(Coloque essa música para tocar)

ELA


O dia não tinha começado muito bem. Meu estômago estava tão enjoado, que eu podia jurar que estava colocando mais do que devia para fora. Certeza que aquela comida japonesa não me fez bem, isso porque eu avisei que não era uma boa ideia.
Minha pele estava gelada, suor escorria pelo meu corpo e, provavelmente, minha pressão tinha baixado. Droga de intoxicação alimentar. Voltei aos tropeços para a cama, me cobrindo novamente com minhas cobertas e me ajeitando em busca de uma posição mais confortável. Não queria deixar ninguém preocupado. Meu estômago estava mais sensível ultimamente e esses enjoos estavam mais frequentes do que eu gostaria, mas logo tudo ficaria bem.
Acabei caindo no sono novamente e acordei com o barulho da porta do meu apartamento sendo aberta. Era a primeira semana de aulas na faculdade e eu não podia acreditar que estava passando mal.
, meu bem, não vai acreditar no que aconteceu ho... O que, raios, você tem? Você tá pálida! — veio correndo em minha direção, colocando sua mão sobre a minha testa. — Você tá gelada, !
— Oi pra você também, .
— Sem piadas, . O que aconteceu? — Minha amiga estava preocupada, seu olhar alternava de mim para o meu celular, no criado-mudo ao lado da minha cama.
— Você não vai ligar pro , . É apenas uma intoxicação alimentar, daqui a pouco passa! — Ela suspirou, me encarando como se ponderasse sobre algo.
— Você está enjoada? — ela perguntou, olhando para a janela.
— Nossa, demais! Já coloquei quase minha vida pra fora! — Sorri da minha desgraça, mas minha amiga não me acompanhou. — O que foi, ?
— Nada. — ela respondeu rapidamente, logo levantando da cama. — Eu vou até a farmácia comprar um remédio pra você.
— Não precisa, senta aqui e me conta o que eu perdi! — pedi, mas apenas balançou a cabeça e seguiu para a porta.
— Eu já volto. — Ela saiu e eu fiquei completamente perdida com o que tinha acabado de acontecer.
Resolvi levantar da cama e ir preparar alguma coisa para eu comer. Eu já tinha colocado tudo para fora e ficar de estômago vazio não era uma boa ideia. Segui para a cozinha e peguei um sanduíche natural que tinha guardado na geladeira. Conferi a data de validade e sentei na bancada da cozinha para comer. voltou da farmácia e estava tão perdida em seus pensamentos, que nem notou que passou direto por mim.
, eu estou aqui. Onde você tá com a cabeça? — perguntei.
— Não te vi aí. — Ela voltou e sentou de frente para mim.
— Achou o remédio? — Apontei para a sacola que ela segurava.
— Não... — Ela pareceu evasiva. — Isso é outra coisa... Pra mim.
— O que tá acontecendo, ?
— Me conta como foi o jantar com o , ontem! — Ela mudou de assunto rapidamente. Achei melhor ignorar.
— Você sabe como ele é. Anos e anos de namoro, mas ele permanece o mesmo romântico de sempre. — Sorri, boba, para a minha amiga. Só de pensar no meu namorado, meu coração já acelerava e o ar me faltava. Suspirei e continuei comendo. apenas me encarava, mas eu sabia que sua mente estava bem longe dali. — Vou tomar banho, acho que consigo assistir às aulas da tarde! — disse, animada, assim que terminei de comer. Entretanto, quando desci da bancada, meu estômago embrulhou e logo corri para o banheiro.
veio correndo atrás de mim e segurou meu cabelo enquanto eu colocava tudo para fora novamente.
— Melhor? — ele perguntou assim que lavei meu rosto.
— Sim, mas acho que meus planos de ir para a faculdade já eram. — Bufei, irritada com toda essa situação.
— Me espera aqui, ok? — disse e saiu em disparada. Em poucos segundos, ela voltou com a sacola da farmácia em mãos.
— Achei que não tinha encontrado o remédio. — falei, confusa. Ela respirou fundo e tirou o que havia comprado da sacola. — O quê... o quê...?
— Eu realmente acho que você deve fazer esse teste de gravidez, . — Caí sentada sobre o vaso e encarei minha amiga, atônita.
— Eu não estou grávida, , é só uma...
— Intoxicação alimentar? , você está assim faz semanas. Nada tem parado no seu estômago.
— O sanduíche estava estragado, só pode ser. Eu não estou grávida! — esbravejei, não sabendo se estava tentando convencer minha amiga ou a mim mesma.
— Só faz o teste e vamos acabar logo com isso.
— Eu não posso estar grávida, ! É meu primeiro ano na faculdade, é o primeiro ano da faculdade do ! O pai dele o está pressionando pra assumir a empresa da família, eu... O que eu vou fazer? — Lágrimas escorriam pelo meu rosto e o medo se apossava de mim.
— Não vamos sofrer por antecedência, ok? Primeiro você faz o teste. — Ela abriu a caixa e o entregou para mim. — Eu vou sair pra te dar privacidade. — Peguei o teste de suas mãos e saiu, fechando a porta atrás dela. Encarei o objeto em minhas mãos, tomando coragem para continuar com aquilo.
Após urinar sobre o teste, coloquei-o sobre a pia e abri a porta, chamando . Ficamos em silêncio, mas nenhuma encarava o objeto à nossa frente. Minha amiga checava o relógio do celular, marcando o tempo que faltava para que olhássemos o resultado. Minhas mãos tremiam e minha respiração estava descompassada. Todo o meu futuro estava passando bem em frente aos meus olhos, todos os meus planos, todos os meus sonhos. Ao mesmo tempo que os planos e sonhos do se uniam aos meus, construindo toda a nossa história, juntos.
Fechei meus olhos e apoiei minha cabeça na parede. Parecia que horas tinham se passado quando foi em direção à pia.
— Eu não consigo olhar. — disse, sem me mover. Minha amiga estava tão tensa quanto eu. Ela sabia o quanto esse resultado poderia afetar minha vida e a do , ela nos conhecia bem demais para entender o medo que eu estava sentindo.
— Você está preparada? — perguntou. Abri meus olhos e me virei em sua direção.
— Não. — disse, apenas. Minha amiga pegou o teste e conferiu as instruções que vieram junto com ele. Desviei meu olhar dela, não querendo me antecipar por suas reações. Mas ao ouvir seu suspiro e seus passos vindo em minha direção, eu soube. Seus braços logo me envolveram e minha visão ficou embaçada pelas lágrimas que caíam. sussurrava em meu ouvido que tudo ficaria bem, que nós encontraríamos uma saída e que nada estava perdido. Mas eu sabia que não seria tão fácil assim, eu sabia que minha vida estava prestes a mudar para sempre. Eu sabia que eu desistiria de mim pelo ser humano que estava se formando dentro de mim.
E, naquele momento, minha ficha caiu por completo.
Eu estava grávida.
E não fazia ideia de como contar isso para a minha família. Muito menos para .

Pedi para me deixar um pouco sozinha e fui para a cama, após retornar da farmácia com mais testes e de marcas diferentes. Meu travesseiro estava encharcado das lágrimas que chorei por horas e horas. Eu sabia que logo viria me ver. Eu não dei notícia durante todo o dia, não respondi suas mensagens nem retornei suas ligações. Sua última aula acabaria em pouco mais de meia hora e eu tinha certeza de que ele viria direto para cá.
Eu não estava preparada para isso.
Levantei da cama e segui para o banheiro, a fim de tomar um banho. Eu esperava que a água lavasse os rastros das lágrimas pelo meu rosto. Minha mente estava nebulosa, todos os meus projetos para o primeiro ano de faculdade passavam pela minha mente apenas como um borrão do que poderia ser.
Ao mesmo tempo que tudo poderia ser um grande pesadelo, eu não conseguia sentir que essa criança que crescia dentro de mim fosse um erro.
Ela era fruto do nosso amor, no final das contas.
e eu nos conhecemos ainda quando crianças. Com apenas cinco anos de idade, nós já corríamos e brincávamos pelo parquinho no nosso bairro. Nossas mães se conheceram no mesmo parque e se aproximaram por conta de alguma ligação misteriosa entre seus filhos.
Por volta dos sete, oito anos, teve aquela fase de sentir nojo das garotas, o que, de certa forma, foi um grande alívio para mim. Eu sempre tive muito ciúme dele e não saberia como lidar com o fato de ter que dividi-lo com outra amiga.
Mas, ainda assim, ele foi meu primeiro beijo, assim como eu fui o dele. Nós tínhamos dez anos, era Ano Novo, a famosa contagem regressiva e todos os adultos ao nosso redor se beijando. Durou cerca de cinco segundos para o sair limpando a boca, com cara de nojo.
Com 13 anos, demos nosso primeiro beijo de verdade. Estávamos na festa de aniversário da , brincando de verdade ou consequência. Nós fomos para um cantinho e nos beijamos. Acho que nunca senti tanta baba escorrendo e dentes batendo em toda a minha vida. Tivemos um breve “namoro”, mas um ano depois ele estava com outra. Não foi uma fase boa para mim. e eu nos afastamos, mas, assim que ele percebeu, terminou o namoro e voltou para mim.
E estamos juntos até hoje. Ambos com 19 anos. Temos uma longa história juntos. Tantos momentos eternizados em memórias que nunca irão me deixar. Momentos que me aquecem quando ele está longe, momentos que me fazem sorrir sozinha, momentos que me fazem chorar de alegria, momentos que me ajudam nas situações difíceis. Momentos que são guardados na memória a cada dia que estamos juntos.
Despertei dos meus devaneios com o barulho da porta. Suspirei e saí de baixo do chuveiro. Vesti meu pijama e deixei do banheiro, encontrando sentado sobre a minha cama.
Ele nada disse, apenas me encarou, como se soubesse que algo muito sério tinha acontecido.

Shut the door, turn the light off
(Feche a porta, apague a luz)
I wanna be with you
(Eu quero estar com você)
I wanna feel your love
(Eu quero sentir seu amor)
I wanna lay beside you
(Eu quero deitar ao seu lado)
I can not hide this even though I try
(Eu não posso esconder isso mesmo que eu tente)


Desviei meu olhar do seu. me encarava como se conseguisse me ler por completo, e isso estava me deixando aterrorizada. Respirei fundo e fui para a cama. Me deitei e esperei que ele entendesse o recado. Eu não queria conversar, eu queria apenas me deitar e me deixar ser abraçada. Eu queria estar com ele e sentir todo o seu amor, me sentir protegida. Por mais que eu não pudesse esconder isso dele, eu poderia aproveitar cada novo momento ao seu lado.
suspirou e começou a tirar os sapatos. Fechei meus olhos quando ouvi seus passos seguirem para o banheiro. Poucos minutos depois, ele retornou. Mesmo com meus olhos fechados, eu sabia que ele estava me encarando, lutando internamente, não sabendo se me perguntava o que estava de errado ou se respeitava o meu silêncio.
cedeu e se deitou ao meu lado. Seu peito colado as minhas costas e seus braços me envolvendo.

Heart beats harder
(O coração bate mais forte)
Time escapes me
(O tempo me escapa)
Trembling hands touch skin
(Mãos trêmulas tocam a pele)
It makes this harder
(Torna isso mais difícil)
And the tears stream down my face
(E as lágrimas escorrem pelo meu rosto)


Nossos corações estavam acelerados. Eu sentia suas mãos trêmulas me acariciando. Me aconcheguei mais a ele, sentindo todo o seu calor e seu nervosismo por não saber o que estava acontecendo. Tentei conter minhas lágrimas, mas elas já corriam livremente pelo meu rosto.
Estar assim com ele tornava toda essa situação mais difícil. distribuía beijos pelo meu ombro e pescoço, sussurrando que estaria sempre comigo. Apertei meus olhos, pedindo com todas as minhas forças para que fosse realmente verdade.
Durante toda a nossa vida, esteve ao meu lado em todos os momentos, tantos nos bons quanto nos ruins. Ele sempre foi a pessoa otimista da relação, enxergando uma luz que eu estava distante de ver. Mas o medo percorria cada veia do meu corpo, infestando-o com a dúvida e o medo de ser abandonada e perder o grande amor da minha vida.

If we could only have this life for one more day
(Se nós pudéssemos ter essa vida por mais um dia)
If we could only turn back time
(Se nós pudéssemos apenas voltar no tempo)


Não sei por quanto tempo ficamos daquele jeito, mas a respiração do foi desacelerando e agora batia calmamente na minha nuca. Ele tinha caído no sono.
Sem me mexer muito, me soltei dos braços do e me virei de frente para ele, velando seu sono. Por mais que tenha cedido e dormido, seus traços ainda estavam tensos. Ele se mexeu um pouco e tive medo que ele acordasse, mas apenas se acomodou melhor na cama, parando apenas quando segurou minha mão.
Fiquei imóvel, apenas o observando e pensando em como daria a notícia que mudaria nossas vidas para sempre.
Depois de fazer vários testes de gravidez e todos terem dado positivo, a aceitação estava, enfim, se apossando de mim. Se eu tivesse a oportunidade de voltar no tempo e ter evitado essa gravidez, não vou ser hipócrita e dizer que não, porque estaria mentindo. Mas a possibilidade de não ter esse filho, agora que ele já estava sendo gerado dentro de mim, nem havia passado pela minha mente. Por mais que uma pequena porção da minha mente me diga que o pode me abandonar, eu não desistiria dessa criança. Muito pelo contrário, amaria-a ainda mais, fazendo meu máximo para que ela nunca se sentisse menos amada por não ter o pai presente.
Mas essa possibilidade apertava meu peito. Não era apenas não ter o ao meu lado durante a gravidez, era mais simples que isso: o medo maior era nunca mais tê-lo comigo, em momento algum.
Ainda com nossas mãos unidas, virei meu corpo para cima e encarei o teto. A parte racional do meu cérebro resolveu dar sinal de vida. Eu precisava fazer um exame de sangue para ter certeza absoluta de que estava grávida. Os testes de farmácia, por melhores que fossem, ainda não me deram a certeza de que preciso para contar ao . Peguei meu celular no criado-mudo ao lado da minha cama e mandei uma mensagem para a , pedindo para que ela marcasse o exame e médico para mim. Não queria arriscar ligar para alguém e o acordar. Eu ainda não estava preparada para essa parte.

...


Senti meu corpo despertando. Espreguicei-me e, calmamente, abri meus olhos. estava sentado na beirada da cama, me encarando enquanto eu dormia.
— Oi. — ele disse, baixinho.
— Oi. — respondi, voltando a fechar meus olhos.
— Eu preparei um lanche pra você. Por que não lava o rosto e me encontra na cozinha? — Assenti e segui em direção ao banheiro. Saí e fui para a cozinha, encontrando-o sentado na bancada, encarando o nada. Sentei ao seu lado, que logo despertou de seus devaneios e me encarou. — Está melhor? — ele perguntou.
— Sim. — disse, apenas, e ele se aproximou. segurou minhas mãos e olhou bem fundo nos meus olhos. Mesmo que eu quisesse, não seria capaz de desviar o olhar. se aproximou e me deu um breve beijo, que eu não permiti que se encerrasse daquele jeito, então o abracei, aprofundando nosso contato. Eu precisava tocá-lo, senti-lo comigo. A necessidade era de ambos, já que me envolveu em seus braços, quase me sufocando.
Aos poucos, fomos diminuindo o ritmo, terminando apenas abraçados. Eu podia sentir a necessidade do de saber que estávamos bem. Eu beijei seu pescoço e fui distribuindo beijos até chegar ao seu rosto.
— Eu amo você. — falei, encarando-o nos olhos. suspirou e me beijou novamente.
— Eu amo tanto você, , e não saber o que está acontecendo pra te deixar assim está me matando.
— Vai ficar tudo bem, só preciso de um tempo, ok?
— Quanto tempo? — ele perguntou, exasperado.
— Até amanhã à noite. — falei e olhei para o lanche que ele preparou. — Isso aqui está com uma cara ótima, eu estou morrendo de fome! — balançou a cabeça.
me disse que você não estava se sentindo bem e que nada estava parando no seu estômago. Acho que pode ser intoxicação pela comida japonesa. Me desculpe por ter insistido em ir lá. — Ele beijou minha bochecha. Eu apenas sorri para ele, não querendo prolongar o assunto. — Eu deixei tudo bem natural, acho que assim as chances de você colocar pra fora são menores.
— Obrigada.

...


O despertador de tocou na manhã seguinte. Até tentei convencê-lo de que estava bem e que ele não precisava dormir ali, mas foi em vão. acordou e me olhou, ainda imóvel sobre a cama.
— Não vai para a faculdade hoje também? — perguntou, confuso.
— Não. Vou aproveitar que é apenas a primeira semana pra resolver uma coisa. — suspirou e levantou.
— Volta a dormir. Ainda está cedo, para o que quer que tenha que resolver. Volto mais tarde para termos aquela conversa. Qualquer coisa, eu estarei no celular. Me ligue a qualquer hora, ok? — assenti. me deu um beijo e foi se arrumar.

chegou pouco tempo depois. O exame de sangue estava marcado para bem cedo e, logo depois do almoço, seria a consulta com o médico. Eu estava nervosa, mas a presença da minha amiga amenizava.
estava bem preocupado ontem. — ela disse, já dentro do carro.
— Eu sei, notei pelo olhar. Ele desconfia de alguma coisa? — perguntei, encarando as ruas que passavam pela janela ao meu lado.
— Nada. Ele logo veio com a ideia da intoxicação alimentar. — Levei minhas mãos até minha barriga e suspirei.
— Vai ficar tudo bem, .
— Eu espero que sim.

...


e eu já estávamos aguardando no consultório do médico. Segundo a secretária, o laboratório já havia entregado o exame e em breve eu seria chamada. Minha amiga segurava minha mão, enquanto eu tentava segurar o choro.
, pode entrar. — a secretária me chamou e logo levantou para entrar comigo. Doutor Johnson me recebeu de pé e logo indicou uma sala ao lado, para que eu trocasse de roupa e fosse examinada. ficou me esperando retornar.
O silêncio que se instalou no consultório não era dos mais confortáveis, fazendo meu coração acelerar a cada segundo que passava sem eu ter uma resposta.
— Bom, . Pela sua feição, assumo que essa não é uma situação desejada por você, pelo menos não por agora. — apertou minha mão, me dando forças para esperar pela notícia que viria em breve. — O laboratório deixou seu exame mais cedo. — Eu prendi a respiração, não estando mais preparada do que no dia anterior. — Você está grávida, já de cinco semanas.
Minha respiração saiu pesada, assim como as grossas lágrimas que escorriam pelo meu rosto. Doutor Johnson me encarava, como se estivesse dando uma notícia que alguém havia morrido. O silêncio retornou para a sala enquanto eu processava a última frase proferida pelo meu médico. Aos poucos, a notícia foi invadindo minha mente e, sem que eu percebesse, meus braços envolveram minha barriga. Eu estava mesmo grávida.
O doutor estava certo, essa não era uma situação que eu desejava estar passando nesse momento, mas agora não adiantava mais pensar no que eu poderia ter feito para impedir. Já havia uma criança dentro de mim, uma criança que eu já tinha jurado amar e proteger no momento em que levantou a possibilidade, mesmo que eu não admitisse. Sem que eu me desse conta, um sorriso fraco apareceu no meu rosto. Os olhos do médico à minha frente logo mudaram, percebendo que eu já amava aquela criança.
— Como que será daqui pra frente? — Doutor Johnson suspirou mais tranquilo, tendo a certeza que eu não desistiria do meu bebê.

...


me deixou na porta do meu prédio e seguiu para a sua casa. Apesar de tudo, eu estava feliz. Eu seria mãe. Na verdade, eu já era mãe. Acariciei novamente minha barriga, um gesto que estava se tornando bastante frequente.
Abri a porta do meu apartamento e encontrei sentado no meu sofá, encarando o nada. O barulho das minhas chaves sobre a mesa o despertou, o fazendo me encarar.
— Eu não consegui esperar. Não vi motivo pra ficar na faculdade sendo que não conseguia prestar atenção em uma palavra que o professor dizia. — levantou quando eu me aproximei dele. Abracei-o bem apertado. — Você chorou. — Ele tocou meu rosto quando nos afastamos.
— Eu só preciso de um banho e a gente conversa, ok? — assentiu e ficou me esperando na sala.

You know I'll be
(Você sabe que eu serei)
Your life, your voice, your reason to be
(Sua vida, sua voz, sua razão de ser)
My love, my heart
(Meu amor, meu coração)
Is breathing for this
(Está respirando por este)
Moment in time
(Momento no tempo)


Saí do banho e me encarei no espelho, dizendo para mim mesma que tudo ficaria bem. Não seria fácil enfrentar nossas famílias, mas nós conseguiríamos achar uma saída para isso. Juntos.
Respirei fundo uma última vez e segui para a sala, encontrando na mesma posição que antes. Peguei minha bolsa, que tinha deixado sobre a mesa quando cheguei, e tirei o exame de lá. me encarava, confuso.
— Você está bem? Onde você passou o dia? — Disparou as perguntas, nervoso.
— No médico. — falei, apenas. Os olhos de arregalaram e o desespero começou a tomar conta dele. — Ei, tá tudo bem agora. Ou vai ficar.
— Era o seu estômago? Foi algo mais sério que intoxicação alimentar? , fala logo!
Olhando bem fundo nos olhos do homem que eu amava, uma clareza de todos os sentimentos que eu sentia por ele, fez com que eu me acalmasse. Naquele momento, firmou-se uma certeza de que eu seria tudo para ele, que eu faria tudo que estivesse ao meu alcance para que ele fosse feliz. Meu coração era dele, eu era dele.
Uma força surgiu dentro de mim, me fazendo acreditar que eu encontraria as palavras certas para dizer. Respirei fundo e disse tudo de uma vez:
— Não era intoxicação alimentar. Os enjoos são porque eu estou grávida. — falei e mostrei o exame. pegou o papel da minha mão, sem realmente olhar para ele. Seus olhos encontraram os meus, questionando como aquilo tinha acontecido. — Eu não sei, , eu não esqueci a pílula... Acho que caímos na pequena porcentagem dela falhar. — disse, mas pareceu não ouvir. Levantou em um rompante, com as mãos na cabeça.

I'll find the words to say
(Eu vou encontrar as palavras para dizer)
Before you leave me today
(Antes que você me deixe hoje)


— Isso não pode estar acontecendo. — repetia incessantemente, com as mãos bagunçando seu cabelo, e andando de um lado para o outro. Permaneci em silêncio, assustada com o desespero que vi em seus olhos. — É o nosso primeiro ano na faculdade, ! Como... Como você deixou isso acontecer?
— Eu... — Levantei, perplexa com sua acusação. — Você está dizendo que a “culpa” é minha? , nós estamos na mesma situação aqui, ok? Eu não fiz essa criança sozinha! — Levei meus braços ao redor da minha barriga, como se pudesse impedir que meu bebê ouvisse aquela discussão. Eu nunca tinha visto fora de controle como naquele momento. Ele se aproximou de mim.
— Você fez isso de propósito? — Por puro reflexo, dei um tapa no rosto do , não acreditando na pergunta que ele tinha me feito.
— Como você ousa perguntar isso? — Ele levou uma de suas mãos no rosto, apertando o lado onde eu bati. Eu já não conseguia mais segurar as lágrimas. Isso parecia um pesadelo!
— Meus pais vão me matar! — sentou no sofá, com os cotovelos apoiados nas pernas e a cabeça nas mãos. — É meu primeiro ano na faculdade, eu nem comecei o estágio... Meu pai só sabe falar sobre eu assumir a empresa e... Meu Deus! Um filho! — Eu me afastei de , indo para a cozinha. Peguei um copo com água e tomei-o em um gole só. Eu precisava me acalmar, isso não faria bem para o bebê. Eu podia sentir meu corpo recusando meu almoço. Respirei fundo, repetindo para mim mesma que tudo ficaria bem.
permaneceu sentado no sofá, preso demais em sua própria miséria.
Sentei no banco, ainda na cozinha, tentando controlar o enjoo que estava sentindo. Passei uma das minhas mãos sobre a minha barriga, sussurrando que tudo daria certo.
— Nós iremos ficar bem, bebê. Eu prometo a você. — levantou em um sobressalto, procurando as chaves.
— Eu preciso dar uma volta... Não consigo ficar aqui agora... Eu... Eu... — E então ele saiu, batendo a porta atrás dele. Corri para o banheiro, colocando todo o meu almoço para fora. Lavei meu rosto e segui para o quarto. Deitei em minha cama e me abracei, não sabendo o que fazer da minha vida.
E torcendo para que o voltasse para mim. Para nós.


ELE



Não sei bem por quanto tempo fiquei vagando pelas ruas depois que deixei o apartamento da . A noite já havia caído e eu estava sentado em um banco afastado, em uma praça qualquer. Nada me importava, realmente. A caminhada amenizou o choque inicial, mas as dúvidas e o medo ainda remanesciam.
E uma raiva, sem origem aparente.
Raiva de mim, raiva da vida, raiva do mundo... Eu só queria esmurrar alguma coisa até que minhas forças esgotassem e eu cedesse a inconsciência, que seria tão bem-vinda quanto a chuva durante a seca. Eu estava tão envergonhado, sentindo tanta pena de mim mesmo, que eu não conseguia encarar meu reflexo nas vitrines pelas quais passava.

Close the door
(Feche a porta)
Throw the key
(Jogue a chave fora)
Don't wanna be reminded
(Não quero ser lembrado)
Don't wanna be seen
(Não quero ser visto)
Don't wanna be without you
(Não quero estar sem você)
My judgement’s clouded
(Meu julgamento está nublado)
Like the tonight’s sky
(Como o céu esta noite)


Eu apenas queria ficar sozinho, eu precisava disso. Eu não queria lembrar, eu não queria pensar... Não queria que ninguém me visse. Estava tudo tão confuso.
O que queria que eu fizesse? Desse pulos de alegria por uma criança que eu não queria, não agora. Ela já teve seu momento para processar a notícia, eu tive tudo jogado sobre mim, sem nem um aviso prévio!
Sim, isso não justifica tudo o que disse para ela, mas também não torna a situação mais fácil.
Minha cabeça doía com o turbilhão de pensamentos que, mesmo contra minha vontade, se apossaram da minha mente. Um mundo de possibilidades que não mais teria que se adequar para duas pessoas, mas para três. Nossos sonhos, nossos planos... Tudo se transformando em objetivos longe demais para serem alcançados.
Meu estágio só começaria na próxima semana. Mesmo com os contatos do meu pai, não pagava bem ao ponto de sustentar uma família. Pagava bem para eu levar uma vida de solteiro, mas não para cuidar de um bebê.
conseguiria fechar o primeiro semestre da faculdade, mas não o segundo; teria que trancar por um ano.
Nossos pais...
Eles iriam nos matar. Respirei fundo, pensando nos desafios que foram jogados sobre nós e nas soluções que precisaríamos encontrar para cada um deles.
estava grávida.
Eu... Eu seria pai.

Hands are silent
(As mãos estão silenciosas)
Voice is numb
(A voz está entorpecida)
Try to scream out my lungs
(Tento gritar com toda a força)
But it makes this harder
(Mas isso torna mais difícil)
And the tears stream down my face
(E as lágrimas escorrem pelo meu rosto)


Coloquei meu rosto em minhas mãos e chorei.
Chorei por não saber o que fazer.
Chorei com medo do futuro.
Chorei por mim.
Chorei pela .
Chorei porque fui um idiota.
Chorei porque machuquei quem eu mais amava no momento que ela mais precisava de mim.
Eu apenas chorei.

Já mais calmo e com a mente um pouco mais clara, as cenas da discussão com não deixavam minha mente. Se existisse um troféu para babaca, eu merecia uns dez dele. Suspirei.
A certeza da minha vida é que eu não posso viver sem ela.
A vida que planejamos estava prestes a mudar para sempre. A nossa vida. Porque eu nunca a deixaria.
Levantei do banco em um salto, com minhas forças renovadas e um novo propósito em mente: consertar as coisas com a mulher que eu amava.
Com passos rápidos, refiz meu caminho até seu apartamento, a distância parecendo muito maior e o tempo correndo como nunca antes. Nós tínhamos apenas 19 anos, mas nos conhecíamos desde crianças. Tínhamos uma vida juntos. Uma vida marcada por momentos nem sempre felizes, mas uma vida que construímos com respeito, carinho, confiança e amor. Uma história que parecia ter sido traçada muito antes de nascermos, momentos cuidadosamente planejados para que nos conhecêssemos naquele parque e ficássemos juntos desde então.
Nada foi por acaso.

Abri, com cuidado, a porta do apartamento da . As luzes estavam apagadas, tudo estava em silêncio. Segui para a cozinha e tomei um pouco de água, tentando me acalmar para uma das conversas mais difíceis da minha vida. Segui para o quarto dela, mas, antes, parei no banheiro, a fim de lavar meu rosto e o livrá-lo das marcas das lágrimas.
Já com uma aparência melhor, fiz meu caminho para o quarto, parando em frente a porta, nervoso. Aproximei meu ouvido dela e ouvi uma música baixinha tocando. Essa era a forma que encontrava para se acalmar e buscar forças para seguir em frente. A música sempre foi sua fonte, nunca a abandonando nos momentos difíceis... Diferente de mim, como minha mente insistia em jogar na cara.
Bati levemente na porta, não tendo a certeza se a minha presença era bem-vinda.
Ouvi a música sendo desligada e levantando da cama, ela devia ter trancado a porta. Respirei fundo à medida que seus passos se aproximavam. destrancou a porta, mas não a abriu, seus passos se afastaram calmamente.
Tomei coragem e entrei no quarto, encontrando-a sentada no meio da cama, com as pernas cruzadas e o enorme urso de pelúcia, que dei no nosso último aniversário de namoro, em seus braços. não levantou a cabeça para me olhar, o que foi apenas mais um golpe certeiro em meu coração.

If we could only have this life for one more day
(Se nós pudéssemos ter essa vida por mais um dia)
If we could only turn back time
(Se nós pudéssemos apenas voltar no tempo)


Eu só queria apagar a discussão que tivemos e ouvir a notícia novamente dos seus lábios. Fiquei a observando por um tempo, nenhum dos dois dispostos a quebrar aquele maldito silêncio. Eu não sabia se deveria me aproximar ou manter a distância entre nós. Optei por deixar meu coração assumir o controle e meus pés logo me levaram para a beirada da cama.
— Eu não sei como começar a me desculpar por ter agido feito um babaca. — Suspirei. — Você não tem culpa de nada, eu... Eu só estava assustado.
— Eu sei, eu também fiquei quando descobri. — disse, baixinho. Sua voz rouca, acredito que por ter chorado muito. Meu coração quebrou mais um pouco.
— Quando você descobriu? — perguntei, querendo mais detalhes.
— Ontem, depois do almoço. que desconfiou e comprou um teste na farmácia.
— Você queria esperar a confirmação do exame de sangue pra me contar... Sinto muito que você tenha passado por isso tudo sozinha.
esteve comigo o tempo todo.
— Acho que eu devo um mundo de gratidão àquela garota. — Ri fraquinho. tentou me acompanhar, mas ainda estava muito abalada. O silêncio voltou a se instalar entre nós. O próximo passo martelando em nossas mentes, ainda indefinido.

I'll find the words to say
(Eu vou encontrar as palavras para dizer)
Before you leave me today
(Antes que você me deixe hoje)


Eu conseguia enxergar que estava relutante, com medo das minhas próximas palavras, por isso pensei muito bem antes de dizê-las.
— Nós iremos dar um jeito. Juntos, como sempre fizemos. — falei e rapidamente seus olhos me encararam, surpresos com o que eu tinha dito.
— Você...
— Eu nunca abandonaria o nosso bebê, . Eu amo você e eu sempre vou amar. Eu fui um idiota, mas minha vida não tem sentido sem você. Essa criança que está sendo formada aí dentro é fruto do nosso amor, como eu poderia abandoná-la? Não vou mentir e dizer que não estou com medo, eu estou aterrorizado. Seu pai vai querer me matar, meu pai também... Sua mãe vai chorar e a minha já vai começar a pensar no enxoval porque você sabe que ela é louca. — riu, as lágrimas já escorrendo pelo seu rosto. Corri em sua direção, tomando-a em meus braços. — Mas nada disso importa. Tudo o que me importa agora é você e o nosso bebê. — caiu em meus braços e chorou. Eu podia sentir o alívio que ela estava sentindo. Abracei-a mais forte, deitando na cama e a trazendo comigo.
— Obriga...
— Não ouse me agradecer. Não aja como se eu estivesse te fazendo um favor. Eu que tenho que te agradecer por ter aguentado todo o meu chilique e ainda me receber de braços abertos, mesmo depois de ter agido feito idiota. E também por essa criança linda que está aqui. — Levei uma de minhas mãos até sua barriga, acariciando-a. — Você será a melhor mãe de todas, eu tenho certeza. Mas ela só vai poder namorar depois dos trinta. — gargalhou.
— E quem te garante que será uma menina? — ela perguntou, com os olhos brilhando.
— Não sei. Se for, eu desejo que ela seja tão linda como a mãe, e tão forte como ela. — me beijou rapidamente.
— E se não for uma menina?
— Uhm. Bom, a gente pode vender e tentar de novo!
— Cala a boca! — falou e me deu um tapa no braço. Depois caímos na risada, sonhando com um futuro um pouco diferente, mas não menos feliz.

5 anos depois...

estava trancada há horas no quarto, junto com , nossas mães e mais uma equipe para arrumá-la para sua formatura. Minha mãe apenas deixou minha roupa no quarto do Jamie e ordenou: “se arrume e arrume seu filho!”. Depois bateu a porta do quarto na minha cara. Quando nos casarmos, eu nem quero imaginar no que minha mãe irá se transformar.
Jamie estava brincando no quintal, corria de um lado para o outro. Sorri ao encarar meu filho, que já tinha completado quatro anos de idade! O tempo voou.
e eu realmente demos um jeito em tudo. Contar para os nossos pais não foi fácil, mas eles nos apoiaram e nos ajudaram. Sem a ajuda deles, tudo seria muito mais complicado. Meus pais ainda pagaram a minha faculdade e eu assumi um outro emprego na empresa do meu pai, um cargo bem mais baixo, mas que complementava a renda. também teve seu estágio no primeiro semestre da faculdade, o que nos permitiu preparar todo o seu apartamento para a chegada do bebê.
Se dependesse dos nossos pais, eles acabariam pagando tudo, mas não era isso que queríamos. Era nosso filho e nós iríamos cuidar dele, dentro das nossas possibilidades. Mesmo com a enorme ajuda deles, não vou dizer que foi fácil. Eu trabalhava e estudava o dia inteiro, ainda tinha que conciliar as aulas, o estágio e as consultas médicas.
Eu tentava ao máximo ajustar meu horário para que não perdesse cada momento da gravidez e pudesse acompanhá-la, mas nem sempre isso era possível. também nos ajudou muito, ficava com a quando eu não podia, levava-a ao médico e para fazer alguns exames de rotina.
Mas nenhuma dificuldade diminuiu o sentimento de plena alegria quando olhei meu filho pela primeira vez. Nenhuma noite mal dormida fez com que a sensação dele apertando meu dedo pela primeira vez, como se eu fosse tudo para ele, fosse menos mágica.
E a . É difícil encontrar palavras para dizer o quão guerreira e forte ela foi e é em cada novo dia. Ela realmente precisou trancar a faculdade por um ano, mas nunca desistiu.
Hoje, cinco anos depois da descoberta que mudou nossas vidas para sempre, a vida já estava mais acertada. Eu tinha assumido a empresa do meu pai, assim que me formei há um ano, dando continuidade aos negócios da família, e a estava se formando. Nosso filho estava saudável e feliz, e eu não poderia escolher uma vida melhor.
— Jamie, está na hora de entrar. Temos que nos arrumar para a formatura da mamãe! — Chamei meu filho, que veio correndo em minha direção, se preparando para pular no meu colo. Peguei-o e levantei-o bem no alto, gargalhando junto com ele.
— Mamãe ainda não tá pronta? — Jamie perguntou, confuso. Sorri para ele.
— Mulheres, filhão, mulheres. — Ele deu de ombros e seguimos para o seu quarto. Preparei seu banho e logo já estava o arrumando. — Jamie, você sabe que hoje é um dia muito importante, certo?
— Sim, papai!
— E você lembra que o papai falou que precisaria da sua ajuda? — Ele assentiu. — Depois da festa da mamãe, nós voltaremos para a casa. Nós te colocaremos para dormir, mas você só irá fingir que dormiu, ok?
— Mas por quê, papai? — ele perguntou, curioso.
— Porque eu preciso que entregue uma caixinha para a mamãe, mas isso é surpresa.
— E o que tem na caixinha?
— Um anel bem lindo.
— Mamãe adora anéis! — Meu filho bateu palmas, inocente.
— Mas isso é segredo, Jamie! Assim que sairmos do seu quarto, você espera um pouquinho e vai para a porta no meu quarto, ok?
— Sim!
— Esse é o meu garoto! — falei e levantei a mão para que ele batesse. — Agora o papai vai tomar banho e você fica aqui quietinho me esperando. Eu não demoro!

Jamie e eu já estávamos prontos fazia cerca de uma hora, mas nada da aparecer. Ficamos assistindo a um desenho qualquer, até que surgiu na escada e chamou a nossa atenção.
está pronta! — disse e logo apareceu atrás dela. Jamie logo pulou do meu lado e foi esperar a mãe no pé da escada. Eu estava tão atônito, que nem conseguia me mexer.
— Olha a cara dele, não tem nem palavras! — minha mãe disse, já ao meu lado. — Vai lá, , anda. — Ela me empurrou. Levantei rapidamente e fui ao encontro de . Ela deu um beijo na bochecha de Jamie e se virou para mim.
— E então? — perguntou.
— Você... — Respirei fundo, tentando encontrar palavras para tentar chegar pelo menos perto do quão linda ela estava. — Hiasudqodewidsa. — disse.
— O quê...? — estava confusa. Eu sorri para ela e expliquei:
— Eu estava tentando encontrar uma palavra pra te descrever nesse momento. Como não tem nada que chegue perto do quão maravilhosa você está, eu apenas criei uma. — Seus olhos brilharam e um sorriso bobo fixo em nossos lábios.
— Eu amo você. — me beijou rapidamente.
— Eu te amo, , e não vai ter mulher mais linda que você nessa formatura. Nunca teve, na verdade. Hoje só está ainda mais evidente. — Ela me abraçou. — Vamos?

...


Estávamos em silêncio dentro do carro, já voltando da festa. Jamie dormia no banco de trás, o que era bom, já que precisaria que ele acordasse em breve. Não me julguem, eu precisava dele para que esse pedido fosse perfeito!

Flashing lights in my mind
(Luzes piscando na minha mente)
Going back to the time
(Voltando ao tempo em que)
Playing games in the street
(Brincávamos na rua)
Kicking balls with my feet
(Chutando bolas com meus pés)
There’s a numb in my toes
(Há uma dormência nos meus dedos dos pés)
Standing close to the edge
(Estando perto do limite)


— Estou tão cansada, mas me sinto tão feliz. — disse, encarando as ruas que passavam pela janela. — Mais uma etapa cumprida. — Eu assenti, preso demais em meus pensamentos. Ou melhor, nas memórias dos nossos momentos juntos, desde nosso primeiro encontro. — ? Tá aí? — chamou minha atenção.
— Lembra quando jogávamos bola na rua, quando crianças? Lembro da sua mãe gritando: “, você é uma mocinha, larga esses meninos e vem já pra dentro!” — Fiz uma imitação da sua mãe, o que a fez gargalhar. Jamie se remexeu no banco, mas continuou dormindo.
— Eu lembro. Mas por que tá lembrando disso agora?
— Nenhum motivo especial, apenas lembrei. — menti. — É uma longa história.
— Sim, uma longa e bela história. — Peguei sua mão, que estava sobre sua perna, e a beijei.
— A mais bela de todas.

Já de volta à nossa casa, e eu levamos Jamie para o seu quarto. O nervosismo começava a tomar conta de mim e eu tentava a todo custo escondê-lo para que não notasse.
— Ele correu tanto naquele salão. — ela disse baixinho e beijou a testa do nosso filho.
— Ele se divertiu bastante. — Também o beijei e senti sua mãozinha apertar a minha. Esse menino era bom em fingir que estava dormindo. A não precisava saber que eu o acordei quando o retirei do carro.
— Vamos? Só quero tomar um banho e dormir. — ela disse, como eu já esperava.
— Claro, pode ir na frente. Vou terminar de cobri-lo e tirar os sapatos.
— Obrigada. — Com uma última olhada em Jamie, deixou o quarto. Assim que a porta fechou, meu filho abriu um dos olhos, garantindo que apenas eu estava no quarto. Como ele dormiu no carro, eu precisava garantir que ele não dormiria novamente.
— Mamãe já foi? — Jamie perguntou. Assenti para ele, que logo levantou. — Cadê a caixinha, papai? — Ele estava animado. Retirei o objeto do meu bolso e mostrei a ele. Jamie arregalou os olhos quando viu o anel. — É enorme! — Ri de sua reação.
— Agora você precisa cuidar dessa caixinha para o papai. Eu vou para o meu quarto e você vai esperar na porta, ok? Vou deixar uma fresta aberta. Quando eu te chamar, você entra. Fechado?
— Sim! — Jamie pegou, com cuidado, a caixinha das minhas mãos. Respirei fundo e segui para o meu quarto.
— Você demorou. — disse, sentada na beirada da nossa cama, passando um dos seus cremes nas pernas. Eu sentei ao seu lado, observando nosso quarto.

There’s a pile of my clothes
(Tem uma pilha com as minhas roupas)
At the end of your bed
(No final da sua cama)
As I feel myself fall
(Enquanto eu me sinto cair)
Make a joke of it all
(Faça uma piada de tudo isso)


— Aquela pilha com as minhas roupas — Apontei — me lembra da nossa discussão, quando me contou que estava grávida. Eu fiquei tão nervoso, que só a notei depois, quando já tínhamos acertado tudo. — Ela sorriu, mesmo que não entendesse o motivo de eu ter falado aquilo.
— Você está tenso, , o que tá acontecendo?
— Nada, talvez eu esteja grávido. — me deu um tapa.
— Idiota. — Nós rimos, o clima ficando mais tranquilo entre nós.
— Acho que eu nunca realmente te agradeci por ser essa mulher forte e que sempre esteve ao meu lado, me dando forças e assumindo o controle quando eu não aguentava mais. — Seu olhar estava confuso, não entendendo aonde eu queria chegar. — Às vezes acho que também não digo com frequência o quanto você é linda e que eu sou o homem mais sortudo desse mundo. Não pela sua beleza, mas por você ser exatamente do jeito que você é: essa mulher batalhadora, que nunca desiste diante das batalhas que a vida coloca na frente. A mais meiga, a mais inteligente, a melhor mãe que eu um dia poderia escolher para os meus filhos. — já estava chorando, mas ainda não entendia o porquê daquilo tudo. — Mas, principalmente, acho que nunca te agradeci o suficiente pelo melhor presente que poderia me dar. Eu sei que não foi fácil, mas nós conseguimos e eu não poderia ter sonhado com uma vida melhor. — Eu me ajoelhei à sua frente e fiz sinal para que Jamie entrasse. — Eu não quis fazer isso há cinco anos porque não queria que achasse, por um segundo sequer, que era apenas porque estava grávida. Eu queria esperar para que tivesse certeza de que é por você, tudo por você e para você. — Jamie ajoelhou ao meu lado, improvisando. Sorri com a cena, enquanto já não conseguia controlar as lágrimas e o sorriso em seus lábios. Peguei a caixinha das mãos de Jamie e a abri, mostrando o anel que tinha escolhido para ela. — Eu amo você, , como eu nunca imaginei amar alguém em toda a minha vida, e eu quero muitos outros momentos ao seu lado, todos eles, se for possível. Você quer casar comigo?
E, com um “sim” sussurrado em meio ao choro, ela nos abraçou e ficamos ali, os três, no chão, rindo, felizes com o futuro que não foi planejado, mas que nos reservou os melhores momentos que poderíamos ter.

You know I'll be
(Você sabe que eu serei)
Your life, your voice, your reason to be
(Sua vida, sua voz, sua razão de ser)
My love, my heart
(Meu amor, meu coração)
Is breathing for this
(Está respirando por este)
Moment in time
(Momento no tempo)




Fim



Nota da autora: Oi, pessoas! Muito obrigada a todos que leram! Eu sou completamente apaixonada por essa música e espero que não tenha desapontado.
Larys
xx

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