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Última atualização: 12/12/2021

Capítulo 01
Há sempre um maldito baile.

Se você não encontrar um motivo para ficar;
Então eu sempre terei um solitário coração...

Lonely Heart - 5 Seconds of Summer

Ponto de vista da :

Encarei o enorme campus à minha frente, quase arrependida de estar ali. Embora soubesse que estava na hora de finalmente tomar alguma atitude na minha vida, eu não conseguia entender exatamente se aquela foi uma escolha correta. Quer dizer, entrar na Universidade era uma coisa correta, certo? Eu só não fazia tanto estardalhaço quanto a isso. Eu tinha dinheiro para estudar em qualquer lugar do mundo a minha vida inteira. Podia viajar para qualquer lugar. Se eu doasse metade do meu dinheiro, ainda assim, sobraria muito. Parecia que eu estava ali somente por diversão — e, droga, eu nem estava me divertindo.
— Você está andando muito rápido... — resmunguei, quando percebi minha melhor amiga um pouco mais à minha frente.
Soltei um suspiro ao notar o seu sorriso animado ao estar ali.
Ao contrário de mim, Candice não tinha todos os luxos aos seus pés. Ao invés disso, ela tinha uma família que se importava mais com ela do que com o dinheiro em si, então eu sabia que ela estar ali, no Columbia, uma das melhores universidades da lista, significava muito. Era por ela também que eu estava aqui. Eu iria para qualquer lugar, contanto que ela estivesse lá.
— Queria poder conhecer tudo para não me perder. — Ela disse, ajeitando os óculos no rosto, mesmo que não tivesse um problema grave de visão. — Aqui é mais bonito que nas fotos, eles deveriam atualizar o álbum do site.
Eu tinha certeza que ela tinha passado a noite inteira ansiosa para aquele momento, então ficou pesquisando tudo a respeito do lugar. Eu nem me surpreendia mais; Candice era exatamente o tipo de pessoa que gostava de estar por dentro de tudo para não ter que lidar com surpresas.
Olhei ao redor.
Realmente, o lugar era até bonito, mas como eu não tinha visto as fotos, não havia muito com o que comparar. Talvez eu devesse ter aceitado o tour pelo lugar que estavam oferecendo aos calouros, mas como eu não tinha paciência, resolvi testar andar sozinha por aí com a minha melhor amiga. Além do mais, estava acontecendo o Rush Week, um evento de integração aos calouros, e como eu preferia evitar muita gente no mesmo lugar, foi uma boa decisão ter recusado. Era melhor do que me irritar no primeiro dia. Eu gostava apenas de aturar a Candice ao meu lado, porque ela era a única pessoa do mundo inteiro por quem eu ainda tinha alguma afeição. Nem mesmo meus pais recebiam tanto afeto da minha parte.
Alcancei-a, soltando um suspiro ao encarar o folheto e levantei os olhos para ela.
— Ficamos na mesma fraternidade. — Eu disse, apontando o folheto. — Mas em quartos separados. E eu odiei.
Minha melhor amiga parou ao meu lado, olhando as informações do folheto que eu segurava por cima do meu ombro, verificando.
— Eu fiquei… eu…
Guardei o folheto dentro de um caderno pequeno que eu segurava e levantei os olhos para Candice, estranhando o fato dela estar gaguejando.
— Um quarto triplo.
— Candice... — chamei.
Eu sabia o que ela estava pensando. Candy era o tipo de pessoa que fazia amizade com qualquer pessoa, em qualquer ambiente que estivesse, mas isso exigia muito esforço da sua parte. Vencer a sua timidez era um processo e, então, dividir um quarto com duas pessoas… era um pouquinho demais para ela começar.
Ela piscou os olhos, tirando um cacho da frente do seu rosto e encolheu os ombros, cedendo aos seus pensamentos pessimistas.
— Candy, não precisa se preocupar... — tentei tranquilizá-la, exibindo um sorriso pequeno e fechado. — Você sabe que vou acabar expulsando a minha colega de quarto, então, isso significa que você pode dormir comigo.
Ela balançou a cabeça, mas acabou sorrindo, o que me deixou mais satisfeita. E, em uma tentativa de distrair a sua mente, perguntei:
— Onde fica a Sigma, afinal?
— Para lá! — Exclamou, sorrindo animada.
É claro que ela saberia. E é claro que ela também sabia que eu ia acabar perguntando alguma coisa. Eu era inteligente, mas tinha preguiça de algumas coisas, então ficava mais fácil simplesmente perguntar para ela. Candice sempre tinha alguma resposta para as minhas dúvidas.
Olhei para o prédio que ela tinha apontado segundos antes e balancei a cabeça positivamente. Aquele prédio era só mais um lugar que eu chamaria de lar por um tempo, até encontrar outro. E outro. E outro. E nunca voltar para casa.
— Você quer ir pra lá? Podemos ir pra lá, se você quiser! — Ela juntou as pernas e vibrou um pouquinho, enquanto batia um pé no chão. — Fiquei sabendo que tem uma estátua de Atena para aquele lado ali. — Apontou para o lado oposto.
“Fiquei sabendo” tinha a tradução de “passei a noite inteira estudando o mapa da universidade”, mas não comentei nada.
Ela estava animada e mesmo que eu fosse uma rabugenta na maior parte do tempo, não seria eu a estragar a sua felicidade.
— Claro, vamos.
Candice sorriu radiante para mim, abraçando o próprio caderno contra o peito e começamos a andar juntas, lado a lado, em direção ao prédio da Sigma. Eu não estava ansiosa para conhecer a minha colega de quarto, mas esperava que ela estivesse lá, ao menos para eu saber quem diabos era a garota.
Candy se mantinha a uma distância segura de mim. Não porque tinha medo ou evitava alguma coisa, mas porque eu evitava o toque. O tempo todo. Não gostava de contato físico e ela tinha sido a primeira pessoa a me compreender com aquilo e nunca forçou nada. Não sentia a necessidade de entrelaçar seu braço no meu, como víamos duas melhores amigas fazendo em filmes, nem me abraçava em qualquer ocasião. Ela respeitava o meu espaço e eu era grata por isso.
— É interessante, não é? — Ela começou a falar e eu fiquei em silêncio, ouvindo. — A deusa do conhecimento e da sabedoria em estátua numa universidade, é como se ela estivesse guardando alguma coisa ou nos guiando. Não que eu acredite em deuses, claro.
Balancei a cabeça em negação, mas sorri rapidamente. Só aquela garota para ficar animada com uma estátua grega em exibição.
Deixei que ela fosse na frente, finalmente chegando ao prédio. As portas estavam abertas, como eu devia ter imaginado, já que era um dia oficial para receber os novos calouros. Eu ainda tinha mil coisas para resolver do meu curso e Candy tinha coisas para resolver do dela, mas ali, por enquanto, só precisávamos curtir um pouco o novo lugar.
Quando atravessei a porta logo depois dela, percebi como a sala — que era enorme — estava completamente cheia. Uma garota baixa percebeu a nossa presença e correu até nós duas, estendendo um panfleto para Candice.
— Sejam bem-vindas à Sigma! — Desejou, um sorriso gigante estampado no seu rosto.
Candy retribuiu, enquanto eu, ao lado dela, permaneci em silêncio.
— Em duas semanas haverá um baile e os calouros serão as principais estrelas do evento. Basta acessar o site na página abaixo e terão todas as informações.
— Muito obrigada! — Minha melhor amiga agradeceu, educada como sempre.
Com um suspiro, adiantei os meus passos para os corredores, procurando pelos quartos. Candice veio atrás de mim logo em seguida, com o papel na mão e o caderno na outra.
— Está com o celular aí? — Perguntou.
Coloquei a mão no meu bolso esquerdo da calça, retirando o meu aparelho de lá. Desbloqueei a tela e estendi para Candice, sabendo que ela ia pesquisar o tal site. Eu não tinha interesse em baile nenhum e não estava nenhum pouco curiosa, mas ela não era eu.
Peguei o caderno da mão dela, deixando os seus braços mais livres e continuei andando devagar, passando os olhos pelas portas. Havia o nome de cada integrante dos quartos, o que facilitava muito a identificação, e eu estava procurando o meu nome.
Candice emitiu um barulho estranho com a boca. Quando parei de andar e me virei de frente para ela, minha melhor amiga olhou para mim.
— É pedir demais que você não cometa nenhuma loucura?
Fiquei desconfiada imediatamente, estreitando os olhos na direção dela.
— Por quê? — Questionei.
Candice umedeceu os próprios lábios, como se estivesse ainda decidindo se me mostraria o que encontrou ou não.
— A garota estava sendo bem específica quando disse que os calouros são as estrelas do baile... — respondeu, aproximando-se de mim o suficiente para exibir a tela do meu celular bem na frente do meu rosto. — Se serve de consolo, sua foto está linda.
Seu elogio foi somente uma tentativa de amenizar o quão irritada eu ficaria. Quando peguei o celular da sua mão, soltei um palavrão baixinho ao observar a minha foto na tela e, abaixo dela, uma legenda em negrito exibindo: “Oferte o seu lance. Ela pode ser a sua companhia por uma noite!”
— O que é isso? — Indaguei, meus dentes cerrados.
Candice olhou para mim com uma expressão afetada.
— É tipo um leilão... — começou a explicar. — Nesse caso, os veteranos vão dar um lance para os calouros, o maior lance leva. O dinheiro vai todo para caridade e o prêmio de quem levou o lance é um par para o baile.
Apertei o celular entre os meus dedos com força, mordendo a parte interna da minha bochecha.
— Você tem noção do quanto isso é ridículo? — Indaguei.
Candice encolheu os ombros.
— É por uma boa causa.
Bloqueei a tela do celular e guardei o aparelho de volta no bolso, irritada demais para protestar sobre alguma coisa.
— Não vou nesse baile! — Decretei, apontando um dedo em riste para ela. — E vou mandar tirar a minha foto desse site ridículo!
Como se já esperasse pela minha reação, Candy suspirou.
, você anda precisando se divertir um pouquinho... — ela começou a falar. — Eu sei que você odeia todo mundo, mas conhecer gente nova pode ser bom para você, sabe?!
Deixei os meus ombros caírem e voltei a andar, passando os olhos pelas portas dos corredores, conforme eu avançava.
— Eu não já disse que só ter você é suficiente para mim? — Questionei.
Nós já tivemos aquela conversa antes, nunca parecia ter fim para ela. Eu devia imaginar que qualquer oportunidade que Candice tivesse de bater naquela tecla, ela iria.
— Sim, disse! — Concordou, andando ao meu lado, um pouco mais distante. — Mesmo assim, eu só queria que você aproveitasse um pouco mais da vida. Que fosse aberta às possibilidades.
— Candice…
— Eu prometo! — Ela disse. — Se você for nesse baile, eu te deixo em paz.
Uma oferta tentadora. Eu sabia que, em partes, ela só queria que eu fosse um pouquinho mais leve. Um pouquinho menos rabugenta com o mundo e mais aberta a viver qualquer coisa, mas não era tão fácil assim.
Como abraçar o mundo, quando eu evitava qualquer toque vindo dele?
— Só precisa me devolver a promessa... — continuou. — Tente ir e se divertir.
Pisquei meus olhos na direção dela e toda minha irritação se esvaiu. Era muito difícil ficar irritada com qualquer coisa que Candice fizesse ou falasse. Ela era a primeira pessoa a ter aquele tipo de efeito sobre mim — e, eu esperava, que fosse a única.
— Eu prometo! — Cedi, enfim.
Ela abriu um sorriso radiante e eu nem tive como me arrepender de ter feito a promessa. Talvez mais tarde, quando a euforia tiver passado.
Respirei fundo, balançando a cabeça em negação, e encarei a próxima porta. Apontei para ela e Candice olhou, encontrando o meu nome, junto com o de outra garota — minha nova colega de quarto.
— Eu devia desejar meus pêsames para ela... — Candy disse.
Revirei os olhos e joguei o caderno em cima dela, que agarrou com um reflexo impressionante.
— Te encontro mais tarde?
Eu assenti.
Ela virou as costas e começou a andar pelos corredores novamente, à procura do seu nome na porta. Enquanto assistia ela ir, com toda animação do mundo, não pude deixar de perceber que a promessa tinha sido um erro.
E eu descobri isso logo depois.

Duas semanas depois...

— Isso é tão ridículo. — Mantive os meus olhos fechados, enquanto Candice tentava terminar a minha maquiagem, mas era meio difícil manter a minha boca fechada.
Eu queria reclamar daquela ideia estúpida de me fazer participar do baile, porque primeiro: eu não gostava de festas. Quanto mais eu pudesse evitar, eu faria isso; e, segundo: eu odiava a multidão. Mas, uma vez que eu tinha feito a promessa para minha melhor amiga, era melhor cumprir.
A promessa consistia no seguinte: eu iria fazer um esforcinho para comparecer no baile e tentar, veja bem, tentar me divertir. Àquela altura da vida, eu achava que Candice me conhecia o suficiente para saber que “tentar” já era um esforço enorme. Agora, cá estava eu, fazendo aquele esforço para ficar linda para um baile que eu não tinha a mínima paciência com a companhia de um cara que eu não conhecia — e, claramente, não tinha interesse nenhum em querer conhecer.
Quando ele me mandou o convite, dizendo que tinha me comprado no leilão — pelo amor de Deus, outra ideia que eu achei completamente ridícula —, eu pensei em dizer “não”. Digitei a negação com todas as letras e até quase enviei, quando lembrei da promessa.
Céus, o que eu não faria pela Candice?
— Se ele for insuportável, como todos os garotos são, vai parecer suspeito se ele sumir da festa sem mais nem menos? — Indaguei para ela, revendo as minhas opções.
Candice revirou os olhos, mas me devolveu aquele sorriso.
— Sem mortes, por favor! — Foi tudo o que ela declarou.
Apesar da leveza da conversa, ela usou o seu tom de voz sério para me indicar que eu não podia levar as minhas ideias malucas adiante. Candy realmente achava que eu era capaz de fazer qualquer coisa, mas eu ainda achava que restava algum limite dentro de mim.
Assim que ela terminou, levantei-me com a sua insistência para que eu me olhasse no espelho e desejei não ter feito isso. Não porque eu estava feia ou algo do tipo, mas porque eu estava... como nunca ficava em lugar nenhum. Meu cabelo estava preso, com uma tiara simples o decorando, e a fumaça preta em volta dos meus olhos destacavam a cor deles. Eu queria desistir, tirar aquele vestido de Cinderela, colocar um pijama e assistir um filme de terror psicológico. Era daquele tipo de noite que eu gostava.
— Candy, isso é... — pisquei, analisando a minha imagem no espelho novamente, e suspirei, me recusando a ficar encantada com a minha própria beleza.
Não havia nada demais.
— Ridículo. — Completei para ela, calçando o salto que ela escolheu.
E eu estava pronta.
Minha melhor amiga soltou um suspiro resignado, mas estava acostumada comigo. Quem mais me aguentaria tanto daquela forma?
Olhei para a minha melhor amiga, sentindo meu coração se encher de orgulho ao notar que ela estava toda deslumbrante. Sua beleza me matava um pouco a cada dia.
— Tenho que ir antes de desistir, mas você está linda, Candy. — Sorri para ela, sincera. — O Eric tem sorte que eu ainda não o conheço! — Apontei um dedo em riste para ela, comunicando silenciosamente que aquilo ainda iria acontecer.
Eu esperava que aquele cara, por quem ela estava toda encantada, fosse, no mínimo, decente para ela. Candice merecia muito mais do que eu em relação a todas as coisas maravilhosas que existiam no mundo.
Dei um beijo rápido de despedida nela e saí com a maior calma do mundo, sem me importar se eu estava atrasada ou deixando o tal esperando. Pelo que eu tinha descoberto, ele não era lá flor que se cheirasse, mas não era como se eu me importasse.
Assim que cheguei ao lado de fora, fui direto para o Uber que eu tinha pedido minutos atrás, ignorando os olhares de todas as pessoas que encontrei pelo caminho. Enquanto o motorista seguia o caminho até onde o baile estava acontecendo, não pude evitar em planejar vários tipos de fugas daquele evento. Ao menos eu estava mais do que satisfeita em ter doado uma boa quantia de dinheiro, quando meu pai odiava essas coisas. Mas ele não reclamaria. Nunca comigo.
Suspirei, entregando o dinheiro da corrida para o homem e saí, encarando com tédio toda a decoração do lugar e notei que ele estava cheio. Cheio demais. Cocei a minha bochecha, entrando naquele inferno de uma vez, evitando esbarrar em todo mundo quando eu podia. E, pelo caminho, ia forçando a minha memória a lembrar de como era o , mas sua aparência só surgiu na minha memória quando eu o vi conversando com outra garota.
— Péssima ideia... — murmurei baixinho, desviando das pessoas, começando a andar até ele, pegando uma taça de vinho pelo caminho e bebendo um gole. — Se não se importa, poderia vazar? — Dirigi-me primeiro à menina, que me olhou com a maior cara de desprezo, mas eu conseguia ser muito pior que ela.
Normalmente, eu não faria aquilo. Eu teria ficado feliz em dar as costas para aquela cena e deixar o se divertir com aquela garota, mas, bem... se ele tinha me comprado, eu poderia fazer valer o seu tempo um pouco, não é? Ele era o culpado de eu estar ali, afinal.
Então, quando a garota finalmente saiu, olhei para , de cima a baixo, mas ao contrário do que aquele gesto indicava, eu só estava analisando o quão rápido aquilo duraria. Ele não pareceu incomodado com aquilo, como se já estivesse acostumado a ser olhado daquela forma.
— Tinha esperança que ninguém fosse ousado o suficiente para querer me comprar. — Iniciei, bebendo mais um gole do vinho, que estava doce e eu odiava, mas teria que servir por agora. — Mas parece que você é um... enigma? — Não encontrei a palavra e balancei a cabeça, umedecendo os lábios. — De qualquer forma, estou ansiosa para descobrir se você quebra o recorde de quinze minutos de tolerância.
— Me desejaram sorte quando eu disse que estava tentado a te escolher, na verdade. — Ele comentou, passando o polegar pelo lábio inferior e deixando seu olhar vagar discretamente por mim.
— Jura? — Ironizei.
É claro que tinham desejado aquilo para ele. Não era como se eu tivesse uma fama muito boa pelos corredores da Universidade.
— E sobre ser um enigma, eu não sei, mas desavisado... talvez. — Continuou, ignorando a minha ironia. — Ninguém quis me contar os motivos do "boa sorte" quando contei que tinha te escolhido, então eu fiquei muito curioso. — Sinceridade despontou dos seus lábios.
Observei ele arquear a sobrancelha e criei coragem para beber um gole do vinho, ouvindo a sua risada.
— Bom, se é um desafio, foi aceito. — Ele disse.
Não era um desafio, mas não reclamei.
Ele interceptou um garçom, quando o mesmo passou por ele, e assisti pegar o copo de whisky, jogando duas pedras de gelo antes de dar o primeiro gole.
— Talvez “enigma” não seja a palavra correta, afinal. Um idiota soa muito melhor que um desavisado. "Boa sorte" não te diz muita coisa? — Questionei a inteligência dele, mas eu estava começando a me irritar.
Não com ele, mas com as pessoas que disseram aquilo a ele. Elas não me conheciam para sair falando que ele precisava de sorte para lidar comigo, embora eu talvez concordasse um pouco. Eu não era uma pessoa má de propósito — eu sequer me considerava uma pessoa má —, eu só não tinha a merda da culpa das expectativas que eles colocavam em cima de mim. Era por isso que eu só tinha uma única amiga no mundo inteiro. E ainda demorei a encontrá-la.
— Olha, "boa sorte" diz sim alguma coisa, mas eu sempre prefiro arriscar e tirar minhas próprias conclusões por mais idiota que a situação pareça. — Ele me respondeu, olhando para mim. — Aliás, é bem comum usarem "idiota" para se referir a mim também. Nunca levo para o lado pessoal.
— Talvez esse seja seu erro... — apontei, ainda olhando para ele.
Tempo demais.
Eu estava encarando aquele garoto por tempo demais.
Revirei todos os goles do vinho que restou na taça e esperei outro garçom passar para trocar uma taça vazia por outra cheia, dessa vez, algo mais forte. Fazia tempo que eu não bebia nada.
— Não sou tão má companhia assim, embora algumas pessoas discordem. — rebateu, encarando-me.
Respirei fundo e comecei a andar pelo salão, sem me importar se ele me seguiria ou não, mas, no fim, ele tinha mesmo vindo atrás de mim.
— O problema não é você ser uma má companhia... — eu disse. — Isso eu sei lidar.
— Bom, quinze minutos seria um recorde para mim. — Ele comentou. — O mais rápido que já fui dispensado por alguém em uma festa. Se combinarmos direitinho, cada um bate uma meta. — Humor escapou dos seus lábios, um sorriso discreto desenhado em seu rosto.
Eu podia ir embora. Eu podia mesmo ir embora, Candy não me culparia por não ceder aos encantos que era socializar com alguém e ainda me parabenizaria por tentar, mas, por algum motivo, continuei ali. Talvez eu precisasse beber mais um pouco.
Quando levei o copo à minha boca, fiquei frustrada por a bebida ser doce.
— Deixa eu adivinhar: você nunca foi dispensado. — Observei-o. — Vou adivinhar de novo: você somente é dispensado no dia seguinte. Na verdade, é você quem sempre dispensa. Faz bem para o seu ego, não é? — Não tinha sorriso nos meus lábios, mas tinha sarcasmo na minha voz e desprezo nos meus olhos.
— Ah, claro que não! — Retrucou. — Eu já fui dispensado sim, acho que se eu encontrar alguém que nunca foi, eu parabenizo e tudo. Só nunca fui dispensado assim, na cara dura. — Explicou.
Bebi o resto do líquido no meu copo, livrando-me logo daquela bebida ruim.
— Mas você está certa sobre o dia seguinte... — ele continuou. — Geralmente, sou eu que dispenso, mas nada tem a ver com ego. É uma conveniência. Se já me deram tudo o que eu queria, não tem motivo para continuar nada ou fazer cerimônias depois disso.
Olhei para o bar, parando ali perto mesmo e encontrei um relógio elegante pendurado na parede de trás das garrafas.
— Cinco minutos. E você ainda não me mostrou nada interessante... — resmunguei. — Como eu previ.
Ele apoiou o cotovelo no balcão e me encarou.
— Você é exigente demais. — Apontou, não parecendo abalado por eu ter dito que ele não era interessante. — Defina o que seria “algo interessante” para você. — Pediu.
Mordi o meu lábio inferior, sentindo-me pequena diante de tanta gente. Era tão chato tentar ficar evitando o tempo todo não esbarrar em ninguém e eu estava satisfeita que não estava muito próximo. Parecia uma distância segura entre nós dois.
Virei meu olhar para meu acompanhante e arqueei a sobrancelha, colocando meu corpo em cima do balcão.
— Exigente? Você não viu nada... — um sorriso pequeno até delineou meus lábios ao ouvir ele dizer isso. Mas tão rápido quanto ele apareceu, sumiu. — Está bem. Você calado, por exemplo, seria bem interessante.
Parei um barman que passava atrás do balcão, pedindo que ele me servisse algo que não fosse doce e tivesse álcool, já que eu estava sendo obrigada a socializar. Se fosse para manter aquela farsa, era melhor que não fosse sóbria.
— Ah, não, quem te divertiria tanto se eu calasse a boca? — Ele abriu os braços um pouco. — A não ser que você queira calar a minha boca com a sua, daí já gosto mais da coisa.
Observei um sorriso charmoso surgir em seus lábios no exato momento em que o barman voltou, servindo-me um copo de bebida. Eu aceitei, bebendo um gole, satisfeita ao sentir o gosto de álcool, um pouco desacreditada que ele estava mesmo dando em cima de mim. Não que eu não esperasse isso, eu duvidava muito que encontrasse alguém que não tentasse isso, mas, mesmo assim...
Abri um sorriso falso para ele, como se eu tivesse achado a ideia interessante, mas era a outra ideia. A minha ideia. Segurei a taça de bebida com firmeza, sem esperar nem um outro segundo para despejar tudo em , desfazendo meu sorriso e colocando a taça vazia em cima do balcão, ignorando os olhares em volta.
Ele apertou os lábios, irritado, enquanto recuava um passo para a bebida escorrer. Olhou para o terno manchado e pegou o guardanapo no balcão para enxugar o rosto. Quando voltou a me encarar, seus olhos estavam faiscando de irritação, mas ele abriu um sorriso, lambendo os lábios, testando o gosto da bebida.
— Achei mais interessante se eu pudesse te calar assim. Uma pena que você não conseguiu cumprir os quinze minutos de tolerância, mas valeu a tentativa! — Fiz uso do sarcasmo de novo, dando as costas e me afastando dele.
— Você desperdiçou um drink muito bom com vodka, . Também estragou meu terno novinho! — Praticamente gritou, mas não me virei, ignorando-o.
Soltei um suspiro pesado, irritada, balançando a cabeça em negação, enquanto eu seguia direto para a saída, sem nenhuma vontade de me manter ali nem mais um minuto. Eu nem deveria ter vindo, para começo de conversa.
Deveria receber um prêmio Nobel por ainda ter conseguido aturar aquele idiota por mais de cinco minutos. E por ter conseguido atravessar a multidão sem surtar.
Bom, ao menos a Candice não podia dizer que eu não tentei...



Capítulo 02
Um café extremamente inconveniente.

Bem, estou ocupada demais pra você;
Vá achar uma garota que queira te ouvir;
Porque se você acha que eu nasci ontem;
Você não me conhece...

IDGAF - Dua Lipa

Ponto de vista do :

Deixei escapar uma risada baixa e levemente rouca, sentindo bem a reação que eu estava causando em Ryan. Ele resmungou algo que perdeu completamente o sentido no meio do nosso beijo e o pressionei ainda mais contra a parede do chuveiro, deixando a água quente cair sobre nós e o vapor nublar o banheiro vazio. Eu tinha ficado até depois do treino para revisar alguns lances com o treinador para os próximos jogos. Convenientemente, Ryan resolveu que precisava de mais um tempo sozinho no gelo para treinar os patins novos.
Era um acordo bom o nosso.
Transa casual, zero compromisso e uma relação muito boa entre colegas, quando o assunto era o time. Não fazia ideia do porquê as pessoas ainda falavam que transar com um amigo estragava tudo, sendo que isso estava funcionando muito bem pra mim.
A mão dele fechou ao redor do meu pau e eu estremeci, inconscientemente movimentando o quadril em sua direção. Dessa vez, ele quem riu, sabendo muito bem como me provocar.
Mas o som do meu celular tocando quebrou completamente o momento, alertando-me para o compromisso que eu sabia estar adiando.
— Não. — Ele resmungou, movimentando a mão, dificultando muito a minha concentração.
Um gemido estrangulado escapou pelos meus lábios.
— Hoje foi um péssimo dia para escolher transar no chuveiro, Ryan. — Umedeci os lábios, reunindo toda minha força para recuar e me livrar do seu toque. — Tenho alguns assuntos para resolver.
Ryan bufou, encostando a cabeça na parede.
— Você é uma companhia difícil, . Sempre tem alguma coisa.
— Mas eu sei que eu faço valer muito bem o pouco tempo que a gente consegue. — Pisquei para ele, indo até o banco onde estavam minhas coisas e a toalha.
Ele não respondeu, mas o seu grunhido irritado foi suficiente para me deixar com um sorriso convencido.
O celular parou de tocar antes que eu o pegasse, mas o nome de Damon estava na tela junto com a ligação perdida. Vesti-me, juntei as roupas sujas na mochila e me despedi rapidamente de Ryan na saída do vestiário.
A arena de treinamento já estava vazia e retornei à ligação para Damon assim que a porta da quadra bateu atrás de mim. Lá dentro podia estar frio, mas um sol morno e gostoso brilhava no céu de Nova York aqui fora.
— Eu espero que você tenha boas notícias para mim, Damon. — Cumprimentei-o, assim que ele atendeu o telefone.
Estou a caminho com o que você quer, me encontra no café do campus. — Avisou, parecendo levemente apreensivo. — Mas não consegui tudo o que você queria.
— Então vai conseguir. — A ordem soou casual e quase sem ameaça.
Olha, eu… — tentou, mas eu o interrompi.
— Eu não quero saber de desculpas, Damon. — Puxei meus cabelos úmidos para trás, mudando a rota até o caminho que levava até o café. — Você vai aparecer aqui com tudo que eu pedi e sem desculpas, pois eu não dou a mínima.
Desliguei antes que ele pudesse argumentar e enfiei o celular no bolso do jeans, tentando não deixar isso me irritar demais. Não era a primeira vez que Damon tentava me vir com desculpas idiotas, mas eu estava cansado de ouvi-las, mesmo que ele soubesse que não me convencia mais. Minha lista de contatos não dava a mínima para qualquer desculpa.
O sino da cafeteria tocou quando empurrei a porta para entrar. O lugar estava bem vazio para uma quinta-feira à tarde, mas alguns poucos estudantes estavam espalhados pelas mesas com as cabeças escondidas em livros ou notebooks. Eu tinha um teste de economia amanhã e deveria estar fazendo o mesmo que esses alunos.
— Linda Gylle, hoje eu vou querer café preto, por favor. — Pedi, abrindo um sorriso galanteador para Gylle, a senhora de sessenta e oito anos, que continuava trabalhando ali como administradora há mais de trinta anos.
— Café preto. — Ela bufou, apertando o teclado com avidez. — Você insulta a especialidade da casa, .
— Eu prometo que da próxima irei pedir o seu café especial, boneca. — Segurei a mão que ela estendeu com o recibo e beijei as costas, vendo-a corar com o gesto. — Mas hoje realmente preciso do bom e velho café preto.
— Vou cobrar. — Ela sorriu, parecendo mais feliz. — Mas aquela pobre menina bem que poderia fazer bom uso do nosso especial.
Gylle, como a boa fofoqueira que era, apontou para o fundo da cafeteria onde uma garota estava encolhida na última mesa, o rosto parcialmente coberto pelo livro que estava lendo. Foi nessa hora que ela ergueu o rosto para tomar um gole do café e eu identifiquei quase de imediato quem era. Sua expressão parecia bem mais séria agora e ela não estava usando o vestido chique ou a maquiagem que usou no baile, mas a arrogância parecia exalar dela como se a garota se achasse um ser completamente superior mesmo que inconscientemente.
Eu tinha guardado um leve ressentimento desde o dia do baile, não podia negar. Meu terno estragado tinha feito minha irmã ter um acesso de raiva por eu ter sido tão descuidado com a peça exclusiva que ela conseguiu para mim. Eu poderia comprar uma garrafa de água e ir retribuir o golpe baixo, mas um clique na minha cabeça me fez ter certeza que ela iria preferir um banho do que minuto da minha presença.
— Ah, ela definitivamente poderia fazer bom uso com a sua bomba de açúcar, Gylle. — Concordei, reprimindo um sorriso de pura malícia. — Obrigado, linda.
Gylle sorriu ao me entregar um copo de papel cheio de café que a barista havia preparado. Sem hesitação, meus pés se moveram com determinação até a última mesa da cafeteria e eu me sentei no banco acolchoado e desocupado, atraindo a atenção da única pessoa na mesa.
— E aí, linda! — Abri meu melhor sorriso, largando a mochila ao meu lado. — Não tinha outras mesas vazias, mas te vi e pensei: já que eu e nos tornamos bons amigos, vou sentar com ela. Você parecia precisar de uma companhia.
Fingi não notar as diversas mesas vazias quando escrutinou o local, analisando o monte de lugar vazio onde eu poderia sentar. Ela ergueu uma sobrancelha, abrindo um sorriso irônico.
— Acho que seu conceito de “bons amigos” está um pouco ultrapassado. — Respondeu, fechando o livro. — E eu detestei sua companhia.
— Você acha que está? — Fiz um biquinho pensativo, fingindo avaliar o conceito de "bons amigos". — Não, eu acho é exatamente o que somos.
— Estou definitivamente intrigada... — confessou, torcendo o nariz, o que fez com seus óculos subissem mais no rosto. — Achei que ter jogado bebida na sua cara significava "mantenha distância", mas acho que entendi errado.
— Ah, não. Você deixou bem claro sim que significava "mantenha distância", mas não deixei isso me abalar e resolvi te dar uma segunda chance, porque acho que nossa amizade pode ser promissora. — Falei tranquilamente, apoiando o tornozelo no joelho. — Eu sou um cara muito legal, como dá pra ver.
— Você gosta de dar segundas chances a garotas que te dizem não? — Arqueou a sobrancelha levemente.
— Gosto. Todos cometemos erros. Para alguns casos, eu acho imprescindível dar uma segunda chance. Além do mais, garotas bonitas sempre merecem uma segunda chance. — Fiz um floreio com a mão, apontando para ela no final.
— Eu deveria me comover com esse elogio? — Questionou, mantendo uma expressão de falsa surpresa.
— Não, você é linda, não precisa se comover recebendo elogios. Devia receber o tempo todo, na verdade.
Falei com sinceridade, uma das poucas coisas que não falei para ela que foi cheia de cinismo. Eu era um bom apreciador de coisas bonitas e apesar do humor agridoce, era muito bonita. Na verdade, ela ser ácida só a tornava mais bonita.
— Mas, e aí, o que você está lendo? — Perguntei, tentando espiar o livro.
respirou fundo, como se fosse muito esforço para aturar a minha presença ali. Ela pegou o livro e escondeu-o diretamente no seu colo, claramente nenhum pouco interessada em me deixar ver o título com clareza.
— Um livro muito bom chamado “você deveria ir embora”... — respondeu.
Franzi o cenho, balançando a cabeça lentamente.
— Não é um título muito atraente para um livro. — Beberiquei um gole do meu café, apreciando o amargor da falta de açúcar. — Fala de um cara bonitão e uma ruiva emburrada, que gosta de jogar bebida nos ternos caros das pessoas?
— Primeiro: — ela torceu o nariz, ajeitando os óculos no rosto e em seguida levantou o dedo indicador, logo adicionando o segundo dedo, enumerando. — Não estou tão certa quanto ao “um cara bonitão” se ele for você. E, segundo: você mereceu.
, você pode não gostar muito de mim, mas negar que eu sou bonitão?! — Um sorriso debochado e convencido cruzou meus lábios. — Isso se chama negação. E, bom, posso ser um inconveniente de vez em quando como posso ter mencionado, mas se você tivesse superado os primeiros quinze minutos, veria que eu fico muito tolerável com o tempo.
Eu não sabia o porquê de querer tanto fazer aquela garota gostar de mim, acho que era mais por implicância que eu queria fazer isso. Eu não me achava um cara chato, sabia como levar um “não” e nunca insisti quando alguém disse que não queria nada comigo. O que eu estava tendo com não era nada sobre meu ego ferido ou sobre eu querer levar ela para cama e acabar com a marra, era só porque eu tinha achado divertido irritá-la um pouquinho. Eu era determinado e algo nessa garota tinha despertado um interesse em mim que raramente acendia.
— Tolerável, como agora? — Rebateu, ignorando totalmente a parte que eu a acusei de estar em negação sobre a minha beleza. — Não me arrependo nenhum pouco de ter ido embora. Aliás, acho que me orgulho um pouco de ter estragado um terno tão caro. Foi caro, não foi?
— Eu estou sendo mais tolerável agora. — Admiti, oferecendo pelo menos isso. — E, sim, foi muito caro. Você devia se arrepender, nem que por empatia. Minha irmã arrumou aquele terno para mim e ela é muito, muito rigorosa no que diz respeito a roupas de marca. Ela está há dias sem falar comigo por sua culpa.
Um sorriso surgiu nos lábios de e sumiu tão rápido quanto apareceu.
— Oh, eu realmente sinto muito! — Sua voz exibiu uma falsa modéstia e não acreditei nenhum pouco nas suas palavras. — Da próxima vez, talvez queira escolher melhor a sua companhia para o baile.
Observei quando ela tirou os óculos do rosto e guardou-o na bolsa, junto ao livro.
— Eu não me arrependo da minha escolha, se é o que você gostaria que fosse o caso. — Encostei-me na cadeira, cruzando os braços na frente do peito. — E escolheria você novamente, boneca. Foi uma noite divertida e eu gostei de você. Acho que você que deveria repensar os eventos que você se mete. Eu evitei muita coisa desse tipo no meu ano de calouro, sabia? Você só precisa saber as coisas certas.
— Não me chame de boneca! — Repreendeu-me. — E guarde seus conselhos para alguém que queira.
— Não chamar de “boneca”, entendi, boneca. — Fiz questão de usar o apelido novamente, só para ver aqueles olhos se encherem de irritação. — Eu só estava tentando ajudar!
me ignorou e ergueu a mão para sinalizar para alguma das garçonetes que estavam limpando as mesas vazias.
— Mas já? Você ainda nem terminou seu café. — Perguntei, apontando para a xícara quase cheia.
— É por isso que existe a opção “para viagem”. — Respondeu, sem se estender muito, deixando-me observar ela guardar suas coisas. suspirou. — E acho que você já ocupou muito o meu tempo.
— Mas na opção “para viagem” não tem o incluso, o que me parece uma opção muito ruim. — Sorri tranquilo e bebi mais um gole do meu café. — A não ser que você queira que eu te acompanhe, porque aí eu abro essa exceção.
— Você é sempre assim?
— Charmoso e bem humorado? — Questionei, inclinando-me por cima da mesa. — Sempre. E você é sempre doce assim?
— Só com caras como você. — Respondeu, dando de ombros.
— Então eu realmente sinto muito pelos caras maus que chegam perto de você. — Fiz uma careta, balançando a cabeça como se lamentasse por eles. — Já que eu que sou legal, sou tratado assim.
Uma das garçonetes que tinha visto o sinal de finalmente se aproximou da mesa com um sorriso educado nos lábios e o caderninho em mãos para esperar pelo que ela pensava ser um pedido.
— Não quero nada, só a conta... — ela avisou para a garçonete, que assentiu devagar. apontou logo em seguida para o copo de café. — Pode colocar para viagem? O mais rápido que você conseguir?
A garçonete assentiu mais uma vez e levou o copo junto. soltou um suspiro baixinho e umedeceu os próprios lábios, voltando a olhar para mim.
— Por que está fazendo isso? — Questionou, de repente.
— Tomando café? — Apontei para minha xícara. — Porque eu saí de um treino barra pesado e estou precisando muito de cafeína para me levar durante o resto do dia.
Eu sabia muito bem que não sobre isso que ela estava falando, mas eu era sonso e não queria que a conversa acabasse rápido demais. Ela balançou a cabeça, lançando-me um olhar insatisfeito.
— Você certamente contribui muito para que eu te xingue... — disse, parecendo se conter em dizer algo pela sua expressão. — Não me importo com o seu dia ou com qualquer outra coisa, eu só… não sou sua amiga. E, com certeza, não vou ser nada mais do que eu sou agora. — Continuou, tirando uma nota, pondo em cima da mesa. — Tinha várias mesas livres, por que você está aqui, além de testar a minha paciência?
Um sorriso ergueu o canto da minha boca com o que ela disse, mas apenas dei de ombros.
— Não me lembro de ter pedido para ser nada mais do que somos agora. — Apontei para o espaço entre nós dois. — E, como já disse, eu gostei de você, . É surpreendente assim eu querer sentar com você? As mesas vazias não iriam me divertir tanto assim.
Fui sincero quanto à última parte. Eu gostava da personalidade dela e até das patadas. Era engraçado e me fazia rir, apesar de sempre ficar lembrando do estrago que ela fez no terno e na surra da minha irmã por conta disso.
— Na verdade, é! — Ela respondeu, parecendo bastante certa.
A garçonete voltou com o copo dela e levantou, aceitando o copo, apontando para o dinheiro na mesa em seguida. Ela me deu uma última olhada, apontando para as mesas ao redor.
— Divirta-se com as mesas vazias agora.
— Te vejo por aí, boneca. — Dei uma piscadinha para ela, acompanhada do meu melhor sorriso. — Aqui vai ficar solitário sem você.
Dessa vez, ela não respondeu. Como na noite do baile, assisti ir embora mais uma vez.
Meu celular tocou quase na mesma hora que a porta fechou atrás de e meu olhar caiu para o aparelho vibrando no meu colo. O nome de Damon acendeu na tela.
Estou chegando. — Ele avisou, assim que eu atendi. — Com tudo.
— Bom garoto. — Engoli o resto do café ainda pegando fogo e levantei da cadeira prontamente. — Estou indo te encontrar.
Enquanto saía da cafeteria, abri minha lista de contatos para avisar que a encomenda estava saindo do forno.

Ponto de vista da :

Andei o mais rápido que eu pude, com pressa para sair daquele café. Minha respiração tinha ficado meio alterada e precisei parar em uma calçada qualquer, recostando-me contra a parede de uma loja de roupas, revirando os olhos ao escutar uma discussão de duas patricinhas sobre roupas caras e tecidos que eu fazia questão de não conhecer.
estava se tornando um problema para mim.
Lidar com ele no baile tinha sido uma coisa. Encontrar ele casualmente em lugares que eu frequentava, era outra. Eu preferia constantemente ser ignorada por todas as pessoas à minha volta, mas ele não parecia ser o tipo de cara disposto a ceder às minhas grosserias tão fácil.
E era exatamente por isso que ele estava se tornando um problema.
Eu tinha dificuldades em deixar qualquer pessoa se aproximar — com exceção da Candice —, e não queria, de jeito nenhum, ser próxima daquele cara. sempre se esquivava das perguntas, era irritante e tinha uma confiança quase inabalável, o que era duplamente irritante. E, bem… eu também não tinha histórico com muitos homens. E era meio difícil acreditar que ele realmente não quisesse alguma coisa a mais. Tratando-se de mim, não deveria ser uma coisa boa.
— Ele só pode ser maluco... — resmunguei, esfregando a minha têmpora com força.
Soltei um suspiro pesado e voltei a andar devagar, resolvendo acabar com o café pelo caminho, enquanto eu tentava não ceder ao meu mais novo estresse. Ainda precisava decidir todas as atividades extracurriculares e encontrar energia para acompanhar Candice em todas as aulas complementares, além de uma tour, que ela insistia em dizer que precisávamos conhecer todos os cantos da Universidade. Mas, sinceramente, o campus, a fraternidade e a biblioteca para mim bastavam.
Atravessei a rua e joguei o copo de café, ainda meio cheio, no primeiro lixo que vi e tirei o celular do meu bolso, abrindo o chat da minha melhor amiga. Digitei uma mensagem rápida, avisando que eu estava indo encontrá-la, sem querer aguentar para o nosso encontro da noite marcado.
Eu estava com a cabeça cheia e ter me provocado no café não tinha ajudado nenhum pouco o meu ânimo. Guardei o aparelho de volta e apressei os meus passos de volta à Universidade, não demorando mais do que trinta minutos exatos para chegar à fraternidade. Como de costume, entrei sem cumprimentar ninguém e fui direto para o que eu sabia ser o quarto de Candy. Esperando que ela estivesse sozinha, abri a porta sem bater, encontrando a garota sentada, com diversos livros ao seu redor e uma caneta colorida na boca.
Deixei a bolsa em um canto, fechando a porta atrás de mim e recebi-a com uma careta.
— Você nunca dá um tempo? — Questionei, sentando-me em uma cadeira giratória, aproximando-me da cama dela.
— Não. — Candy sorriu, largando a caneta, girando para sentar com as pernas para fora da cama. — Por acaso, quando você está em uma conta super difícil de física, você para antes de achar o resultado?
Fiz uma careta, ainda estranhando o fato de que ela me conhecia melhor do que qualquer um — e era a única que me conhecia melhor do que qualquer um, na verdade.
— Bom ponto! — Retruquei, dando-me por vencida, aceitando que meu amor por exatas não fosse nada mais do que óbvio. — Eu adoraria te dar espaço para você se fundir aos livros e etc, mas preciso ouvir um pouco a voz da sabedoria.
— Sem comida? — Minha melhor amiga olhou para minhas mãos vazias como se estivesse horrorizada. — Você sabia que deuses pedem oferendas, né? Principalmente muffins com chocolate. — Candy fantasiou, subindo o olhar até o meu rosto, enquanto abria a boca para continuar falando sobre os diversos muffins deliciosos que eu poderia ter trazido, então ela parou com a boca aberta, enquanto encarava meu rosto. — Hm… — ouvi um suspiro, em seguida, ela cruzou as pernas e espanou seus cachos para as costas. — Achei que você ia me dar mais um discurso sobre o porquê Isaac Newton era tão brilhante, mas não é o caso. O que houve? Quem chutou seu cachorrinho?
Soltei um suspiro, apontando um dedo em riste para ela, mas eu não estava com tempo e nem humor para divagar.
— Na verdade… — comecei, percebendo que eu nunca tive aquele tipo de assunto com ela e com certeza era idiota.
Cocei a minha bochecha meio desconfortável, tentando muito não desviar os olhos dela. Candice não me julgaria.
— Ninguém chutou meu cachorrinho. É só… Existe um cara.
Aparentemente, não consegui dizer "existe um cara" com a maior espontaneidade do mundo. Minha voz saiu mais como um sôfrego, como os resmungos de raiva que eu sentia toda vez que era obrigada a participar de um clube de literatura no inferno do ensino médio.
— Ah… — Candy franziu o cenho, como se esperasse muitas coisas sobre o que sairia da minha boca, mas não aquilo. Ela arregalou os olhos e se inclinou em minha direção. — Um cara! Meu Deus, por que você não disse antes? — Minha melhor amiga hesitou, mordendo os lábios.
— Porque você meio que divaga muito e… — fiz um gesto exagerado com a mão e ela me interrompeu.
— Droga, onde está o corpo? Eu sou muito jovem pra ser presa, vamos ter que enterrar ele direito. E nos livrar das provas. E… — Candy parou, olhando pra mim com seus grandes olhos castanhos, recebendo uma expressão infeliz da minha parte. — Ok, o que ele fez? Não que precise de muito, mas estou pronta pra ouvir.
Revirei os olhos com aquelas perguntas, mas, ei, quem era eu para julgar? Claramente meu instinto de assassina era muito bem estampado na minha expressão, que era muito boa em afastar qualquer pessoa.
— Ok... — limpei a minha garganta, levantando um dedo. — Em primeiro lugar, não há corpo. E mesmo que existisse, você não acha que eu faria todo o trabalho bem feito? — Questionei, quase ofendida por ela achar o contrário e dispensei a sua resposta com um gesto. Levantei outro dedo. — Em segundo lugar: ele não fez nada, exceto, ser um intrometido.
Candy soltou uma risadinha, mas quando a encarei, ela estava tossindo de forma muito suspeita. Soltei outro suspiro, deixando os meus ombros caírem derrotados e abaixei a mão.
— Eu sei que é meio espantoso eu estar falando sobre um cara, mas eu estou meio confusa — Continuei, girando na cadeira. — E a culpa é sua por ter me mandado ir para aquele maldito baile. Por que você insiste em me fazer interagir com idiotas?
— Eu não sou idiota! — Candy quase grita, claramente indignada. — Primeiro, senhora Dexter, sei muito bem que você seria brilhante em sumir com um corpo, mas, e depois? Você acha que é só isso? E o álibi? E as câmeras? Não existe Batman sem Robin. — Ela bufou, assoprando alguns cachos que caíram perto da boca no processo. — Em segundo lugar, mas mais importante: gostei dele. — Candy sorriu daquela forma como se dissesse "temos um segredo" e depois apoiou a bochecha na palma da mão. — E pare de reclamar do baile, foi fofinho e eu amei que você foi. Lembra daquela conversa sobre fazer coisas importantes por pessoas importantes? — Ela me encarou, como se esperasse a resposta, mas, na verdade, não esperou coisa nenhuma, porque, em seguida, ela continuou: — Ótimo! Eu não estava falando de mim! Pare de brigar comigo, ele era um gostosão. — Candy afastou alguns livros do caminho e olhou atentamente para mim. — Tudo bem, ele claramente mexeu com você, . Mas, qual o problema? Digo, eu sei que ele mexer com você já é um, mas o que te deu esse gatilho? Por que está confusa?
De todas as coisas que ela disse, eu só prestei atenção para me indignar com uma.
— Espera aí! — Exclamei, inclinando o meu corpo para frente, soltando uma risada nervosa. — Ele não mexeu comigo.
Candice ficou em silêncio, como se precisasse me dar aquele espaço para eu raciocinar um pouquinho. Bufei, frustrada, deixando o ar sair livremente pela boca. Que droga de conversa. De dia.
De vida, talvez.
— Ok, talvez um pouco... — eu finalmente admiti, muito a contragosto.
Candy ergueu uma sobrancelha, como se eu tivesse que admitir que ela estava certa. Não o fiz.
— Mas isso não importa. Não posso deixar e não consigo abrir esse espaço de novo, Candy.
Desde que viramos amigas, tinha demorado um tempo para que eu me permitisse ser vulnerável daquela forma com ela. Agora, o maior problema na parte do tempo, não era admitir as coisas para ela; mas para mim.
— Mexeu sim! — Insistiu, com uma teimosia que só ela tinha.
Um dedo foi apontado em minha direção e eu o encarei como se fosse fazê-la me dar uma resposta melhor:
— Se não tivesse, você não estaria com essa cara de que alguém matou seu cachorrinho. E quando digo isso, não é porque você parece fofa. É porque você mataria quem matou seu cachorrinho.
— Eu sabia que assistir a John Wick afetaria o seu cérebro! — Acusei, esfregando o rosto. — E pare de falar de um cachorrinho, eu nem tenho um.
— Agora você tem! — Exclamou, quase pulando da cama. — E, olha só, se chama .
Fiz uma careta.
— Você acabou de dizer que… Quer saber? Esquece! — Interrompi-me, resolvendo que aquela parte do assunto era algo que eu não estava interessada.
Eu tinha coisas mais importantes no momento.
— Escuta, Candice, eu sei que essas coisas parecem fáceis para você e pode até ser... — continuei, encarando-a. — Mas não é para mim. Você lembra do Nick? Eu me lembro do Nick e ele foi um desastre, e… é encrenca. Que tipo de cara volta a me infernizar depois de eu ter jogado bebida ruim em seu terno de milhões de dólares?
Candice olhou para mim por um momento extremamente longo, eu conhecia aquele olhar, ela estava escolhendo suas próximas palavras com muito cuidado. Ouvi um suspiro pesaroso, os ombros dela caíram e ela desviou o olhar.
— Eu lembro do Nick o suficiente para desejar que você esquecesse dele.
Algo em mim meio que quebrou. Nós nunca falamos do Nick por diversas razões.
— Candy… — murmurei.
— Eu entendo, . Sei que não parece, mas, veja, eu estou aqui, você vê? Te conheci na mesma época do Nick e ainda estou aqui.
Engoli a seco e acenei devagar, concordando. Mas, mesmo assim, eram duas situações totalmente diferentes. E ela ainda estar aqui não significava que tudo doeu menos.
— É diferente e você sabe disso... — rebati, um pouco cansada. — E eu ainda permiti te dar poder o suficiente para destruir o meu coração, o que não quer dizer que eu esteja disposta a dar a outra pessoa.
— Espera… você está dizendo que me deu esse poder? Mas… — Candice piscou uma vez. Depois duas. Depois três. Ela parecia verdadeiramente desnorteada, era quase fofo. — Estou enviando um beijinho aéreo até o seu nariz, por favor, receba-o com carinho, pois estou emocionada. — Candy fez um bico e soprou um beijinho no ar.
Eu não ria com muita frequência, mas aquilo era só mais uma das coisas que minha melhor amiga conseguia driblar. Com o fantasma de um sorriso ainda presente no meu rosto, estendi meus dedos na direção dela.
— Você sabe… pode só tocar as pontas dos meus dedos? — Sugeri.
Ela não perdeu tempo em aceitar e tocou as pontas dos seus dedos nos meus. Ela sempre se animava com isso.
— E focar um pouco agora? — Afastei a minha mão, trazendo o assunto de volta.
Candy colocou suas mãos no colo, franziu o cenho e levantou as mãos de novo, dessa vez para gesticular em minha direção.
— Talvez ele queira, não sei… uma amizade?
— Posso contar nos dedos quantos caras quiseram isso... — retruquei, um pouco irônica.
Recebi um revirar de olhos no processo.
— E sabe o que mais? Não há nenhum dedo levantado.
Como demonstração, mantive as minhas mãos quietas.
… — Candy tossiu, em seguida, abriu um sorriso que eu já reconhecia como a pergunta silenciosa do "você é burra?". Ela não disse em voz alta, claro. Eu não era. — Talvez ele seja, hm... diferente, sabe? Nem todos os caras são iguais, a maioria não presta, mas o que você vai perder se der uma chance a ele? Não precisa dá-lo nenhum poder.
Eu perderia meus neurônios, minha paciência, meu sono e, talvez, a minha paz? Muitas opções prováveis e eu nem acreditava que minha melhor amiga estava sugerindo algo que eu considerava absurdo.
— Ok, Candice, é o seguinte: eu tô vendo que todo esse papo sentimental não está surtindo efeito, então vou ser direta! — Cortei-a e umedeci os meus lábios, adotando a minha expressão de sempre. — Obviamente minhas grosserias não foram o suficiente para afastá-lo, então eu pensei que você poderia fazer isso. Sabe, usar essa sua cara fofa de melhor amiga e dizer “Pode deixar a em paz? Ela não pode passar por isso de novo.” — Expliquei, achando um bom plano. — E ele vai perguntar o que “de novo” significa e você pode responder “aguentar idiotas.”
Candice riu baixinho por um momento, em seguida, como se estivesse se segurando antes e agora não conseguisse mais, ela gargalhou.
— Não, eu não vou fazer isso. — Ela balançou a cabeça, ainda rindo. Em seguida, encarou-me de forma séria. — Agora me pergunte o porquê.
— Por quê? — trinquei os dentes.
— Porque ele é bonito! Ora essa, por que mais? — Ela gritou, como se fosse uma opção perfeitamente plausível e eu devesse ter imaginado ela desde o começo. — E eu gostei dele.
Como eu explicava que eram motivos estúpidos e que eu não me importava?
— Com licença, você stalkeou ele no Instagram? — Questionei, um tom de acusação subindo na minha voz.
Em menos de um minuto, seu celular estava na sua mão. Em mais um, ela estava no perfil do rolando pelo feed dele com uma rapidez que me deu dor de cabeça.
— É claro, estou vendo ele aqui no Instagram, tenho certeza que ele fode com força. Acho que ele seria um bom amigo.
— Candice, eu sou sua melhor amiga... — ditei o óbvio. — Eu sei o que significa quando você diz “um bom amigo”. E eu não ligo se ele fode com força.
Precisei de um esforço para bloquear qualquer imagem mental que me surgisse de em relação àquela frase. Candice sorriu, cada vez mais animada e motivada, o que não era minha intenção de forma alguma, pelo contrário. Minha melhor amiga estalou os dedos na frente do próprio rosto e me olhou meio travessa. Ela claramente estava feliz, provavelmente recebeu mais um “A+” em um teste.
— Ok, eu vou reformular. Tenho certeza que ele responde uma equação logarítmica de segundo grau em três minutos! E aí? Ficou com tesão? Aposto que sim.
— Não, não é assim que funciona.
— Droga, eu já te falei que gostar de trigonometria é demais até para mim. E eu não sei do que você está falando. Bons amigos costumam conversar de roupa.
— Tudo bem, chega! — Parei de girar a cadeira e me levantei, soltando o ar pela boca. Encarei-a com uma expressão de traição. — Eu não contava com o fato de que você fosse virar fã de um cara que nem conhece. Eu tenho equações logarítmicas de segundo grau para responder. Essa conversa está encerrada.
Peguei a minha bolsa jogada em um canto e abri a porta.
— Eu não virei fã, você sabe que é minha pessoa favorita no mundo todo… não me deixa falando sozinha, ! O tanquinho dele é bonito?
Revirei os olhos, bloqueando mais uma imagem mental. Mesmo assim, eu não saberia responder àquela pergunta, uma vez que eu não sabia.
— Tchau, Candy! — Gritei, batendo a porta.
— Vaca! Te amo!
Balancei a cabeça, com um meio sorriso, e apertei a alça da bolsa contra o meu ombro. Conversar com a minha melhor amiga não tinha me ajudado em absolutamente nada, mas talvez passar o restante do dia resolvendo equações logarítmicas de segundo grau fizesse a minha mente parar de pensar em tudo.



Continua...



Notas das autoras: Capítulo 2 no ar, depois de 84 anos! Não sei vocês, mas estávamos esperando o Aiden levar um banho de café dessa vez.
Não deixem de falar o que acharam, hein?
Beijos!

Outras fanfics da Aurora:
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03. Shades of Cool (Ficstape Ultraviolence - Lana Del Rey)
04. Common (Ficstape Zayn - Icarus Falls)
13. Familiar (Ficstape LP1 - Liam Payne)
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The German Mistake (Restritas – Futebolistas/Finalizadas)

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