Finalizada em: 15/01/2018

Capítulo Único


O dia tinha chegado.
Eu finalmente voltaria para os Estados Unidos. Voltaria para a minha família.
Voltaria para ela.
Há cinco anos eu havia partido para um intercâmbio sem dizer uma palavra, nem mesmo adeus. Eu havia estragado tudo.
Quando entrei no avião, deixando Londres para trás, eu não poderia me sentir menos confiante para voltar para a minha antiga vida.
Eu tinha dezenove anos quando me ofereceram uma oportunidade de emprego fora do país. Tudo parecia surreal demais. Uma das maiores empresas de tecnologia da Inglaterra queria me treinar desde o início, e isso incluía minha faculdade. O que era para ser dois anos, se tornaram cinco. E agora eu estava voltando para abrir uma filial nos Estados Unidos, em Los Angeles, minha cidade natal.
Tudo teria sido muito mais fácil se não fosse por ela. .
Eu a conheci quando era ainda um adolescente. Nós estudamos juntos, namoramos desde os meus quatorze anos e deixá-la havia sido a coisa mais difícil que eu já tinha feito na vida.
Na época, parecia certo esconder. Eu simplesmente não conseguia chegar para ela e contar que eu estava saindo do país e que só voltaria depois de dois anos.
Idiota, eu sei. Mas eu simplesmente não era capaz de contar.
Eu nunca vou esquecer seu olhar de tristeza e decepção quando ela me viu embarcando no avião. Ela chegou correndo, ela gritou meu nome e eu apenas segui em frente.
Olhando para trás, eu não sei se teria tido a mesma força sabendo o quanto eu havia sofrido por todo esse tempo. E infelizmente, eu sabia que a dor que eu havia causado a ela era ainda pior.
Minha família me recebeu no aeroporto.
Durante todos esses anos, eu sempre havia perguntado sobre a , mas não tinha deixado Londres desde então. Parecia errado querer saber como ela estava, se ela perguntava sobre mim, se ela sentia minha falta... Se ela havia seguido em frente. Eu sabia que não tinha direito algum de querer saber essas coisas, mas eu amava tanto.
As ruas passavam como um borrão pela janela do carro. Meus pais falavam, mas eu não conseguia me concentrar. Cada esquina que se aproximava da minha casa me fazia lembrar ainda mais dela. Nossas caminhadas, nossos encontros, sua risada quando eu falava alguma coisa estúpida... Tudo me fazia lembrar dela.
Eu suspirei, apoiando a testa no vidro.
- Você está bem, ? – Minha mãe perguntou, preocupada.
- Só cansado. – Menti, e ela sabia.
- Vai atrás dela hoje? – Respirei fundo, a encarando.
- Não consigo pensar em outra coisa, mãe.
Assim que chegamos em casa, eu tomei um banho rápido, pegando uma bermuda e uma camisa para vestir. Encarei meu reflexo no espelho. As olheiras estavam enormes, parecia que eu tinha tomado uma surra.
Meus pais estavam sentados no sofá, eles conversavam baixo.
- Eu já vou. Ela não mudou, certo? – Perguntei, estranhando o comportamento deles.
- Ela está no mesmo lugar. – Meu pai respondeu, trocando um longo olhar com a minha mãe.
- Qual o problema? – Quis saber, começando a me preocupar. – Aconteceu alguma coisa com a e vocês não me contaram? – Minha voz soava desesperada.
- Ela está bem, filho, só... Bom, espero que a encontre. Não cabe a nós dizer nada. – Eu queria responder, mas não saía som algum da minha boca. Eu apenas queria encontrá-la logo.
Peguei o carro e dirigi pelas ruas que eu conhecia tão bem.
Muito pouco havia mudado nesses cinco anos. As casas permaneciam iguais, assim como alguns rostos conhecidos passavam por mim. Estacionei em frente a casa dos pais da , sentindo minhas mãos tremerem.
O que eu estava fazendo?
Ela provavelmente me odiava.
Fiquei um bom tempo encarando a porta da casa, esperando por qualquer sinal divino de que o que eu estava prestes a fazer não era errado. Porque parecia.
Meus pais nunca entraram em detalhes sobre como havia ficado depois que eu parti, assim como nenhum dos nossos amigos.
Era como se ela fosse um tópico proibido em nossas conversas. No começo, eu achei normal. Ela deveria estar magoada e pedido a todos para não me darem notícias. Mas com o tempo, o simples “ela está bem” não era mais o suficiente.
Depois de mais de meia hora, consegui descer do carro. Caminhei lentamente até a porta, tomando meu tempo para analisar cada detalhe. Alguns brinquedos estavam espalhados pelo quintal da frente, assim como uma pequena bicicleta estava apoiada na parede ao lado da casa.
Caminhei ao redor, olhando o quintal dos fundos, onde um balanço e um escorregador estavam posicionados.
Voltei rapidamente para a porta da frente, sem saber o que pensar.
Bati duas vezes e esperei.
Ouvi passos até a porta. A mãe da veio me atender, tomando um enorme susto ao me ver.
- ... – Meu nome saiu como um suspiro, e seu rosto logo assumiu a mesma feição preocupada dos meus pais. Que merda estava acontecendo aqui?
- Oi, senhora . A está? – Perguntei, secando o suor das minhas mãos discretamente na minha bermuda.
- Ela saiu. – Me respondeu depois de algum tempo apenas me encarando.
- A senhora pode me dizer onde ela está? Eu sei que... Bom, eu sei como eu a deixei da outra vez, mas... – Eu não fazia ideia de como me explicar. – Eu só preciso muito vê-la. – A mãe da fechou a porta atrás dela, um aviso claro de que eu não era bem-vindo ali, ou de que ela estava escondendo alguma coisa lá dentro.
Minha mente girava.
Alguma coisa estava errada. Muito errada.
- Olha, , não sei se... Eu não sei se é uma boa ideia.
- Eu sei que eu estraguei tudo da última vez, mas... – Comecei, nervoso, passando uma das minhas mãos pelo meu cabelo. – Eu fui um idiota, mas eu precisava ir. Se eu tivesse contado, eu não sei se... Eu não conseguia olhar pra ela e dizer que eu estava partindo, era uma oportunidade boa demais. E eu não pensei só em mim, eu queria ser capaz de dar tudo o que ela quisesse, de ter nossa família e poder vivermos bem. Eu sei que depois de cinco anos esse discurso pode parecer ultrapassado, mas... Eu ainda a amo tanto. – As palavras simplesmente saíram da minha boca sem eu nem ao menos perceber o que eu estava falando. A senhora me encarava, tão perdida quanto eu.
- Ela está no supermercado. – Me disse, após incontáveis minutos, ainda sem saber se havia tomado a decisão certa.
- Obrigado. Muito obrigado.
Saí correndo para o carro, sentindo toda a adrenalina tomar conta do meu corpo.
Dirigi até o supermercado do bairro, estacionando na primeira vaga que encontrei.
O bairro que morávamos era pequeno, uma área bastante familiar onde todo mundo conhecia todo mundo. Foi difícil entrar no estacionamento sem ter que parar para conversar com pelo menos três pessoas diferentes.
Eu só precisava encontrá-la.
É claro que um supermercado não era bem o que eu tinha em mente, mas teria que servir. Meu coração batia tão rápido, que eu estava com medo de cair duro no chão a qualquer momento. Minhas mãos suavam enquanto meus olhos percorriam cada corredor em busca dela.
Foi quando eu a vi.
estava em frente a enormes prateleiras de produtos femininos. Ela tinha um sorriso nos lábios, mesmo que nada parecesse engraçado. Seus cabelos estavam bem mais curtos do que da última vez, mas caía bem nela. Tudo ficaria bem nela.
Eu estava parado no meio do corredor, sem conseguir desviar o olhar. Meus olhos percorriam cada parte do seu corpo, suprindo toda a necessidade que eu tinha de saber que ela estava bem, mesmo depois de tudo.
Quando dei por mim, minhas pernas me levavam em sua direção, mas eu parei novamente quando um homem se aproximou dela, a fazendo ampliar seu sorriso. Ele carregava uma criança no colo, um menino.
Minha mente estava à mil.
Os brinquedos no quintal, a bicicleta... Meus pais, a mãe dela.
Eu apenas caminhei rapidamente até ela, sem saber o que dizer, sem saber o que esperar, sem saber se queria ouvir qualquer coisa. Eu sentia que poderia desmaiar a qualquer momento.
Tudo bem que eu não imaginava que ela me receberia de braços abertos depois de todo esse tempo, mas... um filho? Ela estava casada? Que porra tinha acontecido nesses cinco anos?
Parei atrás dela, chamando primeiro a atenção do homem a sua frente, que logo fechou a cara, me encarando como se quisesse me matar. Bom, o sentimento era mútuo, ainda que eu tivesse direito algum de me sentir assim.
Mas eu não estava pensando racionalmente.
percebeu que ele encarava algo sobre seus ombros e se virou, me encarando. Seu olhar de surpresa e um certo nervosismo logo me colocaram ainda mais em alerta. Após alguns instantes, ela pareceu acordar do transe.
- Will, porque você não mostra alguns brinquedos para o Buddy?
- Mamãe... – A criança chamou e desviou seu olhar de mim, pegando o menino no colo.
- Amorzinho, mamãe precisa conversar com esse rapaz, mas o tio Will vai te mostrar uns brinquedos bem legais. Por que não escolhe um pra gente levar pra casa? – Ela falava com tanto amor na voz, que eu não conseguia desviar o olhar.
era mãe.
E o cara que estava com ela não era o pai.
- Quantos anos você tem, campeão? – Me ouvi dizendo, minha mente agindo muito mais rápido do que eu era capaz de acompanhar no momento. A criança me encarou e depois olhou para , que tinha perdido o brilho do olhar no instante que havia me visto. Buddy ergueu quatro dedos na minha direção. Eu dei um passo para trás, precisando me apoiar em uma prateleira atrás de mim. – Quatro? – Minha voz saiu em um sussurro. O menino assentiu, encarando a mãe novamente.
- Will, leva ele, por favor. – entregou Buddy para o homem. – Mamãe já vai te encontrar. – O menino deu um sorriso enorme para ela, que retribuiu timidamente.
Quatro anos.
O filho da tinha quatro anos.
Levei minhas duas mãos a cabeça, sentindo o pânico tomar conta de mim. Quando eu estava prestes a dizer alguma coisa, ergueu sua mão em frente ao meu rosto.
- Aqui não. – Ela passou por mim, seguindo para a saída do supermercado. Eu podia sentir os olhares sobre nós, mas nada disso realmente me importava. Eu só conseguia pensar na criança.
Era... Era meu filho?
- Ele é... Ele é meu filho? – Perguntei no instante que estávamos longe de todo mundo. ficou de costas para mim.
- Não sabia que voltaria. – Ela disse, baixo. Seus braços ao seu redor, abraçando a si mesma.
- Hoje ou nunca mais? – Rebati, não deixando passar que ela não havia respondido minha primeira pergunta.
- Os dois. – Ela respondeu a segunda pergunta. – Eu preciso voltar para o supermercado, a gente conversa depois, em um lugar mais reservado. Eu posso ir até sua casa. – disse e já estava saindo. Eu a segurei pelo braço, logo a soltando quando seu olhar caiu pesado sobre mim.
- Você não respondeu minha pergunta. – Ela deu um passo para trás, me encarando nos olhos.
- Daqui uma hora. Na sua casa. – E com isso ela saiu, voltando para o supermercado e me deixando completamente sozinho e perdido com meus pensamentos.

Voltei para casa e meus pais não estavam ali.
deve ter avisado que viria. Parece que todo mundo sabia disso, menos eu.
Eu comecei a andar de um lado para o outro, encarando o relógio a cada dez segundos, como se isso fosse fazer com que ele andasse mais rápido. Me joguei sobre o sofá, não acreditando no que estava acontecendo.
Eu era pai? havia escondido que estava grávida quando eu parti?
Por quê?
Minha cabeça doía com tantas perguntas sem respostas.
A campainha tocou, me despertando dos meus pensamentos. Corri até a porta, encontrando parada na porta. Dei passagem para ela entrar e a segui até a sala.
Ela parecia à vontade ali.
- E então? – Eu perguntei, já que ela parecia não saber por onde começar. respirou fundo antes de falar.
- Você já deve ter chegado a resposta sozinho. – Ela deu de ombros e sentou no sofá, apoiando a cabeça no encosto e fechando os olhos.
- E você não ia me contar? – Eu podia sentir minha paciência se esvaindo, e nós nem tínhamos começado a conversar. – Porque, claro, não teria motivo pra contar, certo? Eu sou apenas A PORRA DO PAI DELE! – logo levantou, vindo em minha direção.
- Abaixa a porra desse tom antes de falar comigo! Você foi embora, esqueceu? Você nem ao menos se deu ao trabalho de se despedir, nem me deu a mínima chance de falar nada! Você achou o quê? Que eu iria te pedir pra ficar? Você pensava tão pouco de mim assim? – Ela começou a atirar perguntas para mim.
- Não tente virar isso contra mim.
- Eu não preciso fazer isso, porque já tá tudo apontado pra você, ! Você. Foi. Embora. – Ela pontuou cada palavra, me fazendo recuar com a força da tristeza que eu sentia em seu tom.
- Isso não justifica ter escondido meu filho de mim. – Ela foi andando até a cozinha, abriu a geladeira e pegou água para beber. Ela sabia onde ficava cada coisa, algo que nem eu mesmo sabia mais.
- Seus pais e eu decidimos que seria o melhor a fazer. Você iria abandonar tudo em Londres. – Ela deu um longo gole, como se quisesse ocupar sua boca para não ter que falar. Não iria funcionar.
- Vocês decidiram? – Eu ri, mas sem humor algum. – E em momento algum pensaram em me consultar? – Eu abri os braços, exasperado. – Vocês não tinham o direito de esconder ele de mim.
- Eu tinha descoberto que estava grávida na noite anterior da sua viagem. – Ela lavou o copo e guardou no lugar, voltando para a sala. Eu apenas a segui. – Eu iria te contar no dia seguinte, mas você não atendia as minhas ligações. – Ela deu um sorriso irônico, eu desviei o olhar. – Foi então que eu descobri que estava no aeroporto, indo para Londres e que só voltaria daqui dois anos. Ou cinco, como preferir. – Eu podia sentir toda a amargura na sua voz.
- Eu não queria prolongar, mas não tinha como eu voltar antes. – Ela apenas deu de ombros, como se nada do que eu falasse fosse importante.
- Eu contei para os meus pais e eles me apoiaram, disseram que eu não teria que passar por nada disso sozinha. Eu tinha dezessete anos, , e o cara que eu achei que passaria minha vida junto tinha acabado de me deixar. Grávida.
- Eu não sabia...
- Eu sei, e não faz diferença, porque não muda o fato que você me deixou sem nem me dizer adeus. – Eu tentei me aproximar, mas ela se afastou rapidamente. – Eu teria esperado por você, mesmo que eu não estivesse grávida. Nós teríamos dado um jeito, mas você nem mesmo me deu a chance.
- Eu não conseguia te contar. Eu sei que não faz sentido, mas eu não conseguia te encarar e dizer que eu estava partindo por dois anos. Não parecia certo... te deixar. Foi a coisa mais difícil que tive que fazer em toda a minha vida, e eu me arrependo todos os dias. Ainda mais agora. Eu perdi toda a sua gravidez, os primeiros passos, a primeira palavra... – Eu sentei no sofá, escondendo meu rosto em minhas mãos. As lágrimas começaram a escorrer, e eu não fiz questão alguma em escondê-las. Eu estava uma bagunça.
- A gravidez foi tranquila, eu tenho todos os exames e várias fotos. Ele andou com 11 meses, e a primeira palavra foi mãe. – Ergui minha cabeça para olhá-la. havia sentado ao meu lado, mas ainda mantinha distância. – Eu não esconderia pra sempre, nunca quis que meu filho crescesse longe do pai, mas não parecia certo tirar algo que era tão importante pra você.
- Nada é mais importante do que você. – Eu disse, sem pensar. se levantou, aumentando a distância entre nós.
- Não foi bem essa a impressão que me passou indo embora. Enfim, isso é passado. – Ela limpou uma lágrima em seu rosto. – Seus pais estão na minha casa, com o Buddy. Eu sempre conversei muito com ele, disse que o pai estava viajando a trabalho, mas que um dia voltaria. Eu nunca escondi você dele.
- Eu quero conhecê-lo, fazer parte da vida dele. – E da sua. - Eu voltei, , e não vou mais embora.
- Tudo bem. – Ela foi em direção a porta, mas eu a segurei pela mão. Senti minha pele queimar com o simples toque que há tanto tempo eu ansiava. Seu olhar encarava nossas mãos, mas ela logo puxou o braço. – Quem era o cara que estava com você no supermercado? – Eu perguntei, ainda que soubesse que não tinha o direito de fazer tal pergunta.
- Um amigo. Vamos, estão esperando pela gente. – Ela disse, simplesmente, e foi até seu carro. Eu a segui até sua casa, sentindo a ansiedade tomar conta de mim. Estacionei o carro atrás do dela, a acompanhando até a porta.
- Como vamos fazer isso? – Perguntei, nervoso.
- Buddy está no quarto dele. Eu vou entrar, conversar com ele e depois você entra. – Eu assenti, entrando na casa junto com ela. Nossos pais conversavam na sala, apenas acenou e subiu as escadas.
- ... – Minha mãe começou.
- Vocês não tinham o direito de esconder isso de mim. – Falei, sério. Minha mãe recuou.
- Nós fizemos isso porque era o melhor pra você. – Eu ri.
- Eu passei quatro anos longe do meu filho sem saber da existência dele. A teve que passar por uma gravidez inesperada e criar o nosso filho, sozinha. Nada disso foi o melhor pra mim, muito menos pra ela. – Apoiei minhas mãos sobre a bancada da cozinha, irritado. Olhei para a escada e vi o tal do Will parado, me encarando. Me ergui, o encarando de volta. A tensão na sala era palpável. – O que foi? – Perguntei, sem paciência para qualquer tipo de joguinho com ele.
- Nada, acho só engraçado você dar as caras aqui depois de cinco anos e encher a boca assim pra falar do que seria melhor pra e pro Buddy. – Eu respirei fundo e caminhei lentamente na direção dele.
- E você pensa que é quem, exatamente? – Perguntei, bem baixo, já de frente para ele.
- Eu? Só o cara que ficou ao lado dela quando você foi embora sem qualquer aviso prévio. – Ele deu de ombros, mas claramente debochado. Eu também ri, me aproximando mais dele.
- Não precisa se preocupar mais, eu estou de volta agora. – Disse, contendo toda a minha vontade de socar a cara dele.
- Vamos esperar semana que vem, vai que você muda de ideia, não é mesmo? – Will disse, dando a volta por mim e indo para a sala, onde meus pais e os da estavam nos encarando.
- Eu voltei pra ficar, melhor você se acostumar comigo aqui.
- Posso dizer o mesmo pra você. – Ele sorriu de lado. Esse cara sabia como me irritar. Antes que eu pudesse revidar, apareceu no topo da escada.
- Pronto? –Eu corri para a escada, subindo de dois em dois degraus.
- Nada pronto, mas pronto. – Eu falei, ainda que soubesse que fazia sentido algum. riu. Era a primeira vez desde que nós havíamos nos reencontrado. Eu senti tanta falta dessa risada.
- Eu posso ficar lá dentro com você, ou sair. O que preferir. – Ela disse, na porta do quarto.
- Fica comigo, por favor. – Eu pedi, mas a senti recuar, percebendo o duplo sentido na minha fala. assentiu, abrindo a porta.
Buddy estava sentado na sua cama, nos encarando. Ele estava em silêncio, apenas observando.
- Amorzinho, esse é o seu pai, que eu já conversei com você a respeito. , esse é o Buddy, seu filho. – nos apresentou, e meu coração batia tão forte, que eu estava seriamente cogitando a possibilidade de ele sair do meu peito. Eu ajoelhei na frente dele, sem saber o que fazer, com medo dele se assustar com qualquer movimento meu.
- Oi, Buddy. – Eu disse, meio incerto sobre como começar.
- Oi, papai. – Ele disse e estendeu uma mão na minha direção. Meus olhos encheram de lágrimas. Eu apertei sua mão, mas logo o puxei para um abraço. Eu beijei o topo da sua cabeça, sentindo seus pequenos braços ao redor do meu pescoço.
- Deixa eu olhar pra você. – Eu o afastei um pouco, apenas para poder olhá-lo. Eu já havia desistido de lutar contra as lágrimas, que corriam livremente pelo meu rosto. Um sorriso idiota estava estampado em meus lábios e eu já sentia um amor tão forte por essa criança, que mal cabia em mim.
Buddy olhava para mim, mas um pouco sem jeito. Ele ergueu o olhar para , que sorriu para ele e assentiu, como se ele tivesse feito uma pergunta.
- Papai vai viajar de novo? – Meu filho perguntou baixinho. Senti meu coração apertar com suas palavras.
- Não, agora vou correr atrás de todo o tempo perdido. – Eu olhei para , que sorria ao encarar o filho. Nosso filho.

e eu estávamos no quarto do Buddy, o encarando dormir.
Eu havia corrido tanto com ele, acho que brinquei com cada brinquedo que ele tinha em casa, e não eram poucos. acompanhava tudo, mas de longe. Ela quis me dar espaço para conhecer melhor nosso filho, conversar com ele e tentar me fazer presente o máximo possível.
Eu não merecia que ela me tratasse assim, e eu sei que ela estava fazendo tudo isso por ele.
Ela se levantou, fazendo sinal para que o deixássemos descansar.
- Acho que ele nunca brincou tanto em um dia. – Ela riu.
- Eu tô morto, mas não poderia estar mais feliz. – Brinquei. Nós caminhamos lado a lado até o andar de baixo. – Nós precisamos conversar.
- Eu sei. – Ela respondeu depois de um tempo. Nossos pais estavam na varanda e eu podia ver que estar comigo sozinha a deixava desconfortável. caminhou até o sofá e fez sinal para que eu sentasse ao lado dela.
- Eu quero ajudar com todas as despesas do Buddy. Tem alguma pendência médica da sua cirurgia? Você fez normal ou cesárea? Eu tenho tantas perguntas. – Suspirei.
- Seus pais sempre ajudaram, eles sempre foram bastante presentes na vida do Buddy. Eu tive parto normal e está tudo pago. – Eu assenti.
Continuei fazendo perguntas e se mostrou disposta a responder cada uma delas. Os olhos dela brilhavam ao contar cada detalhe das histórias do nosso filho. Eu sabia que ela era uma mãe maravilhosa, eu só esperava conseguir suprir as expectativas.

Durante todos os dias das duas semanas seguintes, eu me dividia em ver o Buddy e acertar as coisas do trabalho com a nova filial da empresa que seria aberta na cidade.
Conheci a escola do Buddy, fui apresentado e adicionado a lista de responsáveis que podiam o pegar na escola e a sensação de pertencimento tomava conta de mim. Eu nunca deveria ter partido, ainda que fosse grato pela oportunidade que tive e o emprego que me permitira dar uma vida confortável para o meu filho.
e eu não conversamos nada fora do tema nosso filho. Tudo girava ao redor dele, mas uma parte de mim queria mais. Eu queria poder tocá-la, eu queria ter toda a intimidade que tínhamos para falar dos mais variados assuntos.
Eu queria nós.
Will estava sempre por perto. Ele brincava com o Buddy, ele saía com a e eles voltavam horas depois, e eu não fazia a menor ideia do que caralhos eles faziam. Eu havia perguntado meus pais se eles namoravam, mas eles disseram que nunca tinha apresentado ninguém, que sua vida girava em torno do Buddy e que nunca havia se interessado por nenhum outro cara. Sobre o Will, eles só sabiam que era um amigo e que Buddy o adorava.
Ótimo.
Um dos dias em que eu estava correndo com o Buddy pelo quintal, vi descer do carro do Will. Ela tinha um sorriso simples no rosto, e ele veio segurar a mão dela. O toque não durou muito tempo, mas me deixou louco. Eu não conseguia suportar a ideia de outro homem a tocando, mesmo tendo plena consciência que essa decisão não cabia mais a mim.
Eu apenas não queria aceitar a ideia de que a minha chance tinha escapado pelos meus dedos, não sem eu tentar novamente. Eu a amava, e estava na hora de eu deixar isso bem claro.

Na semana seguinte era como se sentisse que eu tinha um objetivo fixo de falar com ela sobre outra coisa, então ela nunca ficou sozinha comigo. Tipo, nunca. Sempre tinha o Buddy, ou seus pais, ou o infeliz do Will. Eu simplesmente não conseguia espaço.
Era quarta-feira, estava lendo Harry Potter para o Buddy, que já estava quase dormindo. Assim que ele caiu no sono, ela o cobriu e verificou a babá eletrônica. Em seguida, ela foi em direção a porta, para sair do quarto, mas eu rapidamente me coloquei na frente dela.
- Eu... Eu queria conversar com você. – Disse, sentindo minha respiração falhar.
- Claro, a gente fala lá embaixo. – Ela respondeu baixinho, mas eu sabia que ela estava apenas querendo ir para perto de mais pessoas. Eu não cairia nessa.
- Buddy tem o sono pesado. – Falei, me aproximando dela. deu um passo para trás, quase tropeçando na poltrona atrás dela.
- , acho melhor...
- Você tem me evitado. – Eu a interrompi. Ela apenas respirou fundo, desviando o olhar.
- As coisas estão bem do jeito que estão. – disse, ainda que incerta de suas palavras.
- Bem pra quem? – Eu dei um passo em sua direção. – Eu senti tanto sua falta durante esses anos, eu nunca... Eu não consegui sair com mais ninguém, eu só queria voltar pra casa, pra você.
- , para... – pediu, eu podia ver a dor em seus olhos.
- Eu sei que estraguei tudo, eu sei. – Continuei. Ela me encarava, eu podia ver lágrimas se formando em seus olhos.
- Eu já sofri o suficiente por você. – disse, baixinho.
- Se eu pudesse voltar no tempo-
- Você não pode. – Ela nem me deixou terminar. – Will... Ele tem se aproximado, talvez seja a hora da gente seguir em frente. – Senti uma pontada forte no peito, mas não me permiti recuar.
- Eu só preciso de uma chance. – Eu dei mais um passo em direção a ela, eu precisaria apenas erguer o braço para tocá-la, mas não o fiz, eu não tinha esse direito, não sem ela permitir.
- ... – Vi uma lágrima escorrer pelo seu rosto e, instintivamente, levei a mão até seu rosto para secá-la, mas me contive a tempo. Senti uma lágrima escorrer pelo meu próprio rosto.
- Eu não suporto a ideia de te fazer sofrer. Eu só posso imaginar o quão difícil tem sido me ter sempre por perto, mas sei que faz isso pelo Buddy. – Abaixei minha mão e vi relaxar levemente. Sua reação foi como um soco no estômago. – Você vai dar uma chance pra ele? – Perguntei, recuando um passo, sem saber se gostaria de ouvir a resposta.
- Não sei. – Ela deu de ombros, mas agora seu olhar estava fixo no meu.
- Eu nunca deixei de te amar, porra, eu te amo ainda mais, . – Soltei as palavras em um sussurro, sentindo como se o peso do mundo tivesse saído das minhas costas.
- Por que você tá fazendo isso comigo? – levou as duas mãos ao rosto, depois as passando nervosamente pelos seus cabelos. – Eu estava bem sem você, , eu tinha o Buddy e eu estava bem. Eu nunca iria te privar da vida dele, mas você acabou comigo quando foi embora, eu demorei muito pra colar todos os pedaços do que restou de mim.
- Eu sei que eu tô pedindo muito, mas eu sei que eu posso te fazer feliz, que a gente pode ser uma família... Não tô dizendo pra gente voltar de onde paramos, porque não seria justo com você. Nós crescemos e amadurecemos, mas a única coisa que eu tenho certeza agora é que eu te amo e que eu quero passar todos os dias da minha vida te amando e cuidando de você e do nosso filho. – Me aproximei dela, erguendo minha mão em direção ao seu rosto. Quando ela não se afastou, eu limpei uma lágrima em sua bochecha e espalmei minha mão, logo sentindo sua cabeça pender para ela, aceitando meu carinho. Uma chama de esperança acendeu dentro de mim e me permiti avançar mais um passo, a puxando para os meus braços.
apoiou o rosto em meu ombro e eu passei meus braços pela sua cintura. Seus braços permaneceram ao lado do seu corpo, mas, aos poucos, a senti me abraçar de volta. Minha camisa já estava molhada com suas lágrimas e a única coisa que eu queria era tirar toda a dor que ela estava sentindo.
- Will me ajudou muito em todos esses anos, ele me deu todo o espaço que eu precisava. – Ela começou depois de incontáveis minutos, mas ainda permanecia em meus braços.
- Parece o mesmo pra você? – afastou levemente o rosto, para poder me encarar.
- Como assim? – Ela parecia verdadeiramente confusa.
- Ele te ama como eu te amo? – Eu subi uma das minhas mãos pelo seu braço, sentindo os pelos arrepiarem por todo o caminho. – Ele te toca como eu toco? – estava muda. – Parece o mesmo pra você? – Repeti a pergunta, mas ela permanecia calada. Voltei a abraçá-la, apertando um pouco mais meus braços ao redor da sua cintura, aproximando minha boca do seu ouvido. – Ele te segura como eu? – Sussurrei. suspirou audivelmente, eu podia sentir seu coração acelerado. – Todas as vezes que ele segura sua mão, você não quer que seja a minha? – Pedi, me perdendo na sensação de tê-la tão perto de mim novamente. – Parece o mesmo pra você? – pareceu acordar de um transe ao ouvir a mesma pergunta pela terceira vez, logo se afastando de mim.
- Eu... Eu... Isso... Nós... – Ela parecia perdida demais. – Eu preciso pensar, . Tchau. – deu a volta por mim, abrindo a porta e saindo do quarto. Olhei Buddy na cama, dormindo profundamente, e só então me dei conta de onde ainda estávamos. Apoiei minhas costas na porta, sentindo uma queimação por cada pedaço de pele que tocou . Era como se, pela primeira vez nesses cinco anos, eu me sentisse vivo novamente.

No dia seguinte, havia sumido. Quando eu cheguei para ver o Buddy, ela não estava. Quando deixei sua casa, já bem tarde da noite, ela ainda não tinha chegado.
Obviamente, ela estava me evitando depois do que aconteceu no quarto do nosso filho.
Dirigi até em casa, sentindo um vazio dentro de mim. Minha cabeça estava a mil. Eu não sabia o que se passava pela cabeça dela, eu não sabia se ela estava com a porra do Will. A única certeza que eu tinha era que eu precisava vê-la, saber que ela estava bem.
Era mais de três da manhã e eu ainda estava acordado.
Minha mente me traía e eu só conseguia lembrar do dia que eu havia partido. Eu tinha a imagem de gravada em minha mente. A dor em seus olhos, as lágrimas escorrendo livremente por seu rosto. Eu podia reviver toda a dor daquele voo, o quanto eu chorei e pensei em desistir de tudo.
Bufei.
Seria uma longa noite.

De manhã, eu estava acabado. As olheiras estavam enormes. Meu humor estava tão ruim que eu estava verdadeiramente com medo de acabar matando alguém.
Dirigi até a empresa, que estava uma loucura com os preparativos para a inauguração.
Durante toda a manhã eu fiquei preso em reuniões que pareciam nunca terem fim. Na hora do almoço, corri para buscar Buddy na escola. Eu tinha que me desdobrar em dois para dar conta de tudo na empresa e ainda estar presente na vida do meu filho. Uma coisa eu podia garantir: o esforço estava valendo a pena.
Eu amava aquele garoto.
Ele era engraçado, adorava brincar, era um fã de Harry Potter, ele se importava com as outras pessoas, era extremamente educado. Era incrível a forma como o havia educado, ela nunca parava de me surpreender.
- Papai! – Buddy veio correndo em minha direção na saída da escola. Ele se jogou em meus braços e eu rapidamente o levantei bem alto. Ele gargalhou, o que me fez balançá-lo ainda mais!
- Como foi a escola hoje? – Perguntei, assim que entrei no carro, depois de prendê-lo na cadeirinha.
- Foi ótima! Tia Rose preparou uma brincadeira nova e tinha uma pergunta sobre Harry Potter que só eu sabia a resposta! – Ele parecia bastante orgulhoso de si mesmo, o que me fez rir.
Buddy contou tudo o que havia acontecido na escola durante o caminho até em casa. Os pais de me receberam na porta, com sorrisos nos lábios ao pegarem o neto no colo.
- Quer entrar, ? – A mãe da perguntou.
- Vem, papai! Nós podemos brincar um pouquinho antes do almoço. Certo, vovó? – Como eu iria dizer não a essa criança?
- Claro, meu filho, mas antes suba pra se trocar, ok? – Eu entrei na casa atrás deles, esperando Buddy voltar.
- E então, , como estão as coisas na empresa? – O pai da perguntou.
- Bem, a inauguração deve acontecer nas próximas semanas, mas tudo dentro do prazo. – Sorri em sua direção, aceitando o copo de suco que ele estendeu para mim. – Obrigado.
- Buddy parece muito feliz em ter você por perto.
- Eu ainda nem acredito em tudo isso, sabe, mas eu não poderia estar mais feliz. – Disse, com um enorme sorriso nos lábios.
Buddy voltou correndo, com a bola nas mãos.
- Vamos, papai! – Ele me puxou pelo braço. Eu apenas sorri na direção do pai da , seguindo meu filho para o quintal. Eu tirei o paletó, o colocando na mesa da varanda. Buddy foi para o outro lado do quintal e lançou a bola para mim.
- Nossa, quase não consigo pegar! Como foi forte! – Sua risada alta apenas fez com que eu sorrisse ainda mais para ele.
- Joga de volta, papai! – Buddy gritou, e eu prontamente arremessei para ele.
Nós ficamos jogando a bola um para o outro até que vi um carro estacionando na frente da casa. Logo reconheci no banco do carona e vários sinais de alerta apitaram sobre mim. Nesse instante, a mãe da apareceu chamando Buddy para almoçar, logo o levando dali.
Will desceu do banco do motorista e eu não conseguia tirar meus olhos da cena.
estava séria, assim como Will. Quando ele me viu, veio direto em minha direção, seu olhar expressava puro ódio.
- Você conseguiu, não é mesmo? – Ele falou, mais alto do que o normal. veio correndo até nós, preocupada.
- Do que você está falando? – Meu tom era duro. Will se aproximou de mim, colocando um dedo no meu peito.
- Você voltou do nada e já está fazendo a cabeça dela de novo. – Eu bati em sua mão e ele deu um passo a frente, se aproximando.
- Will, para com isso. Eu já te expliquei. – tentava acalmá-lo, mas eu já estava preparado para a briga.
- Eu não sei do que você está falando, mas tenho certeza que não te interessa. – Falei, erguendo minha cabeça e também meu tom de voz. logo se colocou entre a gente, uma mão no peito de cada um de nós.
- Parem, os dois.
- Eu estava quieto aqui, ele que chegou vindo pra cima de mim. – Falei, erguendo as mãos.
- Não consigo acreditar que tá caindo na dele de novo! – Will se afastou, exasperado. – Você não acha que já sofreu o suficiente por ele? – Eu olhava dele para , sem saber exatamente o que havia acontecido.
- Will, eu aprecio muito tudo o que fez por mim, mas eu nunca te dei esperanças de ter algo mais. Eu sempre deixei bem claro que não estava aberta pra um relacionamento, você está exagerando. – Ela disse, seu tom estava sério.
- Mas foi só ele voltar pra você terminar comigo! – Ele gritou. Quando ele veio para cima da , eu me coloquei na frente.
- Você não é nem louco de chegar perto dela irritado assim. – Falei, entredentes. Eu não seria capaz de me controlar se ele a tocasse estressado do jeito que estava.
- Nós nunca tivemos nada além de amizade. E você sabe disso muito bem. – estava atrás de mim, eu podia ver que ela estava assustada.
- Você está com medo de mim? – Will abaixou o tom de voz, percebendo que estava fazendo um show. Eu não me movi, ainda entre os dois.
- Acho melhor você ir embora. – Ela disse, fazendo com que ele abaixasse a cabeça.
- Nós seríamos perfeitos juntos, mas você nunca me deu uma chance. – Ele riu, mas sem humor. – Você sabe que eu amo o Buddy como se fosse meu filho, você sabe que a gente poderia dar certo. – Senti minhas mãos fecharam em punhos, mas nada disse, apenas continuei como muro entre os dois, para o caso dele perder a cabeça de novo.
- Não é assim que funciona. Eu tentei, Will, mas... Eu não sinto o mesmo por você. – Eu podia sentir que ela estava triste com toda a situação. – Realmente acho que é melhor você ir embora agora. – Will apenas assentiu.
- Espero que você saiba o que tá fazendo. – Ele disse olhando para , em seguida me encarou. – Eu não gosto de você, mas, por algum motivo que eu nunca vou entender, ela nunca conseguiu se abrir pra mais ninguém. É bom que você não faça merda de novo, ou eu nem sei do que sou capaz de fazer. – Sua feição era séria, minha mente parecia presa em alguma outra dimensão, sem realmente entender o que estava acontecendo.
Assim que ele entrou no carro e partiu, eu me virei para .
- Você está bem? – Ela apenas assentiu.
- Eu nunca o vi irritado assim. – Eu desviei meu olhar para onde, instantes atrás, ele estava. – O que foi? – me chamou, ao notar que estava distraído.
- O que aconteceu pra ele chegar aqui querendo me matar? – Perguntei.
- Will havia se aproximado mais nas últimas semanas e ele criou expectativas que eu não fui capaz de corresponder. – simplificou a história, mas eu sabia que tinha muito mais que ela não estava me contando.
- Está tudo bem por aqui? – O pai da apareceu e ela assentiu. – O almoço está pronto, filha. Você está convidado, . – Ele logo virou as costas e entrou.
- Acho melhor eu ir, não quero piorar toda a situação pra você. – Eu falei, mas com uma pontada de esperança que ela me pedisse para ficar.
- A gente se vê então. – Respirei fundo e me virei, indo para a minha casa.

Minha cabeça girava. Will havia deixado bem claro que não tinha se envolvido com ninguém desde que eu havia partido, deu a entender, inclusive, que ela não estava dando uma chance a ele por minha causa.
Mas não era bem o que ela demonstrava.
e eu conversávamos exclusivamente sobre o Buddy. Todas as minhas tentativas de puxar um assunto diferente era cortado por ela de alguma forma. Eu podia sentir que ela não era indiferente a mim, mas seu esforço para não avançarem as coisas era claro.
Buddy e eu iríamos fazer um piquenique em um parque próximo onde morávamos. Minha esperança era que a animação do nosso filho a convencesse a ir com a gente.
Jogo sujo, eu sei.
Mas momentos desesperados pedem medidas desesperadas.
Minha mãe havia preparado uma enorme cesta com tudo que Buddy adorava. Assim que desci do carro, notei que ele estava na varanda, já me esperando. estava com o cabelo bagunçado, ainda de pijama, parecia que tinha acabado de acordar. Ela não poderia estar mais perfeita.
- Papai! – Buddy veio correndo assim que me viu, pulando no meu colo.
- Oi, campeão! Animado? – Ele sorriu, claramente feliz. Estava na hora de botar meu plano em prática. Me aproximei com ele no colo até onde estava. – O que acha de chamar a mamãe pra ir com a gente? – Era como se meu filho tivesse ouvido a melhor coisa em todo o mundo. Seus olhos viraram em direção a mãe, bastante assustada com minha sugestão repentina, e logo desceu do meu colo, indo até ela.
- Mamãe, mamãe, por favor, por favor, vamos com a gente! – Esse é o meu garoto! me lançou um olhar sério, eu apenas dei de ombros, como se tivesse nada a ver com aquilo.
- Eu acabei de acordar, amorzinho, estou uma bagunça, e não quero atrasar vocês.
- Você está perfeita. – Eu sussurrei, mas seu olhar surpreso me mostrou que ela tinha escutado. Dei de ombros novamente, eu estava cansado de jogar na defensiva.
- Por favor, mamãe, vai ser divertido! – olhava de Buddy para mim, a dúvida estava estampada em seus olhos. Depois do que pareceu uma eternidade, ela pareceu ceder.
- Tudo bem, eu preciso de quinze minutos. – Buddy voltou para o meu colo, comemorando.
- Muito bem, amigão, toca aqui! – Abracei meu filho, esperando ansiosamente voltar.
Pouco mais de dez minutos depois, surgiu na porta com short jeans, uma blusa branca lisa e tênis também brancos. Seu cabelo estava em um rabo de cavalo e seus óculos de sol no rosto. Estava levemente difícil respirar.
andou ao meu lado até o carro, Buddy estava contando alguma história sobre a escola e eu confesso que estava tendo dificuldade para acompanhar.
Essa era a minha oportunidade.
Prendi Buddy na cadeira no banco de trás e, em seguida, abri a porta do carona para . Ela sorriu, tímida, e entrou. Respirei fundo e dei a volta no carro.
e Buddy conversaram animadamente por todo o caminho até o parque. Eu falei pouco, preso demais em meus pensamentos. Era a primeira vez que e eu sairíamos sozinhos com o nosso filho. Eu estava animado, mas uma parte de mim estava apavorada de fazer alguma besteira e fazê-la se afastar.
Assim que estacionei, desceu do carro para pegar Buddy. Peguei a enorme cesta com o os lanches e alguns brinquedos. Buddy estava de mãos dadas com e ergueu sua mão livre para mim. Não consegui não sorrir com a cena.
- Eu pensei em ficar...
- Na árvore, eu sei qual. – me interrompeu, desviando o olhar. A nossa árvore, ela queria dizer. Nós sempre passávamos horas sentados nesse parque, só olhando as pessoas e conversando. Era o nosso lugar especial.
- Está exatamente como da última vez que vim aqui. – Eu estava admirando a vista, mas estava séria ao meu lado. Estendi uma enorme toalha no chão, sentando em seguida. Eu conseguia sentir sua hesitação, mas ela logo me acompanhou.
Nós três começamos a comer, Buddy deixando o clima mais leve entre nós. Era incrível como uma criança com quatro anos tinha assunto. Eu observava a intimidade dos dois, seus olhares de cumplicidade e os sorrisos. A única coisa que eu sabia naquele ponto é que eu estava perdido.
- Oi, ! Buddy! – Uma mulher que eu nunca tinha visto veio cumprimentar os dois. Ela estava com uma criança que parecia ser seu filho, mais ou menos da idade do Buddy.
- Oi, Alena, como está? – levantou para cumprimentá-la. As duas crianças já estavam entretidas entre si. Eu apenas observava.
- Estou ótima! Que bom encontrar você e o Buddy. – Seu olhar caiu sobre mim, agora que eu queria ver.
- Esse é o , pai do Buddy. – Eu levantei para cumprimentá-la.
- Prazer. – Seu olhar curioso me deixou um pouco desconfortável.
- Ah, que bom que você voltou para os Estados Unidos. – Ergui uma sobrancelha na direção da , surpreso. Ela deu de ombros. O olhar da tal da Alena vagava de mim para ela. – Eu estou levando o David para uma feirinha que tem no fim da rua, de uma amiga. É apenas para convidados, mas tenho certeza que ela não vai se importar se o Buddy entrar comigo. O que acha? – Ela estava falando com a , mas eu já queria dar um abraço nessa mulher.
- Ele vai adorar! – Respondi rápido, Buddy já assentindo e andando com o amigo.
- Ótimo! Não vou demorar, tenho algumas coisas pra resolver. No máximo em uma hora eu trago ele de volta. Tudo bem? – Se melhorar, estraga.
estava muda.
- Você não parece feliz. – Eu disse, tentando quebrar o silêncio que tinha se instalado entre nós.
- O que você tá tentando fazer, ? – Ela suspirou, me encarando pela primeira vez.
- Conquistar você de volta. – Ela arregalou os olhos, não esperando essa resposta.
- Não sei se...
- Olha, , eu já te disse antes, mas vou repetir. Eu voltei pra ficar, e eu amo você. Nunca deixei de te amar, ou pensar em você. Eu não quero impor minha presença na sua vida, não quero forçar você a nada, eu posso ter planejado esse piquenique, mas essa moça aí levar o Buddy eu tenho nada a ver. – Ela não conseguiu conter o sorriso. –Eu falo muito sério quando digo que quero uma chance e que eu não vou fazer besteira de novo. Eu nunca quis te machucar, só preciso de uma oportunidade pra te provar isso. – Disse tudo de uma vez, sem pensar.
- Eu tentei odiar você. – disse após instantes em silêncio, encarando a paisagem a sua frente. – Eu tentei muito. – Ela deu um sorriso de lado, mas era triste. – Eu até saí para alguns encontros durante esses anos, pelo menos no início. Só que... Só que nunca avançava porque eu não conseguia. Eu nunca quis me relacionar com outra pessoa, e você voltar agora... – ergueu o olhar para mim. – Eu estou apavorada, . Você não tem o direito de voltar depois de cinco anos e dizer que me ama depois de tudo que fez, depois de tudo o que aconteceu. Nós não somos mais as mesmas pessoas. – Eu podia sentir meu coração batendo acelerado, sem saber como ela finalizaria. – Mas...
- Mas? – Eu incentivei, na dúvida se queria ou não saber sua resposta.
- Mas ver você com o Buddy, dia após dia, e todo o esforço que você tem feito pra correr atrás do tempo perdido... E por não tentar invadir meu espaço, por me dar tempo pra processar tudo... Eu estou confusa. – suspirou, eu me aproximei um pouco dela.
- E isso é algo ruim? – Ela riu do meu tom um pouco angustiado.
- A gente precisa ir devagar, eu não sei o que eu quero ainda.
- Eu posso ir devagar. – Eu sorri.
- Perto demais pra “devagar”. – Eu estava realmente muito próximo.
- Em minha defesa, eu queria dizer que foi inconscientemente. – riu, e eu não sabia que tinha sentido tanta falta desse som até ouvi-lo de novo.
e eu passamos a hora seguinte conversando sobre tudo. Ela me contou sobre a faculdade, como fez para conciliar os estudos com Buddy, contou dos amigos, de situações engraçadas, os momentos engraçados do Buddy. Eu falei sobre Londres, sobre o estágio, depois do emprego e das coisas que eu tinha feito.
Quando Buddy voltou, nós arrumamos tudo e eu os deixei em casa, não queria abusar mais da sorte. havia mudado. Ela estava um pouco mais leve depois que conversamos, mas eu sabia que eu tinha que ir devagar. Era o mínimo que eu podia fazer para ela.

- , a festa de inauguração é em dois dias, relaxa. – Eu estava uma pilha de nervos. Os investidores de Londres iriam desembarcar nos Estados Unidos no dia seguinte e eu não tinha como estar mais nervoso.
- Eu sei que está tudo dentro do prazo, mas... É um evento muito grande, você sabe o quanto está em jogo aqui. – Falei para meu colega de trabalho, que apenas assentiu.
- Por que você não vai ver seu filho e eu encerro tudo por aqui hoje? Tem uns dias que não o vê, não é verdade?
- Sim, eu liguei algumas vezes, mas não é a mesma coisa. Não quero me afastar. – Falei, apreensivo.
- Então vai, amanhã a gente se encontra no aeroporto pra receber os chefões. – Nós rimos.
- Valeu, cara.
Corri até em casa e tomei um banho rápido, vestindo uma roupa mais confortável. Dirigi até a casa da , ansioso para revê-los.
No último mês, eu tinha me esforçado bastante para ir devagar. Nós estávamos mais próximos, nós até nos abraçamos. Várias vezes. Eu parecia um adolescente que se apaixonava pela primeira vez e ainda não conseguia acreditar que a garota estava dando bola pra ele.
Toquei a campainha e veio abrir a porta.
- Oi, , não sabia que vinha. – Ela me deu um abraço rápido, me dando passagem para entrar.
- Oi. Eu sei que não está tão cedo assim, mas as coisas na empresa estão meio loucas com a inauguração, e consegui um tempinho hoje. Queria te ver. E ver o Buddy. – Ela sorriu, corando um pouco. Eu nunca me cansava de olhar para ela.
- Claro, ele está no quintal dos fundos. – Segui atrás dela.
- Papai! – Meu filho veio correndo até mim, logo o abracei e o ergui.
- Senti tanto a sua falta, Buddy. – Falei, o apertando forte. – Me desculpe por ter sumido, papai estava atarefado no trabalho. – acompanhava a cena com um sorriso nos lábios.

Eu encarava Buddy dormindo, exausto depois de tanto que nós brincamos. Dei um leve beijo em sua testa e desci as escadas, encontrando sentada na varanda, do lado de fora da casa.
- Ele dormiu. – Falei, sentando ao seu lado.
- Ele sentiu muito a sua falta. – Ela sorriu, encarando seus pés. – Como estão os preparativos pra inauguração?
- Aquilo lá tá uma loucura! Os donos chegam amanhã e tá todo mundo meio apreensivo. E eu queria mesmo conversar sobre isso com você. – ergueu o olhar para mim, curiosa.
- Sobre o quê? – Ela arqueou uma sobrancelha.
- Bom... Eu... – Desviei o olhar, sorrindo nervosamente. – Eu queria saber se você gostaria de ir comigo à festa. Eu sei que você disse para irmos devagar, e eu juro que tô tentando ao máximo manter distância, mas... – Eu me aproximei um pouco dela, encarando seu rosto. – Você é tão linda. – Eu suspirei, a vendo desviar o olhar, sem graça.
- Tudo bem. – disse depois de um tempo. Eu tinha certeza que meu sorriso rasgaria meu rosto a qualquer momento.
- É em dois dias, eu sei que não avisei com antecedência, mas não precisa preocupar com roupa, nada, você pode vestir qualquer coisa que ainda vai ser a mulher mais linda de todas...
- ... – Eu estava nervoso e isso fazia com que o filtro da minha boca não funcionasse.
- Ok, ok. Acho melhor eu ir antes que eu fale ainda mais. – Disse, já me levantando.
- Boa noite, . – também se levantou e me deu um beijo na bochecha.
- Amanhã eu não vou conseguir passar aqui, mas eu ligo pra conversar com o Buddy de tarde. – Eu ainda estava meio em choque com o beijo, ainda que tenha sido na bochecha.
- Tudo bem, a gente se vê na festa. – Ela acenou e entrou. Eu fiquei ali, encarando a porta fechada, com um imenso sorriso nos lábios.

- Você pode fazer o favor de parar de encarar as escadas de cinco em cinco segundos? Tá deixando todo mundo incomodado. – Meu amigo disse.
- O quê? – Apenas parte do meu cérebro havia processado suas palavras, eu só queria que chegasse logo. Ela não iria me dar o bolo, certo? Ainda mais que ontem nós conversamos e ela parecia bastante animada.
- Quem você está esperando, ? – Ele estava impaciente.
- A mãe do meu filho, minha ex-namorada que eu espero que seja minha esposa daqui uns meses. – Falei, sem desgrudar meus olhos do topo da escada, por onde todos os convidados chegavam.
- Vai com calma aí, amigão, de ex-namorada pra esposa tem um caminho longo a ser percorrido. – Eu apenas dei de ombros, não querendo pensar em detalhes como aquele. – Ela garantiu que viria? – Antes que eu desviasse o olhar para responde-lo, eu a vi. tinha um olhar um pouco assustado quando notou a quantidade de pessoas que a encaravam. Eu não os culpava, ela estava maravilhosa naquele vestido.
Deixei meu amigo falando sozinho, eu não conseguia tirar meus olhos dela. Assim que ela me notou no salão, vi seu rosto se iluminar. Ela sorriu em minha direção e tive que conter todos os meus instintos para não sair correndo e subir as escadas até ela.
ergueu um pouco o vestido e começou a descer os degraus. Eu estava com muita dificuldade de respirar, a cada passo que ela dava em minha direção, eu sentia que mais perto eu estava de desmaiar.
Quando ela chegou no último degrau, eu estendi minha mão em sua direção. a pegou, um sorriso tímido em seus lábios.
- Você... Você está perfeita. – Consegui falar depois de engasgar algumas vezes.
- Obrigada, você não está nada mal de smoking também. – Ela brincou, mas eu podia identificar o tom de nervosismo em sua voz. – ?
- Uhm, oi?
– Você ouviu alguma coisa do que eu disse? – Eu balancei a cabeça, mas ainda sem conseguir tirar os olhos dela.
- Não. – Confessei, sorrindo com vergonha.
- Eu disse que tem muita gente nos encarando, se não poderíamos andar.
- Sim, claro, lógico. – Eu passei sua mão sobre meu braço, a guiando pelo salão.
- Onde você tava com a cabeça? – brincou.
- Em você. – Ela desviou o olhar e apenas me acompanhou.
- , até que enfim te encontrei. – Um dos donos da empresa me abordou. Senti ficar um pouco tensa ao meu lado.
- Oi, espero que não tenha coisa errada. – Sorri, apertando sua mão, tentando confortá-la.
- Não, está tudo ótimo, um grande sucesso. – Ela sorriu em minha direção, mas ele olhava de mim para , curioso. Jonny era um senhor muito simpático, que sempre havia torcido muito por mim, além de me ajudar e me dar essa grande oportunidade. – E quem é essa moça linda que está com você? – E ele era nada sutil.
- Essa é a . , esse é Jonny, um dos donos da empresa. – Jonny não conseguiu conter o sorriso quando se deu conta de quem era. Eu estava encrencado.
- A famosa .
- Jonny, acho que estão te chamando. – Eu tentei interrompê-lo. me encarava com uma sobrancelha arqueada.
- Eles podem esperar. – Jonny estendeu uma mão para cumprimentá-la. – É um enorme prazer enfim conhecer você, esse rapaz não sabia falar de outra pessoa durante o tempo dele em Londres. – Eu sabia que estava mais vermelho que pimenta.
- É mesmo? – falou, com um tom alegre em sua voz. Jonny assentiu, prestes a entregar muito mais coisa.
- O papo está ótimo, mas precisamos ir, não é, ? – Interrompi.
- Ir pra onde? – Ela perguntou, com dificuldade para conter a risada. Filha da mãe.
- Dançar. Nós vamos dançar. Tchau, Jonny, depois nos falamos. – O senhor apenas deu risada, nos deixando.
- Depois a gente conversa melhor, . – Ele piscou para ela. A peguei pela mão e logo saímos dali antes que mais alguém aparecesse.
- Famosa, é? – perguntou assim que nos afastamos. Eu peguei uma taça com alguma bebida alcoólica e a virei de uma única vez. Ela deu risada. – Acho melhor ir com calma, você nunca foi muito forte pra bebida.
- Continuo fraco do mesmo jeito, mas esse momento estava pedindo uma taça. – Falei, sem graça. passou os braços por sobre meus ombros e a puxei mais para perto, abraçando sua cintura.

Coloque essa música para tocar.

Assim que ouvi as primeiras notas de Perfect, do Ed Sheeran, senti meu coração apertar. respirou fundo, encostando a cabeça no vão do meu pescoço. Essa música dizia tanto sobre a gente.

I found a love for me
Darling, just dive right in and follow my lead
Well, I found a girl, beautiful and sweet
Oh, I never knew you were the someone waiting for me
'Cause we were just kids when we fell in love
Not knowing what it was
I will not give you up this time
But darling, just kiss me slow
Your heart is all I own
And in your eyes you're holding mine


Subi uma de minhas mãos pelas suas costas, fazendo carinho nela. apertou seus braços ao meu redor. Nós apenas nos balançávamos como se ninguém mais estivesse ao nosso redor. Eu podia sentir que ela estava concentrada na música, assim como eu.

Baby, I'm dancing in the dark
With you between my arms
Barefoot on the grass
Listening to our favorite song
When you said you looked a mess
I whispered underneath my breath
But you heard it
Darling, you look perfect tonight


Afastei meu olhar para encará-la. tinha os olhos marejados, mas um leve sorriso estava em seus lábios.
- Você está tão linda. Você é tão linda, tão perfeita. – Sussurrei, próximo demais ao seu rosto para a minha sanidade. Uma lágrima escorreu de seus olhos e eu a limpei, a abraçando novamente.


Well, I found a woman, stronger than anyone I know
She shares my dreams, I hope that someday I'll share her home
I found a lover, to carry more than just my secrets
To carry love, to carry children of our own
We are still kids, but we're so in love
Fighting against all odds
I know we'll be alright this time
Darling, just hold my hand
Be my girl, I'll be your man
I see my future in your eyes


Afundei meu rosto em seus cabelos, sentindo sua fragrância. Fechei meus olhos com força, não querendo que aquele momento acabasse. Eu a amava tanto, e estava com tanto medo de jamais conseguir seu perdão.
Me afastei um pouco dela, pegando sua mão e a fazendo girar. sorriu, achando graça dos meus movimentos sem jeito.

Baby, I'm dancing in the dark
With you between my arms
Barefoot on the grass
Listening to our favorite song
When I saw you in that dress
Looking so beautiful
I don't deserve this
Darling, you look perfect tonight


- Achei que eu fosse desmaiar quando eu te vi no topo das escadas. – Falei bem baixinho em seu ouvido. afastou o rosto para me encarar.
- Por quê? – Ela sorria.
- Porque... – Me afastei dela, para exemplificar o que eu dizia. – Olha bem pra você. Acho que nem perfeita chega perto de você hoje. – Voltei a abraçá-la, achando esse momento surreal demais.

Baby, I'm dancing in the dark
With you between my arms
Barefoot on the grass
Listening to our favorite song
I have faith in what I see
Now I know I have met an angel in person
And she looks perfect
I don't deserve this
You look perfect tonight


- Eu realmente não mereço você, , mas sou egoísta demais pra te deixar ir sem nem ao menos tentar. – Falei, olhando fundo em seus olhos. – Eu amo você. Não tem nada que eu queira mais nesse mundo do que estar com você e com o Buddy, como uma família. – encostou sua testa na minha, as lágrimas já desciam copiosamente por seu rosto.
- Eu nunca deixei de te amar, , acho que por isso não consegui me envolver com outras pessoas. Nunca pareceu... certo. Não como nós dois. – Ela estava com os olhos fechados. Me afastei minimamente, erguendo seu queixo para que me olhasse. Uma lágrima solitária escorreu por meu rosto.
Meu subconsciente sabia que estávamos em uma festa, sabia que uma nova música havia começado, que pessoas dançavam ao nosso redor e conversavam alto umas com as outras. Mas nada disso eu conseguia realmente ouvir. Ninguém mais me importava a não ser ela. Nós parecíamos dentro de uma bolha, vivendo um momento que por tanto tempo eu havia esperado.
aproximou seu rosto do meu e eu fechei a distância entre nossos lábios, a beijando com todo o amor que eu tinha preso dentro de mim. A abracei forte, como se a qualquer momento ela fosse evaporar bem diante dos meus olhos.
Assim que nos afastamos, eu a puxei de volta para os meus braços, a erguendo pela cintura e nos girando pelo salão. Ouvi alguns aplausos e assovios ao nosso redor, estourando nossa bolha. escondeu seu rosto no vão do meu pescoço, envergonhada. Eu gargalhei, a colocando no chão.
- Todo mundo tá olhando pra gente, . – Ela sussurrou.
- Vamos sair daqui.
A peguei pela mão e nós fugimos. O sorriso nos seus lábios aos poucos substituindo a imagem das suas lágrimas no aeroporto cinco anos atrás. Nossos novos momentos amenizando a dor do afastamento.
Eu jamais iria esquecer tudo o que eu havia a feito passar, mas eu usaria isso como combustível para ser a melhor pessoa para ela e para o nosso filho. Não iria estragar essa segunda chance que ela havia me dado. Eu sempre soube que jamais seria assim com outra pessoa e eu passaria o resto da minha vida provando isso para ela.


Fim.



Nota da autora: Oi, gente linda desse Brasil! Como estão?
Eu preciso confessar que apenas recentemente me apaixonei por The Vamps, mas não consegui me segurar e tive que participar desse ficstape maravilhoso! Só tem hinão!
Desejo do fundo do coração que não tenha estragado essa música maravilhosa e que tenham uma boa leitura!
Bom, é isso. Espero que gostem e, se puderem, não deixem de comentar! Muito obrigada por tudo!
Larys





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