Última atualização: 27/06/2020
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Prólogo

Janeiro de 1998
Diana podia jurar que tinha um ímã para homens corajosos demais para o próprio tamanho. Em seus muitos anos de vida, já tinha se deparado com alguns desses espécimes, poucos, porém, chamavam sua atenção verdadeiramente, a ponto de fazê-la interferir na situação. Na verdade, até o momento, Steve Trevor tinha sido o único.
Em uma de suas andanças pela cidade que estava hospedada no momento, se deparou com um jovem tentando defender um senhor de idade de ser roubado na madrugada. Ele até conseguira dar tempo para o senhor se livrar e correr, no entanto, por conta disso, apanhou dos três caras que tentavam roubar o senhor.
Tentou simplesmente deixar
pra lá e seguir em frente, mas, antes que pudesse perceber, já tinha ido ao resgate do homem, afastando os babacas com alguns socos e levando o jovem para longe dali. Carregou-o sem dificuldade, mesmo que esse já estivesse quase inconsciente, até o hotel onde se encontrava hospedada. Subiu pelas escadas devagar e o levou pelo corredor até o seu quarto, colocando-o na cama ao entrar neste.
Respirou fundo, reparando que o rosto do jovem tinha alguns machucados mais profundos, pegou a caixa de primeiros socorros em um dos armários e começou a passar a gaze com álcool nos machucados dele. Mesmo desacordado, o desconhecido fez uma careta enquanto ela limpava seus machucados.
Depois de fazer um curativo nos machucados mais profundos, Diana o ajeitou na cama para fazê-lo descansar enquanto ela própria se deitava no sofá. Tamborilou os dedos sobre a barriga, o olhando de cinco em cinco segundos para checar se ele, ao menos, respirava.
Não satisfeita, suspirou e levantou-se para checar sua temperatura, constatando que ele estava quente, o que fê-la molhar uma toalha para apoiar na testa dele. Aproveitou para avaliar suas feições... Ele era bonito, bem bonito, com certeza não era velho, deveria estar por volta de seus vinte e cinco.
Sentiu a cabeça pesar, estava preocupada com uma pessoa que nunca tinha visto antes e isso, por si só, fazia-a sentir-se exausta. Na última vez que havia se prestado àquilo, o tiro acabou saindo pela culatra.
Deitou-se novamente apenas após entender que já tinha feito tudo que estava em seu alcance e, com a cabeça girando, caiu no sono.
Assustada, Diana acordou na manhã seguinte com a tosse do homem que tentava se levantar da cama.

- Você não deveria fazer esforço. – Avisou, ainda deitada, e o fez virar a atenção para si.
- Quem é você? – Enrugou a testa, a olhando por alguns segundos e voltando a tentar se levantar.
- Sua heroína. – Caminhou rapidamente até a cama para forçá-lo a continuar deitado. – Eu disse que não deveria levantar!
-
Deveria, não deve.
Ela deu uma longa inspirada buscando paciência e aproveitou para reparar os curativos dele. Precisavam ser trocados.
- Tome um banho, vou encher a banheira para você e mandar o hosting do hotel trazer roupas. – Disse, caminhando até o banheiro do quarto.
- Achei que deveria ficar deitado.
- Por Hera, – Parou no meio do caminho. – Quer me irritar?
Ele riu pelo nariz, gostando da expressão que ela fazia quando ficava impaciente.
A mulher continuou o seu caminho até o banheiro, ligou a torneira da banheira e voltou, partindo para o telefone fixo que lhe permitia falar com o funcionário do hotel.
- Você sabe quanto eu visto? – O homem perguntou depois de um tempo, já acomodado na banheira.
- Tenho um bom olho. – Ela respondeu, deitada na cama aguardando-o terminar.
Ele não demorou muito, apenas o tempo de se lavar e relaxar um pouco os músculos. Saiu com a toalha enrolada no quadril, mantendo o tórax descoberto e, apesar de não ser musculoso, tinha definição o suficiente para fazer com que Diana o admirasse por um instante ou dois.
- Onde estão as roupas? – Indagou, sentindo dor demais para reparar na mulher que avaliava seu torço sem muita vergonha.
- O quê? – Respondeu confusa, recobrando sua atenção.
- As roupas...
- Ah! Sim! – Se levantou rapidamente. – Aqui. – Entregou ao jovem que voltou ao banheiro e colocou sua nova muda de roupas.
Quando retornou ao quarto, se direcionou à cama, obedecendo as ordens da outra, sentando-se para cuidar dos machucados.
- Você tem esse costume de trazer homens machucados para sua casa? – Perguntou com um tom de riso, o que não era muito típico dele.
Diana parou um instante para observá-lo, estava com as pernas cruzadas como índio enquanto ela se encontrava de joelhos, em cima da cama, na frente dele.
- E você? Tem o costume de apanhar pelas ruas? – Respondeu petulante e voltou a tratar seus machucados.
Ele sorriu e não falou mais nada pelo resto do tempo em que ela cuidava dele.
- O gato comeu a sua língua? – Perguntou assim que terminou.
No pouco tempo que ele estava acordado, já tinha se mostrado muito falante e piadista.
- Sou um homem de poucas palavras.
- Hm... E esse homem de poucas palavras tem nome? – Sentou-se de frente para ele, ainda na cama.
Ele piscou algumas vezes confuso, e respondeu:
- Bruce.
- Bruce o quê? – Continuou, olhando-o compenetrada e ele juntou as sobrancelhas.

- Você nã... Não importa.
- O Bruce é um pouco misterioso, não é? – Debochou e ele riu pelo nariz. – O que pensou que estava fazendo ao entrar numa briga, sozinho, na madrugada?
Ele passou a língua pelos lábios e riu mais uma vez.
Aquela mulher tinha alguma coisa diferente.
- Eu não estava arrumando briga, eu estav... – Foi interrompido.
- Defendendo o senhor que estava sendo roubado. Eu vi. – Disse como se fosse óbvio. – Mas você não é tão forte como imagina, por que não chamou a polícia?
- Porque a polícia não funciona. Até ela chegar... – Parou no meio da frase. – O senhor já estaria sem seus pertences ou até mesmo morto. Eu preferia ir no lugar dele.
Diana piscou algumas vezes e engoliu o seco, ele lembrava tanto Steve.
- Não teme pela sua vida? – Estudava cada parte de seu rosto.
- Não. – Foi simples. – Eu... – Se levantou da cama. – Você pode chamar um táxi para mim? – Diana enrugou a testa.
- Como?
- Preciso ir.
- Eu não vou te deixar ir nesse estado. Tenho certeza que não está bem e tenho certeza que não é o tipo de homem que se cuida e vai ao médico.
Bruce suspirou.
- É cárcere? – Perguntou e pela primeira vez não estava com o sorriso, que ela o fazia ter, no rosto.
- É pagamento pelo trabalho e susto que me deu. Só sai depois de me dar a certeza que está bem. – Ela aumentou um pouco o tom de voz e, com seu jeito petulante de ser, o fez ficar.


E foi essa a situação que a fez, alguns meses depois, se descobrir grávida. Tinha ficado pouco tempo com o homem, apenas alguns dias que não chegaram a completar nem um mês, mas acabou se redescobrindo depois daquilo, principalmente pela parte de ser mãe.
Infelizmente, apesar de ser ótimo como pessoa, Bruce não era um bom amante. Não em relação ao sexo, o sexo era maravilhoso, mas Bruce não conseguia se conectar de verdade.
Diana entendia isso, ele tinha seus demônios, assim como ela, também, tinha os dela. Ele tinha sido honesto, no entanto, desde o primeiro instante, quando percebeu que estavam se envolvendo - antes mesmo do primeiro beijo -, lhe contou que não era um cara para namorar; não contou o motivo, mas deu a entender que as circunstâncias da vida causavam isso.
Mas, apesar de Bruce dizer uma coisa, suas atitudes diziam outra e Diana nunca se sentiu tão bem e em paz como se sentiu com ele.

- Quantos anos você tem? – Ela perguntou um pouco assustada, a voz um pouco mais alta por conta disso.
Ele riu.
Tinha acabado de elogiá-lo por ser um ótimo parceiro na cama e brincou que, com certeza, ele havia treinado bastante, mas Bruce tinha lhe respondido um: "não muito" com uma cara bem culpada.
- Eu posso ser presa? – Abriu a boca se fazendo de chocada e dando um tapa no ombro dele.
Bruce riu novamente, o riso com ela realmente se soltava fácil.
- Dependendo do estado. – A amazona abriu a boca realmente chocada dessa vez.
- Tem menos de 21? – Se deitou de lado, observando as expressões do parceiro.
- 19? – Respondeu em uma falsa dúvida fazendo uma careta.
Diana gargalhou incrédula.
- Por Hera! Eu vou me entregar à polícia.
- Quantos anos você tem? – Finalmente devolveu a pergunta e foi a vez da mulher fazer a careta.
- Alguns.
- Alguns quantos?
- Não importa.
- Tão velha assim? – Ele zombou.
- Você nem imagina...

Ele, de verdade, não imaginava.

A amazona se viu perdida quando descobriu a notícia de que estava grávida.
Grávida!
Grávida e sozinha!
Diana sempre tinha sido autossuficiente, mas ela não sabia nada sobre criar uma criança e temeu, por ela e pela criança em seu ventre.
Procurou por Bruce em todos os lugares, ela não sabia seu sobrenome, mas tinha contatos e acabou por descobrir quem era o jovem que tinha lhe tirado algumas noites de sono e, ademais, lhe deixado grávida.
Bruce Wayne.
Este, entretanto, havia desaparecido, desde dias depois que ficaram juntos. Aparentemente, depois que ele foi embora, ninguém mais teve notícias dele e o jovem já tinha sido dado como morto.
Como em poucas ocasiões na sua vida, Diana chorou. Chorou por não saber o que tinha acontecido com Bruce. Chorou por não saber o que iria acontecer com ela. Chorou por estar sozinha e nessa situação. E, então, buscou refúgio no único lugar que poderia... Temiscira.


Dezembro de 2002
Diana já havia voltado de Temiscira há dois anos, permanecera lá durante toda sua gravidez e durante os dois primeiros anos de vida de sua filha, - que agora tinha quatro anos -, mas decidiu que valia a pena voltar para o mundo de Bruce Wayne.
Mesmo que Bruce não estivesse mais neste, valia a pena tentar criar um mundo melhor, por ele e por sua filha, do jeito que ele tentava com suas pequenas ações.
- Não troca de canal! – Avisou quando viu a filha tentar se aproximar do controle.
- Mas você não está vendo. – tentou.
- Estou escutando e você está pintando seus desenhos. – Apontou as folhas e os lápis de cor pelo chão. – Continue.
Com um bico, continuou a pintar seus desenhos e Diana se aproximou do vaso ao centro da mesa, prendendo o riso com a expressão da filha.
- Depois de desaparecer por cinco anos e ser dado como morto, Bruce Wayne reaparece e diz que pretende fazer de Gotham uma cidade melhor através da Wayne Enterprises. – A repórter da TV falou e o vaso de flores escorregou da mão da amazona, espatifando-se no chão enquanto, paralisada, ela via a foto do pai de sua filha na televisão.
- O que foi, mamãe? – perguntou assustada. – Mamãe? – Chamou novamente, mas a mulher não se mexia.
Se levantou preocupada e caminhou até a mãe, mas, antes que pudesse alcançá-la, pisou em um pedaço de vidro do vaso que tinha escorregado da mão de Diana.
- Ai. – Disse já com lágrimas nos olhos e a voz chorosa, foi só então que Diana acordou de seu transe.
- O que houve, minha filha? – A pegou no colo imediatamente, sentando-a sobre a mesa e examinou seu pé.
Graças aos deuses era algo superficial.
- Já não lhe disse para não chegar perto de vidro?
- Eu estava nervosa. Você não falava. – Se desculpou em meio as lágrimas e Diana se sentiu culpada.
- Sinto muito, meu amor. – Passou as mãos em seu rostinho. – Eu vou pegar o band-aid. – Falou já caminhando em direção a cozinha. – Não saia daí. – A menina assentiu com a cabeça, já balançando os pezinhos e se esquecendo da dor.
Diana voltou com a caixinha de primeiros socorros e limpou o machucado da filha.
era seu bem maior e Prince não sabia até onde seus genes tinham alcançado a garota, ela não se machucava ou adoecia com facilidade, mas, até onde a semideusa sabia, era apenas isso - e estava ótimo assim.
- O que aconteceu com você? – perguntou novamente.
Nunca tinha visto a mãe daquele jeito.
- Seu pai. – Respondeu em um fio de voz.
Sempre tinha sido super sincera com a filha, que sempre fora esperta assim como ela em sua juventude, então não tinha motivos para mentir agora. - O que tem ele? – Curiosa, analisou o rosto da mãe.
- Acho que ele está vivo. – Respondeu, olhando no fundo dos olhos da filha. – Mas isso não significa que vamos falar com ele.
- Por quê?
- Não falo com ele há anos. Não sei o que aconteceu, não sei se ainda é o homem pelo qual me apaixonei. – Diana suspirou.
- Você me deixa ir junto? Quando você for falar com ele... – A mais nova fez um novo bico e Diana sorriu assentindo.
Como esperado, não foi difícil para a amazona conseguir um horário na agenda do Wayne e, na semana seguinte, se encontrava caminhando até a sala dele com a filha em seu encalço.
- Senhorita Prince. – Ele comentou, assim que escutou o barulho da porta, sem levantar o olhar.
- Oi, Bruce. – Ela respondeu, fazendo o máximo que podia para controlar sua voz e a reação dele foi instantânea.
Bruce reconheceria aquela voz em qualquer lugar.
- Diana? – Piscou algumas vezes observando a mulher e ela deu um leve sorriso.
- Aonde você estava, Bruce? – Os olhos dela se encheram de lágrimas. O homem travou no lugar, sem saber como agir. – Eu te procurei em cada canto dessa Terra, mas tudo que eu encontrava era a mesma coisa... Bruce Wayne estava morto.
Ele continuou parado.
Perdido.
Diana não havia mudado nada, um fio de cabelo sequer. E, agora, estava ali, na sua frente, chorando.
- Por Hera, Bruce, fale alguma coisa.
O homem só saiu de seu transe, parando de olhar para o rosto da bela mulher que quase tinha lhe feito desistir de tudo no passado, quando ouviu alguém tossir forçadamente. Olhou pela sala, procurando de onde vinha o som e reparou na mini figura ao lado de Diana, segurando em suas pernas.
Enrugou a sobrancelha, se levantando, observando os traços da menina, ela tinha pequenos cachos na ponta dos cabelos e a boca rosada e fina, assim como Diana, os olhos, porém, lhe tiraram o ar. Sentindo o coração bombear mais rápido que o normal, avaliou as duas bolas verdes e expressivas que poderiam muito bem ser descritos como iguais aos de Martha, sua falecida mãe.
Bruce congelou novamente, dessa vez, olhando a menina, sentiu o coração bater ainda mais rápido só para desacelerar como se já não existisse depois, ao passo que sua respiração ficava irregular. Piscou algumas vezes tentando se concentrar, mas perdeu seu foco mais uma vez quando a menina lhe ofereceu um sorriso perfeito, assim como os que Diana lhe sorria, e o homem desmontou por alguns instantes.
A mais velha da sala, obviamente, reparou suas expressões um pouco preocupada, mas mandou a própria tensão embora quando o viu dar um indício de sorriso para a criança.
- Esta é . – Diana falou. – É nossa filha. Vou entender se não acreditar ou... – Foi interrompida por ele.
- Eu jamais duvidaria de você, Diana. – Ela assentiu e finalmente caminhou para perto dele.
- Já não é mais um adolescente, não é? – Deu um sorriso, enquanto fazia um carinho no rosto dele e ele se permitiu sorrir junto dela. – Onde se meteu? – A preocupação em seus olhos poderia ser lida por qualquer um.
- Não importa mais.
Como se tivesse levado um choque, Diana se afastou dele.
- Como não importa, Bruce? – Passou as mãos pelos cabelos e parou de costas, se recusando a olhá-lo para dizer aquilo. – Tem ideia de como foi difícil para mim, grávida, achar que você estava morto? – Se virou de frente para ele de novo.
Bruce respirou fundo, não sabia o que falar ou como agir, nunca pensou que iria passar por aquilo. Por mais que em seu âmago almejasse uma família, se julgava incapaz de conseguir isso, mas agora ele era pai.
Observou a garotinha, que depois de notada começou a andar pelo escritório bisbilhotando tudo, completamente curiosa. Se lembrava de ser assim quando pequeno, perguntando à mãe o porquê de tudo. E, então, quando menos esperava, ela correu em sua direção pulando em seu colo.
- Oi. – Pôs as mãozinhas nas bochechas dele, obrigando-o a olhar para si.
- Oi. – Se forçou a responder depois de alguns segundos.
Não queria ser um babaca com a filha.
- Ah! Você fala? – Diana o cutucou.
- Diana, por favor. – Pediu, mas ela revirou os olhos.
- Vamos, . – Chamou pela filha se encaminhando em direção a porta.
- Diana! – Chamou um pouco exasperado, ainda com a filha no colo.
- O que é, Bruce? – Parou no meio do caminho.
- Podemos conversar sobre isso depois? Com calma. Por favor.
Ela suspirou.
Quando se tratava de Bruce, a mulher era só suspiros, seja de impaciência ou de prazer.
- Tudo bem. – Cedeu, ainda que frustrada. – . – Chamou novamente.
A menina se sacudiu para descer do colo do pai e este se agachou para pô-la no chão, sendo, mais uma vez, surpreendido por um beijo estalado e um abraço apertado. Instintivamente ele correspondeu, alisando seus cabelos e beijando sua testa.
- Diana. – Chamou quando ela já estava abrindo a porta da sala, a mulher parou para olhá-lo. – Vou vê-la novamente, certo? – Olhou para a filha e Diana não conseguiu não sorrir.
- Claro, Bruce. Vou deixar meu contato com a sua secretária.

ωωω


Abril de 2004 O início não foi fácil, Bruce não fazia ideia de como agir ao redor da garota, do que fazer para se dar bem com ela ou agradá-la - e só os deuses sabiam o quanto ele queria agradá-la -, mas era uma criança esperta e suas atitudes falavam por si só.
Não demorou muito para as coisas se ajeitarem e Bruce passar a ser chamado de papai.
E, céus, como ele adorava ouvir aquilo.
Adorava ver a garotinha correndo pela casa, perguntando tudo, falante e fazendo toda a bagunça que ele nunca imaginou que deixaria alguém fazer.
, assim como Diana, tinha o homem nas mãos.
- Você vai fazer panquecas hoje, papaizinho? – perguntou, sentada na bancada da cozinha da mansão Wayne.
Bruce olhou para ela e sorriu. Depois que ele havia contado que sabia fazer panquecas, porque tinha aprendido com sua mãe, a menina lhe pedia panquecas todo café da manhã. Se pôs na frente dela, apoiando os cotovelos na bancada, com a menina entre eles, e falou:
- Vou. – Era uma resposta simples, mas o sorriso que a acompanhava fazia o coração da menina se encher de felicidade. Ela amava o papaizinho desde o primeiro momento que o viu.
O amor das meninas Prince pelo príncipe de Gotham, Wayne, era tão puro e real, assim como o amor dele para com elas.
Diana chegou para buscar a menina menos de uma hora depois e aproveitou para comer as famosas panquecas junto com a filha. Eles ainda não haviam confirmado como ficaria a guarda da garota, mas, por hora, decidiram que ela passaria os finais de semana com Bruce - mais os dias da semana que ele estivesse livre.
- Não está atrasado para o trabalho? – Diana perguntou ainda terminando de comer as panquecas.
- Um pouco, mas tenho coisas mais importantes em casa. – Passou as mãos pelos cabelos de e a menina lhe sorriu.
Pegou o paletó e vestiu, saindo da cozinha. Diana já tinha percebido que ele a evitava e ele sabia disso, mas não podia fazer muito... A mulher era cheia de perguntas que ele não podia responder e ele não sabia não ser transparente para ela. A única forma que tinha de encobrir quem era, era evitando-a, mesmo que isso não lhe agradasse.
- Quer que eu deixe vocês na escola da ? – Ele perguntou da sala.
- Não precisa. Combinei de sair com um amigo, ele vai passar aqui para nos buscar e nós aproveitamos para deixá-la na escola. – Bruce voltou para a cozinha imediatamente. – Você já está atrasado. – Sorriu cínica.
- Um amigo? – Perguntou um pouco mais incomodado do que gostaria de estar.
- Sim. – Recebeu uma mensagem no celular logo após responder e desviou a atenção para descobrir quem era. – É ele. – Levantou o olhar e sorriu novamente. – Nos vemos no próximo fim de semana. – Ajudou a filha a descer da bancada e caminhou com ela, deixando Bruce para trás.
- Estarei livre já na quinta.
- Então nos vemos na quinta. – Respondeu sem olhar para trás. – Tchau, Bruce.
Bruce respirou fundo revirando os olhos e, ignorando o olhar acusatório de Alfred, saiu para o trabalho.

ωωω


- Liga para ele. – pediu impaciente com a demora do pai.
- Espera, minha filha. – Pegou o telefone e discou o número de Bruce, porém ninguém atendeu. – Ele não atende. Deve estar ocupado.
- Mas ele está atrasado. Liga pro trabalho dele. – A menina apontou o telefone com a mão e Diana revirou os olhos, escutando a risada de Donna - sua caçula - atrás de si.
Para a felicidade de Diana e de Bruce, tinha se adaptado rapidamente ao pai e ficado extremamente apegada a ele, mas às vezes - só às vezes - aquilo podia ser um verdadeiro saco.
A amazona tentou de novo, dessa vez com o número da secretária dele, em poucos instantes foi atendida.
- Giovanna, é Diana. – Falou assim que a mulher atendeu.
- Ah! Oi, senhorita Prince.
- Bruce está por aí?
- Não, já saiu. Posso te ajudar com alguma coisa?
- Não. Apenas isso. Obrigada.
- Não há de quê.
Diana colocou o telefone acima da mesa e se sentou no sofá, entre a filha e a irmã, enquanto ligava a televisão.
- Ele já saiu de lá. Já deve estar chegando. – Avisou e a menina assentiu pouco conformada.
Menos de uma hora depois, o homem se fez presente na casa, pedindo desculpas pela demora e recebendo um petulante: “que isso não se repita” de sua filha.
Diana se despediu deles e voltou ao sofá, dessa vez prestando atenção no noticiário, já que antes estava apenas tentando distrair a filha.
- Novamente o vigilante que as pessoas vêm chamando de Batman agiu e ajudou a polícia capturar dois assaltantes. – A repórter começou e Diana arqueou as sobrancelhas, recebendo instantaneamente um olhar de Donna.
Não era a primeira vez que ela ouvia falar desse Batman.
- Mesmo sem imagens oficiais, algumas testemunhas afirmam já terem sido salvas por ele e alguns bandidos parecem aterrorizados.
A mulher piscou algumas vezes, se remexendo no sofá como se, de repente, ele fosse feito de agulhas.
- O que você está pensando? – Donna murmurou, analisando a irmã de cima a baixo.
Prince preferiu ignorar a irmã, somente se esticando para pegar o telefone e voltando a ligar para a secretária de Bruce.
- Desculpa te importunar novamente, Gio, é que o Bruce não chegou aqui até agora e a está reclamando. Faz muito tempo que ele saiu?
- Ele saiu mais cedo hoje, senhorita Prince, por volta das quatro da tarde. Devo me preocupar?
- Não, não se preocupe. Vou ligar para o Alfred, ele deve saber.
Desligou e olhou o relógio.
9h13 da noite.
Por que Bruce tinha demorado tanto para buscar a menina se tinha saído cedo?

- Seu rosto está machucado. – Diana passou a mão pelo machucado no canto da boca homem. – O que houve?
- Me cortei fazendo a barba.
- Estava fazendo a barba com uma espada? – Perguntou incrédula, já que o corte não era pequeno e estava bem magoado.
Bruce riu.
- Não é para tanto.


- O que foi? – Bruce perguntou após o suspiro pesado da mulher nua ao seu lado.
- A gente, um dia, vai conversar sobre o que você fez no tempo que ficou longe? – Passou a mão por algumas cicatrizes em seu dorso e foi a vez dele de suspirar, tirando a mão dela dali.
- Não é importante, Diana.
- Essas cicatrizes não fazem parecer que foi alguma coisa sem importância. – Ela ia recomeçar, mas, bom, pelo menos em momentos como aquele, ele sabia o que fazer para distraí-la.

- Alô, Alfred? – Indagou assim que os toques pararam.
- Sim, senhorita Prince. Algum problema?
- Bruce está? Não estou conseguindo falar com ele.
O homem do outro lado da linha hesitou por um instante.
- Patrão Bruce precisou fazer uma viagem de emergência.
- Quando ele volta?
- Infelizmente não sei, senhorita.

Podia jurar que essa viagem tinha acontecido na mesma época que a notícia de Batman em Metrópolis havia aparecido.
Suspirou ao pensar na despedida deles, anos atrás, a necessidade de ser a mudança que Gotham City precisava era algo que sempre estava em suas poucas conversas mais profundas.
Determinada a descobrir a verdade, caminhou até seu quarto, sendo seguida pela irmã, e, no fundo do closet, apanhou pela caixa que colocou dentro da bolsa.
- Por que está pegando o laço? – A adolescente pareceu surpresa. – Acha que Bruce tem alguma coisa a ver com isso?
- Não sei. – Murmurou entredentes. – Mas se tiver, vou descobrir. Você vai ficar aqui e me aguardar voltar.
Donna abriu e fechou a boca algumas vezes, como um peixe - ou um atlantis, zombou internamente -, até ter coragem de falar:
- Não estou aqui para ser treinada? – Continuou seguindo a irmã pela casa. – Seria lógico se me deixasse ir com você para... – Parou de falar ao receber um rude olhar da mais velha.
- Não se trata de um treinamento, Troy. – O uso de seu sobrenome indicava que ela não estava para brincadeiras. – É do pai da minha filha que estamos falando.
- E do homem pelo qual você é apaixonada.
- Donna! – A voz, apesar de baixa, bradou forte o suficiente para fazer a garota se encolher e sentar no sofá. – Não saia daqui. – Mandou mais uma vez.
Desceu para garagem do prédio e entrou no carro, que raramente usava, a caminho da mansão Wayne. Não demorou muito para chegar ao seu destino e logo foi liberada para entrar no local.
Estacionou o carro, tirou a caixa de dentro da bolsa e entrou na mansão, já sendo recepcionada por Bruce e - que comia uma barrinha de chocolate.
- Aconteceu alguma coisa? – Fechou a porta atrás dela.
- Você é o Batman? – Indagou sem rodeios, paciência não era uma de suas virtudes.
Bruce vestiu uma expressão parecida com a de sua irmã minutos antes, mas logo tratou de rir e secou até algumas falsas lágrimas no canto dos olhos.
- Batman, Diana? – Riu pelo nariz. – Batman é só uma historinha que a máfia usa para assustar outros criminosos e desencorajar a concorrência.
Diana revirou os olhos para o que ela julgava ser o teatrinho do homem. Impaciente, abriu a caixa que segurava abaixo do braço, retirando o que tinha dentro.
, sentada no sofá, soltou um: “oh-oh”. E Prince, sem esperar a reação da parte dele, o laçou.
- Você é o Batman? – Perguntou novamente.
Antes que pudesse sentir, a resposta saltou de sua boca:
- Sou. – Piscou algumas vezes tentando entender o que havia acontecido. – O que...?
- Este é o Laço de Héstia, ele força as pessoas a revelarem a verdade. Lutar contra ele é doloroso e inútil.
- Não pode mentir. – disse rindo baixinho.
- Por que não foi sincero comigo?
- Eu estou em uma missão para salvar Gotham. Não tenho tempo para distrações ou... – Parou, tentando se controlar, mas sentindo a corda ao seu redor esquentar. – Da última vez que você entrou na minha vida, quase me fez desistir de tudo por você.
A mulher segurou a respiração por alguns instantes, mas recomeçou:
- O que você fez durante esses anos que ficou longe?
- Treinei para ajudar a salvar Gotham. – Respondeu de forma simples e Diana forçou ainda mais o aperto do laço.
- Treinou o quê? Com quem? – Perguntou entredentes.
- Quando nos conhecemos, eu já estava na minha jornada ao redor do mundo para encontrar um método de salvar Gotham, minha cidade, a cidade que meus pais amavam, mas eu não tinha a mínima ideia de como fazer isso. Eu sabia que não conseguiria só com a Wayne Enterprises, meu pai tentou esse caminho e falhou. E ele era um homem muito melhor que eu. – Respirou fundo, sentindo a garganta secar. Odiava falar sobre seus pais. – Pouco tempo depois de te encontrar, conheci um homem, quase do mesmo jeito que te conheci. Seu nome era Ra's Al Ghul e ele entendeu meu desejo por salvar a minha casa e me disse que conhecia um lugar onde eu encontraria a força para trazer as mudanças que eu almejava. Na Liga dos Assassinos.
- Liga dos Assassinos? – Diana o interrompeu. – Que diabos é isso, Bruce? Um clube de motoqueiros? – Arqueou uma das sobrancelhas e Bruce não pôde evitar sorrir ao escutar a gargalhada de .
- Uma organização secreta milenar que preza pela manutenção da ordem no mundo. São responsáveis pelo colapso de quase todas as grandes civilizações na história, Roma, Babilônia, Alexandria, a peste negra... Quando a Liga acha que a sociedade está se autodestruindo, eles a queimam para eliminar os maus elementos e garantir nova sociedade purificada.
- Por Hera, Bruce, você entrou para um culto de fanáticos genocidas? É isso que você veio fazer em Gotham?
- É lógico que não, Diana. – Respondeu irritado.
Irritado pela série de perguntas.
Irritado por estar sendo obrigado a revelar coisas que pensou que levaria para o túmulo.
Irritado por ter que falar aquilo na frente de .
E irritado por ser tão difícil ao ponto de Diana se ver iminente a amarrá-lo para conseguir respostas.
Olhou para a filha antes de continuar, mas logo abaixou o olhar; não queria que ela se assustasse com a história.
- Eu jamais faria isso. Ra’s virou meu mentor e amigo. Me treinou por cinco anos, ensinando a controlar o meu medo e usar o medo dos meus inimigos contra eles, me transformando em um exército de um homem só. Eles queriam que eu fizesse isso com Gotham, mas eu não mato, não sacrifico a vida de ninguém além da minha. Fazer isso seria me transformar naquilo que meus inimigos representam e cuspir na memória dos meus pais.
- Então, como você está aqui? Eu não conheço essa Liga, mas assumo que não lidem muito bem com rejeição.
- Eles realmente não lidam. Ra’s era o líder, quando rejeitei sua filosofia, ele me prendeu e me torturou. Tentou fazer uma lavagem cerebral em mim... – Bruce fechou os olhos, como se lembrar daquelas coisas fosse doloroso demais. – Colocava inocentes em uma arena, amarrados e indefesos, e, junto, criminosos para atacá-los, com a promessa de liberdade caso o fizessem. E me jogava no meio, me forçando a matar para salvar os inocentes, para que eu entendesse sua visão. Mas eu nunca matei. Não importava o quão difícil estava ou a minha desvantagem, matar não era uma opção. E, felizmente, consegui impedir a morte de qualquer inocente.
- Tocante, mas você ainda não respondeu minha pergunta. Como está aqui? – Ele suspirou.
- Eu estava chegando lá. Você queria saber, então estou te contando tudo. Não seja impaciente, não é como se eu fosse ir a algum lugar. – Se mexeu fazendo referência ao laço em volta de si. – Durante meu treinamento, eu me envolvi com a filha mais velha de Ra’s, Talia. – Sentiu o laço apertar ainda mais seu corpo e fez uma pausa.
Diana ergueu uma de suas sobrancelhas o desafiando a continuar.
- Nos apaixonamos. – Disse devagar e escutou expressar um som surpreso, quando a olhou, ela tinha as duas sobrancelhas arqueadas, olhando, confusa, dele para a mãe. A necessidade que ele tinha de se explicar ficou mais forte de repente. – Não fazia sentido fugir dela enquanto eu achava que tínhamos o mesmo objetivo. Depois da minha traição ao pai dela, ela ficou dividida. Seu pai tinha sua mente, eles compartilhavam a mesma convicção, mas eu tinha seu coração. Eventualmente, o coração venceu e ela me ajudou a fugir.
- E essa Talia? – Diana perguntou sem conseguir se conter.
riu baixinho, mas colocou as mãos na boca quando um olhar da mãe a repreendeu.
- Eu não sei. Durante minha fuga, eu sabotei as instalações da Liga, diminuindo sua capacidade de causar danos a qualquer lugar, especialmente a Gotham. No meio ao caos, Ra’s... – Piscou algumas vezes para se concentrar. – Ra’s acabou morrendo. Talia traiu a Liga, mas me culpa pela morte dele. Ela desapareceu, não a vejo há mais de um ano.
Diana afrouxou o laço, deixando-o se libertar. O homem esfregou um pouco os braços doloridos pelo aperto e sentou no sofá, passando as mãos pelo cabelo.
- E você? – Ele perguntou. – É uma amazona, não é? – Perguntou fazendo a mulher franzir a testa.
- Como sabe?
- A Liga tem registros, de milhares de anos, sobre todas as civilizações do planeta, incluindo o lado místico. Eu já desconfiava de algumas coisas e os registros apontavam duas possibilidades, amazonas e atlantis, como nunca te vi respirando debaixo d'água ou falando com peixes, assumi que fosse o primeiro. E agora teve isso. – Apontou o laço na mão dela. – Aliás... Você não estava brincando quando disse que era mais velha. Segunda Guerra Mundial? – Ele arqueou as sobrancelhas.
Diana mordeu o lábio inferior, aquilo trazia à tona assuntos que ela preferia não rever.
- Quantos anos você tem?
- É indelicado perguntar a idade de uma dama. – A amazona murmurou, enrolando o laço.
- Oitocentos. – Foi que respondeu, causando um olhar assustado no pai.
- Quanto ela sabe?
- Tudo. Inclusive sabe que eu também sou uma ótima nadadora graças ao meu tio. – Bruce franziu o cenho. – Poseidon. – Tive meu passado escondido pela minha mãe, então minha relação com sempre foi baseada em transparência. Não gosto de segredos, Bruce. – Ele se levantou e caminhou para perto dela.
- Aprendeu isso com Steve Trevor? – Viu o rosto dela adquirir um tom furioso no mesmo instante.
Antes que pudesse raciocinar, recebeu um soco na boca do estômago que o fez voltar a se sentar no sofá. Longe dela.
arregalou os olhos, pulando do sofá imediatamente e, com o mesmo olhar repreendedor que a mãe tinha lhe dado minutos antes, se colocou na frente do pai de braços abertos. Respirou fundo algumas vezes, ainda de cara fechada para a mãe, e cruzou os braços.
- Não vai bater no papai! – Pareceu pensar por alguns instantes e saiu da frente do homem. – Se bem que... – Começou pensativa. – Ele te traiu. Pode bater sim, vai. – Abanou a mão da mãe para o pai, como se a incentivasse.
- Eu traí? – Bruce riu e juntou as sobrancelhas.
Com o olhar mais insolente possível, ela se virou para o pai e disse:
- Talia.

ωωω


Outubro de 2005 Era madrugada quando Bruce chegou na casa de Diana. Ele já tinha lhe enviado uma mensagem dizendo que queria vê-la, o que fez a mulher ficar preocupada. Sabendo que ela estaria lhe aguardando na sala, deu dois toques na porta do apartamento.
- O que houve? – Diana juntou as sobrancelhas enquanto fechava a porta sem tirar os olhos dele.
Bruce não lhe respondeu. Ao menos não do jeito que ela pensou que ele responderia.
Em segundos, tinha sido prensada contra a porta e a boca do homem tinha coberto a sua, Diana suspirou, se agarrando aos cabelos dele.
Eles tinham combinado que aquilo não aconteceria mais, a mulher não queria ser só mais um dos casinhos que ele tinha para manter a fama de playboyzinho. Mas ali, com os beijos dele em seu pescoço e a mão apertando todos os lugares de seu corpo do jeito que só ele sabia, era fácil esquecer o tratado.
Recobrando um pouco de sua consciência, ela o afastou de si. Respirou fundo, ainda grudada na porta, enquanto olhava o homem à sua frente com a respiração tão descompassada quanto a dela.
Wayne riu, já sabendo o que viria, quando a viu estender um dedo para ele, completamente séria.
- Inferno. – Diana resmungou, fechando os olhos e esfregando o rosto com as mãos. – A gente combinou, Bruce. – Voltou a apontar o dedo para ele.
Bruce voltou a sorrir e deu de ombros.
- Por que combinamos uma coisa tão idiota? – Olhou para ela com uma falsa expressão confusa e um sorriso ladino, mas a mulher continuou séria. – Diana... – Voltou a se aproximar dela.
- Não! – Ela estendeu a mão para lhe afastar.
- Droga, Diana. Pare com isso. – Ela negou com a cabeça.
- Se você quer sexo, tem um monte de mulher por aí se matando para conseguir uma noite na sua cama.
- Se eu quisesse sexo com elas, estaria com elas. No plural, você sabe. – Deu de ombros.
A amazona abriu a boca, indignada, e levantou a mão para meter um tapa naquela cara linda dele, mas Bruce segurou seu braço e lhe puxou para um novo beijo e ela se repreendeu por ser tão dada a ele.
- Não quero ninguém além de você. – Sussurrou, com o nariz colado no dela, quando terminaram o beijo.
- Pare de falar sandices. – Reclamou, mas ele negou com a cabeça.
- Casa comigo.
Diana arregalou os olhos.
- Como? – Perguntou completamente confusa.
A boca dela caiu no chão ao ver o homem ajoelhar na sua frente e tirar uma caixinha de seu bolso.
- Bruce, o que está fazendo?
- Casa comigo. – O homem falou mais uma vez e lhe mostrou o anel dentro da caixa preta.
O casal, entretanto, foi interrompido por um gritinho fino. No início da escada, , que já os acompanhava há bastante tempo, não conseguia se conter ao ver o pedido.
Como qualquer criança, o sonho da menina era que seus pais ficassem juntos, porém, indo contra tudo que prezava, Diana sempre mentira dizendo que aquilo não acontecia. Não era por mal, a mulher só não queria que a filha criasse expectativas em cima de uma coisa que ela não sabia se iria acontecer.
A garotinha, entretanto, sempre fora esperta e sabia que seus pais tinham alguma coisa. Ela conseguia sentir no ar e sempre mandava umas letrinhas quando estavam reunidos - principalmente quando tinha a ajuda de Donna.
colocou a mão na boca quando percebeu que tinha gritado e atraído atenção para si, mas ao ver o riso no rosto do seu pai, acabou por sorrir também.
- Eu sabia! – Apontou para eles e fez uma dancinha engraçada.
Diana acabou por rir também.
Por Hera, aquela garota deveria estar dormindo, eram quase quatro da manhã.
- Você vai aceitar ou não? – enrugou a testa e colocou as mãos na cintura ao ver que a mãe ainda não tinha respondido.
Bruce riu e completou:
- Vai ou não?
Diana mordeu o lábio inferior enquanto sorria e se jogou em cima do homem que caiu deitado no chão.
se juntou à bagunça instantes depois, se jogando por cima dos pais e gritando o quanto estava feliz.


Capítulo 1

Agosto de 2006
se encolheu junto ao pai.
Em todos aqueles anos, ela nunca teve que ficar longe da mãe. Nunca. Diana sempre esteve ao redor de sua filha, a enchendo de beijos e paparicando enquanto lhe ensinava algumas valiosas lições.
Até a noite anterior. Noite em que o Olimpo tinha convocado a filha de Zeus para uma importante missão rumo ao Tártaro.
A garota fungou enquanto se apertava mais ainda ao mais velho e Bruce sentiu seu coração ficar pequeno.
- Meu amor, eu não estou aqui com você? – Perguntou enquanto fazia um carinho nela.
- Mas e se ela se machucar? – Algumas lágrimas escorreram pelo rosto da criança.
- Sua mãe? – Bruce juntou as sobrancelhas como se aquela ideia fosse algo impossível. assentiu. – Mas ela não é a Mulher Maravilha? – Indagou num sussurro e a filha assentiu mais uma vez. – Ela nunca vai se machucar! É uma super-heroína muito, muito forte. – Arqueou as sobrancelhas e cutucou a barriga da menina quando ela deu um leve sorriso.
- Mas você se machuca. – Voltou a se preocupar com um biquinho.
- Ah, mas é porque eu não sou fortão que nem sua mãe. Ela é a Mulher Maravilha, eu só sou o Batman. – Balançou os ombros com uma faceta que beirava o desdém para si mesmo.
- O Batman é muito forte. – constatou e o pai riu.
- Então a Mulher Maravilha deve ser muito maravilha mesmo, não é? – Acariciou o rosto da filha que concordou com um balançar de cabeça.
- Mas e se vocês dois não estiverem aqui? – O bico voltou a aparecer.
Bruce deu um leve sorriso, se virou de costas para a filha para alcançar uma caneta na primeira gaveta de seu criado-mudo, feito isso, puxou a mão dela e desenhou um círculo.
- Quando eu era pequeno, tinha medo também... – Confessou, continuando a desenhar. Depois do círculo, veio um quadrado. – Meu pai sempre falava que não era necessário, porque ele sempre estaria comigo. – fez um bico olhando do pai para o desenho de um triângulo que, agora, ele fazia em sua mão.
- Mas o vovô Thomas não está mais aqui. – Piscou confusa.
- Vou chegar lá, meu amor.
Começou a desenhar um escudo na mão da pequena. Em silêncio, ele terminou aquele desenho e deu um sorriso paternal para ela, assim como o que os seus pais lhe davam.
Wayne deu um leve suspiro, se preparando para a história que iria contar.
- Esse círculo – Rodeou a caneta por cima da forma. – Representa amor, infinito e unidade. Aquilo que começa e acaba em si mesmo. É nosso coração. – A mais nova assentiu, completamente atenta às palavras do pai. – O quadrado está ligado à racionalidade. Ordem, estabilidade, pensamento analítico... perfeição. É a nossa cabeça. – Bateu a caneta contra a própria testa. – O triângulo significa harmonia... Sobre como esses dois – Apontou para o quadrado e para o círculo. – Devem estar em perfeito equilíbrio. – Sorriu, fazendo uma pausa.
- E esse aqui? – Curiosa, a garotinha mostrou o escudo ali presente.
O mais velho puxou a mão da menina de volta e desenhou um W em meio ao escudo. Com os olhos focados no desenho na mão dela, finalizou:
- O escudo é nossa família. Os Wayne. E ele quer dizer que, não importa aonde você esteja ou aonde eu esteja, mesmo que seja muito longe, se seu coração e sua cabeça estiverem em equilíbrio, nós estaremos com você.
Tinha sido o suficiente.
Pelo resto da noite, ficou encarando o desenho em sua mão, completamente alheia a tudo, se concentrando no que aquilo realmente representava e significava. Antes de adormecer, ela desviou o olhar para o pai, dando um singelo sorriso seguido de um: “obrigada”, sabia que o homem não gostava muito de falar sobre seus pais, então imaginava que aquilo era algo importante.

ωωω


Fevereiro de 2007
apoiou o queixo na mão, sentada na mesa de madeira bem escura e rústica disposta no grande gramado da Mansão Wayne, enquanto via a tia correr a toda velocidade ao redor de Diana para tentar lhe acertar com um soco.
Às vezes, parecia que alguém estava gozando da sua cara... No dia anterior, fora obrigada a ir com a mãe até o Olimpo, alguma coisa sobre Zeus desaparecido por tempo demais - não sabia porque era obrigada a ir, mas não podia se envolver em nada -, agora tinha que vê-la treinar sua tia e ficar sentadinha bebendo uma limonada sem graça. Bom, a limonada não era sem graça, na verdade era muito boa, mas aquela situação toda era um saco.
- É só isso que consegue fazer? – A semideusa desafiou.
Donna achou que a irmã tinha se distraído o suficiente para levar um soco, mas Diana apenas desviou, segurando o cotovelo da caçula e chutando-a nas costas para fazê-la cair de cara no chão.
Um movimento rápido demais para os olhos pouco apurados da garota de apenas nove anos, que apenas viu quando a tia riu, se virando e segurando a mão da irmã para levantar.
- Ei, Raminho. – Acenou, correndo até ela para se servir de um pouco de limonada.
- Oi. – A mais nova suspirou e a outra sentou-se sobre a mesa, de forma a apoiar os pés no banco, entre as pernas da sobrinha.
- Donna, vem! – Diana gritou, mas esta apenas ergueu as duas mãos para fazer um T acima da cabeça.
- Vai fazer mais limonada. – Gritou de volta, sem precisar olhar para saber que a irmã estava bufando. – A daqui acabou. – Levantou a jarra.
- Abusada. – Prince se aproximou, tomando a jarra da mão dela.
- O que foi, hm?
- Por que tem poderes e eu não? – Vendo a demora da tia em responder, continuou. – Mamãe não me deixa fazer nada. É um saco.
- Ela tem medo de você se machucar. É sua mãe.
- Mas papai não tem poderes e... – Parou de falar ao ver o mesmo T de segundos antes nas mãos da tia, dessa vez direcionado a ela.
- Você é muito nova ainda.
- Não venha com lorotas, Donna. Mamãe treina desde que tinha cinco anos.
- Mas sua mãe tem poderes.
- Não importa também. – Cruzou os braços, empurrando o copo em cima da mesa, atenta ao vê-lo deslizar até a borda e cair na grama. – Mesmo se tivesse, sei que ela não deixaria. Eles não me deixam nem fazer uma aula de defesa. Só sei as coisas que o vovô Alfred me ensinou por pena.
- Vai chegar um tempo que não vai caber a ela fazer decisões sobre a sua vida. Use esse tempo com sabedoria e curta sua vida fora do mundo dos heróis porque, acredite em mim, você vai sentir falta.
- Duvido. – Voltou a apoiar o queixo na mão, dessa vez, porém, com o cotovelo sobre a coxa esquerda da tia, só para vê-la reclamar da sensação incômoda e responder que se podia levar tiros, podia aguentar um cotovelo.
Troy revirou os olhos mediante a petulância da sobrinha, que se recusava a lhe chamar de tia a não ser que quisesse alguma coisa, rindo ao ter certeza que Diana e Bruce teriam muito trabalho com ela futuramente.
Ah, sim! Ela podia jurar pelos deuses que seria a adolescente mais atrevida que existira na face da Terra e seus pais estariam muito encrencados caso ela fosse atrevida o suficiente para conseguir a atenção dos deuses.
ωωω

Janeiro de 2009
O mundo todo parou, desacreditado, para ver a aparição do Superman. Os canais televisivos, de todo o mundo, noticiavam sobre o homem que tinha conseguido impedir a colisão de dois trens com a própria força, mas logo tinha ido embora sem dar pistas de quem era.
Semanas depois, ele voltou a aparecer, dessa vez impedindo um prédio de cair usando sua visão de raio laser e sopro congelante. As pessoas ficaram ainda mais surpresas com a sua força e, querendo apaziguar os corações, este aceitou dar uma entrevista.
- Quem ou, melhor, o que você é? – A mais nova repórter do canal, Lois Lane, questionou.
- Sou kryptoniano, venho de um planeta chamado Krypton. Meus pais me enviaram para a Terra porque meu planeta foi destruído pela própria estrela. – Respondeu com um leve sorriso.
- Há quanto tempo isso aconteceu? – Lois perguntou novamente.
- Meus pais biológicos me enviaram como um recém-nascido, já fazem dezenove anos. Cheguei aqui ainda bebê e fui acolhido por meus pais adotivos terráqueos.
- E todos em Krypton eram como você?
- Bom, na verdade, os kryptonianos são, basicamente, bem parecidos com os terráqueos. A diferença era o nosso Sol. O Sol de Krypton era vermelho, então todos os cidadãos eram pessoas normais como você, mas, por alguma razão, o Sol amarelo da Terra se torna energia extra para mim e, consequentemente, me dá poderes.

- Uau. – deixou o queixo cair ao ver o homem que acenava para se despedir das câmeras.
- O quê? – Bruce perguntou, toda sua atenção estando, ainda, na TV.
- Ele é bonito.
Como se tivesse sido atingido por um soco, Bruce se virou para a filha imediatamente, sentindo a respiração ficar um pouco mais pesada que o normal.
- O quê? – A voz saiu um pouco esganiçada.
- O Superman é bonito. – Ela repetiu e fez Diana, que ajudava Dick com o dever de casa, gargalhar.
- Desde quando você tem idade para achar algum garoto, que não seja o papai, bonito? – Bruce continuou desacreditado.
- Aparentemente desde hoje. – Deu de ombros.
- Também acho, . Um pedaço de mau caminho. – Donna concordou, fazendo Bruce lhe olhar desacreditado. – Você tem um bom olho. – Estendeu a mão e trocaram um high-five.
Bruce piscou algumas vezes, tentando absorver a conversa entre e Donna sobre Superman ser forte e gostoso, e, dessa vez, ouviu a risada de Dick - sentado à mesa - atrás de si.
- Você deveria estar me ajudando, não compactuando com isso, Richard. – O chamou pelo verdadeiro nome e o menino franziu o nariz.
- Dick. – Foi incisivo. – Ela não me obedece mesmo, o que adianta?
- Eu sou mais velha, você que tem que me respeitar. – disse, ainda do sofá, se virando para ele.
- Que eu saiba, dez é menor que quinze. – Dick arqueou as sobrancelhas para ela.
- Eu cheguei primeiro na casa, adotado. – Ela respondeu de prontidão.
Donna reprimiu uma risada enquanto Diana repreendia a filha, mas Dick apenas abanou a mão enquanto ria.
Naqueles dois anos morando ali, ele já tinha se acostumado com os desaforos da menina e, inclusive, gostava deles, dizia muito sobre a personalidade dela.

ωωω


Dezembro de 2011
- Vocês estão dando fermento para essa garota? – Shayera enrugou a tez ao ver a adolescente entrar na casa e Diana riu.
tirou os sapatos perto da porta, a meia já na entrada da sala - tacando-as para trás só para, no instante seguinte, ter que voltar e arrumar, graças aos gritos da mãe -, a mochila ficou ao pé do sofá e ela em cima dele.
- Oi, tia Shay.
- Não me chame de tia, garota. – Ameaçou-a com a Massa, semicerrando os olhos, causando-lhe o riso.
Era irônico... De um lado, Donna insistia que deveria chamá-la de tia; de outro, Shayera fingia ameaçar lhe espancar cada vez que ela pronunciava a palavra.
- Vai ter reuniãozinha? – A mais nova desdenhou e Shay semicerrou os olhos.
- Sim e você deve ficar longe da caverna, bonitinha. – Cruzou os braços, sabendo que o desdém da menina era pura irritação por não poder participar daquilo.
achava injusto, por falta de palavra melhor.
Era injusto que tivessem que se reunir ali e ela não pudesse ver nada, era injusto não ter poderes, era injusto ver sua tia e seu irmão adotivo trabalhando na Torre dos Titãs enquanto o mais excitante que ela tinha na vida era tentar hackear o computador do pai com tutoriais, nada bons, da internet.
Todo mundo tinha a vida perfeita, dos filmes de super-heróis, seus amigos a invejavam por ser filha da Princesa Amazona, mas o que adiantava afinal? No fim, ela não podia, ao menos, saber o que eles estavam fazendo.
Aos poucos, o resto dos integrantes da Liga da Justiça foram chegando e ela, obviamente, além de Shayera, só viu seu tio J’onn; estes eram os únicos dois membros permitidos a ter convívio com a garota.
No fim do dia, ficara sabendo que os pais sairiam em missão na manhã seguinte, o que, pelo menos, significava que Dick lhe ajudaria a treinar algumas manobras de defesa.
Dormira ansiosa por causa disso e no dia seguinte teve o irmão e a tia, Donna, inteirinhos para si.
Dick, ao contrário dos pais, não achava certo o fato de ser totalmente indefesa sendo, declaradamente, a filha de uma das super-heroínas mais conhecidas, por isso sempre arrumava um jeito de tirar uma casquinha dele.
Dois dias depois, a casquinha foi um pouco demais e o mais velho negou prontamente seu pedido, mas a garota não sabia desistir.
- Richard, por favorzinho, por favorzinho, por favorzinho! – Juntou as mãos na frente do rosto como numa prece.
- Não vai rolar, . – Respondeu pegando a mochila e ela fez um biquinho.
Dick só era chamado de Richard por duas razões, quando fazia alguma coisa errada - vindo de Bruce e Diana - e quando queriam alguma coisa dele - este vindo de . Na maioria das vezes, o ganhava num piscar de olhos, já que, apesar de ser respondona, era um amor de criança, mas dessa vez era diferente.
- Eles não estão em casa, Richie! – Continuou implorando, usando os olhinhos verdes contra o irmão. – Nunca vão saber.
- Alfred está em casa. -
Eu finjo que estou no meu quarto.
- E se ele te chamar? Além disso, Donna está na Torre.
- Então fala que vai me deixar na casa de alguma amiga. E Donna é inofensiva. – começou a dar um sorriso, sabendo que estava ganhando aquela batalha. – Eu vou ficar quietinha. Prometo. – Mostrou o dedo mindinho para ele e ele fez cara de choro já mostrando o próprio.
- Vai fazer sua mochila. Rápido. Não vou te esperar. – A menina correu para o próprio quarto e voltou com a mochila já na mão. – Você já tinha feito? – deu um sorriso levado, confirmando com a cabeça e Dick riu.
Desceram a escada devagar e logo tratou de deixar a cara emburrada, o irmão tinha lhe aconselhado a não parecer animada. Dick avisou a Alfred que estava indo para a Torre e que deixaria a irmã na casa de uma amiga da escola, então partiram.
- O que ela está fazendo aqui? – Foi a primeira coisa que escutou quando chegou com a irmã na Torre. E é claro que a pergunta veio de Donna.
- Ela queria conhecer. – Dick deu de ombros, soltando a mão da mais nova, mas a olhando com firmeza e mostrando o mindinho pela promessa que tinha feito.
- Seu pai sabe disso? – Foi Hank que perguntou dessa vez.
- Claro – Fez uma pausa. – Que não. E ele me mata se descobrir, então conto com vocês para me ajudar a supervisioná-la. – Disse olhando para todos os presentes, incluindo a própria namorada, Estelar - ou Kory -, não tinha entendido ainda qual era o nome da mulher.
- Eu não vou pagar de babá. – Ravena falou entediada e saiu, voando para perto da janela.
- Eu não vejo problema. Adoro a . – Estelar falou, dando a mão para a cunhada.
- Eu também não. – Dawn disse e se juntou a Estelar para mostrar o prédio a menina, mesmo recebendo uma olhadela esquisita por isso.
Desde que descobrira que Dawn já havia saído com o irmão, não conseguia ser totalmente amigável a ela. Ainda que soubesse que Kory não se importasse, estava do lado de Hank, o novo namorado de Dawn, que achava aquela situação, no mínimo, incômoda.
- Nem eu. – Donna falou, mas se sentou no sofá. – Não é a minha bunda que vai ser chutada quando Diana descobrir.
- Não. Eu que vou chutar sua bunda na sala de simulação, Troy. – desafiou.
Garth, até então sentado no canto da sala, riu.
- Ah, sim, Raminho. Igual fez ontem, né? – Gargalhou da cara da sobrinha.
- Estou mais forte hoje. – Jogou os cabelos e Donna riu.
- Te vejo mais tarde na sala de treino, coisa chata. Na de simulação, você não vai entrar nem tão cedo. – Avisou, imitando, debochadamente, a revirada de olhos que a mais nova deu.
- Viu, Rachel? Só você que é chata. – disse, fazendo careta para a azaratiana.
Óbvio que no fim das contas as duas se deram bem, pois ambas eram azedas quando queriam e sempre tinham resposta na ponta da língua, Dick foi o que mais sofreu com isso.


Capítulo 2


Novembro de 2013
se lembrava perfeitamente da primeira vez que implorou o irmão mais velho para levá-la a Torre dos Titãs com ele. Na época ela tinha acabado de completar treze anos - o que foi usado como desculpa -, tinha sido difícil, mas havia conseguido.
Eles sempre tiveram medo, principalmente Dick, do pai descobrir, já que Bruce tinha sido incisivo ao dizer que não queria envolvida com esse mundo de super-heróis, pelo menos não por enquanto. Diana lhe apoiou nessa decisão e Dick tinha em sua mente que se Diana dissesse algo, aquele algo era uma coisa certa a se seguir. E é claro que tinha o fato de que ele mesmo se puniria caso algo acontecesse com a irmã mais nova.
Até aquele dia, muita coisa tinha mudado, membros que entraram e saíram, mas, durante esses dois anos, nada tinha dado errado.
Até aquele dia.
jogou-se na cadeira de frente para o painel de controle, depois de empurrar o herói esverdeado para fora desta, e Garfield murmurou o quanto ela era abusada, já que aquele era o trabalho dele e ela sempre fazia questão de tomar. Minutos depois, Cyborg entrou e acenou para os dois, Mutano acenou com a cabeça, mas resmungou:
- Está atrasado, sabia?
- Achei que o Dick fosse o chefe. – Victor rebateu prontamente e ela sorriu.
- Sou a chefe quando o Dick não está. – Piscou e foi a vez do herói de sorrir.
Estava esperando a resposta certeira que Ravena, ao canto da sala, queria lhe dar quando sentiu o edifício tremer, arregalou os olhos e não precisou apertar o botão de alerta para fazer o irmão aparecer, quase que instantaneamente, ao seu lado.
- Você está bem? – Perguntou, analisando-a do fio dos cabelos até a ponta dos pés.
- Estou. O que foi isso?
Dick se abaixou para verificar o painel ao lado deles, começando pelas câmeras de segurança.
- Achei que você estivesse verificando as câmeras. – Gar aproveitou para implicar.
- Achei que fosse a chefe.
- Não é hora para brincadeiras. – Dick rosnou.
- Lince se infiltrou no prédio.
- O que? Pra quê? Ai, meu Zeus, Richie, papai vai descobrir.
Dick bufou.
- Não temos tempo para pensar nisso agora, . O negócio é te deixar em segurança. Ravena já está lá. – Apertou o comunicador no ouvido e olhou para o canto da sala notando que a azaratiana tinha sumido. – Mutano, Cyborg, vão. – Apontou na direção do elevador e os dois seguiram.
Fechou o sistema do painel com a digital e puxou a irmã pela mão, correndo até o elevador dos fundos com ela.
- Vou te colocar no cofre. Aconteça o que acontecer, não saia de lá até segunda ordem. Me escutou? – Perguntou e ela anuiu.
Observou o irmão digitando um código no painel do elevador e falando seu nome. - Eu já deixei seus comandos salvos, a senha é 0527. Só saia daqui caso eu mandar! – Tirou o comunicador do ouvido e colocou no dela.
Sentiram mais um tremor e Dick olhou impaciente para a contagem do elevador.
Assim que chegaram no tal cofre, ele a empurrou para fora do elevador e, com mais um: "fique aí", fechou as portas para ir de encontro aos parceiros.
reparou o lugar onde estava... Era realmente um cofre. E o irmão nunca tinha a levado lá ou, sequer, mencionado o lugar, provavelmente era para aquele tipo de situação.
Suspirou preocupada, não com ela, com o irmão. Eles sempre foram parceiros de crime, mesmo que aquilo fosse um pouco contraditório, e não conseguia evitar ficar preocupada toda vez que sabia que ele estava trabalhando como Robin.
Fez careta ao ouvir Ravena gritando pelo microfone e abaixou o volume.
- Mutano, a Estelar.
- ?
– Ouviu a voz de Dick.
- Oi.
- Está tudo bem aí?

- Você acabou de sair. Relaxa! A Estelar está bem?
- Toma conta de você.
– Ela revirou os olhos. – Qualquer coisa me grita.
- Ok.
Mesmo preocupada e ouvindo alguns comandos dos Titãs uns com os outros, tentou ficar calma. Apesar de nunca ter estado perto dessas situações, eles passavam por isso quase todos os dias, sabiam lidar com esse tipo de coisa. Sentou no chão e pegou o celular no bolso para se distrair com algum joguinho bobo, mas minutos depois, escutou uma explosão.
Ninguém falou nada no comunicador, se levantou no mesmo instante e andou até uma das paredes tentando ouvir alguma coisa. Nada.
- Dick. – Chamou, mas não obteve resposta. – Dick. – Nada, de novo. – Estelar? Ravena? Mutano?
- Nós estamos bem. – Cyborg que respondeu. – Mesmo que você não tenha perguntado por mim. – Aproveitou para brincar com ela e sorriu ao escutar sua risada. – Por que diabos ela está indo para o terceiro... – A comunicação foi encerrada novamente.
- . , está me ouvindo?
- Sim.
- Sai do cofre. Sai do cofre agora. Você sabe sair? – Dick inquiriu, mas não obteve resposta. – !
- Estou colocando a senha. – Respondeu e ele assentiu mesmo que ela não pudesse ver. Aquilo indicava que ela já tinha digitalizado a mão. – E esperando o elevador. – Disse para si mesma.
Antes do elevador chegar, sentiu o prédio tremer mais duas vezes, o que indicava mais duas explosões, mas continuou parada de frente para o elevador. Dick tentou falar alguma coisa, mas a comunicação estava falhando e ela ignorou, vendo as portas do elevador começarem a abrir.
- Dick, qual andar? – Perguntou no comunicador, mas não conseguiu retorno.
Não conseguiu, ao menos, xingar o irmão, no instante seguinte foi arremessada para trás.
Sentindo o corpo esquentar e tremer, voltou a si, procurando o causador daquilo e encontrando Lince lutando com Mutano. Transformado em um gorila, o herói deu três socos nas costas da mulher, mas teve que se esquivar quando ela o ameaçou com as garras.
Robin apareceu instantes depois, mas, na busca de alcançar a irmã, acabou sendo pego por Lince, a vilã o segurou pelo pescoço com um dos braços e o puxou até o canto da parede. Robin usou as mãos para impedi-la de forçar mais o braço contra seu pescoço.
- Você, bonitinha. – Apontou para com o braço que não apertava o herói. – Se não quiser que seu irmãozinho morra hoje, vem aqui.
A garota engoliu em seco e deu um passo à frente, o corpo começando a tremer mais uma vez por saber que a mulher sabia que Robin era seu irmão.
- , nã... – Robin tentou dizer, mas Lince apertou mais o braço em seu pescoço.
olhou assustada para Mutano. Aonde estavam os outros?
- Não, não! – Lince disse olhando para Mutano. – Nada de transformações. Você sabe que minhas garras têm veneno, certo? – Trouxe a mão para perto do rosto de Robin. – Eu só quero a garota e tudo fica bem.
- Você não vai levar ela! – Robin tentou mais uma vez.
Tirando as mãos do braço dela, tentou dar uma cotovelada em sua barriga, mas isso lhe deu espaço para apertar ainda mais o pescoço do jovem.
sufocou um grito ao ver o irmão perder as forças e apagar enquanto a mulher não parava de lhe enforcar. Sentiu aquela tremedeira novamente e, no instante seguinte, seu punho estava de encontro a face de Lince, que caiu desacordada.
A amazona parou, respirando pesadamente e apertando os olhos como forma de compreender o que tinha acabado de ocorrer. Olhou para a distância que havia percorrido e depois para sua mão, depois para Mutano que a olhava com a boca aberta.
- O quê...? – Ele começou, mas ela não prestou atenção. A Wayne se ajoelhou e deu dois tapas na cara do irmão, chamando seu nome e medindo sua pulsação. Mordeu o lábio inferior, preocupada com o fato dele não acordar, mas aliviada por vê-lo respirando.
- O que eu faço, Garfield? – Perguntou para Mutano, mas ele continuou parado no mesmo lugar, ainda chocado com a performance da menina.
Agradeceu aos céus quando Cyborg apareceu na sala.
- Aonde você estava, Victor? Que merda! – Perguntou, segurando a cabeça do irmão no colo.
- Fazendo contato com a Liga. – Se abaixou perto dela, pegou as algemas no cinto de utilidades de Robin e andou até Lince para prendê-la.
- Todo mundo?
- Kory estava evacuando os civis e Ravena estava tentando impedir que o prédio caísse. Quem apagou a Lince?
- Eu.
- Como? – Arregalou os olhos para ela.
- Não sei. – Deu de ombros. – Ligou para Liga?
- Liguei.
- E...?
- Seu pai não sabe de nada. – A garota sorriu, sentindo pelo menos uma vitória. – Ainda. – Fez careta, sentindo a vitória escorrer por entre seus dedos.
– J’onn está vindo supervisionar você.
- ferrada.
- Sim, você está.
Não demorou muito para J’onn chegar e dar um olhar acusador para a garota. Ela não devia estar onde estava, ok, mas, se ela não tivesse, era provável que o cenário fosse pior e ela tivesse sido levada.
A princípio, implorou para o tio não contar o acontecido aos pais, mas ele se mostrou irredutível quanto a isso, então ela pediu ajuda para aliviar pelo menos o lado do irmão. J’onn aceitou, visto que, ela realmente tinha razão, o cenário poderia ser bem pior se ela não estivesse com os Titãs.
Ele também prometera lhe ajudar a entender o que quer que tivesse acontecido enquanto estavam naquele cofre, mas sabia que isso não seria tão fácil... Entender o que aconteceu significaria levá-la à Torre de Vigilância e, agora mais do que nunca, tinha certeza que seus pais não iriam querê-la por lá nem tão cedo. Cyborg, porém, ficou de passar as gravações a J’onn.
Quando chegaram em casa, Bruce já estava lá, assim como Diana e um garoto que fez Dick e sussurrarem entre si, perguntando se era conhecido. Não era.
Diana deu o olhar mais severo que Dick já tinha recebido e ele abaixou a cabeça.
- Mãe. – Começou, mas ela não o deixou continuar.
- Corta essa de mãe. Aonde você estava com a cabeça? – Dick não respondeu. – A sua irmã poderia ter morrido. Você sabia que era isso que queriam fazer? Pegá-la para chantagear seu pai...
Em respeito à sua antiga família, Dick não gostava de chamar Diana e Bruce de mãe e pai, a única pessoa que ele permitia usar palavras como: “pai”, “mãe” e “irmão” com ele, era . No entanto, em horas como aquela, quando estava encrencado - quando tinha feito alguma merda -, as palavras vinham demonstrando o tom de respeito, Bruce e Diana que tinham cuidado dele desde seus treze anos, querendo ou não, eles eram seus pais.
- Mãe, a culpa não é dele. – interpelou.
- Fica quieta.
- Não. Até o tio J’onn concorda que se eu não estivesse com ele, teria sido levada.
- Eu mandei você ficar quieta. – Diana elevou a voz e a menina se encolheu um pouco. Diana nunca gritava.
- Não vou. – Inflou as narinas, deixando aquele sentimento de injustiça tomar conta de si novamente. – Não vou deixar você brigar com ele por algo que nós dois fizemos.
- Ele é o mais velho. Você é uma criança!
- Não sou criança. Tenho quinze anos.
- E isso torna você muito adulta, não é?
- Richard começou como Robin antes disso, mas eu não posso fazer porra nenhuma.
- , olha a boca.
- Isso só acontece porque vocês a mimam demais. – O garoto que não conhecia se pronunciou e ela arqueou as sobrancelhas se virando para ele.
- Quem é você afinal? – o perguntou.
- Damian Al Ghul ou Wayne se preferir. – Sorriu sarcástico.
Al Ghul.
Al Ghul ou Wayne.
sentiu a cabeça rodar e a perna bambear, se lembrando da história que ouvira seu pai contar, quando ainda era uma criança, sobre ter se apaixonado por uma tal Talia.
Talia era filha de Ra’s Al Ghul. Isso fazia dela uma Al Ghul, certo?
E o que a mãe falara... Você sabia que era isso que queriam fazer? Pegá-la para chantagear seu pai... Por que precisariam dela para chantagear o pai justo agora?
- Ah não, não, não, não, não. – Dizia sem parar.
Seu pai não falou nada.
Justo seu pai.
Era dele que ela e Dick esperavam a bronca, não de Diana.
Bruce só ficava quieto quando tinha uma espécie de demônio por perto, ficava atordoado demais para conseguir falar. Ou quando brigava com Diana. Algo a fazia pensar que, aquele dia, eram as duas situações.
- Muita coisa para o mesmo dia. – Sentou-se no sofá, deixando algumas lágrimas caírem de nervoso. – Primeiro eu descubro que alguém quer me matar, depois poderes e, agora, um irmão? Um irmão da mesma organização que estava tentando me matar?
- Pera aí. Poderes? – Diana perguntou confusa.
bufou.
Claro que ela ia se preocupar com aquilo.
- correu cerca de quatro metros em uma velocidade que chega perto da normal de Flash. E se iguala com a sua. – J'onn que, já tendo visto o vídeo, respondeu Diana. – Ela também deu um soco que apagou Lince.
- Vou matar Hermes! – Diana levou as mãos à cabeça e andou de um lado para o outro esbravejando. – Você sabia disso? – A mãe perguntou furiosa.
- Fiquei tão surpresa como você. Na verdade, nem sei como fiz. – Deu de ombros.
A bronca acabou depois daquela notícia. Diana ficou mais preocupada com o fato da filha, agora, ter poderes. já era abusada demais sem poderes, imagina com eles.
Bruce não estava com paciência para aquilo e, no meio da confusão, apenas caminhou em direção ao portal da sala, parando no meio do caminho para dizer:
- Não vai adiantar ficar nervosa agora. A única coisa que podemos fazer é treiná-la e ensiná-la a ter modos. – sorriu e fez careta ao mesmo tempo. – Afinal, com poderes ou não, esse dia era inevitável.
Voltou a fazer seu caminho para fora da sala, mas ao dar mais um passo, trombou em alguém.
.
Ela tinha feito de novo.
A menina olhou para os próprios pés confusa, mas logo retornou a atenção ao pai.
- É isso? Você simplesmente vai embora depois da bomba? Por Zeus, a gente precisa conversar! – Cruzou os braços, mas Bruce não lhe deu muita atenção.
- Conversaremos depois, . Com os ânimos mais calmos. – Desviou dela e completou seu caminho.
- E ele ainda me encheu o saco com aquele papo de usa camisinha. – Dick soltou, por fim, com a voz afetada.

ωωω

A situação de ter um novo irmão era algo que custava a aceitar. Não que fosse ciumenta, Zeus sabia que ela fora super receptiva com Dick, mas Damian era simplesmente odioso, parecendo mais uma criatura do Mundo Inferior, que reagia a rugidos e instintos, do que um humano propriamente dito.
Ela tentava, entretanto, assim como Dick... Tentava, com todas as forças, ignorar que o garoto era filho de uma criminosa, que parecia um bicho do mato, que tratava até mesmo Alfred mal.
Tentava porque seu pai havia lhe implorado, afinal, Damian era seu filho também, e tentava porque Diana havia lhes obrigado a fazê-lo.
Mais insatisfeita ainda estava Diana... Já não bastasse todos os problemas que vinham com a sua vida de heroína e do seu marido ex-playboyzinho, sua criança vinha com a história de ser uma velocista.
Oh, por Hera, ela mataria alguém.
Um alguém bem específico.
Independente de ser seu irmão mais próximo e preferido, Hermes não tinha o direito de fazer o que bem entendesse com sua filha, dando-lhe poderes, ou seja lá o quê, sem perguntar sua opinião sobre isso. Por isso, a mulher fez questão de prestar uma visita ao Olimpo, sendo, a contragosto, acompanhada por uma muito saltitante.
Se estivera ali duas ou três vezes, era muito. De fato, tinha pouquíssimo contato com a parte paterna dos parentes da mãe, por essa razão, ao contrário da mãe, estava totalmente animada com a ideia de revê-los depois de tanto tempo, principalmente sabendo que poderia ter ganhado mais poderes de alguns deles.
A primeira pessoa, ou deusa, que Diana encontrou foi Héstia, sua tia. Como sempre, a mulher tinha lhe tratado como uma igual, sendo cordial e rendendo sorrisos e elogios, tanto para ela quanto para sua filha.
A amazona tentou não ser impaciente, cumprimentando quem falava com ela e ignorando os maus olhares.
Com em seu encalço, fez seu caminho à sala de papiros, onde acreditava que encontraria seu irmão Hermes, mas foi interrompida no meio do caminho.
- Irmãzinha. – Escutou e procurou de onde vinha a voz.
- Apolo. – Revirou os olhos quando o encontrou.
- Senti sua falta. Faz tempo que não vem aqui. – Sorriu falsamente.
Apolo virava esse ser sarcástico e hostil quando se sentia ameaçado. Diana, sinceramente, não fazia ideia do porquê ele se sentir daquela maneira, mas apenas relevava, no fim das contas, ele a ajudava quando era necessário e a respeitava, mesmo não indo tanto com a cara dela; e a recíproca era verdadeira.
- Essa é sua cria? – Continuou e desviou o olhar de Diana para .
- Pare de ser tão odioso, Apolo. – Sua gêmea, Artemis apareceu momentos depois.
- Oi, minha irmã. – Diana sorriu.
- Oi, Diana. – Lhe abraçou. – Uau, como está grande! – Se atentou à e a abraçou de lado. – A última vez que lhe vi ainda batia na minha cintura. – sorriu para a tia. – O que fazem aqui?
- Mamãe veio matar o tio Hermes. – contou e Artemis vincou as sobrancelhas, gargalhando logo após.
Qualquer um sabia que Hermes era o irmão mais próximo de Diana, eles sempre se viam - seja para bater papo, seja para a entrega de alguma mensagem -, seria sandice achar que Diana poderia fazer algo contra seu irmão.
- Quase isso. – A amazona soltou entredentes.
- O que houve? – Apolo perguntou.
- Aparentemente, agora corre tão rápido quanto eu.
Apolo riu ao ver que a irmã não tinha se agradado daquilo.
- Hermes deu-lhe poderes sem te consultar, certo? – Artemis compreendeu. – Ele provavelmente está na sala de papiros. O vi chegar ainda agora. Vá até lá.
- Irei, minha irmã. – Disse, recomeçando a andar e lhe seguiu.
- Tchau, irmãzinha. – Ouviu Apolo dizer, mas lhe ignorou.
Artemis, assim como Diana imaginou, estava certa... Lá estava Hermes, na sala dos papiros, agachado, procurando algo no meio de toda confusão que ele mesmo fazia.
- Hermes! – Diana o chamou com a voz um tom mais alto.
O homem se levantou rapidamente com o susto.
- Por que sinto que estou encrencado? – Perguntou com uma careta.
riu, adorava o tio.
- Deu velocidade à ? – Apontou para ele.
- Eu? – Arregalou os olhos, colocando a mão no peito dramaticamente. – Jamais faria isso! – Agachou novamente em meio aos papiros.
- Hermes! – Diana gritou.
- O quê? – Olhou para ela entediado.
- Não estou brincando.
- Nem eu. Na verdade, estou tentando trabalhar. – Apontou os papiros. – Sou mensageiro dos deuses, sabia? – Sorriu e balançou um dos papiros para ela. – Inclusive, tenho uma mensagem para você. – Fez um papiro aparecer em sua mão e jogou na direção da irmã. – Estava perdido na minha bagunça, então está atrasado.
Diana desenrolou o papel e leu a mensagem:
“Dei velocidade à . Te amo, irmãzinha. Beijos.”
A mulher tacou o papiro de volta no irmão, lhe acertando na cabeça.
- Não estou para suas brincadeiras, Hermes. Quem lhe deu o direito de fazer isso?
Hermes se levantou, ficando sério pela primeira vez.
- Eu, Diana. Sou um deus, posso fazer o que quiser.
- Não com a minha filha.
O velocista revirou os olhos.
- Diana, é minha sobrinha, eu queria fazer algo por ela. Sinceramente, a maioria aqui não a considera parte da família, mas eu e tia Deméter consideramos e, vendo seu desejo por ser como você e o pai, lhe concedemos a velocidade e a força.
sorriu para o tio.
- Deméter também está envolvida nisso? Exijo que desfaçam essa façanha.
- Uma vez dado, não pode ser tomado. Você, como semideusa, deveria saber disso. – O tom era um claro puxão de orelha e Diana bufou. – Julgamos com sabedoria o suficiente para lidar com isso. – Se aproximou da irmã, e da sobrinha, a olhando nos olhos. – Você também deveria confiar nela. Aliás... – Se virou para . – Foi bom tê-la trazido. Hefesto fez algo para ela.
- Por Hera, até mesmo Hefesto? – Diana praguejou e Hermes deu de ombros.
- Vamos! – Hermes puxou pela mão.
- Vamos aonde, Hermes? – Diana perguntou parada de braços cruzados.
- Você eu não sei, eu e iremos até Hefesto.
Hermes foi ignorando os protestos de Diana durante o caminho e cochichando, com a sobrinha, sobre como ela era chata, obviamente Diana escutava e isso a fazia praguejar ainda mais. Quando chegaram à oficina de Hefesto, já tinha as bochechas doloridas de tanto rir.
- Diana, minha irmã. – A saudação brilhou em Hefesto e ele correu, meio manco, para abraçá-la.
- Não quero papo com você, Hefesto, soube que está contribuindo com essa loucura de dar poderes à . – Respondeu, mas abraçou o irmão mesmo assim.
- Não estou dando poderes, apenas complementos. – Riu.
Hefesto caminhou até uma das prateleiras em suas enormes estantes e alcançou uma caixa, levou-a até a mesa, tirando a tampa e chamando pela sobrinha que foi até ele imediatamente.
Apoiando-se na mesa para ver o conteúdo, deixou seu queixo cair, tirando o conteúdo para fora.
Uma tiara e dois braceletes.
De imediato, vestiu-se das peças e virou para a mãe, imitando a pose que ela sempre fazia; Diana revirou os olhos, mas acabou por rir.
tirou a tiara da cabeça e a observou, era parecida com a de sua mãe, afinal toda tiara era igual, mas tinham algumas pequenas diferenças... A cor era mais clara, uma espécie de prata bem reluzente e vivo, e a ponta da tiara, ao contrário da de Diana, era para cima e, no lugar da estrela, tinha uma pedra de cristal. Ela analisou sorrindo, tinha adorado!
- É igual a de mamãe? – Perguntou e não precisou falar que se referia à função para que o tio percebesse.
- Claro que não! Acha que eu ia te dar qualquer porcaria? – Fingiu estar ofendido e riu. – Ela é feita de ouro branco e, junto com os braceletes, vão fazê-la ficar invisível.
arregalou os olhos.
- Sério mesmo?
- Sim! Quer testar? – Perguntou e a garota assentiu animada.
O ferreiro dos deuses ajudou a menina a colocar os braceletes da forma correta, ajustou a tiara na cabeça dela e deu as instruções: bater um bracelete no outro e os passar pela tiara; assim a menina o fez.
- Funcionou? – indagou não sentindo nada diferente.
- Bom, eu não estou te vendo. – Hermes comunicou.
- Oh, meu Deus! Mãe?
- Não, também não estou vendo. E não me agrado disso. – gargalhou e pulou em Hefesto, o abraçando no pescoço e lhe dando um susto, já que este não conseguia vê-la.
- Ok, e como faço para voltar ao normal? Não quero ficar invisível para sempre. – Gargalhou e os tios riram da gargalhada contagiante dela.
- Mesmo processo. – Respondeu e ela o fez.
- Oh, meu Zeus! Isso é tão legal.
Hefesto sorriu com a empolgação dela.
- Fico feliz que tenha gostado.
- Gostar? Eu amei. Obrigada, tio. – O abraçou de novo.
- Não acredito que deixei de ser o tio preferido. – Hermes reclamou, cruzando os braços.
- Você nunca foi. – Respondeu rindo e fez o tio arregalar os olhos.
- Vou arrancar a velocidade que lhe dei à base da porrada. – Correu até ela que deu um gritinho e, antes dele perceber, passou correndo por ele.
Bom, era claro que conseguia ver a sobrinha correndo, seja qual fosse a velocidade, afinal de contas fora ele quem lhe abençoara com tal, mas tinha sido pego desprevenido.
- Ela aceitou bem esse negócio de velocidade, não é? – Colocou as mãos na cintura olhando os irmãos.
Não demorou muito para ele correr atrás dela e, minutos depois, uma ofegante, e descabelada, e um Hermes sorridente, passaram pela porta.
- Enchi ela de porrada. – O deus disse cheio de si e gargalhou, quem os conhecia sabia que a porrada dele na garota tinha sido cosquinha.
Se dando por vencida, Diana aproveitou o pouco tempo que tinha para curtir sua família e tinha sido um dia divertido. Estava prestes a partir quando foi interrompida por Apolo.
- Como eu sei que lhe irrita, aproveitei para presentear também. – Sorriu para a irmã, enquanto mexia nos cabelos da sobrinha. – Nada demais. – Desdenhou falsamente. – Apenas cura acelerada para se meter em quantas presepadas quiser.
Diana fechou os olhos e respirou fundo, concentrando-se para não pular no pescoço dele.
- Que Hera me dê paciência, porque, se me der forças, eu mato você. – Apontou o dedo na cara de Apolo, mas este apenas riu.
- Obrigada. – deu de ombros e o abraçou rapidamente.
Apolo sorriu.
- Viu? Ela gostou.
Mas Diana novamente se preocupava com o quanto a filha podia ser audaciosa e acabar se matando por se achar invencível.
Apolo, por outro lado, não tinha feito aquilo apenas para irritar a irmã. Óbvio que era um ótimo bônus irritar Diana, mas, bem, no fim, assim como ele se preocupava com Diana em segredo, também se preocupava com a sobrinha. Sabendo que , agora, entraria nesse mundo de super-heróis, queria ajudá-la de alguma forma; lhe deixar mais segura.

ωωω

Depois que Diana realmente aceitou a nova condição da filha, admitiu que ela precisava de um treinamento, deixando Dick encarregado de tal.
Tinha sido bem difícil para a menina no início. O fato é que, como sempre pensou que aconteceria, por mais que adorasse ter sido mimada pelos pais, aquilo tinha lhe estragado. A pior parte, entretanto, foi Damian tacando isso na cara dela sempre que podia.
Até o dia que ela lhe provou que não era tão fraca quanto ele pensava.

já estava farta.
Por Zeus!
Damian era o pior irmão que existia no mundo. Ela se perguntava como uma criança, visto que ele só tinha dez anos, poderia ser tão arrogante e narcisista.
A garota sabia que Dick tentava ao máximo apartar a briga dos dois, já que ela também não era do tipo que levava desaforo para casa, mas, até o super-gente-boa-Dick-Grayson não aturava o garoto.
Seus pais haviam lhe pedido para ter paciência com o garoto, dada a criação que ele teve, e tentava... Jurava que tentava... Com
todas as suas forças, afinal, ele era seu irmão mais novo.
Mas já não aguentava mais.
Caminhou até a sala de treinamento, já encontrando os irmãos lá e sorriu, dando um beijo em Dick. Não o tinha visto o fim de semana todo, pois ele estava em missão, inclusive fora a razão pela qual havia perdido a paciência... Não ter Richard ali era um verdadeira desafio quando se tratava de Damian.
- Você está atrasada. – Damian implicou, fazendo-a revirar os olhos.
- Oi, para você também, Damian.
- Não comecem, por favor, eu tive um final de semana cansativo. – Dick pediu quase chorando. – Preciso de paz.
- Com esse garoto, você pode encontrar tudo, menos o que está relacionado à paz. – alfinetou e o irmão mais velho lhe olhou acusadoramente. – Ok. – Levantou as mãos na altura da cabeça.
- Os dois. – Dick apontou para eles. – Vinte voltas ao redor da casa. – Apontou em direção a porta.
saiu logo, quanto mais rápido começasse, mais rápido terminaria, e riu quando, já no corredor, ouviu o irmão gritar: “sem trapaça, ”; ela tinha dado uma de espertinha algumas vezes usando a velocidade entregue por seu tio. Damian, como sempre, tinha algo a reclamar:
- Eu não preciso disso. Já sou treinado.
- Não perguntei o que você precisa, Damian. – Dick respondeu já saindo da sala para observar o aquecimento dos irmãos.
O treinamento da garota Wayne, e de Damian, era dividido em duas partes: segunda, quarta e sexta-feira, musculação para obter resistência física; terça, quinta e sábado, simulação de luta, com mãe, pai ou irmãos, para melhorar suas habilidades.
Como era uma segunda-feira, depois de correr, voltaram à sala de treinamento e fizeram a série de exercícios que Bruce tinha lhes estipulado.
- Muito cansada? – Dick se abaixou do lado da irmã.
tinha acabado de completar a série e se jogado no chão que, naquele instante, parecia feito de plumas de ganso.
- Não. – Negou, balançando a cabeça, com um sorriso.
- Vai dar umas porradas no saco então. – Apontou o saco de areia pendurado no canto da sala e ela obedeceu.
- E as luvas?
- Sem luvas. – Sorriu maldoso e a menina fez um bico.
- Dick, por favor, vou ferrar minhas mãos. Não estou acostumada com isso ainda. – Choramingou e o irmão revirou os olhos, tacando as luvas para ela em seguida.
- Mimada. Como sempre. – Damian se intrometeu.
- Não é porque você nasceu naquele antro de psicopatas, sendo treinado desde que tinha três dias de vida que todos são obrigados a serem assim. Felizmente, eu tive uma infância saudável. – devolveu, mas Damian não gostou do que ouviu.
- Cala a sua boca. Tudo que você pensa que tem foi dado nas suas mãos, não lutou por nada. Não vejo como uma pessoa fraca como você chegaria perto de se tornar uma super-heroína. Você é uma fraude, .
Tinha sido a gota d’água.
jogou as luvas no chão e, como um raio, correu em direção ao irmão, lhe acertando com um soco na barriga que o fez cair com alguns metros de distância.
A garota, entretanto, ainda não parecia satisfeita e Dick arregalou os olhos, correndo até a irmã ao ver que esta andava em direção a Damian de novo.
- ! – Se pôs no meio deles. – Acabou.
Ela não escutou, desviou dele e tentou continuar seu caminho. Richard lhe surpreendeu por trás, puxando os braços da menina, lhe deu uma rasteira que fê-la cair no chão ao passo que prendia suas mãos atrás das costas.
- Eu disse que acabou, . – Falou em seu ouvido. – Eu vou te soltar e você vai para o seu quarto se não quiser me chatear, okay? Deixa que com o Damian eu me entendo. – A resposta dela não chegou, o que o fez torcer um pouco seu braço direito. – Okay? – Perguntou novamente e ela bufou.
- Ok, Richard. – Respondeu e Dick a soltou.
A menina se levantou do chão, ainda olhando furiosa para o irmão mais novo, saiu da sala e foi para seu quarto.
Dick observou Damian limpar algum sangue que tinha saído por sua boca e suspirou, provavelmente tinha acertado o baço do garoto. Caminhou até ele e lhe estendeu a mão.
- Consegue ficar de pé? – Damian assentiu, agarrou a mão do irmão e se levantou.
Dick caminhou com ele até uma cadeira e o colocou sentado, o menino respirava devagar.
- Está satisfeito? – Inquiriu e o outro arqueou a sobrancelha. – Você conseguiu despertar o pior de . Nunca...
Nunca na minha vida a vi tão furiosa a ponto de perder o controle. Sobre suas palavras e ações. – Foi até o frigobar pegar água para o garoto que o escutava atento. – Sabe... A pode ser bem respondona e cabeça quente, mas ela é, também, uma das pessoas mais doces que eu conheço e está se esforçando muito para fazer isso – Apontou para o pirralho. – Dar certo. Você é o irmão mais novo dela e ela preza por isso.
Richard lhe estendeu a garrafa e se calou, esperando o garoto dizer alguma coisa, mas ele permaneceu calado.
Era a merda do filho do Bruce Wayne, praguejou em mente.
- Eu tenho certeza que sua vida não foi fácil até chegar aqui, também foi para mim e, na verdade, foi que me ajudou a superar. Não aguentaria ter passado pela morte dos meus pais se não fosse por ela. Todo mundo precisa de um amor para curar feridas e a foi o meu. O que eu quero dizer é que... – Suspirou. – Todos têm problemas, eles podem ser diferentes, mas ainda estão aí e você não tem o direito de ser um babaca por conta dos seus. – Puxou o garoto pelos ombros. – Vamos. Precisamos ver o que ela arrebentou dentro de você. – Riu pelo nariz.

Devido ao episódio entre os irmãos mais novos, a saída principal foi afastá-los, ambos precisavam de disciplina, para coisas diferentes entretanto e, claramente, não conseguiriam estando juntos.
A primeira solução que Diana encontrou, foi de mandar a filha à Temiscira, sabia com toda a certeza que lá, além de estar segura, receberia o melhor treinamento possível, mas a garota não pensava do mesmo jeito.
Não.
A ideia de ficar longe de sua família não lhe agradava nem um pouco.
Treinar com Kara, a prima de Clark Kent, o Superman, na Torre de Vigilância da Liga era o que podiam fazer, já que Donna havia simplesmente sumido do mapa e Dick se ocupava em treinar Damian. Era legal, adorava aquilo e, por esse motivo, os treinos sempre eram trocados por conversas, o que, no fim, não fazia surtir efeito na vida da Wayne.
Só assim que entendeu que, por um bem maior, precisaria se afastar, mas, mesmo concordando, ainda não lhe era agradável.

ωωω

chegou à Temiscira com a pior das caras, fazendo sua avó e suas tias fingirem ofensa por ela não estar contente em estar lá, porém, com algumas semanas, a menina já tinha se acostumado à nova fase.
Bom, mais ou menos...
Se achava difícil o treinamento com os irmãos, o que teve em Temiscira era o que chamaria de tortura ao ponto de perder as contas de quantas vezes saíra quase inconsciente de seus treinamentos.
Ao contrário de sua mãe, sua vó, Hipólita, não era do estilo superprotetora, para ela, os fins justificam os meios, e se a menina queria ficar forte e saber se defender sozinha, precisava passar por aquilo com a cabeça erguida.
A única que lhe dava um desconto era sua tia-avó Antiope, uma guerreira de alta patente que tivera seu coração amolecido pela sobrinha desde que esta nascera. Era ela quem cuidava de depois das lutas e se intrometia quando achava que já tinha sido o suficiente.
Até o dia que não a deixaram se intrometer.

já tinha apanhado pelo que diria ser suficiente, jogada no chão, sabendo que se respirar não fosse automático estaria morta, ouvia a vó gritar a todo instante: "levante-se".
Ultimamente, todas as suas lutas eram com a avó, já que a mulher dizia que as outras amazonas pegavam leve com a menina, não deixando que ela mostrasse seu potencial. Pela movimentação e pelos berros de Hipólita, ela saberia dizer que sua Antiope estava tentando salvá-la, mas a líder das amazonas não deixou.
- Até quando vai protegê-la, Antiope? Desse jeito ela nunca se tornará uma mulher de verdade. Levante-se, ! – O ouvido da menina chegava a zumbir com os gritos da avó. – Quando precisar salvar alguém é assim que vai ficar? No chão? – A avó chegou bem perto dela e sussurrou: – Que tipo de heroína você será se desistir? Enquanto descansa seus restos no chão, alguém mata o seu irmão.
De repente, se sentindo leve demais, se levantou, na verdade, voou, e, com as suas últimas forças, desceu com um soco sobre o escudo da avó, fazendo-a ser amparada por algumas de suas tias. Tudo que a garota pensava era que, finalmente, tinha feito a avó calar a boca e, novamente, seu corpo atingiu o chão, dessa vez inconsciente.

Tirando suas lutas, seus dias eram basicamente tranquilos, cercados por aulas de idiomas - que aprendia desde sempre - e treinos.
Óbvio que os treinamentos compunham grande parte do seu dia, mas com o tempo, virava apenas um costume, a não ser quando era alguma data importante, como o aniversário de sua mãe, seu irmão ou o próprio... Naquele ano, ela só tinha estado junto com a família no aniversário do pai.

Deitada na cama, mordeu o lábio inferior, tentando segurar o choro. Podia ser bobo, ou até infantil, mas desde que se reunira com a sua família, nunca tinha passado seu aniversário longe deles, sem eles. Escutou o movimento fora de seu quarto, ela tinha que levantar, mas ignorou, queria poder ignorar todo aquele dia. Fingia que não, mas era uma menina muito sensível.
- ! – Ouviu alguém chamá-la e bater na porta.
- Oi. – Respondeu com a voz elevada, porém fraca.
- Vamos! Sua vó está chamando.
- Já vou. – Informou enquanto se levantava.
Se levantou para cumprir sua rotina, estudar a história das amazonas - sua avó tinha lhe obrigado a tal -, idiomas, comer, treinar, comer de novo, treinar mais uma vez e dormir.
- Merda. – Resmungou chutando uma parte do tronco enquanto treinava sua resistência sozinha. – Droga de aniversário. – Deu mais um chute. – Droga de vida.
- Pare de murmurar. – Escutou uma voz forte, quase como um trovão, e arregalou os olhos.
Quando treinava sozinha, procurava ir para o canto mais afastado da ilha, visto toda loucura que vivia ali. Gostava de ficar sozinha de vez em quando e isso, provavelmente, lhe custaria a vida, já que demoraria um pouco até que seu pedido de ajuda fosse atendido.
- Quem está aí? – Perguntou se pondo em posição de guarda.
- Eu. – Observou o homem musculoso, de barbas e cabelos brancos, sair de trás de uma das árvores.
Os olhos de arregalaram-se mais ainda, porque ela conhecia bem aquele homem. Nunca tinha o visto pessoalmente, mas...
- Você... – Começou, mas estava chocada demais para terminar.
- Eu? – Arqueou uma das sobrancelhas com um ar risonho.
- O que está fazendo aqui? – Indagou exasperada, a voz rouca e um pouco elevada.
O outro apenas deu de ombros, tratando o fato como se fosse algo sem importância.
- Vovó sabe que você está aqui?
- Sua vó não é essa santa que se pinta. – Riu.
- Por Zeus!
- Eu. – Riu de novo.
- Todos no Olimpo estão te procurando! Oh céus! Você é realmente um irresponsável.
- Isso é jeito de falar com seu avô?
Foi a vez dela de dar de ombros.
- Você não pode exigir muita coisa. – Disse com desdém e ele riu assentindo.
- Sobre o que estava reclamando? – Cruzou os braços e a menina suspirou.
- É meu aniversário e eu estou presa nessa ilha. – Encostou as costas na árvore e escorregou até sentar no chão.
- Eu também ué.
- Você está porque quer!
- E você não?
negou com a cabeça.
- Estou obrigada, porque preciso treinar.
- No fim das contas, está porque quer. – Zeus balançou os ombros novamente. – Você quis seguir os passos dos seus pais, não foi? – Ela confirmou com um acenar de cabeça. – Os fins justificam os meios.
revirou os olhos dessa vez, porque aquilo era exatamente o que sua avó costumava dizer e ela costumava odiar.
- Mas eu queria estar com a minha família hoje. – Passou os dedos pelos olhos, limpando algumas lágrimas.
- E você não está? – Ele arqueou as sobrancelhas.
- É diferente. Não é minha mãe, meu pai, meu irmão... Ninguém até agora se lembrou que é meu aniversário. – Zeus caminhou para perto dela e se sentou ao seu lado.
- Eu me lembrei. – Passou o braço pelos ombros da menina.
- Você lembrou porque eu falei.
- Não. Lembrei porque já sabia. Por que acha que, de todos os dias, resolvi conversar com você justo hoje? – As sobrancelhas mexeram de um jeito convencido e ela revirou os olhos mais uma vez, fazendo-o rir. – Sua avó não liga para essas coisas, é um problema dela. Chama de trivialidades.
balançou a cabeça concordando com o avô.
- Mas eu estou aqui. – Sorriu. – Então, feliz aniversário. – Deu um beijo em sua testa e logo se pôs de pé. – Vamos. – Estendeu a mão para a garota. – Vou lhe ajudar com o treinamento.
aceitou a mão do avô, sorrindo e se colocando de pé também.

No fim, o treinamento daquele dia acabou sendo divertido e, quando a menina voltou ao seu quarto, suas tias Eurora, Antiope e Carline lhe aguardavam com um pequeno bolo e grandes sorrisos.
O resto de seus dias na ilha foram tranquilos e, quando ela se sentia muito para baixo, o avô sempre surgia para conversar com ela - o que a levava crer que ele estava sempre a observando.


Capítulo 3

Março de 2015
Então, um dia, quatro meses depois de seu aniversário, Hipólita simplesmente abriu a porta de seu quarto para anunciar que Diana tinha vindo buscá-la.
- Como assim? – se levantou da cama num pulo.
- O quê? Quer ficar? – Perguntou com um sorriso de canto e a neta negou veemente.
- Jamais. Mas...
- Um ano, . Foi um ano de treinamento e você evoluiu consideravelmente. – A loira sorriu orgulhosa. – Agora tudo que precisa é de experiência em campo.
A respiração pareceu algo difícil aos seus pulmões e Hipólita se aproximou da mais nova. Passando as mãos pelos cabelos castanho claro dela, declarou:
- Por mim, ficaria aqui para sempre. – Riu da caretinha que a neta fez. – Sei que não sou muito boa em demonstrar sentimentos, mas eu a amo e daria minha vida por você.
mordeu o lábio inferior e deu um sorriso, se jogando para abraçar a avó; era gostoso demais ouvir aquilo.
- Arrume suas coisas. Sua mãe está ansiosa. – Avisou e a outra assentiu, correndo para arrumar tudo rapidamente.
se agitou por inteiro na hora que viu sua mãe, sem qualquer receio, pulou em seu colo, lhe abraçando e lhe enchendo de beijos - junto com as felicitações de aniversário atrasadas, de ambas as partes. Diana acabou deixando algumas lágrimas escaparem, apesar de entender que era necessário, não tinha sido fácil ficar longe da filha.
Foram para casa no jato da Mulher Maravilha e, durante todo o caminho, não parava de perguntar sobre as novidades e tudo que tinha acontecido enquanto ela estava longe, de vez em quando atrapalhando a mãe para abraçá-la de novo.
Quando chegaram à Mansão Wayne, Diana viu a filha passar por seus olhos como um relâmpago. Primeiro parou no quintal para falar com Ace, o cão da família, que a aguardava na entrada na casa; depois correu para dentro e pulou na primeira pessoa que encontrou, Alfred.
- Oh, meu Zeus, vovô Alfred, que saudades!
O senhor riu, se segurando na parede para não cair.
- , vai machucá-lo. – Diana comentou quando entrou na casa e a menina fez um bico e largou o mais velho, ainda saltitando na frente dele, feito uma criança.
- Cadê meu pai? E Richie? Ai, meu Deus, mãe, – Se virou para a mulher. – Cadê o Richie? – Fez um bico gigante e a amazona riu.
- Dick está com Damian na Torre. – juntou as sobrancelhas. – Seu pai... – Diana olhou para Alfred, procurando a resposta.
- Na caverna. – Ele respondeu e sorriu animada.
Em menos de, literalmente, dois segundos, a menina já tinha chegado no pai.
- Eu estou fora por todo esse tempo e você nem vem me receber? – Cruzou os braços se colocando entre o homem e o computador.
Bruce deu um grande sorriso e se levantou da cadeira para abraçar a filha.
- Você cresceu. – Esfregou as mãos no cabelo da filha e ela fez careta.
- Lógico. Foi um ano. – Arqueou as sobrancelhas, revoltada pelo pai estar trabalhando.
- Não sabia que voltaria hoje. – Riu da cara dela.
semicerrou os olhos, desconfiada.
- Como não?
- Eu não avisei. – Diana entrou na caverna e abraçou o marido por trás. – Era para ser uma surpresa. – Sorriu e deu um beijo na bochecha do homem.
- Uma ótima surpresa.
- A gente vai sair, certo?
Bruce sorriu, debochando:
- Ela mal chegou e tudo que pensa é em gastar meu dinheiro.
- Cala a sua boca. – Deu um soco no ombro do homem.
De repente, em uma drástica mudança, a menina fungou e se jogou nos braços dos pais novamente.
- Eu senti tanta, tanta, tanta saudade.
Bruce, assim como Diana, sentiu seu coração apertar e apertou a menina em seus braços.
- Não quero mais ficar longe. – Declarou com os olhos molhados e o pai assentiu enquanto passava os dedos para secar algumas lágrimas.
- Bebê. – Diana zombou, tentando aliviar a tensão, e a filha lhe mostrou a língua.
- Você chorou primeiro, não pode falar nada. – Acusou a mãe, ainda agarrada ao pai.
- Eu sou mãe. – Deu de ombros como se aquilo explicasse tudo.
- Eu sou filha. – Imitou a mãe.
Com os ânimos mais calmos e a saudade um pouco aplacada, a família se reuniu no sofá para aguardar resto da equipe.
- Mas por que Damian está na Torre? – A menina perguntou confusa, ajeitando os pés no colo do pai e a cabeça no colo da mãe.
- Eu disse que muita coisa tinha acontecido. – Diana respondeu, começando um cafuné na filha.
- Novidades, novidades. – Bruce completou a esposa e semicerrou os olhos para os dois.
- Estão com muito segredinho para o meu gosto. – Fez um bico fazendo os pais rirem.
- Deixa que seus irmãos te contam. – Bruce falou.
- Que irmãos? Eu só tenho um. Richard o nome dele. – Resmungou e o cafuné foi substituído por um tapa na testa.
- Se comporta. – Ralhou e a mais nova revirou os olhos.
- Eles vão demorar muito para chegar?
Diana negou.
- Já enviei uma mensagem para o Dick dizendo para eles virem logo que tinha uma surpresa aqui.
abriu um sorrisão.
- Parece até o Coringa. – O pai zombou.
- Ai, pai, que horror! – Levantou o pé para dar um leve chute no peito dele, o fazendo rir.
Pouco tempo depois, o barulho inconfundível do carro de Dick se fez ouvir e se sentou rapidamente no sofá, olhando para o portal por onde ele entraria.
Dick entrou na casa e praticamente gritou:
- Ela voltou, não foi?
Diana riu e instantes depois ele apareceu na sala.
- Ah, sim! A peste voltou. – Dick sorriu para a irmã que ficou de pé no sofá, pulando feito uma criança, com os braços abertos esperando pelo irmão. – Eu sabia porque a entrada está uma bagunça de meias e sapatos. – Gargalhou.
Dick correu até a irmã, pegando-a no colo e fazendo-a soltar um gritinho.
- Minha pestinha. – Colocou-a no chão sem parar de beijá-la.
suspirou aliviada, enterrando o rosto no pescoço do irmão e o abraçando novamente, só se separando quando o cheiro de suor estava ficando insuportável - claro que ela zombou disso e levou um soco por tal.
- Agora que eu estou fortona. – Flexionou o braço direito para mostrar os músculos. – Se alguém tentar me separar do meu irmão, eu vou meter a porrada.
- Ela se achando. Olha só. – Cutucou a cintura da irmã.
Mergulhada em sua bolhinha de amor, a garota enrugou a tez quando o irmão mais novo passou pelo portal com uma feição completamente cansada e murmurou um: “bem-vinda, ”, depois de cumprimentar o pai e dar um beijo em Diana.
- Acho que estou alucinando. – Sussurrou para o irmão mais velho, ainda de olho no mais novo que, agora, sentava no sofá mais distante, com a mão na frente da boca, sem fazer, no entanto, questão de falar baixo o suficiente. – Damian agiu como uma pessoa normal. – Dick riu e deu um tapa na nuca da irmã.
- Algumas coisas mudaram.
- Quando vocês vão passar me dar fatos e não as coisas mudaram. – Falou a última parte com a voz afetada, tentando imitar o irmão.
- Eu botei o moleque na linha.
- Vai se foder. – Damian respondeu para o irmão mais velho e Diana lhe lançou um olhar cortante. – Desculpa.
- Meu Zeus! Ele pede desculpa e tudo agora? Vocês fizeram uma lavagem cerebral nele?
Damian olhou para Diana, reclamando da irmã sem palavras.
- Para de implicar com ele, . – A mãe lhe repreendeu e ela olhou chocada para Richard.
- Estou impactada. E então... Para onde vamos? – Mudou de assunto.
- Onde você quer ir? – O pai perguntou.
- Japa? – Sugeriu com um sorriso e ele acenou em confirmação. – Vão se arrumar. – A menina ordenou, já correndo para o próprio quarto.
No restaurante, eles aproveitaram para colocar a garota a par das novas coisas... Damian, agora, estudava em um colégio com pessoas normais e, graças à todo trabalho de Diana, tinha - quase - se adequado a viver em uma família de verdade. Dick estava treinando o irmão e considerando passar o manto de Robin para ele, já que queria sair das asas do pai - e, por incrível que pareça, Bruce não tinha se oposto à isso -, ele também estava pensando em pedir Estelar em casamento, o que fez a irmã mais nova vibrar e surtar.
- E vocês? – A menina olhou para os pais enquanto colocava um sushi na boca. – Nenhuma novidade? Donna? – Olhou para a mãe, esperançosa, mas Diana apenas suspirou.
- Não temos notícias dela ainda.
baixou o olhar, mexendo os hashis em seu prato e suspirando.
- Imaginei.
- Mas seu pai está melhor amigo do seu ídolo. – Diana tentou aliviar a tensão, esclarecendo quando a filha, confusa, juntou as sobrancelhas: – O Superman.
- Achei que isso era caso antigo. – Abriu um sorrisão. – Ele é bonito o suficiente para ser meu namorado? – Perguntou para o pai que fechou a cara na hora, fazendo o resto da família, Damian incluso, gargalhar.
- Eu não acho graça. – O patriarca falou e bebeu um gole do saquê.
- Só isso? – perguntou para mãe e ela deu de ombros.
No entanto, ao girar o olhar pela mesa, a garota viu os irmãos prendendo o riso e arqueou uma das sobrancelhas para Dick. E, tinha que admitir que, não gostava daquela intimidade toda entre os dois.
Sim. Ela estava com ciúmes.
- A gente acha que eles estão tentando aumentar a família. – Dick tentou prender o riso e falhou miseravelmente.
arregalou os olhos e se engasgou com o sashimi que tinha acabado de enfiar na boca, precisando beber um gole de refrigerante para falar:
- O quê?
- Só eu peguei eles na caverna umas três vezes. – Damian que respondeu, fazendo um três com a mão direita e ostentando um sorriso, o que deixou ainda mais assustada.
- Eu já falei para vocês pararem com isso. – Diana repreendeu.
- Agora que a gente tem a protegida de volta? – Damian voltou a zombar.
- Não sei se estou mais chocada com vocês dois estarem agindo como coelhos, apesar de não ser novidade, ou o Damian realmente estar agindo como gente. Quero ter aula na mesma escola que ele para descobrir o que aconteceu. – Implicou, fazendo o irmão revirar os olhos. – Está apaixonado?
- Cala a boca, .
- Você sabe que não vai voltar para a escola, certo? – Bruce contou, ignorando a palhaçada dos filhos.
- Quê? Por quê?
- Porque você vai começar suas missões. Não era isso que queria?
- Por que o Damian pode ir para a escola e eu não? – continuou inconformada.
- Porque você não tem tempo para estudar na escola, treinar e trabalhar em campo. A não ser que você consiga fazer o dia ter mais que vinte e quatro horas, vai precisar estudar em casa. – Bruce rebateu e recebeu uma revirada de olhos em resposta.
- É que o Damian é tipo o Sai. Precisa conviver com os humanos para aprender a se portar. – Dick referenciou, fazendo a irmã gargalhar e Damian mostrar o dedo.
- Damian! – Diana chamou a atenção do garoto.
- Ah! Ele pode falar que eu tenho que aprender a me portar, mas eu não posso me defender? – Indagou inconformado.
- E você não tem que aprender? – Diana arqueou uma das sobrancelhas e o menino se calou.
- O Sai vira gente, será que um dia você consegue também? – cutucou e Damian olhou para Diana enquanto apontava a irmã.
- , quieta! – A mãe falou fazendo a menina e Dick prenderem o riso.

ωωω

Olhando o painel da Torre e configurando as câmeras, com o irmão mais velho atrás de seu ombro feito uma coruja, se sentiu em casa.
Oh, sim!
Apesar de sua meta ser a Liga da Justiça e de estar sendo obrigada a se tornar uma Titã, aquilo era reconfortante e familiar, era como se o tempo não tivesse passado e a qualquer momento eles surtassem pela chance de Bruce descobrir as escapadas que davam de vez em quando - ou pela chance da garota morrer nas mãos de algum vilão.
- Acha que o papai vai esconder todas as missões, fazendo a Liga as captar antes, ou vai me privilegiar e deixar eu colocar a mão na massa logo? – inquiriu, sentando-se na cadeira giratória depois de estar satisfeita com o painel.
- Aposto que vai reter tudo antes de chegar na gente. Com sorte, acontece algo catastrófico o suficiente para ele não conseguir esconder.
A menina bufou.
- Então... – Girou na cadeira para ficar de frente para ele. – Voltando... – Apoiou os pés nas coxas do irmão que revirou os olhos pelo abuso. – Novidades da Torre. Me conte!
Com a afobação da mais nova, eles tinham sido os primeiros a chegarem a Torre naquele dia, então era óbvio que ela ainda não sabia de nada - não tinha como.
- Bom, Victor foi promovido. – Fez referência a Cyborg enquanto enumerava nos dedos. – Isso você já sabe.
anuiu.
- Seu irmão mais novo está na área, mas isso você também sabe. – Continuou a enumerar e ela anuiu de novo, revirando os olhos dessa vez. – Ravena vem de vez em quando só para supervisionar, Kory fica aqui quase sempre, mas não tem ido às missões. Ela resolveu não estar mais sob o controle da Liga. – Dick explicou ao ver a confusão no olhar da irmã.
- Você fez lavagem cerebral na sua namorada? – Afinou a voz e o outro gargalhou.
- Não precisei. Com o tempo, você percebe que eles nos tratam como crianças ou peões. – Deu de ombros.
- É por isso que está desistindo do manto? – Se referiu ao fato dele considerar Damian como novo Robin.
- Também. Mas também acho que isso vai ser bom para o Damian.
- Acha que é por isso que ela não volta? – Suspirou.
- Acho que você deveria viver o presente. – Bagunçou os cabelos da irmã, recebendo um leve sorriso.
- Mais o quê? – Retornou ao assunto.
- Gar e Rachel estão meio que em um lance, mas a Rachel finge que não e obriga o Gar a fingir que não.
- Aposto que ele não é nada bom nisso.
- Como você acha que a gente descobriu?
deu uma risada gostosa e fez o irmão sorrir também.
- E, por fim, tem gente nova na área.
- Quem?
- Já, já você conhece. – Sorriu levado, sabia que a irmã era super curiosa. – E o seu traje? Isso já foi decidido?
sorriu descrente.
- Como você achou que não? Eu já o tenho em uma linda mala junto da minha tiara.
- E os braceletes? – A menina puxou a manga do casaco mostrando os braceletes nos braços e o irmão assentiu com uma faceta aprovadora.
- Eles ficam bem em você.
- Eu sei. – Fez pose, colocando os dois braços na frente do rosto, imitando a mãe.
- E como é seu uniforme?
- Segredo. – Piscou.
- E o nome?
Uma careta duvidosa tomou a face da garota e ela respondeu pesarosa:
- Não faço ideia.
- Tenta Superchata. – Damian, que estava sentado no sofá a alguns metros, se intrometeu na conversa pela primeira vez. – Vai combinar com você e com seu futuro namorado.
- Eu vou te dar um desconto porque você usou o fato de que o homem de aço será meu namorado. – Apontou para o irmão mais novo e ele riu debochado.
- No fundo, no fundo, vocês se amam. – Dick riu.
- Não fala merda, Grayson. – Damian revirou os olhos.
- Mamãe não vai gostar de saber que você está falando palavrão. – sorriu maldosa.
- Merda não é palavrão.
- Então como você sabe que eu estava me referindo à essa palavra? – Arqueou uma das sobrancelhas e o menino perdeu a chance de responder, pois o andar tinha sido invadido.
Pelos outros membros, é claro.
- Oi, M'gann. Oi, Kaldur. – Damian acenou para os companheiros.
- Oi, pessoal. – Kaldur deu um aceno geral e se sentou ao lado de Damian.
- Oi, Damian. – M'gann flutuou até o garoto e lhe deu um abraço, fazendo-o revirar os olhos levemente. Ela sabia que ele não gostava muito, mas não podia evitar, sentia que ele precisava desse tipo de carinho. – Oi, Dick. – Foi na direção dele, acenando com um sorriso. – Oi, pessoa que eu não conheço. – Acenou para .
- Oi, M'gann. Essa é minha irmã mais nova, . , essa é a M'gann, sobrinha do J'onn.
A Wayne piscou confusa e tombou a cabeça para o irmão, soltando:
- Mas eu achei que todo mundo da família do tio J'onn estivesse morto.
- !
- Oh, meu Zeus! – Se virou rapidamente para a menina esverdeada. – Me desculpa.
M'gann mordeu o lábio inferior, mas depois sorriu.
- Tudo bem. Prazer! – Estendeu a mão e retribuiu.
- Prazer!
- Então... Mutano ainda é um Titã? – se voltou para o irmão.
- Sim, ele é. – M'gann respondeu com a voz animada, se voltou para ela de novo.
- E tem mais gente?
- Sim. Tem o Kon, o Wally, a Artemis e a Zatanna.
assentiu ouvindo a marciana falar, não estando realmente preparada para o que se seguiu:
- A Zatanna tem uma quedinha pelo seu pai.
- Quem não tem uma quedinha pelo papai? – Revirou os olhos. – Eu odeio isso!
- Ciúmes é de família como você pode ver, M'gann. – Dick riu do bico da irmã.
- Ela fala muito dele? – Perguntou ainda com o bico na cara.
- Um pouco. – M'gann voltou a responder. – Ele pediu a ajuda dela numa missão.
- Que era para salvar a mamãe inclusive. – Damian falou, mas logo se corrigiu. – Para salvar a Diana. – Tossiu um pouco e coçou a nuca. – Acho que ela pensa que tem alguma chance com ele, porque é mais velha.
- Quantos anos ela tem?
- Ela diz vinte e cinco, mas é uma bruxa então não sei se acredito.
- Não se deixe envenenar. – Kaldur se pronunciou pela primeira vez. – Ela é legal, só é meio maluca. Eu sou Kaldur, a propósito. – Sorriu e balançou a mão, imitou o gesto.
- Parece você. – Damian implicou, girando o dedo perto da têmpora, e a mais velha lhe mostrou o dedo.
- Oi, galera.
desviou a atenção do irmão ao ouvir uma voz animada.
Uma nova voz animada.
- Esse é o Wally. – M'gann sussurrou para ela. – Ele vai dar em cima de você. – Continuou e fez a terráquea rir.
Dito e feito.
Em segundos, Wally já tinha a olhado de cima a baixo, expressando:
- Uh! Gatinha na área. – Correu, realmente correu, até .
- Eu disse. – A marciana se afastou.
- Um velocista? Você é parente do Allen? – Brincou.
- Quase acertou. – Piscou e viu a surpresa tomar a face da garota. – Da esposa dele, gata. – Estendeu a mão para ela. – Wally West, prazer.
Ela o cumprimentou de volta:
- . – Estendeu a mão.
- ...?
- Wayne. – Dick respondeu pela irmã, lançando um olhar desafiador para o colega.
- Ok. Entendi. – Deu dois passos para trás com as mãos estendidas ao lado da cabeça. – Nada de apanhar do Bruce e do filho do Bruce. – Disse, mas voltou a piscar para .
- Eu gostei dele. – A garota riu e Dick revirou os olhos.
- Nos vemos por aí, gata. – Deu um sorriso de canto para ela. – Vou fazer minha ronda. – E num piscar de olhos ele tinha desaparecido.
- Eu fico de olho, pode deixar. – Damian falou para o irmão mais velho.
- Que ronda que ele foi fazer? – preferiu ignorar o olhar dos irmãos sobre ela.
- Wally anda ou, melhor, corre pela cidade procurando alguns crimes mais simples. Tipo assaltos, roubos, essas coisas... Geralmente ele dá conta sozinho. – Explicou e ela assentiu em compreensão.
- Cheguei!
Uma mulher morena e extremamente animada entrou na sala, junto dela, uma loira com a cara enfezada.
- Ok, pelo menos uma pessoa não parece tão animada assim. – riu pelo nariz.
- Zatanna. – Dick informou, apontando a animada, e a irmã fez careta.
- E a siamesa do Damian? – Sussurrou de volta, fazendo Dick gargalhar e lhe dar um tapa na nuca.
- Artemis. E Kon. – Acrescentou vendo o garoto de aço passar pela porta.
arregalou os olhos e Dick logo explicou:
- Ele é filho do Clark. Mais ou menos. Foi criado em um laboratório...
- Bizarro. – Sussurrou, mas o garoto olhou para ela no mesmo instante. – Ok, ele tem super-audição. – Constatou, tentando prender o riso e falhando quando viu o irmão passar pelo mesmo.
observou M'gann flutuar até o tal Kon com um sorriso gigante e deixar a matraca solta, era um pouco triste porque Kon não parecia interessado o suficiente.
- Ela gosta dele?
- Óbvio.
- Quem é a pirralha? – Zatanna e Artemis perguntaram juntas.
- Wayne, prazer. – correu até elas e estendeu as mãos, dando um sorriso especial a Zatanna que arqueou uma das sobrancelhas.
- Como eu pude não perceber? – Zatanna começou. – Você é a cara dela.
A Wayne jogou os cabelos enquanto apertava a mão de Artemis e anuía, acrescentando:
- E dele. Obrigada. – Dando as costas para as meninas, mas sem se afastar, continuou com o irmão: – Só falta o Mutano?
- Sim.
- E eu. – Kory passou pela porta, fazendo a menina dar um gritinho.
- Zeus! Que saudades! – Abraçou a cunhada.
- Eu também estava. – A dourada lhe apertou de volta.
- Me conta as novidades. – Puxou a mulher até o sofá.
- Bom, eu saí da Torre, comprei um novo apartamento e fiquei noiva. – Mostrou a aliança no dedo e arregalou os olhos quando M'gann deu um gritinho.
- Você finalmente pediu? – A marciana perguntou para Robin e ele riu assentindo.
- Estou me sentindo largada, achei que só a família sabia disso. – Apontou o dedo para o irmão com os olhos semicerrados.
- A Torre é família. – O homem deu de ombros.
- Como foi? – Pareceu ficar animada de novo e Estelar riu da mudança de humor da menina.
- Foi lindo, teve jantar à luz de velas, eu quase engolindo a aliança e eu estou super feliz.
sorriu.
- Meu casal! – Se jogou para abraçá-la.
Ia recomeçar a sessão de interrogatórios quando a característica voz de Garfield chegou aos seus ouvidos:
- ?
A garota se pôs de pé e abriu os braços para ele.
- Agora, sim, a Torre está completa. – O esverdeado riu enquanto beijava a bochecha dela.
- Ravena vem hoje? – Dick perguntou, ainda de frente para o painel de controle.
- Ela disse que viria. Você contou sobre a ? Ela parecia saber, estava animada.
- Como se precisasse contar. – Dick revirou os olhos.
- Você fala bastante com a Ravena. – cutucou o garoto.
- Ah, não começa você também, . – Choramingou.
Não se foi muito tempo para Ravena chegar e todos os novos integrantes da Torre ficarem chocados ao ver Rachel super animada ao conversar com alguém.
Damian chegou a falar que achava que o verdadeiro amor da azaratiana era , não Garfield, o que fê-la lhe lançar um olhar gélido.
- As duas são um poço de chatice, por isso se dão bem. – Constatou em seguida, bufando e correndo para fora da sala. Não era bobo, sabia que Ravena podia acabar com ele em um segundo, principalmente com a ajuda da irmã.
- Agora você sabe o que eu sofro desde sempre. – Dick gritou para o garoto enquanto as portas do elevador se fechavam.


Capítulo 4

A Torre não estava recebendo missões, o que significava que, tirando Wally, os heróis iam para San Francisco apenas para olharem uns para os outros e já estava começando a se estressar com isso.
Qual era o propósito de fazê-la se matar, longe de casa, treinando, se, quando chegasse a hora, iriam tratá-la feito uma criança indefesa? Ainda por cima, atingindo quem não tinha a ver com isso, já que estavam deixando os outros heróis inutilizados.
havia tentado a saída mais óbvia: gritar com o pai. Isto, infelizmente, não tinha servido para nada, além de lhe fazer ficar em casa por uma semana - sem Torre, sem treino. Não era de se surpreender que nessa uma semana, magicamente, os Titãs haviam saído em missão.
Então ela tentou a alternativa mais difícil: provar que conseguiria fazer o quer que fosse, independente de ajuda. De madrugada, invadiu a caverna do pai e digitou a senha que sabia desde criança - naquela época, Bruce não fazia questão de esconder aquela informação e em breve ele se arrependeria disso -, no entanto, assim que a tela sorriu para si, ouviu um murmúrio atrás de si:
- O que está fazendo?
pulou da cadeira, pronta para dar um soco naquele pedaço de gente.
- Pelo amor de Zeus, quer me matar do coração?
- Não. Já passei dessa fase. – Damian abanou o ar com a mão, ostentando uma careta desdenhosa. – Só quero saber o que está fazendo mesmo. – Cruzou os braços e balançou os ombros.
Dando as costas para o caçula, voltou a se sentar na cadeira, deixando os dedos trabalharem no teclado.
- Então? – Damian insistiu.
- Já que papai não nos arranja missões, eu mesma arranjarei.
- Você vai arranjar sarna para se coçar. Isso sim.
- Quieto.
A Wayne continuou a busca até achar o que ela tinha certeza que era a resposta para suas ambições, mas, assim que clicou, veio a constatação:
- Está criptografado.
- É claro que está criptografado, . Acha que ele é idiota?
Ela bufou.
- O que você está fazendo aqui de qualquer forma?
- Vendo você entrar numa fria? – Respondeu em forma de pergunta, como se aquilo fosse óbvio demais.
Com um sorriso de canto, girou a cadeira para o irmão caçula e tombou a cabeça.
- Você sabe hackear computador.
- Sei.
- Não foi uma pergunta.
Damian arqueou as sobrancelhas.
- Me ajuda. – Juntou as mãos e ele prontamente negou.
- E me ferrar com você? Não mesmo.
- Ninguém precisa saber que você me ajudou. – declarou e voltou a sorrir.
A verdade é que ela já sabia que aquilo era uma batalha ganha, porque, além de Damian gostar de fazer merda, assim como ela, ele procurava por sua aprovação. Desde que havia voltado de Temiscira, de forma a deixar o menos claro possível, o garoto mostrava como queria se aproximar da irmã e ajeitar aquele resquício de relacionamento conturbado que tiveram no início, até mesmo sua mãe tinha lhe dito isso e falado para ser gentil com ele.
Damian estava se esforçando, ela sabia disso. Também sabia que não tinha problemas tirar proveito desse esforço.
- , sabe que isso é uma missão de suicídio, né? Porque se não morrer durante a missão, morre quando ele descobrir.
- E você se importa? – Arqueou as sobrancelhas e se recostou na cadeira, tentando não sorrir ao vê-lo engolir em seco. – Vamos, Damian... Você não tem nada a perder.
Afastou a cadeira da mesa e apontou o computador, continuando:
- Se não se importa, não vai fazer diferença na sua vida. Se se importa pode me ajudar a escolher uma missão menos suicida. – Enrolou uma mecha de cabelo no dedo.
- Não me importo com o que vai fazer da sua vida. – Ele decidiu por fim, se pondo entre ela e a mesa. – Ainda vou ter o prazer de ver Bruce te matar.
- Pai. – Chamou a atenção dele.
- Quê? – Damian parou de digitar para olhá-la.
- Não é Bruce, você não está falando de um tio. Ele é nosso pai.
Damian piscou algumas vezes, olhando a irmã, mas voltou sua atenção ao computador, resmungando:
- Tanto faz.
- Claro. – Debochou.
Ela o observou teclar, clicar e apertar durante alguns bons minutos e, apesar de não ser tão rápido, Damian fazia aquilo parecer apenas uma tarefa de escola; um pouco exigente, mas nada absurdo.
Mais algum tempo e ele havia saído de seu caminho, deixando-a livre para navegar no computador do pai e achar a missão que ela julgou perfeita: recuperar alguns arquivos que a Liga dos Assassinos tinha conseguido.
- Você não vai à Nanda Parbat, . – Damian se apoiou na mesa ao lado dela, mas o som da impressora comprovou que ele tinha sido ignorado. – !
- O que foi? – Bufou, virando a cadeira para ele.
- É suicídio. Não estamos falando de qualquer gangue, estamos falando da Liga dos Assassinos.
- Você conhece por lá, não é?
Damian a interrompeu imediatamente.
- Sim, e por isso estou falando que não. Se continuar com isso, seria obrigado a contar para o nosso pai.
- Então... Se você conhece o lugar e também precisa provar um ponto a Dick, que mal tem?
O caçula ofegou como se tivesse sido atingido por um soco e foi assim que ela soube que tinha atingido o ponto certo.
- Você sabe o modus operandi deles, conhece as instalações e eu, bom... – Deu de ombros. – Você sabia que eu fico invisível?
Damian abriu a boca, mas fechou, franzindo o cenho depois e concluindo o pensamento:
- O quê?
- Pois é. – Sorriu.
Damian pareceu duvidoso.
- A gente não pode invadir Nanda Parbat do dia para a noite, .
- Eu já tenho um plano. – Garantiu, se levantando para buscar os papéis que a impressora tinha cuspido. – Na Torre, temos os dardos tranquilizantes que a Artemis usa, – Caminhou de volta e sentou-se, dessa vez, na mesa do computador. – Podemos copiá-los aqui mesmo. De madrugada. Temos os aparatos necessários. – Mostrou o laboratório no canto da caverna. – O pessoal da Liga te conhece, então podemos usar isso a nosso favor. Mas não acho que vá ser necessário. Enfim... A gente invade a sala e pega os documentos.
- Não é um plano muito bem elaborado.
- Mas já é alguma coisa. Vai dar certo!
- E se não der?
- Vai dar!
Na busca de ser reconhecido, como pessoa e como herói, por todos de sua família, o garoto aceitou.
No fim, eles tinham os mesmos objetivos e, na semana seguinte, já estavam com tudo pronto para se encaminhar a Nanda Parbat - no jato de Diana, que, felizmente, aprendera a pilotar quase enquanto aprendia a andar.
- Você se sente estranho? – perguntou para o irmão, mas ele franziu a testa confuso. – Indo para o lugar que cresceu e... – Ela suspirou. – Você meio que não está do lado deles agora, certo?
Ele assentiu.
- Um pouco eu acho. Eu...
- O que faria se encontrasse sua mãe? – Damian deu de ombros.
- Nós nunca tivemos uma boa relação. Não fui criado por ela, ela não conseguia conviver comigo por causa do nosso pai.
- Sinto muito. – falou baixinho. – Eu tive uma época sem o papai, mas sempre fui cercada de carinho, já você...
- Era usado como instrumento de guerra e possível meio de capturar o Bruce. – Ele balançou os pés por uns instantes.
- Como foi esse ano que eu não estava aqui?
Damian sorriu.
- Foi bom. Não ter você aqui era estupendo. – Implicou e riu da cara dela, continuando: – O Dick me ajudou bastante, M'gann também, mesmo que ela seja um pouco exagerada. – Riu. – E sua mãe... Ela é incrível, mas você já deve saber disso.
assentiu.
- Bruce é sortudo por tê-la.
- Todos nós somos. – falou enquanto girava os controles do jato e o outro anuiu.
- Eu tenho certeza que ainda estaria no meu lugar escuro se não fosse por ela.
sentiu um frio na barriga enquanto olhava o irmão mais novo vigiando, ainda de dentro do jato, a entrada do templo, depois de algumas horas de viagem, eles finalmente haviam chegado.
Se apoiando na mesa, próxima ao caçula, escutou-o perguntar sem tirar os olhos da entrada do local:
- Vai usar seu uniforme?
- Não. Ainda não é a hora dele. – Riu e ele assentiu, virando-se rapidamente para ela, para notar se ela estava com uma roupa adequada; estava - com roupa de ginástica, que era praticamente gêmea da garota.
- Essa sua roupa daqui a pouco vai sair andando, porque ela já decorou os caminhos todos.
gargalhou e deu um tapa no irmão.
- Eu sou rica, Damian, os conjuntos são parecidos, mas não são os mesmos. – Fingiu uma cara de enojada e ele revirou os olhos com um sorriso. – E então? – Apontou a entrada, voltando a se concentrar na missão.
- Está vendo aqueles dois ali? – Apontou para dois homens, um em cada canto da entrada. – Eles são fixos até que outros dois venham, de 15 em 15 minutos, e os substituam. Daí eles provavelmente rodam por todo o templo procurando alguma atividade suspeita.
- Então são quatro ali naquele posto?
Ele negou.
- Eu contei seis até agora e eles estão revezando a dupla. Supostamente, o do lado direito deveria voltar só na próxima ronda, mas ele já voltou nessa.
- Por Zeus, como você sabe disso?
- Você tem poderes, . Tudo que eu tenho é minha mente e meu corpo. Vou chamar esse do lado direito de número quatro, okay? – Esperou a concordância dela para continuar: – Ele tem tique na perna, troca de uma para a outra a todo instante. O outro, número um, fica parado com as mãos atrás do corpo. Sempre. – Damian olhou o relógio em seu pulso. – Eles vão trocar. – O garoto avisou e, segundos depois, eles giraram pela pilastra e outros dois apareceram em seus lugares.
- Quem são esses? – perguntou e o Damian fez um sinal com a mão para que ela esperasse.
- Número cinco e número seis, de novo.
- Eles são a dupla original?
- Pelo menos de quando chegamos aqui, sim. O jeito do número cinco parar... Ele está machucado. Na perna direita.
- Ele está com ela mais para dentro. – comentou.
Ela tinha reparado que, mesmo por alguns centímetros, o homem deixava a perna direita mais para trás, ficando com seu lado esquerdo mais exposto.
- Sim. Está protegendo-a.
Os dois voltaram a ficar em silêncio, apenas observando por mais um tempo, até franzir as sobrancelhas e cutucar o irmão.
- O quê?
- Você reparou que eles giram para lados diferentes? – Continuou olhando atentamente os homens.
- Como assim?
- Primeiro eles giraram por dentro da pilastra e seguiram para o canto, não dá para ver, porque está escuro, mas, agora, eles foram por fora e entraram na penumbra depois. Eu achei que fosse só coincidência, mas está repetitivo.
Damian semicerrou os olhos para ela e, com um sorriso satisfeito, murmurou:
- A gente acabou de conseguir nossa entrada.
- Como?
- Quando eles giram por fora, estão indo para a parte de trás do templo. Por dentro, para dentro. Dá próxima vez que o número cinco girar por dentro, a gente entra.
mordeu o lábio inferior e suspirou assentindo, eles iam mesmo fazer aquilo.
- Eu acerto os dardos tranquilizantes nos de fora, você fica invisível e ataca quem quer que esteja passando pela entrada, okay? – Damian continuou e ela anuiu. – Não podemos, em hipótese alguma, deixar eles avisarem que tem invasores. Vai ser fácil! Se você encontrar com o número cinco dentro do templo, ataca a perna direita e desmaia ele, já vai ser um a menos.
- Mas vão ter mais deles lá dentro, certo?
- Claro. Por isso, continue invisível. – Entregou o comunicador para ela. –
E fale baixo.
- E se formos pegos?
- Você vai continuar invisível, pegar o jato, também invisível da sua mãe, e voltar para nossa casa visível. Eu vou fingir que fugi do Bruce e ficar para distraí-los.
- Não.
- Quê?
- Eu não vou te deixar para trás, você ficou insano?
- ... – Ele começou, mas ela interrompeu.
- uma ova! Ou nós saímos juntos ou não saímos.
Ele suspirou contrariado, mas assentiu, colocando o comunicador no ouvido.
- Consegue me ouvir? – Falou baixo e revirou a os olhos para cara de deboche da mais velha. – Pelo comunicador, .
- Sim. – Ela riu.
- Vai. – Abanou a mão para ela. – Faz a sua mágica.
riu e bateu os braceletes um no outro, passando-o pela tiara logo após.
Ela riu mais uma vez quando o irmão murmurou sobre aquilo ser injusto, enquanto alcançava o arco atrás de si e vestia a aljava nas costas.
- Ele voltou. – A garota avisou ao irmão, mostrando o homem parado na porta.
Damian olhou pelo visor do jato e assentiu, olhando o relógio depois.
- Temos quinze minutos depois que ele voltar a andar pelo templo. Isso se ele girar para dentro.
Assim que o número cinco virou para a parte de dentro do templo novamente, os irmãos agiram.
abriu a porta do jato, caminhando até a saída junto com o irmão e aproveitando de sua invisibilidade para dar um tapa na nuca dele ao deixá-lo para trás.
- Babaca. – O mais novo resmungou, fazendo-a rir.
- Faz o seu lance. – Ela pediu, já pelo comunicador.
Com passos leves, a menina andou até a entrada do templo pelos cantos, mesmo que estivesse invisível, e sorriu contente quando viu um dos guardas cair. O par dele pareceu imediatamente alerta, procurando o que tinha acontecido, mas, antes que ele pudesse fazer alarde, o dardo o alcançou também.
- Feito. – Escutou o irmão pelo comunicador.
- Percebi. – Disse ao passar pelo corpo de um dos homens.
os colocou sentados perto da pilastra e arrancou as flechas deles, avisando ao irmão que assim pensariam que eles estavam só tirando um cochilo.
- , anda. Nós temos doze minutos.
- Ok.
Ela caminhou para a parte de dentro do templo, olhando para os dois lados, e avisou:
- Limpo. – O garoto desceu do pico onde o jato estava escondido e correu até ela. – E agora? – Perguntou, fazendo-o dar um salto; ainda não tinha se acostumado com aquela coisa de invisibilidade.
- Direita. – Apontou o corredor.
- Eu vou na frente, você me guia pelo comunicador.
Ele assentiu e, mesmo não a vendo, sentiu a pressão de quando ela usava sua velocidade, o que significava que, àquela altura, ela já estava no fim do longo corredor.
sabia que, depois do corredor, tinha que virar à esquerda e entrar por um portal de pedras, tinha estudado a planta que o irmão tinha lhe passado. Sabia, também, que depois do portal, teria mais uma entrada à direita, no entanto, ao chegar lá, se deparou com uma parede de pedras do lado direito, logo após o portal.
- Damian, eu estou no portal, mas acho que eles fizeram mudan... – Parou de falar ao sentir uma presença atrás de si.
- ? – Sussurrou no ouvido da irmã, mas ela não respondeu.
A Wayne se virou devagar, orando para que fosse apenas coisa de sua cabeça, mas lá estava um dos assassinos da Liga, procurando de onde vinha a voz que acabara de ouvir.
Respirou fundo e devagar, tentando se concentrar e pensar no que fazer... Tinha que agir rapidamente, a qualquer momento Damian aparecia no corredor e ele não era invisível como ela; aliás, mesmo tendo sido o que alertou sobre a altura da voz, ele parecia bem nervosinho pelo comunicador.
- !
Ela bufou.
Precisava mandar o irmão parar, podia ter mais alguém por ali.
Desistindo de se esconder, murmurou pausadamente:
- Se esconde.
O homem à sua frente arregalou os olhos e deu dois passos em sua direção, um sorriso maldoso foi pintado em seu rosto e ela se perguntou o porquê de ele parecer tão satisfeito, tinha certeza que continuava invisível.
A compreensão chegou ao seu entendimento quando uma bola de gás fez o barulho encontrando o chão e o ambiente ficou nevoado, tossiu e colocou um dos braços sobre o rosto, para se proteger. No instante seguinte, entretanto, o grandalhão estendeu a mão na direção certeira de seu braço, lhe puxando e a prendendo pelo pescoço, da mesma forma que havia visto Lince fazer há algum tempo com seu irmão mais velho - pelo visto a galera do antro de psicopatas gostava de matar estrangulando.
- , você precisa de ajuda?
A voz do irmão em seu ouvido fê-la revirar os olhos.
- Continua na droga do seu esconderijo. – Respondeu com a voz pesada enquanto tentava respirar.
sentiu-se instantaneamente estressada e, como há algum tempo atrás, seu corpo todo começou a tremer enquanto ela pensava no que fazer para não surtar mediante aquele tipo de situação.
Era óbvio que conseguiria se livrar do homem, conseguiria até mesmo fugir dali ilesa, mas o que lhe lesava no momento era o fato de que seu irmão caçula, que não tinha poderes, estava em algum lugar e poderia ser encontrado e ela não deixaria aquilo acontecer.
Na hora que pensou estar perdendo tempo demais pensando, já que os minutos não esperariam pelo seu raciocínio, percebeu, também, que a fumaça ao redor parecia se mexer mais lentamente e que o braço do homem já não lhe apertava com tanta força.
A constatação lhe atingiu como um soco, deixando-a sem ar por um momento ou dois... Conseguia ficar no tal Flashtime que J’onn e Wally tinham lhe falado.
Tão rápida quanto foi surpreendida, ou talvez mais, se separou do homem sem precisar usar muito de sua força, pondo-se atrás dele e o segurando de cada lado da cabeça para levantá-lo e jogá-lo, por cima de seu ombro, no chão; onde este caiu já desacordado, fazendo-a sorrir. - , porra! Me responde!
- Espera só mais um pouquinho. – Finalmente respondeu, carregando o corpo para um canto e conferindo se não havia mais ninguém por ali. – Vem. – Mandou. – Mas vem sabendo que o mapa que você fez não serve para caralho nenhum.
Escutou a bufada do irmão através do comunicador. Pouco depois, Damian estava ao seu lado, encarando, confuso, a parede de pedras que interferia no caminho deles.
- Eu posso socar tudo. – deu de ombros, mas ele não viu porque ela ainda estava invisível.
- Sim e chamar a atenção de toda a Liga. É bem o que queremos. – Deixou o sarcasmo escorrer através das palavras e levou um tapa na nuca. – Quer parar de fazer isso? – Alisou o local e tudo que recebeu foi a risada dela. , não temos tempo para brincadeira, temos 9 minutos.
- Calma. Outro caminho. – Apoiou as mãos nos ombros dele, rindo quando o sentiu pular de susto e xingar.
- Ok, vamos voltar para a frente do templo, seguir pelo corredor lateral e entrar por trás. Oito minutos.
Como combinado anteriormente, foi andando na frente, atenta caso aparecesse algum outro assassino, com pouco menos de dois minutos, chegaram na sala.
- Até que foi fácil. – disse, olhando a porta enquanto batia os braceletes e passava pela tiara, voltando a ficar visível.
- Temos seis minutos. – Passou na frente da irmã. – Qual o nome do arquivo?
- Five X-Y. – Respondeu, vendo-o abrir a porta.
Os dois entraram na sala, porém, quando fechava a porta, uma espada voou em sua direção e ela ergueu os pulsos em um X se defendendo por pouco.
- Temos companhia. – Avisou, um pouco mais nervosa do que gostaria de estar. – Procura o arquivo. – Mandou, olhando quantas cabeças teria que enfrentar. – Eu lido com eles.
- Merda. – Voltou à porta para contabilizar quantos homens tinham. Seis; e provavelmente chegariam mais, precisavam ser rápidos porque os assassinos da Liga não iriam simplesmente deixá-lo procurar o tal arquivo enquanto atacavam .
Percebeu que ficou tempo demais parado ali quando uma espada veio em sua direção, como tinha acontecido com a irmã segundos antes. Segurando as mãos do homem, Damian o empurrou com o pé direito e deu um chute em sua barriga; a aljava logo estava em suas mãos, assim como uma de suas flechas, mas esta não permaneceu muito tempo com ele, encontrando, rapidamente, o caminho até o cara que ele tinha acabado de chutar. Se preparou para lançar mais uma flecha, mas uma espada, vinda da direita, estraçalhou seu arco.
- Isso foi caro, sabia? – Descontente, desarmou o homem que acabara com seu arco e enfiou a espada na perna dele.
- Abaixa. – Escutou a irmã murmurar, atrás de si, e o fez, mesmo sem saber o que era.
Um grunhido de dor chegou aos seus ouvidos e, preocupado, ele se voltou a irmã, vendo uma flecha presa em seu ombro direito enquanto o pulso com o bracelete, numa tentativa falha de se proteger, estava um pouco mais abaixo.
- Você está bem? – Perguntou, ainda abaixado, aproveitando para dar uma rasteira em um dos homens.
- Vai ver a droga do arquivo. – Rosnou enquanto tirava a flecha do ombro.
Puxando o irmão pelo braço e o pondo atrás de si, enfiou a flecha, que acabara de tirar de si, na perna do homem que tentava agarrá-lo, cujo tinha acabado de reconhecer como número cinco. O homem gemeu e caiu de joelhos, dando a deixa para que ela agarrasse uma flecha tranquilizante na aljava do irmão e enfiasse em seu pescoço.
- Faltam quatro. – Avisou ao irmão.
Uma nova espada surgiu na direção de , atingindo-a na cintura.
- Oh, por Zeus! – Praguejou. – Quer estragar minha cinturinha de pilão? – A indignação real em sua voz fez Damian rir e ela acabou por sorrir por isso.
Segurando a lâmina com a mão direita, impedindo-a que entrasse mais em si, girou-a de modo a fazer com o que o homem precisasse largá-la se não quisesse ter o pulso torcido.
- Ok, temos mais três chegando. E dois indo na sua direção. – Contou, mas não se importou em olhar para trás, sabendo que o irmão conseguiria se defender sozinho.
Sentiu uma picada em suas costas, na direção da omoplata esquerda e se virou, puxando uma das flechas do irmão e revirando os olhos.
- Metabolismo acelerado, bebê. – Riu zombeteira, mas, nos segundos seguintes, sentiu uma leve tontura, que foi acompanhada de um soco no maxilar.
E mais um soco.
E mais outro.
- Droga! Isso é meio forte, certo, Dam? – Soou um pouco alterada.
- Você precisa de ajuda? – Tendo finalizado seus dois homens, deixou de dar atenção à prateleira para lhe lançar um olhar preocupado, mas a irmã negou, rindo após receber um novo soco.
Aproveitando a proximidade de uma das estantes, deu um forte chute por entre as pernas do homem que lhe segurava, fazendo com que esta caísse em cima dele.
- Faltam quatro mais uma vez.
- Eu só queria saber se o arquivo estivesse nessa estante... – Reclamou, mas foi ignorado.
- Quanto tempo até chegar mais reforços? – O soco que deu em um dos homens que foi em sua direção foi o suficiente para apagá-lo.
- Pouquíssimo.
- Então cala a boca e continua procurando. – Segurou o próximo pelo pescoço, forçando os dedos contra sua garganta e abaixando para desviar de outro. – Dois. Sabe... – Desviou de um soco e tomou a espada, presa as costas dele, antes que o homem a pegasse. – Esse tranquilizante é realmente forte. – Fez um bico, partindo a espada ao meio e encaminhando-se ao próximo - Damian poderia lidar com aquilo -, ainda sentia-se um pouco tonta.
- Você ainda está de pé, qualquer outro teria...
bufou quando, ao procurar o motivo da interrupção na fala do irmão, o achou sendo agarrado pelo pescoço por um dos homens restantes ao passo que o outro vinha em sua direção.
- Quanto tempo até os reforços, Dam? – Apoiou as mãos na mesa atrás de si, olhando as unhas.
Damian revirou os olhos para a audácia da irmã, mas soltou uma das mãos que impediam o braço do homem de chegar ao seu pescoço para olhar o relógio, sabendo que, se ela estava relaxada, é porque tinha um plano.
- Um minuto.
- E o arquivo?
- Quase... – Tentou respirar fundo. – Quase em mãos.
- Ok. Então vamos ao plano... Eu vou socar esse do meu lado. – Falou, já pegando um livro e tacando na cabeça do homem. – Um. – Continuou a contar.
– E... – Foi interrompida.
- E nada. – A pessoa que segurava seu irmão falou, puxando uma adaga da cintura e colocando no pescoço dele. – Isso se você se importar com a vida do moleque.
revirou os olhos com um sorriso.
- Uma mulher. Finalmente! Estava começando a pensar que a Liga dos Assassinos era machista.
Como num passe de mágica, ela já tinha socado a mulher que segurava seu irmão e o liberado.
- Pega a droga do arquivo. – Mandou, caminhando até a porta para ver se alguém vinha. – Nosso tempo já esgotou. – Avisou com a demora do irmão.
- Olha, eu achei. Só que...
- Só que o que, Damian? – Sussurrou desesperada e se virou para ele, encontrando-o com uma caixa na mão. – Mas que droga! – Caminhou até ele e percebeu que estava lacrada. – Está muito pesada? – O irmão fez uma careta e negou com a cabeça. – Ok, então vamos logo. – Andou até a porta rapidamente e arregalou os olhos, dando dois passos para trás. – Temos mais companhia. – Comunicou, parecendo batido falar aquilo.
Bateu os braceletes e os passou pela tiara, voltando a falar:
- Eles estão no fim do corredor. Vou espancar alguns para ganhar tempo, você corre para a saída, prepara o jato e nos encontramos lá. – Explicou.
Damian assentiu e ela saiu da sala.
Invisível novamente.
correu ao fim do corredor, já torcendo o braço de um dos mascarados ao mesmo tempo que tirava uma flecha de sua aljava e enfiava no olho de outro.
Olhando por cima do ombro, ela constatou que o irmão já estava longe o suficiente, mas continuou até quebrar o braço de alguém... Melhor prevenir que remediar, certo?
Errado.
A voz do caçula chegou até ela no momento seguinte:
- , acho que quebraram meu braço. Não vou conseguir carregar a caixa.
Em menos de dois segundos, já tinha alcançado o irmão, pegando as duas últimas flechas da aljava dele e espetando em dois mascarados.
O último era, na verdade, a última, reparou no cabelo vazando pelo capuz e o enrolou na mão, levando a cabeça da mulher até o chão com força e dando um chute em suas costelas, falou:
- Só quem bate na droga do meu irmão sou eu, vadia.
se agachou, pegando a caixa e fazendo um sinal para o irmão subir em suas costas, ajeitando-o, correu para fora das instalações e, rapidamente, já estavam no ar, voltando a Gotham.
- O que vamos falar sobre o meu braço? – O mais novo perguntou, segurando o braço junto ao corpo e olhando para baixo. – Diana vai ficar tão decepcionada. – Suspirou.
sorriu para ele e colocou o jato no piloto automático, indo sentar ao seu lado.
- Depois do susto inicial, quando reparar que estamos bem e recuperamos o documento, ela vai ficar orgulhosa. – Garantiu. – Relaxa. – Em momentos como aquele, onde ele realmente parecia uma criança de onze anos, ela tinha vontade de apertá-lo em um abraço. – Está doendo muito?
- Já passei por dores piores. – Tentou balançar os ombros, mas fez uma careta e gemeu no processo. Vendo a faceta preocupada dela, descontraiu: – Tipo quando você arrebentou meu baço.
Os dois deram um leve sorriso.
- Foi realmente o baço? – Ela tentou não rir.
- Uma costela quase perfurou meu pulmão, . – Elevou a voz, mas o ar risonho não deixou seu rosto.
- Você mereceu, Narciso. – Acusou com os olhos semicerrados, levantando-se para voltar a navegação do avião.
Chegaram em casa já ao amanhecer; a intenção era entrar de fininho, tomar um banho, cuidar das causalidades e contar o que tinham feito - quanto menos dano, menos broncas, mais elogios. Assim que passaram pelo portal da sala, porém, dera de cara com o pai sentado em um dos sofás.
- Aonde vocês estavam? – A voz de Bruce soou grossa, típica de quando falava com os vilões que caçava.
Os irmãos praguejaram juntos, mas logo tratou de colocar um sorrisinho no rosto, continuando:
- Oi, pai, tudo bem? – Perguntou com a maior cara lavada possível. – Nós fomos fazer um favor. – Levantou a caixa que estava em suas mãos, mostrando-a onde se lia: Five X-Y.
Bruce arregalou os olhos e deu um pulo no sofá, como se tivesse sido picado na bunda, caminhando até os filhos na tentativa de puxá-los pelo braço até o sofá. Quando tentou tocar em Damian, entretanto, a garota rosnou:
- Não encosta nele. – Afastou o pai com um empurrão mais forte do que o esperado, o que lhe rendeu um olhar severo - prontamente ignorado enquanto a menina ajudava o irmão a se sentar no sofá.
- Vocês ficaram insanos? – O mais velho começou. – Aonde... – Ele se pausou, respirando fundo para não gritar. – Me expliquem... Aonde vocês estavam com a cabeça? Por tudo que é mais sagrado, não sabem que tudo que as pessoas daquele lugar querem é você e seu irmão? – Parou na frente da filha. – Eu sei que você inventou isso, eu te conheço! – Falou torturado.
A ideia de algo acontecendo a seus filhos era algo que lhe tirava o sono todas as noites. Não suportaria passar por algo assim, tinha certeza que enlouqueceria.
- Nós só queríamos mostrar que somos capazes. – respondeu calmamente. – Você não nos deixa fazer isso, pai. Cismou que somos duas crianças indefesas, nos coloca sob suas asas e não nos dá direito a escolha.
- No dia em que você tiver um filho, você vai entender todo o meu excesso.
- E por que não é assim com Dick? Só por ele não ter seu sangue?
Bruce abriu a boca pasmo.
- De onde você tirou uma besteira dessas? ! Eu me preocupo com Richard tanto quanto me preocupo com você ou com Damian. Mas é diferente! – Esfregou a testa. – Dick passou pela mesma situação traumática que eu, se eu não o ajudasse a controlar isso, se eu não o trouxesse para esse mundo, ele iria se tornar o mesmo que tinha destruído a família dele. Eu o deixei fora disso o máximo que pude, o tornei meu parceiro para poder vigiar seus passos e ajudar. Nunca deixei de me preocupar com ele, porque ele não tinha o meu sangue. Aliás, você sabe que eu não queria ele agindo por aí sozinho, mas agora ele já é um adulto e tem o direito de tomar suas próprias escolhas.
- Nós queremos isso também. – Damian falou pela primeira vez. – Queremos que nos deixe escolher. Não é justo tudo isso, principalmente se você finge que está tudo bem em nos deixar trilhar esse caminho. – O garoto suspirou e Bruce assentiu.
- Okay.
- Okay? – perguntou surpresa e desacreditada.
Bruce assentiu de novo.
- Mas a sua mãe vai ficar sabendo disso. E vocês sabem que ela vai surtar. Principalmente pelo jatinho.
- E pelo braço quebrado do Damian. – sussurrou.
- Braço o quê? – Bruce elevou o tom de voz.
- Na verdade, é o ombro. – O garoto informou.
- Ossos do ofício. – A menina deu de ombros com um sorriso levado no rosto.
- Eu vou chamar a Diana. – Bruce falou sentindo a irritação voltar a lhe atingir.
Damian observou o pai caminhar com passos pesados para fora da sala e revirou os olhos, olhando da porta por onde o homem tinha passado para a irmã algumas vezes.
- O que foi?
- O que foi!? – Ele repetiu a pergunta como se a resposta fosse óbvia, mas a menina continuava confusa.
- Charada é o vilão de Batman, Damian. Não a filha dele. O que foi?
- O que foi que você realmente é protegida. O tanto de grito que eu e Dick escutamos não está no gibi. – Bufou. – Aí com você ele só fala um okay. - Ele falou okay para você.
- Você entendeu meu ponto, queridinha do papai.
- Ninguém discute comigo, Damian. Nem você. E você adora encher a merda do meu saco. Quando eu era criança, mamãe falava que eu seria advogada.
- E você vai ser?
- Não sei. Não preciso me preocupar com isso. – Deu de ombros. – Meu pai é rico. – Riu.
- E você vai viver às custas dele?
- Até eu achar algo que eu realmente goste, sim.
- Mimada. – Cuspiu indignado.
- Sou e não me importo.
Chamar Diana tudo bem, os dois esperavam uma bronca da mãe... Mas o terror tomou conta de seus corpos quando, além de Diana, Bruce apareceu acompanhado de Dick.
Ninguém era melhor que Richard para fazer terror psicológico nos mais novos... Era claro que eles respeitavam os pais, mas, como Bruce dissera, com Dick era diferente. A relação dos irmãos com ele era de pura cumplicidade, respeitavam o que o homem mandava independente de tudo, porque, também independente de tudo, ele era daqueles que ajudava a fazer as traquinagens também.
Decepcionar Dick, era decepcionar os mais novos, partir seus corações, e a faceta de Dick era pura decepção.
De pé ao lado dos pais, com os braços cruzados, Richard foi o primeiro a falar:
- Vocês queriam se matar? Era isso?
A sala permaneceu silenciosa.
- Eu fiz uma pergunta. – Elevou o tom de voz.
até abriu a boca para tentar falar alguma coisa, mas não conseguiu, acabou fechando-a ao passo que se afundava no sofá.
- Já expliquei que queríamos ser tratados de igual para igual.
- Eu trato vocês com diferença, Damian? Quantas vezes... – Ele elevou a voz e se parou, respirando fundo para tentar se controlar. – Droga. – Esfregou o rosto. – Quantas vezes já não conversei com vocês que estava limpando o terreno? Que estava conversando com o cabeça-dura do Wayne sobre tudo isso. Eu jamais tratei vocês como crianças, mas, dada tamanha falta de responsabilidade e juízo, acredito que agi errado.
- Desculpa. – pediu com a voz embargada.
A última coisa que a garota queria era chatear o irmão. Eles sempre tinham sido cúmplices de tudo, até dizia que se ela não pudesse contar algo para o seu irmão, então provavelmente essa coisa era errada.
- Eu só estava cans... – Se perdeu no meio das palavras. – Pensa pelo lado positivo? – Levantou a cabeça e olhou para o irmão. – Eu e Damian trabalhamos em equipe. – Sorriu. – Eu até desmaiei a mulher que quebrou o braço dele.
Dick riu desacreditado.
- Você é muito cara de pau, .
- Mas você me ama? – Ela fez um bico quando o irmão não respondeu.
- E você? – Damian indagou olhando para Diana. – Não vai falar nada?
- A minha vontade é fazer o que a Liga não fez e matar vocês. Como vocês acham que nós iriamos ficar caso algo acontecesse a vocês? Por Hera, pensem, vocês não são crianças.
- Então pare de nos tratar com tal.
- Estão de castigo. – Foi o que Diana respondeu.
- Como?
- Castigo, Damian. Uma semana sem ir para a Torre.
Os irmãos se olharam arregalando os olhos e gritaram juntos:
- O quê?
- E a cada reclamação, o castigo aumenta em um dia. Eu não tenho mais o que falar, acredito que seu pai e seu irmão já tenham passado o recado. E saibam que não vai ser com essa atitude que vocês vão conseguir alguma coisa.
- E saiba que não teríamos corrido risco algum se tivéssemos missões para o nosso nível na Torre. – cruzou os braços, encarando a mãe que ergueu uma das sobrancelhas para ela.
As duas se encararam por um tempo, medindo forças, até Damian bufar e se levantar, caminhando em direção a porta de saída da sala, na intenção de chegar a seu quarto.
- Damian, volte. – Diana chamou, desviando o olhar para ele, fazendo o garoto parar no meio do caminho. – Nós vamos à Torre de Vigilância consertar esse braço. E você. – Apontou para a filha. – Vai para o seu quarto.
obedeceu e arrastou-se até o quarto, inconformada com como tudo aquilo tinha terminado. Pouco depois, porém, deixou seus aposentos para se dirigir ao quarto do irmão mais velho; bateu na porta, abrindo depois de o ouvir murmurar um: “entra”.
Ela fez um bico assim que o olhar gélido dele parou em si, sentindo o coração despedaçar. Com uma careta de choro, correu até a cama do irmão e se jogou ao lado dele, enfiando o rosto em seu pescoço e sussurrando:
- Você ainda me ama?
O homem revirou os olhos pelo drama.
- Desculpa, Dick. – A voz saiu abafada e chorosa e ela deitou a cabeça no ombro dele em seguida. – Você me ama, certo?
- É lógico que amo, , mas você precisa parar de ser impulsiva.
- Mas nós conseguimos.
- Mas podiam não ter conseguido.
- Mas mesmo você, a mamãe ou o papai ou, até mesmo, o Superman, podem não conseguir.
- Nós temos experiência, . Esse não é o tipo de missão para qual você seria designada e isso é para qualquer área da vida. Por acaso você sabia resolver equação biquadrada na primeira série?
- Não sei até hoje. – Ela riu e ele a acompanhou.
- Isso é porque você não teve experiência o suficiente, mesmo já tendo aprendido sobre isso. Não se pode enfiar o carro na frente dos bois.
- Os bois podem ir empurrando com a cabeça. – Mostrou um sorriso levado.
- Você é impossível.
- Mas você me ama.
- Amo. – Sorriu e deu um beijo na testa dela.
- Vai para o seu quarto antes que a mamãe volte. E fica na linha.
A menina acenou com a cabeça enquanto se levantava.
- Richie. – parou na porta. – Sobre o que eram os documentos?
- Vocês não abriram?
Ela negou.
- A gente respeitou algumas coisas, tipo que não deveríamos mexer em arquivos confidenciais.
- É sobre o Kon-El. Você sabe que ele é um clone do Superman, certo? – Perguntou e ela emitiu um som de confirmação. – Aquele arquivo contém toda a documentação de como o projeto foi feito, nas mãos erradas daria merda. Inclusive tem os dados sobre o outro pai do Kon.
- Outro pai? – Espremeu as sobrancelhas confusa.
- Sim. Ele foi criado com base no DNA do Superman e do Luthor.
arregalou os olhos.
- E ele sabe disso?
- Todos que trabalham com ele, sabem. – A voz saiu um pouco desdenhosa. – Não é nada demais, mas dependendo da forma que isso é divulgado, poderia fazer as pessoas o olharem com maus olhos. Olharem a todos nós com maus olhos. Por isso é segredo.
- E o Kon esquentadinho do jeito que é não lidaria bem com as pessoas falando dessa parte genética dele.
Dick concordou.
- Também tem isso.
A menina logo voltou para o quarto dela e tirou, segundo a mensagem que ela mandou para Wally - que tinha lhe mandado um: “bom dia” -, o sono dos justos, já que não tinha dormido de madrugada.


Capítulo 5

- Pelo inferno, , me deixa em paz. – Damian pediu.
- Vai me falar que é cem por cento de certeza que você não tem um crush na M'gann?
- Você sabe que a M'gann gosta do Kon, certo?
- E isso te impede de gostar dela?
- Eu não gosto dela, . Não desse jeito.
sustentou uma careta desacreditada, mas parou de encher o saco do irmão, então ele considerava isso uma grande vitória.
Realmente não gostava de M’gann amorosamente, na verdade aquilo era totalmente sem sentido na sua cabeça. Sabia que podiam pensar isso, já que ele agia com ela diferente do que agia com outros, mas aquilo era simplesmente uma forma de retribuição à tentativa da marciana de sempre lhe incluir nas coisas; ela era uma garota legal.
se levantou, dando um tapa na nuca do irmão - como sempre fazia -, avisando que iria treinar com Wally, deixa que foi aproveitada por Dick que logo estava jogado ao lado do irmão caçula.
- Melhores amigos, huh?! – Mexeu as sobrancelhas algumas vezes.
Damian enrugou a testa e o olhou como se tivesse surgindo uma nova cabeça em seu pescoço.
- Quê?
- Você e . – Fez um movimento com os dedos, indicando que eles estavam andando juntinhos.
- Não viaja. – Balançou a cabeça. – Ela continua sendo uma mimada irritante.
- Você também, ué. – Riu, fazendo o mais novo revirar os olhos.
Os irmãos foram interrompidos por alguns gritos e, pouco depois, sentiram só a pressão do vento enquanto escutavam gritar, desesperadamente risonha, um: “eu não vou mostrar”.
- Ei, ei, ei, ei, ei! – Dick se pôs de pé no momento que entendeu que era a irmã e Wally brincando de velocistas. – Que bagunça é essa?
O antigo Robin, entretanto, foi ignorado, Wally agarrou a menina por trás e fê-la soltar um gritinho enquanto ele mesmo anunciava:
- Peguei!
- Me ajuda, Richie. – pediu. – Wally está tentando me forçar a mostrar o uniforme para ele. – Falou, tentando, ou pelo menos fingindo tentar, se desvencilhar do abraço do ruivo.
- Qual o lance desse uniforme afinal? – Artemis, sentada sobre a mesa do painel de controle, perguntou confusa.
- Ele é para uma grande entrada.
- Ela só quer usar quando for promovida à Liga. – Damian caguetou.
- Enquanto isso você vai ficar salvando o mundo com roupa de ginástica? – Wally apoiou o queixo no ombro da menina, ainda estando abraçado a ela, e ela gargalhou assentindo.
- Você não parece se incomodar. – virou o rosto para ele, mostrando um sorriso diabólico que foi correspondido na mesma hora.
- Não mesm... – Wally foi interrompido por um Dick que caminhou rapidamente até eles, livrando a irmã dos braços do amigo.
- Já deu. – O mais velho anunciou com o semblante fechado, agarrando a irmã em um abraço.
- É sério? – Artemis voltou ao assunto que era de seu interesse. – Só vai usar na Liga?
- Provavelmente. – deu de ombros.
- Por quê?
- Porque ela não considera a Torre. – Damian cuspiu só para receber um leve chute da irmã, pois era o que ela conseguiria fazer estando àquela distância.
- Mentira! – Cruzou os braços, se defendendo com uma cara emburrada. – Eu só... Bom... A Liga sempre foi meu sonho. – Suspirou. – Quero que minha grande estreia seja lá. – Mordeu o lábio inferior. – Além do mais... Nem um nome eu tenho. Não consegui escolher.
- Ué. – Wally franziu o cenho, parecendo verdadeiramente confuso. – Achei que sua mãe tivesse feito isso por você. – Fez o restante dos amigos rirem. – De onde saiu ?
- Engraçadinho. – A menina se livrou do irmão mais velho, que ainda a segurava longe de Wally, e correu para pular nas costas do melhor amigo.
- Mas você deveria ter pelo menos uma roupa, certo? – Artemis perguntou e ela assentiu. – Um dia você vai ser fotografada e vai estar com roupas comuns? que todos sabem quem você é, mas... – Fez careta. – Estranho. – Deu de ombros.
- Eu falei com o tio Cisco, ele está fazendo uma para ela. – Wally respondeu pela amiga. – Deve ficar pronta na próxima semana.
- E, por isso, eu já arrumei uma missão para a gente na próxima semana. – informou com um sorriso sapeca e seus colegas riram, ela era impossível.
Bruce tinha sido sincero quanto ao que disse e parara de prender as missões dos Titãs, então, de vez em quando, eles tinham o que fazer, mas isso não a impedia de procurar coisas por si só. Na verdade, tinha feito a cabeça da maioria por ali e, também de vez em quando, ela fazia alguém hackear alguns computadores ou recorria ao velho estilo, procurando coisas interessantes pelos jornais.

- Onde você aprendeu a ser tão arteira assim? Bruce me parece ser o tipo de homem que mantém os filhos na linha. – Zatanna lhe perguntara, mas lhe lançou um olhar zombeteiro. – Diana também. – A feiticeira mexeu nos cabelos, como se não fosse nada demais.
- Sam e Dean me ensinaram tudo que eu sei. – Foi o que a garota respondeu.
- Sam e quem? – A mais velha perguntou confusa.
- Supernatural, Zatanna. – Damian explicou. – Para de prestar atenção nas besteiras dessa garota.
- Oh, bonitinho, esse uniforme que você está vestindo aí é graças a quem? – Apontou o uniforme do Robin e ele revirou os olhos.
- Você não recuperou os arquivos sozinha, . – Rebateu, mas percebeu que havia falado alguma coisa errada quando a viu dar um sorriso vitorioso.
- Se o mérito fosse seu, tinha falado que teria conseguido sozinho. É aquilo... Eu te conheço. – Balançou os ombros.
- Você é irritante.
- O sentimento é recíproco, mestiço.
- Mestiço? – M'gann perguntou confusa.
- Ele é um vilão e um herói ao mesmo tempo. – riu vendo a feição do caçula, ele odiava quando ela lhe chamava assim. – Ele também é um Al Ghul afinal.
A garota revirou os olhos ao ouvir Superboy rir.
- Está rindo de quê, filho do Lex? – arqueou uma das sobrancelhas para ele.
No instante seguinte Kon já tinha fechado a cara e se retirado da sala.
- ! – M’gann brigou, mas ela ignorou.
O lance é que Kon estava sempre implicando com seu irmão, os dois tinham um temperamento forte, mas Damian preferia se calar à arrumar confusão, pois sabia que se encrencaria com Diana, então estava sempre escutando como só estava ali por causa do pai que tinha ou qualquer merda desse tipo.
Basicamente o karma existia e ele era obrigado a suportar a mesma coisa que fizera com a irmã um dia, só que, para sua felicidade - ou não -, não admitia que outra pessoa, que não fosse ela, tratasse o irmão daquele jeito.

ωωω


- Toc, toc. – Diana falou enquanto abria a porta da filha.
- Geralmente o som é da gente batendo na porta antes de entrar, não falando enquanto abre. – respondeu sem tirar os olhos do livro em suas mãos.
- É. Geralmente. Mas a casa é minha e eu abro a porta que eu quiser.
riu.
- Depois vocês falam que não sabem da onde veio esse meu lado respondão. O que houve? – Abaixou o livro e olhou para a mãe ao perceber que ela não falava nada.
- Estava esperando você me dar atenção para poder falar.
- Oh, por Zeus, você é tão sonsa quando fala que não sabe da onde surgiu minha personalidade!
Foi a vez de Diana gargalhar.
- O dia está lindo e eu quero ir à praia. – Falou com um sorriso no rosto. – Inclusive já estou pronta. – Levantou a blusa, mostrando o biquíni por baixo.
Diana viu a filha pular da cama no mesmo instante e riu.
Desde que a menina nasceu, praia era o lugar que elas se divertiam juntas, quando ainda era um bebê, na ilha de Temiscira, Diana costumava sentar na beira do mar e deixá-lo molhar seus pés e o da pequena, que ria sem parar. Era onde achavam calmaria no meio de vidas tão agitadas quanto as delas e Diana sempre fazia a filha agradecer a Poseidon por aquilo.
Em pouquíssimo tempo, graças à velocidade dada por seu tio, apareceu na sala só de biquíni, onde Diana, já de pé, a esperando, conversava com Bruce, Dick e Damian, que estavam sentados no sofá.
- Mãe, esse biquíni está bom?
A mais velha mandou ela dar uma voltinha e assim ela o fez, no entanto, antes que Diana pudesse responder, os homens da casa já tinham respondido de uma vez só:
- Não.
A menina se assustou com a voz desesperada deles e arregalou os olhos.
- Por que não? – Perguntou, se olhando confusa.
- Eu vou beber uma água. – Bruce se levantou, respirando pesado e apoiando a mão no peito. – Acho que minha pressão abaixou.
Prince riu do desespero do marido e dos filhos e finalmente deu seu aval ao biquíni da filha que era simplesmente lindo - um crochê bege clarinho com alguns búzios costurados na parte debaixo dos seios e outros dois pendurados em cada laço da parte inferior.
- Está ótimo, querida. – Diana sorriu.
- Mãe! – Dick soou desesperado.
- O quê?
- Ela está quase pelada.
finalmente riu, entendendo a agonia geral.
- É um biquíni, Richard. É para ser quase pelado. – Falou como se fosse óbvio.
- Mas está muito pelado. – Damian interpelou.
- Não. Vocês que são exagerados.
- Então está bom? – perguntou de novo e a mãe assentiu. – Vou escolher um vestido então.
- Pai! – Damian pediu indignado quando o homem voltou da cozinha. – Você não vai falar nada?
- Como se fosse mudar alguma coisa. – Sentou no sofá de novo. – Só vou me encrencar.
Diana gargalhou e sentou-se no colo do marido, passando um dos braços pelo pescoço dele e lhe dando um selinho em seguida.
- É um homem sábio, por isso é meu marido. – Sorriu e o Wayne sorriu de volta. – E você. – Apontou para Dick. – Fica esperto, senão a Kory te chuta.
- Sei disso. – Respondeu contrariado.
- Vocês vão sozinhas? – Damian perguntou quando a irmã voltou a sala.
- Quer ser nosso guarda-costas, mestiço?
- Vai se foder, .
- Damian! – Diana o repreendeu, fazendo a filha rir.
Com a confirmação da filha de que estava pronta e os avisos de Bruce sobre ter cuidado com o seu conversível favorito, Diana buscou sua bolsa e as duas embarcaram no carro. Cabelos ao vento e, em pouco, já estavam estacionando na Ocean City Beach, em Maryland.
- Eu estava com saudades de vir à praia. – anunciou, deitando-se sobre a canga ao lado da mãe.
- Eu também. – A mais velha sorriu nostálgica. – Como está sendo sua vida na Torre?
- Boa. Agora nós temos algumas aventuras. É bem bacana.
- E quando não tem, você inventa, certo?
- Certo. – Deu de ombros com um sorriso levado.
- Dick estava reclamando com seu pai sobre você e o Wally.
juntou as sobrancelhas.
- Quando e por quê?
- Ontem. Quando cheguei da Torre, os dois estavam no quarto fofocando. – Gargalhou. – Alguma coisa a ver com ciúmes. Para variar. – Ironizou, revirando os olhos.
- Wally é meu melhor amigo. Nós passamos pelas mesmas coisas, então...
- Nunca fui para a cama com meu melhor amigo. – Diana sussurrou fazendo a menina arregalar os olhos.
- O quê?
- Eu sou sua mãe, .
- Você é minha mãe, não adivinha.
- É, mas você veio com aquele papo de anticoncepcional para espinhas e seu irmão reclamando a todo instante que Wally não tira as mãos de você e que você deixa. Até Damian reclamou. Achei que você ia conversar comigo quando acontecesse.
A mais nova mordeu o lábio inferior.
- Desculpa. Eu não sabia como contar.
- Que tal ei, mãe, transei ou ei, mãe, tô querendo transar?
- Não foi planejado. Só acabou rolando naquela missão que tivemos que ir à Rússia. E aí depois acabou rolando mais. E mais. – Deu um sorriso safado.
- Seu pai vai surtar quando souber que você estava transando durante as missões.
Elas gargalharam juntas.
- E é por isso que ele nunca irá saber.
- Você gosta dele? – Perguntou, mas a filha fez uma careta confusa. – Do Wally, .
- O quê? Não. – Respondeu como se aquela ideia fosse absurda demais. – Não desse jeito. Aliás, Wally é total o tipo de garoto galinha que não namora. Eu acho. – Deu de ombros. – Não me importo também.
- Seu pai também era.
- Corta essa, mãe. Papai era fodido, mas sempre foi apaixonado por você. Eu e Wally somos diferentes. Eu fico com quem eu quero, ele fica com quem ele quer e, quando não tem ninguém interessante, ficamos juntos.
- Eu vou ignorar esse palavrão. Então você já ficou com mais alguém...
riu pelo nariz.
- Às vezes você é muito inocente.
- Você é minha filha, é estranho imaginar coisas assim. – Se defendeu.
- Justamente por eu ser sua filha. – Gargalhou e levou um tapa.
- Calúnia. – Diana tentou soar séria, mas os cantos de seus lábios estavam levantados.
- Eu ainda lembro do papai com medo de contar sobre a Talia.
Diana revirou os olhos mediante o nome.
- Pois não me lembre.
- Como você faz para fingir que não é ciumenta?
- Eu não sou ciumenta. – Diana respondeu rapidamente fazendo a filha gargalhar forçadamente.
- Não é pouco, isso sim. Da mesma forma que eu lembro do papai com medo, eu lembro do seu surto quando ele sumia e você achava que ele estava com alguém. No fim, a putinha dele era o Coringa. – Gargalhou de novo, dessa vez conseguindo desviar do tapa da mãe.
- O Coringa não era a putinha dele nessa época. – Riu com a menina. – Eu confio no seu pai, . Então o máximo de ciúmes que eu mostro é quando eu vejo alguma sirigaita passando dos limites. Mas eu tenho certeza que ele jamais faria algo para me machucar.
sorriu boba.
- Espero um dia encontrar a minha alma gêmea. Tipo você e o papai, o Richie e a Stê.
- É claro que encontra. Você é maravilhosa, filha da Princesa Amazona e do Príncipe de Gotham. – Piscou e a menina riu concordando.
As mulheres só saíram da praia no fim do dia, com o Sol já se pondo, e aproveitou para ir até a beira do mar agradecer ao tio.
Completamente torradas, enquanto andavam em direção à sorveteria, Diana comentou que Bruce adorava aquela marquinha, o que fez a filha fingir ânsia e pedir para ela poupá-la dos detalhes sórdidos. No meio do caminho, entretanto, se depararam com uma mulher gritando por alguém que tinha levado sua bolsa e é claro que Diana e foram atrás do ladrãozinho.
- Você não deu sorte hoje, colega.
riu quando ouviu o policial comentar enquanto o colocava dentro da viatura.
- Encontrar com a Mulher Maravilha e a filha dela. Obrigado, moças. – O homem sorriu e elas retribuíram.
Mãe e filha foram para casa logo depois de tomar seus sorvetes e, devido ao trânsito mais pesado, chegaram duas horas depois.
Assim que chegaram, fez questão de contar, completamente animada, sobre a primeira vez que tinha trabalhado com sua mãe. Mesmo que fosse uma coisa pequena, aquele realmente sempre fora o sonho da garota.
Estando relaxadas e banhadas, as mulheres da casa se reuniram à mesa, junto com o resto da família, para jantar.
- As pessoas não desconfiam que você é o Batman? – Damian perguntou ao pai. A cabeça matutando a história que tinha contado mais cedo sobre trabalhar com a mãe, fê-lo, pela primeira vez, pensar que aquilo era muito óbvio para ser ignorado.
riu e respondeu:
- Tio J’onn já apareceu algumas vezes como Bruce, ou como o Batman, quando papai estava para não levantar suspeitas. Inclusive no grande casamento.
- Como assim?
- No casamento da mamãe e do papai, o Batman prendeu uma grande gangue de Gotham. Na verdade, era o tio J’onn, porque ele é metamorfo, você sabe... – Mexeu as mãos e Damian assentiu. – Mas as pessoas não sabem disso, então ver que o Batman estava agindo ao mesmo tempo que o Bruce Wayne se casava com a Mulher Maravilha lhes tirou a pulga de trás da orelha.
- Eles fizeram isso algumas vezes para ninguém desconfiar de nada. – Dick ajudou a irmã na explicação.
- Hoje em dia, para metade do mundo Bruce Wayne é um sortudo por casar com a Mulher Maravilha, a heroína mais gata e poderosa que já existiu e para a outra metade a Mulher Maravilha é a sortuda por ter ficado com o gostosão de Gotham. – riu. – E têm dois filhos maravilhosos, claro.
- Você está me excluindo? – Dick perguntou indignado.
- Claro que não. Nós somos os dois filhos maravilhosos, o Damian é o mestiço chato.
- Você é um saco, . – O mais novo revirou os olhos, fazendo o resto da família gargalhar.

ωωω


- Caramba!
Da cozinha, escutou a voz do irmão, que estava na sala, parecer verdadeiramente surpresa.
- O bom filho à casa torna.
Trocando olhares com sua mãe ao ouvir esta última, não precisou ir até a sala ou escutar mais nada para saber do que se tratava, mas foi mesmo assim, precisando ver com seus próprios olhos.
- Cacete! – Deixou o queixo cair ao encontrar Donna, bem ali em sua sala, abraçando seu irmão.
Ela sabia, pela fala de Richard, que só poderia ser Donna, mas, ainda assim, vê-la depois de tanto tempo...
Pouco depois de ir à Torre pela primeira vez, Garth fora morto em missão e Donna Troy se recusou a continuar com os Titãs. Desde então, dizendo que precisava de um tempo para ela, a garota, agora mulher, sumiu e nunca deu notícias; Diana, assim como todos os outros que eram próximos à ela, perdera boas noites de sono por causa daquilo.
- Ei, Raminho. – Donna largou de Dick e acenou, mas tudo o que ganhou foi um olhar frio e machucado enquanto andava em sua direção somente para passar reto, abrir as janelas da sala e voar para longe.
Por Zeus, já tinham se passado quase cinco anos!
Era absurdo, para dizer o mínimo...
Quem Donna pensava que era para fazer aquilo? Quem ela pensava que era para simplesmente ir embora?
Independente de sua dor, ela não deveria ter deixado todos para trás, sem notícias... Todos sofreram a mesma perda e, no fim, por um bom tempo, até o Olimpo dar notícias de que a magia de Donna ainda estava em uso, também sofreram um luto que nem sabiam se poderiam sofrer.
Aquilo era injusto!
Pousou no alto de uma das torres do Instituto Wayne e andou até a porta de ferro, vermelha e pesada, para entrar no prédio e receber aquele calor familiar, mas, como se tivesse perdido suas forças, sentiu a cabeça girar enquanto o pulmão parecia não saber mais sua função.
Raminho...
Quão egoísta era Donna para sumir por todo aquele tempo e depois voltar como se nada tivesse acontecido?
Talvez, se Donna não tivesse ido embora, ela não teria tido dificuldades para entender quem valia a pena ter como amigo, na escola, e quem apenas queria se aproximar por ela ser filha da Mulher Maravilha ou como se aproximar das pessoas sem que lhe julgassem a sombra de seus pais. Talvez ela não teria demorado tanto tempo para ser uma heroína, para treinar, ou, até mesmo, para saber lidar com Damian quando ele chegou. Talvez, só talvez, não teria tido que passar um ano longe de toda sua família em ordem de treinar, porque Donna poderia fazer isso por ela enquanto Dick o fazia por Damian, certo?
Ela não estava errada por ressentir a tia por ter lhe abandonado, estava? Balançando a cabeça para afastar os pensamentos, finalmente empurrou a porta e entrou no edifício, desceu o primeiro lance de escadas até parar de frente ao elevador, mas preferiu continuar nas escadas para clarear a mente.
Oito andares depois, saiu na porta lateral do térreo, só então reparando que tinha pousado na torre do hospital, acenou para algumas pessoas e seguiu para o pátio externo, caminhando até a torre na outra lateral. Assim que empurrou a porta de vidro, vários pares de olhos instantaneamente pararam em si e sorrisos se formaram nos pequenos rostos.
- ! – A pequena Elaine, de seis anos, correu para lhe abraçar e logo alguns outros já tinham se juntado a ela.
- Está sumida. – Emma semicerrou os olhos para a garota que riu.
- Sim, estou. – Suspirou. – Atarefada com... – Foi interrompida.
- Ela estava salvando o mundo, Emma. – Gabriel interpelou. – Para de chatice.
gargalhou e, enquanto acariciava os cabelos ondulados do garoto, percebeu que tinha tomado a decisão certa em parar por ali.
O Instituto Wayne era uma ONG da Wayne Enterprises, sendo administrada por Diana, disponível gratuitamente a qualquer cidadão. Começara sendo apenas um orfanato, já que Bruce queria fazer um lugar mais acolhedor e interativo para as crianças que, muitas vezes, se viam sem esperanças, algum tempo depois, Bruce achou melhor incluir, também, um hospital próprio para o melhor cuidado das crianças.
As notícias sobre o novo hospital correram e, com o tempo, pessoas de fora, sem dinheiro para um seguro de saúde, chegavam até este à procura de ajuda. Diana sempre fez questão de atender essas pessoas também, o que a levou, meses depois, a conversar com o marido sobre expandir a ONG.
Com a ajuda de financiadores, trabalhadores remunerados e voluntários, a Instituição Wayne passou a ser composta por quatro torres, tendo um hospital - que tratava desde doenças psiquiátricas à câncer -, um orfanato, um asilo e um centro educativo - com aulas de dança, teatro, música e esportes.
Ela costumava ir ali sempre para brincar com as crianças do orfanato ou ler tanto para eles quanto para os pacientes do asilo e do hospital, foi assim que acabou criando esse coleguismo com Emma - que estava ali quase desde a fundação.
- Você vai ler pra gente dormir hoje? – Ava se meteu.
- Ela vai! – Gabriel respondeu pela amazona e ela riu mais uma vez.
- Vai? – Os olhinhos de Ava brilharam e anuiu. – Eba! – Jogou os braços para o alto.
- Mas antes nós vamos jantar. – Lilian, uma das voluntárias da creche, aumentou o tom para ser ouvida por todos. – Para o refeitório. – Indicou e as crianças prontamente obedeceram.
Aproveitando que tinham tido uma trégua dos pequenos monstrinhos, a garota aproveitou para envolver Lilian em um abraço e dar um beijo em sua bochecha gorducha.
Lilian, junto de Amelia e Sierra, eram as voluntárias mais antigas dali que, mesmo com insistência, se recusavam a receber algo além da ajuda de custo para chegar no local ou comer.
- Como está, querida? – Lilian alisou seus cabelos. – Está tão linda. A mistura perfeita de Bruce e Diana.
- Obrigada, Lilian. Estou bem. – Sorriu.
- Vai jantar conosco?
- Claro. – Balançou a cabeça.
Após uma breve discussão, por parte das crianças, sobre em que mesa sentaria, ficou decidido que ela se juntaria à mesa das voluntárias. Isto, claro, após ajudar a servir a comida dos pequenos.
Depois de terminar a janta, esperou na sala - pois, para a insatisfação das crianças, como Lilian havia lembrado, ela não podia passar de quarto em quarto lendo -, cada um tomar seu banho e voltar já trajado de pijama.
- Sua mãe ligou. – Amelia avisou enquanto a menina aguardava para contar a história. – Queria saber se você estava aqui.
A Wayne assentiu e agradeceu com um sorriso.
- Aconteceu alguma coisa? – Amelia sentou-se ao lado dela.
A mulher de cabelos tingidos no tom vermelho não era muito mais velha que a heroína, tinha começado como voluntária particularmente cedo, se comparasse a outras pessoas, deveria ter por volta dos 30, mas sempre se portava como uma mãezona.
riu.
- Está tudo bem, Amelia. Só alguns contratempos familiares. Nada a se preocupar. – Garantiu.
- Vou confiar em você. – Cutucou o ombro da garota com um sorriso no rosto.
- Ótimo.
Quando todas as crianças já estavam sentadas na sala, tirou a história escolhida de trás de si e mostrou a capa do livro Menina Bonita do Laço de Fita.
- Parece eu. – Uma das meninas apontou e sorriu.
Era um livro curtinho, uma história sobre um coelho branco que se interessa por uma menina de fita no cabelo e deseja ter uma filha tão pretinha quanto ela, uma homenagem à beleza negra, em menos de trinta minutos já tinha lido toda a história.
Depois de ajudar as voluntárias a colocarem os pequenos na cama, se despediu delas e voou de volta para casa.
O ambiente estava silencioso quando ela empurrou a porta e a sala não tinha ninguém, mas, assim que se jogou no sofá, Diana apareceu, vindo da cozinha.
- Jantou? – Tombou a cabeça, preocupada.
A menina assentiu.
- Quer alguma coisa?
- Donna já foi embora?
Diana suspirou.
- Não. Donna está no quarto dela.
- Nem sabia que ela ainda tinha um quarto. Não aqui, pelo menos. – Deixou o humor ácido, puxado do pai, escorrer por entre suas palavras.
- ... – A mulher suspirou novamente e se aproximou para sentar ao lado da filha. – Ela quer falar com você. – Alisou o braço dela.
- Eu sou obrigada? – Ficou automaticamente ativa e na defensiva.
Diana balançou a cabeça de um lado para o outro.
- Não, não é. – Tranquilizou e a outra soltou um suspiro de alívio. – Mas me agradaria se tentasse pelo menos.
- Você é falsa. – acusou, causando o riso na mãe. – O que ela disse a você?
- Não importa o que disse para mim, eu e Donna somos uma coisa, você e ela são outra.
- Você criou ela como filha e... – Parou de falar quando a mãe levantou a mão.
- Eu sei tudo isso. Estava lá quando ela foi embora, sofri e sei que você viu isso, mas também sei que você sofreu. Então, agora, você precisa conversar com ela.
- Por quê...?
- Porque ela é família.
- E a gente aceita qualquer merda se vier de família?
- Não, mas a gente tem que escutar antes de falar se vai aceitar ou não, né. – Revirou os olhos e foi acompanhada pela filha.
- Eu vou dormir. – se levantou e, dando as costas para a mãe, subiu a escadaria que a levaria em direção aos quartos.
Assim que chegou no próprio quarto, foi direto ao banheiro e colocou a banheira para encher, um banho relaxante e cheio de espuminhas era tudo que precisava. Monitorou a temperatura da água, trocando mensagens com Wally e Zatanna, até estar satisfeita e pronta para entrar.
Tirou a roupa e afundou-se na banheira, fechando os olhos e apoiando a cabeça em uma das bordas. Seu momento de paz, entretanto, foi interrompido rapidamente, já que a porta de seu quarto fez um barulho estupidamente grosseiro e, segundos depois, passos pesados chegaram ao banheiro. apenas se incomodou em abrir os olhos para girá-los mostrando seu tédio com aquilo, recebendo um olhar duro do clone, no sentido mais literal da palavra, de sua mãe por isso; não que ela se importasse.
- A gente precisa conversar, .
Embora a voz de Donna, grossa pela tensão, houvesse chegado aos ouvidos da mais nova, ela agiu como se nunca tivesse escutado alguma coisa, voltando a fechar os olhos para se concentrar em seu banho quentinho.
- Não pode me ignorar para sempre. – A mais velha voltou a falar, mas novamente foi ignorada. – É com essa maturidade que quer ser uma heroína? – Debochou.
E pronto.
Donna tinha atingido um ponto crucial. Um ponto que fazia o sangue de ferver.
A garota se sentou na banheira rapidamente, lançando a tia um olhar que faria qualquer um tremer. Qualquer um que não fosse Donna. Segurando as bordas com as mãos, ela respirou fundo algumas vezes, se impedindo de levantar e destruir o baço dela como havia feito com o irmão caçula tempos antes; Donna merecia aquilo mais que ele ao seu ver.
- Você não pode... – se parou e respirou fundo, pois quase gritara. – Você não pode sumir por anos, abandonar a todos, nos deixar a mercê, me deixar a mercê e voltar, como se tivesse apenas tirado um ano sabático, se achando no direito de ser ouvida quando quer, mas, principalmente, de falar o que quer. – Terminou, encarando a outra, que mantinha os braços cruzados, nos olhos, sem desviar por um momento sequer.
Algo que ninguém ousava questionar, não depois de alguns socos e palavrões, era a capacidade de quanto a ser uma super-heroína. Donna saberia disso se não tivesse ido embora, mas, ora, ela havia ido.
Troy suspirou, sentindo-se perdida ao ver a sobrinha voltar à posição original.
- Você nem sabe o que aconteceu, . Não pode me julgar sem me ouvir.
a olhou em desdém.
- Eu não posso te julgar, mas você pode invadir a porra do meu quarto e abrir esse caralho dessa boca para cuspir meia dúzia de merda? – O tom passivo agressivo da garota fez a outra rir.
- Tudo bem. – Recuou. – Eu errei. Admito. Desculpa.
- Pelo tanto que errou, vai ter de passar o resto de sua existência pedindo desculpas.
- Achei que não deveríamos estar julgando aqui.
- Eu nunca falei que não julgaria, só apontei sua hipocrisia. – Rebateu prontamente.
Donna esfregou o rosto e apoiou uma mão na cintura, começando a andar de um lado para o outro. Parou ao fundo do banheiro e estudou a garota na banheira.
- Quero conversar, Rami... – Se interrompeu quando o olhar da mais nova endureceu novamente. – . Quero conversar, . – Respirou profundamente. – Como duas pessoas adultas e maduras.
- Bom, não podemos. Eu ainda tenho 16 anos, sou uma adolescente, e, segundo informações, nada madura.
Troy começou a perder o pouco da paciência que guardara para aquela conversa e, dando um belo tapa na parede ao seu lado, imperou:
- Podemos conversar por bem ou por mal, . Eu posso simplesmente amarrar você na porra da cadei... – Parou de falar quando viu o risinho debochado da sobrinha. – O que foi?
- Gostaria de ver você tentar. – Levantou-se, saindo da banheira sem se incomodar com sua nudez. – Não sou mais aquela garotinha que te olhava com os olhos brilhando, esperando ser como você. – Alcançou a toalha. – Sou minha própria heroína agora. – Enrolou a toalha ao redor do corpo e deu um nó bem apertado. – Quer conversar? Ótimo. Conversaremos. Porque sei que não vai me deixar em paz enquanto não falar tudo que tem para falar.
Donna voltou a cruzar os braços e anuiu, deixando claro que a menina estava certa, ela não iria sair dali sem falar com todo mundo - e agora só restava .
- Mas vai ser nos meus termos. – saiu do banheiro.
Antes que pudesse raciocinar, enquanto Troy se sentava na cama, a mais nova já havia colocado seu pijama, saído e voltado do quarto rapidamente, a próxima coisa que soube é que estava laçada com uma corda dourada bem familiar.
- Mas o...
A Wayne não a deixou continuar, apertando mais o laço ao redor da tia e explicando:
- Eu disse que seria nos meus termos.
- Eu só não sabia que seus termos incluíam o laço de Héstia.
- O que foi? Tem alguma coisa a esconder?
- Não, Diana, – Debochou. – Só achei que soubesse que eu não sou o Bruce.
- E eu achei que soubesse que sou filha deles e aprendi a não confiar em qualquer um.
- Não sou qualquer um. Sou a droga da sua tia.
- Você era a droga da minha tia. Hoje você é uma estranha que sumiu por longos anos. O que estava fazendo?
- Dando uma volta pelo mundo.
apertou mais o laço, fazendo a mais velha reclamar.
- Seja mais específica.
- , eu não me lembro.
- Como assim não se lembra?
- Não sei. – Suspirou. – Eu... As coisas estão meio confusas na minha cabeça. Como você pode usar essa merda? – Se debateu, sentindo que iria começar a falar mais do que queria.
- Sou tão deusa quanto você.
- Hm... Acho que não. – Desdenhou com um risinho astuto no canto da boca.
- Sou eu que estou aqui segurando você com o Laço de Héstia e fazendo-a cuspir o que quer que tenha guardado aí, não sou? – Arqueou uma das sobrancelhas, roubando o sorrisinho do rosto da outra, que bufou. – Como não se lembra? – Voltou a perguntar.
- Desde que fui embora, tenho tido memórias que não são minhas. Pelo menos eu acho que não são minhas.
- Que tipo de memórias?
- Matando alguém? Destruindo coisas? – As respostas saíram mais como perguntas, porque ela claramente estava confusa.
- Contou isso à minha mãe?
- Não.
- Então você tinha coisas a esconder.
- Eu... Eu não queria preocupá-la mais. – Deixou os ombros caírem. – Às vezes, quando estou sob pressão, ajo de uma forma que sei que não agiria normalmente.
- Tipo...?
Donna respirou devagar e, de repente, algumas lágrimas rolaram por seu rosto pálido.
- Matei Rose. Rose Wilson. A filha do... – Foi interrompida.
- Exterminador. O assassino de Garth.
Troy se curvou para secar as lágrimas que desciam de seu rosto.
- Não sei como aconteceu. – Balançou a cabeça. – Eu a estava rastreando, sabia que por ela poderia chegar no Slade e... Eu apaguei, . Tudo que lembro é de ter o sangue dela nas minhas mãos quando ela já estava morta.
- Estava matando pessoas, com perda de memória, lembranças desconexas e não achou que seria bom voltar para casa e pedir ajuda? – gritou.
- Eu não sabia o que fazer. – Berrou de volta. – Não sabia o que falar.
- E agora você voltou e não ia contar nada? Não ia contar que a qualquer momento pode se levantar e matar um de nós e não se lembrar? Você está ficando louca da porra da sua cabeça?
A essa altura tinha certeza que alguém acordaria com seus gritos, mas não poderia se importar menos.
- Não é assim que funciona. É quando me sinto ameaçada ou...
- Como pode ter tanta certeza, Donna? Como pode ter certeza se não se lembra de nada? Me disse há meio segundo sobre lembranças que você nem sabe como chegaram a você. Pelo que entendi, pode se sentir ameaçada agora mesmo, dar a louca e me matar.
- Eu jamais faria isso. – Balançou a cabeça e deixou as lágrimas voltarem a escorrer. – Jamais faria isso com você. Amo você, .
- Não pode ter certeza. Você... – Respirou pesadamente. – Estava me chamando de imatura, mas foi você que sumiu e carregou uma porrada de problemas sozinha, sem nem saber a merda desses problemas. E você não pretendia contar! – Gritou de novo.
Dessa vez, em menos de um minuto, Diana, Bruce e Dick estavam no quarto da garota, ostentando olhares assustados.
- O que está acontecendo? – Diana ajeitou o laço de seu robe.
soltou o laço no chão, sabendo que já tinha ouvido o suficiente e que, agora, não precisaria mais daquilo e Dick se aproximou, abraçando-a por trás para afastá-la de Donna.
- O que você fez? – Richard sussurrou no ouvido da irmã, mas ela simplesmente balançou a cabeça de um lado para o outro.
- Só quero que saiba... – Donna procurou os olhos da sobrinha. – Que só voltei depois que consegui me controlar, que consegui parar de ter esses...
A mais nova voltou a balançar a cabeça, fazendo a tia parar.
- Eu sabia... – Fungou, ela que chorava agora. – Sabia que a minha Donna jamais faria isso, jamais deixaria a família para trás.
- Raminho...
sentia os pais e o irmão lhe olhando por respostas, mas não era ela quem deveria dá-las a eles. Desvencilhando-se do abraço de Dick, murmurou:
- Conte a eles o que me contou. – Caminhou até a porta do quarto. – Eu vou... – Suspirou e grunhiu. – Eu vou dormir com Damian.


Capítulo 6

- Fala, imitadora. – debochou ao ver a prima do pai, Kate.
- Um dia eu ainda vou enfiar um murro nos seus dentes. – Empurrou o ombro da mais nova, mas esta nem se mexeu.
- Um dia, um dia. – Abanou a mão em desdém. – O que está fazendo aqui? Veio roubar as batcoisas do meu pai?
Kate gargalhou.
- Na verdade não sei. – Deu de ombros. – Seu batpai que me chamou.
Foi a vez de gargalhar.
- Sei que vão sair em missão, talvez ele precise da sua ajuda.
- Só para isso que ele me chama.
- Claro, você é uma sapatão antisocial. Nem nas festas de família aparece.
- Eu estava no casamento.
- Kate, o casamento foi há cinquenta anos.
- Tenho certeza que o batmarido não é tão velho assim.
- Você não conhece meu irmão mais novo.
- Bom, você tem um batponto.
riu de novo.
- Você é tão idiota.
Kane balançou a cabeça.
- Combino com você, por isso me batadora.
A voz de Bruce, descendo as escadas, atrapalhou a brincadeira das duas:
- Eu devia cobrar esse tanto bat que você fala. E usa.
- Também acho. – concordou.
- Na sua, pirralha. – Kate apontou na direção da mais nova. – Por que estou aqui? – Voltou-se ao primo.
- É, por que ela está? Também estou curiosa.
- Donna.
- Ah! – balançou a cabeça.
- Ah? Por que ah? Ah não me parece bom. – Kate cruzou os braços.
- Donna não está agindo como ela mesma. – Bruce suspirou e a prima arqueou uma das sobrancelhas.
- Lapsos de memória e matança. – resumiu.
- Matança?
- Pelo que ela lembra, matou uma pessoa, mas… Bem... Lapsos de memória.
- Quem ela matou?
- A filha do Slade. – Bruce respondeu e a prima voltou a arquear uma das sobrancelhas. – Eu e Diana temos que viajar pela Liga e preciso de alguém para vigiar ela.
- Posso fazer isso. – pareceu confusa.
- Não, você não pode.
- Claro que posso.
- , você vai tentar medir forças para se provar. Isso pode explodir algo dentro dela. Não vou arriscar.
Kane riu.
- O que foi? – O homem virou-se para a mulher.
- Você todo batpai. – Sorriu ao escutar a gargalhada da mais nova. – Tentando impedir que faça o que você, com certeza, faria.
- Kate, vai ajudar ou não?
Kate se privou de responder ao ver Diana e o garoto que julgou ser Damian vir da mesma direção que o primo tinha chegado.
- Diana… Maravilhosa como sempre. – Fingiu estar tonta e pôs uma mão na testa. – Por que escolheu meu primo e não eu?
- Porque ela tem juízo. – Bruce respondeu pela esposa que riu.
- Sumida. – Diana abraçou a mulher. – Como vai?
- Bem. Não vou perguntar de volta, pois vejo que continua fazendo jus ao seu nome de heroína.
Diana gargalhou e assentiu, deixando um beijo na bochecha do marido, avisou que iria ao mercado e, tão rápido quanto chegou, saiu.
- Quem é essa? – Damian sussurrou para a irmã, não tão baixo quanto gostaria, já que a mulher lhe olhou no mesmo instante.
- É Kate, prima do papai.
- Achei que todo mundo da nossa família estivesse morto. – Respondeu na lata e se segurou para não rir dando um tapa no braço do irmão.
- E estão. – Kate anuiu. – Mas alguns são teimosos.
Damian balançou a cabeça.
- Então você é o filho da Talia...
O garoto fez uma careta desgostosa.
- Eu sou Damian.
- O mestiço. – completou e ganhou um esbarrão do irmão, que se encaminhou para sentar no sofá.
- Vejo que se dão bem. São parecidos.
- Não somos, não. – Responderam juntos e Kate arqueou as sobrancelhas.
- Você fica quieto, eu falo. – Apontou para o irmão e depois para si. – Não somos.
Damian estendeu o polegar, concordando com a mais velha.
- Kate? – Bruce chamou a atenção da mulher.
- Claro, o que você não me pede sorrindo que eu não faço chorando?
- Ir às festas de família. – Bruce rebateu.
- Um pouco demais. – Fez careta.
- Eles são tão parentes. – Damian ostentou uma careta enquanto trocava olhares com a irmã.
- Não são? – Concordou anuindo.
- Não somos, não. – Bruce e Kate responderam juntos, fazendo os mais novos rirem.
Kate revirou os olhos e se jogou no sofá que o caçula não estava, pegando uma almofada em mãos e averiguando-a, somente para fazer uma careta depois, murmurando alguma coisa sobre riquinhos.
- Claro, pobre que o pai montou uma empresa de segurança para ajudar a patrulhar. – debochou, tirando a almofada da mão da prima e fazendo-a rir.
- Onde está a dita cuja? – Kane voltou-se a Bruce mais uma vez. – Donna. – Explicou, vendo a confusão no rosto dele.
- Está lá em cima.
- Ok. Vocês vão sair pela noite? – Indagou e o primo confirmou. – Ótimo. Eu vou em casa, pegar minhas coisas, chamar Maggie para me ajudar não matar ninguém... – Esfregou as coxas enquanto se levantava. – Você... – Apontou para a nova heroína. – Ligue para Julia.
- Quem é Julia? – Damian perguntou antes que a irmã pudesse responder. – E Maggie...
- Julia é filha do vovô Alfred. Maggie é a namorada da Kate.
- Alfred tem uma filha?
- Esse garoto chegou ontem? – Kate jogou as mãos para o alto.
- Não, ele só não conhece quem não faz questão de se fazer presente. – cuspiu e a mulher pôs as mãos no peito, fingindo dor.
- Senti aqui, . Vou perdoar porque você está de amor com seu caçulinha. – Zombou.
- Vaza daqui, Kane.
Kate riu e balançou a cabeça, encaminhando-se à saída para deixá-los para trás.
fez um bico para o pai, ainda não gostando do fato de não poder cuidar de Donna por si própria, mas ele apenas ignorou, dando os mesmos conselhos de sempre quando saía em missão.
No início daquela noite, a sala de cinema da casa estava ocupada por , Damian, Dick, Donna, Kory, Alfred, Julia, Maggie, Kate, Zatanna, Wally e Ace; cada um com seu devido balde de pipoca.
- Eu concordei em cuidar apenas da Donna. O que essa criançada está fazendo aqui? – Kate murmurou, sentando-se ao lado de e dividindo uma poltrona-cama Maggie. – Até mesmo Zatanna está aqui. – Apontou a feiticeira que dividia uma poltrona com a amazona.
- Zatanna é minha amiga de time.
- Zatanna tem crush no seu pai. – A mulher mostrou um sorriso malvado, achando que aquilo iniciaria uma guerra.
- Já passamos dessa fase, Kate. – Dick, do banco da frente, contou.
- Que pena. – Soltou um muxoxo e recebeu um tapa da namorada por isso.
- As duas bruxas são melhores amigas agora. – Damian contou.
- Vocês vão calar a boca para assistirmos o filme? – Donna aumentou o tom de voz o suficiente para que se sobressaísse ante as conversas paralelas.
- Uhh! A descontrolada está descontrolada. – Kate jogou algumas pipocas na boca.
- Isso está ficando melhor que qualquer filme. – Wally comentou com Julia e ela assentiu com um riso brincando no rosto.
- Eu concordo com a Donna. – Kory suspirou, mantendo a voz calma, mas firme para todos acatarem-na.
- Chefe mandou. – Dick beijou a têmpora da noiva e alcançou o controle.
Depois de algumas zombarias pelo modo bobo apaixonado de Richard, o ex-Robin finalmente conseguiu fazer todos calarem a boca para que o filme pudesse começar.

ωωω

Dick cruzou os braços, parando ao lado da prima postiça, ao ver a irmã junto de Donna no tatame da Torre dos Titãs.
- Achei que o propósito de estar aqui era impedir as duas de lutarem. – A voz saiu grossa como a de Bruce, mostrando que não estava contente com aquilo.
- Sei o que estou fazendo. – Foi tudo que Kate respondeu.
Bom, Kate não era louca, apesar de se fingir, mas também não era a mais sensata da família.
Aliás, ninguém naquela família era sensato o suficiente.
- Eu espero que saiba. – Continuou ao lado dela, travando o maxilar quando Donna grunhiu e tentou acertar um soco no queixo de que desviou por pouco.
- Elas precisam disso. – Suspirou. – Quer dizer... precisa disso. – Se corrigiu. – E Donna precisa que baixe a guarda, então...
- Então vamos deixá-la se estressar numa luta, mesmo sabendo qu... – Foi interrompido.
- Cala a boca, Richard. – Ralhou, recebendo uma faceta desgostosa pelo uso do nome. – Donna não vai se descontrolar e matar , eu tenho certeza que não é assim que, o que quer que seja, ou esteja, nela, funciona. Além do mais, é por isso que estamos na Torre, não em casa.
- Estamos na Torre porque é uma Titã.
Kate revirou os olhos.
- Você tem que deixar de ser superprotetor com ela. Aliás, vocês todos. não é mais uma criança.
- Certo, porque você faz isso com a Beth. – O sarcasmo saiu como uma bala.
- É diferente. – A voz soou grave como a dele anteriormente.
Revirando os olhos mais uma vez, Kate preferiu ficar quieta e atenta à luta que se desenrolava à sua frente.
Donna tentou dar um soco na mais nova, mas esta prontamente desviou, fazendo a duplicata quase cair no chão. Nervosa, ela firmou os pés e tentou mais um soco, mas segurou a mão da mais velha, puxando-a para si, somente para jogá-la contra a parede no instante seguinte.
Não importava o quanto lutasse ou se esforçasse, sempre seria vista por sua família como uma pequena menina indefesa e Kane sabia que a amazona odiava aquilo.
Troy ofegou, limpou o suor do rosto com as costas da mão e respirou fundo algumas vezes antes de voltar a tentar atacar a mais nova, o próximo soco foi pontamente defendido quando segurou o pulso de Donna com a mão direita e bloqueou o movimento com o braço esquerdo. Com o cotovelo esquerdo, voltou a empurrar o corpo da tia, puxando-a de volta com a mão que ainda segurava seu pulso, enrolando, então, os dedos ao redor do pescoço dela.
O que a Wayne mais queria era ser reconhecida como igual, ter seu papel, sair da sombra de seus pais, mas, se dependesse deles, isso nunca aconteceria.
E ela precisava disso. Merecia também.
Mas, se fosse apostar, Kate juraria que Bruce colocaria a filha numa redoma, como fizera com o colar de Martha, caso pudesse.
Kane foi obrigada a parar a luta quando Troy foi, novamente, arremessada pela sobrinha - dessa vez no chão - e Dick pareceu ter um ataque de perereca do seu lado.
- Okay! – Gritou, prolongando a palavra. – Tempo. – Sinalizou com a mão enquanto caminhava até as outras duas. – Vem. – Estendeu a mão, ajudando Donna a se levantar.
- Parabéns pelo chute na bunda, Donna. – A voz de Damian, do mezanino, se fez ouvir e só então os outros perceberam a pequena plateia composta por ele, Zatanna e Wally.
tentou prender o riso de orgulho, por ter ganhado aquela luta e pelo deboche do irmão, mas tudo que conseguiu foi cuspir a água que Dick lhe entregara.
- Vocês realmente são um bando de crianças. – Kate reclamou.
- Se ficar de muita ladainha a gente bota a para chutar a sua bunda também. – Zatanna comentou, trocando um high-five com Wally em seguida.

ωωω

Bruce piscou algumas vezes ao ver alguns sacos de lixo no canto da cozinha, a filha do meio ajoelhada no chão, esfregando o piso, e o mais velho encostado na pia, comendo uma maçã.
Não era a cena que esperava ver depois de uma semana de missão, com os filhos sozinhos em casa, mas ainda era melhor do que encontrar a petulantezinha, que tinha como filha, brigando com Donna.
Parou-se na entrada e coçou a cabeça, antes de pôr as mãos na cintura e perguntar:
- O que houve?

- O que você está fazendo? – Dick indagou quando entrou na cozinha e viu a irmã despejando macarrão na panela de porcelana.
- Macarrão. – Respondeu em tom de obviedade. – Vou fazer o jantar. Papai e mamãe chegam essa noite. – Continuou seu trabalho, mas parou ao ouvir a risada estridente do irmão. – Algum problema?
- Você não sabe nem fazer um ovo, . – A careta que ele sustentava era intensa ao ver que ela já tinha começado tudo errado.
Aquela panela não servia para ferver água, inclusive ainda não tinha uma água fervendo, mas, ainda assim, a menina estava emergindo a massa na panela.
- Mas eu vi a receita na internet.
- Eu já vi gente construindo casa, já vi o Wally correndo super rápido e nem por isso consigo fazer.
- É diferente. – Se virou sem dar importância ao falatório do mais velho.
Richard apenas deu de ombros e sentou na bancada, perto da entrada do cômodo, para observar a besteira que a irmã faria.
terminou de colocar a quantidade de macarrão que achava ser suficiente e completou com água, colocando no fogo depois. Sorriu satisfeita e pegou uma bandeja no armário, onde colocou os pedaços de frango que tinha temperado para levar ao forno, ligando-o após.
Com um sorriso vitorioso, ela se virou para o irmão mais velho e puxou uma cadeira para se sentar.
Sete minutos depois, o barulho de estilhaços se fez ouvir, fazendo a garota pular da cadeira com os olhos arregalados enquanto Damian, Kate, Alfred e Donna se apressavam a chegar na cozinha.
Richard apenas riu, o sorriso de canto que dizia:
eu avisei.
A panela havia estourado e sujado todo o fogão, e parte do chão, de água e macarrão.
- Mas o que...? – A Wayne sussurrou confusa e o irmão riu mais uma vez. – Eu já vi a mamãe fazendo macarrão nessa panela. - Você já viu o macarrão pronto nessa caçarola. – Dick respondeu e saltou da bancada para pegar uma maçã na fruteira. – Pelo visto essa janta não vai sair nem tão cedo. – Mordeu um pedaço da maçã. Pode começar a limpar... – Caminhou até o fogão olhando o estrago e depois se apoiou na pia.
abriu a boca, mas ele foi rápido em dizer:
- Não vou ajudar. Falei que ia dar merda.
- Droga!


- . – Dick respondeu sem dar importância, continuando a comer sua maçã. – Cadê mamãe?
- Está vindo, parou para falar com Ace. – Suspirou, olhando a filha de novo. – O que houve? – Engrossou a voz, mas ela não respondeu.
- Ela tentou fazer a janta. – Damian respondeu pela irmã e esta, ainda limpando o chão, bufou.
Diana apareceu segundos depois, já perguntando:
- Que cheiro de queimado é esse?
estendeu o corpo no chão e, com a voz chorosa, respondeu:
- O frango...
- Você deixou ela mexer na cozinha? – A voz da matriarca saiu mais aguda que o normal e Richard arqueou as sobrancelhas.
- Não olha assim para mim. Vocês – Apontou da mãe para o pai. – Fizeram ela. – Apontou a irmã, por fim. – Lidem com isso.
A amazona bufou, passando pelo esposo e pela filha estirada no chão, abriu o forno e tirou, sem precisar de luvas, a forma de lá de dentro, a apoiando em cima da pia, ao lado do filho mais velho.
- Vai se machucar. – Bruce orientou.
- Claro, porque posso aguentar tiros, mas não uma bandeja quente. – Ironizou, abrindo a torneira para jogar água na bandeja com frangos que mais pareciam carvões. – Levanta desse chão, Wayne. – Engrossou a voz.
- Engraçado que quando ela faz besteira é só o meu sobrenome que você lembra. – Bruce protestou.
- Posso garantir que isso – Sinalizou a cozinha. – É da sua parte da família. Na minha a gente aprende até a caçar. – Causou o revirar de olhos no marido.
Com um muxoxo, a garota se levantou do chão da cozinha, no intuito de ir ao próprio quarto tomar uma ducha, mas se parou pela voz de Donna:
- Na verdade é culpa de vocês dois que nunca deixaram a garota fazer nada. – Balançou os ombros e Kate concordou com um movimentar de cabeça.
- Era só o que me faltava agora. – Diana pôs as mãos na cintura.
- Não posso discordar. – Dick imitou Donna ao dar de ombros.
acabou por rir e terminar seu caminho. Quando voltou, o cômodo onde fizera a bagunça já se encontrava limpo feito novo.
- Eu só queria ajudar. – Sussurrou feito uma criança, se encostando no pai.
Bruce riu e passou um braço pelos ombros da filha, puxando-a para si e lhe dando um beijo na têmpora.
- Liga para o delivery da próxima vez. – Damian zombou, fazendo a família rir.


Capítulo 7

Julho de 2016
A voz de Damian, anunciando um incêndio através do autofalante da Torre, fez , M’gann e Artemis, que treinavam, correrem para colocarem seus uniformes e se encontrarem com o resto da equipe.
- O que houve? – M'gann perguntou primeiro.
- O prédio da Park Houston está quase caindo. Wally pediu ajuda. – Damian falou pausadamente enquanto ajeitava o cinto de utilidades. – Ainda tem muitas pessoas lá dentro.
- O prédio da Park tem 44 andares. – , nervosamente, bateu os dedos no painel de controle.
- Exatamente. – O mais novo respondeu, já virando de costas e andando em direção ao elevador, sendo seguido por Artemis que, assim como ele, não voava.
Mutano abriu as janelas e, transformado em algum tipo de dinossauro, voou através desta, seguiu atrás com Kon e M'gann, enquanto Zatanna se teletransportou para o lugar - ela era uma feiticeira, afinal.
Assim que chegaram ao local, já começando a resgatar as pessoas, Mutano informou:
- A Liga perguntou se precisa de ajuda.
- Manda a Liga se foder. – respondeu irritada e fez um dos homens que ela ajudava rir. – Robin, eu não quero você aqui dentro. – Falou pelo comunicador.
- Como? – O irmão soou desacreditado, ainda estava chegando no local.
- Auxilia as pessoas a encontrarem seus parentes e receberem ajuda médica.
- Vai a merda, .
- Está cheio de fumaça nessa merda. – Ela falou sentindo a irritação crescer mais. – Se você desmaiar nessa merda, eu vou te deixar para morrer.
- Foda-se. – Ele respondeu assim que chegou no lugar, correndo para ajudar as pessoas nos andares mais baixos.
- Essa porra desse prédio vai cair. – Superboy avisou pelo comunicador. – Tem muita gente ainda?
- Eu vou conferir. – M'gann respondeu, transpassando as paredes dos andares. – Tem umas 200 pessoas ainda.
grunhiu.
- Mutano, ajuda o Robin nos primeiros andares. – Ela falou vendo o amigo voltar ao 34° andar e ele assentiu. – Quem está auxiliando os feridos? – gritou e ouviu algumas reclamações por isso.
- Eu. – Artemis assinalou.
- M'gann, vai para os andares do meio. Superboy ajuda ela. – Imperou. – Eu vou continuar nos últimos andares com o Kid.
Dada as ordens de , que tinha um raciocínio tão bom quanto os pais, os Titãs se moveram, retirando as pessoas de cada andar estipulado, e, com Zatanna fazendo seu trabalho de não deixar o prédio desabar, em pouco tempo todos já estavam sãos e salvos.
Ou foi o que a Wayne tinha pensado.
- Cadê o Robin? – perguntou olhando ao redor.
Já tinha encontrado e falado com todos os amigos pela visão panorâmica, menos com seu caçula.
Sua atenção, de repente, se desviou do prédio quase desabando para olhar ao redor e a heroína começou a se sentir o coração palpitar.
- Uma mulher falou que a irmã dela ainda estava no 11º andar e ele foi ver. – Artemis contou, só notando que o garoto não tinha voltado após a pergunta da líder.
- Quem era a mulher, Artemis? – Sentiu o sangue esquentar.
Artemis girou no próprio eixo, procurando a tal mulher e então a viu abraçada à uma outra. A arqueira caminhou até a mulher rapidamente, falando e gesticulando nervosamente e, mais rápido ainda, voltou a .
- Ele está lá dentro. Ela falou que a escada tinha começado a pegar fogo e ele a desceu por uma...
não esperou a parceira terminar de explicar e correu para dentro do prédio.
- Décimo primeiro, décimo primeiro. – Murmurava como um mantra enquanto voava pelo vão do meio das escadas.
Não precisou andar muito para encontrar o irmão mais novo, estava desmaiado perto da janela, provavelmente ia pedir ajuda.
Bufou, correndo até ele e o pegou no colo, voando para fora dali pela janela.
O trabalho dos Titãs, entretanto, não havia terminado, já que, a qualquer momento, o edifício desabaria e ainda tinham muitas pessoas ao redor. deixou o irmão com um dos paramédicos, que colocou uma máscara de oxigênio no garoto, e correu para afastar as pessoas dali.
Só então os Titãs puderam voltar tranquilos para a Torre.
voltou como foi, voando, mas dessa vez carregando o irmão, se praguejando e o praguejando, preocupada com o quanto de fumaça ele teria inalado.
Filho da puta teimoso.
E se ela não tivesse se dado conta? Por que Artemis não contou nada?
Assim que chegaram, M'gann ajudou a cuidar dele na ala da enfermaria e Mutano chamou por J'onn, tendo que obrigar a ir embora, com a ajuda de Dick que tinha ido buscá-la à força, porque a garota, incessantemente, fazia uma série de perguntas sobre as condições do irmão. Perguntas que J’onn e M’gann não poderiam responder se quisessem ajudar o garoto prodígio. O estado do jovem, entretanto, não era tão alarmante assim e, no fim da noite, ele já se encontrava de volta à sua casa.

(...)

Damian suspirou, esfregando a cabeça que ainda doía com uma mão e sacudindo o potinho de remédios que J’onn havia lhe dado com a outra, e caminhou, calmamente, até seu quarto a fim de, finalmente, descansar. Ao chegar no quarto, porém, esbarrou na irmã mais velha que tinha lhe aguardado impacientemente, sentada na ponta de sua cama, como seu pai faria - o que significava que ele estava encrencado.
- Você é maluco, Damian? – Gritou e o menino apostou que todo a casa ouviu. – Eu mandei você ficar nos primeiros andares, droga. No máximo sétimo, Damian, no máximo. Mas você se acha a droga do Superman.
Ele revirou os olhos.
- , eu estou bem.
- Não, Damian. Você precisa aprender a ouvir.
- Quem te colocou como líder mesmo?
- Eu me coloquei. Eu falei e todos fizeram, mas você não escuta. Você quer se matar.
- Você fala como se escutasse alguma merda que as pessoas falam.
- Só que eu tenho poderes, Damian. Você precisa entender que existe uma diferença.
- Ser herói é se sacrificar.
- Ser herói é salvar as pessoas e ser estratégico. Você estava com a porra do seu comunicador para quê? – Ficou de pé, encarando-o de cima e ele não respondeu. – Você vai ficar sem missão pelos próximos três dias. – Avisou, saindo do quarto dele.
- O quê? Você não pode fazer isso, .
- Veremos. – Respondeu do corredor.
- Você é igualzinha a ele. Reclama, mas é igualzinha. – O garoto se referia ao pai e ela sabia disso, o que fê-la voltar para parar no batente da porta do quarto do caçula.
- Se ser igual a ele significa prezar pela droga da minha família, então que seja. Vá dormir e descansar. – Puxou a porta, batendo-a com força.

ωωω

Pelos próximos três dias, Damian não saiu de casa para ir à Torre, mas também não falou com a irmã. Ele a respeitava e respeitava sua autoridade, mas isso não significava concordar e, por isso, todas as tentativas dela de alcançar o garoto foram em vão.
- Você vai voltar a falar comigo depois que voltar para a Torre ou vai continuar na sua greve de silêncio? – perguntou enquanto eles estavam sentados à mesa almoçando, juntamente com seus pais, irmão, cunhada, tia e Alfred.
Damian olhou a irmã por alguns segundos apenas para ignorá-la no instante seguinte, o que a levou a revirar os olhos.
Bufando, após um murmúrio por licença, se levantou e se retirou da mesa, voltando, em um piscar de olhos, para falar:
- Foi para o seu bem, Damian e, enquanto eu estiver com os Titãs, essa vai ser a sua realidade. Se te proteger significa uma greve de silêncio que seja, mas não espere que eu aceite calada você colocando sua vida em risco assim.
A amazona fez seu caminho até o próprio quarto, aproveitando o momento para ler a matéria da prova de História que faria. Não dera muito certo, entretanto, odiava brigar com sua família e pensar naquilo não deixava espaço para que ela se concentrasse.
Agradeceu aos deuses quando, após bater na porta, Kory invadiu seu quarto para lhe tirar daquela agonia.
Ou foi o que pensou.
- Fala, cunhada. – Mostrou um belo sorriso.
- Posso falar com você? – Perguntou receosa e, ali, percebeu que aquilo não era um alívio da agonia, mas um lembrete desta.
- Claro que pode.
- Dick me contou o que aconteceu. – Kory fez um bico. – Com o Damian. – Explicou não vendo reação da parte da mais nova.
- Um fofoqueirozinho é o que Richard é.
A heroína alaranjada concordou sorrindo e se sentou na cama ao lado da cunhada, onde esta tinha batido a mão.
- O que tem? – se forçou a perguntar.
- A mim, soou exatamente como Bruce.
- Oh, por Zeus! É sério? Até você?
Estelar riu.
- Até eu, . – Mordeu o lábio inferior antes de continuar. – Fala para mim... Quantas vezes reclamou sobre como seu pai ser estúpido ou me mandou deixar Dick na linha para ele não ficar do mesmo jeito?
A mais nova jogou os ombros para cima, sem olhar nos olhos da outra.
- Várias, . – A lembrou. – Várias e várias vezes. – Estendeu a mão para segurar o rosto da cunhada em sua direção. – Eu não acho que fez errado em dar um castigo nele ou de ter se exaltado a princípio. Mas... – Soltou o rosto dela. – Quando não corrige o modo como falou, apenas gritando e dizendo que ele fez merda, se torna igualíssima a atitude que por tanto tempo recriminou. Você foi com Damian o que seu pai era com você e com Richard.
respirou profundamente.
- Fiquei preocupada, Kory. – Se forçou a parar para segurar o choro.
O medo que sentira ao ver o irmão desacordado era algo que não deseja nem ao seu pior inimigo.
- Ele podia ter morrido. Ninguém tinha dado falta dele.
A tamareana assentiu.
- Mesmo sendo um verdadeiro babaca, é meu irmão caçula.
- Eu entendo, amor da minha vida, minha terráquea preferida. – Voltou a segurar o rosto dela, dessa vez com as duas mãos, e a menina fez um biquinho.
- Achei que Dick fosse seu terráqueo preferido. - Era, até eu conhecer você. – Beijou a testa dela e se afastou. – Enfim... É isso que precisa explicar ao Damian. Não pode simplesmente gritar e esperar que ele entenda.
balançou a cabeça mostrando que compreendia.
- Até porque por enquanto você está lá para vigiá-lo, mas um dia não estará mais. Se ele não entender esse tipo de situação, vai acabar fazendo de novo e não terá a irmã mais velha para protegê-lo.
- Vou conversar com ele.
- Ótimo. – Sorriu. – Agora, vamos. – Levantou-se, puxando-a junto de si.
- Onde?
- Cinema. – Respondeu como se fosse óbvio. – Eu, você e Rachel.
- Isso já estava marcado? – Franziu a testa, tentando lembrar se tinha deixado o compromisso passar.
- Não, mas já mandei mensagem pra chatinha e ela topou, então vamos logo antes que ela desista.
- Ok. – Balançou a cabeça, encaminhando-se ao closet. – Mas manda mensagem pra Zatanna também, senão perderei minha cabeça.
- Está tão amiguinha dela. – O tom de voz de Kory foi totalmente implicante e saiu de dentro de closet para semicerrar os olhos para a cunhada.
- É ciúmes que eu ouço na sua voz, Estelar?
- Talvez. – Deu de ombros, sem olhá-la, pois já enviava uma mensagem para a feiticeira.

ωωω

Bruce semicerrou os olhos quando a filha, depois de bater, adentrou o escritório que mantinha em casa.
- O que você fez?
Ela revirou os olhos enquanto desfilava pela sala.
- Não fiz nada, mas precisamos conversar. – Sentou-se na cadeira de frente para ele. – Mamãe? – Apoiou os pés na mesa de mogno.
- No Instituto. – Tentou empurrar os pés dela, mas não conseguiu.
- Ganhei. – piscou e foi a vez dele de revirar os olhos.
- O que você quer, ?
- Precisamos conversar sobre a Liga.
- Dos Assassinos ou da Justiça? – Cruzou os braços e se recostou a cadeira.
- Quero ser membro da Liga, pai.
- Dos Assassinos ou da Justiça? – Voltou a repetir, deixando um sorriso brincar no canto da boca.
- Acho que batemos nossa cota de Liga dos Assassinos. Você até procriou por lá. – Implicou e o homem voltou a semicerrar os olhos. – Falo sério. De verdade, eu não preciso da sua aprovação.
- Ah, é? – O empresário arqueou uma das sobrancelhas pela petulância da filha.
- É. Eu poderia fazer a cabeça do tio J’onn facilmente, também tenho a tia Shay e o John e, agora, tio Barry. – Deu de ombros. – Isso são quatro de sete membros fundadores, acho que eu entrava. – Sustentou uma careta convencida. – Mas, bom, você é meu pai, se você não confiar em mim, por que eu deveria tentar?
Bruce suspirou audivelmente.
A garota sabia como atacar, sem sequer sair do lugar.
- O quê? – Indagou depois que o pai começou a balançar a cabeça de um lado para o outro.
- Tentando entender de onde veio tanta petulância.
- Se olha no espelho, Wayne.
Ele riu.
- Por que a Liga?
- Porque quero ser minha própria heroína, não uma ajudante.
- Os Titãs não são ajudantes.
- São, porque vocês os tratam assim. Não é a toa que até mesmo Estelar resolveu sair.
- Ela está voltando.
- Está voltando para tentar mudar. A verdade é que vocês nos tratam feito crianças, colocam seus sobrinhos, filhos, irmãos ou o que seja, lá para darem a falsa sensação de liberdade.
Bruce suspirou pelo que deveria ser a trigésima vez apenas durante aquela conversa.
- Vou conversar com a sua mãe.
- Sim, por favor. – Levantou-se e deu as costas para o pai, saindo a tempo de ouvi-lo sussurrar algo sobre petulância, o que fê-la rir.
Caminhou até seu quarto e pegou o embrulho que havia deixado em cima da cama, caminhando até a cozinha depois para encontrar seu irmão caçula, que sempre ficava por lá conversando com Alfred.
- Vô, – Chamou o homem que estava encostado a pia. – Pode me dar licença pra falar com Damian, por favor?
O mordomo sorriu e assentiu, deixando um beijo em sua testa quando passou por ela.
- Eu já falei que está tudo bem. – Revirou os olhos para a irmã, se referindo a conversa que tinham tido no dia anterior.
, entretanto, sabia que não era bem assim. Ele ainda estava chateado por ela ter sido uma babaca, apesar das desculpas, e ela entendia porque se sentia da mesma forma quando o pai fazia esse tipo de coisa.
Outro ponto importante era o aniversário do garoto, que estava fazendo treze anos, e até o momento não havia recebido um parabéns. podia jurar que ele, fingindo não se importar, estava praguejando por dentro e achando que ela tinha se esquecido de seu aniversário.
- Toma. – Sorrindo, estendeu a mão com um envelope para ele.
- O que é isso? – O garoto perguntou com a voz grossa.
- Um envelope. – respondeu, fazendo com que ele, pela primeira vez, olhasse diretamente nos olhos dela, sustentando uma faceta totalmente sarcástica. – Abre e lê, Damian. – Bateu com o envelope na testa dele, fazendo-o pegar antes que ela começasse com aquilo e resolvesse não parar mais.

“ Caro, Damian Mestiço Wayne,
Extraoficialmente, você é o primeiro Titã a saber que Wayne está se retirando da Torre dos Titãs, tendo sido promovida a Torre de Vigilância.
Desde já informo que, seguindo a panelinha de sempre, você é o escolhido para tomar conta da Torre e das missões - sendo supervisionado pelo Mutano, claro, porque às vezes você faz muita merda.

Você é idiota, mas é meu irmão e eu te amo e confio em você.

P.S.: Não faça eu me arrepender dessa decisão.

Damian olhou para a irmã extremamente confuso, depois voltou a olhar para o papel em sua mão e ficou alguns segundos alternando o olhar entre os dois.
- Você já vai? – Olhou para ela, mas logo abaixou o olhar para o chão e jurou que ele fosse chorar. – Digo, já vai sair da Torre? A dos Titãs.
- É o que está escrito aí, não é? – Arqueou as sobrancelhas e empurrou a testa dele para que ele a olhasse.
O garoto deu um leve sorriso e assentiu.
- Achei que fosse ficar mais tempo.
- Jamais. Minha meta era ir direto para a Liga, mas o papai não deixou né.
– Fez um bico. – Conversei com ele agora. – Deu de ombros.
- Você acabou de conversar com ele e ele já deixou?
- Falou que vai conversar com a mamãe.
Damian tentou prender o riso, mas acabou soltando um barulho engraçado pela boca.
- O que te faz pensar que eles vão deixar?
- Digamos que eu tinha bons argumentos...
- O quê? Você descobriu alguma amante dele por acaso?
- Damian! Pelo amor de Zeus, não!
- Além do mais, se ele não fosse permitir, já teria dito um belo não.
- Sim, ele teria. – Suspirou.
- Não precisa chorar. – Apertou a bochecha dele e recebeu um tapa por isso. – Só ano que vem.
- Como você... – Desistiu de perguntar e assentiu. só fingia não controlar e não saber das coisas.
- Estou te dando meu aviso prévio e te passando o cargo dos Wayne. Que é mandar em todo mundo. – Riu e ele sorriu de volta. – E também tem isso. – Puxou o embrulho do bolso do short e entregou.
- O que é? – Girou a caixinha na mão antes de abrir.
- Uma pulseira. – Falou em tom de obviedade, depois que ele já havia desembrulhado o presente. – Mas um pouco diferente. Coloca a digital aqui. – Indicou a tela e, assim que ele o fez, a pulseira se transformou em um bastão. – É para te ajudar nas lutas. – Sorriu vendo o olhar impressionado do irmão.
- Como volta ao normal?
- Aperta alguma das extremidades dela. – Ele apertou e o bastão virou uma pulseira novamente.
- Cara, isso é muito legal.
- Melhor presente de aniversário, não é? – Perguntou cheia de si e ele negou com a cabeça rindo. – Eu sei que é. – A careta convencida não deixou seu rosto. – Se você apertar esse botão aqui. – Mostrou. – Ela vai acionar o pedido de socorro. – Explicou e mostrou a mesma pulseira em seu braço. – Eu tenho uma e o Dick também.
- O que a de vocês faz?
- Nada. É só para nos deixar conectados, porque, bem, eu estarei na Liga, você na Torre e o Dick quer se virar sozinho. – Balançou os ombros. – A sua é especial porque é um presente.
Ele sorriu assentindo.
- Obrigado.
- De nada, pirralho. – Deu um beijo na bochecha dele. – Feliz aniversário.

ωωω

Dezembro de 2016
Assim que informou a Torre que no próximo ano já não seria mais uma Titã, todos, tirando seu irmão que já sabia, ficaram sem falar com ela por exatas duas horas, numa tentativa de fazê-la mudar de ideia.
Não funcionou.
No fim, Wally - que já tinha sido convidado à Liga, mas não tinha aceitado - resolveu seguir a melhor amiga.
Passados momentos dramáticos, uma semana antes dos amigos serem promovidos, eles receberam uma festa de despedida surpresa, o que fez até mesmo chorar, contente ao perceber que os amigos se importavam com ela tanto quanto ela se importava com eles.
- Eu ainda não acredito que vão embora. – M’gann falou.
- É verdade. Nós vamos sentir falta de vocês. – Kaldur concordou.
- Eu só estou agradecida por nos livrarmos da . – Zatanna implicou e todos riram, já que tinha sido ela a começar com a greve de silêncio quando anunciou sua saída.
- Bom, sabe como é, galera. – Wally começou. – A morena não vive sem mim. – Passou os braços pela cintura de , fazendo-a revirar os olhos.
- Parece ser o contrário, né, Wally. – Damian falou enfezado. Ele já tinha convivido com Dick e Bruce o suficiente para adquirir o ciúme pelas mulheres da casa. – Que eu me lembre, você que correu para a Liga depois que ela anunciou.
- É que ela pediu com jeitinho. – Falou com malícia na voz, fazendo Damian lhe lançar um olhar cortante. – Brincadeira, brincadeira.
O restante do dia foi leve e divertido. No fim do dia, fizeram sua última missão juntos, salvando algumas crianças que tinham ficado presas em uma caverna depois de terem entrado para brincar.
Quando retornaram à Torre, viu todos os amigos ficarem estáticos olhando para dentro da sala e Damian logo fez sua pulseira virar o bastão que já tinha virado sua marca registrada.
- Quem é você? – O garoto perguntou entredentes.
arregalou os olhos ao reconhecer a pessoa e correu, se pondo no caminho do irmão.
- Calma, calma, calma! Eu conheço ele. É que... – Ela mordeu o lábio inferior. – Eu pensei que como estaria saindo, e o Wally também, vocês precisariam de alguém novo no time e comecei uma pesquisa sobre alguns heróis por aí e achei ele na Dakota do Sul. – Ela sorriu para o garoto ao seu lado e ele retribuiu. – Galera, conheçam o Virgil ou, melhor, Super Choque.

Capítulo 8

Janeiro de 2017
- Você nervosa? Eu nervoso. – Wally falava sem parar enquanto eles caminhavam pelas instalações da Liga.
- Wally, pelo amor de Zeus, cala a boca. Eu estou ficando nervosa, porque você está me deixando nervosa.
- Grossa. – Respondeu, todo murcho, o que fez com que a garota risse. – Quando a gente vai encontrar alguém importante? Tipo, sei lá, o Batman. – O ruivo fez careta olhando alguns dos heróis que passavam ao redor e riu da indiscrição dele.
- Olha, eu vejo o Batman todo dia de noite e de manhã. Ele é um saco e eu espero não esbarrar muito nele por aqui. – Riu e foi acompanhada pelo amigo.
- Bom saber. – A voz grossa, vindo de trás da menina, fê-la dar um pulo e se virar no mesmo instante.
- Por Zeus, pai. Quer me matar do coração?
Bruce semicerrou os olhos.
- Gostei dela. – Alguém chegou segundos depois, por trás de seu pai, falou.
mostrou um largo sorriso ao perceber que era, nada mais, nada menos que o Superman.
- Ele realmente é um saco. – Clark continuou, fazendo uma careta e apontando o pai da garota. , por sua vez, concordou sem tirar o sorriso do rosto.
- Wow! É o Batman e o Superman. – Wally falou animado.
- Você já fez missões com eles, qual o motivo da alegria? – A garota juntou as sobrancelhas, olhando para o melhor amigo.
- Ah, antes eu era subordinado, agora sou um deles. – Balançou os ombros. – Isso é bem legal, você não acha?
- Nunca fui subordinada de ninguém. – Respondeu debochada. – Cadê o tio J’onn? – Se direcionou ao pai.
- Enfermaria ou sala de controle. – Clark que respondeu e ela sorriu de novo.
- Obrigada. – Deu as costas para eles, começando a fazer seu caminho para fora dali.
- Ei, aonde você vai, gata? – Wally perguntou, fazendo-a parar no meio do caminho.
- Achar o tio J’onn. Sugiro que não me chame de gata na frente do Wayne pai. – Ela riu e o garoto olhou para Bruce que tinha uma cara nada amigável. – Ele é o mentor por trás do Richie e do Damian. – Anunciou, já voltando a andar.
seguiu pelas instalações da Liga procurando pelo tio, no entanto, sem sucesso. Bufou, cruzando os braços e caminhou até o refeitório para pegar um suco.
- Você está atrasada. – Novamente uma voz a assustou, dessa vez sendo sua mãe.
- Oh, por Zeus! O que deu em você e no papai hoje? Tiraram o dia para me matar do coração?
- É que você está atrasada. – Repetiu com uma sobrancelha arqueada e os braços cruzados.
- Já entendi isso. E é culpa do Wally. Mas tanto faz também, nós já conhecemos a Torre de Vigilância. – Mexeu a mão em desdém e abriu a tampa do suco.
- Mas você só veio aqui, sei lá... Uma vez? – Shayera apareceu do lado de sua mãe e ela sorriu.
- Tenho memória fotográfica.
- Tem?
- Não, não tem. – Diana revirou os olhos.
- Sabe onde o tio J'onn está?
- Serve aquele? – Shayera apontou o marciano sentado em uma das mesas do refeitório.
- Serve. – Assentiu animada. – Obrigada, tia Shay.
- Não me chame de tia ou eu te parto ao meio. – Shayera respondeu indignada, causando-lhe o riso.
sorriu calorosa ao se sentar ao lado do tio, laçando-o com seus braços e dando um beijo no rosto verde.
- Ah! Você chegou! – Ele sorriu, empurrando a bandeja na mesa para dar atenção a ela.
- Cheguei. E estava morrendo de saudades.
- Por que se atrasou?
- Wally queria comer um sorvete que só existia no fim do mundo e, como melhor amiga, fui obrigada a acompanhá-lo. – Revirou os olhos e o tio assentiu.
- Ele é igualzinho ao Barry, se fosse filho não seria tão igual.
- Acho que é coisa de velocista ser idiota. Você devia fazer uma pesquisa sobre isso, alguma coisa deve fritar os neurônios dele.
J’onn riu da fala dela.
- Mas você não é uma velocista agora?
franziu o nariz.
- É diferente. – Jogou os ombros. – Mas, me fala, o que eu perdi? Se eu perguntar ao papai ou à mamãe, eles vão encher meus ouvidos dizendo que eu saberia se tivesse chegado mais cedo.
- Nada demais. Apresentamos os novos membros, informamos quem vai ficar sob a tutela de quem e fizemos um tour pela Torre. Nada que você realmente precise.
- A não ser saber sob a tutela de quem ficarei.
Ele balançou a cabeça.
- Do Clark.
- Como?
J'onn a pegou dando um sorriso maior que a cara.
- , por favor, se comporte.
- Eu sempre me comporto. – Falou, fazendo com que ele a olhasse com o olhar mais debochado possível. – Quase sempre. – Corrigiu. – Achei que iria ficar com a mamãe. – Mudou de assunto, porque sabia que ele iria pegar no pé dela.
- Era o que ela queria, mas seu pai não aceitou. Alguma coisa sobre distração por você ser filha dela. Seus poderes são parecidos com o do Shazam ou do Superman, tirando sua mãe, o que faria você ficar sob a tutela de algum dos dois. Como o Shazam é uma criança no corpo de um adulto...
- Literalmente. – Acrescentou e o tio anuiu.
- Então... Quem melhor para ser responsável por você do que o melhor amigo dos seus pais?
- Realmente... Ninguém! – Deu um sorrisão se levantando. – Vou procurar meu tutor.
- Juízo, , juízo.
- Sempre, tio. – Abanou a mão sob o olhar criterioso do marciano, começando a andar como se soubesse para onde ir. – Onde eu posso encontrá-lo? – Voltou rapidamente, parando com a mão na cintura.
J’onn pareceu pensar um pouco, fechando os olhos e se concentrando em sua telepatia.
- Academia. Com o seu pai.
revirou os olhos.
- Eles são gêmeos?
- Siameses. – Debochou fazendo a mais nova rir. – Sabe chegar lá?
- Acho que sim. Obrigada. Eu te amo. – Deu tchau, já de costas.
O único lugar que a Wayne saberia chegar sem pestanejar era a academia, devido seus treinos com Kara algum tempo atrás. Por isso, ela aproveitou para observar as instalações em seu caminho, despreocupadamente distribuindo sorrisos aos heróis que encontrava.
Quando chegou no local destinado, descobriu que seu pai estava de saída e agradeceu aos deuses por isso.
Bruce ameaçou falar alguma coisa, mas apenas negou com a cabeça, impedindo-o de falar ao levantar um dedo.
- Tchau. Te amo. – Fingiu tentar empurrar o pai para fora.
- Juízo, . – Resmungou, se livrando do empurrão para passar um dos braços pelos ombros dela. – Toma conta dela. – Apontou para o melhor amigo.
Clark riu e assentiu, fazendo um joinha com a mão em seguida.
- Vai embora, Wayne. – A garota se livrou do abraço do pai e apontou para a porta.
Kent riu mais uma vez.
Qualquer pessoa da Liga, que não fosse J’onn, Shayera e o esposo ou Diana, estava zero acostumada com Bruce naquele tipo de posição. Pai. Justamente por ser do tipo super protetor, tudo que os outros membros sabiam era o que a mídia contava, já que parecia adorar esta.
O empresário finalmente deixou a sala, depois de mais uma vez murmurar sobre Clark tomar conta da filha dele, e a menina pareceu satisfeita por isso, soltando um suspiro audível.
- Como você aguenta? – Esfregou a testa como se estivesse realmente cansada e isto fez Clark rir mais uma vez.
- Você é engraçada. Diferente dele. – Constatou.
- Puxei o bom humor da minha mãe. Eu acho. – Deu de ombros. – Mas você vai descobrir que posso ser bem ácida também.
- Medo. – Apontou para ela, que sorriu. – Enfim... Na maioria das vezes eu finjo estar ouvindo as loucuras dele e ele se contenta com isso. – O sorriso continuava no rosto.
- Eu duvido bastante, Kent. – Fez uma careta desdenhosa. – Papai manda em todo mundo.
- Menos em você, foi o que eu ouvi falar.
- Ouviu certo. – Sorriu. – Então... Faremos alguma coisa hoje? – Mexeu os ombros em completa animação.
- Hoje nós só iremos treinar. Mano-a-mano.
- Cinco minutinhos sem perder a amizade. – Ela disse e o fez rir de novo.
- Isso. Precisamos desenvolver nosso trabalho de equipe primeiro, antes de sairmos em missão.
assentiu, verdadeiramente prestando atenção.
- Você já está à caráter. – Apontou a roupa de ginástica da garota e foi a vez dela de rir.
- Sim. É quase um uniforme. – Ajeitou o top. – Papai odeia.
- Não imagino o porquê. – Fingiu estar confuso. – Mas, hein, soube que você invadiu a Liga dos Assassinos. – Falou, ainda fingindo desinteresse, como quem não quer nada e a menina semicerrou os olhos para ele.
- Por acaso papai fica desabafando sobre como tem uma filha louca que o faz ficar com os cabelos brancos?
- Quase isso. – Riram juntos.
- Eu disse que você presta atenção no que ele fala. – Balançou o dedo para ele, que assumiu uma faceta culpada.
- Ele tem orgulho de você, apesar de ser superprotetor. – Clark adquiriu um tom sério, fazendo-a sorrir. – Agora, dona ... – Semicerrou os olhos. – Chega de conversinha. Me mostra o que você sabe fazer. – Chamou-a com uma das mãos.
- Assim?
- Assim.
- Com tudo?
- Tudo.
- Ok. – Mostrou um largo sorriso.
No próximo segundo, havia saltado sobre ele, com um mortal, lhe atingido um soco nas costas.
Kent arfou pela surpresa e a olhou consternado.
- Você falou para ir com tudo. – Ela deu de ombros, desviando de uma investida dele.
Clark a pegou pela cintura, erguendo-a e a jogando do outro lado da sala de treino. Seu erro, entretanto, foi pensar que aquilo lhe daria a chance de analisar o ambiente.
No momento seguinte, jogava seu corpo contra o dele, lhe fazendo cair de costas no chão. Ela desferiu alguns socos contra o rosto do, agora, mentor, até ele alcançar sua perna esquerda e puxá-la, fazendo-a se desequilibrar de cima dele para cair no chão ao seu lado. Antes que o homem lhe encurralasse, porém, a garota rolou mais duas vezes e fugiu de seus braços, aproveitando o descuido para fazê-lo continuar no chão, forçando o joelho contra as costas dele e puxando-o pelos cabelos para fazê-lo lhe olhar.
- Você é bonito até quando está perdendo para mim. – Comentou e sorriu, prendendo o lábio inferior com os dentes.
Kent abriu a boca, um pouco chocado com a fala dela, mas apenas assentiu e deu três toques no chão.
Os dois se levantaram em seguida.
- Ótima luta. Esperado da filha do Morcegão. – Riu e foi acompanhado por ela.
- E da Princesa Amazona. – o lembrou enquanto caminhava até o frigobar para pegar uma garrafa d’água.
Com mais uma ou duas piadinhas, se despediu e se encaminhou até o vestiário para uma ducha e, depois, para o seu quarto, para arrumar suas coisas e descer.
- Mia, gata. – Wally falou assim que ela abriu a porta de seu quarto para ele.
- Você é tão brega.
Ele riu.
- Vai dormir aqui?
negou com a cabeça, dando espaço para ele entrar.
- Ajeitando minhas roupas e acessórios no armário para descer. – Se abaixou para ajeitar o lençol da cama.
O velocista a abraçou por trás e deu um beijo em seu pescoço, sussurrando:
- Quer dormir lá em casa?
- Dormir, Wally? – Inquiriu risonha, se virando para ele.
- É lógico. – A soltou, fazendo a maior cara de inocente que podia. – Coisa boba de amigos.
riu e deu de ombros.
- Por que não? Vamos. – Colocou a mochila vazia no ombro.
- Vou arrumar minhas coisas. Vai indo lá para... – Coçou a cabeça. – Para a sala que eles descem a gente.
- Sala de coordenadas, Wally.
- Isso. Viu? Por isso você é minha melhor amiga. – Beijou a ponta do nariz dela. - Lê meus pensamentos.
revirou os olhos e fez seu caminho para a sala de coordenadas. Lógico que quando ela chegou lá, o velocista já havia chegado também.

ωωω

- Eu poderia me acostumar com isso fácil, fácil. – soltou um suspiro ao ver o tutor tirar a blusa para limpar o suor do rosto.
Clark a olhou confuso e ela riu.
- Tirando sua síndrome de eu-sei-mais-do-que-você, você é ótimo, Clark. – Suspirou, olhando-o de cima à baixo, enquanto se abaixava para alcançar-lhes uma garrafa de água.
- Não entendi onde quer chegar. – Tomou um gole da água que ela havia lhe entregado.
- Às vezes, eu acho que você é inocente demais.
- Como assim?
revirou os olhos.
- Estou te cantando, Clark. Porque você é gostoso, essas coisas... – Mexeu a mão como se explicasse.
O mais velho a olhou desconcertado e mexeu a boca algumas vezes sem saber o que falar, mas ela apenas riu mais uma vez. Andou para perto dele e, depois de dar um beijo em sua bochecha, informou:
- Vou tomar banho. Nos encontramos no refeitório?
Clark assentiu, ainda desconcertado.

(...)

havia acabado de se sentar à mesa do refeitório quando ouviu o tio pelo comunicador em seu ouvido:
- Sala de coordenadas, você tem missão.
A garota espremeu as sobrancelhas e prontamente respondeu:
- Não tenho, não. Clark disse que não estávamos prontos ainda. E agora estou comendo. – Deu uma garfada em seu arroz.
- Clark não designa missões, eu sim. Agora, !
- Mas eu não posso nem comer nesse inferno? – A garota elevou um pouco o tom de voz, atraindo olhares dos heróis dispostos nas mesas ao redor.
- Não vou repetir, . – Respondeu, fazendo-a bufar.
Completamente desgostosa, ela despejou o conteúdo de sua bandeja no lixo e a deixou no lugar onde seria recolhida pelos funcionários, caminhando até a sala de coordenadas em seguida.
Clark riu quando a viu chegar com cara de poucos amigos.
- Achei que iria estar mais feliz com a sua primeira missão.
- Eu tenho metabolismo acelerado, Kent. Preciso comer para funcionar.
- Sua missão será em um coquetel beneficente. Tocaia. Então pare de reclamar. – J’onn alertou.
- Que coquetel?
- Do Luthor. Ele está cada vez mais engajado na carreira política dele.
assentiu.
- E exatamente o que vamos fazer?
- Lex tem alguns vídeos e informações que podem revelar a identidade de alguns heróis. – Clark explicou.
- Como o coquetel será na casa dele, vocês terão a chance de acessar os servidores e recuperar isso. – J’onn completou. – Clark foi convidado para cobertura do evento...
- Porque Lex é pouco cínico. – A garota revirou os olhos e os outros dois assentiram.
- E você é quem vai fazer o trabalho sujo. – J’onn deu de ombros. – Tem passe livre porque é uma Wayne.
- Eu sei. Adoro meu sobrenome. – Jogou os cabelos, fazendo o tio rir. – Então eu recupero os documentos, Clark me dá cobertura.
J’onn assentiu.
- Um único problema.
- Qual?
- Não sou o Damian. Ou o papai. Não sei hackear nada.
- Felicity vai fazer isso. – A tranquilizou. – Você só vai precisar colocar esse pen-drive... – Entregou o dispositivo para ela. – No servidor principal que fica abaixo do salão.
abriu a boca para retrucar, mas o tio a cortou, respondendo sem ao menos precisar ler sua mente:
- Ela vai te guiar até o servidor também.
- Ótimo. Podemos ir?
J’onn liberou a dupla, com um aviso à de que sua mãe havia deixado uma roupa separada para ela em seu dormitório, o que fez a garota rebater, já que, supostamente, só ela deveria ter a senha de seu dormitório.
- Sua mãe é uma fundadora, . Tem acesso a todos os dormitórios. – Foi o que Clark lhe respondeu depois da décima reclamação da garota.

(...)

- , você já pode parar de comer e ir fazer o seu trabalho. – Felicity gritou pelo comunicador ao ver que a menina não dava sinal de que sairia da mesa do buffet.
- Eu não almocei. – Sussurrou.
- É, eu sei. Eu também não, mas aqui estou eu.
riu enquanto escutava a loira reclamar em seu ouvido sobre como a vida não era fácil para heroínas. Acenou com a cabeça para algumas pessoas em seu caminho e deu um leve sorriso a Clark, que lhe observava de longe, se aproveitando do início do discurso de Lex sobre filantropia para começar seu trabalho.
Fingindo saber exatamente para onde iria, mesmo que Felicity ainda não houvesse lhe informado, ela se moveu pelo salão.
- Ok. Para onde estou indo?
- Passe o elevador e vá para a esquerda. Isso. Aí mesmo. No corredor de serviço do porão. Desça as escadas. – Felicity orientou sem precisar de uma confirmação da menina, já que a tela de seu computador mostrava a planta do edifício e os passos da Wayne.
- É uma escada bem grande. – reclamou, olhando por cima do ombro para ter certeza de que não estava sendo seguida.
- Sim, é. – Riu, sabendo que também reclamaria se estivesse no lugar da mais nova. – A cozinha é à sua direita.
assentiu mesmo que a outra não pudesse ver.
- Vire à esquerda. Bem de frente a você. Achou?
- Achei.
- Sim. Unhum. É aí que deve estar.
A Wayne fez um leve barulho com a boca em confirmação enquanto olhava o enorme servidor à sua frente, à procura do lugar correto para plugar o pen-drive.
- Foi?
- Foi.
- Ok, sete minutos até estar completo. Volte para o salão para socializar, encontre um gatinho de Metrópolis para trocar uns beijos.
A risada de soou alta o suficiente para chamar atenção dos garçons que andavam no sentido contrário à jovem.
- Espero que se lembre que isso é uma missão. – A voz de Clark imperou e ela fez careta.
- Uh! Parece que alguém recebeu ordens do senhor Wayne. – Felicity debochou.
chegou ao salão a tempo de ver a careta de desgosto que Clark ostentava. Não podia se importar menos.
Ela iria seguir o conselho de Felicity e andar até o homem que a encarava com cobiça no canto do bar, mas foi interrompida pelo tutor:
- Senhorita Wayne? Senhorita Wayne? Clark Kent do Daily Planet.
- Oh! A fundação do meu pai já enviou uma declaração apoiando os livros. – Mexeu as mãos em desdém ao discurso de Lex.
- Senhorita? – Clark semicerrou os olhos ao ver que ela continuava com os olhos no homem no canto do bar.
- Uau. Belo espécime. – Sorriu libidinosa. – É um mau hábito. Não publique isso, okay? – Uma faceta debochada foi apresentada ao repórter e se preparava para sair quando foi chamada novamente.
- Qual sua posição sobre as missões filantrópicas?
- Oh meu Deus! Isso está melhor do que as séries da CW.
A garota teve de se segurar para não rir da fala de Felicity.
- Daily Planet... – A amazona fingiu pensar. – Minha família não é dona deste também?
- As liberdades têm sido esmagadas durante estas. As pessoas vivem com medo.
- Não acredite em tudo que dizem por aí. Ou acredite. – Deu de ombros.
- Eu já vi isso antes. – Kent continuou e a outra revirou os olhos. – Pessoas que pensam estar acima de tudo.
- Okay. Estou ficando um pouco perdida.
- O Daily Planet criticar aqueles que pensam estar acima de todos é um pouco hipócrita, não acha? Considerando que toda vez que seu herói salva um gato, vocês escrevem um artigo enaltecedor sobre um alienígena que, se quisesse, poderia reduzir a cidade a cinzas.
- Tá. Acho que me achei.
- A maior parte do mundo não compartilha da mesma opinião que a sua, senhorita Wayne.
- Isto é porque eles não conhecem o verdadeiro Superman.
- Uh. Ela tá certa. Eu, pelo menos, concordo com ela. Você realmente vive num pedestal.
A garota arqueou uma das sobrancelhas ao ouvir Felicity.
Clark teve seu direito à resposta anulado quando a voz característica de Luthor se aproximou deles.
- Wayne conhecendo Clark Kent. – Bateu uma mão na outra como se estivesse verdadeiramente animado. – Adorei. Eu adoro aproximar pessoas. Como vocês estão? – Estendeu a mão para .
- Lex. – Apresentou-lhe um belo sorriso.
- ! Maravilhosa como sempre. – Fez referência a roupa dela. – Clark. – Estendeu a mão ao repórter que não se conteve e lhe deu um verdadeiro aperto. – Uau. Essa é uma ótima mão. – Deu dois toquinhos no ombro dele. – Melhor não arrumar briga com esse cara. – Zombou, voltando seu olhar à garota. – Então... Após tanto tempo, consegui alcançar um Wayne para os meus eventos. Que surpresa! – Olhou de um herói para o outro.
- Sim. Eu vim tomar todas as suas bebidas.
- E acabar com o seu buffet. – Clark completou e os três riram juntos.
- Sete minutos, . Pegue o pen-drive.
- É... Deveria me ajudar a convencer seu pai de uma parceria. – Lex continuaria, mas foi interrompido. A asiática de cabelos curtos e ainda molhados lhe avisara que o governador gostaria de falar com ele. – Governador. – Fez careta. – Parece ser importante.
- Oh, com certeza! – Deu o sorriso mais falso que conseguia. – Deixamos para a próxima.
Lex assentiu.
Assim que Luthor se retirou, também o fez. Doida para fugir tanto da conversa com Luthor quanto da palestra de Clark.
Desceu as escadas a passos rápidos e recuperou o pen-drive, voltando ao coquetel em seguida.
Sorriu ao ver que os garçons haviam começado a servir um picolé gourmet e se aproximou de Clark para aguardar sua vez. Ela amava aquilo.
- Missão concluída, senhor Daily Planet. – O sarcasmo escorreu de sua boca enquanto ela aceitava um picolé do garçom.
- Vejo que não é só para respostas petulantes que serve sua boca. – Concluiu ao vê-la devorar o sorvete.
- Oh, não. – O sorriso malicioso que ela expôs fez o homem perceber que havia falado besteiras. – Ela serve para muitas outras coisas. Se quiser, posso te provar.
A duplicidade das palavras caiu como uma luva e Clark, completamente envergonhado - principalmente depois de ouvir a gargalhada de Felicity que ainda os escutava pelo comunicador -, apenas se afastou, depois de avisar que deveriam ir embora.

Capítulo 9

Torturar Clark com suas cantadas, e vê-lo se contorcer sem fazer nada sobre isso, era o novo passatempo de . A garota simplesmente adorava as expressões e reações que o kryptoniano demonstrava quando ela falava algo considerado antiquado demais.
Com a maleta de seu uniforme na mão, bateu à porta do quarto dele. O herói tinha lhe pedido para ver o uniforme que ela não mostrava a ninguém e claro que ela havia aceitado de bom grado... Ficava incrivelmente gostosa na roupa.
Clark logo abriu a porta e lhe deu passagem para entrar.
- Bom, como você é um membro especial e tem banheiro aqui e eu não quero mostrar meu lindo uniforme para muita gente, eu trouxe para me trocar aqui mesmo.
Ele assentiu, estava ansioso para saber o motivo de tanto suspense.
- Sem problemas.
A garota sorriu para ele e colocou a digital do polegar no leitor da mala e, em seguida, deixou que esse lesse seu olho.
- Isso é paranoia do seu pai? – Clark riu e ela lhe acompanhou.
- Vai que cai nas mãos erradas, não é? – Comentou, já se encaminhando ao banheiro com a roupa na mão.
O queixo do kryptoniano foi ao chão quando ela saiu da suíte. O uniforme era composto por uma calça branca com o cós prata e um corpete, que se assemelhava ao de Diana, igualmente branco com detalhes, também em prata junto do busto reluzente. Para completar, tinham as botas que iam quase até o joelho da garota; também pratas, é claro.
- Uau. – Foi o que conseguiu falar ao ver a menina vestida.
- Um arraso, não é? – Ela deu uma voltinha.
Se era. era simplesmente espetacular. E, provando que ele estava errado achando que ela não podia melhor aquilo, ela estava ainda mais espetacular naquele traje.
- Impressionante o suficiente para você tirar para mim? – Curvou os lábios em um sorriso quase vilanesco.
- Você tem que parar com isso, . – Negou com a cabeça, prendendo um sorriso. – Vai tirar a roupa.
- Nossa... Nem um cinema antes? – Fingiu choque e pôs uma das mãos no fecho da roupa.
Clark arregalou os olhos.
- Para você botar a roupa de ginástica. Vamos treinar, !
A garota gargalhou quando ele virou de costas, assustado feito uma criança, temendo que ela fosse mesmo tirar a roupa ali.
Ele se virou de volta.
- Você é péssima.
- É o que dizem. – Deu de ombros enquanto voltava ao banheiro.

(...)

já estava comendo quando Clark apareceu no refeitório. Com a calça moletom e a regata branca.
- Mudou o cardápio hoje? – Perguntou, risonho, reparando que ela não estava comendo frango como sempre.
- O frango hoje era ensopado. – Fez careta. – Mas o peixe até que está bom e sem espinho. Kaldur me mataria se me visse fazendo isso. – Riu e Clark a acompanhou.
- Não tinha suco de maracujá hoje. – Ele comentou e ela fez um bico.
- Acho que alguém da cozinha está com raiva de mim. – Fez drama e voltou a comer, mas, após algum tempo, soltou: – Você tem alguém, Clark?
- Alguém? – Ostentou uma expressão confusa.
- Tipo namorada. – Explicou.
- Sim, tenho. – Ele riu. – Há alguns anos.
- Quantos?
- Cinco.
- Nossa, está na hora de mudar. – Ela falou zombeteira e ele não pôde evitar rir. – Quando vamos começar com as missões de verdade?
- Daqui a um mês mais ou menos.
- Clark, meu pai está te obrigando a me enrolar?
O super-herói riu com a tensão da menina e negou.
- Mando tanto quanto seu pai, . Nós vamos para a missão quando eu achar que você está apta para isso, não tem nada a ver com ele.
- A-woman. – Brincou e ele riu de novo.
- De qualquer forma, a gente já teve uma missão. Esqueceu?
lhe mostrou uma careta em desdém.
- Você chama aquilo de missão?
Clark gargalhou.
Em pouco tempo, a mesa deles já tinha sido invadida por John, Shayera, Barry e Victor, que sempre se juntavam à para fazer bagunça. Eternas crianças.
- Caramba, gata! – Wally chegou pouco tempo depois. – Que moral, hein. Juntinho de vários fundadores.
Ela revirou os olhos pela palhaçada dele.
- Eu sou especial, né, você sabe.
- Já foi citada a frase do bem? – Wally perguntou com um sorriso zombeteiro enquanto olhava John.
- No dia mais claro... – Shayera que começou.
- Na noite mais escura... – continuou.
- Nenhum mal escapará à minha procura. – Barry completou.
- Cuidado! – Wally fez uma dramaticidade a mais. – Aqueles a quem o mal seduz.
- Meu nome é Lanterna Verde. – Cyborg pegou a mão de John ao seu lado, como se falasse por ele.
cutucou Clark para ele continuar.
- E a minha arma é a luz. – O homem de aço deu de ombros sorrindo.
- Vocês têm quantos anos mesmo? – John perguntou entediado.
- Eu tenho 18. – mostrou um sorriso cínico. – Wally, 19, Clark, 27, Victor robozinho tem 21 e o resto eu não sei. – Deu de ombros.
- Bom saber que você não sabe a idade da sua tia. – Shayera implicou.
- Nem vem. – Balançou o garfo na direção da ruiva. – Foi você que insistiu, desde que eu era uma criança, que não queria ser chamada de tia.
- Justo.
- Quando vocês vão trazer o Rex aqui? – Fez um bico e o Lanterna revirou os olhos.
John e Shayera tinham um menino, Rex, de nove anos, que, uma vez, ficara sob os cuidados de , já que os pais saíram em missão para fora do país e a babá não pôde comparecer.
A princípio, Shayera e, principalmente, John ficaram receosos. Eles adoravam a - pseudo - sobrinha, mas era notável que era meio maluca. Diana, entretanto, garantiu que a filha era responsável quando se comprometia e o casal decidiu dar uma chance.
- O que você fez com meu filho, ? Ele te viu uma vez e não para de falar em você.
jogou os cabelos se sentindo.
- Sou inesquecível mesmo. Todos dizem.
John revirou os olhos mais uma vez, murmurando alguma coisa sobre ser um tipo de pesadelo.
- Meu amor, eu sou sensacional! – Se defendeu. – E eu prometi a ele que se vocês não o trouxessem aqui para me ver, eu iria roubá-lo.
- Tenta a sorte, garota. – Shayera respondeu, tentando se manter séria.
- Está para nascer criança mais fofa do que o Rex. – desdenhou a fala da tia. – Pena que tem nome de cachorro. – Falou baixo, porém alto o suficiente para todos escutarem e rirem.
- Eu não vou deixar meu filho perto de você, vai que ele fica assim. – John fez uma careta, apontando para a menina.
- Ei! – Levou as mãos ao peito, fingindo estar ofendida.

ωωω

Kent virou a garota de costas para si, prendendo seus braços com apenas uma das mãos, e deu-lhe uma banda, tentando fazê-la cair ao chão. , porém, enroscou suas pernas na do homem, fazendo com que ele caísse junto com ela, logo depois ela livrou suas mãos e virou, sentando-se por cima da barriga dele, enquanto prendia os braços do homem com as coxas e pressionava o próprio braço contra seu pescoço.
- Pede arrego, Kent. Eu sou uma amazona, afinal. – Falou cheia de si, fazendo o homem rir.
No entanto, em um movimento simples, o Superman virou, fazendo a menina ficar embaixo dele. Com uma das mãos segurou os braços da garota, estendidos acima da cabeça, e, com a outra, deu um tapa na testa dela.
- Pede arrego, Wayne. Eu sou o Superman, afinal.
Ela apenas sorriu maliciosamente para ele.
- O que eu não daria para estar numa cama agora.
Ele negou com a cabeça e saiu de cima da menina, estendendo a mão para ajudá-la a se levantar.
Em pouco tempo, os dois tinham se tornado bons amigos... sempre tivera uma quedinha pelo Superman, então foi fácil se conectar com ele, e Clark achava a garota era a perfeita mistura de Diana e Bruce, seus dois melhores amigos.
era incrivelmente divertida, habilidosa, bonita e centrada nos momentos certos. Contudo, ele tinha que lutar para ignorar os constantes flertes da menina e já tinha lhe avisado que Bruce não gostaria de saber daquilo, o que fez ela gargalhar alto, murmurando algo como: “até parece que eu me importo com o que o Morcego pensa”.
Ela também era bem irreverente.
- Vou tomar um banho. – Anunciou. – Te encontro amanhã?
- Não quer companhia? – Ela sorriu com as mãos na cintura e o mais velho riu desacreditado.
- Não, obrigado.
- Uma pena! Então, sim, nos encontramos amanhã.
Clark se encaminhou até a saída, mas, de repente, se virou, enrugando a testa e indagando:
- Ele já cortou algum namorado seu? Sempre que toco no assunto recebo um olhar congelante.
gargalhou.
- Eu nunca namorei. Acho que os caras têm medo de mim. Mas não duvido que ele faria isso.
- Nunca namorou? – Clark pareceu desacreditado.
- Não. – Riu.
- Mas...
- Mas...? – Forçou só para vê-lo se enrolar.
- Você é meio... – Coçou a nuca. – Para frente. – Fez gestos exagerados com as mãos, fazendo-a rir mais uma vez.
- E precisa namorar para isso?
- É... – Pareceu ponderar. – Então você chega nos caras?
- Até hoje só teve um cara que chegou em mim, então entendi que se fosse esperar praticaria celibato involuntário. – Deu de ombros.
Kent abriu e fechou a boca algumas vezes.
- Por que não chegam em você?
- Linda, inteligente, agora superpoderosa, filha da Mulher Maravilha e do grande Bruce Wayne. Homens se intimidam fácil. – Apoiou as mãos na cintura e o viu balançar a cabeça.
- Modesta também. – Riu e ela lhe acompanhou. – Seu pai sabe disso?
- Qual parte?
Ele coçou a nuca e fez uma careta antes de falar:
- Deixa para lá. Vou tomar meu banho. Até amanhã, .
A garota fez o possível para prender o riso ao vê-lo girar no próprio eixo totalmente desconcertado.
- Até amanhã, Clark.

ωωω

observou seu tutor sentar-se à sua frente no refeitório com uma roupa nada usual. Sem seu uniforme ou seu moletom acompanhado da blusa regata, Clark usava uma blusa social xadrez de manga curta, uma calça caqui bege, óculos e uma bolsa transpassada no ombro.
- Que roupa é essa? – Perguntou confusa e ele riu, acostumado àquela pergunta. Por vezes, Lois ainda ria dele naquela roupa.
- Eu tenho uma vida fora da Liga. O que inclui essa roupa. – Puxou um pouco a blusa dando ênfase no que falava e notou a garota o olhar de cima a baixo.
- E eu achava que não tinha como você ficar mais gostoso.
Ele tossiu desconcertado.
- !
- O quê? – Fez uma cara de inocente e voltou a comer. – Agora a gente não pode nem falar quando acha o professor delicioso. – Fingiu indignação e completou: – Nessa roupa, você tem cara de que fode com força e depois faz carinho. – Sorriu vendo ele ficar vermelho. – Eu adoro isso. – Sussurrou enquanto se levantava para entregar sua bandeja na cozinha.
O kryptoniano fazia o máximo possível para levar os flertes da garota na brincadeira, mas, às vezes, sentia-se em colapso. Não era algo constante a ponto de ser estorvante, mas quando o fazia... Clark duvidava de alguém que não caísse nas graças da garota. Como podia um ser tão pequeno ser tão atrevida? E, fala sério, apesar de ser chamado de homem de aço, não era literalmente de ferro e era literalmente bonita demais.
Depois que contara sobre seu namoro, ela estava sempre fazendo piadinhas, perguntando-o se ele já havia terminado para ficar com ela. Clark, por sua vez, sempre respondia que não enquanto ria.
De nervoso.
Principalmente quando seu namoro com Lois já não parecia estar se encaminhando tão bem.
Claro que não tinha absolutamente nada a ver com isso, eram apenas problemas do dia-a-dia de um casal que tinha muita convivência e, ainda assim, pouco tempo.
Kent passou uma das mãos pelo rosto, nervoso, olhando a menina sorrir e agradecer enquanto entregava a bandeja de refeição a uma das funcionárias do refeitório. O fato de ela ser uma pessoa maravilhosa fazia tudo ser mais complicado.
Terminou de comer e a enviou uma mensagem, avisando que esperaria na sala de treino. Ela não demorou muito para chegar e o treino tinha sido bom como sempre. tinha um talento natural que era muito bem ressaltado com seu esforço.
Comparada a primeira luta deles, sabia que, em pouco tempo, se ela quisesse, poderia lhe espancar. A garota era estrategista e sabia ler os movimentos do adversário de forma precisa e rápida, não negando ser filha do Batman e da Mulher Maravilha.
- Você já pensou em um nome? – Olhou para a menina, ofegante depois das sessões de luta, sentada ao seu lado.
- Não. – Ela fez um bico. – Nunca nem usei o uniforme.
- Você usou para me mostrar. – Lembrou.
- Usei para tentar te seduzir. Eu fico sexy nele.
Clark soltou uma gargalhada, mas assentiu, fazendo-a arquear as sobrancelhas imediatamente.
- Você acabou de concordar que eu fico sexy no meu uniforme, Kent? – Curvou os lábios em um sorriso diabólico, mas ele apenas deu de ombros sem olhá-la nos olhos.
- O nome, Wayne. – Mudou de assunto.
riu pelo nariz e, sem desviar o olhar dele, passou a língua pelo lábio inferior, o mordendo depois e suspirando.
- Eu não sei, Kent. – Encostou a cabeça na parede atrás de si.
- Eu gosto de Krystalis.
- Krystalis? – Ela juntou as sobrancelhas e ele assentiu.
- É grego. Significa cristalina. – Explicou e recebeu um olhar debochado por isso.
- Eu sei o que significa, Kent. Sou, literalmente, neta de um deus grego.
Clark riu e balançou a cabeça.
- É... Faz sentido. – Deu de ombros.
- Enfim... Por conta da roupa branca ou porque fico invisível?
- Eu nem tinha pensado nessa parte. – Franziu o cenho. – Acho que você tem ambições verdadeiras e que é transparente quanto a elas, quanto a tudo na verdade. Poderia até ser ingênuo da sua parte, mas você é forte o bastante para fazer disso uma qualidade e não uma fraqueza.
mordeu o lábio inferior, prendendo um sorriso, enquanto o ouvia falar. - No fim, cristal é algo que combina bem com você.
- Então acho que será Krystalis. – Anunciou sorrindo.
Clark ficou de pé e estendeu a mão, ajudando-a a fazer o mesmo.
- Amanhã é aniversário do senhor Wayne, não é? – Perguntou, recebendo um belo sorriso.
- Sim. – A mais nova pulou feito criança. – Vou fazer uma surpresa para ele.
- Vai, é? – Recebeu a confirmação através de uma balançada de cabeça.
- Não se atreva a contar. – Ela estirou o dedo em sua direção.
- Jamais faria isso. – Sorriu.
Com o kryptoniano informando que iria tomar um banho e negando a oferta de de se juntar a ele, os dois saíram em direção ao corredor. Não podendo se juntar ao herói, a garota comentou que tomaria um banho em casa - na grande e confortável banheira de seu quarto -, fazendo-o rir e comentar algo sobre ela ser burguesa.

(...)

se abaixou para falar com Ace assim que chegou, rindo quando ele se jogou no gramado com a barriga para cima para receber um carinho gostoso. A única pessoa com quem Ace se permitia ser um verdadeiro cachorro, e não um cão de guarda, era .
- Você é um garoto muito bonzinho, não é? – Falou com uma voz de criança e ele balançou o rabo com força. – Vem. – Se levantou. – Vamos entrar. – Caminhou em direção a casa e foi seguida por ele.
Deu um sorrisão ao encontrar o irmão mais velho sentado no sofá e correu para abraçá-lo.
- Você está fedendo. – Dick anunciou e ela revirou os olhos.
- Eu também te amo, Grayson. – Falou emburrada e se levantou com os braços cruzados, fazendo o irmão rir. – Parece que você encontrou o caminho de casa, não é? – Despejou acidamente e ele riu.
- Fiquei sabendo que você está caindo matando no Superman. – Ele zoou e a puxou pelo braço para que ela sentasse ao seu lado de novo.
- Quem te falou isso?
- Wally.
- Eu nunca vi um ser tão fofoqueiro quanto esse ruivo. – Fingiu indignação e Dick riu.
- Sabe que ele namora, certo?
- Eu não sou ciumenta. – Mostrou a língua em zombaria e o irmão lhe lançou um olhar repreensor. – Brincadeirinha, mano. – Tentou com a voz afetada, mas o mais velho não comprou a fala dela.
- Não faça com os outros o que você não deseja para você. Você não gostou quando descobriu o crush da Zatanna no papai e olha que ela nem é cara de pau que nem você.
- Mas o papai é casado.
- Não muda, . Ele é compromissado.
- Tudo bem, eu espero ele desmanchar o namoro até seduzi-lo para minha cama. – Falou libidinosa e Dick revirou os olhos.
- Não acho que ele gostaria de tirar sua virgindade. – Fez uma careta mediante ao assunto inconveniente, mas se assustou ao ouvir uma bela gargalhada vinda da irmã. – O que foi? – A olhou confuso.
- Que virgindade, Richard? – Riu de novo e viu o irmão arregalar os olhos.
- !
A menina gargalhou mais uma vez.
- Você é muito ingênuo.
- Você só tem dezoito anos!
- Claro, porque você até casou antes de comer a Estelar, né? – Debochou e o irmão revirou os olhos.
- É diferente. A gente namora. Na verdade, agora somos noivos.
fez careta.
- Grandes merdas. – Abanou a mão em desdém. – Como você sabe se o sexo é bom? – Dick arqueou uma das sobrancelhas. – Vai, Richard, eu sei que você só ficou com a Estelar. Como sabe se é o suficiente?
- Não fiquei só com a Kory. – Foi a vez dele de rir e a dela de fazer careta.
- Poupe-me dos detalhes. Vocês são meu casal perfeito.
- Intimidade. – Richard respondeu simplesmente, mas tratou de explicar vendo a confusão estampada no rosto da irmã. – Nós possuímos intimidade real, , não só de ver o outro pelado, mas de conhecer profundamente. Todos os medos, frustrações, aspirações... Kory me conhece sem filtros, sem máscaras, sabe tudo de bom e ruim em mim. E eu a conheço da mesma forma. Quando você tem esse nível de intimidade, mesmo que o sexo comece ruim, e não começou entre nós, pode confiar, cada transa é um aprendizado sobre o corpo de quem você ama.
- Mesmo assim, às vezes, não te dá vontade de ficar com outra pessoa? Não sente atração? – O interrompeu e ele negou com a cabeça.
- Achar outra pessoa bonita é normal, ninguém fica cego, mas sentir algo a mais só existe se você não tem o suficiente com seu parceiro. Em casos como o meu e da Kory, ou até da mamãe e do papai, não existe receio em compartilhar fantasias, em oferecer feedback do que se gosta ou não. Não existe receio de ser você mesmo, assim como não existe a necessidade de fingir um orgasmo ou coisas que só vão criar uma barreira entre você e o seu parceiro. Eu sei que levaria anos para conseguir esse tipo de sinergia com outra mulher e, não só por isso, não preciso transar com elas para saber que a Kory é melhor e que eu não a trocaria por mulher alguma nesse mundo.
deu um sorriso quase apaixonado após o monólogo do irmão. Amava o jeito que ele falava sobre Estelar.
- Quem foi? – Dick a tirou de seu mundinho fantasioso, deixando-a confusa. – Quem foi que tirou sua virgindade?
- Virgindade é uma convenção criada pela sociedade para impedir mulheres de terem vida sexual, não é algo de verdade. – Deu de ombros, fingindo acreditar totalmente no que dizia, mas o sorriso debochado do irmão fê-la rir também. – Eu não vou contar. – Disse por fim.
- Por que não?
- Porque você é aprendiz do Wayne pai.
- Achei que você me contasse tudo. – Tentou se utilizar da chantagem emocional.
- Eu conto, mas isso envolve outra pessoa e eu não vou pôr a vida dela em risco.
- O papai sabe?
- Claro que não, Richard. Ficou maluco?
- A mamãe sabe?
- Sim.
- E ela sabe quem é? – Semicerrou os olhos para a mais nova.
- Sim. E não, ela não vai te contar.
- Eu sei que não vai. – Bufou. – Mas vou descobrir.
- Boa sorte. – Debochou se levantando. – Eu vou tomar meu banho. Espero que você seja um bom filho e não suma amanhã, porque é aniversário do papai. – Avisou séria e o irmão assentiu enquanto batia continência.

(...)

Tinha acabado de dar uma da manhã quando saiu de seu quarto, apressada, correndo até a cozinha, àquela hora todos já estavam dormindo e ela estava contando os segundos para tal.
Colocou o celular sobre a ilha da cozinha, enquanto pegava os ingredientes, para fazer um bolo, no armário. Ela havia pedido ajuda de M’gann com a receita, já que não sabia cozinhar nada, e a marciana tinha lhe passado uma receita que julgava a mais fácil de todas: um simples bolo de chocolate com cobertura de chocolate e chantilly. Pouco mais de uma hora depois, o bolo estava pronto, desenformado e com a calda de chocolate por cima.
tirou um pedacinho do fundo do bolo para ver se a massa estava boa e se animou ao ver que estava ótima - pela primeira vez na vida, ela tinha conseguido cozinhar sozinha de forma decente. Guardou o bolo no forno e saltitou de volta ao seu quarto.
Pela manhã, a amazona fez questão de acordar antes de todos e arrumar a mesa, fazendo alguns sanduíches e uma vitamina de morango com a ajuda de Alfred - que sempre acordava cedo demais para um ser humano comum -, colocou o bolo no centro da mesa com duas velinhas, uma de três e uma de oito e sorriu para seu trabalho.
Foi acordar os irmãos e a tia, pois queria todos a mesa quando o pai chegasse, e estes se aproveitaram para comer um sanduíche, dizendo não querer que Bruce se intoxicasse em seu aniversário. Quase uma hora depois, o homem morcego entrou na cozinha seguido de Diana - eles sempre acordavam juntos - e se pôs de pé na mesma hora.
- Feliz aniversário!!! – Gritou animada e pulou no colo do pai. - , você já não tem mais dez anos. – Falou com a voz abafada pela menina em seu colo.
- O que você quer dizer com isso, Wayne? – Ela afastou um pouco o tronco do pai e semicerrou os olhos para ele, que riu.
- Que você é grande demais.
- Está me chamando de gorda? – Fingiu indignação e ele negou rindo de novo, sabia que a filha jamais se preocuparia verdadeiramente com isso.
- Jamais.
A menina desceu do colo dele e o puxou pela mão até a mesa, mostrando seu trabalho.
- Eu que fiz tudo. – Falou orgulhosa e o homem fez careta. – Pai!
- Você jura que não vou ter intoxicação alimentar?
Damian gargalhou da pergunta do pai e fez um bico.
- Estou brincando, minha princesa. – Deu um beijo na testa dela.
- Alfred disse que está gostoso. – Ela se defendeu. – E todos já comeram os sanduíches.
Bruce observou a mesa que a filha tinha preparado e sorriu contente, naquelas horas, sentia-se o homem mais sortudo do mundo. Ele tinha uma bela esposa, uma filha amorosa e esperta e dois filhos astutos e prestativos; tudo que sempre sonhou, mas não achou que teria.
A família finalmente se reuniu à mesa e, de acordo com todos, surpreendentemente o bolo de estava bom.
Pela tarde, eles almoçaram fora e, de noite, foram ao boliche.
E como todos os anos, Bruce considerara seu aniversário o mais perfeito de todos.

Capítulo 10

jurava que iria surtar por não estar tendo missões. Ela já tinha reclamado com Clark, inclusive falando que ele estava ficando feio aos olhos dela, mas ele apenas riu e repetiu que ainda não era a hora, o que a fez decidir ir para Torre dos Titãs ajudar os amigos.
Mesmo que fosse só gritando ordem nas missões.
E, nessas horas, entendia quando Clark falava que ela tinha muito mais de Bruce que de Diana. O pai era totalmente workaholic, via na Liga seu propósito no mundo, e ela não estava muito diferente.
Clark, entretanto, não gostou de descobrir o que a pupila estava aprontando, ele já havia dito que ela deveria aguardar, mas, como era de conhecimento geral, não era boa em seguir ordens. No entanto, era boa em quebrá-las e, por isso, o ignorou, principalmente depois de ele ter descontado nela um problema que não era dela.

- Oi, Clark. – Sorriu para o homem assim que entrou na sala de treino. – Tudo bem? – O abraçou rapidamente e deu um beijo em sua bochecha. – Como está o namoro? Terminou? – Brincou como usual enquanto colocava as luvas de boxe.
- Terminei, . – O tom de voz de Clark, porém, não fora nada usual. – Você está satisfeita agora? Quer cancelar o treino para ir comemorar? – Cuspiu as palavras grosseiramente.
abriu e fechou a boca algumas vezes, sem saber o que responder.
Já era comum entre eles aquele tipo de brincadeira e Clark nunca dera sinais de se incomodar com tal, pelo contrário, sempre ria, no máximo ficando envergonhado. E a Wayne também nunca pensou que esse dia chegaria, apesar de dar em cima de Clark sempre que tinha oportunidade, sempre ouvira as histórias de como ele era apaixonado pela jornalista; o fim daquele relacionamento não era algo que ela, ou qualquer um, acreditasse.
Sentindo uma mistura de sentimentos conflitante dentro de si, ela apenas fechou a boca e, com a indignação tomando conta, parou de tentar achar respostas para a grosseria descabida dele.
Percebendo o erro, Clark tentou:
- ... – Suspirou. – Eu... Me descul... – Foi interrompido por ela.
- Vai à puta que te pariu, Kent. – Jogou as luvas de boxe em cima dele. – Eu não tenho culpa da merda do seu término. – Balançou a cabeça em negação, desacreditada que ele poderia ter sido tão asno.
- , eu sei, é que...
-
É que nada. – Rebateu, já dando as costas para ele e saindo da sala.

Foi após essa situação que, utilizando-se do pretexto de que ele não sabia controlar suas emoções e provavelmente estava adiando a estreia dela na Liga por medo, passou realmente a ignorar as ordens do kryptoniano. Ela sabia que não era exatamente isso, mas, se alguém perguntasse, jamais admitiria que estava apenas fazendo pirraça e agindo como o Sasuke.
- O amor da sua vida está lutando. – Damian cutucou as costelas da irmã e abriu o painel mostrando as imagens da câmera de segurança. – Com Zod.
- Bom para ele. – Respondeu seca e o mais novo riu.
- E a Liga acabou de pedir a nossa ajuda para evitar que os civis se machuquem. – Ele voltou a falar vendo a notificação no canto da tela.
- Vamos. – Ela não esperou a confirmação dele ou dos outros para voar em direção à capital.
A intenção da - semi - semideusa era apenas fazer o que a Liga tinha destinado a Torre para fazer, porém após perceber que Clark não estava lutando só com Zod, mas também com Faora, não conseguiu se concentrar em nada que não fosse ajudá-lo.
- Vai, . – Damian lhe deu a deixa que sabia que ela precisava. – Anda. – Sacudiu os ombros dela, percebendo seu semblante perdido e confuso, e imediatamente recebendo um aceno.
Faora tinha acabado de virar Clark, jogado no chão, com um chute, e estava prestes a socá-lo de novo, quando voou em sua direção, acertando um soco em seu peito. A mulher voou longe, atingindo e amassando alguns carros no percurso. correu rapidamente até ela, não disposta a dar chances de recuperação a ela.
A kryptoniana, no entanto, era poderosa e, quando estava ao seu alcance, acertou um forte chute na garota, fazendo-a cair no chão. Se preparou para pisar na terráquea, mas puxou seu pé, trazendo a mulher para o chão e se pondo por cima dela. A terráquea ameaçou desferir um soco na cabeça da mulher, mas rolou para o lado quando percebeu seus olhos ficando vermelhos, escapando por um triz de ser torrada.
- , você está bem? – Escutou a voz do irmão no comunicador.
- O que... – A voz ofegante de Clark veio em seguida. – O que diabos você está fazendo aqui?
- Sem tempo para vocês dois. – Respondeu desviando de mais um soco de Faora.
- Volta para casa, .
- Vai se foder, Superman.
Ela não conseguiu escutar a resposta. A mão de Faora se encaixou em sua cabeça, a empurrando até um prédio e socando-a contra ele por algumas vezes até jogá-la ao solo no final.
respirou fundo, tentando ignorar a dor excruciante de quando seu corpo atingiu o chão, e levantou rapidamente, usando sua velocidade para correr para trás, recuando. Faora sorriu debochada, olhando na direção que a garota tinha seguido até perdê-la de vista e riu.
Fracos. Era o que os humanos eram.
Ainda com um sorriso, se virou para fazer seu caminho de volta a Superman e Zod. No meio do percurso, porém, recebeu uma pancada em suas costas que a fez atravessar alguns prédios.
- Insolente. – Faora cuspiu irritada enquanto se levantava do chão, ainda mais irritada por sentir algumas costelas quebradas.
, entretanto, não lhe deu tempo para continuar, voando em sua direção e desferindo socos em sua face.
Invertendo as posições, Faora pressionou as mãos contra o pescoço da menina que, inutilmente, lutou, tentando alguns socos nos braços da adversária. Quando achou que desmaiaria, e morreria, nas mãos da mulher, viu-a ser arrancada de cima de si com um soco de Clark. Ela caiu no chão e puxou o ar rapidamente, sentindo-o invadir seus pulmões de forma dolorosa.
- Você está bem? – Clark perguntou, estendendo a mão para ajudá-la, mas foi ignorado.
- Não pedi sua ajuda. – Respondeu enquanto batia os braceletes e passava por sua tiara. Faora voltou para o meio da rua, onde lutava anteriormente, procurando pela menina, atenta ao saber que ela poderia a qualquer momento vir com o soco que já tinha lhe custado uma costela - ou mais.
A Wayne, por sua vez, se aproveitou da confusão da mulher para tomar um pouco de ar, sentia seu rosto arder, sua cabeça doer e suas mãos latejarem, assim como sua garganta.
Quando se julgou melhor, voou sobre a kryptoniana até uma altura que julgou razoável, caindo, em seguida, com seu bracelete sobre a cabeça dela. Os pés de Faora afundaram no asfalto e ela teve um pouco de dificuldade para se livrar dele, o que acarretou em mais alguns golpes vindos da terráquea, golpes que acabaram por abrir alguns cortes em seu rosto.
Como já esperava, não demorou muito para Faora conseguir distinguir o coração dela do amontoado de civis que ainda estavam por perto e, na sua tentativa de dar mais uma pancada na mulher, foi agarrada pelo braço e jogada a quase cinco quadras de distância. Mesmo tendo consciência de que a invisibilidade não lhe faria realmente invisível para Faora por conta de seus batimentos cardíacos, sabia que precisaria se utilizar da artimanha de que, mesmo sabendo onde ela estava, a kryptoniana não conseguiria prever o que ela faria.
Saiu devagar da banca de jornal onde tinha sido arremessada, tentando controlar seus batimentos para enganar Faora. Sem sucesso entretanto. Sem saber a exata localização da heroína, Faora retirou um dos postes do chão e girou onde escutava os batimentos da adversária, lançando-a do outro lado da rua.
Nunca tendo lutado com alguém mais forte que ela, e Faora claramente era, a Wayne já se sentia fisicamente esgotada, o que atrapalhava seu raciocínio, mas precisava pensar, precisava achar um jeito de acabar com aquilo.
O que seus pais ou seus irmãos fariam?
Damian estava ali!
- Damian. – Chamou pelo comunicador com a voz fraca, o que fez Faora descobrir sua localização no mesmo momento e partir para cima dela.
- . Está tudo bem?
ofegou ao sentir os socos sendo desferidos contra si.
- ! – O irmão voltou a gritar pelo comunicador.
- Código azul. – Ela conseguiu puxar um pouco de ar e socou a mulher de volta, fazendo-a sair de cima dela.
- Onde você está, ? – Damian perguntou, mas ela estava ofegante demais e não conseguia responder. – , você está aí? ! !
A garota não respondeu, não podia, preferia usar os resquícios de força que tinha para revidar as porradas de Faora.
- , ativa a pulseira. – Damian gritou em seu ouvido e ela sorriu enquanto apertava o botão - sabia que a pulseira tinha sido uma boa ideia - e já desfazia sua invisibilidade para o irmão encontrá-la mais facilmente.
Damian, com a ajuda de Mutano, não demorou para chegar com o código azul em mãos; a pequena pepita de kryptonita não iria causar muitos danos a Faora, mas, pelo menos, a retardaria um pouco. O caçula entregou nas mãos da irmã sem dificuldades e bateu com a pedra na parede atrás de si, enfiando-a, depois, de uma vez só na face da mulher.
- Saiam daqui! – Rosnou para o irmão e o amigo, que prontamente obedeceram.
Como planejado, a pepita tinha sido o suficiente para atrasar os movimentos da mulher e deixar que se recuperasse um pouco, enquanto a segurava pelo colarinho da roupa já detonada e a esmurrava com algumas pancadas um pouco leves demais.
Contudo, não pareceu durar por muito tempo, logo Faora conseguiu tirar a pepita de seu rosto e atirá-la longe, deixando um buraco em sua bochecha.
Em menos tempo ainda, ela se recuperou o suficiente para voltar a surrar .
Se aproveitando de um leve momento de distração, correu para longe enquanto ativava a invisibilidade novamente. Sorriu ao ver que Faora não conseguia alcançá-la, ao menos não por enquanto.
Os resquícios da kryptonita, que ela tinha quebrado antes na parede, agora estavam em seu sangue, graças ao fato da kryptoniana ter arrancado a pedra da bochecha. Não era muita vantagem, já que logo também esgotaria suas forças, por essa razão estava se poupando de usar sua velocidade, tinha corrido, no máximo, algumas ruas.
Voou, se colocando acima de um dos prédios e respirou fundo, enquanto observava a mulher, ainda no térreo, fechar os olhos procurando ouvir seu coração descompassado. Soube que Faora tinha lhe encontrado ao vê-la abrir os olhos de forma determinada, o que fê-la voar ainda mais alto.
- Zeus, me dê forças. - Pediu enquanto via a outra mulher se aproximar da altitude dela, mesmo que ainda tentasse se afastar.
No mesmo momento que clamou pela ajuda de seu avô, sentiu uma onda de eletricidade correr por seu corpo, parecida com a que sentia quando usava sua velocidade. Um estrondo se fez ouvir nos céus e ela sentiu seu corpo ficar quente, provavelmente estava prestes a desmaiar.
Vendo não ter saída, a heroína apenas desceu com o soco na kryptoniana, esperando que a pouca distância e a kryptonita em seu sangue fossem o suficiente para deixá-la, ao menos, desacordada. Assim que seu punho atingiu Faora, porém, ouviu novamente o estrondo nos céus. Tudo que conseguira identificar era a similaridade ao som do trovão e o feixe luminoso que passou por todo seu braço.
Depois, tudo ficou preto.

(...)

Sentindo a cabeça pesar e tentando se acostumar com a claridade, olhou ao redor do ambiente, que já tinha identificado ser a enfermaria da Liga, deparando-se com seus pais, irmãos e Clark; todos pareciam distraídos demais.
Revirou os olhos e abriu a boca para avisar que havia acordado, mas sentiu a secura em sua garganta e boca.
- Preciso de água. – Falou e seus acompanhantes deram um pulo.
A garota revirou os olhos novamente quando todos foram até a maca onde ela estava e começaram a falar de uma só vez.
- Água! – Ela gritou o máximo que podia - que não era muito alto devido a garganta seca - e logo Damian voltou com uma garrafinha de água em mãos.
- Você está bem? – O irmão perguntou enquanto ela bebia a água.
- É assim que vocês se sentem o tempo todo? – Olhou do irmão para o pai. – Esse saco de bosta?
Dick riu ao fundo.
- Sim. Ela está bem. – Damian anunciou. – Não precisamos mais nos preocupar, vamos embora.
acabou rindo.
- O que aconteceu? – Passou a costa da mão pela boca para limpar o resquício de água.
- Você perdeu a memória? – Damian perguntou debochado.
- Quero saber porque não morri. – Explicou, lembrando como sentia seu corpo detonado.
- Porque Clark estava lá para te pegar antes que você atingisse o chão feito um saco de bosta.
- Preferia ter morrido.
- ! – Bruce e Diana chamaram, juntos, sua atenção.
- Pare de falar besteiras. – Diana reclamou segurando a mão da filha. – Onde você estava com a cabeça, minha filha? Tem noção de como ficamos? Você dormiu por quase dois dias.
- Oh, por Zeus! A morte realmente seria mais suave. – Revirou os olhos pelo que devia ser a milésima vez.
Quando os pais começaram a falar em seu ouvido, articulou que estava ficando tonta, dizendo até que a visão estava falhando, o que os fez ficar em alerta e pararem de falar para chamar J'onn – que, mesmo sabendo que a sobrinha mentia, ordenou que todos saíssem do quarto para que a menina descansasse.
Obedecendo as ordens do marciano, seus pais foram os primeiros a deixar a sala, Dick foi em seguida olhando para a irmã de forma a mostrar que sabia que ela estava mentindo e Damian saiu murmurando sobre ela ser fingida. Clark permaneceu no quarto com ela.
- Eu falei para você não se meter, . – O kryptoniano falou assim que todos se foram.
- Você não manda em mim, Clark.
- Eu sou seu tutor, mas você parece ser teimosa demais para entender e respeitar isso. – Ele bufou, mas apenas o olhou em deboche. – Olha, , eu já te pedi desculpas ou, pelo menos, tentei. Se você prefere continuar agindo como uma criança, o problema é seu. – Se levantou de onde estava sentado.
- Agindo como uma criança? Você foi um estúpido.
- E eu já me desculpei. E já salvei sua vida. – Foi impedido de continuar.
- Salvou a minha vida? – Riu da cara dele. – Eu salvei seu rabo, Kent.
Clark respirou fundo e assentiu.
Não adiantava.
Quando acreditava estar fazendo a coisa certa, ninguém podia segurar , mas, principalmente, se sabia não ter feito nada errado se tornava completamente arisca. Era o jeito da garota, Clark havia conversado sobre a situação com Bruce - não sobre ela dar em cima dele descaradamente, apenas a parte de que ele fora grosso com ela indevidamente.
- Ok. Obrigado. – Disse por fim e ela arqueou uma das sobrancelhas. – Eu vou te deixar descansar. – Informou enquanto se retirava da sala.
fechou os olhos por alguns instantes e sorriu se lembrando da luta.
Ela tinha arrasado!
Deu soquinhos no ar, completamente animada. No fim, tinha usado seu uniforme no dia certo.
Quando abriu os olhos viu a mãe no batente da porta a observando com um sorriso no rosto.
- O que foi isso?
- Eu arrasei. – Falou animada.
- Sim, você arrasou. Mas também quase me matou do coração.
- Sinto muito. – Continuou sorrindo.
Sentia mesmo por ter deixado a mãe preocupada, mas faria tudo de novo. Aquela sensação era indescritível.
- . – Diana chamou com a voz pesada e ela fez careta com os olhos sob a mãe que caminhava em direção a sua cama. – Por que você está controlando trovões?
A mais nova piscou algumas vezes com a pergunta.
- Eu não faço ideia, mãe. Eu só fa... – Se travou, lembrando do que tinha falado e se lembrando de quem tinha conhecido há alguns meses antes.
- Você só?
- Não sei, mãe.
- Você está mentindo.
- Não estou.
- É claro que está! Saiu do meu ventre, , eu finjo que acredito nas suas presepadas, mas desta vez é diferente. Você falou com seu avô?
negou rapidamente.
- ! – Aumentou a voz em alguns tons.
- Não falei.
- Ele não te daria as próprias forças se não te conhecesse, . Se não gostasse de você. – Esfregou a testa, repentinamente nervosa. – Simplesmente não é o homem que ele é. Zeus não é caridoso.
A garota suspirou.
- Mãe, não posso falar sobre isso. Por favor, não me obrigue.
- Então você o encontrou?
- Sim.
- Onde?
negou com a cabeça, deixando claro, com aquele movimento, de que não falaria sobre, o que fez com que a mãe suspirasse dessa vez.
- Ele sabe que o Olimpo todo está atrás dele?
- Sabe e não se importa.
- Ele falou que te presentearia?
- Não.
- Sabe que vou ter que contar para seus tios, certo? Isso se eles já não souberem. Você não foi exatamente sucinta. – Diana sacou o celular do bolso e mostrou uma foto para a menina.
A parte de Washington onde havia lutado contra Faora estava detonada. O local onde ela se lembrava de ter sido o impacto final era ainda pior ainda.
- Eu fiz isso? – Perguntou à mãe que assentiu.
- A margem de destruição chegou ao Capitólio da cidade.
respirou profundamente algumas vezes.
- Você está encrencada? – Perguntou preocupada, já que ela e a mãe eram conhecidas por trás de suas máscaras - no sentido figurado, pois elas não usavam máscara de verdade - e, para completar, Diana era embaixadora de Temiscira.
- Não. Você eliminou a ameaça. – Informou e só então a menina se deu conta do que tinha realmente feito.
- Algum civil? – Engoliu em seco, sem saber se queria ouvir a resposta daquela pergunta. – Algum civil foi... – Não conseguiu terminar.
- Alguns. – Diana observou uma lágrima rolar pela bochecha da filha no exato momento em que ela respondeu. – , não foi sua culpa. Isso acontec...
- É claro que foi minha culpa, droga! – Sua voz embargou e seu coração ficou mais rápido, deixando claro ao fazer a máquina ao seu lado apitar loucamente. – Estúpida. É isso que eu sou. Clark tinha razão. Eu não deveria ter me metido.
- Shiii... – Diana a calou com um abraçou. – Fica calma.
J’onn surgiu no instante seguinte, preocupado com o barulho da máquina, seguido de Clark.
- O que houve? – O marciano pôs a mão na testa da menina enquanto checava os vitais na tela do aparelho ao seu lado.
- Nada. – Diana suspirou mais uma vez. – só precisa descansar. Em casa!
J'onn assentiu.
- Tudo bem, vamos descer vocês. – Mostrou um leve sorriso.

Capítulo 11

A heroína havia sido obrigada, por J’onn, a ficar, pelo resto daquela semana, em casa, com a ameaça de que ele jamais a perdoaria caso ela desobedecesse - assim como não mais encobriria as escapadas dela.
Ela obedeceu.
Não só pelas ameaças, mas por si mesma. Se sentia enjoada toda vez que pensava no que tinha acontecido. O que deveria ser motivo de alegria para a garota - sua estreia como Krystalis, primeira luta ao lado do Superman -, não passava de um sentimento amargo.
Decidida a não perder seu tempo, enfiando-se numa amargura que não curaria tão fácil, aproveitara para colocar a matéria da escola - que era em casa - em dia.
Soltou um suspiro quando finalmente acabou o trabalho de química - que, particularmente, odiava - e apanhou o notebook para assistir o novo anime que tinha ouvido falar. Antes que colocasse o episódio para rodar, entretanto, alguém bateu a porta de seu quarto.
- Entra. – Mandou, surpreendendo-se ao ver o homem de aço passar pela entrada.
- Vim ver como está indo. – Clark anunciou assim que fechou a porta atrás de si.
- Bem. – Forçou um leve sorriso.
- Também vim trazer isso. – Se aproximou, estendendo o jornal, que antes segurava atrás de si, para ela.
Ela aceitou o jornal, mordendo o lábio inferior ao ver sua foto na capa.
“Krystalis salva o dia e Superman” era o nome da matéria.
passou a mão pelo rosto logo em seguida, secando algumas poucas lágrimas que insistiam em cair sempre que pensava naquele assunto.
- Isso não é verdade. – Balançou a cabeça e estendeu o jornal de volta.
- Lê a matéria, . – Intimou, recebendo um suspiro consternado em retorno.

“ Krystalis salva o dia e o Superman
(Matéria por Clark Kent)

Wayne, agora super-heroína Krystalis, provou seu valor nesta última quarta-feira. A filha da famosa Mulher Maravilha e do empresário Bruce Wayne, acabou com a ameaça extraterreste que estava assolando, até mesmo, Superman.
Desde o meado do ano passado, o homem de aço tentava prender seus conterrâneos que - fugidos de uma Zona Fantasma, onde seu antigo planeta, Krypton, costumava prender seus inimigos mais poderosos - buscavam conquistar nosso planeta Terra. As tentativas, no entanto, haviam sido fracassadas, já que o kryptoniano amado pela terra, segundo fontes, se recusava a aceitar ajuda de seus amigos para esta missão.
Em uma luta onde acreditávamos que o Superman sofreria mais uma derrota, Krystalis, que antes ajudava a controlar os civis, surgiu derrubando a vilã conhecida como Faora com um só soco. A luta entre as duas foi bem acirrada e, por um momento, achamos que Krystalis não conseguiria, porém, em uma excruciante demonstração de poder, a menina conseguiu salvar a Terra desta vez.
Infelizmente, algumas causalidades vieram a acontecer e, de acordo com Diana Wayne, esse é o motivo para a filha estar sumida por esses dias. A população, no entanto, não só não culpa a nova heroína, que claramente estava esgotada e sem controle sobre seus poderes, como agradece por ter salvo as milhares de pessoas que poderiam ter morrido pelas mãos dos kryptonianos. ”
- Não vale se foi você que escreveu para fazer eu me sentir menos mal. – Foi o que a garota falou após terminar a leitura.
Foi Kent que suspirou dessa vez. Um suspiro resignado enquanto se sentava, na - enorme e desproporcional - cama, ao lado dela.
- , eu jamais perderia a minha integridade como repórter apenas para fazer você se sentir bem. Eu escrevi isso, porque era a verdade. Porque é a verdade. Nós já conversamos sobre isso, certo? Sobre como você é uma pessoa ambiciosa do jeito certo, transparente, forte. Só o fato de você se sentir assim pelo que aconteceu, mostra como você é maravilhosa e está no caminho certo.
Ela suspirou mais uma vez, tentando manter a pose.
- Obrigada. – Sussurrou a contragosto
- Como? – Pôs a mão ao lado do ouvido. – Fala mais alto, não entendi. – Inclinou-se para perto dela e levou um tapa no ombro.
- Você tem super-audição, Clark. – Tentou esconder o sorriso.
- E mesmo assim... Acho que ouvi errado.
revirou os olhos, ainda tentando não refletir o sorriso que floreava o rosto do tutor, e se ajeitou para abraçá-lo. Clark prontamente retribuiu e beijou seus cabelos enquanto fazia um leve carinho em sua nuca.
- Você é incrível, . – O abraço foi desfeito, mas a proximidade continuou.
A menina mordeu o lábio inferior, desta vez falhando em reprimir o sorriso. Estava pronta para fazer alguma piadinha e cortar aquela tensão emocional quando a boca do kryptoniano se chocou contra a sua.
Soluçou em surpresa a princípio, quase se esquecendo do que deveria fazer, mas logo tratou de se lembrar, retribuindo o beijo e enfiando os dedos por entre os cabelos do homem enquanto o trazia para si.
Levou um instante ou dois até Clark perceber o que tinha acabado de fazer e largá-la. Completamente desconcertado, ele começou a se afastar da cama como se esta tivesse kryptonita em sua forma mais pura, balançando a cabeça e rindo nervosamente enquanto se encaminhava para próximo a porta.
- Desculpa, . – Falou, notando a confusão em seu rosto. – Não posso fazer isso. – Esfregou o rosto com as mãos. – Deus! – Olhou para o alto. – Não é certo, você está fragiliza... – Foi interrompido.
- Se a sua intenção nessa porta não for trancá-la, eu juro que acabo com você, Kent. – Murmurou entredentes e respirou fundo para não pular no pescoço do kryptoniano, seja para matá-lo de amor ou de ódio.
Ele tinha começado dessa vez.
Ele que começara com o papo de que ela era maravilhosa e qualquer merda dessas e tinha sido ele que a beijara.
Ele dera o primeiro passo.
Clark lutou contra si mesmo por alguns instantes, considerando os prós e os contras daquilo tudo, no entanto, tudo que sua cabeça conseguia pensar era nela.
.
na cama.
na cama lhe esperando depois de um beijo arrebatador.
Mandando tudo a merda, ele simplesmente girou a chave na porta e voltou a ela, mergulhando de volta na cama. E nela.
agarrou os cabelos dele, mordendo o próprio lábio, enquanto sentia os beijos molhados sendo distribuídos em seu pescoço e clavícula. Assim que suas bocas se encontraram de novo, ela enlaçou as pernas ao redor dele e o empurrou, girando para ficar por cima.
Sorrindo diabolicamente, quebrou o beijo e se pôs sentada sobre o quadril do homem, levando suas mãos para abrir os botões da camisa de flanela dele. A cada novo pedaço do tórax, um novo beijo era dado na pele revelada pelos botões desfeitos. Até chegar o fim, onde a camisa se encontrava com a calça.
Clark prendeu a respiração em expectativa, mas a menina apenas voltou a sua posição inicial, com um sorriso debochado, enquanto atirava a blusa para longe. E, então, sentiu o homem abaixo de si travar de novo, ela sabia que ele estava considerando desistir e, por isso, acertou-lhe um soco no peito.
- Se for para ficar nessa porra dessa dúvida, vai embora agora. – Apertou o dedo no peito dele e depois apontou para a porta. – Porque se você desistir quando estiver metendo em mim e eu tiver que me virar sozi... – Foi interrompida pela boca dele, tomando-a para si enquanto enfiava uma das mãos por entre seus cabelos e os puxava.
Ela gemeu extasiada.
Se tinha uma coisa que adorava, era ter o cabelo puxado. Oh, sim, aquele prazer com um leve toque de dor lhe levava ao abismo.
Kent inclinou o corpo para cima e desceu as mãos para a barra da camisola dela, tirando-a do caminho e deixando a heroína apenas de calcinha.
- Mas você ainda está muito vestido. – Espalmou as mãos no peitoral dele, fazendo-o deitar de novo e se curvou, esfregando suas bocas enquanto Clark começava a acariciar seus seios.
- Foi você que quis deixar a calça. – O kryptoniano sussurrou de volta, lhe apresentando um sorriso ladino.
- Justo. – Puxou o lábio inferior dele entre os próprios dentes ao passo que passeava as unhas pela tronco forte e desnudo. – Vamos tirá-la. – Sorriu entre beijos, desabotoando a calça do homem e levantando o quadril para ajudar se livrar da peça. – Melhor. – Constatou, manhosa, quando suas pélvis se encontraram, agora protegidas apenas por finas peças de roupa.
apoiou as mãos no tronco de Clark e balançou o quadril para a frente e para trás, sorrindo libidinosa ao sentir a fricção em seu clitóris, mas, principalmente, por ter o homem, de olhos fechados, apertando suas coxas.
Kent subiu uma das mãos até suas costas e forçou-a, fazendo com que ela abaixasse o tronco para ele, que envolveu o seio esquerdo com a boca logo depois. gemeu e rebolou mais uma vez, fazendo-o rosnar em retorno e segurar seu quadril com força, na busca de um contato maior.
voltou a busca pela boca do homem e agradeceu por isso, já que, segundos depois, a mão dele havia invadido sua calcinha e ela, provavelmente, teria chamado a atenção de alguém na casa.
- Clark! Merda! – Ofegou, jogando a cabeça para trás, quando dois dedos dele a penetraram e um terceiro acariciou seu clitóris.
Kent voltou a puxar seus cabelos, trazendo-a para si e mordiscando-lhe o pescoço, depois de lhe direcionar o sorriso mais libidinoso e sexy que já vira alguém sorrir. Ela segurou em seus ombros enquanto se mexia sobre seus dedos e, novamente, foi de encontro a sua boca. Até segurar a mão dele e tirar de lá.
- Chega. – Comandou ofegante com a testa colada na dele, enquanto deslocava suas mãos até o cós da cueca dele.
Clark obedeceu e teve que esperar apenas o tempo dela de retirar a própria peça íntima para se afundar nela. Ele fechou os olhos, apreciando o quanto ela estava molhada e apertou-lhe as coxas com força.
gemeu.
Alto.
Gostava de brutalidade, ele já tinha reparado e, pelos céus, ela o levaria ao inferno.
Com as mãos apoiadas na barriga do homem, o lábio inferior apertado entre os dentes e a cabeça tombada para trás, a Wayne descia e subia em cima dele calmamente. O kryptoniano considerava aquela uma das melhores visões que já havia tido, se concentrando em cada expressão e reação dela. Quando ela começou a cavalgar mais rápido, entretanto, ele perdeu o raciocínio e seu foco passou a ser apenas o lugar quente em que estava.
abaixou-se para encontrar a boca do homem e reprimir os gemidos que sua boca queria gritar; apertando, minutos depois, as unhas na pele do ombro dele enquanto sentia o orgasmo lhe atingir. Continuou a se mover em cima do homem até que este tivesse sua vez, o que não demorou muito, e depois se jogou na cama ao seu lado.
- Droga! – Clark praguejou assim que sua respiração voltou ao normal. A culpa começando a lhe atingir.
Ele tinha acabado de transar com a filha dos seus melhores amigos. Sob o teto da casa deles.
Aquilo era errado em um nível catastrófico.
Começou a passar a mão pelo rosto, se agitando, e suspirou irritada, virando o punho fechado e batendo no peito dele sem ao menos olhá-lo.
- Você não vai estragar a droga do meu orgasmo, Kent. Se for para ter crise de arrependimento, cate as suas roupas e saia daqui. – Apontou para a porta.
- . – Chamou cauteloso. – A gente precisa...
- A gente precisa dormir. – O ignorou, virando e puxando a coberta para se cobrir.
Ela sentiu a cama se mexer atrás de si enquanto o homem se levantava, mas não se importou. Sabia que ele estava surtando por dentro, prestes a ter um colapso.
De novo... Não se importou.
Que eles conversassem sobre isso depois.

ωωω

espremeu a tez quando viu a mãe entrar em seu quarto, abrir seu guarda-roupa e pegar uma de suas mochilas, tacando nela depois.
- Tudo bem, querida? – Deixou o deboche escorregar por suas palavras, mas a mãe apenas riu.
- Saímos em meia hora. – Diana avisou, se direcionando para fora do quarto.
- Para onde?
- Temiscira, Oliva. – Revirou os olhos.
- Por quê...? – A indagação fez a mãe parar na porta para olhá-la.
- Porque você precisa treinar.
- De novo? – Arregalou os olhos.
- Quer morrer da próxima vez que usar os raios?
A garota negou, fazendo a mãe assentir.
- Foi o que pensei. Se arruma.
- Delicada. – Murmurou, já se levantando.
- Tenho super-audição, . – Diana gritou do corredor, fazendo-a rir.
Em menos de um minuto a garota já havia arrumado sua mochila e se encontrava dentro do quarto da mãe, esperando-a sem que esta percebesse.
- Você tem mesmo que ir? – Fez careta.
Diana pulou com o susto, levando a mão ao peito e se virou para a filha com a feição resplandecendo o descontentamento.
- Por Hera, !
- O quê? – Riu. – Não tem super-audição? – Prince semicerrou os olhos para a filha.
- Encaminha essa sua bunda para o jatinho antes que eu te quebre no meio. – A mais velha apontou em direção a porta.
- Minha pergunta foi sincera. – Continuou deitada na cama dos pais.
- Por que quer que eu fique?
- Por que quer ir?
- Porque não quero que minha mãe te mate.
- Você não pensou muito nisso há algum tempo atrás.
- A situação era diferente.
- Gosto de treinar sozinha. Vovó sabe disso. – Avisou.
- Sempre vi você treinando com seus irmãos, com Kara, com seu pai... Enchia o saco para treina comigo. – Espremeu as sobrancelhas.
- Não em Temiscira. – Deixou claro. – Te espero em... – Tirou o celular do bolso frontal da mochila. – Vinte e seis minutos. – Sorriu levada.
correu para fora do quarto antes que sua mãe resolvesse cumprir o que havia dito, se despediu do pai, do irmão, de Donna e de Alfred e esperou a outra amazona no jato invisível.
Quinze minutos depois, Diana entrou, seguida de Bruce.
- Papai vai também? – Enrugou a testa.
Já tinha até mesmo se despedido dele.
- Não. Veio se despedir de mim. – Dessa vez a menina semicerrou os olhos, fingindo nojo quando os pais se beijaram.
- Quem vê assim, até pensa. – Bruce deu um beijo na testa da filha, já se encaminhando para fora do avião.
- Não é? – Diana concordou. – Ela acha que não lembramos de como insistia que tínhamos que ficar juntos.
A menina escondeu o sorriso e encolheu os ombros.
Era, sim, apaixonada pelo relacionamento dos pais. Sempre seria.
A viagem se passou sem grandes surpresas - na verdade, dormira em grande parte desta, acordando vez ou outra apenas para reclamar que suas costas estavam doendo - e já era quase noite quando pousaram.
- Ei, querida. – Hipólita abraçou a neta. – Está bonita. – Sorriu. – Forte.
- Obrigada, vovó. – Beijou o rosto da loira.
Depois de uma sessão de cumprimentos, mãe e filha se recolheram a um dos aposentos para dormirem, já que no outro dia acordariam bem cedo para treinar.
- Às vezes, sinto saudades disso. – Se encolheu junto à mãe, pois dividiam a mesma cama.
- Jurava que você preferia seus macho esquentando sua cama. – Diana comentou, causando o riso estridente na filha.
- Você é péssima. Papai mandou eu ficar de olho em você. – Contou, prendendo o riso.
Dessa vez foi Diana que riu enquanto negava com a cabeça.
- Seu pai é louco.
- Ele é ciumento. Só finge que não. Igual a você. – Jogou uma das pernas em cima da mãe. – Vocês se merecem. – Constatou com uma careta.
- Graças à Hera. – Diana suspirou e a garota sorriu.

(...)

Diana colocou o escudo à frente de seu corpo quando a filha direcionou um raio para si mais uma vez, no segundo seguinte, estava no chão. De novo.
- Se continuar assim, não poderá usar esse poder. – Hipólita declarou.
- Mamãe, espera. – Diana revirou os olhos. – Está bem, minha filha? – Se ajoelhou ao lado da mais nova que assentiu levemente.
Era por isso que a mulher não quis deixar a filha sozinha na ilha.
Não daquela vez.
Aquele era um poder muito forte. quase havia morrido quando o usou da primeira vez.
Esperar que a garota o dominasse somente por usá-lo, sem entendê-lo, era demais. E Diana tinha certeza que era esse o objetivo de sua impaciente mãe.
- O que sente?
- Cansaço. – Os olhos da garota quase fechavam.
- Precisamos de uma pausa.
- Se formos parar sempre que ela se cansar, não faz sentido continuar. – Hipólita reclamou.
- Se formos continuar com ela caída no chão, também não faz sentido. Em poucas horas voltarei à Gotham sem minha filha. – Ajudou a se levantar.
- Você é mole.
- E você estúpida, Hipólita.
- Parem de brigar. – reclamou, se apoiando na mãe para levantar. – Não tenho mais quinze anos, posso muito bem dizer a hora que quero parar ou não. – Decretou. – E agora vou descansar. – Avisou, olhando na direção da avó.
Diana e Hipólita se calaram e Carline podia jurar que aquele era mais um dos poderes de , porque somente ela para apartar a briga daquelas duas cabeças-duras.
foi apoiada pela mãe até o quarto e suspirou contente quando esticou as costas sobre o colchão macio, parecia o paraíso.
Ela respirou fundo algumas vezes depois que sua mãe deixou o quarto, pensando no que faria... Quer dizer... Ela sabia o que fazer, só não sabia como.
Só tinha uma pessoa que poderia lhe ajudar verdadeiramente, mas não podia deixar ninguém saber onde estava essa pessoa. Na verdade, ela nem sabia onde estava a pessoa, mas tinha certeza que se chamasse, ele se faria presente.
Sentindo seu corpo suficientemente relaxado, se levantou rapidamente, deixou um bilhete e saiu pela janela do quarto, procurando evitar contato com qualquer tia no meio do caminho.
Poderia correr, mas ainda não sabia bem o que falaria e, não querendo ser surpreendida por alguma amazona, andou calmamente até o ponto onde o tinha encontrado das últimas vezes. Parou no meio da clareira, olhando ao redor e sorrindo ao ver a árvore que havia quebrado com a ajuda dele.
- Sei que está aí. Não me faça implorar. – Murmurou revirando os olhos.
O vento frio do início da noite, lhe fez enroscar os próprios braços ao redor de si para se proteger.
- Oh, por Zeus! – Socou uma árvore. – Vovô! – Gritou e, de repente, a risada grossa se fez ouvir.
O deus tinha lhe obrigado a se acostumar com a palavra vovô, só lhe respondia mediante aquele chamado.
- No que posso ajudar?
A Wayne reconheceu, encostado em uma das árvores, o homem de cabelos grisalhos e olhos brilhantes.
Semicerrou os olhos e se aproximou dele, lhe dando um tapa no braço musculoso em seguida.
- Quem lhe mandou me abençoar? – A tez franzida da garota fazia ela se parecer muito com sua mãe.
- Achei que gostaria. – Deu de ombros com um sorriso.
- Se viesse com um manual.
Ele riu mais uma vez.
- Preciso que me ajude!
- Eu sei.
- Então porque não começou ainda?
Zeus deu de ombros mais uma vez.
- Vovô! – Reclamou e ele assentiu satisfeito.
- Oh, sim! Aí está a palavra.
- Eu já tinha usado.
- Precisa repeti-la. É como um por favor.
- Odeio que essa família é formada por cínicos. Deuses cínicos! – Fez o avô rir mais uma vez.
- O que sente? – Se fez sério. – Nas vezes que usa.
- Cansaço.
- Está usando errado. – Respondeu de imediato e ela arqueou uma das sobrancelhas.
- Fácil falar, tem isso há milênios. É o seu poder. – Zeus negou imediatamente.
- É o seu poder, querida. Trovões são energia, deveria se sentir cada vez mais leve quando o usasse, não cada vez mais cansada. Se está se sentindo assim, é porque não está usando corretamente.
- E o que seria corretamente? – Revirou os olhos.
- Como o chama?
balançou os ombros.
- Se estivesse em batalha agora, ? O que faria?
- Pensaria em você, provavelmente.
- Pensa em Hermes quando corre?
- Não, mas...
- Está fazendo errado.
Ela bufou e se sentou no chão.
- O que você sente?
- Não é sobre mim, . Não pode se basear no que eu sinto.
- Como o chama? – Ele sorriu e se sentou ao lado dela.
O deus estendeu a mão na direção da neta e era apenas isso... O brilho tremulava por entre seus dedos.
- Você é o deus do trovão. Não vale. – Encostou a cabeça na árvore.
- Você é a deusa do mundo. – Deu de ombros e ela riu.
- Se eu fosse, já tinha um fim em vocês todos. – Confessou, prendendo o riso.
Ele se levantou e a puxou junto de si, apontou para frente, em direção ao mar, e ela acompanhou o olhar. Em segundos, um grande raio havia atingido a água, o mar havia ficado revolto de repente, mas Zeus parecia tão disposto feito antes.
- Está matando os peixes de Poseidon.
- Eu?
Ela assentiu.
- Eu estou desaparecido. Quem está fazendo isso é você. – Balançou os ombros pela milésima vez e ela semicerrou os olhos, lhe dando um novo tapa.
- Péssimo.
- Quero que faça o mesmo. – Declarou. – Sem pensar em mim. O poder é seu.
respirou fundo, sua vontade era falar que não conseguiria, sentar no chão de novo e desistir, mas sabia que ele encheria seu saco até que ela o fizesse.
Do jeito certo.
Zeus era estupidamente parecido com Hipólita naquele aspecto, a diferença é que não iria do jeito que fizesse a garota se matar, com o discurso de que ela tinha que aprender sozinha, procurava alternativas que a ajudassem a dominar o que precisasse.
A garota mordeu o lábio inferior e olhou para o mar, no mesmo ponto onde o avô havia acertado.
- No que eu penso? – Pediu, os olhos brilhando com as lágrimas que queriam escapar por se sentir incapaz.
- No que pensa quando acerta alguém com um de seus poderosos socos? – Apontou a árvore que ela tinha destruído tempos atrás.
- Não penso, eu... Sinto.
O mais velho assentiu.
- Sente o que?
- Meus músculos enrijecem e... – Fechou os olhos. – Por um momento pareço ser intocável, à prova de balas como a mamãe. – Soltou o ar devagar.
- Quando corre? Ou quando vê seu adversário vindo em sua direção?
Ela continuou com os olhos fechados, mas sorriu.
- É a parte que mais gosto. Sinto meu corpo todo tremer. Mas não é de um jeito ruim. – Fez questão de acrescentar e ele assentiu, mesmo que ela não pudesse ver. – Parece que minhas células estão vibrando, e eu sei que estão – Riu. – E, então, eu simplesmente... – Correu ao redor do avô e lhe acertou com um soco no meio das costas, fazendo-o parar a uns bons metros de distância.
O velho riu, tirando a mão da árvore, onde havia afundado o punho para parar, e andou de volta calmamente, vendo o sorrisinho de canto dela.
- Todos os poderes ao qual foi presenteada são, agora, seus. – Parou do lado da garota. – Eles estão todos juntos dentro de você. – Bateu com um dedo no topo da cabeça dela. – Pode usá-los de modo separado, mas, ao mesmo tempo, os usa como um todo. Consegue lembrar do que sente nos primeiros segundos?
fechou os olhos de novo.
Seu avô tinha razão.
Ela havia se prendido na ideia de que o poder viera quando chamou por ele, mas não era ele a fonte de seus poderes.
Se fechasse bem os olhos, concentrasse bem sua mente, podia lembrar da sensação de jogar raios sobre sua mãe. Ela buscava dos céus, olhava para cima e pensava no avô e, por um instante ou dois, podia jurar que sentia-se como o ser mais altivo da Terra. Até que não se sentia mais.
- Sei o que estou fazendo de errado. – Abriu os olhos de repente, sorrindo para o avô.
- O quê?
- Não estou o usando como meu.
- Eu já tinha falado isso. – Falou o óbvio, mas ela negou rindo.
- Não é isso. É... – Se calou e fechou os olhos novamente.
Se concentrou no espaço ao seu redor, respirou fundo e somente escutou o barulho.
Ao abrir os olhos, com um sorriso, viu o mar tão revolto quanto antes, mas, dessa vez, causado por ela.
- Consegui! – Gritou e pulou animada. – Consegui, consegui, consegui! – Fez uma dancinha agitada, fazendo o deus rir.
Por instantes... Por instantes ela conseguia sentir o poder em si, algo que lhe preenchia e lhe dava energia, mas logo o jogava para longe. Não o usava para si, apenas para o outro.
Algum lugar no fundo de sua mente, fazia-lhe crer que simplesmente não era digna daquilo, mas, no fim, Zeus tinha razão... Era o seu poder!

Capítulo 12

Clark e voltaram a se encontrar apenas na segunda-feira, já na Torre de Vigilância, mas não trocaram nem duas palavras. Não por causa dela. Por ela, eles seguiriam normalmente e repetiriam a dose caso fosse necessário, mas o homem de aço claramente não concordava com aquilo e a estava evitando.
- Parece a droga de um adolescente. – bufou, na sala de treino, dando mais um soco no saco de areia.
- Quem?
A voz conhecida, mas não corriqueira, fê-la se virar confusa e dar de cara com o irmão mais velho.
- O que você está fazendo aqui?
Richard riu.
- Também te amo, maninha. – Debochou, mas a outra apenas revirou os olhos. – Troca de informações. – Deu de ombros e a mais nova assentiu em compreensão. – Quem parece um adolescente?
rosnou e voltou a socar o saco, causando uma careta de desentendimento no irmão.
- Clark. – Resmungou irritada.
- Por quê?
- Porque a gente transou e agora ele está me evitando.
Dick arregalou os olhos, se engasgando com o ar.
- Vocês o quê?
- Transamos, Richard.
- Como assim, ?
- Você esqueceu o que é transar? – Parou de socar o saco novamente, o olhando em puro deboche.
- É por isso que vocês estavam meio brigados?
Ela juntou as sobrancelhas.
- Não. Isso não tinha nada a ver com isso.
- Então... Quando que... – Ele parou com os olhos arregalados quando se deu conta. – , vocês transaram na mansão? – Questionou exasperado.
- Você quer um microfone?
- Você é maluca?
A garota revirou os olhos.
- Sem tempo para o seu drama, Richard. – Se jogou no chão e esfregou a testa para limpar o suor.
- Não me admira ele estar fugindo. É o Clark afinal e a culpa deve estar consumindo ele.
- E por isso ele vai agir feito um babaca? – Virou o rosto na direção do irmão. - Cada um age de uma forma. – Mexeu os ombros. – Mas se você quer conversar sobre isso, encurrala ele, ué.
- Eu não quero conversar sobre isso, só não quero que ele fique agindo como se tivéssemos cometido algum grande pecado.
- Vai ter que conversar sobre o fato de vocês terem transado para chegar ao fato dele estar agindo assim. Afinal, é por conta do sexo.
- Uma verdadeira criança. Isso que ele é.
- Falando de quem? – A voz de Clark se fez ouvir na sala e ela bufou.
Era óbvio que ele sabia que estavam falando dele e era óbvio que ele chegaria justo naquele instante.
- Eu vou indo lá. – Dick falou se encaminhando à saída, mas encarando o homem que tinha acabado de entrar na sala. – Espero que vocês tenham uma boa conversa. – Sorriu cínico. – Qualquer coisa me grita, . – Deu dois tapas no batente e sumiu pelo corredor.
- Você contou para ele. – Não era uma pergunta.
- Algum problema? – Ela arqueou uma das sobrancelhas, ainda deitada no chão.
- O problema é se ele contar para o Bruce.
revirou os olhos.
- Meu irmão sabe a hora de falar. – Debochou. – E de se calar, claro.
- Olha, , – Ele começou e fechou a porta atrás de si para conseguir um pouco de privacidade. – Eu não quero que fique essa coisa estranha entre a gente. – Suspirou. – E eu também não quero fazer isso com o seu pai ou com a sua mãe.
- Você fez foi comigo, gato. – Ela mexeu no próprio cabelo sem olhá-lo.
- ! – Ele a repreendeu. – Nós traímos a confiança deles bem no nariz deles. Isso não é certo.
A garota revirou os olhos pelo que parecia ser a centésima vez e se levantou.
- O que não é certo, Kent? – Cruzou os braços enquanto andava para perto dele.
- Você acha que seus pais se agradariam disso?
- Não sei, quer perguntar? – Deu de ombros e ele acabou rindo.
- , por favor.
- Achei que quem tinha que estar agradado éramos nós. E você me pareceu bem agradado. – Sorriu maliciosa e passeou com as mãos pelos braços e ombros do homem.
se aproximou vagarosamente; escorregando as mãos por sua nuca e acariciando-a, se pôs na ponta dos pés e aproximou seus narizes.
- Você quer mesmo fingir que nada aconteceu? – Falou baixinho com os olhos fechados.
Clark respirou de forma pesada, fechando os olhos também. Aquilo era covardia. Sim, não era nem um pouco justo.
Mas não era justa só por existir.
Passou a mão pela pele nua das costas dela, já que ela se encontrava no seu - quase - uniforme, top e uma calça legging, e a puxou para mais perto. A garota sorriu juntando sua boca com a dele logo depois.
Não demorou muito para ele voltar a si e se afastar da menina, andando para o outro lado da sala.
- Não, . – Apontou para ela, que apenas sorriu vitoriosa.
Tinha conseguido desestruturar o homem de aço e seria apenas uma questão de tempo para consegui-lo em sua cama de novo.

ωωω

- Isso não te lembra os velhos tempos? – perguntou depois de ser imobilizada, no chão, por Clark.
- Que velhos tempos, ?
- De quando entrei aqui. – Olhou, por cima do ombro, para o homem acima de suas costas. – E de como eu imaginava como seria bom fazer coisas parecidas como essa na cama. – Mostrou um sorriso quase vilanesco.
Clark suspirou e desviou seus olhos dos olhos verdes dela.
Por Deus, se antes já o fazia enlouquecer com suas piadinhas e tiradas, agora ela estava com a artilharia pesada.
- Você fala como se anos tivessem passado, mas na verdade foram só dois meses.
- Não foge do assunto. – Riu e revirou os olhos. – Você sabe, Clark... – A voz da menina abaixou consideravelmente. – Numa batalha, não é só o corpo que tem que ser invencível, mas, também, a mente. Como anda a sua? – No próximo instante ela já tinha impulsionado o corpo para cima, se livrando de Clark e sentando por cima dele.
A Wayne encostou a pélvis na dele, enquanto lhe segurava os braços, e deu uma leve rebolada. Kent fechou os olhos, procurando se concentrar, mas parecia que tudo o puxava para retribuir aquilo.
Quando abriu os olhos de novo, o rosto da menina estava a centímetros do seu. Ela lhe mostrou um sorriso levado e ele livrou suas mãos do aperto dela, enfiando-as por entre seus cabelos e lhe puxando para um beijo caloroso.
- Eu acho... – começou a falar depois que terminaram o beijo, mas fez uma pausa, mordendo o lábio inferior, enquanto recuperava o ar. – Que sua mente está muito fraca. – Puxou o lábio dele entre os dentes e depois se levantou, saindo da sala e o deixando para trás.

O kryptoniano suspirou ao observar , acompanhado por Wally, passar por ele pela milésima vez, balançando os quadris hipnoticamente no vestido colado e vermelho que, para completar, tinha uma fenda quase que indecente na coxa esquerda.
Maldito dia que tinha escolhido ser repórter e mais maldito ainda o dia que ele tinha aceitado cobrir a festa de arrecadação da empresa de Bruce.
Como se toda tortura já não fosse o suficiente, Lois era sua parceira para a matéria.
- Não é possível que ela não faça de propósito. – Murmurou consigo mesmo enquanto ia, de fininho, ao bar e tomava uma dose dupla de uísque de uma vez só.
Não que fosse fazer muita diferença, devido ao organismo acelerado dele, mas o gosto por si só já o acalmava.
- É de propósito. – Reconheceu a voz de Dick ao seu lado e suspirou assentindo. – Boa sorte. – Sorriu sarcástico. – Se você acha que seu problema nisso é meu pai, está completamente enganado.
O repórter entendia bem o que Dick queria dizer. era o pesadelo, disfarçado de sonho, daquela situação. A garota era capaz de virar o mundo de qualquer um de cabeça para baixo, de um jeito horrivelmente bom.

- , não. – Ele a empurrou levemente, exasperado. – Isso não está certo. Você é filha do meu melhor amigo.
A princesinha dos deuses vinha tentado lhe atingir inúmeras vezes durante os treinos. Ela sempre conseguia ludibriá-lo a lhe dar pelo menos um beijo e quase sempre o convencia a escapar com ela para o quarto de um dos dois - sob a desculpa de que sexo também era treinamento físico.
- Achei que Jimmy Olsen fosse o seu melhor amigo.
Ele preferiu ignorá-la.
- Nós estamos prestes a sermos pegos. Rindo bem na cara dos seus pais.
- E você não gosta, né? – Ela cruzou os braços irônica.
- Não. – Respondeu alarmado e a menina arqueou uma das sobrancelhas para ele. – Quer dizer, sim. Droga, lógico que sim, . – Passou a mão pelo rosto, nervoso. – Mas não dá, não pode se repetir. Além do mais eu e Lois estamos conversando de novo e... – Foi interrompido.
- Oh, então é isso? – Riu pelo nariz. – Você quer voltar com a sem sal.
- !
- Treino cancelado por hoje, Kent. Corra para os braços da reporterzinha que só gosta de verdade do Superman.
- ! – Lhe repreendeu novamente, mas, dessa vez, o ignorado foi ele, já que ela simplesmente saiu da sala.
Depois daquilo, tinha feito o possível, e o impossível, para lhe provocar sempre que podia. Inclusive escorregando sua mão para as pernas dele sob a mesa do refeitório, onde estavam sentados com Bruce e Diana.

- Oi, meninos. – A dita cuja se aproximou do bar com um sorriso. – Oi, Freddy. – Falou com um dos barman’s. Um Sex On The Beach para mim e um... O que você quer? – Se virou para Wally, que estava atrás de si, segurando uma de suas mãos.
- Sex on the pool. – Riu, apontando para fora, já que o salão onde a festa estava acontecendo tinha uma piscina nos fundos.
revirou os olhos, mas riu também.
- Vodca pura. – Decidiu.
- Uma vodca pura para o humorista, Freddy. Pode encher o copo. – Sorriu.
- Ele está mesmo muito engraçadinho, não é? – Dick semicerrou os olhos para o amigo.
- Brincadeira, cara. – Soltou a mão da amiga e levantou as próprias fingindo se render, com um sorriso ladino no rosto.
riu mais uma vez e pegou as bebidas que Freddy tinha preparado para ela e o amigo, se virando para sair logo em seguida.
- . – Clark a chamou. – Posso falar com você? – Olhou dela para Wally. – A sós.
- Claro, Clark. Vamos lá fora. – A garota sorriu e chupou o canudinho de sua bebida, tomando um bocado dela.
Ela murmurou um: “já volto, West” para o amigo e se encaminhou para fora do salão com Clark em seu encalço.
Se afastaram até a parte de trás do salão. Clark observou a piscina no lado direito, junto de uma churrasqueira e uma pequena casa, do lado esquerdo - para onde estava se encaminhando -, assim como na parte da frente do terreno, tinham algumas árvores.
- Aqui está bom? – Perguntou quando eles se enfiaram por entre as árvores e o homem assentiu. – E então? – Indagou, mas o kryptoniano ficou olhando-a com uma expressão de interrogação. – Clark? – Estalou os dedos, da mão que não segurava a bebida, na frente dele.
- Oi.
- Sobre o que você quer falar?
Ele suspirou enquanto descia os olhos pelo corpo dela.
- Você está bonita.
vincou a testa confusa.
- Era isso que você queria falar?
Clark negou.
- Então? – Repetiu e Clark levou a mão até o pescoço da menina, usando o polegar para fazer um carinho em sua bochecha.
- Para de fazer isso, . – Pediu com a voz sofrida.
- Não estou fazendo nada, Clark.
- Você sabe que está. – Encostou com a testa na dela.
- Sei?
Ele balançou a cabeça em afirmação.
- E está dando certo? – Jogou o copo no gramado para entrelaçar as mãos no pescoço dele.
Clark afirmou novamente.
- Então por que eu deveria parar? – Raspou a boca na dele.
- Porque é errado. – Respondeu tentando regular a respiração ao passo que deslizava a mão pela cintura dela.
Até que se afastou, juntando as sobrancelhas e o olhando pasma.
- Você não estava voltando com a Lois? Oh, meu Zeus, Clark, você até mesmo a trouxe junto de você.
Ele revirou os olhos.
- Acredite, eu não queria que ela estivesse aqui tanto quanto você. – Bufou. – Não dá mais, , por mais que a gente tente, não dá, nós simplesmente nos acomodamos no seguro. Acho que é por isso que eu tenho tanto receio quanto a nós dois. Eu não sou um cara de sexo casual, , não sou do tipo de fingir que uma transa nunca existiu. Não consigo fazer isso, mas você consegue. E muito bem.
- Aprende. – Ela deu de ombros. – E se for preciso, não pense como um sexo casual e, sim, como uma amizade colorida. Afinal, eu pretendo repetir por algum tempo. – Sorriu maliciosa.
- É isso que você tem com o Wally? Uma amizade colorida?
A amazona riu.
- Digamos que sim. – Falou como se não fosse algo importante.
- Não sei se eu consigo isso, . – Ele suspirou. – Estou sendo sincero com você.
- Aprecio isso. – Sorriu. – A gente faz assim... – Puxou ele pela gravata para perto de si novamente. – Tenta. E se você sentir que está se apaixonando demais. – Adicionou um pouco de drama a palavra, o fazendo dar um leve sorriso. – Voltamos a ser apenas amigos. O que acha? – Tombou a cabeça para o lado, o observando.
Clark assentiu.
- Tudo bem. – Confirmou.
- Ótimo. Vamos voltar antes que papai estranhe. – Se abaixou para pegar o copo que tinha jogado ali antes e o puxou pela mão, voltando ao salão. – Me espere acordado no seu apartamento. – Olhou na direção dele por cima do ombro. – Prometo não demorar muito.

(...)

Como prometido, não demorou muito. Pelo menos não ao seu ver, chegando no apartamento do kryptoniano - em Metrópolis - pouco mais de duas horas depois do evento ter chegado ao fim.
Deu alguns toques na porta e sorriu quando a ouviu ser destrancada, contudo, o sorriso desmanchou logo depois ao ver Lois do outro lado. arqueou uma das sobrancelhas, olhando para dentro do apartamento por cima do ombro da mulher, até encontrar Clark.
- Atrapalho? – Perguntou confusa, mas viu o homem negar.
- Eu falei que teria visita, Lois. – Murmurou claramente impaciente.
- é a sua visita? – Lois riu debochada até o momento que a lâmpada em sua cabeça pareceu acender. – Oh, meu Deus! – Se virou para o homem atrás dela. – Eu não posso acreditar... Está dormindo com a filha do seu melhor amigo?
Clark abriu e fechou a boca algumas vezes sem saber o que responder, fazendo revirar os olhos.
- O melhor amigo dele é o Olsen, Lois. Achei que com cinco anos de relacionamento você saberia disso. – Ralhou, fazendo a mulher se virar para si novamente. – E não que seja da sua conta, mas não, não estamos dormindo juntos. – Mentiu sabendo que Clark não queria que aquilo fosse de conhecimento geral. – Clark é meu tutor na Liga e precisamos discutir sobre uma missão que também não é da sua conta. – entrou no apartamento e segurou a porta. – Agora, se nos der licença. – Sorriu com a mão esticada em direção ao lado de fora do apartamento.
Lois bufou recolhendo suas coisas rapidamente e saindo dali.
- Ela queria conversar. – Clark informou, parecendo cansado, enquanto se jogava no sofá.
assentiu, reparando que, diferente dela, ele ainda estava com a roupa que usou na festa. Se posicionou entre as pernas dele e levou as mãos até seus ombros, o massageando. Clark passeou as mãos pelas pernas desnudas da garota, devido ao short que usava, e fechou os olhos apreciando a massagem.
- Você precisa relaxar. – Se curvou um pouco para dar um selinho nele e sentiu as mãos dele subirem para sua bunda.
Mordeu o lábio inferior dele e depois deu alguns beijos em seu maxilar ao mesmo tempo que escorregava as mãos pelo peitoral dele parando no cós da calça e a abrindo-a. Ajoelhou-se, ainda no meio de suas pernas, e passou a língua pelos lábios enquanto ajudava-o a se livrar da calça, sorrindo-lhe um sorriso nada santo depois.

Capítulo 13

Abril de 2017
- Mãe! – gritou do próprio quarto e a mãe apareceu logo depois.
- Que foi?
- Fecha meu vestido, por favor. Não consigo fechar porque é daqueles invisíveis. – Se virou mostrando o zíper lateral do vestido que começava no quadril.
Diana assentiu e entrou no quarto, fechando a porta atrás de si. Pediu para a menina segurar na base do zíper e foi subindo, até parar um pouco antes da cintura.
- O que é isso? – Juntou as sobrancelhas reparando uma mancha roxa na cintura da filha.
- Machuquei em missão. – respondeu e se encolheu quando a mãe encostou naquela parte da pele.
- Você não teve missão na última semana, . O que está prestes a mudar e, aliás, tem cura acelerada. O que é isso? – Perguntou séria demais e olhou da mãe para a porta se perguntando se devia contar.
- Foi o Wally. – Mentiu.
- Não, não foi.
Foi a vez da mais nova juntar as sobrancelhas.
- Como não?
- Se tivesse sido o Wally, teria contado da primeira vez que perguntei com um dos sorrisinhos sacanas que puxou do seu pai. – Diana cruzou os braços. – Eu vou perguntar mais uma vez, . O que. É. Isso?
- Eu conto se você prometer não surtar. – Suspirou, se arrependendo do momento que tinha chamado a mãe para lhe ajudar.
- Não prometo nada. – Continuou séria e com os braços cruzados.
- Estou saindo com uma pessoa. Ela é meio bruta de vez em quando. – Falou devagar. – Mas de um jeito bom. – Mordeu o lábio inferior reprimindo um sorriso - o mesmo que a mãe sabia que ela daria ao contar uma coisa do tipo.
- Que pessoa, ? Você não estava com o Wally até semana passada?
- Estou. – Deu de ombros. – Mas a gente não tem compromisso, eu já te disse isso.
Diana assentiu.
- E eu também não tenho compromisso com essa nova pessoa.
- E quem é a pessoa?
- Você precisa mesmo saber?
- Sim, porque você está fazendo cerimônia para falar. Então, sim, eu preciso saber.
- É o Clark. – Falou rapidamente e fechou os olhos com força enquanto Diana arregalava os dela.
- É o quê? – A voz da amazona subiu alguns tons.
- Mãe! – Pediu alarmada. – Por favor, se o papai descobre, você sabe que ele vai surtar.
- Eu estou surtando, . Por Hera, você ficou maluca? É o melhor amigo do seu pai. O meu melhor amigo.
- Mãe, olha só... – Segurou as mãos da mulher. – Fica calma. Não é nada demais! Estamos só... nos conhecendo. Entendeu? Nós já conversamos sobre tudo que pode, ou não, dar errado. – Diana respirou fundo soltando as mãos da filha e se abanando.
- Atena, me ajude. – A mulher clamou pela irmã, a deusa da sabedoria. – Coloque algum juízo na cabeça desta minha criança, porque eu falhei. – Dramatizou, fazendo a filha rir.
- Confia em mim, mãe. Por favor. – A menina juntou as mãos como se fizesse uma prece. – E não conta para o papai.
Diana balançou a cabeça completamente confusa e se aproximou da filha para terminar de fechar o zíper.
- Eu espero que você saiba o que está fazendo, . Clark não é um espírito livre como você. – Ela terminou de fechar o vestido da filha. – Ele tem a mente aberta e jamais te julgaria, mas não é do estilo pega e não se apega.
- Nós já conversamos sobre isso.
- Desde quando vocês estão juntos?
- Desde que ele veio aqui me entregar o jornal da matéria que ele tinha feito.
Diana arregalou os olhos novamente.
- Aqui em casa, ? – Perguntou alarmada. – Isso eu não aceito, escutou? – tentou falar, mas ela não deixou. – Não adianta querer comparar com Richard e Kory. Eles são noivos, estão juntos há anos e, o mais importante, seu pai sabe sobre eles. Estamos entendidas? – Perguntou e a filha assentiu positivamente. – Ótimo. – Fez seu caminho até a porta. – Você está estonteante. – Falou e saiu.
Era dia oito de abril. E todo ano nessa data, a família Wayne dava uma grande festa, já que não só era aniversário de Diana, como também aniversário de casamento para ela e o marido; aquele era o ano das Bodas de Aço.
se olhou no espelho, se admirando no belo e longo vestido Azul Royal de alça, com o decote coração um pouco mais aberto e costas quase completamente nua - se não fosse pelo trançado de pedras pratas.
A garota estava realmente de tirar o fôlego.
Ajeitou o cabelo, que tinha sido feito mais cedo por uma cabeleireira, e conferiu a maquiagem que ela mesma tinha feito. Estava tudo certo.
Saiu de seu quarto e se encaminhou ao andar de baixo, encontrando todos - menos sua mãe - arrumados. Dick soltou um assobio ao ver a irmã e colocou a mão no peito dramaticamente.
- Amor, me desculpa. – Falou com a noiva ao seu lado. – Mas você acaba de perder o posto de mulher mais maravilhosa da noite.
e Estelar riram.
- Vamos ter que ficar de guarda hoje. – Damian acrescentou para o irmão, fazendo Alfred rir - eles eram totalmente filhos de Bruce Wayne.
- Vocês também não estão nada mal. – comentou com um sorriso.
- Bom, eu não recebi nenhum elogio. – Donna fez um bico, fingindo realmente se importar com aquilo.
- Você só merece porrada, Donna. – Damian fez careta para ela, se afugentando para perto da irmã quando Donna ameaçou socá-lo.
Minutos depois, Diana desceu pelas escadas, em um vestido preto longo de mangas compridas com o decote V e uma faixa prata na cintura, e sorriu.
- Acho que acabei de perder o posto de mulher mais maravilhosa também. – Fingiu sussurrar para Kory e elas riram juntas.
- Sinto muito, garotas. – Diana brincou sorrindo e dando a deixa para que a família se encaminhasse ao salão.
Logo que chegou no local onde seria a festa, mandou uma mensagem para o melhor amigo - que estava lá com o tio e com a tia -, o chamando para sentar com ela assim que acabasse a parte das fotos, poses e cumprimentos. Quando Wally viu que a menina tinha começado a beber, soube que a parte chata da festa já tinha acabado.
- Muito obrigado, Deus, por ter me dado a oportunidade de tocar esta perfeita mulher de todas as formas possíveis. – Wally falou assim que se aproximou da menina, fazendo-a gargalhar.
- Se você não diminuir seu tom de voz, já, já alguém escuta, conta para o meu pai e você vai poder agradecer a Deus pessoalmente. – Zombou e ele fez um sinal da cruz.
Eles se sentaram à mesa, com Dick, Alfred, Estelar, Donna e Damian - Bruce e Diana estavam andando pela festa -, e ficaram conversando besteiras por um bom tempo. Até Wally ver Clark passar a alguns metros de distância, se encaminhando na direção dos anfitriões da festa.
- Ih, vou ser trocado. – O velocista sussurrou perto do ouvido de .
- O quê? Por quê? – Perguntou confusa e ele apontou para Clark. Ela riu. – Só no final da festa. – Piscou.
- Muito triste essa traição. – Falou fingindo voz de choro e a outra gargalhou.
Apesar de sentir os olhares de Clark em si a todo instante, disfarçou o máximo que podia e só foi falar com ele, que estava sentado junto a Barry e Iris, quando Shayera e John chegaram com Rex e sentaram no mesmo lugar.
Ela levantou animada, dando passos largos para ver o menino. Quando chegou na mesa, por trás dele, colocou as mãos em seus olhos, os tapando.
- Quem é? – Ele perguntou com um sorrisão, já sabendo que era ela.
- A babá mais linda, legal e engraçada.
- ! – Rex deu um gritinho tirando as mãos dela de seu rosto e ficando de pé na cadeira para abraçá-la.
- Oi, meu pirralho preferido. – O encheu de beijos, causando-lhe o riso. – Eu estava com saudades, sabia? – Colocou a mão na cintura e semicerrou os olhos para ele.
- Eu também, mas a minha mãe não queria me levar lá para te ver. – Ele apontou Shayera e revirou os olhos, fazendo com que ela o repreendesse.
- Não briga com meu pirralho. – apontou para a tia e abraçou Rex de novo.
Soltou do menino para cumprimentar o resto da mesa, mas parou no meio do caminho quando o ouviu dizer:
- Uau, você está linda. – Rex colocou as mãos no rosto e abriu a boca numa expressão chocada.
- Esse menino é muito príncipe mesmo. Tem certeza que ele é filho de vocês? – Implicou com Shayera e John.
- A dor do parto não me deixa dúvidas. – Shayera respondeu fazendo rir.
- Eu vou me congelar para casar com você. Okay? – Voltou a falar com Rex e ele assentiu com um sorriso divertido.
- Mais fácil se jogar no Poço de Lázaro. – Clark comentou rindo.
- Boa ideia! – Ela foi cumprimentá-lo. – Obrigada. – Riu e ele lhe acompanhou.
- Estamos aqui para isso.

(...)

Diana suspirou quando viu a filha, no meio da pista de dança, com Clark. Ela esperava que aquilo não desse errado e, se fosse falar a verdade, estava mais preocupada com Clark do que com .
sabia se cuidar, era independente desde sempre e superava as dificuldades com uma facilidade e força invejáveis.
Clark não. Ela estava perto e viu o quanto ele ficou detonado com o fim do relacionamento com Lois - que tanto lutara para conquistar -, ele também não tinha lidado bem com a briga que tivera com sua filha, seja lá qual fosse o motivo dessa briga.
- O que foi? – Bruce perguntou ouvindo a mulher suspirar de cinco em cinco segundos.
- Acho que você e seus filhos arrumaram mais um para cuidar de . – Forçou um sorriso tentando disfarçar.
Bruce riu quando olhou na direção que ela estava olhando.
- Agora, sim, a tropa ficou forte.
A mulher percebeu que a filha iria pedir alguma coisa, que era quase fora de seu alcance, quando a viu caminhando em sua direção com um sorriso amarelo, já quase no fim da festa.
Lá vem! Ela pensou e no instante seguinte foi puxada pela filha para um canto mais reservado.
- Você me ajuda a ir para a casa do Clark sem o papai saber? – Pediu juntando as mãos.
- ... – A mais velha choramingou.
- Por favorzinho!
- Okay. Vai. – Liberou sabendo que não adiantaria tentar impedir. – E juízo.
A menina sorriu animada.
- Sempre. Eu te amo. – Deu um beijo em sua bochecha e caminhou para fora do salão.
- Sim, sim, claro. – Revirou os olhos e a menina riu.

ωωω

- , eu preciso trabalhar. – Clark reclamou com um sorriso de canto.
Há meia hora, ele tentava finalizar uma matéria e, há meia hora, se esticava em seu colo e depositava beijos em seu pescoço, causando uma tremenda desconcentração.
- Não precisa, não. Seu trabalho é no Daily Planet. – Segurou o queixo dele, o trazendo para si e deu-lhe alguns selinhos. – Em casa, você é meu.
O kryptoniano deu uma risada anasalada.
- Achei que eu fosse solteiro.
Ela semicerrou os olhos para ele ao escutar sua frase de efeito sendo usada contra si.
Kent permaneceu o mais sério que conseguia enquanto via a menina sair de seu colo, completamente desgostosa, e sentar na cama com um bico na cara. Mais por ser contrariada do que por qualquer outra coisa; ele sabia disso.
Mas não podia se importar com isso agora, realmente precisava terminar aquela matéria. Por isso, a ignorou o máximo que conseguia, lançando apenas algumas olhadelas em direção à cama de vez em quando.
Clark achava maravilhosa demais para não ser olhada. A garota tinha uma inteligência de dar inveja, era super poderosa, dona de si, autêntica e verdadeira. Fora o corpo maravilhoso que arrancava suspiros de qualquer um.
Inclusive dele. Muitos.
Terminou sua matéria e se juntou a ela na cama, mas, dessa vez, ele quem foi ignorado.
- Quantos anos você tem mesmo? – Tentou o máximo que conseguia não rir, mas seus esforços foram por água abaixo quando recebeu o olhar estupefato da garota.
ameaçou levantar da cama, mas o repórter segurou seu braço a puxando para cima de si.
- Eu não quero papo com você. – Deixou o bico de costume na cara.
- Só esqueci sua idade.
- Você é ridículo. – Clark assentiu e enfiou a mão por entre os cabelos da menina, prendendo-a em um beijo.
A Wayne suspirou, ainda com a boca colada a dele.
Em algum ponto, deixou um som seco escapar de sua garganta e prendeu o lábio entre os dentes, sentindo os beijos transitarem de carícias inocentes à chupões que arrepiavam cada poro de seu corpo. Aproveitando a sensação, ela afundou as unhas no pescoço dele e se apertou ao seu corpo.
Odiava admitir aquilo, e jamais o faria em voz alta, mas estar com Clark, ultimamente, era uma das melhores partes de sua vida. Eles se davam extremamente bem - na vida, no trabalho e na cama -, se conectavam como ninguém e, em não muito tempo, Clark tinha a decifrado e entendido como poucos. Fez um leve cafuné no homem em retribuição aos beijos que ele deixava em seu pescoço, apenas curtindo a carícia.
Dali a meia hora eles dormiriam agarrados, depois de uma boa rodada de sexo e comida.

(...)

sorriu quando sentiu os beijos de Clark em seu pescoço para acordá-la.
- Acorda. – Passeou com o nariz pela bochecha dela. – Eu preciso ir para o trabalho e você precisa subir. – Beijou seu ombro e se levantou.
- Mm... Só mais cinco minutinhos. – Respondeu preguiçosa e o puxou para cama se agarrando nele.
- Não. – O homem riu, se levantando e trazendo-a consigo.
- Clark. – Falou com a voz arrastada e manhosa.
- Banho, agora. – Só a colocou no chão quando chegaram no banheiro. – Eu vou pegar sua roupa. – Deu um selinho nela.
- Você não vai tomar banho comigo? – Fez um bico e ele negou, rindo e fechando a porta. – Tem certeza? – Ela tentou, gritando de dentro do banheiro e sorrindo ao ouvir a gargalhada dele.
Horas mais tardes, Clark revirou os olhos ao ver a gaveta, que tinha cedido à , completamente bagunçada. Ela tinha acabado de ir embora e era sempre assim... Zero organização. Na verdade, Clark podia jurar que a garota conseguiria bagunçar até uma caixa de cotonetes.
Jogou as roupas dela em cima da cama e, rapidamente, dobrou e ajeitou tudo. Por Rao, era só uma gaveta e ela tinha uma velocidade equiparada a dele, não era difícil arrumar aquilo.
Depois de ajeitar a gaveta, fez uma careta olhando a cama. Era uma bagunça de lençóis, travesseiros, edredom e, claro, fios de cabelo, já que adorava pentear o cabelo em cima da cama - sentada, assistindo TV, com pernas de índio.
Ele catou o celular para mandar uma reclamação para ela:
[Clark]: Por favor, faça o favor de deixar o furacão em casa da próxima vez. – Anexou uma foto da cama.
[]: Pelo que me lembro, até hoje de manhã, você estava bem contente com o furacão 😏😂
Kent riu ao ler a resposta, porque aquilo era exatamente o que ele esperava dela, e ele gostava disso.

ωωω

- Está bem radiante ultimamente, não? – Donna mordeu a maçã, sem desviar os olhos da sobrinha.
- Sim, mas o que você tem a ver com isso? – rebateu prontamente, fazendo a mais velha rir.
- Nada, nada. – Balançou a cabeça e mordeu mais um pedaço da maçã. – Só fico pensando... – Terminou de mastigar. – O que Bruce acharia da razão dessa felicidade toda?
E, pronto, ela havia conseguido atenção completa e total da sobrinha que, constantemente, escolhia lhe ignorar.
- O que você quer dizer com isso, Troy? – se encostou contra a cadeira e cruzou os braços, em claro sinal de defesa.
Damian começou a olhar de uma para a outra, completamente confuso e assustado que uma briga fosse se desenrolar, ali, em pleno café da tarde.
- Nada. – Deu de ombros.
- Nada? – Semicerrou os olhos.
- É... Nada.
A Wayne respirou fundo algumas vezes, controlando o impulso de gritar e fazer a tia engolir aquela maçã de uma só vez.
- Se é nada, então pode voltar a tomar conta da sua vida, não?
- Claro, só que minha vida inclui meus ouvidos e meus ouvidos são bem apurados.
- E o que você quer dizer com isso? – Voltou a dizer.
- Ela quer dizer do Clark, . – Damian se intrometeu e a menina tossiu, sentindo o ar faltar.
- Quê? – Arregalou os olhos na direção do irmão e ele apenas deu de ombros.
- Não vou contar nada. – Acrescentou. – Mas, bem, eu reparei.
- Como?
- Leitura corporal. E ele só não deve ter reparado ainda porque acha que Clark nunca faria isso.
respirou audivelmente.
- E você? – Se virou de volta a tia.
- Super-audição. – Deu de ombros.
- E...?
- Posso não contar se você escolher parar de agir como uma vadia comigo.
- E você acha que me chantageando vai funcionar?
- É minha única carta na manga, gata. – Riu sem um pingo de culpa. – E você pode começar me contando como isso começou. – Tomou um gole do café em seguida, causando uma careta na sobrinha.

ωωω

A Wayne sentiu a garganta fechar quando recebeu uma mensagem do pai, mandando-a comparecer na sala de reuniões dos membros fundadores urgentemente.
A primeira coisa que passou por sua cabeça foi: ele descobriu.
A segunda era que, provavelmente, ele estava extinguindo Clark da face da Terra e chamando-a para que ela tivesse sua parcela de culpa.
Respirando fundo e se obrigando a parar de tremer, ela entrou na sala como uma modelo e disse:
- O que houve? Eu cobro por hora.
Entretanto, se arrependeu no mesmo instante, já que não havia cadeiras extras naquela sala, ou seja, ela seria obrigada a ficar de pé pelos próximos quarenta minutos escutando seus pais, tios e ficante discursarem.
Aparentemente, a A.R.G.U.S. não tinha dado um fim ao Projeto Cadmus, projeto de onde Kon tinha saído. E isso, claro, preocupava a Liga, visto que o Projeto tinha sido criado para uma possível situação onde a Liga da Justiça se rebelasse e a América pudesse revidar e não acabar caindo em desgraça.
revirava os olhos toda vez que pensava, ou escutava, aquilo. Só mais uma desculpa dos Estados Unidos para criar armas e aumentar seu poderio.
Não sendo o bastante, o Projeto estava colaborando para a guerra civil de Kaznia perdurar.
- Eu achava até válido a gente se rebelar mesmo e acabar com a América. – Comentou com os olhos quase saltando para fora das órbitas de tanto que ela os revirava.
Shayera riu.
- Vocês criaram essa menina tão bem. – Averiguou e estendeu a mão para fazer um high-five com a sobrinha.
- Sem distrações, . – A voz grossa de Bruce soou, fazendo-a revirar os olhos mais uma vez. – Nós vamos precisar que você e o Clark se infiltrem nas instalações deles em Kaznia.
Dessa vez a menina arregalou os olhos.
- Eu?
- Você não quer? – Diana perguntou confusa.
- Claro que quero, mas isso é, no mínimo, inesperado.
- Estratégia. Vocês vão começar na Grécia, depois Albânia e vão em direção a Croácia. – Shayera explicou. – Kaznia fica no meio do caminho, então vamos esperar que eles entendam somente que a patricinha de Gotham estava viajando com o namorado que resolveu fazer uma matéria sobre a guerra na Kaznia.
tossiu.
- Namorado?
- É só um disfarce. – Diana interferiu rapidamente ao ver J'onn olhando de para Clark a todo instante.
Droga de telepatia. J’onn arqueou as sobrancelhas para ela.
- Clark sabe as demais variáveis e pode passar para você no caminho. – Bruce voltou a falar. – Alguma dúvida?
balançou a cabeça de um lado para o outro rapidamente.
- Ótimo. – Mostrou um leve sorriso. – Liberada. Tenha juízo. – Aconselhou e ouviu risadas ao redor da mesa.

(...)

Para que ninguém desconfiasse, e Clark foram para Grécia como qualquer pessoa iria: avião. De mãos dadas e com Clark carregando suas malas, se atrevia a dar uns beijinhos na bochecha do homem para, segundo ela, completar o disfarce.
Depois de um voo de treze horas, chegaram ao primeiro destino.
Bruce havia alugado um apartamento para os dois em cada país que eles iriam. Todos os apartamentos com dois quartos, assim eles poderiam ter privacidade, segundo ele; mal sabendo que o que o casal menos precisava era de privacidade contra o outro.
suspirou quando chegou no apartamento, super lindo e arrumado.
- Meu pai é exagerado.
- Como se você não gostasse do exagero. – Clark implicou cutucando as costelas dela.
A garota caminhou até o quarto sendo seguida por Clark, que ainda carregava as malas. Tanto as dele, quanto as dela, o que fê-lo agraciar alguma piadinha sobre não estar recebendo para tal. Piada, esta, que replicou dizendo que o pagaria com um boquete no fim do dia; claro que isto deixou o homem de aço corado e sem palavras, mais uma vez, fazendo-a rir.
- Eu gostei dessa cama. – sorriu assim que abriu a porta do segundo quarto. – Deixa as malas no canto, vamos ficar nesse.
- Achei que seu pai tinha dito para ficarmos em quartos separados. – Clark brincou, com um sorriso ladino, sentando-se na cama e tirando os sapatos.
- A gaveta que você separou para mim no seu apartamento prova que você não liga a mínima para o que o Bruce Wayne fala. – Rebateu enquanto se olhava no espelho.
- Isso não é verdade, . – A voz de Clark soou sentida.
Pelo espelho, ela viu a sombra que passou pelos olhos dele. A culpa de estar fazendo o que estava.
Mesmo que adorasse ficar com , com toda sua irreverência, carinho e jovialidade, odiava trair a confiança do amigo desse jeito. Era um terrível paradoxo.
- Desculpa. – Ela sussurrou caminhando em direção a ele. Se curvou um pouco para dar um beijo em seus lábios e sorriu. – Tira para mim, por favor. – Virou mostrando o zíper nas costas do vestido que ela usava.
Clark suspirou quando o vestido escorregou do corpo dela.
Por Deus, era linda!
- A gente veio na melhor época, sabia? – comentou enquanto se abaixava na sua mala para procurar uma roupa confortável.
- Por quê? – Perguntou, mesmo que não prestasse muita atenção, já que a bunda dela estava empinada em sua direção.
- É primavera, época que podemos aproveitar o melhor da Grécia. Vamos pegar tanto o friozinho quanto os dias ensolarados. – Parou de falar enquanto se levantava. – E o melhor é que é baixa temporada, então não vai ter muita gente.
- Sabe que estamos em missão, né?
Ela revirou os olhos.
- Claro, Kent. Isso não nos impede de curtir um pouco. Ficaremos aqui por quase uma semana e Cadmus não está aqui. – Cruzou os braços já de frente para ele.
- Ok, senhora mandona. – Riu.
- Amanhã, provavelmente, vou ao Olimpo. – Disse enquanto entrava na suíte. – Quer ir comigo? – Aumentou um pouco o tom de voz para ele lhe escutar.
- Não, obrigado. Não me dou muito bem com seus parentes. – Respondeu e escutou a risada dela em seguida.
- Eles podem ser bem chatos. Eu entendo.
- Não é um pouco longe? Daqui até o Olimpo? – Perguntou confuso, já que estavam em Santorini. – Seria melhor deixar para ir no caminho para Albânia.
- Um pouco, mas se eu não for amanhã, vou enrolar, não irei e meus tios hão de me matar.
Clark assentiu ainda que ela não pudesse ver.
- E hoje, madame? O que iremos fazer?
- Ficar em casa. Estou cansada. – Choramingou.
- Vai fazer o jantar? – Perguntou debochado sabendo que ela não sabia cozinhar.
- Já até reservei restaurantes para os próximos cinco dias. – Respondeu, fazendo-o gargalhar.

(...)

Clark riu pelo nariz quando chegaram ao restaurante que tinha reservado. Ela reclamava do exagero de Bruce, mas era simplesmente igualzinha a ele.
O restaurante, porém, era realmente delicioso, desde a comida ao ambiente. E eles se permitiram demorar no local, desfrutando do bom lugar e da companhia um do outro, voltando para casa já quase meia-noite, onde dormiram de conchinha - coisa que a garota jamais contaria a alguém.
No dia seguinte, a heroína acordou cedinho para ir ao Olimpo. O questionamento quanto aquilo ser uma boa ideia, devido aos últimos acontecimentos, era algo constante em sua cabeça, entretanto ali estava ela, de frente aos portões dourados sendo recebida por Atena.
- Oi, querida. – Deu um beijo em sua bochecha.
- Oi, tia Atena. Tudo bem?
- Tudo. A que devemos a grandiosa visita?
sorriu largamente. Atena era realmente um amor de pessoa.
- Nada demais. Estou pela Grécia e tenho certeza que se alguns tios descobrissem que estava por aqui e não os visitei... – Fez uma careta e passou o dedo pelo pescoço.
Atena assentiu em compreensão.
- Você estava na boca de alguns aqui ultimamente. – Falou, fazendo a menina revirar os olhos.
- Eu imagino. Sabe onde está a parte da família que gosta de mim? – Perguntou, causando o riso na mais velha.
- Eros está logo na entrada do Templo. – Apontou e a menina assentiu.
- Obrigada. – Disse, dando um beijo em sua bochecha para se despedir.
No caminho para encontrar com o primo, filho de Afrodite, que era irmã de sua mãe, foi parada por um leve puxão no braço.
- ! Quanto tempo! Como você está? – Hera pareceu sorridente demais e ela revirou os olhos.
Aquilo era típico da deusa... A falsidade descabida para conseguir o que queria. Hera, agora, sabia que conhecia o paradeiro de Zeus, assim como também tinha ciência de que Zeus prezava pela menina, então, mesmo que no passado a tenha desprezado por ser filha de Diana - assim como a desprezava por ser filha de Hipólita -, por conta dos últimos acontecimentos, ela lhe trataria como se fosse sua própria neta.
- Eu não irei falar, Hera. – Tirou a mão dela de seu braço e continuou a andar.
- Não vai me falar como está? – Se fez de desentendida, seguindo a menina. – Sou quase sua avó, .
- Oh, não! – riu desacreditada. – Você não tem nada de minha avó. Meus avós são Martha e Thomas Wayne, infelizmente falecidos, Hipólita e Zeus, cujo paradeiro não revelarei.
- Zeus é meu marido, !
- Avisa isso a ele então, porque o mesmo parece não se lembrar. – Debochou.
se apressou em sair de perto da mulher, não estava no clima para pessoas tóxicas, e terminou seu caminho para a entrada do Templo, onde encontrou Eros com Artemis.
- Oi, primo. – Jogou o braço pelos ombros dele.
- ! A que devo a desonra? – A olhou pelo canto dos olhos e a menina riu.
- Não adianta negar. Eu sei que você me ama. – Disse para ele enquanto o soltava para falar com a tia. – Oi, tia.
- Oi, minha sobrinha. – Sorriu saudosa. – Novidades?
- Estou aqui para visitar, não para falar de Zeus. – Respondeu antes que a pergunta surgisse.
- É melhor andar com uma placa sobre isso então. – Eros riu. – Está diferente. – Olhou a prima de cima a baixo.
- Estou?
Ele assentiu.
- Está apaixonada.
- Mm... Acho que não. – Riu.
- Não foi uma pergunta, .
Ela piscou algumas vezes.
- Ah pronto.
- Olhos brilhando... – Segurou no queixo dela. – Pele sem marca de expressão, o riso frouxo e o fato de que você não meteu a mão na cara de Hera indicam que, sim, você está apaixonada.
- E quem é você para dizer isso? – Cruzou os braços emburrada.
- O deus do amor e do desejo?! – Respondeu como se fosse óbvio, fazendo Artemis rir e a heroína revirar os olhos. – O antecessor e sucessor da paixão.
revirou os olhos mais uma vez e fez uma careta debochada ao primo, deixando claro que não comprava o que ele estava falando.
- Se Anteros estivesse aqui, com certeza, teria alguma coisa para falar sobre o seu cheiro. – Continuou.
- Não estou apaixonada, Eros. Por Zeus!
- Calma. – Ele riu. As pessoas geralmente não gostavam de saber que estavam apaixonadas caso não tivessem percebido isso ainda. – Desculpa avisar antes de você perceber. – Deu de ombros.
- Não se preocupe, . – Artemis se intrometeu. – Paixão não é amor e pode ocorrer pelas coisas mais triviais possíveis.
Eros balançou a cabeça, concordando com a fala da tia.
- Pode ser até pela sua fase de heroína.
- Mas pode ser por alguém também. – O deus acrescentou com um sorriso malicioso e lhe deu um tapa na testa. – Porém... Contanto que não alimente, vai continuar na vida boêmia que tanto gosta. – Retribuiu o tapa de antes.
- Eu soube que sua mãe veio abrir mão da imortalidade, . – Artemis mudou de assunto ao perceber que a menina não estava confortável.
assentiu com um sorriso.
- As coisas que fazemos por amor.
- Ou paixão. – Eros ressaltou.
- Cala a droga da sua boca ou eu te frito. – anunciou levantando uma das mãos para o alto e fazendo um grande estrondo se ouvir.
Eros levantou as mãos, se rendendo enquanto ria.
- Já sabe controlar? – Perguntou curioso.
- Um pouco. Fui à Temiscira por dois dias para que minha vó e minhas tias me ajudassem. Mamãe também ficou por lá.
- É verdade que a minha sobrinha preferida está aqui? – A voz de Hermes soou atrás da menina e ela riu.
- Não, não é. Volte aos papiros.
- Que desdém com seu querido tio. – Se fez de coitado, fazendo-a girar os olhos nas órbitas. – Quando terminar de falar com a parte chata da família, vá até a sala de papiros, preciso falar com você. – Deu um beijo na bochecha dela que assentiu.
não falou com muitos deuses, afinal não eram muitos os que gostavam dela ali e não estava disposta a fazer amizade com quem só queria saber onde Zeus estava.
Não iria contar e ponto final.
Não era obrigação dela e não era o segredo dela.
Depois de falar com Hefesto, caminhou até a sala de papiros para encontrar-se com Hermes novamente.
- Fala, velocista original. – Cortejou com um sorriso ladino, parada à porta da sala.
Hermes riu.
- E é por isso que você é minha sobrinha preferida.
- Falso. – Sentou-se frente a ele. – O que você quer?
- Você sabe.
- E você sabe que não irei falar.
- ... – O tio choramingou.
- Não seja um bebê. Ele não quer ser encontrado e eu respeito a escolha. Não contarei.
- Por que ele foi até você então?
- Porque viu que eu não estava muito bem. Provavelmente. – Pareceu pensar. – Eu não sei ao certo. – Deu de ombros e o deus assentiu.
- Olimpo está louco, . – Suspirou, esfregando a testa. – Poseidon, Hades, Hélio... Todos atrás do trono. Se antes eles estavam tentando alcançá-lo aos poucos, agora, com a chance de Zeus retornar, estão metendo o carro na frente dos bois.
- Sinto muito, Hermes, mas realmente não posso ajudar. – Repetiu e o tio assentiu, mesmo que contrariado.

(...)

- Como foi lá? – Kent perguntou quando a morena chegou e se jogou em seu colo.
suspirou dramaticamente e revirou os olhos.
- Uma verdadeira merda e não quero falar sobre isso. – Fez um bico.
Tudo que havia escutado naquele dia, principalmente vindo de Eros, ainda rodava sua cabeça, batendo pelos cantos como um martelo.
- Tudo bem. – Deu de ombros e segurou o queixo dela para beijá-la.
Foi a vez de Kent suspirar, mas por razões totalmente diferentes; beijar parecia tão certo e confortável que chegava a ser errado.
A garota enroscou os braços ao redor do pescoço dele e se endireitou para aprofundar ainda mais o beijo, sorrindo com o lábio preso entredentes quando Clark desceu a boca para o seu pescoço.
- Eu poderia ficar aqui o dia inteiro. – Despejou junto de um som de puro prazer.
- E o que te impede? – O kryptoniano deixou de beijá-la para olhar em seus olhos.
- Nadinha. – Se esticou para beijá-lo de novo.


Continua...



Nota da autora:Walcyr Carrasco corre aqui!!!! Oooi... Turubom?
É, voltei.
Mais ou menos, eu sei.
Pensa numas coisas que tavam dando errada, mas errada meeessmo... Era a vida dessa pessoa aqui.
Minha intenção era só liberar essas cenas reescritas/novas com capítulos novos, mas passou tempo demais e eu desisti de fazer isso.
Me contem o que acharam, gritem comigo se for necessário 😂 e não se esqueçam, vocês me acham lá no instagram: https://instagram.com/blouistories onde eu também posto dreamcast, curiosidades, roupas do capítulo etc.



Outras Fanfics:

AICS [Long – Andamento]
Burned [Short – Finalizada – Esportistas]
06. Rainbow [Short – Finalizada – Ficstape Jessie J]
Amor é Acidente [Short – Finalizada – Original]
03. Abandonado [Short – Finalizada – Ficstape Exaltasamba]
Gun and Blues [Short – Finalizada – Esportistas]

Qualquer erro nessa fanfic ou reclamações, somente no e-mail.


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