Última atualização: 28/01/2019
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Prologue

"A ira começa com a loucura e acaba com arrependimento."








As coisas sempre são assim, você acorda pela manhã, escova os dentes, toma banho e se arruma para sair, seja para o trabalho ou para faculdade. Nem todos os casos são nessa ordem ou nem todas as pessoas fazem isso todos os dias, mas a maioria delas sim. As rotinas e hábitos sempre nos cercam.

Hábitos são conexões que nosso cérebro faz para nos poupar tempo e nos dar habilidades. Hábitos somente são feitos quando estamos constantemente agindo da mesma forma ou fazendo uma coisa sempre.

É assim que alguns assassinos são formados. Você faz algo tantas vezes, mata tantas vezes ou simplesmente faz tantas coisas erradas, sejam elas roubar um pirulito do supermercado ou assaltar um banco, ao ponto de não se perceber que já tens um hábito formado, e é assim que nossas vidas se tornam mais perigosas.


Nós nunca sabemos os hábitos dos outros.



Isso tudo pode ser juntado e observado de longe, a espreita das vidas alheias, para que, no momento certo, descobrimos quem devemos denunciar e prender. Sendo assim, a forma que os detetives trabalham e, ainda, as agências secretas.

Mesmo que crimes estejam sendo recriados perfeitamente, como no passado, sem deixar uma sequer pista do culpado. Seria muita coincidência do destino, mas nada se comparava para aquela agência secreta, tudo que se precisava era achar o assassino, seja ele quem for.

Bem vindos ao jogo selvagem de sobrevivência.


1. Nothing Is Sweet

"As decisões são tomadas antes mesmo de serem proferidas. Você pensa nelas sem nem se dar conta e quando menos espera, está realizando-as. Isso pode se encaixar em um assassinato".





Sexta-feira, 14 de setembro de 2018, 05h40min AM.



Era mais uma das manhãs ensolaradas e quentes no Cairo, Egito. Como já se esperava, muitos turistas estavam passeando, afoitos para poderem ver cada parte daquele lugar, e quase desesperados pelas grandes e magníficas esfinges e seus hieróglifos. Tudo estava mais que normal, crianças e adultos, e, se você olhasse bem, poderia achar algumas cabeças brancas, simbolizando que idosos habitavam aquele mesmo ambiente. Era um verdadeiro âmbito familiar.

Até aquele momento.

Em um instante, sem aviso prévio, gritos foram ouvidos por todo segundo andar do grande The Nile Ritz, um renomado hotel local, e o cenário era digno de filme de terror. No quarto 306, existia sangue por todos os lugares, desde a entrada, até o grande vitral que dava para a varanda, onde normalmente encontrava-se uma piscina particular que continha uma água límpida e cristalina. Mas, no momento, estava em um tom vermelho tão vívido e entorpecente que chegava a hipnotizar. Pelo caminho eram perceptíveis as peças de roupas jogadas e, se notasse bem, rasgadas. Algumas joias caras estavam a se perderem no carpete. Aparentava ter sido uma briga inconciliável de casal que findou em atrocidade, se não fosse pelo horror instalado no centro do quarto, em cima da cama de casal.

Havia dois corpos, era perceptível. Nenhum ser humano normal teria quatro braços, com quatro mãos, contando no total com vinte dedos. Muito menos as quatro pernas e os dois inconfundíveis troncos, que pendiam em uma espécie de gancho que os unia à beirada da cama. Em sumo, pareceria um terrível acontecimento a sangue frio se não estivesse a se tornar um caso de psicopatia, identificada pelas duas cabeças presas ao lustre, de olhos abertos e bocas em espanto. O que somente deixava a situação ainda mais propícia para o real e perturbador fato: seus cérebros estavam juntos em cima da escrivaninha com um pequeno e singelo bilhete.

Todas aquelas imagens foram mais que suficiente para o pânico e desespero comunitário dos hóspedes serem audíveis por todo o prédio. Em questão de instantes, toda área tinha sido evacuada, deixando apenas os responsáveis por solucionar aquele acontecimento, que no caso, nem eles seriam capazes.

— Nós não podemos fazer nada por aqui. – O delegado bufa depois de averiguar toda aquela situação. — Entrem em contato com o CII, eles vão saber o que fazer. - O mesmo diz para um dos agentes ali, que sai apressado para atender a ordem.

Talvez o Cairo não seja mais um bom lugar para se passar férias.





Muitas pessoas acham que é dever de cada país prover a segurança de cada local responsável, individualmente. Porém, existem casos que estão muito além de meros entendimentos proventos de departamentos de segurança de determinados distritos. Ocorrem relatos que não são proferidos para a sociedade, estes burlam o sistema desses países.

Muitos dão os méritos a CIA ou o FBI, mas não sabem que os maiores crimes da humanidade só foram solucionados e absorvidos graças ao CII.

Três letras que fogem do conhecimento de muitos: C.I.I - Centro de Investigação Internacional.

Além de investigar, eles também têm poder de prender e matar. Dentro dessa agência estão os melhores detetives, investigadores, delegados, juízes, promotores, médicos, enfermeiros, atiradores, hackers e agentes secretos que a raça humana poderia vir a conhecer. No entanto, tudo é estritamente confidencial. “Essas pessoas poderiam ser caçadas e mortas, uma verdadeira perda para o patrimônio público humano". Era isso que o secretário geral de segurança dos Estados Unidos proferiu ao instituir essa unidade.

Sua localização é secreta, tão secreta, que creio eu, os próprios agentes se perderiam se saíssem de lá. Não obstante, muitos saem em suas missões e conseguem voltar. Esses são os privilegiados, os mais inteligentes dentre os inteligentes e hábeis.

Assim como uma comunidade, a CII é fundada em hierarquia.

Quanto mais tática e domínio você exercer sobre as situações que lhes são impostas, mais alto seu cargo.

Quando há agrupamentos de pessoas do mesmo nível são formados distritos, mas com um diferencial, quanto menor o número, menor sua posição.

Existia o Distrito 50, nele estavam os generais, representantes e fundadores da unidade. Eles eram os mais capacitados para qualquer situação.

E assim se seguiram os distritos e para cada acontecimento, um distrito era chamado para realizá-lo.

Havia algumas semanas que um fato diferente fez com que aquela agência fosse mais requisitada que antes. Devo dizer que somente quando Bin Laden estava vivo e estavam à sua procura que a CII ficou tão em alta.

Achavam-se, durante aquela semana, uma quantidade exorbitante de casos de virar o estômago do avesso. Mas nada se comparou a atrocidade do Cairo. Logo, o diretor geral do CII chamou o melhor agente que existia lá dentro.

, Distrito 49.


2. Unread Letters

“Se você ama alguém, deixe-o livre. Se ele não voltar, mate-o”.





— Ainda não sabem o nome do responsável pelo homicídio que ocorreu neste fim de semana no Cairo. Autoridades locais estão trabalhando para achar pistas e verificando nos registros do Hotel The Nile Ritz. – Dizia a repórter do jornal.

— Sim, Delyllah, e mesmo com os policiais no local, o pânico ainda é presente pelos arredores. Os proprietários do Hotel declararam que irão ficar fechados até tudo ser resolvido. – Elas comentavam sobre o ocorrido, o qual a garota, que tinha o controle remoto em mãos, tinha presenciado para investigação.

Mila estava esparramada em cima do grande sofá de cor bege, enquanto procurava algo na grande televisão que disponha a sua frente. Depois da última missão, tudo que ela queria era descansar, talvez até pudesse colocar em dia os episódios de suas séries favoritas, mas por um tipo de fixação, preferia ver o jornal e saber dos crimes que provavelmente seus colegas estavam resolvendo.

Havia uma semana que tinham voltado do Cairo para averiguar a situação, mas aquele crime, em questão, por mais que tivesse pistas que mostrasse alguns ‘erros’, não havia ficado nem fios de cabelos do culpado.

— Vocês acham mesmo que o criminoso vai voltar a se manifestar? — Uma das ancoras do jornal deixou a pergunta pairando no ar, fazendo Mila dar um longo suspiro e levar as mãos ao rosto.

— Eu espero que não. – Mila disse baixinho, somente para si. Não que ela não quisesse pegar o culpado, obvio que queria, mas sabia o quanto ele daria trabalho e tudo que ela mais aguardava era um banho de banheira e umas boas semanas de sono. Porém não demorou muito para ser chamada novamente.

— Mila! — Uma voz grossa masculina se faz presente fazendo com que a atenção de Mila se voltasse para a porta, onde seu fiel parceiro Jeon JungKook estava a chamando. — Estão chamando o Distrito 49, temos de ir à central da unidade imediatamente. – O rapaz finaliza deixando pairar sobre seus lábios um leve sorriso.

Não era muito comum chamarem o Distrito 49, isso ocorria apenas quando a situação não estava sendo controlada pelos outros setores, ou se o código vermelho fosse acionado. O que era o caso daquela situação em específico.

Na unidade havia seis Códigos:

O roxo, para situações como atentados contra o estado;

O azul, que era em específico para os Estados Unidos e se tratava de planejamentos e atentados contra a casa branca;

A laranja para quando um assassino altamente perigoso escapava da prisão;

O branco, para situações burocráticas, que no caso os advogados e juízes do CII eram convocados;

O código vermelho, este que se adéqua para situações como aquelas. Atrocidades que ninguém sabia ao certo quem estava às fazendo ou o porquê de fazerem;

E, por derradeiro, o código preto. O código preto resultaria em algo mais secreto, que apenas os fundadores da agência e somente seus representantes sabiam da sua existência e do por que.

Em um contexto geral, todas aquelas situações eram constantemente tratadas, para não ocorrerem por mais que fugisse do controle.

O que aquela agência não sabia era que os casos resultantes depois do Cairo puseram em jogo muito mais que simples códigos.

Mas isso, apenas Deus poderia responder, mas com toda certeza, nem ele mesmo irá querer faze-lo.









“Mesmo quando ela estava morta, ela ainda estava sendo mordaz comigo. Eu não pude fazê-la calar a boca.” - Edmund Kemper







Domingo, 27 de setembro de 2018, 08h40min PM.


O que você faria se estivesse no Havaí? Alguns prefeririam nadar, outros irem à cidade visitar pontos turísticos. Normalmente faziam-se isso, e não foi diferente naquele dia. Para todo lugar que olhasse alguém estaria se divertindo naquele verdadeiro paraíso terrestre. Será que era um paraíso mesmo? Tudo se esvaiu quando, naquele exato momento, chegou ao departamento de polícia local uma caixa. Ela estava ornamentada com laços cor de carmim e um pequeno bilhete.

Saudações!




Caso o senhor delegado esteja a ler está carta então é porque ainda não pode se deparar com meu pequeno e singelo presente. Espero que possa passar todo meu contentamento e agradecimento para com vocês. Gostaria de ter como enviar para o governante regente deste local tão encantador, mas como o senhor vem a fazer um trabalho excepcional no cumprimento de seu dever, pensei, por que não?!



Muitos querem dar algo em troca das maravilhas que recebem pelos outros. Mas o que seria comparado a um verdadeiro paraíso que é este lugar? Não poderia ser nada mais e nada menos que meu próprio coração. Mas, no entanto, se eu o fizesse não poderia desfrutar de tão incrível lugar.

Deixo aqui então para ti, um pequeno agrado que consegui advento de outros.

Obrigado por tudo! Que recebam mais disso também.



Acredito que seja um presente a altura do que merecem, não deixem de examinar bem o conteúdo, se tornou muito árduo consegui-lo, eis não é sempre que temos algo tão puro de uma criança todos os dias.



É com muito pesar que me despeço!

희망¹




Eram esses os dizeres que estavam naquele pequeno pedaço de papel.

À primeira vista, os policiais não poderiam estar mais agradecidos com tamanho amor e agrados alheios pelo local no qual protegiam, mas tudo se foi ao abrirem aquela caixa.

No mundo, existem pessoas que usam de metáforas e outras que as levam ao pé da letra.

Aquele não era um caso metafórico.

Devo dizer-lhes que nunca, em toda história do Havaí, foi recebido um coração de verdade como presente.

Mas para tudo há uma exceção!









“A verdadeira história de Romeu e Julieta não é sobre a morte dos dois. Na verdade, o foco não é aquele. O que aprendemos na verdade é a quem entregamos nossos corações. Podemos entregar o direito de viver á outros, de mãos beijada. Por isso é sempre bom não termos sentimentos, pelo menos podemos ter certeza que permaneceremos vivos.”



O som do par de saltos da única mulher do grupo era audível por todo o chão de granito branco, pelo grande corredor nas quais as paredes feitas de vidro deixava a ornamentação daquela instituição ainda mais elegante. Ninguém ousava dizer que havia um clima mórbido, mas sim de um feitio digno de reis e rainhas.

Ao passo que se aproximavam das grandes portas duplas que dariam para a sala dos representantes, era possível notar algumas pessoas dispersas, preocupadas com seus próprios casos ou surpresos de estarem no mesmo metro quadrado que a melhor equipe de todo o prédio, o Distrito 49.

Eles eram uma lenda ali dentro, especialmente a bela donzela de longas madeixas negras, mas nada disso os causava importuno. Pelo contrário, sentiam-se poderosos, como se mandassem ali, e de certa forma exercia.

Ao chegar à grande porta Yoongi se aproximou e deu duas singelas batidas com o dorso de sua mão direita, anunciando sua chegada. Enquanto aguardavam ser recebidos, a atenção de foi para uma pequena criança que acabara de ser recrutada para a organização, e não poderia deixar de se lembrar de si mesma, a final assim como , a vida dela jamais será a mesma.
Logo as portas foram abertas adentraram em passos lentos para dentro. Havia um grande e confortável sofá, em forma de L, na cor preta que estava disposta a frente de um grande televisor. As reuniões eram transmitidas, não era possível contato direto com os superiores. Eles se estabeleceram em um local ainda mais escondido que aquela.

— Agentes. Vocês estão estritamente proibidos de saírem deste caso. RESOLVAM! – Agente Handle diz, elevando sua voz na última parte. — Estão cientes dos riscos que isso pode acarretar.

apenas acena que sim com a cabeça, sem desviar seus olhos da transmissão. Já os demais estavam calados, mas seu silêncio era uma concordância, mesmo que nem todos concordem com certas atitudes, no fundo sabiam que situações como aquela não necessitava de calma. O clima não estava muito bom, eles sabiam que aquele caso era diferente dos outros. Mas não sabiam da grande vazão que estava tomando e isso os deixava amedrontados.

— Organização! – Agente Handle completa com voz firme.

Namjoon no fundo odiava isso, ele pensava que “se está na chuva, no mínimo, se molhe! Por que devemos estar em perigo sempre e eles não saem nem da toca?”

De certa forma ele estava certo, se defendiam a justiça, essa não era uma situação que deveria se encaixar nisso, mas ele não tinha direito a opinião.

— Todos do Distrito 49 devem estar envolvidos nisso! As ações que vêm ocorrendo sobre o Cairo estão se alastrando. Vocês já ligaram a TV ou viram os noticiários? – O chefe Junhyoung pergunta sério, vestido em um terno cinza com uma gravata preta. Seus cabelos brancos estavam bem alinhados para trás, dando-o um ar de austeridade. As mãos estavam unidas em cima da mesa prata.

— Sim, senhor! – Jungkook adiantou-se a responder. — Concordo que a situação é realmente séria, e nós já fomos ao Cairo averiguar, mas nem mesmo uma pluma foi achada. Quem ousou fazer isso teve o cuidado de não deixar nada. — Ele completa claramente frustrado, deixando sua língua brincar na carne de dentro da boca, onde fica sua bochecha.

— Então se preparem, pois teve um novo Homicídio no Havaí! — Ele completa finalizando a transmissão, deixando quatro agentes frustrados e atordoados, mas eles jamais desistiriam, nunca desistiram de nada, agora não seria a hora para isso, pelo menos esperava que saíssem vivos disso, todos tinham fé nisso.

¹희망 Na língua coreana significa Esperança.


3. Beautiful Tragedy

Sábado, 26 de setembro de 2018, 07h00min AM.

Eram sete horas de uma manhã ensolarada, manhã esta que se tornava ainda mais especial para o pequeno Ryan de apenas doze anos de idade.

Toda criança sonha em passa o dia todo em um parque de diversões, comer doces até não aguentar mais ou simplesmente passar o dia jogando algum jogo do qual goste muito. Mas para tudo há exceções, e Ryan era a nossa.

Ele sempre fora apaixonado por animais aquáticos, pelo menos desde que se recorde. Ele mesmo dizia que havia nascido para trabalhar com a espécie, tanto que atazanou seus pais durante um ano inteiro para irem até o Havaí apena para poder ver seus tão amados bichinhos, especialmente os golfinhos. Tirava seu fôlego só de vê-los pela televisão ou algum vídeo na internet, quanto mais poder tê-los a suas vistas.

Aquelas sete horas da manhã nunca tinham sido tão especiais, finalmente ele veria seus golfinhos. Já havia tomado banho e estava arrumado desde as 05h00min AM. Estava pronto para desbravar as águas do Havaí, aquele paraíso.

Ryan e seus pais saíram e foram em direção ao cais para adentrarem na lancha que os levaria para mais perto do que Ryan tanto almejava. Ele já estava posicionado à beira do mastro que separava ele do mar, a alegria que sentia não cabia no peito, ele jamais sonhara que aquele momento chegaria. Quando menos esperava, foi visto os saltos de dentro para fora do mar e Ryan logo soube que seus amados amigos estavam ali, por isso o mesmo correu até a barra da saia de sua mãe e afoito gritou “MAMÃE!! Eles vieram mamãe. Eles vieram!!!!”.

Ele sorria de orelha a orelha, nunca seus pais o viram em uma animação tamanha como aquela. Chegava a beirar a bizarrice, eis que o mesmo jamais agiu de tal maneira. Mas logo seus pais entraram na animação do menor e todos ficaram a contemplar os animais a sua frente.

— Eles pulam alto, não é, mamãe?! – O mesmo disse feliz ao sair da lancha, por volta das 15h50min da tarde. Haviam passado a manhã inteira e um pouco da tarde na lancha.

— Sim, meu amor, e eles eram muitos, não é mesmo? – Sua mãe instigava a conversa, pois seu pequeno estava a ficar mais animado e com os olhos brilhando.

— Como eles pulavam filho? – Seu pai se meteu na conversa, arrancando pulos e gargalhadas do mais novo.

— Assim, papai! – Ryan começou a pular e rir. Tudo estava beirando mais que o perfeito e todos foram em direção a uma pequena barraquinha de sorvete, pois como o pai de Ryan disse “o que é um dia perfeito sem sorvete?”. Quando chegaram a barraca, seus pais o pediram para que aguardasse no banco ali perto, eles queriam comprar um presente para Ryan numa lojinha próxima.

Era um pequeno golfinho de pelúcia, um presente para que ele pudesse recordar desse momento mágico por toda sua vida. E assim foram e o pequeno Ryan ficou sentado, balançando seus pés enquanto olhava o mar a sua frente, ainda sorrindo ao se lembrar de seus amigos anfíbios que estava a pouco com ele.

O pequeno Ryan estava tão absorto em pensamentos que nem chegou a sentir a presença do seu lado, no qual ele depois não conseguia se recordar qual era. E muito menos deu tempo de decorá-la, pois o mesmo passou um pano no seu rosto o fazendo desmaiar.

Nesse momento, me recordo de uma frase que minha avó sempre me dizia quando era pequena: “Há duas coisas que jamais devemos fazer: deixar uma criança sozinha e ficar desatentos. Nunca saberemos o que pode nos ocorrer. As pessoas são más, minha neta, Más e imundas, elas não têm amor pelos outros, mas elas têm prazer no seu sofrimento.” Agora eu entendo plenamente o que minha avó quis dizer, e posso ver que as duas advertências que ela havia me dado foram praticadas neste caso.

Pobre Ryan!

O céu do Havaí tinha mudado de um tom límpido e claro, para uma escuridão estranha. Talvez esteja retratando o que ocorria ou com possuía algum tipo de conexão com Ryan. As pessoas dizem que quando você está muito feliz, você entra em equilíbrio com o local que está, e qualquer mudança de situação pode afetar o ambiente também. Talvez isso explique aquele caso, mas muita coisa será preciso para explicar o que estava acontecendo e ainda mais esforço para ajudar Ryan a achar um raciocínio, já que seus pensamentos beiravam ao desespero.

Ele não se lembrava de muito, mas já tinha aquele galpão decorado na mente de tantas vezes que o olhava. Nunca estivera ali antes, e muito menos queria ter ido antes e nem continuar ali. Era frio, escuro e úmido. Tinham algumas lâmpadas incandescentes, nem todas estavam funcionando. Tinha peças de metal, correntes e facas pelo chão. Alguns cacos de vidros que presumiu serem de garrafas de bebidas quebradas. Havia ratos e baratas passeando vez ou outra perto de seus pés. Aquilo o estava martirizando e tudo que ele queria, naquele momento, seriam seus pais.

— Mamãe? – Ele começou a choramingar. Seus braços estavam amarrados à cadeira que estava posto. Ele só queria correr para os braços de sua mãe, onde sabia que era seguro e quentinho. Mas nada disso seria capaz de ajudar ele a não ter o maior arrependimento de sua vida. Ele havia falado, e, bem,… ele não estava sozinho. E Ryan saberia disso agora.

— Sabe, menino, eu gosto de crianças. Mas eu odeio as choronas, you know that? – Uma voz grossa e grave atingiu os ouvidos do menor, o fazendo estremecer na cadeira. O medo foi tanto que ele fechou seus olhos instintivamente, para que, de alguma forma que nem ele mesmo acreditava ser possível, o salvar dali.

— Eu quero minha mãe! Você não é a minha mãe. – Ryan, em um último fio de coragem, resolver se pronunciar. Sua mãe sempre o ensinou a ser corajoso e aquela era hora, não?! O riso sarcástico e divertido do homem ecoou o local.

— Você me faz rir, garoto. Sua mãe não vem te salvar. Eu acho melhor você começar a rezar, porque só Deus pode te ajudar agora. – O homem sai do canto escuro em que estava e vai andando lentamente até o pequeno garoto, pegando no seu queixo e o levantando para que Ryan pudesse o ver melhor. Mas os olhos de Ryan estavam fechados. No entanto, isso não tirou o divertimento do rapaz, ele pode sentir o tremor do jovem garoto a sua frente.

— Vamos garotinho bobo, abra os olhos. É bom ter uma última visão antes de morrer, mesmo que essa visão seja do seu assassino. — A voz do rapaz estava baixa e aveludada, fazendo com que Ryan pudesse reparar no seu sotaque. Ele não era americano, muito menos nativos daquele local. Isso de alguma forma fez Ryan abrir seus olhos, de forma bem lenta. No começo, sua visão estava um tanto embaçada, mas logo os traços daquele homem foram ficando nítidos a sua frente.

— Muito bem, menininho. Vamos brincar! – O homem, que agora Ryan julgava alto e forte, seus cabelos estava embaixo de um capuz preto. Sua pele era branca como folha de papel, seus olhos eram negros. Isso ele poderia ter certeza, mas não conseguia ver muito por causa do capuz.

— Como assim brincar? – Ryan tinha sido estapeado por aquelas palavras, de uma forma meio retardada, mas sua consciência absorveu aquelas palavras e agora a estava passando por todos os cantos de sua mente. Logo, o rapaz mostrou o que seria uma visão medonha e bela ao mesmo tempo. Ele sorriu. Um sorriso maquiavélico e de prazer. Aquilo não estava bem, nada bem.

Antes que Ryan pudesse prever, foi arrebatado por uma sensação de dor, fazendo-o soltar um grito agudo, enquanto o homem sorria e tinha os olhos em um brilho intenso, com a cena a sua frente. Ryan olhou em direção onde apontava vir a dor e viu seu braço com um corte profundo, inundando aquele galpão com a cor carmesim de seu sangue vívido e pulsante, deixando o pequeno garoto ainda mais desesperado.

— Vamos ver se você é tão forte quanto parece, garoto. – O homem pega a cadeira do garoto e sai arrastando até uma mesa de metal, corta as amarras do garoto e o puxa pelo braço, onde houve o ferimento, fazendo a criança gritar com a dor. — Grite muito, pequeno. Soa como música para meus ouvidos.

— O que você vai fazer? – O garotinho esperneava, o horror era claro em sua feição.

— It’s a game of survival. – O rapaz então pega um objeto que no momento Ryan não reconheceu. O mais velho praticamente jogou o menor em cima da mesa de metal que estava um pouco reclusa ao espaço. Nas quinas, tinham algumas amarras de ferro, as quais o homem prendeu os pés e mãos do garoto. - Tente sobreviver, garotinho, porque será quase impossível.

Aquelas palavras finais fizeram até a medula do garoto se arrepiar, a saliva dele parecia que tinha prego, porque era exatamente o que sentia quando engolia. Ele suava frio e tudo ficou pior quando o homem começou a despir o garoto. Cada peça tirada parecia que estava iniciando a sentença de morte de Ryan.

— Eu faço o que você quiser moço, eu só quero minha mãe. – Ryan chorava e orava, pedindo que aquele homem recobrasse a sua sanidade e pensasse sobre tirar vida daquele pobre menino. — Eu juro que faço moço. Mas, por favor, não faça isso.

— Não gosto de falatórios ou choramingo. Já estou perdendo minha paciência com você, garoto. – O mesmo responde, passando a mesma faca, a qual antes utilizada para cortar o menino, pela mesa de metal, fazendo soar um som agudo e estridente.

— Você é bonito, garotinho – Diz passando a ponta da faca pela mesa, o rapaz vai caminhando em direção ao tronco do garoto e para rente ao seu pescoço.

— Mas ficaria mais bonito sem essa sua pele, não acha?

Os olhos do menino praticamente pularam das órbitas. Ele começou a se contorcer e gritar, gritar bem alto.

— MÃEEEEEEEE!!! ALGUÉM ME AJUDA.

Aquele comportamento só fazia o autor dos atos da tortura mais feliz.

— Hmmm… por onde devo começar? – Ele diz e pega o braço já cortando do garotinho e começa a puxar a pele. Cada pele puxada fazia mais sangue saia, enquanto Ryan chorava e gritava tanto que o mesmo nem sabia mais o que estava acontecendo. A dor o pegou, o anestesiando, assim, da realidade a sua volta.

— Você deveria gritar mais, menino. Quem sabe sua mãe não apareça para se despedir do seu filho. – O homem diz, sentindo prazer com o que fazia.










“Não pude impedir o fato de ser um assassino, não mais que um poeta consegue impedir a inspiração para cantar. Nasci com o mal sendo meu patrocinador ao lado da cama onde fui ‘cuspido’ para dentro do mundo, e ele tem estado comigo desde então”. - H. H. Holmes.





Existem muitas pessoas sábias nas nossas vidas, uma das quais eu sempre tenho comigo os conselhos e pensamentos são os de minha avó. Ela sempre me fez querer ver que a vida era muito mais do que os filmes da Disney queriam passar, muito mais do que a sociedade preconceituosa e machista queria que eu fosse. Talvez ela fosse avançada demais para seu tempo, mas diante do que passei e venho vendo, ela não poderia estar mais certa sobre seus palpites. Ela conseguia ver a essência das pessoas sem ao menos saber seu histórico.

Lembro-me que, em um dos finais de tarde que passava em sua casa nos finais de semana que me cabiam, estávamos eu e vovó na sacada do seu quarto. Estávamos a observar o cair do dia, foi quando ela me disse uma das maiores regras de vida que eu levo todos os dias comigo.

“O mau das pessoas não são as coisas que elas falam e fazem abertamente, a vista de todos, debaixo dos falatórios dos julgadores e desocupados. O mau do ser humano é aquilo que ele tem dentro de si. Nós nunca sabemos o que o outro está pensando ou planejando. Muito menos os seus desejos com relação às pessoas a sua volta e os desejos que ele carrega; que o faz ser livre, feliz e esperançoso. As pessoas são más. Más e gananciosas, sempre visando somente seus interesses, não importa o que elas tenham que fazer para alcançá-los. Nunca devemos confiar em alguém, pois, assim, jamais seremos capazes de cair. A primeira vista, eles irão te derrubar. Eu apenas espero que você continue viva e segura, neste mundo cruel”.

O que vovó não sabia era que muitas pessoas faziam mal a si mesmas. Quem sabe você não seja uma dessas pessoas, que atentam contra a própria vida, que imaginam que a qualquer oportunidade de pôr fim a ela, iria o fazer sem pestanejar. Você pensaria isso mesmo se a situação ocorresse? Teria coragem?

Bom, só posso dizer que o pequeno Ryan prezava os momentos e pessoas que o faziam ser quem era. Ele não tinha uma vida perfeita, os pais brigavam; ele tirava notas baixas algumas vezes; não tinha amigos. Mas ele sabia que a vida era muito maior que isso e que havia muito a ser feito, muito a ser descoberto. Infelizmente, ele morreu cedo, cedo demais para saber o verdadeiro sentido de viver, morreu cedo demais para ter noção do quanto à vida pode ser bonita e espetacular se você souber apreciar do ângulo certo. Ele foi a pessoa mais feliz e realizada daquela ilha, e a mais triste e que sofreu mais, e tudo no mesmo dia e em questão de minutos. Porém, o que me deixa mais espantada é a forma que se veio a ocorrer sua morte.

Depois de esfolá-lo, o homem que o pequeno Ryan julgou ser o demônio em pessoa, o esquartejou, tirou seus órgãos e embalou em uma caixa com fitas e adereços o pequeno coração do menor e o enviou para a polícia local.

Depois de analisar toda situação, você ainda desejaria estar no lugar de Ryan?


4. Zero

“A vida nada mais é que uma preparação para a morte”.



Muitos talvez ousem afirmar as imagens que carregam em suas mentes. Cada um de nós esconde de todos e até de nós mesmos certas lembranças e sentimentos sobre toda nossa vida. Recordo-me agora de uma aula que tive na faculdade sobre saúde mental, particularmente, eu odiava aquela cadeira. Afinal, todo médico ou enfermeiro que se preze cuida do físico e não da mente. Eu pensava dessa forma antes de fazer a disciplina, hoje eu vejo como esse pensamento era podre.

Nesta cadeira, estudamos algo que era denominado ‘Janela de Johari’, o qual fala, basicamente, que todos nós temos quatro “eus”. O eu desconhecido, aquele que você não se apercebe sobre si mesmo, nem as vistas dos de fora. O eu aberto, que se trata do que você sabe sobre si e os outros a sua volta também. O eu cego que você não o conhece, mas os outros sim. E por derradeiro, o eu oculto.

Acredito que este seja o que se encaixa no que comecei a dizer. O eu oculto é aquele que ninguém sabe o que você é, a razão das suas ações, as suas feridas, suas marcas, o que você causou a outros e muito menos, o que você é capaz de fazer.

Gosto muito de citar minha avó e nossas conversas, pois tínhamos uma ligação muito forte e aprendi muito com ela.

Lembro-me de odiar as tempestades desde muito pequena, elas causavam muita destruição de acordo com sua proporção, sendo capazes de tirar as pessoas que amamos. Em uma dessas noites, me levantei da cama e fui indo até a sala, sabia que vovó estaria lá, como sempre. Sentada em sua cadeira de balanço e com uma xícara de chá em suas mãos, a observar as gotas de chuva bater no vidro transparente que tinha na grande sala de estar. Ela costumava me dizer em noites assim nada que vem da natureza é ruim, mas tudo que vem dos homens são. No entanto, vovó odiava as madrugadas.

“Não tenho muitos medos minha neta, mas há algo que guardo comigo, por toda a vida, como se estivesse em um baú secreto na minha mente. E eu faço questão que você as guarde também, não deixe que ninguém saiba disso. As madrugadas são terríveis, nessa hora os demônios se libertam e andam entre nós. Além disso, as notícias ruins costumam vir a essa hora.”

Eu nunca havia entendido muito os pensamentos de vovó, até porque nunca tinha precisado pôr em prática seus conselhos. Mas eu jamais seria capaz de confirmar o quanto ela estava certa. Eu só queria ter sido capaz de ter me dado conta disso antes.

Talvez todos nós estivéssemos vivos.








Segunda, 28 de setembro de 2018, 08h45min AM.

A equipe do CII já estava aposta na entrada da delegacia. Nem todas estavam ali, Jungkook, que estava dentro do carro ainda pegando todas as suas armas, Yoongi havia sumido sem dizer sua direção. Apenas e Namjoon estavam na entrada. A primeira vista, de fora da delegacia, tudo parecia tranquilo e normal, sem nada de extraordinário que fosse tirar o sossego de uma delegacia do litoral.

— Nem parece que esfolaram e decapitaram uma criança, com seu coração enviado para a delegacia em uma caixa de presentes com um bilhete fofo. – Yoongi aparece do além, se deliciando com um sorvete de chocolate. — Quer? – Ele oferece a Namjoon, que rejeita, dando um meio sorriso.

— Então, vamos começar? – Jungkook se pronuncia ao chegar perto dos demais, ajeitando sua roupa a fim de que suas armas não sejam vistas facilmente.

— Graças a deus, mano. Eu achei que tinha voltado para a base pegar sua sala de armas toda. Misericórdia parece que começou uma guerra. – diz com um tom divertido para Jungkook, este que deixa um pequeno sorriso brotar em seus lábios pelo comentário.

— É sempre bom estarmos prontos. Vai que eles querem controlar o mundo. Não esqueça que Hitler começou com pouco para então conquistar a Alemanha toda. – Jungkook responde, sendo zombeteiro com a colega de trabalho.

— A gente só vai saber a resposta disso quando entrar e investigar, não acha? – Namjoon diz claramente impaciente.

— Monie está certo, vamos? – Yoongi falou já indo em direção a porta, seguida pelos demais.

Assim que os quatro passaram aquelas portas duplas amarelas, se deram conta do caos que aquela delegacia se encontrava. Policiais andavam de um lado para o outro, apreensivos e com seus semblantes amedrontados. O que era de se esperar, principalmente para o Distrito 49 que já estavam acostumadas a vivenciar esses acontecimentos e reações.

— Graças a deus! Vocês chegaram – Foi ouvido pelos agentes do CII, e logo viram um rapaz alto de cabelos pretos e um sorriso amigável. — Prazer em conhecer vocês, me chamo Kim SeokJin e sou o delegado do departamento. — Jin se sentia mais tranquilo tendo os Agentes consigo. O CII era conhecido entre as autoridades da lei por resolver o que não tinha solução, mas isso não fazia deles deuses e deusas na terra, no entanto, era dessa forma que os viam.

— O que exatamente aconteceu aqui? – se pronuncia, chegando mais perto do delegado com um singelo sorriso.

— Bom além do que vocês já sabem? Não muita coisa. — Concluiu o delegado virando as costas e caminhando para dentro da delegacia, em direção a uma porta de vidro com os dizeres 'Investigações', fazendo os demais o seguirem. — Procuramos em todos os locais, checamos as câmeras de vídeo, mas todos os registros foram apagados. Suspeitamos que o criminoso tenha algum acesso ao nosso sistema ou... — Ele faz uma pausa enquanto pega uma pasta de cor bege e a coloca em cima da mesa. — Ou ele não esta sozinho. — Sua voz era serena, por mais que a situação não fosse das melhores. SeokJin era conhecido por todos por conseguir manter a calma em momentos desesperadores, esta foi a maior razão na qual se tornou delegado.
— Isso já previa. — Yoongi diz se sentando na ponta da mesa enquanto pegava a pasta em cima da mesa. — Mas nossas suspeitas é que ele tenha acesso, acredito que se ele estivesse com outra pessoa nisso, eles teriam deixado alguma pista. — Conclui tirando sua atenção dos papéis e olhando para seus companheiros.
- Sem contar que ele está ficando profissional. – começa, enquanto se ajeita na cadeira. – O primeiro crime, no Cairo, os cortes foram brutos. Ele não foi delicado, parecia mais um açougueiro cortando os animais que abateu para vender. Mas o crime com o menino, ele foi minucioso. Teve calma, sem pressa, tentando a perfeição. – pegou os papéis onde cotiam a necropsia e abriu nas fotos. – Cortes limpos e sem luxações. Sem contar que suas pistas estão enigmáticas.
- Verdade. – Jungkook abre sua bolsa e tira de la um saco plástico transparente. – No Cairo ele escreveu “blind stick”¹ e pouco tempo depois matou a criança.
- Ele quer nos fazer de gato e rato. – Namjoon cruza seus braços e bufa irritado.
— Licença senhores? — Uma voz grave foi ouvida em direção à porta, revelando um agente que logo abre a mesma e adentra a sala, carregando alguns papéis. — Me chamo Park Jimin, sou a legista da delegacia. — Ele se apresenta e logo se encaminha para uma cadeira vazia. — Não pude deixar de ouvir a conversa de vocês e por mais que eu seja apenas o legista, tomei a liberdade de procurar nos arquivos sobre esta situação, e os assassinatos, até agora, se parecem com um caso que ocorreu há 10 anos. — Jimin coloca sobre a mesa os papéis que tinha consigo. — O caso Zero.

¹ blind stick foi como ficou conhecida a tática de guerra de Adolfe Hitler. Na qual consistia em atacar seus inimigos em pouco tempo de intervalo, para que não pudessem reagir.


5. Welcome to hell

“A melhor parte de planejar um assassinato não é a forma que vai ser feito muito menos as circunstâncias que pode ser ocasionado. A melhor parte é imaginar seus corpos sendo decapitados, suas vozes pedindo por socorro e seus olhos implorando por esperança. Só de pensar dá certa excitação sexual.”





Ultimamente venho a me recordar bastante das conversas que tinha com vovó. Em uma das madrugadas em que eu não conseguia dormir com a imensa tempestade que acontecia do outro lado da minha janela translúcida, a qual era apenas coberta por uma fina cortina bege, esta que vovó insistia em deixá-la, pois dizia que eu deveria começar a observar o que me amedronta para assim poder seguir em frente, lembro-me de levantar e encontrá-la sentada no banco de seu piano de cor caramelo. Vovó não era de tocar muito, mas eu adorava quando a via fazê-lo, ainda mais quando ela já tinha trazido consigo uma xícara de chá e um singelo pedaço da sua maravilhosa torta de morango.

Naquela mesma noite, vovó me ensinou uma lição muito importante!

Depois de me sentar ao seu lado, na sua cadeira de balanço, reparei que a tempestade começou a se esvair, logo, supus que finalmente conseguiria dormir. Por isso, dei um beijo na bochecha de vovó, agradeci pela torta e corri afoita para meu quarto. No entanto, ao fechar a porta do meu quarto, o dobro da tempestade anterior veio, com relâmpagos e trovões mais potentes e arrebatadores, o que me fez voltar às pressas para onde vovó estava, e foi aí que ela disse algo que eu sempre penso quando as coisas parecem estar bem.

“O mundo pode revirar-se ao avesso, mas quando algo está parecendo ir muito bem, acautele-se! Nada bom dura para sempre”.










Segunda, 28 de setembro de 2018, 11h00min PM. Departamento de policia do Havaí.




Era quase madrugada, naquele dia na delegacia havia apenas alguns policiais fazendo a vigilância ao redor. Em seu interior todos os cômodos estavam vazios e não ser por uma sala, na qual estava entre aberta, iluminando um pouco o corredor.
Dong-sun estava organizando os arquivos para que os agentes do CII começassem a investigar o caso. Todo o dossiê sobre o caso Zero se encontrava em uma pasta de cor preta em cima da mesa redonda de madeira.
A luz da sala começou a falhar, no entanto Dong-sun achou que poderia ser uma pequena queda de energia, caso algo acontecesse, deixaria para resolver a luz do dia. Voltou sua atenção para a pilha de papéis a sua frente, tentando organizar tudo e então ir embora, quando a luz findou a acabar, desligando o computador que estava ligado para orientar em suas pesquisas.
— Mais que droga! — O policial afirma irritado com a situação, mas logo para sentindo uma presença atrás de si, bem perto do seu ouvido. Poderia sentir a respiração no seu pescoço.
— Vamos brincar policial. — A voz rouca falou-lhe no ouvido, fazendo Dong-sun fechar os olhos demonstrando medo, sentindo somente uma grande pancada em sua cabeça.

Dor, era isso que o policial Dong-sun sentia ao acordar, sabia que estava deitado em uma mesa de metal, na qual a perícia usara para analisar os corpos, e uma luz florescente incomodava seus olhos. Tudo girava, ele ainda não conseguia enxergar muito, por mais que se esforçasse para isso. Sentia como se tivesse levado uma surra e das boas.
— Parece que você acordou. — Uma voz grossa soou pela sala, lhe causando pavor. — Sabe que o maior sonho de um assassino é conseguir torturar e matar um policial? E olha que engraçado... — Ele fez uma pausa pegando algo que o policial ainda não conseguiu desvendar, já que sua atenção estava voltada para tentar enxergar aquele que estava em sua frente. — Somente duas pessoas conseguiram isso até agora, o que vocês intitularam de caso zero, e vejamos... Eu também. — Logo a sombra escura que Dong-sun estava vendo começou a ficar nítido, cores e formas ficaram mais reconhecíveis.
— O que... — Dong-Sun começou a falar mais logo parou ao sentir algo afiado entralhe o corpo, mais especificamente no abdômen, ao qual o fez gritar de dor.
— Shhhh, vai passar. — O homem de voz grossa dizia-lhe ao acaricias seus cabelos pretos e lisos. — Já você estará morto, e eu poderei espalhar seus pedaços por ai. — Ele completa se aproximando do policial dando um pequeno selar nos lábios do rapaz que estava cada vez mais perdendo sangue.
Com a aproximação tudo que Dong-Sun viu antes de cair no sono profundo da sua morte foi o rosto do assassino. — Você?


Talvez vovó estivesse certa, tudo que é bom, dura pouco.


6. Begin

"A maior diferença entre assassinos e cidadãos comuns, na verdade é bem pequena. Todos nós somos capazes de cometer atrocidades, mas o que nos separa de seres que se fazem repugnantes a esse ponto seria a nossa motivação. Por isso, cuidado com o que deseja!"

Havaí, 29 de setembro de 2018, 06h40min AM.

Agentes da justiça sempre tiveram seus exemplos para seguirem à carreira que escolheram, sejam juízes, advogados, mestres ou grandes nomes do ramo. Mas o que poucos sabem é que algumas agências usam da metodologia reversa.

Os criminosos são usados para que cada um os tenha como exemplo, para que não deixem que ocorra de novo. 'Erros só precisam ser cometidos uma única vez para que possamos ter em nossas mentes e não os permitir novamente. ' O comandante Jordan, instrutor dos recém-formados do CII usava dessa analogia em todos os seus discursos.

Desde o princípio do curso para agente secreto, todos são instruídos a escolher um assassino para usar como exemplo. Alguns professores até usavam como estudo de casos para que seus alunos estendessem melhor quais razões fizeram os assassinos sentenciados estarem onde estão hoje.

Mas por toda a CII o caso zero remoía o estômago de todos em excitação, incluindo os agentes do distrito 49 e mais especificamente , que usou quando lhe foi perguntado qual iria ter em mente para analisar.

Ao saberem que estariam vivenciando uma recriação daquilo que tanto os cativava, pela complexidade amanheceram com um ânimo um tanto quanto amostra. O percurso até o departamento de policia discutira sobre como começariam a organizar uma tática para achar o culpado, já que sobre o caso Ryan não conseguiram juntar muitas pistas, apenas que os pais decidiram sair e comprar um golfinho de pelúcia para o filho, mas ao voltarem ele não estava mais no local.

— Eu espero mesmo que esse caso Zero nos ajude. — fala ao entrar no carro.

, qual é? — Jungkook diz impaciente. — É o caso Zero. Caso Zero lembra? Qualquer uma da CII ou de qualquer outro lugar daria a vida por aquele caso. Sem contar que nosso amigo está querendo reviver o passado. — Jungkook relembra, fazendo todos ficarem tensos. Sabiam da gravidade de tudo, mas lembrar do caso que iriam reabrir mexia e revirava com seus estômagos.

— Mais que diabos... — Namjoon solta ao ver, enquanto estaciona o tumulto de gente entrando e saindo da delegacia. Poderia se identificar legistas, policias e uma grande fita amarela com os dizeres 'não se aproximem' em volta de toda a delegacia.

— Parece que não fomos chamados para a festa. — Yoongi comenta enquanto, depois de sair do automóvel, caminhou em passos lentos até SeokJin que já os esperava na entrada.

— Quem dera fosse uma festa, eu estaria muito feliz. — SeokJin pronuncia ao acender um cigarro e o levar a boca.

— Não me diga que nosso amiguinho veio nos visitar? — Diz Yoongi ao se aproximar do delegado SeokJin.

— Isso é carma, eu com toda certeza devo ter mijado no santo grau! — SeokJin despeja suas palavras com uma certa afobação fazendo os outros que estavam junto a si segurarem a risada. — Podem rir de mim, eu estou até o pescoço nessa merda. — Ele diz depois de dar um longo suspiro. — Já não bastava eu ter acompanhado de perto o caso zero, agora uma criatura quer se passar de fodona e recriar tudo e sendo ainda mais audacioso. — Ele termina passando a mão pelos cabelos e entrando na delegacia, deixando quatro agentes do CII muito preocupados.

— Espere ai Jin! — sai em disparada seguindo o delegado para dentro da delegacia, mas se arrepende no momento em que cruza a entrada. Havia sangue por todos os lados, pegadas que iam até, onde a detetive pode ver, o corredor. Marcas de mãos por todas as portas de vidro e em cima do balcão do Hall uma linda cesta de piquenique.

— Quando eu disse que o nosso amigo tinha vindo eu não esperava que ele viesse para um lanche. — Yoongi brinca, com seu humor ácido, mostrando totalmente o seu desgosto pela cena que estava vendo.

— Parece que ele veio lanchar e aproveitou para jantar. — Park Jimin diz abrindo a cesta e verificando mais uma vez seu conteúdo. — Eu acredito que ou ele esteja amando brincar com nossa cara, ou ele não tem nenhum medo de nós. — Park constata depois de um longo suspiro.

— Vamos à sala de reuniões. — SeokJin se aproxima da cesta colocando suas luvas brancas, a pegando logo em seguida e parando de frente para os detetives. — Vamos? — Ele termina sem nem esperar a resposta, já se dirigindo a sala de reuniões, fazendo os demais o seguirem sem protestos.

— SeokJin, aqui está a papelada. — Um policial alto adentra a sala de paredes amarelas entregando uma pasta amarela que agora está machada de sangue.

— No CII já estudamos sobre o caso Zero. — Namjoon começa olhando para Jimin que até agora estava parado olhando para a cesta a sua frente.

— Ótimo! Então vocês já sabem do que trata e que essa merda já completou 10 anos, que ele matou mais de 40 pessoas e que está em uma contenção máxima. Em um andar só dele, e mesmo assim ele continua aprontando dentro daquele lugar. — O delegado se vira até uma mesinha que tinha em cima uma garrafa de café e alguns copos, logo enchendo um com café e tomando.

— O que ele disse na carta de hoje? — relembra-se das xaradas e tirando a atenção de Jimin da cesta para ela.

— Veja você mesma. — Park diz singelamente, mas todos sentiram o pesar no ar com suas palavras. se dirige até a cesta calçando uma das luvas que possuía consigo, e assim que termina trata de abrir a cesta se repreendendo em seguida pelo que viu.

O conteúdo daquela cesta era o mais horrendo possível. As pessoas dizem que os olhos são as janelas da alma, com isso podemos ter certeza que o policial Dong-Sun estava em choque, pois suas duas orbes estavam dispostas dentro da cesta e abaixo dela tinha um smile¹, com o que poderá constar, seu sangue. No canto direito estava um pequeno envelope branco esse que pegou sem demora, o abrindo em seguida.

Saudações!

Como estão meus policiais favoritos? Eu soube que o policial Dong-Sun estava com alguns problemas de visão e fui ajuda-lo, espero que tudo esteja bem agora.

Antes de ir deixo com todos vocês um seguinte aviso: 'A suprema arte da guerra é derrotar o inimigo sem lutar. '





— O que ele... — fica pensando nas palavras que acabara de ler.

— É por isso agente ... — SeokJin começa a falar observando os agentes do CII olharem a cesta e alguns averiguando a carta. — Vamos até a central de prisão máxima dos Estados Unidos da América, precisamos conversar com o caso Zero. — Ele finaliza olhando com um misto de dor e medo em seus olhos.

— Precisamos nos organizar já, pois embarcamos hoje para lá. — Jimin se encosta-se à grande mesa de reuniões e cruza seus braços sobe o peito. — Vocês vão conhecer o que chamamos por caso Zero.


¹Smile, o sorriso que forma este emoji muito conhecido na internet :).


7. The Murder

"Quem luta com monstros deve velar porque, ao fazê-lo, não se transforme também em monstro. E se tu olhares, durante muito tempo, para um abismo, o abismo também olha para dentro de ti." - Friedrich Nietzsche.

Uma coisa que sempre gostei de fazer foi apreciar a pureza das crianças, elas sempre veem as coisas por uma forma que poucas vezes a fazemos.
Se puxar por sua memória uma criança nunca, ou raramente, protegeu algo ou alguém por algum mal que tenha causado a outros. Elas são curiosas e não deixam que seus medos às vençam. Elas aproveitam a vida como podem, usufruindo de todos os frutos que podem colher.
Mas nós adultos somos arrancados de tudo isso, como se por alguma razão a nossa esperança e amor, a nossa alegria fosse tirada do nosso peito sem aviso prévio e sem um único fio de compaixão. Mas tudo isso volta quando se trata da vida de alguém que amamos, ou sobre a morte de uma dessas.
Os humanos deveriam dar mais valor ao que tem antes de ser lhes tirado. Assim talvez aprendêssemos que a dor do aprendizado é bem menor que a da perca.


Unidade de contenção máxima, Colorado Estados Unidos da América. 31 de setembro de 2018, 08h30min AM.
Há muitas coisas nas quais não podemos prever qual reação se resultará, uma delas é a morte. Uma palavra de cinco letras, mas que causa um impacto que nunca poderemos supor a sua imensidão.
Cada indivíduo tem a sua própria forma de lidar com o óbito, alguns choram e já outros acreditam que suas vidas jamais serão as mesmas sem a pessoa que tanto amavam. E existe aquela porcentagem, devo salientar que pequena, no qual surpreendentemente não se abala.
Enquanto o delegado SeokJin dirigia o mais rápido que podia, o furgão que estavam todos dentro, em direção a o que muitos chamariam de suicídio coletivo. Jungkook pensava sobre como a morte pode resultar em tantos processos, se pessoas não matassem uma as outras essa situação não estaria acontecendo, mesmo que provavelmente ele não tivesse emprego, mas ele não podia negar que medo era a sensação mais predominante em seu corpo.
Não pelo ocorrido mais cedo, afinal nem conhecia o agente morto, mesmo tendo cumprimentado todas as vezes que esteve na delegacia. Mas naquela quietude acabará pensando que estava indo ao encontro de alguém que jamais, em todos os 17 anos dentro do CII, ficariam cara a cara com o autor de todos os crimes aos quais estudou com tanto afinco durante sua formação policial.
Poderia sentir cada pelo do seu corpo eriçar-se com esse pensamento, institivamente pediu a Deus que saíssem todos bem daquele caso.
- Eu realmente não acredito que depois de 10 anos eu estou fazendo esse mesmo caminho novamente. - Jimin se faz presente no ambiente, quebrando um pouco a sensação de morte eminente, por mais que seus pensamentos não sejam diferentes do clima no recinto.
- Se você pensa isso, imagine eu. - SeokJin se mostra extremamente irritado com toda a situação. - Realmente todos nós devemos ter jogado pedra na cruz.
- SeokJin, se você continuar irritado assim teremos que ir no hospital depois daqui. - Namjoon constata enquanto olhava a vista árida e sem nada além de areia e montanhas.
- Se quiserem fazer isso antes, serei eternamente grato. Eu realmente queria muito me internar e não ter de ver a cara dele novamente. - Jin bufa acelerando mais o carro e indo com tudo em uma curva, fazendo o grande prédio de concreto ficar cada vez mais perto.
- Ao chegarmos fiquem atentos as suas credenciais, a burocracia ali dentro é a pior que existe. - Park avisa ao cruzarem um grande muro de grades, e aos poucos o delegado foi parando o carro até a grande entrada de ferro.
- Quem são vocês? - Um policial indagou ao passo que apontava um fuzil para a janela fosca do motorista, enquanto SeokJin abaixava o vidro. - Oh! SeokJin? Que surpresa. - O policial acrescenta ao que parece reconhecer Jin.
- O bom filho a casa torna não? - O delegado brinca. - Na verdade eu queria está vindo para jogarmos conversa fora, mas parece que o diabo mesmo preso consegue me perturbar.
- Eu bem que achei que era você mesmo, afinal durante todos esses anos você parece ser o mais corajoso ao vir no inferno. – O policial brinca fazendo o delegado dar uma risada triste e sem graça. - Podem entrar. - O policial faz um sinal com dois dedos no ar para uma das câmeras fazendo com que o grande portão de ferro abra gradativamente. - Cuidado delegado. - Relembra antes de deixa-los entrar por fim.
O carro andou vagarosamente para o interior do prédio e quando sairão e se dirigiram até o prédio em si, se perguntava a razão de não se lembrar do nome de Park Jimin e nem de SeokJin nos altos. Ela havia lido e relido aquele caso durante os 16 anos que estava no CII, mas deixou passar algo tão significativo. Quem deixa passar os nomes dos agentes responsáveis por prender o caso Zero? Justo o caso Zero!
Vergonhoso , Vergonhoso!
Depois de atravessarem um grande corredor de concreto, pararam em frente a um elevador, que na visão de há deixou mais apavorada, já que parecia um cubículo por fora, mas assim que entraram no elevador repreendeu-se na mesma hora. Sentia-se em um Tardis¹, só não tinham a melhor parte.
Não demorou muito até o elevador descer e parar no que mostrava ser o zero ou o térreo.
- Filhotes, chegamos ao inferno. - SeokJin brinca, por mais que não esteja sorrindo, saindo do mesmo e se dirigindo até uma porta gradeada. - Querida, cheguei! - O mesmo grita a sentença fazendo todos rirem e logo a porta é aberta. - Não riem, são os criativos códigos que temos por aqui. - Ele se defendeu, enquanto entravam pela grande porta gradeada que logo Jin caminhou até onde vários policiais estavam.
- Quando disseram que Park Jimin e Kim SeokJin estavam por aqui de volta, achamos que já estava na hora de chamar ajuda terapêutica, mas vejo que é realmente verdade. - Um senhor se aproxima do grupo com um grande sorriso. - E vejo que trouxe o pessoal do CII, parece que a situação esta feia mesmo, para vocês virem até o inferno ver a face de Satanás. - Seu tom era de brincadeira, por mais que seus olhos demonstrassem preocupação.
“Como eles sabem sobre quem somos?” Namjoon perguntou-se mentalmente sem entender como aquele senhor poderia saber se era a primeira vez que os viam, no entanto seus pensamentos e questionamentos não duraram muito.
- Sabe que eu não vivo sem esse infeliz que vive aqui. – SeokJin fala fazendo o policial a sua frente rir, sentindo uma certa falta do ácido sarcasmo do delegado.
- Então me digam quem vai ser o felizardo dessa vez? – O senhor indaga, esperando que SeokJin fosse, já que o detento em questão, não gostava de visitas desconhecidas.
- Bom, eu já sei quem, mas antes me diga como ele anda. – Jimin pergunta, encostando-se à parede contrária ao que estavam.
- Bom, soubemos que semana passada ele saiu da cela, e até foi ao refeitório comer pudim. – O policial de idade solta com a maior tranquilidade, como se fosse normal o maior criminoso da história dos Estados Unidos vagar livremente por uma prisão de contenção máxima apenas para pegar um pudim no refeitório.
- Ele costuma fazer muito isso? – Yoongi indaga não sabendo se ficava mais intrigado com a revelação do detento andarilho ou se ele não continuou a praticar seus crimes ali.
- Não muito, só quando o tédio vem. – A resposta foi curta e grossa, coisas que não deixou os agentes do CII satisfeitos.
- Então, quem vai vê-lo? – se pronuncia pela primeira vez durante aquela visitação, atraindo a atenção de todos ali.
- Que bom que perguntou isso. – SeokJin começa. – Eu e Jimin estávamos conversando sobre isso, antes de virmos e como ele não gosta de mim e nem do Park, achamos que não a ninguém mais qualificado para isso que o chefe da operação do CII, no caso... – Ele faz uma pausa dramática apenas para deixar a pobre da agente a sua frente mais apreensiva ao que parecia ser inevitável. – Você . – Jin finaliza fazendo todos olharem a jovem que estava ali.
- Eu realmente preciso ir certo? – Ela pergunta já imaginando a cabeça de todos ali concordarem. – Não podemos fazer uma vídeo chamada com ele? Skype é bem seguro nos dias de hoje. – Ela solta uma risada anasalada.
- Tome cuidado! – O homem no qual identificou em seu crachá como Harry Jordan, estava prontamente lhe explicando ou tentando, informar o que estaria para acontecer. – Minha Jovem, não se aproxime dele, não entregue canetas, tampas ou clips. Também não acredite em suas palavras. Ele é um homem mal transvestido de bom moço, um excelente ator já aviso. - O senhor a instrui deixando com que o medo se fizesse presente.

- Parece que não tenho escolha não é mesmo? - suspira e segui o senhor ate uma grande porta de metal, que Harry a fez abrir depois de digitar uma senha, que ao parecer da agente foram de cinco dígitos. Um grande barulho de sirene foi ouvido por todo prédio e a frente dos dois estava uma passarela. Suas paredes eram de vidro e dali de cima era possível ver o complexo a cima deles.
- Cuidado lá em baixo, já que temos alguns níveis aqui. – Ele continuou a explicar o funcionamento do presídio enquanto andavam. – Essa daqui é a ala um. – Enquanto passávamos por entre as portas brancas de ferro, ele ia apresentando o prédio como se fosse um tour por um museu.
- Como eles recebem a comida? – perguntou pois não havia identificado abertura nas portas.
- Eles têm uma pequena abertura, que é aberta por um código binário, e somente isso. – Eles andavam lentamente, como se nem soubessem dos riscos que estavam correndo por detrás daquelas portas. – Afinal aqui é um presídio de segurança máxima, o que você esperava agente?
Ao continuarem andando Harry parou perto de uma porta diferente. O material em si parecia mais forte, e ela parecia mais pesada também. julgou que fosse a prova de balas.
- Detrás desta porta está nossa sala de controle. A ala um é vigiada vinte e quatro horas por dia. – O homem gesticulava enquanto falava.
- E qual o crime deles? – ousou perguntar por pura curiosidade.
- Ah, eles são assassinos, sequestradores, estupradores... Nível de peculiaridade oito¹ – O policial a frente de proferia aquelas informações com uma calma que chegava a ser medonha.
- Entendi.

Continuaram o “passeio” por aquele andar até chegarem a uma escada e logo em baixo tinha mais uma porta chumbada e corredores com portas idênticas as anteriores. Harry continuava a explicar a história do local, e isso ajudava a se acalmar, já que logo iria ver o homem que tanto amedrontava seus sonhos.
- Estamos na ala dois, nível de peculiaridade nove. Aqui temos prisioneiros políticos e possíveis ameaças internacionais.
Por mais que tentasse sentia sua ansiedade batendo com tudo em sua cabeça. E tudo estava piorando com o policial ao seu lado tagarelando e olhando duto como se estivesse em um dia ensolarado.
- Bom aqui é o submundo ou porta do inferno, como apelidamos. Ala três, nível de peculiaridade dez. Eles são terroristas, psicopatas, mass murderers e spree killers.
- O senhor me deixou muito mais calma depois destas informações. - ironiza com um riso nervoso preso nos lábios.
- O pior, está atrás daquela porta. – O policial aponta para uma porta diferente das outras, Era chumbada e muito grande, tanto em altura como em largura. Além de parecer muito mais pesada que as demais.
- Ele não Fica Aqui? – indagou, já que em sua cabeça ali era o lugar do temido caso zero.
- Assim que chegou aqui ele foi colocado na ala dois, mas escapou de lá com muita facilidade. Demos colocamos ele na ala três e parecia que havíamos detido ele. Mas depois de três dias um dos policiais, em uma ronda diária achou-o andando pelos corredores comendo um pudim e bem... Não deu muito certo;
estava em choque, poderia jurar que estava soando frio agora e suas mãos estavam tremendo. Aquilo lhe parecia um absurdo. Claro que ela sabia que pode sim se escapar de uma prisão, mas de uma comum. Jamais imaginaria que alguém escaparia de uma sela de segurança máxima. Por mais que tivesse feito suposições sobre a conversa que o delegado teve mais cedo, mas ela tinha esperança que fossem somente suposições. O que não era o caso.
- Ali é o verdadeiro inferno. – O policial incentivou, com a cabeça, para que fosse em direção, coisa que ela demorou muito para se dar conta.
Depois de um longo suspiro ela foi andando em direção, enquanto se sentia meio zonza e trêmula. Assim que chegou a grande porta branca, ela foi aberta eletronicamente, provavelmente pela central de comando. não sabia quanto tempo havia se passado desde quando saiu de perto de seus colegas do CII e começou a andar em direção do que seu corpo dizia ser suicídio, pois naquele momento ela sabia de tudo menos do tempo. chegou até uma escada, na qual desceu de forma lenta, juntando forças para não correr de volta dali.
O ambiente era grande com paredes brancas, cada passo que dava sentia como se fosse assinada mais uma folha da sua sentença de morte enquanto sua mente a censurava por ter concordado com aquela loucura, quem já se viu? Vir visitar um criminoso?
Quando finalmente ela resolveu voltar ao mundo real já era tarde demais. Era possível ver parede que pareciam reluzir de tão brancas que eram, mas o que a mais incomodou não foi este fato, mas sim a presença de uma pequena cama recostada ao canto da parede, sua cor contrastava com o resto da ornamentação, já que era de um metálico sujo, possivelmente devido ao desgaste dos anos ali, e em cima da mesma estava uma das cenas mais perturbadora para .
Uma silhueta estava bem desenhada, com ombros largos e fortes, braços que, por conta dos músculos soltavam da camisa laranja do presidio, um pequeno livro estava em suas mãos e seus olhos pareciam alheios à volta porque toda a concentração estava ali, naquele objeto de papel. Quanto mais o observava, mais tinha certeza de quão belo era, seus cabelos pretos lisos, com alguns fios sobe seus olhos, sua mandíbula bem definida e por mais que não desse para ver muito, sabia que era alto.
Ficou parada por alguns minutos, não por estar a espera de que sua presença seja notada, mas por sentir que seus pés estavam presos ao chão. No entanto o mesmo fazia como se não houve ninguém, o que deixava apreensiva e desesperada, ‘será que até para um criminoso sua presença era insignificante?’
Cansada de esperar que algo acontecesse, resolveu tomar as rédeas da situação, colocando suas mãos nos bolsos da calça que vestia e dando seu melhor pigarro, atraindo dois orbes negros e cintilantes para si.
- Saudações detetive, como posso lhe ajudar?

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¹ Tardis é o nome da cabine da Série Doctor who. Seu exterior é menor que seu interior, além de levar os passageiros a viajarem no tempo.

¹ Níveis de peculiaridade são níveis que algumas penitenciárias, principalmente internacionais, adotam para separar seus detentos.


8. The Hunt and The Hunter

“Torna-te aquilo que és”. – Friedrich Nietzsche

Uma das razões que me fez querer ingressar na faculdade de medicina foi o prazer de ajudar. Imaginava que todas as matérias seriam somente para aprender a curar o corpo, curar a mente, e as vidas das pessoas.
Como eu era inocente!

Agora, já formada, vejo que fui treinada para matar. Palavra forte essa, não? Mas, no entanto, não poderia ser mais verdadeira. Não minto que a real razão pelo qual estudamos dezenas de livros e aprendemos todos os mecanismos possíveis que nosso próprio corpo conduz para que possamos sobreviver, possibilita sim na tarefa de salvar vidas, mas acabamos sendo guiados por um caminho na qual vemos, mesmo que sem intenção, o ser humano como apenas carne e osso. Nós aprendemos a matar, convivemos mais com cadáveres que com pessoas vivas.

Por mais que tentemos e realmente demos o nosso melhor para melhorar vida dos outros, no fim, somos todos assassinos. Um dia, todo médico irá matar alguém, seja culpa dele ou não. Só nos resta esperar a hora para sermos quem realmente somos.






Unidade de contenção máxima, Colorado Estados Unidos da América. 31 de setembro de 2018, 10h05min AM.

De todos os lugares do mundo aquele com toda certeza não era o mais feliz, nem o mais convidativo, e se você fosse prestar atenção poderia sentir que a qualquer momento sangue iria jorrar pelas paredes e corpos seriam decapitados.
Bom, era isso que se passava na cabeça da mulher ali presente. Sentia-se tão fraca que a qualquer momento poderia cair. Aqueles olhos negros e sombrios e aquele sorriso debochado que brincava nos lábios do rapaz a sua frente lhe davam um medo eminente que era surreal.
- Olá detetive. – O homem se pronunciou mais uma vez, fazendo o clima pesar mais. – Eu lhe fiz uma pergunta, é falta de educação não responder os outros sabia? – O mesmo diminui o tom de voz, deixando sua tonalidade mais rouca que parecia ser. – E sabe de uma coisa que parece não terem lhe contado? – Ele indaga ao se levantar e ir a passos lentos na direção da agente, fazendo a mesma dar passos para trás não podendo deixar de sentir que iria morrer ali mesmo, e tudo só se concretizou ao sentir a lisa e gélida parede em seu tronco posterior.
Aqueles olhos negros que antes tinha um misto de divertimento e curiosidade agora possuíam um brilho diferente, beirando ao desesperado, no entanto sua feição era séria e dura. Parecia que havia dois lados dentro de um mesmo ser, que se misturavam em uma bagunça e emaranhado que formavam o ser repulsivo e instigante a sua frente.
No entanto tudo parou, fechou seus olhos e pode sentir uma respiração bater contra seu rosto indicando que ele estava quase colado a si.
- Eu odeio má educação. – Sua frase saiu como um sussurro, quase inaudível, se não fosse pela aproximação perigosa. – Olhe nos meus olhos enquanto falo contigo detetive, já disse que odeio má educação. – Seu tom era ameaçador, e por mais que ainda não tenha lhe tocado um fio de cabelo, sentia como se tivessem apontando uma arma para si.
- Desculpe-me... – Sua fala saiu são incerta que a mesma até tinha dúvidas se poderia considerar aquilo como um pedido de perdão.
- Agora, detetive... – Ele fez uma pausa e sentiu dedos deslizarem suavemente pela lateral direita de seu tronco indo em direção ao seu bolso traseiro, tirando de lá seu distintivo. – Agente . – Completa com um sorriso travesso nos lábios.
- Sabia Agente, que em todos esses anos nunca deixaram uma mulher entrar aqui dentro? – O detento a questiona, tendo como resposta somente uma negação fraca, de cabeça. – Devo presumir que não deva saber a razão, mas eu garanto... – Ele aproxima mais o tronco de ambos, levando de rosto até a orelha da mesma, mas antes dando uma mordida singela na cartilagem. – Que nós dois iriamos adorar se eu estivesse chupando e fodendo a sua buceta. – Sua voz era em um tom tão sedutor e amedrontador que não sabia dizer que queria gozar ou sair correndo dali. Parece que o Delegado Jin tinha razão quando disse que eles só poderiam ter jogado pedra na cruz.
- Eu não estou aqui para joguinho! – o empurra para longe, tentando se recompor e o olhando com desdém. – Vim tratar de assuntos muito importantes e urgentes, então, por favor, se puder me fazer a caridade de prestar o mínimo de atenção no que eu tenho a dizer, eu serei muito grata. – dispara tudo para o homem a sua frente, o fazendo bocejar e se sentar em uma cadeira metálica que estava ali.
- Obrigada. – Ela agradece antes de tomar folego para lhe dizer tudo. Mas antes o homem a sua frente toma lhe a palavra.
- Eu não concordei em ouvi-la porque darei uma chance para aceitar. Minha resposta será não para o que quer que queira de mim. Afinal, vocês só descem aqui para isso, e a julgar que um belo par de pernas está na minha frente, vocês devem estar desesperados.
– Lá fora existe alguém que está querendo se tornar uma cópia sua. – A agente ignora totalmente o que o criminoso havia lhe dito, e mesmo que negando ajuda essa afirmação faz o detento se remexer na cadeira, ele se sentia incomodado com alguém querendo ser melhor que ele. E levando em conta que o CII estava ali presente, significava que realmente estavam conseguindo dar mais que conta do recado. – Queremos sua ajuda. Você melhor que ninguém pode nos ajudar a achar o culpado. Eu posso vir aqui e lhe trazer todo o caso e prometo lhe manter informado de... - Antes mesmo de terminar o que havia começado o caso zero se põe a intrometê-la novamente.
- Fale isso para alguém que se importe. – Ele havia a cortado bruscamente. sentia suas bochechas ficarem quente de raiva, naquele momento a ideia de estapeá-lo com o livro que, mais cedo estava lendo, pareceu deliciosa, mas lembrou-se que provavelmente não sairia viva dali depois disso.
- Sinceramente, esperava mais gentileza do senhor, afinal, até onde me lembre, o senhor estava a alguns minutos atrás me intimidando por não ser educada. – A agente estava quase orando mentalmente, já que o tiro disparado foi no escuro, e seu medo era que não tivesse acertado seu próprio pé. – Além disso, precisamos do senhor. – Insistiu.
- Você é muito audaciosa Agente. – Ele sorriu seco com a afirmação, embora seus olhos estivessem em chamas. – Considere uma gentileza minha o fato de ainda está ai em pé viva.
já estava se cansando do detento a sua frente, ele estava sem opções do que fazer e a ideia de ter descido até o inferno e ao menos não ter informações do próprio Diabo não pareceu muito inteligente. No entanto, se lembrou de todos os altos e falatórios que ouvira sobre o assassino a sua frente, lembrou-se dos crimes que cometeu e de como gostava de deixar tudo orquestrado e então reparou que, da sua forma ele estava lhe dando toda atenção do mundo.
- Me perdoe senhor pela minha falta de tato, e presumo que não devesse desperdiçar sua gentileza, certo?
O homem a sua frente a olhou de uma forma diferente, o sorriso presunçoso perdeu o lugar para um duvidoso, como se sentisse as intenções da mulher a sua frente.
- Certamente detetive.
- E eu penso que eu estaria me mostrando rude se não aproveitasse a oportunidade que está me dando.
- Devo dizer que esta certa mais uma vez Agente.
- Então senhor, antes de me enxotar daqui, porque não me ouve ate o final e assim decide se eu serei digna de sua gentileza ou não?
se sentia vitoriosa, como se tivesse quebrado barreiras que nem ela sabia que havia dentro de sua própria cabeça, e sentia que estava no caminho certo.
- O que faz a pensar que eu deveria?
Ela mal conseguia acreditar que estava cara a cara com o maior assassino que se tinha relatado até o dia de hoje, ainda estava viva e conseguira com que ele lhe desse espeço e a questionasse, mostrando que talvez, só talvez ela saísse dali com algo útil.
- Bom, eu acredito que o senhor não tenha algum a fazer.
Ele riu do comentário e cruzou suas pernas mostrando que lhe daria atenção.
- Você tem cinco minutos.
estava apreensiva, seu estomago parecia que estava em uma montanha russa, suas pernas estavam fracas e ela rezava que saísse viva dali ao final.
- É mais que o suficiente. – Ditou e respirou fundo. – Como eu havia dito, o assassino em questão está lhe copiando até mesmo em suas charadas.
- Até agora não vi nada de surpreendente e seu tempo esta acabando.
A agente sentia que aquela era a hora de sair correndo, especialmente quando um sorriso macabro cresceu nos lábios do homem a sua frente.
- Eu compreendo, mas infelizmente não temos tempo para solucionar a charada e achamos que o senhor seria o mais qualificado para isso.
Como resposta, tudo que obteve foi um aceno de cabeça e estava se questionando se aquilo era bom ou não, mas resolveu continuar em frente.
- Certo... E qual seria está charada tão difícil que tiveram que recorrer a mim?
teve que parar um pouco e puxar de sua memória o que havia escrito naquela ultima carta.
- 'A suprema arte da guerra é derrotar o inimigo sem lutar. ' Acha que consegue desvendar?
Uma risada alta e macabra soou por todo o local, fazendo a agente dar um pulo da onde estava. O carcereiro a sua frente ria histericamente como se tivessem lhe contado algo muito engraçado. se sentia desnuda, ele obviamente estava caçoando de si. Além do mais as esperanças dela estavam indo descarga a baixo, se ele não desvendasse, quem iria?
- Vocês acham mesmo que tem um problema? Que decepção.
- Consegue resolver? – Questionei com um tanto de fúria ao olha-lo, enquanto o mesmo ria de mim.
- Até um blastócito¹ consegue resolver isso. – O homem a minha frente jogou seu corpo em encontro com o encosto do acento, descruzando suas pernas e olhando para o teto com um sorriso vitorioso e um brilho inigualável. Foi então que se tocou, ele sabia a resposta.
- Então, o senhor vai nos ajudar? – Em uma velocidade, que o cérebro da agente não conseguiu processar, o homem a sua frente se pôs de pé, enquanto que, na mesma velocidade, foi em direção a parede, sentindo a em seu tronco, em uma intensidade que é até difícil de acreditar, pois parecia que a mesma queria se fundir aos tijolos. Ela estava acreditada que os seguranças que estavam vigiando as câmeras poderiam achar que ela havia enlouquecido e estava tentando empurrar a parede, mas tudo que queria era ganhar distância daquele que estava a sua frente, mas bem que empurrar a parede não seria má ideia.
As roupas foram se moldando ao corpo do homem a sua frente e ela teve a certeza que acabará de se tornar uma formiga, já que ele era bem mais alto que ela, não obstante o que mais a deixou apreensiva foram os músculos que marcavam a camisa, que de alguma forma ele se mostrava bastante forte e definido, e se permitiu perguntar se ele teria os seis gomos perfeitos no abdômen.
O rapaz a sua frente tombou a cabeça para o lado e se aproximou dela, deixando uma distancia diminuta entre os dois.
- As coisas não funcionam assim.
Ele a encarava fazendo a mulher franzir o senhor, para ela as coisas funcionavam assim e pronto.
- Eu achei que...
- Achou errado detetive, achou muito errado. – Ele novamente a cortou, e ela começou a pensar se ele sentia algum prazer em não deixa-la terminar suas frases. – Você realmente achou que eu resolveria tudo assim? De mãos beijadas para vocês? As coisas não funcionam assim detetive.
O rapaz parecia bem irritado, e começou a pensar se não seria aquela a hora de sair correndo ou talvez começar a gritar, no entanto seus olhos foram até uma das câmeras de segurança e lhe veio a mente o momento que adentraram o andar onde os policiais estavam e que havia reparado que eles monitoravam as celas de lá e provavelmente eles estavam a olhando agora. Um sinal de SOS seria mais efetivo, pensou ela, no entanto o homem a sua frente avançou mais um passo e ela sabia que se fizesse algo morreria, com isso preferiu deter se.
- Já reparou que tudo se baseia no que vocês querem no que vocês acham, no que vocês precisam? Já pensou detetive Edwars em como eu ficarei nisso?
Ele juntou seu corpo ao dela, fazendo a mulher a sua quase asfixiar, ela sentia as paredes movendo, o teto abaixando e ela se sentia enclausurada, seus ouvidos estavam ficando abafados e ela enxergava duplicado. A única coisa que conseguia ouvir eram as batidas de seu coração e sua mente a alertando que morreria.
‘Recobre o controle ! Tente respirar. ’ Ela repetia para si mesma na intenção de conseguir se acalmar.
Seu estado não passou despercebido e o carcereiro a sua frente deu um passo para trás dando-a espaço para respirar, enquanto a mesma forçava a si mesma a continuar o progresso que, até então, achava que estava tendo.
- Precisamos de você. – Foi tudo que ela conseguiu dizer na situação que estava.
- E eu preciso de diversão! Sabe , eu estou cansado dessas paredes brancas e monótonas. Do mesmo pudim que comi por 10 anos, de sair da cela e ninguém notar, por que são idiotas suficientes para nem darem conta de me manterem preso.
- Não posso fazer isso. – A voz da mulher a sua frente saiu firme. Ela ficou se perguntando o que ocorreria se ele saísse dali. Ele estava em um presídio de segurança máxima e ainda sim conseguia escapar, e pelos altos ele havia matado um guarda na decima semana que passava ali. Além do mais, o delegado SeokJin iria enfartar, junto de toda equipe e dela mesma. Estava fora de cogitação.
- Então foi uma ótima conversa, mande um beijo para os Hyungs SeokJin e Jimin.
O homem estava prestes a se virar quando em meio ao desespero aumentou seu tom.
- Nós precisamos de...
Ela mal teve tempo de tentar finalizar sua fala, pois o rapaz a pegou pelos pulsos jogando o tronco da mesma na parede com uma força tamanha que ela perdeu o ar e se sentiu zonza e o movimento brusco ao levar suas mãos a cima da cabeça fez a mesma choramingar em desespero.
- Estou te assustando detetive? – Por razão da aproximação foi possível sentir a ponta do nariz do rapaz passar pela bochecha da moça a sua frente, fazendo-a fechar os olhos e não responder. O medo se fazia presente nela de uma forma tão grande, que ela estava ofegante como se acabasse de participar de uma maratona de 45 km.
- Você sabe certo? Eles devem estar doidos lá em cima, especialmente os Hyungs. Sinalize para eles detetive, mostrando que está bem, ou eu juro que você vai morrer tão rápido que eles não terão tempo de chegar aqui.
A mão direita dele libertou o meu braço direito e pousou na cintura de , dando um forte aperto.
- Sinalize detetive.
A agente engoliu em seco e levantou a mão, ainda dolorida pelo aperto até uma das câmeras ali, fazendo um joinha.
- Isso garota.
Sua mão, que estava na cintura da mulher foi até a mão livre dela e as entrelaçou, levando novamente para cima da cabeça, e tudo que ela pode fazer foi fechar os olhos.
Tudo parecia está rodando, e o medo a tomava conta, de uma forma como nunca antes. A agente mais experiente do departamento todo estava ali, quase se borrando de medo, tudo que ela queria era chorar e chorar. E o que a deixava mais apreensiva era certeza que aquelas mãos impiedosas iriam lhe rasgar ao meio sem dó.
A detetive começou a sentir algo molhado percorrer, desde sua bochecha até seu queixo, logo se dando conta de que se tratava da língua do homem, que agora a olhava como se olhasse para uma presa, prestes a ir pro abate.
Uma lagrima solitária escorreu pela bochecha de e logo o rapaz tratou de lambê-la, agora prolongado até o pescoço, onde deixou uma forte mordida.
- Parece que você não sabe como funciona um acordo detetive. – O home voltou a falar, fazendo-a abrir os olhos. Na tentativa de conseguir sair dali, a mulher forçou as mãos, mas tudo que conseguiu foi um aperto maior nos pulsos. – Mas não se preocupe eu lhe darei outra chance, eu irei penetrar bem, bem lentamente a ideia em você, okay?
preferiu permanecer quieta, mas em resposta ao seu silêncio recebeu uma mordida forte na bochecha.
- Certo... – A mulher respondeu meio incerta.
- Ótimo, vamos fazer assim, eu saiu daqui e ajudo vocês a pegarem o idiota de quinta que acha que pode fazer o mesmo que eu. Quando tudo acabar eu retorno para cá sem objeção.
- E o que me garante que você irá fazer isso? Até porque, que interesse teria em nos ajudar se ao fim do caso estará de volta aqui? – estava ao máximo manter a respiração normal.
- Eu cumpro minhas promessas detetive, e já lhe basta saber disso.
tinha suas duvidas sobre confiar em alguém como ele, mas o que lhe restava?
- Não temos, sei lá, outra alternativa mesmo?
A mulher estava quase para desmaiar e mal sabia como estava negociando com o homem.
- Na verdade, temos sim.
- E qual seria? – A mulher a sua frente diria que poderia sorrir com a ideia de outras coisas sem ser aquela, por mais que ela soubesse que tinha que ir embora dali rápido, sentia como se uma luz aparecesse no fim do túnel.
- Eu te dou a resposta, mas quero você aqui, comigo detetive.
poderia afirma com certeza que seu coração havia parado naquele momento e era questão de segundos para a desoxigenação cerebral começar.
- Para... pr... Para quê me quer aqui?
- Eu preciso de ajuda.
- Com o que exa... Exatamente?
Ele sorriu e voltou a me pressionar contra a parede, grudando seu corpo no meu.
- Eu quero te foder detetive, te foder bem fundo.
A cabeça de deu um giro de 360 graus e ela teve a certeza que se continuasse ali iria vomitar e para completar, o homem começou a cheira-la como um cachorro no cio.
- Eu irei informar sua condição ao delegado. E se me permitir, pode me soltar?
- É claro detetive.
Ele soltou o corpo da agente de forma lenta, deixando um sorriso de lado antes de dar as costas em direção a sua cama, voltando a pegar o livro que lia, aparentemente ignorando a existência da mulher ali.
sentia seus pulmões desesperados por oxigênio o que a fez respirar arfando, seus pulsos estavam doloridos e sua cabeça parecia que iria explodir.
Por obra de um ser maior, conseguiu mover seu corpo em direção a saída do local, o mais rápido que pode, no entanto ainda pode ouvir o rapaz.
- Eu lhe recomendo um Symbyax, só não exagere nos miligramas.
- Nós tratamos o luto e o medo com pílulas como se fossem doenças. E eles não são. – Foi tudo que ela conseguiu responder antes de passar pela grande porta metálica e sair correndo de lá.
Passando por todos os andares e alas como se sua vida dependesse disso, mal notou quando estava a sua frente uma manada de agentes e policiais com feições preocupadas e semblantes arrependidos, provavelmente por terem a enviado para o leão.
- eu sempre quis saber como você faz para solucionar os casos, mas agora eu tenho a resposta. – Yoongi começou a falar, enquanto tentava se sentar. – Você é demente! – A feição de Yoongi era de desespero, por mais que estivessem caçoando dela.
- Com certeza demente. – Jungkook concordou incrédulo com tamanha ousadia e falta de senso do detetive a sua frente.
- É provavelmente eu sou. – falou, depois de dar um gole na água que um dos oficiais, ali presente, lhe dera.
- E ela ainda concorda. – O policial que, ao chegarem os recepcionou, estava agora em pé a sua frente, praticamente esmagando o fuzil em suas mãos. – Tínhamos a certeza que não sairia viva de lá.
- Eu também tinha essa certeza. – diz por fim lançando um olhar cheio de medo, remorso e uma pitada de curiosidade. Sua cabeça não parava de pensar no que poderia ter ocorrido e no por que dele não ter lhe matado.
começou a pensar no que sua avó lhe diria se soubesse o que acabará de fazer. ‘ Está louca ? Resolveu brincar de morto vivo e perdeu o único parafuso que tinha nessa cabeça de vento?’ E por um mísero segundo, permitiu-se sorrir, por mais que tenha sido um singelo sorriso.
Enquanto isso, todos os agentes estavam formando uma rodinha em torno da mesma, esperançoso, curiosos e intrigados do que realmente ocorreu lá dentro.
E foi pensando na avó que se deu conta de tudo. Sentia como se tivesse prestes a desarmar uma bomba, como se o que estivesse prestes a ocorrer fosse algo maior do que qualquer um ousaria dizer ali. E então finalmente se deu conta das palavras de sua avó. Talvez realmente demônios se libertassem e vivessem entre nós, e talvez, só talvez ela acabasse se deixando levar pelas influências que eles exercem e tudo que ela teria pela frente sejam problemas, que provavelmente, serão irreversíveis.

Um pigarro foi ouvido na sala e os olhos da mulher foram em direção a quem tinha o dado, não se surpreendendo de achar um SeokJin sério e carrancudo. Ele parecia extremamente chateado com algo, balançando a cabeça em negativa, mas logo soltando uma risada.
- Você por acaso quer me matar do coração? Por que eu juro , que eu enfartei umas 80 vezes durante esse meio tempo que esteve lá.
permitiu dar um olhar reconfortante para o delegado, afinal até ele estava preocupado com ela.
- Assim que você entrou lá ele já lhe queria tirar de dentro, dizendo que tínhamos nos precipitado. Uma verdadeira gracinh... – Park estava falando, mais foi interrompido pelo delegado.
- Cala boca Jimin.
- Gente, vamos ouvir o que a tem a dizer? – Namjoon corta o clima, dando novamente o direcionamento do caso.
- Isso, obrigado Namjoon. – Yoongi concordou, voltando sua atenção para . – O que Satanás disse?
A atenção de todos se foi para mais uma vez.
- Ele fez aquilo que já pensávamos. – respira fundo, tão fundo que não sabia que estava necessitando disso. – Ele propôs um acordo delegado.
- Acordo? – Jimin e Yoongi disseram juntos, com uma feição que denotava espanto e duvida.
- Sim, Jung Hoseok pediu um acordo. Um acordo mortal.


9. I'm Believer

“A compaixão nem sempre é uma virtude. Quem poupa a vida do lobo, condena à morte as ovelhas”. – Victor Hugo

A medicina procurar solucionar todos os casos pertinentes acerca das variações comportamentais e assintomáticas com relação ao ser humano. Um desses comportamentos seriam os transtornos de personalidade. O que muitos não sabem é que existem mais de um tipo desse distúrbio. Mas, resumindo em miúdos, transtornos de personalidades é um grupo de doenças psiquiátricas em que os traços emocionais e comportamentais de um indivíduo são muito inflexíveis e mal ajustados. Seu maior problemas é com relação a forma que o paciente vê a si mesmo e aos outros em sua volta.

Para a psiquiatria, existem outros fatos contribuintes para determinar a psicopatia ou esquizofrenia de um indivíduo, contudo, os transtornos de personalidade podem ser peças chaves nessa situação.

Há uns dias atrás, eu estava lendo o livro “O grande rinoceronte”, este que analisa os perfis através de entrevistas com os maiores psicopatas da história americana, os que ainda estavam vivos, claro. Dentre todos eles não foi achado nenhum que reconhecesse seu erro. Todos haviam dito desculpas para as atrocidades que haviam realizado. Como se seus motivos fossem suficientes para matarem outros, e todos, sem exceção, mesmo depois da sentença jamais se arrependeram de seus feitos.

Depois de analisar essa partícula do livro, acabei me recordando de algo que vovó costumava me dizer: “Os humanos jamais reconheceram seus erros”.
Sempre vamos achar uma desculpa para justificar nossos erros, mas ao tratar-se de uma doença, a situação complica.
Além da nossa intuição nata em achar desculpas, temos o nosso cérebro não sabendo lidar com as situações impostas, e assim temos o nascimento de mais um assassino.



Unidade de contenção máxima, Colorado Estados Unidos da América. 31 de setembro de 2018, 12h00min AM.
- Não, não e deixa-me ver. NÃO! – SeokJin esbraveja de sua cadeira, como se a ideia imposta fosse a mais insana possível, e em partes era. – Eu não vou permitir que ele ande por ai. Já me causa muito problemas aqui, na cadeia, imagine a solta.
- SeokJin vamos pensar bem...
- Sem chances, eu já disse. Eu realmente acho que você deve ter demência. Você esqueceu o que isso significa? Hein? Além do mais, já estamos quase surtando por causa da cópia falsificada dele, avalie ter o original batendo perna por ai.
Desde o retorno de , da cela de Hoseok, ela contou tudo que ocorreu, incluindo a proposta do detento, fazendo com que SeokJin balançasse a cabeça freneticamente, irredutível a qualquer ideia que envolvesse Jung Hoseok fora de seu confinamento.
mal percebeu quando Park Jimin se pôs de pé e foi até Jin, ficando em sua frente.
- Não foi você que mandou ela lá para baixo atrás de respostas? Que me disse que situações drásticas pediam medidas drásticas? Quer dizer que mandamos para o inferno uma mulher ficar cara a cara com o homem que assassinou 56 pessoas? E tudo isso atoa? – Jimin parecia enfurecido, suas mãos estavam em sua cintura e, por mais que não visse, mas sua feição era de revolta. – Pare de agir como um idoso de 84 anos e vamos resolver isso.
A voz de Jimin estava em um tom autoritário, que durante os poucos dias dos agentes do CII, jamais imaginariam que pudesse ocorrer. Enquanto isso SeokJin estava tão quieto e recolhido ao seu acento, que Namjoon achou que a qualquer momento ele poderia começar a chorar.
Dava para se notar o quanto Jin estava se esforçando para manter a calma, visto que não era de se imaginar alguém falar com ele daquela forma e não levar um tiro na testa, no mínimo. Foi ai que Yoongi se deu conta do quanto eram amigos, SeokJin e Jimin.
As ações seguintes deixaram e Jungkook um pouco incomodados, pois Jin apoiou os braços em suas pernas, deixando uma passagem, na qual colocou sua face, praticamente, quase, enterrando sua cabeça entre as pernas. Todos sabiam que não deveriam incomoda-los, pois a decisão era difícil, por mais que os membros do CII fossem enviados pelo governo, o caso havia sido investigado e resolvido pelos policiais ali presentes, então de acordo com a ética aquela decisão cabia a eles.
- Que horas são? – SeokJin perguntou a levantar a cabeça em direção dos demais.
- Meio dia e dez. – Respondeu um dos policiais que, desde a volta de não largava seu rifle, como se sua vida dependesse daquele ato.
SeokJin deu um longo suspiro antes de continuar.
- Mandem um e-mail de emergência para a secretária de segurança nacional, pedindo a soltura do Demônio. – O delegado que outrora estava sentado, se levantou e começou a andar de um lado para o outro. – Deus salve nossas almas. Eu não acredito que estou fazendo isso.
SeokJin levou as mãos a cabeça e olhou para a parede cheia de pastas e prateleiras a sua frente. teve a impressão que deveria se levantar também e fazer algo, mas ela se encontrava em um estado de choque que não se comparava ao do delegado, por mais que sua atenção tenha voltado para a sala ao ver um dos policiais subir as escadas aos tropeços para fazer o que foi exigido. Faltavam alguns minutos para todo o prédio saber da novidade.
, você vai precisar entrar lá novamente. – O delegado falou baixinho, como se fosse um segredo que só ele e pudessem compartilhar.
se sentiu fraca, a cabeça girou e ela sentiu que iria cair ali mesmo. As palavras saíram da sua boca sem ela notar.
– Sem Problemas. – A agente mentiu, mentiu feio. Claro que tinham problemas, muitos problemas. No entanto tudo que ela pode fazer foi confirmar com a cabeça enquanto era analisada de cima a baixo pelo delegado que a olhava com desconfiança.
– Certo. Desculpa-me por isso. – Ele pediu em sussurro, e ao julgar por todos na sala aquilo não era uma coisa comum do delegado fazer. Há rumores que estava se sentindo especial com isso.
– Vamos tratar logo tudo que precisamos, eu não o quero solto mais do que o necessário.
A sentença do homem fez todos se despertarem de um transe e começarem a correr de um lado por outro. SeokJin pegou uma cadeira e se sentou na mesma, enquanto massageava suas têmporas.
saltou da cadeira e foi até uma maleta que se encontrava a frente de Jungkook. Pegou uma folha pautada e uma caneta e se pôs de frente ao delegado.
– Pra que isso? – Namjoon indagou sobre os objetos que carregava.
– Pelo que reparei do senhor Jung, acredito que ele vá querer algo escrito, como um contrato.
– E o que vamos escrever ai? “Primeiro artigo: Ou você coopera ou vamos fuzilar você?” – Yoongi perguntou em som zombeteiro.
SeokJin gargalhou com a piada ácida, enquanto que Yoongi se divertia com o desespero do delegado.
– Séria um ótimo começo, só precisa estar em palavras bonitas. – deu uma piscadela para SeokJin enquanto o mesmo suavizava a expressão e arqueava a sobrancelha.
– Estou começando a gostar de você garota.
Todos ali começaram um trabalho árduo de pesquisa, adicionando e tirando regras, modificando direitos e atribuindo deveres, tudo para que aquilo, se é que era possível, fosse o mínimo perigoso que conseguissem. O que não seria fácil já que pessoas e Jung Hoseok eram duas coisas que não davam certo juntas. O que incluía também em uma clausula extensa na qual dizia que, caso houvesse qualquer sinal de rebelião do prisioneiro as medidas cabíveis seriam acionadas, no caso o fuzilamento. Inclusive, este ultimo paragrafo deixou SeokJin bastante tranquilo, já que o mesmo tinha certeza absoluta, assim como dois mais dois são quatro, que a soltura de J-Hope seria o equivalente a um atentado contra qualquer vida terrestre.
Já se passavam das três e meia da tarde quando tudo foi terminado. Eles haviam revisado inúmeras vezes aqueles papeis no qual parecia mais um contrato satânico. Quando finalmente o deram para o escrivão para ser encaminhado à segurança civil e aquele papel cheio de rabiscos se tornasse um oficio legal e verdadeiro.
Depois que tudo havia sido feito, todos decidiram que seria hora de comer, e como entraram em consenso e viram que pedir comida, já que seria estranho falar ‘ Olá, você poderia entregar aqui na prisão de segurança máxima... ’ Fora de cogitação!
Acabaram por pegar os potes de lamen que tinham na dispensa do refeitório. Enquanto todos estavam dispersos entre seus copinhos de miojo, estava numa luta árdua de conseguir abrir o pacotinho que continha o tempero de seu alimento, mas todos param o que estavam fazendo quando, a exatamente às quatro horas da tarde, Jimin apareceu com várias folhas A4 em mão mostrando que a resposta havia chego.
– Aqui está à coisa mais doida e sem noção e amor a vida que eu já fiz em todos os meus 12 anos de carreira. – Jimin jogou os papeis em cima da mesa a nossa frente.
– Por mais que seja um absurdo, é um absurdo que qualquer um teria que fazer nesse caso. – Jungkook falou enquanto esticava suas pernas para coloca-las em cima do assento da cadeira a sua frente.
Depois de um longo suspiro, seguido de um movimento afirmativo com a cabeça, SeokJin começou a ler os papéis a sua frente, para que todos ali tivessem a confirmação daquela loucura que estavam prestes a cometer. Por mais que tentasse, a voz do delegado parecia falhar em algumas linhas, como se seus órgão estivessem a ponto de serem vomitados a qualquer segundo. não estava diferente, suas mãos suavam tanto que ela estava esfregando a em sua calça freneticamente. Enquanto o delegado continuava sua leitura, a cabeça de não parava de recriar as cenas passadas anteriormente com o assassino. Dando ênfase na palavra ‘detetive’ e em como ele fazia aquela sentença parecer perigosa e pecaminosa e especialmente, assustadora.
Assustei você, detetive?
Assustei...
Detetive...
Assustei... Você...
Assustei você, detetive?

começou a tombar a cabeça para o lado direito e a sacudi-la de forma paciente para espantar aqueles pensamento, quando foi salva por uma voz calma, grave e família.
– Você esta bem, ? – Namjoon perguntou/Sussurrou para a garota a fazendo dar um meio sorriso e voltar sua atenção para o delegado.

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SECRETARIA DE SEGURANÇA NACIONAL DOS ESTADOS UNIDOS DA AMÉRICA

Está permitida e oficializada perante a lei a libertação PROVISÓRIA do detento Jung Hoseok, também convocado pelo pseudônimo nome de igual valência ‘J-Hope’. O criminoso no qual reside na Unidade de contenção máxima, Colorado Estados Unidos da América, no qual foi julgado no dia vinte de maio do ano de dois mil e nove pelo homicídio duplamente qualificado de cinquenta e seis pessoas, está autorizado a sair das imediações da Unidade em que se encontra sob a custódia e supervisão do delegado do estado do Havaí Kim SeokJin, na qual está ciente das restrições que esta sendo avaliado em prol do bem maior de todos, dentro e fora do Estados Unidos da América.
Artigo 1º: O réu, Jung Hoseok, deve cooperar para as investigações de forma fiel, verdadeira, respeitosa e sem falsear sobre QUALQUER informação que lhe seja exposta, sob pena de fuzilamento.
Artigo 2º: O réu está ciente que ao final da investigação ou quando o delegado Kim SeokJin – Responsável por sua guarda – decidir que seus esforços na operação não são mais desejados, o mesmo deve regressar ao cárcere IMEDIATAMENTE.
Artigo 3º: O réu está ciente que a suspeita de integridade física, mental ou social a qualquer pessoa envolvida ou não no caso, será lhe submetido extermínio por fuzilamento, a fim de manter a equidade de todos os habitantes.
Artigo 4º: O réu tem entendimento que deve seguir TODAS as ordens do delegado Kim SeokJin. Caso seja descumprido qualquer que seja o mandato o réu será encaminhado para o fuzilamento.
Artigo 5º: O réu é ciente que suas necessidades físicas e mentais, tal como vestuário, alimentação, higienização e afins, será feito por um agente capacitado, e em hipótese ALGUMA o réu deve sair de seus aposentos sem a autorização necessário de um dos oficiais que se encontram a frente do caso. O descumprimento desta ordem acarretará em fuzilamento IMEDIATO.
Artigo 6º: O réu entende que as regras acima são invioláveis e inalteráveis.
Tendo em vista todos os artigos e em concordância com todas as exigências expostas, torna-se hoje o dia em que é oficializada a soltura do assassino Jung Hoseok.
Esta declaração é fiel e dou fé.

ESTE DOCUMENTO FOI REVISADO E ESCRITO PELO MINISTRO DE DEFESA NACIONAL E TENENTE DE ARMAS DOS ESTADOS UNIDOS DA AMÉRICA.

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– É oficial. – Depois de ler SeokJin parecia meio aéreo, como se fosse desmaiar naquele segundo. – Não tem mais volta.
– Agora é com você . – Yoongi responde sério, olhando como se estivesse jogando todas as vibrações positivas para a sua companheira.
– Não seja imprudente desta vez. – Namjoon começou a falar. – Não o deixe se aproximar de você.
somente dizia sim a tudo, como se somente seu corpo estivesse presente.
– Sabe o que me ocorreu agora? – Jungkook se levanta atraindo a atenção de todos ali. – Se ele aceitar o acordo, ele vai precisar assinar os papeis certo? – Aquilo fez a coitada da girar na cadeira em que estava.
– Vamos com calma. – Jimin diz, no intuito de acalmar a todos. – Jeremy, caso ele tente qualquer coisa, qualquer mesmo. Código livre para você. – Jimin se dirigiu a um dos oficiais ali presentes.
– É isto! – Exclama se levantando de sua cadeira. – Dê-me os papeis. Vou trazer Jung Hoseok.

Continua...



Nota da autora: Olá meus amores!!!!!!!!! Como vocês estão? Eu espero que estejam gostando, por favor compartilhem essa história caso estejam mesmo gostando da escrita, e deixem seus comentários por favor. Tia Lih ama ler o que vocês colocam.
Aqueles que querem entrar no grupo do WhatsApp, o link estará em baixo. Não esqueçam de acompanhar a fic ouvindo a playlist, tem a do spotify e a do Youtube.
Beijo na testa de vocês e até a próxima att.
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Caso haja qualquer erro, por favor, comentem que eu irei ajeitar.

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