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Última atualização: 24/12/2020

Capítulo 1 - Um novo começo

As trigêmeas McKinnon não entendiam o motivo de seu tio do nada decidir que Hogwarts era o melhor pra elas a partir daquele ano. Não que elas não quisessem, afinal, Hogwarts era a escola que a mãe delas havia estudado, mas não é como se elas já não tivessem conversado isso com o tio antes (mais precisamente aos 11 anos, quando elas receberam as cartas) e ele tivesse abominado a ideia, até mesmo no ano anterior quando se tornou professor de lá. Depois de três anos estudando em Ilvermorny, Remo magicamente mudou de ideia e durante o começo das férias de verão contou isso para as garotas quando foi buscá-las em Massachusetts.
A viagem para a Inglaterra foi divertida, as garotas gostavam de estar na presença do tio, sentiam falta dele durante todo o ano, e saber que estariam mais próximos agora deixava o coração das três quentinhos.
, e tinham apenas um ano quando sua mãe, tios e avós foram mortos durante a primeira guerra bruxa. A mãe delas, Marlene, parecia pressentir o perigo e foi sozinha visitar os pais trouxas. O pai das garotas, até onde elas sabiam, foi quem as levou para Remo e sumiu logo depois. O que acabava sendo mais um motivo para que as três quisessem ir a Hogwarts, descobrir mais sobre o pai que elas sequer sabiam o nome.
Evie McKinnon, a mais velha, tem o instinto protetor com as irmãs, não é de falar muito, mas é boa dando sermões e tentando enfiar algum juízo na cabeça das outras duas. Seus cabelos loiros escuros batiam um pouco abaixo dos seios, os olhos castanhos sempre carregando uma expressão misteriosa e séria. Jogar quadribol e cuidar de plantas são as atividades preferidas dela. Remo sempre dizia que seu jeito lembrava muito a mãe.
Amber McKinnon, a do meio, era a que mais se parecia fisicamente com a mãe: os cabelos loiros ao nível dos ombros, os olhos castanhos e o sorriso que lhe dava um ar dócil. Extremamente apaixonada por fotografia e bem, por pregar peças nos outros, mas nada que sua lábia não a livrasse das detenções.
Sophie McKinnon era a mais nova, dona de longos cabelos loiros que batiam em sua cintura, olhos azuis acinzentados e um sorriso que, como um dos livros trouxas preferidos dela dizia, seria capaz de pôr fim à guerra e curar o câncer. E, além de tudo isso, era dona de um gênio forte. Quando não está lendo um livro qualquer, ou está jogando quadribol ou está brigando com alguém.
As férias foram divertidas como costumavam ser e logo setembro havia chegado. As garotas estavam ansiosas por finalmente ir à escola onde seus pais estudaram e animadas com a expectativa de descobrir detalhes sobre o pai.
Eram cerca de 10h40 quando os quatro chegaram à estação. O dia estava extremamente chuvoso, o que fazia qualquer um querer estar na cama debaixo das cobertas. Remo entregou os bilhetes e as garotas o seguiram até uma pilastra entre as plataformas nove e dez.
- Remo aqui fala sobre a plataforma 9¾, que coisa louca é essa? Isso claramente não existe… - murmurava irritada para o tio que sorria para a caçula. Enquanto tinha o jeito da mãe e Kitkat o jeito do pai, era a mistura perfeita dos dois, com um quê de ela mesma, claro.
- Creio que posso ajudar nisso, professor. - uma voz surgiu atrás delas, o que assustou a mais nova fazendo-a soltar um palavrão baixo.
- Harry! - Remo disse animado, correndo para abraçar de lado o garoto que estava encharcado. As tri se entreolharam, sabendo de quem se tratava. Aquele era Harry Potter, o tal Harry Potter. - Essas são , Kitkat e a estressadinha ali é a .
- É bom finalmente conhecê-las. - como assim finalmente? Remo o cutucou. O garoto pareceu notar a expressão desconfiada da mais nova e tratou de se explicar. - Remo sempre falava muito de vocês em nossas aulas particulares… Enfim, vamos? O trem sairá daqui a pouco.
- Claro, precisamos só achar a droga da plataforma. - sorriu debochada e cruzou os braços.
- Ok, então você vai primeiro. - apontou a pilastra.
- Você acha que…
- , só vai. - Remo pediu impaciente. A garota bufou e decidiu se bater na parede pra mostrar que não tinha nada ali. Ela foi em direção ao local indicado esperando o baque com os olhos fechados, que não veio e então ao abrir os olhos à plataforma estava ali. Logo depois as irmãs, o tio e o Potter apareceram.
- Uau. - Kitkat murmurou ao ver a locomotiva.
- Cadê o Weasley e a Granger? - perguntou Remo ao garoto, cochichando enquanto as garotas olhavam tudo ao redor encantadas.
- Eles já entraram com minhas coisas, aí eu decidi ficar aqui esperando vocês. - ele ainda observava as garotas conversando e rindo, inclusive a que estava irritada quase agora. - Elas já sabem?
- Ainda não… Peço que guarde isso até o natal.
- Certo, nos vemos no natal então.
- Fica de olho nelas, Potter. - ele pediu e o garoto sorriu assentindo.
- Elas são minha família também, não é? - piscou.
Remo então andou novamente com Harry para perto das irmãs. O garoto observava a cena abismado, era estranho ver Lupin soando tão paternal.
- , tente não se preocupar tanto com as suas irmãs pirralhas e fazer alguns amigos. - ele abraçava a mais velha, que vestia uma jaqueta preta, saia xadrez, meias que iam até as coxas e um coturno. A garota apenas sorriu sem mostrar os dentes e murmurou um "ok, ok!" para que o tio parasse de falar.
- Ei! e eu não somos pirralhas, são só minutos de diferença! - Kitkat disse inconformada assim que Remo foi falar com ela.
- Certo, e quem vive pregando peças nos outros ou se metendo em brigas, é o que mesmo? - ele arqueou a sobrancelha fazendo a garota rolar os olhos. - Se cuida, Kitkat, dá uma segurada nas gracinhas.
- Vou tentar, prometo… - ela sorriu abraçando o tio. Kitkat era a que tinha o ar mais menininha das três, usava um vestido azul florido, um casaco branco por cima e tênis da mesma cor.
- … - a garota se jogou nos braços do mais velho, as meninas brincavam que ela era a favorita dele, regalias de ser filho mais novo. Usava jeans cintura alta colado ao corpo, uma camiseta de alguma banda trouxa e tênis branco. - Tente ser legal e não se meter em encrencas, por favor, e ajude suas irmãs com as notas.
- Eu sou legal com quem merece, tio. - ela disse brincando e observou que o tio não ia ceder, ele fingiu não ter graça - Tá legal... Vou ficar mais na minha.
- Certo. Mandem-me cartas assim que der!
- Até o natal, tio! - Kitkat disse enquanto ela e as outras se afastaram acenando.
Harry ajudou as meninas com as malas e logo estavam entrando no trem. Ele ainda estava abismado em como as garotas eram diferentes, no modo de se vestirem, na personalidade e até mesmo os animais de estimação - tinha um sapo chamado Godofredo, um gato persa preto chamado Peludo e uma coruja branca e gorducha chamada Einstein.
- Eu pedi pros meus amigos guardarem lugar para nós… Mas se quiserem procurar outra cabine, tudo bem também. - ele disse sem graça quando guiava as meninas no corredor estreito do trem.
- Isso é muita gentileza, Harry. Obrigada, vamos nos sentar com vocês sim, é sempre bom fazer amigos, né? - Kitkat tomou a palavra ao ver que as outras irmãs negariam, as fuzilando com o olhar.
- Certo. - Harry parou entrando na cabine enquanto as outras três pararam na porta. - Esses são Rony Weasley e Hermione Granger. Estão no quarto ano também. - ele sorriu coçando a nuca, o que não passou despercebido pela mais nova. Potter parecia ser tímido demais para quem matou um bruxo porra louca como você-sabe-quem quando bebê. Se fosse ela…
- É por isso que Deus não dá asa à cobra… - a garota disse pra si mesma e acabou despertando a atenção dos outros cinco. Sentiu o rosto esquentar e sorriu amarelo - Desculpa, pensei alto.
- Bom, - retomou o que dizia antes. - no começo é complicado nos diferenciar, mas logo vocês acostumam. é a única que tem olhos azuis, por exemplo...
- A Kitkat é visivelmente a mais feliz e simpática de nós. Se sorrir pra você, é ela. - interrompeu novamente e sorriu apontando para a irmã do meio.
- Você também sorri bastante, palhaça. A que não, acho que somos as únicas que já presenciaram esse evento. - Kitkat disse e ela e concordaram entre si enquanto a mais velha rolava os olhos e os demais riam.
- Como eu ia dizendo… Assim que passar um tempo, vocês vão notar como não somos iguais, é até gritante a diferença. - ignorou o que as mais novas diziam.
- Não sei não… Até hoje confundo Fred e Jorge às vezes. - Rony comentou.
- Isso por que você é um tapado… Fred geralmente fala primeiro, Jorge é quem explica em seguida. - Hermione disse como se fosse óbvio, os garotos olharam para ela de olhos arregalados.
- Nunca tinha percebido isso, é um bom ponto. - Harry concordou pensativo.
- Estou intrigado com o que mamãe disse, como assim vamos preferir passar o Natal em Hogwarts? O que é que eles tanto escondem? - perguntou Rony depois de um tempo.
A viagem seguiu diante do temporal do lado de fora, Hermione estava lendo um livro da lista de materiais e Peludo e Bichento dormiam no colo de . Kitkat, e Rony haviam até cochilado por pouco mais de meia hora, os dois últimos acordaram apenas quando outros garotos da Grifinória começaram a discutir sobre quadribol. Kitkat ainda continuava apagada.
- Ah, eu queria tanto ter ido. - comentou no meio da conversa, referindo-se a Copa Mundial de Quadribol. - Chegamos muito em cima da hora para conseguir os ingressos…
- Também não fui. - disse o garoto que haviam dito a ela ser Neville. - Vovó não quis ir e não comprou as entradas. Parece ter sido fantástico!
- Olhem isso. - Rony mostrou sua miniatura do Krum. - O vimos de perto, ficamos no camarote de honra…
- Pela primeira e última vez na vida, né, Weasley? - um garoto com o cabelo loiro lambido apareceu na porta. e se entreolharam, sabendo que concordavam que aquele garoto era desagradável. E então, para completar, ele começou a caçoar das vestes de Rony.
- Vai lamber sabão, Malfoy. - Rony xingou enquanto o garoto ria com seus idiotas de companhia.
- Não é como se pudesse falar da aparência de ninguém… Malfoy, não é? - ela se virou para o ruivo que confirmou com a cabeça - No dia que lavar esse cabelo ensebado, talvez tenha o direito de nos dirigir a palavra.
O tal Malfoy fechou a cara e se aproximou de a encarando com desdém.
- E você é…?
- , deixa isso pra lá, não vale a pena desperdiçar seu primeiro surto em Hogwarts com esse babaca. - murmurou baixinho pra irmã, que deu de ombros.
- Devem ser as trigêmeas que todos estão falando. Não esperava menos, filhas de uma sangue-ruim e de um…
- Já chega, Malfoy, veio aqui só pra insultar os outros gratuitamente? - Harry o cortou irritado antes que ele soltasse informações demais ou que quebrasse a cara dele. , Hermione e uma Kitkat recém-acordada tentavam acalmar a garota.
- Quase ia me esquecendo. Vim apenas perguntar ao Weasley se ele vai entrar e tentar trazer alguma glória para a família dele. E tem o dinheiro também, pra comprar vestes decentes se ganhar…
- Do que é que está falando?
- Você vai entrar? - ele repetiu - Nem vou perguntar ao Potter, do jeito que é exibido suponho que ele não vai perder a oportunidade.
- Ou você explica direito ao que se refere ou vai embora. - Hermione quem disse dessa vez, o garoto sorriu.
- Não me diga que não sabe, Weasley? Tem um pai e um irmão no ministério e não sabe? Meu pai me contou há séculos, ele soube pelo Cornélio Fudge, sabe como é, ele convive com o primeiro escalão… Talvez seu pai seja insignificante demais para saber… É, provavelmente não falam coisas importantes na frente dele.
E então, antes que Rony pudesse xingá-lo, Malfoy e os dois retardados saíram dali. O ruivo levantou e fechou a porta da cabine com tanta força que quebrou o vidro.
- Rony! - censurou Hermione depois de usar um feitiço para consertar a bagunça que o amigo havia feito. Enquanto Hermione tentava acalmar Rony, e ainda tentavam acalmar uma puta da vida.
- Como ele ousa? Falar da mamãe e ainda ofender a família do Rony? - ainda estava sentada xingando sob o olhar da irmã mais velha.
- Não vale a pena , se ele tem tanta influência como diz ter só teríamos problemas se você batesse nele. - Kitkat comentou recebendo um olhar indignado da caçula.
- E você acha certo ele ofender a mamãe? Ele que enfie a influência dele no…
- , definitivamente, não vale a pena. - foi Harry quem disse dessa vez. - O melhor jeito é ignorá-lo, nem gaste suas energias com isso. Sua mãe era melhor amiga da minha, e nem preciso conhecer muito sobre ela pra saber o quanto ela era incrível.
- Isso é… Bem, muito gentil da sua parte. Obrigada… - a garota murmurou parecendo um pouco mais calma, mas não sorria mais como antes.
O mau humor de Rony e prevaleceu pelo resto da viagem, logo estavam desembarcando em Hogsmeade. O grupo se separou assim que Hagrid avistou as três garotas.
- Garotas McKinnon, venham comigo! Vocês terão que passar pela Seleção das casas assim como os alunos do primeiro ano. - o gigante sorria - Sou Rúbeo Hagrid e é um prazer imenso conhecê-las, vocês parecem muito com Marlene…
As meninas agradeceram e subiram no barquinho mais próximo que encontraram, o caminho todo foi regado de comentários animados das três e também da chuva que não cessava a troco de nada. O auge da viagem foi quando um dos garotinhos do primeiro ano caiu no lago, as tri não sabiam se riam ou se preocupavam com o ocorrido, mas no final, uma lula gigante jogou o pequeno Creevey de volta para o barco e ele logo estava bem e aquecido com o casaco de Hagrid. Ao chegarem ao espaço onde Hagrid as deixou esperando com os alunos do primeiro ano, os quais Kitkat já havia feito amizade enquanto ouvia a irmã caçula reclamar das vestes completamente ensopadas assim como os cabelos, logo a professora que se apresentou como Minerva McGonagall explicou como funcionava a seleção e o esquema da taça das casas, o qual Remo já tinha comentado com elas. Em Ilvermorny as garotas eram de casas diferentes: de Wampus, Kitkat de Thunderbird e de Pukwudgie. Elas não tinham ideia do que aguardar do chapéu seletor, sabiam que, a mãe e o tio eram da Grifinória, assim como dos colegas recém-feitos. Mas estavam abertas às possibilidades, não acreditavam que a escolha da casa era algo que tivesse tendência a ser hereditário, pelo contrário, cada pessoa é uma pessoa com complexidades totalmente diferentes. O Salão Principal era tudo aquilo que elas haviam teorizado e ainda mais, estar ali era um sonho. Sonho esse que elas não entendiam porque estarem realizando tão tarde, mas mesmo assim, estavam felizes por realizarem.
- Assim que eu chamar o nome vocês se sentam no banquinho e colocam o chapéu. - Minerva explicou - Iremos começar a cerimônia de seleção com nossas alunas transferidas. McKinnon.
Kitkat andou devagar até o banquinho, fez um lembrete mental de zoar a cara dela depois, a garota parecia ter visto um fantasma de tão nervosa.
- Nada mal… - começou o chapéu para que somente a garota ouvisse. - Você é dona de uma mente muito altruísta, garota. Honesta e brincalhona, igualzinha ao seu pai… Poderia colocá-la na Lufa-lufa, mas creio que a melhor escolha seja a GRIFINÓRIA!
saiu do banquinho meio zonza, foi em direção à mesa que fazia barulho para recebê-la e sentou-se ao lado de Hermione até ter sua atenção voltada para o nome da irmã.
- McKinnon. - Minerva leu no pergaminho e sorriu para a garota, que meneou a cabeça na direção da professora e se sentou.
- Uma mente nada convencional, determinada e valente quando necessário, assim como sua mãe. Você se encaixaria muito bem na Corvinal, mas seria um ultraje, pois você é totalmente uma GRIFINÓRIA!
se sentou ao lado da irmã, que sorria fraco.
- Só falta a . - elas ouviram Rony, que estava sentado logo à frente encharcado.
- Tomara que possamos ficar juntas… - Kitkat comentou esperançosa fazendo a irmã mais velha rir.
- Seria ótimo, mas é a cara da ser do contra.
- McKinnon.
- Você tem uma mente talentosa garota… Tem audácia e ousadia e é uma líder nata, ainda é sincera e inteligente… Você é muito parecida com seus pais, mas ao mesmo tempo você é tão exatamente você, isso chega a assustar. Fazia tempo que eu não via uma mente coringa, poderia te colocar em qualquer uma das casas. Curiosa e analítica como uma corvina, empática e honesta como uma lufana, imprevisível e sarcástica como uma sonserina, mas sem sombra de dúvidas gentil e determinada, ah sim… é melhor que seja GRIFINÓRIA!
A garota soltou o ar que nem havia se dado conta que prendia e sorriu abertamente caminhando até a mesa, para perto das irmãs.
- O que aconteceu com você? Vocês não vieram de carruagem, sequinhos e tal? - perguntou assim que viu Rony.
- Pirraça, … Você vai amar conhecê-lo - Rony disse com ironia fazendo com que os outros soltassem um riso disfarçado.
- Acho que todos nos molhamos. - Harry ergueu os sapatos e Hermione tinha os cabelos não tão diferentes dos dela. O grupo tornou as atenções para a seleção novamente, mas não havia deixado de notar o olhar angustiado e perdido de Kitkat, que ela perguntaria sobre na primeira oportunidade. Todos pareciam definhar de tanta fome e depois da Cerimônia o Diretor se pôs em pé. quis morrer, mais discurso? Vou desmaiar de fome!
- Só tenho duas palavras para lhes dizer - a voz do Professor Dumbledore se fez presente no Salão - Bom apetite!
Todos aplaudiram brevemente voltando-se para as travessas que começavam a se encher. , e Kitkat tentaram participar das conversas, mas mantiveram-se ocupadas comendo, enquanto o trio discutia com um fantasma algo sobre elfos domésticos e Mione se recusava a comer o que ela dizia ser fruto de trabalho escravo. As garotas sabiam que ela não estava errada, mas estavam esfomeadas demais para discutir.
- Ora, Jorge, se não são mais três pessoas julgadas socialmente como iguais assim como nós… - dois garotos ruivos chegaram perto das garotas McKinnon.
- Erroneamente, caro Fred. - Jorge completou fazendo as três se entreolharem e caírem na gargalhada. - Eu sei que somos engraçados, mas nem chegamos a contar nenhuma piada ainda...
- Puta merda! Hermione tem um bom ponto! - foi quem disse, limpando as lágrimas que caiam dos olhos.
- Você é o Fred - Kitkat apontou para o primeiro que falou que lhe devolveu um aceno de cabeça e então ela apontou para o outro que tinha um sorriso lindo (diga-se de passagem) - e você o Jorge.
- Exato, mas por mais legal que isso seja, ainda não sabemos diferenciar vocês. - Fred sorriu.
- Sou , essa é e aquela é .
- Legal, é a do cabelo mais curto, tem os cabelos médios e os cabelos compridos. Isso é injusto, com mulher é bem mais fácil… - Jorge concluiu com uma careta frustrada.
- Se vocês não insistirem em serem iguais, tendo o mesmo corte de cabelo, a vida fica mais fácil. - imitou a careta do garoto, fazendo os presentes rirem.
- Aí perderia a graça de ver a mamãe se confundindo - Jorge exclamou olhando para , que o encarou de volta arqueando a sobrancelha.
- Certo, então vocês são irmãos do Rony? - perguntou a Fred.
- Isso. - foi Rony quem esclareceu, entrando na conversa - Eles e a Gina. - apontou para uma garota ruiva que conversava entretida com os colegas ao redor dela.
- Ainda existem Carlinhos, Gui e Percy… - comentou Harry.
- Vocês deram sorte de não entrar a tempo de conhecer Percy como monitor. - Fred fez uma careta de nojo arrancando risadas de Rony e Harry e então depois de Jorge explicar pacientemente a piada interna para as garotas, o Professor Dumbledore pôs se de pé novamente, deixando o Salão em silêncio.
- Agora que já comemos e molhamos a garganta, preciso da atenção de vocês para dar mais alguns avisos. O Sr. Filch, o zelador me pediu para avisá-los que a lista dos objetos proibidos no interior do castelo este ano aumentou, incluindo agora ioiôs-berrantes, frisbees-dentados e bumerangues-de-repetição. A lista tem uns 437 itens e pode ser examinada na sala do Sr. Filch, caso alguém queira lê-la.
- Até parece… - Kitkat ouviu Jorge murmurar e riu baixinho, o que não passou despercebido por ele.
- Como sempre, eu gostaria de lembrar a todos que a floresta que faz parte da nossa propriedade é proibida a todos os alunos, e o povoado de Hogsmeade, àqueles que ainda não chegaram ao terceiro ano. - Professor Dumbledore continuou - Tenho ainda o doloroso dever de informar que este ano não realizaremos a Copa de Quadribol entre as casas.
- Que? - dessa vez foi Harry quem exclamou indignado, assim como os gêmeos e a McKinnon caçula, que não conseguiu se conter como a mais velha fazia.
- Ah, , justo quando íamos tentar entrar para o time! - choramingou indignada.
- Isto se deve a um evento que começará em outubro e irá prosseguir durante todo o ano letivo, mobilizando muita energia e tempo dos professores, mas tenho certeza de que vocês irão apreciá-lo imensamente. Tenho o prazer de anunciar que este ano em Hogwarts…
E então houve uma trovoada ensurdecedora e as portas do Salão Principal foram escancaradas. Harry assustou-se, mas logo se esqueceu ao apreciar o susto que havia levado segurando o braço de . Ao notar que era observada, a garota o mediu brevemente com os olhos, largou o braço da irmã e fingiu que nada havia acontecido olhando na direção oposta, o que tirou dele um riso nasalado. E então ele voltou à atenção para o que acontecia, um homem apoiado em um cajado que havia tirado a capa de viagem e sacudia uma longa cabeleira andando em direção à mesa dos professores. Seu rosto, iluminado por um dos incontáveis trovões que já haviam cruzado o teto naquela noite, parecia talhado em madeira por um artesão não muito habilidoso e era cheio de cicatrizes, a boca torta e o nariz faltando um pedaço pareciam singelos quando comparados aos olhos, um deles era miúdo e escuro, já o outro era azul, grande e se movia para todas as direções, claramente não era controlado voluntariamente. O homem foi até Dumbledore, o cumprimentou e se sentou começando a comer. O olho ainda inquieto passando por todo o Salão.
- Céus que agonia… - murmurou.
- Gostaria de apresentar o nosso novo professor de Defesa Contra as Artes das Trevas - Dumbledore parecia animado, mais até do que o próprio homem - Professor Alastor Moody.
E então as palmas solitárias do diretor e de Hagrid pareceram tornar a cena ainda mais constrangedora.
- Moody? Esse é o Olho-Tonto Moody que seu pai foi ajudar hoje cedo? - Harry perguntou discretamente para Rony que deu de ombros.
- Deve ser…
- O que houve com ele? - Hermione perguntou parecendo assombrada.
- O que houve com a cara dele, no caso… - cochichou dessa vez. O homem não pareceu se importar com a recepção que tivera.
- Como eu ia dizendo... - começou novamente Dumbledore depois de pigarrear - Teremos a honra de sediar um evento que não é realizado há um século. Tenho o enorme prazer de informar que, este ano, acontecerá o Torneio Tribruxo em Hogwarts.
- O senhor está BRINCANDO! - berrou Fred atraindo olhares para a mesa da Grifinória e logo em seguida risadas de quase todos, incluindo o diretor.
- Não estou brincando Sr. Weasley. Mas agora que comentou, me recordei de uma excelente piada que ouvi no verão sobre um trasgo, uma bruxa má e um leprechaun que entram num bar… - o professor pareceu notar o que iria falar com o pigarro alto da professora McGonagall. - Vamos deixar isso para outra hora… Retomando, alguns de vocês talvez não saibam do que se trata o torneio, de modo que espero que aqueles que já sabem me perdoem por soar repetitivo. O Torneio Tribruxo foi criado há uns 700 anos como uma competição amistosa entre as três maiores escolas europeias de bruxaria - Hogwarts, Beauxbatons e Durmstrang. Um campeão é eleito para representar cada escola e então os três campeões competem em três tarefas mágicas. As escolas se revezavam para sediar o evento a cada cinco anos, e todos concordaram que era uma excelente maneira de estabelecer laços entre os jovens bruxos e bruxas de diferentes nacionalidades, até que a taxa de mortalidade se tornou tão alta que o torneio foi interrompido. Durante anos houve várias tentativas de reiniciar o torneio, nenhuma das quais foi bem-sucedida. No entanto, os Departamentos de Cooperação Internacional em Magia e de Jogos e Esportes Mágicos decidiram que já era hora de fazer uma nova tentativa. Houve muito trabalho para garantir que, dessa vez nenhum campeão seja exposto a um perigo mortal.
e se entreolharam, era a cara de Kitkat querer fazer parte de algo assim, mas ela não parecia ligar, encarava as próprias unhas e parecia desconfortável. Isso intrigou as outras duas.
- Os diretores de Beauxbatons e Durmstrang chegarão com a lista final de competidores de suas escolas e a seleção dos três campeões será realizada no dia das bruxas. Um julgamento imparcial decidirá que alunos terão mérito para disputar a Taça Tribruxo, a glória de sua escola e o prêmio individual de mil galeões.
- Estou nessa! - Fred sibilou para os colegas ao redor, entusiasmado com a perspectiva de glória e riqueza. Em todas as mesas era possível notar algumas pessoas igualmente entusiasmadas e outras indiferentes.
- Ansiosos, como eu sei que estarão para ganhar a Taça para Hogwarts, os diretores das escolas participantes, bem como o Ministério da Magia, concordaram em impor este ano uma restrição à idade dos contendores. Somente os alunos maiores de 17 anos, poderão apresentar os nomes à seleção. - e então se iniciou uma onda de protestos por todo o salão, fazendo o diretor elevar a voz - Isto é uma medida necessária, pois as tarefas do torneio continuarão a ser difíceis e perigosas, mesmo com todas as precauções, e é pouco provável que os alunos abaixo do sexto e sétimo anos sejam capazes de dar conta delas. Cuidarei pessoalmente para que nenhum aluno menor de idade engane o nosso juiz imparcial e seja escolhido como campeão de Hogwarts. - o diretor pareceu enfatizar isso ainda mais quando seus olhos passaram pelos gêmeos - Portanto, peço que não percam tempo apresentando suas candidaturas se ainda não tiverem completado 17 anos. As delegações de Beauxbatons e de Durmstrang chegarão em outubro e permanecerão conosco a maior parte do ano letivo. Sei que estenderão as suas boas maneiras aos nossos visitantes enquanto estiverem aqui e que darão o seu generoso apoio ao campeão de Hogwarts quando ele for escolhido. E agora já está ficando tarde e sei como é importante estarem dispostos amanhã para o começo das aulas. Vamos andando!
Houve um tumulto nas portas de entrada, as garotas esperavam Hermione, já que iriam para o mesmo lugar.
- Não podem fazer isso com a gente! É injusto! - reclamou Jorge ainda encarando Dumbledore - Faremos 17 em abril, por que não podemos tentar?
- Não vão me impedir de me inscrever - Fred teimou - Os campeões vão fazer todo tipo de coisa que normalmente nunca podemos fazer, e ainda têm os mil galeões de prêmio!
- É, são mil galeões… - Rony disse sonhador.
- Vamos logo, vamos ser os únicos aqui se continuarem enrolando. - Mione disse se levantando e abanando as mãos tentando enxotar os garotos dali.
Enquanto Harry, Rony, Mione e os gêmeos debatiam sobre o tal juiz imparcial, as garotas seguiam caladas, e ainda observando Kitkat, que seguia de cabeça baixa e vez ou outra tropeçava nas vestes. Definitivamente algo estava errado…
Neville apareceu entrando na conversa dos amigos logo à frente ao lado de , e começaram a subir as escadas, até que Longbottom afundou o pé em um degrau bichado. A McKinnon do meio teria ido pelo mesmo caminho se não tivesse sido agarrada pelo braço por Jorge, que estava bem atrás e a impediu de subir.
- Precisa olhar por onde anda aqui, lindinha. - Jorge cochichou para a loira que se assustou com a proximidade e se colocou no encalço da irmã caçula.
- Obrigada. - ela murmurou somente enquanto subia com medo os degraus seguintes.
Enquanto Harry e Rony ajudavam Neville, o agarrando pelas axilas e puxando para cima sob os risos asmáticos de uma das armaduras, Mione esperou as garotas se aproximarem dela para explicar.
- Existem alguns degraus bichados aqui, além de algumas escadas sempre trocarem de lugar também. É quase da natureza dos alunos saltar esses degraus, mas, bem, a memória de Neville às vezes se mostra incrivelmente fraca. - ela sorriu fraco, olhando preocupada para o amigo e então voltando a sorrir amigável para as três - Vocês acostumam logo.
- Eu espero… - Kitkat exclamou com a voz alta e assustada, causando risos nos demais.
- Quieta! - Rony ordenou abaixando o visor da armadura assim que passou por ela, calando-a imediatamente.
E então quando chegaram à Torre da Grifinória, Mione explicou, novamente, como tudo funcionava e apresentou-as a mulher gorda.
- Asnice, - Jorge disse a senha - um monitor nos disse lá embaixo.
Logo a passagem foi liberada e todos passaram rapidamente. observou a sala ao redor, uma lareira aquecia o cômodo circular, havia vários sofás, poltronas e mesas, tudo nas cores da casa: vermelho escarlate e dourado. Era um lugar aconchegante, as janelas tinham um parapeito e iluminavam lindamente a sala com o reflexo da lua. Ótimo lugar para ler, pensou e então voltou a prestar atenção no que acontecia ao redor.
- Boa noite, meninos, , e Kitkat essas escadas dão acesso ao dormitório feminino, vamos? - Mione explicou, parecia irritada cada vez que olhava para a lareira.
- Vamos, boa noite gente! - quem disse, os meninos disseram um “noite” juntos e as outras duas apenas acenaram.
Os garotos seguiram o caminho oposto, Harry parecia desconfortável e caminhava mais para trás com Rony.
- Me sinto horrível por não poder contar logo pra elas… - Rony murmurou pro amigo, como se tivesse lido seus pensamentos.
- Eu sinto o mesmo, mas você sabe que elas saberão na hora certa… Não cabe a nós falar…
- Tomara que não demore, odeio fingir que não sei das coisas.
- Era pra ser no natal, mas não sei o que será feito agora...
Do outro lado da torre, as quatro garotas procuravam o quarto das tri.
- Bom, se as coisas não mudaram, meu quarto é aquele ali. - Mione apontou para uma porta.
- Mione, aparentemente esse é o nosso… - apontou para a porta da frente, lendo o sobrenome delas.
- Isso é ótimo, qualquer coisa estamos bem perto - ela sorriu para as trigêmeas - Amanhã o café começa a ser servido às 8h, nos encontramos aqui na frente amanhã esse horário?
- Claro. - confirmou. - Obrigada pela ajuda, Mione.
- Magina, qualquer coisa é só me chamar. Boa noite!
- Boa noite! - as três disseram juntas e, em seguida, entraram no quarto.
Assim como tudo ali, a decoração escarlate e dourada se fazia presente, havia três camas e um pequeno banheiro. As malas já estavam ali também.
- Lumus! - apontou a varinha e as luzes se acenderam, então a mais nova correu e se jogou na cama que estava do lado da janela. - Essa é minha!
- A da porta é minha, então. Vem Peludo... - Kitkat se sentou acariciando o persa e bufou indo até a cama restante.
- Tá, agora quer nos dizer o que aconteceu que te deixou toda desorientada? - perguntou a , que pegou um dos travesseiros o abraçando.
- É besteira… - ela disse sorrindo fraco - Fiquei meio baqueada com o que o chapéu me disse.
- Não foi besteira pra te deixar desse jeito! - comentou séria, vendo a irmã se encolher ainda mais.
- O chapéu disse que sou parecida com a mamãe, como Remo sempre diz. - sorriu pela primeira vez desde que entrara em Hogwarts, sentindo-se lisonjeada ao lembrar.
- Ele disse que eu sou honesta e brincalhona como o nosso pai… - Kitkat disse em um fio de voz, os olhos marejados. - Eu não entendo, porque ele não nos quis? Será que está por aí, será que morreu… Eu queria tanto entender isso.
e se entreolharam e, em seguida, correram até a irmã, a envolvendo em um abraço.
- Nós também não entendemos, Kitkat… - começou secando as lágrimas da irmã. - Vamos descobrir isso, eu prometo!
- É que, sei lá, agradeço por ter vocês e o tio Remo, mas não consigo entender porque papai não nos quis. Ele não nos amava? Nós precisávamos dele, poxa!
- Eu e meus botões costumávamos nos perguntar também. - disse com um sorriso doce - E eu imagino que ele tenha ficado apavorado, sem ideia de como cuidar de três bebês, sabe como são os homens, costumam deixar tudo nas costas da mãe. E acredito que tenha sido o melhor, já li em um livro que os fins justificam os meios e talvez seja o caso. Não precisamos de alguém que não nos quis, não é?
- Temos umas às outras. Do útero até a morte, lembra? - completou com um sorriso, esmagando ainda mais as irmãs.
- Para sempre! - decretou rindo.
- Eu amo vocês. - falou ainda chorosa.
- O chapéu disse que eu pareço com os dois… - lembrou - Mas completou que ao mesmo tempo, eu sou tão eu que assusta. Achei isso meio confuso… Mas de qualquer forma, não fique pensando tanto nisso ok?
assentiu. As garotas vestiram os pijamas comentando suas primeiras impressões sobre o castelo e as expectativas de como seriam as aulas e o torneio.
- Eu notei que o tal Jorge não tirava os olhos da nossa Kitkat. - provocou fazendo uma careta maliciosa. - Você viu, Caramelo?
- Claro que vi, Jujuba. - concordou fazendo a mesma careta que a caçula.
Kitkat quando mais nova, costumava odiar o apelido dela, e para que ela se sentisse melhor as irmãs sugeriram que ela escolhesse apelidos de doces para elas também. Para todos os outros, era Kitkat, mas entre elas, era Jujuba e era Caramelo.
- Ah, cala a boca, acha que eu não vi aquela conversa com o Potter no trem… Ele já até sabe como acalmar a fera, foi impressionante, aliás. - rebateu fazendo a irmã mais velha gargalhar.
- Vai se foder, . Impressionante ia ser o soco que eu ia dar no infeliz do Malfoy… Ia não, vai ser! Assim que eu tiver a oportunidade mostro para aquele traste como vale a pena ficar calado!
- Sei, sei… Nox!
foi a primeira a deitar, mas, mesmo após a conversa com as irmãs, não conseguia dormir pensando no que o chapéu disse mais cedo. Ela virou de um lado pro outro, tentando encontrar uma posição que lhe desse sono, e desistiu. Vestiu o roupão rosa claro em cima do pijama, calçou as pantufas e decidiu ir andar pelo castelo e procurar por lugares e coisas que pudessem ajudar em suas futuras pegadinhas.
Ela só não esperava encontrar os gêmeos Weasley sentados na sala comunal, discutindo algo aos sussurros. A garota praguejou e tentou não fazer barulho ao se virar para voltar ao quarto, mas não contava com os olhos atentos do gêmeo mais novo.
- ?
- Ah… Oi! - ela sorriu sem graça, era só o que faltava eles acharem que ela estava espionando ou algo assim.
- O que faz fora do quarto essa hora? - Fred forjou uma cara séria, que não foi sustentada por tanto tempo.
- Eu… Não estava conseguindo dormir, aí decidi dar uma volta pra conhecer o castelo e seus segredos, sabem? - ela contou a verdade dando de ombros.
- Ora, McKinnon, está com sorte, então. - Fred sorriu.
- Podemos te mostrar, graças aos marotos…
- Abençoados sejam os marotos! - interrompeu Fred sob um olhar entediado do irmão, que continuou.
- Enfim, graças aos marotos, conhecemos todos os lugares interessantes desse castelo. - Jorge dirigiu o olhar para a garota, que o encarou com a expressão desconfiada e dócil de sempre.
- Certo, só assim não me perco na volta.
Os gêmeos mostraram para ela alguns esquemas, algumas salas escondidas, outras que sempre ficavam vazias e uma das passagens secretas para Hogsmeade, o vilarejo que os alunos podiam visitar vez ou outra.
- Acho que, pra irmos mais longe, vamos ter que continuar esse tour por mais umas duas noites. - Fred disse ao olhar um relógio preso em um dos corredores, passavam das três e meia.
- É, e ainda temos aula amanhã cedo. - Kitkat concordou, eles deram mais alguns passos até ouvirem uma gargalhada inconfundível para os gêmeos, que se entreolharam. Fred preocupou-se em analisar onde poderiam se esconder enquanto Jorge puxava pela mão, que arregalou os olhos assustada e foi impedida de protestar quando sentiu a outra mão dele tapando-lhe a boca.
- É o Pirraça. - cochichou - Se ele nos vê aqui, é questão de minutos pra alguém aparecer e nos colocar na detenção.
Fred olhou o irmão e e os chamou com a mão, com um sorriso maroto. Só quando estavam dentro de uma das salas vazias, a garota notou que ainda segurava a mão do ruivo. Ela fingiu um engasgo e o soltou, virando-se para o lado contrário tentando conter o barulho com as mãos, o que a impediu de ver o olhar fulminante que o gêmeo caçula lançava na direção do outro, que segurava uma risada.
Eles esperaram por mais uns cinco minutos, e, depois do sinal positivo de Fred, que vigiava o corredor, os três foram para a Torre da Grifinória sem mais problemas.
- Bem, obrigada pelo passeio. - deixou um bocejo escapar, assim que entraram pelo buraco da passagem.
- Amanhã continuamos. - Jorge piscou para ela, que fingiu indiferença, mas no fundo sabia que havia achado aquilo adorável. Céus, ele era adorável! A garota conteve-se em acenar a cabeça para Jorge e sorrir para Fred, correndo para a escada do dormitório das meninas.
- Mais um pouquinho eu escorrego na sua baba. - Fred indicou o lado da boca, imitando uma careta que sinalizava ser do irmão e logo em seguida apontou para o chão.
O mais novo apenas lançou-lhe o dedo médio, indo na frente em direção à escada do dormitório, sendo acompanhado por um Fred que gargalhava atrás dele.


Capítulo 2 - A boa samaritana, a esquentadinha e a marota.

, SUA MALDITA, VOCÊ VAI PERDER O CAFÉ E FICAR ME ENCHENDO DEPOIS. VAI LOGO, GAROTA! — berrava impaciente enquanto puxava os travesseiros e cobertores que cobriam a caçula.
— Tá tudo bem aqui? — Hermione apareceu na porta com os olhos arregalados, mais um pouco e os gritos de poderiam ser escutados nos corredores. só suspirou e deu de ombros enquanto terminava de arrumar a gravata que já tinham devidamente as cores escarlate e dourado da Grifinória.
— Você logo se acostuma, todo dia elas brigam e voltam a se falar depois que tomar café, — ela olhou brevemente para as irmãs e virou-se para Granger cochichando — sabe, ela é insuportável quando está com fome.
— Ah sim, você vai descer agora? — perguntou Hermione.
— Vamos, por favor! — Kitkat quase suplicou dando uma última olhada para uma enfurecida e uma mal humorada indo para o banho e seguiu com Hermione para o salão comunal.
— A professora Minerva costuma entregar os horários agora no café. Vocês já escolheram as matérias eletivas? — questionou Mione enquanto descia as escadas na frente.
— Sim. Todas nós escolhemos Trato das Criaturas Mágicas, aí vou fazer também Estudo dos Trouxas, quis Adivinhação e a , maluca como sempre, quis mais duas: Aritmancia e Runas Antigas. Deus me livre, escolhi o mínimo pra não ter estresse, já a só não escolheu mais porque não tinha tempo!
— Não a julgo… — Hermione comentou pensativa lembrando-se da loucura que cometeu no ano anterior e soltou um risinho fraco — Sei bem como é.
— Ainda bem que esse ano não tem quadribol, pelo menos ela vai conseguir descansar um pouco nos tempos livres. — Kitkat ponderou seguindo Hermione até Harry e Ron, que estavam conversando em um dos vários sofás espalhados pelos cômodos. Eles mudaram de assunto assim que viram que a amiga estava acompanhada, por sorte, a loira parecia nem ter percebido.
— Bom dia! — disseram elas juntas para os garotos que responderam, também, em uníssono.
— Onde estão as outras duas? Estávamos esperando vocês para ir tomar café. — explicou Rony.
— Acho melhor irmos na frente… — sugeriu rindo com Mione — acabou de acordar, creio que ainda vão demorar pra descer.
E então, mudando completamente de assunto, eles seguiram para o Salão Principal. Assim como entre os quatro, todos em Hogwarts só falavam em uma coisa: o bendito Torneio Tribruxo.
— Ainda não acredito que não vamos poder participar… — Rony resmungava.
— Sim… Isso é tão… — Harry começou, mas foi interrompido por Hermione.
— Isso foi o mínimo de sensatez que tiveram! Melhor mesmo seria se ninguém pudesse ou que não houvesse nada disso, não é nada legal colocar alunos correndo risco de vida. — ela disse afiada enquanto se sentavam à mesa da Grifinória.
E, de repente, a discussão de Rony e Hermione perdeu completamente a graça quando a McKinnon do meio colocou seus olhos em Jorge, que conversava de maneira extremamente entusiasmada com Fred. E então, ela notou que o observou por tempo demais quando o garoto sorriu e acenou pra ela, que apenas sorriu sem mostrar os dentes em resposta, sentindo o rosto esquentar e voltando a atenção para o café da manhã.
De repente tortinhas de abóbora e suco de uva pareceram a coisa mais interessante da face da Terra.
Ela só voltou a olhar para algo além daquilo quando viu a irmã mais velha se jogando ao seu lado no banco. Ela reclamava de algo e estava sozinha, logo deduziu o que havia acontecido.
— Eu espero que ela morra de fome até o almoço, e quando ela vier reclamar ou encher meu saco vou berrar um grande e sonoro: EU TE AVISEI! — reclamava enquanto enchia o prato com muitas tortinhas e alguns pães. — Quase perco o café, e ainda vou ter que comer às pressas...
— Relaxa , daqui a pouco ela desce. — Rony comentou, poupou os esforços de dizer algo, sem paciência alguma para a birra matinal, sabia que não deixaria morrendo de fome, ela já tinha enchido o prato pensando na caçula.
Enquanto terminavam de comer, a professora McGonagall passou entregando os horários de todos ali presentes e o de , para , visto que o comentário da professora foi um gatilho para que começasse novamente a reclamar.
— Chega, ! Ela tá vindo ali ó! — comentou de boca cheia impaciente, apontando para a irmã que chegava com os cabelos molhados e tentando arrumar a gravata. Ela se sentou ofegante pela corrida e apenas ergueu o prato pra ela, com um olhar fulminante — Esse uniforme torto... Quem vê pensa até que tava pegando alguém, mas a otária aqui só se atrasou… Toda errada!
Harry cuspiu o suco, Rony perdeu o ar e até mesmo desfez a cara feia e riu do comentário repentino que a irmã havia feito. apenas forjou um riso irônico, completamente típico dela e mostrou o dedo médio sem tirar os olhos da comida.
— E o horário das aulas como está? — perguntou , ainda com a atenção no pão que comia.
— Dois tempos de Adivinhação e Poções, que inferno! — gemeu Harry desanimado, eram as matérias que ele mais detestava. Sabia que as segundas-feiras seriam um verdadeiro sacrilégio.
— Animador, Potter. — ela fez um joinha com a mão rindo. — Duvido que seja tão ruim…
— Você não conhece o Snape. — o garoto retorquiu, rindo de desespero.
— Pelo menos não é tão ruim… Ficamos lá fora a manhã inteira. — Rony tentou animar o amigo, ainda com os olhos no pedaço de pergaminho. — Herbologia com a Lufa-lufa e Trato das Criaturas Mágicas com… Ah, puta merda! Esquece, continuamos com a Sonserina.
— Sonserina pela manhã e pela tarde, yay! — comentou Hermione irônica. — Vamos gente, vamos nos atrasar pra aula.
Enquanto a McKinnon caçula ainda comia algumas tortinhas, os seis caminharam pela lama, cortesia da tempestade do dia anterior, até as estufas, onde tiveram Herbologia com a Lufa-lufa. , completamente apaixonada pela matéria, conseguir espremer as bubotúberas com perfeição, o que encantou a professora Sprout e rendeu à Grifinória 10 pontos, o que não surpreendia as outras duas irmãs. A aula de Trato das Criaturas Mágicas foi igualmente interessante, a não ser pelos berros de Lilá com os explosivins. Almoçaram costeletas de cordeiro com batatas no almoço e seguiram para Poções.
e se sentaram juntas, assim como e Hermione e Harry e Rony também. O professor ainda não havia chego, o que permitia que as garotas conversassem durante a espera. Foi quando Malfoy e seus dois amigos brutamontes pararam na frente da mesa em que elas estavam.
— Estão comentando por aí que uma de vocês três é muda. — comentou Malfoy aos risos. rolou os olhos, não era possível que ela estava presenciando aquilo. O garoto não tinha saído de sua mesa, lá do outro lado da sala, pra encher o saco, não, né? — Aquela ali sei que não é, fala até demais. — apontou pra , que cruzou os braços, o encarando.
— Vai procurar algo útil pra fazer garoto, pentear um trasgo ou sei lá. — quem disse, irritada.
— Acho que já sabemos quem é então. Sabe como é… — ele começou a se aproximar de enquanto falava — Logo aprenderão que as fofocas em Hogwarts correm. E eu gosto de saber direto da fonte. Afinal, você sabe falar ou poderemos te batizar como muda?
— Eu realmente não sei o que fazer Malfoy… Eu falo ou te mando ir lavar o cabelo, como minha irmã já sugeriu anteriormente? — , para a surpresa das irmãs, pendeu a cabeça para o lado, apoiando-a em seu próprio ombro e encarou o garoto com as sobrancelhas erguidas. Ele sorriu, em uma falsa surpresa e segurou uma mecha dos cabelos dela nos dedos. O toque indireto pareceu correr como uma descarga elétrica, fazendo-a se afastar como se de fato, tivesse recebido um choque.
— Ela te deu alguma intimidade, Malfoy? — a caçula perguntou com a voz branda, mas carregada de ironia, se levantando.
— O que? — Malfoy franziu o cenho, confuso com a pergunta.
— Ela não te deu intimidade, então não dirija a palavra a ela, muito menos a toque. — disse entredentes se aproximando e ficando entre a irmã e Draco. — Ela não é muda, é só os retardados que não estão aptos a entendê-la.
— Ora, sua...
— Vejo que gosta muito de falar e ofender os outros, Srta. McKinnon... — uma voz calma e ligeiramente dissimulada surgiu entre o coro de vaias e risadas que os alunos da Sonserina e Grifinória davam, respectivamente. — Tagarela e boca suja que nem o pai. Isso é ótimo, já que gosta tanto de falar, me diga para que serve a poção apimentada?
— Curar gripes, resfriados e pneumonias...
— De que parte do Erumpente se tira os pelos? — perguntou rápido assim que ela respondeu.
— O que? — ela fez menção em sentar, como os outros alunos fizeram, mas foi interrompida.
— Fique de pé. — Snape disse entredentes — Cite todos os ingredientes da poção apimentada e poderá se sentar.
— Eu não sei professor, mas estou aqui para aprender. — declarou com a expressão séria, se sentando sob o olhar desafiador do professor.
— Dez pontos a menos para a Grifinória, pelo inconveniente.
— Mas o que eu fiz? Só coloquei esse ridículo no lugar dele...
— Cale-se, McKinnon.
— MAS FOI ELE QUEM COMEÇOU A IMPORTUNAR MINHA IRMÃ.
— Menos dez pontos por gritar na minha aula.
— Mas, professor... — ela se levantou batendo na mesa.
— Quer ganhar uma detenção, garota insolente? — a voz beirando ao cinismo irritava a grifinória. — Sugiro que, ao invés de falar tanto, deveria estudar mais, talvez assim possa me responder adequadamente, não dá forma patética que fez minutos atrás.
cerrou os olhos e abriu levemente a boca, desacreditada com o que tinha escutado e completamente irritada, sentia que o ar saia pesado de seus pulmões e mais um pouco certeza que ela teria fumaça saindo pelas narinas.
Aquilo não era justo! Seus pensamentos berravam. E para piorar, as gargalhadas agora vinham dos alunos da Sonserina.
— Senta, . — pediu Hermione ao lado dela, de forma paciente — Não vale a pena...
Mas as palavras de Granger não surtiram efeito algum, já que a McKinnon caçula anotava cada palavra do professor furiosamente em seus pergaminhos sem sequer olhá-los, já que seus olhos estavam ocupados fuzilando o mestre em poções.
A sineta anunciou o final da aula e logo a garota se colocou a correr para fora dali. Harry só conseguia pensar na conversa que ele e tiveram mais cedo, talvez, agora que ela conhecia Snape, ela entendesse o que ele havia dito.
— Mais 10 minutos e ela cometeria um homicídio. — cochichou a irmã mais velha e ao trio, enquanto esses iam atrás de .
— Ou dois. O Malfoy mal podia respirar de forma levemente, mais ruidosa que o normal, que a voaria no pescoço dele. — Rony engoliu a seco, lembrando-se mentalmente de não irritar a amiga. Prezar pela própria vida é o primórdio da sobrevivência, não é?
! — chamou um pouco mais alto, fazendo a irmã parar de caminhar.
— O que? — perguntou ela, cruzando os braços e batendo os pés apressada. Harry pode observar que ela estava ofegante, os cabelos levemente desarrumados por passarem parte da manhã molhados e bem, pela correria de segundos atrás. Perdido em seus pensamentos, o garoto notou que estava há muito tempo reparando nos detalhes dela.
— Quem ele acha que é? Eu nem estava errada! — ouviu-a reclamar indignada e tentou sorrir como conforto. Ele entendia como era se conter para não mandar Snape ir se foder. Mas agora entendia porque ele detestava a ele e bem, consequentemente a ela e as irmãs também: eram filhos daqueles que Snape costumava odiar desde seus tempos em Hogwarts. Mas aquilo não justificava nada, ele que mostrasse o mínimo de respeito pelos alunos, eram o que professores decentes faziam, não é?
, ele implica com todos que não são da Sonserina, não vale a pena bater boca com ele. — Harry começou com a voz calma.
— Se você está acostumado a ouvi-lo falando merda sem responder nada, o problema é inteiramente seu, Potter! Eu não sou assim!
— Eu sei, eu também não sou. Rebato as provocações dele sempre que posso, mas pelo bem do seu próprio juízo, recomendo que deixe isso quieto, é a melhor coisa que pode fazer.
— Você não me conhece, não precisa sair me dando conselhos. — e então ela saiu dali, ainda mais irritada, se é que aquilo era possível.
Harry respirou fundo, tentando se lembrar de que aquele pequeno trovão era filha de seu padrinho, que tinha prometido ao mesmo cuidar dela e de suas irmãs, não podia simplesmente mandá-la a merda como queria. Mas gastava toda sua energia tentando responder a pergunta que ele mesmo havia formulado: porque ela tinha que ser tão bonita e igualmente desaforada?
— Harry desculpa pelo que ela disse… — começou envergonhada pelos modos da irmã, pegando no ombro do rapaz. — consegue ser bem desagradável quando está de mau humor, mas não é justo que ela saía descontando isso em quem não tem culpa. Vem, vamos nos atrasar para a aula de adivinhação…

* * *

Os cabelos longos de se tornavam cada vez mais esvoaçantes conforme ela corria pisando forte pelos corredores. Estava puta da vida. Sentia-se desafiada. E Merlin sabia o quanto ela odiava se sentir assim.
Odiava ainda mais não estar preparada ou não saber de algo, o que explicava os mais de 10 livros que a garota segurava. Aquilo com certeza pesava, mas a garota provavelmente não sentia isso pela descarga de adrenalina que corria em excesso em cada gota de seu sangue.
Ah o ódio, o melhor dos estímulos simpáticos.
Nem que ela passasse a noite em claro lendo tudo que podia, mas ela iria responder todas as questões de Snape corretamente e sorrindo, pra deixá-lo com cara de idiota.
Ela não tinha dado nenhum motivo para implicância, apenas tinha colocado Malfoy em seu devido lugar, tinha até sido educada. Por mais que os colegas tentassem convencê-la a não se importar com aquilo porque o professor era assim com todos, ela iria dar motivos para ele calar a boca.
Aquele seboso! A garota resmungava mentalmente, tão absorta em seus pensamentos turbulentos que não viu o último degrau da escada que descia, ou teria sido pelos livros tampando seu campo de visão, quem sabe.
Ela teria metido a cara no chão, o mesmo destino dos livros que segurava, se braços fortes não a tivessem segurado pela cintura.
Espera, braços?
— Vai com calma aí, loira! — o lufano dono de um sorriso ladino e dos braços fortes aconselhou. Céus, os braços! A garota deu um pulo para trás se afastando.
— Inferno! — o garoto a olhou espantado e ela tratou de corrigir rapidamente — Não, digo, obrigada! Droga! Isso tudo é culpa daquele narigudo seboso…
Agora o lufano ria abertamente, o que fez a garota erguer uma sobrancelha e se perder no que falava. Era tudo que faltava, até quem ela nunca tinha visto na vida e nem havia dado intimidade alguma ria de sua cara. Ela bufou e passou a pegar os livros que haviam caído.
— Vejo que já conhece o apelido carinhoso do professor Snape… É McKinnon, né? — ela assentiu ainda séria enquanto o garoto abaixou para pegar os livros que estavam mais perto dele — Sou Cedrico, Cedrico Diggory.
— Isso. Sou . — respondeu somente, observando o garoto se aproximar dela erguendo os livros restantes, ele estava perto suficiente para que ela sentisse o misto de hortelã e carvalho do perfume que ele exalava.
— Não deveria se estressar com isso… Seus colegas de casa já devem ter te avisado que ele perturba todo mundo que não é da Sonserina.
— Obrigada, mas creio que você não me conheça o suficiente pra julgar com o que devo ou não me estressar. — ela sentenciou com o sorriso debochado e as bochechas ruborizadas ainda devido à raiva.
— Isso definitivamente não vale sua paz. Nada vale. — Diggory afirmou com a voz mansa e baixa. — Mas tudo bem se não quiser ouvir, vale a pena também, você fica linda brava.
— Ótima! — ela se aproximou mais dele — Não funciona comigo, mas se você continuar tentando por aí, uma hora dessas, alguma garota cai.
— Jura? — Cedrico fingiu estar lisonjeado — Vou continuar tentando essa, então.
A garota deixou escapar um riso verdadeiro e breve, o lufano realmente não a conhecia, mas nem precisava. era transparente como água, ele havia notado.
— Valeu, Diggory.
— Sempre que precisar. — bateu continência observando-a rolar os olhos e sair dali em direção a aula de Aritmancia.
* * *

— Diabo de morcega velha! — Rony resmungava enquanto ele, Harry e desciam pelas escadas da Torre Norte. A professora Trelawney havia pedido uma análise detalhada de como os movimentos dos planetas os afetariam no próximo mês com base no mapa pessoal. — Isso vai nos tomar o final de semana todo!
A McKinnon tinha tentado ao máximo não se influenciar pelos comentários dos colegas sobre a aula e a professora de Adivinhação, mas ao sair da Torre entediada, cheia de dever e com dor de cabeça graças ao cheiro insuportavelmente doce que saía da lareira, entendia o que Harry e Rony odiavam naquela aula: era uma viagem sem fim nem sentido nenhum.
Ela já se arrependia amargamente de não ter escolhido Aritmancia, como a irmã mais nova.
— Muita lição de casa? — indagou Mione ao alcançá-los. vinha logo atrás dela, compenetrada em um livro de poções.
— Saldo do dia: muito estresse, muita lição de casa e a rinite atacada por causa daquele perfume dos infernos! — reclamou ainda coçando o nariz.
— A professora Vector não passou nada para nós. - Granger disse e assentiu.
— Por Merlim, Aritmancia é tão mais sensato…
— Palmas pra professora Vector, UAU! — retrucou Rony ironicamente.
Eles caminharam em silêncio até o saguão a frente do salão principal, e se colocaram no fim da fila esperando para o jantar.
— Ei, Weasley! — Malfoy gritou um pouco distante, vindo em direção ao grupo com Crabbe e Goyle em seu encalço.
— Puta que pariu, ele não cansa de encher o saco? — questionou bufando — Mais um pouquinho e eu deito ele na porrada aqui mesmo…
— Você sossega. — murmurou entredentes. Malfoy analisou a McKinnon mais velha por alguns minutos e então se virou para Rony.
— O que você quer? — o ruivo perguntou de maneira ríspida e impaciente.
— Seu pai está no jornal, Weasley! - Malfoy bradou alto, sacando um exemplar do Profeta Diário das vestes e chamando atenção de todos que estavam ali. - Escuta só… “Erros no Ministério da Magia. Pelo visto, os problemas do Ministério da Magia ainda não chegaram ao fim, informa nossa correspondente especial Rita Skeeter. Recentemente censurado por sua incapacidade de controlar multidões durante a Copa Mundial de Quadribol, e ainda devendo à opinião pública uma explicação para o desaparecimento de uma de suas bruxas, ontem o Ministério enfrentou novo constrangimento com as extravagâncias de Arnold Weasley, da Seção de Controle do Mau Uso dos Artefatos dos Trouxas…” — o loiro riu erguendo os olhos para encarar Rony. — Não sabem nem o nome dele direito, é quase como se ele não existisse não é.
Ele esticou o jornal e voltou a ler, entre risos.
— “Arnold Weasley, acusado de possuir um carro voador há dois anos, envolveu-se ontem numa briga com guardiões trouxas da lei por causa de latas de lixo extremamente agressivas. O Sr. Weasley parece ter ido socorrer “Olho-Tonto” Moody, um ex-auror aposentado do Ministério por não saber distinguir um aperto de mão de uma tentativa de homicídio. Ao chegar à casa do ex-auror, o funcionário verificou, sem surpresa que, mais uma vez, o Sr. Moody dera um alarme falso. Em consequência, o Sr Weasley foi obrigado a alterar muitas memórias para poder escapar dos policiais, mas se recusou a responder às perguntas do Profeta Diário sobre as razões que o levaram a envolver o Ministério nesse episódio pouco digno e potencialmente embaraçoso.”
E então o garoto virou o jornal, apontando para uma foto do Sr. e Sra Weasley na frente de casa. desviava os olhos de Rony para a irmã, que parecia querer matar Draco a cada palavra proferida.
— Aqui, seus pais à porta de casa. Se é que se pode chamar isso de casa, tsc, tsc… — ele riu para então completar, com a voz carregada de escárnio. — Sua mãe bem que podia perder uns quilinhos, não acha? Potter, me conta, já que esteve visitando a família no verão, a mãe dele parece uma barrica mesmo ou é efeito da foto?
Rony tremia e era segurado por Mione e Harry, assim como que fez menção em ir para cima de Malfoy, mas teve o braço segurado por .
— Você já olhou para a sua mãe, Malfoy? — questionou Harry com o tom de voz calmo e ligeiramente dissimulado — Aquela cara dela, de quem tem bosta embaixo do nariz… É a cara dela mesmo ou era porque você estava por perto?
Os alunos que aguardavam no saguão explodiram em risadas, até mesmo que antes se encontrava a beira de cometer um homicídio.
— Não se atreva a ofender minha mãe, Potter…
— No dos outros é refresco, não é? — retorquiu sorrindo debochada na direção do sonserino — Se é tão inconveniente de falar, deve ter a mesma disponibilidade para ouvir, Malfoy.
E então um barulho se fez presente no salão, várias pessoas gritaram. Harry, que sentiu algo arranhando o lado do rosto, teve o instinto de soltar Rony, afastou com a parte posterior do braço , que estava logo atrás dele, fazendo com que a garota prendesse a respiração assustada, afastando também , que ainda a segurava pelo braço. Com a mão livre, tentou apanhar a varinha do bolso, mas não deu tempo. Pode-se ouvir um segundo estampido e um berro ecoando por todo o saguão.
— AH, NÃO VAI NÃO, MOLEQUE!
O professor Moody descia mancando as escadas com a varinha na mão e apontava diretamente para uma doninha branca, que tremia por entre o uniforme que antes vestia Malfoy. Moody direcionou algumas palavras para Harry e então berrou novamente, no silêncio do salão.
— DEIXE-O! - apontou para Crabbe, que fez menção de apanhar a doninha. O homem, então, começou a mancar em direção a doninha que, tentou correr, mas foi lançada pelo ar, caindo em seguida no chão, quicando. — Não se deve atacar o adversário pelas costas.
soltou a mão de , encarando a cena com olhos arregalados.
— Nunca… Mais… Faça… Isso! — Moody fez questão de destacar cada palavra para que a cada uma delas a doninha batesse no chão e voltasse a subir pelos ares.
— PARE, PROFESSOR! VAI MACHUCÁ-LO — o grito de se fez presente no salão enquanto seus olhos não desviavam da doninha voando e se sacudindo pelo ar, a encarou assustada, estava adorando como Moody estava colocando Malfoy em seu devido lugar. — PROFESSOR, PARE! EXPELLIARMUS!
A varinha do professor foi arremessada para longe dali, enquanto a doninha parecia exausta e petrificada no chão.
— Ora sua… Quer virar uma doninha também?
— Professor Moody! — Professora Minerva surgiu no salão, chocada.
— Olá, professora McGonagall. — cumprimentou Moody calmamente.
— Professora, ele estava machucando-o! — bradou , inconformada.
— Ensinando! — corrigiu olho-tonto.
— Não! — exclamou ela, correndo em direção ao Malfoy. Minutos depois, com um estampido, Draco reapareceu caído no chão. respirou aliviada, até o momento que ela se deparou que se as vestes de Malfoy estavam no chão, perto de onde ela e os amigos estavam, ele só podia estar…
— POR MERLIM! — alguém gritou ao fundo, tendo a mesma conclusão que ela.
A McKinnon não pensou nem por mais um segundo, segurou o robe nas mãos e correu até onde o sonserino se encontrava, jogando o tecido sobre suas costas com os olhos fechados, a fim de livrá-lo de mais constrangimento.
— McKinnon, Crabbe e Goyle. — Minerva chamou — Acompanhem o senhor Malfoy até a enfermaria, por gentileza.
Draco estava ofegante, sentiu os braços da loira puxando-o por um lado, enquanto Crabbe o apoiava pelo outro. Caminharam até a enfermaria em silêncio, Malfoy se vestiu devidamente e se dispôs a explicar toda a situação para Madame Pomfrey, visto que os outros dois garotos pareciam mais amebas, gaguejando e se perdendo nas palavras, o que havia irritado até mesmo Malfoy, que pediu com sua típica gentileza e com a voz um pouco entrecortada, ainda pela exaustão, para que eles dessem o fora dali.
— Vou buscar um tônico revigorante, enquanto isso, você fica de olho nele. — Madame Pomfrey apontou para Draco, que agora se encontrava deitado na maca.
— Tudo bem. — a grifinória disse baixo, logo Papoula saiu da sala, deixando os mais jovens à sós, com o silêncio constrangedor.
suspirou alto, enquanto caminhava em direção a maca ao lado do sonserino, sentando-se para observá-lo melhor. A loira sentia-se exausta, tanto fisicamente, por andar pra cima e pra baixo no castelo de uma aula para a outra, quanto mentalmente, já que cada minuto que ela passava quieta e parava para pensar em qualquer coisa, a cena de Malfoy rodopiando na forma de doninha no ar e, logo, a cena dele ofegante e envergonhado. A garota não se esquecera dos acontecimentos antes da aula de poções e das ofensas que Malfoy havia falado a Ron sobre a mãe dele. Sabia que Draco Malfoy era insuportável na maior (senão toda) parte do tempo, mas nem mesmo ele merecia tamanha humilhação na frente de toda a escola. E, bem, aquilo realmente parecia doer, visto que o garoto havia sido jogado no chão incontáveis vezes.
— Se sente melhor? — perguntou com a voz baixa, completamente desconfortável.
— Sabe que não precisa ficar aqui, não é? — retorquiu Malfoy, cruzando os braços. Mas logo o garoto se arrependeu soltando um grunhido dolorido, parecia que todas as partes de seu corpo haviam sido desmontadas, estraçalhadas e montadas novamente, só que na posição errada.
— Você ouviu a Madame Pomfrey. — a garota respondeu somente.
Malfoy se sentia incomodado com a presença da garota ali. Ela não precisava se fazer de boa samaritana. Ele odiava aquilo.
— Estou falando sério, McKinnon, não precisa ficar aqui, não precisava ter feito nada do que fez, na verdade. — Draco olhou para a loira que o encarava com uma das sobrancelhas arqueadas. — Mas já que já fez sua boa ação do dia, agora já pode me deixar em paz.
respirou fundo, controlando a vontade de terminar de quebrar a cara bonitinha de Malfoy no soco.
Ela então rolou os olhos. Se as circunstâncias fossem outras, ela riria de si mesma, parecia até falando daquela forma, mas sabia que nunca teria coragem de bater em alguém. Talvez até devesse ser mais como ela mesmo, ao invés de estar na enfermaria ouvindo Malfoy ser um escroto ingrato, ela poderia muito bem ter assistido a doninha quicante aos risos e ter deixado ele se esfolar no chão, agora ela com certeza estaria jantando lindamente no Salão Principal.
Entretanto, a grifinória reprimiu todos os seus pensamentos que envolviam deixar Draco Malfoy muito mais machucado do que já estava e cruzou as pernas e os braços. Dando a entender que não sairia dali enquanto Madame Pomfrey não voltasse.
— O que você está esperando McKinnon, um parabéns? Uma estrelinha dourada?
Céus, Malfoy com a boca fechada é um poeta encantador. Pensou ela.
— Olha… — a garota começou, tombando a cabeça para os ombros, como havia feito mais cedo — As pessoas normais costumam dizer um simples e indolor "obrigado". Mas se isso requer um esforço tão grande, capaz de matar seu único neurônio, é melhor poupar a si mesmo e ao resto do planeta dessa tragédia. Você já é completamente sem noção com um, imagina sem?
Antes que o loiro pudesse responder, a loira saltou da maca indo em direção a curandeira, que chegava à sala com alguns frascos em mãos.
— Madame Pomfrey, ele não teve mais nenhum problema enquanto a senhora esteve fora, mas parece sentir bastante dor no corpo, acho que seria bom uma poção pra isso também… Posso ir jantar?
— Pode ir sim, querida. Muito obrigada pela ajuda, vou verificar isso melhor.
Depois que a McKinnon seguiu para fora da enfermaria, Draco não sentiu a paz que imaginou que sentiria quando a loira desse o fora dali.
Estava puto e a fala de Madame Pomfrey não ajudava em nada para que seu humor melhorasse.
— Gostei dela, proativa e parecia bem preocupada com você… Certamente é a namoradinha mais sensata que você já teve, jovem Malfoy.
* * *

— Isso é tão a Caramelo. Queria tanto ter visto… — Kitkat conversava sobre os acontecimentos do final da tarde com a irmã, com o trio e com os gêmeos enquanto jantavam.
— Mas onde diabos você estava na hora? — questionou .
— Estava, hum… Estava dormindo, ué. Tinha um horário vago. — deu um sorrisinho amarelo. franziu o cenho, sabia que ela estava mentindo.
— Ah nãom Kitkat… — começou .
— O que? — fez-se de desentendida.
— A cara de marota! Kitkat somos novas aqui e você prometeu pro tio Remo! — a mais nova lembrou enquanto os amigos olhavam confusos. Remo costumava dizer que sempre fazia a cara marota quando ia aprontar algo, Harry, Rony e Hermione tentaram não fingir surpresa com a familiaridade do apelido.
— O que? — perguntou Rony.
Amberly McKinnon! — bradou assim que chegou, ela não tinha escutado a conversa, mas conhecia a irmã. — Você está com cara de quem vai aprontar!
— O que? — foi a vez dos gêmeos perguntarem juntos.
— O que você vai fazer? — Hermione questionou.
— Se for com o Malfoy acho que hoje já foi suficiente. — lembrou.
— Caramelo defensora dos ricos e oprimidos. — Kitkat caçoou, fazendo os demais rirem.
— Forçam guerreiro. — disse em um falso semblante sério, mas logo caiu na risada.
— Não desvia o foco não, . O que você vai aprontar? — questionou séria, ignorando as brincadeiras. Malfoy já tinha terminado com o que restara de seu humor depois da aula de Adivinhação.
— Bom, eu até ia dar uma lição no Malfoy, ninguém perturba duas irmãs minhas e sai ileso, ,as como o professor Moody já fez isso por mim, só resta o seboso… — Kitkat se levantou da mesa — Agora se me dão licença, tenho alguns detalhes para pensar.
Fred e Jorge se entreolharam, enquanto a loira caminhava até a saída, eles se levantaram para correr atrás dela.
Kitkat era audaciosa, zoar com a cara do Snape não era algo que se fazia com frequência, ainda mais uma aluna nova.
E eles não perderiam aquilo por nada.


Capítulo 3 - Corandio!

caminhou para fora do Salão como uma pluma flutuando, estava animada e tinha um sorriso travesso nos lábios. Fred e Jorge vinham logo atrás, não tiveram dificuldade em alcançá-la devido a calma no caminhar da grifinória.
— O que está tramando, Kitkat? — Jorge questionou de uma só vez, fazendo com que a garota desse risada.
— Você é bem corajosa, . — Fred disse em seguida.
— Sim! — Jorge concordou eufórico com o irmão, enquanto gesticulava com as mãos — Zoar com o Snape não é algo comum…
— Principalmente para novatos!
— Estão tentando me assustar? — arqueou a sobrancelha.
— Não, de forma alguma! — Fred explicou rindo — Estamos querendo saber o que quer fazer.
— E te ajudar, claro! — Jorge sorriu e então parou no meio do corredor vazio, olhou de um gêmeo para o outro e riu. Beijou a bochecha de Fred primeiro e depois a de Jorge, que pareceu meio estático com o contato.
— Vocês são uns amores. — ela murmurou e sorriu com os lábios fechados — Mas não se preocupem, tenho tudo sobre controle. Eu agradeço, mas... Costumo trabalhar em carreira solo.
A loira riu piscando para eles, os olhos fixos em Jorge que ainda a encarava surpreso e então, voltou a caminhar em direção ao dormitório.
— Tem um gênio danado essa sua garota! — Fred cutucou o irmão, que ainda encarava meio abobalhado o caminho que ela havia percorrido. Jorge direcionou o olhar para Fred, de maneira descrente, e lhe desferiu um tapa na nuca.
— Ah, cala a boca!
* * *


se dirigiu até o quarto com a irmã mais nova e encontrou folheando animada um livro de feitiços.
As duas se entreolharam e trocaram risos, sabiam que a garota só abria livros animada desse jeito quando estava tramando algo e, mesmo nessas circunstâncias, era bom ver que ela já estava bem e parecia ter se esquecido da mágoa do dia anterior com as palavras do chapéu seletor.
— Nunca pensei que fosse dizer isso, mas que coisa boa te ver aprontando! — disse afagando o ombro da irmã do meio.
— Eu até falaria algo, mas como é com o Snape vou te passar esse pano. — piscou para a irmã que a acompanhou em uma risada. — Só prometa tomar cuidado, seria bem chato pro tio Remo receber queixas suas no terceiro dia.
— Ele ia surtar. — Kitkat fez uma careta. — Mas só de não ter sido no primeiro dia já é algo a se comemorar não acha?
As três riram concordando.
— Não vou ser pega, eu juro. Só cometo crimes perfeitos e vocês sabem, crimes perfeitos…
— Não deixam suspeitos. — as outras duas completaram a frase habitual de Kitkat.
— Isso é, menos naquela vez que…
— Calada, Jujuba!
— É, e também teve aquela que…
— Mas que porra, Caramelo! — praguejou enquanto as outras duas riam a ponto de perder o ar — Vocês não dão um tempo, que saco.
— Nós te amamos, Kitkat. — disse e a mais nova assentiu.
— Exatamente e também confiamos no seu potencial…
— Sei, sei. — começou a irmã do meio, descrente — Agora que vocês me desconcentraram e que estamos à sós, o que foi aquilo com o Malfoy, ?
A McKinnon mais velha desviou o olhar e fechou a expressão feliz e leve que tinha no rosto.
— Ele foi um estúpido.
— Ele é um estúpido. — corrigiu a caçula.
— Perguntou se eu queria uma estrela dourada por ajudá-lo. Eu me senti uma imbecil por ter ajudado um garoto mesquinho e insuportável, se soubesse não teria…
— Você teria. — as outras duas disseram juntas e bufou sem mais argumentos.
Era unânime. Até mesmo para ela era claro que ela teria ajudado sim, qualquer pessoa que estivesse precisando de ajuda.
Era natural, espontâneo e intrínseco nela, algo da personalidade de .
— Tá, eu teria. Mas já que estamos falando de estupidez… — a mais velha direcionou o olhar para — Você deveria pedir desculpas para o Harry, ele não merecia aquela sua grosseria toda de graça.
— Eu sei, eu sei… — ela se jogou na cama, ficou refletindo sobre isso a tarde toda e estranhamente sentia-se mal por ter descontado suas frustrações nele. — Vou tentar falar com ele depois. Agora podemos, por favor, mudar de assunto?
As outras duas se entreolharam. definitivamente não fazia o tipo de quem aceitava que estava errada tão facilmente. Aquilo era atípico e completamente inusitado para e .
As três iniciaram um assunto breve, reclamando das aulas e falando das coisas legais que viram durante o dia e, não demorou para que pegassem no sono, exaustas pela nova rotina.
Exceto por , que mantinha os olhos fixos e preocupados nos detalhes em dourado no dossel escarlate preso no teto.
Por que é que você tem que ser uma idiota que se preocupa com quem não está nem aí com você? Pensava a grifinória, se sentindo patética.
Ela sabia que não conseguiria dormir enquanto não fosse na enfermaria, saber se estava tudo bem com o idiota mais conhecido como Draco Malfoy.
O caminho foi tortuoso até a enfermaria, definitivamente não estava acostumada a fugir pela noite. Nem mesmo em Ilvermorny. Achou que seria pega pelo menos umas três vezes e havia prendido a respiração e rezado em todas elas.
Valia a pena se arriscar tanto por alguém que claramente a odiava? Certamente não, mas valia o sono dela, o que já fazia tudo fazer sentido na cabeça da garota.
Tudo que a confortava era que, essa coisa de se esgueirar a noite pelos cantos deveria fazer parte da genética. Já que as irmãs faziam isso tão bem, ela também deveria ter esse talento incumbido em algum canto de si, não é?
A porta da enfermaria, como sempre, mantinha-se entreaberta para facilitar o processo com as emergências e evitar que o barulho se estendesse para perturbar o sossego do castelo. questionou a si mesma como Madame Pomfrey, aparentando ter uma idade já avançada, dava conta da enfermaria sozinha dia e noite.
Um miado fino e repentino a assustou tirando-a de seus questionamentos e fazendo com que entrasse com tudo no cômodo, recebendo um olhar curioso da curandeira.
— O que faz fora da cama tão tarde querida? Sei que é seu namorado e você se preocupa, mas não posso permitir que…
— Ele não é meu namorado! — bradou ela, se arrependendo ao ver que o sonserino dormia — Desculpe, mas ele não é meu namorado e eu não estou preocupada.
A voz dela oscilou levemente e ela desviou o olhar da senhora para as próprias unhas pretas descascadas. Papoula soltou um risinho.
— Sei, sei…
— É sério, senhora. Achei que poderia me ajudar com a dor de cabeça que estou sentindo, mas creio que me enganei, vou voltar para o meu dormitório…
— Espere só um instante então, minha jovem… — a curandeira pediu, virando-se de costas para pegar algo em seu armário de poções.
A jovem McKinnon direcionou seu olhar mais uma vez para Malfoy, que estava adormecido e respirava tranquilamente, diferente de mais cedo. Nem parecia sentir as dores das diversas pancadas no chão, muito pelo contrário, parecia até… Leve e com uma expressão pacífica.
Nem parece a praga que é… Os pensamentos da grifinória, no entanto, foram dispersos ao ouvir Madame Pomfrey chamando-a.
— Que? Ah. — a garota virou, parecendo assustada pegando o copo com um líquido transparente.
— Vou repetir, acho que a senhorita estava demasiadamente ocupada com os pensamentos em outra coisa. É uma poção que estou desenvolvendo, não tem gosto e vai te ajudar.
— Eu já tinha entendido da primeira vez. — ela sorriu gentil com os lábios fechados e então virou o copo de uma só vez. Quem ela queria enganar, mal havia escutado a pobre velha a chamando.
— Como se sente, querida? — questionou a curandeira, pegando o copo novamente.
Uau... Me sinto ótima, senhora! Essa poção vai ser um sucesso, vou exibir pra todo mundo que conheço a criadora da poção…?
— Ah, sim, o nome será poção Confusus Concessit Defraudat. — explicou a senhora sorrindo.
— Essa mesmo, uau! Me sinto em perfeito estado! Posso voltar agora?
— Pode sim, senhorita McKinnon. Tenha uma boa noite!
— Com toda certeza terei depois dessa poção fantástica, uau, que invenção brilhante!
A mais nova acenou e saiu praticamente voando pelos corredores, agora ao menos tinha um álibi caso alguém a achasse fora da cama tão tarde. Madame Pomfrey começou a rir no momento que a loira saiu correndo da enfermaria, fazendo com que Draco acordasse de seu sono intencionalmente provocado.
— O que ela queria? — questionou o garoto.
— Ora, jovem Malfoy, o que você escutou. Veio te ver.
— A senhora não está batendo bem então, pois eu escutei que ela estava com dor de cabeça, até a medicou! — Draco se sentia ultrajado com a simples menção, mesmo que subentendida, de que eles se gostavam.
— Dor de cabeça com certeza não era, Draco. — a senhora riu ainda mais abertamente. — Um copo d’água não teria resolvido se fosse.
Foi quando o loiro juntou os pontos, graças às inúmeras aulas de latim que a mãe o obrigou a ter durante toda a infância. Poção Confusus Concessit Defraudat, ou em tradução livre: Poção Engana Distraído.
Seja lá qual fosse o motivo que tinha levado McKinnon até lá àquela hora, provavelmente fora o mesmo motivo que fez Draco Malfoy manter um sorrisinho convencido nos lábios durante toda a noite.
* * *


O café da manhã do dia seguinte fora definitivamente anormal com as trigêmeas caladas. A sorte era que, ninguém as conhecia tanto assim para saber que aquilo era estranho, o que evitou perguntas e constrangimentos.
tentava arrumar coragem de se redimir com Harry, mas acabou não dizendo uma só palavra, com ninguém. se concentrava inteiramente em seu plano e como fazê-lo funcionar em meio a todos. Já focava suas energias em lembrar de como era idiota pela noite anterior e se arrepender amargamente por isso.
O dia se passou entre aulas monótonas de História da Magia e interessantes de Transfiguração, segundo a McKinnon mais nova. E quando as três finalmente puderam perceber que o dia passara voando, estas já estavam sentadas novamente na mesa da Grifinória para o jantar.
— História da Magia e Adivinhação, as duas em uma vassoura à 80 km/h, qual ganha como a mais chata? — questionou Rony para e Harry, que faziam ambas as aulas com ele.
— Olha, eu não faço Adivinhação, mas creio que nada supere o professor Binns falando sem parar um segundo sequer. — arriscou, rindo fraco. A garota se sentia completamente envergonhada por estar sentada ao lado de Potter, que parecia igualmente tenso. Culpa de , que a empurrou para o banco, para estimular a mais nova a pedir desculpa, resultando apenas nos dois mais calados e desconfortáveis que o habitual.
— Mas pelo menos dá pra dormir. — começou — Se você dorme em Adivinhação morre asfixiado com aquele cheiro horroroso.
Rony e Harry riram do que a McKinnon mais velha disse, enquanto a mais nova esboçou um sorriso e tornou a remexer a comida.
ouvia atentamente as palavras de Rony, assentindo com a cabeça, quando notou olhares vindos da mesa da Sonserina ardendo sobre si. A grifinória direcionou o olhar para Malfoy e sustentou o contato, arqueando a sobrancelha em uma forma muda de perguntar se ele tinha perdido algo nela. Muito embora seus pensamentos gritassem questionando qual o problema daquele garoto, que hora era um estúpido e hora a encarava daquela forma.
O sonserino desviou o olhar, como ela imaginou que faria, e tornou a conversar com Crabbe e Goyle, aparentemente constrangido por ter sido pego. McKinnon só conseguia achar aquilo patético e, mesmo que não assumisse, desconcertante.
Mas quem era ela? A que fora visitá-lo na enfermaria de madrugada? Questionou a si mesma, bufando e se sentindo tão patética quanto.
Do outro lado da mesa, olhava para a porta hora ou outra esperando o momento exato em que o mestre em poções passaria pelo corredor entre as mesas para executar seu plano perfeito.
Não podia demonstrar que estava nervosa. Ela era profissional nisso, afinal. Não era a primeira peça que pregava na vida, era só a primeira em Hogwarts. Que tinha a enorme chance de atingir alguém aleatório, mas era exatamente por isso que ela escolhera o Salão Principal, onde haviam muitos álibis para inocentá-la caso tudo desse errado.
— Nervosa? — questionou Jorge, sentando-se ao lado da loira, que deu um pulinho de susto.
— Eu? — ela riu, bebendo um pouco de seu suco — Claro que não, pff.
— Então por que está olhando fixamente para a porta, tamborilando os dedos na mesa e balançando as pernas?
— Está prestando atenção demais em mim, Weasley. — disse e semicerrou os cílios — Aliás, quem permitiu que ficasse olhando para minhas pernas?
— O que? Eu… — o ruivo começou desconcertado, observando um sorrisinho debochado brincar nos lábios da loira. Jorge, então, desviara o olhar em direção a porta, dando-se conta de que Snape passava por ela, cutucando discretamente a cintura da garota. — Seu alvo vem aí.
precisou focar todas as suas energias em tudo que havia estudado sobre o feitiço, mesmo que fosse difícil depois do contato inesperado do garoto que, estranhamente, a tirou dos eixos. Mas não importava. Preocupou-se única e exclusivamente em lembrar-se do que o professor dissera para a irmã, instantaneamente sentindo a raiva e repulsa crescer dentro de si, transbordando em um sorriso maldoso.
A grifinória focou o olhar no professor, esperando que tudo desse certo. Precisava ser rápida para não atingir alguém errado, então mentalizou o que precisava.
Corandio rosa!
Logo os cabelos pretos e oleosos de Snape foram tornando-se, aos poucos, rosa. E os alunos começaram instantaneamente a apontar, cochichar e rir. O mestre parou, confuso, passando as mãos pelos cabelos e rosto sem entender enquanto caminhava para a mesa dos professores. Sentou-se ao lado do diretor, que o lançou um olhar gentil e então, ergueu lhe um espelho de bolso. Aquela era a deixa para quebrar o contato visual e fingir que não tinha nada a ver com tudo aquilo. Sentia-se triste por não conseguir ver a cara de Severo, mas só a sensação de causar-lhe uma humilhação muito maior do que a que ele havia causado a sua irmã já fazia tudo valer a pena. Então simplesmente deitou a cabeça no ombro de Jorge e começou a brincar com os dedos de sua mão.
— MAS QUE… — Snape se levantou bruscamente, varrendo o salão com o olhar ainda entre as gargalhadas dos alunos. — SILÊNCIO!
— Eu estive o tempo inteiro aqui, hm? — cochichou, sorrindo enquanto o ruivo a encarava confuso.
O professor se levantou e caminhou furioso até a mesa da Grifinória, seguido pela professora Minerva e por Dumbledore.
— Foi você, não foi? — questionou com a voz rude, olhando para , que nem se moveu, fingindo se sentir ofendida. — A diretora de Ilvermorny fez questão de nos alertar sobre sua fama...
— Assim o senhor me ofende. Está me julgando mesmo sem me conhecer? — questionou irônica — Pensei que alguém como o senhor não fosse facilmente manipulado, mas vejo que me enganei…
— ORA SUA INSOLENTE!
— Me desculpe professor, mas é impossível que tenha sido ela. — Jorge interrompeu, antes que ela pudesse sequer pensar em algo. — esteve todo esse tempo olhando para mim e bem, um cabelo ruivo ainda não é um cabelo rosa…
— Se não foi ela só pode ter sido você e seu irmão, não é mesmo senhor Weasley?
— Fred nem aqui está, senhor. — Jorge rebateu sorrindo. O outro gêmeo encarava a cena confuso, em um canto mais distante da mesa enquanto conversava com Angelina Johnson.
— Diretor, me desculpe, mas é desrespeitoso e bem errado o professor Snape vir nos acusar sem prova alguma, visto que até mesmo os alunos da própria casa dele ainda estão se matando de rir do outro lado do salão. Tem muita gente aqui, é um atentado pessoal vir acusar justamente nós, não acha?
— Creio que tenha sido um engano, senhorita. O professor Snape está muito desconfortável pela situação, mas não é motivo para acusar os alunos aleatoriamente. — Dumbledore sentenciou, sorrindo para a garota, que assentiu.
— Exato, e digo mais professor. — Kitkat sorriu dócil — Não deveria ficar bravo e sim agradecer a quem lhe fez isso, o rosa combina muito bem com o senhor.
Snape nada disse, apenas saiu do Salão balançando sua capa e, consequentemente, devido ao movimento rápido, mexendo seus cabelos rosados arrancando mais uma onda de risos dos alunos presentes.
McGonagall e Dumbledore se entreolharam e seguiram em direção a mesa onde estavam anteriormente para dar continuidade a suas refeições, enquanto e Jorge se mantinham abraçados.
— Além de ser ótima em pegadinhas, é uma excelente atriz, McKinnon. — cochichou ele rindo, fazendo com que a garota percebesse que ainda estava próxima demais, arrumando a postura em seguida.
— Me desculpa por te meter nisso do nada, valeu por me acobertar. — a loira sorriu constrangida enquanto o rapaz a olhava com ternura.
— Pode me abraçar quando não estiver em apuros também, vou adorar. — ele piscou tornando a comer e deixando uma rindo de nervoso, completamente ruborizada.

* * *


— Quer jogar uma partida de snap explosivo? — questionou Rony ao melhor amigo que sorriu assentindo. esperou que Harry e Rony se levantassem para ir para a comunal da Grifinória, mas como se o universo estivesse a favor de sua humilhação testemunhada por mais pessoas que o necessário, Potter não andava sozinho um minuto sequer, o que dificultava seus planos de ser discreta e tentar não fazer daquilo um alarde ou algo mais constrangedor do que já era.
Os garotos se levantaram e então McKinnon, em um impulso inesperado, segurou o braço do garoto que a encarou confuso, cessando os passos, assim como Weasley.
— Potter, eu… Hm… Posso falar com você rapidinho?
— Eu… Tenho algo urgente para fazer agora e não posso conversar agora. Sinto muito, . — o grifinório disse, desconfortável e então desvencilhou-se da mão da mais nova.
Ela assentiu com a sobrancelha arqueada. Desde quando jogar snap explosivo era algo urgente? Havia notado que o garoto não lhe dirigira a palavra ao menos uma vez naquele dia e sempre desconversava quando ela falava algo com ele. Então ela apenas assistiu os garotos saírem e negou com a cabeça, indo parabenizar a irmã pelo plano bem sucedido contra Snape.

* * *


As McKinnon retornaram para a comunal e ficaram conversando com Hermione sobre qualquer que fosse o assunto, ao qual nem se deteve em prestar atenção. Estava muito mais preocupada em encarar o grupo onde Potter jogava com os colegas de quarto. Até o momento que Potter deu um sorriso fraco, sobre as vaias dos colegas que claramente pediam para que ele continuasse jogando e acenou, indo em direção às escadas dos dormitórios.
Poderia soar insano, ou até invasivo, mas sentiu-se determinada em resolver as coisas. Não aguentava mais a voz de em sua cabeça repetindo o quanto ela havia sido estúpida com o garoto desde que o vira pela primeira vez, gratuitamente. Então ela deu uma desculpa qualquer para as irmãs e Hermione e seguiu até o bebedouro perto das escadas. Esgueirou-se na direção das mesmas e subiu o mais discretamente que pode até os dormitórios masculinos.
McKinnon assistiu o garoto deixando a porta encostada, para que os amigos pudessem entrar depois. Ele não atenderia se ela batesse na porta, então não se importou com as formalidades.
— Potter? — questionou ao passar pela porta, dando de cara com o garoto assustado vestindo novamente o suéter que havia acabado de tirar.
— O que faz aqui, ?
Harry tentou não ser grosseiro com ela, mesmo com a presença inesperada. Só sentia que não estava preparado para encará-la, parte por ter receio de que eles só piorassem a não amizade que tinham e parte por ter que ficar perto demais dela, ainda mais naquele momento em que ela usava um jeans e uma camiseta branca que a deixavam irritantemente bonita.
Precisava urgentemente parar com aquilo, eles precisavam ser amigos e só. Sirius o mataria se a hipótese de ter o afilhado atraído pela filha passasse em sua cabeça.
— Você não quis me escutar lá embaixo. — a loira deu de ombros se sentando na cama que julgava ser dele e cruzando as pernas, estava impaciente com toda aquela situação. — Não achei que você fosse do tipo que foge, Harry.
— Eu não estava fugindo de você… — o grifinório coçou a nuca, incerto. Ele estava sim fugindo, até um cego conseguia ver aquilo.
— Olha, eu sei que fui uma estúpida com você. — mordeu os lábios, nervosa. Odiava assumir que estava errada. Nem sabia ao certo porque estava se importando tanto com o que o garoto estava sentindo em relação ao modo que ela o tratou.
Nem amigos eles eram… Mas a loira se perguntava o porquê de se sentir tão culpada durante todo o dia. E então, por um impulso mal pensado, lá estava ela, com medo de encarar Harry Potter e sentada em sua cama.
— Me desculpa, tá legal? — suspirou, dessa vez brincando com a ponta de uma das mechas de seu cabelo. Tudo para não ter que encarar as orbes extremamente verdes e cativantes. — Você só estava tentando me ajudar, muito obrigada. Se mostrou um bom amigo…
— Fico feliz que pense assim, . — ele declarou, o olhar tão incerto e instável quanto o dela. — Essa foi minha intenção desde que te vi… Digo, desde que vi você e suas irmãs na estação, sabe? Mas eu te entendo, não deveria ter me metido, de qualquer forma.
— Não se preocupe quanto a isso! — ela o olhou, exasperada, abanando as mãos. — Você não fez nada errado, sério. É só que eu não costumo pedir ajuda. Gosto de fazer minhas coisas sozinha… Eu sinto que estou me enrolando e falando coisas sem sentido, então podemos, por favor, ficar numa boa e mudar de assunto?
— Então somos amigos, McKinnon?
— Só se você me der esse suéter lindíssimo de quadribol que está usando. — a garota apontou, observando-o levar as mãos ao próprio tronco, como se aquilo fosse de alguma maneira proteger a peça de roupa.
— Eu só tenho esse!
— Esperava que para alguém que tem talento para se meter em problemas você soubesse ao menos mentir bem, Harry Potter. — ela gargalhou apontando para o malão aberto com pelo menos mais duas peças iguais aquela jogadas, assim como todas as outras roupas.
— Geralmente eu invento desculpas melhores mesmo. — o moreno fez uma careta, tirando o suéter e arremessando-o contra a McKinnon caçula, dando-se por vencido. — Ano que vem quando entrar no time e tiver o seu, você me devolve.
— Sonha, meu bem... É sem limites e de graça. — deu de ombros rindo, enquanto se dirigia ao espelho do quarto. Harry se sentia um idiota, por mais que quisesse disfarçar, não conseguia tirar os olhos dela. A loira vestiu o suéter de tricô e então colocou as mãos nos bolsos do jeans desfiado e justo que usava, parando na frente dele e dando uma voltinha aos risos.
Como ela conseguia ficar linda até com a porra de um suéter surrado e duas vezes maior que ela? Pensava o grifinório, atordoado.
— Ficou bom? — questionou ela, com um sorriso no rosto e olhando para a peça em seu corpo.
— Ficou perf… — ele pigarreou, saindo do transe e sorrindo amarelo. — Ficou muito bem em você, .
— Vou te visitar mais vezes, adorei o presente! — ela debochou, voltando a se sentar na cama.
Os dois mal viram o tempo passando enquanto riam, conversavam sobre quadribol, falavam mal de Snape e riam ainda mais de como ele havia ficado horrendo com o cabelo rosa, que destacava ainda mais seu nariz grande e formava uma antítese entre sua típica cara de nojo e seu cabelo dócil como um algodão doce.
— Algodão doce com sebo, ugh!
— Você é péssima, garota!
— Eu só digo a verdade, ué… — ela riu e então se lembrou de algo que invadia seus pensamentos constantemente desde o começo das aulas. — Posso te perguntar algo?
— Claro!
— Você disse naquele dia, no trem, que nossas mães eram melhores amigas. Aí eu pensei que… Sabe… Nossos pais também poderiam ser e bem, que você poderia saber algo sobre meu pai.
Harry quis se azarar por ter arregalado os olhos e entendeu pela sobrancelha arqueada e pelo olhar indagador da mais nova que em qualquer mentira que dissesse a partir dali, seria pego.
— O pouco que sei foi o que Remo me contou, . — ele disse, da maneira mais calma que conseguiu. — Que eles eram amigos sim, viviam juntos, mas o professor nunca mencionou nome algum... Sinto muito.
A garota tombou a cabeça, cerrando os cílios e então suspirou, se aproximando de Harry o suficiente para que pudesse sentir sua respiração sobre seus lábios.
Estava jogando sujo, ela sabia, mas era algo natural, faria de tudo para descobrir mais sobre aquilo, até jogar um charme em quem quer que fosse pra descobrir informações. O que McKinnon não esperava era que se sentiria completamente tentada ali, tão perto do, agora, amigo.
Foco, McKinnon, foco! Pensou a loira desviando o olhar dos lábios do garoto para seus olhos.
— Já que somos amigos agora, é bom que saiba que eu geralmente consigo o que quero… — ela tirou os cabelos que insistiam em cair nos olhos dele — Eu sei que você sabe algo, Harry Potter. E tudo bem... Se não quiser me contar, eu descubro sozinha.
Vozes vindas do corredor se aproximaram cada vez mais até que os outros quatro donos do dormitório apareceram na porta.
Toda a falação cessou assim que os garotos se depararam com a garota ali presente e tão perto de Harry, que parecia pálido.
? O que faz aqui? — gaguejou Rony, ainda estático perto da porta.
— Vim conversar com o Harry. — a loira disse somente, depositando um beijo demorado na bochecha de Potter que agora tinha o rosto completamente pálido enquanto a assistia sair dali. — Obrigada pelo suéter, de novo. Devo dizer que seu perfume é bem gostoso, Potter.
Harry engoliu a seco, abrindo e fechando a boca em busca de algo útil para falar. Em vão.
— Tchau Rony. Ah, a propósito sou a , não a — a garota riu e deu um beijinho na bochecha do amigo, que a olhou assustado e assumindo o tom de seus cabelos por todo o rosto, e então sorriu e acenou para Dino, Simas e Neville, que ainda tinham a postura assustada de antes. — Tchau meninos.
— Que porra foi essa, Harry? — indagou Weasley ao amigo, que ainda se encontrava em estado de choque, assim que a loira desapareceu no corredor.
— Eu não sei… Mas confesso que não reclamaria de receber um beijo também. — resmungou Dino, jogando-se na cama sob o olhar furioso de Potter.

* * *


marchou irritada até a biblioteca. Já era tarde, quase na hora do toque de recolher, mas ela não se importava. Precisava agir, precisava de respostas. E ali deveria ter um anuário com os alunos da classe de sua mãe em algum lugar.
Ela sabia o nome de seu pai? Não. Mas ia dar um jeito, nem que tivesse que ficar toda a noite escondida e olhando foto por foto, nome por nome até encontrar algo relevante.
A loira caminhou até a pedra de mármore que continha um pergaminho antigo que indicava cada seção da biblioteca em uma espécie de mapa dinâmico. Seguiu com o indicador procurando algum lugar para começar, decidiu seguir até a seção do acervo histórico de Hogwarts.
Era uma seção com poucas prateleiras em relação a outras, também não tinham mesas como nas demais, só um sofá velho e alguns livros organizados por décadas. suspirou aliviada, não seria tão difícil assim. A grifinória atentou-se aos livros da década de 70 e procurou a parte do ano de formatura da mãe.
Dirigiu-se até o sofá com o livro grande e empoeirado em mãos, soprando toda aquela sujeira grossa que provavelmente a faria espirrar a qualquer momento e o abriu, olhando brevemente o aspecto das páginas amareladas e o índice revelando o nome dos alunos e casa à qual pertenciam.
Seu indicador desceu por toda a extensão da primeira folha, nome por nome, e então pela segunda e terceira respectivamente, onde seu dedo parou de forma instantânea ao ler o nome tão conhecido por ela.
Marlene Audrey McKinnon, Grifinória, 1971 a 1978. Página 458.
prendeu a respiração momentaneamente, enquanto folheava o livro em busca da página indicada. Ela e as irmãs só tinham uma foto da mãe, muito antiga e que havia perdido boa parte da qualidade com o tempo. Era uma foto tirada com certa distância, ou seja, nunca haviam visto o rosto dela com tanta clareza.
Quando finalmente achara a página, foi inevitável que as lágrimas não descessem por seu rosto. No pequeno quadrado, sua mãe usava o uniforme da Grifinória e sorria pequeno. Seus cabelos loiros formavam ondas que iam até a altura de seus ombros e ela usava a gravata como faixa no cabelo. A mais nova finalmente entendera por que diziam tanto que se parecia com a mãe. Elas realmente eram idênticas. Conseguira reconhecer traços de e até de si mesma.
Era reconfortante, por um lado, saber como a mãe era, saber que não haviam vindo do nada. Aquilo era muito mais real, muito mais palpável do que quando alguém simplesmente vinha até ela e as irmãs contar algo, ou dizer que sentia muito pela perda delas. Era real, sua mãe não era só mais uma história que ouvira da boca do tio ou de outras pessoas aleatórias. Ela realmente existia, era linda e a caçula internalizou para si como queria tê-la ali, ou simplesmente, como queria ter lembranças com ela.
Embaixo da foto, os alunos podiam escolher uma frase para gravarem ali. A de sua mãe era um trecho de Hey Jude dos Beatles, e ler aquilo a fez sorrir largo em meio às lágrimas. Tinha ao menos um gosto musical parecido com o dela, já era algo.
“E sempre que você sentir dor, ei, Jude, vá com calma. Não carregue o mundo nos seus ombros”.
Parecia até que ela estava lhe dando um conselho, será que a mãe era como ela? Gostava de se manter ocupada para esquecer dos problemas e às vezes, esquecia que era apenas uma humana com limites que não podia equilibrar todos os pratinhos ao mesmo tempo? Perguntaria para seu tio em outro momento, mas tomou aquilo para si e tentaria se meter em menos tarefas dali em diante.
Ela secou momentaneamente os olhos e voltou a folhear o livro. Tentando se recordar do que sabia de seu pai. Sabia que ele, Remo e o pai de Harry eram amigos, sabia que ele tinha olhos azuis, porque sempre lhe diziam que seus olhos lembravam os dele e sabia que ele era da Grifinória. Não seria fácil, pois não tinha tantos detalhes assim, mas não era impossível.
No fundo, esperava que, de alguma forma se conectasse com a foto instantaneamente como acontecera com a de sua mãe. Ela saberia reconhecer olhos parecidos com os dela, não é? Então ela começou uma busca por rapazes grifinórios de olhos azuis, estava otimista.
Mas o tempo passou e a grifinória estava começando a ficar impaciente, havia muitos garotos com olhos azuis ali. Até mesmo o fugitivo Sirius Black estava lá, coincidentemente, ou não, a frase dele também era um trecho dos Beatles, só que de Strawberry Fields Forever. A mais nova até chegou a rir com a ironia: “Está ficando difícil ser alguém, mas no fim tudo dá certo”. No fim, as coisas não haviam dado certo para ele, a garota até se perguntou se o alguém que ele queria ser era algo próximo do que ele se tornou, mas deu de ombros e virou a folha, procurando por mais caras que pudessem ser, supostamente, seu pai.
O desespero a havia tomado, não era possível que não pudesse reconhecer alguém parecido com ela em meio a tantas pessoas. Seus olhos chegaram a lacrimejar, ela nem sabia mais que horas eram ou se seria pega fora da cama, não se importava. Só não queria sair dali sem informação alguma.
A vontade de jogar o livro longe e gritar era grande, mas a grifinória apenas se conteve em andar até a prateleira e devolvê-lo a seu lugar, procurando por mais alguma coisa que lhe desse alguma pista. Naquela altura ela ao menos se dera conta de que já estava chorando aos soluços.
Uma luz surgiu no final do corredor e começou a caminhar na direção dela, a garota encostou-se na prateleira, numa forma de tentar se esconder ali, mas foi em vão. Quem quer que fosse, já tinha a visto. Ela só não esperava que fosse o lufano bonitinho que conhecera no dia anterior que a encarava em um misto de preocupação, curiosidade e confusão.
— Não me parece que você esteja aqui estudando uma hora dessas. Você também não faz o tipo que chora de desespero por não saber algo… — ele começou.
— Eu não, eu… — ela riu, secando os olhos — Eu não estava chorando, o pó irritou meus olhos. E você, o que faz aqui?
— Fiquei responsável por fazer a ronda neste lado do castelo hoje, e bem, seus soluços não eram lá muito discretos. — Diggory sorriu sem graça enquanto a garota apenas negou com a cabeça.
— Eu juro que já estou indo pro quarto, só preciso procurar um pouco mais…
— O que procura? Posso te ajudar por mais alguns minutos, só não podemos demorar tanto. — Cedrico apoiou a lamparina em uma parte da prateleira que estava vazia, esperando que a grifinória o dissesse como podia ajudar.
— Muito obrigada, mas eu consigo achar sozinha. É rápido, eu juro! — disse enquanto o ignorava completamente e voltava a varrer a prateleira com os olhos.
— Já percebi que tem um grande problema em aceitar ajuda, McKinnon. Então como você só funciona dessa forma, ou me diz o que tanto procura ou te levo pra professora Minerva. — Cedrico cruzou os braços, apoiando-se na estante enquanto assistia a mais nova bufar e se virar na direção dele.
— Você é só o menino bom e bonitinho, Diggory. Ser dedo duro não combina com você. — ela sorriu dócil em direção ao lufano que arqueou uma sobrancelha.
— Creio que você não me conhece o suficiente para ter essas suposições sobre mim. — Cedrico sorriu em deboche, mesmo que não parecesse, imitando-a como no dia anterior. McKinnon abriu e fechou a boca algumas vezes, indignada por ter suas próprias palavras viradas contra si. Mas suspirou, não conseguira ficar brava e ser ríspida com o garoto que, até sendo irônico, parecia adorável demais para retrucar.
— Tá legal… Estou procurando algumas informações sobre meu pai. Mas até agora não encontrei nada útil.
— Vou procurar naquela parte então. — apontou para o lado contrário, onde tinham mais alguns livros sobre os destaques acadêmicos e eventos realizados na escola. A garota voltou a olhar na estante.
voltou para o sofá com uma espécie de álbum de fotografias de um torneio de bexigas em 75, folheou as páginas com atenção, mas quando virou a contracapa fechando o livro de capa amarela fora inevitável não soltar um suspiro frustrado. Os olhos de McKinnon ardiam, sentia o choro preso na garganta.
— Ei McKinnon, você precisa ver o que… — Cedrico parou quando viu que a loira chorava novamente. — Achou algo?
— Nada… Nem um mero sinal. — a garota fungou uma última vez, em uma tentativa de cessar o choro, secando os olhos com o dorso das mãos. — Eu agradeço a ajuda Cedrico, mas por ora tenho que aceitar que fui inútil e tentar ir dormir.
O garoto ajoelhou-se na frente da grifinória, tirando um lenço branco do bolso e levando-o até o rosto ainda úmido dela. prendeu a respiração momentaneamente pelo contato inesperado, olhando os olhos acinzentados do garoto em um misto de susto e surpresa.
— Não fale assim… Você já começou, isso não é algo inútil. É um passo bem importante, aliás. — Diggory sorriu gentil — Amanhã você tenta de novo, o que acha? Com a cabeça fria nos atentamos melhor a detalhes que podem passar despercebidos agora.
— Eu não sei se quero tentar de novo. — a loira revelou com a voz baixa — Tenho medo de ter o mesmo resultado e me frustrar mais e mais.
— Você não tem informações, pelo que entendi, não é? — questionou, assistindo-a assentir com a cabeça — Qualquer coisa que encontrar será melhor do que nada, . Eu vou te ajudar a encontrar algo.
— Não precisa fazer isso, Cedrico, de verdade. Vou dar um jeito e…
parou de falar no momento que sentiu um caderno de brochura com capa vinho sendo colocado sobre seu colo. Ela olhou do objeto para Diggory, que indicou com a cabeça para que ela o abrisse.
McKinnon segurou o caderno, passando os dedos pela capa de camurça e o abriu. Quando ela folheou as primeiras páginas vazias, quis xingar o lufano e perguntar se ela tinha cara de idiota, até que seus olhos pararam em uma página aleatória com uma polaroid grudada.
Na foto, Marlene rodopiava no ar à frente de uma árvore repleta de flores, que caiam formando uma espécie de dança lenta quando se encontravam com o vento. O sorriso de sua mãe era lindo, seus cabelos estavam presos em um coque baixo e ela usava roupas simples e leves, — uma camiseta e uma saia longa que dançava no ar devido a seus movimentos. Os olhos castanhos dela miravam a câmera com carinho, dando a entender que aquele olhar apaixonado era lançado para quem a fotografava.
— Seu sorriso parece com o dela… — ergueu a cabeça, para encará-lo. Estava pronta para questionar quando que o garoto tinha presenciado ela sorrindo, mas notou que seus lábios esboçaram um ao observar a foto, o que a fez rir baixo passando os dedos pela imagem. — Eu creio que seja um diário, dela ou de alguém próximo. Provavelmente tenha algum feitiço, alguma espécie de senha para que o conteúdo se revele.
— Eu… — a garota começou, as lágrimas ainda caindo de seus olhos. — Obrigada Diggory. Vou procurar uma solução para descobrir essa senha.
— Vou te ajudar nisso.
— Diggory eu… — ela começou, mas foi puxada pelo garoto na direção da saída da biblioteca.
— Não começa, agora vamos. Já abusamos demais da sorte demorando tanto aqui. — Cedrico parou de andar assim que passaram pela grande porta da biblioteca, enquanto a garota chegou a tropeçar nos próprios pés devido a pressa do lufano.
— Mas que inferno Diggory, vai devagar!
— Se eu for devagar seremos pegos, McKinnon. — murmurou sorrindo. — Preciso terminar a ronda, mas nos falamos depois sobre como faremos para procurar. E você não tem escolha, eu vou te ajudar! — deixou claro esperando que a loira argumentasse novamente, mas apenas recebeu um rolar de olhos e um abraço.
— Obrigada pela ajuda, Cedrico. — ela agradeceu sincera, sairia sem esperanças dali se não fosse por ele. O lufano apenas sorriu abertamente como resposta para ela, que riu debochada. — Você é bem legal... E tem um sorriso lindo, mas não vou cair nessa. Já te disse que seu charme não funciona comigo.
— Se você diz… — ele manteve o sorriso da mesma forma dando de ombros. Era incrível como ambos se sentiam à vontade um com o outro mesmo com tão pouco tempo. A conexão fora instantânea, eles sempre conversavam como se se conhecessem há anos.
— Tchau, Diggory!
Ele riu, assistindo os cabelos da mais nova se esvoaçarem pela pressa no caminhar. Diggory tinha a impressão de que aquilo não era algo habitual na rotina dela, mas como uma típica grifinória se colocaria em risco por algo que se importa sem nem pestanejar.
Cedrico não sabia dizer qual era a intenção da garota, se queria desafiá-lo ou se simplesmente era literal no que dizia. Mas sabia que, independentemente disso, aquele já era o começo de uma relação estimável.
* * *


estava inquieta no sofá da comunal, seus dedos tamborilavam em suas coxas e seus pés batiam constantemente no chão. Era sempre assim quando se encontrava nervosa ou em conflito com algo.
Desde que tivera a primeira aula de Herbologia e a breve conversa com Neville — quando ficou sabendo que o garoto compartilhava da mesma paixão que ela — ficou a par da distribuição das espécies em cada estufa e também a existência da estufa cinco, que o colega definiu como “abandonada”.
A McKinnon mais velha detestava se meter em problemas na mesma proporção que detestava ser tão curiosa. Ela se encontrava dividida em ir dormir — ou ao menos tentar — ou ir visitar a tal estufa abandonada. Quem sabe quais espécies teriam lá, se ela poderia ajudar a cuidar de algo ali ou até mesmo criar um estoque para si. Afinal, era uma possibilidade única e seria um bom passeio para Godofredo também.
E aquilo fora suficiente para convencê-la de que tinha argumentos suficientes para provar a si mesma que não estava fazendo nada errado.
— Caramelo, vou subir, você vem? — questionou KitKat.
— Vou ficar mais um tempinho e levar o Godofredo pra tomar um arzinho. — sorriu, acariciando a cabecinha do sapo, que estava em seu colo com os olhos fechados. Kitkat a encarou com o cenho franzido.
— Desde quando esse bicho respira?
— Se plantas respiram sapos também respiram, né ? — comentou como se fosse algo óbvio.
— Plantas respiram? — arregalou os olhos, arrancando uma gargalhada alta da irmã mais velha.
— Puta que pariu, ! Eu espero que isso seja sono ou então você gastou todos os seus neurônios com a pegadinha…
— Vai a merda, vai! — ela resmungou bocejando — Vê se não demora e se vir a diga o mesmo pra ela.
— Pode deixar! — Caramelo sorriu fraco na direção de , que agora subia as escadas completamente cansada.
percorrera a sala com o olhar, apenas o trio estava sentado um pouco mais distante: Mione falava empolgada sobre o F.A.L.E, Harry parecia em outro planeta depois que descera do quarto com a lição de Adivinhação e Rony estava encarando a amiga tentando ao máximo parecer interessado no assunto, estavam completamente alheios à presença dela ali. Então ela apenas se levantou, deixando Godofredo no sofá.
— Vou sozinha primeiro. — cochichou ela para o sapo, que coaxou parecendo indignado — Eu sei Godofredo, mas pensei melhor e preciso ver se é um lugar seguro pra você. Se for, na próxima vez iremos juntos, ok? Agora fica aqui quietinho até eu voltar.
A grifinória caminhou até a saída tranquilamente, ainda não havia dado o horário do toque de recolher, então ela ainda tinha alguns minutos sem precisar se esconder como na noite anterior.
Do outro lado, Malfoy voltava do corujal quando avistou a loira indo na direção das estufas. O loiro arqueou a sobrancelha em confusão, o que diabos a garota fazia ali naquela hora?
Tomado pela curiosidade e pela possibilidade de ter algo contra ela para caso precisasse confrontá-la em algum momento, ele a seguiu um pouco distante para que não fosse descoberto. Informação era algo que não se podia negar na vida e seu pai vivia dizendo que quanto mais se sabe mais poder se tem.
A garota entrou na estufa cinco, fechando a porta. Draco agradeceu aos céus pelo lugar ter as paredes de vidro, caso contrário seria uma viagem perdida. Esgueirou-se atrás de uma planta grande que cobria a parte do vidro em que ele estava, observando McKinnon andar pela estufa completamente encantada.
não demorou a entender por que havia todo aquele sigilo em relação ao local, visto que ali tinham as plantas mais perigosas, algumas que serviam para fins medicinais e algumas bem raras.
Arbusto das sementes de fogo, gerânios dentados, venomous tentaculas, culantrillos, mortíferas gasosas, rosas coloridas e tantas outras que só deixavam a garota mais animada. A cada espécie reconhecida a garota apenas se aproximava mais para observar ou dava alguns pulinhos empolgada.
O local estava bem sujo e algumas plantas pareciam requerer alguns cuidados específicos que claramente não estavam sendo realizados. A possibilidade de resolver problemas como aquele e deixar as plantas bem cuidadas fez os olhos da loira brilharem e um sorriso enorme brincou por seus lábios. A adrenalina circulante em seu sangue deixou o medo de ser pega e de estar fazendo algo errado completamente de lado, tanto que nem se lembrava de o porquê ter refletido tanto sobre vir ou não.
Foi impossível não sorrir junto quando ele assistiu ao longe a garota sorrir. Chegou até a se questionar por que ela não o fazia com mais frequência, se McKinnon já era atraente antes, ele mal podia explicar o impacto que aquele maldito sorriso tivera em si mesmo. O impacto só fora explicado quando ele se desequilibrou tentando observá-la melhor e caiu sobre alguns galhos secos, fazendo um barulho que a assustou e chamou a atenção para fora do local.
arregalou os olhos na direção do barulho, mas não conseguiu enxergar nada pela escuridão da noite. Seu peito subia e descia rápido devido ao susto e pelo medo de ser pega. Remo até podia esperar uma expulsão no segundo dia de aula vindo de ou até mesmo de , mas ela não imaginou que seria ela a premiada a dar aquele presente para o tio. Mas ao olhar pelo vidro não conseguira ver nada suspeito, estava, por ora, segura.
Draco, no entanto, engatinhou até onde não poderia mais ser visto pela garota e desatou a correr na direção do castelo. Não sabia nem qual desculpa daria por estar ali se ela tivesse o descoberto, sorrindo que nem um idiota vendo-a rir e conversar com as plantas. O sonserino começava a considerar que estava tão louco quanto ela.
— É uma pena que preciosidades como vocês não estejam em boas condições… — ela passou os dedos delicadamente pelas pétalas de uma das rosas coloridas. Suas extremidades estavam ressecadas e suas cores bem menos vivas que o normal.
Apenas um toque no espinho de uma daquelas seria capaz de levar um bruxo para as mais diversas alucinações e induzi-lo a mutilações ou até mesmo um suicídio. Era realmente triste o poder que algo tão bonito tinha de causar tanta tragédia, mas, em contrapartida, era lindo como o conhecimento resolvia tudo. Afinal, com os espinhos retirados, a rosa colorida era recorde de vendas, presente em qualquer casamento bruxo.
— Vou voltar para cuidar de vocês, eu prometo. — ela sorriu antes de se dirigir à porta da estufa.
A caminhada de volta fora mais tensa que a da ida, visto que agora todos já deveriam, teoricamente, estar na cama. Pé após pé, caminhava como se o chão fosse feito de um vidro frágil prestes a quebrar com qualquer movimento errado. Mas então, quando estava prestes a virar o corredor que dava acesso ao quadro da Mulher Gorda, a voz de Filch se fez presente no corredor:
— ALUNOS FORA DA CAMA!
Tudo que a McKinnon mais velha fez fora fechar os olhos com força, pensando na desculpa que daria, quando sentiu braços a puxando em direção a uma sala vazia e escura. Ela até teve o reflexo de abrir os olhos e um grito entalou-se em sua garganta quando sentiu seu corpo chocando-se no peitoral de alguém.
Mas os olhos azuis e calmos de Fred foram tudo que ela encontrou. Ele sorriu divertido para ela, levando o indicador aos lábios, pedindo silenciosamente que ela não gritasse. assentiu, ainda chocada demais para dizer algo.
Assim que os gritos de Filch pareceram ir na direção contrária a que eles estavam, ambos notaram a proximidade que se encontravam e então Weasley soltou a cintura da loira com delicadeza, ainda sorrindo para ela, que parecia ter visto um fantasma.
— Eu é… Obrigada.
— Não há de que, . — seu tom de voz era baixo, mas sem deixar de lado o tom divertido. Fred abriu a porta, colocando a cabeça para fora e notou que o corredor estava seguro, chamando-a com a mão para sair dali — Não sabia que você era do tipo que sai pra dar uma voltinha depois do horário, senão já teria te convidado para me acompanhar antes.
arregalou os olhos, deixando uma risada escapar.
— Eu realmente não sou. Só sai porque precisava ver algo.
— Sei, sei… Mas isso impede você de ir dar uma volta comigo uma hora dessas? — o ruivo tombou a cabeça para o lado, encarando-a. abriu e fechou a boca várias vezes, nunca ninguém a havia chamado para sair, ela não sabia exatamente como agir. Quando finalmente criou coragem para aceitar, fora interrompida pelo grito da irmã caçula.
— O que você tá fazendo aqui? — perguntou ela, um pouco distante de onde e Fred se olhavam com tamanha intensidade, só então percebendo que havia atrapalhado o clima dos dois. — Ai meu Deus! Desculpa, continuem! EU NUNCA ESTIVE AQUI!
— Shhh! — pediu, indo até a irmã estapeá-la — Cala a boca, praga, ou seremos todos pegos aqui mesmo. Agora eu que te pergunto, o que você estava fazendo fora da cama? Onde arrumou esse suéter? E por que parece que estava chorando?
sorriu como quem escondia algo, mostrando a capa de um livro qualquer que segurava.
— Estava na biblioteca, aí o pó me deixou com os olhos lacrimejando.
— Uhum, sei. — murmurou , desconfiada. — E o suéter?
— Vamos entrar? Nadamos demais pra morrer na praia, meninas. — Fred riu, apontando para a passagem para a comunal. Recebendo um sorriso de agradecimento da caçula por tê-la livrado de mais perguntas.

* * *


Harry ainda encarava o nada, parte perplexo pelo que ocorrera mais cedo com a McKinnon mais nova e parte pela promessa que ela soltara com tanta determinação. Ele sabia que se ela quisesse, encontraria tudo o que precisava e ficaria sabendo sobre Sirius bem antes do mesmo dizer algo a elas.
Ele precisava avisá-lo de alguma forma. Não era legal que as três ficassem angustiadas sem saber, ainda mais agora que passariam o Natal na escola, acabando com o plano anterior.
Observou Hermione sorrindo radiante em uma pausa sobre o tal negócio dos elfos que ela dizia anteriormente, deixando Harry dilacerado entre a exasperação da amiga e a vontade de rir da cara de Rony. O silêncio dos três foi quebrado, não por Rony, que parecia estar temporariamente mudo de espanto, mas por umas batidinhas leves na janela. Potter correu os olhos pela sala vazia e viu, iluminada pelo luar, uma coruja branquinha encarapitada no peitoril da janela.
— Edwiges! — precipitou-se pela sala para abrir a janela do lado oposto ao que estava.
A coruja entrou, voando pela sala e pousou na mesa em cima das predições de Astronomia que Harry tentava fazer.
— Até que enfim! — correu para perto dela.
— Olhe! Ela trouxe uma resposta! — Rony apontou excitado para um pedaço sujo de pergaminho que estava preso à perna de Edwiges.
Harry desamarrou-o depressa e se sentou para ler, enquanto Edwiges pousava em seu joelho, piando baixinho.
— O que ele diz? — ofegou Hermione.
A carta era curta e parecia ter sido escrita às pressas, Harry então a leu em voz alta.

“Harry,
Estou viajando para o norte imediatamente. A notícia de sua cicatriz é o último de uma série de acontecimentos estranhos que têm chegado aos meus ouvidos. Se ela tornar a doer, procure imediatamente Dumbledore — dizem que ele tirou Olho-Tonto da aposentadoria, o que significa que tem identificado os sinais, mesmo que os outros não os vejam.
Logo entrarei em contato com você. Dê lembranças a Rony e a Hermione e cuide das minhas meninas, mal posso esperar para vê-las no Natal. Fique de olhos abertos, Harry.
Sirius”


— Como assim está viajando para o norte? Está voltando? — sussurrou Hermione. Os três se encaravam preocupados.
— Dumbledore tem identificado que sinais? — Rony perguntou parecendo perplexo — Harry, o que está acontecendo?
O garoto apenas deu um soco na própria testa, sentindo-se um idiota.
— Eu não devia ter contado a ele! — disse furioso.
— Do que está falando? — questionou Rony, surpreso.
— Fiz ele pensar que precisa voltar! — Harry bateu o punho na mesa, assustando a coruja. — Precisa voltar porque acha que estou correndo perigo! E não há nada errado comigo! E ainda tem isso das trigêmeas, esqueci de contar que…
— O que tem nós três, Harry? — questionou assim que ela, e Fred entraram pelo buraco da passagem.
Potter jurou que sentiu uma gota de suor percorrer ao longo de suas costas. Ele abriu e fechou a boca várias vezes, em busca de uma desculpa, mas o olhar fixo de em si não ajudava.
— Anda Potter, o que esqueceu de nos contar?




Continua...



Nota da autora: Olá!!! Demorei, mas voltei com uma att enorme e cheia de babados.
Devo confessar que até eu fico confusa sobre quem shippar com as meninas hahahaha e a chegando tão perto de descobrir a verdade e simplesmente mudando a página do anuário? Ainda tem muito pra acontecer antes que o reencontro aconteça, mas por enquanto, a tá preocupada em cuidar das plantas e Kitkat não quer se preocupar com nada, já a quer achar respostas, será que agora com a ajuda do Ced ela descubra algo importante? Não sei hahahaha sei que agora estou com um tempinho livre e tentarei ao máximo agilizar as atts para não demorar tanto com as próximas. Me falem as teorias, opiniões, críticas e elogios aqui nos comentários, e ah, para dúvidas, spoiler e avisos me sigam no Instagram @juscairp.
Beijinhos e até a próxima att!





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