Última atualização: 25/01/2018

Capítulo Único

.
Eu vi que estava numa enrascada quando soltei o nó da gravata inconscientemente, como acontecem naqueles filmes de comédia quando o protagonista vê sua garota. Eu estava observando, porém, a garota de outro cara. Meu maldito melhor amigo, desgraçado, filho de uma puta, sortudo do caralho.
me provocava, e eu dava bola. Não só por uma garota gostosa apitar no meu radar, mas era uma provocação tão errada que tornava as coisas ainda mais deliciosas.
estava dando uma festa em sua casa, e eu cheguei um pouco tarde, vindo direto da formatura da minha irmã mais velha. A verdade é que não estava tão afim de ir... Justamente por causa dele e sua maldita namorada.
Era uma situação um tanto constrangedora para mim. Estar afim da namorada do melhor amigo, deveria ser considerado um crime... Um crime cujo eu pagaria a fiança e seguiria a vida tendo como objeto do meu desejo, devo admitir. Confesso mesmo que eu não valia tanta coisa assim.
era uma grande mulher. Não sei se eram seus cabelos sempre arrumados ou sua boca sempre bem preenchida com o batom, mas havia algo único que me fazia a querer. Não era aquela coisa de "o proibido é mais gostoso”, pois já a conhecia até mesmo antes de tomá-la para si. Porém era essa mesma sensação de fascínio desde o começo. Eu não conseguia entender o que de fato acontecia. sempre havia sido demais pra mim, e eu havia aceitado isso com o recente namoro, mas infelizmente eu vivia com esses sentimentos perdidos e em conflito.
Ela me cumprimentou animada, e seguiu até que girou os olhos com algo dito pela garota. Eu também devo ter revirado o meu pra mim mesmo, por estar observando a situação e ai da palpitando mentalmente.
Me aproximei dos dois e abracei com um pouco mais de ousadia. Os dois estavam bêbados, e eu era um aproveitador inconsciente.
- Achei que não fosse mais vir. – Ela fez bico ao dizer. estava ao lado, mas seus pensamentos com certeza voavam em outras direções.
- E perder a chance de te ver se contorcendo de saudades minha? – Foi o que disse em seu ouvido. Passei a encarar que estava ainda nas nuvens.
- , pega o isqueiro lá no meu quarto pra mim? – Pude ouvir gritar mais alto que a música, sem ao menos me cumprimentar, o que já era normal. Eu estava meio contrariado em largar , mas minha mente me dizia que eu já estava sendo um péssimo amigo por cobiçar a garota com o namorado estando ao seu lado. Com a cabeça pesando com pouca culpa, respondi que sim e segui em direção ao ninho de amor do casal, já que havia passado todos os últimos dias ali. O quarto cheirava a ela e seu inebriante perfume, e era como se nem vivesse ali. E sim, eu mantinha meu amigo bem vivido na minha mente enquanto tinha que estar com a , meio que pra me lembrar o quanto ele significava e o quanto seria errado se eu realmente pusesse em prática o que minha mente insana imaginava.
Meus olhos deveriam ter focado apenas nos saltos de sob a cômoda, assim como minhas pernas deveriam ter me levado direto a sala, mas minha mente pervertida percebeu uma coisa antes. A primeira gaveta da cômoda, entreaberta, revelava uma série de lingeries, que minha mente falhou terrivelmente ao imaginar se despindo de cada uma delas para mim. Afastei um pouco mais a gaveta e contemplei cada peça. Cada renda delicada que me fazia salivar e enrijecer brevemente, o que me fez desfazer a gravata de vez e jogar o paletó sob um banco. Pelo menos agora eu parecia mais alocado a festa. dopava meus sentidos sem nem precisar se esforçar para tal feito, e eu era um puto fraco por suar frio por causa dela.
O isqueiro de em uma mão e uma calcinha na outra. Eu podia ver a cena de e eu naquela cama, eu afastando a peça e nos tornando um só, ela com aqueles saltos e o cabelo preso alto, liberando seu delicioso pescoço. De imaginar a sorte que tinha, só me dei conta de quanto tempo estava ali quando o ouvi me chamar novamente.
poderia não ser minha, mas uma parte dela estaria ali gravada nas minhas fantasias quando agi no desespero. Por isso coloquei sua calcinha vermelha em meu bolso, e segui em direção à maldita festa, tomando cuidado para minha mente não confundir realidade e fantasia, e eu a atacar ali mesmo.
- Você não acha o decote um pouco exagerado? – me perguntou. Não, eu não achava. Como um cara qualquer, eu apreciava infinitamente os seios de uma mulher, e os de eram meu limite da perfeição.
- Você só pode estar fazendo uma coisa dessas para acabar comigo. – Eu não sabia se ela levava minhas cantadas a sério ou como brincadeira. Só sei que ela riu e piscou para mim na sequência. Acompanhei-a até o bar e a perdi novamente de vista quando me servi de uma dose de vodka. E o copo ficou por um bom tempo estacionado ali na minha mão.
E eu não estava bebendo uma gota dele. Não por estar dirigindo; para manter alguma dignidade, ou por não gostar de beber; mas eu simplesmente não tive vontade. Posso dizer que também não tive muito tempo, visto que observar dançando com suas amigas levava muito dele.
E mal havia dado atenção a garota, percebi. Meu amigo era um cara muito errado no quesito namoro, e ele ser errado justo com ela, era o que mais me incomodava. era demais para ele também, concluí.
Os olhos dela se encontraram com os meus por um segundo. Ela sorriu contente, e o encanto parecia não passar disso. Masculinidade afetada , prazer.
- Curtindo a festa ? - Ela me perguntou. Aproveitei sua distração com a música para reparar mais em seu vestido.
- Você está realmente muito bem hoje. - Não pude deixar de comentar. Ela rodou balançando os cabelos no ar, e a festa passou devagar quando seu perfume se fez presente. Seu cheiro era minha droga. Ela toda era meu vício!
- Você não respondeu minha pergunta. - O passo que deu em minha direção a fez se desequilibrar e a alça do vestido cair sob seu braço. Seu sutiã tinha um laço vermelho que combinava com a calcinha em meu bolso. Por isso me afastei rapidamente. Era uma outra vez meus malditos pensamentos me traindo.
Passei a fazer companhia para , dessa vez meio alcoolizado. Não teria como aguentar aquela situação sóbrio, de todo jeito. Meus pais estavam fora no fim de semana, o que me poupava várias horas de dor de cabeça e um longo papo sobre responsabilidades quando chegasse em casa. Eu só queria mandar tudo aquilo à merda. Toda a semana havia sido um saco. No serviço, na faculdade, na festa. Eu merecia botar o pé na jaca um pouco.
De uma forma só sei que no segundo seguinte eu já estava de volta a sala de , e agora éramos um grupo menor. e quatro ou cinco amigas, , eu e mais um cara. Só poderia dar merda.
Uma das garotas subiu as escadas, e pude ver o olhar de a acompanhar. Maldito cafajeste. parecia bem zonza no momento, não percebeu logo seu namorado fazer o mesmo caminho e enrolar lá em cima, até voltar acompanhado da mesma garota, cabelos desarrumados. Ninguém parecia perceber, e eu queimava de raiva. Por mais que fosse também uma traição, não é como se minha atração por fosse melhor que isso. Eu era seu melhor amigo e ela sua garota. Eu não deveria nem estar considerando tal feito.
deitou sobre minha perna e então eu estava em mais um de meus conflitos pessoais. Vê-la assim tão fragilizada (lê-se alcoolizada) me irritava, por estar se divertindo mais com uma garota qualquer, do que devidamente cuidando da sua.
Seus cabelos eram bons de se acariciar, e então ela estava perto demais. Era tudo novo, uma intimidade que eu não tinha com a maldita namorada do meu melhor amigo. Foi estranho ela se sentar e apoiar a cabeça em meu ombro. Mais estranho foi ela segurar minha mão e sair gritando que “precisávamos dar um mergulho”, levando não só a mim como também todos os que estavam na sala para a piscina da casa.
Eu gastei a palavra estranho antes, pois o que houve na sequencia foi completamente indescritível.
Emergimos do fundo juntos, ela sorrindo para mim e eu devolvendo o sorriso. se aproximou sorrindo, a mesma garota de antes em seus ombros, e subiu nos meus para uma briga de galo, que acabamos perdendo por um detalhe no mínimo curioso.
Tombei a cabeça um pouco para tirar a agua do ouvido. Tempo suficiente para que me faltasse sustentação nas pernas e eu me desequilibrasse um pouco, fazendo os pés dela se apoiarem sob minhas coxas. Eu não sei quem mais viu, mas tudo foi muito rápido. Estávamos quase derrubando a outra dupla quando a garota deu um chute em minha bermuda, fazendo “algo” vermelho ali escondido, saltar do bolso alguns centímetros pra fora. Eu a guardei no segundo seguinte me amaldiçoando pelo bolso ser largo e sem zipers ou botões... Foi uma falha enorme. Os olhos de me encararam confusos, e mudos.
Ela se afastou, não sei dizer se reconhecendo o pano ou frustrada pela perda da briga, mas em meu íntimo eu sabia. Ela havia visto, reconhecido e se perdido. Eu era um completo louco.
Decidi segui-la saindo da piscina, mas fez isso primeiro. Minhas mãos se fecharam ao punho, mas eu não tinha direito de estar com raiva. tinha. E ao ver a marca no pescoço de , e lidar com a constrangedora situação entre nós dois, eu vi que ela simplesmente não aguentou e correu. não a seguiu, e acabei o fazendo dessa vez. Não foi muito difícil encontrar seu rastro molhado até a frente da casa, mas encontrar palavras para aquele momento sim.
Ela notou minha aproximação, e mesmo encharcado com a agua da piscina, eu me sentia suar frio. Era seu efeito sobre mim, eu devia estar acostumado.
- está me traindo. - Disse num sopro de voz. não precisou me encarar pra eu que soubesse que ela estava segurando algumas lágrimas. - Ele não me disse, mas eu sei. Eu bebi muito , o que você acha?
- Acho que está frio aqui fora. - Respondi depois de um tempo em silêncio. Eu ainda tinha raiva de , mas não era tão fiel a ideia da traição. Ele valia mesmo bem pouco, mas sabia que era uma garota que valia muito mais que qualquer distração.
- Você devia o crucificar. - Ela sorriu ao me encarar. - Se ele me botou um par de chifres, eu não vou continuar com ele. - Suas mãos me alisaram do peito a cintura, subindo e descendo. Eu tentava a custo resistir. queria pagar traição com traição e eu era a última pessoa no mundo que ela deveria colocar nessa situação, por mais que eu quisesse. E como queria. – A gente tem como concluir algo que vem ensaiando a tempos.
- não te chifrou, . - Tentei a convencer. Suas mãos ávidas eram erradas, mas minha mente não captou essa ideia antes de um braço a apertar pela cintura a trazendo mais pra perto.
Mesmo com todo meu poder da mente, ela não se afastou. Suas mãos então, foram certeiras ao meu bolso, onde um pacote de preservativo dividia espaço com sua lingerie, o que já me era sugestivo, e que pra ela parecia um presente. Essa garota acabaria comigo antes que o fizesse, ao menos.
- É a minha favorita. - Eu não soube dizer a qual dos dois objetos ela deu a preferência e nem consegui tempo para perguntar, pois a mesma se virou em seguida, voltando a festa como se nada tivesse acontecido.
Eu ajeitei camisinha e calcinha no bolso, desistindo daquela festa de vez. Deixei meu carro por ali mesmo e fui embora caminhando. Aquela garota sabia como mexer comigo. Ela era louca, eu era um lunático. Ela era código morse, enquanto eu tentava aprender ler mandarim.

Cheguei ao colégio tarde naquela segunda feira. No domingo todo eu havia fugido do meu casal não-favorito, mas agora era a infeliz semana de provas. Eu não tinha muito o que fazer, e principalmente, era impossível evitar que nos encontrássemos.
E eles estavam lá, onde costumávamos nos encontrar todos os dias. Tentei sorrir amigável, mas para eles, nada parecia ter acontecido, e era o clima de antes da festa. O deslocado era eu.
me passou sua prova de biologia enquanto ele copiava a minha de língua estrangeira. me passou um bilhete no meio da prova. "Ele não me traiu mesmo", dizia, e seu olhar demonstrava a certeza que ela tinha sobre esse assunto. Sorri pra ela, já não sabendo dizer se era ou não do meu agrado, e a manhã correu como o normal. Até que me oferecesse para dar carona a , já que ele tinha uma prova de recuperação a ser realizada naquela tarde e não poderia a levar embora.
Não era a primeira vez que eu a levava em casa, mas essa era com certeza a mais desconfortável, e pensei em dizer não. Respirei fundo concordando, e o sorriso da garota foi o mais perdido possível. Eu parecia um virgem, ligando o rádio assim que estávamos os dois no veículo, correndo com o carro em uma velocidade maior que a permitida em ruas da cidade.
- Eu quero te agradecer, . - Virei rapidamente em sua direção. - Por sábado. Eu estava bêbada, as coisas que eu disse ou fiz...
- Você não fez nada. - Interrompi. Sua cara foi de culpada a maliciosa sem querer.
- Bem... Eu quis muito ter feito. Mas agora estaria tudo mais estranho do que já está e...
- Não tem nada estranho, . - Alguns detalhes deveriam nem ser citados. Ela concordou e saiu do carro, já em frente a sua casa. O "quis muito ter feito" dito por ela a pouco me fez segui-la instantaneamente. Seus dedos estavam trêmulos sob a maçaneta quando a alcancei. - O que você quis dizer?
- Isso é errado . - Ela não me encarava. - Eu sou a namorada do seu melhor amigo... Eu não tiro minha culpa, na verdade seu melhor amigo que é meu namorado... Você me confunde... Isso não pode acontecer, simples assim.
- O que você queria ter feito? - Teimei em perguntar. Eu sabia que ela estava a uma ligação de acabar de vez com minha amizade com , mas precisava saber.
- Você roubou minha calcinha. - Sua voz saiu irritada, e eu me senti envergonhado. Era a primeira vez que ela admitia isso em voz alta, e só então me caiu a ficha de que isso havia sido muito escroto. Não era nada sexy, mas puramente selvagem, animal. Eu a via como sexo, pura e propriamente dito com tal afirmação. E pra ela, essa era a pior traição. Ela bateu a porta na minha cara e eu segui de volta ao veículo em silêncio. Meu ato a fazia entender que era apenas carnal, mas eu sabia que ia além. Só não podia admitir.
Era mais que tesão. Era menos que amor. Era algo bem tênue entre os dois sentimentos. Me sentei no banco do carro, tentando decifrar os tais códigos. Metade me dizia para insistir, e a parte racional me motivava a seguir a vida. Era fato pra mim mesmo: Eu queria pra mim. Assim como era dela, eu queria que ela fosse minha. Pousei a cabeça sob o volante e era tudo tão errado. Eu propriamente, o incorreto da situação.
Cheguei em casa e a primeira coisa que fiz foi abrir minha gaveta da cabeceira. Ali estava meu mais estranho furto, objeto da minha maior depravação. Meu maior erro, minha maior piada.
- “Tenho uma coisa para te entregar :/”. – Enviei a . Eu precisava tirar aquela ideia da minha cabeça. Ela era do meu melhor amigo, e eu não era ninguém para fazer algo que mudasse isso.
-“Aceite como um presente não dado.” - Ela me respondeu. Eu queria chorar com a confusão que estava vivenciando. Eu queria por um instante, sumir do planeta terra.

.
era um namorado incrível. E eu não precisava de mais nada.
Mas como toda história, surgem os “mas” e o “porém”. era cada um deles.
Eu era comprometida, mas isso não me impedia de imaginar como seriam outros caras. era meu primeiro e único, tinha uma fama atraente. E era tão próximo, tão alcançável, que era fácil demais desejar.
Descobrir que seu desejo era reciproco era complicado. Despertava na minha mente sensações que eu não conhecia, capazes de me fazerem buscar cometer loucuras que eu sequer havia considerado antes.
Era algo que eu não deveria querer pela minha vida. O maldito melhor amigo do meu namorado. O cara que deveria me ter como uma irmã. Me tornar objeto do seu desejo, mexia com meu ego de uma forma inexplicável. Me fazia sentir mulher. Me tornava mais confiante.
Eu dizia não para mim mesma, mas meu corpo dizia sim. E de agora pra frente, tudo seria mais complicado. Nós dois dividíamos um segredo ruim. Nossa mente insana estava conectada. Que tivéssemos força pra não cometer nenhum erro. Porque sozinha eu não seria capaz.

.
veio andando sensualmente em minha direção.
Eu não me lembrava de ter devolvido sua lingerie, mas no momento ela não tinha acesso total só a mim, como também a todo meu quarto.
Vê-la assim toda rendada despertou-me um êxtase. Era tudo muito mágico, e o pior era eu sequer ter noção de como as coisas haviam atingido aquele ponto.
Era como se fosse realmente minha imaginação. Como se não fosse real. Como se fosse um sonho. E então eu acordei mesmo.
Poucas coisas haviam sido tão frustrantes. Encarei o teto do meu quarto com raiva, e abri a cabeceira da cama uma outra vez. Ali estava a peça intima de que havia me metido em uma breve confusão. Peguei meu celular e atentei a seu telefone ali guardado. Pensei em ligar e inventar alguma coisa muito maluca para que ela me desse o maior fora da vida e eu desistisse de vez da ideia de que por um momento ela seria minha. Em vez disso, resolvi ser mais amigável e mandei um oi. Não tinha razão para que ela me respondesse, assim como não tinha sentido eu estar a chamando para conversar.
- “Cedo demais, não?” – Ela me respondeu, sem responder meu bom dia. Isso que eu chamava de andar demais com .
- “Tive um sonho estranho.” – Continuei a digitar. – “ me mataria...“
- “Ele não pode te privar pensamentos .” – Sua resposta me fez rir um pouco.
- “Ele deveria.” – Era tão fácil conversar por mensagem, sem ter que devidamente encarar a pessoa e sua expressão corporal. Eu sabia que a cara de devia ser a do mais profundo tédio.
- “Então ele também teria que lidar com os meus.” – Foi ela quem confessou, o tipo de resposta que eu não estava esperando. Tudo o que queria dizer era que não sabia lidar. Ela torna isso difícil, não deveria ser um enigma decifrar seu coração.
- “O que você quer de mim? E mesmo isso sendo errado... Tell me black and White, o que está acontecendo entre nós?”
- “Eu não sei. E eu não tenho direito de exigir nada, mas eu preciso sair de cima do muro.” – Ela começou. era dramática, e eu só queria que essa tensão sexual não me matasse. – “Você precisa saber que eu estou disposta a parar com isso a qualquer custo... Você mexe comigo , e isso não é certo. Eu já tenho uma pessoa na minha vida, e não quero fazer mal nenhum a ela. Essa coisa entre a gente... Eu serei forte o suficiente pra aguentar.”
Larguei o celular revoltado, e peguei as chaves do carro. Era completamente injusto ela me atribuir uma responsabilidade para algo que deveria ser nosso. E ela deveria saber que eu não pensava duas vezes antes de agir por impulso, então não tardei em chegar na sua casa. Estacionei o carro de qualquer jeito, já que fazer uma baliza bem feita era a última das minhas preocupações no momento. Toquei a campainha ainda desacreditado e uma moça com uniforme me atendeu.
- Você deve ser . - Me cumprimentou? Não sei dizer.- disse para que subisse direto ao quarto dela caso aparecesse mesmo. - Não reclamei. Era um passe VIP de encontro a histeria de , mas eu aproveitaria o show.
Eu não conhecia a casa, então subi as escadas prestando muita atenção à cada porta. A única fechada no final do corredor me indicava o obvio, e a abri com cuidado. observava a janela, e pelo seu campo de visão estar sob meu carro, ela já sabia quem era antes que eu mesmo abrisse a porta.
- Você precisa aprender a ouvir as pessoas, . - Ela ainda não me encarava. Me aproximei mais a observando. Era injusto.
- Você atribui a culpa de tudo a mim. Existem milhões de caras ao redor que te desejam tanto. Eu não estou aqui pra representar eles. Eu não sou...
- A nenhum deles é recíproco. - Ela se virou para mim. - Eu tinha , , ele era tudo pra mim. E do nada você aparece com sua jogada sexual me seduzindo... E então eu te queria também. Eu precisava te afastar de algum forma. Você é teimoso, e eu sou confusa.
- E se eu não quiser me afastar? - Provoquei dando um passo em sua direção. Eu podia vê-la se jogar pela janela no próximo segundo.
- Eu vou ter que usar o pra fazer isso então.
- Usar o ? Talvez seja bem isso que você esteja fazendo ultimamente né. - Outro passo me deixou ainda mais perto. - Você o usa quando se imagina comigo. Como se o corpo dele fosse o meu. Como se o prazer que ele te dá fosse maior do que o que eu posso... – Continuei. Me sentia seguro em cada provocação.
- Você é um cafajeste. - Eu nem conseguia negar. Ela havia entrado no meu jogo sujo de provocações. Meus braços passaram pela sua cintura e então era tudo muito inacreditável. Eu finalmente tinha o que queria, ela ali a minha mercê. Suas mãos passaram sob meus ombros, mas no segundo seguinte ela se afastou. Eu pensei que soubesse porquê. voltaria a seu roteiro ensaiado de que aquilo não era justo com , de que o amava. E eu iria retrucar tudo por uma outra vez. Mas seus olhos se arregalaram num ponto atrás de mim. E parecia o capítulo final de uma novela quando eu resolvi seguir seu olhar.
Tudo teria sido diferente se não tivesse entrado naquele momento. Eu nem ousei o encarar. Não havia justificativa de eu estar ali. Eu sentia nossa amizade escorrer pelo batente da porta naquele momento.
- Eu vim dizer que precisamos de um tempo, . - Ele começou. avançava em sua direção e eu continuava ali parado esperando. - Porém mais que isso. É definitivo agora. - Ele saiu do quarto e ela foi atrás. Me sentei na cama tentando dissolver a situação, e ousei até rir sozinho. O maior medo de era de que descobrisse uma possível traição, e ela nem efetivamente aconteceu.
- Ele terminou comigo. – Ela encarava o chão desconcertada. Meu primeiro impulso foi abraça-la, mesmo sabendo que aquilo não realmente me incomodava. Eu provavelmente teria uma briga feia com meu melhor amigo, mas o que poderia fazer com o que já havia acontecido? Nada mudaria aquilo que eu estava sentindo.
- Então isso deixa de ser uma traição de ambas as partes. – Eu realmente não sabia como conseguia rir nesse momento.
- , você estava aqui nos últimos minutos? – Ela se atreveu a rir um pouco também, meio sem graça.
- Sim . Passou. E foi melhor. Alguma coisa iria acontecer e você iria se arrepender duas vezes. acabou de diminuir tudo pela metade...
- Você é um cafajeste. – Ela falou pela segunda vez naquela tarde.
- Você tem me dito isso frequentemente. – Pensei um pouco. Eu devia deixar claro que estaria ali para o que ela precisasse. Mas eu era quem precisava saber de uma coisa. – Eu quero te beijar. – Ela sorriu, seus olhos sem me encarar. – Porém, eu preciso que você esteja comigo quando alguma coisa acontecer. - Seus olhos eram confusão. Ela embaralhava os pensamentos na minha cabeça com seu olhar perdido. Eu era errado, ela a incorreta. Ela dizia não quando falava sim. E era especial. Por mais que interferisse na minha amizade com , por mais que o mundo nos pusesse para baixo eu estava pronto para destrancar seu coração.
- Eu acabei de terminar um namoro. Não exija muito de mim.
- Você quer voltar com ele? – Resolvi perguntar de uma vez. Eu podia ser um fodido masoquista, mas não queria que ela brincasse com os sentimentos que eu vinha a ter. – São três opções. Na primeira, eu te beijo agora e você me usa da forma que quiser, mas vai ser essa única vez. Na segunda, você volta pra ele e a gente finge que nada nunca aconteceu. Você não o traiu e não terá feito nada de qualquer maneira. E na terceira, a gente simplesmente... – Ela me beijou e eu nem precisei continuar. Havíamos ferrado com tudo de vez.

.
Eu resolvi tomar um banho mais demorado. Que memórias dolorosas fossem apagadas pela agua do chuveiro, mas eu sabia que não era possível.
Eu sabia que não tinha machucado . Nosso namoro, por mais gostoso que fosse, se resumia a duas pessoas que tinham outra para encontrar alguém para transar. Aquele sexo carnal, sem as provocações que eu tinha com . Era puro da carne, então não havia do que me arrepender, julgando que ele também não deveria estar arrependido.
Por mais grosseiro e confuso que fosse, eu simplesmente não achava errado. E foi o que defendi quando ele veio a questionar minha fidelidade. Eu não havia feito nada durante nosso namoro, e por mais que não fosse a maior das integras, do meu caráter ele não tinha do que duvidar.
E ele estava sorrindo com quando cheguei ao colégio naquela noite. Encarei os dois e era divertido analisar como a situação se invertera em tão pouco tempo. Duas semanas haviam se passado desde o turbulento encontro em minha casa, e agora éramos de novo um trio... estava até conhecendo uma outra garota.
E por mais maluco que fosse, eu adorava mudanças. Minha vida era sempre cheia delas. Eu era de libra, e essa coisa de indecisão me perseguia. Mas no final, eu era sempre sortuda em encontrar a minha breve felicidade.

Let me know what's up
Can't do it no more

(Deixe-me saber o que está acontecendo
Não posso mais fazer isso)

Stop talking in codes






FIM



Nota da autora: Gente, tem alguém que acompanha minhas fanfics?
Eu tenho por tanto prometido continuações e inicios que acabo nem percebendo como as coisas se conectam... In ou felizmente, minhas histórias acabam se conectando umas com as outras, e CODES foi mais especial ainda por se conectar com uma das fics que mais adorei escrever... JUST A LIE. Essa é uma comedia romântica feita para o dia da mentira que acabou me trazendo algumas leitoras como amigas. Algumas solicitaram o inicio da história de Just a Lie e Codes é total ela. Eu fiz essa historia pouco consciente disso. Meus orgulhos. Eu amo essas duas de uma maneira única.
Obrigada por ler até aqui. Não se esqueça de me deixar um comentário!
Confira minhas outras fanfics em minha página de autora.






comments powered by Disqus