Última atualização: 12/01/2018

Capítulo Único

Saber que você está indo para o último compromisso oficial antes de sair de férias realmente deixava tudo melhor, estava atrasado pra uma entrevista com a TV local sobre a série em que estava trabalhando atualmente e tinha acabado de receber a notícia que permaneceria no elenco para a próxima temporada. Eram ótimas notícias, tão boas quanto saber que eu voltaria pra minha cidade nas férias.
” podia ser um nome conhecido agora, mas há pouco mais de dois anos era somente um carinha magrelo tentando ter alguma oportunidade, vim do Canadá direto pra Los Angeles atrás do meu sonho de me tornar ator e depois de alguns meses, de muitas e muitas audições consegui um papel pequeno em uma série, que abriu portas pra outras e agora aqui estou, há dois anos morando em L.A. e morrendo de saudade de casa. E, às vezes, era dos meus amigos que eu mais sentia falta, principalmente de .


Flashback On

Tinha acabado de assinar o contrato com a produtora da série e voltei pro Canadá pra contar pros meus amigos e familiares, e também pra buscar minhas coisas, era oficial, agora eu moraria em Los Angeles.

– Você não vai se esquecer da gente, né?! – secou os olhos rapidamente porque odiava chorar na minha frente e eu a puxei para um abraço.
– Claro que não, você nunca deixaria isso acontecer! – Beijei sua testa e ela riu me dando um tapinha na cabeça.
– Que bom que você sabe! Vê se não vai ficar pegando uma galera de Hollywood e denegrir a nossa imagem aqui!
– Ah, fica quieta! Você me ama demais, né… Só não quer admitir! – Olhei em seus olhos e começou a rir.
– Ah, , você me diverte! – Ela forçou uma risada só pra me provocar – Não se esquece do meu presente e de separar um lugarzinho pra mim lá!
– Pode deixar! Se cuida, ! – Beijei seu rosto e ela me apertou em seus braços mais uma vez.

Ela estava especialmente linda nesse dia, fez questão de chegar atrasada em um compromisso para conseguir se despedir de mim e entregar uma foto de nós dois para que eu não me esquecesse dela.
Mal sabia ela que eu não precisava de foto, ela já estava guardada em um lugar só dela há tanto tempo que nem mesmo a distância conseguia diminuir sua importância, nunca deixaria de ser uma das minhas pessoas favoritas no mundo.

Flashback Off

Depois da entrevista, voltei para meu apartamento e terminei de arrumar minhas malas, à noite meu agente me avisou que chegaria em Toronto muito cedo e eu avisei que não tinha problema, ainda eram oito da manhã quando toquei a campainha de casa, ouvi minha irmã xingando lá de dentro antes de abrir a porta com uma cara de poucos amigos e olhar quase assassino.

– BÚ! Feliz Dia das Bruxas! – Tirei meus óculos escuros e abri meus braços vendo Amie abrir a boca totalmente chocada antes de me abraçar e logo em seguida me dar um tapa forte no braço.
– Idiota! Quer me matar do coração?! – Ela se afastou um pouco para olhar em meu rosto em seguida me abraçou de novo – Que saudades, ! Mamãe vai surtar – Ela riu baixinho antes de me puxar para dentro de casa.
– Quem é, Amie? Com quem você tá falando?! – Vi minha mãe descendo as escadas ainda de roupão e cara de sono, fui para mais perto e a vi colocar a mão na boca e descer as escadas mais rápido.
! Meu menino! Você veio! – Ela me abraçou apertado e beijou meu rosto, me olhou depois abraçou de novo e, por fim, eu a ouvi fungando baixinho – Que bom que você está aqui!
– Vou ficar enchendo a paciência das duas por um bom tempo! – Fiz cócegas na minha mãe e minha irmã passou por nós revirando os olhos só pra irritar.

Durante o café as duas foram me contando as novidades de todos ali, depois de dormir um pouco liguei para os meus amigos e convoquei todos eles pra virem à noite aqui em casa pra gente poder conversar e combinar todas as nossas saídas enquanto eu estivesse na cidade. Sempre que dava, nós gostávamos de nos reunir e era sempre no meu porão, liguei para Theo e ele me disse que seria melhor se ele chamasse a e eu não entendi nada, mas concordei, contanto que nenhum dos dois faltasse, para mim estava tudo bem.
Theo, e eu sempre fomos os piores juntos, infelizmente na escola, mesmo quando os professores queriam nos separar, a gente continuava aprontando todas no intervalo, era a nossa única jogadora oficial de futebol, era melhor que nós dois juntos e não perdia uma oportunidade de nos zoar por isso, quando passei na audição pra fazer a série, nós fizemos um juramento que nós não podíamos deixar nossa amizade se perder, e há, pelo menos, um ano e meio eu fazia questão de passar algum tempo das minhas férias ali com eles, e era como se o tempo não tivesse mudado nada.

– Cadê meu vampirinho favorito?! – Theo apareceu no porão com uma garrafa de vodca na mão e aquela cara idiota me zoando.
– Tô aqui, meu bem! – Me virei pra ele rindo, fazendo ele rir também antes de me cumprimentar – Cadê o resto do povo?
– Sua mãe prendeu eles lá em cima – Theo deu de ombros indo mexer no frigobar e pegando uma cerveja.
– Veio todo mundo? – Olhei pra ele que sabia exatamente de quem eu estava falando, quem eu realmente queria saber se estava ali e Theo ficou sério de repente.
– Sua mãe não te contou? A .... – Theo levantou para vir até mim, mas eu senti uma mão tapando meus olhos e eu sabia que era ela, coloquei minhas mãos sobre as dela e ouvi sua risada em meu ouvido.
– Oi, Frangote! O que vocês estão falando de mim, hein? – Ela veio pra minha frente e me abraçou rápido, como não costumavam ser nossos abraços e desviou o olhar para algo atrás de mim.
, esse é o Jimmy, meu namorado! – foi para o lado dele e entrelaçou sua mão a dele, o tal Jimmy me olhou de cima a baixo e apenas acenou com a cabeça, fazendo questão de ser bem antipático, apenas devolvi o gesto.
– Prazer, fiquem à vontade! – Sorri para e a vi o puxando para um dos sofás.

Os outros caras estavam logo atrás deles, alguns acompanhados, outros não, mas incrivelmente ninguém com uma feição tão séria para uma reunião de amigos quanto o tal namorado da .
A noite estava maravilhosa, meus amigos eram as pessoas mais idiotas possíveis e era por isso que eu amava todos eles, começamos a brincar de mímica e minha dupla era Theo, único problema era ele ser péssimo nesse jogo.

– Eu não faço a mínima ideia do que é isso! – Theo já estava ajoelhado no chão tentando descobrir qual era o filme que eu estava imitando, mas ele simplesmente não acertava uma.
– Alguém me ajuda! As Branquelas? – Apenas neguei com a cabeça e ele jogou a cabeça pra trás.
– Desisto! Você sabe, ? – Ela era a única que assim que comecei a imitar começou a rir e colocou a mão na boca pra não deixar escapar a resposta, era óbvio que ela sabia, nós já ganhamos uma competição dessa juntos.
– Legalmente Loira! – Ela riu e eu fui até ela fazer um high five.
– É o filme favorito da Amie! – Nós dissemos juntos e caímos na gargalhada.
– Era só você lembrar do irritando ela, ele sempre fazia igualzinho – deu um tapa de leve na cabeça do Theo que apenas balançou a cabeça indignado.
– Me deixem fora disso! – Amie apareceu no porão com as caixas de pizza, e nós paramos a brincadeira.
– Sabe quem eu vi esses dias? – Theo puxou o assunto enquanto já devorava sua terceira fatia de pizza – Lembra da nossa professora de artes? Aquela bem brava?

Acenamos que sim e eu comecei a rir me lembrando de quando ela me deixou quase uma semana completa na detenção.

– Foi com ela que a gente fez o negócio com o alarme do colégio?! – perguntou e eu apenas confirmei.
– Essa história eu não sei, conta, gente! – Amie sentada ao meu lado pediu e nós nos entreolhamos antes de contar.
– Era época de campeonato no colégio, mas um dos nossos professores resolveu que ia dar prova bem no dia da semifinal, Theo e eu conseguimos fazer antes, mas a sala da não, e a gente precisava dela no time naquele jogo, solução que encontramos: tocar o alarme de incêndio do colégio, assim o professor teria que cancelar a prova e ainda ia dar tempo da jogar – Theo contou depois bateu em meu ombro pra que eu continuasse.
– Theo tinha que distrair a inspetora enquanto eu entrava na salinha e tocava o alarme, o único problema foi que a nossa professora de artes me viu entrando na sala e tocando o alarme, ela foi e parou o alarme, antes de sair da sala consegui tocar de novo e ela ficou furiosa comigo – Ri um pouco enquanto Theo só chacoalhava a cabeça rindo mais do que todos ali – Resumindo, deu certo de cancelaram a prova por causa do alarme, só não deu pra eu jogar porque ela me mandou pra detenção e ficou comigo o tempo todo!
– Meu professor quase teve um treco com aquele alarme, mas eu fiz um gol pra você pra compensar – riu de leve e deu uma piscadinha pra mim, ri e devolvi pra ela o gesto sentindo Jimmy me olhar furioso, peguei um pedaço de pizza e quando meu olhar passou pelo sofá onde estava, eu vi seu namorado a puxando de lado pelo braço e falar algo em seu ouvido, o olhar dela estava sério e aquilo me incomodou demais. Minutos depois os dois se levantaram e super sem graça começou a se desculpar.
– Galera, foi ótimo encontrar com vocês, mas a gente tem que ir agora! Tem trabalho amanhã cedo! - Ela fez uma careta e eu me levantei para levá-los até a porta, Jimmy apenas apertou minha mão com uma força bem desnecessária, abracei como sempre fazia, mas ela parecia mais tensa do que nunca e saiu rápido do meu abraço, sorrindo sem graça pra mim.
– Se cuida! – Ela saiu de cabeça baixa e eu voltei para o porão, sentindo que o mundo estava de cabeça pra baixo.


– Eu estou louco, ou esse tal de Jimmy parece fazer mal a ? Sério, me digam a verdade! – Não me contive e assim que entrei no porão lancei a pergunta e pela cara de todos ali, eu não estava errado. Droga, eu queria muito estar errado.
– Olha, , eu já achei um milagre ela estar aqui hoje – Um dos nossos amigos disse e eu o olhei chocado.
– Como assim? Há quanto tempo isso acontece? – Me sentei novamente ao lado de Amie e ela me olhou um pouco triste, e eu não gostava muito daquele olhar de pena.
– Eles namoram há alguns meses, mas ninguém pensou que fosse durar quando ela apareceu com ele a primeira vez, só que depois de um tempo, ela mal saía com a gente e quando nos encontrávamos com eles, era sempre muito rápido, como se pra não ter problemas, ele não gosta de nenhum de nós, mas ele nunca tinha visto vocês juntos.... Acho que ele já deve estar te odiando – Theo disse me olhando um pouco mais sério, ele sabia que eu não podia deixar aquilo acontecer, tinha um lugar que era só dela na minha vida e eu não permitiria que ninguém a fizesse mal. Ninguém.

A festa continuou, mas eu simplesmente não podia esquecer a maneira com que aquele cara tratou , o olhar dela, a falta de sorrisos da pessoa mais risonha que eu conhecia, tinha alguma coisa muito errada ali.
Combinamos de nos encontrar no boliche da cidade na tarde do dia seguinte, tentei ligar para , mas ela não atendeu. Então eu mandei várias mensagens:
, vamos arrasar aquela galera no boliche hoje? O que me diz?!”
“Theo, já está morrendo de medo”
“Você me deve uma revanche, não esqueça!”
“Te esperamos lá”

Esperei por sua resposta o dia inteiro, mas ela não me respondeu, quando encontrei com o resto do pessoal, perguntei se alguém sabia de alguma coisa dela, mas ninguém tinha falado com naquele dia. Theo me disse que ela deveria estar bem, mas que ela provavelmente não apareceria ali.
Começamos nossa competição de boliche e eu postei algumas fotos nas minhas redes sociais, algumas das nossas zoações e provocações, e aparentemente todos estavam gostando, inclusive alguns fãs que ajudavam a zoar Theo por estar em último lugar. Quando acabamos, consegui vencer por pouco e posamos pra uma foto e como sempre foi nossa tradição, escrevemos o nome de em uma folha e a colocamos no troféu, e na foto todos mostramos a língua como ela sempre fazia e postei no instagram com a legenda: “#ParaNossaGarota #SóFaltouVocê #”.
E Theo e todos os garotos começaram a me zoar nos comentários com coisas tipo: Só ganhou porque a estava com preguiça de ir, chorou de saudades, queremos revanche! E pra finalizar, Theo postou uma foto de uns anos atrás com como a grande vencedora e mostrando a língua, quando voltei pra casa, ele ainda estava tentando me zoar nos comentários e eu ria da sua idiotice. Eu não me importava com as fotos e ele sabia disso.
À noite, tinha acabado de sair do banho e estava distraído com as fotos que ainda estavam no meu mural quando começaram a bater à porta do quarto de um jeito meio urgente, decidi abri a porta daquele jeito mesmo, vestindo apenas uma toalha enrolada em minha cintura, dei de cara com minha mãe e que estava com os olhos vermelhos, minha mãe com seu olhar de preocupação sobre ela.

– O que houve? – Fui até automaticamente e peguei em seu rosto, tentando com toda delicadeza possível fazer com que ela olhasse em meus olhos, mas ela se esquivou.
– Vou deixar vocês conversarem! Tô lá embaixo, se precisarem! – Minha mãe deu um beijo no topo da cabeça dela e nos deixou a sós.
– Vem comigo! – Peguei de leve em seu braço e fez uma careta, como se estivesse doendo ali e aquilo estava muito estranho.

Abri completamente a porta para ela entrar em meu quarto e mal fechei a porta, a única coisa que disse foi apenas um seco “Se veste, por favor!”, fiz como ela me pediu, vestindo rápido uma roupa qualquer e me sentei ao seu lado na cama.

– Que foi? Você estava chorando não é?
– Não me leve a mal, por favor! Mas eu preciso te pedir uma coisa... – A voz dela era séria, quase robótica, não tinha quase nada da minha amiga ali. A cada segundo parecia mais nervosa e aquilo me deixava automaticamente mais aflito. – Preciso que você apague aquela legenda ou aquela foto, sei lá, aquele negócio...

Olhei pra ela sem entender nada, a vi mexendo nas mãos sem parar, e ela só fazia isso quando estava com medo, angustiada.

– Mas você nem aparece na foto, o que tem de errado ali? – Cruzei meus braços e a encarei.
– Não pergunte, só apague... – Ela levantou e foi em direção à janela, fui atrás dela.
– Por que eu tenho que apagar, ? Só porque eu coloquei seu nome ali?!

Entendi a situação e não me contive em perguntar com todas as palavras, o que aquele cara estava fazendo com ela? Porque ela tem que se sentir mal por uma foto em que ela nem aparece? Ou por ter amigos que a amam? Tudo estava errado naquela situação. Tudo.

– Eu não quero mais brigar, por favor! – Ela abaixou a cabeça e a encostou no vidro da janela, e ali eu percebi o quanto ela estava exausta emocionalmente, as brigas as quais ela se referia não eram comigo, eram com seu namorado, vendo-a ali tão apagada, tão triste, senti meu coração apertar como se o estivessem esmagando, e a única coisa que fui capaz de fazer foi puxar e a abraçar o mais forte possível, como se ela ali escondida em meus braços pudesse resolver a situação, pelo menos por aqueles segundos queria que ela sentisse segurança, sentisse que o nosso mundinho ainda estava certo, estava tudo bem.
Não sei dizer quanto tempo durou nosso abraço, mas senti as lágrimas dela molhando minha camiseta, senti o quanto ela precisava daquilo e odiei com todas as minhas forças aquele namorado imbecil por fazê-la sofrer daquele jeito, enquanto eu sei que morreria para estar com ela, para conviver com , vê-la dormir e acordar, estar ao seu lado e ser tudo que ela precisasse. Eu faria tudo por ela.

, você sabe que pode contar comigo pra tudo, não sabe?!
– Sei, ... Não se preocupe, foi só estresse – Ela acariciou meu rosto e se afastou.
– Mesmo morando longe agora, não se esqueça que você pode falar comigo sobre tudo, sobre todos! – Peguei em sua mão, mas ela apenas chacoalhou a cabeça.
– Não quero falar sobre nada agora, o.k.?! – Ela me olhou suplicante e eu apenas assenti.

Peguei meu celular, salvei as fotos e as apaguei das redes sociais, junto com os comentários, mostrei para e ela sorriu fraco.
– Obrigada, ! – Ela me abraçou forte mais uma vez e me deu um beijo no rosto, e eu sentia que podia ser o último, guardei cada instante junto de mim, guardei a minha garota favorita na memória.

Descemos as escadas e não encontramos ninguém no meio do caminho, fui com até a porta e lhe dei um beijo na testa.

– Se cuida ! E não esquece que eu tô aqui! Para o que você precisar!
– Obrigada! Você é um ótimo amigo! – Ela me deu mais um beijo na bochecha e eu a ergui do chão, fazendo-a girar e gritar ao mesmo tempo. – Idiota! – Ela ri e me dá um soquinho no braço de brincadeira, respondo com uma piscadinha e mostro a língua, vendo-a ir em direção ao seu carro em seguida.

Assim que fechei a porta me senti a pessoa mais inútil do mundo, destruído por dentro por ver o quanto aquele namoro era tóxico pra ela e não poder fazer nada. Minha mãe apareceu e me chamou pra sentar com ela no sofá.

– Que foi? Por que parece que quebraram alguma coisa sua e você não sabe consertar... – Ela mexeu no meu cabelo e eu decidi falar, talvez ela soubesse o que fazer.
– Eu acho que gosto da muito mais do que eu imaginava, de outro jeito, sabe.... Quando eu estava voltado pra cá eu ficava imaginando como ela deveria estar, se ela estaria tão linda quanto da última vez, fiquei me lembrando de nós no colégio, de quando ela passava os fins de semanas com a gente e o mundo parava, era a gente e só, e era tão feliz! E agora ver ela assim, me dói o fato de querer ser mais que um amigo e tratá-la da maneira que ela merece, você conhece ela tanto quanto eu, mãe, ela merece mais....
– Você ama ela, ?!
– Eu não sei se isso é amor, mas eu queria estar o mais perto possível dela, ser tudo que a toca e a faz feliz, vê-la feliz.

Minha mãe me olhou sorrindo bagunçando meu cabelo em seguida.

– Acho que é amor desde a 6ª série, meu bem! – Ela riu e eu a olhei chocado, vendo minha mãe apenas dar de ombros como se não fosse nada, piscando pra mim.

– O que eu faço? – Perguntei me sentindo ainda mais perdido.
– Se você vai lutar por isso, diga a ela, pra que saiba que tem opções, mas vá com muito cuidado, sei que você vai querer bancar o grande herói, mas ela pode se machucar nessa história toda!

No dia seguinte, acordei tarde e me joguei no sofá, enquanto assistia a um jogo qualquer e tomava café, a campainha começou a tocar insistentemente e eu já estava pronto pra xingar a pessoa irritante, escancarei a porta e dei de cara com com um olhar assustado e os olhos muito mais vermelhos do que a noite anterior.

– O que houve? ? – Peguei em sua mão e a puxei pra dentro de casa, somente quando tranquei a porta ela começou a chorar e desabou em meus braços, não interessava o que tivesse acontecido, não deixaria ela sair daqui sem me contar.
– Pelo amor de Deus, fala comigo, ! Me deixa te ajudar! – Pedi baixinho, próximo ao seu ouvido, com todo carinho do mundo para que ela não se assustasse ainda mais.
– Ele... quase me bateu hoje, Jimmy levantou a mão pra mim – Ela soluçava em meus braços, podia sentir o peito dela subindo e descendo contra o meu, a raiva tomando conta do meu sangue, fechei minhas mãos em punho, sabendo que se visse aquele desgraçado na minha frente, acabaria com ele no mesmo instante – Eu fugi, o único lugar que eu sabia que teria gente nesse horário foi aqui, ele nunca agiu como hoje, ele....
– Ele passou dos limites, chega! Eu não vou deixar ele maltratar você desse maneira! Puta que pariu! – A afastei minimamente apenas para olhá-la nos olhos e pude ver seu olhar triste e confuso, como aquele merda era capaz de fazê-la sofrer?
– Não! Eu não sei o que deu nele hoje... Ontem foi difícil, mas eu pensei que estivesse tudo bem, eu não sei o que pode... – Não queria acreditar que ela estava ali na minha frente tentando achar algum tipo de justificava, ela merecia alguém melhor.
– Não tem justificava! , nada justifica alguém sequer gritar com você, que dirá ser violento! Tentar te agredir fisicamente... – Segurei seu rosto em minhas mãos com todo cuidado e só vi tristeza em seu olhar.
– Ele não era assim...
– Eu não conheço esse cara, eu não quero conhecê-lo, só quero que você saiba que você merece mais, ! – Conseguia sentir minha voz embargando, meu coração estava um caco por vê-la tão amedrontada, tão indefesa.
– Para, , você não sabe mais nada da minha vida!
– Eu posso não estar atualizado, mas eu conheço o seu sorriso de verdade, eu sei quem você é aí dentro assim como você me conhece muito além do que qualquer câmera, eu sei o quanto você sempre amou seus amigos, suas amigas, a vida tinha toda graça pra você, sempre você! Todo mundo só me diz o quanto você mudou, o quanto anda quieta e meio excluída por aí, mas eu conheço você, e sei que a minha ainda tá aí!
– Do que você tá falando? É mentira! – Os olhos dela denunciavam sua mentira, os olhos cada vez mais marejados não deixavam que aquela mentira ficasse de pé.
– Sei que você não vai querer acreditar em mim, mas eu amo você! – Seus olhos se arregalaram e eu respirei fundo, agora que já tinha começado eu ia até o final, balançava a cabeça negando, ela deveria estar furiosa comigo.
– Cala boca! Você não tem esse direito, você não pode fazer isso...
– Amar você? – Uma risada irônica e amarga escapou – Eu te amava antes, continuei amando e hoje eu sei que talvez eu sempre te ame, só não queria admitir que nunca ninguém vai roubar o seu lugar na minha vida! Posso viajar até pra China e é você quem eu vou querer por perto sempre! É a chuva pra você que eu queria ser, só pra te ver rir como sempre acontecia nos nossos banhos de chuva, ser o sol só pra te ver amanhecer e reclamar porque é muito cedo pro algo brilhar tanto assim, ser o que te toca e te encanta, ser algo bom pra você e por você!

apenas chorava baixinho, seu rosto já estava ensopado de lágrimas quando tentei secá-las, mas ela se esquivou, me deixando aflito e ansioso. Depois de algum tempo ela secou o rosto bruscamente.

– Preciso ir! – Antes de sair ela me olhou uma última vez e bateu a porta sem me deixar nenhuma pista de pra onde ela tinha ido.


Tentei entrar em contato com ela durante todo o dia, mas só caía na caixa postal, e aquilo só me deixava ainda mais nervoso. Só me tranquilizei quando Theo me mandou uma mensagem a tarde dizendo que dormiria na casa dele. À noite, Amie e eu estávamos esperando mamãe chegar do trabalho quando começaram a bater à porta da sala com muita força, enquanto Amie correu pra pegar um taco de basebol, olhei pela janela e vi Jimmy todo estressado do lado de fora.

– Cadê minha namorada? Ela tá aqui, não tá? – Abri minimante à porta e o imbecil tentou espiar pra dentro da minha casa, mas eu fechei mais a porta o encarando.
– Sai daqui, agora!
– Por quê? Tá escondendo aquela va... – Nem deixei ele terminar a frase e acertei um soco com toda força em seu nariz, Jimmy cambaleou pra trás e quase caiu.
– Filho da puta! Vou acabar com você! – Antes de Jimmy se atirar na minha direção, ouvimos uma buzina muito forte e uma luz sendo jogada na nossa direção.
– Você me paga! – Jimmy se assustou e saiu correndo enquanto eu mostrava o dedo do meio pra ele, alguns minutos depois minha mãe saiu do carro que quase entrou na nossa varanda.
– Foi por pouco! – Ela começou a rir e me deu a chave pra que eu estacionasse o carro direito desta vez.

– Afinal de contas, o que esse cara queria com você? – Minha mãe perguntou no meio do jantar, não conseguindo resistir e esperar até mais tarde.
– Ele quase agrediu a hoje, eu precisava fazer alguma coisa, mas... – Tentei esconder minha frustração, mas Amie se meteu no assunto e falou por mim.
– Mas o é muito gênio e já disse que ama a menina, agora ela tá fugindo dele também! – Amie me deu um tapinha na testa enquanto minha mãe nos olhava meio boquiaberta.
– Eu tenho medo de ter estragado tudo, mas eu não podia mais voltar pra Los Angeles com tudo aquilo entalado na minha garganta, ainda mais vendo o jeito que ela estava hoje.
, agora você vai ter que ter paciência, é muita coisa pra cabeça dela.
– Pelo menos ela não foi correndo pro namorado! – Amie tentou me consolar enquanto eu apenas concordava com a cabeça. Precisava deixá-la em paz.


Eram as minhas duas últimas semanas de férias e eu só ouvia falar de , alguns dos nossos amigos me disseram que ela parecia melhorar, não viam mais Jimmy com frequência, mas, ainda assim, ela não falava mais comigo. Era péssimo não saber como as coisas seriam dali pra frente, mas eu tentava não pensar tanto nisso, apenas aproveitar o tempinho que me restava ali no Canadá.
Na véspera da minha viagem, resolvi fazer uma reuniãozinha de despedida e chamei os amigos de sempre, que mal chegaram e começaram a se empoleirar no sofá pra um campeonato de videogame, onde pra variar eu comecei perdendo.

– Você é muito ruim nisso, nunca vi! – Theo começou a me zoar e eu joguei uma almofada nele – Só não é pior que matemática! – Ele riu e eu não consegui segurar a risada e ri também.
– Desta vez tenho que concordar, matemática é o meu ponto fraco, de verdade.
– Lembra quando você perdeu uma prova e teve que fingir que estava chorando pro professor te deixar fazer outra? – Eles começaram a zoar ainda mais com a minha cara e eu odiava aquela história, no meio das risadas escandalosas de todos ali, eu ouvi uma que não ouvia há muito tempo e olhei para trás, lá estava ela, , com um vestido preto um pouco mais curto do que o que ela usava nos últimos tempos e na boca seu batom vermelho favorito.
– Você sempre foi péssimo fingindo! Eu te salvei nesse dia! – Ela deu uma piscadinha pra mim enquanto eu ria ainda meio boquiaberto, tanto por ela estar ali, como por estar daquele jeito, do seu jeito!
– Você sempre me salvava! – Abri meus braços pra ela e me abraçou, desta vez sem nenhum receio, como costumávamos nos cumprimentar, eu sentia nossos amigos olhando aquela cena que parecia tão natural há algum tempo, mas que agora parecia uma vitória gigantesca e muito importante, eu sabia que era.
– Posso falar com você?! – pediu baixinho em meu ouvido e eu apenas assenti, levando ela para o meu quarto sem saber o que esperar.
– Diga... – Minha voz aparentava estar calma, mas o meu coração saltava no peito, ela estava tão linda.
– Eu só queria te agradecer, de alguma maneira tudo que aconteceu naquele dia e principalmente o que você me fez ver, me trouxe de volta. Estava me afogando, o medo que eu sentia, o desespero em apenas pensar em decepcionar uma pessoa que já vinha me fazendo mal, era horrível, era literalmente asfixiante, mas eu não queria ver... – O olhar dela parecia perdido, totalmente fora dali, distante nas suas lembranças. – Os choques me acordaram, ele tentando me agredir fisicamente e você me dizendo como eu era, a que eu nem sabia que sentia falta, eu enfrentei ele e acabou, foi uma das coisas mais difíceis da minha vida, eu me sinto quebrada o tempo todo, como se fosse difícil reconstruir tudo isso.... Mas eu só queria que você soubesse que você é muito importante na minha vida, ! Agora eu não tenho condições de ter nada com ninguém, mas se eu pudesse, você seria minha única opção!

Ela me abraçou com força e eu retribui na mesma intensidade, sussurrando em seu ouvido:

– Eu tô muito orgulhoso de você! Te amo, ! De todos os jeitos possíveis! – Beijei sua testa, em seguida sua bochecha e a ergui, rodando-a e ouvindo sua gargalhada como resposta.
– Idiota! Meu idiota favorito! – Ela me deu língua e bagunçou meu cabelo, a olhei indignado e corri atrás dela, quando chegamos novamente no porão, se juntou aos meninos no campeonato de videogame, e eu não poderia deixar de guardar aquilo comigo. As coisas estavam voltando a ficar bem.

XXX

6 meses depois….


Estava muito feliz, a série tinha sido renovada pra mais uma temporada e eu estava escalado pra uma grande produção de Hollywood, quase tudo ia conforme o planejado, menos por , que simplesmente havia desaparecido do mapa, minha mãe apenas me disse que ela estava viajando e ninguém sabia pra onde. Até cheguei a sair com algumas garotas, mas não conseguia manter nada sério com elas, algo sempre me impedia.
Era domingo e eu estava atrás de alguma coisa pra assistir na TV, quando meu porteiro ligou me dizendo que tinha uma garota com o cabelo rosa que queria falar comigo e ficava me chamando o tempo todo de Frangote.
Só tinha uma garota que poderia me chamar daquele jeito ridículo, tinha que ser ela. Liberei sua entrada e em alguns minutos a campainha começou a tocar irritantemente.

– Você gosta de irritar os outros, né! – Abri a porta e dei de cara com uma garota totalmente diferente do que eu imaginava, toda de preto, bota de salto, calça jeans bem colada ao corpo, regata e jaqueta de couro, cabelo comprido com quase toda metade pintado de rosa e seu sorriso de quem gostava de aprontar no rosto.
– Bú! Oi, Frangote!
! Quanto tempo! – Abri mais a porta e ela me deu um beijo no rosto, quase no canto da boca.
– Posso ir direto ao ponto?! – Ela riu meio nervosa e eu apenas afirmei com a cabeça, sentando no braço do sofá vendo ela em pé a minha frente olhar para o meu peito sem camisa – Vai se vestir, caramba! Só quer andar pelado! – Ela riu e apontou pro meu peitoral e eu não consegui conter minha risada.
– Tô de pijama, só estou sem camisa! Fala logo! – Cruzei meus braços vendo-a bufar e se concentrar novamente.
– Eu estive pensando, MUITO MESMO, e quase enlouqueci por sua causa, porque eu não sei se ainda é verdade, se ainda vale, mas eu estou me arriscando aqui, não aguento mais nenhuma noite nessa dúvida, então me ajuda, !

Olhei pra ela vendo-a corar, e entendi tudo, meu coração começava a acelerar enquanto se aproximava toda envergonhada.

– Você ainda gosta de mim? Do jeito que você disse aquele dia? Realmente... – me olhou nos olhos, e eu só queria sorrir e trazê-la para mais perto de mim, mas antes mesmo de falar qualquer coisa ela continuou – Desculpa, eu nem perguntei se tem alguém na sua vida agora, eu nem sei direito o que tô fazendo...
– Mas você gosta de complicar né! – Coloquei minhas mãos em sua cintura e a puxei para mais perto, vendo sorrir com esse gesto, levantei para ficar com meu rosto na mesma altura que o dela – Eu te amo, minha ! Sempre foi assim!

A beijei com todo amor e carinho acumulados que existiam em mim, sem a menor pressa, sem a menor vontade de parar, éramos só eu e ela, tudo que eu queria ser por ela era exatamente isso aqui, dar o meu melhor pra minha pessoa favorita no mundo. Enquanto eu pudesse, era só isso que eu queria. Só ela.





Fim



Nota da autora: Oii gente!!! Tudo certinho com vocês?!
Espero ter feito jus a música, amo tanto essa banda que sempre será uma das minhas favoritas da vidaaaaa!! Realmente amei escrever essa história e espero que vocês gostem dela também ;D
Me contem o que acharam, o.k.?!
Qualquer coisa, tô sempre pelo twitter
Miiil Beijooos, até a próxima!





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Qualquer erro nessa fanfic ou reclamações, somente no e-mail.


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