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Última atualização: 15/11/2020

Capítulo 1

Holmes Chapel
Julho, 2012

P.O.V

Holmes Chapel era um pequeno vilarejo da Inglaterra no condado de Cheshire e ao sul de Manchester.
Pacífico, pequeno, estável, um bom lugar para passar um tempo tranquilo longe da correria de Birmingham. Eu estava em Holmes Chapel para visitar minha mãe, raramente nos encontrávamos mesmo que Birmingham fosse apenas há uma hora de distância.
Nós nos dávamos bem a maior parte do tempo e eu gostava de viajar, talvez não nos víssemos com frequência porque eu não gostava de conhecer os vários namorados da minha mãe, eu achava estranho. Ela trocava bastante de relacionamento, mas eu não poderia me meter naquilo, ela vivia bem, qual era o problema? Só era um pouco desconfortável para mim.
Já meu pai vinha namorando minha madrasta há seis anos, Katherine era adorável e eu genuinamente a amava. O último namorado da minha mãe foi Alex, ele era o músico, se não me engano, tinha me emprestado seu violão. Eu conheceria o atual dela em breve.
– Mãe! O leite acabou?! – gritei para o ar esperando uma resposta do andar de cima.
– Sim! Amanhã eu compro! – gritou de volta e eu bufei um pouco sem paciência naquele dia.
– Eu compro! Já volto! – peguei meu casaco na cadeira, as cópias das chaves de casa e algumas notas da carteira da minha mãe.
– Você lembra onde o mercado é?! – era inacreditável como a senhora Klara não conseguia levantar a bunda da cama para vir falar comigo.
– Sim, mãe! Essa cidade não mudou nem uma lixeira do lugar desde a última vez que eu vim! – sai para a rua sem dar oportunidade de dar continuação à gritaria.
Minha mãe morava em Holmes Chapel iria fazer sete anos e eu não a visitava fazia três. Não por ser uma filha ruim, ela havia me visitado em Birmingham. Antes disso, ela tinha morado em Londres sozinha e em Liverpool com a minha avó, até passou um ano em Chicago casada com um americano, mas isso acabou e ela se divorciou pela segunda vez. Meu pai e minha mãe estavam divorciados e separados faziam quatorze anos, eu quase nem me lembrava de um tempo em que foram um casal. Minha irmã mais nova, Mia, era fruto do segundo casamento do meu pai, isso fazia dela minha meia-irmã, mas aquilo não mudava muita coisa já que nunca tínhamos passado mais que dois meses separadas. Ela era nove anos mais nova que eu, uma mistura da parte inglesa do meu pai e da parte belga de Katherine. Mia era linda, seu cabelo era cor de mel igual da mãe, tinha os traços marcantes do meu pai e a personalidade crítica dele, mas os olhos também eram de Katherine, olhos verde água intensos demais para uma garota de doze anos.
Minha mãe era sueca, tinha os cabelos escuros e a pele clara, olhos azuis turquesa, quadril grande e uma cintura fina que sinceramente me dava raiva porque ela havia me passado a genética do quadril e minha cintura era modelada também, mas eu conseguia engordar bem mais facilmente que ela. Ela odiava as próprias pernas querendo que fossem magras, mas eu não via problemas em pernas grossas. Ela tinha seios pequenos, já eu tinha herdado os seios da minha avó, os meus tinham sido grandes desde o começo da puberdade.
Alguns diziam que eu era a cara do meu pai e alguns diziam que eu era a cara da minha mãe, eu tinha bastante dos dois, mas também coisas que nenhum dos dois pareciam ter. Meus olhos eram uma coisa muito engraçada sobre mim porque meu pai tinha olhos castanhos e minha mãe, olhos azuis, mas eu nasci com olhos âmbar que chocaram toda a família. Meus cabelos eram lisos e pretos, meu corpo era parecido com o da minha mãe, apesar da diferença dos seios, e meu nariz e o formato dos meus olhos eram bem similares aos do meu pai, senhor Nathan.
Minha personalidade era algo entrelaçado entre meus pais, eu tinha o temperamento explosivo do meu pai e a habilidade de persuadir da minha mãe, entre várias outras coisas.
Cresci em Birmingham, mas já havia visitado Liverpool, Manchester, Londres, Chicago, Bélgica e Suécia. Katherine havia sido parte da minha vida por tanto tempo que tinha me ensinado como falar neerlandês e eu sabia sueco também por causa da minha mãe, fora o inglês britânico que era minha língua nativa, eu era habilidosa com linguística e por isso estudava Letras na Universidade de Birmingham.
O dia em que fui aceita foi um dos dias mais felizes da minha vida, como se eu soubesse que tudo daria certo. Já se faziam três anos desde que tinha entrado na faculdade, alguns diziam que era um inferno, mas eu particularmente gostava, era sobrecarregado? Sim, mas nós dávamos um jeito.
Andei algumas quadras até avistar o mercado, atravessei a rua e tentei ser rápida, procurei o leite e peguei um que parecia ser de qualidade, minha mãe sempre preferia o mais barato, mas eu achava aquilo bem ignorante da parte dela. Peguei chocolate, cereal e meu chá gelado pronto.
Tinha colocado tudo no carrinho de compras e justamente quando ia entrar para a fila, achei a goma de mascar que só vendiam em Holmes Chapel a qual eu estava procurando, o único problema foi que, por causa da distração, andei com o carrinho sem olhar para frente e bati em alguém, soltando o carrinho pelo susto e piorando a situação.
– Meu Deus! – o garoto gritou parecendo em dor e eu cobri minha boca com as mãos, logo segurando o carrinho novamente.
– Eu... Eu sinto muito! Você está bem? – ele massageava as próprias costas e soltava respirações entrecortadas de dor. Eu tinha ouvido um estalo, será que tinha machucado o garoto seriamente?
– Me dê um minuto, você realmente fez um estrago. Pelo amor de Deus, segure esse carrinho. – colocou as duas mãos nas costas e se virou de frente para mim. Seu rosto me pareceu familiar, era um rosto delicado mesmo com dor, mas não me preocupei em identificar porque apenas queria que ele estivesse bem.
– Eu sinto muito, me distraí por dois segundos e o carrinho bateu e eu soltei sem querer... Você está bem? Está em muita dor? Precisa de gelo? – disparei evitando chegar muito perto para não o machucar acidentalmente novamente. Seu rosto se contorceu em uma careta, mas logo se forçou em um sorriso e eu sorri de volta nervosamente.
– Estou bem, mas preciso me sentar. – seu sotaque era local, então me tranquilizei um pouco, pelo menos eu não tinha machucado alguém de outro estado.
– Certo... Tem um banco ali. – apontei para a parte de fora do mercado, já que estávamos perto da saída, e eu me virei novamente. – Você precisa de ajuda?
– Não, obrigado. – pareceu educado falando daquele jeito, mas ele talvez só tenha recusado por medo de que eu o machucasse novamente.
– Eu vou pagar as coisas... – expliquei um pouco confusa e ele pegou em meu braço, me fazendo arquear as sobrancelhas.
– Vai me deixar sozinho? – perguntou em uma voz triste e eu franzi o cenho sem saber o que fazer. Então ele começou a rir mostrando que não era sério. – Estou brincando.
– Ok. – respondi ainda incertamente e me dirigi ao caixa com a cabeça cheia. Paguei tudo e andei até o garoto familiar que tomava uma garrafa de água enquanto conversava com uma mulher, ela parecia nova, mas provavelmente era a mãe dele.
– Hey, você! – ele cumprimentou parecendo estar melhor sentado e eu semicerrei os lábios um pouco envergonhada.
– Eu realmente sinto muito. – entrelacei as mãos passando a sacola de uma mão para a outra.
– Está tudo bem, não é todo dia que uma garota bonita te atropela com um carrinho de compras. – pareceu natural como se já fosse acostumado a flertar e eu perdi um pouco da vergonha, ri com liberdade e ele olhou em meus olhos, como se só os tivesse reparado naquele momento.
– Eu sou a , a propósito. – acenei com uma mão e a mulher sorriu simpaticamente.
– Eu sou a Anne, mãe do paquerador. – mexeu nos cabelos do filho e eu assenti.
– Meu nome é Harry. – o garoto finalmente se apresentou e estendeu a mão. Eu a apertei e de repente me veio à mente. Ele era integrante da tal banda que era o maior sucesso do momento, o integrante que morava em Holmes Chapel.
– Acho que vou indo então. – seria ótimo contar para as minhas amigas que eu havia conhecido ele, talvez daqui uns anos fosse ainda mais valorizado.
– Espere. Eu nunca te vi por aqui. – seu sorriso era encantador, aposto que ele sabia que era um ótimo jeito de fazer uma garota esperar.
– Não moro aqui, visito às vezes. – expliquei e ele concordou, seu cabelo era castanho e tinha cachos bem soltos, o penteado era algo fofo.
– Poderia me passar seu número? – pediu objetivamente e eu quase franzi meu cenho, mas parei por medo de parecer rude.
– Harry! O que pensa que está fazendo? – Anne questionou parecendo querer rir e eu balancei a cabeça.
– Tudo bem. – achamos uma caneta na bolsa da sua mãe e eu anotei meu número na palma da mão dele.
– Foi bom conhecer você. – disse olhando em meus olhos de novo e eu me perdi um pouco.
– Você também. – evitei rir antes de virar para seguir meu caminho.
Andei em passos demorados pensando no quão louco era a possibilidade de que um garoto famoso tinha pedido meu número depois de eu, literalmente, o atropelar com um carrinho de compras. Cheguei em casa querendo correr e contar para Lizzie, minha amiga mais próxima desde os doze anos.
Quando abri a porta, dei de cara com um homem alto e loiro na sala de estar. Me assustei um pouco, mas presumi que ele fosse o novo namorado, então tentei acalmar meu coração.
– Oi! Você deve ser a . – desligou a televisão e veio em minha direção, a pior coisa estava por vir.
– Em carne e osso. – coloquei a sacola na mesa e tirei tudo para colocar as coisas no lugar.
– Meu nome é James. – beijou minha bochecha em cumprimento e eu quase arregalei os olhos, os piores eram os que violavam o espaço pessoal se nem mesmo perceber.
– É um prazer. – sussurrei e ele sorriu, me perguntei mentalmente no que ele trabalhava e terminei de guardar as coisas que tinha comprado. – Cadê a minha mãe?
– Não sei... – pareceu em confusão e eu não pude evitar rir da situação, eu já sabia o que tinha acontecido.
– Ela te disse que eu sou a irmã mais nova, não é? – chutei e ele pareceu petrificado. – Sim, eu sou a filha dela.
– Mas... Klara disse que... – sua mente tinha resetado como eu já vi acontecer algumas vezes.
– Você tem quantos anos? – me virei indo direto ao ponto e ele puxou o ar profundamente antes de responder.
– Tenho vinte e seis. – eu ri alto e logo me forcei a parar.
– E quanto ela tem? – cruzei os braços achando aquilo um pouco divertido.
– Trinta e seis. – olhou para mim e fez as contas.
– Ela tem quarenta e quatro. – não desviei o contato para ter a chance de assistir sua reação, seus olhos se arregalaram e ele gaguejou.
– Ela... Kla-Klara tem quarenta e quatro? – apontou para cima como se apontasse para ela.
– Sim, nunca fez cirurgias plásticas. É pura sorte passar por trinta e seis. – dei de ombros e me virei novamente sem muito interesse no desenrolar da história.
– E você tem quantos anos? – peguei meu chocolate e liguei a televisão.
– Vinte e um. – revelei antes de dar uma mordida no chocolate.
– Você é bastante parecida com a Klara... É muito bonita, sua mãe... – me virei bruscamente para checar se era sério.
– Está brincando, certo? Mãe e filha? – ri com escárnio e ele mudou a feição.
– Não, não foi isso que...
– Você é nojento. – desliguei a televisão com raiva e peguei meu chocolate. Subi as escadas rapidamente e abri a porta do quarto da minha mãe, que estava assistindo um filme, o quarto estava escuro então não me incomodei em entrar.
– O tal de James deu em cima de mim, sinta-se satisfeita em sua escolha para homens. – bati a porta e andei até o meu quarto. O incrível era que não tinha sido a primeira vez. Depois de alguns minutos ouvi batidas na porta e bufei.
– Eu sinto muito, minha filha. Já mandei ele embora. – me abraçou de lado e eu não correspondi, nunca tinha sido muito afetuosa fisicamente com a minha mãe.
– Em Holmes Chapel não existem mais homens decentes? – perguntei olhando para seu rosto, ela riu e eu presumi que a risada dela era definitivamente algo que ela usava para conseguir os homens.
– Acho que preciso me mudar. – fingiu considerar e eu mordi meu lábio em frustração.
– Será que poderia trazer apenas caras decentes para casa quando eu estiver te visitando? – pareceu uma piada, mas eu estava falando sério. – Ou simplesmente namorar mulheres?
– Mulheres podem ser piores, acredite em mim. – beijou o topo da minha cabeça e eu revirei os olhos.
– Você sabe que não foi a primeira vez que um deles se insinua para mim? – mesmo tendo certeza de que ela sabia, precisávamos tocar naquele assunto.
– Se você não revelasse para todos eles que eu tenho quarenta e três, talvez eles não iriam pela minha versão mais nova. – brincou, mas eu não consegui achar graça. Tirei seus braços de cima de mim e grunhi em raiva.
– Eu não sou tão parecida com você, Klara. Isso com certeza não é desculpa e, pelo amor de Deus, você tem quarenta e quatro! – gritei sem paciência e ela se encolheu.
– Ok, você tem razão. Me desculpe. – falou baixinho e eu tentei respirar fundo.
– Será que poderia ficar sem namorar até eu ir embora? Vim passar as férias aqui e queria aproveitar, você pode transar na casa dele ou sei lá, mas realmente me incomoda você trazendo caras como aquele aqui. – joguei meu cabelo para trás, sentindo calor por causa da raiva.
– Eu prometo. – veio até mim de novo e beijou minha bochecha.
Meu celular apitou em cima da cabeceira e minha mãe saiu do quarto afirmando que iria terminar de assistir ao filme, eu concordei e peguei o celular em mãos. “Assim podemos ter uma conversa segura sem que você me machuque.”
Sorri involuntariamente e estralei meus dedos pensando no que responder, o problema de mensagens era aquilo, pessoalmente você tinha liberdade para dizer o que quisesse, mas por mensagens era tudo algo mais elaborado.
“Não se empolgue, ainda posso quebrar seu coração.”
“Então esse é seu tipo de mulher?”
“Com certeza não sou um dos tipos convencionais.”
“Está tentando me seduzir, ?”
“Claro que estou, já se olhou no espelho?”
Revirei os olhos levemente, eu tinha usado sarcasmo na nossa primeira conversa, talvez isso não fosse o melhor a se fazer.
“Você sabe onde fica o Dane Meadow?”
“Sim, ia lá com a minha mãe para fazer piqueniques.”
“Quer me encontrar lá? Eu posso levar comida e você pode levar o deleite da sua companhia.”
Ri baixinho achando a mensagem divertida e pensei, estava quase escurecendo, mas Holmes Chapel não era perigoso, parecia uma boa ideia. Fazia algum tempo que não visitava Dane Meadow.
“Está me chamando para um encontro, Harry?”
“Se você for aceitar, então sim.”
“Me encontre perto do lago às 17:40.”
Cedi, já procurando alguma roupa apresentável na mala e ouvi meu celular apitar novamente.
“Você é alérgica a alguma coisa?”
“Apenas a encontros ruins.”
“Boa resposta. Sanduíches?”
“Foi sua mãe quem os fez?”
“Sim...”
“Diga para Anne que eu agradeço.”
Soltei meu celular na cama e tirei tudo da mala, tinha que arrumar minhas roupas e colocar no armário, mas faria aquilo depois. Eu ia ficar por lá por um mês, então a arrumação poderia esperar um encontro. Será que eu deveria procurar por ele na internet? Seria bom ter uma preparação, mas... Não seria bastante chato da minha parte?
Acabei decidindo não pesquisar sobre ele e foquei em escolher uma roupa. Era verão e estava calor, bem, o máximo de calor que se poderia ter em Holmes Chapel. Considerando que iríamos fazer um “piquenique”, tomei banho e vesti um shorts jeans claro e uma regata de seda preta, sequei e penteei meu cabelo e passei perfume. Eu adoraria saber me maquiar, mas como tinha zero habilidades pra fazer aquilo, eu deixei pra lá. O último toque foi o tênis, eu peguei o Vans preto padrão e olhei o horário no celular.
– Mãe! Vou sair! – gritei e esperei pela resposta com a mão na maçaneta. Avistei meus fones de ouvido e peguei da mesa.
– Ok! Beijo! Não volte tarde!
Saí de casa e caminhei até Dane Meadow, o céu estava escurecendo, mas o azul ainda estava claro, era incrível que com o calor que estava fazendo ainda não tinha chovido. O céu estava limpo, sem nenhuma nuvem visível e isso era de se agradar.
Desbloqueei meu celular e selecionei Jailhouse Rock, do Elvis Presley, para tocar enquanto eu andava. Foi impossível não mexer o corpo de acordo com a música durante o caminho, mas tentei não exagerar, apesar de as ruas não estarem tão lotadas de pessoas para presenciar minha vergonha.
Avistei a ponte de viaduto de Dane Meadow e me aproximei do lago. Harry estava lá na grama, sentado em uma toalha de piquenique, havia uma cesta em cima e ele jogava pedrinhas no lago, me esperando. Tirei os fones de ouvido e os guardei no bolso junto com o celular, me aproximei e me sentei ao seu lado. Seu cabelo estava como eu havia visto de dia, os cachos quase alcançavam seus olhos e ele usava uma camiseta branca e uma calça jeans bege.
– Você está apresentável. – sussurrei provocando e ele me olhou nos olhos pela quinta vez naquele dia.
– Você não está nada mal também. – respondeu sorrindo ladino. – Calvin Klein...
Por um momento fiquei totalmente confusa, mas lembrei de que o perfume que estava usando era da Calvin Klein. Aquilo tinha sido completamente impressionante, mas evitei arregalar os olhos.
– Foi inteligente da minha parte vir? Está escurecendo e você pode ser um psicopata. – brinquei abraçando minhas pernas.
– Já tenho outra profissão que ocupa bastante meu tempo. – deu de ombros e eu sorri.
– E qual seria? – eu já sabia qual era, mas perguntei de qualquer jeito.
– Faço parte de uma banda. – não usou um tom arrogante, o que eu gostei.
– Ah, sim. Qual o seu sobrenome? – questionei finalmente e ele mexeu na cesta tirando os sanduíches e caixinhas de suco de dentro dela.
– Styles, e o seu? – olhei para seu rosto, o analisando, e arregalei os olhos.
– Não era você o namorado da Caroline Flack?! – transpareci mais exclamação do que gostaria e logo coloquei minhas mãos sobre a boca para me impedir de falar mais besteira.
– Sim. Você é fã da banda? – pareceu confuso e eu ri um pouco envergonhada. Qual era a resposta certa?
– Bom... Não. Vocês são bastante famosos, mas eu não sei muito sobre, acho que já ouvi alguma música na TV. – dei de ombros tentando ao máximo não parecer rude por não ser fã. – Mas eu amava Caroline Flack no começo da minha adolescência.
– Sim, ela é ótima. – o assunto ficou um pouco estranho então eu peguei um sanduíche.
– Então me diga, Harry Styles. Como você lida com a fama? – mordi o sanduíche esperando sua resposta e ele riu. Pelo menos a pergunta tinha aliviado o ambiente.
– Estamos numa entrevista? – também pegou um sanduíche para si.
– Você também pode me fazer perguntas, é assim que encontros funcionam pelo que eu sei. – peguei uma caixinha de suco de laranja e ele observou minhas ações. O suco dele era de maçã.
– Quantos anos você tem? – fugiu da minha pergunta fazendo outra.
– Vinte e um. Você? – ele provavelmente era mais novo.
– Dezoito. – respondeu e eu assenti. Eu não achava estranho, idade era apenas um número, então se ele era maduro o suficiente para mim, já era uma grande qualidade. – Pelo menos tenho idade o suficiente para beber legalmente aqui.
– E ainda assim está bebendo suco em uma caixinha. – levantei a minha caixinha em um brinde e ele concordou como se eu tivesse um bom argumento.
– Você disse que estava aqui a visita, onde você mora então? – pareceu interessado ao perguntar.
– Birmingham.
– É uma cidade bonita. Faz o que por lá?
– Eu faço faculdade na Universidade de Birmingham. – olhei em seus olhos percebendo que ele tentava fazer contato visual.
– Então é inteligente? – brincou me instigando e eu dei de ombros.
– Eu tento ser.
– Faz faculdade de quê?
– Letras. – terminei de comer meu sanduíche e bebi o suco.
– Está visitando quem? – franziu o cenho, também terminando seu sanduíche.
– Minha mãe, ela mora aqui. – contemplou o que eu disse e eu quase me perdi em seus olhos, seus olhos verdes, bem claros.
– Qual o nome da sua mãe? – me tirou do meu devaneio e eu voltei a prestar atenção ao resto do ambiente.
– Klara.
– Eu sabia que você me lembrava alguém! – pareceu feliz ao descobrir e eu arqueei as sobrancelhas.
– Por que todos acham que somos parecidas?! – usei um tom ultrajado e ele também arqueou as sobrancelhas.
– Porque vocês são parecidas.
– Como conhece minha mãe? – ela teria me contado se tivesse conhecido alguém famoso.
– Ela trabalhou no mercado por um tempo, acho que ela não sabe quem eu sou também. – concordei com a cabeça e minha mente foi parar nas minhas semelhanças físicas com Klara.
– Em que você acha que somos parecidas? – fiquei confusa e ele riu envergonhado por um momento, desviou o olhar para baixo e eu o empurrei com as mãos. – Não diga que você reparou no corpo da minha mãe?
– Eu não sabia que ela era sua mãe e foi ano passado! – deu uma risada audível daquela vez e eu dei um tapa em seu braço, não evitando rir também. – Mas fora as pernas, apesar de seus lábios serem mais cheios, a boca de vocês tem o mesmo formato e vocês têm covinhas iguais também.
– Ok, agora você passou dos limites. Estava observando a boca da minha mãe? – um calafrio se fez em meu corpo por conta do nojo.
– Eu sou uma pessoa detalhista! – sorriu esperando que a desculpa funcionasse e dirigiu seus olhos para os meus lábios.
– Não pense em me beijar agora. – cobri minha boca com as mãos e seus olhos fizeram contato com os meus. – E eu não compro a coisa de você ser detalhista.
– Seu sotaque é fofo. – elogiou e eu franzi o cenho.
– Sotaque de Birmingham é o sotaque mais odiado da Inglaterra. – tirei minhas mãos da boca me esquecendo do porquê coloquei elas ali.
– Eu gosto, sua voz é agradável. – talvez fosse porque meu sotaque não era inteiramente de Birmingham e sim de várias partes da Inglaterra, já que minha avó por parte de mãe era de Liverpool e minha avó por parte de pai era de Londres.
– Você flerta bem. – elogiei me deitando na toalha de piquenique e percebendo que o céu estava estrelado. Harry olhou para mim por alguns segundos e logo fez o mesmo, colocou os braços por baixo da cabeça como suporte enquanto eu tinha minhas mãos descansando em cima da barriga.
– O céu está bonito hoje. – disse em um tom baixo. Eu poderia ter tido um orgasmo ouvindo aquela voz extremamente grave, quase sussurrando perto de mim.
– Qual seu filme favorito? – continuei com os olhos fixos no céu.
Simplesmente Amor, O Diário de Uma Paixão e Titanic. – respondeu e eu sorri, virando meu rosto para o observar, ele devolveu o olhar. Pareceu repensar na sua resposta. – Ah, teria sido melhor se eu tivesse dito algo como Duro de Matar, não é?
– Eu não gosto de Titanic, mas gosto de romance. – respondi assistindo sua boca se levantar em um sorriso. Virei meu rosto novamente, cortando o contato visual, mas senti que ele ainda me encarava.
– Qual o seu filme favorito?
– Não tenho um filme favorito. – arrumei meu cabelo o tirando do pescoço e deitando minha cabeça novamente. – Com quantos anos deu seu primeiro beijo?
– Onze anos. Você? – tentei voltar minha memória ao meu primeiro beijo e fiz uma careta.
– Doze. – fingi um calafrio e ouvi uma risada fofa da parte de Harry. – Uma coisa que não vive sem?
– Meu laptop... E minha mãe. – adicionou pensativo. – Seu pai tem olhos como os seus?
– Por quê? Vai dar em cima dele também se ele tiver? – virei mais uma vez e nossos olhos se conectaram novamente.
– Provavelmente. Nunca vi olhos como os seus antes. – se aproximou e eu virei meu corpo inteiro para ficar de frente para ele.
– Eu não sei se acredito em você, celebridade. – apoiei meu rosto em minha mão e meu cotovelo na toalha.
– Não estou mentindo. Eles são tão... Diferentes. – a distância já se tornava perigosa.
– É isso o que você diz para garotas com os seios pequenos? – rebati sarcasticamente com um sorriso no rosto.
– Não vejo isso sendo um problema para você. – insinuou, mas não cortou o contato visual para checar.
– Então você é um dos caras que sempre beija no primeiro encontro? – deduzi e seu olhar finalmente desviou para os meus lábios.
– Basicamente. – ameaçou se aproximar e eu beijei sua bochecha rapidamente, me afastando e sentando novamente.
– É bom variar de vez em quando, Harry. – sugeri abraçando minhas pernas e ele jogou sua cabeça para trás em decepção. Demorou alguns segundos para se recompor, mas eu esperei.
– Eu levei um fora ou...?
– Talvez no próximo encontro. A menos que você seja um desses caras de uma ficada só. – dei de ombros e ele também se sentou. Peguei meu celular e os fones de ouvido para arrumar no bolso, mas Harry agarrou o celular da minha mão antes que eu pudesse raciocinar. – Styles!
– Vamos ver se você é confiável. – vi de relance ele deslizando por minha playlist e estendi meus braços para pegar meu celular. Ele me bloqueou com seu corpo. – Opa, opa, opa, por que está se jogando em cima de mim? Tenha mais respeito, não vou perder minha virtude com você hoje.
– Música é algo muito pessoal! Você deveria saber, já que é cantor! – tentei alcançar meu celular, mas Harry selecionou uma música e bloqueou, deixando-a tocar. Se levantou, me levando a franzir o cenho, e estendeu uma mão para me ajudar a levantar. Eu aceitei.
– Você quer dançar? – perguntou simplista e eu sorri enquanto ouvia a melodia tocar.
Minhas mãos pararam em seus ombros e suas mãos se firmaram na minha cintura, havia uma distância segura entre nós e Harry olhou em meus olhos antes de começar a dançar comigo. Eu gostei da espontaneidade que nos atingiu para estarmos dançando ali à noite, perto do lago de Dane Meadow.
Dávamos passos pequenos e lentos de acordo com a música, Harry parecia se concentrar somente em mim, então tentei retribuir o gesto, não tínhamos errado nenhum passo pelo menos. Ele tentou me girar cautelosamente e eu ri quando a tentativa teve sucesso.
– Qual a sua cor favorita? – tentei parar a vontade de beijar seus lábios.
– Azul e laranja. – perguntou a minha de volta e eu nos aproximei para encostar minha bochecha em seu ombro, se eu não o olhasse seria melhor. Ainda nos movíamos devagar.
– Roxo. Qual a sua comida favorita? – aquilo não era uma conversa romântica, mas a música dificultava tudo.
– Tacos, e a sua? – suas mãos estavam em minhas costas e um arrepio já subia pela minha espinha.
– Macarronada. – tirei meu rosto de seu ombro, mas me pareceu uma má ideia quando percebi que, como nossos corpos estavam colados, nossos rostos estavam muito próximos. Eu tinha controle, não iria o beijar, não iria o beijar.
– Você não me respondeu. Seu pai tem olhos como os seus? – insistiu e eu ri, me esquecendo por um momento do desejo.
– Não. Eu sou uma aberração. – dei de ombros e ele também riu.
– Ou um milagre. – complementou e eu assenti.
– Você quer parar com as cantadas antigas? – questionei olhando-o como se tivesse pena.
– Estamos num encontro, você poderia fingir que está lisonjeada. – sugeriu também e eu revirei os olhos de propósito.
– Claro que estou lisonjeada, estou em um encontro com Harry Styles! – fingi empolgação e ele revirou os olhos.
– Pelo jeito não vai ter um segundo encontro. – paralisei e meu rosto se fechou com o comentário, ele me olhou e arqueou as sobrancelhas não sabendo o que fazer.
– Não, não. Fo-foi uma brincadeira! Eu... – balançou a cabeça freneticamente e eu finalmente ri mostrando que estava fingindo. – Eu pensei que você ia chorar!
– Claro que não! – bati fraco em seu ombro. Percebi que ele sorria.
O sorriso é a manifestação dos lábios, quando os olhos encontram o que o coração procura... – sussurrei para focar em algo fora a constante respiração de Harry e ele franziu o cenho.
– Shakespeare? No primeiro encontro? – pendeu a cabeça para o lado e eu também franzi o cenho.
– Você já estudou sobre Shakespeare? – a curiosidade perguntou por mim.
– Só para puxar papo. – deu de ombros e eu achei engraçado.
– Você gosta de ler? – me interessei pelo quesito, ler era uma grande parte da minha vida.
– Sendo sincero com você, nem tanto. – semicerrei meus lábios e assenti.
– Escreve músicas?
– Sim, mas ainda não tive a oportunidade de lançar elas.
– Você se dá bem com os outros garotos? – perguntei curiosa, ele pareceu um pouco confuso.
– Não sei o que diria sobre mim se eu revelasse tal coisa para você. – semicerrou os olhos e eu o olhei surpresa, mas ele logo riu. – Sim, eles são meus melhores amigos.
– Tem algum preferido? – meu tom soou acusador.
– Você faz perguntas muito difíceis. – respondeu considerando.
– Estou esperando você se interessar por mim e perguntar sobre. – brinquei apertando seus ombros.
– Pare de fazer isso. – pendeu sua cabeça para trás gemendo baixinho e eu tive completa visão do seu pescoço. Eu tinha quase certeza de que ele sabia como aquilo poderia funcionar.
– Você é um provocador, Harry Styles? – sussurrei em um tom persuasivo também e meus dedos acariciaram sua nuca, adentrando sua camiseta e tocando o começo de suas costas. Seus olhos se vidraram em mim e ele parou com a “sedução”.
– Claro que não. – negou com um pouco de falsidade e eu sorri, chegando mais perto. – Talvez um pouco.
– Você vai ver que eu posso ser melhor nesse jogo. – rocei meus seios em seu peitoral e suas mãos ficaram mais firmes, ele grunhiu e eu quase me amaldiçoei por achar o som tão sexy.
– Não era você que queria manter as coisas leves no primeiro encontro? – sorriu de um jeito entre o adorável e provocador e eu agarrei seu cabelo.
– Eu não disse que não quero me divertir, apenas disse que não quero te beijar. – eu senti suas mãos descendo e tirei minhas mãos de sua cabeça para pará-lo. – Acha que vai se dar bem tão fácil?
– Claro que não. Quem disse que eu estou tentando me dar bem? – afastei meu corpo do seu enquanto segurava suas mãos e senti sua pele arrepiar.
– Acho que suas calças deixam a mensagem bastante explícita. – sorri achando divertido e soltei suas mãos. Ele me agarrou novamente e girou meu corpo, colando minhas costas ao seu peitoral.
– Ah... – soltei um gemido baixo de surpresa e senti sua respiração em minha orelha.
– Eu posso te dar o que você quer... – senti o seu sorriso e também soube que se ele assoprasse na minha orelha naquele momento, eu cederia.
– E o que seria isso? – sussurrei com a voz fraca, seus braços envoltos em minha barriga me impediam de sair.
– Primeiro... Poderíamos tirar todo esse tecido. – um de seus braços me soltou e ele usou sua mão para tocar a parte interna da minha coxa, sua mão subiu lentamente parando no botão do meu shorts.
– Estamos em Dane Meadow... – o alertei rindo baixinho e ele ameaçou abrir meu botão. – Você é uma figura pública.
– Às vezes eu odeio isso. – pareceu se conscientizar e tirou sua mão dos meus shorts, me soltando.
– Tomara que eu não apareça na televisão amanhã. – falei me virando de frente para ele.
– Você tem certeza de que não quer me beijar? – deslizou para perto e eu tive quase certeza de que se estivéssemos perto de uma parede, ele me prenderia contra ela. Levantei meu queixo para igualar o olhar e senti um frio na barriga, não do tipo paixão, mas do tipo de excitação.
– Acho que é você quem está desesperado para um beijo. – cruzei meus braços para nos separar.
– Não vou negar.
– Eu tenho certeza de que consegue esperar até nosso próximo encontro. – meus lábios se levantaram em um sorriso.
– Nosso próximo encontro vai ser em um quarto? – sugeriu e eu arqueei as sobrancelhas.
– Você é apressadinho.
– Transar no primeiro encontro não é errado. – pareceu contar um segredo.
– Você não é virgem?! Pensei que com essa carinha de anjo... – provoquei fingindo choque.
– Você acha que eu pareço um anjo? – sorriu com arrogância.
– Ou um bebê.
– Ouch. Isso doeu. – fez biquinho. – Sou apenas três anos mais novo que você.
– Eu ainda vou fazer aniversário esse ano. E se você fosse apenas um ano mais novo do que é, seria errado.
– Mas eu não sou. E convenhamos... Isso realmente importa? – senti que ele poderia me persuadir ou me hipnotizar a qualquer momento.
– Acho que não. Desde que você saiba como se comportar.
– Eu fui bem criado.
– Será que é tão bom como parece?
– Você pode me ensinar se quiser.
– Lembre-se de que só estou aqui para o verão, vou embora em agosto. – avisei.
– Eu posso fazer seu verão mais agradável.
– E se você se apaixonar por mim? – brinquei piscando inocentemente.
– Então acho que vou poder escrever músicas boas sobre você. – propôs e eu não consegui evitar rir.
– Como vai descrever meus olhos? Como... Diferentes?
– Que tal exóticos?
– Vamos, mais ideias para músicas sobre mim. Ou só meus olhos são interessantes?
– Você tem um belo par de seios. – deu de ombros e eu assenti com a cabeça colocando as mãos na cintura.
– Você pode falar como fica sem controle perto de mim... Ou alguma idiotice como não conseguir se cansar de mim.
– Ou falar que você é doce e amarga. – entrou na minha brincadeira. – Ou como seu perfume me dá vontade de arrancar suas roupas.
– É melhor nos sentarmos, você não acha? – desviei de seu corpo e me sentei na toalha.
– Qual o seu signo? – questionou enquanto fazia o mesmo que eu.
– Sagitário. Qual é o seu?
– Aquário. Quando é seu aniversário?
– 14 de dezembro. Espero um presente milionário. – cruzei os braços incitando.
– Meu aniversário é dia 1º de fevereiro. Você também me deve um presente, mocinha.
– Estamos em julho! – usei um tom injustiçado. Ele me lançou um olhar e eu repensei. – Qualquer coisa numa faixa de quarenta libras... Menos brinquedos sexuais, pode ser?
– E por quê? Está com medo de que eu não precise mais de você? – eu revirei os olhos.
– Você não precisa de mim de qualquer jeito, eu não sou a única mulher bonita de Holmes Chapel. – não disse aquilo para que ele respondesse com algo cafona e sim porque era ridículo pensar que ele precisava de mim para sexo.
– Dá trabalho jogar meu charme, ok? Já estou em um encontro com você. – fingiu se espreguiçar e eu arqueei as sobrancelhas.
– Você quer ajuda? – vasculhei o perímetro com os olhos e avistei um grupo de garotas, adolescentes, pareciam fofas de longe.
– Como assim?
– Hey! Vocês! – gritei para as garotas e me levantei para ser vista, Harry franziu o cenho e me olhou de baixo. – Olhem pra cá!
– O que está fazendo?! – perguntou um pouco envergonhado e eu balancei os braços. Elas finalmente viraram e me notaram, estranhando meus gritos.
– Vocês querem a oportunidade de uma noite com uma celebridade?! Ha... – antes que eu pudesse dizer seu nome, Harry me puxou para baixo e eu gritei assustada.
– Eu não gosto de garotas barulhentas, perdeu um ponto comigo. – me deitou rapidamente e deixou seu corpo em cima do meu para esconder seu rosto das garotas.
– Oh, me desculpe! Não estou te agradando o suficiente? – empurrei seu corpo de cima de mim e me sentei.
– Foi uma piada, não leve tão a sério. – olhou discretamente para o grupo de garotas e percebeu que elas ainda encaravam.
– Elas vão vir até aqui e pedir autógrafos. – sussurrei entredentes, assistindo as garotas em indecisão.
– Não sei por que diabos você fez aquilo.
– Para te ajudar! – ele olhou pra mim como se duvidasse. – Ok. Para provar meu ponto é te sacanear.
– Percebo como você é agradável. – disse em um tom sarcástico e eu me aproximei para beijar sua bochecha rapidamente. Ele pareceu em choque e virou seu rosto lentamente para mim, parecendo querer sorrir.
– Isso não quer dizer que vou te beijar. – avisei me afastando e olhei para as garotas que cochichavam. – Meu Deus, eu realmente espero não ser assunto de fofoca amanhã.
– O que vai fazer se isso acontecer? – indagou curioso e eu dei de ombros.
– Acho que vou ter que lidar, não é mesmo? – ri com a estranheza da situação.
– Gosto do seu jeito. – respondeu sorrindo e eu suspirei. Por que ele tinha que ser tão bonito? Tão charmoso?
– Pelo menos vou ter um bom verão... Você me garante isso, Harry? – incitei interessada em sua resposta.
– Eu te garanto. – olhou em meus olhos para enfatizar. – Os meninos iam gostar de você.
– Os da banda? – franzi o cenho, mas me senti lisonjeada.
– Principalmente Louis.
– Você poderia nos apresentar, ele pode me oferecer ofertas melhores do que você. – dei de ombros divertida.
– Não vai dar, ele já está apaixonado por mim.
– Então me apresenta para o Zayn. – sugeri e ele arqueou as sobrancelhas. Eu nem mesmo sabia como Zayn era, mas era o único nome que eu me recordava.
– Então ele você conhece... Está tentando me usar? – semicerrou seus olhos e eu empurrei seu peito.
– Eu perdi minha chance? – usei um tom decepcionado e Harry gargalhou.
Conversamos até percebermos que todo mundo ia embora, trocamos datas, trocamos momentos e tentamos nos conhecer melhor, isso tudo sem beijos e mais várias provocações. Eu olhei no relógio do meu celular e não me espantei tanto, realmente tínhamos tido uma conversa longa.
– Eu preciso ir, minha mãe já deve estar preocupada. – me levantei alongando o corpo e Harry também se levantou.
– Minha mãe também. – respondeu recolhendo as coisas e eu o ajudei.
– Vamos caminhar? – sugeri e ele assentiu.
– Foi um bom primeiro encontro. – ele sussurrou e eu sorri genuinamente.
– Foi... Foi mesmo.
– Aonde você quer ir no próximo?
– Você pode escolher.
– Podemos ir jantar, em um restaurante.
– Parece uma boa ideia...
– Eu vou poder te beijar? – me olhou de soslaio.
– Isso eu decidirei no jantar.
– Você gosta de enrolar, não é?
– Eu prefiro a palavra “degustar”. É tão mais sofisticada.
– Você também gosta de brincar com as palavras.
– Eu estudo Letras! Vamos lá! Eu sei que é mais esperto que isso, Harry.
– Você escreve? – passei um tempo pensando em sua pergunta e em como responder.
– Sim... Escrevo poemas e às vezes componho músicas, mas nunca acho ritmo ou melodia para elas, então acho que não tem muito sentido.
– Poderíamos tentar escrever uma música juntos. – propôs sorrindo de lado.
– Para você roubar meu trabalho e ganhar dinheiro e fama em cima dele? Claro, uma ótima ideia. – brinquei e nós dois rimos.
– Você se sentiria confortável trabalhando comigo? – pareceu mais sério e eu mordi meu lábio em nervosismo.
– Incrivelmente, sim, eu me sentiria confortável trabalhando com você.
– Você tem sorte de ter me machucado e não outra pessoa que apenas te xingaria e sairia andando.
– Eu aposto que você me xingou mentalmente. – apontei minha suspeita e um silêncio se instalou por alguns segundos.
– Claro que sim, mas foi antes de perceber que quem me atropelou foi uma mulher muito bonita.
– É tudo sobre aparência para você?
– Não, mas não é exatamente doloroso olhar para você.
– Você é uma peça.
– Obrigado...?
– De nada. – a casa da minha mãe era consideravelmente perto de Dane Meadow, então não demorou para chegarmos, ainda mais por estarmos distraídos conversando.
– Essa é sua última chance para me beijar. – Harry me prendeu na porta e eu sorri por ter previsto aquilo mais cedo. Ele segurava a toalha e a cesta que tinha levado com um braço, mas o outro braço estava na porta.
– Boa noite, Harry. – toquei seu rosto com uma mão e encostei meus lábios em sua bochecha levemente. – Foi bom ter te atropelado hoje.
– Boa noite, . – tirou seu braço da porta e desistiu de me beijar. Abri a porta e entrei, a fechando e sorrindo.
Quem diria que atropelar alguém no mercado poderia render bons frutos?

Capítulo 2

Holmes Chapel
Julho, 2012

P.O.V Harry Styles

Ser atropelado por um carrinho de compras em um supermercado certamente não era um jeito convencional de conhecer alguém, mas se esse alguém fosse , vinha a render boas conversas, e várias, repito, várias provocações.
Nosso primeiro encontro já fazia três dias e nosso segundo encontro estava sendo adiado por conta de , que era bastante ocupada e mesmo com as férias tinha vários trabalhos pendentes.
Conversávamos por mensagem todo dia e mesmo apenas tendo esse contato ela conseguia me manter acordado, pensando em como seria beijar seus lábios já que ela não tinha me dado a oportunidade no nosso primeiro encontro.
– Quando vai sair com a de novo? – minha mãe perguntou enquanto cortava a cebola para o jantar e eu franzi o cenho.
– Por que pergunta, senhora Anne?
– Eu cruzei com ela voltando do trabalho hoje, ela me agradeceu pelos sanduíches. Sinceramente, parece ser boa demais para você. – apontou a faca para mim enquanto dizia e eu suspirei.
– De qualquer forma não sei quando vamos sair de novo. Ela é bastante ocupada.
– E você acha que pode ser algo sério?
– Eu quero que seja, mas não sei o que ela pensa sobre isso.
– Talvez devesse perguntar.
– E espantar a garota? Não posso falar com ela depois de um encontro.
– É, você tem razão. Eu já vi ela por aqui, parece ser bastante ocupada mesmo e focada.
– Você quer dizer antes de nos conhecermos?
– Sim, você não se lembra dela? Ela amava ir para Dane Meadow, sentar debaixo de uma árvore e ler, ela sempre tinha um livro diferentes em mãos.
– Eu não me lembro de nada disso.
– Da última vez que a vi, você tinha acabado de fazer quatorze anos. Aposto que já a viu antes, apenas não se lembra.
– Como tem tanta certeza?
– Ah! – apontou a faca para cima como se tivesse se lembrado de algo e eu arqueei as sobrancelhas.
– Tenha cuidado com isso.
– Teve uma vez que eu e você estávamos no parque e houve uma grande briga lá, duas garotas partiram uma para cima da outra e estava lendo debaixo de uma árvore. Ela sequer notou a briga, tão concentrada em seu livro que nem levantou a cabeça, foi admirável e eu peguei você olhando para ela. – me acusou e eu espremi os olhos tentando puxar aquela lembrança. Eu conseguia me lembrar da briga, mas de...
era aquela menina?! – gritei desacreditado e minha mãe riu assentindo.
– Ela tinha cabelo roxo na época, mas era ela. Você me disse que ia casar com ela algum dia.
– Eu não disse isso-
– Ah, jura?
– É, mas em minha defesa, eu tinha quatorze anos.
– Você fez aquela cara que sempre faz quando quer ser levado a sério. – eu ia retrucar, mas meu celular vibrou, então eu o peguei do bolso para checar. me perguntava o que eu ia jantar.
– O que vamos jantar? – questionei minha mãe ainda olhando para o celular.
– Cottage Pie, por quê? – digitei rapidamente e enviei.
está perguntando. – digitei perguntando o que ela iria jantar e logo recebi uma resposta: “Klara saiu com o namorado, então provavelmente vai ser... Macarrão.”
– Quer chamar ela para comer aqui? – Anne indagou e eu levantei a cabeça.
– Ah, sério?
– Sim, ela seria ótima companhia e acho que sua irmã e ela se dariam bem.
– Robin não se incomodaria? – questionei mordendo o lábio e ela negou. Eu mandei a mensagem para e bloqueei o celular, mas ele apitou em segundos.
“É sempre um grande passo para uma garota conhecer os pais de seu paquera, principalmente se esse paquera for Harry Styles.”
“Se melhora sua situação, vai ser com a minha mãe e meu padrasto.”
“Na verdade não melhora.”
“Ah, e minha irmã.”
“Agora você piorou.”
“Fique tranquila, eu disse que você faz faculdade na renomada Universidade de Birmingham.”
“Ok, então eu vou me arrumar. Aposto que adora ficar me atrasando.”
“Você deve demorar para se arrumar.”
“Já está reclamando, senhor Styles?”
“Claro que não, apenas tomando notas.”
“Ah, para quando morarmos juntos? Certo.”
“Você não ia se arrumar?”
“Sou multitarefas.”
“Então deve amar conversar comigo.”
“Não fique se achando, já não basta o complexo de celebridade.”
“Você ainda não me conhece nadinha.”
“Tem toda razão. Agora eu vou mesmo, tenho que ficar bonita para sua família.”
“Não venha com algo muito chique, somos uma família humilde.”
“Ok, meu vestido Dolce & Gabbana vai ter que servir.”
Ri baixinho e guardei meu celular, dando de cara com minha mãe me encarando.
– Fazia algum tempo que eu não via esse sorrisinho em seu rosto.
– Que sorrisinho?
– Esse sorrisinho típico de “sou adolescente e estou apaixonado.”
– Bem engraçadinha.
– Estou falando sério.
– Sobre o que estão fofocando? – Gemma entrou na cozinha e eu me virei para encontrá-la. – Sobre a garota com quem Harry estava em Dane Meadow?
– Como sabe disso? – perguntei confuso, e ela sorriu como se quisesse fazer mistério.
– Estão falando sobre nas redes sociais, Harry, não só está passando pela boca dos habitantes de Holmes Chapel, mas por todo o Twitter também. – explicou e eu bati a mão na testa.
– Imprensa dos infernos.
– Então... Quem ela é? – Gemma insistiu e eu neguei.
– Ela vai vir jantar aqui hoje. – mamãe respondeu por mim e Gemma pareceu ficar feliz.
– Então é sério?
– Ele quer que seja.
– Por que estão conversando sobre mim como se eu não estivesse aqui? – perguntei cruzando os braços.
– Porque você não está me respondendo apropriadamente. – Gemma se justificou e eu mostrei a língua para ela.
– Tão maduro. Quantos anos ela tem?
– Não que seja da sua conta, mas vinte e um.
– Minha idade?
– Você ainda tem vinte. – respondi secamente e ela empurrou meu rosto com a mão.
– Eu faço aniversário ainda esse ano.
– Ela também, mas ela vai fazer vinte e dois.
– Vão arrumar a mesa. – mamãe mandou.
– Você não está nem perto de terminar o jantar. – contestei e ela apontou para a sala.
– Vá logo, você precisa ir se arrumar porque vamos ter visita. – me lembrou e eu assenti, pegando a toalha de mesa e os pratos enquanto Gemma pegava os talheres e os copos. Depois voltei e coloquei o guardanapo no centro da mesa.
Tomei um banho e vesti uma camisa azul escura com calça jeans, borrifei um pouco de perfume no pescoço e então desci para o andar de baixo novamente. O jantar estava quase pronto e Gemma usava aquele tempo em que estava entediada para me encher de perguntas sobre . A campainha finalmente tocou e eu respirei fundo antes de ir atender a porta, quando o fiz, dei de cara com olhando para o chão. Ela levantou os olhos com vergonha, como se tivesse sido pega distraída, e abriu um sorriso meigo, fazendo meu coração pular uma batida.
– Você não ia vir com Dolce & Gabbana? – perguntei com um olhar suspeito e ela riu. Ela usava um vestido de alças finas e que batia nos joelhos, era solto e vermelho, parecia ser a imagem ilustrada do verão.
– Eu acabei me lembrando de que não trouxe meu vestido Dolce & Gabbana para a viagem. – deu de ombros e eu espremi os lábios.
– Que lástima.
– E não é?
– Convide ela para entrar! – Gemma gritou quase complementando com um “idiota” no final e eu abri caminho para que ela passasse.
– Minha casa é sua casa. – sussurrei e ela me olhou com divertimento.
– Não sabe falar em espanhol?
– Suponho que passaria vergonha se tentasse. Você fala espanhol?
– Sim, acho uma língua fácil.
– Você acha espanhol fácil? – perguntei espantado e ela deu de ombros.
– Eu não curso Letras apenas porque gosto de literatura, sou boa com linguística também.
– Sabe falar mais alguma língua fora inglês e espanhol? – questionei impressionado.
– Italiano, sueco e neerlandês fluentemente, mas estou estudando francês no momento. – por um momento me perguntei se ela estava brincando, mas sabia que ela era superinteligente.
– Isso é incrível, você é poliglota?
– Isso aí. – a levei até a sala e Gemma se levantou do sofá no mesmo instante.
– BUNNY!
– GEM! – as duas gritaram ao mesmo tempo e antes que eu pudesse perguntar, elas se abraçaram rindo.
– Você é a paquera do meu irmão?
– Ele é seu irmão?
– Vocês se conhecem?
– Sim, éramos como melhores amigas quando ela ainda vinha visitar a mãe dela. – Gemma explicou passando um braço pelo ombro de e ela apenas concordou.
– Mas você nunca trouxe ela aqui.
– Tínhamos esse trato de que nossas mães nunca poderiam se conhecer, então apenas saíamos juntas pela cidade mesmo.
– Vocês devem estar brincando com a minha cara. – apontei suspeitando e elas reviraram os olhos ao mesmo tempo.
– Não me contou que tinha um irmão gatinho, Gem. – empurrou o ombro de Gemma e ela fez uma careta.
– Deixa de ser nojenta, meu irmão tinha onze anos quando nos conhecemos.
– E eu tinha quatorze, não é tanta diferença assim.
– Ele não era tão bonito antes da fama, não se engane. – ela retrucou e me olhou de relance.
– Eu duvido muito viu. – aquele comentário me deu algo como dez vezes mais confiança e eu quase agradeci a ela em voz alta imediatamente.
– Pensei que fosse mais inteligente. Fique sabendo que ainda estou brava por você ter sumido por três anos. – apontou para ela acusadoramente e mamãe apareceu na sala.
! – nossa mãe a recebeu com verdadeira aprovação. Então nos dirigimos até a mesa e eventualmente conheceu meu padrasto, Robin.
– Universidade de Birmingham não é brincadeira. – Robin a elogiou e ela sorriu agradecendo.
– Na verdade, foi aceita em Oxford. – Gemma elogiou e ficou um pouco sem graça.
– É sério?
– Sim, eu ganhei uma bolsa que cobria algumas despesas e taxas, mas mesmo assim meu pai não pôde pagar o resto do dinheiro, então tentei uma bolsa na Universidade de Birmingham, foi mais barato porque eu não preciso pagar a acomodação do campus. – explicou um pouco triste e eu me senti mal por , mas de algum modo sabia que não importava onde ela estudasse, ela iria se sair bem no futuro.
– Oxford é superestimada de qualquer forma. – fez pouco caso daquilo depois de perceber que o que tinha dito era um pouco triste e eu sorri.
– Está em qual ano? – mamãe perguntou.
– No terceiro.
– E o que você acha da faculdade? – Robin continuou o assunto.
– É certamente ocupador, mas eu não poderia reclamar. Eu amo estudar sobre a Literatura Inglesa.
– Qual seu escritor favorito? – perguntei interessado e ela pensou.
– Da literatura inglesa ou do mundo inteiro?
– Da literatura inglesa. – decidi com o pensamento de que era melhor para que ela decidisse se fosse apenas da literatura inglesa.
– Alexander Pope. – respondeu com confiança e eu tentei não demonstrar que não tinha a mínima ideia de quem ele era. – Ele foi um dos maiores poetas britânicos do século XVIII.
“Autor do poema Eloisa to Abelard. O poema que deu origem ao filme Brilho Eterno de Uma Mente Sem Lembranças, é um dos meus filmes preferidos apesar de não gostar do Jim Carrey”.
– Você não gosta do Jim Carrey? – perguntei espantado e ela riu.
– O poema é sobre Pedro Abelardo e Heloísa de Paráclito que tiveram um romance que se passou na França, lá pelo século XII. Abelardo era professor, filósofo e teólogo. Uma figura muito importante de seu tempo. Heloísa era escritora, erudita, abadessa e freira.
“Heloísa era jovem e se destacava por sua inteligência e dom para escrita. Ela foi aluna de Abelardo e os dois mantiveram uma relação secreta, já que eles eram impedidos de ficar juntos pelas regras da sociedade da época. Mas ela engravidou e foi enviada para a Bretanha, deu à luz a seu filho lá. Abelardo então casou-se com ela secretamente para que sua carreira não fosse arruinada. Porém... Dessa forma a reputação do tio dela foi destruída e ele tornou público o casamento entre Abelardo e Heloísa”.
Todos ficamos hipnotizados por como contava a história, era como se fosse dela, como se ela a possuísse. Eu tinha certeza absoluta de que ela poderia falar sobre qualquer tópico do mais fascinante ao mais entediante e ainda conseguir nos prender com seu charme.
– Para sua própria proteção Heloísa foi refugiada no convento de Argenteuil. Como punição, Abelardo foi castrado em uma invasão noturna a seu quarto, alguns diziam que sobre mando da família da jovem ou do próprio tio. Ele se refugiou na Abadia de Saint Denis e tornou-se monge. Quando o convento de Heloísa foi fechado, Abelardo transferiu as freiras para o “Convento do Paráclito”, onde ela se tornou abadessa.
“Por muito tempo eles apenas se comunicaram por cartas e parte destas cartas ainda existem. Eles foram enterrados juntos no Convento do Paráclito, mas, durante a Revolução Francesa, o convento foi demolido e os restos mortais transferidos para uma igreja próxima. No início do século XIX, foram transferidos para o hoje mundialmente famoso cemitério Père Lachaise, em Paris, onde vários nomes famosos estão enterrados, como Oscar Wilde, Modigliani, Proust entre outros”.
– Existe um filme que retrata a história deles, se chama Stealing Heaven. A história dos dois inspirou gerações de poetas e romancistas, Alexander Pope foi um deles.
– Você conhece o poema de cor? – questionei impressionado e ela deu uma mordida na comida sem graça.
– Eu conheço fragmentos dele. Foi publicado em 1717.
– Você poderia citar? – arqueei as sobrancelhas em expectativa e ela suspirou.
– “Nesta profunda solidão e terrível cela, onde a contemplação celestial do pensamento habita, e sempre reina a meditação melancólica. Que significa esta agitação nas veias de uma virgem? Por que meus pensamentos se aventuram além do último retiro? Por que sente meu coração este amplo e esquecido calor? Ainda, ainda eu amo! De Abelardo veio, e Eloisa ainda deve beijar seu nome.”
Mesmo com aparente timidez ela recitava com paixão as palavras envelhecidas com o tempo, a sofisticação do tom combinava com . Como se ela pertencesse ao passado e sentisse com a intensidade daquele tempo.
– “Querido fatal nome! Restos nunca confessados, nunca passarão estes lábios no sagrado silêncio selado. Ocultá-lo, meu coração, dentro desse disfarce fechado, quando se funde com Deus, sua falsa ideia amada: Ó mesmo não o escrevendo, minha mão – o nome aparece, logo escrito – a purificação acabo com minhas lágrimas! Em vão a perdida Eloisa chora e reza, seu coração ainda manda, e a mão obedece.”
“Inexoráveis paredes! Cuja obscura ronda contém, arrependidos suspiros, e amarguras voluntárias: Vós rochas fortes! Que santos joelhos desgastaram. Vós grutas e cavernas inalcançáveis com horríveis espinhas, santuários! Onde as virgens mantiveram seus pálidos olhos, e a tristeza dos santos, cujas estátuas aprenderam a chorar! Embora frio como você, imóvel, em silêncio crescente, eu ainda não esqueci-me como pedra.” – tomou algum tempo para lembrar de algumas palavras, mas ainda assim era incrível.
– “Nem tudo está no céu enquanto Abelardo tem parte, ainda a natureza rebelde mantém a metade de meu coração. Nem a oração nem os jejuns acalmaram seus impulsos persistentes, nem as lágrimas, ou a idade, o ensinaram a fluir em vão.”
“Como é imensa a felicidade da virgem sem culpa. Esquecendo o mundo, e pelo mundo sendo esquecida. Brilho eterno de uma mente sem lembranças! Cada prece é aceita, e cada desejo realizado.” – sorriu satisfeita e eu percebi que aquele verso era o mais importante para ela.
– “Trabalho e descanso mantidos em iguais períodos. Obedientes sonhos dos quais podemos acordar e chorar. Calmos desejos, afetos sempre furiosos. Deliciosas lágrimas, e suspiros que boiam no paraíso. Graça que brilha a seu arredor com raios serenos. O murmúrio dos anjos arrulha seus sonhos dourados. Por sua eterna rosa que floresceu no Éden. E as asas dos serafins derramam perfumes divinos, para ela, o esposo prepara o anel nupcial, para ela as brancas virgens cantam a canção da boda, e ao som das harpas celestiais ela morre, e se desfaz em visões do dia eterno.” – quando ela terminou, todos na mesa estavam sem palavras, eu sentia que poderia chorar de emoção a qualquer momento.
– Não é o poema inteiro porque eu não o decorei inteiro, mas...
– Foi lindo e impressionante, não sei como fez isso. – a interrompi e ela riu.
– Na verdade, quem realmente fez foi Pope, mas muito obrigada.
– Foi impressionante. – minha mãe repetiu e todos assentiram. agradeceu e voltamos a comer, conversando um pouco.
Depois de tirarmos a mesa e tentar se oferecer para lavar a louça, o que claramente não funcionou porque quem lavou a louça foi Gemma, eu e ela fomos para meu quarto. Eu a convidei para entrar e ela analisou as paredes assim como minha cama e meus poucos livros da escola em cima da estante.
– Haruki Murakami! – gritou disparando para minha estante e eu ri fechando a porta. – Eu pensei que você não gostasse de ler.
– Eu falei que nem tanto. – a corrigi e ela franziu o cenho, pegando Norwegian Wood em mãos.
– E por quê?
– Porque eu não leio nada comparado a você.
– Você não sabe disso. – resmungou para mim e folheou as páginas do livro, fascinada.
– Você gosta desse livro?
– Eu li quando era pequena, é um dos meus preferidos. Naoko é uma personagem tão bem construída, eu me enxergo nela.
– E você também sabe recitar todas as frases importantes do livro? – questionei brincando e ela se sentou na minha cama ainda olhando para o livro. Ela o fechou e o abraçou no corpo, me fazendo sentar ao lado dela.
– Só as que eu gosto.
– E quais são?
– A minha preferida é: “Apenas uma vez eu gostaria de saber como é ser tão amada ao ponto de não conseguir suportar.” – assentiu mostrando que apreciava aquela frase e eu olhei em seus olhos.
– Por que é sua frase preferida?
– Porque eu gostaria de saber como é ser tão amada ao ponto de não conseguir suportar. – disse naturalmente, mas logo levantou a cabeça e negou rindo sem graça. – Isso ficou um pouco estranho, né? Eu não quis...
De repente como impulso me aproximei e colei meus lábios aos seus, ela se separou de mim rapidamente e eu percebi que não tinha sido uma boa ideia. Ela parecia assustada e eu fiquei envergonhado.
– Me desculpe, eu não sei onde eu estava com a cabeça. – olhei para baixo, mas colocou o livro em cima da cama e me beijou novamente, apropriadamente. Suas mãos envolveram minha nuca e seus lábios foram gentis com os meus.
Meu coração disparou e eu levei minhas mãos a sua cabeça para dar apoio e mais firmeza ao nosso beijo. Beijá-la era incrível e não era nada apressado, ela me transmitia calma ao mesmo tempo em que me transmitia calor. Eu não queria me separar dela, nem para respirar, mas eventualmente aconteceu e abrimos os olhos para nos olharmos. Seus olhos âmbar ainda me surpreendiam.
– Esse foi o primeiro beijo mais estranho que já tive. – sussurrou e eu arqueei as sobrancelhas, mas ela sorriu. – De um jeito bom.
– Foi o melhor primeiro beijo que já tive. – respondi e ela pareceu impressionada, eu tirei seu cabelo do rosto com delicadeza e os coloquei para trás.
– Para deixar claro, eu não quero que você me ame. – esclareceu e eu ri.
– Uma coisa de cada vez. Eu já gosto de você... Bastante.
– Essa é a parte que você canta, não é? I know we only met but let’s pretend is love! – cantou dançando um pouco e eu não me segurei para gargalhar.
– Você decorou a letra... Devo me preocupar, stalker?
– Se eu fosse uma stalker, você acha que eu falaria que sim? Você subestima minha inteligência.
– Então admite?
– Claro que não. – fingiu choque, mas logo piscou um olho para mim.
– Você é louca.
– Talvez eu seja, mas consigo me controlar perto de você.
– Eu não quero que se controle perto de mim. – neguei a puxando para perto e ela subiu em meu colo.
– Você não tem ideia do que eu posso fazer com você. – sussurrou puxando meu cabelo levemente e eu sorri.
– Por que você não me mostra? – minha mão tocou sua bochecha e ela reuniu o próprio cabelo o rodando e fazendo um coque, prendendo com ele mesmo já que era longo o suficiente para conseguir imitar um elástico. Aquilo foi extremamente sexy.
– Você foi avisado. – aproximou seu rosto do meu e me beijou de novo, com tranquilidade e técnica. Mas quando minhas mãos foram para o seu quadril, a porta do quarto se abriu bruscamente e ela pulou de cima de mim, seu cabelo se soltou com o movimento e caiu em seus ombros. Foi muito sexy também com ela estando ofegante, mas não pude reparar muito.
– Eca! Isso é como incesto! – Gemma pareceu enjoada e mordeu o lábio um pouco constrangida.
– Não grite, mamãe vai te ouvir! – a puxei para dentro e ela estremeceu.
– É para mamãe ouvir mesmo, não vou deixar você engolir minha amiga.
– Até parece que nunca beijou alguém.
– Algum de seus amigos? Nunca mesmo.
– Você é louquinha pelo Louis, até eu sei.
– De onde tirou isso? – pareceu com mais nojo e eu suspirei.
– Estava te testando.
– Isso foi incrível, já pensou em ser ator? – empurrou meu ombro e Gemma fingiu vomitar.
– Parem com esses olhinhos e sorrisinhos apaixonados. Se conhecem há uma semana.
– Na verdade... – levantei um dedo a cortando e ela pareceu interessada. – Eu reparei nela muitos anos atrás, até prometi que me casaria com ela.
– Você o quê? – ela ficou surpresa e eu ri ao olhar para sua expressão.
– Pois é.
– E por que não me disse nada?
– Eu não sabia até hoje, minha mãe foi quem me lembrou.
– Até parece o destino. – Gemma dramatizou e pegou minha almofada para bater nela. Elas eram mesmo próximas. – Que tal colocarmos uma música para esse momento romântico? Vocês podem se beijar e eu vou ficar de vela, mas vou assegurar que vocês não façam coisas indecentes.
– Eu não trouxe meu celular, me empreste o seu e uma caixa de som. – concordou e Gemma deu um tapa em seu ombro a fazendo rir. – Só vou colocar a música, não vou beijar seu irmão.
– Cinco minutos atrás eu era apenas Harry e agora sou o irmão. – caí deitado na cama e bufei.
– Você sabe minha senha. – Gemma entregou seu celular para e ela arregalou os olhos.
– Ainda é a mesma?
– Sim.
– Mas você mudou de celular.
– Eu amo essa senha.
– Qual é? – questionei prestando atenção e Gemma negou com a cabeça para mim.
– Se tem uma senha é para que não fucem no meu celular.
– E por que sabe então?
– Porque ela é minha amiga. – me mostrou a língua e eu bufei.
– Vocês têm caixa de som? – perguntou e Gemma franziu o cenho, mas eu peguei a caixinha.
– Por que precisa de uma caixa de som?
– O som fica melhor nela. – nós respondemos ao mesmo tempo e minha irmã revirou os olhos.
– Isso é pior do que completar frases, falar ao mesmo tempo. São como gêmeos siameses.
– Como é dramática. – criticou com os olhos no celular.
De repente, a música preencheu o quarto e levantou seus olhos ansiosa para assistir nossa reação. The Smiths tocava, This Charming Man precisamente. Eu olhei para ela com os olhos arregalados, era como se ela fosse um espelho meu, só que mais bonita.
Gemma olhou para ela e as duas concordaram silenciosamente em começarem a dançar ao mesmo tempo, um passo que parecia vir dos anos 80. Era bastante louco, mas também divertido.
O passo era difícil de descrever em palavras, mas era como se elas estivessem andando sem sair do lugar e dando mini pulinhos a cada passo, mas elas também usavam os braços e a cabeça para entonar o movimento, mexiam o braço para impulsionar o pulinho e balançavam a cabeça de acordo com o ritmo.
– Vem! – me puxou e eu me juntei a elas para dançar, rindo alto.
Era um daqueles pequenos momentos que você pensa no quanto é sortudo por estar tendo tanta diversão. olhou para mim e riu, e já no nosso segundo encontro eu me senti extremamente triste por lembrar de que quando o verão acabasse ela iria embora com ele.
Mas o que adiantaria sofrer por antecipação? Senti que era isso o que ela me diria, então continuei a dançar e aproveitei o momento.
Quando a música acabou, as duas sentaram na minha cama rindo e pegou o celular novamente para escolher outra música, escutamos mais algumas antes de ela decidir voltar para casa e eu me ofereci para levá-la até lá, ela disse que tudo bem, mas já era tarde e alguns minutos a mais com ela não me fariam mal.
– O que quer fazer no próximo encontro? – questionei tentando tomar notas mentais.
– Podemos ir a algum restaurante. – sorriu em minha direção.
– Não gostou da comida da minha mãe? – fingi estar ultrajado e ela não se abalou.
– Eu não quero dar trabalho para sua mãe, você já parece dar o suficiente.
– Um restaurante soa bom.
– Eu vou ter que escolher?
– É alérgica a alguma coisa?
– Eu já te disse, Harry, só a encontros ruins.
– Mas no próximo eu não vou levar a Gemma, ok?
– Ah, que chato! Mas pensando bem nisso, como você desejou nosso segundo encontro foi em um quarto, mas teve Gemma como bônus.
– É provável que ela nos siga no nosso terceiro encontro.
– Eu imagino, ela tem medo de que eu destrua sua inocência.
– E como iria fazer isso? Citando 50 Tons de Cinza?
– Eu não tenho nada contra livros eróticos, mas só leio os de qualidade. Minha mente apagou 50 Tons de Cinza no momento em que fechei aquele livro.
– Você lê livros eróticos?
– Não é óbvio? – deu um sorrisinho de lado e eu levantei as mãos sem mais nada a dizer. – E você, assiste pornô?
– Todo garoto acima de quatorze já assistiu. Mas consumo de pornografia alimenta uma cadeia de exploração das mulheres e isso é extremamente horrível, a maioria delas ficam presas em cativeiro, sob ameaças, sendo obrigadas a usar drogas, álcool, vivendo terríveis condições de exploração e espancamentos. São obrigadas a vender seus corpos como mercadoria, sem proteção, sem que se importem com o estado de saúde delas.
– Como sabe disso tudo? – pareceu espantada e eu dei de ombros.
– Acho que todos deveriam saber disso, isso é estupro, exceto pelo fato de que elas são pagas.
– Isso é terrível.
– Eu sei. – parei de falar com medo de ter sido estranha a informação que passei.
– Obrigada por me dizer.
– Por quê? Você assiste pornô?
– Na verdade não, mas como você disse todos deveriam saber disso.
– Você sabe como é extremamente raro ter expectativas de algo em sua cabeça e essa coisa acabar se tornando muito melhor? – perguntei e olhou para mim, diretamente em meus olhos.
– Sim, claro que sim.
– Encontros, conversas com você são desse jeito. Não importa o quanto eu pense em você, você acaba sendo melhor do que eu poderia criar na minha imaginação.
– Você disse isso com muita confiança. Eu não acredito em você. – voltou a olhar para frente e eu ri.
– Por quê?
– Porque tivemos dois encontros e esse último provavelmente nem conta como um.
– Mas tivemos três momentos, você me bateu com um carrinho, nós tivemos um piquenique e então nos beijamos, nessa mesma ordem.
– Não me conhece ainda, não sou tão perfeita quanto acha que eu sou.
– Eu não disse isso, eu disse que os momentos que eu passo com você são assim. Você me faz me sentir de um jeito diferente.
– Não vá dizer que sente borboletas no estômago.
– Sou brega a esse ponto, não me desafie.
– Eu gosto...
– Você gosta?
– Quando não é forçado.
– Então por que não acredita em mim?
– Eu só estou um pouco decepcionada que eu vou embora depois que o verão acabar. – gostei do fato de ela conseguir expressar seus sentimentos, eram os mesmos que os meus, mas eu não havia falado nada antes.
– Eu também... Mas vamos aproveitar, certo? E não é como se não existissem meios de comunicação a distância.
– E você vai ter tempo para mim? Com todas as turnês e as groupies? – perguntou rindo e eu dei de ombros.
– Mulheres não são objetos, então não as trato como se fossem. Se estou dizendo que gosto de você e quero continuar falando com você quando tivermos que ir embora, é porque eu falo sério. – expliquei sereno e ela arqueou as sobrancelhas.
– Eu me senti um pouco babaca agora, como fez isso?
– Eu entendo que não nos conheçamos direito ainda, mas eu te prometo que não vou ser desonesto com você. – ela abriu a boca para responder, mas a fechou, pensando por alguns segundos, e abriu de novo, porém voltou atrás, parecendo travar uma batalha interna e me fazendo rir.
– Obrigada. – se decidiu e eu assenti.
– Contanto que você seja honesta comigo também.
– Vou ser, quando enjoar de você prometo que vou te dar um pé na bunda sem nem mesmo reconsiderar. – chegamos na varanda de sua casa e ela tocou na maçaneta, mas eu a puxei delicadamente.
– Sem despedida? – sorri, levando-a fazer o mesmo e me senti quente por nossos corpos estarem bastante juntos.
– Você quer um beijo, não é? Não acha que está sendo muito exigente? Afinal, eu já te dei o melhor primeiro beijo da sua vida. – levantou sua mão para afastar um pouco o cabelo do meu rosto e as pontas de seus dedos tocaram minha pele, lentamente criando uma tensão no ar.
– Eu estava pensando na música... O que acha do refrão como: “Eu sou todo seu, não tenho nenhum controle”? – minhas mãos seguraram as laterais de seu rosto e meus polegares descansaram em sua bochecha.
– Você quer tanto me levar para cama que vai escrever uma música só para conseguir isso? – brincou e eu dei de ombros.
– Eu gosto de você e se ter aceitado sair comigo duas vezes não foi um sinal de que gosta de mim...
– Uma vez. – me corrigiu levantando o dedo, mas logo o abaixou.
– Eu realmente preciso de um convite para te beijar? – não quis dizer de consenso, aquilo era inegável que eu precisava ter e ela entendeu. Ela olhou para mim, considerando, e se aproximou mais alguns centímetros. Eu ansiei por sua boca e por seu beijo, mas ela parou e sorriu.
– Me faça imortal com um beijo, Harry Styles. – me deu a função de tomar a iniciativa e com minhas mãos já em seu rosto eu a puxei até mim, colando nossos lábios e logo precisando de mais, colocando uma mão em sua nuca e apoiando sua cabeça para que ficasse ali onde parecia pertencer.
Seus lábios deslizaram pelos meus com suavidade, o desejo oculto estava à espreita, mas era isso o que o tornava atraente, a espera para que ele se revelasse.
parecia querer me desvendar também, tirar aquele pedaço de mim, aquele que me faria escrever músicas sobre ela quando nos separássemos. Não foi como o beijo de mais cedo e meu coração não estava tão acelerado como na primeira vez porque, de alguma forma louca, agora era familiar, seu beijo me parecia familiar, era fácil me acostumar com seus lábios ou sua língua acariciando a minha, ou o seu corpo ajudando o meu a manter o calor.
Era como se eu a conhecesse há muito tempo e nossos corpos se conhecessem a mais tempo ainda.
Ela terminou o beijo com um selinho e eu demorei um pouco para abrir os olhos, quando o fiz, sorri largo, um pouco bobo, e ela se apoiou na porta, se descolando de mim.
– Se você fizer sucesso com uma música sobre mim eu quero meus créditos. – disse antes de pegar as chaves e abrir a porta e eu ri baixinho.
– Eu acho válido que você os tenha. – nossos olhares se encontraram uma última vez e ela sorriu, fazendo meu coração palpitar.
– Boa noite, Harry.
– Boa noite, .

Capítulo 3

Holmes Chapel
Agosto, 2012

P.O.V

– Ela faz patinação? – perguntou maravilhado e eu ri.
– Sim, desde os seis anos. – deslizei para outra foto dela e ele fixou os olhos no celular. Naquela foto eu estava presente também, a abraçando na pista de gelo. – Mia sempre foi muito talentosa, em basicamente tudo. É de dar raiva.
– Então o gene deve ser do seu pai. – sussurrou rolando para se deitar de costas na toalha aberta em cima da grama. Eu tinha perdido a conta de quantos piqueniques já tínhamos feito, mas ainda estávamos longe de nos cansarmos de sentar ao ar livre e conversar por horas e horas seguidas, nos conhecendo melhor. – Porque você também consegue fazer tudo, até mesmo cantar.
– Eu não consigo fazer exercícios por mais de trinta minutos no máximo. – dei de ombros e ele me olhou confuso. Eu empurrei seu ombro. – Meu corpo não aguenta, e eu não consigo nem fazer flexões.
– E como esse assunto surgiu, mesmo?
– Se quer entrar em uma discussão comigo, Harry Styles, tem que se preparar um pouco melhor. – usei o dedo indicador e o polegar para demonstrar “um pouco” e ele sorriu.
– Ok. – respondeu de um jeito adorável e me deu um selinho rápido, quase me fazendo cair deitada.
– Você acha que só porque é famoso pode fazer o que quiser? – coloquei as mãos na cintura e ele se aproximou mais uma vez, lentamente.
– Claro que não. – levantou um pouco seu corpo e segurou meu rosto de um jeito delicado. Quando aproximou seus lábios para me beijar, eu peguei um morango e coloquei entre nós, fazendo com que ele o mordesse.
– Está bom?
– Está ótimo. – me beijou depois e voltou a se sentar.
– Quando eu vou conhecer seus parceiros de banda? – perguntei interessada.
– Se você puder voar comigo até Londres depois que o verão acabar... – sugeriu com os olhinhos de gato de botas e eu semicerrei os olhos.
– Você vai me bancar se eu largar a faculdade?
– Está mesmo perguntando isso? – riu me abraçando e eu neguei.
– Posso adiar um pouco meu encontro com eles. Afinal, eu já fisguei um. Não deve ser tão difícil fisgar os outros quatro. – arrumei seu cabelo e ele negou.
– Eles têm namoradas.
– Sério? – fingi estar decepcionada e continuei. – Então nem precisa me apresentar.
– Você é hilária, . – disse com uma careta de descontentamento e meu celular apitou, atraindo minha atenção. – Não me diga que é o Zayn!
– Não, é o Twitter. – mostrei a tela para ele que continha fotos de nós dois juntos, em encontros. – Eu sou o novo assunto da Inglaterra. Eles não acreditam que Harry Styles tenha uma namorada que fala tão engraçado.
– Talvez devêssemos nos encontrar apenas em meu quarto ou no seu. – sugeriu e eu passei os dedos pela publicação. – Pare de ler esses comentários, são apenas pessoas sem nada para fazer.
– Mas são comentários criativos, olha! “O que o Hazza está fazendo com essa gorda?”, “Ele vai de velha pra nova.”, “Ela parece uma vadia.”
– Pare com isso. – pegou o celular da minha mão e me deitou na toalha com um beijo. – Me desculpe... Por tudo isso.
– Não é sua culpa. – sussurrei dizendo a verdade. – Eu quero ficar com você e esses comentários não tem nem de perto o impacto necessário para mudar minha opinião.
– Você é mesmo real? – pendeu sua cabeça para o lado e me deu mais um beijo. Um beijo mais demorado que me fez esquecer que estávamos em uma praça.
– Precisamos arrumar um lugar. – pontuei depois do beijo e ele riu, já sabendo do que se tratava. Ele me olhou nos olhos por alguns segundos e suas mãos foram parar em minha barriga, fazendo cócegas. – Harry! Harry! Pa-para!
– Não grite meu nome desse jeito. – fingiu que aquilo o excitava e eu ri ainda mais com suas mãos me cutucando.
– Ai! Ai! Para! – eu tentava o estapear, mas meus braços se encolhiam enquanto ele continuava com aquela tortura. – Por favor! Por favor!
– Tenho uma condição. – disse com a voz calma e eu me contorci.
– Ok! Ok! Eu faço! Eu canto o que você quiser! – gritei e ele me soltou satisfeito.
The Boy Is Mine. – escolheu a música e eu ajustei meu vestido por conta da bagunça que Harry fez.
– Só assim para você fazer alguém rir. – alfinetei fingindo estar irritada e ele me deu um beijo na bochecha.
– Está tão fofinha, vermelhinha. – forçou um tom de voz fofo e eu dei um tapa em seu braço.
– Você é tão cafona. – sorri como se não estivesse o ofendendo.
– Quando eu vou conhecer a Mia?
– Se puder voar comigo até Birmingham depois que o verão acabar. – fiz um gesto com os ombros e ele assentiu.
– Vamos parar de se aborrecer com isso.
– Ok.
– Mas você ainda me deve The Boy Is Mine.
– Muito cedo para isso.
– Nunca é muito cedo para R&B. – contestou e eu suspirei quando meu celular apitou de novo.
– Se eu não precisasse do meu celular para conversar com a minha família e eventualmente com você quando for embora... Eu jogaria ele no lago.
– Se eu pudesse fazer música sem todos esses poréns... – respondeu entrelaçando seus dedos nos meus e eu neguei.
– Você gosta da fama, Harry. Pense nos seus fãs!
– Estou pensando mais em você no momento.
– Não precisamos pensar em todo o resto. – nossos narizes se encostaram e eu o beijei suavemente.
– Essa é de fato uma boa estratégia para me fazer esquecer.
– Você precisa me ouvir cantando Brandy então. – brinquei e consegui arrancar um sorriso dele. – Eu entendo muito bem porque tem tantas fãs.
– Ah, jura? E por que eu tenho tantas fãs?
– Você é tão... Harry. – usei seu nome como adjetivo e ele riu.
– O que isso quer dizer? Algo bom ou algo ruim?
– Se te traz fãs, o que você acha?
– Engraçado, eu sempre achei que fazíamos sucesso porque somos cinco adolescentes bonitos cantando músicas chiclete.
– É, isso certamente combate minha opinião. Quem precisa fazer música boa quando se é bonito? – refleti aceitando seu argumento. – Eu preciso ir daqui a pouco, minha mãe quer sair para comer.
– Tudo bem. – assentiu e comeu mais um doce da cesta.
– Eu passo na sua casa depois? – perguntei e ele concordou.
– Não está conseguindo se desgrudar de mim, não é mesmo?
– Eu vou para visitar a Gemma, e Dusty. – mencionei sua gata e ele semicerrou os olhos.
– Seja mais criativa com suas desculpas da próxima vez.
– Ah, isso é bem sério para mim vindo de um cara que nomeou a banda de “One Direction”. Você plagiou Glee? Fale a verdade. – me levantei para ir embora e ele apontou para mim como se fosse me responder, mas apenas disse:
– Eu te acompanho até lá.
– Quem não consegue desgrudar mesmo? – coloquei as mãos nos ouvidos querendo ouvir melhor e ele se levantou.
– Você leva a toalha.
Depois de pegar a cesta e me entregar a toalha já dobrada, buscou minha mão e andamos assim até a casa da minha mãe.
Fazia quase um mês desde o incidente do mercado que resultou no nosso primeiro encontro e desde então estávamos nos vendo praticamente todos os dias. Eu ainda tinha trabalhos da faculdade para fazer, então algumas vezes Harry se contentava em apenas ficar do meu lado enquanto eu estudava. Outras vezes eu passava na casa dele e em dias que queríamos nos distrair de verdade e longe de tudo fazíamos piqueniques em qualquer lugar que tivesse grama.
Não tínhamos ido para a cama juntos, mas eu não sentia que aquilo era um grande problema, apenas não tínhamos achado lugar e nem hora para acontecer. Sempre que estávamos no quarto um do outro sabíamos que nossas mães estavam em casa e aquilo já era mais que o suficiente para acabar com o clima.
Se eu queria? Até demais.
Mas os beijos e as conversas me deixavam satisfeita. Eu estava feliz e não me lembrava de ter passado um verão tão bem quanto estava passando aquele.
Durante aquele tempo, tínhamos nos conectado ainda mais, era até difícil ficarmos separados por muito tempo.
Em um mês, eu tinha descoberto três coisas essenciais sobre Harry Styles: 1. Ele ama andar nu pela casa; 2. Nossos gostos musicais são praticamente idênticos e 3. Ele fala dormindo.
Por que os fatos estão nessa ordem nem eu posso entender, mas ainda assim eram fatos essenciais.
Éramos namorados, mas nenhum dos dois tinha feito um pedido especial ou coisa do tipo, foi mais algo como um aperto de mãos e a compreensão das duas partes.
E agora eu era praticamente famosa, a capa de vários artigos de jornais da Inglaterra. Eu provavelmente teria que mudar de número quando tivesse oportunidade, porque todos me contatavam por ele, ele tinha sido divulgado na internet quando descobriram quem eu era, junto da minha idade, nome completo e várias outras coisas sobre a minha vida pessoal.
Eu não pensei que seria tão invasivo entrar em um relacionamento com Harry pelo fato de que eu não sabia muito sobre a banda do momento, One Direction, mas mesmo assim era isso o que eles eram. A banda do momento.
O primeiro grupo britânico a alcançar o primeiro lugar no top 200 da Billboard. O grupo com o álbum que vendeu 170 mil cópias durante a primeira semana de vendas.
Eles eram a nova sensação, eles estavam quebrando recordes e pareciam estar apenas no começo de “tamanha revolução”.
Mas namorar Harry valia a pena, rir com ele valia a pena.
Pensando nisso, cheguei em casa e fui comer com minha mãe. Passamos uma tarde agradável juntas, e quando voltei, fui direto para a casa de Harry, sendo recebida por sua mãe.
– Harry está no quarto. – me deixou entrar e eu pedi por licença.
– Obrigada, Anne.
– Ele não saiu de lá desde que voltou. – comentou e eu assenti, subindo as escadas e andando até seu quarto. Abri a porta sem bater e avistei Harry sentado na cama.
– O que aconteceu? – perguntei preocupada, já entrando.
– Nada. – enxugou seus olhos com as mãos e eu me sentei ao seu lado, levantando seu rosto.
– O que aconteceu? – mexi em seu cabelo, tentando trazer tranquilidade, e ele negou.
– Nada demais, estava assistindo Titanic. – deu de ombros e eu não cheguei nem perto de acreditar.
– Com a TV desligada? – olhei em direção à televisão e vi o celular de Harry ao seu lado, o pegando para descobrir o que estava acontecendo. Quando desbloqueei o celular inúmeros insultos direcionados a Harry apareceram, insultos extremamente maldosos.
– Não-não é nada. – tentou pegar o celular da minha mão e eu apaguei o site, mais preocupada.
– Você pesquisou isso? – indaguei devolvendo o celular e ele respirou fundo, segurando as lágrimas.
– Eu...
– Harry, sabe que isso não é verdade. – apontei para o celular me referindo aos comentários e ele ficou quieto por alguns segundos.
– Mas se eles estão dizendo, deve ter algum motivo, não é? – pareceu inseguro e eu segurei sua mão.
– É porque eles não te conhecem. Nenhum deles tem o direito de te julgar pelo que eles acham que você é, são apenas pessoas desocupadas e incomodadas.
– Eu só queria saber... Por que as pessoas me odeiam? – questionou baixinho e eu o olhei nos olhos. Eu tentava compreender, ser famoso deveria ser muito frustrante.
– Porque eles têm inveja, assim como suas fãs tem inveja de mim por ser sua namorada. – ele devolveu o olhar e eu acariciei seu cabelo com minha mão livre. – Você também tem muitas fãs, sabia? Que te amam e preferem apoiar o seu sucesso ao invés de perder tempo tuitando coisas falsas e horríveis sobre você.
– Eu sei que deveria olhar por esse lado, mas é difícil. Eu quero saber porque as pessoas não gostam de mim.
– Eu entendo. – e entendia mesmo, como uma pessoa que sempre buscou aprovação de todos ao redor, eu entendia. – E sempre vão ter pessoas assim, sempre vão ter pessoas que se acham no direito de decidir se você é bom o bastante para fazer o que você ama.
– É um discurso motivacional?
– Sempre vão ter pessoas que se acham no direito de se intrometer na sua vida. Mas se você tem tantas fãs, deve ser porque está fazendo algo certo, não acha? – sorri sem mostrar os dentes e ele refletiu.
– Dá para ver porque você faz faculdade de Letras em Birmingham. – brincou e eu sorri.
– Sou eu que deveria estar te fazendo rir. – protestei mas ele logo sorriu comigo.
– Acredite em mim, apenas estar com você já basta para arrancar alguns sorrisos.
– Você é bom, Harry, bom no seu trabalho e bom como um ser humano. – dei um selinho em seus lábios e ele assentiu. – E é por isso que eu sou sua namorada.
– Te incomoda muito? As fãs e-
– Eu sei que elas não são suas fãs de verdade. E sim, é um pouco chato, mas não é nada comparado à minha vontade de ficar com você.
– Por que você sabe que eu vou ficar rico, né? – brincou e eu concordei freneticamente.
– Se você não tiver dinheiro, não tem porque aturar isso. – subi em seu colo, limpando melhor suas lágrimas, e beijei cada bochecha uma vez. – Estou aqui por você, você pode falar comigo se quiser.
– Prefiro não falar agora. – seus lábios beijaram os meus e meu corpo relaxou em suas mãos ao mesmo tempo que se incendiou com seu toque. Era uma sensação sem igual beijar ele, ele realmente sabia o que estava fazendo.
Foi um beijo lento como o movimento de nossos corpos se colando. Minhas mãos passeavam por sua nuca e as dele também mexiam em meu cabelo, o colocando para trás para facilitar o beijo.
Eu não tinha nenhum controle perto dele e saber que ele sentia o mesmo me tranquilizava. Eu era toda dele e ele era todo meu, pelo menos até o verão acabar.
Suas mãos me deitaram na cama e deslizaram para baixo do meu vestido, fazendo com que minha pele se arrepiasse imediatamente, eu estava rendida e excitada demais para pensar em algo que não fossem os beijos molhados que eram depositados no meu pescoço.
Eu gemi involuntariamente e Harry agarrou a parte de baixo das minhas coxas com propriedade, levantando um pouco minhas pernas. Suas mãos exploraram minhas curvas minuciosamente e pareceram apreciar meu corpo, me fazendo sorrir.
– Você tem camisinha? – me vi perguntando sem consciência alguma e quando Harry afastou seu corpo do meu eu pareci me lembrar.
– O que foi? – perguntou confuso e eu arregalei os olhos.
– Sua mãe está no andar de baixo! – estapeei suas mãos para que não me tocassem e ele pendeu a cabeça para trás.
– É só trancarmos a porta.
– Não consigo, não tem clima pra isso. – neguei e ele arqueou as sobrancelhas.
– Sério? Então você não estava no clima a vinte segundos atrás?
– Não vem ao caso o que aconteceu a vinte segundos atrás. – argumentei e ele resmungou, gritando no travesseiro.
– Eu pensei que sua mãe tivesse vários namorados.
– E isso vem ao caso por que...
– Pensei que ela saísse com eles e deixasse a casa para você. – disse sugestivamente e eu abri a boca em compreensão.
– O único problema é que eu disse para ela não namorar tanto enquanto eu estiver aqui.
– Revogue essa regra então. Diga para ela aproveitar uma noite na casa do namorado. Deixe sua mãe ser feliz! – chacoalhou meus ombros e eu ri.
– Está desesperado, huh?
– Você dificulta para mim.
– E como eu dificulto para você? – cruzei os braços curiosa e ele abriu as mãos apontando para meu corpo inteiro.
– Você percebe que está na minha cama, certo? Com suas pernas praticamente gritando para serem agarradas, e–
– Eu não tenho culpa de ser gostosa, ok? – brinquei também e ele revirou os olhos.
– Saia da minha cama, .
– Pense um pouco Harry, em como–
– Em como o tecido do seu vestido parece ser extremamente fácil de rasgar? – seus dedos brincaram com a barra do meu vestido e eu puxei minha perna, não gostando das estatísticas de como ficaria minha sanidade se Harry começasse a tocar minhas coxas novamente.
– Na verdade eu ia dizer em como sua mãe, padrasto e provavelmente irmã estão nessa casa. E Dusty!
– Eu não tenho nenhum controle, se lembra? – disse o que vínhamos falando por semanas e eu me levantei.
– Então acho que tenho que ir embora, a gente se vê amanhã. – praticamente corri até a porta e ele riu me puxando.
– Vou parar, mas você me deve Brandy. – apontou acusadoramente e eu bufei cedendo.
– Só me deixa chamar a Gemma.
– Não, não, não. – me puxou novamente e eu ri lamentando.
– Vamos lá para baixo. – pedi e ele sorriu.
– Eu não vou te atacar.
– Vai ser muito vergonhoso só nós dois.
– Você tem vergonha de mim?
– Por favor? – forcei um biquinho e ele me deu um selinho, concordando em descer. Pegamos o seu aparelho de karaokê e chamamos todos da casa para experienciar meu show. Gemma se juntou a mim e eu fiquei um pouco mais tranquila.
– Eu devo algo para o Harry. – revelei segurando o microfone e Anne riu.
– E o que vai cantar? – Robin indagou e eu suspirei sentindo minhas bochechas ficarem vermelhas.
– Brandy.
– Ela canta muito bem. – Harry pontuou e eu neguei freneticamente.
– Harry só me armou para isso porque minhas habilidades vocais são limitadas. Eu tive algumas aulas de canto no começo da adolescência e...
– Você teve aulas de canto? Então deve ser boa. – Anne presumiu e Gemma deu um sorrisinho.
– Vocês vão ver. Ela canta bem sim, mas é muito tímida para admitir.
[N/A: Recomendo que coloquem para tocar The Boy Is Mine, da Brandy.]
Os toques da música começaram e eu levantei o microfone envergonhada, logo abaixando e quase desistindo. Harry me olhou como se estivesse com as expectativas altas e eu ri desacreditada do que estava prestes a fazer.
Gemma seria a Monica e eu seria a Brandy na música.
Respirei algumas vezes, me sentindo na vontade incessante de rir, e fechei os olhos tentando me acalmar.
Olhei para Gemma de relance e ela também se preparava.
Deixei o microfone abaixado para fazer a parte do diálogo e usei minha mão para imitar um celular enquanto ela fazia o mesmo.

Excuse me, can I please talk to you for a minute (Com licença, posso falar com você um minuto?)

Comecei com aparente timidez e Gemma acompanhou, já sabendo as palavras de cor.

Uh huh, sure, you know you look kinda familiar (Uhum, claro, sabe... Você me parece meio familiar)
Yeah, you do too but, hmm (É, você também, mas humm)
I just wanted to know do you know, somebody named... You know his name (Eu só queria saber se você conhece alguém com o nome...Você sabe o nome dele)

Harry já mostrava um risinho no rosto e Anne e Robin tentavam ficar sérios.

Oh, yeah, definitely I know his name (Oh, sim, definidamente eu sei o nome dele)

Gemma copiou a postura convencida.

I just wanted to let you know that he's mine (Só queria te avisar que ele é meu)

Apontei para mim mesma com possessão e ela fez o mesmo

Huh, no no, he's mine (Não, não, ele é meu)

Começamos a cantar ao mesmo tempo e eu tentei me agarrar a um tom parecido com o da cantora, conseguindo no começo. Eu e ela nos olhamos com rivalidade e foi impossível não mexer os pés com o ritmo.

You need to give it up (Você precisa desistir)
Had about enough (Já estou farta)
It's not hard to see (Não é difícil de perceber)
The boy is mine (O garoto é meu)

Tínhamos uma postura agressiva.

I'm sorry that you (Sinto muito que você)
Seem to be confused (Parece estar confusa)
He belongs to me (Ele pertence a mim)
The boy is mine (O garoto é meu)

Gemma abaixou seu microfone e eu comecei a cantar sozinha, bastante dura no começo, mas me soltando ao decorrer do verso.

I think it's time we got this straight (Eu acho que é hora de resolver isso)
Let's sit and talk face to face (Vamos sentar e discutir cara a cara)
There is no way you could mistake him for your man (É impossível que você tenha confundido ele com seu homem)
Are you insane? (Você é maluca?)

Então foi a parte de Gemma:

See I know that you may be (Sabe, eu sei que você pode ter)
Just a bit jealous of me (Um pouquinho de inveja de mim)

Fez um gesto com as mãos.

'Cause you're blind if you can't see (Porque está cega se não consegue ver)
That his love is all in me (Que o amor dele é apenas pra mim)

Apontou para o próprio corpo sorrindo convencida.
Então eu continuei.

See, I tried to hesitate (Sabe, eu tentei hesitar)
I didn't want to say what he told me (Eu não queria te dizer o que ele me contou)
He said without me (Me disse que sem mim)
He couldn't make it through the day (Ele não consegue levar o dia)
Ain't that a shame (Não é de dar pena?)

E foi para a parte dela novamente.

And maybe you misunderstood (E talvez você tenha entendido errado)
'Cause I can't see how he could (Porque não consigo imaginar que ele)
Wanna change something that's so good (Queira mudar algo que está dando certo)
All of my love was all it took (Todo meu amor foi o necessário)

Eu fiz um back vocal para o canto dela e fingimos avançar um passo mais perto, como se fôssemos brigar.

You need to give it up (Você precisa desistir)
Had about enough (Já estou farta)
It's not hard to see (Não é difícil de perceber)
The boy is mine (O garoto é meu)

Andávamos em um círculo, preparadas para nossa briga falsa.

I'm sorry that you (Sinto muito que você)
Seem to be confused (Parece estar confusa)
He belongs to me (Ele pertence a mim)
The boy is mine (O garoto é meu)
Must you do the things you do (Será que você precisa agir da maneira que age?)
Keep on acting like a fool (Continua agindo como uma tola)
You need to know it's me not you (Você precisa entender que ele está comigo, não com você)
And if you didn't know it, girl, it's true (E se você não sabia garota, é a verdade)

Gemma puxou meu cabelo de leve e eu fiz uma careta beliscando seu braço, começando a cantar.

I think that you should realize (Eu acho que você deveria se dar conta)
And try to understand why (E tentar entender porque)
He is a part of my life (Ele é uma parte da minha vida)

Tentei alcançar as mesmas notas que Brandy e não foi tão ruim, eu desafinei muito pouco durante a música.

I know it's killing you inside (Eu sei que isso está te matando por dentro)

Gemma continuou enquanto rodávamos em um círculo fazendo caretas irritadas.

You can say what you wanna say (Você pode dizer o que quiser)
What we have you can't take (O que nós temos, você não pode roubar)
From the truth you can't escape (Da verdade você não pode escapar)
I can tell the real from the fake (Eu posso distinguir a realidade da fantasia)

Empurrei seu ombro com uma mão e ela fechou o punho.

When will you get the picture (Quando é que você vai entender?)
You're the past, I'm the future (Você é o passado, eu sou o futuro)

Cruzamos os braços e ficamos de costas uma para a outra.

Get away it's my time to shine (Sai fora, é a minha vez de brilhar)
If you didn't know the boy is mine (Se você não sabia, o garoto é meu)

Mais uma vez alcancei uma nota alta e quase sorri por conseguir.

You need to give it up (Você precisa desistir)
Had about enough (Já estou farta)
It's not hard to see (Não é difícil de perceber)
The boy is mine (O garoto é meu)

Apontávamos para o rosto uma da outra, perto demais.

I'm sorry that you (Sinto muito que você)
Seem to be confused (Parece estar confusa)
He belongs to me (Ele pertence a mim)
The boy is mine (O garoto é meu)

O verso se repetiu e continuamos a atuação, era uma música longa de fato.

...
You can't destroy this love I've found
(Você não pode destruir esse amor que encontrei)
Your silly games I won't allow (Seus joguinhos bobos, eu não permitirei)

Neguei com o dedo indicador.

The boy is mine without a doubt (O garoto é meu, sem sombra de dúvidas)
You might as well throw in the towel (Você deveria jogar a toalha de uma vez)
What makes you think that he wants you (O que te faz pensar que ele quer você?)

Gemma me questionou arqueando as sobrancelhas.

When I'm the one that brought him to (Quando fui eu quem o levou)
This special place in my heart (A este lugar especial em meu coração)
'Cause he was my love right from the start (Porque ele foi o meu amor desde o início)
You need to give it up (Você precisa desistir)
Had about enough (Já estou farta)
It's not hard to see (Não é difícil de perceber)
The boy is mine (O garoto é meu)
I'm sorry that you (Sinto muito que você)
Seem to be confused (Parece estar confusa)
He belongs to me (Ele pertence a mim)
The boy is mine (O garoto é meu)
He belongs to me (Ele pertence a mim)
The boy is mine, not yours (O garoto é meu, não seu)

Gemma cantou e eu neguei com a cabeça, apontando para o meu peito.

But mine! (Mas meu)
Not yours! (Não seu)
But mine! (Mas meu)
Not yours! (Não seu)
But mine! (Mas meu)
I'm sorry that you (Sinto muito que você)
Seem to be confused (Parece estar confusa)
He belongs to me (Ele pertence a mim)
The boy is mine (O garoto é meu)

Rimos depois de acabarmos e eu olhei para os três no sofá, que também riam.
– Eu disse que ela cantava bem! – Harry apontou se levantando e Anne concordou.
– Você tem uma voz muito bonita, já pensou em seguir carreira?
– Na verdade não, cantar na frente de milhares de pessoas não soa tão agradável para mim.
– Eu faço isso por você. – Harry disse e eu assenti. – Mas se você quiser um lugar no One Direction, eu converso com os garotos.
– Não obrigada, suas fãs me matariam.
– Você tem razão. – nem tentou contestar o fato e fez uma careta.
– Você anda tendo problemas com fãs? – Anne questionou preocupada e eu tomei uma postura relaxada.
– Está tudo bem, não é nada sério. Vocês ficariam surpresos com quantas pessoas já me odiavam antes de me tornar namorada do Harry.
– Você? – Robin perguntou desacreditado e eu pisquei para Harry.
– A inveja. – sussurrei e ele sorriu.
– A inveja.




Continua...



Nota da autora: Sem nota.





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