Última atualização: 30/11/2017

Capítulo 1

- , eu não quero ir nessa festa! - a morena rolava os olhos pra insistência da amiga.
- , por favor, eu já disse, o vai estar lá e eu quero que vocês se conheçam - ela dizia com as mãos unidas uma na outra como uma súplica.
- Eu já sinto que o conheço de tanto você falar dele há dois meses seguidos! - a mais baixa falava andando direto pra cozinha sendo seguida pela amiga que continuava persistindo no pedido.
- Não é a mesma coisa, sua tola, eu quero muito que você vá, , por favor, você precisa sair um pouco também, se divertir, precisa esquecer um pouco tudo que acon… - a menina foi interrompida pelo olhar duro da outra, que dessa vez parecia suplicar para a amiga não continuar a frase - Desculpa, só quero que você vá… por favor. - ela a olhou mais uma vez suplicante enquanto a outra pensava sobre o pedido quase desesperado da morena a sua frente. soltou um suspiro pesado logo seguido de um movimento de cabeça em negação levantando um dedo em direção a .
- Se você prometer que vamos voltar antes do amanhecer, porque sei muito bem como são essas festas, e, prometer que não vai me deixar lá sozinha!
- Eu prometo, prometo tudo que você quiser! - Lauren falava enquanto abraçava e beijava a amiga na bochecha, pulando de empolgação com um sorriso largo de orelha a orelha.

(...)

- Cara, desiste logo, eu falei que não iria nessa festa do Matt e ponto final. - estava deitado na cama sem vontade alguma de levantar, como tem feito nos últimos dois meses, segurando o celular com uma mão e a outra pressionando as têmporas como se estivesse sem paciência alguma para o amigo.
- É claro que você vai, seu molenga, essa é uma das festas mais importantes dele, é sacanagem com o cara você não ir. - o garoto esperava que o amigo concordasse logo, não sabia se ia ter paciência pra sempre em ficar pedindo.
- , eu já disse não, o Matt vai entender o porquê eu não querer ir.
- , cara, desencana, já fazem dois meses, d-o-i-s meses isso, qual é você não pode ficar assim pra sempre!
- Tchau, . - o moreno desligou o celular e deixou escorregar por suas mãos, ligou a TV e tateou todos os canais, nada. Estava entediado e pensando no que arruinou sua vida há exatamente dois meses, o motivo de o deixar tão no fundo do poço como ele estava, pegou o celular de volta indo direto para as ligações recentes, não demorando muito o outro atendeu.
- Espero não me arrepender, te vejo lá às 22:00.
- Eu sabia que você ia mudar ideia, seu molenga! - sorria vitorioso do outro lado da linha, já fazia semanas que tentava tirar o amigo de dentro de casa e finalmente conseguiu.

(...)

- Deu 87, senhoritas. - o taxista falava olhando pelo retrovisor e dando de cara com um par de olhos azuis completamente contrariada.
- 87? É isso mesmo? Meu Deus que absurdo de preço! - Lauren reclamava enquanto abria sua bolsa.
- Você nos arrasta para o outro lado da cidade a essa hora e quer que seja quanto? 20? - estava com os braços cruzados olhando a amiga abrir a carteira e entregar o dinheiro para o taxista.
- Eu esperava uma viagem segura e confortável e não um assalto desses - olhou dura mais uma vez para o taxista antes de abrir a porta e sentir o frio lhe cobrir as pernas nuas. fez o mesmo logo em seguida, dando a volta no carro e parando ao lado da amiga para encarar a mansão lotada e barulhenta a sua frente.
- É realmente uma mansão linda - a mais baixa falou admirando toda a extensão da casa.
- Eu sei, o nunca me levaria pra qualquer festa ou qualquer lugarzinho - disse com um sorriso exalando orgulho.
- Precisamos conversar sobre seu ego inflado, ele está me sufocando.
- E você começou com seus comentários inconvenientes - ela rolou os olhos - vamos entrar logo, ele deve estar nos esperando.
- Eu realmente espero que esteja, isso significa menos tempo aqui.
As duas foram direto para os portões da mansão, onde entrava uma quantidade de pessoas que era impossível contar e não se perder no meio da conta, os portões de ferro eram grandes e largos, assim não ficava um congestionamento constrangedor no meio das pessoas, ao passarem por elas atravessaram um jardim e logo chegaram à porta. A casa por dentro era impecável e tinha cara de gente rica, Lauren adorou, por outro lado, se sentiu desconfortável logo de cara. Primeiro que não estava acostumada com lugares assim e segundo que não conhecia absolutamente ninguém além da amiga, que por outro lado, não fazia cara de poucos amigos assim como estava.
- ! - a morena deu um grito pelo rapaz que se questionou se não perdeu a audição de um dos ouvidos naquele momento. - te achei lindinho - dando um selinho no rapaz logo em seguida.
- Você está incrivelmente linda esta noite, mais linda do que já é - ao ouvir aquilo tinha que concordar com a amiga, ele tem lábia, mas diferente de , ela não era mais tão boba em cair em qualquer palavra bonita que um rapaz lhe disser.
- Obrigada, bobo, você está lindo também - piscou para o rapaz logo virando-se para a amiga - quase me esqueci, , essa é a , , esse é o .
- A famosa Simmons, a Lauren fala muito sobre você - ele disse logo dando um abraço na menina.
- Não mais do que fala de você, pode ter certeza - ela disse rindo e logo percebeu que ele não estava sozinho, um rapaz alto, de cabelos encaracolados e olhos verdes estava ao seu lado todo esse tempo, percebendo que as meninas notaram o amigo, logo se apressou em apresentá-los.
- Meninas, esse é o , meu fiel e melhor amigo, mais conhecido como molenga - ele deu uma risada recebendo uma virada de olho do amigo.
- fala muito de você também, , prazer, Lauren - ela disse abraçando o rapaz.
- Irei roubar a frase da sua amiga, não mais do que fala de você - ele respondeu rindo e se virando para , que os acompanhava na risada – , certo? - ela respondeu apenas concordando com a cabeça enquanto ainda ria, sendo abraçada pelo mesmo logo em seguida - vai ser fácil lembrar, o nome de vocês é quase igual mesmo.

(...)

Já se fazia duas horas desde que a festa tinha começado e já estava entediada, sentada em uma das bancadas da cozinha observava a amiga com o ficante, já que não estabeleceram um relacionamento sério ainda, aos beijos e de vez em quando umas risadas que a garota chegava a bater palmas, ou assunto estava muito engraçado ou Lauren estava bêbada demais para uma risada tão escandalosa. queria ir pra casa, mas sabia que não podia ir sozinha e deixar a amiga aqui.
- ! - ela disse um pouco alto demais por conta do barulho, a menina se virou para amiga a recebendo com um abraço.
- , você está tão linda sabia? Minha pequena gnomo rosa - dizia enquanto sorria boba, ela estava completamente chapada, Lauren sempre foi fraca para bebidas.
- Você está completamente ridícula, sabia? - ela disse rolando os olhos - só quero saber se você conhece um lugar aqui nessa casa enorme onde eu possa ficar sozinha e no silêncio.
- Deixa eu ver se eu lembro - ela disse fazendo cara de quem estava pensando em algo muito difícil - lembrei! Tem um terraço no segundo andar, é calmo e tenho certeza que ninguém vai pra lá, eu acho - disse com uma cara de idiota.
- Eu vou procurar então e não se esquece que a gente vai embora antes de amanhecer, e me avisa pra eu descer okay?
- Certo, chefa, pode ficar tranquila - disse aos risos recebendo mais um revirada de olho da amiga.
subiu as escadas enfrentando um mar de pessoas, se perguntava por que elas preferiam ficar ali atrapalhando a passagem do que nos outros lugares vagos, o primeiro andar não estava tão cheio, mas ainda assim tinha pessoas demais para ela, subiu o outro lance de escadas chegando ao segundo andar, que estava completamente sem ninguém. Depois de virar um corredor ela encontrou o terraço, o que a impressionou, a vista era direto para toda a Londres, e dava para ver até a London Eye. Ela se sentou em um dos banquinhos que tinha ali e fechou os olhos “ele adoraria essa vista” pensou.
- Alguém achou o melhor lugar dessa casa - ela se virou de súbito, assustada por achar que estava sozinha, dando de cara com um par de olhos verdes que se desviaram dos dela no mesmo segundo - o que você faz aqui sozinha ao invés de estar lá embaixo? - perguntou ainda em pé no meio do terraço.
- Não estou muito pra festas ultimamente - respondeu com um sorriso triste, virando-se para frente novamente.
- É, eu também não - o moreno disse fitando o chão, a lembrança dela vinha a sua mente nesse momento. Ela teria adorado aquela festa, pensou ele. Percebendo o minuto de silêncio que se instalou, olhou para trás para ver se o rapaz tinha ido embora, mas ao invés disso se deparou com um olhar cabisbaixo do garoto e foi a vez dele de se assustar com a voz dela de súbito.
- Você parecia tão bem para uma festa como essa a algumas horas atrás. - ela disse fazendo o menino a olhar de novo.
- Você também - ele disse no mesmo tom - se importa de dividir o terraço? Eu gosto daqui e - hesitou - não estou muito pra festas ultimamente - falou usando a frase de pela segunda vez naquela noite, ele praticamente implorava com o olhar.
- Claro que não me importo, pode ficar - ela disse afastando um pouco no banco para que ele se sentasse - se você quiser um livro com frases minhas é só pedir, não me importo de pessoas usarem minhas falas - ela disse divertida arrancando uma leve risada do rapaz.
- Vou pensar nesse assunto, prometo - ele respondeu ainda rindo - então você divide o apartamento com a ? - ela concordou com a cabeça - há quanto tempo?
- Já faz uns dois anos, nesse meio tempo eu e a Lauren acabamos nos tornando melhores amigas - ela sorriu ao lembrar do primeiro dia em que chegaram ao apartamento - e você?
- Eu moro sozinho mesmo, dividia um com o mas com o dinheiro que recebemos da gravadora, deu pra cada um ir pra o seu lado e morar na sua própria casa, o que eu acho ótimo, dividir apartamento com ele é terrível.
- Terrível como? - questionou.
- Não é legal ver seu melhor amigo andando pelado pela casa 24 horas por dia! - ele disse arrancando uma risada da garota dessa vez.
- Meu Deus, poderia me poupar dessa imagem - ela falou entre as risadas.
- Você que perguntou - ele disse levando as mãos ao alto como se estivesse se rendendo - sua amiga Lauren iria adorar.
- Não tenho dúvidas - ela falou lembrando do quanto a amiga é atirada - eles parecem se dar bem.
- Eu também acho - olhou pelo canto de olho, ela parecia mais relaxada desde a primeira vez que a viu nessa festa - o seu namorado não se importa de você vir a festas assim sem ele? - foi pega de surpresa pela pergunta.
- Oi? Namorado? - ela disse ainda surpresa.
- Sim, sabe, Lauren fala muito de você e o acaba falando pra mim tanto sobre ela como sobre você, você tem um namorado certo?
- Bom, de duas uma, ou faz um mês que você não conversa com o ou a Lauren não disse nada sobre isso - torcia para que fosse a segunda opção, não gostava da amiga falando sobre sua vida pessoal para quem ela não conhecia. a olhou confuso, sem entender nada que a menina disse, então ela continuou - bom, ele meio que… nós… eu… terminamos há um mês - ela disse olhando para suas mãos, logo percebeu que fosse o que fosse, a menina sofria só em pensar sobre o assunto, preferiu não perguntar o motivo, sabia exatamente o que ela estava sentindo, pois ele havia passado pelo mesmo há dois meses.
- Me desculpe, eu não…
- Não precisa se desculpar, você não sabia - ela sorriu triste.
- Passei pelo mesmo há uns meses, sei o quanto dói, muito bem - foi a vez dele olhar pra vista e se perder ali mesmo, mas voltou a realidade assim que ouviu a voz da menina ao seu lado.
- Se continuar parando de falar e ficar encarando o nada como você tá agora, vou achar que você sofre de algum probleminha - ela falou fazendo o moreno soltar uma risada, ela se perguntou se ele realmente tinha achado aquilo engraçado ou se foi apenas para agradá-la, sendo o que fosse, o importante é que o clima de dor no cotovelo tinha ido embora e os dois ficaram ali falando besteiras e rindo por um bom tempo até o celular da menina tocar.
- ? Você já está indo embora? - perguntou assim que atendeu.
- Então, amiga, foi exatamente sobre isso que eu liguei - ela não gostava quando Lauren vinha com a palavra “amiga” assim - digamos que eu me empolguei com o e acabei te esquecendo na festa - falou fechando os olhos e mordendo o lábio inferior e logo soltou - faz uma hora que eu saí daí.
- Como assim você me esqueceu aqui sua maluca bêbada? - gritou assim que ouviu o que a amiga disse - ! Como eu vou voltar pra casa?
- De táxi, ué! Eu prometo que te devolvo o dinheiro quando eu voltar pra casa.
- , você tem noção de quanto é um táxi daqui pra casa? Ainda mais essa hora? É uma fortuna!
- Eu já disse que te devolvo o dinheiro - falou batendo o pé – Desculpa, por favor.
- É a última vez que venho em uma festa com você, boa noite. - falando isso desligou a ligação, virando-se para que assistia a cena toda em silêncio.
- Foi muito bom conversar com você, , de verdade, mas eu tenho que ir agora, como você viu aquela louca me esqueceu aqui e eu tenho que arranjar um táxi e…
- De jeito nenhum - ela foi interrompida por ele que já estava se levantando do banquinho, assim como ela - eu te deixo em casa.
- O que? Não precisa sério, eu pego um táxi, minha casa é muito longe daqui.
- Por isso mesmo, é longe e o táxi é muito caro essa hora, não vou deixar você ir sozinha, ainda mais depois de ter me feito rir a noite toda - ele falou passando por ela - vamos!
não questionou mais, estaria economizando uma boa grana e não iria perder essa oportunidade, sabia que Lauren não iria lhe devolver.



Capítulo 2

- Bom, é aqui. - a menina disse olhando pela janela o apartamento em que morava.
- Está entregue, então - disse sorrindo.
- Obrigada pela carona, mesmo, eu vou indo, tenha uma boa - hesitou quando olhou mais uma vez pela janela e viu que já estava claro - tenha um bom dia de sono - se corrigiu rindo, a acompanhou na risada.
- Você também, , foi um prazer te conhecer.
- O prazer foi meu, enfim, até mais - ela disse abrindo a porta do carro e se colocando pra fora, fechando logo em seguida. a observou passando pelo portão e entrando na portaria, se questionando se iria mesmo vê-la novamente.
- Até. - ele respondeu pra si mesmo, assim que a menina sumiu do seu campo de visão ele ligou o carro novamente.
entrou em casa e se jogou no sofá, pela primeira vez naquele final de semana sentiu o cansaço a consumindo, precisava de um banho, precisava dormir. E foi exatamente isso que fez, o cansaço e o sono a consumiam tanto que pela primeira vez, depois de um mês, não pensou nele.
Sentiu o corpo pesado assim que virou de lado para pegar o celular. . Era o nome que aparecia na tela, não iria atender até que caísse na caixa postal, e foi isso que aconteceu.
- , eu sei que você tá brava, mas não me atender? Isso já é demais!
- Talvez ela esteja dormindo, , desencana - pôde ouvir a voz de um pouco mais baixa que a da amiga, provavelmente pela distância dele e do telefone.
- Quando eu voltar você vai ter que me desculpar - continuou ignorando o rapaz - liguei para avisar que vou passar o resto do dia com , talvez eu só chegue de madrugada, te amo amiga, até mais tarde.
E assim a ligação teve fim, ainda com os olhos pesados de sono se esforçou um pouco para olhar melhor a tela do celular. Oito chamadas perdidas da , duas da . Essa ela iria ignorar, sabia que quando ligava era pra inventar alguma coisa. 16:37. Era a hora que estava ali, ela tinha dormido metade do dia e ainda se sentia cansada, mas a fome apertou e precisava comer.
Depois de ter se alimentado e melhorado o humor, se sentou na sala ligando a TV, era isso que aquele domingo tinha pra ela, séries e filmes variados, olhou para a hora mais uma vez. 18:42. Assim que voltou a encarar a TV seu celular tocou. , de novo. Já tinha ligado mais de cinco vezes desde que acordou e não deixaria a amiga em paz. Conhecendo muito bem como era a loira, atendeu.
- Por acaso você está me ignorando, sua vaca? - praticamente gritava do outro lado da linha.
- Eu estava dormindo, - revirou os olhos - cheguei muito tarde daquela maldita festa que a Lauren me arrastou.
- Tarde quanto? - a loira perguntou questionadora.
- 05:00 da manhã - disse e antes mesmo de ser bombardeada pela amiga completou - mas foi tudo culpa da , aquela maluca me esqueceu lá!
- Nós já estamos sabendo dessa história - ouviu outra voz falando aos risos. .
- Conferência? Vocês não prestam. , pode se revelar também.
- Eu prefiro ficar só ouvindo mesmo, continuem - escutou a voz da amiga rindo também, e Bianca amam fazer conferências.
- É o seguinte, vagabundas - falou com o seu costumeiro carinho que tinha com as amigas - quero ir ao Mark’s, não quero que meu final de semana seja igual o que a prefere que seja o dela.
- Obrigada pela parte que me toca - disse - então já sabendo como quero o meu final de semana, eu vou desligar e voltar para esse catálogo lindo da Netflix.
- É aí que você se engana, - Bianca se pronunciou - vamos passar aí daqui a uma hora, e você esteja pronta ou já sabe do que somos capazes - Bi ameaçou, sabia muito bem que Bianca e conseguem ser tão malucas quanto a Lauren é, e preferia não arriscar.
- Eu tenho direito de escolha?
- Nem pensar - Renata respondeu dessa vez - agora tira essa bunda linda do sofá e vai tomar um banho, chega de dor de cotovelo menina.
- , quanto você pagou pra Renata concordar com isso? - as meninas riam do outro lado da linha, deixando uma contrariada, mas feliz em saber que as amigas só fazem isso pelo seu próprio bem.

(...)


Preciso abastecer esse armário. Era o que pensava olhando pra o armário quase vazio e só com algumas besteiras lá dentro, depois que tudo aconteceu ele não tinha ânimo para cozinhar nem para fazer mais nada, passou esses dois meses comendo fast food ou indo comer na casa dos amigos e só se deu conta de que não tem quase nada no armário e na geladeira, agora. Achando uma pizza congelada no freezer, olhou a validade e depois colocou no microondas, iria ser seu jantar. Ele olhou em volta, o apartamento parecia vazio, assim como ele por dentro, enquanto esperava a pizza ficar pronta foi para o quarto e se jogou na cama. Seus pensamentos foram direto nela. Em como ela estava. Onde ela estava. E se ela ainda lembrava dele, e sua linha de pensamento foi interrompida assim que sentiu algo vibrar e logo em seguida a música que ele escolheu como toque do celular há dias atrás. Era o .
- E aí, cara - disse logo que atendeu.
- Dude! achei que não fosse atender, onde você tá?
- Em casa, , onde mais eu estaria? - falou com uma revirada de olho.
- CHUPA! QUERO MEUS 20 PAUS AGORA SUA LOIRA AZEDA - ele pôde ouvir a voz de ao fundo. Eles estavam juntos, concluiu.
- Espera um minuto, vocês apostaram se eu estaria em casa ou não? - deu uma risada fraca ao concluir sozinho a situação.
- Sim, man, e foi a grana mais fácil que eu ganhei na vida - falou aos risos.
- Sai daqui, cara, sai - disse empurrando – Poxa, , eu achava que você tinha saído já que o conseguiu levar você ontem pra festa do Matt, tô perdendo dinheiro demais com esse idiota aqui - falou referindo-se a .
- Talvez você devesse deixar de apostar essas besteiras com o , sabe como ele tem sorte com essas coisas - disse como se parecesse óbvio.
- , seu gay, você deveria vir sair com a gente hoje, só pra fechar seu final de semana - ouviu mais uma vez e logo depois um grito absurdo de gol vindo do rapaz e de outra pessoa.
- Onde vocês estão? - perguntou.
- No , estamos vendo o jogo tão esperado por ele, depois daqui vamos aos Mark’s, você deveria vir com a gente.
- Você tem que vir, , saiu ontem com , tem que sair conosco também já que ele está ocupado demais agora - ouviu dessa vez e logo depois um “hmmm” de .
- O ainda está com a ? - perguntou sentindo um cheiro estranho vindo da cozinha.
- Sim, ele ainda está, parece que é o novo apaixonadinho do grupo - revirou os olhos.
- No Mark’s às 21:30, molenga, vê se não fura com a gente - ouviu falar e em seguida a ligação teve fim. ainda sentia um cheiro de queimado e foi isso que o fez se levantar às pressas, quando chegou uma fumaça saia do microondas, jurava que tinha colocado o tempo certo da pizza, mas estava tão aéreo que não percebeu que colocou cinco minutos a mais, e lá se foi seu jantar. Olhou para o relógio que marcava exatamente 20:30. Tinha uma hora pra ir ao Mark's. Sim, ele ia, fazia tempos que não saía de casa com os amigos pra rir um pouco, e com e , ele com certeza daria boas gargalhadas.

(...)


O Mark’s estava lotado, como sempre está aos domingos. As meninas estavam sentadas onde sempre costumavam sentar, rindo e jogando conversa fora.
- Preciso sair vitoriosa daqui hoje - falou passando os olhos pelo local procurando uma vítima, seu olhar era fatal e sua sede de sexo ainda mais…
- Cala boca, sua doente! - Bi foi interrompida por que estava aos risos junto com as outras duas - nunca perde essa mania esquisita.
- Vocês sabem que eu adoro narrar, me deixem - falou cruzando os braços.
- Isso é muito esquisito, Bianca - Renata falava enquanto se recuperava do ataque de risos.
- Ela é esquisita! - concluiu rindo com vontade, não se sentia assim fazia um mês, estava adorando poder esquecer um pouco de tudo.
- Mas mudando de assunto, , como foi a festa? - Renata perguntou dando um gole no seu drink.
- Foi legal na medida do possível - preferia não falar sobre a conversa com , que pra ela, foi o que salvou sua noite, sabia que se falasse as amigas iam começar com aquela velha zoação e ela não estava com humor para isso agora.
- Como assim legal na medida do possível? - Bianca perguntou incrédula - as festas do Matt são simplesmente incríveis!
- Todas vocês já foram nessa festa, acho que sou a única que ainda não pude comprovar tudo isso que vocês falam - disse contrariada.
- No dia que eu te chamei para ir você disse que já tinha outro compromisso, não nos culpe.
As meninas continuaram conversando e rindo uma da cara da outra como sempre faziam até os olhos de e pararem em duas cabecinhas conhecidas entrando no Mark’s, no mesmo instante olhou para as outras duas que estavam de costas para a porta como se fosse arrancar suas cabeças e comer seus cérebros ali mesmo.
- Suas traíras! Como puderam fazer isso com a gente? - sem entender nada as duas viraram olhando para trás e involuntariamente sorriram ao ver os namorados e o loiro que os acompanhava. - Era pra ser a noite das meninas, sem caras! - bufou.
- Eu não ouvi você falando isso, - Bianca disse e Renata concordou com a cabeça. - E além do mais ainda a pouco você estava procurando sua diversão da noite - finalizou. viu um dos meninos se aproximar e sorriu para o mesmo assim que ele chegou na mesa sentando ao lado de .
- Oi meninas. - ele disse sorrindo.
- Oi, . - as três falaram como um coro ensaiado e na mesma gentileza que ele usou.
- Oi, amor - ele disse se virando para Bianca e lhe depositando um selinho.
- Oi, amor da minha vida - ela disse abraçando o namorado.
- Ai, meu Deus, sem melação por favor - disse fingindo uma expressão de nojo.
- Não liga, amor, a tá de mal humor, porque faz uma semana que ela não tran…
- Se você ousar terminar essa frase saiba que vai sair daqui encharcada de cerveja! - a loira ameaçou.
- Grossa! - Logo viram o outro moreno se aproximar e sentar ao lado de , lhe depositando outro selinho e depois virando pra mesa.
- Oi, gente - antes que elas pudessem responder ouviram a voz de .
- Essa é a mesmo? A está aqui de verdade? Pensei que fosse virar um móvel de tanto ficar em casa - falou rindo e levando um tapa da namorada e depois uma risada da mesma e até mesmo de .
- Resolvi sair da caverna, como você pôde ver - ela falou ainda rindo e percebendo o loiro se aproximar do grupo e sentando entre e .
- E aí, gente - ele falou sem jeito.
- , amorzinho, você também veio - Renata disse num tom como se falasse com uma criança.
- Já disse que não gosto de você chamando o de amorzinho, não é? - disse levantando uma sobrancelha e arrancando risada da mesa inteira.
- Olha só o com ciúmes, , soaria até fofo se não fosse o - disse provocando.
- Mas, menina, que bicho te mordeu hoje, hein? - disse virando para a amiga.
- Isso é tensão sexual, - Bianca disse aos risos recebendo um dedo do meio de e uma risada de .
- Vocês podem fingir que são educadas para o não se assustar? - disse para as meninas recebendo vários resmungos das mesmas.
- deixa eu te apresentar a elas - Renata disse olhando do menino que só sabia rir com a situação até as outras duas vendo uma emburrada e uma risonha. Essas reações deveriam estar ao contrário. Pensou ela - essa é a e essa a !
- É um prazer, meninas. - o sorriso do loiro ia de orelha a orelha e aumentou ainda mais quando pousou o olhar em que parecia não perceber.
- Você trabalha na gravadora também com os meninos? - perguntou só para enturmar o rapaz.
- Sim, sim eu trabalho com eles lá - ele falou mudando a atenção de repente para que contava empolgado sobre o jogo. olhou para ele e logo em seguida para Renata que prestava atenção como se fosse a coisa mais importante que ele estava falando, já iria fazer um ano que eles dois namoravam e ela parecia ter encontrado o amor dá vida dela, igualmente como , ela e se conheceram primeiro e já fazia um ano e alguns meses que os dois estavam juntos, Bianca que fez e Renata se conhecerem e a partir daí os dois começaram a se envolver, e a menina fez o mesmo com , levando ela em um casamento de um amigo dos rapazes e conhecendo , e já fazia dois meses que os dois estavam saindo. e só conheciam e , pois os mesmos se encontravam direto na casa das amigas, mas ao contrário de , agora conhecia e como sabia como Lauren era, assim que estabelecerem algo sério o rapaz provavelmente não iria sair da casa dela. Ela concluiu então que , , e trabalhavam juntos na gravadora, mas pelo que as meninas falavam, no setor deles eram cinco, no caso faltava um, mas esse não conhecia ainda.
- Vocês precisam saber como eu consegui arrancar dinheiro fácil do hoje - disse chamando a atenção para ele na mesa.
- Quem é ? - perguntou.
- Sou eu - o loiro respondeu - . - olhou pra ele reconhecendo o sobrenome que não lhe parecia estranho, fez o mesmo assim que ouviu o menino falar, mas seus olhos acabaram parando em outro lugar no meio do caminho. Assim que viu aquela cabeleira encaracolada reconheceu de quem se tratava. . Ele parou na bancada pra fazer seu pedido e olhou em volta como se procurasse por alguém, assim que pousou seus olhos na mesa onde estava, ele parecia ter encontrado o que procurava, mas outra coisa passava em seu olhar, surpresa. Assim como quando o viu entrar, ele pegou a bebida e começou a se dirigir para mesa onde estava os amigos, logo em seguida se lembrou de uma frase “mas com o dinheiro que recebemos na gravadora, deu para cada um ir morar na sua casa” e num estalo se deu conta, o quinto rapaz era ele. Era o . E logo lembrou de algo que Lauren disse “ele realmente ficou muito mal, está arrasado” não podia acreditar que era o rapaz que tinha sido… não. Não podia ser. Se fosse, entendia perfeitamente o comportamento dele na noite passada. Perdida nos pensamentos, não percebeu que chegou na mesa sentando-se entre ela e , só quando ouviu a voz rouca do rapaz que ela voltou pra realidade.
- É muito bom ver vocês também - disse ele sorrindo.
- O tava contando como tirou dinheiro do - disse Bianca - achei um absurdo uma aposta como essas.
- Isso é porque você não viu as outras apostas que esses dois fazem - ele falou lembrando dos outros absurdos e rindo junto com os rapazes.
- Mas e a festa ontem? Como foi? - Renata fez a mesma perguntou que fez a amiga.
- Foi ótima - ele disse virando-se para que estava ao seu lado, a menina percebendo o movimento olhou para ele involuntariamente e dando de cara com um sorriso do menino, ela sorriu de volta - Não foi, ?
- Ah sim, foi muito boa a festa, . - ela disse rindo sem graça, perguntou quanto tempo passou pedida nos próprios pensamentos e não vira o rapaz sentar, e se perguntou também se ele tinha a achado grosseira por não ter falado com ele antes.
- Eu perdi alguma coisa aqui? - Bianca se pronunciou fazendo uma cara que tinha visto um filme e não entendeu nada.
- Conheci o ontem na festa, passamos boa parte dela conversando no terraço.
- E quando você pretendia contar isso pra gente? - dessa vez Renata falou incrédula.
- Eu não sabia que vocês se conheciam, se eu soubesse tinha falado - disse revirando os olhos e ficando sem graça, odeia quando isso acontece e…
- , pelo amor de deus - soltou interrompendo a amiga - vou te levar em um psicólogo pra você se tratar dessa mania. - O resto da mesa ria alto, deu graças a Deus que a atenção não estava mais nela, e na festa rindo de alívio e pela cena que via das amigas.
- Eu já disse que gosto de narrar! - Bianca bateu o pé debaixo da mesa.
- Quando você e o estão transando você narra também? - a loira respondeu furiosa saindo da mesa deixando Bianca mais vermelha que um tomate.
- E lá vamos nós - Renata falou como se aquilo fosse algo que se repetia, e realmente se repetia, Bianca se levantou indo atrás de .
- Acho que o clima pesou… - disse seguindo as duas com o olhar.
- Não se preocupa, a Bianca e a são sempre assim, daqui a pouco elas voltam rindo como se nada tivesse acontecido - disse tomando um gole do seu drink.
- É uma relação de amor e ódio - Renata completou.
- É tipo eu e essa bicha loira, não é, meu amor? - disse piscando pra o rapaz e lhe mandando um beijo no ar.
- Vê se me erra, - respondeu com uma risada.
- A gente pode voltar ao assunto que o e a ficaram sozinhos no terraço conversando - disse dando ênfase na palavra conversando e recebendo dois pares de viradas de olho.
- Pela dor de cotovelo que os dois estão eu tenho certeza que só conversaram e foi a conversa mais triste da face da terra - disse rindo mas recebendo um olhar reprovador de .
- Eu já tinha esquecido o quão discreto você é, - falou soando sarcástica.
- não me faça tocar no assunto da sua festa de aniversário do ano retrasado quando você…
- Qual é gente? Deixem os dois em paz, eles não podem ser amigos assim como nós? - falou cortando o amigo e tentando tirar o foco do assunto.
- Você consegue ser menos forçado, ? - disse rindo junto com .
- Relaxa, cara, não vou contar nada - falou bebendo sua cerveja. As meninas voltaram para a mesa aos risos e sentando em seus lugares.
- Virão, estão de bem de novo - disse ao olhar a cara da das amigas.
- Amor e ódio - completou .
- Vocês duas perderam a briga que teve agora no banheiro, meu Deus, minha barriga está doendo de tanto rir - disse aos risos.
- Ah e, , a Lauren me ligou e disse que não vai dormir em casa hoje de novo, vai ficar com o - ela falou sorrindo maliciosa e olhando as amigas que faziam a mesma cara.
- Acho que eles estão ficando sério mesmo, não é? - falou recebendo sinais de sim dos amigos.


Capítulo 3

- Got me looking so crazy right now, your love's, got me looking so crazy right nooooow - ouvia do seu quarto a amiga aos berros na cozinha. Era sábado e já havia se passado uma semana depois daquele dia no Mark's. Na quinta, “sequestrou” a Lauren e quando ela apareceu de novo na sexta estava mais radiante do que nunca, ele havia lhe pedido em namoro e toda essa cantoria na cozinha era sua forma de demonstrar sua felicidade, para a infelicidade de que tentava voltar a dormir, mas sem sucesso.
- Você é o pior alarme do mundo - a morena disse entrando na cozinha e vendo uma Lauren extremamente feliz - irritante e sem botão de desligar.
- Tira essa cara de bunda agora e me ajuda nos preparativos - Lauren falou sorrindo demais, feliz demais, irritante demais para aquela hora da manhã de acordo com .
- , é só um cineminha, basta pipoca, refrigerante e uns filmes legais - a menina disse abrindo a geladeira.
- Não vou dar só pipoca pra eles, quero comprar nachos, salgadinhos, doces e…
- Eles nunca mais vão querer sair daqui se você der esse banquete - estava colocando o leite na tigela enquanto falava - e admita que isso tudo é só para impressionar o .
- Não é para impressionar ele - a menina disse num tom mais baixo do que pretendia - é pra todo mundo, é a primeira vez que todos eles vão vir pra cá!
- Quando você diz todos, são todos mesmo? - disse com um pouco de curiosidade.
- Todos! - Lauren revirou os olhos - porque quer saber se todos vão vir?
- Nada, só curiosidade - ela deu de ombros e antes que Lauren tentasse descobrir se era realmente curiosidade, ela logo mudou de assunto - você não tem medo?
- Do que? - a menina perguntou confusa enquanto guardava a louça.
- De se machucar de novo… - falou vacilante, Lauren ao perceber o porquê da pergunta e o olhar cabisbaixo da amiga, respondeu de uma forma segura.
- Eu já me decepcionei tantas vezes , já estou tão quebrada que não me quebraria mais - ela hesitou um momento - não se pode quebrar o que já está quebrado.
- Pode quebrar ainda mais…
- Não, não pode, sabe por que? - a menina atravessou a bancada da cozinha colocando os braços em volta da amiga a abraçando - porque eu já sou aqueles caquinhos tão pequenos que não tem como colar e nem quebrar mais.

(...)


- GOOD MORNING SUNSHINNE, GOOD MORNING SUNSHINNEEEEEE IT’S - foi interrompido com uma travesseirada na cabeça - Ouch! Mas que merda é essa? - e quando virou para ver de onde veio o travesseiro desejou nunca ter feito isso.
- SE VOCÊ NÃO CALAR A BOCA EU TE ESQUARTEJO - Uma Renata completamente descabelada e de pijama, vermelha de raiva aparecia na porta do quarto de , entrou no cômodo para pegar o travesseiro de volta e saiu fechando a porta com toda força.
- Aquilo era a ? - ele perguntou assustado para a menina que rolava de rir na cama.
- Ela não gosta de ser acordada a essa hora da manhã, , ainda mais com você cantando tão alto igual uma gralha - ela riu da cara de poucos amigos do rapaz - e a propósito, como você entrou aqui?
- O namorado daquela possuída me deu a chave que ele tem, você disse que ia me dar e ainda não me entregou! - o menino disse deitando ao lado da namorada.
- Deve ser porque eu ainda não peguei no chaveiro - a menina disse como se parecesse óbvio. Mas a atenção do casal foi para a porta que era aberta novamente revelando mais uma vez .
- Jesusmariajosé - disse ao ver a menina ainda mais furiosa que antes.
- , EU QUERO TE MATAR!
- Como é que tira o demônio do corpo de alguém, hein, ? - O garoto falava olhando assustado para a menina furiosa a sua frente.
- EU PERDI O SONO POR SUA CULPA, VAI TER VOLTA! E ME DEVOLVE A CHAVE DO ! - o menino sem pensar duas vezes jogou a chave pra menina que pegou no alto, logo em seguida saindo do quarto pisando duro.
- Preciso falar com o , ele conhece esse lado possuído da namorada? - mas sua pergunta foi ignorada por .
- Você ainda quer ir pra piscina? - a morena perguntou olhando a cara do namorado que tentava se recuperar do ataque de histeria de .
- É claro que eu quero, o quanto mais longe daqui melhor!
- Então deixa eu me ajeitar - Bianca se levantou ainda rindo da situação, a cara que o fazia era a melhor. Depois de longos 10 minutos esperando a namorada ele resolveu ir na cozinha ver se tinha algo pra comer, olhou a geladeira tirando um leite de dentro e fechando a porta, seus olhos pousaram em Renata que estava entrando na cozinha já trocada de roupa.
- Você ainda está possuída ou é a Renata boazinha? - o menino perguntou hesitante.
- Sou a boazinha, lindinho - ela passou por ele depositando um beijo na bochecha do rapaz e depois abrindo o armário.
- Onde é que eu fui amarrar meu jeguinho? - o menino colocou o rosto entre as mãos e sua voz saiu abafada, mas não impossível de ser ouvida por Renata - Uma namorada que narra a vida real e uma amiga que tem dupla personalidade, tô cercado por malucas.
- Deixa de ser ridículo ! - Renata deu um tapa nas costas do menino rindo da cara do rapaz.

(...)


- Aaaiii! Aaii, , não toca - Bianca estava sentada no sofá da casa de Lauren e , Renata tentava tirar a blusa da amiga pra passar hidratante mas, a menina gritava tanto que dava para ouvir de todo o prédio. A morena passou tempo demais no sol e estava mais vermelha que um camarão e pior, tudo ardia de acordo com o que ela falava.
- Você deveria ter passado um protetor, sua doida, como é que você vai pra piscina e não passa nada? - perguntou assistindo a cena e segurando o riso.
- Não estava com tanto sol quando eu e o saímos pra lá, o sol foi aparecendo e nem percebemos - a menina fazia caretas a cada movimento que fazia e encostava em algo.
- Uma bola de fogo gigante no céu não é algo tão imperceptível - Renata disse tirando a última alça da blusa da amiga.
- ACHEI! - Lauren gritou vindo do corredor para a sala - passa esse creme aqui nela , vai melhorar bastante, e como está o ? - Lauren perguntou enquanto entregava o creme a .
- Não muito melhor do que eu - a menina fez a careta ao lembrar do estado do namorado.
- Casal camarãozinho - disse soltando a risada que não aguentava mais segurar - nunca vou me esquecer de hoje!
- Cala boca, sua... Ai, !
- Você quer fazer o favor de tentar ficar parada? Está me deixando nervosa - a loira disse passando mais um pouco de hidratante, a campainha tocou fazendo as meninas olharem para a porta.
- Eu abro - disse se levantando do puf que estava sentada. Mas antes de dar o primeiro passo ouviu Bianca soltar.
- E você alcança a maçaneta pequena gnomo? - virou para a amiga com uma cara de quem dizia “você vai pagar” deu um passo em direção ao sofá e antes mesmo que Bianca percebesse a mesma já estava gritando de dor com o beliscão que a mais baixa deu nas costas da amiga. - Você ta louca? Isso doeu, !
- Essa foi a intenção, lindinha - a menina deu as costas pra morena que já colocava a blusa de volta com ajuda de , assim que abriu a porta encontrou uma tentando xeretar pela fresta.
- Que gritaria toda é essa? Achei que estavam matando a Bianca sem a minha ajuda - a loira disse entrando e logo foi possível ouvir a risada exagerada de - Mas que merda é essa, ? Você está ridícula!
- Eu quero chorar - a menina que agora estava com a blusa e toda brilhosa por conta do creme dizia escondendo o rosto entre as mãos.
- Chega de drama, , isso daqui a dois dias nem vai está mais doendo - Lauren estava abrindo as portas da varanda enquanto falava.
- Tem certeza, vai estar despelando, o que é bem pior - Renata disse se jogando no sofá com o controle nas mãos.
- A Bianca vai poder fazer cosplay das priminhas, trocando de pele igual a elas - disse indo em direção a cozinha.
- Eu não entendi o que você quis dizer com isso, sua azeda! - a morena estava em pé agora na varanda pra pegar um vento gelado nas costas.
- Ela te chamou de cobra, amiga - Lauren concluiu.
- CHEGAMOS, QUERIDAS! - A voz de pôde ser ouvida por todo apartamento fazendo as meninas o olharem assustadas.
- Você não sabe bater na porta não? - dizia indo fechar a porta mas foi impedida por um e um entrando no apartamento, um aos risos enquanto o outro carregava uma carranca no rosto. - qual é a piada?
- A piada, - disse abraçando a menina e depois indo até Renata - é o que tá parecendo uma carne assada. - O mesmo se encontrava com a namorada na varanda.
- Casal churrasco - disse ainda rindo dos dois jovens que estavam mais emburrados que a de TPM - o está intocável, veio o caminho todo reclamando de dor nas costas por não poder nem encostá-las no banco do carro. - o moreno ria tanto que teve que se sentar.
- Casal churrasco. Esse nome está melhor do que o que eu inventei. - se pronunciou rindo juntamente com os outros.
Lauren foi até a cozinha procurar por que parecia ter se perdido lá dentro.
- Ei, amiga, o que você está fazendo aqui sozinha?
- Nada, eu só quis procurar uma tigela bem grande pra colocar a pipoca mais tarde e pegar uns biscoitos porque eu estou faminta. - disse enquanto comia um deles.
- É muito fofo da sua parte procurar uma tigela desse tamanho pra dividir com a gente. - Lauren disse abrindo a geladeira e pegando uns refrigerantes.
- , amorzinho, não foi pra gente que eu peguei, foi só pra mim - a loira disse como se parecesse óbvio.
- Você é uma ogra mesmo, sua vaca - as duas começaram a rir indo pra sala e os olhos de pousaram no loiro que acabara de chegar, ele ao perceber que a menina estava o olhando aumentou o sorriso em direção a ela que imediatamente fechou a cara e foi pra o lado oposto do dele. não conseguia entender o motivo do comportamento da menina, mas na hora certa iria pergunta-la o porquê disso.
- Só está faltando o - Renata disse se levantando e indo em direção aos DVDs que estavam espalhados no chão.
- Não sei se ele vai vir - disse se ajeitando no sofá com .
- Podíamos esperar meia hora pra ver se ele aparece? - perguntou enquanto pegava umas almofadas.
- Já são 22:30, o horário combinado eram 22:00, vamos começar a ver o filme se ele vir ele pega na metade, e ainda tem outros ai que vamos assistir - Bianca disse voltando dá varanda com em seu encalço. não falou nada sobre o fato de não estar lá, mas no fundo em uma parte bem escondida dá sua consciência ela queria que o rapaz viesse.
Já haviam se passado 40 minutos de filme e todos estavam bem entretidos com a história. Lauren e estavam no canto esquerdo do sofá colados um no outro, passava o braço pelo ombro da menina e a mesma encostava sua cabeça nele. Renata e estavam ao lado do casal, o rapaz estava sentado enquanto a menina estava praticamente deitada com metade do corpo sobre o dele e as pernas no colo de que estava logo ao lado dos dois, no canto direito. estava no chão com algumas almofadas e uma tigela imensa de pipoca só pra ela, ela estava no mesmo lado que e . No meio e também no chão estava e , esparramados nas almofadas e não tão colados um no outro por conta dá vermelhidão dos corpos e estava ao lado deles também esparramada nas almofadas. A campainha tocou sendo seguida dos resmungos dos amigos.
- , vai abrir a porta - a menina pôde ouvir a voz de vindo do seu lado direito.
- Por que eu?
- Porque você é a única que está mais perto dela - a menina se levantou pra olhar o estado que os amigos se encontravam e revirando os olhos foi até a porta. Assim que abriu deu de cara com os olhos verdes do qual se lembrava de uma semana atrás. estava com as mãos no bolso com um sorriso sem graça e ao notar as luzes apagadas dentro do apartamento concluiu o que já imaginava antes de sair de casa, eles já tinham começado o filme.
- Eu achava que você não viria - disse sorrindo de volta para o rapaz.
- Eu realmente não iria vir, mas - ele hesitou um pouco ao parar o olhar nos olhos dá moça a sua frente que era bem menor que ele - pensei melhor e achei que fosse ser divertido - ele terminou.
- Exatamente agora está todo mundo calado, mas assim que as luzes se acederem tenho certeza que você vai rir bastante ao ver o e a Bianca - ela disse rindo um pouco mais ao lembrar do estado dos amigos – Vem, entra. - ela abriu passagem pra o rapaz entrar sendo seguido de alguns comentários dos meninos.
- A donzela resolveu sair do castelo? - disse ao ver entrando.
- Nós já estávamos combinando de aparecer amanhã na sua casa pra te encher o saco - comentou rindo de leve.
- É muito bom ver vocês também - soou sarcástico enquanto olhava voltar ao seu lugar no meio das almofadas, o rapaz achou melhor sentar ao lado dela já que também não tinha outro lugar vago.
- Que filme é? - a menina ouviu o sussurro de em seu ouvido e automaticamente se arrepiou, era sensível demais a essas coisas. Ela virou para o mesmo para responder e se assustou ao notar a proximidade do rapaz.
- No coração do mar - ela respondeu no mesmo tom que ele - Quer uma almofada? - ele olhou a quantidade que tinha ao lado da menina e assentiu com a cabeça – Se quiser tirar os sapatos pra ficar mais confortável, também pode - ela disse sorrindo ao ver o menino um pouco inquieto e logo virou sua atenção para a TV a sua frente.
- É com o Thor? - o rapaz sussurrou de novo olhando maravilhado para a tela.
- Não é bem o Thor, não é, é o Chris…
- Hemsrworth. - continuou - eu adoro esse cara, quer dizer, o Thor. - ele falou ainda sorrindo como uma criança.
- Você não parece gostar de super heróis - a menina disse o olhando de canto de olho.
- Eu adoro - ele olhou pra ela - Você gosta? - virou o rosto pra responder que nem percebeu que o menino já a olhava, o rosto dele estava tão próximo que seus narizes acabaram rolando um no outro fazendo os dois afastarem o rosto na mesma hora assustados. adicionou uma nota mental, não deixar isso acontecer de novo.
- Só pra você saber - ela continuou depois - o Peter é melhor que qualquer um vingador - ela piscou sorrindo divertida arrancando outra risada do garoto.
- Vocês dois podem fazer silêncio por favor e prestar atenção no filme - Bianca disse jogando uma almofada em que na mesma hora pegou outra pra jogar na menina mas foi impedida por que segurou o braço dela tirando a almofada.
- , se você fizer isso vai começar uma guerra aqui e eu quero ver o filme, por favor.
- Você é um estraga prazer, sabia? - a menina bufou.
e voltaram a atenção para o filme assim como Bianca e , e depois de mais uma hora de filme finalmente ele acabou.
- Eu amo esse filme - disse assim que os créditos apareceram na tela.
- Você gosta mais porque o Tom Holland e o Chris Hemsrworth são os principais! - Lauren acusou a menina.
- Isso é uma meia verdade - a morena disse se levantando e acendendo as luzes.
- Tá legal, que filme vamos assistir agora? - Bianca se levantou também atraindo a atenção de pra ela e depois para .
- Vocês fizeram uma viagem pra o sol e não me avisaram? - o garoto olhava dela para o menino que estendia um dedo do meio pra .
- A gente já foi zoado demais hoje, , dá um tempo. - disse sem sair do lugar onde estava.
- A me prometeu que eu iria me divertir bastante quando olhasse vocês, então... - ele hesitou olhando para a morena que voltava da cozinha com um copo de refrigerante - O que você acha de tirar uma foto deles assim e guardar de recordação?
- Eu vou adorar - falou rindo depois de olhar pra Bianca e novamente - Mas antes - ela se abaixou e pegou uma almofada jogando na amiga que além de ter pendido pra o lado por ter sido pega de surpresa sentiu as costas arderem ainda mais - Vingança!
- Mas você é encrenqueira, não é, menina? - se levantou indo até a namorada.
- Já chega, vocês quatro - Renata saiu do sofá pegando os DVDs que restavam - Invocação do mal? Quem concorda? Eu concordo! - disse levantando as mãos.
- Por mim tanto faz, coloquem qualquer um. - se ajeitou onde estava comendo mais pipoca. , , , e Lauren aceitaram a escolha.
- Eu não gosto de filme de terror! - disse se encolhendo no lugar que estava antes.
- Eu também não sou muito fã não - disse olhando pra Renata que continha um sorriso um tanto quanto psicopata pra o rapaz - Ainda mais assistir com alguém que de manhã tem um demônio no corpo! Vai que ela se possui ai de novo. - ele repetiu o ato de se encolhendo nas almofadas.
- Eu não sou possuída, ! - a loira disse jogando uma almofada no menino.
- Que história é essa de possessão? E como o sabe disso? - falou cruzando os braços.
- Não é nada, , ele só apareceu lá em casa hoje de manhã cantando no meu quarto e a Renata perdeu o sono e ficou histérica. - Bianca rolou os olhos.
- , só falta você - Renata disse esperando a resposta do menino.
- Por mim podem colocar - ele disse olhando de pra , os dois pareciam realmente incomodados com a escolha dos amigos.
- Voto da maioria, vamos assistir Invocação do Mal! - Renata falou sorrindo colocando o DVD.
- Nãããão! - e protestaram.
- Calma, amor, é só um filme, pode segurar na minha mão - Bianca disse acalmando o rapaz.
- Mas você é um frouxo, não é, ? - falou rindo e jogando pipoca no garoto que estava no chão.
- Finjam que eu não estou aqui - ele disse se encolhendo ainda mais. Renata apagou as luzes e depois voltou pra o seu lugar no sofá dando play no filme. esqueceu completamente do refrigerante agarrando uma almofada, percebeu a menina tensa ao seu lado e sorriu de leve.
- É só um filme - ele sussurrou perto dela.
- Diga isso por você - ela falou escondendo o rosto.

(...)


estava entediada. Uma hora de filme se passou e ela não entendia nada, sua pipoca tinha acabado e estava com calor. Definitivamente, estava odiando. por outro lado não tirava os olhos da loira, e quando não estava olhando pra ela dava uma espiada no filme.
- Lauren - sussurrou no ouvido da menina - O que você acha de irmos pra o seu quarto fazer alguma coisa mais interessante? - a menina olhou pra o rapaz que estava com um sorriso malicioso escancarado no rosto esperando que a mesma concordasse.
- Tá louco, ? Combinei um cineminha com o pessoal e é só isso que vai ser! Cineminha! - ela falou virando pra TV - Seu safado.
- Amor? - cutucou a namorada - !
- Oi?
- Você pode mudar de posição, meu braço tá ficando dormente e dolorido - o menino reclamou.
- Tá bom, vou deitar pra o lado do , então.
- O que? Claro que não!
- Deixa de ciúme, , o é seu amigo!
- O que é ainda pior, vem, eu aguento até o final do filme. - o moreno disse colocando Renata na mesma posição de antes.
- ? - sussurrou o nome da menina.
- Hm?
- O que você acha dá gente ir pra sua casa? Minhas costas estão pinicando, eu só quero passar a noite debaixo do chuveiro - o rapaz pedia suplicante, não aguentava mais o filme que estava lhe deixando cada vez mais assustado.
- Ah não, , eu quero ver até o final, e você tá é com medo, para de colocar a culpa na queimadura que nem deve estar ardendo.
- Mas eu não…
- Shiu! - Bianca disse cortando o assunto e virando pra TV, mas não foi possível realizar o que ela pretendia, pois a mesma desligou do nada seguido de resmungos dos amigos, todos com diferentes motivos.
- JESUSMARIAJOSÉ - disse se agarrando ainda mais nas almofadas - eu sabia que não dava certo assistir esse filme uma hora dessas!
- O demônio saiu do filme pra vir até aqui nos atormentar! - disse perdendo completamente a cor de tanto medo.
- Ai que merda! Eu queria ver o final do filme! - Bianca falou batendo em uma das almofadas e bufando. Assim como Renata e . , , e Lauren riam das reações dos amigos, principalmente de e .
- Ô seus medrosos - disse olhando pela varanda - a energia só caiu seus frouxos, olha aqui, a maioria dos prédios estão no breu. - Lauren foi até a varando pra ver se conseguia ver de onde tinha sido o problema, mas não conseguia.
- Bom, é o seguinte - disse se levantando - já que não tem mais filme, vamos embora, .
- E você pode nos dizer como vai sair daqui? - Renata perguntou com uma sobrancelha levantada.
- De carro, ué! - o moreno respondeu.
- , pra você sair daqui precisa pegar um elevador primeiro, e se você não notou, elevadores são movidos a energia! - Renata disse rolando os olhos - A não ser que você queira descer 12 andares de escada no escuro total.
- Eu não acredito, estamos presos! - ele disse se jogando de novo nas almofadas, ao lado de Bianca que nem se deu o trabalho de se levantar.
- JÁ SEI! - deu um grito. - Vamos brincar de alguma coisa então!
- Gato mia? - Lauren perguntou.
- Não, algo melhor - Bianca falou se levantando - Vamos contar histórias de terror.
- Ah não, já chega de terror por hoje - discordou.
- Que tal - Renata falou sorrindo divertida - Eu nunca?
- Vou pegar as bebidas! - Lauren disse correndo pra cozinha com o celular na mão e o flash ligado.
- E vocês - Bianca disse em direção aos outros que ficaram na sala - Me deem os celulares com os flashs ligados.
- Vocês não vão nem perguntar se queremos brincar ou não? - disse do mesmo lugar que estava.
- Não precisa - disse se levantando - é "Eu nunca", quem não gosta de brincar de "Eu nunca"? - ela disse divertida puxando consigo que tinha estendido os braços pedindo ajuda a ela.


Capítulo 4

Os dez jovens estavam sentados ao redor da mesa com todos os flashes dos celulares ligados e as doses já postas para cada um.
- Tá certo então, quem começa? - perguntou.
- Por que não a Renata? Foi ela que deu a ideia - disse brincando com uma mecha do cabelo de Bianca.
- Mas aí é que está, eu já dei a ideia, começa com outra pessoa - Ela falou ajeitando o celular.
- Tá, eu começo - disse - então… deixa eu ver… eu nunca corri pelada no meio da rua! - assim que terminou de falar e levaram as bebidas até a boca.
- Acreditem, foi a cena mais terrível que eu já presenciei - falou fazendo careta. Lauren fez menção de abrir a boca mas logo foi cortada por .
- Foi uma aposta se é isso que você quer saber - ele disse olhando dela e depois para a mesa – Tá, sou eu agora… eu nunca fiquei com mais de quatro pessoas em uma noite! - e assim , Bianca, e tomaram as doses.
- Pipipi - Lauren disse - Olha o meu radar de amigas que não contam nada para as outras!
- Foi uma aposta na festa de aniversário da Renata - disse rindo ao lembrar desse dia.
- Eu lembro - falou - e a Bianca ganhou com dois caras a mais que a , Lauren, você estava nesse dia, só não lembra porque quase teve um coma alcoólico!
- Chega de falar de caras que a Bianca, pegou vamos continuar com esse jogo - disse cheio de ciúmes - Minha vez! Eu nunca transei em acampamentos de verão! - logo em seguida , , , , Lauren e Bianca tomaram as doses.
- Mas olha só a nossa puritana se revelando - falou, provocando a menina.
- Eu não sou puritana. - revirou os olhos - Minha vez, eu nunca beijei uma garota! - todos os rapazes e incluindo e Bianca beberam as doses.
- Alguém aqui não está me contando mais nada, definitivamente - Lauren esbravejou.
- Foi no meu aniversário também, Lauren - Renata disse.
- Espera, então vocês se beijaram? - perguntou sorrindo malicioso - Podiam repetir a cena, não é? - o garoto mal terminou a frase já levando um tapa da namorada.
- Deixa de ser pervertido!
- Eu estava brincando - falou passando a mão pelo tapa. - Vai você, .
- Tá certo, então - concordou rindo - Eu nunca transei com mais de uma pessoa. - terminando de falar e beberam as doses.
- A vai sair daqui chapada, já fez quase tudo nessa vida! - Renata a olhava impressionada.
- Eu tenho experiências, bebê - a loira piscou para a amiga.
- O também está se revelando - soltou, olhando pra o amigo.
- Tá bom, eu quero ir agora - Renata falou - Eu nunca bebi tanto até esquecer tudo no outro dia. - Lauren, , , e beberam as doses.
- Eu definitivamente vou sair daqui chapada! - disse rindo.
- Eu vou agora - falou enchendo os copos dos amigos - Eu nunca dancei ula-ula bêbado em cima de uma mesa - ele falou olhando pra o que o encarava boquiaberto. O rapaz hesitou um pouco antes de pegar a dose e beber, arrancando risada dos garotos.
- Você me paga, - o moreno disse enchendo o copo.
- O não cansa de pagar mico - Lauren disse.
- Ele nasceu pra isso - ria alto.
- Deixa eu ir agora - Lauren falou ainda rindo da cara de - Eu nunca fui em uma casa de strip. - , , e beberam as doses.
- VOCÊ JA FOI EM UMA CASA DE STRIP? - Bianca gritava pra
- Você é cheia das histórias hein, - falou terminando de encher os copos.
- Qual é, foi só uma vez e não foi atrás de ver strippers - ela disse rindo, a bebida forte já estava atacando a menina - Depois posso dizer a vocês os motivos. - ela disse olhando para que ria abertamente da situação, as rodadas foram seguindo e todos já estavam ficando animadinhos demais, Lauren já estava rindo de qualquer besteira que falassem, e estavam ficando atirados pra o lado das namoradas e quando chegavam suas rodadas só falavam besteiras, tanto os meninos como as meninas estavam ficando atirados demais e se continuassem alguém ia acabar pelado ali, até que chegou a vez de , que já não se responsabilizava pelo que saía de sua boca.
- Tá legal, tá legal minha vez de novo - respirou fundo pra recuperar o fôlego depois de uma boa gargalhada - Eu nunca levei chifre! - no mesmo instante enquanto assistia Bianca, e bebendo suas doses as lembranças do último mês invadiram sua cabeça, ela estava um pouco bêbada, mas não o suficiente pra se esquecer tudo que fez seu ano ser o pior de todos. De cara fechada, a morena pegou a dose e virou garganta a baixo, colocou o copo com toda força em cima da mesa e se levantou rápido, saindo da sala e deixando os outros nove jovens um tanto quanto confusos, até se dar conta do que falou.
- Ai, meu Deus - ela disse colocando as mãos no rosto e as amigas logo entenderam - Eu sou uma idiota.
- A estava indo tão bem, Dothy… - Renata falou no mesmo tom que a amiga.
- Eu sei, Renata, eu sei! Eu vou lá falar com ela e…
- Não, não, não você não vai - Bianca se levantou - Deixa ela lá, ela deve tá de cabeça quente, fica aqui. - os meninos olharam um para o outro sem falar nada, sabiam que era um assunto da e das amigas e não deviam se intrometer, por outro lado não sabia o que estava rolando, então preferiu ficar quieto assim como os amigos.

(...)


sentia as lágrimas correrem quentes pelo seu rosto, não chorava assim fazia semanas, estava realmente se divertindo até falar aquela palavra. Traição. O vento gelado na varanda era sua única companhia e pela primeira vez, depois de dias, se sentia sozinha. Sentia exatamente tudo que sentiu há um mês. Sentia seu coração pequeno, apertado, quebrado. Se sentia em cacos.
- Quando eu era criança - ouviu a voz rouca de atrás dela. Iria pedir para o menino sair, mas não tinha força pra falar - Eu odiava ver minha mãe chorar, eu odiava ver minha irmã chorar, eu odiava ver minhas amigas chorarem. Ainda odeio. - ele andou até ficar lado a lado com a menina - E descobri porque odiava tanto. Minha mãe dizia que as mulheres são como rosas. Lindas, delicadas e fortes, e você não ver nenhuma rosa aparentemente triste, só quando ela está murchando, mas se você não percebeu, essa aparência não combina com elas. O mesmo são as mulheres quando choram, vocês não combinam com as lágrimas. - enquanto ele falava, sorriu de leve com a comparação do rapaz - Nenhuma mulher combina com lágrimas, ainda mais quando elas são causadas por idiotas como nós homens somos. - soltou uma risada pelo nariz balançando a cabeça em negativo, passando a língua pelos lábios e mordendo a parte inferior logo em seguida.
- Não tem uma forma menos brega de fazer isso? - ela disse olhando pra , mas não conseguindo o enxergar muito bem pela falta de luz.
- Não, não tem - ele disse com um sorriso brincalhão nos lábios.
- Então - disse tirando a atenção dos seus olhos do rosto mal iluminado do rapaz para os prédios escuros a sua frente - Essa é sua forma de pedir pra eu não chorar?
- Sim, e acho que funcionou - ele falou apoiando os cotovelos na varanda.
- Não adiantou, assim que você sair eu vou voltar a chorar - ela disse séria ainda olhando pra frente.
- É por isso que eu não vou sair daqui - ele voltou seu olhar para os prédios.
- Mas eu sim - disse se virando e dando um passo em direção à sala, mas logo sentiu uma mão forte demais no seu braço, vendo a escuridão ao seu redor rodopiar e em seguida uma superfície macia e quente em seu rosto. O perfume de invadia o nariz da menina e os braços dele a envolviam completamente por ela ser menor e ter o corpo mais fino que o do rapaz. pela primeira vez depois de semanas se sentiu segura em um abraço, ela não sabia se era carência ou até mesmo a tristeza, mas não queria sair dos braços do menino, e ali ela chorou. Chorou Londres inteira. Chorou o que parecia que não chorava há séculos se isso fosse possível. apenas a envolveu no abraço ainda mais forte enquanto sentia ela soluçando em seu ombro, ela parecia tão frágil, tão pequena e tão perfeitamente encaixada ali que temia soltá-la. Ele no fundo sabia como ela se sentia, adoraria que alguém o tivesse abraçado assim quando ele também precisou, talvez ainda precisasse, e talvez não fosse esse o abraço que queria, nem o que ele queria, mas era o abraço que ambos precisavam.

(...)


Renata, , e Bianca dormiam pesadamente no sofá da sala. Os quatro já estavam consideravelmente cansados e a bebida só ajudou a pegarem no sono rápido. , por outro lado não conseguia pregar o olho, tomava um café quente e bem forte sentada na bancada da cozinha, precisava está sóbria pra falar com e pedir desculpas a amiga.
- Não se culpe - ouviu falar enquanto ele entrava na cozinha. - Você sabe que não tem culpa.
- Você viu o estado que ela ficou? - ela disse com a voz mais alterada do que pretendia - Quem abriu a merda da boca pra falar besteira foi eu! Como eu não posso me culpar?
- Você estava bêbada, , não tinha controle do que falava e falou sem pensar, você não fez por mal! - o loiro tentava acalmar a menina que estava com os olhos inchados de tanto chorar.
- É claro que eu tenho …
- Não, não tem! Olha - ele hesitou tirando o café das mãos da menina - Eu não sei o que aconteceu, eu não sei qual o motivo de ela ter ficado assim, mas você não teve culpa! Pare de se culpar, por favor.
- Por que você se importa tanto? - a menina disse com indiferença.
- Porque eu não gosto de ver a minha Blue chorar - no mesmo instante, congelou. Como ele poderia saber daquele apelido? Pensou a menina. Só uma pessoa a chamava daquele jeito. E fora a mesma que deu esse apelido a ela. A mesma pessoa que ela amou intensamente quando criança. A mesma pessoa que ela amou desde… ela não sabia quando exatamente ele havia saído de sua vida, mas procurava insistentemente desde então e nunca conseguiu encontrar. Era impossível.
- Bloom? - ela perguntou atônita.

(...)


estava sentada na cadeira de balanço que tinha na varanda do apartamento com a cabeça encostada no ombro de . Estava mais calma e pensava que sua cota de lágrimas tinha acabado pra aquele dia. Os dois ficaram em silêncio por minutos olhando os prédios ainda escuros quando a voz dela finalmente cortou o silêncio.
- Nós namoramos há um ano e cinco meses - ela respirou fundo - Iríamos viajar pra Nova Iorque quando tudo aconteceu.
- Mas como vocês se conheceram? - falou. deu uma risada fraca lembrando do dia que conheceu a pior dor da sua vida.
- Estávamos no pub do Mark’s quando ele me viu dançando com as meninas.

Flashback ON
“ - Senhorita? - virou para o garçom que a chamava um pouco alto por conta da música - Aquele rapaz pediu para lhe entregar esse drink. - ele apontou para o moreno que sentava perto da bancada.
- Pois diga ao rapaz que eu não aceito bebidas de estranhos - virou novamente para as meninas que procuravam tentar entender o que aconteceu.
- Ele imaginou que diria isso, então pediu para que eu não desistisse. - o garçom insistiu. revirou os olhos pegando o copo da mão do mesmo.
- Me da isso aqui. - caminhou até o garoto que a olhava divertido e parou na sua frente - Aquele cara tá me enchendo o saco porque você pagou ele pra isso, toma aqui sua bebida e aprenda a conviver com um não, tá? Da licença.
- Adoro garotas com personalidade - o menino disse sorrindo fazendo o olhar na mesma hora - Me dê cinco minutos e se você realmente não gostar de mim eu te deixo em paz.
- Tá legal então, garotão - A menina disse sentando de frente para o rapaz e sorrindo esperta - Cinco minutos.”
Flashback OFF

- E a partir dali nós não paramos mais de nos ver. Ele me contou que fazia três meses que tinha saído de um relacionamento e em mim ele conseguiu ter forças pra seguir em frente. Parecíamos mesmo felizes, eu estava feliz de verdade, e foi aí que decidimos ir viajar pra Nova Iorque. Eu sempre tive vontade de ir conhecer então ele me deu essa surpresa, já estava tudo pronto quando ele foi chamado pra uma viagem a trabalho no mesmo dia da nossa viagem pra Nova Iorque. Eu fiquei bastante decepcionada com aquilo, mas não podia culpá-lo, sabe? Ele amava o trabalho e foi ai que eu descobri tudo. Ele esqueceu que tinha me pedido pra pegar o terno dele na lavanderia e deixar na casa dele, talvez se não fosse isso, eu estaria sendo feita de boba até hoje.

Flashback ON
“Lara saiu do elevador achando estranho a porta do apartamento do namorado estar aberta tão relaxadamente como estava, entrou fechando-a logo em seguida, mas ouviu mais vozes do que esperava.
- Você tem que contar a ela, Daniel, contar a ela logo! - ouviu uma voz feminina vindo do escritório do rapaz.
- Eu sei, Mad, eu vou contar, mas quando a gente voltar de Miami, pensa que vou viajar a trabalho - No mesmo instante a menina gelou, ela só conhecia uma Mad. Madson. A ex de Daniel.
- Por mim você contava antes, contava que você estava comigo nesses cinco meses e que é comigo que você vai ficar porque sou eu quem você ama e sempre amou. Contar que a foi só uma distração.
- Eu não posso falar essas coisas pra ela, tá maluca? Ela tem sentimentos, sabia?
- Agora você tá com pena dela? Vai desistir de ficar comigo por ela, Daniel?
- É claro que não, Mad, eu amo você, ou já se esqueceu? É com você que quero ficar, eu gostei sim da , mas é você que eu amo, você! - a morena colocou as mãos na boca, estava tremendo, não podia acreditar no que estava ouvindo, sentia o rosto molhar com as lágrimas quentes que começaram a cair. A menina deu um passo pra trás, não percebendo o vaso e o derrubando, na mesma hora o casal foi correndo pra o corredor.
- ?! - Dani a olhou surpreso e concluiu que a menina ouviu sua conversa com Madson ao notar que a mais baixa chorava - O que você…
- Vocês estão juntos? - a menina perguntou. - Me responde, Daniel! Vocês. Estão. Juntos?
- , eu…
- Estamos! - Madson interrompeu o rapaz - Fala pra ela, Dani, ele só estava com você pra tentar me esquecer, mas não conseguiu.
- Eu estou falando com ele não com você, sua vadia! - gritava. - Eu quero ouvir da boca dele - encarou o rapaz. O menino a olhou com pena e temendo no que ia falar.
- , eu não queria fazer você passar por isso, nós dois fomos um erro e eu sinto muito - ele hesitou - Eu sempre deixei claro que ainda amava a Madson, você é uma menina…
- Não termina essa frase - a morena disse - Um ano e cinco meses de erro? E você nunca disse que ainda a amava, Dani, nunca!
- Me desculpa, por favor, me desculpa, mas - ele olhou para Madson - Eu não posso continuar com você. - ainda chorava, mas não podia se deixar ser tão humilhada.
- Você não pode? Daniel, mesmo que você pudesse, eu que não quero mais ficar com você!”
Flashback OFF

No mesmo instante, se lembrou de algo.

“- O que vocês estão fazendo aqui? - o rapaz encarava os quatro amigos na porta do seu apartamento - Pensei que iam sair com as namoradas tão queridas de vocês.
- Seu sarcasmo se aprimora a cada dia que passa - disse olhando o amigo que tinha olheiras enormes e mais pálido que um papel - Primeiro, eu ainda não namoro, segundo, você está péssimo sabia? E terceiro, nós íamos, mas uma amiga das meninas terminou com o namorado algo assim… nós podemos entrar? - o menino disse com uma cara de tédio. abriu passagem pra os amigos.
- Foi a - falou entrando no apartamento do amigo - A que mora com a ficante do .
- Parece que ela descobriu que o namorado tinha um caso com a ex dele - disse enquanto sentava no sofá - Ela está arrasada e as meninas foram consolá-la.”


- Ele foi um tremendo de um canalha - disse entre os dentes - Se eu te conhecesse quando ele fez isso acredite, teria feito ele sangrar.
- Você já bateu em muitos caras, ? - a menina perguntou rindo.
- Er… ele seria o primeiro, mas como sempre falam - ele disse sorrindo - Há uma primeira vez pra tudo.
- Ah claro, eu iria adorar ver você bater nele - ela falou rindo de leve e fazendo aspas na palavra bater- O importante é que já passou. - ela suspirou - Eu o amei de verdade, , eu amei Daniel como nunca tinha amado ninguém antes, mas a culpa foi minha, eu não devia ter me entregado tanto.
- Nunca se culpe por amar, - falou sério - Amar não é um crime ou algo ruim pra que você se culpe por ter cometido. Quem tem que se sentir culpado é ele por ter feito uma menina como você se machucar tanto.
- Você já se machucou tanto assim? - perguntou, ela já sabia a resposta, mas não queria que soubesse disso, até porque ela só sabia a versão das amigas.
- Eu já me machuquei tanto assim também - ele respirou fundo - Mas você contou sua história, nada mais justo que eu contar a minha. - tirou a cabeça do ombro do rapaz o olhando.
- Sou toda ouvidos.
- Tudo começou há cinco anos atrás, quando eu namorava uma menina chamada Melanie Forbes.

Flashback ON
“- Então você vai chamar a Amber pra o baile? - perguntava a enquanto tirava seu livro de biologia do armário. O outro estava encostado de costas nos armários da escola.
- Claro, quem mais eu chamaria? - o moreno indagou.
- Não sei, talvez a Britney, Ashley, Criss, Cami…
- Pode parar, eu não sou esse galinha que você está julgando ai não - o garoto revirou os olhos - Acontece que a Amber é diferente, sabe? Eu gosto dela, de verdade.
- Achei que você gostasse de verdade das outras quatro também - fechou o armário sentindo duas mãos frias lhe cobrindo os olhos.
- Adivinha quem é? - ele ouviu a voz da menina sussurrando no ouvido. Mel. Dois anos que estavam juntos e ainda sentia arrepios quando a garota fazia isso. No mesmo instante ele se virou pra menina lhe roubando um beijo.
- Você pode estar rouca, que eu reconheceria sua voz a quilômetros - ele falou a olhando com um sorriso bobo.
- Você é demais sabia? - a loira passava as mãos pela nuca de .
- Ei, casal - chamou a atenção dos amigos desencostando do armário - Eu ainda estou aqui, okay?
- Calma, Lou - ela disse rindo do menino - Eu só passei pra avisar ao que eu vou no centro hoje e não sei que horas volto, então não se preocupe se eu sumir o dia inteiro - ela deu um selinho no mais alto – Vou comprar meu vestido do baile.”
Flashback OFF

- Nós namorávamos há dois anos e na noite do baile eu tinha uma surpresa especial pra ela, mas não foi possível que eu lhe desse essa surpresa.

Flashback ON
“- Anda, , ela está ali, você só precisa chegar nela e a convidar - estava com o amigo no campo da escola, era final do treino de futebol e das líderes de torcida e o rapaz achou aquele horário ótimo para convidar a menina para o baile. Ao pôr do sol.
- Tá legal, vou lá, vou agora - o moreno deu um passo e em seguida deu meia volta - Não dá, , ela vai me rejeitar.
- Eu achava que o grande não temia as mulheres - o garoto ria da cara de assustado do amigo - Você só… - não completou a frase ao sentir seu celular vibrar no bolso - Espera um minuto tá? - assentiu enquanto o amigo atendia o celular. Depois de cinco minutos viu um completamente branco o olhando assustado.
- Que cara é essa, molenga? Eu que devia estar assim.
- A Melanie sofreu um acidente.”
Flashback OFF

- Eu fui correndo com o para o hospital, eu tinha esperanças de quando chegar lá ouvir um “ela está bem, só foi alguns arranhões”, mas eu sentia, eu sentia que não seria só isso. Assim que eu cheguei os pais dela estavam lá sentados na sala de espera junto com o irmão dela. A mãe dela estava sob calmantes e com o rosto mais desolado que o do pai. Não precisaram falar nada pra que eu entendesse que a situação não era nada boa. Passei uma semana no hospital, uma semana acompanhando ela e a vendo em coma, eu estava acabado por dentro, mas precisava ser forte e foi exatamente após uma semana de tanto sofrimento que eu desabei.

“- Ela teve morte cerebral - o doutor falava cautelosamente para a família da moça Melanie Forbes - Infelizmente não teve como evitar.”

- Eu nunca me senti tão vazio. A Mel era adotada e estava procurando os pais biológicos, era tudo que ela mais queria e... ela morreu sem conhecer eles. Depois de levarem o corpo dela, eu fui pra casa e naquela noite o irmão dela me ligou, eles doaram o coração dela. Era forte e saudável e Melanie iria se sentir ótima sabendo que pôde salvar uma vida mesmo estando morta.
- Eu sinto… eu sinto muito - ficou o olhando com uma feição triste no rosto.
- Já se passou 5 anos, , não precisa ficar assim - disse sorrindo - E eu ainda não acabei, o pior vai vir agora - a menina o olhou um pouco receosa, essa parte da história ela sabia, ou pelo menos metade dela, apenas assentiu.
- Bom, depois de um ano e meio da morte da Mel eu conheci uma moça chamada Katherine, ela trabalhava na cafeteria ao lado da livraria que eu trabalhava na época e bem, como uma peça do destino, nós nos conhecemos quando ela foi comprar um livro, a partir daquele dia eu sempre a olhava quando ela chegava e quando ela saia.

Flashback ON
“A chuva não dava trégua um minuto, Manchester nunca viu uma tempestade como aquela antes e era praticamente impossível sair dali para pegar um ônibus. correu para fora da livraria indo em direção ao carro quando viu uma figura menor que ele saindo com um guarda-chuva da cafeteria ao lado.
- Ei! - ele gritou pra moça que logo virou na sua direção - Kate, você não está pensando em pegar um ônibus, está? - A moça o olhava sorrindo, parecia que sempre estava ali quando ela precisava.
- Na verdade, estou, a não ser que você me ofereça uma carona - ela falou alto por conta da chuva e sorrindo divertida pra o rapaz. Ele retribuiu o sorriso, era a resposta que esperava.
- Eu já sei onde é sua casa, então quer uma carona?”
Flashback OFF

- E a partir dali tudo foi ficando melhor. Eu e ela começamos a nos envolver ainda mais e eu realmente estava gostando dela, mais do que gostava de Mel, então resolvemos nos mudar para Londres e ela vendo que estávamos indo para um relacionamento sério me falou algo que mudou muita coisa.

“- , para, é sério - a menina gargalhava com as cócegas que recebia do garoto - Eu estou com a barriga doendo de tanto rir e preciso conversar com você! - ele parou a olhando, os dois sorriam bobos um para o outro.
- Tá bom, tá bom - ele disse - pode falar.
- Eu descobri uma coisa essa semana - ela o olhou assumindo uma postura séria - Você sabe que eu passei por um transplante de coração, isso não é novidade - ele concordou com a cabeça – Eu descobri que...
- O que você descobriu?
- O coração que está aqui batendo forte e saudável - ela hesitou - é da Melanie. Da sua Melanie.”


- A partir daquele momento o que eu sentia pela Kate só aumentou. O coração do meu primeiro amor batia dentro da mulher que eu estava amando mais do que nunca amei ninguém. E aquilo só me fez pensar que a Melanie precisou partir pra que eu encontrasse um amor ainda mais forte. E então eu e Kate assumimos um relacionamento sério e depois de longos dois anos de namoro eu a pedi em casamento, eu percebi que a peguei de surpresa porque cara que ela fez na hora do pedido me fez pensar que ela não aceitaria, mas aceitou, nós não íamos nos casar tão cedo, mas a Kate de uma hora pra outra quis adiantar o casamento o quanto antes, eu não entendia o porquê de ela está agindo daquele jeito, mas não hesitei em nenhum momento e então chegou o dia do casamento. - teve uma lembrança de alguns meses atrás.

“- Vocês estão lindas! - disse enquanto ela e admiravam as amigas. Bianca, Lauren e Renata iriam para um casamento de um amigo dos namorados e estavam animadas.
- Somos as madrinhas mais lindas do mundo – Bianca disse se admirando no espelho e logo voltando a atenção para - Isso é um treinamento para o seu casamento com o Dani viu, . - a mais baixa riu do comentário.
- Não vou colocar desiquilibradas como vocês para serem minhas madrinhas.”


- Os convidados estavam chegando e eu estava a cada minuto mais nervoso, mais ansioso e com medo. Mas estava feliz, estava muito feliz. Mas então se passou uma hora, uma hora e meia, duas horas, duas horas e meia, três horas e a Kate não chegava, a partir daí eu comecei a ficar preocupado quando a irmã dela me deu um envelope.

“- Ela disse pra você ler - a moça hesitou - Ler agora, .”

“- Ué, mas vocês já voltaram? - falou abrindo a porta para Renata, Bianca e Lauren que estavam com uma cara muito pior do que esperavam. olhou as amigas entrarem e se jogarem no sofá como a loira estava.
- Gente, mas e o casamento? - a menina perguntou.
- Não teve casamento - Renata respondeu.
- Como assim não teve casamento? - indagou logo em seguida olhando o celular pra ver se Dani dava algum sinal de vida.
- Não tem como ter um casamento sem a noiva - Lauren disse aparentemente bem chateada.”


- Você foi abandonado no altar. - concluiu com um pesar na voz.



Capítulo 5

- É tão óbvio assim? - riu de leve olhando a menina.
- O que? Não, é que - hesitou - Eu lembro desse dia, as meninas iam ser suas madrinhas com os meninos e voltaram cedo demais e bem decepcionadas e falaram o motivo.
- Eu imaginei que você soubesse da história. - falou.
- Eu só sabia dessa parte. - ela o olhou de canto de olho - O que tinha no envelope? - baixou a cabeça encarando o chão.
- Uma carta da Kate.

“Querido ,
A essa altura você deve estar se perguntando onde eu estou. Bem, eu não posso falar. Tem muita coisa que você não sabe e eu vou explicar nessa carta, ou melhor, só o que você precisa saber.
Primeiro, nós nunca mais nos veremos. Eu sei que não devia ter feito isso com você e acredite, eu me culpo todos os dias desde o dia em que te beijei pela primeira vez. , nós não nos conhecemos por acaso, nos conhecemos porque eu fui atrás de você. Nos conhecemos porque pediram para eu conhecer você. Eu realmente tenho o coração da Melanie e foi exatamente por isso que eu precisei ir atrás de você. Eu arrumei um emprego ao lado do seu. Eu fui comprar um livro com você, tudo isso pra conhecer e agradecer aos parentes da minha doadora. Era pra ser somente isso e não um namoro que se tornou um noivado. Eu poderia ter terminado com você antes, mas eu não pude, , eu não podia te ver machucado, eu realmente te amei, mas não como você me ama. Não como a Melanie te amou um dia.
Segundo, uma pessoa me pediu isso, me pediu para aceitar casar com você. Eu iria terminar com você naquela semana e voltar para minha antiga vida, minha verdadeira vida, mas uma pessoa descobriu isso, eu não posso falar quem é, só digo que preste atenção em quem está ao seu lado. Mas por incrível que pareça, , essa pessoa só queria te ver feliz de novo, só queria ver você sorrindo de novo, mas acontece que eu não aguentei, eu não podia continuar isso, não podia me casar com alguém que eu não amava. Não como homem. Não como marido. Me desculpe, , desculpe fazer você passar por mais uma dor. Eu te amo. Adeus, .
Com carinho, Kate.”


- Ela o quê? - falou surpresa com uma mistura de raiva na voz - Como ela pôde?
- Eu também não sei, - ele encarou as próprias mãos.
- Se eu te conhecesse quando isso aconteceu, eu dava um jeito de ir atrás dela e enchia de porrada. - o garoto riu alto.
- E você já entrou em muitas brigas, ?
- Não, mas eu tenho a pra isso - ela sorriu satisfeita. - O que você fez depois? - perguntou cautelosamente. - Depois de ler a carta.
- Fiquei furioso, entrei no carro e dirigi, dirigi, dirigi tanto até chegar em outra cidade, era onde a Kate costumava ir quando estava com raiva ou triste e enchi a cara em um barzinho que tem lá.

“- Os meninos ainda não o acharam - Renata disse bloqueando a tela do celular - Onde será que o se meteu?
- Talvez ele não queira ser achado - falou sem tirar os olhos da TV - O cara acabou de ser abandonado no altar, deixem ele sozinho, eu aposto que ele deve está enchendo a cara em algum lugar - ela olhou sua mensagem não respondida por Daniel - Eu faria a mesma coisa. - Falou mais para si mesma do que para as meninas.”


- Eu estava certa então - disse baixinho, mas não o suficiente para que não ouvisse.
- Certa de que? - Ele perguntou.
- De que você estava enchendo a cara. - ela disse dando de ombros e bocejando.
- Está com sono?
- Um pouco - ela respondeu pegando o celular - 03:32 e a energia ainda não voltou. - outro bocejo.
- Talvez demore mais um pouco - ele disse ajeitando o braço para que a menina se aninhasse mais nele.
- Talvez. - disse fechando os olhos.

(...)


- Agora vocês são oficialmente alunos da University College London - Bianca disse olhando e orgulhosa. – Ou como vocês disseram, a universidade dos sonhos de vocês.
- Dos sonhos? - Lauren perguntou - Isso aqui está longe de ser um sonho, está mais pra um pesadelo!
- Isso é porque você é uma aluna horrível e acumula atividade toda semana. - Renata disse olhando o papel de transferência do namorado.
- Essa aqui é a melhor universidade de Londres - disse admirando o corredor por onde passavam - É claro que é um sonho.
- Uma das. - Lauren corrigiu.
- Onde fica o bloco C? - falou olhando seu papel de transferência.
- É o mesmo bloco da - ouviu a namorada falar pegando o papel - É do outro lado da universidade, bem longe de mim, meu amor - ela fingiu uma cara triste.
- Não tão longe assim, sem exagero, Drama Queen - Lauren disse revirando os olhos.
- Bom, então eu vou indo, minha aula começa daqui a 10 minutos e eu não quero chegar atrasado no primeiro dia - disse dando um selinho em Bianca logo em seguida - A gente se ver mais tarde. - falou logo virando para o caminho contrário.
- Que orgulho do meu bebê - Bianca disse fingindo enxugar uma lágrima.
- Vocês são muito melosos, eca - Lauren disse pousando seu olhar no outro casal que já estava aos beijos - Meu Deus, vocês também! E ainda é quarta-feira!

(...)


- Isso aqui está tão vazio sem o e o - falou com o rosto pousado em uma mão e encarando os dois lugares vazios a sua frente da mesa do refeitório - Quem vai contar aquelas piadas sem graça que o sempre conta?
- Se você está sentindo tanta falta, por que não se transfere para a outra universidade também? - disse sem tirar os olhos do caderno no qual escrevia.
- O que? Claro que não, a Lauren estuda lá. - falou olhando para a fila de cachorro quente mais a frente.
- E daí?
- E daí - ele continuou - Que não dá certo ficar vendo ela todos os dias, nós vamos acabar enjoando um do outro.
- , quando você um dia se casar, vai ter que ver sua esposa todos os dias - o moreno disse fechando o caderno - Vai enjoar dela também?
- Detesto te decepcionar, , mas, eu não pretendo me casar - disse enquanto guardava suas coisas - Não depois do desastre que foi o seu casamento, não quero ser abandonado no altar também.
- E quem te garante que você vai ser abandonado?
- E quem te garante que eu não vou ser abandonado? - olhou em volta procurando por algo. - A propósito, você viu o hoje?

(...)


- ! - a menina sentiu uma mão pesada sobre seu ombro logo depois de ouvir seu nome - Meu Deus, como você anda rápido.
- A quanto tempo está correndo atrás de mim, ? - ela olhou para trás vendo o caminho que o garoto veio logo o encarando de volta.
- Faz uns cinco minutos ou mais - ele disse ofegante - A Bianca disse que meu bloco é igual ao seu.
- Ah, ela comentou que você e o concluíram a transferência hoje, posso olhar seu papel de transferência? - o garoto entregou a menina - Você está na mesma turma que a minha!
- Sério? Isso é ótimo.
- Eu não sabia que você cursava veterinária - ela falou lhe devolvendo.
- Não tenho cara de quem gosta de cuidar dos bichinhos? - disse abrindo os braços e fazendo o olhar da cabeça ao pé.
- Nem um pouco - a garotada disse rindo de leve e tornando a andar - Vem cá, por que você não me chamou antes? Ao invés de correr igual um louco.
- Na verdade eu chamei - o moreno disse tirando fone do ouvido da garota.

(...)


- Chegamos! - disse enquanto estacionava seu carro do outro lado da rua, estava de volta a Manchester com .
- Foi aqui? - perguntou olhando pela janela.
- Foi sim, esse foi o local do acidente. - o loiro falou com um pesar na voz.
- Eu não consigo lembrar de nada, , de nada! - ela disse se virando para o rapaz.
- Eu sei que não. - ele disse a olhando - Mas você se lembrou de mim na casa das meninas, lembrou do meu apelido, que você me deu.
- Eu lembrei de você há dois anos , há dois anos eu tenho te procurado, mas nada, porque eu só lembrava do seu apelido, Bloom. Por que você sumiu? Se éramos melhores amigos…
- - o loiro falou desviando o olhar da menina - Quando aconteceu o acidente, seus pais me culparam, me culparam por ter machucado a princesinha deles, quando eu entrei no quarto onde você estava internada e você não me reconheceu, eles aproveitaram para me pedir que eu sumisse da sua vida, até porque, pra que ter na vida da filha deles alguém que só causou dor.
- O que? Não! Eu não acredito que eles fizeram isso - a menina falava com as mãos na boca - Eles me disseram que você era só mais um desconhecido que passava na rua na hora do acidente. - ela disse olhando para a avenida de volta - Eu só tenho alguns flashes seus nas minhas lembranças, de quando éramos crianças… - ela hesitou - Faz tanto tempo desde o acidente, tanto tempo…
- Cinco anos…
- Você… você pode me contar o que aconteceu? - ela o olhou.
- Eu estava dirigindo o carro, você estava bem decepcionada com seu ex namorado e então achou que fugir da escola e encher a cara no meio do dia fosse a melhor ideia. Mas não era, e a minha de te acompanhar nessa loucura foi pior ainda.

“- , eu já disse que você fica lindo bêbado? - ria enquanto falava, achava aquela palavra engraçada “bêbado”.
- E a bebida tem algum feitiço que muda na minha aparência, Blue? - o loiro falava rindo.
- Blue, ? Usando meu apelido de criança? - a garota debochou - Eu nem te chamo mais de Bloom.
- Porque não quer - ele ria olhando a menina. Achava linda, para ele, ela era a garota mais bonita que conhecera, mas seus devaneios foram interrompidos.
- , cuidado!”


- De repente eu só vi um clarão e depois tudo escureceu, quando eu acordei estava no hospital e você sem memória, ou melhor, sem eu na sua memória. - virou para a loira ao seu lado, ela estava chorando - Mas já passou, , não precisa chorar.
- Eu sei, mas é que mesmo não lembrando eu sinto, eu sinto uma aflição quando me falam desse dia. - ela respirou fundo. - Como se eu tivesse prejudicado alguém.
O rapaz hesitou na hora que ouviu, mudando sua feição pra culpa e desgosto, percebeu a mudança de .
- Aconteceu mais alguma coisa que você não contou? - ele respirou fundo, soltando todo ar de dentro dos pulmões pra fora.
- A menina que estava no carro que batemos… ela...
- Ela o que, ?
- Ela morreu. - falou cautelosamente.
- Como assim? Como morreu? - entrou em choque.
- Eu não sei, eu não procurei saber sobre o que aconteceu com ela, eu só - ele hesitou - Depois de uma semana soube da morte dela. - a loira desabou em lágrimas, não podia acreditar que além de perder a memória praticamente matou alguém.
- Você deveria ter falado com a família da menina, deveria ter ido atrás deles pedido desculpa! Não sei, alguma coisa!
- Eu fui, ! - ele praticamente gritou - Eu fui atrás da família dela, mas eu não os achei, só achei duas pessoas ligadas a ela.
- Quem? - a menina o olhou séria.
- Eu não posso contar, , eu sinto muito, já prejudiquei essas pessoas demais - ele falou com a voz fraca olhando para frente e se perdendo em pensamentos. O silêncio se instalou no carro até ser cortada pela voz de - , como você lembrou de mim? Você disse que foi há dois anos… três anos depois do acidente.
- Eu estava com as meninas, estávamos fazendo a mudança da e da Lauren pra o apartamento quando a Bianca achou uma cachorrinha na rua e disse que iria colocar o nome dela de Bloom, porque ela adorava as Winx e foi ai que você veio, e eu lembrei do porquê te dei esse apelido também, você assistia esse desenho e eu ficava te zoando por isso, mas eu não lembrei do seu rosto sabe? Eu não conseguia lembrar do seu rosto ou do seu nome verdadeiro, eu só lembrava que eu tinha um amigo que se chamava Bloom quando eu era criança, e eu sentia que era muito especial. Eu perdi a memória de toda a minha adolescência.
- Você ainda é muito especial pra mim. - ele disse sorrindo de leve.
- Mesmo não lembrando quase nada de você? - riu fraco.
- Você pode não lembrar, mas você sente - ele colocou uma mecha do cabelo dela pra trás - E a propósito, você pode se lembrar, só precisa colocar as memórias em ordem.
- Você pode me ajudar?
- Mesmo que você não pedisse eu faria isso. - os dois sorriram. Mas colocou algo na cabeça naquele mesmo instante, iria achar a família da menina que morreu no acidente, e iria se redimir.


Capítulo 6

- Eu não acredito que aceitei vir com você para esse almoço ridículo - falava olhando pela janela do táxi.
- Ridícula é você! - Lauren virou para amiga revirando os olhos - esse almoço é especial!
- Especial para você Lauren! Eu vou ser uma intrusa!
- Mas você precisa ir comigo, , eu vou ficar muito nervosa lá sozinha - a morena disse com uma voz afetada.
- Toda vez que você fala assim eu me arrependo amargamente depois - disse com os olhos semicerrados - da última vez você me esqueceu em uma festa que eu não conhecia ninguém!
- Você conheceu o ! - Lauren acusou - não foi tão ruim assim, né?
- O que você quer dizer com isso? - a mais baixa disse arqueando a sobrancelha.
- Que você não voltou sozinha pra casa naquele dia, ué - Lauren olhou pela janela dando de ombros. É claro que ela iria desconversar, não podia irritar naquele momento, e sabia disso, conhecia muito bem a amiga. - Você acha que a minha sogrinha vai gostar de mim?
- Espero que não - a morena disse voltando a olhar seu lado da janela.
- Ai que mal humor, , pelo amor.
- Você não podia chamar nenhuma das outras meninas pra vir com você não?
- Elas estão ocupadas com os meninos! - Lauren disse voltando a olhar - e a com o , e além do mais você é a única que eu quero que vá comigo. - revirou os olhos.
- Ai tá bom, só não me enche mais o saco senão eu te jogo desse táxi em movimento e seu almoço especial vai ser no hospital!
- Por favor, senhoritas, sem violência no meu táxi, eu agradeceria muito. - o taxista disse olhando pelo retrovisor. O rapaz já estava nervoso com a discussão das meninas.
- Ela está brincando moço - Lauren riu nervosa - ela nunca faria isso - disse olhando para e logo depois se inclinou no ouvido do taxista - mas só para confirmar, as portas estão travadas certo?
As duas estavam indo almoçar na casa dos pais de , em Manchester. Já haviam chegado na cidade e agora estavam no táxi, a caminho da casa. Já haviam se passado três meses desde o pedido de namoro do rapaz, e os pais dele já estavam cobrando uma visita, aliás, juntando os três meses que estavam namorando mais os outros dois meses que estavam se “conhecendo”, faziam cinco meses juntos, e para mãe de , já era um tempo considerável para levar a moça a casa deles. Acontece que Lauren estava mais nervosa do que quando prestou vestibular, e arrastara consigo, que estava de mal humor por ter sido acordada cedo pleno domingo. E acordar cedo era algo que a morena detestava, mas, Lauren sabia que aquela pirraça passaria logo.

(...)


- você quer fazer o favor de parar de andar de um lado para o outro? Está me dando nos nervos - disse olhando o celular.
- Como você não quer que eu fique nervoso? A Lauren aparece aí daqui a pouco para conhecer minha família! - o moreno disse se sentando na cama.
- Você disse certo, ela! - o rapaz olhou o amigo - não é você.
- Mas mesmo assim eu fico nervoso - ele se jogou na cama - por ela!
- Por que eu tô aqui mesmo? - perguntou mais para si do que para o amigo.
- Eu vou responder pela milésima vez - se sentou - preciso de você aqui.
- Isso eu já entendi, eu só não entendi o porquê. Você me tirou de Londres ontem a noite, me fez voltar pra Manchester depois do que aconteceu no casamento e encarar cada rosto conhecido me olhar com pena - o moreno bufou.
- Já se passaram cinco meses cara, supera - o olhou entediado - E porque você é meu melhor amigo, esteve comigo em todos os momentos importantes da minha vida - olhou as fotos coladas aleatoriamente na parede - precisa está aqui hoje também, e me acalmar.
- Que comovente - rolou os olhos.
- - Cristinne chamou o irmão da porta - sua namorada chegou.
- Ai meu Deus - o moreno se levantou - , não demore! - e ao terminar a frase saiu do quarto às pressas.
- Claro que não - o rapaz falou voltando a atenção para o celular, percebeu a irmã do amigo entrando no quarto e sentando onde estava antes.
- O é um bundão mesmo hein - ela disse soltando um riso abafado.
- Você descobriu isso agora? - estava incomodado com a presença da menina, não gostava das lembranças que tinha com ela.
- Você continua o mesmo grosso de sempre - ela olhou o rapaz de cima a baixo - ou isso tudo é rancor?
- Talvez os dois.
- Já se passaram seis meses - a loira sorriu maliciosa - você podia esquecer ou então repetir a dose.
- Eu não quero repetir nada com você Cristinne - bufou - por mim eu nem pisava aqui, mas o é meu melhor amigo, eu penso nele sempre que decido vir.
- Você acha que a Kate te abandonou no altar por causa disso? - ela se levantou indo em direção a - por causa do que ela viu?
- Se você se aproximar mais um centímetro de mim eu esqueço que você é mulher e te soco - ele olhou para a menina que já estava a um passo dele. Os olhos de estavam carregados de raiva e arrependimento. A garota deu um passo levando os lábios até o ouvido do rapaz, ela sabia que nunca levantaria um dedo contra ela.
- Você gostou de , e sempre que quiser, eu estou aqui - sussurrou depositando um selinho no pescoço do garoto. se esquivou imediatamente.
- Você deveria se dá ao valor, Cristinne.
- sabe que você fala assim com a irmã do seu melhor amigo?
- Não só sabe - se levantou - como não liga.

(...)


Já havia se passado 5 minutos que tinha sido abandonada na sala de visitas por Lauren, e sua mãe e estava se sentindo completamente sem jeito ao ser encarada tão descaradamente pelas gêmeas. As irmãs mais novas de encaravam como se ela fosse algum animal novo no zoológico, e a menina estava claramente incomodada com a situação, olhava o celular e sorria para as meninas de minuto a minuto aparentemente calma, mas dentro de sua cabeça estava imaginando mil formas de cometer homicídio. Geralmente as crianças adoravam ela, ou pelo menos algumas, e nunca entendeu bem o porquê, pois nunca teve muito jeito com elas, mas, aquelas duas ali não estavam sendo fáceis e pela primeira vez, achou que descobriram seu defeito de não ser assim tão boa com criaturinhas fofas e gentis. O que na verdade as gêmeas não estavam sendo, nenhum um pouco, pois não retribuíram o sorriso de uma só vez.
- Imaginei que a Lauren fosse te arrastar até aqui - os olhos da garota foram automaticamente das meninas para a escada. descia ela da forma mais leve possível, o sorriso de canto costumeiro do garoto também estava lá e logo foi se alargando quando ele viu a situação em que a garota estava.
- Eu não imaginava que o te arrastaria para cá - sorriu para o rapaz ao ver ele se sentando ao seu lado.
- Ele falou algo do tipo, você precisa está em todos os momentos da minha vida e alguma coisa assim - ele virou para a gêmeas - e o irmão de vocês?
- Está em algum lugar com a namorada nova - Felícia disse ainda olhando para .
- Elas estão me encarando assim desde que eu cheguei - sussurrou - espero que seja um bom sinal.
- Elas devem está planejando como vão usar sua carne nas próximas refeições - disse da forma mais natural encarando uma assustada e logo riu da cara que a menina fez - relaxa, elas não vão fazer você sentir dor.
- ! - a menina o olhou séria, mas logo depois estava rindo junto - você é meio doente sabia?
- E você não cansa de cair nessas furadas da Lauren? - o garoto ainda sorria. percebeu o quão parecia está leve e relaxado desde o dia em que o conheceu na festa do Matt.
- No fundo eu gosto - ela encostou a cabeça no encosto do sofá - é divertido, mais estressante do que divertido, mas ainda sim, divertido.
- Sua forma de diversão é meio estranha - ele fez o mesmo que a garota fez, encostando a cabeça e encarando o teto.
- Me diz, essas duas são tão difíceis de interagir ou eu que não tenho jeito com crianças mesmo? - ela perguntou baixinho o suficiente para que só o rapaz ouvisse.
- Acho que as duas opções - ele riu leve olhando a menina de canto de olho e vendo uma expressão desapontada no seu rosto delicado - ou talvez, elas agem assim só quem pretendem levar para o forno.
- Da para você parar com isso? Ou quer que eu tenha pesadelos?
- Seria engraçado ter você me ligando no meio da noite dizendo que não consegue dormir porque sonhou com as irmãs do te fazendo de churrasco - ele gargalhou.
- Eu não ligaria para você - ela controlou a vontade de rir.
- Porque não?
- Pra não deixar você ter razão - ela deu de ombros.
- Tá pra nascer alguém mais orgulhosa que você hein Simmons. - ele riu sendo acompanhado pela moça.
- Onde será que o e a Lauren devem estar? - a menina olhou mais uma vez a hora na tela do celular.
- Provavelmente se pegando loucamente em algum lugar da casa. - respondeu de imediato fazendo o encarar perplexa, o motivo do olhar da garota logo se concretizou.
- O que é se pegar loucamente? - dessa vez foi Mirela que perguntou.
- Er… - a morena iniciou o que dizer, mas a interrompeu.
- Pesquisem no Google, vocês vão achar. - ele olhou para as meninas sorrindo. As duas se entreolharam e levantaram do sofá que estavam sentadas indo em direção as escadas.
- Você ouviu o que acabou de dizer? - perguntou estupefata - elas podem achar algum vídeo pornô na internet!
- Relaxa, elas vão achar o necessário. - ele olhou a menina que estava com uma cara bem engraçada segundo .
- Você é definitivamente doente. - ela riu sem graça alguma e voltou a encostar a cabeça no encosto do sofá. Passaram um minuto inteiro em silêncio, a garota contou.
- ? - chamou a menina.
- Hm?
- Você está livre mais tarde? - ele perguntou sem cerimônia alguma.
- Posso checar na minha agenda? - ela brincou arrancando uma risada do garoto.
- Fique à vontade - ele esperou completar com algum comentário, mas a menina não disse nada, então continuou - Tem um festival de rock que está acontecendo há uma semana e hoje é o último dia, é bem legal sabe, é uma mistura de parque de diversão com música boa. - ele olhou a menina de canto olho - não tenho ninguém para ir comigo então pensei que você talvez fosse gostar de ir. Como vamos sair daqui às 16:00, creio que irá dá tempo de chegarmos a Londres para a primeira banda da noite.
- Eu sei que festival é, nunca fui - ela disse leve - eu topo, de que horas?
- Às 22:00 - ele sorriu - eu passo na sua casa. - ia responder o menino, mas foi interrompida antes mesmo de formar a palavra por um completamente abismado no topo da escada.
- seu pervertido, como você fala para minhas irmãs pesquisarem o que é se pegar loucamente no Google! - ele desceu pisando duro com uma Lauren e duas gêmeas rindo muito em seu encalço.
- Elas sempre sabem onde ele tá viu? Sempre perguntam a ele o que podem ou não fazer, e uso isso a meu favor, é uma tática - disse se endireitando no sofá, acompanhou a linha de pensamento do garoto.
- Bem esperto da sua parte - ela admitiu.

(...)


- Querem fazer o favor de decidirem logo um filme! - reclamou pela quarta vez enquanto observava os amigos em frente ao painel do cinema com todos os filmes - já perdemos duas sessões e vocês não entram em um acordo!
- Esses brutamontes que querem assistir um filme sobre UFC - Bianca reclamou - quem faz um filme sobre UFC?
- Caras que curtem UFC? - Rê falou sem tirar os olhos do painel desejando que por um milagre fosse com ela assistir ao filme de animação que ela tanto queria.
- Não é só um filme sobre UFC - passou os braços pelos ombros da namorada - é um filme sobre a história do UFC! Isso é incrível!
- Quer saber? Desisto! - a loira bufou batendo o pé - estou indo pra praça de alimentação, eu estou faminta. - se virou dando alguns passos logo se lembrando de outra pessoa - você quer vir comigo?
- Pensei que não fosse chamar - o loiro disse se distanciando dos amigos.
- Obrigada pelo convite ! - Bianca gritou para a amiga que fingiu não ouvir. - Os reis já decidiram o que vão assistir?
- UFC History! - e responderam ao mesmo tempo.
- Que nome horroroso para um filme - Renata disse negando com a cabeça - vem Bi, nós vamos ver outro filme! - as duas saíram pisando duro.
- Vocês não vão assistir com a gente? - eles perguntaram enquanto as meninas passavam por eles.
- Não!! - as duas responderam sem olhar os dois indo para fila para comprar os bilhetes. e se entreolharam, era tempo de mais namorando para saberem que fizeram a escolha errada, os dois tinham chamado as meninas para passarem a tarde com elas e só estavam pensando em si mesmos.
- Eu tenho vontade de voar no pescoço do e …
- Me beijar muito - o garoto passou os braços pela cintura da menina fazendo a menina dá um pulinho de susto.
- Os brutamontes desistiram do filme mais cultural do cinema? - Bianca falou sarcástica ignorando ainda.
- Eu tive uma ideia melhor - o rapaz disse - nós vamos para o festival de rock hoje a noite, bem melhor do que só assistir um filme, não acham?
- Fazer o que nesse festival? - a morena perguntou olhando do namorado pra Renata e a sua frente.
- O que fazem em festivais - Renata deu de ombros já começando a gostar da ideia - curtir uma boa música e beber muito!
- Cachaceira - falou recebendo um tapa dá menina logo depois.
- Vamos atrás do e da logo - saiu com Renata de mãos dadas um pouco mais a frente que o outro casal.
- Eu queria entender esse lance da com o - disse acompanhando os amigos.
- Ele é o melhor amigo dela que ela esqueceu quando perdeu a memória com o acidente - Rê disse olhando para trás e vendo prestar atenção - ele nunca falou nada para vocês? - As meninas receberam sinais de negação dos rapazes.
- Bom, há cinco anos o e a sofreram um acidente de carro, a perdeu boa parte da memória, inclusive a parte do em sua vida. - Bianca explicou.

(...)


- É normal dessa família ficar encarando pessoas desconhecidas? - sussurrou para tirando sua atenção de Cristinne. Os dois estavam sentados nas mesas perto da piscina depois do almoço, a irmã do meio de estava sentada na beirada da piscina encarando os dois, mais precisamente .
- Minha história com ela é velha - comentou ignorando os olhares opressores da loira.
- Ah então você também tem uma história com ela ? - levantou a sobrancelha com um sorriso desafiador para o rapaz.
- Foi um erro de uma noite, ! - ele soltou uma risada fraca - que eu nem lembro o que aconteceu, só sei que eu estava na festa do Matt e bebi muito, lembro da Cristinne chegando perto de mim perguntando se eu estava bem e me levando para um carro, depois só sei que acordei no meu quarto com ela ao meu lado e nós dois estávamos pelados, como em um filme de romance clichê, a Kate apareceu bem na hora.
- Você é cheio das histórias de romances frustrados - a menina disse - vou escrever um livro com base nisso tudo, me aguarde.
- Eu adoraria ver como você me colocaria nessa história. Tenho certeza como vilão.
- Talvez você seria os dois - ela deu um sorriso leve - o mocinho e o vilão. Ainda irei descobrir - ela deu uma piscadela de olho.
- Atrapalho? - Os olhares de e caíram sobre Cristinne que havia chegado tão silenciosa quanto um gato.
- Que discrição - comentou olhando para a loira - adoraria aprender a ser assim também.
- Vem . - se levantou da cadeira sendo interrompido por Cristinne.
- Opa, opa garotão - a menina pôs as mãos no peitoral do rapaz o impedindo de passar encarando ainda - só vim da um recado a mocinha aqui - ela olhou para - sabe, a última vez que o se envolveu com uma garota ela acabou em uma cama de hospital. Em coma. E a outra, bem, o abandonou no altar porque ele a traiu - ela olhou para - comigo. Você deveria tomar cuidado com o carma que ele carrega. - a loira recebeu um leve empurrão no ombro quando passou por ela com os punhos fechados e os olhos fervendo em raiva.
- Você deveria procurar sua própria felicidade ao invés de querer arruinar a dos outros - se levantou e apesar de ser um pouco mais baixa que Cristinne a encarou olho a olho. - Você é louca por ele, não é? Mas como ele não está nem aí para você, você insiste em estragar a vida do e de qualquer garota que chega perto dele, isso é infelicidade, e você é tão infeliz quanto qualquer ser humano. - terminou de falar e se virou, mas foi puxada pelo braço por Cristinne vendo a mão da mesma indo em direção ao seu rosto e por instinto fechou os olhos, mas não sentiu a dor e nenhum baque.
- Você não ouse encostar um dedo nela! - estava segurando o braço de Cristinne e a raiva que estava nos seus olhos antes aumentou ainda mais.
- , está tudo bem, solta ela - a morena pediu suplicante - , solta ela! - o rapaz soltou o braço da loira e saiu pisando duro com em seu encalço.
- O que você disse para ela quase te bater? Ela ia te bater! - ele falou quando os dois chegaram no jardim da casa.
- Eu disse que ela era uma infeliz por não ter o homem que ela quer e por isso inferniza a sua vida. - ela respondeu dando de ombros.
- Você não tem controle na língua não? - o moreno colocou a mãos na cintura encarando a menina na sua frente.
- Não! E se você vai ser meu amigo é bom que saiba logo. - disse cruzando os braços.
- Você ia levar uma tapa feia nesse rostinho pequeno, aliás, não só uma tapa, eu gostaria de saber como você ia se resolver se eu não tivesse voltado - ele levantou a sobrancelha com um sorriso divertido nos lábios.
- Eu ia me resolver como qualquer pessoa se resolve em uma briga - a menina deu de ombros levando o olhar para o lado oposto de .
- Ah claro, até porque você já bateu em muitas meninas né - soltou a risada que estava prendendo.
- É assim que você me agradece depois de ter te defendido e quase levado um tapa por sua causa? - ficou na ponta dos pés para encarar , e o menino só conseguia comparar ela com Cristinne. A loira era mais alta e mais larga que , um tapinha e desmanchava a menina inteira, era engraçado ver , que era menor e mais fina que Cristinne a enfrentando. E agora o enfrentando.
- Obrigado, nunca esquecerei do dia que você quase morreu por mim - ele soltou uma risada passando pela menina e indo para dentro da casa.
- Idiota. - ela murmurou seguindo a direção contrária à de .


Capítulo 7

- Dude, esse seu olho vai ficar pior do que está, pode ter certeza - afirmava enquanto analisava o amigo deitado na cama de hospital com um braço quebrado e alguns curativos no rosto e nos dedos.
- Com certeza hoje foi o auge da minha semana - disse sentada ao lado da cama que o rapaz estava enquanto o mesmo tomava soro.
- Foi desesperador, mas pensando agora no que aconteceu até que foi engraçado - Bianca disse rindo ao lado de que mantinha a cara fechada, acompanhou a amiga na risada passando seus olhos pelo rapaz que estava ao seu lado e depois por que estava sentado do outro lado do quarto com um pouco de gelo na testa e dois cortes pontuados. No lábio e no canto da sobrancelha.

(...)


chegara primeiro no restaurante em que havia combinado de almoçar com as meninas, estava com o notebook ligado à sua frente e uma página aberta em um site de notícias, no qual continha no título “Acidentes de carro causados há 5 anos na cidade de Manchester. ” A mesma não fazia ideia da quantidade de acidentes que aconteciam por ano e ao ver a lista imensa de acidentes de carro naquele ano se assustou um pouco, mas não iria desistir de procurar sobre o seu acidente. Ela teria feito isso há anos atrás mas não achava necessário voltar a um passado doloroso, acontece que ela não sabia que o acidente tinha causado uma morte e essa informação mudava muita coisa, a loira estava decidida em encontrar a família da garota que morreu e pra isso precisava achar primeiro algo sobre seu acidente, teria perguntado a seus pais mas era arriscado, eles não podiam saber que reencontrara e se os mesmos não falaram nada sobre a morte da menina é porque eles não queriam que ela soubesse. Já deixou bem claro que não iria dizer mais nada sobre aquele dia, então decidiu fazer isso por conta própria, mas, eram poucas informações para alguém que não lembrava de nada do que realmente aconteceu.
- Acidentes de carro causados há … - fechou o notebook de imediato assim que ouviu a voz de atrás de si - ei! Eu estava lendo!
- Mas não deve ler - a loira cortou a amiga enquanto a outra se sentava ao seu lado.
- E o que tem demais que eu não posso ler?
- É um trabalho da faculdade - Mentiu.
- Eu posso saber o que acidentes de carro tem a ver com arquitetura? - levantou uma sobrancelha. hesitou, era péssima para inventar uma história quando colocada sob pressão.
- Não é um trabalho da faculdade - soltou o ar pesadamente abrindo o notebook de volta - lembra do acidente de carro que eu sofri há cinco anos?
- Sim, sim você nos contou, e sobre ser o tal do Bloom.
- Acontece que o me disse que a menina do outro carro morreu, e eu preciso achar a família dela, o não quer me contar quem é e eu preciso saber - ela olhou pra - e ninguém, nem mesmo o pode saber disso entendeu?
- Entendi. Eu guardo seu segredo - a morena piscou para a amiga.
- Promete de dedinho?
- Sério, ?
- Promete de dedinho ou não ? Promessas de dedinho são mais confiáveis!
- Prometo de dedinho. - disse revirando os olhos.
- O que as madames estão prometendo de dedinho? - ouviram Lauren chegando juntamente com Bianca.
- Nada demais - olhou as meninas se sentando depois seguiu seu olhar a porta - cadê a Rê?
- Ficou na floricultura resolvendo algumas coisas, depois que ela subiu de cargo o trabalho não só aumentou como está deixando ela louca - Bianca respondeu - mas ela disse que não vai demorar.
- Eu espero mesmo porque eu estou faminta - respondeu.
- E quando você não está? - brincou com a amiga.
- Hahaha , estou morrendo de rir - a loira disse em tom de sarcasmo.
- Me contem, como foi o festival ontem? - Lauren mudou de assunto - você chegou tão tarde que nem me falou.
No mesmo instante ela e Bianca se entreolharam, o festival tinha sido um estouro, literalmente um estouro para e .
- Foi bem tranquilo, quer dizer mais ou menos, até porque era um festival, não é? - Bianca começou - A Rê e o não foram, desistiram de última hora, nos divertimos bastante nos primeiros 40 minutos até o e o serem atropelados por um carrinho de algodão doce - e bastou para que ela e caíssem na gargalhada mais uma vez ao se lembrarem do incidente.

“ Os quatro jovens se encontravam sem fôlego após pular e cantar sem nenhuma pausa com uma banda que fazia covers muito bons dos Beatles. Assim que a banda saiu do palco chegaram à conclusão que precisavam de água e comida, e foram direto para as barraquinhas perto dos brinquedos.
- Eu quero ir naquela montanha russa de novo - disse olhando o brinquedo que estava a poucos metros da fila de batata frita que os quatro estavam.
- Eu também - Bianca continuou.
- Eu não, prefiro a terra firme e segura - disse quase impaciente pela fila demorar tanto para andar.
- Pode deixar cara, eu vou com as crianças para a montanha russa - falou recebendo um dedo do meio de Bianca e uma revirada de olho de .
- Você é o outro crianção que está louco para ir também - Bi disse.
- Estou mais interessado em ganhar do de novo no tiro ao alvo.
- Ganhar? Cara, você trapaceou! - disse cruzando os braços de uma forma infantil.
- Não tem como trapacear em tiro ao alvo , aceite a derrota - disse debochando do garoto.
- Acredite , tem como trapacear sim, e o trapaceou.
- Você só está dando chilique porque eu ganhei o Darth Vader de pelúcia e não aceita que ele pertence a mim. - continuou provocando .
- Se a estivesse aqui ela diria “pipipi briga de nerds” - riu ao se lembrar das piadas que a loira fazia com ela.
- Eu compro um Darth Vader de pelúcia para você meu amor, não se preocupe - Bi disse abraçando , o mesmo bufou enquanto ouvia e darem risadinhas atrás dele.
- Vocês não estão achando que essa fila está demorando demais? - disse se esticando um pouco para ver o início da fila.
- Olha só ele mudando de assunto… - provocou o amigo.
- Não estou mudando de assunto, a fila está demorando.
- Nós acabamos de chegar, daqui a pouco a fila anda - se pronunciou.
- Tá, vamos fazer assim, eu e a vamos comprar os refrigerantes e vocês dois ficam aqui esperando as batatas. - Bianca disse já puxando pela mão e torcendo para que o que pretendia desse certo.
- O que? Claro que não! Vocês só querem escapar porque sabem que a fila não está andando - puxou Bianca de volta para o lugar que ela estava na fila e bingo, deu certo - eu e o vamos comprar os refrigerantes e vocês ficam aqui.
- Tudo bem então - as meninas deram de ombro.
e foram andando lado a lado para procurar a barraquinha de bebidas, as meninas estavam na fila e enquanto Bianca olhava se afastar, prestava atenção em outro ponto do parque, nas barraquinhas de maçãs do amor, tinha três lado a lado e enquanto ela decidia em qual iria depois que saísse dali ouviu uns gritos de pessoas, seguido de outro grito de Bianca que gritava o nome dos meninos e de imediato ela virou o olhar para onde os meninos estavam e em questão de segundos viu um carrinho de algodão doce se chocar contra e .
- Dude, esse seu olho vai ficar pior do que está, pode ter certeza - afirmava enquanto analisava o amigo deitado na cama de hospital com um braço quebrado e alguns curativos no rosto de nos dedos.
- Com certeza hoje foi o auge da minha semana - disse sentada ao lado da cama que o rapaz estava enquanto o mesmo tomava soro.
- Foi desesperador, mas pensando agora no que aconteceu até que foi engraçado - Bianca disse rindo ao lado de que mantinha a cara fechada, acompanhou a amiga na risada passando seus olhos pelo rapaz que estava ao seu lado e depois por que estava sentado do outro lado do quarto com um pouco de gelo na testa e dois cortes pontuados. No lábio e no canto da sobrancelha, e três dedos da mão direita engessados. O carrinho de algodão doce atingiu primeiro, assim diminuindo a batida em , por isso acabou mais machucado que o amigo.
- Em pensar que era para vocês duas terem sido atropeladas e não nós - disse pela primeira vez desde que chegaram no hospital.
- Credo amor, você ia querer me ver no estado que você está? - Bianca disse forçando drama. A morena sabia que deveria estar ali, afinal, seu plano de fazer o rapaz e atrás do refrigerante havia dado certo e errado ao mesmo tempo.
- Era melhor ter assistido UFC History! Quem iria se machucar eram os lutadores do filme!
- Que nome mais tosco para um filme - disse fazendo careta.
- Ou talvez a comédia romântica que eu queria assistir! - Bianca devolveu.
- Para de reclamar , se a e a Bi estivessem no nosso lugar não estariam resmungando tanto - disse fazendo careta de dor logo depois de ter esforçado a boca fazendo o corte doer. Mas se arrependendo do que disse logo em seguida ao ver e Bianca tirando fotos dos garotos naquela situação. - quer saber, vocês duas que deveriam estar aqui.
- Bi, você lembra o que disse antes de sair da fila? Terra firme e segura - disse fazendo a amiga rir junto com ela. ”
- CARRINHO DE ALGODÃO DOCE? - Lauren e caíram na gargalhada após as meninas contarem a história - Meu Deus eu preciso ver o logo e rir da cara e na cara dele - disse.
- Mas na hora foi muito preocupante, vocês não fazem ideia - Bi disse.
- E eles se machucaram muito? - Lauren perguntou.
- O quebrou um braço e se arranhou bastante no rosto e nos dedos e o quebrou três dedos, levou uns arranhões e dois cortes no rosto pontuados.
- Coitados - Lauren disse se recuperando das risadas.
- Oi meninas, perdi alguma coisa? - Rê disse chegando na mesa e arrancando outro mar de risadas das amigas.

(...)


- Dá pra acreditar nisso? Um carrinho de algodão doce - gargalhava no sofá da sala de Lauren com o celular na orelha enquanto a menina voltava da cozinha - esses dois ainda me matam.
- Com quem você tá falando? - a morena perguntou.
- . Dude, eu vou desligar, depois a gente se fala - o moreno desligou a ligação voltando a atenção para a namorada que bebericava um copo de suco - ele está na casa do , o idiota topetudo foi atropelado por um carrinho de algodão doce junto com o e está com o braço quebrado - o moreno voltou a rir e dessa vez Lauren o acompanhou - você já estava sabendo dessa história?
- Já sim - entrou na sala com uma mala em uma mão e verificando as sacolas com o seu jantar na outra - eu mesma contei a ela.
- É mesmo, você estava com eles - disse - Me diga que você e a Bianca tiraram foto!
- Tiramos bonitão - a mais baixa disse balançando o celular no ar - mas depois mostro a você ou eu posso te mandar se quiser.
- É claro que eu quero! - disse mais alto do que pretendia - isso explica o sumiço desses dois o dia inteiro, não apareceram no trabalho, nem na faculdade e não atendiam o celular.
- E você nem se preocupou com eles? - Lauren perguntou terminando seu suco.
- Claro que não, achei que estavam em algum lugar fazendo uma orgia. - deu de ombros.
- Que nojo - fez uma careta sendo acompanhada pela amiga.
- Para onde você está levando essa mala? - perguntou Lauren.
- A pediu - a menina deu de ombros.
- E porque a quer uma mala?
- Mas você é curiosa hein - a mais baixa brincou revirando os olhos - ela vai fazer uma faxina no quarto e quer guardar algumas coisas nela, por isso pediu emprestado, mas ainda essa semana ela devolve, eu a lembrei que semana que vem iremos pra Brighton.
- Brighton, praia, feriadão. Tudo que estávamos precisando - Lauren disse suspirando teatralmente. - Mas para exatamente onde vocês duas estão indo agora?
- Pra um lugar, Lauren.
- Que lugar?
- Deixa menina em paz, Lauren. Você não é mãe dela. - disse virando-se para . Lauren apenas bufou e revirou os olhos azuis.
- Obrigada, - a morena agradeceu.
- E a propósito - Ele chamou a menina pelo apelido, o que não era muito comum nem mesmo as próprias amigas falarem, o que causou uma sensação estranha em - preciso de um favor seu.
- Tava demorando né - a menina brincou - qual o favor?
- Bom, já que você conseguiu a façanha de tirar o de casa nesses últimos meses …
- Nós só saímos ontem para o festival , e foi ele que me convidou - a morena interrompeu o rapaz e logo tratou de acrescentar - e somos apenas amigos!
- Eu não disse nada - ele levantou as mãos em forma de defesa - Bom de qualquer forma você tem algum tipo de poder que tira o de casa - ele disse dando de ombros - preciso que você o convença a ir para Brighton com a gente.
- Ele não vai? - ela perguntou confusa.
- Ele só disse “não sei , não sei” e quando ele fala isso, ele quer dizer não. - o garoto concluiu.
- Bom, eu irei tentar, mas não garanto nada, não tenho esse poder nas mãos de tirar o de casa como você diz - ela deu de ombros.
- Você não tem ideia do poder que tem nas mãos mocinha. - ele brincou.
- Tá certo, - ela olhou para o celular quando o sentiu vibrando e logo disse - A chegou, tchau casal.
- Você ainda não disse onde vai ! - Lauren gritou enquanto a amiga ia andando para a porta.
- Tchau, , se divirta! - disse em seguida, recebendo em resposta um aceno com a mão de . - sabe Lauren, tenho pena dos seus futuros filhos.
- Dos “seus”? - ela perguntou confusa - você não quer dizer dos nossos? Não quer ter filhos comigo ?
- Você não acha que tá muito cedo? - ele levantou uma sobrancelha.
- Não foi esse o sentido da pergunta, você entendeu! - a morena disse entre os dentes.
- Sabe Lauren… eu não… nã…
- Não quer se casar comigo? Ter filhos? Uma família? - ela cruzou os braços encarando .
- Casar? Eu ainda estou me recuperando do casamento do !
- Quem tem que se recuperar do casamento do é ele, não você! - ela se levantou - eu já estava imaginando meu vestido, a igreja, a festa, a decoração, você de terno me esperando no altar, todos os nossos familiares, as meninas sendo madrinhas, os meninos os padrinhos - ela carregava um olhar sonhador no rosto enquanto a olhava com uma mistura de pânico e nervosismo, ela percebeu o olhar do namorado e não aguentou mais caindo na gargalhada.
- Do que você está rindo?
- Eu tô zoando com a sua cara, você precisava ver como estava me olhando - ela disse ainda rindo - eu não quero me casar também.
- Não quer? Lauren você está querendo me matar do coração?! - o rapaz colocou as mãos no peito de forma teatral - eu já estava imaginando mil formas de terminar com você!
- Guarde seus planos de término então - ela saiu andando para a cozinha - é muito fácil enganar você! - olhou para trás piscando para que ainda se recuperava do susto.

(...)


- Tá aqui a mala que você pediu - disse assim que entrou no carro de - posso saber pra o que exatamente você quer ela? Se já tem uma!?
- Coisas. A Lauren perguntou alguma coisa? - a loira disse se ajeitando no banco.
- Claro que sim, é a Lauren! - disse pondo o cinto de segurança.
- E o que você disse?
- Que você iria fazer uma faxina, mas que devolveria ainda essa semana, não se esqueça de Brighton!
- Ai meu Deus! Brighton! - deu um leve tapa na testa como se estivesse se esquecido do assunto - eu me esqueci completamente.
- Mas você ainda vai, não vai? - perguntou.
- É claro, é uma tradição nossa, não posso faltar - ela disse.
- Os meninos também vão… você vai chamar o ?
- Bom, eu desconfio que o já tenha o chamado - ela hesitou - mas eu vou chamá-lo sim. Mas então, para onde a senhorita vai?
- Aqui o endereço - entregou um pequeno papel a .
- Essa é a letra do ? - a menina perguntou analisando a escrita.
- Sei lá, acho que sim, não sei - ela desviou o olhar para a janela.
- , eu posso saber onde você está indo? - indagou.
- Não é da sua conta, o trato foi, eu te empresto a mala e te dou cobertura enquanto você vai fazer seja lá o que for em Manchester e você me dá carona para onde eu precisar ir por um mês! Sem questionamentos. - a morena cruzou os braços olhando para amiga.
- Não se esqueça que o não pode saber para onde eu fui, entendeu?
- Você repetiu isso umas 10 vezes quando ligou para mim. - disse entediada. assentiu pisando no acelerador.

(...)


A menina observava com atenção os números vermelhos dos andares no elevador conforme ele ia subindo a cada segundo, se perguntava se devia mesmo ter ido até lá e só teve a confirmação quando o elevador se abriu e ela pôde ver ele parado na porta do apartamento vestido com uma calça de moletom, um casaco do mesmo tecido e os dedos e metade do braço cobertos pelo gesso. estava com o rosto aparentemente cansado, mas o sorriso de canto que ela já tomava conhecimento pairava em seus lábios como de costume, mostrando levemente a covinha na sua bochecha.
- Sabe, devo admitir que fiquei bem surpreso quando o porteiro interfonou e disse que uma tal de Simmons estava querendo subir - ele alargou o sorriso, mas carregava um ar divertido nele.
- Eu espero não estar atrapalhando nada ou incomodando - ela se aproximou dele, um pouco sem jeito e insegura por ter vindo na casa do rapaz sem avisar.
- Do jeito que estou vestido, não está atrapalhando nada, pode ter certeza - ele deu passagem para que ela entrasse no apartamento - e não, você não está incomodando nenhum pouco.
parou no meio da sala ainda passando os olhos pelo local e logo parando em .
- É isso que as pessoas dizem quando alguém chega de surpresa na casa delas - ela disse apertando um pouco os olhos.
- Você é muito desconfiada Simmons - ele brincou.
- Só quando conheço a pessoa em apenas três meses - ela piscou para o rapaz.
- Temos que fazer um ano de amizade para você acreditar em mim? - ele disse rindo - como conseguiu meu endereço?
- - respondeu - ele disse que você não apareceu no trabalho, então eu decidi vir ver como você está - ela deu de ombros - e eu trouxe comida! - falou levantando as sacolas que estavam na mão.
- Por favor, me diga que não é fast food - Ele disse dramatizando.
- Não , não é - ela riu - é comida caseira, ou acha que me esqueci quando você disse que não come nada de nutritivo a algum tempo?
- Foi você quem fez? - ele levantou uma sobrancelha.
- Não, não. Eu comprei em um bistrô perto da minha casa.
- Graças a Deus - ele riu, levando um tapa no ombro de que ria também. - ei cuidado, eu fui atropelado ontem, esqueceu?
- Por um carrinho de algodão doce, impossível esquecer disso - ela gargalhou - saiba que seus amigos estão todos rindo de você e do .
- Eu já imaginava isso - ele revirou os olhos.
- A propósito, como está? - disse apontando para a mão de e depois os outros cortes.
- Quando começa a doer eu me dopo com os remédios e vou levando - ele deu de ombros.
- E dá para fazer alguma coisa com a mão assim?
- Eu não consigo cozinhar, nem lavar a louça e para tomar banho é terrível, mas eu tô me virando.
- Posso lavar a louça para você e deixar sua cozinha limpa, e até preparar alguma coisa para você comer nesses dias mas sobre o banho eu não posso fazer nada - ela fez uma careta arrancando uma risada de .
- Sabe não seria nada mal se você me desse um banho. - ele piscou.
- Você tá querendo levar outro tapa? - ela ameaçou e o rapaz se esquivou rindo.
- Não, não, eu estou brincando - ele a olhou sem graça depois - não precisa, eu posso tentar fazer isso amanhã, ou até mesmo contratar alguém. - ele sorriu sem graça.
- Não banque o orgulhoso agora, eu sou sua amiga, e amigos servem para isso - ela sorriu.
- Não tô vendo nenhum daqueles idiotas aqui comigo me ajudando. - colocou a mão no peito dramatizando.
- Deixa de choramingar, - riu - onde eu coloco isso aqui? Eu tô morrendo de fome.
- Você também vai comer? - ele perguntou pegando as sacolas de e indo com ela até a cozinha.
- Claro seu ogro, eu trouxe para mim e para você - ela disse.
- Achei que isso tudo era só meu - ele brincou.
- Achou errado - ela disse o acompanhando na risada.
- Imagino a quantidade de perguntas que a Lauren deve ter feito quando soube que você viria aqui - disse colocando os pratos na mesa enquanto o esperava já sentada.
- Ela não sabe que estou aqui. Ninguém sabe na verdade, só a . Mas ela não sabe que é na sua casa que eu estou - ela disse. Ele a olhou como se perguntasse o porquê e prosseguiu - eu conheço as amigas que eu tenho , não quero que fiquem com gracinhas e comentários desnecessários, não estou com muito saco para isso ultimamente.
- Eu entendo você, os meninos são do mesmo jeito, fez bem em não ter falado - ele afirmou. - e porque só a sabe que você está aqui?
- Ela que me trouxe - ela disse pegando os talheres. - Nós fizemos um acordo e eu ganhei um mês de carona pra onde eu quiser. - ela sorriu divertida.
- Você não existe - ele riu com a menina. - Posso saber que acordo foi esse?
- Er… que é algo da sabe? Ela precisou resolver uns problemas e pediu para que eu a dessa cobertura - ela disse - você não pode contar isso para ninguém , por favor. Nem mesmo ao .
- Contar o que? A quem? - ele se fez de desentendido e depois piscou pra garota.
- Exatamente - ela piscou de volta, e se lembrou do pedido de - então… você quer ajuda com a mala no sábado? - perguntou recebendo um olhar confuso de - pra Brighton! Você vai, não vai?
- Sabe , sobre Brighton, eu não sei se é uma boa ideia ir… - ele disse sério.
- Porque não, ? Vai ser divertido, isso eu te garanto - ela incentivou - todos os meninos vão, você vai querer ficar aqui em Londres sozinho o feriadão inteiro?
- Eu não tenho só eles como amigos - ele se defendeu.
- Mas imagino que eles são os seus melhores amigos - rebateu - eu ia gostar que você fosse, espero que mude de ideia. - ela sorriu fraco.
Por algum motivo que nem mesmo tomara conhecimento, ele se sentiu mal por , ela estava sendo uma boa amiga e fora a primeira que acendeu algo no garoto que ele não sentia nos últimos meses, vontade de viver. E mesmo sem saber, tinha razão, se não fosse a Brighton com os amigos ficaria sozinho o feriadão inteiro, acontece que de início não queria se divertir, não queria sair, não queria viajar, queria continuar mofando em casa, como fazia questão de lembrar a ele todos os dias mesmo depois de cinco meses. Seu olhar seguiu do prato até que comia sua comida calada e com um olhar baixo. Ela não tentara convencer a ir só porque a pediu, mas, porque ela também queria que fosse. O rapaz passou o olhar mais uma vez pela cozinha até parar em um pote de biscoitos que tinha o formato de uma cabeça de stormtrooper, ele sorriu ao se lembrar de algo.
- Lara… eu vou para Brighton com uma condição - a menina levantou o olhar para ele carregado de dúvida e um pouco de esperança, fazendo menção para que ele continuasse - sexta à noite, 19:00 horas, maratona de Star Wars aqui em casa.
- É sério isso? - ela riu.
- Sim. Você mesma disse que gostaria de assistir um dia, então, está aí a oportunidade, eu tenho todos os filmes! - ele alargou o sorriso.
- Se eu fizer a maratona com você, você vai pra Brighton? - ele assentiu - então fechado.
- E você pode me ajudar na mala, acho que vou precisar - ele levantou a mão engessada balançando de leve.
Os dois terminaram o jantar em questão de minutos, continuando a conversar sobre qualquer coisa que vinham a sua cabeça, e era o que mais gostava, como a conversa fluía entre os dois, ela nunca tivera uma amizade assim tão fácil e temia que pudesse perder um dia, assim que terminaram a menina se ofereceu para lavar a louça enquanto com a outra mão, colocava o que estava na mesa, dentro da pia. Faltando só alguns objetos a campainha tocou.
- Eu não sabia que um osso quebrado atraía tanta visita - ele brincou - já volto. - ele disse recebendo um aceno de cabeça de .
Quando chegou à porta não se preocupou em olhar pelo olho mágico, imaginava que fosse alguém conhecido já que Rupert, o porteiro do prédio, não interfonou. Mas se arrependeu do que fez logo em seguida, ao ver de quem se tratava.
- ? - e logo lembrando do que disse “ninguém pode saber disso, nem mesmo o Niall”.


Capítulo 8

- ? - perguntou, confuso, ao ver o amigo na porta de seu apartamento.
- E aí, cara. - o loiro disse quando apareceu e apontou para a mão dele, igualmente como tinha feito há uns vários minutos atrás - como está? Espero que melhor que o porque eu acabei de sair da casa dele e ele estava fazendo um drama horrível.
- Er… eu estou bem, estou me virando, sabe, não foi muita coisa, os cortes já pararam de doer também. - o moreno disse olhando discretamente pra cozinha. - só veio pra saber se eu estava bem?
- Bom mais ou menos sabe, o está com a Bianca cuidando dele, ela vai passar a semana na casa do idiota, o está com a Renata, estão aproveitando que ela está com o apartamento só pra ela e o está com a Lauren porque ela não queria ficar sozinha, já que a saiu com a , e bem, como eu disse, a saiu com a e não atende nenhuma das minhas ligações. - ele falou olhando pra o celular com uma expressão desapontada. - só sobrou você.
- É muito honroso saber que eu sou sua última opção. - disse sarcástico. ignorou completamente o comentário do amigo.
- Você já comeu? Posso pedir uma pizza pra gente - o rapaz disse passando pelo amigo e indo até o sofá da casa do garoto, o pegando completamente de surpresa, sem deixar tempo para raciocinar direito. Claro que não iria impedir de entrar em sua casa, eram amigos, melhores amigos, mas não podia deixar o rapaz ver na cozinha e tinha que arranjar um jeito de avisar a menina que ele estava lá.
- Eu já comi sim. - o moreno respondeu rápido enquanto observava o amigo sentado no sofá pegando o controle remoto da TV, como sempre costumavam fazer ao chegar à casa de qualquer um dos cinco. - mas se quiser pedir uma pizza fica à vontade, eu só vou aqui na cozinha er… você quer algo pra beber? - a pergunta veio de súbito, pegando de surpresa, não costumava perguntar aos amigos se eles queriam algo. Claro que havia percebido o rapaz meio aéreo desde que o mesmo abriu a porta, mas achou que seria efeito dos remédios, assim como estava, mas depois dessa pergunta, o garoto começou a ficar atento. Passou os olhos pelo cômodo a procura de alguma coisa diferente, mas não encontrou nada.
- Eu…
- , onde você guarda os panos de prato? - foi interrompido pela voz de próxima demais, ele julgou, e assim como seu olhar foi diretamente na morena que estava parada perto a porta da cozinha com uma expressão não muito diferente da de , ou talvez um pouco, no olhar de carregava outra coisa além de surpresa, pânico. - opa.
- ? O que faz aqui? Você não tinha saído com a ? - o garoto perguntou se levantando do sofá, mas não se aproximou da menina. encarou a morena com uma expressão no rosto que dizia “me desculpa”. - onde a está, ?
- Eu… eu não sei, ! - a menina soltou. - ela deve estar terminando aquele trabalho importante da universidade, ela te falou, não foi? - ele respondeu que sim com a cabeça - então, deve ser isso.
- Mas o que você faz aqui? Por que o disse que você saiu com ela, que ela foi te buscar em casa. - ele disse olhando de pra . - você tem certeza que não sabe onde a está?
- Eu já disse que não, ! - ela bufou. - a me deixou aqui e me ajudou na farsa de que íamos sair juntas porque eu não queria que ninguém soubesse que eu tinha vindo visitar o , nós não temos nada, mas, você já deve ter percebido como minhas amigas são!
- E como vocês são. - falou de seu canto, com os braços cruzados. pareceu aceitar a quase mentira de , porque a propósito, ela sabia onde estava, mas tinha que da cobertura a amiga. A morena perguntou mais uma vez onde guardava os panos de prato e depois que obteve a resposta voltou para a cozinha depois de passados alguns minutos se levantou indo até a cozinha para pegar algo para beber, como era de costume. O rapaz não tinha engolido a história, claro que poderia ser verdade, mas a parte de não saber on estava, isso sim ele tinha certeza que era mentira, era bom em detectar algo errado quando sabia que uma parte estava faltando.
- Você sabe onde a está. - o loiro disse depois de ter pego o refrigerante na geladeira. estava terminando de guardar a louça e ficara na sala, esperando por . - ela não me atende de jeito nenhum, tem alguma coisa errada.
- Eu já disse, , ela está focada em um trabalho importante da faculdade. - a morena falou sem encarar o rapaz e continuando o que estava fazendo - se você a conhece tão bem, a conhece a anos, sabe como ela é focada em algo que quer muito alcançar.
- É exatamente por isso que eu sei que você sabe onde ela está, ou o que ela está fazendo. - ele disse cruzando os braços. - A não deixaria de atender minhas ligações por causa de um trabalho.
- Um trabalho importante! - soltou o pano impaciente em cima da mesa. - ela sempre faz isso quando tem algo importante da faculdade pra fazer ou até mesmo do trabalho!
- Mas ignorar minhas ligações o dia inteiro? - ele deu um passo em direção a . - Que trabalho é esse que leva vinte e quatro horas? Sem nenhum minuto de descanso para checar o celular? - a morena abriu a boca para responder, mas fechou de volta em seguida, vendo que não tinha algo para rebater a conclusão do garoto, naquele momento ela se deu conta de que nunca seria uma boa advogada. - foi o que eu pensei. - deu às costas a dando alguns passos até a menina abrir a boca, não gostava, aliás, odiava sair por baixo de uma discussão.
- Quer saber, - ela disse - eu sei mesmo, . Eu sei onde a está. - no mesmo instante o loiro parou onde estava, dando meia volta e encarando a menina a sua frente - Mas eu não vou contar.
- Eu sou o melhor amigo dela, eu tenho direito de saber, não quero que a se meta em encrenca, nem que ela se machuque, - ele disse demonstrando preocupação. Mas se tinha algo que não sabia é que não caia em conversa de rapaz nenhum mais. Conviveu tanto tempo com que aprendeu a não se deixar levar por falsas palavras bonitas, e sua última experiência dolorosa que tivera a ajudou bastante também naquele momento, sem contar com seu orgulho, que ela zelava bastante.
- Sabe, no momento, , a melhor amiga da sou eu. É em mim que ela confia, nos últimos anos foram eu e as meninas que estávamos ao lado dela, somos nós que a conhecemos de verdade no momento, você não passa de um estranho agora, que ela não lembra, que nós acabamos de conhecer. Aquela menininha de Manchester que você conhecia, mudou, então… - ela sorriu amarga encarando o garoto, talvez sua atitude estivesse sendo infantil, mas no momento, ela não ligou. - se ela quisesse que você soubesse onde ela está, ela teria te atendido, ela teria contado a você, não a mim, melhor amigo. - disse enfatizando o “melhor amigo” como ironia.
apenas a olhou furioso sem acreditar no que acabara de ouvir, pelo que conheceu de nos últimos meses não imaginaria que a menina iria um dia lhe dizer isso. Deixou sua latinha de refrigerante na mesa e saiu da cozinha deixando a morena sozinha com seu sorriso de vitória no rosto, e sem se despedir de , passou voando pela sala, abrindo a porta e a fechando com mais força do que pretendia. não gostava de falar essas coisas para as pessoas, mas, às vezes, ela sentia que algumas mereciam, e como a ensinou um dia: não tenha medo de falar a verdade para as pessoas, mesmo que saia como grosseria, parecendo veneno, ou que você acabe criando uma imagem de má, simplesmente fale a verdade, até porque como as pessoas falam por aí “a verdade dói” então faça jus ao ditado, faça doer. E foi isso que ela fez, ela disse uma verdade que estava tentando ignorar desde que reencontrara , ela não confiava nele como antes, mas precisou dizer para sua ficha finalmente cair.
- Eu posso saber o porquê do sair daqui voando e quase quebrar minha porta? - apareceu na cozinha enquanto jogava a latinha de refrigerante que o loiro havia deixado na mesa. Ela apenas se virou para o rapaz e deu de ombros.
- A verdade dói. - disse o encarando e depois passando por ele indo para a sala.

***

Já havia passado vinte minutos que estava atrasada e não conseguia lembrar quando foi que perdeu o posto de a mais atrasada do grupo. Estava esperando a loira no refeitório da faculdade, pois a mesma havia combinado com ela ali. Tinha se passado três dias depois daquela discussão com na cozinha de e depois dali não vira mais o rapaz e nenhuma de suas amigas e seus respectivos namorados, a não ser Lauren e . A garota conseguiu manter todas as amigas ocupadas e quando uma pergunta sobre surgia, ela inventava algo. E parecia que o destino estava ao lado das duas, pois Bianca estava ocupada demais cuidando de e das atividades da faculdade, Renata estava aproveitando os dias com , e evitava a presença de Lauren por mais de cinco minutos, sabia que se a amiga se sentisse sozinha iria chamar , e assim ela estaria ocupada demais para encher de perguntas. resolveu esquecer o que aconteceu, de início pensou em jogar para os amigos o fato de ter encontrado a morena na casa de , mas depois raciocinou, se contasse sobre isso iria vir as perguntas de onde estivera, e a atenção seria toda para a menina, se queria conseguir a confiança dela de volta teria que manter segredo até a mesma voltar a dar as caras. E foi isso que aconteceu.
- Finalmente, né, achei que ia me dá um bolo. - a morena disse vendo se aproximar.
- Desculpa, o trânsito estava horrível. - ela colocou sua bolsa em cima da mesa. - Como foram as coisas sem mim? Alguém desconfiou de algo?
- Ninguém notou sua ausência, eu poderia te matar e desovar seu corpo por aí que ninguém notaria, - ela sorriu divertida, - a não ser, claro, o seu amiguinho . - fez uma careta ao lembrar do rapaz.
- O que houve? - a loira perguntou confusa. soltou a respiração pesada lembrando-se do ocorrido.
- Sabe o dia que você foi para Manchester e me deixou naquele endereço, então… - a morena contou a amiga tudo que acontecera naquele dia vendo sua expressão permanecer a mesma.
- Eu não acredito que você disse isso! - ela sorriu para . - Eu criei uma cobrinha! Que orgulho!
- ! Sabe que eu não sou assim, só fiz isso pra manter seu segredo. - ela cruzou os braços.
- Você não contou nada a ele, contou? - e pela primeira vez naquela conversa, a menina se mostrou realmente preocupada.
- Não. - olhou séria para a amiga. - Pode ficar tranquila.
- Ótimo. - relaxou.
- Conseguiu o que queria descobrir lá em Manchester?
- Descobrir?
- , eu não sou burra, você reencontra seu melhor amigo de infância, ele te fala sobre o acidente que fez você perder a memória e esquecer justo dele e depois vai a Manchester sem deixar que saiba, - ela concluiu. - é porque quer descobrir algo.
- Onde você conseguiu tanta percepção assim? - a loira perguntou admirada.
- As séries que eu assisto na Netflix não me fizeram só passar o tempo, aquilo dali é uma escola. - ela deu de ombros.
- E quanto falta pra você chegar à faculdade? Perder sua vida social por completo? Umas dez séries? Viver como uma estranha? - ela sorriu ácida.
- Muito engraçado, - a morena rolou os olhos. - vai me contar ou não?
- Não descobri muita coisa, as pessoas que trabalham no hospital não podem me dizer nada sobre os pacientes ali internados e ninguém lembra desse acidente específico pelo simples fato de acontecer vários acidentes em um dia. - a loira bufou derrotada.
- Então você vai desistir?
- Essa palavra não existe no meu dicionário, eu vou esquecer temporariamente, vamos para Brighton, vamos aproveitar muito e esquecer tudo aqui em Londres e em Manchester, vamos nos divertir bastante e - ela olhou para sorrindo como se fosse aprontar algo - quando voltarmos, eu volto com a minha investigação.
- Então realmente é uma investigação… - concluiu - eu tô muito boa nisso.
- Assistir séries policiais não te faz uma investigadora. - soltou.
- Guardar segredinhos e fugir pra outra cidade no meio da semana também não te faz. - deu de ombros. só ignorou o que a amiga disse voltando seus olhos para o celular, e lembrou de algo que deveria fazer, ou melhor, alguém que deveria ver.
- Eu tenho que ir agora, você quer carona pra casa? - perguntou se levantando.
- Você poderia me deixar em um compromisso!? - a morena disse fazendo o mesmo que a amiga.
- Hmmmmm compromisso é? - sorriu maliciosa - posso saber com quem?
- Star Wars. - disse meio alheia.
- Você não pode tá falando sério, né? - parou onde estava.
- Mas eu estou sim. - a mais baixa parou junto com a amiga olhando para ela como se tivesse dito algo muito comum.
- É só dizer que está indo pra casa, . - a loira voltou a andar. - Não precisa dizer o que vai assistir.
- Mas eu não vou assistir em casa. - a morena disse acompanhando a amiga. - você vai me levar no mesmo endereço que me levou naquele dia.
- Como é? - e mais uma vez parou no mesmo lugar olhando para com as mãos na cintura - aquele cacheado de uma figa tá te levando para o caminho escuro da nerdice?
- Como se eu já não fosse, né - olhou para segurando o riso.
- Sabe, - a loira voltou a andar - deve ter sido por isso que ele foi abandonado no altar, aposto que trocava a noiva dele por Star Wars. - apenas riu com o comentário da amiga, no fundo ela não estava pronta para horas e horas de Star Wars sem pausa. Mas fez um acordo com e iria cumprir.

***

A menina encarava a porta branca à sua frente sem piscar. Já haviam se passado uns quatro minutos que chegara ao prédio de e ao sair do elevador no andar do garoto sua autoconfiança sumiu. Não sabia o que a fez travar ali na frente dos números 402, que não tocava a campainha e nem dava meia volta ao elevador, só ficava parada pensando porque não tomava uma atitude. Estava nervosa e ao mesmo tempo ansiosa, e um pouco receosa de ver novamente, mas sabia que precisava vê-lo, ela estava com saudades e ao mesmo tempo queria ficar longe dele, o porquê? Ela não sabia. Em um segundo de coragem sentiu sua mão levantando e seu dedo indicador tocando a campainha, alguns segundos depois a tranca da porta sendo aberta. abaixou a cabeça esperando pelo que viria em seguida. A porta se abriu e ela foi levantando o olhar até esbarrar com um par de olhos azuis a encarando completamente surpreso, mas feliz.
- Olha quem resolveu da o ar da graça. - falou num tom brincalhão, mas ela sabia que ele deveria está um pouco chateado.
- Sentiu saudades? - ela sorriu confiante.
- Talvez. - ele hesitou - Acho que me acostumei a viver longe de você. - o rapaz soltou pegando completamente de surpresa com o comentário.
- Sendo assim, acho que vou embora, você pode continuar vivendo sem mim. - ela fez menção de sair, mas a segurou pelo braço.
- Eu estou brincando com você, Blue. - ele sorriu. - Você ficou séria demais, quem costumava ser assim era eu.
- Você é um idiota. - ela rolou os olhos rindo fraco. - Não vai me convidar para entrar? - ele sorriu divertido abrindo passagem para a menina. passou por ele sentindo o perfume do rapaz, que mesmo ela não se lembrando do mesmo, sabia que aquele perfume era diferente, era algo novo, e ela gostava. Percebeu que o apartamento era confortável e bem arrumado, realmente combinava com organização, na sala só tinha um sofá de três lugares de cor branca, e todos os móveis como mesinha de centro e o pequeno criado mudo ao lado do sofá eram amadeirados, tudo bem neutro assim como era. Neutro demais, pensou .
- Então, espero que tenha conseguido algo lá em Manchester. - disse fazendo o encarar no mesmo instante com uma expressão de ter sido pega no flagra.
- Eu não acredito, a me disse que não tinha dito nada! - ela disse incrédula.
- E ela não disse. - a olhou sorrindo esperto e logo o raciocínio da menina agiu rápido, ele jogou a isca e ela caiu direitinho, como poderia ter sido tão desligada assim?
- Você está bem esperto… - ela o avaliou, sendo cautelosa. - mas eu descobrir algo sim, na verdade encontrei. - ela abriu a bolsa tirando de lá uma caixinha branca e enfeitada, um pouco desgastada, conhecia aquela caixa muito bem.
- Não acredito, - ele alargou o sorriso se aproximando de - é o que eu estou pensando?
- Sim, Aysha que me deu - ela sorriu abrindo a caixinha enquanto a indicava para sentar no sofá - eu… eu queria algumas fotos, algumas lembranças nossa antes do acidente. - ele pegou uma foto que lhe chamou muita atenção, olhou para a foto a vendo alguns anos mais nova abraçada com e segurando um copo vermelho na mão, enquanto sorria abertamente, estava do mesmo jeito, o sorriso de orelha a orelha segurando a menina pela cintura, os dois estavam em uma cozinha e tinha muitas pessoas alheias a sua volta.
- Foi na festa da Charlotte - ele disse - tínhamos 15 anos, você estava muito chapada aqui. - ele riu ao se lembrar desse dia. olhou para foto, querendo muito se lembrar, mas, nada lhe vinha a cabeça.
- Estávamos felizes? - ela perguntou.
- Muito. Era nossa primeira festa como calouros, - ela sorriu olhando para . - sua mãe te deixou de castigo um mês depois disso. - ele riu.
- Imagino que nem o castigo me segurou. - ela o olhou divertida.
- E você está certa, e aí que vem a próxima foto. - ele procurou dentro da caixinha até encontrar o que queria mostrando a foto a ela. Os dois estavam com mais três amigos, um rapaz e duas moças, estavam no capô de um carro, os cinco com garrafinhas de cerveja e fazendo poses engraçadas e espontâneas. - você deveria ter voltado pra casa depois da aula, mas disse aos seus pais que iria ter educação física naquela tarde, mas você não teve, então eu, você, a Aysha, Charlotte e o Brian saímos de carros e bebemos muito, você chegou um pouco alterada, mas, por sorte, seus pais não estavam em casa. - ele finalizou sorrindo ao lembrar.
- Caramba, eu era uma peste. - ela falou admirando a foto. - E você nem me controlava - ela repreendeu brincando.
- Você era indomável, , ninguém te controlava. - ele riu.
- E essa aqui? Você está todo vermelho - ela riu ao ver a foto, esbanjava o corpo em um biquíni preto e básico ao lado de só de bermuda todo vermelho e molhado, a menina parecia não ter percebido a foto e ria espontaneamente enquanto estava sério e aparentemente mal humorado.
- Você me jogou na piscina após eu ter dito ', eu não vou pra piscina agora porque eu ainda tenho que passar no mercado’ e você fez o que? Sim, me empurrou, a foto foi tirada depois que eu saí da piscina. - ele avaliou a imagem. - foi engraçado.
- Eu queria poder lembrar esses momentos, - ela olhou para a foto. - lembrar de cada um deles, mas acho que só o que me resta são essas fotos. - ela suspirou.
- Você um dia vai lembrar…
- Não, . Não vou, o doutor foi claro, eu perdi tudo. - ela olhou pra ele. - Perdi toda minha adolescência, perdi parte da minha vida e agora só me restam essas fotos.
- E eu. - ele disse encarando os olhos azuis da menina. - você me tem de novo.
- Sim, eu tenho. - ela sorriu pra ele. No fundo queria se lembrar, queria se lembrar de tudo, inclusive do acidente porque por mais que amasse ou sentia que o amava, sabia que ele escondia alguma coisa e isso a incomodava. Voltou a olhar as fotos até achar uma em particular. Ela estava abraçada a um rapaz moreno e alto e muito bonito, o qual ela não conhecia, ao lado estava e uma menina ruiva, também muito bonita e ao lado deles Charlotte e Brian, estavam em algum lugar que parecia um parque de diversões. olhou para , esperando alguma reação da menina, mas, ela só olhava a foto confusa até dizer - , quem são esses? - ela apontou para os dois jovens ao qual não lembrava.
- Essa foto foi tirada uma semana antes do acidente. - ele disse sério e com pesar na voz - o rapaz que você tá abraçando é o seu ex e motivo por estarmos bêbados na tarde de uma sexta e a menina ruiva também é minha ex, terminamos um mês depois do acidente.
- Eu não… eu não me lembrava dele… e ninguém nunca me falou dele… - olhou para a foto de novo - qual é o nome dele?
- … esquece isso…
- me conta! - ela olhou pra ele. - Eu mereço saber! Eu tenho direito!
- O nome dele é - ele encarou a menina, não poderia esconder o nome do seu ex, ela estava certa, perdeu a memória e ninguém esclarecia as coisas do dia mais terrível de sua vida, talvez para poupá-la, mas sabia que era necessário e como não tinha ajudado muito com as lembranças do acidente nos últimos dias, achou que era certo contar. - o nome dele é… Steve.
- Sobrenome. - ela falou fria.
- Steve Rogers. - ele a olhou para ver a reação da garota.
- Convivo tempo demais com a pra saber que esse é o nome do Capitão América, seu idiota. - ela disse entediada.
- Nenhuma risadinha da minha piada?
- Não teve graça. O sobrenome verdadeiro, . Anda logo.
- Steve Parttison. Esse é o nome dele. Satisfeita? - ele caiu pra trás no sofá deitando a cabeça no encosto.
- Steve Parttison… e o nome da ruiva? - ela perguntou curiosa.
- O nome dela você não vai saber. Era minha ex namorada e eu tenho direito de não contar. - ele continuou sem tirar os olhos do teto.
- Qual é, , não é como se fosse o fim do mundo, vai fala, só o primeiro nome. - a loira insistiu.
- Não, . - ele a olhou. - Esquece que ela tá nessa foto, esquece ela, tá?
- É muito grave pra você não me dizer o nome da garota? Ela fez o que? Te colocou um par de chifres? - a menina respondeu ríspida.
- Quem dera ela tivesse feito isso. - disse se levantando - não me pergunte mais sobre isso, tá? Eu não quero ser grosso com você. - ele saiu andando pra cozinha deixando a loira completamente confusa na sala sem entender porque ele teve aquela reação e porque não queria que ela soubesse sobre sua ex namorada. Aquilo era muito estranho, mas primeiro ela iria focar em outra pessoa. Steve Parttison.
não gostava da ideia de desconfiar de , mas ele também não ajudava com todo esse mistério e reações grosseiras a mais simples das perguntas. Depois que o rapaz voltou pra sala decidiram pedir algo pra comer e enquanto saboreavam os sushis que bateu o pé para comer, assistiam algo aleatório na TV enquanto jogavam conversa fora. A garota sentiu uma sensação familiar e sentiu algo que muitos costumam sentir quando fazem alguma coisa que não faziam há anos. Nostalgia. Pelo que ela não sabia, já que não se lembrava de nada, porém deu a confirmação logo em seguida.
- Estou me sentindo um adolescente de novo quando você ia pra minha casa ou eu ia pra sua e ficávamos exatamente como estamos agora. - ele disse após se recuperar de uma risada que deu com uma piada da garota.
- Engraçado que eu estava achando tudo muito familiar, mas não entendia o porquê. - ela disse tomando um pouco de seu refrigerante.
- Então pode ser uma boa refazer coisas que fazíamos quando jovens, vai que abre sua memória.
- É, talvez… - ela falou mastigando um sushi e logo mudando de assunto - , você tem que pedir desculpas a por ter sido grosso com ela!
- Ela que foi comigo no caso, né. - o rapaz disse se defendendo. - Ela falou a você o que me disse?
- Sim, e eu aprovei! - ela deu de ombros.
- Então ela está certa!? - o rapaz perguntou sem acreditar.
- Os dois foram grossos, precisam se desculpar logo antes de irmos pra Brighton!
- Tá, depois eu falo com ela. - o rapaz disse se fazendo por vencido, mas não iria falar com a menina, orgulhoso como era, iria esperar a moça vir pedir desculpas primeiro, o que não sabia era que no jogo do orgulho, era a melhor competidora.

***

- Tá legal é o seguinte: – Renata disse puxando o carrinho de compras na frente do supermercado - vocês dois - apontou para e - vão comprar as comidas necessárias e nós - apontou para si mesma depois e - vamos comprar os materiais de limpeza.
- Por que nós não podemos ficar com a comida? - choramingou pela milésima vez desde que o pessoal separou o que iriam fazer. Lauren e estavam fazendo uma revisão no carro e logo depois iriam organizar os colchões que precisavam ser levados para a casa da família da menina em Brighton. Bianca levou e ao hospital para tirarem os pontos e depois iria fazer uma revisão no seu carro também e ficariam de levar o jantar para os amigos mais tarde. E Renata, , , e ficaram de comprar o que fosse necessário para usar em uma casa, como, por exemplo, comida e produtos de limpeza.
- Eu já disse, , os meninos não vão saber qual produto comprar. - Renata explicou.
- É claro que nós sabemos, moramos sozinhos. - se defendeu.
- , amor, - A loira disse. - você tem uma pessoa contratada que limpa seu apartamento, quem sabe das coisas é ela.
- Eu sei tá legal? - disse.
- Ah, sabe? - o olhou. - A moça que trabalha pra mim também trabalha pra você.
- Tá bom, calem a boca os dois - falou passando por Renata e pegando o carrinho da menina. - vamos logo.

Os rapazes foram para um lado enquanto as meninas para o outro. Enquanto Renata ia na frente olhando a lista de compras e colocando os produtos no carrinho que estava sendo levado por logo atrás da menina, acompanhava a loira olhando vez ou outra o celular e jogando conversa fora com as amigas, até Renata se lembrar da noite passada.
- e , onde vocês estavam ontem à noite? - a menina perguntou enquanto pegava um sabão e olhava a validade. - saí com a Lauren, o e o e eu não conseguia falar com vocês.
- Saí. - deu de ombros.
- Eu dormi. - fez o mesmo movimento que a amiga.
- Dormiu fora de casa, né, a Lauren me contou que você só chegou hoje de manhã. - Renata disse pondo o sabão no carrinho.
- Hoje de manhã é? - levantou uma sobrancelha olhando pra .
- Onde você dormiu, ? - Renata perguntou alheia.
- Eu … er… eu fiz uma maratona de Star Wars com uma amiga. - ela deu de ombros. - acabei dormindo na casa dela.
- Que amiga? - a mesma que estava comandando as compras fez a pergunta demonstrando curiosidade pelo assunto. A morena por sua vez não conseguia pensar em um nome qualquer feminino o que a fez abrir a boca, mas nada saiu, porém, foi mais rápida, respondendo Renata naturalmente.
- A Haley. - a loira disse dando ênfase na sílaba “Ha” - você nunca a viu Renata? - a loirinha balançou a cabeça em negativo tentando lembrar de alguma Haley.
- Ela é da minha turma em uma matéria na universidade. - respondeu rápido. - adora Star Wars.
- Eu nunca conheci nenhuma Haley…
- Ah, Renata, ela nem é assim tão difícil de não perceber - respondeu. - alta, de cabelos castanhos com alguns cachinhos, branquinha de olhos verdes, um sorriso lindo com covinhas a mostra, impossível não perceber uma pessoa assim. Super gente boa ela. - olhou para a querendo matar ali mesmo, Renata podia ser lerda às vezes, mas não tanto assim, ela iria sacar logo de cara.
- Realmente eu preciso ser mais observadora, como eu nunca vi uma versão feminina do andando pela universidade? - ela disse pensativa, totalmente alheia a o que quis insinuar.
- Exatamente, se colocar ela ao lado dele, diríamos que são irmãos gêmeos. - a loira mais alta falou sorrindo irônica.
- Mas eles não são, qualquer dia quem sabe eu apresento vocês a ela. - disse dando de ombros.
- Iríamos adorar. - disse sorrindo. Renata olhava para a lista depois para o carrinho com uma expressão confusa no rosto, depois de analisar a lista mais uma vez saiu falando para as meninas que já voltava.
- Você é uma cobra peçonhenta! - a mais baixa disse com os olhos semicerrados.
- Sou, sou mesmo. - deu de ombros. - você sabe que eu gosto de ver o circo pegar fogo.
- Com as suas próprias amigas? - perguntou cruzando os braços.
- É ainda mais divertido. - ela sorriu com malícia. A morena só revirou os olhos voltando à atenção para seu celular e foi pega de surpresa mais uma vez por uma pergunta de . - O estava usando aquelas camisas com piadas que só vocês nerds entendem?
- Pra falar a verdade, - ela levantou seu olhar pra com um sorriso sádico no rosto - ele estava sem camisa - disse piscando para a amiga.
- Sem camisa?! - a loira engasgou.
- Sim, sem camisa e com uma calça de moletom um tanto quanto desleixada na cintura dele, deixando a mostra aquele caminho do abdômen pra você sabe onde. - a morena disse maliciosa.
- Meu Deus, , impossível. - mostrou um interesse enorme na conversa e já querendo mais informações da amiga. - Aquele nerd por acaso tem um abdômen sarado, assim só por curiosidade…
- Sabe, , - ainda carregava o sorriso cheio de malícia no rosto. - eu não faço a mínima ideia! - desmanchou o sorriso rindo sozinha e da cara que a amiga fez quando percebeu o que a morena acabara de armar. sabia como era curiosa e tinha alguns problemas com ansiedade, alguns assuntos interessantes postos a menina a deixavam impaciente e inquieta, e soube bem como revidar.
- Sua vaca! Isso não se faz! Você sabe do meu problema com ansiedade! - esbravejou tentando recuperar o controle sobre suas mãos suadas e trêmulas.
- Voltei meninas, vamos continuar nossa jornada. - Renata disse passando pelas amigas e assumindo o controle do carrinho, observando o estado que estava ela levantou uma sobrancelha. - , você tá bem?
- Eu estou ótima, Renata! -ela passou pelas amigas. - vou atrás do . - Saiu ouvindo umas risadinhas de , e Renata perguntar o que houve para a mesma.


Capítulo 9

Se tinha uma coisa que mais odiava na vida era acordar cedo. E uma coisa que ela odiava mais do que isso, era acordar cedo no domingo. Estava colocando suas malas e as de Lauren dentro do elevador enquanto a amiga terminava de arrumar algumas sacolas para levar para a viagem. As duas eram as últimas a serem pegas pelos amigos para seguirem caminho para Brighton. Como e não podiam dirigir por conta do gesso, resolveram que no carro de Bianca iriam as meninas e no de , os meninos. colocou todas as malas delas no elevador, e apertou o botão do térreo, segurou o travesseiro que estava carregando e sentou em uma das malas, apoiando a cabeça no espelho do elevador, ela só não esperava que fosse cochilar tão pesadamente do 12° andar até o térreo.
apertava o botão do elevador insistentemente na portaria, iria subir pra ajudar Lauren trazer o que faltava e quando viu que o elevador já estava descendo, apenas esperou. Quando a porta da máquina se abriu ele foi pego de surpresa pela cena que estava vendo. dormia tranquilamente sentada em cima da mala com o travesseiro agarrado em seus braços, e é claro que ele não iria deixar isso passar. Tirou o celular do bolso indo direto para a câmera e fotografou a menina dormindo, logo depois enviou para o grupo que os amigos haviam criado para a viagem a Brighton. Depois de ter guardado o celular ele se apressou em acordar .
- Ei, dorminhoca. - o rapaz sacudiu o braço da menina de leve. – , acorda, você está no elevador! - após receber uns resmungos da menina, mas sem nenhum resultado ele resolveu puxar o travesseiro dela fazendo a mesma acordar assustada com o movimento.
- , o que você… - ela se interrompeu olhando ao redor e se dando conta de onde estava - eu dormir no elevador?
- Pelo que eu tô vendo, você consegue dormir em qualquer lugar. - ele disse rindo. Ela o olhou confusa e depois voltou ao seu humor costumeiro que tem durante a manhã, puxando o travesseiro da mão do rapaz e pegando sua mala, saindo do elevador. - Ei, não vai pegar essas daqui?
- Essas aí são da Lauren, você como é o namorado dela, traz. - ela disse sem olhar pra trás.
Quando saiu da portaria pôde ver os dois carros parados no meio fio. O primeiro estava Renata e em pé do lado de fora olhando pra o celular e rindo. Bianca organizava o porta malas para poder colocar a bagagem das amigas. O segundo estava e ao lado da janela do banco do carona que era ocupado por , os três também estavam rindo de algo no celular. Quando chegou mais perto pôde ver dentro do carro dormindo, um pensamento passou por ela ao ver a cena, o quão angelical ele estava, sereno daquele jeito.
- Do que vocês tanto riem? - ela disse apontando para os meninos e depois as amigas que se aproximavam dela na mesma hora.
- Primeiramente, bom dia, ! - disse sorrindo doce, recebendo o olhar inexpressivo da morena.
- Segundamente, disso aqui, bela adormecida. - disse mostrando o celular para a mais baixa. viu sua foto dormindo no elevador e só pensou uma coisa, .
- , seu filho da … - ela disse se virando enquanto o rapaz se aproximava dela segurando as malas de Lauren.
- Se você completar essa frase vai tirar a imagem fofa que eu tenho de você na minha cabeça. - ele falou interrompendo a menina.
- Puta! - ela disse séria e cerrando os olhos.
- Cara, né que você fica ainda mais fofa falando palavrão! - ele disse sorrindo pra menina, recebendo só uma virada de olho.
- Belo jeito de começar o dia. - ela se virou indo colocar a mala no carro.
- Ela é uma versão “menos pior” da Renata de manhã. - disse analisando a menina enquanto ela se afastava do carro e recebendo um olhar feio de Renata.
- Adivinha quem trouxe uma pilha de filmes de terror? - Renata disse pra o menino o vendoele engolir em seco. - e adivinha quem vai acordar na mesma casa que eu por uma semana? Isso mesmo, , comece a rezar ou a minha versão possuída te mata no meio da noite. - ela finalizou com um sorriso meio psicopata no rosto e depois saiu andando pra o carro.
- Às vezes até eu tenho medo dela. - falou acompanhando Renata com o olhar.
- Molengas. - debochou balançando a cabeça negativamente.

***


A viagem seguia seu rumo tranquila na medida do possível. Lauren que estava no banco do carona cantava todas as músicas que passava na rádio junto com Renata que, por azar do destino, ficou no meio no banco de trás. dormia como um anjinho com o travesseiro encostado na janela e seus tampões de ouvido que Lauren fizera a moça comprar em uma feira de artefatos uma vez, e pela primeira vez aquilo estava sendo útil protegendo seus ouvidos das mandrágoras berrando ao seu lado. Como uma boa nerd, foi isso que ela pensou assim que ouviu o rádio sendo ligado. Bianca estava tensa e séria, tinha como responsabilidade dirigir por horas e pegar estradas para viajar não era algo que ela estava acostumada, ainda tendo que guiar o carro dos rapazes que vinha logo atrás, não tirava o foco com medo de se perder. ia olhando a paisagem enquanto tomava sua terceira caixinha de suco e acompanhava as amigas, vez ou outra, em alguma música, mas algo já estava a incomodando há um tempo e sabia que não ia conseguir segurar mais.
- Preciso fazer xixi! - ela disse atraindo a atenção das amigas, menos que não ouvia nada.
- , sério? Agora não da, não tem nada por perto. - Bianca disse ainda mais tensa olhando para os lados e só vendo estradas, carros e muito mato.
- Mas eu preciso fazer agora, gente, já faz uma hora que eu tô segurando! - ela choramingou.
- Então faz no mato, ué.- Renata disse dando de ombros.
- Claro que não!
- Então segura mais! - Lauren disse virando pra amiga.
- Biancaaaaa, por favor, acha um posto pra gente!
- Você quer que eu faça mágica? - ela falou quase se desesperando. – Lauren, você que conhece mais o caminho, procura aí no Google algum posto aqui perto. - a morena pegou o celular e digitou algumas coisas nele esperando que a internet funcionasse.
- Achei! Tem uma loja de conveniência há uns 10 minutos daqui. - ela virou pra - dá pra segurar?
- Acho que sim. - a loira disse cruzando as pernas e mordendo os lábios.
- Ótimo, alguém liga pra os meninos e avisa a eles. - Bianca disse sem tirar os olhos da estrada, concluiu que nunca mais iria viajar dirigindo.

***

O carro dos rapazes não estava muito diferente do das meninas, tirando o fato de que era mais habilidoso e tranquilo na estrada do que Bianca. Ele, e engataram uma conversa com muita risada exagerada e algumas piadas sem graça que o loiro contava, já que , por incrível que pareça, havia conseguido dormir naquela barulheira, e ele era o mestre nas piadas. por outro lado acordou assim que o carro saiu do apartamento das meninas, se tinha uma coisa que ele não conseguia fazer, era dormir com barulho. O rapaz alternava seu olhar da paisagem lá fora para o celular e fazia um comentário ou outro na conversa dos amigos, quando seu celular começou a tocar e o nome “Renata” apareceu na tela.
- Você ligou pra o número certo? - foi a primeira coisa que a menina ouviu assim que o rapaz atendeu.
- Sim, , liguei, tenho dois recados. - ela enumerou nos dedos mesmo sabendo que ele não veria - primeiro, vamos parar daqui a dez minutos em uma conveniência, porque a está quase fazendo xixi aqui no carro.
- Comentário desnecessário, Renata! - ele ouviu a voz de pelo celular.
- E segundo - a garota continuou ignorando a amiga - diz pra o ficar com esse celular na mão, porque se fosse algo sério já estaríamos mortas! - ela disse entediada. – xau, ! - e desligou a chamada.
- Er… xau - ele bloqueou a tela do celular e olhou pra o banco da frente - aviso rápido, as meninas vão parar em uma conveniência daqui a 10 minutos e - ele hesitou - a Rê disse pra você ficar com o celular por perto.
- Mas eu estou com o… - ele falou apalpando a jaqueta e depois o bolso da calça - celular! Cadê meu celular?

***


- Meu Deus minha bexiga agora pode respirar! - saiu do banheiro enquanto a esperava do lado de fora.
- Você tomou quantos suquinhos daquele? - ele perguntou.
- Acho que uns três. - ela respondeu lentamente enquanto pensava.
- Devia ter comido alguma coisa do que só tomar líquido. - ele deu de ombros enquanto os dois andavam para fora da convivência, passando por um corredor onde pegava alguns pacotes de salgadinhos e conversava com Bianca enquanto a mesma tomava um chá de camomila.
- Se a princesinha ali deixasse, né - apontou para o casal - a Bianca não deixa ninguém comer no carro dela. - a loira bufou.
- Você deveria vir com a gente, então - ele deu um sorriso sacana pra ela - podia trocar de lugar com o , ele não tá fazendo muita diferença mesmo. - ele deu de ombros. - só fica naquele celular ou calado olhando pela janela.
- Você acha que ele não se importaria? - ela perguntou meio na dúvida, mas adoraria ir com durante a viagem e o carro dos meninos parecia estar mais divertido.
- Nah - o rapaz disse - acho até que ele vai gostar. - o loiro falou mirando seu olhar na morena baixinha que conversava com Renata pela janela do carro das meninas.

***

já estava posto no seu lugar do carro colocando os fones quando apareceu com a proposta dele trocar de lugar, o moreno olhou dele para a loirinha ao seu lado e não fez questão de fazer a troca, até porque pelo que parecia o carro das meninas aparentava estar mais tranquilo já que quando chegaram a conveniência ele pôde ver dormindo tranquilamente no banco de trás. Andou até o carro entrando e observando as garotas que já estavam lá. Lauren ocupava o lugar de Bianca que agora estava no banco do carona e conversava tranquilamente com a amiga e tinha voltado a dormir no mesmo lugar que estava antes, ele viu os tampões no ouvido dela e achou aquilo uma ótima idéia para viagens de carro. Renata ainda conversava com e depois de alguns minutos veio andando de volta para o carro se deparando com seu lugar no meio.
- Sem chance que eu vou no meio de novo! - ela olhou pra e fez um movimento com as mãos indicando para ele afastar.
- Você já viu meu tamanho? Se ir no banco de trás já é incômodo, imagina no meio. - ele se defendeu.
A menina olhou dele para que dormia tranquilamente, impossível ela já ter pego no sono quando a mesma estava conversando com Renata há poucos minutos. Rê foi andando até a porta que estava encostada a abrindo bruscamente fazendo a menina pender pra o lado e quase cair no chão se não fosse a segurando pelo braço.
- Você enlouqueceu? Eu podia ter me machucado. - ela quase gritou colocando os tampões no pescoço.
- Você. Pra o meio! - Renata disse empurrando para o meio do banco.
- Aaaaaaaah qual é, Rê! Pede pra ! - ela se virou sendo surpreendida quando viu no lugar da amiga. - o que você tá fazendo aqui?
- Troquei com a . - ele deu de ombros. - ela prefere a companhia do a a de vocês, pelo visto. - brincou.
- Ingrata. - murmurou enquanto ia afastando pra o lado enquanto Renata ocupava o lugar que antes era da morena.
- Vocês já se resolveram aí atrás? - Lauren perguntou pelo retrovisor impaciente com a discussão besta.
- Sim! - Renata sorriu vitoriosa olhando pra que carregava uma carranca no rosto.
- Te odeio. - a morena disse quando ia colocar os tampões de volta mas os mesmos foram puxados por .
- E isso aqui vai ficar comigo, você já dormiu demais não acha? - ele sorriu pra menina que bufou com o ato dele.
- Até você? - ela cruzou os braços vendo o rapaz colocar os tampões e fazer um sinal de ok aprovando o objeto. – Lauren, coloca o rádio no volume mais alto!
- Você quer que sejamos paradas pela polícia? De jeito nenhum. - ela deu partida no carro. olhou pra o bolso do jeans de e viu os fones de ouvido dele, os puxou fazendo o rapaz olhar pra ela. colocou os fones em seu celular e virou pra fazendo um sinal de ok aprovando o objeto, ele deu um riso abafado com o ato da menina arrancando um sorriso dela pela primeira vez naquele dia, o moreno achava o sorriso de bonito, achava até mais bonito do que o de Melanie e Kate, mas não tinha coragem de falar isso em voz alta. Ainda mais depois do que quase aconteceu com eles na maratona de Star Wars.

***

- Vai! Vai! Vai! Vai! Vai! - e gritavam no carro torcendo por enquanto ela enchia boca de marshmallow junto com .
- , eu apostei alto em você, não me decepcione! - falou do banco do motorista enquanto não tirava os olhos da estrada.
- E mais um e mais… AEEEEEEEEEE - os meninos cantaram vitória quando colocou os marshmallows todos na boca enquanto ainda faltavam mais dois para vencer - vocês dois nos devem vintão - disse rindo e dando um high five junto com .
- Como assim? você sempre foi o melhor nisso! - disse incrédulo.
- Acontece, meu caro amigo, que conhecemos a há mais tempo do que você, sabemos do que ela é capaz. - disse colocando os braços em volta da cabeça e se ajeitando no banco.
- Ela sempre venceu de mim nessas brincadeiras. - disse terminando de engolir os marshmallows.
- E você só me diz isso agora, seu idiota? - O moreno disse olhando pelo retrovisor.
- Não ia me ferrar sozinho. - ele deu de ombros.
- Podem passar o dinheiro de vocês pra mamãe aqui, seus maricas. - disse sorrindo. - ganho de qualquer um aqui.
- Como tem tanta certeza? - perguntou se virando pra ela.
- Por que eu sou muito boa com jogos, . - ela piscou pra o rapaz.
- , , … - disse. - finalmente achei alguém a minha altura.
- Você acabou de perder pra ela, idiota. - disse olhando pela janela.
- Porque o não me avisou que ela era melhor, mas agora que eu sei isso não vai mais acontecer! - ele sorriu.
- O que vocês acham que o deve tá fazendo no carro das garotas? - perguntou mudando de assunto e procurando outra pessoa para os amigos zoarem.
- Falando sobre o primeiro beijo da vida deles?
- Cantando Beyoncé com elas?
- Flertando com a ? - e disseram ao mesmo tempo.
- Vou na terceira opção - sorriu malicioso.
- Qual é, os dois são só amigos - disse.
- Por enquanto. - disse baixinho, mas e conseguiram ouvir.
- E vocês dois? - disse. - quando vão se assumir também?
- Nós? - riu alto. - nós somos melhores amigos , só isso.
- Melhores amigos? - ele levantou a sobrancelha. - E já estão assim? Vocês se conhecem a o que? Três meses?
- Oi? - disse sem entender. - nós nos conhecemos desde criança! - ela olhou pra que engoliu em seco, nunca tinha falado disso pra os amigos, por motivos óbvios que só ele sabia. e por outro lado já sabiam, as namoradas tinham lhes contado no dia do cinema, decidiram encarar a estrada e evitar qualquer cena constrangedora.
- Como assim, , por que nunca nos contou? - perguntou confuso. não pôde acreditar no que ouviu. fez sinal pra que mudasse de assunto ou não falasse mais naquilo.
- Nunca contou a eles? - ela perguntou surpresa e ao mesmo tempo decepcionada. - Eu que perco a memória e você que prefere fingir que eu não existo? - a olhou sem saber o que responder, não podia conversar com ela sobre aquilo ali, na frente dos amigos e seu coração pareceu se quebrar um pouco ao ver ela se virar pra frente o ignorando, ele sabia que a tinha magoado. Outra vez.
-


Capítulo 10

Os dez jovens chegaram finalmente na casa de praia que a família de Lauren tinha em Brighton. A casa era grande o suficiente para caber todos ali. Não tinha muros algum, apenas pequenos arbustos que formavam uma separação entre a calçada e a grama do jardim. A garagem da casa cabia os dois carros, mas pararam eles no meio fio, a casa era branca com alguns detalhes bege, algo bem leve, a varanda imensa no primeiro andar dava um ar de casa de praia e descanso. A piscina que ficava no quintal, era grande o suficiente para que suas laterais pudessem ser vistas pela parte da frente. Lauren desceu do carro no mesmo instante que Bianca já indo em direção ao porta-malas, Renata abriu a porta descendo também enquanto observava e Louis fazerem o mesmo que Bianca e Lauren. tirou os fone de e guardou no seu bolso, olhou para o rapaz ao lado e o mesmo parecia que não iria acordar tão cedo. Com as pontas dos dedos começou a cutucar o rapaz e vendo que ele não acordava, levou suas mãos aos tampões os tirando com dificuldade da cabeça do menino e depois que conseguiu tentou acordá-lo novamente. bateu mais forte em seu braço o chamando mais uma vez e desistiu de tentar acordar o garoto, saiu pela porta que Renata abriu e viu seguindo Lauren e Louis em direção a casa. ajudava com as malas do rapaz, enquanto Bianca carregava as próprias ao lado dos dois. Renata ia com em seu encalço logo atrás dos amigos. A morena foi ao porta-malas pegar suas coisas e antes de seguir caminho para a casa a sua frente voltou para o carro para tentar acordar .
- Ei, belo adormecido. - ela mais uma vez cutucou o rapaz, e dessa vez obteve resposta, um resmungo abafado, mas ainda sim, uma resposta – , acorda, ou vou te trancar aqui no carro!
- Nós já chegamos? - ele falou com dificuldade para abrir os olhos.
- Já, seu idiota. - ela riu vendo o rapaz naquele estado, ela achou engraçado e adorável ao mesmo tempo e imaginou como seria acordar ao lado dele, mas espantou o pensamento pra longe na mesma rapidez que veio.
- Nossa, acho que nunca dormi tão mal. - ele falou já se desvencilhando da porta e pisando no solo de concreto.
- Mal? Você quase não acordava! Já estava babando aí. - disse incrédula enquanto o rapaz fechava a porta atrás de si.
- Se eu tivesse dormido bem, você não teria conseguido me acordar. - ele sorriu divertido pra ela enquanto ia em direção ao carro de .
- Você precisa equilibrar seu sono, meu jovem Padawan - disse arrancando uma risada do rapaz. - não pode deixar o lado negro do sono lhe consumir. - ela piscou pra ele pegando suas malas e indo em direção a casa. apenas riu sozinho com a referência que a moça fez a seu filme favorito, e a observou caminhar até as portas e sumir lá dentro. Pegou suas malas e fez o mesmo caminho que a morena.

Dentro da casa, os jovens se dividiram em organizar logo os alimentos e os outros produtos, e logo depois que terminaram Lauren subiu uns três degraus da escada para ficar a vista de todos, o que não era necessário, segundo . A menina não deixou nenhum dos amigos ir para os quartos sem antes arrumarem a parte de baixo, e finalmente o descanso estava liberado.
- É o seguinte, meninos, como as meninas já sabem, só vou informar a vocês. - ela disse atraindo a atenção dos amigos. - só tem quatro quartos, duas suítes com cama de casal, um quarto com um beliche e uma de solteiro e um quarto com cama de casal e uma de solteiro, lembrando que uma das suítes é minha e do , então, que os jogos comecem! - ela pegou a mala que estava ao lado e saiu correndo subindo as escadas e o caos foi plantado na sala.
- EU E O FICAMOS COM A OUTRA SUÍTE! - Renata gritou correndo em direção a mala, mas foi impedida por Bianca.
- NÃO, SENHORA, A OUTRA SUÍTE É MINHA E DO !
- E eu posso saber vocês merecem ela? - Rê perguntou virando para a morena.
- Porque nós estamos juntos há mais tempo, oras! - Bianca deu de ombros.
- Isso não é argumento! - a loira bateu o pé. – , faz alguma coisa!
- Mas eu… - o rapaz entrou no meio da discussão das duas amigas enquanto apenas prestava atenção sentado no sofá. puxou discretamente para a escada enquanto os outros quatro continuavam a gritaria.
- Se a gente subir sem que eles vejam conseguimos pegar o quarto com a beliche e a cama de solteiro. - a loira murmurou para a amiga. - não quero dividir uma cama de casal com vocês!
- É, eu também não, você se mexe demais. - a loira rolou os olhos com o comentário, e quando colocou o pé já no terceiro degrau sentiu um corpo maior que o seu impedindo a passagem.
- Se pensam em pegar o quarto que estou pensando que vão pegar, então enganadas!
- Seu nerd de uma figa! Sai da minha frente! - tentou empurrar , mas o mesmo não moveu um centímetro, olhou pra trás e estava na ponta da escada, a confusão dos dois casais ainda continuava próximo ao sofá. A loira tentou passar pelo lado de , mas ele colocou o braço impedindo a passagem dela, olhou para que procurava uma forma de passar por .
- Caramba, Lauren, você tá pelada! - a morena jogou no ar, mas foi mais rápido fazendo um sinal pra que era mentira, e no segundo que o rapaz olhou pra o loiro, aproveitou pra passar pelo lado dele de novo, mas foi impedida mais uma vez, o que não esperava era que fosse fazer o mesmo, só que do lado contrário, e pela menina ser menor que , conseguiu passar por ele, correu de dois em dois degraus enquanto ouvia um “vai, ” vindo da amiga. sabia qual o quarto entrar, então foi direto nele, assim que entrou no quarto, parou e sentiu um corpo muito maior e muito mais largo se chocar em suas costas. - ai! - murmurou virando, mas nem deu o trabalho de olhar direito, sabia que era . - eu cheguei primeiro, Darth Vader do sono, vaza! - ela falou indicando a porta.
- Você é rápida, hein! - ele ofegou.
- Se você correr consegue pegar a cama de solteiro. - ela disse rindo da situação, arregalou os olhos e saiu do quarto às pressas, estava no topo da escada e os dois lançaram um olhar cúmplice, no mesmo instante o moreno correu para a porta ao lado e dando graças a Deus de ter sido o quarto certo, assim que pousou os olhos na cama de solteiro, pulou em cima dela.
- Mas que droga! - disse ofegante chegando na porta do quarto - só espero que quem fique seja o , o se mexe demais!
- E eu posso saber como você sabe disso? - perguntou sorrindo malicioso. O que deixou sem graça e repassando o que acabara de falar.
- A Bianca contou, tá?

No quarto ao lado, dava pulinhos de satisfação por ter conseguido o quarto, pegou sua mala e jogou na cama de cima da beliche e depois se sentou ao lado de na cama de solteiro enquanto ouviam a gritaria que vinha da sala. A loira mexia no celular e se recusava a ver qualquer assunto que fosse relacionado à Manchester, iria esquecer que a cidade existia pelo menos naquela semana. trocava mensagens com e vez ou outra ela e a amiga enviavam uma foto zoada pra o rapaz que ria alto das caretas das meninas. O moreno estava deitado na cama e ainda com a mala intacta, diferente de , que já estava colocando as roupas no armário do quarto. Sem nem perceber, tirava uma foto dele a cada minuto, e sempre as piores eram enviadas pra , que nem se importava muito, apenas enviava para , que era a principal interessada pelas fotos zoadas do garoto. Com ambas as portas abertas os quatro jovens viram Lauren e Louis indo em direção a escada e, sabiam, que aquela confusão na sala teria um fim. Após alguns demorados minutos as meninas ouviram muitos passos vindo da escada, e a primeira coisa que viram passando pela porta foi Renata, com um sorriso largo no rosto e logo atrás dela, , carregando as malas. Logo depois Lauren e Louis passaram aliviados por aquilo ter acabado e quando menos esperavam, Bianca entrou no quarto e a fechou com força, que julgou que poderia ter quebrado alguma coisa ali.
- Eu. Odeio. O. !!!!

***

- Ah não! Você, cara? - perguntou decepcionado ao ver que dividiria com ele a cama de casal, o rapaz entrou no quarto com uma carranca no rosto e se jogou na cama, bufando e passando a mão que não estava engessada pelo rosto.
- Eu fiz uma merda grande! - levantou o olhar para e a julgar pela batida na porta do quarto ao lado, poderia imaginar que a merda tinha sido com a Bianca.
- Você pode nos dizer quando é que não faz? - o moreno perguntou recebendo um dedo do meio em resposta.
- Na merda tô eu de ter que te aguentar dormindo comigo - bufou.
- O que aconteceu? - ignorou a crise de e perguntou a , deixando o celular de lado.
No quarto ao lado, fez a mesma pergunta a Bianca.
- Vocês não vão acreditar no que aquele ingrato falou! Na frente de todo mundo…- Bi choramingou sentada na cama de baixo da beliche. a olhava com curiosidade esperando a história e , prestava atenção em cada detalhe e planejava a forma mais cruel de se vingar de , e como ela também estava com raiva de , iria aproveitar a oportunidade. - estávamos na sala tentando arrumar uma forma justa de conseguir o quarto quando a Lauren e o Louis desceram. A Rê correu pra Lauren e começou a falar um monte de coisa e eu fiz o mesmo, e quando me virei pra chamar o ele disse “Nós dois já passamos tempo juntos demais essa semana, Bi, preciso de um tempo com os caras também, você também não tá enjoada de me ver? qual é?”
- ELE O QUÊ?
- VOCÊ O QUÊ? - No quarto ao lado, os rapazes disseram juntos vendo esconder o rosto e bufar mais uma vez.
- Não se diz isso pra namorada depois dela ter passado a semana inteira cuidando de você, cara! - disse repreendendo o amigo.
- Pisou feio na bola, , pisou feio. - completou.
- Eu sei cara, mas… eu realmente queria a Bi mais longe um pouco, a gente passa a semana inteira juntos na faculdade e ela praticamente tava morando lá em casa, eu só queria um… tempinho pra mim. - o moreno murmurou.
- Você fala isso de boa e quer que ela entenda? Logo ela? - disse.
- Ah sei lá, cara, me deixem! - o moreno deixou o corpo cair pra trás mais uma vez.
No quarto das meninas, o clima estava muito mais conturbado do que estava no quarto dos rapazes.
- Aquele filho da puta desgraçado! Como ele pode ser tão ingrato assim? Eu vou lá nele agora e vou…
- ! , ! - se levantou da cama puxando a loira antes que ela abrisse a porta. - não adianta nada, nós deveríamos ajudar a Bi a se vingar, muito melhor.
- Eu não quero me vingar, quero deitar aqui e chorar - a morena se curvou na cama e no mesmo instante, a porta foi aberta e Lauren e Renata entraram no quarto.
- Bi? - Rê se aproximou da amiga - você tá bem?
- É claro que não, né, Renata! O acabou de pedir pra ela se afastar dele depois dela ter passado a semana inteira ajudando aquele idiota! - bufou. - Agora deixa os amiguinhos dele cuidar daquele imbecil e do braço quebrado dele!
- Eu quero voltar pra Londreeeeees. - a morena choramingou mais um vez escondendo o rosto no travesseiro.
- Não é assim que você deve reagir, Bianca. - Lauren se aproximou da amiga. - deveríamos sair! Só nós cinco!
- Pra onde? - Renata perguntou.
- Sei lá qualquer lugar. - a morena deu de ombros. - Qual o melhor lugar pra levar uma amiga que acabou de tomar um fora? - Lauren fez uma cara de quem estava pensando e Bianca choramingou ainda mais ao ouvir a palavra “fora”
- É tão óbvio a resposta, Lauren. - disse com um sorriso presunçoso crescendo no rosto - vamos beber!
- Adorei a ideia! - Renata se levantou - só preciso ir avisar o e…
- Nananinanão - puxou Renata antes que a menina chegasse a porta - nós vamos sair sem avisar a eles, vamos sumir, e deixar que eles só se dêem conta quando não nos encontrarem aqui.
- Tô com a - disse.
- Eu também. - Lauren falou sorrindo.
- Será? - Bianca disse levantando o olhar do travesseiro. - Quer saber, a tá certa.
- Bom… por voto da maioria, eu me rendo - Renata falou com uma falsa inocência.
- Mas como a gente vai sair daqui sem que eles percebam? - Bianca perguntou apontando para parede que era do quarto ao lado.
- O Louis e o entraram no quarto deles. - Renata falou indo até a porta e a abrindo com cuidado - e ela tá fechada! É nossa deixa! - Bianca se levantou num pulo enxugando o rosto e pegando a chave do carro, Lauren foi logo atrás dela, pegou o celular e a bolsa e só pegou o celular e uma carteira, dando pra . - certo, nós temos que ir em silêncio sem que eles perce… - antes da loira terminar de falar, as quatro meninas saíram de uma vez só pela porta descendo as escadas de uma só vez - ou ir rápido o suficiente e fazendo barulho, é, não importa. - a moça desceu logo atrás das meninas e quando chegou à sala, as amigas já estavam saindo pela porta - me esperem!

***


- , você é um fazedor de merda nato! - Louis disse sentado na cama com os braços cruzados e um sorriso debochado no rosto.
- Você vai repetir isso quantas vezes? - o moreno revirou os olhos.
- Pelo resto da sua vida. - Louis aumentou o sorriso.
- Eu não queria tá na sua pele, cara, não queria mesmo. - disse.
- Já chega, a gente pode falar de outra coisa? Depois eu vou me resolver com a Bi! - o rapaz bufou.
- Tá legal… eu tô com fome e vocês? - disse se levantando da cama que estava sentado.
- , qual é a sua com a ? - Louis falou ignorando completamente o que dissera.
por outro lado, estava totalmente alheio a conversa dos amigos, olhando o celular, mas sua atenção foi direto pra Louis quando ouviu seu nome ser dito, e logo em seguida o de .
- O que? - o moreno falou, não porque não entendeu a pergunta, mas porque não via sentido em tal questão ser feita assim, de repente.
- Você ouviu, qual seu lance com a ? - o garoto repetiu.
- Por que tá me perguntando isso? - olhou para os outros três pares de olhos no local e percebeu que estavam totalmente focados nele, ou na sua resposta.
- Você sabe, vocês ficam de conversinha e se olhando, dão uns sorrisos cúmplices um pra o outro, o que é que rola?
- Não rola nada! Nós somos amigos, só isso. - o moreno deu de ombros.
- Só amigos? - perguntou. confirmou. - Então me diz, porque ainda não pegou ninguém? Sabe, se distrair com outras pessoas, já se passaram cinco meses…
- Já entendi onde querem chegar, acham que só porque não estou com ninguém ou não fiquei com ninguém nas vezes que saímos, é porque sinto algo pelo . Sinto lhes dizer, mas não é isso.
- Não? Porque você e ela sempre ficam juntos quando saem, temos motivos pra desconfiar… - falou.
- Você e a também, e ninguém fala nada. - se defendeu.
- Eu reencontrei a depois de muito tempo, nós realmente somos só amigos. Melhores amigos.
- Por ela sim, porque por você, né, duende… - Louis insinuou fazendo revirar os olhos.
- Tá, mas você não pensa na como algo mais que amiga, ? - perguntou voltando ao assunto.
- A é linda, é inteligente, é super legal mas… - ele soltou a respiração. - eu não mereço ela, se eu ficar com ela, eu posso fazer ela sofrer de alguma forma, tenho muita bagagem nas costas pra ela ter que me ajudar e já rolou um clima sim, semana passada, quando ela foi lá em casa e…
- Ela foi na sua casa? - Louis perguntou abismado, se deu conta de que deveria ser segredo levando o dedo indicador até as têmporas.
- Sim, Louis, ela foi, e como eu estava dizendo, rolou um clima, mas nada mais que isso, então, se fizerem um favor de esquecer esse assunto eu agradeço - bufou.
- Então se você está disponível, pode ficar com qualquer pessoa nessa semana, certo? - disse.
- , não… - disse já entendendo o que ele iria dizer.
- , se você realmente não quer nada com a vai ter que provar, fica com uma garota na frente dela. - tentou cruzar os braços, mas o gesso empatou.
- Na moral, cara, quantos anos você tem? - disse.
- , eu não vou provar nada pra você e nem pra ninguém, eu não preciso disso. - rebateu - aliás eu tô com fome, ?
- Morrendo.
- Eu vou ver se as meninas querem comer. - disse saindo do quarto.
- Eu tô achando que elas estão fazendo muito silêncio. - Louis disse desconfiado.
- Eu também percebi. - falou.
Os rapazes esqueceram o assunto por hora, sabiam que iria fazer de tudo pra se esquivar das perguntas e não iriam chegar a lugar algum, mas todos eles perceberam o clima que rondava os dois jovens. poderia até sentir uma atração pela menina, talvez fosse pelo jeito dela, ou o modo como ela morde os lábios quando está nervosa ou até mesmo pelo sorriso, o sorriso que vem aquecendo o coração do moreno há algum tempo, mas ele não admitiria isso em voz alta, ou até pra si mesmo, assim como estava fazendo, ele reprimiria qualquer sentimento que ousasse surgir. Para o bem dos dois, para a sanidade de ambos, iriam, com certeza, tentar matar qualquer que seja o início de qualquer sentimento que fariam eles se arrependerem no futuro, e conheceriam pessoas pra ajudá-los nisso naquela semana, só não sabiam disso ainda.
- As meninas sumiram! - chegou ofegante na porta do quarto.
- Como assim sumiram? - Louis perguntou preocupado.
- Sumiram! Não estão em nenhum quarto, olhei lá embaixo, e nada, e o carro da Bianca também sumiu.
- Ou seja, elas não sumiram. - falou saindo de sua cama. - Só resolveram sair sem nos avisar, culpem o , tenho certeza que foi por causa da grande façanha dele.
- Idiota. - Louis falou indo até a porta. - O que vamos fazer agora? Tentar encontrar elas? Vou ligar pra Lauren. - enquanto os rapazes saiam do quarto, Louis pegou o celular e discou o número da namorada, já estavam descendo as escadas quando escutaram Umbrella tocando em algum lugar atrás deles. O moreno olhou pra o bolso sentindo algo vibrar e deu de cara com o iPhone de Lauren dando um sorriso amarelo pra os amigos. - Ela deixou o celular comigo. - recebendo quatros pares de olhos revirados colocou o celular de volta no bolso.
- Eu vou ligar pra Rê. - disse, passaram pela sala cada um olhando para um ponto específico qualquer e ao atravessarem a porta o moreno parou. - Ela não tá me atendendo - tentou mais uma vez e bufou desapontado - Agora o celular tá desligado.
- Culpem o . - falou rindo, debochado junto com .
- Não tenho culpa se elas tomaram as dores da Bi - o moreno se defendeu.
- Até parece que você não as conhece, né? - Louis disse passando por ele e desarmando o alarme do carro.

***

- Adoro esse Pub. - falou tomando o drink que pediu - A cada ano mudam o bartender para um mais gato.
- Você vai flertar com ele, não é? - Bianca perguntou entediada bebericando um pouco da sua cerveja.
- Ei - chamou o rapaz que olhou pra ela no mesmo instante - mais um desse - apontou pra o copo piscando para o moreno.
- Essa cerveja não tá servindo, preciso de algo mais forte. - Bianca murmurou.
- E um uísque, o mais forte que tiver. - ele acenou de volta indicando que já iria. - ele deve ser latino, vou perguntar.
- Devia ter pedido tequila. - A morena ignorou o que a amiga falava do bartender que trocava olhares de instante em instante com .
- A tequila fica pra mais tarde, vamos aquecer primeiro. - a loira disse passando o olhar pelo bar.
- Eu não quero aquecer, eu quero esquecer. - Bi falou olhando o celular - Ele nem me ligou, a essa altura já devem ter percebido que nós saímos, né?
- Bianca, relaxa, eles nem devem saber onde estamos e devem ter entendido que se saímos sem avisar é porque não queremos eles por perto - voltou a olhar para o bartender.
- Mas ele nem ligou…
- Assim como o e o Louis também não ligaram para a Lauren e a Rê .
- Você acha? - Bianca olhou pra e a menina se limitou a dizer.
- Tenho certeza - tentando tranquilizar a amiga, mas ela não tinha certeza. Renata se aproximou das amigas pedindo mais três cervejas.
- Vocês não acreditam no que eu tive que fazer. - ela soltou a respiração. - O não parava de ligar, tive que desligar o celular. - Bianca olhou pra loira que acabara de chegar e depois para que olhou para Renata a repreendo com o olhar, ouviu o bartender chegar perto com os pedidos da amiga e o que ela tinha feito antes e se adiantou.
- Traz tequila, muitas rodadas de tequila, quando você nos ver sem tequila, coloque outra na nossa frente. - estendeu uma nota de cem para o rapaz. - Entendeu?
- Tequila, pode deixar. - ele pegou a nota e sorriu esperto para a loira.
- Já tava na hora. - a morena murmurou.
- Você duas tem certeza disso? Sabem que tequila causa muitas consequências, e eu não tô falando da ressaca - Renata disse temerosa.
- Coração partido+tequila= esquecimento e é isso que a nossa Bi aqui precisa. - sorriu vitoriosa.
- Ela, não você. - Renata cruzou os braços.
- A combinação perfeita só serve se você tiver uma amiga pra beber junto, e podem deixar, eu me sacrifico a isso. - ela levantou os braços com falsa inocência.
- Da as chaves pra então e fiquem com a cerveja dela, ela não vai beber hoje. - Renata deixou a terceira cerveja em cima do balcão e foi andando com as outras até onde Lauren e estavam sentadas. Em uma das mesas no meio do Pub.
- Ue, cadê a minha? - a morena perguntou quando viu Renata chegar apenas com duas garrafas.
- . Bianca. Tequila. Você dirige. - Rê disse tomando um gole.
- Ah qual é? Por que eu? - cruzou os braços desapontada. - Podia ter trazido pelo menos um refrigerante.
- É, eu podia - deu de ombros sem se mover do lugar.
- Vocês acham que eles já devem estar nos procurando? - Lauren perguntou alheia.
- Eu adoraria, assim um deles estaria sóbrio e eu poderia beber. - alfinetou. Renata e Lauren continuaram conversando, enquanto a mais baixa passava os olhos pelo local, percebeu que o pub estava com um segurança agora e muitas pessoas ficavam no lado de fora também para beber nas calçadas ou conversando e fumando, uma banda tocava naquela noite uma música agradável de ouvir e relaxar, percebeu um certo movimento de pessoas na entrada e quando viu um cabelo ruivo e longo se mexer com maestria entrando no local seu estômago embrulhou. Quando a dona dos cabelos ruivos de dar inveja a qualquer um, menos a , virou o rosto, seu sangue ferveu e apertou os dedos em um punho até ficar com os nós deles brancos ao reconhecer quem era.
- Vocês não acreditam em quem tá aqui - falou entredentes e no mesmo instante Lauren e Renata seguiram o olhar de .
- Rimena!


Capítulo 11

- Rimena! - Lauren e Renata disseram juntas, com um certo desgosto na voz.
- O que ela está fazendo aqui? - Lauren perguntou confusa. - achei que tivesse se mudado de vez para o Peru.
- Não deixem a vê-la, ou já sabem que vamos acabar na delegacia. - falou receosa.
As três garotas ficaram em silêncio observando a ruiva se afastar. O corpo esguio e esbelto da peruana era de dar inveja a todas as mulheres do recinto e de fazer todos os homens torcerem o pescoço para acompanhar cada movimento da garota. Rimena foi para o lado oposto do balcão que era onde e Bianca estavam, e que, graças a Deus, também ficava longe de onde as outras três estavam sentadas. Depois de a perderem de vista as três voltaram a conversar sobre tudo o que mudou desde a última vez que estiveram ali. No meio da conversa se perdeu em seus próprios pensamentos. De repente estava de volta a sexta-feira, assistindo Star Wars na sala de , junto com o garoto, seus lábios quase encostando um no outro, e voltar aquele dia lhe causou certo remexido no estômago e um alerta de perigo acendeu na sua cabeça. Detestava quando tinha sua razão lutando contra a emoção, seu cérebro contra seu coração, mas dessa vez estava ciente, estava preparada, estava mais forte. Nessa luta seu coração não teria vez, ela sabia que a razão ganharia, e lutaria com todas as forças ao lado dela.

***


- O Píer de Brighton? - perguntou. - você acha que elas estão aí?
- Onde mais poderiam estar? - falou como se fosse óbvio. - tem um cassino, cara, um cassino, muitos jogos, e brinquedos, qualquer um se distrai aí dentro.
- Não sei, só acho que o píer não seria o primeiro lugar que elas viriam. - o loiro continuou.
- Eu concordo com o . - disse. - tá certo que aí tem um cassino e uns brinquedos legais, parece muito divertido, mas…
- Não seria o lugar que quatro garotas de 20 anos levariam a amiga que acabou de se decepcionar com um cara. - interrompeu , completando o que ele queria dizer.
- É, isso.
- Tá certo, e pra onde elas a levariam? - colocou a mão no queixo e depois passou pelo rosto, como se estivesse pensando.
- Para um bar, , um bar! - falou lhe dando um peteleco na nuca.
- Ai, cara, isso doeu! - o moreno resmungou passando a mão na área atingida.
- Você nos trouxe aqui pra nos distrair não foi? Quer ir jogar ao invés de ir procurar as garotas, não é? - disse entendendo o que fez.
- Qual é, as meninas não querem nos ver, se quisessem já teriam dado uma dica de onde estavam, então, se elas preferem um bar, nós ficamos com o cassino. - o rapaz disse logo indicando o píer com os braços como se fosse um monumento sendo apresentado a um público.
- Eu. Tô. Com. Fome. ! - disse perdendo a paciência com o amigo. - aliás, todos estamos. - indicou os amigos com um aceno rápido.
- Lá dentro deve ter comida. - falou calmo. – Sabe, gente, eu não quero ir atrás da Bianca, ela não vai querer me ver agora e eu quero um tempo pra mim. - deu de ombros olhando rápido para os amigos e depois para o píer.
- Talvez eu saiba em qual bar elas estão. - falou atraindo a atenção dos amigos. - North Laine. É o pub favorito delas aqui de Brighton. A Rê me disse.
- Certo, então, nós vamos pra lá. - falou olhando pra em seguida. - Você vai querer ficar aqui?
- Eu fico com ele. - disse. - Eu quero um cassino, o quer ficar longe da Bi, e como dois mais dois são quatro... - ele sorriu concluindo a linha de raciocínio orgulhoso de si mesmo por ter conseguido um tempo pra jogar. Jogou a chave pra que a pegou no ar com muita facilidade. - Dirige o meu bebê com cuidado.

***


- Você deveria vir comigo pra casa sabia? - disse sorrindo maliciosa para o bartender e passando a mão pelo braço do rapaz. - Eu, ela e mais uma amiga estamos dormindo no mesmo quarto, poderíamos fazer uma festinha, só nós três, o que acha?
- Eu acho que a não aprovaria essa festinha. - Renata falou chegando ao balcão e tomando as bebidas das amigas. - E acho que vocês já beberam demais por hoje.
- A certinha chegou, droga! - Bianca falou afundando o queixo na mão, como uma criança birrenta.
- Com licença, senhoritas, preciso voltar ao trabalho. - o bartender disse, sorrindo gentil para as três, já estava acostumado com esse tipo de situação, já que não era a única moça bonita que bebia demais e se atirava para o rapaz.
- Você afastou meu gatinho. - falou manhosa. - E devolve minha tequila!
- As duas estão muito bêbadas, acho que já deu pra se divertir demais por hoje, não? - Rê disse tentando fazer as amigas não terem um coma alcoólico.
- Eu acho que você deveria voltar pra mesa das conscientes e continuar bebendo sua cerveja sem graça - puxou seu shot de tequila das mãos da amiga. - e nos deixar em paz.
- E essa aqui é minha. - Bi puxou a da outra mão e tomou num gole só, passando o sal na língua e depois chupando o limão. - Eu amo tequila! Mais umaaaaaaa! - levantou o copinho atraindo a atenção do bartender mais uma vez e rindo de alguma coisa que só ela achava graça. O rapaz voltou para onde as três estavam olhando Renata e pedindo permissão com um gesto de cabeça, a loira apenas acenou, concordando para que ele colocasse mais e pediu uma água, Lauren não parava na cerveja e era injusto deixar tomar conta das quatro sozinha, precisava ficar sóbria. por outro lado precisava esquecer de Manchester, de e de qualquer coisa que ligava a palavra acidente. Aquilo não saía da sua cabeça há semanas e precisava de uma folga, claro que descobrir sobre seu passado era importante, lembrar da sua adolescência era essencial, mas ela estava perdendo para a medicina e para quem quer que seja que não quer que ela descubra o que realmente aconteceu, quem era a moça que morreu, quem é o verdadeiro culpado. Sua memória ainda estava falha, e já que ela não colaborava, só restava aceitar e álcool a ajudaria nisso.
Na outra mesa, as duas amigas conversavam animadamente e apesar de gostar de beber uma coisa aqui e ali, não era muito fã de encher a cara, desde a última vez que fez essa burrada, então geralmente tentava controlar as amigas, mas naquele caso em especial ela não iria intervir, porque pra ela encher a cara para curar um coração partido, era a melhor opção, então resolveu deixar as crianças se divertirem.
- Acho que a Rê vai ficar lá com elas. - Lauren disse olhando para o balcão e vendo o quanto as duas estavam bem longe da palavra sóbria.
- É bom que ela fique mesmo, alguém precisa ficar de olho nas crianças. - brincou, afinal, quando e Bianca estão bêbadas, parecem duas crianças de dois anos, claro que a loira fica ainda mais arisca do que já é e a morena, ainda mais manhosa.
- Como vai ser amanhã? Digo, quando todos estiverem sóbrios e aptos para uma conversa?
- Eu pretendo estar bem longe daquela casa. - respondeu. - Quem sabe na praia. - ela deu de ombros sorrindo. Deu mais um gole no seu energético que Renata fez um belo favor de buscar para a morena e seus olhos pousaram na porta do bar. Mais precisamente em três rapazes bem conhecidos por ela. – O que eles estão fazendo aqui?
- Quem? - Lauren levou o olhar para onde a amiga olhava e arregalou os olhos - mas o que? Como eles descobriram?
- Não sei, vem, não deixa as meninas verem eles. - saiu da mesa indo em direção aos três e Lauren foi logo atrás. , e ainda estavam parados no mesmo lugar olhando o ambiente por cima para ver se achavam alguém, mas não sabiam que já tinham sido achados.
- Eu posso saber como vocês chegaram aqui? - Lauren perguntou com uma forma autoritária.
- De carro? - balançou as chaves no ar.
- Você entendeu o que eu quis dizer, engraçadinho.
- A Rê já tinha me falado desse bar, só lembrei e bingo - ele falou apontando as duas - achamos vocês.
- Cadê o e o ? - ela perguntou olhando para os lados.
- Ficaram no píer. - disse calmo. - Sabe, eu tô com fome, a comida daqui é boa?
- Tem uma batata canoa que é uma delícia… - disse pensativa.
- ! - a amiga a repreendeu.
- O que? Desculpa. - ela disse rápido, quando percebeu os rapazes estavam passando por elas e lhe deu um sorriso divertido agradecendo pela dica da batata, ela retribuiu o sorriso, mas tentou comprimi-lo.
As duas seguiram os três até uma mesa afastada o suficiente do balcão, esperaram eles sentarem e quando receberam um olhar de que dizia “qual é?” se tocaram que precisavam sair dali, deu um passo para o lado ainda distraída com a presença dos três e se arrependeu no minuto seguinte que sentiu seu corpo se chocando com outro obviamente mais alto e um perfume delicioso. Quando levantou o olhar podia jurar que cobras também tinham pele de gente e duas pernas longas e maravilhosas.
- ! Lauren! Quanto tempo, hein. - a voz da garota saiu mais venenosa que seu sorriso, e Lauren podia jurar que viu um pouco dele escorrendo pelos lábios carnudos e vermelhos da ruiva.
- Oi, você. - Lauren respondeu com desdém. se limitou a responder e não se importou se sairia como mal educada, não iria falar oi para Rimena. Nunca.
- Então, não mudaram muita coisa desde o ano passado, quer dizer, acho que está mais cheinha, não é, Lauren? - a morena a olhou sem acreditar no que a peruana disse. Os rapazes estavam alheios a cena a sua frente, mas não deixaram de perceber o clima pesado que se instalou.
- E você mais linda e magra e… ai que droga. - se odiou por isso, sempre tinha respostas mal criadas para qualquer pessoa, mas para aquela especialmente, nunca sabia o que falar para lhe atingir.
- Que lindinha. - a ruiva riu arisca, girou a cabeça para a mesa ao lado e cravou os olhos em um dos rapazes da mesa - não vai me apresentar seus amigos?
- Eles não querem conhecer você. - Lauren rebateu.
- Na verdade, eu quero muito. - disse se levantando e estendendo a mão para a moça. - Prazer, .
- Rimena Sánchez. - ela sorriu sedutora e olhou para os outros dois que permaneciam sentados. - e os cavalheiros? - a olhou um pouco temeroso, seria capaz de Renata também não gostar da moça? Sentiu uma cotovelada no ombro e viu que era , se levantou primeiro cumprimentando a garota e depositando um beijo na mão da mesma, arregalou os olhos castanhos na mesma hora que viu o ato e sentiu uma pontada no estômago, ou seria no peito? Olhou para que parecia estar enfeitiçado pela beleza de Rimena e sentiu uma forte ânsia de vômito. se levantou cumprimentando a menina, e fazendo mais que os dois rapazes, abraçou a moça lhe depositando um beijo rápido na bochecha. Na cabeça deles ali seria o momento certo para se vingar da fuga surpresa das meninas, e como desejaram que e também estivessem ali.
- Então, Rimena, por que não senta com a gente? - ofereceu o lugar entre e e a ruiva no mesmo instante sorriu lhe agradecendo e tomando o lugar para si. Sem pensar duas vezes e Lauren também sentaram nas cadeiras vagas da mesa.
- Achei que iriam para outro lugar. - disse sorrindo divertido.
- Sabe, essa mesa é muito boa. - Lauren disse rápido.
- Então, Rimena, de onde você é? Seu sotaque é diferente. - iniciou a conversa.
- Sou do Peru. - ela sorriu de uma forma encantadora. - morei aqui em Brighton alguns anos, mas minha família resolveu voltar para lá.
- E o que a trouxe de volta? - dessa vez parecia interessado na vida da ruiva.
- Todo ano, nesse mesmo feriado em Brighton eles fazem uma competição de “as melhores da praia de pedra”. Ganhei todos os anos em que estive aqui e esse ano me chamaram para ser uma das anfitriãs da competição. Uma inspiração para as competidoras. - Olhou diretamente para Lauren e e lançou o seu sorriso mais doce, porém, as duas sabiam que ela estava apenas se exibindo e lançando seu veneno para irritá-las.
- Nossa isso é realmente demais. - disse admirado. - Vocês vão participar da competição?
- Uma competição de baixo nível que não atrai absolutamente ninguém e que os votos são comprados não merece um segundo do nosso precioso tempo. - respondeu se sentindo orgulhosa por ter conseguido dar uma resposta firme.
- Que pena. Porque eu me interessei muito pela competição. - disse sorrindo malicioso.
- Rimena, não está na sua hora? Você deixou seus amigos sozinhos? Isso não parece elegante. - Lauren falou com seu melhor tom falso de educação e lançando um sorriso ainda mais falso.
- Obrigada por me lembrar, Lauren querida, eu estava indo ao toalete enquanto eles se aprontavam para irmos a festa. - ela se levantou da cadeira elegantemente. - Se vocês quiserem ir, estão convidados, o endereço é esse. - ela entregou um pequeno cartão para que se limitou a dar uma breve olhada. - Serão muito bem vindos e com certeza se divertirão muito, é a melhor festa da cidade iniciando o feriado.
- Com certeza nós iremos. - puxou o pequeno cartão da mão do amigo o olhando.
- Ótimo, vejo vocês lá. - ela sorriu mais uma vez e saiu passo ante passo, perfeitamente equilibrada no solta quinze. Os três rapazes sorriam feito bobos, como calouros no primeiro dia de ensino médio babando quando a garota mais popular da escola passa pelo corredor, porém, o momento de admiração não durou muito.
- Eu posso saber o que aquela vaca estava fazendo aqui? E sentada do seu lado? - Renata chegou à mesa atraindo a atenção dos cinco jovens sentados, e principalmente a de .
- Amor… - ele se levantou para abraçá-la, mas ela recuou.
- , o que ela queria aqui?
- O que? Nada, ela só chamou os rapazes para a festa dela. - ele se defendeu.
- Corrigindo, chamou todos nós na maior cara de pau e o foi o primeiro a aceitar. - Lauren jogou a bomba sem se importar no que aconteceria depois.
- Você aceitou? - ela olhou para ele desacreditada. - e vocês não falaram nada?
- Nós íamos falar o que? Deixamos bem claro que aquela peruana de uma figa não é bem vinda entre nós e os três continuaram babando o ovo dela. - falou de uma vez só.
- Da licença. - Renata disse em tom de deboche e saiu dali, foi logo atrás dela.
- Olha só o que você fez, Lauren! Prejudicou o relacionamento da sua melhor amiga. - disse.
- Prejudiquei? O estava mentindo pra ela, eu só fiz o certo!
- É, , e não pense que você está fora de apuros, porque quando a souber que você também tava todo amores pra o lado da Rimena, a sua situação só vai piorar! - falou encarando o loiro.
Os outros quatro continuaram na mesa sem falar mais nada e isso durou uns quinze minutos até aparecer novamente com cara de poucos amigos. O rapaz chamou os outros dois e seguiram em silêncio para fora do bar. e Lauren acompanharam cada passo dos três até eles sumirem de vista e não demorou muito para que as duas se levantassem e fossem atrás de Renata.
- Aquele imbecil vai à festa daquela vaca! - ela praticamente gritou jogando as palavras com ódio.
- Você disse a ele o que ela fez conosco nos últimos anos? - Lauren perguntou.
- Tentei dizer, mas ele não deixava, quando eu dizia que ela não prestava, ele falava que era inveja por ela ser uma mulher que chama atenção! Dá pra acreditar?
- Tô começando a achar que foi uma péssima ideia ter trago os rapazes para Brighton. - falou meio alheia.
- Eles vão levar o e o para festa também. - a loira disse séria, Lauren a olhou confusa e logo sua feição mudou para raiva.
- Se o ousar… - ela disse levantando o indicador como se não concordasse com tal ato. por outro lado estava preocupada com outras duas pessoas em especial.
- Gente, eu vou da uma olhada nas meninas, não acho muito seguro deixar elas sozinhas por muito tempo do jeito que estão. - a garota disse saindo de perto das amigas e procurando as outras duas no meio do mar de pessoas que estava no pub.
e Bianca estavam dançando quase caindo uma em cima da outra e uma rodinha de pessoas a rodeavam. tentou passar por elas mas estava praticamente impossível, no segundo que a música parou de tocar e ir para a seguinte, ela conseguiu atravessar aquele monte de ombros bêbados e desengonçados.
- LARA! - falou em grito agudo. - você veio participar da nossa festinha aqui!
- Na verdade eu vim vigiar vocês, mas, pensando melhor, tá na hora de ir embora! - ela falou um pouco alto por conta da música.
- Embora? Agora? - Bianca disse confusa. - nem pensar, estamos só começando!
- Vocês passaram as últimas quatro horas tomando tequila, não é seguro para ninguém que continuem soltas assim!
- Ai, ! Eu não quero ir embora! - falou batendo o pé. Aquilo seria mais difícil do que ela pensou, precisava ser esperta, e se conseguisse convencer , conseguiria convencer Bianca.
- Certo, faremos o seguinte, eu posso conseguir o número de qualquer cara aqui do bar pra você se quiser e depois disso, vamos embora! - um brilho travesso tambolirou nos olhos azuis da loira e ela pegou no pulso de a puxando para perto do balcão, Bianca veio logo atrás.
- O bartender. Quero o número dele. - ela sorriu maliciosa olhando diretamente para o moreno, concordou com a cabeça e foi passo ante passo até o balcão. Afinal, e Bianca eram duas criancinhas bêbadas, e como toda criança, estavam vulneráveis e inocentes. Muito inocentes.
- Hey, você! - ela chamou o rapaz. - coloca em um papel um número de telefone qualquer e um nome qualquer pra eu conseguir tirar minha duas amigas bêbadas desse bar. Por favor?
- As suas amigas são aquelas? A loirinha e a morena? - ela concordou com a cabeça, ele sorriu convencido e pegou um guardanapo escrevendo alguma coisa lá, dobrou e entregou o papel para a garota. - quando ela estiver sóbria, fala pra ela me ligar. - ele piscou para a menina e saiu pra atender todos os outros bêbados dali. deu meia volta até as amigas sem conseguir acreditar que o bartender deu seu número verdadeiro, com certeza era uma garota de sorte.
- Está aqui o seu troféu da noite, agora, mocinha, como combinamos, hora de ir embora. - pegou o guardanapo guardando no bolso do short e segurou a mão de Bianca enquanto as guiava pelo bar. Voltou para a mesa em que Renata e Lauren estavam e não encontrou as duas, olhou por toda a extensão do bar e nada, então resolveu checar o celular. Uma mensagem de Renata aparecia na tela dizendo que as duas tinham ido atrás dos rapazes, revirou os olhos com aquilo e então voltaram para o balcão para pagar a conta e depois, o caminho para a saída era o próximo destino.
As duas chegaram à porta aos risos e não conseguia entender qual foi a piada que perdeu do balcão até a saída. Passaram pelo segurança na entrada e ela pediu para que chamassem o manobrista, e quando ela chegou, teve a pior surpresa da noite.
- As suas amigas levaram o carro, pediram pra avisar que pegasse um táxi que elas pagariam de volta. - ele sorriu simpático e não conseguia acreditar no que estava ouvindo.
- Elas o que? - não podia acreditar que Lauren e Renata teriam feito isso com ela - Certo, certo. - Ela se virou para as duas amigas que não estavam se aguentando em pé - Vocês duas, fiquem aqui, perto dele. - a morena apontou para o segurança grandalhão. - e não saiam daqui, me ouviram? Não saiam! - Bianca e fizeram um sinal militar na cabeça meio desajeitado e começaram a rir mais uma vez. apenas revirou os olhos bufando e murmurando um “eu mereço”, saiu dali e foi para ponto de táxi que ficava na frente do pub.
A cada táxi que tentava conseguir alguém era mais rápido e pegava, e aquilo já estava deixando a morena com raiva, muita raiva. Já havia perdido três táxis e quando estava indo para o quarto um grupo de rapazes a ultrapassou e levaram o último táxi que estava parado. Esperou cinco minutos para ver se outro aparecia e não veio nada. A garota estava perdida, com certeza era a pior noite de sua vida e seu feriado tinha começado terrível, primeiro, a garota que mais detestava na vida tinha aparecido e levados seus amigos para a festa dela e agora estava sozinha, sem carro, com duas amigas quase desmaiando de tanto álcool no sangue e não conhecia absolutamente ninguém ali. Ficou mais alguns minutos até ouvir uma voz masculina próxima a ela.
- Quer uma carona pra casa? - ela se assustou com a proximidade e girou o rosto para ver quem era o dono da voz. Um rapaz de pele clara e cabelos castanhos a encarava com seus olhos escuros. Um mínimo sorriso, quase imperceptível, se comprimia nos lábios finos do moreno.
- Não aceito carona de estranhos. - a menina disse ríspida, quebrando o contato visual com ele.
- Bem, eu posso ser um estranho, mas não precisa ter medo de mim. - ele disse calmo.
- Eu não tô com medo de você, eu só não aceito carona de estranhos. - ela deu de ombros.
- Você sabe que não terão mais táxis não é? Só daqui à uma hora.
- Como você sabe? - ela o encarou.
- Eu trabalho aqui perto. Conheço o movimento. - o rapaz disse sereno.
- Mas eu não conheço você, logo, eu não acredito em você. - mais uma vez soou ríspida e olhou para a rua. Ele levantou um cordão que estava escondido por debaixo da camisa preta e levantou o suficiente para que pudesse ver. Era um distintivo, ele era da polícia.
- Acredita agora? - ela olhou rápido para o objeto na mão dele e desviou o olhar para a rua.
- Quem me garante que não é falso? - ela olhou desconfiada, como um cara que aparentava ter a mesma idade que a dela já poderia ser da polícia?
- Por que eu andaria com um distintivo falso? Eu poderia ser preso por isso. - e dessa vez ele soltou uma risada.
- Não sei, tem maluco pra tudo nesse mundo.
- E você é do tipo que desconfia de tudo e de todos. - ele disse não tirando os olhos da moça uma só vez.
- Inclusive de caras que chegam insistindo por uma carona quando eu já disse não! - ela o olhou séria.
- Tudo bem. - ele recuou um pouco levantando as mãos - só ofereci porque achei que você e as suas amigas - ele apontou para as duas moças na portaria ao lado do segurança que estavam rindo de algo que viam no grandalhão - fossem precisar de uma carona, já que não tinham como voltar pra casa. Só tentei ser gentil.
- Essa é a pior noite da minha vida. - ela bufou - Vou salvar o grandalhão antes que ele se estresse com elas. - a menina apertou o passo até a portaria e o rapaz foi logo atrás dela.
- Certo, vocês duas já estão passando dos limites, podem se sentar ali, por favor? - falou autoritária e como duas crianças bobas as garotas concordaram com a cabeça rindo.
- Ei, vem cá - ele chamou , que andou receosa até o rapaz, o mesmo se virou para o segurança indo até ele - Parrish, puxa minha ficha pra moça aqui dá uma olhada. - do posto em que ele estava, olhou para o tablet em suas mãos e clicou em algumas coisas que não conseguiu ver, alguns segundos depois o bruta montes virou a tela do tablet para a morena. Todas as informações do policial estava lá. Nome completo, idade, data de nascimento e o departamento no qual ele trabalhava. não prestou muita atenção nas informações com o excesso de estresse que estava correndo por seus nervos, e apenas balançou a cabeça positivamente.
- Detetive Holland. - assim que o segurança abaixou o tablet ouviu outra voz masculina chegar perto, e o tal policial atender o rapaz que aparentava ser um pouco mais velho que ele - tá tudo limpo por aqui, já podemos voltar pra delegacia.
- Certo… é, Collin, vai na frente tá? Logo eu alcanço você. - o outro cara concordou saindo logo em seguida, o detetive voltou o olhar para que o encarou de volta - Eu vou tentar mais uma vez, posso te dá uma carona, prometo que chegarão em segurança.
- Você ainda tá insistindo? Sem chance que eu vou entrar no seu carro correndo o risco de você tentar fazer algo comigo e as minhas amigas. - ela negou freneticamente com a cabeça e ouviu a risada do segurança atrás de si.
- O detetive Holland tentar algo? Ele não machuca nenhuma mosca. Não sei como conseguiu essa vaga na polícia! - o grandalhão falou zombeteiro. olhou dele até o policial e parte da sua consciência que gritava perigo cedeu um pouco.
- Os táxis só chegam daqui a uma hora, se quiser esperar... - ele disse mais uma vez, a morena olhou para as amigas que estavam quase caindo uma em cima da outra no banquinho da portaria. Passou as mãos pelas têmporas, respirando fundo e soltou o ar.
- Eu espero não me arrepender disso - ela olhou para os olhos castanhos do rapaz - se eu ver que você está se desviando do caminho, eu me jogo no volante.
- Justo. - ele abriu um sorriso gentil e a menina sustentou a feição séria. queria muito sorrir de volta pra ele, porque achou o sorriso do rapaz muito convidativo, mas não podia baixar a guarda, deu as costas ao rapaz indo em direção as amigas e deixou escapar um mínimo sorriso, tomando cuidado para o policial não ver.
- Hora de ir pra casa, crianças. - ela disse chegando perto das duas que brincavam com o zíper da bolsa de , a mesma levantou o olhar travesso direto para um ponto atrás de .
- Opa, opa, mas quem é esse gato? - a loira tentou se levantar, mas seus pés pareciam pesados demais e perdeu o equilíbrio caindo com o traseiro direto no banco.
- Ele vai ser o moço gentil que vai nos levar pra casa e nos salvar dessa cilada que a Rê e a Lauren nos colocaram. - a morena respirou fundo lembrando-se da situação que foi posta há alguns minutos pelas amigas. Bianca levou o olhar direto para o rapaz e desceu até parar em um objeto pendurado em seu pescoço. O distintivo.
- Temos um tira aqui? - ela sorriu maliciosa pra o rapaz que no mesmo instante apenas colocou o objeto pra dentro da camisa de novo e sorriu simpático para a moça.
- Um policial? Então estamos seguras, quero que ele me leve então. - esticou os braços e automaticamente os baixou de volta.
- Vocês podem ser presa por desacato, e eu vou deixar! - ela disse séria. - acho melhor a gente ir. Você pode me ajudar? - perguntou para o moreno sem olhar pra ele. O rapaz apenas concordou com a cabeça dando apoio a e a Bianca, que se aproveitaram da situação e teve vontade de enterrar a cabeça dentro de um buraco de tanta vergonha.
- Meu carro está ali. - ele apontou mais adiante e foi logo atrás, segurando a bolsa de .
O rapaz abriu a porta de trás e o ajudou a colocar as amigas, que na maior parte do tempo brincavam com o cabelo dele e riam de alguma besteira. Depois de terem conseguido ajeitar as meninas no banco, foi pra o banco do carona e observou em silêncio o rapaz entrar no carro e tomar seu posto no volante, depois dele da partida no carro e passado no máximo uns dois minutos, ela resolveu dizer algo além das risadas estridentes das amigas.
- Desculpe por isso. - o som da sua voz saiu como um sussurro, mas o rapaz ouviu e apenas fez um gesto de que estava tudo bem. Então ela voltou ao silêncio, e dando graças a Deus, e Bianca também ficaram quietas, provavelmente devem ter dormido.
observava a movimentação da rua pela janela do carro quando o silêncio começou a incomodá-la e se via em uma daquelas situações constrangedoras de não ter assunto. De canto de olho ela observou o detetive. Os cabelos castanhos um pouco caídos para a testa, dava um ar de seriedade e descontração. A pele clara dava um contraste aos olhos castanhos. As roupas pretas lhe deixavam mais maduro e mantinha o olhar fixo na estrada. Ele era bonito, ela admitiu em seu subconsciente, bonito não, lindo, ele realmente devia chamar atenção por onde passasse, e ela só percebeu isso agora, sem perceber não estava mais o olhando de canto de olho, ela estava encarando o rapaz, descaradamente. Ele percebeu isso e virou de rompante para ela, a pegando no flagra. Num impulso, virou para o seu lado da janela sentindo o rosto esquentar e sabia que estava mais vermelha que um tomate, o detetive se limitou a sorrir por ter pego a moça o olhando, voltou o olhar para a estrada e esperou que ela se sentisse a vontade de novo. De repente, o ar condicionado não fazia mais diferença ali, o calor que ela começou a sentir foi aumentando e iria começar a suar, porque sempre que estava em situações constrangedoras, era isso que acontecia. Tirou a jaqueta jeans e colocou no colo, só não esperava que o silêncio fosse quebrado por ele.
- Ainda não acredita em mim, não é? - ele disse sorrindo e a olhando rápido.
- Você já assistiu How I Met Your Mother? Tem um personagem chamado Barney que é o mestre em disfarces para levar as mulheres pra cama - ela deu de ombros - com certeza ele deve ter ensinado a muitas fãs da série de não confiar em qualquer pessoa.
- Se te deixa mais tranquila, não tenho um playbook na minha casa guardado a sete chaves. - ele sorriu esperto. tentou segurar o sorriso, mas não conseguiu.
- Então você assiste séries…
- Sou mais fã das séries policiais, gosto de desvendar os mistérios e quebrar a cabeça junto com os personagens, mas tenho umas exceções. - ele continuou com o ar tranquilo e o sorriso divertido no rosto.
- Imaginei, aliás, você é policial. - ela disse - ajuda no trabalho?
- Detetive. - ele corrigiu. - e na verdade não muito, crimes na vida real são mais complicados. - ele deu de ombros. se lembrou da conversa com semana passada, a amiga estava investigando por conta própria o acidente e ainda não descobriu nada. Se para um detetive era difícil, imagine para quem não tinha ligação alguma com a polícia.
- O que estava fazendo no pub? - ela perguntou de repente, era realmente algo que queria saber. - Você não tem cara de segurança. - ele deu uma risada fraca.
- Estava a trabalho, – disse. - recebemos uma denúncia ali perto e resolvemos da uma passada no North Laine. Foi quando eu vi você sair com suas amigas e pela sua cara, estava bem nervosa.
- Aah, então você é do tipo que quando passa nos bares procura garotas indefesas pra dar carona? - ela arqueou a sobrancelha, ele riu alto quando ouviu o que a moça disse. - qual a graça?
- Sabe, eu não costumo dar caronas para meninas indefesas na portaria de um bar. - sinal vermelho, ele parou e olhou para . - como eu disse, estou sendo gentil. Já ouviu a frase gentileza gera gentileza? Então.
ficou vermelha mais uma vez naquele carro e se sentiu uma idiota pelo que disse. Resolveu que era melhor ficar calada e voltou a olhar pela janela, mas não durou muito.
- Por que você não usa farda? - ela perguntou, realmente estava curiosa com aquilo.
- Não preciso, sou detetive. E também trabalho disfarçado em alguns casos, não posso ser visto fardado. - ele respondeu.
- É por isso que esconde o distintivo por baixo da camisa? - ele confirmou com a cabeça. - Como conseguiu a vaga tão novo? - ele sorriu pela curiosidade da menina, era estranho ser o que tinha que responder as perguntas, não o que as fazem.
- Tenho 21, desde os meus 17 me dedico a isso, sou tipo um prodígio, entende? - ela balançou a cabeça confirmando - meu pai era da polícia também, então ajudou muito.
- Você é beneficiado então… - ela comentou. Ele apenas ficou em silêncio e depois mudou de assunto.
- E você? O que faz?
- Sou estudante de veterinária. Em Londres. - ela deu um sorriso curto.
- Veterinária? Que demais. - ele falou e pôde perceber que estava sendo sincero. - Então está aqui só para o feriado?
- Um feriado que já começou mal. - ela disse se lembrando de tudo que aconteceu em um só dia. Os dois acabaram ficando em silêncio mais uma vez, mais um silêncio constrangedor.
- Acho que chegamos. - a morena ouviu a voz do rapaz mais uma vez e olhou pela janela. A casa de Lauren parecia bem convidativa para uma boa noite de descanso depois de tantos altos e baixos durante o dia. Ela respirou aliviada por enfim está em casa e virou para o detetive confirmando.
Acordar e Bianca foi mais difícil do que colocá-las no carro, mas, graças a Deus, o cochilo serviu para o efeito do álcool passar um pouco. Aos resmungos as duas saíram do carro e foram direto para a casa, sem nem ao menos agradecerem ao policial, papel que acabou caindo nas mãos de .
- Então… obrigada, pela carona. - ela levantou o olhar encarando o rapaz, ele estava encostado no carro com um sorriso mínimo no rosto - e por não ter nos matado e jogado no mato. - e então ele riu. Uma risada gostosa de se ouvir e , pela primeira vez naquela noite, se deu conta de como aquilo soava ridículo e também riu junto com ele.
- Por nada. - ele disse parando de rir e sustentando apenas um sorriso aberto no rosto, a menina retribuiu o sorriso, sem medo, sem peso na consciência, tranquila, ela retribuiu e deu o seu melhor sorriso de gratidão. Ela percebeu que ele fora gentil o tempo todo, mesmo sendo grossa em algumas vezes e não acreditando nele, ele não tirava o sorriso amigável do rosto.
- E me desculpe pela grosseria, eu estava bem nervosa e você também não colaborou com sua insistência. - ela falou por fim.
- Tudo bem, eu entendo, você realmente estava tensa. - ele sustentou o olhar nela. - Bom, eu tenho que ir agora, a noite é uma criança e eu tenho muito trabalho na delegacia. - ela acenou com a cabeça, sorrindo, e foi se afastando.
O rapaz deu um aceno de cabeça murmurando um boa noite e abriu a porta do carro, deu as costas indo em direção a casa mas antes de pisar no primeiro degrau da entrada, o ouviu chamar.
- Ei! - ela se virou de imediato e encontrou ele com a porta aberta mas ainda em pé fora do carro. - Você não me disse seu nome!
- Boa noite, detetive! - ela o olhou divertida e com um sorriso travesso no rosto se virou para a entrada se apressando até a porta. Ele apenas riu negando com a cabeça com a resposta da garota, ao entrar no carro percebeu que ela esquecera a jaqueta jeans. Mas não seria agora que ele iria devolver. Sorriu divertido dando partida no carro e dizendo pra si mesmo.
- Boa noite, desconhecida.
-




Continua...



Nota da autora:Oooi meninas, como estão? Espero que bem! Vamos ter alguns personagens novos na fic nessa temporada em que eles estão em Brighton e como viram a Rimena já chegou, chegando! Muitos altos e baixos estão por vir e espero que continuem gostando, teremos uma breve participação de dois amorzinhos da minha vida na história, que vocês vão saber logo, logo quem é e obrigada pelo carinho, aproveitem a história ❤ Vou deixar o link do grupo da fanfic no Facebook aqui, para caso vocês queiram entrar e sempre estarem informadas sobre ela





Qualquer erro nessa fanfic ou reclamações, somente no e-mail.


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