Küss Mich
Última atualização: 08/06/2018

All Too Well

'Cause there we are again when I loved you so
Back before you lost the one real thing you've ever known
It was rare, I was there
I remember it all too well


2013


precisou usar a sua própria mão como proteção quando o vento despenteou o seu cabelo escuro, ainda tendo consciência do instante em que sorriu ao seu lado e não demorando muito tempo até que pudesse acompanhá-lo, com as risadas de ambos acompanhando a música que tocava no rádio naquele mesmo instante. Era uma boa forma de dissipar o nervosismo que parecia ter tomado conta de si desde o instante em que colocou os seus pés para fora do pequeno prédio onde morava em Bern.
Conhecer os pais do namorado parecia um passo importante em seu ponto de vista, apesar de achar que ainda era um pouco cedo para um passo tão importante.
Passou horas com Nina no facetime, tentando escolher algo que parecesse realmente apropriado e confortável para o momento, assim como passou a última noite quase que inteiramente em claro, tentando convencer a si mesma que era uma boa ideia.
Entretanto, parecia tão empolgado com tudo, que preferiu não voltar atrás, mandando uma mensagem e inventando algo de última hora relacionado a Universidade. Nina estava certa quando a alertou que o amigo era extremamente adepto a relacionamentos e aquilo incluía seguir todos os passos de um. Perguntava-se constantemente se era tão errado sentir-se insegura acerca dos próprios passos, mas ele era tão seguro de si que a estudante preferia apenas fechar os olhos e confiar.
Era aquela típica fase inicial de namoro.
Os dois se conheceram através de Nina, apenas alguns meses antes, e algumas várias mensagens depois o goleiro suíço a convenceu que ir ao cinema era bem melhor que escolher algo no catálogo da Netflix para que o final de semana passasse mais rápido. Não poderia negar que ele havia sido insistente ao segui-la em suas redes sociais ou quando deu um jeito de conseguir o seu telefone com Nina. Também foi pega completamente de surpresa quando todas aquelas flores foram entregues em seu nome no dia do seu aniversário.
venceu pela insistência e todos sabiam sobre. gostava de algumas das suas manias e teve consciência do instante no qual ele ultrapassou o sinal vermelho, por ter sua atenção completamente focada nela, enquanto escutava uma das suas histórias sobre um trabalho que precisava apresentar na faculdade e de como estava tendo trabalho com a sua conclusão. mantinha os olhos sobre si o tempo inteiro e as piadas feitas pelos amigos eram frequentes.
Naquele momento, conseguia observar a cidade passando diante dos seus olhos, com as folhas alaranjadas das várias árvores caindo e se acumulado ao lado das mesmas, entrando em contraste com os tons neutros que pareciam ser parte da arquitetura medieval Bern. Os chafarizes continuavam nos mesmos lugares de sempre, assim como as ruas estreitas e torres históricas, que dividiam lugar com os bares, boutiques e pequenos cafés.
Os cafés de rua definitivamente estavam na lista de lugares preferidos de e todos que a conheciam sabiam do seu enorme vício por cafeína e tudo que a envolvesse. Era algo bom para iniciar o dia ou desestressar depois de uma das semanas de provas e tinha conhecimento sobre, porque ele costumava aparecer em seu apartamento quase todas as manhãs, levando consigo uma embalagem com descafeinado. Precisou esfregar as suas mãos uma contra a outra quando chegaram ao destino final naquele final de tarde e não foi apenas pelas temperaturas mais amenas daquela época do ano na cidade. Sorriu gentilmente quando retirou seu cachecol e passou ao redor do seu pescoço, ainda deixando um beijo na ponta do seu nariz ao se afastar. Era o mesmo o qual eventualmente era esquecido no apartamento que dividia com Nina e Gabrielle e o qual pegava para si na primeira oportunidade.
era carinhoso e apreciava o contato físico, sempre buscando uma maneira de se aproximar, mesmo que minimamente.
Quando entraram na casa, com as mãos entrelaçadas, primeiro conheceu Martin e logo em seguida Karin. Marco a cumprimentou em reconhecimento, pois já se conheciam havia certo tempo.
era ligado a família e era algo que admirava, porque também era extremamente apegada a sua família e sempre encontrava um tempo para ir até Dortmund.
O interior da casa era aquecido e qualquer pessoa sentiria-se bem-vinda. identificou o cheiro de chocolate quente e biscoitos se espalhando pelo ambiente e respondia às perguntas curiosas de Karin o mais sinceramente que poderia.
Eles eram uma família parecida com a sua e descobriu que o motivo de ser goleiro era o seu pai. Sentaram no sofá um lado do outro e o olhar curioso dos seus pais não passou despercebido, ainda mais por ser a primeira garota a qual ele levava para casa. Os pais de se sentiriam da mesma maneira no instante em que ela tomasse a sua decisão e o levasse para casa consigo no próximo feriado ou final de semana.
Karin não perdeu a oportunidade de mostrar um álbum de fotos cheio de fotos antigas. passou cada uma das páginas com atenção e foi inevitável não sorrir de algumas, conseguindo notar o constrangimento estampado no rosto de . Em muitas delas, ele estava com Marco e em outras estava começando a treinar com o BSC Young Boys. Pegou o celular e fotografou uma delas para si, com a desculpa que precisava mostrar para Gabrielle e para Nina o quanto ele havia sido uma criança adorável. Sua mãe contou as mais variadas histórias sobre aquela época e sorria quando seus olhos encontravam os do namorado. Ela sabia quando ele estava sem jeito e aquele era um dos momentos.
Eles eram um casal e as características de um eram facilmente notadas.
perdeu as contas de quantas manhãs acordou com dormindo ao seu lado ou usando uma das suas camisetas, que nela se assemelhavam bem mais a vestidos. Ela gostava de usar as roupas dele e sentia-se confortável com o fato. tinha algumas das suas coisas em seu apartamento e era algo que ela preferia ignorar, para não se permitir pensar que as coisas estavam ficando sérias bem mais rápido que deveriam. Lembrava-se de sorrir por horas seguidas depois que dançaram na pequena cozinha, quando ele achou que era uma boa forma de consolo após um dia ruim.
Porém, também recordava-se de quando as coisas começaram a desandar e de como as brigas ou discussões bobas se tornaram frequentes dia após dia.
Lembrava-se de como as desculpas se tornaram frequentes e de como as roupas dele foram sumindo aos poucos do seu armário pelos meses seguintes. Os telefonemas se tornaram mais raros, assim como as mensagens de boa noite ou desejando um bom dia.
Tomou a decisão final por conta própria quando os caminhos passaram a se tornar distante um do outro.
nunca soube como lidar com relacionamentos e lidar com eles a distância parecia uma ideia absurda para aquele momento da sua vida. Ela definitivamente nem mesmo estava pronta para um relacionamento daqueles.
queria uma coisa e ela queria outra completamente diferente. Colocar um ponto final em tudo não foi uma das decisões mais fáceis da sua vida, mas, ainda assim, aquela parecia ser a decisão mais sensata e ela acreditava que era o melhor para ambos.
Gabrielle estava acerta quando afirmou que eles estavam em fases diferentes e dificilmente duas pessoas poderiam caminhar juntas daquela maneira. Um telefonema foi o que mudou tudo e então estavam em definitivo um fora da vida do outro.


Code Blue

That’s what I get for loving you
Code blue


Dortmund // 2015


despejou o líquido ainda quente e escuro em sua caneca, não demorando muito até que levasse a mesma até a sua boca e pudesse sentir o conhecido gosto do café entrar em contato com os seus lábios. Sorriu quando observou o objeto em suas mãos com mais atenção, porque era a cara de Nina a presentear com algo do tipo, onde qualquer pessoa poderia ler eu tenho a melhor irmã do mundo em letras gritantes. tinha consciência que na sua havia algo do tipo eu sou a melhor irmã do mundo. Era estranho retornar para casa depois de tanto tempo morando fora. Primeiro Bern e algum tempo depois uma mudança brusca para uma cidade como NYC.
Preferia encarar tudo como um período de enorme aprendizado.
O dia em casa havia começado calmo o bastante naquele final de semana. Sebastian saiu para caminhar com o enorme labrador dourado logo cedo e Charlotte provavelmente estava trancada na biblioteca terminando outra das suas aulas. Conhecia Nina para saber que uma hora daquelas ela ainda estava na cama, principalmente após ter saído com algumas das suas amigas na noite anterior. Era a mesma rotina com a qual conviveu durante o tempo que morou ali alguns anos antes.
Dortmund nunca deixou de ser o seu lar mesmo depois de todo aquele tempo.
Parecia controverso que ela tivesse retornado para a cidade, porém, em suas mente as coisas faziam sentido, nem que para aquilo acontecesse tivesse que ter colocado um ponto final em seu relacionamento de quase treze meses com Ethan.
Os últimos dias a deixaram um pouco mais eufórica com o normal.
Não esperava que as coisas fossem dar tão certo ainda em seus primeiros dias de volta e aquilo definitivamente incluia uma proposta irrecusável da SPORT1. Gostava de trabalhar com o que envolvesse esporte e era acostumada desde o seu período na ESPN.
Enviou o seu currículo e carta de recomendação sem criar muita expectativas, por isso foi pega de surpresa quando encontrou um email da emissora em sua caixa de entrada e lembrava-se com exatidão de como se atrapalhou centenas de vezes até que conseguisse explicar para todos em casa o que aconteceu.
— Parece que a minha garotinha caiu da cama hoje.
Charlotte a pegou de surpresa quando entrou repentinamente em seu campo de visão. Elas pareciam uma com a outra e qualquer pessoa notaria aquilo com facilidade. O cabelo no mesmo tom assim como os mesmos olhos escuros. se orgulhava de ser comparada constantemente com Charlotte, porque a mais velha sempre foi o seu apoio e a jornalista gostava de saber que as pessoas a enxergavam de maneira semelhante.
— Passei a maior parte da noite rolando de um lado para o outro na cama — respondeu, com uma discreta careta surgindo em seu rosto — Tenho a sensação que preciso de um pouco mais de tempo para me acostumar novamente com a questão do fuso horário.
— Quais os planos para o seu final de semana?
— Eu acho que ficar em casa e assistir alguma coisa na Netflix parece uma boa ideia.
Charlotte terminou de servir a si mesma com o café e encarou a filha com uma das suas sobrancelhas ligeiramente arqueadas, claramente não concordando com a sua decisão. não era uma daquelas pessoas extremamente fechadas para a vida, ela apenas ainda não havia alcançado o nível Nina em uma escala máxima de animação. Costumava ser mais na dela e gostava de tirar um tempo para si mesma quando tinha chance.
Nina era o seu oposto e havia sido daquela forma ao longo dos últimos anos.
Entretanto aquilo nunca interferiu no relacionamento de ambos e sempre se deram bem. poderia admitir abertamente que Nina Weiss era a sua melhor amiga e as coisas se mantiveram daquela maneira inclusive durante os meses em que esteve em Nova York.
— Desde quando ficar em casa e assistir um filme é um bom programa para o final de semana, ?
Charlotte a indagou levemente contrariada e sorriu com a caneca com uma quantia ainda considerável de café em suas mãos. Em alguns momentos, a professora de Psicologia da Universidade de Dusseldorf parecia bem mais uma das suas amigas que a sua mãe, que tinha aproximadamente o dobro da sua idade. Era algo com o que estava acostumada, porque havia sido daquela forma na maior parte do tempo.
— Provavelmente desde que moramos em Dortmund — brincou, dando um sorriso carregado de inocência na direção da mãe.
— Por que você não liga para a Gabrielle e marcam alguma coisa em Düsseldorf?
— Eu acho que não estou muito no clima para sair hoje.
respondeu e deu de ombros no instante seguinte.
Ela ainda estava tentando se readaptar a rotina e se acostumar com o retorno para casa. Em alguns dias começaria a trabalhar e sentia que estava uma pilha de ansiedade por vários motivos e aquilo definitivamente ultrapassava as linhas do caráter profissional. Entendia os motivos para sentir-se daquela forma e perguntava para si mesma se eles ao menos eram coerentes, principalmente depois de todo aquele tempo.
sabia que Gabrielle facilmente concordaria em sair naquela noite e reunir uma parte dos seus amigos parecia ser uma ideia realmente interessante para dali algumas horas. Sentia falta de passar um tempo com todos juntos e parecia uma boa oportunidade.
Não era como se fosse cruzar com o seu passado ainda em seus primeiros dias de volta e, da maneira como as coisas caminhavam, aquilo não demoraria tanto até acontecer.

: O que acha de irmos para Düsseldorf essa noite?


Enviou a mensagem para Gabrielle e deixou novamente o celular sobre a bancada, para em seguida apoiar os cotovelos sobre a mesma e observar a mãe caminhar de um lado para o outro, ainda vestida em suas roupas de academia e contando algo sobre uma das suas últimas aulas ao longo da última semana na Universidade.
Charlotte gostava de lecionar e quando conseguiu o emprego, após a mudança, as coisas pareceram entrar completamente em ordem finalmente. Ela ainda tinha um consultório próprio na cidade e costumava dividir bem o seu tempo com ambas as funções. Quando era mais nova, detestava saber que poderia ser facilmente lida pela mãe.

Gabrielle Schmitz: Provavelmente essa foi a sua melhor mensagem dessa semana.


— Gabrielle aceitou sair essa noite — informou para a mãe e não levou muito tempo até que recebesse um enorme sorriso como resposta — Contente agora? — concluiu o seu comentário ao adotar um tom que demonstrasse que estava apenas brincando.
— Como você é exagerada, — Charlotte rolou os seus olhos e sorriu baixinho, antes que encarasse a mais nova — Para quem você puxou dessa forma?
— Costumam falar que para você — exclamou em um tom divertido, antes que pulasse do banquinho onde estava e deixasse um beijo estalado na bochecha da mãe — Estou indo tomar um banho e me livrar dessa roupa de dormir.
subiu apressadamente as escadas, dando-se conta das várias fotos penduradas nas paredes e que pareciam mostrar ano após ano na sua vida e na de Nina. Era como entrar em uma cápsula do tempo e acompanhar cada pequena fase.
Charlotte era quem gostava de coisas do tipo e as fotos estavam dispostas para qualquer pessoa que entrasse na casa e prestasse atenção ao seu redor. Diversas flores e mais outros quadros estavam distribuídos pela casa. Ela costumava adorar tudo o que envolvesse decoração de interiores e vivia indo para eventos do tipo. perdeu as contas da quantidade de vezes que fora arrastada para coisas do tipo.
continuou a checar cada uma das suas mensagens com atenção. Gabrielle colocou a notícia sobre a noite fora de casa em um dos grupos e Sofie foi uma das primeiras a responder, afirmando que estaria indo junto. Obviamente que ela não faltaria e a jornalista dava a presença de Nina e Eileen quase como certas. Observou as curtidas na foto que postou em seu Instagram na noite anterior e não pode evitar o sorriso que escapou quando leu o comentário deixado por Daniel.
Eles continuaram a manter contato naquele período e as coisas pareciam normais em todas as conversas. Continuava sendo um bom amigo e frequentemente queria saber como as coisas estavam indo nos Estados Unidos. Inclusive no tempo que esteve em um relacionamento com Ethan. Era bom ter mantido uma parte sua ali no tempo em que esteve fora e tinha consciência que aquilo contribuiria para sua readaptação ao lar. Depois o responderia, da mesma maneira que também responderia as mensagens que acabaram se acumulando em seu whatsapp naqueles poucos minutos.
Naquele instante, entretanto, precisava de um longo banho gelado, ainda planejando dormir um pouco para que conseguisse se manter acordar na parte da noite. Esperava que não custasse mais tanto tempo até se acostumar com o novo fuso horário e também esperava que aquilo fosse antes que começasse em seu novo trabalho.
Tinha coisas pendentes para resolver em Dortmund, mas elas poderiam esperar.

???????


espionou Daniel sem conseguir esconder a sua curiosidade com o amigo digitando no celular e sorrindo sem parar a apenas alguns metros de distância na sala de estar da sua nova casa em Dortmund. Não poderia recriminar a si mesmo por aquela atitude e a inquietação era algo real.
O suíço tentou continuar focado no aparelho em suas próprias mãos, trocando algumas mensagens completamente aleatórias com Evie Allen antes da metade do dia. Estava livre de qualquer compromisso com o seu novo time naquele dia e no dia seguinte e Daniel resolveu que era um bom dia para ir visitar o amigo recém-contratado pelo time de Dortmund para as temporadas seguintes. não poderia negar que era algo positivo, ainda mais que ainda estava se adaptando ao novo lar. Para a sua sorte, era a mesma cidade de Nina e ele sabia que teria companhia constante.
O amigo estava sentado em uma poltrona disposta ao lado das portas de vidro, que os levariam para a varanda e proporcionavam uma ampla visão de Phoenix-See, local onde parte dos seus novos colegas de time pareciam morar. Ainda não havia tido muito tempo para cuidar das coisas, principalmente a parte de comprar mais móveis e retirar algumas das suas coisas das caixas, mas esperava ter um tempo para aquilo o quanto antes, para que tornasse a nova casa um lugar mais habitável para ele ou suas visitas.
— Qual o seu problema?
Questionou, não conseguindo mais controlar a sua ansiedade, no mesmo instante em que Daniel gargalhou abertamente e tornou a atrair a sua atenção para si.
— Estou apenas falando com a — explicou tranquilamente, levantando a vista rapidamente do celular e o encarando — Soube que ela retornou para a cidade?
precisou de um tempo até que conseguisse formular mentalmente uma resposta. Obviamente que ele sabia que a sua ex-namorada havia retornado para a Alemanha depois de todo aquele tempo estudando e trabalhando em NYC. Eles ainda seguiam um ao outro nas redes sociais e tinham consciência do que acontecia. Independente dos seus pensamentos na época em que romperam, as coisas continuaram boas entre ambos, ao menos na medida do possível.
Sabia que a agora jornalista trocava algumas mensagens com seus amigos e até mesmo com a sua mãe e frequentemente enviava fotos do pequeno cachorro que adotaram quando ainda estavam juntos. Naquela época, permitiu que ela levasse o filhote de labrador, por imaginava que os seus primeiros dias do outro lado do oceano seriam solitários. Curtia as fotos que postava ao lado do cachorro, entretanto o contato direto entre os dois era algo limitado a coisas do tipo.
sempre deixou claro que entendia os seus motivos. Ele não a prenderia a si quando ela parecia querer outras coisas e seria injusto. Não existia mágoas e nem mesmo ressentimentos. O que eles tiveram foi intenso o bastante para ser substituído por sentimentos ruins e eram maduros para lidarem com as consequências das escolhas.
— Ela concluiu o curso e o período na ESPN, não é mesmo?
— Exato!
Daniel parecia animado quando voltou a focar em seu celular, não dando continuidade ao assunto e deixando o goleiro ligeiramente frustrado. Não poderia afirmar que agiu por impulso quando abriu o perfil de no Instagram. Observou com atenção a última foto postada. Ela estava ao lado dos pais e abraçada a ambos. Na legenda, deixava claro que se sentia feliz por poder estar novamente em casa depois de tantos meses fora. O sorriso gentil continuava o mesmo de sempre, assim como a expressão infantil. Ela continuava bonita da mesma forma que o goleiro lembrava.
Era o mesmo cabelo escuro e o mesmo sorriso com os dentes perfeitamente brancos e alinhados.
Não deixava de perguntar a si mesmo se acabariam esbarrando pelas ruas da cidade e nem mesmo sabia se a garota iria querer permanecer em um lugar como Dortmund, apesar dela costumar amar a cidade quando era mais nova.
continuava presente em sua vida de várias formas e não apenas por ser uma lembrança bonita do tempo em que passaram juntos em Bern. Eles tinham amigos em comum e a sua família a adorou desde o primeiro momento.
Não havia lei alguma que o abrigasse a tirá-la por inteiro da sua vida e um lado seu não estava pronto para aquilo, porque, mesmo sendo uma lembrança, ainda assim continuava a ocupar um espaço enorme em sua vida. Os sentimentos ainda estavam ali em algum lugar e ele aprendeu como deixá-los bem guardados. Teoricamente ele deveria ter superado tudo o que aconteceu meses antes, mas na prática era diferente.
— Como você se sente com isso?
— Como?
O questionamento repentino de Daniel o despertou dos seus pensamentos próprios.
— Como você se sente com a volta dela?
— Por que eu deveria ter uma resposta para isso?
— Cara, sério mesmo que você vai falar que é indiferente ao fato que a mora praticamente na casa ao lado da sua? — exclamou de maneira debochada, arqueando uma das sobrancelhas em sua direção e com a atenção desviada do celular.
— Espera que eu apareça na casa dela como se ela não tivesse me chutado para fora da sua vida quando eu achava que as coisas estavam no caminho certo? e eu não estávamos na mesma frequência naquela época e dificilmente estamos agora.
focou novamente em seu celular e agradeceu mentalmente por Daniel entender que aquele era um sinal para que dessem o assunto como encerrado. Ele não precisava que alguém o lembrasse constantemente da sua presença, principalmente quando a sua mente tomava aquele trabalho para si.

???????


detestava atrasos e conviveu com pessoas que pensavam daquela mesma maneira por boa parte da sua vida. Para os alemães, a pontualidade era quase como uma questão de princípio e provérbios sobre era algo bem frequente. O ditado popular costumava afirmar que cinco minutos antes da hora era a pontualidade do alemão. Ela sentia-se bem mais alemã que americana, então acabou adquirindo o conselho para sua vida. Entretanto, sabia como equilibrar as coisas. Não seria a amiga sem noção que chegaria horas antes da hora marcada para um jantar, quando nem mesmo os donos da casa estavam prontos e ainda corriam de um lado para o outro envoltos em sua toalha.
Porém, naquela noite, havia sido a primeira a ficar pronta para a noite das garotas, que tornou-se facilmente uma noite entre amigos, porque Daniel Mandalo confirmou que também estaria presente no reencontro e aquilo era o que a deixava nervosa. sabia que as chances de ir junto eram altas e por isso ficou aflita.
O vestido prateado deixava boa parte das suas costas descobertas, assim como qualquer movimento não calculado acabaria por expor o seu colo por inteiro. Nina foi quem a ajudou com a maquiagem e o batom vermelho não poderia faltar de forma alguma. Detestava sua baixa estatura e extrapolava dos saltos por causa daquilo.
Chegaram algum tempo depois na casa noturna da cidade vizinha.
precisou acostumar os olhos com todas aquelas luzes coloridas piscando em sua direção e agradeceu quando Nina segurou a sua mão e a guiou com facilidade entre aquelas pessoas que se moviam com copos de um lado ao outro. Frequentou algumas festas semelhantes em NYC e também quando esteve em Bern. Não era um dos seus lugares preferidos do mundo, mas sabia como se divertir.
— Impressão minha ou você tá exagerando mais que deveria com esse coquetel?
Gabrielle questionou curiosamente, apontando para o copo colorido nas mãos da amiga e inclinando-se sobre a pequena mesa redonda que ocuparam quando chegaram. Nina estava entretida em uma conversa com Eileen e Sofie, assim como a música parecia tocar em um volume considerável, ainda permitindo que trocassem mensagens entre si.
— Estou com sede — murmurou em resposta, desviando o olhar da amiga e observando a sua volta como se realmente estivesse interessada no que acontecia.
— Sabe uma coisa ao seu respeito? — Gabrielle sorriu de lado, de uma forma falsamente inocente — Sempre foi uma péssima mentirosa e consigo identificar isso rapidamente em sua expressão facial.
ignorou a provocação, porque não confessaria que estava nervosa apenas pela possibilidade de poder encontrar com o ex-namorado naquela noite. Ela não sabia como se sentia em relação a e seus sentimentos continuavam bagunçados. Eles não eram completos estranhos um para o outro e se mantiveram presentes a sua própria maneira, porém ainda não sabiam o que esperar de um reencontro. ainda estava no escuro sobre aquele detalhe em especial, entretanto sabia que ele acabaria acontecendo e que tornaria-se mais presente em sua vida que o goleiro poderia esperar.
Não poderia perder a sua mente ensaiando as palavras que falaria para caso se encontrassem nas horas seguintes, até mesmo porque sabia que travaria, por isso não pensou muito antes de aceitar ser levada por Gabrielle e Sofie para a pista de dança. Os pais da primeira eram amigos dos seus pais e por aquele motivo tornaram-se presentes uma na vida da outra. Ela ir de Gelsenkirchen para Dortmund era algo comum. Uma das poucas coisas contrárias eram os times escolhidos. Gabrielle torcia para o Schalke 04 abertamente e não apenas por causa do seu namorado. O outro lado da grupo torcia para a equipe do Borussia Dortmund.
perdeu a noção de quanto tempo passaram dançando, mas acabou sendo vencida pelo cansaço quando sentiu os seus pés protestarem.
Logo que se aproximaram novamente da mesa, conseguiu identificar Daniel, que não perdeu tanto tempo antes que a envolvesse em um demorado abraço em boas-vindas. Eles sempre se deram bem e nada do que aconteceu mudou o fato.
— Tão bom encontrar você aqui na cidade — disse quando se afastaram — Pensei que demoraria um tempo maior até que nos encontrassemos novamente.
— Digamos que estou passando um tempo com o e as coisas coincidiram — respondeu, passando a mão em seu cabelo e o despenteando ainda mais que antes.
— Falando no , onde ele se meteu essa noite? Pensei que viria com você — Nina se intrometeu na conversa, parecendo curiosa a respeito do assunto.
— Preferiu ficar em casa, descansando para a viagem de pré-temporada com o time. Sabem como ele é, não é mesmo? assentiu em confirmação, mas poderia afirmar para qualquer pessoa que sentiu o sarcasmo contido em cada uma das palavras de Daniel, assim como também se deu conta do olhar trocado brevemente entre ele e Nina, e que provavelmente deveria ter passado despercebido por sua parte. Não se prenderia aquilo e aproveitaria a noite com os seus amigos, porque foi o motivo que a tirou de casa. Ela apenas esperava que ele estivesse pronto para o que viria acontecer, porque o reencontro seria inevitável.

???????


estava trocando despreocupadamente os canais da sua televisão. Rodou por tempo o suficiente na cama, até que se desse conta que não pegaria tão cedo no sono. Daniel havia saído com as garotas e estava certo que ele demoraria até retornar. Ele poderia ter ido junto, mas preferiu adiar aquilo por mais um tempo.
Nenhum dos filmes pareciam bons para manter a sua atenção.
Remexeu em suas playlists e não encontrou nada que o agradasse.
Qualquer pessoa que o conhecesse adivinharia qual era o motivo da sua inquietação. Um lado seu estava arrependido por não ter entrado naquele carro com Daniel, entretanto o outro afirmava que a sua decisão foi sensata.
Nenhum dos seus outros amigos estavam acordados uma hora daquelas e ele não os incomodaria com uma ligação completamente desnecessária. Em alguns dias estaria viajando com o time para a pré-temporada e aproveitaria aquele intervalo de tempo para que pudesse colocar os seus pensamentos em ordem. Sabia que poderia mentir para Daniel ou para qualquer outra pessoa, mas Nina seria quem bateria de frente. De alguma forma, ele era transparente para a amiga e aquilo o incomodava um pouco. Estava perdido em pensamentos quando o celular tocou com uma nova notificação.
Daniel havia mandando algo em um dos grupos.
apertou o play sem pensar muito e sorriu ao notar o ambiente da casa noturna, reconhecendo a batida da música ao fundo. Daniel estava dançando bem ao lado de Eileen e exibia um copo com bebida. Era típico dele se comportar daquela forma. Em certo momento, o amigo esticou os braços e puxou uma pessoa para dançar ao seu lado. teve a sensação que engasgaria com o ar quando seus olhos focaram em , parecendo se divertir. Ela passou os braços ao redor do pescoço Daniel e não pareceu se importar quando deixou um beijo em seu pescoço, para murmurar algo no seu ouvido em seguida. O vídeo parou apenas alguns poucos segundos depois.

Daniel Mandalo: Será que estou no paraíso?


Era uma provocação e tinha noção sobre.
Bloqueou a tela do celular e deixou o aparelho de lado, socando a cama com os punhos fechados.
Não poderia e nem conseguiria mais negar para o mundo que continuava completamente apaixonado por , mesmo depois de todo aquele tempo.


Ahora Dice

Ahora dice que no me conoce, no no no no no
Y si me ha visto se supone que en el pasado fue
Yo sí me acuerdo cómo lo hacíamos
Cómo en la cama nos matábamos

AHORA DICE — J BALVIN


sempre achou que poderia ser uma pessoa um pouco mais matinal. Principalmente pelo fato que naquela segunda-feira estaria iniciando oficialmente em seu novo trabalho. Sua rotina era praticamente a mesma de quase todos os dias anteriores.
Levantou bem cedo e aproveitou um daqueles seus demorados banhos gelados. Escolheu uma roupa que parecesse adequada o bastante em seu armário e checou se todas as suas coisas estavam realmente nas malas que levaria para a viagem de alguns dias com o time. Charlotte e Nina a ajudaram e ela sabia que ambas estavam se controlando para que não falassem sobre um assunto em especial. Quando terminou com tudo, precisou de um tempo para si mesma até que estivesse controlado os seus próprios pensamentos. Era inevitável que ficasse nervosa daquela maneira e ainda mais porque tinha total consciência do que acabaria acontecendo nas horas seguintes.
— Por que tenho a sensação que você parece um pouco nervosa essa manhã?
— Provavelmente porque estou nervosa — murmurou quando passou por Nina, aproveitando para roubar um dos cookies que estavam a sua frente — Não é todo dia que se começa em um novo emprego, não é mesmo?
— Principalmente quando esse seu novo emprego envolve o seu ex-namorado — Nina provocou abertamente, apoiando os cotovelos sobre a bancada e com um sorrisinho brincando em seus lábios.
— Pode parar de me lembrar isso a cada minuto? Porque me deixa apenas mais nervosa e acabo lembrando que as chances dele me evitar estão sendo bem altas.
resmungou e careta surgia em seu rosto a medida em que ela despejava café em sua mesma caneca de sempre, com a outra estando sendo usada por Nina. Marcou de encontrar com a sua nova equipe em pouco mais de uma hora e não atrasaria. Nina concordou em levá-la até o aeroporto e aquele deveria ser um dos motivos que a arrastaram mais cedo que o normal para fora da sua cama.
Estava ansiosa em pensar em como as coisas iram se desenrolar. Também estava ansiosa por não saber o que esperar dos próximos dias. Principalmente pelo fato que estariam em um território completamente desconhecido para ambos.
sabia que precisaria agir da forma mais profissional que fosse possível e ignorar o fato que estaria convivendo lado a lado com alguém que se envolveu emocionalmente havia algum tempo.
e ela não precisavam ser melhores amigos, entretanto ela esperava que conseguissem lidar com as várias coisas que aconteceriam dali para a frente. Os dois estavam recomeçando em lugares novos e muita coisa aconteceu desde Bern.
— Por que o estaria ignorando você?
— Lembra o que aconteceu quando saímos naquela noite?
perguntou como se fosse algo óbvio, apoiando-se contra a bancada ao lado oposto, segurando a caneca entre as suas mãos e mordendo seus próprios lábios. Nina estava devidamente apresentável e às chaves do carro estavam ao seu lado. Ela não costumava trabalhar naquele dia da semana e teria as horas seguintes livre. Costumava administrar a empresa de viagens de Sebastian e lidava bem com aquilo.
— Ele provavelmente apenas precisa de um tempo para colocar as coisas em ordem — Nina fez pouco caso do assunto e deu de ombros antes de retomar a fala — Quer que eu saia para passear com o Bummer nos dias que passará fora?
— Parece uma boa ideia.
concordou antes de provar um pouco mais da bebida em sua caneca.
Elas passaram os últimos dias cuidando dos detalhes da sua viagem e aquilo incluia uma visita ao THIER-Galerie. Nina costumava elevar as coisas a outro nível e obviamente que ela tornaria a viagem de trabalho algo grandioso.
tinha consciência que teria os seus dias de folga, entretanto sabia no que deveria realmente focar. Nina parecia um pouco mais empolgada que ela com a viagem e a mais nova preferia ignorar seus motivos, antes de começar e pensar bem mais que deveria neles.
— Estará de volta antes do aniversário de casamento dos nossos pais, não é mesmo?
— O cronograma fala que sim.
O aniversário de casamentos dos pais aconteceria dali alguns dias e ambos estavam organizando algo para reunir os amigos mais próximos da família. retornaria da viagem antes da data e esperava que as coisas saíssem como combinado. No ano anterior voou de NYC para Dortmund e levar Ethan esteve fora de todos os seus planos, ainda mais porque ainda estavam na fase inicial do relacionamento.
Analisando todos aqueles fatos passados, era bem mais fácil chegar a conclusão que apenas nunca esteve disposta a permitir com que ele entrasse em sua vida de forma definitiva. Relacionamentos sempre foram complicados e dificilmente a sua perspectiva sobre as coisas mudariam. Ainda mais quando analisava suas experiências passadas e verificava que seus relacionamentos chegaram ao ponto do desastre. Enquanto Nina não era adepta a relacionamentos, era um desastre com eles. Porém, ainda assim, a primeira parecia lidar bem melhor com coisas do tipo.
— O seu nervosismo é apenas pelo ou tem algo a mais preocupando você?
— Sabe que recomeços costumam me assustar um pouco — respondeu do modo mais sincero que poderia, encarando a bebida ainda em suas mãos — Eu nunca sei exatamente o que esperar deles e isso me deixa … nervosa.
— Sabe que você é ótima, então pare de criar neuras e foque em seu trabalho apenas — Nina incentivou, abrindo um sorriso em sua direção — Desde quando você se tornou uma pessoa completamente insegura dessa maneira mesmo?
rolou os seus olhos antes de sorrir para a irmã. Equilibrou seu peso em apenas um dos pés e provou o que ainda restava do seu café.
— Eu nunca fui exatamente uma das pessoas mais confiantes do mundo.
— Exceto em relação ao seu trabalho — Nina a corrigiu quase de imediato — Só tente se acalmar e respire bem fundo, tudo bem? Não conseguiu aquele estágio na ESPN de graça e nem mesmo conseguiu esse cargo na SPORT1 por questão de sorte.
Nina parecia sempre saber quais palavras deveriam ser ditas em cada momento. Era óbvio para qualquer pessoa que uma havia sido o maior apoio da outra na maior parte do tempo. reconhecia que Nina tornou-se o seu maior apoio e ela foi quem tornou Dortmund o seu lar quando a acolheu de braços abertos. Era inegável que ela era uma das suas amigas mais próximas e a relação não dependia de laços sanguíneos. Tornou-se algo bem além daquilo tudo.
Bummer apareceu naquele instante, no típico gesto de abanar o rabo de um lado para o outro, como se pedisse um pouco de atenção para , que sorriu em resposta. Ele era enorme, mas tinha atitudes semelhantes a quando era apenas um filhote. Gabrielle insistiu que deveria ter contratado um adestrador ainda no primeiro ano e que não adiantaria a partir do instante em que ela perdeu toda e qualquer moral com o labrador. Passava a maior parte do tempo circulando pela casa e Charlotte parecia prestes a ter um mini ataque do coração sempre que ele entrava na cozinha, deixando uma trilha de lama a cada centímetro percorrido.
— Não acha que o vai querer visitar ele?
Nina questionou e apontou em seguida para o labrador dourado, que, naquele instante, estava com as patas apoiadas sobre as pernas de , pedindo por mais carinho e atenção.
— Ele comentou algo sobre?
— O Bummer tecnicamente é dois dois, então é meio óbvio uh?
Uma discreta careta surgiu no rosto de .
Nina estava certa e ela precisaria concordar com o fato.
— Guarda compartilhada — Nina comentou em tom de deboche.
preferiu ignorar o assunto e repetiu para si mesma que concordaria com aquilo caso acontecesse, porque parecia a decisão mais justa em relação ao assunto. permitiu que ela levasse Bummer com ela quando foi embora e ela não seria a pessoa que negaria uma visita ao labrador que adotaram juntos. Ele nunca deu motivos para que ela fosse indiferente ao que aconteceu entre ambos e continuaria a se comportar de modo madura da mesma forma que aconteceu nos últimos anos. O fato de precisarem conviver pelos meses seguintes parecia um motivo válido por si mesmo e a jornalista se esforçaria para tornar um ambiente propício para seus respectivos trabalhos.

••••


Nina: Boa viagem e aproveite a estadia
Nina: Será que posso pedir uma lembrancinha?

sorriu com as duas mensagens de Nina em seu whatsapp ainda naquele início de dia, estranhando ligeiramente o fato dela estar tão ativa uma hora daquelas, quando normalmente ainda estaria sob todas as suas cobertas.
Estava caminhando tranquilamente logo ao lado de Erik Durm através no saguão do aeroporto. Em breve eles estariam embarcando em uma viagem de alguns dias devido a pré-temporada com a equipe do Borussia Dortmund. Manteve contato com os amigos ao longo das últimas horas e precisou de um tempo maior para verificar se estaria levando consigo tudo o que seria necessário em suas malas. O fone estava em seus ouvidos e ele mal conseguia se concentrar na música que tocava, tentando responder todas as suas mensagens antes que embarcasse.
— Parece que o assunto do dia é a nova jornalista que trabalhará com o time.
Erik exclamou com um sorrisinho em seus lábios e balançou a cabeça em seguida.
— Tem uma nova jornalista trabalhando com o time? — o encarou ligeiramente perdido, com as sobrancelhas franzidas.
— Por que você acha que as outras moças pareceam mais animadas que o normal hoje? — respondeu da maneira mais debochada que poderia para o momento.
sorriu de modo descontraído e voltou a focar no celular em suas mãos.
Os jogadores pararam para atender uma parte da torcida que foi até o aeroporto, distribuindo alguns vários autógrafos em camisetas ou fotos ou simplesmente posando para fotos com eles, enquanto caminhavam em direção aos portões de embarque.
Era a sua primeira temporada com o time de Dortmund e parecia uma missão quase impossível controlar cada uma das suas expectativas para as coisas que ainda aconteceriam. Coincidentemente era a cidade de uma das suas amigas mais próximas, então pensou que a fase de adaptação ao novo seria um pouco mais facilitada. Mantinha contato com os outros amigos e Nina sempre aparecia para checar se tudo estava bem.
Uma parte sua tinha consciência que estaria perdido sem Nina, porque ela o ajudava de várias formas sempre que aquilo estava ao seu alcance. Desde o início havia sido apenas amizade entre ambos e nem mesmo teria como evoluir para outra coisa. E não muito tempo depois ele conheceu e ela acabou por se tornar o foco da sua total atenção pelos meses seguintes. De alguma forma, ela havia sido tudo aquilo que ele idealizou por um longo período de tempo.
Gostava da maneira como as coisas funcionavam com Nina e ela era mais uma irmã para si que qualquer outra coisa. Estava acostumado com a maneira dela lidar com as coisas que aconteciam ao seu redor e admirou-se pelo comportamento neutro que adotou quando ele e romperam. Eles continuaram a manter contato um com o outro, da mesma maneira que eventualmente ainda trocava algumas mensagens com a sua mãe, que, por sua vez, não conseguia esconder a sua preferência pela jornalista e sempre o lembrava de coisas que a tornaram a sua preferida sem muito esforço.
— Animado para a sua primeira viagem com a equipe?
Erik o questionou, guardando o seu próprio celular e mudando de assunto.
— Eu acho que um pouco nervoso — o goleiro respondeu, repetindo o gesto anterior do amigo e deixando o celular de lado — Na verdade, ainda estou me acostumando com tudo, então teremos alguns dias dias bem interessantes pela frente.
— Logo você se acostuma com o cotidiano do time — Erik exclamou convictamente, dando alguns tapinhas em suas costas e caminhando ao seu lado — Quando voltarmos, posso mostrar alguns lugares legais para você.
sorriu quando aspas foram feitas ao mencionar a palavra lugares.
Dortmund era uma daquelas cidades pequenas e definitivamente não deveria ter muitas maneiras legais de se passar o tempo livre por lá. Nina constantemente repetia sobre e era por aquilo que estava sempre viajando para algum lugar próximo.
O máximo que fizeram juntos naqueles últimos dias havia sido ir até algum café ou restaurante próximo para que batessem papo um com o outro, apesar do goleiro ter notado que ela parecia um pouco mais na defensiva ao comentar determinadas coisas. Na hora certa Nina acabaria falando sobre, porque ela não era o tipo de pessoa que guardava as coisas para si por um longo período de tempo.
— Já viram todo o alvoroço causado pela nova jornalista da SPORT1? O Adnan está prestes a sair dando pulinhos para que ela o entreviste primeiro.
Auba os alcançou com seus passos e reprimiu falsamente a atitude dos colegas de time. O jogador retirou seus fones de ouvido e os jogou em sua mochila, acenando para algumas pessoas que gritaram o seu nome um pouco mais a frente. Ele era dono de um senso de humor peculiar e facilmente o reconheceu como o brincalhão da equipe, sempre arrancando algumas risadas da maioria das pessoas a sua volta.
— Tão interessante assim? — o questionou em curiosidade, começando a ficar curioso acerca do fato que animou os seus outros colegas tão cedo.
— Olhe com seus próprios olhos e me fale você mesmo.
Auba sorriu mais para si mesmo, indicando discretamente um ponto mais a frente de onde estavam e fazendo com que tanto quanto Erik olhassem na direção.
O goleiro recém-contratado do Borussia Dortmund estreitou os seus olhos quando encontrou a figura feminina de costas para si, sentindo aquele inconveniente sinal de alerta ser acendido em sua mente. Ela estava usando uma jaqueta escura com poucos detalhes e seu cabelo escorria livremente por cima dos ombros. Erik assobiou baixinho ao seu lado e concordou mentalmente com o amigo.
Entretanto, ficou sem palavras no instante em que ela virou e ele pode encarar o seu rosto. Conhecia cada pequeno detalhe da nova jornalista da equipe e sentiu-se travar por alguns minutos, engolindo o nó formado em sua garganta e com a confusão estabelecida em sua mente.
não demorou tanto tempo para que se desse conta da sua atenção e quando isso aconteceu, ela abriu um discreto sorriso em sua direção e acenou em reconhecimento, o que imediatamente despertou a atenção de Auba e Erik. Obviamente que aquilo acabaria chamando atenção para si e uma hora ou outra cada um deles descobriria sobre. havia sido pego de surpresa e aquilo poderia explicar o comportamento estranho dos amigos nos últimos dias. Eles sabiam e optaram por esconder que aconteceria e por aquele motivo a expressão surpresa em seu rosto se fez presente. Não sabia como seria encontrar com ela depois de tanto tempo e seria forçado a descobrir nos próximos dias.
— Sério que você a conhece? — Erik perguntou, com um sorrisinho em seus lábios e prestes a soltar qualquer piada que fosse acerca da coincidência.
— Claro que sim — confessou contra a sua vontade, precisando de alguns segundos para que conseguisse desviar os olhos e encarasse os dois ao seu lado novamente — Sabe a irmã da Nina da qual falei para vocês?
— Que você namorou?
— Exatamente.
a olhou uma outra vez antes de completar sua resposta.
— Você está olhando para ela nesse mesmo instante.

••••


O clima quente e úmido da Singapura estava longe de ser uma das melhores coisas do mundo e as roupas mais leves e frescas pareciam uma escolha melhor. Diversos turistas caminhavam de um lado para o outro e o transporte parecia eficiente e rápido. Era a primeira vez de no local e ela esperava ter uma chance para conhecer as coisas, assim que conseguisse algumas poucas horas de folga dentro de alguns dias. Organizou uma lista de lugares os quais queria conhecer e o Singapore Botanic Garden era a sua prioridade desde que Charlotte e Sebastian falaram sobre. Ir até a Singapore Flyer era uma possibilidade praticamente inexistente devido ao seu medo por altura. Tinha certeza que ficaria o passeio inteiro de olhos fechados.
Sua rotina ainda estava um pouco confusa e ela esperava se adaptar o quanto antes. Heidi e Joachim foram receptivos desde o primeiro instante e ajudavam com alguns pequenos detalhes que acabavam passando despercebidos devido ao nervosismo inicial. Da janela do seu quarto no hotel conseguia enxergar o verde que se estendia através da cidade todas as manhãs e quase sempre acabava por se perder em pensamentos.

Heidi: Estamos esperando por você no restaurante!


Leu a mensagem de Heidi em seu celular e mandou um simples ok como resposta. Trabalhariam dali algumas horas e ainda tinham certo tempo livre no hotel. Conviver com Heidi e Joachim estava sendo bem mais simples que achou inicialmente. Recolheu tudo o que julgou ser necessário e colocou em sua mochila, ainda parando por um tempo para se certificar que estava levando tudo aquilo que iria precisar nas próximas horas. Caminhou para fora do seu quarto ao mesmo tempo em que verificava as mensagens em seu celular e visualizava as suas redes sociais. Os jogadores do Borussia Dortmund estavam no mesmo hotel e hora ou outra acabava esbarrando com um ou outro. — — Heidi acenou em sua direção assim que a viu entrar no restaurante.
Joachim e ela estavam sentados em uma mesa próximos a janela e, a medida em que se aproximava, se deu conta que ambos já haviam se servido.
— Podem ficar de olho em minhas coisas? — pediu colocando a sua mochila sobre uma das cadeiras que ainda estavam vagas — Preciso de um pouco de café agora mesmo.
— Como quiser — Joachim foi quem respondeu, dando um breve sorriso em sua direção, o que acabou sendo retribuído quase que imediatamente.
repetiu o mesmo caminho feito anteriormente e seguiu em direção às mesas que estavam sempre repletas com as mais variadas comidas naquela hora da manhã. Para a sua sorte, a fila era praticamente inexistente e ainda ganharia certo tempo com aquilo, o que permitiria que escolhesse com um pouco mais de liberdade e atenção. O que não poderia faltar de forma alguma era o seu café de todos os dias. Sabia que passaria o dia inteiro com dor de cabeça caso esquecesse da sua cafeína.
— Parece um pouco confusa sobre o que deveria escolher.
levantou ligeiramente a cabeça e acabou se deparando com Erik Durm ao seu lado. Ele estava devidamente vestido com o uniforme do time e com o cabelo impecável, assim como o sorriso parecia milimetricamente calculado em seu rosto.
— E se eu fosse você, não pegaria isso — sorriu mais para si mesmo — Principalmente se for uma daquelas pessoas que não curte nada muito apimentado essa hora. Aliás, muito prazer, Erik Durm.
precisou de alguns segundos para que acostumasse a sua mente com a velocidade absurda das palavras em um curto intervalo de tempo. Por fim, acabou sorrindo, porque obviamente que conhecia o jogador do Borussia Dortmund e da seleção da Alemanha. Estranhou apenas a aproximação repentina, principalmente quando encarou, por cima dos seus ombros, os outros do time com os olhos fixos na cena.
— Sou a .
nos falou — ele exclamou naturalmente e a jornalista sentiu as suas bochechas arderem em constrangimento com as palavras ditas — Gostando do trabalho?
— Eu acho que nada com o que eu não esteja acostumada — confessou, franzindo ligeiramente as sobrancelhas — Trabalhei na ESPN por um período, então preciso apenas me acostumar com a nova rotina e o fato de trabalhar com um time como o Borussia.
— Com o tempo você se acostuma — garantiu, terminando de servir a si mesmo — Caso precise de alguma coisa, sabe onde me achar, . Um prazer conhecer você finalmente.
— O prazer é todo meu — teve a oportunidade de responder antes que ele se afastasse.
o observou se afastar durante alguns segundos e balançou a cabeça lentamente. Ele parecia ser uma daquelas pessoas agradáveis e divertidas o bastante. Criou uma boa impressão em um primeiro momento e a deixou um pouco desconfiada pelo comentário. Ficou surpresa por ter comentado sobre ela e estava curiosa para saber se o goleiro também comentou sobre o relacionamento que tiveram no passado. Não era algo que ela comentaria de livre e espontânea vontade, entretanto sabia que as pessoas ligariam as peças quando notassem as fotos antigas no perfil do Instagram de ambos. Não sabia como estava lidando com todas as novidades recentes em sua vida e um lado seu estava curioso para saber mais sobre aquilo. Deixou os pensamentos de lado antes de retornar para a mesma dos seus amigos. Puxou a cadeira logo a frente de Heidi e sentou-se de modo tranquilo, sentindo quando todos os olhares recairam diretamente sobre si, em um claro sinal de curiosidade.
— Conhece o Erik ou estavam se apresentando um para o outro?
Heidi questionou com um sorrisinho em seus lábios.
— Ele estava apenas me dando algumas dicas sobre o que escolher para o café — murmurou normalmente, dando de ombros em seguida. — Como ele é prestativo, não é mesmo, Joachim?
Joachim sorriu baixinho ao lado da jornalista, aproveitando para provar do seu café e encarando de maneira que deixava bem claro o quanto estava desconfiado.
— Qual o problema de vocês?
— Fora o fato de estarmos sendo observados por parte dos jogadores do Borussia?
observou por cima dos seus ombros e confirmou as palavras da colega de trabalho. Praticamente todos os jogadores os encaravam naquele instante e tentaram disfarçar o gesto sem muito sucesso quando perceberam que foram pegos no flagra. Colocou uma mecha do cabelo escuro para trás da orelha e sorriu timidamente com a cena. Ela definitivamente não estava esperando por toda aquela recepção e sua mente a alertava que eles sabiam de tudo o que havia acontecido.
— Podemos conversar sobre isso depois?
pediu, inclinando-se sobre a minha e com uma expressão entediada em seu rosto. Sabia que eles continuariam a insistir no assunto e não os culpava pela curiosidade, principalmente quando o lado de lá não se importava em disfarçar.
— Sabe que não precisa se sentir pressionada com isso, não é mesmo?
Joachim repetiu o seu gesto e sorriu em agradecimento, antes de responder.
— Tanto faz, mas acho que quanto antes souberem, melhor para todos nós.
— Tem relação com um deles, né? Porque tenho notado todo o interesse desde o seu primeiro dia trabalhando com a gente — Heidi questionou em um sussurro.
— Tem sim. Mas conversamos depois, porque, tudo o que preciso nesse momento, é de um pouco de café para despertar.

••••


O dia parecia ainda mais quente e ensolarado naquele final de tarde. Os jogadores do time do Borussia Dortmund estavam dando algumas voltas ao redor do campo antes que de fato pudessem iniciar o treinamento sob as ordens de Thomas Tuchel. hora ou outra espionava a beirada do campo de soslaio, com seus olhos encontrando a jornalista da SPORT1 entretida em uma conversa com o seu colega de equipe. Ele não negaria que se incomodava um pouco com toda a situação; os dois pareciam próximos o bastante um do outro e sempre sentavam lado a lado durante as refeições.
ainda não havia tido uma oportunidade sequer para conversar com e a comunicação se resumia a breves olhares trocados ocasionalmente. Ele a observava por tanto tempo que tinha a sensação que havia decorado mentalmente cada pequeno detalhe do seu rosto ou de cada uma das suas expressões. Não conseguia explicar o que a mulher tinha que tanto o atraia para si. Ela estava diferente e aquilo o instigava mais em curiosidade. Toda a confiança ao seu redor chamava atenção não apenas dele. O goleiro sabia que as piadinhas apenas cessaram porque os seus colegas souberam o relacionamento anterior entre ambos e passaram a respeitar aquilo.
Treinar era a única maneira de tirar a jornalista dos seus pensamentos; mesmo que soubesse que ela estava apenas a alguns poucos metros de distância.
estava inserida em sua rotina e ele teria que aprender a lidar com a situação.
Novamente a observou e não pode evitar estreitar os olhos quando observou uma das suas mãos sobre o ombro do amigo.
Os dias estavam sendo corrido e quando se deu conta estava praticamente acabando a parte da turnê asiática realizada todos os anos. Era a mesma rotina de sempre. Incluindo treinos abertos ou amistosos com times locais. Sessão de autógrafos organizadas para torcedores e outros eventos que promovessem a equipe. Eles realmente eram próximos.
— Você realmente é péssimo disfarçando — Erik o criticou, com um risinho debochado aparecendo em seus lábios quando o alcançou durante a corrida — Estamos pensando em sair essa noite para comemorarmos a nossa última noite na cidade.
— Fomos liberados para algo do tipo? — questionou em resposta, ignorando o primeiro comentário e encarando-o em curiosidade.
— Contando que as regras não sejam quebradas, tudo bem por eles.
— Isso é mesmo uma boa ideia?
— Por que não seria? — Erik ironizou e rolou seus olhos claros — Inclusive estive pensando em chamar os nossos amigos da SPORT1 para irem juntos.
— Eles estão indo também? — as palavras escaparam antes que ele pudesse controlar.
— Heidi disse que eles estão indo em um restaurante latino essa noite, mas que podem passar por lá caso animem para uma comemoração maior.
— Restaurante latino?
— Elas estão indo, nós vamos para outro lugar — Erik exclamou quando diminuiu um pouco mais o ritmo da sua corrida — Pare de encarar tanto ou vai acabar deixando a garota constrangida com isso.
balançou a cabeça em negativo e sentiu todo o sangue se acumulando em suas bochechas em um constrangimento visível pela pequena advertência do amigo. Sair aquela noite parecia realmente uma boa ideia para que pudesse clarear a mente. Não negaria para si mesmo que a possibilidade dela aparecer era como um incentivo, entretanto não se prenderia ao fato, porque conhecia o bastante de para saber que ela acabaria evitando um primeiro contato diante de tantas pessoas.
O preparador físico começou a reunir alguns dos jogadores e o treinador de goleiros indicou que deveria se aproximar do local onde estava conversando com Weidenfeller. Caminhou em passos lentos até onde indicaram e desviou agilmente de uma bola lançada em sua direção. Erik Durm estava treinando com alguns dos obstáculos e parecia concentrado em cumprir a sua missão. Eles teriam um tempo para que focassem apenas naquilo e o goleiro deixaria alguns dos seus problemas de lado.
Um problema com um pouco mais de 1,60 de altura e cabelo escuro, que fazia com que o seu mundo parasse por alguns segundos que pareciam eternos sempre que sorria.

••••


O vestido vermelho estava colado em seu corpo e deixava seus ombros a mostra. ainda estava incerta se havia sido uma boa escolha e enviou centenas de mensagens para as amigas, esperando ter uma respostas sobre. Foi convencida apenas quando as quatro garotas afirmaram que não era nenhum compromisso relacionado ao trabalho e que deixar as suas pernas de fora não era problema para a noite.
Suas coisas estavam espalhadas pelo quarto decorado em cores neutras. Lembrou-se que precisava recolocar todas as suas roupas na mala assim que retornasse ao hotel. Estariam viajando no dia seguinte e não queria ser deixada para trás. Uma mensagem de Hedi em seu celular foi o bastante para que se desse conta que estava quase atrasada para que fossem ao restaurante latino. Sabia que ela estava tentada a ir ao mesmo local que alguns dos jogadores do Dortmund, porém acabou guardando os seus pensamentos para si no instante em que afirmou ainda não se sentir confortável com tudo. e ela se evitaram nos últimos dias e não era uma das melhores ideias do mundo ficar frente a frente com o goleiro diante de tantas pessoas. Nem mesmo sabia se ambos estavam preparados para um momento daqueles.
Recolheu as suas poucas coisas e caminhou pelo extenso corredor, escutando seus saltos ecoarem contra o carpete e arrumando a roupa contra o seu corpo. Apertou os botões do painel do elevador e esperou pacientemente pelo mesmo, aproveitando para verificar a sua conta no Instagram e curtir fotos de algumas das amigas. Elas estariam em Berlim para os dois dias seguintes — inclusive Daniel.
Quando as portas de metal se abriram, sentiu seus olhos se arregalando ligeiramente quando se deu conta de quem era a pessoa que estava dentro do elevador. Precisou engolir o nó formado em sua garganta e seus pensamentos se tornaram confusos. Os olhos de encontraram os seus e não gostou de como as pernas tremeram em resposta em um primeiro momento ou de como as mãos ficaram frias de uma hora para a outra ou da forma como pareceu ficar sem ação.
O seu passo adiante pareceu quase automático.
Assim como praticamente se encolher do outro lado do pequeno ambiente.
Ela deveria saber que uma hora ou outra aquilo aconteceria e quando aconteceu toda a sua coragem ou autoconfiança pareceu se esvair entre seus próprios dedos.
— Sabe que não precisa agir como se não me conhecesse, não é mesmo?
precisou de alguns segundos para entender o seu questionamento indireto. Era estranho que ele se dirigisse diretamente a si depois de todo aquele tempo. Ela mordeu superficialmente os seus lábios em um claro sinal de nervosismo. Ficar em um elevador com não era a sua ideia adequada para um reencontro.
— Não estou agindo dessa forma — exclamou em um tom divertido.
assentiu, balançando lentamente a sua cabeça em confirmação e não podendo evitar que seus olhos a inspecionassem de cima a baixo, ainda mais quando estava com aquele vestido vermelho e lábios pintados da mesma cor.
— Como estão as coisas? — a jornalista criou coragem para perguntar.
— Bem … eu acho que estão bem. Com você?
— Eu acho que bem também — sorriu, em um outro sinal de nervosismo, colocando uma mecha do seu cabelo para trás da orelha e soltando lentamente o ar em seus pulmões — Inclusive, parabéns pelo contrato com o Borussia.
Ela o encarou pela primeira vez e sorriu de maneira bem mais sincera. estava um pouco maior que a última vez em que estiveram juntos, entretanto o sorriso e o olhar continuavam os mesmos. Era o tipo de pessoa cuja presença poderia ser notada sem que ele se esforçasse para algo do tipo. costumava amar quando as covinhas marcavam as suas bochechas e os olhos ligeiramente puxados. Eram lembranças que geralmente ficavam guardadas em um lado quase inacessível em sua mente, por escolha sua. Obviamente que eram lembranças boas, mas, ainda assim, algumas delas faziam com que pensasse bem mais que deveria e aquilo não era muito bom.
— Obrigado. Parabéns pelo seu novo emprego também.
— Obrigada — respondeu e encarou os seus próprios pés em seguida, equilibrando todo o seu peso em apenas um deles e sentindo o olhar do goleiro queimando sobre si.
Deveria saber que ainda despertaria algumas reações nela. O que eles tiveram um com o outro foi intenso o bastante.
document.write(Kate) respirou bem mais aliviada quando as portas do elevador se abriram e ela se deu conta que estavam no saguão de entrada. Encarou o ambiente conhecido a sua frente e as pessoas indo de um lado ao outro. Sua mente continuava trabalhando em uma velocidade mais lenta que o normal, por isso demorou um segundo a mais para decidir o que fazer.
— Foi bom… foi bom encontrar você, — deixou com que as palavras escapassem, antes que tomasse a iniciativa e caminhasse para fora — Até mais.
chamou, antes que a jornalista pudesse se afastar. Ela parou e o encarou por cima dos seus ombros — Seja bem-vinda.
— Danke, .
Sorriu gentilmente em resposta, antes que retomasse o seu caminho anterior e fosse ao encontro dos seus amigos, que esperavam por ela em um canto mais afastado.


Into Your Arms

I need to find my way back to the start
When we were in love
Things were better than they are
Let me back into ...
Into your arms

INTO YOUR ARMS — THE MAINE


respirou um pouco mais aliviada quando retornaram para Dortmund depois daquele tempo fora da cidade. Ela soube desde o primeiro instante que o trabalho seria exaustivo e que as coisas se tornariam um pouco piores quando a Bundesliga estivesse de volta, o que deveria acontecer dentro de alguns poucos dias. Sua cabeça ainda estava um pouco confusa com a questão do jetlag e precisava terminar de editar centenas de materiais que deveriam ser enviados para o email de Heidi o mais rápido possível.
O final de semana acabou sendo a sua luz no final do túnel, porque realmente precisava de um tempo para relaxar a mente depois de todos os últimos acontecimentos. Normalmente, não havia muito o que ser feito em Dortmund, porém, ainda assim, sair para passar um tempo com as amigas pareceu uma boa ideia. Os seus pais estariam ocupados decidindo alguns últimos detalhes do jantar em comemoração ao aniversário de casamento. Nina não estaria trabalhando e acabou concordando em se juntar a ela e as outras garotas. Escolheram um restaurante que normalmente frequentavam depois que reclamou sobre o fato de preferir ficar na cidade — mesmo que a outra estivesse a uma distância quase mínima. Os seus planos para o final de semana eram os mais tranquilos possíveis.
— O tempo continua quente esses dias — Sofie protestou, com uma careta surgindo em seu rosto a medida em que analisava o cardápio em suas mãos — Será se ir para Ibiza ainda é uma daquelas opções consideráveis de última hora?
sorriu baixinho, mordendo os seus lábios e balançando a cabeça em negativo. Sofie Brückner era bem mais a figura da irmã mais nova de Nina — criada a sua imagem e semelhança — que ela mesma. Elas tinham tanto em comum uma com a outra que era quase impossível desassociar uma da outra na maior parte do tempo.
— Infelizmente algumas pessoas ainda precisam trabalhar — Eileen zombou da garota, apoiando seus cotovelos sobre a mesa e observando-a com atenção — Por um acaso você não deveria estar pensando nas coisas relacionadas a faculdade?
— Tenho tudo sob controle — sorriu convencida e deixando o cardápio de lado — Inclusive já tenho uma colega de quarto e estamos trocando mensagens tem alguns dias.
Sofie estaria se mudando para Munique dentro de alguns dias e falou sobre aquilo ao longo das últimas semanas. Mudar de cidade devido a Universidade sempre esteve entre os seus planos e manter um namoro a distância nunca a incomodou. Max parecia concordar com aquilo e por hora ambos pareciam bem com a mudança. Ele apoiava cada uma das suas decisões e era algo que admirava abertamente. Ela o apoiou em sua carreira desde o primeiro momento e o mesmo acontecia da sua parte. Apesar de muito novos, eles pareciam mais maduros que a maioria das pessoas a sua volta, o que, em alguns momentos, incluia ela mesma e algumas escolhas do passado.
— Imagino o quanto você deve estar ansiosa com a sua mudança, porque passei as semanas anteriores a minha rolando na cama na maior parte do tempo e a lista de coisas necessárias da parecia aumentar a cada dia mais.
Nina provocou a irmã mais nova, com a jornalista rolando os olhos em protesto. Talvez ela fosse um pouco obcecada por controle na maior parte do tempo. Sua mudança para a Suíça acabou se tornando como um divisor de águas em sua própria vida.
Foi quando pegou em definitivo o controle da sua vida para si mesma e deixou de lado, mesmo que ainda parcialmente, toda aquela dependência que tinha dos pais. Ir para a Suíça acabou sendo uma questão de amadurecimento em vários sentidos.
— Como andam as coisas com o Max, agora que a sua mudança está chegando? — Gabrielle questionou, repentinamente tornando-se interessada com o assunto.
— Continuamos na mesma de sempre — Sofie respondeu, tranquila o bastante — Sempre concordamos que deveriamos focar em nossos futuros antes de qualquer coisa que fosse e prometemos um para o outro que iríamos tentar.
notou as várias notificações na tela do seu celular e o pegou para que verificasse algumas das mensagens, a maioria de redes sociais, enquanto as outras pareciam interessadas no assunto sobre a mudança versus relacionamento de Sofie e Max Meyer. Não era exatamente um dos seus assuntos preferidos no mundo, principalmente levando-se em consideração que a sua mudança contribuiu para o final do seu próprio relacionamento. Esperava que as coisas funcionassem de forma melhor para os amigos.
Seu número de seguidores havia subido discretamente nos últimos dias, e entre eles estavam alguns dos jogadores do Borussia Dortmund. Ela estava se adaptando bem ao novo ambiente e todos foram receptivos com desde o primeiro momento. Precisava apenas garantir que seu relacionamento anterior com não interferisse naquilo tudo.
Eles não tiveram um tempo sequer para que conversassem como deveriam e por um lado aquele parecia ser o melhor caminho.
Precisavam de um tempo para que se acostumasse que a partir dali estariam presentes novamente um na vida do outro, mesmo que acontecesse de maneira profissional. Sequer conseguia imaginar o que rondava os pensamentos do goleiro e aquilo a atormentava um pouco. Costumava ler o suíço com facilidades algum tempo atrás, entretanto as coisas mudaram e a jornalista se sentia receosa em tentar uma possível aproximação.
Não falava em reatar o relacionamento, porém conviver amigavelmente parecia bom, e não apenas porque trabalhariam juntos, mas também por terem os mesmos amigos, o que tornaria os encontros inevitáveis.
— Gabrielle a chamou e atraiu a sua atenção de imediato.
a encarou com os olhos estreitos, porque conhecia bem aquele olhar nada inocente.
— Nem mesmo contou como foi a sua viagem com o time do Borussia.
— Claro que contei.
— Não com detalhes — ela a corrigiu quase no segundo seguinte — Sabe que temos necessidade de saber cada um dos pequenos deles, porque não é todo mundo que tem a sorte de ir trabalhar com o antigo namorado, não é mesmo?
— O meu antigo relacionamento com não vai interferir nisso, então nem se preocupe — sorriu em sua direção, sem descolar os lábios — Eu acho que nós dois somos adultos e maduros o bastante para lidar com todas essas mudanças recentes.
— Como você vai conseguir encontrar com ele quase todos os dias e agir normalmente?
Sofie a encarou em busca de respostas e parecia curiosa com o que escutaria. parou e pensou por um tempo que pareceu mínimo, tentando formular uma resposta que parece aceitável para qualquer outra pessoa, entretanto, ainda estava um pouco perdida com tudo o que acontecia a sua volta. Era bem mais fácil manter a imagem que aquele fato não a preocupava tanto, quando acontecia o contrário.
Não levaria tanto tempo para que mais pessoas tomassem conhecimento do fato. Sua própria mãe a pressionava por algumas respostas e a maioria delas nem ela poderia dar. Não poderia culpar as amigas por aquela curiosidade quase excessiva, porque ela provavelmente ficaria da mesma forma se estivesse assistindo de fora.
Não poderia falar por si e nem por , pois nem mesmo conversaram um com o outro e um encontro acidental em um elevador, acompanhado de um desejo de boas-vindas, não era exatamente a conversa que ambos estavam precisando.
— Podemos não falar sobre tudo isso por agora? — pediu, suspirando completamente frustrada e apoiando seus cotovelos sobre a mesa — Não que eu esteja incomodada com o assunto, mas ainda não sei direito o que pensar sobre isso tudo. e eu mal trocamos meia dúzia de palavras e as coisas ainda parecem fora do lugar. O mais engraçado é que não posso falar como estou me sentindo com tudo — fez uma pequena pausa e respirou fundo, antes de concluir o seu pensamento — Porque nem mesmo tive tempo para acostumar os meus próprios pensamentos.
tinha noção que soava confusa para as pessoas a sua volta na maior parte do tempo, mas expor a forma como se sentia para as amigas pareceu o mais sensato. Não conseguia lidar com tantas emoções ao mesmo tempo, ainda mais quando conflitantes. Elas tinham conhecimento sobre tudo o que havia acontecido e poderiam compreender. Odiava se sentir pressionada, mas ela própria se pressionava nos últimos dias e nem mesmo sabia o exato motivo para que tal coisa acontecesse. Provavelmente o fato das coisas parecerem fora do lugar era o que a incomodava e apenas teria um pouco de descanso quando organizasse metade daquelas coisas.
— Tenho certeza que os dois darão um jeito nisso juntos — Nina exclamou, passando um dos braços ao redor da irmã de modo protetor — Você, melhor que ninguém, deveria saber que não interferirá em sua carreira de forma alguma e o que tiveram um com o outro anteriormente também não vai interferir nisso.
— Tem conversado com ele esses dias?
— Ele é um dos meus melhores amigos, , então apenas confie em mim, tudo bem?
— Lembro de quando costumava estar aos seus pés um tempo atrás — Sofie cantarolou, encarando-a — Será que isso mudou de alguma forma?
Era um pensamento inquietante e preferia evitá-lo por inteiro.

••••


Estava tentando ser uma pessoa menos sedentária em uma espécie de meta pessoal — assim como um pouco mais matinal, e o plano incluia levantar antes que o despertador tocasse, para caminhar por Phoenix-See na companhia de Bummer. Os dias com as temperaturas mais elevadas ainda eram uma realidade em Dortmund naqueles dias e as pessoas pareciam querer aproveitar ao máximo antes que chegassem ao fim. ainda estava sonolenta quando saiu da cama e precisou de alguns longos minutos para que convencesse a si mesma que aquilo era uma boa ideia.
Perdeu a conta de quanto tempo gastou tentando se decidir entre colocar as roupas de caminhada ou voltar para a cama, para que pudesse aproveitar um pouco mais do seu sono. Buscou pelos seus fones de ouvido e selecionou uma das suas playlists no Spotify. Os primeiros raios de sol começavam a aparecer e o movimento nas ruas parecia pouco intenso ainda. Bummer correu ao seu encontro assim que notou a sua aproximação naquelas roupas neutras. Ele costumava ser a sua companhia durante o período em que esteve em Nova York. O labrador dourado estava enorme e nem parecia que tinha passado a maior parte dos últimos meses trancado em um pequeno apartamento.
Sabia que todos ainda estavam dormindo em casa e que levariam um tempo até que levantassem naquele domingo. Ela mesma estava de folga e não tinha planos para o restante do dia, fora passear com o cachorro e deixar com que ele conhecesse aos arredores com calma.
O bairro calmo era a escolha da maioria dos jogadores do Borussia Dortmund e qualquer um que passasse tempo o bastante por ali acabaria notando.
Gostava de morar no local, principalmente pelo fato de ser um dos mais tranquilos de toda a pequena cidade. Os seus pais passaram a morar por ali pouco depois depois que casaram e acharam que a casa seria mais adequada para todos eles. Tinha planos de ter o seu próprio apartamento em breve, entretanto ainda precisava organizar algumas coisas antes que desse mais aquele passo.
Parou a sua caminhada em certo ponto e respirou fundo, inspirando lentamente o ar e provando um pouco da água que levou consigo. Bummer esticou um pouco mais a coleira e ela sorriu de toda a sua impaciência ainda tão cedo.
— Ele parece bem maior que quando o olhei pela última vez.
não precisava daquele pequeno gesto para saber de quem se tratava, mas, ainda assim, olhou por cima dos seus ombros e notou se aproximando. Era meio óbvio que eles também acabariam esbarrando por ali — principalmente por se levar em consideração que aquele era realmente o endereço preferido dos jogadores do Dortmund. Repetiu para si mesma que precisava se comportar de maneira receptiva e por isso um discreto sorriso acabou tomando conta do seu rosto.
— Tenho a sensação que foi mais fácil entrar com ele em um avião da primeira vez — a jornalista brincou, puxando um pouco mais a coleira para que ele se mantivesse próximo.
— Também recebeu folga hoje? — questionou, quando parou bem a sua frente e provou da água em sua própria garrafinha.
Não tinha como se negar que aquele estava sendo um dos raros dias quentes na cidade. suspeitava que as temperaturas estivessem bem elevadas ainda no início da manhã e aquilo explicava, ao menos em parte, porque as pessoas estavam indo em busca de um pouco de ar livre ainda naquela hora do dia. também estava vestido em roupas confortáveis e soube que o jogador estava se exercitando. Era uma boa maneira de liberar toda a tensão que parecia acumulada em seu corpo nos últimos dias — além de ajudar a dispersar todos os pensamentos.
— Eu acho que todos estávamos precisando de uma, não é mesmo? — exclamou em resposta e o goleiro sorriu baixinho, assentindo em confirmação.
jogou o seu cabelo por cima dos ombros e permitiu que Bummer se aproximasse um pouco mais de , aparentemente guardando o seu cheiro para si e tentando se certificar que era algo realmente seguro. Nem se deu conta do olhar mais demorado que deveria do goleiro em suas roupas, antes que pudesse por fim focar no cachorro. Eles o adotaram juntos quando ainda eram um casal e obviamente que ele demonstraria interesse quando estivessem frente a frente um com o outro novamente.
— Costuma ter muito trabalho com ele?
— Ele é bem calminho na maior parte do tempo — respondeu, observando-o se agachar para que ficasse na mesma altura do Labrador — Contando que não esteja chovendo ou que alguém decida colocar fogos de artifício. Uma vez precisei passar uma noite fora da cidade por causa da tempestade e ele conseguiu destruir parte do meu sofá.
precisou viajar a trabalho e não esperava que uma tempestade acabasse deixando o aeroporto fechado, com todos os voos tendo sido cancelados pelas horas seguintes. Não conseguiu falar com nenhum dos amigos e Bummer passou a noite inteira sozinho. Não ficou exatamente surpresa quando retornou e encontrou parte da sua sala revirada. Era como se estivesse presa em sua própria versão de Marley & Eu.
— Pode ficar com ele alguns dias se quiser — mudou de assunto repentinamente, atraindo o olhar do goleiro para si novamente — Sei que o adotamos juntos e que você foi muito gentil ao abrir mão dele para que eu não me sentisse sozinha em Nova York.
— Isso não a deixaria incomodada de alguma maneira?
— Claro que não, . Por que deixaria? — rolou os seus olhos com a desconfiança, tentando deixar bem claro que não se sentiria desconfortável com o fato, principalmente quando prometeu para si mesma que lidaria com tudo aquilo de maneira madura.
— Então acho que tudo bem.
Bummer era carinhoso e não demorou muito tempo até que se rendesse ao carinho do goleiro suíço, abanando o rabo em sua direção, em busca de um pouco mais de atenção. Ele estava completamente adorável com aquela gravata ao redor do seu pescoço desde que retornou de um banho no Pet Shop.
— Não sei se deixei bem claro para você da última vez que tivemos uma oportunidade para conversar um com o outro, mas estou realmente feliz que você tenha conseguido essa oportunidade tão boa logo agora que retornou para casa.
exclamou quando levantou, ficando da sua altura novamente.
— Realmente espero que isso não acabe interferindo em nada e que possamos conviver amigavelmente a partir de agora, apesar de ter consciência que nunca tivemos aquela típica fase de querermos tirar em definitivo um da vida do outro.
precisou de um tempo para que absorvesse as palavras de , por não esperar que eles fossem entrar naquele assunto justamente naquele momento. Entretanto, ela deveria saber que ele não deixaria algo do tipo passar. não era exatamente o tipo de pessoa que escondia como se sentia quando passava a se sentir incomodado e obviamente que a situação o incomodou de alguma forma.
— Saberemos como conviver com toda a carga do passado, não é mesmo?
— Eu acho que saberemos sim.
Eles sorriram um para o outro em resposta e, apesar de ainda ser muito cedo para afirmar algo do tipo, era como se estivesse retirando um peso extra dos seus ombros. sabia que muitas coisas ainda iriam acontecer naquela nova relação estabelecida, porém realmente esperava que as coisas pudessem funcionar. Tinha um carinho enorme por e não desejava que as coisas ficassem mal resolvida entre ambos. Precisavam conviver amigavelmente tanto pelo trabalho, quanto pelos amigos, além das próprias famílias que eram próximas o bastante.
— Tenho que resolver algumas coisas agora, mas podemos continuar essa conversa depois, caso você ainda tenho algum interesse.
coçou a sua nuca, demonstrando que ainda se sentia um pouco deslocado com as coisas e não pode evitar que um discreto sorriso acabasse surgindo em seus lábios. Gostava dos momentos em que ele acabava ficando sem jeito com algo. Não acontecia muito frequentemente a partir do instante em que acabasse estabelecendo um certo nível de intimidade com a pessoa e aquilo tornava-o ainda mais adorável.
— Parece uma boa ideia.

••••


bocejou um pouco mais sonolenta que o normal naquela noite, ao mesmo tempo em que se equilibrava sobre os saltos enormes, tentando fechar o vestido preto em suas costas sem que acabasse indo de encontro ao chão.
Conseguia escutar todo o movimento no andar inferior e suspeitava que uma parte dos convidados havia chegado. Acabou se atrasando porque precisou organizar alguns artigos antes que enviasse para Heidi e sabia que Nina cumpriria bem o seu papel de ajudar a receber as pessoas que chegavam. Em outro momento, optaria por ficar sob todas as suas cobertas — entretanto afastou a possibilidade porque se tratava de uma data importante para os pais, assim como para ela mesma, pois foi a partir do casamento de ambos que soube o que era uma família de verdade e se sentiu em casa. Sebastian continuava sendo a sua figura paterna mais proeminente e estava presente na maioria das suas lembranças de infância — inclusive nos dias dos pais ou festinhas escolares. Estava em casa e não tinha planos de ir embora e deixar tudo para trás.
O seu quarto continuava sendo como um reflexo da sua versão alguns anos mais nova.
Gostava das fotos alinhadas nas paredes — assim como das pequenas luminárias — e na maior parte delas estava com alguém da família ou com seus amigos.
lembrava-se de ter opinado em cada pequena parte que envolvia a decoração.
— Charlotte mandou eu subir para olhar se você não tinha se afogado no banho — Nina entrou, depois de deixar algumas batidas contra a porta — Por que a demora?
— Estou tentando fechar esse vestido ter uma eternidade.
resmungou, com uma discreta careta surgindo de imediato em seu rosto e fazendo com que Nina rolasse os olhos com a sua reclamação. Ela estava usando algo prateado e não era novidade alguma que Nina Weiss ficava bem usando qualquer coisa que fosse. O cabelo escovado caia por cima dos ombros e ela parecia ter saído diretamente de uma daquelas capas de revistas de moda.
— Deixe que eu a ajudo com isso, pequeno desastre — brincou com a irmã mais nova, aproximando para fechar o vestido ainda aberto em suas costas — Prontinho, . Tem necessidade de toda essa reclamação mesmo? — O que seria da minha vida sem você?
— Provavelmente estaria perdida, não é mesmo?
sorriu abertamente e soprou um beijo em sua direção, pegando uma escova e passando rapidamente contra o seu cabelo, de modo que os fios se mantivessem alinhados — ou ao menos algo próximo daquilo — pelas horas seguintes. Não era exatamente adepta de maquiagem e por isso não perdia tanto tempo. Preferia bem mais usar o que era básico ao passar horas seguidas diante de algum espelho.
— Sabia que ele ficaria maravilhoso em você.
— Já sei como eu estaria sem você — a jornalista a encarou por cima dos ombros, colocando o sorriso mais inocente que poderia em seu rosto — Provavelmente o meu ego estaria jogado em algum canto desse quarto.
— Para quem você puxou exagerada dessa maneira, uh?
deu de ombros e sentou sobre a cama, colocando a pequena caixa de joias sobre as suas pernas e buscando brincos que combinassem com a sua roupa. Charlotte costumava falar que ela herdou os genes do seu lado paterno e aquilo era uma possibilidade. Mantinha contato com todos da sua própria maneira e enxergava em si um pouco deles. A maioria das suas lembranças na Carolina do Sul não eram as suas preferidas e por isso preferia evitá-las ao máximo que conseguisse. Perguntava-se com frequência o que teria acontecido caso Charlotte e Sebastian não optassem por tentar.
— O que você acha desses? Combina com o vestido? — dirigiu-se a Nina.
— Eu acho que sim — a mais velha concordou rapidamente, sentando-se na cadeira giratória logo a frente da escrivaninha do quarto, de maneira que pudesse encarar a irmã — Como andam os seus planos de comprar um apartamento?
— Estou pensando sobre ainda — murmurou em resposta, colocando os brincos escolhidos e levantando para que pudesse analisar melhor em frente ao espelho — Sem falar que ainda preciso conversar com todos e você conhece a nossa mãe. Ela vai tentar me convencer de todas as maneiras que não é uma boa ideia para agora.
— Ela sempre foi protetora com você e sabemos que tem seus motivos. Caso minha opinião tenha alguma importância para você, eu também não concordo tanto com essa sua ideia de sair de casa logo agora que retornou.
rolou os seus olhos e encarou Nina, colocando ambas as mãos na cintura, e adotando uma falsa expressão mais séria que a anterior. Costumavam ter uma relação aberta uma com a outra e aquilo incluia opinar sobre qualquer coisa. sonhava com uma irmã mais velha e Nina representava exatamente aquilo em sua vida. Era a sua melhor amiga e aquela que a acolheu desde o primeiro instante — mesmo que seu pai estivesse abrindo as portas de casa para duas pessoas estranhas. Inicialmente teve medo de como seria, mas as coisas não poderiam ter sido melhores.
Nina Weiss era a sua irmã e a sua melhor amiga.
Não precisavam de laços sanguíneos para que chegassem aquela conclusão.
— Sabe que a sua opinião sempre é bem vinda e que sempre vou levar em consideração as suas palavras — exclamou da maneira mais convicta que poderia — Porém, agora vamos descer, antes que a mamãe suba e venha nos buscar pessoalmente.
Nina concordou e não levou tanto tempo para que descessem as escadas juntas, uma ao lado da outra e entretidas em uma de suas conversas aleatórias. Nina era bem mais alta que e as diferenças de uma para a outra pareciam óbvias. Eram tão próximas que ninguém ousaria falar que não eram irmãs.
— Finalmente minhas duas garotas juntas — Sebastian as recebeu quando pisaram no último degrau da escada — Podemos iniciar a festa oficialmente agora.

••••


rolou o seu feed do Instagram e sorriu com algumas das últimas atualizações de Nina. Ela mencionou que estaria comemorando o aniversário de casamento dos seus pais naquele noite e inclusive enviou um convite em seu nome, entretanto teria treino logo cedo no dia seguinte e aparecer não seria uma das suas melhores ideias. Conviveu com a sua família por um tempo considerável para ter a certeza que eram incríveis.
Sua noite se resumiria a sair para comer alguma coisa com um dos amigos. Daniel estar passando um tempo considerável em Dortmund parecia algo bom em seu ponto de vista. Principalmente em dias como aquele, quando Nina e Eileen pareciam ocupadas e não se ofereceriam para alguns dos programas entre amigos de última hora.
— Planeja ir para Bern apenas no final do ano?
Daniel o questionou, logo a sua frente e com os cotovelos apoiados sobre a mesa e parecendo entediado o bastante naquela noite. O goleiro desviou a sua atenção do celular por um instante, para que respondesse ao breve questionamento. O final de ano ainda estava longe, mas ele definitivamente estaria indo para casa. Sua prioridade seria passar um tempo com a sua própria família no feriado.
— Eu acho que sim.
— Também recebeu o convite dos pais da Nina? Estive pensando em passar lá daqui a pouco, caso você não se importe em ficar sozinho por um tempo — exclamou de modo debochado e o jogador o encarou com uma das sobrancelhas arqueadas.
— Por que eu arrumaria problemas com isso?
— Sabemos o quanto você é sensível em relação a , bro, então não custa tentar — Daniel tentou de forma inútil disfarçar um sorriso que ameaçou escapar — Quer dizer que agora estão compartilhando a guarda do Bummer um com o outro mesmo?
— Preciso confessar que me surpreendeu e justamente por ser ideia dela.
Daniel o incentivou a continuar falando com um simples aceno de mão.
— Sabemos que a não é o tipo de pessoas que gosta de facilitar as coisas, então me surpreendeu um pouco a maneira como ela pareceu lidar com isso.
— Ela teve tempo o suficiente para trabalhar com esse aspecto enquanto esteve fora — Daniel exclamou, depois de pensar por um tempo — Já parou para pensar que ela pode ter amadurecido em todo esse tempo fora da sua zona de conforto?
— Já parei sim e por isso me assusta um pouco.
— Como?
Daniel adotou uma expressão confusa, não entendo com exatidão o rumo da conversa. passou uma das mãos contra o seu cabelo — despenteando-o um pouco mais — e precisou respirar fundo, em um claro sinal de desespero. Quando coisas do tipo aconteciam, ele sabia que precisava conversar com alguém sobre. Era um pensamento que o atormentava há dias e se intensificou quando se encontraram em Phoenix-See. Ele sabia que tinha algo de diferente e não precisava que ninguém comentasse, porque parecia algo diante dos seus próprios olhos.
— Ela parece incrível agora, cara, e não sei como vou poder conviver com isso todos os dias, principalmente quando qualquer um sabe o que ainda sinto por ela.
— Isso significa que realmente ainda sente algo por ela?
O goleiro respirou fundo e massageou as suas próprias têmporas, antes que admitisse aquilo pela primeira vez em voz alta.
— Isso significa que ainda sou completamente apaixonado pela e, contrariamente a ela, não sei como e nem por quanto tempo vou saber como conviver com isso. Não sei como ela ainda se sente em relação a mim e não vou ser idiota para afastá-la agora que estamos tão próximos um do outro novamente.


Senorita

Hola!, ¿cómo estás, señorita?
Ich check' auf Snapchat, was du machst, was du machst
Mamacita, ja, ich zeig' dir die schönsten Orte
Auf dieser Welt, hast du schon gepackt? Hast du schon gepackt?

SENORITA — KAY ONE


colocou uma das mãos diante dos seus olhos, em uma tentativa de proteger a si mesma dos raios de sol que pareciam incidir diretamente contra si naquele instante.
Estava com Heidi e Joachim no centro do treinamento do Borussia Dortmund — para que acompanhassem parte do treinamento da equipe durante a manhã. Pouco mais de 01 mês se passou desde quando foi chamada para trabalhar com o time — mesmo que indiretamente — e aos poucos começou a se acostumar com a rotina. Poderia incluir em sua lista uma certa proximidade com alguns dos jogadores da equipe e um convívio um pouco mais amigável com , desde que esbarraram novamente um com o outro por Phoenix-See — mesmo que acidentalmente. estava bem mais confortável em andar de um lado para o outro com as suas credenciais e com alguns torcedores curiosos que descobriam suas redes sociais.
se espreguiçou lentamente e bocejou sonolenta.
Heidi fazia algumas observações em seu bloco repleto de notas e Joachim era quem capturava as imagens do treino — o que a deixava um pouco livre naquele momento. Observou os jogadores se movimentando em campo e tentava evitar que seus olhos focassem em conversando com o preparador de goleiros. Ele ficava bem no uniforme do Borussia Dortmund e ela não teria como negar o fato.
Era a primeira temporada de Thomas Tuchel no comando do time e parte da torcida parecia depositar esperanças no treinador, principalmente após a última temporada. sabia que havia sido difícil — principalmente por seu pai ser aurinegro doente.
— Eu definitivamente não sei se reclamo mais do verão ou do inverno — Heidi a despertou dos seus pensamentos quando parou logo ao seu lado — Como anda a sua readaptação a uma cidade como Dortmund depois de tanto tempo em Nova York?
— Estamos mesmo entrando nesse assunto novamente?
— Impressão minha ou parece mais interessada no treino hoje?
— Deve ser porque é o meu trabalho — rolou os olhos com o comentário e encarou a sua chefe e amiga, antes de prosseguir com o assunto — Eu acho que tudo bem e estou pensando em sair para finalmente procurar um lugar apenas meu.
— O que seus pais estão achando sobre o assunto?
havia comentado anteriormente com algumas pessoas próximas sobre o fato de Charlotte não estar de acordo com o fato dela sair de casa. Ela deu um discreto sorriso e encarou os próprios pés por alguns segundos antes que pudesse responder. Sabia que adiar a decisão não resultaria em nada, porque conhecia o bastante da mãe para saber que ela continuaria insistindo no assunto e dificultaria um pouco as coisas para o seu lado. Charlotte tinha os seus motivos e os entendia, mas, depois de todo aquele tempo fora, tinha uma forma própria de pensar e de enxergar o mundo. Ter o controle da sua vida era algo importante da sua personalidade e não poderia abrir mão daquilo.
— Comecei a procurar algumas imobiliárias e a Sofie está me ajudando com isso — respondeu, mantendo a sua testa ligeiramente franzida para prosseguir — Parece que as opções em Düsseldorf são realmente melhores.
— Parece bem mais atrativo que Dortmund e não leve isto para o lado pessoal — Heidi deu um discreto sorriso em sua direção — O que acha de sairmos nesse final de semana?
— Defina sair.
brincou com a sua cara e recebeu uma careta como resposta.
— Digamos que estamos reunindo algumas pessoas da emissora para termos algumas horas legais, longe de trabalho e de qualquer coisa que possa remeter a isso — Heidi explicou lentamente e teve a certeza que ela estava tirando com a sua cara.
— Parece uma boa ideia — ela concordou sem pensar tanto na proposta — Preciso mesmo de um tempo para espairecer a mente e relaxar um pouco. Consegue acreditar que ainda não tive uma noite decente desde que retornei para Dortmund?
— Então acho que podemos cuidar disso no final de semana — Heidi murmurou, dando um sorriso cúmplice em seguida e adotando uma postura mais séria quando Joachim se aproximou e as observou com curiosidade estampada em seu rosto.
— O que as duas estão tramando agora? — questionou, parecendo desconfiado.
— Por que estariamos tramando alguma coisa? — retrucou com outra pergunta, adotando a postura mais inocente que poderia para o momento.
— Eu acho que definitivamente não preciso saber.
O cinegrafista exclamou depois de alternar o olhar entre as duas. e Joachim eram realmente próximos um do outro e ela o acolheu como o seu irmão. Os dois costumavam trocar mensagens sem sentido e ele sabia sobre o seu relacionamento com — da mesma forma que Heidi foi informada sobre tudo o que aconteceu. Não era algo muito falado pela jornalista e eles evitavam qualquer assunto do tipo para que ela pudesse ficar confortável com tudo o que acontecia a sua volta. Hedi era bem mais aberta em relação as coisas que Joachim — principalmente com seu humor carregado de sarcasmo. Joachim era mais tranquilo e encontrou nele um bom ombro amigo. Ele parecia sempre disposto a conversar ou escutar seus pensamentos fora de ordem e entender não era exatamente uma das coisas mais fáceis do mundo para algumas pessoa.
Ela não costumava ser muito transparente em um primeiro instante.
— Por um acaso você não vai precisar entrevistar algum dos jogadores ou algo do tipo?
Joachim questionou, visualizando o treino e cruzando os braços de modo firme.
— Quando acabar o treino apenas, senhor apressadinho — ela respondeu, passando um dos braços ao seu redor e apoiando a sua cabeça em um dos seus ombros — Sabia que você é o melhor amigo e o melhor pseudo irmão do mundo inteiro?
— Eu não estou indo pegar café para você novamente.
— Dessa maneira você até me ofende — exclamou, afastando-se quando Heidi gargalhou em alto e bom tom — Parece que só falo com você para pedir favores.
— Quantos copinhos com café fui buscar para você desde que chegamos? — perguntou quando adotou uma expressão entediada — Provavelmente perdi a conta quando estava retornando com o terceiro.
— Eu não tenho culpa se meu organismo apenas acorda depois de uma boa dose de café.
— Isso significa que você é bem mais viciada que deveria. Como você consegue colocar a cabeça no travesseiro e dormir a noite? Já se deu conta de quanto café você ingere em apenas um dia ou nunca se preocupou em contar isso?
Joachim a bombardeou com uma quantidade enorme quase absurda de perguntas.

— Por que eu contaria? Nunca interferiu em meu sono e dificilmente vai interferir — deu de ombros, descendo os óculos escuros contra os seus olhos novamente — Estou indo pegar um pouco de café e prometo retornar antes do treino acabar em definitivo. soprou um beijo no ar antes que se afastasse dos amigos e seguisse o caminho que conhecia de modo decorado desde que passou a frequentar o centro de treinamento. Sentia-se em casa trabalhando com o Borussia Dortmund — mesmo que indiretamente. Desde muito nova a equipe sempre fez parte do seu cotidiano e chegou a ir a alguns jogos no Signal Iduna Park e era incrível que fosse parar justamente lá.
Os acasos do destino serviam para bagunçar ainda mais a sua mente e por isso optava por deixar aqueles pensamentos de lado. caminhou a passos lentos pelo corredor e cumprimentou gentilmente algumas pessoas que lançavam algum sorriso para ela. Passar tanto tempo no local a tornou um rosto conhecido entre alguns dos funcionários. Os amigos estavam certos quando afirmavam que a jornalista precisava da sua dose diária de cafeína e não era novidade para ninguém a sua dependência por café. Serviu a si mesma com um pouco da bebida em um dos diversos copinhos dispostos a sua frente e provou um pouco, antes que se virasse e por muito pouco não esbarrasse com alguém, o que certamente causaria um pequeno desastre por ali.
— Por um acaso assustei você? — Erik Durm questionou ao notar os olhos ligeiramente arregalados da jornalista.
— Deveria ser um pouco menos … você sabe.
— Sorrateiro?
— Isso mesmo — concordou, abrindo um sorriso como resposta — Por um acaso você não deveria estar treinando com os seus amigos nesse momento?
— Precisava beber um pouco de água — Erik deu de ombros de modo despreocupado — Faz um tempo que não conversamos, não é mesmo?
— Provavelmente sim — a jornalista concordou, antes de provar o que ainda restava do seu café e se livrasse do pequeno copo descartável — Como estão as coisas para você?
quis saber ao adotar um tom mais gentil e receptivo.
Ela realmente gostava de Erik e era um dos jogadores do Borussia Dortmund com o qual mantinha contato desde os seus primeiros dias no clube. Ele foi gentil ao mostrar onde ficava cada lugar considerado como importante no centro de treinamento.
Julian Weigl era um dos que também estavam em sua pequena lista mental de jogadores preferidos e ela constantemente era lembrada sobre — especialmente quando ele não se importava em ajudá-la a carregar algum equipamento. Ele inclusive sabia sobre a sua preferência por café e em algum dia anterior chegou a um dos campos do centro de treinamento levando um dos copinhos descartáveis consigo.
— Esse final de semana nós estamos planejando ir para um lugar legal e apenas aproveitar, então concordamos que você e seus amigos da SPORT1 poderiam ir juntos — Erik exclamou e a pegou de surpresa em um primeiro momento.
— Isso não seria um pouco contra as regras? Juntar jornalistas e jogadores.
— Quem foi que inventou essas regras? — ele a encarou de modo entediado — Os caras concordaram e também não estou vendo problema algum em irem juntos. E se o é a sua preocupação, eu garanto para você que ele não se importaria.
Uma discreta careta surgiu brevemente no rosto da jornalista com a menção do ex.
— De qualquer forma, também estivemos combinando algo para esse final de semana. Mas prometo que estarei repassando esse seu convite aos outros — explicou, olhando as horas em seu delicado relógio de pulso — Mas agora acho que algumas pessoas precisam ir trabalhar para se sustentarem, então o vejo em outra oportunidade.
— Realmente é uma pena, mas acho que ainda podemos ir juntos até o campo.
O jogador se ofereceu e ela acabou concordando facilmente com a proposta, por apreciar a sua companhia. Os dois chegaram juntos ao campo novamente em um intervalo de tempo quase minimo e separaram-se um do outro quando ele precisou se reunir ao resto do time. caminhou ao encontro dos seus próprios amigos de trabalho e escutou algumas das instruções de Heidi, para uma curta entrevista com Thomas Tuchel.
detestava precisar diante das câmeras, mas respirava fundo por saber que aquele era o seu trabalho e que teria que lidar com o fato por um longo período.

••••


— Parece que alguém acordou animada nesta tarde.
Charlotte exclamou sorridente quando entrou em seu campo naquele final de tarde, com o cabelo molhado e aparentando ter acabado de sair do banho. Ela acabou dormindo quando chegou em casa naquele final de tarde e quando acordou saiu para caminhar um pouco com Bummer. estava mais tranquila com a sua rotina e em sua mente aquilo significava que estava finalmente conseguindo se readaptar a Alemanha. Sua mãe estava entretida com algo sobre a bancada e um avental florido foi passado ao redor da sua cintura, assim como o seu cabelo parecia preso de maneira firme.
— Uma boa caminhada e um banho gelado parece melhorar as coisas — explicou, quando se aproximou e deu um beijo no rosto da mais velha — Preparando alguma coisa?
— Coloquei o nosso jantar no forno tem alguns minutos e agora estou preparando aquela sobremesa que é a sua preferida e da Nina também — disse de maneira calma — Como foi o seu dia no trabalho hoje? Parece um pouco menos estressada que antes.
— Eu acho que finalmente estou conseguindo pegar o ritmo das coisas novamente. Depois de tanto tempo longe daqui acabei esquecendo um pouco sobre como é viver em uma cidade como Dortmund.
— Trocar Nova York por Dortmund pode ser uma decisão complicada e sempre soubemos que algumas duvidas poderiam surgir em sua mente quando chegasse a hora de decidir.
— Estou em casa e acho que isso que importa no final das contas.
deu de ombros e deu um outro sorriso na direção da mãe.
Dortmund era o seu lar de várias formas e aquilo incluia a sua família.
serviu a si mesma com um pouco de leite e pegou alguns dos cookies com gotas de chocolate que Charlotte costumava preparar quase todas as tardes.
Continuaram conversando por um tempo e explicou novamente como as coisas funcionavam na SPORT1. Charlotte sempre parecia interessada em qualquer assunto que fosse direcionado a sua vida e aquilo contribuia para a proximidade de ambas.

Daniel Mandalo:
Oi sumida!!

sorriu com a mensagem de Daniel em seu celular e não levou muito tempo para que enviasse uma resposta de volta para ele.

:
algumas pessoas ainda precisam trabalhar :)
Daniel Mandalo:
Isso foi uma indireta? Porque eu trabalho.

sorriu baixinho e Charlotte a encarou de maneira curiosa.
— Estou falando com o Daniel.
— O que é amigo do ?
— Do e da Nina também.
Ela a corrigiu e manteve os olhos focados no celular, digitando uma resposta agilmente. Estava acostumada com o fato que a sua mãe sempre traria o nome de a tona. Era uma das suas formas mais óbvias de mostrar que ainda torcia pelo relacionamento de ambos — sendo um comportamento bem próximo ao da própria Karin.

:
Quando você vem me visitar novamente? Estou com saudade.
Daniel Mandalo:
Quando menos você esperar e, por favor, quando conseguir uma folga, venha para a Suíça novamente.

— Como estão as coisas entre o e você? Não estão estranhas?
e eu estamos muito bem. Preciso subir para arrumar algumas coisas no meu quarto inclusive, então, por favor, pode me chamar quando todos chegarem?
— Por um acaso você está fugindo das minhas perguntas?
Charlotte estreitou os olhos em sua direção e colocou ambas as mãos em sua cintura.
— Sabe que não tenho motivos para fugir das suas perguntas — rolou os seus olhos — Eu apenas não tenho nada o que falar, porque nada de importante em relação a isso aconteceu e nem teria porquê acontecer.
Explicou da maneira mais gentil que poderia e mantendo seu tom sob controle. Tentava não se estressar — ou se irritar abertamente — quando as pessoas demonstravam querer entrar no assunto, porque ele não definia a sua vida no momento.
Evitava-o o máximo que conseguia e sempre buscava uma maneira de escapar sem que soasse grosseira. Subiu as escadas ainda trocando mensagens com Daniel e para a sua sorte ele também não parecia disposto a entrar no assunto naquela noite.
vasculhou toda a sua galeria olhando algumas das suas fotos e encontrou uma que tirou naquela manhã. Precisava atualizar as suas redes sociais e encontrou a oportunidade para tal coisa. Evitava pensar em , entretanto ele surgia quando ela menos esperava — e não apenas por comentários feitos ocasionalmente pelos amigos ou por Charlotte.

“O dia começa melhor com café <3”
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sorriu de algum comentário feito por Marco Reus em algum momento da noite. Os jogos serem no sábado parecia uma coisa boa quando eles acabavam tendo a noite livre. Conseguiram reunir boa parte da equipe e as coisas estavam sob controle. Estavam em um espaço privilegiado da casa noturna e possuíam uma vista dela como um todo. Seu copo estava repleto de uma bebida colorida a qual ele não sabia identificar.
Seria bom ter um momento daqueles, onde poderia dispersar seus pensamentos. Não poderia negar que estava ansioso com as várias possibilidades do que poderia acontecer. Era a primeira vez que conseguia um tempo para diversão desde que chegou a cidade.
— Peguei outra bebida para você.
Erik ofereceu quando parou ao seu lado.
Estavam apoiados sobre as grades de proteção do extenso camarote, observando as várias pessoas amontoadas no andar inferior ao mesmo tempo em que tentavam acompanhar o ritmo da música eletrônica que tocava no momento.
— Parece uma boa vista — o jogador murmurou e sugeriu quase no segundo seguinte — Por que não tenta conhecer alguém legal essa noite? Tenho certeza que faria bem para você depois dessas últimas semanas ... intensas.
Sabia exatamente ao que o amigo se referia e não pode evitar sorrir ao se questionar se estava tão na cara o quanto os seus pensamentos pareciam conturbados.
— Não estou certo se esse é realmente o momento.
— Chegou a ter algum relacionamento depois que se envolveu com ela?
— Nada que fosse tão sério quanto o relacionamento que ela teve nos Estados Unidos — respondeu de maneira desinteressada, aproveitando para provar da sua bebida e vasculhar a pista de dança com os olhos novamente.
— Se arrepende por ter desistido tão facilmente dela?
— O que eu poderia fazer quando ela não queria mais?
estreitou os seus olhos escuros quando uma morena, ainda de costas, entrou em seu campo de visão, com o cabelo aparentemente jogado por cima dos ombros e as costas completamente descobertas por um vestido prateado bastante atrativo.
Sua mente o alertou que a conhecia de algum lugar.
O homem que estava a sua frente passou os braços ao redor da sua cintura e pareceu murmurar algo demorado em seu ouvido, antes que inclinasse a cabeça para o lado e a envolvesse em um beijo o qual qualquer outra pessoa definiria como sendo intenso.
— E por que acha que ela não estaria disposta a tentar novamente agora?
Erik o questionou com curiosidade, mas sua voz pareceu distante naquele instante para , porque a garota misteriosa se virou de costas para o seu acompanhante e permitiu que ele beijasse um dos seus ombros descobertos.
pode encarar de maneira nítida o rosto de e sentiu o nó em sua garganta. Apertou o copo com bebida ligeiramente entre os seus dedos, no mesmo instante em que os olhos da jornalista pareceram encontrar com os seus, apesar de toda aquela distância. Mas ela não se afastou e continuou onde estava. Como se não se importasse com o que ele estaria pensando acerca do ocorrido.

fechou os olhos e deu as costas para a cena, soltando lentamente o ar em seus pulmões e tendo certeza que acabou olhando bem mais que deveria para apenas uma noite.
Foi como um soco no seu estômago e bem pior que um dos lances que acabava se envolvendo durante um jogo.
Doeu.
Doeu porque ele tinha certeza que seus sentimentos por ela ainda eram reais.
Doeu porque ele tinha uma mínima esperança que pudesse funcionar.
Doeu porque ela era tudo o que ocupava a sua mente nos últimos dias.
— Porque ela aparentemente está aproveitando bem a fase como solteira.


Si Tú La Ves

Yo no funciono sin ella, recuerdo me atropella
Se roba mi corazón, hay que hacer una querella
Trato de borrar tu huella con un cigarro y una botella
Tú eres la baby que me lleva a las estrellas

SU TÚ LA VES — NICKY JAM


— Bom dia — exclamou animadamente quando entrou na cozinha e encontrou todos reunidos no local.
Ela estava retornando de uma das suas caminhadas matinais e agradecia mentalmente pelas temperaturas se tornarem um pouco mais amenas naquela época do ano. Estava começando finalmente a se acostumar com a rotina em Dortmund e a sensação não poderia ser melhor que aquela. Todos os seus dias pareciam minuciosamente planejados quando não estava ocupada com algo relacionado ao trabalho, buscava alguma forma de se manter ocupada, assim como para distrair a sua mente.
Precisou de alguns minutos para que recuperasse o fôlego e recebeu um olhar curiosa de Nina em sua direção.
Tinha consciência do seu estado pós corrida matinal.
Sua roupa escura era justa ao corpo e uma pequena parte da sua barriga acabava sempre a mostra a partir do momento em que a jornalista aumentava a intensidade de algum dos seus movimentos enquanto se exercitava. O cabelo era preso em um rabo de cavalo para que os fios se mantivessem afastados do seu rosto.
Porém não tinha muito sucesso com aquilo.
Alguns deles sempre se desgrudavam e acabavam colados em seu rosto.
Estava longe de ser uma das suas melhores imagens.
— Parece que alguém anda realmente bem ativa depois desse período fora — Nina exclamou enquanto servia a si mesma com um pouco de leite naquela manhã — Passei no seu quarto mais cedo e fui pega de surpresa com a cama vazia.
— Estava sem sono e achei melhor ir caminhar mais cedo — explicou quando abriu a geladeira e pegou um pouco de água para si — Bummer parecia realmente ansioso e fomos caminhar um pouco para aproveitar esse início de dia na cidade.
Nina sorriu e assentiu em confirmação. Os últimos dias estavam calmos o bastante, apesar de alguns dos acontecimentos e, contrariamente ao que esperava depois do que aconteceu em uma casa noturna na cidade vizinha, não precisou escutar discurso algum.
Lembrava-se vagamente das coisas e lembrava-se com exatidão do instante em que seus olhos encontraram com os de na área reservada.
Provavelmente o alcool acabou pesando bem mais que deveria na sua tomada de decisão. Tinha consciência que era a sua vida e que não devia explicações ao goleiro. Porém, foi injusta com o jogador. não precisava colocar em palavras como se sentia em sua presença e aquele era um pensamento inquietante para si mesma. detestava ter que ficar pisando em ovos por não saber como se comportar em sua frente e por não saber como os amigos em comum iriam reagir ao final de tudo.
— Como andam as coisas com a minha garotinha?
Sebastian questionou no instante em que ela deixou um beijo em seu rosto.
— Eu acho que tudo bem.
— Como assim você acha?
Charlotte a encarou de maneira desconfiada em busca de mais respostas.
— Estou bem por estar em casa novamente e também por ter arrumado esse emprego. Pensei que as coisas seriam um pouco mais complicadas e que levaria um tempo maior para que conseguisse me adaptar novamente as coisas por aqui e, na verdade, acabei tendo um pouco de medo de precisar ir embora novamente.
colocou os seus pensamentos em palavras pela primeira vez desde que retornou, encostando-se contra a extensa bancada que era usada como mesa improvisada em vários momentos ao longo da semana. Sebastian estava logo a sua frente e Charlotte pareceu mais satisfeita com a resposta quando sorriu carinhosamente em sua direção. Elas definitivamente apenas pareciam uma com a outra no quesito aparência. e sua mãe diferiam uma da outra na maior parte das coisas.
— Quer carona para o trabalho hoje? Estou tendo a manhã livre e pensei em passar no apartamento da Eileen para olharmos algumas coisas do aniversário dela — Nina ofereceu, quando parou ao seu lado e a empurrou com os seus ombros em brincadeira.
— Somente se você concordar em ir me buscar no final da tarde — pediu em um tom manhoso — Preciso escolher uma roupa para essa festa da Eileen e acho que faltar não é uma possibilidade real.
— Não é mesmo — Nina disse em tom de advertência.
— Na idade de vocês eu não acho que tenha tido uma vida social tão intensa assim — Sebastian se intrometeu na conversa e sorriu baixinho quando se inclinou mais em direção a bancada e passou a se servir com um pouco de café.
— Eu acho que todos nós precisamos de um pouco de vida social — Charlotte opinou — Parece bom quando você precisa dissipar um pouco tantos pensamentos.
— Graças a Deus que você é minha mãe e a é adotada.
Nina passou os braços ao redor de Charlotte e deu um beijo em sua bochecha.
Ela definitivamente parecia bem mais mãe de Nina que de , pois até de maneira parecida pensavam na maior parte do tempo.
O dia do aniversário de Eileen estava se aproximando e a jornalista sabia o que significava. Seria a primeira vez que e ela ficariam diante um do outro, sem nada que envolvesse trabalho ou algum encontro completamente acidental quando saiam com seus respectivos amigos em dias de folga.
Faltar não era uma possibilidade. E Eileen também era uma das suas velhas amigas. Aquilo acabaria acontecendo em algum momento e ambos tiveram tempo o bastante para que se preparassem. Seria injusto dividir o grupo de amigos e agir sem maturidade. repetiu aquelas palavras para si mesma ao longo dos últimos dias.
— Melhor eu subir para escolher uma roupa para o trabalho e tomar um banho — choramingou, dando um último gole em seu café e se afastando de onde estava.
— O mesmo horário de sempre?
— Por mim tudo bem.
Ela gritou em resposta antes que pudesse subir cada um dos degraus da escada.
Entrou em seu quarto e o encontrou do mesmo jeito que deixou anteriormente. Sentiu uma discreta vontade de se jogar na cama e passar o dia inteiro sob todos os cobertores. Entretanto, teria o dia lotado de trabalho e não queria levar uma advertência por falta. Bocejou de modo sonolento e abriu o seu armário em busca de algo para vestir. Não teria que ir até o centro de treinamento do Borussia e o fato a deixou mais confortável quando se deu conta que teria um tempo maior para se preparar para a festa.

Gabrielle Schmitz: Podemos almoçar juntas hoje?
Gabrielle Schmitz: Não tenho noção do que usar na festa da Eileen


sorriu com as mensagens de Gabrielle e deitou sobre a cama, com a barriga para cima e mantendo o celular ao alto, para que respondesse.

: esse é o grande problema da semana?
Gabrielle Schmitz: Já falaram que você é a pior melhor amiga do mundo?


rolou os olhos e apertou o gravar áudio para que gravasse uma mensagem.
— Podemos almoçar juntas caso você passe na emissora e me ofereça uma carona, porque precisei levar o carro para a revisão e devo receber apenas no final do dia.
Enviou e não levou muito tempo para receber a sua mensagem de volta.

Gabrielle Schmitz: Para a sua sorte preciso de ajuda.


deixou o celular de lado antes que acabasse se atrasando e Nina batesse em sua porta afirmando que precisava sair de casa logo. Colocou a roupa sobre a cama e escolheu uma das suas playlists no spotify, para que então entrasse em um dos seus demorados banhos gelados e que ajudasse do seu processo de despertar em definitivo. Teria dois dias para preparar o seu psicológico e esperava que toda aquela autoconfiança dos últimos dias acabasse esvaindo por entre os seus dedos.
Era hora de parar de fugir e encarar as coisas de frente.
Precisava sair e encarar o mundo do lado de fora da caixinha de proteção que construiu.
encostou a testa contra a parede fria e deixou com que a água escorresse contra o seu corpo, como se aquilo levasse embora toda a sua falta de confiança.
Precisava admitir para si mesma que a desestabilizava mais que deveria e aquele era um pensamento que não deveria ser compartilhado. Sabia o quanto os amigos facilmente elevariam as coisas a outro nível e era tudo o que a garota menos poderia desejar para aquele momento turbulento da sua vida.
Por fim, arrastou-se para fora do banho e colocou a roupa escolhida minutos antes, para que então recolhesse as suas coisas e encontrasse Nina no andar inferior novamente. Trabalhar era bom. Trabalhar significava que ocuparia a sua mente e poderia manter alguns pensamentos aleatórios sob controle durante boa parte do dia.

••••


— Quando você vai criar vergonha na cara e contratar alguém para ajudar com isso?
Nina perguntou ao adotar uma expressão entediada, caminhando bem ao lado de através dos extensos corredores do supermercado naquele final de tarde. Ele era quem empurrava o carrinho e não estava prestando exatamente atenção antes de pegar as coisas em todas aquelas prateleiras e em seguida jogava diretamente no carrinho. O goleiro ligou para a amiga quando se deu conta que ir às compras era entediante e Nina Weiss sempre sabia como melhorar as coisas ao seu redor.
Mesmo que aquilo acontecesse a partir do momento em que soltasse alguns dos seus comentários carregados de sarcasmo ou ironia. Estava acostumado com aquele seu jeito de lidar com as coisas e sua companhia era algo que apreciava. Eles se encontraram no estacionamento alguns minutos antes e seguiram para o programa do dia.
— Por que eu faria isso se tenho a melhor amiga do mundo?
— Porque sou a sua amiga e não a sua escrava — Nina exclamou como se fosse óbvio o bastante e sorriu baixinho da careta que surgiu em seu rosto — Por que o Daniel não levanta daquele sofá e ajuda você com isso mesmo? Ou o Nicolas?
— O Daniel eu não sei, mas o Nicolas parece bem ocupado com você.
comentou como se fosse algo bem inocente, entretanto não era nada daquilo. Seu comentário estava repleto de segundas intenções e Nina tinha total consciência, justamente porque conhecia o amigo bem o bastante para identificar quando acontecia.
Estava acostumada com aquele comportamento por parte dos amigos e com o tempo apenas aprendeu a lidar ou ignorar cada um deles.
parou ao lado de algumas latas e novamente não analisou as suas várias opções antes que pegasse algumas delas e jogasse dentro do seu carrinho, para que passasse a caminhar mais lentamente e fingisse observar a sua volta. O supermercado estava com um movimento pouco intenso e a maioria das pessoas estavam mais inseridas em conversas com algum amigo ou entretidos em suas listas de compras.
Ele deveria aprender a usar uma delas também.
Provavelmente conseguiria quando se adaptasse 100% a cidade e conseguisse manter uma rotina mais próxima do normal em sua casa. Estava morando sozinho e Daniel e Nicolas ainda representavam a maior parte das suas visitas. Nina e Eileen também acabavam surgindo hora ou outra e aquilo o mantinha ocupado.
Não negaria para os outros que sempre acabava enviando uma mensagem a Nina quando se sentia entediado, por ter certeza que ela acabaria resolvendo aquilo, nem que fosse com uma resposta atravessada por ele ter interrompido o seu sono. Observou a garota loira caminhar ao seu lado e não pode evitar o questionamento, por ser algo que acabava levado a tona sempre que estavam todos juntos novamente.
— Nicolas e você andam realmente ocupados, uh?
— Por que você não pergunta isso diretamente para ele? — retrucou quando pararam no meio de um dos corredores e fingiu total desinteresse pelo assunto.
— Porque parece mais divertido irritar você.
foi pego de surpresa quando Nina virou lentamente o pescoço e o encarou com um sorriso, que daria medo em qualquer pessoa, estampado em seu rosto. Foi o momento em que se deu conta que deveria ter mantido a sua boca fechada.
— E como andam as coisas entre a e você?
fechou a cara no instante seguinte.
— Desconfortável agora? Mas foi você mesmo quem começou, então definitivamente não estou pedindo desculpas pela minha curiosidade.
— Eu acho que você é uma pessoa terrível, sabia?
Nina sorriu mais abertamente e deu de ombros sem realmente se importar com a fala. Ela até poderia não querer falar do assunto naquele momento, mas, ainda assim, as coisas entre Nicolas e ela pareciam um pouco melhores que para e .
Depois de tudo o que aconteceu na casa noturna algumas noites antes, o contato entre ambos acabou sendo o mínimo possível e era voltado apenas a coisas relacionadas ao trabalho. Uma rápida entrevista resumia as coisas. Ele sabia que não estava em posição de cobrar nada da jornalista e provavelmente era o que mais o frustrava. Porque seus sentimentos por ainda eram reais e o questionamento se conseguiria conviver com aquilo tudo era algo que hora ou outra retornava a sua mente.
estava tão perto e ao mesmo tempo distante.
E aquela distância parecia bem maior que quando ela foi para Nova York.
— Por que você tem bancado a motorista dela nos últimos dias?
— O carro dela foi para a revisão e acabei me oferecendo para o trabalho.
— E como estão as coisas com ela?
— Sabe que a consegue ser uma das pessoas mais complicadas do mundo quando deseja e que nem sempre é uma das mais fáceis do mundo para se entender. Mas acho que ela finalmente começou a se adaptar com o retorno para Dortmund e com a nova rotina que envolve o seu trabalho direto com o Borussia. No final das contas, estamos animados com o fato dele ter decidido voltar para casa novamente.
assentiu quando tornaram a andar e mudaram para um outro corredor, ainda mais repleto de prateleiras e ainda com poucas pessoas circulando. Por isso era um dos seus horários preferidos para comprar o que fosse necessário, ainda mais pelo fato que não precisaria enfrentar filas enormes para pagar as suas compras.
Nina parou diante das prateleiras onde chocolates de todos os tipos eram colocados lado a lado para que fossem exibidos aos clientes. Lembrava-se que ela era viciada em todos os tipos. Da mesma forma que parecia ter um vicio enorme por café. Costumava comprar algumas pequenas barrinhas sempre que ela aparecia na Suíça.
— Quanto a você, como andam as coisas no seu trabalho?
— Eu acho que conforme o esperado — respondeu após escolher o que levaria — O meu pai sempre foi cuidadoso com as coisas, então tudo parece em ordem. Ele ainda aparece em alguns momentos, mas tenho a sensação que a responsabilidade agora é minha. Como andam as coisas para você no Borussia?
— Sabe que estou feliz por ter acontecido e por ter a chance de jogar no time — continuou a empurrar o carrinho, quando tomou o chocolate das mãos de Nina e misturou com as suas próprias compras — Gosto da cidade e todos foram receptivos.
— O meu pai ainda acha que você deveria ir jantar conosco qualquer dia desses e você sabe que ele costuma ser bem insistente quando deseja.
— Então sabemos de quem você herdou toda essa insistência e teimosia — brincou com a cara de Nina e ela colocou uma das mãos sobre os seus ombros, para que respondesse no instante seguinte.
— Eles gostam de você e sempre gostaram, , e eu garanto que isso não tem relação alguma com o fato de ter acabado justamente no time do coração do meu pai.
sorriu em agradecimento.
Ele também gostava de Charlotte e Sebastian.

••••


Eileen aproveitou que os pais estavam viajando no final de semana e aproveitou a própria casa para que organizasse uma festa em comemoração ao seu aniversário. Nina e ela pareciam saber como lidar exatamente com coisas do tipo e obviamente que os eventos acabavam se tornando datas esperadas por todos os amigos mais próximos. acabou optando por uma roupa que a deixaria confortável durante as horas seguintes, com a saia dourada cintura alta e blusa preta e de rendas.
Não negaria para si mesma que estava um pouco apreensiva com a noite.
Conseguia identificar cada uma das músicas que soavam pelas caixas de som naquele momento e sorria facilmente de alguma brincadeira feita por Daniel. Ele realmente era um dos seus amigos mais próximos e ela amava a sua companhia. Não se importaria em passar o resto da noite ao seu lado e ele não aparentava se importar em procurar uma companhia que não fosse de uma das suas amigas para a noite.
prometeu para si mesma que naquela noite não iria exagerar com a bebida. Era uma medida de precaução por estar novamente no mesmo ambiente que . Ela o olhou assim que chegou e ele parecia bem entretido conversando com uma loira na parte externa da casa. tentou não encarar por muito tempo e considerou-se sortuda por encontrar logo com Daniel e poder arrastá-lo consigo para outro lado da casa.
“O melhor amigo que a vida me deu”

Postou uma foto beijando o rosto do suíço em certo momento da noite.
Era a exata forma como se sentia em relação a ele.
observou o jardim bem cuidado com as diversas luzes espalhadas sobre a própria grama. Pessoa caminhavam de um lado para o outro e algumas mesas — com bebidas ou comida — foram espalhadas estrategicamente pela área. Algumas bexigas coloridas poderiam ser observadas em todos os lados e a mesa central era ocupada por um bolo.
Eileen levava o seu aniversário bem a sério.
— Sem álcool essa noite ainda é uma realidade?
— Claro que sim — ela piscou na direção do amigo e recebeu um sorriso como resposta, para que complementasse a sua resposta — Estou perdendo o jeito para coisas do tipo e uma ressaca no inicio dessa semana parece fora dos meus planos.
— Tenho a sensação que você pegou o jeito com as coisas rapidinho.
— Provavelmente pela satisfação de estar em casa novamente — murmurou e franziu a testa antes que retomasse a fala — Eu acho difícil compreender o que levaria uma pessoa a trocar uma cidade como Nova York por outra como Dortmund. Mas você sabe que não estou pronta para ficar tão longe dos meus pais ou da Nina.
— E dos amigos?
Questionou ao adotar um falso tom magoado e colocando uma das mãos sobre o peito em seguida, fazendo com que rolasse os olhos e sorrisse da interpretação.
— Para de graça, porque você sabe do que estou falando, Daniel.
— Sabe o que realmente sei? Estou feliz por estar tão pertinho de todos novamente e com a possibilidade de poder encontrar com você sempre que bater a saudade.
sorriu carinhosamente e não se importou em passar um dos seus braços ao seu redor, envolvendo-o em um meio abraço e deitando a cabeça em seus ombros, respirando fundo e inalando o seu perfume. Daniel estava vestido em uma camiseta branca de abotoar e um jeans. Seu cabelo estava devidamente arrumado como de costume e em uma das mãos ele equilibrava um copo com alguma bebida. Seu tom arrastado e calmo era uma das suas coisas preferidas no amigo. Ele sempre a apoiou e era um dos motivos pelos quais sentia falta de casa constantemente. Chegaram a passar algumas várias horas em companhia um do outro, quando a jornalista morava na Suíça, e não era admirável que se tornassem tão próximos.
Daniel Mandalo era uma espécie de irmão mais velho e dos amigos de era aquele do qual definitivamente ela era mais próxima.
— Duvido que tenha tido tempo para pensar em nós enquanto estava ocupada com aquele seu namorado americano. Como era o nome dele mesmo?
— Ethan e você sabe muito bem disso, então pare com a cisma.
— Sinto muito se não o conheço, então pare de me criticar por isso. Inclusive, como você conseguiu ficar com ele todo esse tempo mesmo?
— Para de ser tendencioso, Daniel — se afastou e deu um leve tapa em um dos seus braços — Ethan era um cara legal e estamos bem assim. Ele entendeu que era o melhor para o momento e que um namoro a distância não funcionaria.
— Não estou sendo tendencioso e você sempre soube o que eu achava sobre isso — exclamou em sua própria defesa e sorriu debochado em resposta — Não gostava dele.
— Podemos não falar sobre isso apenas? — pediu ao adotar um tom manhoso — Venha dançar um pouco comigo, Daniel, preciso espantar esse sono e você parece a única pessoa disposta a me aturar hoje.
— Ah, , você sabe que sou a pior pessoa do mundo dançando — ele protestou, segurando o copo com mais força entre os dedos e com uma discreta careta surgindo em seu rosto ao final da resposta.
— Você vai mesmo negar um pedido da sua melhor amiga?
Um biquinho surgiu nos lábios da jornalista e ele precisou respirar fundo, dando-se por vencido, antes de dar um último gole em sua bebida e deixasse o copo de lado, para que ela o arrastasse em direção a pista de dança improvisada bem no meio do jardim.

••••


não pode evitar que um discreto sorrisse escapasse no instante em que observou Daniel tentando acompanhar os passos de em uma música latina. Ela estava com os braços ao redor do seu pescoço e o goleiro não se sentia incomodado com o gesto. Sempre soube da proximidade entre ambos e era algo que apreciava.
O sorriso presente no rosto da jornalista era um dos seus preferidos.
Era leve e bonito, com ela parecendo realmente se divertir com a dança — conseguindo mover o seu corpo de acordo com o ritmo da música. Daniel também estava se divertindo com aquilo e hora ou outra se atrapalhava com suas próprias pernas. Não negaria para si mesmo o quanto ela parecia ainda mais bonita e não era algo relacionado apenas a sua aparência. parecia mais autoconfiante em alguns aspectos. A maneira como ela sorria era o que mais mexia com o goleiro e parecia ter uma espécie de linha invisível que insistia em puxá-lo ao seu encontro a todo e qualquer instante.
Eram os sinais que permaneceram ali até mesmo em sua ausência.
Ele a amava e aquilo permaneceu intacto ao longo dos últimos meses.
Era por isso que o seu sorriso parecia provocar todas aquelas sensações nele.
a quis desde que colocou os olhos nela e o sentimento apenas cresceu com todo aquele tempo em que estiveram afastados. Gostava das pequenas manias e de como ela mordia a própria língua para evitar que algum sorriso escapasse. Gostava do sorriso carregado de inocência e da sua maneira carinhosa e atenciosa. sempre foi gentil e aquilo não pareceu ter se alterado com o tempo. Ela conseguia atrair todos os olhares para si sem dificuldade alguma.
Estava muito perdido observando cada pequeno detalhe da jornalista — e suas pernas maravilhosas na saia dourado — e consequentemente ignorando algo que Nicolas falava sem parar ao seu lado. Despertou apenas quando eles passaram a caminhar ao seu encontro. Daniel com um dos braços ao seu redor e mantendo os olhos fixos nos dela.
sorriu de algo antes de arrumar uma mecha teimosa do seu cabelo.
— Os dois sabem que criaram um monstro? Daniel não costumava reclamar tanto assim das coisas pelo o que ainda consigo lembrar.
— Também não lembro de você dançar tão bem assim e ainda ser um monstrinho que consegue levar qualquer pessoa para a pista de dança.
— Exagerado ele ainda continua mesmo — quase cantarolou quando os encarou e deu o sorriso mais gentil que poderia — Tudo bem, garotos? Não tivemos a oportunidade de nos falar antes.
— Bom encontrar você novamente, , e, mesmo que atrasado, seja bem-vinda de volta, porque todos nós sentimos a sua falta.
— Danke, Nicolas, é muito bom encontrar você também.
provou mais da sua bebida e por um instante se sentiu deslocado. O último encontro acidental entre ambos continuava em sua mente — principalmente o momento em que os olhares se cruzaram por alguns milésimos de segundos. Mas ter ela diante de si novamente parecia mudar todo o aspecto daquele jogo no qual se envolveu. Eram os mesmos olhos escuros e cheios de curiosidade, assim como carregados de inocência, que pareciam brilhar em sua direção.
Os lábios pintados de vermelho atraiam sua atenção com facilidade.
Ela era incrível diante dos seus olhos e o goleiro não se importava em soar completamente apaixonado quando aquilo acontecia, porque ele realmente estava, ou continuava, apaixonado pela jornalista.
— Também é bom encontrar com você novamente, exclamou e o levou para a realidade novamente — Mal tivemos tempo para conversar nos últimos dias.
— Eu acho que todos estivemos ocupados de alguma forma — ele exclamou e não se importou em se inclinar em sua direção, deixando um beijo em seu rosto — Tudo bem?
— Parece que sim.
preferiu ignorar os olhares curiosos dos amigos queimando sobre si no momento, porque estava mais envolvido que deveria pelo sorriso. O mesmo sorriso que parecia revirar a sua vida ao avesso como um todo. Deixou de lado toda a sua frustração com os acontecimentos recentes e focou apenas nela, de maneira que ignorasse todo e qualquer movimento a sua volta naquele curto intervalo de tempo.
— Quais os motivos da reclamação?
— Tente passar todo esse tempo dançando com ela e me diga você — Daniel respondeu ao seu questionamento antes que pudesse abrir a boca e falar algo — Onde você aprendeu a dançar assim mesmo?
— Muito tempo livre e necessidade de uma ocupação — ela disse e estalou a língua no céu da boca, para que pudesse encarar e Nicolas novamente.
— Reclamando disso, Daniel? — o provocou e Nicolas sorriu baixinho antes de virar mais uma vez o copo ainda cheio com bebida.
— Quer trocar de lugar comigo e tentar acompanhar o ritmo dela, bonitão?
não gosta de dançar.
exclamou quase no instante seguinte e atraiu todos os olhares para si.
— Eu não me surpreenderia em nada se ele tentasse essa noite — Nicolas comentou despreocupadamente e teve certeza que as bochechas de ficaram mais avermelhadas devido as palavras do amigo.
— Por um acaso você agora só gosta dos caras que sabem dançar ou?
inclinou ligeiramente a cabeça para o lado e um sorriso atrevido brincou sem seus lábios enquanto ela parecia analisar a situação. Era uma mudança de atitude e tanto para que se comportava o mais profissionalmente que poderia em sua presença. não pode evitar não se sentir satisfeito com a a pequena evolução.
— Eu não diria exatamente isso.
— Talvez você esteja certa e eu continuo não gostando de dançar.
deu de ombros por não saber o quê esperar daquela conversa e não se daria ao luxo de fazer com que recuasse. Ela sempre gostou das coisas em seu tempo e não deixaria aquilo de lado de uma hora para a outra. Entretanto, ele precisava afirmar que gostava do sentimento de expectativa e apreensão que tomou conta de si. Porque foi exatamente daquela maneira que se sentiu quando se conheceram.
— Que pena.
— Então você realmente só gosta dos caras que gostam de dançar? — ele se apoiou contra a parede logo atrás das suas costas e cruzou os braços em uma postura pouco intimidante, arqueando ligeiramente uma das sobrancelhas e sendo pego completamente desprevenido pela resposta.
— É uma pena, porque eu dançaria com você
O goleiro teve certeza que a sua boca se abriu levemente em choque e as expressões nos rostos dos amigos poderiam ser como um reflexo da sua. era realmente inacreditável e sabia como deixar qualquer um sem resposta. Principalmente quando as suas palavras apareciam acompanhadas daquele sorriso nada inocente.
— Preciso ir encontrar com a Nina, então nos falamos depois — ela completou a sua linha de raciocínio, para que desse as costas e se afastasse do pequeno grupo, nem dando a oportunidade para que eles pudessem falar qualquer coisa que fosse.
— O que diabos acabou de acontecer aqui e o que estou perdendo?
Nicolas foi o primeiro a se manifestar.
— Bem-vindo ao clube, meu caro, porque estou na mesma.
não disse nada, mas um discreto sorriso apareceu em seus lábios quando ele a observou subir os poucos degraus e entrou na casa ao passar pelas portas de vidro que eram mantidas abertas para facilitar a circulação de pessoas de um lado ao outro.
Ele também não fazia a minima ideia do que estava acontecendo, porém gostou da mudança de atitude e aquilo tinha que significar algo e o goleiro esperava que fosse algo realmente bom.


MI RELIGIÓN

He tenido que rezar por ti
Pedí ayuda celestial para seguir
Porque cuando tú me bailas así
Solamente me inspiras a pecar
Dime cuanto más tengo que espera


MI RELIGÍON — YANDEL


— Por que precisa ser tão trabalhoso encontrar um apartamento?
choramingou e respirou bem fundo, de maneira que pudesse expressar toda a sua frustração após ter visitado algumas centenas de imóveis em seu dia de folga.
Estava exausta e para piorar os sapatos estavam machucando os seus pés. Nina sorriu baixinho ao seu lado e deu algumas leves batidinhas contra as suas costas, em um claro sinal de apoio a saga da irmã mais nova em arrumar um apartamento para morar. Elas estavam andando de um lado para o outro havia um bom tempo e nenhum dos imóveis parecia atender a todas as exigências da jornalista da SPORT1.
era uma das pessoas mais impacientes do mundo e não levou muito tempo para que começasse a reclamar incansavelmente sobre como estava prestes a se arrepender.
Não duvidaria que a sua manhã livre seria bem mais proveitosa caso continuasse em casa, maratonando alguma das suas séries preferidas na Netflix ou repetindo de modo decorado todas as falas de Gossip Girl.
— Será de quanto tempo ainda precisaremos até encontrar algo?
— Isso se torna ainda pior quando quem parece a procura de algo é alguém como você, uma das pessoas mais exigentes e impacientes — Nina sorriu em sua direção, porém sem mostrar os dentes — Garanto que cedo ou tarde encontraremos um que você goste.
Concluiu o seu pensamento de modo bem mais ameno.
Nina foi quem se ofereceu para acompanhar a jornalista naquela manhã e estava tendo toda a paciência do mundo para lidar com as constantes mudanças de opiniões que envolviam a sua irmã mais nova e a busca por seu sonhado apartamento.
— Pareceu bem mais fácil quando mudei para Nova York.
— Porque você sempre teve um em seu nome na cidade — Nina retrucou.
— Quando mudamos para a Suíça também pareceu melhor que agora.
— Fui eu quem procurou o apartamento sozinha, — Nina retrucou novamente e foi obrigada a sorrir da careta que tomou conta do rosto da garota — Estou apenas brincando com a sua cara e você sabe disso.
respirou fundo quando as portas do elevador se abriram diante de ambas e puderam enfim caminhar para fora do mesmo, saindo em uma espécie de hall, onde encontraram uma pequena mesa decorada com um vaso de flores e alguns espelhos. Facilmente identificaram as duas portas brancas e buscaram pelo número que foi indicado pela agente imobiliária quando mandou uma mensagem mais cedo.
realmente esperava que a sua busca estivesse chegando ao fim. Buscar por apartamentos era facilmente classificada como uma atividade completamente entediante. Deu algumas rápidas batidas contra a porta antes que pudesse entrar, ainda sendo seguida de perto por Nina.
Colocou ambos os pés para dentro do apartamento duplex e parou por alguns segundos. De todos os que visitou ao longo das últimas horas, aquele foi o único que a fez sorrir em satisfação desde o primeiro segundo. O pequeno imóvel era pintado em tons claros e parecia bastante iluminada quando se observava em um primeiro instante.
deu um passo adiante e continuou a analisar com atenção.
Logo após a porta de entrada principal encontrava a sala de estar, que dividia o mesmo espaço com a sala da jantar. Uma escada era presente no mesmo ambiente — colada contra uma parede de tijolos — e levava ao andar superior. pode observar a parede de vidro que cercava uma espécie de quarto.
O pequeno ambiente era rodeado por janelas de vidro que proporcionavam uma boa vista ao restante do bairro. Passando mais um pouco adiante a parede de tijolos, encontrava a cozinha, com uma bancada de madeira e mais outros móveis que pareciam planejados.
O apartamento era ideal e completamente a sua cara.
— Esse sorriso em seu rosto significa alguma coisa?
Nina questionou quando a encontrou alguns segundos depois.
— O que você achou desse?
— Seria loucura afirmar que é completamente a sua cara? Consigo facilmente imaginar todos os outros imóveis espalhados e você morando aqui — colocou ambas as mãos na cintura a observou a sua volta.
sorriu ainda mais satisfeita que antes e não levou tanto tempo até que o típico som dos saltos batendo contra o chão amadeirado chegasse aos seus ouvidos. Escutou aquele som por tempo o bastante para adivinhar que se tratava da mesma agente imobiliária que passou toda a manhã seguindo-as de um lado ao outro da cidade. O cabelo claro estava preso impecavelmente bem ao topo da sua cabeça. O conjunto de calça e camiseta social preta davam a mulher um ar ainda mais profissional e o sorriso calculado em seu rosto parecia presente a todo o instante.
— O que acharam?
— Eu acho que é esse.
murmurou quase que imediatamente em resposta e trocou um olhar cúmplice com Nina, deixando claro, em uma comunicação bastante típica entre ambas, os pensamentos que rondavam a sua mente.
Ela finalmente encontrou o local que se tornaria o seu lar.
— Tem realmente certeza? Porque esse é um passo importante.
Nina questionou, de maneira a garantir que a irmã estava certa da ideia. era o tipo de pessoa que poderia mudar de ideia muito rapidamente e ela não estaria disposta que a jornalista acabasse entrando em algum problema por não ter pensado com calma. a encarou com um sorriso enorme no rosto e ela acabou sorrindo em resposta. Poderia até se empolgar muito rápido com as coisas a sua volta, mas o sorriso que surgia em seu rosto continuava o mesmo de anos atrás.
— Tenho certeza absoluta, Nina.
— Então podemos conversar e assinar os papéis finalmente? — a agente imobiliária perguntou, como se estivesse tirando um peso enorme dos ombros ao se dar conta que conseguiu encontrar algo que a agradasse.
— Podemos sim — concordou, após trocar um breve olhar com Nina.

••••


Eileen e Nina foram as duas que o chamaram para sair naquele final de tarde e sabia que o fato de Daniel e Nicolas estarem na cidade acabou influenciando bastante naquele pedido repentino e de última hora. Como não tinha nada para fazer nas horas seguintes, e também não queria ficar sozinho naquela casa enorme, acabou aceitando. Jogar boliche não era um dos seus programas habituais, mas todos pareciam se divertir a partir do momento em que se separaram em dois times.
Nina e Eileen levaram Gabrielle com elas, levando a uma divisão justa.
aproveitava para checar o seu celular a cada segundo que poderia e lembrou-se de ter escutado quando Nina comentou que estava presa com em uma reunião importante da emissora. Não negaria que ficou ansioso por sua presença em um primeiro momento e em contrapartida acabou recebendo um banho com água fria.
Desde a festa de Eileen algo parecia ter mudado e aquilo o deixava mais ansioso. Os breves sorrisos lançados em sua direção eram diferentes daqueles primeiros desde o seu retorno. Tinha a sensação que ela estava mais confortável em seu presença.
— Preciso chamar o novamente para a realidade.
Levantou a vista do celular e encarou Nina mais a sua frente. Ela estava tentando se livrar do abraço e dos beijos roubados de Nicolas e nenhum dos dois parecia desconfortável em agir daquela maneira em público. Pelo menos era o que aparentava quando estavam na presença dos amigos. Quando estava com outras pessoas a história mudava e era justamente o que não entendia.
— Sabe muito bem o que aquele olhar meio bobo representa — Nicolas exclamou em meio outro beijo roubado e rolou os olhos em protesto, balançando a cabeça em negativo e parando de observar os dois.
— Por isso mesmo preciso conversar com ele — Nina sorriu, dando um selinho nele antes que se afastasse um pouco — Pode pegar bebidas?
— Posso sim — Nicolas concordou por fim.
continuou entretido com o seu celular e se deu conta do instante em que Nina sentou logo ao lado e passou um dos braços ao seu redor, apoiando a cabeça em seus ombros e agindo carinhosamente. Ele não se importava em compartilhar o que estava olhando com ela e era algo que acontecia com certa frequência.
— Por que tenho a sensação que você parece um pouco perdido hoje?
Nina questionou de maneira curiosa e o goleiro sorriu baixinho.
— Estou apenas um pouco cansado depois de toda essa rotina louca.
— E desde quando isso o impede de se divertir com seus amigos? Sabe que eu o conheço muito bem para saber quando alguma ideia fixa parece tomar conta da sua cabeça e tenho a impressão que foi o que aconteceu.
bloqueou a tela do seu celular e sorriu mais para si mesmo.
Ela era realmente boa com coisas do tipo. Nina era uma das poucas pessoas que o entendia tão facilmente e era algo pelo o quê o goleiro agradecia, porque sabia que poderia contar com ela para conversar. Não que não se sentisse confortável para conversar com os outros. Mas Nina tinha algo que a tornava boa para aquela função.
— Não é novidade que a sua irmã tem toda a minha atenção desde o primeiro instante e agora estou matando a cabeça para entender os sinais.
apoiou a cabeça contra a dela e respirou fundo, observando uma parte dos amigos mais a frente, ao lado das bolas de boliche.
— Novidade não é mesmo. Mas o que você precisa entender nisso tudo? Pensei que os dois estivessem convivendo pacificamente depois da festa.
é a pessoa que mais confunde a minha cabeça no mundo e até o sorriso dela parece me manter fora do eixo ultimamente.
— Essa parece uma daquelas frases apaixonadas e é tão fofinho.
— Fofinho?
— Você todo apaixonado é muito fofinho, Roman. Pensei que jamais fosse olhar algo do tipo e de uma hora para a outra você ficou aos pés da minha irmã desde que se encontraram pela primeira vez.
— Jura que não teve dedo seu no que aconteceu naquele dia? perguntou quando retomou um pensamento antigo.
Nunca tiveram uma oportunidade anterior para entrar no assunto.
— Não exatamente — Nina tentou evitar sem sucesso com que uma risada escapasse — Mas confesso que pensei bastante na possibilidade depois que notei os seus olhares para cima dela e apenas precisei de um pequeno empurrão do Daniel para chegar a conclusão que a ideia era boa.
— Eu não fui exatamente discreto naquela época.
— Eu acho que você não esperou nem um dia para que enviasse uma solicitação de amizade para ela no Facebook e o tempo para seguir no Instagram foi praticamente o mesmo.
acabou sorrindo novamente quando a lembrança o atingiu.
Ele acidentalmente curtiu uma das suas fotos no Instagram e decidiu que seguir parecia uma ideia melhor que curtir tão do nada. Seria bem menos constrangedor para quando a encontrasse novamente. O que ele sabia que aconteceria cedo ou tarde. Principalmente pelo fato dela ser irmã de uma das suas amigas mais próximas.
— Você ainda gosta muito dela, não é mesmo?
— Deve ser por isso que preciso da sua ajuda.
Nina Weiss se afastou e o encarou com os olhos claros semicerrados, aparentando ter sido pega um pouco de surpresa pelo pedido tão repentino do amigo. pensou naquela possibilidade por dias e ela pareceu ser a sua melhor opção para um pedido quase desesperado de ajuda. O fato dela conhecer tão bem acabou pesado bastante na sua decisão final acerca do assunto.
— Preciso da sua ajuda para conseguir me aproximar da novamente. Sou completamente apaixonado por sua irmã e preciso tentar. Porque, caso eu fique aqui parado, sei que vou acabar me arrependendo depois. Tudo o que eu queria era uma pequena luz que pudesse me indicar qual rumo tomar e você é a melhor pessoa para isso, Nina, porque conhece a tão bem quanto conhece a mim.
Nina pareceu pensar por um tempo e um sorriso tomou conta do seu rosto de maneira lenta, antes que ela pudesse retomar a sua fala.
— Então, por onde podemos começar, ?
— O que você sugere?
— Saiba que você vai me dever favores por uma vida toda e isso inclui algumas entradas grátis para os jogos do Borussia.
— Jura? — retrucou mais sarcástico que deveria — Eu nem sequer poderia imaginar que você poderia acabar me pedindo algo em troca.
— Tudo por entradas grátis, não é mesmo?
Nina brincou e foi inevitável não sorrir em resposta.

••••


— Seus pais sabem que você é viciada em café dessa forma? Joachim empurrou com os seus ombros, provocando-a abertamente quando a encontrou diante de uma das máquinas de café da emissora, onde todos sabiam que a encontrariam caso ela sumisse.
— Eu acho que preciso despertar — resmungou, com uma discreta careta tomando conta do seu rosto antes que impedisse o café de continuar caindo em sua caneca colorida — Estou tendo dificuldades para conseguir pegar no sono ultimamente e quando me dou conta o despertador tocou.
— Já pensou em seu resultado de todo esse café?
— Por que passaria a atrapalhar o meu sono justamente agora?
— Deve ter uma explicação muito boa para isso e você deveria me levar um pouco mais a sério — Joachim deu de ombros — Agora se afaste um pouquinho, porque até eu preciso de cafeína uma vez ou outra.
sorriu quando se afastou, provando do seu café ainda quente e parecendo mais satisfeita.
Estavam tendo alguns dias corridos e cheios na emissora e aquilo acabava interferindo diretamente em sua rotina e em suas várias horas de sono. Perdeu a conta de quantas vezes quase dormiu sobre a sua mesa ou computador nos últimas dias.
Sebastian acabou pegando a responsabilidade de passear com Bummer para si. Todas aquelas viagens estavam bagunçando ainda mais seus horários. Até mesmo o dia da sua mudança para o novo apartamento acabou sendo adiado um pouco mais. Pelo menos até que conseguisse estabilizar novamente as coisas em sua vida e rotina.
— Heidi parece prestes a arrancar nossas cabeças a qualquer momento.
Joachim exclamou em tom de brincadeira quando terminou de servir a si mesmo e passaram a caminhar em direção às suas mesas. Ele era a sua companhia na maior parte do dia e pareciam a vontade para que conversarem sobre qualquer assunto. Mesmo que isso incluísse brincar com o perigo — ou Heidi em um péssimo dia.
— Dias ruins para Heidi são dias ruins para todos nós.
— Eu amo a hierarquia e seu modo de funcionar — Joachim debochou e mordeu a ponta da própria língua para evitar que gargalhasse — Será que podemos implorar por mais alguns dias de folga?
— Já tivemos mais dias de folga que qualquer outra pessoa aqui.
— Isso porque estivemos em mais aviões que qualquer um deles.
— Pare de reclamar tanto apenas.
— Eu acho que é todo esse tempo convivendo com você.
o encarou rapidamente com uma das sobrancelhas arqueadas, antes colocasse a caneca sobre a sua mesa e puxasse a cadeira giratória para sentar e brincar um pouco, girando de um lado ao outro. Era o seu lugar preferido na emissora e ela não se importava em fazer aquilo diante de tantas pessoas. E nem mesmo com o olhar debochado que Joachim lançou em sua direção antes que sentasse na sua cadeira e esticasse as pernas, colocando-as sobre a mesa e adotando uma postura confortável.
— Sua companhia torna as coisas menos entediantes.
— Estou tendo uma alucinação ou você falou mesmo isso? estreitou os olhos em sua direção e deixou o café de lado de novo.
— Gosto de ter você aqui e sabe disso. Devo ter medo do seu namorado me olhando a cada segundo sempre que estamos juntos ou algo assim?
— Como?
— O goleiro.
inclinou a cabeça ligeiramente o lado e o encarou de modo divertido.
— Ele falou algo para você?
— E nem precisa falar, , porque parece estampado na cara dele. O que você fez para deixar o cara apaixonado por todo esse tempo?
— Costumam falar que meu sorriso é irresistível e preciso concordar — soprou um beijo em sua direção ao concluir a sua fala.
— E todo esse ego é herança materna ou paterna?
tapou a boca com uma das mãos para que novamente evitasse gargalhar audivelmente e consequentemente atraísse atenção. Suas coisas estavam espalhadas sobre a mesa e o computador ainda aberto em uma reportagem que precisava ser finalizada antes que seu horário encerrasse e Heidi a cobrasse.
Continuava a conversar com Joachim quando o celular vibrou a sua frente, com a chegada de uma nova mensagem em um dos seus aplicativos.

Nina: Estamos saindo essa noite.
: Obrigada por avisar.
: Posso saber o destino?

Esperou pacientemente pelas resposta, que não demorou tanto a chegar e imediatamente a deixou em alerta.

Nina: Social na casa do apenas. O que acha?

O seu primeiro pensamento seria negar sem nem pensar. Mas algo a impediu de se comportar daquela maneira e quando se deu conta a sua resposta estava sendo enviada de volta para Nina.

: Parece ótimo :) xx

— O que significa essa expressão em seu rosto?
— Como?
— Essa expressão de quem se pergunta se tomou a decisão certa.
— Você se parece com a Nina falando assim — apoiou os cotovelos sobre a mesa e encarou o amigo — Estou apenas me perguntando se foi uma boa ideia me reunir com o e os outros na casa dele.
— Qual seria o problema disso? — Joachim imitou sua postura.
— Estou caminhando para o território inimigo e sei bem como o costuma jogar quando se sente estimulado — confessou.
— Isso é para ser bom ou ruim?
— Depende, Joachim, depende.
exclamou e deu o assunto como encerrado por ali, porque Heidi acenou que eles deveriam se reunir com ela e falar sobre a sua vida pessoal naquele instante não seria uma das suas melhores ideias.

••••

— Ficou indecisa agora?
Nina perguntou em tom divertido, dando algumas leves batidas contra a porta escura e esperando que alguém as recebesse.
estava parada ao seu lado e os braços cruzados indicavam a postura defensiva. Suas pernas descobertas pareciam inquietas e o pequeno salto batia repetidamente contra o chão. Detestava saber que poderia perder o controle das suas ações e por isso precisou respirar fundo. Mas tudo aquilo era apenas uma consequência de ter aceito o convite de Nina.
— Se estiver me colocando em uma enrascada, Nina …
— Sabia que me magoa você pensar tão pouco de mim? — Nina exclamou em um falso tom teatral e se limitou a sorrir ironicamente.
— Eu nem me darei ao trabalho de responder.
— Respira fundo e tente não surtar apenas — Nina a aconselhou um pouco antes que Nicolas abrisse a porta com um sorriso enorme no rosto.
— Preciso confessar que estava esperando justamente por você — ele exclamou, antes que Nina passasse os braços ao redor do seu pescoço e beijassem um ao outro de modo intenso.
— Eca — protestou e esquivou-se dos dois, entrando na casa com dificuldade — Sejam um pouco menos grudentos que o meu bem estar mental agradece bastante.
Ela passou as mãos contra a própria roupa e uma careta tomou conta do seu rosto. não era exatamente acostumada com aquele tipo de relacionamento entre ambos e nem mesmo tinha uma opinião formada. Preferia deixar com que Nina pudesse tomar conta daquilo e agradecia o fato que a mantinha ocupada por tempo o suficiente. Não era muito próxima de Nicolas, mas conviveram juntos por um bom período. Se Nina estava certa sobre aquilo, não seria ela que interferiria.
Já tinha mais coisas que deveria em sua cabeça e se ocupar com o relacionamento da irmã não estava em sua lista de prioridades.
— Por que vocês não procuram um lugar mais reservado?
reclamou quando surgiu logo as suas costas.
— Pelo menos alguém que pensa como eu nessa casa — sorriu em agradecimento para Roman, assim que ele parou ao seu lado.
— Quem tem culpa se os dois não sabem aproveitar a vida também?
— Parece que os dois foram mantidos longe um do outro por mil anos para se comportarem assim — rolou os olhos com o comentário de Nina — Ela que me convidou e eu não imaginava que seria a vela.
— Como você é exagerada — Nicolas sorriu baixinho, antes que arrastasse Nina consigo e fechasse a porta logo atrás das suas costas — Preparadas para uma boa noite apenas entre amigos?
— Ultimamente temos passado muito tempo juntos — murmurou mais para si mesma — Quais os planos para a noite? — Jogar conversa fora parece muito bom — Nina deu de ombros.
— Você realmente me chamou para uma pequena reunião sem comida?
colocou ambas as mãos na cintura e encarou com uma expressão divertida presente em seu rosto. O goleiro sorriu e expôs as suas covinhas de uma forma adorável. Era um pouco difícil lidar com ele quando aquela expressão surgia. Era a mesma sensação de antes, quando sentia as pernas tremerem e o coração perder uma batida. O sorriso que tomou conta do seu rosto era quase como um reflexo do seu. costumava gostar da época que ambos pareciam em perfeita sintonia.
— Quer me ajudar a preparar alguma coisa? Sou o cozinheiro da noite e não sei se conseguirei dar conta de todos.
— Posso ao menos cumprimentar os outros antes?
— Fique a vontade.
concordou e indicou a sala de estar ao outro lado. observou a casa decorada em tons neutros e aprovou mentalmente a medida em que caminhava na direção indicada, sendo seguida de perto por Nicolas e Nina.
Poderia afirmar que ele estava se virando bem morando sozinho em Dortmund. Não poderia deixar de imaginar o quanto o destino brincou com os dois quando os reuniu novamente justamente em sua cidade. Ela sempre quis voltar para casa, mas nunca sequer passou pelos seus pensamentos que encontraria justamente com ele.
Cumprimentou cada um dos seus amigos quando entrou em seus respectivos campos de visão. Daniel e Eileen estavam entretidos em um jogo e apenas se deram conta da sua presença quando ela parou em frente a televisão e cruzou os braços.
— Depois ainda fala que sou a sua melhor amiga, seu ingrato — brincou com Daniel quando ele a puxou para os seus braços e beijou seu rosto.
— Olhem só como Daniel considera eu e Nina — Eileen o provocou, ainda sentada no mesmo lugar de antes e cruzando as pernas, puxando um pouco mais a sua saia preta para baixo.
— Eu tenho amor o bastante para as três — Daniel disse em sua própria defesa — Fico feliz que tenha vindo hoje, porque estou voltando para casa amanhã e não sei quando estarei em Dortmund novamente.
— Talvez eu o visite antes que possa pensar em retornar — beijou o seu rosto e se afastou alguns poucos centimetros.
Passou um tempo considerável em um relacionamento com e por consequência acabou se tornando próxima de seus próprios amigos. Não se importava em sentar por horas seguidas e jogar conversa fora com Daniel. Eles poderiam conversar sobre qualquer assunto que fosse. Nicolas sentou em uma poltrona desocupada e puxou Nina para seu colo. acabou ficando entre Daniel e Eileen, mantendo-se atenta a uma rodada no FIFA disputada entre os dois.
— Preciso pedir licença.
Disse em certo momento da conversa.
— Precisa de algo? — Daniel questionou, com os olhos fixos na TV.
provavelmente precisa de um pouco de ajuda e eu serei uma boa convidada, contrariamente a vocês.
— Tem toda a licença que precisar — Nina não se conteve ao falar e a ignorou completamente para que caminhasse em direção a cozinha.
Encontrou facilmente o caminho e se deparou com como imaginou. Ele estava usando roupas escuras e parecia concentrado cortando algumas coisas dispostas sobre a enorme bancada.
definiria a cena como bastante interessante facilmente e precisou de alguns segundos para que despertasse dos seus pensamentos. O local tinha a decoração no mesmo tom do restante da casa e as janelas enormes contribuiam para manter o ambiente ventilado e também provavelmente iluminado ao longo do dia.
— Ainda precisa de ajuda? — falou para anunciar a sua presença.
— Um pouco dela é sempre bem-vinda — a encarou por pouco tempo, para que retornasse a atenção novamente aos seus legumes — Quer me ajudar a cortar essas coisas ou ainda é um desastre na cozinha?
— Vou mostrar para você quem é um desastre.
pegou um dos aventais dispostos e passou a sua volta com atenção. Lavou as suas mãos e não hesitou muito antes que parasse diante de um dos armários e procurasse por uma faca que a ajudasse a cuidar daquilo. Cozinhar não era uma das suas atividades preferidas. Mas aprendeu a se virar no período em que morou longe de casa.
— Não foi ao treino de hoje — observou quando ela parou ao seu lado e puxou um daqueles legumes para suas próprias mãos.
— Sentiu a minha falta? — a pergunta escapou antes que controlasse.
— Quer mesmo uma resposta para isso?
sentiu todo o sangue se acumulando contra as suas bochechas após a resposta dada pelo jogador. Deveria aprender a controlar mais as palavras que sairiam da sua boca ou acabaria se metendo em problemas.
— Boa resposta — murmurou quando começou a cortar uma das batatas, a medida que um sorriso discreto tomou conta do seu rosto.
Os dois permaneceram em um silêncio nada desconfortável pelos minutos seguintes e parecia realmente concentrada em acabar com aquilo. Charlotte costumava afirmar que cozinhar era como uma terapia para ela e era o principal motivo pelo qual não se importava em participar de diversos cursos envolvendo culinária.
sempre encontrava algo que as diferenciava uma da outra.
Conseguia escutar a música tocando em algum canto da casa e cantarolou a mesma mentalmente, conhecendo a letra de modo decorado e usando aquilo como uma forma de diminuir a velocidade com que os pensamentos trabalhavam.
Também conseguia sentir o cheiro de algo delicioso sendo preparado e sua fome se manifestou. Passar tanto tempo sem comer não foi uma boa ideia.
Quando terminou com os seus legumes, passou a dedicar sua atenção a uma massa semipronta colocada sobre a bancada minutos antes. Eles teriam torta naquela noite e sua boca automaticamente salivou quando notou uma enorme tigela repleta de maçãs cortadas em cubinhos.
— Parece que você manda muito bem na cozinha agora.
— Precisamos nos virar em casos de necessidades — deu de ombros e um sorriso quase sacana tomou conta do seu rosto.
Conversaram alguns assuntos aleatórios e sorriu nostálgica quando o goleiro passou a falar sobre a sua família. Tinha consciência das músicas alternando na sala de estar e imaginou que os amigos estavam se divertindo por lá. Sorriu satisfeita quando o forno apitou que o recheio da torta estava pronto e precisaram de alguns minutos até que estivesse frio para que saboreassem. mesma cortou um pequeno pedaço antes de encarar da maneira mais inocente que poderia.
— Abra a boca.
— Como?
— Só me obedeça. Tudo bem?
— Continua gostando de se manter no controle mesmo depois de tanto tempo?
não pode evitar não corar em constrangimento e mesmo assim prosseguiu com seu plano inicial. O goleiro abriu a boca e permitiu que ela levasse o pedaço de torta até lá. Ele fechou a boca antes que a jornalista pudesse remover os seus dedos e ela os tirou lentamente, ainda sentindo sua língua quase se enrolando neles.
— Deliciosa — falou suavemente e mais carregado de segundas intenções que deveria.
— Mmm — foi o único som que ela permitiu sair de sua boca, antes de retomar ao trabalho anterior como se nada tivesse acontecido.
Foi pega de surpresa quando passou atrás das suas costas e praticamente colou o corpo de ambos, causando pequenos espasmos por todo o seu corpo. fechou os olhos por alguns milésimos de segundos. Sentiu os dedos do goleiro em sua cintura e se controlou para não suspirar baixinho em resposta. Tinha certeza que ele estava brincando com ela e era um jogo muito, muito baixo. O calor que se espalhou pelo seu corpo foi o bastante para que largasse a faca e apertasse a borda da bancada entre os seus dedos.
— O que pensa que está fazendo? — questionou com os dentes trincados.
— Precisava verificar a temperatura do forno, apenas.
Respondeu inocente quando retornou ao seu lugar, mas não a convenceu. conhecia e sabia que ele não agia tão inocentemente naqueles momentos. Ela precisou respirar fundo para recuperar o seu autocontrole e manter uma postura normal.
Mas ele não brincaria sozinho.
Ela precisou colocar a cabeça para funcionar e a ideia surgiu no instante em que notou os armários logo acima de suas cabeças. Nem sabia o que ele guardava lá, mas deveria ser algo realmente necessário. Sorriu diabolicamente quando largou a faca e o encarou com a mesma falsa expressão contida em seu rosto alguns poucos segundos antes.
— O que você pensa que está fazendo?
fez o mesmo questionamento feito anteriormente por ela, quando a jornalista conseguiu bem a sua frente e entre ele e a bancada, em um espaço quase minimo. se deu conta do peito do goleiro subindo e descendo mais rápido que o normal, assim como da respiração mais rápida com os corpos colados daquela forma. Conseguia sentir os músculos do seu corpo e o perfume era o mesmo que ela sempre amou. Esticou um pouco mais o seu corpo e ficou nas pontas dos pés, aumentando ainda mais a proximidade de ambos e a pequena sessão de tortura — para ambos.
Observou fechar os seus olhos e balançar ligeiramente a cabeça. Sorriu para si mesma e abriu as portas do armário, não encontrando nada útil. Fechou as mesmas novamente e se inclinou um pouco em sua direção, aproximando-se do seu pescoço e encostando apenas a ponta do seu nariz no local, antes de inalar lentamente e se afastar.
— Sempre gostei desse perfume — concluiu ao retomar o mesmo lugar de antes, como se nada tivesse acontecido.
— Já falaram que você é uma pessoa terrível?
murmurou com a voz entrecortada e respiração falha.
— Costumam falar mais do meu sorriso adorável — sorriu audivelmente em seguida, inclinando-se contra a bancada e pegando uma garrafa com vinho — Estou indo servir um pouco disso para os nossos amigos.
mal deu dois passos até que ele a impedisse de continuar, segurando-a por um dos cotovelos e não se importando em juntar os corpos novamente, para que se inclinasse na sua direção e repetisse o mesmo gesto anterior dela.
Ela precisou fechar os olhos quando sentiu a ponta do nariz em contato com a sua pele, percorrendo aquela área lentamente e com os pelos da base do seu pescoço se arrepiando por inteiro. Em seguida sentiu seus lábios pressionarem a região e reprimiu um gemido que escaparia quando os mesmos foram substituído por sua língua, traçando um caminho de modo torturante antes que o goleiro retomasse a fala. O tom rouco e baixo era o bastante para que o seu ventre se contraisse em resposta.
— Sabe brincar com fogo?
— O que você acha de procurar uma resposta para isso? — falou baixinho, apertando a garrafa de vinho entre os seus dedos e deixando o gemido preso finalmente escapar por entre os seus lábios pintados de vermelho.
— Roman, você sabe onde deixei …
Os dois se afastaram rapidamente quando se deram conta de Daniel bem a frente. Ele cortou a sua frase pela metade e os encarou com uma sobrancelha arqueada, como se os questionasse sobre o que acabou presenciado acidentalmente quando apareceu. Não demorou muito até que um sorriso nada inocente surgisse e levantasse uma das mãos, impedindo-o de falar qualquer coisa.
— Você fica aqui e ajuda o a terminar com o jantar, enquanto eu levo um pouco de vinho para os outros.
— Ela já é a própria dona da casa — brincou e tossiu ao seu lado provavelmente disfarçando o riso que escaparia sem dificuldade.
preferiu ignorar o comentário quando deixou os dois para trás e caminhou em direção a sala de estar, repetindo para si mesma que precisava estabelecer uma distância mínima de segurança entre e ela para aquela noite, caso contrário, as coisas sairiam do controle.
Daniel havia sido um perfeito empata foda e ainda não sabia de aquilo havia sido algo bom ou ruim.




Continua...



Nota da autora: (08.06.2018)
Quem é vivo sempre aparece e com a falta de vergonha na cara para pedir desculpas pelo período enorme sem atualizar HAHAHAHAHAHA mas minha vida foi uma bagunça nesses últimos meses e acabei empurrando muita coisa com a barriga. Não posso prometer ser tão frequente e provavelmente vou demorar um longo tempo pra colocar a fic em dia aqui no site, mas prometo me esforçar. Esse ano tenho duas provas para a residência e é tipo o que eu mais quero para a minha vida. Espero que me perdoem e compreendam. Obrigada por tudo <3 Qualquer coisa, vocês encontram os links das minhas redes sociais nos links da página.




Qualquer erro nessa fanfic ou reclamações, somente no e-mail.


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