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Última atualização: 07/07/2021

Prólogo

A sensação térmica era predominantemente congelante. O clima frio de Atlanta tornara-se característico para há alguns meses; a brasileira sentia falta de usar roupas mais curtas e das lindas praias da Califórnia, mas sua vida atual estava agradável demais para fazer alguma reclamação: após ingressar na Georgia State University, no curso superior que tanto desejava, ganhara um apartamento de seu pai, Téo — que por sinal, sentia muita falta. Como, em tais circunstâncias, ousaria reclamar de algo tão banal quanto o clima?
Apertou os próprios braços, passeando as mãos pela região, irritada consigo mesma por não ter levado uma blusa mais quente. Como se o frio não fosse ruim o suficiente, as gotas de chuva aumentaram ainda mais a intensidade, e seu celular, para piorar, estava sem bateria. Estava relativamente tarde, e como ela morava perto do local das filmagens, normalmente não ia embora na van com os outros colaboradores. Infelizmente, naquele dia, deixara o carro em casa, impossibilitando seus movimentos.
Por isso, estava ali, parada no estacionamento, murmurando alguns xingamentos em português. Mais uma vez, insistentemente, revirou a bolsa, em busca de um carregador portátil, a fim de pedir auxílio de Louise ou Caroline. Bruna e Patrícia não moravam tão perto quanto as amigas, e Marcella provavelmente estaria dormindo àquela hora. Ou talvez, até mesmo pedir um táxi quando a tempestade passasse. Só sabia que precisava ir embora e descansar.
Ouviu alguns passos atrás de si, mas não virou-se para ver quem era. Afinal, muitos dos colaboradores já estavam indo para casa, mas ela ainda possuía um círculo de amigos limitado. Haviam alguns carros no estacionamento do estúdio, das poucas pessoas que ainda estavam no local.
Justamente por não ter um coleguismo efetivo com alguém, se recusava a propor uma interação patética com qualquer pessoa que fosse. Era uma situação ridiculamente imbecil e ela não queria se estressar ainda mais. Parecia irresponsável uma adulta não estar preparada para adversidades tão básicas, de qualquer forma.
O dono dos passos, por sua vez, não hesitou chamá-la ao notar sua irritação:
— Está tudo bem com você? — uma voz masculina chamou sua atenção, em um tom brincalhão e levemente descontraído.
virou seu corpo e ergueu seu olhar em direção ao homem de sotaque extremamente característico. Estar diariamente no mesmo set que Tom Hiddleston, era, basicamente, o sonho de qualquer fã da Marvel Studios, ainda mais ela, que estava adorando acompanhar o desempenho de Loki. A série era incrível e ela era apaixonada pelo talento espetacular de seu chefe, Michael. Mesmo assim, a garota ainda sorriu com vergonha quando notou por quem estava sendo abordada.
Thomas era um exímio ator. Ela percebeu isso desde que começara a estagiar, ao ter o privilégio de assisti-lo atuar e coordenar juntamente ao seu chefe, sem contar no imenso respeito que todos possuíam pelo mais velho. Como se tantas qualidades não fossem suficientes, também era dono de uma beleza particularmente exótica, que deixou a brasileira momentaneamente sem palavras para o responder. O poder que olhos azuis gélidos como o oceano exalavam, deixariam qualquer um envergonhado.
— Sim… É que eu moro aqui perto, mas está chovendo muito. — encolheu os ombros, rindo amarelo. Parecia ridículo alguém com dezenove anos evitar dirigir por puro receio e se submeter a situações patéticas como aquela. Pior ainda, era o fato de estar tão desconcertada perto de alguém, principalmente ele, que era seu colega de trabalho. — Como não vim de carro hoje, estou apenas esperando passar.
Ela sabia que demoraria a passar. O clima no final de novembro nos Estados Unidos, ao contrário de seu antigo lar, Brasil, era predominante gelado — e, em breve, começaria a nevar.
Embora estivesse praticamente congelada e muito irritada consigo mesma, não queria soar dramática para o colega de trabalho. Thomas, por sua vez, não pôde deixar de observar a garota. Ela exalava jovialidade, e, certamente, era uma das mulheres mais bonitas daquele set. Utilizava uma saia xadrez curta, saltos altos, meias grossas e uma blusa de mangas compridas. Decerto, ela não parecia estar acostumada com o clima de Atlanta naquela época.
— Bom, para a sua sorte — Hiddleston distanciou-se ligeiramente da garota, apenas para revelar que era o dono do Jaguar deslumbrante que estava estacionado, apertando um botão para destrancá-lo. Era um veículo tão lindo quanto seu dono, e como se não bastasse, ele sorrira timidamente. —, eu posso te dar uma carona, Srta. .
sorriu ainda mais envergonhada quando percebera que o rapaz lembrava de seu sobrenome. Era tão gentil de sua parte. Colocou uma mecha de cabelo atrás da orelha, sentindo-se tão boba quanto uma pré-adolescente, cruzando os braços na frente do corpo antes de respondê-lo:
— Não precisa se incomodar, Sr. Hiddleston. Mas agradeço a gentileza.
nunca foi uma pessoa introvertida, longe disso aliás, mas aquela situação, era extremamente atípica; além do mais, ela não queria atrasá-lo para seus compromissos posteriores, já que o rapaz deveria estar cansado após tantas gravações exaustivas. As filmagens iniciaram-se de forma não-oficial ao final do mês de novembro, pois ainda deveria permanecer um segredo perante o público.
A morena saiu do transe para observar o rosto do loiro que, por sua vez, contorceu-se em uma careta com o comentário cordial feito pela garota:
— Ah, não me chame de senhor, isso faz com que eu me sinta velho. — Thomas deu de ombros, adentrando o veículo. — Está tudo bem, também moro perto. Está frio demais para ficar por aqui.
concluiu que relutar contra a excelente persuasão do britânico seria inútil — além de uma tremenda falta de educação —, e, automaticamente, deu-se por vencida. Agradeceu em um sorriso mudo, curvando a cabeça, imitando o ato do mais velho ao adentrar o carro. Acomodou-se no banco espaçoso de couro branco, colocando a bolsa por cima das coxas, sentindo-se mais aquecida quando sentiu o calor do ar-condicionado em sua direção.
Thomas deu partida no veículo, guiando-o para fora dali. Os enormes pingos de chuva caíam com violência no vidro dianteiro do Jaguar, ao passo que nem o para-brisa era capaz de cessar a quantidade enorme de líquido. O loiro bufou com impaciência, estreitando os olhos até que conseguisse estabelecer uma visão efetiva, para direcionar o carro até a rodovia. , por sua vez, observa toda a execução dos atos em silêncio, aproveitando o calor para aquecer-se, pronunciando-se apenas para dizer seu endereço ao educado rapaz.
— Então, Srta. — ele chamou sua atenção posteriormente, curioso. Ela arqueou a sobrancelha, enquanto o portador dos olhos azuis alternava entre observá-la pelo canto do olho e tentar enxergar algo através do vidro dianteiro do carro. — Gostando do estágio?
Ela assentiu prontamente com a cabeça. Quem não gostaria de trabalhar em um lugar mágico como a Marvel? Parecia um sonho.
— Pode me chamar de , Thomas — ela enfatizou seu nome, igualmente o corrigindo, fazendo com que o mais velho risse com o ato. — Mas estou gostando bastante. Minha amiga, Bruna Cebulski, quem me indicou e eu adoro os filmes da Marvel.
— É um ótimo lugar para começar, eu garanto. — Hiddleston complementou a fala. — As pessoas lá são bem acolhedoras, principalmente o Michael, que é um excelente profissional. — Ele referiu-se ao roteirista-chefe, o Sr. Waldron, superior de . — E você, pretende ficar no roteiro ou pretende se arriscar na atuação?
nunca havia pensado em atuar, embora adorasse a área cinematográfica. Sempre se vira fazendo o que estava executando: escrevendo e participando do processo conforme fazia um roteirista. Era amplamente bem instruída e sentia-se realizada naquele estágio. Mesmo que cobrisse várias áreas conforme necessário, como todos os estagiários costumam fazer, tinha um apreço maior por aquele setor.
— Sinceramente, não. Acho muito bacana a expressão e a arte, e admiro muito o trabalho de vocês, mas acho que focarei no roteiro. Estou gostando muito de acompanhar o processo criativo de uma série tão cativante.
Thomas sorriu em retrospecto, concluindo que era uma companhia bastante agradável, embora nunca tivesse tempo suficiente para interagir com a equipe de forma significativa. Talvez estivesse se sentindo sozinho após o recente término com Zawe, permanecendo isolado durante aquele curto período, recuperando-se com dificuldade.
Embora tudo que o britânico fizesse fosse dinamicamente calculado — graças à sua personalidade metódica —, o comentário que veio a seguir, fora completamente “sem filtro”:
— Você é bonita demais para ficar atrás das câmeras, . Deveria repensar essa decisão.
O elogio pegou repentinamente. Não esperava que coisas tão aleatórias pudessem acontecer em um único dia, uma sequência de tantas coisas boas. Tom era uma companhia realmente doce e ela sentiu-se muito confortável em sua presença. Além de um profissional ótimo, também era um ser humano afável. Mas aquele elogio… Pareceu deixar seu rosto em chamas, queimando como uma febre insaciável.
Felizmente, a brasileira não teve que se preocupar em estender o assunto, pois Thomas estacionou o carro em frente ao condomínio em que residia, fazendo a menina suspirar aliviada. A chuva ainda não havia cessado por completo, entretanto, Tom parou ligeiramente próximo a parte coberta, deixando a garota tranquila após tantas atribulações. sorriu antes de deixar o veículo que Hiddleston conduzia, sorrindo acanhada para ele:
— Obrigada, Thomas. Pela carona e pelo elogio, claro.
Ele assentiu, devolvendo o doce gesto da brasileira.
— Disponha, Srta. . — Ele não abandonou a cordialidade, despedindo-se educadamente da mais nova. — Te vejo amanhã.
O carro veloz deixou a residência assim que a menina correra em direção a portaria. Agarrou sua bolsa e os braços, na tentativa de se aquecer, enquanto corria da portaria até a entrada do edifício, caminhando em direção ao elevador. Ao adentrar o pequeno cubículo, clicou no último botão, rindo consigo mesma após relembrar os últimos acontecimentos.
Às vezes, sua vida era improvável demais. E, sendo bem franca, ela adorava isso.

Capítulo I

“Obrigada pela carona, Sr. William. Aqui está um pequeno agradecimento :)”
De

Em sua mesa do camarim, havia um pequeno copo de chá de óleo de bergamota com uma gota de leite, algo extremamente específico para o homem. Thomas não pôde deixar de sorrir quando leu o conteúdo no bilhete, escrito em uma bela letra cursiva, percebendo assim, a preocupação da garota em o agradecer com sua bebida predileta. O doce e cítrico sabor, o fazia recordar dos tempos que residia em Londres, de sua infância, escola, amigos e família, somado à uma sensação intensa de nostalgia. Talvez, o ato sequer tenha sido intencional da parte dela, mas Tom o apreciou fortemente.
Também achou muito curioso o modo como a garota resolveu chamá-lo: William. Ninguém se referia ao astro Tom Hiddleston através de seu nome do meio. Nem mesmo sua mãe, Diana, costumava lhe chamar assim, gesto que considerou particularmente fofo. Ela não aparentava ser uma do ator, afinal, desde o primeiro dia de estágio da novata, aquela fora a primeira vez que trocaram um longo diálogo distante do âmbito profissional, ainda que fosse partido dele. Sequer havia atraído o olhar dela alguma vez, não que tivesse percebido, de qualquer forma.
Mesmo que estivesse confortável e levemente avoado naquela manhã, Tom tentou esvaziar os pensamentos para trabalhar em plenitude, tomando mais um gole suave da bebida, apreciando-a com deleite. Enquanto isso, as maquiadoras chegavam gradativamente para caracterizá-lo, sendo recebidas pelos cumprimentos matinais do homem cordial e charmoso. Adorava trabalhar nos sets da Marvel, sentia-se muito à vontade com todos e estava acostumado com a maioria da equipe. Teve a oportunidade de contracenar com novas figuras gravando a série Loki, que andava tomando boa parte de seu tempo.
— Por que está com esse sorriso bobo na cara? — Owen, que estava ao lado de Hiddleston, arqueou a sobrancelha, levemente curioso.
Tom era um homem particularmente recluso, passando boa parte do seu tempo em silêncio — exceto na companhia dos amigos que confiava muito. Observava muito as coisas ao seu redor, pensava constantemente, premeditando suas ações e falas, embora esbanjasse simpatia e doçura. Por isso, a reação não usual dele naquela manhã, causou uma curiosidade em Owen Wilson, que ainda não sabia o contexto da história da carona destinada à garota e do agradecimento destinado ao homem.
Não é nada demais — Thomas respondera despretensiosamente, bebericando mais um gole e desconversando.
A caracterização prosseguira, enquanto Hiddleston permaneceu em completa quietude, respondendo às maquiadoras vez ou outra, tal como o colega de elenco, que pouco se dirigiu ao homem. Sua mente permanecia ocupada demais pensando em uma certa estrangeira e quando a veria de novo no set. Ou melhor, quando a veria fora dele.

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havia trabalhado exaustivamente naquela semana, graças às filmagens contínuas — e agora, finalmente, anunciadas ao público geral —, mas conseguira uma folga na sexta-feira, por conta de uma prova muito importante, em que se saíra bem. Sentia-se realizada no seu curso em Cinema, aprendendo cada vez mais sobre as artes, filmagens e toda a magia por trás das câmeras, que era fascinada desde pequena. Porém, sabia que amava o roteiro e a escrita acima de toda e qualquer coisa, muito mais do que a atuação.
A cada dia que estagiava no set da Disney, exclusivamente na Marvel Studios, conhecendo pessoas incríveis e adquirindo experiências únicas, sentia-se imensamente realizada.
Vivendo o seu tão aguardado sonho americano.
— Ele te deu uma carona, amiga? — Caroline trouxe a brasileira de volta à realidade, enquanto seu vestido com o ferro, quase queimando a peça devido a excitação momentânea. A menina tossiu ao inalar o vapor, imersa na história que estava lhe contando anteriormente. — Meu Deus, eu realmente estou passando mal… — Bittencourt levou a mão ao peito, simulando um infarto.
explodiu em uma gargalhada contagiosa, que a amiga não deixou de acompanhar. Caroline Bittencourt Wanderley sempre fora conhecida como sinônimo de felicidade e alegria — e um pouco de drama, diga-se de passagem: era impossível não estar em uma situação cômica, ou até mesmo constrangedora perto daquela garota tão icônica. Nunca ficava de mau humor, abalada ou sequer demonstrava desestabilidade. Era alguns anos mais velha que , mais madura também, mas ainda estava no mesmo semestre que a amiga, pois fizeram o intercâmbio conjuntamente, há alguns anos.
— Não seja dramática, Caroline. Não foi nada demais.
Carol não evitou revirar os olhos. “Nada demais, sério?” Nem a própria , que dissera a frase, acreditava no que proferira. Era sim grande coisa, digno de um filme romântico, em que Caroline, provavelmente, planejaria um roteiro tão meloso e dramático quanto ela. Tão previsível.
— Ele falou que você é bonita, ! Poxa, esse homem é um monumento do caralho, se me permite o palavreado sujo. Não finja costume, pelo amor de Deus. É só lembrar do Peter para fazer um breve comparativo…
Caroline colocou o vestido em cima da cama, de modo extremamente delicado para que não amassasse. tentou não revirar os olhos para aquela comparação inoportuna da amiga — que simplesmente adorava o intérprete do deus nórdico e faria tudo para estagiar com —, rindo levemente desconfortável em retrospecto. Uma careta por sua parte fora inevitável ao lembrar-se do ex-namorado e dos últimos acontecimentos:
— Se controla, amiga, por favor. — a morena colocou uma mecha dos cabelos ondulados atrás da orelha, encarando a mais velha. — Eu trabalho com o Tom, não posso perder o rumo assim só porque ele foi momentaneamente gentil. Além disso, não cite o nome do filho da puta que é Peter. Ele só merece nosso desprezo e nós sabemos disso.
— Eu concordo plenamente com sua observação perspicaz, mocinha — Caroline logo justificou-se, ajeitando a postura suavemente. —, porém, confesso que achei fofo você ter levado um chá para ele, sabe? Você não costuma ser fofa assim com ninguém e… — ela riu consigo mesma, repleta de malícia ao prosseguir com sua fala. — Bom, certamente, não seria o chá que eu daria para ele se tivesse oportunidade — ela riu consigo, maliciosa, arrancando uma enorme gargalhada de .
— Você é inacreditável, Wanderley. Uma grande pervertida.
— E por isso, você me ama, .
Ambas cessaram o assunto por ora, pois estavam imensamente animadas com o evento em que foram convidadas. A denominada Festa do Vermelho, a famosa Red-Beneficent-Party, fora um evento beneficente que, em todos os anos, reunira uma diversa gama de artistas a fim de movimentar uma boa quantia e visibilidade. A causa social era nobre, destinada ao tratamento de pessoas que adquiriram doenças sexualmente transmissíveis, incentivando assim, os âmbitos científico e financeiro para criação de vacinas, pesquisas e tratamentos.
Caroline e sempre se arrumavam juntas para os eventos, uma na casa da outra, desde quando residiam no Brasil — como se fosse um ritual da amizade. Carol via-se em dúvida entre dois trajes tão curtos quanto a palma de sua mão, enquanto optou pelo clássico Saint Laurent vermelho de mangas longas, condizente com a ocasião. Era um lindo vestido dado por seus pais, Téo e Elise, que tinha um valor sentimental enorme para a garota.
— Ai, amiga, estamos vivendo nossa vida dos sonhos, não é? — A mais velha caiu de costas no colchão, prosseguindo com a voz encantada e levemente abobalhada. — Fomos convidadas para uma festa que será muito foda e, provavelmente, os astros mais gatos estarão lá. Se eu vir o Sebastian, não responderei por mim, ! Claro que a causa também é importante, eu sei…, Mas é do Stan que estamos falando!
riu descontroladamente, colocando algumas de suas maquiagens em cima da cama. A garota conheceu Sebastian Stan em um evento meses antes, mas não era intimamente ligada ao homem. Sabia que era gentil e muito bem-educado, além de interpretar uma de suas figuras favoritas no Universo Cinematográfico da Marvel.
Pensando bem, ela mostrou-se mais nervosa na presença dele, do que na de Hiddleston. Porém, ambos os homens pareciam irreais de tão belos.
— Amiga, eu não sei como você ainda não surtou no set de Falcão e Soldado Invernal, sério. Eu os adoro, deve ser ótimo trabalhar e contracenar com eles.
— Lembre-me de agradecer à Cebulski. pela visão privilegiada que ando tendo todos os dias, — Caroline riu e finalmente se levantou, direcionando-se até o banheiro da suíte.
Bruna Cebulski era muito amiga de e Caroline, além de ser filha de um dos maiores nomes da Marvel Comics: Chester Cebulski. Com a mãe brasileira, Anne, a aproximação das garotas no início do período letivo fora quase imediata, tornando-as grandes amigas e praticamente inseparáveis. Inclusive, ela que fora a responsável pela indicação das amigas nas vagas de estágio nas séries da Disney+, graças aos contatos bastante influentes de seu pai. Ela, por sua vez, trabalhara a maior parte de sua vida como modelo, embora tivesse um leve interesse apenas pela atuação, talvez em um futuro distante.
— O Anthony é um doce, claro — Bittencourt voltou a tagarelar, como sempre fazia, enquanto fazia um skincare no banheiro da amiga. Ah, a intimidade daquelas duas… —, mas o Sebastian é lindo que dói. Eu estou sendo auxiliada pelos continuístas, por ora… Então nos falamos bem pouco, quase não os vejo! Isso é triste.
riu consigo, constatando os últimos fatos que a amiga lhe expusera. Um continuísta prezava pela coerência da narrativa do roteiro juntamente a cenografia, figurinos e caracterização das cenas. Para alguém tão observadora e minuciosamente detalhista como Caroline Bittencourt, aquele era um trabalho perfeito. Porém, considerou bastante curioso o modo que Carol falava constantemente de Sebastian — embora preferisse ficar calada sobre o fato —, desviando o foco momentaneamente sobre o rapaz:
— Ele ficou solteiro recentemente, né?
— O Anthony? Sim, acho que no ano passado. — Carol concordou com a cabeça, dando de ombros, mesmo que a amiga não pudesse ver graças ao ângulo.
apenas riu consigo, falando mais para si do que para a amiga:
Que perigo um homem desses solteiro…
saiu do meio das colchas de seda, em que estava preguiçosamente despojada, para finalmente arrumar-se. Num sobressalto, percebera como as horas haviam se passado rapidamente, adotando uma postura tensa. Ambas não eram as pessoas mais pontuais, e o fato somado ao elevado período que gastariam para se arrumar, ocasionara um atraso enormemente inoportuno.
Embora isso, estavam igualmente impecáveis e satisfeitas com o resultado adquirido após um longo tempo arrumando-se, assim que os ponteiros do relógio apontaram para às dez da noite. Os lábios carnudos de possuíam uma coloração avermelhada, tal como seu vestido, em sandálias icônicas da mesma marca; Caroline, por sua vez, optara por um costumeiro traje preto, acompanhado por sapatos da mesma cor e uma leve maquiagem, deixando os cabelos cacheados soltos e volumosos. As amigas posaram e fizeram algumas fotos, postando em seus respectivos Instagram.

DM INSTAGRAM
louisewolff

Já estamos aqui, acabamos de passar pelo Tapete Vermelho. Onde estão vocês duas?



Os lábios da brasileira estreitaram-se ao ler a mensagem pela barra de notificações de seu iPhone. Louise Spindoll Wolff podia ser uma garota bastante impaciente quando se tratava de pontualidade — ou da falta dela. Ela, definitivamente, não sabia lidar com os costumes brasileiros de e Wanderley, que chegavam atrasadas em, praticamente, todos os eventos.
Por isso, tratou de dirigir rapidamente até o local, mesmo que não fosse uma atividade que possuía apreço em executar. Saíram às pressas do apartamento da garota, ansiosas pela noite que as aguardava. Carol, em plena euforia, conectou o bluetooth do seu celular no veículo, cantarolando animadamente até que chegassem ao local, a fim de confortar sua amiga enquanto conduzia.
Elas amavam festas. Haviam frequentado muitos lugares, tanto nos Estados Unidos como no Brasil — alguns até com procedência questionável e duvidosa —, mas aquilo era completamente diferente. Não era um simples encontro entre amigos, era a inserção em um novo mundo, que lhes ofereceria oportunidades distintas a qualquer coisa que já haviam experimentado. E, consequentemente, aquilo causava uma enorme ansiedade nas jovens.
prestou atenção nos sinais com muita calma, ignorando até mesmo sua música favorita do Linkin Park, em que Caroline fingia ser a guitarrista e vocalista simultaneamente. Não conteve uma leve risadinha, rindo da amiga, enquanto tamborilava as enormes unhas no volante de seu Porsche.
Avançou o sinal com cuidado, seguindo o Waze pelas ruas de Atlanta, que estavam insanas graças ao evento promovido pela Disney. Assim que avistaram o prédio indicado, desceram afoitas do veículo para que o manobrista — que cumprimentou as amigas educadamente — pudesse conduzi-lo até o estacionamento. Passaram pela recepção e sessão de fotos quase que em um pulo, em vista das pulseiras VIP que ostentavam nos pulsos.
O barulho dos saltos finíssimos era audível mesmo com a música alta. cumprimentou algumas pessoas educadamente com o olhar, alguns conhecidos, outros não. Ao longe, teve a oportunidade de observar a face de Louise, contraída em um misto de preocupação e agonia com as amigas.
— Finalmente vocês chegaram! — Bruna exclamou animada, adiantando a reação exacerbada de Lou devido ao atraso.
Um Valentino cor-de-rosa era a peça-chave de Bruna Cebulski naquela noite. Era incrível como tudo ficava perfeito no corpo da modelo, assumindo uma elegância e beleza invejável. Os saltos alongaram ainda mais suas pernas torneadas, deixando-a, consequentemente, irresistível.
— Chegaram quase no encerramento do evento, né? Vocês são inacreditáveis. — Louise Spindoll Wolff reclamara, cruzando os braços com uma falsa impaciência. — Mas, graças a Deus os paparazzi não puderam entrar neste setor, o que significa que teremos um pouquinho de paz essa noite, pelo menos!
Embora tenha se irritado ligeiramente com o atraso, estava feliz em tê-las reunidas ali. Dificilmente a agenda de todas as garotas coincidia positivamente, ao ponto de se encontrarem em algum evento. Exceto por Marcella — que estava ocupada em outro compromisso —, o esquadrão estava devidamente reunido.
— Lá fora está cheio de curiosos. Me sinto radiante por estarmos aqui na Área VIP — Patrícia comentou, saltitante. —, quase famosas já!
Patrícia Delasour era visionária, o alto astral que regia o grupo. Era muitíssimo parecida com Caroline, mas não chegava ao nível de acidez e sarcasmo que Bittencourt exalava. A garota sempre sonhara com os holofotes, assim como as amigas, embora a timidez fosse um fator impactante em seu comportamento.
— Com razão, né? Olha o tanto de gente famosa que tem aqui. Eu nunca mais precisaria trabalhar se cada um deles me doasse um por cento do salário. — Caroline mordeu o lábio, olhando ao redor. As amigas riram do comentário descabido feito pela mulher. Momentaneamente, arregalou os olhos, ao observar algo por cima do ombro, curiosa. — Espere, aquele é Henry Cavill?
Bittencourt saíra tão rápido quanto chegara, em passos curtos, fazendo as amigas rirem. Aquele, definitivamente, não era Henry. Carol deveria estar sem lentes de contato, presumiu . Mas isso não impediria que Caroline flertasse com o rapaz e, provavelmente, acabasse transando com ele no final da noite.
estava animada para dançar e descontrair após uma intensa semana na faculdade, mesmo que houvessem cenas a serem gravadas no sábado. Felizmente, seria no período noturno, o que deixava a mais nova aliviada. Mesmo com o estresse, todo o esforço era imensamente gratificante.
— Eu vou pegar algo para beber, vocês querem?
As meninas restantes acenaram negativamente com a cabeça, fazendo com que desse de ombros. Caminhou sucintamente até o bar, torcendo mentalmente para que o barman não pedisse sua identidade. Felizmente, o carismático atendente não fizera mais perguntas após a garota pedir um martini, atendendo-a prontamente.
Os móveis do local eram muito bonitos, claros e simples, contrastando com a tonalidade do vermelho. Toda a decoração era condizente com o tema do evento, em que haviam diversos locais para tirar fotos, alguns representantes de ongs e importantes causas sociais, além de muitos artistas e pessoas de extrema relevância para a sociedade. Mesmo que estivesse se habitando gradativamente com o fato, ainda era digno de estranheza para .
Não muito longe dali, por sua vez, Tom estava acompanhado de Sebastian e Anthony. Ambos aproximaram-se exponencialmente dado o início das filmagens de suas respectivas séries, tornando-se inseparáveis. O britânico era nomeado um dos embaixadores da UNICEF — em que atuava diretamente no auxílio e amparo a crianças carentes —, e sentia-se imensamente feliz ao comparecer a um evento que era fundamentado em uma causa tão nobre.
Porém, quando seus olhos finalmente rodearam o salão, ele viu uma pessoa que não esperava reencontrar tão cedo fora do trabalho. Sabia que a Disney, como patrocinadora, era responsável por atrair a presença do maior número possível de pessoas. Embora isso, não aguardava a presença da estagiária ali. Ponderou suas ações por um instante, pois mesmo que fosse predominantemente metódico em muitos aspectos, era um tanto descompensado quando movido pelo desejo. Graças ao fato, hesitou quanto à escolha de avançar contra a mais nova. Mas o que ele tinha a perder?
Thomas pediu licença momentaneamente ao amigo, Sebastian, para que pudesse apanhar uma bebida. Obviamente, o pretexto possuía um nome e sobrenome, e, para piorar, usava um vestido colado nas curvas de seu lindo corpo. Ele não conseguiu tirá-la da cabeça durante toda a semana; o jeito, aparentemente, tímido da brasileira era realmente encantador. Hiddleston permaneceu alguns segundos hipnotizado antes de dirigir-se ao bar, parando sucintamente ao seu lado.
— Vermelho realmente valoriza você, Srta. . — a voz rouca masculina finalmente tomara forma, deixando todos os pelos do corpo de instantaneamente arrepiados.
Ao menear sua cabeça com suavidade, pôde finalmente encará-lo. O rapaz, elegante como sempre, permanecia trajado com um lindo terno azul da Armani, contrastando com a cor de seus lindos olhos. Como se não bastasse, o perfume marcante também era um ponto alto de sua presença; qualquer um sabia que Thomas estava no local, simplesmente pelo aroma cítrico característico. sorriu em retrospecto, praticamente embriagada pelo odor.
Não havia dialogado efetivamente com ele desde o ocorrido da chuva, mesmo que tenha lhe agradecido a gentileza pelo outro dia. Embora trabalhassem no mesmo local, dificilmente o tempo escasso lhes permitiria conversas despretensiosas. Waldron era um chefe muito exigente, tanto com Thomas, quanto com , que ainda estava em um período primordial do seu estágio.
— Obrigada, William, você também fica excelente de azul. Mas não precisamos de formalidades fora da empresa, certo? — ela rira com suavidade, respondendo-o casualmente. O nome do meio ficava ainda mais atraente no sotaque da brasileira, pensou o homem. — Sinceramente, não esperava te ver aqui.
Thomas arqueou as sobrancelhas, curioso com a constatação presunçosa da mais nova.
— E por que não?
deu de ombros, torcendo os lábios em um bico antes de prosseguir:
— Você não tem cara de que aprecia esse tipo de evento. Achei que fosse mais… Clássico, entende?
As pessoas, normalmente, possuíam essa impressão de Hiddleston. E não era para menos, afinal, ele detinha uma educação e elegância sem tamanho, diferentemente da grande maioria. Mas isso não significava que ele não gostava de festas; até apreciava, embora fosse mais calmo e caseiro. Vez ou outra, seus amigos conseguiam convencê-lo a sair da zona de conforto, como ocorrera naquela noite. Eventos beneficentes eram seu ponto fraco, de qualquer forma.
— De fato, eu curto alguns programas mais casuais. Mas Sebastian e Chris insistiram para que eu viesse e cá estou. Afinal, é de uma boa causa que estamos falando.
não evitou um sorriso nada discreto. Já conhecia Stan, mas não tivera a oportunidade de conhecer Hemsworth. Todos falavam muito bem de sua ótima educação e simpatia, e a cada dia, ela se apaixonava mais pelo elenco da Marvel.
— Ele fez bem, estamos trabalhando bastante essa semana. Faz bem curtir de vez em quando.
O barman, sem ferir a bolha em que Thomas e se encontravam no diálogo, deixara a bebida no balcão. A menina suspirou, observando o homem à sua frente, tomando um gole suave do martini. Apoiara uma das mãos no móvel de madeira escuro, deixando que o copo repousasse por lá novamente. Mesmo que não tivesse alcançado a maioridade nos Estados Unidos, vez ou outra, conseguia beber sem que suspeitasse. Felizmente.
Hiddleston achou graça no ato, copiando o gesto da menina ao solicitar um drink para o atendente, que até o conhecia de eventos anteriores. Obviamente, sua solicitação fora prontamente atendida.
— Realmente… — o inglês concordou com a cabeça, tirando a brasileira de seus devaneios momentâneos. — Ele fez muito bem.
Seus olhos azuis passearam sucintamente pelo corpo da mais nova. Aquilo não intimidou , sequer deixou-a desconfortável, pelo contrário; o ato, a deixou muito tentada. Sua respiração descontrolou-se momentaneamente, deixando a garota corada com o ato. Timidez, entretanto, nunca fora uma característica usual de — não para quem a conhecia de fato. E como ele parecia disposto a provocá-la, a garota correspondeu-lhe:
— Está flertando comigo, Thomas?
O comentário fora feito num contexto totalmente singelo, embora a reação dela o deixasse um pouco surpreso. Ele ainda não sabia o quanto era uma mulher direta em muitos aspectos, ao contrário de muitas pessoas que não teriam coragem de respondê-lo no mesmo tom provocativo.
Isso, por sua vez, não o impediu de respondê-la com cinismo:
O que você acha?
A morena arqueou as sobrancelhas, mordendo o lábio suavemente. Ele, em resposta, passou a língua pelos lábios, tomando o resto de sua taça em um único gole. Ambos sentiam uma tensão formando-se, numa forma gradativa, como se todo o espaço e pessoas a sua volta de ambos não importassem mais. Os pés de formigavam com o leve nervosismo, e nem mesmo a música alta parecia capaz de abafar as batidas do coração da mais nova. Hiddleston, por sua vez, riu consigo.
Embora sentisse aquela sensação distinta quando estava perto de , sabia controlar melhor seu desejo do que a garota, devido a idade e maturidade. Principalmente, por estar em uma posição de poder e que poderia acarretar algo potencialmente prejudicial para ambos.
Achei que já havia sido claro o suficiente dias atrás. — ele prosseguiu, insistindo para instigá-la, cuidadosamente.
A súbita lembrança do último encontro, a atingiu como se fosse uma avalanche. Mesmo que houvesse ficado nervosa com aquela aproximação, jamais mensuraria segundas intenções vindas de um homem como William. Ele possuía alguma coisa que o destacava dos demais, deixando a mais nova cada vez mais enfeitiçada naquela situação altamente perigosa. E ele, inegavelmente, estava igualmente encantado. Thomas era clássico e doce em diversos aspectos, mas flertando, era sagaz e esperto. Não perderia a oportunidade de beijar os lábios carnudos da brasileira, e quem sabe, provar todos os talentos que estes detinham.
— É… Atrapalho algo?
Aquele era, definitivamente, um péssimo momento para conhecer o astro Chris Hemsworth. respirou fundo antes de voltar seu olhar ao loiro que aproximou-se até eles, que a cumprimentou com um beijo suave e cordial em sua mão. Se não estivesse tão mexida com a investida certeira de Thomas, provavelmente teria passado mal com o doce gesto do intérprete do Deus do Trovão.
— Não, Chris. — prontamente justificou-se, dando um passo para trás. Hiddleston arqueou a sobrancelha, curioso. — eu preciso ir, aliás. Foi um prazer conhecê-lo.
No jogo de sedução, ambos empataram naquela noite, mas permanecia visivelmente mais abalada que Thomas. O rapaz rira consigo ao notar a jovem regressando até seu grupo de amigas, levemente atordoada pela investida certeira. A situação parecia irreal para ela, todavia, excitantemente excitante para ele.
— Estou curioso para entender o que aconteceu aqui. — Hemsworth pronunciou em meio a um sorriso, pedindo uma bebida e recostando na bancada.
As luzes vermelhas piscavam animadamente, enquanto a música eletrônica parecia aumentar ainda mais conforme passavam os minutos. Aquilo indicava o anúncio de mais um discurso que viria a seguir. Thomas, porventura, olhou para baixo, bastante envergonhado ao notar a perspicácia e percepção do amigo. Afinal, ele e Hemsworth tinham uma longa trajetória conjunta. Dez anos haviam se passado, em que Chris acompanhou todos os romances de Hiddleston: Kat, Elizabeth, Taylor e Zawe, e reconhecia muito bem quando o amigo estava flertando.
E quando estava correndo perigo.
Talvez nem eu saiba te explicar, mas será um prazer te contar essa história — Thomas deu de ombros, passando a caminhar com o amigo, bebericando mais um gole de martini, que queimara sua garganta.
Ao passar pela brasileira, mesmo que de longe, ao caminhar em passos gradativos, não pôde deixar de medi-la novamente dos pés à cabeça, deixando de lado toda sua sutileza anterior. O corpo da menina instantaneamente arrepiou-se com o ato perigoso, enquanto Hiddleston fez uma promessa para si mesmo: ora ou outra, ele a teria.
E sabia que gostaria tanto quanto ele.




Continua...



Nota da autora: Olá, queridos leitores! Como vocês estão?
Como a grande maioria sabe, sou muito fã do trabalho do Tom Hiddleston! Por isso, desenvolvo essa fanfic com tanto carinho e amor para vocês! Espero que estejam gostando da interação desses personagens que são, absolutamente tudo para mim, hahaha!
Através do meu link no Milkshake, vocês terão acesso à outras histórias que possuo no FFObs. msha.ke/sdsthais
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Com um imenso amor, Thaís Santos ❤️🦋✨





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