adiante tampou os ouvidos do menininho ao seu lado. Sorri sem jeito, voltando a fitar meu amigo. – Isso é serio? Você tá decidido?
- Sim, é o que eu quero. Sinto que é o certo! – gesticulava rápido. - , sem dúvidas, é a mulher da minha vida. Estamos juntos há quase cinco anos, é ela quem eu quero para passar a vida ao lado.
- Meu menino cresceu! – falei, sorrindo feliz por ele, que riu sem jeito. – Cara, eu fico muito feliz por vocês! – fui sincero. – Vocês dois nasceram pra ficarem juntos, porque outra mulher não te aguentaria mesmo. – ele riu, revirando os olhos. – Parabéns, .
- Valeu, cara! – sorriu agradecido, fechando e guardando a caixinha. – Você é o primeiro que sabe, então, fica quieto. Não conte nem para a , ok? Quero surpresa absoluta.
- Prometo! – falei, fazendo um “”X” com os dedos em frente a boca. – Quando você pretende pedi-la?
- Esta noite. – sorriu ansioso. – Eu tinha reservado um restaurante super chique, mas depois pensei, “cara, o melhor local para fazer isso é na nossa casa, fazendo o que a gente sempre fez”. Então, decidi que será lá, onde já tivemos os melhores e piores momentos do nosso relacionamento.
- Ah, me dá uma lencinho que eu vou chorar! – zoei, fazendo-o mostrar o dedo.- Relaxa, vai dar tudo certo. Vocês dois vão ser muito felizes, eu posso apostar isso.
- É, nós vamos! – sorriu, concordando.
- Será que podemos comer agora? Eu tô morto de fome! – fiz uma careta, colocando a mão sobre a barriga.
- Gordo! – acusou, balançando a cabeça e chamando o garçom de volta. – E como estão as coisas entre você e a ? Já se acostumou a tê-la por perto?
- É, eu tô me acostumando ainda. – confessei, fazendo uma careta. – Às vezes é estranho vê-la ali, do meu lado, quando acordo. Não é algo ruim, obviamente. – fiz uma cara maliciosa e riu, concordando. – Mas ainda não me acostumei cem por cento. – fui sincero. O garçom surgiu novamente ao nosso lado, fizemos nossos pedidos e não demorou muito para que logo estivéssemos almoçando.
- Ei, o que você vai fazer sábado? - perguntou, dando uma garfada na sua batata assada.
- Até onde eu sei, nada. Por quê? – devolvi a pergunta, tomando um pouco do meu suco, após.
- A e eu estávamos pensando em passar o final de semana na casa de praia dos pais dela, em Bournemouth. O que acha? – me fitou, esperando uma resposta. – Dá uma última vez foi legal.
- Eu não lembro da última vez! – fui sarcástico. fez uma careta. Dei de ombros. – Mas posso me lembrar dessa, certo? – ele concordou, balançando a cabeça positivamente. – Vou falar com a , mas, provavelmente, ela vai topar, ainda mais com a amiga louca pra contar os detalhes do pedido do casamento. – falei, afinando a voz e fingindo jogar o cabelo. riu.
- Gay! – falou alto, voltando a comer. – Beleza, vou esperar a resposta de vocês pra organizar tudo, então.
- Ainda hoje eu te falo, ok? – concordou, sem tirar o olho da comida. Depois eu que era o gordo, né? Comemos e batemos papo. Mais tarde, depois de umas duas sobremesas, voltei para a casa, eram quase quatro horas da tarde. Resolvi ir para o quarto, tomar banho e ir buscar , mas antes peguei meu celular e mandei uma mensagem pra ela:

“Estava pensando em comer fora, topa?”


Enviei e deixei o celular sobre a cama, indo me arrumar enquanto esperava a resposta. Tomei um banho relativamente rápido, vesti uma camiseta azul claro, uma calça jeans surrada, que eu tinha há anos. Passei os dedos pelos cabelos molhados, tentando arrumar, mas nunca ficava bom. Não sei como conseguia deixar daquele jeito. Peguei a carteira, enfiando no bolso traseiro da calça e, finalmente, o celular, visualizando a resposta dela.

“Topo muito! YAY! Obrigada, baby. <3”


Sorri, guardando o aparelho e rumando para fora de casa, indo para a revista. O transito não estava tão ruim, acho que o horário pior seria às seis. Quando estacionei o carro em frente ao trabalho de , eram cinco e quatro. Mandei uma mensagem avisando que havia chegado, três minutos depois ela já estava saindo pela porta, sorrindo assim que viu.
- Oi, moço! – cumprimentou assim que entrou no carro, sorri, aproximando o meu rosto do dela.
- Oi, ! – falei, aguardando ela aproximar os dez centímetros restantes de distância. E ela o fez, selando nossos lábios num beijo rápido. – Como foi o dia?
- Ah, cansativo como sempre! – deu de ombros, se ajeitando e colocando o cinto de segurança, enquanto eu ligava o carro novamente, colocando-o nas ruas. – Ah, eu tinha chamado a pra ir comer conosco, mas ela disse que o tá um saco hoje, que não quer sair de casa. – rolou os olhos, e eu ri.
- Ah, é? Talvez ele só queira aproveitar a namorada, ué. – sugeri, olhando sua reação, rapidamente.
- Talvez ele tenha se cansado da gente. – falou, num tom horrorizado. Comecei a rir. – É sério! Já pensou nessa probabilidade? Eu já e tô achando que eles vão largar a gente.
- Você acha que eles vão... – voltei a rir. – terminar com a gente? – ela também riu, dando de ombros.
- Talvez, quem sabe. – mordeu o lábio inferior, fitando a cidade.
- Relaxa, . Eles só querem privacidade! – falei, tirando uma mão do volante e colocando sobre o seu joelho, acariciando levemente. Ela balançou a cabeça, assentindo. – Ah, por falar neles, o chamou a gente pra ir à casa de praia dos pais da , no final de semana, eu disse que ia ver com você.
- Eu vou adorar! – sorriu animada. – Hmm, banho de mar.
- É, biquínis. – sorri de lado. riu, me estapeando. – Ouch!
- Larga de ser pra frente, vai! – rolou os olhos. – Onde a gente vai comer? Tô com fome.
- O que você tá afim de comer?
- Hmm, sushi? – perguntou em dúvida.
- Certeza? – fiz um careta.
- Já vi que não, né? – balancei a cabeça, negando. – Ok, tá. Pizza?
- Yeah, pizza! – comemorei, fazendo-a rir.
- Claro, pizza sempre ganha! – comentou, se dando por vencida. Minutos mais tarde estávamos numa pizzaria não muito longe de casa, pedimos uma pizza de pepperoni e duas cervejas. Eu não comi, pois estava muito cheio ainda do almoço com , fiquei só na cerveja, assistindo devorar a pizza a sua frente. – Tem certeza que não quer? Isso aqui tá ótimo! – e deu uma grande mordida no seu pedaço.
- Eu tô vendo! – ri, tomando um gole da minha bebida. riu, tampando a boca quando um pepperoni quase saiu pela mesma. Uma lady! O celular de vibrou sobre a mesa, ela largou a pizza e foi ver o que era. Soltou um gritinho estridente, assustando a mim e um grupo de adolescentes que estavam na mesa ao lado. – O que foi?
- Olha isso! – falou alto, virando a tela do celular para mim. Na tela aparecia uma foto de e , abraçados. mostrando a mão e a seguinte legenda: “Eu disse sim!”.
- Ele pediu mesmo! – falei, sorrindo.
- AHM? Você sabia disso? – perguntou, arregalando os olhos.
- Ele me contou essa tarde! – dei de ombros, roubando um pepperoni da pizza, mas logo senti um tapa no meu braço. – Ouch! O que eu fiz dessa vez?
- Por que não me disse nada? – perguntou com a expressão brava.
- Porque ele pediu pra não contar, oras. – falei o óbvio, sentindo seu olhar quase me fuzilar.
- Homens! – rolou os olhos. – Ah, foda-se! Eu tô tão feliz por eles! – sorriu, mudando de humor rapidamente.
- Mulheres! – ri.
- Olha a carinha de choro dela. – comentou, fitando a foto no seu celular. – Eu vou responder a foto. Vem cá! – falou, me puxando pela gola da minha camiseta, aproximando-se de mim. – Sorria! – pediu, mirando a câmera do celular para o nosso rosto. Sorri, depositando um beijo na sua bochecha enquanto ela ria.
- Deixa eu ver! – pedi, pegando o celular e vendo a foto. – Modelos demais!
- Casalzão desses! – concordou, rindo, pegando de volta o celular. Escreveu uma legenda e enviou. Voltamos a comer e a beber, sim, eu comi, fazer o quê? Meu celular começou a tocar no bolso da minha calça, quando peguei, vi o nome da minha irmã piscar na tela. Franzi o cenho, estranhando a ligação. Atendi rapidamente.
- Fala, pirralha?!
- Fala, seu mala! – respondeu, rindo. – Onde você tá?
- Numa pizzaria, por quê?
- Você e a vão fazer alguma coisa mais tarde? – perguntou mais baixo. Ri, sem entender.
- O que você tá aprontando, Blue? – perguntei enfim, curioso de o porquê de tantas perguntas.
- Ahm, é porque eu e Mark queríamos ir à uma boate, mas eles não vão nos deixar entrar sem um responsável. – comecei a rir. – Para de rir, ! Arght! Eu te odeio!
- O que foi? - perguntou, sem entender. Encostei o celular na orelha dela também pra ela ouvir.
- Blue, você não pode entrar nesses locais exatamente por não ter idade pra isso, menina. – falei, soando muito o meu pai. franziu o cenho, prestando atenção na conversa.
- Por favor, maninho! Só dessa vez, seja um irmão legal, por favooor! – pediu arrastado.
- Blue, hoje é terça-feira, não é dia de ir à boates. Você não tem aula amanhã? – perguntei, sendo óbvio.
- Eu tô de férias, ! – bufou alto, parecendo perder a paciência. – Deixa eu falar com a , então.
- Não. – falei, simplesmente. Senti a mão de arrancar o celular da minha mão. – Ei!
- Oi, Blue! – falou, se afastando de mim. – É, eu ouvi. Sim, querida, eu te entendo. Mas tem certeza que vocês querem ir à um local desses? Tem tanto local legal pra vocês irem. – uma pausa. parecia séria, focada no que minha irmã lhe dizia. – Certo. Ok, eu tenho uma ideia, mas me ouça, ok? Tá. E se a gente fosse na boate sexta, uh? Eu prometo que convenço seu irmão a ir. – ela riu, me fitando. – Tá, Blue, eu faço o que for preciso. Aham, tudo bem, então. Até lá! Também te amo, baixinha! – e desligou.
- Eu não vou levar minha irmã pra uma boate, ! – cruzei os braços, decidido. Ela mordeu o lábio, virando a minha cadeira para ficar de frente pra ela.
- , se você não levá-la, ela vai sozinha ou pior, vai escondido com Mark. É isso que você quer? – desafiou, olhando nos meus olhos. Balancei a cabeça, negando. – Pois é, eu acho que não. Então, relaxa, vamos com eles e tudo vai dar certo. A gente pode se divertir também, . – sorriu, descruzando meus braços e se aproximando de mim. – Meu marrentinho! – riu, beijando meus lábios e minha bochecha. – Vem, vamos pagar e ir embora, estou cansada e quero minha cama.
- Você sempre ganha? – perguntei, me levantando. Ela riu, dando de ombros. – Droga!

***


Quinta-feira, oito da noite. Eu estava na casa da minha mãe, porque ela me obrigou a ir jantar com ela, pois meu pai tinha viajado. Blue tinha saído com o namoradinho, o que eu ainda não havia aprovado, mas ninguém me ouve nesse casa; estava na casa de , porque ela disse que precisavam “colocar o papo em dia”. Vai entender essas mulheres, passam o dia juntas, mas precisam conversar ainda mais. Então, aqui estou, deitado no colo de mamãe, assistindo TV enquanto ela faz cafuné em mim. Isso era muito bom, cara.
- Querido, quando você pretende pedir a em casamento? – minha mãe perguntou assim, do nada. Girei meus olhos para encontrar com os dela.
- O quê? – perguntei, não acreditando no que tinha ouvido.
- É, você me contou que e vão se casar, certo? Acho que vocês dois também podiam embarcar nessa. – deu de ombros, sorrindo. Respirei fundo. Não tinha contado nada a minha mãe sobre a minha amnésia, e preferia deixar assim. Então, tentei dar a melhor resposta possível.
- Mãe, estamos bem onde estamos. Moramos juntos já, ok? Isso é um passo grande! – falei, fitando-a.
- Na minha época não tinha essa coisa de morar juntos. Ou casava, ou largava! – foi sincera, o que me fez rir. – Mas você que sabe da sua vida, tchutchuquinho!
- Tchutchuquinho não, mãe! – rolei os olhos, rindo.
- Sabe que eu amo a , né? Só espero que você saiba dar valor a mulher que você tem, filho. – aconselhou, beijando a minha testa.
- Eu sei, mãe. – sorri fraco. Eu sabia?
- Eu sei, meu bem. Eu criei meu filho sabendo como se trata uma mulher. – piscou. – Ah, que saudades do seu pai.
- Mas já dona, Sue? – ri, me sentando direito.
- Seu pai é um chato, mas é o meu chato. – deu de ombros. – Eu gosto da companhia dele.
- Vocês dois são dois melosos que se merecem! – avisei, depositando um beijo na bochecha dela e me levantando. – Ainda tem aquele doce de morango? Como é o nome mesmo?
-Trifle! - mamãe falou, se levantando também. – Tem, sim. Olha na geladeira, perto do suco verde.
- Suco verde? – fiz uma careta, andando até a cozinha.
- É uma delícia, , não faça essa cara! – brigou comigo, como sempre, passou direto por mim e foi pegar uma taça. Senti meu celular vibrar, indicando uma nova mensagem.

, você vai dormir na casa da sua mãe hoje? Seu pai não chegou ainda, né?”


- Mãe, o papai vai voltar hoje? – perguntei, em dúvida.
- Não, querido, só amanhã cedo, por quê? – se sentou em frente ao balcão, colocando o doce na taça.
- Vou dormir aqui hoje com você, então.
- Não precisa, filho. A Blue logo vai chegar! – sorriu, mas eu sabia que ela estava apenas sendo educada.
- Na ausência do senhor James, eu sou o homem da casa. – falei decidido, fazendo-a rir.
- Mas e a ? – perguntou, fitando-me. – Chama ela também, .
- Ok, eu vou chamar.

“Vou dormir aqui esta noite. Quer se juntar a mim? =)”

“Vou pegar um táxi e chego daqui a pouco. :*”


- Ela já está a caminho! – sorri, guardando o celular. – Agora... DOCE! – falei animado, pegando a taça cheia e comendo. Minutos mais tarde, uma batida na porta da frente me despertou da conversa animada que estava tendo com a minha mãe. – Eu atendo! – falei, levantando-me do banco e indo até porta. Olhei no olho mágico e sorri, abrindo a porta. – Em que posso ajudar?
- Estou procurando um moço que atende pelo nome de , sabe? Bonito, muito bonito. – ela sorriu, mordendo o lábio inferior. – Mas acho que você serve!
- Engraçadinha! – ri, puxando-a pela mão para entrar, fechando a porta logo após. Segurei em sua cintura, enquanto ela abraçava meu pescoço, fazendo um carinho na minha nuca. Cara, era possível que eu já estivesse com saudades dela? Ah, mãe... será que saudades prematura era de família? – Como foi lá?
- Foi ótimo! Acho que engordei uns cinco quilos comendo e conversando com a . – riu, culpada, fazendo uma careta. – Cadê a Sue? – perguntou, soltando-se de mim, dando alguns passos para frente, mas eu a puxei de volta. Ela sorriu, me vendo sorrir junto. – O quê?
- Calma, aí. Daqui a pouco você vê a minha mãe. – falei, segurando-a pela cintura de novo. ficou nas pontas dos pés e passou o nariz de um lado e do outro no meu.
- Tava com saudades? – perguntou, fitando meus olhos. Balancei a cabeça, concordando. Ela sorriu, largamente. – Também. – e me beijou. – Hmm, morango!
- Hmm, lábios! – brinquei, fazendo-a rir e a beijando novamente. Rimos durante o beijo, mas sem nos soltar. Apertei a cintura dela com uma certa força e urgência, fazendo-a gemer um pouco, ai, me lembrei que eu estava na porta de entrada da casa da minha mãe. Depositei um selinho longo em seus lábios e a soltei. sorriu, limpando o canto da minha boca e entrelaçou os dedos aos meus, me puxando casa a dentro.
- Sue? – chamou alto.
- Oi, meu bem! – minha mãe apareceu, sorrindo. me soltou, indo abraçar minha mãe.
- Como você está? – perguntou, segurando as mãos dela. – Seu filho me chamou pra apossar da sua casa essa noite.
- Eu estou melhor agora com os meus bebês em casa. – sorriu. – Aliás, está faltando um bebê, mas ela já deve estar chegando. Já mandei mensagem!
- Eu vou ter uma conversinha sobre horários com a Blue. – falei, cruzando os braços.
- Não começa, . - riu, rolando os olhos. O telefone da casa começou a tocar, mamãe correu para atender.
- Oi, Jimmy! – falou, sorrindo. Olhei para e ela me fitou, rindo.
- Acho que isso vai demorar! – falei, puxando-a pela mão e a levando para a cozinha. Antes de entrarmos direito, coloquei-a entre a parede e o meu corpo.
- ! – riu, fingindo repreensão. – Sua mãe está logo ali.
- Ali, não aqui. – joguei uma piscadinha pra ela, beijando seu pescoço logo em seguida. Ela suspirou, entrelaçando os dedos pelo meu cabelo, enquanto eu agarrava sua cintura firmemente. Beijei seu queixo, o canto da sua boca e finalmente seus lábios, sendo retribuído com a mesma urgência. puxou meu corpo para mais perto do seu, se é que era possível. Obviamente, meu corpo tem respostas rápidas ao dela, o que só me faz passar vergonha. Ela riu, sentindo “algo” se evoluindo entre nós.
- Ô, ? – ouvimos uma voz atrás de nós. Nos soltamos rapidamente. Minha irmã mais nova estava parada atrás de nós, nos fitando com uma sobrancelha levantada.
- Sim, Blue? - perguntou, arrumando a blusa.
- Não, nada. É porque você tinha uma sujeira no rosto, mas já saiu. – falou isso, olhando diretamente pra mim.
- Ê, pirralha! – estreitei os olhos, encarando-a.
- Não comecem! - interveio, andando até a minha irmã, abraçando-a. – Oi, princesa!
- Oi, ! – ela sorriu, retribuindo o abraço. – Meu irmão só fez algo certo na vida, escolhendo você.
- Isso eu concordo! - riu, olhando pra mim. Balancei a cabeça, acompanhando-a.
- Muito espertas vocês. – falei, andando até Blue, beliscando o braço dela, esperando ela me xingar e depois depositando um beijo na testa dela, que sorriu. – Isso são horas, mocinha?
- Você não é meu pai, . – rolou os olhos, se afastando de nós. – Eu vou te dar um prêmio, , por aguentá-lo, sério.
- Você me ama, Blue. – sorri, cruzando os braços.
- Sorte sua, se não já tinha te matado! – sorriu de volta, caminhando para fora da cozinha. – Vou dormir, tchau pra vocês.
- Boa noite! - respondeu, acompanhando-a com o olhar. – A gente devia ir também, tenho que acordar cedo amanhã, ainda tenho trabalho. – fez uma careta, vindo me abraçar.
- Ok. – concordei, beijando o topo da sua cabeça. Assim que minha mãe terminou de matar as saudades do meu pai, ela nos ajudou a arrumar o quarto para dormir, levando cobertores e lençóis limpos para nós. Minha mãe queria emprestar uma roupa para dormir, mas Blue disse que era coisa de velho e então emprestou uma das suas. Vai entender a cabeça dessas mulheres. Assim que apaguei as luzes do quarto, me deitei na cama junto a . Ela abraçou minha cintura e beijou minhas costas, descansando a cabeça ali mesmo. Entrelacei meus dedos aos seus, sua mão delicada se encaixou na minha, apertando-a levemente. Era bom sentir alguém que realmente se importa com você. é uma mulher doce, frágil e sexy, claro, ela é muito sexy, mas ela é muito mais do que isso. Só de observar como ela trata a minha família, nota-se o caráter e intenção dela. É pura, seu sentimento é puro, e eu me sentia muito culpado por não poder corresponder a esse sentimento na mesma intensidade. Suspirei, frustrado comigo mesmo e com esse cérebro maldito. Senti apertar minha mão. Sorri, levando o dorso da mesma até meus lábios, encostando-os levemente. – Boa noite.


Acordei no dia seguinte, não sozinho, mas sim por uma certa menina-mulher mordendo meu ombro, fazendo-me rir durante uma careta. era meio canibal, eu devia anotar isso. Tomamos um café rápido, que minha mãe havia preparado, e fomos para casa, pois tinha que ir trabalhar ainda. Enquanto ela terminava de se arrumar no quarto, fui tomar um banho, porque eu iria leva-la hoje, já tinha ido pra revista.
- Não se esqueça que prometemos levar sua irmã à boate hoje. - avisou. Suspirei, enfiando minha cabeça debaixo do chuveiro.
- Você prometeu! – rebati.
- , vai ser divertido, ok? Se esforça! – sua voz estava mais perto, o que deduzi que ela estava mais próximo a porta. – E amanhã nós vamos à praia com os nossos amigos. Será um final de semana maravilhoso!
- Hmm... – fiz, encarando a porta. – Tudo bem, vai. Vamos levar aquela pentelha pra sair. – dei-me por vencido, terminando de tomar banho. Enrolei uma toalha na cintura e peguei uma menor pra secar o cabelo. Sai do banheiro esfregando a toalha na cabeça, fitando sentada na cama, enquanto mexia no celular. Ela me olhou, descendo os olhos pelo meu peitoral nu. Mordeu o lábio inferior e mirou os olhos para outro lugar.
- Ahm, eu vou te esperar lá embaixo, ok? – avisou, levantando-se rápido. Assenti, depois balancei a cabeça, negativamente, assim que ela saiu. Eu tinha que dar um jeito nisso. Aprontei-me rapidamente e em pouco tempo já estava a deixando no trabalho. Despedi-me dela e resolvi ir infernizar um pouco a vida do meu amigo. Eu tinha que desabafar com alguém, é muita coisa pra uma cabeça confusa como a minha de uma vez só.

Capítulo 7



e eu somos sócios numa agência de publicidade. Não é o negócio mais rentável do mundo, mas a gente se sai bem nisso. Sempre tivemos vontade de ser nossos próprios chefes, depois, claro, de experiências terríveis com alguns por aí. Entrei na pequena empresa, vendo os quadros de algumas bandas, alguns trabalhos e fotos de caricaturas penduradas ali. Vi Brooke, que ficava no atendimento, cuidando dos prazos e briefing, sentada a frente de um computador. Sorriu ao me ver.
- Chefinho, você por aqui já? - falou rindo, ajeitando os óculos redondos sobre o rosto.
- Vim ver o . Ele está? - perguntei, parando em frente a sua mesa. Ela assentiu, voltando a olhar para o computador.
- Sim, ele tá na sala. - avisou. Olhou pra mim e sorriu. - Fica à vontade.
- Valeu. - ri, deixando-a trabalhar e rumando para a sala de , que ficava mais ao fundo. Vi de longe a plaquinha pregada a sua porta: ”Diretor de arte”. Dei duas batidas, ouvindo um “entra” dele, logo após. - Oi, meu princeso! - falei, entrando. Ele estava sentado atrás de sua mesa, com um computador a sua frente e uma pilha de papel.
- Fala, ! - sorriu. - Com saudades já?
- De você? Sempre, meu amor! - brinquei, jogando uma piscadinha pra ele, que riu, balançando a cabeça. - Deixei a no trabalho agora a pouco. - expliquei, puxando a cadeira a sua frente, sentando-me, enfim. - Não ia pra casa ficar sozinho lá, né? Vim ver como estão as coisas por aqui.
- Relexa, , está tudo em ordem por aqui. - afirmou, cruzando as mãos sobre a mesa. - Pode não parecer, mas eu sei cuidar dessa agência.
- Eu sei, . - ri, me ajeitando na cadeira. - Você é meu sócio e não é só por amizade.
- Acho bom. - avisou, voltando a olhar para o computador. - Tudo certo pra amanhã?
- Tá, sim. Que horas estão pensando em sair?
- Cedo, umas oito. - avisou, depois olhou pra mim. - Tudo bem?
- Tudo certo. - concordei, passando a mão no cabelo, bagunçando um pouco. - Vai fazer o que hoje à noite?
- Jantar com os sogros. - fez uma careta, fazendo-me rir. - Pra oficializar o pedido e essas coisas. - deu de ombros. - E você?
- Ah, cara, a Blue inventou de ir à uma boate com o namoradinho. - falei, cansado. - E a me obrigou a ir com eles.
- Vai levar a sua irmã mais nova pra balada, ? - confirmei, e ele riu. - Queria muito ver isso.
- É, vai rindo, mas vai ter que bajular os sogros. - ri, rebatendo.
- Eles me amam, caro . - piscou, sorrindo presunçoso. - Não é à toa que liberaram a casa de praia pra gente, né?
- Liberaram por causa da filha deles, não por você. Baixa a bola! - ri, fazendo-o mostrar o dedo do meio. - No que você tá trabalhando essa semana?
- Ah, isso! - sorriu animado. - Um grupo de amigos fabricou um tipo de cerveja orgânica e querem que a gente cuide da publicidade. Eu vi o briefing deles, é bem interessante.
- Quer ajuda com isso? - ofereci, me empolgando também.
- Seria ótimo, cara! - sorriu, virando a tela do computador pra mim, mostrando e explicando sobre o produto. Acabei por passar o dia na agência. O tempo passou tão rápido que quando olhei para o relógio, já passava das seis. Despedi-me de deitada no sofá, segurando um livro perto dos olhos. Ela sorriu, me fitando.
- Café! - falou alto, levantando-se.
- Oi pra você também. - falei, rindo e entregando o copo para ela, que riu, tomando um gole.
- Ah, isso aqui é divino! - sorriu, satisfeita. Balancei a cabeça, rindo e indo me sentar no sofá. fez o mesmo, em seguida. - Onde você tava?
- Passei o dia na agência com o . - sorri, tomando o meu café. - Foi bom. - ela assentiu e continuou me fitando, mordendo o lábio inferior. - O que foi? - ela sorriu de um jeito sapeca, tirando o copo da minha mão e colocando no chão, fazendo o mesmo com o dela. Inclinou o corpo sobre mim, deixando a pontinha do seu nariz encostar no meu. Sorri, entendendo aonde ela queria chegar. Coloquei minhas mãos na sua cintura, puxando-a para mais perto de mim. Ela mordeu meu lábio inferior e puxou devagar com os dentes, me fazendo arrepiar e sorrir. Quando ela ia se afastar, grudei meus lábios aos dela iniciando um beijo calmo. se ajeitou no sofá, colocando os joelhos sobre o mesmo, num movimento rápido girei nossas posições e fiquei por cima dela, que riu, se segurando a minha camisa. Puxei o lápis que prendia seu cabelo num coque, deixando meus dedos se emaranhar por ali. por si mesma aumentou a velocidade e urgência do beijo. Suspirei, deixando meus dedos entrarem para dentro da sua blusa, acariciando sua pele quente, fui subindo minha mão até sentir a borda do seu sutiã. mordeu meu lábio, me incentivando. Fiz o desenho do bojo com o dedão, descendo os beijos para o seu pescoço, enquanto ela se agarrava em meus cabelos. Abri uns dois botões da sua camisa, depositando mais beijos em seu colo descoberto, fazendo-me fitar seus lindos seios sobre as minhas mãos. A fitei, observando sua respiração pesada e seus lábios vermelhos. Dois segundos depois o telefone tocou. - Ah, não! - suspirei frustrado, deixando minha cabeça cair sobre seu peito. riu, afagando meu cabelo. O telefone continuava a tocar.
- Deixa que eu atendo. - falou, tentando sair debaixo de mim. - , sai!
- Arght! - fiz, encarando-a. Sorri, beijando seus lábios de leve e saindo de cima dela.
- Alô? - atendeu o bendito (maldito?) telefone. - Oi, princesa! - ela falou, fazendo-me ter certeza de que era minha irmã do outro lado da linha. Irmã às vezes pode ser tão brochante, cara. - Ok, espera, aí. - pediu, tirando o telefone de perto da boca e me fitando. - Ela quer saber que horas a gente vai passar lá pra buscar ela e o Mark.
- Hm, às nove? - perguntei, indeciso. balançou a cabeça, concordando. Passei os dedos pelo cabelo, tentando arrumá-lo enquanto ela terminava de conversar com a minha irmã, o que não durou muito.
- Ela tá animada! - riu, colocando o telefone de volta a base. - Por favor, não estrague o humor dela. Não fica pegando no pé, enchendo o saco dela e nem do Mark. - a olhei indignado.
- Eu não faço isso! - disse, incrédulo. Ela cruzou os braços, levantando a sobrancelha. - Tá, só um pouco.
- E hoje o senhor vai se comportar, tá? - pediu, terminando de arrumar o meu cabelo.
- Tá, mãe. - revirei os olhos, rindo.
- Idiota! - riu junto, me estapeando. Essa mulher adora me bater. - Vou tomar banho e começar a me arrumar. Quer ajuda pra escolher a roupa?
- Sugere alguma? - pedi, vendo-a se levantar e entortar a boca, pensando.
- Não pode ser aquela camisa azul com detalhe em branco. Você fica muito sexy nela, não quero nenhumazinha olhando pra você. - fez, revirando os olhos. Segurei o riso. - Hm, tem aquela regata branca com a estampa do Paul McCartney também. Não, melhor não. Vai ficar mostrando muito seus braços, vai chamar atenção, melhor não.
- É melhor eu ir pelado, então? - sugeri, tentando conter o riso.
- Muito engraçadinho! - ela bufou, cruzando os braços. Me levantei, parando a sua frente.
- , relaxa, mulher. Eu vou estar lá com você, ok? Não com outra pessoa! - sorri, beijando a sua testa.
- Tá. - falou, dando de ombros. - Vou tomar banho.
- Ok. - concordei, vendo-a se virar para ir para o quarto, mas não sem antes ouvi-la resmungar baixo um “ninguém mandou ter namorado gostoso, ”. Ri baixo, voltando a sentar no sofá e tentando tomar meu café, agora frio.

***


Estávamos a caminho da Fabric, um nightclub muito badalado em Londres. Já que era pra levar a pirralha a algum lugar, então vamos fazer isso direito. Blue e Mark estavam no banco do passageiro, bem animados, diga-se de passagem. estava ao meu lado, terminando de retocar o batom, que eu dei um jeito de tirar mais cedo, com ajuda do espelho do carro.
- Não sei pra que ficar passando isso, aí. - falei, fitando a rua a frente. - Eu vou tirar mesmo.
- ! - ela riu, terminando e guardando o batom na bolsa. Sorri, observando-a quando paramos num sinal vermelho. estava linda: calça jeans justa, uma regata cinza com uma jaqueta preta por cima, calçando uma bota de cano curto. O cabelo estava num rabo de cavalo alto, deixando bem a mostra a sua nuca. Sacanagem. Mas ela estava linda. Simples, porém muito linda. Será que ela sabia o quanto ela era linda? - O sinal abriu, , para de me secar! - pediu, rindo sem graça.
- E limpa a baba que tá caindo, aí. - Blue falou, me cutucando. Ri, balançando a cabeça.
- Me deixem! - pedi, olhando o trânsito. Logo eu avistei a boate, era um prédio com arquitetura antiga, vitoriano, mas que por dentro era fantástico. Era uma antiga fábrica que deu lugar a esse barulho que chamamos de música. Procurei um local mais próximo possível para estacionar, assim não andávamos muito para ir e voltar. Desci do carro e fui até o outro lado, assim que saiu entrelacei a mão a dela. Blue e Mark fizeram o mesmo, nos seguindo até a entrada. Pegamos uma fila não muito grande, pois não demorou até fazermos todo o processo de mostrar identidade, eu ser o responsável pela minha irmã e o namoradinho dela, então, finalmente, entramos para a festa em si. O lugar estava lotado, mas nada caótico. Pegamos um lounge pra ficarmos mais confortável, um pouco longe do palco onde havia um dj tocando, naquele momento. Blue e se sentaram, e eu continuei em pé com Mark. - Vou buscar algo para beber. Vai querer o que, ?
- Cerveja, por favor. - pediu, se ajeitando no sofá.
- Eu também. - Blue falou. Eu a fitei, rindo.
- Você vai beber refrigerante, maninha.
- Ah, para de falso moralismo, ! - retrucou alto, para que pudéssemos a ouvir. - Você começou a beber com dezesseis anos.
- Sou um péssimo exemplo, Blue. - pisquei pra ela.
- Qual é, maninho! Estamos na Inglaterra, onde uma criança de cinco anos pode beber legalmente. - deu de ombros, me fitando. - Por favoooor?
- Só uma! - falei, dando-me por vencido. - Vem comigo, Mark.
- Ok. - concordou, me seguindo até o bar do outro lado. Pedi quatro heineken e aguardei o garçom trazer, encostando-me no balcão.
- Então, Mark, há quanto tempo você está de namorico com a irmã dos outros? - perguntei, sorrindo sínico. Ele riu, meio nervoso.
- Eu estou com a sua irmã há uns meses, . - foi firme, se encostando no balcão também. - Eu sei que você tem toda essa proteção de irmão mais velho, eu admiro isso, de verdade. Mas pode confiar em mim, cara. Eu faria qualquer coisa pela Blue. - sorriu, virando o olhar para onde ela estava. Segui seu olhar. Ela e conversavam animadas, rindo e gesticulando. Um rapaz as observava, se aproximou devagar. O vi parar em frente a mesa delas, segurando uma garrafinha de cerveja. Elas pararam de conversar e repararam no homem a sua frente, prestando atenção em algo que ele dizia. riu, apontando pra ele e soltou um “ahhh” antes dele se abaixar e dar um beijo na bochecha dela. Respirei fundo, apertando meu maxilar. O garçom colocou as garrafas de cerveja sobre o balcão, chamando nossa atenção.
- Vinte libras. - informou. Peguei minha carteira para pagar, mas Mark me impediu.
- Deixa que eu pago, . - pediu, pegando a própria carteira e entregando vinte libras para o garçom. Sorri, agradecido. Voltei a observar a mesa com o cara ainda conversando com e Blue.
- Vamos, Mark. Tem um indivíduo querendo o nosso território. - avisei, pegando duas garrafas e ele as outras duas. - E cara, eu sei que pego muito no pé dela, mas ela é minha irmãzinha, entende? Eu só quero o que é o melhor pra ela. - ele ia me interromper, mas eu continuei. - E talvez, quem sabe, você possa ser. Mas vou ficar de olho em vocês, não se engane a respeito. - sorri, dando uma piscada e fui de encontro as mulheres. Assim que nos aproximamos, o rapaz nos olhou, meio confuso. Dei uma breve olhada pra ele e entreguei a cerveja para , que aceitou, agradecida.
- , esse é o Aaron, um ex-colega de escola. - apresentou, apontando discretamente. - Aaron, esse é o , meu namorado, que havia lhe dito.
- Como vai? - ele falou, estendendo a mão. Acenei com a cabeça, aceitando a mão.
- Esse é o Mark, namorado da Blue, que é irmã do . - falou e riu, vendo o rosto dele fazer uma careta, confuso.
- Balada em família, uh? - riu, sem jeito, tomando um gole da sua cerveja. - Bom, não vou atrapalhar mais vocês. - acenou com a cabeça, se afastando. - Depois a gente conversa mais, . Foi bom te ver!
- Tchau, Aaron! - ela sorriu, cordial. E ele sumiu no meio das pessoas.
- Atrapalhou o flerte do cara, . - Blue disse, rindo. revirou os olhos.
- Como é? - perguntei, sem entender, olhando dela para .
- Não é nada. - falou, repreendendo Blue com o olhar. Ela deu de ombros, rindo.
- O cara tava cantando a . - ela falou, enfim, pegando a cerveja da mão do namorado.
- Blue Carolyn ! - falou alto. - Não é nada disso, .
- Relaxa, . - ri, sentando-me junto a ela no sofá. - Você não fez nada. O cara que era meio babaca! - dei de ombros, tomando outro gole da minha cerveja.
- Verdade, era mesmo. - Blue concordou. - Mas a falou de você assim que ele mencionou a palavra “dar uma volta”. - falou, mostrando a língua, logo após.
- Dar uma volta, hein? - repeti, balançando a cabeça. - Esse povo.
- Ahh, eu amo essa música! - Blue pulou, animada, se levantando. - Vamos dançar!
- Pode ir, a gente vai ficar por aqui. - falei e encarei , esperando ela concordar comigo. Ela sorriu, balançando a cabeça, assentindo.
- É, divirtam-se! - falou enfim. Blue sorriu e puxou o pobre Mark pelas mãos. Esse garoto vai sofrer na mão dessa pirralha. - Então, o senhor não quer ir dançar?
- Agora não. - sorri, aproximando o rosto do dela, que sorriu.
- Não? E o que você quer fazer? - perguntou, colocando a mão livre no meu cabelo, perto da minha nuca, fazendo um carinho ali. Dei um gole na minha cerveja, deixando meus lábios gelados e encostando aos dela brevemente, depois a fitando.
- Te beijar. - fui direto. Ela mordeu o lábio inferior, concordando.
- Acho isso ótimo, então. - sorriu, beijando-me rapidamente. Deixei a garrafa sobre a mesa, colocando uma mão sobre a perna dela e a outra em sua nuca, enquanto beijava avidamente seus lábios. Coisas estranhas acontecem com o meu corpo quando eu a beijo. Esses arrepios que parecem nunca terminar, essa sensação de formigamento nos dedos, meu coração dispara muito, mais muito rápido. Espero que ela não esteja escutando, seria muito constrangedor. desceu sua mão até a minha camisa, se segurando ali. Minhas camisas sempre acabam amassadas por ela. Valeu mesmo, . Segurei seu rabo de cavalo, puxando seu rosto para trás, fazendo-a me fitar. Ela mordeu o lábio.
- Eu disse que não adiantava retocar o batom. - soprei contra seus lábios, vendo-a rir baixinho.
- É nude mesmo. - riu, aproximando o rosto do meu pescoço e deixando vários beijos por ali. Fechei os olhos, suspirando. Malditos arrepios! Subi minha mão que estava na sua perna até sua cintura, apertando-a com força.
- Para de me provocar. - sussurrei, perto do seu ouvido. Ouvi sua risada baixa, depois sentindo-a subir os beijos até meu queixo, deixando uma mordida ali.
- Eu não tô fazendo nada, bobão. - deu de ombros, voltando a se sentar direito, pegando a cerveja e bebendo. A fitei, assistindo-a sorrir e beber, olhando-me de canto. Ri, balançando a cabeça. Passeei os olhos pelo local, tentando achar a minha irmã, que encontrei mais a frente, dançando bem animada com o namorado.
- Desde quando eu tô tão velho? - perguntei, encostando-me ao sofá.
- Você não tá velho, . - avisou, se aconchegando no meu braço.
- Claro que tô. - rebati. - Olha lá, minha irmãzinha tem um namorado e tá na balada. - ela riu, olhando também para onde eles estavam.
- Eles são fofos juntos. - comentou. - Sua irmã tá bem apaixonada.
- Primeiro amor é assim mesmo. - dei de ombros. - Primeira decepção é barra.
- Você se lembra da sua primeira decepção amorosa? - perguntou, fitando-me. A olhei de volta, assentindo.
- Eu tinha uns quinze anos, eu acho. Tinha essa garota da escola que eu era afim, bem afim mesmo. - ri, lembrando-me. - Ela era o sonho dos caras da escola inteira, mas só eu tive a iniciativa de ir falar com ela e chamar pra sair. - me gabei. riu, revirando os olhos. - Sempre fui lindo, né?
- Menos, !
- Então, uma semana após sairmos, eu descobri que ela estava ficando com um amigo meu. - confessei, fazendo uma careta. - Doeu, cara. Ela foi o meu primeiro amor.
- Coitadinho do pequeno . - falou, apertando minha bochecha. Apenas ri. - Dizem que a gente nunca esquece dois amores: o primeiro e o último. - a fitei. sorriu de lado, mostrando a covinha. Retribui o sorriso, dando um beijo em sua testa.
- É verdade, linda. - soprei, encostando a testa a dela. - Quer ir dançar?
- Vamos! - se animou, se levantando e me puxando junto. nos puxou até ficarmos ao lado de Blue e Mark. - Fala, cunhadinha!
- Vem, ! - ela riu, puxando-a pelas mãos para dançar. Apenas segui a batida da música. Dançar não é muito o meu forte, digamos assim. Blue e pareciam se divertir dançando e cantando junto com a música remixada. - Dança direito, maninho.
- Esse é o meu máximo! - quase gritei para que ela me ouvisse. Blue riu, revirando os olhos. - Só sei dançar acompanhado, licença. - falei, puxando pela cintura, colocando seu corpo perto de mim. Ela riu, jogando beijos para a minha irmã. Coloquei meu rosto na curva de seu pescoço, abraçando-a por trás. fechou os olhos, balançando o corpo na batida música. Mark fez o mesmo com Blue. Ri pelo nariz, decidindo não olhar e prestar atenção somente na mulher em que eu estava agarrado, exalando um aroma maravilhoso. apertou minha mão na sua cintura. - Vai ficar me provocando mesmo? - se virou de frente pra mim, sorrindo perversamente.
- Só estou dançando. - riu, cruzando os braços no meu pescoço.
- Você está me fazendo parecer um adolescente… - falei, segurando firme sua cintura.
- Ah, é? Por quê?
- Porque eu tô querendo muito te levar pra um canto escuro e me aproveitar de você. - confessei, mordendo o lábio inferior dela.
- Danadinho! - riu, fazendo o mesmo comigo. - Anda logo!
- Eu que sou danado, né? - falei, enquanto ela me levava pra algum canto escuro da balada. A noite se baseou em dançar, beijar muito a , vigiar minha irmã e beber, sim, nós bebemos para caramba aquela noite. Óbvio que assim que vi que eu seria o motorista da rodada, eu parei. Mas tinha duas bêbadas comigo. No fim da festa, deixei Mark na casa dele, Blue na minha mãe e, finalmente, e eu fomos pra casa.
- Canta comigo, ! - falou alto, aumentando o som do carro. Ri, estacionando o mesmo na garagem de casa. - I got new rules, I count ‘em! - cantou alto, fazendo uma dancinha. - I gotta tell them to myseeeelf.
- Ok, cantora, já chega, né? - desliguei o som. Ela fez um biquinho adorável. Desci do carro e dei a volta, abrindo a porta pra ela e a ajudando a sair do carro. Ela tropeçou e riu, se segurando em mim. - Cuidado, . - pedi, abrindo a porta da frente, seguindo logo após para o quarto. Assim que a coloquei sentada na cama, ia me afastar, mas ela me puxou pela camisa, me fazendo cair em cima dela. - Hey.
- Vem cá, gostoso! - sussurrou, puxando minha camisa pra cima enquanto beijava meu pescoço.
- ... - chamei baixo, mas ela não me ouviu. - ?
- Hmm? - fez, terminando de tirar minha camisa. Segurei seu rosto, fazendo-a parar e me olhar.
- Calma, ok? Hoje não. - falei, tirando suas mãos do meu abdômen e a puxando para se levantar. - Vem, melhor você tomar uma banho antes de dormir.
- Você é muito chato! - bufou, andando até o banheiro. - Por que você não quer fazer isso comigo?
- Eu quero, . - suspirei, ajudando a tirar a jaqueta. - Mas olha como você está? Não ia ser legal pra nenhum dos dois.
- Arght! - fez, revirando os olhos. - Odeio quando você tem razão. - levantou os braços. - Me ajuda a tirar a blusa. - pediu, fazendo biquinho. Ri, assentindo e tirando a blusa que ela usava. terminou de tirar a calça, jogando-a de qualquer jeito para o lado. Sorri, ajudando-a entrar no box do banheiro, fechando-o logo após. Vi sua silhueta lá dentro terminar de tirar a lingerie, jogando para fora, caindo no meu ombro. Apenas ri, olhando pra cima, como se falasse com Deus.
- É sério? - deixei de lado, encostando me à pia. abriu o chuveiro e soltou um grunidinho. - Tudo bem?
- Tava gelada! - avisou, rindo. - Agora tá quentinho. - concordei, me virando de frente para o espelho. Meu cabelo estava todo bagunçado, tinha marcas dos beijos de pelo meu pescoço e boca. Ri, passando a mão pelo meu torso descoberto. Ouvi a porta do box se abrir e encontrei os olhos de pelo reflexo do espelho. - Terminei. - avisou. Respirei fundo e me virei, pegando o roupão dela que estava ao lado do box. Ali estava ela, completamente nua na minha frente, sem ter noção do aquilo fazia comigo. - Eu tô com friiio! - falou, me despertando do meu transe encarando seu corpo. Passei o roupão pelo seu corpo, deixando que ela terminasse de se vestir. Ajudei-a voltar para o quarto, e antes que eu perguntasse o que ela queria vestir, ela já tinha se jogado na cama de roupão e tudo. - Boa noite.
- Não é melhor você colocar algo quente? - perguntei, parando a sua frente. Ela negou, fechando os olhos.
- Já tá quentinho. - avisou, se encolhendo.
- Tem certeza? - perguntei, sentando-me ao seu lado na cama. Ela nada respondeu. Me levantei e fui até o armário, pegando uma calça moletom e um blusão, deixando sobre a cama. - Vou deixar aqui em cima, caso queira. - avisei, colocando perto dela. Rumei para o banheiro, dessa vez, para que eu pudesse tomar banho. Assim que sai, tinha vestido o pijama, me fazendo rir. Coloquei uma regata e uma calça de moletom também, apaguei a luz e me deitei ao seu lado. continuava com os olhos fechados. Aproximei meus lábios do seus, depositando um selinho rápido. - Dorme bem, . - ela nada respondeu, continuou a dormir profundamente. Aproveitei e fiz o mesmo, sentindo mais tarde um corpo quente se enroscar ao meu.


- Anda logo, casal, eu quero praia! - nos apressou, assim que entramos para guardar nossas coisas na casa de praia dos pais de .
- Calma, sua apressada! - riu, gritando de volta. Um ser saltitante apareceu à porta do quarto, batendo palmas.
- É porque o sol tá ótimo agora. - falou, ajeitando os óculos de sol na cabeça. apareceu logo depois, abraçando a noiva de lado.
- Prontos? - perguntou.
- Outro apressado. - sussurrou pra mim, que ri, concordando. - Já vamos, zinho! - avisou, prendendo o cabelo num coque, depois pegando a bolsa com as coisas que havia guardado antes de sairmos de casa. - Pronta!
- Vamos logo, seus apressados! - falei, entrelaçando os dedos nos de , puxando-a para a praia junto com o restante dos meus amigos. A praia de Bournemouth não estava cheia, logo arrumamos um local para colocar nossas coisas, perto do Píer mesmo. As meninas, obviamente, lembraram-se de trazer tudo. Estenderam duas toalhas grandes sobre a areia, ajeitou o guarda-sol para que protegesse os quatro e logo nos sentamos.
- Amor, deixa eu passar protetor em você, vem aqui. - pediu, chamando o noivo. logo se aproximou dela, virando de costas, para que ela espalhasse o produto. me olhou, levantando a sobrancelha.
- O senhor também, anda logo! – pediu autoritária, apontando o local à sua frente. Dei de ombros, fazendo o mesmo que meu amigo. Essas mulheres e suas manias de mandar na gente. A gente reclama, mas gosta quando elas cuidam, vai. Tirei a regata que vestia, deixando que ela passasse o protetor em mim. Senti as mãos pequenas e macias de deslizarem pelas minhas costas.
- Isso é bom, hein. – falei baixo. Ela riu, continuando a espalhar.
- Vira pra mim. – pediu e eu a atendi, virando-me de frente pra ela. lambuzou os dedos e passou pelo meu rosto, fazendo-me fechar os olhos. Após um tempo, senti seus lábios rapidamente sobre os meus, afastando logo em seguida. – Pronto, .
- Obrigado. – agradeci, abrindo os olhos. – Você não vai passar? – perguntei, fitando-a. Ela assentiu. Me aproximei dela, assistindo-a me olhar, curiosa. – Eu te ajudo. – falei, passando o meu rosto no dela, lambuzando-a também com o protetor que ela havia acabado de passar em mim.
- , para! – riu, me empurrando pra trás.
- Pronto, devidamente protegida! – falei, espalhando direito a bagunça que eu havia feito no seu rosto. Ela mostrou língua, mas deixando eu arrumar.
- Vai entrar agora, ? - perguntou, levantando-se. negou, colocando os óculos de sol.
- Vou pegar um pouco de sol antes. Podem ir! – avisou, deitando-se na toalha.
- Você vem, ? - perguntou, observando-me sentado ainda. Olhei pro mar e depois para , optei por me levantar também.
- Já venho! – avisei. Ela assentiu, ajeitando-se. Corremos para o mar, e adivinhem só? Estava gelado, sim. Mas só foi a primeira leva de água, depois o corpo se acostumou com a temperatura. O casal animado que são os meus amigos, pareciam duas crianças brincando. Olhei para onde estava, continuava deitada, alheia a todos. Um grupo de rapazes ao lado a observavam, fazendo comentários entre si e caras maliciosas. Bufei alto.
- Que foi, cara? - perguntou, passando a mão sobre o braço, retirando o excesso de água.
- Nada, não. – falei dando de ombros, mas sem deixar de fitar . Ele acompanhou meu olhar e riu, baixo. – Por que sempre têm caras rodeando ela?
- Meu amigo, você já reparou na mulher que tem em casa? - falou, passando os dedos pelo cabelo. – Claro que ela chama atenção onde passa.
- Vou concordar com a nessa. - falou, depois olhou para a noiva. – Com todo respeito, amor.
- Pela eu perdoo. – riu, dando um tapinha no ombro dele, de leve. – A questão é o seguinte, , a é linda, vai ter marmanjo babando nela onde ela for. – deu de ombros. – Mas ela tá com você. E acredite, eu sei que ela poderia ter quem ela quiser, mas ela escolheu você.
- Que gracinha, o tá com ciúmes. - riu, tentando apertar minhas bochechas, mas eu me afastei antes.
- Tô coisa alguma! – revirei os olhos. – Vou voltar!
- É, vai lá marcar o território. - falou mais alto, enquanto eu me afastava. – Cuidado pra não urinar nela.
- Vai se ferrar! – falei alto, mostrando o dedo pra ele, que apenas riu. Quando me aproximei, lancei um olhar fechado para os caras que estavam a secando. Eles sorriram sem graça e viraram os olhares para outro lugar. Deitei ao lado dela, tentando tapar a visão deles sobre o corpo dela.
- Já voltou? - perguntou, virando-se para mim.
- Já me encharquei o suficiente. – falei, jogando o seu cabelo para trás. – Tá com sede?
- Sim, compra água de coco pra gente? – pediu sorrindo. Assenti, alcançando a bolsa dela e pegando a minha carteira de lá. – Bem gelada, hein. – olhei em volta, procurando meus amigos, mas eles estavam longe, se divertindo. Acho que não iriam querer tomar nada agora. Fui até um quiosque que tinha mais a frente, pedi dois cocos e o aguardei fazer o processo para me entregar. Uma morena parou ao meu lado, sorriu pra mim e mordeu um canudo que estava em suas mãos. Só o canudo mesmo, sem coco. Levantei a sobrancelha, sorri sem graça e virei o rosto para o vendedor.
- ? – ela chamou pelo meu nome. A fitei, sem saber quem era. – Você é o , certo?
- Sou, sim. – respondi meio incerto. – Desculpe, a gente se conhece?
- Eu sou a Treena, namorada... Aliás, ex-namorada do Joshua, irmão da Claire. – se explicou e um flash de memória me veio à mente. Claro, eu me lembrava dela nas reuniõezinhas que o Joshua fazia na casa dele.
- E, aí? Como vai? – falei sorrindo. Ela sorriu satisfeita, por eu ter me lembrado dela.
- Vou bem. Que coincidência a gente se encontrar em Bournemouth, hein? – falou, jogando o cabelo escuro para trás. – Veio sozinho?
- Não, estou com uns amigos. – disse, observando o vendedor colocar os cocos sobre o balcão.
- Ah, eu vim com umas amigas também. – sorriu, ajeitando a parte de baixo do biquíni azul. Meu olhar acompanhou o movimento, foi mais forte que eu. – Nossa, eu fiquei sabendo sobre o término com a Claire. Sinto muito!
- É, pois é. – falei sem jeito, bagunçando o cabelo. Claire não era um assunto muito fácil pra mim. – Você tem visto ela?
- Desde que eu e Joshua terminamos nos vimos poucas vezes. – deu de ombros. Ouvimos alguém chamando o seu nome, e viramos o rosto no mesmo instante. Um grupinho de três meninas mais a frente acenava para ela, chamando-a de volta. – Bom, eu tenho que voltar pra lá. – apontou. – Já sei! – falou empolgada, saltitante. – Moço, oi? Você tem um papel e uma caneta, aí? – ele assentiu, entregando pra ela, que anotou algo rapidamente. – Aqui, toma meu número. A gente pode combinar de sair algum dia, tomar um café e jogar conversa fora, pode ser? – me estendeu o papel. Não sabia se aceitava por educação, se negava e avisava que eu tinha namorada, não sabia se ela queria mesmo só conversar. Suspirei, optando por pegar o papel, enfim.
- Tudo bem. – falei, sorrindo. Ela sorriu, ficou na ponta dos dedos e beijou minha bochecha.
- Tchau, ! – acenou, se afastando. Apenas acenei com a cabeça. Balancei a cabeça, voltando a minha realidade, pegando os cocos e voltando pra onde meus amigos estavam, finalmente. Durante o caminho de volta, vi os caras que estavam ao lado secando novamente e me senti um hipócrita. Eu tinha acabado de aceitar o telefone de uma garota e estou recriminando um bando de garotos. Me senti culpado, tentando lembrar mentalmente de jogar aquele papel que estava no meu bolso, fora. Assim que parei ao lado de , e também se aproximaram. Entreguei o coco para ela e me sentei ao seu lado, tomando o meu.
- Fala, galera! - falou, se sentando na toalha, puxando a noiva para fazer o mesmo. - A gente encontrou um uns amigos de Londres aqui. Um deles está organizando um luau pra mais tarde. Animam?
- Eu topo! - falei, animado.
- Eu também! - concordou, sorrindo.
- Beleza! Não é longe daqui, mais tarde a gente aparece, então. - se espreguiçou, encostando a cabeça no ombro de . - Mais alguém tá com fome?
- Amor, você sempre tá com fome! - ela falou, rindo.
- Preciso nutrir essa gostosura pra você, né? - sorriu, piscando pra ela e roubando-lhe um selinho.
- Eu trouxe uma banana. - falou, pegando a bolsa e tirando uma banana de lá, entregando para . - Come só pra aguentar mais um pouco, depois a gente come algo de verdade.
- É, come e fica quieto! - avisou, deitando-se na toalha. - E passa o protetor nas minhas costas.
- Por que eu fui arrumar uma noiva tão mala? - reclamou, pegando o protetor e passando em .
- Você me ama, ! - sorriu, virando o rosto para o lado e fechando os olhos.
- Acho que é agora que você vai pro mar comigo, né? - falou, levantando-se e deixando o coco de lado. Sorri, assentindo e me levantando também. Ela segurou minha mão e me puxou para perto do mar, colocou a pontinha do pé na água e deu um gritinho. - Tá fria!
- É só até acostumar, depois fica boa. - ela me olhou, em dúvida. - Confia em mim.
- Tá. - concordou, andando devagar até sentir a água subindo pelas suas pernas, me levando junto. - Ahhh, fria, fria!
- Vem cá! - ri, me aproximando dela, segurando-a pela cintura. - Vamos mergulhar juntos, ok? - ela balançou a cabeça concordando. - No três… - avisei, e ela grudou os braços no meu pescoço. - Um… - ela fechou os olhos, rindo. - Dois… - sorri, aproximando o rosto do dela. - Três! - falei baixo, encostando a boca na dela e nos puxando para baixo, mergulhando rapidamente nossos corpos. Segundos depois emergimos, rindo. - Melhor?
- Sim, deu uma esquentada! - riu, jogando água no meu rosto.
- Ei! - reclamei, fazendo o mesmo com ela, que apenas riu. Grudei minhas mãos em sua cintura, escondendo meu rosto no seu pescoço. - Quer mergulhar de novo?
- Mas já? - perguntou alto, fazendo-me olhar pra ela. Assenti e ela fez uma careta. - Só se você conseguir me pegar! - soltou-se de mim, correndo pela areia. Ri, correndo atrás dela parecendo um idiota. Ela passou rápido por algumas pessoas, fazendo os mesmos nos olhar, rindo ou intrigados.
- ! - chamei alto, rindo. Ela continuou a correr e a rir, mas acabou desacelerando me fazendo a alcançar e a pegar no colo, jogando-a no meu ombro. - Peguei! - falei, mordendo sua coxa.
- Eu te deixei me alcançar, ok? - falou, tentando recuperar o folêgo. Ri, olhando em volta algumas pessoas nos fitando. Achei dentre elas o olhar de Treena sobre nós. Ela sorriu sem graça, virando-se para as amigas e se afastando. É melhor assim. - Me põe no chão, seu ogro!
- Nah, essa visão tá boa! - avisei, dando um tapinha no seu bumbum, que riu, estapeando minhas costas.
- Larga de taradice, me larga! - pediu, e eu a coloquei de volta a areia. - Quer dar uma volta na praia?
- Claro! - a abracei de lado, e ela a minha cintura. Demos algumas voltas na praia até reclamar que os pés dela estavam queimando e eu ter que levá-la de volta no colo. Folgada. Decidimos então voltar para a casa, fizemos um churrasco com alguns hambúrgueres que compramos na volta. Não ficou ruim, eu mandava bem no churrasco, sem falsa modéstia. Depois do almoço tardio, e ficaram na sala, deitados no sofá assistindo à alguma série enquanto eu e decidimos ir para o quarto, descansar um pouco.
- Ai, tô morta! - avisou, se jogando na cama. Ri, fechando a porta e me jogando ao seu lado. passou a mão pelos meus cabelos, sorri apreciando o carinho, apoiando o queixo sobre a sua barriga. - Eu vi você conversando com aquela menina.
- Era uma conhecida, só. - expliquei, fitando-a. Ela concordou, balançando a cabeça. - Ela me deu o número dela. - falei, esperando alguma reação. continuou a me fitar e mexer no meu cabelo. - Mas eu não pedi. - avisei. - Já deve ter até derretido na água.
- Eu confio em você. - falou, sem tirar os olhos dos meus. Me apoiei nas duas mãos, segurando meu peso sobre o seu corpo.
- Eu sei. - beijei de leve seus lábios. - Mas eu queria explicar.
- Obrigada por isso. - agradeceu, segurando meu rosto, aproximando do meu. - Eu te amo. - falou, estudando meu rosto. Sorri, encostando nossos lábios demoradamente, aprofundando o beijo logo em seguida. se segurou no meu braço, deslizando as mãos para a barra da camiseta que eu vestia, puxando-a para cima sem parar de me beijar. Me desgrudei dela apenas para tirar por completo a camisa, apoiando uma das minhas mãos na sua coxa coberta pelo vestido curto de praia. Deixei meu peso soltar um pouco sobre ela, fazendo-a gemer baixo. Uma de suas mãos bagunçava o meu cabelo e a outra me puxava para baixo, forçando meu corpo sobre o seu. Subi a mão para dentro do seu vestido, sentindo o nó do biquíni entre meus dedos. Decidi me livrar primeiro daquele vestido que estava me incomodando. Ajudei a se sentar e tirei seu vestido, voltando a colar nossas bocas. Ela passou as pequenas unhas pelas minhas costas nuas, enquanto eu decidi descer os beijos pelo seu pescoço e colo, fazendo-a arfar. Beijei toda a extensão do seu ombro, puxando o laço da parte superior do biquíni, deixando os cordões deslizar pelo seus seios. Passei a língua pelo seu pescoço, sentindo-a se encolher e se arrepiar com o movimento. Segurei em sua cintura, fazendo-a se deitar novamente. A olhei nos olhos, mordeu o lábio inferior e fechou os olhos. Beijei seus lábios, sua garganta, o meio dos seus seios, sua barriga, a parte interna das suas coxas e voltei refazendo o caminho. Retirei a única parte que faltava para mim, a minha bermuda ainda um pouco úmida. abriu os olhos quando sentiu minha mão parar sobre o nó da calcinha do biquíni. Beijei sua virilha, desfazendo o nó enquanto isso, depositei um beijo sobre a sua intimidade antes de retirar a última peça, enfim. Segurei suas mãos no alto da sua cabeça, provocando-a, enlouquecendo-a e deixando a mim mesmo louco por ela. Era insano pensar que aquilo tudo parecia tão certo e tão conectado? Burrice minha achar o contrário! A olhei pela última vez antes de me encaixar finalmente nela. E como em um turbilhão de emoções, nossa conexão foi certeira.
Deus me ajude a não ser dependente dessa mulher.

Capítulo 8



terminou de pentear o cabelo molhado, assim que saiu do banho. Eu estava sentado na cama, esperando-a terminar para que pudéssemos ir ao luau do amigo do . Ela riu, fitando-me através do espelho.
- Para de me encarar! - pediu, virando-se para mim. Ri, sem graça, desviando o olhar. - Anda, pega o meu secador dentro da mala, por favor.
- Sim, madame! - concordei, levantando-me e indo até a mala de , pegando um pequeno secador de cabelos de lá, entregando para ela, logo em seguida.
- Vou ser mais rápida, prometo. - falou, ligando o secador na tomada. - Só falta secar o cabelo.
- Tá bom, vou ficar te esperando lá fora. - avisei, e ela concordou, ligando o secador. Encaminhei-me para fora, indo para a sala, onde meus dois amigos estavam. no sofá, assistindo à alguma coisa e ao celular, conversando com alguém. - Fala, cara! - disse, sentando-me ao seu lado. - A já vai vir, tá só secando o cabelo.
- Beleza! - concordou, fitando a noiva andando de um lado para o outro.
- Eu sei, mami, mas eu prefiro buquê de rosas azuis, não vermelhas. - falou, passando a mão nos cabelos.
- O que tá acontecendo? - perguntei, confuso.
- Estão falando do casamento. - disse, virando a atenção novamente para a TV. - E a gente ainda nem escolheu a data. - riu, nervoso, dando de ombros.
- Cara, mulheres são estranhas! - ri junto, fitando o clipe do Queens que começava na TV. Minutos depois, apareceu já pronta, e, finalmente, fomos ao encontro do pessoal no luau. Quando achamos o local, que não foi difícil, vimos que tinha umas quinze pessoas ali. Todas sentadas em cima de toalhas sobrepostas a areia, uma grande fogueira no meio iluminava o local, existiam vários casais por ali, um cara tinha um violão e tocava algo e a garota ao seu lado, cantava baixo. Estava perfeito.
- ! - um cara loiro e alto, cumprimentou o . - Que bom que vieram!
- Não perderíamos essa, Carl. - o respondeu. - Carl, esses são e , eles moram em Londres também. - nos apresentou.
- É um prazer, Carl. - falei, estendendo a mão, que ele aceitou, cordialmente.
- Isso aqui tá lindo, Carl. - falou, olhando em volta e sorrindo.
- Valeu. - sorriu, agradecido. - Fiquem à vontade. Tem bebida no cooler, sanduíches na caixa ao lado, gente boa e muita música.
- Valeu, cara! - sorriu, abraçando pelos ombros. Carl pediu licença e saiu, indo se juntar a um outro grupo de pessoas. - Querem beber alguma coisa?
- Claro, vamos ver o que ele tem, aí. - falei, rumando e sendo seguido pelos outros até o tal cooler, onde achamos vários tipos de bebidas: água, suco, cerveja e vodka. Optamos por cerveja mesmo, cada um pegou uma e fomos nos sentar na roda perto da fogueira. Carl estava abraçado a uma garota de cabelos longos com dreads, pareciam felizes.
- É a Beverly, esposa dele. - explicou, observando que eu estava os fitando. - E eles tem um filhinho juntos, o Evan, ele é um amor.
- De onde vocês os conhecem? - perguntou, lendo meus pensamentos.
- Os pais do eram vizinhos deles, acabamos nos conhecendo em uma dessas visitas aos meus sogrinhos. - riu, tomando um gole da sua cerveja. O casal que tocava e cantava, agora estavam cantando uma música lenta e suave, era gostoso de se ouvir, cara. encostou a cabeça no meu ombro, observando o casal a frente. Sorri, abraçando-a de lado, nos fazendo ficar mais próximos. Isso é bem coisa de menininha, mas essa tarde eu senti uma conexão muito forte com ela, e pra mim isso parecia surreal. Me envolver tão forte e tão rápido com uma mulher que eu não conhecia há muito tempo, isso era surreal.
- , você ainda toca? - Carl perguntou alto, chamando a nossa atenção. riu, sem jeito, coçando a cabeça.
- Arranho um pouco. - confessou. Carl sorriu, satisfeito, pegando o violão do amigo e entregando a ele. - Cara, não faz isso comigo na frente de todo mundo.
- Qual é, nos dê essa honra! - falou, fazendo todos rirem e concordar. - Já estamos cansados da cantoria da Jane aqui. - riu, olhando pra mulher que estava cantando. Ela riu, dando de ombros. - É a sua vez!
- Ok, então. - concordou, ajeitando o violão sobre o colo. Me olhou de lado e sorriu. Oh, não. Não faz isso, . - , vem cá, você conhece essa, pode ajudar.
- Eu tô bem aqui, cara. - falei, sem graça, me agarrando a , que riu, se soltando de mim.
- Anda, vai lá. Eu quero ver isso! - pediu, sorrindo fofa. Droga!
- Eu te mato! - sussurrei pra , indo me sentar ao seu lado. - O que você quer tocar?
- Eu? Vocẽ que vai tocar! - riu, me entregando o violão. Eu neguei,
- Não, nem vem! - ri, tentando não pegar o violão, mas ele foi mais rápido, soltando o instrumento no meu colo.
- Eu faço a segunda voz. - piscou pra mim, sorrindo satisfeito. Suspirei alto, fitando aquelas pessoas todas me olhando. Eu não funcionava muito bem com tanta pressão. Busquei o olhar de , que sorria, esperando eu começar. Respirei fundo, fechando os olhos e começando a dedilhar uma música no violão. Ouvi rir ao reconhecer a música. Havíamos feito essa música na faculdade, numa dessas noites à toa, que ele estava começando a se apaixonar por . Nomeamos a música de Falling in love e me pareceu certa tocar naquele momento.
- Everyday feels like a monday, there is no escaping from the heartache… - comecei, notando os olhares sobre mim. - Now I wanna put it back together, 'cause it's always better late than never. - vi entrelaçar os dedos aos do noivo, ela sabia muito bem que aquela música era dela. Um casal se levantou e começou a dançar juntos enquanto eu cantava, sorri. Voltei a fitar , que não tirava os olhos de mim. - I wanna tell you when I call you, I could have fallen in love… - suspirei, continuando. - I wish I'd fallen in love.
-Out of our minds and out of time, wishing I could be with you… - entrou, cantando. Beijou o dorso da mão de e a fitou. - To share the view…
Cantamos juntos o refrão animados. Me surpreendi por ainda lembrar a letra e as cifras da música. Nessa altura, outros casais já tinham se levantado e também estavam dançando juntos. Quando finalizamos a música, houveram muitos aplausos. Encarei e ele tinha o mesmo olhar de surpresa e satisfação que o meu.
- Não conhecia essa música. - Carl falou, abraçado a esposa.
- Ela é inédita! - respondeu, jogando uma piscadinha para a noiva, que sorriu. Entreguei o violão para .
- Se vira agora! - avisei, me levantando e parando em frente a , estendendo a mão. - É a nossa vez de dançar.
- Yay! - fez, aceitando a mão e se levantando. começou a tocar uma música do Ed Sheeran, Give Me Love. Coloquei os braços de em volta do meu pescoço, descansando as minhas em sua cintura. Balançando-nos ao ritmo lento da música. Afundei o rosto na curva do seu pescoço, sem parar de nos balançar. Sentia meus pés se enchendo de areia, mas não ligava, o vento bagunçando nossos cabelos e eu não dava a mínima. Desenterrei meu rosto do seu pescoço, encostando a minha testa a dela, que sorriu, subindo uma mão e acariciando meu rosto. - Obrigada por esse final de semana, tá sendo incrível.
- O final de semana ainda não acabou. - avisei, dando-lhe um selinho demorado e depois a pegando pela mão, fazendo-a rodopiar. riu, segurando o vestido que se esvoaçava com o vento. Puxei-a de volta para perto do meu corpo. - E sim, tá sendo incrível. - beijei levemente seus lábios. - E você é linda.
- Ah, não… - riu sem jeito, tentando esconder o rosto no meu peito. - Não começa!
- ? - a chamei, mas ela não se moveu. - , olha aqui. - pedi, e ela o fez. - Não adianta, eu vou falar isso sempre, porque é verdade. E deixar você vermelhinha é muito divertido.
- Bestão! - riu, empurrando-me de leve. Senti algo puxando a barra da minha calça dobrada, então olhei para baixo, dando de cara com uma criança loira, segurando uma rosa. Sorri. se agachou, ficando na altura dele. - Oi, pequeno!
- Pra você! - e estendeu a rosa. fez um bico, fofo, aceitando a rosa e dando um beijo na bochecha dele. Olhei em volta, vendo Carl e Beverly nos observando, percebendo que aquele pequeno ser deveria ser Evan, filho deles. Me agachei também.
- Valeu, amigão! - baguncei o pouco cabelo dele, que riu, correndo de volta para os pais. Notei que os casais todos estavam com uma rosa em mãos.
- Tem um bilhete enrolado. - comentou, chamando a minha atenção. Ela desenrolou o bilhete e leu em voz alta. - “Lembre-se de momentos assim. Faça acontecer!”. - leu, depois sorriu, fitando-me. - Que lindo!
- É, foi bem legal! - falei, abraçando-a de lado e nos guiando de volta para onde estávamos sentados. O luau todo em si foi muito bom. se encantou por Evan, e brincava com ele o tempo todo. Quando já estávamos cansados do dia, resolvemos ir embora. Cada casal foi para o seu quarto. Troquei a camiseta e calça que eu estava por uma regata e boxer. colocou uma camisola fina e fresca. Deitei-me na cama, fitando a janela ao lado, entreaberta, deixando a luz da lua entrar pelo quarto. Logo se deitou ao meu lado, virando-se para mim. Sorri, colocando minha mão sobre a sua cintura, puxando-a para mais perto. Ela apoiou sua mão sobre meu peito, aproximando o rosto do meu. Fechei os olhos passando a pontinha do meu nariz no seu, sentindo a respiração rápida dela bater contra meus lábios. mordeu meu lábio inferior, puxando-o devagar. Abri meus olhos e fitei os dela, atento a toda malícia que estava estampada ali. - Quer fazer aquilo de novo?
- Aham… - respondeu, se soltando de mim rapidamente e sentando-se sobre meu quadril. Ri, segurando-a pela cintura. - Mas agora é a minha vez!
- Pode apostar que sim! - concordei rindo. E todo o cansaço foi embora de vez.

***


Acordei sentindo os raios do sol quase queimarem minha retina. Bufei, virando-me pro outro lado. Tateei a cama, mas não havia sinal de por ali. Sentei-me na cama, espreguiçando-me e coçando os olhos. Fui até o banheiro para escovar os dentes, aproveitei pra tomar um banho logo e em seguida, sai do quarto.
- Bom dia, minha flor! - falou assim que me viu adentrando a cozinha. Ele estava encostado a porta com uma xícara em mãos. estava do outro lado do balcão, fazendo um sanduíche. estava sentada sobre o mesmo segurando uma xícara grande.
- Bom dia! - desejei para geral, andando até avisou, dando de ombros.
- Arght! - fez, rolando os olhos. - Não queria ir embora. Londres anda muito chata!
- Aqui é divertido exatamente por não morarmos aqui, amiga. - riu, explicando a ela. - Igual Londres é chata, porque você mora lá, mas se fosse às vezes, seria sempre divertida. - encostou a cabeça nas minhas costas. - Eu gosto de Londres.
- Também gosto, só estou meio entediada lá, eu acho. - deu de ombros, terminando o sanduíche e mordendo-o.
- , sua mulher tá reclamando que anda entediada. - falei, chamando sua atenção. - Você não anda fazendo seus serviços direito.
- Cala a boca, ! - mandou, mostrando o dedo, nos fazendo rir.
- A gente podia fazer o casamento aqui, né? - deu a ideia, sorrindo.
- Não ia caber a sua família e a minha nessa casa, amor. - avisou, andando até ela e depositando a xícara que segurava ao seu lado.
- Eu sei, mas existem outras casas que podem ser alugadas, ou podem vir de Londres direto pra cá. - explicou, virando-se para ele.
- A gente pensa nisso depois, ! - falou, fitando-me, fazendo uma careta. Segurei um riso.
- ! - falou alto, assustando-o. - Eu vi isso!
- Calma, amor! - pediu, tentando segurá-la, mas ela se afastou.
- Calma o caralho! - falou, assustando todos. - Arght! - e saiu da cozinha. nos olhou sem entender.
- Vai atrás dela, ! - falou, apontando por onde ela havia saido. assentiu e foi atrás dela. Ri, virando-me para .
- Esses dois! - falei, balançando a cabeça, negativamente.
- Que ir para a praia e deixar eles se resolverem? - perguntou, ainda abraçada a minha cintura. Assenti, puxando-a para mais perto, fechando suas pernas na minha cintura.
- Se segura! - pedi, e ela riu, apertando as pernas em volta de mim. Nos guiei até o nosso quarto, depositando-a sobre a cama. Dei um selinho nela e me afastei.
- Vou só pegar a bolsa com umas coisas e colocar um biquíni. - avisou, levantando-se. Andou até a bolsa sobre o criado mudo ao lado do espelho, verificou o que tinha dentro e deixou-a sobre a cama. Pegou um biquíni amarelo dentro da mala e entrou no banheiro, minutos depois saiu já com a parte de baixo e um short. segurava a parte da frente sem ter amarrado nada. - Amarra pra mim, por favor? - pediu, virando-se de costas pra mim. Fui até ela, fazendo dois laços no biquíni. Beijei sua nuca e seu pescoço, fazendo-a se encolher e rir.
- Prontinho! - me afastei, andando até a porta. pegou a bolsa e se juntou a mim. - Deixamos um aviso pra eles?
- Eu estou levando o celular, a gente manda mensagem quando chegar lá. - avisou, prendendo o cabelo num rabo de cavalo alto. - Vamos?
- Vamos! - concordei, estendendo a mão para que ela segurasse. Pegamos um local perto da casa, assim ficaria mais fácil de e nos achar. Assisti a tirar o short lentamente, colocando-o de lado, ajeitou os óculos sobre o rosto, colocou a mão na cintura e me fitou.
- O quê? - perguntou. Dei de ombros, sorrindo. Ela revirou os olhos, rindo e deitou-se de bruços na toalha sobre a areia. Fitei seu corpo descoberto… Puta merda, que mulher é essa?
- Amarelo é uma cor bonita, né? - falei, colocando meus braços atrás da cabeça, descansando-a ali. riu.
- Vou fingir que não entendi. - avisou, abaixando a haste dos óculos e me fitando por cima dos mesmos. - E que eu também acho azul uma cor muito bonita. - avisou, olhando pra minha sunga. Rimos. - Vou mandar uma mensagem para os meninos. - concordei, assistindo-a pegar o celular e digitar rapidamente uma mensagem. - Ah, a sua prima Daphne me mandou uma mensagem. - comentou, fitando o aparelho em suas mãos. A observei, esperando que ela continuasse. - Perguntou o que vamos fazer na quarta à noite, ela precisa de alguém que cuide do Peter, porque ela e o Eric vão a um jantar da empresa dele. - me fitou. - E a babá regular deles não vai poder.
- Cuidar de uma criança? - perguntei, ponderando e pensando na situação. - Não sou muito bom com crianças.
- É sim, e você sabe disso. - avisou, sorrindo. - E eu também vou estar lá.
- Você quer mesmo fazer isso, né? - ri, vendo-a balançar a cabeça positivamente. - Tá bom, vai. Mas se ele chorar, você cuida!
- Ele não vai chorar, o Peter é um amorzinho. - avisou, voltando a fitar o celular, digitando uma mensagem. - Aff, olha isso! - falou, virando a tela do celular para mim. Havia uma mensagem de : ”Já vamos para aí. Estavamos transando!”.
- Não presta mesmo! - ri, voltando a fitar o mar. - Amanhã eu volto à rotina. - suspirei.
- É, mas você gosta dessa correria que eu sei. - falou, tirando o protetor de dentro da bolsa.
- Gosto, me distrai. - confessei, observando algumas pessoas na praia.
- Gosto também, porque a gente sai juntos e você me deixa no trabalho. - sorriu, passando o protetor no colo.
- Deixo? - perguntei, recebendo essa nova informação. Ela assentiu.
- Sim, é caminho, de qualquer jeito. - deu de ombros. - Quando você saía mais cedo, me buscava também, se não, eu voltava com a .
- Entendi. - disse, absorvendo e tentando me lembrar disso. - Você conseguiu se acostumar comigo sem memória?
- Não completamente. - confessou, fitando-me. Devolvi o olhar. - Nós éramos bem mais intimos, sinto que ainda tem uma resistência, mas estamos indo bem. - suspirou, desviando o olhar. - E você?
- O mesmo. - falei, ainda a fitando, mesmo ela não olhando pra mim. - Ainda tenho medo de te machucar, não saber corresponder o que você sente. - fui sincero. - Me acostumar a ter você na minha vida, surpreendentemente, foi fácil. Me sentir bem ao seu lado também. - voltou a me olhar. - Só não quero te machucar.
- Você não vai. - sorriu, tocando meu peito. - Eu sei que não.
- CA-SAL! - ouvimos a voz de se aproximar. - Achamos vocês!
- Tá melhor, amiga? - perguntou, sentando-se.
- Tô maravilhosa! - falou sorridente, deixando suas coisas próximas às de .
- Muito bem, ! - falei, fazendo um high-five com ele. As garotas apenas riram, resmungando um “garotos!”.
- Agora que vocês chegaram para olhar as coisas, eu posso ir para o mar. - avisou, levantando-se. - Vem comigo, .
- Beleza, eu vou. - concordou com a amiga, tirando o vestido que vestia, ficando apenas de biquíni. As duas correram para o mar, deixando e eu a sós.
- Cara, já que amanhã você vai voltar para agência, eu tenho algo pra te contar. - avisou, estudando a minha reação. Esperei que ele continuasse. - Um dos caras daquela ideia da cerveja é namorado da Claire. - o fitei rapidamente. - É, eu sabia que você ia ter essa reação. Aparentemente, ela mesma indicou a agência. - deu de ombros. - Vai entender.
- Mas ela já foi à agência? - perguntei enfim. Ele balançou a cabeça, concordando. - Por que ela faz isso? Ela sabia que tinha a chance de me encontrar lá.
- Cara, eu não sei. Só estou te contando pra que, caso ela apareça, você esteja avisado. - bateu de leve no meu ombro. - Só não faça merda.
- Tá, eu sei. - suspirei, bagunçando o cabelo. Por que logo agora Claire tinha que voltar à cena?

Capítulo 9



Vi a tela do meu celular acender sobre a minha mesa, indicando uma nova mensagem. Suspirei, ignorando e prestando atenção na tela do meu computador, onde estava fazendo um design para uma nova campanha. Passei a manhã toda focado nisso, sem comida, sem café, só com uma garrafinha de água. É, voltar ao trabalho era outra realidade. O telefone do escritório tocou alto, fazendo-me levar um susto, porque o lugar estava muito silencioso.
- ! - atendi, deixando no viva voz.
- , quer ir almoçar no restaurante aqui do lado? - a voz de soou do outro lado da linha. - Termino daqui cinco minutos.
- Claro, pode ser. - concordei, me encostando na cadeira. - Passa aqui e a gente vai.
- Beleza, até. - e desligou. Decidi dar por encerrado a minha parte da manhã, desligando a tela do computador. Peguei meu celular e fui ver a mensagem que havia chegado. O nome de aparecia na tela.

“A disse que a Beverly enviou essa foto para ela.”


E logo embaixo uma foto nossa dançando na praia, em Bournemouth. A foto tinha ficado bonita. O vento balançava o vestido dela, eu tinha a mão em sua cintura, enquanto nós dois riamos. A praia, o pôr-do-sol, as cores. Perfeito, cara. Sorri, respondendo-a.

“Acabou de virar meu novo papel de parede. :D”

Enviei, fazendo o que disse, logo em seguida, deixando a foto como papel de parede do celular. Sorri, achando graça. Desde quando eu fazia essas coisas de casal? Ouvi uma batida na porta, e encarei a mesma.
- Pronto? - perguntou, abrindo levemente a porta. Assenti, levantando-me. - Por que você tá com um sorrisinho besta?
- Não enche! - ri, empurrando-o para andar. Ele riu, dando de ombros. - Brooke, estamos saindo para o almoço. Qualquer assunto importante, estou com o celular.
- Ok, chefinho! - sorriu, batendo continência. - Ah, antes que eu me esqueça, deixaram isso aqui para vocês. - falou, pegando algo dentro de sua gaveta. Era um envelope azul claro com o nome da agência escrito.
- Obrigado. - agradeci, pegando-o e abrindo.
- O que é? - perguntou, se aproximando de mim.
- É um convite para o lançamento de uma marca. - falei, enquanto lia rapidamente o papel. - College Bros? - perguntei, em dúvida.
- Ah, são os caras daquela cerveja que te falei. - ele explicou, pegando o convite da minha mão, lendo também. - Eles avisaram que iam fazer uma festa de lançamento da marca, no caso, College Bros.
- Entendi. - concordei. - Bom, vamos almoçar?
- Ahm, claro! - concordou, entregando o convite de volta para Brooke. Andamos em silêncio até a outra esquina, onde ficava o restaurante. Assim que pegamos uma mesa e sentamos, se pronunciou. - Nós vamos, certo?
- ... - falei sem muita vontade.
- Cara, nós somos os publicitários deles. A gente deve ir! - explicou, aceitando o cardápio da mão do garçom, que apareceu para nos atender. - Você tem que superar essa coisa toda da sua ex.
- Só pra te lembrar, essa coisa da minha ex, na minha cabeça, tem poucos meses. - falei mais alto, perdendo a paciência. apenas assentiu e levantou as mãos, como se rendesse.
- Foi mal, só queria ajudar e te explicar que profissional é uma coisa, pessoal é outro. - falou, encarando o cardápio. Fitei o garçom parado à nossa frente com cara de paisagem. Suspirei, fitando o meu cardápio.
- Eu quero a macarronada com molho vermelho e um suco de framboesa. - pedi, fechando o cardápio e entregando a ele.
- O mesmo. - pediu, fazendo o mesmo que eu. Assim que o garçom saiu, meu amigo me fitou, esperando alguma reação da minha parte. - Do que você tem medo?
- Eu não sei. - fui sincero. - Parte de mim quer encontrá-la para por um ponto final nisso tudo que eu ainda sinto. - suspirei, apoiando os cotovelos sobre a mesa e as mãos sobre o rosto. - Outra parte que esquecer tudo isso e só focar na , não magoá-la e fazê-la feliz.
- Eu sou a favor da sua segunda parte. - comentou com um sorrisinho no rosto. Concordei, balançando a cabeça.
- Eu queria isso também. - confessei, fitando-o. - Mas a parte que quer vê-la cara a cara grita mais alto.
- Só me avisa se a gente for, porque você tem que me avisar se vai levar a , se for levar, eu tenho que levar a . Caso não, preciso saber também. - pediu, gesticulando com as mãos.
- Eu não posso levar a . - falei rapidamente. - Eu tenho que fazer isso sem pressão.
- Então, nós vamos?
- Acho que sim. - concordei, balançando a cabeça. - A festa é só no sábado, até lá eu te aviso.
- Ok, então. - concordou, pegando o celular e mexendo nele. - Espero que dê tudo certo.
- É, eu também.


Minha cabeça rodou, doeu e quase explodiu de tanto pensar sobre essa droga de festa. Acabou com o meu dia de trabalho. Acabei por ficar até mais tarde na agência, tentando recuperar o tempo perdido. Cheguei em casa quase oito da noite. Assim que abri a porta, vi deitada no sofá, dormindo abraçada a uma almofada. Sorri, vendo que ela havia pegado no sono enquanto assistia tv. Me agachei a sua frente, vendo-a ressonar alto, mostrando que estava bem cansada. Deixei minhas chaves do carro e da casa sobre a mesa, tirei minha carteira do bolso, celular e fiz o mesmo. Tirei os fios de cabelos que caiam sobre o rosto de , observando aquele rosto calmo. Cara, que mulher! Ela estava em uma posição péssima ali. Peguei seu braços suavemente, colocando sobre meu pescoço e passando suas pernas pelos meus braços. Ela remexeu, mas não acordou, apenas apertou os braços sobre meu pescoço. Andei com ela até o quarto, abrindo a porta com o ombro, entrando no quarto escuro. Coloquei sobre a cama, delicadamente, não querendo acordá-la. Puxei o edredom sobre seu corpo, beijei levemente sua testa e sai do quarto. Passei pela cozinha, tentando achar algo para forrar o estômago, não havia comido desde o almoço. Peguei um saco de batata chips no armário, voltando para a sala, sentando-me no sofá, onde antes dormia. Na tv passava algum filme qualquer, que não soube identificar. Ouvi passos, girei minha cabeça na direção dos mesmos, dando de cara com , coçando os olhos, parecendo uma criança. Ela andou até mim, sentando-se ao meu lado, encostando a cabeça no meu ombro, abraçando meu braço. Sorri, beijando o topo da sua cabeça.
- Volta a dormir. - falei, fitando a tv.
- Não, eu tava te esperando a chegar e dormi. - avisou, se encolhendo perto do meu corpo. - Você demorou.
- Desculpa, enrolei hoje lá. - pedi, estendendo o saco de batata para ela. - Quer?
- Nah. - negou. - Tá frio!
- Vai pra cama, . - pedi de novo.
- Só se você for comigo. - pediu, virando-se para mim, fazendo um biquinho adorável.
- Mas é teimosa, hein? - falei, rindo. Ela deu de ombros. - Ok, vai. Vamos para o quarto! - dei-me por vencido, desligando a tv e deixando as batatas de lado. se levantou, me puxando pelas mãos e nos guiou até o quarto. - Deita, aí, mulher. Eu vou tomar um banho e já volto.
- Tá. - concordou, se sentando na cama e puxando o edredom. Entrei no banheiro, tirei minhas roupas e joguei no cesto de roupas sujas, estralei o pescoço e os dedos das mãos. Estava bem cansado também, o dia havia sido bem longo. Liguei a ducha na água quente e joguei meu corpo debaixo, deixando a água tentar me relaxar um pouco. A história de Claire insistia em rondar minha mente. Não, isso não era saudável ou bom. Apoiei a mão no box, deixando a água cair sobre a minha cabeça. Claire e eu ficamos quase três anos juntos, eu a pedi em casamento, ela era minha noiva. NOIVA. Um belo dia ela decidiu que não tinha certeza se era isso que ela queria para a vida, que era nova ainda, que tinha muitas coisas para fazer, muitos países para visitar. Simples assim. E sim, eu tentei persuadi-la disso. Disse que podíamos fazer tudo isso juntos, mas isso não foi o suficiente para ela não me abandonar. Cara, esse dia foi o pior da minha vida! Eu não sabia mais o que fazer. Ela simplesmente pegou suas coisas e voltou para a casa da mãe. Deixando-me sozinho sem saber o que tinha acabado de acontecer. Depois disso eu não fui atrás dela, ela tinha tomado uma decisão, certo? Bom, eu não podia forçá-la a ficar comigo. Balancei a cabeça, tentando tirar essas lembranças da mente. Desliguei a ducha e me enrolei numa toalha, saindo do quarto em seguida. continuava sentada na cama, direcionou o olhar pra mim e sorriu, mordendo o lábio inferior. - Você tem as costas tão bonitas.
- Tenho? - perguntei, rindo, enquanto abria o armário, pegando uma calça de moletom e uma regata. Vai sem cueca mesmo.
- Tem… é…. - ela falou, fazendo algum desenho imaginário com as mãos. - É desenhada, sei lá.
- Vou levar isso como elogio, então. - disse, tirando a toalha e colocando as roupas, sobre o olhar vidrado de . Terminei de me vestir, desliguei a luz do quarto e me sentei na cama, ao seu lado. - Vem cá, senhorita teimosia! - falei, puxando-a para se deitar sobre o meu peito, colocando o edredom sobre nós dois. Ela se aconchegou por ali, abraçando a minha cintura.
- Boa noite, amor. - soprou. Suspirei baixo, fazendo um cafuné na sua cabeça.
- Boa noite.

***


- Daphne, querida! - falou, assim que abriu a porta. Ela sorriu, abraçando-a. - Você está linda!
- Ah, imagina! - ela abanou o ar. Eric, seu marido, estava logo ao seu lado, segurando Peter no colo.
- Fala, ! - cumprimentou, sorrindo.
- Tudo bem, pessoal? - perguntei. - Entrem, por favor.
- Entraríamos, mas estamos atrasados já. - Eric falou, olhando para mulher. - Só viemos deixar o Pete mesmo.
- E aí, campeão, pronto para uma noite divertida? - perguntei, estendendo os braços para que ele viesse para o meu colo, e ele veio, prontamente.
- Simmm! - falou alto e animado, nos fazendo rir.
- Ótimo, você despertou o lado super animado dele. - Daphne alertou, rindo. - Se virem agora.
- Relaxem e divirtam-se, está tudo sob controle. - falou, garantido. - Qualquer coisa, ligamos para vocês.
- Certo, certo. - ela concordou, dando um passo para trás. - Ele não costuma dormir muito tarde, então, em breve ele deve estar capotando de sono por, aí.
- Ok. - concordamos. - Tchau, aproveitem o vale night. - falei, e eles riram. - Dá tchau para os seus pais, Pete. - Tchau, mãe! - acenou rapidamente.
- Tchau, meu amor. - Daphne acenou de volta.
- Vamos logo, querida. - Eric a apressou, puxando-a pela mão, se não ela não sairia de lá. Assim que eles partiram, fechamos a porta. fitou Peter, sorrindo.
- Está com fome, príncipe? - perguntou, segurando sua mãozinha.
- Sim, tia. - balançou a cabeça, afirmando.
- Certo, vou fazer algo para a gente comer, então. - avisou. - Você quer ficar lá na cozinha comigo ou com o tio ?
- Com o tio ! - respondeu prontamente, fazendo-me rir. riu, revirando os olhos.
- Boa escolha! - falei pra ele, beijando sua bochecha, que apenas riu. - Você cuida da comida que a gente cuida do filme que vamos assistir, certo, Pete?
- Filme, yay! - celebrou, levantando as mãos. Rimos, concordando.
- Certo, não quebrem minha sala! - pediu, antes de sumir para a cozinha. Sentei-me no sofá, colocando Peter sentado ao meu lado. Peguei o controle da TV, que já estava ligada, procurando pelo catálogo de filmes infantis.
- Que filme você quer assistir? - perguntei olhando as opções. - Meu Malvado Favorito, Big Hero, Minions, Carros, Toy Story?
- Big Hero! - falou alto.
- Boa, garoto! - ri, escolhendo o filme. - Esse filme é bom! - olhei para a criança ao meu lado e pude observá-lo sorrir animado. Peter tinha apenas três anos, mas era muito esperto para a sua idade. Obviamente, era o xodó da família . Seus cabelos eram cheios e castanhos, dono de um par de olhos extremamente verdes, herdados da mãe. - Vem, !
- Vem, tia! - ele me imitou. Ouvi a risada de da cozinha.
- Daqui a pouco, meus amores. - avisou, falando mais alto. - Podem começar a assistir sem mim, agorinha eu chego, aí.
- Já que ela diz! - falei, dando de ombros e apertando o play. Peter comemorou, prestando a atenção no filme, em seguida. Minutos mais tarde, voltou a sala segurando um prato com três sanduíches. Minha barriga roncou.
- Aqui, Pete! - entregou um ao pequeno, que aceitou, rapidamente dando uma mordida. Me passou o prato, peguei um e devolvi o outro a ela. - Ahh, Big Hero, eu amo esse gordão!
- É o Baymax, tia. - Peter a corrigiu, falando de boca cheia.
- Ops, desculpa. - riu, observando o garoto. - Baymax, certo.
- Vai, mexeu com a criança errada! - falei pra ela, que deu de ombros, mordendo seu sanduíche. Fiz o mesmo com o meu. - , isso aqui tá maravilhoso!
- Tá gostoso, tia. - Peter balançou a cabeça, concordando comigo.
- Ah, que bom que gostaram, crianças! - sorriu satisfeita. Continuamos a assistir ao filme e terminar os sanduíches.
- Tia, tia… Olha, as bolinhas no chão! - cutucava e apontava para a TV, impressionado. riu, concordando com ele.
- É sim, Pete. - ela me fitou, fazendo uma cara fofa. - Eu quero morder esse menino!
- , precisamos devolvê-lo inteiro aos pais. - falei, segurando um riso. Ela rolou os olhos, rindo.
- Só um pedacinho, né, Peter? - falou, aproximando a boca do bracinho dele. Peter riu, quando sentiu a mordida fraca de em seu braço.
- Ouch, tia! - reclamou, ainda rindo.
- Se reclamar, eu vou morder a barriga! - ela ameaçou, levantando a sobrancelha.
- Nãão! - gritou, já escondendo a barriguinha. Ri, puxando-o para perto de mim. - Me ajuda, tio !
- Você tá assustando a criança, ! - avisei, vendo o pequeno se esconder perto de mim, mas sem parar de rir.
- É porque eu ainda tô com fome, queria só um pedacinho. - avisou, aproximando novamente a boca dele, mas ao invés de morder, começou a distribuir beijinhos. Peter ria ainda mais alto.
- Cócegaaaas! - falava entre risos. Peter segurou o rosto de , fazendo-a parar. - Tia, faz cócegas no tio.
- O tio é chato, não deixa. - fez um bico. Balancei a cabeça, negativamente, rindo.
- Eu deixo dar beijinho. - falei, assistindo virar o olhar para mim e jogar uma piscadinha. Ri alto, pela cara maliciosa que ela fez.
- Beijinho eu sempre dou. - falou, sentando-se direito e puxando Peter junto com ela, colocando-o sobre seu colo.
- Eu sei, linda! - falei, aproximando de seu rosto, depositando um beijo estalado em sua bochecha. Ela sorriu. - Perdemos metade do filme.
- Ahhh, que pena! – ela falou, fitando Peter. – Quer que volte um pouco do filme, Pete?
- Quero assistir Minions! – pediu, apontando para a TV.
- Ok, vamos ver Minions, então. – ela concordou, pegando o controle e colocando no filme em questão. Começamos à assistir Minions, mas não durou muito tempo, pois logo estava me cutucando, mostrando Peter dormindo em seu colo. Ri, me levantando.
- Pode deixar que eu o pego e coloco na cama. – falei, pegando-o cuidadosamente, rumando para o quarto depois. veio logo atrás. Deitei Peter sobre a nossa cama, cobrindo-o com um lençol. Sorri, me afastando e parando ao lado de , que estava encostada no batente da porta. - Somos bons tios.
- É. - concordou, ainda fitando a criança dormindo. - Seríamos bons pais. - e me encarou. Levantei a sobrancelha, confuso. - Não agora, bobão. Um dia, quem sabe. - deu de ombros. - É só uma hipótese.
- Você quer ter filhos, então? - perguntei, empurrando-a para fora do quarto e encostando a porta.
- Claro! - respondeu animada. - Dois, no mínimo.
- Dois? - ri, achando graça de sua repentina animação. assentiu, andando de volta para a sala, a segui.
- Sim, pra não ser uma criança sozinha. - deu de ombros. - Eu fui criada sem irmãos, às vezes era bom, outras vezes, me sentia solitária. - se sentou no sofá, me puxando para fazer o mesmo. - Você se vê sem a sua irmã?
- Não. - respondi prontamente. - Não mesmo. - Blue era mais nova que eu, era mulher, era o oposto de mim, mas era minha irmãzinha. E acho que eu não saberia ter uma outra vida onde ela não estivesse. - Blue é uma parte de mim.
- Exatamente. - concordou, se aconchegando nos meus braços. - Sua mãe e Blue moldaram a forma como você trata as mulheres.
- E isso foi bom? - perguntei, em dúvida.
- Foi ótimo. - virou o rosto para mim. - Eu te acho um cavalheiro! - sorriu. - Você me trata de uma forma tão doce e pura, você me respeita à cima de tudo, . - segurou meu rosto entre suas mãos. - Você é raro, !
- Ah, ! - falei, desviando o olhar, sem graça. Ela riu.
- Viu? É assim que eu me sinto quando você me deixa sem graça! - avisou, soltando o meu rosto e voltando a se aninhar nos meus braços.
- Mas você fica linda vermelhinha! - falei, fazendo-a rir.
- E você também, meu bem! - pegou o controle, tirando do filme dos Minions que ainda passava, voltando ao catálogo de filmes. - Quer assistir à alguma coisa?
- Ahm, quero ver uma série. - falei, vendo-a passear pelos nomes dos filmes.
- Que série?
- A série de beijos que eu quero de te dar. - avisei. soltou uma gargalhada tão gostosa, que foi impossível não rir junto. - Shh, vai acordar o Peter.
- Desculpa! - pediu, tapando a boca. - Você é muito idiota, !
- Eu sei, é parte do meu charme. - sorri de lado, jogando uma piscadinha pra ela, que riu, balançando a cabeça.
- E essa piadinha tá batida. Só por isso, vai ter que assistir Uma Linda Mulher comigo. - avisou, selecionando o filme e colocando pra rodar.
- Ah, não! É filme de mulherzinha! - reclamei, tentando pegar o controle, ela riu, escondendo dentro do short. - Você sabe que eu posso pegar aí, né?
- Nem tenta! - falou, apontando o dedo no meu rosto. - Vai, vamos assistir!
- O que eu ganho com isso?
- Minha gratidão? - perguntou, fitando-me.
- Não posso usar muito isso, aí. - falei, dando de ombros.
- Ei! - ela reclamou, me dando um tapa no braço.
- Ouch! - passei a mão no local. - Já começou a me bater.
- Fica quieto, vamos assistir, sim. - avisou, apontando para TV. - Shh! - ...
- Shh, eu quero ver! - fez, assistindo atenciosamente ao filme.
- Ainda prefiro te beijar. - avisei, colando a boca na sua orelha. Ela se arrepiou, mordendo o lábio inferior, fortemente. Sorri, satisfeito. - Beijar seu pescoço… - falei, beijando sua nuca e deixando uma mordidinha ali. - Beijar seu corpo inteiro… - soprei em seu ouvido, deixando uma mordida no lóbulo da sua orelha.
- Puta merda, ! - falou alto, virando-se para mim. - Para de me provocar! - pediu, e enfiou a mão no meu cabelo, puxando-me para mais perto, assim, podendo enfim me beijar. me beijava quase que furiosamente, mordendo e voltando a beijar minha boca. Sentou-se no meu colo, rapidamente. Segurei sua cintura, fortemente, sentindo suas mãos puxar meus cabelos. parou de me beijar de repente, abaixou a cabeça e soltou um palavrão baixo.
- O que foi? - perguntei, sem entender.
- Peter. - falou a palavra chave, nos despertando para a realidade. Joguei a cabeça para trás,
- Porra! - fechei os olhos. se levantou de cima de mim, imediatamente eu peguei uma almofada e coloquei no meu colo. - Porra, porra!
- Viu? Assistir ao filme é menos dolorido! - alertou, voltando a se sentar direito no sofá. fez uma careta, puxando-me para deitar no seu colo, - Depois a gente termina isso, . Não adianta ficar chateado! - passou as mãos no meu cabelo, fazendo um carinho gostoso. - Vamos assistir ao filme. - pediu, voltando a prestar atenção no filme. Acabamos assistindo ao tal do filme, que, na minha opinião, é bem mentira, mas tentar argumentar isso com ela, é caso perdido. Logo após o filme acabar, comemos uns marshmallows que achamos no armário, Daphne e Eric vieram buscar Peter, que foi embora ainda dormindo, e nós finalmente ficamos à sós. - , eu tenho uma reunião sábado na revista. - avisou, arrumando a cama para que pudéssemos nos deitar. Assenti, tirando a camisa que eu vestia, jogando em um canto qualquer. - Não deve demorar, se quiser fazer algo à noite. - engoli o seco. Sábado era a festa da tal marca de cerveja. Era agora, eu tinha que decidir se ia ou não.
- Sábado tem uma festa de lançamento da marca de um cliente. - falei, sentando-me na cama. Ela me olhou, prestando atenção. - Eu vou com o , vai ser chato e não vamos demorar também.
- Tudo bem. Eu te espero em casa! - sorriu, compreensiva. - Talvez eu ligue para vir pra cá, não sei.
- Ok, certo! - concordei, observando-a desligar a luz e sentar ao meu lado. sorriu, me puxando para deitar e puxando o edredom sobre nós.
- Você quer dormir agora? - perguntou, virando o rosto para me fitar. Retribui o olhar, levantando a sobrancelha.
- O que você tem em mente? - perguntei, vendo-a morder o lábio, dando de ombros.
- Sei lá, eu não estou com sono ainda. - avisou, se mexendo debaixo do edredom, subindo sua mão sobre minha calça de moletom, brincando com o elástico do cós da mesma. - A gente podia terminar o que começamos mais cedo.
- Você quer terminar aquilo então, né? - ela sorriu concordando. passou uma perna de cada lado do meu corpo, sentando sobre o meu quadril. Sorri pervertidamente, colocando os braços cruzados atrás da cabeça. inclinou a cabeça, distribuindo beijos pelo meu pescoço e peito. Fechei os olhos, apreciando aquele contato. Senti seus lábios sobre a minha orelha, mordendo meu maxilar, meu queixo e enfim, beijando minha boca. Eu não aguentei muito tempo sem tocar sua pele, cravando minhas mãos fortemente na sua cintura. sorriu enquanto me beijava, possivelmente, porque sentia a força e desespero nas minhas mãos indecisas entre sua cintura e coxas. Enfiei os dedos por debaixo da camisola, que ela havia colocado mais cedo, sentindo sua pele se arrepiar ao meu toque quente. buscou um pouco de ar, voltando a beijar meu pescoço, descendo pelo meu peitoral, barriga e parando bem abaixo do umbigo, me olhando maliciosa. Mordi o lábio inferior, fitando-a. sorriu, prendendo o cabelo num coque. – Vai, pode continuar... – incentivei. Ela assentiu, descendo a minha calça. Ah, meu amigo, quando uma mulher prende o cabelo assim, pode saber que você vai ter sorte durante a noite.


- , anda logo! - me gritou da sala. – Tá pior que mulher!
- É a merda desse cabelo que não fica bom! – gritei de volta. Bufei, passando os dedos pelo meu cabelo tentando arrumá-los, mas sem muito sucesso. Dois minutos depois, apareceu na porta do quarto, cruzando os braços e batendo o pé. – Em vez de brigar comigo, me ajuda, né?
- Vem cá, sua donzela! – ela riu, me puxando pela mão, fazendo-me sentar na cama, parando a minha frente e arrumando meu cabelo. Sorri, vitorioso. – Você só faz isso porque sabe que eu vou acabar arrumando depois, né?
- Sim! – confessei, rindo. Ela revirou os olhos, rindo também. Eram sete horas da noite de uma sexta-feira, combinamos de ir jantar na casa dos pais de . Eu evitei ao máximo esse momento, mas é chegada a hora. disse que vai tentar contornar assuntos que eu supostamente deveria saber, espero que dê certo.
- Prontinho, senhor vaidoso! – falou, apertando meu nariz como se eu fosse uma criança. Fiz uma careta, levantando-me. – Vamos?
- É, acho que sim! – concordei, apreensivo.
- Calma, amor, vai dar tudo certo. – tentou me acalmar, segurando em meu rosto. – Meus pais sempre te amaram.
- Ok. – assenti, segurando em sua cintura e aproximando nossos rostos. Selei nossos lábios rapidamente. – Vamos logo! – a puxei pela mão para fora de casa, entrando no carro e seguindo, finalmente, para a casa dos . A casa era grande, porém parecia ser aconchegante. O jardim era bem cuidado, as portas brancas e as paredes de tijolinhos muito bem feitos. Uma típica casa britânica. Respirei fundo, estacionando o carro e descendo, em seguida. tocou a campainha e aguardou, segurando em minha mão. Um minuto depois a porta foi aberta pela mesma jovem senhora de cabelos castanhos e olhos verdes, que eu me lembrava da festa dos meus pais.
- Queridos! – falou animada. Sorri sem jeito. a abraçou forte, beijando o rosto da mãe. – Que saudades, filha. Nem parece que vive na mesma cidade que eu.
- Desculpa, mãe. – pediu, sorrindo amarelo. – Estava muito ocupada esses dias.
- Pois arranje um tempo para a sua velha mãe. – falou em repreensão, mas com um tom de brincadeira. - , meu filho!
- Oi, Nick! – cumprimentei, chamando-a pelo apelido, assim como disse que eu fazia. – Como vai?
- Vou bem, querido. – segurou minhas mãos, apertando-as de leve. Sorri. – Bem, entrem, seu pai está assistindo um jogo na TV, como sempre. – revirou os olhos, nos fazendo rir. Isso me lembrou muito .
- Ah, pai! - falou, rindo. Encaminhamo-nos para a sala, onde logo puder ver o senhor sentado confortavelmente em uma grande poltrona. – Richard!
- Minha abelhinha! – o senhor falou animado, levantando-se rapidamente. riu, jogando-se nos braços do pai.
- Quanto tempo não ouço esse apelido. – falou, enquanto ainda abraçava o pai.
- Ele está sempre na minha memória. – riu, soltando-se dela. – Não é todo dia que você fica com o rosto inchado por ter sido picada por uma abelha.
- Eu tinha seis anos, pai. – ela riu, revirando os olhos como a mãe havia feito minutos antes. Ri com a semelhança.
- Pra mim, você sempre será minha abelhinha! – sorriu, beijando a bochecha da filha. Girou os olhos até mim, sorrindo largamente. - , meu companheiro!
- Fala, Richard! – ri nervoso ao ver o senhor alto, um pouco acima do peso, alguns cabelos grisalhos, mas um sorriso enorme se aproximar. Ele me abraçou forte, e eu pude sentir que realmente aquela família me amava. Senti amor, mas me senti um impostor ali.
- Está me devendo vinte libras pela aquela aposta. – avisou, apontando para mim e rindo. – Mas hoje eu vou deixar passar. Hoje vamos apenas jantar e conversar.
- Valeu, Richard! – ri, parando ao lado de , entrelaçando os dedos aos dela. Ela me dava algum tipo de força, não sei explicar. Ela apertou seus dedos aos meus.
- Mãe, quer alguma ajuda na cozinha? – perguntou. Dominick negou, sorrindo.
- Já está pronto, meu amor. Só estávamos esperando vocês! – avisou, abrindo caminho. – Vamos para a sala de jantar. – pediu, apontando o caminho, que fez me levando junto. Os pratos e talheres estavam postos à mesa. escolheu um local e eu me sentei ao seu lado. - , como está a Sue?
- Está bem, cuidando dos filhos e do marido. – ri, lembrando que minha mãe sempre dava essa resposta quando perguntavam se ela estava bem.
- Mande um abraço meu para ela. – assenti. – Precisamos ir visita-los em breve, Ric!
- Concordo, querida. – Richard falou, sentando-se também. – James e eu precisamos marcar aquele jantar para assistir aquele campeonato.
- Você só pensa em futebol, pai? - riu, observando a mãe trazer uma panela e colocar sobre a mesa.
- Estou velho, querida. – deu de ombros. – Não me resta muita coisa para fazer.
- Você não está velho, senhor ! – o repreendeu, balançando a cabeça, negativamente. – Mas seria bom fazer uma caminhada para ajudar na circulação e no coração. Mãe, a senhora tem que levar ele quando for.
- Acha que eu não tento, ? Mas seu pai é cabeça dura demais! – deu de ombros, colocando a ultima panela sobre a mesa. – Fiquem à vontade para se servir.
- Hmm, o cheiro está ótimo, sogrinha! – falei, fazendo sorrir. É, ela chamava minha mãe assim, o que me dava o direito também.
- Fiz o seu prato favorito, . – avisou, sentando-se, enfim. – Carne ao molho vermelho. – sorri, pois realmente eu gostava.
- Por que ele ganha o prato favorito, e eu não? - reclamou, cruzando os braços.
- Tudo bem, . Eu divido com você! – falei, rindo, beijando seu rosto.
- Engraçadinho. – riu, dando um tapinha de leve na minha coxa.
- Vai esfriar, vamos comer! – falei, sentindo minha barriga roncar. O jantar foi muito agradável. Os pais de são ótimos; ri muito com o pai dela e me senti em casa com a hospitalidade da mãe. Mais tarde, após o jantar, Dominick fez um chá e nos serviu, estava delicioso.
- Então, quando é o casório? – Richard perguntou, direcionando o olhar pra mim. Engasguei com o chá, tossindo algumas vezes. – Calma, filho! – pediu, dando tapinhas nas minhas costas.
- Pai, não vamos entrar nesse assunto de novo. - pediu, lançando um olhar de reprovação ao pai, que deu de ombros, dando-se por vencido. – Bom, nós temos que ir, né, ?
- Ahm, é, claro! – assenti ainda meio atordoado. Deixei a xícara sobre a mesa e me levantei, seguido por e seus pais. – Obrigado pelo jantar, Nick, estava tudo muito gostoso.
-Imagina, querido! – me abraçou. – Apareça sempre que quiser, você faz parte da família.
- Obrigado. – sorri, retribuindo o abraço.
- Até a próxima, ! – Richard falou, abraçando-me de lado.
- Até, Richard! – sorri, dando um tapinha no seu ombro.
- Tchau, minha princesa! – Dominick abraçou a filha. – Venha nos visitar logo.
- Prometo que venho, mãe. - sorriu, beijando a testa da mãe. Ela sorriu e abraçou o pai, sendo retribuída. – Até mais, grande Ric!
- Se cuida, abelhinha! – pediu, soltando-se dela. Acenamos e, finalmente, voltamos para o carro, rumando em direção a nossa casa. ficou calada o caminho todo, estranhei.
- Está tudo bem? – perguntei, assim que paramos num semáforo. Ela suspirou, assentindo.
- Tá sim, acho que só estou cansada! – sorriu, encostando-se ao banco. – Você gostou dos meus pais?
- Sim, eles são ótimos, . – falei verdadeiramente. – Você teve a quem puxar!
- É, eles são pessoas maravilhosas! – sorriu, fitando a rua. – Sinto saudades deles.
- , não se prenda a minha falta de memória. – falei sério, oscilando entre olhar para ela e para rua. – Você pode e deve ir visitá-los sempre.
- Eu sei. – falou somente. – Eu farei isso.
- Tenho que ir visitar a minha mãe também. – falei, lembrando-me que ainda não havia falado com ela essa semana. Seguimos o restante do caminho conversando sobre coisas aleatórias, ligou o rádio e começou a cantar algumas músicas de rap que passavam, mas ela mesmo começava a rir, porque era rápido demais e ela se atrapalhava toda. Eram dez e pouco da noite quando chegamos em casa. Resolvemos ter uma sexta-feira tranquila como um casal normal. Sem festas, nem bebidas e nem barulho. Optamos por assistir TV debaixo do edredom, porque começava a ficar frio. Trocamos nossas roupas por algo mais confortável, e logo estávamos deitados no sofá, no escuro, debaixo de coberta e assistindo um filme que passava. Amanhã seria um dia longo, não sabia o que me esperava, só podia torcer para que eu não me arrependesse depois.

Capítulo 10



- Maninha, seja uma boa irmã e faça uma pipoca pra gente. - pedi, deitado no sofá da sala da casa dos meus pais. Blue riu.
- Vai sonhando, maninho. - falou, jogando a almofada em mim. - Faz você!
- Eu sou visita, Blue! - tentei justificar.
- Ah, cria vergonha, . - mandou, voltando a prestar atenção na série da MTV que passava na tv. - Pai, fala para o seu filho largar de ser folgado.
- Vocês dois parem de brigar! - meu pai falou, sem levantar o olhar do seu jornal, enquanto estava sentado no outro sofá. - Não tem nenhuma criança aqui.
- Tinha que colocar o papai no meio? - falei, jogando a almofada de volta nela.
- Ei! - reclamou, segurando a almofada depois que atingiu seu rosto. - Eu vou chamar a mamãe.
- Crianças! - meu pai resmungou baixo, irritado. - Vou contar até três, se vocês não pararem de brigar, eu vou colocar os dois para lavarem meu carro.
- O quê? - perguntei alto, rindo. - Pai, eu não tenho mais dez anos.
- Então pare de agir como se tivesse. - avisou, fitando-me. Rolei os olhos, assentindo. - Bom menino. - falou e voltou a ler o jornal.
- Por que você tá aqui mesmo? Cadê a ? - Blue perguntou, direcionando o olhar pra mim.
- Ela tá numa reunião na revista. - avisei, cruzando os braços e fitando a tv.
- Tá explicado, então. - deu de ombros. - Tá irritadinho porque tá longe dela.
- Fica quieta, Blue! - mandei, revirando os olhos. - Vai atrás do seu namoradinho lá.
- Você não manda em mim! - rebateu.
- Chega! - meu pai falou alto, chamando a nossa atenção. - Vocês dois, lá fora, agora!
- Mas pai… - ela tentou, fazendo aquela carinha de “filha mais nova” que ela sempre fazia.
- Sem mais, andem logo! - avisou. - Quero aquele carro brilhando quando terminarem! - bufamos, nos levantando e rumando para a fora. Pegamos os materiais para limpar o carro do senhor James, que ele tinha muito ciúmes, por sinal, e fomos começar a lavar.
- Viu o que você fez? - Blue resmungou, irritada.
- Eu? Você que ficou me enchendo o saco! - rebati, indo encher o balde de água.
- Porque você sempre me enche o saco primeiro! - ela falou, revirando os olhos, pegando as duas esponjas e entregando uma para mim. - Você me odeia, só pode! - suspirei, pegando o balde e colocando perto de nós dois.
- Acho que é normal a gente brigar. - dei de ombros. - Somos irmãos, faz parte. Mas isso não quer dizer que eu te odeie. - expliquei, passando a esponja no carro, sendo observado por Blue. - Você é minha irmã mais nova, é meu dever te encher o saco. - ri, fazendo-a rir junto. - Mas você sabe que eu te amo, baixinha. - falei, passando espuma na ponta do nariz dela. Ela sorriu.
- Te amo também, seu chato! - me abraçou de lado. - Anda logo, vamos deixar isso aqui um brinco, se não o papai nos mata!
- Cadê a mamãe pra defender a gente? - perguntei. Blue riu, porque sabia que era verdade, ela sempre nos defendia do nosso pai.
- Ela tava no quarto conversando no telefone com a tia Lily. - avisou, jogando um pouco de água no capô do carro. Assenti, continuando a lavar a minha parte do carro. Mordi o lábio, pensando em uma pergunta perigosa.
- Blue, você se lembra da Claire? - perguntei, fitando-a, esperando sua reação. Ela fez uma careta.
- Aquela sua ex chata? Claro que lembro! - avisou, dando de ombros.
- Ela não era chata. - falei. Blue me fitou, levantando a sobrancelha.
- Claro que era! - rebateu, balançando a cabeça, indignada. - , eu tentava me aproximar dela, mas ela sempre me cortava. - falou, como se fosse óbvio. - Quantas vezes eu tentei ter uma conversa normal com ela, mas ela sempre me deixava falando sozinha, mudava de assunto ou corria de mim? Acabei cansando e a deixando de lado. - deu de ombros. - Até porque eu lembro do término de vocês.
- Você lembra? - perguntei, prestando atenção no que ela dizia. Ela assentiu, suspirando.
- Sim. Você chegou arrasado aqui em casa! - mordeu o lábio, me fitando. - Acho que nunca tinha te visto tão derrotado quanto aquele dia. Você ficou uma semana se afogando no álcool.
- É, foi barra! - concordei, passando a mão molhada no cabelo. - Acho que nunca entendi direito como tudo aconteceu.
- Não fica pensando naquela mocréia, . - pediu, apontando o dedo pra mim. - Isso não é saudável. Esquece aquela mulher! Nem sei porque você tá lembrando dela agora. Isso já faz tanto tempo!
- Verdade, muito tempo mesmo. - ri sem graça. Balancei a cabeça, espantando os pensamentos e voltando a focar no carro. - Esquece isso.
- É, acho melhor mesmo. - Blue falou, fitando o portão de casa. - Sua namorada tá vindo aí. - visualizei se aproximar, rindo.
- Que milagre é esse? - ela riu, nos observando incrédula. - Já sei, o Jimmy obrigou vocês, certo? - nós assentimos. - Brigaram? - assentimos novamente, sem jeito. - Eu sabia!
- Culpa do , é claro! - Blue falou, rolando os olhos. - Oi, !
- Oi, princesa! - falou, sorrindo e se aproximando dela, abraçando-a meio desajeitado para não se molhar. Se soltou da minha irmã e se aproximou de mim. - Não vou te abraçar porque você tá muito molhado.
- Eu tô sexy! - falei, jogando uma piscadinha pra ela. revirou os olhos, rindo.
- Eu vou fingir que não ouvi isso e vou cumprimentar os meus sogros. - avisou, se afastando de mim.
- Eu vou terminar aqui e nós vamos, ok? Eu tenho a festa mais tarde! - avisei, e ela assentiu.
- Ok, vou lá dentro rapidinho! - avisou, entrando e sumindo por lá.
- Viu? Isso sim que é cunhada! - Blue falou, apontando o local onde estava antes. Ri, jogando água nela.
- Fica quieta, pirralha! - mandei. Ela soltou um gritinho, jogando água de volta.
- Para, ! - pediu alto. - Vamos terminar isso logo, por favor.
- Vai, vamos logo! - falei, voltando ao serviço. Minutos mais tarde, secamos o carro, mas estávamos ensopados. Entrei na casa e fui atrás de , que estava na cozinha, tomando chá e conversando com os meus pais. Sorri, aproximando-me dela por trás e a abraçando. Ela soltou um gritinho de nojo.
- Arght! Sai, ! - pediu, tentando se soltar.
- Nope! - falei, beijando sua bochecha. Minha mãe riu.
- Você tá sujando a menina toda, filho. - avisou.
- Tô nada. - falei, soltando-me dela. - Vamos?
- Vamos, sim! - assentiu, levantando-se. - Depois a gente continua o papo, pessoal.
- Volte depois, . - meu pai pediu, sorrindo e abraçando a minha mãe.
- Volto sim! - concordou, passando a mão no vestido, tentando limpar onde eu sujei. Eu apenas ri.
- Não vai adiantar limpar assim, . - dei de ombros, observando-a ri, balançando a cabeça.
- Vamos logo, ! - falou, puxando-me pela mão. - Tchau, sogrinhos! - acenou, e recebeu sorrisos e acenos de volta. Logo estávamos dentro do carro, indo de volta para a casa. foi dirigindo já que ela estava com o carro hoje. Antes de ir para a reunião ela me deixou na casa dos meus pais e agora foi me buscar.
- Foi tudo bem na reunião? - perguntei, sentando-me direito no banco. Ela assentiu, sem tirar a atenção do trânsito.
- Foi bom! - falou, dando de ombros. - A vai lá pra casa mais tarde quando o for te buscar.
- Beleza! - concordei. Fitei , ela estava calma, concentrada no trânsito; seu cabelo estava preso com uma caneta, ela tinha essa mania de prender com lápis ou caneta sempre que achava um por perto. Será que eu devo mesmo ir à essa festa? Mordi meu lábio, em dúvida, sem tirar meus olhos dela. não tinha ideia que a minha ex estaria lá. Muito menos que eu queria conversar com ela. Me pergunto se alguma vez eu já havia contado a ela sobre o meu passado?
- Ah, a Kat, lá da revista, viu a nossa foto na praia e disse que parece cena de filme. - contou, rindo. Ri junto. Era contagiante a risada dela. - Mas achei que ela olhou muito pra você. - rolou os olhos, e eu ri ainda mais. - “Nossa, seu namorado é bonito, né? Ele tem um irmão?” - falou, imitando uma voz chata. Imaginei que deveria ser a voz da tal Kat. - Atrevida!
- Isso tudo é ciúmes? - perguntei, levantando a sobrancelha. Ela deu de ombros, sem me olhar.
- Achei ela muito pra frente, só isso. - se defendeu, mordendo o lábio inferior com força. - Ok, e também é ciúmes.
- Ah, eu sabia! - ri, colocando a minha mão sobre o seu joelho. Ela riu, olhando-me rapidamente. - Linda!
- Vai começar! - balançou a cabeça, rindo. - Vê se não demora lá na festa hoje. Eu queria passar a noite agarradinha em você. - falou, fazendo manha. Ri, achando graça desse lado dela.
- Farei o possível, prometo. - falei, levantando a mão. - Palavra de escoteiro.
- Enquanto isso, a e eu vamos adiantar os preparativos do casamento. - avisou, estacionando o carro na garagem de casa.
- Já? - perguntei, surpreso. - Eles já escolheram uma data?
- Parece que estão em dúvida entre duas, mas devem decidir logo. - falou, pegando a bolsa no banco de trás e saindo do carro, fiz o mesmo.
- Cara, parece que está acontecendo tudo tão rápido! - falei mais para mim do que pra ela, mas ela concordou, abrindo a porta de casa.
- Nem acredito que esses dois vão se casar. - riu, jogando-se no sofá. - Estão virando adultos, meus bebês.
- Dúvido muito. - falei, jogando-me ao seu lado.
- Nem pensar, ! - ela tentou me empurrar. - Você tá molhado e fedido.
- Ei! - reclamei alto. - Eu não tô fedendo!
- Tá sim, anda, vai tomar banho! - falou, apontando para o lado do quarto.
- Tá parecendo a minha mãe. - rolei os olhos, me levantando. Ela riu, mostrando a língua em seguida.
- Sua mãe é gata, meu sonho parecer com ela. - rebateu, tirando os sapatos e colocando os pés sobre o sofá.
- Você também é gata, . - falei. Ela sorriu de lado, me fitando.
- Eu sei, baby. - e jogou uma piscada, me fazendo rir. Balancei a cabeça e fui para o quarto, tomar um banho e me preparar para mais tarde. Eu ainda não sabia direito o que ia falar para Claire, acho que só saberia quando estivesse cara a cara com ela. Suspirei, tirando minhas roupas úmidas, jogando-as no cesto de roupa. Entrei no box do banheiro e liguei o chuveiro, colocando a água no modo quente. Ouvi um assobio e virei o rosto para a porta. Sorri, observando encostada à porta, me fitando, enquanto mordia a unha do dedão.
- Quer entrar? - perguntei, molhando os cabelos. Ela sorriu, negando. - Certeza?
- Não. - e riu. - Mas se eu entrar aí, eu tenho certeza que nós vamos demorar.
- É, isso é fato! - concordei, rindo. continuava a me fitar. - Vai ficar me olhando mesmo?
- Não posso?
- Se continuar me olhando desse jeito, eu vou aí te buscar. - ameacei. Ela riu, revirando os olhos.
- Exagerado! - falou, desencostando-se da porta. - Eu vou preparar algo pra gente comer, então, seu tarado. - e saiu do banheiro. Ri, voltando ao meu banho, terminando-o rapidamente. Enrolei uma toalha na cintura e fui até a cozinha, terminaria de me arrumar depois de comer algo. - Ah, tenha misericórdia! - falou alto quando me viu. Largou o pedaço de queijo que estava cortando sobre a mesa.
- O quê? - parei de andar, levantando as mãos.
- Toalha, ? Só toalha? - perguntou, aproximando-se de mim.
- ! - ri, observando-a balançar a cabeça negativamente, enquanto andava a passos lentos até mim.
- Você não presta! - riu, puxando-me pelo nó da toalha. Sorri de lado, segurando em sua cintura. ficou nas pontas dos pés, encostando levemente os lábios aos meus... Quando a campainha da porta soou. - Droga!
- Eles chegaram cedo! - falei, soltando-me dela. concordou, andando até a porta.
- A me enviou uma mensagem enquanto você estava no banho, avisando que eles estavam vindo já. - explicou, indo abrir a porta, fui atrás. - Oi, amiga!
- Oi, meu chuchu! - pulou no pescoço de , que riu. Ela me olhou, levantando a sobrancelha. - Uh, o tema da festa é nudismo?
- Engraçadinha! - ri, balançando a cabeça.
- , se eu não fosse praticamente sua irmã, eu diria que te pegaria. - avisou, jogando uma piscada pra mim, que ri, jogando outra.
- EI! - e , que estava logo atrás da noiva, falaram uníssonos.
- Relaxa, amor, eu não pegaria ele, eu só pegaria você. - falou, abraçando o noivo de lado.
- Amor, até eu pegaria o ! - rebateu, me fazendo rir alto.
- Ok, estou com medo. É melhor eu ir me trocar! - avisei, apontando na direção do quarto. Ouvi apenas as risadas. Voltei ao quarto e fui atrás da roupa que usaria. Optei por uma calça escura e uma camisa azul clara. Me olhei no espelho e sorri, satisfeito. Passei os dedos pelo cabelo, tentando ajeitar, mas parece que só ela sabia arrumá-lo. Passei um pouco de perfume, peguei minha carteira e voltei para onde eles estavam.
- Que princeso! - falou, fazendo joinha. riu. E só agora eu havia percebido que ela tinha trocado de roupa. Ela trocara o vestido por um short jeans e um blusão de moletom meu. Cara, como pode uma garota ficar linda vestindo isso? É, ela ficava.
- Eu fiz uns sanduíches, se você quiser comer antes. - avisou, aproximando-se de mim com o prato com os sanduíches. - Sei que você não gosta de comer quando vai à esses eventos. - sorri, porque era verdade.
- Obrigado. - agradeci, dando um selinho rápido nela e pegando um. - Vocês querem?
- Eu não, eu tô na dieta da noiva! - avisou.
- Dieta? Aqueles três cupcakes hoje faziam parte da dieta? - perguntou, levando um tapa da amiga, em seguida. - Ai, sua grossa!
- Eu estava me despedindo, ok? Fica quieta, . - mandou, rolando os olhos. Nós rimos. Mulheres.
- Já sabem uma data para o casório? - perguntei, fitando meus amigos. fez uma careta.
- Estamos entre duas, mas até final do mês nós decidimos. - avisou, fazendo concordar.
- Sim, mas precisamos agilizar os preparativos em si. - ela avisou. - Por isso, já que estão os dois aqui, finjam surpresa e façam festa quando eu contar isso, então… - pediu, fitando o noivo, sorrindo, depois voltou a nos fitar. - Queremos que vocês sejam nossos padrinhos.
- Ahhh, amiga! - sorriu, abraçando . - Eu já sabia que seria a madrinha, mas eu te amo por ter convidado mesmo assim.
- Eu achei que eu fosse ser sua madrinha! - falei, fingindo espanto. Ela riu, mostrando o dedo. - BEST MAN! - falei alto. riu.
- BEST MAN! - me imitou e a gente bateu peito contra peito. - Claro que só poderia ser você, mano.
- Valeu, ! - abracei-o de lado.
- Terminou de comer, seu fresco? Melhor irmos, se não pegamos trânsito. - avisou. Concordei, terminando de engolir o último pedaço do sanduíche. Virei para , entrelaçando meus dedos aos dela, puxando-a para mais perto.
- Não demora, tá? - pediu, encostando o nariz ao meu.
- Farei o possível. - falei, sorrindo. Beijei sua testa e depositei um beijo rápido em seus lábios. - Se cuidem!
- Vocês também! - pediu, me dando um selinho. - Não bebam muito, hein? - pediu, fitando .
- Por que você tá olhando pra mim? O bêbado é o seu namorado! - rebateu.
- Cala a boca, vamos embora! - pedi, empurrando meu amigo para fora. - Tchau, garotas!
- Juízo! - gritou enquanto nos afastamos. - Amo vocês. - ouvimos antes de sair e fechar a porta atrás de nós.
- Pronto? - perguntou, fitando-me. Assenti. - Você vai falar com ela mesmo?
- Pretendo. - confessei. - Primeiro eu preciso vê-la.
- Você que sabe. - deu de ombros. Finalmente rumamos para a festa, era um pouco distante de onde estávamos, mas encontrámos fácil. Assim que chegamos vimos uma galera na frente do local, estava bem badalado. Demos nossos nomes para a hostess e logo ela liberou nossa entrada. O lugar estava incrível! Várias luzes brilhavam no local meio escuro, vários garçons, música dançante e a logo da marca de cerveja ao fundo, junto com uma pilha delas espalhadas pelo local. Um garçom se aproximou de nós.
- Senhores, aceitam uma College Bros? - ofereceu. Sorrimos, aceitando uma long neck cada. A cerveja era realmente boa.
- Olha, o Hayden e o Charlie, os donos da marca. - avisou, apontando discretamente para mais a frente de nós. Observei dois caras conversando animados. Reconheci um deles do show do John Mayer, quando ele estava abraçado a Claire. - O moreno é o Hayden, namorado da Claire. - explicou como se lesse meus pensamentos. - Eles são pessoas boas.
- Vamos até lá cumprimentá-los. - pedi, andando e sendo seguido por .
- , que bom que você veio! - o tal do Hayden falou animado assim que viu meu amigo. Cumprimentou-o com um aperto de mão, depois virou-se para mim. - Você deve ser o , certo?
- Isso mesmo. Prazer! - falei, estendendo a mão, que ele aceitou prontamente.
- Eu sou Hayden e esse é o meu amigo, Charlie. - apertei a mão dele também.
- Então, gostando? - o tal Charlie falou, apontando para a garrafinha de cerveja nas nossas mãos.
- Sim, muito boa! - falou, sendo sincero. - Parabéns, caras.
- Valeu! - Hayden agradeceu, satisfeito. - Ah, minha rainha! - ele falou, olhando para alguém atrás de mim, sorrindo. Respirei fundo com medo de me virar. Tomei um gole da cerveja, bem grande, diga-se de passagem e me virei. Lá estava ela. Sardinhas nas bochechas, cabelo ruivo preso, olhos verdes brilhantes e um batom vermelho nos lábios, que combinavam com o vestido que vestia da mesma cor. Ela sorriu, fitando-me.
- Oi, ! - ela falou, me acordando do meu transe.
- Oi, Claire! - respondi, acenando com a cabeça.
- Oi, ! - ela sorriu para ele, cumprimentando-o com um beijo no rosto. - Como vai?
- Bem, e você? - respondeu, sorrindo.
- Bem também. - me olhou de lado, depois sorriu, virando-se para o namorado. - Baby, a festa tá arrasando! - falou animada, indo para o lado de Hayden, que sorriu, beijando bochecha dela.
- Não vou nem apresentá-los, porque Claire me disse que são amigos de longa data. - Hayden falou, olhando para mim.
- Ah, é. Nos conhecemos há um tempo! - falei, rindo sem graça e tomando um gole da cerveja. Claire segurou um riso, mordendo o lábio inferior.
- Olha, Hayden, os Wilsons vieram! - Charlie cutucou o amigo, apontando para um grupo mais a frente.
- Preciso fazer um social, se me dão licença! - Hayden pediu. - Amor, fica aí com seus amigos, eu já volto. - ela assentiu, observando o namorado partir e sumir pela festa. pigarreou, chamando nossa atenção.
- Vou dar uma volta, eu acho que vi um velho conhecido. - avisou, lançando-me um olhar de “tô te dando a deixa, mas não faz merda.” Assenti, vendo-o se afastar também, deixando apenas eu e Claire, cara a cara.
- Ahm, então, como tá a vida? - perguntei, tentando ser casual. Ela riu.
- Tá bem, as coisas vão indo bem. - deu de ombros. - E a sua?
- Está bem, eu acho. - fui sincero. - Está há muito tempo com o Hayden?
- Estamos juntos há seis meses. - falou, balançando a cabeça. Ela riu. - Por que estamos nos tratando como se fossemos dois desconhecidos? - riu mais uma vez. - Vem cá, ! - e me puxou para um abraço, assim, simples, do nada. Deixei Claire se aninhar em mim, abraçando meu pescoço. Não tive muita reação, minhas mãos estavam paradas, mas sem pensar muito, deixei-as envolver sua cintura. Suspirei, inalando o cheiro do seu cabelo.
- Você ainda usa xampu de lavanda. - comentei. Ela riu, desencostando o rosto do meu corpo e me fitando.
- É o meu preferido.
- É o seu preferido. - repeti, sabendo exatamente que era. - Lembro de acordar sentindo esse cheiro todos os dias. Eu gostava.
- É, eu sei. Eu também gostava daquele seu perfume com cheirinho de hortelã, depois do banho. - comentou sorrindo.
- É, eu mudei. - falei enfim.
- As coisas mudam, é normal. - sorriu triste, se afastando de mim. - Ainda está com aquela menina? Qual o nome dela mesmo?
- A ? - ela assentiu. - Sim, estamos juntos.
- Puxa, está durando! - falou surpresa. - Espero que esteja feliz.
- Ela é uma garota incrível! - falei, sendo sincero. E realmente era. - Passei por uns problemas recentemente, e ela esteve ao meu lado o tempo todo. - suspirei lembrando-me da paciência que tem e teve comigo.
- Ei, quer tomar alguma coisa diferente de cerveja orgânica? - ela ofereceu. Assenti. Ela sorriu, puxando-me pela mão pelo local até chegar numa mesa onde havia dois barmen fazendo drinques. - Já sei, você não curte drinques, mas eles tem whisky também, e eu sei que você gosta. - avisou, virando para um dos caras a sua frente. Debruçou-se sobre o balcão e pediu algo a ele, que não pude ouvir direito devido a música alta. Minutos depois, ele colocou dois copos sobre o balcão, servindo-os com whisky. Claire pegou os copos e entregou um a mim. - Um brinde a esse reencontro! - falou, levantando o copo.
- Um brinde! - falei, batendo o copo no dela. Bebemos o conteúdo quase todo de uma vez, fazendo uma careta logo após.
- Não vale fazer careta! - ela falou, olhando minha cara quando terminei de beber. - Se lembra da festa do Joshua? Você bebeu tanto whisky que vocês dois correram pela rua só de cueca no frio de Londres. - nós rimos.
- Cara, aquele dia foi louco! - falei, lembrando-me perfeitamente. - Ele ainda me deve um tênis novo, já que ele perdeu um pé aquele dia. - sorri. - Como ele está?
- Está bem, daquele jeito largado dele, mas bem. - deu de ombros, bebendo seu whisky. - Perguntou de você esses tempos atrás.
- Perguntou? - perguntei, levantando a sobrancelha. - O que ele perguntou?
- Perguntou quando iríamos ficar juntos de novo. - deu de ombros. - Ele estava bêbado, sei lá. - avisou, fitando-me.
- Você respondeu o quê? - perguntei, interessado. Ela mordeu o canto da boca, desviando o olhar.
- Que não sabia se um dia você me perdoaria. - fitou-me novamente, estudando a minha reação.
- Claire… - falei baixo.
- Eu sei, eu ferrei com o nosso relacionamento, ok? - falou mais alto, fazendo-me a ouvir. - , eu me arrependo de ter feito aquilo, de ter saído assim. Eu tentei várias vezes ir atrás de você, pedir perdão, mas não parecia que eu merecia isso.
- É, você acabou com a minha vida. - ri sem humor, tomando o restante do conteúdo do copo. - Eu fiquei dias sem saber o que tinha acontecido, o que eu tinha feito de errado pra você me deixar.
- Me desculpa, por favor. - pediu, segurando minha mão. - Eu era imatura, não sabia o que queria.
- Claire, você jogou um relacionamento de anos fora por puro capricho! - falei mais alto.
- Não era capricho, eu precisava me entender antes de seguir a vida. - ela rebateu. - Mas agora eu sei, , eu sei que eu errei, eu sei como as coisas funcionam, sei que você foi a pessoa que mais me fez feliz durante todo esse tempo. - sorriu triste. Suspirei, soltando nossas mãos. - Você precisa entender que eu precisava juntar as partes que faltavam de mim antes de me unir a você, completamente. - continuou a se explicar. - Eu juntei, eu me encontrei, ! E tenho absoluta certeza que a parte mais feliz da minha vida foi ao seu lado. - sorriu, aproximando-se de mim novamente. - A parte em que eu mais fui amada. - eu ia a interromper, mas ela continuou. - Eu só deixei escapar. - respirou fundo, fitando-me intensamente. - Olha, eu sei que é muita coisa pra digerir assim, de uma vez, mas vamos nos encontrar fora daqui, vamos conversar, por favor?
- Não sei se é uma boa ideia. - fui sincero. Ela assentiu.
- Eu sei, parece ridículo. - riu. - Mas não é, ok? Por favor, me dá uma chance? Vamos conversar.
- Ei, tá tudo bem aqui? Me pareceu ter ouvido uns gritos! - chegou rapidamente, perguntando. Fitei Claire, que não tinha tirado os olhos de mim.
- Tá tudo bem, sim. - falei, suspirando. - Acho melhor irmos embora, .
- Sério? Ok, você que manda! - me olhou, em dúvida, mas assentiu. - Tchau, Claire! - acenou. Claire sorriu fraco, acenando de volta. deu alguns passos na frente. Ia me virar para ir embora, quando Claire segurou meu braço, fitei sua mão ali e depois seu rosto.
- Por favor! - pediu mais uma vez. - Amanhã, Parlez-vous Café, às nove? Eu vou estar te esperando. - avisou.
- Ok, Claire! - balancei a cabeça, concordando. - Agora me solta.
- Desculpa. - pediu baixo, soltando-me. Aproximou-se de mim e beijou demoradamente a minha bochecha. - Até amanhã. - nada respondi, apenas a fitei uma última vez e virei as costas, indo atrás de . Corri para fora do local, precisava de ar urgente. Quando o vento gelado bateu no meu rosto, eu me senti vivo de novo. Busquei ar, respirando rápido, apoiando as mãos nos joelhos.
- Cara, tá tudo bem? - correu até mim, colocando a mão nas minhas costas.
- Eu não estava preparado para isso, . - fui sincero, levantando-me e fitando-o. - Eu juro que não.
- Calma, , vamos procurar outro lugar. - pediu, me guiando até o carro.
- Eu não posso ir pra casa agora. - falei assim que entrei no carro. assentiu, ligando o carro.
- Vamos lá pra casa até você se acalmar, ok? - avisou e eu assenti, suspirando e passando as mãos no cabelo, bagunçando-o. - Me explica o que aconteceu lá dentro! - pediu, e eu contei tudo durante o caminho para a casa dele. Assim que ele estacionou, soltou: - Porra!
- É. - disse apenas.
- E você vai mesmo encontrar com ela? - perguntou saindo do carro, fiz o mesmo.
- Eu disse que ia. - falei, seguindo-o até a entrada de sua casa. - Eu meio que já sabia que essa primeira conversa ia ser turbulenta, muitos sentimentos para colocar pra fora de uma vez. - suspirei alto, entrando na casa dele, andei até o armário de bebidas e peguei uma garrafa de tequila. - Ela disse que estava arrependida de ter me deixado.
- , ela vai falar qualquer coisa pra ter você de novo. - ele avisou, tentando pegar a garrafa da minha mão. - Você não pode beber desse jeito.
- Me deixa! - falei, abrindo a tampa e bebendo uma quantidade considerável do conteúdo. Senti descer queimando pela minha garganta, me fazendo arrepiar.
- Não, ! - falou alto, tomando a garrafa de mim. O fitei, sentindo meu rosto queimar.
- Eu ia casar com ela, . - falei baixo, sentindo meus olhos arderem. - Eu tinha planejado uma vida com aquela mulher.
- Eu sei. - ele falou simplesmente, esperando, não sei, as minhas emoções saírem de vez. Me joguei no sofá, cobrindo meu rosto com as mãos, molhando-as com as minhas lágrimas. Senti sentar ao meu lado. - Eu sei que você esperava mais dela, eu sei que você sofreu muito quando ela foi embora, eu sei também que você nunca superou completamente toda essa história. - ele suspirou, continuando. - Mas sabe também do que eu sei? - o fitei, esperando ele responder. - Sei que você conheceu uma garota incrível e que faria tudo por você.
- . - disse baixo, limpando meu rosto.
- É, a . - repetiu. - E, na minha opinião, você será um idiota se deixar ela escapar.
- Eu sei que você é team , . - avisei, assistindo-o balançar a cabeça, concordando.
- Mas sou team também. - avisou. - Eu quero que você seja feliz, meu irmão. - de um tapinha nas minhas costas. - Só isso. - respirei fundo, jogando minha cabeça no encosto do sofá, sentindo o teto rodar. Ótimo, o efeito da bebida estava acontecendo.
- Droga! - resmunguei. Ouvi um barulho de mensagem de celular, baixo, girei a cabeça e vi pegar o celular no bolso. Ele sorriu. - O que é?
- Dá uma olhada! - e virou a tela do celular para mim. Na tela havia uma foto de e na cozinha, as duas segurando uma taça de vinho cada. sorria para câmera, enquanto fazia uma careta. Tinha uma mensagem embaixo: “Se vocês podem, a gente também pode.”. Sorri.
- A também nunca gostou muito da Claire, né? - perguntei, fitando-o.
- Ela gostava, mas depois que a Claire te deixou, foi instantâneo pegar raiva dela por tudo o que houve. - deu de ombros. - Mas obviamente que a tem uma amizade leal com a , então…
- É, eu sei. - falei baixo. - Tá tudo girando.
- Ninguém mandou você beber quase meia garrafa de tequila de uma vez, ! - avisou em tom de reprovação. - Como eu vou te levar pra casa assim? O que eu vou falar pra ?
- Não se preocupa, eu sei me virar. - suspirei. - Só me leva pra casa.
- Tem certeza? Nós podemos esperar mais um pouco. - ele tentou me impedir quando fui me levantar, mas acabei sendo mais rápido, quase cai, mas me pus de pé.
- Não, tudo bem. Só vamos. - ele concordou a contragosto. Logo estávamos de novo dentro do carro, indo de volta para a minha casa. O caminho inteiro fomos em silêncio. Minha cabeça girava literal e figuradamente com todas as informações que recebi essa noite. Eu só precisava de um colo, e mesmo que sabendo que isso era errado, eu precisava do colo dela. . Assim que chegamos, respirei fundo antes de sair do carro. - Eu tô fedendo álcool?
- Com certeza, né? - foi óbvio. - Mas elas sabem que a gente ia beber no evento.
- Ok. - concordei, andando lentamente até a porta de casa, abrindo-a, em seguida. Ouvi risadas vindo da cozinha, nos aproximamos. e estava sentadas à mesa, da mesma forma que estavam na foto, tomando vinho e rindo. sorriu ao me ver.
- Já voltaram? Estava tão ruim assim? - perguntou, fitando o noivo.
- É, o não estava se sentindo muito bem. - ele avisou. Fiz uma careta. se levantou imediatamente, vindo ao meu encontro com o semblante preocupado.
- O que você tem? - perguntou, aproximando-se. - Álcool eu sei que tem. - falou assim que sentiu o cheiro.
- Nada demais, só um mal estar. - falei. Ela me observou, levantando a sobrancelha.
- Bom, nós já vamos indo, né, amor? - avisou, fitando a noiva, que assentiu, levantando-se também.
- Tudo bem. - concordou, postando-se ao lado de . - Se cuidem! Se precisar de algo, me liga, . -
- Ok, obrigada! - abraçou a amiga, beijando sua bochecha.
- Tchau, feioso. Melhoras! - ela falou, acenando pra mim, que sorri sem graça, acenando de volta. beijou a testa de e sussurrou algo no ouvido dela, que apenas balançou a cabeça, concordando.
- Até mais, cara. - deu um tapinha no meu ombro. Enquanto os acompanhava até a porta, eu me joguei no sofá, fitando a TV desligada. Minutos depois, senti o corpo quente de sentar ao meu lado. Ela nada disse. Fechei os olhos sentindo o perfume emanar do seu corpo. Abri os olhos, girando a cabeça até encontrar seus olhos preocupados e curiosos sobre mim. Me aproximei dela, deixando meu rosto se aninhar em seu peito. Ela suspirou, afagando meu cabelo. Fechei os olhos novamente, sentindo uma sensação de alívio. Toda aquela turbulência se esvaindo.
- Eu tô aqui. - ela sussurrou. - Eu não sei o que houve, mas eu tô aqui. - apertei minhas mãos em volta da sua cintura, apertando meus olhos também, fortemente. Eu era um babaca, eu tinha certeza disso. Tinha certeza também que eu iria acabar machucando uma das pessoas mais incríveis que eu já conheci.

Capítulo 11




Peguei o bule de café, da cafeteira, despejando o conteúdo numa caneca grande. Suspirei, sentando-me à mesa, encarando o nada. Olhei para o relógio de parede marcando oito e trinta e sete. Balancei a cabeça, negativamente. Será que Claire iria mesmo aquele café? Esperava mesmo que eu fosse? estava dormindo depois de uma noite agitada. Eu não consegui dizer a ela o real motivo de eu estar daquele jeito, acabei por dizer que eram coisas sobre a perda de memória. Não sei se ela engoliu, mas depois de horas se remexendo na cama, ela dormiu. Eu me sinto péssimo por ter mentido pra ela, eu sei que ela não merece, talvez eu não a mereça. Batuquei os dedos na caneca, me sentindo acelerado. Ouvi passos se aproximando e levantei o olhar, fitando entrando devagar na cozinha.
- Bom dia. - falou, andando até o armário e pegando uma caneca.
- Bom dia. - respondi, bebendo meu café logo em seguida.
- Está se sentindo melhor? - perguntou, parando ao meu lado, pegando o bule e despejando café em sua caneca.
- Acho que sim. - falei, fitando-a. Ela me olhou de volta, assentindo.
- Que bom! - sentou-se à minha frente, tomando seu café. Olhei novamente o relógio, batucando os dedos na caneca. - Vai sair hoje? - perguntou, fazendo-me fitá-la. tinha o olhar curioso, talvez tentando me decifrar. Expirei, negando com a cabeça.
- Não, eu vou ficar em casa…. - sorri. - Com você.
- É? Eu gosto disso. - sorriu de volta, tomando o café em seguida. - A gente pode assistir filmes o dia inteiro.
- Por mim, tudo bem. Eu deixo você escolher os filmes. - falei, jogando uma piscada pra ela, que riu, levantando a sobrancelha.
- Vai deixar eu escolher os filmes? - perguntou, desconfiada. Assenti com a cabeça. - O que você fez?
- O quê?
- Você nunca me deixa escolher todos os filmes. - continuava a me olhar, desconfiada. Abri a boca e fechei algumas vezes, sem emitir som.
- Eu só estou sendo bonzinho, só isso. - falei enfim, dando de ombros.
- Ok, eu não vou questionar, se não você muda de ideia. - falou rápido, se levantando. - Eu vou tomar um banho e já venho pra gente começar a assistir.
- Traz o edredom, tá frio hoje. - pedi, e ela assentiu, saindo da cozinha em seguida. Olhei novamente o relógio. Oito e cinquenta e cinco. É, eu não ia a lugar nenhum.


ria do ator do filme que passava na TV, me fazendo rir mais pela sua risada do que pelo filme em si.
- Nem é tão engraçado assim, vai. - falei, cutucando-a.
- Então, por que você tá rindo? - perguntou, sorrindo de lado. Sorri, puxando-a para mais perto de mim, ficando entre minhas pernas.
- Porque você tá rindo e isso me faz querer rir também. - confessei. Ela mordeu o lábio inferior, sem jeito. - Sua risada é fofa.
- Fofa como uma hiena? - rolou os olhos, rindo.
- Não, fofa como um panda rolando na grama. - falei, observando-a rir mais uma vez.
- Adorei a comparação. - sorriu, depositando um selinho rápido nos meus lábios. Meu celular acendeu a tela sobre a mesa, indicando uma nova mensagem. Estiquei a mão para alcançá-lo, visualizando a tela. Número desconhecido. Franzi o cenho, abrindo a mensagem, enfim.

“Eu fiquei te esperando, mas você não foi. :( Eu sei que você ainda tá chateado, mas não faz isso, vamos conversar direto. A gente tem uma história juntos, passamos tantos momentos bons juntos.
xo Claire.
PS: Antes que você pergunte, eu consegui seu número na agência.”


Caralho! Ela não tem limites. Respirei fundo, apertando em responder.

“Claire, me esquece! Tudo o que a gente viveu ficou no passado. Você que escolheu o final da história, aceitei-o. Eu estou com outra pessoa e ela não merece isso.”


- Eu amo essa parte! – a voz de me despertou para a realidade. Enviei a mensagem e deixei o celular sobre a mesa, abraçando-a apertado. sorriu, entrelaçando nossos dedos e beijando o dorso da minha mão. Escondi meu rosto na curva do seu pescoço, distribuindo beijinhos ali, sentindo o aroma que sua pele emanava.
- Você é cheirosa. – falei com a voz abafada pelo contato com a sua pele. Ela riu.
- Eu nem tô com perfume, amor. – falou e eu respirei mais um pouco daquele aroma.
- Eu sei, é sua pele mesmo que tem um cheiro bom. – beijei seu pescoço novamente, e ela se arrepiou. Sorri, satisfeito.
- A gente não ia assistir filme? – perguntou, rindo.
- Assiste, aí, que eu fico te beijando daqui. – falei, depositando um beijo na sua bochecha. Ela me fitou, levantando a sobrancelha.
- Se você vai me beijar daí, eu vou querer te beijar daqui também, ué. – falou como se fosse óbvio. Apenas ri. – Fala se não é uma proposta maravilhosa?
- Que tal a gente se beijar e depois ir tomar sorvete? – sugeri.
- Tomar sorvete no frio? – assenti. Ela fez uma cara pensativa. – Tá. Mas primeiro a gente se beija, né?
- Vem cá! – ri, puxando-a para se virar de frente pra mim, segurando-a pela cintura e grudando nossas bocas devagar. enfiou os dedos no meu cabelo, puxando-me para grudar ao seu corpo. Coloquei suas pernas em volta da minha cintura, acabando com qualquer mínimo espaço que poderia haver entre nós. Encostei minhas costas no sofá, deixando que ela comandasse. diminuiu a velocidade do beijo, beijando a ponta do meu nariz e encostando a testa a minha, fitando meus olhos.
- Eu amo você. – sussurrou sem parar de me olhar. Passei o polegar pelo seu rosto, beijando levemente seus lábios.
- Você é incrível. – falei, voltando a beijá-la. apertou os dedos no meu pescoço, beijando-me de forma urgente. Desci minhas mãos, deslizando pela lateral do seu corpo, sentindo-o se esquentar sobre os meus dedos. Passeei o polegar pelo cós do seu short, abrindo o único botão do mesmo. suspirou quando sentiu meus dedos deslizarem o zíper. Ela desceu os beijos para o meu pescoço, puxando rapidamente minha camiseta para cima até tirá-la por completo. Cruzou fortemente as pernas em volta da minha cintura e se jogou de costas no sofá, puxando-me com ela, fazendo com que eu ficasse entre suas pernas. mordeu o lábio inferior com força, pegando minha mão e colocando sobre o short já aberto. Sorri, abaixando a minha cabeça, levantando levemente sua blusa e beijando sua barriga, umbigo e descendo até chegar ao short, puxando-o rapidamente para baixo. Trilhei beijos pela sua virilha e coxas, enquanto suas mãos puxavam meus cabelos, incentivando-me. Empurrei sua blusa para cima, beijando seus seios expostos. correspondeu, puxando a minha bermuda para baixo com os dedos dos pés. Ri, fitando-a. - Habilidosa, uh?
- Você não faz ideia. - rebateu, voltando a me beijar. Terminei de tirar a bermuda, jogando-a de lado. Rapidamente senti uma mão entrar na minha cueca. Respirei fundo, beijando-a com força e rapidamente.
- ... - ofeguei.
- Shh… - fez com a boca ainda colada a minha. Em segundos as últimas peças de roupas estavam no chão e finalmente estamos juntos de novo. Uma fusão que me enlouquecia! Minutos mais tarde, estávamos no chão, deitada sobre o meu peito, que subia e descia rapidamente, tentando achar fôlego. Beijei o topo da sua cabeça, deslizando os dedos pelas suas costas, calmamente.
- Beijo intenso, né? - comentei, fazendo-a rir.
- Pelo menos deu calor para tomar sorvete. - avisou, apoiando o queixo no meu peito e fitando-me. Sorri, concordando e tirando uma mecha de seu cabelo que caía sobre o seu rosto. - Vem, vamos tomar banho. - pediu, levantando-se. Continuei deitado, fitando seu corpo nu a minha frente.
- Vai ter segundo round no banho? - perguntei, percorrendo seu corpo com os olhos. Ela riu, rolando os olhos.
- Larga de ser tarado! - puxou meu braço, tentando me levantar. - Anda! - Dei-me por vencido, levantando-me, enfim. - A gente vai tomar sorvete agora, sem mais.
-Ok, ok. Você venceu! - me rendi, levantando minhas mãos. - As damas primeiro. - apontei o caminho.
- Aham, pra você ficar olhando a minha bunda, né? - balançou a cabeça, rindo.
- Essa é a minha garota! - falei, jogando uma piscadinha pra ela.
- Idiota! - falou alto e saiu andando na frente. Ri, entortando a cabeça para o lado, gravando bem aquela visão na minha mente. - Eu sei que você tá olhando! - gritou.
- Pode apostar que sim!

***


- Ah, meu Deus! - exclamou, apontando na proteção de vidro. - Eles têm um de tutti-frutti colorido!
- , você tem vinte e quatro ou sete anos de idade? - perguntei, rindo e fitando o vendedor, que também ria.
- Engraçadinho! - mostrou língua pra mim e depois se virou para o vendedor. - Eu vou querer uma bola desse, por favor.
- E o senhor? - ele perguntou, fitando-me.
- Um de framboesa. - pedi e ele assentiu, indo preparar os sorvetes. Assim que ele nos entregou, fomos nos sentar numa das mesas que haviam fora do estabelecimento. - Cara, isso aqui é bom!
- É? Deixa eu provar! - pediu, metendo a colher no meu sorvete e pegando.
- Ei, toma do seu! - fingi brigar, colocando o sorvete para o outro lado.
- Nem vem, eu posso. - deu de ombros, rebatendo.
- Pode nada!
- Posso sim. Tudo o que é seu, é meu! - falou, olhando-me como se eu ousasse discordar.
- Então, eu quero um pouco do seu! - falei, levantando a minha colher pra pegar, mas ela foi mais rápida, movendo o sorvete para o lado contrário. - Ué, o que aconteceu com “o que é seu, é meu?”
- Não com o meu sorvete colorido! - riu, lambendo o sorvete e mostrando a língua roxa depois. Ri, balançando a cabeça.
- Muito madura! - comentei, voltando a tomar o meu. Senti meu celular vibrar dentro do bolso da minha calça. Suspirei, com medo de ser Claire novamente. Desde mais cedo, quando enviei a mensagem para ela, que ela havia sumido. Resolvi não olhar para não precisar confirmar minhas suspeitas.
- O aniversário da sua irmã é no sábado, né? - assenti com a cabeça. - Já comprou o presente dela? - fiz uma careta, negando. - Eu sabia!
- Não tive tempo ainda. - tentei me defender.
- Você que é preguiçoso mesmo, confessa! - me cutucou de leve, fazendo me rir e dar por vencido. - A gente podia ir ao shopping achar alguma coisa pra ela, o que acha?
- Agora?
- Sim, agora! - confirmou como se fosse óbvio. - Anda, termina logo e vamos.
- Cara, como você é mandona! - reclamei, comendo depressa o meu sorvete, sentindo meu cérebro congelar.
- E você adora isso! - sorriu.
- É, gosto. - aproximei o rosto do dela. - Me mantém na linha!
- Eu sei. - sorriu, beijando meus lábios gelados. - Agora vamos, .
- Vamos, senhora apressada! - deixei o restante do meu sorvete na mesa e me deixei ser levado por aquela menina-mulher até o carro. Minutos bem mais tarde, finalmente estávamos no shopping, entrando na milésima loja atrás de algo para Blue. O que eu daria aquela criança? - , eu não tenho a mínima ideia do que dar pra ela.
- Ah, , relaxa! - sorriu, parando a minha frente. - Eu tô aqui pra ajudar.
- Mas já entramos em três lojas e você não achou nada também. - falei, cruzando os braços.
- É porque eu não achei nada que ela fosse gostar, oras. - deu de ombros, virando-se para a estante com várias bolsas.
- Garotas gostam de barbie e essas coisas, não? - perguntei, gesticulando com as mãos. virou-se para mim, rindo.
- Ela não tem dez anos, . - balançou a cabeça, negativamente. - Ah, acho que já sei. - falou de repente. - Conheço a loja certa.
- Ah, não! - joguei a cabeça pra trás. - Outra loja?
- Sim, senhor! - sorriu animada, puxando-me pela mão, entrelaçando nossos dedos e me guiando pelo shopping. Em seguida, entramos numa loja de sapatos e logo fomos abordados por uma vendedora que levou para um área de “sapatos de salto”, ou sei lá o quê. Aproveitei para me sentar por ali mesmo, esperando que ela voltasse com o presente em mãos. É, isso não era muito a minha praia. Respirei fundo, encostando-me ao assento, observando o movimento fora da loja. Enfiei a mão dentro do bolso e retirei meu celular, ligando o visor. Mensagem de número desconhecido. Olhei para onde estava e ela ainda conversava e olhava sapatos com a vendedora. Abri a mensagem, mas não havia um texto. Havia apenas uma foto. Uma foto antiga onde estava eu e Claire, abraçados com roupa de frio, a neve no chão. Eu sorria para a câmera e ela beijava minha bochecha. Eu lembrava bem daquele dia, éramos pra ter ficado em casa, mas ela queria muito ir pra neve e então me convenceu a ir ao Hyde brincar por lá. Nos divertimos muito aquele dia. Claire estava pegando pesado com as lembranças. Respirei fundo, saindo da foto assim que vi se aproximar, segurando um embrulho. - Ah, ela vai amar!
- Achou, então? - ela concordou, sorridente. - Ótimo!
- Mas a moça não quis colocar num embrulho roxo, que é a cor preferida dela. - fez um bico, chateada. Segurei um riso.
- Não quis? Que abusada! - falei, fitando-a.
- Sim, eu odeio ela! - revirou os olhos.
- Odiamos ela, então. - cruzei os braços, fechando o rosto. Ela me fitou, estapeando-me logo após.
- Você tá me zoando! - me bateu novamente. - Eu odeio você também.
- Odeia nada! - sorri, aproximando-me dela.
- Odeio sim. - rebateu, cruzando os braços também.
- Quer um abraço? - ela sorriu, confirmando. Sorri junto, beijando seus lábios e a abraçando.
- Senhores… - a voz da vendedora soou, nos fazendo nos soltar e a fitá-la. - O pagamento é por esse lado. - apontou o caminho. riu, olhando-me.
- Isso é com você, amor. - mandou beijos.
- Depois não vem dizer que é “nosso” presente, hein? - fiz aspas com os dedos.
- Claro que é! - faltou mais alto, observando eu me afastar. - Eu ajudei a escolher!
- Sorte sua! - falei de volta, balançando a cabeça. Ela riu, fazendo joinha. Logo menos eu já tinha pago o presente e, enfim, estávamos voltando para a casa.
- Tô com fome! - avisou, colocando a mão sobre a barriga.
- Pede uma pizza pra gente! - sugeri, retirando a carteira e o celular do bolso, deixando sobre a mesinha perto do sofá. - Eu vou tomar banho. Acho que já passei da validade!
- Vai, fedorentinho! - falou, aproximando-se de mim e beijando levemente meus lábios. - Vou pedir de pepperoni pra você.
- Obrigado! - sorri agradecido. sentou-se no sofá, pegando o telefone da base.
- Qual pizzaria? - perguntou, em dúvida.
- Joe’s? - sugeri.
- Nah, a gente sempre pede lá. - fez uma careta. - Que tal Franco?
- Ótimo! - concordei.
- Você tem o número?
- Acho que sim, dá uma olhada na minha agenda do celular. - falei, e ela assentiu, pegando meu celular. - Vou lá, já venho. - avisei e sai, rumando pra ir tomar banho. Retirei minhas roupas e me enfiei debaixo da água quente, fiquei vários minutos lá, até sentir minha pele se enrugar, avisando-me que já era hora de encerrar o banho. Vesti uma roupa quente, penteei o cabelo pra trás e baguncei-o logo em seguida. Voltei pra sala, encontrando encarando o chão. Franzi o cenho, me aproximando. - ? - chamei. Ela girou o olhar até mim, mas não me deu um sorriso, como ela sempre dava, não foi um olhar aconchegante, que ela sempre tinha, foi um olhar frio e sem expressão. - O que houve?
- Fui procurar o número da pizzaria, como você pediu, mas assim que peguei o seu celular, tinha uma mensagem. - ela falou e, na mesma hora, meu corpo inteiro gelou e travou. - Um número desconhecido. Pensei que fosse algo importante, então eu abri, porque nós nunca tivemos problemas de confiança quanto a celulares.
- ... - tentei falar, mas ela me interrompeu, continuando.
- Era uma mensagem que dizia… - ela olhou para o celular em sua mão. - “Nós nos divertimos na festa, lembramos o tempo em que estávamos juntos. Pareceu tão certo estarmos ali, me senti em casa de novo. Me senti que eu estava sendo eu! , você e eu sabemos que no final de tudo, nós vamos acabar juntos, porque nós temos uma história de anos. Eu ainda te amo, e sim, eu sei que você ainda me ama, porque eu vi como você ficou quando a gente se encontrou de novo. Eu vou estar aqui, te esperando, ok?” - suspirou, fechando os olhos. - “Beijos, pra sempre sua Claire.”
- , eu não tenho nada com ela! - me defendi, aproximando-me dela. Ela continuava de olhos fechados. - Ela estava na festa que eu e o fomos, encontramos ela por acaso, eu juro.
- Na festa de lançamento? - perguntou, abrindo os olhos e me fitando. Assenti. Ela riu sarcástica. - A festa que você chegou transtornado? A porra da festa que você chegou praticamente chorando? - ela se levantou rápido. - Agora tudo faz sentido! - falou alto.
- Me desculpa. - pedi baixo, sentindo-me um lixo.
- Eu, aqui, preocupada com você, pensando em várias formas de te fazer sentir bem… - ela gesticulava, nervosa. - E você se encontrando com a sua ex?
- Ela estava na festa! - repeti. - Não foi um encontro.
- Você sabia que ela estaria lá? - rebateu. Fiquei em silêncio. - Responde!
- Sim, mas…
- Então foi um encontro! - decidiu. - Caralho, , ela anda te mandando foto de vocês juntos, pelo amor de Deus! - vociferou, jogando o celular em mim, que consegui pegar a tempo.
- Eu não quero nada com ela, . Ela é louca! - tentei me aproximar, mas ela se afastou.
- Você ainda sente alguma coisa por ela? - perguntou, fitando-me sem piscar. Eu engasguei.
- Não. Eu não sei! - falei alto, andando de um lado para o outro. - A minha cabeça não anda legal, você sabe disso. Eu não sei o que eu ando sentindo. - coloquei as mãos na cabeça, sentindo-a começar a latejar. - Eu não me lembro da minha vida no último ano!
- Mas dela você não esqueceu! - falou baixo, sorrindo triste. - Ela, a mulher que quase acabou com você, você nunca esqueceu.
- Assim como não me esqueci do , da , da minha família… - justifiquei, enumerando nos dedos. - Ela fez parte de alguns anos da minha vida, não do último ano, mas ela fez. - respirou fundo, voltando a se sentar no sofá, encolhendo as pernas sobre o mesmo e escondendo o rosto entre os joelhos. Suspirei, andando devagar até ela, sentando-me ao seu lado.
- Eu também li o que você mandou pra ela. - sussurrou com o rosto abafado. - Eu vi que você pediu pra ela te esquecer e que você estava comigo. - me fitou, fazendo-me olhar seu rosto molhado pelas lágrimas que caiam. Meu coração se apertou, minha garganta secou. Eu nunca quis vê-la daquele jeito. - Eu não sei o que você sente por mim, . - seu tom de voz era baixo e calmo, mas muito triste. - Mas eu sei que não é o mesmo que você sente por ela.
- Não fala isso! - pedi, apoiando os cotovelos sobre os joelhos. - Eu tô te conhecendo, eu gosto muito de você, te acho uma mulher incrível. Você é forte, você é leal, você é companheira… - a fitei. - Você é uma pessoa maravilhosa, . Eu adoro estar com você! Estar ao seu lado me acalma, me faz muito bem, é inexplicável tudo o que sinto quando você está longe e depois volta para perto de mim. - gesticulava rápido. - É surreal.
- Mas você não me ama. - afirmou, triste. Limpou algumas lágrimas que caíam sobre o seu rosto, aproximando-se de mim. - Eu não quero ser incrível, eu quero ser amada. - beijou minha bochecha, se levantando em seguida. - Talvez ela esteja certa. Vocês tem uma história juntos e no final vocês fiquem juntos. Eu só sou um desvio.
- Não, , não faz isso! - me levantei também, parando a sua frente. - Eu não quero ficar com ela. - ela apenas desviou-se de mim, andando a passos rápidos até o quarto, a segui. pegou uma bolsa, colocou sua carteira, celular e alguns objetos lá dentro. Meu coração acelerou percebendo o que ela estava fazendo. - Não, não! - falei alto, aproximando-me dela. - Não faz isso, por favor. Não vai! - supliquei, caindo de joelhos em sua frente, abraçando sua cintura. - Não me deixa! - seu corpo parou, estagnou e eu só ouvia sua respiração rápida e seus fungados. Segundos depois, ela tirou meus braços do seu corpo e voltou a andar, a segui novamente, ela foi em direção a porta de entrada. - Não importa o que aconteça, a gente sempre vai achar o caminho de volta um para o outro. - falei alto. parou de andar, fitei suas costas. Ela se virou pra mim, limpando algumas lágrimas.
- Você se perdeu no caminho. - e abriu a porta, saindo. Ouvi o baque da porta se fechando, fazendo meus joelhos amolecerem, deixando-me cair no chão, sentindo meu corpo inteiro doer. Física e emocionalmente acabado.
- PORRA! - gritei, sentindo meus olhos arderem. Eu fodi com a minha vida. Perdi a única mulher que me quis exatamente como eu sou. Agora já era, eu estava sozinho naquela casa e tudo o que queria agora era ela, os braços dela, o corpo dela em volta do meu dizendo que ia ficar tudo bem, mas eu não os tinha, eu tinha perdido tudo.

Capítulo 12



- Cara, a gente tem uma reunião hoje à tarde. Se você não aparecer de novo, eu juro que vou te caçar com um taco de golfe! - a voz de surgiu do outro lado da linha. - Atende logo esse telefone, droga! Eu sei que você está aí. - ele suspirou.
- Yep! - falei pra mim mesmo, jogando mais uma batatinha na boca, enquanto fitava a TV ligada em algum canal aleatório.
- Olha, eu sei que deve tá difícil, mas não vai ser assim que você vai resolver as coisas. - suspirou mais uma vez, cansado. - Bom, se cuida!
- Aham. - murmurei, largando o saco de batata sobre o sofá. A casa estava escura, o silêncio reinava nela há dois dias. É, dois dias sem ela, sem vê-la, sem notícias, sem a sua risada, seu corpo, seus olhos. Respirei fundo, me afundando no sofá, talvez ele me absorvesse e me fizesse sumir. Ouvi um barulho de fechadura se destrancando, meu olhar rapidamente foi até a porta. Segundos depois ela foi aberta, me coloquei de pé de imediato, meu coração batia rapidamente.
- Oi, ! - falou, adentrando a sala. - Desculpa, eu não sabia que você estava em casa. Achei que já estava na agência. - caminhou até mim. Observou o local escuro e uma tonelada de lixo ao meu lado. - Ahm, a me emprestou a chave dela, eu… Eu só vim buscar algumas roupas pra ela.
- Ela não vai voltar, né? - perguntei, sentando-me novamente e fitando-a. Ela suspirou, retirando a bolsa do ombro e se sentando ao meu lado.
- Você sabe que eu torço muito por vocês, eu os amo muito. - começou, fitando meus olhos. - Mas ela é minha amiga também, . Ela está certa. Você precisa decidir sua vida! - segurou minha mão. - me contou tudo sobre a Claire, sobre a festa, sobre as mensagens. Não é segredo que nunca gostei daquela mulher, você sabe. - assenti, desviando o olhar. - Mas eu também sei que vocês tem um passado, e você está confuso com toda esta história de perda de memória. - voltei a fita-la. - Por isso você precisa tomar a decisão certa, sem voltas, sem arrependimento.
- Eu só quero a de volta. - sussurrei.
- Ela precisa de um tempo. Espera um pouco, ok? Olha o lado dela também, não tá sendo nada fácil. - suspirou, soltando-me e se levantando. - Eu preciso ir, eu vou pegar algumas coisas dela aqui. - assenti, voltando a fitar a TV. - Eu te amo, menino. Eu quero que você fique bem, tá? Você tem a mim e o . - eu nada respondi. Ela exalou o ar e eu ouvi seus passos se distanciando. Minutos mais tarde os ouvi se aproximar novamente, ela pegou a bolsa sobre o sofá, e eu vi em suas mãos uma pequena mala. Fechei os olhos, não querendo digerir aquilo. - Se cuida, !
- ? - a chamei, e ela me olhou, esperando eu continuar. - Obrigado. - ela sorriu, acenando com a cabeça e saindo porta a fora, deixando-me sozinho novamente. Suspirei alto, levantando-me e arrastando o meu corpo até a cozinha, parei em frente à geladeira e fitei as fotos pregadas nela mais uma vez. Arranquei a que estava eu e , segurando-a firmemente entre meus dedos. Abri a geladeira e peguei mais uma garrafinha de cerveja, abri rapidamente e bebi quase metade da garrafa. Voltei para o sofá, me jogando com tudo, fitando a foto em minhas mãos, sentindo meu coração doer e minha garganta arder. Eu olhava a porta a todo momento na esperança que ela aparecesse de repente. Mas, no fundo, eu sabia que isso não ia acontecer. Eu tinha ferrado com tudo!


Abri meus olhos rapidamente ao ouvir uma batida na porta. Meu corpo todo doía pela posição horrível que eu havia dormido no sofá. Eu não tinha noção de que horas eram, estava tudo escuro, como já estava antes. Ouvi a batida novamente, bufei, pegando uma almofada e cobrindo a cabeça. Foda-se quem era!
- , abre essa porta! - ouvi a voz de do outro lado. - Eu sei onde está a chave reserva, vai me fazer usá-la?
- Que mala! - resmunguei. - VAI EMBORA! - gritei, jogando a almofada na porta.
- Cara, vamos conversar. - ele pediu calmamente. - Eu só quero te ajudar. - suspirei cansado, dando-me por vencido e me levantando, arrastando-me até a porta e abrindo-a. me olhou de cima a baixo, fazendo uma careta. - Há quanto tempo você não toma um banho?
- Não enche! - falei, deixando a porta aberta e voltando para o sofá. Ele entrou logo em seguida, fechando a porta atrás de si.
- Desde quando você é esse bundão que desiste das coisas? - falou, sentando-se ao meu lado. Apenas bufei, deitando-me e escondendo o rosto. - Vai ser assim? Acabou? Você não vai tentar consertar as coisas?
- Ela não quer falar comigo, ! - fui ríspido. - Eu tentei ligar pra ela, mas ela não atende.
- E o que você tem a dizer a ela? - indagou, curioso. Suspirei, fechando os olhos.
- Que eu sou um idiota… - falei, minha voz saindo abafada. - Que eu cometi um erro... - suspirei alto. - Eu só quero ela de volta.
- Eu conversei com ela, sabe? - ele começou a falar, me fazendo apurar os ouvidos para escutá-lo melhor. - Ela também sente a sua falta. - desenterrei meu rosto do sofá, fitando-o. - Mas ela me disse que cansou, . Ela disse que achou que estava fazendo a coisa certa, mas que depois disso tudo pareceu errado e que ela estava lutando pela relação de vocês sozinha. - desviei o olhar, sentindo meu olho e nariz arderem. - Ela te ama e quer você de volta, mas ela não sabe se é a coisa certa. - ele tocou na minha perna, fazendo-me olhá-lo novamente. - É a coisa certa?
- Eu nunca quis machucá-la. - fui sincero, sentando-me no sofá. - Eu só queria descobrir o que aconteceu com a minha vida. - baguncei meus cabelos, nervoso. - Eu ainda quero descobrir o que houve comigo e com a droga desse cérebro.
- Eu entendo, cara, mas a não tem culpa e você sabe. - assenti, fitando meus pés. - Eu sempre torci muito por vocês dois, porque os dois são importantes pra mim, mas eu não quero que ninguém mais se machuque.
- Eu também não. - o fitei novamente. Ele assentiu. - Sábado é aniversário da minha irmã e eu não sei o que eu vou dizer para a minha família. - cobri meu rosto com as minhas mãos, sem ter noção do que fazer. - Minha irmã e ela são muito unidas, eu não sei, de verdade, o que dizer.
- Seja sincero, você já percebeu que esconder as coisas nunca acabam bem. - sorriu sem humor, apenas balancei a cabeça, concordando. - E você precisa voltar ao trabalhar, .
- Eu sei, desculpa por esses dias. - pedi, sem muita vontade de realmente voltar a trabalhar. - Eu prometo aparecer lá amanhã.
- Se não for, eu juro que te busco e te levo amarrado. - ameaçou sério. Ri, assentindo. - Aliás, acho que vou ficar por aqui hoje.
- O quê? Não precisa, cara. - falei rapidamente. Ele me ignorou.
- Tem comida aqui? - se levantou, rumando para a cozinha.
- , sério, não precisa ficar. Você tem a te esperando. - fui atrás dele. - Não precisa ser largado como eu.
- A tá ocupada com os preparativos do casamento. - avisou, abrindo meu armário.
- E você não vai ajudar? - levantei a sobrancelha. Ele riu, se virando pra mim.
- Ela disse que meu único papel é não atrapalhar. - deu de ombros, pegando um saco de doritos. - Tem cerveja?
- Na geladeira. - apontei. - ...
- Desiste, ! - parou a minha frente, jogando o pacote de doritos pra mim. - Hoje eu sou seu homem.
- Seu gay! - ri, balançando a cabeça. - Obrigado.
- Irmãos são pra isso. - e piscou, sorrindo. Foi até a geladeira e pegou duas garrafas de cerveja. - Tem Need For Speed?
- Eu sempre ganho de você, tem certeza? - perguntei, voltando para a sala e sendo seguido por ele.
- Eu andei treinando, meu amigo. - riu, sentando-se no sofá. Colocou as garrafas de cervejas sobre a mesa, foi até o videogame ligando e pegando os controles, entregando-me um. - Só não vale chorar!
- Vai à merda! - ri, sentindo-me melhor por ter um amigo tão leal na minha vida. Ficamos horas jogando, bebendo e comendo besteira. Logo ele ligou para a noiva, avisando que dormiria na minha casa. No dia seguinte, realmente me obrigou a ir para a agência. Então, só me restou voltar ao trabalho. Vou confessar, não me sentia motivado e nem inspirado para isso, mas de acordo que o dia foi passando, me manter ocupado foi melhor para a minha sanidade. Bom, pelo menos até o momento que eu resolvi passar na sala de e vi Hayden e Claire lá.
- E aí, ?! - Hayden me cumprimentou, animado, assim que me viu. Eu continuava estagnado na porta. pigarreou, chamando a minha atenção, fazendo-me acordar pra realidade. Forcei um sorriso, fitando-o.
- Oi, Hayden. Como vai? - me limitei a encará-lo apenas e esquecer que Claire estava ao seu lado.
- Bem, e você? Não te vi na festa depois daquela hora! - comentou, fazendo-me começar a suar debaixo da camisa social.
- Tivemos um probleminha e tivemos que ir embora mais cedo. - falou, intercedendo por mim. Ele assentiu, parecendo acreditar.
- Oi, ! - a voz de Claire soou em meus ouvidos. Mantive meu contato visual apenas em Hayden. Suspirei baixo, desviando o olhar para .
- Olá. - respondi, sem olhá-la. - , não quero atrapalhar vocês, depois eu volto, não era nada de importante. - avisei, acenando com a cabeça e saindo de lá rapidamente. Desabotoei os dois primeiros botões da minha camisa e corri de volta para o meu escritório, sentindo-me sufocado. - Droga! - vociferei, batendo o punho na mesa. Enfiei os dedos no cabelo, bagunçando-os. Apoiei as mãos sobre a mesa, respirando rápido, sentindo meu coração acelerar e uma adrenalina percorrer meu corpo. Ouvi um clique de porta se abrindo, virei minimamente minha cabeça para o lado, apenas para confirmar quem estava entrando ali.
- Você não respondeu minha mensagens. - ouvi sua voz novamente. Fechei os olhos, respirando fundo.
- Quando alguém não te responde, é porque ela não quer falar com você. - fui direto, virando-me para ela. Claire me olhava séria, fitando-me com o olhar triste.
- Você nunca vai me perdoar, não é? - mordeu o lábio vermelho, fitando as mãos. Suspirei, encostando-me à mesa.
- Não será assim que você vai conseguir um perdão, Claire. - avisei, fitando-a. Ela desviou o olhar para mim, dando alguns passos a frente. - Além do mais, você tem o Hayden, e eu tenho a .
- Ele não é você. - falou rapidamente, ficando perigosamente perto. Engoli o seco, sentindo sua respiração perto do meu rosto. - Me diz que você também não pensa em mim, e eu nunca mais te procuro.
- As coisas não funcionam assim. - desviei o olhar dela.
- Não? - perguntou, colocando as pequenas mãos no meu rosto, fazendo-me fitá-la. - Talvez assim funcionem. - avisou, logo após pressionando levemente os lábios aos meus. Desencostou-os brevemente e me fitou, esperando alguma reação. Minha boca formigou com o contato. Meus olhos se fixaram nos seus grandes glóbulos verdes, pareciam ansiosos e confusos.
- Droga! - sussurrei antes de voltar a colar meus lábios aos dela, sendo correspondido com a mesma intensidade. Minhas mãos se encaixaram na sua cintura, aproximando seu corpo do meu, senti suas mãos em volta do meu pescoço enquanto a ouvi arfar com a adrenalina. Eu sabia que continha raiva e urgência naquela beijo, eu não estava sendo gentil e nós dois sabíamos disso. Girei nossos corpos, prensando-a contra a mesa, enquanto me encaixava entre suas pernas. Mordi sua boca com força, fazendo-a gemer alto, o que me fez pressionar ainda mais meu corpo contra o dela. Meu corpo tremia, parecia que ele queria machucá-la, mas ao mesmo tempo eu sabia que não deveria, era errado. Aos poucos eu fui diminuindo a velocidade do beijo e parando, encostando minha testa a dela, recuperando o fôlego. Ela respirava rápido, fitando-me intensamente. Sua boca estava vermelha e logo no canto, reparei que havia um pequeno machucado, causado pela minha mordida. - Você está sangrando.
- Ah! - ela fez, tocando o machucado com o dedo. - Tudo bem, vai passar. - falou, limpando rapidamente. - Eu vou ficar bem.
- Não… - falei, me soltando dela e me afastando. - Não está bem. - suspirei, fitando-a. - Nada disso está bem.
- , é só um corte, vai cicatrizar.
- Será? - fiz uma careta. - Será que tudo isso um dia vai cicatrizar, Claire? - mordi meus lábios, nervoso. - Enquanto eu te beijava, eu só pensava em te machucar! Eu queria que você sentisse dor!
- Você está magoado, eu entendo. - ela tentou se aproximar, mas eu dei um passo para trás.
- Não, isso não é certo! - balancei a cabeça. - Eu… Eu só… - respirei fundo, fitando-a. - É melhor você ir.
- O quê? Não, a gente precisa conversar! - se contrapôs, aproximando-se.
- Não, a gente não precisa. - rebati, abrindo a porta. - Seu namorado está te esperando. - ela me fitou, esperando eu mudar de ideia, mas isso não aconteceu. - Vai.
- Ok. - se deu por vencida, arrumando o vestido e saindo pela porta, mas parando antes que eu pudesse fechar. - Sempre será eu e você.
- Tchau, Claire! - falei, enfim fechando a porta, encostando-me nela logo após. Senti vontade de vomitar, meu estômago se revirava. Por que a vida não podia ser um pouco mais fácil?

***


Quinta-feira, dez da noite. Eu estava mais uma vez enfurnado em casa, comendo o restante da lasanha e bebendo, pra variar. Não, eu não tinha sono. Eu até tentava dormir, mas eu não conseguia ficar na cama por muito tempo, ainda mais com o cheiro dela no travesseiro. Na TV passava algum jogo do Chelsea, mas eu não prestava muita atenção, só olhava fixamente mesmo. Eu ainda usava minhas roupas do dia, não tive coragem nem para tomar um banho e trocar de roupa. É, eu sei, eu estava na pior. O meu celular tocou sobre a mesa a minha frente, estiquei o pescoço para ver a bina: . Rapidamente eu peguei o celular e o atendi.
- Fala, ! - falei ao atender, mas ouvi apenas uma música alta e algumas vozes. - ?
- Ah, oi, ! Graças a Deus! - ela falou, suspirando aliviada. - Que bom que você atendeu!
- Por quê? Aconteceu alguma coisa? Você está bem? A está bem? - perguntei, preocupado. Ela fez um barulho estranho com a boca.
- É exatamente por isso que eu liguei, eu… , não! Garota, fica quieta, pelo amor de Deus! - ela se interrompeu, aparentemente brigando com ? - , eu preciso que você venha ao The Victoria, imediatamente. - pediu, sendo enfática. - Quando você chegar, eu te explico. Vem logo!
- Ahm, ok, eu já estou indo! - avisei, desligando em seguida. Desliguei a TV e catei a chaves do carro, rumando para o pub que havia falado. O trânsito não era dos melhores, mas consegui chegar lá relativamente rápido. Durante o caminho tentei formular várias hipóteses para me ligar com tanta urgência para ir à um pub, mas nada me veio à mente. Pulei do carro, mal estacionando e correndo para a entrada do local. The Victoria é sempre muito cheio, então, achá-las não seria fácil. Respirei fundo, passeando os olhos pelas pessoas, tentando achar aqueles rostos tão conhecidos, mas o que achei que seria uma tarefa árdua, se tornou algo fácil, assim que vi subindo no palco, onde alguns músicos tocavam. - Merda! - falei, observando-a rir de um jeito alto e mole. usava um vestido justo, desenhando perfeitamente as curvas do seu corpo. Um dos músicos, o cara que estava tocando o violão, olhou pra ela e sorriu, malicioso. Meu sangue ferveu. sorriu de volta, aproximando-se dele.
- ! - ouvi meu nome ser chamado, mas meus olhos não conseguiam se desviar da cena a minha frente. - Ainda bem que você chegou! - virei a cabeça para fitar .
- O que ela está fazendo ali? - falei, alterando o tom da minha voz.
- Ela bebeu além do que devia. - avisou, suspirando e fitando a amiga. - Recebemos folga, amanhã, na revista, então, ela decidiu que queria sair para beber, mas acho que ela exagerou um pouco.
- Cadê o ? - perguntei, voltando a fitar , que agora estava ao lado do cantor, tentando pegar o microfone dele. Oh, não!
- Ele está na casa dos pais. - ela também a olhava, inerte. - , cacete! - falou brava.
- Temos uma jovem aqui querendo fazer uma participação especial, parece. - o cantor falou, pausando a música. Ela riu, concordando. - Qual é o seu nome, princesa?
- . - falou no microfone, sorrindo molemente. O cantor sorriu, olhando-a de cima a baixo. Cerrei meus punhos com força.
- Você quer cantar alguma música? - perguntou, colocando a mão na cintura dela.
- O que esse cara pensa que tá fazendo? - vociferei, falando pelos dentes.
- Falando? - falou, dando de ombros. A fitei, levantando a sobrancelha. Ela me olhou, sorrindo esquisito.
- Você tá bêbada também. - constatei, dando um tapa na minha própria testa. - Ah, cara!
- Mas estou melhor que ela. - apontou para a amiga. agora estava rindo de algo que o tal cantor disse no ouvido dela.
- Ok, a princesa aqui quer cantar uma música! - avisou, dando espaço para ela em frente ao pedestal. - Qual música vai ser?
- Before He Cheats! - falou alto.
- Pega a indireta, ! - riu, empurrando-me de leve. Apenas a fitei brevemente, revirando os olhos e voltando a observar . Os primeiros dedilhados da música começaram, fazendo o pessoal no pub vibrar. tirou o microfone do pedestal, acenando para várias pessoas, como se as conhecessem.
-Right now, he's probably slow dancing with a bleached-blond tramp… - cantou, e por incrível que pareça, ela era afinada. revirou os olhos, bagunçando o cabelo. - And she’s probably getting frisky. - ela riu, se abaixando até um cara que estava logo abaixo do palco, passou a mão pelo rosto dele e ele sorriu, malicioso. era linda e era muito óbvio que qualquer cara iria querê-la. Era só ela sorrir que qualquer homem caía aos pés dela, facilmente. O tal cara meio que chamou ela pra baixo, enquanto ela continuava a cantar.
- Vem cá, gatinha! - ele continuava a chamar.
- Já chega! - falei alto, andando a passos rápidos até o palco. - ! - a chamei, mas ela não me escutou. - ! - chamei novamente, enfim, fazendo-a me olhar. Ela sorriu largamente, soltando um gritinho.
- Before he cheeeeats! - cantou, apontando pra mim. Ah, ótimo, agora todo mundo estava me olhando. Sorri sem graça para algumas pessoas ao redor.
- , desce daí, acabou o show! - pedi, estendendo a mão. Ela riu, se esquivando. - , anda logo!
- Eu tô cantando, garoto, me deixa! - falou, bufando. Contei até três mentalmente e a puxei pelo braço, jogando-a nas minhas costas. Ela soltou um gritinho, rindo. Segurei firmemente em suas pernas, guiando-nos para fora do pub, durante o percurso, puxei pela mão que estava livre e sai a arrastando até o carro.
- Entra, . - pedi, depois de destravar o carro. Ela assentiu, entrando no banco do carona e afivelando o cinto de segurança. Suspirei, ajeitando no banco traseiro, enquanto ela ainda protestava.
- Não, eu quero voltar! - fez biquinho, tentando me empurrar pelo peito.
- Você vai dormir agora. - avisei, tentando prender o cinto nela, mas ela ficava tirando. - , pára!
- Você nunca faz o que eu peço! - disse emburrada, cruzando os braços, feito uma criança. Ri pelo nariz, porque era bem o contrário: eu sempre acabava fazendo o que ela queria. Assim que consegui prender o cinto, fechei a porta e fui para o lado do motorista, seguindo, enfim, para a casa de .
- Você consegue me explicar o que aconteceu aqui? - perguntei a . Ela girou a cabeça devagar até encontrar meus olhos. Fez um bico, dando de ombros.
- A gente só queria se divertir. - avisou, dando uma olhada para trás, fitando a amiga, que agora olhava fixamente para a janela. - Ela estava triste.
- Eu sei. - falei, suspirando, fitando pelo retrovisor. Seu olhar encontrou o meu, e ela piscou devagar. - Tá sentindo alguma coisa, ?
- Raiva. - falou, desviando o olhar. Balancei a cabeça, voltando a prestar atenção nas ruas. Alguns minutos mais tarde, estávamos na casa de .
- Você está com a chave? - perguntei para , enquanto descíamos do carro. Dei a volta, pegando no colo, já que ela não estava com muitas forças. Segundos depois a porta da frente foi aberta. surgiu, franzindo a testa, confuso.
- O que está acontecendo? - perguntou, observando a cena.
- Amoooor! - riu, dando pulinhos e correndo até ele. Ele riu.
- A senhorita está bêbada? - perguntou, abraçando-a de lado. Ela levantou as duas mãos, fazendo uma careta.
- Talvez sim, talvez não. - respondeu.
- É, você está! - riu mais uma vez. Ele fitou e eu, levantando uma sobrancelha. - Ela está bem?
- Está muito bêbada e mole. - avisei, nos guiando até a casa.
- Estou com raiva! - avisou, falando meio embolado.
- Quer ajuda? - ofereceu, dando espaço para que eu passasse com . Balancei a cabeça, negando.
- Pode deixar. - disse, seguindo pela casa. - Ela está no quarto de hóspedes, certo? - ele confirmou com a cabeça. - Eu cuido dela, relaxa. Cuida da sua noiva, que ela está bem eufórica. - avisei, apontando com a cabeça para o ser sorridente ao seu lado. Ele riu, assentindo.
- Qualquer coisa, é só falar. - concordei com um aceno de cabeça, rumando para o quarto de hóspedes da casa de , que eu sabia muito bem onde ficava.
- Eu te odeio. - ela falou baixo, tentando sair do meu colo. - Você é um idiota! - vociferou com raiva, esmurrando o meu peito com força. Respirei fundo, levando-a até o banheiro. Coloquei-a dentro do box, sentada. Agachei-me a sua frente, segurando-a com uma mão e com a outra, liguei a ducha de uma vez, na água fria. Seu grito ecoou pelo banheiro. Ela se agarrou fortemente a minha camisa.
- Me desculpa. - pedi, enquanto ela se molhava debaixo do chuveiro sem me soltar. - Me desculpa.
- Frio, friio! - ela gaguejou. Tirei seu cabelo molhado do rosto, limpando o excesso de água do mesmo, ela me fitou com os olhos e a pontinha do seu nariz vermelhos. - Eu não te odeio.
- Eu sei. - falei apenas. encostou a cabeça no meu peito, molhando-me mais, mas eu não ligava. Respirei fundo, abraçando-a fortemente. Beijei o topo da sua cabeça, alcançando o registro do chuveiro e desligando.
- Sono. - falou baixo. Assenti, levantando-me e a puxando junto comigo. Peguei uma toalha, que estava logo ao lado, cobrindo-a rapidamente e a levando de volta para o quarto. A sentei na beirada da cama, passando a toalha pelo seu cabelo, secando-o do jeito que deu. Aproximei-me dela, agachando-me um pouco para que meu rosto ficasse da altura do seu. Ela me fitou, piscando pesadamente. Coloquei minhas mãos nas suas costas, fazendo nos ficar realmente próximos. Ela fitou minha boca e depois meus olhos. Mordi a boca, tentando não pensar no quanto eu queria a beijar e o quanto eu estava com saudades dela. Abri o zíper de seu vestido, deslizando o mesmo pelos seus ombros, cintura até tirar por completo do seu corpo. Minhas mãos coçavam de vontade de tocar sua pele, deslizar meus dedos por toda a extensão dele, minha boca e minha língua. Fechei os olhos fortemente, tentando me concentrar em apenas vesti-la. Fui até a mochila que havia feito para ela quando foi lá em casa, peguei uma camisola e voltei, fitando-a. estava só de lingerie, bem ali, na minha frente. Mas seu rosto estava tão sereno, seus olhos quase se fechando que minha vontade se tornou protetora. Eu só queria que ela ficasse bem.
- Levanta os braços. - pedi, parando a sua frente. Ela levantou vagarosamente. Coloquei a camisola nela e a deitei na cama, puxando o grosso cobertor sobre seu corpo. Seu cabelo úmido se espalhava pelo travesseiro, resquícios de rímel se espalhava por baixo de seus olhos, sua boca estava vermelha e entreaberta.
- Meus lábios… - ela falou, tocando-os levemente. - Estão dormentes.
- É o efeito do álcool, . - avisei, passando os dedos pelos seus lábios. Ela piscou longamente. - É melhor você dormir.
- Ok. - fechou os olhos. - Boa noite, .
- Boa noite, . - falei baixo, observando-a pegar no sono facilmente. Beijei levemente seus lábios, tão leve que não sei se realmente eu os toquei. Respirei fundo e me levantei, saindo do quarto, deixando a porta encostada. estava na sala, sentado no sofá.
- Ela está melhor? - perguntou, fitando-me. Parei a sua frente, assentindo.
- Ela dormiu, mas já estava melhor. - cruzei os braços, sentindo minha camisa colar no corpo por causa da água.
- Você está bem? - perguntou, preocupado. Balancei a cabeça, negando.
- Acho que não. - o fitei, sorrindo sem humor. - Eu não posso… Eu não consigo ficar sem ela. - ele sorriu, assentindo.
- Eu prefiro que não fique. - concordou.
- Escuta, amanhã provavelmente ela não se lembrará de muita coisa. - falei, sério. - Eu não quero que conte que eu estive aqui e a ajudei.
- Tem certeza? - perguntou em dúvida.
- Tenho. - respondi, passando a mão no cabelo, nervosamente. - Só me dá notícias quando ela acordar, ok? Se ela está bem e essas coisas.
- Pode deixar. - concordou. Eu assenti, rumando para a porta de entrada.
- Ah, ela deve sentir ressaca, então, deixa um analgésico pra ela ao lado da cama. - pedi, lembrando-me de súbito. riu, concordando novamente.
- Tem certeza que não quer ficar e cuidar dela? - sorriu ladino, desafiando-me.
- Não vou ficar. - balancei a cabeça. - Tchau, !
- Se cuida, ! - falou de volta, abrindo a porta para que eu saísse. - Eu vou cuidar dela.
- Eu sei que sim. - sorri, me afastando. Acenei e voltei para o carro, colocando-o em movimento e voltando para a casa. Que ironia do destino se acordasse com amnésia alcoólica. Destino cruel. Agora eu tinha pensar em como eu a conseguiria de volta. Eu tinha que conseguir. Eu precisava.




Continua...



Nota da autora: Olha, lá, meu povo! O pp fazendo umas merdas e depois sendo fofo. HAHAHAHAHA Aff, homens! A pp bêbada fica muito fofinha, fala sério. E POR FAVOR, vamos bater palmas para esse casal de amigos MARAVILHOSOS, porque, né. <3
Eu leio TODOS os comentários e são eles que me motivam a escrever cada dia mais pra vocês. Obrigada por todo o carinho com a história! <3
Até a próxima atualização, bebês. :*



Outras Fanfics:

Long/Finalizada: Johnny
Short: Lovin' Arms
Short Especial Behind The Scenes: The One About 2006


comments powered by Disqus