Última atualização: 18/04/2018
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Prólogo

Gritos, confusão e baixaria. Era o que tínhamos desde que o fatídico anúncio foi feito, afinal, já devíamos esperar que meu pai não aceitasse o "não" como resposta. Quem eu era para negar uma oportunidade como aquela? Enfim tinha surgido o momento certo para que as famílias e estivessem unidas e a ponte para isso seria ninguém menos do que eu. É, eu mesma. A filha mais velha do Prefeito Conrado, yay, ponto pra mim. Só que não.
Tudo o que eu menos queria era ter que passar o meu mês de férias enfurnada em um acampamento dentro do mato, tentando ser simpática e cativar uma pessoa que eu nunca nem tinha visto na vida. No auge dos meus 19 anos, além de já ter passado da época de me empolgar com um clubinho escolar, eu não tinha a mínima paciência de fingir bajulação, como era pré-requisito para a vida de politicagem que o meu pai tinha. Por isso, eu me debelei o quanto pude.
Fato comprovado pelo barulho que ressoava no momento em que bati, furiosa, a porta do quarto. Escutando meu pai gritar, por fim, que eu iria para o acampamento e ponto final, dando como terminada todas as súplicas e argumentos que eu levei em consideração para confrontá-lo antes. Observei, ainda bufando, minha mãe deslizar, por debaixo da soleira da porta, um panfleto dourado com fotos chamativas, quase como uma proposta de paz daquela que almejava que eu realmente me divertisse onde sabe lá meu pai estivesse me mandando.
Hildens. Gemi ao ler o nome marcado em alto relevo. Maldito seja o assessor que informou ao Prefeito onde o filho do Governador ia passar as férias. Maldito mais ainda aquele que definiu como sendo primordial ter contatos para sobreviver no ramo político. Não bastava fazer seu trabalho de forma digna e correta? Não, no caso do meu pai, ele ainda precisava ser bem articulado, querer mandar em todo o partido e negligenciar a família como ninguém. Essa era a fórmula, afinal.
Folheei o papel em minhas mãos, suspirando a cada passar de página. No começo, o suspiro foi quase um resmungo, no final, era mais como um surto de empolgação. Parecia que Fernando de Noronha não era tão mato assim e se não fosse pelo contexto, eu poderia muito bem aproveitar aquele lugar. Só de imaginar o sol lançando todos os tons entre amarelo e laranja ao meu redor, junto com o barulho de mar e a brisa salgada no rosto, eu poderia muito bem esquecer o Prefeito Conrado, o filho do Governador e todas aquelas intrigas que faziam da nossa vida um eco do vazio que era o oposto da nossa conta bancária.


Ironia do destino.

Ao passar pelo vão da porta, na manhã seguinte à discussão acalorada com meus pais, minha empregada, Rita, pulou como se visse um defunto. Eu vestia regata e minissaia pretas, juntamente com meu rayban, compondo o melhor look velório já visto. Sorri, gostando do efeito que causei ao passar pela família. Minha mãe, acostumada com o glamour das cores que normalmente uso, quase caiu da cadeira ao me ver tão sóbria. Meu pai, balançou a cabeça negativamente, sorrindo amargo. Levantei a sobrancelha em desafio, mostrando o quanto eu estava "feliz" por aquela viagem.
O caminho até o heliporto foi regado a banhos frios de silêncio, o que tornou a tensão entre os presentes palpável. Dei graças aos céus quando cheguei ao ponto de embarque, refletindo sobre o tempo que eu teria para engolir os acontecimentos recentes. A birra contra a viagem não foi motivada apenas pela obrigatoriedade em fazer amizade com um desconhecido, mas também, pelo fato de eu ter que me distanciar do meu namorado, , enquanto passávamos por um momento de brigas. Nós estávamos juntos desde que eu me entendo por gente, era cabível, somos populares e bonitos, nada mais justo do que unir o útil ao agradável.
De certo, esse pensamento gerou a necessidade de perguntar "então o que está dando errado?". Senti o rosto se contorcer em uma careta só de pensar, lembrando da frase "o problema não é você, sou eu." Só que na verdade, o problema era ele sim! Com os olhos azuis e covinhas irresistíveis, atraia muito mais meninas do que eu conseguiria contar e para a minha infelicidade, resistia a poucas delas também. Dois dias antes de viajar, recebi através de uma mensagem anônima, uma foto dele com três garotas. Exato, você não leu errado, três de uma só vez! Lembro de encarar incrédula a tela do celular e decidir pôr um fim ao que estava insustentável. Mas, com flores, bombons e carisma, quem resiste? Certamente, eu não.
A despedida antes de entrar no helicóptero trouxe, em doses homeopáticas, a frieza da minha família, fazendo com que eu não desejasse emitir uma palavra em direção aos meus pais e irmãos. Certamente, Sr. E Sra. enxergavam aquilo como uma oportunidade única; eu via como o caminhar para a injeção letal de morte; e meus irmãos, resmungavam, declarando que seriam muito mais aptos a missão que me foi dada. Obviamente, Stephan e Clarice seriam muito mais obstinados em fazer tudo pelo poder. Fato que me fez questionar qual gene ficou perdido no momento da minha fecundação.
Recebi ajuda do piloto para poder adentrar a cabine e logo que coloquei meus fones de vôo, pude perceber que aquilo não me deixava nada sexy e dei graças por não ter me despedido de aqui. Se ele me visse assim, já teria corrido para encontrar outra (o que talvez estivesse fazendo agora).
Durante o vôo, tirei da minha bolsa uma revista sobre o filho do governador. Afinal, não seria lógico me aproximar de alguém sem saber nada sobre o mesmo. Folheei as páginas até encontrar uma pequena nota sobre o dito cujo, nomeado . Meus olhos passaram rápido pelas palavras e fui ressaltada quando li algo do tipo "rei do público feminino", "modelo da Calvin Klein e Hugo Boss", "ávido por esportes radicais". Franzi o cenho, aparentemente , vulgo filho do Governador, era um clichê da porra. Playboy e mauricinho, eu queria matar meu pai por relegar minhas férias à bajular alguém que claramente era um daqueles idiotas irritantes. Virei a folha, esperando encontrar uma foto para ratificar a imagem que eu tinha criado e quase desfaleci quando vi...
Meu Jesus do Bom livramento, essa revista só podia estar brincando com a minha cara! O espaço da foto estava... vazio, nem uma 3x4 roubada alegrava minha visão ali. Joguei-a de volta na bolsa e encarei o teto do helicóptero irritada, deixando uma nota mental para lembrar de pesquisar sobre o garoto misterioso assim que pisasse em Fernando de Noronha, porque senão eu estaria completamente às cegas sobre o meu objetivo.




A paisagem do alto fazia valer a pena o sacrifício de ficar uma hora praticando o ócio dentro do helicóptero, eu ia sair dali com câimbras na bunda de tanto ficar sentada, mas, aparentemente, um paraíso me aguardava por terra. A areia extremamente branca era um contraste perfeito com o límpido azul do mar, tornando quase incrível saber que eu teria um mês para viver nesse lugar. Talvez, naquele momento, eu já estivesse mudando de opinião sobre me meter dentro do mato. Aproveitei para tirar uma selfie e desligar o celular antes que o piloto gritasse no meu ouvido as normas de segurança pelo headphone.
Quando aterrissamos, pude sentir a brisa soprando em meus cabelos e pouco me importei se eles estariam cheios de nós antes mesmo de eu chegar no carro. Fui recebida pelo motorista que meu pai contratara e ele, após fazer um leve aceno, me entregou um pacote amarelo, no melhor estilo 007 confidencial. Abri de forma rápida e objetiva, sorrindo diante da minha imagem como uma espiã inglesa. Dentro do envelope, havia diversas folhas e uma delas me chamou atenção, afinal, as letras garrafais dizendo "INSTRUÇÕES" não a deixavam passar despercebido. Li o começo e percebi uma careta se formar logo no segundo item:
"2. Devido a localização, os serviços de celulares não possuem qualidade em desempenho, portanto, seu uso está restrito aos lugares administrativos e dormitórios" Se o objetivo era me manter isolada do mundo, parabéns papai e mamãe, vocês arrasaram!
Eu já tinha escutado boatos de que você só volta pro quarto na hora de dormir e que muitas vezes, o dia foi tão cansativo que você realmente só quer dormir. Cerrei os olhos imaginando a liberdade que teria, já que eu não estaria disponível para fiscaliza-lo dez vezes a cada segundo. Encostei-me no estofado de couro, frustrada, ficando cada vez mais ciente de que minhas férias estariam num patamar de nada memoráveis no final.
Passei as mãos pelo rosto, sentindo-me de repente exausta, puxando o espelho da bolsa para retocar a maquiagem, afinal, se eu caísse pelo menos cairia atirando e bem plena nessa morte lenta. Encarei meu reflexo, observando as pequenas marcas do cansaço começarem a aparecer pelo meu rosto, encobrindo os traços da beleza exótica, que todo mundo dizia ser herdado da minha mãe. Uma característica, meio indígena meio europeia, que marcava as mulheres .
Olhei para a janela e pude perceber o início de um caminho com areia batida, indicando o fim do asfalto para dar lugar a algo mais rústico. A frente, começava a surgir um complexo luxuoso que concorreria facilmente com qualquer Hilton do mundo. Olhei desconfiada o destino que se seguia, questionando em que momento o acampamento de verão estilo filmes americanos apareceria, até que cai na realidade e entendi que ele já se erguia a uma pequena distância de mim, com uma estrutura que colocaria em cheque toda a definição de acampamento de férias. Ali, parecia existir um mini Walt Disney Resort, o que me fazia encarar boquiaberta a entrada suntuosa onde o motorista tinha me deixado.
Após alguns bons segundos, eu permanecia no mesmo lugar, observando o arco dourado com a placa em traços finos pousada no topo, indicando que aquele era O Hildens. Sim, olhando aquela área, eu estava prestes a agradecer ao filho do governador por ter decido passar o mês ali, e isso teria acontecido se o motorista não tivesse pigarreado apontando a mala de rodinhas que ele deixara ao meu lado. Acenei, solicita, dando um breve suspiro antes de adentrar o saguão principal, fazendo uma prece mental de que o interior fosse tão incrível como aparentava ser por fora.
Eu não me decepcionei ao encontrar um hall luxuoso e amplo, com uma escada de corrimão dourado que se bifurcava no topo. O ambiente era claro, devido as suas longas janelas e possuía uma visão encantadora de um caminho tentador em direção à praia privativa que ficava nos "fundos" do acampamento. Observei, meus pés serem atacados pelos grãos de areia trazidos pelo vento, o que me fez sorrir ao avaliar o mix estratégico entre sofisticação e bucolismo. Parecendo alcançar o limiar perfeito entre a riqueza e a simplicidade, sempre atenuando itens brilhantes com um toque aveludado de uma realidade praiana.
Despertei do meu encanto inicial assim que fui direcionada ao setor de matrículas, me lembrando de que aquilo não era um hotel cinco estrelas onde meu pai tinha decidido gastar seu rico dinheirinho comigo. Não, não era o spa dos meus sonhos e por isso, eu não estava ali para apenas desfrutar do brilho do sol e cheiro do mar, eu precisava ser amiga do filho do governador e isso estava me corroendo por dentro quando cheguei à recepção.
Encarei a recepcionista, que me lançou um sorriso gentil e deslizou a unha cor de rosa sobre o tablet até encontrar meu nome. Esperei, contida, olhando ela digitar rapidamente e em minutos, me entregar uma pulseira dourada, juntamente com meus horários. Aparentemente, a pulseira serviria para dar acesso ao meu quarto, já que além dela ser a prova d'água e outros infortúnios, os cartões eram fáceis de serem perdidos e os horários sinalizavam a existência atividades obrigatórias e optativas, as quais eu poderia escolher mediante minha disponibilidade. Passei os olhos rapidamente e pude ver surf, teatro e motocross na lista de opções. Levantei o rosto, percebendo que a atendente tinha me chamado e sorri de forma educada.
— Srta. , seja bem-vinda ao Hildens. Ajustamos seu horário segundo o questionário respondido na matrícula e esperamos que se sinta confortável conosco.
Sorri amarelo. Que questionário? Quase gritei quando a resposta veio para mim como um estalo. Era claro que meu pai tinha arranjado um modo de me incluir em todas as tarefas do menino . Xinguei mentalmente o maldito questionário por ter sido mandado antes, fazendo com que eu estivesse fadada a passar um mês dolorida, devido aos esportes radicais que provavelmente estariam na minha grade, já que segundo minha fonte fidedigna, chamada News Teen, gostava de praticar tudo o que eu nunca tinha sequer ouvido falar.
— Você ficará no quarto 1609 e sua companheira é Merk. Se tiver alguma dúvida no caminho, é só contatar algum dos nossos atendentes. Até mais, aproveite.
Suspirei. Ali começava as minhas não tão sonhadas férias e pela primeira vez, eu estava me dando conta do que aquilo significava. Segui o caminho até encontrar pequenas placas em dourado indicando o dormitório feminino e rezei para que minha colega de quarto fosse legal, seria realmente péssimo dividir meu habitat com alguém pé no saco. Várias pessoas passavam por mim e em meio aos meus devaneios, percebi que qualquer um daqueles meninos poderia ser meu alvo principal. era uma incógnita; eu não sabia seu porte e nem nada que me ajudasse a identificar aquele pelo qual eu estava ali. Parei em frente a porta, reunindo coragem antes de passar a pulseira no identificador.
O quarto era aconchegante e contava com uma decoração praieira, porém sofisticada. Aliás, tudo naquele lugar parecia ser uma mistura das duas coisas. O centro era marcado por um grande lustre de escamas que dividia as áreas respectivas a cada pessoa. Parada ostentando a mesma expressão avaliadora que eu destinava ao quarto, estava aquela que eu julgava ser . Depois de fazer a francesa, estendi a mão para uma apresentação formal e sorri. Minha colega de quarto parecia ter saído de um seriado norte-americano, ela tinha longos cabelos ondulados, tingidos em um ombré hair, e seus olhos incrivelmente pretos representavam um grande contraste no seu rosto. Além do estereotipo 'Barbie vai à praia', parecia compartilhar do meu amor pelo mar, com o seu lado do quarto repleto por quadros de surf.
— Oi, eu sou a . Você deve ser , certo? — falei tentando ser simpática.
Antes que eu pudesse fechar a boca, a garota estava pendurada em meus ombros, dando boas vindas e soltando gritinhos de entusiasmo. Sorri com curiosidade.
— Oi !!!! Eu já estava me sentindo sozinha — comentou , ainda envolvendo meu corpo num abraço amistoso, antes de enfim, se tocar de que deveria me dar algum espaço —Desculpa! Vim do Norte e lá temos a cultura do abraço — observei enquanto ela sorria, fazendo com que seus olhos se espremessem no rosto.
Acenei em positivo, sinalizando que estava tudo bem em ser recebida assim, no fundo, eu até tinha gostado e por isso, relaxei ao sentar na cama, percebendo que parecia legal; ao mesmo tempo que agradecia mentalmente por não precisar aturar alguém irritante durante todo o mês. O abraço da desconhecida valeu pela despedida concisa que recebi dos meus pais, refleti, e assim, eu soube. Aqui, eu era bem-vinda.



Onde há-mar, ah-braços e sol-risos.

Não precisei esperar muito para saber o que meus pais tinham aprontado para mim. Após desfazer as malas, eu decidi encarar o sistema de horários que combinava minhas atividades, pedindo mentalmente que algum dos assessores do gabinete tivesse sido o encarregado de preencher o formulário, me dando a chance de fugir dos exercícios nada pacíficos que, de acordo com a minha inútil revista de fofoca, faria.
Enrolei uma mecha do cabelo com o indicador e comecei a folhear o pequeno manual. De primeira, tive a impressão de que apesar do lugar ser regido para filhos da Elite, o Hildens possuía suas próprias leis, daquelas que o dinheiro não era capaz de burlar. Na página inicial, estava em negrito a necessidade de pontualidade britânica, deixando claro que todos os passeios saiam nos horários marcados e em caso de atraso, o indivíduo teria que escolher atividades locais em detrimento das externas. Levantei a sobrancelha, tentando contar nos dedos quantas vezes eu tinha sido pontual na vida. Sorri envergonhada ao contabilizar três.
Virei a folha rapidamente, procurando algo que pudesse me redimir, já que eu teria que trabalhar bastante a questão do despertador e arregalei os olhos ao ver que, além de disciplinar, o acampamento visava contribuir com a formação dos participantes, ou seja, ao longo do mês algumas aulas seriam encaixadas na rotina. Procurei avidamente por quais seriam elas e gargalhei ao ver "Linguagem corporal e Psicologia do sexo." Defini que nem precisava de aulas para tirar A+ nessa matéria.
Com um estalo, gargalhei ainda mais por pensar em dividir essa aula com , afinal, mesmo não sabendo como ele era, sabia que meu pai teria uns dez piripaques ao me imaginar tratando de assuntos sexuais com o filho do Governador. O escândalo que viria após isso seria engraçado de ver, presumi. Nesse momento, enquanto eu ria diante das possibilidades, saiu do banheiro usando um biquíni de crochê, algo que pelo visto seria tendência para o verão e eu lutei para recuperar o fôlego e parar de rir antes que ela achasse eu era transtornada.
— Temos o resto do dia livre, queres ir pra praia? Ouvi dizer que alguns garotos planejam montar uma fogueira — disse , me levando a cerrar os olhos, lembrando de todas as regras em negrito relacionadas à preservação do meio ambiente. Como se lesse meus pensamentos, ela balançou a cabeça em negativo.
— Eles conseguiram uma brecha nas regras e, de qualquer forma, acho que vai ser uma fogueira orgânica, sei lá.
Saltei da cama, sorrindo, feliz em dissipar qualquer medo de quebrar as regras, afinal, eu estava ansiosa por mergulhar nas águas cristalinas que eu tinha observado no caminho par cá. Em termos de paisagem, nada se comparava a beleza paradisíaca do arquipélago. Além disso, eu poderia ganhar de bônus uma exploração pelo território em busca do meu alvo misterioso e conseguir uma brecha para questionar sobre a existência de .
Peguei um biquíni de couro preto que realçava meus atributos e escolhi usar um short jeans para complementar. Aquela era a hora de todo tempo enfurnada na academia ser útil. me indicou um casaquinho de renda preta, para o caso de fazer algum frio quando a noite chegasse, balancei a cabeça em concordância.
Antes de sair do quarto, fiquei olhando para o celular num misto de esperança e desânimo. Até o momento, nem meus pais nem meu dito namorado haviam lembrado de me mandar mensagem, pro caso do meu helicóptero ter caído no mar e eu notificar que estou viva. Bufei, jogando o aparelho na cama, tentando evitar que minha mente criasse mil desculpas para o fato deles não terem buscado saber de mim.
— Deixe esse troço aí, mana! Nem tem Wi-Fi na praia pra tu andares pra lá e pra cá com isso. Bora! — disse enquanto observava meu dilema.
Sorri em resposta, balançando a cabeça como se pudesse afastar da mente todos aqueles questionamentos, antes de enganchar meu braço no de e sair do quarto, rumo a diversão do desconhecido. Ali eu decidi, foda-se os motivos que me levaram àquele lugar, eu iria aproveitar e torrar todos os milhões que meu pai gastara para realizar "A missão" como eu, carinhosamente, apelidei. No fundo, pouco me importava as tramoias políticas e por isso, tudo naquele acampamento seria sobre curtição, sol, mar, abraços e sorrisos.




A fogueira reunia vários jovens ao seu redor, liberando serpentinas de fogo em todas as direções. Algumas pessoas estavam perfeitamente centrados em manter as chamas crepitando, outras dançavam loucamente ao som do violão e a maioria, como eu, percorria a areia em busca de uma tribo para se associar. nos guiou até um grupo à beira do mar, já que eu tinha manifestado minha vontade de nadar e por um tempo, ficamos observando os garotos pularem de uma Rocha protuberante.
Era divertido apreciar o clima descontraído que se estabelecia na praia, simplesmente o sentimento de começo de férias, quando achamos que elas vão durar uma vida toda e guardam momentos que vão marcar nossa existência. A esperança de que o destino tenha planejado momentos incríveis a serem vividos no cenário marítimo que se estendia a nossa frente. Deixei minhas roupas com , caminhando pela areia fofa até chegar a rocha que era usada de trampolim e aceitar a mão de um menino para subir na pedra.
Permiti um suspiro surpreso escapar da boca assim que pude ver toda a paisagem lá de cima, era simplesmente de tirar o fôlego o quanto o sol parecia ser desenhado com perfeição, demonstrando o seu esplendor. Dali a algumas horas seria incrível estar no mesmo lugar vendo ele beijar o mar, como um voto de amor eterno, de amantes que se encontram nos momentos certos. Sorri, pensando no quanto seria engraçado abandonar os estudos, fazer meu pai arrancar todos os fios de cabelo e vir morar na praia. Engraçado e louco, já que metade dos meus amigos me internariam num sanatório só por pensar na ideia.
Mais engraçado e louco ainda era o sentimento de plenitude que se alojava em meu peito ao relaxar em cima da rocha, sabendo que não seria necessário muito além daquela vista para me fazer feliz. Para me fazer completa.
De repente, senti meu corpo ser jogado para fora da pedra e eu agarrarei o ar como tábua de salvação para não cair na água, como se ele fosse algo palpável o suficiente para me resgatar. Fechei os olhos, sabendo do inevitável choque, mas para minha surpresa, ao abri-los, estava parada no mesmo lugar de antes, enquanto um grupo de meninos ria de mim.
— A gatinha tava tão compenetrada que eu pensei em te tirar dessa vibe pensativa — disse um menino alto de cabelos claros, molhado e com um sorriso convencido.
Bufei, irritada por ter meu momento reflexivo interrompido por um moleque em corpo de homem. Fuzilei o menino, antes de empurra-lo para fora da rocha. Percebi a estratégia falha assim que tentei me desvencilhar, mas ele segurou meu corpo junto ao seu e caímos no límpido azul. Azul lindo de fora e gelado por dentro, fazendo com que eu sentisse um choque térmico até o dedinho do pé antes de emergir de novo. Passei as mãos no rosto, enquanto observava ele balançar a cabeça e espalhar pingos de água. Talvez, se homens não fossem tão bonitos molhados, eu matasse ele bem ali mesmo.
— Qual o seu problema, porra? — falei, irritada.
Ele começou a gargalhar, como se eu fosse a coisa mais engraçada do seu dia e tive que contar até 39 para não afogá-lo ali.
— Eu que deveria perguntar isso, não? Você me jogou no mar, gatinha. Não pude resistir em te puxar para meus braços também.
— Pare de me chamar de gatinha. Eu não sou sua gatinha! — esperneei, vendo os outros meninos rirem de nós lá de cima.
— Mas eu nem disse que você era minha, apesar de que não faço objeções caso queiras — disse ele, sorrindo preguiçosamente — Eu sou , aliás, e não precisa dizer, sei que o prazer é todo seu em me conhecer!
Joguei água nele, sorrindo daquele idiota. Certamente, apesar da irritação inicial, eu tinha me divertido com toda aquela confusão. Agradeci mentalmente, também, por ele não ser , afinal, dois segundos atrás eu estava tentada a matar o motivo que me trouxe ali.
— Sou , mais conhecida como A, não sua, gatinha — soltei, enquanto olhava de soslaio e nadava de volta à beira da praia, escutando a risada de nas minhas costas.
Caminhei até onde estava e ao me ver, ela colocou os óculos na ponta do nariz e olhou sorrindo, com aquele tipo de olhar que suas amigas te dizem que souberam que você estava aprontando, sorri diante do gesto.
— Deixo você dois minutos sozinha e já me aparece ariscando um gato? Meu Deus, garota, você é o poder.
Joguei areia na perna dela com o pé e revirei os olhos para o seu comentário. Eu, certamente, não tinha culpa de atrair meninos bobos. Acho que preguei chiclete na concha de Afrodite para merecer aquilo.
— Fala sério, ! Aquele menino se chama ... — comecei, antes de ser interrompida pela risada da outra.
— EU SEI QUEM ELE É! , é o garoto mais bonito desse acampamento, sua ridícula! Não acredito que tu fisgou ele em dois segundos — comentou, me fazendo desviar o olhar para o garoto que também nos encarava agora.
Sorri, afinal, não era para mim que ele estava lançando olhares furtivos.
— Aham, fisguei tanto que ele não para de te olhar, mocinha! Acho que shippo Paim ou seria ora? Amei das duas formas — dei de ombros, observando a tonalidade vermelha tomar as bochechas de num ato fofo.
Recebi uma risada tímida como resposta e soube que o assunto tinha morrido ali, e como não era do meu total interesse perder tempo falando de meninos enquanto eu poderia estar aproveitando aquela praia, permanecemos num silêncio confortável, passando o resto da tarde alternando entre mergulhar, tomar sol e socializar com nossos colegas de acampamento. me apresentou algumas meninas que ela tinha conhecido hoje de manhã e acabamos descobrindo que a fogueira tinha sido idealizada pelos mesmos meninos que riram de mim em cima da pedra. Algo bom eles fizeram, pelo menos.
, a mais nova do grupo ao qual fui apresentada, suspirava encantada por cada um dos que estavam na rocha, sabendo desde o nome deles até o tamanho da cueca se duvidasse. Ri, alheia da conversa, parando para refletir se de fora eu parecia tão supérflua assim. Só voltei a prestar atenção quando Talita noticiou que ao fim da noite, algumas pessoas se reuniriam na fogueira para fazer um mini show de violão e que no final, soltariam fogos para comemorar o início do nosso mês de férias.
Fogos, atividade pirotécnica, barulhenta, fumacenta e ao mesmo tempo, tão linda que eu não poderia evitar a mesma empolgação. Por isso, esperei calmamente todas as músicas cantadas ao som de barzinho, até mesmo embalei algumas com a voz rouca de prazer, afinal quem resiste em cantar "Bumbum Granada" com Lá maior? Risos. Sentindo um relaxamento ocupar todo meu corpo, sabendo que por hoje, eu estava feliz com tudo aquilo. Mesmo que no fundo, não fosse de minha vontade estar ali.
Mas, foi quando o primeiro fogo de artificio iluminou o céu e me abraçou, gritando que aquele mês seria incrível que eu me permiti acreditar naquilo, que poderia ser realmente bom ter chegado àquele acampamento. Retribui o carinho, feliz por ter encontrado uma amiga ali. Acompanhei com olhos vidrados cada pedacinho de luz que explodia, até que um fragmento desceu e mostrou uma área da praia totalmente apagada. Achei ter visto alguém jogado na areia, mas afastei o pensamento porque claramente, minha miopia estava me distraindo dos fogos.
Quando os últimos clarões estouravam no ar, desisti de ir contra a curiosidade e caminhei até o corpo estendido no chão. Rezei todos os "pai nosso" para não ser uma cilada, já que eu nem sequer lembrava de uma das mil aulas de autodefesa. Corri até a pessoa quando confirmei que era alguém desacordado. Me ajoelhei na areia úmida e percebi uma garrafa de whisky pela metade na mão dele, ótimo, perdi meus fogos para ajudar um bêbado na praia. Toquei no seu rosto, acariciando a pele no intuito de despertá-lo e isso aconteceu, assim que eu percebi seus olhos abrirem num desnorteio gracioso.
Percorri seu semblante confuso, desde os lábios que se enrugavam em resposta à provável dor de cabeça que estava sentindo, até o franzir de testa de quem se pergunta quem diabos é aquela pessoa na sua frente. Perdi um pouco mais de tempo tentando analisar os olhos que me encaravam desconfiados, enquanto eu mergulhava na íris escura tal como uma noite sem estrelas. Para um completo estranho, até que tinha olhos bem bonitos, aos quais fiquei muito tempo encarando porque notei através de um pigarro que o estranho tinha falado comigo. — Desculpa, você disse algo? — murmurei confusa.
— Por que ta me olhando assim? — resmungou o garoto deitado, fazendo uma careta na minha direção. Bufei, não acreditando que perdi o fim do espetáculo pra salvar a vida de um babaca enquanto mil melhores estão em perigo. Claro, meu sentido de heroísmo apitava em todas as horas erradas.
— Desculpa se não terminei o serviço te jogando no mar, era melhor ter morrido afogado, não? — devolvi, erguendo a sobrancelha em desafio. Sempre fui famosa pelas respostas na lata, quando era menor me diziam que eu seria do tipo que não leva desaforo pra casa, acho que fiz disso meu lema.
Levantei batendo a areia que grudou em minha roupa, observando pelo canto o estranho se erguer em seguida com passos desastrados. Ele tocou meu braço e eu encontrei seus lindos olhos novamente. Puta que pariu, por que eu precisava dessa fixação com olhos?
— Uau, para uma menina que fez a bondade de vir me salvar a vida você é bem azeda.
Sorri com desdém, continuando a caminhar na direção em que vim até sentir o calor humano transparecer no frio vento do mar.
— Ok, se não vai falar, azedinha, pode pelo menos me deixar adoçar sua vida então.
Encarei-o mais uma vez perplexa, vendo ele sorrir meio torto e parecendo não ter a mínima ideia com quem estava lidando. Revirei os olhos diante da constatação, era óbvio que ele não sabia, ! Ele estava bêbado e provavelmente nem lembraria disso pela manhã, a não ser pelos pequenos flashs entre cada dor de cabeça.
— Você é estranho! Por favor, não faça me arrepender de ter vindo ao teu socorro — resmunguei.
Ele levantou as mãos em rendição e segui em frente, esperando que ele me acompanhasse, mas para minha surpresa aquele traste obedeceu meu comando. Olhei para trás, recebendo um aceno desdenhoso de despedida, me fazendo praguejar por ter olhado naquela direção de novo. Furiosa, caminhei a passos largos até estar distante o suficiente para deixar os pensamentos flutuarem.
Encontrei deitada no quarto, me encarando com perguntas no olhar e querendo saber por que eu sumi. Desconversei, afinal, eu estava tão irritada com aquele garoto que a única coisa que consegui fazer foi ligar o chuveiro no máximo e esperar que a água escaldasse a minha pele, quase como tentasse tirar muito mais do que a areia que ficou grudada em mim.
Comecei a analisar meu fim de noite e conclui que, calado, o garoto era bem bonito. Na verdade, bonito seria apelido. Acho que nunca na vida eu tinha encontrado olhos tão expressivos, tão incríveis. O que me levava a questionar o por quê de ter ficado tão fascinada pelas íris do desconhecido, talvez fosse mais um daqueles momentos em que minha mente vaga em mil possibilidades diante do inesperado.
Senti meus ânimos se acalmarem e voltei para o quarto enrolada no meu robe, aquele dia tinha sido surpreendente em muitos termos. Afinal, se o primeiro dia terminara assim, o que mais poderia esperar dos demais?


Grite meu nome.

Dizem que demoramos sete minutos para dormir e que nos primeiros seis minutos e cinquenta e nove segundos, nossa cabeça reproduz todos e cada um dos momentos vividos no dia. No último segundo, no único que falta, aparece a pessoa que tenha te feito feliz naquele dia. E quando termina, o que mais gostamos, é transmitido como um filme, um filme chamado sonhos.
Quando meus sete minutos chegaram, minha mente reproduziu o show de fogos de artificio, a diversão ao redor da fogueira e até mesmo meus novos amigos, mas, o meu segundo final foi preenchido pelos olhos do desconhecido, pelo seu sorriso convencido e pela voz irritante que me chamara de azeda. Um pesadelo, resumindo, fantasiado de bom samaritano para invadir meu subconsciente, jogando baixo o suficiente para contaminar cada fio de pensamento que habitava minha cabeça.
Acordei suada e ofegante, desejando esquecer o encontro da noite anterior se isso fizesse passar a impressão de vazio que se alastrou em meu peito. De repente, eu me sentia como um quebra-cabeça que não tem peças suficientes para ser completado, como se de ontem para hoje, eu tivesse mudado algumas formas e não fosse mais a mesma que cabia nos moldes antigos. Caminhei até a varanda e aproveitei a brisa marítima para refrescar as gotas de suor grudadas em minha testa. Ao longe os primeiros raios de luz surgiam, invadindo o azul escuro da madrugada, e eu me permiti apreciar a oitava maravilha do mundo nos meus conceitos.
Aquilo foi o suficiente para me acalmar, mas não para tirar as lembranças do sonho da minha mente. Balancei a cabeça, como se os fragmentos oníricos pudessem saltar para fora devido a perturbação, entretanto, eles permaneceram martelando a fisionomia do estranho por cada canto dos meus pensamentos, trazendo certo mistério ao rosto que eu só tinha apreciado em luz e sombra. Voltei para dentro do quarto, decidida a não dar seguimento a tendência romântica incurável que habitava meu corpo, focando no fato de que em alguns minutos acordaria e se iniciaria o segundo no Hildens.
Aparentemente, minhas tarefas diárias seriam uma lição sobre equitação, um passeio até a cachoeira Mikono e uma aula sobre sobrevivência. Franzi o cenho para a última atividade, já que, eu tiraria facilmente F nessa matéria.
Me apressei em procurar o traje de montaria disponibilizado pelo acampamento e quando o achei, analisei sua confecção. Era algo bem simples, botas marrons de cano alto, calça e camisa apropriadas e equipamentos de proteção, tudo nos tons característicos do Hildens. Ao me vestir, não resisti em tirar uma selfie e mandá-la para o grupo da família, sinalizando que se eu quebrasse algum osso em cima do cavalo, aquilo seria culpa deles em me mandarem para aquele lugar.
Obviamente, minha mãe me respondeu com um "ok, isso seria impossível, já que você subia em cavalos antes mesmo de aprender a andar", enquanto meu pai fazia a façanha de visualizar e não responder. Balancei a cabeça, me odiando por ter eleito a Mulher Maravilha como heroína da infância e ter me empenhado em ser uma pequena Amazona durante meus primeiros anos de vida. Aquilo tinha sido antes do meu pai vender sua alma para a política e eu ter que me adaptar a vida cosmopolita.
— Aposto que se você continuar com essa cara de dominadora e com esse chicote na mão, todos os meninos vão querer que monte neles, ! — assinalou , enquanto saia do banho com uma espécie de roupa a prova de tinta de tecido. Cai na gargalhada.
— E provavelmente, eles não achariam nem um pouco ruim servir de modelo vivo para um nu artístico pintado por você, engraçadinha — respondi, enquanto guardava o chicote de montaria no bolso da calça.
— Sabe que eu não acharia tão mau? Por exemplo, eu ia amar conhecer cada curva daquele loiro que te jogou no mar ontem — disse , piscando inocentemente pra mim — Aliás, acho bom tu não te engraçares pra ele senão tu vais acordar careca amanhã!
Gargalhei ainda mais pensando em e juntos, eu ficaria mais do que feliz em ver ela neutralizando a babaquice que ele dissemina por aí.
— Acho melhor eu retirar meu time de campo, ein? Nenhum homem vale meus cabelos! — falei, tocando o capacete de forma dramática.
Alcancei a porta antes que o travesseiro que lançou me atingisse. Eu tinha exatamente meia hora para chegar no estábulo e suspirei aliviada, sabendo que pelo menos na primeira aula, eu não chegaria atrasada.




Meu corpo doía pela rotina corrida do dia. Montei um puro sangue lindo, chamado Esteban e corri com ele por todo o acampado em volta dos estábulos. Era libertador ver a vida em cima de um cavalo novamente. O passeio à cachoeira se mostrou, na verdade, uma trilha cheia de subidas íngremes e descidas piores ainda para chegar em uma pequena bica que eu jamais cha de cachoeira; e por fim, a aula de sobrevivência me ensinou como descobrir a direção do Norte usando meus cabelos como direcionador de vento, muito útil realmente.
me convenceu a jantar no restaurante perto do píer e eu fiquei agradecida ao me deparar com a visão iluminada dos vários barcos ancorados. O refeitório tinha o mesmo estilo praia-sofisticado do resto do acampamento, com os lustres de conchas que me deixavam encantada pelo ambiente. O melhor de tudo era que podíamos aproveitar o local com os pés na areia, aproveitando o barulho do mar e a brisa salgada.
Encontramos uma mesa e eu ri quando seguiu com o olhar, discrição não era a tática daquela menina. Ao que tudo indicava, meus pensamentos seguiam o mesmo caminho, pois, de forma descarada, voltavam as lembranças da noite anterior, me fazendo pensar no garoto que eu nem sabia o nome. O mais assustador disso era que em cada hora vaga do dia, meu pensamento corria para lembrar dos fragmentos que se prendiam em mim como o bronzeado na pele e não me deixavam esquecer daqueles olhos cor de meia-noite.
Pior ainda era pensar que, devido à essa confusão de ideias, eu não lembrei nem um segundo de e muito menos sofri por estar distante dele. Talvez, aquelas férias tivessem vindo em bom momento para rachar de vez aquela relação que já estava se segurando em poucos pedaços.
Escutei Talita e Helena cochicharem sobre um amigo do que elas achavam gato, quase o estopim da beleza masculina e por isso me aproximei com curiosidade, tentando escutar mais, afinal, quem era esse Deus grego que eu não tinha visto por ali? Porém o assunto mudou para o que elas fizeram durante o dia, enterrando meu interesse o mais longe possível. Dei de ombros e direcionei meu sorriso para a mesa de centro cheia de comida, recheando meu prato com coisas gordurosas, já que férias não eram para se preocupar com o culote.
Antes de voltar à mesa, avistei um banquinho perto do cais, decidindo andar até lá e apreciar mais um pouco o contato natural que o Hildens promovia. No caminho, fui pega de súbito pela sensação de paz. Com o vento beijando meus cabelos e a lua iluminando minha pele, sentei para desfrutar da paisagem, sorrindo para a visão das ondas quebrando suaves na madeira do pier, como se tivessem acariciando a estrutura.
O momento de paz e reflexão durou tempo suficiente para três músicas embaladas por , que agora se debruçava ao violão, lançando um olhar 43 para , como se cada dedilhada nas cordas fosse ele tocando nela. Suspirei, quase embriagada com o clima de romance que se instaurara.
Continuei admirando o horizonte quando as risadas aumentaram e eu senti uma fisgada nas costas, como se algo me reivindicasse a olhar para trás. Girei minha cabeça ligeiramente para o lado, tendo a certeza de que o vento me transfor na rainha do fuá.
Helena e apareceram no meu campo de visão, empoleiradas no ombro de um cara e ele, por sua vez, se encostou no bar de forma relaxada, como se tivesse adorando a atenção daquelas duas débeis. Espremi os olhos para identificar quem era, sobrepondo a minha miopia que dificultava o trabalho. Encarei, pálida, um sorriso de reconhecimento.
O garoto apoiado de forma relaxada deu as costas para as meninas, que me contemplaram com um semblante de 'quem não entendeu nada', e caminhou, com um sorriso de dois milhões de dólares, em minha direção, me dando tempo e oportunidade para apreciar tudo o que a luz ambiente da noite anterior tinha me privado de analisar. O porte alto e atlético era marcante, junto com o maço de cabelos negros desgrenhados que combinava exatamente com o sorriso convencido que ele me lançava agora. Parecia que ele tinha acabado de sair de um sexo selvagem e eu não poderia estar mais ciente do desconforto que se fazia presente entre as minhas pernas. Maldito seja.
Olhei para os céus com olhos acusatórios, tendo a certeza de que aquilo só poderia ser brincadeira. Então, o suposto amigo gato do era o traste que eu salvei de um afogamento bêbado ontem? Deus, isso é judiação.
— Minhas preces acabam de se realizar — disse o estranho, sentando ao meu lado como se eu tivesse dado intimidade.
— Ó, sério? Acho que as minhas foram amaldiçoadas ontem — resmunguei enquanto procurava alguma parte do meu corpo que não estivesse em contato com o dele agora. Pare de bater acelerado, coração!
— Jura? Eu achei que estivesse mais para um presente, uma benção! Que ilusão a minha. Uma garota como você não pede namorados para as sete ondas, né? — continuou —Mas de qualquer forma, agora tenho a chance de te agradecer por ontem.
Dizendo isso, ele encostou a mão na minha nuca, me puxando mais perto. Primeiro, fiquei confusa com a aproximação, afinal, desde quando tínhamos o nível de relacionamento necessário para estar assim? Tão perto, perto demais. Depois, fiquei extasiada pelo toque, algo como o deslizar de dedos pelo meu pescoço, uma sensação tátil que gerava corrente elétrica eriçando todos os meus pelos. Por isso, foi quase impossível manter os olhos abertos, encarando-o como um membro da Santa inquisição faria em busca de respostas, mas, a única que obtive foi um sorriso esperto, antes dele queimar com habilidade a distância que se estabelecia entre nós.
A desordem se instaurou assim que os lábios macios pousaram nos meus, me fazendo provar seu gosto, uma mistura de menta com sal marinho. O salgado que me fazia querer perguntar se ele tinha passado o dia na praia, ou talvez mais, me fazia querer ter passado o dia com ele na praia. Despertei dos devaneios tolos assim que ele brincou com minha boca, dando leves mordidas e passando a língua no local injuriado como se pudesse curar qualquer desastre que tivesse estado ali. Corri as mãos pelos seus braços, até chegar ao pescoço, num impeto de puxá-lo mais para perto, quase como se fôssemos nos fundir naquele momento, percebendo, tarde demais, que eu estava retribuindo o beijo do desconhecido.
Pareceu uma eternidade até eu recobrar o poder sobre mim mesma e empurra-lo para longe. Uma ação não muito efetiva, já que sua força imponente exalava ao meu redor, comprovada no momento em que ele não saiu do lugar com minha iniciativa. Ao invés disso, ele sorriu por entre o beijo, deslizando a boca na minha e dando, por fim, vários beijos em mim, antes de me soltar, como se quisesse deixar uma marca em cada canto do meu corpo. O QUE DIABOS ESTAVA ACONTECENDO ALI?
— Eu deveria ter te jogado no mar, mas acho que Iemanjá ia te mandar de volta, caramba! — falei ofegante, tomando ar antes de me arrastar correndo até o píer.
Péssima escolha, decidi, ao vê-lo correr obstinado atrás de mim. O.K. Se ele quer seria Tom&Jerry, tudo bem. Não iria me prestar a isso nem que estivesse correndo como Satanás corre da Cruz. Então, sentei delicadamente onde meus pés conseguiam tocar o quebra ondas, molhando meus tornozelos e me acalmando quase instantaneamente. Era disso que eu precisava, paz de espírito, nada de beijos ardentes.
— Você poderia ter me poupado correr igual o Bolt se dissesse que queria sentar no píer, eu teria segurado sua mão e te dado mil beijos no caminho.
Olhei para ele, pensando se matava-o agora ou planejava como esconder o corpo antes. Das duas, uma: eu ia esganá-lo se continuasse sorrindo convencido como se não soubesse de todos os efeitos que aquele mostruário de dentes causava. Ridículo. Pior ainda era eu, , estar cedendo àqueles caprichos.
—Você, por algum acaso, já pensou que o mundo não gira em torno de você? Que eu, talvez, não queira te beijar de novo? Que, porra, eu nem sei seu nome? — Encarei seu sorriso com desdém, por que ele continua sorrindo desse jeito? Alguém me ajuda aqui? Meu coração é frágil.
O traste parou em pé a uma curta distância de mim e então, eu achei que tivesse vencido com meus argumentos pertinentes, só que dois segundos depois, ele estava sentando ao meu lado, como se tivesse refletido que minha companhia valia a pena. Assim, ele entrelaçou seus dedos nos meus, levando-os até a boca e depositando um beijo suave na minha mão, com um pedido de desculpas acalentando o olhar. Oh, depois de um beijo aterrador ele gostaria de me pedir desculpas? Puxei-a de volta como se estivesse em brasa, fazendo uma lista mental dos pecados que cometi para merecer isso.
Ficamos em silêncio enquanto ele me encarava com um olhar intenso, não mais como se quisesse perdão pelo beijo apressado, mas sim como se quisesse desvendar cada camada do meu eu, desnudando as facetas daquela a sua frente. Me peguei pensando que talvez pudéssemos ficar assim o dia inteiro, sendo banhados pela luz da lua, escutando as ondas do mar e se encarando com uma tensão sexual palpável entre nós. Era quase um roteiro de filme tudo o que continha naquele olhar.
— Você é tão linda. —Ele disse, quebrando o silêncio cômodo, enquanto passava os dedos pelos meus ombros expostos — Sua pele parece ser a imitação perfeita do sol, ela tem um brilho tão cativante que eu poderia passar meus dias te acariciando. Na verdade, poderia apostar que você inspira a perfeição — Observei o desejo dos seus dedos subir para os olhos, como se ele estivesse prestes a escrever poemas sobre meu corpo, contemplando uma musa inspiradora.
— Você realmente acha que eu vou cair nessa de três elogios? Francamente, achei que eu parecesse mais difícil do que isso! — disse levemente irritada por não ter percebido aonde aqueles elogios iriam levar.
Alto, moreno, bonito. Claro que ele não iria perder tempo em se lançar a um amor de verão.
— Você não gosta de elogios? Então eu deveria realmente te chamar de azedinha, né? — ele disse enquanto sorria com o canto da boca.
Alguém tira o sorriso desse menino, pelo amor de Jah! É quase pecado fazer alguém tão bonito assim.
Tentei responder, mas antes que pudesse, ele acariciou meu rosto, passando o polegar pelos meus lábios, deixando minha frase inacabada presa na garganta na medida que meu corpo respondia ao seu toque, ao sorriso sincero que ele me lançava. Acompanhei seu olhar ir dos meus olhos para a minha boca e ficar lá por mais tempo do que eu poderia contar. Fechei os olhos, desejando ter vontade o suficiente para impedir que ele me beijasse, para dizer que ele não poderia me dar um apelido péssimo e depois querer que eu caia de amores por ele. Mas, quando seus lábios resvalaram nos meus e sua língua pediu permissão para deixa-lo entrar, eu não resisti.
O segundo beijo foi pacifico, sem a urgência do primeiro, mas com igual intensidade. Parecia que meu coração ia pedir licença e sair pela boca, enquanto minha calcinha abrigava o mar de Noronha de tanto que estava molhada. Aquilo era a morte, com certeza.
— Sabe, azedinha, o único nome que precisamos entre nós é o meu, pra você gritar quando eu te fizer gemer — disse ele, se afastando e retomando o caminho por onde tínhamos vindo, como se nada tivesse acontecido, deixando que o vento frio apagasse o calor de seus braços.
Fiquei encarando sua costa de ombros largos e quase contei todos os músculos que se destacavam na camisa. Eu poderia fuzilá-lo com o meu olhar. Que porra de menino era aquele? Eu estava tão puta, não, melhor, eu estava tão inconformada que se tivesse facas, com certeza aquele traste estaria morto bem ali mesmo.
— MAS VOCÊ NÃO ME DISSE SEU NOME, PORRA! — gritei, exasperada.


Conhecimento sensorial.

No terceiro dia, eu estava sentada esperando o início da aula de Linguagem corporal e Psicologia do sexo quando o meu pesadelo das horas vagas entrou na sala, andando como se fosse o dono do mundo. Ele encarou a cadeira livre ao meu lado e eu me xinguei pelo fato de não ter escolhido um lugar sem assentos livres.
Enquanto ele caminhava em minha direção, me dei conta de que ainda não sabia o seu nome e aquilo me deixava aflita, afinal como eu faria um voodoo nos momentos de raiva?
— Você 'tá me perseguindo ou algo parecido? — eu disse, tentando adotar a melhor postura séria, porém me grudando na cadeira para não ficar inclina a me aconchegar naquele corpo viril.
Certamente, a noite anterior tinha cobrado seu preço, já que passei a madrugada me revirando na cama, sem conseguir afastar a sensação dos lábios dele nos meus. Tirando, é claro, os momentos carregados de consciência pesada onde eu tentava entender o que me levou a beijar desconhecidos por aí.
— Eu já consegui o que queria de você: dois bons beijos. Agora eu que acho que você está correndo incessantemente atrás de mais alguns — respondeu ele, me lançando um sorriso maroto.
Semicerrei os olhos, avaliando o semblante descontraído que ele demonstrava. Beijos eram só o que ele queria? Continuei encarando-o com desconfiança, mas, ao senti-lo do meu lado, compartilhando o espaço entre as cadeiras, forcei-me a desviar o foco para o material da aula. Se as estrelas ajudassem, aquela tortura teria terminado antes de um piscar de olhos e eu poderia voltar a me concentrar na missão sofrida de achar o filho do governador.
Observei a professora Louise entrar e cumprimentar a todos, pedindo que formássemos duplas com a pessoa ao nosso lado e eu prontamente sorri para a garota que estava do lodo oposto do desconhecido. Uma pena que ela já estava sorrindo para o menino ao lado dela e eu quis morrer por ter que fazer do traste a minha dupla.
— Isso tudo por culpa sua que escolheu esse lugar para sentar.
Observei seu sorriso divertido tomar o rosto, despertando oceanos nada pacíficos em meu interior e por isso, decidi que nada seria mais correto do que reivindicar uma troca de lugares, afinal, minha cabeça estaria longe de ceder atenção para algo diferente dos lábios rosados e tentadores que sorriam para mim. Infelizmente, meu protesto foi sufocado no momento em que professora Louise começou a explicar a dinâmica, me fazendo afundar, resignada, na cadeira.
— Um dos maiores mistérios da humanidade é a origem da paixão, o despertar do amor. Existem mil e uma teorias que tentam explicar cientificamente tais fenômenos: feromônios, genética, compensação emocional. Mas, todas essas desconsideram a Energia emanada por cada indivíduo — disse Professora Louise, enquanto passeava pela sala — Eu acredito que a Energia que disseminamos ao mundo volta para nós como consequência. Fale mal e difamarão você; faça boas obras e bons frutos colherá. Mas, apesar dos resultados futuros, a aula de hoje se encaixa no tema Energia Imediata; vocês sentaram ao lado dessas pessoas porque algo lhes compeliu a esse lugar. De alguma forma, a Energia que vocês estão enviando combina com a do seu parceiro ou talvez, seja o que falta nele. Por isso, seus colegas de turma serão suas duplas durante esse mês.
Enquanto ela continuava a falar sobre Medicina chinesa e diversas pesquisas sobre a origem dos sentimentos, eu me vi encolhendo na cadeira e refletindo sobre a péssima energia que eu estava enviando para o mundo, já que eu tinha recebido um traste de presente.
— Teremos o verão inteiro para mostrar aos senhores um pouco do mundo da Linguagem Corporal e Psicologia do sexo, e como passo inicial, vamos realizar uma dinâmica bem simples de conhecimento sensorial — terminou ela, antes de pedir que ficássemos de frente para a nossa dupla e apenas nos olhássemos nos olhos, sem falar nada.
Suspirei, virando de lado quase com sofreguidão, para encontrar a imensidão negra me encarando. Naquele momento, seu sorriso tinha sumido e seus olhos ganhavam um brilho de espectador, como se pudessem estudar e apreciar cada canto do meu rosto, explorando minhas reações. Desejei fechar os meus diante da constatação, eu não precisava ser desvendada, não precisava de alguém inclinado a conhecer minhas facetas. Porém, contradizendo meu lado racional, eu permaneci naquela troca de olhares, sendo arrastada para uma bolha onde só existia nós dois.
Só nós dois, só os dois, só à dois.
Enquanto o mundo se fechava ao nosso redor, conclui que se pudesse escolher o que mais gostava naquele menino eu ficaria entre o sorriso e os olhos, mas se me pedissem para optar por um dos dois. Meu Senhor do Céu, os olhos ganhariam em disparada. O traste poderia mentir para mim facilmente, mas assim que eu encontrasse sua íris negra com pontos cinzentos de uma meia-noite com estrelas, eu saberia a verdade. Elas eram como bolas de cristais do mundo inteiro dele.
Expressivos, lindos.
Devolvi seu olhar e aos poucos fui me dando conta da intimidade que aquilo trazia. Poucas pessoas eram capazes de ficar tanto tempo se encarando sem se encolher diante da proximidade. Acho que ele se deu conta da mesma coisa, porque agora seus olhos me encaravam com enorme intensidade, como se pudessem me invadir e descobrir cada linha de pensamento na minha cabeça.
— Agora, eu gostaria que vocês tocassem as mãos um do outro, com movimentos em espelho, ou seja, fazendo a mesma coisa que a sua dupla de forma sincronizada.
Soltei o ar, que eu nem percebi que estava prendendo, quando o traste pegou a minha mão. Ele começou a fazer movimentos em círculos na minha palma e eu repeti o mesmo na dele, avaliando o quanto aquilo parecia erótico. Eu já estava molhada e ele ainda estava no patamar das mãos, pelo amor de Jah!
Subimos para os pulsos, ao comando da Prof. Louise, e eu quase desfaleci quando chegamos aos ombros. Ali, ele fez pressões alternadas no meu trapézio e eu arrastei a unha do topo do seu pescoço até o fim dos ombros. Observei ele fechar os olhos e suspirar com força. Quase sorri, pensando que talvez não fosse só eu que quisesse uns beijos.
Quando chegamos ao rosto, a suavidade dele me pegou desprevenida. Ele acariciou minhas bochechas, contornou meus olhos e tocou meus lábios. Quando repeti os movimentos nele, o traste aproveitou para mordiscar a ponta do meu dedo que estava em seus lábios. Quando meus olhos se encheram de desejo, ele sorriu provocativo, sabendo do efeito que causava em mim. Orgasmo.
— Professora? Rosto corado, olhos semicerrados e boca ligeiramente aberta são sinais de que ela está afim de mim? — perguntou o traste, antes que eu pudesse interpretar o que todas aquelas palavras significavam. Idiota!
— Sr. , esses são indicativos do prazer, mas a interpretação deles depende do contexto na qual estão inseridos — respondeu Professora Louise, mantendo sua concentração numa dupla que estava quase se matando durante a dinâmica e pouco ligando para a pergunta dele.
Como ela disse que era o nome dele mesmo? Aí. Meu. Deus. Eu ouvi ? De repente eu comecei a calcular as probabilidades de ter várias pessoas com o mesmo sobrenome no acampamento e defini que eram relativamente médias. Olhei para o teto e mentalizei que aquele ali não poderia ser , porque senão, além de eu estar fazendo o que meu pai planejara, eu estaria fadada a um verão inteiro querendo matar , divergindo entre executá-lo com beijos ou tapas.
— Então, suponho que você só esteja assim por causa da massagem nos ombros, né? — sussurrou ele, soltando uma risadinha convencida.
— Por sua causa que não é, traste!
— Oh! Você me deu um apelido também! Já somos um casal se chamando por nomes carinhosos. Minha mãe com certeza ia adorar saber que você chama o bebê dela de traste — respondeu ele, enquanto coçava o queixo, pensativo — De certo, é melhor do que o meu antigo apelido de Tripé — soltou ele, rindo.
— Meu Jesus Cristinho, você é o meu pior pesadelo. Melhor nem dizer seu nome mesmo, corre menos risco de eu te colocar no congelador! — argumentei, na minha melhor tentativa de jogar verde para colher maduro.
— Já que você insiste — ele sussurrou, colocando uma mexa do meu cabelo atrás da orelha e se aproximando para dizer — . .
Sabe aquele barulhinho de máquina cardíaca parando? Era exatamente esse que eu escutava agora, tendo a certeza de que minha alma saiu do corpo e voltou. Alguém me belisca? Aquilo só podia ser um sonho ruim. Muito ruim. Demorei uns bons segundos pra perceber que ele esperava que eu dissesse meu nome também. Poderia eu falar "Jureminha" e sair correndo? Pintar meu cabelo de azul e esperar nunca mais ser reconhecida?
, mais conhecida como A, não minha, Gatinha — respondeu a voz de atrás de mim.
Lancei-lhe um olhar matador quando ouvi nossa piada interna sendo divulgada por aí. Além de me dar um susto com a entrada inesperada, ainda chegara atrasado, já que poderia ter facilmente ter sido minha dupla e evitado tudo aquilo.
— Claro que ela não é sua, ela é minha — respondeu , dando de ombros enquanto sorria para de forma inocente.
— Eu não mereço, não mereço! Preguei chiclete na Cruz — resmunguei, me levantando para sair da sala.
— Ei Stellinha, se eu brigasse com o você torceria por mim, né? — gritou me vendo sair da sala.
— Eu tenho namorado, seus babacas! — Gritei de volta, correndo mais do que Fraser-Pryce na direção da medalha olímpica. Ali, eu quase desejei ser uma mosquitinha para ver a expressão de ao ouvir essa revelação.


Mar calmo nunca fez bom marinheiro.

Alcancei quando ela voltava da aula de Artes cênicas e consegui, bravamente, me segurar por 5 minutos antes de contar tudo o que tinha acontecido. Ela escutou atentamente, alternando entre chorar de rir e arregalar os olhos (principalmente quando citei o nome de ).
— Eu achava que minhas aulas eram animadas, mas nada que se compare as suas, pelo visto! – comentou, enquanto espalmava a mão no peito para se acalmar diante de um ataque de risos.
Aparentemente, achava hilário a confusão plantada em minha vida. Eu, por outro lado, só conseguia citar mil motivos que efetivavam o quanto azarada era a situação. Primeiro, eu tinha de ser ferramenta das artimanhas políticas do meu pai; atuando como ponte entre ele e o governador, sendo necessário me tornar amiga do filho do último. Segundo, que isso seria extremamente fácil se você não levasse em consideração que menino era um gato e que eu me sentia perigosamente atraída por ele.
Talvez olhando de fora, você argumente: “mas, namorar o filho do governador seria muito melhor, para criar laços, do que manter uma simples amizade! ” De fato, seria. Isso se eu quisesse contribuir para os planos políticos e reafirmar que além de desprovida de amor, eu era apenas um fantoche nas mãos dos meus pais. E não, eu não era.
Ficar com significava dar ao Sr. o que ele mais queria e, mesmo que eu tivesse de estraçalhar meu coração, isso não aconteceria. Pela primeira vez, em muito tempo, eu tinha a verdadeira chance de mostrar ao meu pai que ele não poderia mandar nas nossas vidas como se fossemos apenas peças do seu infinito jogo de xadrez. Balancei a cabeça, tentando afastar o gosto amargo que a ideia me trouxera.
— Se você quiser, pode ficar com as minhas aulas, tranquilamente. Estou realmente tentando evitar grandes emoções – respondi para , que por sua vez, já tinha controlado os risos e me acompanhava até o refeitório.
— Acho que isso será bem difícil, levando em conta que a menos de 100m de ti, está o teu gato bronzeado e perigoso. – sussurrou , lançando-me uma piscadela sagaz.
Revirei os olhos, tentando não olhar na direção que ela apontava. Gato bronzeado e perigoso? MEU? Minha amiga se juntou com a Vida na missão de me zoar, só pode!
— Já que você informou, agora vamos seguir a passos largos na direção oposta dele. Sim? Por favor? – direcionei à a minha melhor imitação de gatinho do Shrek.
— Tu estás com medo da reação dele sobre teres um namorado? Eu apostaria que ele não é do tipo que desiste no primeiro obstáculo – argumentou , parecendo pensativa – Fato que está sendo comprovado agora, já que ele tá vindo pra cá!
Quase quebrei meu pescoço de tão rápido que olhei pra trás, só para ver e andando em nossa direção. sorria abertamente, encarando com um brilho tenro no olhar. , por sua vez, olhava para um ponto acima da minha cabeça, como se não existisse nada digno da sua atenção em outro lugar. Encolhi os ombros, ele parecia puto da vida e eu, inocentemente, esperava não ser o motivo de sua raiva.
Quando passou por mim, seus olhos me congelaram com indiferença. Eu teria acreditado nela se uma corrente elétrica de prazer não tivesse percorrido meu corpo quando nossos ombros se tocaram. Continuei acompanhando-o com o olhar, enquanto ele seguia o caminho sem fazer questão de virar para trás e me agraciar com um dos seus sorrisos.
Ok. Culpada, eu admito.
Talvez se tivesse me dado alguma chance de conversar, eu teria falado sobre de uma forma mais amena e não jogado sobre ele uma bomba sem me preocupar com reféns. De qualquer forma, o estrago estava feito então eu não deveria me preocupar com uma possível amizade, certo? Tentei aceitar que aquele era o caminho certo a ser percorrido.
— Uau!!! O que foi isso? – disse , me cutucando.
— Isso você quer dizer o te secando o caminho inteiro? – respondi, arqueando as sobrancelhas de forma esperta.
— Ok, engraçadinha! Tu podes tentar fugir do assunto, mas não vais conseguir, tá?
Dei de ombros, tudo o que eu menos precisava era perder tempo avaliando o comportamento de , aliás, ele já tinha deixado claro que só queria uns bons beijos, não? Então, conseguira tudo o que poderia de mim!
Tomei a direção oposta, decidindo pedir serviço de quarto, antes que más companhias me causassem indigestão.




Pelo período da tarde, eu teria aula de Wakeboard e isso me deixava animada. A melhor parte desse acampamento era poder fazer todos os esportes que minha mãe considerava ariscados demais para me deixar praticar. Fora o hipismo, o mais próximo de aventureiro que eu cheguei foi balé e natação, isso porque a sociedade coloca-os como convenção a ser praticada.
Vesti um biquíni simples de cortininha e coloquei o macacão aquático por cima deixando-o semi aberto, já que todas aquelas amarrações de segurança davam um nó na minha cabeça. De certo, no píer eu encontraria alguém que me ajudasse com aquilo.
Antes de sair, me encarei no espelho e sorri ao ver meu reflexo bronzeado. A cor amarela de menina de apartamento já dava lugar a um tom moreno rosa que me fazia sentir exuberante. Sol, eu te amo!
Ao chegar no píer, observei um aglomerado de pessoas se dirigindo a um iate ancorado. Segui o grupo e adentrei o barco do Hildens, observando o seu luxuoso interior. Com quatro andares, aquilo ali com certeza não passava despercebido.
Fui informada que o iate nos levaria a um passeio pela Baía do Sancho, onde poderíamos aproveitar os atrativos do barco e posteriormente, iríamos a Baía dos Porcos para termos nossa lição de Wakeboard. Balancei a cabeça em positivo e segui para o Convés, aproveitando o momento para admirar a paisagem de Fernando de Noronha.
Na ponta do barco era possível apreciar a imensidão do mar, dando a impressão de que ele não tinha fim e me fazendo desejar estar mergulhada naquele azul. Dali, era difícil até definir o tom, se você enchesse a mão, a água se tornava translúcida; se olhasse mais de perto, era de um azul tão precioso quanto turquesa e ao encarar o horizonte, ele dava a ilusão de um turbilhão royal. Tantos tons de felicidade.
Espreguicei-me no estofado branco e aproveitei o momento para descansar. Fechei os olhos por um minutinho e quase bufei de raiva ao escutar risadinhas atrapalhando minha paz interior. Quando encarei do outro lado do barco, passando protetor em , enquanto ela ria euforicamente de algo que ele falara, eu senti uma enorme compulsão de jogar ambos na água.
Eu queria arrancar cada um dos dedos dele por tocar naquela vaca! ARGH, filho da mãe! Franzi o cenho, acompanhando cada vez que a mão dele subia e descia pelo dorso dela. Nada tão assanhado, mas também, longe de ser puritano. Eu achava que as mãos dele nela tinham sido o estopim da minha irritação, mas quando a situação se inverteu, J.E.S.U.S, eu ia matar aquela mocreia.
Desviei o olhar antes que eu fuzilasse os dois. Aquilo só podia ser brincadeira. Passar protetor solar nos outros deveria ser proibido, pelo menos quando o outro é meu. MEU! Balancei a cabeça, me dando conta do que eu tinha acabado de pensar. Se alguém olhasse de fora, iria achar que eu estava tendo um ataque de ciúmes e era obvio que eu não estava, certo? Ciúmes do , tsc, até parece.
Levantei do sofá, arqueando a sobrancelha ao passar por . Se ele achava que ia me provocar com isso, ah! Ele estava muito enganado. Porque quando eu decido entrar no circo, eu faço pegar fogo.
Escutei me chamar, como se quisesse provar para o iate inteiro que o traste estava passando as mãos nela, e fingi que nem tinha ouvido. Certamente, ela passaria o resto das férias gritando a todos os ventos que ele não perdeu a oportunidade de apalpar os silicones dela.
Do lado de dentro, fui em direção a sala de jogos. O ambiente estava equipado com uma mesa de pingpong, uma de toc-toc e uma de bilhar. Meus olhos quase saltaram quando enxergaram aquela belezura livre. Quem é quando temos uma mesa de bilhar a nossa disposição? Peguei um dos tacos e intimei os meninos ao redor a jogarem comigo; eles, no auge da sua prepotência, acharam que seria fácil vencer de uma Maricotinha. Gargalhei ao ver o sorriso deles se apagar quando encaçapei quatro bolas seguidas.
Demorou umas três partidas até que fossemos chamados ao convés para que pudéssemos nos organizar para as aulas. Cada grupo de 10 alunos foi designado a uma lancha e eu quase sorri ao ver meu nome ser anunciado no mesmo grupo de . Aquilo seria divertido, se eu pelo menos conseguisse ficar em pé na prancha, claro.
Ao embarcar nas lanchas, fomos apresentados para o nosso instrutor. Pelo meu grupo ficou responsável um cara chamado Fabian e metade das meninas quis se afogar para receber um “boca a boca” dele. Observei seus cabelos marcados pelo sol, seus olhos amistosos e considerei-o bastante apto para fazer morrer.
Fabian perguntou quantos de nós tinham alguma experiência e ensinou as manobras básicas para que pudéssemos ficar em cima das pranchas. Ele explicou que a região em que praticávamos Wakeboard era bem calma, por isso facilitava muito o aprendizado, mas que as primeiras tentativas poderiam ser bem difíceis.
foi um dos primeiros a se direcionar a proa e colocar a prancha nos pés. Quando o piloto acelerou e ele se ergueu nas águas, tive que me conter para não babar. A visão dele, todo molhado, flexionando os braços para segurar a corda que o ligava à lancha e todo concentrado em realizar manobras, fez meu corpo latejar em todos os pontos certos. Que Deus me ajude, mas aquele traste sabia como seduzir uma mulher até inconscientemente.
— Você deve adorar ver ele praticando, não? Seu namorado sabe fazer um backflip incrível! – comentou Fabian, olhando para .
Quase me engasguei ao ouvir a menção namorado, pelo amor de Dío, quem em sã consciência acharia que somos um casal? O nosso - quase - ódio está tão explícito... acho que Fabian era míope.
— Ah, não é meu namorado, Jesus Cristo, não! Por que você achou isso? – respondi, tentando parecer o menos consternada possível com a ideia.
Fabian sorriu como se estivesse tentando acreditar em mim. Qual o problema dos homens desse lugar?
— Vocês passaram metade da minha explicação se encarando e quando não estavam, um olhava pro outro como se quisesse... Bem, acho que você sabe o que ele quer. – disse Fabian, antes de voltar sua atenção à que se preparava para pular na água.
Observei voltar para a lancha e abrir o macacão, deixando seu peitoral descoberto, enquanto passava as mãos pelo cabelo, espalhando água por todos os lados. Ele sorria, recebendo as felicitações por ter feito uma exibição trabalhada de manobras. Revirei os olhos, afinal, eu não esperava menos daquele traste. Era óbvio que ele era bom nisso também.
Desviei meu olhar para que tentava ao máximo parecer tranquila enquanto a lancha começava a se mover. Sorri malignamente, pensando em todos os finais que aquela situação poderia ter. Na sua primeira tentativa, ela ficou em pé e vibrou, suspirei desapontada até observar um movimento errado e ela começar a rebolar em cima da água sem conseguir conciliar a velocidade da lancha com seus pés. Caldo.
Para a minha surpresa, ela persistiu e se levantou mais uma vez, permanecendo em pé por dois minutos antes de levar outro caldo. Depois disso, foi caldo, caldo e caldo, comigo me segurando muito para não rir. Quase gravei quando ela acenou loucamente pedindo para tirarem ela da água, daria um meme sensacional. Fiz um High-five mental com Iemanjá e arrasei na cara de paisagem quando foi ajudar a subir na lancha.
Quando minha vez chegou, caminhei até Fabian e pedi ajuda para fechar o macacão. Antes que ele pudesse negar, peguei suas mãos e direcionei ao primeiro feche de segurança que ficava nas minhas coxas. Encarei e vi seus olhos queimarem observando Fabian subir as mãos e abotoar calmamente cada trava. Ronronei em agradecimento e mergulhei nas águas, subitamente feliz.
Fiquei boiando enquanto os últimos preparos eram feitos, eu era a última a mergulhar e por isso o céu estava em uma mistura de amarelo, alaranjado e vermelho, me brindando com um pôr-do-sol incrível.
Observei o sol beijar o mar e olhei instantaneamente para , ele não sorria, mas seus olhos estavam queimando minha pele de desejo. Perto da frieza e indiferença com que ele estava me tratando, aquilo era um banho no Deserto.
Mergulhei e a água ao meu entorno tornou-se um borrão quando a lancha começou a se mover. Ergui-me na prancha e fui tomada pela sensação da adrenalina nas minhas veias. Sorri, tentando ao máximo manter a concentração para continuar deslizando, mas ao enxergar a beleza natural tão próxima de mim, não resisti em tocá-la, estendendo a mão até a água. Aquilo tinha gosto de liberdade.
Meus dedos foram lambidos pelo azul de Noronha e eu permaneci assim até meu braço cansar de segurar a corda sozinho. Arrisquei-me em umas manobras básicas e quase levei caldo umas três vezes, mas Iemanjá estava trabalhando no meu time e no final, tudo deu certo. Voltei para a lancha radiante de felicidade, fazendo Fabian prometer que ia me ensinar tudo daquele esporte.




Quando todos os grupos retornaram ao iate, tudo o que se escutava era uma barulheira de gente contando suas experiências. Artur gargalhava detalhando todos os tombos que pegou, dizendo que cair na água não ajudava em nada a amortecer a dor, e Ingrid ostentava suas manobras dignas de competições. Antes que eu pudesse contar do meu momento, os dois entraram em uma discussão sobre etapas do aprendizado e eu sai de fininho, me recusando a estragar um fim de tarde maravilhoso falando bobagens.
Caminhei distraidamente até a piscina, embebedada com as sensações que a natureza me propiciava, até dar de encontro com alguém. Ergui os olhos e suspirei ao encontrar aquele céu sem estrelas me encarando.
— Olha quem está por aqui... azedinha, tenho que confessar, você me surpreendeu! — falou , me deixando alarmada pelo tom que usara.
Parecia que ele estava prestes a liberar toda a raiva reprimida que tinha por mim. Dei um passo para trás quando ele caminhou em minha direção.
— Ah! Isso é bom, não? A vida é feita de surpresas – respondi, dando um sorriso amarelo e mais um passo para trás.
— Com certeza! Primeiro, faz doce por um beijo; depois, me diz que tem namorado, mas fica me olhando com essa cara de quem quer ser bem comida e por último, deixa qualquer um passar a mão em você só pra me provar o que não posso ter. Porra! - soltou , exasperado, me encarando com um olhar mortal - Você é aquele tipo de garota que brinca com o fogo, mas não quer se queimar, né? Mas, eu lamento, você não pode brincar comigo e esperar nada em troca. Vamos lá, azedinha, me mostre o que quer de verdade!
Dei um último passo pra trás, encostando na parede. Eu estava suando de apreensão com esse novo traste, preferia sua versão que só me atentava. Cada palavra proferida parecia grudar na minha pele, dando a sensação de que eu era culpada por todos os crimes do mundo.
— Você nunca me deu brecha pra falar da vida, ora! Como esperava que eu te dissesse que tenho namorado? E eu não estava nem te olhando, porra! Que dirá com cara de bem comida. Menos, ! – revirei os olhos, na expectativa de que a tensão sexual evaporasse. Só de pensar em ser comida... por ele... Jesus, meu corpo ficava febril.
— Hm, então essa cara é de que? “Oh, , me beije?” Você tá me olhando bem assim agora mesmo – soltou , rindo.
Antes que eu pudesse responder, ele colou seu corpo no meu, friccionando sua coxa entre minhas pernas e eu quase explodi em mil pedaços. apoiou os braços na parede ao lado da minha cabeça e encostou a testa na minha, obrigando-me a encarar seus olhos. Desejo. Era tudo o que estava ali. A raiva, antes vista, dava lugar a um olhar sedento de paixão.
Soltei a respiração devagar, sentindo o espaço entre nós se tornar cada vez mais limitado enquanto íamos, inconscientemente, buscando por mais contato. Mais pele, mais toque. Deixei meu corpo responder ao seu estímulo, divagando meus dedos pelos seus músculos, sentindo a ansiedade amistosa retumbar dentro do meu coração, porque, ali, tudo o que eu queria era outros bons beijos. Passei minhas unhas pela sua costa e observei seu rosto se contorcer de prazer.
afundou a cabeça na curva do meu pescoço e lambeu o lóbulo da minha orelha, explorando todos os tipos de eletricidade que meus nervos poderiam disseminar pela minha carne. Xinguei mentalmente quando seus dedos deslizaram pela minha barriga desnuda, sabendo que eu não aguentaria muito tempo daquelas provocações. Fechei os olhos, conciliando o prazer dos beijos que ele depositava em meu colo, junto com o trabalho que suas mãos faziam experimentando o tecido fino que recobria meu seio.
provou o tamanho deles, me direcionando um sorriso de aprovação, antes de puxar delicadamente o biquíni para baixo, colocando a mostra o mamilo intumescido que gritava por sua atenção. Eu queria tanto que nem conseguia mais pensar em outra coisa. Nas chances de sermos pegos, nas bases que estaríamos pulando diante daquele ato. Tudo pouco importava desde que as sensações boas continuassem dominando meus sentidos. Cada vez que seus dedos percorriam o mamilo sensível eu poderia jurar que estava no paraíso.
— Você está me deixando louco, ! Diga-me se ele te faz sentir assim, diga-me e eu paro. – Sussurrou com a voz rouca.
— Ele quem, ? Se você parar agora, eu vou te matar!
— A porra do seu namorado.
Puxei seu quadril em direção ao meu, esfregando meu ventre na sua ereção, deixando claro que o efeito não era exercido só nele. Eu estava encharcada, corada, depravada.
— Isso te responde algo? — murmurei, próximo a boca dele, não deixando margem para outra interpretação.
Um sorriso malicioso brotou nos lábios de , fazendo a imagem me invadir como uma espécie de lucidez. Nunca tinha sido tão bom e por mais que eu não acreditasse em todas as rimas de metade da laranja, a conexão que despertava em mim, me fazia crer na existência de uma alma gêmea na cama. Afinal, se com uma série de amassos, ele me deixava a beira de um orgasmo, o que ele não faria com o membro que se anunciava dentro do short? Direcionei minha atenção para a rigidez que cutucava meu ventre e não resisti em tocá-lo lá, passando a mão em movimentos contínuos, observando ele soltar o ar com força pela boca.
— Eu vou te beijar agora, azedinha! Vou te fazer minha e antes que você diga algo... eu não divido nada com ninguém – rosnou , fazendo meu peito vibrar em chamas.
Seus lábios reivindicaram os meus e eu o envolvi com meus braços, aprofundando a sensação de ter seu corpo colado ao meu e seu gosto subindo pela garganta. mordiscou minha boca e percorreu as mãos pelo o meu cabelo, dando leves puxões que me fizeram delirar. Chupei sua língua, passeei pela sua boca e observei ele gemer enquanto me pressionava ainda mais na parede.
O bico dos meus seios eriçados roçava a pele nua do seu peito e isso me fazia gemer na sua boca. Suspirei, quando ele me puxou pela bunda, encaixando meu corpo no seu pau.
Eu estava prestes a enrolar as minhas pernas nele e fazer um mini ali mesmo porém, o som de passos me tirou do torpor que eu me encontrava.
— E.. – comecei entre os beijos —...I!.
Ele relutou em desgrudar de mim, mas quando o fez, percebi seu sorriso presunçoso.
— O que? — respondeu, aproveitando a oportunidade para me dar pequenos beijos pelo rosto.
— Tem alguém vindo! — sussurrei, como se isso fosse diminuir a probabilidade de sermos pegos.
— Eu não me importo — disse , rindo.
Revirei os olhos e empurrei seu peito de leve para que eu pudesse me ajeitar. Dificilmente conseguiria esconder o chupão no pescoço ou a boca vermelha, mas pelo menos, os peitos estariam de volta ao biquíni.
— Então você não se importa de que todos vejam meus peitos de fora? — argumentei, arqueando as sobrancelhas.
resmungou e tentou, de forma desajeitada, colocar o biquíni no lugar, antes de me usar como escudo para tampar a visão da sua excitação. Segurei o riso, sentindo seu braço me puxar para perto, deixando claro o amiguinho animado que estava colado na minha bunda.
Demorou mais dois segundos até que a inspetora Josefa surgisse e nos olhasse desconfiada. acenou e sorriu inocentemente e eu não tive escolha a não ser entrar na onda. Mais dois segundos para que ela se desse por convencida da nossa situação e resmungasse que estávamos próximos a atracar no pier do acampamento. Sorri, agradecida por não ser obrigada a fazer o 4 porque obviamente eu estava bêbada de tesão! Encarei e seu olhar me queimava em provocação.
— Eu acho que deveria te roubar de hoje! Gostaria de jantar comigo, azedinha?! — sussurrou , se aproximando para mordiscar o lóbulo da minha orelha. Diante de um pedido daquele, como é que resiste?
— Talvez. Se você pedir com jeitinho, traste! — respondi, virando de frente para tomar-lhe a boca, sugando o seu lábio inferior — Precisamos realmente debater essa… tensão sexual entre nós.
Ele maneou a cabeça, sorrindo travesso. Ali, eu soube. Eu estava perdida nas mãos daquele garoto!


Sob as estrelas.

O reflexo no espelho sorria apreensiva. Mal podia acreditar que eu estava toda corada esperando o encontro com um menino. Cadê a e o que você fez com ela?
tinha ficado ensandecida ao me ouvir relatar sobre a tarde e aplaudira de pé, comentando que cada novo episódio desse romance parecia melhor do que qualquer novela mexicana.
A empolgação dela fez eu deixar que ela me transformasse em sua boneca, fazendo ondas em meus cabelos, colocando gloss em meus lábios e escolhendo as roupas que ela garantira, iriam fazer ter um infarto (ou uma ereção prolongada). Eu estava quase me sentindo uma edição limitada de “Barbie vai à praia”.
— Tu estás tão linda que eu quero morrer! — disse , soltando gritinhos animados — Mas eu acho que falta alguma coisa — continuou, enquanto andava de um lado pro outro.
, pelo amor de Deus! vai nem me reconhecer desse jeito.
— Já sei! Já sei. Ah, eu sou muito boa — soltou ela, fazendo dancinha da vitória e indo até sua caixinha de joias. De lá, ela tirou um broche em formato de flor e correu para arrumar meus recém adquiridos cachos em um coque bagunçado.
Suspirei, passando as mãos pelo meu vestido. A escolha de foi um modelo de crochê amarelo suave, que combinava com o meu bronzeado e iluminava meu rosto. Ele se agarrava as minhas curvas, fazendo uma amarração no pescoço e deixando as costas nuas. Tentei argumentar que sentiria frio com o vento da praia e indiquei que seria melhor ir de burca, porém deu um tapa nos meus ombros, dizendo que eu teria um homão para me aquecer, pra eu deixar de frescura.
Quando deixei o quarto, me olhava com orgulho e eu só pude rir disso. Quem diria que eu precisaria passar meu verão no mato para encontrar uma amiga daquelas. Segui a passos largos até o restaurante e arqueei as sobrancelhas desconfiada quando me deparei com o ambiente pouco iluminado e vazio. Passei os olhos rapidamente, calculando a probabilidade do me dar um bolo, e demorei um pouco para perceber uma placa perto do início da praia.
“Fico feliz que você veio, azedinha! Siga por aqui.” dizia o pequeno pedaço de madeira. Meu coração bateu tão forte que eu me perguntava se alguém conseguiria ouvi-lo em quilômetros, seria bem vergonhoso se aquilo não passasse de uma zoação.
Caminhei pela areia, com o caminho iluminado por pequenas velas. Cheguei a outra placa e comecei a rir ao ler “Isso não é uma cilada. Repito, não é uma cilada. Vire a sua esquerda”. De certo, se preocupara em estabelecer o seu bom humor característico na confecção desses sinais.
Ao seguir o seu comando, encontrei um caminho, em meio às árvores, cheio de pétalas de rosas que me levava a uma mesa privativa, localizada na frente da piscina do acampamento. A cascata iluminada em tons vermelhos acrescentava um clima romântico as águas e eu quase não percebi que prendi a respiração. Aquilo era demais.
— Você me disse para pedir com jeitinho. Então, esse é o meu jeito de te dizer aqueles três elogios de antes e te fazer me dar mais uns beijos — disse , sorrindo pra mim.
Soltei a respiração ao vê-lo. Decididamente, eu poderia ficar a vida inteira olhando aquele homem. Ele trajava uma camisa de linho branca, com bermuda caqui vinho; um visual que provavelmente faria qualquer outra pessoa parecer um mauricinho, mas em caia surpreendentemente bem. Observei sua postura segura, se apoiava no arco que recobria a mesa e, com as mãos nos bolsos, ele me olhava como se aquilo tudo fosse algo simples e não O sonho de toda mulher.
Caminhei vagarosamente ao seu encontro, aceitando a mão que ele tinha me entendido e sendo puxada para os seus braços quase de imediato. Obrigada, Deus, por ser esse Homão da Porra!
Funguei seu pescoço e quase derreti ao sentir o perfume almiscarado. Eu poderia roubar o vidro inteiro pra mim e ainda sim, continuar inebriada por aquele aroma. Na verdade, eu gostaria de roubar direto da fonte e ficar com o cheiro daquele traste até meu último fio de cabelo.
— Aparentemente, esse pedir com jeitinho foge das definições convencionais. Como você fez tudo isso, ? -perguntei, admirando o teto florido, iluminado com pequenos pontos de luz, que se erguia sobre nossa mesa.
— Um mestre nunca conta os seus segredos! - respondeu, revirando os olhos.
— Aposto que você só conseguiu com a influência de Rio das Pedras! -soltei, rindo, para perceber depois que eu tinha falado demais.
O que faria quando descobrisse o motivo pelo qual eu estava ali? Coisas boas não seriam. Dificilmente ele enxergaria em mim, a menina que relutou em ficar com ele.
— Oh! A azedinha pesquisou sobre mim! Estou perdendo essa corrida por não dar o devido crédito a você. - comentou ele, apalpando meus ombros para aliviar a tensão que surgira ali.
Sorri sem Graça e aceitei a cadeira que ele me ofereceu, observando enquanto ele ia para o outro lado e impunha uma distância de três pratos entre nós. Escolhi o momento para refletir sobre aquele encontro, cada mínimo detalhe pensado me faziam ter a certeza de que seria inesquecível e também faziam odiar, pela primeira vez na vida, malditos três pratos. Ao meu ver, seria incrivelmente confortável degustar minha refeição no colo de , colada ao seu corpo, sem deixar nenhum espaço. Aff, espaços… pra que espaços?!
Conversamos amenidades durante os primeiros itens do Menu. No começo, uma caçarola de lagosta deliciosa nos fez rir de como nos conhecemos, já que deixou claro que o modo nada simpático da situação foi todo culpa minha; e depois um Salmão banhado em queijo brie impecável fez com que eu falasse que preferia comer aquele prato a beijalo, como padrão de qualidade, gerando gargalhadas em que afirmava que a refeição beirava acima da perfeição, já que o beijo dele era o suprassumo. Obviamente, fiquei tentada a cometer assassinato ali, devido a prepotência do garoto, mas a sobremesa era meu item favorito.
— Então, azedinha, você sabe que sobremesas adoçam a vida… Já decidiu se posso adoçar a sua? - falou , pegando minha mão e prendendo-a na dele.
Sorri, deixando que ele levasse a última fagulha de tensão que estava em mim. Por que não? Balancei a cabeça e prometi a mim mesma só essa noite. Amanhã, eu precisaria resolver qualquer sentimento romântico em meu coração e continuar a missão de passar por aquele acampamento ilesa. Quase ri. Sabendo que ilesa, seria a última coisa que eu ficaria.
— Adoce-me, traste! O que vamos comer? — respondi, arqueando a sobrancelha.
— Ah, eu vou provar o meu prato favorito… você! — deu de ombros, encarando-me com sua íris escurecida pelo desejo.
Ao ouvi-lo, eu derrubei todos os pratos da mesa e engatinhei até ele, puxando-o para mim. Obviamente que isso na minha imaginação, porque na real eu quase grudei na cadeira de tão inesperado que o comentário me pegou. Aquele menino sabia como me incendiar só com uma palavra!
Comemos um musse de ganhache de chocolate belga com um creme branco que não identifiquei e eu demorei duas colheres para perceber:
— Oh! É azedinho no final. Acho que preciso te dar mais beijos para que você lembre que de azeda eu só tenho o apelido que certo traste me deu — comentei sorrindo abertamente. Enquanto se reconfortava na cadeira e me observava com um olhar tristonho. Franzi o cenho, eu tinha dito algo errado? Eu deveria garantir que chocolate com limão era uma boa mistura?
— Eu pedi para o chef renomear essa sobremesa com seu nome! O começo é doce, assim como te ter pra mim. Cada pedaço de você tem um sabor único, um gosto que me deixa endiabrado, insaciado até provar tudo. Mas o final, o azedo, é a minha sensação de que te perco a cada beijo, que a cada minuto você se torna uma miragem que vai me mudar pra sempre e fazer com que meu coração seja um território inabitado depois do Furacão passar!
Eu planejava deixá-lo amanhã? Como fazer depois disso? O pior é que provavelmente, minha vida se tornaria tão sem cor quanto a dele.
— Existem mais contras do que prós na nossa situação, .
— Por acaso, você vale por dois agora? Só existe eu e você aqui, . Tudo depende de nós dois e eu estou disposto a te mostrar que ninguém faria isso funcionar melhor, mas você tem que decidir me dar uma chance de lutar pela gente.
Abri a boca para falar umas cinco vezes, mas nada parecia um argumento bom o suficiente depois de tudo o que ele tinha me dito. Se eu pegar o coração de e acidentalmente quebrá-lo é homicídio culposo? Sem a intenção de matar?
— Mas, quero deixar você pensando nisso só amanhã. Hoje, eu vou te dar uma noite para ter certeza de que eu sou o único pelo qual você quer gritar! — sussurrou , me levando em direção a praia.




— Aqui é bom? — sussurrou em meu ouvido.
— Acho que poderíamos ir mais a fundo — respondi com uma piscadela.
— Ok! Então aqui?
Estávamos a cinco minutos procurando um lugar ideal para apreciar o céu noturno. Se não encontrássemos todas as constelações, não era um ponto de visão bom. Apoiei-me em seu corpo e senti seus braços me envolverem, colando minha costa ao seu peito.
— Olha! Dá pra ver Orion! — apontou , todo compenetrado em mostrar as três s pra mim.
Quando ele disse que me faria ver estrelas, com certeza não pensei em algo tão literal assim. Mas, aquele traço meio nerd nele me deixava surpreendentemente excitada. Ao final das férias, eu faria uma listinha com o que NÃO me excitava em relação ao traste e com certeza, seria uma lista vazia.
Virei-me para observá-lo. O seu rosto tinha abandonado o olhar tristonho e apresentava uma serenidade ímpar, como se estivesse plenamente satisfeito com a vida. Sorri, passando meus dedos pela barba que começava a fazer sombra em seu queixo. Às vezes, eu esquecia o quanto ele era bonito e por mais que eu odiasse admitir, cada pedacinho dele mexia comigo. Ali mesmo, se ele pedisse para fugirmos juntos, ah, eu já estaria com minha trouxinha feita, preparada para chamá-lo de “lua da minha vida” ou algo parecido.
— Estou em dúvida se te beijo agora por você estar me olhando com toda essa apreciação ou se te beijo agora para aproveitar o momento — comentou , desviando o olhar do céu para me encarar. Seus olhos me enchiam de paixão e meu peito florescia de amor com aquela atenção.
— Graças a Deus você vai me beijar de qualquer forma — respondi, levando as mãos para o céu enquanto ria do meu drama. Oxi, beijos não estão fáceis de ser garimpados.
Toquei seu lábio, aproximando minha boca para morde-lo. segurou meu pescoço e me enviou doses de carinho ao massagear meu couro cabeludo, passeando a língua pelo meu pescoço, entre beijos.
— Fique comigo, azedinha! — gemeu, .
Eu queria chorar. Me jogar naqueles braços e permanecer ali pra sempre, sem me importar com meu pai, com , com qualquer pessoa além daquele homem que estava abrindo seu coração pra mim.
Beijei-o com toda a intensidade que pude, quis mostrar o quanto eu valorizava tudo o que ele me dissera. Tudo o que fizera naquela noite. Abracei seu corpo e comecei a acariciar seus cabelos, sentindo o coração pesar com aquele clima.
— Tudo bem, meu traste! Vamos deixar as entrelinhas para amanhã. Só me beije e deixe eu te amar — falei, enquanto descia seus ombros para que eu pudesse sentar-nos na areia.
Agarrei o primeiro botão da camisa dele e procurei algum resquício de sofrimento em seu olhar. Pelo contrário, agora aquele pequeno mundo ardia com paixão, me encarando como se eu fosse a coisa mais linda já vista. Beijei seu pescoço e enfiei a mão por dentro da roupa para desliza-la pelos seus braços. Joguei a camisa longe e sorri satisfeita ao admirar o abdômen de , eu quero lamber cada curvinha daquele corpo e descer por aquele caminho que indicava o paraíso.
Sem tirar os olhos dele, peguei suas mãos e comecei a passá-las pelo meu corpo. Indiquei a barra do vestido, que agora subia pelas minhas coxas, e foi rápido em puxa-lo para cima. De calcinha e sutiã, a primeira coisa que senti foi o vento do mar gelar minha espinha.
Sandice querer fazer amor na beira da praia.
Levantei e dei minha mão para que fizesse o mesmo. Ele me encarou em desafio, quando me viu sair correndo em direção a água. Fé que as ondas estariam quentes a esta altura, porque morrer de hipotermia antes de chegar aos finalmente com seria tortura. Não pelo frio, mas sim por não tê-lo dentro de mim.

Ela correu até que a areia nos seus pés fosse banhada pelas águas do mar, eu sorri, observando enquanto ela jogava o vestido pra longe. De certo, não existia criatura mais perfeita que ela, tudo era harmônico, o jeito com que descia a calcinha, o jeito com que entrava na água fazendo charme e até mesmo o jeito de prender os cabelos.
Olhei pros lados, pedindo para que aquele não fosse o momento em que alguém do Hildens resolvesse fazer uma ronda noturna pela praia, senão encontraria duas pessoas desnudas e uma delas de pau duro. Corri em direção a ela, deixando as peças de roupa pelo caminho.
A água do mar acariciava meu corpo, embalando meus passos para me aconchegar em . Ela estava sorrindo, mergulhando para ficar cada vez mais distante do meu alcance. Ah, quando eu pegasse aquela menina… ia ser um estrago.
Puxei sua perna, antes que ela pudesse nadar de novo e arrastei-a até mim. Colei nossos corpos e pude sentir minha ereção tocando sua bunda. Sorri, trazendo sua cabeça para trás e beijando sua boca.
Subi a mão para acariciar a curva do seu seio e observei ela amolecer em minhas mãos. A mistura de com mar e estrelas era algo que eu queria manter em minha memória sempre. Senti sua mão se fechar na minha por dentro da água e assim começar a passa-la pelo seu corpo, tocando-a em todos os pontos sensíveis. Com certeza, ter guiando o meu caminho para atingir o seu prazer era algo melhor do que qualquer Viagra. Alcancei sua carne inchada de desejo e estimulei seu clitóris, colocando-me entre suas pernas para conseguir roçar meu pau nas suas coxas. Estávamos ambos arfando de prazer quando inseri um dedo dentro dela. Se eu achava que a água estava quente, em as coisas estavam fervendo. Me segurei para não gozar quando suas mãos envolveram a base do meu pênis e começaram a se mover sincronizadas com o meu dedo.
Mordi seu ombro quando ela direcionou meu mastro a sua pequena entrada e forçou o quadril para que minha cabeça deslizasse pra dentro. Paraíso. Era a única definição daquilo. Senti seu interior quente, molhado e apertado; se abrindo como uma flor, envolvendo meu pau como se quisesse engoli-lo.
Latejei, recebendo as pressões que fazia com sua vagina. Depois disso, não consegui resistir, penetrei-a com vigor e senti meu mundo se dividir em dois: antes dela e depois dela.
Abracei seu corpo, colando sua bunda na minha virilha, arremetendo com força, tendo seus gemidos como incentivo para a minha paixão. Passei meus dedos molhados por seus ombros, achando incrivelmente bonito os cabelos que grudavam na sua nuca. Tudo nela era lindo. Todas as caras e bocas, todos os gemidos. Eu estava ficando louco.
Continuamos em sintonia, balançando o corpo no ritmo das ondas. Provei sua pele e virei para mim, contemplando seu rosto contorcido de prazer. Agarrei sua bunda, deslizando para fora com sofreguidão e voltando para dentro com rapidez. Seu corpo tinha gosto de lar, toda vez que meu pau encontrava a água eu me sentia vazio, para depois estar completo dentro dela.
— Olha pra mim, azedinha! É esse rosto que você tem que lembrar quando quiser gozar — sussurrei, esperando seus olhos se abrirem em um desejo profundo.
— Oh, por favor, . Por favor — sussurrou , tomada de desejo.
Ela abriu a boca e me permitiu invadir seus lábios, suguei cada vestígio de prazer que ela emitia e gozei quando senti ela se aconchegar em mim em sua plenitude. Eu estava realizado, feliz.
Tinha a sensação de ter encontrado o meu lugar no mundo, o meu porto, o lugar pra onde eu sempre voltaria.
Aninhei-a em meus braços e a embalei no meu colo, cuidando dela como se fosse o meu bem mais precioso.
— Minha!
— Sim, sua! Toda sua.
Os dois se amavam com o mar e o luar de prova. Era como ancorar no paraíso, acordar num dia de feriado ou até mesmo sentir o coração palpitar por um grande amor.
Eles combinavam, se encaixavam, se somavam.
Deitados na praia, contavam as estrelas e faziam planos pro futuro incerto. Ela era sonhadora e ele pé no chão. Ele via desenhos no céu noturno e ela nem conseguia ligar os pontos que ele indicava. Podiam ser opostos mas os feromônios dela não aceitavam outro. Não havia sequer presença desconhecida que causasse contrações ventriculares prematuras nos seus corações.
Ele passou as mãos pelo cabelo dela e disse "minha" ela levantou os olhos pra ele e sorriu em resposta "sim, sua. Toda sua".



Finais são novos começos.

Encarei o celular irritada, já era a quarta vez que eu tentava ligar para e nem no fim esse demônio fazia as coisas serem fáceis. Depois da noite de ontem, eu não precisava pensar duas vezes para concluir que meu relacionamento estava morto e sepultado, mesmo que eu não pudesse ficar com , era bem óbvio que meu coração não era de . Ele estava bem ancorado no porto de um certo traste moreno, bonito e... preciso nem dizer bem dotado né?
Só de lembrar meu corpo se arrepiava e minha deusa interior pulsava em expectativa por um repeteco. Eu precisava esquecer aquele menino, pelo amor de Jah! De certo, meu vibrador seria renomeado com o nome dele agora.
Bati o pé, ansiosa. Eu tinha dado a desculpa de que amanheci um pouco gripada, por isso estava faltando o passeio ao Projeto Tamar, mas garanti que me trouxesse mil fotos das tartaruguinhas. Eu achava o trabalho deles incrível e estava bem puta de perder o dia por causa daquele idiota, mas quanto mais cedo eu pulasse esse obstáculo, mais rápido minha consciência estaria limpa.
Quase sorri de alívio ao ouvir uma voz grogue do outro lado da linha. Porra, 10h da manhã e o cara ainda tava dormindo? Balancei a cabeça, percebendo que se eu estivesse lá também estaria num dos meus sonos de beleza. Aquele acampamento estava mudando meus hábitos mesmo.
— Alô? — gemeu a voz do outro lado.
Demorei dois segundos para perceber que quem falava não era o , era a voz de uma mulher.
— Oi! Quem é? — respondi, surpresa ao perceber que aquilo não me abalara nem um pouco.
— O que você tá fazendo com meu telefone? Quem tá ligando? — escutei a voz sonolenta de perguntar.
— Caralho! , meu amor, como você tá? Não é o que você tá pensando, eu posso expl...
Antes que ele começasse a despejar sua baboseira em cima de mim, eu desatei a rir. Socorro, como eu pude ser tão burra? Passei 2 anos da minha vida sendo enrolada por esse tralhoto.
— Olá querido, com qual você está me traindo dessa vez? Não perca seu tempo tentando explicar, meu bem! Você poderá ter todas elas agora, eu estou terminando nosso pseudo namoro!
A linha ficou muda por uns minutos, enquanto eu esperava que ele assimilasse a ideia. dormiu comprometido e acordou mais livre do que pipa avoada. Não que ele agisse como se estivesse preso né, mas agora, minha cabecinha não iria mais sustentar galhadas.
, você sabe que te amo e que posso ter cometido alguns erros, mas sou todo seu, meu amor. Não jogue fora todos nossos momentos! -choramingou , usando toda a persuasão que um dia me cativaram.
— Primeiro, você jogou fora esses momentos toda bendita vez que não mantinha seu pau nas calças. Segundo, isso não está em discussão, acabou, ! - falei, pressionando a testa, imaginando que aquilo seria mais difícil do que o planejado.
— Você... vo... cê conheceu outra pessoa? Foi um desses otários ricos desse acampamento, né?
Meu Deus, esse menino tinha informantes na minha vida. Nera possível, não.
, nossa relação já estava desgastada. Esse tempo longe só me fez ver isso melhor. Ficamos separados por quilômetros e você não mandou nem um SMS e eu não senti falta! Não liguei — suspirei — Por favor, isso está insustentável. Aceite.
, eu não vou te perder assim. Não vou te entregar de bandeja pra quem quer que seja. Eu vou aí, vou te arrastar pros meus braços.
— Caralho! ACABOU! Você não entende? Eu não quero mais, porra! Você teve dois anos, dois putos anos para me amar, cuidar de mim, mas não, VOCÊ me deu de bandeja — gritei, exausta daquela merda — Olha, eu não quero brigar, . Sei que você vai precisar de um tempo para se acostumar, mas entenda, não tem volta.
Dito isso, eu desliguei e comecei a contar de 1 até 10 para me acalmar. Aproveitei o tempo para limpar minha vida social da presença do meu ex (risos). Deletei metade do meu feed do Instagram e quase vomitei ao ler algumas das mensagens românticas que ele deixara no meu Facebook. Decidi repovoar as duas contas com algumas fotos que tirei no acampamento. Postei uma com , estávamos rindo na praia, usando chapéus gigantes.
"Te amo, loira do tchan @eu_merk" Já imaginei me xingando até a terceira geração por expor aos meus 30 mil seguidores que o sonho dela de infância era ser dançarina do Compadre Washington.
Garimpei no rolo de camera uma lembrança da segunda noite no refeitório, com , Helena e . tinha colocado uma cenoura em cada ouvido, Helena tinha feito um cosplay de "Eleven" com batatas fritas e katchup no nariz, colocou uma folha de alface no dente ao melhor jeito caipira e eu fiz um bigode de macarrão. "@masterchef contrata noiz". Dessa vez, não seria só que me mataria, mas não pude resistir ao ver essa belezura.
Quando eu estava prestes a postar outra foto, ouvi uma batida na porta. Rezei para não ser um inspetor porque senão ele comprovaria que minha desculpa para faltar o passeio era total furada. Eu não só estava corada, como também com cara de bem comida, tudo indicando gozar de plena saúde.
Caminhei até a porta e fiz a melhor cara de doente, por via das dúvidas. estava parado no batendo da minha porta, no estilo policial mau com ray-ban aviador, segurando dois copos de café. Ele me entregou um e passou os olhos pelo meu pijama sorrindo. Só então fui perceber que eu estava arrasando de short de florzinha com uma camisa escrito "i woke up like this". Realmente, não tinha melhor jeito de encontrá-lo depois de ontem, Valeu, Destino. Bufei. Óbvio que o homem ia tá todo lindo, banhado e cheiroso e eu ia estar bagunçada, no melhor exemplo de desleixo.
Revirei os olhos quando ele continuou me olhando com um sorriso presunçoso. Traste! Dei espaço para ele passar pela porta e observei avaliar meu pequeno habitat. O ambiente gritava uma coexistência nem sempre pacífica de duas garotas. Roupas voavam, maquiagens e chapinhas também. Sorri envergonhada quando ele direcionou o olhar pra mim.
— Obviamente eu não estava esperando... hm, visitas — pigarreei.
— E obviamente, você está longe de estar gripada! Talvez eu tenha ouvido errado o que dizia — comentou , arqueando as sobrancelhas.
— Bem, eu precisava resolver algumas coisas — dei de ombros.
avançou a passos largos até estar com a boca na minha. Uau, eu gostava desse tipo de bom dia. Ele avançou com a língua, até percorrer todo comprimento dos meus lábios. Seu beijo parecia querer provar algo para mim e eu segurei seus ombros, antes que acabássemos nus sem falar nenhuma frase.
— Você estava me evitando, azedinha! Isso foi pra te lembrar que eu não gosto de ser ignorado — grunhiu , caminhando até a porta.
— Oxi, onde tu vai diabos? — soltei, tentando me recompor — Eu não tava te ignorando, traste! Eu tava ficando solteira, af.
— Ah! — sibilou , parecendo encarar a possibilidade — Você matou o passeio para terminar com seu, er, namorado?
— Yep! — Levantei os dedos num sinal de joinha — Você tem mania de não me deixar falar e depois me culpar pelas suas interpretações precipitadas. Vai se foder, !
voltou para o meu lado e sentou na cama, puxando-me para ele. Aninhei-me no seu colo, mesmo dizendo para meu corpo correr pra longe. Aparentemente, ele não me obedecia quando estava ao lado do traste. O comando da minha vida passava a ser total do meu sexo. Afrodite que me ajude!
Acariciei sua costa e afundou seu rosto na curva do meu pescoço, respirando lentamente o meu perfume.
— Qual foi a sua desculpa para faltar aula?
disse que você estava gripada e eu convenci a Profa. Robins de que eu sabia o melhor remédio para curar esse tipo de mal — soltou , rindo da minha cara incrédula. Esse menino não era normal.
— Ah, então você me usou como desculpa para passar o dia livre, ein? Agora acho que deveria te exigir um bom remédio.
— Usei você como desculpa para ver você, ora, nada mais justo. Aliás, dizem que sexo cura tudo, não? — respondeu , puxando meu cabelo de leve, para que meu pescoço ficasse exposto aos seus beijos.
Senti algo cutucar meu ventre e quase acreditei que fosse o zíper da calça, mas aquele olhar ardente que me lançava não deixava dúvidas de que ele estava mais do que disposto a me partir em duas.
Mudei de posição em seu colo, para que a sua ereção pudesse estimular meu âmago. Comecei a me mexer e observei fechar os olhos de prazer, apertando as mãos em minha cintura. Rocei os dedos no seu rosto e afundei minha língua na sua boca, nada era tão bom quanto o gosto dele. Permaneci degustando seus lábios, tornando-me expert no seu sabor, até que senti me deitar no colchão.
O seu peso em cima de mim era algo incrível, me dava a sensação de pertencimento e dali eu poderia afagar qualquer músculo dele que estivesse contraindo pra mim. Toquei a barra da sua camisa e me permiti o acesso ao seu tronco. Uma corrente elétrica de reconhecimento passou por mim e eu senti até o meu último fio de cabelo arrepiar.
apoiou seus braços ao lado do meu corpo, ficando na altura exata para me encarar nos olhos e eu me perdi naquela imensidão negra. Ele me banhava com devoção, dando-me amostra de cada parte do seu sentimento por mim. Suspirei, puxando seu pescoço para um beijo tenro. Ali, fizemos amor. Senti cada pedaço do meu corpo ser entregue a ele e receber algo dele em troca. Senti e soube que eu não podia lutar contra aquilo, mas que quando fosse a hora eu precisaria protegê-lo. Eu protegeria , dos planos do meu pai, do veneno de , das mãos de . Eu protegeria ele, porque assim, eu estaria protegendo o meu coração, o meu amor.




estava acariciando meus cabelos, enquanto víamos o final de "La la Land". Eu estava impressionada pelo fato dele não ter dormido no meio do filme. Decidi que tinha sido uma péssima ideia ver esse romance, porque eu já estava toda envergonhada, me debulhando em lágrimas. Romântica da porra.
Desliguei a TV e me cobri com os lençóis quando começou a rir da minha vergonha. Ele puxou a coberta, revelando minha nudez e se inclinou para beijar minha barriga, fazendo eu rir com cócegas. Quando ele parou, levantei a cabeça para encontrá-lo olhando atentamente uma das minhas tatuagens.
"Alis volat propriis" estava escrito na minha costela esquerda e parecia brilhar com toda atenção dada a ela. passou o indicador pela pele elevada e sorriu.
— O que significa?
Tinha sido a última, das três, a ser feita. Talvez fosse a que mais me bombardeara de coragem, ela estava ali, coberta pelas roupas do dia a dia, para ser um lembrete só meu, do que eu queria ser.
— É latim! Significa "ela voa com as suas próprias asas". Demorei muito tempo para fazê-la, acho que eu precisava de coragem para carregar na pele algo tão imponente — dei de ombros antes de continuar — Eu quero ser dona do mundo, . Quero conhecer tudo pelos meus próprios olhos, quero tocar em todos os solos com minhas próprias mãos. Não quero ser restrita por medo, por homens, por padrões. Eu sou minha e consigo meus frutos pelo meu suor. Acho que é mais ou menos isso. Significa ser dona de si.
me encarava com intensidade, acho que eu não lembrava da última vez que me abrira assim para alguém. Eu nunca falava dessa tatuagem, nem quando o tatuador fez a célebre pergunta 'você não vai desistir disso depois?'. De repente, me senti exposta e nada tinha a ver com o fato de estar nua diante de . Sentia como se ele tivesse observando minha alma, conhecendo cada camada do que compunha a .
— É lindo! Uma das coisas mais bonitas que eu já vi, na verdade — disse , beijando a tatuagem — Mas, espero que você saiba que isso não significa voar sozinha.
Ficamos por algum tempo nos encarando, com a tensão palpável entre nós. No fundo, sabia que eu estava com metade do corpo pronta para pular fora do nosso pequeno caso.
— Você quer ver as outras? — perguntei, mostrando as outras duas tatuagens.
Apontei primeiro o traço de onda que eu tinha no ombro direito, explicando que ela era quase um complemento da segunda que ficava na parte interna do antebraço, próximo a dobra do cotovelo e dizia "a-mar".
Eu sou uma daquelas pessoas que ama praia, mar, sol e tudo mais. Então, decidi colocar na pele minha devoção. E combinei a palavra amar com o mar, significa que eu amo o mar. - sorri, espremendo os olhos e fazendo rir. Ele me abraçou e eu me aninhei nos seus braços,sentindo-me sonolenta e me permitindo dormir naquele casulo quentinho.


Geni e o Zepelim.

Quando acordei, a primeira coisa que percebi foi o vazio na cama. Aquilo não deveria ter me deixado tão arrasada, mas parecia que estava faltando um pedaço de mim. Encarei a porta se abrir e murchei quando entrou.
— Mana, por que tu tá me olhando com cara de cachorro que caiu da mudança? — resmungou , caminhando até a cama e se jogando ao meu lado - Achei que a gripe fosse mentira, por que tu ainda tá na cama, pelo amor de Deus?
Preferi não entrar no assunto dos por quês, já que todos eles remetiam a e ele tinha me abandonado sem deixar recado.
— Eita que alguém voltou com o pé esquerdo. O que aconteceu? — respondi, pedindo mentalmente que aquele estresse não fosse resultado das fotos no meu Instagram.
— Eu odeio aquele menino, ! Odeio. Que menino? O ? Você ama o , !
— QUÊ? Eu? Vai se foder. Eu seria idiota se amasse.
— O amor é idiota, amiga! — suspirei, não sabendo se estava falando pra mim ou pra ela.
— Não! As pessoas são idiotas e colocam a culpa no amor. Você não vai acreditar — começou, dando uma pausa, fazendo eu achar que ia cuspir fogo — Ele simplesmente resolveu que poderia pegar uma tartaruguinha de mascote e trazer pra casa. Só que claro que não podia, porra! É um projeto de proteção as tartarugas, moleque burro.
— Continua — sussurrei, me segurando para não rir do tom enfurecido que ela estava usando.
— Aí, quando descobriram o idiota, ele disse que era um plano nosso! NOSSO, ! E agora eu tenho que fazer uns trabalhos voluntários no projeto junto com ele para “entendermos a importância de proteger as tartarugas” — terminou ela, fazendo aspas com os dedos.
Naquele momento, olhando morrer de raiva, eu percebi o quanto o amor era engraçado e aí não consegui conter o riso. Ela me lançou um olhar mortal e tascou o travesseiro na minha cara, fazendo eu rir ainda mais e correr, de calcinha e sutiã, pra fugir de outras travesseiradas. Depois de mil penas vazarem, começou a rir também e terminamos com uma bagunça grande para limpar.
— Olha caralho, não sou eu que sou catar essas penas não ein! Foi você que resolveu me agredir com o travesseiro — afirmei, enquanto procurava a cara de entre as penas.
— Tanto faz! Eu já vou ser escrava no Projeto Tamar mesmo, da em nada ser aqui também — falou , dando de ombros.
— Pelo menos, você vai ser escrava com um super gato sendo seu dominador. Me chama de Christian Grey, — falei, tentando, e falhando ao, imitar a voz de .
tascou um tapa no meu antebraço e ficou mais vermelha que um pimentão com o meu comentário. Ergui a sobrancelha e fiquei encarando-a. não deveria estar envergonhada com um comentário tão besta, mas então, algo brilhou na minha cabeça.
— AÍ MEU DEUS! VOCÊ É VIRGEM!
— VAI ! Grita pra todo o Hildens saber — disse , me mostrando um cotoco.
— Por que você nunca me disse? OMG! Como é que nenhum menino conseguiu entrar nas suas calcinhas?
— A gente não sai gritando que tem teia de aranha na ppk né, bixa tosca! E além disso, acho que nunca encontrei alguém que me fizesse achar que vale a pena — sussurrou, fazendo meus traços se suavizarem e eu perceber a joia rara que eu tinha o prazer de chamar de amiga.
— Ele vai aparecer, baby! E você vai ver que vale a pena, não só ter esperado, mas também se jogar de braços abertos nisso.
te deixou tão inspirada assim foi? — falou , enquanto retomava o aspecto não corada.
— Que? ? Como você sabe que ele esteve aqui?
— Olha... No começo, eu não prestei atenção, mas depois da sutil alteração na sua tatuagem, eu fiquei sabendo né.
Que alteração? Hã? Comecei a procurar pelo meu corpo e quase morri ao ver que o antes “a-mar” agora tinha escrito de caneta preta “a-mar o ”. Sai correndo pro banheiro e comecei a esfregar o braço com sabão, só pra tomar consciência de que caneta permanente não sai. Fudido! entrou no banheiro rindo, enquanto eu xingava todas as gerações futuras daquele traste. Porra. Como eu ia andar com isso?
— Eu acho uma prova e tanto tatuar o nome do amado, ein! Quem diria que você era louca!
— Vai se foder, ! Me ajuda a tirar isso.
Tentamos de tudo. Álcool, sabão, vinagre. A tatuagem só ficava mais vermelha e mais chamativa. Desisti, eu iria usar mangas longas, fim de papo.
Bolei três mil planos de me vingar, mas quando encarei o meu alvo, sentado na mesa do refeitório. Todos eles se resumiam a prendê-lo na cama e abusar daquele corpo. Jesus, eu estava virando uma pervertida. Indiquei um lugar no hemisfério oposto e foi até lá fulminando , que comia calmamente como se tivesse planejado tudo no Projeto Tamar. sorriu pra mim e eu levantei meu dedo do meio pra ele, o que fez o seu sorriso aumentar ainda mais. De certo, aqueles dois garotos estavam zoando com a nossa cara.
O cardápio do dia era massa à bolonhesa e eu decidi que nada mais calórico para afogar a raiva. Comentei com que pela primeira vez teríamos uma aula conjunta de tarde, já que seria a união das disciplinas de artes com psicologia do sexo. Me dava um frio na espinha saber que eu dividiria a aula também com e . Com certeza, eles sairiam dali mortos. Helana e Amanda se juntaram a nós, comentando que Leticia tinha declinado da nossa companhia pois teria encontrado um grupo de meninas mais favorável aos seus dotes de alpinista social. Revirei os olhos. Se ela chegasse perto de , eu ia me encarregar de que ela não escalasse mais nada durante muito tempo.
— Então, eu ouvi dizer que vocês vão fazer uma peça nus hoje! Acho que estou profundamente arrependida de não ter escolhido essa classe! — comentou Amanda, lançando um olhar cúmplice para Helena.
— Oh! Eu também! Ainda mais se eu soubesse que e Montesano estariam na mesma turma. Já pensou um ménage com os dois? — respondeu Helena, se abanando com a mão.
— Provavelmente a Professora Louise não faria algo tão dramático assim, então podem parar de imaginar! Ela tá numa vibe de energia, amor e paixão — falei, cortando o barato daquelas duas.
— Talvez amor com eles seja melhor do que sexo com qualquer um, o que vocês me dizem? — Amanda reforçou seu ponto de vista.
— Caralho, não quero amor nem sexo com aqueles demônios. Eu vou ter que passar uma semana no projeto Tamar com o Montesano e consigo imaginar todas as formas para matá-lo! — grunhiu , encarando de cara amarrada.
— Matá-lo de prazer você quer dizer? — pigarreou Helena — Vamos, . Não venha me dizer que nunca prestou atenção naqueles cabelos loiros desgrenhados, como se ele tivesse acabado de sair de um sexo selvagem; ou então naquele sorriso que ilumina mais do que qualquer farol. Ele é quente.
Dei graças a Deus delas estarem falando de , porque se fosse de … Provavelmente elas estariam sem língua agora.
— Mesmo que eu tivesse prestado, ele só é quente quando tá calado. Porque quando abre a boca, só serve pra me encher a porra do saco — terminou , destilando sua raiva distraidamente, quando todas as meninas se calavam e encaravam os meninos chegando pela sua costa.
— Eu posso falar as palavras certas no seu ouvido quando tivermos na cama, coração! — sussurrou , mordendo a orelha de .
Ela deu um pulo, quase como se estivesse queimado e começou a socar o peito dele, enquanto ele ria. Encarei e ele caminhou em minha direção, puxou meu braço e arregaçou minhas mangas. sorria triunfante ao ver sua “obra de arte” intacta no meu braço.
— Então quer dizer que essas canetas funcionam mesmo! — comentou , como se não acreditasse que seu rabisco fosse realmente ficar.
— Vá se foder, ! — rosnei, puxando o braço antes que alguém visse a tatuagem.
— Só se for com você, amor — disse ele, puxando-me para o seu colo.
Helena e Amanda me encaravam de olhos esbugalhados, parecendo que eu tinha sete cabeças, dei de ombros envergonhada. conversava com e como se fosse a coisa mais normal do mundo me ter em seus braços e de tempos em tempos pousava os lábios nos meus, como se quisesse certificar que eu não tinha saído dali. Encarei o relógio e levantei num pulo, sabendo que se não fôssemos embora, chegaríamos atrasados na aula interdisciplinar.
Arrastei os três pelos corredores e quando vi a estrutura montada na sala, sabia que aquilo não daria certo. Todas as cadeiras tinham sido substituídas por pufs e almofadas, organizadas em círculo ao entorno de uma grande moldura. Eu já tinha lido sobre alguns dos exercícios do teatro e imaginei que aquilo era mais da técnica do espelho que usamos semana passada. Observei cada aluno se aproximar do seu par e cochichar, especulando o que aconteceria, mas quando Professora Louise e Mestre Renée entraram, a sala caiu num silêncio absoluto. já tinha me dito que seu professor era excêntrico, porém que suas dinâmicas eram geniais e eu esperava que isso se confirmasse hoje.
— Olá queridos alunos! Sei que vocês estão ansiosos para saber da nossa dinâmica de hoje, mas primeiro, gostaria de apresentar à minha turma, o maravilhoso Mestre Renée — falou Prof. Louise, dando-nos um sorriso gracioso.
— Louise! Você sempre bondosa nos elogios — ele lançou um olhar significativo para a professora, antes de direcioná-lo para nós — Olá, crianças! Eu sou o humilde receptáculo da Arte nesse acampamento e espero que cada um possa ser agraciado com um pouco do conhecimento que dissemino ao mundo. - completou Mestre Renée, avaliando cada um enquanto rodava a ponta do bigode.
— Nossa dinâmica vai ser bem simples, eu preciso de dois voluntários para encenarem uma cantiga — ele passeou entre nós, antes de parar na minha frente e tocar uma mexa do meu cabelo — Bela dama, podes me servir de exemplo? — disse, estendendo a mão para que eu pegasse.
— Eu não sou aluna de teatro, professor. Talvez tenham outros mais adequados — Dei um passo para trás, balançando a cabeça em negativo, mas o seu sorriso e mãos continuaram estendidas até que eu pegasse. Segui seus passos até o lado direito do espelho.
Ao me acomodar, observei o mestre se voltar para e colocá-lo do meu lado oposto, como se fossemos o reflexo um do outro.
Mestre Renée passou as mãos em meus ombros e começou a entoar versos de uma canção.
“De tudo que é nego torto. Do mangue e do cais do porto, ela já foi namorada. O seu corpo é dos errantes. Dos cegos, dos retirantes. É de quem não tem mais nada.”
Seu tom era inebriante, como se tivesse dentro da história, nos brindando com um pedaço de uma memória. Ele puxou a mesma mexa que antes segurara, deixando meu couro cabeludo em chamas.
“Dá-se assim desde menina. Na garagem, na cantina. Atrás do tanque, no mato. É a rainha dos detentos. Das loucas, dos lazarentos. Dos moleques do internato”.
Eu estava hipnotizada pela encenação que Mestre Renée conduzia como uma dança. Agora, seus passos voltavam a mim de posse de um batom vermelho. Ele segurou meu queixo suave e passou o tom vivo em meus lábios.
“E também vai amiúde. Com os velhinhos sem saúde e as viúvas sem porvir. Ela é um poço de bondade e é por isso que a cidade. Vive sempre a repetir”
me encarava do outro lado da moldura, cheio de apreensão. Seu semblante demonstrava pouca disposição em encarar aquilo como atuação e parecia prestes a me tirar do lado de Mestre Renée. Mas, continuou em seu lugar para ouvir os versos seguintes:
“Joga pedra na Geni! Joga pedra na Geni! Ela é feita pra apanhar! Ela é boa pra cuspir! Ela dá pra qualquer um! Maldita Geni!”
O último verso fora gritado em fúria, como se a sociedade odiasse Geni, eu, por seu espírito livre. Mestre Renée passou a mão por meu rosto, borrando o antes intacto batom vermelho e cuspindo ao meu lado, perto do meu sapato. Naquele momento, eu tive o primeiro choque. Meu coração começou a bater com força, sentindo-se devastado por ser Geni. Quantas mulheres no mundo não passavam por humilhações daquelas todos os dias. Eu queria abraçar meu corpo e embalar minha personagem, dizendo que não tinha problema nenhum em ser livre, mas de súbito, o tom de voz do Mestre mudou. Tornou-se admirado, como se tivesse medo do que estava por vir:
“Um dia surgiu, brilhante. Entre as nuvens, flutuante. Um enorme zepelim. Pairou sobre os edifícios. Abriu dois mil orifícios. Com dois mil canhões assim.”
Ele caminhou até e lhe deu uma coroa, sujando seu rosto com um pó preto. Ele era o zepelim.
“A cidade apavorada. Se quedou paralisada. Pronta pra virar geleia. Mas do zepelim gigante, desceu o seu comandante, dizendo ‘Mudei de ideia’”.
Mestre Renée apontou para a plateia de alunos que o acompanhava vidrada, indo até lá e fazendo “oh” com a boca para que eles repetissem. Foi até o lado esquerdo do espelho e arrastou para o meu lado.
“Quando vi nesta cidade, tanto horror e iniquidade. Resolvi tudo explodir. Mas posso evitar o drama. Se aquela formosa dama. Esta noite me servir”
Ele trouxe uma réplica da coroa de para o meu colo e uniu nossas mãos em um laço.
“Essa dama era Geni! Mas não pode ser Geni! Ela é feita pra apanhar. Ela é boa pra cuspir. Ela dá pra qualquer um. Maldita Geni”
Ele socou para longe a coroa que estava no meu colo e empurrou minha face como se eu tivesse levado um tapa. Senti endurecer ao meu lado e eu só queria chorar por Geni.
“Mas de fato, logo ela. Tão coitada e tão singela. Cativara o forasteiro. O guerreiro tão vistoso. Tão temido e poderoso. Era dela, o prisioneiro” dizendo tais versos, Mestre Renée forçou a se abaixar, colocando-o em submissão aos meus pés e prosseguiu com a história.
“Acontece que a donzela (E isso era segredo dela). Também tinha seus caprichos. E ao deitar com um homem tão nobre. Tão cheirando a brilho e a cobre. Preferia amar os bichos.”
Mestre Renée empurrou dos meus pés e afastounos, dando a impressão de que eu tinha rejeitado sua devoção.
“Ao ouvir tal heresia. A cidade em ro. Foi beijar a sua mão. O prefeito de joelhos. O bispo de olhos vermelhos. E o banqueiro com um milhão.” Falou ele, beijando minhas mãos, depois fazendo um sinal da cruz e por fim, jogando notas de dinheiro em mim. Ali, Geni se sentia coagida, não pelos milhões, imagino, mas pela sua vontade de ser bondosa.
“Vai com ele, vai, Geni! Você pode nos salvar. Você vai nos redimir. Você dá pra qualquer um. Bendita, Geni!” Proclamou jogando pétalas de rosas sobre mim.
“Foram tantos os pedidos. Tão sinceros, tão sentidos. Que ela dominou seu asco. Nessa noite lancinante. Entregou-se a tal amante. Como quem dá-se ao carrasco.”
Mestre Renée colocou em cima de mim, como se naquela noite, ele fosse meu dono e açoiteou minhas costas com um chicote fictício.
“Ele fez tanta sujeira. Lambuzou-se a noite inteira. Até ficar saciado.”
Ele passou o mesmo pó preto de por meu rosto, pelos meus braços e pernas, deixando-me imunda. Mestre Renée acompanhou até a plateia, despedindo-se do Zepelim antes de entoar o fim da história.
“Num suspiro aliviado. Ela se virou de lado e tentou até sorrir. Mas logo raiou o dia. E a cidade em cantoria. Não deixou ela dormir.”
Mestre Renée me colocou de pé e sorriu gélido. Geni tinha sido elevada? Agraciada? Santificada? Afinal, ela dera seu corpo, talvez mais, dera sua alma para salvar aqueles que nunca lhe estenderam a mão. De certo, maior prova de bondade não existiria. Arregalei os olhos, prestando atenção no que se seguira.
“Joga pedra na Geni! Joga bosta na Geni. Ela é feita pra apanhar! Ela é boa de Cuspir! Ela dá pra qualquer um! Maldita Geni!”
Fui pega de surpresa pelos versos finais. A cidade voltara a odiar Geni, mesmo ela tendo salvado-os. As lágrimas saíram do meu olho antes que eu pudesse impedir, eu estava arrasada. Chorei até Mestre Renée e professora Louise me abraçarem, dizendo que tinha sido incrível.
Comecei a escutar uma salva de palmas e quis sorrir, mas tal como Geni, eu não me sentia apta pra isso.
Aquele era o retrato de tantas mulheres. De repente, eu não chorava só por Geni, mas sim, por todas. Pelo machismo que assola e assombra. Pela violência a cada esquina e por vezes, dentro de casa. Enxuguei o rosto e pela primeira vez, encarei depois da dinâmica, ele me olhava com preocupação, mas além, seu semblante estava cheio de carinho. Caminhei em sua direção, tendo um momento de lucidez.
Por muito tempo, lutei por , frequentemente me diminuindo para estar ao seu igual. Eu precisava ser o estereótipo: metida, chata, indiferente, arrogante. E, em sua maioria, isso não foi suficiente para tê-lo, porque, a falsidade não segura ninguém. Talvez, nem o amor segure, afinal, o suprassumo é chamado de Livre-arbítrio. Todos somos livres para ir, mas temos que saber lidar com as consequências quando decidimos partir. 70% de mim achava que o resultado de acabar meu relacionamento com fosse perder a mim mesma, já que, por tanto tempo fui um padrão, como lembrar de ser eu? Mas, encontrar fez com que eu, de algum modo, encontrasse a mim mesma. Arranquei, pedaço por pedaço, a carcaça na qual me escondia e olhando aquele meu traste, eu soube que já não era mais um esteriótipo, aquela sombra de mim não existia mais. Eu estava feliz por isso.
Aconcheguei-me no corpo de , suspirando seu cheiro. Se eu fosse o cara de “Perfume”, aquele aroma com certeza seria o qual eu identificaria como “o amor”. afagou meus cabelos e limpou a última lágrima que insistia em cair.
— Não entendo como um Zepelim idiota deixou você sozinha, eu com certeza não deixaria — sussurrou , dando pequenos beijos em minha face.
— Você era o Zepelim, traste! — comentei, rindo. Após todo o alvoroço causado pela encenação, Mestre Renée pediu que todos ficassem confortáveis para o início da explicação. Sentei em um puf, com apoiado em minhas pernas, ao lado de e .
— Bem, meus queridos, “Geni e o Zepelim” é um grande clássico da musicalidade brasileira, mas enquanto escutamos, muitas vezes passamos ignorantes sobre o que a letra representa! – pontuou Mestre Renée, enquanto se acomodava ao lado de Prof. Louise, no centro da sala — Mas, quando a interpretamos; entoamos; cantamos, nós sentimos sua essência. Creio que cada um aqui pôde navegar pelos percalços de Geni, pôde se compadecer; enraivecer; odiar. Por isso, gostaria que vocês relatassem o que sentiram ao presenciar essa peça!
A sala caiu em silêncio, enquanto todos refletiam as palavras do Mestre Renée. Seria uma tarefa complexa colocar em um arranjo de frases tudo o que senti ao viver aquela história, mas eu estavacuriosa sobre o que os outros poderiam dizer e escutei atentamente cada comentário. A maioria se resumia ao poder de convencimento que Mestre Renée demonstrou, falavam sobre sua oratória eloquente que cativou e tornou verídico cada estrofe. Porém, quando levantou a mão e pediu a vez da fala, senti um arrepio de antecipação.
— Quando o senhor começou, tudo o que eu fiz foi procurar reconhecer cada técnica artística que usava para criar aquele universo, eu só queria aprender. Mas, quando chegou a cena do batom vermelho, eu fiquei paralisada ao imaginar Geni sendo crucificada pela população. Por quê isso? Por ela ser mulher, livre? Por gostar de sexo e fazê-lo? — diminuiu o tom, como se tivesse perdendo a coragem de falar sua opinião, mas aí, levantou o rosto e encarou nossa turma com tenacidade
"Eu me senti como Geni! Quando o senhor fala sobre compaixão, algo está errado! Geni não merece compaixão, a sociedade merece! Eles eram doentes, arrogantes, malvados. Ela era alguém a se assemelhar. Alguém que se doou por aqueles que nunca mereceram, alguém que passou por cima de si pelo bem dos outros. – deu uma pausa antes de continuar – Bem, Jesus fez o mesmo, não? Isso me faz perguntar, se ele fosse Mulher, tudo estaria mudado? Seus feitos seriam diminuídos pelo seu gênero? Nós somos julgadas todos os dias, pior que isso, somos atacadas, violentadas, estupradas e no final, somos estatística. Mas, de forma alguma, paramos para refletir sobre isso, né? Na realidade, feminismo é coisa do diabo e Patriarcado não existe."
Dessa vez, o silêncio que se instaurara foi interrompido quando comecei a bater palmas, seguida por Professora Louise e depois pela sala inteira. Dificilmente eu conseguiria falar melhor do que sobre o sentimento em meu peito. Abracei-a, tendo a certeza de que ninguém nasce desconstruída, mas que sempre podemos ajudar outras mulheres nesse processo.


Sabor da Competição.

Quando retornei ao quarto, me deparei com 24 ligações perdidas de , uma para cada hora do dia e olha que ele ainda não tinha acabado. Arremessei o celular longe, pedindo paciência aos céus, porque se me dessem forças eu matava aquele idiota.
Naquela noite teríamos uma festa temática no acampamento e já estava colocando o guarda-roupa a baixo em busca de um look incrível. Balancei a cabeça, ouvindo ela xingar o de todas as formas e pensando em contabilizar quantas vezes o nome dele saia da boca dela, certamente, eram muitas.
— Você já sabe o que vai usar hoje? — perguntou , direcionando o olhar para mim.
— Hm, não! Mas de qualquer forma, não é como se eu tivesse muita opção, minhas roupas brancas são limitadas então...
— Realmente! Que diabos de tema é esse... Festa das cores, tsc. Égua, se eu acabar toda gata borralheira com aquelas fumaças coloridas, vou ficar muito puta.
Sorri, imaginando que ficar limpa seria uma missão impossível.
elegeu um vestido ombro a ombro, com um corpete até a cintura e depois de barra solta; a marquinha do biquíni ficava a mostra e seu colo bronzeado dava um toque sensual a mistura meiga.
Levantei, com amargura, querendo ficar na cama, mas de certo, minha colega de quarto nunca deixaria eu pular aquela noite. Depois de revirar todas as minhas roupas, optei por um macacão curto com mangas que formava uma gola alta ao redor do pescoço, ele apresentava um decote profundo na frente e eu rezei para que a gravidade não atuasse nos meus peitos durante a festa.
Coloquei uma maquiagem leve, usando iluminador e bronzer, terminando com um batom nude para dar seriedade ao visual. Decidi deixar o cabelo solto em ondas, já que de qualquer forma, ele estaria um bagaço depois de toda fumaça colorida.
Enganchei o braço de quando estávamos prontas e não pude deixar de lembrar da minha primeira noite ali, tinha começado assim também, com nós duas saindo juntas. Quem diria que eu encontraria alguém assim naquele acampamento, na verdade, quem diria que eu encontraria várias pessoas assim. Abracei que me sorriu de volta e mais uma vez, eu soube, eu era abençoada.




A praia estava iluminada pelos jogos de luz que vinham do palco e ao longo do caminho até a pista de dança se erguiam vários postes de fumaça. Provavelmente, as cores seriam lançadas durante as músicas, não dando escapatoria para ninguém com pés inquietos.
Caminhei até o bar, onde alguns funcionários do Hildens faziam malabarismos com garrafas, atraindo um fluxo grande naquele local. Cutuquei ao ver e recebi seu revirar de olhos em troca, observei minha amiga se afastar e começar a flertar com um barman enquanto pedia uma bebida. Muito madura mesmo.
se aproximou e eu sorri solícita, vendo ele encarar o caminho pelo qual tinha seguido. Sabe Deus como começou aquele pé de guerra, mas não ia terminar tão cedo.
— Deveria ser proibido dar álcool para , ela já é louca sóbria – comentou , fingindo sensatez.
— Falou a pessoa que tentou roubar uma tartaruga do Projeto Tamar! Mas, Deus me livre ficar nesse fogo cruzado. Vão resolver essa treta aí, no quarto – respondi, piscando pra ele.
me deu um soquinho no ombro, como se eu falasse as maiores asneiras do mundo e eu comecei a achar que seria lindo unir aquele casal e rir dizendo que cantei a pedra desde sempre.
Segui com ele até o início das mesas, eram pequenos pontos de vidro com banquinhos altos, que acumulavam pessoas em volta. Nos aproximamos de Hadassa e Amande, que conversavam animadamente entre si e quase saltaram os olhos ao verem .
— Ó meu Deus, garota! Você quer matar todos os boys com esses peitos? – gritou Hadassa, puxando minha mão para que eu desse uma voltinha.
Rodopiei, sorrindo, para que o grupo a minha volta apreciasse a minha roupa e quase ruborizei ao ver alguns garotos sorrindo para meu decote. Minha cara é aqui em cima, ô!
— E você não está nada mal também, ! Eu diria um pedaço do pecado, ein! – sussurrou Amande, olhando-o com cobiça.
deu de ombro, como se a sua beleza fosse um dom divino com o qual ele já estava acostumado. Balancei a cabeça, sorrindo daquela humildade. Observei sua camisa de botões abertos até mostrar o início do peitoral e de mangas enroladas no cotovelo, que, juntamente, com a calça de jeans claro, davam um ar de surfista gostoso em combinação com aqueles cabelos claros. que me perdoe, mas ela estava sendo totalmente otária de desperdiçar aquele homem.
— Vocês não vão me elogiar também? — soltou atrás de mim. Suspirei, virando devagar para encontrar aqueles olhos risonhos, aquele sorriso enebriante e aquele homem que estava fazendo a minha cabeça. Santa Afrodite, me salva! encurtava a nossa distância, dando passadas confiantes e atraindo a atenção de metade das meninas do ambiente. Sua camisa branca contrastava com a pele bronzeada e dava a impressão de estar iluminando aquela “cor do pecado”, ele estava lindo. Na verdade, até pelado ele era lindo. De súbito, eu quis colocar numa caixa e não deixar mais ninguém olhar pra ele, eu podia fazer isso, né?
Senti suas mãos envolverem minha cintura e levantei o rosto para encarar seu olhar. O mundo parou ali, eramos só nós, banhando-nos na devoção um do outro, acariciando nossos corpos, abraçando nossas almas. Uma corrente de prazer percorreu os lugares por onde ele me tocava, era a sensação de pertencimento me dominando. Fiquei na ponta dos pés e rocei meus lábios nos seus, ele fechou os olhos e sorriu colado em mim.
— Ah, pelo amor de Deus, eu preferia quando vocês estavam implicando um com o outro! Puta merda, não vou segurar vela, já basta ele ficar falando no teu nome toda hora – resmungou , fulminando a gente com o seu olhar.
me encarou, nos afastando a uma distância segura, porém mantendo o braço ao redor de mim. Dei de ombros para .
— Você sabe, a implicância sempre quer dizer algo... isso é comprovado no seu caso com , né? – alfinetei ele, rindo da sua carranca.
— Comprova que irritar aquela nordestina é a coisa mais divertida do mundo! – grunhiu .
— Vai estudar geografia, seu babaca! Eu sou do NORTE, bixo burro – respondeu , dando um tapa na cabeça dele, antes de jogar o cabelo pelos ombros e seguir desfilando para o meu lado.
— Não me importo em saber da onde vem mulheres baixinhas e grosseiras igual você. Pode voltar pros seus jacarés!
— Ah, menino! Tu não mereces saber, até porque meus jacarés iam te dar uma dentada certeira. – disse , olhando-o irritada.
— Ok! Round 01 deu empate, vamos acalmar os ânimos no intervalo, daqui a pouco a sobe no palco liberando vocês para mais um tempo dessa luta – comentou , ficando entre os dois para impedir que eles saissem no tapa literalmente.
Revirei os olhos, pareciam duas crianças de 10 anos brigando para definir quem ia ser o dono da casa na árvore. Hadassa e Amande observavam a situação, como se estivessem prestes a presenciar a bomba atômica. Provavelmente, era isso que a mistura de e formava.
— Hm, parece que estamos sobrando aqui! – comentou Amande – Sabe que até dói no coração ver os mais gatos do acampamento de coração conquistado?
deu um pulo, ofendido pelas palavras.
— O QUÊ? Conquistado? Eu, Montesano? Jamais. Por uma caipira? Pior ainda!
Dizendo isso, ele passou os braços pelos ombros das meninas e foi embora, olhando para trás só para se certificar de que estivesse vendo seu K.O triunfante. Ela, por sua vez, bufou ao meu lado e seguiu caminho oposto, pisando forte e bem decidida a dar o troco.
Olhei para e ele balançou a cabeça, deixando pra lá o ocorrido. Sorri, pegando sua mão e puxando-o para a pista de dança. Chegamos ao som de “Fazer falta” do MC Livinho e quase morri de rir quando chegou na parte “se seu hobbie é sentar não vou te criticar, tá de parabéns” vendo balançar o indicador em negativo e depois bater palmas pra mim. Vai, bonito, me mata de vergonha!
Coloquei as mãos na cintura e olhei séria aquela pequena atuação, mas não consegui segurar o riso por muito tempo e corri para os seus braços quando ele fez sinal de “vem cá” pra mim. Dançamos algumas músicas juntos, até o primeiro jato de fumaça ser lançado.
Encarei , seu rosto tomado de azul, roxo e rosa, enquanto o mundo ao nosso redor se transformava num embaraço de cores. se aproximou e tocou meus lábios, variando entre olhar em meus olhos e para a minha boca. Sorri, segurando seu pescoço, vendo pequenos tons de amarelo se alojarem na camisa branca.
— Você sabe o que manda a tradição, azedinha. Devemos nos beijar embaixo da fumaça colorida.
! A tradição tem a ver com flocos de neve e pinheiros no natal! – respondi, encarando aquele sorriso debochado.
— Não! Essa não é a mesma que eu tô falando. Confia em mim ou você quer ficar com 7 anos de azar? – sussurou ele, franzindo o cenho.
Rolei os olhos, inclinando meu corpo de forma que encostasse nossos lábios. Senti rir por entre o beijo e usei a mão livre para socar seu braço, ele puxou meu cabelo e aprofundou o beijo, como se quisesse me punir pela indisciplina. Mal sabia que eu queria aquilo mesmo. Mordi seu lábio inferior, sugando-o para mim. aproveitou para abrir minha boca e usurpar minha língua, tomando-a pra si de forma possessiva. Oh, eu era sua.
Antes que eu me desse conta, o traste se afastou de mim quando o holofote mirou em nós. Coloquei a mão no rosto para me proteger da luz ofuscante até que ele mudasse de direção. Que diabos. Observei o palco, me apoiando no peito de , enquanto a música diminuia e um cara subia com um microfone.
— Boa noite, Hildens! Como vocês estão? – gritou o desconhecido, sendo ovacionado pela platéia em frente ao palco – Eu sou TJ, seu apresentador e hoje é uma noite muito especial! Por isso, vou declarar aberto o nosso querido, amado, descobridor de talentos... KaraoKrush!
A multidão berrou e eu ergui a sobrancelha, tentando descobrir que ideia era aquela. O apresentador seguiu para o centro do palco e explicou que qualquer um poderia subir ali e cantar uma música de declaração para o amor platônico e quem sabe sair arranjado com o crush! Entalei de rir quando resmungou por não poder cantar pra mim, já que eu era seu romance real e eu respondi que deveriamos apostar uma ficha em cantando para .
Acompanhei Arturo cantar “Hoje eu sou seu, meu bem” para Yacinth, que por sua vez, cobria o rosto envergonhada e quase se enterrou quando ele desceu do palco para fazer uma dancinha na sua frente. Ao meu ver, aquela discussão sobre Wakeboard rendeu ein. No final, ele conseguiu um beijo e o Hildens explodiu em aplausos.
Os próximos variaram em conquistas e derrotas, com direito a errar a música e ser agraciado com “o raul perguntou, você não acertou, pegue seu banquinho e saia de fininho”. Eu já estava lagrimando de tanto rir e não perdia a oportunidade de fazer piadinhas, deixando meu abdomen dolorido de tantas risadas. Estavamos nos recompondo quando subiu, de olhos vidrados e sorriso vacilante de bêbada. Encarei alarmada e corri para a beira do palco, rezando para que a sanidade voltasse a reinar e minha amiga saísse dali. Acenei loucamente, mas ela só me olhou de soslaio e pegou o microfone da mão do apresentador, empurrando-o e fazendo um Ok pro DJ começar a música.
Quando escutei os primeiros acordes, comecei a suar frio, já imaginando que fazer passar vergonha era o troco dela.
“I wanna see your peacock, your peacock.
(Eu quero ver o seu pavão, seu pavão)”

Entoou , soltando a voz de forma sensual. Ela caminhou até a frente do palco e para não restar dúvidas, apontou para que a encarava estarrecido. A multidão abriu caminho para que ele chegasse mais próximo e eu podia jurar que ele ia virar um tomate de tão vermelho que estava.
“Word on the street, you got somethin’to show me, me.
(Palavra de rua, você tem algo a me mostrar)
Magical, colorful, Mr. Mystery, ee.
(Mágico, colorido, Senhor Misterioso)
I’m intrigued, for a peek, heard it’s fascinating.
(Estou intrigada, por uma olhadinha, ouvi dizer que é fascinante)”

abanou o rosto, como se tivesse superaquecendo ao imaginar o peru de , mas eu poderia apostar que era ele que estava quente vendo-a rebolar na sua frente. Ele e mais da metade do acampamento. sussurrou que aquilo não iria dar certo e eu tive de concordar.
“I want the jaw droppin’, eye popin’, head turnin’, body shockin’
(Quero ficar de boca aberta, olhos saltitando, cabeça pirando, mexendo o corpo)
I want my heart throbbin’, ground shakin’, show stoppin’, amazin’
(Eu quero coração palpitando, o chão tremendo, um show incrível, chocante!)”

A essa altura, gritava para descer do palco antes que ele mesmo fosse tirá-la de lá, mas ela deu de ombros e se ajoelhou para aproximar seu rosto do dele, encarando-o em desafio.
“Are u brave enough to let me see your peacock?
(Você é corajoso o suficiente para me deixar ver o seu peru?)
Don’t be a chickenn boy, stop acting like a bitch
(Não seja babaca, garoto, pare de agir como uma vadia)
Come on baby let me see, what you’re hiding underneath
(Vamos lá baby, deixe me ver o que você está escondendo ai embaixo)”

frisou a palavra “baby” durante a música, implicando com a forma que Montesano lhe chamava. Ela se levantou, dando à plateia uma visão ampla da sua calcinha, mas acho que ali, pouco ligava, ela só tinha olhos para fulminar o e provavelmente, ele não conseguia tirar os dele da dancinha que ela fazia no palco. Eu posso filmar isso e chantagear ela amanhã? Com certeza garantiria limpeza do quarto pelo resto do acampamento!
“Brake me off, if you bad, show me who’s the boss
(Me quebre, se você for mau, me mostre quem manda)
U Need some goose, to get loose, come on take a shot
(Você precisa de uma pavoa para transar, vamos lá, tome uma prova)”

Eu fui uma virgem louca daquele jeito? Pelo amor de Jah! Aquela menina era doida, no mínimo. A multidão cantava junto com ela, animados pelo karaokê mais erótico já visto em Fernando de Noronha.
— Eu acho que esses dois estão dando um belo show hoje, ein! – comentou , rindo da situação em meu ouvido.
— Talvez a gente possa dar uma fugidinha e fazer nosso show privativo, que tal? – sussurei, mordendo o queixo dele.
Antes que ele pudesse responder, terminou a música e o apresentador subiu no palco correndo, tentando impedir que arrancasse ela lá de cima. A plateia aplaudia com vigor o escândalo e eu defini eles como ponto auge da noite.
TJ recuperou o microfone, sinalizando para que tirassem os dois do palco e tentou acalmar os animos.
— Uau! Isso que eu chamo de apimentar a relação! – soltou ele, rindo – Mas, para finalizar essa noite bombástica, temos uma canção especial, um presente! , essa é para você!
Dei um pulo ao ouvir meu nome, mas quando percebi parado ao meu lado, relaxei, deduzindo que a música era para outra . Observei as luzes se apagarem e um holofote focar no meio do palco, esperei a melodia começar e esse foi o tempo de aparecer no meu lado dizendo que tinha arrasado no seu pequeno show, virei em sua direção para argumentar, mas a voz vinda do karaokê me fez travar...
“Não adianta nem tentar me esquecer
Durante muito tempo em sua vida eu vou viver”

Com direito a Roberto Carlos, cabelos penteados e voz rouca, estava na minha frente, lançando-me um sorriso caloroso e um olhar de “eu te disse que não ia te deixar partir”. O QUE ERA AQUILO? Playground do Diabo? Segurei o braço de , apertando-o como quem segura um bote salva-vidas, ela me encarou com uma interrogação no olhar e depois de dois segundos, percebeu porque eu estava pálida.
— Oh, meu deuss! Você é a ! – pareceu concluir chocada – Se o tá aqui, aquele é... o ? AI MEU DEUS – sussurrou, tentando deixar e de fora dos acontecimentos.
Balancei a cabeça vagorasamente, me esquecendo até de respirar. Como aquela criatura tinha ido parar ali?
— Ele canta, ? Puta que pariu. Ele canta! – comentou ela, tomando ciência do pacote perigoso que eu chamava de ex-namorado.
“Eu sei que o outro deve estar falando no seu ouvido.
Palavras de amor como eu falei, mas eu duvido.
Duvido que ele tenha tanto amor”

Retribui o olhar de com desgosto, o filho da puta queria mesmo falar de amor? Desviei o rosto para observar e Amande se aproximando, encantadas com a melodia vinda do palco. Ótimo, ele poderia muito bem me esquecer e ficar com elas, não seria algo difícil. Comecei a rezar três preces para que aquilo fosse um pesadelo, já que de forma alguma iria terminar bem, mas como um Karma, se aproximou da plateia e apontou na minha direção, fazendo com que eu fosse banhada por um foco de luz. Se eu estava branca, acabara de ficar vermelha.
Olhei por cima do ombro, como se procurasse para quem ele apontava, mas nada do foco mudar de direção. Merda
“Se alguém tocar seu corpo como eu, não diga nada.
Não vá dizer meu nome sem querer à pessoa errada”

Alguém.Me.Mata. Senti todos os olhos do Hildens em mim e o pior, tinha quase petrificado ao meu lado. Como eu explicaria isso para ele? Franzi o cenho e fui inundada por um raiva descomunal enquanto terminava a música. Durante o último verso, não me contive, sai andando em direção ao palco e subi os degraus ficando de frente com aquele encosto.
Sorri em sua direção, encostando no Dj para sinalizar a música que eu pretendia cantar. Com certeza, aquela não era a melhor forma de demonstrar o quanto estava aborrecida com a situação, mas eu só conseguia pensar em matar bem ali, observando seu olhar convencido preencher o ambiente com seu ego.
Tomei o microfone de suas mãos, erguendo a sobrancelha em desafio diante do show de drama que ele tinha dado bem ali.
[N/A:*Coloque essa música pra tocar*]


You call me, all friendly
(Você me liga, todo amigável)
Tellin' me how much you miss me
(Dizendo o quanto sente minha falta)
That's funny, I guess you've heard my songs
(Engraçado, acho que você ouviu minhas músicas)
Well, I'm too busy for your business
(Bem, estou ocupada demais pra você)
Go find a girl who wants to listen
(Vá achar uma garota que queira te ouvir)
'Cause if you think I was born yesterday
(Porque se você acha que eu nasci ontem)
You have got me wrong
(Você não me conhece)

Toquei o rosto de , acariciando a pele bem barbeada, percorrendo seu semblante com olhos de pena. Ali, era tudo o que eu sentia desabrochar no meu peito. Um sentimento sólido, pesado e frio de piedade. O fogo que queimava meu corpo a sua presença se transformara em uma centelha que não recebia estímulos para voltar a ser fogueira. Era o fim, ambos sabíamos disso.
You say you're sorry, but it's too late now
(Você diz estar arrependido, mas agora é tarde demais)
So save it, get gone, shut up
(Então pare, some daqui, cala a boca)
'Cause if you think I care about you now
(Porque se você acha que eu me importo com você)
Well, boy, I don't give a fuck
(Bem, garoto, eu não dou a mínima)

Observei o semblante de se transformar em uma careta de poucos amigos, enquanto eu caminhava em meio a alguns desafinos pela música que resumia meus sentimentos em relação à ele. Talvez fosse preciso de uma plateia como aquela para que se desse conta de que não existia futuro para nós dois, afinal, quando o amor passa a te machucar mais do que fazer bem, vale mesmo a pena continuar?
So I cut you off!
(Então, eu te mando embora!)
I don't need your love
(Não preciso do seu amor)
'Cause I already cried enough
(Porque eu já chorei o bastante)
I've been done!
(Eu me cansei!)
I've been movin' on
(Estive seguindo em frente)
Since we said goodbye
(Desde que dissemos adeus)

O amor é como uma corda, cada lado é sustentado pelos parceiros naquela relação. A partir do momento em que um lado solta a corda, seja através de indiferença, egoísmo, traições, a ponta oposta têm que ser sobrecarregada para manter o lado penso. Eu era a ponta sobrecarregada, eram as minhas mãos que sangravam ao apertar fortemente meu vinculo com , porém, o que eu não sabia era que mesmo me machucando para fazer dar certo, nada é o mesmo que do ter dois lutando para o laço nunca ser desfeito. Por isso, eu estava soltando a corda naquele momento.
I see you tryna get to me
(Eu vejo você tentando chegar até mim)
I see you begging on your knees
(Eu vejo você implorando de joelhos)
Boy, I don't give a fuck
(Garoto, eu não dou a mínima)
So stop tryna get to me
(Então pare de tentar chegar até mim)
Get up off your knees
(Pode ir se levantando)
'Cause boy, I don't give a fuck, oh oh
(Porque garoto, eu não dou a mínima)

Sorri, gesticulando como se mandasse Stark ir embora, o que eu realmente gostaria de fazer se não estivesse tão curiosa para saber que merda ele estava fazendo ali. Escutei a plateia se dividir entre cantar comigo o hino de Dua lipa, murmurar confusa sobre o romantismo daquele karaokê e apoiar a causa.
Desviei meu olhar para a multidão que se encontrava próximo do palco, sentindo o estômago gelar ao encarar o olhar inquisitório de . Merda. Dali de cima, a sua face indicava que ele queria me matar e a última pessoa que eu desejava ferir era ele. Senti a voz falhar, antes de voltar a me concentrar em que também tinha buscado na plateia quem era a pessoa que eu olhava.
Cheguei perto dele, dando um tapinha nas suas costas, assinalando que agora eramos apenas amigos e terminei a música, jogando o microfone no chão e indo embora, deixando para trás aplausos, um ex humilhado e um atual querendo explicação.




Continua...



Nota da autora:
OLÁ AMORAS!
Como vocês estão nesse belíssimo dia?
Bem, decidi reescrever o início da fic, porque eu simplesmente odiava ele, sério. Gosto muito da forma com que ela se desenvolve depois, porém, se vocês odiarem o inicio de nada adianta um desenvolvimento bom né? Precisava de algo que instigasse a leitura e não acho que cheguei no ponto certo, mas é melhor do que antes rs!
Por isso, além de mudar os cap 1, 2, 3 e 4 (sutilmente), eu decidi reorganizar os demais, logo, os antigos cap 9 e 8 não estão aqui, irei postá-los daqui a alguns dias! Me contem o que acharam das alterações.
Obrigada por lerem.
Beijos de luz
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Personagens:
Sunshines, sei que a maioria tem grande curiosidade em saber mais sobre a fisionomia dos personagens então... decidi deixar aqui uma foto de cada um, para vocês terem uma base de cada amorzinho!
Merk, vulgo, melhor amiga da PP rs:
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Montesano, vulgo, o boy magia da :
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Stark, vulgo, o ex, também conhecido como praga dos infernos:
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OBS: claramente, ele é bonitinho, mas ordinário!
Bentes, vulgo, a piriguete:
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Professora Louise, vulgo, promotora do nosso casal 10/10:
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Professor Matteo, vulgo, o pianista apaixonado pela nossa Professora:
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Agora, a pergunta é: vocês querem saber como são o PP e a PP? Ou deixo na imaginação de vocês? hahahah.






Outras Fanfics:
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