Última atualização: 23/06/2021

Prólogo

O sonho de sempre foi ser uma escritora de sucesso, e um dia poder ser uma roteirista de um grande drama coreano. Por isso, ela se desafiou e após terminar a faculdade de Educação Física, a mulher decidiu estudar roteiro na Coréia do Sul. Os primeiros anos não foram nada fáceis! Mas, no penúltimo ano do seu curso, ela pôde ver seu sonho se realizar. Estagiava numa empresa de mangás, e um dia, Sang Chang, o seu sunbae na empresa lhe deu a notícia que ela não sabia, mas iria mudar sua vida.

, poderíamos falar um momento?

Ele perguntou próximo à mesa de trabalho dela. Todos os seus colegas encararam de volta. No início, ela sofreu uma resistência absurda de alguns ali por sua nacionalidade brasileira, e ainda havia um colega ou outro que a olhava torto, mas dentro da equipe Chang, poderia se considerar uma roteirista de sorte! A Mangaká Enterteinament também era uma excelente empresa para se trabalhar.

Sang Chang era poucos anos, mais velho que , e começou na empresa dois anos antes dela, portanto ele era líder da equipe de roteiros auxiliares da empresa. Ele vislumbrava chegar à líder da equipe dos roteiros principais, ou seja, dos principais mangás de sucesso da empresa. E assim também, seus subordinados esperavam entrar ao grupo de escritores principais. Para isso, Chang era sério em seu trabalho, de pouco diálogo ou amizade. Era um chefe tranquilo, mas pontual em sua liderança. Não era carrasco, era cordial, mas evitava se expor demais aos funcionários.

se levantou e seguiu o homem descolado, dentro de sua figura calada, aos olhares atentos de todos. Chang sentou-se à mesa grande de madeira da sala de reunião coletiva, e sentou ao lado dele, observando o envelope sob suas mãos.

— Eu fiz algo errado Sunbae?

Ela não conseguiu conter a curiosidade, Chang a olhou curioso, e ajeitando os óculos sorriu.

— Eu diria que você fez algo muito certo, .

— Como? – ela arregalou os olhos, confusa.

Chang retirou um maço de papéis presos em um clips, de dentro do envelope e entregou a ela.

— Você não iria jogar isso fora, não é?

percorreu os olhos no título e nas primeiras frases reconhecendo seu manuscrito.

— Ah… Isso é só um esboço de um manuscrito meu para... Eu achei que um dia poderia se tornar um livro, mas foi rejeitado.

A expressão no semblante da mulher era de derrota, então Chang, surpreso por ter escutado que alguém foi capaz de ter rejeitado aquele esboço e também por ela não tê-lo mostrado aquilo, foi logo enchendo de perguntas:

— Você realmente iria jogar fora?

— Ah não, não Sunbae! Na verdade, eu achei que havia perdido esta cópia... Como a encontrou?

— Estava caída aqui na sala de reuniões, segundo a senhora da limpeza que me entregou esta manhã.

Como um flash em sua mente, recordou-se da última reunião que estivera ali e quais as probabilidades de seu manuscrito ter caído enquanto ela se apressava a juntar as suas coisas.

— Ah, claro. Foi isso então. Mas... Você gostou sunbae?

Er.. – Chang observou o olhar aflito da mulher e tomou coragem para pedir algo a ela que há algum tempo já queria fazer: — Quando estivermos apenas os dois... Você pode me chamar pelo meu nome.

se espantou com aquilo, sabia a importância da hierarquia na sociedade coreana até mesmo entre amigos, e Chang e ela nem eram assim tão amigos. Estava mais para um coleguismo profissional.

— Ah, sim. Chang então. Mas, você gostou?

, me espanta isso ter sido rejeitado! Tudo bem que é apenas um esboço, mas... Dá para desenvolver uma grande história. Quem rejeitou seu manuscrito?

— Meu professor. Da escola de roteiros. Ele tem uma entrada no mercado editorial e se disponibilizou a ler o meu manuscrito, ainda que não estivesse acabado. Ele leu e... Bem, talvez por não tê-lo terminado, ele não tenha visto potencial.

, você não mostrou este manuscrito sem o registro, não é?

— Claro que tem registro Chang! Eu não sou assim tão fácil de iludir.

A mulher fez um biquinho descontente que Chang, não admitiria, achou fofo.

— Bem, isso é ótimo. Talvez tenha sido uma pergunta desnecessária para uma roteirista. – ele assumiu e ela sorriu concordando — Mas, também me espanta você não ter me mostrado este manuscrito. Não se passou à sua mente que eu poderia ajudar?

— Você? Como poderia...?

Realmente ela não conseguia compreender o que o líder dos roteiristas de sua empresa poderia fazer. Um ato ingênuo de . Chang riu fracamente e a olhou por cima dos óculos, a fim de parecer chateado:

Uwa... Você tem tão pouca fé assim em mim? – ela o observou, confusa — Logo eu, o líder dos roteiristas desta equipe?

E de repente, um estalo a sobressaltou ao observar a expressão de falsa chateação de Chang.

— Você acha que a Mangaká pode se interessar por esta história?

... Eu me interessei pela história! Este pode ser o seu primeiro trabalho independente aqui dentro... Quero dizer... O primeiro que você assine como escritora, já que toda a equipe trabalharia com você.

— Oh my God, Chang! Realmente acha que “Garota Ocidental” pode ser um bom mangá?

irradiava felicidade e esperança num amplo sorriso, que fizera até mesmo Chang sorrir igual. Ele apoiou os cotovelos à mesa, cruzando os braços e sorriu pacífico para .

— Por que não?

A garota se levantou de repente dando pulos e gritinhos silenciosos, afinal não poderia gritar dentro da empresa. Chang a observou feliz, mas sentindo-se um pouco constrangido pela reação, já que do outro lado do vidro da sala de reuniões, toda a sua equipe os encarava curiosos. O que havia feito para estar pulando daquele jeito contido, e ao mesmo tempo animado?

Meses se passaram e muito trabalho foi feito e por incrível que pareça, era agora o alvo da curiosidade nacional. “Garota Ocidental” foi o primeiro mangá na Coréia escrito e pensado por uma brasileira, com uma história bastante original e que ganhou as estantes de todos os públicos e idades em um curto tempo. Um tremendo sucesso! E a Mangaká agora tinha no seu hall uma preciosa escritora, que lhes rendeu mais prestígio e atenção. rompeu as barreiras do preconceito e da xenofobia, e mal podia acreditar que estava ali, agora, num camarim de uma emissora de TV coreana, onde em alguns instantes seria uma das entrevistadas da noite.

1.

O camarim contava com a presença das pessoas ilustres que representavam o sucesso que “Garota Ocidental” se tornara. Estavam ali, , a escritora mais falada ultimamente, a diretora Mayoree – da emissora tailandesa parceira à KBS –, Chang o agente de e atual líder da equipe de principais escritores da Mangaká Entertainament. Também os atores tailandeses Mauro Maurer, Nadech Kugimiya, e as atrizes Anyarin Terathananpat e Luana Songyu, os três principais atores do lakorn que originou do mangá, e a atriz mestiça coreano-brasileira.

já havia passado por todo aquele surto bom, ao encontrar-se com os atores principais do drama que nasceu graças à sua história, nos eventos de lançamento. Mas, nunca era o suficiente, ela sempre se assustava e se emocionava ao notar a grandeza que sua história alcançara. Estava bebendo o seu décimo copo de água, quando a produtora do programa veio ao camarim chamá-los. No palco do programa, o auditório que aplaudia e a quantidade extensa de vários sorrisos em vários rostos, na mente de se justificavam pela presença dos atores ali. Mas, eram por ela também.

A apresentadora da KBS lhes cumprimentou e assim que se sentaram às poltronas, sentiu-se extremamente nervosa. Já havia sido entrevistada antes graças ao sucesso do mangá, e agora era a segunda vez que passava por aquilo graças ao sucesso que o drama também se tornava. Entre perguntas sobre a estreia do seu mangá na Tailândia, e do posterior sucesso dele, e Chang contaram como foi feito o contato da parceira da KBS na Tailândia para a produção do drama.

— Sem dúvidas, foi uma grande surpresa quando o Sunbae Chang me telefonou dizendo que a emissora parceira da KBS na Tailândia estava interessada em uma adaptação de Garota Ocidental para a TV... Eu não achava que a história cresceria tanto assim, em outros países. – disse à entrevistadora.

— Nem mesmo no seu país?

— Bem, o Brasil não é um país muito adepto ao formato de novelas que temos aqui na Ásia. Na verdade, posso garantir que são formatos muito diferentes de roteiro. Mas, o mercado editorial de cartoons e mangás tem crescido muito desde que eu saí de lá, e bem... Foi uma feliz notícia saber que meu mangá estava sendo distribuído em algumas das principais livrarias brasileiras. Contudo, não chega ao número de leitores que temos aqui.

— Talvez seja por você ser brasileira que Garota Ocidental também tenha leitores por lá?

— Com certeza! Existem muitos adolescentes interessados no conteúdo dos dramas e mangás, e todas as outras formas de entretenimento asiáticas, no Brasil. Mas, o próprio mercado não produz este conteúdo abertamente, então tudo é importado. A notícia de ter uma brasileira que está fazendo sucesso com suas histórias em outro continente, é de orgulhar o meu país e por isso, acredito estar sendo prestigiada por eles.

— Uma filha que orgulha a nação. – a entrevistadora disse e sorriu um pouco sem graça, aquilo para ela já era um pouco demais, mas não perderia tempo explicando-lhes que para o Brasil, os brasileiros em si, às vezes pouco importavam.


A entrevistadora perguntou ao Chang como tem sido o trabalho com , sua equipe e sobre a sua crescente profissional graças ao mangá.

— Quando eu propus para a transformar o seu manuscrito em um mangá, eu tinha certeza que daria certo. Mas, como disse em outras entrevistas, não imaginei que chegaria a tanto. Parece que a Coréia realmente sente-se orgulhosa de ter uma estrangeira fazendo este sucesso, e eu concordo. Somos uma nação tradicional, mas que não deve fechar os olhos para novas tradições. Se eu pudesse comparar a um grupo de Kpop, diria que ela tivera o seu grande debut com imenso sucesso, e elevou a Mangaká aos extremos do seu reconhecimento.

Chang brincou e a entrevistadora logo entrou na brincadeira:

— Ora, parece que o sunbae Chang está por dentro dos nossos convidados de hoje!

— Eu posso ter ouvido alguns rumores nos corredores... – ele riu e o auditório inteiro gritou de ansiedade.

Ou melhor, murmurou. Gritar mesmo, para , era coisa que o auditório coreano nunca faria de forma tão espontânea. E naquele momento, o assistente com a plaquinha “gritos” não estava a postos. Ela olhou para Chang de modo curioso. Que grupo estaria ali e ela não sabia?

— Mas, retornando à sua pergunta... Eu quero dizer que eu não imaginei que Mayoree me telefonaria pedindo uma reunião para o drama. E foi uma surpresa maravilhosa também que eu e minha equipe, ou melhor, nossa equipe – Chang falou olhando simpático à — que nós pudéssemos ser enquadrados à equipe principal da Mangaká depois de Garota Ocidental.

, certamente é o pé de coelho de todos nós, não? Poderia por favor, apertar a minha mão antes de ir embora, senhorita ? – a entrevistadora brincou novamente arrancando risadas, ao mencionar a sorte da escritora.

Mayoree também contou sobre as altas expectativas que teve quando a ideia do drama lhe surgiu.

— Quando Garota Ocidental bateu o recorde de vendas na Tailândia, nossa empresa marcava uma reunião para o planejamento do novo drama. Eu tenho uma filha de quinze anos, e fui uma das pessoas que mais comprou este mangá para ela. Um dia, antes de dormir, Nari gargalhava em seu quarto e eu fiquei curiosa e a perguntei “o que está acontecendo?”, e ela me mostrou o mangá e contou animada ao que a personagem passava. Eu fiquei curiosa e comecei a ler a história, então quando a reunião aconteceu eu fiz uma ousada aposta: “por que não tentamos produzir a história deste mangá?”, eu disse. Ninguém entendia porque eu estava levando uma ideia daquelas à mesa de reuniões. Como sabem, o meu foco é direção de dramas mais adultos, suspenses com temáticas de vingança e brigas familiares... De repente, eu estava querendo dirigir um drama adolescente! Bem, propus que todos nas reuniões lessem e levei os mangás lidos de Nari para a empresa. Três semanas depois estávamos planejando como solicitar os direitos pela escritora, e onde buscar os investidores. Você disse que é um pé de coelho, bem, para nós ela está sendo um coelho inteiro.

— É uma história incrível! – a apresentadora falou animada: — Você sabiam disso, e Chang?

— Ah sim, eu acho que a história da sunbae Mayoree foi o que me fez levar com profundidade esta possibilidade até .

— É eu a ouvi quando a senhora Mayoree me encontrou na primeira vez. Eu inclusive quis conhecer Narissara, pois se não fosse ela, a mãe talvez não tivesse lido o mangá!

— Não teria mesmo, não por causa do mangá, mas por que eu sou uma maluca por suspenses. Confesso que Garota Ocidental me faz relaxar bastante.

A resposta da diretora trouxera afago ao coração de que toda vez que escutava alguém elogiando o seu mangá, sentia-se realizada.

— Eu fiquei curiosa com uma coisa! – a apresentadora perguntou a Mayoree: — De que cena Nari estava rindo?

— Oh... Era uma cena em que a personagem principal apanhava da mãe do Yooni que lhe batia por ela encará-la nos olhos.

— Sim! Sim, esta cena é muito boa! Vocês já a gravaram? – a apresentadora perguntou ansiosa aos atores e diretora.

— Na verdade, ainda não chegamos a este bloco de gravações.

Luana, a atriz que até então estava calada mencionou:

— Eu gravei nesta semana, outra cena que é a minha favorita até então e que, a escritora contou que aconteceu com ela.

— Oh, que cena?

— Aquela quando a sunbae errou as palavras e falou em três idiomas com um coreano. – Luana falou olhando para que imediatamente se lembrou, animada.

— Oh... Oh, é uma excelente história! Eu não poderia deixar de fora do mangá, e estou muito ansiosa para vê-la no drama. Posso te mostrar como foi a minha expressão se quiser.

Todos riram da escritora se dispondo a encenar para a atriz.

— Nós vamos querer ver isso, mas antes, eu preciso convidar um grupo muito aguardado para estar aqui conosco! Eles certamente ficarão tristes de não participarem do próximo bloco, então vamos para o intervalo rápido e em seguida... Que tal se nós explorássemos o “Best Of Me” hoje?

A pequena referência deixada pela apresentadora, imediatamente alvoroçou ao auditório que a entendeu. O programa partiu para um break, e se adiantou para ir ao banheiro, pensativa em quem seriam as pessoas.

2.

Quando retornou ao palco, Chang mexia em seu celular.

Sunbae! – ela murmurou e ele a encarou: — Quem são os idols?

— Você não sabe? BTS. BTS é o grupo que estava no camarim VIP.

— E só agora você e diz isso!?

— Você é army também? Ah... Esquece, quem não é army hoje em dia. – Chang riu.

— Não sou army! Mas sou fã e eu precisava me preparar psicologicamente para isso... Céus, como eu posso continuar esta entrevista agora?

Chang riu do desespero contido da escritora, e então se aproximou do ouvido dela para perguntar brincalhão:

Hey , qual é o seu bias?

Ela o encarou, assustada, e decidiu não responder.

— Você anda muito “por dentro” do universo adolescente.

— É o meu trabalho não é? Aliás, o nosso.

não pôde responder de volta. O programa anunciou o retorno e todos se recolocaram em seus lugares. A apresentadora anunciou ao grupo, e logo os idols estavam se apresentando no palco do programa, com todos os olhos vidrados neles. Inclusive os de . Chang riu ao notar o quanto ela havia ficado nervosa.

Quando os sete rapazes estavam sentados num espaço próprio para eles, ali no palco, de frente para os outros entrevistados, sentia-se sufocada. Percebeu que entre os sete, alguns fugiam olhares a ela, e graças à apresentadora conseguiu retomar sua atenção ao que viera fazer ali.

, pode nos contar mais sobre a cena que Luana comentou?

— Ah... Claro... Eu...

contou então, sobre o dia que estava na rua, ainda recém-chegada na Coréia, aprendia um pouco do idioma nativo quando um rapaz coreano pegou seu par de luvas que havia caído de sua bolsa e foi lhe devolver. Ela o agradeceu certa de pronunciar um “komawo” corretamente, mas o homem a encarou assustado e então ao perguntar a ele: “eu disse algo errado?” em inglês, ele respondeu que ela havia acabado de pedi-lo um beijo. se desesperou e tentou se explicar e se desculpar, mas confundia-se toda e falou com o homem em português, inglês e em um coreano miserável. Depois o rapaz começou a rir dizendo que havia feito uma piada ao notar que ela era estrangeira, e dali por diante os dois se tornaram amigos.

Depois disso os atores, Mario, Nadech e Anyarin contaram da experiência em gravar o drama.

— Eu nunca achei que seria tão divertido gravar este drama, até ler o mangá. Temos o nosso roteiro adaptado, é claro, mas, o mangá...

Anyarin parou sua fala para pensar e então Mario se pronunciou:

— É como assistir o filme e ler o livro, não é?

— Sim, sim, é isso! Obrigada Mario.

— Vês três leram o mangá? – a apresentadora perguntou e Mario respondeu:

— Sim, por mais que o roteiro esteja impecável... – ele olhou para a escritora com uma expressão maliciosamente ingênua: — A escritora conseguiu extrair o melhor para o roteiro sem sacrificar o mangá. Bem, por mais que ela seja realmente talentosa e cuidadosa em nos entregar o melhor material de trabalho, conhecer o mangá nos ajuda a compor o personagem.

— Eu concordo. Só com o roteiro já é possível fazer um drama sensacional, mas certas particularidades dos personagens estudando mais a fundo o mangá tornam, nosso trabalho ainda melhor. – respondeu Nadech.

Entre todas as falas e entrevistas, não conseguia conter-se. Ela não tirava os olhos do BTS. Na verdade, tirava sim, porque não podia ficar babando ali, mas não era fácil disfarçar. Depois que os atores comentaram as perguntas feitas pela entrevistadora, o segundo bloco foi focado no BTS e em alguns momentos, eles foram perguntados se conheciam ao mangá.
)Joon disse ter lido, mas não conseguiu terminar graças ao grande volume de trabalho. Certamente ele se desculpou dizendo que faria aquilo: terminar o mangá, depois de tanto ouvir falar bem. perguntou se o drama não passaria na TV coreana, e Chang respondeu então algo que todos gostariam de saber:

— Talvez, quem sabe no futuro. Por enquanto, estamos aguardando para ver se teremos um sucesso até o fim de Garota Ocidental na Tailândia.

— Mas o que você está dizendo, é lógico que será um sucesso! – Mayoree ralhou fingindo ofensa e todos riram.

— Olha este elenco, acha que não somos capazes de parar a Tailândia? – respondeu Nadech, o mais novo dos atores, animado.

A apresentadora jogou a bola novamente para , a fim de saber se ela prestigiava ao trabalho do BTS. Ao responder, fez com que )Joon se sentisse constrangido e a respondesse brincalhão.

— Eu estou que não me aguento sentada aqui, vocês deveriam ter me dito que BTS estava no programa... Eu não sou uma army, mas, oh my God! Quem em sã consciência não gosta do trabalho deles?

— Escritora, agora eu estou me sentindo péssimo... Minha nossa, alguém tem o mangá aí? Eu vou ler ele agora!

A resposta de )Joon causou risos e de repente uma garota na plateia estendeu o braço mostrando o mangá. A produção o pegou e entregou ao )Joon que sorriu e agradeceu, já o abrindo para ler.

— Você realmente fará isso?

perguntou mais descontraído para seu colega que piscou apara a moça da plateia e perguntou:

— Se importa se eu ficar com isso?

A garota continuava com a boca aberta olhando entre a escritora e o idol. sentiu-se mais relaxada com a situação e pediu ao Chang uma cópia. Ele sempre andava com cópias das obras.

— Um momento! Com licença.

Chang levantou-se e ninguém entendia nada, ele foi até uma parte que a câmera do programa não filmava, e pegou ali o box especial da nova edição dos três mangás de . Uma edição nova, de colecionador, que começaria a ser vendida naquela semana, e que ele havia feito autografar um a um. Ela não sabia para quem seria, as vinte caixas boxes que havia autografado, mas Chang se aproximou com elas nos braços e ela entendeu tudo e esbravejou, ao vivo:

— Sang Chang! Como você me faz autografar tudo isso sem me dizer que eram para o BTS?

— Era para ser uma surpresa! Você quer entregar?

— Mas é claro! – ela se levantou e pegou um a um entregando aos meninos sentados, e então o programa inteiro ria enquanto a apresentadora falava alguma coisa sobre é mesmo um coelho inteiro, acabamos de bater a audiência!” — , acho que a fã na plateia vai gostar de receber de volta o mangá dela depois de ter passado em suas mãos.

falou e olhou para a fã, que gritava “sim, sim” e chorava. Todos riram, então devolveu a edição antiga do mangá, a primeira aliás, autografou e caminhou até a menina a entregando. A jovem lhe pediu uma foto, ela tirou e em seguida retornou ao seu assento e disse:

— Me desculpem. Brasileiros são um pouco calorosos e espontâneos. Não imaginei que eu transformaria o programa numa tarde de autógrafos.

— Oh não, por favor, você pode fazer o que quiser aqui, escritora. Somos o programa mais assistido neste momento. – a apresentadora disse.

— Ah, mas é claro, isso não é por minha causa. Tem sete homens cobiçados pela Coréia, e quatro atores pela Tailândia no palco.

— Não seja modesta, você também entra neste combo, senhorita ! – a apresentadora respondeu.

sorriu cortês e agradeceu.

— Ora, é muito bom saber que sou dispensável. – Chang brincou — Mayoree, deveríamos sair?

— Fale por você senhor Chang, eu sou uma diretora cobiçada também.

— Certo, eu estou mesmo sobrando aqui? – ele brincou e olhou para .

— Claro que não, onde eu poderia encontrar um agente tão competente ao ponto de me trazer a este palco?

A decção entre amigos chamou a atenção da apresentadora. Chang naquele tempo em que vinha trabalhando com , não deixou de ser sério, porém descolado, e nem passou a se expor entre os funcionários. Mas, com ela... Com , ele conseguia ser um bom amigo. E se comportar de uma forma mais liberal, tal qual sua aparência descolada às vezes pedia.

— Por acaso, vocês namoram? – a apresentadora perguntou de repente fazendo todos ali no palco olharem para escritora e agente.

Em especial, um par de olhos se mostrou muito interessado naquilo. que estava ao lado de , havia notado naquele momento o quanto o amigo estava perdido em olhares para a escritora.

— Um com o outro? – Chang perguntou de repente e todos riram e murmuraram.
— Bem, não foi esta a minha pergunta, mas... – a apresentadora sorriu.

— Não namoramos. Um com o outro, não namoramos. – respondeu um pouco apreensiva por ter notado o olhar do idol sobre si.

— O que a quer dizer é que tanto ela quanto eu, estamos solteiros. – Chang falou muito mais sem graça do que estava anteriormente.

Hm... Temos aqui dois bons partidos para a próxima edição de “casados ou namorando”?

Novamente, a plateia riu, os convidados riram, e o programa continuou.

3.

Ao final do programa, BTS foi convidado a uma última apresentação ao palco, a plateia despediu-se de e dos demais convidados, e todos assistiram o encerramento ao som de KPOP. Finalizada a transmissão, saiu com os demais convidados do palco, e BTS permaneceu ainda conversando com os diretores do programa no palco. Ela e Chang estavam em um canto conversando antes de um dos atores surgir ao lado deles.

— E então, como me saí? – ela perguntou ao Chang, seu agente.

— Você foi incrível. Tenho certeza que as pessoas realmente gostam de você, .

— Acha que fiz alguma coisa fora... Do padrão?

— Relaxa você se comportou muito bem!

— Isso é um alívio... Quando o BTS entrou no palco eu só pensava que a qualquer momento eu iria estragar tudo!

Chang deu uma risada divertida e pegou a mão da amiga para acariciar e a confortar, à medida que baixou seus olhos à altura dela.

— Acalme-se! Você foi realmente muito bem, ninguém desconfiou que você é uma army!

— Eu não sou army, Sang Chang! Se as pessoas o escutam dizer isso eu posso ser apedrejada!

— Certo, certo... Sabe... – Chang mudou o assunto — Eu acho que esta foi a nossa melhor entrevista juntos.

— Realmente! – lhe deu um sorrisinho travesso: — Quem diria que o líder Chang seria tão descolado em público! Aposto que nossa equipe está assistindo e morrendo de vontade de vê-lo logo...

Chang murmurou um resmungo em descontentamento por saber que sua imagem de “líder amigo” estava se transformado em “amigo líder” para todos. Ele ficava constrangido enquanto ria discretamente. Os dois foram interrompidos pelo ator Mario Maurer, que se aproximou cortês.

— Com licença... — o observou diretamente e sorriu, assim como Chang — Eu gostaria de agradecê-los por hoje. Acho que fizemos um bom trabalho em conjunto.

— Com certeza.

Chang concordou risonho, mas notando que Maurer não estava bem ali para agradecer, já que entre um olhar sutil e outro, os olhos do ator brilhavam para .

— Eu espero não tê-la decepcionado com nada do que eu disse sobre o roteiro, escritora .

— Ah não! De forma alguma, o senhor foi muito delicado com a minha obra, senhor Maurer. Eu lhe agradeço.

— Ah... Senhor é um pouco demais, somos... Talvez eu seja um pouco mais velho do que a senhorita, então, podemos dispensar o pronome?

— Ah, claro... Desculpe-me. Pode me chamar por também. Sem o, “escritora”.

sorriu sem graça e Maurer sorriu abertamente. Já Chang começava a observar aquilo tudo com um pouco de constrangimento. Estava mesmo presenciando um homem flertar com sua... Com à sua frente.

então. Bem, Nadech, Anyarin, Mayoree e eu estamos hospedados no mesmo hotel, e eles estão me esperando para irmos, mas... Vamos embora depois de amanhã e eu gostaria muito de saber se você aceita tomar uma bebida comigo amanhã, me mostrar algo interessante em Seoul talvez...

olhou para Chang de forma discreta e o seu agente disfarçava um sorrisinho olhando para baixo. Ela novamente encarou a figura magnífica de Mario Maurer à sua frente e decidiu aceitar antes de começar a corar também.

— Claro. Podemos sim.

— Que ótimo! Eu tenho mesmo algumas curiosidades sobre o roteiro que eu gostaria de saber por você!

se iluminou ao ouvir aquilo e riu abertamente, Chang já se sentia extremamente desconfortável de estar ali, mas não seria educado deixar a companhia dos dois sem uma desculpa adequada, e na verdade ele não queria ter que mentir. De alguma forma preferia ficar por perto.

— E tenho algumas curiosidades sobre você também, .

E aquele foi o tiro final.
Se e Chang tinham alguma dúvida de que Mario Maurer estivesse flertando, havia caído por terra. Chang não teve tempo de reagir assim como não tivera tempo de responder. Ele foi chamado para perto do grupo de KPOP que estava parado os olhando.

— Senhor Chang!

Os três olharam na direção da voz e ao notar que a desculpa perfeita surgiu, Chang se afastou com extremamente corada disfarçando risinhos e olhares para Mario, que depois de observar para onde Chang iria, retornou sua atenção à escritora.

— Bem, então onde devo buscar você e a que horas? – ele perguntou diretamente, mas tão gentil como sua presença poderia ser.

— Ah, eu posso encontrá-lo no hotel! Não precisa se incomodar.

— De forma alguma, que tipo de anfitrião eu seria fazendo você ir até mim? – ele riu.

— Oras, mas a anfitriã sou eu... – mencionou em baixo tom de voz, mais relaxada.

— Não nesse encontro. O convite partiu de mim, eu faço questão de te buscar.

— En... Encontro?

novamente sentiu a atmosfera pesar e lhe faltar um pouco de ar. Não era tímida, mas também não esperava que fosse ser alvo de interesse do ator, e muito menos que ficaria a olhando daquela forma tão intensa, alguns metros atrás.
Entre encarar o sorriso gentil de Mario Maurer e o olhar enigmático de , deu graças por Chang chamá-la para se despedir. Ela se aproximou dos garotos, junto com Maurer. Os atores e a diretora se despediram do BTS, da equipe do programa, de e Chang. Mario sorriu uma última vez para , dizendo:

— Eu pego o seu telefone com o Chang, escritora, e assim combinamos melhor mais tarde.

apenas sorriu e assentiu, discreta. Ela estava extremamente sem graça pela situação na frente do grupo de idols, alguns deles não haviam percebido, mas , e sim.

— Escritora, eu peço desculpas mais uma vez por não ter lido antes o seu mangá! Mas pode acreditar, eu vou terminar estes volumes até amanhã! – falou sorrindo com a cortesia que só os coreanos têm.

— Não se sinta pressionado, por favor! – sorriu — Eu nem sei se vocês todos gostam deste tipo de leitura, mas Chang e eu queríamos presenteá-los com nossa edição Gold. Ainda não começou a ser vendida.

Uwa... Estamos lisonjeados, escritora! – respondeu animado olhando para o boxe autografado em suas mãos, como algo realmente valioso.

é realmente fã de vocês! Aliás, somos todos! – Chang respondeu apontando para toda a equipe ao redor que já desmontava o cenário — Será que...

o olhou de soslaio assustada por imaginar que Chang pediria uma foto. Ela se sentiria extremamente constrangida se ele fizesse aquilo. Mas, Chang era contido demais para isso. Ele não faria, não é?

— Será que podemos pedir-lhes para tirar uma foto conosco?

E a boca de se abriu em surpresa. percebeu aquilo e sorriu ladino, com sua expressão sempre entediada, mas divertido ao notar no fundo da “cara de nada” da escritora, a pequena raivosa que se escondia. Ele desconfiava que ela e o tal Chang tivessem algo, mas ao vê-la trocar tantos risinhos com o ator de antes – embora não tenha gravado o rosto dele de fato – notou que eles eram só amigos. E como amigos, ela iria dar um peteleco na testa de Chang, certamente. É algo que o próprio faria.

— Mas é claro! – se adiantou animado batendo palmas e organizando os amigos.

Só para irritar , na hora de se enfileirar para a fotografia, se colocou ao lado de . Ele observou o amigo o fuzilando de forma discreta e contida, e se posicionando atrás da escritora e todos sorrirem para a foto. Antes que o grupo dispersasse em novas despedidas, a voz de ecoou ao pé do ouvido de :

— Será que eu poderia lhe pedir o seu telefone?

A mulher olhou para trás discreta, e percebeu que realmente aquela era a voz de . E minha nossa! não estava preparada para aquilo! Ela sorriu e iria virar-se para ele, quando tocou o braço de . Abaixando a cabeça freneticamente em cumprimento e sorriso largo para a escritora, se despedia e puxava que o olhava como se fosse capaz de fuzilá-lo com o olhar. O segundo em menos de um minuto.

apenas ficou parada onde estava pensando se deveria ir até eles ou não. A mulher levou a mão à sua bolsa carteira e retirou o seu cartão dali. Ficou observando Chang ocupado com alguns produtores, certamente agradecendo, observou o grupo de idols saindo em direção ao estacionamento, e pensou novamente: “Será que pega mal eu ir até ele?”. Não precisou de muita ousadia da parte dela, já que se adiantou.

você não tem o menor senso de inconveniência não? – ele ralhou soltando a mão do amigo de seu braço, de forma delicada.

— O quê? – a expressão de dúvida do outro foi rapidamente dissipada pela mão de a lhe bater a testa.

! Ele estava prestes a pegar o telefone da escritora, lerdo. – explicou.

não entendeu até que apontou com o olhar, a figura de indo até a escritora que já estava sendo chamada por Chang e dando as costas ao grupo. Os amigos observaram, cada um percebendo aos poucos que o outro havia parado e no final, todos atentos a que pegava um cartão das mãos da mulher, e retornava para o grupo com um sorriso disfarçado, e um desejo forte de começar a cantar bem ali.

— Você realmente pegou o telefone dela? – perguntou alarmado.

— Sim, e não. Eu não vou dá-lo a você.

A resposta de fizera os meninos todos rirem, e o parabenizarem.

— Espera aí! – parou e começou a se espantar e gritar dizendo: — Uwa! UWA! O deu mole para uma garota?!

De repente estavam todos surpresos e fazendo piada daquilo.

— Agora eu estou realmente curioso para conhecer melhor a mulher que finalmente chamou a atenção do nosso sempre esnobe ! – zombou saindo na frente dos outros.

4.

estava caminhando na rua de sua própria casa, com Mario ao seu lado. O táxi de que desceram, ainda parado aguardando o ator como ele havia pedido. O encontro foi incrível, Maurer era extremamente divertido e não era também de dar voltas. Quando chegaram ao fim do encontro, no jantar, Mario e já estavam se beijando desde o início da noite, graças a diretiva intenção que Mario lhe expôs. , como brasileira habituada a outro ritmo de paquera, já estava sentindo falta daquele comportamento. Para o conforto da escritora, ele entendia o “estilo Brasileiro” de ficar e não queria perder um dia antes de ir embora com apenas diálogos. Desde as visitas aos pontos turisticos de Seoul, à exposição de arte, às praças onde sempre tinham artistas de rua que adorava assistir, à ponte famosa do rio Han, ao café que gostava de ir para escrever e Mario insistiu para conhecer, até ao jantar romântico que ele secretamente havia planejado… Em todos estes momentos, Mario andou de mãos dadas com ela como se fossem um casal cheio de trocas de carinhos. E não se sentia animada por um encontro daquele há algum tempo! Afinal, os coreanos tem um outro ritmo de namoro que tinha que admitir: paciência… O último cara com quem havia saído demorou três meses para beijá-la, e quando o fez, foi sem língua total. Sem falar no jeito que eles terminam… Eles apenas somem!
havia ficado animada com o encontro que tiveram naquela noite. Estava feliz, mas iria sentir falta. Mario beijou-a novamente à porta da casa dela e quando se separaram risonhos ele disse:

— Eu estou pensando desde a hora que saímos do restaurante em mil maneiras de ficar mais uns dias… – eles sorriram e então suspirou desanimado: — Mas eu realmente não posso.

— Claro que não… Você é o protagonista da primeira fase do meu drama!

sorriu acariciando o rosto dele.

— Quando posso te ver novamente? É só me dizer. Assim que chegar em casa, irei te colocar em todas as brechas da minha agenda se você quiser! – Mario informou ansioso.

— Vamos apenas deixar rolar. Tudo bem?

E ali, os dois se despediram. e Mario, vinham se falando com certa frequência e já havia se passado três semanas do encontro. As coisas andavam mais agitadas na Mangaká desde o programa de televisão e estava absolutamente feliz, Chang ainda tinha grandes planos para a sua amiga e escritora especial que envolvia o trabalho, e ele se esforçava para conseguir realizar tudo que ela quisesse para ela. Sem dúvida, ela não encontraria um agente como ele em toda a Coreia.

sentou-se na poltrona ao lado de , aliviado por conseguir finalizar mais uma produção que ele se esforçara muito, e observou o mais novo encarando uma foto da escritora no Instagram. E então se lembrou do ocorrido semanas antes. Passou a língua pelos lábios, curioso e então perguntou:

— Você ainda não ligou para ela !?

olhou para o amigo e deixou o telefone de lado fechando os olhos e se escorando cansado ao sofá.

— Ela está saindo com o ator.

pensou sobre aquilo tentando se lembrar do dia da entrevista.

— O Tailandês?

assentiu silencioso e abriu o celular no Instagram de Maurer. Andou stalkeando o ator e descobriu pela foto do dia seguinte à entrevista, que ele saiu com . A escritora vinha sendo citada e marcada constantemente nos stories e perfil do ator.

— Então você vai desistir dela porque um cara já está saindo com ela?

perguntou confuso e apenas suspirou.

Aigoo! – reclamou — Você tem muito mesmo a aprender com o seu hyung.

se levantou depois de notar que não estava muito bem. Jogou a garrafa de água no lixo e saiu da Big Hit escondido rumo ao seu carro. Deu uma pesquisada sobre a escritora e foi pra casa, se arrumar. Ele já havia mesmo ficado curioso sobre a mulher que interessou ao daquele jeito, porque não era algo corriqueiro.

As coisas estavam agitadas na sala de criação de seu estúdio, e só notou aquilo quando a barulheira de risos se revelou. Dentro de sua sala estava tudo silencioso demais. Ela observou ao redor, toda a equipe rindo muito e procurou por Chang, mas não o encontrou. Foi para a sala de café, e depois de buscar uma xícara, Song Hiro se aproximou dela a chamando.

! Tem um homem querendo falar com você lá na portaria.

Pensando que poderia ser Maurer, apenas assentiu. Geralmente as pessoa se identificavam, e se ele não fez isso, com certeza era Mario e a surpresa que havia dito.

— Claro! Cadê o Chany, Hiro!?

— Foi resolver uns problemas na gráfica.

— Certo! Obrigada.

Song se voltou aos amigos e foi em direção do elevador para a portaria. Assim que chegou viu um homem encostado na pilastra de mármore do prédio, com boné e máscara, olhou em volta estranhando, mas só poderia ser ele. Contudo, pela altura, não era o Mario.

— É você quem me procura?

Ele levantou o rosto para a observar de perto e notou que seus olhos pareciam denunciar um sorriso, e antes de que ele dissesse algo, ela mesmo disse:

— Eu reconheceria estes olhos de longe… Mas o que faz aqui... – olhou para os lados e se aproximou falando baixo : — ?

Ele se alarmou sentindo certa alegria por ser reconhecido.

— Você marcou o meu olhar, tanto assim?

sorriu discreta pela piada, mas já se explicando:

— Não entenda mal, por favor. Eu aprendi a reconhecer os coreanos pelos olhos, com os anos vivendo aqui.

— Entendo… Você pode sair?

não entendia nada! Ficou pensando se por caso havia pedido o seu número para dar, enfim, ao … Pelo fato de estar ali, era a única explicação, mas… Fazia sentido? Ele nem mesmo ligou, só apareceu diante dela daquele jeito!

— O meu expediente ainda demora. Você tem algo a falar comigo pelo visto, para vir até aqui assim…

— Só quero te conhecer, dar uma volta, fazer algo… Sei lá… E eu não sou de ligar avisando, desculpe por isso.

— Oh.. – estava mesmo confusa e assustada com o que estava acontecendo! Um BTS lhe chamando pra sair… — Como eu posso te chamar?

Ela perguntou e ele estranhou, então ela se aproximou sussurrando para ele:

e são nomes muito próprios de um certo, idol, não!?

Ao ouvir seus nomes sussurrados por ela, pôde quase adivinhar como não se sentiria ao ouvir ela pronunciar o nome dele sussurrando daquela forma.

— Só Min. – disse por fim — E então, quando acaba o seu expediente?

— Em duas horas.

— Tudo bem, eu espero.

— Considerando que você não pode dar sopa por aí, aonde eu devo te encontrar?

— Em lugar nenhum. Vamos juntos, eu te espero, já disse.

— Oh… – ela desconfiou: — Você vem aqui do nada e me chama para sair sem nunca ter falado comigo.. Eu não sei se me sinto segura com isso...

— Não se preocupa, eu só queria te conhecer. Mas, o não te ligou ainda…

suspirou com a cabeça girando confusa, por isso, ele continuou:

— Posso te esperar aí? – falou apontando para o interior do prédio.

Ela não entendia mesmo o que estava rolando ali, mas se virou apontando o elevador com a cabeça para ele a seguir.

— Olha, tem algo de estranho nisso…

— É, eu sei. Pareço estranho, né… Mas eu não posso voltar depois, e é melhor não dar sopa por aí como você disse, e também… Eu fugi do meu trabalho, embora tivesse acabado tudo não podia sair antes sem avisar.

o encarou curiosa por tal atitude, mas apenas murmurou positivamente.

— Você pode ficar pelo estúdio, mas minha equipe inteira vai estar lá, ou então espera na minha sala.

— No ambiente mais privado possível, por favor.

assente e a porta do elevador se abre. Os dois caminham pelo espaço e não chama a atenção de ninguém. Ele entra na sala de e observa o lugar minucioso, afinal, uma decoração pode dizer muito de alguém.

— Fique à vontade, quer beber algo?

diz e ele nega. sentou no sofá confortável ali e até cochilou um pouco, enquanto voltara a trabalhar espiando o homem estranho.

Depois de uma hora, ele acordou, e ficou um tempo apenas observando-a trabalhar. estava incomodada com aquilo e então decidiu parar.

— Certo! Isso é estranho, você é estranho, e eu não consigo trabalhar mais com você traçando um perfil mental sobre mim!

— Como sabe que eu estou fazendo isso?

— Eu sou boa em ler as pessoas.

— É deve ser… Para uma escritora. – murmurou e sorriu.

sentiu-se sem graça pela forma como ele a olhava buscando ler a sua alma.

— Melhor irmos… – ela quebrou o silêncio e fugiu ao olhar dele.

— Finalmente! Achei que realmente fosse continuar escrevendo depois que eu acordei…

indignou-se pela forma como ele a tratava como se a conhecesse.

— Fico feliz que o meu sofá foi confortável o suficiente para você! – disse sarcástica e se levantou para juntar suas coisas.

— Vou ao banheiro enquanto você desliga tudo.

Ao abrir a porta, Song esbarrou em que já tinha colocado a máscara de novo, e estranhou a presença de alguém no escritório de . saiu de cabeça baixa e refletindo como ela era uma mulher atraente, em sua postura de trabalho.

— Song eu já vou indo, seja o que for, deixe no escaninho, ok? Amanhã eu olho.

O assistente dela observou o cenário em dúvida.

— Quem é esse!?

— Um amigo.

— Achei que estivesse saindo com o ator, Sunbae!

— Eu não estou saindo com o Mario, eu já saí. É diferente! E, eu não estou com ele… – apontou com a cabeça para a porta por onde tinha saído — Você sabe.

disse diretamente para Song terminando de arrumar sua mesa. Song deixou uma pasta no escaninho dela, e sorriu travesso ao notar a sunbae fugindo do assunto:

— E ele tem nome?

Ela encarou surpresa ao Song que arregalou os olhos para ela.

— Seu amigo! Que saiu agora… – ele explicou confuso.

— Ah.. É… – pensou e viu a folha do calendário na sua mesa e soltou: — Min!

— Min?

!

? Min? – Song estranhou e antes que dissesse algo mais, a porta se abriu, e pegou a bolsa rápida se direcionando ao Yoon:

! Este é o meu assistente Song Hiro.

a encarou confuso e apenas acenou para Song, e colocou as próprias mãos no bolso à espera do que viria a seguir.

— Bem, a gente se fala amanhã, Hiro! Juízo viu!? Eu estou sabendo que vai sair com a Ailee hoje!

disse e os dois trocaram algumas palavras divertidas, mas apenas absorvia as informações como um espião. Ele seguiu que acenava e se despedia de todos sorrindo animados. A empresa e a equipe dela pareciam ter um clima ótimo! Já dentro do elevador, perguntou a sós:

?

— Se eu falo que o nome do cara que dormiu no sofá é ou , estaríamos até agora trancados na sala evitando rumores.

— Não sou o único no mundo….

— Mas é o que esteve no mesmo programa que eu semanas antes.

Hm… Você tem um bom ponto! Mas… ? Isso é nome de velho britânico!

gargalhou e afirmou antes da porta abrir:

— Exceto a parte do britânico, se me convencer que não é um velho, eu mudo o nome….

estendeu o mindinho para ela fazer a promessa, e revirou os olhos, mas enlaçou o dedo. Os dois saíram do elevador e rumou para o estacionamento da empresa, onde havia deixado seu carro, e o seguiu um pouco perdida.

— Espera! Aonde vai me levar?

Hm… – ele apertou os lábios e coçou a nuca, observando a noite que caía e sem saber onde poderia levar a escritora, sem criar muito alarde — O que você sugere?

— Não… Espera… – cruzou os braços e sorriu indignada: — Cara, você surge do nada no meu trabalho e fica duas horas esperando eu sair, mas não sabe onde quer me levar? Você sabe o que está fazendo aqui, ou…?

observou a expressão indiferente dele e mordeu os lábios suspirando. Afinal de contas, qual era a daquele cara!?

— Vem, vou te levar em um lugar de pobre! – ela apontou para o ponto de ônibus e murmurou para ele não ouvir, em português: — E foda-se se não for apropriado a uma celebridade.

percebeu que ela havia ficado desnorteada quando a viu caminhar para o ponto de ônibus e murmurar algumas palavras em outra língua. Foi engraçado não ter um plano e vê-la daquele jeito. Com certeza ela esperava a ligação do também. Parecia um pouco decepcionada por ser ele ali e não o amigo. Se apressou em alcançar e tocou seus braços a puxando para se virar e a mulher o encarou com estranheza, então apontou o carro dele no estacionamento, e o rosto dela enrubesceu:

— Claro… – disse óbvia.

Estava tão nervosa com a figura estranha que lhe seguia àquela tarde, mas ao mesmo tempo seu lado fã gritava dentro de si, e ela não podia perder a compostura e tietar ali. Ele abriu a porta do carro para que entrasse e enquanto dava a volta, ela o observava com cenho franzido como o meme da Nazaré, o qual havia mostrado aquela semana aos amigos e explicado o contexto.

— O que significa "foda-se"? Era português, não é?

— Você não vai querer saber.

deu partida e sorriu de lado, com olhos baixos e travessos na direção dela, e depois de tirar a máscara e o boné, com os vidros todos fechados ele puxou seu telefone, dizendo:

— Siri-ah, o que significa "Foda-se"? – perguntou a assistente virtual.

Mas não ouviu resposta, a mão de voou até seu iphone e ela se desesperou para cancelar.

Aish!!!! !!! – ela brigou e ele caiu na risada — Eu estava xingando, ok? Só quis dizer que se você não gostar de onde vamos é problema seu!

— Aaahhh… – ele murmurou e então fez a expressão e murmúrio de quando estava com alguma dúvida, afirmou em baixo tom, mas cmente para que ela ouvisse: — Você parecia uma menina mais indefesa naquela entrevista…

o encarou com expressão de análise e então sorriu dizendo para si, mas também dando para ele ouvir: — Tsc…. Eu nunca fui uma garota indefesa…

a olhou de soslaio e sorriu discreto depois de ouvir aquilo, e os dois não fam muito ao longo do trajeto, exceto por sendo guiado por ela no caminho.

Quando chegou em seu bairro, disse para ele estacionar perto de uma barraquinha de rua, e Yoon colocou a máscara antes de sair seguindo-a. A mulher saiu à frente acenando para um ahjussi e uma ahjumma que estavam sozinhos preparando comidas na barraca.

Anyeongseo Ahjumma!! Está vazio hoje!

Anyeongseo -ah! Sim, do jeito que você gosta! – a senhora respondeu e indicou ao marido que fosse preparar uma mesa escondidinha sob a tenda para a escritora, e depois de cumprimentar o ahjussi, a senhora olhou a figura de parado ao lado de e perguntou com um sorriso avaliando o rapaz: — Este é seu namorado?

— Não, é só um amigo.

… – apresentou-se abaixando em reverência: — Anyeongseo!

O ahjussi voltou indicando a eles o "esconderijo" de na tenda. seguiu, pediu os bolinhos de peixe de sempre e dois sojus, e quando estavam sentados ali, ela falou para ele tranquila:

— Pode tirar a máscara. Ultimamente eu tenho sido incomodada por fãs dos mangás aqui, então a Ahjumma teve essa ideia de colocar um biombo dentro da tenda para mim. Eu fico mais escondidinha e é mais quente também!

observou aquilo e ia falar quando o ahjussi chegou para os servir e ele abaixou a cabeça. Então o ahjussi riu ao perceber a timidez dele e falou para :

— Tímido, o seu namorado!

— Ele não é meu namorado, ahjussi! – ela riu.

— Ohh… – o senhor riu e piscou na direção dela zombando: — Nem o outro que sempre vem, não é? A senhorita é mesmo durona!

ficou sem graça e quando ficaram a sós ela explicou para :

— Meu agente. Mas todos que vem eles perguntam o mesmo, embora eu só tenha vindo com o Chany e agora com você aqui…

Uoow! – zombou e tirou a máscara cauteloso, mesmo com dizendo pra ele se despreocupar — Então além do seu agente, eu fui o único a vir aqui ? Já estava achando que você fosse uma viúva negra!

— Eu ainda estou te achando um pouco psicopata, sabe? – disse atrevida tirando suas luvas e as colocando em seu colo.

— É justo. Talvez eu seja… – ele murmurou sorrindo e voltou a olhar a expressão dela, curioso e perguntando: — Mas porque me trouxe aqui?

— Me poupe! Você nem sabia onde queria ir! Acho que nem sabe o que veio fazer atrás de mim! – ela riu e ele deu de ombros.

— Eu não tinha mesmo um plano, mas e você? Trouxe um psicopata que acabou de conhecer num lugar bem íntimo para você… Apesar de pouco requinte. – o encarou com expressão de raiva e ele riu — Então… Isso significa algo?

— Que provavelmente você vai gastar bem menos do que gastaria se fosse me levar pra comer em algum lugar estranho como você!

Hm… Achei que era algum tipo de fetiche de fã… – o observou estranhando a colocação de e colocando o molho no bolinho que havia sido servido, então ele manteve a expressão sacana dizendo: — Você sabe… Levar o seu ídolo para comer esse tipo de coisa e beber soju, é bem típico de fetiche de fã dorameira!

riu servindo o soju dela e caiu no riso, tamanha a bizarrice do momento, porque era exatamente o que ela poderia dizer sobre a situação. Os dois brindaram e beberam juntos. Eles comeram, a surpreendeu com uma simplicidade que ela não achava que ele tinha, e ela o surpreendeu com a maturidade que ele também não esperava, mas tinha algo de moleque, que também gostou.

— E aí, o lugar de pobre, gostou? – ela perguntou quando eles caminhavam meio altinhos para o carro.

— O lugar é bom, a comida é boa, estava tranquilo e eu tive sala vip… riu divertida e apenas sorriu tímido, mas ficou sério ao constatar: — E a companhia foi incrível também…

assentiu concordando e então perguntou o que estava a incomodando desde o começo da tarde:

— Certo, fala a verdade… Por que veio atrás de mim tão de repente? Isso tudo foi bizarro!

— Mas foi bom? – ele perguntou sério, a encarando de forma intensa.

— Foi sim, .

Ela sorriu com as mãos ao bolso e ele sorriu também e desviou o olhar para respondê-la:

— Eu não sei por quê vim, na verdade. O se interessou por você naquele dia e eu fiquei bem curioso sobre você. Acho que é só isso.

não compreendia apesar de entender o que ele dizia, mas o lugar começava a encher em torno deles, e então ela apontou para o rosto dele indicando para que subisse a máscara, e assim o assunto foi encerrado. subiu e perguntou onde ela morava, no momento em que o seu celular tocou com preocupado por seu sumiço a tarde toda.

— Já estou indo, precisei fazer uma coisa.

)joon falou pra ele não chegar tarde no dormitório, e quando desligou, já respondeu:

— Eu moro aqui no bairro, vou a pé para casa, não se preocupe! Chame um motorista de aluguel, e vá.

— Não, eu te levo! Te acompanho a pé se quiser.

Hey, ! Eu já te trouxe no meu bairro, te mostrar onde eu moro é demais, não é? Você ainda pode ser um psicopata! – ela riu debochada.

assentiu e então chamou um motorista. Os dois ficaram dentro do carro esperando o motorista chegar, e conversaram mais um pouco, e antes de ir embora, prometeu que na próxima vez levaria ela a algum lugar do estilo dele. assentiu sorrindo e se afastou do carro cruzando os braços e observando. Então abriu o vidro e sacudiu as mãos dizendo para ela ir.

— Vai logo! Eu te ligo pra saber se você chegou bem em sua casa, escritora!

— Mas eu nem te dei meu número! – disse surpresa.

— Não, mas deu ao . – ele respondeu e ela ficou confusa e então disse: — Vá para casa!

acenou e sorriu, saiu andando à medida que o carro dele se afastava. Não entendeu se ele quis dizer que o número dado ao era de fato para si, ou se ele iria roubar o número com o amigo. Mas quando seu telefone soou a mensagem dele, ela notou que havia sido rápido:

"Você tem 10 minutos para me enviar uma mensagem com a sua foto dentro de casa!”

riu e sussurrou para si enquanto caminhava:

— Seu estranho.

te enviou uma figurinha” - a mensagem chegou e sorriu murmurando para si dentro do carro:

— É, você não é mesmo uma mulher indefesa, escritora, mas é uma mulher muito legal e interessante…

Continua...



Nota da autora: Esta fanfic é resultado de um surto coletivo chamado “Terapia em Grupo” no whatsapp, e que a quem participa irá entender. Enfim, o fato é: estão preparadas para saber como você conheceu se tornou amiga destes sete garotos e se casou com um deles? Deixem seus comentários, eles são muito importantes para quem escreve viu? Um beijinho, e até a próxima!





Qualquer erro no layout dessa fanfic, notifique-me somente por e-mail.


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