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Última atualização: 08/02/2022

Prólogo

A sensação térmica era predominantemente congelante. O clima frio de Atlanta tornara-se característico para há alguns meses; a brasileira sentia falta de usar roupas mais curtas e das lindas praias da Califórnia, mas sua vida atual estava agradável demais para fazer alguma reclamação: após ingressar na Georgia State University, no curso superior que tanto desejava, ganhara um apartamento de seu pai, Téo — que por sinal, sentia muita falta. Como, em tais circunstâncias, ousaria reclamar de algo tão banal quanto o clima?
Apertou os próprios braços, passeando as mãos pela região, irritada consigo mesma por não ter levado uma blusa mais quente. Como se o frio não fosse ruim o suficiente, as gotas de chuva aumentaram ainda mais a intensidade, e seu celular, para piorar, estava sem bateria. Estava relativamente tarde, e como ela morava perto do local das filmagens, normalmente não ia embora na van com os outros colaboradores. Infelizmente, naquele dia, deixara o carro em casa, impossibilitando seus movimentos.
Por isso, estava ali, parada no estacionamento, murmurando alguns xingamentos em português. Mais uma vez, insistentemente, revirou a bolsa, em busca de um carregador portátil, a fim de pedir auxílio de Louise ou Caroline. Bruna e Patrícia não moravam tão perto quanto as amigas, e Marcella provavelmente estaria dormindo àquela hora. Ou talvez, até mesmo pedir um táxi quando a tempestade passasse. Só sabia que precisava ir embora e descansar.
Ouviu alguns passos atrás de si, mas não virou-se para ver quem era. Afinal, muitos dos colaboradores já estavam indo para casa, mas ela ainda possuía um círculo de amigos limitado. Haviam alguns carros no estacionamento do estúdio, das poucas pessoas que ainda estavam no local.
Justamente por não ter um coleguismo efetivo com alguém, se recusava a propor uma interação patética com qualquer pessoa que fosse. Era uma situação ridiculamente imbecil e ela não queria se estressar ainda mais. Parecia irresponsável uma adulta não estar preparada para adversidades tão básicas, de qualquer forma.
O dono dos passos, por sua vez, não hesitou chamá-la ao notar sua irritação:
— Está tudo bem com você? — uma voz masculina chamou sua atenção, em um tom brincalhão e levemente descontraído.
virou seu corpo e ergueu seu olhar em direção ao homem de sotaque extremamente característico. Estar diariamente no mesmo set que Tom Hiddleston, era, basicamente, o sonho de qualquer fã da Marvel Studios, ainda mais ela, que estava adorando acompanhar o desempenho de Loki. A série era incrível e ela era apaixonada pelo talento espetacular de seu chefe, Michael. Mesmo assim, a garota ainda sorriu com vergonha quando notou por quem estava sendo abordada.
Thomas era um exímio ator. Ela percebeu isso desde que começara a estagiar, ao ter o privilégio de assisti-lo atuar e coordenar juntamente ao seu chefe, sem contar no imenso respeito que todos possuíam pelo mais velho. Como se tantas qualidades não fossem suficientes, também era dono de uma beleza particularmente exótica, que deixou a brasileira momentaneamente sem palavras para o responder. O poder que olhos azuis gélidos como o oceano exalavam, deixariam qualquer um envergonhado.
— Sim… É que eu moro aqui perto, mas está chovendo muito. — encolheu os ombros, rindo amarelo. Parecia ridículo alguém com dezenove anos evitar dirigir por puro receio e se submeter a situações patéticas como aquela. Pior ainda, era o fato de estar tão desconcertada perto de alguém, principalmente ele, que era seu colega de trabalho. — Como não vim de carro hoje, estou apenas esperando passar.
Ela sabia que demoraria a passar. O clima no final de novembro nos Estados Unidos, ao contrário de seu antigo lar, Brasil, era predominante gelado — e, em breve, começaria a nevar.
Embora estivesse praticamente congelada e muito irritada consigo mesma, não queria soar dramática para o colega de trabalho. Thomas, por sua vez, não pôde deixar de observar a garota. Ela exalava jovialidade, e, certamente, era uma das mulheres mais bonitas daquele set. Utilizava uma saia xadrez curta, saltos altos, meias grossas e uma blusa de mangas compridas. Decerto, ela não parecia estar acostumada com o clima de Atlanta naquela época.
— Bom, para a sua sorte — Hiddleston distanciou-se ligeiramente da garota, apenas para revelar que era o dono do Jaguar deslumbrante que estava estacionado, apertando um botão para destrancá-lo. Era um veículo tão lindo quanto seu dono, e como se não bastasse, ele sorrira timidamente. —, eu posso te dar uma carona, Srta. .
sorriu ainda mais envergonhada quando percebera que o rapaz lembrava de seu sobrenome. Era tão gentil de sua parte. Colocou uma mecha de cabelo atrás da orelha, sentindo-se tão boba quanto uma pré-adolescente, cruzando os braços na frente do corpo antes de respondê-lo:
— Não precisa se incomodar, Sr. Hiddleston. Mas agradeço a gentileza.
nunca foi uma pessoa introvertida, longe disso aliás, mas aquela situação, era extremamente atípica; além do mais, ela não queria atrasá-lo para seus compromissos posteriores, já que o rapaz deveria estar cansado após tantas gravações exaustivas. As filmagens iniciaram-se de forma não-oficial ao final do mês de novembro, pois ainda deveria permanecer um segredo perante o público.
A morena saiu do transe para observar o rosto do loiro que, por sua vez, contorceu-se em uma careta com o comentário cordial feito pela garota:
— Ah, não me chame de senhor, isso faz com que eu me sinta velho. — Thomas deu de ombros, adentrando o veículo. — Está tudo bem, também moro perto. Está frio demais para ficar por aqui.
concluiu que relutar contra a excelente persuasão do britânico seria inútil — além de uma tremenda falta de educação —, e, automaticamente, deu-se por vencida. Agradeceu em um sorriso mudo, curvando a cabeça, imitando o ato do mais velho ao adentrar o carro. Acomodou-se no banco espaçoso de couro branco, colocando a bolsa por cima das coxas, sentindo-se mais aquecida quando sentiu o calor do ar-condicionado em sua direção.
Thomas deu partida no veículo, guiando-o para fora dali. Os enormes pingos de chuva caíam com violência no vidro dianteiro do Jaguar, ao passo que nem o para-brisa era capaz de cessar a quantidade enorme de líquido. O loiro bufou com impaciência, estreitando os olhos até que conseguisse estabelecer uma visão efetiva, para direcionar o carro até a rodovia. , por sua vez, observa toda a execução dos atos em silêncio, aproveitando o calor para aquecer-se, pronunciando-se apenas para dizer seu endereço ao educado rapaz.
— Então, Srta. — ele chamou sua atenção posteriormente, curioso. Ela arqueou a sobrancelha, enquanto o portador dos olhos azuis alternava entre observá-la pelo canto do olho e tentar enxergar algo através do vidro dianteiro do carro. — Gostando do estágio?
Ela assentiu prontamente com a cabeça. Quem não gostaria de trabalhar em um lugar mágico como a Marvel? Parecia um sonho.
— Pode me chamar de , Thomas — ela enfatizou seu nome, igualmente o corrigindo, fazendo com que o mais velho risse com o ato. — Mas estou gostando bastante. Minha amiga, Bruna Cebulski, quem me indicou e eu adoro os filmes da Marvel.
— É um ótimo lugar para começar, eu garanto. — Hiddleston complementou a fala. — As pessoas lá são bem acolhedoras, principalmente o Michael, que é um excelente profissional. — Ele referiu-se ao roteirista-chefe, o Sr. Waldron, superior de . — E você, pretende ficar no roteiro ou pretende se arriscar na atuação?
nunca havia pensado em atuar, embora adorasse a área cinematográfica. Sempre se vira fazendo o que estava executando: escrevendo e participando do processo conforme fazia um roteirista. Era amplamente bem instruída e sentia-se realizada naquele estágio. Mesmo que cobrisse várias áreas conforme necessário, como todos os estagiários costumam fazer, tinha um apreço maior por aquele setor.
— Sinceramente, não. Acho muito bacana a expressão e a arte, e admiro muito o trabalho de vocês, mas acho que focarei no roteiro. Estou gostando muito de acompanhar o processo criativo de uma série tão cativante.
Thomas sorriu em retrospecto, concluindo que era uma companhia bastante agradável, embora nunca tivesse tempo suficiente para interagir com a equipe de forma significativa. Talvez estivesse se sentindo sozinho após o recente término com Zawe, permanecendo isolado durante aquele curto período, recuperando-se com dificuldade.
Embora tudo que o britânico fizesse fosse dinamicamente calculado — graças à sua personalidade metódica —, o comentário que veio a seguir, fora completamente “sem filtro”:
— Você é bonita demais para ficar atrás das câmeras, . Deveria repensar essa decisão.
O elogio pegou repentinamente. Não esperava que coisas tão aleatórias pudessem acontecer em um único dia, uma sequência de tantas coisas boas. Tom era uma companhia realmente doce e ela sentiu-se muito confortável em sua presença. Além de um profissional ótimo, também era um ser humano afável. Mas aquele elogio… Pareceu deixar seu rosto em chamas, queimando como uma febre insaciável.
Felizmente, a brasileira não teve que se preocupar em estender o assunto, pois Thomas estacionou o carro em frente ao condomínio em que residia, fazendo a menina suspirar aliviada. A chuva ainda não havia cessado por completo, entretanto, Tom parou ligeiramente próximo a parte coberta, deixando a garota tranquila após tantas atribulações. sorriu antes de deixar o veículo que Hiddleston conduzia, sorrindo acanhada para ele:
— Obrigada, Thomas. Pela carona e pelo elogio, claro.
Ele assentiu, devolvendo o doce gesto da brasileira.
— Disponha, Srta. . — Ele não abandonou a cordialidade, despedindo-se educadamente da mais nova. — Te vejo amanhã.
O carro veloz deixou a residência assim que a menina correra em direção a portaria. Agarrou sua bolsa e os braços, na tentativa de se aquecer, enquanto corria da portaria até a entrada do edifício, caminhando em direção ao elevador. Ao adentrar o pequeno cubículo, clicou no último botão, rindo consigo mesma após relembrar os últimos acontecimentos.
Às vezes, sua vida era improvável demais. E, sendo bem franca, ela adorava isso.

Capítulo I

“Obrigada pela carona, Sr. William. Aqui está um pequeno agradecimento :)”
De

Em sua mesa do camarim, havia um pequeno copo de chá de óleo de bergamota com uma gota de leite, algo extremamente específico para o homem. Thomas não pôde deixar de sorrir quando leu o conteúdo no bilhete, escrito em uma bela letra cursiva, percebendo assim, a preocupação da garota em o agradecer com sua bebida predileta. O doce e cítrico sabor, o fazia recordar dos tempos que residia em Londres, de sua infância, escola, amigos e família, somado à uma sensação intensa de nostalgia. Talvez, o ato sequer tenha sido intencional da parte dela, mas Tom o apreciou fortemente.
Também achou muito curioso o modo como a garota resolveu chamá-lo: William. Ninguém se referia ao astro Tom Hiddleston através de seu nome do meio. Nem mesmo sua mãe, Diana, costumava lhe chamar assim, gesto que considerou particularmente fofo. Ela não aparentava ser uma do ator, afinal, desde o primeiro dia de estágio da novata, aquela fora a primeira vez que trocaram um longo diálogo distante do âmbito profissional, ainda que fosse partido dele. Sequer havia atraído o olhar dela alguma vez, não que tivesse percebido, de qualquer forma.
Mesmo que estivesse confortável e levemente avoado naquela manhã, Tom tentou esvaziar os pensamentos para trabalhar em plenitude, tomando mais um gole suave da bebida, apreciando-a com deleite. Enquanto isso, as maquiadoras chegavam gradativamente para caracterizá-lo, sendo recebidas pelos cumprimentos matinais do homem cordial e charmoso. Adorava trabalhar nos sets da Marvel, sentia-se muito à vontade com todos e estava acostumado com a maioria da equipe. Teve a oportunidade de contracenar com novas figuras gravando a série Loki, que andava tomando boa parte de seu tempo.
— Por que está com esse sorriso bobo na cara? — Owen, que estava ao lado de Hiddleston, arqueou a sobrancelha, levemente curioso.
Tom era um homem particularmente recluso, passando boa parte do seu tempo em silêncio — exceto na companhia dos amigos que confiava muito. Observava muito as coisas ao seu redor, pensava constantemente, premeditando suas ações e falas, embora esbanjasse simpatia e doçura. Por isso, a reação não usual dele naquela manhã, causou uma curiosidade em Owen Wilson, que ainda não sabia o contexto da história da carona destinada à garota e do agradecimento destinado ao homem.
Não é nada demais — Thomas respondera despretensiosamente, bebericando mais um gole e desconversando.
A caracterização prosseguira, enquanto Hiddleston permaneceu em completa quietude, respondendo às maquiadoras vez ou outra, tal como o colega de elenco, que pouco se dirigiu ao homem. Sua mente permanecia ocupada demais pensando em uma certa estrangeira e quando a veria de novo no set. Ou melhor, quando a veria fora dele.

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havia trabalhado exaustivamente naquela semana, graças às filmagens contínuas — e agora, finalmente, anunciadas ao público geral —, mas conseguira uma folga na sexta-feira, por conta de uma prova muito importante, em que se saíra bem. Sentia-se realizada no seu curso em Cinema, aprendendo cada vez mais sobre as artes, filmagens e toda a magia por trás das câmeras, que era fascinada desde pequena. Porém, sabia que amava o roteiro e a escrita acima de toda e qualquer coisa, muito mais do que a atuação.
A cada dia que estagiava no set da Disney, exclusivamente na Marvel Studios, conhecendo pessoas incríveis e adquirindo experiências únicas, sentia-se imensamente realizada.
Vivendo o seu tão aguardado sonho americano.
— Ele te deu uma carona, amiga? — Caroline trouxe a brasileira de volta à realidade, enquanto seu vestido com o ferro, quase queimando a peça devido a excitação momentânea. A menina tossiu ao inalar o vapor, imersa na história que estava lhe contando anteriormente. — Meu Deus, eu realmente estou passando mal… — Bittencourt levou a mão ao peito, simulando um infarto.
explodiu em uma gargalhada contagiosa, que a amiga não deixou de acompanhar. Caroline Bittencourt Wanderley sempre fora conhecida como sinônimo de felicidade e alegria — e um pouco de drama, diga-se de passagem: era impossível não estar em uma situação cômica, ou até mesmo constrangedora perto daquela garota tão icônica. Nunca ficava de mau humor, abalada ou sequer demonstrava desestabilidade. Era alguns anos mais velha que , mais madura também, mas ainda estava no mesmo semestre que a amiga, pois fizeram o intercâmbio conjuntamente, há alguns anos.
— Não seja dramática, Caroline. Não foi nada demais.
Carol não evitou revirar os olhos. “Nada demais, sério?” Nem a própria , que dissera a frase, acreditava no que proferira. Era sim grande coisa, digno de um filme romântico, em que Caroline, provavelmente, planejaria um roteiro tão meloso e dramático quanto ela. Tão previsível.
— Ele falou que você é bonita, ! Poxa, esse homem é um monumento do caralho, se me permite o palavreado sujo. Não finja costume, pelo amor de Deus. É só lembrar do Peter para fazer um breve comparativo…
Caroline colocou o vestido em cima da cama, de modo extremamente delicado para que não amassasse. tentou não revirar os olhos para aquela comparação inoportuna da amiga — que simplesmente adorava o intérprete do deus nórdico e faria tudo para estagiar com —, rindo levemente desconfortável em retrospecto. Uma careta por sua parte fora inevitável ao lembrar-se do ex-namorado e dos últimos acontecimentos:
— Se controla, amiga, por favor. — a morena colocou uma mecha dos cabelos ondulados atrás da orelha, encarando a mais velha. — Eu trabalho com o Tom, não posso perder o rumo assim só porque ele foi momentaneamente gentil. Além disso, não cite o nome do filho da puta que é Peter. Ele só merece nosso desprezo e nós sabemos disso.
— Eu concordo plenamente com sua observação perspicaz, mocinha — Caroline logo justificou-se, ajeitando a postura suavemente. —, porém, confesso que achei fofo você ter levado um chá para ele, sabe? Você não costuma ser fofa assim com ninguém e… — ela riu consigo mesma, repleta de malícia ao prosseguir com sua fala. — Bom, certamente, não seria o chá que eu daria para ele se tivesse oportunidade — ela riu consigo, maliciosa, arrancando uma enorme gargalhada de .
— Você é inacreditável, Wanderley. Uma grande pervertida.
— E por isso, você me ama, .
Ambas cessaram o assunto por ora, pois estavam imensamente animadas com o evento em que foram convidadas. A denominada Festa do Vermelho, a famosa Red-Beneficent-Party, fora um evento beneficente que, em todos os anos, reunira uma diversa gama de artistas a fim de movimentar uma boa quantia e visibilidade. A causa social era nobre, destinada ao tratamento de pessoas que adquiriram doenças sexualmente transmissíveis, incentivando assim, os âmbitos científico e financeiro para criação de vacinas, pesquisas e tratamentos.
Caroline e sempre se arrumavam juntas para os eventos, uma na casa da outra, desde quando residiam no Brasil — como se fosse um ritual da amizade. Carol via-se em dúvida entre dois trajes tão curtos quanto a palma de sua mão, enquanto optou pelo clássico Saint Laurent vermelho de mangas longas, condizente com a ocasião. Era um lindo vestido dado por seus pais, Téo e Elise, que tinha um valor sentimental enorme para a garota.
— Ai, amiga, estamos vivendo nossa vida dos sonhos, não é? — A mais velha caiu de costas no colchão, prosseguindo com a voz encantada e levemente abobalhada. — Fomos convidadas para uma festa que será muito foda e, provavelmente, os astros mais gatos estarão lá. Se eu vir o Sebastian, não responderei por mim, ! Claro que a causa também é importante, eu sei…, Mas é do Stan que estamos falando!
riu descontroladamente, colocando algumas de suas maquiagens em cima da cama. A garota conheceu Sebastian Stan em um evento meses antes, mas não era intimamente ligada ao homem. Sabia que era gentil e muito bem-educado, além de interpretar uma de suas figuras favoritas no Universo Cinematográfico da Marvel.
Pensando bem, ela mostrou-se mais nervosa na presença dele, do que na de Hiddleston. Porém, ambos os homens pareciam irreais de tão belos.
— Amiga, eu não sei como você ainda não surtou no set de Falcão e Soldado Invernal, sério. Eu os adoro, deve ser ótimo trabalhar e contracenar com eles.
— Lembre-me de agradecer à Cebulski. pela visão privilegiada que ando tendo todos os dias, — Caroline riu e finalmente se levantou, direcionando-se até o banheiro da suíte.
Bruna Cebulski era muito amiga de e Caroline, além de ser filha de um dos maiores nomes da Marvel Comics: Chester Cebulski. Com a mãe brasileira, Anne, a aproximação das garotas no início do período letivo fora quase imediata, tornando-as grandes amigas e praticamente inseparáveis. Inclusive, ela que fora a responsável pela indicação das amigas nas vagas de estágio nas séries da Disney+, graças aos contatos bastante influentes de seu pai. Ela, por sua vez, trabalhara a maior parte de sua vida como modelo, embora tivesse um leve interesse apenas pela atuação, talvez em um futuro distante.
— O Anthony é um doce, claro — Bittencourt voltou a tagarelar, como sempre fazia, enquanto fazia um skincare no banheiro da amiga. Ah, a intimidade daquelas duas… —, mas o Sebastian é lindo que dói. Eu estou sendo auxiliada pelos continuístas, por ora… Então nos falamos bem pouco, quase não os vejo! Isso é triste.
riu consigo, constatando os últimos fatos que a amiga lhe expusera. Um continuísta prezava pela coerência da narrativa do roteiro juntamente a cenografia, figurinos e caracterização das cenas. Para alguém tão observadora e minuciosamente detalhista como Caroline Bittencourt, aquele era um trabalho perfeito. Porém, considerou bastante curioso o modo que Carol falava constantemente de Sebastian — embora preferisse ficar calada sobre o fato —, desviando o foco momentaneamente sobre o rapaz:
— Ele ficou solteiro recentemente, né?
— O Anthony? Sim, acho que no ano passado. — Carol concordou com a cabeça, dando de ombros, mesmo que a amiga não pudesse ver graças ao ângulo.
apenas riu consigo, falando mais para si do que para a amiga:
Que perigo um homem desses solteiro…
saiu do meio das colchas de seda, em que estava preguiçosamente despojada, para finalmente arrumar-se. Num sobressalto, percebera como as horas haviam se passado rapidamente, adotando uma postura tensa. Ambas não eram as pessoas mais pontuais, e o fato somado ao elevado período que gastariam para se arrumar, ocasionara um atraso enormemente inoportuno.
Embora isso, estavam igualmente impecáveis e satisfeitas com o resultado adquirido após um longo tempo arrumando-se, assim que os ponteiros do relógio apontaram para às dez da noite. Os lábios carnudos de possuíam uma coloração avermelhada, tal como seu vestido, em sandálias icônicas da mesma marca; Caroline, por sua vez, optara por um costumeiro traje preto, acompanhado por sapatos da mesma cor e uma leve maquiagem, deixando os cabelos cacheados soltos e volumosos. As amigas posaram e fizeram algumas fotos, postando em seus respectivos Instagram.

DM INSTAGRAM
louisewolff

Já estamos aqui, acabamos de passar pelo Tapete Vermelho. Onde estão vocês duas?



Os lábios da brasileira estreitaram-se ao ler a mensagem pela barra de notificações de seu iPhone. Louise Spindoll Wolff podia ser uma garota bastante impaciente quando se tratava de pontualidade — ou da falta dela. Ela, definitivamente, não sabia lidar com os costumes brasileiros de e Wanderley, que chegavam atrasadas em, praticamente, todos os eventos.
Por isso, tratou de dirigir rapidamente até o local, mesmo que não fosse uma atividade que possuía apreço em executar. Saíram às pressas do apartamento da garota, ansiosas pela noite que as aguardava. Carol, em plena euforia, conectou o bluetooth do seu celular no veículo, cantarolando animadamente até que chegassem ao local, a fim de confortar sua amiga enquanto conduzia.
Elas amavam festas. Haviam frequentado muitos lugares, tanto nos Estados Unidos como no Brasil — alguns até com procedência questionável e duvidosa —, mas aquilo era completamente diferente. Não era um simples encontro entre amigos, era a inserção em um novo mundo, que lhes ofereceria oportunidades distintas a qualquer coisa que já haviam experimentado. E, consequentemente, aquilo causava uma enorme ansiedade nas jovens.
prestou atenção nos sinais com muita calma, ignorando até mesmo sua música favorita do Linkin Park, em que Caroline fingia ser a guitarrista e vocalista simultaneamente. Não conteve uma leve risadinha, rindo da amiga, enquanto tamborilava as enormes unhas no volante de seu Porsche.
Avançou o sinal com cuidado, seguindo o Waze pelas ruas de Atlanta, que estavam insanas graças ao evento promovido pela Disney. Assim que avistaram o prédio indicado, desceram afoitas do veículo para que o manobrista — que cumprimentou as amigas educadamente — pudesse conduzi-lo até o estacionamento. Passaram pela recepção e sessão de fotos quase que em um pulo, em vista das pulseiras VIP que ostentavam nos pulsos.
O barulho dos saltos finíssimos era audível mesmo com a música alta. cumprimentou algumas pessoas educadamente com o olhar, alguns conhecidos, outros não. Ao longe, teve a oportunidade de observar a face de Louise, contraída em um misto de preocupação e agonia com as amigas.
— Finalmente vocês chegaram! — Bruna exclamou animada, adiantando a reação exacerbada de Lou devido ao atraso.
Um Valentino cor-de-rosa era a peça-chave de Bruna Cebulski naquela noite. Era incrível como tudo ficava perfeito no corpo da modelo, assumindo uma elegância e beleza invejável. Os saltos alongaram ainda mais suas pernas torneadas, deixando-a, consequentemente, irresistível.
— Chegaram quase no encerramento do evento, né? Vocês são inacreditáveis. — Louise Spindoll Wolff reclamara, cruzando os braços com uma falsa impaciência. — Mas, graças a Deus os paparazzi não puderam entrar neste setor, o que significa que teremos um pouquinho de paz essa noite, pelo menos!
Embora tenha se irritado ligeiramente com o atraso, estava feliz em tê-las reunidas ali. Dificilmente a agenda de todas as garotas coincidia positivamente, ao ponto de se encontrarem em algum evento. Exceto por Marcella — que estava ocupada em outro compromisso —, o esquadrão estava devidamente reunido.
— Lá fora está cheio de curiosos. Me sinto radiante por estarmos aqui na Área VIP — Patrícia comentou, saltitante. —, quase famosas já!
Patrícia Delasour era visionária, o alto astral que regia o grupo. Era muitíssimo parecida com Caroline, mas não chegava ao nível de acidez e sarcasmo que Bittencourt exalava. A garota sempre sonhara com os holofotes, assim como as amigas, embora a timidez fosse um fator impactante em seu comportamento.
— Com razão, né? Olha o tanto de gente famosa que tem aqui. Eu nunca mais precisaria trabalhar se cada um deles me doasse um por cento do salário. — Caroline mordeu o lábio, olhando ao redor. As amigas riram do comentário descabido feito pela mulher. Momentaneamente, arregalou os olhos, ao observar algo por cima do ombro, curiosa. — Espere, aquele é Henry Cavill?
Bittencourt saíra tão rápido quanto chegara, em passos curtos, fazendo as amigas rirem. Aquele, definitivamente, não era Henry. Carol deveria estar sem lentes de contato, presumiu . Mas isso não impediria que Caroline flertasse com o rapaz e, provavelmente, acabasse transando com ele no final da noite.
estava animada para dançar e descontrair após uma intensa semana na faculdade, mesmo que houvessem cenas a serem gravadas no sábado. Felizmente, seria no período noturno, o que deixava a mais nova aliviada. Mesmo com o estresse, todo o esforço era imensamente gratificante.
— Eu vou pegar algo para beber, vocês querem?
As meninas restantes acenaram negativamente com a cabeça, fazendo com que desse de ombros. Caminhou sucintamente até o bar, torcendo mentalmente para que o barman não pedisse sua identidade. Felizmente, o carismático atendente não fizera mais perguntas após a garota pedir um martini, atendendo-a prontamente.
Os móveis do local eram muito bonitos, claros e simples, contrastando com a tonalidade do vermelho. Toda a decoração era condizente com o tema do evento, em que haviam diversos locais para tirar fotos, alguns representantes de ongs e importantes causas sociais, além de muitos artistas e pessoas de extrema relevância para a sociedade. Mesmo que estivesse se habitando gradativamente com o fato, ainda era digno de estranheza para .
Não muito longe dali, por sua vez, Tom estava acompanhado de Sebastian e Anthony. Ambos aproximaram-se exponencialmente dado o início das filmagens de suas respectivas séries, tornando-se inseparáveis. O britânico era nomeado um dos embaixadores da UNICEF — em que atuava diretamente no auxílio e amparo a crianças carentes —, e sentia-se imensamente feliz ao comparecer a um evento que era fundamentado em uma causa tão nobre.
Porém, quando seus olhos finalmente rodearam o salão, ele viu uma pessoa que não esperava reencontrar tão cedo fora do trabalho. Sabia que a Disney, como patrocinadora, era responsável por atrair a presença do maior número possível de pessoas. Embora isso, não aguardava a presença da estagiária ali. Ponderou suas ações por um instante, pois mesmo que fosse predominantemente metódico em muitos aspectos, era um tanto descompensado quando movido pelo desejo. Graças ao fato, hesitou quanto à escolha de avançar contra a mais nova. Mas o que ele tinha a perder?
Thomas pediu licença momentaneamente ao amigo, Sebastian, para que pudesse apanhar uma bebida. Obviamente, o pretexto possuía um nome e sobrenome, e, para piorar, usava um vestido colado nas curvas de seu lindo corpo. Ele não conseguiu tirá-la da cabeça durante toda a semana; o jeito, aparentemente, tímido da brasileira era realmente encantador. Hiddleston permaneceu alguns segundos hipnotizado antes de dirigir-se ao bar, parando sucintamente ao seu lado.
— Vermelho realmente valoriza você, Srta. . — a voz rouca masculina finalmente tomara forma, deixando todos os pelos do corpo de instantaneamente arrepiados.
Ao menear sua cabeça com suavidade, pôde finalmente encará-lo. O rapaz, elegante como sempre, permanecia trajado com um lindo terno azul da Armani, contrastando com a cor de seus lindos olhos. Como se não bastasse, o perfume marcante também era um ponto alto de sua presença; qualquer um sabia que Thomas estava no local, simplesmente pelo aroma cítrico característico. sorriu em retrospecto, praticamente embriagada pelo odor.
Não havia dialogado efetivamente com ele desde o ocorrido da chuva, mesmo que tenha lhe agradecido a gentileza pelo outro dia. Embora trabalhassem no mesmo local, dificilmente o tempo escasso lhes permitiria conversas despretensiosas. Waldron era um chefe muito exigente, tanto com Thomas, quanto com , que ainda estava em um período primordial do seu estágio.
— Obrigada, William, você também fica excelente de azul. Mas não precisamos de formalidades fora da empresa, certo? — ela rira com suavidade, respondendo-o casualmente. O nome do meio ficava ainda mais atraente no sotaque da brasileira, pensou o homem. — Sinceramente, não esperava te ver aqui.
Thomas arqueou as sobrancelhas, curioso com a constatação presunçosa da mais nova.
— E por que não?
deu de ombros, torcendo os lábios em um bico antes de prosseguir:
— Você não tem cara de que aprecia esse tipo de evento. Achei que fosse mais… Clássico, entende?
As pessoas, normalmente, possuíam essa impressão de Hiddleston. E não era para menos, afinal, ele detinha uma educação e elegância sem tamanho, diferentemente da grande maioria. Mas isso não significava que ele não gostava de festas; até apreciava, embora fosse mais calmo e caseiro. Vez ou outra, seus amigos conseguiam convencê-lo a sair da zona de conforto, como ocorrera naquela noite. Eventos beneficentes eram seu ponto fraco, de qualquer forma.
— De fato, eu curto alguns programas mais casuais. Mas Sebastian e Chris insistiram para que eu viesse e cá estou. Afinal, é de uma boa causa que estamos falando.
não evitou um sorriso nada discreto. Já conhecia Stan, mas não tivera a oportunidade de conhecer Hemsworth. Todos falavam muito bem de sua ótima educação e simpatia, e a cada dia, ela se apaixonava mais pelo elenco da Marvel.
— Ele fez bem, estamos trabalhando bastante essa semana. Faz bem curtir de vez em quando.
O barman, sem ferir a bolha em que Thomas e se encontravam no diálogo, deixara a bebida no balcão. A menina suspirou, observando o homem à sua frente, tomando um gole suave do martini. Apoiara uma das mãos no móvel de madeira escuro, deixando que o copo repousasse por lá novamente. Mesmo que não tivesse alcançado a maioridade nos Estados Unidos, vez ou outra, conseguia beber sem que suspeitasse. Felizmente.
Hiddleston achou graça no ato, copiando o gesto da menina ao solicitar um drink para o atendente, que até o conhecia de eventos anteriores. Obviamente, sua solicitação fora prontamente atendida.
— Realmente… — o inglês concordou com a cabeça, tirando a brasileira de seus devaneios momentâneos. — Ele fez muito bem.
Seus olhos azuis passearam sucintamente pelo corpo da mais nova. Aquilo não intimidou , sequer deixou-a desconfortável, pelo contrário; o ato, a deixou muito tentada. Sua respiração descontrolou-se momentaneamente, deixando a garota corada com o ato. Timidez, entretanto, nunca fora uma característica usual de — não para quem a conhecia de fato. E como ele parecia disposto a provocá-la, a garota correspondeu-lhe:
— Está flertando comigo, Thomas?
O comentário fora feito num contexto totalmente singelo, embora a reação dela o deixasse um pouco surpreso. Ele ainda não sabia o quanto era uma mulher direta em muitos aspectos, ao contrário de muitas pessoas que não teriam coragem de respondê-lo no mesmo tom provocativo.
Isso, por sua vez, não o impediu de respondê-la com cinismo:
O que você acha?
A morena arqueou as sobrancelhas, mordendo o lábio suavemente. Ele, em resposta, passou a língua pelos lábios, tomando o resto de sua taça em um único gole. Ambos sentiam uma tensão formando-se, numa forma gradativa, como se todo o espaço e pessoas a sua volta de ambos não importassem mais. Os pés de formigavam com o leve nervosismo, e nem mesmo a música alta parecia capaz de abafar as batidas do coração da mais nova. Hiddleston, por sua vez, riu consigo.
Embora sentisse aquela sensação distinta quando estava perto de , sabia controlar melhor seu desejo do que a garota, devido a idade e maturidade. Principalmente, por estar em uma posição de poder e que poderia acarretar algo potencialmente prejudicial para ambos.
Achei que já havia sido claro o suficiente dias atrás. — ele prosseguiu, insistindo para instigá-la, cuidadosamente.
A súbita lembrança do último encontro, a atingiu como se fosse uma avalanche. Mesmo que houvesse ficado nervosa com aquela aproximação, jamais mensuraria segundas intenções vindas de um homem como William. Ele possuía alguma coisa que o destacava dos demais, deixando a mais nova cada vez mais enfeitiçada naquela situação altamente perigosa. E ele, inegavelmente, estava igualmente encantado. Thomas era clássico e doce em diversos aspectos, mas flertando, era sagaz e esperto. Não perderia a oportunidade de beijar os lábios carnudos da brasileira, e quem sabe, provar todos os talentos que estes detinham.
— É… Atrapalho algo?
Aquele era, definitivamente, um péssimo momento para conhecer o astro Chris Hemsworth. respirou fundo antes de voltar seu olhar ao loiro que aproximou-se até eles, que a cumprimentou com um beijo suave e cordial em sua mão. Se não estivesse tão mexida com a investida certeira de Thomas, provavelmente teria passado mal com o doce gesto do intérprete do Deus do Trovão.
— Não, Chris. — prontamente justificou-se, dando um passo para trás. Hiddleston arqueou a sobrancelha, curioso. — eu preciso ir, aliás. Foi um prazer conhecê-lo.
No jogo de sedução, ambos empataram naquela noite, mas permanecia visivelmente mais abalada que Thomas. O rapaz rira consigo ao notar a jovem regressando até seu grupo de amigas, levemente atordoada pela investida certeira. A situação parecia irreal para ela, todavia, excitantemente excitante para ele.
— Estou curioso para entender o que aconteceu aqui. — Hemsworth pronunciou em meio a um sorriso, pedindo uma bebida e recostando na bancada.
As luzes vermelhas piscavam animadamente, enquanto a música eletrônica parecia aumentar ainda mais conforme passavam os minutos. Aquilo indicava o anúncio de mais um discurso que viria a seguir. Thomas, porventura, olhou para baixo, bastante envergonhado ao notar a perspicácia e percepção do amigo. Afinal, ele e Hemsworth tinham uma longa trajetória conjunta. Dez anos haviam se passado, em que Chris acompanhou todos os romances de Hiddleston: Kat, Elizabeth, Taylor e Zawe, e reconhecia muito bem quando o amigo estava flertando.
E quando estava correndo perigo.
Talvez nem eu saiba te explicar, mas será um prazer te contar essa história — Thomas deu de ombros, passando a caminhar com o amigo, bebericando mais um gole de martini, que queimara sua garganta.
Ao passar pela brasileira, mesmo que de longe, ao caminhar em passos gradativos, não pôde deixar de medi-la novamente dos pés à cabeça, deixando de lado toda sua sutileza anterior. O corpo da menina instantaneamente arrepiou-se com o ato perigoso, enquanto Hiddleston fez uma promessa para si mesmo: ora ou outra, ele a teria.
E sabia que gostaria tanto quanto ele.


Capítulo II

— E como vai a papelada do divórcio, Tom? Quase não nos falamos após aquele dia… Eu fiquei preocupado com você.
A pergunta fora feita de repente, deixando Hiddleston levemente surpreso. Normalmente, Chris agia dessa forma, sorrateira e despretensiosa, para não possibilitar que o amigo fugisse de suas indagações. Afinal, o britânico era muito recluso, e mesmo que confiasse verdadeiramente em Hemsworth, era “fechado” demais para abordar o assunto por vontade própria.
Infelizmente, possuía tal defeito na maioria de suas relações interpessoais; tinha extrema dificuldade em abordar aspectos sentimentais, então apenas realizava tais admissões quando estava prestes a explodir. Obviamente, aquilo não era nada benéfico para nenhum dos envolvidos, mas principalmente para o homem.
Apesar dos fatos, Chris sabia que se o tópico ainda fosse muito sensível, Tom seria doce e educado ao desviar o foco do assunto. Se conheciam há muitos anos e compreendiam perfeitamente as abordagens que utilizavam um com o outro, se respeitando acima de qualquer coisa. O carinho e respeito era um dos principais pilares na amizade entre Hiddleston e Hemsworth.
— Não tão rápido quanto eu gostaria, admito. Isso anda tirando meu sono. — Thomas suspirou, deixando que um gole longo fosse dado no copo de vodka pura. O inglês sentiu o líquido arder por sua garganta, suspirando impotente após o ato. Nem mesmo a música alta e luzes piscantes o incomodavam mais do que ser confrontado acerca do tão temido assunto. — Zawe e eu não estamos nos falando desde aquele dia, então…
Chris assentiu, arqueando as sobrancelhas. A frase sequer necessitava ser terminada, já que o loiro entendeu perfeitamente o que o amigo gostaria de dizer nas entrelinhas. Permanecera ao lado de Thomas há tempo suficiente para saber o que estava ocorrendo no âmbito sentimental. Gostava de Zawe e sabia que o fracasso do casamento devia-se à uma inoportuna incompatibilidade. Pessoas mudam, principalmente após o passar dos anos e experiências que vivenciam. Era triste, mas era a realidade.
— Entendo como você deva ter ficado chateado. — o amigo tocou suas costas amistosamente, deixando um carinho singelo antes de prosseguir sua fala. — Sei o quanto estava ansioso para ser pai.
Tom assentiu tristemente. A necessidade de ter uma família parecia fazer-se predominante nos últimos tempos — talvez graças à solidão que a vida nos Estados Unidos lhe trouxera. Zawe, infelizmente, não pensava como ele. Lembrar-se das discussões e daquela trivialidade, ainda o deixava extremamente desconfortável. Nunca fora uma pessoa que se desgastou tanto no âmbito emocional, e possuía plena ciência do quanto lutou por seus sentimentos.
Mas agora, já era tarde. Sua decisão fora tomada e Thomas não costumava voltar atrás, principalmente quando considerava seu posicionamento correto. Honrar o que sentia, sempre fora prioridade para o homem, acima de toda e qualquer coisa.
Observou a decoração da festa, carregada em vermelho, antes de voltar os olhos para o amigo. O pequeno desvio de olhar, mesmo que momentâneo, serviu para alertar Chris sobre a abordagem delicada que deveria utilizar com o amigo — pelo menos, naquele quesito. Contudo, a risada irônica de Hiddleston, fez repensar sua presunção:
— Às vezes penso que estou velho demais para isso.
— Não seja tolo, Hiddleston. — O loiro deixou um tapa de leve no braço do inglês, que gargalhou em retrospecto. — Você ainda deve viver por mais uma década, ou talvez duas, se sua saúde estiver boa, quem sabe?
Ambos riram com o comentário, conforme bebiam gradativamente. A questão da idade, era algo que, visivelmente, intrigava Hiddleston. Era grato por suas vivências e experiências, mas ainda sentia-se em desvantagens em outros quesitos. Tal como Chris ou Anthony, a maioria de seus amigos já tinham famílias lindas e estavam devidamente estabelecidos. E o fato, às vezes, o deixava pensativo, até mesmo chateado.
Normalmente, pensava em sua mãe, Diana, que tinha muita vontade de ser avó. Embora as irmãs Sarah e Emma estivessem em relacionamentos, a cobrança era muito mais presente para o rapaz. Por isso, nem contou à mãe o real motivo de seu divórcio; resolveu poupá-la de tal sofrimento.
Chris, notando o silêncio repentino, repensou o que poderia indagar ao rapaz. O nível de bebida somado à música alta — e diversas pessoas os abordando, pedindo autógrafos e os interrompendo —, deixou-o com uma náusea momentânea. Talvez o amigo estivesse da mesma forma, desacostumado com aqueles tipos de eventos.
— Mas, me responda, estou curioso… Quero saber, quem é aquela garota?
Quando Hemsworth apareceu mais cedo, interrompendo o flerte nada sutil de Hiddleston, o britânico sabia que aquela interação seria um tópico abordado em algum momento do diálogo de ambos. Chris era curioso demais para deixar uma observação daquelas passar despercebida.
— Ah, está falando da ? Ela é estagiária do Waldron. Está trabalhando em Loki com ele.
Chris riu, incrédulo. Afinal, ele conhecia bem Michael, devido aos seus trabalhos com a Marvel; sabia do talento inconfundível que este possuía em iniciar pessoas na carreira cinematográfica. Entretanto, o que realmente lhe fizera rir, fora a percepção que instantaneamente lhe atingira, quando percebeu que aquela não seria a primeira vez que Tom se envolvia com colegas de trabalho.
— Outra colega de elenco? Sério, Hiddleston? Você já foi mais criativo.
Tom deu de ombros, não contendo um sorriso malicioso. Não tinha sido algo premeditado, de qualquer forma. A aproximação de Thomas e fora algo extremamente natural e desenvolta, pelo menos, em seu ponto de vista. Apenas uma gentileza momentânea que possibilitou a existência do interesse.
— Não aconteceu nada, Chris. Só estávamos conversando…
Ele passou o dedo indicador pela borda do copo, pensando nas próprias palavras. Ainda não havia ocorrido nada, de fato, mas não por falta de vontade. Não queria soar invasivo ou até mesmo incoerente por algo daquele porte. Jamais fora desrespeitoso com nenhuma mulher, e não faria agora apenas ao seu bel-prazer.
Ainda não aconteceu nada — Hemsworth salientou, arqueando a sobrancelha. Riu de leve, sabendo das reais intenções do amigo perante a mais nova.
Eles terminaram de beber, em meio a risos, conversas e reflexões. Sentiam falta da presença um do outro, pois compartilhavam de uma confidencialidade absurda. Os trabalhos não coincidiam mais, contribuindo para o afastamento de ambos.
Hemsworth pediu que os garçons levassem os copos e taças, para tentar permanecer sóbrio. Precisava voltar para casa em breve, pois ao constatar o horário em seu relógio, sabia que a esposa ligaria em breve, preocupada. E chegar naquele estado, definitivamente, não era uma opção.
— Estou pensando se devo deixar acontecer, para falar a verdade. Estou tentado, mas ainda sim receoso.
Hemsworth riu amargo antes de respondê-lo. Assim como Tom, Chris era homem, e sabia muito bem como o desejo funcionava:
— Não é como se meus conselhos fossem capazes de te parar. Você é extremamente teimoso.
Aquilo era verdade, o aquariano era bastante obstinado. Tomava as decisões conforme achava necessário, independentemente das consequências que se ocasionariam. Suas ações, geralmente, beiravam à teimosia e o amigo sabia muito bem disso. Qualquer conselho dito ali, seria completamente em vão.
— Estou falando sério, Chris, o que você acha?
— Eu sinceramente não deveria expressar nada, mas… — ele bebericou um gole de água que haviam deixado à sua frente, retornando segundos após a fala. — Acho que você deve ser feliz, Hiddleston. Mas ainda assim, tem que ser consciente, como sempre é.
Não havia discordância naquele ponto. Imprudência e inconsciência não eram características predominantemente presentes em Thomas, principalmente no âmbito amoroso. Ele sabia bem disso.
Porém, quando a dona das curvas sinuosas passou por eles pela última vez, destinando seu olhar a Thomas — que correspondera prontamente a conexão implícita —, Chris soube que aquela história entre ambos, estava apenas começando. Tom apenas sorriu, deixando-se levar pelo momento, respirando fundo, esquecendo-se até mesmo do diálogo que estabeleceu com o amigo a sua frente. As palavras que pensou, apenas morreram antes de serem pronunciadas.
Em seu foco, estava apenas , conforme se afastava gradativamente do local. Ela poderia não estar ali fisicamente, mas permaneceu atormentando seus pensamentos por um longo período.

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— Você foi ótima, Sophia! Aqui, , são estes tipos de detalhes que mudam completamente o enredo. Claro que o roteiro é terminantemente importante, mas o expressionismo do artista muda tudo. Devemos trabalhar essa energia com eles, cativá-los! Assim como visualizamos o roteiro em nossa cabeça.
Sophia apenas sorriu, solicita, observando toda a paixão que Michael Waldron colocava em sua descrição dos fatos. Para alguns, aquilo podia ser altamente banal, mas ele vivenciava o cinema de uma forma completamente distinta aos demais. Por isso, destacava-se tanto em seus trabalhos: ele respirava cinema, ele vivia pela arte.
se sentia privilegiada por atuar no âmbito do roteiro conjuntamente ao homem. Jovem, Michael esbanjava criatividade — além de coordenar grandes projetos na Marvel Studios, tal como o próximo filme do Doutor Estranho: Multiverso da Loucura. A forma descontraída e inteligente que este enxergava o enredo de suas personagens e escrevia suas respectivas histórias, encantava a estagiária, que absorvia todo o conhecimento possível daquela experiência mágica que adquirira naquele emprego.
— Acredito que tenhamos encerrado hoje. — o homem finalizou, finalmente observando a outra mulher à sua frente. O gesto surpreendeu a todos, pois normalmente, Michael era extremamente workaholic. — Certo, Kate?
Kate Herron era a diretora da série. Estava amplamente acostumada com a empolgação de Waldron nas cenas — principalmente as que envolviam luta ou combate —, mas estava cansada. O ritmo insano das gravações estava esgotando todos os envolvidos nas filmagens.
— Sim, por ora, basta. — ela pronunciara, saindo de sua cadeira. agradeceu aos céus, pois estava, praticamente, morta de sono. — A continuidade está fluida e fiel ao esperado. Amanhã, não teremos filmagens, retomamos conforme foi passado no calendário que está no e-mail de vocês. Até mais, pessoal.
Duas da manhã. sentiu pela primeira vez a insanidade que era trabalhar com a parte técnica do cinema, e por mais exaustivo que fosse, era gratificante. As olheiras abaixo de seus olhos denunciavam sua exaustão aparente, contudo, o sorriso em seu rosto demonstrava a gratidão que sentia pela experiência adquirida.
A garota caminhou até seu armário, sentindo os pés doerem pela primeira vez em muito tempo, reunindo o restante de seus pertences em sua bolsa. Embora fosse muito organizada, estava esgotada demais para se preocupar com tamanha banalidade. Necessitava apenas de um banho quente, uma xícara de chá e uma boa noite de sono.
Despediu-se dos colegas conforme balançou as chaves do Porsche em seus dedos animadamente, sorrindo aleatoriamente para cada um deles. Quando sentiu o olhar gélido de Hiddleston percorrer em sua direção, suspirou pesadamente, apenas acenando timidamente em resposta. Desde a festa, o contato entre ambos fora um tanto quanto limitado a formalidades, sem maiores aprofundamentos. Ele parecia curioso, disposto a dialogar, mas ela apenas estava mantendo-se afastada conforme podia. não queria problemas por se envolver com um colega de elenco.
Ela balançou a cabeça, tentando esvair sua mente. Buscaria Caroline no estágio — conforme prometera a amiga, já que as filmagens ocorriam na mesma cidade — e precisaria estar bastante concentrada para dirigir calmamente pela estrada. E, com toda certeza, aquele par de olhos azuis e sorriso galanteador, não eram sinônimo de concentração.
Após tamborilar os dedos no volante por alguns minutos, ouvindo suas músicas favoritas, ela não demorou a chegar até o set em que estava sendo filmado Falcão e Soldado Invernal. Felizmente, não demorou muito tempo até que a presença de sua amiga surgisse, deixando-a aliviada ao vê-la.
— Amiga, estou tão ansiosa para o Natal! — Caroline adentrou o carro, falante e provavelmente animada.
Carol estava cheia de bolsas e sacolas em suas mãos. Sua euforia, devia-se ao fato daquela época do ano ser muito especial para ambas. e Caroline amavam o Natal e tudo que ele remetia: família, presentes, amigo secreto e o mais importante no momento, que eram as boas e merecidas férias. Tal como , a amiga exaustivamente aprendia no seu estágio, acompanhando o ritmo insano de filmagens.
E Caroline, por sua vez, participara de filmagens majoritariamente externas, ao passo que acompanhava as gravações internas. A maioria das cenas de Loki era feita através de efeitos especiais, o que era relativamente positivo naquele quesito.
— Ah, eu também estou. — respondeu, fazendo uma curva antes de prosseguir. — Para o meu aniversário também.
tivera a proeza de nascer uma semana após o Natal, no primeiro dia do ano. Seu aniversário era uma data que gerava tanta ansiedade quanto a época natalina, embora quase nunca o comemorasse certamente na data. A maioria dos amigos estavam viajando naquele período, de qualquer forma.
Pretende fazer algo?
acenou negativamente com a cabeça, ao passo que fizera um bico. Não havia pensado em nenhum tópico minimamente interessante para realizar na data tão aguardada:
— Eu queria ir pra casa, mas como não vai dar, não planejei nada demais.
Quando se referia a casa, ela falava da sua residência no Brasil, local em que teria o amparo e carinho de seus pais e irmã. Sentia falta da convivência diária, dos conselhos e brincadeiras, mas principalmente, da companhia de quem tanto amava. Entretanto, a incerteza acerca de seu trabalho, a fizeram desistir da viagem no período tão conturbado.
Caroline sabia que o tópico a entristecia verdadeiramente, então não quis dar ênfase ao fato. Apenas mudou de assunto tão rapidamente quanto o começara:
E você e o Tom? Alguma novidade do Sr. Gostoso?
Puta merda. apenas desejava não pensar ou fantasiar nada com aquele homem tão perigoso, mas nem mesmo sua melhor amiga ajudava. Tudo parecia remeter a imagem encantadora de Hiddleston, que pairava em sua mente insistentemente.
— Ah, apenas trabalho, amiga. Eu não tenho tempo para ficar flertando. Ele na filmagem e eu com Waldron.
Obviamente, ela não citou as cenas que lhe fizeram perder o ar. Como na filmagem que ele ficou sem camisa, deixando-a momentaneamente hipnotizada. Por sorte, ninguém pareceu perceber a forma que ela o observava, carregada em desejo e curiosidade.
Um homem tão belo e gentil beirava a uma situação suspeita. Ainda mais flertando tão aberta e calorosamente com ela.
— Não entendi o que você quis insinuar, engraçadinha. Não é como se eu tentasse flertar com o Sebastian, ok?
Caroline era uma péssima mentirosa. soube disso quando olhou para o lado e vou sua face tomada por uma coloração avermelhada, provavelmente envergonhada ao passo que se recordara de algo. Obviamente ficou curiosa com o fato, mas não a respondera, apenas estacionando o veículo.
Após agradecer mentalmente aos céus pela rapidez que chegara em sua casa, mesmo estando levemente distraída, pegou suas coisas e caminhou ao lado de sua amiga em direção ao seu prédio. Sorriu vitoriosa ao passar pelo hall, relaxando os ombros conforme andava.
Sua mente apenas focava no quão prazeroso seria seu merecido descanso, mas algo a tirou daquele transe. Ouvira seu nome sendo chamado, virando-se para trás instantaneamente:
— Srta. ? — o porteiro indagou, gentil, conforme passava. A menina apenas assentiu, curiosa com sua abordagem. — Deixaram isso em seu nome mais cedo.
observou Caroline, curiosa, em vista que não aguardava nenhuma compra on-line — ou algo do gênero. Caminhou suavemente até o balcão em que se encontrava o homem mais velho, que utilizava óculos grossos e possuía alguns cabelos grisalhos. Embora a aparência desgastada, sorriu educadamente em direção a jovem, que demonstrou espanto ao avistar o que ele lhe direcionara.
Um vaso de rosas, completamente brancas, fora colocado em cima do granito. estava surpresa, mas ainda sim encantada com o gesto até então desconhecido, não podendo evitar um sorriso genuíno com o ato.
— Muito obrigada! E tenha uma ótima noite.
Ela pegou o conjunto de flores nas mãos, sentindo a leveza destas. Caroline a observava incrédula, conforme a garota caminhou em direção ao elevador. A amiga estava provavelmente mais ansiosa que a própria , que tentava manter a calma antes de compreender o que havia ocorrido.
No pequeno cubículo, cercada por espelhos altos, Caroline pegou gentilmente o vaso de flores das mãos da amiga, curiosas. O ato, entretanto, fez com que um pequeno cartão no tom champanhe surgisse, deixando a mais nova com a sobrancelha arqueada. A amiga, ansiosa, tratou de entregar o papel nas mãos de , para que ela descobrisse quem era o remetente daquela gentileza:
“Obrigado pelo chá, Srta. . Não tive a oportunidade de te agradecer formalmente na festa. Espero te ver mais fora do trabalho. E de preferência, com aquele vestido vermelho.
— T. W. Hiddleston

Capítulo III

A Georgia State University era um dos locais mais lindos que já frequentara como estudante. A paisagem era bela e consideravelmente arborizada, composta por uma infraestrutura invejável, em meio a prédios altos, majoritariamente claros e bem arquitetados, além de piscinas, quadra de esportes e um ótimo espaço ao ar livre, que possibilitava uma interação maior entre os estudantes.
Aquele fora um lugar extremamente benéfico para fazer amigos e ampliar seu networking, conhecendo pessoas de todas as regiões do mundo. Haviam muitos estudantes em seu curso que eram provenientes de outros países, tal qual , o que deixava a experiência um tanto quanto interessante. Contudo, mesmo sendo consideravelmente popular, confiava verdadeiramente em poucas pessoas, e rapidamente, se fechou em seu grupo de amigas, composto por um número seleto de meninas.
Caroline era uma das únicas pessoas em que confiava plenamente. Contudo, a colega de quarto não hesitou em contar todo o ocorrido dos últimos eventos para Bruna, desde a carona de Thomas até o vaso de flores, em que a mulher apenas ouvira atentamente a narração da amiga. Até mesmo na faculdade, rindo descontroladamente em meio a história de Carol, Bruna Cebulski parecia uma modelo, sentada com as pernas cruzadas, exibindo um conjunto completo da Dior em seu belo corpo esbelto. Suas expressões faciais se alteravam conforme as reações de Caroline mudavam em meio ao enredo, fazendo com que apenas achasse graça da conversa das amigas.
Ambas estavam no intervalo, comendo na área externa do refeitório, quando reprimiu um palavrão para não xingar Caroline e sua língua grande, que não poupou um detalhe sequer dos eventos. Não é como se quisesse esconder as gentilezas de Hiddleston, que parecia minimamente interessado em sua pessoa, mas não queria tornar aquilo algo maior do que foi. Expectativas podiam ser perigosas, ainda mais naquelas circunstâncias. Ele era seu colega de trabalho, mais velho, em uma posição hierárquica de respeito e muito cobiçado por outras mulheres. Ela sequer sabia se o rapaz era comprometido, mas nunca o vira de aliança, pelo menos.
— Então… — Bruna tomou um gole de tônica, encarando os olhos perdidos de , que estava distraída graças aos pensamentos relacionados a Tom. — Ele te deixou em casa, você lhe deu um chá e ele te retribuiu com flores? Você já foi menos passiva nos flertes, . O que aconteceu com você?
— Eu também estranhei ela não ter transado com ele no carro aquele dia. Nem parece a de antigamente, jamais perderia a oportunidade de sentar em um homem daqueles. — Carol complementou, em meio a uma gargalhada alta.
As vestes de Caroline eram tão espalhafatosas quanto sua risada, chamando a atenção de todos que passavam pelo trio sentado à mesa. Utilizava uma camisa duas vezes maior que seu corpo, da cor alaranjada, uma bermuda simples e um tênis neon. Seus cabelos enormes e encaracolados estavam soltos e finalizados delicadamente conforme caiam por suas costas, deixando-a tão adorável quanto sempre era. Parecia um raio de sol, sorridente e animado.
— Vão se foder vocês duas! — finalmente se pronunciou, denunciando o tom de sua voz carregado de uma falsa irritação, divertindo as amigas. — Não foi nada demais, porra. A Caroline aumenta muito as coisas, Bruna, você sabe disso.
As três se entreolharam instantaneamente. Os olhos azulados de Bruna carregavam um cinismo maior que o usual, conforme ela arqueou a sobrancelha completamente indignada com a frase proferida pela amiga à sua frente.
— Amiga, você pode tentar fingir costume para si mesma, mas cai na real: ele está sim interessado em você. — Carol interrompeu, cruzando as pernas.
Eu concordo. — Bruna finalmente interrompeu, passando o dedo indicador por cima de seu copo, brincando com a borda arredondada. — Britânicos são uns lordes flertando e ele está claramente interessado em você, amiga. Não há nada de errado com isso, pelo menos, a meu ver.
Decerto que já havia refletido acerca do tema. Não era nenhum crime duas pessoas adultas sentirem desejo mútuo, expondo aquilo de forma recíproca. No entanto, quando seu tão sonhado trabalho estava em jogo, era impossível não sentir receio do avanço daquelas abordagens. Não saber onde aquela situação poderia chegar, soava desesperador para .
— Tudo bem — a brasileira deu-se por vencida, vendo ambas as amigas sorrirem em retrospecto. —, então se eu disser que concordo com vocês, o que posso fazer perante a situação?
Caroline levou a mão até o queixo, simulando uma reflexão sobre o tema discutido:
— Se ele te quer e você quer ele… Talvez uns minutinhos no banco de trás do Porsche resolvam. E sua minissaia rosa também, se me permite sugerir.
mostrou o dedo do meio para ela, rindo em resposta. Caroline era impossível, talvez a mulher mais livre que conhecera. Ela não se privava de absolutamente nada, e talvez por isso, fosse tão feliz e realizada em muitos aspectos. Aquela era uma clara diferença entre as amigas: enquanto hesitava em meio às suas escolhas e muitas vezes não tomava nenhuma decisão, Wanderley agia única e exclusivamente baseada em suas emoções.
— Acho que você deve mostrar que também está interessada, se estiver disposta. Talvez segui-lo no Instagram seja um bom passo, acompanhá-lo, sei lá. — Bruna sugere, fazendo com que Caroline concordasse com a cabeça. — Chamar a atenção fora do local de trabalho, né.
— Ele é totalmente low profile. — a interrompeu, um pouco frustrada. — Não posta muita coisa, nem no Instagram, nem no Twitter. Parece até a Louise.
— Então quer dizer que você já stalkeou ele? Safada.
A pergunta de Caroline não teve uma resposta, mas sim, havia procurado mais sobre a vida particular do ator nos últimos tempos. Nos momentos de tédio, era impossível não pensar sobre o assunto e consequentemente, procurar sobre a vida encantadora e reclusa de Thomas William Hiddleston. Afinal, eles conviviam juntos quase que diariamente. Ele parecia uma incógnita e aquilo a instigava de uma forma que ela nunca se sentira com mais ninguém.
— Esse não é o ponto! — Bruna interrompera o conflito interno da mulher dramaticamente, atraindo a atenção das amigas. — O fato dele não postar fotos não significa que ele não seja ativo nas redes, amiga. Segue ele, vê no que dá. Pode ser que ele note.
bufou em resposta, mas seguiu o conselho da amiga. Afinal, ela não tinha absolutamente nada a perder. O pior que poderia acontecer, seria ele não reparar ou não comentar. De qualquer forma, ela o seguiu no Instagram, dando-se por vencida, colocando o iPhone impacientemente em cima da mesa.
— Pronto. Agora só aguardar então, senhorita cupido.
— Perfeito. Seguindo minhas dicas, garanto que você vai aliviar esse tesão acumulado de meses em breve. — Bruna riu sadicamente, levantando-se da cadeira em que estava antes que a amiga pudesse xingá-la. — Mas enfim, gente, eu preciso ir, o sinal vai tocar em breve. Ah, e Carol, depois me fala sobre Tampa. E explica para a , ou vou me atrasar.
Bruna saíra da mesa com um aceno, deixando momentaneamente confusa com sua fala anterior. A amiga voltou seu olhar a Caroline, que também fez menção de levantar-se assim que o sinal ecoou, informando que o horário de almoço havia se encerrado. Ambas pegaram seus pertences antes espalhados pela mesa, saindo do local rapidamente, antes que mais estudantes viessem e o trajeto se tornasse impossível.
— Tampa? O que vai ter em Tampa? Confesso que fiquei curiosa.
— Ah, então — Caroline pegou no braço da amiga, caminhando em direção das enormes escadas que haviam no campus, desviando dos estudantes que subiam e desciam insanamente. —, vai ter uma festa na mansão da Bruna, os Cebulski estão viajando. O que basicamente significa…
— Que não tem chances disso acabar bem. — gargalhou, lembrando-se de outras festas na casa de Bruna Cebulski e pensando nas inúmeras possibilidades que as aguardavam. — Vocês são impossíveis.
Quando chegaram ao andar da aula de Cenografia, adentraram a sala e se sentaram à bancada, como comumente faziam. colocou a bolsa de couro sobre a mesa e retirou seu notebook, sentindo Caroline meio tensa em relação ao assunto. Ela não costumava ser muito calada, nem mesmo nas aulas, aparentando um certo nervosismo relacionado àquele tópico. O professor ainda não havia adentrado a classe, mas Carol permanecera em completo silêncio, deixando-a desconfiada. Talvez houvesse mais informações além da festa que Caroline desejava esconder da amiga.
Na verdade, eu tenho que te admitir uma coisa.
riu consigo. Uma das desvantagens de conhecer alguém por tanto tempo e conviver de forma tão intensa, era saber exatamente quando algo estava errado. Quando Caroline se incomodava com qualquer aspecto que fosse, aquilo parecia tornar-se quase que palpável nas conversas. Ela era péssima em esconder suas verdadeiras expressões faciais e seu incômodo particularmente notável.
— Digamos que, provavelmente, Peter estará lá. Sei que você o odeia, mas é a última oportunidade que temos antes de começar a nevar, e… Sabe que vai esfriar em breve e eu não vou poder mais ficar gostosa de biquíni, sabe? Nem eu, nem você… Ah, sabe, tenha empatia por nós… — Caroline fez um bico, piscando os olhos repetidamente.
O nome dito deixou inconfortável. Peter, o maldito primeiro amor dela. Aquele em que dividiu momentos únicos em seu primeiro intercâmbio, que beijou de forma romântica e a quem entregou sua virgindade. Não que fosse apegada ao fato, muito menos a ideia que remetia o puritanismo, mas não esperava que ele fizesse o que fez. Afinal, ela possibilitou que ele conhecesse seus pais, Téo e Elise, levando o garoto até o Brasil, local em que ele a traíra com sua melhor amiga.
Infelizmente, o maldito atleta tinha alguns grupos em comum com elas e era inevitável que eles se encontrassem em alguns eventos. Principalmente os que ocorriam na região de Los Angeles, em que o homem residia por conta da faculdade. Contudo, seria injusto se ausentar de um evento tão divertido quanto aquele, ainda mais por razões tão insignificantes. Aquele era apenas um passado completamente esquecível; era uma mulher adulta e madura agora.
— O Peter jamais será impedimento para nós, Caroline. Claro que nós vamos. — ela confortou a amiga, colocando a mão em seu ombro, recebendo um sorriso em retrospecto. — Só vamos torcer para ter folga no dia, não é mesmo? — sorrira consigo, pensando em como as festas da Bruna sempre eram épicas. — Além disso, eu sei quem posso chamar para a festa ser mais interessante.
Caroline arqueou a sobrancelha, mas fora momentaneamente interrompida pelo professor, que adentrara a sala de forma fugaz. Ambas ficaram de pé e cumpriram as normas comumente aplicadas no âmbito educacional, sentando-se em seguida.
— Essa sua carinha maliciosa me dá medo, Deus me ajude! — Carol sussurrou, falando em português para não chamar a atenção dos demais alunos, que passaram a adentrar a sala, atrasados, assistindo aos slides do Sr. Wilson. — Se for o certo piloto que estou pensando… Quer saber, melhor nem pensar.
, entretanto, fez exatamente o oposto daquilo. Pensou animadamente em rever aquele piloto que ela conhecera tão bem e que sabia que iria à festa caso fosse convidado. Afinal, ele era uma das pessoas mais sociais que ela conhecera em sua estadia nos Estados Unidos. E um dos melhores de cama, também.

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Tom Hiddleston estava apreciando o delicioso silêncio de uma noite ausente do set de filmagens. Devido ao tempo livre, havia lido alguns livros, estudara o roteiro de Loki dos próximos episódios — como comumente fazia em suas folgas —, e fizera seu quadro de exercícios físicos, a fim de manter o porte atlético que o personagem exigia. De fato, tinha sido uma data incomum, beirando a tranquilidade, sendo que nada fora do habitual ocorrera, com exceção de apenas um fato: uma certa notificação pop-up do Instagram, relacionada à uma figura que não saía de seus pensamentos ultimamente.
Parecia imaturo admitir que ele perdera longos minutos observando as fotografias dela, afinal de contas, possuía um grande número de imagens postadas — ao contrário dele. Apesar de ser jovem, parecia ser bastante viajada, adotando um estilo de vida ativo e agitado, como um dia ele já fora. Thomas sentia saudade da disposição que sentiu na faixa dos seus vinte anos. Agora, mais maduro e ocupado com seus compromissos, não tinha mais tanta empolgação para eventos ou viagens, optando, muitas vezes, por sua própria companhia, como naquela noite.
No entanto, obviamente, não foram apenas as paisagens belas que foram responsáveis por lhe chamar a atenção, dentre o enorme número de fotos expostas. Ela era realmente muito bonita, de uma forma única e exótica, que atraíra sua atenção desde o dia que lhe deu a carona. Seu rosto era perfeitamente desenhado e o corpo tinha curvas sinuosas e interessantes, que o fez fantasiar por alguns instantes. Obviamente, ele se reprimiu pelo ato malicioso, rindo da própria imaturidade. Precisava urgentemente de uma foda casual para não ficar tão pilhado pensando naquela garota. A abstinência de sexo poderia ser assustadora após o divórcio.
Irritado consigo mesmo por seus pensamentos inoportunos, Tom deixou o celular bloqueado em cima da mesa de centro, levantando-se e indo em direção a cozinha. Talvez comer alguma coisa o distraísse, pois o dia passara praticamente voando e ele mal se alimentara com o passar das longas horas em que permaneceu ativo. Sua barriga roncava em retrospecto, fazendo com que ele buscasse com urgência algum alimento nos armários. Tudo vazio.
Contudo, a procura do homem fora interrompida momentaneamente pelo som da campainha, fazendo com que Thomas bufasse. Hiddleston andou meio irritado em direção à porta, xingando em sua própria mente. Pouquíssimas pessoas possuíam acesso irrestrito à casa de Tom, pois ele não apreciava receber muitas pessoas em sua residência, principalmente de forma casual. Era até perigoso, tratando-se de uma figura pública tão conhecida como ele era. No entanto, ao abrir a tranca eletrônica do apartamento, encontrou dois homens que conhecia muito bem, dando um largo sorriso em direção aos rapazes.
Sebastian e Anthony não fizeram cerimônia para adentrar o local, cumprimentando o britânico educadamente ao fazê-lo. Ele não teria muita escolha em não deixá-los entrar e sabia disso; Mackie e Stan não eram do tipo que aceitavam não como resposta, principalmente desde o término com Zawe, em que a dupla responsável por interpretar o Falcão e Soldado Invernal, tornara-se muito presente na vida de Hiddleston. Não eram tão próximos antes das gravações em Atlanta, mas ele era grato pela companhia que os amigos faziam quando ele estava entediado. A ausência de Hemsworth graças a paternidade e a saudade que tinha de sua família, que estava do outro lado do oceano, era levemente cessada pelos colegas, diversão e algumas noites de bebedeira.
Sebastian fora o primeiro a dirigir-se até a geladeira do inglês, reclamando da ausência da variedade de bebidas no local. Hiddleston não passava muito tempo no apartamento nos últimos dias, de qualquer forma, alimentando-se majoritariamente no estúdio ou em restaurantes. Por isso, haviam apenas algumas garrafas de Brooklyn Lager dispostas na porta, que prontamente foram colocadas sobre a bancada da cozinha. Tom apoiou-se sucintamente na região da pedra de granito, sentando-se, sendo acompanhado por Mackie, que abriu o recipiente da bebida entregue por Sebastian e tomou um gole.
Hemsworth me falou da garota. — Sebastian comentou para quebrar o gelo, levemente ácido, levando a cerveja até seus lábios. Bebericou um gole antes de prosseguir com a provocação, sorrindo em direção aos olhos azuis de Tom. — Acredito que ela seja gostosa. Afinal, não me lembro de muita coisa daquela noite.
— Do jeito que você bebeu, ficaria impressionado se lembrasse de qualquer coisa, idiota — Anthony prontamente rebateu, rindo consigo ao recordar-se das peripécias que Stan costumava aprontar com os sintomas de embriaguez.
Tom, contudo, apenas dera um sorriso em retrospecto, direcionado à Sebastian, retirando a tampa da garrafa com certa calmaria:
— Hemsworth deveria aprender a ficar quieto. E você, deveria ser menos pau no cu, Stan. Nem me deu boa noite e já está cheio de suposições.
Sebastian gargalhou conforme encarava o amigo, sentindo o cinismo o atingir em cheio. Thomas era mais recluso em comentar abertamente seus pensamentos, principalmente relacionado às mulheres; não costumava fazer isso sóbrio, ao menos. Era mais educado e discreto, escolhendo suas palavras antes que pudesse dizer qualquer coisa minimamente comprometedora. Não era como se não concordasse com Sebastian, pois sabia que ela era gostosa. Mas não queria dar margem àquelas provocações crassas vindas do amigo, pelo menos, por ora.
— Desde quando se tornou puritano para se referir às mulheres? — Sebastian devolveu, tombando a cabeça para o lado, enquanto ria consigo mesmo. — O divórcio te converteu, foi?
Tom apenas revirou os olhos, deixando que uma gargalhada escapasse dos lábios de Anthony. A forma como a irritação o invadia gradativamente, era um tanto quanto engraçado para seus colegas de elenco. Sebastian era quem normalmente provocava, Mackie rira das situações e Thomas caía nas armadilhas de Stan, se irritando em meio às ofensas. Apesar das diferenças, era notável o quanto aquele grupo era funcional para os três, embora fossem levemente imaturos para suas idades. Como a grande maioria dos homens.
— Não seja amargo, Tom! Viemos te fazer companhia — Anthony tentou ajudar, dando alguns tapinhas leves em suas costas.
Hiddleston arqueou a sobrancelha, levemente indignado:
— Vocês invadem a minha casa e ainda tenho que ouvir isso? — Tom apenas riu, bebendo mais um gole da cerveja americana que queimou seus lábios. — Vocês dois não valem porra nenhuma mesmo.
Thomas sentia falta de algumas coisas em Londres, além da familiaridade que o local carregava. Cerveja, com certeza, era uma delas. Nada se comparava com uma boa cerveja Badger, que ele costumava tomar nos anos de faculdade. A simples reflexão lhe trouxera uma nostalgia intensa e momentânea, fazendo-o suspirar, deleitando-se do sabor da bebida americana. No entanto, a reflexão repentina fora interrompida pelo comentário do amigo próximo a ele, que estava extremamente disposto a irritá-lo naquela data:
— É por isso que somos amigos, você se identifica conosco — Anthony rebatera, tomando o resto da cerveja. Pediu que Sebastian lhe destinasse mais uma garrafa, com sede, sendo prontamente atendido. —, mas para a sua sorte, a gente também veio te livrar do tédio dessa noite sem graça!
— E quem disse que eu ia ter uma noite sem graça? — Thomas pareceu levemente ofendido. Como eles presumiram que ele estava tendo uma noite de tédio, afinal de contas?
Sebastian arqueou a sobrancelha ao passo que reprimiu uma gargalhada. Não precisou caminhar muito, indo apenas em direção ao cômodo ao lado, encontrando facilmente uma cópia de Hamlet aberta em cima da mesa de centro, denunciando o que Tom normalmente fazia durante o período noturno.
— E desde quando reler Shakespeare pela milionésima vez numa sexta à noite é um programa minimamente decente, Hiddleston? — Ele recolocou o livro em seu devido lugar, caminhando em direção aos colegas. — Você vai sair comigo e com o Mackie e não aceitamos não como resposta.
Hiddleston sabia que aquela afirmação era verdadeira. Sebastian era muito persuasivo e mesmo se houvesse resistência de sua parte, ele saberia driblá-lo. Não importa qual fosse o argumento né o, Stan não cederia, como o bom leonino que era.
Sabe que eu não gosto de chamar a atenção. — Thomas finalmente protestou, rodeando o polegar em volta do gargalo da garrafa de vidro. — Sabe como a mídia pode…
— Relaxa, Hiddleston — Anthony deixou a mão pousar nas costas do colega, o confortando. —, é um lugar privado e tranquilo. Não como aqueles fins de mundo que Sebastian costuma nos levar.
Sebastian mostrou o dedo para Anthony, evitando xingá-lo apenas para não iniciar uma discussão sem sentido. Animado, acabou prosseguindo na tarefa de convencer Hiddleston a sair de casa:
Além disso, a Jessica estará lá.
Jessica Chastain havia sido um caso interessante na vida de Thomas. Ambos atuaram juntos em A Colina Escarlate, mas o trabalho não fora o único envolvimento entre ambos. Como costumava fazer com as colegas de elenco, Hiddleston não deixou de usar seu charme e lábia para seduzi-la. Após isso, passaram longos meses juntos, sendo até mesmo especulado pela mídia. Ele era talentoso em driblar tais suposições e conseguira sustentar o que tinham durante um período razoável. Porém, após esse período que passaram juntos, Jessica e Thomas não eram mais próximos. Ambos haviam se envolvido em outros projetos, namoraram outras pessoas e se casaram.
— Achei que ela tivesse se casado. — Thomas respondeu Sebastian curioso, mas fingindo certa indiferença quanto ao fato.
Ele jamais negaria uma boa oportunidade de relembrar um ótimo relacionamento como o que tiveram. Tom não era muito resistente às mulheres, de qualquer forma.
— Bom, ela se casou, mas aparentemente você e o Mackie não são os únicos azarados com as relações matrimoniais. Deve ser alguma maldição nos atores da Marvel, ou sei lá. — Sebastian gargalhou com certa ironia, deixando ambos os rapazes indignados.
Stan era o menos disposto a enfrentar relacionamentos duradouros, era o único dentre os três que nunca havia se casado. Estava bem demais sendo solteiro e não pretendia mudar seu status por um longo tempo.
É assim que você quer convencê-lo a ir? — Mackie pareceu indignado, dando um sequinho de leve no ombro do romeno.
Thomas amaldiçoou a si mesmo por não ter ignorado a porta naquela noite, mas não negou o quanto se sentia confortável com os amigos. Sabia que eles não faziam aquilo por mal e o queriam ver bem o quanto antes. Talvez, algumas doses de tequila e um pouco de música aliviassem a tensão da semana exaustiva do trabalho, no final das contas. Rever Jessica, alguns outros amigos e sair da monotonia, parecia ser, no mínimo, interessante. Por isso, acabou concordando com a gentileza dos seus colegas, que se animaram instantemente com a concordância do britânico.
Mas não. Definitivamente, Thomas não tinha mais idade para tequila, música alta e noites mal-dormidas.
A maquiagem havia feito milagres naquela manhã. Ou melhor, a maquiadora, que indagou constantemente se Thomas estava realmente bem. Era aparente em sua feição o quanto ele estava exausto do programa da noite passada. Anthony, que estava recém-solteiro, e Sebastian, um mulherengo de primeira, estavam mais do que acostumados com esse estilo de vida do que Tom. O britânico, no entanto, nunca esteve tão cansado.
Substituiu o usual chá que tomava pelas manhãs, por um enorme copo de café expresso. Maldita hora em que achou uma boa ideia ir àquela festa, principalmente com o nível das cenas que gravaria naquele dia. Sabia que seria duro e exaustivo quando notou o volume de páginas entregues em seu script e a tendência seria que apenas aumentasse. A pressão da mídia e da Marvel em cima das datas fazia com que o processo fosse constantemente acelerado.
O britânico reprimiu um palavrão e se viu finalmente sozinho no camarim, notando que não havia mais ninguém além dele. Thomas já estava devidamente caracterizado como seu icônico personagem Loki, com os longos cabelos tingidos de preto colocados para trás, além de um volume excessivo de corretivo abaixo dos olhos. Ele não era o maior fã daquele tipo de cosmético, mas estes se fizeram muito necessários após tantas horas acordado.
O homem terminou de vestir o uniforme da TVA, traje usual de Loki naquelas cenas, aproveitando a calmaria para grifar alguns pontos importantes das falas vindas de seu personagem, refletindo em silêncio sobre os impactos que aquilo teria na trama. Como diretor executivo, Tom ocupava o cargo mais importante em posição hierárquica na série, possuindo liberdade de expressão e opiniões muito importantes no processo, que auxiliavam a construção de trama com Michael Waldron e Kate Heron. Afinal, era sabido que Loki mudou sua carreira artística, mas ele quem dera vida ao personagem, sendo um dos elementos mais importantes em sua composição.
O set estava pacificamente calmo, o que auxiliou-o no processo de concentração. Muitos dos colaboradores ainda não haviam chegado ao local, então a movimentação também estava tranquila. Ele encarou o relógio alguns minutos depois, constatando o horário próximo ao do almoço. O calor agradável passou a invadir gradativamente as janelas do local, deixando-o ainda mais sonolento. Com isso, ele se levantou de forma calma, decidido a buscar algo para comer.
Tom caminhou devagar em direção a porta, sendo interrompido por um furacão loiro, que a abriu em um movimento rápido demais para ser considerado humano. Ele encarou Sophia um pouco atônito, talvez ainda grogue pelo efeito do álcool.
— Ah, você está aqui — Di Martino pareceu aliviada, puxando Hiddleston pelo braço. —, Waldron está te procurando, Tommy, na sala de reuniões.
Sophia Di Martino fora uma das melhores atrizes que Thomas tivera o prazer de contracenar. Ela era doce e engraçada, muito intensa, comprometida e interpretava sua personagem com uma tremenda maestria. Descendente de italianos, comumente falava alto, rindo com graça das próprias piadas, contrastando com a forma sucinta e quieta com que Thomas normalmente agia no trabalho.
— Bom dia, Sophia. Vejo que está de muito bom humor. — ele comentou, seguindo-a sem opção pelos corredores.
— Eu sim estou de bom humor, ao contrário de Michael — Sophia parou de caminhar, ao passo que apertou o botão do elevador, encarando Thomas em retrospecto. —, afinal, você sabe bem o que acontece toda vez que ele nos chama naquela sala.
Thomas apenas gargalhou baixo, adentrando o pequeno cubículo assim que a porta se abrira. Deixou com que Sophia o fizesse primeiro, apertando o botão do andar de cima em seguida. Cruzou os braços, levemente pensativo, encarando o próprio reflexo à sua frente. Estavam tão bem caracterizados, que aquela poderia até mesmo ser uma cena da série, fazendo-o rir com o próprio pensamento.
De fato, a frase dita por Sophia não era uma inverdade, pois Michael costumava ser bastante intenso quando o tópico era seu trabalho no universo cinemático. Por isso, ele era um dos maiores roteiristas que a Marvel fazia questão de manter no quadro de funcionários. Além de Loki, estava responsável pela direção do próximo filme do Doutor Estranho, em que alinhava todos os acontecimentos da série que estavam gravando. Ele era realmente “fora da caixa” naquele aspecto.
Sophia e Tom saíram do elevador, em silêncio, andando ritmicamente em direção a porta da sala de reuniões, sendo recepcionados pela figura de , fazendo com que Thomas engolisse em seco. Há algumas horas, desejou beijar o maior número de mulheres possível para tirar a estagiária da cabeça, mas lá estava ela, naquele momento, à sua frente. A brasileira utilizava uma camisa social branca, jeans e coturno, mas ainda assim, estava muito bela e radiante, como na maioria dos dias. Parecia animada ao encontrar as figuras a sua frente, sorrindo instantaneamente em suas direções e cumprimentando-os.
Boa sorte — ela sussurrou com certa graça, dirigindo seu olhar diretamente a Sophia, que apenas retribuiu igualmente o gesto.
Enquanto a estagiária fez menção para descer as escadas, saindo do local, Sophia respirou fundo antes de tomar a iniciativa de abrir a porta. Tom colocou ambas as mãos dentro dos bolsos, um pouco apático devido ao nível de álcool que ainda corria por seu sangue. Waldron suspirou fundo ao vê-los finalmente adentrando a sala, pedindo que se sentassem à enorme mesa que havia no local.
Mesmo que fosse uma sala de reuniões, Michael conseguia criar um clima intimista. Tudo era feito em tons amadeirados, com diversas plantas espalhadas e músicas calmas que emanavam através da rádio. Tudo aquilo contribuía para contrastar com o processo caótico e intenso de criação que Waldron costumava trabalhar. Havia uma louca branca cheia de fotos, anotações e observações que ele alterava ora ou outra, conforme encaixava mais fatos na linha do tempo da série.
— Bom, eu serei direto, porque teremos um dia intenso hoje — o homem passou a mão pelos cabelos castanhos com certa urgência, levantando-se, aparentando certa impaciência. Quando estava ansioso, Michael puxava alguns fios de seu bigode, ato que não passou despercebido pelos atores. — sugeriu algumas pontuações e alterações no roteiro piloto, conforme eu solicitei que ela fizesse, afinal, preciso avaliá-la no processo de estágio. Por isso, achei pertinente compartilhar com vocês os apontamentos sugeridos antes de iniciarmos hoje. Kate também concordou e até a auxiliou, mas sabem como ela é resistente em alguns aspectos. — Waldron pegou os papéis que estavam à sua frente e os entregou para Thomas e Sophia, que se entreolharam antes de aceitar o maço de folhas em mãos. — Então preciso que vocês opinem, concordem ou discordem dos aspectos sugeridos. Principalmente você, Hiddleston.
Thomas leu atentamente as sugestões em completo silêncio. Ele costumava ser muito metódico em sua forma de trabalhar, mas improvisava quando necessário. Entendeu a sugestão da estagiária, que cumpria apenas o dever burocrático ao realizar aquele tipo de tarefa. Muitas vezes, aquilo era desconsiderado e sequer pesado para o diretor executivo responsável, mas Waldron não trabalhava daquela forma. Ele era justo e sabia que a liberdade criativa não tinha idade ou restrições. Por mais duro e sistemático que fosse, era um exímio líder, ao contrário da maioria da indústria cinematográfica.
— São sugestões… Significativas, eu diria. — Sophia comentou com certa cautela, arqueando sua sobrancelha em direção a Hiddleston.
Os fãs não faziam ideia sobre a dinâmica que haveria entre Sylvie e Loki. Talvez a parte mais emocionante em trabalhar com os estúdios Marvel, fosse a imprevisibilidade dos fatos. O Multiverso ainda não era um conceito amplamente trabalhado, e com toda a certeza, a personagem de Di Martino deixaria os fãs completamente insanos. Havia uma sugestão de um beijo entre ambos os personagens, salientado exclusivamente por e Kate, a diretora. Parecia perigoso e uma linha tênue para os fãs detestarem a trama, mas condizente com o nível dos últimos eventos gravados.
E você, Tom?
A pergunta de Waldron não fora prontamente respondida, ao passo que Thomas ainda analisava as possibilidades em alterar tais apontamentos. Beirava a insanidade indicar uma mudança tão repentina, podia soar apressada na trama. Ou poderia ser muito bem aceita. Era um tiro no escuro, mas apenas uma possibilidade remota. Não tinha por que não tentar.
— A meu ver, vale a tentativa. — ele concordou de forma simples, colocando os papéis em cima da mesa. — Pelo menos, seguindo o desenvolvimento em que estamos. Podemos gravar e ver como se encaixa na versão dos eventos finais.
Era comum que uma série fosse bastante alterada durante suas gravações. Tratando-se de um estúdio com a potência que a Marvel possuía, no complexo da Disney, tais mudanças eram mais do que comuns. A fim de conter possíveis vazamentos e especulações, os diretores costumavam solicitar que gravassem muitas vertentes de cena, algumas até mesmo falsas. A maioria da equipe de atores sequer possuía acesso às finalidades de fato antes de assistirem a obra concluída, pois a maioria dos fatos eram feitos fora da ordem que o público teria acesso.
Michael, contudo, acabou discursando por mais minutos que o necessário, salientando alguns pontos cruciais antes de iniciarem as filmagens. Thomas não estava mais tão aéreo quanto antes; os efeitos da noite passada se esvaíram, assim que lera as novas alterações que seriam realizadas em cena. Estava animado e empolgado para fazer aquela mudança teste, principalmente porque confiava na intuição de Waldron. Independentemente de qualquer interesse particular que ele tivesse por , era notável o quão apaixonada ela era por aquele universo.
A produção executiva poderia ser bastante exaustiva naquele aspecto, tendo que analisar como qualquer mudança poderia refletir na parte financeira de uma produção. Tom sabia que a decisão final partiria dele e aquilo poderia ocasionar em alguns espectros complexos, deixando-o com certas dúvidas. Por isso, se permitiu não analisar os fatos por ora, ouvindo apenas o que Michael tinha a dizer.
Quando foram finalmente dispensados, havia se passado quase uma hora do monólogo de Waldron, que os deu quinze minutos antes de gravarem a primeira cena. Thomas sentia uma fome indescritível, pois nada além de café expresso e amargo havia parado em seu estômago até o momento. Quer dizer, além das vodkas e tequilas da noite anterior.
Thomas e Sophia desceram pelo mesmo elevador que subiram, mas ao contrário da loira, Tom dirigiu-se instintivamente à cozinha. Estava faminto e sabia que ficaria de mau humor caso não se alimentasse imediatamente. No entanto, ele sorriu sucintamente ao ver que também estava no cômodo, retribuindo o cumprimento gentil feito primeiramente por ele. A cozinha, tal qual a sala de reuniões, tinha um toque intimista e confortável, com algumas plantas, mesa, cadeiras e os armários individuais de cada um dos colaboradores. A grande maioria não se alimentava no local, mas era um ambiente confortável para descansar nos intervalos que haviam entre as cenas.
observou atentamente os atos sutis de Thomas, que parecia diferente naquele dia. Ela não soube dizer o porquê, mas o homem aparentava estar menos recluso do que em outras ocasiões.
— Gostei das suas sugestões, Srta. . — Tom finalmente comentou, dirigindo-se até o seu armário, em que deixava alguns snacks para comer durante o dia. Abriu o pacote e encarou-a, notando que estava curiosa quanto a sua fala. — Seu chefe ficaria orgulhoso.
apenas riu em um tom de voz sarcástico. Era irônico pensar que, mesmo que indiretamente, Thomas era seu chefe. Não uma figura autoritária e com papel de orientação, como Michael Waldron fazia, mas ainda assim, era um superior. A brasileira apenas mexeu as folhas de sua salada com um garfo, finalmente respondendo o comentário feito pelo britânico:
— Aposto que ele ficou muito orgulhoso, Sr. Hiddleston. Mas, acredite, não foi um mérito inteiramente meu. Isso foi mais obra de Kate do que minha, para ser franca.
Ela estava sentada de forma despojada em uma cadeira amarela, menos formal do que costumava agir normalmente. Estava sozinha, almoçando, ausente de toda a insanidade em que estava o set, com as pernas cruzadas. Parecia distraída até a chegada dele, que não conseguiu deixar de conversar com a garota. Perto dela, uma necessidade insana de comunicação se fazia presente. Os eventos da noite passada pareciam irrelevantes agora.
— Não diminua seus feitos. — Thomas justificou, colocando algumas torradinhas na boca. fez menção para que ele se sentasse, mas o britânico negou, apoiando-se na parede próxima apenas para encará-la. — Gostei das mudanças que você propôs. Para ser franco, eu odiava fazer essas abordagens burocráticas na faculdade. Mas você se saiu muito bem.
mordeu o lábio. Ele era tão sútil e discreto no trabalho, que mal parecia o mesmo homem que lhe dirigira as palavras naquele bilhete: “Espero te ver mais fora do trabalho. E de preferência, com aquele vestido vermelho”. Ele era um tremendo ator, ignorando a linha tênue entre a atração que ambos sentiam e todo o profissionalismo que deveriam ter naquele ambiente em específico. Ela, no entanto, transparecera certo nervosismo:
— Eu agradeço — ela sorrira em retrospecto, um pouco tímida. Afinal, ele era Tom Hiddleston e tinha elogiado seu trabalho. —, mas até que gosto dessa parte mais… Burocrática. Como eu te disse — a brasileira recordou-se do dia em que ele lhe dera uma carona, olhando em seus olhos azuis profundamente. —, prefiro ficar atrás das câmeras, apenas roteirizando. Atuação não é para mim.
O inglês apenas assentiu, mastigando as torradinhas com certa pressa. Sabia que gravaria em breve, mas se via incapaz de não conversar com a figura feminina a sua frente. Talvez fosse tesão reprimido, fascinação ou a falta de sexo, ou até mesmo tudo junto. Ele só sabia que poderia passar horas dialogando com a mulher à sua frente, sentada de forma despretensiosa e que esbanjava uma jovialidade que ele não sentia há tempos. Qualquer banalidade soaria como um poema clássico, desde que vindo de seus lábios.
Nunca diga nunca. Você ficaria encantada com as maravilhas que a atuação pode fazer.
apenas concordou com a cabeça, ficando momentaneamente pensativa. Mastigou a salada caesar com a mente a milhão, ainda em dúvida sobre todos aqueles aspectos que ocorriam em sua vida. Havia seguido o conselho dado por Cebulski e mostrou interesse pelo rapaz, mas ele parecia não ter notado — pelo menos, não comentara sobre. No entanto, independentemente de ter visto ou não a interação na rede social, ele parecia interessado em dialogar com ela. Era gratificante sentir que alguém gostaria tanto de ouvi-la, por mais banal e simples que fosse, embora lhe causasse certa hesitação. Era difícil presumir como as coisas poderiam prosseguir entre eles.
Thomas apenas sorrira para a mulher, encarnado seu relógio. Haviam se passado alguns minutos e ele sabia que precisaria se dirigir até a próxima cena. Infelizmente, qualquer sinal de uma refeição decente ficaria para mais tarde, porém ele não parecia arrependido de ter perdido aqueles poucos minutos. Na verdade, ele sentia que aquela passagem de tempo fora muito bem gasta.
— Bom, agora eu preciso ir — Hiddleston pegou o restante de torradinhas e lacrou o pacote, colocando em seu armário novamente. Por mais sucintos e despretensiosos que seus atos parecessem, ainda sim, ele era delicado e gentil enquanto os fazia. Aquilo fez a brasileira suspirar, desejando ser um pacote de salgadinho. —, mas agradeço pela sua companhia no almoço.
— Você sequer comeu. Isso não foi um almoço, Tom.
Ele arqueou a sobrancelha, olhando-a de cima a baixo. Era notável que era uma boa observadora e entendia seus sinais, por mais brandos que soassem. Thomas também entendia os dela. A linguagem não-verbal estava sendo predominante quando se tratava daqueles dois.
— Não seja por isso. Ainda estamos no meio da semana e não faltarão oportunidades.
devolveu a risada e terminou sua refeição. Amassou e jogou os descartáveis no lixo, sem quebrar o contato visual com seu colega de trabalho um segundo sequer, ao passo que caminhou em sua direção.
— Se isso foi um convite, saiba que está aceito — ela mordera o próprio lábio de forma involuntária, cruzando os braços, conforme caminhara em direção a porta. —, principalmente longe do trabalho. — ela parafraseou a frase escrita no bilhete, rindo consigo mesma em meio a um sussurro. — Até mais, Sr. Hiddleston.
Ela saiu da cozinha rapidamente, deixando o britânico ausente em meio a um sorriso cafajeste. O pequeno rastro do cheiro de rosas de seu perfume era a única coisa que denunciava sua presença anterior no cômodo, sufocando suas narinas. Sentia-se cada vez mais motivado a conhecer ainda mais sobre aquela brasileira que de forma tão suave, soava extremamente provocante. Mesmo em meio a atos tão doces e costumeiros, ocasionou em sentimentos tão insanos dentro de si. Ela havia entendido seus sinais e ele os dela. Há tempos ele não se sentia assim, tão disposto e motivado a cobiçar alguém, flertando de forma passiva e gradativa. Thomas sabia muito bem que todo o esforço por valeria muito a pena, principalmente quando a visse com aquele vestido vermelho novamente.




Continua...



Nota da autora: Olá, queridos leitores! Como vocês estão? Feliz 2022!
O que há de melhor para iniciar um ano, senão um capítulo cheio de flertes e provocações?
Como a grande maioria sabe, sou muito fã do trabalho do Tom Hiddleston! Por isso, desenvolvo essa fanfic com tanto carinho e amor para vocês! Espero que estejam gostando da interação desses personagens que são, absolutamente tudo para mim! Comentem muito o que estão achando, não deixem de interagir para deixar essa autora feliz ❤️
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Com um imenso amor, Thaís Santos ❤️🦋✨




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