Há alguns termos que devem ser citados em inglês, porque é como eles são e não tem uma tradução exata. Como uma estudante de arquitetura e tendo a monografia na Londres, a partir da década de 70, muitas vezes eu posso acabar citando algumas coisas que eu sei o significado, mas as pessoas comuns, que não são de Londres ou não possuem um conhecimento sobre a cidade, não sabem. Então a seguir vão as explicações de alguns termos que podem ser utilizados ao decorrer da fanfic.

1 - A City of London não é a mesma coisa que Londres. A City se trata da parte mais antiga da cidade, a parte fundada pelos romanos no século I depois de Cristo, por volta do ano 43. É onde se encontra a maior parte do centro comercial e financeiro de Londres. Então, quando na fic é citado a City, é porque estou falando dessa parte especifica da cidade. Ao mesmo tempo, a City não é uma borough.
2 - Boroughs são como são denominados as divisões de Londres. Não tem uma tradução clara para a palavra, mas é algo bem parecido com nossos bairros e setores, com uma pequena diferença: a forma administrativa. Aqui no Brasil nós temos os prefeitos que administram a cidade. Em Londres a forma administrativa é bem complexa para ser explicada em poucas palavras, mas vou tentar ser breve: a cidade é dividida em 32 boroughs e a City, cada borough tem sua própria administração local, que é responsável por lidar com a maior parte dos serviços de sua região, como serviços sociais, escolas...As boroughs são subordinadas ao London Borough Council, que por sua vez, é submetido ao Greater London Authority, ou para ficar mais fácil de compreender, a prefeitura de Londres.
3 - Inner London nada mais é do que a parte interna de Londres. É constituída por 12 boroughs mais a City e circundada pelas outras 20 boroughs que formam a Outer London. Não é a mesma coisa que dizer “centro de Londres” porque o mesmo não tem seus limites definidos, enquanto a Inner London é a área mais rica da Europa, onde vivem as pessoas mais ricas do mundo e possui um PIB de 80.000 libras, enquanto a média da Inglaterra é de 46.000 libras.
4 - Renée significa "renascida", "nascida de novo", "ressuscitada". É o equivalente francês para o nome Renata.




CAPÍTULOS: [Prólogo] [1] [2] [3] [4] [5] [6] [7] [8]



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Prólogo


Inglaterra, 1345.

Ouviu uma batida seca na grande porta de carvalho de seus aposentos. Levantou-se preguiçosamente, quase sem vontade, sentindo os músculos descansados repuxarem com o movimento recente e atendeu ao chamado. O servo de seu pai anunciava que era esperado no salão de baile.
- Vossa Majestade. – disse, após chegar e prestar a devida reverência.
- Isso é forma de se apresentar para sua festa de noivado? A família de sua noiva está a caminho e suas vestes estão inapropriadas e amassadas.
Henry sabia de suas responsabilidades como príncipe da Inglaterra. O futuro da Inglaterra pesava nas mãos do Príncipe Henry antes mesmo de seu nascimento, cada ato refletia na vida de todos os ingleses e devia ser bem pensado. Sabia como devia se portar, o que devia vestir, o que devia falar. Sabia que seu povo não esperava nada menos do que o melhor de seu príncipe, mas hoje, especialmente hoje, particularmente hoje, desejava poder fazer outra coisa. Desejava poder apenas montar seu cavalo e cavalgar pelos prados e colinas, sentir o vento do entardecer bater em seu rosto, sentir o sol queimando levemente sua pele. Mas esses eram luxos pertencentes apenas a nobres de níveis mais baixos e plebeus. Ele era Príncipe, ele era o futuro Rei, deveria aceitar as responsabilidades e agir como tal.
- Perdoe-me, Senhor, me distraí com pensamentos aleatórios e não vi que a hora se aproximava.
- Pois vá se arrumar e retorne para que possamos recepcionar nossos convidados.
Príncipe Henry fez uma reverência, recuou alguns passos e, ao ver o rei dar-lhe as costas, voltou-se para a saída do salão e retirou-se.
Ouvia seus passos ecoarem no revestimento de pedras do chão e paredes dos corredores pelos quais passava, mal notando os serviçais que arrumavam o salão para o grande baile.
Pontualidade. Precisava estar impecável e pontual. O anoitecer se aproximava lentamente e com ele, a chegada de sua noiva, prometida a ele desde o seu nascimento, a futura Rainha da Inglaterra.

O baile há pouco havia começado, mas o salão já estava lotado. Os nobres com suas vestes imponentes e seus abdomens avantajados seguravam taças de cristal; as damas com seus vestidos de seda pura, impregnando o ar com suas colônias vindas de Paris. Henry sentia também o cheiro doce do vinho, das ceras que derretiam sob as chamas trêmulas das milhares de velas que produziam sombras por todo o salão. Permanecia parado ao lado de seus pais, recepcionando os convidados que chegavam. Ao fundo podiam ser ouvidos o tilintar de taças e talheres, e os burburinhos da mais alta sociedade inglesa. Porém, o príncipe prestava atenção em cada palavra dirigida a eles, reconhecia os convidados pelos seus nomes, nobreza e lembrava-se de suas famílias. Impecável. Memória impecável.

Era esse o quadro que ela viu ao chegar acompanhada de seus pais. O rei e a rainha, vestidos com as melhores peças bordadas à mão pelos mais renomados modistas, sorrindo para um dos nobres convidados. As joias refletindo as luzes do ambiente, enquanto encontravam-se parados ao final da grande escadaria de mármore que dava acesso ao salão. E o príncipe, tão bem-vestido quanto seus pais, o jovem e ruivo Henry, ria de algo que um convidado falara. Confirmou com a cabeça e levantou o rosto ainda com um sorriso. Seus olhares se encontraram.

Harry abriu os olhos subitamente. Sentiu os pulmões doerem ao puxar o ar com força, produzindo um estranho som como o de um engasgo misturado ao susto. Sua respiração acelerou-se mais enquanto sentia seu corpo aderindo ao lençol. Sentou-se, ainda puxando o ar com força, tentando organizar os pensamentos. Flashes do sonho cruzavam sua mente de forma rápida, lhe causando dores nas têmporas. Lembrava-se de tudo. Não claramente, mas lembrava do essencial.

Caminhou lentamente até a janela desviando dos poucos móveis no caminho. Ao afastar as cortinas uma Londres iluminada surgiu, vibrando sob seu olhar desatento. Ao longe, quase como uma miniatura, o London Eye dava sua volta infinita. Respirou fundo mais uma vez, sua respiração finalmente voltando à normalidade.
- Que merda de sonho foi esse?
Encostou a testa no vidro frio enquanto fechava os olhos e se permitia lembrar do último momento de seu sonho. Um par de grandes olhos azuis.

Capítulo 1


Qual o melhor tecido para um guardanapo?
Aquela pergunta ainda martelava em sua cabeça enquanto enrolava o cachecol de toque agradável em seu pescoço e saía da escola preparatória. Ouvia o som de seus passos ritmados enquanto descia a escadaria de pedra que dava acesso à entrada principal do imponente prédio onde ficava localizada sua escola. Sentiu o vento frio bater em seu rosto, trazendo uma sensação boa ao contrastar com o calor de sua pele, gerado pelas bochechas rubras de nervosismo. A mesma brisa fazia flutuar levemente seus cabelos, fazendo alguns fios baterem em seu rosto. Apertou os olhos para protegê-los um pouco dos tímidos raios de sol que cobriam a rua. Colocou o gorro enquanto misturava-se com os transeuntes apressados que ziguezagueavam pelas ruas do centro de Londres. Andou até a estação de trem mais próxima, também apressada, desviando de forma automática dos mais desavisados que esperavam a escada rolante do metrô.

Qual o melhor tecido para um guardanapo?
Não era uma questão tão complicada, pensou enquanto passava seu passe e fazia girar as roletas da entrada da estação. Por que não conseguia se lembrar o que colocara? Maldito nervosismo. Batia os pés impaciente dois passos atrás da linha amarela de segurança da estação. Ouviu o trem chegar antes mesmo de vê-lo, o zunido alto e grave do apito avisando que as pessoas deviam preparar-se. Olhou desinteressada as janelas e os passageiros dos vagões do trem que passava velozmente a sua frente. Esperou pacientemente até que uma das portas do mesmo parasse a sua frente e se abrisse. E era uma resposta tão simples: O tecido para ser fazer um guardanapo era sempre um tecido 100% algodão, usando-se o linho apenas quando se queria transmitir a mensagem de classe, elegância e tradição. Será que tinha escrito isso em sua resposta? Questionou-se ao ver os passageiros desembarcarem. Entrou logo em seguida olhando para os lados procurando automaticamente um assento que pudesse utilizar.

Tudo bem que não era uma avaliação eliminatória de alguma entrevista de emprego, mas era sempre importante ser bem vista por seus instrutores. Nunca se sabe quando poderemos precisar da recomendação de algum deles nas entrevistas de emprego.

tinha 24 anos, longos e volumosos cabelos castanhos, os olhos, também da cor castanha, eram brilhantes e expressivos, tinha estatura mediana e era magra. Era formada em MEM, Materials, Economics and Management pela Universidade de Oxford e estava decidida a aplicar seus conhecimentos de marketing, finanças, economia, contabilidade, e tudo o que aprendera no seu curso, na área de hotelaria. Atualmente estava fazendo esse curso de duas semanas na Bespoke Bureau, sobre butler, ou mordomo. No caso dela estava mais para governanta.

Mesmo que muito de seus amigos não entendessem e até mesmo fizessem piadas com a sua escolha, gostava do curso e acreditava que ele era essencial, pois a área estava em alta nos últimos tempos. Cada vez mais hotéis e cruzeiros cinco estrelas faziam provas de seleção para contratar pessoas que tivessem uma educação de um verdadeiro mordomo inglês para trabalhar em suas dependências e tratar os hóspedes como se eles fossem da mais alta classe, o que, levando em conta os valores pagos nesses pacotes, era a mais pura verdade. Isso sem contar com todos os benefícios! Os salários para funcionários experientes e dedicados, como ela pretendia ser, eram altos. E ela também não podia se esquecer das oportunidades de empregos em outros países, podendo assim viajar o mundo e, quem sabe, até morar fora.

sentou-se entre duas senhoras miúdas, em um dos acentos disponíveis e encostou a cabeça na parede do trem, distraindo-se por um segundo ao pensar nas várias culturas e locais maravilhosos que poderia conhecer através de um emprego nesta área. Estava exausta, cada músculo de seu corpo doía como se pedisse um pouco de descanso e sua cabeça pulsava com uma dor de cabeça incômoda, fruto do estresse do dia. Respirava fundo, tentando controlar as ondas de dor; queria apenas ir para seu pequeno apartamento em Bexley, deitar em sua cama e descansar antes de se preparar para os últimos 3 dias de curso intensivo. O movimento repetitivo do trem, juntamente com os zunidos do ar sendo cortado pela velocidade da corrida e do contato das rodas metalizadas com os trilhos, fez com que ela entrasse em uma espécie de transe. Não estava necessariamente dormindo, mas também não estava completamente desperta. Enxergava por trás de suas pálpebras as imagens de sua prova escrita. Analisava cada coisa que escrevera, cada linha, cada vírgula, cada ponto.
Repetiu mais uma vez a pergunta em sua mente e, surpreendentemente, lembrou-se da resposta dada.

Qual o melhor tecido para um guardanapo?
Guardanapos de tecido invocam a sensação de classe e sofisticação. É comum o uso de tecidos de algodão, mas a melhor escolha é sempre o linho, por ser o tecido que era utilizado antigamente, ele traz tradição e nobreza.

Abriu os olhos de súbito e levantou a cabeça alguns centímetros do apoio que a parede do trem oferecia. Claro! Resposta mais clara e óbvia que essa ela não podia pedir. Um sorriso bobo começou a brotar em seus lábios. E qual era mesmo o desespero? Sentiu que o peso da London Bridge era tirado de suas costas. Agora era hora de seguir em frente e se focar para os acontecimentos que a aguardavam no dia de amanhã. Ela deveria se preparar para a avaliação prática na manhã seguinte. E finalmente saberia se aquelas duas semanas decorando cada mínimo detalhe de como ser perfeita, discreta e leal aos seus chefes, valeram alguma coisa.

Após três baldeações de metrô, levantou-se lentamente ao ver que se aproximavam da estação final. Seu cansaço a consumia, mas ainda tinha que pegar um ônibus para chegar em casa. Um caminho tão longo. Quando subiu para a superfície e se encaminhava para o ponto de ônibus, notou que ficara mais frio e que o pálido sol de fim de tarde havia se posto, dando espaço para uma grande lua cheia cobrir os céus de Londres. Assim que seu ônibus chegou, embarcou e foi em busca de um lugar onde pudesse sentar. Encontrou no meio do veículo um assento vago. Ficou vendo através da janela o caminho tão conhecido que fazia o ônibus no trajeto até o ponto mais próximo de sua casa. Sua mente tão agitada começou a ficar gradativamente mais calma ao ver o junípero que estava ao lado do seu ponto. Levantou-se e foi até os fundos do ônibus, apertou o botão sinalizando ao motorista que iria saltar ali e esperou o movimento, ainda mais irritante do que o do metrô, parar. Caminhou lentamente, admirando a vizinhança calma. Avistou o Red Box Coffee assim que chegou a esquina de sua casa. O Coffee era um bistrô, propriedade da amiga de seus pais, em cima dele ficava um apartamento, bem amplo, que ela alugou para quando soube que a moça estava em busca de um lugar para morar. Ofereceu o apartamento, num valor mais baixo após negociarem que, sempre que necessário, ela desceria do apartamento para ajudar no Coffee.
Sorriu enquanto abria o baixo portão de ferro que servia como uma entrada para área do seu apartamento. Pegou a correspondência na caixa de correio enquanto tirava a chave de sua bolsa e abria a porta. Digitou rapidamente o código de segurança que desativava o alarme e subiu as escadas que ficavam diretamente em frente a porta, inseriu a segunda chave e destravou a porta de seu apartamento. Ligou as luzes assim que pisou em casa, livrando-se de seus sapatos, jogando a bolsa no sofá, deixando as contas na mesinha onde ficava o computador e indo até a cozinha pegar um copo d’água. Precisava de um banho, urgente.
Terminou de beber sua água e foi até seu quarto, tirou sua roupa, jogando no cesto de roupa suja e entrando no banheiro para tomar uma ducha quente. Por mais que um banho de banheira lhe parecesse incrivelmente tentador, uma ducha era muito mais prática. Se tomasse um banho de banheira agora, iria querer sair de lá direto para a cama, e sabia que tinha que rever algumas coisas antes do teste prático no dia seguinte. Suspirou pesadamente ao sentir as gotas baterem em suas costas, aliviando os seus músculos tensos. Pouco a pouco seu corpo relaxava e já se sentia mais disposta a passar parte da noite revendo pontos importantes, que ela julgava que iriam cair. Saiu do banheiro enrolada em um roupão e enxugando o cabelo em uma toalha. Pegou um pijama confortável e trocou-se antes de sentar-se a pequena mesa da sala e se preparar para revisar seus estudos.

Serviu-se de mais um pouco de comida, enquanto olhava o irmão e a cunhada conversando. Harry costumava gostar dos jantares na casa deles, mas desde que Kate recebeu a notícia de que uma das funcionárias de seu staff havia pedido demissão ela estava, um tanto quanto, desesperada. E nesta noite, especificamente, não conseguia parar de falar sobre o assunto.
- Você anda muito quieto, Harry. – Disse Kate com um sorriso. – Algo que possa ajudar?
- Nada de importante ou grave. – deu de ombros, não queria que a conversa estivesse focada nele, estava confuso demais sobre certas coisas... Retomou, então, o assunto anterior. – É realmente tão urgente, assim?
- Claro! Desde a saída de Madeline, está tudo uma bagunça sem tamanho.
- Não exagere, querida. – interveio Will.
- Não estou exagerando!
- Está sim. Você ainda não aceita a saída dela.
- Madeline é uma excelente funcionária, muito querida... Eu entendo que ela queria se dedicar à família e aos filhos pequenos, pode ser meio egoísta de minha parte, mas fico desconfortável com a sua saída. Não só porque terão de treinar outra pessoa para o cargo e até todos se adaptarem tomará certo tempo, mas também porque sentirei sua falta. Ela sabia dar bons conselhos. – Kate terminou sua defesa cabisbaixa.
Harry nunca havia se preocupado muito com quem trabalharia no castelo ou não. Claro, sempre havia respeitado seu staff e gostava de muitos ali, mas era só isso. Uma relação entre empregador e empregados feita, na maioria das vezes, de forma impessoal.
William serviu outra dose de vinho para o irmão e a esposa, acariciou os cabelos de Kate enquanto segurava o riso pela expressão desolada da mesma.
- Irão achar outra funcionária tão boa quanto Madeline, querida, acredite. Deixe que a chefe do staff cuide das entrevistas e contratações, logo você conhecerá a “nova Madeline”. – brincou William.
Harry ouvia seu irmão e cunhada discutindo sobre o assunto, mas não se importava muito sobre quando as entrevistas aconteceriam e quem ocuparia o cargo... Outra coisa não saía de sua mente, aquele rosto feminino, sempre o mesmo rosto. Especialmente os olhos da mulher, a força que emanava deles, como se quisessem dizer algo a ele. Os sonhos com ela estavam cada vez mais frequentes, se Harry fosse do tipo que acredita completamente nestas besteiras até poderia dar ouvidos a sensação que o atormentava dia e noite: ela está de volta.

Liz andava pelo corredor, o som de seu salto no piso ecoava em seus ouvidos. Chegou ao seu destino e abriu a porta do aposento. Era a sala de comunicação. Foi até uma das mesas e entregou um papel timbrado para o operador. - Preciso que você faça essas ligações o mais urgente possível. Torne isso uma prioridade.
Ele apenas concordou com a cabeça enquanto puxava a folha e a analisava enquanto discava o primeiro número. Ela nem esperou ele começar a falar na linha, deu meia volta e saiu da sala, pegando seu próprio celular e discando um número.
- Alô! Sim, é a Liz. Tudo bem e com você? É que eu precisava de um favor seu...

Virou a prova e reanalisou as suas respostas, mais uma vez. estava ansiosa. Queria entregar a prova logo e sair, mas havia aquela regra boba de que as provas seriam todas recolhidas às 11 horas e os alunos liberados às 11:05.
Estava conferindo suas respostas pela décima vez quando ouviu a movimentação do professor, finalmente pegando as provas. Soltou um suspiro, aliviada. Faltava pouco para ir para casa e relaxar um pouco.
- Por favor, Srtas. Smith, , Lewis e Srs. Morris e Mathews, fiquem por mais cinco minutos, preciso falar com vocês.
bufou, frustrada, tornando a sentar-se na cadeira da qual acabava de levantar-se.

O trajeto para casa nunca foi tão rápido ou passou despercebido para . Sua mente vagava constantemente de volta para a sala de aula, onde o professore Willis havia dado aquela incrível notícia. Uma coisa era fazer o curso e se candidatar para hotéis e cruzeiros, outra coisa, completamente diferente, e que lhe abria uma nova gama de oportunidades, era ser indicada para fazer um teste no Palácio de Buckingham e trabalhar para a coroa, como assistente de Catherine, Duquesa de Cambridge.

Capítulo 2


Inglaterra, 1345

O som das risadas sumiu. Ele apenas via a jovem descendo as escadas. Seu vestido movendo-se delicadamente a cada passo que ela dava. Notou a respiração curta e entrecortada dela, obviamente fruto do espartilho que lhe apertava os seios.
- Henry, está sendo rude, encarando Lady Renée despudoradamente.
- Desculpe mãe, mas uma beleza como a dela deve ser admirada. – ele respondeu com um breve sorriso, sem retirar os olhos de cima da jovem. A iluminação proveniente das velas fazia sua pele parecer de veludo e deixava suas bochechas com um tom corado adorável. O leve cheiro do fogo que vinha dos castiçais se misturava ao perfume de baunilha que vinha da direção dela, deixando-o mais inebriado com sua presença.
- Querido, ela é sua noiva. Não falte com respeito a ela ou sua família.
H.R.H. Príncipe Henry captou pelo canto do olho que a rainha sorria. Virou-se, querendo saber o motivo do sorriso, quando notou que o pai possuía o semblante fechado que lhe era característico, mas Henry sabia que algo estava errado.
- Há algo que lhe incomoda, Majestade?
- Sim, sua clara falta de educação. Fitando a jovem que lhe foi destinada, em público, e conversando com sua mãe sobre isso. Respeite-a até o momento em que ela for de fato sua, pois até esse momento, ela será do pai dela, e se ele achar que você está desonrando a Casa do barão de Cromwell, Deus salve a Inglaterra de sua ira.
Henry fitou o pai, boquiaberto, o que não era a postura de um príncipe sua mãe lhe fez o favor de lembrar, ao lhe fechar a mandíbula inferior com um toque delicado.
- Mas ela já é minha! – Ele falou apressadamente, notando que a família de sua noiva se aproximava. – Ela foi prometida a mim! Ela é minha, obviamente.
- Será sua quando o pai dela entregar-lhe a mão de sua filha perante o padre. Até lá, seja homem e se comporte como o esperado do príncipe da Inglaterra, e não como um jovem camponês tolo, governado pela libido.
O assunto foi encerrado com a chegada da família da jovem. Mais uma vez Henry voltou os olhos para a jovem Renée Cromwell e se viu perdido na profundidade daquele mar azul.

O teto branco entrou em seu campo de visão ao abrir os olhos. Já fazia uma semana que estava sonhando com alguns séculos passados. Não fazia ideia de quantos séculos, mas tinha certeza que seus sonhos se passavam na idade média. Suspirou pesadamente enquanto se sentava, coçando levemente a cabeça. Não compartilhara seus sonhos com ninguém, tinha receio do que as pessoas diriam se soubesse o que andava se passando em sua mente.
Pegou o roupão que estava jogado em uma poltrona no canto do quarto e o vestiu enquanto descia lentamente as escadas que levavam ao andar inferior de seu apartamento. Passou rapidamente pela sala e foi até a sacada, onde estava o cavalete com uma tela em branco. Essa era uma coisa que poucos sabiam sobre ele, mas Harry gostava de pintar. Ultimamente não encontrava tempo para isso, mas gostava de fazer quando precisava relaxar ou quando sentia que tinha algo lhe incomodando. E era justamente esse o caso: o rosto de Lady Renée Cromwell não saia de sua cabeça.
Pegou as tintas em um pequeno armário ali perto e voltou para a tela. Os pincéis trabalhando para misturar tons, a tela em branco a sua frente, tudo parecia correto. Até mesmo o ar frio que dominava a noite de Londres. Sentou-se em um banco alto e enrolou os punhos do roupão até o cotovelo antes de começar a pintar a imagem que ultimamente não tinha outra morada que não sua mente.


As aulas na Bespoke Bureau já haviam terminado. Fora aprovada com honras e seu diploma era acompanhado pelas indicações dos melhores professores. Agora era questão de se preparar para o que viria pela frente. tinha apenas uma semana para fazer o teste para o cargo no Palácio de Buckingham, mas o embrulho no seu estômago e a ansiedade que martelava seu coração fazia com que ela tivesse a sensação de que o teste seria em apenas algumas horas.
Estava sentada em uma espreguiçadeira no telhado de seu apartamento. Dali ela escutava os barulhos que os clientes faziam no Coffee, assim como sentia o cheiro forte de café misturado ao doce aroma dos pães. Lentamente começou a relaxar. Havia passado a tarde inteira revisando coisas que poderiam pedir para ela no teste, e agora que começara a descansar a ansiedade a havia dominado, fazendo-a correr até o telhado.
Ouviu um barulho do outro lado das plantas que serviam de cerca, dividido o telhado ao meio. Do outro lado das plantas ficava uma extensão do Coffee. Mesas espaçadas ao ar livre e com iluminação baixa e fraca, dando a tudo um ar romântico. Era Jully, uma das garçonetes do Coffee, retirando a louça de uma mesa depois que um casal havia ido embora. Ela viu por entre as ramagens e deu um sorriso.
- Boa noite .
- Boa noite, Jully. Como anda o movimento hoje?
- Ah! Hoje está tranquilo. Ontem que foi mais apertado aqui. A Claire estava quase indo te chamar, mas ficamos sabendo que você tem um teste importante daqui alguns dias.
afastou as plantas e foi para o lado do Coffee. Deu um sorriso ao ver os braços cheios de Jully, assim como seu uniforme já desalinhado devido ao dia inteiro trabalhando.
- Quer ajuda?
- Não...aqui tá tranquilo. Então. Que teste é esse?
Mais uma vez, deu um sorriso. Uma coisa era ela falar que tinha um teste importante para os pais (e aparentemente eles espalharem isso para Deus e o mundo). Outra coisa completamente diferente era ela contar que tinha um teste no Palácio de Buckingham. Isso era informação confidencial.
- Apenas um teste em um hotel. – mentiu brevemente.
- Que bom! Boa sorte, então. Vou descer para levar isso logo, antes que a Claire decida brincar de fazer todos ouvirem os sinos.
Riram brevemente com o comentário enquanto Jully se retirava. voltou para sua parte no telhado e estava descendo a escala circular que levava até a sacada da sala de seu apartamento, quando ouviu no andar de baixo o som estridente dos sinos de Claire. Quando montou o Coffee, ela percebeu o quanto seria desagradável ficar gritando ou chamando os funcionários em voz alta. Isso iria incomodar muito os clientes. Claire, então, decidiu ir pelo sistema dos antigos nobres em seus castelos: manter um par de sinos próximo a ela, que seriam usados para chamar a atenção dos funcionários. riu ao ver as sombras passando pelas janelas no andar de baixo e refletindo na grama do jardim que havia nos fundos. Conseguiu identificar a silhueta baixa de Claire e a esguia de Jully enquanto elas andavam de um lado para o outro na cozinha, atrapalhando o serviço dos cozinheiros.
Terminando de descer os degraus que a levavam até sua casa, entrou na sala e jogou-se de qualquer jeito no sofá, ligando a televisão no processo. As imagens e o som serviam apenas para tentar distraí-la. A conversa com Jully havia trazido a sua ansiedade de volta.

Harry olhava, enfadado, a paisagem que passava pela janela. O trajeto Londres-Anglesey era tão comum para ele que já lhe era vazio de imagens maravilhosas. Sabia que deveria prestar mais atenção ao trânsito, mas não conseguia deixar de sentir seus pensamentos se voltando para o sonho da noite anterior. Conseguia lembrar de cada mínimo detalhe do vestido rendado, do som que o tecido fazia a cada passo que ela dava, se encaminhando em sua direção. O pequeno sorriso que brincava em seus lábios, as bochechas coradas, os olhos brilhantes, que frequentemente se abaixavam, envergonhados quando notavam que ele a encarava.
Ele era o príncipe-herdeiro, em seu sonho. Não era uma coisa que almejava, ser o rei de seu país um dia. Sabia que não fora preparado para isso, não o viam no trono. Esse era o destino de William, e ele nunca se ressentiu disso. Então porque ele era o herdeiro, em seus sonhos? Onde estaria seu irmão? E ainda tinha aquela sensação... a sensação de que a garota em seus sonhos era mais importante do que parecia. Era sua noiva, casamento arranjado, coisa que não era feita há séculos, mas mesmo assim, sua noiva. “Preciso de uma dose de whisky.” Pensou, afastando quaisquer outros pensamentos diferentes de sua mente.
A sua rotina no RAF Valley também impediu que ele se lembrasse, ou se concentrasse devidamente nos seus curiosos sonhos nos dias que se seguiram. Mas não naquela noite, quando acordou assustado. Sabia que alguns sonhos tinham significados, mas o que aqueles, todos sobre aquela moça, significavam? Algumas vezes ele sonhava com sua voz, outras com seu sorriso. Muitas vezes o que se repetia em seus sonhos eram os olhos dela. A cor estava tão profundamente gravada em sua mente que mesmo de olhos abertos, conseguia visualizar os olhos dela. Bufando, virou-se na cama, socando o travesseiro e querendo tirar qualquer imagem de Renée Cromwell de sua cabeça. Talvez... talvez se ligasse para Liz assim que chegasse em Londres e combinasse de encontrá-la. Talvez dessa vez ela aceitasse sair com ele. Quer dizer, em algum momento ela teria que perdoá-lo. Fechou os olhos novamente, tentando fazer sua mente agitada voltar ao estupor do sono. Mentalizou a imagem da jovem e eficiente Liz, mas lentamente, a figura de sua “noiva” substituiu a de Liz, e mais uma vez Harry sonhou com ela e sua pele de pêssego.

Respirou fundo ao ver, a cada passo que dava, quão grande era o Palácio de Buckingham. Claro que já havia estado lá antes, mas apenas em momentos de visita, quando a Rainha viaja e o Palácio era aberto ao público. E claro que já acompanhara a Troca de Guardas. Era praticamente pecado você morar em Londres e nunca ter ido até ali. Mas hoje era diferente. Hoje a grandeza do Palácio e suas paredes de pedra a assustavam mais do que imaginara ser possível. Aquele pequeno enjoo que sentira pela manhã parecia ter evoluído para uma verdadeira Revolta Francesa em seu estômago e parecia exigir sua completa atenção. Era isso. Não iria conseguir. Quer dizer, Stella Smith estaria fazendo o mesmo teste. E se havia se formado com honras, Stella concluíra o curso com as melhores notas da turma. Pronto. Estava decidido. Iria embora.
- Bom dia, senhorita. O que deseja? – O guarda a saudou. Não um dos guardas reais, mas um dos guardas que ficavam nos portões de acesso restrito aos funcionários. A entrada onde ela deveria se apresentar para o teste. Percebeu que havia tomado a decisão de ir embora tarde demais, já que havia chegado até ali.
- Bom dia. Eu sou , vim encontrar a Senhorita Liz Thomas, para um teste...?
O guarda franziu levemente o cenho ao encará-la. Passou os olhos pela tela de um computador que havia dentro de uma guarita ao lado do portão. E confirmou levemente com a cabeça.
- Seus documentos, por favor. – pediu gentilmente enquanto digitava algo apressadamente no teclado lá de dentro.
se atrapalhou um pouco procurando a carteira na bolsa, mas logo entregou tudo o que ele pediu. Esperou um momento enquanto ele avaliava a veracidade dos documentos e então viu, ao longe, uma moça morena se encaminhando em direção ao portão, com passos decididos.
Ela esperou pacientemente o guarda liberar a entrada de , e quando ele o fez, ela deu uma breve analisada na garota antes de estender a mão.
- , correto?
- Sim.
- Eu sou Liz Thomas. Podemos nos encaminhar até a sala de teste?
- Claro.
Liz tomou a frente enquanto ia retornando até o palácio.
- Você deve entender que os ensinamentos da Bespoke Bureau se aplicam aqui. Um butler é invisível, aqui a sua existência é ignorada. A família Real irá sempre encontrar seus aposentos limpos, sua roupa passada e guardada, tudo o que eles precisam sempre estará à mão deles. Mas eles não deverão ver você fazendo nenhuma de suas funções. – Parou rapidamente e encarou a jovem que vinha atrás dela. – Estou falando isso não para te dar esperanças de que eu gostei de você logo de cara. Estou te avisando o básico do básico desse trabalho. Seu teste, assim como o das outras pessoas que vieram fazê-lo, será avaliado por mim e meu relatório será entregue para a Duquesa, e ela quem terá a decisão final. – Liz pronunciava cada palavra com firmeza e um tom levemente afetado. apenas pode concordar brevemente com a cabeça, tentando fazer com que seu pensamento acompanhasse a rapidez com que Liz lhe fornecia informação.
- O teste será de serviços básicos, mas cronometrado. Você vai agir na suposição de que encontrou o quarto real em um estado e terá pouco tempo para restaurá-lo ao seu estado original. Espero que lembre das aulas básicas da Bespoke Bureau.
Claro que ela se lembrava! Manter a cabeça baixa; não se dirigir aos empregadores a menos que a palavra lhe fosse dirigida... E se por acaso se deparasse com cenas íntimas, deveria fitar o chão e se retirar sem ser notada. E nunca, jamais, deveria examinar as coisas dos patrões.
Liz, então, abriu uma porta e concedeu passagem para , que não esperava encontrar aquele nível de bagunça: meias espalhadas pelo chão, roupa de cama embolada em um canto, travesseiros espalhados pelo quarto, peças de roupas em todos os locais imagináveis e algumas joias espalhadas na penteadeira com o porta-joias caído em um canto.
- Lembre-se de fazer tudo com perfeição. Eu comecei no mesmo cargo que você e hoje ocupo uma das melhores posições de staff. Tudo isso porque fui perfeita nesse teste aqui. Podemos começar? Você terá 30 minutos para restaurar tudo a mais perfeita ordem.
E então ela se retirou.
presumiu que ela retornaria vez ou outra e a garota iria agir como se ela fosse sua patroa e permanecer de cabeça baixa. Respirando fundo, ela começou com o trabalho.

Na sala ao lado, cheia de monitores e zunindo com o barulho de computadores, Liz acompanhava o trabalho de , que estava sendo filmada por microcâmeras escondidas. Tinha que ter certeza de que ela valia a indicação do professor. E a Srta. Smith tinha se saído tão bem que Liz duvidava que a Srta. se saísse melhor.

Inicialmente preferiu arrumar a cama para que assim pudesse colocar as roupas em cima e organizá-las antes de guardá-las no guarda-roupas. As meias e roupas íntimas, notou, ficavam na cômoda próxima à porta, onde havia uma gaveta aberta. Pegou o porta-joias e colocou de volta na penteadeira, indo resgatar todas as joias que podia encontrar e colocando-as de volta na caixa. Eram pequenas e delicadas e ela sabia que não deveria jogá-las de qualquer jeito ali dentro. Depois dessa pequena tarefa, ela abriu as portas do guarda-roupas e foi guardando algumas roupas para então começar com o trabalho de guardar as meias. Sabia que seu tempo estava acabando e hora ou outra olhava ansiosa para a porta, esperando que a Srta. Thomas entrasse para falar que seu tempo esgotara. Tinha acabado de guardar um vestido e resgatar um par de meias do chão quando, enrolando o par, levantou o rosto para ir até a cômoda. Soltou um pequeno grito, surpresa, e deu um passo para trás. Com toda a sorte que possuía, tropeçou em um dos sapatos que ainda estavam espalhados pelo chão e caiu com força, soltando as meias e fazendo-as parar ao pé da Duquesa Catherine, que estava parada o batente da porta, a olhando com um sorriso.

Uma semana depois, estava mal-humorada. Havia estragado todas as suas chances de ser contratada para trabalhar para a Duquesa. Claro que ela pensou em abandonar tudo antes mesmo de fazer o teste, mas isso foi antes de realmente fazê-lo. Com um gemido lembrou-se da cena seguinte ao seu ataque de surpresa na semana anterior.

Ela levantou-se rapidamente do chão, encarando descaradamente a Duquesa Catherine de Cambridge, de repente, todo seu treinamento esquecido. Fez uma pequena reverência antes de balbuciar suas desculpas para a Duquesa.
- Tudo bem, acho que fui eu quem atrapalhou o seu teste, senhorita. – ela respondeu com um sorriso.
- Acho que... acabei de reprovar. – deixou escapar antes que levasse as mãos para a boca e olhasse alarmada para a Duquesa, novamente se esquecendo de baixar o rosto. Kate olhou para ela interrogativamente.
- Não por isso, por favor, termine o que estava fazendo. – ela disse antes de se retirar.
Com a concentração abalada, continuou o que estava fazendo, mas tremendo e se xingando mentalmente por ter falhado tão miseravelmente.
Quando Liz Thomas apareceu ao fim dos 30 minutos, a olhava com reprovação e apenas inspecionou o trabalho antes de acompanhá-la em silêncio até os portões do Palácio.
- Se – e ali houve forte ênfase por parte de Liz. – for aprovada, receberá uma carta com algumas informações básicas sobre seu trabalho. – foi a única coisa que ela disse antes de se retirar.


Claro que a carta não chegara. Que tipo de pessoa iria contratar uma camareira que simplesmente não sabia o seu lugar? deixou sua mente vagar enquanto ia até uma cafeteria comprar um pouco de café. Apesar de não ser um Palácio de Buckingham, tivera um teste-entrevista em um hotel 3 estrelas localizado na City1. O Thistle City Barbican era um ótimo início de carreira, principalmente por ser um 3 estrelas no centro financeiro de Londres, na parte mais antiga e, definitivamente, atrativa de toda a cidade. E em alguns dias teria mais uma entrevista, desse vez no borough2 de Southwark, só estava esperando a ligação para confirmar o horário, e essas regiões da Inner London3 possuíam os melhores hotéis para trabalhar. Poderia se acostumar em estar constantemente ali. Sorrindo para o atendente que lhe entregou o café, virou-se para a estação de metrô, os pensamentos já voltados para os hotéis, esquecendo-se da forma como acabara conhecendo a futura rainha de seu país.
Suspirou com a demora do trem, seus pés batendo impacientes enquanto aguardava com um grupo a chegada do metrô para a linha que ia até o borough de Lewisham e de lá, um ônibus que fosse até o borough de Bexley, onde ela morava. Deu um breve sorriso para duas senhoras que sempre pegavam o metrô nessa hora e com quem ela algumas vezes já havia trocado um ou outra palavra. Na verdade, a primeira vez em que falaram com foi quando ela havia deixado seu copo de café em cima de uma cadeira, ao seu lado, para mexer no celular e quando ela se levantou para ir embora, as senhoras a criticaram antes mesmo que ela tivesse tempo de resgatar o copo. Elas achavam que iria deixar o copo para trás ao invés de jogá-lo no lixo. Quando o trem chegou, deu passagem para que elas entrassem antes dela, seguindo-as logo. Procurou um lugar vago, observando que havia poucos disponíveis aquela hora. Rapidamente, assim que um rapaz desceu do veículo, ela se sentou no lugar dele, notando só depois que estava em frente às duas senhoras. Sorriu novamente, antes de pegar o celular da bolsa e começar a jogar Candy Crush.
Apreciava o jogo e as fases que passava. Era realmente prazeroso passar o nível de seu primo, porque ela havia parado de jogar há algumas semanas, mas sempre que seu primo via que alguém o ultrapassava, ele voltava a jogar até ser a pessoa com o maior nível entre seus amigos. Aquela era uma forma de relaxar: bebendo seu café, jogando e usando aplicativos no celular. Até a hora em que seu celular começou a tocar em sua mão e ela se apressou em atender o número desconhecido que piscava em sua tela. Finalmente haviam ligado daquele hotel!
- Alô? – atendeu esbaforida. – Sim, é .
Com o coração um pouco apressado por causa da ansiedade com a entrevista, bebeu um gole do café para que pudesse se acalmar.
Péssima ideia. Porque logo em seguida ela estava cuspindo todo o conteúdo que estava em sua boca nas pobres senhoras a sua frente.
- O QUÊ?

Capítulo 3


Começou a balbuciar pedidos de desculpas para as senhoras, enquanto tentava se esforçar para ouvir o que a pessoa do outro lado da linha estava falando. Mas o telefone estava mudo. Tudo o que ela precisava! Que a ligação caísse... o que não era tão impossível assim, levando em conta que estava underground.
Nunca a baldeação para casa pareceu demorar tanto. O ônibus parecia mais lerdo, e o telefone não tocou novamente. Poderia retornar a ligação, mas o número era desconhecido, privado. Assim que alcançou o seu ponto, ) saiu correndo, fazendo com que algumas pessoas a olhassem, estranhando aquela “louca” na rua. Apressadamente, sem nem cumprimentar Claire, que arrumava as mesas externas da varanda frontal do Coffee. subiu correndo para seu apartamento. Sua senha no alarme nunca tinha sido digitada tão rapidamente. No aparador em frente à porta estava a correspondência da semana, que ela negligenciara em virtude dos testes que fez.
Todos aqueles envelopes, que ela só passou o olho quando chegaram, entre eles estava um que ela aguardou tanto e nem esperava que receberia. Ela não tinha reparado antes porque não havia nada que o identificava como um envelope vindo do Palácio.
Seu telefone voltou a tocar.
- Pois não?
- A ligação foi perdida. - comentou Liz brevemente. - Então, como eu estava lhe dizendo. Como não recebemos uma resposta a nossa correspondência que lhe foi enviada, queríamos confirmar via telefone sua desistência da vaga, para que possamos dar prosseguimento na contratação de outra pessoa.
- Srta. Thomas! Perdão, mas eu não desisti da vaga.
Do outro lado da linha, Liz franziu o cenho. Com essa ela não contava.
- Não? Então por que não nos respondeu?
- Porque... - claro que ela estava envergonhada em falar que nem dera atenção às cartas que chegaram. - ...foi uma semana corrida, então eu não tinha lido minha correspondência ainda.
- Nós te avisamos que enviaríamos a resposta por correio, não? - claro que ela sabia que tinha, mas queria confirmar que não fora um problema deles. A srta. já deveria ter começado o seu treinamento no palácio há pelo menos 2 dias.
- Er... Sim, srta.
- Ok. Então abra essa carta, leia com atenção todas as informações necessárias. Estaremos lhe esperando aqui no palácio amanhã pela manhã. Seu horário também está discriminado na carta, assim como qualquer detalhe necessário.
- Sim, senhora.
- Até amanhã, Srta. .
- Até amanhã.
- E lembre-se...discrição acima de qualquer coisa.
- Sim.
Sem dizer mais nenhuma palavra, Liz Thomas desligou o telefone.
Sinceramente, ela não sabia o que se passava na cabeça da Duquesa por escolher aquela senhorita quando a srta. Smith tinha obtido um resultado levemente superior. Mas era o desejo dela, e a função de Liz era realizar os mínimos desejos dela.
Negou com a cabeça enquanto se encaminhava para outra área do Palácio, onde pudesse informar que a senhorita iria sim começar a trabalhar.

Harry saiu do banheiro, se secando. Aquele banho que tomara para relaxar, além de tirar a tinta que havia espirrado em seu corpo enquanto pintava, de relaxante, não tinha nada. Suspirou frustrado, esfregando com força a toalha em seu cabelo. Sentia-se pressionado de tantas formas diferentes e agora ainda tinha que tentar conciliar a falta de sono em sua agenda. E claro, sempre que dormia, sonhava com ela. Estava cansado disso. Precisava expurgar essa pessoa de sua cabeça. Precisava de Cressida, precisava de… Liz.
Pegando o celular no criado-mudo, se levantou enquanto discava os números, torcendo internamente para que Liz o atendesse. Claro que foi novamente ignorado. Ela não queria e não falaria com ele por um bom tempo, a história deles era mais complicada do que o esperado, e isso não agradava Harry nem um pouco. Gostava quando as coisas eram práticas, na hora. Gostava de ação. Não era por menos que estava na RAF, e com missão prevista para… logo.
Frustrado, pensou em ligar para Skippy. Ele sempre tinha uma ideia do que fazer nesses dias ociosos, mesmo que soubesse que tinha uma namorada e certa responsabilidade.
A questão com Cressida é que ela amava mais uma festa e as facilidades em ser a namorada do Príncipe Harry, do que amar o próprio Harry. Pensando por essa lógica, ele não se sentia tão mal assim por sair e se divertir com seu melhor amigo enquanto Cressida fazia o mesmo. Dando de ombros, ele ligou para o amigo e já marcava o que fariam naquela noite.

Respirava fundo enquanto ouvia a mãe tagarelar do outro lado da mesa. Jully passou por ela com um sorriso no rosto. Fez uma careta para a amiga que segurou a risada enquanto atendia outro cliente.
A Sra. gostava de fazer essas visitas surpresa para sua filha, mas entre ficar no apartamento bagunçado da filha “…e com uma decoração de extremo mal gosto, devo ressaltar.” e se servir de um belo brunch no Coffee de Claire, ela escolhia sempre a segunda opção. De fato, para uma , não era uma opção tão difícil. Sua irmã, Rachel, raramente lhe visitava, apesar de ligar com uma frequência assustadora.
Rachel era mais velha 2 anos, formada em direito, o orgulho do escritório de advocacia do seu pai. Algumas pessoas simplesmente não entendiam como ela, , com um diploma em economia e administração, queria trabalhar na área de hotelaria, começando de baixo. Deu um sorriso enquanto fingia concordar com...qualquer que seja o assunto que a mãe falava. Pensava com bom humor no que as pessoas diriam se soubessem que ela fora contratada para trabalhar para a Duquesa de Cambridge, trabalhar como camareira. Não conseguiu segurar sua pequena risada, fazendo assim com que a mãe lhe desse uma bronca por rir da 'desgraça' que havia acontecido com um casal de amigos próximos de seus pais.
- Sinceramente, mamãe, se o senhor Tulson não é capaz de satisfazer a própria mulher, não vejo motivo para a senhora ficar comentando sobre isso tão avidamente. De certo a senhora Margareth apreciaria um pouco de discrição. E eu pensei que a visita era para saber sobre mim, não para contar sobre os Tulson.
- Se me lembro bem, você era bem próxima dos Tulson também. - retrucou sua mãe, enquanto bebericava seu chá, ignorando a bronca da filha. - Christian pergunta eventualmente de você.
- Christian Tulson e eu não temos mais nada a falar um para o outro.
- Sempre achei que vocês faziam um belo par, que acabariam casados.
- Eu e aquele vaso de petúnias também fazemos um belo par e você não me vê organizando nosso casamento, vê?
- Você odeia petúnias, e o sarcasmo não combina com você.
apenas rolou os olhos enquanto pedia um pedaço de torta para Jully. Gostaria que Claire estivesse ali, assim sua mãe se distrairia mais facilmente sobre as fofocas que ela queria fazer.
- Mas você está certa. Não vim falar de Christian, Margareth ou John Tulson… - segurou a vontade de perguntar o motivo da mãe ter passado os últimos 10 minutos falando deles, então. - ...mas vim para saber como foi o tão importante teste da última semana.
Ela deu um sorriso.
- Bem… eu cometi uma pequena gafe… achei realmente que não seria contratada, mas hoje cedo recebi uma ligação confirmando que a vaga é minha e devo me apresentar amanhã para iniciar o treinamento.
- Que ótimo querida! Estou realmente orgulhosa de você. E qual foi a gafe?
- Ah mãe… um procedimento padrão do… hotel, para caso um… hóspede entre no quarto enquanto estamos arrumando.
- E qual o hotel?
- Er... eu não posso falar exatamente o nome do hotel…
E era por isso que odiava mentir para sua mãe, era quase sempre pega na mentira. Percebeu que a mãe estava irritada quando a viu estreitar os olhos tão cuidadosamente maquiados.
- Espero que tenha um bom motivo para esconder as coisas de sua mãe.
- Sim, mamãe. Os empregados do hotel são mantidos em sigilo para preservar a segurança tanto dos hóspedes quanto dos funcionários.
Aquilo pareceu acalmar sua mãe… até que ela soltou um suspiro e se recostou suavemente na cadeira.
- Eu simplesmente não entendo como você pôde recusar trabalhar na administração do escritório de seu pai para investir nessa loucura de hotelaria. Sinceramente, , eu te amo e apoio você, mas essa sua...teimosia...realmente acaba com a minha pele.
pôde apenas segurar uma risada com o drama de sua mãe. E de novo a pergunta que todos faziam: “Por que começar uma carreira sozinha do zero, tendo todas essas facilidades na família?”. Eles apenas não entendiam que...quando se tem tudo de bandeja, a vida não tem tanta graça. Era como fazer uma manha em um jogo, para ter todo o dinheiro, todas as armas, tudo. Então jogar para conseguir o dinheiro, simplesmente perde a graça. Deu mais um sorriso com o pensamento. Seu irmão caçula ficaria feliz com a analogia com jogos.
- Vamos, mamãe… Sei de algo que vai melhorar a sua pele e te rejuvenescer uns 5 anos…
- Eu não preciso rejuvenescer… eu não aparento a minha idade… aparento? - sorriu ao ver que ela realmente estava preocupada.
- Não, mamãe, não parece.
- Mesmo assim, é sempre bom rejuvenescer mais um pouco. Você sabe...para garantir. O que você recomenda?
- Recomendo me contar com quem a senhora Tulson foi vista.
Fofoca… fofoca sempre rejuvenescia sua mãe. E a distraia de assuntos que ela definitivamente não deveria comentar.

A música alta não o incomodava, a mesa cheia de copos vazios não o incomodava, as luzes piscando em sua visão não o incomodavam, e, definitivamente, aquela mulher dançando de forma extremamente sensual em um minivestido provocante não o incomodava. Estava em seu ambiente. Olhou para Skippy e se corrigiu, estavam em seu ambiente. Deu um sorriso e ergueu o copo em direção ao amigo, propondo um brinde àquele momento.
- Só tem uma coisa melhor que isso, caro amigo sem alma.
Harry riu ao ouvir o amigo.
- E o que seria?
- Vegas, baby, Vegas.

Capítulo 4


Dor latejante, sufocante. Agora a bebida da noite anterior o incomodava. Não a bebida de fato, mas a quantidade ingerida. Sufocou um gemido enquanto lentamente levantava de sua cama e praticamente se arrastava até o banheiro. Sabia que tinha exagerado na noite anterior, mas a ligação de Cressida, falando, reclamando, só fez sua vontade de beber aumentar. Um banho. Era isso o que precisava, urgentemente. E remédio. Quem sabe voltar a dormir? Seu travesseiro extremamente macio, sua cama convidativa. Balançou a cabeça levemente, o que só aumentou o latejar. Não! Tinha que se arrumar. E fazer o que quer que estivesse programado em sua agenda. Sabia que teria que ir logo para o treinamento em Anglesey, mas ainda deveriam haver algumas obrigações reais em seu cronograma. E umas férias. Lembrava-se que logo ele teria uma folga. E aquela ideia de Skippy pareceu mais atrativa do que antes. Talvez, só talvez, alguns dias em Las Vegas não fariam mal a ninguém.

Não sabia definir seu sentimento aquela manhã ao chegar ao Buckingham Palace e começar seu treinamento. Liz Thomas não parecia aprovar muito a sua contratação, mas não expressou seu descontentamento em voz alta.
– O treinamento consiste em duas etapas. - ela lhe explicava. - Aqui no Buckingham você vai ser instruída sobre o básico principal em todo e qualquer trabalho para a coroa. Quando você estiver preparada então irá para ao Kensington, trabalhar para a Duquesa. Entenda que essa é a segunda etapa. Você vai ser treinada lá também. - concordou com a cabeça.
Se encaminhavam para alguma sala de serviço, andando por uma rede de corredores que mais pareciam um labirinto.
- Antes de começar a trabalhar, você deveria se mudar para as dependências de empregados…
- Não posso manter a minha residência? - perguntou.
- Se você cumprir com o seu horário…
- Recebo algumas visitas da minha família. Seria estranho ter que pedir para que parem de me visitar sem explicar o motivo.
- Sua família não sabe que você vai trabalhar para a Família Real?
- Não. Achei que quanto menos eles souberem, mais seguro.
Liz ficou admirada. Aquela senhorita tinha acabado de ganhar um pouquinho do seu respeito.

Gostava de eventos sociais. Adorava o glamour dos vestidos, os perfumes das mulheres, a elegância dos homens. A única coisa que desagradava Rebecca era ver que apenas Rachel, sua filha mais velha, parecia compartilhar dessa sua adoração. e Matthew sempre ficavam emburrados todas as vezes que compareciam a esses eventos. Matthew ainda era pior, já que chegava ao ponto de levar seus videogames portáteis e se isolava em algum canto. A mãe deu graças aos céus quando o filho entrou para a faculdade.
- Algo que a preocupa? - Joseph apareceu ao seu lado com uma taça de champanhe.
- Só pensando nas crianças…
- Que de crianças, nossos filhos não têm mais nada.
- Não importa a idade, sempre serão meus bebês.
- E o que te distraiu da festa?
- . Ela começou um novo trabalho hoje.
Joe concordou com a cabeça.
- Uma hora você teria que aceitar o fato de que ela não queria trabalhar na empresa.
- Essa não é a questão. - contestou Rebecca. - O que me incomoda é que ela não me passou nem mesmo o nome do hotel em que vai trabalhar.
- Essa é a minha filha! Assim você não faz ligações inconvenientes no trabalho dela.
- Joseph!
- Aceite Becky! Você simplesmente é uma mãe coruja, que fica em cima dos nossos filhos a cada passo que eles dão. Você quer controlar cada decisão e cada coisa que eles fazem. Só Rachel é tola o suficiente de deixar você tomar o controle da situação.
A resposta daquele renomado advogado deixou a mulher boquiaberta. Uma coisa que devemos todos concordar é que as pessoas simplesmente não respondiam Rebecca . Ela era uma força da natureza por si só, tão descontrolável quanto um furacão. E Joseph dar uma resposta para a esposa era simplesmente um sinal claro de que o apocalipse se aproximava, além de, obviamente, ser uma demonstração clara de quem realmente mandava na Família .
Provavelmente prevendo que ali haveria algum assunto para fofoca, e tentando esquecer do fato de que sua própria vida era o atual assunto dos círculos de conversa, Margareth Tulson se aproximou e ficou parada “analisando” o salão. Qualquer resposta que Rebecca tivesse para dar ao marido, foi silenciada ali. A senhora poderia adorar falar da vida de suas amigas, mas definitivamente não gostava quando a sua vida era o assunto das conversas.
- Olá Maggie. - cumprimentou com um sorriso enquanto fazia um sinal para o marido se afastar. - Como vai?
- Muito bem obrigada. - mentiu a senhora Tulson. - E você?
- Ótima!

Aquele dia interminável só aumentava a sua ressaca. Sabia que algumas pessoas simplesmente tinham o dom de não ter uma ressaca, mas, definitivamente, Harry não era um desses seres evoluídos. Ele conseguia pilotar um apache, fazer resgates em alto-mar, atirar com armas de diversos calibres diferentes e planejar ataques militares, conduzir uma conversa com diferentes líderes políticos e religiosos, usar todos os talheres em um jantar completo com todos os pratos, dançar uma valsa, ser educado e cortês, mas definitivamente não sabia lidar muito bem com uma ressaca. Passara o dia inteiro irritadiço, respondera Will por umas 4 vezes, resmungara quando seu pai lhe chamara, e só não faltou com respeito com sua avó porque, bem… ela era sua avó e Rainha de seu país. Além de falta de respeito, ainda era antipatriótico em tantos níveis diferentes que não tinha coragem nem de se aprofundar no assunto.
Chegou em casa mais cansado que o normal e só pensava em sua cama, sua linda e confortável cama. Mas algo o atraiu até o armário onde guardava suas telas, finalizadas ou inacabadas. Gostava de pintar. Não gostava que os outros observassem suas telas. Sua dor de cabeça e mal humor subitamente desapareceram depois de observar o quadro onde podia ver, parcialmente, as pinceladas que formavam os olhos azuis de Lady Cromwell. E então ele teve um desejo súbito de dormir e sonhar com ela. Estava curioso sobre o motivo de sonhar tanto com aquela senhorita. E foi com ela em mente que se deitou mais tarde, desejando reencontrá-la em seus sonhos. Não foi atendido.

Uma semana passou rapidamente para , e logo ela estava se adaptando ao trabalho real. O que ela não conseguia se adaptar era às ligações constantes de sua mãe, querendo descobrir mais sobre seu trabalho. Mas, tendo sido criada por ela, uma coisa que ela logo aprendeu foi a dobrar a enrolar a mãe, para o desespero dela e alegria do pai. Mas aquela sexta em particular deveria entrar para a história. Duas ligações antes de sair de casa, diversas perdidas enquanto trabalhava, uma ligação que durou praticamente durante todo o seu intervalo e, surpresa!, sua mãe a esperava em casa quando chegou. Em casa! Não no Coffee.
- Mamãe?! – questionou surpresa, esperando ansiosamente que a mãe não tivesse se aproveitado do fato de possuir a senha e a chave de sua casa para inspecionar sua correspondência e talvez, só talvez, encontrado alguma pista de onde trabalha. Claro que o fato de sua correspondência parecer intacta não significava que ela não havia fuçado com o seu nariz meticulosamente empinado onde pudesse colocar as mãos. – O que faz aqui?
- Vim visitar a minha filha, oras?! O que mais eu poderia estar fazendo?
- Mamãe, a senhora não tem mais nenhuma vida para se intrometer não? O Matthew, a Rachel... por Deus, até o papai deve estar sentindo falta da senhora.
- Isso é forma de falar com sua mãe? Estou preocupada com minha filha e é assim que você retribui?
Se fazer de vítima era outra coisa que a sua mãe era especialista. Matt e sempre fingiam acreditar quando a mãe agia assim, às vezes por ser mais rápido e indolor do que realmente se dedicar em argumentar com ela. Infelizmente, Kel, apesar de ser a mais velha, não possuía a sagacidade de não levar a mãe a sério, e sempre se sentia culpada quando a mesma aplicava essa jogada. Não era à toa que Kel era a pior jogadora de poker da família.
- Estou bem, mamãe, verdadeiramente bem. Viva, respirando, saudável, só um pouco cansada. Aceita algo para beber?
- Um chá, se não for pedir demais, seria ótimo.
- Claro, prefere beber aqui ou no Red Box?
- Estou na sua casa, não é mesmo?
deu apenas um suspiro profundo enquanto se encaminhava para a cozinha e colocava a água para ferver em fogo baixo.
- Mamãe, irei tomar uma chuveirada quente e já volto para te fazer companhia.
Rebecca apenas concordou enquanto olhava ao redor, voltando a se sentar no sofá, onde aguardava sentada quando a filha havia chegado. Sua missão nessa visita era muito mais do que finalmente descobrir onde a filha trabalhava, mas finalmente descobrir o que havia acontecido entre ela e Christian, e por que raios ainda não estava organizando o casamento deles? Rachel estava próxima de um noivado com um jovem de sobrenome Landon, aparentemente com certa influência em... alguma área que ela não se deu ao trabalho de prestar atenção. Só o fato de ouvir que pelo menos uma das filhas estava se resolvendo na vida, a fez mais feliz que tudo.
Ouviu a chaleira apitar no fogão, e nenhuma perspectiva de sair do quarto. Levantou-se com um suspiro enquanto se encaminhava para a cozinha conjugada, onde, reclamando mentalmente, preparou uma caneca de chá para ela e outra para a filha. Colocava as canecas, e alguns biscoitos que encontrou no armário, em cima do balcão que separava a cozinha do resto do apartamento quando finalmente saiu do quarto, terminando de enxugar o cabelo.
- Mamãe! Não precisava se preocupar! Eu já estava vindo cuidar disso!
- Oras! Eu posso muito bem cuidar dos meus filhos de vez em quando, como nos velhos tempos.
- Mãe. A senhora nunca cozinhou para a gente. Nós sempre tivemos uma cozinheira para isso, se me lembro bem. Inclusive... a senhora e o papai ainda a mantêm.
Fazendo sinal de pouco caso com a mão, a senhora estalou a língua enquanto se sentava na cadeira alta que puxou para si mesma.
- Mesmo assim, eu consigo me virar na cozinha se necessário. E já cozinhei para a minha família sim! Se você não se lembra ou se não sabe, não significa que eu não fiz. Adoro Maria, é verdade. Ela é um achado culinário, mas há momentos em que eu simplesmente fico entediada em não fazer nada e gosto de sujar minhas mãos com farinha.
ficou surpresa com a revelação da mãe. Nunca pensou que ela se entediasse ou ressentisse por ter abandonado a carreira para ser uma mãe de família.
- Então por que não voltou para os consultórios, a atender pacientes?
- Simplesmente porque a psicologia não é minha paixão mais... Você sabe...
A filha concordou. A mãe se ressentia com os profissionais da área desde a época da adolescência dela, quando fora submetida a tantos psicólogos diferentes que sua mãe precisou de acompanhamento psicológico também.
- Então tente algo novo. A senhora é jovem, ainda pode fazer muita coisa e...
- Deixar a minha marca no mundo? Não, obrigada. Minha marca possui três palavras: Rachel, e Matthew.
Isso a deixou um pouco emocionada e sem palavras. A mãe podia ser uma perua socialite na maior parte do tempo, mas era uma mãe incrível, sempre.
- Ok senhora Rebecca . O que a traz ao meu humilde apartamento em uma sexta feira que provavelmente tem algum evento para você ir.
- Para começar... eu não tenho nenhum evento para ir, e mesmo que estivesse, eu sempre posso deixar de lado quando o assunto é meus filhos.
- Ok mamãe.
- E em segundo lugar. – ela continuou, como se não tivesse sido interrompida. – Eu queria conversar com você.
- Sou toda ouvidos.
- Antes que comece a reclamar e agir com grosseria, me respondendo ou tentando me fazer de tola, mudando de assunto, comentando de alguma fofoca ou da minha pele, tente realmente levar essa conversa a sério pelo menos uma vez.
Agora as duas sobrancelhas de estavam erguidas. Podia ser fútil, mas sua mãe também era astuta.
- Ok...
- O que realmente aconteceu entre você e Christian Tulson.
Com um suspiro profundo, pegou sua caneca e tomou um gole, queimando a língua no processo, o que acabou lhe dando mais tempo para pensar e formular uma resposta.
- O que você quer ouvir mamãe? O motivo de termos terminado é o mesmo para o qual eu não mantenho nem mesmo uma relação cordial com ele. Ele é um galinha. Achei que isso tivesse ficado óbvio quando ele apareceu saindo com a Senhorita Rufus Isaacs menos de uma semana depois que terminamos.
- Por Deus, ! Ele pode muito bem ter saído com ela, mas não está mais namorando essa menina! Ela até mesmo está noiva de outro rapaz. E ele já disse por diversas vezes que quer voltar com você!
- Mãe! Ele me traiu com ela. Eu o peguei na cama com ela e mais duas outras garotas! Foi por isso que terminamos.
Ela tirou um momento para olhar para a expressão de choque de sua mãe, antes de adotar um tom de voz resignado e fazer aquilo o que ela havia prometido que não iria fazer: mudou de assunto.
- Está tudo bem, mamãe. De verdade. Agora...quando é o seu próximo evento maravilhoso que me faz ter vontade de me enforcar cada vez que você me obriga a ir junto?
Piscando os olhos repetidamente, a senhora olhou para a filha, ainda ausente do assunto e tentando entender como a conversa se transformou naquilo.
- Amanhã. A família do namorado da sua irmã está organizando alguma coisa para angariar fundos para alguma instituição.
- Nossa! Rachel então está namorando firme? Que gracinha. Essa eu quero ver.
- O convite é para todos nós, você sabe. Não só para Rachel, seu pai e eu...
- Ok. Que horas e onde?
- Você realmente vai?
- Claro mamãe. E se Christian Tulson estiver presente e inventar de vir atrás de mim... então teremos uma longa conversa.
- Sem escândalos, por favor. Estou confiante em organizar o casamento de pelo menos uma filha minha no próximo ano.
- Mamãe! Eu sou a discrição em pessoa!
Becky tinha plena certeza que a filha mentira na cara dura.

Harry estava próximo de dar o dia por encerrado e ir para sua casa, seu chuveiro e sua cama. Nada parecia mais convidativo do que isso, nem mesmo um copo de bebida ou um corpo de mulher... bem... podemos reconsiderar a parte do corpo de mulher? Definitivamente parecia mais atrativo quando colocado junto ao corpo dele em uma cama macia.
Abanando a cabeça para o pensamento errante, Harry fechou todos os documentos maçantes que estavam abertos em seu computador e continham detalhes bem específicos de toda a burocracia para a sua missão. Se levantava de sua mesa quando viu um lembrete apitando na agenda do email. Merda.

Capítulo 5


Inglaterra, 1345

Eles andavam lentamente, lado a lado, sem se tocar. As mãos dela repousavam suavemente sobre a saia do vestido, um leve rubor cobria as maçãs de seu rosto de porcelana. Henry a olhava regularmente, embasbacado, encantado. A ama de Lady Renée andava atrás deles, dois passos atrás, ao mesmo tempo garantindo privacidade e demonstrando que eles não estavam sozinhos.
- Espero que tenha usufruído de uma noite de sono agradável.
O rubor dela aumentou quando o ouviu utilizando uma voz rouca.
- Demorei um pouco para me acalmar depois do baile de ontem, mas consegui descansar, meu senhor.
Henry acenou com a cabeça, satisfeito com a resposta. Lady Renée Cromwell possuía uma voz harmoniosa, cadenciada e ritmada. Era como ouvir uma poetisa declamar os mais belos poemas de amor, um bardo contar o mais incrível conto, que te deixa ansioso em seu lugar, com vontade de se levantar para se aproximar e participar da história. Simplesmente impossível mudar a sua atenção para outro lugar quando ouvia Lady Renée falando.
- Foi um ótimo baile. Só planejo dar o melhor para minha noiva.
Lady Renée abaixou levemente a cabeça e acariciou a imensa pedra que repousava em sua mão. Henry achou sua expressão tão encantadora que gostaria de gravar aquela imagem para sempre. Ele perdeu o passo levemente quando a imagem de alguma engenhoca estranha passou por sua cabeça por um milésimo de segundo.
- Tudo bem, Alteza? – ele ouviu ao longe a voz de sua amável noiva. Piscou algumas vezes, até perceber que estava nos jardins do palácio, não em alguma varanda acima do céu.
- Tudo ficará maravilhosamente bem em alguns dias, quando eu receber sua mão de seu pai.
- Vossa Alteza certamente sabe cortejar uma dama, como ficou comprovado ontem à noite no baile. Mas se quiser que sua noiva esteja saudável no dia de seu casamento, sugiro que entrem agora mesmo. – escutaram a voz da ama que se aproximou rapidamente.
Foi quando perceberam que estavam muito próximos um do outro. Se afastaram, Lady Renée corada, Príncipe Henry encabulado com a situação.
- Iaia! – reclamou Renée. – Sinto muito meu senhor. Iaia é muito protetora comigo.
- Não esperava menos de alguém encarregada de cuidar e proteger a próxima Rainha da Inglaterra. – Henry respondeu com um sorriso, dispensando as desculpas. – E ela deu um conselho muito bom, vamos entrar antes que você adoeça.
- É manhã! O sol acabou de surgir, e está um clima agradável. – Renée ainda tentou argumentar. – Não quero entrar agora. Prefiro dar mais algumas voltas por um jardim tão bonito.
Henry franziu o cenho brevemente, surpreso com esse lampejo de teimosia, mas então sorriu com a perspectiva de passar mais alguns minutos em sua companhia.
- Tenho ainda um quarto de hora livre antes que me reúna com conselheiros. Ficaria mais do que satisfeito em acompanhá-la nessas suas voltas pelo jardim.
O sorriso que ela abriu em resposta foi tão luminoso que o dia ficou mais claro instantaneamente. Apagou até mesmo a expressão desaprovadora da ama da família Cromwell.

Inglaterra, 2012
Harry estava numa banqueta em sua sacada. Tinha certeza que durante o seu sonho, ele havia visto essa mesma imagem que agora fitava. E ficara confuso com isso. Se espreguiçou e tornou a entrar em casa. Teria uma manhã maçante antes que pudesse tirar algumas horas para se preparar para a noite.

acordou naquele dia com energias renovadas. Mesmo após passar a semana trabalhando incansavelmente, não fora liberada de qualquer trabalho durante o final de semana, logo, teria que comparecer no palácio para continuar seu treinamento. Pelo menos teria folga no dia seguinte.
Olhou o relógio e se apressou em se arrumar, não queria correr o risco de atrasar. Principalmente levando em conta que não poderia ficar além do horário, já que prometera comparecer no evento que o novo namorado da sua irmã estava organizando. Traje social e tudo o mais.
Claro que possuía o traje adequado, não estava se esquivando disso, mas a perspectiva de fazer uma social com pessoas que mal via e falavam com ela não era bem o que poderia chamar de ponto alto do dia, mas sabia que precisava apoiar a irmã, mesmo que não soubesse exatamente em que a apoiava.
Acenou com a cabeça para o guarda que liberou sua entrada no Palácio e correu para a entrada dos funcionários, quase esbarrando em Liz, que corria de um lado para o outro pelo corredor, gritando ordens para quem a fitasse. Evitou falar qualquer coisa. Apressadamente tomou a direção do vestiário e foi atrás de sua supervisora. Não vira a sombra da srta. Thomas desde o dia em que a apresentara para a sra. Wash, sua supervisora, e que seu treinamento começara, e pretendia que continuasse assim.

Rachel tinha plena consciência do que os irmãos pensavam dela. Não à toa, eles a chamavam de pau-mandado, mas o que e Matthew não entendiam é que, tendo a mãe que eles tinham, você não pode lutar contra. Se ela fosse tão sem fibra quanto seus irmãos acreditavam... ela não seria uma das melhores advogadas do escritório. Ela apenas sabia lidar com a mãe muito bem, de forma que ela não passava tanto tempo em seu pé quanto no de .
Quando Arthur, que havia conhecido seus pais há alguns dias, disse que estava organizando um pequeno evento beneficente em prol de uma entidade filantrópica, ela imaginou na hora que sua mãe faria de tudo para ser convidada. Não foi necessário, ela foi uma das primeiras a receber o convite. Sabia que a mãe já estava com grandes planos para ela... mas ela não estava tão certa assim se deveria seguir esses planos. Conhecia muito bem o namorado.
E hoje ela teria uma pequena prova do que seria a sua vida se realmente sua mãe estivesse certa e acabasse se casando com Arthur. Possuía experiência com a vida na alta sociedade, seus pais possuíam uma pequena grande fortuna e a maioria dos clientes de seu pai eram empresários bem conectados. Mas Arthur era outro nível, Arthur era nível nobreza, com conexões não só no Reino Unido, mas na Hungria e na península árabe. Se estava nervosa? Imagine...estava além disso. Muito além disso.
Deu um suspiro enquanto tentava relaxar na cadeira do salão. Seus longos cabelos castanhos estavam recebendo um tratamento de princesa, com direito a hidratação, banho de creme e todas as regalias necessárias para ter um visual incrível. Sua maquiagem estava realçando seus olhos esverdeados e suas longas e bem cuidadas unhas estavam sendo pintadas com uma cor discreta. Seu vestido para a noite estava guardado em uma das saletas do salão de beleza, para que assim que finalizasse todo o seu dia de beleza, recebesse ajuda para colocar o vestido e não tirasse nada do lugar.

E como previsto, Harry teve uma manhã inteiramente maçante enquanto era obrigado a ouvir William falando das mais diversas coisas que ele não fazia a menor questão de prestar atenção. Seu irmão era bem irritante quando queria... principalmente se percebia que ele não estava prestando atenção nenhuma à conversa.
- Por favor, Harry. Pelo menos finja que você tem alguma coisa interessante a acrescentar. Mesmo que você não saiba sobre o que é o assunto.
- Claro! – comentou ironicamente. – Ai eu acrescento algo sobre uma promoção de evento em prol dos veteranos de Guerra para você falar que o assunto é sobre a fome na África.
- Mas o assunto é sobre os Veteranos de Guerra. – Will retrucou rolando os olhos. – Sinceramente, você não tem sido você nos últimos dias. O que foi? Preocupado com a missão?
- Incrivelmente, não. Quer dizer, não além do necessário.
- Vamos lá, cabeça dura. Irmão existe para você desabafar...
- E dar uns socos quando nos irritam. – Harry completou com um sorriso.
William suspirou pesado, sabendo que dificilmente saberia o que incomodava o irmão e que estava tirando o seu sono, até porque, era visível as manchas abaixo dos olhos.
- Agora, - continuou Harry se levantava. – já que você vai ficar me irritando, significa que o assunto em questão acabou e eu estou dispensado. Tenho que ir me arrumar para a festa do Arthur.
- Aproveita e vê se encontra algum staff para passar um corretivo no seu rosto. Dá para ver suas olheiras do outro lado da sala.
Harry bufou enquanto se encaminhava para fora do ambiente. Com a frase do irmão, soube que havia se livrado apenas naquele dia, mas logo logo seria importunado por William e, provavelmente, Kate, querendo saber o que estava acontecendo com ele.
A festa beneficente de Arthur Landon. O evento que havia esquecido e que sua agenda fez questão de apitar, o lembrando, na noite anterior. Sabia o que iria acontecer. Ele iria comparecer, um monte de pessoas iria o rodear, puxar o saco, enquanto o resto dos convidados ficariam julgando-o de longe. Coisas que estava sujeito por ser quem era e por ter levado a sua adolescência da forma como levava.
Enquanto entrava em seu apartamento, Harry pensava e repensava se mandava uma mensagem para Cressida, ainda indeciso sobre se queria ou não a companhia da namorada com ele na festa, mais tarde. Soube que Arthur estava, de certa forma, namorando. E ele não achava necessário apresentar ou aproximar as duas. Na experiência dele, logo uma das duas não faria mais parte do grupo... e as apostas estavam na saída de Cressida. “Sorry babe”. Ele pensou dando uma risada, enquanto se esticava no sofá e ligava a televisão.
Talvez devesse dar uma cochilada. Ainda tinha tempo antes de começar a se arrumar. E se dormisse um pouco, poderia acabar suavizando as famigeradas olheiras que William fez questão de apontar.
A quem queria enganar? Ele se perguntava com um suspiro enquanto se ajeitava numa posição mais confortável no sofá, já de olhos fechados. Ele queria tentar sonhar mais uma vez com Lady Renée.

suspirou fundo, agradecendo pelo fim de mais um dia de trabalho. Caminhava a passos lentos para o metrô, sabendo que levaria pelo menos 40 minutos para chegar em casa. Talvez hoje devesse ignorar o fato de ser uma trabalhadora independente do dinheiro da família, e chamar um táxi para que chegasse mais rápido em casa. A mãe havia mandado uma mensagem mais cedo avisando que iria deixar um motorista disponível para que a buscasse e a levasse até a festa. “Ou se você preferir vir para casa e ir com a sua família... nos avise o que decidir.”. E pelo bem de sua sanidade mental e a do irmão, decidiu encontrar com a família antes. E isso significava que ela iria chamar um táxi para chegar em casa mais cedo e não atrasar mais ainda a família. Deu um suspiro enquanto pensava nas coisas que as pessoas fazem pela família.
Algumas horas mais tarde, o motorista a ajudava a entrar no grande carro da família. Nervosa, olhada no reflexo do vidro do carro para ver se estava tudo intacto em sua maquiagem e no penteado que Jully a ajudara a fazer. O coque armado e a franja ajeitada milimetricamente, o pequeno detalhe prata, preso na lateral da cabeça, os brincos de diamantes que ganhara do pai há dois Natais, a gargantilha discreta que faz par com os brincos. Tudo era um complemento para o principal: o vestido púrpura, tomara que caia, de corpete ricamente bordado e saia levemente armada, uma carteira prata completando o traje.
Enquanto sorria para si mesmo, tentando aumentar sua confiança, pensava e repensava se ela havia feito o certo em concordar em ir nesse evento. Seus olhos castanhos, realçados pela maquiagem esfumaçada, brilhavam de ansiedade e nervosismo. A clássica pergunta “Onde foi que eu me meti?” repetindo constantemente em sua cabeça enquanto ela via o carro encostando na entrada de sua casa e percebia que seu pai, sua mãe e seu irmão já aguardavam do lado de fora. O sorriso sem tamanho da mãe já dava a resposta para a pergunta que acabara de fazer.
- E ai mana?! – Matthew cumprimentou enquanto escalava para o banco traseiro. – O que devemos o prazer da sua companhia hoje?
- Matt! – a Sra. chamou a atenção enquanto se curvava para soprar um beijo na bochecha da filha. – Ignore seu irmão, querida. Ele está irritado porque eu confisquei todos os jogos dele.
- Só quero saber como você espera que eu consiga aguentar toda essa festa.
- Socializando com as pessoas, fazendo novos amigos. Sinceramente Matthew, eu esperava que você tivesse amadurecido mais, depois que entrou para a faculdade.
- Quem é que há alguns dias atrás estava falando que nossos filhos serão sempre seus bebês? – interferiu Joseph enquanto sorria cumplice para . – Olá querida, você está linda.
- Obrigada papai.
- Joseph, mesmo eles sendo meus bebês, eu ainda posso brigar quando eles se comportam como um. É meu direito de mãe! E seu pai tem razão, meu bem. Você está deslumbrante. Achei que não a veria nesse vestido. A quanto tempo ele está no seu armário?
bufou enquanto olhava desesperadamente para o pai.
- Becky. Respira fundo. Olha que maravilha: dois dos nossos três filhos estão aqui. Agora, para que ficar enchendo a cabeça deles de assunto que você sabe que vai irritá-los? Por que não conversamos sobre como o Matt está indo na faculdade ou sobre o trabalho da ? Você sabe... assuntos triviais que todo pai pergunta para seus filhos adultos quando os reencontra.
A sra. olhou fixamente nos olhos do marido, enquanto os dois filhos trocavam sorrisos afetados por trás da cabeça da mãe, que sentava entre eles.
- Olha aqui, Joe. Eu vou ignorar que você me passou um sermão na frente dos nossos filhos. E te falo que eles vão responder evasivamente as perguntas triviais porque eles não querem que eu fique sabendo o que acontece na vida deles. – então ela cruzou os braços e murmurou. – Mesmo que eu tenha o direito de me intrometer na vida deles. Eu sou a mãe, for God’s sake.
Suspirando e negando com a cabeça, Joseph se reclinou na poltrona do carro, se perguntando quem afinal era o caçula da família: Matthew ou a sua esposa.
começou a admirar a cidade passando pela janela, enquanto trabalhava exercícios de respiração para se acalmar. Deus, ela realmente odiava esses eventos sociais.
Matthew deu um sorriso, entendendo o que se passava na cabeça da irmã, já que o mesmo passava em sua cabeça. A cutucou levemente. olhou para o irmão, que possuía os mesmos olhos verdes de Rachel, e se perguntou mentalmente o que ele queria.
- Não se preocupe . Estou contigo nessa e não vou sair do seu lado um segundo. – ele disse bem baixo, para que a mãe, que ainda estava resmungado sobre o quão desnaturados eram as crias dela, não ouvisse eles conversando.
Ela sorriu e murmurou um pequeno agradecimento.
Era sempre assim, ela Kel e Matt contra o mundo.

O som da campainha tocando repetidamente acordou Harry do seu merecedor cochilo. Bocejando e murmurando imprecações contra a maldita alma que teve a péssima ideia de o acordar, ele se encaminhou lentamente até a porta para que a abrisse.
- Por favor, me diz que você não vai assim.
Foi tudo o que ele ouviu antes que a porta fechasse e ele fosse empurrado com pressa até as escadas e de lá para dentro do seu banheiro.
- Oi para você também, Skippy. – foi tudo o que conseguiu dizer antes que a porta fosse fechada em sua cara.
- Você tem 10 minutos para tomar banho, Harry. E agradeça à todas as entidades superiores por eu ter decidido vir checar você, se não você iria se atrasar para o evento do Arthur.
“Merda!” Foi tudo o que Harry conseguiu dizer, antes de ligar o chuveiro e tirar suas roupas para que pudesse tomar um banho extremamente rápido e sair enrolado em uma toalha.
Skippy estava deitado em sua cama, olhando para a tela que estava encostada no chão, no canto do quarto.
- Quem é?
- Ninguém.
- Sei... – comentou Skippy com um sorriso. – Anda logo Harry.
Ele deu de ombros, enquanto se vestia, ainda conversando com o amigo. Para que vergonha, para quem já mostrou as joias reais para todo o mundo?
- Ela é apenas uma mulher com quem eu tenho sonhado. – disse com um suspiro. – Talvez alguém com quem eu cruzei na rua ou vi em algum lugar. E agora o meu cérebro faz questão de conjurar de vez em quando.
- Harry, você não cruza com as pessoas na rua.
- Você me entendeu Skippy. – ele retrucou exasperado. – De qualquer forma... não é ninguém importante.
- Lógico. Por isso que você tem pintado um quadro dela.
Harry ignorou o amigo enquanto passava seu perfume e arrumava a sua gravata borboleta.
- Deixa de ser idiota, Skippy, e vamos logo.
Desceu a escada enquanto arrumava seu relógio em seu pulso, verificava se a carteira e o celular estavam em seu bolso e desligava as luzes.
- Hey! Eu ainda tô aqui! – reclamou Skippy tropeçando enquanto descia as escadas.
- Não me atrasa e vem logo.
- Olha quem fala...

O salão estava ricamente decorado e lotado. Os homens usando seus ternos enquanto seguram seus copos de conhaque, as mulheres esbanjando suas joias em seus vestidos de grife. andava levemente por aquele mar de pessoas, um sorriso educado em seu rosto enquanto sentia o leve perfume da riqueza que impregnava o ar. Os burburinhos da alta sociedade conversando enquanto degustavam a comida da alta culinária e a staff circulava de maneira praticamente invisível com bandejas cheias de bebidas e comida. Ela reconhecia diversos daqueles rostos e os cumprimentava com um aceno de cabeça. Seu irmão não saíra de seu lado, enquanto a irmã não saia do lado do namorado. Pensou em fazer um comentário sarcástico para Matthew sobre isso, mas perdeu a voz ao olhar na direção de Rachel e ver que eles não estavam mais sozinhos. O ruivo que os acompanhava levantou a cabeça nesse instante, com um sorriso genuíno no rosto. Ele olhou em sua direção. Seus olhares se encontraram.

Capítulo 6


Harry estava embasbacado. Aquele par de olhos castanhos, tão suaves, tão brilhantes. Nunca vira aquela mulher em sua vida, mas definitivamente aqueles olhos pediam para ser pintados, junto dos lábios cheios e a pele de porcelana. Sabia exatamente quais cores utilizar para chegar naquele tom de pele, afinal, era exatamente o mesmo tom de Lady Renée. Ouvia Arthur e a namorada ainda conversando com ele e Skippy, mas sinceramente, não conseguia se livrar da magia daqueles olhos e focar no assunto.
- Hum... Alteza? – Rachel chamou incerta. Não sabia o que o príncipe tanto olhava, mas temia muito que fosse para a pessoa congelada há alguns passos de distância, com cara de surpresa. Por sua cabeça, como um mantra, se repetia a frase “por favor que não seja a .
Logo a nova musa de Harry foi tirada de sua visão e sumiu no mar de pessoas ao ser encaminhada para o outro lado do salão por um homem alto. Piscando repetidamente, ele se voltou para o grupo.
- Perdão. Vocês diziam...?
- Estávamos admirando você sem fala ao olhar para aquela dama. – Riu Skippy, bebendo do líquido âmbar em seu copo.
- A irmã de Rachel, para ser específico. – Arthur completou, dando de ombros e recebendo um leve apertar em sua mão, vindo da namorada. A olhou interrogativamente.
Harry engasgou levemente em sua bebida ao saber que elas duas eram parentes.
- Muito bonita, sua irmã. Vocês não parecem muito, apesar de serem ambas lindas.
Rachel ergueu a sobrancelha levemente, com um sorriso no rosto.
- Muito obrigada, Alteza, mas realmente, não somos muito parecidas. Entretanto, eu e meu irmão caçula somos mais parecidos, não sei se você reparou.
Arthur riu levemente ao ver a expressão confusa de Harry.
- O acompanhante da ... é o irmão caçula delas.
Os dois amigos sorriram astutamente ao ver a expressão no rosto de Harry mudar lentamente e disfarçadamente. “Adeus Cressida.” foi o que passou na cabeça de Skippy enquanto sorvia mais um gole do drink.
Rachel apenas olhou para eles. Sabia o que provavelmente estava passando na cabeça de Harry, mas não sabia como fazer com que ele tirasse a irmã dela da cabeça. Apertou a mão de Arthur mais uma vez, recebendo um olhar interrogativo em troca. Gesticulou disfarçadamente com a cabeça até um canto do salão. O namorado entendeu na hora o que ela quis dizer e voltou-se para os amigos.
- Agora, se me desculpem, há algumas pessoas para quem quero apresentar a Rachel.
- Com licença. – disse Rachel com um sorriso e um pequeno curvar de cabeça na direção de Harry.
Se encaminharam lentamente até o canto isolado, cumprimentando as pessoas no caminho com sorrisos nos rostos. Quando chegaram no destino, voltaram-se para observar a festa enquanto conversavam disfarçadamente. A última coisa que Rachel queria era chamar atenção, e sabia que Arthur compartilhava da mesma opinião.
- Pronto. O que está te incomodando?
Ela deu um suspiro.
- Vocês são amigos, certo?
Arthur apenas concordou com a cabeça.
- Você sabe o que se passa na cabeça dele? – ela perguntou, preocupada.
Ele franziu o cenho.
- Babe, do que você está falando?
- Você acha que ele pode começar a ficar interessado nela?
- Kel, - ele disse carinhosamente, a olhando com um sorriso. – isso eu tenho certeza, só de olhar para como ele reagiu. Mas o que eu não entendo é: Por que você está preocupada? É por que ele é o Príncipe Harry? Por causa da fama dele?
Ela deu um suspiro profundo.
- Não tem nada haver com a fama dele. Mas o que pode acontecer com a minha irmã se ele for atrás dela.
Ele a olhou interrogativamente.
- Você tem que ser mais clara.
Ela apenas negou com a cabeça.
- É um assunto delicado demais para ser abordado em uma festa.

se desvencilhou da mão do irmão assim que alcançaram o jardim. Matthew havia ativado o modo protetor assim que percebeu quem a olhava fixamente. Por Deus! Imagina o que aconteceria se sua família descobrisse para quem ela trabalhava.
- , você quer ir para casa?
- Eu prometi para a mamãe, você sabe o que acontece se eu e você saímos da festa cedo.
- Mas ele tá aqui.
- Sim, eu notei. Mas isso não me afeta mais. Então não deveria te afetar.
- Céus ! Eu ouvia você acordar chorando todas as noites, tossindo, passando mal. Eu vi você indo a cada psicólogo dessa cidade para entender o que acontecia contigo! E agora você vê o objeto da sua obsessão e espera que eu acredite que está tudo tranquilo?
- SIM! – ela respondeu exasperada, se controlando para não atrair a atenção de ninguém do interior do salão para a discussão dela com o irmão. – Você disse bem, eu fui a cada psicólogo, a cada psiquiatra para tentar entender essa obsessão bizarra que eu possuía pelo Príncipe Harry na minha adolescência. A-D-O-L-E-S-C-Ê-N-C-I-A! Já passou. Eu já não tenho os sonhos estranhos, eu não imagino mais que nós nos casamos e governamos a Inglaterra em uma versão medieval da realidade. Tudo acabou quando... – ela segurou o soluço. A memória ainda era vívida e fresca em sua mente, e ela não queria relembrar o que esteve trancado em sua cabeça por tantos anos.
- Eu sei. – retrucou Matthew condescendente, a abraçando para que ela a acalmasse, e se culpando por trazer à tona um assunto que era tabu em sua família. – Eu só quero te proteger.
- Você é o caçula. Você quem deveria ser protegido.
- Por favor... Você é quem tem a mentalidade mais imatura de nós dois.
- Pelo menos concordamos que a Kel é a mais velha, definitivamente.
- Vamos voltar para a festa, então? – Matthew disse, a puxando levemente. Olhou curiosamente para o rosto da irmã enquanto entravam novamente no salão. – Me desculpa perguntar, mas o que você sentiu ao vê-lo pessoalmente pela primeira vez?
deu uma risada.
- Como se estivesse vendo um ídolo? Não sei. Não pareceu real.
Ele bufou levemente, olhando enviesado para ela.
- “Não pareceu real”... eu tive que te arrastar de lá porque você parecia mesmerizada. Ficava encarando o pobre príncipe. Ele deve estar se sentindo constrangido.
- Adoro como você consegue sair do modo protetor para o modo zoeiro em dois segundos.
- Irmãos são para essas coisas. – Matt retrucou enquanto parava no meio do caminho e abraçava a irmã.
O momento foi encerrado quando alguém esbarrou levemente nas costas de Matthew.
- Nossa! – exclamou uma voz feminina, vagamente familiar. – Mil perdões, eu não vi...
A moça se calou ao olhar para a bela e alta espécime masculina que a encarava de volta. Então, para sua decepção, percebeu que o braço dele estava ao redor da cintura de uma moça igualmente bonita que...
- Srta. ? – perguntou surpresa.
- Oh! Srta. Thomas! Boa noite!
- Boa noite. O que você está fazendo aqui? – Liz até pensou em perguntar se ela estava à trabalho, se o palácio havia emprestado funcionários, mas sabia que não era o caso, principalmente porque ela estava ali como convidada, se levasse em conta o vestido e as joias que ela usava. Franziu o cenho, confusa.
- Ah. É um baile. Fui convidada... – disse lentamente, sem saber o que falar.
- Sim, mas... – Liz sabia que estava sendo indelicada. Mas não conseguia entender como uma camareira da Família Real havia sido convidada para um baile beneficente. – Me perdoe, srta. , mas não é fácil ser convidada para um desses bailes. – ela que o diga. Esse era apenas o terceiro convite dela.
coçou o pescoço sem graça. Olhou para o irmão, como quem pedia ajuda. Ele apenas sorriu maldosamente, esperando a irmã responder. Não sabia quem era a moça bonita que havia esbarrado nele, mas com certeza a conhecia.
- Meio que... – deu uma tossida sem graça. -Ah! Srta. Thomas, esse é meu irmão Matthew . Matt, essa é Liz Thomas. Ela é... responsável pelo teste do... meu local de trabalho.
- Muito prazer. – Matt cumprimentou com um sorriso. – Então você é a chefe da minha irmã?
- Não exatamente. – ela respondeu, olhando interrogativamente para . Não apenas ela havia sido convidada, mas o irmão também? Ou ele era um plus one dela? – Nós trabalhamos em setores diferentes.
- Ah sim! – então ele se voltou para a irmã. – Você deveria leva-la para conhecer a mamãe. Ela ficará maravilhada em conhecer uma colega de trabalho sua.
A cada segundo Liz ficava mais confusa. A mãe dela? Quem afinal era ?
- Não ouse.
- Oh! Olha ela ali! – ele retrucou, visivelmente ignorando a irmã. – Se me dão licença, senhoritas, tenho uma senhora sedenta de novidades com quem devo conversar.
E então ele saiu. Indo em direção ao anfitrião da festa, que estava conversando com a namorada e um casal.
- Me desculpe pelo meu irmão... e pela minha família em geral. – se desculpou o mais rápido que conseguiu. – Eles apenas gostam de pegar no meu pé porque eu não falei onde eu trabalho e...
- Quem é você? – ela foi cortada por Liz.
- Como?
- Quem é você? – Liz olhou mais atentamente para ela. – Seu vestido é de classe, suas joias são verdadeiras, sua educação, agora eu percebo, não foi aprendida no curso. Você cresceu nesse meio, não é? – ela questionou acusadoramente. – Então por que você é camareira da Família Real?
deu um suspiro.
- Você tem acesso à minha ficha, não é?
- Sim. Obviamente.
- Lá tem o meu endereço. Do lado da minha casa tem um Coffee maravilhoso. Me visite amanhã, que eu te conto tudo o que você quiser saber.
Antes que Liz pudesse retrucar, mesmo sem saber o que ela iria responder, elas foram tragadas pelo furacão Rebecca , que chegou com todo o movimento de seu vestido de seda e um sorriso imenso no rosto.
- Desculpe atrapalhar a conversa, meninas. Mas eu tinha que vir conhecer pessoalmente a colega de trabalho da minha filha. Muito prazer, querida, Rebecca . Mãe da .
- Muito prazer senhora . Sou Liz Thomas. Trabalho com a sua filha...
- Sim! Matthew me informou que vocês trabalham no mesmo hotel.
- Sim senhora. – confirmou Liz com um sorriso, lembrando que não queria que a mãe soubesse onde ela trabalhava.
- Mamãe, não vamos atrapalhar a festa da senhorita Thomas. Tenho certeza de que ela tem outras pessoas com quem conversar.
- Ah sim, querida. Prazer em conhece-la! Se a der algum trabalho para você, não tenha receio em me chamar para dar uma lição nela.
- Olha só, mamãe, acho que papai está te chamando. Tchau senhorita Thomas. – se despediu com um sorriso, puxando a mão da mãe até onde o pai as aguardava. Tanto ele, quanto Matt e até mesmo Arthur, possuíam um sorriso no rosto.
- Matthew, eu te odeio.
- Também te amo irmãzinha.
- E nem mesmo para você me ajudar, papai? – ela disse indignada.
- Me desculpe, , - interferiu Arthur. – mas até mesmo eu já aprendi que sua mãe é uma força incontrolável da natureza.
Todos riram com o comentário. Isso só demonstrava o quão confortável Arthur já estava com a família de Rachel. Ele olhou interrogativamente para , estava curioso, já que sabia onde Liz trabalhava.

Observando a interação entre Liz e , Harry se perguntava de onde elas se conheciam. Sabia que não conseguiria essa informação da boca de Liz. Ela havia ficado bem irritada quando ele começou a sair com Cressida e queria que ela continuasse se encontrando com ele secretamente. Agora ela estava o ignorando.
- Não adianta ir falar com ela. – Van, que havia chegado a pouco tempo, falou observando a moça que Harry olhava. – Você sabe que a Liz não vai falar contigo.
- Você não entende, Van. – retrucou Skippy com um sorriso maldoso. – Ela estava conversando com o novo alvo do nosso querido amigo.
- Você gostaria de me explicar melhor ou devemos brincar de adivinhar?
- Vocês podem, por favor, só ficarem quietos? – Harry falou, enquanto ouvia os amigos rindo, e observava se afastando do grupo em que estava, indo em direção ao toalete.
Sem perceber, começou a ir na mesma direção.
- E lá vai ele ao ataque... - ouviu os amigos comentando entre as risadas, mas decidiu ignorá-los.

Respirou fundo enquanto se olhava no espelho. E agora tinha a Liz Thomas para julgá-la. Queria jogar uma água no rosto e respirar fundo, mas nem toda a sua maquiagem era à prova d’água, então se contentou em molhar as mãos e passa-las na nuca. Respirou fundo, se permitindo relaxar por alguns momentos. Colocou um sorriso cordial no rosto e olhando para seu reflexo, disse:
- Vamos lá . Você consegue.
E abriu a porta do banheiro. Para dar de cara com ele.
- Olá !
- O que você está fazendo aqui, Christian?
- Fui convidado pela sua mãe.
Vou matar aquela mulher.” Foi a única coisa que passou pela cabeça de enquanto encarava o ex-namorado.
- Pessoas normais teriam a decência de recusar o convite, Christian.
- Pessoas normais não discutiriam a relação na porta do banheiro. – retrucou uma voz que reconhecia levemente.
Ótimo! Era só o que me faltava. Isaacs.
- Olha, srta. , eu realmente não quero ver o... senhor Tulson na minha frente. Já tive o suficiente dele alguns anos atrás, obrigada. Então se vocês puderem discutir a relação em outro canto escondido para que eu não o veja quando eu sair do banheiro, eu ficaria grata.
rolou os olhos e pensou seriamente em responder, mas aquelas pessoas já haviam tomado o suficiente do seu tempo.
- Não se preocupe, Srta. Isaacs. Não irá me ver por aqui. Já o Tulson, não garanto, porque o que ele faz com a vida dele não me importa mais. – E com isso, se afastou da pequena comoção que eles estavam causando por ali, torcendo internamente para que Christian Tulson não fizesse aquilo o que ela sabia que ele iria fazer.
Não se passaram dois minutos antes que ela sentisse que ele se aproximava.
- ! Nós temos que conversar sobre isso em algum momento, querida.
Ouvir aquela palavra saindo daqueles lábios fez com que o sangue de borbulhasse. O que estava passando na cabeça de sua mãe quando foi atrás do convite para Christian? Ela realmente achava que eles voltariam? Será que ela não havia entendido o que ele havia feito com ela?
- Isso não significa que temos que conversar aqui e agora. – ela deu um sorriso leve e superficial para que as pessoas em volta não percebessem que o assunto entre eles dois era uma pequena discussão.
A chave para a boa convivência nesse tipo de meio sempre foi manter as aparências. Era tudo um jogo. Um jogo que, apesar de ter se afastado há alguns anos, ela ainda sabia jogar muito bem.
- Na verdade, Christian, esse é um assunto que eu não quero conversar em momento algum. Você é uma pessoa com quem eu não quero conversar, se puder evitar. Então, se me permite, vou voltar para o conforto da minha família, porque eu vim a esse evento por eles.
- E se eu não permitir?
- Perdão?
- Você disse: “se me permite”. E se eu não permitir? Você vai fazer um escândalo? – ele sorriu afetadamente enquanto repousava a mão no ombro dela, claramente a impedindo de se mover.
Ela olhou para ele franzindo a sobrancelha. Sabia que não podia remover a mão dele sem causar um escândalo. Maldito Tulson.
- Uma chance para me redimir. É o que eu peço. Ou é perfeita demais para dar segundas chances?
- Me solta, Christian.
- Ou eu devo dizer... não tão perfeita assim? Quantos psiquiatras foram necessários para você controlar sua loucura mesmo?
gelou. Ele ia realmente trazer esse assunto à tona?
- Se eu sou tão louca, por que você insiste em correr atrás de mim? – ela perguntou enquanto aproximava seu rosto do dele, com raiva.
- Talvez porque eu goste da sua loucura. – ele deu um sorriso de escárnio.
Ela sentiu um arrepio na espinha. Não gostou da forma como ele falou, e principalmente, não gostava do aperto em seu braço aumentando aos poucos.
- Você pode gostar da minha loucura, mas certamente eu não gosto da sua. E pela última vez, Me. Solta.
E então, o casal ouviu uma voz vinda detrás de .
- Interrompo?
Os dois se voltaram para o interlocutor, e mais uma vez na noite, se viu encarando o Príncipe Harry.
- Alteza! – eles disseram apressadamente, com um leve curvar de cabeça, a mão de Christian ainda no braço de .
- Agora, - comentou Harry, dispensando o cumprimento com a mão. – imagino, senhor...
- Tulson, Christian Tulson. – Ele se adiantou a completar.
- Tulson... Imagino, senhor Tulson, que você não tenha escutado a senhorita , mas ela pediu claramente para que a soltasse.
O óbvio choque fez com que, finalmente, ele largasse o braço da mulher. se afastou levemente, ainda surpresa com o fato de o Príncipe Harry saber quem ela era.
- Ótimo! – comentou alegremente Harry, como se estivesse ensinando crianças a montar em um cavalo. E então passou a ignorar completamente a existência de Christian Tulson. – E agora, srta. , você me daria a honra de me conceder a próxima dança? – ele perguntou, estendendo a mão para .
Ela piscou algumas vezes, embasbacada. A figura congelada e surpresa do seu ex-namorado, ao seu lado, não a distraiu. Os rostos chocados do seu pai e seu irmão, à distância, não a fez pensar várias vezes. Os olhares preocupados de sua irmã e sua mãe, com certeza não a desmotivaram, enquanto lentamente ela erguia sua mão e a repousava na palma da mão do Príncipe Harry.

Capítulo 7


A mão masculina, firme na sua, que jurava que era macia e aveludada de tanto apertar mãos, era calejada. Ela foi guiada em silêncio até a área reservada para a dança. Lentamente sua cintura foi circundada por uma mão, enquanto ele estendeu a outra mão e, lentamente, começaram a valsar. E olhando para aqueles olhos azuis, ela se permitiu afundar nessa nova sensação estranhamente familiar.
Velas, incensos. Conversa e músicos tocando seus instrumentos. Uma melodia leve, uma valsa para um casal de noivos.
respirou fundo e piscou repetidamente. Ela não estava na Idade Média, diabos! Seu olhar voltou a focar na pessoa com quem dançava. Ela voltou a olhar para o Príncipe Harry. E ele também parecia levemente desnorteado. A dança deles parou por apenas dois segundos, fato que passou despercebido para qualquer pessoa que os observasse. Rapidamente Harry colocou um sorriso no rosto e voltou a dançar. Não foi o momento mais apropriado para Lady Renée aparecer em sua cabeça.
- Como... – começou , respirando fundo e se lembrando do protocolo. – Perdão. Alteza, como sabe o meu nome?
- Ah, , - ele comentou, com um sorriso brincando em seus lábios. – eu tenho as minhas formas de conseguir minhas informações.
Ela piscou algumas vezes, suas bochechas ficando levemente ruborizada com o tom de voz aveludado que ele usava.
- Obrigada. – ela disse, e complementou, quando viu a expressão confusa dele. – Por ter feito com que o senhor Tulson soltasse o meu braço e se afastasse de mim.
- Não fiz mais que a minha obrigação, protegendo meu povo. Protegendo você.
O rubor no rosto de ficou mais acentuado ainda.
- Obrigada.
Ao notar que Liz os observava no meio da multidão, Harry não conseguiu segurar a curiosidade. - Me perdoe, mas como você conheceu Liz Thomas?
Os olhos dela se abriram levemente e seu coração, que já batia aceleradamente, ficou mais rápido. O que responderia para ele?
- Nós... estudamos no mesmo lugar. – bem... não deixava de ser verdade. Ela não seria presa por mentir para o Príncipe da Inglaterra, ou seria?
Harry apenas concordou com a cabeça, enquanto ainda a conduzia, o pensamento novamente voltando para Lady Renée.
- Alteza?
- Sim?
- Er... – parecia encabulada. Harry a achou extremamente adorável nesse momento. – A música acabou.
- Oh!
Lentamente ele a conduziu de volta para a multidão, ignorando as pessoas que os encaravam, já que eram o último casal a se retirar da pista de dança. Arthur Landon, que estava no palanque onde a banda se encontrava, com um microfone na mão, deu um sorriso de lado, querendo brincar com Harry, mas sabendo que Rachel não apreciaria nada a atenção em sua irmã.
- Foi um prazer dançar com Sua Alteza. – falou, se curvando mais profundamente e se preparando para se retirar.
- O prazer foi meu, Senhorita . – ele respondeu com um sorriso, ignorando o discurso que o amigo fazia, a vendo se retirar, inicialmente ainda voltada na direção dele, com a cabeça baixa, e levemente voltando o corpo em direção onde estava a família. – Eu só queria poder conhece-la um pouco mais. – Ele comentou para si mesmo, em tom baixo.
- Então deveria ter pego o número dela. – retrucou Skippy enquanto aparecia atrás dele, lhe estendendo um copo de whisky.

- O que você pensa que estava fazendo, ? – a Senhora perguntou, enquanto segurava firmemente o braço na filha, a olhando interrogativamente.
- Eu aceitei dançar com o Vossa Alteza Real, Príncipe Harry.
- Não seja insolente! Você esqueceu tudo o que gastamos para você...desapegar dele?
suspirou e tentou fortemente não agir como uma adolescente birrenta.
- Não mãe. Porque fui eu quem passou por tudo aquilo. Agora você não esperava que eu o ignorasse e saísse correndo, sendo deselegante com um dos amigos do namorado da Rachel, que por acaso é o Príncipe da nossa nação, certo?
Rebecca odiava ficar sem resposta para sua filha.
- E por que não dançou com Christian?
apenas piscou repetidamente, torcendo para ter ouvido errado.
- Peraí! – se intrometeu Matt. – Mamãe. Foi a senhora quem convidou o Tulson para o evento?
- Eu apenas fiz uma sugestão...quem convidou foi o Arthur.
- Mãe! Como a senhora pode ser tão cega?! Quer tanto assim casar a sua filha que não se importa com a felicidade dela? Apenas com o nome da pessoa?
- Não me descreva como uma pessoa fútil! Eu quero o bem da ! Nada mais que isso!
- E pelo bem dela, você esquece tudo o que ele a fez passar? Como ele a traiu? Porque eu sei que te contou recentemente. – Matthew passou o braço pela cintura de , que segurava as lágrimas e tentava respirar fundo. – Fizemos nosso papel aqui. Viemos ao evento do namorado da sua filha querida. Agora eu e vamos embora. Boa noite mamãe.
Dando um pequeno aceno com a cabeça para o pai, que olhava bestificado para a esposa e se afastou, trazendo a irmã consigo. Viu Rachel ao longe, conversando com algumas mulheres.
- Temos que ir lá, nos despedirmos da Chel. Tudo bem? – ele perguntou, olhando cuidadosamente para a irmã.
- Tudo bem. Consigo lidar com uma despedida rápida. Eu só quero sair daqui e respirar.
- Ok!
E enquanto se encaminhavam em direção à irmã, se esqueceu quase completamente de sua dança com o príncipe encantado de seus sonhos de adolescência.

O que ele mais queria era ir lá e colocar novamente seus braços ao redor dela. O que era essa vontade louca e repentina? Harry não sabia dizer. Só sabia que necessitava saber mais sobre ela. A observou ser encaminhada até a irmã pelo irmão caçula e...se despedirem dela? Por mais que quisesse ir conversar devidamente com ela, tinha a nítida sensação de que sua aproximação dela não seria aprovada pela família dela.
Observou avidamente enquanto os dois irmãos saiam do salão. Obviamente ele estava protegendo-a. De quem? Do ex dela? Dele? Sua vontade era segui-los, mas sabia que havia outras formas de conseguir informações. Seu olhar vagou entre Liz e Arthur. Precisava sentir novamente em seus braços, precisava dançar com ela novamente. Pareceu tão...certo. Tão...familiar.

Matthew ajudou a subir no banco traseiro do carro. Entrou logo em seguida e a abraçou fortemente depois de informar ao motorista que era para ir para a casa da irmã. Ela tremia levemente ao seu lado e percebeu que uma mancha avermelhada estava marcada em seu braço.
- Quem fez isso? – ele perguntou preocupado.
- Tulson. – foi a resposta fraca.
- Aquele bastardo encostou em você com essa força? – ele foi se irritando, mas sabia que teria que aguardar até ouvir a versão completa ou encontrar Christian Tulson em sua frente. Preferia a segunda opção. Melhor socar aquele canalha e garantir que ele se afastasse de sua irmã o mais rápido possível.
- Está tudo bem. Na verdade... – forçou a memória, mas estava cansada e o que mais passava em sua mente era os passos de dança que compartilhou com Príncipe Harry na pista do salão. Sua mente estava enevoada e só a memória da dança parecia real. - ...eu não consigo me lembrar muito bem. Ele queria...conversar comigo. Queria... voltar comigo. – deu uma risada de descrença. – Mas não queria me soltar. Ele queria causar uma cena. Ele sabe que eu odeio chamar a atenção. – Encostou a cabeça no ombro de Matt. – Estou cansada.
- Já estamos chegando na sua casa. Se quiser, pode cochilar um pouco. – ele respondeu, fazendo carinho em sua cabeça.
- Tudo bem.
Passaram-se alguns minutos, mas era visível que ainda não havia pegado no sono. Matthew olhava pela janela, observando Londres enquanto pensava no que faria para proteger a irmã.
- Matt. – a ouviu chama-lo levemente. Logo ela iria dormir.
- Sim, sis?
- Por que o Príncipe Harry me salvou do Christian?
Essa informação era novidade para Matthew. Ele não viu o que acontecera antes. Só viu sua irmã indo para a pista de dança com ele.
- Não sei, princesa.
- E como ele sabia meu nome?
- Ele é amigo do namorado da Rachel, . Não se preocupe. Durma.
- Mas e se... – ela começou a dizer antes de dar um longo bocejo e sentir seus olhos se fecharem levemente, sua voz ficando mais leve e suave a cada palavra.
- E se...? – Matt estava curioso com o que ela falaria.
- E se ele descobrir que eu trabalho no Palácio Real? – ela perguntou, tão baixo, que se o carro não estivesse silencioso, ele duvidaria se tivesse escutado direito. Nesse momento agradeceu que a divisória entre eles e o motorista estivesse levantada e que o intercomunicador estivesse desligado. Não queria o motorista da família contando para a mãe sobre o local de trabalho de .
Percebeu que ela já dormia quando a sua respiração ficou mais profunda e estável e a cabeça em seu ombro pesou um pouco mais.
- Palácio Real, hum? – se perguntou, passando a mão no rosto e pensando no que faria com a informação.
Logo chegaram até a casa dela. Entregou a chave para o motorista e pediu para que ele fosse abrindo a casa enquanto ele a carregava. O seguiu rapidamente para que pudesse colocar a senha do alarme antes que o mesmo apitasse. Colocou em sua cama e logo voltou para a sala, onde o motorista da família ainda aguardava.
- Vou ficar aqui com ela hoje. Pode voltar para a festa para aguardar os meus pais. Muito obrigado Jose. – ele disse, enquanto o acompanhava até a porta da frente, onde a trancou e reativou o alarme de segurança antes de subir as escadas de volta ao apartamento.
Olhou para a irmã que dormia tranquilamente em sua cama. Com todo o cuidado, retirou o vestido que ela usava e colocou uma camiseta velha para que ela ficasse confortável. Os saltos dela já haviam sido removidos há muito tempo. Lentamente tirou as joias que ela estava usando e colocou no porta-joias que ficava no criado mudo. Liberou os cabelos do penteado e colocou o enfeite do cabelo na estante.
- Todo esse trabalho e ela nem bebeu. Capotou de cansaço mesmo. – conversou consigo mesmo, rindo da irmã e a olhando carinhosamente.
Tirou a própria roupa e colocou uma roupa sua antiga que achou no guarda-roupas de . Sabia que era ela quem roubava suas camisetas velhas. Antes de sair do quarto e apagar as luzes, cobriu , que se aconchegou mais ainda na cama e deu um sorriso, perdida em seus sonhos.
Andou até a sala. Sabia que iria dormir ao lado da irmã, mas ainda não estava cansado e sua mente estava à mil com as novas informações que a irmã havia entregue sem querer. Sentou-se no sofá e ligou a TV que ficava no meio da sala, abaixou o volume e se dedicou em deixar os pensamentos fluírem enquanto assistia qualquer besteira que estivesse passando nos canais. Sua meta ali era se distrair. Colocou em um canal qualquer de música enquanto se recostava melhor no sofá. Príncipe Harry ou Christian Tulson? O que faria primeiro?
- Porra Matthew. Pensa direito merda! É sua irmã! – Então ele pegou o celular, mandando uma mensagem para alguns amigos.
Decidiu que o melhor a fazer era se deitar e dormir. Desligou a televisão, que afinal, nem fizera questão de prestar atenção, e voltou para o quarto da irmã. Deitou-se na cama com outro cobertor para si e abraçou a mais velha enquanto fechava os olhos.
- Palácio Real, então... – disse levemente antes de finalmente dormir.

Foi com um saudável chute nas costas que Matthew acordou cedo naquela manhã de domingo. Resmungou levemente e olhou para trás. Ele estava no canto da cama enquanto , aquela abusada, ocupava a cama inteira. E cada vez parecia que o empurrava mais ainda. Sem se importar com a irmã, a empurrou e voltou a se ajeitar melhor na cama. Como podia aquela criatura minúscula ocupar tanto espaço numa cama king size? Voltou a dormir.
Mas foi novamente acordado, três horas mais tarde com o interfone tocando.
Céus! Quem é o louco para madrugar num domingo?
Definitivamente esse louco não atendia pelo nome de , que ao ouvir o interfone apenas se remexeu na cama e cobriu a cabeça com o travesseiro e voltou a dormir.
Rolando os olhos, Matthew se levantou para atender, sabendo que dali, não sairia tão cedo.
- Espero que morra asfixiada. – ele reclamou baixo, saindo do quarto, se espreguiçando levemente e não dando a mínima para o fato de que estava apenas de boxer, depois de ter retirado a camisa enquanto dormia, devido ao calor. Alguém (ele mesmo) havia esquecido de arrumar o termostato antes de dormir, deixando o apartamento aquecer demais. Alcançou o interfone e atendeu, resmungando levemente. – Bom dia.
- Er...É a residência da ?
- Isso. – ele retrucou rolando os olhos, olhando pela janela da sala para o andar inferior, para ver quem estava ali em baixo. Conhecia aquela moça!
- Bom dia! Sou a Liz Thomas. Trabalho com a ...? Ela me chamou para vir aqui...?
- Ah! Senhorita Thomas! – Matthew constatou com um sorriso, se lembrando da moça. – Claro! – alcançou o controle remoto que desativava o alarme de segurança e liberou a porta da frente. – Pode subir. Vou chamar a minha irmã.
Ao ouvir a porta se abrindo e o interfone sendo desligado, Liz percebeu que estava encabulada. Aquela voz rouca era do irmão dela? E ele iria vê-la daquela forma? Não havia volta agora, ela pensou enquanto fechava a porta e se deparava com um lance de escadas que levava até outra porta. Subiu cada degrau lentamente enquanto arrumava o máximo possível o próprio cabelo, consciente da imagem que estava passando. E não era de uma mulher extremamente bem-sucedida. Respirou fundo enquanto batia levemente na porta com os nós dos dedos.
- Bom dia! – foi surpreendida com a beleza de Matthew em seu cabelo bagunçado de quem havia acabado de levantar e seu sorriso amplo.
Mas o que a fez dar alguns passos para trás, desconcertada, foi perceber que o via não apenas com bom humor, mas em toda sua glória de como veio ao mundo. Bem...quase toda glória, já que a cueca boxer preta impedia todo o esplendor nu.
- Uau! – ela piscou repetidamente. Bom dia, de fato. Era o que ela queria dizer.
- Ah! – ele pareceu perceber, finalmente, como estava. – Sinto muito... eu só lembrei agora. Vou... chamar a .
Ele disse rapidamente, indo a caminho do quarto da irmã, com pressa, enquanto Liz entrava no apartamento e fechava a porta atrás de si.
- 8 gominhos... – sussurrou sonhadoramente para si.
Matthew deu um sorriso ao ouvir isso enquanto fechava a porta.

Quinze minutos depois saia de seu quarto, com um vestido leve e um sorriso.
- Bom dia. Me desculpe a demora.
- Tudo bem. Me desculpe chegar cedo demais.
- Não! Está tudo bem. Eu quem dormi demais. – contestou, notando que era quase meio dia. Havia anos que ela não dormia até tarde. Piscou, tentando se livrar do pensamento. – E nós também não combinamos um horário, então qualquer horário era o horário.
- Isso não faz muito sentido. – Liz disse com um sorriso.
a olhou, estranhando. Ela parecia mais... leve.
- O que na vida faz? – perguntou, dando de ombros. Um pouco desconfortável, se lembrando que aquela mulher era sua superior, de certa forma.
Como se lendo os pensamentos dela, Liz deu um sorriso.
- Por favor, . – Disse, testando o primeiro nome da outra. – Eu só sou um carrasco em trabalho. Aqui fora sou comum e normal. Então pode me chamar de Liz, tranquilamente.
- Tudo bem... Liz. – pigarreou envergonhada. – Já tomou café da manhã?
- Na verdade... vim salivando, pensando no Coffee que você comentou.
piscou repetidamente. Aquela mulher à sua frente realmente era Liz Thomas? Ela era tão... amável.
- Então podemos ir tomar um café da manhã lá. O que acha?
- Maravilha! – Liz deu um sorriso de contentamento, que foi retribuído totalmente por .
- E espero – começou uma voz atrás de . – que eu esteja incluso nesse convite de café da manhã.
Matthew saía do quarto de , trajando uma bermuda e uma camiseta. Era visível que eram roupas velhas e gastas, mas ele não dava a mínima. Em sua mão estava uma sacola de lavanderia, e era fácil adivinhar que o terno que ele usara na noite anterior estava ali.
- Claro que não, Matt. – retrucou, cruzando os braços.
- E eu aqui, sendo um bom samaritano e levando o seu vestido para lavar. Por conta da mamãe.
- Não obrigada.
- Nem mesmo como agradecimento por ter cuidado de você essa noite?
- Não.
- E como um pagamento por me manter calado sobre onde vocês duas trabalharem para a família Real?
- Oi? – elas perguntaram juntas.
Liz estava surpresa porque não era exatamente um segredo, mas precisavam ser discretas quanto ao local de trabalho, e principalmente, porque ela sabia como não queria que ninguém soubesse onde ela trabalhava.
- Sis, você fica uma gracinha conversando e dormindo. – ele disse com um sorriso caminhando até a porta, deixando a sacola em cima do sofá. – Vamos? Estou morrendo de fome.
- Mas... – reclamou, o seguindo.
Liz apenas deu de ombros e decidiu seguir os irmãos.
Menos de cinco minutos depois e eles estavam em uma das mesas externas do Coffee, olhando o cardápio em silêncio enquanto analisavam o que cada um iria pedir. Quando Jully saiu, depois de anotar o que cada um iria pedir, Matt se recostou na cadeira e olhou para as duas mulheres.
- Então...
- Então que você vai ficar quieto sobre meu local de trabalho.
- Mas...
- Sem mas. Isso é pela minha segurança e pela segurança da Família Real. – foi incisiva. Geralmente Matthew assumia uma postura de irmão mais velho, apesar de ser o caçula. Então quando agia assim, era preocupante.
- Ok ok ok. Não falo mais nada.
- Ótimo! Vamos nos alimentar, conversar trivialidades e depois você vai embora para que eu e a Liz possamos conversar tranquilamente sem um estorvo como você...
- Eu vou me lembrar do estorvo da próxima vez que você dormir no carro. – ele deu de ombros ao ver suas panquecas chegando, acompanhadas deum prato de bacon e uma xícara gigante de cappuccino. – Isso que é vida! Obrigado Jully! – agradeceu com um sorriso para a moça, que sorriu revirando os olhos.
- Tente não engasgar dessa vez, Matt.
- Pode engasgar à vontade, Matt.
- Respeito morreu cedo hoje. – ele retrucou para a irmã.
- Morreu asfixiado. Me salvou. – ela deu um sorriso, mostrando que estava acordada na hora que o interfone tocava.
- Maldita.
Liz observava essa interação entre os irmãos com um sorriso, cortando pequenos pedaços de sua omelete.
Conversaram trivialidades sobre o tempo, as Olimpíadas que haviam sido na cidade, naquele ano, economia...Até que Matthew terminou de comer e se levantou.
- E agora eu as deixo, com lágrimas nos olhos, livres para terem sua conversa de menininha. – se abaixou e deu um rápido beijo na mão de Liz. – Foi um prazer te rever, senhorita Thomas. – deu um beijo na testa de . – Até mais, maninha. Vou passar no seu apartamento e pegar as roupas. Jose já está chegando para me buscar.
- Precisava mesmo ligar para o motorista da mamãe para te buscar?
- Claro! E o pagamento da hora extra vai sair do bolso dela. A velha Becky tá precisando gastar um pouco do dinheiro dela com os filhos.
rolou os olhos e abanou a mão para o irmão que saia do Coffee e entrava em sua casa.
Liz franziu o cenho. Até motorista da família à disposição eles tinham. Até que ela não se aguentou mais.
- Quem é ?

Capítulo 8


engasgou enquanto bebia seu frappuccino. Liz de fato era uma pessoa de extremos. Em um momento ela era extremamente amigável que parecia uma amiga de longa data, enquanto 5 segundos depois, ela se tornava uma juíza da Alta Inquisição Espanhola.
- Você sabe que isso pareceu muito com aqueles programas de entrevistas e bate papos, né? Tipo, “uma cor, um local, uma palavra, por ”.
- E você está desviando do assunto principal por algum motivo?
- Não. – Suspirou. – É apenas que...é meio complicado.
- Elucide-me.
rolou os olhos. Ela estava mesmo desenvolvendo uma espécie de amizade com Liz Thomas?
- Meu pai é dono de uma firma de advocacia. Advogados. Ele possui alguns sócios minoritários, mas ele é o sócio majoritário, com 80% das ações.
- Mas essa firma é... tradicional.
- Sim. É herança de família. Foi fundada por meus ancestrais em 1893 e desde então tem passado de geração em geração, até chegar em meu pai. E vai passar para a minha irmã quando meu pai achar que chegou a hora.
- Se a sua família está bem estruturada... por que trabalhar como camareira da Família Real?
deu um sorriso. Sua família estava além de bem estruturada, não que Liz precisasse saber disso.
- Porque eu sou formada em Administração e eu sempre quis focar em hotelaria, apesar da minha família querer que eu fizesse parte do corpo administrativo da empresa. E para você entender como funciona as coisas, você tem que começar de baixo. Por isso eu fiz o curso de camareira. Como esperar que eu gerencie e administre um hotel algum dia se eu não souber como ajudar e corrigir o pessoal. Até que vocês ligaram para a escola e pediram por pessoas. O resto, você sabe.
- Sinceramente, . Eu não esperaria alguém da alta burguesia trabalhando com cidadãos comuns.
- Não estamos no século passado, Liz.- retrucou, sem querer corrigi-la e contar que na verdade, ela possuía sim, de certa forma, um sangue azul. – O sistema de castas não deveria ser tão importante assim.
- Devo te lembrar para quem trabalhamos? O topo do sistema de castas.
Elas riram.
- Sim. Você tem um ponto. Acho que esqueci disso.
- Como alguém esquece disso?
deu de ombros.
- Eu só mantenho na minha cabeça o que é importante. E isso envolve tudo o que eu tenho que fazer para fazer um trabalho decente e todo o protocolo envolvido. Quem são os meus chefes não é tão importante assim enquanto eu fizer o que eu tenho que fazer sem erros.
Liz deu um sorriso. era realmente alguém com personalidade forte.
- E o fato de você ter dançado com um dos seus patrões ontem? Onde se enquadra em profissionalismo?
- Isso é... diferente.
- Como pode ser diferente?
- Ele... me salvou.

- Como assim, você a salvou? – William perguntou para Harry enquanto se servia de mais um drink.
- Christian Tulson. Pelo o que Arthur me falou, ex-namorado dela. Ele estava segurando o braço dela com força. Não duvido que tenha ficado marca nela. Então eu...
- Você foi o cavaleiro de armadura reluzente dela e fez o cara a soltar.
- Basicamente, sim.
- Harry. – William suspirou. – Ela pode ter um ex namorado, mas você tem uma atual namorada. Cressida. Lembra?
- Claro que eu infelizmente me lembro.
- Infelizmente?
- Ela é uma ótima pessoa, Will, mas não para mim. Nós funcionamos melhor apenas como amigos.
- Harry... não é para mim que você tem que falar isso.
- Eu sei. É que...
- Você não sabe como terminar o relacionamento. – disse Kate, do batente da porta, onde estava recostada.
- Exatamente. – Harry confirmou para a cunhada. – E ao mesmo tempo, eu sinto que o certo é eu ir atrás da , se isso faz sentido.
Kate franziu a sobrancelha. Ela havia escutado a conversa, é claro. Ela só achava engraçado que Harry já estivesse tão aficionado por uma garota com quem ele apenas dançou uma vez. Ao mesmo tempo, ela se lembrava que ele não estava sendo ele mesmo ultimamente. Será que também era essa mesma moça?
- Harry... – começou Kate lentamente. - ...foi realmente a primeira vez que você a viu?
- Sim. Por que?
- Então... não é ela quem tem tirado o seu sono?
Harry suspirou. Sabia que tava tranquilo demais para ser verdade. Um dos dois tinha que abordar o assunto. O pior era que ele viu que Will se ajeitou curiosamente em sua cadeira, querendo saber mais sobre.
- Não é um assunto que me deixa...tranquilo.
- Nós sabemos! – exclamou Will, esticando a mão na direção de Kate para que ela se aproximasse deles. – Por isso nós nos preocupamos.
- Nós somos sua família, Harry, e queremos o seu bem.
- É outra pessoa que me tira o sono. Uma pessoa que nem existe.
- Como assim? – o casal perguntou em uníssono, fazendo com que Harry desse uma pequena risada.
- Assim. Eu simplesmente comecei a sonhar repetidamente com essa pessoa...essa lady. E... no meu sonho, ela é minha noiva. – Harry estava encabulado por estar revelando tanto sobre si para eles. – E depois que eu tive o primeiro sonho... eu acordei com a sensação de que ela era real, de que ela estava perto.
- Talvez... – começou Kate cautelosamente. – Isso seja apenas uma representação do seu subconsciente sobre uma vontade de se estabelecer.
- Me estabelecer? – Harry deu uma risada.
- Sim. Se estabelecer. Você mesmo disse: ela é a sua noiva, em seu sonho.
- E por isso eu quero me estabelecer?
- Exatamente.
- Então eu também devo pressupor que eu queria ser o Príncipe Herdeiro e que o Will não existisse? Se bem que pelo menos 5 vezes ao dia eu desejo que meu irmão não existisse.
- Príncipe Herdeiro? Nunca imaginei que você quisesse ser o próximo a subir ao trono, Spike.
- E eu não quero! – ele retrucou para o irmão, exasperado. – Estou mais do que satisfeito em ser o terceiro na linha de sucessão. Esperançosamente, logo o quarto ou o quinto. E lentamente me afastar do trono enquanto vocês procriam os nossos próximos reis e príncipes e princesas. Mas no meu sonho, sou só eu. Só o Príncipe Henry, da Inglaterra, destinado a se casar com Lady Renée Cromwell.
William assumiu uma expressão pensativa, enquanto Kate deu uma risada.
- Sério que a sua noiva, em seus sonhos, se chama Renée?
- Sim. Por que?
- Você sabe o significado do nome dela?4
- Obviamente que não.
Kate deu um sorriso.
- Bom. Vou deixar você descobrir sozinho.
- Príncipe Henry e Lady Renee? – Will questionou, não dando atenção para Kate.
- Sim. – Harry olhou para o irmão estranhamente. – Por que?
- E tudo isso acontece com a Vovó como Rainha?
Harry riu. E então se lembrou que não entrou em muitos detalhes.
- Não. Eu tenho um pai. Que é o Rei. E vivemos num clássico castelo de pedras, nada como o Palácio de Buckingham. Nós vivemos na Idade Média, Will. – complementou com um sorriso.
- Entendi. – foi a única resposta que recebeu. E viu os olhos do irmão brilharem com alguma ideia que passava em sua cabeça. Então ele voltou a focar no irmão. – E quanto à Christian Tulson, e Cressida Bonas. O que vai fazer?
- Posso responder isso depois? Prefiro relaxar e pensar na viagem para Las Vegas que Skippy tá planejando do que pensar em Cressida.
William ia contestar que não era apenas sobre a namorada do irmão que ele havia perguntado, quando foi cortado pela esposa.
- ?

- ? Você foi atrás da ? – Margareth Tulson perguntou exasperada para o filho. – Por favor, Christian, o que estava passando pela sua cabeça? Você já fez um escândalo o suficiente quando traiu a pobre menina.
- Não seja hipócrita, mãe, eu não sou o único adúltero aqui. Pelo menos eu traí namorada, não minha esposa.
- Francamente, Chris, você realmente quer falar sobre isso?! Temos muito mais com o que nos preocupar do que e...
- Eu tenho com o que me preocupar. O meu pai tem com o que se preocupar. Você não tem nada com o que se preocupar, afinal, Stuart Morris tá aí para te satisfazer não é?
E naquele momento Christian Tulson aprendeu que nunca é tarde demais para apanhar de sua mãe. E com certeza a palma da mão dela iria ficar marcada em seu rosto pelo resto do dia.
Ele ficou surpreso, e muito magoado.
- Eu não acredito que você fez isso.

- Eu não acredito que você fez isso! – Matthew exclamou empolgado, olhando para Samuel Phillips, um de seus melhores amigos. – Sammy... isso é... incrível.
O dia já estava acabando e Matt definitivamente não esperava receber a visita de Sammy. Principalmente, não esperava que ele trabalhasse em pleno domingo.
- Aaah Matt. Você pareceu tão preocupado ao telefone que eu simplesmente tinha que conseguir as informações o mais rápido possível. – ele retrucou, estendendo uma pasta parda em direção ao amigo. – Aqui tem o que eu consegui reunir tão em cima da hora sobre o Tulson para você. Tudo vai fazer sentido para você. Mas tenho certeza que o buraco é mais embaixo e que eu tenho que fazer uma investigação mais minuciosa e detalhada. Mas só digo isso: o mantenha longe da . Ela não merece passar por aquilo de novo e muito menos passar pelo o que vai acontecer com ele se o que eu imagino que esteja acontecendo se provar verdade.
Samuel Phillips era um ótimo detetive particular. Tão bom que para reunir as informações que ele queria, ele conseguia hackear praticamente qualquer empresa privada. Ele não era louco o suficiente para invadir o sistema público. Ele era amigo de Matthew desde a infância, já que estudaram juntos praticamente a vida inteira.
- Muito obrigado Sammy. Vou olhar isso essa noite mesmo.
- Ao mesmo tempo... – continuou Samuel. – Aproveitei um tempo livre que tive e consegui um presente para você. – ele entregou uma pequena pasta azul. – Não pesquisei muito porque você tem que conseguir as informações sozinho, mas com certeza quebrei um galho para você.
- O que é...? – Matthew começou a perguntar enquanto abria a pasta e via o nome no topo da lista. Deu um sorriso na hora, ficando levemente corado. – Não precisava pesquisar sobre Liz Thomas.
- Não. – concordou Samuel. – Mas definitivamente você ficou louco por essa mulher, então porque não conseguir o número dela para você?
Matt abriu a pasta novamente.
- O número, email, endereço...local de trabalho! – comentou exasperado.
- Incrível, né? – Sammy deu um sorriso, que logo sumiu quando viu Matt rasgar a pasta. – Quê?
- Ninguém deve saber onde ela trabalha. Pela segurança dela. E eu quero que ela me dê essas informações livremente. Não estamos em 50 Tons de Cinza, Sammy.
- OK. Eu... respeito a sua decisão. E foi mal cara.
- Nah! – Matt deu de ombros com um sorriso, não preocupa com isso não. Agora... quer uma cerveja?
- Passo essa, cara. Tenho um encontro e eu não posso me atrasar.
Matthew arqueou uma sobrancelha, impressionado. Finalmente o amigo estava seguindo em frente depois do fim do relacionamento que durou toda a adolescência e o início da vida adulta.
- Vou querer saber mais.
- Se for para frente... você será o primeiro a saber.
- Bom mesmo, porque você foi o primeiro a saber sobre meu interesse na srta. Thomas, então o mínimo que espero em troca é conhece seu novo namorado.
- Matt, por favor. Você não está namorando com ela ainda.
- Isso mesmo, ainda é a palavra-chave.
Se despediram brevemente e enquanto Samuel saia de seu apartamento, Matt foi para seu quarto, se preparando mentalmente para ler a ficha de Christian Tulson.
- Que segredo você esconde?

- Que segredo você esconde? – Liz se perguntava lentamente enquanto entrava no sistema de segurança do palácio em busca da ficha de , no dia seguinte. Passara a tarde anterior inteira com ela, é verdade. E elas se aproximaram muito. O que foi uma surpresa para Liz, que descobriu que apesar de estar acima dela no emprego, era um ano mais nova que .
Ainda era tão estranho pensar nela com um apelido... “”... Balançando a cabeça de um lado para o outro, tratou de voltar a se concentrar na tela a sua frente. É claro que era uma pessoa amigável e tranquila. Mas havia alguma coisa nela que fazia com que Liz ficasse com suspeita. Ela era mais do que ela queria entregar... Ela possuía um porte tão...altivo. Altivo demais para uma camareira. Real demais para alguém que não era da nobreza.
Claro que ela não havia percebido antes, porque só havia a visto com o uniforme de trabalho e trabalhando como um membro do staff do Palácio. Mas agora...? Agora que a vira em um vestido de gala, que sentara na mesma mesa que ela e compartilhara de uma refeição? Sua postura sempre ereta, seu tom baixo, seu sorriso contido na maior parte do tempo... Se aquela menina não foi criada como alguém nobre...
Ao mesmo tempo... tudo isso conseguia ser escondido quando ela estava próxima de seu irmão. Eles agiam como dois irmãos, que se preocupavam um com outro e faziam piadas constantes. Liz deu um suspiro. E que irmão. Definitivamente Matthew era um espécime masculino maravilhoso e digno de ser lembrado em qualquer momento do dia. Ele e seus 8 gominhos.
Os pensamentos de Liz foram distraídos pelo toque de seu celular ao receber uma mensagem. De um número desconhecido. Franziu a sobrancelha enquanto abria a mensagem.
“Bom dia, cara senhorita Thomas, e me perdoe por atrapalhar o seu trabalho nesse momento. Consegui o seu número de forma inesperada ontem à noite e não pensava em realmente lhe importunar, a não ser que fosse de seu desejo. Mas eu gostaria de conversar em particular com a senhorita, sobre minha irmã. No horário que for melhor para você, nós marcamos um café. Atenciosamente, Matthew .”
O que?! Ela realmente havia recebido uma mensagem de texto do Senhor 8 Gominhos em pessoa? Não podia deixar essa oportunidade passar, mas como ele havia conseguido o seu número? Não era esse o número que possuía.
“Oh! Olá senhor . Não é realmente um incômodo, já que estou fazendo apenas serviço de escritório essa manhã. Conversar sobre a ? Está tudo bem com ela? Podemos marcar essa tarde, às 17 horas? Há um bistrô há algumas quadras do meu trabalho. Posso te mandar o endereço.”
O coração de Liz martelava em seu peito. Ela realmente estava trocando mensagens com Matthew ?! Ah, esse é mesmo um ótimo dia.

Um ótimo dia se estendia à frente, e sabia que não conseguiria apreciá-lo. Seu treinamento no Palácio de Buckingham havia sido encerrado. Agora ela estava sendo encaminhada para começar oficialmente a trabalhar para a Duquesa de Cambridge no Palácio de Kensington. E dizer que ela estava nervosa era subestimar o estado de seus nervosos. Ela estava em todos os lugares e em lugar nenhum ao mesmo tempo. E tinha um medo terrível de fazer alguma coisa errada e ser demitida em seu primeiro dia oficial.
Claro que enquanto seguia suas funções do dia, arrumando cada coisa rapidamente antes que a Duquesa chegasse de qualquer compromisso que ela tivesse, ela foi se acalmando e voltando a ser a pessoa calma e centrada que sabia ser. Obviamente devemos esquecer o incidente do seu teste. Ela estava extremamente nervosa e a Duquesa aparecera de repente. Ainda se perguntava como que ela havia sido contratada. Alguém realmente era louco. E por alguém, ela sabia que se tratava da própria Catherine, que por algum motivo a escolhera.
Enquanto içava algumas meias perdidas do Duque de Cambridge de debaixo da cama de casal, foi acometida por uma sensação de dèjá vu. Entrando pela porta estava a Duquesa de Cambridge. Definitivamente + meias = aparição inesperada da Duquesa.
Mas Kate não reparou na camareira agachada ao lado de sua cama. Ela simplesmente passou direto pelo quarto até chegar no banheiro da suíte. Quando ela fechava a porta, se levantou discretamente e saiu do quarto silenciosamente. Afinal, essa era a função de uma staff da Família Real: Ser invisível.
Quando Kate apareceu na cozinha, uma hora mais tarde, estava ocupada limpando a louça enquanto a cozinheira preparava o jantar do casal real.
- Stefânia, minha querida, - começou a dizer Kate animadamente. – o que você está preparando para o nosso jantar?
Só então Kate notou a presença de mais uma pessoa. E se lembrou do membro da staff que havia sido contratado para trabalhar em sua casa.
- Ah! Você é a nova funcionária?
corou levemente e fez uma pequena reverência com a cabeça.
- Alteza. Sim, sou e trabalharei com a senhora daqui em diante.
- ? – Kate perguntou com um os olhos brilhando em reconhecimento.
Continua...


n/a (29/08):HEY !!!!!
Fugi completamente do meu cronograma de atualização, né? Eu sei
Sinto muitíssimo!
de verdade!
mas problemas de saúde me levaram a ficar afastada de um pc.
crises de ansiedade e apatia.
enfim, depressão é uma merda, só digo isso
mas estou bem, medicada e de volta à ativa
era para ser uma atualização dupla (surprise surprise)
mas como eu escrevi os capítulos 8 e 9 durate a minha crise de depressão e super irritada com o meu irmão, então os capítulos saíram uma merda.
por isso tive que reescrever bastante coisa, porque estava alterando o rumo que eu quero dar para a história
mas eu deixo vocês com um cliffhanger... que vocês sabem que eu adoro!
Para quem acompanha no grupo, essa semana eu postei curiosidades sobre a família da principal (que no original se chama Renata) no grupo do facebook, então cola lá que é sucesso!
Vamos voltar a estabelecer metas?
Próximo capítulo deve ser enviado até dia 20 de setembro!
E vocês sabem que sempre podem ficar no meu pé para cobrar de mim!
minhas redes sociais, como sempre, estão aqui em baixo!
Kah Chaves (@misty__ynyn|Ask da Kah)
Outras Fics:
College Times - [McFLY - Em Andamento (Em Co-Autoria com Rê Oliveira)]
Always Forgotten - [McFLY - Finalizadas - Shortfic]
That Night in the Egg Club - [McFLY - Finalizadas - Shortfic]


Grupo Efeito Morphail



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