Addicted

Written by: Cah (Kerouls)



Capitulo 1

?’ Ouvi me chamar e abri os olhos lentamente. Meu corpo inteiro doía, era como se eu tivesse sido atropelada por um caminhão. Ela sorriu meigamente e se aproximou sentando ao meu lado.
‘Como ele tá?’ Falei tão baixo que mal escutei minha voz.
‘Tá bem, quer dizer...pelo menos ele acordou!’ Ela forçou um sorriso. ‘A gente precisa conversar.’ O sorriso desapareceu do rosto dela e eu senti um aperto no peito. Balancei calmamente a cabeça confirmando e a olhei tentando me manter calma.
‘Aconteceu alguma coisa?’ Minha voz saiu falha.
‘Aconteceu sim minha querida. Eu conversei com o médico e ele me falou algumas coisas sobre o estado de saúde do .’ Ela parou suspirando e cada vez mais eu sentia meu peito ser esmagado. ‘Ele me falou tudo detalhadamente claro, disse que agora o estado dele está estável. Mas que eles não conseguiram evitar uma seqüela.’ Ela pegou minha mão que tremia e suava frio.
, pode falar. Eu agüento.’ Mentira, eu estava quase desmaiando. Forcei um sorriso.
, ele...perdeu parte da memória.’ Senti o chão sob meus pés simplesmente sumir e uma dor insuportável em meu coração, por alguns segundos achei que tivesse perdido todos os sentidos, até sentir a mão de apertando a minha. Olhei para seu rosto tenso ainda tentando assimilar as palavras dela.
‘P-perdeu?’ Gaguejei.
‘Perdeu , não completamente. Ao que parece ele só lembra até mais ou menos uns 14 ou 15 anos. Eu e o médico conversamos com ele, para tentarmos descobrir. Ele lembra dos amigos, da banda, mas...’ Ela me olhou apreensiva.
‘Mas?’ A olhei já com os olhos cheios de lágrima.
‘Ele não lembra de você , e nem do .’ Soltei um gemido de dor e ela me abraçou forte. Era como se tivessem arrancado meu coração ou então partido ele em milhares de pedaços. O , logo o , ele é uma criança, ele não vai conseguir entender isso. ‘Calma , por favor.’ pediu nervosa sem saber direito como agir.
‘D-desculpa.’ Me afastei dela e cobri o rosto com as mãos.
‘Não, tudo bem minha querida. É só que ver você assim me parte o coração, e eu não posso fazer nada pra te acalmar, te tranqüilizar.’ Ela pegou minhas mãos e sorriu. ‘A partir de agora vai ser tudo diferente , por mais que a gente diga ao tudo que aconteceu, o médico disse que ele dificilmente recuperará a memória, mas que não é impossível. Quem sabe com o tempo, a convivência.’ Ela falava calmamente enquanto eu ainda soluçava alto atraindo os olhares curiosos de algumas pessoas que passavam por ali.
‘Mas , o . Ele é uma criança, como ele vai lidar com tudo isso?’ Falei com a voz embargada.
‘Eu sei , vai ser difícil. E eu sinceramente não tenho um bom conselho pra te dar, também estou perdida ainda com tudo isso que aconteceu. Achei que quando ele acordasse tudo voltaria ao normal.’ Ela começou a chorar e eu me senti um pouco egoísta por estar tão desesperada apenas por mim. A sempre foi uma mãe coruja, é o garotinho dela, ela sempre teve tanto medo de acontecer qualquer coisa com ele.
desculpa, eu estou sendo egoísta.’ A abracei e ficamos lá chorando juntas, sofrendo juntas. Porque tudo isso tinha acontecer?

Comecei a pensar nos últimos 3 anos da minha vida, tudo tinha ficado de cabeça pra baixo. Me mudei pra Londres na expectativa de uma vida melhor, queria estudar, me formar e me dedicar ao trabalho, o resto seria conseqüência. Até eu conhecer o cara perfeito e ver a noite que era pra ser a mais perfeita da minha vida se transformar em um pesadelo. Conheci em um bar junto com seus amigos de banda. Logo da primeira vez que o vi senti as famosas borboletas no estomago, meu coração bater acelerado e um sorriso idiota tomar conta do meu rosto. Conversamos a noite inteira e acabamos ficando, mas estávamos bêbados demais pra ficarmos apenas nos beijando, precisávamos de alguma coisa a mais. Ele me chamou pra ir ao apartamento dele e eu fui mesmo sem saber direito que estava fazendo, e como dá pra imaginar acabou rolando muito mais do que simples beijos.

Até hoje não me lembro muita coisa daquela noite, apenas alguns flashes. Acordei no dia seguinte completamente de ressaca e completamente sem roupa, assim como . Saí da casa dele antes que ele acordasse e deixei o numero do meu celular embaixo do telefone dele. Nem sei por que fiz aquilo, sabia que ele não ia ligar, mas quando estou de ressaca faço as coisas meio inconscientemente. Passei a semana toda pensando em , lembrando do sorriso dele, da risada, dos seus olhos, e quando já tinha certeza que ele nem lembrava mais de mim, meu celular tocou e pra minha surpresa reconheci sua voz do outro lado da linha.

Combinamos de nos encontrar e mais uma vez acabamos a noite no apartamento dele, e mais uma vez acordei completamente sem roupa deitada ao lado dele na cama, e mais uma vez saí pela manhã antes que ele acordasse. é aquele tipo de cara que você se apaixona de primeira, não por que ele é um conquistador, muito pelo contrario, talvez seja por causa de sua espontaneidade. Ele é divertido, engraçado, tem um ótimo papo, beija bem, é bom de cama. Não que eu seja experiente em se tratando de sexo, pra falar a verdade, a minha primeira vez foi com o e eu tinha acabado de fazer 16 anos. Pra alguns isso pode ser irresponsabilidade, mas a verdade é que eu nunca tinha me sentido tão segura ao lado de um cara, ele tinha me conquistado da forma mais simples e mais rápida possível. Claro que eu não o amava, mal o conhecia, mas o pouco que já sabia sobre ele foi o bastante para que eu tivesse certeza de que ele era o cara certo pra eu ter a minha primeira vez. Depois dessa segunda vez se passou uma, duas, três, quatro semanas e ele nunca mais deu sinal de vida. E eu também não fui atrás, sabia que eu era apenas uma boa companhia e um bom sexo pra ele, nada mais.

Porque a gente sempre acha que determinada situação nunca vai acontecer com a gente? Vemos tantos exemplos, às vezes de amigos próximos, mas nunca estamos convencidos de que aquilo pode acontecer com a gente, até que realmente acontece. Lembro daquele dia como se fosse hoje, cada detalhe, cada sentimento, tudo.

Acordei me sentindo enjoada, achei que tivesse sido apenas alguma coisa que tinha comido no dia anterior, tomei um remédio qualquer e fui pra o colégio normalmente. O enjôo não passou, e logo depois veio a tontura também. Comentei com a , minha melhor amiga e que sabia de minha vida toda e ela sugeriu de uma forma digamos...sutil, que aquilo poderia ser sintomas de uma gravidez. Sinceramente, na hora a única coisa que e consegui fazer foi rir, claro! Imagina se eu poderia estar grávida, eu tinha usado camisinha, não tinha? Me amaldiçoei pelo fato de não conseguir lembrar de quase nada das duas noites que passei com . Tentei convencer a mim mesma de que eu tinha sim usado camisinha, mas não consegui convencer , que logo depois da aula me arrastou pra uma farmácia e comprou o teste de gravidez.

Fui até em casa tentando convencê-la de que definitivamente não estava grávida, claro que eu não estava, eu não podia estar! Aqueles 5 minutos que esperamos pelo resultado foram os 5 minutos mais longos da minha vida. Sentia meu coração batendo cada vez mais acelerado a cada segundo, minha pernas estavam inquietas e minha unhas já não existiam mais. Tentei mais uma vez me convencer de que eu definitivamente tinha usado a droga da camisinha, eu não poderia ter sido tão irresponsável. Ouvi gritar meu nome do banheiro e fechei os olhos respirando devagar e mentalizando que eu era responsável e eu tinha lembrado da camisinha. Caminhei lentamente até onde ela estava e a olhei esperançosa. apontou o pequeno frasco em cima da pia e eu olhei prendendo a respiração. Me aproximei mais da pia e olhei atentamente tentando me convencer de que eu só podia estar enxergando coisas, ali não era duas linhas vermelhas eram? Não podia ser! Senti pegar em minha mão e suspirar alto, balancei minha cabeça negativamente pensando que aquele resultado tinha que estar errado, testes de farmácia não são tão confiáveis.

No dia seguinte fui novamente à farmácia e comprei outro teste, dessa vez sem , precisava fazer aquilo sozinha. Novamente as malditas linhas vermelhas apareceram. Fiquei ali, sentada no chão do banheiro jurando pra mim mesma que nunca mais colocaria uma gota de álcool em minha boca. Perdi a noção do tempo sentada ali, chorei até meus olhos começarem a doer e eu não ter mais forças nem pra me levantar. Ouvi meu celular tocar alto em algum lugar do quarto, mas não fiz nenhum movimento, eu não conseguia, sentia que qualquer movimento que fizesse iria me partir ao meio. Fiquei mais algum tempo ali apenas pensando no que fazer, teria que falar com meus pais obviamente, e quanto ao , eu sinceramente não tinha muita certeza se ele ao menos lembraria de mim. Ouvi passos se aproximando e quando dei por mim já estava chorando no ombro de , sempre me esquecia que ela tinha a copia da chave do meu apartamento.

Um mês se passou mais rápido do que eu esperava, já tinha ido ao médico, feito exames e já sentia um pedacinho de vida dentro de mim. A parte mais difícil foi contar para meus pais, não sabia se dizia que era de um cara que mal lembrava que eu existia ou se inventava um namorando ou um ficante. Acabei falando simplesmente a verdade, não conseguiria esconder deles durante muito tempo. Meu pai ficou meses sem falar comigo, minha mãe foi para Londres ficar um tempo comigo e como ela mesma dizia, tentar botar um pouco de juízo na minha cabeça. Mas de que adiantava? A besteira já estava feita mesmo. Assim que ela chegou em Londres me obrigou a ir falar com , afinal eu não poderia dar conta de um filho sozinha né? Eu tinha 16 anos recém completados, era apenas uma estudante sustentada pelos pais em um país completamente desconhecido.

Acho que nunca tive tanto medo de uma situação, tive menos medo de contar pra meus pais do que pra . Não sabia como dizer aquilo, ninguém chega pra um cara que transou duas vezes e depois sumiu e fala "parabéns, você vai ser papai!". Eu não sabia se tinha medo dele não lembrar de mim, se tinha medo dele dizer que não ia sustentar filho nenhum ou de sei lá, ele me chamar de louca e me expulsar de lá, vai saber qual a reação dele. Para minha surpresa ele me recebeu com um sorriso e ao que parecia se lembrava perfeitamente de mim, inclusive do meu nome. Sentia cada parte do meu corpo tremer com cada palavra que trocávamos, ele provavelmente percebeu meu nervoso já que perguntou várias vezes se estava tudo bem, se eu precisava de água ou qualquer coisa do tipo. Não sabia se tentava primeiro entrar em uma conversa agradável e depois contava, ou se contava logo de uma vez, desejei que minha mãe ou estivessem ali comigo, seria realmente mais fácil.

começou a conversar e eu apenas dava respostas monossílabas, tinha vontade de mandar ele calar a boca e falar que estava grávida de uma vez, e foi o que eu fiz. Quer dizer... não o mandei calar a boca claro, mas o olhei com medo e disse que tinha uma coisa realmente séria pra falar com ele, e que era exatamente por isso que eu tinha ido procura-lo. Ele se ajeitou no sofá e me olhou sem entender, respirei fundo e soltei a bomba de olhos fechados, o medo e o pânico tinham tomado conta de mim por completo, eu mal ouvia o que estava falando. Quando acabei de falar tudo suspirei e abri os olhos encontrando estático me olhando, ele não se mexia, nem piscava, fiquei com vontade de perguntar se ele ainda estava respirando, mas não foi necessário já que a boca dele foi abrindo lentamente e ele balançou a cabeça negativamente. Era como se ele quisesse falar alguma coisa, mas não conseguisse. Mordi o lábio já me convencendo de que essa reação era a mais óbvia, claro que ele não ia sorrir e dizer que nós seriamos felizes para sempre. Ele ainda nem tinha feito 17 anos, era um adolescente inconseqüente que gostava de sair pra se divertir com os amigos, ele não ia abandonar essa vida por causa de um simples...filho.

Me levantei rápido falando qualquer coisa que nem eu mesma entendi e saí de lá correndo, ele não foi atrás de mim, nem gritou meu nome, acho que ele nem se mexeu do sofá pra falar a verdade. Cheguei em casa já chorando e encontrei minha mãe me esperando como se soubesse exatamente tudo que tinha acontecido, ela nem falou nada, apenas deixou que eu chorasse em seu colo.

Mas a vida nem sempre é exatamente do jeito que a gente espera, talvez a maior surpresa que eu tenha tido durante todo o processo foi o dia em que eu encontrei parado na porta da minha casa, achei que fosse algum tipo de alucinação, ou eu podia estar sonhando acordada. Duas semanas já tinham se passado desde nossa ultima conversa, ele não tinha me ligado e nem nada, tinha sumido exatamente como da segunda vez que transamos. Ele me olhou com aquele olhar de "precisamos conversar" e eu o convidei pra entrar, aquele não era bem o tipo de conversa pra se ter no meio da rua. Minha mãe por sorte não estava em casa, iria se arrepender amargamente de ter ido até lá se tivesse encontrado com ela.

Talvez eu tenha julgado aquele garoto inconseqüente de quase 17 anos cedo demais, nem sempre as pessoas são o que aparentam ser, ou talvez apenas existam algumas exceções, e sem duvidas é uma delas. Ao contrario de tudo que eu poderia ter imaginado sobre as reações dele, ao contrario de tudo que a maioria das pessoas poderiam pensar, ele fez exatamente o que ninguém poderia esperar de um adolescente, talvez nem tão inconseqüente assim. Quando ele me falou que iria assumir aquele filho, que iria bancar aquele filho e iria arcar com todas as conseqüências do nosso erro, eu quase desmaiei. Minha única reação foi sentar rápido no sofá e o olhar como se ele fosse algum tipo de alienígena. Eu não conseguia entender porque ele estava fazendo aquilo, e ele parecia tão decidido, não parecia de forma alguma estar ali por obrigação ou qualquer coisa do tipo. A partir daquele dia eu soube que não importava o que acontecesse, estaria sempre presente em minha vida.

Seis meses depois eu já tinha sido assunto no colégio, assunto no shopping, na padaria, na rua ou em qualquer lugar que passasse, afinal uma garota de 16 anos desfilando grávida por aí não é exatamente comum. Minha mãe ainda estava comigo, mas eu sabia que alguma hora ela teria que voltar para a vida dela, pro trabalho dela, pro marido dela. Marido esse que por sinal ainda não falava comigo. estava presente o tempo todo, principalmente depois que soube que seria um menino, quem visse o sorriso que ele abriu quando o médico falou pensaria até que nós éramos o casal mais perfeito do mundo, tendo o filho tão esperado.

Não foi exatamente uma surpresa o dia em que eu cheguei em casa e vi as malas de minha mãe já prontas no meio da sala. Ela me olhou como se pedisse desculpa e eu apenas a abracei com a certeza de que mesmo distante ela sempre seria a pessoa que eu mais poderia confiar. E Mais uma vez conseguiu me surpreender, dessa vez com nada menos que uma proposta para que eu fosse morar com ele. Eu poderia esperar qualquer coisa dele, menos um convite desses afinal nem éramos namorados, o único laço que nos ligava era um projeto de ser humano que pesava cada vez mais dentro da minha barriga. Ele disse que seria melhor, que ele poderia estar mais presente e que eu não poderia morar sozinha estando grávida, de certa forma ele estava certo. Não tive como recusar sua proposta, aliás, ele nunca deixaria que eu recusasse. Menos de uma semana e eu já estava perfeitamente acomodada na casa dele. Tinha um quarto de hospede que ele ajeitou pra mim, já tinha um pequeno enxoval que nós tínhamos comprado algumas semanas antes e a maior surpresa de todas, ele tinha comprado um berço! Seria completamente mentira se eu negasse que a essa altura já estava completamente apaixonada por , nunca um cara me surpreendeu tanto quanto ele. Durante todo aquele tempo se nos beijamos 5 vezes foi muito, e todas foram apenas conseqüências de algum momento, a gente se empolgava meio sem querer.

No dia do parto eu tinha a impressão de que estava mais nervoso do que eu, acho que ele seria aqueles pais que desmaiam no meio do parto! Os amigos de banda dele estavam lá tentando acalma-lo de alguma forma, conseguiram convencê-lo de que não seria bom que ele assistisse o parto, o que me deixou bastante aliviada. Nunca uma dor foi tão recompensadora como a dor do meu parto, quando a enfermeira colocou aquela coisinha pequena e chorona no meu colo senti como se tudo a minha volta tivesse sumido, meu peito se encheu de uma alegria tão imensurável, era como se eu estivesse flutuando. Olhei pela janelinha que agora estava com a cortina aberta e pude ver o sorriso imenso de enquanto as lagrimas escorriam por seu rosto e os amigos lhe davam tapinhas no braço parabenizando-o. Algum tempo depois já estava no quarto e estava do meu lado olhando para o bebê em meu colo. Ele sorriu bobo passando o dedo pela cabeça do pequeno e com a outra acariciava minha mão.

Fiquei no hospital 3 dias e depois recebi alta para ir pra casa com o bebê. Eu e ainda nem tínhamos escolhido o nome dele, achamos melhor esperar um pouco. Pouco tempo depois que chegamos em casa tive um sonho com um bebê que se chamava , achei que era exatamente o que precisava para me decidir pelo nome do meu filho, adorou o nome e foi assim que batizamos dele.

Vivemos durante dois anos juntos, não como um casal, mas como um pai e uma mãe. Lógico que de vez em quando rolava alguma coisa mais entre a gente, mas respeitávamos os limites um dos outro, era nossa opção não assumir compromisso nenhum. Eu me apaixonava cada vez mais por , com cada pequeno gesto ou pelas palavras mais simples dele, nunca dissemos as famosas 3 palavrinhas um pro outro, mas eu sabia que o carinho que ele sentia por mim era imenso. Perdi a conta de quantas vezes ele disse que eu e éramos duas das coisas mais importantes na vida dele. Apesar de tudo durante aqueles anos fomos apenas pais.

?’ A voz de surgiu em minha mente me despertando. Pisquei os olhos algumas vezes ainda tentando me localizar, parece que em alguns minutos eu tinha revivido os últimos 3 anos de minha vida. A olhei ainda confusa e ela sorriu meiga. ‘Acho que você quer ver ele né?’ A olhei sem entender, ainda não tinha me situado exatamente. De repente a imagem do acidente veio em minha cabeça. Não que eu lembrasse de muita coisa, já que eu desmaiei. Mas lembro de falando alguma coisa nervoso, de uma freada brusca, o carro rodando algumas vezes e depois de mais nada, só de ter acordado na cama de um hospital.
‘Ah sim, claro.’ Sussurrei tentando afastar as imagens do acidente de minha cabeça. Ela se levantou me puxando pela mão e caminhamos lentamente por aquele corredor que eu já conhecia tão bem. Foram dois meses andando nervosamente por ele, dois meses de agonia, dois meses sem . Talvez os dois meses mais difíceis da minha vida, como eu poderia explicar pra uma criança de 2 anos que o pai dele está em coma? Eu não tinha como falar isso pra meu filho, mas a desculpa de que estava viajando já não o convencia mais.
Quando me ligou no meio da madrugada passada avisando que ele tinha finalmente acordado nem pensei duas vezes. Acordei a babá que tinha contratado pra me ajudar a cuidar do durante esse tempo e vim correndo para o hospital. Mais de 24 horas já tinham se passado, e só agora eu finalmente o veria novamente, achei que fosse ser tudo tão fácil que ele iria simplesmente acordar e perguntar pelo , até eu receber a noticia da perda de sua memória.
‘Pronta?’ Mais uma vez a voz de me despertou do transe. A olhei apreensiva e ela sorriu tentando me passar confiança. Balancei a cabeça positivamente e quando ela abriu a porta senti o medo tomar conta do meu corpo.




Capitulo 2

Entrei na sala sentindo meu coração querer sair pela boca a cada passo que eu dava, tentei controlar minha respiração que já estava completamente descompassada, mas não consegui. Calma era a única coisa que eu não teria ali naquele momento. Olhei pra que já estava do lado da cama de e ela balançou a cabeça como se mandasse eu me aproximar, suspirei pela ultima vez e caminhei devagar até o pé da cama. Meu olhar subiu devagar dos pés até o rosto dele, senti as borboletas em meu estomago exatamente como da primeira vez que o vi, era como se um alivio tivesse percorrendo todo meu corpo trazendo a alegria de volta pra meu coração.

.’ o chamou baixo tocando em seu braço e eu senti que podia desmaiar a qualquer momento. lentamente abriu os olhos e piscou algumas vezes antes de sorrir pra mãe. Eu também sorri, só que pra mim mesma. Ver aquele sorriso novamente era como se eu também tivesse voltado a viver. ‘Filho, essa é a .’ Ela sorriu apontando pra mim e os olhos de se moveram lentamente em minha direção. Eu não sabia direito como reagir, uma parte de mim queria correr e abraça-lo, a outra queria sair correndo dali. Olhei para meus próprios pés com medo de encarar nos olhos e finalmente saber que tudo isso não foi só um pesadelo, aquilo tudo era minha realidade, minha vida. Suspirei mordendo o lábio e levantei minha cabeça calmamente até meus olhos encontrarem os dele eu sentir uma pontada em meu coração. Ele não tinha mais aquele brilho no olhar de antigamente, agora seus olhos tinham uma mistura de angustia e dúvida que me deixavam ainda mais apavorada.

Tentei sorrir apesar do desespero, mas não deu muito certo e eu preferi morder o lábio sem saber direito o que fazer.
‘Lembra que eu te falei da hoje mais cedo?’ perguntou no mesmo tom de voz baixo. sorriu balançando positivamente a cabeça. ‘Lembra que eu te falei sobre uma criança...’ sorriu meigamente e ele novamente balançou a cabeça.
‘O !’ Ouvir ele falar o nome do nosso filho foi sem duvidas a maior alegria desses últimos dois meses. Não consegui controlar as lágrimas que escorriam rápido por meu rosto enquanto eu sorria apertando minhas próprias mãos. ‘Ele não veio?’ olhou sorrindo pra mim e eu passei a mão rápido pelo rosto enxugando as lagrimas e funguei pra controlar o choro. Fiquei alguns segundos apenas observando ele sorrir pra mim, era como se meu coração tivesse voltado a pulsar normalmente.
‘Não, ele... ele tá na escola uma hora dessa.’ Sorri nervosa dando ma olhada no relógio do meu pulso. Realmente essa hora está na escola. Falei com ele algumas horas atrás, antes dele sair de casa.
‘Filho, acho que a tem algumas coisas pra contar pra você. Talvez uma certa história, sobre dois certos jovens inconseqüentes.’ piscou pra mim eu fiquei sem reação. Achei que ela mesma já tivesse contado tudo pro . ‘, achei que essa seria a sua parte. Você sabe melhor do que ninguém essa historia.’ Ela sorriu se aproximando de mim. ‘Não tenha medo , ele não lembra de nada, mas tenho certeza que vai adorar ouvir a historia pra própria vida contada por alguém que fez parte da vida dele nesses 3 últimos anos mais do que ninguém.’ Ela me deu um beijo na testa, beijou a bochecha de e depois saiu do quarto.

Mordi meu lábio nervosa sentindo o olhar de sobre mim como se me analisasse. O olhei sem saber direito o que fazer e ele sorriu como se tentasse me passar confiança.
‘Então , como você tá se sentindo?’ Me aproximei tentando controlar as lágrimas que já enchiam meus olhos. Toquei o braço dele sentindo sua pele quente e sorri instantaneamente. Ele desviou o olhar do meu rosto até seu braço, no lugar em que eu tocava. Retirei minha mão lentamente dali ao perceber seu olhar de duvida, cruzei os braços e sorri pra ele que retribuiu.
‘Agora to melhor, já dormi um pouco, tomei os remédios, comi alguma coisa. Acho que já to pronto pra ter alta.’ Ele falou animado e eu ri balançando a cabeça. sempre foi ansioso, sempre queria as coisas pra agora, pra esse segundo.
‘Hey, devagar mocinho.’ Falei brincando num tom de reprovação e ele abriu um sorriso imenso. ‘Que foi?’ Falei ao reparar o sorriso dele.
‘Nada, mas você pareceu minha mãe falando.’ Dei risada e lembrei que não era a primeira vez que ele me falava aquilo. Às vezes eu agia como a mãe dele, e ele sempre reclamava quando isso acontecia. ‘Então, qual a historia que você tem pra me contar?’ Ele me olhou sério e eu suspirei sem saber direito o que responder.
‘Olha , eu sei que pra você é como se eu fosse uma estranha, eu to aqui conversando normalmente, mas sei que na verdade você deve tá se perguntando quem eu sou exatamente.’ Parei pensando um pouco por onde começar.
‘Bom, eu sei que você é a mãe do meu filho, não é como se você fosse uma estranha, quer dizer...de certa forma.’ Ele me olhou em duvida e eu sorri.
‘Hm...eu vou tentar resumir os últimos 3 anos da sua vida ok?!’ O olhei e ele balançou a cabeça. ‘Bom, pelo menos as partes que eu apareço ou sei que aconteceram, claro que não posso saber de tudo.’ Botei as mãos no bolso da calça nervosa e puxei uma cadeira para perto da cama de .

Resumir os 3 últimos anos da vida de uma pessoa não é fácil, e mais do que resumir a vida dele, tive que resumir a minha e a de também. Era como se eu estivesse revivendo tudo, cada momento, triste e feliz de nossas vidas.

Quase uma hora depois senti um peso sair das minhas costas ao contar a parte do acidente que eu conseguia me lembrar e finalmente parar de falar olhando pra que ouvia atentamente cada palavra minha. Ele sorriu meigamente e parecia ainda tentar absorver tudo que eu tinha dito, ficou algum tempo encarando o teto como se tentasse lembrar de alguma coisa e depois me olhou.
‘Então...nós não éramos exatamente namorados?!!’ Ele perguntou e eu balancei a cabeça confirmando. ‘Mas de vez em quando a gente se pegava?’ Ele sorriu maroto e eu senti meu rosto arder.
‘Foram 2 longos anos morando juntos , nós somos humanos, certo?’ Sorri.
‘Certo, certo. E se você me dissesse que nunca rolou nada eu ia começar a duvidar seriamente da minha masculinidade.’ Ele fez uma cara pensativa e eu ri. ‘Mas falando sério , eu posso ter perdido uma parte da minha memória, mas eu ainda me conheço melhor do que ninguém e sei que se eu vivi com você durante 2 anos, mesmo que a gente nunca tenha namorado nem nada, sem duvida é porque você é realmente especial pra mim.’ Ele me encarou com aquele olhar que sempre me deixava sem reação, tão verdadeiro e tão puro. Ficamos nos encarando durante um tempo até meu celular tocar e o numero de casa aparecer no visor, pela hora provavelmente era perguntando se eu não ia almoçar em casa.
‘Hey pequeno.’ Sorri olhando pra . Desejei que ele lembrasse de tudo subitamente e falasse com também. ‘Eu vou pra casa daqui a pouco tá bom meu amor? Espera a mamãe pra almoçar com você.’ Falei sorrindo e desliguei o celular vi que também sorria.
‘Como ele é ?’ Ele sentou na cama me olhando animado e eu senti meus olhos mais uma vez se encherem de lágrimas. Ele é sem duvidas o cara que mais consegue me surpreender, seja qual for a situação.
‘Ele é lindo , parece com você.’ Senti meu rosto arder um pouco e ele abriu um sorriso imenso. ‘Você costumava dizer que ele tinha seus olhos e seu nariz e a minha boca. A exata mistura de nós dois.’ Me aproximei um pouco da cama sorrindo.
‘Então ele é realmente lindo.’ Ele estendeu a mão pra mim. Pensei alguns segundos antes de segurar a mão dele, tinha medo de sua reação, mas ele sorriu me passando confiança. ‘, eu posso não lembrar de você, mas depois de ouvir você contando nossa historia sinto como se já te conhecesse há anos. É uma sensação engraçada.’ Ele deu risada apertando minha mão. Ouvimos uma batida na porta e eu me assustei soltando a mãe dele.

‘Posso entrar?’ botou a cabeça pra dentro do quarto e nós sorrimos balançando a cabeça. ‘Então, já conversaram?’ Ela entrou no quarto sorrindo.
‘Já sim.’ Balancei a cabeça. ‘E bem, eu tenho que ir. fica um pouco inquieto quando chega da escola e eu não to em casa.’ Sorri um pouco sem graça.
‘Tudo bem minha querida.’ sorriu meigamente.
‘Quando você vem me ver de novo?’ perguntou sorrindo e eu senti meu coração dar pulinhos de alegria.
‘Em breve, .’ Sorri e acenei saindo no quarto em seguida.
Me encostei numa parece próxima a porta e fiquei sorrindo comigo mesma durante algum tempo. Uma enfermeira passou me olhando estranho e eu acordei do meu pequeno transe, e fui em direção a saída do hospital antes que ligasse de novo.



Capitulo 3

Incrível como toda vez que eu entro nesse hospital meu estomago começa a dar voltas e meu coração acelera de imediato. Agora é tão estranho caminhar por esses corredores que por tanto tempo foram minha segunda casa, cansei de dormir nesses bancos e acordar no outro dia toda dolorida. Já sei o trajeto até o quarto dele de cor, e a maioria das enfermeiras por aqui já me conhecem. Caminhei um pouco apressada e parei suspirando na porta do quarto 311, fiquei alguns instantes fitando minha própria mão encostada na maçaneta, até finalmente resolver gira-la e entrar no quarto.

!’ Fui recebida por um sorriso sincero de e senti as borboletas fazerem uma festa em minha barriga. também me olhou sorrindo e eu retribuí tímida.
‘Olá minha querida. Tudo bem?’ Ela me abraçou e eu balancei a cabeça positivamente. ‘Bom, agora quer a chegou eu vou sair porque tenho alguns problemas pra resolver.’ Ela me soltou e pegou a bolsa. ‘Algum problema pra você ?’ Eu balancei a cabeça.
‘Não, nenhum . Pode ir tranqüila.’ Sorri sincera e ela retribuiu mandando um beijo no ar pro e saindo logo em seguida. Fiquei alguns segundos fitando a porta que acabara de se fechar até sentir me encarando e me virar pra ele sentindo o rosto arder. ‘Hey!’ Me aproximei da cama sorrindo.
‘O médico falou que daqui a uns 4 dias eu posso receber alta.’ Ele falou animado sentando na cama. ‘Quero voltar logo pra casa, não agüento mais esse quarto. Quero ensaiar com os caras também, se eu ainda lembrar como toca.’ Ele olhou para as próprias mãos.
‘Claro que lembra , você sempre tocou super bem.’ Sorri acariciando o braço dele.
‘Você demorou pra vir me ver.’ Ele fez bico e eu fiquei com vontade de pular em cima dele. ‘Algum problema?’ Ele me olhou preocupado e eu neguei com cabeça.
‘Não, nenhum. Só fiquei um pouco cheia de trabalho na faculdade, e o estágio também que me cansa.’ Suspirei. Passei a semana inteira querendo ver novamente, mas cada dia chegava mais tarde em casa. E também não podia deixar o lá todos os dias. ‘Ah, lembrei de uma coisa que eu trouxe pra você!’ Falei sorrindo e pegando uma foto que eu coloquei na bolsa antes de sair de casa.
‘O !’ Ele falou animado olhando para uma foto que havia sido tirada uma semana antes do acidente. Nela estava o fazendo careta no colo de enquanto ele me abraçava pela cintura e eu ria. ‘Ele é lindo, .’ sorriu ainda mais.
‘Eu te disse.’ Falei sorrindo. Ele me olhou e depois voltou a atenção para a foto, ficou alguns instantes olhando pra ela e sorrindo. ‘Ele sente sua falta.’ Falei baixo e me olhou sério.
‘O que você diz pra ele?’ botou a foto na mesa ao lado da cama.
‘Que você tá viajando.’ Dei de ombros. ‘Antes costumava dar certo, mas agora sinto que de certa forma ele não acredita mais.’ Mordi o lábio tentando controlar algumas lágrimas que insistiam em querer cair.
‘Hey.’ me abraçou pela cintura de forma que eu sentasse na beira da cama. ‘, eu vou receber alta daqui a alguns dias, e a primeira coisa que eu vou querer fazer é conhecer o meu filho, o nosso filho.’ Ele sorriu meigamente e eu balancei a cabeça concordando. Ficamos alguns minutos abraçados em silêncio, apenas sentindo a presença um do outro. ‘Será que o sente raiva de mim por eu ter ficado esse tempo todo sem dar noticia?’ Ele me encarou com o rosto próximo ao meu.
‘Claro que não, .’ Sorri fraco. ‘Você é o pai dele e nada muda isso, ele te ama.’ Encarei os olhos dele que não se decidiam entre olhar para meus olhos ou minha boca. Ele se aproximou um pouco fazendo com que nossos narizes quase se encostassem e meu coração querer sair pela boca. Mais alguns segundos nos encarando e quando eu senti no nariz dele tocar no meu, uma batida na porta fez com que eu pulasse mais de um metro de distância dele.

‘Licença.’ Uma enfermeira entrou sorrindo no quarto e eu respirei um pouco aliviada. Talvez as coisas estivessem indo rápido demais. ‘Então , como você tá?’ Ela sorriu anotando algumas coisas em uma prancheta.
‘Tô ótimo.’ Ele riu sem graça e me olhou logo depois. Forcei um sorriso e desviei o olhar para a janela.
‘Que tal dar um passeio aqui pelos corredores?’ A enfermeira sugeriu animada. ‘Esticar um pouco as pernas, o que acha?’ Ela olhou pra e ele balançou a cabeça concordando.
‘Ela pode ir comigo?’ Ele apontou pra mim e a enfermeira sorriu concordando.
‘Vocês formam um casal lindo.’ Ela nos olhou de um jeito apaixonado e eu sorri sem graça.
‘Olha, é o nosso filho.’ sorriu como uma criança mostrando a foto que eu tinha lhe dado minutos antes.
‘Ah, vocês tem um filho?’ Ela pegou a foto e sorriu. ‘Que menino lindo!! Como ele chama?’ Ela nos olhou devolvendo a foto pra .
.’ Respondi enquanto ele botava a foto novamente na mesinha.
‘Ah que gracinha. Vocês são uma linda família.’ Ela sorriu sincera e eu retribuí. ‘Vamos ?’ Ela abriu a porta para que eu e passássemos e depois andou ao nosso lado. ‘Bom, normalmente eu acompanho o paciente, mas como você está muito bem acompanhado , vou olhar outros pacientes.’ Ela sorriu e se afastou virando em um corredor logo a frente. Um silêncio se instalou entre mim e , talvez ainda estivéssemos confusos sobre a grande aproximação que tivemos instantes atrás.

‘Odeio silêncios constrangedores.’ Ele falou de repente me fazendo rir.
‘Então, quando sair daqui você vai pra casa da sua mãe?’ O olhei séria. Eu ainda morava na casa que a gente dividia, já que tinha vendido meu antigo apartamento desde que me mudei pra casa de . Na verdade seria estranho agora, porque a gente divide o apartamento, mas a verdade é que ele é do , sempre foi.
‘Provavelmente. Minha mãe vai querer ficar o dia inteiro grudada em mim.’ Ele sorriu sem graça. Era verdade, do jeito que a é coruja, ela não ia querer se separar dele nem por um segundo. ‘Então, o já estuda?’ mudou completamente de assunto e eu sorri com o interesse dele pelo filho.
‘Uhum, entrou há pouco tempo, ainda tá se adaptando.’ Botei as mãos no bolso e continuamos andando lentamente pelo corredor quase vazio.
‘Antes ou depois do acidente?’ Ele me olhou e eu sorri fraco.
‘Um pouco antes. Fomos juntos com ele no primeiro dia de aula, aliás, na primeira semana a gente teve que ir porque ele tinha medo de ficar sozinho, depois ele fez alguns amiguinhos.’ Suspirei lembrando de alguns acontecimentos um pouco antes do acidente.
‘É estranho ouvir minha vida contada por outra pessoa.’ Ele riu baixo balançando a cabeça. ‘Se não tivesse acontecido esse acidente, como estaria nossa vida, ?’ Ele me olhou sério e eu fiquei algum tempo calada.
‘Não acho que teria mudado muita coisa.’ Dei de ombros. ‘A gente estaria no mesmo apartamento, cuidando do . Você com a banda e eu com a faculdade e o estágio. Seria uma vida normal, .’ Sorri fraco e ele retribuiu.
Seguimos pelo corredor conversando sobre nossas vidas, agora perguntava sobre mim, sobre a faculdade, o estágio. E eu estaria mentindo se dissesse que ele não parecia interessado em tudo.
‘Ah, acabou nosso passeio.’ Fiz uma voz de criança e riu entrando no quarto. ‘Daqui a pouco a deve tá chegando.’ Falei me encostando na cama e se sentou ao meu lado.
, você erm...’ Ele me olhou como se pensasse no que falar e eu levantei a sobrancelha.
‘Eu...’ Mexi a cabeça pra que ele continuasse.
‘O que você...sentia por mim?’ Ele me olhou nos olhos daquela forma que faz com que eu me sinta vulnerável, parece que ele consegue ler minha alma. Fiquei algum tempo encarando os olhos dele sem reação, meu coração batia tão acelerado que fiquei com medo dele ouvir. Sentia o olhar angustiado de sobre mim e sua respiração pesada que parecia se aproximar cada vez mais. Eu me sentia incapaz de falar qualquer coisa ou de mexer um músculo sequer.
Mais uma vez uma batida da porta fez com que eu pulasse a mais de um metro de distância de e ele suspirou passando a mão pelo cabelo.

‘Voltei!’ entrou sorridente no quarto e eu agradeci mentalmente. ‘Aconteceu alguma coisa ? Você tá pálida!’ Ela me olhou preocupada e eu forcei um sorriso.
‘Não não, tá tudo bem. Eu...preciso ir pra casa.’ Falei rápido pegando minha bolsa. Sorri para e olhei receosa pra que sorriu fraco, retribuí e saí da sala o mais rápido possível.

Fui o caminho inteiro até em casa pensando nas palavras de . Por que ele queria saber o que eu sentia por ele? Iria fazer alguma diferença afinal? Bufei pegando as chaves de casa e quando abri a porta fui recebida por um sorridente.
‘Mãããe.’ Ele veio correndo e me abraçou. Minha maior felicidade é sem duvidas chegar em casa e ser recebida com um sorriso do meu filho.
‘Own meu pequeno. Tudo bem?’ Sorri pegando-o no colo e indo sentar no sofá. Ele balançou a cabeça positivamente. ‘Daqui a alguns dias eu acho que você vai ter uma surpresa, meu amor.’ Falei lembrando das palavras de sobre querer ver logo o .
‘Papai?’ Ele sorriu como se já soubesse.
‘É surpresa danadinho.’ Mordi de leve a bochecha dele que riu alto. Sem duvidas ele sabia que era alguma coisa relacionada ao .



Capitulo 4

‘Vocês podem esperar uns minutos lá fora?’ O médico sorriu simpático e eu e saímos do quarto deixando-o sozinho com . Hoje ele enfim receberia alta e voltaria para casa, mas segundo ele, antes de tudo quer conhecer o . Nem preciso comentar que meu sorriso ao ouvir-lo dizer isso quase rasgou meu rosto né? Alguns minutos depois e o medico saíram do quarto. ‘Pronto meu rapaz, tá liberado.’ O médico deu uns tapinha nas costas dele que sorriu animado.
‘Brigada doutor, por tudo.’ apertou a mão dele e sorriu. Ele acenou pra mim e saiu logo depois nos deixando no corredor. ‘Vamos?’ pegou a mão de e ele me estendeu a outra, sorri e fui para seu lado.
‘As duas mulheres da minha vida.’ Ele sorriu enquanto caminhávamos para a saída do hospital e eu senti meu rosto arder.

‘Então, vamos pra sua casa agora, ?’ me olhou sorrindo e eu balancei a cabeça positivamente.
‘Eu vou ver meu filho!’ me olhou animado e eu sorri sincera. Fomos todo o caminho até em casa conversando sobre , parecia tão ansiosa quanto para vê-lo. Desde o acidente eles tinham se visto muito pouco.
‘Tô nervoso.’ deu um risinho tímido quando paramos na porta do apartamento.
‘Hey, vai dar tudo certo.’ Sorri e apertei sua mão. ‘Eu entro primeiro e vocês vêm logo depois ok?’ Olhei para os dois e eles sorriram concordando.

Abri a porta de casa respirando fundo e segundos depois veio correndo ao meu encontro. ‘Sua surpresa chegou, meu pequeno.’ Falei baixo e ele sorriu. ‘Fecha os olhos.’ Ele obedeceu e eu o peguei pela mão, me agachei ao seu lado e sorri pra que já tinha os olhos cheios de lágrimas. ‘Pode abrir.’ Sussurrei no ouvido dele que na mesma hora abriu os olhos e estampou um sorriso imenso.
‘Paaai!’ Ele correu para que se abaixou e o pegou no colo. Na mesma hora senti as lágrimas grossas rolarem por meu rosto, e não estava muito diferente.
‘Heey campeão, como você tá?’ Ele colocou no chão e se ajoelhou.
‘Sódadi!’ sorriu e abraçou pelo pescoço. Eu ri baixinho lembrando que ensinei a falar “saudade” um pouco depois do acidente, e desde então ele sempre fala “pai” e “sódadi”. me olhou sorrindo e eu retribuí enxugando as lagrimas. ‘Vó!’ se soltou de e abraçou .
‘Então meu amor, gostou da surpresa?’ Me aproximei e balançou a cabeça sorrindo, depois voltou a atenção para avó.
‘Ele é lindo, !’ sorriu me abraçando pela cintura e eu mexi a cabeça confirmando. ‘Ele tem meus olhos, meu nariz e a sua boca.’ Ele deu risada lembrando do que eu tinha lhe dito no hospital. ‘Brigada por ter me dado um filho assim.’ Ele sorriu e me deu um selinho. Sim, assim sem mais nem menos. Sorri sem graça sentindo meu rosto arder.
‘Metade dos créditos são seus.’ Pisquei e ele deu risada.
‘Pai.’ o puxou pela calça e nós dois nos abaixamos pra ficarmos da altura dele. ‘Páqui.’ Ele sorriu e me olhou sem entender.
‘Você costumava ir com ele pro parque que tem aqui perto.’ Expliquei e balançou a cabeça compreendendo.
‘Você quer ir pro parque, filhão?’ Ele bagunçou os cabelos de que concordou sorrindo.
, não é melhor você ir pra casa descansar?’ perguntou preocupada, mas balançou a cabeça negativamente.
‘Chega de descanso mãe, já passei tempo demais deitado em uma cama de hospital.’ Ele pegou no colo. ‘Vamos brincar no parque!’ Ele sorriu pra que bateu palmas animado.

Fizemos o caminho de volta até o carro enquanto brincava com os cabelos de e eu ria da cena. Entramos no carro e colocou o filho no colo. encostou a cabeça no ombro dele e ficou observando as casas passarem pela janela. pegou minha mão e sorriu pra mim, eu retribui e desviei o olhar para a janela enquanto ele acariciava minha mão.
‘Páqui!’ apontou pela janela minutos depois quando estacionamos. Soltamos do carro e fomos até um lugar com alguns bancos e um parque onde algumas crianças brincavam sendo observadas de perto por suas mães e babás. ‘Bincá!’ sorriu puxando a mão de e os dois foram pro parque enquanto eu e sentamos em um banco observando os dois brincarem.
‘Eu senti falta disso.’ Falei abraçando minhas pernas e sorriu pra mim. ‘Acho que muito mais pelo que por mim, não agüentava mais ter que mentir pra ele.’ Suspirei.
‘Eu sei que não deve ter sido nada fácil , e eu também não fui uma boa avó esse tempo todo, achei até que o nem saberia mais quem eu sou.’ Ela forçou um sorriso.
‘Que nada , eu compreendo. Você sofreu muito com toda essa historia de acidente, dedicou todo seu tempo ao . Hoje em dia eu compreendo perfeitamente o amor de uma mãe com um filho, o é tudo na sua vida, assim como o é na minha.’ Sorri pegando em sua mão.
‘Ah , não poderia ter arrumado uma mãe melhor pro filho dele.’ Ela riu e eu fiquei sem graça. ‘Sabe que quando ele foi desesperado me perguntar o que ele faria quando descobriu que teria um filho eu sinceramente pensei que você fosse qualquer uma que ele tinha encontrado por aí, que seria uma irresponsável, pensei até que talvez você quisesse tirar o filho, principalmente depois que ele me falou que você só tinha 16 anos. Depois eu te conheci e assim que eu te olhei sabia que você não era assim, por mais que eu ache que você e o foram irresponsáveis por não terem se cuidado direito, pelo menos ele acertou na escolha da garota.’ Ela sorriu sincera e eu retribuí.

Ficamos algum tempo ali sentadas conversando e observando e brincarem. parecia se divertir como nunca, às vezes parecia mais criança que o filho.
‘Ai, tô acabado!’ deitou no banco rindo e apoiou a cabeça em meu colo.
‘Sôveti!’ apontou uma sorveteria ali perto.
‘Vamos , a vóvó vai comprar um sorvete pra você!’ se levantou animada e pegou pela mão levando-o até a sorveteria.
‘E então?!’ Olhei pra ainda deitado em meu colo e ele sorriu.
‘Achei que ele fosse me odiar pra falar a verdade. Não sabia que levava tanto jeito com criança.’ Ele fez careta e eu dei risada.
‘Você sempre levou , era sempre você que vinha aqui o com , aliás ele sempre pedia pra você vir com ele. Acho que ele gosta mais de você do que de mim.’ Fiz bico e balançou a cabeça rindo.
‘Até parece que ele vai gostar mais do pai que o abandonou durante sei lá quanto tempo do que da mãe linda dele.’ Ele piscou e eu senti meu rosto queimar completamente. Balancei a cabeça e voltei minha atenção para as crianças que ainda brincavam no parque. ‘, você até hoje não respondeu minha pergunta.’ Ele sorriu.
‘Que pergunta?’ Me fiz de desentendida ainda sem olhá-lo. Ele sentou virando de frente pra mim e passou um braço por cima das minhas pernas apoiando-o do meu outro lado.
‘Você não sabe mentir.’ Ele sorriu vitorioso me olhando de frente. Eu bufei balançando a cabeça e olhei pro outro lado. continuou parado na mesma posição ainda esperando alguma resposta.
‘Eu sei.’ Falei quando não agüentava mais o silêncio. ‘Você sempre disse isso e eu sempre odiei!’ Dei de ombros voltando a encará-lo.
, dá pra você parar de me enrolar e responder logo?’ Ele falou num tom bravo, mas continuava sorrindo.
‘Eu não sei do que você tá falando, .’ Dei de ombros ainda fingindo não lembrar da maldita pergunta que ele me fez no hospital alguns dias atrás.
‘Tá, você quer que eu repita, certo? Então me fala, o que você sentia por mim?’ Ele repetiu a maldita pergunta, eu senti meu estomago embrulhar e suspirei.
‘Pra que você quer saber ? O que importa é o presente não o passado.’ Falei olhando minhas mãos e brincando com meus dedos.
, pra mim importa tudo. Passado, presente e futuro! Tudo isso é estranho pra mim, eu te conheço há duas semanas, mas sinto como se te conhecesse da vida inteira. Eu sinto como se conseguisse te decifrar perfeitamente, como se eu te conhecesse melhor do que ninguém entende?’ Ele me olhou sério e eu fiquei sem reação ainda absorvendo as palavras dele.
‘Eu...não sei, .’ Suspirei evitando seu olhar.
‘Dois anos de convivência e você não sabe o que sentia por mim?’ Ele levantou a sobrancelha.
‘Porra , que saco! Se eu disser que era completamente apaixonada por você vai mudar alguma coisa na sua vida, droga?’ Falei alto sem paciência e ele sorriu.
‘Muda mais do que você imagina.’ Ele falou aproximando o rosto do meu e eu senti meu coração querer sair pela boca.
Por um lado eu queria sair correndo dali e rezava pra mais uma vez alguém nos atrapalhar, tinha medo de tudo estar indo rápido demais, mas por outro eu queria aquilo mais que tudo. Eu sentia tanta falta do beijo dele, dos toques dele, dos carinhos dele. Suspirei fraco vendo que daquela vez não teria escapatória e senti o nariz dele encostar no meu. beijou o canto da minha boca e sorriu fraco passando o nariz por minha bochecha. Eu me sentia completamente entorpecida, e estava sem reação alguma. Senti a mão dele em minha cintura e segundos depois sua boca encostou na minha. As borboletas em meu estomago pareciam querer sair voando pela minha boca, minha cabeça girava com algumas lembranças do nosso passado, mas tudo que eu queria realmente estava ali. Ele passou a língua lentamente e eu abri minha boca sentindo novamente o gosto do beijo dele que eu sentia tanta falta. Levei minha mão até sua nuca e fiquei brincando com seu cabelo enquanto ele apertava minha cintura. Uma sensação boa passava por todo meu corpo, era como um formigamento gostoso que me fazia arrepiar por completo. partiu o beijo e sorriu me dando vários selinhos e depois desceu a boca até meu pescoço.
pára, a gente tá num parque com várias crianças.’ Falei rindo puxando-o levemente pelo cabelo.
‘É bom que elas já vão aprendendo.’ Ele sorriu maroto e eu balancei a cabeça dando um tapinha em seu braço. Ouvimos a voz de se aproximando e ele me deu um ultimo selinho sentando-se direito no banco.

‘Hey meu príncipe, tomou sorvete?’ Sorri botando em meu colo enquanto sentava ao meu lado. Ele balançou a cabeça sorrindo e eu beijei sua bochecha. ‘Vamos pra casa? Papai tá cansado e precisa descansar né?’ Sorri olhando pra e ele concordou.

Nos levantamos e voltamos pro carro seguindo o caminho até em casa em silêncio. Quando chegamos eu soltei com e ele olhou significativamente pra como se questionasse o porque dele não ter soltado ainda.
‘Ei campeão, o papai vai passar um tempo na casa da vovó, mas ele vem te ver sempre, tá bom?’ falou agachado na frente de que balançou a cabeça concordando, mas mesmo assim fazendo bico. ‘Tchau !’ Ele se levantou me deu um beijo na bochecha e voltou pro carro.
‘Tchau ! Tchau !’ Sorri para os dois já dentro do carro e eles saíram logo em seguida.
‘Gostou de ver o papai?’ Olhei pra e ele concordou sem dizer nada. Percebi seus olhos quase fechando e sorri. ‘Ê que sono hein meu amor? Vamos logo entrar pra você tomar um banho e dormir!’ Peguei no colo e entrei em casa sorrindo pra mim mesma.



Capitulo 5

‘Vamos, pequeno?’ Sorri pra sentado no sofá e ele balançou a cabeça concordando. O peguei pela mão e fomos até a garagem. Hoje faz um mês que saiu do hospital e resolveu fazer um almoço na casa dela para comemorar. Nesse meio tempo veio praticamente todo dia ver o , ultimamente ele anda bastante ocupado ensaiando com a banda. Ele lembra perfeitamente como toca, mas se lembra de poucas músicas, então eles ensaiam todo dia para que consiga estar preparado pra fazer os shows que eles costumavam fazer em alguns bares da cidade. Fui a alguns ensaios e a evolução dele está sendo realmente grande, não vai demorar muito para que eles façam um show. ‘Chegamos!’ Sorri pra e fui tirá-lo da cadeirinha especial no banco de trás.
‘Papai!’ Ele sorriu batendo palmas e eu senti meu coração dar pulinhos tão animados quanto as palmas dele. Depois do beijo no parque parece que as coisas entre mim e ficaram mais claras. Não estamos namorando e nem nada, mas de vez em quando a gente fica, nunca passamos dos beijos claro, cedo demais pra isso.

Atravessei o jardim com em meu colo já ouvindo a musica que vinha da parte de trás da casa.
!’ me recebeu com um sorriso enorme. Ele é sem duvida um dos melhores amigos que alguém pode ter. Foi ele quem mais deu força pra mim e pro quando resolvemos morar juntos, não que os outros não tivessem dado, e também são grandes amigos, mas sempre foi o mais próximo de mim. Eu o trato quase como um irmão. ‘, fala grandão!’ Ele fez cócegas na barriga de que riu alto. ‘Cada dia mais lindo ele, .’ sorriu pra mim.
‘Claro meu bem, já viu a mãe que ele tem?!!’ Falei convencida e ele riu.
‘Muito espertinha você!’ Ele deu língua.
‘Papaaaai!’ sorriu apontando pra que se aproximava apenas com uma bermuda e metade da boxer aparecendo, além dos cabelos molhados, um óculos escuro e um sorriso imenso no rosto.
‘Faaala filhote!’ Ele pegou no colo e o levantou sacudindo-o arrancando uma risada do filho. ‘Bom dia linda.’ Ele sorriu me dando um beijo no canto da boca.
‘Hmmm, sobrei!’ fez uma cara safada e saiu de perto rindo.
é idiota!’ Sorri sem graça. ‘Cadê a ?’ Olhei em volta, mas só vi , e sua namorada. Acenei sorrindo pra eles que retribuíram.
‘Tá lá dentro! Kate e Vicky também estão aí!’ Ele falou se referindo as primas gêmeas dele.
‘Ok, vou lá ver se elas precisam de ajuda!’ Ele concordou com a cabeça e eu sorri me afastando.

‘Bom dia!’ Entrei na cozinha sorrindo e as 3 retribuíram.
‘Bom dia, !’ Kate e Vicky falaram juntas e eu ri. Além de serem gêmeas idênticas tinham mania de falar as coisas juntas.
‘Querem ajuda?!’ Me sentei na bancada observando abrir a geladeira.
‘Não minha querida, já tá tudo pronto. Aliás o que vocês três estão fazendo aqui dentro? Lugar de jovem é lá fora, vamos, vão logo!’ falou fazendo gestos pra que a gente saísse da cozinha e nós rimos.
‘Também acho, senão quem vai ficar com aqueles gatinhos lá fora sou eu!’ Rebecca e Lauren, irmãs de entraram na cozinha rindo. ‘Tudo bem ?’ Rebecca sorriu pra mim.
‘Tudo sim Becky!’ Retribuí o sorriso e logo depois as gêmeas me puxaram pra fora de casa.

‘Tia está um estresse hoje, quer que saia tudo perfeito nesse almoço!’ Kate deu de ombros e eu concordei silenciosamente.
‘Como o consegue ficar cada dia mais gato?’ Vicky sorriu boba e a irmã bufou. Se tem uma coisa que elas são definitivamente diferentes é no gosto para homens. Kate tem um tal namorado rapper que nunca foi apresentado a família, enquanto Vicky sempre teve uma queda pelo . Eles já ficaram algumas vezes, mas nunca foi muito de namorar então ela continua escondendo sua paixão secreta por ele.
, você trouxe outra roupa pro ?!’ me perguntou dentro da piscina enquanto estava sentado na beirada. Eu balancei a cabeça concordando e sentei em uma espreguiçadeira ao lado de .
‘Vem aqui pra mamãe tirar sua roupa meu amor!’ Chamei e ele veio correndo até mim. Tirei a roupa dele deixando-o de sunga e ele voltou pra onde estava.
‘Ele já sabe nadar?’ arregalou os olhos vendo botar dentro da água.
‘Claro que não !’ Ri alto dando um tapa em sua perna e ele suspirou aliviado.
Voltei meu olhar pra piscina onde tentava fazer mergulhar. Ia abaixando um pouco até que ele gritava e o puxava mais pra fora da água.
‘Mããe!’ me chamou batendo na água e eu sorri. Ele levantou o braço fazendo sinal com a mão para que eu fosse pra água e eu suspirei. A vergonha de ficar só de biquíni falava mais alto.
‘Vai logo , que maldade com a criança!’ riu e eu dei língua.

Me levantei mentalizando que ninguém olharia pra mim e puxei rápido o vestido pra cima. Olhei pra piscina novamente e vi me olhando atônito, tive vontade de sair correndo ou de me vestir novamente, mas caminhei rápido até a piscina e entrei na água me aproximando de enquanto ainda me olhava.
‘Mãe!’ se mexeu nos braços do pai e ele pareceu acordar de um transe. O olhei sem graça e ele sorriu idiotamente. Peguei e brinquei com ele jogando água molhando seus cabelos enquanto ele ria.
‘Tem certeza que ele saiu de dentro de você?’ resolveu falar e eu o olhei sem entender. ‘Quer dizer...você tá beeem em forma pra uma mãe.’ Ele sorriu idiota de novo e eu senti meu rosto pegar fogo.
‘Cala boca, .’ Balancei a cabeça sem graça e ele riu. A verdade é que eu tive que lutar pra ter meu corpo de volta depois da gravidez, claro que a minha idade ajudou bastante, mas foram dias intermináveis na academia pra eu conseguir voltar à velha forma. ‘Hey, vamos mergulhar, príncipe?’ Falei com voz de criança e sorriu. ‘Um, dois, três...’ Puxei pra baixo por alguns segundos e ele emergiu dando risada. Lembrei que minha mãe sempre me falou que era assim que ela fazia comigo.
você tá doida?’ estava paralisado. ‘Ele podia ter engolido água, podia ter se engasgado...’
!’ O interrompi e ele me olhou sem entender. ‘Eu sei o que eu tô fazendo ok?!’ Sorri e ele balançou a cabeça ainda sem acreditar muito. ‘Vamos de novo?’ Sorri pra e ele retribuiu.

Ficamos na piscina até dizer que já ia servir o almoço, então fomos todos nos secar pra entrar em casa novamente. Entrei no banheiro com e troquei a roupa dele, trocando a minha logo depois. Botei uma bata branca comprida e um short jeans por baixo. Voltei pra sala e botei a bolsa no sofá indo me sentar ao lado de na mesa.
‘Hey garotão, tá com fome?’ botou no colo e ele sorriu concordando. Uma coisa que sempre tem é fome, puxou ao pai!

O almoço foi tranqüilo, e quando todos já tinham terminado serviu uma enorme torta de chocolate que foi a alegria de . Ele melou até o nariz enquanto comia a torta com um sorriso enorme no rosto.
‘Acho que ele dormiu!’ falou observando no meu colo, quando estávamos no sofá vendo tv. Olhei pra que tinha os olhos fechados e respirava calmamente. ‘Vem, vamos levar ele lá pro meu quarto.’ Ele se levantou e me ajudou com . Subimos e colocamos ele na cama de . ‘Será que ele acorda por agora?!’ Ele perguntou enquanto observávamos dormir.
‘Acho que não, por quê?’ O olhei sem entender.
‘Então vamos dar uma volta, aqui pelo bairro mesmo.’ Ele sorriu. ‘É tranqüilo, e tem um bosque aqui atrás. Vamos?’ Ele me olhou como se implorasse eu sorri concordando. Saímos de casa logo depois de avisar pra que iríamos sair e que estava em seu quarto dormindo.

Caminhamos em silêncio pelas ruas quase desertas exceto por algumas crianças que brincavam por ali. Passamos por um casal de velhinhos nada discretos que apontaram pra gente sorrindo e falando coisas do tipo “que casal lindo”, acenou pra eles e eu sorri sem graça.
‘O bosque!’ sorriu observando uma área com alguns bancos e várias arvores. Ele pegou em minha mão e fomos caminhando lentamente por entre as arvores. ‘Cara isso aqui é lindo. Eu sempre vinha aqui quando era criança.’ Ele sorria observando ao redor.
‘Você já tinha me falado daqui.’ Sorri e ele me olhou.
‘Sério?’ Eu concordei com a cabeça. ‘E eu nunca te trouxe aqui?!’
‘Nop!’ Ele concordou silenciosamente e continuamos andando. ‘A gente tá caminhando sem rumo?’ Perguntei olhando ao nosso redor, devíamos estar bem no meio do bosque.
‘Só mais um pouco e acho que a gente chega na hora certa.’ Ele sorriu. Caminhamos mais alguns poucos minutos e eu olhei a vista boquiaberta. ‘Hm, perfeito.’ sorriu também observando o pôr do sol logo a nossa frente.
Aquela era uma das paisagens mais perfeitas que eu já tinha visto. O céu estava alaranjado e algumas montanhas já cobriam parcialmente o sol. Fiquei algum tempo parada observando aquilo tudo, até sentir me puxar e sentar em uma arvore que tinha ali perto. Ele me puxou para sentar entre as pernas dele e me abraçou pela cintura.

‘É difícil recomeçar né?!’ Ele perguntou de repente e eu me virei um pouco pra olhá-lo.
‘É.’ Sorri fraco. ‘Mas a gente consegue.’ Falei passando a mão pela bochecha dele que fechou os olhos suspirando.
‘Eu queria lembrar de tudo.’ Ele abriu os olhos me olhando daquela forma que me faz sentir vulnerável. ‘Não queria te olhar e saber que eu te conheço de algum um lugar, mas não saber de onde. Queria lembrar de cada coisa que a gente já passou junto, queria continuar construindo nossa vida, não ter que reconstruí-la.’ Eu sorri ouvindo aquilo tudo e aproximei meu rosto do dele.
‘A gente vai reconstruir, e vai ser bem melhor do que antes. E eu vou te ajudar a lembrar porque você me conhece melhor do que qualquer outra pessoa.’ Sorri e senti ele grudar os lábios nos meus. Passei meu braço por seu pescoço e ele me puxou mais pra perto aprofundando o beijo. Dois anos beijando aquela mesma boca, e a sensação ainda era como se fosse a primeira vez, as borboletas, o nervosismo, tudo exatamente igual. Senti deslizar a mão pra minha coxa descoberta e acaricia-la, escorreguei minha mão pra dentro de sua blusa e toquei seu abdômen que se contraiu imediatamente, sorri no meio do beijo e ele fez o mesmo. Passaram-se minutos e mais minutos e nossas bocas continuavam coladas, como se fossem ímãs.

‘Ok, eu preciso respirar!’ partiu o beijo rindo ofegante. Eu gargalhei e observei a boca dele completamente vermelha imaginando que a minha devia estar do mesmo jeito. Ele encostou a cabeça na arvore fechando os olhos e eu resolvi provocar, fui beijando o pescoço dele e dando pequenas mordidas. ‘Isso, provoca que você vai ver só.’ Ele riu apertando minha cintura e eu continuei trilhando o caminho do pescoço até a orelha dele.
‘Quero ver então.’ Sussurrei beijando a orelha dele que se arrepiou e soltou um risinho safado. Nem consegui falar mais nada já que no segundo seguinte ele já tinha novamente colado a boca na minha e apertado ainda mais minha cintura como se quisesse fundir meu corpo ao dele. passou uma mão por dentro da minha blusa e acariciou minhas costas, eu puxei levemente seu cabelo fazendo-o soltar um gemido abafado. Novamente os minutos foram se passando sem que nós nos separássemos, até o celular dele vibrar no bolso da bermuda e eu me separei para que ele atendesse.
‘Ok, já vamos.’ Ele falou rápido e desligou. ‘O acordou!’ Ele sorriu e eu concordei.
‘Então é melhor a gente ir!’ Ia me levantar, mas ele me puxou de volta e eu o olhei sem entender.
‘Erm, hm...espera um pouco. Você sabe né?’ Ele encolheu as pernas e eu abri a boca ficando um pouco sem graça.
‘Ok.’ Segurei o riso e fiquei observando o pouco do sol que ainda não estava coberto pelas montanhas.
Alguns minutos depois ele falou que já podíamos ir e nós fizemos o caminho de volta pra casa de .

‘Ei, que festa hein?’ Entrei em casa sorrindo ao ver e brincando com fazendo a maior bagunça.
‘Mãããe!’ se levantou e correu até mim, eu o carreguei e beijei sua bochecha. ‘Bincá!’ Ele apontou pro chão onde e continuavam se divertindo como duas crianças.
‘Também quero brincar!’ entrou em casa logo depois de mim e sentou no chão ao lado dos meninos me fazendo rir. Botei de novo no chão e ele foi sentar no colo do pai para brincar.

Fui para o quarto das gêmeas e ficamos conversando até eu me dar conta da hora. Desci e encontrei os meninos vendo desenho animado rindo, fiquei observando deitado no sofá com deitado em cima dele, quando estavam juntos percebia-se ainda mais a semelhança entre os dois. me olhou sorrindo e fez sinal com a mão para que eu me aproximasse.
‘Hey mocinho, não tá na hora de ir pra casa não?!’ Sentei no chão de frente pra e observei quase dormindo.
‘Dorme aqui .’ sorriu e eu me assustei com a proposta dele.
‘Ná, que isso . A casa tá cheia, suas primas tão aqui, suas tias também. É melhor ir pra casa.’ Sorri fraco e percebi despertando. ‘Hey filhote, vamos pra casa?!’ Ele concordou com a cabeça e eu sorri agradecendo, se ele tivesse a mesma idéia que ia ser realmente difícil recusar. Me despedi de todo mundo na casa e peguei a bolsa enquanto me seguia com no colo.
‘Bom, então...até mais.’ Falei depois de colocar na cadeira do banco de trás.
‘Aparece quando quiser, pra...sei lá, tomar um banho de piscina e tal.’ sorriu e eu concordei balançando a cabeça. ‘Tchau.’ Ele me puxou pela cintura e me deu um beijo, ou melhor dizendo O beijo de despedida.
‘Erm...tchau!’ Falei sem graça quando nos separamos. Sorri e entrei no carro observando pelo retrovisor, aos poucos a imagem dele foi diminuindo até desaparecer por completo.



Capitulo 6

‘E então, como andam as coisas?’ me perguntou enquanto caminhávamos pelo campus da faculdade, estávamos em um tempo livre e resolvemos passear um pouco e conversarmos.
‘Tranqüilo, nada fora do normal.’ Sorri fraco e ela concordou balançando a cabeça. ‘Quer dizer, o sempre aparece lá em casa pra ver o , ou então eu passo na casa da .’ Dei de ombros.
‘Hm, só pra ver o , é?’ me olhou sorrindo desconfiada e eu ri sem graça. ‘Quero saber como andam vocês, digo, você e o .’
‘Na mesma.’ Falei baixo. ‘Não é um relacionamento, a gente apenas gosta de ficar de vez em quando. Isso tudo é muito novo pra ele , eu tenho medo que a gente apresse as coisas, é melhor deixar as coisas como estão. O que importa mesmo é o .’
‘Ah não , não começa com essa de novo de meter o entre você e o .’ Ela falou séria.
, ele é nosso filho!’ Falei sem acreditar.
, você sabe do que eu tô falando! Pelo amor de Deus, já se passaram dois anos, você vai deixar tudo voltar a ser como era?’ Ela parou na minha frente. ‘Não comete os mesmo erros de novo, não tenta começar de onde parou , recomeça.’ Ela sorriu meigamente e eu mordi o lábio sem saber o que falar.
‘Eu...vou tentar.’ Falei suspirando e sorri fraco.

A verdade é que eu e nunca fomos realmente um casal, a gente morava junto, tínhamos um filho, mas não um relacionamento propriamente dito. Querendo ou não, ainda era um garoto de 18/19 anos e queria se divertir, e quem era eu para impedi-lo? Perdi as contas de quantas vezes ele chegou bêbado em casa depois de uma noitada com os meninos da banda. A gente nunca discutiu sobre isso, talvez por isso nunca tenha mudado. Brigávamos algumas vezes quando ele passava dos limites. Lembro de uma vez que ele saiu de casa sexta de noite e só reapareceu domingo no final da tarde, acho que foi a pior briga de tivemos, passei quase duas semanas sem falar direito com ele. Claro que tínhamos nossos momentos de casal também, às vezes saíamos para jantar, ou ficávamos em casa vendo filme, como um casal de namorados normal. sempre me criticou por isso, insistia pra que eu conversasse com , contasse que eu realmente gostava dele, mas eu nunca consegui fazer isso. Nunca fui muito boa pra lidar com essas coisas do coração, sou péssima pra demonstrar meus sentimentos, mesmo que eu ame muito a pessoa.

‘E os meninos da banda?’ me acordou do meu pequeno transe e eu sorri.
‘Os meninos, ou o ?’ Cutuquei ela que ficou séria.
‘Não tô falando nele, só quero saber como andam as coisas agora com de volta.’ Ela balançou a cabeça. e já namoraram durante algum tempo a quase 2 anos atrás. Até ele fazer a burrada de trair a no dia do aniversário dela. se defende dizendo que ela tinha pedido um tempo, e diz que ele não podia ter feito isso bem no aniversário dela. Eu prefiro não me meter, sou a favor do velho ditado que diz que em briga de marido e mulher não se mete a colher.
‘Ah tudo bem, tá tendo um progresso enorme. Acredito que em pouco tempo eles voltem a velha forma.’ Sorri sincera e ela retribuiu.


‘Hey!’ Sorri pra parado na porta de casa. Ele retribuiu e me deu um beijo na testa entrando logo em seguida.
‘Iai garotão?’ Ele carregou que tinha corrido até ele. Reparei que ele estava arrumado, vestia uma calça jeans escura com uma camisa amarela e um casaco escuro com zíper aberto.
Resolvi não perguntar nada, se ele quisesse dizer alguma coisa, diria por si mesmo.
‘Tudo bem?’ Sorri sem graça vendo-o sentar no sofá com o filho no colo.
‘Tranqüilo.’ Ele me olhou por alguns segundos e depois voltou a atenção pra . Fiquei um tempo parada observando os dois brincarem, até acordar do transe e ir até a cozinha.
‘Quer uma água? Café? Cerveja?’ Ofereci e ele negou movimentando a cabeça.
‘Então, acho que mês que vem vamos tocar em um bar aqui perto.’ Ele sorriu pra mim.
‘Sério? , que ótimo! Achei que fosse demorar mais um pouco.’ Falei sentando no sofá um pouco afastada dos dois.
‘Eu também! Mas parece que os ensaios estão realmente dando resultado, então nos falou que um amigo dele trabalha nesse bar e está procurando alguma banda para tocar no mês que vem. Se tudo der certo, seremos nós!’ Ele sorriu ainda mais e eu fiz o mesmo.
‘Eu fico muito feliz de ouvir isso , muito mesmo.’ Sorri sincera.
ficou lá brincando com durante quase uma hora e nós mal conversamos. Senti que alguma coisa o agoniava. Eu prestava atenção na televisão, mas vez ou outra sentia o olhar dele em cima de mim, como se quisesse falar alguma coisa.

‘Eu...preciso ir.’ Ele se levantou sorrindo sem graça. Ele se despediu de e eu o acompanhei até a porta.
.’ O chamei enquanto ele esperava o elevador e ele me olhou. ‘Tá tudo bem?’ Franzi a testa e mordi o lábio.
‘Hm...acho que sim.’ Ele tentou fazer uma cara engraçada, mas só conseguiu dar um risinho sem graça. Eu fiz o mesmo e pedi licença fechando a porta em seguida.
Uns trinta segundos depois a campainha tocou, eu estranhei e fui atender encontrando parado lá novamente.
‘Na verdade não.’ Ele riu passando a mão pelo cabelo. ‘Olha , eu...na verdade eu não sei.’ Ele suspirou e eu sorri com o nervosismo dele.
, vai em frente.’ Falei tentando encoraja-lo, mas na verdade talvez eu soubesse exatamente o que ele queria me dizer e o porque de estar tão nervoso.
‘Eu vou sair com os caras. Nós vamos a um bar, o vai encontrar uma nova garota e...’
.’ Eu o interrompi. ‘Não precisa, você não me deve satisfação.’ Balancei a cabeça e ele suspirou.
‘Tá. É só que...’ Ele me olhou como se pensasse no que falar. ‘Nada. Se cuida.’ Ele sorriu e eu acenei fechando a porta.
Segundos depois senti as lágrimas já começando a cair sem controle, sentei ali mesmo encostada na porta e abracei meus joelhos. Tudo ia voltar a ser exatamente como era, tinha razão, sempre teve. Eu sou uma idiota por nem ao menos conseguir dizer pra um cara com quem eu convivo há dois anos que eu o amo. Senti me abraçar e o olhei sorrindo, ele passou as mãozinhas pelo meu rosto secando minhas lágrimas e eu o abracei apertado.
‘Vamos dormir meu príncipe.’ Me levantei carregando-o e fui até meu quarto. Ajeitei em minha cama e fui ao banheiro trocar de roupa. Voltei minutos depois e encontrei já dormindo tranquilamente, deitei ao lado dele com cuidado e fiquei o observando. Cada dia ele se parecia mais com e menos comigo, sorri fechando os olhos e adormeci logo em seguida.



Capitulo 7

Acordei com puxando meu braço e segundos depois ouvi o barulho da campainha. Sentei na cama ainda um pouco zonza e dei um beijo em correndo pra porta em seguida.
‘Bom dia!’ Abri a porta e dei de cara com uma sorridente.
‘Bom dia...acho!’ Falei em duvida e abri espaço pra ela entrar.
, não acredito que você tava dormindo! São quase duas da tarde!’ Ela me olhou sem acreditar e eu abanei o ar.
‘Hoje é domingo, tá legal? Eu ando cansada com o estágio e a faculdade.’ Dei de ombros.
‘Ok ok, não importa!’ Ela me puxou pro sofá. ‘Tava entediada em casa e resolvi passar no mercado e vir pra cá! Comprei chocolate, chocolate, chocolate, e erm...mais alguns chocolates!’ Ela falou sorridente tirando barras de todos os tipos da sacola. ‘Também peguei alguns filmes, vejamos...Um Amor pra Recordar, Elizabethtown, Dez Coisas Que Eu Odeio Em Você e A Casa do Lago.’ Ela empilhou os dvd’s na mesinha de centro.
‘Nossa, preparativos pra uma fossa?’ Ri.
‘Ah, que seja.’ Ela deu de ombros. ‘Hey , vem aqui!’ Ela sorriu quando entrou na sala. ‘Você gosta de chocolate?’ Ela pegou uma barra e ele sorriu concordando.
, pára de ensinar maus hábitos alimentares pro meu filho!’ Falei rindo. ‘Vou tomar um banho e venho.’ Ela concordou e ficou brincando com enquanto eu corri pra tomar um banho.

Quinze minutos depois voltei pra sala encontrando sorrindo todo sujo de chocolate.
, não acredito que você fez isso!’ Falei rindo.
‘Ah, qual é, ! Deixa o garoto aproveitar as coisas boas da vida!’ Ela deu língua e eu balancei a cabeça pegando no colo. Fui até a cozinha e limpei a boca dele.
‘Então, vamos começar nossa sessão?’ me perguntou quando eu voltei pra sala.
‘Yep! Vou fechar as cortinas!’ Falei botando no sofá. Quando fechei a cortina parecia que já era de noite já que o dia estava nublado. ‘Vamos ver Elizabethtown primeiro? Tem tempo que eu não vejo.’ Pedi sorrindo e concordou. ‘Me dá que eu boto.’ Falei pegando dvd e indo até a estante onde fica o aparelho.
, você vai no show dos meninos né?’ Ela me perguntou em dúvida. Uma semana atrás me falou que eles tinham conseguido confirmar o show, que agora seria em dez dias.
‘Claro que vou, e você também!’ Sorri. Ela abriu a boca pra falar alguma coisa, mas fechou logo em seguida balançando a cabeça.


Quase duas horas depois já tinham papeis de chocolate por todos os cantos, eu e estávamos deitadas no sofá e estava no quarto dormindo. Um Amor pra Recordar estava começando e nós levamos um susto quando a campainha tocou.
‘Tá esperando alguém?’ me olhou em duvida e eu dei pause no filme.
‘Nop!’ Me levantei e fui atender a porta.
‘Hey!’ Me assustei vendo e parados na minha porta. Fiquei algum tempo encarando os dois sem saber o que falar.
‘Erm... oi.’ Forcei um sorriso e os olhei com cara de interrogação.
‘Então, a gente tava meio sem nada pra fazer, e sei lá, resolvemos aparecer pra ver o , levar ele no shopping, sei lá.’ deu de ombros sorrindo.
‘Quem tá aí, ?’ chegou perto de mim e congelou quando viu .
‘Hey!’ Os dois disseram juntos e eu percebi um pequeno sorriso no rosto de .
‘Então, erm...’ Olhei pra em duvida, mas ela realmente parecia congelada com a visão de parado ali na porta. ‘O tá dormindo. A gente tá vendo alguns filmes e ele acabou pegando no sono.’ Sorri sem graça.
‘Ah, bom então deixa. Não quero acordá-lo.’ balançou a cabeça. ‘Bom, a gente vai indo, né, ?’ Ele olhou pro amigo ao seu lado que parecia em uma espécie de transe olhando pra . Eu ri baixinho e me olhou sorrindo.
‘Vocês não querem erm...entrar?’ Sorri e pareceu descongelar de imediato e me olhou de olhos arregalados.
‘Ah não, a gente não quer incomodar.’ abanou o ar e concordou também saindo do transe.
‘Hm, tem certeza? Não é incomodo nenhum!’ Dei de ombros e levei um beliscão de . e se entreolharam como se conseguissem se comunicar sem palavras e sorriram.
‘Bom, se não for incomodo...’ sorriu e eu balancei a cabeça abrindo espaço pra eles entrarem em casa.
‘Nossa, tavam descontando as frustrações no chocolate?’ riu olhando a mesinha de centro com vários chocolates. Eu e rimos.
‘Cara vocês tavam em uma sessão fossa ou o quê?’ riu observando os dvd’s.
‘É, talvez.’ Dei de ombros sentando no sofá um pouco afastada dos dois e sentou na poltrona.
‘Tem pipoca?’ sorriu.
‘Yep, na cozinha.’ Falei me acomodando no sofá e ele levantou a sobrancelha. ‘A casa é sua meu bem, se vira, vai lá fazer.’ Dei de ombros e ele deu língua indo pra cozinha. Ficamos em silêncio na sala e eu sentia a tensão entre e , preferi não falar nada. Minutos depois voltou com dois baldes enormes de pipoca, deu um pra e sentou mais perto de mim com o outro deixando a entender que era pra e dividirem.
‘Vou começar!’ Falei antes de apertar o play.


"I might kiss you."
"I might be bad at it."
"That’s not possible."

‘Eu podia ter a mesma idéia que o Landon.’ Ouvi falar baixo em meu ouvido e me arrepiei. Estava tão concentrada no filme que não percebi ele se aproximando, e agora ele já tinha uma mão na minha cintura e estava com o queixo apoiado em meu ombro.
‘Você podia ser mais criativo, .’ Ri baixo balançando a cabeça.
‘Eu posso ser.’ Ele beijou meu pescoço e eu suspirei tentando voltar minha atenção pro filme. Senti ele me puxar mais pra perto ainda beijando meu pescoço e fechei os olhos tentando me controlar, ele foi subindo os beijos e depois mordeu de leve minha orelha.
, eu quero ver o filme.’ Falei com a voz falha.
‘Aposto que você já viu.’ Ele riu.
‘Já, mas eu quero ver de novo, posso?’
‘Não!’ Num movimento rápido ele puxou minhas pernas me fazendo ficar de frente pra ele e me beijou com uma certa urgência, eu correspondi da mesma forma. Quase um mês sem ficar com e eu ainda não tinha me dado conta de como sentia falta disso. Passei meus braços em volta do pescoço dele enquanto apertava minha cintura, senti ele passar uma mão por dentro da minha blusa e contraí o abdômen. Mordi com seu lábio fazendo-o soltar um gemido abafado, a essa altura parece que já tínhamos esquecido que ainda tinham mais duas pessoas na sala e que estava em casa. A mão de subiu minhas costas em direção ao meu sutiã e eu puxei o cabelo dele partindo o beijo, ele fez uma cara um tanto quanto desesperada e eu ri baixo.
‘Eu ainda quero ver o filme!’ Sorri e me virei de novo pra tv. suspirou alto e se levantou logo depois falando alguma coisa como “banheiro”.

Alguns minutos depois ele voltou sentando do meu lado.
‘E não pense que isso vai terminar aqui!’ Ele falou em meu ouvido e eu ri baixo dando de ombros.
Consegui ver o resto do filme sem mais nenhuma interrupção da parte de . Já reclamava o tempo todo que a poltrona é desconfortável. O filme terminou e ela se levantou rapidamente.
‘O que vai ser agora?’ Ela mostrou os dois dvd’s que faltavam.
‘Ai calma, ! Preciso esticar minhas pernas.’ Falei me levantando. ‘Vou lá ver o .’ Sorri saindo da sala. Quando estava no corredor senti meu braço sendo puxado e só pude ver me prensando contra parede e me beijando novamente. Dei alguns tapas no braço dele até que finalmente consegui empurrá-lo um pouco.
, pelo amor de Deus, o tá aqui!’ Falei num tom desesperado e ele riu. ‘E sem essa de que ele tem que aprender cedo, !’ O olhei séria e ele suspirou.
‘Ok, ok. Vamos ver o !’ Ele desgrudou o corpo do meu e pegou minha mão até o quarto de . Entramos fazendo o mínimo barulho possível e vimos dormindo tranqüilo. ‘Cara ele tá crescendo.’ sorriu bobo.
‘Ele fica cada dia mais parecido com você.’ Eu ri sem olhá-lo. ‘Vai, vamos voltar antes que a e o se matem, ou melhor, que a mate o .’ me olhou como se não entendesse. ‘Ah não, o nunca te contou o que rolou entre ele a ?’ Ele negou. ‘Então depois pergunta pra ele, vamos!’ O empurrei pra fora do quarto.

Quando estávamos chegando à sala ouvimos os dois conversando e eu peguei na mão de para impedi-lo de entrar na sala e interromper a conversa.
‘Shh!’ Fiz sinal pra não falar nada quando ele abriu a boca. ‘Não vou interromper a conversa dos dois, deixa que eles se entendam.’ Falei baixo.
‘E a gente vai ficar aqui? Parados no corredor esperando?’ Ele levantou a sobrancelha e eu dei de ombros. ‘Tenho uma idéia melhor.’ Ele sorriu malicioso e me puxou pra dentro do meu quarto fechando a porta em seguida.
você não desiste?’ Perguntei rindo e o vi balançar a cabeça e me puxar pela cintura me beijando em seguida.

O beijo foi ganhando cada vez mais intensidade e eu senti me empurrar em direção a cama, ele me deitou delicadamente sem parar de me beijar e depois passou a mão por dentro de minha blusa. Meu cérebro processava tudo rapidamente e eu sabia que ainda era cedo demais pra aquilo acontecer, mas de alguma forma meu corpo parecia reagir de forma contraria e eu correspondia a cada toque e cada beijo de . Ele desceu os beijos pra meu pescoço e eu suspirei tendo certeza de que uma marca feia seria deixada ali, a mão dele também desceu até minha coxa e ao invés de eu interromper logo aquilo a única coisa que eu consegui fazer foi puxar o cabelo de fazendo com que nossas bocas se encontrassem novamente.
Ele foi subindo minha blusa lentamente e quebrou o beijo pra conseguir tirá-la por completo, antes de voltar a me beijar tirou a dele também e sorriu, nossa respiração já estava pesada e o quarto abafado. As mãos de caminhavam por meu corpo livremente, ele mordeu meu lábio inferior me fazendo soltar um gemido realmente alto e novamente desceu os beijos pra meu pescoço. Eu fechei os olhos como se fosse me ajudar a passar as ações certas pra meu cérebro, eu precisava parar, mas não conseguia de jeito nenhum. Suspirei sentindo uma lagrima escorrer por meu rosto, mas não viu.

O barulho de uma porta batendo finalmente me despertou daquilo tudo.
‘Merda!’ Falei baixo e empurrei que caiu ao meu lado na cama se encolhendo. Peguei minha blusa e vesti rapidamente, passei a mão pelo cabelo enquanto tentava regular novamente minha respiração. Quando cheguei à sala encontrei sentado no sofá com a cabeça baixa.
‘Ela nunca vai me perdoar, não é?’ Ele perguntou baixo ainda sem me olhar.
...não é isso. Ela gosta de você, eu sei que gosta, mas é difícil. Tenta ver o lado dela.’ Cheguei perto dele e me agachei. ‘Vai com calma, a sofreu muito com tudo isso.’ Sorri sincera e ele me olhou sorrindo fraco.
‘É melhor eu ir, avisa pro tá?’ Eu concordei e ele me deu um beijo na bochecha saindo em seguida.
Sentei no chão encolhida e cobri meu rosto com minhas mãos, segundos depois não consegui mais controlar e comecei a chorar ali mesmo. Sentia as lágrimas grossas caindo sem controle sobre meu rosto enquanto eu continuava sentada e encolhida ali pensando na besteira que quase tinha feito minutos antes.

?’ apareceu na sala e eu continuei ali sentada chorando baixo. ‘O que aconteceu?’ Ele se agachou ao meu lado tocando em meu ombro e eu balancei a cabeça sem olhá-lo. ‘, você tá chorando?’ Ele virou meu rosto antes que conseguisse impedir e viu meus olhos completamente vermelhos e cheios de lágrimas.
, vai embora, por favor.’ Falei baixo tirando meu rosto de sua mão e abraçando meus joelhos.
o que aconteceu, me fala!’ Ele tentou me abraçar, mas eu o empurrei levemente.
‘Por favor, , apenas vá embora.’ Repeti baixo escondendo meu rosto em minhas mãos.
Ele suspirou e me deu um beijo na cabeça, logo depois ouvi a porta bater e me deitei no chão da sala chorando realmente alto, pra meu alivio não acordou para me ver ali naquele estado. Nem sei por quanto tempo eu fiquei ali chorando e me amaldiçoando de todas as formas por ser tão fraca. Porque sempre conseguia invadir meus espaços sem minha permissão, e porque eu nunca era capaz de parar tudo aquilo? Era como se ele fosse uma força muito além de mim e eu simplesmente não conseguisse controlar. Me levantei sentindo a cabeça pesada e demorei alguns instantes até conseguir me equilibrar e fazer tudo parar de girar. Fui até o banheiro e me enfiei embaixo da água fria rezando pra que todos os meus pensamentos descessem pelo ralo junto com água. Saí do banho e vesti uma camisola confortável, quando voltei pra sala encontrei no sofá. Sorri sentando do lado dele e ficamos lá vendo desenho animado e rindo de qualquer besteira.



Capitulo 8

O dia do primeiro show dos meninos era coincidentemente o mesmo dia em que completavam dois meses desde que tinha saído do hospital. Cheguei cedo no bar acompanhada de , tinha deixado com a babá, afinal o show era um pouco tarde e eu sabia que ele ia acabar dormindo se o trouxesse.
!’ me chamou quando estávamos entrando.
‘Hey, !’ Sorri e acenou ao meu lado.
‘Que bom que vocês vieram!!’ Ele sorriu. ‘A gente tá sentado numa mesa ali perto do palco, os meninos estão lá no camarim, mas eu fiquei fazendo companhia a Ashley.’ falou apontando para a namorada que agora estava sozinha na mesa. ‘Tem lugares pra vocês lá!’ Ele nos acompanhou até a mesa.
‘Hey, Ash!’ Sorri e ela se levantou me abraçando e abraçando a em seguida. Elas se viam muito raramente. Apesar do namoro do e da Ashley já ter quase 1 ano, depois do acontecimento no aniversário da , ela raramente saía pra algum lugar onde estivesse.
‘Bom, vou lá pro camarim!’ deu um selinho em Ash e sorriu entrando logo depois em uma porta na parte lateral do pequeno palco.
‘Ai, tô ansiosa.’ Falei baixo e ri.
‘Pra falar a verdade eu também tô!’ Ash sorriu e pegou minha mão. ‘Mas vai dar tudo certo, o tem ido super bem nos ensaios, tenho certeza de que ele tá preparado!’ Eu sorri nervosa e ela apertou minha mão.
Quase uma hora depois o local já estava cheio. Os meninos não tinham mais aparecido na mesa e eu, e Ashley ficamos conversando e bebendo algumas coisas.

‘Ai eu soube que nessa banda só tem gatinhos.’ Duas loiras aparentando menos de 18 anos passaram pela mesa cochichando e rindo. Nós rimos balançando a cabeça e logo depois um senhor subiu no palco.
‘Boa noite!’ Ele cumprimentou e sorriu. ‘Fico feliz em ver a casa cheia hoje à noite. A banda que veremos a seguir é de um grande amigo meu e garanto que vale muito a pena. Com vocês...McFLY!’ Ele saiu do palco e as cortinas abriram revelando quatro garotos sorridentes. Eles cumprimentaram o publico agradecendo a presença de todos e em seguida começaram a tocar.

À medida que eles tocavam o publico parecia cada vez mais animado. estava ótimo no palco, sorridente e confiante exatamente como antes do acidente. Quando nossos olhares se encontraram ele sorriu pra mim e eu retribuí um pouco sem graça. As duas loiras que tinham passado pela nossa mesa estavam bem na frente do palco com mais duas amigas, todas cochichando entre risinhos. Os meninos deviam estar amando aquele assédio todo, se agora já tem isso, imagina quando eles ficarem realmente famosos.
Sorri imaginando sendo perseguido nas ruas e a gente tendo que mudar o numero do telefone porque as fãs sempre descobriam. Fiquei algum tempo perdida nesses pensamentos até me dar conta que eu estava criando um futuro que nem é tão provável assim, claro que era o que eu mais queria; eu, e juntos como uma família de verdade, mas o futuro é realmente incerto.


Os meninos tocaram sete musicas e foram muito aplaudidos. Eles saíram do palco e a principio sumiram da nossa vista, logo depois apareceu suado e sorrindo muito. Ash pulou em cima dele distribuindo beijos por todo seu rosto e ele riu.
‘Iai, gostaram?’ Ele olhou pra Ashley e depois pra mim e .
‘Foi perfeito, amor!’ Ela o abraçou.
‘Foi mesmo , vocês foram ótimos!’ sorriu e eu concordei.
‘Ufa, acho que não fomos tão mal, né?’ Ele sorriu sentando ao lado de Ash.
‘E os meninos?’ Ela perguntou como se lesse os meus pensamentos e acho que os de também.
tá vindo ali.’ Ele apontou para um garoto sorridente que passava cumprimentando todo mundo. ‘E o e o eu não sei, devem estar com umas meninas que estavam nos esperando do lado de fora do camarim.’ Ash deu um tapa discreto em como se o repreendesse por dizer isso e ele riu sem graça. ‘Quer dizer, talvez não né? Não sei.’ Ele tentou se consertar e eu ri sem graça.
‘Arrasamos dude!’ fez um high five com quando esse sentou na mesa.
‘Sério?’ Ele olhou de mim pra .
‘Vocês foram ótimos, !’ Sorri sincera.

Ficamos conversando na mesa durante quase uma hora, e ainda nenhum sinal de ou . Pensei ter o visto algumas vezes, mas acho que foi só coisa da minha cabeça, a essa hora ele já devia estar em algum motel barato da cidade com alguma vadia loira.
‘Hey!’ Uma voz conhecida me despertou do meu transe e eu sorri quando vi parado na minha frente. Ele sentou do lado de e os dois começaram uma conversa animada. As coisas entre a gente ainda estavam um pouco estremecidas, desde o dia em que ele me viu chorando lá em casa logo depois de a gente ter quase... passado dos limites. A gente ainda não tinha ficado de novo, e ele evitava ficar lá em casa, sempre que ia visitar o levava pra algum outro lugar. Parece que ele entendeu que eu não queria tocar mais naquele assunto, então ele não perguntou por que eu estava chorando naquele dia.
, será que a gente pode conversar?’ a olhou apreensivo. Ela ficou algum tempo o encarando, até que eu a cutuquei por debaixo da mesa e ela sorriu fraco confirmando.
‘Boa sorte!’ Falei baixo rindo e ela balançou a cabeça se levantando.

A mesa ficou em silêncio por alguns minutos, exceto por e Ash que soltavam risinhos e se beijavam, eu olhava pra todos os cantos do bar evitando encontrar os olhos de . Me distraí observando um casal que dançava engraçado ali por perto e só fui perceber ao meu lado quando seu braço tocou no meu.
‘Gostou do show?’ Ele sorriu e inexplicavelmente eu não consigo não sorrir junto com ele.
‘Foi ótimo, você foi muito bem.’ Desviei o olhar dele e mexi as mãos nervosa com aquela nossa primeira conversa “amigável” depois do incidente lá em casa. ‘O ficou em casa dormindo?’ Percebi que ele também mexia as pernas nervosamente.
‘Ficou, achei melhor não trazê-lo. Muito barulho, e ele tá acostumado a dormir cedo.’ Dei de ombros e ele balançou a cabeça concordando. ‘Mas ele tava doido pra vim te ver tocar.’ Sorri olhando pra ele que sorriu de volta.
, posso falar com você?!’ Uma loira sorriu pra ele como se eu nem existisse. Olhei pro rosto dela e percebi que era uma daquelas garotas que estavam em frente ao palco durante o show.
‘Claro, Gabby.’ Ele sorriu amigável pra ela. Hm...Gabby? Já tem essa intimidade toda? A olhei forçando um sorriso e ela deu aceninho no mínimo cínico. Vadia. ‘Já volto, !’ sorriu pra mim e me deu um beijo na cabeça, pelo menos isso.
Acompanhei os dois com o olhar até que eles sumissem na multidão. Bufei apoiando o queixo na mão e fiquei lá apenas observando a movimentação. Me lembrei de e e fiquei imaginando se os dois já estavam se matando ou se pegando, sorri sozinha rezando pela segunda opção. Minutos depois voltou com o cabelo um pouco bagunçado, fingi que não percebi e sorri quando ele voltou a sentar do meu lado. Eu realmente precisava sair dali, aquilo estava me magoando.

‘Eu acho que eu já vou.’ Falei já me levantando.
‘Eu te levo.’ Ele também se levantou sorrindo. Como ele consegue ficar com uma menina e logo depois se oferecer pra me acompanhar até em casa?
‘Não precisa , minha casa é aqui perto, eu vou andando.’ Abanei o ar.
‘Por isso mesmo, você acha que eu vou te deixar ir andando a essa hora? E também eu me ofereci pra te levar a pé mesmo, tô sem carro.’ Ele riu e eu balancei a cabeça. ‘Vamos?’ Ele fez um gesto para que eu fosse na frente e eu concordei silenciosamente. Caminhamos durante algum tempo em silêncio, eu sentia o ar gélido bater em meu rosto e passei a mão pelos braços sentindo frio. ‘Melhor a gente se apressar, senão vamos acabar congelados no meio da rua.’ Ele riu pegando na minha mão e andando mais rápido. A mão dele estava quente e eu me senti bem com seu toque.

‘Então, se divertiu hoje?’ Me pronunciei depois de mais alguns minutos. Ele levantou a sobrancelha pra mim como se não tivesse entendido. ‘Ah, vai dizer que não gostou de ver várias menininhas babando por vocês no palco.’ Ri.
‘Ah!’ Ele deu de ombros. ‘É legal, eu acho.’ Ele passou a mão livre pelo cabelo bagunçando-o ainda mais. Me perdi durante alguns segundos admirando seu perfil. é um cara realmente bonito, mas não é aquele tipo de beleza que enjoa, é uma beleza natural, como se todo o rosto dele tivesse sido cuidadosamente desenhado. Ele é definitivamente o tipo de garoto que qualquer garota poderia se apaixonar, não importa se ela tiver algum tipo preferido.
‘Que foi?’ Ele me olhou com um pequeno sorriso no canto da boca.
‘Ahn?’ Acordei do transe e ele riu baixo. ‘Desculpa.’ Botei o cabelo atrás da orelha querendo me enterrar em algum buraco.
‘Chegamos.’ Ele sorriu apontando a entrada do prédio. ‘Tá entregue, madame.’ Ele fez uma reverência e só então eu reparei que ainda estávamos de mãos dadas.
‘Brigada, .’ Sorri. ‘Quer subir? Tomar uma água, ou um chocolate quente.’ Ele balançou a cabeça.
‘Não brigada, ainda tenho que voltar pro bar. Provavelmente hoje eu vou ter que voltar dirigindo, duvido que aqueles três ainda estejam sóbrios.’ Ele riu.
‘Ai cara! Esqueci da e do .’ Bati na minha testa.
‘Bom, pelo que o me contou da historia deles, ou estão se matando, ou se agarrando.’ Eu ri percebendo que ele pensou a mesma coisa que eu. ‘Espero que seja a segunda opção.’ Ele sorriu e eu o olhei achando que ele era uma espécie de telepático. Ficamos nos olhando uns segundos até eu balançar a cabeça como se despertasse.

‘Melhor eu entrar, cuidado , andar sozinho a essa hora é perigoso. Não é melhor chamar um táxi?’ Mordi o lábio olhando as ruas quase desertas.
‘Não precisa , sério. Amanhã te ligo pra dizer que ainda to vivo.’ Ele riu e eu dei língua. ‘Tchau pequena.’ Ele me deu um beijo na cabeça e eu sorri lembrando que ele costumava me chamar de pequena.
‘Tchau.’ Soltei nossas mãos e entrei pelo portão fechando-o em seguida.
!’ me chamou e eu olhei pra trás ainda segurando a grade de portão. ‘A Gabby...ela é ficante do .’ Ele sorriu fraco e virou refazendo o caminho que tínhamos feito minutos atrás. Continuei parada segurando o portão e observando-o se afastar chutando pedrinhas. Sorri comigo mesma e resolvi entrar antes que congelasse.



Capitulo 9

‘Há, vingança é um prato que se come cru meu bem!’ Sorri vitoriosa quando abriu a porta da casa dela com a cara amassada e os cabelos bagunçados. ‘Naquele dia você me acordou, hoje é a minha vez!’ Fiz um joinha e ela mandou dedo.
‘Aproveita aí a casa, vou voltar a dormir e depois venho.’ Ela acenou entrando no quarto e eu fui atrás.
‘Nãnãnão mocinha! Nem pense nisso.’ Falei me jogando na cama de casal que ela estava deitada. ‘Quero saber tudo, nos mínimos detalhes!’ Sorri ansiosa e ela levantou a sobrancelha.
‘Não entendi essa animação.’ Ela deu de ombros enfiando o rosto no travesseiro.
‘Não se faça de desentendida , quero saber sobre ontem, você e o !’ Sorri.
‘Ah , eu to com dor de cabeça. E além do mais, como você sabe se eu não matei o ?’ Ela sorriu e piscou.
‘Ah, ontem quando eu tava saindo eu vi vocês dois quase se engolindo.’ Joguei verde, sabia que a ia acreditar.
‘Você viu?!?!?!?!’ Ela me olhou desesperada e eu ri alto.
‘Não, não vi, idiota! Mas agora já sei que é verdade. Vai me conta!!’ Sentei na cama batendo palminhas parecendo o quando fica animado.
‘Cara porque eu ainda caio nessas suas brincadeiras?’ Ela bufou sentando de frente pra mim com as pernas cruzadas. ‘Bom, você quer que conte tudo mesmo?’ Ela fez uma cara derrotada.
‘Claro, nos mínimos detalhes! Quer dizer...não precisa exagerar né?’ Falei imaginando que a ia querer contar coisas erm...não muito agradáveis de se imaginar.
‘Hm...ok. Ele me chamou àquela hora lá na mesa, você viu.’ Balancei a cabeça concordando. ‘Fomos pra um canto mais reservado do bar, e ele começou a pedir desculpas pelo que aconteceu na sua casa e essas coisas.’ Ela suspirou e ficou um tempo olhando pro nada.
‘E daí...’ Fiz um gesto ansioso pra que ela continuasse.
‘Daí, daí, daí que eu beijei o , oras!’ Ela falou rápido e escondeu o rosto com um travesseiro.
‘Você o quêê?!?!’ Comecei a tossir e rir ao mesmo tempo e deu alguns tapinhas nas minhas costas e riu do meu rosto completamente vermelho. ‘, você e o ! Vocês se entenderam!!’ Pulei em cima dela gritando e rindo.
‘Menos , bem menos!’ Ela falou rindo e me empurrando. ‘Só porque a gente se beijou não significa que a gente tenha se acertado, oras!’ Ela deu de ombros.
‘Mas vocês não se beijaram, foi você quem beijou, sua safada!’ Dei risada e ela mandou o dedo do meio. ‘Mas iai? Qual a reação dele?’ Sentei novamente na cama.
‘Ah, ele correspondeu ué, até parece que você não conhece o !’ Ela riu sem graça. ‘Não sei como vai ser daqui pra frente , mas a gente resolveu ir devagar.’ Ela suspirou e eu a abracei sorrindo.
‘Tenho certeza que vai dar tudo certo dessa vez.’ Sorri sincera. Meu celular começou a tocar e eu corri até a bolsa, me assustei quando li o nome de na tela. ‘É o !’ Olhei pra que sorriu fazendo gestos exagerados pra que eu atendesse logo.
‘Vai, idiota!’ Ela gritou e eu ri.

‘Hey!’ Sorri comigo mesma.
Liguei pra avisar que cheguei vivo, tá vendo? Nem precisei gastar dinheiro com táxi.’ riu.
‘Ah, bom saber que meu filho ainda tem um pai.’ Falei a primeira coisa estúpida que me veio na cabeça e bati na minha própria testa. ‘E os meninos estão bem?’
Tudo certo, estamos todos vivos.’
‘Ahn, ok!’ Sorri e ficamos um tempo em silêncio apenas escutando as respirações.
, você quer, sei lá...jantar hoje a noite comigo?’ Ele perguntou um pouco inseguro e eu mordi o lábio olhando pra .
‘Erm...claro , eu adoraria.’ Falei sem muita convicção e sorriu mesmo sem nem saber do que estávamos falando.
Então, posso te pegar as oito?
‘Tudo bem.’ Sorri.
Hm...até mais!’ Ele desligou depois que eu mandei beijos e a começou a dar pulinhos histéricos me fazendo rir.
‘Conta, conta, conta!’ Ela me puxou pra sentar novamente na cama.
‘Ele me chamou pra jantar.’ Falei indiferente e o sorriso dela aumentou ainda mais.
‘Você não me engana mocinha, eu sei que você está nervosa e doida pra dar uns pegas no de novo.’ Ela riu safada.
!’ Dei um tapa no braço dela, mas não agüentei e ri também.
‘Vem, vamos ao shopping comprar uma roupa pra você ir!’ Ela se levantou animada.
, eu tenho roupa pra ir.’ Dei de ombros.
‘Tem nada, ! Vamos sair e comprar uma nova, não discuta comigo!’ Ela botou o dedo na minha cara. ‘Vou tomar um banho e me arrumar rápido!’ Ela entrou no banheiro e eu suspirei derrotada.


O celular começou a tocar em cima da cama enquanto eu dava o ultimo retoque na maquiagem que estava bem simples, apenas uma sombra clara, lápis e um gloss. Não gosto muito de ficar me entupindo de maquiagem. Peguei o celular, mas antes que eu pudesse atender ele já tinha parado de tocar, vi o nome de na tela e deduzi que ele já estava chegando. Peguei minha bolsa e dei a ultima olhada no espelho, até que eu estava me sentindo muito bem com aquele vestido novo que tinha escolhido. Preto e tomara que caia, nem muito curto e nem muito longo, na medida certa. Sorri comigo mesma e saí do quarto.
‘Hey filhote, se comporta tá?’ Me agachei ficando na altura de que assistia tv na sala com a Kat, a babá. ‘Kat qualquer coisa me liga, meu celular vai ficar ligado o tempo inteiro.’ Ela concordou e eu mandei beijos no ar pro saindo de casa em seguida.

‘Wow!’ Foi a única coisa que saiu da boca de quando ele saiu do carro e me viu. Sorri sem graça e ele balançou a cabeça. ‘Você tá linda!’ Ele abriu a porta do carro pra mim.
‘Brigada, você também.’ Falei baixo sentindo meu rosto arder. Ele estava realmente lindo com aquela camisa preta social com as mangas dobradas e o tênis de skatista. ‘Então, pra onde vamos?’ Perguntei quando ele deu partida no carro.
‘Surpresa!’ Ele sorriu e eu concordei silenciosamente. Se existe uma coisa que sabe fazer, é me surpreender. Fomos o caminho todo em silêncio exceto pelas musicas que tocavam em uma rádio qualquer. ‘Chegamos.’ Ele sorriu parando o carro e logo um manobrista abriu a porta para mim e pegou a chave do carro de . Ele estendeu a mão pra mim e eu sorri sentindo o calor da mão dele.

Entramos no restaurante que parecia ser realmente caro além de ser lindo.
‘Não sabia direito qual restaurante seria legal, então minha mãe indicou esse.’ Ele riu sem graça depois que sentamos na mesa.
‘Isso aqui é lindo, .’ Sorri olhando em volta. O restaurante tinha o teto espelhado e tudo por ali parecia ter detalhes em bronze. Eu já tinha ouvido falar muito bem sobre o lugar, mas nunca tinha realmente freqüentado.
Ficamos conversando sobre coisas banais e rindo de qualquer besteira até o nosso jantar ser servido. Jantamos deixando que o silêncio predominasse, exceto quando falava alguma besteira e me fazia rir como sempre.

Um rapaz simpático começou a tocar em um palco improvisado perto da nossa mesa, todo o lugar parecia agora prestar atenção nele. Ele fazia alguns covers acústicos que parecia realmente agradar a todo mundo, pelo menos a mim agradava muito. Blind do Lifehouse começou a ser tocada e eu sorri sozinha, amava essa musica.
‘Que dançar?’ A voz de pareceu me acordar e eu olhei pra frente vendo-o parado com a mão estendida, olhei pro lado e vi que vários casais já dançavam ali perto, num espaço vazio. Sorri pegando a mão de e deixei que ele me guiasse. Passei meus braços por seu pescoço e ele me abraçou pela cintura aproximando nossos corpos.

"I was young but I wasn't naïve
(Eu era jovem, mas não era ingênuo)
I watched helpless as you turned around to leave
(Eu assisti sem poder fazer nada enquanto você ia embora)
And still I have the pain I have to carry
(E eu ainda tenho a dor que devo carregar)
A past so deep that even you could not burry if you tried.
(Um passado tão profundo que nem você não poderia enterrar se tentasse)"


Eu respirava o perfume de com o rosto quase afundado em seu pescoço enquanto ele se movimentava calmamente no ritmo da musica. Eu apenas deixei que meu corpo se movimentasse em sincronia com o dele.

"After all this time
(Depois de todo este tempo)
I never thought we'd be here
(Eu nunca pensei que nós estaríamos aqui)
Never thought we'd be here
(Nunca pensei que nós estaríamos aqui)
When my love for you is blind
(Quando meu amor por você era cego)
But I couldn't make you see it
(Mas eu não consegui fazer você ver isto)
Couldn't make you see it
(Não conseguia fazer você ver)
That I loved you more than you'll ever know
(Que eu te amei mais do que você jamais vai saber)
and part of me died when I let you go.
(E uma parte de mim morreu quando eu deixei você ir)"


Sorri com essa parte da musica, sentia como se ela fosse sobre mim. O fato de eu nunca ter contado ao o que sentia por ele, e agora nós dois estávamos juntos novamente depois do acidente. Senti o rosto de se afastar um pouco e o olhei, ele sorriu e apertou mais seus braços em minha cintura e diminuiu a distância entre nossos rostos. Ele encostou o nariz no meu fazendo carinho e eu sorri boba, senti ele beijar o canto da minha boca e dar uma mordidinha no meu lábio inferior antes de começar a me beijar.

"I would fall asleep only in hopes of dreaming
(Eu dormiria somente na esperança de sonhar)
That everything would be like it was before
(Que tudo seria como era antes)
But nights like this it seems are slowly fleeting
(Mas noites como essas parecem estar passando lentamente)
They disappear as reality is crashing to the floor.
(Elas desaparecem conforme a realidade vem a tona)"

"After all this time
(Depois de todo este tempo)
I never thought we'd be here
(Eu nunca pensei que nós estaríamos aqui)
Never thought we'd be here
(Nunca pensei que nós estaríamos aqui)
When my love for you is blind
(Quando meu amor por você era cego)
But I couldn't make you see it
(Mas eu não consegui fazer você ver isto)
Couldn't make you see it
(Não conseguia fazer você ver)
That I loved you more than you'll ever know
(Que eu te amei mais do que você jamais vai saber)
and part of me died when I let you go.
(E uma parte de mim morreu quando eu deixei você ir)"


Me afastei lentamente quebrando o beijo, mas deixei nossas testas encostadas. sorriu me dando um selinho em seguida. Deitei minha cabeça em seu ombro e fechei os olhos querendo aproveitar cada segundo daquele momento.

"After all this while
(Depois de tudo isto)
Would you ever wanna leave it
(Você gostaria de partir?)
Maybe you could not believe it
(Talvez você não pudesse acreditar)
That my love for you is blind
(Que meu amor por você era cego)
But I couldn't make you see it
(Mas eu não consegui fazer você ver isto)
Couldn't make you see it.
(Eu não consegui fazer você ver)"

"That I loved you more than you'll ever know
(Que eu te amei mais do que você jamais vai saber)
and part of me died when I let you go
(E uma parte de mim morreu quando eu te deixei ir)"


A musica acabou, mas nós continuamos na mesma posição até que outra musica começasse a ser tocada, e depois outra e mais outra. Várias musicas depois resolvemos voltar pra mesa e pedir a conta, já era tarde e eu estava preocupada com , como sempre.
‘Então, gostou da noite?’ perguntou enquanto caminhávamos até o carro.
‘Claro que sim! Brigada, .’ Sorri sincera e ele me deu um selinho abrindo a porta do carro e fazendo uma reverencia.

Fizemos o caminho de volta comentando sobre as musicas tocadas e a comida do restaurante. não me deixou nem mesmo ver a conta, eu quase implorei pra que dividíssemos, mas ele não deixou de jeito nenhum.
‘Hm...então, brigada pela noite, . Foi realmente maravilhosa.’ Sorri quando ele estacionou o carro em frente ao meu prédio.
‘Brigada por ter aceitado jantar comigo, .’ Ele piscou e me deu um selinho, quando eu ia me afastar ele me puxou de volta intensificando o beijo. Passei meus braços por seu pescoço enquanto ele me puxava pela cintura pra que eu sentasse em seu colo, quando eu consegui, ele empurrou o banco pra trás e eu ri imaginando como ele tinha feito aquilo sem quebrar o beijo. Senti a boca dele descer até meu pescoço e suspirei tentando me lembrar que estávamos em um carro e parados numa rua deserta a noite, mas não tive muito tempo de pensar nisso já que segundos depois voltou a beijar minha boca e eu esqueci o que ainda nem tinha conseguido lembrar. Ficamos alguns minutos ali até o carro começar a ficar realmente abafado, puxei o cabelo dele quebrando o beijo e ele me olhou meio desesperado.
‘Tenho que ir.’ Dei um selinho nele e saí rapidamente de seu colo. Ele soltou um gemido de indignação e eu ri.
‘A gente ainda vai terminar isso.’ Ele falou um pouco ofegante e sorriu.
‘Claro que vamos.’ Pisquei e mandei beijos no ar saindo do carro e entrando no prédio em seguida.



Capitulo 10

A semana pareceu se arrastar, talvez pelo fato de eu ter voltado ao trabalho depois de algumas semanas de férias. Mal tive tempo pra mim mesma e pro , minha chefe parece que resolveu descontar meu tempo de férias. sempre aparecia pra ver o filho, mas eu raramente estava em casa, só ficava sabendo por que a Kat sempre me contava.
‘Hey!’ Entrei em casa e pra minha surpresa encontrei no sofá brincando com .
‘Heey, finalmente! Achei que fosse se mudar pra empresa!’ riu e eu mandei língua. Ele não deixava de estar certo, ultimamente tenho passado mais tempo na empresa que em casa, chego da faculdade e já tenho que ir correndo pro trabalho, vida de estagiário não é fácil. ‘A Kat teve que sair mais cedo, então eu fiquei com o .’ Concordei balançando a cabeça e botou no chão, ele veio correndo me abraçar.
‘Sódadi!’ Ele me olhou fazendo bico e eu carreguei ele e o abracei forte. Na verdade acho que quase matei meu filho sufocado, mas é que eu estava morrendo de saudade de ficar em casa com ele vendo desenho na tv e comendo besteira. Ainda bem que a sexta-feira chegou.
‘Ai que saudade de você também, meu príncipe!’ Mordi a bochecha dele que soltou uma gargalhada gostosa. ‘E essa bagunça aqui na sala, você e seu pai vão arrumar depois?’ Ele olhou pra e depois pra mim, eu sorri e olhei pra que estava com o pé na mesinha de centro. ‘Tira o pé daí folgado!’ Brinquei e ele deu língua.
‘Você parece minha mãe, !’ Ele riu. ‘Não tem nada pra comer aí não? Tô com fome!’ Ele passou a mão na barriga.
‘Não fiz mercado ainda!’ Dei de ombros. ‘Pede pizza se quiser!’ Joguei o telefone pra ele que sorriu.
‘Calabresa?’ Ele me olhou.
‘Muzzarela!’ Sorri me levantando do sofá.
‘Metade de cada e não se fala mais nisso.’ Ele sorriu já discando o numero da pizzaria e eu ri.
‘Vou tomar banho, já volto!’ Gritei já entrando no quarto e encostando a porta. Separei um short e uma blusa básica, botei em cima da cama e entrei no banheiro.

Demorei um pouco embaixo do chuveiro, estava realmente cansada e aquela água morna me ajudava a relaxar. Desliguei a água e me enrolei na toalha, fui até o espelho, penteei o cabelo apenas jogando-o para trás já que estava molhado. Quando abri a porta do banheiro dei de cara com e sentados na cama, os dois se viraram para me encarar e eu fiquei sem reação.
‘Wow, !’ tapou os olhos de e eu não agüentei e comecei a rir.
‘Larga de ser idiota , quem devia tapar os olhos era você!’ Balancei a cabeça controlando o riso.
‘O é uma criança inocente , eu já estou acostumado!’ Ele sorriu convencido.
‘Ah, desculpa então, garanhão!’ Dei língua e ele riu. Fui até a cama pegar as roupas que tinha separado e percebi acompanhando cada movimento meu.
‘Pára, !’ Joguei uma almofada em cima dele já sentindo meu rosto arder.
‘Quê? Só tô apreciando!’ Ele sorriu safado e eu ri sem graça.
‘Idiota!’ Entrei no banheiro e fechei a porta. Enquanto estava me vestindo disse que a pizza tinha chegado e que ele ia descer pra pegar. Saí do banheiro, já vestida e peguei que ainda estava na minha cama levando-o pra sala.

‘A pizza chegou!’ entrou novamente em casa sorrindo feito uma criança.
‘Piça!’ bateu palminhas animado e eu sorri. Fui até a cozinha pegar pratos e talheres e coloquei na mesinha de centro, depois sentei no chão colocando no meu colo.
‘Qual você quer, meu amor?’ Perguntei mostrando a pizza, ficou alguns segundos analisando e apontou pra pizza de calabresa. Até nisso ele tinha que ser igual ao pai?
‘Esse é o meu garoto!’ sorriu orgulhoso cortando um pedaço e botando no prato.
Comemos a pizza assistindo alguma reprise de Friends que passava na tv, deixando o silêncio prevalecer na sala, exceto pelas nossas risadas histéricas.
‘Daqui a três meses alguém faz aniversário!’ sorriu olhando pra . A reprise já tinha terminado, assim como a pizza, estávamos apenas olhando pra tv em silêncio. Sorri olhando de pra .
‘Ai céus, como eu tô ficando velha. Meu filho vai fazer 3 anos!’ Fiz uma cara dramática e riu. ‘Acho que vou fazer uma festinha pra ele!’ Sorri vendo no meu colo quase dormindo.
‘Oba! Adoro festa de criança, tem várias porcarias pra comer!’ esfregou as mãos sorrindo com a maior cara de criança e eu ri.
‘Você é uma criança, !’ Balancei a cabeça voltando minha atenção pra tv. levantou tirando as coisas da mesa e levando pra cozinha, eu sorri agradecida já sentindo meus olhos pesados de tanto sono.

‘Aposto que você dorme antes do !’ falou baixo se agachando do meu lado e eu sorri fraco negando com a cabeça. ‘Vou botar ele na cama!’ Ele pegou do meu colo e eu me levantei logo depois.
‘Vou com você!’ Sorri acompanhando-o até o quarto de . botou o filho na cama e eu parei ao seu lado. Ficamos algum tempo apenas observando-o respirar calmamente.
‘Sabe, às vezes eu fico imaginando se o não se incomoda com essa confusão de eu não morar mais aqui, e ficar vindo toda hora.’ falou sério e eu o olhei sem entender muito bem o que ele queria dizer. ‘Era mais fácil quando eu morava aqui, não era?!’ Ele me olhou e eu demorei um tempo pra responder, ainda estava tentando processar as palavras dele. Talvez fosse por causa do sono, mas acho que ele tinha acabado de dar uma indireta de que queria voltar a morar comigo e com .
‘Era.’ Falei sincera e voltei meu olhar pra . Ele suspirou pesadamente, mas não falou mais nada.
‘Vai pra cama , você tá dormindo em pé!’ riu baixo e eu balancei a cabeça. Pra falar a verdade acho que cheguei a cochilar em pé. ‘Vem!’ Ele passou um braço pela minha cintura e me carregou.
, eu sei ir pro quarto sozinha.’ Falei com a voz embolada de tanto sono.
‘Tô vendo!’ Ele riu. Segundos depois ele me botou na cama e me cobriu ajeitando os travesseiros.
‘Brigada .’ Sorri lutando pra manter meus olhos abertos enquanto ele estava sentado do meu lado me observando. Ele botou uma mecha do meu cabelo atrás da orelha e desceu a mão pelo meu braço acompanhando todo o caminho com o olhar, quando chegou em minha mão ele entrelaçou os dedos nos meus e me olhou sorrindo. Acariciou minha bochecha com o polegar e se inclinou deixando o rosto a centímetros do meu, passou o nariz no meu como num beijo de esquimó e eu sorri inconscientemente.
‘Boa noite, .’ Sussurrei baixo. Ele sorriu e roçou a boca na minha me fazendo sentir um arrepio passar por todo o corpo.
‘Boa noite, .’ Ele beijou o canto da minha boca e se afastou soltando minha mão.
Fechei os olhos e sorri comigo mesma, instantes depois ouvi a porta de casa ser fechada e adormeci em seguida.



Capitulo 11

‘Bom dia, meu amor!’ Entrei no quarto de sorrindo, ele estava deitado na cama já acordado e sorriu pra mim. ‘Vamos no shopping com a mamãe?’
‘Shópi!’ Ele se embolou um pouco pra falar e eu ri. agora repetia, ou pelo menos tentava repetir quase todas as palavras que eu falava, e eu achava aquilo a coisa mais linda.
Dei um beijo na bochecha dele e o carreguei pro meu banheiro para dar banho nele. Não demorou muito e nós dois já estávamos prontos pra sair de casa. Eu estava com uma blusa rosa básica, calça e all star, já vestia uma pólo azul marinho com listras brancas, e uma bermuda branca. O olhei sorrindo e pude jurar que vi sorrindo de volta pra mim, a semelhança entre os dois às vezes me assusta. Saímos de casa, e como o shopping não é muito longe, uns 20 minutos depois já estávamos lá.

Passear no shopping com uma criança do lado é estressante e divertido ao mesmo tempo. Estressante porque está na fase de conhecer as coisas, então ele nunca te contenta em ficar só olhando as coisas, ele tem que pegar, sentir. E é divertido porque ele sempre me faz rir, eu fico apontando as coisas e dizendo os nomes, e é engraçado vê-lo repetir minhas palavras.
‘Ca-mi-nhão, repete com a mamãe!’ Falei devagar enquanto segurava um caminhão de brinquedo e sorria.
‘Minhão.’ Ele girou a rodinha do brinquedo e eu ri.
‘Não príncipe, é ca-mi-nhão.’ Falei ainda mais devagar.
‘Caminhão!’ Ele sorriu.
‘Isso, meu amor!!’ O peguei no colo e botei o brinquedo na prateleira. A cada nova prateleira eu pegava o brinquedo que ele mais gostava e falava o nome para que ele repetisse. Meu celular tocou dentro da bolsa e eu botei no chão enquanto ele brincava com um urso de pelúcia.
‘Oi amiga!’ Sorri depois de ver que era do outro lado da linha. ‘Eu tô no shopping, com o quer vir pra cá também? A gente pode tomar um sorvete!’ Sorri. ‘Tá bom, tô te esperando!’ Desliguei o celular e vi brincando com uma menininha. ‘Vamos meu amor? A tia tá vindo pra gente tomar sorvete!’ Sorri me agachando perto dele e da menina loirinha com um vestido rosa.
‘Sôveti!’ Ele sorriu e estendeu os braços pra que eu o pegasse no colo. ‘Dá tchau pra menina.’ Falei acenando e ele fez o mesmo.


‘Tia !’ correu quando viu andando em nossa direção. ‘Ei pequeno, tudo bem?’ Ela o carregou enquanto eu me aproximava. ‘Hey amiga!’ Ela sorriu me abraçando.
Caminhamos até uma sorveteria na praça de alimentação e depois sentamos em uma mesa já com nossos sorvetes.
‘Algum progresso com o ?’ Ela me olhou e eu balancei a cabeça negando.
‘Tudo na mesma.’ Dei de ombros. ‘Anteontem eu cheguei do trabalho e ele tava lá brincando com o , daí acabamos pedindo uma pizza e ele ficou lá até eu praticamente desmaiar de sono.’ Ri.
‘E rolou alguma coisa?’ Ela me olhou sugestiva. Eu olhei pra que estava mais interessado em se lambuzar com o sorvete e balancei a cabeça.
‘Se você chama um beijo no canto da boca de alguma coisa, então rolou!’ Ela riu e eu dei de ombros.
Ficamos passeando um pouco pelo shopping, até começar a perguntar pelo pai, já que ele não havia aparecido ontem lá em casa.
‘Seu pai deve tá em casa, meu amor.’ Falei carinhosa vendo-o fazer bico. Olhei pra que ria da cena e balancei a cabeça. ‘Agora é assim, um dia sem ver o e só falta morrer!’
‘Ai , coitado! Deixa o menino curtir o pai, leva ele lá na casa da !’ Ela falou ainda rindo.
‘Vovó!’ sorriu e eu olhei pra fazendo cara feia.
‘Não dá idéia, sua vaca!’ Dei língua e ela deu de ombros.
‘Papai e vovó!’ falou me dando tapinhas no ombro.
‘Ai filho, como você me dá trabalho!’ Bufei. ‘Vamos lá na casa da sua vó!’ Fiz uma cara derrotada e ele sorriu.
Me despedi de quando chegamos ao estacionamento e segui pra casa de .


estava completamente inquieto, e só parou quando estacionei em frente à casa branca de portões baixos. Soltamos do carro e percebi que o carro de não estava por ali, provavelmente estava sozinho em casa. tocou a campainha e deu uma risada histérica fazendo uma carinha sapeca. Demorou um pouco até a porta abrir e eu ver uma loira abrir a porta apenas com uma blusa e calcinha. Dei um passo pra trás tentando ver se aquela era mesmo a casa de , mas não me restavam duvidas.
‘Erm... o tá aí?’ Perguntei insegura e a loira sorriu simpática.
‘Ele tá dormindo meu bem, mas eu acho que já já ele acorda. Você quer esperar?’ Ela abriu mais a porta dando espaço para que eu passasse, mas eu continuei parada a encarando. Ela levantou a sobrancelha sugestiva e eu resolvi entrar na casa.

Observei uma camisa de jogada no chão da sala e quando desviei meu olhar vi descendo as escadas só de boxer, os cabelos bagunçados e a cara amassada.
‘Hey, bonitinho!’ A loira falou sorrindo pra ele. a olhou atordoado e depois desviou o olhar pra mim e .
!’ Ele quase gritou com uma cara meio desesperada. ‘Não é isso, eu...’ Ele começou a falar, mas eu o interrompi.
‘Eu volto outra hora.’ Falei séria enquanto a loira observava tudo fazendo uma cara de desentendida.
‘Papaaai!’ estendeu os braços enquanto eu caminhava até a porta.
, não, por favor.’ segurou meu braço, mas eu puxei rapidamente.
‘Depois a gente conversa, .’ O olhei irritada enquanto se debatia no meu colo estendendo os braços para que o pai o carregasse.
‘Paai.’ Ele choramingou enquanto eu lutava pra controlar as lágrimas que queriam rolar por meu rosto.
, vem aqui filhão!’ sorriu fazendo menção de pegá-lo no colo, mas eu me afastei. ‘Deixa ele comigo, !’ Ele me olhou implorando e eu balancei a cabeça.
‘Eu não vou deixar ele aqui!’ Falei baixo com os dentes cerrados.
, você tem um filho?’ A loira se pronunciou com uma cara de espanto. a olhou de cima a baixo.
‘Tenho, e olha... desculpa, mas eu nem ao menos lembro seu nome!’ Ele passou a mão pelos cabelos bagunçando-os ainda mais.
, claro que você lembra!’ Ela guinchou. ‘Não é possível que depois da nossa noite você não lembre!’ Ela cruzou os braços e eu olhei espantada para .
‘Garota eu tava bêbado, será que você não percebeu?’ Ele falou alto e começou a chorar.
‘Quando é que você vai aprender que as pessoas têm sentimentos, hein?!’ O olhei séria e saí de casa batendo a porta com ainda chorando. ‘Shh...calma meu amor, tá tudo bem! A mamãe tá aqui!’ O abracei forte.

, não é nada disso, me ouve!’ saiu de casa apenas de boxer.
‘Eu já ouvi o suficiente, !’ Falei sem encará-lo.
, eu tava bêbado, não lembro de nada.’ Ele suplicou e eu me virei encarando seus olhos desesperados.
‘Eu realmente achei que a gente podia começar de novo e que tudo ia ser diferente.’ Balancei a cabeça e entrei no carro rápido. não se moveu e nem falou mais nada, eu o encarei uma ultima vez e saí de lá deixando que as lágrimas que já enchiam meus olhos rolassem por meu rosto.

, você pode ir lá em casa?’ Pedi tentando manter a calma para que não percebesse meu desespero. ‘Eu te explico depois!’ Falei rápido sem desviar a atenção da rua a minha frente. ‘Tá, brigada.’ Desliguei o celular e joguei dentro da bolsa.

Minutos depois entrei em casa já com o choro controlado. ainda estava confuso, mas também já tinha parado de chorar.
, o que aconteceu?’ perguntou preocupada quando eu abri a porta com cara de choro. Eu balancei a cabeça e voltei a chorar. ‘Me fala, o que aconteceu?’ Ela me abraçou forte.
‘O , como sempre.’ Falei soluçando com o rosto no ombro dela. ‘Eu fui lá e uma menina semi nua abriu a porta.’ me puxou pro sofá e nós sentamos, observava tudo em silêncio sentado no sofá. ‘Nunca vai mudar , vai ser sempre a mesma história!!’ Falei com a mão no rosto sentindo meus olhos arderem por causa das lágrimas.
‘Ai , eu nem sei o que te dizer!’ Ela me abraçou novamente passando as mãos por meus cabelos. Eu apenas balancei a cabeça negativamente e suspirei pra controlar o choro.
Ficamos em silêncio na sala por alguns minutos, eu já estava mais calma e já tinha parado de chorar. estava brincando com para não deixá-lo preocupado.
‘Deixa que eu atendo.’ Me levantei quando ouvi a campainha tocar. Senti minha cabeça latejar um pouco e caminhei lentamente até a porta, quando abri vi ainda com aquele olhar desesperado.
, eu...’ Ele nem começou a falar e eu bati aporta na cara dele. ‘, por favor, não faz isso!!’ Ele implorou do outro lado da porta e eu olhei pra balançando a cabeça.
‘Papai!’ sorriu saindo do colo de e correu até a porta.
‘Ei, ei, volta aqui mocinho!’ O peguei no colo e ele estendeu o braço pra porta.
‘Papaaai!’ Ele gritou e começou a chorar. Senti as lágrimas em meus olhos novamente e suspirei indo abrir a porta. estava lá com as mãos no bolso e ao que parecia com a cabeça encostada na porta. ‘Pai!’ mais uma vez estendeu os braços e sorriu tirando-o do meu colo.
‘Hey, campeão.’ Ele beijou a testa do filho e o abraçou. ‘, a gente precisa conversar!’ Ele me olhou sério e eu neguei balançando a cabeça.
‘Eu só abri a porta por causa do .’ Falei sentando no sofá e abraçando minhas pernas. me olhou com uma cara triste e eu suspirei desviando o olhar para a janela.
‘Bincá!’ sorriu quando o botou no chão. Ele sorriu fraco e sentou no chão colocando no colo e ficou mexendo nos brinquedos espalhados pelo chão. Olhei pra que me encarava séria e levantei indo pro meu quarto.

Fechei a porta com um pouco de força e me joguei na cama afundando o rosto no travesseiro, não queria começar a chorar de novo. Suspirei profundamente virando meu rosto, mas ainda deixando-o afundado no travesseiro. Meu olhar ficou preso em uma foto no criado mudo, era a mesma que eu tinha dado pra alguns meses atrás, no hospital. Quem olhasse aquela foto iria achar que somos o casal mais feliz e sem problemas do mundo, ledo engano. Ouvi uma batida na porta, mas não respondi, continuei deitada. Eu não queria falar com ninguém, nem mesmo com a .
?!’ A voz de surgiu dentro do quarto e eu fechei os olhos suspirando. ‘Eu sei que você tá acordada e que não quer falar comigo, mas só me ouve!’ Ele pediu se aproximando e eu fitei a foto no criado mudo em silêncio. ‘Olha, eu sei que eu fui um canalha, imbecil e você tem toda a razão em estar me odiando e me evitando agora. Só acredita em mim quando eu digo que não fiz aquilo consciente, eu realmente nem lembrava o nome daquela garota. Na sexta feira eu saí daqui com um sorriso maior que meu rosto, só por ter passado algumas horas com você e com , isso é realmente importante pra mim, vocês dois são importantes pra mim. Eu ia vir aqui ontem, mas nós ficamos ensaiando o dia inteiro e de noite os caras me convenceram a ir num pub e você deve imaginar todo o resto....
, a primeira coisa que eu pensei hoje de manhã foi em você e no , sabe por quê? Por que essa foto aí no criado mudo que você provavelmente está encarando agora, também fica do lado da minha cama e é olhando pra ela que eu acordo todo dia. Quando eu olho pra ela eu me sinto o cara mais sortudo do mundo, eu tenho o filho mais lindo e a garota mais perfeita do meu lado, eu não ia estragar tudo isso só por uma noite com uma garota.’ Ele parou de falar suspirando e eu passei a mão pelo rosto enxugando as lágrimas que caíram enquanto ele falava.
‘Eu só queria um novo começo, . Queria que tudo fosse diferente dessa vez, mas você sempre repete os mesmos erros.’ Falei tentando manter a voz firme. ‘Eu acredito em você , mas, por favor, vai embora. Eu preciso de um tempo pra mim mesma. Não vou te impedir de ver seu filho de maneira alguma, pode aparecer pra vê-lo sempre que quiser. O problema somos nós dois, se existir mesmo um nós nessa história toda.’ A ultima parte saiu como um sussurro, mas eu tinha certeza que ele ouvira.
não disse nada, senti ele se aproximar da cama e se afastar logo depois fechando a porta do quarto.

Segundos depois virei meu rosto só mesmo pra ter certeza de que ele tinha saído e vi um papel em cima da cama. Peguei a folha pensando que era alguma coisa que tinha deixado e sorri comigo mesma quando percebi que era um desenho de onde ele estava no meio e eu e segurávamos suas mãos. Entre mim e haviam duas setas apontando pra uma frase: meant to be. Reconheci a letra de e deixei uma lagrima cair por meu rosto.



Capitulo 12

As semanas se passavam rápidas e o aniversário de ficava cada dia mais perto. Eu já estava cuidando dos preparativos junto com , apesar de mal nos falarmos. A ultima conversa amigável que tivemos foi para discutir aonde seria o aniversário, e foram apenas algumas palavras rápidas, acabamos optando por fazer na casa de que tem um jardim e um bom espaço para uma festa infantil. não me parecia bem pra falar a verdade, ele tinha sempre um olhar um pouco triste e eu sempre ouvia os meninos comentando o quão distraído ele estava. Confesso que várias vezes pensei em correr até ele e dizer tudo que eu sinto e simplesmente dar uma chance pra nós dois, mas eu sei que não é assim que as coisas funcionam. Preferi deixar que o tempo cuidasse de tudo, o que tivesse que acontecer, iria acontecer.
, você vai contratar palhaços?’ perguntou enquanto eu anotava algumas coisas. Estávamos na casa de resolvendo alguns preparativos enquanto estava na escola.
‘Acho que não, por quê?’ O olhei séria e ele fez careta.
‘Ná, eu odeio palhaços.’ Ele deu de ombros e eu soltei um riso baixo.
‘Somos dois.’ Falei encarando um papel na minha frente e notei que ficou algum tempo me observando. ‘Erm...acho melhor eu ir. Já tá quase na hora do sair da escola.’ Forcei um sorriso e me levantei pegando a bolsa.
‘Ah, ok.’ Ele também se levantou e abriu a porta pra mim. ‘Fala pro que amanhã eu vou levá-lo no parque.’ Ele sorriu fraco e eu balancei a cabeça concordando. Dei um aceno rápido e saí de lá sabendo que me acompanhava com o olhar.


‘Hey amiga!’ Abri a porta e encontrei uma sorridente.
‘Boa tarde, minha florzinha do campo!’ Ela cantarolou e eu ri da cara boba dela.
‘Fiquei curiosa! Conta logo!’ Fechei a porta e a puxei até o sofá enquanto ela ria do meu desespero.
‘Não tem nada certo ainda, mas...’ Ela fez uma cara de suspense e eu arregalei os olhos ansiosa. ‘Eu acho que eu e o vamos voltar!’ Ela falou rápido se controlando pra não gritar.
‘Não acredito!!’ Pulei em cima dela gritando e nós rimos. ‘Me fala, como assim não é nada certo ainda, o que houve?!’ Saí de cima dela me ajeitando no sofá. apareceu na sala e eu o botei em meu colo.
‘Erm...’ Ela olhou pra com uma cara em duvida. ‘Pode falar na frente dele?’ Ela fez uma cara sapeca e eu ri.
‘Ai sua ridícula, o menino não tem nem 3 anos. Fala logo!’ Balancei a cabeça e abanei o ar mandando-a prosseguir.
‘Tá, a gente tem se falado quase todos os dias, e ontem ele fez um jantar pra mim na casa dele!’ Ela falou com os olhos brilhando. ‘E aí a gente acabou dormindo juntos, e ele disse que sentia muito minha falta e, ai ! Eu voltei a sentir todas aquelas coisas bobas que eu sentia no começo do nosso namoro!’ Ela fez uma cara apaixonada e eu sorri largamente, era bom ver que ela e o estavam se entendendo de novo.
‘Ah, que lindo amiga! Eu fico tão feliz por vocês!’ Falei pegando a mão dela e apertando carinhosamente. ‘Vocês se gostam e tem mais é que ficarem juntos.’ Sorri.
‘Olha só quem fala né?’ Ela fez uma cara irônica e eu dei língua. ‘Sério , quando você vai voltar a falar normalmente com o ?’ Ela me olhou séria.
‘Ah, não sei .’ Dei de ombros indiferente. Incrível, qualquer outra amiga ficaria do meu lado e ainda me ajudaria a xingar o , mas tinha que ser do contra!
, pára de fingir que você não se importa com tudo isso, com esse afastamento.’ Ela falou um pouco mais alto.
‘Não tô fingindo nada, .’ Falei irritada. ‘Mas você sabe o que foi encontrar aquela menina semi nua na casa dele aquele dia? Eu vi todos aqueles dois anos voltarem a tona, senti que tudo aquilo iria acontecer de novo, e não é isso que eu quero!’ Falei já sentindo meus olhos arderem por causa das lágrimas que queriam cair. Respirei fundo com ainda em meu colo e lancei um olhar pra dando a entender eu não queria falar naquele assunto.
‘Ok, desculpa.’ Ela me olhou com pena e eu balancei a cabeça concordando. ‘E a , já deu noticia?’ Ela falou se referindo a viagem surpresa de até Liverpool. Uma prima dela ficou doente, e ela teve que ir às pressas até lá.
‘Já! Ela disse que vem no aniversário do , mas não sabe ainda se terá que voltar pra Liverpool.’ Dei de ombros. ‘Mas que bom que ela vem pro aniversário, ficaria chateado se ela não viesse, né meu amor?’ Virei de frente pra mim e ele riu alto.
, posso falar uma coisa?’ me olhou apreensiva e eu confirmei. ‘Cada dia que passa ele fica mais parecido com o .’ Ela falou olhando pra que ainda sorria.
‘É, eu sei.’ Falei em meio a um suspiro e sorri pra .


, atende o telefone pra mamãe, meu amor!’ Gritei de dentro do banheiro enquanto trocava minha roupa por uma camisola. estava sentado em minha cama e o telefone ficava bem ao lado.
‘Alô?’ O ouvi falar enquanto saia do banheiro. ‘Papai!’ Ele sorriu e eu senti meu coração dar pulinhos e meu estomago fazer uma reviravolta. sorria enquanto provavelmente falava coisas bobas com ele. Me sentei ao seu lado e ele estendeu o telefone sorrindo pra mim. Passei a mão por seu cabelo e beijei sua cabeça pegando o telefone de sua mão e suspirando antes de atender.
‘Hey!’ Sorri inconscientemente e me amaldiçoei por isso.
‘Você tá ocupada?’ Ele parecia um pouco nervoso, e eu também me senti assim.
‘Não! Tava só aqui conversando com o !’ Falei sorrindo e olhando pra que estava deitado me observando.
‘Hm, e o papo tava bom? Aposto que vocês estavam falando de política, esse é o assunto preferido dele.’ Ele falou sério me fazendo rir alto.
‘Não seu bobo, eu apenas gosto de ficar conversando com meu filho pra que ele repita minhas palavras.’ Falei parando de rir. ‘Aliás você deveria ensinar também.’ Falei ficando mais séria.
‘Vou ensinar algumas coisas que todo homem precisa saber!’ Ele falou rindo e eu bufei me controlando pra não rir também.
‘Não , nada disso. Tô falando sério, você precisa ouvir ele tentando falar as palavras certinhas. É a coisa mais linda!’ Sorri boba pra que brincava com o controle remoto.
‘Nosso filho é lindo , e consequentemente tudo que ele faz é lindo.’ Ele falou bobo e eu ri baixinho. Ficamos um tempo em silêncio apenas ouvindo nossas respirações calmas, eu olhava pra e tinha certeza que em alguns anos ele seria a exata cópia de .
‘Sabe o que a me disse hoje?’ Quebrei o silêncio e ele fez um barulho com a boca negando. ‘Ela falou que o fica cada dia mais parecido com você.’ Ri baixinho e ficou em silêncio, talvez sorrindo, talvez não.
‘E isso é bom?’ Ele perguntou baixo enquanto eu deitava ao lado de que já estava um pouco adormecido. Olhei pra ele respirando calmamente e observei seu rosto de perto.
‘Não sei.’ Suspirei fechando os olhos. Novamente ficamos em silêncio, não era constrangedor, mas era como se tivéssemos medo de quebrá-lo.

?!’ Perguntei depois de um tempo.
‘Oi.’ Ele respondeu calmo.
‘Você ligou pra ouvir minha respiração?’ Falei rindo baixinho.
‘Foi.’ Ele respondeu rindo também e eu fiquei sem graça. Pensei em falar alguma coisa, mas deixei que o silêncio prevalecesse mais uma vez.

‘Um filme.’ Falei tentando quebrar o silêncio que já estava me incomodando. ‘Diz a primeira coisa que vier na sua cabeça.’
‘Ok! De Volta Para o Futuro.’ Ele falou com convicção.
‘Uma cor.’
‘Azul.’
‘Uma qualidade.’
‘Hm...eu sou um bom pai, não sou?’ Ele riu.
‘Acho que sim.’ Falei brincando. ‘Um objeto.’ Continuei.
‘O porta retrato do meu criado mudo.’ Ele respondeu, e na mesma hora e eu lembrei quando ele disse que a foto que eu tinha lhe dado no hospital ficava no criado mudo ao lado de sua cama.
‘Uma frase de alguma música.’ Falei balançando a cabeça para afastar meus pensamentos.
Can't you see that I wanna be, there with open arms. It's empty tonight and I'm all alone, get me through this one.’ Ele cantou baixinho Letters To You do Finch e eu senti uma vontade imensa de chorar, mas não podia fazer isso. Suspirei e segui em frente.
‘Um sentimento.’
‘Culpa.’ Ele falou baixo e eu senti uma pontada no peito.
‘Uma palavra.’ Falei devagar.
‘Desculpa.’ Ele disse em meio a um suspiro.
‘Uma certeza.’ Falei de olhos fechados já sentindo algumas lágrimas teimosas rolarem por meu rosto.
‘A de querer você só pra mim e pra sempre.’ Ele respondeu baixo e de uma forma triste enquanto eu sentia meu coração querer sair pela boca. Fiquei em silêncio apenas ouvindo sua respiração pesada.
.’ Falei baixo me ajeitando embaixo do cobertor.
‘Oi.’ Ele respondeu com uma voz cansada.
‘Me lembra amanhã que isso não foi um sonho?’ Me senti boba falando isso, e ele riu baixo.
‘Lembro, pequena. E mesmo se fosse um sonho...’ Ele parou um instante. ‘Eu tornaria realidade pra você.’ Ele completou e eu sorri idiotamente.
.’ Falei o nome dele pela milésima vez.
‘Meu nome soa mais bonito com a sua voz.’ Ele falou rindo.
.’ Repeti e nós rimos. ‘Boa noite.’ Falei mais baixo já com os olhos fechados.
‘Boa noite, .’ Ele falou tão baixo quanto eu. Suspirei e desliguei o telefone. ‘Eu te amo.’ Sorri comigo mesma desejando que ele tivesse dito a mesa coisa.



Capitulo 13

A correria na casa de já estava me deixando tonta, não agüentava mais subir e descer escadas, sair e entrar no carro, correr pra dentro e fora de casa. Só esperava que tudo fosse recompensado mais tarde quando chegasse e encontrasse tudo pronto pro seu aniversário.
, o pessoal do buffet acabou de chegar acabou de chegar, você vai lá falar com eles, ou quer que eu fale?’ me olhou enquanto eu estava deitada na cama do quarto de hospedes. Tinha conseguido ficar livre por dez minutos e a única coisa que eu consegui fazer foi correr para o quarto, a dor em meus pés estava me matando.
‘Fala com eles , por favor. Acho que se eu descer agora e encontrar alguma coisa fora do lugar vou ter um ataque histérico.’ Sorri fraco observando o teto do quarto com atenção. A verdade é que depois daquela ligação as coisas entre mim e tinham ficado um pouco melhores, mas agora eu mal conseguia encara-lo nos olhos.
‘Ok. Descansa , senão de noite você não vai aproveitar nada.’ Ele falou antes de fechar a porta e eu concordei fechando os olhos.

, eu disse pra você descansar, pode deixar que eu faço tudo por aqui.’ me olhou sorrindo enquanto eu descia as escadas.
‘Não consigo.’ Entortei a boca com uma cara inocente. ‘Tentei dormir um pouco, mas eu quero ajudar aqui, não quero ficar parada.’ Dei de ombros.
‘Minha mãe ligou e disse que tá chegando, fica aqui na sala esperando ela então.’ Ele apontou pro sofá. ‘Vou lá fora conferir tudo.’ Ele piscou e saiu pela cozinha.

Fiquei alguns minutos sentada no sofá observando a tv desligada, até que uma buzina me despertou e eu corri pra fora de casa.
!’ Falei animada enquanto ela saia do carro, ela abriu um sorriso e veio me abraçar.
‘Tudo bem por aqui? Vejo que você e o estão fazendo um ótimo trabalho.’ Ela observou a casa que já estava um pouco enfeitada com bolas e alguns brinquedos no jardim da frente.
‘É, a gente tá se esforçando.’ Falei rindo. ‘Como foi a viagem? Sua prima tá melhor?’ Perguntei ajudando-a a carregar as malas pra dentro de casa.
‘Mais ou menos.’ Ela suspirou. ‘Daqui a pouco eu falo sobre isso. Onde está meu filhote?’ Ela sorriu passando os olhos pela casa.
‘Mãe?’ entrou na sala e abriu um sorriso enorme ao ver .
‘Que saudade de você, meu bebê!’ Ela abraçou e depois se soltou examinando o rosto dele. ‘Se cuidou direitinho sem a mamãe?’ Ela falou com uma voz de criança e eu ri baixinho.
‘Mãe, menos!’ fez uma cara de terror. ‘Vem aqui fora ver como tá tudo ficando lindo.’ Ele pegou a mão de e estendeu a outra mim sorrindo. Eu peguei em sua mão e senti uma sensação boa passando por todo meu corpo.
‘Ah, mas que coisa linda!’ falou quando chegamos ao jardim que estava todo arrumado com mesas, balões, um pula-pula mais atrás e alguns outros brinquedos infantis. ‘E o ?’ Ela me olhou sorrindo.
‘Deixei ele em casa com a Kat, e por falar nisso eu tenho que ir logo! Preciso me arrumar e arrumar ele também né?’ Sorri sem graça.
, posso falar com você antes?’ perguntou me acompanhando.
‘Pode claro, vamos lá no quarto de hospedes pra eu pegar minha bolsa.’ Sorri.

Chegamos no quarto e ficou em silêncio enquanto eu arrumava minha bolsa.
‘Pode falar, .’ Sorri sincera sentando na cama e ela se sentou ao meu lado.
, eu só voltei hoje pro aniversário de , amanhã pela tarde eu vou voltar pra Liverpool.’ Ela falou séria.
‘Aconteceu alguma coisa com a sua prima, ? Achei que ela estivesse melhor.’ Falei me virando de frente pra ela.
‘Na verdade não. Ela tá pior do que estava, a gente não sabe bem se ela vai conseguir se recuperar.’ Ela estava com uma cara triste e eu peguei em sua mão.
‘Eu sinto muito, .’ Falei baixo.
‘Só que tem uma coisa que eu preciso te contar, querida.’ Ela voltou a ficar séria e eu balancei a cabeça concordando. ‘Eu vou me mudar pra Liverpool, . Preciso ficar lá com minhas irmãs e meus primos, estamos todos reunidos lá para ver se isso ajuda a Emma.’ Ela disse se referindo à prima doente.
‘Ah, tudo bem, .’ Sorri fraco. ‘Você vai fazer falta aqui, mas se você precisa ficar lá e se isso pode ajudar a Emma, então você realmente deve ir.’ Tentei lhe passar confiança e ela sorriu agradecida.
‘Só mais uma coisa, .’ Ela suspirou. ‘Eu vou vender essa casa.’ Ela me olhou apreensiva e por alguns segundos eu fiquei sem entender o porque da apreensão dela, mas logo depois me veio na cabeça. Onde ele iria morar? ‘E eu quero te pedir um favor.’ Ela sorriu fraco e eu balancei a cabeça concordando. ‘O poderia ir pra casa de algum dos garotos, mas o praticamente vive com a namorada, e o e o são completamente irresponsáveis.’ Ela riu. ‘Não que eu não goste deles, muito pelo contrário, são como meus filhos também, mas eu não sei se daria certo se o fosse morar com um deles.’ Eu fiquei um tempo a observando tentando entender aonde ela queria chegar.
‘E você quer que eu e o voltemos a morar juntos.’ Falei suspirando e ela concordou.
‘Olha , eu sei que vocês estão se entendendo bem e sei que vocês se gostam. O sempre me fala de você e de como ele se sente estranho por não lembrar de nada e ainda assim ter a sensação de te conhecer a muito tempo.’ Ela sorriu. ‘Você se importa de voltar a morar com ele?’ Ela perguntou sorrindo. Obvio que ela não sabia que algumas semanas atrás eu tinha encontrado com outra, não queria contar nada, sabia que ela iria ficar muito decepcionada com o filho. Suspirei e sorri fraco.
‘Sem problemas.’ Falei baixo e ela me abraçou.
‘Obrigada, querida. É um alivio pra mim saber que estará em boas mãos.’ Ela riu e eu concordei.
‘Bom, melhor eu ir, está ficando tarde e daqui a pouco tenho que voltar com .’ Me levantei e fez o mesmo.
‘Vamos, te levo até a porta.’ Ela sorriu e fez um gesto para que eu fosse na frente.


‘Vira pra mamãe pra ver como ficou!’ se virou de frente pra mim e sorriu. ‘Tá lindo meu amor!’ O abracei forte. Ele estava com uma calça jeans, uma blusa pólo preta e os cabelos molhados e penteados para o lado, acho que se eu bagunçasse o cabelo dele corria o risco de o confundirem com o . Sorri comigo mesma por causa desse pensamento bobo e me olhei no espelho. Eu estava parecendo a versão feminina do meu filho, uma calça jeans no mesmo tom claro, com uma blusa preta de ombros caídos e um all star branco. ‘Tá bom?!’ Perguntei olhando pra e ele sorriu. ‘Vamos, meu amor!’ O peguei pela mão e caminhamos até a porta.

Quando chegamos em frente a casa de , abriu um sorriso maior que o próprio rosto. Caminhamos pelo jardim e quando chegou um pouco próximo do lado da casa que dava acesso aos fundos saiu correndo e eu fiquei sem entender. Me aproximei um pouco mais rápido e quando olhei ele estava sorrindo no colo de .
‘Hey!’ Me aproximei sorrindo e sentindo meu estomago dar voltas.
‘Você tá linda!’ Ele sorriu sincero e eu senti vontade de enfiar minha cabeça em algum buraco. ‘Não precisa ficar vermelha.’ Ele falou rindo e eu dei um soquinho em seu braço.
‘Pára, .’ Falei rindo sem graça.
‘Brincá!’ falou sorrindo e apontando para os brinquedos no fundo do jardim.
‘Vamos falar com todo mundo, meu amor, depois você vai brincar.’ Sorri arrumando a gola da camisa dele enquanto ele ainda estava no colo de .
‘Vamos?’ sorriu olhando de pra mim e nós dois balançamos a cabeça confirmando. Ele estendeu a mão pra mim e eu o olhei receosa. ‘Vai , nós somos os pais do aniversariante, é só dar a mão!’ Ele falou sorrindo e não controlei um sorriso também, peguei em sua mão e caminhamos até as mesas para cumprimentar as pessoas.


‘Ai meu Deus.’ Falei rindo e desviando de varias crianças que corriam pelo jardim.
‘Céus, essas crianças não tem senso de direção!’ riu. ‘, essa festa tá tão linda.’ Ela sorriu sincera.
‘Ai que bom, deu trabalho! Meus pés estão doendo até agora.’ Falei me sentando em um banco um pouco afastado dos brinquedos e das mesas. ‘Ai, não acredito que meu filho já está fazendo 3 anos!’ Sorri comigo mesma.
‘O tempo tá passando tão rápido.’ soltou um riso abafado. Ficamos em silêncio alguns instantes até ouvirmos duas vozes conhecidas se aproximarem.
‘As duas afastadas de todo mundo, fofocando é?’ se aproximou sorrindo, e riu.
‘Não bobo, estamos apenas descansando.’ deu língua e ele sentou ao lado dela. continuou em pé, na minha frente.
, o tava me falando que arrumou essa festa toda sozinho, e que você ficou no quarto dormindo! Eu não quis acreditar, mas ele me garantiu.’ riu e eu olhei incrédula pra .
‘É mentira, !’ Ele gritou rindo e mandou o dedo do meio pra . ‘Seu gay, eu falei exatamente o contrário.’ Ele me olhou sorrindo.
‘Ah bom, pensei.’ Falei dando de ombros e rindo.
‘Senta aí , fica em pé parecendo poste.’ falou rindo e chegando pro lado puxando junto com ele, consequentemente sentou ao meu lado.
‘Cara, não acredito que meu filho já tem 3 anos, e eu nem ao menos consigo me lembrar de vê-lo crescer.’ Ele falou com um olhar perdido um tempo depois. e cochichavam baixo e não prestavam atenção. Eu abri a boca pra falar alguma coisa, mas nada me veio em mente. Suspirei encostando minha cabeça em seu ombro, ele pegou minha mão e ficou brincando com meus dedos.
‘Vamos pegar alguma coisa pra beber, vocês querem?’ perguntou se levantando e fez o mesmo dando a mão pra ela.
‘Não.’ Eu e respondemos juntos eles saíram caminhando pelo jardim. Eu fechei os olhos ainda com a cabeça no ombro de e suspirei sentindo seu perfume.

‘Minha mãe já te contou, né?’ Ele perguntou depois de alguns instantes de silêncio.
‘Uhum.’ Respondi me virando pra ele e encostando queixo em seu ombro. ‘Ela vai fazer falta por aqui.’ Falei baixo.
‘Eu sei.’ Ele suspirou olhando pra nossos dedos entrelaçados. Aquela cena estava típica de um filme romântico com um casal apaixonado. Encolhi minhas pernas no banco quando um vento gelado passou por nós e sem perceber acabei grudando meu corpo no de , deixando nossos rostos muito próximos. Ele virou o rosto e nossos narizes quase se tocaram, ele sorriu enquanto eu estava completamente hipnotizada olhando seus olhos. Senti aproximar o rosto devagar, a respiração dele começar a bater em minha boca e nossos narizes se encostarem. Quando nossas bocas roçaram uma na outra, algumas crianças passaram por ali correndo e gritando e nós nos separamos rápido.
Respirei um pouco ofegante e soltei minha mão da dele passando pelos meus cabelos.
‘É melhor a gente voltar pra lá.’ Falei um pouco rápido e me levantei. resmungou alguma coisa e me acompanhou de volta até as mesas.


A casa já estava quase vazia, apenas pessoas da família, os garotos da banda e estavam sentados conversando. estava em meu colo dormindo, o observei por alguns instantes e reparei em seus cabelos bagunçados. Sorri comigo mesma constatando que se eu tivesse bagunçado os cabelos dele antes de vir pra festa ele realmente poderia ser confundido com o pai.
‘Ele dormiu?’ perguntou baixo e eu balancei a cabeça confirmando.
‘Acho melhor eu ir pra casa, também tô cansada.’ Falei sem encarar .
‘Dorme aqui.’ Ele sorriu e eu o olhei assustada. ‘Amanhã minha mãe quer fazer um almoço de despedida, é mais fácil se você dormir aqui.’ Ele falou animado.
‘Não , eu vou pra casa e amanhã eu venho.’ Sorri fraco.
‘Mãe!’ gritou acenando pra e ela se aproximou sorrindo. ‘Fala pra que é mais fácil ela dormir aqui, pra não ter que voltar amanhã.’ Ele fez cara de criança.
‘Ah, é verdade!’ sorriu pra mim. ‘Esqueci de te falar minha querida, quero fazer um almoço de despedida amanhã, e é tão mais fácil se você dormir aqui! O quarto de hospede tá vazio, e o já tá dormindo tão bonitinho.’ Ela passou delicadamente a mão pelos cabelos de . Eu suspirei tentando achar alguma desculpa pra fugir daquilo, mas nenhuma me veio em mente.
‘Ok.’ Sorri fraco.
‘Ah, que bom! Vou te emprestar uma roupa pra dormir, e aí deve ter algumas do . Vamos lá pro quarto.’ Ele me ajudou a levantar com no colo.
‘Deixa que eu vou mãe, fica aí com minhas tias.’ apontou para uma mesa onde algumas mulheres conversavam rindo alto.
‘Tá bom! Dorme bem, !’ Ela me deu um beijo na testa e eu sorri.
Caminhamos em silêncio até o quarto e abriu a porta para que eu entrasse com no colo.

‘Vou pegar uma roupa pra vocês!’ Ele falou saindo do quarto. Deitei na cama e fiquei o observando respirar calmamente. ‘Pronto.’ voltou sorrindo e me estendeu uma camisola, que devia ser de e uma blusa comprida de . ‘Deixa que eu visto ele, ! Enquanto você se troca.’ Ele sentou na cama ao lado de e eu concordei entrando no banheiro. Vesti a camisola, que era um blusão nem tão comprido assim, prendi o cabelo num rabo de cavalo, escovei os dentes e saí do banheiro. Observei deitado na cama, com a cabeça apoiada no braço e sorrindo enquanto olhava o filho dormir. Encostei na porta do banheiro e cruzei os braços sorrindo.
‘Ele parece um anjo assim, né?’ Falei baixo e se assustou um pouco, ainda não tinha notado minha presença de volta no quarto.
‘Parece.’ Ele respondeu sorrindo. ‘Bom, eu vou voltar lá pra baixo e deixar vocês dormirem.’ Ele sorriu se levantando e eu concordei balançando a cabeça. ‘Boa noite, !’ Ele me deu um beijo na testa.
‘Boa noite.’ Falei baixo vendo-o sair do quarto e fechar a porta. Deitei na cama com cuidado ao lado de e beijei sua testa sorrindo. ‘Boa noite, meu anjinho.’ Falei boba e fechei os olhos dormindo minutos depois.





Continuação

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