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Última atualização: 18/11/2021

Capítulo 1 – O Presidente

"Hey! Come on! My baby!..." Hey, FLOW

Já era a terceira vez que a música repetia, mas a moça não ouviu. Quando o refrão repetiu pela quarta vez, ela finalmente acordou. A luz que invadia o pequeno apartamento denunciava ser muito cedo, mas, pela quantidade de vezes que o celular dela despertou, logo deduziu que já estava atrasada. Saltou da cama e correu para tomar banho. Se arrumou rapidamente e pegou as chaves da moto. Desceu até o estacionamento de seu prédio, ligou a moto e partiu. Ela preferiu tomar café na padaria próxima ao trabalho. Chegando lá, fez exatamente o que planejava e subiu até o décimo andar do enorme prédio localizado no centro de Tóquio, Japão. A moça tentou passar despercebida em meio aos demais funcionários, porém, logo foi identificada pelo chefe.

— MORI! — gritou o homem, irritado. virou-se e curvou-se para o homem, em sinal de desculpas pelo atraso. Mori, a , este era seu nome. — Isso são horas de chegar ao trabalho? Acha justo com seus colegas que chegaram aqui no horário e estão, provavelmente, fazendo o trabalho que era para a senhorita fazer?! — bradou o homem, os demais colegas de apenas observavam a cena, uns concordando mentalmente e outros achando a cena um tremendo exagero.
— Mil perdões, sr. Tanaka, isso não se repetirá. — disse ela, ainda sem olhar para o chefe. Hiroki Tanaka era o chefe do departamento de marketing, onde trabalhava. Era um homem extremamente exigente, estabelecia metas, muitas vezes inalcançáveis, para os funcionários. Todos têm medo de confrontar o homem, e, por isso, ele se aproveita para descarregar nos subordinados toda a sua arrogância.
— Onde está o relatório que te pedi há três dias? Não me diga que ainda está fazendo? — perguntou ele, olhando-a com desdém.
— Está pronto, senhor. Já levarei em sua sala. — respondeu a moça, as mãos tremendo, mas não de medo do chefe, e sim de raiva.
— Seja rápida pelo menos uma vez na vida. — disse Hiroki e saiu. Os outros funcionários respiraram fundo ao verem a porta da sala do chefe fechando-se com ele dentro. Voltaram aos seus postos. fez o mesmo.
— Bom dia, ! — disse ela, sorridente, disfarçando a vergonha que sentia. é sua colega mais próxima. Amiga mesmo.
— Bom dia, ! Brigou com o despertador? — brincou ela e ambas riram.
— Tive um jantar de família ontem, terminou mais tarde do que eu gostaria. — explicou a moça e sentou-se em frente à sua mesa de trabalho.

imprimiu o relatório pedido pelo chefe e entregou em sua sala. O chefe, como sempre, não estava lá. Ele mal aparecia na empresa, e quando aparecia, era exigindo demais dos funcionários. O horário de almoço chegou e e foram ao restaurante ali perto, comer algo. Após comerem, voltaram para a empresa e continuaram o trabalho de onde pararam. A empresa atuava no ramo imobiliário, possuía grandes prédios no centro de Tóquio e nas cidades vizinhas, sem contar que o atual presidente da empresa estava pensando em expandir os negócios para outros ramos imobiliários, não só na posse de grandes prédios. O novo presidente do grupo é o filho mais novo do sr. , que teve que se afastar dos negócios por conta da saúde. A ideia do presidente é investir em casas para famílias menos favorecidas financeiramente. Com isso, o grupo seria dono de praticamente metade (ou mais) dos imóveis das cidades em que atua. O pai do rapaz não gosta dessa ideia, acha que nunca dará certo e que é "molecagem" do filho. Mas isso não o fez desistir da ideia.
terminava uma arte publicitária para a nova campanha que a empresa lançaria em breve. Ela é formada em Publicidade e Marketing pela Universidade de Tóquio e trabalha há dois anos no ramo. O barulho no departamento de marketing era tão normal, que não percebeu que não se tratava de algo cotidiano.

— O QUE VOCÊ ACHA QUE É ISSO, MORI?! — berrou Hiroki, batendo o relatório que lhe entregou em sua mesa, com força. A moça assustou-se e saltou no próprio corpo. pegou o papel, que havia caído no chão, e leu rapidamente que se tratava de seu relatório.
— O relatório que o senhor pediu, sr. Tanaka. — disse ela, sem jeito, porém a raiva aumentando em seu ser.
— Você chama isso de relatório? — desdenhou ele e completou: — Faça outro, agora! E, dessa vez, faça direito.
— Não há nada de errado neste relatório para que ele seja refeito. — resmungou ela, mais para si mesma do que alto. Infelizmente, seu chefe ouviu e virou-se furioso.
— Como disse, Mori?! — os olhos de Hiroki saltavam de raiva com tamanha ousadia. — Repita agora o que disse, Mori! — gritou ele. levantou o rosto e ergueu o corpo, encarando o homem.
— Não há nada de errado neste relatório para que ele seja refeito. — repetiu ela, calmamente. De repente, Hiroki aproxima-se dela muito rápido e a segura pelo queixo com força. A moça não deixou de o encarar.
— Saia daqui imediatamente! Está demitida! — ele soltou o rosto dela e, então, tomou uma atitude da qual se arrependeu no segundo seguinte. Pegou o relatório, amassou e jogou no homem. Hiroki se virou mais rápido que da primeira vez e segurou os braços dela com força. — Como ousa?! — os olhos arregalados de Hiroki denunciavam toda a sua raiva pela petulância da funcionária. Ele empurrou , que caiu por cima de sua cadeira. Na queda, ela torceu o pé. — Saia agora daqui! Não quero mais te ver na minha frente, Mori! — berrou ele e saiu, sendo seguido de sua secretária. Os colegas de queriam ajudar, mas temiam perder o emprego, assim como acabara de perder.
, você está bem? — ajudou a amiga a se levantar. sentou-se na cadeira e gemeu de dor.
— Acho que não. Torci o mesmo pé que já havia fraturado antes. Ai, tá doendo! — revelou ela, gemendo de dor. agachou e tirou o salto que usava, revelando o inchaço do pé da moça.
— Ai, , tá inchado! — reforçou e levantou-se. — Vou buscar gelo. — disse ela e, já ia saindo, quando viu que todos os colegas estavam em pé, curvados em respeito à presença de um visitante inesperado. arregalou os olhos ao ver de quem se tratava e cutucou a amiga — , levanta! É o presidente! — ouviu aquilo e levantou rápido. Por um instante, se esqueceu da dor que sentia e botou o pé descalço no chão, com força. Logo o ergueu e gemeu de dor, curvando-se para o presidente.

, , como prefere ser chamado, adentrou ao departamento de marketing, seguido por sua assistente pessoal, Harumi, que estava sempre perto dele. completou 30 anos recentemente e é o sênior mais novo entre os maiores grupos de negócios do Japão. É um rapaz muito bonito, sua beleza é realmente indescritível. Metido a galã, sempre foi cercado por mulheres, muitas atrás de sua fama e dinheiro, outras iludidas por promessas de amor que jamais foram cumpridas. caminhou pelo longo corredor do local e sorriu para os funcionários que o retribuíram. Ele não quer que seus funcionários tenham medo dele, quer que o respeitem. Procura sempre ser atencioso e visitar todos os departamentos da sede da empresa que administra. Aquele era o prédio da sede do grupo , a sala de fica no último andar. Enquanto andava, algo chamou a atenção do jovem presidente.

— Está tudo bem, senhoritas? — disse ele calmamente, referindo-se a e que se cutucavam. aproximou-se delas. — Aconteceu alguma coisa? Meu Deus! — espantou-se ao ver o inchaço no pé de . — A senhorita caiu? Por favor, sente-se. — disse ele, educado e ajudou a moça a se sentar.
— Eu torci o pé, perdoe-me pela minha condição. — disse e colocou a mão no pé que parecia estar mais inchado que antes.
— Meu Deus, precisa cuidar disso antes que piore. — disse ele e completou, virando-se para sua assistente: — Harumi, mande os paramédicos do prédio irem até a minha sala, por favor. — Harumi prontamente atendeu o pedido e saiu. virou-se para e a fitou sorrindo. — Perdão, como se chama, senhorita? — os olhos castanhos de tinham algo que não sabia explicar, mas que a faziam perder a fala.
... Mori. Mori, sr. . — respondeu ela, muito tempo depois do que uma pessoa atenta responderia.
— Prazer em conhecê-la, senhorita Mori. Sou . — ele sorriu e depositou um beijo em uma das mãos dela. Os demais em volta não sabiam como reagir. tinha esse poder de hipnotizar as pessoas em volta, seja com o seu lindo sorriso, seja com sua educação. E com a não foi diferente.
Quem era esse tal de ? E por que ele fez o coração da palpitar tão forte?

Capítulo 2 – O último andar

ajudou a moça a se levantar e a levou até sua sala, no último andar do prédio. disse mil vezes que não precisava o incômodo, porém insistiu em levar a moça para ser tratada em sua sala, onde tem mais espaço. E realmente a sala do rapaz era imensa. Se bobear, ocupa quase toda a extensão do andar. Tirando a parte da entrada, o restante da sala é cercada pelos vidros que cobrem todo o prédio. De lá, dá para ver boa parte de Tóquio, uma vista deslumbrante. Quase toda a decoração é preta ou cinza. Tudo muito refinado, é claro. não é muito de esbanjar luxo, mas gosta de ter coisas boas e caras. A decoração de seu escritório, agora que é sênior do grupo, não seria diferente, apesar de a decoração de seu quarto, em sua mansão, ser o avesso do escritório, mas isso não vem ao caso no momento.
ajudou a se sentar no sofá preto, de couro, que havia próximo à porta.

— Aceita um copo d'água, srta. Mori? — perguntou ele, educado. estava hipnotizada pela delicadeza com que ele a tratava.
— Não há necessidade, sr. . — respondeu ela, saindo de seu transe momentâneo.
— Pode me chamar apenas de , por favor.
— Imagina, sr. ! Não pegaria bem devido à minha posição na empresa. Chamar o sênior do grupo apenas pelo nome. Não, melhor não, senhor. — explicou ela. a fitou enquanto enchia seu copo com vinho.
— Como preferir, srta. Mori. E eu posso chamar a senhorita pelo nome? — perguntou e deu um gole no vinho sem tirar os olhos dela.
— Como preferir, sr. . — sorriu, sem jeito e ele riu.
— Agora, falando sério. Pode me chamar de . Odeio que me tratem como sr. o tempo inteiro. — falou ele, brincalhão e escorou-se em sua mesa, apoiando apenas uma perna nela.
— Me desculpe, sr. , ainda não me sinto confortável em chamá-lo tão informalmente. — a fitou novamente e assentiu.
— Quando esse dia chegar, não hesite em me chamar assim. Não irei insistir. — falou e levantou do móvel onde estava, deu a volta na mesa e puxou o telefone do gancho. — Harumi, onde estão os paramédicos? Faz quase cinco minutos que estamos esperando! — falou ele de maneira firme. — Mande-os entrar. — falou e segundos depois os paramédicos entraram na sala. Após atenderem , deixaram o local. — Como se sente, stra. ? — perguntou enquanto caminhava pelo escritório.
— Bem, obrigada por tudo, sr. . — levantou-se e curvou-se em agradecimento.
— Não há de quê, stra. . Se quiser, pode tirar o restante do dia de folga. Peço para Harumi avisar ao chefe de seu departamento. — havia parado na parte de vidro da enorme sala para olhar a paisagem, como sempre fazia quando queria pensar.
— Receio que isso não seja possível, senhor. Eu fui demitida pelo sr. Tanaka. — revelou , fazendo girar o corpo para direção dela.
— Demitida? — ele arqueou a sobrancelha e prosseguiu: — Por quê?
— Bem... — pensou se deveria dizer o real motivo da demissão e brevemente decidiu que seria o melhor a ser feito, mas omitiu alguns fatos. — E foi isso senhor. — ela não contou a forma como Hiroki tratava a todos, por exemplo.
— Entendo. Bom, vá para casa por hoje e amanhã venha para o trabalho normalmente. Deixa que eu resolvo isso. — falou e a moça o encarou pensativa. — Há algo de errado?
— Não, não sr. . Eu já vou, então. Obrigada mais uma vez.
— Disponha, srta. .

saiu do escritório, mancando e voltou para a sua mesa de trabalho. Pegou suas coisas e foi embora. Deixou sua moto no estacionamento da empresa e chamou um táxi. Enquanto isso, estava pensativo em seu escritório. Várias coisas sempre pairavam pela cabeça do rapaz, todas ao mesmo tempo. Dessa vez, uma delas era a moça que ele acabara de conhecer. Ele quis saber mais sobre ela, queria saber tudo a seu respeito. Poderia pedir a Harumi para levantar um dossiê completo sobre a moça, mas, dessa vez, quis conhecê-la do modo antigo: perguntando e convivendo com ela.
Outra coisa também intrigava o rapaz: Mori. Este sobrenome não lhe era estranho. Mas de onde o conhecia? Tentou puxar mil vezes pela memória, sem sucesso. Seu celular vibrou, em seu bolso, tirando-lhe um pouco de seus pensamentos.

"Te espero no lugar de sempre, bro!
Te amo <3
"


Era uma mensagem de seu melhor amigo. , filho de um grande empresário do ramo da indústria. e se tratavam como irmãos, se conheciam há anos e faziam praticamente tudo juntos. Eles sempre iam às baladas mais caras e bem frequentadas da cidade. E hoje não seria diferente.

— Vai passar a festa toda com essa cara, ? — reclamou , já era tarde da noite e eles já haviam bebido bastante.
— Acho que vou para casa. Tenho que acordar cedo amanhã. — respondeu já se levantando.
— Hey! — puxou o amigo pelo braço e também levantou. — Está assim por causa da moça da sua empresa? A publicitária?
— Está óbvio, não está? — conhecia bem seu amigo. Melhor amigo.
— E como está! Se ela mexeu tanto assim com você, deveria investir nela, cara. Vai por mim, eu sei dessas coisas. — falou o rapaz, gabando-se.
— Sabe tanto que está solteiro. — riu do próprio comentário. fechou a cara.
— Porque eu quero, ora essa, ! Vamos, você sabe que está apaixonado...
— Apaixonado? Não, eu não estou. Eu literalmente acabei de conhecer ela.
— E já está parecendo um cão abandonado só porque está longe dela.
— Yah, não enche, . Eu já vou, vê se não fica aqui até amanhecer. De novo...

despediu-se do amigo e foi para casa. Durante o trajeto de volta, pensou no que disse. Será que , o cara que sempre estava cercado de inúmeras mulheres, finalmente havia se apaixonado? Não, é loucura. Ele acabara de conhecer a , não existe isso de amor à primeira vista. Existe? Amor... Também não era para tanto. Ele estava encantado por ela, fato. E doido para vê-la novamente. O rapaz não via a hora de acordar cedo para trabalhar no dia seguinte, só para ver a novamente. mal dormiu à noite, pensando em como agir com .

— Mas que droga, , por que isso agora? Reage! Não seja um molenga! — pensou , irritado e ainda deitado em sua cama. Já havia amanhecido e ele continuava pensando nas palavras de e em seus próprios sentimentos.

O que realmente o rapaz sentia por ela? Curiosidade pelo fato de ela sempre fugir dele, quando o comum para o rapaz é ter as mulheres sempre em sua cola? Ele não sabe ainda, mas dentro dele está crescendo um sentimento de admiração muito grande pela moça. E, quem sabe, algo mais forte.

Capítulo 3 – O convite

Alguns dias se passaram desde o dia em que conheceu a . Desde então, ambos se aproximaram bastante. Aliás, se aproximou muito de todos os funcionários de sua empresa. Como ele havia explicado para , ele queria que seus funcionários o respeitassem e vissem nele alguém em quem podiam confiar. E era esse chefe: o confiável e parceiro de sua equipe.
Alguns meses se passaram e chegou uma data importante para : o Natal. Ele é do tipo de pessoa que gosta de passar o Natal com a família. Porém, após a morte de sua querida mãe, há dois anos, ele não faz mais isso. Na verdade, sua família se distanciou após a morte da sra. . , seu irmão mais velho, mergulhou em seus negócios, o homem era dono de sua própria empresa, alheia ao grupo de sua família, e se afastou. A doença de seu pai o tornou um homem ainda mais amargurado e distante dos filhos. nunca se deu bem com seu pai, então esse afastamento não o afetava tanto. Já de ele sentia falta. Sempre foram muito unidos.
pegou seu elevador particular, que dava acesso exclusivo ao seu escritório, e foi até o andar do departamento de marketing, local que ele mais frequentava no prédio ultimamente.

— Olha só quem desceu para sua visita diária! — disse , brincalhona, e apontou com o nariz para a direção de onde vinha. revirou o olhar, mas não conseguiu esconder o sorrisinho de satisfação por ver o rapaz. Ele ainda não havia descido até aquele momento.
— Boa tarde, pessoal! — exclamou , para todos os presentes. Todos se levantaram e cumprimentaram o presidente. — Boa tarde, senhoritas. — disse ele, aproximando-se da baia onde elas trabalhavam.
— Boa tarde, sr. . — disseram ambas ao mesmo tempo.
— Srta. , está muito ocupada? — disse , fitando da maneira que deixava ela desconsertada.
— Nã-Não, sr. . Deseja algo? — se repreendeu internamente pelo gaguejo. Ela ainda não conseguia chamar o chefe apenas pelo nome, então ambos acharam um meio-termo aceitável para comunicação.
— Pode me acompanhar, por favor? — estendeu a mão direita para ela e manteve a esquerda dentro do bolso da calça social. apenas balançou a cabeça confirmando, levantou-se e ignorou a mão do rapaz que ainda estava estendida. sorriu de canto e acenou com a mão avulsa para que ela passasse em sua frente. Eles pegaram o elevador comum e depois o exclusivo que dava diretamente no escritório do rapaz. — Por favor, fique à vontade, srta. . — eles entraram no escritório e acomodou-se em sua cadeira. ficou parada em frente à mesa dele. — Quer crescer mais, senhorita? Creio que esta não seja a melhor maneira. — riu da própria piada. sentiu-se idiota, pigarreou e sentou-se na cadeira. — Bom, srta. , serei direto: a senhorita gostaria de jantar comigo hoje à noite?
— Jan-Jantar? — não entendia o porquê de tanto gaguejo vindo dela, ainda mais na frente dele. — Jantar com o senhor hoje? — repetiu o pedido dele, o rapaz a fitou confuso.
— Foi o que eu disse. — respondeu ele, óbvio, e completou: — Mas, é claro, que caso tenha algum outro compromisso de Natal, eu entenderei.
— Não tenho, quer dizer, normalmente eu passo o Natal com meus pais, mas creio que não seja o caso este ano. — comentou ela, sem entrar em detalhes. Aliás, sempre quando falavam sobre família, e não entravam em detalhes. — Combinei com a que ficaria com ela em sua casa... — ia completando ela, mas foi interrompida pelo rapaz.
— Entendo, bom, percebi que você não se sentiu confortável com o pedido. Então, eu o retiro. — disse ele demonstrando tranquilidade, porém seu interior estava triste com a recusa da moça.
— Sr. , não é isso. Perdoe-me, eu não quis recusar seu convite. Seria bom jantar com o senhor, mas creio que o senhor tenha companhias melhores para um dia tão especial como é o Natal. Sua família, por exemplo. — ajeitou-se na cadeira, sentiu-se desconfortável com a menção da família, mas ignorou o sentimento e não o deixou tomar conta de sua expressão. Deu um sorriso simpático e disse:
— Minha família tem outros compromissos, srta. . — disse ele, simplesmente. — Aceitaria meu convite, então? Posso refazê-lo, se quiser. — o que será que há no sorriso de que deixava tão hipnotizada daquela forma? Era um mistério para a moça nos últimos meses.
— Aceito, sr. . Fico grata pela lembrança. — respondeu ela e completou: — Posso levar a junto? Não queria deixá-la sozinha hoje. — arqueou a sobrancelha. Não esperava que a moça fosse pedir isso, mas não se importou com o pedido.
— Claro. Serão bem-vindas! — sorriu seu sorriso mais encantador. Não estava irritado, mas o convite para jantar não era para ser a três. — Harumi te passará o endereço do local, mas mandarei meu motorista ir buscar vocês. Seria incômodo se a srta. esperasse em seu apartamento? — questionou ele, calmamente. negou com a cabeça — Ótimo, ele passará lá às 19h30, está bem? — concordou e eles se despediram.

voltou para sua baia de trabalho com uma expressão espantada na face. Logo contou para sobre o convite. A amiga gritou sem querer de tão feliz que ficou por . Quando lhe contou que o convite para jantar foi estendido forçadamente para ela também, deu um tapa na cabeça de e disse que ela era uma burra.

— Não vê que o sr. quer ficar a sós com você?! Pelo amor de Deus, ! É claro que eu não vou com vocês!

ficou irritada com pela recusa, mas não culpou a amiga. Ela percebeu que queria ficar a sós com ela, mas ela não se sentia à vontade com isso. Não por não gostar do ou achar que ele era desrespeitoso, ou algo do tipo. Ela sentia medo de se entregar para ele, sentia que poderia perder o controle de seus atos a qualquer momento, agarrar o pescoço do rapaz e o beijar. Ela não podia fazer isso, não podia se apaixonar pelo presidente da empresa em que trabalha. Ela compartilhou esses sentimentos com a amiga.

— Acho estranho ele querer ficar comigo. Sou apenas uma publicitária. — disse , baixinho para que ninguém além de a ouvisse.
— Será que ele sabe sobre... — iniciou , mas foi interrompida por , bruscamente.
— Não fala disso, ! — repreendeu e completou: — Eu não sei. Não acho que ele saiba, senão já teria mencionado assim que me conheceu. Teria se lembrado de mim. — concordou com a cabeça.
— Já faz anos, será que ainda se lembra? — perguntou ela.
— Duvido que lembre. Não faz tanto tempo assim, mas eu estava diferente e ele também. Definitivamente, este não é o que eu conheci.

encerrou o assunto ali mesmo e voltou às suas atividades. Ela não gostava de lembrar-se daquele dia e preferia deixar o mesmo enterrado em sua memória. Horas se passaram e o expediente acabou. foi para sua casa, enquanto foi para seu apartamento se arrumar para o jantar com . Estava nervosa por ficar mais do que vinte minutos sozinha com ele, ainda mais fora do ambiente de trabalho. Não sabia o que falar ou como se comportar. Ela sentia que a noite seria longa.
O motorista da família foi buscar a moça pontualmente às 19h30. Chegando ao restaurante, já esperava pela moça dentro do local. Puxou a cadeira para ela se sentar e pediu para o garçom trazer o menu. Ele notou, obviamente, que a moça foi sozinha, mas preferiu não comentar a respeito.

— Está muito bonita, srta. . — comentou o rapaz, sorrindo. usava um vestido verde musgo na altura do joelho e os cabelos soltos na altura dos ombros. Um delicado colar cum um pingente de estrela completava o look da moça.
— Obrigada, sr. . O senhor está muito elegante, como sempre. — falou ela, ainda sem graça pelo elogio dele. usava um de seus ternos escuros, uma gravata azul marinho e seus cabelos, que tinham um corte moicano, penteados para trás. Ele agradeceu o elogio. O garçom trouxe o menu e observou o mesmo. fazia igual. Fizeram o pedido.
— E o vinho, qual o senhor prefere? — perguntou o garçom para .
— Qual você me sugere? — perguntou o rapaz de volta. Antes que o garçom pudesse responder, o interrompeu.
— Um Château Lafite Rothschild seria ótimo, por favor. — arqueou as sobrancelhas, surpreso.
— Excelente escolha, senhorita. Com licença. — disse o garçom com um sorriso no rosto e saiu levando consigo os menus. ajeitou-se na cadeira.
— Há algo de errado comigo, sr. ? — questionou ela. encarava a moça como se o rosto dela estivesse sujo.
— Não sabia que conhecia sobre vinhos, srta. . — respondeu ele. suspendeu as sobrancelhas e sorriu.
— Não achou que uma simples publicitária poderia conhecer de vinhos? — perguntou ela, desafiante. pigarreou e disse:
— Me desculpe, não é muito comum. Não quis parecer rude. — desculpou-se ele. negou com a cabeça.
— Está tudo bem, sr. . Fui ríspida com o senhor, desculpe.
— Você apenas se defendeu. Está certa.
— Com licença... — disse o garçom, interrompendo, ele trazia a garrafa de vinho. Serviu ambos e saiu novamente, deixando a garrafa no centro da mesa. A tensão que se formou pelo episódio do vinho, logo se desfez com uma conversa muito agradável que ambos iniciaram. E foi assim pelo resto do jantar.

Horas depois, sugeriu que eles fossem numa boate ali perto. De início, resistiu, mas lhe deu o argumento de que no dia seguinte ela não teria que acordar cedo para trabalhar, pois era Natal, e um sábado. Chegando na boate, foram direto para um dos camarotes exclusivos que a família possuía em algumas baladas da cidade. Pouco tempo depois, eles desceram para a pista e foram dançar. Estavam se divertindo muito dançando próximos um do outro. As duas garrafas de Château Lafite Rothschild que beberam no restaurante definitivamente estavam fazendo efeito. E o efeito era fazer ambos dançarem como se só tivessem os dois naquele ambiente.
De repente, alguém esbarra em , fazendo o rapaz quase cair por cima de . Ele virou-se, levemente irritado, e reconheceu a pessoa que esbarrou nele.

— Ayumi? — perguntou ele, gritando para se fazer entendido. Ayumi encarou e sorriu com os olhos meio fechados.
! É o , olha gente é o ! Que lindo, , este homem é um acontecimento! Que espetáculo! — claramente bêbada, Ayumi gritava e cutucava as pessoas em volta apontando para .
— Você tá sozinha, Ayumi? Vem, vou te levar para o camarote. — falou ele e segurou Ayumi pelo ombro, envolvendo o braço dela em seu pescoço. — Vem comigo, . — a moça ajudou a levar Ayumi até o camarote, onde sentaram ela no sofá. Nem notou que tinha deixado a formalidade de lado, por um momento.
— É melhor levar ela para casa, sr. . — disse ela.
— Vou levar. Vem, vamos conosco, te deixo em casa depois.
— Não precisa, eu chamo um táxi. — respondeu ela e pegou sua bolsa. — Ela precisa ir para casa logo.
— Deixa de besteira, . Eu te levo. — insistiu .
— Não seja teimoso, sr. . Quanto mais rápido o senhor levar a moça para casa, melhor para ela. Eu vou de táxi. — decretou ela. suspirou derrotado.
— Está bem, . Por favor, me ligue assim que pegar o táxi e assim que chegar em casa, está bem?
— Está bem.
— Não se preocupe com a conta, já está paga.
— Eu vou ao banheiro e depois vou embora. Me avisa quando chegar em casa. — disse ela, surpreendendo o rapaz que sorriu vaidoso com a preocupação dela.
— Ligo sim.

levou Ayumi até seu carro e a levou para casa. fez o que disse que faria, mas ao sair do banheiro, teve uma grande surpresa.

Capítulo 4 – O melhor amigo


havia acabado de chegar em sua balada favorita. Além de ser o lugar onde seu melhor amigo tem um camarote exclusivo, é o lugar onde ele sempre encontrava uma companhia para finalizar a noite. Nesta noite, sabia que acabaria com uma bela moça ao lado. Era uma certeza para ele. O rapaz usava uma camisa preta de manga comprida, um colete branco, calça branca e uma bota preta de cano longo. Ajeitou os cabelos, saiu de seu penteado clássico com os cabelos na altura da orelha e os jogou para um lado de seu corpo, finalizando com gel. Entrando na balada, observou o ambiente e foi para o bar, pediu seu drink de sempre, o bartender já o conhecia. Cinco minutos após começar a beber, viu uma movimentação nas escadas que levam até os camarotes. Pelo pouco que conseguiu ver, notou que havia uma moça sendo literalmente arrastada escada acima por dois homens. bebeu seu drink num só gole e avisou ao bartender o que viu, o outro acionou os seguranças, mas precisava ir ver pessoalmente o que estava acontecendo. Seu instinto gritou por isso. Subiu os degraus de dois em dois e logo chegou aos camarotes. Todos continham portas para a maior privacidade de seus ocupantes, e um vidro do outro lado que permitia a vista da pista de dança. abriu porta a porta até finalmente achar a única que continha gente em seu interior, e estava trancada. Ele se jogou na porta, mas não abriu. Irritado e ouvindo gritos vindo de dentro do camarote, pegou um extintor de incêndio que havia ali e investiu na maçaneta, quebrando-a.

— O que estão fazendo?! — disse ao entrar. Havia um homem empurrando algo na boca de uma moça enquanto outro a segurava. sentiu asco pela cena.
— Não atrapalhe, cara! Cai fora! — disse um dos homens. A moça estava meio desacordada.
— Deixem minha namorada em paz! Seus cretinos! — bradou ele e foi para cima deles. Deu alguns socos e recebeu alguns, até que os seguranças da boate finalmente chegaram e levaram os homens para fora. — Eles doparam ela! — revelou . — Chamem a polícia! — completou e os seguranças os levaram embora, chamando a polícia em seguida. aproximou-se da moça que estava caída no sofá. — Meu Deus, é ela mesmo! — exclamou o rapaz e notou que o vestido que ela usava estava suspenso. Com cuidado para não ver nada que se arrependesse depois, abaixou a peça.

conhecia a moça, porém não sabia onde ela morava. Obviamente ele inventou aquela história de que ela era sua namorada para que os homens a deixassem. achou melhor levar a moça para um hotel. Pediu para a recepcionista reservar um quarto ao lado do dela. acomodou a moça na cama e foi para o seu quarto. Que noite! Quando pensou que acabaria a noite com uma linda moça do lado, não imaginou que fosse daquela forma. Sorriu, no quarto ao lado, e adormeceu após mandar uma mensagem para o melhor amigo contando o que houve.

[...]

Na manhã seguinte, ela acordou com uma dor intensa na cabeça. Logo notou que ainda usava a mesma roupa da noite anterior. Notou também que estava num quarto estranho. A porta do quarto abriu-se e ela se cobriu, na defensiva.

— Bom dia! Já acordou? — disse uma voz masculina e logo ela viu o dono dela adentrar ao quarto. — Olá, como se sente? — perguntou ele, de maneira carinhosa. Ela arqueou a sobrancelha, desconfiada.
— Quem é você e onde estou?! — perguntou a moça com os olhos esbugalhados, que demonstravam o medo que sentia.
— Ah, perdão! Me chamo , prazer. Eu te ajudei ontem, haviam dois caras que te doparam e, bom, eles não queriam fazer algo bom com a senhorita. — disse , educado.
— Eu me lembro vagamente. Desculpe, é que eu achei que...
— Não se preocupe. Quer tomar café da manhã? Eles já serviram. — ofereceu ele, a moça o fitou e sentiu seu estômago reclamar.
— Preciso de um banho antes. Se importa se...
— Ah, claro. Vou deixar a senhorita à vontade. Te espero no lobby (saguão) do hotel.

saiu do quarto e caminhou até os elevadores. Já no lobby, recebeu a ligação de seu melhor amigo.

— Bom dia, seu cretino! — exclamou , o outro riu do outro lado.
Bom dia, seu idiota! — respondeu . — Onde você está? Preciso de sua ajuda.
— Estou num hotel. Cara, você não vai acreditar com quem eu estou aqui. — falou , animado.
Tem como me falar depois? Eu realmente preciso de sua ajuda. — falou , sério.
— Parece preocupado, cara. O que houve? — mudou o tom de voz ao notar a seriedade do amigo.
Lembra da ? A moça que trabalha lá na sede da empresa.
— Claro! A moça que tomou conta do coração do meu melhor amigo! Como eu não saberia? — respondeu , brincalhão. ignorou o comentário e prosseguiu:
Então, eu saí para jantar com ela ontem, fomos àquela boate que sempre vamos, sabe? resmungou um "sim". — Mas aí encontrei a Ayumi lá, lembra da Ayumi?
— Aquela gata! Lembro sim... — ignorou novamente e contou o restante da história até o momento em que não conseguiu mais falar com a .
Eu estou muito preocupado, ela não é disso. — completou , apreensivo.
— Putz, cara. Sabe onde ela mora? Por que não vai lá? — perguntou .
Já fiz isso e não tem ninguém em casa. O porteiro do prédio disse que ela não voltou para casa ontem.
— Estranho. Ah, já sei, ! Fala com o pessoal que trabalha na boate. Podem saber de algo.
Você é brilhante, ! — exclamou , riu vaidoso. — Vamos lá comigo?
— Cara, eu estou no hotel, como disse, com uma baita gata.
Ah, ! Vai me trocar por um par de peitos? Eu também tenho peitos, sabia?! — disse , num tom falso de ofendido.
— Os seus não são macios que nem eu acho que os dela sejam.
Não dormiram juntos? — perguntou , surpreso. Sabia que o amigo não perdia oportunidades assim.
— Não, cara. Ontem foi tenso... — contou rapidamente o que houve na noite anterior — ...e agora eu estou aqui no hotel com a gata da Mori! Nossa, que sorte a minha. — sentiu seu coração parar por um instante.
Quem? Mori? — repetiu ele, confirmou e perdeu um pouco a compostura. — , O QUE VOCÊ ESTÁ FAZENDO AÍ COM ELA?! Seu cretino, eu vou te matar! não entendeu o motivo do surto do amigo.
? ? — a ligação foi desligada e tentou retornar, mas o amigo não respondeu. Incrivelmente, dez minutos após, entra pelo lobby do hotel, furioso, e se joga no sofá ao lado do amigo.
— Onde ela está?! — os olhos de estavam saltados de raiva e ainda não entendia o motivo.
— A ? — perguntou , receoso.
— Sim! Não me diga que dormiram no mesmo quarto?! , eu juro que te mato afogado na piscina do hotel se você fez algo com ela. Eu juro!
— Calma, ! Eu não dormi no mesmo quarto que ela. Eu juro pela nossa amizade! — apertava o colarinho da camisa do amigo e o fuzilava com o olhar.
— E por que você está aqui com ela? Por que justo ela, ?! — perguntou ele, seu tom de voz variava entre raiva e mágoa.
— Me explica direito, amigo. Juro que não estou te entendendo.
— De onde conhece a ?
— Cara, todo mundo no país conhece ela. Por que eu não conheceria? — disse ele, soltou o colarinho da camisa de que ajeitou a peça em seu corpo. — Não conhece ela?
— Deveria? — olhou para o amigo, muito confuso e ainda irritado.
— Ela é a herdeira do grupo Mori, o grupo de empresas do ramo da construção. Não conhece ela? Achei que tinham se conhecido há dez anos naquela festa. — explicou . sentiu seu corpo pesar como se um enorme rinoceronte tivesse sentado em suas costas. Agora ele conseguiu se lembrar de onde conhecia o sobrenome da moça e sentiu-se um idiota por só lembrar-se agora.
— Não acredito... — estava pasmo com a revelação. — Cara, ela é a minha . A mesma que trabalha no escritório. — revelou , quase chorando. abriu a boca e a cobriu com uma das mãos.
— Sério? — perguntou ele — Ela não te contou isso?
— Não...

sentiu-se muito burro naquele momento. não sabia o que dizer, apenas pousou a mão esquerda nas costas do amigo, que jogou o rosto nas mãos e deixou as lágrimas tomarem conta.

Capítulo 5 – A herdeira

Já mais calmo, quis confrontar ali mesmo no hotel. achou melhor ele fazer isso em um outro momento. Afinal, havia passado por um trauma na noite anterior. concordou e só então percebeu pelo que ela havia passado. Se culpou por tê-la deixado sozinha. O rapaz observou de longe a moça chegando ao lobby do hotel para encontrar o amigo. Ainda estava linda com seu vestido verde musgo e os cabelos soltos, porém seu rosto entregava o cansaço pela noite agitada que teve. aguardou dentro de sua Lamborghini azul-marinho que estava estacionada mais adiante do hotel. Notou que o carro que foi parado na frente da entrada e ficou em alerta. Logo, viu o amigo e entrarem nele e seguirem para a rua. os seguiu e fez um caminho diferente do costumeiro para ir ao apartamento de . Para onde ele estava indo? Curioso, pensou em ligar para ou mandar uma mensagem, mas ignorou a péssima ideia. O carro de entrou numa rua onde, costumeiramente, residem as pessoas mais ricas de Tóquio. Só então, o rapaz lembrou-se da história da herança. Sua garganta deu um nó.

[...]

não quis falar com ninguém. Na verdade, ela nem queria estar naquela casa, mas não teve jeito, insistiu em levar a moça até sua casa, pois seria mais seguro a moça não ficar sozinha. Não quis discutir, então aceitou a carona até a mansão onde seus pais moram. Pelo horário, a moça acreditou que ambos estivessem dormindo. Entrou pela porta principal e foi recebida pela governanta, uma senhora muito simpática, que abriu um enorme sorriso ao vê-la. Fazia tempo que ela não ia lá.
A moça deitou em sua velha cama e fechou os olhos. De imediato, todas as coisas que lhe aconteceram ontem vieram como um furacão de imagens. As batidas na porta a dispersaram do furacão.

— Entra. — respondeu a moça, ajeitando-se na cama.
— Senhorita Mori, com licença, tem uma visita lá embaixo. — disse a empregada num tom de desculpas por interromper o que quer que fosse.
— Acorde meus pais, deve ser alguém querendo conversar com eles. — a moça se levantou e caminhou até seu closet.
— Na verdade, senhorita, é um rapaz chamado e ele deseja falar com a senhorita. — a simples menção do nome de fez se virar de imediato para a moça parada em sua porta.
? — perguntou e a outra confirmou com a cabeça. — Peça para que me espere no jardim, por favor. Eu já vou descer. Ah, diga a todos para não interromperem minha conversa com o senhor , por favor. — disse e a outra obedeceu. Será que finalmente a farsa da moça foi descoberta? Bom, tudo indica que sim. já esperava por isso, pretendia contar para sobre sua família e sobre o título que carregava, só não esperava ser dessa forma. — ? — a voz da moça dizendo somente seu nome foi um som agradável para ele, não conteve o sorriso. Virou-se para vê-la, tinha trocado de roupa, mas continuava muito bonita como sempre.
— Agora consegue falar somente meu nome? — zombou com um sorriso debochado no rosto. revirou o olhar e riu pelo nariz.
— Sempre consegui, apenas me reservei ao direito de não falar, senhor . — rebateu ela e sentou-se na cadeira que havia no jardim da casa. O pai de fez questão de decorar tudo do jeito dele. Ela se lembra da imagem do jardim exatamente como era em sua infância. — Receio que já saiba sobre mim. — falou ela, sem graça.
— Sim, me contou esta manhã. Na verdade, eu acabei descobrindo sem querer. — falou ele e a moça o fitou confusa. Após explicar toda a história, pôde entender direito.
— Então, o é seu amigo? — disse ela.
Melhor amigo. Nos conhecemos ainda crianças.
— Entendo...
, posso te chamar assim, né? — perguntou ele antes de prosseguir. sorriu e afirmou com a cabeça — Então, , o me disse que nos conhecemos numa festa há alguns anos. Mas eu realmente não me lembro. O que seria difícil, pois uma mulher como você é difícil de esquecer. — disse e fitou o chão. Com tantas perguntas para ele fazer, por que justo essa? Xingou mentalmente por ter contado este detalhe.
— Sim, bom...

Dez anos atrás...

não queria ir à festa de inauguração da sede do grupo , preferia ficar em casa. Porém, sua mãe a convenceu de ir dizendo que o filho mais novo do sr. estaria na festa também e eles poderiam fazer amizade. colocou seu melhor vestido, era até o joelho, pois odiava vestidos mais longos que isso, e tinha tons diferentes de vermelho, em dégradé. Os longos cabelos presos num rabo de cavalo realçavam seu rosto quase sem maquiagem. Assim que chegaram na festa, e os pais foram recebidos pelo sr. e seu filho mais velho.

— Prazer em conhecê-la, senhorita . — disse , educado, e depositou um beijo no dorso da mão da moça.
— O prazer é meu. — respondeu ela, sorrindo.

circulou pela festa à procura do filho mais novo do senhor . Não conhecia seu rosto, mas, pela descrição de sua mãe, sabia que se tratava de um belo rapaz. Em um momento da festa, a senhora Mori abordou a filha e apontou para um pequeno grupo de jovens que conversava animadamente.

— Veja, filha, aquele é o jovem . — a mulher apontou para o rapaz que estava de costas, ao centro da roda que se formou em volta dele. — Seu nome é . Deveria ir lá conversar com pessoas da sua idade, querida. — completou a senhora Mori e deixou a filha sozinha mais uma vez. cogitou mil cenários, todos eles malsucedidos à aproximação do jovem . Ela nunca foi boa em fazer amizades. Não sabia o que dizer. tomou um resquício de coragem e num impulso foi até a roda de amigos.
— Oi, com licença. — disse ela, baixinho. Uma jovem moça de cabelos muito pretos e longos a fitou de cima a baixo com certo desdém. Ninguém além dela pareceu notar a presença de ali. — É... , eu me chamo Mori, prazer em conhecê-lo. — disse a moça um tanto quanto baixo, mas suficiente para fazer virar-se e encarar a moça. Olhou para baixo, pois ela é um pouco menor que ele.
Mori? Hm, oi. — disse de maneira seca e completou: — Se nos der licença, estamos ocupados aqui. — a moça, de longos cabelos pretos, entrelaçou seus braços no pescoço de . — Ayumi... — o rapaz deu um beijo em sua boca e depois virou-se para dizendo: — Estamos sem tempo para crianças, você parece muito nova. Não faz meu tipo.

não soube o que dizer. Sua timidez não permitiu que ela dissesse nada, nem fizesse nada. Tanto que continuou parada, estática, olhando Ayumi beijar todas as partes visíveis do corpo de e ver o rapaz gemer com isso. Sentiu seu estômago embrulhar e a garganta se fechar. Um dos amigos do rapaz, que apenas observava a cena, deu um susto em , fazendo a moça sair de seu transe e sair correndo pelo grande salão de festas. Ela ainda pôde ouvir as risadas de deboche vindo do grupo que acabou de deixar.


Atualmente...

Após contar a história de como conheceu , sentiu-se metade aliviada, metade triste. A única que sabia dessa história era a e foi muito difícil contar tudo. Revelar isto para foi ainda mais difícil.

, eu... — começou , mas não sabia ao certo o que dizer. Sentiu-se um idiota. Naquela época, ele não tinha o mínimo de consideração por ninguém, apenas por seu irmão, que era o único que ele respeitava. resolveu dizer aquilo que estava sentindo para ser o mais sincero possível. — Me perdoe por aquele dia, . Eu era um completo idiota sem noção. Atualmente, eu jamais a trataria dessa forma. Nem você nem nenhuma outra mulher. Eu fui um imbecil com você. Meu Deus, se eu soubesse o que eu sentiria agora... — parou de falar e o encarou.
— Sentir o que, ? — perguntou ela. sentiu que falou demais, mas, ao mesmo tempo, ele sabia que não havia (nunca houve) motivos concretos para que ele não dissesse o que sentia. Precisava falar.
— Já faz um tempo que gostaria de lhe falar algo, . — começou ele e fez uma breve pausa, pensando nas palavras certas para falar. Decidiu apenas dizer o que seu coração lhe dizia todo dia. — , a gente tem uma relação muito boa, não é? Eu adoro sua companhia, seu sorriso encantador, até do seu olhar repreendedor eu gosto. — riu pelo nariz e prosseguiu: — Eu gosto muito de você, . Há meses que gostaria de lhe falar isso, mas me sobrava covardia. — desabafou , encarando a moça que o fitava de volta com uma expressão sem definição.
, eu... — ela começou a falar e franziu o cenho. — Por incrível que pareça, eu também gosto muito de sua companhia.
— Só da minha companhia?
— De você. Eu gosto de você, . — revelou ela com um sorriso no rosto. Por essa, não esperava. O mínimo que esperava da moça era uma negativa dos fatos.
— Estou tão feliz em ouvir isso, . — o sorriso dele estava agora mais largo que antes, o que fez seus olhos estreitarem ainda mais. achava este fato extremamente fofo.

a convidou para jantar em sua mansão, não na intenção de apresentar a moça para o pai e o irmão, mas para ser um jantar romântico. Vide os últimos anos, tinha certeza de que apenas seu pai estaria em casa e trancado em seu quarto. aceitou o convite e, antes de irem para a mansão dele, ficaram no jardim da mansão dos Mori, conversando sobre a vida e os sentimentos. Muitos sentimentos.

Capítulo 6 – O anúncio

A mansão dos é tão deslumbrante quanto a dos Mori. achou a decoração ainda mais bonita do que a que tem na casa de seus pais. A falecida senhora tinha um bom gosto. contava somente sobre sua mãe e, às vezes, sobre , seu irmão mais velho. Contou para sobre a relação maravilhosa e de companheirismo que tinha com a mãe e o quanto ele sentia falta disso. E como sentia...
O quarto de era o oposto de seu escritório. Ele demonstrava como ele realmente é: muitos instrumentos espalhados pela parede e encostados em algum lugar (violões, guitarras e até uma bateria estava ali no cantinho do enorme cômodo), pôsteres de bandas de rock colados na parede, uma enorme cama de casal e uma estante com muitos livros. Passando os olhos, por alto, jurou ter visto a coletânea de livros do Harry Potter e se segurou para não olhar livro por livro daquela estante.

— Bem-vinda ao meu quarto, ! — disse o rapaz, percebendo o encantamento da moça.
— Obrigada, . — respondeu ela sem graça.
— É tão bom ouvir você me chamar pelo nome. — sorriu, estava tão feliz em poder compartilhar o mesmo ambiente que a moça sem as formalidades do trabalho. E o melhor: sabendo que ela sente o mesmo sentimento por ele.

e tiveram um agradável jantar de Natal. Conversaram bastante e decidiram tentar algo sério juntos. Um namoro. Se dependesse de , a pediria em casamento naquele instante em que, após um momento de amor, ela dormia calmamente em seu peito. Naquele instante, sentiu um amor tão grande por aquele ser ali aninhado que ele nem sabia ser possível sentir. Teve certeza de que era a mulher de sua vida e nada, a princípio, mudaria isso.

[...]

O dia seguinte veio e, após um café da manhã reforçado, levou para casa. O senhor Mori ficou sabendo da presença, ainda que breve, da filha em casa e solicitou sua presença para o almoço. Contrariada, apareceu na mansão.

— Deveria ver o que seu pai quer, pode ser importante. — disse , antes de ela descer do carro, já na porta da propriedade dos Mori. — Depois vamos falar com ele sobre nós?
— Com certeza, o plano está de pé. — ela sorriu e deu um selinho nele.

Eles combinaram que contariam o mais breve possível sobre o namoro deles para os pais da . Sobre o senhor , disse que "resolveria depois". adentrou a porta principal e deu de cara com sua mãe. A mais velha sorriu radiante ao ver a filha.

, minha querida! Que bom que veio! — caminhou de braços abertos até a filha e abraçou a moça.
— Olá, mamãe, que saudade! — não via sua mãe desde o último jantar que seu pai obrigou a moça a comparecer. — Como vai mamãe? — perguntou a moça ao se afastar do abraço.
— Bem, filha. E você? Me conte sobre seu trabalho na empresa dos ! Vi sua última campanha, estava maravilhosa, querida! — a mãe da sempre apoiou a filha a trabalhar e fazer o que ama. Já seu pai achava este trabalho uma afronta pessoal.
— Que bom que chegou, . — a voz do senhor Mori preencheu todo o espaço do salão principal. — Em breve o almoço será servido. Não se atrase em descer.
— Já estou pronta, meu pai. — respondeu ela o encarando. O senhor Mori a fitou de cima abaixo com desdém no olhar.
— Como queira.

Falando apenas isso, o senhor Mori deixou o ambiente. respirou fundo para não perguntar o que o pai quis dizer com aquilo e voltou a conversar com sua mãe, que estava extremamente feliz por ter a filha por perto. O almoço foi servido e o senhor Mori se manteve em silêncio, apenas e a mãe conversavam. Até que, quando a sobremesa foi servida, o senhor Mori falou, interrompendo uma das histórias que a filha contava.

— ...foi bem tenso de fazer, mas acho que consegui alcançar as expec...
— Vamos direto ao ponto! — o senhor Mori bateu firme na mesa, chamando a atenção da esposa e da filha, que o encararam sem entender. — , estou em negociação com uma grande empresa do ramo da construção da cidade. Pretendemos unir nossas forças para expandir o mercado. Sendo assim, firmamos um acordo matrimonial. — ao ouvir esta palavra, sentiu um frio gélido percorrer toda a extensão de seu corpo e sentiu a boca secar. — Portanto, você se casará com o dono da empresa, o senhor Katsuo Matsumoto. — arregalou o olhar. Conhecia bem a fama de mau-caráter de Katsuo. Eles tinham a mesma idade.
— Isto é um absurdo! — berrou a moça, levantando-se da cadeira. Sua mãe a acompanhou, tentando apaziguar.
— Sente-se! — bradou o homem, irritado.
— Se pensa que farei parte dos seus joguinhos de negócios, está extremamente enganado! Que disparate! — ia saindo, mas seu pai bateu mais uma vez com firmeza na mesa.
— Eu falei para você se sentar, garota!
— Eu não vou me casar com alguém feito o Matsumoto só para alavancar os seus negócios, meu pai! Nunca! Eu amo outra pessoa e não vou jogar fora o meu futuro casando-me com o Matsumoto.
— Ama outra pessoa, filha? — a senhora Mori lhe perguntou.
— Sim, mamãe. Depois te conto quem é. — disse ela. A mãe de já desconfiava de quem se tratava.
Amor?! — disse o senhor Mori em tom de deboche. — Você é muito nova para entender disto. O amor não enche barriga e nem constrói impérios nos negócios!
— O mundo não é feito apenas disso, meu pai. O senhor não pode usar sua própria filha como moeda de negociação. Isso é ridículo! Não estamos mais nos tempos medievais onde isso era visto como algo inteligente.
— Ainda vivemos em tempos em que é preciso fazer tais coisas, . Você jamais entenderia.
— Me explica, então. — disse ela em tom de desafio. O senhor Mori odiava quando a filha o enfrentava dessa forma. De repente, um barulho muito alto invade a sala de jantar. Parecia vir do salão principal. — O que foi isso?
— Que inferno! O que está havendo aí?! — berrou o senhor Mori, esperando que algum funcionário o respondesse. Sem resposta e impaciente, o alto homem caminhou até a entrada da sala de jantar. Ali mesmo ele descobriu de onde vinha tanto barulho.
— Não se mexa, senhor Mori! — disse o homem mascarado e apontou uma arma para o outro, que ficou paralisado.
— O que está havendo? Por favor, não nos machuque! — suplicou ele e ergueu as mãos em rendição. O homem mascarado apontou com a cabeça para que o outro se afastasse. apoiava sua mãe, que estava bastante nervosa e chorava. A moça sentiu o mesmo quando ouviu a palavra "matrimonial", com um adicional de medo muito grande.
— Só viemos buscar uma coisa, quando conseguirmos, iremos embora. — disse um outro homem mascarado que estava logo atrás do primeiro.
— Pegue o que quiser, mas não nos machuque. — repetiu o senhor Mori, agora postado ao lado da esposa e da filha.
— Será um imenso prazer. — falou um deles e aproximou-se, puxando para si.
— Minha filha não! — berrou o senhor Mori desesperadamente.
— O senhor disse para levarmos o que quiséssemos, nós queremos a senhorita Mori. São as ordens. — explicou ele e rendeu a moça. Segurou ela na altura dos ombros e pôs a arma em sua cabeça. — Não se preocupe, senhorita Mori, se a senhorita se comportar, nada acontecerá com seus pais. — ela afirmou com um balanço de cabeça. Seu corpo todo tremia de medo, mas tentou se manter calma. Todo esse controle foi por água abaixo quando ela ouviu a voz dele.
O que pensam que estão fazendo?! — a figura sempre imponente de surgiu no ambiente, roubando a atenção de todos. — Soltem ela!
— Ora, ora se não é o pequeno . — zombou um deles. — Veio se meter nos negócios alheios novamente?
! — gritou , em pânico por saber que ele estava ali correndo risco.
, você está bem? — perguntou sem tirar os olhos do homem que a segurava. Eles agora estavam de frente um para o outro.
— Estou. o que você faz aqui? E que arma é essa? — só agora ela notou que o rapaz empunhava uma arma preta brilhante.
— Depois falamos disso, . Meu assunto agora é com este verme. — o olhar de desprezo de voltou-se para o homem que rendia . — Eu sei quem você é. O que seu chefe quer se metendo na minha área?
— Logo você saberá, .
— Leve-me no lugar dela. — falou , de repente.
— Hm... — o homem pensou se deveria desviar-se das ordens do chefe. — O que ganhamos com isso?
— Não seja burro, Ren. — falou , chamando o homem pelo nome. Mas de onde ele o conhecia? Foi a pergunta que passou pela cabeça da naquele momento. — Seu repugnante chefe irá adorar ter o presidente do grupo e da Seven nas mãos, rendido, eu não vou me opor em ir. Só quero que deixe a e os Mori fora disso. Essa briga é apenas nossa. — quanto mais a conversa avançava, menos e os demais entendiam do que se tratava.
, não! Por favor, não faça isso! — suplicou . Preferiu deixar seus questionamentos sobre tudo aquilo para depois, embora sua mente fervilhasse em teorias malucas sobre o motivo de tudo aquilo.
— Não posso arriscar sua vida, . Depois você entenderá tudo e me dará razão. — disse e ergueu as mãos. Colocou sua arma no chão, com cuidado, e ergueu novamente o corpo. — Eu espero que você me perdoe um dia. — continuou ele, sua voz estava embargada e entendia cada vez menos, mas queria muito abraçar o rapaz e dizer que estava tudo bem. Seja lá o que ele tivesse feito, estava tudo bem. — Espero também poder me perdoar por ter te colocado, ainda que sem querer, nesta situação. — completou e voltou-se para o tal de Ren. — Pronto, Kobayashi, aqui estou eu desarmado e rendido.
— Tentador demais... Está bem, pequeno . Você venceu, vamos te levar. — falou Ren e ordenou que o outro homem rendesse . — Sinto muito, senhorita Mori, outro dia conversaremos melhor.

Ren soltou , que caiu ao chão e rapidamente levantou-se. O pai dela, vendo o que a filha faria a seguir, logo correu para segurá-la. berrou por , para ter o rapaz de volta. Porém, tudo que ouviu de volta foi:

— Fala com o ! Avisa para o !

E essas foram as últimas palavras de que ouviu.

Capítulo 7 – O cativeiro

Os olhos dele foram se abrindo devagar e logo o despertaram para a dor que vinha da lateral de seu corpo. Certamente havia sido atingido por um chute ou coisa pior naquela região. A baixa iluminação e umidade do local revelaram algo que ele já desconfiava: ele fora levado para um galpão no porto de Tóquio. Riu com a ingenuidade de seus sequestradores, levar ele para um lugar que ele conhece tão bem é muita burrice ou muita inteligência. Inteligente porque, talvez, seria o último lugar onde procurariam por ele.

— Já acordou, Bela Adormecida?! — zombou Ren enquanto afiava uma adaga no amolador que tinha em mãos. levantou o olhar e viu que estava cercado por mais quatro homens, todos eles desconhecidos.
— Você continua muito engraçado, Ren. Parecem os velhos tempos, em que eu te surrava todo dia. Lembra disso? — rebateu a zombaria e sorriu sarcástico. Ren ameaçou atingir com a adaga. esperou pelo golpe, mas Ren foi interrompido por uma mão em seus ombros.
— Não desperdice seu tempo, Ren. — a voz grave e aveludada do homem, da mesma estatura que e tão bonito quanto, invadiu o local. o encarou e sua feição mudou de imediato para uma cara de raiva.
— Sabia que estava por trás disso, Matsumoto! — falou , com desprezo. — O que pretendia sequestrando a ? — perguntou ele. Katsuo Matsumoto era o presidente e único dono do grupo Matsumoto. Um homem que não media esforços para ter o que queria. Passava por cima de quem quer que fosse para alcançar seus objetivos.
— Não vou contar para você, . Só saiba que você estragou o meu negócio de ouro e isso eu não perdoarei.
— Que bom que eu fiquei do lado de fora aguardando por ela, então. Assim eu pude impedir o sequestro dela. — sorriu debochado e completou: — Mas saiba, Matsumoto, que se você encostasse um só dedo na , você certamente não estaria vivo agora para se gabar.
, sempre provocativo. Deveria ser igual ao seu irmão: um covarde. — perde o controle e se debate na cadeira onde estava amarrado. O outro ri. — Não gosta que fale do seu irmãozinho?
— Lave sua maldita boca para falar do meu irmão! Seu bastardo! — Matsumoto é um velho conhecido da família . Conhecido até demais para o gosto de .
— Você é patético, pequeno . — debochou Ren, rindo da irritação de . — Chefe, posso fazer aquilo que eu queria? Ter finalmente a minha vingança? Por favor, prometo não sujar nada. — Ren sorriu e sua expressão era quase doentia, macabra. O chefe sorriu de canto.
— Pelo contrário, Ren, pode fazer a sujeira que achar necessário.

Esta frase foi o suficiente para fazer Ren soltar uma gargalhada maquiavélica e caminhar em direção a . O rapaz engoliu em seco com a aproximação do inimigo, esperando pelo pior. O brilho doentio que havia nos olhos de Ren naquele momento fez o corpo de paralisar.

[...]

Já era a quinta vez que tentava ligar para , mas ele não atendia. Amaldiçoou o rapaz por isso. Onde será que ele estava que não poderia atender a uma simples ligação? A vida de está em risco e o único que pode ajudar está incomunicável.
O pai de caminhava de um lado para outro na sala, estava pensativo. Quem será que queria sequestrar sua filha? Quem era o rapaz que se entregou no lugar dela para salvar sua vida? E por que ele tinha uma arma? Com que tipo de gente sua filha vem se envolvendo?

— Senhor ?! Finalmente me atendeu! — vibrou , o que atraiu a atenção de seus pais, que estavam pensativos em apreensão.
Quem está me ligando tão insistentemente em pleno domingo? — falou do outro lado da linha com sua grave e sedutora voz.
— Me desculpe, senhor , me chamo Mori, sou a... — ela ia dizer "namorada", porém, ninguém além dela e sabiam disso, por enquanto. — Sou amiga do seu irmão, o .
Ah, então você é a senhorita Mori? fez uma pergunta retórica e completou: — Aconteceu algo? Me parece aflita. — o tom de voz do homem mudou totalmente.
— Aconteceu sim! O foi sequestrado! — A frase atingiu como um tsunami, levando tudo de bom que havia no rapaz. Sentiu o corpo gelar de preocupação e arder de raiva, tudo ao mesmo tempo. O seu irmãozinho sequestrado? Mas quem teria tal audácia?!
Conte-me com detalhes, por favor. O que aconteceu exatamente? disse e contou exatamente como tudo havia acontecido. — Então, o meu irmão chamou um dos homens pelo nome? Qual o nome mesmo?
— Ren Kobayashi. — repetiu. Agora ela entendeu o fato de repetir com tanta ênfase o nome do Ren e pedir para que ela falasse com . Esta informação devia ser importante. E, de fato, era.
Maldito! — resmungou . — , você está em casa agora?
— Sim, estou na casa dos meus pais.
Ótimo. Mande reforçar a segurança. Estou indo para aí. — disse ele e desligou.

não entendeu bem, mas acatou o pedido do cunhado. Mandou reforçar a segurança, mas avisou para deixarem entrar quando ele chegasse e não demorou muito para isso acontecer. Já estava anoitecendo quando o rapaz chegou.

— Olá, com licença. — disse ao entrar. era um ano e meio mais velho que , tão bonito quanto o irmão, porém mais sério. Sua presença deixava o ambiente mais elegante, de fato. Ele era extremamente educado. — Estão todos bem? Sinto muito pelo ocorrido.
— Estamos sim, senhor , obrigada pela preocupação. — respondeu e convidou o rapaz para sentar-se.
— Chame-me apenas de , por favor. Afinal, suponho que tenha um relacionamento com meu irmão. Faz parte da família, agora. — ele sorriu calmamente e corou. Não queria que isso fosse revelado aos pais assim tão de repente.
— Relacionamento? Com um ? ?! — bradou o pai dela, demonstrando a irritação que só crescia dentro de si.
— Depois a explicará, não é, filha? — a mãe da disse e a moça concordou com um aceno de cabeça, extremamente sem jeito. A família não era uma das famílias com quem seu pai gostaria que ela se envolvesse. notou que havia falado demais e mudou logo de assunto.
, meu irmão disse mais alguma coisa que possa ajudar na investigação? Tenho uma equipe cuidando disso e qualquer informação ajudará. — perguntou o rapaz, mudando de assunto.
— Somente sobre o tal de Ren Kobayashi. Ele disse que sabia quem ele era e para quem trabalhava. Ah, ele mencionou algo sobre o Ren estar invadindo a área que era dele. Isso eu não entendi bem... — foi falando tudo de que se lembrava. Estava tão nervosa naquela hora que se lembrava de pouca coisa, mas o suficiente para saber o mandante de tudo isso.
— Eu sei quem e para onde levaram o . — falou e todos prestaram atenção nele naquele momento. — Foi o presidente do grupo Matsumoto, o Katsuo.
— Mas isso é um absurdo!! — gritou o sr. Mori, indignado.
— O Katsuo?! O mesmo homem desprezível com quem o senhor queria que eu me casasse, meu pai?! — agora foi a vez de bradar irritada.
— Ele não é o candidato ideal para um casamento. — falou , quase rindo. Para ele, era cômico alguém em sã consciência achar que Katsuo Matsumoto era o candidato ideal para um matrimônio. — Receio que o senhor não o conheça assim tão bem, senhor Mori. O Katsuo é extremamente desprezível, como a bem descreveu. Acredite, eu o conheço muito bem para afirmar tudo isso. — revelou . O senhor Mori não lhe disse mais nada, apenas encarou, boquiaberto, o mais velho.
— Para onde este verme levou o ? — disse, quebrando o silêncio. a encarou.
— Certamente para algum galpão do porto da cidade. Ele gosta de galpões abandonados. — bem na hora, o celular do rapaz vibra, revelando a mensagem que confirmava a localização atual do irmão. — Confirmado, está no galpão sete do porto da cidade. Minha equipe está se deslocando para lá e eu também já vou indo. Vou resgatar meu irmão, , não se preocupe. Te mantenho informada. — falou ele e levantou-se. fez o mesmo.
— Vou com você. — falou a moça. virou-se para ela.
— É melhor não, . É perigoso.
— Isso não está em discussão, . Eu vou e não se fala nisso. — ela o olhava com firmeza e sentiu um arrepio estranho em sua nuca, arrepio semelhante ao dia em que conheceu a moça há dez anos. Ela era muito diferente do que é hoje, isso ele não poderia negar.
— Filha, é melhor você ficar. Pode ser perigoso. — suplicou a mãe da moça.
— Me perdoe, mamãe. Não posso ficar aqui enquanto o está nas mãos desses vermes. Não mesmo! — encarava a moça com orgulho no olhar. O rapaz sorriu e disse:
— Agora entendo o que encantou meu irmão. — corou com a fala dele. — Está bem, . Mas você ficará no carro, OK?
— Tudo bem, . Obrigada!

Os pais dela ainda tentaram convencer a moça a não ir, mas ela acabou indo com resgatar . No caminho até o porto, questionou sobre como e sabiam tanto sobre o Matsumoto e suas canalhices e o que exatamente eles tinham a ver com tudo isso.

— Acho melhor o meu irmão lhe explicar isso, .

disse apenas isso. E tinha muito o que explicar, de fato. Mas agora era o momento de salvar o rapaz. Eles não sabiam, mas a vida de estava realmente em perigo.

Capítulo 8 – O resgate

O porto de Tóquio é um local bem assustador à noite, sem toda a movimentação que é durante o dia, bem propício para a realização de negócios proibidos ou qualquer coisa que o valha. O carro que levava e estacionou há alguns metros do porto e ali mesmo eles desceram. sacou uma arma da cintura e checou se haviam balas nela. Mas é claro que havia, jamais deixava sua arma sem munição. estava começando a entender quais eram os reais negócios da família e seu medo pela vida de cresceu ainda mais. Naquele momento, ignorou toda a sua ética e seguiu aquilo que seu coração mandava. E era uma ordem simples: salvar .

— Vamos entrar por aqui... — um homem forte e também armado dizia enquanto apontava para um mapa que parecia ser do porto. — Vocês entrarão por aqui. Qualquer coisa, falem no comunicador. — como um TOC, todos os presentes checaram o comunicador que usavam no ouvido. — Senhor . — falou ele, dirigindo-se ao homem que estava à frente de Li. — Kokomi irá com o senhor. — falou e olhou de esguelha para a jovem mulher postada atrás do homem que lhe falava.
— Tisc. — respondeu resmungando. — Não há necessidade. — disse e guardou a arma na cintura, após travá-la.
— Mas senhor , o senhor pode precisar de...
— Eu disse que não há necessidade. — repetiu ele com um pouco mais de grosseria e completou: — Qual parte desta frase você não entendeu? — era um rapaz muito calmo, mas odiava que insistissem em algo que ele já tinha dado um um veredicto. Ele andou em direção ao porto, mas sentiu uma presença atrás dele. — Aonde você está indo? — falou ele, olhando para que caminhava atrás dele. — Volte para o carro.
— Eu não ficarei no carro, . Não com o correndo perigo.
, se você for, você irá correr perigo. E se eu deixar isso acontecer, eu correrei perigo, pois o meu irmão irá me matar. — explicou ele. bateu o pé, mas voltou para o carro. Um dos homens da equipe de ficou lá para proteger , caso fossem atacados.

estava nervoso. Não era a primeira vez que saía em missão para salvar seu irmão, mas, por algum motivo, desta vez ele estava mais nervoso que das outras vezes. O último encontro de e Katsuo havia sido marcado por muitas ameaças de morte de ambos os lados. Sem contar o fato de Ren Kobayashi ser inimigo declarado do mais novo dos . Se Ren estava envolvido nesse sequestro, sabia que era questão de tempo para que a vida de seu irmão findasse. Ou isso ou uma sessão de tortura por parte de Ren, que adorava torturar as pessoas. No sentido literal da frase.
O mais velho andava sozinho pela escuridão do porto à procura do galpão sete, onde o mais novo estava preso. Conhecia bem o local e não necessitava de iluminação para andar por ali. De repente, ele ouve um barulho. Parou de imediato e sacou sua arma apontando-a para a escuridão atrás de si. Tirou a trava da peça e preparou-se para atirar.

— Apareça! — ordenou ele, então a figura dela surgiu de trás de um dos contêineres que ali existiam. — ! Por Deus, eu disse para você ficar no carro! Quase que eu atiro em você. — bradou ele, abaixando a arma e voltando a travá-la.
— Você sabia que eu não faria isso, . — disse a moça e andou na frente dele. Logo a puxou para trás de si.
— Ao menos fique atrás de mim, por favor. — ordenou. — Você é teimosa igual ao meu irmão.
— Pare de resmungar, . precisa de nós. — revirou o olhar e eles voltaram a andar. De repente, outro barulho estranho. Dessa vez, viu o que era. Ou melhor, quem eram.

[...]

Alguns minutos antes...

sentia dores em partes do corpo que nem sabia ser possível sentir. Até sua orelha doía. Havia levado diversos golpes na cabeça, tórax, barriga, pernas... sem contar nos golpes de adaga que Ren desferiu nele por pura maldade.
O jovem despertou de mais um desmaio após sentir tanta dor. Dores alucinantes. Ren gargalhava ao ver a cena de gemendo de dor e desmaiando em seguida. Foi a vingança que ele desejou por anos e finalmente teve. Seu chefe, Katsuo Matsumoto, assistia a tudo da parte alta do galpão, onde havia um escritório.

— Não cansou de apanhar, pequeno ? — zombou Ren, rindo e voltando a amolar sua adaga de estimação que agora estava suja com o sangue de . Os olhos de Ren exibiam um brilho extremamente satisfeito pelo sofrimento do mais novo.
— E você não cansou de ser um pé no saco? — devolveu , cuspindo um pouco de sangue. Ele tinha várias feridas abertas pelo corpo, mas uma em especial, na lateral de sua barriga, estava sangrando mais e preocupando o rapaz. Tinha certeza de que estava perdendo muito sangue e que, se desmaiasse novamente, poderia não acordar mais.
— Você é ridículo, . Bom, vamos voltar ao nosso trabalho?! — disse Ren e saltitou de maneira caricata, como um palhaço se exibindo para o público, quando um barulho o interrompeu. — O que foi isso? — a equipe de invadiu o galpão e começou um intenso tiroteio.

sabia que era um alvo fácil ali, parado e amarrado. Juntou forças de onde não sabia que tinha e saltou com força no chão, quebrando a cadeira de madeira onde estava amarrado. Gemeu de dor e deixou cair poucas lágrimas de arrependimento pelo ato. Passou as mãos amarradas por debaixo das pernas, o que o deixou livre para andar. Caminhou poucos metros em direção ao fundo do galpão onde sabia ter uma saída, mas logo caiu no chão.

— Que droga, , levanta! — reclamou consigo mesmo e ofegou. A dor alucinante havia voltado com mais força, sentiu sua cabeça girar e a visão escurecer. Antes que desmaiasse, ouviu um grito familiar. — ? — sussurrou para si mesmo e levantou a cabeça. Viu falar algo para e entregar algo para a moça. Depois viu seu irmão correr em sua direção e deslizar, agachando ao seu lado. — , o que a faz aqui? — foi a primeira coisa que perguntou para o irmão.
— Ela é igualzinha a você, . Não pude fazer nada. Ela está bem, se preocupe com você agora, vem. — segurou o irmão pelo ombro e carregou o rapaz. levantou a cabeça e arregalou o olhar, recobrando sua visão, ao ver que Ren surgia na frente dos dois, apontando uma arma.
— Dois Asakawas?! Que dia de sorte o meu! Vou matar os dois de uma vez. Quem quer morrer primeiro? O irmão salvador ou o moribundo que já tá quase lá? — Ren ria, enquanto debochava dos irmãos.
— Ei! — gritou e sentiu seu corpo inteiro tremer. — Deixa eles em paz, seu cretino! — só agora pôde ver qual era o objeto que havia dado a . Virou o olhar furioso para o mais velho.
Você deu uma arma para ela??!! !!! — repreendeu .
— Ela sabe se defender, .
— Sabe se def... eu vou te matar, ! — foi a única coisa que pôde falar antes de ver Ren virando-se para a namorada e apontando a arma para ela. — Não!! — gritou , assustado. Poucas foram as vezes em que ele sentiu medo na vida. Aquele instante era um desses momentos.
! — ao mesmo tempo, e gritaram. Eles ouviram um tiro vindo de perto e o medo cresceu em ambos. correu para ver o que havia acontecido, atrás dele, correndo com muita dificuldade. A distância entre eles e Ren era consideravelmente grande.
— Vadia! — Ren xingou e pôs a mão na perna, no lugar onde fora atingido por . A moça tremia, não sabia se era de medo ou de raiva. Era a primeira vez que ela atirava na vida.
— Eu fico com isso, Kobayashi. — pegou a arma de Ren e foi ao encontro de , que ainda mantinha a arma apontada para a frente.
! — ao ouvir a voz de , a moça pareceu despertar de seu transe e abaixou a arma. pegou a peça de volta e guardou na cintura. — Você está bem? — perguntou segurando os braços dela.
... ah, ... — ela começou a chorar e enterrou a cabeça no peito dele, que afagou seus cabelos com uma das mãos.
— Temos que sair agora. — alertou .

Os três saíram do galpão sete do porto, comandando, seguido pelo irmão e pela cunhada, que caminhava grudada no braço do namorado, com muito medo e preocupação.
Logo os três estavam no carro que trouxe e . foi dirigindo de volta, e no banco de trás. Ele tinha tanto a explicar para a moça, não sabia por onde começar. Pelo começo, é claro! Mas qual começo ele escolheria? O começo como presidente do grupo e, consequentemente, assumindo tudo que lhe diz respeito? Ou o começo dos negócios da família que envolvia muito além do ramo imobiliário? Esta dúvida pairou nos pensamentos de por segundos, tempo em que conseguiu controlar o choro e despejou inúmeras perguntas em cima do rapaz.
Aquela estava sendo uma longa noite e não parecia que acabaria tão cedo.

Capítulo 9 – A revelação

O caminho entre o porto de Tóquio e a casa dos era relativamente curto e poderia ser feito em menos de trinta minutos. Porém, naquela noite especificamente, teve a impressão de que eles estavam há horas dentro daquele carro. não parou de perguntar desde que parou de chorar. resolveu, finalmente, contar tudo, escolhendo o começo mais antigo da história.

— Está bem, . Vou te contar tudo. Eu espero que você não me odeie tanto no fim... — falou ele, lamentando-se. Ele de fato tinha muito medo de ela não querer mais olhar na cara dele. E ele não a culparia se o fizesse.

O rapaz respirou fundo e começou a contar.

A família sempre foi poderosa em Tóquio. não sabe precisar como e quando começou tal poder, mas sabe que é antigo, em tempos antes mesmo de seu tataravô assumir os negócios. Desde criança, foi educado para algum dia assumir o papel de presidente do grupo de sua família, mesmo sendo o herdeiro deste posto por ser o mais velho, esse era o sistema hierárquico estabelecido pela família a gerações. Obviamente, seu pai lhe ensinou tudo sobre os negócios. Quando completou treze anos, foi levado pelo seu pai, juntamente com seu irmão , até um dos locais favoritos de seu pai: o clube de tiro da cidade. Para o pai de e era essencial que os filhos soubessem atirar, para que os negócios não fossem prejudicados...
A família é mandante de uma grande e poderosa organização chamada Seven, composta por inúmeros grupos de empresas que comandam o mundo corporativo de toda Tóquio. Mas para que haveria necessidade de dois adolescentes saberem atirar? Bem, a Seven, que é comandada pela família , que tem este posto por ser a mais antiga, respeitada e rica dentre seus membros, também comanda o crime na cidade. Seria mais uma espécie de controle de todo tipo de negócio da região, incluindo os criminosos. A filosofia era simples: não deixar que o crime de Tóquio interferisse nos negócios da cidade. Caso ocorresse qualquer tipo de interferência, a Seven daria um jeito de controlar o problema. Daí a necessidade de todos saberem atirar, no mínimo.
nunca se importou com o andamento dos negócios da Seven. Achava tudo extremamente exagerado. Somente quando assumiu a presidência do grupo de sua família, há pouco mais de um ano, que ele percebeu a grandeza e importância de sua família para a gestão empresarial e para, literalmente, todos os negócios da cidade e região. Só então ele percebeu o motivo de seu pai ser sempre tão rígido com ele e com . Começou a dar mais valor ao que teve durante toda vida e mudou seu pensamento a respeito do pai.
Ao fim da explicação, não sabia se estava mais confusa ou com mais medo dele. Ela mantinha uma expressão estática que misturava ambos os sentimentos.

? — lhe chamou a atenção e a moça saiu de seu transe momentâneo. Olhou para o namorado, ofegante, e proferiu de uma só vez:
, por que não me contou antes? Por Deus, isso é muito perigoso! , eu te odeio por não compartilhar isso comigo! Achei que fôssemos namorados, companheiros de vida. Estou muito chateada com você, Takeshi! Minha vontade era de socar essa sua carinha linda, ahhh que raiva de você! Eu deveria terminar tudo e nunca mais olhar na sua cara, ! Mas a sua sorte é que eu te amo muito e não saberia o que fazer sem você em minha vida. Sua sorte! E sem contar o fato que eu não poderia ficar longe de você sabendo de toda essa história. E se o Ren for atrás de você para se vingar? E se te sequestrarem de novo? E se tentarem te matar? Ah, , eu...

Desde que ela começou a falar, manteve um sorriso no rosto que foi crescendo conforme ela desabafava toda sua raiva e apreensão. Agora, o sorriso dele expunha seus dentes e a expressão em seu rosto era de alguém que havia acabado de ouvir uma piada muito engraçada. , ao notar a expressão que ele fazia, parou imediatamente de falar

— Que tipo de expressão é essa, ? — disse ela e deu um forte tapa no ombro do rapaz, que gemeu de dor.
— Isso dói, ! Desculpa, hahahaha. — não conseguia parar de rir. Ele bem que tentou, mas não conseguia. notou também que ria enquanto dirigia o carro.
— Para de rir você também, ! Ah, que droga vocês dois! Idiotas! — reclamou ela e ficou emburrada, cruzando os braços.
— Isso é maravilhoso! — falou e arqueou a sobrancelha, desconfiada.
— O que é maravilhoso, ? — disse ela, séria.
— O fato maravilhoso é você ainda continuar linda mesmo estando com raiva. — ele disse e segurou o rosto dela, que corou na hora. sorriu de leve e ficou admirando a moça.
— Elogios não farão a minha raiva cessar, . E, além do mais, nem dá para ver meu rosto direito nessa escuridão do carro. Está exagerando só para me fazer esquecer da raiva que sinto. — falou ela e, neste momento, acendeu a luz do carro. virou seu olhar para o mais velho e o fuzilou. riu da deixa do irmão e fez um sinal de “ok”, sem a ver. — Desliga essa luz, . Agora! — ordenou a moça, falando entredentes. obedeceu, mas continuou rindo.
— Ei. — apertou de leve o rosto dela, fazendo a moça virar para ele. — Eu te amo. Obrigado por não desistir de mim e ter ido me salvar. — ele disse do fundo do coração. sentiu seu coração se encher de amor e amoleceu, relaxando o corpo, ainda que de leve.
— Jamais desistiria. — falou ela, sorrindo. — Eu te amo, . — observou a cena dos dois se beijando no banco de trás do carro e sorriu feliz por saber que seu irmão finalmente encontrou alguém que entendesse ele e que acalmasse a alma do rapaz.

estacionou o carro na garagem da mansão dos . Antes de sair da casa da , ele pediu para um de seus empregados levar os pais da moça até a mansão dele, lá estariam mais seguros. Não que ele não confiasse na capacidade da segurança dos Mori, mas ele sabia que ninguém seria capaz de fazer mal aos Mori dentro da mansão dos . A fama da família era conhecida por todo o país, ninguém seria capaz de tal audácia. Bem, sabia de alguém que era capaz de tal proeza e este alguém era o mesmo responsável pelos ferimentos de seu irmão.
Ao adentrar a mansão dos , percebeu o quão poderosos eles eram. Era maior que uma mansão comum. Ridiculamente grande e luxuosa. Na primeira vez que entrou lá, na noite de Natal em que passou com , ela não havia notado tal grandeza. Agora, com as informações adicionais sobre a família de seu namorado, ela conseguia dimensionar todo esse poder. ajudou a entrar na casa, com o apoio de , que fez várias gozações com o irmão neste meio tempo. nunca tinha visto fazer uma piada sequer, mas notou que o rapaz estava feliz de alguma forma, só não sabia o motivo. Talvez alívio por ter o irmão são e salvo de novo.
A moça ajudou a deitar-se numa maca e viu o rapaz ser levado por um longo corredor, seu olhar se perdeu na escuridão do local. disse que os pais dela estavam lá e a moça foi ao encontro deles. Ficaram imensamente felizes ao ver que a filha estava a salva e por também. O senhor Mori pediu inúmeras desculpas à filha pelo acordo de casamento com Matsumoto. Por fazer parte do mundo corporativo, o sr. Mori sabia da fama de Matsumoto, porém imaginava ser algo parecido com os métodos usados pelos . Nunca imaginou ser nada além disso. Sequestro? Tortura? Mortes? Jamais passou pela mente do homem que tais coisas fossem cometidas às ordens de Katsuo Matsumoto, o pretendente a futuro marido de sua única filha. O homem se odiou por um dia ter cogitado tal possibilidade e, ainda mais, por quase ter concretizado este desejo.
Depois de algumas horas, já era madrugada, quando entrou na sala onde os Mori estavam. Os mais velhos dormiam no confortável sofá, enquanto ainda estava acordada. Não conseguiu nem ao menos cochilar sem saber notícias de . E foi justamente isso que foi fazer ali. O rapaz acompanhou até o quarto onde estava. Ao chegar lá, sentiu sua garganta fechar e sabia que choraria, mas se controlou ao máximo. Viu deitado na cama, com tubos de ventilação presos ao nariz, uma agulha cravada no braço esquerdo que era ligada a um fino tubo por onde passava um líquido transparente. supôs ser algum remédio. Mesmo sabendo que o rapaz é forte e que logo sairia dali, não conseguia evitar ficar preocupada com ele. Sentiu algo parecido com angústia de perdê-lo. Não poderia perder . Não, não o perderia.

[...]

Não demorou muito para acordar, após algumas horas de cirurgia e mais algumas horas de pós-cirurgia. A primeira coisa que seus olhos viram foi o teto branco do quarto onde estava. Sentiu que estava conectado a aparelhos e que tinha um tubo de oxigênio em seu nariz. Supôs que havia acordado após alguma cirurgia. Ele estava acostumado com tais sensações. Afinal, não era a primeira vez que levava um tiro ou uma facada de algum desafeto. Mas era a primeira vez que o rapaz acordava e via em sua companhia alguém que não fosse sua mãe ou irmão. estava sentada na poltrona ao lado da cama de . O rapaz riu, pois a moça dormia numa posição não muito confortável.

— Isso vai doer depois... — comentou, em voz alta, para si mesmo. ouviu a porta destrancar, se abrir e por ela entrou seu irmão.
— Já está acordado? Que bom, meu irmão! — comentou e fechou a porta atrás de si, caminhando até a cama do irmão. — Como se sente?
— Moído, como das outras vezes. — disse , referindo-se às outras vezes em que ele acordou após uma cirurgia por um ferimento de bala ou faca.
— Ela não saiu do seu lado desde que eu a trouxe após você vir para cá. — comentou , ambos olhavam para que ainda dormia profundamente. — Ela realmente te ama, . Fico feliz por vocês. — disse o mais velho.
— E eu a amo mais, . Sinto que ela é a pessoa para compartilhar o resto de minha vida. — o olhar de não saiu de cima da moça. agora encarava o irmão e via os olhos do mais novo brilharem ao falar e olhar a moça.
— Quando será o casamento? Quero ser o padrinho. — disse , o que fez o encarar.
— Você me deu uma ideia excepcional, . — disse com um olhar de quem aprontaria algo em breve.
— O que pretende fazer, ? — perguntou preocupado.
— Pedir a em casamento, é óbvio.

sorriu. Nunca na vida tinha visto o irmão tão feliz e animado com algo. Quer dizer, a não ser naquele dia em que ele convenceu a praticamente trair seu pai, mas isso é outra história.
Torcia para que fosse a mulher que mostraria ao irmão a pessoa incrível que ele sempre foi. E ele sabia que ela era essa mulher.

Capítulo 10 – O casamento

Alguns dias haviam se passado. já estava recuperado de seu ferimento. "Pronto para outra!", brincou ele ao sair do quarto médico que havia nos fundos da mansão . ficou muito aliviada com a alta do namorado. Ela ainda processava toda a informação sobre os negócios obscuros da família dele. Será que deveria mesmo continuar seu envolvimento com o rapaz mesmo sabendo de tudo isso? Perigoso a moça sabe que será, caso prossiga ao lado do , porém, ela sabe que terá a segurança necessária caso aconteça algo de ruim. Ela não pode negar que a influência da família é intensa em Tóquio, eles estão literalmente por toda parte.
desconfiava que aprontava algo. O namorado estava misterioso nos últimos dias, cheio de segredos com e até mesmo com . Mesmo sendo namorada do presidente da empresa e sendo herdeira do grupo Mori, não quis sair de seu posto de publicitária da empresa . Todos do setor, e da empresa, quando souberam do namoro, começaram a tratar a moça de forma diferente, como se ela fosse uma celebridade. Ela odiava tal tratamento. Nunca quis isso, mas admitiu que era uma situação inevitável.
Certo dia, mais um dia de trabalho, caminhava até sua mesa quando notou uma movimentação estranha em volta dela. Ao se aproximar, pôde ver o que causava tal alvoroço.

— Meu Deus! É enorme! — espantou-se a moça, encarando o enorme urso de pelúcia que facilmente passava da altura do cercadinho que rodeava sua mesa. O ursão segurava uma placa onde estava escrito algo. A moça aproximou-se mais para ler. Logo reconheceu o dono daquela caligrafia.


Para minha querida ,
Você é, sem dúvidas, a mulher da minha vida. Eu te amo pela eternidade, minha preciosidade. Por isso, quero saber: a senhorita gostaria de ser minha esposa?
Para responder, basta se virar agora…
Com amor,



Na mesma hora, ela se virou e deu de cara com o rapaz. Ela não o tinha visto desde a noite anterior, quando jantaram juntos. Os olhos dela encheram-se d'água e ela correu para os braços dele, que a catou no ar e a beijou.

— Aceito! Mil vez, aceito! — respondeu ela. Todos que assistiam a cena gritaram e aplaudiram de felicidade.

[...]

Estava tudo pronto.
A mansão estava cheia de pessoas, todas correndo para deixar tudo na mais perfeita ordem para o evento que aconteceria em breve. Afinal, não é todo dia que casava. Ele estava em seu quarto, muito nervoso, ofegava, tudo teria que dar certo. Tinha medo de falar algo errado. Mas o que poderia dar errado? Era só ele dizer "sim, eu aceito" e estaria tudo bem. Mas também teria que aceitar, é claro. E se ela dissesse não? Se ela caísse em si e percebesse que foi um erro se relacionar com alguém como , praticamente um líder de uma organização criminosa que controla a cidade? Não, ela aceitou casar-se com ele porque o ama. Ela sabe dos riscos, sabe dos contras, mas só está atenta com o amor que sente por ele e nada mais. espantou os pensamentos ruins e terminou de ajeitar seu terno.

— Entra. — respondeu ao chamado vindo de fora do cômodo. Ouviu a porta abrir e se fechar, logo viu o reflexo do irmão no espelho em que ele se olhava. — Como estou? — questionou ele, vaidoso.
— Galanteador. — disse com simplicidade.
— Obrigado, meu irmão. — falou e vestiu o paletó. — Sabe se a já está pronta? — se arrumava em um quarto do outro lado da mansão.
— Ainda não, vim de lá agora. — respondeu , que mantinha suas mãos às costas.
— Então, estava visitando a minha noiva, irmãozinho?! — falou , fingindo ciúmes.
— Não sabia que era ciumento.
— Não tenho ciúmes dela. Confio plenamente na minha futura esposa. Afinal, por isso a escolhi para tal posto. — disse o rapaz, convicto.
— Bom ouvir isso. Eu gosto dela. Faça ela feliz ou vai se ver comigo, irmãozinho. — disse num tom calmo, porém sério.
— Isso é uma ameaça, ?
— Encare como quiser. — sorriu e deu tapinhas leves no ombro do irmão.
— Não me trate como um de seus devedores, . Sou seu irmão. — falou sorrindo sarcasticamente.
— Vamos logo, ou então chegará ao altar primeiro que você. Seu molenga. — brincou , quebrando a tensão.

Ambos riram e deixaram o quarto. Já no altar, pareceu estar mais nervoso que o normal de minutos atrás. ria do nervosismo do irmão. O mais velho estava ao lado dele e acompanhado por , melhor amiga de e também sua madrinha de casamento. Ambos estavam saindo há alguns dias e parecem se dar bem. Possivelmente haverá outro casamento na mansão muito em breve.
A marcha nupcial, tradicional em cerimônias, foi trocada por uma das músicas favoritas do casal: a música que tocava quando pediu a moça em namoro [n/a: Aí você, minha querida leitora, insira aqui a música que você mais ama. Aquela que seria um tema ideal de casamento haha]. O coração de deu saltos dentro de seu peito e ele sentiu que desmaiaria. Tentou respirar fundo e não surtar ao ver sua amada caminhando ao lado do sr. Mori, que não tinha mais uma impressão tão ruim sobre o futuro genro. Como estava linda. Perfeita. Sua preciosa amada em alguns minutos viraria sua esposa. estava tão emocionado que não conseguiu conter as lágrimas. pensou em fazer alguma piada sobre isto, mas preferiu apenas contemplar a emoção do irmão, ele compartilhava da mesma emoção. E houve muita emoção dali para frente.

[...]

Após o casamento lindo que tiveram, e foram direto para o aeroporto com destino à lua-de-mel. Já no hotel, eles tiveram sua noite especial juntos e se amaram até o amanhecer. acordou novamente com a intensa sensação de que era de fato seu grande amor e que por ela ele seria o melhor homem que pudesse ser. Por ela valeria a pena sair da vida de solteiro que vivia antes de conhecer a moça. Por ela valeria a pena casar e sossegar. Era tudo que ele queria naquele momento: sossegar ao lado de sua querida esposa.
Além disso, o rapaz queria seguir com seus demais sonhos ao lado dela. Não havia desistido de seu sonho de expandir os negócios da família para a área popular, atraindo assim um novo público para a empresa e rendendo mais fortuna e poder para sua família.
Haviam ainda muitos negócios a serem fechados e sabia melhor que ninguém que precisaria de sua amada esposa ao seu lado. Com ela, nenhum negócio seria impossível.

Capítulo 11 – Os negócios não podem parar

Alguns anos depois...

Fazia uma manhã muito quente em Tóquio e o homem sentiu na pele a força da queimadura do Sol. Ele estava relaxado, em um dos poucos momentos de lazer que tinha, deitado em uma esteira no quintal de sua mansão. Era uma manhã de domingo perfeita para relaxar um pouco, a semana sempre cheia de compromissos esgotava as forças do homem. O som do vento soprando em seu ouvido o acalmava, mas se contrapunha às risadas infantis que ouvia vindas da piscina. Abriu os olhos e encarou a garota brincando à beira da piscina com seu primo, um ano mais novo. O homem levantou da esteira e caminhou até as crianças. Usava um calção de banho preto e óculos escuros, os cabelos molhados para trás.

— Estão com fome, crianças? — perguntou assim que se aproximou das crianças. Ambas levantaram o olhar para falar com o homem, mas o mais velho agachou para ficar da mesma altura delas.
— Não, papai. Estou sem fome. E você, Hayato? — questionou a garota para o primo. Hayato era o filho mais velho de , irmão mais velho de . Sua esposa esperava o segundo filho e era outro menino. O garoto de cabelos escuros iguais aos do pai e olhos grandes iguais aos da mãe, , olhou para a prima sorrindo.
— Não, não estou com fome, tio . — respondeu o menino. olhou para filha e a mesma lhe perguntou:
— Mamãe ainda não chegou? — Sayuri , filha única de e , tinha então oito anos de idade.
— Ainda não, minha querida, mas daqui a pouco ela estará em casa. — respondeu com um sorriso acolhedor no rosto. Sua esposa havia saído na noite anterior e ainda não havia retornado.
— Tudo bem, papai. Hayato, vamos brincar?! — Sayuri disse, despertando de sua momentânea preocupação com o paradeiro da mãe. O primo assentiu e ambos retomaram a brincadeira de antes.

levantou-se e voltou para a esteira. Pegou o celular que estava na mesinha ao lado e apertou no contato do homem que possivelmente estava com sua esposa.

— É melhor atender esta ligação, Kirigaya. — disse para si mesmo, em voz alta. O número chamou, chamou, chamou e a ligação caiu na caixa postal. — Maldito! — reclamou ele, irritado, e apertou em outro contato de sua lista.
Take? Aconteceu algo? Hayato está te dando trabalho? — a voz grave de disse do outro lado da linha. O mais velho estava em sua mansão com sua esposa, que não se sentia disposta para sair agora que estava em seu sétimo mês de gestação. Logo o pequeno Akira viria ao mundo dos .
— Não é isso, o meu afilhado é um amor. Não dá trabalho. — era padrinho do Hayato, junto com . Assim como e eram padrinhos de Sayuri. — Sabe me dizer que tipo de negócio a minha querida esposa foi realizar ontem à noite? Porque ela ainda não retornou. — disse ele, num tom preocupado.
Acha mesmo que Li me conta tudo o que faz? — questionou do outro lado e riu. revirou o olhar e suspirou frustrado.
— Você sabe que horas são, ? não é de passar tanto tempo longe de casa, longe de mim e, principalmente, da Sayuri. — falou ele e se ajeitou no sofá onde estava sentado, sua esposa repousava na cama próxima a ele.
Kirito deve ter acompanhado ela. Não se preocupe. — disse, referindo-se ao fiel escudeiro de , Kasuto Kirigaya, o Kirito, segurança particular da moça.
— Eu sei, mas aquele infeliz não está me atendendo. Combinamos que isso não seria perdoado caso ocorresse. Ele sempre tem que atender minhas ligações. Temo que tenha acontecido algo grave dessa vez.
Pare de controlar a Li, meu irmão. Ela não é do tipo de mulher que se deixa controlar, você bem sabe disso.
— Não estou controlando ela, . — respondeu , ofendido com o irmão — A questão é que já é quase hora do almoço e minha esposa ainda não voltou de sua aventura noturna. — nesse momento, um dos empregados da mansão se aproxima do patrão.
— Com licença, sr. . — encara o outro por trás dos óculos escuros. — A sra. acaba de chegar acompanhada do sr. Kirigaya.
Falei que logo ela chegaria em casa, Take. disse do outro lado da linha, pareceu ter ouvido o que o empregado disse para o irmão.
— Obrigado. — respondeu e o outro se retirou. — Vou ver como ela está, . Depois nos falamos. — assentiu do outro lado e desligaram.

deu ordens para que não deixassem as crianças irem até o quarto dele com , queria ter uma conversa com a esposa e não queria interrupções. nunca sentiu ciúmes da relação de parceria que tinha com Kirito. Além de segurança particular da moça, o rapaz se tornou um amigo da família e, principalmente, de sua protegida. Depois que entrou para a família , assumiu o cargo de chefe do departamento de marketing após a demissão de Hiroki Tanaka por mal comportamento com os funcionários. Além disso, a mulher assumiu também o papel de negociante em muitos negócios realizados pela Seven, organização comandada pela família. Ela era excelente em negociações e sabia, como ninguém, como convencer alguém a fazer o que era conveniente para ela e, obviamente, para sua família. mergulhou a fundo nos negócios dos , aprendeu a lutar e a atirar, e era excelente nisso. Mesmo assim, achou mais seguro contratar um segurança particular para ela, aliás, foi Kirito quem a treinou no início e ainda a orientava em algumas coisas.
Após ser resgatado do sequestro que sofreu anos atrás, cometido por Katsuo Matsumoto, e sua família estavam recebendo ameaças provindas dele. Nenhuma delas concretizada até então, mas preferiu não arriscar a vida de sua esposa e filha, e muito menos de seus familiares.
O homem abriu a porta do quarto e viu que a luz do banheiro da enorme suíte estava acesa. Entrou no cômodo e parou na porta do banheiro, encostando na parede. Observou a esposa que estava de costas, os cabelos dela agora estavam presos e mais longos do que quando ele a conheceu. Continuava possuindo uma beleza incrível, seu amor por ela só fez crescer.

— Vai ficar aí parado eternamente, ? — falou a moça, enquanto tentava descer o zíper de seu vestido.

Despertando de seu transe, aproximou-se da esposa e desceu o zíper de seu vestido com cuidado. Logo notou que a peça estava suja de sangue e viu alguns hematomas nos braços e pernas da esposa.

— O que houve, ? — falou ele num tom preocupado. — Foram os negócios de ontem?
— Sim, as coisas saíram um pouco do meu controle. — falou ela suspirando cansada e completou: — Tivemos alguns problemas.
— Estou vendo. — falou ele e ajudou a esposa a tirar seu vestido, com todo cuidado. — Vou cuidar de você. — ele disse, carinhoso. não escondeu o sorriso de satisfação por ter seu querido marido ali com ela. A noite anterior havia sido realmente intensa e sangrenta, porém terminou tudo bem.
— Eu te amo tanto, . — declarou-se ela e o beijou. — Não sei como ainda é possível, já faz tanto tempo...
— Pretende deixar de me amar algum dia? — perguntou ele, eles estavam abraçados e encostados na pia do banheiro.
— Só se o senhor resolver me trair, isso eu não perdoarei. — falou ela, com segurança e sorriu de canto. fez o mesmo.
— Jamais te trairia, minha preciosidade. Amo você. — disse ele e a moça sorriu. Não poderia estar mais feliz.

e tomaram banho, a moça gemia de dor, estava com muitos hematomas. Após o banho, cuidou dos ferimentos da esposa e eles desceram para o quintal. Sayuri correu para abraçar a mãe, estava com saudades, eram muito apegadas. deu um beijo e um abraço no afilhado, Hayato, que também ficou feliz em ver a madrinha. Os quatro almoçaram e as crianças voltaram a brincar, enquanto e conversavam sobre o negócio que foi fechado na noite anterior, graças à destreza de e às habilidades de Kirito.
contou que os dois foram até outra cidade para conversar com o CEO de uma grande empresa de construção que havia surgido recentemente, mas que já estava forte no mercado. O pai de ainda comandava seu grupo que era do ramo da construção, então conhecia bem a área. conseguiu realizar o sonho de expandir seus negócios comprando casas populares e vendendo ou alugando para pessoas de baixa renda. Hoje, o grupo é dono de quase noventa por cento dos imóveis de Tóquio e cidades em que atua. Tudo saiu do jeito que planejou, surpreendendo assim o seu pai, que era relutante ao projeto do filho.
Kirito, inicialmente, apenas observou enquanto sua chefe negociava com o CEO da empresa de construção, porém, em dado momento da negociação, os ânimos ficaram exaltados e ele teve que intervir fisicamente. Os seguranças do CEO quiseram expulsar dali à força, mas a moça ainda não havia terminado de argumentar. Logo começou uma grande luta entre todos os presentes da sala no alto prédio onde estavam.
sentia-se exausta toda vez que isso acontecia. Odiava resolver as coisas lutando, preferia a negociação com palavras, sem ameaças físicas. Porém, se fosse necessário, o que ocorria em dez por cento das vezes, ela partiria para a briga, sem pestanejar.
Tudo pelos negócios dos . Tudo pelos negócios da sua família. Afinal, os negócios não podem parar e isso aprendeu ao entrar para a maior e mais poderosa família do Japão.

Capítulo 12 – O jantar

Após almoçar com o marido, afilhado e sua filha, foi descansar da intensa noite de negócios que teve. Já era tardezinha, já havia ido buscar Hayato, Sayuri foi para seu quarto e logo adormeceu de cansaço, estava em seu escritório revendo alguns papéis para a reunião que teria no dia seguinte logo cedo. Concentrado, o rapaz não ouviu as batidas na porta. Pela segunda vez, bateram. levantou a cabeça e encarou a porta.

— Entra. — disse ele, levemente irritado. Odiava ser interrompido. A figura de Kirito entrou no recinto. encarou o rapaz. Kirito fechou a porta e posicionou-se em frente à mesa do chefe. — Quer alguma coisa, Kirito? — questionou , muito sério.
— Sim, sr. . — Kirito também chamava e de senhores, mesmo tendo adquirido certa intimidade, preferia dessa forma. — Por favor, me perdoe por não atender a vossa ligação. — o rapaz curvou-se em sinal de desculpas e completou: — Meu celular estava em modo silencioso e...
— Está tudo bem, Kirito. — falou , interrompendo o rapaz, que voltou a erguer o corpo para encarar o chefe. — me contou o que houve ontem à noite. Não se preocupe. — não queria admitir, mas não estava satisfeito em perdoar a "falha" de Kirito em não lhe atender. Mas, para evitar conflitos desnecessários, preferiu se calar.
— Entendo, senhor. — respondeu Kirito e transmitiu o alívio que sentia no momento.
— Deseja algo mais? — estava impaciente e queria terminar logo de revisar os documentos da reunião.
— Não, sr. . Se não precisar mais de meus serviços, eu vou me retirar. — disse ele. negou com a cabeça e liberou o rapaz para uma merecida folga.
— Amanhã minha esposa precisará de você, creio que já tenha ciência. — disse, antes de Kirito sair.
— Sim, senhor.
— Ótimo, pode ir, Kirito.

O segurança deixou a sala e voltou a ficar sozinho. Suspirou pesadamente e se questionou o motivo de estar tão irritado com o Kirito por não ter atendido àquela chamada. Será que ele estava com ciúmes? Espantou os pensamentos e terminou a revisão dos documentos. Voltou a guardá-los e relaxou na cadeira. Fechou os olhos por alguns minutos e quase adormeceu. Despertou e resolveu ir para seu quarto.
A mansão estava silenciosa, já que Sayuri dormia e os empregados já haviam se recolhido. disse que não iria comer e que possivelmente não acordaria mais hoje, então deu folga para todos. Subiu as escadas, caminhou até o fim do corredor, virou à direita no outro corredor e entrou na segunda porta à esquerda. O quarto estava escuro e frio. fechou a porta com cuidado e caminhou até a cama. Sua esposa dormia tranquilamente, os cabelos desgrenhados e o rosto sereno. A coberta estava metade por cima de seu corpo e metade para fora da cama. riu de leve ao ver a cena. Como era possível ela dormir toda torta dessa forma?
aproximou-se mais da esposa e depositou um leve beijo em sua bochecha. Antes de ele entrar no banheiro, ouviu um resmungo.

— Aonde pensa que vai sem mim, ? — a voz de estava cansada, mas ainda era a mesma voz sexy que deixava arrepiado. Ele voltou até a cama e sentou-se ao lado dela, que já estava de barriga para cima e sorria de maneira maliciosa.
— Quem sabe eu vá até os céus... — disse ele, também sorrindo malicioso. Sempre que iniciava tais diálogos maliciosos, embarcava na brincadeira. Era a diversão dos dois. — Quer vir comigo, minha preciosidade? — ele adorava chamá-la assim e ela se sentia ainda mais amada ao ouvi-lo falar daquela forma.
— Para sempre, meu amor. — respondeu ela, carinhosa e ergueu o corpo, envolvendo os braços nos ombros dele. — Te amo, . — eles se beijaram e foi puxando o marido para deitar-se com ela. Logo, ambos estavam sem as roupas e se amando embaixo dos lençóis.

[...]

Após um merecido banho, e resolveram comer algo.

— Eu dei folga para os empregados, mas iremos jantar uma comida esplendorosa. — disse , eles já estavam na cozinha. estava sentada no banco alto que cercava o balcão.
— Ah, o presidente do grupo irá cozinhar para mim? Que honra! — brincou rindo.

estava de camisa regata o que realçava seu corpo. ficou admirando e desejando o corpo do marido enquanto ele pegava os ingredientes na geladeira.

— Serei seu chef hoje, milady! — brincou de volta e sorriu. O rapaz cozinhava muito bem. — O que deseja comer?
— Me surpreenda, chef . — respondeu e deu um gole em sua água, encarando o marido.
— Você quem manda, senhorita.
Senhora . — corrigiu .
— Ah, uma linda moça não poderia estar solteira... — o homem se aproximou dela e a abraçou por trás. virou-se de frente para ele e o encarou.
— Não, sou muito bem casada com um homem incrível.
— Então eu sou incrível, não é?! — disse, sorrindo vaidosamente, e deu um beijo nela.

Um beijo tão quente quanto o que originou a última atividade deles antes de descerem para comer. subiu suas mãos por dentro da camisa dele e foi erguendo a peça até que a retirou por completo. Quando ele ia voltar a beijar a esposa, ela o empurrou de leve, pondo a mão no peito nu do marido.

— Bobão! Vai cozinhar logo, estou com fome! — riu e foi para seu posto de chef de cozinha cheio de desejo pela esposa.

e sempre se divertiam cozinhando juntos. Era uma das poucas coisas que os tiravam da vida de gestores de uma organização tão poderosa como era a Seven. Sem falar que ainda ajudava seu pai a gerir o grupo Mori. Nos últimos meses, o pai de andava se ausentando para viagens de negócios misteriosas e deixava a filha como sua representante.
Minutos se passaram, já havia terminado seu jantar e já estava na sobremesa, já ainda jantava, já estava vestido novamente (fazia frio naquela noite), quando ouviram um barulho estranho. Ambos se entreolharam e levantaram de imediato. foi até a prateleira superior e pegou uma arma de dentro de um pequeno compartimento secreto, conferiu sua munição e seguiu na direção do barulho. a acompanhou, na retaguarda, também munido de uma pistola que pegou de outro compartimento, dessa vez no hall de entrada. Passaram por ele e foram até os fundos, de onde vinha o barulho. Ambos estavam ofegantes pela adrenalina. Será que alguém estava invadindo a casa de ? Quem teria essa coragem? Será que o velho inimigo de finalmente apareceu para cumprir sua promessa de acabar com ele?
De repente, outro barulho, dessa vez mais alto que o anterior. e apressaram o passo e, com cuidado, abriram a porta dos fundos que dava acesso ao grande quintal da mansão. fez sinal para a esposa andar na direção do quartinho de ferramentas que havia ali perto do muro lateral. Ela andou a passos largos, sempre em alerta e, quando abriu a porta do quartinho, teve uma enorme surpresa.

!? — disseram e ao mesmo tempo, apontando as armas para o rapaz, que estava caído no chão e com o braço protegendo o rosto.
— Olá... — disse ele, sem graça.
— Que diabos você faz aqui, ? Eu deveria ter atirado em você, seu cretino! — reclamou , enfurecido.
, não fale assim com o . — falou com os olhos semicerrados para o marido.
— Não o defenda, . E não o chame de "", por isso ele faz essas coisas inconsequentes. — mais uma vez, reclamou num tom enciumado. rolou os olhos e ajudou a se levantar. Quando a luz externa do quintal bateu em , ela pôde ver o real estado dele.
, você está ferido! — disse e olhou para o amigo.
— Levemente... — disse ainda muito sem graça. — Me perdoem por envolver vocês nisso, mas será que posso passar a noite aqui? — perguntou ele, cabisbaixo. fitou a esposa que também o olhou.
— Claro que pode, , vamos para dentro. — disse de maneira carinhosa e os três caminharam para dentro da mansão.

O que será que aconteceu com para ele aparecer desta maneira na casa do casal ?
Boa coisa que não foi.

Capítulo 13 – O melhor amigo ataca novamente

sentou-se em um dos bancos que cercava o balcão da cozinha. Tinha um ar cansado e vários hematomas, principalmente em seu rosto. tinha inúmeras perguntas para fazer ao amigo. Fazia alguns meses que eles não estavam se falando por circunstâncias desconhecidas, mas nunca deixou de se importar com o melhor amigo.
tinha um nó na garganta que não passava. Pelo contrário, só fazia aumentar cada vez que a moça passava o algodão com remédio em cada ferimento de . Ele estava calado, às vezes resmungava de dor, mas nada além disso.

— Acho que isso deve resolver, mas você vai ao médico depois, está bem? — disse para . Em sua mansão, preferiu não colocar um cômodo como mini-hospital. Esta comodidade só existe na casa de seu pai.
— Obrigado, . — disse com um sorriso sem graça no rosto. Ele notou que a moça também tinha alguns curativos no rosto. — O que houve com você?
— Um imprevisto durante uma negociação ontem à noite. Nada de mais. — falou ela com um sorriso acolhedor, enquanto guardava as gazes de volta no kit de primeiros-socorros.
— O que houve com você, ? — disse pela primeira vez desde que entraram na cozinha.
— Bem... — o homem, que tinha a mesma idade que o amigo, suspirou cansado e começou sua história. — Eu estava numa boate...
— Você ainda frequenta boates, ? — disse , interrompendo o amigo.
— Sim, frequento. — falou o rapaz meio contrariado com a interrupção. — Como eu dizia, eu fui numa boate com uma moça que eu estava saindo... — nem precisava ouvir o resto da história para saber que viria algo muito errado depois desta frase. — ...Só depois eu descobri que ela era mais nova que eu e que... bem, ela era comprometida.
— Sabia! — externou sua desconfiança. Tinha plena certeza de que o amigo havia se metido numa roubada.
— Ai, , e vocês terminaram, certo? — disse , que até então somente ouvia a história do amigo em silêncio.
— Bom, eu...
— O que você fez, ? — interrompeu mais uma vez.
— Por que eu tenho que ter feito alguma coisa? — questionou , sem paciência.
— Você sempre faz alguma coisa, cara!
— Assim você me ofende, !
— Eu te conheço há anos, !
— Querem parar?! — gritou , irritada com a discussão sem sentido dos dois. — , o que aconteceu? — falou após os dois se calarem.
— Eu descobri, da pior forma, que o namorado dela é um cara da Máfia do Porto de Yokohama. — ele disse aparentando tranquilidade.
, VOCÊ QUER MORRER?! — berrou espantado com a revelação.
— Não grite, ! Vai acordar a Sayuri! — brigou .
— Amor, a mansão é enorme. Não dá para ela ouvir. — se defendeu e soltou uma risada abafada.
— Mesmo assim, não grite!
— Você quem manda, amor! — disse e fez sinal de continência. rolou os olhos, irritada, e voltou a olhar para .
— Foi a Máfia de Yokohama que fez isso com você? — perguntou a moça.
— Foi. Eles me perseguiram, me enxotaram da boate e me deram uma surra. Minha sorte foi que também sei lutar... Uma pena eu não estar armado...
— Por que saiu desarmado, ?! — bradou e jogou as mãos para o ar em sinal de irritação. — Você sabe que não pode sair desarmado por aí.
— Bom, eu saí da casa dela direto para a boate. Foi aí que conheci o namorado boa praça dela. — brincou ele e deu mais um suspiro frustrado.
— Inacreditável. — falou . — Você já passou da idade de frequentar boates com novinhas, . Cresce! — completou o rapaz mais decepcionado do que irritado.
— Estou solteiro porque não encontrei ninguém que me transbordasse sentimentos bons, assim como você tem a e o , a . — explicou ele e disse, completando: — Caralho, até o tem uma esposa e eu não. Você arrumou uma companheira para ele e não para mim, que sou seu melhor amigo! Você é desprezível, ! — finalizou , ofendido, e fez um bico com os lábios.
é meu irmão! Deixe de ser dramático, , pelo amor de Deus! — falou rolando os olhos. riu.
— Pobre , vou te apresentar uma amiga. — ela disse num tom doce. — Mas tem que me prometer que não assustará a moça, ela não sabe dos nossos negócios. — frisou ela.
— Não se preocupe, . — entrou para a Seven após a morte de seu pai, quando assumiu o grupo com único sênior. — Está vendo, ? É assim que se trata o melhor amigo! Cretino! — disse virando-se para .
— Não abuse da minha paciência, . Infeliz mimado! — rebateu.
— Olha só quem fala...
— Vão começar?! — disse , apartando a discussão.
— Me desculpe, . — ambos disseram ao mesmo tempo.
— Você foi seguido, ? — perguntou , quebrando uma tensão e criando outra.
— Não. Sou especialista nisso, não se preocupem.
— Ótimo! Venha, vou te levar até um dos quartos de hóspedes. — disse e os três subiram até o andar de cima, onde ficavam os quartos.
— Papai? — virou-se e viu Sayuri em pé em frente à porta de seu quarto, a garotinha coçava os olhos. Ele se aproximou e carregou a filha.
— Não coce os olhos, mocinha. — alertou ele num tom carinhoso.
— Tio ! — alegrou-se a menina ao reconhecer o semblante de . O rapaz sorriu e chegou perto deles.
— Olá, mocinha linda! Deveria estar dormindo, já está tarde. — falou ele sorrindo. Sayuri e Hayato eram as alegrias e o escape de todos. O escape da tensão que era a Seven.
— Vai dormir aqui hoje, tio ?
— Vou sim, minha querida.
— Seu tio vai dormir aqui e amanhã à tarde vocês conversam, OK? Está na hora de dormir, amanhã você tem aula cedo. — falou . deu um beijo na testa da garota e entrou no quarto dela.

Após colocar Sayuri para dormir, vai até o quarto onde o amigo está e diz para ele ficar tranquilo, pois resolveriam seu problema juntos. Todos na Seven se tratavam como uma única família. Mexeu com um, mexeu com todos. voltou para seu quarto, já o aguardava. Estava preocupada com e com a Máfia do Porto de Yokohama.
Há seis anos, o antigo chefe da Máfia foi assassinado brutalmente pelo atual chefe. O grande mistério era a identidade desse chefe. Ele agia de maneira secreta e discreta, porém sempre fazia questão de deixar a marca registrada da Máfia do Porto de Yokohama: um "MP" marcado em alguma parte do corpo de suas vítimas.
tinha medo desse ser o mesmo fim do amigo. E essa era a mesma preocupação de .
Eles mal dormiram pelo resto da noite.

Capítulo 14 – A solução de todos os problemas

Amanheceu com um lindo Sol no céu incrivelmente azul de Tóquio. levantou-se e notou que seu marido não estava na cama. Tomou banho e se arrumou para ir para a empresa. Passou pelo quarto de Sayuri e viu a garotinha se arrumando para ir à escola. Depois de apressar a menina, desceu até a sala de jantar e encontrou e tomando café.

— Despencaram da cama, por acaso? — falou ela e depositou um beijo nos lábios do marido e outro beijo no rosto de .
— Isso se chama Máfia do Porto, minha amiga. — disse num tom brincalhão e amedrontado ao mesmo tempo. sentou-se na cadeira ao lado de , estava em frente a eles.
— Vamos dar um jeito, . Sempre damos. — ela disse de maneira carinhosa. se manteve sério e calado durante toda a refeição. — Você tem uma reunião agora cedo, não tem, amor? — disse a moça, após alguns minutos de silêncio. estava extremamente sério. só o viu assim anos atrás, quando ele encontrou Ren Kobayashi, seu velho inimigo.
— Tenho. — ele respondeu, sucinto e ainda muito sério. — Preciso resolver algo antes, se me derem licença. — ele falou e levantou-se. o seguiu com o olhar.
! — chamou , num tom espantado. — Não vai me esperar? Trabalhamos juntos, esqueceu?
, eu preciso resolver algo antes. É importante. Pede para o James — motorista da família — não me esperar e seguir com o horário que combinei com ele.
— Mas ...
— Amor, você também tem um compromisso hoje com o Kirito, esqueceu? — disse para encerrar a discussão. relaxou na cadeira e desistiu de discutir, apenas assentiu com um resmungo e deu um longo gole em seu suco de laranja. — Nos vemos no almoço. — ele voltou e deu um beijo na testa da esposa. — E você, , vê se não morre no caminho para o trabalho. — completou , dirigindo-se para o amigo que apenas sorriu e assentiu com a cabeça. saiu e foi para sua Lamborghini azul, grande xodó do rapaz.
— Ele está aprontando alguma, não está? — disse olhando para seu prato de torradas que já estavam frias. Ela perdeu totalmente a fome.
— Não tenha dúvidas, minha amiga. Mas não se preocupe, não é mais aquele cara inconsequente de antes. Ele amadureceu muito após assumir o grupo e, consequentemente, a Seven. — disse tentando tranquilizar a amiga.
— Eu sei e é isso que me preocupa. — falou ela e largou o copo de suco na mesa. — Vou ver se a Sayuri acabou de se arrumar. Ela está demorando mais que o normal. — completou ela e saiu da mesa, deixando sozinho. O celular do rapaz toca, era uma mensagem de que dizia:

“Não se preocupe, meu amigo. Vou resolver o seu problema. É problema nosso agora. Chamei aquele velho amigo. Me espere às 15h em frente ao prédio da sua empresa. Não se atrase, seu cretino.
Tenho um plano perfeito.
Com ódio,


riu com o final da mensagem e respondeu:

“Sabia que estava aprontando alguma, ! Nosso velho amigo, é? Faz tempo que não o vejo. Cara, a está preocupada com você e quando souber que chamou nosso velho amigo para ajudar, ela com certeza vai te matar. Se ela fizer isso, eu posso ficar com sua coleção de vinhos?”

desceu com Sayuri a tiracolo, a menina havia adormecido novamente e quase perdeu o horário da escola. pediu para prepararem um lanche reforçado para a garota, não daria tempo para tomar café da manhã. James levou Sayuri para o colégio, depois deixou em seu apartamento (ele precisava trocar de roupa para trabalhar) e seguiu para o prédio do grupo . foi para sua sala sem falar com ninguém, nem mesmo foi até a sala do marido ver se ele já havia começado a reunião.
Estava de péssimo humor.

[...]


No apartamento de , o rapaz havia saído do banheiro enxugando os cabelos com uma pequena toalha e tinha outra enrolada na cintura. Pegou o celular e havia três mensagens de .

7:11: “Ela te falou algo? Me dói esconder isso dela, mas eu sei que ela odeia nosso velho amigo. Não quero que ela se preocupe com isso.”
7:26 “Onde você está, cretino? Liguei para sua empresa e disseram que não chegou ainda. Não atende a droga do celular! Sei que já não está em minha casa, pois já liguei para lá. Onde se meteu, ? Não ouse ter morrido!”
7:27 “E fique longe da minha adega!!!”

riu novamente com o final desta última mensagem e ligou para o amigo. Eram 7:40 da manhã.

— Você não sabe esperar? Um homem não pode mais tomar um banho em paz. — disse assim que atendeu a ligação do outro lado.
Você é mesmo um cretino, ! — disse berrando no ouvido de . — Nunca mais te ajudo na vida.
— Eu sei que não fará isso, você me ama. Admita.
Essa é sua sorte: eu gosto de você. — falou rendendo-se e completou: — Está em casa?
— Sim, já vou me arrumar para ir até a empresa. — respondeu ele enquanto vestia uma roupa.

Neste momento, ele estava pelado e seu vizinho certamente estava na janela espiando o rapaz. já não se importava mais.

Antes de sair de casa, me avisa. Pedi para um de meus seguranças vigiar seu prédio. disse enquanto assinava alguns documentos.
— Não se preocupe tanto, cara. Eu estou bem. O cara da Máfia nem viu meu rosto direito. A boate estava escura...
Mas ele pode muito bem ter seguido você. Ele pode até saber desse seu romance com a namorada dele desde o início e só estava esperando você dar um mole. E, como sempre, você deu mole, não é mesmo? — repreendeu e rolou os olhos. — Não role os olhos para mim!
— Colocou câmeras no meu apartamento, ? — falou , um pouco assustado, olhando para possíveis locais onde poderia haver uma câmera escondida.
Eu conheço você, . — disse simplesmente. — Mas a ideia das câmeras não é tão ruim...
— Nem se atreva! — falou de supetão, arrancando uma risada genuína de .
OK, não farei isso. Vamos falar sério agora... mudou o tom de voz e assumiu a mesma postura.
— Vai mesmo chamar ele para ajudar?
Sim. É necessário. Não se brinca com a Máfia, mas também não se brinca com um membro da Seven e sai ileso.
— Sem dúvidas. — disse sentando-se em sua cama para calçar o sapato — Acha que ele nos ajudará?
Ele vai nos ajudar. Já é certo. — afirmou convicto. Ele havia contatado o velho amigo algumas horas atrás e já havia recebido retorno. — Ele chega de viagem hoje e vai nos encontrar à tarde.
— Faz tempo que não vejo o Kishō. Será bom reencontrá-lo.

Kishō Taniyama era um velho conhecido de e . Na verdade, ele é velho conhecido da Seven como um todo. A família Taniyama é a mais solicitada quando se precisa de serviços que necessitem de outras formas de negociação que não sejam pacíficas. Kishō era o líder da família e o mais experiente e solicitado para executar serviços, porém, ele só aceitava serviços pedidos por determinadas pessoas. era uma delas.

Será bom mesmo. Não nos vemos desde que fui sequestrado, antes de conhecer a e ser sequestrado de novo. — falou e riu.
— Você precisa perder essa mania de ser sequestrado, cara. Vai me deixar de cabelos brancos de preocupação.
Já viu a sua idade, ? Você já tem cabelos brancos. Não é culpa minha. — riu .
— Falou o adolescente! — ambos riram.
Brincadeiras à parte, o Kishō será nossa solução agora para lidar com a Máfia de Yokohama. Esses miseráveis não perdem por esperar! sorriu de canto.

estava com raiva por terem machucado seu melhor amigo. Ele não descansaria até se vingar do responsável por isso. Foi capaz até de chamar Kishō Taniyama para ajudar na execução de seu plano que, até então, ele não compartilhou com ninguém, nem mesmo com Kishō. O que será que pretende fazer? Seja lá o que for, a presença de Kishō ainda vai gerar bastante dor de cabeça para , que odeia o rapaz.

Capítulo 15 – Coisas boas podem surgir de tragédias (?)

estava em sua sala, distraída, pensando no que o seu amado e teimoso marido poderia estar aprontando. Sua assistente falava enquanto mexia em algumas pastas e apontava documentos que a chefe deveria ver, mas não prestava atenção em nada.

— Sra. ? — a assistente chamou pela segunda vez, já que na primeira não deu a mínima bola. — Se preferir, eu volto em outro momento para lhe falar.
— Não precisa, Saori. — falou pela primeira vez durante todo o tempo que a outra esteve ali.

Saori era a assistente pessoal de desde que ela tinha virado chefe do departamento de marketing da sede do grupo . A moça é também irmã mais nova de Kirito, segurança da família.

— Vamos resolver o que tem para resolver. Tenho um compromisso na empresa de meu pai em uma hora. — era verdade, tinha que assumir o lugar na cadeira de sênior da empresa de seu pai, que mais uma vez estava viajando a negócios.
— Sim, senhora. — assentiu Saori e estendeu novamente os documentos para a moça. leu rapidamente os documentos, assinou e devolveu para a assistente.
— Tem mais algum outro assunto, Saori? — perguntou ela com um suspiro cansado em seguida. Sua mente ainda estava em seu marido.
— Não, senhora. Posso ajudar em algo? — Saori trabalhava para há seis anos, conhecia bem a chefe e também amiga. — Sei que está preocupada, . — arriscou a intimidade. nunca ligou que a tratassem com intimidade de amigo dentro da empresa. Saori ainda não havia se acostumado a isso, tem um pouco do irmão nesse sentido. Só arriscava chamá-la pelo apelido quando estavam a sós.
— Um problema apareceu, mas já irei resolver. Obrigada pela preocupação, Saori. — sorriu e completou: — Chame o Kirito para mim, diga que já vamos para a empresa de meu pai. Diga para me esperar no estacionamento, já vou descer. — Saori assentiu. — Ah, Saori! — chamou mais uma vez. A moça parou e virou-se.
— Sim?
— Está livre hoje à noite?
— Sim, estou sim. Por quê? — disse Saori, curiosa para saber o que a amiga queria.
— Vá lá em casa hoje. Vou te apresentar a um amigo querido. Vide as últimas conversas que tivemos, sei que está solteira. — disse com um sorriso sorrateiro nos lábios. Ela adorava unir casais de amigos.
— Ele não é um desses riquinhos mimados que você me apresentou da última vez, não é? — disse Saori, desconfiada. prendeu o riso e disse:
— O é muito interessante, amiga. Vai gostar dele. — disse , simplesmente.
— E por que não me apresentou ele antes?
— Ele estava, digamos, ocupado demais. Agora está disponível e querendo um amor de verdade.
— Entendo. Apareço lá.
— Às 19h. — finalizou e sorriu para a amiga que lhe sorriu de volta e foi cumprir o pedido da amiga e chefe.

Cinco minutos após a saída de Saori de sua sala, pegou sua bolsa e saiu de sua sala, precisava se apressar. No caminho, notou que seu marido fazia uma de suas visitas matinais aos departamentos. O rapaz fixou seu olhar na esposa e sorriu de canto. arqueou a sobrancelha esquerda e revirou o olhar antes de pegar o elevador para ir até o estacionamento. suspirou, cansado, sabia que a esposa estava extremamente irritada com ele por lhe manter segredo. Ele também sabia de sua desconfiança. Sempre que escondia algo de , ele agia da mesma forma, era inevitável. E ela sempre sabia disso e já se irritava por ele não contar. Nunca saía nada de bom dos segredos de .

[...]

Kirito abriu a porta do carro para que pudesse descer. Eles já estavam no prédio do grupo Mori que não ficava longe do grupo . Apenas quatro quarteirões os separavam. cumprimentou a todos que encontrou pelo caminho, era muito querida por todos do grupo Mori. A filha única do sr. Mori, futura presidente do maior grupo do ramo de construção do país. entrou na sala de seu pai, a sala do presidente, e logo foi abordada pela assistente de seu pai. A moça veio com mais documentos que precisavam ser analisados e assinados com urgência.
estava com sua mente em outro lugar. Trabalhou totalmente no piloto automático. De repente, após algumas horas de trabalho, a assistente de seu pai entra na sala às pressas. a encarou assustada.

— Sra. Mori! Quer dizer, sra. ! Aconteceu algo grave! — diz a moça, atrapalhada pelas emoções que lhe tomavam conta.
— Acalme-se, por favor! O que aconteceu?
— O sr. Mori...
— O que tem meu pai? — levantou-se e sentiu sua garganta fechar. — Anda! Fala o que aconteceu com meu pai! — gritou. A assistente deu um salto no próprio corpo e engoliu em seco. Tremia bastante.
— Ligaram do hospital. O sr. Mori passou mal e foi levado às pressas para um hospital em Yokohama, senhora. Parece ser grave. — a cada palavra concluída pela moça, sentia o chão sob seus pés se abrir mais e mais.
— Qual hospital? — a voz dela saiu fraca, mas compreensível.
— Esse aqui. — a assistente lhe estendeu um papel onde tinha escrito o nome do hospital. fez um sinal com as mãos mandando a assistente sair. — Quer que eu avise à sra. Mori? — perguntou a assistente, temerosa. apenas lhe lançou um olhar fuzilante, a assistente desculpou-se e saiu do escritório.
— KIRITO!!! — berrou descontrolada. Começou a chorar.

[...]

Rapidamente, e Kirito haviam chegado ao hospital em Yokohama. Durante todo o caminho até lá, permaneceu calada. Tentou ligar para , mas ele não atendeu a nenhuma ligação e nem respondeu as mensagens que ela lhe mandou. Desistiu de contactar o marido, estava preocupada demais com seu pai. O que será que aconteceu? Então foi para Yokohama a misteriosa viagem de negócios do pai? O que o homem fazia lá? Por que ele passou mal assim tão de repente?
A falta de respostas só angustiava a moça ainda mais.

[...]

já estava a mais de duas horas aguardando por notícias de seu pai. Kirito estava sentado ao seu lado na sala de espera e segurava sua mão com força. não entendia o porquê de estar com uma péssima sensação de que sua vida mudaria dali para frente, mas não gostava dessa sensação. Ela queria poder arrancar esse sentimento de dentro de si.
nem notou que Kirito falou algo e levantou de repente, deixando-a sozinha. Kirito foi chamado pelo médico que atendia o sr. Mori, o médico disse que a situação do homem não era das melhores e que também estava preocupado com a saúde da moça que aguardava por notícias do pai. chegou ao hospital visivelmente destruída pelo baque da internação repentina do pai. O médico disse também que o sr. Mori estava levemente lúcido e queria falar com a filha com urgência. Prontamente, Kirito foi avisar a sua chefe e amiga.

— Papai! — exclamou ao entrar no quarto onde o pai estava. Lhe partia o coração vê-lo naquela situação. Teve a mesma sensação de quando viu recuperar-se da cirurgia após o sequestro de oito anos atrás. — Oi, papai!
... — sussurrou o sr. Mori e segurou a mão da filha com dificuldade. — Como está linda, filha. — a moça sorriu forçada. Sabia que estava descabelada e com o rosto inchado de tanto que chorou no banheiro do hospital, para que ninguém a visse.
— Não se esforce muito, papai. Ainda está fraco. — alertou ela, preocupada.
— Eu sou fraco, minha filha. — frisou o homem.
— Por que diz isso?
— Porque eu escondi tanta coisa, de tanta gente, por tantos anos... — o homem tossiu, estava muito emocionado por finalmente contar o que tanto lhe ansiava e lhe tirava o sono por anos. ia chamar uma enfermeira, mas o pai lhe apertou a mão e disse que estava bem. — Preciso lhe contar antes que a fraqueza volte a tomar conta de mim.
— Contar o que, papai? — estava apreensiva e curiosa. Seu coração não parava de bater descompensado.
— Vou ser rápido, não tenho muito tempo...

ficou atenta às palavras do pai. Após lhe contar toda verdade, o homem teve uma parada cardiorrespiratória e faleceu.
berrou chamando pelo pai. De imediato, Kirito entrou no quarto e abraçou a moça, pois ela saltava para cima do corpo do homem em cima da cama. Seus gritos foram ouvidos por todo o andar onde estavam. sentiu seu corpo fraquejar e desmaiou nos braços de Kirito.

[...]

andava rápido pelo longo corredor do hospital de Yokohama. Se repreendeu imensamente por não ter visto as mensagens e ligações da esposa. Estava tão preocupado com alguns problemas que surgiram na empresa que se distraiu do celular.
De longe, viu a figura de Kirito parada em frente a um dos quartos.

— Onde está ela? E o sr. Mori? — perguntou ele, afobado, ao se aproximar do segurança e amigo.
— A sra. está aqui dentro. — disse e apontou para a porta do quarto atrás de si. — O sr. Mori infelizmente faleceu há alguns minutos. — sentiu sua garganta embolar. Como pôde ele estar longe de sua amada num momento como esse?
— Eu posso entrar? — a voz de saiu fraca.
— É claro, sr. . Ela está muito abalada. O sr. Mori lhe contou algo antes de morrer, mas ela não me disse o que era. Porém, isso a deixou com raiva, muita raiva. — explicou Kirito encarando .
— Obrigado por estar com ela. — agradeceu , Kirito assentiu com a cabeça e deu um meio sorriso. entrou no quarto e, assim que fechou a porta e virou-se, foi envolvido pelos braços de , que enterrou o rosto no ombro dele. — Desculpa por não ter vindo antes. Eu estou aqui agora. — ele abraçou a moça com toda força, sem machucá-la, e beijou o topo de sua cabeça.

Ficaram assim por alguns minutos, até que afasta-se um pouco e diz, ainda com voz de choro:

Eu tenho um irmão, ! O meu pai teve outro filho! — arregalou os olhos. Não sabia o que dizer. Nem ela sabia o que dizer diante da revelação do pai. Chorou mais uma vez enterrando o rosto no ombro do marido.

Capítulo 16 – Uma noite explosiva

O clima na mansão não era dos melhores. Há exatos dez dias o sr. Mori havia morrido, o velório foi celebrado lá, pois a sra. Mori não quis nem saber do enterro do marido. Ela já sabia da traição de anos atrás e se amargurou com o marido. Na verdade, neste momento, a sra. Mori estava na Europa. Avisou à filha que se mudaria para lá, pois não conseguiria viver na casa onde o marido que a traiu morou. nem conseguia mensurar o tamanho da mágoa que a mãe sentiu do falecido sr. Mori, mas imaginou caso fosse com ela. O que a moça faria se soubesse que seu marido tinha outro filho? Outra família? Não saberia se fugiria ou mataria . Talvez a atual escolhesse a segunda opção.

— Amor? — entrou no escritório de , onde a moça havia se trancado desde a manhã daquele sábado. Já passava da hora do almoço. — Vai almoçar? — ele estava preocupado com ela, pois não comia direito desde que eles deixaram Yokohama.
— Estou sem fome, amor. — respondeu a moça com a voz notoriamente cansada. — Sayuri já comeu?
— Sim, agora está brincando no jardim. — ele disse e abraçou a cadeira onde ela estava, cruzando os braços sobre o busto da esposa. — Mais tarde, teremos o jantar com e os outros.
— Ah... — aquele lamento significava o total esquecimento da moça a respeito do jantar.
— Esqueceu, não é? — perguntou , já sabendo a resposta.
— Estive tão entretida na investigação que acabei trocando as datas. Me desculpe, amor. — explicou e suspirou. deu-lhe um beijo na bochecha e sentou na mesa, encarando a mulher.
— Não precisa pedir desculpas, meu amor. Por falar nisso, como anda a investigação? Achou alguma outra pista de onde possa estar seu irmão? — estava investigando sobre o irmão de acordo com as poucas informações que o pai lhe passou antes de morrer. O homem lhe disse que o garoto hoje mora em Yokohama.
— Sim. Descobri que ele se chama Ichiro Ito, tem 15 anos e foi adotado aos dois anos de idade por uma família de Yokohama mesmo, após a morte de sua mãe. Parece que ela ficou muito doente e não tinha parentes conhecidos para cuidar do garoto.
— Imagino que ele deve ter tido uma infância difícil, longe do pai e sem a mãe. — comentou de braços cruzados sobre o próprio corpo.
— Sim. Quero me encontrar com ele, conversar, conhecer esse garoto. — disse ela.
— E vai, meu amor. Se precisar de algo, qualquer coisa, me fala. Sabe que pode contar sempre comigo. Para tudo.
— E eu te amo por isso. — levantou-se e abraçou o marido. envolveu seus braços na cintura da esposa. fechou os olhos e encostou a cabeça no ombro dele.
— Tem mais alguma coisa te incomodando? — questionou . Conhecia a esposa como a palma da mão.
— Estou com uma sensação horrível há dias, desde a morte de meu pai.
— Que sensação? — afastou-se um pouco dela, sem soltar do abraço. Ajeitou uma mecha de cabelo para trás da orelha dela.
— De que irei perder outra pessoa muito importante para mim. — ela ofegava e tinha um choro preso na garganta. apertou o abraço e a beijou.
— Você não vai perder mais ninguém, . Não vou permitir que isso aconteça.

Com mais um beijo, finalizou sua fala e encostou a cabeça dela em seu ombro novamente, afagando seus cabelos. não disse, mas ele tinha a mesma sensação. Só não sabia dizer quem ele perderia e essa incerteza o angustiava.

[...]

A noite chegou e com ela o tão aguardado jantar. e já haviam chegado, juntamente com Hayato, que logo foi brincar com Sayuri. também já estava lá, muito elegante como sempre, se bem que disse que lhe apresentaria Saori hoje e o rapaz se arrumou especialmente para isso.
recepcionava os convidados, enquanto terminava de se arrumar. A mente da moça ainda estava voltada para seu irmão e em como iria encontrar com o garoto. Ela só aguardava uma mensagem de Kirito para executar seu plano para encontrar o irmão. Não quis contar todos os detalhes a , queria ter total certeza da localização do garoto antes de contar tudo ao marido.
Todos aguardavam na sala, Saori já havia chegado, apresentou a moça para seu amigo e rapidamente os dois engataram uma conversa sob os olhares de Kirito. Quando surgiu na porta da sala de estar, chamou a atenção de todos. Usava um lindo vestido azul claro e os cabelos presos num rabo de cavalo alto. abriu um largo sorriso ao vê-la e foi ao seu encontro.

— Está linda, minha preciosidade. — selou seus lábios e anunciou: — Tenho ou não tenho a esposa mais linda? — disse ele, orgulhoso. — Claro que foi uma pergunta retórica.
— Ah, esse meu irmão! — exclamou rindo. Todos riram da cara de marido bobo que fazia. — Vamos jantar! — completou e todos concordaram.

O jantar estava indo perfeitamente como havia planejado. Os adultos conversavam, as crianças comiam uma grande compota de sorvete de baunilha com calda de morango por cima e amendoim triturado para finalizar, mas ainda aguardava mais um convidado surpresa. A surpresa era só para sua esposa mesmo. Assim que a figura de Kishō Taniyama apontou na porta da sala de jantar, os olhos de saltaram e suas mãos apertaram a toalha da mesa. viu a reação da esposa e sussurrou em seu ouvido:

— Calma, meu amor, lembre-se que...
— O que ele faz na nossa casa, ? — ela disse entredentes, interrompendo-o. odiava quando ela o chamava pelo nome, e ela sempre fazia isso quando estava furiosa com o rapaz.
— Depois falamos disso, Saori não sabe dos negócios. — lembrou ele. lançou um olhar raivoso para o marido. engoliu em seco e sorriu sem graça. — Kishō! — disse ele, levantando-se e indo até o homem parado ali na porta.
— Boa noite a todos! Me perdoem o atraso, vejo que já jantaram — deduziu ele, pelo fato de as crianças já estarem na sobremesa.
— Sim, mas podemos servir o seu jantar, meu amigo. — comentou , enquanto caminhava até o homem, o conduzindo até uma cadeira ao lado de .
— Não se incomode, . — ele disse educado e sorriu.
— Com licença! — disse e levantou-se indo até a porta da sala de estar, sua cabeça começou a doer.
— Está tudo bem, amor? — perguntou , apenas lançou-lhe outro olhar raivoso que fez estremecer e disse:
— Vou ao banheiro, . — disse e saiu. Segundos de silêncio depois...
— Eu também vou ao banheiro, com licença — Saori disse e seguiu a mesma direção da amiga.
— Não a leve a mal, Kishō. — disse referindo-se à esposa. — A morte do pai dela e a descoberta de um irmão a deixaram irritada esses dias. — concluiu ele.
— Não se preocupe, meu amigo. Eu entendo. — Kishō agradeceu com um gesto de cabeça ao garçom que lhe serviu uma taça de vinho.
— Não precisa dar desculpas, . Kishō sabe que a não gosta dele. — disse e deu um gole em seu vinho. cutucou o marido, que deu de ombros e riu.
— É notório, de fato. Bem observado, . — comentou Kishō também rindo.

deu um sorriso amarelo e sentou-se novamente. Saori voltou do banheiro e voltou a sentar-se ao lado de . Os dois estavam realmente se dando bem.
Minutos depois, todos foram para sala de estar para conversar mais um pouco. ainda não havia voltado e começou a achar que ela não voltaria mais. foi ver como sua amiga estava e voltou com uma expressão atordoada na face, mas tentou disfarçar na frente de todos, que nem perguntaram nada a respeito*.
preferiu resolver esse assunto com a esposa mais tarde.
Já passava das 23 horas quando Kishō e os outros foram embora. combinou com Kishō e uma reunião em seu escritório na sede do grupo na manhã seguinte, para decidir detalhes do plano de . Finalmente ele havia compartilhado suas intenções em ter pedido a ajuda de Kishō para executar seu plano. despediu-se de todos e dispensou os empregados. Subiu as escadas já imaginando as palavras que usaria para explicar a a presença de Kishō ali hoje. Respirou fundo antes de abrir a porta do quarto. Fechou a porta após entrar e sentiu a frieza do quarto, literalmente falando. Tirou seu paletó e o colocou em cima da poltrona. Antes de entrar no banheiro, observou a forma do corpo da esposa, que estava de costas para a porta do banheiro, por debaixo do lençol. A peça desenhava perfeitamente as curvas de seu corpo. Espantou pensamentos inoportunos e foi tomar banho. Após sair do banheiro, deitou-se ao seu lado da cama e se cobriu com os lençóis. , sem abrir os olhos, mas com a feição de raiva, virou-se com brutalidade e deu as costas ao marido. suspirou frustrado e avançou em mais uma tentativa de aproximação. Encostou seu braço, envolvendo-o na cintura de , chegou bem perto de seu ouvido e beijou sua orelha.

— A menos que queira levar um tiro, é melhor você tirar sua mão de mim, ! — disse , sem se virar, e colocou a mão por baixo do travesseiro.

notou o movimento da esposa e de imediato tirou a mão de sua cintura. Ele não proferiu nenhuma palavra. Na verdade, ele mal dormiu.

[...]

e já aguardavam por Kishō no escritório do . estava visivelmente cansado, ele não dormiu direito com medo de encostar na esposa sem querer e levar um tiro disparado por ela. Após insistência de , ele externou sua angústia.

Ela estava armada na cama?! — perguntou espantado. — Que tipo de sexo maluco vocês andam praticando? — questionou ele, brincalhão, mas em seu íntimo, sentiu um arrepio só de imaginar. Tratou logo de espantar os pensamentos impuros que passaram rapidamente por sua mente.
— Não é hora para brincadeiras, ! — o repreendeu, riu e se calou. — Entra! — alguém havia batido à porta. Logo Kishō adentrou o recinto. — Seja bem-vindo, meu amigo!

foi recepcionar o amigo. Logo os três estavam conversando sobre o plano de . Em meio a uma discussão sobre a estratégia de invadir a sede da Máfia de Yokohama, uma visita os interrompe.

— Então, esse é o seu plano, ? — a voz de esmurrou os ouvidos de , que levantou o olhar e encontrou a esposa caminhando até sua mesa. e Kishō estavam nas cadeiras em frente à mesa.
! — exclamou ele. aproximou-se e bateu na mesa.
— Trace uma estratégia que me envolva, pois eu também irei com vocês. — falou ela e encarou o marido. Kishō e não se atreveram a falar nada. não deveria, mas sentiu um imenso tesão ao ver a esposa dar essa ordem, porém não externou sua vontade.
— Ah, mas você não vai mesmo! — bradou e também bateu na mesa, levantando-se.
— O plano não é vingar o ? Pois bem, eu também quero fazer parte.
, não tem o menor cabimento você ir. É muito perigoso!
— O mesmo perigo que há para vocês, há para mim. Por que eu não posso ir? — os olhares de Kishō e pendiam de para e vice-versa, como numa partida de tênis.
— Porque é perigoso, já disse! — gritou, mas isso não abalou , que manteve sua postura firme.
— Eu quero ver se você é capaz de me impedir, .
— Para de me chamar pelo nome!
— Por que, ? Isso te irrita? — provocou ela.
... Você não vai! — disse ele, controlando-se para não surtar de raiva.
— Vou e já está decidido, ! Você não pode me impedir! — frisou ela, peitando ele.

suspirou e a puxou pelo braço. Nessa hora, ameaçou levantar, achou que o amigo faria alguma besteira, mas apenas uniu seu corpo com o de num abraço apertado.

— Eu não suportaria te perder, . Por favor, não vá nessa missão. É extremamente perigoso, suicida! — disse ele com a voz embargada. não esperava tal reação dele. Não sabia o que dizer. — Eu te amo tanto, minha preciosidade, eu não posso perder você. — afastou seus corpos e segurou o rosto dela com ambas as mãos.
— E acha que eu suportaria se algo lhe acontecesse? Seu idiota! — bradou ela e sentiu algumas lágrimas se formarem em seu olhar. — Sabe por que eu odeio a presença do Kishō? — disse ela, de repente. negou com a cabeça. — Porque sempre que ele está por perto, você tem ideias perigosas e idiotas. Isso me deixa louca de preocupação! Você não faz ideia do quanto isso me angustia, . — revelou ela. não soube o que dizer, mas Kishō sabia e disse:
— Perdão por despertar esse lado do seu marido, . — ele deu um sorriso sem graça. o olhou.
— A minha raiva não é sua diretamente e sim do e suas ideias mirabolantes. Como a de invadir a sede da Máfia de Yokohama, por exemplo.
— Isso não pode ficar barato, . Sabe disso. Além do mais, eles ameaçaram o novamente.
— O quê? — espantou-se ela que não sabia da ameaça. — !?
— Desculpe não te contar, . me proibiu. — defendeu-se o rapaz, exibindo um olhar inocente que fazia qualquer um amolecer.
— Vou matar você, ! — bradou ela. — Pare de esconder coisas importantes de mim!
— Me perdoe, meu amor, foi preciso. — falou ele e lhe deu um beijo rápido. — Enfim, me prometa que não vai nessa missão, por favor.
, eu sou boa nas missões quando sou necessária. Eu posso ajudar.
— Ela tem razão, . — comentou . o fuzilou com o olhar. — Não me olhe assim, !
— Não ameace o , ! — disse em defesa do amigo.
— Já disse para parar de chamar o dessa forma. E pare de me chamar pelo nome! Que irritante!

A discussão deles durou mais alguns minutos, até que o próprio convenceu a amiga a não ir na missão de invasão à Máfia. Mas outra coisa a fez desistir, uma mensagem de Kirito. Finalmente ele havia seu achado o irmão. A moça deixou cair uma lágrima de alegria ao ler a mensagem de Kirito.


NOTA: *Referência ao MV – Answer do Especial MVs. Classificação do MV: +18!

Capítulo 17 – Ichiro Ito

O garoto estava sentado em uma das cadeiras existentes naquele ambiente tão conhecido por ele a tanto tempo. Ouvia música em seu fone de ouvido num volume mais alto que o recomendado. De olhos fechados, sentiu suas pernas, que estavam cruzadas em cima de outra cadeira, serem chutadas e caírem no chão, quase o fazendo cair junto. Abriu os olhos e encarou o homem em pé à sua frente com a feição fechada.

— O seu pai pediu para você comprar o almoço. Os pedidos estão anotados na mesa. Vê se não traz tudo misturado, moleque! — deu a ordem e saiu.

Revirando o olhar, o garoto voltou a colocar os fones no ouvido, pegou seu casaco, caminhou até a mesa perto da saída e pegou o papel com os pedidos anotados e o dinheiro que estava ali em cima. Abriu a porta e saiu. Ao colocar seu rosto para fora, sentiu como se o vento fosse cortar sua pele a cada passada por ela. Era inverno no Japão e, naquele dia, após ter nevado de madrugada, fazia bastante frio. Ao chegar ao seu destino, o menino fez o pedido e aguardou. De repente, caminhou até uma das mesas do restaurante e abordou uma moça que estava ali sentada, sozinha.

— Até quando pretende me vigiar? — perguntou ele, com as mãos nos bolsos do casaco. A moça o encarou e engoliu em seco. Não era essa a abordagem que pretendia fazer.
— Me desculpe, eu posso conversar com você? — perguntou ela, sem graça.
— O que quer de mim?
— Você é Ichiro Ito, não é?
— E você é quem?
— Desculpe... — após a sequência de perguntas, finalmente houve uma resposta concreta. — Me chamo , sou filha do seu pai biológico. — se apresentou e o garoto arqueou a sobrancelha esquerda.
? Achei que meu pai biológico fosse Mori. — disse ele e deu de ombros em seguida.
— Esse é meu nome de casada. Antes eu me chamava Mori. — explicou.
— OK, não precisa explicar. Quero saber: por que está me vigiando, sra. ?
— Sente-se, por favor. Podemos conversar melhor. — apontou para a cadeira vazia à sua frente.
— Preciso entregar o almoço dos meus clientes. — falou ele sem demonstrar nenhuma vontade de estar ali.
— Prometo que não irei demorar. — insistiu ela. Ichiro suspirou irritado e se jogou na cadeira.
— Fala. — conseguiu ver nitidamente seu pai e também a si mesma naquele garoto.
— Eu quero conhecer melhor você, afinal, somos irmãos e, bom, você também tem direito à herança da família.
— Se acha que quero o dinheiro daquele homem, está enganada. Não quero nada vindo daquele cretino! — bradou Ichiro.
— Não, não é isso, Ichiro! Se não quiser a herança, tudo bem, mas você tem direito a ela.
— Eu não sou burro, senhora. Eu sei disso. — falou rispidamente.
— Vamos conversar com calma, Ichiro. Eu quero ajudar você...
— Não preciso de esmolas! — Ichiro bateu com força na mesa. As pessoas em volta olharam a cena e logo voltaram aos seus afazeres.
— Garoto, eu não vou te dar esmolas! — perdeu um pouco da paciência. — Eu realmente só quero conhecer você melhor. Você é meu irmão mais novo, quer queira, quer não! — bradou ela. Ichiro a encarou, viu na moça um pouco de si mesmo. Não conseguiu esconder o sorriso.
— OK, senhora minha irmã, vamos conversar, então.

sorriu com a afirmação do garoto e se ajeitou na cadeira. Os dois conversaram um pouco, sobre coisas aleatórias sobre suas vidas.
Sem perceber, baixou a guarda diante do irmão, e foi aí que o ataque inesperado aconteceu.

[...]

dirigia seu carro pela estrada que ia em direção a Yokohama. Kishō mexia no celular, observava a paisagem e tentava ligar pela sétima vez para . Sua esposa não atendia sua ligação desde cedo, quando avisou que chegou à empresa Mori. Ela não era disso, começou a realmente preocupar .

— Ela ainda não atendeu, ? — perguntou ainda de olho na estrada. Kishō ergueu o olhar, do banco de trás, e encarou os amigos.
— Não. Estou preocupado... — disse ele e resolveu ligar para Kirito.
— Liga para o segurança dela, . — sugeriu Kishō.
— Estou fazendo isso agora... — comentou ele — Kirito? — questionou ao ouvir a voz de Kirito, lhe pareceu estranha. — Aconteceu alguma coisa?
Sr. , me perdoe, eu não pude evitar. — disse o rapaz, sua voz parecia derrotada, cansada, como a de quem acabou de acordar após horas dormindo.
— O que quer dizer com isso, Kirigaya? Fala! — estava muito nervoso e perdeu a calma na voz e a paciência também.
A sra. veio até Yokohama encontrar o irmão dela, descobrimos que ele mora aqui, tudo estava indo bem até que percebi um movimento estranho. Alguns homens invadiram o restaurante onde ela estava e... Bom, eu apaguei, me atingiram por trás quando eu ia entrar no restaurante, mas creio que ela tenha sido levada. Quando acordei, ela não estava mais lá. Nem o irmão dela. — explicou Kirito com vergonha na voz. Para um segurança orgulhoso feito ele, deixar sua protegida ser sequestrada era uma imensa derrota.
— DESGRAÇAAAAAADOS!!! KIRITO! Como... Você não viu quem fez isso? — disse aos berros. , e Kishō ouviam ansiosamente a conversa.
Pelas características dos carros e pela forma que me atacaram, creio que tenha sido a Máfia do Porto de Yokohama, sr. .
— VOU EXTERMINAR ESSES DESGRAÇADOS! — berrou novamente. — Onde você está, Kirito?
Fiz umas buscas pela região, mas não encontrei nenhuma pista, nem da sra. nem de seu irmão. Agora estou próximo ao Porto. Creio que a tenham levado para lá.
— Me mande por mensagem sua localização exata. Já estamos chegando, não faça nada! Espere por nós. — desligou a chamada após Kirito assentir que esperaria por sua chegada.

explicou aos outros o que havia acontecido. Agora, para ele, era questão de honra acabar com a maldita Máfia só pela audácia em terem sequestrado sua esposa. Sua preciosidade nas mãos daqueles nojentos da Máfia do Porto. O ódio percorria cada molécula do corpo de . Eles pagariam caro por terem levado sua mulher. Ah, se pagariam!
Não demorou muito e já estava no local onde Kirito se encontrava. Após pegar o rapaz, que ainda estava com um corte na cabeça na altura da testa, eles seguiram para o porto. repassou o plano de invasão, dessa vez incluindo Kirito no plano. Nada poderia dar errado. Mas por que ainda estava com a sensação de que perderia algo importante em algumas horas?

Capítulo 18 – O poder da Máfia

Silêncio. Calmaria. Sossego. Paz...
De repente, toda essa tranquilidade foi apagada pela sensação de afogamento que ela sentiu ao acordar. Olhou ao redor e viu que estava acompanhada por dois homens desconhecidos e um garoto.

— Ichiro! Fuja! Eles são da Máfia! — bradou , angustiada. Logo notou que Ichiro tinha um balde nas mãos. Ela deduziu rapidamente que fora ele quem havia lhe jogado água no rosto. — O que está fazendo, Ichiro? Você trabalha para a Máfia? — o garoto tinha um sorriso debochado no rosto.
— Acha que fui criado numa família normal? Engano seu, irmãzinha. — disse ele debochado e começou a rir.

Os dois homens que ali estavam o acompanham. sentiu-se burra por acreditar que poderia ter uma relação boa com um adolescente. Ainda mais se tratando de um adolescente que trabalhava para a Máfia.

— Seu moleque!! — gritou e se debateu, só então notou que estava presa com os braços para cima. Sua roupa estava molhada, assim como seus cabelos que grudavam em sua nuca.
— Ela sempre foi assim, chefe? — questionou o garoto e uma voz grave respondeu:
— Sempre. Pelo que me lembro, era até mais gentil antes.

reconheceu aquela voz de imediato. Arregalou o olhar e sentiu suas pernas tremerem ao ver a figura de Katsuo Matsumoto descer as escadas que ligavam o escritório ao resto do grande galpão.

— Katsuo, seu verme! O que faz aqui?! — disse com desprezo na voz. Katsuo terminou de descer as escadas, aproximou-se dela com um sorriso cafajeste nos lábios e segurou o rosto da moça.
— Não é óbvio, ? Eu sou o líder da Máfia de Yokohama! — sorriu sarcástico e apertou o rosto dela — É bom te ver novamente, -chan...
— É sra. para você, seu verme! Me solta! — ela tirou o rosto das mãos dele e o olhou com desprezo.
— Quero ver você ficar com essa valentia toda quando eu fizer o que eu pretendo fazer. — ele sorriu, dessa vez maquiavélico. Um frio gélido percorreu a espinha da moça que engoliu em seco.
— Fez lavagem cerebral no meu irmão, Matsumoto? — perguntou ela.
— Eu o acolhi quando ninguém mais fez. Não precisei fazer nenhuma "lavagem" nele. Apenas lhe contei a verdade sobre o sr. Mori. Aliás, ele pessoalmente lhe confirmou toda a história.
— O quê? — questionou ela, confusa.
— O seu querido papai esteve aqui antes de morrer. Ao longo do ano, fez visitas como um pai presente faria. Com a diferença de que ele era um cretino como pai e como homem. Sabe o que ele fez com a minha mãe, antes mesmo de eu nascer? — falou Ichiro.
— Não faço ideia, Ichiro. — respondeu.
— Ele, literalmente, a jogou na sarjeta. Ou melhor, em um rio, para que se afogasse e assim resolvesse o "problema dele". — Ichiro riu com amargura. — Eu e minha mãe éramos um problema na vida dele. Dá para acreditar?! — disse e jogou o balde que tinha em mãos, com muita força, na direção da parede atrás de , que assustou-se achando que o objeto a atingiria.
— Calma, Ichiro. — Katsuo colocou uma das mãos no ombro do garoto. — Me vingarei por você, filho. — mais uma vez, Katsuo tinha um sorriso maquiavélico no rosto. estava odiando aquela sensação de que perderia alguém importante ter voltado com tudo desde que viu o Katsuo.
— Vai mesmo fazer aquilo? — perguntou Ichiro, aparentemente mais calmo.
— Não vejo a hora. — não sabia do que se tratava, mas não precisava saber de tudo para ter medo do que estava por vir. — Sabe, sra. , o seu marido continua sendo uma enorme pedra no meu caminho. Ele já tirou você de mim, ele acha mesmo que pode me derrubar? Acha mesmo que eu não saberia que ele está prestes a invadir meu galpão? Nada acontece na minha cidade sem que eu fique sabendo! — outro frio gélido percorreu o corpo de .
— O que fez com o meu marido?! — gritou ela muito nervosa.
— Preocupe-se com o que eu ainda vou fazer com ele, minha querida. — Katsuo sorriu.
— Sr. Matsumoto, correu tudo como planejado. — um dos homens que trabalhavam para ele disse. Katsuo deu um largo sorriso vitorioso.
— Ótimo! Traga-os para cá. Vamos começar o espetáculo! — Katsuo usou um tom tão sádico quanto o que Ren costuma usar. voltou a sentir um arrepio gélido lhe percorrer o corpo. Sabia que o marido corria perigo.

[...]

! ! ! — exclamou ao ver que os três eram arrastados até as correntes que estavam penduradas no teto do galpão. Cada homem prendeu cada um que era arrastado em uma corrente. — O que vai fazer, Katsuo?! Eu te mato caso machuque qualquer um deles! — notou que Kishō estava amarrado separado dos outros. — Por que pendurou os rapazes aí? O que vai fazer?! Fala!
— Cala essa boca, ! Pelo amor de Deus, como te aguenta tagarelando tanto assim? Tenha paciência. — debochou Katsuo. Os capangas, que só observavam, riram do deboche do chefe. — Vamos lá! Acordem, mocinhas! — ele jogou água nos rostos dos três que engasgaram cuspindo água e tossindo em seguida.
!!! — gritou para o marido que estava do outro lado, estava mais próximo a ela e entre eles.
, meu amor, você está bem? — disse , a cabeça doendo pelo baque da água gélida em seu corpo e pelo golpe que levou antes de desmaiar.
— Estou... ... — ela não se conteve e começou a chorar.
— Que tocante! Estou até emocionado. — Katsuo seca uma lágrima inexistente em seu olho e revira o olhar enojado — Chega! Cansei... — ele fez sinal para o Ren que lhe jogou sua adaga de estimação. Habilidosamente, ele a cata no ar e gira a peça em seus dedos da mão esquerda. — Vamos começar.
— O que vai fazer? — perguntou .
— Que bom que perguntou, mais velho e covarde. — apertou as mãos penduradas com raiva. — Vou demonstrar em você primeiro, já que está tão curioso.

Num movimento rápido, Katsuo desferiu um golpe com a adaga no rosto de . Logo o sangue escorreu em seu rosto.

Não! — gritou assustada.
— Desgraçado! Vou te matar, Matsumoto! — gritou , debatendo-se com raiva.
— Dramáticos demais. Deve ser de família. — debochou Katsuo e virou-se para . — Querida , vamos fazer um jogo: qual dos três você quer que eu salve? Só pode escolher um. Isso porque estou de bom-humor hoje.
— O quê? Você... — não conseguiu terminar a frase, o ar lhe fugia dos pulmões e parecia que desmaiaria de medo a qualquer instante.
— Já que está demorando para responder, eu escolho por você. O próximo a levar um golpe será... — ele apontava com a adaga para cada um dos rapazes. Mais um rápido movimento e um novo golpe. Mais gritos.
! Não, ! — gritou ao ver receber um golpe de raspão na barriga. O rapaz gritou e contorceu-se de dor. — ! Para, para com isso, Katsuo!
— Estou apenas começando! — bradou ele rindo.

Katsuo era extremamente habilidoso com a adaga. Começou a desferir golpes nos três rapazes, recebeu seu primeiro golpe no peito, de raspão, mas logo ganhou um corte fundo no braço. Os gritos de para que Katsuo parasse lhe serviam como combustível para continuar.
Minutos de sofrimento depois, Katsuo finalmente parou de machucar os rapazes. era o mais ferido. Naquele momento, ele estava desmaiado, com um corte muito profundo na barriga, de onde saía bastante sangue. , além do corte na barriga, superficial comparado com o de , tinha vários pequenos cortes pelo rosto, tórax e braços. tinha cortes parecidos com os de , além de um corte na coxa direita que, naquele momento, era o que mais incomodava o rapaz. estava com os olhos inchados de tanto chorar, sua garganta doía pelos gritos que deu e a força pareceu lhe abandonar naquele momento.

— Nossa, isso parece um enterro! — zombou Katsuo. — Não se preocupem, pois o covardão ainda está vivo. — disse ele referindo-se a , que respirava fraquinho e se mantinha desmaiado. — Acorda, Aline! Não vai acordar? Vou te fazer olhar para mim... — Katsuo aproxima-se de e o puxa pelo cabelo com força.
— Tire as mãos do meu marido!

levanta o rosto e começa a se debater novamente. Ela era a única que estava amarrada com uma corda ao invés de uma corrente. Começou a forçar os pulsos, suportando a dor, para se livrar do nó.

— Katsuo, afaste-se dele agora!

Sem ligar para a ameaça da moça, Katsuo volta a olhar , que também o encarava com raiva. Devagar, Katsuo empurra a adaga na ferida aberta que tinha na barriga. O rapaz urra de dor.

— AHH! MAS QUE DROGA, ! — dá um soco nas costas de Katsuo após conseguir se soltar. Antes de Katsuo se virar já com a adaga apontada para , Ichiro a joga no chão, aos pés de .
! — e gritaram ao mesmo tempo. Ichiro e começaram uma briga. O garoto tentou sufocar a irmã com as duas mãos.
— Sai... de... cima de... mim, garoto! — diz entre engasgos pelo aperto que Ichiro fazia em sua garganta. — Sai de cima!
— Para de se mexer! Vai se machucar dessa forma! — ele diz em tom desesperado, folgando um pouco o aperto na garganta de .
— E desde quando você se importa, moleque? — ela diz com raiva. Ichiro vacila os braços por um instante, o suficiente para socar-lhe a cara e empurrar o garoto.
— Que fraco, Ichiro! — reclamou Katsuo e preparou-se para golpear , que já vinha em sua direção.
— Não! , cuidado! — gritou desesperado.
— Ahh! — Katsuo grita de dor e põe a mão na nuca.

Quando se vira, vê a figura de Kirito atrás dele com uma barra de ferro em mãos. O rapaz estava ensanguentado e ofegante.

— Kirito! — disse aliviada ao ver o amigo.
— Sra. , cuidado! — alerta Kirito. vira-se e vê Ichiro vindo em sua direção com uma adaga empunhada.
— Não, Ichiro!

fechou os olhos e esperou pelo golpe. Protegeu-se com as mãos no rosto.

Capítulo 19 – O fim de Ichiro Ito

— Ichiro! — diz espantada. — Por quê?

A voz de era quase um sussurro. Seu irmão havia acabado de desferir um golpe de adaga, mas ela não sentia dor. Por quê? Olhou para trás e viu Ichiro na frente de Katsuo, a adaga do garoto encravada no estômago do mais velho. Lentamente, Ichiro puxou a adaga e a tirou do corpo de Katsuo.

— Ichiro!
— Não fala nada. Toma... — Ichiro estendeu um molho de chaves. Entre elas, havia a chave de uma caminhonete. — Está no galpão ao lado. Vão logo, antes que seja tarde. — completou ele, ainda com o braço estendido.
— Obrigada, Ichiro. Jamais me esquecerei disso. — disse , lágrimas tomando conta de si. Pegou as chaves e guardou no bolso da jaqueta que usava.

Kirito, Ichiro e ajudaram a soltar todos. ainda estava desmaiado e havia perdido muito sangue, a palidez era visível em seu rosto. Kirito o levou carregado. apoiou os braços de e um de cada lado do corpo, e assim eles caminharam para o galpão indicado por Ichiro. Quando estavam entrando na caminhonete, ouviram um tiro. olhou na direção do barulho e ameaçou ir ver o que era.

, não! — disse , ainda apoiado no ombro da esposa. — Vamos sair daqui, mas voltaremos para achar ele, OK? Nós vamos resgatar ele! — ele disse, referindo-se a Ichiro. sabia, assim como o garoto também sabia, que ao ajudar e os outros, Ichiro seria perseguido pela Máfia do Porto.
— Promete?
— É claro, ele é seu irmão e é apenas uma criança inocente. — completou com um sorriso recheado de dor e solidariedade.

Eles entraram na caminhonete e Kirito dirigiu o mais rápido que pôde, foram de volta para Tóquio. Yokohama não era segura para nenhum deles naquele momento.

[...]

Kirito e os outros entraram às pressas no melhor hospital de Tóquio. ainda estava desmaiado e parecia mais pálido que antes. Seu corpo estava frio e seu pulso batia fraco, de imediato o levaram para sala de cirurgia. e também foram levados para a sala de cirurgia, porém conscientes. chorava, o medo de perder o cunhado era predominante na moça. Kirito foi cuidado pelos médicos da emergência, precisou ser internado para retirada de uma bala alojada em seu braço. O rapaz ligou para a irmã, Saori, para que fizesse companhia para , a moça não estava em condições de ficar sozinha.
Chegando lá, Saori encontrou a amiga desolada, chorando muito e com os pulsos roxos por causa das cordas que a prendiam horas atrás. Inevitável foi esconder da amiga o que estava acontecendo. Foram para um local reservado onde contou tudo sobre a Seven, que a família liderava. Contou também da participação de na Seven e sobre seu estado de saúde. Saori chorou ao saber que seu querido correu tanto perigo e que agora estava sendo submetido a uma cirurgia. Sentiu raiva de seu irmão por não lhe contar nada e também ficou preocupada com a profissão perigosa de Kirito.
Uniu as mãos e clamou pela recuperação de todos.

[...]

As horas pareciam se arrastar. Àquela altura, já havia ligado para e contou-lhe sobre e como o rapaz estava, correndo risco de morte. Muito nervosa e na companhia de sua mãe, chegou ao hospital e foi logo abordando a amiga.

— Onde ele está? Preciso vê-lo! — aflita, disse e puxou pelo braço, forçando a moça a se levantar.
, calma. Ele está em cirurgia ainda. perdeu muito sangue e precisou de uma transfusão. Eu doei meu sangue para ele, temos o mesmo tipo. — explicou , o que não fez a angústia da amiga passar.
, eu preciso ver o meu ! Ai... — curvou-se de dor. Sentiu algumas pontadas na barriga.
— Filha! — exclamou sua mãe, apoiando o braço da filha nos ombros, viu que a amiga estava perdendo água e sangue que lhe escorria pelas pernas.
— Um médico, por favor! Minha amiga está dando à luz! — disse , emocionada. O pequeno Akira estava vindo ao mundo antes do fim normal da gestação, parece que sabia que seu pai precisava dele do lado de fora.

estava com mais uma angústia: o parto de Akira, seu outro afilhado. Enquanto esperava por notícias de qualquer um, o médico que atendeu e apareceu e a chamou para entrar. Saori foi com ela. O médico disse que a cirurgia dos dois foi um tremendo sucesso e que logo receberiam alta médica.
Saori parou na porta do quarto de e seguiu até o quarto ao lado, onde estava. Saori tomou coragem e entrou no quarto.

— Saori! — exclamou ao ver a moça entrar timidamente pela porta, a fechando em seguida. — Me desculpe, eu...
— Não precisa falar nada, . — ela disse, o interrompendo. — me contou por alto sobre... Bem, sobre tudo que resultou na situação atual. — ela sorriu e se aproximou da cama do rapaz. estava com o abdômen exposto, enfaixado, e tinha muitos cortes no peito e braços. Inevitavelmente, a garganta da moça se fechou. — Não me assusta mais assim, .
— Prometo que ficarei vivo. — falou com a voz rouca. — Você quer...
— Quer namorar comigo? — perguntou ela, surpreendendo o rapaz que sorriu. Era justamente isso que ele ia perguntar.
— Quero! — respondeu com um sorriso no rosto. Mexeu-se para abraçar a moça, mas logo recuou, sentindo um pouco de dor.
— Não se esforce, . — ela disse de maneira carinhosa.

Eles se beijaram e a moça repousou a cabeça de leve ao lado dele, afagando os cabelos do rapaz. fechou os olhos e aproveitou o momento ao lado de sua querida Saori.
No quarto ao lado, atualizava sobre o estado de saúde do irmão. A apreensão e preocupação eram visíveis no olhar do rapaz.

— Ele ainda está em cirurgia. Pedi para uma enfermeira, que eu fiz amizade, para me contar quando acabasse o procedimento. — disse sentada na cama onde o marido estava.

também exibia seu abdômen enfaixado e tinha o braço enrolado em ataduras que continham uma mancha de sangue.

— Está na hora de trocar esse curativo, amor. — falou ela, reparando no ferimento. Ele olha rapidamente para o braço.
— Vou pedir para enfermeira quando ela voltar. Ela está sendo bem gentil. — falou ele despretensiosamente. arqueou a sobrancelha e o encarou. notou o ciúmes dela e brincou: — Ciúmes, ?
— Não abuse da minha paciência, . — rebateu ela. riu. — Sua sorte é que eu te amo. — ela disse, ficando séria de repente. — Eu quase morri de medo de te perder...
— Já disse que você não vai perder ninguém importante. Ninguém! — falou ele e apertou com firmeza a mão da esposa.
— Ah, o ... — disse suspirando e começou a chorar.
— Meu irmão é mais forte que eu, amor. Ele vai ficar bem. Logo ele estará acordado para ver nosso afilhado.

sorriu referindo-se a Akira que, àquela altura, já havia nascido e dado seu primeiro chorinho nos braços da mãe.

Capítulo 20 – Um novo começo

Quase uma hora se passou, quando a enfermeira que fez amizade entra no quarto de e avisa a eles que a cirurgia de havia terminado. Ambos agradecem e suspiram aliviados. A enfermeira avisa ainda que está em coma induzido até se recuperar. Ele ainda não consegue respirar por conta própria. Essa última notícia apertou os corações de e .
Minutos após a saída da enfermeira, outra enfermeira entra no quarto para trocar o curativo do braço de . lançou olhares significativos para a moça que pareceu não notar. sorria malicioso enquanto encarava a esposa. com ciúmes? Essa era uma grande novidade para ele. Tirando aquele dia na boate, há oito anos, quando eles encontraram Ayumi bêbada, em mais nenhuma ocasião demonstrou ter ciúmes de . Ela escondia isso muito bem. Menos agora, é claro.

— Ah, a senhora é a sra. ? — questionou a enfermeira antes de sair do quarto.
— Sim. — respondeu com a sobrancelha arqueada. prendia o riso observando a cena. Parecia que voaria no pescoço da moça a qualquer momento.
— Isso é para a senhora. O doutor pediu que lhe entregasse. Com licença. — a moça entregou para um envelope. A enfermeira deixou o quarto e abriu o envelope, voltando a se sentar na cama em que estava. Os olhos da moça passaram rapidamente pelas palavras ali escritas e se arregalaram ao final da leitura.
? Está tudo bem? — indagou ao ver a cara que a mulher fazia. levantou-se da cama e pôs a mão livre na boca, tampando-a. — Amor, o que houve? Estou ficando assustado... O que tem nesse papel? — ele voltou a questionar, muito angustiado.
, eu... Eu estou grávida! — revela ela. Agora, a expressão de era a mesma que ela fazia.
, eu tô passando mal... — ele fala e começa a ofegar, colocando a mão no tórax. Ele puxa o ar com força e se desespera.
! — volta a se sentar na cama ao lado dele e tenta acalmá-lo. — Quer que chame a enfermeira? Amor, fala comigo!
— Não! Não precisa, eu... , você está grávida? Meu Deus!! Você passou por toda essa confusão com a Máfia do Porto estando GRÁVIDA! Que... Meu Deus! — fala ele desesperado.
— Calma, amor, está tudo bem agora. — ela diz, tentando acalmar o rapaz, que começa a chorar. — Amor, calma. Não chora.
— Ah, ... — ele encosta a cabeça no ombro dela, ignorando a dor que sentiu ao se movimentar demais. afagou os cabelos dele e não segurou o sorriso. Mais um filho. Seja como for, era uma benção na vida deles.

[...]

Alguns dias se passaram.
Dez dias.
Finalmente, acordou de seu coma induzido. O rapaz sentiu seu corpo pesado, parecia até que um caminhão havia passado por cima dele. A forte luz do quarto onde estava incomodava seus olhos. Aos poucos, lembrou-se do ocorrido no galpão do porto de Yokohama. De imediato, olhou de esguelha para lateral do corpo onde se lembrava que levara muitos golpes. Sentiu uma leve dor no local e pigarreou, sentindo a garganta seca. A enfermeira que estava no quarto, mexendo em seu prontuário, o olhou rapidamente.

— Sr. , que bom que acordou. — ela disse com a voz gentil e sorriu para o rapaz. — Vou chamar o médico para vê-lo. — antes de a moça sair, tossiu de novo e ela se virou para ele.
— Pode me trazer um copo d'água? Por favor... — pediu ele com a voz extremamente rouca e sentiu uma dor na garganta.
— É claro, eu já volto. Por favor, não se esforce. — alertou ela e saiu.

olhou ao redor e viu que havia roupas limpas em cima da poltrona. Ficou imaginando o motivo e se perguntando onde estava seu terno que usava ontem. Ontem? Ou teria sido hoje mais cedo? Sua cabeça voltou a doer, fazendo ele parar de pensar nisso.

!! Graças a Deus você acordou!! — invadiu o quarto e parou ao lado da cama do cunhado. O rapaz a fitou confuso.
... está tudo bem com você? — um flash de memória o fez lembrar de algo importante — ?! Onde ele está? E o ? Kishō? Ai, minha cabeça! — reclamou ele após disparar a falar.
— Calma, , estão todos bem. — ela o acalmou e segurou a mão dele. — Estávamos preocupados com você. Como se sente?
— Muito cansado. — ele sorriu fraco e outro estalo abalou o rapaz. — ? , onde está a ? Não conta que estou aqui, por favor. Ela pode passar mal, não faria bem ao nosso filho. — disse ele preocupado e alheio à realidade. o olhou com pena e sorriu.
... meu amigo... — tinha um sorriso acolhedor nos lábios. Tentou dizer aquilo de uma forma suave. — A ...
— Então vejo que o sr. já está com visitas. — disse o médico ao entrar no quarto, interrompendo a fala de . A moça solta a mão de e sorri para o médico.
— Não resisti em vê-lo, doutor. — explicou ela. O médico sorriu.
— Tudo bem, sra. . — falou o homem e virou-se para . — E então, , como se sente? — questionou enquanto examinava os sinais vitais de .
— Muito cansado, doutor. — repetiu ele com um sorriso fraco nos lábios. O médico terminou de examinar o rapaz e deu o veredito:
— Creio que mais dois ou três dias e você já pode ir para casa, . — disse ele sorrindo. deu um suspiro de alívio.
! — entrou no quarto e sorriu largamente ao ver o irmão mais velho acordado. — Nunca mais faça isso comigo! — reclamou .
— Desculpe se quase morri. — ele sorriu fraco e virou para , sobre a ...
— Então, ...
— Não contou para ele? — interrompeu .
— Ainda não. — disse e se sentiu como uma criança em meio aos adultos, onde todos em volta falam através de códigos para que a criança não entenda.
— Contar o quê? — perguntou ele, a angústia crescendo dentro de si.
— A deu à luz ao Akira, . — revela , finalmente.
— O quê?! — fala ele, espantado. Lágrimas se formam em seu olhar e ele não consegue segurá-las. — Meu filho nasceu! Onde a está? E o Akira? Ahh, meu Deus! — emocionado demais para pensar, tenta se levantar, mas é impedido pelo médico que estava ao seu lado.
— Calma, rapaz. Ainda não pode levantar. — alertou ele. — Não contaram mais nada para ele? — indagou o médico olhando para e . Ambos negaram com a cabeça.
— O que, doutor? — questionou .
, você sofreu ferimentos muito graves. Teve que passar por duas cirurgias e perdeu muito sangue. A sra. , — ele aponta para — fez uma doação para repor o sangue que você perdeu. Foi uma das coisas que salvaram sua vida. Depois da cirurgia correr bem, tivemos que deixá-lo em coma induzido por um tempo até você se recuperar. Você acordou hoje, dez dias depois da cirurgia. — após a explicação do médico, as lágrimas de caíram mais e mais.
— Dez dias? — perguntou ele, sem acreditar. O médico afirmou com a cabeça.

estava atônito. Não sabia o que falar ou pensar. Dez dias em coma! Era demais para ele. Não conteve as lágrimas de frustração por ter perdido o parto de seu filho Akira e os dez primeiros dias de sua vida. Por outro lado, ele estava tão agradecido por estar vivo e por ter salvado sua vida. Não saberia como agradecer. Aos poucos, durante o decorrer do dia, e foram atualizando . Contaram sobre a gravidez de e sobre o namoro de e Saori. Horas depois, chegou ao hospital com o pequeno Akira nos braços. Ao ver aquele pequeno ser, que já nasceu com bastante cabelo, escuros iguais aos do pai, chorou novamente, desta vez de alegria. Poder segurar seu filho no colo foi algo incrível. Ele estava extremamente agradecido pela segunda chance que teve para viver e não a desperdiçaria. Ele tinha mais um motivo para viver e era o motivo mais fofo.

[...]

Dias se passaram novamente e já estava em casa, se recuperando. Foi um imenso alívio para ter seu marido são e salvo em casa. Não só para ela como para toda a família , que estava crescendo mais. mimava a cada dia e não deixava a moça fazer nada. lembrou-se de quando estava grávida da Sayuri. A garotinha adorou a ideia de ter um irmãozinho e já fez planos das brincadeiras que brincaria com ele.
Desde que saíram de Yokohama, nenhum deles voltou à cidade. pensava toda noite no tiro que ouviu antes de partirem. Sonhou com isso e o escutava às vezes. Isso andava atormentando a moça, que preferiu não comentar com , apesar de ele já ter percebido. Era nítido demais. Em seu interior, sabia que não deveria se preocupar, afinal, Ichiro tinha o sangue dos Mori e ele era valente, lutava muito bem e sabia se defender. Foi nessa linha de raciocínio que se apegou para não pensar em nenhuma besteira. Mas a preocupação com o mais novo era inevitável, às vezes. Conforme sua gravidez ia avançando, o instinto de "mãe protetora" e "irmã protetora" crescia dentro dela. Cogitou mandar Kirito até Yokohama para saber sobre Ichiro, mas logo a lembrou que a Máfia comandava a cidade e que se realmente estivessem atrás de Ichiro, logo reconheceriam Kirito, pois sabiam de sua ligação com a Seven, e poderiam até matar o segurança.
Além de estar preocupada com o irmão, tinha outra preocupação: o grupo Mori. Afinal, com a morte de seu pai e o afastamento de sua mãe que continuava morando na Europa, a herdeira do grupo Mori teria a obrigação de assumir os negócios. Ela estava preparada para isso, foi treinada a vida inteira para este dia, não era uma novidade. Sabe bem, após entrar para a família , mais do que nunca, que os negócios não podem parar. Por nada. Nunca.
E eles jamais irão parar.

Capítulo 21 – Festividades

A imensa mansão dos estava, mais uma vez, cheia de pessoas andando de um lado a outro, deixando tudo arrumado para mais um casamento. Dessa vez, não seria de nenhum membro direto da família , mas sim de e Saori Kirigaya, a futura senhora . Meses atrás, Saori pediu o em casamento e o rapaz aceitou. Desde então, eles estão focados na festa. e eram os padrinhos de casamento deles e fizeram questão de ceder a mansão para a festividade. Àquela altura do dia, os convidados já estavam chegando.
e chegaram com seus filhos, miniaturas perfeitas do pai, Hayato, hoje com quase 9 anos, e Akira que havia completado 1 ano e 5 meses, já estava um rapazinho que corria pelo jardim, o que deixava de cabelos arrepiados, pois ele sempre corria na direção da piscina.
recepcionava os convidados junto com um extremamente nervoso, enquanto ajudava Saori a se arrumar. O pequeno Fuyuki, agora com cinco meses, dormia em cima da cama. estava mais nervoso do que imaginava que ficaria. Por todos esses anos, ele não pensou em se casar. Depois de ver seu melhor amigo, , e até mesmo o se casarem, ele começou a cogitar tal possibilidade. Todas as mulheres com quem saiu foram pretendidas ao cargo de sra. , porém somente Saori arrebatou o coração do ainda jovem .

[...]

Saori caminhava a passos firmes até o altar montado nos jardins da mansão do casal . Seu pai a acompanhava e segurava firmemente a mão da moça. Saori também estava nervosa. Sabia que não estava apenas casando-se com um lindo rapaz; sabia que a responsabilidade de casar-se com , sênior do grupo de indústrias , membro da Seven, era enorme. Ela sentia-se pronta para isso. Pronta para encarar seus medos e ser feliz ao lado do homem que conquistou seu coração com sua doçura escondida por detrás da máscara de galã desinteressado que ele exibia por aí.

— Cuida bem dele, tá? — disse à amiga, após a cerimônia. e Saori finalmente estavam casados.
— Eu também sou sua amiga, OK? — disse Saori, fingindo se ofender.
— O é muito importante para mim. Não seja dramática! Até nisso são iguais? — todos riram do comentário de enquanto as amigas se abraçavam.
— Boa viagem, cara. — cumprimentou ao sair do abraço do .
— Vejo vocês em três meses.
— A lua de mel mais longa da história! — brincou .
— Preciso resolver um problema no Brasil antes de curtirmos nossa lua de mel. — Saori olha de esguelha para o marido.

havia explicado que tinha um negócio a resolver no Brasil antes de eles viajarem para Londres para a lua de mel. Qual negócio era? Ele não disse. Após a festa de casamento, os noivos foram para o aeroporto, enquanto os demais ainda curtiam a festa, que rolou até altas horas.
A princípio, ninguém se importou muito com esse negócio que foi resolver no Brasil, mas, em breve, todos saberiam, pois era algo que afetaria a vida de todos. Em principal, dos irmãos Mori.

Capítulo 22 – O bom filho à casa torna

Meses se passaram...

O aniversário de 1 ano do Fuyuki já seria naquela semana e já estava com tudo pronto para a festa. Havendo outra festa na mansão , ela estava novamente repleta de empregados de empresas de decoração e buffet de festa infantil, que davam vida ao local e fechavam detalhes da festa.
No dia da festa, Sayuri ficou cuidando do irmãozinho, enquanto seus pais acertavam detalhes da festa. , e seus filhos já tinham chegado, assim como Kirito, que ficou responsável pela segurança da mansão, agora que virou chefe do setor, mas dessa vez ele estava na festa também como convidado dos amigos.

— Papai, olha o Fuyu correndo! — disse Sayuri enquanto corria atrás do irmão. Fuyu é o apelido carinhoso do garotinho.
— Cuidado vocês dois! — gritou e riu em seguida. — Eles se parecem com nós dois, irmão. — comentou ele com , que estava ao seu lado, e deu um gole em sua bebida.
— Muito! A Sayu — apelido da Sayuri — é claramente você: provoca e corre. — comentou .
— Não fale assim da minha filha, . Ora essa! — disse ofendido.
— O que houve? — questionou , aproximando-se deles junto com os outros. explicou. — ! Como ousa falar isso da minha filhinha?! — bateu no braço do amigo.
— Amor, que maldade. — comentou .
— É verdade, observem bem eles brincando e vejam quem provoca primeiro. — defendeu-se . — É a cópia do .
— Nós sabemos que Sayu puxou a personalidade maluca do , não precisa explanar, ! — disse . abriu a boca num "o" perfeito.
! — ele riu incrédulo.
— Te amo, meu amor! — piscou para ele e sorriu. balançou a cabeça em negação ajeitando os cabelos e riu, dando um abraço na esposa.

Algumas horas se passaram e a festa se findou, apenas os amigos próximos ao casal se mantiveram na casa, conversando na sala. As crianças mais novas dormiam, enquanto as mais velhas brincavam no quarto de Sayuri. Já era tarde, todos resolveram dormir na mansão.
De madrugada, levantou, deixou seu querido marido dormindo e foi até seu escritório. A moça estava preocupada com alguns problemas que surgiram no grupo Mori. Por exemplo: queda de algumas ações das maiores empresas, as mais lucrativas, do grupo Mori no mercado internacional. Por algum motivo, ainda não encontrado pelos especialistas que auxiliam , as ações caíram e não voltaram ao seu normal por meses.
Enquanto estava sentada em sua confortável cadeira em seu escritório, ouvi uma movimentação estranha vinda do lado de fora da casa. Levantou, curiosa, e foi até o lado de fora. Caminhando até onde o som indicava, ela chegou até uma portinha, aos fundos, após o quartinho de ferramentas onde apareceu da última vez. Deixaram a porta aberta, ela adentrou e desceu pelo compartimento no chão, que também estava aberto. Após descer, se depara com uma confusão.

— O que está havendo aqui? — questiona ela. Os homens que estavam ali se viram assustados com a presença dela. — O que estão fazendo?
— Sra. ! — disse um deles e se curvou em desculpas, todos fizeram o mesmo. — Nos perdoe, senhora. Encontramos um suspeito nos arredores da propriedade. — explicou.
— Quem? — perguntou , ela estava com sua arma na cintura, por debaixo do roupão que usava por cima do pijama de renda azul.
— Este, senhora. — o rapaz apontou para um jovem que estava no chão, acuado, seu rosto ferido pelos socos que levou. Olhando rapidamente dava para ver que ele estava bastante machucado e eram hematomas antigos. Ao ver o rapaz, arregalou os olhos e sentiu seu corpo tremer. — Ele estava rondando a casa, senhora. Resolvemos trazer ele para averiguar.
— So-Soltem ele. — falou ela quase sem ar.
— Senhora, ainda não sabemos se...
— Eu disse para soltar ele! Está surdo? — o outro engoliu em seco e assentiu, mandou soltarem o rapaz que estava com as mãos atadas. aproximou-se dele e agachou, seus olhos já cheios de lágrimas. — Ichi-Ichiro! — disse ela, muito emocionada ao ver o irmão depois de todo esse tempo.
— Oi, onee-chan*. — falou Ichiro, envergonhado e dolorido pelos socos que levou. Ele gemeu de leve. sorriu ao ouvir o rapaz a chamar assim.
— Que bom que está vivo! — não se contendo mais, abraçou o irmão com força, sem machucá-lo. Os seguranças não entendiam o que estava acontecendo. Por serem novatos, recém-contratados para a equipe de Kirito, eles não sabiam do passado dos atuais patrões.
— Me desculpe por...
— Depois falamos disso, venha, vamos para dentro. Deixe sua onee-chan cuidar de você, está bem? — ela disse carinhosa. Ichiro corou e assentiu. Ele estava aliviado que sua irmã não estava irritada com ele. Agora, pela primeira vez, ele sentiu que havia de fato uma razão para viver**: sua irmã.

Antes de seguir para dentro da mansão com Ichiro, ordenou que os seguranças checassem se ele não havia sido seguido. A segurança de todos, não só do irmão, estava ameaçada caso alguém da Máfia o tivesse seguido. e Ichiro tinham muito o que conversar. A noite seria longa.

Nota: *onee-chan — variação de "onee-san", termo usado para se referir, especificamente, à irmã mais velha, nesse caso, de maneira carinhosa.

**Referência ao spin-off “MV — Reason Living”, do Especial de MVs, que conta a história de como Ichiro foi capturado e torturado pela Máfia e escapa. A cena que vem depois desse MV é justamente a chegada dele à mansão.

Capítulo 23 – Em segurança

Mesmo cansada por conta da festa de Fuyuki, ajudou a acomodar o irmão no quarto de hóspedes. Cuidou dos ferimentos que ele tinha pelo corpo, causados não só por seus seguranças, mas também por um grupo da Máfia que o encontrou na semana passada em uma emboscada da qual ele conseguiu escapar. se sentiu imensamente culpada pelo irmão ter sido criado inserido nessa vida criminosa. Porém não tinha como ela prever a canalhice que o falecido pai fez com a mãe de Ichiro. Depois de receber os cuidados de sua onee-chan e de conversarem um pouco, Ichiro adormeceu. Ver o irmão dormindo, em segurança, acalmava o coração da moça, que observou em silêncio o sono do irmão. Distraída, nem notou que entrou no quarto e a abraçou por trás.

— Os seguranças me contaram o que houve. — disse ele ao abraçá-la. — Como ele está?
— Exausto. — disse ela com um ar cansado.
— Você também, amor. — comentou dando um beijo no rosto dela e completou: — Ele ainda é procurado pela Máfia, com certeza. — ele disse, de repente.
— Sim, ele me contou. Estou com medo, . E se... Ele acabou de voltar para mim, eu...
— Calma, amor, nós vamos proteger ele. Por você e por ele. OK? — falou ele, convicto e sorriu.
— Obrigada, amor. Significa muito.
— Mexeu com um, mexeu com todos. Ele é seu irmão, herdeiro do grupo Mori por direito, faz parte da Seven agora. — lembrou ele e deu um beijo no rosto dela.

havia se esquecido momentaneamente desse fato: Ichiro é o segundo herdeiro do grupo Mori, tem direito às ações da empresa, segundo o testamento do pai de ambos. Nada comparado à porcentagem que possui, mas é considerável a participação dele nos negócios. Ela precisava preparar o irmão para assumir os negócios da família no futuro, mas, antes, ela precisava mantê-lo vivo.

[...]

— Vem, tio Ichiro, vamos na piscina! — disse Sayuri ao puxar o garoto pelo braço em direção à piscina.
— Tenham cuidado! — gritou e sorriu ao ver a cena.

Ichiro havia conquistado o carisma dos sobrinhos em poucas horas de convivência. Aquele estava sendo um sábado de Sol forte e calor intenso em Tóquio. observava seu irmão e seus filhos brincando na piscina, Sayuri nadando e Fuyuki no colo do tio.

— Eles se adaptaram rápido ao Ichiro. — comentou ao se sentar na esteira ao lado da esposa.
— Sim. Estou aliviada por isso. — disse ela, sorrindo. — Ah, amor, esqueci de te falar algo importante. — lembrou-se ela.
— O que, minha preciosidade? — corou com o apelido.
— Kirito me relatou uma atividade suspeita nos arredores da mansão. Aliás, é por isso que ele não está aqui hoje, disse que faria uma busca minuciosa na região.
— Quando ele relatou isso?
— Anteontem. — respondeu . ficou pensativo. Só um nome lhe veio à mente e ele sabia que dessa vez era algo realmente sério. — O que houve, amor? Está preocupado?
— Pensei em alguém que poderia rondar nossa propriedade e não gosto da ideia. — respondeu ele e deu um longo suspiro.
— Quem? — questionou curiosa.
— O desprezível do Ren.

Ren Kobayashi, inimigo declarado de e o membro mais habilidoso e sádico da Máfia do Porto de Yokohama. Por inúmeras vezes, Ren ameaçou se vingar de por brigas passadas, mas não cumpriu nenhuma ameaça. Desta vez, parecia que ele faria algo. Nos últimos dias, recebeu várias mensagens de Ren contendo ameaças de sequestro dos filhos de ou até mesmo de . A espinha do rapaz tremia ódio só de imaginar seus filhos ou esposa nas mãos de Ren. não contou para sobre as atuais ameaças que recebeu, preferiu assim, ela já tinha muitas preocupações com o grupo Mori e , que administrava junto com , às vezes. Não quis preocupar ainda mais sua esposa querida.

[...]

estava trabalhando no escritório. Cansada, ela fechou os olhos por um momento e recostou a cabeça na cadeira. Respirando fundo, ela pensou no que havia dito mais cedo: a possibilidade de Ren estar perto da mansão, perto de seus filhos, a deixava perturbada. Certamente, Ren sabia da presença de Ichiro na mansão e foi buscá-lo. A Máfia não costumava deixar passar os traidores sem uma punição adequada à sua traição. sabia que mais cedo ou mais tarde a Máfia iria atrás de seu irmão, mas ela estava preparada para defender o mais novo, custe o que custar.
Ela ouviu a porta destrancar, ser aberta e fechada novamente. Ouviu passos firmes e nem se deu ao trabalho de ver quem era, sabia que, àquela hora, só poderia ser seu amado . Leigo engano. sentiu um par de braços envolver sua cintura e o peso do corpo de alguém ser largado aos poucos em cima dela. Abriu os olhos assustada. Aquele, definitivamente, não era o abraço de seu marido.

— O que pensa que está fazendo, rapaz?! — bradou ela assustada, empurrando o jovem rapaz que ali estava. O rapaz passou as mãos nos cabelos e sorriu. — Responda!
— Vim ver você, .
— Como ousa me chamar assim?! Não lhe dou nem nunca lhe dei tal intimidade, Kunikida!

estava furiosa, levantou-se e encarou o rapaz, um pouco afastada dele. Kunikida era um dos seguranças novos contratados por Kirito. Há semanas que Kunikida se declarou para e, desde então, vem mandando recados românticos para ela. O rapaz só mantém a compostura quando está na presença de e, mesmo assim, é bem pouco comparado às outras ocasiões.

, por favor, me aceite como seu amante. Eu te amo, quero muito beijar você. — ele aproximou-se da moça, que logo recuou. abriu a gaveta da mesa e sacou uma arma, apontando-a para Kunikida.
— Saia daqui! — disse ela de maneira firme.
— Você deveria se valorizar mais. O sr. nem se importa com o seu bem-estar e...
— Escuta aqui, garoto! Não ouse falar daquilo que não conhece. Você não sabe da minha história com o e muito menos me conhece o suficiente para falar coisas assim. Ponha-se em seu lugar ou serei obrigada a te demitir ou atirar em você, caso insista em tentar pôr suas mãos em mim.
— Perdoe-me, , mas é que eu...
Sra. ! — enfatizou ela — E saia daqui agora!
— Sra. !? Kunikida! — a voz de Kirito foi um alívio para . Ele entrou e puxou o rapaz pelo pescoço. — O que faz aqui, Kunikida?
— Tire este ser daqui agora mesmo, Kirito! Antes que eu faça alguma besteira. — bradou , entredentes. Ela tremia de raiva.
— Sim, senhora. Com licença.

Kirito levou o jovem segurança para fora. Nervosa, voltou a guardar a arma na gaveta e respirou fundo para se acalmar. Após fazer isso, ela foi para seu quarto, estava no banho. deitou-se na cama e fechou os olhos pensando na audácia do jovem Kunikida em fazer aquilo com ela. nunca deu nenhum indício de que correspondia aos galanteios do rapaz, não entendia que tipo de loucura passava na mente dele em achar que ela o aceitaria como amante. Que ela trairia seu marido.
já havia saído do banho e agora era quem se refrescava debaixo do chuveiro. enxugou seus cabelos que agora estavam grandes e vestiu uma roupa, já preparado para dormir.

— Amor, seu celular está tocando. — disse ele para . A moça pareceu não ouvir e nada respondeu. — Vou atender, pode ser importante. — disse ele e pegou o aparelho, atendendo a ligação. Antes de dizer "alô", ouviu a voz de um homem do outro lado. Ele parecia desesperado.
, por favor, eu te amo! Fica comigo! Me aceita, por favor! Eu quero poder abraçar seu lindo corpo novamente, . Eu amo você, deixa aquele idiota do para lá, ele não te merece! ? , por favor, fala comigo! estava trêmulo, mas conseguiu desligar a ligação. Quando viu que o mesmo número ligava novamente, ele desligou o aparelho totalmente.

Nervoso, confuso, aborrecido e ainda trêmulo, ficou ali sentado na cama, encarando o chão do quarto. Sua respiração era ofegante, pesada e transmitia sua irritação. Quando a porta do banheiro se abriu, encarou a esposa parada em frente ao portal. Ela o fitava com um sorriso contido no rosto, que logo morreu ao ver a expressão que tinha na face.

Capítulo 24 – A separação

aproximou-se de , ele estava vermelho e ofegante.

— Amor? Aconteceu algo? — ela tocou no ombro dele, mas ele esquivou-se e se levantou da cama.
— Quem é ele, ?
— Ele quem? — questionou ela, confusa.
— Esse idiota que te ligou e te tratou com tanta intimidade, ! Quem é? Você aceitou a proposta dele de ser seu amante? Hein?

O ciúmes cegou de um jeito que ele mal pensava nas palavras que saíam de sua boca. Elas apenas saíam. Logo notou que pegou alguma ligação de Kunikida e amaldiçoou o jovem segurança mentalmente.

, ele vem me...
— AAAAHH, EU NÃO QUERO OUVIR! — levantou-se e foi para cima dela, jogando-a na cama.
— Sai de cima de mim, . — pela primeira vez, em tanto tempo, sentiu medo da reação dele. Os olhos saltados de estavam alucinantes, enquanto os de estavam saltados de medo. — Está me machucando, .
— Por que fez isso?! Por que me traiu dessa forma, ?!

Ele nem sequer ouvia as súplicas da esposa, apenas bradava e sacudia os ombros dela com força. estava apenas de roupão, logo o mesmo teve o nó desfeito com as sacudidas que ela recebeu e seu corpo nu foi exposto.

— Vocês transaram?! Hein? Me diz se vocês transaram?!
— Sai de cima de mim, ! Sai!!! — gritou ela, de olhos fechados enquanto se debatia na tentativa de sair dali.
— Sai de cima da minha irmã!! — Ichiro invadiu o quarto, após ouvir os berros vindos dele. Puxou o cunhado pelos ombros e o tirou de cima de sua irmã. cobriu-se e se afastou da cama. — O que aconteceu!?
— Não se meta, Ichiro! — gritou .
— Eu vou me meter sim! Ninguém trata a minha onee dessa forma! — mesmo sendo um pouco mais baixo, mais novo e menos forte que , Ichiro o enfrentou, pondo-se em defesa da irmã.
— Sai daqui, ! — berrou .
— O que está havendo?! — Kirito também ouviu os gritos e foi ajudar.
— Você também não se meta, Kirigaya!
— Sr. , o que houve? — perguntou, confuso.
— Kirito, tira ele daqui, por favor!

disse com a voz embargada. Kirito conhecia a amiga, sabia que se ela pedisse algo desse nível, mandá-lo tirar da frente dela, era porque algo grave tinha acontecido. Não que já tivesse acontecido antes, mas ele simplesmente sabia que tinha feito algo que a desagradou muito.
Kirito, dessa vez, levou um totalmente contrariado para fora do quarto dele. No escritório, Kirito tentou entender o que havia acontecido. Nervoso demais para explicar, se esforçou para contar o que houve. Kirito não quis acreditar na petulância de Kunikida em falar daquela forma, preferiu não comentar com o patrão e amigo sobre o episódio de mais cedo. Kirito explicou o ocorrido com , não sobre o fato de Kunikida ter tentado agarrar , mas sim o fato de ele estar dando em cima da moça há semanas.

— Como é que é? — gritou , furioso.
— Perdoe-me por não contar nada, sr. . — defendeu-se Kirito.
te pediu segredo. Típico. — falou ele e o rapaz assentiu. — Então, eles não são amantes?
— Não, senhor. A sra. jamais deu nenhuma esperança ao Kunikida, mas ele insistiu em persegui-la. A sra. ama o senhor e nunca o traiu.

As palavras de Kirito foram o gatilho para irritação de virar desespero pela imensa confusão que ele arrumou pela cegueira do ciúme. Jamais se perdoaria pela forma como a tratou. Cego de ciúmes. Burro. Idiota. Desprezível. Imbecil. Tonto. Xingamentos diversos pairavam na mente dele, enquanto ele chorava. Kirito já havia voltado para seu quarto, o deixando sozinho no escritório.
No andar de cima, Ichiro consolava a irmã, que chorava de raiva e apreensão. Raiva pela forma como a tratou. E apreensão porque, no fundo, ela queria descer e tentar se explicar. Orgulhosa, não faria isso. Não daria o braço a torcer. está errado, então é ele que tem que se explicar e pedir desculpas para a esposa.

[...]

dormiu no escritório. Dolorido, ele acordou e tomou banho no banheiro que havia no cômodo. Quando subiu até seu quarto, já não estava lá. Ele soube, através dos empregados, que sua esposa já havia saído. Frustrado, se arrumou e foi para o escritório. Na hora do almoço, foi até o prédio do grupo Mori, que ficava há alguns quarteirões do dele.

— Boa tarde, sr. ! — disse a secretária, solícita e com um sorriso desproporcional no rosto que logo ignorou. A moça sempre lançava sorrisos assim para ele.
— Boa tarde. — respondeu ele, sem muita emoção. — Minha esposa está?
— Sim, a sra. está em seu escritório. Só um minuto que vou avisar que o senhor está aqui.

Antes de a moça puxar o telefone para avisar a chefe, ele entrou porta adentro. A secretária apenas observou a cena da porta se fechando.

— O que está fazendo aqui, ? — estava em companhia de Kirito e Ichiro. O garoto tinha ido lá para conhecer a empresa que iria comandar no futuro.
— Vim para conversar com você. Podemos almoçar juntos? — caminhou, com as mãos nos bolsos da calça e se aproximou da mesa de .
— Estou muito ocupada, . Nos falamos em casa.
— Você sabe que não está falando comigo nem em casa, . É só uma conversa, por favor.
— Escuta ele, onee-chan. — Ichiro manifestou-se e recebeu um olhar fuzilante da irmã.
— Não deve se meter nesses assuntos, Ichiro. — falou a moça, visivelmente incomodada com a intromissão do irmão. — Sai daqui, . Estamos em reunião.
, por favor...

Rápida, como de costume, sacou sua arma da cintura e apontou para o marido, engatilhando a arma, pronta para atirar. Ichiro e Kirito levantaram e tentaram acalmar a mulher.

— Sai, ! — gritou ela. ficou assustado com a reação da esposa. Ela realmente estava com raiva dele. — A gente se conhece a quanto tempo, ? — perguntou ela, de repente, ainda com a arma apontada para ele.
— Onze anos. — ele respondeu, engolindo em seco.
— Então você sabe que é melhor você sair daqui agora! Não sabe?!

pôs a arma em cima da mesa, sem deixar de encarar . O homem tremeu, resistiu, mas se retirou do escritório, voltando para sua empresa. Naquele momento, percebeu que realmente era melhor deixar ela respirar sozinha e tentar explicar, seja lá o que for, depois.
Em casa, agiu como se não existisse. Tinha outras preocupações: a segurança de Ichiro e os negócios no Grupo Mori eram as principais.

[...]

Já era tarde, por volta das 23h36, quando barulhos de tiros foram ouvidos. levantou num pulo do sofá do escritório e pegou sua arma, saindo em seguida para ver o que estava acontecendo. fez o mesmo e deu ordem a Ichiro para pegar Fuyuki e Sayuri e se esconderem na passagem secreta que havia no quarto do filho mais novo, ela dá direto num quarto blindado e seguro, lá havia uma TV que mostrava imagens das câmeras de segurança da propriedade. Ichiro só estava autorizado a sair de lá quando mandasse.
desceu as escadas e saiu para o quintal, lá encontrou seu marido rendido pelo maior inimigo dele. A cena que antecipou o sequestro de , anos atrás, voltou à sua mente. E o desespero que ela sentiu na época também.

Capítulo 25 – A invasão

O jardim estava cercado por muitos homens da Máfia, que são chamados de "Cães da Máfia"*. Ren apertava a chave de braço que dava em , que lutava para se manter respirando. Os homens da Máfia haviam rendido os seguranças de Kirito, estavam totalmente encurralados.

— O que faz aqui, Ren? — falou com certo pânico na voz ao ver o marido rendido. Por mais que estivesse com raiva dele, ainda o amava e prezava por sua segurança. — Solta ele. — ordenou, tentando manter-se calma e pensando numa forma de livrar da mira do homem.
— Ora essa, se não é a sra. ! Como vai, -chan? — brincou ele rindo da cara de repulsa que ela fazia. — Eu estava com saudades do pequeno , vim ver como ele está.
— Ele está ótimo. Agora saia da nossa propriedade e leve seus cães com você. — disse , referindo-se aos mais de quinze homens que rendiam os seguranças da mansão.
— Assim tão rápido, -chan? Ah, eu tenho muito o que conversar com você.
— O que quer com minha mulher? — manifestou-se , ainda com o pescoço preso no braço do Ren.
— Por enquanto, só conversar...
— Não se atrev... — ia ameaçar o homem, mas recebeu um aperto ainda maior no pescoço que o fez se calar para que não sufocasse.
— Solta ele, Kobayashi! O que você quer comigo?! Deixa ele em paz! — gritou , dando um passo à frente. Ela estava armada, sua arma estava em sua cintura, porém preferiu não usá-la. Ainda.
— Quero negociar com a mais astuta negociante do país. A mais astuta negociante da Seven. — respondeu Ren, ele sorria maliciosamente. Um tom de loucura podia ser identificado naquele sorriso e em sua fala.
— Sobre?
— Você é inteligente, -chan. Vamos lá, raciocine comigo: eu sou da Máfia do Porto, certo? E você tem algo que nos pertence. Eu quero negociar esse "algo". — Ren explicava como se estivesse desenhando para alguém muito desentendido. Essa atitude deixava furiosa.
— Não tenho nada que lhe pertença.
— Tem certeza? — percebendo que Ren falava de Ichiro, sentiu seu corpo amolecer. Rezou para que o irmão não tivesse saído do quarto blindado.
— Meu irmão não pertence a ninguém. Fique longe dele!
— Acho que você precisa de um incentivo básico. — Ren sacou sua adaga com a outra mão e encostou a ponta do objeto no pescoço de .
— NÃO! — berrou .
— Entregue seu irmão e tudo ficará bem para o pequeno . — sem saídas visíveis, não teve outra alternativa a não ser se render no lugar do irmão, mas não era isso que Ren queria. — Por mais que aprecie a sua incrível pessoa, -chan — toda essa frase veio carregada de malícia e o olhar fixo de Ren despia a moça —, receio que devo deixar o seu sequestro para outro dia. Eu quero o Ito! — ordenou Ren, berrando de repente.

Distraído, Ren não notou que afrouxou o aperto em , que conseguiu se livrar do inimigo.

— Ahh, !
— Saia daqui, Ren. Não vou deixar você pegar o Ichiro e nem ninguém! — gritou , pondo-se à frente da esposa.
— Não devia ter feito isso, ! Não devia me provocar dessa maneira! — Ren era completamente louco e sádico, provoca-lo realmente não era uma boa ideia.
— Saia da nossa propriedade, Ren!
— Depois não diga que não avisei, ! — com um olhar louco, Ren começou a coçar a própria nuca com a adaga, como se estivesse pensando. — Ah, lembrei de uma história maravilhosa do nosso passado, ... — o sorriso de Ren mudou de um sorriso alucinado para um totalmente divertido.
— Veja lá o que vai falar, Ren. — alertou , preocupado com o que Ren poderia revelar.

Ren sabia de boa parte dos segredos de , incluindo o pior deles, o segredo que mais causava vergonha e arrependimento no rapaz.

— Pela sua preocupação, vejo que não contou à sua esposa este detalhe de sua vida, . — Ren disse, divertindo-se. Ele então assumiu uma postura mais amena, controlada. Era normal Ren mudar de atitude de repente: da água para o vinho.
— Qual detalhe? — perguntou . Ren e se comunicam pelo olhar. lhe implorando para que não contasse e Ren debochando, prestes a contar tudo.
— Sabia que eu, , fui senpai** do seu marido... — ele faz uma breve pausa, com a testa enrugada de raiva e apreensão. Ren com a expressão mais divertida possível — ...NA MÁFIA!


Notas: *Referência ao anime Bungou Stray Dogs, que traduzindo seria "Cães Sem Dono", foi uma grande inspiração para o nascimento de Business.
**Senpai é o termo usado para se referir a um veterano, em qualquer situação.

Capítulo 26 – O rei da Máfia

A tensão no ambiente era tão forte e densa que pressionava a todos, que estavam imóveis, as respirações abafadas e pesadas.

— Como é que é? !? — ela o encarou assustada e com raiva, querendo que o marido negasse imediatamente, mas ele não o fez. — Por que não está negando, ?
...
— FALA! Isso é verdade?! — berrou ela, desesperada por uma negativa do marido. Negativa essa que não veio. — Não... — o rosto de foi tomado por um horror imenso.

Enquanto Ren ria da cara que fazia, chorava de raiva do marido por ele ter escondido mais esse segredo dela. Distraído mais uma vez, Ren não notou que seus homens foram rendidos por mais seguranças da mansão. Ichiro, rápido como uma águia, golpeou Ren pelas costas, nas pernas, e o rendeu.
Logo, a mansão estava livre da invasão da Máfia.
entrou em casa e foi seguida pelo marido. Foi até o escritório e o trancou após entrar no recinto. caminhava de um lado a outro, muito nervosa e irritada com mais uma omissão da verdade do marido. Isso a deixava fora de eixo.

, me deixa explicar... — a voz falhada de quase fez amolecer. Ela sentiu o arrependimento do marido em não ter contado nada para ela. Mas sua raiva era tão grande e acumulada que a moça mal conseguia olhar para a cara dele.
— Agora você quer explicar, ?! ONZE ANOS DEPOIS?! Só agora você quer me explicar?!
— Eu ia te contar, mas...
— Ah, ia mesmo? Quando? No mesmo dia que me contasse de sua amante?!
— Eu nunca tive e nunca terei uma amante, . Você está sendo injusta comigo...
Injusta?! NÃO ME FAÇA RIR, .toUpperCase())< /script>!!

Muito furiosa e a ponto de matar , o mandou embora, mas antes disso ele explicou todo seu passado que tanto o envergonhava. Após contar sobre seu passado como Líder dos Lobos de Yokohama, ele obedeceu e saiu do quarto. Sabia que a esposa precisava de um tempo sozinha.
Minutos depois, Ichiro entrou no quarto da irmã e a viu chorando no chão, ao lado da cama. O garoto sentou ao lado dela e abraçou a irmã, que recostou sua cabeça em seu ombro, chorando compulsivamente. Já mais calma, eles conversam um pouco.

— Você deveria sair um pouco dessa casa, onee-chan. — comentou Ichiro. — Você precisa descansar.
— Eu não posso deixar meus filhos aqui. Mas eu realmente preciso descansar, respirar, pensar...
— Vai, onee-chan! — ele disse carinhoso, incentivando a irmã.
— Mas...
— Eu cuido dos meus sobrinhos. — emocionada, sorriu para o irmão.
— Você é incrível, Ichi, obrigada. — ela o abraçou e deu vários beijos no pescoço do garoto, que afastou a irmã, envergonhado.
— OK, sem sentimentalismo. — eles riram da situação.
— Não seja tão durão, garoto. — bagunçou os cabelos dele e o abraçou de novo.

Ter o irmão por perto era um alívio para a mulher, em meio a todo caos que é ser da família .
arrumou uma mala pequena e foi para um hotel. Não conseguiu dormir, ficou pensando nas palavras de Ren e a respeito do passado do marido. lhe contou que anos atrás, antes mesmo de virar presidente do grupo , ele não apenas cogitou, mas fez teste para entrar na Máfia do Porto de Yokohama. E passou com louvor! Ren e se tornaram parceiros de crimes naquela época, eram como unha e carne. Era uma época na vida de que ele estava revoltado com as cobranças do pai e cansado de tentar ser o filho perfeito. foi o melhor integrante que a Máfia teve. Ele era implacável em negociação e em tortura também, é justamente essa parte que o envergonha. O grupo liderado por era conhecido como "Howling"*, os Lobos de Yokohama, e graças a eles a fama de sádica da Máfia se espalhou pelo Japão. Temida e respeitada por uns e odiada por outros, a Máfia de Yokohama ganhou reconhecimento nacional graças aos feitos de em seu curto período.
não ficou tanto tempo, pois cansou-se da política aplicada lá e, o principal motivo, por terem brincado com a honra de seu irmão, , que também fez teste para entrar na Máfia. Porém, ao ver seu irmão ser humilhado, saiu da Máfia e foi jurado de morte por anos. Até hoje, Ren guarda ressentimentos do rapaz.
Isso sem contar das mulheres que ele se envolveu nessa época. vivia uma vida libertina regada a bebida, sexo e mortes causadas pelas ordens da Máfia.

[...]

No dia seguinte, estava mais descansada, apesar de não ter dormido. Passou a noite pensando no marido e em seu relato. Tomou um banho quente, vestiu um lindo vestido vermelho, colocou um salto alto e se maquiou. Logo a moça desceu e fez check-out na recepção do luxuoso hotel. Chamou um táxi e foi para o prédio do grupo . No caminho, ligou para o escritório do grupo Mori e avisou que chegaria mais tarde, precisava cuidar de um assunto com o seu querido marido.
A presença de na sede do grupo era rara nos últimos meses, por conta do fato de ela ter assumido o grupo de sua família. A secretária de mal soube o que falar quando viu a esposa do chefe invadir a sala dele sem nem mesmo falar nada.
caminhou firme até a mesa do marido, que não notou sua presença, até ela o guinchar pelo colarinho da camisa, tirando-o um pouco de sua cadeira, girar a cadeira dele e o beijar. Nossa, e que beijo foi aquele!? sentiu-se extremamente excitado somente com aquele beijo. Sem interromper o beijo, sentou-se no colo dele e ouviu a cadeira fazer um barulhinho. Ela passou as mãos pelo paletó de , jogando-o para os lados, logo ele havia retirado a peça. Empolgado, agarrou forte a cintura da esposa e passou a mão pelo zíper de seu vestido o puxando para baixo. jogou um dos braços nas costas e deu tapas nas mãos de , que abriu os olhos e a encarou. o encarou de volta sem interromper o beijo. O olhar malicioso de logo fez compreender o que ela queria: deixá-lo louco de desejo. Sem se importar que logo seria interrompido, ele se jogou na brincadeira perigosa e suspendeu o vestido dela, colocou as mãos na cintura da mulher e a puxou com força. Gostando do ato, deixou que ele suspendesse mais seu vestido. Mas logo em seguida o interrompeu, levantando-se do colo do marido.

— Você é má, sra. ! — reclamou , limpando o canto da boca e se recuperando do calor que lhe acometeu. Passou as mãos pelos cabelos, os jogando para trás.
— É a sua punição por ter mentido para mim por onze anos, sr. . — disse ela e virou de costas para ele. — Fecha para mim.

se levantou e chegou bem perto dela. Com o corpo colado no dela, ele suspendeu o longo zíper do vestido devagar, enquanto beijava o pescoço dela, com beijos leves que faziam a pele da moça se arrepiar.

— Pode me punir dessa forma para sempre, minha preciosidade. — sussurrou ele ao terminar de fechar o zíper e girou rápido o corpo da esposa. — Eu amo você. — deu um beijo apaixonado nela, que retribuiu.
— Esteja cedo em casa, sua punição começará assim que você chegar, meu amor.

Sem se opor e com um sorriso pervertido no rosto, assentiu. Mal podia esperar pela punição que iria receber. Se fosse igual aos beijos que acabou de receber, ele queria ser punido para sempre.

Capítulo 27 – O jantar de negócios

Após ir até o escritório de seu marido "puni-lo", foi até o grupo Mori. Sua secretária, que substitui Saori, lhe mostrou relatórios dos últimos meses, que mostravam a situação atual das principais empresas do grupo. A situação financeira delas não era boa. Por algum motivo, ainda desconhecido, os lucros, que sempre eram altos, caíram de uma hora para outra e aquilo intrigava a todos, principalmente a .
Cansada, participou de muitas reuniões ao longo desse dia. Ao fim dele, voltou para sua casa na esperança de ter seu marido só para si. Porém, ter , presidente do grupo e comandante da Seven só para ela, era algo difícil. sabia disso, sempre soube desde que se casou com o rapaz.
Já no hall de entrada da mansão, pôde ouvir a voz de seu grande e querido amigo. Deixou a bolsa na poltrona próxima à saída e caminhou para a sala de estar. Ao entrar, recebeu a atenção dos ocupantes do local.

Keigo! — exclamou ela, extremamente feliz por ver seu amigo novamente. Ela correu para abraçar o rapaz que também sorria feliz por estar de volta.
— Desse jeito, eu ficarei com ciúmes. — comentou , que estava sentado na poltrona próxima à lareira da enorme sala. Saori, esposa de , estava sentada no mesmo sofá em que estava antes de levantar para abraçar .
— Parece até que só o está aqui. — disse Saori, também num tom enciumado. revirou o olhar e soltou , que voltou a se sentar.
— Vem cá, sua ciumenta. — puxou Saori e abraçou a amiga. — Senti sua falta! — comentou, ainda abraçada a ela. — E que barriguinha é essa que não estava aí quando você viajou, Saori Hayashi!? — não tinha como negar, a barriga saliente de Saori estava bastante visível.
— Então... — ela riu e passou a mão na barriga. — Descobrimos que estou com quase quatro meses de gravidez! — disse, animada e emocionada.
— Sou a madrinha! — gritou e voltou a abraçar a amiga. — Ai, que feliz por vocês, amiga! Kirito já sabe?
— Já, ele será o padrinho. — respondeu Saori.
— Como ele sabe e eu não?! — questionou num tom falso de ofendida.
— Porque ele é meu irmão, ora essa! — rebateu a moça e completou rápido: — Brincadeira, amiga, nossa viagem foi um pouco agitada. — ela se referiu à lua-de-mel com , os dois foram para o Brasil há três meses.
— Aqui também tivemos bastante agitação. — comentou , referindo-se aos últimos acontecimentos e completou num tom preocupado: — Aconteceu algo? Além da gravidez, claro.

começou a sentir o clima pesado e então mudou sua feição. Foi para perto de e sentou-se em uma das coxas dele, arrancando do marido um suspiro excitado. Suspiro esse que ignorou e manteve sua atenção em e Saori, que tinham uma cara muito preocupada.

, eu descobri o porquê de os negócios no grupo Mori estarem indo tão mal ultimamente. — começou , ele estava abatido e preocupado.
— Como assim, ? — a sra. sentiu o coração apertar, lembrou-se de seu pai e em como ele estaria num momento como o que a empresa vive hoje.
— Eu estava desconfiado desde o início. Estava muito estranho as empresas mais lucrativas do grupo Mori andarem perdendo tanto dinheiro assim. Foi então que pedi a Saori para me dar os relatórios dessas empresas para que eu analisasse. — arqueou as sobrancelhas e olhou para Saori que tinha uma cara de "me desculpe, foi necessário fazer isso! ".

continuou explicando:

— Foi aí que eu vi movimentações estranhas nesses relatórios. Várias retiradas e transferências de dinheiro que se tornaram constantes. Às vezes pouco, mas ainda assim constantes demais.
— Então, alguém desviou dinheiro das empresas? — questionou , que tinha uma das mãos repousada na cintura da esposa, fazendo carinho no local.
— Isso. — disse e completou: — Identifiquei pelo menos três nomes. Todos eles desviavam para uma conta em específico. — o rapaz viu o rosto da amiga se enfurecer mais e mais.
— Qual? — questionou, extremamente tensa.
— A do Katsuo Matsumoto. — a menção do nome do homem fez o sangue de fervilhar.
— O quê? — bradou ela.
— Aquele verme... — disse com raiva.
— O dinheiro que os funcionários desviavam para Katsuo ia diretamente para uma conta lá no Brasil. — só agora, se deu conta do motivo pelo qual passou mais de três meses no Brasil em lua-de-mel. completou seu raciocínio: — Ele faz isso há meses. — conclui ele, muito nervoso. Ele sabe a dedicação da amiga para manter o grupo Mori vivo desde que assumiu a presidência com o falecimento de seu pai. Ultimamente, tal tarefa vem sendo difícil.
— Aquele desgraçado!! — disse , irritada.
— Vou meter uma bala na cabeça dele! — bradou , fazendo se virar para ele ainda sentada em seu colo.
— Não, ! Não é assim que se resolvem as coisas. — tentou acalmar a raiva do marido. Raiva essa que já é acumulada de anos atrás. Um dos grandes mentores de na época de Máfia do Porto, que se tornou seu segundo pior inimigo. O pior sempre será o Ren Kobayashi.
— Amor, olha o que ele está fazendo com você!
— Não importa, ... — sempre foi a mais diplomática da Seven. Ela conseguiu retomar a sensatez que a organização precisava para se manter firme e não deixar a Máfia de Yokohama tomar seu poder em Tóquio.
— Tem mais uma coisa, . — a voz de soou quase como um pedido de desculpas pela interrupção, Saori segurava o braço do marido, lhe transmitindo força para contar tudo. e voltaram a atenção deles para o rapaz.
— O quê? — perguntou com muito medo da resposta.
— Descobri também que o Katsuo planeja sequestrar o Ichiro. — perdeu o controle de si mesmo ao ouvir a revelação do amigo. Seu irmão em perigo novamente? Isso tirava a moça de seu estado normal de calma.
— EU VOU MATAR O KATSUO SE ELE CHEGAR PERTO DO MEU IRMÃO!!

Furiosa, como nunca havia ficado antes, nem quando descobriu que já foi da Máfia, se levantou do colo de e começou a andar na frente da poltrona onde o marido estava, de maneira frenética, de um lado a outro.

— Não era você quem estava defendendo a não violência segundos atrás, amor? — se levantou, segurando a esposa pelo braço, puxando-a para si e a abraçando.
— Isso é diferente! Ninguém mexe com o meu irmão! — disse ela, muito irritada. — Se fosse com o , você certamente faria o mesmo. — analisou brevemente a colocação da esposa e respondeu:
— Não... Eu certamente faria pior. — comentou ele com um sorriso debochado.
! Estou falando sério. — deu um tapa no ombro do marido.
— Também estou. Amor — ele colocou uma das mãos no rosto dela —, vamos dar um jeito de resolver sem precisar atirar na cara nojenta do Katsuo, apesar de ele merecer. — a voz de conseguiu transmitir a calma que precisava naquele momento.
— Eu fiz um acordo com ele... — mais uma vez, a voz de soou como um pedido de desculpas. O casal encarou o amigo, aguardando uma continuação de sua fala.
— Que tipo de acordo, ?

questionou para , já sabendo que ouviria algum absurdo de volta. O histórico de bobagens cometidas pelo amigo não era novidade para o . e voltaram a se sentar, ele na poltrona e ela em seu colo, e então explicou como era o acordo.
Ainda no Brasil, entrou em contato com o Katsuo para confrontá-lo sobre tudo o que descobriu. Cínico, Katsuo negou tudo, mas deixou escapar que poderia saber quem era o responsável pelos desvios de dinheiro do grupo Mori. sabia antes de ligar para o homem que ele poderia mentir, então pediu uma trégua. Katsuo aceitou, aparentemente de bom grado, essa trégua entre a Máfia e a Seven, ele deu a ideia de fazer um baile de máscaras na mansão para firmarem o acordo. Porém, era óbvio para que era uma armação do chefe da Máfia do Porto. Mesmo assim, aceitou, em nome da Seven, a realização do baile.
tinha plena certeza de que não era uma boa ideia fazer acordos com Katsuo, o homem sempre dava um jeito de passar a perna em quem quer que fosse. Mas o resolveu dar um voto de confiança para seu amigo. saiu da mansão mais apreensivo do que quando chegou.

[...]

Os negócios da Máfia do Porto de Yokohama sempre foram voltados para o tráfico de armas e encomendas de assassinatos. A filosofia terrorista da organização sempre foi imposta para que fosse temida por todos, assim ninguém tinha coragem de enfrentar a Máfia. Ao assumir a chefia da organização após ter assassinado o antigo chefe, Katsuo introduziu para a Máfia uma nova filosofia. O foco agora era expandir os negócios empresariais da Máfia. O poderoso grupo Matsumoto, no ramo da Construção Civil, atrelado aos grupos de Yokohama que são associados à Máfia, foi fundamental para a estratégia de Katsuo.
Há pouco mais de oito anos, o homem entrou em contato com o presidente na época do grupo Mori de Tóquio para um acordo de expansão de ambas as empresas. Katsuo sabia que o sr. Mori tinha uma filha, mais nova que ele, mas que estava solteira. E sabia também que o sr. Mori, assim como ele, visava sempre o lucro e toparia qualquer negócio legal para aumentar o poder de seu grupo no ramo da Construção Civil. Visando isso, ele propôs ao sr. Mori um acordo matrimonial para união dos grupos. A ideia de Katsuo era casar-se com e, após alguns meses, assassinar o sr. Mori e tomar a presidência do grupo por ser o marido da herdeira. Ele daria um jeito de prender em cativeiro ou, se fosse preciso, matar a moça para ficar com a presidência do grupo Mori. No dia em que firmaria o acordo com o sr. Mori, Katsuo mandou seus homens ficarem de campana na frente da mansão Mori para vigiá-los. Ao ver o carro de chegando na mansão Mori, Ren Kobayashi, que na época já era braço direito de Katsuo na Máfia, resolveu invadir a mansão e executar o plano B de seu chefe: sequestrar Li. Mas quando invadiu o local, o rapaz resolveu levar o seu grande inimigo no lugar da moça.

[...]

Após se despedirem de e Saori, que foram para sua casa, e tomaram banho, jantaram, deram uma rápida olhada nos filhos, que já haviam ido dormir, e foram para sua suíte. Sem falar nada sobre o acordo que fez e sobre toda a informação que ele trouxe, os dois deitaram-se cansados na cama e tentaram relaxar, mas era difícil, pelo menos para a .

. — ela disse, baixinho. Já era tarde da noite. estava abraçado a ela, com o rosto enfiado em suas costas.
— Hm. — ele resmungou em resposta.
— Está acordado?
— Uhum... — resmungou de volta.
— Você estava dormindo, mentiroso. — disse ela, fazendo um bico com os lábios. estava muito preocupada com a segurança de Ichiro. Sabia bem que esse jantar podia ser perigoso para todos, mas para Ichiro poderia ser fatal.
— Hm... — suspirou e suspirou também, voltando a pensar nas preocupações que não lhe deixavam dormir. abriu os olhos. — Amor, o que houve?
— Nada. — é claro que sabia que havia algo, mas sabia também que a esposa não falaria assim tão facilmente.
— Hey. — ele beijou as costas dela. — Vira para mim. — pediu ele e virou-se devagar. jogou os cabelos para trás e depois ajeitou a mecha de cabelo que lhe caía nos olhos, encarando a esposa. — O que essa linda cabecinha está pensando? — ela sorriu fraco, mas logo voltou à feição preocupada.
— Katsuo fará algo contra o meu irmão durante esse jantar, eu sinto isso. — o jantar foi marcado para a noite seguinte. já havia organizado tudo e entrado em contato até com alguns sócios da Seven, incluindo o Kishō Taniyama.
— Eu tenho certeza, mas cuidaremos da segurança dele. Já conversei com Kirito e deixei o Kishō sobre alerta. — disse com tranquilidade. o encarou, a luz da parte de fora da mansão iluminando o rosto da moça.
— O que o Kishō tem a ver?
— Podemos precisar dele... — disse com um ar travesso. tinha certeza de que o marido já havia planejado uma estratégia para caso o acordo desse errado.
. — chama ela, viu os olhos estreitos da esposa e se segurou para não sorrir. — Não está aprontando nada pelas minhas costas, não é?
Por enquanto, não. — ela suspira, desconfiada. — Te prometi que jamais mentiria novamente, não foi? — ela assentiu. — Eu te contarei, caso faça algo, realmente eu não estou planejando nada. Ainda não.
— Ah, ...
— Dessa vez, só irei aprontar na sua frente, meu amor. — rebate ele com um tom malicioso e arranha as costas da esposa.
— Idiota. — ela ri e dá um beijo nos lábios dele. — Eu te amo!
— Também te amo, minha preciosidade.

Os beijos intensos entre o casal esquentaram ainda mais. Mesmo com toda a preocupação que rondava a vida de ambos, eles tiraram um tempinho só para eles. A punição de seria feita naquele momento, tinha medo de não ter tempo para executar a punição em outro momento.
A sensação que sentiu antes de encontrar o irmão, há quase dois anos, voltou com tudo. O medo de perder alguém importante para ela, a sensação de morte estava intensa demais e isso fazia a moça tremer. Ela não poderia perder ninguém, já bastava ter perdido o seu querido pai.

Nota: Referência à 03. Sexy Ladies, Ficastape Justin Timberlake.

[...]

A noite do baile de máscaras chegou. Todos já estavam na grande sala da mansão , menos os membros da Máfia do Porto. e engataram uma agradável conversa sobre como seus filhos mais velhos, Hayato e Sayuri, eram parecidos com eles quando pequenos: sempre se provocando.

— Até agora nenhum sinal do Matsumoto, ? — questionou, todos já estavam na mesa de jantar, comendo e conversando. Todos os olhares foram voltados para , que parecia bem incomodado.
— Ainda não. — respondeu ele de maneira seca e levantou-se da mesa. — Já volto.

fez o mesmo e o seguiu assim que o amigo saiu.

— Há algo que queira me contar, ? Te darei essa chance porque sou seu melhor amigo. — parou de andar e notou uma tremedeira em suas mãos. Ele retirou a própria máscara e encarou o amigo, aflito.
— Acho que fiz uma enorme besteira, . — sua voz saiu quase tão trêmula quanto suas mãos tremiam.
, fala o que houve de uma vez. Você sabe que odeio rodeios. — o rapaz não tem muita paciência para as besteiras do amigo. Essa não seria a primeira vez.
— Convidei o Katsuo para vir aqui hoje, mas acho que ele não está com intenção de paz.
— Disso eu já sabia, é o Katsuo. Conheço bem ele. — comentou ele. — Aposto o quanto quiser que ele invadirá a mansão em instantes. Acertei? — se virou e encarou o amigo com os olhos arregalados.
, temos que proteger as mulheres. Minha esposa está grávida e a mulher do ainda está amamentando, elas não podem se ferir na confusão.
— Por que a não está nesta lista? Ela também é uma mulher. A minha mulher. — falou com indignação e completou: — Muito me admira você não querer proteger a .
— Não quis dizer isso, ! Droga, a é excelente lutando. Melhor que todos nós, você sabe disso. Já fomos salvos por causa dela.
— Sei disso, mas eu não quero que ela se arrisque de novo! Enfim, temos que agir. Vou falar com o .
— Vou chamar o Kirito.

A tensão voltou a reinar dentro da mansão. avisou ao seu irmão, discretamente, sobre a possível invasão da Máfia. Kirito e os demais também foram avisados, incluindo . Não tardou para que a forte suspeita de se concretizasse. A sensação de morte que sentiu durante a noite, na verdade, era sobre ela mesma.
não sabia se a cirurgia da esposa daria certo, mas tinha uma certeza: Katsuo Matsumoto pagará com a vida pela audácia de ter atirado em sua esposa.
Ah, se pagará! Ou ele não se chamava !



NOTA: Os acontecimentos deste capítulo ocorrem após “MV - 7-Seven” do Especial MVs.

Capítulo 28 – O surto do presidente

NOTA: Os acontecimentos deste capítulo ocorrem após “MV - 7-Seven” do Especial MVs.

Horas se passaram e, a falta de notícias da esposa, só fazia a angústia de aumentar a cada instante. A perspectiva de perdê-la era grande e isso o enfurecia. Katsuo foi longe demais dessa vez. Invadir sua mansão daquela forma ofensiva e atirar em sua mulher foi realmente a última coisa que o outro fez na vida.
Sentindo-se diminuído pelo inimigo, levantou bruscamente da cadeira da sala de espera onde estava e caminhou bufando de ódio até o elevador, até sentir seu braço ser puxado para trás.

— Aonde vai? — a voz grave de o chamou. O mais velho levantou e encarou o irmão, sabia que faria alguma besteira caso o deixasse sair.
— O que você acha? — a voz de saiu cheia de raiva. O ódio pulsando em suas veias fazia o homem tremer, quase em ebulição. sentiu esse ódio crescer dentro de si também, porém em menor escala.
— Não é assim, impulsivamente, que você vai resolver as coisas, . — alertou , tentando manter a voz calma para tentar acalmar o irmão. Óbvio que não estava dando certo.
— Como pode dizer isso para mim, ?! Ele atirou na ! Isso não vai ficar assim. — sibilou com os lábios trêmulos. A expressão de raiva na face se misturava com a preocupação da esposa.
— Pelo menos se acalme, . — pediu , ainda segurando o braço do mais novo. — Planeje um ataque primeiro...
— Eu já planejei: vou até o buraco onde aquele verme está escondido e vou meter uma bala bem na testa dele.

Cada palavra proferida por saiu com um pouco de sua raiva. engoliu em seco, não podia julgar o irmão. Em seu interior, sabia que faria o mesmo caso fosse com sua amada ou algum de seus filhos. Ele não responderia por si.

— Você não pode fazer isso, ! Não vou deixar você ir lá sozinho. — disse o mais velho, preocupado com a loucura que era o irmão invadir a sede da Máfia para matar Katsuo, que é o atual chefe.
— Me solta, . — pediu , não querendo ser rude com quem não devia. — Você sabe que eu vou fazer isso de qualquer forma, por favor, me deixa matar aquele miserável! A cota dele nesse planeta já deu!
— Meu irmão, por favor...
— Me solta, , eu não quero bater em você.

Num movimento rápido, se livrou do aperto do irmão e correu para o elevador que estava aberto no andar onde estava internada. Deslizando para dentro do elevador, apertou o botão de fechar a porta e viu o semblante preocupado do irmão desaparecer atrás da porta. O comandante da Seven sabia que era suicídio ir até a sede da Máfia sozinho, sem um plano de invasão ou de fuga. Era imprudente, mas ele não podia deixar Katsuo passar ileso dessa. Não dessa vez.
Chegando ao andar térreo, saiu apressado do elevador, tateou os bolsos da calça a procura das chaves do carro. Sua camisa ainda estava suja com o sangue de que caiu baleada em seus braços. Olhou rapidamente para as manchas em sua camisa e sentiu sua raiva crescer mais, e o medo. Ah, o medo de perder nunca foi tão intenso dentro dele.
Finalmente achou as chaves do carro e procurou no estacionamento onde tinha estacionado sua Lamborghini. Ao avistá-la, saiu caminhando a passos largos e firmes até o veículo.

!

O homem virou e viu a figura do irmão correndo na direção dele. Apressou em chegar logo em seu carro, entrar nele e sair dali.

, segura ele! — olhou para o lado direito do corpo e viu seu amigo correr próximo a ele. Rápido como nunca tinha sido antes, chegou à porta do carro de antes dele.
— Sai, ! — bradou ele.
— Você não vai atrás do Katsuo! — disse de maneira firme.
— Me deixa resolver isso...
— Não, ! Para de tentar resolver tudo sozinho! Mas que inferno!! — gritou , irritado.
— Você não vai se meter nessa sozinho de novo. — disse , ofegante, finalmente alcançando os dois.
— Vocês não entendem...
— Nós entendemos sim, ! — disse e completa. — Nós também temos esposas e as amamos tanto que faríamos qualquer coisa por elas. Inclusive matar quem as fizer mal. — sabia ser capaz de matar a quem fizesse mal a Saori, ainda mais agora que ela estava grávida.
— O tem razão, meu irmão. — disse .

suspirou e começou a chorar, o peso da raiva e do medo finalmente saindo de uma só vez em forma de choro. Apoiando-se em seu carro, o mais novo soluçou e tentou respirar. O ar lhe faltava naquele momento. As lágrimas quentes escorriam pelo seu rosto. , compadecido pelo sofrimento do irmão, que ele também compartilhava, aproximou-se dele e repousou a mão sobre a cabeça de .

— Ela é mais forte que todos nós, ela ficará bem. — disse , dando tapinhas no ombro do amigo.

ergueu o rosto e o enxugou. Com os olhos inchados, encarou o irmão.

— Eu não vou perdoar aquele infeliz pelo que ele fez. Nunca!
Eu não o perdoarei também. Terá sua vingança, meu irmão, mas não da forma que iria fazer.
— É imprudente demais até para você, . — disse e recebeu de volta um olhar reprovador do amigo. — Não me olhe assim, sabe que é verdade.
— Eu não sou mais assim, . — defendeu-se ele.
— Não foi o que eu vi quando eu cheguei.

resmungou e passou as mãos nos cabelos, sentindo o corpo amolecer novamente.
Dos anos em que estava casado com , era a primeira vez que ele sentia medo de perder a esposa. O medo da morte nunca foi uma preocupação para , nem mesmo quando sua própria vida corria perigo. Ele também nunca havia se preocupado com outro ser humano, com exceção de . Ter conhecido e encontrado toda a aleatoriedade de sentimentos que ela despertava nele, foi um verdadeiro furacão na vida de . Ao mesmo tempo em que lhe fazia sentir raiva por sua teimosia, ela despertava a calmaria no rapaz, que sentia-se mais leve ao lado dela.

— Com licença, sr. ?

A voz que chamou um dos irmãos anunciou e ambos ergueram o olhar para o dono dela. Avistaram que se tratava de um enfermeiro.

— Sim... — disseram e em uníssono.
— A sra. acaba de acordar do pós-cirúrgico.
— Podemos vê-la? — perguntou antes mesmo de o enfermeiro falar mais qualquer coisa.
— Claro, me acompanhem, por favor.

já ia caminhando junto com o enfermeiro, mas o barrou, pondo a mão em seu peito.

— Você vai ficar aqui e se acalmar primeiro. — determinou ele em tom sério.
, sai da minha frente. — sibilou .
— Não insista, . Você está muito nervoso para ver a , vai acabar agitando ela. — alertou ele e completou: — . — chamou pelo amigo que o olhou com atenção. — Amarre ele ao carro se for preciso.
— Pode deixar. — assentiu com um sorriso no rosto.
— Me deixa ver a , !
— Assim que você se acalmar. — reafirmou o mais velho, já bastante irritado com a insistência do irmão. — Eu vou falar com ela e você espera aqui. Você entendeu?
— Eu não sou mais criança, ! — tenta avançar, mas o empurra e acaba se batendo no carro.
— Mas está agindo como uma! — bradou . — , estou falando sério sobre amarrar ele. Tem cordas no porta-malas do carro.

apenas assentiu, ainda sorrindo com a pequena discussão dos irmãos. Ele estava tão acostumado com elas que nem se abalava mais. Mas, ainda sim, ele se divertia bastante.

— Eu te odeio, ! Você é muito autoritário! Que inferno...
Calado! — bradou mais uma vez. — Você já me tirou muito do sério por hoje com sua ideia imbecil de ir até Yokohama matar o Katsuo. Ele vai sim morrer, mas faremos isso com inteligência e com a recuperada. — alertou o mais velho, pronto para ser mais incisivo caso o irmão prosseguisse com a teimosia.
— Está bem, . — disse com um ar irritado. — Eu espero. Autoritário filho da mãe! — essa última frase foi sussurrada por , mas ouviu perfeitamente e, por isso, deu um tapão na nuca do irmão.
— Mimado! — bradou ele e se recompôs, arrumando a camisa social que ainda vestia. — Que bom que compreendeu o meu recado, irmãozinho. — ele sorriu e se aproximou novamente do irmão, passando o braço nos ombros dele. — Sabe que sou um homem prevenido, não sabe? — sussurrou para .
— Sei...
— Então sabe que tem homens meus cercando o hospital e o quarteirão caso queira visitar o Katsuo. — suspirou frustrado. Pretendia escapar qualquer hora dessas em que estivesse distraído, o que não tardaria a acontecer. — Ótimo que entendeu novamente, .

encarou o irmão com raiva. era tão certinho e metódico, antevia os acontecimentos e isso irritava . O senhor perfeitinho do papai.

— Não pense que me esqueci daquela conversa sobre o Katsuo tentar te matar para tomar o controle da Seven. — arregalou o olhar ainda encarando o irmão.
... — mal conseguiu formular o resto da frase, seu corpo inteiro estava frio.
— Depois falamos disso. — disse ele, simplesmente. — , fique de olho nele.
— Sempre. — disse .

se afastou deles e acompanhou o enfermeiro de volta ao interior do hospital. O choque térmico com o ar-condicionado do local fez o corpo dele se arrepiar.
O enfermeiro e ele caminharam até o elevador e subiram até o décimo andar. Ao saírem dele, foram para o quarto, a porta estava aberta e por ela saía uma enfermeira que, ao ver , o cumprimentou com um gesto rápido de cabeça.

— Fique à vontade, sr. . Qualquer coisa, pode chamar. — anunciou o enfermeiro, cumprimentando , e saiu.

Após assentir, adentrou ao quarto de . A moça estava com o rosto virado para o lado oposto à porta e não viu entrando. Porém, a presença forte dele a fez olhar para a porta e sorrir ao ver o cunhado.

... — disse com a voz rouca. se aproximou da cama dela e logo segurou sua mão.
— Como está? — ele sorriu e deu um beijo rápido em sua mão.
— Vou sobreviver. — respondeu ela. — E o ? Onde está? Achei que fosse ele o primeiro a vir me ver. — lamentou-se ela. — Não que eu não goste da sua companhia, . — ele riu da fala da cunhada.
— Eu sei, minha cunhada. — tranquilizou ele e completou dizendo: — Bom, o está lá fora, se acalmando.
— Ele, por acaso, não saiu para ir atrás da Máfia, saiu? — riu novamente da rapidez de raciocínio dela. E também do fato de ela conhecer bem o marido.
— Eu não deixei, não se preocupe. — disse ele.
— Obrigada, .
— Estou aqui para isso.

sorriu aliviada por estar ali para acalmar nesse momento.
sempre zelou pelo bem estar do irmão, mesmo contra a vontade do mais novo. Em um episódio que se recorda perfeitamente, ele defendeu de valentões no colégio. Por ser mais novo, não era da mesma turma de . A fama da família sempre foi de conhecimento geral, e durante toda a vida escolar, os irmãos ouviram piadinhas sobre a falta de caráter do pai, o sr. . sempre foi o mais esquentado e não levava desaforo para casa. Em uma dessas provocações, se viu, aos 10 anos de idade, cercado pelos colegas de escola que o hostilizavam. Irritado e brigão, partiu para cima deles, mas não conseguiu enfrentá-los de igual para igual. Quando estava sendo massacrado por chutes e socos, viu o irmão correr para ajudá-lo. Ambos apanharam bastante, mas foi a partir dali que percebeu que poderia sempre contar com o irmão e isso o fez mais forte.
Conhecer fez de uma pessoa mais forte do que já era e essa força que o marido lhe transmite vem do irmão, . Ela é muito grata a ele por isso.

sempre fazendo tudo! — completou num tom orgulhoso. apenas sorriu envergonhado.
... — o homem ficou sério de repente e sentou-se na cama ao lado dela. — Você viu quem atirou em você? Foi o Katsuo, não foi?
— Não! Não foi o Katsuo. — afirmou , convicta.
— Não? — questionou ele, confuso.
Foi o Ren, disso eu tenho certeza, . — mais uma vez ela disse com convicção.
— Desgraçado... — resmungou . — , não conta ao que foi o Ren, pelo menos não agora.
, ele vai descobrir. não é burro, assim que ele se acalmar e refizer os passos do jantar, com certeza irá se lembrar que Katsuo não estava bem posicionado para ter atirado em mim. — impressionou-se por ela se lembrar disso e deduzir que tinha sido Ren, já que ela estava de costas quando levou o tiro.
— Eu sei disso... Só preciso de tempo para acalmar ele e traçar um plano. — disse ele. — , você conhece o , ele surtou e quase vai à Yokohama matar o Katsuo.
— Conheço bem... Agora ele vai até lá para matar o Ren. — suspira frustrado.
— O convenci a esperar. Aliás, vou chamá-lo para vê-la antes que ele invada o hospital. — ele riu de leve e completou: — Eu quis entrar primeiro para te perguntar se tinha visto quem atirou em você.
— Ah, . — ela suspirou frustrada. — Achei que quisesse saber como eu estava. — a moça retorceu a boca em um bico que fez rir alto.
— Boba. — ele beijou a mão dela novamente. — É claro que eu queria saber como a minha querida cunhada estava.
— Menos mal. — eles riram. ainda se impressionava por ela ter as mesmas birras que . — Vai chamar o para mim, estou com saudades.
— Você não ficou tanto tempo sem ver ele. O jantar foi ontem.
— Mas eu já estou com saudades, ! Vai logo chamá-lo, por favor.
— Já volto. — riu e deu um beijo na testa de , saindo em seguida.

fez o caminho inverso e voltou ao estacionamento onde o irmão ainda estava encostado ao carro com os braços cruzados sobre o corpo com uma expressão irritada na face. encarava o amigo com um sorriso no rosto.

— Olha lá, , está voltando. — avisou . ergueu a cabeça e aguardou ansioso a chegada do irmão.
— Está mais calmo, ? — disse ao chegar mais perto.
Estou. — disse num tom ainda irritado. — , eu vou entrar nesse hospital você querendo ou não. Vai ter que atirar em mim caso queira me impedir! — disse ele determinado.
— Não será necessário. O que eu tinha para falar com a eu já disse. Pode ir vê-la. — falou com um ar divertido, a expressão de ciúmes que tinha na face era extremamente engraçada para ele.
Que tipo de assunto tem com a minha esposa? — cada palavra transmitia um pouco do ciúmes de .

, que observava a cena calado, ria com o ciúme bobo de . Ele nunca vira na vida o amigo demonstrar tal sentimento.

Assunto particular. — comentou , com um sorriso provocador nos lábios.
— Assunto partic... Eu vou te matar, ! — bradou e foi para cima do irmão.
— Hey! Calma! — segurou o amigo antes que ele alcançasse o irmão. — está brincando, !
— Brincando um caralho! Me solta, , eu vou matar esse desgraçado! — cego de ciúmes, se debatia nos braços de .
— CHEGA! — gritou , chamando a atenção de algumas pessoas que passavam rapidamente pelo estacionamento. parou de se debater e encarou o irmão, ofegante. — Pare de ser idiota, . Eu apenas perguntei a algo sobre o que eu estava curioso.
— Não poderia esperar eu vê-la primeiro? Ela é minha esposa, ! — disse irritado. — Me solta, . — ordenou ele.
— Já parou com o ataque de ciúmes desnecessário?
— Me solta logo, ! Porra! — gritou ele, arrancando uma risada genuína de .
— Vou contar a do seu showzinho. — provocou ao ver o irmão se afastar andando rápido.
— Vá para o inferno, ! — gritou , sem olhar para trás.

Irritado com a brincadeira do irmão, tentou se acalmar para ver a esposa. Seu corpo estava tenso e ele mal conseguia andar direito. Entrou no elevador e apertou o botão do décimo andar. Saiu do elevador e caminhou até o quarto onde estava. De repente, sentiu o corpo pesar ainda mais e parou. Teve medo de entrar no quarto e fraquejar na frente da esposa ou medo de encontrá-la em um estado que o fizesse enlouquecer. Ele ficou parado do lado de fora do quarto, encostado na parede, os olhos fechados e a respiração pesada. Tentou relaxar o corpo antes de entrar, mas estava difícil até mesmo respirar. Ele nem reparou que uma enfermeira saiu do quarto e o cumprimentou com um gesto de cabeça.
De dentro do quarto, notou o gesto da enfermeira e percebeu que havia alguém ali. Ela sabia que tinha alguém ali, imaginou ser o marido.

— Amor? — ela disse com um sorriso no rosto.

sentiu o corpo voltar à vida e abriu os olhos, olhando para dentro do quarto em seguida.

— Vem cá, amor... — o chamou novamente.

parecia uma criança acanhada. Se aproximou devagar da cama dela, sentou-se na cama e deixou o corpo cair devagar sobre o ombro dela. As lágrimas voltaram a cair no rosto dele. abraçou o corpo do marido, afagou os cabelos dele e também chorou emocionada por vê-lo ali com ela.

Meu bebê... — sussurrou , carinhosa. resmungou com o rosto enfiado no ombro dela. — Você está bem?
— Hm... — resmungou ele novamente e balançou a cabeça em negação. — , eu tive tanto medo de perder você... — ele disse em soluços e encarou a esposa com os olhos marejados. — Tive tanto medo, ...
— Amor, se acalma, eu estou bem agora. — ela disse, ainda chorando, e afagando os cabelos macios de . — Hey, amor. — chamou ela e segurou o rosto do marido. — Eu estou bem.

afirmou com a cabeça e chorou mais, de alívio por ter sua esposa sã e salva com ele. o abraçou e deu beijinhos no pescoço do marido que sentiu sua pele se arrepiar com o gesto dela.

— Hey, amor. — sussurrou , ainda afagando os cabelos dele.
— Hm... — resmungou ele em resposta.
— Você não foi atrás do Katsuo, foi?

sabia que o irmão havia contado a e o amaldiçoou por isso. Ele ergueu o corpo e sentou-se confortavelmente na cama ao lado da esposa.

— Depois do que ele fez com você, ele merece a morte. — no olhar de , pôde ver a raiva que o marido sentia. Não o culpou por ele se sentir assim.
— Amor, não é assim que nós agimos. — a voz suave de desfez parte da raiva do marido.
— Eu sei, agi por impulso. Eu só queria destruir aquele maldito.
... — soltou o ar e fechou os olhos por um instante, os abrindo em seguida.
— O que houve, amor?

espantou os pensamentos, cogitou contar que não tinha sido o Katsuo quem atirou nela. Porém, ela sabia que se soubesse que o autor foi o Ren, seu maior rival, certamente iria no mesmo instante atrás dele para matá-lo. E ela não queria que ele fizesse isso. Seria extremamente perigoso.

— É verdade o que disse ontem sobre o Katsuo? Ele quer te matar para ter o controle da Seven?
— É... — não queria ter essa conversa agora, mas não o deixaria em paz enquanto ele não falasse. — Me perdoe por te esconder isso...
— Então é verdade? — o tom magoado dela o fez sentir-se mal por não ter contado nada.
— É verdade sim...
! — bradou ela, fazendo ele se calar. — Eu deveria te matar por me esconder isso, seu idiota!

Os tapas que dava nele o fizeram resmungar e tentar se proteger com as mãos, mas mesmo assim ele não se arrependia tanto assim de não ter contado. Ele tinha medo de ela saber e querer enfrentar Katsuo.

— Me perdoa, , amor...
— Não me venha com “amor”, ! Sabe que esse tipo de acontecimento tem que ser compartilhado comigo, não sabe?
— Sei, mas...
— Não há “mas”, !
— Não me chame de , . — ele disse, frustrado.
— Como devo te chamar? De “grande mentiroso que não é capaz de compartilhar suas angústias com a esposa”? — disse ela, sarcástica. revirou o olhar e encarou ela.
— Me escuta, eu ia te contar, mas eu tive medo.
— De quê, ? — ela disse, impaciente.
— Eu tenho medo do Katsuo tentar matar você. Por isso eu fiquei tão desesperado ontem quando ele atirou em você. — para um pouco de falar para segurar o choro que quase saiu. amoleceu ao vê-lo assim e segurou a mão dele, afagando-a de leve. — Aquele desgraçado vem me ameaçando há meses...
— Meses?
— Sim...
— Amor, se ele quer mesmo tomar o poder da Seven, você deveria ter contado sobre isso antes. Estou falando como membro da organização e não como sua esposa.
— Eu sei disso, eu sei de tudo isso. Eu não queria...
— Não queria preocupar ninguém...

disse, meio óbvia. Sabe de cor o discurso do marido e como ele se sente em relação aos seus medos.

— Seu bobo, eu te odeio.
— Odeia mesmo? — provocou ele com um sorriso galanteador no rosto. suspirou.
Eu te amo... — declarou-se e o beijou brevemente. — Mas, pare de esconder essas coisas de mim!
— Teoricamente, eu escondi essa informação da Seven inteira.
— Você entendeu, , não se finja de sonso! Parece o ... — ela bateu nele de leve e ele riu.

Os dois ficaram mais algum tempo sozinhos até o momento de o médico ir examinar . Ele disse que a moça teria alta no dia seguinte. ficou aliviado com a notícia, todos ficaram.
convenceu o marido a marcar uma reunião com os principais membros da Seven para discutirem sobre o interesse de Katsuo em assumir o poder da organização da mesma forma como ele assumiu a Máfia de Yokohama.

— Obrigado por isso, . — disse , quando entrou para ver a cunhada novamente. também entrou para vê-la.
— Por nada, cunhadinho.
— Eu queria mesmo era explodir a cabeça do Katsuo. — bateu em que voltou a sentar-se ao seu lado na cama. — Isso dói, amor!
— Ai, ai, droga! — ela gemeu de dor por ter batido nele, machucando o local da cirurgia.
— Amor, não faz esforço. Quer que chame a enfermeira? — ficou preocupado e ela o encarou com a expressão de dor no rosto.
— Não precisa, já vai passar. — ela gemeu de novo.
, é melhor chamar a enfermeira. — falou .
— Está bem, . Chama ela para mim, por favor.
— Por que ele você escuta? — questionou enciumado.
— Porque ele é mais sensato que você,. — deu risada com a expressão enciumada do marido e gemeu novamente de dor. — Ai, droga.
— Isso só pode ser um complô contra mim. Só pode.
— Não seja dramático, . — disse , rindo.
— É, , não seja dramático. — brincou .
, vai cuidar da sua esposa, vai. E você também, . Me deixem em paz!
— Por falar nisso... — iniciou , atraindo os olhares dos amigos — Meu bombonzinho mandou um beijo, . Ela ficou assustada com o ataque de ontem — concluiu ele.
Bombonzinho? Quem? — disse , confuso.
— A Saori, ora essa. — revelou , meio óbvio.
— Você chama a Saori de bombonzinho?
— Sim. Por quê?
— E ela deixa?
— Ah, eu não posso? Você chama a de preciosidade e ninguém fala nada, ! — disse indignado.
— Mas a é a minha preciosidade! — defendeu-se dando de ombros.
— E a Saori é o meu bombonzinho! — concluiu no mesmo tom.

e apenas observaram a discussão dos dois com um ar de riso.

— Esses dois só fazem brigar, parecem irmãos. — disse para e o homem apenas concordou com a cabeça, rindo.

e deram de ombros e, segundos depois, a enfermeira entrou no quarto para encerrar a visita.

[...]

Duas semanas depois...

chegou cedo à sede do grupo , hoje seria realizada a reunião para decidir os próximos passos para a segurança de todos, principalmente de , e para manter a organização sólida.

Onee, eu preciso mesmo usar esse terno? Me sufoca... — reclamou Ichiro, folgando a gravata que usava no pescoço.
— Precisa sim. — disse , firme. — Vamos estar na presença dos presidentes dos principais grupos que compõem a Seven, portanto, o meu lindo irmão precisa estar bem vestido. Já que você, meu amorzinho, será o meu sucessor no grupo Mori. — ela voltou a apertar a gravata do irmão e sorriu para ele.
— Nem na Máfia eu usava esse troço...
Você não está na Máfia, garoto! odiava quando o irmão mencionava seu passado. Ichiro saltou no próprio corpo.
— Me desculpa, onee.
— Tudo bem, vamos logo.

Eles entraram no prédio e foram direto para o escritório de , no último andar, onde ocorreria a reunião.
Ao chegar no escritório e ver a sala já completa pelos membros principais que rodeavam a grande mesa, notou que não foi a única que ansiava pela reunião.

— Bem-vinda, meu amor. — disse , que havia saído primeiro que ela para ajeitar os últimos detalhes. — Seus lugares aqui. — ele apontou para duas cadeiras vazias ao lado direito dele.

caminhou até elas e Ichiro a acompanhou.

— Acho que podemos começar a reunião, certo? — comentou e todos concordaram. — . — ele disse, dando a palavra ao irmão.
— Obrigado, . — levantou de sua cadeira, que ficava na cabeceira, e ajeitou o paletó no corpo. — Bom, vou ser direto: Katsuo vem me ameaçando há meses. — as expressões espantadas de todos eram visíveis. — Diz que irá tomar o controle da Seven. Eu errei em ter esperado por todo esse tempo para contar a vocês, mas é isso. A Seven está ameaçada. — concluiu ele, sério.

Houve um burburinho entre os membros da organização que ali estavam. Todos vestidos na mais pura elegância, com seus ternos de grife. Dentre eles, estava Kisho Taniyama, velho amigo dos irmãos , e foi ele quem tomou a palavra.

... — disse ele, chamando atenção de todos, que logo se calaram. Todos respeitam muito o Kisho. — Creio que devemos agir imediatamente.
— Concordo com o Kisho. — disse outro membro da Seven.
— O mais certo é eliminarmos a ameaça. — continuou Kisho. — Aprecio muito a política de conversarmos antes, mas, nesse caso, não tem conversa.
— Katsuo não é uma pessoa confiável. — disse .
— Certamente não é. Tentei firmar um acordo com ele e deu no que deu. — falou , referindo-se ao baile que resultou no tiroteio na mansão.
— Katsuo é desprezível. Com ele não tem o que conversar. — falou Ichiro com rancor. Apesar de jovem, o garoto já vem ganhando prestígio entre os membros da Seven por sua destreza.

O barulho da porta se fechando chamou a atenção de todos, que encararam a porta.

— Nossa, filho, que ingratidão a sua. — a voz de Katsuo invadiu o escritório de , fazendo a maioria levantar-se na defensiva. — Olá a todos! — disse ele, cínico, enquanto caminhava calmamente por detrás das cadeiras onde alguns estavam, dentre eles, , e Kisho.
— O que faz na minha empresa? — sibilou , erguendo o corpo e segurando-se para não sacar sua arma em sua cintura.
— Dessa vez eu não vim falar com você, . — zombou Katsuo e virou seu olhar cínico e penetrante para . — Vim saber se a ainda jovem está bem. Soube que se machucou no baile.

ameaçou ir de encontro ao Katsuo, mas levantou-se e segurou o braço do marido.

— Oh, esse é um assunto delicado? Perdão. — debochou Katsuo, rindo e parando próximo a . — Aliás, obrigado pela oportunidade de entrar na mansão , rapaz. Boa jogada, pena que nosso acordo não deu certo. — brincou ele para , que levantou com raiva.
— Calma, . — também levantou e conteve o amigo.
— Nossa, como vocês estão nervosos. Cheguei em má hora? — Katsuo voltou a debochar e passeou com seu olhar por todos os presentes.
— O que você quer, Katsuo? — disse , impaciente. ainda segurava seu braço, tentando acalmá-lo.
— Você sabe o que eu quero, — respondeu ele com seu sorriso debochado.
— O lugar de comandante da Seven é do por direito. É uma regra, um acordo de gerações das famílias da Seven. Incontestável. — falou Masaaki, que também estava na reunião.
— Regras existem para serem mudadas. Acordos existem para serem refeitos. Nada é definitivo. — disse ele e completou: — Se não forem feitos por bem, podem ser feitos por mal. Será um prazer.
— O que quer dizer com isso? — questionou já sabendo a resposta.
— Por enquanto, nada. Mas, se for preciso, eu irei além da conversa para ter o que quero. — ele fixou o olhar em e continuou: — Falar nisso, Li-chan, como vão seus filhos?
— Seu desgraçado!!!

deu a volta em e saiu correndo até Katsuo que nem se mexeu, apenas deixou ser atingido pelo soco que deu nele.

— Não ouse se aproximar dos meus filhos! — bradou ela, furiosa. se movimentou para ajudá-la, mas logo seu corpo paralisou.
— Você é muito abusada! — Katsuo agarrou pelo pescoço com uma chave-de-braço e começou a apertar.
— Me solta! — gritou ela, sufocando.
— Solta ela! — gritou e tentou se aproximar, mas logo recuou ao ver que Katsuo tinha uma arma apontada para a cabeça de .
— Cansei de conversa. — disse Katsuo com um tom de loucura e irritação na voz. — Você — ele puxou o corpo de para trás e apertou mais a chave-de-braço — já me irritou demais por hoje!
— Solta a minha mulher!! — tenta se aproximar novamente, mas vê Katsuo apertar o braço e pôr o dedo no gatilho da arma. — Para com isso, Katsuo!

Apertando com muita força, somente com um braço, Katsuo vai sufocando aos poucos. , sem poder agir por medo de Katsuo atirar na cabeça de , ficou paralisado em angústia ao ver os olhos de se fechando, o ar lhe faltando e...
Antes de derrubar o corpo desfalecido de no chão, Katsuo ameaça a todos, dizendo que terá o que quer de qualquer maneira. Abriu a porta, largou no chão e fugiu, trancando todos no escritório.
Sem se preocupar em seguir Katsuo, correu até , precisava ver como ela estava.

— Ela apenas desmaiou. — avisou , que chegou até primeiro.
... amor... — sentiu sua garganta lhe sufocar de tão fechada que ficou.

Ele carregou no colo e a deitou com cuidado no sofá, repousando sua cabeça na almofada. Em meio a ligações para localizar Katsuo, outra vez o bater da porta chamou a atenção de todos. Dessa vez, de alguém da família.

?! — disse ao ver a esposa, que parecia aflita.
— Amor... , o Hayato sumiu! — revelou ela ao se aproximar do marido e o segurar pelos braços.
— O quê? — sentiu que seu corpo ia vacilar a qualquer instante. — Como assim, ?!
— Ligaram da escola... ele e a Sayuri sumiram!

Ao ouvir o nome de sua filha, se levantou e caminhou até a cunhada.

— A Sayuri?
— Sim... — começou a chorar e voltou seu olhar aflito ao marido. — ... Onde está nosso filho? — ela abraçou com força e ele logo afagou a nuca da esposa.
— Vamos encontrá-lo, amor. Acalme-se, por favor.

Sentado na cadeira, pois seu corpo vacilou, olhava sua esposa ainda desmaiada e pensava em como contaria a ela que Sayuri desapareceu.
quis chorar, gritar, se desesperar, mas não fez isso. Puxou o ar, com dificuldade, para o pulmão e logo concluiu que somente uma pessoa poderia ter levado sua filha e seu afilhado: Ren Kobayashi.





Continua...



Nota da autora: Houveram muitos surtos ultimamente, né? Mas, de tudo, só tenho a dizer é que Business está acabando ~choro ~

Tem apenas mais quatro capítulos e o epílogo. Isso mesmo: como se não bastasse os outros spin-offs desse surto chamado Business, eu resolvi contar uma história pós-Business. Tal história se chamará "Princesa de Tóquio" e contará a saga da filha mais velha do casal principal. Mas, calma que nosso casal vinte e HOT estará nesse último spin-off também 🤭

Já adianto que ele já começa TENSO! Prevejo surtos.

Vejo vocês em breve ;)

E comentem o que estão achando, babys!
Beijos!!




Outras Fanfics:
Little Sister
In
New FBI
MV: Reason Living
MV: Answer


Nota da beta: Eu comecei a betar desesperada. Ri dos irmãos brigando e terminei chorando. Tá feliz, Li Santos?
Bom, o Disqus está um pouco instável ultimamente e, às vezes, a caixinha de comentários pode não aparecer. Então, caso você queira deixar a autora feliz com um comentário, é só clicar AQUI.

Qualquer erro nessa fanfic ou reclamações, somente no e-mail.


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