Terceira Resistência

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Última atualização:01/09/2021

Prólogo

Anne Marie teve um mau pressentimento quando viu um agente especial aparatando na esquina da pacata rua Studland Way. Ela não sabia ao certo o que um agente estaria fazendo em Weymouth, tão longe de Londres, porém algo em seu interior lhe dizia o suficiente para que ela suspeitasse que sabia, sim, o motivo. E o motivo era ela. Eles tinham descoberto a traição, e agora estavam vindo buscá-la.
Engolindo as lágrimas que queriam escapar de seus olhos, Anne Marie apertou o pequeno pacote embrulhado em um cobertor de lã cor de rosa mais junto ao peito, e começou a andar ainda mais rápido em direção a sua casa. Pelo canto do olho, notou que o agente ainda não a tinha visto, mas sabia que já não tinha muito tempo.
Com sorte Markus não estaria em casa e ela jamais teria que explicar sua traição ao marido também. Mas logo percebeu que a sorte não estava mais ao seu lado, dando de cara com Markus na sala de estar, bebendo um chá enquanto lia o jornal. Passou correndo por ele, com segura em seu colo.
Agora era a prioridade. precisava ser salva e ela tinha um plano.
— Como foi o passeio? – Perguntou Markus quando ela passou por ele, torcendo para que não fosse parada.
Fez o que pode para sorrir com a maior convicção que podia, o medo camuflado em um sorriso afável.
— Foi bom. quase falou “esquilo”.
Markus levantou a sobrancelha, um sorriso nascendo em seu rosto. Podia ser severo e rígido, mas nada o amolecia mais do que sua linda filha.
— Ah, é mesmo?
— Saiu algo como “sequilo”, mas eu entendi o que ela quis dizer.
Markus riu, voltando para o jornal, e Anne Marie aproveitou a distração do marido para seguir para o quarto da bebê.
Não dava tempo de se sentir mal por Markus, sabendo que ele iria morrer junto com ela por algo que não tinha feito. Mas dava tempo de proteger sua filha, e era o que ela faria. Jogou pó de flu na lareira do quarto de , a única lareira da casa, e chamou a única pessoa que a ajudaria naquele momento.
— Preciso de você aqui. – Disse apenas, quando outra mulher surgiu do outro lado. – Chegou a hora, fui encontrada.
A loira não pestanejou.
— Estou a caminho.
Enquanto aguardava, rapidamente colocou em seu berço, pegando uma mala e colocando tudo que ela fosse precisar. Lenços, roupas, sapatos, fraldas. Tirou o relicário em seu pescoço, que guardava uma foto de Anne Marie, e Markus, mas não o colocou na bolsa. Entre lágrimas, deixou que as fotos caíssem no chão, depositando um relicário vazio no compartimento menor da bolsa da menina.
Se tudo desse certo, não se lembraria de nada. Se tudo fosse como era para ser, não poderia saber quem eles eram. Anne Marie precisava que fosse criada por trouxas e nunca na sua vida precisasse se preocupar com Lord Voldemort e seu exército, sua guarda e seus agentes. Ela não queria na guarda.
Um movimento atrás de si indicou que sua ajuda tinha chegado, e ela se virou para a outra mulher que a encarava, solidária.
— Você sabe o risco que estou correndo por ter vindo até aqui. – Disse para Anne Marie.
— Mas você veio.
A loira sorriu.
— Eu vim. E vou cumprir com o prometido. – Ela se virou para , que dormia feliz em seu berço. – Vou levar a criança.
Anne Marie desistiu de fingir que era forte, chorando baixinho enquanto pegava sua filhinha no colo.
— Não era para ser assim. Eu queria um mundo melhor para ela.
— Todos nós da Resistência pensamos assim, Anne Marie. E todos nós vamos cuidar dela.
O choque se espalhou no rosto de Anne Marie.
— Não. Não, Hermione, você me prometeu! Todo mundo precisa esquecer que ela existe. Até mesmo você!
— Eu acho arriscado realizar outro feitiço assim. Ela não vai ter ninguém para lhe dizer quem é, e a profecia! Quem vai orientá-la?
— A profecia pode nem ser sobre ela! – Exaltou-se a mãe. – Por favor, eles não podem se lembrar dela. Ninguém pode.
Hermione fitou Anne Marie, que parecia assustada, porém muito convicta do que estava pedindo.
— Tudo bem, farei isso. Mas saiba que estará sozinha. Será criada por trouxas e provavelmente irá para algum orfanato...
— É exatamente o que eu quero. – Anne Marie apertou , olhando para a garotinha cujos olhos permaneciam fechados. Sem saber do horror que se instalaria na casa onde nasceu em poucos minutos. – , eu te amo. , seja forte, corajosa e esperta. Daria o mundo para te ver crescendo e trazendo esperanças para todos nós, mas não é justo colocar esse peso em você tão frágil e pequenina.
— Ela vai se sair bem. Eu tenho certeza. – Hermione sussurrou, tomando a garota em seus braços. – Quando eu completar o feitiço, você não se lembrará dela. Mesmo se sobreviver, o feitiço é irreversível. Entende isso?
Anne Marie fitou nos braços da companheira de combate, assentindo.
— Eu não vou sobreviver. Mas ela precisa. – Escutaram um barulho vindo do andar de baixo, um grito de Markus e parecia que mais de uma pessoa tinha invadido sua casa. – Vocês precisam ir. Agora!
Anne Marie deu a bolsa de para Hermione e beijou a cabeça cheirosa de sua filha antes que a mulher desaparatasse com sua filha no colo.
— Eu te amo, . – Sussurrou, para o vazio.
Ela não tinha medo de morrer. Sabia no que estava se metendo desde o primeiro dia. Markus jamais entraria na resistência, era fiel ao Lorde das Trevas, então passou os últimos três anos agindo escondida, sem saber que alguém a estava observando e acabou por dedurá-la. Ela tinha ouvido falar de uma profecia, e a única resposta que todos tinham encontrado era . era a garota da profecia, e uma vez vazada essa informação, Voldemort não pouparia esforços para encontrá-la.
O barulho de luta no andar de baixo acordou Anne Marie de seu transe. Ela se vestiu com coragem e lealdade, as únicas armas que tinha, e, mesmo que fosse em vão, empunhou sua varinha ao descer as escadas.
Markus estava consciente, porém seu rosto se cobria de sangue.
— Eu não faço ideia do que estão falando! – Ele dizia, o jornal aberto e abandonado espalhado no chão ao seu redor.
Markus estava com medo, e Anne Marie se sentiu mal por tê-lo envolvido nessa situação.
— Sua esposa faz parte da Resistência, disso temos certeza. Foi dedurada. Mais do que isso, precisamos da sua filha. Onde ela está? – Questionou o agente.
Seu cabelo era grande, loiro e ondulado, e estava sujo. Parecia que não era lavado há muitos dias. O homem era o mais novo da dupla, porém era claramente o líder. Devia ter menos de dezoito anos, mas seus olhos verdes explodiam de malícia e maldade. O outro agente Anne Marie reconheceu como o que tinha aparatado em sua rua mais cedo. Era robusto e parecia assustado. Anne Marie suspirou de compaixão. Devia ser recém formado e novo no Exército.
— Onde ela está? – Perguntou o homem loiro mais uma vez.
Markus balançou a cabeça.
— Eu... eu não sei o que... Anne? – Perguntou, quando seu olhar focalizou o da mulher. – Do que eles estão falando? No que você se meteu? Onde está ?
— Segura. – Respondeu. – Ela está segura. Eu sinto muito, Markus. Esse mundo está todo errado.
O agente que estava socando seu marido sorriu para ela.
— Acho que ele é apenas uma infeliz decorrência. Que esposa egoísta você arrumou. – Markus se virou para encarar o agente com uma expressão assustada, e essa foi a última expressão que ele fez. - Avada Kedavra!
— Não!
— Você não precisava ter matado o cara, Ness. – Sussurrou o segundo agente, que apontava sua varinha para Anne Marie.
— Precisava sim. Assim como você, querida. – Disse Ness, chegando mais perto de Anne Marie, que mal respirava. – Diga-me, onde está sua preciosa filha?
— Não vou dizer.
Ness arqueou as sobrancelhas.
— Você é mesmo uma rebelde. Negando o prazer de entregar sua filha a Lord Voldemort.
— Jamais entregaria. Jamais entregaria minha filha para aquele... monstro!
Ness sorriu.
Mas, naquele momento, há alguns quilômetros dali, Hermione Granger sussurrava as últimas palavras do feitiço que fariam o mundo se esquecer de e do motivo pelo qual ela era tão importante.
Obliviate Aeternum
Anne Marie sentiu cada memória da doce ser arrancada de si, cada risada que ela deu, cada lágrima que caiu de seus olhos, suas quase palavras se misturando com outros sons e por fim a memória de sua filha se reduziu a um imenso e profundo vazio em seu coração.
Olhou para o homem na sua frente, sem se lembrar sobre o que estavam conversando antes. Mas Ness não ficou confuso por muito tempo; retornando a sua pose arrogante, afastou-se um pouco de Anne Marie.
— Sabe, sua Resistência não vai durar muito. Vamos encontrar vocês, um por um. Pena que você não vai poder levar esse recado. – Ness suspirou, erguendo a varinha. – Avada Kedavra!




Continua...



Nota da autora: Oi, gente! Me arriscando em uma fic de Harry Potter. Espero que gostem e que corresponda as expectativas!




Outras Fanfics:
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