Postada em: 11/01/2018

Capítulo Único


Foi apenas ao notar a completa ausência de dor ao ter suas costas jogada contra a parede do quarto que percebeu o quanto estava bêbada. A força com a qual ela havia sido jogada deveria ter, no mínimo, feito-a perder um pouco de ar dos pulmões. Mas ela sequer havia sentido, e a única explicação que poderia ser dada era o excesso de álcool em seu sangue, deixando-a em um estado praticamente anestesiado.
não sabia exatamente quanto havia bebido naquele happy hour da empresa. Geralmente ela nem saía com os colegas de trabalho daquela maneira, mas eles haviam fechado uma venda tão grande e importante que todos haviam concordado que mereciam sim uma comemoração. E desde quando adultos comemoram de uma maneira que não envolva, no mínimo, muitas cervejas?
Enquanto os lábios de percorriam seu pescoço e desciam cada vez mais, se perguntava porque raios ela havia ido para a casa de seu ex-chefe – ela havia sido promovida e transferida de setor há poucos meses. Ao sentir o corpo dele pressioná-la um pouco mais contra a parede, pensou que talvez soubesse o motivo. Querendo ou não, ela sempre havia achado bastante sexy.
Não que ele fosse o homem mais lindo daquela empresa, mas alguma coisa nele sempre chamou a sua atenção. Ela estar ali, com ele começando a abrir os botões de sua camisa, deixando seu sutiã bege e completamente sem graça a mostra, não era exatamente algo com o qual ela nunca havia fantasiado. Não que fantasiar com fosse frequente, claro que não. Apenas acontecia às vezes, quando ele sorria para ela ou quando eles paravam em frente a máquina de expresso e conversavam sobre a vida.
Mas realmente investir em ? Nunca havia sido uma opção. Ela conhecia a fama dele, sua falta de interesse em relacionamentos, seu apreço por sexo casual. Não era um defeito do homem, era apenas quem ele era. As pessoas podiam ser assim, isso nunca havia sido algo errado. Mas ? era a romântica de sempre. Ela queria encontrar a tal pessoa certa, com quem ela construiria um futuro, talvez até mesmo uma família. queria um relacionamento estável. Ela não teria com .
E mesmo que a lógica dissesse que aquela, muito provavelmente, não era a sua melhor ideia, ela não queria parar. Não quando as mãos de , mesmo parecendo tão urgentes, eram tão firmes contra seu corpo, segundo os pontos certos com a intensidade certa. E enquanto ele descia sua calcinha azul – porque, claro, ela não estava com um conjunto lindo e combinando – ela pensava o quanto queria aproveitar cada segundo daquele momento. E ela não estava nem aí para como seria a manhã seguinte.

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não sabia ao certo qual parte de seu corpo mais doía: cabeça, costas ou quadril. Ao se mexer na cama acabou soltando um pequeno gemido de reclamação. Tudo. Absolutamente tudo doía. Era basicamente por isso que ela não saía para beber com frequência. O dia seguinte era, geralmente, o pior dia de todas. Especialmente se ela acordava na cama outra pessoa.
Ela se lembrava muito bem da noite anterior: todas as bebidas, a carona de e tudo o que eles haviam feito, e quantas vezes. Ela mexeu o braço com cuidado, tentando procurar o corpo do homem, encontrando apenas lençóis. Ok, nada além do esperado. Talvez ele houvesse apenas saído, deixado a porta do apartamento e um bilhete escrito “foi uma boa foda, te vejo no escritório amanhã”. Não seria em nada diferente do que ele provavelmente havia feito com todas as outras que passaram por sua cama.
Mesmo com toda a dor que sentia, levantou-se da cama e vestiu a roupa rapidamente. Se arrastou até o banheiro de , quase se assustando com a imagem refletida no espelho. Seu cabelo estava um completo caos, com mais nós do que jamais havia estado. Ela procurou por um pente, encontrando um com os dentes meio tortos, e tentou passá-los pelos fios, inutilmente. Ela não sabia exatamente o que havia feito com que seu cabelo ficasse em uma situação tão deplorável, mas decidiu que ia entender aquilo como a prova de uma noite maravilhosa.
Encontrou um elástico amarelo, daqueles de amarrar dinheiro, e passou pelo cabelo, fazendo um coque de nós, sentindo alguns fios machucarem o couro cabeludo ao serem puxados. Respirou fundo antes de abrir a torneira e lavar o rosto, passando um pouco do sabonete em barra que estava na pia. Ela não achava exatamente higiênico, mas ela também não estava mais em posição de sentir nojo de . Quer dizer, ela sabia o que era aquela mancha que estava tentando tirar do queixo.
Finalmente secou o rosto com a toalha que estava pendurada ali, sentindo o reflexo um pouco mais apresentável, apesar de ainda achar que não estava em sua melhor forma. Balançou os ombros, sabendo que melhor que aquilo não ficaria, e simplesmente saiu, indo para a sala pegar a bolsa e finalmente deixar aquele apartamento.
? — a voz de fez com que ela literalmente pulasse para trás, batendo as costas já doloridas na parede do corredor. Ela colocou a mão sobre o coração, sentindo-o acelerado. O que raios ele estava fazendo ali? Quer dizer, além do fato de aquele ser o apartamento dele. — Você já tá indo?
— Hã... — ela disse, inteligentemente. , graduada, pós-graduada, mestranda. E respondendo “hã”.
— Tem café da manhã. Não vai querer?
— Hã... — novamente excedendo sua capacidade intelectual, essa era .
Ela acabou seguindo para a cozinha, deparando-se com uma mesa de café da manhã muito bonita, com direito a pães, frutas, café e suco. Ela franziu a sobrancelha enquanto se sentava em uma cadeira de frente para o homem, que a encarava com um sorriso terno.
— Você que...?
— Não, de jeito nenhum. — ele riu, pegando uma maçã e dando uma mordida enorme, mastigando e engolindo rapidamente. — Eu acordei e fui na padaria comprar. Eu não cozinho, geralmente. E quando cozinho é um desastre, então melhor evitar.
Eles ficaram em silêncio enquanto eles comiam. não havia reparado o quanto estava com fome até colocar o primeiro pão na boca, então um pão virou quatro, um copo de suco virou três e uma fruta virou duas. também parecia estar com fome, comendo tanto quanto ela.
— Você ia mesmo embora? — ele perguntou quando a mesa estava praticamente sem comida alguma. — Sem falar tchau nem nada?
— Hã... — mais um “hã” e ela jurou que iria arrancar os cabelos com as mãos. — Eu achei que você tivesse saído.
— E te deixado sozinha no meu apartamento? — ele começou a rir, mas parou assim que percebeu que a expressão dela permanecia séria. — De verdade? Meu deus, . Não sei o que você andou ouvindo sobre mim por aí, mas te garanto que a maioria era exagero.
— Então você não costuma só transar por aí, sem compromisso, tipo sempre?
— Eu não disse que era mentira. Só exagero. — balançou os ombros. — Eu não vou transar com você e simplesmente ir embora, ou nesse caso te deixar sozinha pra que quando eu volte você não esteja mais. Eu não sou tão babaca assim, .
— Bom, você não pode me culpar por pensar isso. — os dois ficaram mais alguns segundos em silêncio, até decidir que alguma coisa precisava ser dita. — E agora?
— Agora o que? — parecia um pouco perdido, como se a pergunta não fizesse sentido. continuou encarando-o até que ele finalmente conseguisse entender. — Ah. A gente? Você sabe que eu não me apaixono e não namoro, né?
ficou alguns minutos apenas olhando para ele. Era possível que ele tivesse o ego tão alto a ponto de achar que ela já estava apaixonada por ele? Que merda de pau mágico aquele homem achava que possuía?
— Você sabe que eu não to apaixonada por você, né?
— Sempre bom confirmar. — ele riu e ela continuou o encarando. Realmente, o idiota achava que fazia algum tipo de mágica pélvica. — Eu to brincando, . Sei que você só perguntou por causa do trabalho. Olha, o sexo foi bom. Muito bom. E eu sei o quanto você costuma ser romântica e sonha em ter uma família e tal, mas realmente eu acho que poderíamos ficar só nisso.
— Só no sexo?
— Só no sexo.
Ela não fazia isso. Ela nunca havia feito isso na vida. Antes de ela havia transado apenas com duas pessoas, apenas porque ambos haviam sido seus namorados. Fim da história. Mas não estava mentindo, havia sido bom. Muito bom. E por mais que ela realmente sonhasse em encontrar uma pessoa especial, com quem ela pudesse dividir todos os sentimentos, ela achava que talvez não fosse uma ideia tão ruim aproveitar enquanto ainda não o encontrava.
— Tudo bem, eu posso fazer isso. — ela finalmente sorriu para , recebendo um sorriso exatamente igual como resposta.

____________


— Onde você foi ontem depois do bar? — surgiu em sua sala, os olhos inquisidores em sua direção.
— Hã... — era oficial, ele iria arrancar o próprio cabelo com as mãos. — Eu... Ai, , mas pra que você quer saber?
— Por que a gente tinha combinado de voltar juntos? — agora o olhar de era pura desconfiança. Ele puxou uma cadeira e se sentou. — O que você aprontou, ?
— Nada! Eu só... Ai. — ela se levantou, indo até a porta de vidro e fechando, dando um pouco mais de privacidade para os dois. — Eu fui pra casa do e nós transamos.
— Oi?! — levantou da cadeira em um pulo, logo ficando de frente para . Agora era choque. sempre se assustava com a maneira como conseguia ter tantas expressões diferentes em tão pouco tempo. — Você transou com o ? ?
— Ei, e se você falar um pouco mais alto? Acho que o pessoal do TI ainda não te ouviu.
Eu sou o pessoal do TI. — revirou os olhos. Era meio verdade, ele era gerente de TI, mas ele não era o único da área na empresa. — Eu nem sabia que você transava só por transar.
— Eu não transo. Quer dizer, transo. Ai, não sei, . — ela voltou para a própria cadeira, sentando sem encarar . — Só aconteceu. E foi bom.
— Vai acontecer de novo?
— Sei lá. Talvez?
— Quem te viu, quem te vê, . — riu antes de sair da sala, fechando novamente a porta atrás de si.
Ele não havia julgado, ao menos era o que seu tom de voz mostrava. Claro, havia feito uma gracinha, mas nada que ela não esperasse do amigo. Se os papéis estivessem trocados ela agiria da mesma forma, sem sombra de dúvidas. Era apenas um dos muitos tipos de piadas que eles faziam um com o outro.
Mas em uma coisa estava certo. Aquela, no geral, não era . Mas talvez pudesse ser. Talvez estivesse na hora de ser. Vinte e nove anos nas costas e aquela era a primeira vez que ela fazia sexo casual. E havia sido tão bom e livre de culpas e livre de toda a parte chata que às vezes acontece em um relacionamento. Era por isso que haviam inventado o sexo casual: prazer sem culpa.
E ok, aquela parecia ser uma excelente ideia.

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E no começo até que foi. Uma vez se rendeu a uma balada onde acabou conhecendo um rapaz e uma coisa levou a outra e no fim ela acabou em seu quarto, apenas porque ela não se sentia confortável o bastante para levar um desconhecido para seu apartamento. E tudo bem, não havia sido tão bom quanto com , mas havia sido... Médio. Talvez sexo casual fosse uma roleta e dessa vez, ao invés do PlayStation, ela havia ganhado um Jogo da Vida.
Mas então aconteceu novamente com . Eles haviam se encontrado fora do trabalho, completamente sem querer em um restaurante, onde acabaram almoçando juntos, e então o almoço virou uma tarde juntos, e a tarde virou a noite, e a noite... Ela não entendia exatamente porque com era tão bom, mas era. O melhor que ela já tido, sem sombra de dúvidas.
Logo, mais do que ser alguém aberta a sexo casual, ela havia se tornado alguém muito aberta a sexo casual com . Não sabia explicar muito bem o porque, mas os dois sempre se encontravam de alguma maneira, e sempre acabavam com pouca ou nenhuma roupa. E estava tudo realmente bem.
Até .
Porque era o melhor amigo de , sem nenhuma dúvida. E a relação entre eles sempre havia sido a mais pura amizade, do tipo contar tudo um para o outro. E tudo era perfeito entre eles. Mas um dia eles foram juntos a um bar qualquer, apenas os dois. Novamente, não costumava ir a bares. Mas era o aniversário de trinta e um anos de , e por mais que não haja todo o tabu dos trinta, trinta e um também poderia ser uma idade difícil.
E diferente da festa de enlouquecer o quarteirão que havia feito questão de fazer em seu aniversário de trinta anos, ele agora havia pedido para que eles, por favor, deixassem aquilo apenas entre eles. E eles deixaram. Tão entre eles que no fim, pela primeira vez, os dois se beijaram.
Foi tão bom quanto com .
O beijo.
Eles não chegaram a transar. Nem sequer voltaram juntos para casa. Mas durante o resto da noite eles se beijaram. havia achado o beijo de exatamente na medida certa, desde a maciez de seus lábios até o quantidade de saliva. Era uma análise técnica, mas o que ela faria? Diria que a maneira como ele às vezes sorria durante o beijo era extremamente fofa? Ou como ela havia amado a maneira como ele parecia ter cuidado para não tocar seu corpo em nenhum lugar que parecesse desrespeitoso? Não, ela iria se ater ao aspecto técnico da história.
Foi aquilo. Uma noite trocando beijos com seu melhor amigo e, no dia seguinte, os dois estavam novamente trabalhando no mesmo escritório, agindo quase exatamente da mesma maneira. A diferença é que, vez ou outra, se pegava rindo sozinha, porque ela nunca havia imaginado que ficar com seu melhor amigo pudesse ser tão bom.

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? — a porta de vidro de seu escritório de abriu, revelando . — Você está ocupada?
encarou a tela do computador da empresa, onde apenas duas janelas estavam abertas: campo minado e uma planilha do excel. Alguns papéis estavam espalhados pela mesa, mostrando valores que ela logo teria que passar para a planilha. E, claro, ela estava extremamente concentrada no campo minado.
— Não. — ela balançou os ombros. — Por quê?
— Você tem aí a planilha com o fechamento de agosto? Eu estou precisando fazer o relatório de balanço do terceiro trimestre, mas não encontro agosto de jeito nenhum.
— Deixa eu ver...
minimizou o campo minado e a planilha que mal havia começado a preencher. Percorreu todas as pastas compartilhadas e pessoais do computador da empresa, encontrando absolutamente todas as planilhas daquele ano e do ano anterior. Menos a de agosto. Então fez a única coisa que lhe restava: começou a procurar em seu e-mail se havia enviado a planilha para alguém.
O processo todo durou mais de vinte minutos e, ao finalizar, olhou sorrindo para um que agora estava sentada em uma das cadeiras que deixava em frente sua mesa apenas porque achava que aquilo passava um ar mais importante para o ambiente.
— Achei. Vou encaminhar para o seu e-mail. — ela disse enquanto rapidamente digitava o endereço já salvo de . — Prontinho. Algo mais em que posso ajudar?
— Sim. O que você vai fazer hoje depois do trabalho?
— Vou sair com o .
— O do T.I.? — inclinou a cabeça, como se estivesse apenas curioso.
— Sim.
— Hm. — então abriu um enorme sorriso. — Você e ele...?
— Não.
— Entendi. Quem diria, você saindo casualmente com dois caras ao mesmo tempo. Acho que despertei um lado seu que você não conhecia. Somos só nós dois mesmo, né?
ficou parada, apenas olhando para , esperando que ele dissesse qualquer coisa sobre aquelas palavras teriam sido apenas uma brincadeira, uma muito sem graça, por sinal. Mas não. Ele ainda estava sorrindo, apenas a encarando, esperando que ela respondesse. precisou se esforçar muito para encontrar uma resposta que não fosse recheada de palavrões.
— Minha vida pessoal não é da sua conta, . — a frase soou fria o bastante para que o sorriso de desaparecesse. — Precisa de mais alguma coisa?
— Não. Obrigado pela planilha. — ele se levantou e saiu da sala, fechando a porta de vidro com cuidado.

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não tinha mais certeza se conseguiria continuar lidando com aquela situação. Ela ainda estava saindo com . E com . Não era nada demais. Um sabia do outro. Nenhum dos dois era seu namorado, ou havia pedido exclusividade ou coisas do tipo. Ela não estava “namorando dois caras ao mesmo tempo”. Ela também sabia que os dois saiam com outras pessoas. Deveria estar tudo bem.
Mas não estava.
Quando ela estava com , estava tudo bem. Os dois eram, de fato, melhores amigos, então eles sempre tinham muito sobre o que conversar. Os momentos com ele eram sempre leves, tranquilos. a fazia rir como ninguém, aquela era sua coisa preferida sobre ele. Ele também não a julgava por suas recentes escolhas.
Diferente de .
Com as coisas eram totalmente diferentes. Toda semana os dois se encontravam, transavam, iam embora. Ela não havia achado que seria assim, mas acabou sendo. E dois dias depois estava contando sobre alguma outra mulher com quem ele havia dormido, uma mulher que obviamente não era .
Ela jurava de pés juntos que estava bem com aquilo. Não sentia ciúmes, nada. Desde o começo sabia muito bem no que havia se metido. Havia tomado uma decisão completamente consciente, então falar que estava sendo um completo canalha sequer faria sentido. Seria a mesma coisa de decidir comer um pote inteiro de Nutella e depois reclamar que estava com espinhas.
Mas sempre fazia questão de provocá-la. Sempre uma nova gracinha a respeito de , ou de qualquer outra pessoa da firma. Diversas vezes ele havia insinuado para ela que o fulano estava precisando de uma “ajudinha para se acalmar”, como se fosse um objeto ou uma vadia qualquer.
— Ei. — ele se aproximou enquanto ela pegava café.
Novamente, como sempre, estava lindo. A camisa social perfeitamente alinhada em seu corpo. O perfume, que tantas vezes havia ficado contra a pele dela, praticamente se sobrepondo ao cheiro de café que emanava na pequena cozinha da empresa. Os dentes brancos sorrindo em sua direção.
— Oi.
— O que acha de sairmos hoje? — ele se apoiou contra a pia ao seu lado.
— Hoje não dá. — ela levou a xícara à boca, sentindo o café queimar sua língua levemente, nada com o qual já não estivesse acostumada.
— Vai sair com o ? — não sabia o que havia irritado-a mais, o sorriso debochado dele ou a tom de voz irônico.
— Não.
— Sério? Quem é o felizardo da vez?
— Ninguém, . — ela colocou a xícara contra a pia, temendo que, se não o fizesse, acabaria derrubando-a. — Eu simplesmente não quero sair hoje.
— Ué. Por quê? Achei que você estivesse aproveitando essa sua fase... Casual.
— Tudo bem, quer saber? Eu cansei. — foi até a porta da cozinha e a fechou, voltando e ficando de frente para , olhando em seus olhos. — Chega disso, . Eu cansei das suas piadas, das suas insinuações e, principalmente, do jeito que você fala comigo.

— Não, eu não terminei. Você só vai falar depois que eu tiver terminado. — ela o cortou antes que ele pudesse falar qualquer coisa. Não, aquele era seu momento, e não seria louco de lhe atrapalhar. — Você não tem nenhum direito de falar assim comigo. Não é só porque a gente transa às vezes que você, magicamente, pode opinar sobre a minha vida. Você disse, depois daquela primeira vez, que você não se relaciona. E eu disse que estava tudo bem. Então, se você quer ser casual, tudo bem, vamos ser casuais. Se você quer um relacionamento sério, ótimo, eu posso fazer isso também. Eu poderia até me apaixonar por você, se você pelo menos me desse a oportunidade. Mas se isso não acontece, , você não abre mais essa sua boca para falar da minha vida. Estamos entendidos?
Ela não esperou que ele respondesse. Largou e a xícara de café ainda cheia na pia, saindo da cozinha e batendo a porta atrás de si. Era daquele jeito que ela colocaria um fim naquela coisa que estava tendo com o homem. Entrar em um lance casual estava longe de ser falta de amor próprio, como muitas pessoas às vezes pareciam achar, e , inteligente como era, sabia exatamente quando aquilo estava deixando de ser prazeroso como deveria.
Seus pés a levaram até a sala de T.I., onde ela encontrou com os olhos presos na tela, lendo coisas sobre as quais não fazia ideia do que se tratavam. Ela respirou fundo, batendo na porta – que sim, estava aberta – apenas para chamar a atenção do amigo.
. Está tudo bem? — ele se levantou na hora, fazendo pensar que talvez ela estivesse com cara de poucos amigos.
— Vai ficar. Que tal sairmos hoje depois do expediente?
— Achei que hoje fosse seu dia de ficar sozinha em casa? — porque sabia que ela sempre tirava um dia da semana apenas para si mesma.
— Hoje é. Mas decidi abrir uma exceção pra você. Então, vai lá em casa?
— Claro. Me espera? Você sempre sai antes.
— Espero. — ela sorriu e, sem pensar muito, selou seus lábios nos de , vendo-o parecer assustado.
voltou para sua sala, pensando que talvez esse lance de casual, por melhor que fosse por um tempo, nunca seria casual para sempre. E ela definitivamente não era alguém casual. E, por melhor que houvesse sido, estava na hora de voltar a ser a calma e romântica de sempre. E das duas opções que tinha, ela sabia muito bem qual era a melhor para si mesma.



Fim.




Nota da autora: Oi
Cheguei a pensar que esse ficstape nem ia sair mas olha ele aí
A história não ficou nem de longe como eu queria
Até pq ela seria muito melhor aproveitada em uma longfic, eu sei disso
Mas vida que segue
Espero que ao menos vcs tenham gostado e até a próxima!


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Ficstape Death Of A Bachelor




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