Última atualização: 25/05/2019
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Prólogo

Janeiro de 1998

Diana podia jurar que tinha um ímã para homens corajosos demais para seu próprio tamanho. Em seus muitos anos de vida, ela já tinha se deparado com alguns desses espécimes. Poucos, porém, chamavam sua atenção verdadeiramente, a ponto de fazê-la interferir na situação. Na verdade, até o momento, Steve Trevor tinha sido o único.
Em uma de suas andanças pela cidade que estava hospedada no momento, se deparou com um jovem que tentou defender um senhor de idade de ser roubado na madrugada. O tal jovem até conseguiu dar tempo para o senhor se livrar e correr, no entanto, por conta disso, apanhou dos três caras que tentavam roubar o senhor.
Tentou simplesmente deixar pra lá e seguir em frente, mas, antes que pudesse perceber, já tinha ido ao resgate do homem, afastando os babacas com alguns socos e levando o jovem para longe dali. Carregou-o sem dificuldade, mesmo que esse já estivesse quase inconsciente, até o hotel onde se encontrava hospedada. Subiu pelas escadas devagar e o levou pelo corredor até o seu quarto, colocando-o na cama ao entrar neste.
Respirou fundo, reparando que o rosto do jovem tinha alguns machucados mais profundos, pegou a caixa de primeiros socorros em um dos armários e começou a passar a gaze com álcool nos machucados dele. Mesmo desacordado, ele fez uma careta enquanto sentia ela tocar em seus machucados. Depois fez um curativo nos machucados mais profundos e o ajeitou na cama para fazê-lo descansar, enquanto a mesma se deitava no sofá.
Tamborilava os dedos sobre a barriga e o olhava de cinco em cinco segundos para checar se ele pelo menos respirava ainda. Suspirou mais uma vez naquela noite, se levantando e indo checar a temperatura do homem. Aproveitou para observar suas feições... ele era bonito, bem bonito, e, com certeza, não era tão velho, deveria estar por volta de seus vinte e um anos. Buscou uma toalha e a molhou, já que tinha sentindo-o um pouco quente.
Se deitou novamente apenas após entender que já tinha feito tudo que estava em seu alcance. Sentiu a cabeça pesar, estava preocupada com uma pessoa que nunca tinha visto antes, se sentiu exausta só por pensar nisso - a última vez que tinha se importado assim com um homem não tinha acabado bem - e acabou caindo no sono.
Acordou na manhã seguinte assustada com a tosse do homem que tentava se levantar da cama.
- Você não deveria fazer esforço. – Avisou, ainda deitada, e o fez virar a atenção para si.
- Quem é você? – Enrugou a testa a olhando por alguns segundos, mas voltou a tentar se levantar.
- Sua heroína. – Caminhou rapidamente até a cama que ele se encontrava para colocá-lo deitado. – Eu disse que não deveria levantar!
- Deveria, não deve. – Ela deu uma longa inspirada buscando paciência e aproveitou para reparar os curativos dele. Precisavam ser trocados.
- Tome um banho, vou encher a banheira para você e mandar o hosting do hotel trazer roupas. – Disse caminhando até o banheiro do quarto.
- Achei que deveria ficar deitado.
- Por Hera, – Parou no meio do caminho. – Quer me irritar?
Ele riu pelo nariz, por algum motivo gostou da expressão que ela fazia quando ficava impaciente. A mulher continuou o seu caminho até o banheiro, ligou a torneira da banheira e foi em direção ao telefone para falar com o funcionário do hotel.
- Você sabe quanto eu visto? – O homem perguntou depois de um tempo, já acomodado na banheira.
- Eu tenho um bom olho. – Ela respondeu, deitada na cama aguardando-o terminar.
Ele não demorou muito, apenas o tempo de se banhar e relaxar um pouco os músculos, saiu com a toalha enrolada no quadril, com o tórax descoberto. Apesar de não ser musculoso, ele tinha definição o suficiente para fazer com que Diana o admirasse por um instante ou dois enquanto mordia o lábio inferior.
- Onde estão as roupas? – Indagou sem reparar que a mulher lhe olhava, estava mais concentrado nas dores que sentia.
- O que? – Respondeu confusa e recobrando a atenção.
- As roupas!
- Ah! Sim! – Se levantou rapidamente. – Aqui. – Entregou.
O jovem voltou ao banheiro e colocou sua nova muda de roupa. Retornou ao quarto, em seguida, já obedecendo as ordens da mulher que lhe mandou sentar-se a cama para cuidar de seus machucados.
- Você tem esse costume de trazer homens machucados para sua casa? – Perguntou com um tom de riso, o que não era muito típico dele.
Diana parou um instante para observá-lo. Estava de joelhos em cima da cama, na frente dele, que estava sentado com as pernas cruzadas em índio.
- E você? Tem o costume de apanhar pelas ruas? – Respondeu petulante e voltou a tratar seus machucados.
Ele sorriu e não falou mais nada pelo resto do tempo em que ela cuidava dele.
- O gato comeu a sua língua? – Perguntou assim que terminou.
No pouco tempo que ele estava acordado, já tinha se mostrado muito falante.
- Sou um homem de poucas palavras.
- Hm... E esse homem de poucas palavras tem nome? – Sentou-se de frente para ele, ainda na cama.
Ele piscou algumas vezes confuso, e respondeu:
- Bruce.
- Bruce o que? – Continuou olhando-o compenetrada e ele juntou as sobrancelhas.
- Você nã... Não importa.
- O Bruce é um pouco misterioso, não é? – Ela debochou e ele riu pelo nariz. – O que você pensou que estava fazendo ao entrar numa briga, sozinho, na madrugada? – Ele passou a língua pelos lábios e riu mais uma vez. Aquela mulher tinha alguma coisa diferente.
- Eu não estava arrumando briga, eu estav... – Ela o interrompeu.
- Defendendo o senhor que estava sendo roubado. Eu vi. – Disse como se fosse óbvio. – Mas você não é tão forte como imagina, por que não chamou a polícia?
- Porque a polícia não funciona. Até ela chegar... o senhor já estaria sem seus pertences ou até mesmo morto. Eu preferia ir no lugar dele. – Ela piscou algumas vezes e engoliu o seco. Ele lembrava tanto Steve.
- Não teme pela sua vida? – Estudava cada parte de seu rosto.
- Não. – Foi simples. – Eu... – Se levantou da cama. – Você pode chamar um táxi para mim? – Diana enrugou a testa.
- Como?
- Eu preciso ir.
- Eu não vou te deixar ir nesse estado. Tenho certeza que não está bem e tenho certeza que não é o tipo de homem que se cuida e vai ao médico. – Ele suspirou.
- É cárcere? – Perguntou e pela primeira vez não estava com o sorriso, que ela o fazia ter, no rosto.
- É pagamento pelo trabalho e susto que me deu. Só sai depois de me dar a certeza que está bem. – Ela aumentou um pouco o tom de voz e, com seu jeito petulante de ser, o fez ficar.


E foi essa a situação que a fez, alguns meses depois, se descobrir grávida. Tinha ficado pouco tempo com o homem, apenas alguns dias que não chegaram a completar nem um mês, mas acabou se redescobrindo depois daquilo, principalmente pela parte de ser mãe.
Infelizmente, apesar de ser ótimo como pessoa e ajudar as pessoas, Bruce não era um bom amante. Não em relação ao sexo, o sexo era maravilhoso, mas Bruce não conseguia se conectar de verdade. Diana entendia isso, ele tinha seus demônios, assim como ela também tinha os dela. Ele tinha sido honesto, no entanto, desde o primeiro instante, quando percebeu que estavam se envolvendo - antes mesmo do primeiro beijo -, ele lhe contou que não era um cara para namorar; não contou o motivo, mas deu a entender que as circunstâncias da vida causavam isso.
Mas apesar de Bruce dizer uma coisa, suas atitudes diziam outra e Diana nunca se sentiu tão bem e em paz como se sentiu com ele.

- Quantos anos você tem? – Ela perguntou um pouco assustada, a voz um pouco mais alta por conta disso. Ele riu.
Tinha acabado de elogiá-lo por ser um ótimo parceiro na cama e brincou que, com certeza, ele tinha treinado bastante, mas Bruce tinha lhe respondido um: "não muito" com uma cara bem culpada.
- Eu posso ser presa? – Abriu a boca se fazendo de chocada e dando um tapa no ombro dele. Ele riu novamente, o riso com ela realmente se soltava fácil.
- Dependendo do estado. – A amazona abriu a boca realmente chocada dessa vez.
- Tem menos de 21? – Se deitou de lado, observando as expressões do parceiro.
- 19? – Respondeu em uma falsa dúvida fazendo uma careta. Diana gargalhou incrédula.
- Meu Deus! Eu vou me entregar a polícia.
- Quantos anos você tem? – Finalmente devolveu a pergunta e foi a vez da mulher fazer a careta.
- Alguns.
- Alguns quantos?
- Não importa.
- Tão velha assim? – Ele zombou.
- Você nem imagina...


Ele, de verdade, não imaginava.

A amazona se viu perdida quando descobriu a notícia de que estava grávida.
Grávida!
Grávida e sozinha!
Diana sempre tinha sido auto suficiente, mas ela não sabia nada sobre criar uma criança e temeu, por ela e pela criança em seu ventre.
Procurou por Bruce em todos os lugares, ela não sabia seu sobrenome, mas tinha contatos e acabou por descobrir quem era o jovem que tinha lhe tirado algumas noites de sono e, ademais, lhe deixado grávida. Bruce Wayne. Este, entretanto, havia desaparecido, desde dias depois que ficaram juntos. Aparentemente, depois que ele foi embora, ninguém mais teve notícias dele e o jovem já tinha sido dado como morto.
Como em poucas ocasiões na sua vida, Diana chorou. Chorou por não saber o que tinha acontecido com Bruce. Chorou por não saber o que iria acontecer com ela. Chorou por estar sozinha e nessa situação. E, então, buscou refúgio no único lugar que poderia... Temiscira.


Dezembro de 2002

Ela já havia voltado de Temiscira há dois anos. Permaneceu lá durante toda sua gravidez e durante os dois primeiros anos de vida de sua filha, . - que agora tinha quatro anos -, decidiu que valia a pena voltar para o mundo de Bruce Wayne. Mesmo que ele não estivesse mais nele, valia a pena tentar criar um mundo melhor, por ele e por sua filha, do jeito que ele tentava com suas pequenas ações.
Estava arrumando a casa, enquanto pintava alguns desenhos sentada no chão da sala, quando escutou a notícia na TV:
- Depois de desaparecer por cinco anos e ser dado como morto, Bruce Wayne reaparece e diz que pretende fazer de Gotham uma cidade melhor através da Wayne Enterprises.
Diana deixou o vaso de flores escorregar da sua mão e se espatifar no chão, olhando paralisada para a televisão da sala.
- O que foi, mamãe? – perguntou assustada. – Mamãe? – Chamou novamente, mas a mulher não se mexia.
Se levantou preocupada e caminhou até a mãe, mas, antes que pudesse alcançá-la, pisou em um pedaço de vidro do vaso que tinha escorregado da mão de Diana.
- Ai. – Disse já com lágrimas nos olhos e a voz chorosa, foi só então que Diana acordou de seu transe.
- O que houve, minha filha? – A pegou no colo imediatamente. Sentou-a sobre a mesa e examinou seu pé, graças aos deuses era algo superficial. – Já não lhe disse para não chegar perto de vidro?
- Eu estava nervosa. Você não falava. – Se desculpou em meio às lágrimas e Diana se sentiu culpada.
- Sinto muito, meu amor. – Passou as mãos em seu rostinho. – Eu vou pegar o band-aid. – Falou já caminhando em direção a cozinha. – Não saia daí. – A menina assentiu com a cabeça, já balançando os pezinhos e se esquecendo da dor.
Diana voltou com a caixinha de primeiros socorros e limpou o machucado da filha, apesar da menina ter um pouco de seus genes e não se machucar, ou adoecer facilmente, Diana era super preocupada com a filha. era seu bem maior.
- O que aconteceu com você? – perguntou novamente. Nunca tinha visto a mãe daquele jeito.
- Seu pai. – Diana respondeu em um fio de voz.
Ela sempre tinha sido super sincera com a filha, que sempre fora esperta assim como ela em sua juventude, então não tinha motivos para mentir agora.
- O que tem ele? – Olhou curiosa para o rosto da mãe.
- Acho que ele está vivo. – Respondeu olhando no fundo dos olhos da filha. – Mas isso não significa que vamos falar com ele.
- Por que?
- Não falo com ele há anos. Não sei o que aconteceu, não sei se ainda é o homem pelo qual me apaixonei. – Diana suspirou.
- Você me deixa ir junto? Quando você for falar com ele... – A mais nova fez um bico e Diana sorriu assentindo.
Não foi difícil para a amazona conseguir um horário na agenda do Wayne, ela sempre fora uma mulher esperta e que sabia o que fazer.
Na semana seguinte, se encontrava caminhando até a sala dele com a filha em seu encalço.
- Senhorita Prince. – Ele comentou assim que ela abriu a porta sem olhar para ela.
- Oi, Bruce. – Ela respondeu controlando a voz.
Bruce levantou a cabeça rapidamente, reconheceria aquela voz em qualquer lugar. Piscou algumas vezes observando a mulher.
- Diana? – Se levantou e ela deu um leve sorriso.
- Aonde você estava, Bruce? – Os olhos dela se encheram de lágrimas. O homem travou no lugar, sem saber como agir. – Eu te procurei em cada canto dessa Terra, mas tudo que eu encontrava era a mesma coisa... Bruce Wayne estava morto.
Bruce continuava parado. Perdido. Ela não tinha mudado nada. Continuava a mesma bela mulher que quase tinha feito ele desistir de tudo no passado. E agora estava ali, na sua frente, chorando.
- Por Hera, Bruce, fale alguma coisa.
O homem só saiu de seu transe, e parou de olhar para o rosto da amazona, quando ouviu alguém tossir, olhou pela sala procurando de onde vinha o som e reparou na mini figura ao lado de Diana, segurando em suas pernas. Enrugou a sobrancelha observando os traços da menina, ela tinha pequenos cachos na ponta dos cabelos, assim como Diana, os olhos, porém, poderiam muito bem ser descritos como iguais aos de Martha, sua mãe, duas bolas verdes e expressivas.
Bruce congelou novamente, dessa vez, olhando a menina, sentiu o coração bater mais rápido e a respiração ficar irregular. Piscou algumas vezes tentando se concentrar, mas perdeu seu foco mais uma vez quando a menina lhe ofereceu um sorriso perfeito, assim como os que Diana lhe sorria, e o homem desmontou por alguns instantes. A mais velha da sala, obviamente, reparou suas expressões um pouco preocupada, mas mandou a própria tensão embora quando o viu dar um indício de sorriso para a criança.
- Esta é . – Diana falou. – É nossa filha. Vou entender se não acreditar ou... – Ele a interrompeu.
- Eu jamais duvidaria de você, Diana. – Ela assentiu e finalmente caminhou para perto dele.
- Já não é mais um adolescente, não é? – Ela deu um sorriso, enquanto fazia um carinho no rosto dele. E ele se permitiu sorrir junto dela. – Onde você se meteu? – Bruce leu a preocupação nos olhos dela.
- Não importa mais.
- Como não importa, Bruce? – Ela se afastou dele, passando as mãos pelos cabelos e parando de costas. – Tem ideia de como foi difícil para mim, grávida, achar que você estava morto? – Se virou de frente para ele de novo.
Bruce respirou fundo, não sabia o que falar ou como agir, nunca pensou que iria passar por isso, por mais que em seu âmago almejasse uma família, se julgava incapaz de conseguir isso. Mas agora ele era pai. Observou a garotinha andar pelo escritório bisbilhotando tudo, completamente curiosa, ele se lembrava de ser assim quando pequeno, perguntando a mãe o porquê de tudo. E então quando ele menos esperava, ela correu em sua direção pulando em seu colo.
- Oi. – Disse olhando nos olhos dele.
- Oi. – Se forçou a responder depois de alguns segundos. Não queria ser um babaca com a filha.
- Ah! Você fala? – Diana o cutucou.
- Diana, por favor. – Ela revirou os olhos.
- Vamos, . – Chamou pela filha se encaminhando em direção a porta.
- Diana! – Chamou um pouco exasperado, ainda com a filha no colo.
- O que é, Bruce? – Parou no meio do caminho.
- Podemos conversar sobre isso depois? Com calma. Por favor. – Ela suspirou. Quando se tratava de Bruce, a mulher era só suspiros, seja de impaciência ou de prazer.
- Tudo bem. – Cedeu, mesmo que frustrada. – . – Chamou novamente.
A menina desceu do colo do pai, mas não sem lhe dar um beijo estalado e um abraço, que acabou sendo muito bem retribuído pelo homem. Ele a apertou forte em um abraço, dando um beijo em sua testa em seguida.
- Diana. – Chamou quando ela já estava abrindo a porta da sala, a mulher parou para olhá-lo. – Vou vê-la novamente, certo? – Olhou para a filha e Diana não conseguiu não sorrir.
- Claro, Bruce. Vou deixar meu contato com a sua secretária.


Capítulo 1

Abril de 2004

O início não foi fácil, Bruce não fazia ideia de como agir ao redor da garota, do que fazer para se dar bem com ela ou agradá-la, mas era uma criança esperta e suas atitudes falavam por si só. Não demorou muito para as coisas se ajeitarem e Bruce passar a ser chamado de papai. E, céus, como ele adorava ouvir aquilo. Adorava ver a garotinha correndo pela casa, fazendo bagunça. , assim como Diana, tinha o homem nas mãos.
- Você vai fazer panquecas hoje, papaizinho? – perguntou, sentada na bancada da cozinha da mansão Wayne.
Bruce olhou para ela e sorriu. Depois que ele havia contado que sabia fazer panquecas, porque tinha aprendido com sua mãe, a menina lhe pedia panquecas todo café da manhã. Se pôs na frente dela, apoiando os cotovelos na bancada, com a menina entre eles, e falou:
- Vou. – Era uma resposta simples, mas o sorriso que a acompanhava fazia o coração da menina se encher de felicidade. Ela amava o papaizinho desde o primeiro momento que o viu.
O amor das meninas Prince pelo príncipe de Gotham, Wayne, era tão puro e real, assim como o amor dele para com elas.
Diana chegou para buscar a menina menos de uma hora depois e aproveitou para comer as famosas panquecas junto com a filha. Eles ainda não haviam confirmado como ficaria a guarda da garota, mas, por hora, decidiram que ela passaria os finais de semana com Bruce - mais os dias da semana que ele estivesse livre.
- Não está atrasado para o trabalho? – Diana perguntou, ainda terminando de comer as panquecas.
- Um pouco, mas tenho coisas mais importantes em casa. – Passou as mãos pelos cabelos de e a menina lhe sorriu.
Pegou o paletó e vestiu, saindo da cozinha. Diana já tinha percebido que ele a evitava e ele sabia disso, mas não podia fazer muito... A mulher era cheia de perguntas que ele não podia responder e ele não sabia não ser transparente para ela. A única forma que tinha de encobrir quem era, era evitando-a, mesmo que isso não lhe agradasse.
- Quer que eu deixe vocês na escola da ? – Ele perguntou da sala.
- Não precisa. Combinei de sair com um amigo, ele vai passar aqui para nos buscar e nós aproveitamos para deixá-la na escola. – Bruce voltou para a cozinha imediatamente. – Você já está atrasado e sem tempo. – Sorriu cínica.
- Um amigo? – Perguntou um pouco mais incomodado do que gostaria de estar.
- Sim. – Recebeu uma mensagem no celular logo após responder. – É ele. – Sorriu para o homem novamente. – Nos vemos no próximo fim de semana. – Ajudou a filha a descer da bancada e caminhou com ela, deixando Bruce para trás.
- Estarei livre já na quinta.
- Então nos vemos na quinta. – Respondeu sem olhar para trás. – Tchau, Bruce.
Bruce respirou fundo revirando os olhos e, ignorando o olhar acusatório de Alfred, saiu para o trabalho.

ωωω


- Liga para ele. – pediu impaciente com a demora do pai.
- Espera, minha filha. – Pegou o telefone e discou o número de Bruce, porém ninguém atendeu. – Ele não atende. Deve estar ocupado.
- Mas ele está atrasado. Liga pro trabalho dele. – A menina apontou o telefone com a mão e Diana revirou os olhos.
Para a felicidade de Diana e de Bruce, tinha se adaptado rapidamente ao pai e ficado extremamente apegada a ele.
A amazona tentou de novo, dessa vez com o número da secretária dele, em poucos instantes foi atendida.
- Giovanna, é Diana. – Falou assim que a mulher atendeu.
- Ah! Oi, senhorita Prince.
- Bruce está por aí?
- Não, já saiu. Posso te ajudar com alguma coisa?
- Não. Apenas isso. Obrigada.
- Não há de que.
Diana colocou o telefone acima da mesa e se sentou no sofá, ao lado da filha, enquanto ligava a televisão.
- Ele já saiu de lá. Já deve estar chegando. – Avisou e a menina assentiu um pouco inconformada.
Menos de uma hora depois, o homem se fez presente na casa, pedindo desculpas pela demora e recebendo um petulante: “que isso não se repita” de sua filha.
Diana se despediu deles e voltou ao sofá, dessa vez prestando atenção no noticiário, já que antes estava apenas tentando distrair a filha.
- Novamente o vigilante que as pessoas vêm chamando de Batman agiu e ajudou a polícia capturar dois assaltantes. – A repórter começou e Diana arqueou as sobrancelhas. Não era a primeira vez que ela ouvia falar desse Batman. – Mesmo sem imagens oficiais, algumas testemunhas afirmam já terem sido salvas por ele e alguns bandidos parecem aterrorizados.
A mulher piscou algumas vezes, ligando uns pontos em sua cabeça e se perguntando se aquela não seria uma ideia muito mirabolante. Ainda prestando atenção na notícia sobre o vigilante voltou a ligar para Giovanna, secretária de Bruce.
- Desculpa te importunar novamente, Gio, é que o Bruce não chegou aqui até agora e a está reclamando. Faz muito tempo que ele saiu?
- Ele saiu mais cedo hoje, senhorita Prince, por volta das quatro da tarde. Devo me preocupar?
- Não, não se preocupe. Vou ligar para o Alfred, ele deve saber.
Desligou e olhou o relógio. 21h13. Por que Bruce tinha demorado tanto para buscar a menina se tinha saído cedo?

- Seu rosto está machucado. – Diana passou a mão pelo machucado no canto da boca homem. – O que houve?
- Me cortei fazendo a barba.
- Estava fazendo a barba com uma espada? – Perguntou incrédula, já que o corte não era pequeno e estava bem magoado. Bruce riu.
- Não é para tanto.

Diana se virou para o homem nu ao seu lado e suspirou.
- O que foi?
- A gente, um dia, vai conversar sobre o que você fez no tempo que ficou longe? – Passou a mão por algumas cicatrizes em seu dorso e foi a vez dele de suspirar, tirando a mão dela dali.
- Não é importante, Diana.
- Essas cicatrizes não fazem parecer que foi alguma coisa sem importância. – Ela ia recomeçar, mas, bom, pelo menos em momentos como aquele, ele sabia o que fazer para distraí-la.

- Alô, Alfred? – Indagou assim que os toques pararam.
- Sim, senhorita Prince. Algum problema?
- Bruce está? Não estou conseguindo falar com ele. – O homem do outro lado da linha hesitou por um instante.
- Patrão Bruce precisou fazer uma viagem de emergência.
- Quando ele volta?
- Infelizmente não sei, senhorita.

Essa viagem não tinha acontecido na mesma época que o Batman perseguiu um vilão até Metrópolis? Se lembrou da despedida deles, há anos atrás, quando ele disse ter necessidade de ser a mudança que Gotham City precisava.
Determinada a descobrir a verdade, caminhou até seu quarto e, no fundo do closet, apanhou pela caixa que colocou dentro da bolsa. Desceu para garagem do prédio e entrou no carro, que raramente usava, à caminho da mansão Wayne. Não demorou muito para chegar ao seu destino e logo foi liberada para entrar no local.
Estacionou o carro, tirou a caixa de dentro da bolsa e entrou na mansão, já sendo recepcionada por Bruce e - que comia uma barrinha de chocolate.
- Aconteceu alguma coisa? – Fechou a porta atrás dela.
- Você é o Batman? – Foi direta.
Bruce abriu a boca por um instante, mas logo tratou de rir e secou até algumas falsas lágrimas no canto dos olhos.
- Batman, Diana? – Riu pelo nariz. – Batman é só uma historinha que a máfia usa para assustar outros criminosos e desencorajar a concorrência. – Diana revirou os olhos para o que ela julgava ser o teatrinho do homem.
Impaciente, ela abriu a caixa que segurava abaixo do braço e abriu, retirando o que tinha dentro. Ouviu , que estava sentada no sofá, soltar um: “oh-oh”. E, sem esperar a reação da parte dele, o laçou.
- Você é o Batman? – Perguntou novamente.
Antes que Bruce pudesse sentir, a resposta saltou de sua boca:
- Sou. – Piscou algumas vezes tentando entender o que havia acontecido. – O que...?
- Este é o Laço de Héstia, ele força as pessoas a revelarem a verdade. Lutar contra ele é doloroso e inútil.
- Não pode mentir. – disse rindo baixinho.
- Por que não foi sincero comigo?
- Eu estou em uma missão para salvar Gotham. Não tenho tempo para distrações ou... – Parou, tentando se controlar, mas sentindo a corda ao seu redor esquentar. – Da última vez que você entrou na minha vida, quase me fez desistir de tudo por você.
A mulher segurou a respiração por alguns instantes, mas recomeçou:
- O que você fez durante esses anos que ficou longe?
- Treinei para ajudar a salvar Gotham. – Respondeu de forma simples e Diana forçou ainda mais o aperto do laço.
- Treinou o que? Com quem? – Perguntou entredentes.
- Quando nos conhecemos, eu já estava na minha jornada ao redor do mundo para encontrar um método de salvar Gotham, minha cidade, a cidade que meus pais amavam, mas eu não tinha a mínima ideia de como fazer isso. Eu sabia que não conseguiria só com a Wayne Enterprises, meu pai tentou esse caminho e falhou. E ele era um homem muito melhor que eu. – Respirou fundo, sentindo a garganta secar. Odiava falar sobre seus pais. – Pouco tempo depois de te encontrar, conheci um homem, quase do mesmo jeito que te conheci. Seu nome era Ra's Al Ghul e ele entendeu meu desejo por salvar a minha casa e me disse que conhecia um lugar onde eu encontraria a força para trazer as mudanças que eu almejava. Na Liga dos Assassinos.
- Liga dos Assassinos? – Diana o interrompeu. – Que diabos é isso, Bruce? Um clube de motoqueiros? – Arqueou uma das sobrancelhas e Bruce não pôde evitar sorrir ao escutar a gargalhada de .
- Uma organização secreta milenar que preza pela manutenção da ordem no mundo. São responsáveis pelo colapso de quase todas as grandes civilizações na história, Roma, Babilônia, Alexandria, a peste negra... Quando a Liga acha que a sociedade está se autodestruindo, eles a queimam para eliminar os maus elementos e garantir nova sociedade purificada.
- Por Hera, Bruce, você entrou para um culto de fanáticos genocidas? É isso que você veio fazer em Gotham?
- É lógico que não, Diana. – Respondeu irritado.
Irritado pela série de perguntas.
Irritado por estar sendo obrigado a revelar coisas que pensou que levaria para o túmulo.
Irritado por ter que falar aquilo na frente de .
E irritado por ser tão difícil ao ponto de Diana se ver iminente a amarrá-lo para conseguir respostas.
Olhou para a filha antes de continuar. Não queria que ela se assustasse com a história.
- Eu jamais faria isso. Ra’s virou meu mentor e amigo. Me treinou por cinco anos, ensinando a controlar o meu medo e usar o medo dos meus inimigos contra eles, me transformando em um exército de um homem só. Eles queriam que eu fizesse isso com Gotham, mas eu não mato, não sacrifico a vida de ninguém além da minha. Fazer isso seria me transformar naquilo que meus inimigos representam e cuspir na memória dos meus pais.
- Então, como você está aqui? Eu não conheço essa Liga, mas assumo que não lidem muito bem com rejeição.
- Eles realmente não lidam. Ra’s era o líder, quando rejeitei sua filosofia, ele me prendeu e me torturou. Tentou fazer uma lavagem cerebral em mim... – Bruce fechou os olhos, como se lembrar daquelas coisas fosse doloroso demais. – Colocava inocentes em uma arena, amarrados e indefesos, e, junto, criminosos para atacá-los, com a promessa de liberdade caso o fizessem. E me jogava no meio, me forçando a matar para salvar os inocentes, para que eu entendesse sua visão. Mas eu nunca matei. Não importava o quão difícil estava ou a minha desvantagem, matar não era uma opção. E felizmente consegui impedir a morte de qualquer inocente.
- Tocante, mas você ainda não respondeu minha pergunta. Como está aqui? – Bruce suspirou.
- Eu estava chegando lá. Você queria saber, então estou te contando tudo. Não seja impaciente, não é como se eu fosse à algum lugar. – Se mexeu fazendo referência ao laço em volta de si. – Durante meu treinamento, eu me envolvi com a filha mais velha de Ra’s, Talia. – Sentiu o laço apertar ainda mais seu corpo e fez uma pausa. Diana ergueu uma de suas sobrancelhas o desafiando a continuar. – Nos apaixonamos. – Disse devagar e viu arquear as duas sobrancelhas olhando dele para a mãe, confusa. Tratou de se explicar. – Não fazia sentido fugir dela enquanto eu achava que tínhamos o mesmo objetivo. Depois da minha traição ao pai dela, ela ficou dividida. Seu pai tinha sua mente, eles compartilhavam a mesma convicção, mas eu tinha seu coração. Eventualmente, o coração venceu e ela me ajudou a fugir.
- E essa Talia? – Diana perguntou sem conseguir se conter. Escutou rir baixinho e a repreendeu com o olhar, fazendo-a colocar as mãos na boca.
- Eu não sei. Durante minha fuga, eu sabotei as instalações da Liga, diminuindo sua capacidade de causar danos a qualquer lugar, especialmente a Gotham. No meio ao caos, Ra’s... – Piscou algumas vezes para se concentrar. – Ra’s acabou morrendo. Talia traiu a Liga, mas me culpa pela morte dele. Ela desapareceu, não a vejo há mais de um ano.
Diana afrouxou o laço, deixando-o se libertar. O homem esfregou um pouco os braços doloridos pelo aperto e sentou no sofá, passando as mãos pelo cabelo.
- E você? – Ele perguntou. – É uma amazona, não é? – Perguntou fazendo a mulher franzir a testa.
- Como sabe?
- A Liga tem registros, de milhares de anos, sobre todas as civilizações do planeta, incluindo o lado místico. Não havia como, mesmo com o melhor treinamento de artes marciais, uma mulher, sem arma alguma, derrubar três brutamontes e me carregar semimorto até um quarto de hotel. Os registros apontavam duas possibilidades, amazonas e atlantis, como nunca te vi respirando debaixo d'água ou falando com peixes, eu assumi que fosse o primeiro. E agora teve isso. – Apontou o laço na mão dela. – Aliás... você não estava brincando quando disse que era mais velha. Segunda Guerra Mundial? – Ele arqueou as sobrancelhas e Diana mordeu o lábio inferior. Aquilo trazia à tona assuntos que ela preferia não rever. – Quantos anos você tem?
- Oitocentos. – Foi que respondeu e Bruce a olhou assustado.
- Quanto ela sabe?
- Tudo. Inclusive sabe que eu também sou uma ótima nadadora graças ao meu tio. Poseidon. – Informou. – Tive meu passado escondido pela minha mãe, então minha relação com sempre foi baseada em transparência. Não gosto de segredos, Bruce. – Ele se levantou e caminhou para perto dela.
- Aprendeu isso com Steve Trevor? – Viu o rosto dela adquirir um tom furioso no mesmo instante.
Antes que pudesse raciocinar, recebeu um soco na boca do estômago que o fez voltar a se sentar no sofá. Longe dela.
arregalou os olhos, pulando do sofá imediatamente e, com o mesmo olhar repreendedor que a mãe tinha lhe dado minutos antes, se colocou na frente do pai de braços abertos. Respirou fundo algumas vezes, ainda de cara fechada para a mãe, e cruzou os braços.
- Não vai bater no papai! – Pareceu pensar por alguns instantes e saiu da frente do homem. – Se bem que... – Começou pensativa. – Ele te traiu. Pode bater sim, vai. – Abanou a mão da mãe para o pai, como se a incentivasse.
- Eu traí? – Bruce riu e juntou as sobrancelhas.
Com o olhar mais insolente possível, ela se virou para o pai e disse:
- Talia.

ωωω


Outubro de 2005
Era madrugada quando Bruce chegou na casa de Diana. Ele já tinha lhe enviado uma mensagem dizendo que queria vê-la, o que fez a mulher ficar preocupada. Sabendo que ela estaria lhe aguardando na sala, deu dois toques na porta do apartamento.
- O que houve? – Diana juntou as sobrancelhas enquanto fechava a porta sem tirar os olhos dele.
Bruce não lhe respondeu. Ao menos não do jeito que ela pensou que ele responderia. Em segundos, tinha sido imprensada contra a porta e a boca do homem tinha coberto a sua. Diana suspirou se agarrando aos cabelos dele.
Eles tinham combinado que aquilo não aconteceria mais, a mulher não queria ser só mais um dos casinhos que ele tinha para manter a fama de playboyzinho. Mas, ali, com os beijos dele em seu pescoço e a mão apertando todos os lugares de seu corpo do jeito que só ele sabia, era fácil esquecer o tratado.
Recobrando um pouco de sua consciência, Diana o afastou de si. Respirou fundo, ainda grudada na porta, enquanto olhava o homem a sua frente com a respiração tão descompassada quanto a dela. Estendeu um dedo para ele, completamente séria, mas já sabendo o que viria, Bruce riu.
- Inferno. – Diana resmungou fechando os olhos e esfregando o rosto com as mãos. – A gente combinou, Bruce. – Voltou a apontar o dedo para ele.
Bruce voltou a sorrir e deu de ombros.
- Por que combinamos uma coisa tão idiota? – Olhou para ela com uma falsa expressão confusa e um sorriso ladino, mas a mulher continuou séria. – Diana... – Começou voltando a se aproximar dela.
- Não! – Ela estendeu a mão para lhe afastar.
- Droga, Diana. Pare com isso. – Ela negou com a cabeça.
- Se você quer sexo, tem um monte de mulher por aí se matando para conseguir uma noite na sua cama.
- Se eu quisesse sexo com elas, estaria com elas. No plural, você sabe. – Deu de ombros.
Diana abriu a boca indignada e levantou a mão para meter um tapa naquela cara linda dele, mas ele segurou seu braço e lhe puxou para um novo beijo. A mulher se repreendeu por dentro por ser tão dada a ele.
- Não quero ninguém além de você. – Ele sussurrou, com o nariz colado no dela, quando terminaram o beijo.
- Pare de falar sandices. – Reclamou, mas ele negou com a cabeça.
- Casa comigo. – Diana arregalou os olhos.
- Como? – Perguntou completamente confusa.
A boca dela caiu no chão ao ver o homem ajoelhar na sua frente e tirar uma caixinha de seu bolso.
- Bruce, o que está fazendo?
- Casa comigo. – O homem falou mais uma vez e lhe mostrou o anel dentro da caixa preta.
O casal, entretanto, foi interrompido por um gritinho fino. No início da escada, , que já os acompanhava há bastante tempo, não conseguia se conter ao ver o pedido.
Como qualquer criança, o sonho da menina era que seus pais ficassem juntos, porém, indo contra tudo que prezava, Diana sempre mentira dizendo que aquilo não acontecia. Não era por mal, a mulher só não queria que a filha criasse expectativas em cima de uma coisa que ela não sabia se iria acontecer. Mas sempre fora esperta, sabia que seus pais tinham alguma coisa. Ela conseguia sentir no ar e sempre mandava umas letrinhas para eles quando estavam reunidos.
A garota colocou a mão na boca quando percebeu que tinha gritado e atraído atenção para si, mas ao ver o riso no rosto do seu pai, acabou por sorrir também.
- Eu sabia! – Apontou para eles e fez uma dancinha engraçada.
Diana acabou por rir também. Por Hera, aquela garota deveria estar dormindo. Eram quase quatro da manhã.
- Você vai aceitar ou não? – enrugou a testa e colocou as mãos na cintura ao ver que a mãe ainda não tinha respondido.
Bruce riu e completou:
- Vai ou não?
Diana mordeu o lábio inferior enquanto sorria e se jogou em cima do homem que caiu deitado no chão.
se juntou a bagunça instantes depois, se jogando por cima dos pais e gritando o quanto estava feliz.

ωωω


Agosto de 2006
se encolheu junto ao pai.
Em todos aqueles anos, ela nunca teve que ficar longe da mãe. Nunca. Diana sempre esteve ao redor de sua filha, a enchendo de beijos e paparicando enquanto lhe ensinava algumas valiosas lições.
Até a noite anterior. Noite em que o Olimpo tinha convocado a filha de Zeus para uma importante missão rumo ao Tártaro.
A garota fungou enquanto se apertava mais ainda ao mais velho e Bruce sentiu seu coração ficar pequeno.
- Meu amor, eu não estou aqui com você? – Perguntou enquanto fazia um carinho nela.
- Mas e se ela se machucar? – Algumas lágrimas escorreram pelo rosto da criança.
- Sua mãe? – Bruce juntou as sobrancelhas como se aquela ideia fosse algo impossível. assentiu. – Mas ela não é a Mulher Maravilha? – Indagou num sussurro e a filha assentiu mais uma vez. – Ela nunca vai se machucar! É uma super-heroína muito, muito forte. – Arqueou as sobrancelhas e cutucou a barriga da menina quando ela deu um leve sorriso.
- Mas você se machuca. – Voltou a se preocupar com um biquinho.
- Ah, mas é porque eu não sou fortão que nem sua mãe. Ela é a Mulher Maravilha, eu só sou o Batman. – Balançou os ombros com uma faceta que beirava o desdém para si mesmo.
- O Batman é muito forte. – constatou e o pai riu.
- Então a Mulher Maravilha deve ser muito incrível, não é? – A mais nova concordou.
- Mas e se vocês dois não estiverem aqui? – O bico voltou a aparecer.
Bruce deu um leve sorriso. Se virou de costas para a filha para alcançar uma caneta na primeira gaveta de seu criado-mudo, feito isso, puxou a mão dela e desenhou um círculo.
- Quando eu era pequeno, tinha medo também... – Confessou continuando a desenhar. Depois do círculo, veio um quadrado. – Meu pai sempre falava que não era necessário, porque ele sempre estaria comigo. – fez um bico olhando do pai para o desenho de um triângulo que, agora, ele fazia em sua mão.
- Mas o vovô Thomas não está mais aqui. – Piscou confusa.
- Vou chegar lá, meu amor.
Começou a desenhar um escudo na mão da pequena. Em silêncio, ele terminou aquele desenho e deu um sorriso paternal para ela, assim como o que os seus pais lhe davam. Wayne deu um leve suspiro, se preparando para a história que iria contar.
- Esse círculo – Rodeou a caneta por cima da forma. – Representa amor, infinito e unidade. Aquilo que começa e acaba em si mesmo. É nosso coração. – A mais nova assentiu, completamente atenta às palavras do pai. – O quadrado está ligado a racionalidade. Ordem, estabilidade, pensamento analítico... perfeição. É a nossa cabeça. – Bateu a caneta contra a própria testa. – O triângulo significa harmonia... Sobre como esses dois – Apontou para o quadrado e para o círculo. – Devem estar em perfeito equilíbrio. – Sorriu, fazendo uma pausa. - E esse aqui? – Curiosa, a garotinha mostrou o escudo ali presente.
O mais velho puxou a mão da menina de volta e desenhou um W em meio ao escudo. Com os olhos focados no desenho na mão dela, finalizou:
- O escudo é nossa família. Os Wayne. E ele quer dizer que, não importa aonde você esteja ou aonde eu esteja, mesmo que seja muito longe, se seu coração e sua cabeça estiverem em equilíbrio, nós estaremos com você.
Tinha sido o suficiente. Pelo resto da noite, ficou encarando o desenho em sua mão, completamente alheia a tudo, se concentrando no que aquilo realmente representava.
Antes de adormecer, ela desviou o olhar para o pai, dando um singelo sorriso seguido de um: “obrigada”. Sabia que o homem não gostava muito de falar sobre seus pais, então imaginava que aquilo seria algo importante.


Capítulo 2

Janeiro de 2009
O mundo todo parou, desacreditado, para ver a aparição do Superman. Todos os canais de notícia ao redor do mundo contavam a história do homem que tinha conseguido impedir a colisão de dois trens com a própria força, mas logo havia ido embora sem dar pistas de quem era.
Semanas depois, ele voltou a aparecer, dessa vez impedindo um prédio de cair usando sua visão de raio laser e sopro congelante. As pessoas ficaram ainda mais surpresas com a sua força e, querendo apaziguar os corações, ele aceitou dar uma entrevista.
- Quem, ou melhor, o que você é? – A repórter, Lois Lane, questionou.
- Sou kryptoniano, venho de um planeta chamado Krypton. Meus pais me enviaram para a Terra, porque meu planeta foi destruído pela própria estrela. – Respondeu com um leve sorriso.
- Há quanto tempo isso aconteceu? – Lois perguntou novamente.
- Meus pais biológicos me enviaram como um recém-nascido, já faz dezenove anos. Cheguei aqui ainda bebê e fui acolhido por meus pais adotivos terráqueos.
- E todos em Krypton eram como você?
- Bom, na verdade, os kryptonianos são, basicamente, bem parecidos com os terráqueos. A diferença era o nosso Sol. O Sol de Krypton era vermelho, então todos os cidadãos eram pessoas normais como você, mas, por alguma razão, o Sol amarelo da Terra se torna energia extra para mim e, consequentemente, me dá poderes.

- Uau. – disse, vendo o homem acenando para as câmeras ao se despedir.
- O que? – Bruce perguntou ainda olhando a TV.
- Ele é bonito. – Bruce se virou para a menina imediatamente e piscou algumas vezes.
- O quê? – Perguntou, com a voz um pouco esganiçada.
- O Superman é bonito. – Ela repetiu e fez Diana, que observava a cena, gargalhar.
- Desde quando você tem idade para achar algum homem que não seja o papai bonito? – Bruce perguntou desacreditado.
- Aparentemente desde hoje. – Deu de ombros.
Bruce piscou mais algumas vezes e, dessa vez, ouviu a risada de Dick - sentado à mesa, fazendo algum trabalho para a escola - atrás de si.
- Você deveria estar me ajudando, não compactuando com isso, Richard. – O chamou pelo verdadeiro nome e o menino franziu o nariz.
- Dick. – Foi incisivo. – Ela não me obedece mesmo, o que adianta?
- Eu sou mais velha, você que tem que me respeitar. – disse, ainda do sofá, se virando para ele.
- Que eu saiba, dez é menor que quinze. – Dick arqueou as sobrancelhas para ela.
- Eu cheguei primeiro na casa, adotado. – Ela respondeu de prontidão.
- ! – Diana a repreendeu, mas Dick riu. Naqueles dois anos morando ali, ele já tinha se acostumado com os desaforos da menina.

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Novembro de 2013
se lembrava perfeitamente da primeira vez que implorou para o irmão mais velho levá-la à Torre dos Titãs com ele. Na época ela tinha apenas doze anos, tinha sido difícil, mas ela havia conseguido.
Eles sempre tiveram medo, principalmente Dick, do pai descobrir, já que Bruce tinha sido incisivo ao dizer que não queria envolvida com esse mundo de super-heróis, pelo menos não por enquanto. Diana lhe apoiou nessa decisão e Dick tinha em sua mente que, se Diana dissesse algo, aquele algo era uma coisa certa a se seguir. E é claro que tinha o fato de que ele mesmo se puniria caso algo acontecesse com a irmã mais nova.
Mas até hoje, em todos esses três anos, nada tinha dado errado.

- Richard, por favorzinho! – A menina juntou as mãos na frente do rosto como numa prece.
- Não vai rolar, . – Respondeu pegando a mochila e ela fez um biquinho.
Dick só era chamado de Richard por duas razões, quando fazia alguma coisa errada - vindo de Bruce e Diana - e quando queriam alguma coisa dele - este vindo de . Na maioria das vezes, o ganhava num piscar de olhos, já que, apesar de ser respondona, era um amor de criança.
Agora que os pais estavam em missão pela Liga da Justiça, a menina estava lhe encurralando para dar uma escapada e conhecer melhor esse mundo.
- Eles não estão em casa, Richie! – Ela continuou implorando. – Nunca vão saber.
- Alfred está em casa.
- Eu finjo que estou no meu quarto.
- E se ele te chamar?
- Então fala que vai me deixar na casa de alguma amiga. – Ela começou a dar um sorriso, sabia que estava vencendo. – Eu vou ficar quietinha. Eu prometo. – Mostrou o dedo mindinho para ele e ele fez cara de choro já mostrando o próprio.
- Vai fazer sua mochila. Rápido. Não vou te esperar. – A menina correu para o próprio quarto e voltou com a mochila já na mão. – Você já tinha feito? – Ela deu um sorriso levado, confirmando com a cabeça e Dick riu.
Desceram a escada devagar e logo tratou de deixar a cara emburrada. O irmão tinha lhe aconselhado a não parecer animada. Dick avisou a Alfred que estava indo para a Torre e que deixaria a irmã na casa de uma amiga da escola, então partiram.
- O que ela está fazendo aqui? – Foi a primeira coisa que escutou quando chegou com a irmã na Torre. E é claro que a pergunta veio de Ravena.
- Ela queria conhecer. – Dick deu de ombros, soltando a mão da mais nova, mas a olhando com firmeza e mostrando o mindinho pela promessa que tinha feito.
- Seu pai sabe disso? – Foi Cyborg que perguntou dessa vez.
- Claro. – Fez uma pausa. – Que não. E ele me mata se descobrir, então conto com vocês para me ajudar a supervisioná-la. – Disse olhando para todos os presentes, incluindo a própria namorada, Estelar - ou Kory, não tinha entendido ainda qual era o nome da mulher.
- Eu não vou pagar de babá. – Ravena falou entediada e saiu, voando para perto da janela.
- Eu não vejo problema. Adoro a . – Estelar falou, dando a mão para a cunhada.
- Eu também não. – Mutano disse e se juntou a Estelar para mostrar o prédio a menina.
- Nem eu. – Cyborg falou, mas se sentou no sofá.
- Viu, Rachel? Só você que é chata. – disse fazendo careta para a azaratiana.
Em conclusão, as duas se deram bem, ambas eram azedas quando queriam e sempre tinham resposta na ponta da língua. Dick, óbvio, foi o que mais sofreu com isso.


Até hoje.
estava sentada de frente para o painel de controle do prédio quando sentiu o edifício tremer. Arregalou os olhos e se levantou, mas antes mesmo de gritar pelo irmão, ele já estava ao seu lado.
- Você está bem? – Perguntou de imediato.
- Estou. O que foi isso?
- Lince. Ela se infiltrou no prédio. – Se abaixou para verificar no painel, começando pelas câmeras de segurança.
- O quê? Pra quê? Ai, meu Deus do céu, Dick, papai vai descobrir. – Dick bufou.
- Não temos tempo para pensar nisso agora, . O negócio é te deixar em segurança. Mutano e Cyborg já estão lá.
Fechou o sistema do painel com a digital e puxou a irmã pela mão, correndo até o elevador com ela.
- Vou te colocar no cofre. Aconteça o que acontecer, não saia de lá até segunda ordem. Me escutou? – Perguntou e ela assentiu com a cabeça.
Observou o irmão digitando um código no painel do elevador e falando seu nome.
- Eu já deixei seus comandos salvos, a senha é 0527. Só saia daqui caso eu mandar! – Tirou o comunicador do ouvido e colocou no dela. Sentiram mais um tremor e Dick olhou impaciente para a contagem do elevador.
Assim que chegaram no tal cofre, ele a empurrou para fora do elevador, com mais um: "fique aí", fechou as portas e foi de encontro aos parceiros.
reparou o lugar onde estava... era realmente um cofre. E o irmão nunca tinha a levado lá ou sequer mencionado o lugar, provavelmente era para aquele tipo de situação.
Suspirou preocupada. Não com ela, mas com o irmão. Eles sempre foram parceiros de crime, mesmo que aquilo fosse um pouco contraditório, e ela não conseguia evitar ficar preocupada com ele toda vez que sabia que ele estava trabalhando como Robin.
Fez careta ao ouvir Ravena gritando pelo microfone e abaixou o volume.
- Mutano, a Estelar.
- ? – Ouviu a voz de Dick.
- Oi.
- Está tudo bem aí?
- Você acabou de sair. Relaxa! A Estelar está bem?
- Toma conta de você. – Ela revirou os olhos. – Qualquer coisa me grita.
- Ok.
Continuou no cofre, mesmo preocupada e ouvindo alguns comandos dos Titãs uns com os outros. Tentou ficar calma, apesar de nunca ter estado perto dessas situações, eles passavam por isso quase todos os dias, sabiam lidar com esse tipo de coisa.
Sentou no chão e pegou o celular no bolso para se distrair com algum joguinho bobo, mas minutos depois escutou uma explosão. Ninguém falava nada no comunicador. Se levantou no mesmo instante e andou até uma das paredes tentando ouvir alguma coisa. Nada.
- Dick. – Chamou, mas não obteve resposta. – Dick. – Nada, de novo. – Estelar? Ravena? Mutano?
- Nós estamos bem. – Cyborg que respondeu. – Mesmo que você não tenha perguntado por mim. – Aproveitou para brincar com ela e sorriu ao escutar sua risada. – Por que diabos ela está indo para o terceiro… – A comunicação foi encerrada novamente.
- . , está me ouvindo?
- Sim.
- Sai do cofre. Sai do cofre agora. Você sabe sair? – Dick perguntou, mas não obteve resposta. – !
- Estou colocando a senha. – Respondeu e ele assentiu mesmo que ela não pudesse ver. Aquilo indicava que ela já tinha digitalizado à mão. – E esperando o elevador. – Disse para si mesma.
Não dava tempo.
Antes do elevador chegar, sentiu o prédio tremer mais duas vezes, o que indicava mais duas explosões, mas continuou parada de frente para o elevador. Escutou Dick tentar falar alguma coisa, mas a comunicação estava falhando, ignorou vendo as portas do elevador começarem a abrir.
- Dick, qual andar? – Perguntou no comunicador, mas não obteve resposta.
Não conseguiu xingar o irmão, no instante seguinte, foi arremessada para trás. Voltou a si em instantes, procurando quem tinha feito aquilo e viu Lince e, logo atrás dela, Mutano. Transformado em um gorila, o herói deu três socos nas costas da mulher, mas teve que se esquivar quando ela o ameaçou com as garras.
Robin apareceu instantes depois, mas, na busca de alcançar a irmã, acabou sendo pego por Lince. A vilã o segurou pelo pescoço com um dos braços e o puxou até o canto da parede. Robin usou as mãos para impedi-la de forçar mais o braço contra seu pescoço.
- Você, bonitinha. – Apontou para . – Se não quiser que seu irmãozinho morra hoje, vem aqui.
- , nã... – Robin tentou dizer, mas Lince apertou mais o braço em seu pescoço.
olhou assustada para Mutano. Aonde estavam os outros?
- Não, não! – Lince disse olhando para Mutano. – Nada de transformações. Você sabe que minhas garras têm veneno, certo? – Trouxe a mão para perto do rosto de Robin. – Eu só quero a garota e tudo fica bem.
- Você não vai levar ela! – Robin tentou mais uma vez.
Tirando as mãos do braço dela, tentou dar uma cotovelada em sua barriga, mas isso lhe deu espaço para apertar ainda mais o pescoço do jovem. viu o irmão perder as forças e apagar, mas a mulher ainda continuava o enforcando. Sentiu uma eletricidade correr por seu corpo e, no minuto seguinte, seu punho estava de encontro a face de Lince, que caiu desacordada.
A menina parou, respirando pesadamente e piscando. Olhou para a distância que havia percorrido e depois para sua mão, depois para Mutano que a olhava com a boca aberta.
- O quê? – Ele começou, mas ela não prestou atenção.
se ajoelhou e deu dois tapas na cara do irmão, chamando seu nome. Mordeu o lábio inferior preocupada, mas pelo menos ele estava respirando.
- O que eu faço, Garfield? – Perguntou para Mutano, mas ele continuou parado no mesmo lugar, ainda chocado com a performance da menina.
Agradeceu aos céus quando Cyborg apareceu na sala.
- Aonde você estava, Victor? Que merda! – Ela perguntou com a cabeça do irmão no colo.
- Fazendo contato com a Liga. – Se abaixou perto dela, pegou as algemas no cinto de utilidades de Robin e andou até Lince, a prendendo.
- Todo mundo?
- Kory estava evacuando os civis e Ravena estava tentando impedir que o prédio caísse. Quem apagou a Lince?
- Eu.
- Como? – Arregalou os olhos para ela.
- Não sei. – Deu de ombros. – Ligou para Liga?
- Liguei.
- E...?
- Seu pai não sabe de nada. – A garota sorriu, sentindo pelo menos uma vitória. – Ainda. – Fez careta sentindo a vitória escorrer por entre seus dedos. – J’onn está vindo supervisionar você.
- ferrada.
- Sim, você está.
Não demorou muito para J’onn chegar e dar um olhar acusador para a garota. Ela não devia estar onde estava, ok, mas, se ela não tivesse, era provável que o cenário fosse pior e ela tivesse sido levada.
A princípio implorou para o tio não contar o acontecido aos pais, mas ele se mostrou irredutível quanto a isso, então ela pediu ajuda para aliviar pelo menos o lado do irmão. J’onn aceitou, visto que ela realmente tinha razão, o cenário poderia ser bem pior se ela não estivesse com os Titãs.
Ela acabou conversando com ele sobre o que tinha acontecido no cofre e ele prometeu lhe ajudar a entender o que tinha acontecido. Mas sabia que isso não seria tão fácil, os testes incluíam levá-la para a Torre de Vigilância e, agora, mais do que nunca, tinha certeza que seu pai não iria querê-la por lá nem tão cedo. Cyborg, porém, ficou de passar as gravações a J’onn.
Quando chegaram em casa, Bruce já estava lá, assim como Diana e um garoto que fez Dick e sussurram entre si, perguntando se era conhecido. Não era. Diana deu o olhar mais severo que Dick já tinha recebido e ele abaixou a cabeça.
- Mãe. – Começou, mas ela não o deixou continuar.
- Corta essa de mãe. Aonde você estava com a cabeça? – Dick não respondeu. – A sua irmã poderia ter morrido. Você sabia que era isso que queriam fazer? Matá-la para chantagear seu pai?
Em respeito à sua antiga família, Dick não gostava de chamar Diana e Bruce de mãe e pai, a única pessoa que ele permitia usar palavras como: “pai”, “mãe” e “irmão” com ele, era . Mas, em horas como aquela, quando ele estava encrencado - quando tinha feito alguma merda -, as palavras vinham demonstrando o tom de respeito. Bruce e Diana que tinham cuidado dele desde seus treze anos, querendo ou não, eram seus pais.
- Mãe, a culpa não é dele. – gritou.
- Fica quieta.
- Não. Até o tio J’onn concorda que se eu não estivesse com ele, teria sido levada.
- Eu mandei você ficar quieta. – Diana elevou a voz e a menina se encolheu um pouco. Diana nunca gritava.
- Não vou. Não vou deixar você brigar com ele por algo que nós dois fizemos.
- Ele é o mais velho. Você é uma criança!
- Não sou criança. Tenho quinze anos.
- E isso torna você muito adulta, não é?
- Richard começou como Robin antes disso, mas eu não posso fazer merda nenhuma.
- , olha a boca.
- Isso só acontece porque vocês a mimam demais. – O garoto que não conhecia se pronunciou e ela arqueou as sobrancelhas se virando para ele.
- Quem é você afinal? – o perguntou.
- Damian Al Ghul ou Wayne, se preferir. – Sorriu sarcástico para ela.
Al Ghul.
Al Ghul ou Wayne.
sentiu a cabeça rodar e a perna bambear, se lembrando da história que ouvira seu pai contar, quando ainda era uma criança, sobre ter se apaixonado por Talia. Sentou-se no sofá.
Talia era filha de Ra’s Al Ghul. Isso fazia dela uma Al Ghul, certo?
E o que a mãe falara mais cedo? “Você sabia que era isso que queriam fazer? Matá-la para chantagear seu pai?”.
- Ah não, não, não, não, não. – Dizia sem parar.
Seu pai não falava nada.
Justo seu pai.
Era dele que ela e Dick esperavam a bronca, não de Diana.
Bruce só ficava quieto quando tinha uma espécie de demônio por perto, ficava atordoado demais para conseguir falar. Ou quando brigava com Diana. Algo a fazia pensar que, aquele dia, eram as duas situações.
- Muita coisa para o mesmo dia. – Deixou algumas lágrimas caírem de nervoso. – Primeiro eu descubro que alguém quer me matar, depois poderes e, agora, um irmão? Um irmão da mesma organização que estava tentando me matar?
- Pera aí. Poderes? – Diana perguntou confusa.
bufou.
Claro que ela ia se preocupar com aquilo.
- correu cerca de quatro metros em uma velocidade que chega perto da normal de Flash. E se iguala com a sua. – J'onn respondeu para Diana, já que ele já tinha visto o vídeo. – Ela também deu um soco que apagou Lince.
- Vou matar Hermes! – Diana levou as mãos à cabeça e andou de um lado para o outro esbravejando. – Você sabia disso? – A mãe perguntou furiosa.
- Fiquei tão surpresa como você. Na verdade, nem sei como fiz. – Deu de ombros.
A bronca acabou depois daquela notícia. Diana ficou mais preocupada com o fato da filha, agora, ter poderes. já era abusada demais sem poderes, imagina com eles.
Bruce não estava com paciência para aquilo e, no meio da confusão, apenas caminhou em direção ao portal da sala, parando no meio do caminho para dizer:
- Não vai adiantar ficar nervosa agora. A única coisa que podemos fazer é treiná-la e ensiná-la a ter modos. – sorriu e fez careta ao mesmo tempo. – Afinal, com poderes ou não, esse dia era inevitável.
Voltou a fazer seu caminho para fora da sala, mas ao dar mais um passo, trombou em alguém.
.
Ela tinha feito de novo.
A menina olhou para os próprios pés confusa, mas logo retornou a atenção a seu pai.
- É isso? Você agora vai simplesmente embora depois da bomba? Por Zeus, a gente precisa conversar! – Cruzou os braços, mas Bruce não lhe deu muita atenção.
- Conversaremos depois, . Com os ânimos mais calmos. – Desviou dela e finalmente completou seu caminho.
- E ele ainda me encheu o saco com aquele papo de usa camisinha. – Dick soltou, por fim, com a voz afetada.


Capítulo 3

ainda não estava satisfeita com a nova situação de um novo irmão. Principalmente tendo em vista de que Damian era odioso, parecia mais uma criatura do Mundo Inferior, que reagia a rugidos e instintos, do que um humano propriamente dito.
Ela tentava, entretanto, assim como Dick. Tentava ignorar que o garoto era filho de uma criminosa, que parecia um bicho do mato, que tratava até mesmo Alfred mal. Tentava porque seu pai havia lhe implorado, afinal Damian era seu filho também. E tentava porque Diana havia lhes obrigado a fazê-lo.
Mas quem estava mais insatisfeita ainda, era Diana. Já não bastasse todos os problemas que vinham com a sua vida de heroína e do seu marido ex-playboyzinho, vinha com a história de que se descobriu uma velocista. Hermes não tinha o direito de fazer o que bem entendesse com sua filha, dando-lhe poderes, ou sei lá o que, sem perguntar o que Diana achava sobre isso. Por isso, a mulher fez questão de fazer uma visita ao Olimpo. E, mesmo contra a vontade da mãe, a acompanhou.
não tinha muito contato com a parte paterna dos parentes da mãe, mas já tinha os visto vez ou outra, graças a sua mania de encher o saco de Diana quando precisavam apartar alguma briga de irmãos. A menina, porém, estava animada com a idéia de revê-los depois de tanto tempo, principalmente sabendo que poderia ter ganhado mais poderes de alguns deles.
A primeira pessoa, ou deusa, que Diana encontrou, foi Héstia, sua tia. Como sempre, a mulher tinha lhe tratado como uma igual, sendo cordial e rendendo sorrisos e elogios, para Diana e
A amazona tentou não ser impaciente, cumprimentando quem falava com ela e ignorando os maus olhares. Com a filha em seu encalço, fez seu caminho à sala de papiros, onde acreditava que encontraria seu irmão Hermes, mas foi interrompida no meio do caminho.
- Irmãzinha. – Escutou e procurou de onde vinha a voz.
- Apolo. – Revirou os olhos quando o encontrou.
- Senti sua falta. Faz tempo que não vem aqui. – Sorriu falsamente.
Apolo virava esse ser sarcástico e hostil quando se sentia ameaçado. Diana, sinceramente, não sabia porque ele se sentia ameaçado por ela, mas apenas relevava. No fim das contas, ele a ajudava quando era necessário e a respeitava, mesmo não indo tanto com a cara dela. E a recíproca era verdadeira.
- Essa é sua cria? – Continuou e desviou o olhar de Diana para
- Pare de ser tão odioso, Apolo. – Artemis apareceu momentos depois.
- Oi, minha irmã. – Diana sorriu.
- Oi, Diana. – Lhe abraçou. – Uau, como está grande! – Se atentou à e a abraçou de lado. – A última vez que lhe vi, ainda batia na minha cintura. – sorriu para a tia. – O que fazem aqui?
- Mamãe veio matar tio Hermes. – contou e Artemis vincou as sobrancelhas, gargalhando logo após.
Hermes era o irmão mais próximo de Diana, eles sempre se viam - seja para bater papo, seja para a entrega de alguma mensagem -, seria sandice achar que Diana poderia fazer algo contra seu irmão.
- Quase isso. – A amazona soltou entredentes.
- O que houve? – Apolo perguntou.
- Aparentemente, agora corre tão rápido quanto eu. – Apolo riu ao ver que a irmã não tinha se agradado daquilo.
- Hermes deu-lhe poderes sem te consultar, certo? – Artemis compreendeu. – Ele provavelmente está na sala de papiros. O vi chegar ainda agora. Vá até lá.
- Irei, minha irmã. – Disse, recomeçando a andar e a seguiu.
- Tchau, irmãzinha. – Ouviu Apolo dizer, mas lhe ignorou.
Artemis, assim como Diana imaginou, estava certa. Lá estava Hermes, na sala dos papiros, agachado, procurando algo no meio de toda confusão que ele mesmo fazia.
- Hermes! – Diana o chamou, com a voz um tom mais alto. O homem se levantou rapidamente com o susto.
- Por que sinto que estou encrencado? – Perguntou com uma careta. riu, adorava o tio.
- Deu velocidade à ? – Apontou para ele.
- Eu? – Arregalou os olhos, colocando a mão no peito dramaticamente. – Jamais faria isso! – Agachou novamente em meio aos papiros.
- Hermes! – Diana gritou.
- O quê? – Olhou para ela entediado.
- Não estou brincando.
- Nem eu. Na verdade, estou tentando trabalhar. – Apontou os papiros. – Sou mensageiro dos deuses, sabe? – Sorriu e balançou um dos papiros para ela. – Inclusive, tenho uma mensagem para você. – Jogou um papiro em sua direção. – Estava perdido na minha bagunça, então está atrasado.
Diana desenrolou o papel e leu a mensagem: “Dei velocidade à . Te amo, irmãzinha. Beijos.”. A mulher tacou o papiro de volta no irmão, lhe acertando na cabeça.
- Não estou para suas brincadeiras, Hermes. Quem lhe deu o direito de fazer isso? – Hermes se levantou, ficando sério pela primeira vez.
- Eu, Diana, eu sou um deus. Posso fazer o que quiser.
- Não com a minha filha. – Hermes revirou os olhos.
- Diana, é minha sobrinha, eu queria fazer algo por ela. Sinceramente, a maioria aqui não a considera parte da família, mas eu e tia Deméter consideramos e, vendo seu desejo por ser como você e o pai, lhe concedemos a velocidade e a força. – sorriu para o tio.
- Deméter também está envolvida nisso? Exijo que desfaçam essa façanha.
- Uma vez dado, não pode ser tomado. Você, como semideusa, deveria saber disso. – Diana bufou. – Julgamos com sabedoria o suficiente para lidar com isso. – Se aproximou da irmã, e da sobrinha, a olhando nos olhos. – Você também deveria confiar nela. Aliás... – Se virou para . – Foi bom tê-la trazido. Hefesto fez algo para ela.
- Por Hera, até mesmo Hefesto? – Diana praguejou e Hermes deu de ombros.
- Vamos! – Hermes puxou pela mão.
- Vamos aonde, Hermes? – Diana perguntou, parada de braços cruzados.
- Você eu não sei, eu e iremos até Hefesto.
Hermes foi ignorando os protestos de Diana durante o caminho e cochichando sobre como ela era chata com a sobrinha, obviamente Diana escutava e isso a fazia praguejar ainda mais. Quando chegaram onde Hefesto estava, já tinha as bochechas doloridas de tanto rir.
- Diana, minha irmã. – Hefesto disse saudoso assim que a viu. Correu, meio manco, para abraçá-la.
- Não quero papo com você, Hefesto, soube que está contribuindo com essa loucura de dar poderes à . – Respondeu, mas abraçou o irmão mesmo assim.
- Não estou dando poderes, apenas complementos. – Riu.
Hefesto caminhou até uma prateleira e pegou uma caixa, levou-a até a mesa e chamou pela sobrinha, que foi até ele imediatamente. O homem abriu a caixa, tirando o que estava dentro e entregando à . Uma tiara e dois braceletes. A menina, de imediato, colocou a tiara na cabeça, se virando para a mãe e fazendo pose. Diana revirou os olhos, mas riu.
tirou a tiara da cabeça e a observou. Era parecida com a de sua mãe, porém tinham algumas diferenças. A cor era mais clara, uma espécie de prata bem reluzente e vivo, e a ponta da tiara, ao contrário da de sua mãe, era para cima e no lugar da estrela, tinha uma pedra de cristal. Ela analisou sorrindo. Tinha adorado.
- É igual a de mamãe? – Perguntou em relação à função.
- Claro que não! Acha que eu ia te dar qualquer porcaria? – Fingiu estar ofendido e riu. – Ela é feita de ouro branco e junto com os braceletes, vão fazê-la ficar invisível. – arregalou os olhos.
- Sério mesmo?
- Sim! Quer testar? – Perguntou e a sobrinha assentiu animada.
O deus ferreiro ajudou a menina a colocar os braceletes, ajustou a tiara na cabeça dela e deu as instruções. Bater um bracelete no outro e os passar pela tiara. Assim a menina o fez.
- Funcionou? – indagou, não sentindo nada diferente.
- Bom, eu não estou te vendo. – Hermes comunicou.
- Oh, meu Deus! Mãe?
- Não, também não estou vendo. E não me agrado disso. – gargalhou e pulou em Hefesto, o abraçando no pescoço e lhe dando um susto, já que este não conseguia vê-la.
- Ok, e como faço para voltar ao normal? – Hefesto riu.
- Mesmo processo. – Respondeu e ela o fez.
- Oh, meu Zeus! Isso é tão legal. – Hefesto sorriu com a empolgação dela.
- Fico feliz que tenha gostado.
- Gostar? Eu amei. Obrigada, tio. – O abraçou de novo.
- Não acredito que deixei de ser o tio preferido. – Hermes reclamou, cruzando os braços.
- Você nunca foi. – Respondeu rindo e fez o tio arregalar os olhos.
- Vou arrancar a velocidade que lhe dei à base da porrada. – Correu até ela que deu um gritinho e, antes dele perceber, passou correndo por ele.
Bom, era claro que ele conseguia ver a sobrinha correndo, seja qual fosse a velocidade, afinal de contas, ele que lhe abençoou com aquilo, mas tinha sido pego desprevenido.
- Ela aceitou bem esse negócio de velocidade, não é? – Colocou as mãos na cintura, olhando os irmãos. Não demorou muito para ele correr atrás dela.
Minutos depois, uma ofegante e descabelada e um Hermes sorridente, passaram pela porta.
- Enchi ela de porrada. – Ele disse cheio de si e gargalhou, quem os conhecia sabia que a porrada dele na garota tinha sido cosquinha.
Diana tinha se dado por vencida. Não tinha mais o que fazer em relação aos poderes da filha, então aproveitou para curtir um pouco sua família. Quando já estava indo embora, foi interrompida por Apolo.
- Bom, como eu sei que não queria nesse mundo, a presenteei também. – Sorriu para a irmã, enquanto mexia nos cabelos da sobrinha. – Nada demais. – Falou para – Apenas cura acelerada para se meter em quantas presepadas quiser. – Diana fechou a cara o olhando.
- Que Hera me dê paciência, porque se me der forças, eu mato você. – Apontou o dedo na cara de Apolo e ele apenas riu.
- Obrigada. – deu de ombros e o abraçou rapidamente. Apolo sorriu.
- Viu? Ela gostou.
Mas Diana novamente se preocupava com o quanto a filha podia ser audaciosa e acabar se matando por se achar invencível.
Apolo, por outro lado, não tinha feito aquilo apenas para irritar a irmã. Óbvio que era um ótimo bônus irritar Diana, mas, bem, no fim, assim como ele se preocupava com Diana em segredo, também se preocupava com a sobrinha. Sabendo que , agora, entraria nesse mundo de super-heróis, queria ajudá-la de alguma forma; lhe deixar mais segura.

ωωω


Depois que Diana realmente aceitou a nova condição da filha, admitiu que ela realmente precisava de um treinamento. Sendo assim, Dick começou a treiná-la. Tinha sido bem difícil para a menina no início. O fato é, por mais que adorasse ter sido mimada pelos pais, aquilo tinha lhe estragado.
A pior parte, entretanto, foi Damian tacando isso na cara dela sempre que podia. Até o dia que ela lhe provou que não era tão fraca quanto ele pensava.

já estava farta.
Por Zeus! Damian era o pior irmão que existia no mundo. Ela se perguntava como uma criança, visto que ele só tinha dez anos, poderia ser tão arrogante e narcisista.
A garota sabia que Dick tentava ao máximo apartar a briga dos dois, já que ela também não era do tipo que levava desaforo para casa, mas, até o super-gente-boa-Dick-Grayson não aturava o garoto. Sua mãe também tinha lhe pedido para ser paciente com Damian, dada criação que ele teve.
E realmente tentava. Tentava com todas as suas forças, afinal de contas era seu irmão mais novo, mas já não aguentava mais.
Caminhou até a sala de treinamento, já encontrando seus irmãos lá. Sorriu e deu um beijo em Dick. Não tinha lhe visto o fim de semana todo, pois ele estava em missão, foi essa a razão pela qual tinha perdido a paciência com Damian.
- Você está atrasada. – Damian falou e ela revirou os olhos.
- Oi para você também, Damian.
- Não comecem, por favor, eu tive um final de semana cansativo. – Dick começou quase chorando. – Preciso de paz.
- Com esse garoto, você pode encontrar tudo, menos o que está relacionado à paz. – alfinetou e o irmão mais velho lhe olhou acusadoramente. – Ok.
- Os dois. – Dick apontou para eles. – Vinte voltas ao redor da casa. – Apontou em direção a porta.
saiu logo. Quanto mais rápido começasse, mais rápido terminaria. Riu quando, já no corredor, ouviu o irmão gritar: “sem trapaça, ”; ela tinha dado uma de espertinha algumas vezes usando a velocidade entregue por seu tio. Mas, Damian, como sempre, tinha algo a reclamar:
- Eu não preciso disso. Já sou treinado.
- Não perguntei o que você precisa, Damian. – Dick respondeu já saindo da sala para observar o aquecimento dos irmãos.
O treinamento de e de Damian era dividido em duas partes. Segunda, quarta e sexta-feira, ela fazia musculação para obter resistência física; terça, quinta e sábado, simulava luta, com mãe, pai ou irmãos, para melhorar suas habilidades. Como era uma segunda-feira, depois de correr, voltaram à sala de treinamento para fazer a série de exercícios que Dick tinha passado para eles.
- Muito cansada? – Dick se abaixou do lado da irmã. tinha acabado de completar a série e se jogado no chão.
- Não. – Negou sorrindo e balançando a cabeça.
- Vai dar umas porradas no saco então. – Apontou o saco de areia pendurado no canto da sala. levantou.
- E as luvas?
- Sem luvas. – Sorriu maldoso e a menina fez um bico.
- Dick, por favor, vou ferrar minhas mãos. Não estou acostumada com isso ainda. – Choramingou e o irmão revirou os olhos, tacando as luvas para ela em seguida.
- Mimada. Como sempre. – Damian alfinetou.
- Não é porque você nasceu naquele antro de psicopatas, sendo treinado desde que tinha três meses, que todos são obrigados a serem assim. Felizmente, eu tive uma infância saudável. – Ela devolveu, mas Damian não gostou do que ouviu.
- Cala a sua boca. Tudo que você pensa que tem, foi dado nas suas mãos, não lutou por nada. Não vejo como uma pessoa fraca como você chegaria perto de se tornar uma super-heroína. Você é uma fraude, .
Tinha sido a gota d’água.
jogou as luvas no chão e, como um raio, correu em direção ao irmão, lhe acertando com um soco na barriga que o fez cair com alguns metros de distância. Dick arregalou os olhos e correu vendo que a irmã andava em direção a Damian de novo.
- ! – Se pôs no meio deles. – Acabou.
Ela não escutou, desviou dele e tentou continuar seu caminho, mas o irmão mais velho lhe surpreendeu por trás. Puxou os braços da menina e lhe deu uma rasteira, fazendo-a cair no chão, enquanto segurava suas mãos atrás das costas.
- Eu disse que acabou, . – Falou em seu ouvido. – Eu vou te soltar e você vai para o seu quarto se não quiser me chatear, okay? Deixa que com o Damian eu me entendo. – Ele torceu um pouco o braço da menina ao não ouvir uma resposta. – Okay? – Perguntou novamente e ela bufou.
- Ok, Richard. – Respondeu e Dick a soltou.
A menina se levantou do chão, ainda olhando furiosa para o irmão mais novo, saiu da sala e foi para seu quarto.
Dick observou Damian limpar algum sangue que tinha saído por sua boca e suspirou. provavelmente tinha acertado o baço do garoto. Caminhou até ele e lhe estendeu a mão.
- Consegue ficar de pé? – Damian assentiu, agarrou a mão do irmão e se levantou. Dick caminhou com ele até uma cadeira e o colocou sentado, o menino respirava devagar. – Está satisfeito? – Perguntou e o outro arqueou a sobrancelha. – Você conseguiu despertar o pior de . Nunca, nunca na minha vida a vi tão furiosa a ponto de perder o controle. Sobre suas palavras e ações. – Foi até o frigobar pegar água para o garoto que o escutava atento. – Sabe... A pode ser bem respondona e cabeça quente, mas ela é, também, uma das pessoas mais doces que eu conheço. Eu tenho certeza que não teria conseguido superar a morte dos meus pais se não fosse por ela. Todo mundo precisa de um amor para curar feridas, a foi o meu amor. Eu tenho certeza que sua vida não foi fácil até chegar aqui, mas isso não te dá o direito de ser um babaca. – Se aproximou do garoto novamente. – Vamos. Precisamos ver o que ela arrebentou dentro de você. – Riu.


Capítulo 4

Devido o episódio acontecido entre os irmãos mais novos, Bruce e Diana acharam melhor mandar a menina para Temiscira.
A princípio, não concordou com a decisão, a ideia de ficar longe de sua família não lhe agradava nem um pouco, o que a levou a alguns treinamentos com Kara na Torre de Vigilância da Liga. Não deu muito certo... As meninas mais conversavam do que treinavam e entendeu que, por um bem maior, precisaria se afastar. Os pais tinham certeza que lá ela se concentraria e aprenderia melhor.
Mesmo concordando, ainda não lhe era agradável, chegou a Temiscira com a pior das caras, fazendo sua avó e suas tias fingirem ofensa por ela não estar contente em estar lá. Porém, com algumas semanas, a menina já tinha se acostumado à nova fase.
Bom, mais ou menos...
Se achava difícil o treinamento com os irmãos, o que teve em Temiscira, era o que ela chamaria de tortura. Perdeu as contas de quantas vezes saiu quase inconsciente de seus treinamentos. Ao contrário de sua mãe, Hipólita, sua avó, não era do estilo superprotetora e, para ela, os fins justificam os meios, já que aquilo era para a menina ficar forte e saber se defender sozinha.
A única que lhe dava um desconto era sua tia Carline, uma guerreira de alta patente, mas que sempre tivera coração amolecido pela sobrinha. Era ela quem cuidava de depois das lutas e se intrometia quando achava que já tinha sido o suficiente.
Até o dia que não a deixaram se intrometer.

já tinha apanhado pelo que ela diria ser suficiente, jogada no chão, sem forças para se levantar. Ela ouvia a avó gritar a todo instante: "levante-se". Ultimamente, as lutas eram sempre com a avó, já que a mulher dizia que as outras amazonas pegavam leve com a menina, não deixando que ela mostrasse seu potencial. Pela movimentação e pelos berros da avó, ela saberia dizer que sua tia Carline estava tentando salvá-la, mas Hipólita não deixou.
- Até quando vai protegê-la, Carline? Desse jeito ela nunca se tornará uma mulher de verdade. Levante-se, ! – O ouvido da menina chegava a zumbir com os gritos da avó. – Quando precisar salvar alguém é assim que vai ficar? No chão? – A avó chegou bem perto dela e sussurrou: – Que tipo de heroína você será se desistir? Enquanto descansa seus restos no chão, alguém mata o seu irmão.
De repente, se sentindo leve demais, se levantou, na verdade, voou, e, com as suas últimas forças, desceu com um soco sobre o escudo da avó, fazendo-a ser amparada por algumas de suas tias. Logo em seguida, caiu no chão novamente. Ela não sabia como tinha feito, nem se importava, estava contente por ter finalmente feito a avó calar a boca.


Tirando suas lutas, seus dias eram basicamente tranquilos, cercados por aulas de idiomas - que aprendera desde sempre - e treinos. Óbvio que os treinamentos compunham grande parte do seu dia, mas com o tempo, virava apenas um costume. A não ser quando era alguma data importante, como o aniversário de sua mãe, irmão ou o próprio. Naquele ano, ela só tinha estado junto com a família no aniversário do pai.

mordeu o lábio inferior, deitada na cama, tentando segurar o choro. Podia ser bobo, ou até infantil, mas, desde que se reunira com a sua família, nunca tinha passado seu aniversário longe deles, sem eles. Escutou o movimento fora de seu quarto, ela tinha que levantar, mas ignorou, queria poder ignorar todo aquele dia. Fingia que não, mas era uma menina muito sensível.
- ! – Ouviu alguém chamá-la e bater na porta.
- Oi. – Respondeu com a voz elevada, porém fraca.
- Vamos! Sua vó está chamando.
- Já vou. – Informou enquanto se levantava.
Se levantou para cumprir sua rotina, estudar a história das amazonas - sua avó tinha lhe obrigado a tal -, idiomas, comer, treinar, comer de novo, treinar mais uma vez e dormir.
- Merda. – Resmungou chutando uma parte do tronco enquanto treinava sua resistência sozinha. – Droga de aniversário. – Deu mais um chute. – Droga de vida.
- Pare de murmurar. – Escutou uma voz forte, quase como um trovão, e arregalou os olhos.
Quando treinava sozinha, procurava ir para o canto mais afastado da ilha. Visto toda loucura que vivia ali, ela gostava de ficar sozinha de vez em quando, então demoraria um pouco até que seu pedido de ajuda fosse atendido.
- Quem está aí? – Perguntou se pondo em posição de guarda.
- Eu. – Observou o homem musculoso, de barbas e cabelos brancos, sair de trás de uma das árvores.
Os olhos de arregalaram-se mais ainda, ela conhecia bem aquele homem. Bom, ela nunca tinha o visto pessoalmente, mas...
- Você... – Começou, mas estava chocada demais para terminar.
- Eu? – Arqueou uma das sobrancelhas com um ar risonho.
- O que está fazendo aqui? – Perguntou exasperada, a voz rouca e um pouco elevada. Ele apenas deu de ombros. – Vovó sabe que você está aqui?
- Sua vó não é essa santa que se pinta. – Riu.
- Por Zeus!
- Eu. – Riu de novo.
- Todos no Olimpo estão te procurando! Oh céus! Você é realmente um irresponsável.
- Isso é jeito de falar com seu avô? – Ela deu de ombros.
- Você não pode exigir muita coisa. – Disse com desdém e ele riu assentindo.
- Sobre o que estava reclamando? – Cruzou os braços e a menina suspirou.
- É meu aniversário e eu estou presa nessa ilha. – Encostou as costas na árvore e escorregou até sentar no chão.
- Eu também, ué.
- Você está porque quer!
- E você não? – negou com a cabeça.
- Estou obrigada, porque preciso treinar. - No fim das contas, você está porque quer. – Zeus deu de ombros. – Você quis seguir os passos dos seus pais, não foi? – Ela assentiu. – Os fins justificam os meios. – A menina confirmou com a cabeça novamente.
- Mas eu queria estar com a minha família hoje. – Passou os dedos pelos olhos, limpando algumas lágrimas.
- E você não está? – Ele arqueou as sobrancelhas.
- É diferente. Não é minha mãe, meu pai, meu irmão... Ninguém até agora se lembrou que é meu aniversário. – Zeus caminhou para perto dela e se sentou ao seu lado.
- Eu me lembrei. – Passou o braço pelos ombros da menina.
- Você lembrou porque eu falei.
- Não. Eu me lembrei porque eu sabia. Por que acha que, de todos os dias, resolvi conversar com você justo hoje? Sua avó não liga para essas coisas, é um problema dela. Ela chama de trivialidades. – balançou a cabeça concordando com o avô. – Mas eu estou aqui. – Sorriu para ela. – Então, feliz aniversário. – Deu um beijo em sua testa e logo se pôs de pé. – Vamos. – Estendeu a mão para a garota. – Vou lhe ajudar com o treinamento. – Ela sorriu e estendeu a mão para o avô se colocando de pé também.

No fim, o treinamento daquele dia acabou sendo divertido e, quando a menina voltou ao seu quarto, suas tias Eurora e Carline lhe aguardavam com um pequeno bolo e um grande sorriso.
O resto de seus dias na ilha foram tranquilos, quando ela se sentia muito para baixo, o avô sempre surgia para conversar com ela - o que a levava crer que ele estava sempre a observando.

Março de 2015
Então, mais quatro meses depois de seu aniversário, sua avó simplesmente abriu a porta de seu quarto anunciando que Diana tinha vindo buscá-la.
- Como assim? – se levantou da cama num pulo.
- O quê? Quer ficar? – Perguntou com um sorriso de canto e a neta negou veemente.
- Jamais. Mas...
- Um ano, . Foi um ano de treinamento e você evoluiu consideravelmente. – Hipólita sorriu orgulhosa. – Agora, tudo que precisa é de experiência em campo. – A mulher se aproximou da mais nova e passou as mãos pelos seus cabelos. – Por mim, ficaria aqui para sempre. Eu sei que não sou muito boa em demonstrar sentimentos, mas eu a amo e daria minha vida por você.
mordeu o lábio inferior e deu um sorriso se jogando para abraçar a avó. Era gostoso demais ouvir aquilo.
- Arrume suas coisas. Sua mãe está lhe esperando. – Avisou e a outra assentiu arrumando tudo rapidamente.
A garota se agitou por inteiro na hora que viu sua mãe, pulou em seu colo lhe abraçando e enchendo-a de beijos, junto com as felicitações de aniversário atrasadas - de ambas as partes. Diana acabou deixando algumas lágrimas escaparem, não tinha sido fácil ficar longe da filha, mas entendia que ela precisava daquilo para se disciplinar.
Foram para casa no jato da Mulher Maravilha e, durante todo o caminho, perguntava sobre as novidades e tudo que tinha acontecido enquanto ela estava longe, de vez em quando atrapalhando a mãe para abraçá-la de novo.
Quando chegaram à mansão Wayne, Diana viu a filha passar por seus olhos como um relâmpago. Primeiro, parou no quintal para falar com Ace, o cão da família, que a aguardava na entrada na casa; depois correu para dentro e pulou na primeira pessoa que encontrou, Alfred.
- Oh, meu Zeus, vovô Alfred, que saudades! – O senhor riu, se segurando na parede para não cair.
- , você vai machucá-lo. – Diana comentou quando entrou na casa e a menina fez um bico e largou o mais velho. Ainda saltitando na frente dele, feito uma criança.
- Cadê meu pai? E Richie? Ai, meu Deus, mãe, – Se virou para a mulher. – Cadê o Richie? – Fez um bico gigante e Diana riu.
- Dick está com Damian na Torre. – juntou as sobrancelhas. – Seu pai... – Diana olhou para Alfred.
- Na caverna. – Ele respondeu e sorriu animada.
Em menos de dois segundos, a menina já tinha chegado no pai.
- Eu estou fora por todo esse tempo e você nem vem me receber? – Cruzou os braços se colocando entre o homem e o computador.
Bruce deu um grande sorriso e se levantou da cadeira para abraçar a filha.
- Você cresceu. – Esfregou as mãos no cabelo da filha e ela fez careta.
- Lógico. Foi um ano. – Arqueou as sobrancelhas, revoltada pelo pai estar trabalhando.
- Eu não sabia que voltaria hoje. – Ele riu da cara dela. semicerrou os olhos.
- Como não?
- Eu não avisei. – Diana entrou na caverna e abraçou o marido por trás. – Era para ser uma surpresa. – Sorriu e deu um beijo na bochecha do homem.
- Uma ótima surpresa.
- A gente vai sair, certo? – Bruce assentiu sorrindo, não tinha mudado nadinha seu jeito de ser.
De repente, a menina fungou e se jogou nos braços dos pais novamente.
- Eu senti tanta, tanta, tanta saudade. – Bruce sentiu seu coração apertar e abraçou a filha ainda mais forte, assim como Diana. – Não quero mais ficar longe. – Ela falou com os olhos molhados e o pai assentiu enquanto passava os dedos para secar algumas lágrimas.
- Bebê. – Diana zombou e a filha lhe mostrou a língua.
- Você chorou primeiro, não pode falar nada. – Acusou a mãe, ainda agarrada ao pai.
- Eu sou mãe. – Deu de ombros como se aquilo explicasse tudo.
- Eu sou filha. – Imitou a mãe.
Com os ânimos mais calmos e a saudade um pouco aplacada, a família se encontrava no sofá aguardando os outros membros chegarem.
- Mas por que Damian está na Torre? – A menina perguntou confusa.
- Eu disse que muita coisa tinha acontecido. – Diana respondeu, fazendo carinho na filha que estava deitada no sofá com a cabeça em suas pernas e os pés nas do pai.
- Novidades, novidades. – Bruce completou a esposa e semicerrou os olhos para os dois.
- Estão com muito segredinho para o meu gosto. – Fez um bico fazendo os pais rirem.
- Deixa que seus irmãos te contam. – Bruce falou.
- Que irmãos? Eu só tenho um. Richard o nome dele. – Resmungou e a mãe lhe deu um tapa na testa.
- Se comporta. – revirou os olhos.
- Eles vão demorar muito para chegar? – Diana negou.
- Já enviei uma mensagem para o Dick dizendo para eles virem logo que tinha uma surpresa aqui. – abriu um sorrisão.
- Parece até o Coringa. – O pai zombou.
- Ai, pai, que horror! – Levantou o pé para dar um leve chute no peito dele, o fazendo rir.
Pouco tempo depois, escutou o barulho que o carro do irmão fazia e se sentou rapidamente no sofá, olhando para o portal por onde ele entraria.
Dick entrou na casa e praticamente gritou:
- Ela voltou, não foi? – Diana riu.
Segundos depois ele apareceu na sala.
- Ah, sim! A peste voltou. – Dick sorriu para a irmã que ficou de pé no sofá, pulando feito uma criança, com os braços abertos esperando pelo irmão.
Ele correu até ela e a pegou no colo, fazendo-a dar um gritinho.
- Minha pestinha. – Colocou a irmã no chão e a encheu de beijos. A menina o abraçou novamente e enterrou a cabeça em seu pescoço.
- Agora que eu estou fortona. – Mostrou os músculos do braço. – Se alguém tentar me separar do meu irmão, eu vou meter a porrada.
- Ela se achando. Olha só. – Cutucou a cintura da irmã.
A menina observou o irmão mais novo passar pelo portal com a feição completamente cansada, cumprimentar o pai, dar um beijo em Diana e se sentar no sofá, murmurando um: “Bem-vinda, ”.
- Acho que estou alucinando. – Sussurrou para o irmão mais velho com a mão na frente da boca, mas sem fazer questão de falar baixo o suficiente. – Damian agiu como uma pessoa normal. – Dick riu e deu um tapa na cabeça da irmã.
- Algumas coisas mudaram.
- Quando vocês vão passar me dar fatos e não as coisas mudaram. – Falou a última parte com a voz afetada, tentando imitar o irmão.
- Eu botei o moleque na linha.
- Vai se foder. – Damian respondeu para o irmão mais velho e Diana lhe lançou um olhar cortante. – Desculpa.
- Meu Zeus! Ele pede desculpa e tudo agora? Vocês fizeram uma lavagem cerebral nele? – Damian olhou para Diana, reclamando da irmã sem palavras.
- Para de implicar com ele, . – A mãe lhe repreendeu e ela olhou chocada para Richard.
- Estou impactada. E então... para onde vamos? – Mudou de assunto.
- Onde você quer ir? – O pai perguntou.
- Japa? – Sugeriu com um sorriso e ele acenou em confirmação. – Vão se arrumar. – A menina ordenou, já correndo para o próprio quarto.
No restaurante, eles colocaram o papo em dia. Damian, agora, estudava em um colégio com pessoas normais e, graças à todo trabalho de Diana, tinha se adequado a viver em uma família de verdade - claro que não totalmente. Dick estava treinando o irmão e considerando passar o manto de Robin para ele, já que queria sair das asas do pai - e, por incrível que pareça, Bruce não tinha se oposto à isso -, ele também estava pensando em pedir Estelar em casamento, o que fez a irmã mais nova vibrar e surtar.
- E vocês? – A menina olhou para os pais enquanto colocava um sushi na boca. – Nenhuma novidade?
- Seu pai está melhor amigo do seu ídolo. – juntou as sobrancelhas. – O Superman. – Esclareceu fazendo a menina abrir um sorrisão.
- Ele é bonito o suficiente para ser meu namorado? – A menina perguntou para o pai, que fechou a cara na hora, fazendo o resto da família, Damian incluso, gargalhar.
- Eu não acho graça. – O patriarca falou e bebeu um gole do saquê.
- Só isso? – perguntou para mãe e ela deu de ombros.
Mas ao olhar para os irmãos, a garota os viu prendendo o riso e arqueou uma das sobrancelhas para Dick. E, tinha que admitir que, não gostava daquela intimidade toda entre os dois.
Sim. Ela estava com ciúmes.
- A gente acha que eles estão tentando aumentar a família. – Dick falou rindo e a irmã arregalou os olhos e tossiu, se engasgando com a comida.
- O quê?
- Só eu peguei eles na caverna umas três vezes. – Damian que respondeu. Com um sorriso, deixando mais assustada ainda.
- Eu já falei para vocês pararem com isso. – Diana repreendeu.
- Agora que a gente tem a protegida de volta? – Damian voltou a falar.
- Não sei se estou mais chocada com vocês dois estarem agindo como coelhos ou o Damian realmente estar agindo como gente. Quero ter aula na mesma escola que ele para descobrir o que aconteceu. – Falou fazendo o irmão revirar os olhos. – Está apaixonado?
- Cala a boca, .
- Você sabe que não vai voltar para a escola, certo? – Bruce falou, ignorando a palhaçada dos filhos.
- Quê? Por quê?
- Por que você vai começar suas missões. Não era isso que você queria? - Por que o Damian pode ir para a escola e eu não? –
perguntou inconformada.
- Porque você não tem tempo para estudar na escola, treinar e trabalhar em campo. A não ser que você consiga fazer o dia ter mais que vinte e quatro horas, vai precisar estudar em casa. – Bruce respondeu e a garota revirou os olhos.
- É que o Damian é tipo o Sai. Precisa conviver com os humanos para aprender a se portar. – Dick falou, fazendo gargalhar e Damian mostrar o dedo.
- Damian! – Diana chamou a atenção do garoto.
- Ah! Ele pode falar que eu tenho que aprender a me portar, mas eu não posso me defender? – Indagou inconformado.
- E você não tem que aprender? – Diana arqueou uma das sobrancelhas e o menino se calou.
- O Sai vira gente, será que um dia você consegue também? – implicou e Damian olhou para Diana enquanto apontava a irmã.
- , quieta! – A mãe falou fazendo a menina e Dick prenderem o riso.

ωωω


- Você acha que o papai vai esconder todas as missões, fazendo a Liga as captar antes, ou vai me privilegiar e deixar eu colocar a mão na massa logo? – perguntou ao irmão mais velho enquanto olhava o painel da Torre.
- Ele provavelmente vai reter tudo antes de chegar na gente. Com sorte, acontece algo catastrófico o suficiente para ele não conseguir esconder. – A menina bufou.
- Então... voltando... novidades da Torre. – Com a afobação da mais nova, eles tinham sido os primeiros a chegarem à Torre naquele dia.
- Bom, Victor foi promovido. – Fez referência a Cyborg enquanto enumerava nos dedos. – Isso você já sabe. – Ela assentiu. – Seu irmão mais novo está na área, mas isso você também sabe. – Assentiu mais uma vez, mas revirou os olhos. – Ravena vem de vez em quando só para supervisionar, Kory fica aqui quase sempre, mas não tem ido às missões. Ela resolveu não estar mais sob o controle da Liga. – Dick explicou ao ver a confusão no olhar da irmã.
- Você fez lavagem cerebral na sua namorada? – Afinou a voz e o outro gargalhou.
- Não precisei. Com um tempo você percebe que eles nos tratam como crianças ou peões. – Deu de ombros.
- É por isso que está desistindo do manto? – Se referiu ao fato dele considerar Damian como novo Robin.
- Também. Mas eu também acho que isso vai ser bom para o Damian.
- Mais o quê? – retornou ao assunto.
- Gar e Rachel estão meio que em um lance, mas a Rachel finge que não e obriga o Gar a fingir que não.
- Aposto que ele não é nada bom nisso.
- Como você acha que a gente descobriu? – riu.
- E, por fim, tem gente nova na área.
- Quem?
- Já, já, você conhece. – Sorriu levado, sabia que a irmã era super curiosa. – E o seu traje? Isso já foi decidido? – sorriu descrente.
- Como você achou que não? Eu já o tenho em uma linda mala junto da minha tiara.
- E os braceletes? – A menina puxou a manga do casaco mostrando os braceletes nos braços e o irmão assentiu com uma cara de aprovação.
- Eles ficam bem em você.
- Eu sei. – Ela fez pose, colocando os dois braços na frente do rosto, imitando a mãe.
- E como é seu uniforme?
- Segredo. – Piscou para ele.
- E o nome? – Ela fez careta.
- Não faço ideia.
- Tenta Superchata. – Damian, que estava sentado no sofá a alguns metros, se intrometeu na conversa pela primeira vez. – Vai combinar com você e com seu futuro namorado.
- Eu vou te dar um desconto porque você usou o fato de que o homem de aço será meu namorado. – Ela apontou para o irmão mais novo e ele riu debochado.
- No fundo, no fundo, vocês se amam. – Dick riu.
- Não fala merda, Grayson. – Damian revirou os olhos.
- Mamãe não vai gostar de saber que você está falando palavrão. – sorriu maldosa.
- Merda não é palavrão.
- Então como você sabe que eu estava me referindo a essa palavra? – Arqueou uma das sobrancelhas e o menino perdeu a chance de responder, pois o andar tinha sido invadido. Pelos outros membros é claro.
- Oi, M'gann. Oi, Kaldur. – Ele acenou para os quase companheiros.
- Oi, pessoal. – Kaldur deu um aceno geral e se sentou ao lado de Damian.
- Oi, Damian. – M'gann flutuou até o garoto e lhe deu um abraço, fazendo-o revirar os olhos levemente. Ela sabia que ele não gostava muito, mas não podia evitar, sentia que ele precisava desse tipo de carinho. – Oi, Dick. – Foi na direção dele, acenando com um sorriso. – Oi, pessoa que eu não conheço. – Acenou para .
- Oi, M'gann. Essa é minha irmã mais nova, . , essa é a M'gann, sobrinha do J'onn. – piscou confusa.
- Mas eu achei que todo mundo da família do tio J'onn estivesse morto.
- !
- Oh, meu Zeus! – Se virou rapidamente para a menina esverdeada. – Me desculpa. – M'gann mordeu o lábio inferior, mas depois sorriu.
- Tudo bem. Prazer! – Estendeu a mão e retribuiu.
- Prazer!
- Então... Mutano ainda é um Titã? – se voltou para o irmão.
- Sim, ele é. – M'gann respondeu com a voz animada fazendo se voltar para ela de novo.
- E tem mais gente?
- Sim. Tem o Kon, o Wally, a Artemis e a Zatanna. – assentiu ouvindo a marciana falar. – A Zatanna tem uma quedinha pelo seu pai.
- Quem não tem uma quedinha pelo papai? – Revirou os olhos. – Eu odeio isso!
- Ciúmes é de família como você pode ver, M'gann. – Dick riu do bico da irmã.
- Ela fala muito dele? – Perguntou ainda com o bico na cara.
- Um pouco. – M'gann voltou a responder. – Ele pediu a ajuda dela numa missão.
- Que era para salvar a mamãe inclusive. – Damian falou, mas logo se corrigiu. – Para salvar a Diana. – Tossiu um pouco e coçou a nuca. – Acho que ela pensa que tem alguma chance com ele, porque é mais velha.
- Quantos anos ela tem?
- Ela diz vinte e cinco, mas é uma bruxa então não sei se acredito.
- Não se deixe envenenar. – Kaldur se pronunciou pela primeira vez. – Ela é legal, só é meio maluca.
- Parece você. – Damian implicou e lhe mostrou o dedo.
- Oi, galera. – desviou a atenção do irmão ao ouvir uma voz animada. Uma nova voz animada.
- Esse é o Wally. – M'gann sussurrou para ela. – Ele vai dar em cima de você. – Continuou e fez a terráquea rir.
- Uh! – Ele olhou para de cima a baixo. – Gatinha na área. – Correu, realmente correu, até .
- Eu disse. – A marciana se afastou.
- Um velocista? Você é parente do Allen?
- Da esposa dele, gata. – Estendeu a mão para ela. – Wally West, prazer. – Ela o cumprimentou de volta.
- .
- ...?
- Wayne. – Dick respondeu pela irmã, lançando um olhar desafiador para o colega.
- Ok. Entendi. – Deu dois passos para trás com as mãos estendidas para o alto. – Nada de apanhar do Bruce e do filho do Bruce. – Disse, mas piscou para .
- Eu gostei dele. – Ela disse rindo e Dick revirou os olhos.
- Nos vemos por aí, gata. – Deu um sorriso de canto para ela. – Vou fazer minha ronda. – E num piscar de olhos, ele tinha desaparecido.
- Eu fico de olho, pode deixar. – Damian falou para o irmão mais velho.
- Que ronda que ele foi fazer? – preferiu ignorar o olhar dos irmãos sobre ela.
- Wally anda ou, melhor, corre pela cidade procurando alguns crimes mais simples. Tipo assaltos, roubos, essas coisas... Geralmente ele dá conta sozinho. – A menina assentiu em compreensão.
- Cheguei! – Uma mulher morena, extremamente animada, entrou na sala e junto dela, uma loira com a cara enfezada.
- Zatanna. – Dick informou e fez careta.
- É a siamesa do Damian, né? – Sussurrou de volta, fazendo Dick gargalhar e lhe dar um tapa na nuca.
- Artemis. E Kon. – Acrescentou, vendo o garoto de aço passar pela porta. arregalou os olhos. – Ele é filho do Clark. Mais ou menos, foi criado em um laboratório, mas... – Explicou.
observou M'gann flutuar até o tal Kon com um sorriso gigante.
- Ela gosta dele?
- Óbvio.
- Quem é a pirralha? – Zatanna e Artemis perguntaram juntas.
- Wayne, prazer. – correu até elas e estendeu as mãos, dando um sorriso especial a Zatanna que arqueou uma das sobrancelhas.
- Como eu pude não perceber? – Zatanna começou. – Você é a cara dela. – jogou os cabelos enquanto apertava a mão de Artemis.
- Obrigada. Agora só falta o Mutano? – Deu as costas para as meninas, falando com o irmão.
- Sim.
- E eu. – Kory entrou na sala fazendo a menina dar um gritinho.
- Zeus! Que saudades! – Abraçou a cunhada.
- Eu também estava. – A dourada lhe apertou de volta.
- Me conta as novidades. – Puxou a mulher até o sofá e se sentaram.
- Bom, eu saí da Torre, comprei um novo apartamento e fiquei noiva. – Mostrou a aliança no dedo e arregalou os olhos quando M'gann deu um gritinho.
- Você finalmente pediu? – A marciana perguntou para Robin e ele riu assentindo.
- Estou me sentindo largada, achei que só a família sabia disso. – Apontou o dedo para o irmão com os olhos semicerrados.
- A Torre é família. – O homem deu de ombros.
- Como foi? – Estelar riu da mudança de humor da menina.
- Foi lindo, teve jantar à luz de velas, eu quase engolindo a aliança e eu estou super feliz. – sorriu.
- Meu casal!
- ? – Foi a primeira coisa que Mutano perguntou ao chegar no local. A garota se pôs de pé e abriu os braços para ele. – Agora, sim, a Torre está completa. – Ele disse rindo enquanto beijava a bochecha dela.
- Ravena vem hoje? – Dick perguntou, ainda de frente para o painel de controle.
- Ela disse que viria. Você contou sobre a ? Ela parecia saber, estava animada.
- Como se precisasse contar. – Dick revirou os olhos.
- Você fala bastante com a Ravena. – cutucou o garoto.
- Ah, não começa você também, . – Choramingou.
Algum tempo depois, Ravena chegou e todos os novos integrantes da Torre ficaram chocados ao ver Rachel super animada ao conversar com alguém. Damian chegou a falar que achava que o verdadeiro amor da azaratiana era , e não Garfield, o que fê-la lhe lançar um olhar gélido.
- As duas são um poço de chatice, por isso se dão bem. – Constatou em seguida, bufando e correndo para fora da sala.
Damian não era bobo, sabia que Ravena podia acabar com ele em um segundo, principalmente com a ajuda da irmã.
- Agora você sabe o que eu sofro desde sempre. – Dick gritou para o garoto enquanto as portas do elevador se fechavam.


Capítulo 5

Como esperado, a Torre não recebia missões e começou a ficar impaciente. Primeiro, ela brigou com o pai e gritou com ele, o que a fez ficar uma semana de castigo sem ir para a Torre - e para a não surpresa da menina, nessa semana tinha aparecido uma missão -, depois ela decidiu que ela mesma procuraria as missões. De madrugada, invadiu a caverna do pai, hackeou o computador com a ajuda de Damian - que disse ter ajudado porque queria que ela se ferrasse, mas a verdade é que o menino queria construir uma amizade com a irmã, assim como tinha feito com Dick - e achou a missão que ela julgou perfeita, recuperar alguns arquivos que a Liga dos Assassinos tinha conseguido. Ela tinha Damian, que conhecia as instalações e o modus operandi do local, e tinha a si própria.
- E aí? – Ela perguntou para o irmão, mas ele fez cara de dúvida. – Vamos, Damian, você não quer mostrar para o Dick que você pode, sim, herdar o manto? – Sorriu maldosa ao ver que tinha atingido o ponto certo.
- A gente tem que pensar direito nisso, . – Ele sussurrou.
- Eu já tenho um plano. Na Torre tem os dardos tranquilizantes que a Artemis usa, a gente tem como copiá-los aqui mesmo de madrugada. – Sentou na mesa do computador atrás de si. – O pessoal da Liga te conhece, eles vão confiar em você a princípio, mesmo desconfiando... – Deu de ombros. – Inventa uma historinha qualquer para distraí-los ou já atira logo os dardos. Você sabe, certo? – Ele assentiu.
- Eu aprendi com eles.
- Depois a gente invade a sala e pega os documentos.
- Não é um plano muito bem elaborado.
- Mas já é alguma coisa. Vai dar certo!
- E se não der?
- Vai dar!
Na busca de ser reconhecido, não só pelo pai e irmão, como também pela irmã, Damian aceitou. No fundo, eles tinham os mesmos objetivos.
Na semana seguinte, eles já estavam com tudo pronto e, de madrugada, se encaminharam para Nanda Parbat. No jato de Diana, que felizmente sabia pilotar quase desde quando sabia andar.
- Você se sente estranho? – perguntou para o irmão, mas ele franziu a testa confuso. – Indo para o lugar que você cresceu e... – Ela suspirou. – Você meio que não está do lado deles agora, certo? – Ele assentiu.
- Um pouco eu acho. Eu...
- O que faria se encontrasse sua mãe? – Ele deu de ombros.
- Nós nunca tivemos uma boa relação. Não fui criado por ela, ela não conseguia conviver comigo por causa do nosso pai.
- Sinto muito. – falou baixinho. – Eu tive uma época sem o papai, mas sempre fui cercada de carinho, já você...
- Era usado como instrumento de guerra e possível meio de capturar o Bruce. – Ele balançou os pés por uns instantes.
- Como foi esse ano que eu não estava aqui? – Damian sorriu.
- Foi bom. O Dick me ajudou bastante, M'gann também, mesmo que ela seja um pouco exagerada. – Riu. – E sua mãe... Ela é incrível, mas você já deve saber disso. – assentiu. – Bruce é sortudo por tê-la.
- Todos nós somos. – Ele assentiu.
- Eu tenho certeza que ainda estaria no meu lugar escuro se não fosse por ela.
Mais algumas horas de viagem e eles tinham chegado ao seu destino... Nanda Parbat. sentiu um frio na barriga e olhou para o irmão mais novo, que estava vigiando a entrada do templo, procurando saber qual a série de proteção que eles tinham montado.
Ela se abaixou, apoiando na mesa de controle do jatinho, onde o irmão estava.
- Vai usar seu uniforme? – Ele perguntou sem tirar os olhos da entrada do local.
- Não. Ainda não é a hora dele. – Riu e ele assentiu, virando-se rapidamente para ela, para notar se ela estava com uma roupa adequada; estava - com roupa de ginástica que era praticamente companheira da garota.
- Essa sua roupa daqui a pouco vai sair andando, porque ela já decorou os caminhos todos. – gargalhou e deu um tapa no irmão.
- Eu sou rica, Damian, os conjuntos são parecidos, mas não são os mesmos. – Fez uma falsa cara de enojada e ele revirou os olhos com um sorriso. – E então? – Voltou a se concentrar na missão.
- Está vendo aqueles dois ali? – Apontou para dois homens, um em cada canto da entrada. – Eles são fixos até que outros dois venham, de 15 em 15 minutos, e os substituam. Daí eles provavelmente rodam por todo o templo procurando alguma atividade suspeita.
- Então são quatro ali naquele posto? – Ele negou.
- Eu contei seis até agora e eles estão revezando a dupla. Supostamente, o do lado direito deveria voltar só na próxima ronda, mas ele já voltou nessa.
- Por Zeus, como você sabe disso?
- Você tem poderes, . Tudo que eu tenho é minha mente e meu corpo. Vou chamar esse do lado direito de número 4, okay? – Ela assentiu. – Ele tem tique na perna, troca de uma para a outra a todo instante. O outro, número 1, fica parado com as mãos atrás do corpo. Sempre. – Damian olhou o relógio em seu pulso. – Eles vão trocar. – O garoto avisou e, segundos depois, eles giraram pela pilastra e outros dois apareceram em seus lugares.
- Quem são esses? – perguntou e o Damian fez um sinal com a mão para que ela esperasse.
- Número 5 e número 6, de novo.
- Eles são a dupla original?
- Pelo menos de quando chegamos aqui, sim. O jeito do número 5 parar... Ele está machucado. Na perna direita.
- Ele está com ela mais para dentro. – falou. Ela tinha reparado que, mesmo por alguns centímetros, o homem deixava a perna direita mas para trás, ficando com seu lado esquerdo mais exposto.
- Sim. Ele está protegendo-a.
Após mais algum tempo observando, franziu as sobrancelhas e cutucou o irmão.
- O quê?
- Você reparou que eles giram para lados diferentes? – Continuou olhando atentamente os homens.
- Como assim?
- Primeiro eles giraram por dentro da pilastra e seguiram para o canto, não dá para ver, porque está escuro, mas, agora, eles foram por fora e entraram na penumbra depois. Eu achei que fosse só coincidência, mas está repetitivo. – Damian sorriu para ela.
- A gente acabou de conseguir nossa entrada.
- Como?
- Quando eles giram por fora, estão indo para a parte de trás do templo. Por dentro, para dentro. Dá próxima vez que o número 5 girar por dentro, a gente entra. – Ela mordeu o lábio inferior e assentiu. – Eu acerto os dardos tranquilizantes nos de fora, você fica invisível e ataca quem quer que esteja passando pela entrada, okay? – Ela assentiu. – Não podemos, em hipótese alguma, deixá-los avisarem que tem invasores. Vai ser fácil! Se você encontrar com o número 5 dentro do templo, ataca a perna direita e desmaia ele, já vai ser um a menos.
- Mas vão ter mais deles lá dentro, certo?
- Claro. Por isso, continue invisível. – Entregou o comunicador para ela. – E fale baixo.
- E se formos pegos?
- Você vai continuar invisível, pegar o jato, também invisível, da sua mãe e voltar para nossa casa visível. Eu vou fingir que fugi do Bruce e ficar para distraí-los.
- Não.
- Quê?
- Eu não vou te deixar para trás, você ficou insano?
- ... – Ele começou, mas ela interrompeu.
- uma ova! Ou nós saímos juntos ou não saímos. – Ele suspirou contrariado, mas assentiu, colocando o comunicador no ouvido.
- Consegue me ouvir? – Falou baixo e revirou os olhos para cara de deboche da mais velha. – Pelo comunicador, .
- Sim. – Ela riu.
- Vai. – Abanou a mão para ela. – Faz a sua mágica.
riu e bateu os braceletes um no outro, passando-o pela tiara logo após. Ela riu mais uma vez quando o irmão murmurou sobre aquilo ser injusto, enquanto alcançava o arco atrás de si e vestia a aljava nas costas.
- Ele voltou. – A garota avisou ao irmão, mostrando o homem parado na porta. Ele olhou pelo visor do jato e assentiu, olhando o relógio depois.
- Temos quinze minutos depois que ele voltar a andar pelo templo. Isso se ele girar para dentro.
Quando os irmãos viram novamente o número 5 virar para a parte de dentro do templo, eles agiram. abriu a porta do jato e quando passou pelo irmão, se aproveitou da sua invisibilidade, para dar um tapa na nuca dele.
- Babaca. – O mais novo resmungou, fazendo-a rir.
- Faz o seu lance. – Ela pediu, já pelo comunicador, pois tinha saído na frente do irmão.
Com passos leves, a menina andou até a entrada do templo pelos cantos, mesmo que estivesse invisível. E sorriu contente quando viu um dos guardas caírem, o outro olhou imediatamente procurando o que tinha acontecido, mas, antes que ele pudesse fazer alarde, o dardo tinha o alcançado também.
- Feito. – Escutou o irmão pelo comunicador.
- Percebi. – Disse ao passar pelo corpo de um dos homens.
os colocou sentados perto da pilastra e arrancou as flechas deles, avisando ao irmão que assim pensariam que eles estavam só tirando um cochilo.
- , anda. Nós temos doze minutos.
- Ok.
Ela caminhou para a parte de dentro do templo, olhando para os dois lados, e avisou:
- Limpo. – O garoto desceu do pico onde estava escondido e correu até lá. – E agora?
- Direita. – Apontou o corredor e ela assentiu se encaminhando até lá.
- Eu vou na frente, você me guia pelo comunicador. – Ele assentiu e sentiu a pressão da irmã usando a velocidade para andar pelo longo corredor.
Ela sabia que, depois do corredor, tinha que virar à esquerda e entrar por um portal de pedras. Tinha estudado a planta que o irmão tinha lhe passado. Sabia, também, que depois do portal, teria mais uma entrada à direita, no entanto, ao chegar lá, se deparou com uma parede de pedras do lado direito logo após o portal.
- Damian, eu estou no portal, mas acho que eles fizeram mudan... – Parou de falar ao sentir uma presença atrás de si.
- ? – Sussurrou no ouvido da irmã, mas ela não respondeu.
A Wayne se virou devagar observando um homem atrás dela que procurava de onde vinha aquela voz. Mordeu o lábio inferior, tentando se concentrar e pensar no que fazer... Ela tinha que o apagar rapidamente, a qualquer momento Damian apareceria no corredor e ele não era invisível como ela; aliás ela estava escutando por ele chamando-a no comunicador.
- ! – Ela engoliu em seco. Precisava mandar o irmão parar, podia ter mais alguém.
- Se esconde. – Ela falou pausadamente e o homem à sua frente arregalou os olhos e deu dois passos em sua direção com um sorriso maldoso.
Ela se perguntou o motivo do homem ter emitido aquele som, parecido com um riso satisfeito, já que tinha certeza que ele não conseguia vê-la, e então reparou a mão dele sair do bolso e jogar algo no chão. Ela tossiu no exato momento que escutou o barulho do que quer que fosse na mão dele cair no chão e colocou a mão sobre o rosto. No instante seguinte o homem tinha encontrado seu braço, lhe puxado e a prendido pelo pescoço. A mesma situação que ela vira seu irmão passar com Lince, pelo visto a galera desse antro de psicopatas gostava de matar as pessoas estrangulando.
- , você precisa de ajuda?
- Continua na droga do seu esconderijo. – Ela respondeu com a voz pesada enquanto tentava respirar.
Ela se sentiu instantaneamente estressada e se perguntou o que seus pais, ou Dick, faziam para não surtar mediante aquele tipo de situação. Era óbvio que ela conseguiria se livrar do homem que a prendia, mas seu medo era ele ser mais rápido na hora de avisar a alguém sobre invasores e esses alguéns achassem seu irmão.
Na hora que pensou estar perdendo tempo demais com isso, reparou que o mundo ao seu redor tinha ficado um pouco lento.
Oh! Ela conseguia ficar no tal Flashtime que seu tio J'onn tinha lhe falado.
Deu um sorriso no mesmo instante, usando toda sua força para empurrar o braço do homem, se separou dele. A garota correu para trás do homem, o segurou de cada lado da cabeça e o levantou, o jogando por cima de seu ombro no chão. Ele caiu já desacordado e ela sorriu de novo.
- , me responde. Merda! – Escutou o irmão novamente, que lhe chamava à todo instante pelo comunicador.
- Espera só mais um pouquinho. – Ela respondeu enquanto carregava o cara para um canto e observava se tinha mais alguém por ali. – Vem. Mas vem sabendo que o mapa que você fez não funciona mais. – Avisou.
Damian olhou confuso quando percebeu a parede de pedras onde eles deveriam entrar.
- E se formos para a esquerda?
- Vamos voltar para a frente do templo. , nós temos 9 minutos.
- Damian, calma! Outro caminho, vai. – Apoiou as mãos no ombro do irmão e ele se assustou um pouco, visto que ela ainda estava invisível.
- Ok, ok. Vira à esquerda mesmo, lá na frente a gente segue pelo corredor lateral e entra pela parte de trás. Temos 7 minutos e meio.
ia andando na frente, atenta para caso aparecesse algum outro soldado deles. Com pouco mais de dois minutos, eles chegaram até a sala.
- Até que isso foi fácil. – disse olhando a porta à sua frente enquanto batia os braceletes e passava pela tiara, voltando a ficar visível.
- Temos 5 minutos. Qual o nome do arquivo?
- Five X-Y. – Respondeu e abriu a porta logo em seguida. – Merda. – A garota paralisou olhando para dentro da sala. – Eu sabia que isso estava fácil demais.
No mesmo instante, viu a espada de um dos vários homens dentro da sala vir em sua direção e ergueu os pulsos em um X se defendendo.
- Procura o arquivo. – Disse para o irmão enquanto chutava o homem da espada. – Eu lido com eles.
Damian se pôs à frente da irmã, contabilizando quantos homens tinham na sala. Seis. E provavelmente mais chegariam, ele precisava de um plano para conseguir alcançar os arquivos. Os assassinos da Liga não iriam simplesmente deixá-lo procurar o tal arquivo enquanto iam para cima de sua irmã.
Assim que o menino entrou na sala, viu uma espada vir em sua direção, assim como tinha acontecido com a irmã antes, e segurou as mãos do homem, o empurrando com o pé direito em seguida. Damian pegou o arco em suas costas logo após, puxando uma das flechas junto e rapidamente atirou-a no homem que tinha acabado de chutar. Se preparou para lançar mais uma, mas uma espada, vindo da direita, estraçalhou seu arco.
- Isso foi caro, sabia? – Falou descontente, desarmando o homem que tinha acabado com seu arco e enfiando a espada na perna dele.
- Abaixa. – Escutou a irmã gritar e o fez, mesmo sem saber o que era.
Procurando entender o que tinha acontecido, o mais novo elevou os olhos para a irmã mais velha atrás de si, logo após ouvir um grunhido de dor. Viu uma flecha no ombro direito dela, o pulso com o bracelete estava um pouco mais abaixo, ela não tinha conseguido se defender.
- Você está bem? – Ele perguntou, ainda abaixado e aproveitou para dar uma rasteira em um dos homens.
- Vai ver a droga do arquivo. – Rosnou para ele enquanto tirava a flecha de seu ombro.
correu até o homem que tentava agarrar seu irmão e enfiou a flecha na perna dele, ela tinha acabado de reconhecê-lo como o número 5. Ele gemeu de dor, caindo de joelhos no chão e a garota aproveitou para pegar a flecha com o tranquilizante na aljava do irmão, que estava atrás de si, e enfiar no pescoço dele.
- Faltam quatro. – Avisou ao irmão que olhava as prateleiras do lugar, enquanto ela fazia sua guarda.
Uma nova espada veio na direção de e a atingiu na cintura.
- Oh, meu Deus! Você quer estragar minha cintura de pilão? – Perguntou pasma, pegando a lâmina com a mão e girando-a, fazendo com que o homem precisasse largá-la se não quisesse ter seu pulso torcido.
Sentiu uma picada em suas costas logo depois, se virou e viu uma das flechas de seu irmão em suas costas e um homem atrás de si, já sem máscara, pois Damian havia a arrancado no soco, sorrir contente.
- Eu tenho metabolismo acelerado, bebê. – Riu zombeteira, mas sentiu uma leve tontura depois, seguida de um soco.
E mais um soco.
E mais outro.
- Droga, isso é meio forte, certo, Damian? – Falou um pouco alterada.
- Você precisa de ajuda? – Ele parou de olhar as prateleiras para lhe lançar um olhar preocupado, mas ela negou, rindo após receber um novo soco.
aproveitou a proximidade das estantes de arquivos e, por entre as pernas do homem que lhe segurava, deu um belo chute em uma delas, fazendo com que caísse na cabeça dele.
- Três. – Informou.
- Porra, , e se o arquivo estivesse nessa estante? – Damian perguntou indignado, mas foi ignorado.
- Está? – Ela cruzou os braços, mas logo descruzou para dar um soco no homem que veio para cima de si novamente.
- Não. – Escutou a resposta do irmão.
- Então cala a boca e continua procurando.
- Dois. – avisou novamente depois de dar um mata-leão no homem que tinha lhe socado. – Esse tranquilizante realmente é forte. – Ela falou ainda sentindo um pouco da tontura.
- Você ainda está de pé, qualquer outro teria...
- Vocês realmente têm algo com Hadaka Jime. – falou após ver que o irmão tinha parado de falar, pois tinha sido agarrado pelo pescoço por um dos dois homens restantes, ao passo que o outro caminhava em sua direção com a espada em riste. – Quanto tempo até os reforços, Dam? – Perguntou, apoiando as mãos na mesa atrás de si e olhando as unhas.
Damian revirou os olhos para a audácia da irmã, mas soltou uma das mãos que impediam o braço do homem chegar ao seu pescoço, e olhou o relógio sabendo que, se ela estava relaxada, é porque tinha um plano.
- Trinta segundos.
- E o arquivo?
- Quase... – Tentou respirar fundo. – Quase em mãos.
- Ok. Então... Vamos ao plano. Eu vou socar esse do meu lado. – Falou já pegando um livro ao lado dela e tacando na cabeça do homem. – Um. E... – Foi interrompida.
- E nada. – A pessoa que segurava seu irmão falou e trouxe a espada para o pescoço do garoto. – Isso se você se importar com a vida do moleque. – revirou os olhos com um sorriso.
- Oh! Uma mulher. Finalmente!
Como num passe de mágica, ela já tinha socado a mulher que segurava seu irmão e o liberado.
- Pega a droga do arquivo. – Mandou, caminhando até a porta para ver se alguém vinha. – Nosso tempo já esgotou. – Ela avisou com a demora do irmão.
- Olha, eu achei. Só que...
- Só que o que, Damian? – Sussurrou desesperada e se virou para ele, vendo-o então com uma caixa na mão. – Mas que droga! – Caminhou até ele e percebeu que a caixa estava lacrada. – Está muito pesada? – O irmão fez uma careta e negou com a cabeça. – Ok, então vamos logo. – Andou até a porta rapidamente e arregalou os olhos, dando dois passos para trás. – Temos companhia. – Comunicou, batendo os braceletes e os passando pela tiara. – Eles estão no fim do corredor, eu vou espancar alguns para ganhar tempo, você corre para a saída com a caixa e nós nos encontramos no jato. – O irmão assentiu e ela saiu da sala, invisível novamente.
correu em direção ao fim do corredor, torcendo o braço de um dos mascarados ao mesmo tempo que tirava uma flecha de sua aljava e enfiava no olho de outro. Olhou por cima do ombro e constatou que o irmão já estava longe o suficiente, deu mais alguns pontapés e quebrou o braço de alguém, até ouvir seu irmão clamando por ajuda no comunicador.
- , acho que quebraram meu braço, não vou conseguir carregar a caixa.
Em menos de dois segundos, a menina já tinha alcançado o irmão. Pegou as duas últimas flechas do irmão e espetou em dois dos mascarados. O último era, na verdade, a última, reparou no cabelo vazando do capuz dela e o enrolou na mão, puxando a cabeça na mulher até o chão com força e dando um chute em sua costela logo após.
- Só quem bate na droga do meu irmão sou eu, vadia.
Ajudou Damian com a caixa e o colocou em suas costas, correndo até o jato em seguida. Rapidamente, eles já estavam no ar, voltando a Gotham.
- O que nós vamos falar sobre o meu braço? – O mais novo perguntou, segurando braço junto ao corpo e olhando para o chão. – Sua mãe vai ficar decepcionada. – Ele suspirou.
sorriu para ele. Em momentos como aquele, ele parecia apenas uma criança de dez anos e ela tinha vontade de abraçá-lo com força.
- Depois que ela reparar que estamos bem e recuperamos o documento, ela vai ficar orgulhosa. Relaxa. – Colocou o jato no piloto automático. – Está doendo muito? – Sentou na cadeira ao lado dele e ele negou com a cabeça.
- Já passei por dores piores. Tipo quando você arrebentou meu baço. – Deu um leve sorriso.
- Você mereceu, Narciso. – Acusou com os olhos semicerrados.
Chegaram em casa já pelo amanhecer. A intenção era entrar de fininho, tomar um banho, cuidar das causalidades e contar o que tinham feito - quanto menos dano, menos bronca e mais elogios -, porém assim que entraram em casa, deram de cara com o pai sentado na poltrona da sala.
- Aonde vocês estavam? – Bruce perguntou com a voz grossa, típica de quando ele falava com os vilões que caçava.
- Droga. – sussurrou, mas logo tratou de colocar um sorriso no rosto. – Oi, pai, tudo bem? – Perguntou com a maior cara lavada possível. – Nós fomos fazer um favor. – Levantou a caixa que estava em suas mãos e mostrou a frente, onde se lia: “Five X-Y”.
Bruce arregalou os olhos no mesmo instante e se levantou da poltrona.
- Vocês ficaram insanos? – Caminhou até a filha e a puxou pelo braço, fazendo-a se sentar no sofá. Tentou fazer o mesmo com Damian, mas a menina correu se colocando na frente do irmão.
- Não toca nele. – Avisou sob o olhar severo do pai e ajudou o irmão a sentar no sofá.
- Aonde... – Bruce começou. – Me expliquem! Aonde vocês estavam com a cabeça? , por tudo que é mais sagrado, você não tem noção de que tudo que as pessoas daquele lugar querem é você e seu irmão? Eu sei que foi você que inventou isso! Eu te conheço. – Bruce falava com desespero.
A ideia de algo acontecer com seus filhos lhe tirava o sono todas as noites. Ele não suportaria passar por algo assim. Tinha certeza que enlouqueceria.
- Nós só queríamos mostrar que somos capazes. – falou calmamente. – Você não nos deixa fazer isso, pai. Cismou que somos duas crianças indefesas, nos coloca sob suas asas e não nos dá direito a escolha.
- No dia em que você tiver um filho, você vai entender todo o meu excesso.
- E por que não é assim com Dick? Só por ele não ter seu sangue? – Bruce abriu a boca pasmo.
- De onde você tirou uma besteira dessas? ! Eu me preocupo com Richard tanto quanto me preocupo com você ou com Damian, mas é diferente. Dick passou pela mesma situação traumática que eu, se eu não o ajudasse a controlar isso, se eu não o trouxesse para esse mundo, ele iria se tornar o mesmo que tinha destruído a família dele. Eu o deixei fora disso o máximo que pude, o tornei meu parceiro para poder vigiar seus passos e ajudar. Nunca deixei de me preocupar com ele porque ele não tinha o meu sangue. Aliás, você sabe que eu não queria ele agindo por aí sozinho, mas agora ele já é um adulto e tem o direito de tomar suas próprias escolhas.
- Nós queremos isso também. – Damian falou pela primeira vez. – Queremos que nos deixe escolher. Não é justo tudo isso, principalmente se você finge que está tudo bem em nos deixar trilhar esse caminho. – O garoto suspirou e Bruce assentiu.
- Okay.
- Okay? – perguntou surpresa e desacreditada. Bruce assentiu de novo. - Mas a sua mãe vai ficar sabendo disso. E vocês sabem que ela vai surtar. Principalmente
pelo jatinho.
- E pelo braço quebrado do Damian. – sussurrou.
- Braço o quê? – Bruce elevou o tom de voz.
- Na verdade, é o ombro. – O garoto informou.
- Ossos do ofício. – A menina deu de ombros com um sorriso levado no rosto.
- Eu vou chamar a Diana. – Bruce falou sentindo a irritação lhe atingir.
Damian observou o pai caminhar com passos pesados para fora da sala e revirou os olhos, olhando da porta por onde o homem tinha passado para a irmã algumas vezes.
- O que foi?
- O que foi? – Ele repetiu a pergunta como se a resposta fosse óbvia, mas a menina continuava confusa.
- Charada é o vilão de Batman, Damian. Não a filha dele. O que foi?
- O que foi que você realmente é protegida. O tanto de grito que eu e Dick escutamos não está no gibi. – Bufou. – Aí com você ele só fala um okay.
- Ele falou okay para você.
- Você entendeu meu ponto, queridinha do papai.
- Ninguém discute comigo, Damian. Nem você. E você adora encher a merda do meu saco. Quando eu era criança, mamãe falava que eu seria advogada.
- E você vai ser?
- Não preciso me preocupar com isso. – Ela revirou os olhos com um sorriso. – Meu pai é rico.
- E você vai viver as custas dele?
- Até eu achar algo que eu realmente goste, sim.
- Mimada. – Cuspiu indignado.
- Sou e não me importo.
Bruce não só chamou Diana, como também chamou Dick e, bom, ninguém era melhor que Dick para fazer terror psicológico em e Damian. Era claro que eles respeitavam os pais, mas com Dick era diferente... A relação dos irmãos com ele era de pura cumplicidade, de respeitar o que o garoto mandava independente de tudo, porque ele era daqueles que ajudava a fazer as traquinagens também, então decepcioná-lo era a mesma coisa que partir o coração dos dois irmãos mais novos. E a faceta de Dick era de uma completa decepção.
- Vocês queriam se matar? Era isso? – Ele foi o primeiro a falar, de pé, ao lado dos pais, na frente dos irmãos que continuavam sentados no sofá. – Eu fiz uma pergunta.
- Richie... – começou, mas não terminou.
- Eu já expliquei. Nós só não queríamos ser tratados de igual para igual.
- Eu trato vocês com diferença, Damian? Quantas vezes... – Ele elevou a voz e respirou fundo. – Droga. Quantas vezes eu já não conversei com vocês que estava limpando o terreno? Que estava conversando com o cabeça-dura do Wayne sobre tudo isso. Eu jamais tratei vocês como crianças, mas, dada tamanha falta de responsabilidade e juízo, acredito que agi errado.
- Desculpa. – pediu com a voz embargada.
A última coisa que a garota queria era chatear o irmão. Eles sempre tinham sido cúmplices de tudo, até dizia que se ela não pudesse contar algo para o seu irmão, então provavelmente essa coisa era errada.
- Eu só estava cans... – Se perdeu no meio das palavras. – Pensa pelo lado positivo? – Ela levantou a cabeça e olhou para o irmão. – Eu e Damian trabalhamos em equipe. – Sorriu. – Eu até desmaiei a mulher que quebrou o braço dele.
Dick riu desacreditado.
- Você é muito cara de pau, .
- Mas você me ama? – Ela fez um bico quando o irmão não respondeu.
- E você? – Damian indagou olhando para Diana. – Não vai falar nada?
- A minha vontade é fazer o que a Liga não fez e matar vocês. Como vocês acham que nós iriamos ficar caso algo acontecesse a vocês? Por Hera, pensem, vocês não são crianças.
- Então pare de nos tratar com tal.
- Vocês estão de castigo. – Foi o que Diana respondeu.
- Como?
- Castigo, Damian. Uma semana sem ir para a Torre.
Os irmãos se olharam arregalando os olhos e gritaram juntos:
- O quê?
- E a cada reclamação, o castigo aumenta em um dia. Eu não tenho mais o que falar, acredito que seu pai e seu irmão já tenham passado o recado. E saibam que não vai ser com essa atitude que vocês vão conseguir alguma coisa.
Damian bufou e se levantou, caminhando em direção a porta de saída da sala, na intenção de chegar a seu quarto.
- Damian, volte. – Diana chamou, fazendo o garoto parar no meio do caminho. – Nós vamos à Torre de Vigilância consertar esse braço. E você. – Apontou para a filha. – Vai para o seu quarto.
obedeceu e foi para o próprio quarto, mas pouco tempo depois fez o caminho para o quarto de Dick. Bateu na porta e abriu quando o ouviu murmurar um: “entra”.
Ela fez um novo bico assim que ele a observou com os olhos semicerrados e correu até sua cama, se jogando ao lado dele.
Enfiou a cabeça no pescoço do irmão e sussurrou com a voz abafada:
- Você ainda me ama? – O homem revirou os olhos pelo drama. – Desculpa, Dick. Você me ama, certo? – Deitou a cabeça no ombro dele em seguida.
- É lógico que amo, . Mas você precisa parar de ser impulsiva.
- Mas nós conseguimos.
- Mas podiam não ter conseguido.
- Mas mesmo você, a mamãe ou o papai ou, até mesmo, o Superman, podem não conseguir.
- Nós temos experiência, . Esse não é o tipo de missão para qual você seria designada. Isso é para qualquer área da vida, por acaso você sabia resolver equação biquadrada na primeira série?
- Não sei até hoje. – Ela riu e ele a acompanhou.
- Isso é porque você não teve experiência o suficiente, mesmo já tendo aprendido sobre isso. Você não pode enfiar o carro na frente dos bois.
- Os bois podem ir empurrando com a cabeça. – Ela falou com um sorriso levado.
- Você é impossível.
- Mas você me ama.
- Amo. – Sorriu e deu um beijo na testa dela.
- Vai para o seu quarto antes que a mamãe volte. E fica na linha. – A menina acenou com a cabeça enquanto se levantava.
- Richie. – parou na porta. – Sobre o que eram os documentos?
- Vocês não abriram? – Ela negou.
– A gente respeitou algumas coisas, tipo que não deveríamos mexer em arquivos confidenciais.
- É sobre o Kon-El. Você sabe que ele é um clone do Superman, certo? – Ela emitiu um som de confirmação. – Aquele arquivo contém toda a documentação de como o projeto foi feito, nas mãos erradas daria merda. Inclusive, tem os dados sobre o outro pai do Kon.
- Outro pai? – Espremeu as sobrancelhas confusa.
- Sim. Ele foi criado com base no DNA do Superman e do Luthor. – arregalou os olhos.
- E ele sabe disso?
- Todos que trabalham com ele, sabem. Não é nada demais, mas dependendo da forma que isso é divulgado, poderia fazer as pessoas o olharem com maus olhos. Olharem a todos nós com maus olhos. Por isso é segredo.
- E o Kon, esquentadinho do jeito que é, não lidaria bem com as pessoas falando dessa parte genética dele. – Dick concordou.
- Também tem isso.
A menina logo voltou para o quarto dela e tirou, segundo a mensagem que ela mandou para Wally - que tinha lhe mandado um: “bom dia” -, o sono dos justos, já que ela não tinha dormido de madrugada.

ωωω


- Pelo inferno, , me deixe em paz. – Damian pediu.
- Vai me falar que é cem por cento de certeza que você não tem um crush na M'gann?
- Você sabe que a M'gann gosta do Kon, certo?
- E isso te impede de gostar dela?
- Eu não gosto dela, . Não desse jeito. – Ele observou a irmã fazer uma cara desacreditada, mas, mesmo assim, parar de encher seu saco.
Ele realmente não gostava de M'gann amorosamente, só tratava a garota diferente porque gostava da tentativa dela de lhe incluir nas coisas e tentar lhe ajudar. Ela era uma garota legal.
Dick se jogou ao seu lado assim que levantou - dizendo que ia treinar com Wally.
- Melhores amigos, huh?! – O irmão mais velho falou.
- Quê?
- Você e . – Fez um movimento com dedo indicando que eles estavam juntinhos.
- Não viaja. Ela continua sendo uma mimada irritante.
- Você também. – Riu fazendo com que o mais novo revirasse os olhos.
Bruce tinha sido sincero quanto ao que disse, ele parara de prender as missões e, de vez em quando, eles tinham coisas para fazer. É claro que já tinha feito a mente da maioria por ali, então, também de vez em quando, ela fazia alguém hackear os computadores ou arrumava missões pelos jornais.

- Onde você aprendeu a ser tão arteira assim? Bruce parece ser o tipo de homem que mantém os filhos na linha. – Zatanna lhe perguntara. – Diana também. – Completou em seguida ao ver o olhar zombeteiro da menina.
- Sam e Dean me ensinaram tudo que eu sei. – Foi o que a garota respondeu.
- Sam e quem? – A mais velha perguntou confusa.
- Supernatural, Zatanna. – Damian explicou. – Para de prestar atenção nas besteiras dessa garota.
- Oh, bonitinho, esse uniforme que você está vestindo aí é graças à quem, mesmo? – Apontou o uniforme do Robin e ele revirou os olhos.
- Você não recuperou os arquivos sozinha, . – Ele percebeu que tinha falado alguma coisa errada quando a viu dar um sorriso vitorioso.
- Se o mérito fosse seu, você tinha falado que teria conseguido sozinho.
- Você é irritante.
- O sentimento é recíproco, mestiço.
- Mestiço? – M'gann perguntou confusa.
- Ele é um vilão e um herói ao mesmo tempo. – riu vendo a feição do irmão, ele odiava quando ela lhe chamava assim. – Ele também é um Al Ghul, afinal.
A garota revirou os olhos ao ouvir Superboy rir. O lance é que ele implicava com seu irmão, rebaixando-o e dizendo que ele só estava ali por causa do pai que tinha - basicamente a mesma coisa que Damian fizera com ela um dia -, só que a única pessoa que poderia tratar o irmão dela daquele jeito, era ela. Ela não admitia ninguém mexendo com seu irmão mais novo.
- Você está rindo de que, filho do Lex? – arqueou uma das sobrancelhas para ele e no mesmo instante Kon fechou a cara e se retirou da sala.
- ! – M'gann brigou, mas ela ignorou.

Tempos depois, passou pela sala correndo com Wally e gritando: "eu não vou mostrar".
- Ei, ei, ei. – Dick chamou a atenção deles. – Que bagunça é essa?
- Peguei. – Wally ignorou ele e agarrou a menina por trás, fazendo-a soltar um gritinho.
- Me ajuda, Richie. Wally está querendo me forçar a mostrar o uniforme para ele. – Falou tentando - ou fingindo tentar - se desvencilhar dos braços do velocista.
- Qual o lance com esse uniforme afinal? – Artemis perguntou confusa.
- Ele é para uma grande entrada.
- Ela quer usar só quando for promovida a Liga. – Damian contou.
- Enquanto isso, você vai ficar salvando o mundo com roupa de ginástica? – Wally perguntou ainda abraçado a garota e ela gargalhou assentindo.
- Você não parece se incomodar. – Deu um sorriso diabólico que lhe foi correspondido na mesma hora.
- Ok, já deu. – Dick caminhou rapidamente até eles, livrando a irmã dos braços do amigo.
- É sério? – M'gann voltou ao assunto principal. – Você só vai usar na Liga?
- Provavelmente.
- Por quê?
- Porque ela não considera a Torre. – Damian falou e recebeu um tapa da irmã.
- Mentira. Eu só... Bom, sempre foi meu sonho ser da Liga. Então eu quero que minha grande estreia seja lá. – Ela mordeu o lábio inferior depois de explicar. – Eu ainda nem escolhi meu nome.
- Achei que sua mãe tivesse feito isso por você. – Wally zombou. – De onde saiu ?
- Engraçadinho. – A menina saiu dos braços do irmão que ainda a segurava longe de Wally e pulou nas costas do melhor amigo.
- Mas você deveria ter, pelo menos, uma roupa, certo? – Artemis perguntou e ela assentiu. – Um dia você vai ser fotografada e vai estar com roupas comuns?
- Eu falei com o tio Cisco, ele está fazendo uma para ela. – Wally respondeu. – Deve ficar pronta na próxima semana.
- E, por isso, eu já arrumei uma missão para a gente na próxima semana. – informou com um sorriso sapeca e seus colegas riram. era impossível.


Capítulo 6


- Toc, toc. – Diana falou enquanto abria a porta da filha.
- Geralmente o som é da gente batendo na porta antes de entrar, não falando enquanto abre. – respondeu sem tirar os olhos do livro em suas mãos.
- É. Geralmente. Mas a casa é minha e eu abro a porta que eu quiser. – riu.
- Depois vocês falam que não sabem de onde veio esse meu lado respondão. O que houve? – Abaixou o livro e olhou para a mãe ao perceber que ela não falava nada.
- Estava esperando você me dar atenção para poder falar.
- Oh, por Zeus! Você é tão sonsa quando fala que não sabe de quem herdei minha personalidade. – Diana gargalhou.
- O dia está lindo e eu quero ir à praia. – Falou com um sorriso no rosto. – E eu já estou pronta. – Levantou a blusa, mostrando o biquíni por baixo.
Diana viu a filha pular da cama no mesmo instante e riu. Desde que a menina nasceu, a praia era o lugar que elas se divertiam juntas e onde achavam calmaria no meio de vidas tão agitadas quanto as delas. Costumavam visitar o mar quando ainda era uma bebê, na ilha de Temiscira, e Diana sempre a fazia agradecer a Poseidon por aquilo.
Em pouquíssimo tempo, graças à velocidade dada por seu tio, apareceu na sala só de biquíni, onde Diana, já de pé a esperando, conversava com Bruce, Dick e Damian, que estavam sentados no sofá.
- Mãe, esse biquíni está bom? – Ela perguntou dando uma voltinha, mas antes que pudesse responder, os homens da casa já tinham respondido de uma vez só:
- Não. – A menina se assustou com a voz desesperada deles e arregalou os olhos.
- Por que não? – Perguntou se olhando confusa.
- Eu vou beber uma água. – Bruce levantou. – Acho que minha pressão abaixou.
A amazona riu do desespero do marido e dos filhos e observou o biquini da filha. Era de crochê branco com alguns búzios na parte debaixo do seio e outros dois pendurados em cada lado do laço do biquíni inferior.
- Está ótimo, querida.
- Mãe! – Dick falou desesperado.
- O quê?
- Ela está quase pelada. – riu finalmente entendendo a agonia geral.
- É um biquíni, Richard. É para ser quase pelado.
- Mas está muito pelado. – Damian que falou dessa vez.
- Não está, vocês que são exagerados.
- Então está bom? – A filha perguntou de novo e Diana assentiu. – Vou escolher um vestido então.
- Oh pai. – Damian chamou indignado quando o homem voltou da cozinha. – Você não vai falar nada?
- Como se fosse mudar alguma coisa. – Ele se sentou no sofá de novo. – Eu só vou me encrencar. – Diana gargalhou e sentou no colo do marido, lhe dando um selinho em seguida.
- É um homem sábio, por isso é meu marido. – Olhou para Dick em seguida. – Fica esperto, senão a Kory te chuta.
- Eu sei disso. – Ele respondeu contrariado.
- Vocês vão sozinhas? – Damian perguntou quando a irmã voltou a sala.
- Quer ser nosso guarda-costas, mestiço?
- Vai se foder, .
- Damian! – Diana o repreendeu.
Assim que anunciou estar pronta, a mãe e ela caminharam até a garagem e resolveram usar um dos conversíveis de Bruce. Pouco tempo depois, elas tinham chegado a Ocean City Beach, em Maryland.
- Eu estava com saudades de vir à praia. – anunciou, deitando-se sobre a canga ao lado da mãe.
- Eu também. – A mais velha sorriu para ela. – Como está sendo sua vida na Torre?
- Boa. Agora, de vez em quando, nós temos umas aventuras. É bem bacana.
- E quando não tem, você inventa, certo?
- Certo. – Deu de ombros com um sorriso levado.
- Dick estava reclamando com seu pai sobre você e o Wally. – juntou as sobrancelhas. – Ciúmes.
- Wally é meu melhor amigo. Nós passamos pelas mesmas coisas, então...
- Nunca fui para a cama com meu melhor amigo. – Diana sussurrou fazendo a menina arregalar os olhos.
- O quê?
- Eu sou sua mãe, .
- Você é minha mãe, não adivinha.
- É, mas você veio com aquele papo de anticoncepcional para espinhas e seu irmão reclamando a todo instante que Wally não tira as mãos de você e que você deixa. Até Damian reclamou. Achei que você ia conversar comigo quando acontecesse. – A mais nova mordeu o lábio inferior.
- Desculpa. Eu não sabia como contar.
- Que tal ei, mãe, transei ou ei, mãe, tô querendo transar?
- Não foi planejado. Só acabou rolando naquela missão que tivemos que ir à Rússia. E aí depois acabou rolando mais. E mais. – Deu um sorriso safado.
- Seu pai vai surtar quando souber que você estava transando durante as missões. – Elas gargalharam juntas.
- E é por isso que ele nunca irá saber.
- Você gosta dele? – fez uma careta confusa. – Do Wally, .
- O quê? Não. Não desse jeito. Aliás, Wally é total o tipo de garoto galinha que não namora.
- Seu pai também era.
- Corta essa, mãe. Papai era fodido, mas sempre foi apaixonado por você. Eu e Wally somos diferentes. Eu fico com quem eu quero, ele fica com quem ele quer e quando não tem ninguém interessante, ficamos juntos. – Deu de ombros.
- Eu vou ignorar esse palavrão.
- Eu ainda lembro dele com medo de contar sobre a Talia. – Diana revirou os olhos mediante o nome.
- Nem me lembre.
- Como você faz para fingir que não é ciumenta?
- Eu não sou ciumenta. – Diana respondeu rapidamente fazendo a filha gargalhar.
- Não é pouco, isso sim. Da mesma forma que eu lembro do papai com medo, eu lembro do seu surto quando ele sumia e você achava que ele estava com alguém. No fim, a putinha dele era o Coringa. – Gargalhou de novo e dessa vez a mãe lhe acompanhou.
- O Coringa não era a putinha dele nessa época. Eu confio no seu pai, . Então o máximo de ciúmes que eu mostro é quando eu vejo alguma sirigaita passando dos limites. Mas eu tenho certeza que ele jamais faria algo para me machucar. – sorriu boba.
- Espero um dia encontrar a minha alma gêmea. Tipo você e o papai, o Richie e a Stê.
- É claro que encontra. Você é maravilhosa, filha da Princesa Amazona e do Príncipe de Gotham. – A menina riu concordando.
As mulheres só saíram da praia no fim do dia, completamente torradas. Diana comentou que Bruce adorava aquela marquinha, o que fez fingir ânsia e pedir para ela poupá-la dos detalhes sórdidos. No meio do caminho até uma sorveteria, se depararam com uma mulher gritando por alguém que tinha levado sua bolsa e é claro que Diana e foram atrás do ladrãozinho.
- Você não deu sorte hoje, colega. – riu quando ouviu o policial comentar enquanto o colocava dentro da viatura. – Encontrar com a Mulher Maravilha e a filha dela.
Elas foram para casa logo depois e, em cerca de duas horas - devido ao trânsito -, chegaram. contou animada sobre como tinha sido o dia e o final do dia, onde ela trabalhou pela primeira vez com sua mãe - mesmo que fosse em uma coisa pequena, aquele realmente sempre fora o sonho da garota.
A família se reuniu para jantar assim que as mulheres da casa tomaram seus banhos.
- As pessoas não desconfiam que você é o Batman? – Damian perguntou ao pai.
A cabeça matutava a história que tinha contado mais cedo sobre elas pegarem o assaltante.
riu.
- Tio J’onn já apareceu algumas vezes como Bruce ou como o Batman quando papai estava para não levantar suspeitas. Inclusive no grande casamento.
- Como assim?
- No casamento da mamãe e do papai, o Batman prendeu uma grande gangue de Gotham. Na verdade, era o tio J’onn, porque ele é metamorfo, mas as pessoas não sabem disso, então ver que o Batman estava agindo ao mesmo tempo que o Bruce Wayne se casava com a Mulher Maravilha lhes tirou a pulga de trás da orelha.
- Eles fizeram isso algumas vezes para ninguém desconfiar de nada. – Dick ajudou a irmã na explicação.
- Hoje em dia, para metade do mundo, Bruce Wayne é um sortudo por casar com a Mulher Maravilha, a heroína mais gata e gostosa que já existiu e, para a outra metade, a Mulher Maravilha é a sortuda por ter ficado com o gostosão de Gotham. – riu. – E têm dois filhos maravilhosos, claro.
- Você está me excluindo? – Dick perguntou indignado.
- Claro que não. Nós somos os dois filhos maravilhosos, o Damian é o mestiço chato.
- Você é um saco, . – O mais novo revirou os olhos, fazendo o resto da família gargalhar.

ωωω


Julho de 2016
- Incêndio no prédio da Park Houston. – Damian anunciou através do autofalante, fazendo , M’gann e Artemis, que estavam na sala de treinamento, correrem para pôr seus uniformes.
Logo tinham chegado à sala comum.
- O que houve? – M'gann perguntou primeiro.
- O prédio está quase caindo, Wally está pedindo ajuda porque tem muitas pessoas lá dentro ainda.
- O prédio da Park tem 44 andares. – falou exasperada.
- Exatamente. – Ele respondeu ajeitando o cinto de utilidades e já andando em direção ao elevador, sendo seguido pelos outros.
foi voando com Kon, M'gann e Mutano - transformado em algum dinossauro do tipo que voava -, Artemis foi em sua motocicleta com Damian e Zatanna se teletransportou para o lugar - ela era uma feiticeira, afinal.
- A Liga perguntou se precisa de ajuda. – Mutano disse assim que chegaram ao local.
Eles já estavam dentro do prédio resgatando as pessoas.
- Manda a Liga se foder. – respondeu irritada e fez um dos homens que ela ajudava rir. – Robin, eu não quero você aqui dentro. – Falou pelo comunicador.
- Como? – Ele perguntou desacreditado, ainda estava chegando no local.
- Auxilia as pessoas a encontrarem seus parentes e receberem ajuda médica.
- Vai à merda, .
- Está cheio de fumaça nessa merda, Robin. – Ela falou sentindo a irritação crescer mais. – Se você desmaiar nessa merda, eu vou te deixar para morrer.
- Foda-se. – Ele respondeu assim que chegou no lugar, já entrando para ajudar as pessoas nos andares mais baixos.
- Essa merda desse prédio vai cair. – Superboy avisou pelo comunicador. – Tem muita gente ainda?
- Eu vou conferir. – M'gann respondeu, transpassando as paredes dos andares. – Tem umas 200 pessoas ainda.
grunhiu.
- Mutano, ajuda o Robin nos primeiros andares. – Ela falou vendo o amigo voltar ao 34° andar e ele assentiu. – Quem está auxiliando os feridos? – gritou.
- Eu. – Artemis respondeu pelo comunicador.
- M'gann, vai para os andares do meio. Superboy ajuda ela. – A Wayne informou. – Eu vou continuar nos últimos andares com o Kid.
Depois das ordens de , que tinha um raciocínio tão bom quanto o pai, os Titãs se moveram, retirando as pessoas de cada andar estipulado, e, com Zatanna fazendo seu trabalho de não deixar o prédio desabar, em pouco tempo todos já estavam sãos e salvos.
Ou não.
- Cadê o Robin? – perguntou olhando ao redor.
Já tinha encontrado e falado com todos os amigos pela visão panorâmica, menos com seu caçula.
Sua atenção, de repente, se desviou do prédio quase desabando para olhar ao redor e a heroína começou a se sentir nervosa demais.
- Uma mulher falou que a irmã dela ainda estava no 11º andar e ele foi ver. – Artemis contou, só notando que o garoto não tinha voltado após a pergunta da líder.
- Quem era a mulher, Artemis? – perguntou sentindo o sangue esquentar.
Artemis girou no próprio eixo, procurando a tal mulher e então a viu abraçada a uma outra. A arqueira caminhou até a mulher rapidamente, perguntando sobre o herói e rapidamente voltou a .
- Ele está lá dentro. Ela falou que a escada tinha começado a pegar fogo e ele a desceu por uma... – não esperou a parceira terminar de explicar, correndo para dentro do prédio.
- Décimo primeiro, décimo primeiro. – Murmurava como um mantra enquanto voava pelo vão do meio das escadas.
A garota não precisou andar muito para encontrar o irmão mais novo, estava desmaiado perto da janela, provavelmente ia pedir ajuda. Bufou, correndo até ele e o pegou no colo, voando para fora dali pela janela.
O trabalho dos Titãs, entretanto, não havia terminado, já que, a qualquer momento, o edifício desabaria e ainda tinham muitas pessoas ao redor. deixou o irmão com um dos paramédicos, que colocou uma máscara de oxigênio no garoto, e correu para afastar as pessoas dali.
Feito isso, os heróis se reuniram e voltaram a Torre.
foi voando e carregando o irmão, se praguejando e o praguejando, preocupada com o quanto de fumaça ele teria inalado. Filho da puta teimoso.
E se ela não tivesse se dado conta? Por que Artemis não contou nada?
Assim que chegaram, M'gann ajudou a cuidar dele na ala da enfermaria e Mutano chamou por J'onn.
Por fim, tiveram de obrigar a ir embora, com a ajuda de Dick que tinha ido buscá-la à força, porque a garota não parava de perguntar o que estava acontecendo, quando o irmão acordaria e uma série de perguntas que J’onn e M’gann não poderiam responder se quisessem ajudar o Titã.
Mas o estado do jovem não era tão alarmante assim e, no fim da noite, ele já se encontrava de volta à sua casa. Caminhou para o seu quarto calmamente, a fim de, finalmente, descansar, mas encontrou com a irmã mais velha que tinha lhe aguardado impacientemente, sentada na ponta da cama, como seu pai faria.
- Você é maluco, Damian? – Gritou e Damian apostou que todo a casa ouviu. – Eu mandei você ficar nos primeiros andares, droga. No máximo sétimo, Damian, no máximo. Mas você se acha a droga do Superman. – Ele revirou os olhos.
- , eu estou bem.
- Não, Damian. Você precisa aprender a ouvir.
- Quem te colocou como líder mesmo?
- Eu me coloquei. Eu falei e todos fizeram, mas você não escuta. Você quer se matar.
- Você fala como se escutasse alguma merda que as pessoas falam.
- Só que eu tenho poderes, Damian. Você precisa entender que existe uma diferença.
- Ser herói é se sacrificar.
- Ser herói é salvar as pessoas e ser estratégico. Você estava com a porra do seu comunicador para quê? – Ele não respondeu. – Você vai ficar sem missão pelos próximos três dias. – Ela avisou saindo do quarto dele.
- O quê? Você não pode fazer isso, .
- Veremos. – Ela falou já do corredor.
- Você é igualzinha a ele. Reclama, mas é igualzinha. – O garoto se referia ao pai e ela sabia disso.
- Se ser igual a ele significa prezar pela droga da minha família, então que seja. – Respondeu sem olhá-lo.

(...)


Pelos próximos três dias, Damian não saiu de casa para ir à Torre, mas também não falou com a irmã. Ele a respeitava, respeitava sua autoridade, mas isso não significava concordar e, por isso, todas as tentativas dela de alcançar o garoto, foram em vão.
- Você vai voltar a falar comigo depois que voltar para a Torre ou vai continuar na sua greve de silêncio? – Ela perguntou enquanto eles estavam sentados à mesa almoçando, juntamente com seus pais, irmão e cunhada, mas ele não respondeu.
revirou os olhos se levantando e se retirando da mesa, após murmurar um pedido de licença, mas, em questão de segundos, voltou para falar:
- Foi para o seu bem, Damian. E enquanto eu estiver com os Titãs, essa vai ser a sua realidade. Se te proteger significa que você não vá falar comigo, que seja, mas não espere que eu aceite calada você colocando sua vida em risco assim.
A menina fez seu caminho para o quarto e deitou na cama lendo o livro de história para a prova que tinha que fazer.
Deixou sua concentração - que já não era muita, pois odiava brigar com alguém de sua família -, esvair ao ouvir alguém, minutos depois, bater à porta de seu quarto. Murmurou um: "entra" e o corpo alaranjado se fez presente. Era Kory.
- Fala, cunhada. – Deu um sorriso.
- Posso falar com você? – Perguntou receosa e juntou as sobrancelhas enquanto acenava positivamente com a cabeça.
- Claro que pode.
- Dick me contou o que aconteceu. Com o Damian. – Explicou vendo a confusão no semblante da menina.
- Um fofoqueirozinho é o que Richard é. – A heroína alaranjada concordou sorrindo e sentando na cama ao lado da menina, onde ela tinha batido a mão. – O que tem?
- Você soou exatamente como Bruce, .
- Oh meu Zeus! É sério? Até você? – Estelar riu.
- Até eu, . Quantas vezes você reclamou comigo sobre como seu pai era estúpido ou me mandou deixar Dick na linha para ele não ficar do mesmo jeito? – A menina deu de ombros. – Várias, . Eu não acho que você fez errado de dar um castigo nele ou de ter se exaltado a princípio, mas, quando você não corrige o modo como você falou, apenas gritando e dizendo que ele fez merda, você se torna simplesmente igual a atitude que por tanto tempo recriminou. Você foi com Damian o que dizia que seu pai era com você e com Richard. – suspirou.
- Eu fiquei preocupada, Estelar. – Chamou pelo apelido da cunhada. Ela preferia esse. – Ele podia ter morrido. Ninguém tinha dado falta dele. – Falou devagar. – Mesmo sendo um babaca, ainda é meu irmão caçula.
- Eu entendo, . Eu juro que entendo, mas é isso que você precisa explicar a ele. Você não pode simplesmente gritar e esperar que ele entenda. – A terráquea balançou a cabeça sob o olhar da tamareana, como se compreendesse. – Até porque, por enquanto ele tem você para vigiá-lo, mas quando você não estiver mais lá, se ele não entender esse tipo de situação, vai continuar fazendo.
- Eu vou conversar com ele.
- Então, ótimo. Agora, vamos. – Se levantou e a puxou pela mão.
- Vamos aonde?
- Cinema. Eu, você e Ravena.
- Isso já estava marcado?
- Não, mas eu já mandei mensagem pra chatinha e ela topou, então vambora.

ωωω


Bruce piscou algumas vezes ao ver alguns sacos de lixo no canto da cozinha, a filha do meio ajoelhada no chão, esfregando o piso, e o mais velho encostado na pia, comendo uma maçã.
- O que houve? – Colocou a pasta em cima da bancada ao seu lado.
- O que você está fazendo? – Dick perguntou quando entrou na cozinha e viu a irmã despejando macarrão na panela de porcelana.
- Macarrão. – Respondeu em tom de obviedade. – Vou fazer o jantar. – Continuou seu trabalho, mas parou ao ouvir a risada estridente do irmão. – Algum problema?
- Você não sabe nem fazer um ovo, .
- Mas eu vi a receita na internet.
- Eu já vi gente construindo casa, já vi o Wally correndo super rápido e nem por isso consigo fazer.
- É diferente. – Se virou sem dar importância ao falatório do mais velho.
Richard apenas deu de ombros e sentou na bancada, perto da entrada do cômodo, para observar a besteira que a irmã faria.
terminou de colocar a quantidade de macarrão que achava ser suficiente e completou com água, colocando no fogo depois. Pegou uma bandeja no armário, colocou os pedaços de frango que tinha temperado e levou ao forno, ligando-o após.
Com um sorriso vitorioso, ela se virou para o irmão mais velho e puxou uma cadeira para se sentar.
Sete minutos depois, o barulho de estilhaços se fez ouvir, fazendo a garota pular da cadeira com os olhos arregalados, Richard apenas riu. A panela havia estourado e sujado todo o fogão e parte do chão de água e macarrão.
- Mas o quê? – A Wayne sussurrou confusa e o irmão riu mais uma vez. – Eu já vi a mamãe fazendo macarrão nessa panela.
- Você já viu o macarrão pronto nessa caçarola. – Dick respondeu e saltou da bancada para pegar uma maçã na fruteira. – Pelo visto essa janta não vai sair nem tão cedo. – Mordeu um pedaço da maçã. - Pode começar a limpar... – Caminhou até o fogão olhando o estrago e depois se apoiou na pia.
- Droga!


- . – Dick respondeu sem dar importância, continuando a comer sua maçã. – Cadê mamãe?
- Está vindo, foi buscar seu irmão. – Suspirou, olhando a filha de novo. – O que houve? – Engrossou a voz, mas ela não respondeu.
- Ela tentou fazer a janta. – Richard respondeu pela irmã e esta bufou, ainda limpando o chão.
Alguns segundos depois, Diana passou pelo portal da cozinha com o filho mais novo, que imediatamente perguntou:
- Que cheiro de queimado é esse?
estendeu o corpo no chão e, com a voz chorosa, respondeu:
- O frango...
- Você a deixou mexer na cozinha? – Diana se pronunciou pela primeira vez, a voz alguns tons elevados e Richard arqueou as sobrancelhas.
- Não olha assim para mim. Vocês – Apontou da mãe para o pai. – Fizeram ela. – Apontou a irmã, por fim. – Lidem com isso.
A amazona bufou, passando pelo esposo e pela filha estirada no chão, abriu o forno e tirou, sem precisar de luvas, a forma de lá de dentro, a apoiando em cima da pia, ao lado do filho mais velho.
- Vai se machucar. – Bruce orientou.
- Claro, porque posso aguentar tiros, mas não uma bandeja quente. – Ironizou, abrindo a torneira para jogar água na bandeja com frangos que mais pareciam carvões. – Levanta desse chão, Wayne. – Engrossou a voz e a menina obedeceu.
Com um muxoxo, a garota se retirou da cozinha e foi ao próprio quarto para tomar uma ducha. Quando acabou, voltou ao cômodo que tinha feito besteira e o encontrou já limpo.
- Eu só queria ajudar. – Sussurrou feito uma criança, se encostando no pai.
Bruce riu e passou um braço pelos ombros da filha, lhe dando um beijo na têmpora.
- Liga para o delivery da próxima vez. – Damian murmurou fazendo a família rir.

ωωω


- Toma. – estendeu a mão para o irmão mais novo entregando um envelope.
- O que é isso? – O garoto perguntou com a voz grossa.
tinha se desculpado por ter deixado seu sangue Wayne falar mais alto, mas ele ainda estava chateado. Ela entendia, ficava do mesmo jeito quando o pai fazia algo assim com ela.
Outra razão importante é que era aniversário do garoto, ele estava fazendo treze anos, e até o momento ela não tinha lhe parabenizado. Damian estava verdadeiramente chateado. tinha feito todo aquele show sobre lhe proteger, mas agora sequer lembrava do aniversário dele?
- Um envelope. – Ela respondeu, fazendo com que ele olhasse para a cara dela, pela primeira vez, com um olhar sarcástico. – Abre e lê, Damian. – Ela bateu com o envelope na testa dele, fazendo-o pegar logo.
“ Caro, Damian Mestiço Wayne,
Extraoficialmente, você é o primeiro Titã a saber que Wayne está se retirando da Torre dos Titãs, tendo sido promovida a Torre de Vigilância.
Desde já, informo que, seguindo a panelinha de sempre, você é o escolhido para tomar conta da Torre e das missões - sendo supervisionado pelo Mutano, claro, porque às vezes você faz muita merda.
Você é idiota, mas é meu irmão e eu te amo e confio em você.

P.S.: Não faça eu me arrepender dessa decisão. ”


Damian olhou para a irmã extremamente confuso, depois voltou a olhar para o papel em sua mão e ficou alguns segundos alternando o olhar entre os dois.
- Você já vai? – Olhou para ela, mas logo abaixou o olhar para o chão e jurou que ele fosse chorar. – Digo, já vai sair da Torre? A dos Titãs.
- É o que está escrito aí, não é? – Arqueou as sobrancelhas e empurrou a testa dele para que ele a olhasse. O garoto deu um leve sorriso e assentiu.
- Achei que fosse ficar mais tempo.
- Jamais. Minha meta era ir direto para a Liga, papai que não deixou. Mas fica calmo, não precisa chorar, eu só começo lá ano que vem, só estou dando meu aviso prévio e te passando o cargo dos Wayne. Que é mandar em todo mundo. – Ele assentiu com um sorriso. – Considere como seu presente de aniversário. E, também, tem isso. – Ela puxou algo do bolso do short que usava e lhe entregou.
- O que é?
- Uma pulseira. – Falou em tom de obviedade. – Mas um pouco diferente. Coloca a digital aqui. – Indicou a tela e, assim que ele o fez, a pulseira se transformou em um bastão. – É para te ajudar nas lutas. – Ela riu vendo o olhar impressionado do irmão.
- Como volta ao normal?
- Aperta alguma das extremidades dela. – Ele apertou e o bastão virou uma pulseira novamente.
- Cara, isso é muito legal.
- Melhor presente de aniversário, não é? – Ela falou cheia de si e ele riu. – Eu sei. Se você apertar esse botão aqui. – Mostrou. – Ela vai acionar o pedido de socorro. – Explicou e mostrou a mesma pulseira em seu braço. – Eu tenho uma e o Dick também.
- O que a de vocês faz?
- Nada. É só para nos deixar conectados, porque, bem, eu estarei na Liga, você na Torre e o Dick quer se virar sozinho. – Ela deu de ombros. – A sua é especial porque é um presente. – Ele sorriu assentindo.
- Obrigado.
- De nada, pirralho. – Deu um beijo na bochecha dele. – Feliz aniversário.


Capítulo 7

Dezembro de 2016
Assim que informou à Torre que no próximo ano já não seria mais uma Titã, tirando seu irmão que já sabia, os amigos ficaram sem falar com ela por exatas duas horas, numa tentativa de fazê-la mudar de ideia. Não funcionou e, no fim, Wally - que já tinha sido chamado para a Liga, mas não tinha aceitado - resolveu ir também.
Depois de passado os momentos dramáticos, uma semana antes dos amigos serem promovidos, eles receberam uma festa de despedida surpresa. deixou até mesmo algumas lágrimas escaparem, contente por saber que os amigos se importavam com ela tanto quanto ela se importava com eles.
- Eu ainda não acredito que vocês vão embora. – M’gann falou.
- É verdade. Nós vamos sentir falta de vocês. – Kaldur concordou.
- Eu só estou agradecida por nos livrarmos da . – Zatanna implicou e todos riram, já que tinha sido ela a começar com a greve de silêncio quando anunciou sua saída.
- Bom, sabe como é, galera. – Wally começou. – A morena não vive sem mim. – Passou os braços pela cintura de , fazendo-a revirar os olhos.
- Parece ser o contrário, né, Wally. – Damian falou enfezado. Ele já tinha convivido com Dick e Bruce o suficiente para adquirir o ciúme pelas mulheres da casa. – Que eu me lembre, você que correu para a Liga depois que ela anunciou.
- É que ela pediu com jeitinho. – Falou com malícia na voz, fazendo Damian lhe lançar um olhar cortante. – Brincadeira, brincadeira.
O restante do dia foi leve e divertido e, no fim da noite, eles fizeram sua última missão juntos... Salvando algumas crianças que tinham ficado presas em uma caverna depois de terem entrado para brincar.
Quando retornaram à Torre, viu todos os amigos ficarem estáticos olhando para dentro da sala e Damian logo fez sua pulseira virar o bastão que já tinha virado marca registrada dele.
- Quem é você? – O garoto perguntou entredentes.
arregalou os olhos ao reconhecer a pessoa e correu, se pondo no caminho do irmão.
- Calma, calma, calma! Eu conheço ele. É que... – Ela mordeu o lábio inferior. – Eu pensei que como estaria saindo, e o Wally também, vocês precisariam de alguém novo no time e comecei uma pesquisa sobre alguns heróis por aí e achei ele na Dakota do Sul. – Ela sorriu para o garoto ao seu lado e ele retribuiu. – Galera, conheçam o Virgil ou, melhor, Super Choque.

ωωω


Janeiro de 2017

- Você nervosa? Eu nervoso. – Wally falava sem parar enquanto eles caminhavam pelas instalações da Liga.
- Wally, pelo amor de Zeus, cala a boca. Eu estou ficando nervosa, porque você está me deixando nervosa.
- Grossa. – Ele falou todo murcho, o que fez com que a garota risse. – Quando a gente vai encontrar alguém importante? Tipo, sei lá, o Batman. – Ele fez careta olhando alguns dos heróis que passavam ao redor e riu com a indiscrição dele.
- Olha, eu vejo o Batman todo dia à noite e pela manhã. Ele é um saco e eu espero não esbarrar muito nele por aqui. – Riu e foi acompanhada pelo amigo.
- Bom saber. – escutou a voz grossa atrás de si e deu um pulo, se virando.
- Por Zeus, pai. Quer me matar do coração? – Ele semicerrou os olhos para ela.
- Gostei dela. – Alguém chegou segundos depois por trás de Bruce e deu um largo sorriso ao perceber que era, nada mais, nada menos que o Superman. – Ele realmente é um saco. – Fez uma careta apontando para o pai da garota e ela concordou sem tirar o sorriso do rosto.
- Wow! É o Batman e o Superman. – Wally falou animado.
- Você já fez missões com eles, qual o motivo da alegria? – juntou as sobrancelhas.
- Ah, antes eu era subordinado, agora sou um deles. Isso é bem legal, você não acha?
- Nunca fui subordinada de ninguém. – Respondeu debochada. – Cadê o tio J’onn? – Ela se direcionou ao pai.
- Enfermaria ou sala de controle. – Clark que respondeu e ela sorriu de novo.
- Obrigada. – Deu as costas para eles, começando a fazer seu caminho para fora dali.
- Ei, aonde você vai, gata? – Wally perguntou, fazendo-a parar no meio do caminho.
- Achar o tio J’onn. Sugiro que não me chame de gata na frente do Wayne pai. – Ela riu e o garoto olhou para Bruce que tinha uma cara nada amigável. – Ele é o mentor por trás do Richie e do Damian. – Anunciou já voltando a andar novamente.
A garota andou pelas instalações da Liga procurando pelo tio, mas não o encontrou em nenhum lugar. Bufou, cruzando os braços e indo para o refeitório pegar um suco.
- Você está atrasada. – Ela se assustou com a voz da mãe atrás de si.
- Oh meu Zeus! O que deu em você e no papai hoje? Tiraram o dia para me matar do coração?
- É que você está atrasada.
- Já entendi isso. E é culpa do Wally. Mas tanto faz também, nós já conhecemos a Torre de Vigilância. – Ela deu de ombros.
- Mas você só veio aqui, sei lá... Uma vez? – Shayera apareceu do lado de sua mãe e ela sorriu.
- Tenho memória fotográfica.
- Tem?
- Não, não tem. – Diana revirou os olhos.
- Sabe onde o tio J'onn está?
- Serve aquele? – Apontou o marciano sentado em uma das mesas do refeitório.
- Serve. – A menina assentiu animada. – Obrigada, tia Shay.
- Não me chame de tia ou eu te parto ao meio. – Shayera respondeu indignada e a menina riu.
sorriu calorosa ao se sentar ao lado do tio, laçando-o com seus braços e dando um beijo no rosto verde.
- Ah! Você chegou! – Ele sorriu, empurrando a bandeja na mesa para dar atenção a ela.
- Cheguei. E eu estava morrendo de saudades.
- Por que se atrasou?
- Wally queria comer um sorvete que só existia no fim do mundo e, como melhor amiga, fui obrigada a acompanhá-lo. – Ela revirou os olhos e o tio assentiu.
- Ele é igualzinho ao Barry, se fosse filho não seria tão igual.
- Acho que é coisa de velocista ser idiota. Você devia fazer uma pesquisa sobre isso, alguma coisa deve fritar os neurônios dele. – Ele riu da fala dela. – Mas me fala, o que eu perdi? Se eu perguntar ao papai ou a mamãe, eles vão encher meus ouvidos dizendo que eu saberia se tivesse chegado mais cedo.
- Nada demais. Apresentamos os novos membros, informamos quem vai ficar sob a tutela de quem e fizemos um tour pela Torre. Nada que você realmente precise.
- A não ser saber sob a tutela de quem ficarei. – Ele balançou a cabeça.
- Do Clark.
- Como? – J'onn a pegou dando um sorriso maior que a cara.
- , por favor, se comporte.
- Eu sempre me comporto. – Ela falou, fazendo com que ele a olhasse com o olhar mais debochado possível. – Achei que iria ficar com a mamãe. – Ela ignorou a expressão do tio.
- Era o que ela queria, mas seu pai não aceitou. Ele falou que ela iria ficar distraída, já que você é filha. Seus poderes são parecidos com o do Shazam ou do Superman, tirando sua mãe, o que faria você ficar sob a tutela de algum dos dois. Como o Shazam é uma criança no corpo de um adulto... – Literalmente foi o que a menina pensou. – Quem melhor para ser responsável por você do que o melhor amigo dos seus pais?
- Realmente... Ninguém! – Deu um sorrisão se levantando. – Vou procurar meu tutor.
- Juízo, , juízo.
- Sempre, tio. – Abanou a mão em desdém sob o olhar criterioso do marciano. – Onde eu posso encontrá-lo? – Voltou para perto dele, parando com a mão na cintura.
J’onn pareceu pensar um pouco, fechando os olhos e se concentrando em sua telepatia.
- Academia. Com o seu pai. – revirou os olhos.
- Eles são gêmeos?
- Siameses. – Debochou fazendo a mais nova rir.
Devido aos treinos com Kara, o caminho para a academia conhecia de cor. Ela se encaminhou ao lugar com sorrisos, sem se preocupar com o tempo, acenando para cada um em seu caminho.
Quando chegou lá, seu pai estava de saída e ela sorriu por isso. Ele ameaçou falar alguma coisa, mas apenas o empurrou para fora depois de dar um beijo em seu rosto.
- Tchau. Te amo.
- Juízo, . – Ele resmungou sem se deixar ser empurrado pela filha. – Toma conta dela. – Bruce apontou para a filha enquanto falava com o melhor amigo e a garota revirou os olhos.
- Vai embora, Wayne. – Desistiu de empurrá-lo e apontou para a porta.
Clark riu. Ele estava zero acostumado a ver Bruce naquela posição, uma figura paterna, tudo que sabia era o que Diana, J’onn ou ele próprio contavam. parecia ter vindo para fazer o homem-morcego pagar por todos os seus pecados.
A Wayne suspirou, por fim, quando viu o pai sumir no corredor.
- Como você aguenta? – Perguntou, despertando mais um riso do homem.
- Na maioria das vezes eu só finjo estar ouvindo as loucuras dele. – Deu de ombros. O sorriso continuava no rosto.
- Então... Faremos alguma coisa hoje? – Mexeu os ombros em completa animação.
- Hoje nós só iremos treinar. Mano-a-mano.
- Cinco minutinhos sem perder a amizade. – Ela o fez rir de novo.
- Isso. Precisamos desenvolver nosso trabalho de equipe primeiro, antes de sairmos em missão. – assentiu. – Você já está à caráter. – Apontou a roupa de ginástica da garota e foi a vez dela de rir.
- Sim. É quase um uniforme. – Ajeitou o top. – Papai odeia.
- Posso imaginar. Soube que você invadiu a Liga dos Assassinos. – Falou como quem não quer nada e a menina semicerrou os olhos para ele.
- Por acaso papai fica desabafando sobre como tem uma filha louca que o faz ficar com os cabelos brancos?
- Quase isso. – Riram juntos. – Ele tem orgulho de você, apesar de ser superprotetor. – Clark adquiriu um tom sério, fazendo-a sorrir. – Agora, dona ... – Semicerrou os olhos. – Chega de conversinha. Me mostra o que você sabe fazer. – Chamou-a com uma das mãos.
- Assim?
- Assim.
- Com tudo?
- Tudo.
- Ok. – Mostrou um largo sorriso.
No próximo segundo, havia saltado sobre ele e lhe atingido com um soco nas costas. Kent arfou pela surpresa e a olhou consternado.
- Você falou para ir com tudo. – Ela deu de ombros e desviou do soco com o qual ele tentou lhe atingir.
Clark a pegou pela cintura, ergueu-a e a jogou do outro lado da sala de treino. O erro dele foi pensar que aquilo lhe daria a chance de analisar o ambiente, pois, no momento seguinte, jogava seu corpo contra o dele, lhe fazendo cair de costas no chão. Ela desferiu alguns socos contra seu rosto até ele alcançar a perna esquerda dela e puxá-la, fazendo-a se desequilibrar de cima dele e cair no chão ao seu lado.
Antes que o homem lhe encurralasse, entretanto, a garota rolou mais duas vezes e fugiu de seus braços, aproveitando o descuido dele para fazê-lo continuar no chão, forçando o joelho contra as costas dele e puxando os cabelos para fazê-lo lhe olhar.
- Você é bonito até quando está perdendo para mim. – Comentou e sorriu, prendendo o lábio inferior com os dentes.
Kent abriu a boca, um pouco chocado com a fala dela, mas apenas assentiu e deu três toques no chão.
Os dois se levantaram em seguida.
- Ótima luta. Esperado da filha do Morcegão. – Riu e foi acompanhado por ela.
- E da Princesa Amazona. – o lembrou enquanto caminhava até o frigobar para pegar uma garrafa d’água.
Com mais uma ou duas piadinhas, se despediu e se encaminhou até o vestiário para um banho e, depois, para o seu quarto, para arrumar suas coisas e descer.
- Mia, gata. – Wally falou assim que ela abriu a porta de seu quarto para ele.
- Você é tão brega. – Ele riu.
- Vai dormir aqui? – negou com a cabeça, dando espaço para ele entrar. – Quer dormir lá em casa? – Perguntou abraçando-a por trás e dando um beijo no pescoço dela.
- Dormir, Wally? – Inquiriu risonha e ele a soltou.
- É lógico. – Fez a maior cara de inocente que podia. – Coisa boba de amigos. – Ela riu.
- Ok, vamos. – Colocou a mochila no ombro.
- Vou arrumar minhas coisas, vai indo lá para a sala onde eles descem a gente.
- Sala de coordenadas, Wally.
- Isso mesmo. – revirou os olhos e fez seu caminho para a sala de coordenadas. Lógico que quando ela chegou lá, o velocista já havia chegado também.


ωωω


- O que você está fazendo? – O kryptoniano perguntou ao ver a Wayne sentada no chão da sala de treino com o celular em mãos.
- Atualizando o Instagram. – Respondeu sem olhá-lo. Clark arqueou as sobrancelhas.
- Você veio para Liga para atualizar no Instagram? – Ela o olhou no mesmo instante.
- Não, eu vim para treinar, mas já que você estava atrasado, resolvi atualizar minhas redes sociais. – Deu um sorriso debochado. – Já atualizei o Facebook, respondi as mensagens do WhatsApp e postei dois stories no Instagram. – Enumerou nos dedos enquanto o imitava, o olhando com as sobrancelhas arqueadas.
Clark coçou a nuca e acenou com a cabeça, com uma expressão que mostrava bem o quanto contrariado ele estava, completou:
- Tudo bem. Agora que estou aqui, mãos à obra. – Mostrou um sorriso amarelo e deu um grande sorriso de volta.
já tinha sido avisada por alguns, vulgo Shayera, sobre a síndrome de reizinho que Clark ostentava. No entanto, a única pessoa autorizada a ter essa síndrome ali era ela própria.
A garota jamais deixaria alguém se sobrepor a si.
Não mesmo.
Ela era Prince Wayne. Ninguém tinha sobrenomes tão poderosos quanto os dela.


(...)


- Eu poderia me acostumar com isso fácil, fácil. – soltou um suspiro ao ver o tutor tirar a blusa para limpar o suor do rosto.
Clark a olhou confuso e ela riu.
- Tirando sua síndrome de eu-sei-mais-do-que-você, você é ótimo, Clark. – Suspirou, olhando-o de cima à baixo, enquanto se abaixava para alcançar-lhes uma garrafa de água.
- Não entendi onde você quer chegar. – Tomou um gole de água que ela havia lhe entregado.
- Às vezes, eu acho que você é inocente demais.
- Como assim? – revirou os olhos.
- Estou te cantando, Clark. Porque você é gostoso, essas coisas... – Mexeu a mão como se explicasse.
O mais velho a olhou desconcertado e mexeu a boca algumas vezes sem saber o que falar, mas ela apenas riu mais uma vez. Andou para perto dele e, depois de dar um beijo em sua bochecha, informou:
- Vou tomar banho. Nos encontramos no refeitório? – Clark assentiu desconcertado.
havia acabado de se sentar à mesa do refeitório quando ouviu o tio pelo comunicador em seu ouvido:
- Sala de coordenadas, você tem missão.
A garota espremeu as sobrancelhas e prontamente respondeu:
- Não tenho, não. Clark disse que não estávamos prontos ainda. E agora estou comendo. – Deu uma garfada em seu arroz.
- Clark não designa missões, eu sim. Agora, .
- Mas eu não posso nem comer nesse inferno? – A garota elevou um pouco o tom de voz, atraindo olhares dos heróis dispostos nas mesas ao redor.
- Não vou repetir, . – Respondeu, fazendo-a bufar.
Completamente desgostosa, ela despejou o conteúdo de sua bandeja no lixo e a deixou no lugar onde seria recolhida pelos funcionários, caminhando até a sala de coordenadas em seguida.
Clark riu quando a viu chegar com cara de poucos amigos.
- Achei que iria estar mais feliz com a sua primeira missão.
- Eu tenho metabolismo acelerado, Kent. Preciso comer para funcionar.
- Sua missão será em um coquetel beneficente. Tocaia. Então pare de reclamar. – J’onn alertou.
- Que coquetel?
- Do Luthor. Ele está cada vez mais engajado na carreira política dele. – assentiu.
- E exatamente o que vamos fazer?
- Lex tem alguns vídeos e informações que podem revelar a identidade de alguns heróis. – Clark explicou.
- Como o coquetel será na casa dele, vocês terão a chance de acessar os servidores dele e recuperar isso. – J’onn completou. – Clark foi convidado para cobertura do evento...
- Porque Lex é pouco cínico. – A garota revirou os olhos e os outros dois assentiram.
- E você é quem vai fazer o trabalho sujo. – J’onn deu de ombros. – Tem passe livre porque é uma Wayne.
- Eu sei. Adoro meu sobrenome. – Jogou os cabelos, fazendo o tio rir. – Então eu recupero os documentos, Clark me dá cobertura. – J’onn assentiu. – Um único problema.
- Qual?
- Não sou o Damian. Ou o papai. Não sei hackear nada.
- Felicity vai fazer isso. – A tranquilizou. – Você só vai precisar colocar esse pen-drive... – Entregou o dispositivo para ela. – No servidor principal que fica abaixo do salão.
abriu a boca para retrucar, mas o tio a cortou, respondendo sem ao menos precisar ler sua mente:
- Ela vai te guiar até o servidor também.
- Ótimo. Podemos ir?
J’onn liberou a dupla, com um aviso à de que sua mãe havia deixado uma roupa separada para ela em seu dormitório, o que fez a garota rebater, já que, supostamente, só ela deveria ter a senha de seu dormitório.
- Sua mãe é uma fundadora, . Tem acesso a todos os dormitórios. – Foi o que Clark lhe respondeu depois da décima reclamação da garota.

(...)


- , você já pode parar de comer e ir fazer o seu trabalho. – Felicity gritou pelo comunicador ao ver que a menina não dava sinal de que sairia da mesa do buffet.
- Eu não almocei. – Sussurrou.
- É, eu sei. Eu também não, mas aqui estou eu.
riu enquanto escutava a loira reclamar em seu ouvido sobre como a vida não era fácil para heroínas. Acenou com a cabeça para algumas pessoas em seu caminho e deu um leve sorriso a Clark, que lhe observava de longe, se aproveitando do início do discurso de Lex sobre filantropia para começar seu trabalho. Fingindo saber exatamente para onde iria, mesmo que Felicity ainda não houvesse lhe informado, ela se moveu pelo salão.
- Ok. Para onde estou indo?
- Passe o elevador e vá para a esquerda. Isso. Aí mesmo. No corredor de serviço do porão. Desça as escadas. – Felicity orientou sem precisar de uma confirmação da menina, já que a tela de seu computador mostrava a planta do edifício e os passos da Wayne.
- É uma escada bem grande. – reclamou, olhando por cima do ombro para ter certeza de que não estava sendo seguida.
- Sim, é. – Riu porque sabia que também reclamaria se estivesse no lugar da mais nova. – A cozinha é à sua direita. assentiu mesmo que a outra não pudesse ver. – Vire à esquerda. Bem de frente à você. Achou?
- Achei.
- Sim. Unhum. É aí que deve estar.
A Wayne fez um leve barulho com a boca em confirmação enquanto olhava o enorme servidor a sua frente, a procura do lugar corretor para plugar o pen-drive.
- Foi? - Foi.
- Ok, sete minutos até estar completo. Volte para o salão para socializar, encontre um gatinho de Metrópolis para trocar uns beijos. – A risada alta de foi o suficiente para chamar atenção dos garçons que andavam no sentido contrário à jovem.
- Espero que se lembre que isso é uma missão. – A voz de Clark imperou e ela fez careta.
- Uh! Parece que alguém recebeu ordens do senhor Wayne. – Felicity debochou.
chegou ao salão a tempo de ver a careta de desgosto que Clark ostentava. Ela iria seguir o conselho de Felicity e andar até o homem que a encarava com cobiça no canto do bar, mas foi interrompida pelo tutor:
- Senhorita Wayne? Senhorita Wayne? Clark Kent do Daily Planet.
- Oh! A fundação do meu pai já enviou uma declaração apoiando os livros. – Mexeu as mãos em desdém ao discurso de Lex.
- Senhorita? – Clark semicerrou os olhos ao ver que ela continuava com os olhos no homem no canto do bar.
- Uau. Belo espécime. – Sorriu libidinosa. – É um mau hábito. Não publique isso, okay?
Uma faceta debochada foi apresentada ao repórter e se preparava para sair quando foi chamada novamente.
- Qual sua posição sobre as missões filantrópicas?
- Oh meu Deus! Isso está melhor do que as séries da CW. – A garota teve de se segurar para não rir da fala de Felicity.
- Daily Planet... – A amazona fingiu pensar. – Minha família não é dona deste também?
- As liberdades têm sido esmagadas durante estas. As pessoas vivem com medo.
- Não acredite em tudo que dizem por aí. Ou acredite. – Deu de ombros.
- Eu já vi isso antes. – Kent continuou e a outra revirou os olhos. – Pessoas que pensam estar acima de tudo.
- Okay. Estou ficando um pouco perdida.
- O Daily Planet criticar aqueles que pensam estar acima de todos é um pouco hipócrita, não acha? Considerando que toda vez que seu herói salva um gato, vocês escrevem um artigo enaltecedor sobre um alienígena que, se quisesse, poderia reduzir a cidade à cinzas.
- Tá. Acho que me achei.
- A maior parte do mundo não compartilha da mesma opinião que a sua, senhorita Wayne.
- Isto é porque eles não conhecem o verdadeiro Superman.
- Uh. Ela tá certa. Eu, pelo menos, concordo com ela. Você realmente vive num pedestal. – A garota arqueou uma das sobrancelhas ao ouvir Felicity.
Clark teve seu direito à resposta anulado quando a voz característica de Luthor se aproximou deles.
- Wayne conhecendo Clark Kent. – Bateu uma mão na outra como se estivesse verdadeiramente animado. – Adorei. Eu adoro aproximar pessoas. Como vocês estão? – Estendeu a mão para .
- Lex. – Ela sorriu.
- ! Maravilhosa como sempre. – Fez referência à roupa dela. – Clark. – Estendeu a mão ao repórter que não se conteve e lhe deu um verdadeiro aperto. – Uau. Essa é uma ótima mão. – Deu dois toquinhos no ombro dele. – Melhor não arrumar briga com esse cara. – Zombou, voltando seu olhar à garota. – Então... Após tanto tempo, consegui alcançar um Wayne para os meus eventos. Que surpresa! – Olhou de um herói para o outro.
- Sim. Eu vim tomar todas as suas bebidas.
- E acabar com o seu buffet. – Clark completou e os três riram juntos.
- Sete minutos, . Pegue o pen-drive.
- É... Deveria me ajudar a convencer seu pai de uma parceria. – Lex continuaria, mas foi interrompido. A asiática de cabelos curtos e ainda molhados lhe avisara que o governador gostaria de falar com ele. – Governador. – Fez careta. – Parece ser importante.
- Oh, com certeza! – Deu o sorriso mais falso que conseguia. – Deixamos para a próxima. – Lex assentiu.
Assim que Luthor se retirou, também o fez. Doida para fugir tanto da conversa com Luthor quanto da palestra de Clark.
Desceu a escada a passos rápidos e recuperou o pen-drive, voltando ao coquetel em seguida. Sorriu ao ver que os garçons haviam começado a servir um picolé gourmet e se aproximou de Clark para aguardar sua vez. Ela amava aquilo.
- Missão concluída, senhor Daily Planet. – O sarcasmo escorreu de sua boca enquanto ela aceitava um picolé do garçom.
- Vejo que não é só para respostas petulantes que serve sua boca. – Concluiu ao vê-la devorar o sorvete. - Oh não. – O sorriso malicioso que ela expôs fez o homem perceber que havia falado besteiras. – Ela serve para muitas outras coisas. Se quiser, posso te provar.
A duplicidade das palavras caiu como uma luva e Clark, completamente envergonhado - principalmente depois de ouvir a gargalhada de Felicity que ainda os escutava pelo comunicador -, apenas se afastou depois de avisar que deveriam ir embora.


Continua...



Nota da autora: Eu espero que os surtos sejam grandiosos, porque a Olivia (nossa pp), com essa santa boca, merece!
E eu também, obrigada u.u



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Qualquer erro nessa fanfic ou reclamações, somente no e-mail.


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