As fãs estão enlouquecidas por aqui, dizia a repórter, enquanto a câmera mostrava uma fila gigantesca a na frente da gravadora SMC. Desde que Stephen McCartney anunciou que escolheria uma fã para participar das gravações do seu mais novo clipe “You’re the only one”, a movimentação por aqui está intensa. As inscrições só começam amanhã, mas já tem cerca de cem pessoas por aqui e todas estão dispostas a dormirem na rua se for necessário. Parece que o fenômeno que diziam ser meteórico e com prazo de validade, durou mais tempo que os mais críticos acreditavam.

desligou a tv e encarou o papel em suas mãos. Desde que tinha ouvido que Stephen escolheria uma fã para participar do clipe, ela resolveu logo que tentaria participar. A única regra do concurso era simples: a fã deveria convencer Stephen que deveria ser escolhida. Era tudo bem simples e bem difícil. O que ela poderia fazer de tão diferente para que ele a escolhesse? Pensou logo naquilo que mais gostava de fazer nos últimos tempos, escrever poemas e depois tentar transformá-los em músicas. Não era muito simples, mas por Stephen ela faria qualquer coisa. Ela conseguiria, tinha fé que conseguiria. Olhou para o pôster preso em sua parede e sorriu abertamente. Os cabelos loiros do rapaz caiam em cachos pelo rosto, fazendo uma pequena moldura para que seus olhos verdes brilhassem e chamassem toda a atenção. Mesmo sabendo que era apenas uma foto, a menina podia jurar que via aqueles olhos verdes brilhando todos os dias, principalmente quando desligava as luzes e ia dormir.

Hey, Stephen, I know looks can be deceiving
Hey, Stephen, eu sei que as aparências podem enganar
But I know I saw a light in you
Mas vi uma luz em você
And as we walked, we were talking
E enquanto nós caminhávamos, nós conversamos
And I didn't say half the things I wanted to
E eu não disse nem metade das coisas que eu queria te dizer

Quando chegou na fila no dia seguinte, mas já tinha mais de quinhentas pessoas. Ela se encaminhou para o final e ficou lá parada, agarrada ao seu violão. Ela tinha terminado a música no meio da madrugada, mas estava satisfeita. Se pudesse tocá-la para o Stephen, então, já ficaria feliz. Mas já tinha percebido que o dia seria longo. Bem longo.
Pegou uma maçã na mochila e sentou no chão, mordendo a fruta. Quatro horas já tinham passado e a fila não tinha diminuído quase nada. Espiou lá na frente e viu que a maioria das meninas estava completamente montada, de salto alto, maquiagem pesada e penteados mirabolantes. Olhou para si mesma, encarando a calça jeans e a blusa branca simples que usava, fez uma careta e pegou o batom vermelho que sempre usava. Pelo menos uma cor ela deveria ter.
Sete horas se passaram e agora parecia ter poucas pessoas na frente. A noite já tinha caído e todo mundo parecia muito cansado. As arrumadas já tinham descido do salto e aparentavam um cansaço além do normal. já tinha levantado, sentado novamente, levantado, quase plantado bananeira para ver se a hora passava e a fila diminuía. Agora ela estava sentada de novo, mas com o violão na mão, dedilhando algumas notas e se preparando para quando fosse a sua vez. Seu coração parecia acelerar cada vez que uma pessoa entrava e ela se sentia mais perto da entrada. Até que tinham apenas cinco pessoas, aí ela se sentiu nervosa de verdade. Só a ideia de Stephen estar em algum lugar ali dentro fazia seu estômago embrulhar e sentia que estava suando mais que o normal.
Quatro pessoas. Três.
Duas.
Uma.

Of all the girls tossing rocks at your window
De todas essas garotas atirando pedrinhas na sua janela
I'll be the one waiting there even when it's cold
Eu serei a única que estará lá esperando mesmo quando estiver frio
Hey, Stephen, boy, you might have me believing
Hey, Stephen, garoto, você esta me fazendo acreditar
I don't always have to be alone
Que eu não tenho que estar sozinha sempre

Era a vez dela, depois de oito horas de esperar. Era a vez dela. Sua mão tremia tanto, que ela tinha certeza que erraria tudo, mal conseguia segurar o violão. Uma moça nada simpatia pediu o nome dela e mais alguns dados, dando-lhe um número de inscrição logo depois. Olhou o número e viu ‘513’, sorriu, vendo que tinha recebido o seu número da sorte. O número treze sempre a acompanhava e quando ele aparecia, era sinal de sorte. Caminhou por uma série de corredores, andando atrás de um moço que deveria ser da produção e que não deveria ser muito mais velho que ela. Por mais que parecesse cansado, ele não a tratou mal como a mocinha da recepção, foi até mesmo muito simpático. Não conseguiu nem reparar muito nele, porque estava com a mente nublada, completamente cheia de Stephen, só querendo estar no mesmo lugar, respirar o mesmo ar que ele. Com um sorriso, ele indicou a sala e depois seguiu em frente, pelo corredor que estavam. se agarrou ao violão e entrou na sala, respirando fundo e esperando ansiosamente pelo momento em que seus olhos encontrariam os olhos verdes de Stephen, porém ela levou um balde de água fria em sua cabeça, porque ele não estava lá. Tinham cerca de dez pessoas sentadas na sala, mas nenhuma delas era o Stephen ou se pareciam com ele. Por alguns segundos, ela se sentiu idiota, era claro que ele não estaria ali, não perderia oito horas do seu dia para ver uma série de fãs loucas fazerem algo bem inútil. Mesmo frustrada, ela sentou-se na cadeira que tinha no meio do lugar e colocou o violão no colo. Encarou a câmera que estava posicionada em sua frente e se sentiu acanhada.
“Nome?”, uma voz soou.
, ela respondeu, sem saber direito para quem.
“Ok, . Olhe para câmera, diga seu nome e seu número de inscrição antes de fazer o que preparou.”

A menina respirou fundo, ajeitou o violão e olhou para a câmera: , número de inscrição 513. Os dedos roçaram as cordas e ela suspirou, fechando os olhos. Conforte a melodia ganhava o local e as palavras saiam de seus lábios, ela foi relaxando. Parou de tremer, depois de suar como louca, até que se sentiu confortável o bastante para abrir os olhos. E então viu todo mundo olhando em sua direção com atenção, mais até do que esperava. Se perdeu na música por um momento e se perguntou se deveria continuar. Terminou o segundo verso e parou antes do refrão. Uma moça que estava sentada ao lado da câmera cochichou algo com um homem que estava ao lado dela e, sorrindo, voltou seu olhar para , incentivando-a continuar o refrão.

'Cause I can't help it if you look like an angel
Porque eu não posso evitar se você parece um anjo
Can't help it if I wanna kiss you in the rain so
Não posso evitar se eu quero te beijar na chuva, então
Come feel this magic I've been feeling since I met you
Venha sentir essa mágica que eu sinto desde que te conheci
Can't help it if there's no one else
Não posso evitar se não há mais ninguém
Hmm, I can't help myself
Hmm, eu não posso me segurar

- Nós adoramos sua música, . Gostaríamos que você voltasse amanhã para participar da segunda fase da nossa seleção. Podemos contar com você?
“Que tipo de pergunta era essa?”, pensou. Era óbvio que eles poderiam contar com ela. Era tudo o que mais queria. E sem conseguir conter a felicidade, a menina balançou a cabeça animadamente, dizendo:
- Claro! É o que eu mais quero.

Quando voltou à gravadora no dia seguinte, se sentou numa sala com outras 25 pessoas, o número que eles tinham selecionado do dia anterior. Ela abraçou o violão e respirou fundo, dessa vez tinha certeza que conseguiria cantar tudo, sem ficar nervosa. Já havia feito isso uma vez, por que não conseguiria duas? Tentou adivinhar o que as outras candidatas fizeram, mas só algumas outras estavam com algum instrumento, outra parecia que estava pronta para fazer um número de balé e mais uma que estava com um papel com algum tipo de poesia. Umas quinze meninas estavam ali, aparentemente, porque eram bonitas. Rolou os olhos e esperou. As candidatas foram colocadas numa ordem ela não fazia noção do padrão, mas era a décima, vinha logo depois da menina que iria dançar e antes de uma que parecia que seu talento especial era ser bonita. Hoje as pessoas estavam mais tempo dentro da sala, o que a deixou nervosa. “O que será que eles estavam fazendo de diferente?”, pensou e tentou relaxar repassando a música na cabeça, principalmente os trechos que havia modificado durante a noite. Só depois de cantar pra eles, viu como estavam bobos alguns versos.
Depois de quase duas horas, eles chamaram o seu número. O mesmo rapaz simpático veio buscá-la e ele lhe direcionou mais um dos seus sorrisos largos. Dessa vez a menina olhou em seu rosto e sorriu de volta. Não falaram nada, mas ela se sentiu bem na presença dele. O rapaz não era como os outros, ele era mais acolhedor e sempre tratava todo mundo bem, não como se fosse uma obrigação como os outros. Quando chegaram na sala, ela sorriu novamente e lhe agradeceu dessa vez. A voz da menina o pegou de surpresa, que virou o corpo e a encarou. “De nada”, sua voz soou agradecida, como se as pessoas não se preocupassem em falar com ele.

Hey, Stephen, I've been holding back this feeling
Hey, Stephen, eu tenho segurado esse sentimento
So I've got some things to say to you
Então, eu tenho algumas coisas para te dizer
I seen it all so I thought, but I never seen
Eu vi, então eu pensei, mas eu nunca vi
Nobody shine the way you do
Ninguém brilhar da forma que você brilha

Ela cantava e todos os olhos ficavam presos nela, de uma forma até estranha, muito mais interessados do que ela poderia esperar, até mesmo nos seus sonhos mais loucos. Ela cantou a música inteira dessa vez e se assustou quando começaram a aplaudir quando terminou. arregalou os olhos e ficou sem reação. A mesma moça quando falou com ela no dia anterior estava lá, no mesmo lugar, e fez algumas anotações antes de levantar os olhos e sorrir para a menina. Ao contrário do que pensava, eles não a dispensaram logo depois, mas fizeram uma série de perguntas. Desde há quanto tempo ela era fã de Stephen McCartney, até o que fazia da vida, passando por escolaridade e estado civil. não estava preparada para um interrogatório, mas até que achou que se saiu bem. Vinte minutos depois de entrar, ela foi liberada e encaminhada para a sala onde estava antes, junto com as outras candidatas.
Ela não sabia quanto tempo tinha se passado desde que tinha voltado para a sala de espera, a última candidata tinha sido levada minutos atrás e agora deveria ser questão de tempo. Mais um tempo se passou até que menina retornou. acreditou que eles viriam logo depois para dar alguma informação, mas se enganou bastante. Depois do que pareceram uns quarenta minutos, a produtora entrou na sala e começou a agradecer a presença de todas, disse que cinco seriam selecionadas para a última parte da seleção no dia seguinte e que as outras receberiam um par de ingressos para o próximo show do Stephen e um cd autografado. Era um bom prêmio de consolação no fim das contas. E, depois de muito enrolar, ela disse quem viria no dia seguinte. mal acreditou quando ouviu o seu nome, um nó se formou em sua garganta e sentiu vontade de chorar. Chorar muito. Ela nem tinha prestado atenção nas suas adversárias, ela estava presa no meu surto interno.

A menina estava parada na frente da gravadora quase uma hora antes do horário marcado. Sua ansiedade não permitia que ela pudesse ficar em casa. O violão estava próximo ao corpo, ela contava as respirações para passar o tempo. Depois de se perder na contagem por diversas vezes, desistiu de contar e pegou o celular, colocando uma música para tentar relaxar, mas a sua escolha não ajudou muito no processo. A voz de Stephen tomou seus pensamentos e ela relaxou, se deixando esquecer a final que se aproximava, mas logo se sobressaltou, porque sentiu a mão de alguém tocar seu ombro.

- Você é a , certo? – a voz soou assim que ela puxou um dos lados do fone de ouvido. A menina girou o corpo e deu de cara com o rapaz simpático dos dois dias anteriores.
- Certo. – respondeu, sem saber o que falar.
- Você pode esperar lá dentro, se quiser. Não sei se é muito seguro ficar aqui sozinha.
- Não precisa se preocupar... – ela deu a deixa, desejando que ele entendesse.
- . – ele sorriu de lado, estendendo uma das mãos na direção dela. – Eu sou assistente do Stephen, os olhos e ouvidos dele nessa competição.
- Ai, meu Deus! – ela exclamou, sem medo de parecer ridícula. – Então ele realmente sabe que eu existo? – coçou a cabeça, sem saber se deveria responder.
- Bem, ele ouviu sua música, então acho que ele sabe quem você é, sim. – sorriu de lado, sendo agradavelmente simpático mais uma vez.
- Meu Deus, meu Deus, meu Deus, Stephen McCartney ouviu minha música. – disse muito alto, parecendo prestes a surtar.
- Talvez seja melhor você enlouquecer assim lá dentro, onde não tem ninguém pra te ver. – o rapaz murmurou, apontando para duas senhoras que estavam do outro lado da rua, encarando a menina como se ela fosse louca. E ela estava, realmente, beirando a loucura. Suas mãos tremiam e suas pernas ficaram tão fracas, que ela precisou se escorar no rapaz simpático.
- , vou te pedir desculpas antecipadas, porque eu acho que vou desmaiar e você vai ter que me carregar.
- Então vamos entrar mais rápido, assim você pode cair e ficar lá pelo chão. – o rapaz brincou, recebendo um olhar nada amistoso de .
- Aonde foi parar sua simpatia, ? – eles entraram e ele fez com que ela passasse sem precisar se identificar. Caminharam até o café que tinha na parte interna e sentaram numa mesa mais afastada.
- O pessoal gostou de você de verdade, sua música é muito boa. – comentou, levantando a mão e chamando o garçom.
- Você não tá fazendo isso só para me agradar, não é? – ela perguntou, pensando em algum motivo plausível para que ele quisesse agradá-la.
- Não, eu estou falando a verdade. Se dependesse só de mim, você já teria sido escolhida, mas não comenta nada, porque isso que eu estou fazendo é completamente antiético. – confessou, falando baixo para não chamar atenção.
- Claro que eu vou comentar, vou falar pra todo mundo que você gostou da minha música. – a menina disse, sorrindo de lado em seguida, para desmentir o que tinha dito. – Não vou fazer isso, óbvio, mas fico feliz que você tenha gostado, eu fiz com muito carinho e o Stephen merece. – falou, sentindo o riso bobo ocupar seus lábios. Ela não conseguia se conter quando o assunto era Stephen McCartney.
- Sim, Stephen é um cara muito legal, somos amigos desde o colégio. Eu o ajudava no começo da carreira, filmava os vídeos, colocava na internet, fazia os folhetos dos shows, enfim, dava uma de empresário. Até que ele foi descoberto pela gravadora e tudo explodiu da forma como foi. Eu estou aqui desde o começo, acho que é por isso que a minha palavra conta bastante nas decisões. – deu de ombros, notando a aproximação do garçom. – Oi, bom dia, eu quero um café e para a senhorita?
- Só uma água. – pediu, sorrindo de lado.
- Só uma água? Não é nenhuma dessas dietas doidas, certo?
- Não, o nome disso é nervosismo. – respondeu, fazendo uma careta. – Então sua opinião conta bastante? Posso contar um voto pra mim?
- Não sei. – respondeu, fingindo indecisão. – Mas, de todas as candidatas finalistas, você é a única que realmente fez algo diferente. Tem três meninas que não fizeram nada, acho até que elas nem são fãs do Stephen, elas só querem aparecer no clipe. – rolou os olhos, vendo o café chegar. bebeu um pouco da água e tentou relaxar, respirando fundo por alguns segundos. Olhou para o rapaz a sua frente e percebeu que ele a encarava com uma expressão divertida. Estranhou.
- O que foi? – ela perguntou, colocando a garrafa de volta na mesa.
- Estou decidindo se devo lhe adiantar uma coisa, para que você se prepare, ou se devo deixar que seja surpresa.
- Ai, meu Deus. Não me diga que é o que eu tô pensando...
- Eu não sei o que você tá pensando. – retrucou, cruzando os braços.
- Me fala.
- Acho melhor não.
- Por favor. – a voz de menina saiu arrastada, em tom de suplica. – Você não quer que eu morra, quer? – exagerou, querendo vencê-lo pelo cansaço.
- Ok. – disse, apoiando os cotovelos na mesa e inclinando o corpo pra frente. – Stephen está em uma das salas desse prédio, a menos de 20 metros onde você está. – ele disse e observou a expressão da menina se transformar. Primeiro ela arregalou os olhos, depois abriu a boca, como se fosse gritar, mas não emitiu som algum. cogitou chamar ajuda médica, mas logo desistiu, decidiu que aquela reação era boa demais para dividir com qualquer pessoa.

They're dimming the streets lights
Estão diminuindo as luzes da rua
You're perfect for me
Você é perfeito pra mim
Why aren't you here tonight?
Por que você não está aqui esta noite?
I'm waiting alone now
Eu estou esperando sozinha agora
So come on and come out and pull me near
Então venha e saia e me puxe para perto
And shine, shine, shine
Brilhe, brilhe, brilhe

travou na porta e não conseguiu fazer seus pés se moverem. havia lhe dito que Stephen estaria na sala quando ela entrasse e que estava falando isso para prepará-la, assim a menina não morreria de um ataque cardíaco ou algo do tipo. Mas nada que o rapaz pudesse dizer para alertá-la poderia realmente prepará-la para o que viria a acontecer. Ela iria conhecer o seu maior ídolo. Apenas isso. Como conseguir passar por isso sem entrar em estado de choque? Mas ela não podia se dar ao prazer de enlouquecer e desmaiar, ela tinha que cantar. Deus, ela tinha que cantar!

A menina abraçou o violão, contou até cinco, respirou fundo e entrou na sala, olhando apenas para o chão. Ela sabia que se olhasse para cima, em qualquer direção, poderia encontrar Stephen e nem ela mesma tinha noção de como poderia ter sua reação. Até imaginava as manchetes do dia seguinte: “Fã enlouquecida mata cantor em abraço sufocante.” Mas ela logo percebeu que não poderia ficar encarando o chão, pois uma voz chamou sua atenção, pedindo que se aproximasse da mesa. Ali, naquele momento de conflito interno, ela decidiu que tentaria ao máximo não surtar. Ela não podia. Não podia. Levantou os olhos e encontrou um brilho verde inconfundível. Era ele. Stephen McCartney estava ali, a menos de dez passos dela.
No momento em que jurou que fosse cair dura, travou. Seus pés pareciam colados ao chão, ela mal conseguia pensar, quem dirá se mover. Estava prestes a pedir ajuda, mas achava nem lembrava mais como se fala. Tudo o que conseguia pensar era:
1. Stephen estava ali;
2. Ele era mais maravilhoso e lindo do que ela imaginava;
3. Ela precisava se aproximar dele;
Só que pra tudo isso, ela precisava reaprender a andar.

Ele estava comentando alguma coisa com um rapaz que estava ao seu lado e depois olhou na direção de , que jurou que aquele era o momento em que sua vida teria um fim. Seu coração foi parar na boca e ela esqueceu completamente como se dava o processo complexo que se chama “respirar”. Ela reconheceu quem conversava com Stephen, era . rezou para que ele a ajudasse, mas o menino não saia do lado do amigo, cochichando coisas que pareciam bem engraçadas. Mas antes que pudesse se perguntar se a piada era ela mesma, todos foram interrompidos pela produtora que conduzia o processo, que chamou a atenção, dizendo que estava tudo pronto. A menina queria saber o que isso significava, mas suas dúvidas foram respondidas quando um microfone foi posto no meio da sala, junto com uma banqueta para que ela se sentasse. O banquinho estava exatamente na direção de Stephen e ele seria a primeira coisa que ela veria quando levantasse os olhos. Naquele momento, não conseguia pensar em outra definição para “visão do paraíso”.

Vendo que a menina não se movia, caminhou até ela, colocando a mão em seu ombro. Ela olhou para o rapaz, que sorriu, tentando mostrar que não havia o que temer. Eles caminharam até o centro da sala e ele a ajudou com o violão.
- Fica calma. – ele pediu.
- É muito difícil ficar calma quando você está tão perto de alguém que você nunca imaginou que conheceria na vida. – ela riu de nervoso, respirando fundo e olhando rapidamente para frente. Stephen estava distraído, olhando no telefone, parecia nem notar sua presença. Passou a mão pelos cabelos e tentou relaxar. – É agora ou nunca, né? – perguntou.
- Basicamente. – respondeu, com uma expressão de quem queria saber sua resposta.
- Então vamos agora.

Hey, Stephen, I could give to you 15 reasons
Hey, Stephen, eu poderia te dar quinze razões
Why I should be the one you choose
Do porquê eu deveria ser a sua escolhida
Well, all those other girls, well, they're beautiful
Todas essas garotas, bom, elas são bonitas
But would they write a song for you?
Mas elas escreveriam uma música para você?

cantou a última frase e deu uma olhadinha para cima, observando a reação de Stephen, que ouvia tudo atentamente, com o rosto apoiado em uma das mãos e a expressão calma e concentrada. Ele deu um sorrisinho e olhou na direção de , como se eles tivessem uma piada interna a respeito daquilo. Depois que viu que sua música fez Stephen sorrir, sentiu um peso gigantesco sair de suas costas. Era como se ela tivesse conseguido cumprir seu papel. Já não importava a vaga no clipe ou nada disso. Ele tinha ouvido a música e gostado. Ele sabia o quanto era importante da vida dela, por mais que pudesse esquecer daqui a cinco minutos. Pelo menos, durante os 360 segundos que compartilharam dentro daquela sala, ele sabia que ela existia e ela o amava.

'Cause I can't help it if you look like an angel
Porque eu não posso evitar se você parece um anjo
Can't help it if I wanna kiss you in the rain so
Não posso evitar se eu quero te beijar na chuva, então
Come feel this magic I've been feeling since I met you
Venha sentir essa mágica que eu sinto desde que te conheci
Can't help it if there's no one else
Não posso evitar se não há mais ninguém
Hmm, I can't help myself
Hmm, eu não posso me segurar

A música acabou e já estava guardando seu violão. Ela não estava esperando por nada de muito especial, mas foi pega de surpresa. Stephen levantou da cadeira e começou a aplaudi-la, fazendo com que todos repetissem seu gesto. Ela levou as mãos até o rosto, cobrindo a boca, devido ao espanto. Lá do fundo, ela conseguia ver sorrindo em sua direção, levantando os dois polegares, como se dissesse que tinha feito um bom trabalho. Ela ainda estava sem reação e sem ter muita noção do que fazer, então decidiu ficar parada onde estava, até que dissessem que podia ir. Mas não disseram. Não verdade não falaram nada. Todos ficaram em silêncio. Exceto Stephen.
- Não precisam mais fazer os testes, eu quero ela. E quero a música dela. – a voz grave do rapaz soou pela sala e fez os joelhos de fraquejarem. – Você tinha razão, . Ela é ótima.

De poucas coisas tinha certeza na vida, mas algumas ela podia afirmar:
1. Um dia todos iremos morrer;
2. Se alguma coisa pode dar errado, ela dará;
3. Nada é tão fácil quanto parece;
4. A torrada sempre, sempre, vai cair com o lado da geleia para baixo;
5. Ela devia uma ao .

Fim.



Nota da autora: (28/10/2015)
Eu tinha uma ideia gigantesca para essa história, mas era gigante demais, incluia o Stephen ser um babaca, um namoro fake e uma amizade destruída por causa de um romance secreto. HAHAHA
Sei que não é a melhor fic do mundo, mas também não ficou tão ruim, né? :~
Beijo da That, até a próxima!

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