Última atualização: Fanfic Finalizada

Capítulo Único

“Malditas Spice Girls”.

Essa era a frase que se repetia na cabeça de desde que tinha inventado aquela ideia, que agora considerava bastante imbecil. Quando conheceu Maureen, sua namorada, devia ter entendido que aquele Wannabe tatuado no pulso era sinal de problema, porque era.
Enquanto saía do restaurante do navio em direção à sua cabine, tentava repassar na cabeça todas as atividades programadas até o final da viagem, com a intenção de excluir tudo que pudesse ser arruinado pelas amigas de Maureen, como o jantar fracassado para -apenas- ele e a namorada. E quanto mais reduzia os itens da lista, mais frustrado ficava por não ter previsto aquele tipo de situação.
Maureen, Laura e Olivia eram absolutamente inseparáveis, sabia disso quando ficaram juntos. Teve mais receio de conhecer as amigas do que os pais da garota; a aprovação delas era fundamental e, não negava, ele achou essa história bonitinha até metade do primeiro ano de namoro. No início, imaginava que a presença constante das duas fosse uma forma de garantir que fosse um cara legal, que não machucaria Maureen e tudo mais, mas depois de quase oito meses de relacionamento, começou a achar estranho.
Com um ano e meio, estava acostumado a só ter um tempo sozinho com Maureen no seu próprio apartamento (embora nunca tenha se acostumado a assistir The Bachelorette com o trio quase todas as vezes que ia dormir na casa da namorada). Quando completaram dois anos de namoro, já tinha dominado a habilidade de gerenciar uma agenda paralela com os próprios amigos, para quando tivesse que cancelar os compromissos que marcava com Maureen em prol de algum programa que Laura ou Olivia tivessem arranjado de última hora. Com dois anos e meio, já não aguentava mais.

Depois de virar algumas esquinas e subir algumas escadas, finalmente chegou às cabines e pegou o cartão para abrir a porta do quarto. Precisava de um banho quente, um pijama, um livro e toda a força de vontade que tinha para ignorar os eventos sociais que o cruzeiro -caríssimo, por sinal- oferecia. Pareciam interessantíssimos, mas estava irritado, e decidiu que permaneceria irritado naquela noite, independente de quanto dinheiro fosse desperdiçar.
Achou que tinha tomado a decisão certa quando tentou passar o cartão na porta pela terceira vez e ficou ainda mais irritado do que já estava. Por quê aquela porcaria não abria?
— Posso te ajudar com alguma coisa, meu anjo? — Uma voz vinda de trás perguntou, fazendo se assustar e deixar cair o cartão. Definitivamente, aquela era uma noite para se estressar.
— Não, obrigado — Olhou para trás e viu uma mulher na faixa dos 55 anos, muito bonita, com um sorriso controlado, de quem achava graça em alguma coisa que não era engraçada para ele. — É só o meu cartão que resolveu não funcionar, mas deve ser algum erro no sistema. Sabe como é, primeira noite... essas coisas devem ser reiniciadas entre uma viagem e outra, e aí é um prato cheio para dar erros no sistema.
A mulher o encarou de cima a baixo, e foi aumentando o sorriso até dar uma risada leve. Balançou a cabeça de um lado para o outro e colocou a mão no ombro de .
— Meu anjo, acho que o sistema que está com erro é o seu, porque essa cabine é a minha — Indicou com a cabeça, e quando olhou de volta para a porta, deu de cara com outra mulher, mais jovem, porém muito parecida com a que conversava com ele. Ela havia aberto a porta e encarava a cena confusa, mas com a mesma expressão de divertimento da outra. — , esse é o…
— Eu, é…
! Lindo nome — A mais velha encarou o rapaz de cima a baixo de novo, e ele sentiu uma vontade esmagadora de cavar um buraco no casco do navio e enfiar a cabeça. — deve ter se perdido e achou que esse era o quarto dele. Você não teria mais um daqueles mapas do navio sobrando por aí, teria, filha?
— Acho que não, mãe, mas eles têm vários na recepção. Fica no andar principal, .
e a mãe pareciam estar se divertindo, para o desgosto do rapaz. Sem saber bem o que fazer, ele acenou estranhamente com a cabeça, murmurou um agradecimento e saiu andando. Voltou dois minutos depois, quando lembrou que tinha deixado o cartão do quarto caído ali, então saiu andando de cabeça baixa mais uma vez.

Feliz por ter conseguido um tempo sozinho, , agora de banho tomado e pijama, pegou um folheto do cruzeiro que havia encontrado no quarto. Ficou ainda mais feliz por ver as várias atrações e atividades que poderia fazer ao longo da viagem, enquanto Maureen estivesse curtindo com as amigas, e depois se sentiu mal por ter se sentido feliz. Não queria preferir ficar sozinho a estar com a namorada (e Laura e Olivia).
Colocou o folheto de lado, e tentou, porém falhando miseravelmente, ignorar a nota mental que seu cérebro fazia sobre o show de uma banda cover dos Smiths, que seria no mesmo horário do karaokê especial de pop dos anos 90, no dia seguinte. Suspirou e pegou o controle da televisão para assistir um filme até dormir ou Maureen voltar para a cabine. Não se surpreendeu quando desligou a tv e as luzes, ainda sozinho no quarto.



A primeira manhã no navio indicava que, com um pouco de jogo de cintura, aquela viagem poderia realmente ser memorável pelos motivos certos. O sol iluminava suavemente o interior da cabine conforme raiava, e não se lembrava de ter sentido tanta paz de espírito nos últimos tempos. Se espreguiçou e sorriu. Em breve estariam entrando em mares gregos, aproveitando de todo o clima e misticismo do lugar.
Olhou para a cama ao lado e viu que estava sozinha; sua mãe, Debby, havia saído mais cedo do que ela esperava. Evitou pensar no que ela poderia estar fazendo -ou com quem- e foi até o corredor. Sua cabine ficava no penúltimo andar, o que acabou sendo mais interessante do que ela imaginou, quando Debby lhe mostrou os papéis da reserva. Dali podia ver quase tudo o que acontecia no navio, além de ficar longe do barulho das áreas comuns quando queria aproveitar o sossego do quarto.
Sentiu o cheiro do mar e ouviu as gaivotas que sobrevoavam a embarcação, e pensou no quão paradisíaco era tudo aquilo, e como era bizarra a situação que a levou a estar ali; precisava agradecer ao ex-padrasto quando desembarcassem de volta na Itália. Ouvindo o estômago reclamar, se arrumou e foi procurar algo para comer. Se lembrava de um buffet tropical que tinha visto no anúncio do cruzeiro e tratou de ir até lá.

O buffet estava montado no deck central, em um salão grande e todo decorado com tema havaiano. riu da escolha do tema e foi até uma mesa vazia próxima a uma janela. Seu plano era bastante simples: pediria uma bebida para algum garçom, iria até as mesas de comida pegar seu café da manhã e então se sentaria para fazer uma bela refeição.
Por ser um cruzeiro de entretenimento, não era incomum que os hóspedes fossem contemplados com alguns shows não programados e outras atrações do tipo, além da música ao vivo nos restaurantes do navio, que já era um bônus amplamente divulgado pelas agências de viagem. Sabendo disso, achou divertidíssimo ouvir um grupo de músicos e dançarinos entrando no salão. Terminou de colocar uns abacaxis no prato e se virou para voltar para a mesa.
Durante o trajeto, não conseguia ver o que acontecia atrás do grupo, mas a julgar pela animação dos outros tripulantes, devia ser algo muito legal; e ficou empolgada para descobrir o que era. Se desempolgou imediatamente quando o grupo chegou ao centro do salão e ela viu uma mulher de sutiã de coco e saia de palha, que claramente não fazia parte da equipe do navio, dançando junto com os músicos.
— Mãe?!
A mulher olhou na direção de e abriu um sorriso enorme.
! Oi, amor — Gritava e acenava para a filha. — Guarda um pãozinho para mim. Já venho comer com você.
Não teve tempo de responder antes do grupo seguir para outro restaurante, acompanhado de Debby. se contentou em balançar a cabeça de um lado para o outro, incrédula, até se render e cair na risada; ela conhecia a mãe que tinha.

Já era quase meio dia quando Debby finalmente chegou na cabine. Ainda usava a saia de palha e o sutiã de coco, que agora estava enfeitado com broches e flores.
— Seu pão está ali na mesa — disse, levantando os olhos do livro que lia.
— Ah, maravilha. Dançar com o pessoal me deu uma fome enorme, e passar por todos aqueles restaurantes não ajudou em nada.
Debby pegou o pãozinho e se jogou na cama, encarando o teto, contemplativa.
— Sabe, , você devia vir comigo hoje à noite. Eles vão tocar nos cassinos, lá embaixo, e a gente podia acompanhar. Acho que as meninas gostaram bastante de mim, sabe? Até me ensinaram aquele passinho com a cintura.
— Nos cassinos, é? — A menina riu, vendo a mãe concordar com a cabeça, animada. — Acho que eu passo. Vi umas outras atividades para hoje à noite, mas vou ficar com o celular. Se você vir algum par de velhos ricos com o pé quase na cova por lá, me liga e a gente faz um ataque coordenado.
Debby gargalhou e se levantou da cama. Pegou uma toalha e algumas roupas e parou na porta do banheiro, olhando para a filha.
— Por mais tentador que seja o convite, meu bem, dessa vez sou eu que passo. Já tive o suficiente de homens na minha vida.
Com mais um sorriso rápido, Debby encerrou o assunto, entrando no banheiro. suspirou. Esperava que a mãe estivesse tão bem por dentro quanto aparentava estar, por fora. Gostava do ex-padrasto, e sabia que Debby também; ela ainda estava processando o divórcio recente. questionava, apenas, se aquela realmente teria sido a saída ideal para os dois, mas não tinha como imaginar o que se passava pelo coração da mãe, até então casada com um homem que a amava, mas que era tão exigido pelo trabalho.
Fosse como fosse, durante aquela viagem, esse era um assunto proibido. Estavam ali para se divertir, e deixar as preocupações em terra firme. colocou o livro de lado e, olhando pela janela, decidiu vestir um biquini e ir aproveitar a piscina. Já não conseguia mais ver a costa italiana, de onde zarparam, e ainda não haviam chego aos mares gregos, mas o sol ali brilhava mais forte do que em qualquer lugar ou estação de Londres, e para , isso era mais do que suficiente.

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olhava para o celular pela enésima vez. Havia tentado telefonar para Maureen e deixado várias mensagens, mas não obteve nenhum retorno. Se irritava consigo mesmo por ainda se frustrar. Tinha decidido acompanhar a namorada e as amigas no tal karaokê (especial de pop anos 90!), mas não conseguia falar com Maureen e saber se elas iam, de fato. Não sabia nada do planejamento delas para toda a viagem, sendo bem sincero.
Naquela manhã, após terem tomado café juntos e -surpreendentemente- sozinhos, Maureen disse que iria com as meninas ao spa do navio e encontraria quando saíssem de lá. Claro que um dia no spa poderia tomar, literalmente, o dia inteiro, mas quando olhou no relógio e viu que este já marcava quase 19h30, decidiu que não estava disposto a esperar mais.


O fato do navio ter uma espécie de casa de shows era quase desconcertante. O salão, carinhosamente apelidado pela equipe de “music bar”, tinha dois patamares, como uma pequena arquibancada. O palco ficava no patamar inferior e contava com algum espaço de pista na sua frente. O piso superior dispunha de mesas tradicionais de quatro lugares, que podiam ocupar até a área em frente ao palco, dependendo do estilo da atração, e mesas bistrô mais próximas ao bar, que ficava no fundo do salão.
Nessa noite, o público esperado para assistir o show da banda cover de The Smiths era mais velho, talvez com algumas famílias. Sendo assim, as mesas tradicionais ocupavam o piso inferior e parte do superior, embora o número de mesas bistrô também fosse maior do que de costume; havia uma quantidade absurda de mesas e lugares para apoiar os copos.
Nada disso fez diferença alguma para , quando chegou à casa de shows e não conseguiu encontrar um mísero lugar vago. Depois de quinze minutos parado do lado do bar, observando as mesas e torcendo para que alguma criança resolvesse fazer uma birra ou derrubar um garçom enquanto corria pelo lugar, levando os pais a serem gentilmente convidados a se retirarem do local e não voltarem mais até o final da viagem, sentiu uma mão em seu ombro mais uma vez.
— Com licença, — O rapaz olhou para a direção da voz e viu a filha da dona da cabine que tinha tentado invadir, no dia anterior. — , não é?
— É, sim. Você é… ? — A mulher riu e negou com a cabeça.
— Sou . Você está esperando alguém? O lugar está lotado, mas tem espaço para mais três pessoas na minha mesa, se vocês precisarem.
notou uma mesa bistrô a uns dois metros de distância de onde eles estavam, com apenas uma bolsa pequena e um casaco em cima. Pensou em recusar educadamente, mas lembrou que o show só começaria dali meia hora e duraria por volta de duas horas, e ele não tinha saído da cabine com a intenção de beber em pé por duas horas e meia.
— Não, não estava esperando ninguém, não. Na verdade, estava procurando uma mesa — Riu meio soprado, meio sem graça por algum motivo que não entendeu bem qual era, mas decidiu que pensaria sobre isso depois. — Tem certeza que não vou te atrapalhar?
— Claro! Acabei vindo sozinha, mas um pouco de companhia seria bom. E, depois de ter usado dos meus serviços de informação para tripulantes, acho que é o mínimo que você pode fazer. Aliás, você conseguiu encontrar a recepção, ontem, não é?
olhou para com uma falsa condescendência antes de rir e indicou o caminho até a mesa. Pediram a primeira rodada e se ajeitaram nas cadeiras para conseguirem a melhor visão do palco que pudessem ter.
— Então, , se não for muita intromissão da minha parte, posso perguntar o que te traz, sozinho, a um cruzeiro totalmente familiar?
— Era para ser uma missão de resgate, mas não acho que está dando muito certo — Riu baixo de novo. Estava começando a se irritar com essa mania, mas não valia o esforço de tentar evitar. — E eu não estou sozinho, digo, tecnicamente. Vim com a minha namorada e as amigas dela, mas elas têm uma programação diferente da minha, pelo visto.
Notando a expressão no rosto de , se apressou em arrumar o rumo da conversa.
— Desculpa, não quis te incomodar com esse assunto. Mas é que… eu estou cansado, sabe? Era para ser uma viagem romântica, para tentar dar um futuro para o nosso relacionamento, mas aquelas duas vieram junto, e eu não aguento mais!
Sem saber ao certo o que fazer, deu duas batidinhas nas costas de , que tinha enterrado o rosto nas mãos, frustrado.
— Não tem problema. Às vezes é mais fácil desabafar com um desconhecido, eu entendo, e parece que você tem bastante coisa para colocar para fora.
Antes que pudesse responder, as luzes do salão deram lugar aos holofotes do palco e uma cortina de fumaça tomou conta do lugar. Entrando na brincadeira, o público gritava como se estivesse esperando a banda original. acompanhou, gritando também, e se viu dividido entre olhar para o palco e olhar para a garota.


Os últimos acordes de The Boy With The Thorn In His Side deu lugar a um coro de “mais um” e “bis”, encerrando o show pela terceira vez, considerando que essa já era “mais uma música” e a banda já tinha tocado o “bis”. A música ambiente voltou a tocar nos alto-falantes e alguns respeitáveis senhores, levemente alterados pelo álcool, gritavam com os funcionários do cruzeiro, que tentavam desmontar o equipamento da banda. e terminavam seus últimos drinks, enquanto esperavam a multidão acalmar para poderem sair do salão.
— Como eles colocaram tanta coisa em um show dentro de um navio? — ainda não se conformava com os efeitos de pirotecnia que tinham emoldurado o palco durante a apresentação. — O Max, aquele meu amigo produtor que eu te falei mais cedo, ah, ele teria adorado ver isso aqui.
— Considere-se com sorte, então, senhor, pois eu filmei tudo. Posso te enviar, se quiser.
— Está falando sério? Ah, o Max vai ficar louco com isso.
riu da versão alcoolizada de e enviou o vídeo para o novo amigo. Com algum esforço, conseguiram sair da casa de shows e caminharam juntos até os elevadores de acesso às cabines. Um som suave indicou que o haviam chegado ao andar do rapaz.
— Obrigada por me fazer companhia hoje, . Você tem meu telefone agora, então quando quiser desabafar com uma desconhecida, pode me mandar uma mensagem ou, bom… você sabe onde é a minha cabine.
Com uma despedida breve, cada um seguiu seu caminho. entrou no quarto que dividia com Maureen e encontrou a namorada dormindo. Olhou no relógio e se assustou quando percebeu que já passava da meia-noite (aqueles três finais do show tinham tomado mais tempo do que ele imaginava). Depois de um banho, já preparado para se deitar, pegou o celular e viu a mensagem de com o vídeo do show. Foi dormir com a cabeça mais embaralhada do que antes, já um tanto certo de que essa viagem não sairia como planejado.



O sol brilhava forte no céu, como se esperava que uma bola gigantesca de fogo fizesse. Essa bolo de fogo era a mesma vista em todo o planeta, porém era comum da espécie humana, que tinha pouquíssima noção de proporção, dizer que o sol era diferente dependendo de onde o ser humano em questão estivesse. Sendo assim, aquele era o sol da Grécia e, no início do verão, ele brilhava forte e trazia um calor bastante agradável.
Por conta desse sol brilhante e quente, logo pela manhã, podia ser encontrado no porto de Santorini, na primeira parada do navio, usando um boné horroroso de um time de críquete que nem ele conhecia, que tinha ganhado de brinde de uma empresa de cartão de crédito. Olhava de um lado para o outro, procurando Maureen e as amigas, que tinham saído do navio antes dele e, pelo que percebia agora, o deixado para trás.
Checou o telefone e releu a mensagem da namorada, dizendo “estamos desembarcando ;)”. Suspirou, tentando não se irritar, e foi até um dos membros da tripulação, que estava orientando os passageiros que desembarcavam.
— Com licença. O senhor viu se essas moças desembarcaram? — Perguntou, mostrando uma foto no celular.
— Sinto muito, senhor, mas não posso fornecer esse tipo de informação, por protocolos de segurança e proteção aos passageiros.
— Não, está tudo bem. Essa moça ruiva é minha namorada, e as outras duas são amigas dela. Acho... acho que ela esqueceu o celular na cabine e nós nos desencontramos.
Esperava ter soado convincente o suficiente para o guarda, mas tinha que admitir que se ele mesmo fosse o guarda, provavelmente não diria nada. Como confiar num cara que perde a própria namorada?
— Me desculpe, senhor. Realmente não posso fornecer essa informação. Agora, se puder fazer a gentileza de desobstruir a passagem, tem outros tripulantes querendo sair do navio.
quis descontar todo o estresse acumulado na cara do funcionário, mas se controlou. Aproveitou que já estava ali, resolveu tirar o dia para si, e foi passear sozinho por Santorini.

---XX---

Não muito longe dali, em uma iogurteria charmosa e tradicional, um belo rapaz, que fazia jus à fama mundial da expressão “deus grego”, sorria para uma bela garota ruiva, que sorria de volta. Do outro lado da mesa, as duas garotas que a acompanhavam olhavam aquela situação com sobrancelhas arqueadas e expressões duvidosas.
— Sabe, Mo, foi muito legal da parte do concordar que a gente viesse junto — Olivia começou a conversa, tentando não ser muito direta. — Essa viagem tinha tudo para ser super romântica, mas ele sempre pensa em você primeiro e te dá bastante espaço. Ele é bem legal, né?
Maureen tirou os olhos do filho de Apolo, que começava a sumir ao longe, e voltou sua atenção para a amiga, parecendo distraída.
— O quê? Ah, o . É, ele é bem legal — Rrespondeu rápido e abaixou a cabeça, olhando para o pote interessantíssimo de iogurte com frutas vermelhas. Aproveitando a deixa, Laura continuou:
— Ele é, mesmo. Acho que a gente ficou mal acostumada, não é, Liv? A gente sabe que você deve sentir falta de passar um tempo sozinha com ele, Mo. Prometemos deixar vocês mais à vontade. Lembra que tem um concurso de fantasias? Vocês mandaram tão bem no último Halloween, imagina se vocês ganham esse concurso, tipo, juntos? Parece que o prêmio é bem legal.
— É verdade, Mo! Eu e a Laur queremos dar uma passadinha nos cassinos, também, amanhã. Você e o podem aproveitar para pensar em uma fantasia de casal bem legal.
— Não! — Laura e Olivia se assustaram com a resposta bruta de Maureen, que reagiu por impulso. Limpou a garganta, sem graça, e continuou: — Não precisa, meninas. Eu até tinha pensando em alguma coisa, mas vocês podem me ajudar a montar as fantasias para nós quatro. Tenho certeza que o topa qualquer coisa. Podemos ser as Três Espiãs Demais, e ele, o Jerry, o que acham?
Deu um sorriso tão rápido que as amigas mal conseguiram notar que ele existiu. Era bem verdade que os iogurtes gregos eram deliciosos, assim como o belo rapaz que tinha passado por ali, uns minutos mais cedo, mas se tivesse consciência e pudesse falar, naquele momento, o iogurte diria que estava ficando constrangido com o olhar fixo da moça.
— Maureen, pelo amor de Deus! — Laura bateu a mão na mesa, e quase virou o copo de suco de Olivia. — Tem dois anos que meio que vocês estão juntos, e o parece mais ser a nossa quarta amiga do que o seu namorado. Você vive arranjando compromisso com a gente para não ficar com ele e, não me leve a mal, nós adoramos o convite para esse cruzeiro maravilhoso, mas está na cara que ele queria passar um tempo com você.
— Mo, você sabe que pode contar com a gente para tudo, não sabe? — Olivia, com um tom bem mais calmo que Laura, apertou a mão de Maureen — Conta para a gente, amiga: está acontecendo alguma coisa entre vocês?
Maureen respirou fundo algumas vezes, pensando em como explicar para as amigas o que estava sentido. Sabia que precisavam ter tido essa conversa muito tempo atrás e, mais importante ainda, que devia ter falado com sobre isso.
— Não é com “a gente”, Liv, é comigo. O é ótimo, e eu estaria mentindo se dissesse que ele não é um bom namorado, mas também não posso dizer que eu estou feliz. Vocês sabem que eu tive o mesmo namorado desde a adolescência, e que nós terminamos pouco tempo antes de eu conhecer o . Os primeiros meses com ele foram maravilhosos, mas depois de um tempo, acho que eu tive mais medo de ficar sozinha do que vontade de estar com ele.
O silêncio que tomou conta da mesa era duro, mas reconfortante. A leveza que Maureen sentia por ter finalmente admitido aquilo em voz alta era extasiante, como um analgésico aliviando uma dor forte e contínua. Entendendo que aquilo era o suficiente, as três amigas se concentraram em terminar seus iogurtes e falar sobre amenidades, aproveitando um dia lindo em um lugar paradisíaco, como tinham planejado.

---XX---

, anda! Eu que sou a idosa aqui e você que se mexe que nem uma lesma? Acelera esse passo, menina!
Debby arrastava pelas ruas de Santorini, deslumbrada com as jóias e os souvenirs. Por recomendação de uma amiga que havia visitado a ilha alguns meses antes, Debby procurava uma loja específica com um objetivo ainda mais específico, para o qual tinha juntado um dinheiro considerável.
— Mãe, a intenção era que isso fosse um passeio, sabe? Turismo. Não é por que estamos na Grécia que você precisa andar como se estivesse correndo nas Olimpíadas.
— Ai, menina, para de reclamar e vem logo. A gente está quase chegando, olha o GPS.
Dito isso, Debby empurrou o celular para a filha e se apressou em atravessar uma viela. Finalmente tinha achado a loja que queria.
— Mãe, o que você está aprontando dessa vez? Por que a gente está numa loja de vestidos de festa? — seguia a mãe por entre as araras, ainda tentando entender o que estava acontecendo.
Debby puxou um vestido pelo cabide e colocou na frente do corpo de . Pensou um pouco, soltou um muxoxo e colocou o vestido de volta.
— A última noite, ! O jantar com o comandante. Falamos disso em casa, lembra?
não se lembrava, mas fingiu que sim. Aprendeu muito nova que quando a mãe enfiava uma ideia desse tipo na cabeça, o melhor a se fazer era não discutir.
— Vem, me ajuda a escolher os nossos vestidos. — Debby exibia um sorriso tão genuíno, que mesmo que houvesse a possibilidade de fazê-la mudar de ideia, não faria. — Nós duas vamos ser a dupla mais elegante daquele jantar!
O resto da manhã foi ocupado com idas e vindas do provador de roupas, caixas de jóias sendo retiradas dos mostruários e pedidos de desconto. Como se aquilo já não tivesse sido atlético o suficiente, carregadas de sacolas de compras, e Debby subiram algumas escadarias para almoçar em um restaurante tradicional com uma das mais belas vistas de Santorini.

O perfume da comida brigava de igual para igual com o cheiro do mar, que delineava o horizonte. A paisagem branca e azul era o sonho de qualquer turista que esperasse encontrar um pedacinho de paraíso na Terra. Uma música alegre conduzia o clima do ambiente, e as duas mulheres inglesas sentiam que podiam deixar o navio ir embora sem elas.
— O que você acha, mãe? Itália ou Grécia? — estava recostada na cadeira, de olhos fechados, aproveitando o sol enquanto esperavam seus pratos. — A gente bem que podia se mudar para cá.
— Não sei, , acho que eu não sirvo para morar num lugar desses. Eu ficaria preguiçosa e nunca mais iria querer trabalhar na vida. Além disso, acho que eu não abro mão das delícias italianas.
arqueou uma sobrancelha e olhou de lado para a mãe.
— Está falando da culinária ou dos italianos?
— Acho que dos dois. — Debby e riram, até que foram interrompidas pelo garçom, que trazia o almoço.
— Mas sabe, , eu tenho pensado em voltar para Londres. Treviso é maravilhosa, mas sem o Lorenzo, não tenho mais aquela sensação de estar em casa.
Por mais que Debby soubesse mascarar as emoções, sabia o quanto era difícil para a mãe falar sobre aquilo. O divórcio e uma possível volta para Londres representavam deixar para trás uma parte importante (e feliz) da vida que Debby havia construído depois de se recuperar do luto pelo pai de , que se foi deixando a esposa e uma filha pequena.
sabia também que a mãe era forte! Mesmo com as dificuldades que encontrava para manter uma vida estável como atriz já não tão nova e mãe, Debby criou a filha, manteve a casa e conseguiu prover uma vida razoavelmente confortável para as duas. Talvez fosse justamente por isso que deixar Lorenzo para trás era tão doloroso. Depois de tantos anos, havia encontrado um parceiro que fazia justiça ao título, e Debby se permitiu viver um romance mais uma vez, agora mais madura e com mais sabedoria.
— Você sabe que eu te apoio em qualquer decisão que tomar, não é, mãe? Se ainda estiver em dúvida, vem passar uma temporada comigo antes de se decidir. A casa é sua, mesmo, então quem sou eu para impedir? — brincou e Debby sorriu.
— Que bom que sabe! Mas não estou em dúvida, . Já tive bastante tempo para pensar e essa foi a minha escolha. Decidi também que vou virar empreendedora. É assim que vocês falam hoje em dia, não é? — Surpresa, porém curiosa, apenas concordou com a cabeça e indicou que a mãe continuasse.
— Quero comprar o galpão daquele velho rabugento, no final da rua. Vou abrir minha própria escola de teatro.
— Mãe, isso é incrível! Caramba, você fala dessa escola desde que eu era criança.
— E agora vai ser realidade — Debby colocou os talheres no prato e levantou a taça, feliz por estarem tomando um bom vinho. — Proponho um brinde, aos recomeços e à vida.
— Aos recomeços e à vida!



Os dias se seguiam e a viagem estava na metade. O navio passava a maior parte de suas noites em alto mar, apesar de ser um itinerário curto, e por mais que tivesse atrações para todos os gostos (era um cruzeiro de entretenimento, afinal), cada parada gerava euforia nos tripulantes. Quando essa parada era reconhecida por suas festas e praias privadas, então, a empolgação era ainda maior.
Esse era o caso de Mykonos, e Mykonos calhava de ser a parada daquele dia. A vida noturna da ilha era famosa, e por conta disso, essa parada seria diferente: atracariam ao meio dia, o navio passaria a noite no porto e zarparia novamente pela manhã, no dia seguinte. Era também a parada mais assustadora para a equipe: não seria a primeira vez que um tripulante seria deixado para trás, caído de bêbado em alguma praia depois de ter passado a noite toda tomando margaritas, rositas, violetitas, e todas as outras floresitas más.
Durante a manhã, no entanto, procurava o que fazer; e achou na sala de jogos. A máquina antiga, estilo fliperama, estava repleta de jogos clássicos, e já navegava entre eles pelas últimas três horas. Depois de muitos Yoshis perdidos, decidiu tentar o Mario Kart, que também não estava indo às mil maravilhas. Jamais admitiria, mas gostava muito mais dos jogos do que eles gostavam dela.
— Mas que droga, sua princesinha de araque. Se dirige desse jeito, podia muito bem ter fugido do Bowser sozinha, sua ridícula!
Ouviu uma risada alta vinda de suas costas, e o susto a fez perder o controle do carrinho e se eliminar da partida. Virou, brava, querendo xingar quem quer que fosse.
! Que droga, você me fez perder a partida.
, pelo amor de Deus. Jogando daquele jeito, você não precisava de mim para perder.
podia jurar que nunca tinha visto alguém tão indignada até aquele momento.
— Vai se lascar, mané. Some daqui e me deixa jogar em paz.
— Calma, garota. Estressada desse jeito, parece que está precisando de umas férias. Sugiro um cruzeiro, dizem que são incríveis.
não se controlou para não dar uns tapas no rapaz, ainda mais depois de notar o sorrisinho panaca no rosto dele.
— AI! , para! Eu venho aqui na maior boa vontade para te fazer um convite e sou recebido desse jeito, credo.
— Convite? Que convite?
— O navio vai atracar em Mykonos hoje. Se você não for fazer nada com a sua mãe, eu pensei que a gente podia dar uma volta pela cidade. Apesar do tapa dolorido, você até que é uma companhia legal, e parece que a ilha é animada.
— Hm. Não sei, não. Por que você não convida a Maureen? Vocês precisam se resolver, .
— Acha que eu não tentei?
pensou um pouco antes de continuar. Gostava da companhia de , mas achava aquela situação toda muito delicada, e não queria se comprometer, e nem piorar a situação do casal. Por outro lado, sabia que nunca mais os veria e ter um colega de viagem era interessante.
— Tudo bem, podemos ir. Mas com uma condição: você vai ter que me vencer no Mario Kart.


Enquanto andava pela beira da praia, tampando os ouvidos para se proteger do barulho estridente dos vários djs que tocavam por ali, se criticava por não ter pensado em uma condição mais segura. , embora procurasse não demonstrar, concordava. Agora que estavam ali, questionava o motivo de ter achado que ir para uma balada (qualquer balada, na verdade; detestava baladas) era uma boa ideia. Sendo honesto, estava tendo muitas más ideias nos últimos tempos.
Passado o quarto palco improvisado na areia, finalmente chegaram a um quiosque, se é que podiam chamar assim. O lugar parecia uma bela cabana, com estrutura de madeira, e se estivesse no meio da floresta, com uma decoração diferente, poderia ser confundida com uma cabana de caça. Como estava na praia e não tinha uma decoração diferente, era só um quiosque muito elaborado. Servia comida e bebida, portanto, independente da aparência que tivesse, era onde os dois queriam estar.
— Me promete que você nunca mais vai convidar ninguém, para nada, ? Pelo bem das pessoas à sua volta, por favor, me promete.
— E você me promete que nunca mais aceita o convite do primeiro que te vencer no Mário Kart? Isso pode te colocar em encrenca.
— Encrenca pior do que essa? Duvido!
Ainda assim, alguns momentos mais tarde, já com as cervejas e a porção de frutos do mar quase no fim, tinha certeza de que aquela era a melhor viagem que já havia feito. Estava em um lugar encantador, cercada de comida boa, com a pessoa que mais amava na vida e um cara legal, para dizer o mínimo. Um amigo comprometido muito, muito bonito (coisa que tinha dificuldades em entender se era um golpe de sorte ou de azar).
Divagava nos próprios pensamentos, meio consciente do que estava dizendo, meio observando o local e as pessoas. A luz do dia começava a diminuir, indicando que a noite se aproximava e que aquela porção de frutos do mar seria a última refeição que fariam antes das festas começarem oficialmente. Ficou intrigada com algo que achava que tinha visto, mas um grupo de turistas tinha entrado na frente do seu campo de visão, e não pode verificar se o que pensava ter visto era mesmo o que tinha visto.
, você está bem? Está me ouvindo? — estalou os dedos na frente do rosto da garota, que parecia estar saindo de um transe.
— Estou, é só que… olha aquilo ali — indicou o grupo de turistas e acompanhou. — Atrás daquele pessoal. Tem alguma coisa estranha acontecendo ali ou é impressão minha?
franziu as sobrancelhas, tentando ajustar os olhos ao resto de luz do sol para entender do que a mulher estava falando. Quando finalmente entendeu, preferiu não ter entendido.
, você me trouxe para uma praia de nudismo, seu depravado?! — gargalhava, incrédula com o que estavam vendo. Mais tarde viriam a descobrir que na famosa Super Paradise, as roupas eram completamente opcionais. — Olha, eu já vi o suficiente por hoje. Não sei você, mas acho que prefiro não estar aqui quando esse pessoal começar a dançar.
, isso não é o tipo de coisa que se diz para quem acabou de comer um monte de siri. Vamos sair daqui.

Já eram quase duas horas da manhã quando voltaram para o navio. Saindo da praia, encontraram um bairro repleto de restaurantes e bares, onde passaram o resto da noite, até receber uma mensagem de Debby perguntando onde raios ela estava. Se separaram quando a inglesa saiu à procura da mãe, que podia estar nos cassinos, na sauna ou fazendo compras nas lojas (enfim, a hipocrisia). voltou para a cabine e, vendo que Maureen não estava lá, não pode deixar de notar que nunca tinha passado tanto tempo conversando com a namorada quanto tinha passado em alguns dias, com .



A manhã do décimo dia de viagem estava, assim como todas as outras manhãs da viagem, lindíssima. O deck principal estava lotado de gente fazendo as mais diversas atividades: as crianças corriam, alguns adultos corriam atrás das crianças, outros liam, tomavam sol, organizavam os planos para o dia e alguns ainda se revezavam nos telescópios.
passeava por ali, enquanto esperava Maureen, Olivia e Laura trocarem de roupa para desembarcar. Estavam atracados em Piraeus, cidade histórica vizinha de Atenas, conhecida por ser o principal porto da Grécia. Nessa parada, alguns tripulantes encerrariam a viagem, e outros novos embarcariam.
— Com licença, o senhor poderia me ajudar?
Um senhor de meia idade abordou , falando um inglês carregado de sotaque. teve dificuldade para identificar de onde o homem poderia ser.
— Senhor, acredito que seja melhor o senhor pedir informação a um membro da equipe. Não imagino que eu possa ser de muita ajuda.
— Sim, entendo. Mas a equipe está sobrecarregada, infelizmente, e eu só gostaria de saber onde ficam os elevadores para acessar as cabines superiores. O senhor saberia me dizer?
— Ah, claro, claro. Entrando na torre, o senhor vai virar à direita e encontrar o hall dos elevadores. Fica por ali.
apontou a direção com a mão, e protegeu os olhos do reflexo do sol na aliança.
— Ah, grazie, ragazzo! Muito obrigado, rapaz. Sabe, às vezes é necessário fazer umas loucuras por quem a gente ama, e é exatamente isso que eu estou fazendo aqui. Eu morro de medo de mar, mas ela vale a pena. Espero que a pessoa que usa a outra aliança valha também.
Com um sorriso agradecido, o homem se despediu e saiu em busca dos elevadores, deixando , que agora olhava para a aliança em sua mão. De início, tinha se sentindo atacado pelo comentário do homem, mas pensando a respeito, sabia que ele tinha razão; é que estava errado. Tinha tomado uma decisão havia muito tempo, mas, por algum motivo, estava postergando a conversa mais importante que teria com Maureen em todos os anos de relacionamento.
Precisava pensar. Queria colocar as ideias no lugar antes de fazer algo de que pudesse se arrepender. Mandou uma mensagem para Maureen dizendo que não poderia ir com ela e as amigas até a cidade, e para sua surpresa ela sugeriu que jantassem juntos naquela noite. Se fosse possível decifrar o tom de voz de alguém através de uma mensagem, teria percebido o quanto ela estava tensa.

Sentindo o cheiro que vinha dos restaurantes do navio, resolveu convidar para almoçar. Precisava conversar sobre o que estava pensando e, mais do que nunca, precisava de conselhos (coisa que, tinha aprendido, era a especialidade da moça). Subiu até o penúltimo andar e foi até a cabine da amiga. A porta do quarto se abriu antes que ele pudesse bater, e tomou um susto ao ver o homem com quem tinha conversado mais cedo saindo de lá.
— Rapaz! O que faz aqui?
Debby saiu da cabine logo atrás dele, e abriu um sorriso animado.
, que bom te ver, querido — Debby enfiou a cabeça de volta dentro da cabine e gritou: — , vem logo, filha. está aqui.
Sentia que estava interrompendo alguma coisa, mas agora que já estava ali, faria o convite.
saiu da cabine, arrumada e com bolsas, como a mãe. Trancou a porta, e teve certeza de que almoçaria sozinho.
, oi. Está tudo bem? Aconteceu alguma coisa?
— Ah, não. Eu só queria conversar um pouco, vim te chamar para almoçar, mas acho que você está ocupada agora, né?
— É, a gente vai dar uma volta na cidade. Ah! Esse é o Lorenzo, meu padrasto. Ele é historiador, e Piraeus tem uns museus bem legais, a gente não podia perder a chance.
— Seu padrasto? Nossa, que coincidência. Prazer, senhor, eu sou , colega da — Estendeu a mão para Lorenzo, que a apertou.
— Se eu soubesse que você conhecia as minhas meninas, teria sido mais fácil pedir informação.
, você quer vir com a gente visitar a cidade? — Debby perguntou, com um tom muito mais maternal do que nos dias anteriores.
— Obrigado, Debby, mas vou ficar por aqui. Preciso resolver umas coisas por aqui.
— Eu te mando uma mensagem quando a gente voltar, pode ser? Podemos conversar à noite. — ofereceu, e concordou com a cabeça.
— Tudo bem. Vou jantar com a Maureen hoje, mas caso você volte antes, a gente conversa. Aproveitem o passeio. Foi um prazer te conhecer, Lorenzo.
— Igualmente, ragazzo.

---XX---

Maureen terminava de se arrumar para jantar com . Estava igualmente nervosa e ansiosa. Não sabia que reação esperar do namorado, mas lá no fundo, não se importava. Na adolescência, Maureen tinha criado o hábito destrutivo de se diminuir para suprir as necessidades de Henry, seu ex-namorado. Construiu a personagem que vivia até hoje, da mulher fútil e dissimulada que sabia que não era. Levou muito tempo para entender que o tipo de relacionamento que viviam tinha um nome, e que milhares de mulheres ao redor do morriam diariamente por conta de parceiros assim.
Quando finalmente conseguiu romper, não sabia mais quem era, e apareceu em sua vida como um príncipe em um cavalo branco. Acontece que não era um príncipe, assim como Maureen não era uma princesa. E agora, apesar de ter motivos para se desculpar com , tinha aprendido a se perdoar, também, e estava orgulhosa por conseguir se colocar como prioridade, pela primeira vez em muitos anos.

Entrou no restaurante em que jantaram na primeira noite, dessa vez desacompanhada. Procurou a mesa que tinha reservado e encontrou o namorado lá, esperando por ela. Respirou fundo, repetiu mentalmente que estava tudo bem e foi até ele.
— Você está bonito hoje — Sorriu, e correspondeu. Estava mesmo muito bonito, isso era algo que ela nunca negaria.
— Não tanto quanto você — Maureen parecia ter saído de uma passarela de Paris. Era lindíssima, e isso também era algo que nunca negaria.
Pediram suas entradas e começaram a conversar sobre assuntos superficiais. Contaram o que tinham visto e feito durante a viagem, do que achavam que sentiriam mais falta quando o cruzeiro terminasse e outras coisas do tipo. Estavam esperando a sobremesa, quando Maureen finalmente chegou no assunto que queria.
, te chamei para jantar hoje porque precisava falar com você sobre uma coisa importante. Antes de tudo, quero te pedir desculpas por ter trazido as meninas. Sei que a sua intenção era fazer uma viagem romântica, mas depois de tudo que eu tenho para falar, espero que você me entenda. Gostaria que você me deixasse falar tudo, primeiro, tudo bem? Respondo que o você quiser depois.
— Não precisa se desculpar por nada, Mo. Entendo que a presença das suas amigas é importante para você. Mas o que você quer me dizer, então? Prometo ouvir tudo, primeiro.
Maureen respirou fundo mais uma vez e tomou um gole longo de vinho antes de continuar.
, eu não tenho sido muito honesta com você há algum tempo, já. Na verdade, pela maior parte do nosso namoro. Você sabe como foi meu relacionamento com Henry, então vou partir daí. Quando nos conhecemos, eu estava completamente perdida. Não sabia mais quem eu era, do que eu gostava e tinha medo, muito medo, de não ser o suficiente para conseguir viver sozinha. Eu não imaginava que nós fôssemos ficar juntos tanto tempo, para falar a verdade. Nossos seis primeiros meses foram ótimos, mas eu ainda via como algo casual. Apesar do medo de ficar sozinha, também tinha medo de me envolver de novo e acabar no mesmo lugar que estava antes. Mas você sempre foi ótimo para mim, e eu não tive coragem de abrir mão disso.
Parou para tomar mais um gole de vinho e notou que estava tremendo. Aproveitou para observar , mas sua expressão era tão neutra, que era impossível adivinhar o que ele pensava.
— Eu não acho que estar em um relacionamento agora seja o melhor para mim, . Não acho que eu quero estar em um relacionamento, agora. Eu me agarrei muito às meninas sem nem perceber que, na verdade, eu precisava de uma desculpa para não ficar sozinha com você. Aliás, preciso confessar que não eram elas que arranjavam compromissos de última hora sempre; era eu. Queria fugir do papel de namorada, mas cansei disso. Por isso, , do fundo do meu coração, e com cada fibra de coragem que eu tenho em mim, eu quero terminar. Não acho justo com nenhum de nós dois continuar levando essa situação para frente.
Um garçom trouxe as sobremesas e Maureen colocou toda a sua atenção no doce em seu prato. suspirou e relaxou os ombros.
— Maureen, eu fico muito feliz que você tenha se aberto comigo sobre isso. Para ser sincero, depois de uns meses, eu comecei mesmo a achar estranho as suas amigas estarem por perto o tempo todo; e não vou negar que fiquei bem incomodado por elas terem vindo com a gente. O propósito da viagem era tentar salvar nosso namoro, mas eu tinha minhas dúvidas se daria certo. Se a gente tivesse tido essa conversa quinze dias atrás, eu teria insistido com você para resolvermos de outra forma, mas acho que a gente chegou à mesma conclusão sobre o nosso namoro. Nós acabamos nos afastando tanto que eu acredito que essa seja a melhor saída. Eu sinto muito que você tenha se sentido dessa forma depois do seu último namoro, e não acredito que eu não consegui perceber isso antes. Esperava poder ter feito mais para te dar suporte.
Maureen olhou para surpresa, como se questionasse o que tinha acabado de ouvir. também queria terminar com ela, então?
— Que bom que você entende, . E, por favor, não se desculpe. Eu fiz um excelente trabalho em esconder tudo isso — Maureen riu de leve. — Eu já conversei com o pessoal do navio e vou ficar na cabine das meninas até o final da viagem, tá bom? Acho que ia ficar um clima estranho se a gente continuasse dividindo o quarto.
— Ah, tudo bem. O que te deixar mais confortável. Eu quero que você saiba que pode contar comigo sempre que precisar, independente de estarmos juntos ou não, ok?
— Obrigada, , é recíproco. Acho que vou voltar a estudar, agora. Abri mão da faculdade por causa do Henry e achei que estava feliz com a vida que eu levava, mas estudar economia combina muito mais comigo do que trabalhar no salão de beleza. Talvez eu vá morar por um tempo com o meu irmão nos Estados Unidos para isso.
Maureen conferiu o relógio e reparou que tanto ela quanto já tinham terminado de comer.
— Acho que está na minha hora, . Preciso terminar de arrumar as coisas no quarto das meninas ainda. Muito obrigada por ter vindo, e por ter tentado, por nós dois. Desejo que você seja muito feliz, porque você merece.
Se despediu de com um beijo carinhoso no rosto e um abraço, e seguiu para a cabine que dividiria com as amigas agora. sentiu que um peso enorme tinha sido tirado de seus ombros. Gostava de Maureen, mas não era mais apaixonado por ela. Ambos precisavam recuperar seus espaços e seguir seus caminhos separados.
Já eram quase onze horas da noite, mas antes de se levantar e sair do restaurante, checou o celular. Encontrou uma chamada perdida de e duas mensagens, de algumas horas mais cedo. A primeira mensagem dizia que ela já havia voltado e estava disponível; a segunda, uma hora depois da primeira, dizia: “Você deve estar ocupado, né? Sinto muito não ter podido parar, hoje mais cedo. Você está bem?”. Decidiu que conversaria com a inglesa no dia seguinte. Agora tinha novas coisas para colocar no lugar, e precisava dormir.



Piraeus marcava o ponto de retorno do itinerário do navio. Dali em diante, traçava sua rota de volta à Itália, sem fazer mais paradas em outras cidades. Contariam mais duas noites em alto mar e estariam de volta para o desembarque final. Esse era o momento de explorar as instalações do navio que ainda não haviam sido exploradas, comer as comidas que ainda não tinham sido comidas e gastar as últimas economias na conta do quarto.

desfrutava do silêncio da biblioteca lendo um romance medieval para tentar entrar no clima do Grande Jantar Dançante com o Comandante, que seria naquela noite. Sendo filha de atriz, aprendeu a entrar nas ideias da mãe com tudo a que tinha direito. Se Debby queria vestidos pomposos e penteados elaborados para o evento, seria membro da família real.
Distraída com a leitura, tomou um baita susto quando ouviu chamar seu nome, baixinho.
— Virou tradição esse negócio de me assustar, agora, é?
— Eu te chamei, literalmente, sussurrando. Se você é fracote e se assusta à toa, a culpa não é minha — se sentou na poltrona ao lado de , e se inclinou para tentar ver o nome do livro que ela segurava. — Está lendo o que, nerd?
— Quanta educação! — revirou os olhos teatralmente. — Para falar a verdade, nem eu sei direito. Pedi à bibliotecária um livro sobre realeza e bailes de gala e ela me entregou esse aqui. Queria me inspirar para criar a minha personagem para hoje à noite.
— Personagem? Você vai fantasiada para o jantar com comandante?
— Bom, é um jantar de gala, então não deixa de ser uma espécie de fantasia, né? Mas eu e a minha mãe temos essa brincadeira de exagerar um pouco as coisas. Quero dizer, ninguém especificou o período histórico do dresscode do jantar, então…
riu, sem querer acreditar no que estava ouvindo.
— Você é completamente doida, e acho que eu também sou — Limpando a garganta sonoramente, se levantou, colocou uma das mãos atrás das costas e se apoiou em um dos joelhos, estendendo outra mão para , que observava a cena com os olhos arregalados. — Oh, nobre dama, que me acompanha nessa aventura em alto mar, trazendo para meus dias sua formosura e encantadora carência de senso comum, daria-me a honra de atender ao baile real em companhia desse maltrapilho plebeu que vos dirige a palavra e perturba vosso sossego, neste momento de dedicados estudos de assuntos pertinentes ao bem estar geral da nação?
Olhos arregalados, boca aberta, respiração presa e pasmicidade. Esse era o resumo da reação da inglesa ao convite de . Depois do jantar com Maureen, e haviam se aproximado mais. Conversaram sobre assuntos mais relevantes e se conheceram melhor, ao ponto de agora sentirem que eram amigos há anos. Não paravam de se surpreender, entretanto, com o nível de total e absoluta imbecilidade que podiam alcançar, às vezes. Esse era um desses momentos. piscou algumas vezes, endireitou as costas e respondeu:
— Oh, pobre plebeu, maltrapilho e maltratado. Homem a quem a vida muito deixou de ofertar. Pobre alma que ignora as convenções dos povos civilizados, que induz moças desafortunadas a locais de depravação e baixos níveis culturais. Apesar das incontáveis e inumeráveis disparidades entre nós, agraciar-vos-ei com minha angélica companhia no grande baile real nos salões do palácio.
A dupla não aguentou e explodiu em risadas. Receberam um olhar de reprovação da bibliotecária, apesar das poucas pessoas presentes estarem assistindo a tudo, achando graça. devolveu o livro e foram procurar um lugar onde pudessem rir mais alto.
— Ora, ora! Quem diria que o senhor tinha talento para a segunda arte? Jamais iria imaginar.
— Você faz tão pouco caso de mim que eu quase me sinto ofendido, sabia?
— Eu só me responsabilizo pelo que sai da minha boca, e não pelo que os outros entendem, querido. Mas, , espero que você saiba onde está se metendo. Te passo as instruções para o figurino pelo telefone, tudo bem? Agora preciso ir, tenho que terminar a minha roupa. Te encontro às oito, no hall dos elevadores?
— Às oito, no hall dos elevadores!

queria enfiar a cabeça num buraco no casco do navio (percebeu que essa era uma sensação frequentemente causada nele por Debby ou ). Onde raios arranjaria um figurino daqueles? Tinha certeza absoluta que essa noite estava resolvida quando arrumou as malas e lembrou de pegar o smoking que tinha usado no casamento de um amigo.
“Burro! Burro! Burro!”
Devia ter tentado argumentar com . Ela que fosse vestida como bem quisesse, mas se ia obrigar ele a se vestir da mesma forma, que ajudasse o rapaz, pelo menos.
Olhou mais uma vez para a mala toda revirada em cima da cama. Tinha separado algumas coisas que achava que poderiam compor seu look medieval, mas nada parecia combinar direito. Estava tão revoltado, que teria esquecido de olhar na mala que tinha ficado embaixo da cama se não tivesse tropeçado nela. Revistando o conteúdo da mala com calma, se lembrou de ter ouvido Maureen comentar algo sobre um concurso de fantasias que aconteceria no navio. Ela era a responsável pelas fantasias deles no Halloween, e dessa vez não seria diferente.
respirou aliviado e foi tomar um banho para começar a se arrumar.

O salão principal do navio estava inteiramente repaginado. Havia mesas para todos os tripulantes e alguns membros da equipe. Não havia mesas de comida dessa vez, já que o serviço seria à francesa. As cortinas de veludo em azul náutico, bordadas e amarradas com fios dourados, e os pomposos lustres e castiçais definiam a atmosfera do ambiente. Os tripulantes passeavam pelo local exibindo sua elegância e finesse.
e Debby tinham customizado os vestidos que compraram em Santorini, inspiradas na coleção primaveril renascentista de Valentino. Lorenzo, com suas calças largas, botas altas, jaqueta estruturada e porte inerente de suas veias italianas, esbanjava cavalheirismo e cortesia. E queria morrer.
Uma breve observação é necessária: Maureen era apaixonada pela Disney, e seu filme favorito do momento era Encantada. Quando soube que teria um concurso de fantasias no navio, não precisou pensar muito para decidir que iria vestida de Gisele, e , de Príncipe Edward. Portanto, o desejo de morte de era compreensível.
Ainda assim, a noite estava linda, e a vista era um bônus de tirar o fôlego. O navio havia atracado no porto de Nápoles, mas se afastou do cais durante o jantar. De longe, era possível ver a cidade iluminada, e a paisagem emoldurada pelas grandes janelas de vidro do salão compunha a decoração do local.
Os pratos de entrada já haviam sido servidos, e o comandante agora finalizava seu discurso de agradecimento.
— É realmente uma honra ter sido parte dessa experiência com vocês, e me entristece saber que já está quase no final. Para encerrarmos com chave de ouro, gostaria de convidar a senhorita Gibbs, nossa Imediata, meu braço direito, esquerdo, olhos, pernas e coração nesse navio, para me acompanhar em uma valsa antes do nosso excelentíssimo chefe servir o prato principal.
A senhorita Gibbs aceitou a mão do comandante e eles caminharam até o centro do salão, onde as mesas formavam uma pista de dança. Era um jantar dançante, afinal. As luzes diminuíram, um holofote se acendeu sobre o casal e os músicos iniciaram a valsa. Os aplausos dos tripulantes se sobressaíram à música por alguns segundos e alguns flashes se misturavam à luminosidade das velas.
Senhoras e senhores, estão todos convidados a se juntarem ao comandante e à imediata no centro do salão.
Vários casais se dirigiram à pista para dançar. Debby e Lorenzo acompanhavam a música com uma coreografia digna de filmes medievais, e chamavam a atenção por onde iam.
— Senhorita — chamou , que não desgrudava os olhos da mãe e do padrasto, então se curvou e estendeu a mão para ela, pela segunda vez aquele dia — me concede a honra dessa dança?
sorriu. Um sorriso singelo, contido, diferente dos outros sorrisos abertos e gargalhadas altas que tinha dado até então, mas tão genuíno, se não mais, quanto eles. Segurou a mão do rapaz, fazendo uma leve reverência, segurando o vestido.
— Achei que não ia convidar.
Algo em comum que descobriram ali era que nenhum dos dois sabia dançar valsa. Davam dois passos para cada lado, para frente e para trás, antes de arriscarem uma pirueta e pedirem desculpas a algum casal em quem tinham esbarrado. Conseguiram encontrar um ritmo seguro já no final da dança, quando a música ficou mais lenta.
segurava a cintura de , que apoiava as mãos dos ombros do par. A inglesa correu os olhos pelo salão procurando a mãe, que encontrou sorrindo pretensiosa para a filha. Levantou o rosto para , pronta para fazer algum comentário irônico sobre Debby, mas desistiu quando notou o rapaz olhando para ela. O desenrolar dos fatos foi inevitável: se aproximaram quase tão lentamente quanto se moviam, acompanhando a música, até sentirem os lábios se encostando.
Se alguém pedisse que descrevessem esse momento, diriam coisas como “muito rápido”, “só… aconteceu” ou “tinha gosto de vinho tinto”. A verdade era que ambos esperavam por isso desde a primeira vez que se viram, e apesar de rápido e casto, aquele beijo estava carregado de carinho e familiaridade. Eles só perceberiam isso algum tempo depois, mas se sentiam em casa quando estavam juntos.



O relógio de sol no deck principal indicava que era meio dia em ponto. O navio tinha acabado de atracar no porto de Civitavecchia, de onde havia zarpado, quinze dias antes. Os membros da equipe orientavam os tripulantes e coordenavam o desembarque. Lorenzo carregava as malas da esposa e afilhada para a van que os levaria à estação de trem, com ajuda de . Iriam para Treviso antes de voltar para Londres e Debby decidir onde abriria sua escola de teatro.
Lorenzo esbravejava em italiano sobre a quantidade absurda e desnecessária de coisas que as duas tinham levado, a que Debby respondia, em italiano igualmente esbravejado, que se não fosse o excesso de coisas delas, ele teria ficado toda a viagem de Piraeus a Civitavecchia sem ter o que vestir. e deixaram os dois discutindo e, dividindo as malas do rapaz, foram até o ônibus que faria o traslado até o aeroporto.
— Eu vou te ver de novo, algum dia?
Ajeitando a mochila no ombro, olhava para a garota, tentando adiar a despedida.
— Você tem meu número, não é? Londres e Liverpool não ficam tão longe.
— Isso é um convite? Porque se for, eu preciso de coordenadas mais claras. Londres é grande.
chacoalhou os ombros, deu as costas para e começou a caminhar em direção à van.
— Pode ser que sim. Pode ser que não. Quem sabe? Mas, olha só, se você tentar invadir meu quarto de novo, eu prometo que chamo a polícia.
assistiu a garota se afastar, em negação, e entrou no ônibus.
Nunca quis tanto voltar para casa.


Fim



Nota da autora: Oie!
Finalmente criei vergonha na cara para participar de um ficstape, e eu tô muuuuuito feliz que tenha sido logo com S.O.S. O tanto que eu amo essa música, meu pai, não tá escrito!
A todo mundo que leu até aqui, meu mais sincero “muito obrigada” ♥
De coração, mesmo. Acho que eu nunca tinha escrito com tanta pressão antes HAHAH
E quero aproveitar para agradecer às meninas da equipe, que são absolutamente maravilhosas e aguentaram a gente sur-tan-do desde o lançamento do ficstape. Vocês são anjos na Terra ♥

Quem quiser ler mais dessa autora que vos fala, tenho outras duas fanfics no site, e mais algumas oneshots para entrar.

Beijos de lux no coração de vocês ♥



Outras Fanfics:
Be The Light: Originais - Finalizadas
Sunrise: Kpop - EXO - Shortfics

Qualquer erro nessa fanfic ou reclamações, somente no e-mail.


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