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Enviada em: 30/12/2019

Capítulo Único

entrou em casa chorando tanto que nem soube dizer como encontrou forças para ir até ali. A cena que tinha visto a quebrou de diversas maneiras. Quer dizer, a cena que pensou ter visto. Ela só queria ir embora. E foi chorando que começou a arrumar suas coisas.
Não queria acreditar, mas seus olhos não mentiam. Além do mais, ela estava cansada. Ela e não estavam mais se entendendo há algum tempo, por diversos motivos, aquele era apenas mais um.
Mais um que cansava e a levava para mais perto de finalmente ir embora.
Eles estavam juntos há anos, e as coisas simplesmente não iam para frente. E, sinceramente, não queria mais tentar.
Ela sabia que não a trairia. sabia. No fundo, só estava procurando uma desculpa para finalmente dar um fim ao relacionamento, porque lhe faltava coragem para dizer a ele que queria seguir sozinha por algum tempo. Não achava que entenderia... Então se agarrou a primeira justificativa que lhe pareceu aceitável.
Mas, ao contrário que ela pensava, Lucas entenderia. Se ela simplesmente falasse a verdade, ele a respeitaria, como sempre respeitou... Porém, com as coisas nunca eram tão simples. Ela preferia se fechar a expor o real motivo de querer encontrar motivos para terminar.
O que só piorava a situação.
! – entrou correndo no apartamento, batendo a porta atrás de si, ainda ofegante. Havia corrido até ali para alcançar a namorada. – Mas que porra! – Revirou os olhos bastante impaciente. – O que raios deu em você?!
A ruiva, por sua vez, balançou a cabeça em negação quando ouviu a voz de , mas não se virou, permanecendo em silêncio, jogando suas coisas na mala de qualquer jeito.
Não dava mais.
Ela não o responderia, porque além de não querer, não conseguia devido ao choro.
! – tentou mais uma vez, a olhando assustado quando percebeu que ela estava fazendo as malas, sentindo um certo peso no bolso de sua calça. – O quê? Digo, por que você tá fazendo isso? – Perguntou incrédulo tirando cada peça que ela colocava, atrapalhando a tarefa dela. – Isso foi por ter me visto conversando com a Angelina? – Semicerrou os olhos minimamente torcendo para não ser isso. e estavam juntos há tanto tempo, e em nenhum momento ele havia dado motivos para ela não confiar nele. Mas, se esse fosse o caso, era ele quem ficaria puto. – Me diz, por favor, que isso não é o que eu tô pensando... – Se sentou na cama fechando os olhos tentando se manter calmo, mas era difícil quando transformava qualquer garoa em tempestade.
“Angelina. Então esse é o nome dela?’’, pensou, balançando a cabeça para mudar o foco logo em seguida. Ela parou, então, de arrumar as suas coisas, balançando a cabeça em negação.
– É o que você tá pensando e mais – Respondeu se virando para ele. Seus olhos estavam vermelhos e ela não conseguia parar de chorar por diversos motivos. O menor deles era ter visto conversando com outra. – Eu tô cansada, . Isso não vai pra frente! Você tá há semanas me escondendo as coisas, e hoje foi a gota d’água! – Ela disse jogando mais coisas dentro da mala. – A gente não tem futuro... – Completou mais baixo.
– Isso? – a olhou ofendido, sentindo seu coração doer ao ouvi-la dizer que não tinham futuro. – Me diz uma vez, , em que eu te dei motivo pra você não confiar em mim... – Se levantou, andando de um lado para o outro, sob o olhar atento e marejado de .
Ela suspirou sem saber o que dizer e cruzou os braços em busca de conforto para si mesma. Ao não receber resposta, resolveu continuar a falar.
, eu amo você desde... Porra, você era uma adolescente, cara! Crescemos juntos! Isso – apontou para o próprio peito – Aquele sentimento, esse sentimento, ... Não mudou! – Riu fraco, meio irônico e desesperado, sentindo seus olhos marejarem. – Eu só... – Passou a mão pelo cabelo nervoso. – Eu nunca... Nunca faria algo pra te magoar. – Fungou a olhando bastante magoado. – Você achar isso e dizer que... que a gente não tem futuro... – Balançou a cabeça em negação, e se aproximou dela, tocando levemente os braços de , a olhando nos olhos. – Não joga tudo que a gente tem fora, , por favor... – Pediu baixo, levando as mãos agora até o rosto dela em um carinho leve.
balançou a cabeça, chorando enquanto tentava não olhar nos olhos dele. Ela simplesmente não conseguia. Sentia sua pele pedir pelo toque dele, mas não conseguia. Machucava demais.
Ela nem tinha ido embora e já se sentia culpada.
Ah, o karma...
... – Fungou baixo. – Você não enxerga... – Se desvencilhou do toque dele, se virando de costas para ele brevemente, apenas para limpar o rosto antes de voltar a se virar. – A gente... A gente precisa de um tempo, você anda fazendo coisas escondido de mim... – Ela disse, usando aquela desculpa. – Eu nunca pensei que te veria com outra, na cafeteria que nós dois sempre vamos, nossa preferida... – Se sentou na cama exausta, olhando para o chão.
Ele a encarou, ainda incrédulo. Aquilo era sério?
Porra.
até pensou em se explicar, mas não tinha forças praquilo no momento.
– Sim, não temos futuro... Nós dois paramos no tempo! Anos de namoro, anos e anos e não saímos do lugar! – Passou as mãos pelo cabelo nervosa. – E aí agora você tem procurado outra, e eu sinceramente não quero saber o que tá acontecendo. Machuca demais... – escondeu o rosto nas mãos voltando a chorar.
– Eu tô procurando por outra? – Andou para trás se afastando dela, bastante irritado e puto. – Claro, , eu sou canalha não é? – Riu irônico. – Te dei muitos motivos pra pensar que eu te traio ou algo do tipo. – Fez uma careta, enojado com aquela possibilidade. – Você me conhece desde sempre, e ainda acha que além de eu te trair, faria isso expostamente... – Balançou a cabeça sem acreditar.
não falou nada, apenas ouviu, ainda de cabeça baixa, as palavras revoltadas e magoadas do namorado. Ela conseguia reconhecer esses sentimentos na maneira com que ele falava e se movia, indignado e machucado.
– Você tem a porcaria da sua mania de ficar se fechando, e nem por isso eu deixei de confiar em você! – Jogou na cara dela. – E aí, na primeira semana, de anos de relacionamento, que eu não sou a pessoa mais aberta do mundo, você já quer jogar tudo fora? – A encarou como se implorasse por uma resposta, uma explicação decente para aquilo. – Incrível a consideração que você tem pela gente...
soluçou ouvindo o que ele falava. De certo modo, sabia que estava certo, e que não era justo duvidar dele e jogar essas coisas na cara do namorado dessa maneira. Mas era o que ela estava sentindo. E não podia ir contra isso...
– Então me explica, . Me explica quem diabos é Angelina e o que você tá fazendo com ela! Até porque eu sei que não foi a primeira vez... Vai saber desde quando isso tá rolando, né? – Ela gesticulou exaltada, sem parar de chorar. sabia que aquilo não era justo, mas as palavras simplesmente saíam de sua boca. – Nós dois estamos juntos desde os meus 17 anos. Eu nunca estive com outro que não você, ... Sempre pensei que... – Balançou a cabeça em negação, querendo mudar o rumo da conversa. – Deixa pra lá... Tá vendo? – Riu irritada. – Não dá...
– O que exatamente você acha que tá rolando, ?! – Ele a olhou indignado. – Sinceramente... – Mordeu o lábio rindo irônico. – Você tá falando sobre não irmos pra frente, mas como a gente vai se você não consegue confiar em mim, sendo que nunca te dei motivos pra isso?!
A decepção no olhar de quase fez desistir. Mas ela não podia... – Você quer pular fora do barco, ? Tudo bem. – Ergueu as mãos em rendição, enquanto as lágrimas ainda rolavam livremente por seu rosto. – Eu não posso e não vou te obrigar a ficar... O que eu posso fazer é pedir pra você não desistir da gente, mas sinceramente, eu sei, e você sabe que... – Respirou fundo, voltando a dar passos para se afastar dela. Parou em frente a mulher que chorava em silêncio, olhando para o chão. – Você só tá procurando uma desculpa, querendo me culpar por algo que eu não fiz, pra poder terminar sem ter peso na consciência por ter aberto mão da gente. Não é isso, ?
Ela ergueu o olhar, abraçando o próprio corpo, buscando de alguma maneira um conforto que ela sabia que não receberia. Nem de , nem dela mesma, nem de ninguém.
Ao ver que a namorada não respondia, resolveu continuar a falar.
– Eu acho... – Ele começou baixinho, fungando. – Eu acho que se você não me ama mais, deveria me falar, , porque eu já tive que lidar tantas vezes com você querendo se fechar e se afastar, que talvez... - Parou de falar balançando a cabeça nem se dando conta do quanto chorava.
pensou em falar a mais pura verdade. Explicar quem era Angelina e o que estavam fazendo, mas ter ali, tão desconfiada e falando deles como se fossem descartáveis...
Ele poderia muito bem fazer o que estava planejando, mas não faria aquilo apenas para que ela não fosse embora. Não era assim que tinha imaginado e planejado...
Não estava desistindo dela, muito menos deles, mas estava cansado de lutar sozinho quando claramente ela mesma já tinha desistido.
Ele sabia que ela não acreditaria em nada que ele falasse no momento.
– Que talvez...? – O incentivou a continuar.
a encarou triste, balançando a cabeça em negação, dizendo a ela que não responderia. , por sua vez, precisou respirar fundo várias vezes para se acalmar e conseguir responder.
– Em nenhum momento falei que não te amo mais, . – Talvez essa fosse a coisa mais verdadeira que disse a noite inteira.
– Certas coisas nem precisam ser ditas, . – Foi só o que ele respondeu.
Ela balançou a cabeça em negação, limpando algumas lágrimas que escorreram, se aproximando dele. Pensou em tocá-lo, mas encolheu a mão ao perceber como ele estava machucado.
... Eu confio em você, eu só... – Suspirou alto, desviando o olhar do dele.
estava certo. só estava procurando um motivo, uma desculpa, para terminar e colocar um fim nos dois. Mas ela sabia que, mesmo que não fossem mais namorados, um fim era algo que os dois nunca teriam. Ela sempre amaria com todo o seu ser, só precisava de um tempo, para se conhecer, para se descobrir sem ele. Talvez nunca fosse capaz de entender isso... Talvez isso o machucasse ainda mais.
Mas estava errada. E ela sequer estava tentando explicar o real motivo para ir embora.
O que tornava as coisas muito mais difíceis do que realmente eram.
– Se a sua vontade for de ir embora... – Ele voltou a quebrar o silêncio, atraindo o olhar dela para si novamente. – Não tem muito o que eu possa fazer, porque nunca iria querer você comigo por pena, obrigação ou algo do tipo. – Se sentou na beira da cama e suspirou frustrado. – Só acho que você deveria dar uma chance pra gente ao invés de fugir... – Olhou para ela como se implorasse. – Não tem certeza do que sente, é isso? – Voltou a se levantar, se aproximando dela.
engoliu seco.
– Não é isso, ...
– Eu sinceramente não consigo... Não consigo entender como que pra você é tão... – Gesticulou, tentando encontrar palavras para definir, mas bufou frustrado e levantou voltando a andar de um lado para o outro. – Eu tenho certeza absoluta do que sinto por você, , então o que eu posso fazer é pedir pra você pensar antes de cair fora, te pedir pra dar mais uma chance pra gente... – encolheu os ombros sentindo tanto peso dentro de si, que parecia que estava doente. Era inacreditável estar naquela situação com . – Não tenho disposição pra ficar nesse chove não molha, nunca tive, não vai ser agora...
fungou, limpando as lágrimas de seu rosto.
Ela estava correndo um grande risco de perder o homem que amava nessa brincadeira toda.
Mas valia a pena abrir mão de conhecer a si mesma por ele?!
– Durante todo o nosso tempo juntos, nunca duvidei do que você sentia, mas agora... – Mordeu o lábio, sorrindo tristemente. – Enfim, não sei mais se essa conversa é necessária, porque parece que você já se decidiu... – Encarou a mala por alguns segundos e depois voltou o olhar para ela, se aproximando. – Sinto que não posso interferir na sua decisão, e nem vou... Você é livre pra ir, , sempre foi, e era isso que fazia disso algo tão lindo... Você queria ficar comigo, mesmo podendo estar em qualquer lugar, com qualquer pessoa, e de uma hora pra outra... – sorriu triste mais uma vez, sentindo seu coração se despedaçar. – Parece que eu sou tudo, menos.... – "a pessoa que você ama", pensou, mas não completou sua fala.
Ele já não tinha mais certeza.
Se limitou, então, a balançar a cabeça antes de lançar a ela um último olhar e sair do quarto sentindo seu corpo doer de tão tenso e machucado que estava.
, por sua vez, encarou quando ele saiu, seus olhos tão lacrimejados que ela precisou piscar várias vezes antes de reagir. E o que ela fez foi se sentar na cama e esconder o rosto nas mãos, chorando sem parar.
Ela estava decidida do que faria. Nada mudaria sua mente. E sabia que com isso talvez pudesse perder para sempre, mas ela precisava daquilo. precisava se conhecer, precisava viver e seguir seu caminho longe. Isso, para ela, não significava que não o amava mais, era só que no momento ela não se via mais com ele, quem sabe no futuro?
tinha vinte e quatro anos. Nunca tinha viajado sozinha, nunca tinha curtido sozinha... Nunca havia saído de sua cidade natal. E ela sentia que precisava disso para se conhecer, para se descobrir... Por isso tomou aquela decisão.
Respirou fundo, soluçando algumas vezes em seguida. Se levantou e foi até a janela, as lágrimas ainda escorrendo por seu rosto.
Mais uma chance.
Só mais uma noite, ela decidiu.
Talvez isso o magoasse mais, fazê-lo achar que tinha decidido ficar quando na verdade era apenas uma despedida...
Balançou a cabeça e limpou o rosto, indo até a porta do quarto e saindo. Encontrou com o corpo apoiado no bar e então respirou fundo antes de se aproximar. Sem hesitar, levou a mão até o rosto dele e sentiu seu coração se quebrar em mil pedaços quando olhou nos olhos dele. Esboçou um pequeno sorriso antes de findar a distância entre eles e beijá-lo de um jeito diferente.
Era um beijo de despedida.
Uma última noite antes de ela partir.
Horas mais tarde, encarava enquanto ele dormia serenamente. Foi difícil levantar da cama sabendo que não voltaria mais a deitar ali - pelo menos não tão cedo. Ela sabia que corria o risco de nunca ser perdoada e de perder ele para sempre, mas precisava ser verdadeira consigo mesma, era esse o principal motivo de estar indo embora, não é?
Ela se aproximou silencio e deu um leve beijo nos lábios dele antes de se virar e sair do quarto. Terminou rapidamente de arrumar as malas e as fechou.
Era engraçado como ambas pareciam grandes, enormes, enquanto ela organizava todos os seus pertences. Mas agora, já com tudo pronto, ela percebeu que nunca encontraria malas grandes o suficiente para levar tudo ao ir embora.
Não eram só pertences.
Não eram só roupas, objetos, itens pessoais...
Era seu coração.
Ele ficaria para sempre com , e ela sabia disso.

---

Os primeiros raios de sol entraram pela janela e foram eles que fizeram despertar. Ele se virou lentamente na cama, esperando encontrar o corpo de ali, mas o que sentiu foi o vazio da cama e o tecido macio do lençol. Abriu os olhos de supetão, se levantando e se sentando. Olhou ao redor, sentindo seu coração se acelerar ao não encontrar mais nada, nenhum sinal de que estivera ali.
Não.
Chutou as cobertas para longe, abrindo o guarda roupa apenas para encontrá-lo vazio.
Os olhos dele se encheram de lágrimas, e ele chorou enquanto procurava por algum sinal de que aquilo era uma brincadeira de mal gosto.
Não, não, não.
Procurou também por algum bilhete, checou seu celular, mas... Nada.
havia jogado tudo fora.
E então, para , restava guardar o anel de noivado, que pesava no bolso de sua calça desde a noite anterior, no fundo de sua gaveta e, os sentimentos por , no fundo de seu coração.
Às sete chaves.
Por quanto tempo fosse necessário.


FIM



Nota da autora: Oii, gente! Essa música não era minha, originalmente, mas acabei pegando pra salvar. Então, espero que gostem! Ah, essa fic do mesmo casal da história After All These Years, se quiser ler, só clicar ali em baixo no link dela! Vão ter mais histórias desses dois. Espero que tenham gostado! Meu muuuito obrigada a todas que leram, e um obrigada mais especial ainda a Mariana que teve uma participação importantíssima e imprescindível no desenvolver dessa fic! Até a próxima, bebês!


   

   

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