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Última atualização: 03/01/2016

Capítulo 1


05 de Dezembro de 2015

E Londres sempre fora linda como ela costumava lembrar, por mais que tenha morado grande parte da sua adolescência no Brasil, por causa do emprego dos pais, a garota não esquecia aquela bela cidade. As ruas de paralelepípedo sempre chamaram bastante sua atenção, as casa e lojas umas perto das outras como se tivessem apertadas por falta de espaço, as pessoas discretas e simpáticas enchendo as ruas, o ar gélido batendo em seu rosto, aquela aparência de lugar antigo e um bando de adolescentes histéricas correndo nas ruas atrás de um garoto. Tudo isso dava um charme a mais àquela cidade.
Espera. Adolescentes histéricas correndo atrás de um garoto? Ela olhava para os lados assustada ao ver aquela multidão louca e quanto mais ela esperava pra ter certeza do que acontecia, mais as garotas histéricas corriam para onde ela estava. A moça saiu do meio da calçada por medo de ser esmagada e ao andar pela calçada, viu uma pequena floricultura, parando pra olhar umas flores, que ficavam um pouco mais afastadas de onde ela estava. Em pouco tempo, uma pequena aglomeração tomou conta de boa parte da calçada. E como todo ser humano, a curiosidade tomou de conta da garota, principalmente com aquelas meninas de todas as idades rodeando um garoto. Garoto esse, que distribuía autógrafos, tirava algumas fotos, vez ou outra dava uma palavrinha e não parava de sorrir. Só era possível ver alguns flashs do rosto dele, por causa da movimentação, mas ela precisava tirar a duvida de quem era. Então ela esticou um pouco o pescoço pra ver quem era a celebridade da vez. E aquele cabelo não lhe era estranho, era muito parecido com o de alguém, alguém que ela conhecia bem.
- Levanta a cabeça, cara! – ela sussurrou baixinho ficando na ponta dos pés e o tal garoto ainda continuava de cabeça baixa – Esse nariz não me é estranho. – a garota fez careta, tentando ver melhor e finalmente ele resolveu se mostrar quem era.
Não poderia ser! A surpresa fez o queixo da garota cair, afinal ela nunca achou que fosse conseguir vê-los pessoalmente, mesmo em Londres, mesmo estando na Inglaterra, por mais que fosse uma das coisas mais simples por lá. Ela continuava sem conseguir tirar os olhos dos olhos penetrantes do garoto e seu coração acelerou, quando percebeu que ele a encarava. Sim ele estava a encarando, depois deu um sorriso arrasador mostrando todos os dentes, fazendo ela apenas rir lesadamente de volta. O moreno acenou levemente, afinal era uma fã. E as fãs eles tratavam com o maior carinho. A garota, com o gesto dele, levantou a mão como se ela pesasse quilos e acenou de volta, depois baixou a cabeça e deu as costas à multidão, continuando a admirar as flores.
E o questionamento rodava. Se ela era fã, como que tinha apenas baixado a cabeça e tentado ignorar a presença do rapaz ali? Ela tinha se convencido de que não ia tentar entrar no meio das garotas para conseguir fotos, autógrafos ou uma palavrinha. Ela já tinha sido tão ignorada no twitter, que presumia não ter mais coragem pra tal ato. Tudo desculpa esfarrapada, o maior medo era de agir feito uma louca, ou ele não ser o que ela sempre achou que fosse e com isso, perder o encanto naquele rapaz tão bonito. Então ela decidiu se redimir a sua insignificância, se contentando com um sorriso que ela nem sabe se foi pra ela, ou por alguma coisa engraçada que ele ouviu. Talvez se tivesse com as amigas, criasse coragem pra espernear, gritar e chamar a atenção dele, mas como sempre, o medo tomou de conta.
Mas como um sopro, uma ideia maluca lhe veio à cabeça, não necessariamente ela precisava agir feito uma louca. Ok era agir com loucura, porém valia a pena tentar. Ela iria andar apressadamente pela rua e esbarrar nele sem querer, depois fazer aquela ceninha de “Oh, meu Deus, me desculpe. Não sei onde minha cabeça está.” soltaria alguns sorrisos e depois pediria pra assinar alguma coisa, uma foto e iria embora. Não passaria por maluca e conseguiria o que sempre quis.
Ela tomou porte, ajeitando o casaco grosso no corpo, segurou a alça da bolsa e virou pra olhar novamente a rua. ainda conversava com umas duas garotas e assinava alguma coisa que parecia ser um case de telefone. Sim, era quem estava distribuindo simpatia. Ela sorriu tomando coragem e quando as duas saíram, andou a passos rápidos, parecendo marcha olímpica, até o rapaz, que mexia no celular, ao que parece respondendo alguma mensagem. Quando chegou bem perto de onde ele estava, a milímetros do seu ombro, a vergonha tomou conta do cérebro dela e a garota mudou o curso passando direto por ele, com o coração na mão. Desceu um batente rapidamente e logo pode ouvir milhões de buzinas, recobrou a consciência percebendo que estava literalmente no meio da rua, carros passavam como jatos em sua frente e ela estava preste a sofrer um acidente, que só foi evitado porque a puxaram pra trás, pelo capuz do seu casaco.
A garota ainda incrédula com tal imprudência de sua parte deu uns passos pra trás cambaleante e hiperventilando. Mal tinha voltado pra Londres e já ia morrer? Não, não era o destino que ela havia planejado. Colocou a mão no coração sentindo-o bater muito forte e uma pessoa lhe sacudindo pelo braço.
- Você é doida? – praticamente gritava sacudindo a garota louca a sua frente.
Que pessoa em sã consciência desce a calçada com o trânsito do jeito que estava? Nenhuma. Não que ele tivesse a ver com a vida dela, mas não ia deixar uma pessoa ser atropelada. Então como reflexo, puxou a menina pelo capuz de volta pra calçada.
- Não... e-eu. – ela olhava pra ele, apavorada. A intenção inicial não era morrer, nem de um acidente, nem de vergonha.
- Você tem que olhar por onde anda, nem sempre tem alguém por perto. – ele disse preocupado – Ou pode sofrer algo grave. – ele disse olhando pra cara dela, com o cenho franzido.
- Desculpa, eu... Ah, meu Deus. O que foi que eu fiz? – ela dizia aos tropeços, desesperada. Tinha passado vergonha na frente do ídolo e ainda estava levando bronca. – . Você é o e está me dando bronca. Eu não sei o que fazer. – ela dizia nada com nada, o que fez o garoto rir.
- Calma. – ele disse ainda rindo – Você está bem? – o cara ainda segurava o braço dela, em partes por medo de ela voltar a correr para o meio da rua, depois guardou o celular no bolso.
Na hora em que ela se preparava pra gritar, dizer que era muito fã, que ele era o amor de sua vida e pedir milhões de coisas. percebeu pelas expressões faciais dela e arregalou os olhos, pedindo que a garota fizesse silêncio, com um gesto. A garota respirou fundo, contou até 10 e tentou não hiperventilar. Era a sua frente, perguntando se ela estava bem, depois de ter puxado-a de volta pra calçada. Como ela não ia surtar? Nem ela sabia no momento, mas apenas se controlou e respondeu ao questionamento anterior do rapaz.
- Eu acho que sim. – ela disse estática olhando pra cara dele – É você mesmo?
- Sim, sou eu. – ele disse rindo – Posso te soltar? Você não vai correr pra rua de novo? – ele perguntou e só aí ela se deu conta que segurava seu braço esse tempo todo.
- Pode, eu não vou correr. – ela disse encantada com ele.
- Posso confiar em você? – ele perguntou mais uma vez – Não quero ser culpado por alguma coisa.
- Eu não vou correr, prometo. – ela disse rindo e cautelosamente, afrouxou a mão do seu braço, depois tirou completamente.
- Você não é daqui, é? – parecia duvidoso, nunca tinha visto coisa daquele tipo. Geralmente o pessoal corria da rua e não, para a rua.
- Depende de como você encara, porque eu morava no Brasil, mas meu pai é inglês. Então, eu meio que pertenço aos dois lugares. – ela disse e pegou o celular na bolsa pra olhar a hora. Estava a pé e não poderia chegar muito tarde em casa. afirmou com um aceno.
- Entendo. – o homem riu – O Brasil é lindo, cantamos lá ano passado. - ele disse com as mãos pra trás. Ela sorriu, lembrava-se do show, afinal tinha ido e havia sido um sonho realizado.
- Eu sei. – ela disse orgulhosa - Eu estava lá. – a garota sorriu e ele a olhou, surpreso.
- Então você é mesmo Directioner? - ele perguntou rindo. Claro que ela era, se não fosse, ao menos conheceria a banda. Mas ela era.
O vento gelado corria batendo nos dois e fazendo a garota se encolher.
- Sim, eu sou. – a morena dava respostas curtas, mas isso era para lembrá-la de reprimir os surtos - E na verdade não sei como eu to agindo com tanta calma. – ela disse de uma vez e rindo – Porque, cara, você não sabe o quanto que eu esperei pra conhecer nem que fosse unzinho de vocês, você não tem noção, . Eu me sinto doente de não poder gritar na sua cara que eu amo vocês e que fazem as melhores músicas e que quero você pra guardar numa caixa... – ela ia dizendo muito rápido e ele gargalhou alto, achando engraçado o jeito que a garota falava.
- Eu ia dizer pra você continuar assim, mas... – ele riu mais, a garota acabou rindo também – Mas obrigado por não gritar. É bom conversar com uma pessoa que não surta do seu lado quando te conhece.
- Ninguém mandou você fazer parte da maior boyband do planeta, ok? – ela disse fazendo os dois rirem.
- Ok. Mas como você disse, é Directioner, então sabe tudo sobre nós... - ele disse cauteloso, com a intenção de perguntar algo sobre a garota misteriosa. Porém não julgou o nome dela como o mais importante a ser descoberto naquele momento - Então, quero saber algo sobre você. – ele disse e ela afirmou. O que a garota poderia dizer a uma pessoa de certa forma desconhecida?
- Estudo aqui em Londres. - foi tudo que ela disse e ele amarrou a cara. Queria saber mais do que só aquilo.
- Então você mora com seus pais? – ele mais impôs que ela morava com os pais, do que perguntou.
- Nops! – a garota negou rindo.
- Com seus avós? – ele perguntou mais uma vez.
- Nops!
- Facilita pra mim, vai. – disse rindo e meio agoniado por não obter a resposta que queria ouvir. Nunca uma garota tinha feito aquilo com ele - Então você mora só? – o cara tentou mais uma vez.
- Hum-Hum! – ela negou com um aceno e riu. Estava gostando de vê-lo agoniado.
- Só me diz onde você mora. - ele pediu como se fosse à coisa mais simples do mundo e conhecesse a garota a mais tempo do que meros 10 minutos.
- Claro que não! – ela se assustou e falou em quase um grito - Eu mal te conheço. – quando ela disse a ultima frase, o garoto olhou pra ela com um sorriso debochado no canto dos lábios. Como assim ela mal o conhecia?
- Ah você me conhece sim, você é Directioner. – riu, ela fez a indignada, mas acabou rindo também. Então ele era desses que gostavam de relembrar as coisas e direcioná-las a seu favor? - Foram palavras suas. – ele deu de ombros e mostrou um sorriso de canto. Ela colocou sua infantilidade à tona e mostrou a língua, rindo em seguida.
- Mesmo assim, não vou lhe dizer onde moro. Sei lá o que você pode fazer... – ela deixou a frase no ar, mas com divertimento na voz.
- Claro, claro. Eu te chamei de doida. É isso? - ele perguntou divertido.
- Exatamente. – ela também respondeu na brincadeira, olhou para o céu e viu o tempo fechando - Mas preciso ir, ta na minha hora.
- Te levo em casa. – ele disse despercebido.
- Nops! – ela riu - Mas mesmo assim, obrigada.
- Não vai mesmo me dizer, não é? – olhava para a garota ao seu lado, com os olhos mais pidões que os de uma criança por doce.
- Não. – ela sorriu, sem graça.
- Tem certeza? Porque você pode descer outra calçada aí, nunca se sabe. – ele deu de ombros, fazendo a garota soltar uma gargalhada.
- Tenho. – ela riu e se preparou para pergunta que queria fazer a seguir - Mas posso te pedir uma coisa? – a garota pediu sentindo o rosto esquentar.
- O que quiser, senhorita. - ele disse colocando as mãos pra trás e parecendo um cavalheiro da alta sociedade. Ela mordeu a boca e respirou fundo, tentando tomar coragem pra terminar o pedido.
- Meu Deus, com eu vou pedir isso? – ela sussurrou, mas alto o bastante para que ele escutasse e ficasse com um sorriso besta e sugestivo na cara. - Não! – a garota gritou pra desfazer do mal entendido e começou a rir - É só um abraço, cara! – ela disse por fim e ele riu.
- Claro. – sorriu singelamente e sem esperar por nada abraçou a garota pelas costelas, levando seu casaco e bolsa juntos com seus braços.
Ela parecia bem surpresa com o que ele tinha feito, no máximo esperava que ele desse uma tapinha sem gosto em suas costas enquanto ela o apertava o mais forte que poderia. Mas depois que o susto repentino havia passado, ela enlaçou os braços no pescoço do e quando o rosto ficou rente ao pescoço do rapaz, ela pode sentir o perfume maravilhoso dele, que era uma mistura de sabonete, loção e o perfume propriamente dito. Era tão mágico que ela não queria que aquele momento acabasse nunca, tinha certeza que era único, não conseguiria abraçá-lo de novo, a sorte da sua vida tinha sido dissipada naquele abraço. Não perguntem quanto tempo durou, não foi calculável, mas poderiam ter se passado horas, que parecera mais ser segundos. Depois de romperem o abraço, beijou sua bochecha, fazendo a garota querer retribuir o gesto do mais velho.
- Esse é por conta da casa. - ele disse sorrindo e colocou novamente as mãos dentro dos bolsos do moletom.
Céus, porque o coração dela parecia lutar dentro do peito? Havia sido apenas um abraço, um simples abraço e ela parecia que ia enfartar de tão alegre que estava. Mas criou coragem para pedi-lo para lhe dar um beijo, mesmo que na bochecha.
- Posso? – ela perguntou e sentiu as bochechas quentes.
- Deve! - ele respondeu animado e inclinou o rosto na direção dela.
A garota quase pula em felicidade, segurou o queixo dele com a ponta dos dedos, que estavam trêmulas, devido aos acontecimentos, depois virou um pouco o rosto para o lado e beijou aquela bochecha que tinha vestígios de barba. Uma das coisas que ela mais queria fazer, uma das mais simples na verdade. E depois de completado o gesto de carinho, ela sentia a boca formigando e não queria desencostar mais a boca do rosto dele. Mas como tudo que é bom, dura pouco, foi preciso que ela o soltasse.
- Bem, obrigada! – ela agradeceu mais que feliz pelo que tinha acabado de acontecer.
- Eu que agradeço, por você não ter surtado e tal... - ele disse, piscou e sorriu, fazendo o quase ataque de histeria, contido por ela, querer voltar sem medo de mais nada. Sendo como seu maior desejo, abrir o berreiro e gritar "VOCÊS VIRAM? ELE PISCOU PRA MIM, BEIJOU MINHA BOCHECHA E DISSE QUE ERA POR CONTA DA CASA! SEM FALAR DO ABRAÇO!". Mas a menina preferiu manter a aparência de garota normal.
- Que nada. - ela disse sem graça. - Mas agora preciso ir. – ela acenou pra , que deu um tchauzinho de volta e começou andar de costas para o lado oposto ao que eles andavam, enquanto ainda olhava pra ela.
- Nos vemos por aí! - ele disse ajeitando o cabelo e ela suspirou.
- Claro que sim! – ela disse com deboche. Qual seria a chance? Uma em um milhão? Jamais que ela o veria novamente e mesmo que o visse, ele não se lembraria dela.
- Acredite, quando eu digo que nos veremos, é porque nós vamos! – ele piscou e parecia ter uma segurança e certeza absurda do que dizia.
Acenou mais uma vez, colocou o capuz do moletom sob a cabeça e virou as costas pra ela, seguindo na direção que caminhava. Todo aquele momento a fez ficar parada na no meio da rua, digerindo, ou pelo menos tentando, o que tinha acontecido nos últimos vinte minutos. Nunca imaginara que o poder de tentar não passar vergonha na frente de um cara, iria salvá-la de um possível desastre, ainda mais quando esse cara era , sim o cantor da One Direction.
Ela tentava se recuperar da conversa que tivera na rua e tentar não se iludir com o “Vamos nos ver novamente.” A garota sacudiu a cabeça e olhou para o céu, fim de tarde, já estava escurecendo, era melhor ir. Sem falar que era meia hora do centro até sua casa.
A morena caminhava a passos rápidos até o apartamento em que dividia com mais duas amigas. passou o caminho praguejando-se por ter saído sem o carro mais uma vez. Parecia querer chover, devido ao vento mais gélido e forte que o normal, incluindo os clarões evidentes no céu escuro da grande Londres. E quando a garota realmente chegou ao seu destino, já havia escurecido. Abriu a porta da casa, vendo algumas caixas ainda espalhadas, elas ainda não tinham desempacotado tudo, as três semanas na cidade não tinha sido o suficiente.
O apartamento era grande e muito bem mobiliado, parecia mais um flet, na verdade era classificado como um duplex. Na parte de baixo tinha uma sala grande com sofás e TV, a cozinha conjugada, área de serviço, um quarto de hóspedes e um banheiro para visitas. Na parte de cima, havia as três suítes que pertenciam às três moças que moravam na casa, todas decoradas ao gosto delas. As três, , e , se conheciam desde muito tempo. Já conheciam Londres devido a viagens pregressas e quando surgiu à oportunidade de morar e estudar lá, elas foram juntas e ficaram com o antigo apartamento de um dos irmãos de , que agora morava em Brighton com a família. Elas três tinham personalidades totalmente diferentes, porém gostos parecidos, mas não pra curso universitário, enquanto , com seus recém completados 20 anos, fazia enfermagem, , 19, ia começar a graduação em cinema e , 19, em direito.
Depois que entrou em casa, na intenção de contar quem tinha encontrado na rua minutos atrás, foi direto pra cozinha, onde sabia que estava.
- Cheguei! – ela gritou trancando a porta atrás de si, jogando a bolsa e o casaco em cima do sofá.
- Uuu! - deu um gritinho da cozinha, enquanto procurava e preparava algo pra comer. Das três, ela dominava melhor a cozinha. Se houvesse alguma escala de habilidades na cozinha naquela casa, estaria na ponta boa, na ponta ruim e como intermediário.
- Cadê a ? – perguntou sentando a mesa, na frente da amiga.
- Saiu também. Comprou o quê? – perguntou, enquanto comia o sanduíche que tinha feito.
- Eeeba sanduicheee! – soltou animada e tirou um pedaço do lanche da amiga, que fez uma cara feia. – Nada, fui andar você não quis ir. – a garota disse rindo e fez uma careta de preguiça. - Não sabe o que perdeu!
- Como assim? – olhou para a amiga, esbugalhando os olhos.
- Vi uma pessoa. – disse. rolou os olhos tediosamente, claro que ela tinha visto uma pessoa, se ela estava na rua, provavelmente ela tinha visto várias.
- Claro que você viu pessoas, mas quem era A pessoa? – a mais baixa perguntou impaciente.
- Era o... – se preparou pra gritar e fazer escândalo junto com ela, mas a campainha tocou interrompendo-a. – Quem é? – a moça perguntou confusa.
- Deve ser a pizza. – disse despercebida. levantou pra abrir a porta e foi junto. - Pizza, pizza, pizza! - ela batia palmas, fazendo a amiga rir, as duas andaram até a porta e a mais velha girou a chave na fechadura.
Quando abriu a porta, rindo com a felicidade da amiga em saber que a pizza havia chegado, deu de cara com um todo molhado com o cabelo pingando na testa, encostado com o ombro na parede e olhando pra ela, com uma expressão séria. A surpresa foi tão grande que seu queixo foi ao chão, só que dessa vez, ela não conseguiu surtar por estar paralisada. Mas por outro lado, começou a gritar dentro de casa, coisas como "Oh, meu Deus, o !", "O está aqui!", "Não vou aguentar, não vou!" e a que a garota julgou ser a mais engraçada, "O está com você? Diz que está!". Porém, o inglês a sua porta tão pouco entendia o que uma das garotas falava, pelo simples fato de ela estar verbalizando tudo em português. Contudo ele foi simpático e acenou dando um tchauzinho e sorriu.
- Você não me disse que morava com uma amiga. - ele falou maroto, sorrindo e deixando sem saber como reagir. Para começo de conversa ela nem tinha dito onde morava.
- Você não me disse que a pessoa era o . - disse agora em inglês, parando de surtar.
- Eu ia dizer... – virou a cabeça na direção dela, totalmente confusa e depois olhou para o garoto - Mas eu não te disse onde morava.
- Eu sei, muito cruel da sua parte. – fez um bico e depois riu. Nenhuma das duas entendia o que fazia ali, ou porque ele estava ali. Elas ficaram caladas, encarando o garoto, na intenção de que ele respondesse como conseguiu achar o endereço. - Mas dei meu jeito. - ele quebrou o silêncio – Além do mais, precisava saber se você tinha chegado inteira. – ele disse rindo. assumiu uma expressão tediosa e confusa. Havia sido um acidente, será que isso não era compreensível?
- Como? – foi mais curiosa e perguntou antes da amiga, fazendo-a concordar – Como assim chegar inteira?
- Vim buscar meu celular. - ele disse rindo. Como? Como ele tinha ido buscar o celular? estava tão confusa que não entendia mais nada – E essa moça estava meio dispersa na rua. – ele disse rindo.
- Está com o celular dele? – perguntou alarmada a amiga.
- NÃO! – gritou negando fervorosamente e meneou a cabeça dizendo que sim - Mas como? Eu não... – a mais velha olhava pra e , intercalando o olhar desesperadamente. - Não entendo mais nada, me explique pelo amor de Deus!
- Claro. - ele riu, depois em um gesto involuntário, se abraçou esfregando os braços. se deu conta de que estava frio demais e seria melhor que ele explicasse, se não estivesse com tanto frio.
- Mas antes. - tomou o lugar da amiga na porta - Vamos chamar o garoto pra entrar. – ele sorriu – , pega uma toalha pra ele? – ela pediu.
- Seu nome! - ele exclamou enquanto passava pela porta. não tinha se atentado a saber o nome dela, mas agora já sabia. riu sem graça. – Faltava isso também. E o seu, moça bonita? – o garoto perguntou a , enquanto subia as escadas pra pegar uma toalha.
- . – ela sorriu dando espaço pra ele entrar em casa – Mas geral me chama de e eu sou Directioner também, acho que deu pra perceber. – eles riram – Desculpa se a passou vergonha na sua frente, ou falou algo meio constrangedor, mas é porque ela... – parou no meio da frase e riu.
- Relaxa, ela não passou vergonha, não. – disse rindo e mostrou um banco na sala pra que ele sentasse.
- Fica a vontade, tudo bem? Eu vou pegar algo quente pra você tomar. – ela disse e ele sorriu agradecido.
no quarto se sentia com se seu corpo não obedecesse ao que seu cérebro mandava. Como se já não bastasse o encontro na rua, ele ainda tinha que dar um jeito de encontrar o seu paradeiro dizendo que ela estava com o celular. A garota pegou a toalha no armário e desceu imediatamente, quando chegou ao topo da escada, viu o cara que sempre habitava seus sonhos, sentado em um banquinho, com os cotovelos apoiados nas pernas e rindo de alguma coisa. Ela ficou presa naquela imagem tão bela, que até sentia o ar faltar, o cara era muito perfeito e mais ainda assim, com esse cabelo grudado na cara e sorrindo. E se ela pudesse guardá-lo naquele momento? Congelá-lo em uma imagem. Era muito constrangedor se ela tirasse uma foto dele na cara dura? Talvez não. tateou o bolso a procura do celular e lembrou que tinha deixado na bolsa. Então nada de foto.
- Que foi, ? Travou? – perguntou rindo e achando estranho, a amiga ter parado na escada. riu.
- Quê? Não! – a outra sacudiu a cabeça e terminou de descer.
Andou até , com o coração na goela, entregou a toalha a ele, que tinha uma xícara na mão com alguma bebida quente que tinha lhe entregado, na esperança de melhorar o estado do garoto.
- Obrigado. - ele sorriu.
colocou o copo na mesinha e as duas meninas sentaram no sofá ao lado dele, que abriu a toalha e colocou por cima da cabeça, arrancando sorrisos lesos das duas. O garoto segurou o pedaço de pano na cabeça e começou enxugar o cabelo, esfregando a toalha na cabeça por todo lado, fazendo não querer mais lavar a toalha. As duas ficaram paralisadas vendo a cena e a mais velha precisou morder a boca para o queixo não descer. Como ele conseguia ser tão lindo até enxugando o cabelo?
- Meninas? – ele chamou e as duas voltaram à atenção para o rapaz molhado.
- Oi. - falaram em coro e ele riu. suspirou.
- Ainda querem que eu explique? – ele riu e colocou a toalha nas costas.
- Por favor. – pediu. Ele assentiu e tomou um gole da bebida, que parecia ser café.
- Coloquei meu celular dentro da sua bolsa, quando fui te abraçar, depois que perdi você de vista, liguei pra operadora e rastreei o aparelho, descobri seu endereço e vim parar aqui. – disse rindo. Ele tinha suas artimanhas, um plano simples e genial. As bocas das duas se abriram instantaneamente.
- Genial. – falou de uma vez, fazendo os dois rirem.
- Disse que a íamos nos ver de novo. – falou e tomou mais do café.
- Só não achei que fosse ser tão cedo. – a garota falou incrédula – Aliás.
- Ele disse isso? - perguntou abismada e ele meneou a cabeça que sim.
- Eu cumpro o que digo, . - ele falou tão sério que sentiu o coração palpitar.
- Uoou! Isso foi... - disse deixando a frase pelo meio, riu e só conseguia prestar atenção no rosto dele. - Olha se não for pedir demais, você poderia autografar meu Take Me Home, de todos os CD's é o meu xodó. - depois que disse isso, caiu na real que estava no seu apartamento, o cara que canta e compõe, 1/4 da One Direction.
- Meu Deus! É mesmo! Eu também quero que você autografe um dos meus, o Made In The A.M. Foto também pode? – a garota se exaltou fazendo o rapaz rir, depois afirmar que sim, faria o que elas estavam pedindo.
Naquele dia, pela primeira vez ela estava agindo como uma fã normal. E foi muito prestativo, depois que se secou, ficou "menos molhado" e conseguiu beber o resto do que tinha feito pra ele. Conversou mais um pouco com elas, que obviamente perguntaram pelos outros meninos e ele disse que era Day off, então ele tinha saído, mas não sabia qual rumo os outros tinham tomado. Também elogiou bastante o Brasil, tirou foto, autografou praticamente todo o acervo de coisas da banda, que ia de CDs a camisetas, já que os pôsteres tinham ficado nos antigos quartos, e tudo isso sem tirar o lindo sorriso do rosto. Depois que elas conseguiram tudo que queriam, se aquietaram novamente pela sala e voltou a sentar no banco em que estava, desde que entrara naquele apartamento.
voltou a admirar o garoto e percebeu que tinha algo de diferente nele, não estava em seu estado normal de saúde, os lábios estavam roxos e ele tinha leves tremores.
- Você ainda está com frio? – ela perguntou preocupada.
- Não estou, não. - ele falou simpático e sorriu depois, mas era perceptível pelas expressões faciais e corporais que ele ainda sofria com a temperatura baixa.
- Mas você está tremendo. – falou com seu instinto de cuidado aflorando e de repente sua cabeça mergulhada na área da saúde começou a pensar. A garota levantou rapidamente e caminhou até o aquecedor, colocou a temperatura em 80,6° F, equivalente a 27° Celsius e voltou para o sofá. - Acho que agora vai melhorar, .
- Obrigada, . – ele sorriu mais uma vez. – Posso te chamar assim? – ele perguntou de uma maneira que a garota quase se derreteu ao ouvir e a única coisa que queria pular de sua boca era "PODE ME CHAMAR COMO QUISER! VOCÊ ESCOLHE!". Porém o que ela tentou ser normal.
- Claro, acho até melhor. – respondeu, boba.
- , não sei se o aquecedor vai resolver muito não. - disse olhando pra ela, que parou de encarar o garoto como se estivesse babando nele.
- Por quê? – a mais velha parecia confusa.
- A roupa dele ainda está molhada. Não acha que isso piora tudo?
- Nossa, é mesmo. Acho que tem umas roupas do Dave por aqui. – ela disse pensativa.
- Não precisa. - ele disse meneando a mão – Não quero incomodar vocês.
- Precisa sim, , vai lá, . - falou e a garota foi em busca da roupa do irmão pra emprestar ao visitante inesperado.
- , eu estou bem, de verdade. – ele disse rindo e a garota riu junto.
- Olha, encontrei essas! – desceu as escadas gritando com umas roupas do irmão em mãos, andou até e entregou as peças de roupa a ele. O garoto levantou do banco e ficou de frente pra ela. – Acho que vai ficar um pouco grande, mas só em você não ficar molhado. – ela disse olhando as roupas pretas em suas mãos e sentindo o olhar do cara em si.
- Já agradeço por tudo, se preocupa não. – ele falou e quando ela olhou pra ele, sorriu, a fazendo suspirar mais uma vez e querer bater nele pra pará-lo. Esses sorrisos soltos eram quase tiros. Ele continuou encarando , achava engraçado ver a garota se afundando mais, que a cada vez respirava mais fundo se impedindo de hiperventilar na frente dele e passar vergonha.
- Tem um banheiro no fim do corredor. – disse como quem não quer nada, chamando a atenção dos dois, olhou pra ela e assentiu, a garota saiu de sua frente e ele foi à direção do cômodo - Tem toalha lá, caso você queira tomar um banho. – a mais baixa completou.
- Ok. – ele respondeu, sorriu e entrou no banheiro. sentou no sofá, perto da amiga, que deu outra surtada.
- Como assim você não me disse que o cara era o ? – sacudiu os ombros de .
- Não deu tempo. – a outra falou arregalando os olhos – Quando eu vi. Ele já estava aqui na porta.
- Meu Deus! Ele tava com algum dos meninos? – ela perguntava eufórica.
- Não, você o ouviu dizendo, o não estava com ele.
- Não falei do . – falou na defensiva.
- Como se eu não te conhecesse. – respondeu e a garota lhe mostrou a língua.
- Tem noção da sua sorte? – perguntou embasbacada.
- Até hoje não, mas acho que outra dessa não acontece mais. – mordeu a boca.
- Você acha? - perguntou, incrédula.
- É. Não acontece mais. – falou convicta e as duas ouviram a porta do banheiro sendo aberta, saiu de lá vestido nas roupas do Dave, que como previu, ficaram um pouco grandes.
estava descalço, com o moletom na mão e o cabelo um pouco desgrenhado. Andou até onde elas estavam e dessa vez sentou no sofá junto das duas, agradeceu novamente por terem o ajudado. Minutos depois a pizza chegou e junto com ela uma , que elas não esperavam que chegasse àquela hora. Geralmente quando ela saia, demorava mais tempo na rua e principalmente quando se tratava de ir conhecer o campus do Direito, atividade que ele tinha feito naquela tarde fria chuvosa.
- HEY GATAS! - ela entrou na sala gritando e com a caixa de pizza na mão. olhou um pouco assustado pra ela e as duas, arregalaram os olhos. - Epa! O que eu perdi? As duas convidaram o pra nossa festinha do pijama? To começando a gostar dessas improvisadas de vocês. - ela falou, fazendo as amigas rirem, depois que terminou de entrar, colocou a caixa de pizza na cozinha e voltou pra sala.
- Não, é que... Longa história, . Depois te explico. – falou, ela caminhou pra onde eles estavam e levantou do sofá, abraçando a moça, que o apertou o máximo que pode. Acomodaram-se no estofado novamente. Estavam, , , e . E antes que pudessem engatar em mais uma conversa, ouviram um celular tocando. sabia que não era o dela, mas na força no hábito, olhou diretamente pra sua bolsa que estava em cima da mesinha.
- É o meu. - respondeu. Elas continuaram paradas, esperando que ele atendesse ao telefone. Será possível que ele não ia atender o bendito celular? - . – o garoto chamou.
- Oi. – ela virou o rosto de uma vez.
- Meu celular. - ela fez uma expressão de "o que eu tenho haver com isso?" - Ta na sua bolsa. – ele disse. A garota arregalou os olhos.
olhou para as duas, mais confusa do que nunca, percebeu a desorientação da garota e riu de canto. pegou o celular do na bolsa e o entregou. Claro que ela não ia olhar quem ligava, mas acredite a vontade era enorme. Depois que recebeu o aparelho, sorriu agradecido.
- Oi, . - essa pequena saudação gerou alvoroço na casa.
- OH, MEU DEUS! – colocou a mão na boca, bem surpresa.
- É O , ! - gritou, bastante alterada.
- EU SEI! - estava desesperada, não era segredo que ela tinha uma queda pelo - , MEU BEM, EU TE AMO, UM BEIJO NESSA SUA BOCA LINDA! - ela gritou perto do e o garoto caiu na gargalhada.
- Não, cara, estou no apartamento de uma delas... Eu sei, não sou criança - e revirou os olhos - O que você queria? Ok, chego já lá. Não precisa. Eu dou meu jeito. Já falei que eu dou meu jeito, caramba. - fez cara de tédio. Se tinha uma coisa que odiava, era que tentassem controlá-lo – - ...
- Meu Deus, você está falando com o ? - encontrava-se mais desesperada que a e o afirmou - Alguém me ajuda! Ele está fora de casa? Está frio lá fora. - desespero modo máximo - Ele está usando casaco? , VOCÊ ESTÁ USANDO CASACO? - ela gritou perto do telefone assim como a outra fez. E riu de novo.
- Ouviu, né? Não esquece o casaco. - gargalhou - Eu vou embora só, olha... tá bom então, manda o Paul vir me buscar. - falou suspirando irritado e desligou o celular. E elas? Boquiabertas e estáticas.
- Eu acho que morri. – falou ainda anestesiada olhando pras meninas e elas balançaram a cabeça afirmando.
- Bem, meninas. Sinto não poder ficar, mas tenho que ir. - falou com a maior cara de insatisfeito, aflorando o instinto de loucura e cuidado, em , que queria agarrar e não soltá-lo mais.
- Sério? - indagou.
- Infelizmente. Mas se vocês quiserem algo, ainda tenho alguns minutos. – ele sorriu mais uma vez e a mais velha estava pra perguntar se poderia beijá-lo.
- Foto pode? - disse animada.
E lá se foram mais outras remessas de fotos, de toda maneira que você imaginar, ok não toda, sem exagero. Mas eles passaram um bom tempo nas fotos, depois comeram toda a pizza e o celular dele tocou outra vez. atendeu e era o Paul, que já estava por perto e queria saber o endereço para poder ir buscá-lo.
- Sério que você já vai? – assumiu uma tristeza de dar dó.
- Sim, não façam essas caras! - ele riu vestindo o moletom preto. - Se der qualquer dia desses, eu volto e trago os outros junto. – e depois daquela promessa, mesmo que um pouco ilusória. Sorrisos se alargaram nelas e bateram pequenas palmas.
viu que o garoto estava descalço e foi buscar o tênis dele que estava no banheiro, calçou mesmo molhado. Despediu-se das meninas. Todas as três abraçaram e beijaram, ainda cobrando que ele aparecesse e levasse os amigos juntos.
- , porque você não leva o até lá em baixo? - perguntou, deixando a garota um pouco assustada.
- Isso, , ótima ideia! - disse e ele sorriu.
- Vamos então, ? Aposto que o Paul já está esperando.
- Claro. – a garota verbalizou atônita.
colocou o capuz na cabeça e foram andando até a porta, deu um ultimo tchau e seguiram para o elevador. Calados. Ótimo, , muito lindo. Ela se martirizava por não ter como puxar assunto. Falar na rua era sinônimo de relembrar a vergonha e falar qualquer outra coisa, era sinônimo de dar uma de louca. Eles entraram no elevador e o Sr. e a Sra. Smith estavam saindo, um casal de idosos que moravam no apartamento do lado ao delas.
- Olá, . – a mulher falou com um aceno.
- Olá, Sra. Smith. – a garota devolveu o cumprimento, eles acenaram pro , que fez o mesmo de volta e as portas da caixa de ferro se fecharam.
puxou mais o capuz pra frente e ficou em um canto, apertou o botão do térreo e se escorou no outro canto. Mas a histeria estava voltando e causando a vontade da garota surtar ali mesmo, colocando pra fora tudo que não pode no encontro na rua.
- Faz tempo que vocês moram aqui? - ele quebrou o silêncio, depois rodou o olhar pelo elevador.
- Não muito, alguns dias apenas. – ela disse com os braços cruzados nas costas. - Vamos começar na faculdade próxima semana, na verdade elas, eu fui transferida.
- Hm. E você faz que curso? – perguntou interessado.
- Enfermagem, na verdade já estou pra entrar no sétimo semestre. Quero me especializar em Instrumentação cirúrgica.
- Uh, legal, , isso é muito bom. – ele falou animado. – Parece complicado, mas é legal.
- É sim, bem... – ela movimentou as mãos freneticamente, depois riram juntos.
Entraram duas garotas com em torno de 16 anos, então preferiram ficar calados pra não chamar atenção e virou de costas pra porta do elevador, escondendo o rosto e dando uma de louco que não gostava de pessoas. Elas desceram no P1 e ele voltou à posição normal, fez umas caretas arrancando risos de . Desceram no térreo e uma Van, esperava o garoto do lado de fora, com certeza era o Paul. Os dois andaram até o portão ainda calados, já havia parado de chover, era noite e estava um pouco escuro, quando chegaram do lado de fora, acenou dizendo que já estava indo.
- É o Paul? – ela perguntou surpresa e ele afirmou, fazendo a garota acenar exageradamente para o homem, que meneou a cabeça, cumprimentando-a e fazendo quase surtar.
- Bom, eu vou indo. - ele disse sorrindo e ela não conseguiu mais segurar.
- Obrigada! – a garota pulou no pescoço dele, que a abraçou de volta. - Eu te amo, amo, amo. – ela falava com os olhos fechados. Era muita coisa pra guardar num coração só. Precisava colocar pelo menos aquilo pra fora. – Obrigada por tudo, principalmente pelo que aconteceu na rua. – ele riu.
- Hey, . O que é isso? Nós quem temos que agradecer, vocês fazem de tudo pela gente. E eu em especial, você foi muito legal me emprestando roupa e me alimentando. – ele disse fazendo-a rir. “Que menino mais fofo!” - Um segredinho, mas guarda pra você. Também te amo. Você sabe disso. – ele disse rindo, adorava o tratamento que recebia das fãs e fazia o possível pra devolver ao mesmo modo.
A garota sentia os olhos enchendo, a garganta querendo fechar e aquilo indicava que vinha choro pela frente. Não vai chorar, , não vai chorar. Iih, já estava descendo as benditas lágrimas. A vontade era grande de ficar assim com ele para o resto da vida. Ela tentou se acalmar, respirou fundo e soltou o garoto.
- Ok. – ela o segurou pelos ombros - Foi um sonho te conhecer. – ele sorriu enquanto ela se xingava mentalmente.
- Obrigado! - ele sorriu mais uma vez - Também gostei bastante de vocês. – se despediram e entrou na Van.
voltou para o apartamento tremendo mais que vara verde e se beliscando pra ver se tinha sido um sonho. Quando entrou as meninas lhe bombardearam de perguntas e a garota acabou contando tudo que havia acontecido desde o encontro na rua, até à hora de ele ir embora. Depois ficaram sonhando mais um pouco, e acabaram dormindo, enquanto passou a noite acordada, remoendo o que tinha acontecido e mirabolando milhões de coisas impossíveis, que iam de encontrá-lo novamente, até ter algum relacionamento futuro com ele.
Os dias e as semanas que se seguiram foram normais, até surgir fotos e boatos sobre os dois na internet. Eles haviam sido fotografados na rua, quando a puxou pela gola do casaco e depois quando os dois ainda conversavam. Levando em consideração tudo isso, foram mais de três meses de perturbação para a cabeça de , a conta no twitter que era FC, teve quer ser excluída. Até na faculdade estava meio complicado de conviver, com algumas garotas alfinetando lá e cá. Mas tudo mudou e em uma declaração no twitter, quando ele disse:

"Não importa quem ela é apenas a deixem em paz, porque eu também deixarei."
Bom e depois disso, tudo voltou ao normal, a vida dela voltou ao que era, aquela calmaria agoniada, que se resumia à faculdade e hospital. Fazer trabalhos, provas e estágios. E a única coisa que não esperava, era que ele descumprisse a promessa, se assim poderia ser chamada, mas foi o que aconteceu.



Capítulo 2


Janeiro de 2018

E depois de mais de dois anos do encontro na rua, com , depois de mais de três meses de perturbação para a cabeça de , muita coisa havia mudado na vida da garota. Ela percebeu que algumas coisas não são o que parecem e que se iludir com certas promessas, não vale a pena, só machucam. Mas claro que ela não ia deixar o amor pelos meninos, por causa de um simples mal entendido na sua vida. A banda tinha crescido como nunca, mesmo depois da saída de um dos integrantes e da pausa, que pareceu ser o ano mais logo da vida de todo o fandom. Mais um novo ano havia começado, a vida seguia e a dela parecia estar tomando rumos muito promissores. tinha o emprego que amava, um namorado maravilhoso e as melhores amizades que alguém poderia cultivar. Porém, o que ela menos queria e esperava era que chegasse em casa acompanhada de , ele mesmo, , fazendo a garota tomar um belo susto quando viu a amiga entrando em casa com o inglês em seu encalço. Ela bem furiosa e ele irritado.
- O que é isso? – deu um pulo do sofá, quando viu os dois dentro de casa.
- Ela bateu no meu carro! - o garoto disse alarmado, rolou os olhos, impaciente.
- Porque você brecou de uma vez na minha frente! - ela falou, em um estado eminente de irritação, cada palavra da frase, de uma discussão que parecia ser remetente.
- Mas bateu e amassou o meu carro. - outra vez.
- Eu já disse que a culpa foi sua! – ela disse com o cenho franzido, enquanto observava aquela cena louca, um deles no apartamento dela mais uma vez. Será que Andy sabia, ou melhor, lembrava quem era aquele cara?
- Já entendi! – a mais velha levantou os braços, interrompendo aquela discussão - Você brecou e ela bateu. – ela apontou para os dois, que estavam frente a frente e atrás do sofá - ?
- Oi, . – ela falou impaciente.
- Você está conhecendo, lembrando... Enfim, você sabe quem é esse garoto? – parecia pasma. nunca, em sã consciência, brigaria com o .
- Claro que eu sei, , surtei quando vi que era ele saindo de dentro do carro. – falou, enquanto tentava manter a calma.

Flashback's on

tinha tido um dia longo e estressante, final de curso era osso, os estágios estavam dando choque de horário e pra melhorar com tudo, alguns papéis da sua especialização, que seria feita logo depois da formatura, não tinham sido devidamente assinados pelos coordenadores responsáveis. O trânsito estava um inferno, a cabeça doía e não conseguia lembrar, por que ideia de jerico, ela decidiu sair naquele horário. É o dia não podia ficar pior . bufou com raiva, engatou a primeira marcha e assim que o sinal ficou verde, pisou fundo no acelerador, mas antes do carro chegar a 40 km/h, a garota sentiu o corpo sendo impulsionado pra frente e sua cabeça dando um solavanco.
Era a bela lei de Murphy, mostrando que ela estava errada. Seu dia tinha sim, ficado pior. Por que diabos um idiota brecava o carro no meio da estrada? apertou a cabeça contra a direção e soltou um grito abafado, em seguida saindo do carro e batendo a porta.
- MAS QUE FILHO DA MÃE! – ela gritou ao carro da frente, com a mão levantada e o trânsito já estava parado.
Ela andou rápido, e com a raiva, que já vinha sendo cultivada desde o fim da aula, a garota trincou os dentes e num ato de loucura, bateu com a mão espalmada na traseira da Range Rover branca, que se encontrava a sua frente. Mas por dentro ela tentava controlar-se, afinal aquela não era ela. Logo ela, uma garota totalmente avessa a confusões e brigas. fechou os olhos, esfregando-os e quando abriu, o cara abriu a porta do carro, com raiva, colocando o coturno pardo em contato com o chão e depois saiu de uma vez.
- CACILDA! – ela gritou de olhos arregalados.
Nunca que ela imaginaria que era o dono do carro. E o quê que ela havia feito? Estava xingando o cara em português e bateu o carro.
A garota tentava assimilar tudo, mas a única coisa que estava fixa na sua cabeça, não era bem coisa, era alguém, um homem, era , que andava na direção dela, talvez preocupado, ou querendo saber como ia ficar tudo.
- Você está bem? - ele perguntou colocando a mão no ombro dela.
Estava preocupado, por mais que estivesse irritado pela batida, mas seu instinto de cuidado falou mais alto, principalmente quando se tratava de uma moça tão bonita, a dona do outro carro. Também levando em consideração, o pavor da garota ao lhe ver.
- Sim... – ela disse com a voz mansa - Quer dizer, não. - sacudiu a cabeça - Não sei. O meu carro. É culpa sua. – ela apontou na direção onde os carros estavam.
- Não, não é. - ele falava calmo ainda com a mão no ombro da moça morena - Mas eu quero saber de você, não do carro. Está machucada? – ele perguntou prestativo e ela só faltou explodir o coração que tinha. Quanta fofura da parte dele. Tinha como ser melhor? Não, só colocando em um potinho.
- Eu estou... – ela falava titubeando, mas parecia em choque e a ponto de hiperventilar - Estou bem, na medida do possível. - ele sorriu, fazendo as pernas da menina, bambearem.
- O que você acha de nós sairmos do meio da rua. Senhorita? - fez menção de perguntar o nome dela.
- . Meu nome é . – a garota ainda estava presa ao rosto de , mas pelo menos conseguiu tirar a formalidade do “senhorita”.
- , isso! - ele colocou a mão nas costas dela. - Vamos para calçada, decidir o que fazer. – o homem disse e depois saiu da rua, levando a garota junto.
- Mas e os carros? – ela perguntou, ele olhou pra trás, sem saber o que dizer. – Eu moro há umas três quadras daqui, a gente podia ir lá e resolver tudo. Até porque está muito frio.
- É. Mas como eu vou saber que você não é nenhuma louca querendo me sequestrar? - ele perguntou divertido, mas estava bem receoso.
- Porque se eu fosse. Já teria o feito. Acredite. – ela também riu. Um riso espontâneo, verdadeiro, que fez o rapaz respirar fundo e acreditar na própria sorte. Ela não era nenhuma louca, sabia das consequências. Então decidiu que iria.
- Então, pra mostrar que confio em você, leva o meu carro que levo o seu. – ele disse de uma vez e viu que talvez tivesse feito loucura. Mas também não era como se ele fosse apanhar daquela garota daquele tamanho. Não, não mesmo. – Pode ser? – ele perguntou sorridente. Ela entendeu aquilo como um ato de extrema confiança, tanto que estava atônita. Como ele poderia ser tão maravilhoso?
- Você quem sabe, mas se isso é uma forma de você não fugir. Então eu topo. – ela disse rindo nervosamente.
- Ótimo. – sorriu e trocaram a chave dos carros, enquanto ambos se chamavam de loucos. Ela por ter que dirigir o carro dele, e ele por confiar seu carro a uma desconhecida que tinha cara de boa moça.
adentrou a Range Rover e quase teve um treco, aquele carro parecia uma nave espacial. Tanto que a garota se sentiu dentro de algumas das naves dos seus filmes favoritos, como a Millenium Falcon de Star Wars, ou a Enterprise de Star Trek. Era quase uma capitã, mas pra isso precisava ligar a nave primeiro, ou melhor, o carro. Depois de se acomodar dentro do carro e dar partida, no outro automóvel, mandou jogo de luz mostrando que já estava pronto para seguir viagem, e foi o que fizeram. Quando chegaram ao condomínio, a garota pediu ao porteiro, que os deixassem entrar. Após estacionarem os carros, andaram calados até o elevador.
-, você realmente está bem? - ele perguntou enquanto estavam parados esperando.
- Já disse, na medida do possível. Não se preocupa. – ela tentou soar a mais despreocupada possível.
- Que bom que a garota que bateu no meu carro está bem. - ele falou e sorriu. Ela rolou os olhos. Quantas vezes ia ser preciso repetir? Ela não bateu, ele brecou.
- Eu não bati! Você brecou. – ela rebateu, irritada na mesma hora em que o elevador chegou, entraram e ela apertou o botão do sétimo andar.
- Ok, ok. Calma. - ele disse na defensiva.
- Clama nada! A forma que você fala, parece que eu tenho toda a culpa. – ela rebateu mais uma vez.
Estava irritada, por ter que reprimir todos os seus gritos, não poder pular no pescoço dele e dizer às coisas que sempre sonhou, dizer que sempre teve vontade de conhecer todos e que amava muito a banda. estava de coração cheio e ainda precisava ser firme quanto à batida. E mesmo com toda essa loucura em sua cabeça e estomago, ainda observava a beleza do rapaz ao seu lado, que usava jeans, um casaco enorme e coturnos pardos. Bom, e era o , isso já o tornava lindo por natureza.
- Estou tentando dar uma melhorada no clima, você parece que está tensa. – disse, talvez um pouco confuso, fazendo a garota o olhar com um tédio sem tamanho.
- E não estaria? Bati no seu carro e descobri que você é , tudo isso em um dia só. - ele estava bem confuso, a garota parecia falar nada com nada – Ok foi sem nexo, mas eu estou confusa. – ela fechou os olhos e o elevador parou.
- Ei, mas veja pelo lado bom. Pelo menos você assumiu que bateu no meu carro. – ele disse rindo e irritando a garota profundamente. Por que que ele tinha que agir de maneira tão idiota? Por quê?
Ela saiu do elevador feito uma bala e com ele em seu encalço, falando algo que ela não se deu ao trabalho de ouvir. E entrou no apartamento, abrindo a porta com força.

Flashback off

Depois da história mais ou menos explicada, havia entendido o que tinha acontecido na rua, inclusive porque os dois entraram feito dois loucos no apartamento delas. tinha a ligeira impressão de que já havia visto em algum lugar, ou alguém muito parecido com ela.
- Ei, você não é a garota dos boatos com o ? - perguntou, finalmente lembrando, ou talvez tentando lembrar.
- Sim, eu mesma. – ela riu sem graça. Ainda lembravam daquilo? Fazia tanto tempo que não tinha mais graça.
- Que mundo pequeno, não? - ele riu.
- Muito. – a garota acabou rindo também. – Achei que não veria mais nenhum de vocês, depois daquela tremenda confusão. A propósito, . – ela se apresentou e estendeu a mão pra ele. O garoto sorriu.
- Prazer, . – ele apertou a mão dela. – Agora sabemos que esse é mesmo o seu nome.
- Pois é. – deu um sorrisinho amarelo.
- Ei, vocês dois! - disse já irritada. - Vamos parar de conversinha e resolver meu problema? – a baixinha falou apontando para o próprio peito.
- Claro. Calma, . – a enfermeira falou e voltaram à atenção pra ela.
- E aí, o que vamos fazer, ? - perguntou. – Nós dois saímos prejudicados. Conheço um mecânico de confiança, podemos levar os dois carros pra lá e depois resolvemos o resto. - ele disse a encarando, enquanto permanecia imóvel. Até porque, por mais que ela estivesse com raiva, ali ainda era o . A garota respirou fundo e resolveu responder.
- É pode ser, quando que a gente leva?
- Agora. Se você quiser, claro. – disse na lata, assim sem esperar nada. quase arregalou os olhos com a rapidez do garoto.
- Ok, então vamos. - disse e pegou a bolsa que estava no sofá. - , nós vamos...
- Claro, levo vocês até lá em baixo. – a mais velha sorriu.
Os três entraram no elevador sem dar uma mínima palavra, deixando bem constrangida com o silêncio, mas ela tinha entrado, não ia sair em qualquer andar e parecer uma louca. Sem mencionar o fato de que ela sentia que atrapalhava alguma coisa, mesmo sem ter a intenção. Quando a porta do elevador abriu, os três saíram da caixa de ferro e a garota se arrependeu profundamente de estar usando apenas uma blusa de mangas longas e nenhum casaco. O frio era cortante e só aí ela entendeu o porquê de e estarem devidamente agasalhados.
Chovia torrencialmente do lado de fora, completando a vontade de ficar completamente debaixo das cobertas, o plantão da noite anterior tinha sido estressante e por mais que ela tivesse dormido a manhã inteira, ainda sentia vontade de voltar correndo pra cama, se enfiar debaixo das cobertas e dormir o resto da tarde.
- ? – chamou e ela sorriu simpaticamente. – Foi um prazer te conhecer. – ele falou sorrindo e os dois se abraçaram. – E desculpa por toda aquela confusão, não tive envolvimento, mas mesmo assim, desculpe. As coisas às vezes saem do nosso controle. – ele riu.
- Esquece isso, . São coisas que acontecem. – ela meneou a mão. Afinal ele não tinha culpa nenhuma, na verdade ninguém tinha. – E também foi um prazer te conhecer. – ela respondeu.
Despediram-se, com alguns acenos e o casal saiu andando em direção a porta que dava acesso ao estacionamento. Por que eles não desceram no elevador mesmo? Será que ela tinha interrompido alguma conversa entre os dois. Putz, , bola fora. A garota virou pra chamar o elevador e ouviu chamar seu nome.
- ... - ela olhou para o rapaz - O é um cara legal, acredite. - ele disse e abriu a porta pra , em um ato de cavalheirismo, o que era bem a cara dele.
coçou a cabeça confusa. O quê tinha a ver com tudo aquilo? Não que ela achasse que ele fosse um babaca completo, mas aquilo era a coisa mais contraditória que alguém já havia lhe dito. Ela nem conhecia o cara direito, como passou um bom tempo desejando conhecer. Talvez o tempo tenha mudado muito a garota, porém se tivesse lhe dito aquilo há uns dois anos, ela estaria fantasiando e inventado milhões de possibilidades para o porquê de ele ter dito aquilo, porém nas atuais circunstâncias, ela sabia que não valia tanto a pena se machucar. Ele poderia até ser sim, um cara legal, mas não era algo que interessasse tanto a ela no momento.
A garota sacudiu a cabeça e mordeu a boca, livrando-se de seus devaneios mais frequentes. Mirou o portão do prédio e viu que o porteiro, Sr. Singer, estava no meio da chuva, segurando um guarda-chuva e fechando o portão, até que apareceu um sujeito, que pelas expressões corporais, parecia bem assustado, ou estar fugindo de alguma coisa e pediu com a mão pra que o homem com o guarda chuva, não fechasse o portão e o senhor esperou ele entrar. O rapaz agradeceu com um aceno e se abrigou na parte coberta do lobby. achou aquilo bem estranho, mas sua curiosidade aflorou e ela continuou observando a cena, o porteiro parecia perguntar alguma coisa a ele, que olhava em volta, parecendo procurar algo. Depois que viu a garota em pé e olhando pra onde ele estava o cara apontou pra ela, falando alguma coisa e o porteiro deu um aceno de cabeça.
se apressou e entrou no elevador, não era o tipo de pessoa chata, mas era esquisito um cara que ela nem conhecia apontar pra ela como se a conhecesse há tempos. Se bem que tinha uns carinhas esquisitos morando no apartamento de cima, talvez fosse só algum deles querendo entrar no prédio. Quando finalmente chegou ao apartamento, o celular piscava em cima do sofá, parecia o alerta de mensagens. Ela pegou o aparelho, vendo que tinham três ligações do John, seu namorado, e duas do Dave, seu irmão. A garota retornou primeiro a do irmão, afinal poderia ser alguma coisa com alguém da família, mas depois da ligação feita, ela descobriu que era o Max, seu sobrinho, querendo falar com ela. Quando retornou a do John e ele disse que passaria por lá durante a noite, talvez pra sair um pouco, ir ao cinema, mas tudo dependeria da chuva e do frio. Ela jogou-se no sofá e ficou zapeando os canais.
A garota passou alguns minutos como manta do estofado e bateram na porta da casa, ela se aprumou, ajeitou a roupa no corpo, sacudiu os longos cabelos e abriu um sorriso. Seu namorado havia chegado. Bom ela achava que sim. andou até a porta e quando abriu não encontrou o John, mas sim um sujeito, que ela não pode identificar quem era pelo fato de ele estar de capuz e com a cabeça baixa, com o rosto bem abaixo do nível de visão dela. Quem era aquele cara e por que estava em sua porta? Ei, espera! Era o cara do portão. O que diabos o cara do portão fazia na porta dela? A morena estava mais confusa do que nunca, até que ele levantou os braços, que tremiam violentamente, junto com o rosto, segurou na barra do capuz e puxou para trás, mostrando quem era e a garota arregalou os olhos, mentalizando vários palavrões equivalentes à surpresa extrema, além de não conseguir processar muita coisa. Sua boca abriu-se involuntariamente, as pernas travaram, ela tremia.
Três questionamentos rodavam sua cabeça. Como ele tinha aparecido ali? Por que ele estava naquela situação? E como ele tinha ido parar bem no apartamento dela? O prédio tinha dez andares, ele poderia aparecer na porta de qualquer pessoa, mas apareceu na dela. estava tremendo muito, a roupa se encontrava encharcada e apesar de estar com os lábios roxos e o rosto pálido, ainda mantinha uma expressão séria.
E o cara não tinha a mínima ideia para onde estava indo, até entrar no prédio do condomínio. Na verdade ele estava caminhando pelas redondezas, pois tinha ouvido falar muito bem de uma cafeteria que havia por ali e decidiu ir conhecer, claro que sempre correria riscos ao andar tão livre pela rua, mas mesmo assim foi. Como sempre foi abordado por muita gente e quando conseguiu sair daquela loucura, comprou o café e saiu do lugar. Enquanto andava tranquilamente pela rua tomando sua bebida quente, para tentar melhorar o estado de frio recorrente pela época do ano em que estava, sentiu alguns respingos de água bem gelada em suas mãos, olhou para o céu fazendo careta e viu que começava a chover. O melhor era procurar um lugar seco, depois ligaria pra alguém.
Fazia tempo que ele não tinha tempo para aquele tipo de coisa, atos tão simples e até rotineiros para algumas pessoas, mas para o rapaz de cabelos castanhos, era surreal tentar ser uma pessoa normal, nem que fosse andando em uma rua escondida de Londres. Nem quando ia visitar sua mãe, as coisas eram tão calmas, até para ir ao mercado comprar um pote de maionese, ele era observado. Mas bem, ali naquela calçada ele parecia estar em paz consigo. Levantou o capuz do moletom, apressou o passo, enquanto tomava seu café com pouco açúcar, por causa dos pingos que cada vez ficavam mais grossos e percebeu uma movimentação esquisita. Olhou discretamente pra trás e viu que algumas pessoas o seguiam. Praguejou um palavrão e rolou os olhos. A chuva começava a ficar mais forte, molhando sua roupa e fazendo com que ele sentisse a água gelada escorrendo em suas costas. começou a dar passadas maiores, tomou o resto do café o mais rápido que pode, jogou o copo no lixeiro mais próximo e entrou no primeiro prédio que encontrou pela frente.
Quando entrou no recinto, deu uma olhada em todo o lobby e lembrou que já estivera ali antes, alguns poucos anos atrás e por incrível que pareça, na mesma situação, completamente molhado. Continuou observando e conseguiu se pôr em um lugar seco, mas antes que pudesse fazer qualquer coisa, um senhor de idade perguntou o que ele fazia ali. E por mais que fosse um cara conhecido, o porteiro precisava saber o que o homem queria naquele prédio. , ao procurar uma solução rápida, viu uma moça em pé, com um suéter vermelho e um longo cabelo escuro e solto nos ombros. Ela seria seu passe pra continuar mais uns minutos ali, até conseguir ligar pra alguém, então ele disse que a conhecia e como previu, o homem o deixou em paz. agradeceu ao porteiro e quando olhou novamente para onde a garota estava, ela não se encontrava mais, o elevador marcava o sétimo andar como destino.
O garoto deu de ombros, meteu a mão no bolso e quando tirou o celular, ele pingava, estava encharcado e não dava nenhum sinal de vida. “Ótimo, ”, ele praguejava impaciente. Sentia os músculos contraírem com o frio e precisava de algo quente. Ainda olhando para o aparelho de telefone, lembrou que quase havia entrando em uma confusão por causa daquele bendito celular, que agora não funcionava mais e também que fora naquele mesmo lugar que ele foi parar. Sim! Lá morava a garota que ele impediu de ser atropelada na rua, o nome dela começava com... Ele não lembrava, só sabia que era um dos mais diferentes que havia escutado. Mas eram histórias antigas, agora, ele precisava de alguém que o ajudasse e não de lembranças escassas. Entrou no elevador e acionou o andar sete, como a moça do suéter vermelho. Claro que ela ia o ajudar, ele era o . Se não ajudasse, pelo menos deixaria usar o telefone.
Quando saiu no andar que queria, viu que ele era dividido em quatro apartamentos. Ótimo. Ele ligou o foda-se e bateu na primeira porta que viu. Ninguém havia saído, baixou a cabeça e bateu mais uma vez. Depois de três tentativas, ele desistiu. Andou se arrastando para a segunda porta, bateu e depois de duas tentativas, a garota do suéter vermelho abriu. Era ela! Não a garota do suéter em si, sim ela estava com o suéter. Mas era a garota louca que não olhava por onde andava. Qual era o nome mesmo? Ele revirou a cabeça, tentando lembrar o nome da garota em questão, mas foi em vão. “Droga, , sua memória é ruim, viu?” Ele ainda continuava vidrado na garota e ela ainda lhe olhava com cara de espanto e a boca aberta.
- Posso entrar, ou vou passar frio aqui na porta? – ele disse, querendo soar mais como uma brincadeira, mas a garota não parecia bem. E na verdade ela não estava, não tinha a mínima ideia do que fazer. Só sabia que ele parecia hipotermico, mas nada saía da sua boca e se não fosse ele ter falado, ficaria tremendo pelo resto do dia no corredor.
E ela só tinha uma coisa em mente, “EU, UMA EMERGENCISTA, NÃO TINHA IDEIA DO QUE FAZER COM TREMENDO EM FRENTE A MINHA PORTA! Qual é? Eu fui treinada para momentos assim, eu tinha que ter pelo menos iniciativa.”
Ela continuava paralisada e também não disse nada. Enquanto olhava pra cara dela. A garota tinha ficado muda? Ele resolveu agir, poderia parecer rude, mas não aguentava mais de frio, então a tirou de sua frente e entrou no apartamento. Depois de fechar a porta trás de si, olhou para o garoto a sua frente e viu que metade dos casacos que ele usava, já estava no chão da sala. Ela respirou fundo e precisava pensar como uma enfermeira de emergência. ainda tremia e já tinha tirado praticamente tudo de roupa assessória que usava, estava só de calça e uma camisa fina, que por sinal era branca. O cara ainda estava um tanto encolhido.
-Você está em hipotermia. – ela disse, fazendo com que todo o estudo sobre hipotermia viesse imediatamente a sua mente. Ela precisava averiguar os sinais vitais e ele, de um banho quente – Você já sabe onde é o banheiro, vou buscar roupas e umas coisas pra averiguar se você está bem. Não coloque o chuveiro no morno, use-o no quente. Vai imediatamente. – ela disse rápido, agindo com a enfermeira emergencista que era. O cara afirmou e andou para o banheiro de baixo.
subiu, quando chegou ao quarto saiu catando tudo que era preciso, pegou uma toalha limpa e umas duas mantas, uma roupa do John e um casaco enorme, que ela tinha desde a viagem de família ao Alaska no ano anterior. Depois pegou o esfigmomanômetro, estetoscópio, termômetro e um relógio de pulso, para verificar os sinais vitais do garoto. Ao descer com os montes de coisas ocupando suas mãos, que eram pequenas, desequilibrou-se e quase caiu no fim da escada. Soltando uma risada em deboche a sua desatenção. Andou até o sofá de cor clara que estava disposto na sala, colocou todas as mantas em cima dele e seus objetos médicos na mesinha de centro. Com a coberta mais grossa, a garota forrou um dos lugares no estofado, a sua intenção era fazer uma espécie de ninho, para que ele pudesse ficar dentro. Após deixá-lo ao ponto, pegou a toalha e as roupas pra entregar ao .
Andou livremente pelo corredor e quando pôs a mão na maçaneta da porta do banheiro, recuou imediatamente. Arregalou os olhos e tentava pensar em como entregar as roupas. Ela não poderia entrar no banheiro como se ele fosse um paciente precisando de ajuda para um banho, não mesmo. Se ela fizesse aquilo, mesmo que agindo profissionalmente, poderia ser indiciada por atentado ao pudor. sacudiu a cabeça e deu duas batidinhas na porta do banheiro.
- Eu estou vivo, já saio. - ele falou com o chuveiro ainda aberto. A garota riu.
- Ok, . A roupa e a toalha estão aqui fora, perto da porta. – ela colocou as roupas no chão e ouviu um resmungo de agradecimento vindo do rapaz.
Ela voltou para a sala e sentou na mesinha de centro, organizou seus materiais e identificou uma página do caderninho com o nome dele, para ser anotado os sinais vitais do rapaz e só assim seria feita a comparação correta. Começou bater o pé no chão, com a impaciência e a ansiedade lhe tomando. E se o John aparecesse lá, naquele exato momento? Ela sacudiu a cabeça, sem querer pensar no que poderia acontecer. Sabia que tinha que se ocupar com algo, ou enlouqueceria. coçou a cabeça e seu olhar se pôs sob o chão da sala, vendo o bolo de roupa molhada. Ela levantou a fim de juntar os casacos molhados, olhou para o corredor e já havia recolhido as roupas secas. levou as roupas para a área de serviço e quando voltou à sala, ele já saía do banheiro, vestido nas roupas do John. Que por incrível que pareça lhe caíam muito bem. Ele sorriu e começou a vestir o casaco enorme, ainda tremendo um pouco e andou na direção dela.
- Vem aqui. – ela o chamou com a mão, enquanto ele ainda se matava pra tentar lembrar o nome dela. Era mais fácil perguntar, não? Não, , queria realmente lembrar o nome da garota.
Ficou de frente pra ela, que já estava perto do grande sofá da sala. pegou uma das mantas e colocou em volta dele.
- Obrigado. – o garoto sorriu, ajeitou a manta sobre os ombros e sentou no sofá, onde estava forrado com a outra manta. Ela sentou na mesinha de centro, de frente pra ele.
- Eu vou olhar sua temperatura e pulso. Ok? – ela perguntou pegando o termômetro, ele assentiu. colocou o termômetro no rapaz e depois segurou o pulso dele, contando os batimentos em um minuto.
- Eu estou bem? – ele perguntou enquanto ela notava algo em um pequeno caderno, a garota riu e afirmou levantando a cabeça – Por que você escreve tanto?
- Para que eu possa fazer uma comparação depois. – ela explicou e tirou o termômetro. Marcava 91,4°F, equivalente a 33°C, ela notou no caderno – Consciente, orientado, compactuando, hipotérmico...
- Oi? – ele perguntou confuso.
- Você está bem, só hipotérmico, como eu previa. – ela riu, ele arqueou as sobrancelhas como entendimento – Não fica com medo de mim. – o garoto gargalhou – Eu vou aferir sua pressão arterial, tudo bem?
- Tudo sim. – ele afirmou e sorriu, enquanto a garota arrastava uma bolsinha pequena, identificada com seu nome, aquilo chamou a atenção do rapaz que forçou a vista e conseguiu ler o nome dela na bolsa. , isso. Agora ele se lembrava, o nome dela era . – ... – ele sussurrou.
- Oi? – a garota levantou a cabeça, colocando o estetoscópio no ouvido. Ele negou, ela deu de ombros e aferiu a P.A. do rapaz, 110x70 mmHg. – , sua PA está baixa, mas é por causa da hipotermia. – ela coçou a testa, ele afirmou, depois colocou a mão na testa dele, ainda gelada – Hipotermia leve, grau um. – ela dizia enquanto copiava no caderninho e ele estava bem confuso.
- Tudo ok? – ele perguntou receoso.
- Sim, sim. – ela riu – E que tenho mania de pensar alto. Cruza as pernas, por favor. – ele cruzou, mas de maneira errada – Como um índio, . – ela riu, fazendo o homem rir junto e fazer o que ela pediu. puxou os cobertores e fez um embrulho com ele dentro. fechou os olhos, aliviado e escorou a cabeça no encosto do sofá.
- Ai, que maravilha. - ele disse, enquanto a garota o olhava. Como ele tinha ido para ali, no prédio dela? – Deixei minha roupa no chão do seu banheiro. Problema?
- Não, depois eu coloco na máquina pra secar. – ela sentou ao lado do rapaz no sofá, enquanto ainda admirava o rosto dele, com os lábios voltando à cor normal. – Seu cabelo ainda está molhado. Vou buscar um secador.
- Uhum. – ele acenou com a cabeça ainda de olhos fechados.
- ? – ela chegou à sala com o secador na mão, ele abriu os olhos e encarou a garota – Vou secar seu cabelo. Posso? – ela perguntou levantando o secador preto. Ele afirmou com um aceno de cabeça. ligou o aparelho em uma tomada na parede, perto do sofá e colocou o vento morno no cabelo dele. O homem sorriu involuntariamente. – Posso te perguntar uma coisa? – ela pediu, enquanto bagunçava o cabelo dele com uma mão e o secador na outra.
- Claro.
- Como você veio parar aqui, no meu prédio? – ela perguntou curiosa. riu.
- Eu estava em uma cafeteria aqui perto, depois que saí de lá com meu café, começou a chover e tinha um pessoal atrás de mim. – ele disse rindo. O quão aquilo soava idiota? Por que as pessoas seguiam as outras? Ele era um cara como qualquer outro, só um pouco mais conhecido, na verdade. – Daí eu comecei a andar mais rápido, depois entrei no primeiro prédio que eu vi.
- E foi aqui. – a garota riu balançando a cabeça, sem acreditar.
- Isso. Bom e o cara lá em baixo, não queria me deixar ficar, mas eu precisava ligar pra alguém. Aí eu vi uma garota com suéter vermelho e disse que a conhecia. Eu juro que não sabia que era você. – ele disse rindo. Ela riu, desligou o secador e voltou a sentar no sofá, ao lado dele.
- Eu sei. – ela respondeu – Como exatamente você veio bater na minha porta? Aqui tem dez andares.
- Então. – ele riu sem graça – Eu vi que você tinha como destino, o sétimo andar. Fui batendo de porta em porta e por sorte, a primeira que tinha gente, era a sua. – ele disse rindo – Achei que a moça com suéter vermelho poderia me emprestar um telefone. – ela riu, depois afirmou.
- Empresto, . Mas, você não vai sair daqui agora.
- Por quê? – ele perguntou, assustado.
- Está sob minha observação, só vai sair daqui quando estiver melhor, resumindo. Fim da tarde. – disse escorando no sofá e ligando a TV, enquanto olhava esquisito pra ela – A propósito, por que você colocou o celular em minha bolsa? – ela virou de lado, olhando pra ele, que respirou fundo e engoliu em seco antes de responder. Será que ela não poderia simplesmente achar que ele fez aquilo porque quis e pronto? Explicar seria um tanto complicado.
- Então. – ele deu um sorriso bem amarelo – Foi um ato de pura impulsividade, depois que eu percebi a merda que fiz e que você poderia se encrencar com isso, decidi vir buscar o celular e inventei uma mentira qualquer. Desculpa. – ele disse de uma vez e deu outro sorrisinho. A garota estava boquiaberta e olhava pra ele com a sobrancelha levemente arqueada, quase o chamando de idiota. Porém não tinham intimidade para aquilo e ela achou melhor ficar calada. – Mas enfim. Como estão as coisas? Cadê sua amiga? - ele mudou de assunto.
- Estamos bem. – ela respirou fundo – E você fala da ?
- Acho que sim, não sou a melhor pessoa do mundo com nome de ninguém. – ele riu envergonhado e passou a mão no cabelo. – Só lembro que ela usava óculos.
- É, a .
- Você e mais duas não moravam juntas? – ele perguntou curioso.
- Ainda moramos, mas elas saíram, estão na rua.
- Ah sim. Deve ser legal não morar só. – ele disse colocando os braços atrás da cabeça.
- É sim, pode ter certeza, sempre tem alguma coisa pra rir, ou brigar, ou rir mais, você nunca se sente só. – ela disse com um sorriso bem espontâneo, ele acabou sorrindo junto.
- Lembro que a outra garota surtou no telefone por causa do . – ele disse rindo.
- A , foi sim... – ela riu se lembrando da reação das três e como a vida parecia ser menos complicada na época.
- Aliás, tem uma roupa minha por aqui, não tem? Essas não são as minhas. – disse e foi abrindo o embrulho de cobertores aos poucos.
- Tem sim, mas realmente essas não são suas, elas pertencem ao John. – ela falava enquanto ele terminava de se desembrulhar.
- Seu irmão? – parecia curioso, ao que ele lembrava, as roupas que o cara tinha usado na ultima vez, eram do irmão dela.
- Não, meu namorado. – ela disse de uma vez, fazendo a resposta parecer rude e essa realmente não era a intenção.
arqueou a sobrancelha e afirmou com um aceno, ela mordeu a boca impaciente, até porque John poderia aparecer e dar um chilique dos grandes. Mas resolveu não prender a cabeça muito nisso.
- Passou mais o frio? – ela perguntou colocando mais uma vez, a mão na testa dele.
- Sim, sim! – sorriu agradecido.
- Está com fome? – ela levantou do sofá – Vou fazer alguma coisa pra gente comer. – ela disse animada, mas depois se praguejou. Onde ela tinha arranjado aquilo? Era vergonhoso, mas não cozinhava, o máximo que saía de suas aventuras na cozinha, era sanduíche ou panquecas.
- Pra falar a verdade, sim. - ele riu.
Até o momento ele só estava com o café no estomago, já passava das duas e sim, então sim, era bom comer algo. Eles levantaram do sofá, o rapaz tirou o grande casaco e foram para a cozinha.

-x-x-x-

andava pelo centro comercial da cidade, sua real intenção era atravessá-lo para chegar à estação de metrô mais perto e ir direto para casa, precisava comer e estudar. Teria uma prova dali a algumas semanas e não poderia perder tempo. A garota voltava da universidade e estava com três livros enormes nas mãos, tinha saído sem carro e havia se arrependido no mesmo momento que precisou voltar para casa. O vento frio do inverno machucava a pele, enquanto ela tentava se apertar no sobretudo de tecido grosso, que cobria o suéter amarelo de mangas longas, enquanto a garota tentava não deixar nada cair no chão.
apressou o passo, ou não chegaria a tempo de pegar o próximo horário do metrô, quando um cara passou por ela, quase a derrubando, mexeu a cabeça para o lado minimamente, mas continuou andando. olhou para ele furiosa, ia gritar vários xingamentos e dizer que a educação lhe mandou lembranças, quando viu uma carteira no chão e desistiu de gritá-lo. Mas a palavra, “Lerdo”, ainda habitava a sua mente, como um letreiro grande em letras garrafais e bem iluminado. Como uma pessoa deixava a carteira cair assim, no meio da rua? Ela andou rapidamente até onde o porta documentos estava, antes que algum esperto a pegasse, até porque o propósito dela, era devolver a bolsa de couro escuro. abriu a carteira que estava abarrotada de dinheiro, fazendo a garota arregalar os olhos. Quem andava com tanto dinheiro assim na carteira? Ela investigou a procura de um documento, ou alguma foto que denunciasse de quem era aquela pequena mina e encontrou uma licença de motorista virada, tirou do suporte e como se fosse possível, seus olhos só faltaram sair pra fora da caixa. Era a carteira do , sim . O carinha da One Direction.
fechou a carteira e olhou pra frente, procurando o rapaz, que já estava um pouco longe, mas ela tinha quase certeza de que poderia alcançá-lo. Fechou a carteira rapidamente e olhou pra frente o procurando, logo avistou o rapaz um pouco longe, de touca e um grande casaco. Ela soltou o ar de uma vez e decidiu que conseguiria alcançá-lo. Em questão te curtos segundos ela já corria dentre as pessoas que a olhavam estranho, enquanto tentava não derrubar todas as suas coisas no chão, ao passo que seguia o pelo meio da rua e recebia olhares esquisitos das pessoas.
- Ei! Ei garoto! – ela gritou quando já estava perto do rapaz, que não olhava pra trás. – Garoto! – ela o chamou mais uma vez, causando medo em , ele não ia olhar pra trás e correr o risco.
Como se já não tivesse correndo risco o bastante andando pela rua, sozinho. balançou a cabeça negativamente, ela tinha que dar um jeito de entregar aquilo, não ia ficar com as coisas dele, a moça correu até ficar a menos de um palmo de distancia das costas dele, e quando conseguiu, o chamou mais uma vez, com a voz baixa e firme.
- ! - ele parou de uma vez, a garota continuou andando e bateu com força nas costas dele, o que fez todos os seus livros caírem no chão. O rapaz ao sentir o baque, virou instantaneamente, se culpando.
- Oh, desculpe! – ele disse fazendo a garota ficar estática, mesmo sem ter a intenção. estava pasma com a beleza do moço e suas covinhas maravilhosas. Se por foto e vídeo ele já era lindo, ao vivo, era mais, muito mais. – Você está legal? – perguntou preocupado com a garota que parecia uma estátua, ainda parada e lhe encarando. Ele tinha uma grande esperança de que ela não ficaria aos gritos. – Ei, garota. – ele movimentou a mão na frente dos olhos dela, freneticamente, na intenção de que a morena acordasse do possível transe. – Você está legal? – ele perguntou bem receoso. piscou os olhos com força e quando percebeu, ele estava com os livros dela em mãos.
- Oi? Sim, é... Claro que não. – ela disse de uma fez, o fazendo rir e não contou muita conversa, em poucos segundos estava abraçada ao rapaz, que riu um pouco alto e beijou a bochecha dela. agradeceu aos céus, por os saltos das suas botas escuras serem altos o bastante, para deixar a bochecha dela no nível da boca dele. – Meu Deus! – ela exclamou se afastando dele e os dois riram mais um pouco. recolheu os livros, enquanto ele sorria pela reação dela, que achou bem engraçada, sempre era. A garota passou a mão no cabelo e lembrou-se da carteira. – Você deixou isso cair. – ela estendeu a bolsa de couro legítimo. arregalou os olhos, era muito parecida com a dele, mas quem garantia que realmente era a dele?
- Não deixei, nã... – o rapaz disse enquanto palpava os bolsos da calça e parou a frase no meio, quando percebeu que tinha sim deixado cair. – É, eu deixei. – ele bateu na própria testa. Como conseguia ser tão lerdo? sorriu e pegou a carteira da mão dela. – Obrigado, se fosse outra pessoa ia fazer uso dela. – ele falou realmente agradecido e guardou no bolso.
- Por nada. – sorriu encantada com ele. – Pode olhar, está tudo direitinho aí, não tirei nada. – ela apertou os livros contra o corpo.
- Eu sei que não, se tivesse mexido não tinha vindo entregar. – ele sorriu agradecido, resolvendo confiar na palavra da garota. – Precisamos de mais pessoas como você no mundo. – foi sincero, fazendo-a se controlar pra não tremer as pernas.
- Posso te pedir uma coisa? – pediu apreensiva, ele ainda receoso, confirmou que sim com um aceno. – Você pode assinar meu case? – ela fez uma careta engraçada, o fazendo rir e com toda a dificuldade do mundo, tirou o celular do bolso, entregando a .
- Claro. Por que não? – ele disse sorridente, pegou o celular, tirou uma caneta de dentro do casaco e começou escrever alguma coisa. – Qual seu nome mesmo? – ele perguntou ainda escrevendo.
- , mas pode me chamar de . – a garota estava em um estado de anestesia fora do comum, ver o cara ali na sua frente e ainda ter ele assinando seu case do celular. Ele não tinha ideia de como se sentir.
- Gostei de você, , além de bonita, é honesta. – ele deu um sorriso mostrando a covinha no rosto e entregou o celular à garota, que começava a cogitar a hipótese de hiperventilar no meio da rua. Era demais receber dois elogios ao mesmo tempo, de .
- Ai, meu Deus, obrigada! – ela soltou um gritinho, eufórica, mirando o case branco do celular que era amarelo. Ela mordia a boca freneticamente, enquanto lia.
“You’re so beautiful in your actions, thanks . Xx. ”.
- Quer saber? Vem comigo! – ele disse de uma vez, pegando na mão dela e levando-a até uma Mercedes.
- , o que você está fazendo?! – ela perguntou meio assustada e por mais que ela quisesse se jogar no carro com ele dentro, tinha que ser no mínimo racional.
- Eu já disse que gostei de você. Então vou te deixar em casa. – ele riu, enquanto abria a porta do carro pra ela. arregalou os olhos e quase gritou. Ele ia deixá-la em casa? Era sério aquilo?
- Como é? – ela perguntou abismada e assustada ao mesmo tempo. Será que a garota poderia confiar nele?
tirou os livros das mãos da quase advogada e abriu a porta de trás do carro, depositando os materiais lá. Ele queria sim dar uma carona a ela, que pelo visto estava andando de metrô e andar no metrô de Londres com aqueles pesos nas mãos, não era nada agradável. Sem falar que a carona era uma forma gentil de agradecer a gentileza que ela também havia feito a ele. E não podendo esquecer que a garota era bonita, muito bonita.
- Vou te levar em casa. Entre, por favor. – ele apontou pra porta do carro e abriu como um puro ato de cavalheirismo.
- Não precisa. – ela disse pasma, porém ainda desconfiada. Como ele daria uma carona a uma garota que ele mal conhecia?
- Precisa, , você foi maravilhosa me devolvendo a carteira. Isso é o mínimo que eu posso fazer. – falou calmo, segurando o olhar dela e conseguindo convencê-la.
Não que fosse tão fácil assim convencê-la, mas era quem lhe oferecia uma carona, também não era nenhum esforço. Depois de entrarem no carro e colocarem o cinto de segurança, ela disse o endereço de sua casa e ele ligou o motor do carro.
- Você estuda o quê? – perguntou curioso pela quantidade de livros que ela levava e também para quebrar o silêncio que havia se instalado.
- Faço Direito. – ela respondeu com um orgulho fora do normal. Ela tinha escolhido o curso por puro amor, nada por influência dos pais.
- Opa! Vai ser uma ótima advogada, ou juíza. Você escolhe. – falou rindo.
- Obrigada. – soltou um riso leve – Mas quero atuar como desembargadora. – ele arregalou os olhos a fazendo rir mais. A garota mordeu a boca e passou a vista pelo carro, constatando que aquilo era bem anormal. – Cara, que louco! – ela sacudiu a cabeça.
- O quê? – olhou pra ela rapidamente, depois voltou à atenção a rua, ainda confuso com a afirmação.
- Eu estou no seu carro, nem nos meus sonhos mais loucos, eu me imaginei aqui. – ela disse com um riso desesperado. Mas seu subconsciente gritava “Menos, garota, você já se imaginou sim!”. - E você é , meu Deus, você é lindo. – ela disse inclinando a cabeça para olhá-lo, como se conseguisse um ângulo melhor.
- Obrigado, acho! Quer dar uma saída? Sei lá... – ele a olhou rapidamente – Antes de ir pra casa? – era um verdadeiro romântico a moda antiga quando queria e ele tinha gostado da garota, então nada melhor do que chamá-la para sair. arregalou os olhos de uma maneira um pouco contida, sem acreditar direito no que ouvia.
- Por quê? – a quase advogada perguntou confusa com o convite dele.
- Eu poderia dar uma infinidade de motivos sem nexo. – coçou a cabeça e deu um sorriso leve – Mas é porque realmente gostei de você. – ele virou o rosto para ela e achou aquele motivo mais do que suficiente.
- É, acho que pode ser legal. – ela sorriu imensamente feliz. abriu mais o sorriso, mostrando os dentes brancos e as covinhas habitantes nas bochechas. respirou fundo quando o sorriso que ela achava mais perfeito em todo o planeta Terra, foi dado pra ela.
- Quê que você acha de irmos almoçar no Nando's. – ele falou e piscou. Ela quase gritou, “Não faz isso, homem!”.
- Opa, boa ideia. – ela riu – Estou com fome mesmo. – se mostrou animada.
Enquanto seguiam pelas ruas de Londres, embalados em uma conversa animada sobre várias coisas sobre os dois. pode constatar que ele era sim uma pessoa maravilhosa, um homem apaixonante, inteligente e educado, mas também galanteador. Eles haviam entrado em um consenso sobre o que falar. A cada coisa inédita que ele falava sobre ele, ela dizia algo dela, mesmo que fosse bobo ou algo do tipo. acabou contando como veio parar em Londres, a história completa sobre como ela conseguiu entrar na universidade. Outros assuntos também entraram em pauta e quando ficou sabendo que era realmente uma directioner, se mostrou um pouco assustado, mas logo voltou às expressões normais, causando risada nos dois.
- Você não é inglesa, isso eu já percebi. Mas de onde você é? – ele perguntou curioso.
- Sou brasileira, mas já estou morando aqui há mais de dois anos. – riu ajeitando a franja.
- Meu Deus! Eu amo o Brasil. – soltou um quase grito, pelo que já era evidente, devida a uma de suas tatuagens. – E as Directioners brasileiras também, elas são apaixonantes. – ele disse olhando pra ela, que sentiu o peito encher e as bochechas esquentarem. Os dois haviam parado em um semáforo.
- Obrigada pela parte que me toca. – os dois riram.
- Sério! Vocês são bem... – arregalou os olhos e sacudiu os braços, tentando demonstrar. A garota soltou uma risada contagiante, que também o fez rir.
- Intensas? – ela perguntou passando a mão embaixo dos olhos pela crise de riso, mas achando lindinho o jeito dele.
- Isso! Intensas. – voltou a dirigir. – Mas e você?
- Eu, o quê? – perguntou confusa.
- Veio pra Londres só pra estudar? Nada mais te prende aqui? – o rapaz perguntou curioso.
- E você ainda fala só? – a garota riu. Ele achava pouco ela estar ali estudando? riu e afirmou sobre a pergunta verbalizada. – E sim, eu estou apenas estudando aqui. Mas em breve quero trabalhar.
- Hm, bom saber. – ele deu um sorriso de lábios fechados.
não falou nada em reação a frase dele e em poucos minutos estavam em frente ao restaurante, ela deixou os livros dentro do carro, pegou a bolsa, o celular e saíram do carro. esperou por ela e entraram paralelamente no Nando’s, conversando pouco e rindo de algo, como se fossem velhos amigos.
O cheiro que pairava no lugar era maravilhoso, já tinha comido algumas vezes por lá e a comida era maravilhosa, pelo que ela julgara. Assim como os profissionais que trabalhavam ali, sempre muito atenciosos e simpáticos. Uma das garçonetes, que já conhecida os meninos, os atendeu assim que os dois entraram no lugar, ela já sabia qual mesa reservar para quando algum deles aparecia por ali, sozinho ou acompanhado. Depois de ocuparem a mesa, que ficava em um lugar arejado dentro do restaurante, fizeram seus pedidos e conversaram mais algumas bobagens até a comida chegar.
Quando terminaram a agradável refeição, ainda tentou ajudá-lo com a conta, mas recusou avidamente, alegando que não era um ato de cavalheirismo deixá-la paga. Durante a saída do restaurante, algumas meninas o avistaram e como formigas no mel, foram falar com moço, pedir fotos e autógrafos, ajudou-as com as fotos, também conseguindo a sua e as garotas agradeceram imensamente satisfeitas. Após uma tarde inteira na companhia de , eles voltaram ao veículo e o moço a levou até em casa.
- Onde é mesmo, que você mora? - perguntou batucando o volante.
- Vai voltando para o centro que quando tiver perto te digo. – ela disse apontando na direção e ele afirmou.
- Ok! – balançou a cabeça que nem uma lagartixa, fazendo-a rir. Decidiu por uma música no ambiente e ligou o rádio do carro, estava tocando David Guetta, arregalou os olhos e começou cantarolar, enquanto se balançava no banco. – Você gosta? – perguntou vendo a animação dela.
- Sim, cara, David Guetta é... – ela suspirou.
- É. Você realmente gosta. - ele falou e riu.
- Mas se você não quiser deixar, pode mudar... – a morena aproximou a mão dos botões do carro.
- Não, não. Está ótimo, não precisa mudar, não. – afastou a mão dela do painel e continuou dirigindo, enquanto os dois cantavam Titanium. não tinha mais dúvidas, era perfeito, um homem mais do que perfeito. - Bem calmo, não é, o lugar por aqui? – ele perguntou puxando a atenção dela, que não tinha entendido, até o momento de ver que estava na rua de casa.
- Geralmente sim, mas depende do horário também. – ela riu – E de quem frequenta.
- Nossa e tem gente conhecida morando por aqui? - ele perguntou curioso.
- Na verdade, não, mas... Nunca se sabe, não é? – a garota deu de ombros. O bairro era bom, realmente poderiam aparecer pessoas por lá, querendo sossego.
- Claro, até porque é sempre bom vir visitar uma amiga. – o homem disse sugestivo, fazendo a garota olhá-lo bem surpresa.
- Amiga? – perguntou, enquanto ele parava em frente ao prédio em que ela morava com as duas amigas.
- Sim, . Amigos? – ele lhe estendeu a mão. Ela olhou para a mão dele aberta em frente a ela, implorando por um cumprimento que selaria uma possível amizade. respirou fundo e por fim, estendeu a mão para ele.
- Amigos! – ela sorriu largamente e os dois selaram o aperto de mão.
- Acho que te deixo por aqui mesmo. – disse vagamente, olhando para a fachada do prédio.
- Você não quer subir? – ela foi simpática – Te apresento a duas amigas minhas.
- As garotas com quem você mora? – ele perguntou animado. Se for um jeito de conhecer melhor o mundo dela, sim, ele toparia subir.
- Uhum, elas também são fãs. – disse sorrindo, ele abriu um sorriso bem largo.
- Sério? – o garoto perguntou, surpreso, ela afirmou – Agora quero conhecer, quero mesmo. Vamos lá?
- Claro. – a moça disse achando linda a reação dele.
desligou o carro, ajudou-a a juntar os livros enquanto a garota pegava a bolsa e andaram para o Lobby do prédio. Não chovia mais, porém ainda estava frio, então quanto antes eles chegassem ao apartamento, melhor seria. Ao passar pelo portão, cumprimentaram o porteiro, Sr. Singer, depois pegaram o elevador e subiram rumo ao sétimo andar. tinha certeza que as amigas iriam surtar com a presença do moço na casa delas, fazia eras que aquilo tinha acontecido. Talvez nos próximos dois anos, viesse a aparecer mais outro membro do grupo e assim por diante, até elas conhecerem a One Direction inteira. Era engraçado pensar assim, mas não sabia que as coisas iriam mudar bastante dali pra frente.

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saiu do residencial acompanhada de , que havia prometido levá-la a uma oficina confiável, com o fim de consertar o carro da garota. Eles tinham começado com um mal entendido, mas estavam conversando como se já tivessem o hábito de fazer aquilo. A cineasta ainda guardava para si, à vontade de surtar por ele ser o cantor da One Direction e um dos seus preferidos, se assim dizer. A moça sabia que a qualquer momento poderia sair de sua boca várias coisas em relação a ele, e algumas, era melhor nem pensar muito. Tudo fruto de uma autorrepressão profunda, com o intuito de não parecer uma louca varrida.
Quando chegaram ao estacionamento, ela viu o carro com o para-choque amassado, uma das lanternas quebradas e desviando para o lado esquerdo, fora alguns barulhos esquisitos que haviam ficado depois da batida na traseira de . Após entrarem em seus próprios carros, eles dirigiram durante quarenta minutos, seguindo , até uma área bem afastada da cidade. A maioria do percurso era em uma estrada um tanto deserta para o que ela estava acostumada. já conhecia bem o lugar que estava indo e quando o assunto era conserto de carro, Earl era o melhor da cidade, o cantor lembrava-se de ir lá com o pai quando era ainda criança. Mas não sabia disso e começava a ficar com medo, estava decidida a pisar no acelerador do carro e dirigir de volta para casa, pediria o telefone de um mecânico a um dos irmãos de e estava tudo certo. A garota se culpava por ter aceitado ir até lá, com um cara que ela mal conhecia, mas ainda tentava se acalmar pesando em como ele era um bom menino.
Em questão de poucos minutos, eles chegaram a um velho galpão, cheio de carros de todos os tipos e fora uma pintura velha na parede dizia: “Oficina do Eral”. A garota olhou bem atenta para o lugar e finalmente pode acalmar o coração e respirar aliviada. Era realmente uma oficina, pelo menos por fora. Saíram dos carros, depois de estacioná-los devidamente em frente ao local e esperou sair da Range Rover branca, assim ela poderia deixar o seu esportivo sem medo. Ao adentrar o local, se sentiu bem desconfortável, pelo simples fato de ter várias fotos de mulheres sem roupa e alguns dos mecânicos serem um tanto, mal encarados.
- Hey, Jason! – cumprimentou um dos homens que havia chegado perto dos dois. Os dois rapazes se conheciam desde muito tempo, mas tinham tomado rumos bem diferentes na vida e para , era doloroso ver a que ponto o velho amigo havia chegado.
- E aí, ? O que te trás aqui? – Jason disse intercalando o olhar entre a garota e o amigo, fazendo a menina sentir náuseas.
- Tivemos um probleminha no trânsito. – percebeu os olhares do outro e passou o braço pelos ombros de , quase abraçando a garota – O Earl está aí?
- Lá na cabine. Se quiser ir falar com ele. – ele apontou para um lugar no fim do balcão e depois mediu a garota de cima a baixo.
- , vou lá falar com ele, se você quiser sentar ali. - ficou de frente pra ela e apontou para um jogo de cadeiras que tinham por ali. - É ligeirinho. – ele disse e sorriu.
- Tudo bem. – ela respondeu com medo e deu um sorriso amarelo, querendo indicar que estava tudo bem, ainda sentindo o olhar possessivo do mecânico na direção dela, fazendo-a sentir medo e asco.
Ela tomou coragem, andou até as cadeiras e sentou por lá, enquanto dava uma atenção fora do comum aos seus joelhos e batendo o pé no chão. Tirou o celular do bolso, mas tinha descarregado completamente, se praguejou por isso, mordeu a boca com impaciência e sentia que alguém lhe olhava, ela sabia quem era, mas não ia encará-lo de volta. Assim era um jeito do cara achar que ela queria algo com ele. A garota fechou os olhos com força, quando ouviu passos na sua direção, abriu os olhos imediatamente e levantou a cabeça, achando ser , mas viu Jason, com um sorriso maníaco estampando a cara e lhe causando arrepios de repulsa.
- O que foi, boneca? – ele sentou em uma mesinha de centro exatamente na frente dela, que vincou as sobrancelhas e fechou a expressão. Talvez assim ele saísse de perto dela. – Não fica nervosa, não, sou um cara bom. – ele disse se apoiando nos joelhos, enquanto pronunciava cada palavra com perversão e malícia, se aproximando cada vez mais dela. não conseguia mexer um mísero músculo do corpo, por medo. Nem bater a mão na cara dele, ela conseguia. – Fique calma... – Jason se ajoelhou na frente dela, aumentando sua expressão maníaca e pervertida.
só tinha uma coisa em mente: Gritar por , gritar de verdade e pedir ajuda, que ele a tirasse de perto daquele maníaco. O pavor tomava conta de seu corpo, fazendo-a perceber que deveria tomar uma atitude e rápido. Ela analisou bem e viu que a única saída era chutá-lo em seu lugar mais sensível, a garota preparou o pé, mas antes de dar o impulso, apareceu como um anjo em sua frente.
- JASON, QUE PORRA É ESSA? – gritou quando viu o que estava acontecendo, fazendo o mecânico arregalar bem os olhos e o pavor tomar conta de sua face, caminhou a passos firmes até onde o suposto amigo estava e o puxou pela gola da camisa suja. estava apavorada com tudo que estava acontecendo e quando o cara foi tirado de perto dela, pode respirar mais aliviada.
estava furioso com a atitude suja do cara. O que ele tinha se transformado? Como ele tinha a coragem de se aproximar de com aquelas intenções? Mas o que mais lhe martelava a cabeça era em como tudo estaria se ele não tivesse aparecido logo. Jason não era flor que se cheirasse, mas o jeito que abraçou a garota, ela para ele ter entendido que com ela não era nem para ele se aproximar. Porém o recado não havia sido efetivo. E se não havia sido efetivo, talvez uns bons tapas resolvessem o ocorrido.
- O que você pensa que está fazendo, seu idiota? – tinha a voz tomada por raiva, enquanto dava empurrões no peito do mecânico, o fazendo andar pra trás aos tropeços, mostrando-se desesperado. – Deixe a garota em paz! - gritou e encurralou o cara na parede. - Meu Deus, se você tivesse tocado nela... – ele colocou as duas mãos atrás da cabeça, fechando os olhos com força. – Ia se ver comigo, há se ia. - estava verdadeiramente furioso, Jason assustado e também.
- Eu não sabia que ela era sua namorada. - Jason falou amedrontado. ficou parado e manteve a postura rígida, mas estava tenso. Realmente não era sua namorada, eram apenas conhecidos há poucas horas. Mas tinha certeza de que o mecânico não poderia agir daquele jeito com ela. – Desculpa, eu... – o cara tentou se redimir, mas soltou um grunhido de raiva, batendo com a mão na parede, depois passou a mão no próprio rosto, respirou fundo, se afastou do cara e andou até onde estava. Abaixou-se na frente da garota, segurando a mão dela.
- Ele te fez alguma coisa? – perguntou baixo, de uma forma meiga. Já estava preocupado o bastante.
- Não. – foi a palavra que ela conseguiu verbalizar, antes que seus olhos começassem a marejar.
O rapaz vincou as sobrancelhas, levantou do chão e a puxou delicadamente pelas mãos, depois a abraçou carinhosamente, o mais confortável que conseguiu, enquanto a garota sentiu as lágrimas descerem, o abraçando o mais forte que pode, com o rosto apoiado no ombro dele e sentindo o perfume amadeirado do garoto. Não sabia o que era direito, mas sentiu uma imensa vontade de fazer aquilo e fez. Continuaram alguns minutos ainda daquele jeito, com encolhida no abraço dele, até que o rapaz decidiu tirá-la de lá.
- Vamos sair daqui, lá fora te explico como eu resolvi com o Earl. – ele passou a mão na cabeça dela.
- Ok. – resmungou baixo, passou a mão no nariz e saíram do local, com segurando a mão dela.
- Ele realmente não te fez nada, não é, ? – perguntou preocupado, encarando-a de forma meiga. A garota negou com a cabeça, ainda de olhos vermelhos, ele suspirou aliviado. - Me desculpa, por favor. Não achei que fosse dar nisso se te trouxesse. – se mostrava mais do que atencioso com a garota.
- Ok, , tudo bem. Não poderíamos prever esse tipo de coisa. – ela disse tentando esboçar um sorriso, mesmo que não muito satisfatório.
- Tem certeza? – ele segurou a mão dela.
- Tenho. – respirou fundo, recuperando a garota guerreira que sempre foi. – E o carro? Como ficou? – ela mudou de assunto, o deixando mais aliviado.
- Como o seu carro está em um estado pior que o meu, vamos deixar o seu aqui primeiro e aí depois eu trago o meu. – ele explicou pacientemente.
- Por que não vamos deixar os dois?
- Earl está meio atolado de serviços. – coçou a nuca - E só aceitou pegar um por vez, então, creio eu que você vai precisar do seu mais rápido.
- Ah, sim... Claro. – ela deu um sorriso sem graça. - Mas preciso conversar com ele, pra saber o valor do conserto. – disse apertando o celular entre os dedos, pedindo aos céus pra que não ficasse muito pesado para o bolso dela.
- Já resolvi isso. – ele falou despercebido.
- Como assim você já resolveu? – a voz da garota saiu meio esganiçada. – , isso é obrigação minha. Eu bati no seu carro. Eu pago.
- Mas eu brequei. – ele deu de ombros. Quer dizer que agora ela assumia que havia batido no carro?
- Não importa, eu que vou pagar. – a garota disse séria.
- Está doida? Não vou deixar você pagar. – ele retrucou.
- Quem está doido é você, eu quem tenho que pagar. – foi firme, fazendo ver que se não tomasse um posicionamento, aquela discussão não acabaria, então ele suspirou e se deu por vencido.
- Você paga o seu e eu resolvo o meu. Satisfeita?
- Não, mas está melhor assim. – ela sorriu.
- Ótimo. - ele disse rindo.
Depois de recolher todos os pertences de valor de dentro do carro, acompanhou até o velho Earl, dono da oficina há mais de trinta anos. Ele atendeu aos dois de bom grado e quando ficou sabendo do acontecido com o Jason, garantiu que tomaria as devidas providências. Após saírem do velho galpão, no carro do , com os ânimos já mais calmos, a fome cismou em parecer.
- Está com fome? - ele perguntou assim que entraram no centro de Londres.
- Um pouco...
- Talvez muito. - ele completou a frase, os dois riram.
- Isso mesmo. – a garota riu.
- Eu também estou! Então vamos comer. – levantou uma das mãos, enquanto ela levantou os dois braços com a animação dele.
Os dois pararam na Starbucks mais próxima, ao entrarem no estabelecimento, atendeu alguns pedidos de fãs, como fotos vídeos e algumas conversas, depois adentraram a cafeteria rumo a um lugar mais calmo e com menos gente, onde eles poderiam conversar e comer alguma coisa. E os pedidos da vez foram Muffins de baunilha com chocolate, um chocolate quente para ela e um café com pouco açúcar para ele.
- Você falou umas coisas estranhas quando batemos o carro... – disse confuso, fazendo-a rir. – Você não é daqui, é? – ele ainda estava curioso e confuso, enquanto não conseguia cessar o riso. – Não ri de mim, . – o moço pediu fazendo um bico e ela engoliu a risada, quase engasgando.
- Não, ... – ela sorriu, o fazendo sorrir e aquilo deixou a garota encantada, como um sorriso poderia ser tão maravilhoso?
- Continue... - meneou a mão com um sorriso brincalhão estampado nos lábios, que ela admirava a medida que o rapaz ria ou falava algo.
- Continuando... – sacudiu de leve a cabeça, deixando os lábios rosados do garoto de lado, enquanto ele sorria interessado com o que ela iria dizer. – Eu sou brasileira, então estava falando em português. – a garota mordeu o bolinho.
- Ah, isso já explica um bocado. – disse em tom de alívio.
- Pois é. – ela deu de ombros, ainda sorrindo. – Mas estou morando aqui em Londres há uns dois anos, faço Arte Cinematográfica e... – fechou um dos olhos, pensativa. – Acho que só. Não, espera. – ela disse rápido, riu. – É, o que você não saiba, era só isso mesmo.
- Você ainda é Directioner, ou deixou de gostar? – ele perguntou com o queixo encostado a mão, fazendo as tatuagens do antebraço, ficarem bem visíveis, prendendo completamente a atenção dela. – Sabe... Aquela confusão toda lá com a sua amiga. - ele tentou se explicar, vendo que a garota havia ficado sem reação alguma. Porém ela tentava descobrir como ele sabia daquilo, o que foi esclarecido com a explicação dele.
- Baby, bote uma coisa na sua cabeça. – ele assentiu com um sorriso no rosto. – Quem entra no fandom da One Direction, não deixa de ser Directioner nunca mais na vida. – ela disse com simplicidade e clareza, o fazendo rir alto.
- Então você é. – ele afirmou, sorrindo largamente.
- Claro! – ela exclamou, como se apenas falar um sim não fosse suficiente e ele alargou mais o sorriso.
- Já facilita um bocado as coisas. – ele disse olhando para o copo, mexendo-o na mão e vendo o vapor subir.
- O quê, por exemplo? – deixou sua curiosidade falar mais alto e também apoiou o queixo na mão.
- Você já me conhece, então o custo agora é só eu te conhecer, agora. – ele falou como se aquilo fosse óbvio, mas ela achou esquisito o papo do garoto.
- Custo pra quê? – ela se fez de desentendida, mas talvez lá no fundo, soubesse do que se tratava aquilo. Seria uma cantada? Talvez não.
- Está uma delícia, sabia? – levantou o doce na altura do rosto e mudou totalmente de assunto. Ela afirmou, pois já tinha comido um dos Muffins.
E por mais que a curiosidade estivesse lhe tomando dos pés a cabeça, decidiu não adentrar mais no assunto de querer conhecê-la. Mas decidiu que descobriria que custo era aquele, até que a relação dos dois fosse cortada por razões óbvias de afastamento. Contudo, ela mal sabia que a intenção dele não era se afastar, muito pelo contrário, estava instigado a conhecê-la um pouco mais, talvez desenvolver uma amizade e quem sabe, algo mais forte algum dia.
Depois de uma tarde inteira, juntos, regada a algumas risadas e perguntas, percebeu que logo anoiteceria, sendo a hora de ir pra casa, então para não abusar muito do horário, ela acabou pedindo ao rapaz, já que estava de carona, que a levasse em casa, coisa que ele fez de bom grado. A garota se sentia em um sonho, depois daquele tempo na companhia de , não tinha como ser superado, não ainda. Após a curta viagem do centro até onde morava, parou em frente ao condomínio, que havia estado horas antes.
- Está entregue, senhorita? – ele disse olhando pelo vidro do carro, com um sorriso não tão animado.
- . – ela respondeu o sobrenome e devolveu o sorriso.
- Precisamos, pelo menos, nos apresentar direito. Prazer, . – ele disse educadamente, estendendo a mão para ela.
- . – ela fez o mesmo. – Adorei te conhecer. – a frase saiu bem espontânea. segurou a mão da garota e beijou o dorso dela.
- Também gostei. – ele falou, ficando um vácuo de sorrisos e olhares dentro do carro durante alguns instantes, até se pronunciar novamente. – Não vou me despedir, até porque vamos nos ver novamente. – aquela pequena frase, junto ao sorriso dele, fez o coração da garota pular dentro do peito. Ela sorriu ainda um pouco nervosa e tateou o banco do carro atrás da sua bolsa. Percebendo que estava no carro do , se deu conta que eles realmente iriam se encontrar novamente, ela ainda tinha um carro na oficina.
- Claro. – a garota tentou parecer animada o suficiente.
- E não estou falando do carro. – ele deixou a frase morrer e sorriu, fazendo o sorriso dela se abrir como uma flor na primavera.
- Se você diz. – deu de ombros, abrindo a porta do carro e recolhendo suas coisas. – Mas preciso ir, obrigada por tudo, , por tudo mesmo. – ela se despediu, tentando equilibrar, pastas, livros e bolsa nas mãos.
- Não agradeça, foi ótimo. – ele sorriu e os dois saíram do carro ao mesmo tempo. – E me deixe te ajudar, .
- Não precisa. – ela sorriu agradecida, virando para olhá-lo e não viu um de seus livros quase tomar o chão como rumo, porém foi mais rápido, ajudando-a com metade das coisas.
Entraram no prédio com o assunto sobre como o lugar era calmo em pauta, admirava o cara lindo ao seu lado e sabia que ele demoraria a voltar ali, então ela levou em consideração todo o dia e o chamou para subir, afinal não seria nenhum esforço, na verdade iria ser maravilhoso apresentá-lo direito as meninas. Chegaram ao elevador que havia acabado de subir e os dois resolveram não esperar, usando a escada como opção.

-x-x-x-

tinha passado a tarde na casa das meninas, a pedido de com a observação clínica do rapaz. John não havia aparecido ainda e ela agradecia, pois se isso tivesse acontecido, não seria uma conversa muito agradável de ver e ouvir, já que ele tinha certo ciúme da namorada, quando se tratavam de algumas pessoas.
Após terem comido alguns sanduíches que a garota tinha preparado, já que era uma das únicas coisas que ela dominava na cozinha, e se ocuparam o resto do tempo na sala, junto a TV, onde conversaram sobre algumas coisas que aconteceram durante anos que haviam passado, até porque 2015 não tinha sido um ano muito agradável para quem acompanhava a carreira dos garotos tão assiduamente como as fãs, mas nada que os outros anos não pudessem superar. Porém a conversa também envolveu outros aspectos que não fossem tão profissionais e a tensão dentro de aumentava constantemente, ela não pretendia brigar com o namorado, mas se ele visse ali, renderiam boas discussões para a cabeça dela.
- Bom, , eu acho que já vou indo. – ele disse assim que a enfermeira acabara de aferir a pressão arterial dele, vendo que estava dentro dos parâmetros normais.
- Ainda não, moço. – ela riu e olhou para o seu caderninho – Preciso comparar tudo e ver se posso te deixar ir embora. – os dois riram.
- Preciso ficar com medo? – ele fez careta.
- Claro que não. – ela levantou a cabeça e sorriu – Está tudo bem com você, está liberadíssimo. – ela piscou. O garoto riu. Será que ela era assim com todo mundo, ou isso se devia ao fato de ser ele?
- Que bom. – ele sorriu e passou a mão no cabelo – Obrigado por ter me ajudado.
- Sem essa, , é meu dever. – ela meneou a mão e os dois levantaram do sofá.
- Mesmo assim, mas vou tentar aparecer de novo, para te ver, ver as meninas... – ele deixou a frase morrer, enquanto ela tinha as mãos pra trás.
- Claro, só não demore mais dois anos. – a garota brincou, ele riu.
- E nem apareça molhado, não é?
- Exatamente. – os dois riram, enquanto caminhavam até a porta.
- Até mais, então? – ele perguntou estendendo a mão, quando pararam rente a porta de madeira escura.
- Até! – segurou a mão dele. – E, por favor, não esqueça os outros meninos. Quero conhecê-los. – ela disse rindo e sentiu ser puxada para um abraço, abraço que ela queria dar, mas estava receosa quanto a isso, então só retribuiu ao carinho, mas logo o soltou.
Ela ainda sem jeito pelo abraço repentino abriu a porta e encontrou muita gente no corredor, dentre eles estavam, , , mais uma vez, , que ela não sabia de onde tinha surgido e o seu querido namorado, John. Todos bem abismados, olhando com cara de paisagem pra ela. E bom, para o também, que viu os amigos e soltou um sorriso incrédulo, sem entender muita coisa.



Capítulo 3


Sorte. A sorte é uma condição desproporcional no mundo, enquanto algumas pessoas possuem muita sorte, outras quase não têm nada. se encontrava em seu maior pico de sorte na vida. Pelo menos era como ela classificava ter mais da metade da One Direction, no seu andar e mais precisamente em seu apartamento. E por mais que ela não fizesse a mínima ideia de o porquê de eles estarem lá, a garota estava tão atônita que não conseguia ligar os fatos direito. Ela via de um lado, junto com sua amiga, porque os dois tinham se envolvido em um mal entendido, do outro lado estava Jonathan, seu namorado que olhava pra com desconfiança e fúria nos olhos. E no meio, , que estava paralelo a , fazendo se perguntar por que ele estava ali, o que com certeza, tinha a ver com a advogada. A garota abriu bem os olhos, diante dos três ali e abraçou primeiro, o cara que julgou mais necessário. Ela apertava em um abraço bem forte, tanto que no inicio ele ficou um pouco sem reação, mas depois retribuiu o abraço, fazendo as meninas rirem.
- Meu Deus, , é você mesmo? – a garota perguntou em total euforia.
- Bom, eu acho que sim. – ele falou, achando engraçada a reação dela, que estava agindo daquele jeito com ele, mas parecia conhecer os outros dois, bem mais, afinal, ele estava no apartamento dela.
e riram, elas também já tinham feito aquilo anteriormente. Mas John estava com a cara amarrada, embora as apresentações já houvessem sido feitas, quando os três rapazes se encontraram no andar do apartamento, ele não estava muito confortável em ver dois dos caras que mais admirava, na porta do apartamento dela. Piorando a situação quando ele viu quem saia do apartamento da namorada junto com ela e ainda usando uma roupa dele. Chermont não gostava da cara de , e não era daquele fatídico dia, digamos que era um ciúme bem antigo. E por mais que o fato do garoto estar no apartamento dela fosse uma grande coincidência, Jonathan não sabia disso e parecia não se importar também.
- O que vocês estão fazendo aqui? - , e perguntaram juntos, rindo e olhando um para o outro, começando uma discussão conjunta de como cada um tinha ido parar ali.
- , o que é isso? – John perguntou enciumado, puxando a garota pra perto dele pelo braço. vincou as sobrancelhas, olhando para a mão dele em seu braço e sentiu seu juízo ferver.
- Jonathan, me solte. – ela disse com os olhos mergulhados em raiva pela atitude dele e puxou o braço da mão do médico, que arregalou os olhos, percebendo o que tinha feito.
- Parce que ce mec était là avec tu? [n/a: Por que esse cara estava aí com você?] – o francês perguntou enciumado e enraivado. O que era evidente, pela forma como ele falava.
Sempre que algo dos dois resultava em confusão, ele insistia em usar o idioma de origem, deixando a garota possessa de raiva.
O homem apertou o nariz na junção dos olhos e entrou no apartamento, sem esperar mais nada, deixando-a com mais raiva ainda. Se for briga que ele queria, era briga que ele ia ter. respirou fundo e voltou à atenção às visitas, sentindo seu rosto vermelho, além de estar com uma vergonha enorme pelo que John havia feito. O próximo passo era se despedir e entrar no apartamento.
- Er... – ela passou a mão no rosto, constrangida pela cena do namorado. – Vocês querem entrar? Beber alguma coisa? Sei lá. – perguntou tentando não morrer com a vergonha que cobria sua cara. Mas precisava ser no mínimo educada com os garotos.
- Não se preocupe, , nós já vamos. - falou apontando o polegar pra trás e sendo simpático, talvez assim desse uma melhorada no clima pesado, que havia se instalado entre todos ali.
- Ei, eu não sei seu nome. - falou sorrindo, entrando na onda do amigo. abriu a boca pra responder, mas respondeu antes.
- . – ele disse olhando fixo pra ela, entendendo bem o que tinha acabado de acontecer. Sem poder fazer muita coisa para ajudá-la, ele sabia que não tinha acontecido nada demais e não era justo que a garota sofresse com aquilo.
- Exato. – ela riu sem graça. – Bom, é... Acho que vou entrar. Mas de qualquer forma, foi ótimo, maravilhoso, perfeito conhecer vocês. – apontou para e . – Também foi bom te ver de novo, . – ela disse sincera. – E me desculpem pelo John.
- Relaxa, . – falou, tentando confortá-la. A garota sorriu agradecida.
- Mesmo assim, me desculpem. – ela respirou fundo, depois foi se despedir de cada um dos meninos, primeiro com o , depois com o e por ultimo com o , que não ficou calado.
- Desculpa se causei problema pra você, não era a intenção. – ele falou baixo, como um pedido de desculpas. suspirou com o jeito prestativo dele.
- Não precisa se preocupar, . Não vai acontecer nada demais. – ela riu de leve, tentando melhorar o clima pesado.
- Assim espero. – ele disse, ainda abraçando-a de maneira confortável.
- Pode confiar. – a garota riu o soltando, deu um ultimo tchau a todos e entrou no apartamento, soltando fogo pelas ventas. John não queria brigar? Agora ele ia ver o que era briga de verdade.
estava bem desconfortável por perceber que mesmo sem querer, havia causado problemas para a garota. Até porque a intenção inicial era apenas conseguir um telefone e não passar à tarde por lá, muito menos descobrir que ela era a garota do quase acidente há uns anos. Ele nunca imaginaria que tentar tomar um café em uma cafeteria na periferia de Londres iria acabar em tudo aquilo. Principalmente depois de ver o jeito que o tal John havia tratado a namorada, por causa de um mínimo mal entendido. Aquilo era tão infantil que fez o próprio se perguntar se ele agiria da mesma forma caso acontecesse com ele algum dia.
- ? – ele acordou dos pensamentos de certa forma, reflexivos, quando ouviu alguém lhe chamando. – Você está bem? – perguntou e ele afirmou com um aceno.
- Sim, sim, só um pouco... – ele riu sem graça. – Isso sempre acontece? Afinal foi só um mal entendido. – disse sem graça, as duas moças soltaram um sorriso triste, afirmando que sim. Era bem frequente, aquele tipo de coisa. Ele arqueou as sobrancelhas, depois olhou para os dois amigos. – Preciso de uma carona, vocês vão agora? – e se olharam, não queriam ir embora, mas não sabia se as meninas queriam que eles ficassem mais. entendeu o conflito e rolou os olhos. – Vão ou não? – ele perguntou de novo, recebendo um olhar vazio. – Sem problemas, pego um táxi. – deu um sorriso trincado.
- Mas já, ? - a perguntou, querendo que os três, em especial , ficassem mais. Até porque não dava pra saber quando eles iriam aparecer de novo.
- Já sim, baixinha. – ele coçou a nuca. – Foi ótimo rever vocês, meninas. Qualquer dia desses, eu volto. – ele riu.
- Você é péssimo com promessas, . Não prometa o que não pode cumprir. – o acusou, fazendo-os rir.
- Prometa que vai fazer isso mesmo! - falou em alerta.
- Prometo. – colocou a mão no peito. – Esses dois não vão mais me deixar esquecer nada. Beleza? – ele disse apontando pra e , o mais alto bateu continência.
- Ah, então assim beleza, porque se fosse depender só de você. – disse aliviada, fazendo o rapaz em questão rir. Ele sabia que era péssimo com promessas e que tinha que mudar isso.
- Eu me encarrego disso, de não sumir mais. - falou rindo de forma prestativa.
- Que bom. - respondeu sorrindo. arregalou os olhos, o amigo era rápido no gatilho.
abraçou cada uma das garotas, se despedindo delas, o tempo que ele tinha passado ali já havia dado o que tinha de dar, até porque não pretendia entrar em confusão, mas sabia que se ficasse por lá, algo sobraria pra ele. Depois de dar tchau também para os amigos, ele andou na direção do elevador e resolveu deixar alguém constrangido, afinal se não fizesse isso, não era o .
- Cuidado com eles, esses dois quando se empolgam... – o garoto deu de ombros com um sorriso maldoso, fazendo os dois rapazes fuzilá-lo com o olhar, com o pensamento de “Cala a boca, veado” totalmente reprimido. As duas arregalaram os olhos e tentaram não parecer tão constrangidas com a frase do garoto.
deu um ultimo tchau e entrou no elevador, que para a sua sorte, já tinha chegado e estava vazio. Ele não estava com a cabeça muito boa pra atender muita gente, só queria ir pra casa, fumar seus cigarros e dormir. Então antes que chegasse ao seu destino, já foi logo ligando para seu táxi de confiança, enquanto colocava o capuz sob a cabeça.

-x-x-x-

entrou no apartamento de cabeça quente, muito quente, talvez se ela fosse parte de algum desenho animado, suas orelhas estariam saindo fumaça. A garota encostou a porta atrás de si, mesmo com a vontade de batê-la com toda a força a tomasse e viu Jonathan sentado no sofá, de braços cruzados e cara amarrada, ela respirou fundo e passou por ele, apontando para a escada. Chermont já sabia o que aquilo significava. Briga. Ele levantou do sofá e seguiu a garota até o quarto que era dela, depois bateu a porta.
- Me diga o que esse moleque estava fazendo aqui. E ainda usando minhas roupas. – ele intimou com a mandíbula travada, enquanto encarava , que parecia estar mais furiosa do que ele. – Porque sinceramente, só uma coisa habita a minha cabeça no momento.
- Jura? – ela foi irônica. – Jonathan, primeiro de tudo, me respeite. Depois não me venha com seus acessos de raiva, idiotas. – ela o repreendeu. – Antes de vir com isso, pergunte primeiro como tudo aconteceu. – disse com raiva e viu o namorado rolar os olhos.
- Como tudo aconteceu o quê? O que ele fez pra estar usando minhas roupas? Porque não é de hoje que eu sei da existência desse cara. – ele disse enciumado, sentindo as narinas inflarem. – Ne me prenez pas pour un imbécile. [n/a: Não me faça de tonto.] – John disse fazendo a garota rolar os olhos. Ela odiava quando ele começava uma discussão e partia para o francês, mas de tanto conhecer o namorado, já tinha uma boa noção do idioma e se era daquele jeito que ele queria brigar. Ela entraria na briga.
- Tu voulez en Français? Ainsi sera en Français! [n/a: Você quer em francês? Então será em francês!] – ela disse com as mãos apoiadas no quadril e o peito estufado, se Jonathan achava que ia amedrontá-la fazendo aquilo, ele estava bastante enganado. – Et ce n'était aucun une grosse affaire, le gamin était en hypothermie, imbécile! [n/a: E não era grande coisa, o garoto estava hipotérmico, seu idiota!] – ela cruzou os braços abaixo do peito, encarando bem fundo os olhos verdes do namorado.
- Nada demais, ? Ele estava sozinho com você aí dentro. - John falou altamente irritado, voltando ao inglês, por perceber que não ia conseguir vencer daquela vez.
- Não, não era. Você mais do que eu, sabe os efeitos de uma hipoterma. – ela disse cruzando os braços em frente ao peito. – Mas se você não acredita, o melhor é terminar esse namoro. – ela disse fazendo pouco caso, enquanto ele arregalou os olhos mais do que assustado.
Sempre que ameaçava terminar o namoro, por causa de algum tipo de discussão sem o mínimo fundamento de acontecer, John se dava por vencido e parava o assunto. Daquela vez não foi diferente e mais uma vez, as brigas se tornavam constantes, por falta de diálogo e ciúme possessivo por parte dele.
A garota havia o conhecido assim que entrara na faculdade, há mais de dois anos e na grande maioria das vezes, achava que esses atritos constantes, fosse devido à diferença de idade dos dois, ela tinha vinte e dois e ele vinte e sete. Por mais que no começo do namoro se enquadrasse em tudo as mil maravilhas, depois de mais de um ano, não estava sendo mais, a começar que ele era uma das pessoas mais odiadas pelas amigas dela.

Flashback’s on (Março de 2016)

estava bem atenta à palestra sobre Farmacologia dos produtos naturais, ministrada pelo doutor Thomas Cauller, médico cirurgião geral e professor da universidade. Ela havia chegado há poucos meses na faculdade, sendo transferida do Brasil e estava se adaptando bem ao sistema.
- Licença? – ela ouviu uma voz grave pedir e olhou pra cima, vendo um rapaz alto, de olhos verdes claros, que a fez lembrar-se de Harry Styles, era a cor dos olhos dele, além de ter cabelos castanhos. Era quase um Armie Hammer. Ele usava uns óculos geek, preto e tinha um bonito sorriso no rosto. Ela deu um sorriso meio esquisito e afastou os joelhos, para que o rapaz pudesse passar. – Obrigado. – ele agradeceu se jogando delicadamente na cadeira vizinha a dela. passou a mão no cabelo, jogando para o lado, em um puro reflexo que todas temos quando algum cara bonito está por perto e depois tentou voltar à atenção na palestra. – Você é a nova orientanda do Cauller, não é? – ela olhou para o lado, dando de cara com o garoto escorado na divisória entre as cadeiras, ainda com o sorriso torto nos lábios.
- Sim. – ela sorriu levemente, tentando esconder uma timidez, ou algo parecido.
- Prazer, John Chermont. – ele deu um sorriso mostrando os dentes, que poderia ser classificado como galanteador e estirou a mão pra ela.
- . – a moça respondeu apertando a mão dele. – Mas como você sabe que eu sou orientanda dele? – a garota perguntou meio nervosa. Será que era tão novata que dava na cara?
- Eu também sou. – John sorriu mais uma vez, ainda segurando a mão da garota – Está gostando da nossa universidade, ?
- Sim, era bem o que eu achava. Na verdade supera. – ela riu. – Minha mãe já tinha me falado bastante daqui.
- Ela se formou aqui? Você não é daqui é? Seu sotaque é diferente. – ele perguntou curioso.
- Ela ensina aqui. – a garota riu. Ele arregalou os olhos. – E eu nasci aqui, mas morei um bom tempo fora. Você também não tem um sotaque muito característico inglês. – ela mordeu a boca por dentro.
- Eu sou francês, ma demoiselle. [n/a: minha jovem.] – ele puxou um sorriso de canto de lábios e deu uma piscadela. riu. – Sua mãe ensina em que período?
- Na residência do hospital. Traumatologia. E você está em que período? – perguntou batendo as unhas na cadeira.
- Você é filha da Ester! Admiro muito sua mãe, uma pena que ela vá nos deixar esse ano. – ele disse sincero, ela deu de ombros. Sabia que a mãe mudaria de vez para Bolton, lá ensinaria na universidade local e trabalharia no hospital. Já estava mais velha e queria descanso, ao lado do pai de .
- Pois é. – a garota riu de leve.
- E respondendo a sua pergunta, eu me formei ano passado. – ele disse sorrindo. – E entrei na residência cirúrgica esse ano.
- Sério? – ela perguntou animada, ele afirmou com um aceno. – Vou fazer a minha, em instrumentação cirúrgica. – ela disse sorrindo.
- Olha que ótimo. – Jonh alargou o sorriso. – Vamos trabalhar juntos, seremos uma ótima dupla. - ele disse dando uma piscadela.
suspirou. Quando que olhos tão lindos e verdes, fariam aquele tipo de coisa justamente para ela? Aquele cara estava de zoação com a cara dela. Aquilo era algum tipo de trote tardio, ou ele tinha alguma namorada, que também levava a teoria de trote tardio.
- Enfin j’ai trouvé, mon amour. [n/a: Até que enfim te encontrei, meu amor.] – ela ouviu a voz de uma mulher, que falava francês e olhou para lado oposto ao que John estava, dando de cara com uma garota de cabelos curtos e negros, além de ter os olhos claros iguais ao do John. entristeceu. Se a morena havia falado “Mon amour”, ela era namorada dele sim e talvez agora viesse problemas para a cabeça da garota. – Ah, oi. – a morena de lábios vermelhos disse sorridente, em inglês, olhando para a garota que estava sentada. acenou com a cabeça, em um sorriso contido. – Você praticamente fugiu de mim Jonathan, isso não se faz. Même pas. [n/a: não mesmo.] – John rolou os olhos, mas não mudou a postura diante de . – Licença. – a garota pediu e passou entre os dois sentando na cadeira vizinha a do rapaz.
- Tu aurait pu rester là-haut. [n/a: Você poderia ter ficado lá em cima.] – o rapaz disse olhando para a morena que havia acabado de chegar e ela o olhou de forma irônica.
- Pourquoi? [n/a: Por quê?] – ela perguntou em deboche. – Épargnez-moi, Jonathan. A jamais échappé sés flirts, dês maintenant, qu’il va être. [n/a: Me poupe, Jonathan. Nunca atrapalhei seus flertes, não é agora que vai ser.] - tão pouco entendia daquela conversa dos dois, mas pelas expressões que a moça tomava, parecia não ser lá tão boa ou amigável.
A morena percebeu que mais uma vez, estava falando em francês com John na frente de outras pessoas e resolveu se pronunciar. Ela só fazia aquele tipo de coisa quando queria excluir alguém do assunto, mas isso não era prioridade quando se tratava da garota confusa, que ocupava a cadeira do lado esquerdo do rapaz.
- Ah, me desculpe. – ela disse rindo, com os olhos levemente arregalados. – Eu sou a Peggie. – ela estendeu a mão.
- . – a outra respondeu e apertou a mão dela.
- Desculpe, ter atrapalhado sua conversa com o Jonathan, mas ele realmente me deixou sozinha lá fora. – Peggie riu.
- Sem problemas. – falou sem graça e viu o rapaz assumir uma expressão tediosa.
- Fica quieta, Peg. – ele disse impaciente e de sobrancelhas vincadas.
- Eu não vou ficar quieta, Chermont. Cauller nos pediu para direcionar a nova orientanda dele, recepcionássemos bem a garota e você está aqui dentro de papinho? – ela disse com ímpeto, de peito estufado – Nada contra você, chérie. – ela disse olhando pra , que riu e afirmou que sim com a cabeça.
Eles eram irmãos. Ela descobriu isso, pelo fato de agir da mesma maneira com os próprios irmãos.
- PEGGIE! – ele disse firme – Ela é a nova orientanda. ! – John disse envergonhado e a garota arregalou os olhos.
- Por que você não me disse logo, idiot? – ela riu, empurrando o cara de lado.
- Porque você não deixou, mon amour. – ele foi irônico e ganhou um tapa na cabeça.
- Vocês são...
- Irmãos. – os dois falaram ao mesmo tempo e riu um pouco alto. Ela era muito idiota.
- Ei, vocês três! – O professor que já havia se irritado com a conversinha dos três, dentro do auditório, os chamou atenção. , Jonathan e Peggie, olharam para o homem que tinha o óculos na ponta do nariz. – Chega de tumultuar a minha aula. Vejo que já se conheceram bem demais. Chermont e ! Quero um artigo sobre farmacologia dos produtos naturais até segunda feira. Agora vão, saiam da minha aula. – ele disse irritado e os três levantaram das cadeiras, com John ajudando a pegar as coisas.
- Je t'aime, aussi, vieux. [n/a: Também te amo, velho.] – Peggie falou alto e rindo, vendo o homem rolar os olhos e bufar com o atrevimento da garota.
riu com aquilo, a garota era tão atrevida quanto ela, talvez as duas virassem amigas. E John praticamente enxotava as duas para fora do local, enquanto os três subiam pelo auditório, a fim de sair da aula. Ele não tinha estrutura para enfrentar Cauller, segundo ele, por respeito, mas a irmã dizia que era medo.
- Tu es fou, Peg! – ele disse irritado com a irmã, enquanto a garota só conseguia rir.
- Por favor, em inglês. Não entendo o que vocês falam. – disse rindo dos dois.
- Ele disse que eu sou louca, . – Peggie disse rindo – Só porque esse bocó tem medo do Cauller. – Jonathan fechou a cara.
- Calme, Peg! [n/a: Calada Peg!] – ele disse de sobrancelhas vincadas.
- Ew, calma Chermont. Não vá ficar estressadinho na frente da . – a garota disse rindo – Posso chamar assim?
- Pode sim, Peggie. – a garota riu. – Relaxa, John, ele é meio assustador mesmo. – riu e recebeu um sorriso do rapaz. – E essa coisa do artigo? É sério mesmo?
- Mais do que sério. – John coçou a cabeça – A gente faz uma revisão sistemática e dá tudo certo.
- Ok então. Quando começamos? – perguntou atenta. Se tinha uma coisa que ela não queria, era ficar queimada com o orientador.
- Maintenant! [n/a: Agora mesmo!] – a garota francesa disse apontando para o lado da biblioteca, puxando a outra pela mão. John balançou a cabeça negativamente e seguiu as duas. A partir dali ele decidiu que iria usar o menos possível, seu idioma de origem perto da garota e assim poderiam conversar melhor. Ou até poderia ensiná-la a falar francês.

Flashback’s off

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As duas semanas que se seguiram, foram de grande normalidade para , e . As fotos que haviam saído tinham sido quase nada, o que não foi dado muita relevância pela mídia, afinal o que mais tinha era foto dos garotos com as fãs e as três eram fãs. Certo? Certo, pelo menos naquele momento. E dentre os três rapazes, o único que havia dado as caras, era , até porque ele e estavam com problemas relacionados aos carros e ele havia aparecido nos últimos dias, querendo servir de motorista particular para a garota, que mesmo a contra gosto, não viu outra maneira a não ser aceitar a primeira carona e recusar as próximas avidamente. não havia aparecido, principalmente depois da confusão que Jonathan tinha armado por causa do garoto e um mal entendido, que havia plantado na cabeça das meninas, a dúvida se aquilo seria o estopim para o fim, tão esperado, daquele namoro, que não agradava a ninguém, somente ao casal. E talvez nem isso.
Contudo, algo que também não agradava a , era o fato de ter sumido da face da Terra, nem fotos dele tinha saído durante aqueles dias, dando a impressão que ele havia sido abduzido por um disco voador ou algo parecido. O que não mudou em nada na vida dela, talvez um pouquinho, mas ela não poderia se deixar abater, pelo simples fato de que a vida seguia e ela continuava sendo uma quase advogada, mas sem seu livro de Direito Penal, no qual , não tinha a mínima ideia de como havia perdido, mas era fundamental pra sua próxima prova. A garota não poderia simplesmente comprar outro livro, ela tinha que achar o que já tinha. E enquanto se remexia na cama, tentando encontrar uma solução plausível para resolver o problema aparente, ouviu seu despertador gritar. colocou as mãos tapando os ouvidos e fez careta, grunhindo em frustração. Ou ela acordava, ou o celular não parava de tocar e jogar na parede não era a melhor solução.
- Aaah! Como você acorda em plenas 8:00 da manhã de um sábado? Foi perder o livro, não é? – ela suspirou e levantou a força da cama. Talvez um banho lhe acordasse de fato. desligou o despertador do celular que já estava dando nos nervos e depois entrou no banheiro. Quanto mais rápido tomasse banho, mais tempo sobrava pra estudar.
Depois de um banho que poderia ser classificado como “banho de gato”, por ter sido tão rápido, vestiu uma meia calça grossa por baixo do jeans, que iria ganhar a companhia de um suéter e vários casacos. O frio da época não ajudava em nada, quando o assunto era sair de casa, mas quando se perde um livro, a melhor solução é a biblioteca. Depois de pegar a bolsa com os cadernos e o computador, desceu as escadas jogando a chave do carro pra cima e fazendo silêncio, afinal nenhuma das meninas precisava acordar àquela hora, principalmente em um dia frio. Ao chegar à cozinha, cômodo que reunia todo mundo, pegou um post-it na bolsa e deixou um recado colado a geladeira.

“Estarei o dia todo na biblioteca da faculdade. Não se preocupem. Beijinhos e tenham um bom dia!”

A garota saiu de casa o mais rápido que pode, porém se atentando as sinalizações para evitar qualquer tipo de acidentes, que eram bem indesejados no momento. Não que tivesse um tempo certo para acontecer qualquer tipo de acidente, mas aquele realmente não era um dos melhores momentos. Em torno de 20 minutos depois, ela estacionava em frente à Monmuoth, que na concepção de várias pessoas, era a melhor cafeteria da cidade, não tinha nada contra a Starbucks, outro lugar que ela também gostava bastante, mas a Monmouth, era a dona do melhor café de todos os tempos.
Assim que a moça entrou na cafeteria, sentiu o cheiro doce invadir suas narinas, enchendo os pulmões, ela soltou um sorriso de satisfação e ocupou o ultimo lugar na pequena fila, colocando os fones de ouvido, enquanto respondia algumas mensagens no WhatsApp. Era uma boa maneira de esperar sua vez chegar. Quando percebeu que faltava apenas mais uma pessoa ser atendida para que chegasse a sua vez, puxou um dos fones do ouvido, enquanto o outro ainda ressoava as batidas de um remix pertencente a David Guetta.
- Bom dia, qual o seu pedido? – um rapaz do cabelo milimetricamente arrumado, perguntou a estudante de direito.
- Um Baunilha Latte, por favor. – ela voltou a colocar o fone no ouvido, enquanto esperava seu café ser preparado.
Logo o rapaz voltou ao balcão, trazendo o copo com a proteção de papelão. acenou com a cabeça e baixou a vista, pegando a carteira na bolsa, mas antes que pudesse pegar o dinheiro, um braço coberto por um casaco marrom, foi estendido perto dela. fez careta e olhou de uma vez pra trás, dando de cara com , praticamente disfarçado.
- Deixa, que o dela eu pago. – ele disse sorrindo de um jeito fofo, evidenciando as covinhas.
- Quê? Não! Não precisa. – a garota disse sem jeito, mas estava tão atônita, que ficou praticamente parada no tempo.
- Sim, ! – ele deu outro sorriso e foi mais ligeiro que ela, pagando ao rapaz do caixa e pegando o café logo em seguida.
- Obrigada. – falou sem jeito, enquanto ele colocava uma das mãos nas costas dela, guiando pra fora do estabelecimento, antes que chamassem mais atenção que o esperado.
- Não foi por nada. – ele disse quando já estavam do lado de fora do local. - Queria mesmo te ver. Ia te comprar um café e entregar essa belezinha. – ele riu, levantando em uma das mãos, o tão precioso livro de direito penal da garota.
- Meu livro! – ela arregalou os olhos, com uma animação incomum na voz.
- Nunca vi alguém tão feliz por um livro. – ele disse sorrindo de leve e lhe entregou o livro, que a garota havia apelidado de monstrinho, devido ao tamanho.
- Eu tenho uma prova na próxima semana, por isso que eu gosto tanto dessa coisinha. – riu e beijou o livro carinhosamente, fazendo o garoto rir.
- Por isso você está acordada uma hora dessas no sábado? – eles começaram a andar, enquanto ia à direção do carro cinza, que era dela.
- Basicamente, estava indo estudar na biblioteca. – ela olhou no relógio. – Aliás, ainda estou. – parou em frente ao carro, fazendo ficar de frente a ela. – E você, o que faz acordado essa hora? – ela perguntou, colocando uma mecha do cabelo atrás da orelha.
- Usando seu livro como desculpa pra aparecer. – disse rindo e sentiu as bochechas esquentarem. – Almoça comigo hoje. – foi direto e ela tentou não arregalar tanto os olhos. Soltou o ar pela boca e se preparou pra dizer que não iria dar certo, mas ele foi mais rápido. – Te pego ao meio dia, sem falta. – ele finalizou com um sorriso largo.
- Como você vai me achar? – ela riu.
- Porque você vai me passar o seu número de telefone, ou dizer exatamente onde vai estar ao meio dia em ponto. – ele deu de ombros, fazendo a garota rir audivelmente. – Qual dos dois? – riu e piscou.
- Anota meu número. – riu fracamente e tomou um gole do café, que até o momento ela não lembrava que estava em sua mão. O rapaz sorriu largamente e colocou a mão no bolso pra pegar o celular.
- Achei que você fosse dizer onde estaria exatamente ao meio dia. – ele disse entregando o celular a ela, que gargalhou com a declaração dele.
- Acho que nem eu sei onde estarei exatamente há essa hora. – ela foi parando de rir, à medida que digitava o numero de telefone no celular dele, depois gravou a identificação como “”.
- Obrigado. – ele sorriu e depois olhou pra tela do celular. – Me diz teu sobrenome.
- Tem muitas ’s na sua agenda? – ela riu, mas com o medo de ele responder afirmativamente.
- Não, é que preciso saber como te chamar, quando você me tratar por . – ele sorriu largamente, deixando-a sem graça e com um sorriso bobo.
- . – ela estendeu a mão pra ele, que segurou e plantou um beijo no dorso dela.
- Imenso prazer em conhecê-la, senhorita. – ele disse esbanjando cavalheirismo. – Confirmado nosso almoço?
- Confirmado. – sorriu, mordendo a boca. – Mas preciso ir... Estudar. – ela colocou uma mecha de cabelo atrás da orelha.
- Espero ansiosamente, . – ele disse parado ainda na calçada e ela andou até a porta do motorista, ela antes de entrar sorriu, recebendo outro sorriso de volta.
A garota se acomodou atrás do volante e jogou as coisas no banco do passageiro, sentindo o coração bater muito forte e os dedos tremerem um pouco. Ela tentou controlar a respiração e tomou grandes goles do café, vendo pelo retrovisor, se afastar. Depois de beber tudo, colocou o copo no descanso do carro e soltou pequenos gritinhos animados, rindo do próprio surto, em seguida dirigindo até a faculdade, rumo a uma manhã de estudos que seria perdida, pelo fato de ter aparecido.

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A semana não tinha sido de grande relevância para e principalmente depois de ter brigado com o namorado por uma verdadeira besteira. Ele era até um cara legal, mas quando o assunto era , John se transformava em um verdadeiro chato. Claro que ela havia tentando entender o lado dele, era sim complicado ver o que ele viu, afinal a enfermeira não queria ver nenhuma garota saindo do apartamento dele e ainda mais usando roupas que pertencessem a ela. Contudo, não precisava da confusão toda, quando uma conversa simples consertava tudo.
Mas ela também tinha consciência de que se continuasse aparecendo tão frequentemente do jeito que estava, talvez os outros dois meninos também viessem a acompanhá-lo e isso faria o namoro de ir por água abaixo. Não que ela incentivasse o ciúme de Jonathan, mas evitar mais algumas possíveis crises era uma boa escolha. Os dois estavam em crise, quando o assunto era o relacionamento, onde os mais variados e bobos acontecimentos, poderiam resultar em uma briga, que talvez não tivesse uma evolução, mas que era desgastante tanto para um, como para o outro.
- E essa cara de sono, ? – Peggie, a irmã de Jonathan, perguntou tirando de transe. Já fazia quase uma hora que as duas estavam naquele restaurante e a brasileira estava mais pensativa e menos tagarela, o que não era nem um pouco normal.
- Essa residência está me matando, mesmo antes de começar. E eu tirei a conclusão que Cauller me odeia. – ela suspirou levando um pedaço de batata cozida a boca.
- Nada que tenha a ver com mon frère? [n/a: meu irmão] – a francesa perguntou sem discrição alguma, fazendo rolar os olhos.
- Sempre tem ele pelo meio. – a emergencista suspirou, encostando o rosto na mão. – E pare de falar essas coisas em francês, eu não aguento. – foi à vez de Peggie rolar os olhos verdes. – Eu sinceramente, não sei mais o que faço. Jonathan não facilita. – falou tomando um gole do seu suco.
- Termina. – Peg disse calmamente, sabendo que aquilo afetaria a cunhada mais que tudo existente, pois assim como ela sabia que os dois brigavam demais, tinha a plena certeza que também não iriam terminar. – Sorria um pouco, , vai te fazer bem. – a francesa riu.
- Se ele escuta você dizendo isso. – mexeu minha comida com o garfo.
- Vai dar um chiliquezinho de garota fresca, eu vou filmar e por no youtube. – Peggie deu um sorriso forçado, mostrando os dentes e as duas caíram na gargalhada.
- Você não tem um pingo de juízo nessa cabeça. – riu sem humor.
- Mas me conta direito essa história, . John disse que “o carinha da bandinha do momento” estava no seu apartamento. – ela falou tentando imitá-lo, riu mais uma vez, só que realmente achando engraçado aquilo.
- Bem, você sabe que aconteceu há uns anos. – ela mordeu a boca e respirou fundo.
- Você virou famosinha, por ser a suposta nova peguete do ? Sim, eu sei. – ela apoiou o rosto nas mãos.
- Você é exagerada. – fez careta. – Não aconteceu tudo isso! Apenas saíram algumas fotos. Eu, hein. – ela fez careta, Peg deu de ombros, mostrando que tanto fazia. – Mas acontece que o Jonathan é paranoico com o , o que é totalmente sem cabimento. Aí há umas semanas, bateu no carro do . Eles apareceram lá em casa pra resolver como ia ficar tudo e quando foram levar os carros na oficina, o apareceu na minha porta, todo molhado e tremendo violentamente. – Peggie incentivou-a a continuar, com um aceno. – O ajudei como qualquer pessoa faria. Bom você sabe, nós somos enfermeiras, o instinto de cuidado fala mais alto. – ela afirmou – E quando ele estava indo embora, chega o John, junto com o e com o . Preciso falar mais?
- Que sorte a sua, viu? – a outra riu. – Tinha que ser justo o cara dos boatos e uma de suas paixõezinhas de adolescência? – ela negou com a cabeça, fazendo quase gritá-la. – Se bem que ele é bem gostosinho. Afinal, qual dos quatro não é?
- Cala a boca. – rolou os olhos.
- Por quê? – Peg perguntou prendendo um riso. – Qual é, ? O é lindo, gostoso, tem cara de ser bom, ótimo, na verdade. Se é que você me entende... – ela deixou a frase subtendida no ar e depois mordeu a boca, deixando um tanto constrangida pela conversa.
- Cala a boca, Peg. – riu.
- Que nada. Será que ele tem pegada? Ele tem cara de que gosta de quebrar camas. – a garota disse, fazendo quase engasgar com o suco que tomava.
- E eu que sei, Peg? – a garota disse respirando com dificuldade, ainda estando de olhos arregalados. – Nunca vi tanta merda saindo da sua boca. – pigarreou, fazendo a cunhada rir quase escandalosamente.
- Por que, menina? Eu estou falando verdades. Suposições pra ser mais exata. – Peggie deu de ombros. – E você poderia tirar minhas dúvidas se não tivesse sido lerda na época. – ela piscou. fechou totalmente a cara.
- Qual a porra do seu problema? – perguntou irritada pela insistência da conversa, mas antes a cunhada pudesse responder, uma voz grave atingiu os ouvidos das duas.
- Boa tarde! – John falou animado, se apoiando na mesa e recebendo um olhar de soslaio de , enquanto Peg sorriu forçadamente. – Tem algum lugar pra mim aí? – ele bagunçou o cabelo da irmã e beijou a cabeça da namorada.
- Sempre. – Peggie respondeu irônica e John sentou perto da namorada. – Sabe... Você não morre tão cedo.
- Por quê? – ele perguntou rindo. – Vocês estavam falando de mim, bebê? – ele riu e colocou o braço em volta do pescoço de .
- Mais ou menos. – disse levando mais uma garfada de comida a boca.
- Agora eu quero saber o que era. – Jonathan riu e beijou rapidamente a bochecha dela.
- Vai ficar querendo. – Peg rebateu, fazendo que estava calada até então, soltar uma gargalhada estrondosa, chamando a atenção de algumas pessoas. – Assunto nosso, só tocamos no seu nome, nada demais.
- Se conforma. – riu. – Você não devia estar no plantão, Jonathan? – ela encarou o cara.
- Vim comprar alguma coisa pra comer, aí vi sua moto. Mas já estou voltando pra lá. – ele deu um sorriso largo. – Pra onde você vai hoje? – ele direcionou a pergunta para irmã.
- Não sei. – ela cruzou os braços – Andar por aí, aprontar algumas. – a garota deu de ombros, fazendo o irmão rolar os olhos.
- Eu estou falando sério, Peg, pra onde você vai? – ele perguntou impaciente.
- Não sei, John. Se você quer a casa vazia, vocês vão ter a casa vazia. – ela foi direta e viu arregalar os olhos. – Não precisa se assustar, cunhadinha. – ela sorriu meigamente, fazendo John gargalhar.
- Você não presta. – disse baixo.
- Se resolva com meu irmão, é o melhor que você faz. – Peggie disse, entediada com o mi-mi-mi dos dois.
- Podemos conversar mais tarde então? – ele perguntou com o corpo de lado, olhando pra namorada.
- Talvez. – ela deu de ombros, entediada.
- Como talvez, ? – ele a olhou em súplica.
- Vou pensar no seu caso, Chermont. Se der, eu apareço por lá. – ela tomou um gole do suco, logo ouvindo o rapaz do balcão chamar pelo médico, que acenou avisando que já ia.
- Sério, . – Jonathan fez bico, sabendo que a namorada sempre cedia, mas ela apenas rolou os olhos.
- Sério, já falei. Agora vai, sua comida vai esfriar. – apontou para o balcão, vendo a cara de choro do namorado. – Jonathan! – ela foi firme. John vendo que não tinha mais o que fazer, levantou da cadeira contra vontade, beijou a cabeça dela, deu tchau pra irmã e saiu da mesa.
- Onde foi que você aprendeu a ser firme com ele? – Peg perguntou, incrédula.
- Depois do showzinho que ele deu. – respondeu terminando de tomar o suco.
- Jonathan Chermont, vai passar um bom tempo mansinho. – a enfermeira obstetra disse e as duas riram. Ainda ficaram por mais um tempo conversando naquele pequeno restaurante e depois saíram para andar nas ruas do centro, trazendo para , memórias bem antigas.

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Depois de passar uma manhã inteira sem conseguir estudar, decidiu que o melhor a fazer, era esperar até à hora do almoço com o . Então ela saiu da biblioteca e foi para o estacionamento, onde ligou o rádio do carro, que passava algum especial dos Backstreet Boys, fazendo-a lembrar-se há quanto tempo não ouvia algo da Boy Band. riu e começou a checar algumas redes sociais, ficando naquilo por em torno de meia hora, até alguém lhe ligar.
- Alô.
- , meu bem. Pronta para o almoço? ouviu a voz rouca de , soar em seus ouvidos, fazendo-a sorrir.
- Claro que sim. – ela respondeu com um sorriso.
- Maravilha. Onde você está? Quer que eu te pegue, ou você encontra comigo? – ele perguntou preocupado em saber qual a melhor maneira para que os dois se encontrassem.
- Posso encontrar você. – ela riu. – Onde? – a garota começou batucar no volante.
- Gosta de comida Italiana? Conheço um ótimo restaurante.
- Adoro. – sorriu.
- Ótimo. – ele riu baixo. – Vamos ao Trattoria Mondello. Te encontro lá em 15 minutos.
-Ok! – ela respondeu com um sorriso gigante habitando seu rosto. – Tchau.
- Tchau. – ele respondeu, fazendo a garota querer pular e desligaram o telefone.
Logo em seguida ela seguiu viagem até o dito restaurante, que ficava nas imediações da cidade, de fato ela nunca tinha ido lá, mas já tinha passado em frente uma porção de vezes. Ao chegar em frente à fachada simples, do estabelecimento, já lhe esperava, recostado a Range Rover preta. saiu do carro, pegando apenas a bolsa, acionou as travas do automóvel, andou até onde o rapaz estava e logo recebeu um abraço caloroso. Depois entraram no restaurante, para dar inicio a uma tarde proveitosa e cheia de conversas.

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Já tinha alguns bons dias que não falava ou via , ele obviamente não apareceu ou ligou, até porque não haviam trocado telefone, mas não era algo determinante pra um sumiço tão grande, até porque ele sabia onde a garota morava. E o que mais incomodava a estudante de cinema, era a falta que o cantor fazia, mesmo eles tendo passado tão pouco tempo juntos e se visto tão poucas vezes. E em uma das vezes, ele cismou que era responsável pelo que havia acontecido ao carro dela, querendo levar a garota até a universidade, mesmo a contra gosto dela. não se sentia no direito de incomodá-lo com aquilo, porém , não encarava aquilo como incomodo.

Flashbacks on (Fevereiro/2018)

A garota descia as escadas ligeiramente, depois do ultimo encontro com , eles combinaram, marcaram a data de ir buscar o carro dela e ele disse que passaria no início da tarde, mas não estabeleceu uma hora certa. Ao chegar na cozinha, viu as duas amigas almoçando e pareciam estar em uma conversa animada.
- , pra onde você vai? – perguntou, olhando a amiga da cabeça aos pés, estranhando o fato de ela estar toda arrumada para apenas um almoço comum.
- Buscar meu baby. – ela riu e sentou junto às outras, que mostraram sorrisos, entendendo bem a animação dela.
- E que horas vocês vão? – perguntou voltando a atenção para a amiga.
- Não sei, disse que passaria aqui no inicio da tarde. – deu de ombros, enquanto batucava os dedos na mesa.
- , ainda não é nem 14h30min, como você tem certeza de que ele vai passar agora? – perguntou duvidosa. riu com a impaciência dela.
- Não tenho. – a garota deu um sorriso amarelo, fazendo as outras duas rolarem os olhos.
- E por que está toda arrumada? – arqueou uma de suas sobrancelhas.
- Esperando ele passar, ué. – deu de ombros, mostrando o quão óbvio, era a resposta.
- Vocês não conhecem uma coisa chamada telefone? – encostou o queixo na mão.
- Baby, já passou pela sua cabeça que eu posso não ter o numero dele? – suspirou, até porque se dependesse dela, já teria o número do rapaz há muito tempo.
- É sério? Vocês já se viram milhões de vezes e você não tem o número dele? – parecia incrédula com a demora dos dois pra trocar um número de telefone.
- Não, , eu não tenho. – apoiou o rosto na mão, deixando as amigas boquiabertas. – E não me olhem assim, só o vi três vezes.
- Suficiente pra ter o número dele, não acha? – perguntou em deboche, fazendo rolar os olhos.
- Ai. – ela suspirou. – Vocês duas... Dai-me paciência, senhor. – a garota levantou as duas mãos, ouvindo a campainha tocar. – Eu atendo. – ela gritou animada, levantando de uma vez, da cadeira que estava sentada. Ajeitou a blusa no corpo e deu uns pulinhos dentro da cozinha.
- Será que é ele? – riu.
- Não sei. Mas se for qualquer outra pessoa, eu meto a mão na cara, principalmente se for o John. – ela disse convicta, olhando pra , que rolou os olhos tediosamente e mandou o dedo.
rolou os olhos com o xingamento da amiga e foi até a porta, andando rapidamente. Ajeitou mais uma vez a roupa no corpo, respirou fundo e puxou o trinco cor de cobre, dando de cara com um bem sorridente, fazendo o coração dela palpitar.
- ? – ela perguntou com uma surpresa fingida.
- Oi, . – ele alargou mais o sorriso e abriu um pouco os braços, na intenção de ganhar um abraço. Ela riu e andou até ele, o abraçando carinhosamente. – Desculpe a demora. – ele disse soltando-a.
- Sem problemas. – a garota meneou a mão. – E pode me chamar de .
- Ok, . – ele sorriu outra vez.
- Me deixa só avisar as meninas. – ela pediu apontando pra dentro e ele afirmou com um aceno, ainda estando sorridente. – Quer entrar?
- Pode ser. – respondeu educadamente e deu espaço pra que ele entrasse no apartamento. Depois andaram até a cozinha, mantendo um pequeno silêncio.
- ! ! – cumprimentou-as, estando um pouco sem jeito.
- Hey, ! – as duas responderam em coro. – Quer comer? – perguntou.
- Não, estou bem. – ele respondeu simpático.
- Crianças, estou indo, tentem não por fogo na casa, por favor. – a garota riu, fazendo e , mostrarem a língua. acenou para as duas e junto com , saiu do apartamento, tomando o elevador logo em seguida.
- Como estão as coisas? – ele perguntou quebrando o silêncio.
- Tudo ótimo. – ela respondeu sem muito entusiasmo. – E com você?
- Tudo beleza também. – ele disse sorrindo pra ela, que se policiou para não soltar um suspiro muito pesado. Então mordeu a boca minimamente e sorriu de volta. – Tenho uma surpresa pra você. – ele disse de uma vez, fazendo-a arregalar os olhos.
- Surpresa? Pra mim? – perguntou com um desespero presente na voz, ela com certeza não era a pessoa mais adepta a surpresas no mundo, pelo simples fato de ser curiosa ao extremo. Então dizer que tinha uma surpresa, era quase o mesmo de tortura chinesa.
- Sim, por isso demorei tanto a chegar. – encarou a garota a sua frente.
- Me diz o que é. – ela pediu aflita.
- Não, é surpresa. – o rapaz disse de forma divertida.
- É coisa boa? – ela perguntou com a curiosidade saindo pelos ouvidos.
- Ótima. – ele respondeu rindo. Ela coçou o braço impaciente.
- Diz logo o que é. – quase implorou em desespero.
- Surpresa. – piscou. Ela suspirou audivelmente, se não fosse ali, o cara levaria uns bons tapas. – Nossa! – ele riu sem graça. – Percebi que você não é muito fã de surpresas.
- Basicamente. – ela fez uma careta, rindo um pouco, sem querer constranger o garoto. – Mas eu espero, não se preocupa. – riu totalmente sem graça, mas preferiu não tentar se retratar mais e piorar a situação. O elevador parou no subterrâneo, onde ficava o estacionamento, saíram juntamente da caixa de ferro. – Cadê a surpresa? – ela perguntou novamente, fazendo uma vistoria completa do lugar, com a voz misturada em desespero e animação.
- Peguei o seu carro no Earl. – ele disse sorrindo e balançou a chave do New Beetle.
- Oh, meu Deus! – ela praticamente puxou a chave da mão do rapaz. – Obrigada, , de verdade. Onde ele está? – perguntou com um sorriso tão grande que contagiava a quem estivesse por perto, no caso, .
- Bem aqui. – ele segurou a mão dela e saiu levando até o lugar onde estava o carro, quando a garota viu o automóvel vermelho arregalou os olhos o máximo que conseguia, sentindo uma alegria imensa lhe tomar. pra agradecer todo aquele carinho, abraçou o rapaz pelo pescoço, recebendo o abraço de volta. – Quer ver como ele está? – ele perguntou prestativo, com um sorriso gigante e a garota afirmou, ainda estática. Ela não era tão apegada ao carro como era com a moto, mas seu vermelhinho tinha lhe feito uma falta danada nos últimos dias.
- Sei lá. – ela riu, sem saber direito o que fazer e o fazendo rir junto. Os dois andaram até o carro e a garota destravou as portas, logo se acomodando no lado do motorista. tomou a liberdade de abrir a outra porta e também se acomodar no carro. – Obrigada. Mas preciso te dar o dinheiro do conserto. – ela disse com um sorriso gigante em agradecimento.
- Já deixei tudo certo com o Earl. – ele sorriu enrugando o canto dos olhos.
- Mas eu não vou deixar você arcar com tudo sozinho. Lembra o combinado? – ela perguntou aflita.
- , pelo amor de Deus. Paga o cinema de hoje e fica tudo certo. Tudo bem assim? – ele perguntou um pouco impaciente, deixando-a confusa.
- Cinema? – ela perguntou perdida.
- É precisamos comemorar a saída do seu carro. – ele riu.
mordeu a boca, tentando não deixar tão na cara o sorriso gigante, que estampava seu rosto e logo seguiram rumo ao cinema, para uma das noites mais legais da vida dos dois. Uma simples comédia sem noção, mas que arrancou tantas risadas quanto uma piada bem contada arrancaria. Até porque clandestino em um cinema dava mais emoção à coisa. E depois de prestigiar o filme, seguiram para a pizzaria próxima ao apartamento das meninas, onde acabaram comendo a pizza no carro mesmo, a fim de não causar tumultos.


Flashback off

suspirou, remoendo mais uma vez, algum possível motivo que tivesse feito sumir depois do dia no cinema e por mais que ela soubesse que provavelmente não o encontraria mais, nunca achou que fosse lhe doer. Não só pela falta de companhia do , mas gostava dele mais do que pretendia, sempre aquela ligação fã versus ídolo, completava alguma coisa. Nem que fossem as esperanças da garota, quanto a desenvolver algo a mais que amizade, ou uma simples parceria. Então pra resumir toda a situação complicada que embaralhava o cérebro dela, estava apenas com saudade.
- E o ? – perguntou, cutucando com o dedão do pé e a garota fez careta.
- Oi? – a baixinha se fez de desentendida, olhando pra estudante de direito. rolou os olhos vendo a cena, já tinha feito tanto aquilo, que nem ela acreditava mais quando fazia de novo.
- . – repetiu, cruzando os braços.
- Que tem ele? – perguntou mais uma vez.
- Sumiu, . O que você fez com o garoto? – se pronunciou a primeira vez, encarando a amiga ao lado.
- Sério? Nem percebi. – ela deu de ombros em um falso descaso, fazendo e , olharem para ela bem incrédulas com o fingimento da garota.
- Percebeu sim e está se remoendo por isso. – disse, já conhecendo a amiga o bastante pra saber que toda aquela pose, era cena.
- Claro que não. – empinou o nariz, negando veemente e só evidenciando mais o contrário do que ela tentava mostrar.
- Ah, , qual é? Você está tão dispersa que é evidente. – disse mais convicta do que tudo na vida.
suspirou rolando os olhos, achando melhor não dar ouvidos aqueles comentários, na tentativa de esquecer talvez, que habitasse a face da Terra, isso com certeza melhoraria suas noites de sono. Mas enquanto tentava prestar atenção em “As Branquelas”, que passava na TV e nunca perdia a graça, as duas outras garotas ainda tentavam convencê-la que ela estava sim se remoendo pelo sumiço de . E quando o silêncio finalmente se instalou dentro da sala, a campainha começou a tocar, primeiro um toque solitário, depois foram dois, um seguido do outro. sabia que não era John, até porque ele tocava a campainha, três vezes seguidas e os dois estavam brigados, então com certeza não era ele.
- A porta! – olhou para as duas amigas.
- Fique a vontade pra atender. – bateu de leve no ombro dela, com um sorriso bem fingido.
- Oi? Não sou eu quem tem namorado, se bem que um daquele eu não queria. – rebateu, fazendo a enfermeira rolar os olhos tediosamente.
- Tanto faz, . – suspirou, também não gostava do John, mas aquele tipo de coisa não ia fazer o namoro da amiga, acabar. – Você vai atender ou não?
- Argh! Vocês são duas mortas. – levantou indignada do sofá, recebendo dois joinhas e foi se arrastando até a porta.
- Sem reclamar. - levantou a mão, fazendo rir e vendo chinelo de passar raspando em sua mão. – Isso é agressão!
- Whatever! – ela fez uma careta de criança malvada. – E volto a repetir, vocês são duas mortas! – ela disse em alto e bom som, abrindo a porta logo em seguida.

*Ma Demoiselle: Minha jovem.
*Enfin j’ai trouvé, mon amour: Até que enfim te encontrei, meu amor.
*Même pas: Não mesmo.
*Tu aurait pu rester là-haut: Você poderia ter ficado lá em cima.
*Pourquoi?: Por que?
*Épargnez-moi, Jonathan. A jamais échappé sés flirts, dês maintenant, qu’il va être: Me poupe, Jonathan. Nunca atrapalhei seus flertes, não é agora que vai ser.
* Calme, Peg!: Calada, Peg!
* Maintenant!: Agora mesmo.




Capítulo 4


Ao abrir a porta, deu de cara com uma das pessoas que ela menos esperava ver, mas que de certa forma, ela sentia muita falta. Ela sorriu assim que viu o rapaz de cabeça baixa, escorado a parede com uma das mãos e sentiu o coração sacudir dentro do peito. olhava para os pés, achando que a ideia de ter aparecido ali não era a melhor no momento, se é que ele ia ter alguma ocasião que a justificasse de maneira efetiva.
E enquanto ela olhava o admirando, sem entender muita coisa, mas imensamente agradada com o que estava diante de seus olhos, coçou a cabelo um pouco impaciente e depois levantou a cabeça, dando de cara com a garota, que possuía um sorriso surpreso no rosto.
- ... Eu. - ele disse sentindo um tipo de pavor invadir sua fala.
- Oi, ! - a garota respondeu com um sorriso maior que todo o rosto. Sentindo suas bochechas quase rasgarem. - Entra! - ela deu espaço, mostrando o pequeno corredor que dava para a sala.
- Não sei... - coçou a cabeça e sorriu com ela.
- Como não sabe? - parecia confusa com a declaração dele, mas ainda continuava com o enorme sorriso habitando todo o rosto.
- Na verdade, eu queria mesmo era te ver. – disse de uma vez, como se estivesse tirando um esparadrapo. Depois sentiu o estômago revirar por o sorriso dela ter sumido na mesma hora. E se ela não quisesse visitas? – Eu, e-eu não queria nem vir, mas não aguentei. Precisava te ver. – ele tentou se explicar, fazendo a garota arregalar os olhos. - Senti sua falta, fiquei meio atordoado, em-em pensar que não tinha mais o carro como desculpa. – o garoto respirava fortemente, enquanto estava pálido pela cara assustada dela. - Por favor, fala alguma coisa. – ele pediu baixo, sentindo a cabeça revirar. O silêncio de estava o deixando apavorado.
- Eu também estava com saudades, . – ela sorriu aliviada por saber que ele também estava sentindo a falta dela.
sorriu largamente, enrugando o canto dos olhos, que chegaram a ficar pequenininhos e logo abraçou a garota fortemente, quase a tirando do chão. sorriu, sentindo aquele abraço tão gostoso e cheiroso mais uma vez, no momento ela se classificaria como uma criança recebendo um abraço de um urso gigante. A garota sorriu imensamente satisfeita e aconchegou a cabeça no peito dele, o fazendo sorrir.
- Você é baixinha. - ele disse com um sorriso gigante e beijou a cabeça dela, evidenciando bem a diferença de altura dos dois. - Acho que o quê? Uma cabeça mais baixa que eu? – riu audivelmente e logo pode ouvir a gargalhada dela.
- A medida das cabeças. – disse convicta, cessando as risadas.
“Então quer dizer que ele também usava a ‘medida das cabeças’” ela pensou, depois riu. [n/a: entendedores entenderão.]
- Você também usa? – riu bem incrédulo, não acreditava que ela conhecia aquilo.
- Sim, acho até uma medida eficaz. – deu de ombros e o abraçou mais forte, rindo em seguida.
- Como é bom ouvir tua risada! – ele descansou o queixo na cabeça dela, fazendo a garota prender a respiração. E na impossibilidade de responder qualquer coisa, ela mudou o foco da conversa.
- Você quer entrar? – disse apontando pra dentro da casa, um pouco sem jeito, pelo que ela havia considerado como um elogio.
- Tem algum problema? – a segurou delicadamente pelos ombros. – Eu realmente não quero incomodar.
- É claro que não tem problema, você não incomoda, . – os dois sorriram.
- Que bom. – ele alargou mais o sorriso e viu a garota dar espaço para que ele entrasse. segurou a porta. – Eu fecho, pode deixar.
, ainda sorridente e um pouco trêmula pela inesperada visita, aproveitou o gesto de cavalheirismo, deixou que ele fechasse a porta. Depois andaram o pequeno espaço do corredor que dava até a sala, onde as duas garotas estavam entretidas com a TV, mas ainda comentavam sobre a estar dispersa demais nas últimas semanas.
- Será mesmo que é paixonite? – riu, fazendo rir junto. empalideceu.
- Até parece que você não conhece a criatura, claro que é. Não viu como ela está dispersa esses dias? – fez outra pergunta e viu afirmar com um aceno mais exagerado. Pensando que a sorte dela, era não ter o rapaz lhe olhando e o seu nome não ser pronunciado.
- Realmente. – outra risada por parte de . – Sem falar do jeito que ela estava...
- Meninas?! – a baixinha chamou a atenção das amigas, antes que tudo estivesse perdido de vez. As duas olharam pra trás, de olhos um pouco arregalados, mas logo voltaram ao normal, ou dariam muito na cara.
- Ah, oi, ! – o cumprimentou animadamente, recebendo o aceno de volta. esfregou o rosto, fazendo o sangue voltar a circular por ele.
- Hey, , tudo bem? – também o cumprimentou.
- Oi, . Oi, . – o rapaz sorriu. – Tudo bem sim. E com vocês? - ele foi simpático, como sempre era e andou até onde as duas garotas estavam, o seguiu.
- Tudo ótimo. – as meninas riram, respondendo juntas, quase em sincronia.
sentou em uma ponta do sofá e sentou na poltrona, encostando o rosto na mão, prestando atenção na conversa.
- O que o senhor veio fazer aqui? – fez uma careta desafiadora, depois sorriu.
- É... – o rapaz coçou a cabeça, procurando as melhores palavras e mirou o olhar no chão. – Eu vim ver...
- A , . Não tá vendo? – disse de uma vez e vendo que começava a ficar sem jeito com a conversa, decidiu que procurar seu rumo.
- É tão óbvio assim? – ele coçou a nuca, soltando uma risada nervosa. As duas acenaram com a cabeça.
- Bem. – a enfermeira levantou do sofá. – Foi ótimo te ver, , a conversa está legal, mas fiquei de sair com o John, hoje. – sorriu aliviada, vendo que era pretexto da amiga, pra sair dali. – Então, tchau pra vocês. Beijinhos. Vou indo. – a garota acenou e saiu da sala correndo, enquanto a outra ainda estava no sofá.
- Como os meninos estão? – perguntou interessada, mas queria mesmo saber era do .
- Bem. – ele respondeu de uma forma vazia. – O disse que vinha te ver. – coçou a cabeça. – Qualquer dia desses... – o rapaz estava certamente perdido, sem saber como prosseguir a conversa. Não que ele tivesse mentido quanto a dizer sobre , o amigo realmente havia comentado sobre ir vê-la.
- Que legal! – trocou o olhar de , para , que estava na poltrona. Tentando mandar olhares que pediam urgentemente que ela fosse embora. – E os outros? – pareceu relevar os olhares da garota.
- Ér... Estão bem, também. – passou a mão na cabeça mais uma vez, com um sorriso sem graça e rolou os olhos. Quando aquela conversa acabaria?
bateu os dedos no braço da poltrona, sem muita paciência pra mais conversas sem nenhum fundamento e que estavam deixando o garoto desconfortável.
- Bye, amorecos! – passou pela parte traseira do sofá, segurando o capacete em uma mão e o casaco na outra.
- Tchau, . – os três disseram quase ao mesmo tempo. acenou simpaticamente, enquanto a garota tentava retribuir o gesto, depois abrir a porta.
- ?! – ela disse surpresa, recebendo um sorriso e um abraço. – , visita pra você! – a enfermeira soltou um pequeno grito, que logo fez praticamente pular do sofá com um sorriso gigante no rosto, depois acenou para os dois na sala e foi “atender” a porta.
- Pra onde vamos? – virou o corpo, passando a encarar .
- Como? – ela piscou os olhos, um tanto confusa.
- A casa está meio cheia. – riu de leve. – Vim pra cá pra te ver, espairecer um pouco. Mas aí o aparece, acho que tem alguém me seguindo. – o rapaz sorriu de lábios fechados, arrancando uma risada dela.
- Eu não sei se podemos sair assim. – a garota levantou da poltrona e o viu fazer careta. – Sei lá, você não pode dar muito na vista. – ela riu. – Achei que poderíamos conversar por aqui.
- Nops, não dá. - ele riu. - Não tem outro lugar, não?
- Tem o playground. – fez uma mini careta, arqueou uma sobrancelha.
- E olhe que você queria um lugar escondido. – rapaz debochou, arrancando dela uma careta tediosa.
- Mas lá tá vazio, as crianças só brincam mais durante a tarde e os fins de semana. Garanto que há essa hora não vai ter nenhuma. – ela deu um riso breve e viu que a olhava de certa forma, incrédulo.
costumava andar pelo parquinho, principalmente quando precisava pensar bem sobre alguma coisa, ou se sua cabeça estivesse um pouco cheia.
- Então vamos. – levantou do sofá, estendendo a mão a ela, com um sorriso bonito.
Logo eles chegaram ao pequeno playground, que estava vazio, pelo menos a parte aberta, onde tinham os balanços na areia. Todos os brinquedos parados e serenos, como se estivessem descansando da correria do dia, desopilando daquele monte de criança que fazia barulho, corriam, brincavam, caiam e por fim, iam pra suas casas precisando de um bom banho. Estava tudo tão calmo, que aquele parecia um dos melhores lugares pra pensar.
-Você deve estar me achando louca. – disse de uma vez, quando os dois caminhavam lado a lado. O rapaz sorriu levemente.
- Por quê? Se refugiar em um play vazio? – ela afirmou, com um riso baixo. – Claro que não. Não vejo lugar melhor pra refletir. Às vezes eu preciso de um lugar assim também. – sorriu, fazendo a garota suspirar ao receber o sorriso.
- Ai, garoto, só você pra dizer que gosta de ficar sozinho. – ela riu. Não que pudesse repreender ninguém por aquilo, mas ela também tinha seus momentos de solidão.
- Eu me sinto menos cantor da One Direction e mais normal. – ele coçou a cabeça.
- Normal? – ela fez uma pequena careta, o olhando.
- É... – riu, sem saber direito como explicar.
- Pra mim você é normal. – ela arqueou uma sobrancelha. – Por quê? Você era prodígio na escola? É um gênio que descobriu a cura de algo? – a garota brincou. – Porque se não fez tudo isso, você é um cara super normal pra mim. – ela sorriu, o fazendo sorrir largamente.
- Me sinto um cara qualquer, obrigado. – ele gargalhou. colocou a mão no peito, em completo ultraje.
- Eu não disse que você era qualquer cara, . – a garota virou o rosto, como se estivesse chateada.
- Ah, não! Não foi isso que eu quis dizer. – o rapaz falou um pouco agoniado e a puxou de uma vez a abraçando. – Não foi, desculpe.
- . – ela riu, achando engraçada a preocupação dele. – Eu sei, eu estava brincando, não precisa pedir desculpas. – se esticou, ficando na ponta dos pés e beijou a bochecha do rapaz, se afastando um pouco do abraço.
- Posso perguntar uma coisa? – ele olhou pra ela, colocando os braços pra trás.
- Claro. – ela disse e correu os poucos metros até o balanço, depois riu dele que corria atrás dela. se pôs atrás do brinquedo, empurrando-a de leve. – Posso perguntar primeiro? – mordeu a boca.
- Sim, . Mas eu faço a minha depois. – ele disse sereno, ela afirmou com um aceno.
- Porque você veio aqui hoje, ? – a garota mordeu a boca, por um inicio de nervosismo presente.
- Já disse, queria te ver. – ele deu um sorriso de lábios fechados, mesmo que ela não pudesse ver.
- Por que eu não acredito em você? – balançou a cabeça negativamente, em um tom de brincadeira que fez rir.
- Ei! Minha vez de fazer a pergunta. – ele disse ainda rindo. – Por que você não acredita em mim, pequena ? – ele a empurrou mais uma vez no balanço e o apelido a fez sentir o coração quente.
- Eu realmente não sei. – ela riu. – Minha vez de fazer a pergunta.
- Nops, ainda é a minha! – foi astuto. – Você gastou a sua, há uma pergunta atrás. – os dois riram, enquanto a garota era empurrada no balanço. Ela meneou a mão pra que ele continuasse. – Você faz planos de voltar para o Brasil?
- Não sei, talvez um dia. Eu realmente não pensei se quero voltar ou não, mas visito meus pais periodicamente. – ela mordeu a boca. – É minha família, não quero perder o vínculo.
- Justo. Família é família. – disse e deu alguns passos até o balanço do lado. – Questione-me, senhorita. – ele meneou a mão. fechou os olhos para pensar em algo e se lembrou do dia na oficina.
- Por que você fez aquilo na oficina, no dia que a gente bateu o carro? – ela perguntou de uma vez, ainda de olhos fechados e não viu prender a respiração.
- Com o Jason? – ela abriu os olhos, assim que ouviu a voz do rapaz e afirmou com um aceno. –Ele já foi preso por assédio e abuso, então eu não me perdoaria se alguma coisa além daquelas cantadas baratas, tivesse acontecido com você. – respirou fundo, apertando os dedos. – Talvez eu tenha exagerado um pouco, mas ele é o tipo de cara que só aprende na marra. – o rapaz disse com o rosto escorado a corda do balanço. – Desculpe.
- Entendi. – respirou fundo. – Não precisa pedir desculpas, . Eu quem agradeço o seu cuidado. – ela sorriu e colocou a mão no ombro dele.
- Mas não se preocupe, eu não sou sempre estourado assim. – ele riu sem graça. – Não na maioria das vezes... E não, se não fazem nada com algum dos meus. – fechou os olhos, bem pensativo, depois sacudiu a cabeça. – Corrigindo, não se assusta. – ele disse rindo e riu junto. – Mais alguma pergunta? – ele mordeu levemente a boca.
- Hmm. – ela fechou um dos olhos, depois apontou o polegar pra ele. – Quando vocês entram em turnê? – abriu um sorriso grande.
- Previsão pra fim de agosto. Inicio de setembro. – mexeu os pés, impulsionando levemente o balanço.
- E álbum? – ela fez uma mini careta, ele riu olhando pra cima. – Quando os meninos-prodígio vão começar a trabalhar? Vocês tem que superar o Made In The A.M.
- Na verdade, já começamos. – ele disse com um sorriso e a garota arregalou os olhos, quase escancarando a boca. – E eu garanto que vai superar o Made In The A.M.
- Gente! Eu preciso sobreviver pra ir a essa turnê, juro que preciso. – piscou os olhos freneticamente.
- Então se é assim, quero muito que vocês estejam conosco. – o rapaz disse sorrindo e viu arregalar mais ainda os olhos escuros. – Estão convidadas, todas as três e mais alguém que decidirem levar. É só avisar. – sorriu enrugando o canto dos olhos. – Topa?
- Ai.Meu.Deus! Claro que eu topo. – a garota colocou as mãos no rosto e levantou de uma vez do balanço, abraçando o rapaz ao seu lado, depois beijando a bochecha dele. – Show da One Direction conhecendo os caras? Você é a melhor pessoa do mundo. – ela riu mais uma vez.
- Bom saber! Posso contar contigo mesmo, não é? – mexeu o bico do coturno na areia.
- Claro que pode! – ela disse ainda com a alegria tomando conta de todas as suas células.
- Mesmo que tenham milhões de coisas da faculdade? – fez uma careta. Os dois riram.
- Mesmo que tenham milhões de coisas da faculdade. – afirmou com um aceno.
- Mesmo que você enjoe da gente, daqui pra lá?
- Mesmo que eu enjo... Ei! Isso não vai acontecer. – ela disse um tanto exaltada, sendo a vez de afirmar satisfeito.
- Mesmo se as meninas não forem? – ele riu da careta que a garota fez. – Vocês só andam juntas.
- Mesmo se elas não forem. O que eu acho bem difícil. – o rapaz riu alegre com a animação toda dela. – Porque quando eu contar, elas vão dar um surto bem legal. – deu joinha e os dois riram.
- Mesmo que seja o fim do mundo?
- Mesmo que seja o fim do mundo. Ei espera! – fez careta.
- O quê? – riu.
- Vocês iam cancelar o show, se fosse apocalipse. Não viaja, . – ela negou com a cabeça, o fazendo rir.
- É, iríamos. – ele afirmou mordendo a boca, aquilo era realmente meio idiota. – Então, você vai?
- Mas é claro? Você acha que eu ia perder? – ela sacudiu a cabeça. – Vai ter Meet liberado? – a garota bateu palminhas, se sacudindo no balanço.
- Fechado só pra vocês, antes e depois do Show. – ele deu de ombros. – Vantagens e desvantagens.
- Como assim? – perguntou confusa. Qual era a desvantagem em tudo aquilo?
- Vocês vão nos ver lindos e cheirosos, antes. E feios e fedorentos, depois. – fez uma careta, como se a última parte não lhe agradasse e a garota gargalhou de uma maneira forte e demorada, segurando a barriga. – ? Fala alguma coisa. – ele pediu preocupado e a garota esticou a mão, pedindo um tempo pra se recuperar.
- Vocês nunca que vão ficar feios. Se conformem. – a garota respirou fundo.
- Eu não concordo, os caras são horrorosos. – ele fez uma careta de nojo e voltou a rir. – E outra você nunca nos viu depois de uma apresentação pesada.
- Repito. – ela levantou um dedo. – Vocês nunca vão ficar feios. – balançou a cabeça negativamente. – Mas quanto ao perfume eu já não sei, no This Is Us, o disse que você era uma das pessoas mais fedidas que ele conhecia. – a garota mordeu a boca pra não rir outra vez.
- é um verdadeiro idiota. – rolou os olhos.
- Desencana. – a garota riu olhando pra ele e depois desviou o olhar, mirando o chão de areia.
Por um bom tempo os dois ficaram ali, balançando vagarosamente no balanço, enquanto viam o sol se por detrás dos prédios. Era uma das cenas mais bonitas que se poderia imaginar, principalmente quando um espetáculo inteiramente da natureza, no qual o homem ainda não tinha conseguido um jeito de interferir. E o silêncio não era constrangedor, era apenas um mediador dos sorrisos esboçados a cada balançada mais forte, fosse do brinquedo ou do coração.
- ? – chamou calmamente, segurando a mão dela com delicadeza.
- Oi? – ela olhou pra mão dele de uma vez, vendo que segurava a sua com receio, quase sem segurar.
- Quer fazer alguma coisa essa semana? – mordeu a boca sem perceber.
- Coisa? Coisa o quê? – ela sorriu levemente.
- Ver um filme talvez. – deu de ombros. – Conversar mais, passar um tempo juntos.
- Claro que eu gostaria. – ela sorriu imensamente satisfeita, sentindo o sorriso rasgar seu rosto e um singelo formar-se no dele. – Bem que você poderia chamar todos os meninos, não é? – pediu tristonha.
- Chamo sim, como você quiser. – ele alargou mais o sorriso. – Só precisamos marcar um dia bom, que dê pra todo mundo ir.
- Obrigada, , de verdade. Você é um cara maravilhoso. – a garota disse em imensa satisfação, não sabendo quais palavras realmente usar pra expressar toda a sua gratidão. – Quando marcamos? Esse fim de semana?
- Não sei, preciso do seu número. Porque daí fica melhor de combinar. – ele mordeu a boca, receoso, afinal, aquela era a pior maneira de pedir o telefone da garota, mas foi a que ele conseguiu encaixar no meio da conversa toda.
Por outro lado, se encontrava um tanto estacada no meio do playground. Ela ouviu da própria boca de , que ele queria seu telefone para futuras eventualidades. Bom e se ele queria. Quem era ela, para negar?
- Claro. – ela balbuciou.
- Porque eu converso com todo mundo. Podemos até falar ao mesmo tempo... – o rapaz coçou a cabeça impaciente com tanta coisa sem nexo que saía de sua cabeça.
- Tudo bem. – sorriu de lábios fechados. – Vemos o melhor jeito de deixar todos informados. – afirmou e logo entregou o telefone a ela, para que colocasse seu número.
A futura cineasta pegou o aparelho celular grafite já desbloqueado e entrou no aplicativo que ficava a agenda de contatos. Mas mesmo estando demasiadamente curiosa pra ver quem ocupava os contatos de , ela apenas adicionou um novo local e logo em seguida digitou seu número, depois “ ” na identificação, embora tenha apagado quando viu que ficaria formal demais. Pensou em colocar apenas o sobrenome, mas aquilo ficaria confuso. E se ele não se lembrasse de quem se tratava? A garota sacudiu a cabeça levemente e apenas colocou “”, ainda que questionando a possibilidade de haver outras com o mesmo nome naquela agenda. E após entregar o aparelho de telefone a ele, viu um sorriso animado surgir no rosto do rapaz.
- Primeira na minha agenda. – ele a olhou com os olhos sorridentes, enquanto ela se sentia aliviada por ser, por enquanto, a única. – Ou melhor, única na minha agenda. – completou, enquanto ela apenas segurava o sorriso, que logo foi substituído por uma expressão totalmente confusa.
pegou o celular do bolso e sentiu seus lábios empalidecerem ao ver um número completamente desconhecido lhe ligando, depois uma careta, mas estava bem decidida a não atender, quando ouviu falando.
- Sou eu. – ele riu. – Grava o meu número, porque senão você vai ficar assim, toda vez que eu te ligar.
- Não sabia que era você. – ela coçou a cabeça um pouco sem graça e logo tratou de identificar o número com o nome dele.
- Sem problemas. Agora vai ficar mais fácil pra eu falar com você. – os dois sorriram, enquanto ela afirmava com uma felicidade sem tamanho. – Mas eu não vou ter mais desculpas pra vir aqui. – ficou sério de uma vez, depois negou com um aceno. – Negócio nada bom ter pegado o teu número, nada bom. – ele usou de falsa decepção, fazendo a garota rir um tanto encantada.
- Você sempre pode fingir que perdeu o número. – ela piscou e logo deu de ombros, dando uma solução simples para o possível problema.
- Garota esperta! – se pôs quase de lado no balanço, conseguindo mantê-la totalmente em seu campo de visão. – Por isso que gostei de você, .
- O sentimento é totalmente recíproco, . – ela ainda sem conseguir desmanchar o sorriso, impulsionou vagarosamente os pés no chão, fazendo balançar o brinquedo.
- Posso perguntar uma coisa? – pediu calmo, fazendo-a olhá-lo.
- Pode. Por que não? – fez uma careta confusa.
- Ok, então lá vai. – ele segurou uma das cordas do balanço. – É mais pra confirmar o que eu penso. – afirmou, ficando bem mais confusa do que já estava. – Você não tem namorado, tem? – engoliu em seco, fazendo-a gargalhar. – Porque eu não quero confusão com ninguém, principalmente se ele for que nem o John. – o rapaz tentou se explicar, o que só aumentou as risadas dela.
- Eu não tenho namorado, . – conseguia aos poucos, cessar com a crise, enquanto respirava fundo. – E igual aquele, eu também não quero. Por que, ?
- Eu realmente não quero confusão. – ele apertou os dedos, um pouco impaciente.
- Não precisa se preocupar, então. – ela mordeu a boca levemente, olhando qualquer coisa no parquinho que não fosse ele. afirmou com um sorriso.
- Posso perguntar mais alguma coisa? – o cantor mexeu o pé na areia batida.
- À vontade.
- Me diz algo que você faça e que realmente se considere boa nisso, um hobbie, talvez. – ele deu de ombros.
- Por que isso, ? – riu, sem entender o porquê daquilo.
- Curiosidade. – ele sacudiu o relógio no pulso.
- Hm... – ela mordeu a boca, pensativa. – Ok, é. Cozinhar.
- Ow, é sério? – o moço arregalou os olhos, riu afirmando. – Eu também gosto de cozinhar, mas tenho receio em comer o que faço. – riu.
- Você não come?! – ela perguntou totalmente incrédula.
- Não é isso. – riu alto, tentando se defender da “acusação”. – Eu só não sinto gosto na comida, quando eu faço. Você sente?
- Claro, . – a garota riu mais uma vez. – Eu cozinho e como. Você acha que essa carinha redonda é por qual motivo? – ela piscou um olho, enquanto palpava o rosto e ele riu alto.
- Meu Deus, . – o garoto respirou. – Você é...
- Estranha? Esquisita? Gorda? É, acho que sou sim. – ela atropelou a frase dele, fazendo voltar a rir mais uma vez.
- Não, . Você é linda, inteligente, engraçada... – ele elogiou-a e viu as bochechas da garota tomarem um tom avermelhado. – Você não é gorda, eu sou gordo. – apertou as próprias bochechas.
- Não! Suas bochechas são fofinhas. – ela riu e o viu rir junto, depois tomou uma expressão séria. – Qual o seu problema? – perguntou parecendo estar confusa.
- Por quê? – mexeu na barra da camisa, parando de rir.
- Você está rindo das minhas idiotices. – pôs a mão no peito, como se realmente não estivesse entendendo o porquê daquilo.
- Ah, qual é? Tenho certeza que você ri das minhas também. – ele meneou a mão, sacudindo-a.
- Sim! – a garota afirmou veemente. – Mas você não faz tantas. Então, também me acabo de rir das dos meninos. – ela deu um sorriso e balançou a cabeça negativamente, voltando mais uma vez seu olhar para o chão.
Aquilo era tão surreal, a situação era das mais incomuns possíveis. Afinal, nunca imaginaria que esse tipo de coisa fosse acontecer um dia.
- É justo. – disse com obviedade e depois tirou o telefone do bolso, olhou quem ligava e rolou os olhos, atendendo a ligação logo em seguida. – O que foi? Estou aqui sim. Não sei, , estou com a . – o garoto suspirou. – Onde você está? – ele rolou os olhos. – Jura? Pois eu deveria te deixar esperando aí. – suspirou. – Estou indo. – ele suspirou inconformado, mais uma vez e depois desligou o telefone. – disse que está preso do lado de fora da casa de vocês. – o cantor disse altamente desgosto, fazendo a garota rir.

-x-x-x-

Assim que tinha dito que estava na porta da casa, esperando por ela, logo foi tratar de saber o que ele queria. Porque tinha aparecido e qual o programa da vez. Ela o abraçou assim que o viu, aquela silhueta enorme e sorridente, com os cabelos que voltavam a crescer gradativamente. por sua vez, também a abraçou o mais forte que pode, depois a beijou na bochecha.
Depois que os dois haviam almoçado no restaurante italiano, tinha aparecido mais vezes que o , ligava sempre que tinha vontade e desfrutava bastante da companhia das meninas, então dos três, ele era quem tinha desenvolvido uma melhor relação com as três garotas.
- Hey, lindão. – sorriu e ganhou um beijo na bochecha.
- Oi, lindona. – ele respondeu a abraçando o mais forte que pode. – Tá a fim de sair hoje? – sorriu e já encarava a garota.
- Hoje é quinta, ! – riu e trancou a porta e casa, ainda mantida no abraço dele. Um dos melhores que ela considerava.
- Não vejo problema. – o garoto riu. – Nunca é tarde pra sair. – a olhou esperançoso, vendo fazer uma mini careta, saindo do abraço de urso dele. – Meio de semana nem é tão cheio, se é isso que você tem medo. – ela riu um pouco sem graça, sem querer dizer que o problema era aquele.
- Amanhã eu tenho aula. – sorriu, ainda que pra disfarçar sua mentira, já que ela não queria desapontar o garoto. Enquanto a levava na direção da escada de incêndio.
- Ah é, tinha esquecido. – ele coçou a cabeça, rindo sem graça. sorriu e enlaçou o braço no dele, fazendo o garoto sorrir satisfeito. – A propósito, como foi à prova? Você fez hoje, não foi? – ele perguntou olhando para ela.
- Foi sim, fiz hoje. Eu gostei, acho que fiz bem. – ela riu de leve, achando muito fofo da parte dele se importar com aquilo. – Acho que consigo uma nota boa. – reprimiu um sorriso, com uma leve mordida no lábio.
- Maravilha! – a abraçou forte, ainda que pelos ombros. – Garota inteligente. Gostei! – ele deu uma leve piscada, fazendo prender um suspiro, ainda vidrada nos olhos . Sem falar nas covinhas, que ficavam mais evidentes a cada sorriso. – Sinal que te entreguei o livro a tempo. – disse com um alívio lhe tomando e eles riram, a medida que sentavam no primeiro degrau da escada.
- Deu tempo de estudar, mas acho melhor esperar o resultado. – ela riu de leve, colocando uma mecha do cabelo escuro atrás da orelha.
- Nada de querer cantar vitória antes do tempo? – perguntou, fazendo uma careta engraçada e os dois riram.
- Quase isso. – ela repetiu a careta dele. – E vocês? Verdade o que eu fiquei sabendo essa semana? – a garota escorou na parede do corredor, descansando as mãos em um joelho, como se o segurasse.
- Sobre a turnê? – ele perguntou sentado em um degrau abaixo do que ela estava e viu a garota afirmar com um aceno. – É, começamos os preparativos. – esfregou as mãos, mostrando estar um tanto ansioso, depois olhou para as escadas. – Tem terraço aqui? – ele mudou de assunto.
- Uh gostei de saber. Quero ir, quero mesmo. – a garota falou bem eufórica, depois fez careta com a segunda pergunta dele. – E sim, tem terraço. – riu, fazendo uma mini careta.
A estudante de direito sabia que aquela turnê prometia ser simplesmente maravilhosa, tinha músicas perfeitas, os meninos haviam começado a fazer covers e ela estava muito empolgada pra ver tudo acontecendo de novo, a euforia, os todays, vines, memes, vídeos e todos os bônus de uma turnê. A grande diferença é que ela já conhecia ¾ da banda e um deles já quase poderia ser considerado como amigo.
- Por quê? – ela inclinou a cabeça para o lado, olhando pra .
- Se corrermos, dá tempo de ver o pôr do sol. – ele sorriu mais uma vez, mostrando suas covinhas e viu arregalar os olhos em pura animação.
- Eu nunca tinha cogitado essa ideia! – ela deu um grito, colocando a mão na boca.
- Então vamos! – levantou do degrau, oferecendo a mão a ela em ajuda, gesto que a futura advogada aceitou bem, segurando com firmeza, depois levantou em um pulo. – E sobre o show, fico muito feliz que você compareça, é minha convidada especial. – ele sorriu mais uma vez, piscando o olho e ela deu um sorriso gigante, mostrando todos os dentes.
- Fico imensamente agradecida. – o abraçou de uma vez, recebendo uma risada, um abraço de volta e um beijo na cabeça.
-Vai gritar? – riu, imaginando que ela fosse começar a gritar ali mesmo.
- No show? Muito! Vou me esgoelar. – ela riu também. – Vou fazer jus ao meu título de Directioner. Não se preocupe. – bateu continência, ainda sem conseguir tirar o sorriso enorme do rosto.
- Vamos subindo? Ou perdemos o pôr do sol. – ele chamou animado e começaram a subir as escadas de emergência. – E você, alguma novidade pra me contar? – sorriu.
- Hm. – a garota mordeu a boca por dentro. – Deixa-me ver. – ela segurou o queixo e logo se lembrou de sua nova maneira de ocupação, fazendo os olhos encherem de brilho. – Bom, eu achei uma academia de DTA aqui perto! – falou mais sorridente do que nunca.
- DTA? O que é isso? – ele perguntou confuso e abriu a porta do andar oito.
- Técnica de defesa avançada. – riu, ele abriu a boca mostrando que havia entendido. – É considerado um modo de luta, mas é mais pra se defender e não lutar. – ela deu de ombros e viu o rapaz escancarar a boca.
- Você luta? – ele perguntou de olhos arregalados. – Quer dizer, se você precisar apagar alguém, você consegue? – perguntou rápido, agoniado e a garota gargalhou, empurrando-o de leve com o ombro.
- Eu não sei, . – ela riu divertida. – Eu comecei porque queria aprender a me defender, eu não sei se tenho potencial pra apagar alguém. – deu de ombros.
- Então vai começar ainda? – abriu a porta do nono andar, em um ato de educação e cavalheirismo. agradeceu com um sorriso.
- Vou continuar, na verdade. Eu fiz um ano e meio, quando ainda não morava por aqui, depois não consegui mais achar uma academia legal, achei essa semana. – ela deu um sorriso satisfeito.
- Essa sua carinha engana, Srta . – riu. – Eu não imaginei que você gostasse dessas coisas que envolvem luta.
- Eu gosto, na verdade é uma forma de tirar todo o peso do estresse que se acumula. Eu não luto pra brigar, eu luto pra descarregar. – ela disse movimentando os dedos e encontrou lhe olhando interessado, com as mãos pra trás do corpo. riu. – Pra praticar luta você precisa ser bastante centrado, ou as coisas não vão pra frente.
- Ter a cabeça certa, você diz, não ter o pavio curto? – perguntou rindo.
- Exatamente, . – ela riu junto. – , por exemplo, pelo que conhecemos, ele é bem esquentado, então não rola ele aprender.
- Ou iria querer sair batendo em todo mundo. – afirmou.
- Exatamente. – ela apontou o fazendo rir e afirmar com um aceno. – Já viu Karate Kid? – pulou um degrau.
- Claro que vi. – ele riu. – Todo mundo já viu o filme, ou quis aprender arte marcial por causa dele. – os dois riram.
- Então, é quase o mesmo princípio. Tudo se trata de disciplina. Se você tem disciplina, você tem controle. – mordeu a boca e afirmou ainda um pouco pensativo. – São muitos princípios a serem seguidos.
- Parece ser bem legal. Você bem que poderia me levar na academia, qualquer dia. – ele deu de ombros. – Ensinar algumas defesas. – repetiu o gesto e riu.
- Claro, está convidado, só me deixa começar a treinar de novo e eu garanto que te levo. – a garota piscou, fazendo um sorriso gigante surgir no rosto dele.
- Já estou ansioso. – ele disse ainda com o sorriso gigante, mostrando as covinhas e sentiu as bochechas esquentarem. O garoto abriu a porta do décimo andar, esperou passar e logo em seguida soltou, vendo-a fazer um pequeno movimento de vai e vem, depois parar no devido lugar.
- Você quer mesmo que eu te ensine? – ela perguntou rindo, ainda meio envergonhada. Ele afirmou. – É sério?
- Claro, ! – riu. – Você não quer me ensinar?
- Não! Não é isso. – ela riu nervosa. – É que você anda com um segurança. – os dois riram.
- É sempre bom aprender a se defender, . E ter a sua companhia também. – sorriu mais vez, mostrando os dentes brancos. A garota sorriu e mirou os degraus a sua frente, sentindo o coração dançar em seu peito.
Logo avistaram a porta que dava para o terraço no prédio, adiantou-se e sendo cavalheiro e galante como ele sempre era, abriu a porta para .
- Obrigada. – ela sorriu imensamente agradecida e ele sorriu largamente, fazendo ruguinhas se formarem no canto dos olhos.
Ao entrarem no espaço, se perguntou por que nunca tinha ido lá, era simplesmente maravilhoso. Um terraço imenso, que além de ter alguns entulhos e coisas velhas amontoadas em um canto, perto de uma coberta. Também tinha um lado onde parecia um jardim cultivado há pelo menos dois anos, as plantas vivas e verdes, com algumas flores que pareciam ter sido colocadas estrategicamente no meio das folhas. E pra iluminar o lugar, algumas luzinhas, daquelas que eram usadas no natal.
A garota respirou fundo, sentido a brisa fria atingir seu rosto e contorná-lo com delicadeza, depois abriu um gigante sorriso, observando a linda vista a sua frente, o céu dividido entre ser alaranjado e escuro, com o sol se escondendo sorrateiramente atrás dos prédios. Dali dava pra ver a cidade inteira, ou quase toda, se tentassem uma visão panorâmica olhando para todos os lados, era possível observar o mar que contornava a famosa “ilha”, a ponte do tamisa bem ao longe, o Big Ben e a roda gigante mais famosa do mundo. Ela deu um sorriso nostálgico e balançou a cabeça negativamente. Há quando tempo ela estava tão presa a suas obrigações, ao ponto de esquecer que morava em uma das cidades mais lindas do mundo? lembrava-se de toda a euforia que lhe envolvia poucos anos atrás, conhecer todos os pontos turísticos famosos, passear no ônibus vermelho, atravessar a ponte do Tamisa, conhecer o aquário, o Madame Tussauds e até mesmo tirar foto com alguns dos meninos da One Direction feitos de cera. Ela nunca imaginaria que faria tudo isso e ainda e estaria no terraço do seu prédio, acompanhada de , mas o de verdade.
- Tudo bem? – perguntou, colocando uma das mãos no ombro da garota, que olhou pra ele afirmando com um grande sorriso e os olhos quase transbordantes. – O que houve?
- Por um momento eu havia esquecido que morava na cidade mais linda do mundo. – sorriu e ganhou um abraço de urso, que a fez rir e o abraçá-lo de volta com mais força. – Muito obrigada por me fazer lembrar disso. – ela sorriu ainda com o rosto encostado ao ombro dele.
- De nada, eu acho. – riu e beijou a cabeça dela. – Olha, o sol está lindo. – o garoto apontou para o céu alaranjado e virou a cabeça, olhando para onde ele apontava.
- Nossa, é muito lindo! – a moça sorriu, ainda estando abraçada a . – Juro que nunca tinha parado pra pensar nisso. Obrigada mesmo, de verdade. – ela o apertou mais no abraço e fechou os olhos, sentindo a brisa mais uma vez no rosto e logo um beijo entre seus cabelos.
- É, eu aprendi a dar valor a pequenas coisas de uns tempos pra cá. A gente nunca sabe o que pode acontecer. – o rapaz de olhos disse de uma forma serena, enquanto os dois admiravam aquele espetáculo maravilhoso da natureza.
- Pior que não sabemos mesmo. – esfregou um pouco os braços cobertos pela blusa de manga. Por mais que estivessem entrando na primavera, mas o frio ainda era bem presente. – É assim que vocês encontram inspiração? – ela perguntou de uma vez e viu o garoto fazer uma careta.
- Quê? – estava totalmente confuso com a pergunta dela. – Inspiração pra quê?
- As letras, . – a garota riu alto. Ele deu um sorriso de entendimento recente e acabou rindo junto.
- Na verdade, não. – ele deu de ombros. – As ideias vêm nas horas mais improváveis.
- Como? – meneou a mão, pra que ele continuasse a falar.
- Água. – deu um sorriso trincado, a garota riu mais uma vez.
- Água?! Como assim água? Você toma água e de repente vem uma letra inteira na sua cabeça? – os dois gargalharam. Aquela hipótese era tão sem nexo.
- Não assim, . – sorriu apertando os olhos . – Geralmente se eu estou mexendo com água, lavando louça, tomando banho ou essas coisas, a inspiração vem mais fácil. – ele riu.
- E você lava louça? – ela fez careta, uma careta bem incrédula.
- Você acha que eu uso tudo descartável? – ele fez outra careta, também incrédula. A garota riu alto.
- Não, . – ela passou a mão no nariz, percebendo o quão gelado estava. – Você poderia ter alguém de apoio, sei lá, pra arrumar sua casa. – deu de ombros, um tanto envergonhada pela suposição, que era obviamente, errônea.
- E eu tenho, tem muita coisa que eu não tenho a mínima ideia de como fazer. Mas eu também lavo louça. – o garoto riu. – Que tipo de homem eu seria se não lavasse ao menos uma louça? – ele perguntou divertido e rindo baixo.
- É. – a garota apertou os dedos. – Você tem razão.
- Não precisa ficar assim. – riu. – Já estou acostumado com essas perguntas, te garanto. Não é nem um bicho de sete cabeças. – ele sorriu com sinceridade. Ela sorriu também, ajeitou a pequena touca na cabeça e logo sentiu o adereço ser puxado pra longe de seus cabelos.
- Ei! – protestou, mas soltando uma risada pela brincadeira de .
- Gostei da sua touca. – ele riu, enquanto tentava pô-la em sua cabeça com uma mão só, já que a outra estava bem abraçada a . – Vai esquentar minhas orelhas. – o rapaz riu da cara tediosa que ela fez.
- E as minhas?! – a estudante de direito soltou um meio gritinho esganiçado, se esticando para tentar pegar a touca.
riu esquivando um pouco a cabeça.
- Posso te ajudar. – ele sorriu astuto e esfregou as mãos.
fez careta, sem entender como aquilo resolveria o problema de suas orelhas que ficariam geladas. A garota tomou fôlego pra perguntar, mas antes que fizesse isso, colocou as mãos aquecidas, uma em cada orelha da garota a fazendo rir. Mas achando extremamente fofo da parte dele, usar aquilo pra “melhorar” o estado de suas orelhas frias.
- Resolveu? – ele perguntou rindo, ainda segurando o rosto dela com as duas mãos, gesto que sem querer, ou perceber, mantinha os narizes dos dois bem mais próximos que o normal.
- Eu ainda quero minha touca, . – ela riu e no impulso ficou na ponta dos pés, com intenção de pegar sua touca.
De repente o sorriso divertido que habitava no rosto dos dois, foi substituído por um olhar apreensivo por parte da menina, assim que os narizes gelados se tocaram, acordando de um tipo de transe alegre. Ela estava tão perto dele e nem sequer havia percebido, por causa das brincadeiras e risadas, mas estando ali tão próxima do garoto, com os narizes quase colados, sorrisos desmanchados, e olhares compenetrados. Era quase impossível manter o coração direito no peito, manter as pernas firmes e sem tremelicas.
segurou o rosto dela com calma e delicadeza, tocando aos poucos a pele gélida e macia da bochecha de , fazendo a garota soltar o ar que estava preso em seus pulmões, coisa que ela nem percebera que havia feito, pela boca. E Ainda segurando o rosto dela, exatamente de frente ao seu, deixando-a presa pelo hipnotismo de seus olhos . sorriu largamente, depois mordeu levemente a boca, tentando conter o sorriso tão largo.
-Espero que você não me bata. – disse baixo e respirou fundo mais uma vez.
Ele segurou o rosto dela com mais firmeza, fazendo se apoiar nos seus braços e fechar os olhos vagarosamente. Sentindo apenas quando os lábios gélidos de tomaram os seus em um beijo leve, a princípio receoso, temendo que dar intensidade tão cedo, pudesse assusta-la. Mas quando o rapaz se sentiu ser abraçado pelo tronco, de forma firme e forte, contornou os lábios da garota com a língua, beijando-a com mais intensidade, porém calmo e cuidadoso. se deixou levar, entregando-se a beijo do rapaz, que na percepção dela, sabia muito bem o que fazia.
Os dois estavam abraçados, mas não fazendo a linha de louca pegação em um terraço, eles pareciam mais um casal que havia passado um tempo sem se ver e estavam um com saudade do outro. Enlaçados de forma bonita, calma e aconchegante, eles poderiam ser usados como cartão postal, foto de revista, capa de livro ou até mesmo a cena final de um filme, simplesmente pela eletricidade, que sentia percorrer cada célula de seu corpo, e magnetismo que exalavam na cena. e pareciam ter o encaixe perfeito e o pôr do sol ao fundo, só transformava aquele momento, no mais especial possível.

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Depois de voltarem para o apartamento que pertenciam às meninas, e , encontraram escorado a porta, enquanto mexia no celular, usando uma touca que quase cobrias as orelhas e parecendo mais concentrado que o normal. A garota riu baixo e depois o cumprimentou.
- Hey, . – a moça disse sorridente, o fazendo levantar a cabeça de uma vez.
- Oi, . – também sorriu, guardou o celular no bolso, enquanto os dois se aproximavam e em seguida abraçou a garota. – Tudo bem? – ele perguntou ainda abraçado a ela.
- Tudo sim. E você, o que faz aqui? – a garota perguntou alegre, enquanto abria a porta de casa.
- Estava passando, ia à cafeteria que tem ali na outra rua, mas vi o carro dos meninos, parei e vim falar com vocês. – ele disse com um sorriso pequeno.
- Cadê o ? – perguntou de uma vez, estranhando não ver o amigo.
- Não sei, deve estar por aí com a . – deu de ombros e logo os três entraram no apartamento, atravessaram o pequeno corredor e sentaram no sofá.
- onde anda? – se escorou no estofado, como se estivesse em casa. Perguntando pela garota apenas por educação.
- Acho que ela saiu. – segurou uma das almofadas, vendo sentar-se a poltrona.
- Tudo bem. – coçou a cabeça, por baixo da touca, depois voltou a ajeitar o adereço na cabeça.
- , eu marquei com a de nos juntarmos qualquer dia, pra ver um filme. – disse receoso, com medo que o amigo abrisse o berreiro a rir da cara dele, mas pra sua surpresa, afirmou animado.
- Ótimo! Usamos a sala de cinema de sua casa. – sorriu ainda enterrado ao estofado escuro. – Acho que esse fim de semana da certo. – o garoto sugeriu, e afirmaram.
- Isso mesmo. – sorriu juntando as mãos, enquanto estava escorado aos joelhos com os cotovelos.
- Maravilha! – ela disse animada. – Vou só avisar as meninas. E aí nós marcamos de ver como fica melhor. – estalou os dedos, os dois rapazes afirmaram com sorrisos e logo em seguida, ouviram a porta da casa batendo, quando uma um pouco desorientada, entrou sem prestar atenção nas pessoas que estavam ali.
- ? – falou, com uma careta por ver o estado da garota.
- Ah, oi! – ela disse com um sorriso gigante no rosto, mas ainda parecia mais aérea que o normal. – Oi, . – a garota acenou. – . – os dois sorriram. – O que houve?
- Conversando sobre marcar algo. – respondeu casualmente, mas estava totalmente vidrada na expressão da amiga, que parecia não saber mais parar de sorrir.
- Ah, tudo bem. – disse ainda aérea. – Quando marcarem, me avisem, tudo bem? Tchau, meninos. – ela sorriu mais uma vez e acenou pra eles, depois subiu as escadas correndo, deixando os três presentes na sala, nem mais do que confusos.
olhou extremamente confusa pra escada, sem entender mais nada do que estava acontecendo ali. Desde quando deixava de fazer sala para os meninos? Ou preferia ficar só a ter a companhia deles? Alguma coisa havia acontecido e descobriria.
- O que deu nela? – fez careta, apontando para onde a garota tinha acabado de subir e rolou os olhos com a intromissão do amigo.
- Eu não sei, . – riu. – Depois eu pergunto.
- Meu Deus, . – reclamou envergonhado, cobrindo a testa com a mão. – Ok, é... Então ficamos de combinar, não é? Acho que esse sábado poderia ser. – o rapaz das sobrancelhas grossas deu de ombros.
- Sim! No sábado seria ótimo. – a garota sorriu, mas a verdade é que ela estava louquinha pra saber o que tinha acontecido com . – Só preciso avisar a .
- Está um pouco tarde. – coçou a cabeça, percebendo que queria ir conversar com a amiga. – Vamos, ?
- Ir? Mas eu mal cheguei. – reclamou fazendo cara feia. – Eu não vou agora.
- Nós vamos. – o corrigiu e se aproximou de pra se despedir, vendo o amigo assumir uma grande expressão de puro tédio. – Tchau, . Nos falamos. – ele sorriu e a abraçou forte, fazendo a garota dar um sorriso gigante.
- Tchau, . – ela respondeu e beijou a bochecha dele.
Depois se despediu de com mais outro abraço e ainda com alguns acenos, os dois saíram do apartamento da garota, que logo foi atrás da amiga, bem curiosa pra saber o que havia acontecido. Enquanto e andavam despreocupadamente pelo corredor.
- Por que você apareceu aqui do nada? – perguntou curioso. A história da cafeteria não tinha lhe convencido.
- Não é só você que tem amigas, . – deu um sorrisinho irônico e astuto, puxando a carteira de cigarros do bolso. – Mas eu ia na cafeteria da outra rua, daí vi o seu carro, ou o do , enfim. Deduzi que era uma boa hora pra aparecer também. – ele riu e pôs o cigarro na boca.
- Não vai fumar isso no elevador. – fez careta e tirou o cigarro da boca dele, rolou os olhos, pegando o rolo branco de volta. – Tem certeza que só veio pra isso? – fez careta.
- Sim, vim ver as meninas. Se vocês podem, por que eu não? – os dois entraram no elevador. – Mas só vi duas.
- saiu quando eu cheguei, acho que foi pra casa do namorado. – cruzou os braços, enquanto acionou o piso do estacionamento.
- Que bom. Aquele cara arrogante? O que fala francês? – fez uma careta de desgosto. – Fiquei com dó dela por causa da confusão que ele armou na porta do apartamento.
- É, ela é uma garota bacana. Ele é um pouco esquisito, não sei. Ele deve ter os motivos dele. – deu de ombros.
- Pra não gostar de mim? – riu com deboche. – Eu não fiz nada com a namorada dele, . A garota só me ajudou e levou patada por isso. – rolou os olhos e deu de ombros. – Se isso for ciumezinho sem cabimento, garanto que ele merece ser deixado chifrado. O caralho a quatro, mas merece. Mas e você, , o que veio fazer aqui?
- Vim ver as meninas, oras. – foi óbvio na resposta.
- Meninas? Acho que alguma moça em específico, uma certa baixinha. – riu, encarando o rapaz do seu lado, que parecia querer fugir do assunto.
- Foi, eu vim ver a . Não posso mais? – manteve a pose e ele fez um sinal de rendição com as mãos.
- Não precisa ficar nervoso. – debochou e logo voltou o cigarro a boca, quando adentraram o estacionamento do prédio, saindo do elevador.
- Você ainda vai morrer por causa do cigarro. – apontou e deu de ombros, como se não tivesse importância. – Onde tá seu carro? – tirou as chaves do bolso, enquanto acendia o cigarro.
- Ficou do lado de fora, não tenho vaga privativa. – piscou, dando uma tragada e o amigo rolou os olhos, achando sem necessidade o deboche dele.
- Vá à merda, . – o garoto ralhou.
- Olhe o palavrão, porra. – reclamou, batendo no ombro do amigo e os dois riram.
chegou perto do carro, ainda acompanhado pelo amigo, que prendeu toda a sua atenção no barulho de uma moto, que acabava de entrar no estacionamento. Era uma Harley Davidson Low Rider vermelha, que teve a capacidade de sugar a concentração inteira de . Mas não pela motocicleta, ele observava fixamente a garota que estava nela e usava um capacete que escondia todo o rosto por estar com a viseira baixa.
- Que merda, . Olha ali. – falou com um sorriso largo e malicioso.
- O quê? – olhou pra cima e viu que o amigo apontava pra garota na moto. – O que tem? – fez careta.
- É gostosa, seu idiota. – rolou os olhos, soltando a fumaça pela boca, depois continuou a olhar fixamente, enquanto a moto se aproximava da vaga perto deles. – Mulher de moto é um tesão. – ele deu uma risada bem descarada. rolou os olhos depois riu da cara de . Ele realmente não sabia quem era a garota na moto? – Tá rindo por quê, veado? – bateu a mão no peito do amigo.
- Você não sabe quem é? – negou com a cabeça, ainda rindo da cara de idiota de , que mantinha o cigarro entre os lábios.
- Não. – respondeu com obviedade. – Se eu soubesse você acha que eu ainda estava aqui esperando alguma coisa? – o homem rolou os olhos. – Se você conhece, já deveria ter me apresentado.
- Você também a conhece, . – deu dois tapinhas no ombro do rapaz.
- Nunca vi uma coisa dessas em toda a minha vida. – jogou o cigarro no chão e pisou em cima, depois mordeu a boca e viu a moto entrar na vaga ao lado.
- Então espere pra ver. – riu incrédulo e logo viu a garota parar na vaga ao lado da que eles estavam, enquanto acompanhava cada movimento da garota e nem se dava ao trabalho de disfarçar. Ele era quase um secador ambulante, causando uma ponta de vergonha no amigo.
Mas a surpresa veio, quando baixou o pé da moto para lhe dar suporte, mas ainda estava sentada nela e tirou o capacete, sacudindo os cabelos. Abriu um sorriso alegre, olhando para os dois, o que desmanchou totalmente a expressão de , passando de uma cara curiosa a um queixo quase batendo no chão. Ele realmente não imaginava ela, que aparentava ter no máximo 20 anos, poderia ficar tão tentadora em cima de uma moto.
- Hey, garotos! – disse sorridente, acenando para os dois.
- Hey, ! – devolveu o cumprimento animado. – Como foi a saída? – ele foi simpático.
- Bem... boa. – ela respondeu rindo. – Vocês já vão indo? Por que não ficam mais? – a enfermeira apontou para o elevador e fez uma careta, sem entender porque estava calado.
- Não, não nós já vamos. Não é um bom horário pra manter visitas. – riu tentando se explicar e cutucou com o cotovelo. Preocupado com a falta de fala do amigo.
- O gato comeu sua língua? – perguntou a , fazendo rir alto. Mas a verdade é que até ela estava achando estranho ele estar calado.
- Quê? Não. – o garoto sacudiu a cabeça, depois abriu um sorriso torto. – Tudo bem com você?
- Sim. – ela sorriu e tirou a chave da ignição. – E com você? – a garota perguntou enquanto tirava as luvas, que eram do Iron Man, presente ganhado do Max.
- Tudo bem também. – respondeu ainda com um sorriso idiota.
desceu da moto, colocou as luvas dentro do capacete e o pendurou no braço, ficando de frente para os dois, ainda escorada na moto.
- Foi ótimo ver vocês, meninos. – ela sorriu e abraçou primeiro, , se despedindo, logo repetiu o gesto com . – Tchau. – ela sorriu se afastando. – Mandem um beijo pros outros.
- Claro, . – os dois responderam quase ao mesmo tempo, acenando. Ela sorriu, recolhei suas coisas e saiu da direção do elevador, parecendo responder alguma mensagem no celular.
- Eu estou tão fodido, . – deu uma risada meio desesperada, quase rindo da própria desgraça.
- Por quê? Só porque a tem uma moto? – riu abrindo a porta do carro, enquanto o amigo dava a volta pra entrar no lado do passageiro.
- Eu não sabia que era ela. E nunca imaginei que ela tivesse uma moto. – coçou a cabeça e fechou a porta do carro.
- Qual o problema com a moto, ? É só uma garota. – fez careta, colocando a chave na ignição do carro.
- Não é só uma garota, . – mordeu a boca e arqueou uma das suas grossas sobrancelhas, achando totalmente esquisito o que tinha acabado de falar. Desde quando ele dizia aquele tipo de coisa sobre uma mulher que mal conhecia? – Não isso, seu retardado. – rolou os olhos. – Ela me deixou meio doido, por ser tão evasiva. – ele mordeu a boca.
- E você ficou animado com a ideia de pegar ela só porque a garota não te deu à mínima? – riu incrédulo, olhando para o teto do carro. – Melhore, . – o garoto rolou os olhos. – E ela tem namorado, cara. Desencana. Talvez não tenha entrado na sua cabeça que toda mulher te quer, porque tem namorado.
- Eu só queria enfeitar a cabeça dele. – o de olhos disse e riu alto, levantando a cabeça.
- Do John? – fez careta.
- Quem é John? – olhou para o amigo de uma vez, totalmente confuso, não se lembrava de nenhum John.
- O namorado dela. – respondeu rindo, enquanto fez uma careta como se aquilo não tivesse importância. – E porque você quer tanto pegar a namorada do cara?
- Porque ela é gostosa, . – ele deu de ombros com a boca em linha reta. – Realmente não tem outra explicação plausível. – o garoto deu um sorriso trincado.
- Que porra, ! – gargalhou. – Você é tão idiota, às vezes. – fez uma careta de tédio. – Coitado de você, meu amigo. – o rapaz deu duas tapinhas no ombro do amigo, que fez careta, sem entender o porquê do aviso, ou sentimento.
sabia que não ia conseguir o que queria, não naquela vez, ou com aquela garota, que parecia ser certa demais para os padrões dele.
- Com o tempo você esquece. Quantas vezes isso já aconteceu? – ligou o carro.
- De eu ficar doido em uma garota? – perguntou abrindo o porta-luvas. – Algumas muitas. – ele deu de ombros. – Mas eu acho que dessa vez não vai passar tão rápido, ou esquecer. Gostei da ideia de enfeitar a cabeça do brutamonte. – ele deu uma gargalhada.
- Você não tem jeito. – negou, rindo bem incrédulo. – Ainda vai aparecer uma pra te tirar de tempo, escuta o que eu estou te dizendo. – deu de ombros, sem dar atenção às recomendações do amigo. – não vai cair nos seus encantos, .
- Duvido muito, . – soltou uma risada. – Para lá fora, que eu pego meu carro. – ele pediu.
- Ok, tudo bem. – disse enquanto manobrava a Range Rover branca, para sair do estacionamento do prédio.

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- ELE O QUÊ? – gritou de olhos arregalados assim que ouviu da boca de , que a garota havia sido beijada por .
As três estavam no quarto da estudante de direito, que já havia contado há pouco, toda a história a , esclarecendo o porquê de seu sorriso leso quando chegou em casa.
- Ele me beijou! AI MEU DEUS! – fechou os olhos com força, ainda com um grande sorriso no rosto. – Meu Deus, meu Deus. – ela arregalou os olhos e começou a rir como uma criança contente.
- Você zerou a vida, . – disse alegre pela amiga, que se jogou na cama.
- Eu zerei a vida. – repetiu.
- Nós zeramos. – riu também. – Eu tenho uma amiga que beijou a boca de . Já posso morrer feliz. , me diz que você também beijou , porque daí eu não peço mais nada na vida. – as três riram.
- Não, , eu não beijei , nem o contrário. – a garota disse rodando na cadeira giratória do quarto. – Mas ele nos chamou pra ver um filme na casa dele sábado.
- VOCÊS GASTARAM A SORTE DA VIDA COMO EU CONSEGUI HÁ UNS ANOS! – a enfermeira gritou, abrindo os braços, fazendo as duas rirem. – É claro que nós vamos! Não dá pra perder uma coisa dessas.
- Maromboy vai dar chilique. – assegurou.
- Dane-se. – cruzou os braços. – Mas me conta como foi essa coisa do cinema. – ela mudou de assunto, vendo a amiga abrir o semblante mais animado do mundo e começar contar como havia sido o “encontro” no Playground.

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O dia anterior tinha sido agitado, bem agitado e o início da noite mais ainda. As notícias haviam chegado como uma grande enxurrada para as três garotas, que ficaram sabendo de três grandes coisas, que poderiam mudar suas vidas dali pra frente.
1º Elas eram convidadas de honra para o primeiro show da turnê da One Direction que começaria dali a alguns meses.
2º Em seus celulares haviam aparecido um grupo chamado “Movie on ’s house” e que tinha pelo menos, um membro da banda quando foi criado, enquanto os outros eram adicionados aos poucos. E nesse rolo, até havia sido adicionado, mesmo que não fizesse mais parte da banda, mas as meninas tinham pedido que colocassem o rapaz.
3º A mais importante na opinião delas. e haviam se beijado.
Então obviamente a manhã já começava mais agitada do que nunca, por mais que fosse sexta feira, mas as três tinham seus compromissos. tinha uma reunião pela manhã com seu orientador e a coorientadora, sobre a residência que ele começaria a fazer, além do plantão noturno naquela noite. teria aula pela manhã, com a tarde livre. E passaria o dia no campus, resolvendo as pendências do último ano de curso.
A enfermeira desceu as escadas correndo, vendo que já estava praticamente atrasada. Mas precisava encontrar seu fiel moletom, ou não sairia tão cedo com a moto.
- Vocês viram o moletom do John? – ela gritou ao descer o último degrau da escada, indo revirar o sofá atrás de encontrar a roupa.
- Deve estar com ele, não? – saiu da cozinha com uma xícara na mão, coçou a cabeça.
- Não. Eu estou falando do que eu uso. – a garota que ainda procurava entre o estofado, levantou a cabeça e encontrou a amiga escorada ao batente da porta.
- Não sei, . Já olhou nas suas coisas? – levou a xícara à boca.
- Já, mas não está lá. – fez cara de choro e deu um suspiro teatral, passando a mão no cabelo. – Que droga! E o pior é que eu já estou atrasada e ainda tenho que comer. – a enfermeira andou rápido pra entrar na cozinha.
- Que houve? – perguntou adentrando o cômodo, vendo que parecia mais agoniada que o normal. Depois colocou a bolsa em cima da mesa. – Bom dia! – a garota sorriu.
- perdeu o moletom do John. – sentou a mesa mais uma vez. – Tá gata, . Bom dia.
- Vai pra onde de vestido? – riu, vendo a amiga dar uma voltinha em volta de si mesma.
- Obrigada. – mandou beijo pras duas. – Só me deu vontade de usar uma roupa mais arrumada hoje. – ela deu de ombros e caminhou pra área de serviço. – E sobre o moletom, ele não vai dar falta, , não esquenta.
- Na verdade é meu. – a enfermeira colocou a cabeça para o lado da cozinha, vendo as duas amigas e deu um sorriso trincado, deixando-as confusas. – E, cara, eu tive um sonho muito esquisito essa noite. – ela fez careta.
- Esquisito? – fez careta, afirmou.
- E que sonho foi esse? – pegou uma banana, também fazendo careta.
tinha um histórico de sonhos esquisitos.
- na sua cama de novo? – riu e viu fazer cara de ultraje.
- Não! – a garota deu um grito esganiçado. – Que horror! Que mau juízo você têm de mim. – pôs a mão no peito e viu as duas amigas tomarem fôlego pra reclamar. – FOI UMA VEZ! E eu tinha 19 anos! Não me culpem! – ela apontou e saiu de vez da área de serviço. – E também não foi nada demais, vocês que são maldosas.
- Não foi com o . – falou convicta a , que concordou veemente.
- Na verdade foi. – fez careta. – Ele estava em minha moto, o que é totalmente sem cabimento. Ninguém pega nela. – a garota também pegou uma banana.
- Sua moto? – riu incrédula. – Se fosse qualquer outra coisa eu não acharia estranho, mas sua moto. – ela enrugou o nariz, fazendo uma careta.
- Exatamente. – respondeu mordendo a banana.
- Depois eu sou a esquisita de vocês. – riu, negando com a cabeça. – Você o viu ontem? Ele veio aqui.
- Vi sim, quando eu ia chegando, ele ia saindo com o , pode ter sido isso. E ele estava olhando esquisito pra minha moto. – deu mais uma mordida na fruta.
- Olhando esquisito? – perguntou.
- Era, eu não sei. Mas ele não estava no normal dele. – ela deu de ombros.
- Maromboy veio te deixar? – pegou a bolsa em cima da mesa.
- Não. Esculachei ele, ontem. – suspirou.
- Por quê? – as duas perguntaram juntas.
- Ele bateu em minha bunda. E eu tenho ódio disso. – a garota respirou fundo, vendo a cara de reprovação das duas amigas. – Do nada eu senti o tapa, quase rodei a mão nele.
- Idiota. – esbravejou rolando os olhos, apontou pra ela em aprovação. – Terminou com ele? Diz que sim. – a garota falou em súplica, riu.
- Não. Mas eu quero o moletom! – ela desencostou da bancada.
- Ainda nisso? – rolou os olhos.
- Eu preciso desse moletom! – gesticulou com as mãos. – Eu não saio sem ele.
- Tudo tem uma primeira vez. – riu.
- Na verdade é a segunda. – coçou a cabeça, com um sorriso amarelo.
- Então não vai fazer diferença. – se espreguiçou.
- Claro que vai, primeira vez que isso aconteceu, perdi uma prova muito importante e quase reprovo na matéria. – a enfermeira voltou a entrar na área de serviço, com a intenção de procurar mais uma vez o moletom por lá.
- E você acha que perdeu a prova por que não usou o moletom pra ir pra universidade? – perguntou incrédula.
- Mas é claro. – disse de maneira óbvia. – Droga, onde está esse moletom? – a garota suspirou.
- Você perdeu a prova, porque demorou tempo demais procurando essa praga de roupa. – pôs a xícara na pia e meneou a cabeça, dizendo que tanto fazia.
- Eu preciso do moletom. – ela fez cara de choro, entrando na cozinha mais uma vez.
- Não tem outro? – perguntou e negou.
Mas a verdade é que ela não usaria outro moletom que não fosse do namorado. E o único que ainda estava por ali era um do . Fazendo perceber que precisava entregar tudo que fosse dele, urgentemente.
- Então vai com aquela jaqueta tua, da no mesmo. - deu de ombros.
-É, pode ser... não sei. – mordeu a boca, depois coçou a testa, pensando no que faria.
- Pois decida rápido, ou vai perder aula de novo. – colocou a bolsa no ombro e ajeitou o vestido no corpo. – Vou indo, tchau pra vocês, beijinhos e acho que só chego mais tarde. Tenho aula o dia todo, qualquer coisa é só ligar pro meu celular. Bye! – ela acenou pras duas garotas.
- Tchau, ! – saiu em coro. A garota acenou e saiu da cozinha.
- O quê que eu faço? – perguntou espantada, se apoiando na mesa.
- Ou usa sua jaqueta, ou vai sem nada. – deu as duas opções. olhou pro relógio e arregalou ao ver que já era 07h50min.
- Não dá mais tempo, vou sem nada mesmo. Bye, bye! Beijo, Beijo! – correu da cozinha, pegou a mochila o capacete e saiu de casa ligeiramente.
Entrou no elevador, dando bom dia ao casal que estava lá dentro e ouviu seu celular tocar.
- Oi, Peg! – atendeu ao telefone, impaciente, batendo o pé no chão.
- Cauller já chegou. Diga-me que você já está dentro dessa faculdade, belle-sœur.
- Não. – deu um sorriso trincado. – Mas já estou chegando!
- Você nem saiu de casa ainda, não foi? – a garota perguntou suspirando.
- Não, mas ele não precisa saber, não é? Bye, já chego! – correu do elevador em direção à vaga que ocupava no estacionamento.
- Você não tem jeito, . Au revoir. [n/a: Até mais, tchau] – desligou o telefone, colocando no bolso.
Soltou o cabelo, colocou o capacete e logo subiu na moto. Rodou a chave na ignição, ouvindo o motor fazer barulho e saiu feito uma bala do prédio. Sem pensar muito se aquilo lhe renderia advertências por velocidade fora do limite ou não. A família tinha problemas com velocidade desde sempre e tentava ficar de fora na maioria das vezes, só tentava.
O trânsito estava impossível e tinha consciência de que não chegaria menos de 09h00min horas da manhã na universidade. Também sabendo que iria ser reclamada pelo seu atraso estrondoso, mas ela realmente não poderia se teletransportar ou sair voando por aí. A garota suspirou em completa frustração, o sinal parado, o transito parado, horário de pico e uma sexta feira. Era um grande resultado do estresse cultivado durante toda a semana, fazendo perceber que aquele horário não era para ela. olhou para o relógio de pulso, percebendo que não havia colocado as luvas, e viu que marcava 08h15min, aí ela teve a certeza, não chegaria a tempo nem que quisesse, já estava mais do que atrasada, então o melhor era esperar.
A enfermeira cruzou os braços no peito, com os pés fixo no chão, segurando seu peso e o da moto, ao som murmúrios de raiva, barulhos de carro e alguns palavrões em protesto, mesmo que os ingleses fossem extremamente reservados, às vezes a situação saía do controle. bocejou, enquanto esperava aos poucos, a fila de carros andarem, ela começou a maquinar sobre o melhor caminho pra chegar a universidade, talvez se pegasse o próximo desvio, chegaria antes das nove. Isso! Ela pegaria o próximo desvio.
A garota levantou a viseira do capacete e percebeu que um carro preto parava do seu lado, bem perto dela, que em um gesto involuntário, virou o rosto pra olhar quem era e arregalou um pouco os olhos, vendo ao seu lado.
- É sério? – ela riu, falando um pouco alto pra que ele ouvisse e o rapaz baixou o vidro, na intenção de interagir melhor com a garota. – Não é que você tem carro? – brincou, rindo mais uma vez.
- Claro que tenho. – abriu um sorriso largo. – Mas só uso às vezes, cara . – ele falou baixando os óculos escuros, modelo aviador, até a ponta do nariz, ainda com o sorriso estampado no rosto. A garota mordeu levemente a boca, reprimindo um “Filho de uma mãe!” – Pra onde vai a essa hora?
- Estudar, ver se viro alguém na vida. – ela deu de ombros, com um sorriso leve. riu.
- Sério, . – passou a mão no cabelo. – São mais de 08h00min. Pra onde você vai? – ele riu desacreditado.
- Estudar. – ela reforçou o que havia dito e ganhou um olhar de reprovação. – Saí em cima da hora. Não contava com esse trânsito maravilhoso. – a garota abriu os braços pra abranger tudo.
- Isso não é nada bonito, . – o homem fez uma careta de reprovação, balançando a cabeça negativamente.
- Nunca disse que era, . – a enfermeira piscou e os dois riram.
O sinal abriu e o trânsito voltou a funcionar, fazendo se arrumar na moto, mais uma vez.
- Tchau, . – ela acenou e voltou a mão para o guidão.
- Tchau, . – ele deu um leve aceno e viu a garota acelerar a moto, saindo na sua frente.
deu sinal que entraria no desvio e quando estava há uns cinco metros a frente do carro do , alguém passou em sua frente com um carro grande, na intenção de fazer o mesmo desvio, fazendo a enfermeira frear bruscamente a Harley e puxar o guidão para o lado, evitando se chocar com a lateral da caminhonete. O que resultou em uma queda.
Foi tudo tão rápido, que quando a garota percebeu, já estava no chão, por cima do braço e ao lado da moto. fechou os olhos, tentando se encolher no chão, sabia que ia morrer sendo esmagada por uma frota enorme, então era melhor começar a pedir perdão pelos seus pecados. Mas antes que o desespero tomasse o seu limite, várias buzinas foram ouvidas e alguns freios.
virou no chão, ainda de capacete e como uma boa enfermeira, começou a pensar em seu estado clínico. Apertou os olhos com força, querendo se livrar da tontura, olhou pros pés e mexeu, vendo que eles tinham mexido, do mesmo jeito com as mãos. Nada de lesão na coluna.
A garota respirou fundo, vendo muita gente ao seu redor, mas sem conseguir ouvir nada concreto, eram apenas murmúrios. Tentou abrir o fecho do capacete com a mão direita, ao mesmo tempo em que tentava se levantar, apoiando o peso do corpo no braço esquerdo. Mas antes que conseguisse uma posição confortável pra sentar, sentiu o braço queimar, em uma dor que se concentrava principalmente em seu cotovelo.
- AI, AI, AI! – a garota gritou, segurando o braço junto do corpo, voltando a deitar no chão. – Ai meu braço! – ela gritou fechando os olhos.
- ! – a enfermeira sentiu alguém segurar sua cabeça e quando abriu os olhos, viu , que parecia estar desesperado. – Fala comigo! Você está bem? – ele perguntou preocupado e de olhos arregalados.
- Eu não sei, . – ela focou a visão nele, vendo apenas ele, tentando achar a segurança necessária. – Acho que desloquei o cotovelo.
- Ok, ok. – ele tirou os olhos dela, olhando para o pessoal ao redor. – Você machucou mais alguma coisa? Consegue sentar? – voltou a olhá-la.
- Sozinha não, preciso do apoio dos braços, mas acho que fraturei a ulna. – a garota fez careta, sentindo a dor. fez uma careta completamente confusa. – Um dos ossos do braço, o mais fino. – ela explicou.
- Tá... Olha se acalma, eu vou te sentar, ok? – ele perguntou preocupado. – Se você sentir mais alguma dor, você me diz, tudo bem? – estava com as mãos apoiadas no chão, olhando pra garota, que afirmou. – Posso tirar seu capacete?
- Não. – disse. – Se tiver lesão no pescoço, vai piorar. Eu estou com medo de levantar, . – ela respirou fundo.
- Como nós vamos sair daqui? – ele perguntou apavorado. – Eu prometo que te levanto com cuidado, você não pode esperar por ambulância, o trânsito está um caos, eles não vão aparecer tão cedo. Eu prometo te levar pro melhor hospital. – o homem disse apavorado.
- Ei, , se acalme! – ela arregalou os olhos. – Me ajuda aqui e eu vejo como faço. Qual a situação da Harley?
- Onde eu pego? Não posso te puxar pelo braço. – se ajoelhou no chão. – E sua moto... – coçou a cabeça. – Eu acho que está bem, consegui levantá-la.
- Ok, é. – ela fechou os olhos, pensando na melhor solução. – Segura em meu braço direito e minhas costas, aí você me levanta, tudo bem? – afirmou e começou a fazer o que ela disse. – E sobre a moto, preciso que alguém leve pro conserto, deve ter amassado o tanque e arranhado o cano de escape. – ela fez cara de dor, segurando o braço, à medida que lhe ajudava a sentar. – Obrigada. – a garota disse.
- Pra quem eu ligo em relação à moto? – ele perguntou ajoelhado no chão, perto dela.
- Vou pegar meu telefone, tenho o número. – ela se esticou um pouco e com o braço bom, tirou o celular do bolso. – Que merda. – largou o celular no chão e colocou a mão no rosto, quando viu o display todo espatifado.
- O quê? – perguntou assustado, já levantando do chão.
- Quebrei a merda do celular. – respirou fundo, olhou pra frente e viu sua moto arranhada, fazendo uma careta como se estivesse sentindo as dores da motocicleta. – Eu não acredito. – ela fez cara de choro.
- Não se preocupa, eu vou dar um jeito. – assegurou, procurando algo ao redor, depois começou a gritar. – EI! EI! VOCÊ DO CAMINHÃO! É você mesmo! – arregalou os olhos, sem entender muita coisa. Depois viu um homem alto chegar onde eles estavam, conversando algo com , que gesticulava mostrando a moto. – , eu posso mandar a moto pra oficina dele? – ela viu o homem lhe olhando com as sobrancelhas vincadas.
- Você é a filha do Charlie? Charlie ? – o cara moreno perguntou, fazendo a garota afirmar. – Conheço muito seu pai. Nós servimos juntos no Iraque em 93. – o homem disse sorridente e mostrava orgulho em sua face. A garota estreitou os olhos, ele lhe era familiar, mas realmente não lembrava o nome. – Não se preocupe, sua moto estará em boas mãos. Eu garanto. – o homem sorriu. – Essa Harley sempre foi o xodó de seu pai.
- Mr. Dom? – a garota arregalou os olhos.
- Sim, pequena . – o homem riu.
- Posso mandar, ? – interrompeu o assunto, ou nunca sairiam dali.
- Pode, , pode mandar por ele. – ela disse menos apreensiva sobre a moto. Depois viu os dois conversarem sobre algo e logo em seguida, sua motocicleta ser levada, fazendo-a ter vontade de chorar.
ajudou a levantar do chão, com todo o cuidado, pra não machucar mais o braço dela, tirou a mochila das costas da garota, colocando no ombro e depois andaram até o carro escuro que pertencia ao rapaz, enquanto a garota tirava o capacete com dificuldade. abriu a porta do passageiro e a garota sentou, colocou as coisas dela no banco de trás e logo se acomodou no lado do motorista.
- Quer ajuda com o cinto? – ele perguntou depois de travar o seu e afirmou com um aceno, ainda com cara de dor. ajudou e deu partida no carro.
- ? – ela chamou com calma.
- Que foi, ? Você tá bem? Muita dor? – ele perguntou agoniado, dividindo a atenção entre a estrada e a garota.
- Não. Fica calmo, a dor não está tão grande. – ela disse tentando acalmá-lo. Se ela não mexesse o braço, realmente não iria doer. – Me empresta seu telefone?
- Claro. – ele levantou o quadril do banco minimamente, depois tirou o celular do bolso, estendendo a ela. – O PIN é 2010. – riu.
- Tão previsível. – os dois riram.
- Tem que ser algo que eu lembre. – deu de ombros. Ela desbloqueou a tela e discou o número da Peggie.
- Chermont? Aqui é .
- ! Você tem noção do seu atraso? – a garota reclamou de um jeito contido.
- Eu caí de moto. – jogou de uma vez.
- VOCÊ O QUÊ? – a francesa gritou, contendo o grito logo depois.
- Caí de moto. – fechou os olhos com força. – Avisa ao Cauller. Onde o John está?
- , eu já disse. Te levo pra o hospital, não precisa ligar pra ele agora. Eu prometo que assim que a gente chegar, eu ligo pra ele e pras meninas. Eu garanto. – disse agoniado, gesticulando exageradamente com a mão.
- , com quem você está? – Peggie perguntou alterada.
- Com um amigo que me ajudou. – ela disse, achando melhor não revelar que amigo tinha sido esse, pelo menos por enquanto. O que não resolveria muita coisa, afinal, sairiam fotos logo depois. – Onde seu irmão está? – voltou a perguntar.
- ! – gritou mais uma vez em advertência. Como ela poderia estar tão preocupada em achar o namorado, enquanto tinha o braço machucado e com dor?
- O que foi?! – ela gritou de volta, nervosa com a situação. – Para de me agoniar! – arregalou os olhos, mexendo o braço e sentiu uma dor fina. – Onde ele está, Chermont? – a garota voltou a perguntar a cunhada.
- Ele me disse que ia pro Saint Mary hoje. Aviso que você está indo pra lá?
- Não, melhor não. Ele vai entrar em pânico. Mas obrigada e pode deixar que eu aviso as meninas. – assegurou, vendo pelo canto do olho, de cara amarrada no banco do motorista.
- Ok, , fica bem.
- Vou sim, obrigada. – desligou o telefone.
- Parou com o surto? – ela olhou para o lado, quando ouviu a frase irônica, e rolou os olhos. – Então agora vê se acalma, porque onde quer que o John esteja, eu ligo pra ele e aviso, basta você colocar o número aí. – mordeu a ponta do polegar, sem olhar pra garota.
- Ele é médico, , eu precisava saber se ele estava de plantão hoje. – disse olhando para o garoto emburrado no banco do motorista e o viu suspirar, depois afirmar com um aceno.
- Eu só fiquei preocupado. – deu de ombros como se não se importasse, respirou fundo.
- Tudo bem. – ela segurou o braço com força, concentrando sua atenção nele.
- Descobriu onde ele está? – perguntou mais uma vez, com a atenção ainda no trânsito.
- No Saint Mary. A gente tá perto. – a garota disse e viu ficar calado, ela fez careta. Desde quando ele ficava calado? Ele sempre tinha algo a dizer. – ?
- Hum! – ele resmungou.
- Você está bem? – fez uma careta e o viu rir.
- Quem deveria fazer essa pergunta era eu. Não acha? – perguntou fazendo graça.
Coçou o queixo com pouca barba e logo depois a cabeça, voltando à mão para o volante, batucando os dedos por lá. Isso mostrava o quanto ele estava inquieto e fez careta. Querendo ou não, ela tinha analisado o comportamento dele dentro do carro, era algo involuntário da parte dela.
- Você está inquieto. – ela assegurou, olhou-a com uma sobrancelha arqueada, como se duvidasse. – Sim, , você está inquieto e não é por minha queda. O que você tem? – ele riu incrédulo.
- Sério. Estou bem. – ele meneou a mão pra dizer que estava tudo bem. – Já ligou pras meninas? – mudou de assunto.
- Não. – arregalou os olhos. – Posso ligar do seu celular?
- Deve.
- Obrigada. – voltou a pegar o celular e logo discou o número de , o que continuava vivo em sua memória. havia trocado de número recentemente e ainda não tinha conseguido memorizar. – ? Aqui é .
- Que foi, ? Estou na aula. – ela falou cochichando. – E esse número?
- É que... – suspirou. – Meio que a Harley derrapou na rua, sabe? – a garota perguntou receosa e com um sorriso trincado.
- Já mandou... Espera! Você não estava em cima dela, estava? perguntou já sabendo a resposta e ficou calada. – AI, CACILDA! É claro que estava. – a garota respirou fundo. – Onde você está nesse exato momento, ?
- Não vai perguntar se eu estou bem? – tentou fazer graça.
- Não, porque você não está! Se estivesse não estaria me ligando. – a mais nova disse enraivada. – Com quem você está?
- Com o , o John está no Saint Mary. Estamos indo pra lá. Depois eu te conto tudo.
- Menos mal. Pelo menos, alguém por perto pra te ajudar. – ela suspirou – Quando chegar lá mande o seu amiguinho me ligar. Vou pegar a e chegaremos o mais rápido possível. Ah e outra coisa, eu vou ligar pra sua mãe.
arregalou os olhos, sentindo suas pupilas dilatarem. Ela estava perdida, ou lascada, como queira classificar. Ester nunca havia sido uma defensora quando o assunto era a filha pilotar uma moto.
- ? chamou mais uma vez.
- Oi? – a garota perguntou sentindo o coração acelerar.
- Quais os seus danos? E não adianta mentir.
- Bom, talvez um braço deslocado. – ela respondeu e olhou para as mãos, percebendo que estavam bem arranhadas. – E algumas escoriações leves.
- PUTZ! Eu deveria te dar uns tapas pra ver se você aprende a pilotar aquela coisa direito. disse indignada e a enfermeira segurou a risada. – Ok, estou indo pra lá. E diga ao seu namoradinho pra cuidar bem do seu braço, ou deslocarei o dele. rolou os olhos e inclinou a cabeça de lado, mostrando tédio. riu.
- Tá bom. Mas eu estou bem.
- Não está, não. Tchau e mande um obrigado ao por mim.
- Mando sim. Tchau. – desligou o telefone e ouviu uma risada dele. – Ela mandou te agradecer e pediu pra você ligar pra ela, quando chegar lá. – afirmou, ainda rindo.
- O que ela disse que te fez rolar os olhos, ? – ele perguntou curioso.
- Me chamou de irresponsável, imprudente... E estou perigando perder minha querida Harley. Yey! – ela disse ironicamente a comemoração e riu. – E ainda disse que se o John não cuidasse direito do meu braço, ela deslocaria o dele. – arqueou uma de suas sobrancelhas e o garoto riu alto. – Sem falar que ainda fui ameaçada de uns tapas. – ela fingiu animação, o fazendo rir mais.
- Tá pior do que criança, ? – riu, batendo levemente no volante, a garota rolou os olhos.
- E ainda teimou comigo, dizendo que não estou bem. – a garota falou com cara de taxo, ainda ouvindo as risadas do . – Vai parar de rir ou não? – ela perguntou irritada.
- Não dá, você está sendo tratada que nem criança teimosa. – continuou rindo.
- Ai! – gritou de uma vez e o rapaz olhou assustado pra ela.
- Que foi, ? – ele perguntou de uma vez.
- Só uma pontada. A gente tá perto? – fez uma careta.
- Mais ou menos. Quer ligar pra alguém? – ela se sentiu culpada em vê-lo preocupado com um grito falso, mas precisava parar de rir.
- Não, não precisa. – a garota deu um sorriso pequeno.
- Prometo que em poucos minutos chegaremos. – ele assegurou.
afirmou, se sentindo despedaçada. Um cara que mal a conhecia, estava bem preocupado com seu estado. E por mais que ela o tivesse ajudado algumas vezes, não esperava que o oposto fosse acontecer, pelo simples motivo de que ela não esperava receber nada em troca do que fazia pelas pessoas.
A garota olhou pela janela do carro, vendo as ruas, árvores e prédios, passarem como um borrão. Fechou os olhos com força e abriu outra vez, a visão não tinha melhorado.
- ? – ela o chamou, ainda mirando a rua.
- Tudo bem? – ele perguntou calmo.
- Sim, quer dizer. É que está tudo um borrão. Eu não sei se minha cabeça tá boa. – ela disse amedrontada.
- Não se preocupa, é que estou indo um pouco rápido. – arregalou os olhos. Um pouco? Ele estava praticamente furando o vento.
- Tudo bem, eu só não quer... AI CARAMBA! – a enfermeira gritou quando sentiu seu corpo ser jogado pra frente, e consequentemente o braço machucado, sair da sua zona de conforto, causando dores.
- Filho da puta! Aprende a dirigir, sujeitinho de merda! – gritou bastante irritado, colocando a cabeça pra fora do carro. já estava assustada, e com ele xingando os outros, a situação não ia melhorar muito. – Esse puto que parou de uma vez na minha fren... – tentou explicar, mas logo parou quando viu do que se tratava. – Ai, caralho! – ele gritou desesperado.
- , o que foi? – perguntou assustada, ficou calado, ainda olhando pro lado de fora. – ! , não me ignore.
- Nada, , nada, se acalma. – ele disse meio apavorado, esboçando um sorriso amarelo. – Só que eu acho que, vamos ficar sem o carro.
- VOCÊ O QUÊ? – a garota gritou incrédula, o que ela menos precisava no momento, era de problemas.
- Eu estava bem acima da velocidade permitida. – ele disse culpado.
- que não é nenhuma novidade, não é? – ela suspirou negando com a cabeça. – , eu preciso chegar nesse hospital, meu braço dói, as meninas estão preocupadas. EU ESTOU PREOCUPADA.
- Ok. É. – ele colocou as mãos na cabeça. – Eu vou dar um jeito nisso. – ele disse e saiu do carro.

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- Vai ficar sem carro? – perguntou, enquanto os dois andavam até a porta da emergência, com levando as coisas dela.
Por causa da violação quanto a velocidade, havia perdido a licença pra dirigir e o seu carro tinha sido apreendido pela polícia do trânsito, então os dois acabaram pegando uma carona com os guardas.
- Vou, mas não tem problema. – deu de ombros. – Não se preocupa comigo. Teu braço ainda dói muito? – ele perguntou com atenção.
- Só quando mexe, vai doer pra colocar no lugar. – ela riu, tentando amenizar a cara de preocupação dele.
- E você rindo. – riu baixo e abriu a porta de vidro do lugar.
- Se eu chorar não vai diminuir a dor. – os dois riram e entraram de uma vez, vendo olhares se concentrarem nos dois e logo uma equipe de três pessoas com roupas comuns de se usar em um hospital, caminharem até eles.
piscou os olhos rapidamente, respirando aliviado e deu um mini sorriso. Pelo menos ser conhecido mundialmente ajudava em alguma coisa na maioria das vezes.
- AI MEU DEUS, ! – uma garota morena disse exaltada, segurando a garota como se estivesse dando suporte. – O que aconteceu com você? O que você está fazendo com o ?! – a enfermeira falou exaltada, sem saber pra onde olhar.
- Eu caí de moto, Tory. – respondeu, rindo um pouco pra tentar amenizar a situação. – O me trouxe aqui, nada demais, ok? Relaxa. – ela sorriu tentando passar segurança. – Jordan, Ross? Podem pegar minhas coisas com ele, daí a gente vai pra sala do trauma. – os rapazes afirmaram e entregou a mochila e o capacete dela, aos dois, sem entender muita coisa, ainda sendo muito observado na emergência do lugar.
- Eu vou com vocês. – se manifestou.
- Faz um favor pra mim? – pediu. – Faz o meu registro na recepção? Só precisa dizer meu nome, daí eles te encaminham pra onde eu estiver, tudo bem? – ela perguntou com atenção. coçou a cabeça.
- Eu estou em boas mãos, pode confiar. – a enfermeira riu. – Naquele balcão. – ela apontou como braço não machucado. afirmou e depois a viu se afastar, junto com as três pessoas que haviam aparecido, enquanto contava como tudo tinha acontecido.

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Já fazia uns bons minutos que tentava fazer a ficha da garota, ou pegar algum registro existente, mas a mulher que estava na recepção não facilitava nenhum pouco pra ele. O deixando totalmente confuso e irritado. Aquilo realmente não poderia acontecer. Mesmo depois de tirar uma foto com a recepcionista, ela só parecia dificultar ainda mais o trabalho. O dia realmente não estava um dos melhores pra ele, que além de desfazer todos os seus planos para aquela data, ainda tinha perdido a licença pra dirigir e sentia sua cabeça enchendo, à medida que a loira perguntava coisas que ele realmente, não tinha a mínima ideia de como responder.
- Moça, eu já disse pela milésima vez. Isso é tudo que eu sei, ela até já foi colocar o braço no lugar, eu só preciso do registro. – ele disse com as mãos na cabeça, impaciente pela demora.
- Fica difícil quando você não sabe o nome da paciente. – ela disse com a atenção em um computador. respirou fundo, bem fundo, tentando acalmar o seu estado.
- , tá bom pra você? – ele perguntou agoniado, ela o olhou por cima dos óculos e voltou a digitar, ainda não satisfeita com as informações.
- Idade? – a mulher bateu os dedos no balcão
- Acho que dezenove, ou vinte, eu não sei direito. – ele balançou a cabeça negativamente.
- Tem algum parente dela com você, ou você é parente dela? – a loira voltou a perguntar.
- Não. – foi à única coisa que respondeu.
- A garota é alérgica a alguma coisa? – ela digitava.
- Moça, pelo amor de Deus. Eu já falei que eu não conheço a garota direito, ela caiu na frente do meu carro. Apenas desci pra ajudar. – disse desesperado, vendo a recepcionista suspirar.
- Assim fica um pouco complicado, senhor. Nós precisamos de alguma informação base.
O homem respirou fundo e encostou a testa no mármore. Que informação ele poderia saber sobre ela que ia melhorar a situação? O cantor recapitulou toda a viagem do centro até o hospital, mas ela não tinha conversado nada de produtivo que ajudasse a montar uma ficha. “Ótimo, , é isso que você ganha por querer a mulher dos outros.” Ele pensou se condenando, logo lembrando que ela tinha um namorado e o tal cara era médico.
- Chama o John pra mim, por favor. – ele falou de uma vez. – Caramba, eu tenho que avisar a . – passou a mão no pescoço.
- Quem? – a loira indagou.
- John. Ele trabalha aqui, ou faz alguma coisa ligada à faculdade. – disse impaciente.
- Sobrenome? – ela voltou a perguntar. procurou por lembrar de algum indício que soubesse o sobrenome do cara, mas até o dia anterior, ele nem sequer lembrava que o nome do namorado de fosse John, imagina memorizar sobrenome.
- Eu não sei. Sei que o nome dele, ou apelido, é John. – a recepcionista o olhou mais uma vez com pena. – Eu sei que eu sou desinformado. Mas chama.
- Nós temos três John’s nesse hospital, precisamos do sobrenome, moço. – respirou fundo, tentando manter sua paciência.
Ele apostava como aquela mulher tinha algum tipo de coisa contra ele, porque não existia outra justificativa pra dificultar tanto a sua vida.
- ? – a loira chamou, o fazendo olhá-la assustado. Ela sabia seu nome? Ele fez careta, mas logo lembrou, o mundo sabia seu nome. – Qual John você quer chamar? – o cantor coçou a cabeça e tomou fôlego pra tentar argumentar mais uma vez, mas foi interrompido.
- Jonathan Chermont. – disse chegando perto dele. respirou aliviado e sorriu em agradecimento. Enquanto a recepcionista chamava o francês no microfone.
Dr. Chermont, compareça a recepção. Dr. Chermont, compareça a recepção.”
- ! – abriu os braços, bem aliviado e ganhou um abraço rápido.
- Deu certo fazer o registro dela? – a garota riu.
- Não. – ele coçou a nuca, bem sem graça. – Eu não sei nem o sobrenome da garota. – os dois riram.
- Olha só a palavrinha mágica. – disse piscando e se encostou ao balcão. – Registro da emergencista , por favor. – a recepcionista arregalou os olhos e logo tratou de imprimir a folha.
olhou para o amigo como se dissesse, “Tá vendo como é fácil.” E depois riu. Logo um homem alto, de cabelos claros, óculos e jaleco, chegou ao balcão, fazendo se perguntar quando o “brutamonte” tinha ficado tão alto.
- O que houve, Mandy? – ele perguntou a recepcionista e levantou a cabeça. – Ana? – John perguntou, deixando confuso. Quem era Ana? O nome da garota era . E como não lhe restava mais um pingo de paciência, ele resolveu intervir.
- ! – o corrigiu em alto e com som, fazendo o médico lhe olhar e a garota sorrir agradecida. – O nome dela é . E está na emergência, com muita dor no braço.
- Por quê? – Jonathan perguntou diretamente ao rapaz.
- Ela caiu de moto. Eu a trouxe pra cá. – vincou as sobrancelhas, sentindo que estava sendo desafiado, enquanto John mantinha um porte impenetrável e os braços cruzados, em uma pose que poderia ser considerada com intimidadora.
- Por que você fez isso? – o médico voltou a perguntar.
- Porque ela precisava de ajuda(?) – disse com obviedade, sem nem um pingo de receio em falar como estava falando. – Não costumo negar ajuda aos amigos. Você nega?
- Registro feito. – apareceu no meio dos dois, quase ao ponto de evitar um bate boca no meio da recepção. – Vamos, John, sua namorada ta morrendo na sala do trauma. – ele assentiu. – Obrigada, , se não fosse por você, eu nem sei como seria – ela sorriu e abraçou o amigo.
- De nada, baixinha. – ele abraçou-a de volta, enquanto John ainda observava os dois.
- Obrigado. – o médico estendeu a mão, desfazendo sua pose de durão e até se envergonhando de ter cogitado duvidar do que dizia. O cantor completou o gesto, apenas assentindo com um aceno.
Depois os três andaram até a sala do trauma, onde estava junto com e parecia ser examinada por um médico, que aparentava ter mais do dobro da idade dela. A garota estava sentada na maca, contando como havia sido a queda e fazendo algumas caretas à medida que o médico mexia em seu braço.
O médico deu algumas instruções e segurou o braço dela com jeito, por certo estava prestes a colocá-lo no lugar. A garota virou o rosto pra porta, dando de cara com e John. arregalou os olhos por ver os dois juntos, depois sentiu uma dor enorme, que tomava todo o seu braço, mas se concentrava no cotovelo, seguida de um estalo. E assim desfaleceu na maca.



Capítulo 5


Os ânimos estavam mais do que alterados depois que viram a cena da garota caindo sob a maca. , , e John, estavam prestes a perder os cabelos de tanta preocupação. Já não bastava ela ter se machucado? A sorte realmente não estava ao seu favor. Aquilo poderia ser devido ao estresse desenvolvido durante aquele pequeno espaço de tempo, ou a alguma lesão na cabeça. Jonathan como o ótimo médico que era, estava maquinando todas as possíveis causas, enquanto ajudava o traumatologista, que estava colocando o braço de no lugar, a estabilizar a garota.
- O que foi isso? – as duas garotas perguntaram desesperadas, com um grito esganiçado por ver desacordada.
- O mais provável é que seja estresse. – John falou, ajeitando-a delicadamente na maca. – Merda, tenho que avisar ao Cauller. – o garoto fechou os olhos com força, se praguejando. – Ela comeu antes de sair pra reunião? – ele olhou para as duas garotas, que pareciam perder a respiração.
- Uma banana. – respondeu baixo, com os olhos um pouco arregalados.
Jonathan observou o estado dos três presentes ali e percebeu que não seria bom se continuassem ocupando a sala. e estavam apavoradas, enquanto parecia ser o mais estável dos três. Não calmo, mas também não estava eufórico, muito menos apavorado.
- ? – John o chamou, o fazendo arregalar um pouco os olhos, assustado. – Leva as meninas pra recepção? Só o tempo de a gente levar a pra um quarto, e elas estão um pouco apavoradas. – o médico se referiu as duas garotas e o viu afirmar. – E mais uma vez, muito obrigado por ter trazido pra cá.
afirmou mais uma vez e levou as duas garotas até a recepção do hospital, mesmo a contragosto das duas, enquanto tentava acalmá-las, mesmo não tendo a menor ideia do que aconteceria dentro daquela sala.
- Querem água? – perguntou de uma vez às duas garotas, que estavam sentadas na recepção.
- Não, , tudo bem, muito obrigada. – tentou sorrir, mesmo estando preocupada.
- Não precisa, senta um pouco. – disse sorrindo e dando leves tapinhas na cadeira que estava ao lado dela. – Sério. – a garota riu.
- Ela vai ficar bem? – apontou com o polegar pra sala que haviam acabado de sair, mas olhava pra , que parecia morder a boca, enquanto mirava um pedaço do chão. – ? – o rapaz pôs a mão no ombro dela, que levantou a cabeça de uma vez. – Tudo bem com você?
- Sim, claro! – ela disse de uma forma animada demais e até forçada. – E ela vai ficar bem sim, Chermont é um médico ótimo, diferente dele como pessoa. – soltou uma risada. sacudiu a cabeça negativamente, depois bagunçou o cabelo dela.
- Senta aqui. – se moveu para o lado, fazendo uma cadeira entre elas ficar vaga. riu e sentou entre as duas, colocando os braços em volta delas.
- Ela vai ficar bem, vocês vão ver. – o rapaz piscou, tentando confortar as duas e viu procurar o celular na bolsa. A garota pegou o telefone, olhou quem ligava, arregalou um pouco os olhos, depois atendeu.
- Oi, tia Ester. – ela disse rápido, fazendo arquear as sobrancelhas em entendimento, ao contrário do que aconteceu com .
- Como foi isso? – escorou o rosto na mão, perguntando ao rapaz, que virou a atenção pra ela.
- Paramos no mesmo sinal, por pura coincidência, depois ela saiu às pressas porque estava bem atrasada e pra não bater de cheio na lateral do carro da frente, puxou o guidão da moto, freando junto. – explicou a ela. – Daí ela acabou caindo.
- E você foi ajudar. – sorriu um pouco mais aliviada. – Mais uma vez, obrigada.
- Sem essa, baixinha. – deu um sorriso bonito, depois começou bater o pé no chão se mostrando mais inquieto que o normal.
- Tudo bem. Já sim, o John entrou com ela. Estava. – dizia ao telefone, explicando o que havia acontecido, tentando acalmar quem estava conversando com ela. – Pois é, ainda bem que ele estava aqui. Foi um amigo nosso que trouxe ela pra cá.
- Quem é? – perguntou a , sem conseguir controlar a curiosidade.
- A mãe dela. – riu. arqueou as sobrancelhas e afirmou com um aceno, mostrando que tinha entendido.
- Agradeço sim, tia. – a mais velha balançou a cabeça, afirmando. – Ok, então ele vem na próxima semana buscar a moto? – a garota fez uma careta, sabia que aquilo daria em confusão.
- vai ter um treco. – negou com um aceno de cabeça, fechando os olhos com força. – vai virar a drama queen por causa disso. – fez uma careta confusa.
- Ela gosta tanto dessa moto assim? – ele perguntou rindo e viu soltar uma risada irônica.
- Mais até do que gosta do babaca do namorado. – a garota disse convicta e viu o rapaz rir. – Às vezes ela é meio inconsequente que nem você. – apontou pro peito, se mostrando duvidoso e a estudante de cinema afirmou. – Segundo ela, a moto a deixa mais livre, dona da situação. Independente. – os dois negaram com acenos, rindo em seguida.
- E ela vai perder a moto? – parecia preocupado. Se ela gostava tanto da Harley, não tinha muito cabimento tirar a moto dela.
- Por um tempo. Depois o pai dela entrega de volta. – explicou – Mas eu preferia que ela ficasse com o carro. Moto é perigoso demais. – ela fez uma careta.
- Ela não é criança, . – o garoto riu. – Não vai morrer na moto.
-Eu não contaria muito com isso. – Ela disse de forma irônica o fazendo controlar a risada que queria sair alta.
- Tia Ester chega hoje, mais tarde pra ser mais exata. – olhou para os dois. – Vai passar três dias aqui, cuidando da criancinha dela. – a garota disse com deboche. Os três riram.
- Criancinha? – perguntou rindo.
- É. – elas responderam rindo – Ah e ela mandou te agradecer, disse que você foi um anjo. – apontou pro garoto, que arqueou as sobrancelhas, se mostrando incrédulo.
- Eu? – apontou pro peito com o polegar.
- Você mesmo, conquistou o coração da mãe da garota. – disse rindo.
- Você disse quem era, ? – perguntou animada, vendo a amiga negar. – Quero ver a reação dela quando vir às fotos do anjo, mais tarde. – ela riu. negou com a cabeça.
- Vai ficar por aqui? – a estudante de direito perguntou ao rapaz.
- Vou, queria saber como ficou, sem falar que eu também estou sem carro. – ele deu de ombros. – Acho que vou precisar de uma carona de vocês. – fez uma pequena careta.
- Perdeu a licença? – as duas perguntaram ao mesmo tempo, fazendo caretas confusas. afirmou. – Como foi isso? – as duas viraram a atenção pra ele, que respirou fundo e começou a explicar como tinha perdido o direito de dirigir.

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abriu os olhos lentamente e quando viu onde estava, tomou fôlego, como se estivesse saindo de uma piscina. A garota arregalou os olhos, olhando para os lados freneticamente, como se estivesse tentando reconhecer o lugar, depois olhou para o próprio corpo, vendo que estava com a bata usada em pacientes. Ela fechou os olhos com força, levantando o braço pra passar a mão no rosto e sentiu algo em seu braço, o que não estava engessado e na tipoia, vendo que tinha um acesso nele. suspirou, pelo menos, o pior já tinha passado, sentir a dor de ter um braço sendo colocado no lugar não era a melhor coisa do mundo. Depois de tirar o cabelo do rosto e constatar que no quartão não tinha ninguém, a garota se questionou se haviam avisado a mãe dela, talvez não e as coisas fluíssem melhor assim, sem a preocupação excessiva de seus pais, havia sido uma quedinha de nada.
Mas por conhecer os pais que tinha, ela decidiu ligar e avisar logo, antes que eles soubessem por alguém e a preocupação se tornasse maior. se ajeitou na maca, ficando um pouco sentada e procurou por sua bolsa, aí lembrou que estava completamente incomunicável, seu celular tinha ficado aos pedaços. A garota coçou a cabeça impaciente, depois viu John escorado à porta, com um sorriso bonito, mas parecendo extremamente preocupado. Ela sorriu em resposta e o viu caminhar em sua direção, com as mãos no bolso do jaleco e o estetoscópio pendurado no pescoço, John beijou a testa da namorada e parou em pé ao lado dela.
- Tudo bem? – ele perguntou preocupado. – Parou de doer? – o médico sentou ao lado dela, fazendo carinho na mão da garota.
- Tudo sim, parou de doer. Não se preocupa. – riu. – Quando eu vou sair daqui, John? – ela perguntou, o vendo ficar tenso.
- Quem diria, a mocinha louca por hospitais não quer ficar internada. – Jonathan passou a mão no rosto dela, soltando um riso leve.
- É diferente, John, trabalhar aqui é mil vezes melhor do que ficar esperando sair. – resmungou, olhando bem pra cara dele. – Me diz logo.
- Talvez à noite. – ele mordeu a boca por dentro, como se não quisesse dar aquela notícia. – Não é certeza.
- Como não é certeza, Jonathan? – assumiu um porte indignado. – Você é o médico, e eu quero sair JÁ!
- Mas não pode, você desmaiou, , está em observação. Tenho que conversar com o seu amigo... – o homem entortou a boca ao falar de . – Pra saber como foi à queda.
- Para com isso! – ela vincou as sobrancelhas. – é meu amigo sim. E eu ainda quero sair hoje.
- Tenho que falar com o médico. – Chermont repetiu, suspirando.
- Você é o médico! – arregalou os olhos, não reconhecendo aquela falta de moral dele.
- Não. – John riu, depois coçou a cabeça. – Não pude, uma que eu sou cirurgião cardiologista, outra que você é minha namorada. – o médico beijou a garota de leve. – Mas vou falar com o Dr. Webber, prometo.
- Fala sim. – soltou um sorriso bobo, sendo beijada outra vez. – Quero sair daqui o quanto antes. – ela suspirou, depois fez uma careta de choro. – Minha moto... Acho que vou perder.
- Você sabe... – ele mordeu a boca, receoso em entrar naquele assunto mais uma vez. – Eu nunca fui muito de acordo em você andar naquela moto. Então... – Chermont deu de ombros, fazendo carinho na mão dela. rolou os olhos teatralmente, respirando fundo. – Ok, , eu não vou contestar com você, não quero brigar. – o homem disse, sabendo que se entrasse no assunto da moto mais uma vez, era outra discussão. – Tem algumas pessoas querendo te ver. Posso mandar entrar? – John mordeu a boca, beijou a testa dela, depois levantou da cama.
- Minha mãe? – fez careta de dor, ele riu levemente.
- Não, Ester não chegou ainda, mas as meninas se encarregaram de ligar pra ela. Posso mandar entrar? – ele apontou pra porta.
- Pode, manda sim. – a garota suspirou, o vendo ir à direção da porta, que foi aberta logo em seguida, dando entrada para os três ansiosos que estavam do lado de fora.
e entraram no quarto, ávidas em saber do estado da amiga, as duas preocupadas e a segunda respirou aliviada, por ver que parecia bem, pelo menos estava acordada. suspirou, mostrando seu desagrado e coçou a cabeça. Desde sempre, ela reclamava de andar naquela moto feito uma louca, na verdade a garota, assim como a mãe da enfermeira, não compactuava com aquilo.
- Assim você mata a gente! – disse de uma vez, soltando uma risada leve em seguida, tentando mascarar a bronca, enquanto ainda continuava de cara fechada.
- Desculpa. – a garota suspirou, sem ter como justificar a queda. Sabia que por mais que dissesse que a culpa não havia sido dela, não ia melhorar a situação. – Vocês ligaram pra minha mãe?
- A ligou. Ela chega hoje. – respondeu ainda preocupada com o estado da garota. – E seu braço? O John colocou direito no lugar?
- Yep, mas não foi ele. – riu, tentando dissipar a tensão formada dentro daquele quarto. Depois suspirou, vendo que não iria ter resultado. – Sim, está no lugar. Não se...
- , não me mande não me preocupar. Tá, ok? – disse de uma vez, movimentando os braços. – Eu já me preocupei. – a garota suspirou, passando a mão no cabelo.
- Tudo bem, desculpe. – falou mais uma vez, se encolhendo um pouco.
- Doendo muito? – fez careta, encostando o dedo no gesso dela, a garota riu e negou com um aceno.
- Ainda não, mas pode ser que doa depois. – riu, vendo a amiga rir junto.
- Vai sair agora? Junto com a gente? – perguntou.
- Não sei, o John quer me deixar aqui até à noite. – a mais velha rolou os olhos. – Mas eu já disse que não fico, não tem necessidade disso. Eu sou enfermeira! Eu sei que eu estou bem! – ela movimentava uma das mãos freneticamente.
- Você desmaiou. – falou, sentando em um pequeno sofá que tinha no quarto. – Acho que o Chermont ficou com medo de alguma coisa. Aliás, nós ficamos. Bateu a cabeça?
- Não, não bati a cabeça. Acho que deve ter sido uma hipoglicemia, ou queda de pressão. – a garota fez careta.
- está aí ainda. – disse, enquanto cutucava o suporte do soro. – Ele parou. – ela fez careta e olhou pra onde a garota estava.
- Acho que deve ter acabado. – ela riu e fechou o equipo. – tá aí? Por quê? Achei que ele tivesse ido resolver o problema do carro. – fez careta.
- Ele também ficou preocupado. – suspirou. – Não foi resolver ainda.
- Nossa! – fez careta. –, me ajuda a prender o cabelo? – ela pediu e foi ajudada, depois deu um sorriso agradecido. – Ele perdeu a licença, me sinto péssima.
- Ele vai conseguir de volta, relaxa. – meneou a mão, mostrando que aquilo não era nada demais.
- Que horas? – suspirou.
- Agora? – perguntou, depois sentou ao lado de . meneou a cabeça, afirmando e a garota tirou o celular do bolso, verificando o que ela havia pedido.
- Quase meio dia. – respondeu pela amiga. A enfermeira arregalou os olhos. Como assim era quase meio dia?
- Eu quero sair daqui! – gritou de olhos arregalados, causando risos generalizados entre as duas amigas. – Me tirem daqui! – ela voltou a apelar.
- Você vai sair daqui. – riu do desespero fingido dela.
- Mas eu quero sair agora! – arregalou os olhos novamente, fazendo cara de choro. – Eu estou bem, acredita em mim.
- Acreditamos. – as duas garotas responderam ao mesmo tempo.
- CHERMONT! – gritou como uma mãe raivosa, fazendo as amigas rirem.
- Já vou indo, ! – ela ouviu a voz e uma risada do namorado logo em seguida. A garota rolou os olhos e viu o amigo entrar no quarto, depois abrir um sorriso, vendo que ela estava bem.
- Hey. – acenou sorrindo, animado, ela acenou em resposta, também sorrindo. – Está melhor? Você me deu um susto danado. – o garoto riu, um pouco assustado.
- Estou sim. – ela riu. – Mais uma vez obrigada. – a garota deu um sorriso agradecido.
- Deixa disso. – disse e sentou entre as duas garotas, em um sofá lateralizado na sala. – Quando você sai daqui? – perguntou com curiosidade e as meninas riram. fez cara de choro.
- Eu não sei. – ela disse em desespero, movimentando a mão que não estava engessada. – Já falei pro John que eu estou bem, mas ele parece que não me escuta. Ajude-me, ! – arregalou os olhos, como se fosse algum tipo de psicótica e ele riu. – É sério! Eu preciso sair daqui.
- Mas você não gosta tanto desse hospital? – riu, arqueando uma de suas sobrancelhas.
- É diferente! Trabalhar aqui é enlouquecedor, no bom sentido, mas ficar internada não. – a enfermeira fez careta.
- Calma. Você vai sair. – tentou acalmá-la.
- Não dá pra ficar calma. – soltou uma risada meio desesperada. – E o que o John queria contigo? – ela foi direta.
- Saber como você caiu. – mordeu a boca de leve.
- Só isso? – a garota fez careta. Não era como se o namorado o tivesse parado apenas para aquilo, qualquer outro médico sim, mas conhecendo John como ela conhecia, sabia inteiramente que não.
- Não. – riu baixo, negando com a cabeça. – Agradecer também. – sorriu aliviada.
- Ainda bem, achei que ele não tivesse agradecido, ou ia dar uns tapas naquele cabeção. – a garota ouviu risadas. – , e a minha mãe?
- Já avisei. – a amiga bateu continência.
- Como foi que ela reagiu? – fez careta. Conhecia bem a mãe pra imaginar os esporros que levaria posteriormente.
- Você sabe, , do mesmo jeito de sempre. – deu de ombros, fazendo respirar fundo. Ela estava perdida!
- Ela falou alguma coisa da moto? – a garota fez uma pequena careta, bem receosa e afirmou.
- Seu pai vem buscar. – disse sendo um tanto cuidadosa, sabia do amor de pela a Harley. – Só ainda não decidiram quando. – a mais nova mordeu a boca e passou a mão no rosto.
- Ai. – ela suspirou, desagradada com a notícia. – Mas não vou pensar nisso agora, não adianta. , eu quero o telefone do cara que tá com a Harley. – a enfermeira pediu, vendo o garoto afirmar
- Como assim? – indagou confusa.
- O cara do guincho, parece que a conhecia. – apontou pra , enquanto tentava explicar. – Mas o número tá no meu telefone, eu passo para as meninas.
- Ele serviu com meu pai. – a garota disse, depois mordeu a boca levemente.
- E o seu celular, ? – fez uma careta, confusa.
- Quebrou. – a garota em questão respondeu com cara de choro, vendo os outros três rirem. – Fiquem triste junto comigo. – ela fez um bico inconformado e os quatro acabaram rindo juntos, depois bateram de leve na porta do quarto, puxando a atenção do quarteto.
- Entra! – mandou, alterando um pouco a voz.
A porta abriu e Jonathan entrou, estava com uma das mãos no bolso do jaleco, o estetoscópio pendurado ao pescoço, com um sorriso bonito e os óculos muito bem colocados no rosto, fazendo abrir um sorriso largo e bobo. John poderia não ser o cara mais cordial e amigável do mundo, mas era bonito, muito bonito, além de ser um médico extremamente competente, principalmente pela sua pouca idade. Ele sorriu, tanto para ela, como para os outros presentes no quarto e andou até a maca em que a namorada estava, sentando perto dela.
- E aí? – a garota perguntou apreensiva, mordendo o lábio.
- Bom, o Dr Webber disse que você vai fazer uma TC*, depois te libera. – Chermont sorriu, pegando a mão da garota, que estava surpresa e aliviada.
- Que maravilha! – ela disse eufórica, levantando de uma vez o braço engessado, depois fez uma careta de dor.
- Calma, gatinha. – ele riu, segurando o braço dela. – Vamos com calma, uma coisa de cada vez. – John abriu um sorriso protetor, colocando o braço da namorada, de volta junto ao tronco.
- O que é TC*? – perguntou de uma vez, sem entender nada do que os dois falavam. e John olharam pra ele.
- Tomografia computadorizada*. – os dois responderam ao mesmo tempo, depois riram ao perceber, fazendo e rolarem os olhos.
- Vocês e os termos médicos. – riu. – Qual o horário que ela vai sair, John?
- Acho que só depois das 15h00min. – o médico fez uma pequena careta.
- E por que precisa desse exame? – parecia mais confuso ainda, jogando a pergunta no meio do assunto, mais uma vez. Jonathan tomou fôlego para responder.
- Ela caiu, depois desmaiou. É mais pra tirar a prova que nada de grave aconteceu. – levantou as sobrancelhas como entendimento. – Então nada de sair daqui antes das 15h00min, mocinha. – John olhou pra namorada sorrindo, depois apertou a ponta do nariz dela, fazendo a garota rir e os outros três rolarem os olhos. – Eu queria poder ficar, mas você sabe. – John disse inconformado, fazendo careta. – O hospital hoje tá impossível. Desculpa.
- Sei sim, pode ir despreocupado. – disse rindo, depois ganhou um beijo no rosto.
O médico se despediu dos amigos da namorada, agradecendo mais uma vez pelo que eles haviam feito e logo em seguida saiu da sala, deixando três pessoas com expressão de enjoo. tampou a boca com a mão e fingiu náusea. mostrou a língua pra ela e os quatro riram.
- , eu estou meio enjoado com tudo isso. – cutucou a garota com o cotovelo e os dois riram. rolou os olhos teatralmente.
- Aprendi a ter resistência com o tempo, . – riu e deu um high five com o garoto. aumentou a cara de bunda.
- Vocês me amam. – revidou, ainda com a careta de tédio, os vendo rir.
- Com absoluta certeza, ou não estaríamos aqui. – piscou, e deram joinha.
- Ai, vocês são umas figuras. – o garoto levantou do sofá, como se fosse uma pessoa de mais de sessenta anos, fazendo careta e esforço. – Bom, garotas, eu preciso ir, mas qualquer coisa é só me ligar que eu dou um jeito de aparecer. Tudo bem? – ele perguntou se esticando.
- Tudo bem. – as três responderam ao mesmo tempo. andou até e lhe deu um beijo na testa.
- Fica bem, ok? – ele levantou a mão pra um soquinho, que ela tentou completar, os dois riram.
- Pode deixar. – a garota piscou. – E mais uma vez, obrigada por tudo. – bateu continência e logo depois as mãos, em mais um soco. Ele falou com as duas outras garotas, se despedindo com beijos na bochecha, acenou outra vez e saiu do quarto, fechando a porta.
- Ele é um amor de pessoa. – sorriu.
- É sim. – também riu, lembrando de tudo que ele havia feito por ela aquele dia.
- Eita! – gritou alarmada, atraindo a atenção de e pra si. – me pediu uma carona. – ela arregalou um pouco os olhos.
- Pode ir. – a garota com o braço engessado, riu. – Ele está sem carro por minha causa. – ela fez careta.
- Não quero te deixar só. – a mais baixa mordeu a boca, fazendo uma careta.
- Não tem problema, depois da TC, eu vou ser liberada, daí ligo pra vocês. – fez uma caretinha.
- Certeza? – perguntou, duvidosa.
- Certeza, podem ir tranquilas. – a garota sorriu, voltando a deitar na cama, bem despreocupada.
- Vou deixar meu celular, qualquer coisa você liga pra , se alguém me ligar, manda ligar pra ela. Pode ser? – perguntou colocando o telefone na mesinha de cabeceira ao lado da cama.
- Claro. – sorriu.
- E se o ligar, desmarca o cinema no sábado. – pediu e olhou pra ela bem incrédula. – Quê, ? É só desmarcar, ninguém tem mais clima pra isso. – ela repetiu pra que a amiga entendesse e a garota afirmou, mesmo sabendo que não faria aquilo.
- Então vamos indo, qualquer coisa, mas qualquer coisa, liga pra mim. Tudo bem? – disse, vendo a amiga afirmar e bater continência num gesto bem mais debilitado do que o normal.
As duas beijaram a bochecha da mais velha, uma de cada lado, depois riram.
- Me fizeram parecer uma criança. – a garota riu.
- Você é uma, dear. – piscou, fazendo a garota rir mais.
As duas se despediram com acenos e fecharam a porta em seguida, deixando uma entediada lá dentro.

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As duas garotas saíram do quarto, conversando sobre como iriam acomodar a mãe e o irmão de . E quando chegaram à parte externa do hospital, encontraram ao telefone, andando de um lado para o outro, conversando com alguém, ou discutindo sobre alguma coisa.
- Ainda quer a carona? – perguntou quando as duas chegaram mais perto e ele virou de uma vez.
- Ah, oi. – riu, tapando o fone do celular com a mão. – Achei que vocês fossem ficar com a .
- Ela praticamente nos enxotou daqui. – deu de ombros, os três riram, depois voltou o telefone pro ouvido.
- Deixa, , elas já vão, eu pego carona. Vai pra lá? Ok, tá bom. Eu aviso. – disse e desligou o telefone. – disse que ia pra lá, problema? – o garoto perguntou e viu tomar uma postura tensa, ao mesmo tempo em que arregalou os olhos. As duas se olharam e pedia ajuda com o olhar.
- Claro que não! – deu uma risada sem graça, vendo fazer uma careta. Mas quando o garoto abriu a boca para falar, foi cortado por uma fala dela. – Vamos! Ainda temos que arrumar as coisas. Tia Ester chega hoje.
- A mãe dela? – perguntou, depois foi abraçado pelas duas garotas.
- Isso. – havia tomado o controle da situação, enquanto ainda estava sem saber como prosseguir. Parece que ela teria que ver o antes do esperado. –O quarto de baixo, pro Ethan ficar. Tem que trocar umas coisas. – falava, organizando e pondo ordem em tudo, como sempre fazia.
- Quem é? – perguntou curioso, sobre o garoto que ela havia citado.
- O gêmeo dela. – a mais nova riu.
- O quê? tem irmão gêmeo? – o garoto perguntou assustado.
- Sim. – respondeu ainda rindo. – Mas eles não se parecem tanto, a começar que ele é bem mais alto que a gente. – ela dizia enquanto os dois entravam no estacionamento. – Mas cabelo, cor dos olhos e até aquele jeitinho meigo dela, os dois são idênticos. – os três riram alto.
- Esse garoto é paixonite de vocês? – riu, debochando das duas, que fizeram cara de nojo e finalmente se pronunciou novamente.
- Virou o juízo, ? – a garota perguntou um tanto incrédula, enquanto os três entravam no carro, que estava perto da entrada do hospital. – Nós fomos criados praticamente juntos. Nada a ver isso. – as duas garotas fizeram uma careta, ouvindo risadas do , que levantou as mãos em rendição, como se pedisse desculpas por aquilo, elas riram. ligou o carro e logo saíram do estacionamento.
-Tudo bem. – sorriu. – Vai lá pra casa? – a garota perguntou olhando de lado pra trás.
- Tem como me deixarem na delegacia? – perguntou se ajeitando entre os bancos do carro. – Vou resolver o problema do carro, depois ir ao departamento de trânsito. – o rapaz fez uma careta.
- Você ficou mesmo sem ele? – perguntou, olhando pelo retrovisor e o viu afirmar com um aceno.
- Muito provavelmente, vou ter que tirar outra licença. – riu sacudindo a cabeça. Nem quando tinha 18 anos e era um garoto inconsequente, ele não tinha passado por aquele tipo de coisa.
- Que droga, ! – a baixinha suspirou, preocupada com a situação do amigo. – Desculpa por isso. – ela mordeu a boca entristecida.
- Tudo bem, . Essas coisas acontecem. – o rapaz sorriu sinceramente.
- Só espero que isso não dê muito problema para o seu lado. – disse preocupada, mas ainda com a atenção no trânsito a sua frente, ou aconteceria o mesmo com ela.
- Não vai, não se preocupem. – riu, achando engraçado e interessante a atenção e o cuidado delas com ele. –, você me deixa na delegacia que tem aqui perto?
- Claro. – ela sorriu. – Quer que a gente te espere? – a garota perguntou olhando pelo espelho mais uma vez.
- Não precisa. – o rapaz deu um sorriso grato. – Eu pego um taxi, depois eu apareço por lá.
- Tudo bem. – sorriu.
A conversa continuou animada dentro do carro, algumas risadas esporádicas que acompanhavam assuntos totalmente aleatórios, encurtando o percurso até onde ficaria. E depois de deixá-lo no seu destino, as duas seguiram pra casa.
estava tão concentrada no que tinha pra fazer quando chegasse em casa, que não percebeu quem esperava do lado de fora do apartamento, escorado no carro e com um sorriso bonito. viu o rapaz e cutucou a amiga discretamente, fazendo perceber a presença dele ali. A garota suspirou audivelmente, depois coçou a testa, sem saber direito como agir.
- , eu não queria vê-lo tão cedo. – a motorista fez careta.
- Era melhor que vocês conversassem mesmo, . Resolver logo isso. – a mais nova deu um sorriso insosso, ouvindo a amiga suspirar mais uma vez.
- É, eu acho que sim. – ela disse mais receosa do que já estava, depois entrou no estacionamento do prédio.
A garota estacionou na vaga de sempre, depois com a ajuda da amiga, recolheu as coisas que ainda estava dentro do carro, à bolsa e uma agenda que ela procurava há alguns dias e estava dentro do porta luvas. Depois saíram para entrar no elevador, enquanto recebia a bolsa de mão, ela pegou o celular e viu que tinha uma mensagem de .

: Oi, meninas, fiquei sabendo da . Queria confirmar quanto ao filme no sábado, ela me disse que não tinha problema, então eu já avisei aos meninos. Xx

- Que foi? – perguntou curiosa com a atenção da amiga voltada pro celular.
- disse que confirmou o filme no sábado. – fez uma careta completamente confusa, depois olhou pra garota ao seu lado.
- Filme no sábado? – parecia mais confusa que ela. – Mas eu disse a pra desmarcar. – a garota manteve a careta.
- Pelo visto ela não desmarcou. – arqueou as sobrancelhas e rolou os olhos. não tinha jeito mesmo!
O elevador abriu as portas, mostrando o rapaz de sorriso bonito e olhos claros, que entrou prontamente no mesmo cubo de ferro que as duas garotas estavam, cumprimentando-as com uma alegria bem visível.
- Oi, meninas! – ele beijou a bochecha das duas, depois se pôs ao meio delas, colocando os braços ao redor dos pescoços.
- Olá, moço! – disse sorridente, o abraçando de lado, sorriu.
- Hey, . – disse baixo e um pouco sem graça, recebendo um beijo na bochecha bem apertado.
- Como estão? – ele perguntou sorridente, parecendo não perceber o quão desconfortável estava .
- Menos preocupada. – sorriu, depois passou a mão na cabeça. – Ficou sabendo da nova?
- ? – ele riu e afirmou. – Vi algumas fotos na internet é só o que fala. me ligou em desespero, depois pra dizer que o cinema ainda estava de pé. Fiquei um pouco confuso. – o rapaz riu. – Mas o que aconteceu de verdade? – voltou a atenção totalmente para a mais baixa.
- Ela acabou fraturando, ou luxando, eu não sei bem, eu sei que a machucou o ombro. – fez careta, mordeu minimamente a boca, depois afirmou.
- Nossa, que droga! Mas ela tá bem? – ele fez uma careta.
- Sim, sim, muito provavelmente saia hoje. – a projeto de cineasta deu um sorriso aliviado, vendo outro da mesma categoria surgir nos lábios de .
- Que bom. – ele disse animado. – E vocês, por que não estão com ela por lá? – olhou pra , que estava calada até o exato momento.
- Arrumar a casa. – ela disse de uma vez, depois deu um sorriso fechado. Ele abriu um sorriso bonito, esperando que ela falasse mais. – A mãe da e o irmão dela estão chegando...
- Ah sim, legal. Posso ajudar? – perguntou animado.
- Claro que pode! – as duas responderam juntas e ele riu.
- Uhuul. – o rapaz levantou o punho, no momento em que o elevador parou no sétimo andar. – Vamos arrumar a casa das meninas. – incorporou a criança entrando em colônia de férias e saiu do elevador, puxando pela mão e fazendo-a correr junto com ele, enquanto ria da brincadeira. E as risadas dos dois preenchiam o pequeno corredor.
A mais nova andou calmamente até a porta de casa, vendo os dois inquietos por lá, soltando as mais altas risadas por nada, enquanto dançavam descoordenadamente, esperando a porta ser aberta. riu, depois abriu a porta de casa, permitindo que os dois entrassem, ainda dançando ao som de algo não identificado. puxou a garota pela mão e a fez rodar em torno de si mesma, depois beijou-lhe o canto da boca, em uma manobra que parecia não ser proposital. ficou tensa e com um sorriso amarelo, o empurrou de leve pelo peito.
- Eu vou dar uma olhada nos quartos, ok? – apontou pra escada, vendo a amiga afirmar, depois soltar o rapaz.
- Tudo bem, . – suspirou. – Eu limpo a cozinha. – a garota apontou na direção e andou pra lá com em seu encalço.
- ? – o rapaz chamou, vendo a garota não dar ouvidos, ou ao menos parecer aquilo. – ? – ele chamou mais uma vez e a viu parar, depois suspirar e passar a mão no cabelo. – Eu estou um pouco confuso.
Ela suspirou audivelmente, depois virou de frente pra ele, disposta a resolver a situação de uma vez.
- , eu não quero isso. Não agora, a gente mal se conhece e misturar as coisas não vai fazer bem pra nenhum de nós dois. – a garota suspirou frustrada. – Eu gosto muito de você pra me decepcionar por pouca coisa. – ela mordeu a boca, esperando a resposta dele e o viu abrir os braços.
- Tudo bem. – sorriu meigamente. – Não vamos misturar as coisas, mas eu não quero que só a amizade permaneça, sabe? – o rapaz usou de sinceridade, abraçando-a de uma forma a passar segurança. – Tudo bem se você não quer agora, mas pensa melhor. – ele beijou a testa de , que o apertou ainda mais.
- Obrigada. – se limitou a dizer isso, depois suspirou. Ela não precisava mudar por causa daquilo. Os dois ainda eram amigos, certo? A garota riu e se afastou dele. – Ainda me ajuda a limpar a cozinha?
- Eu lavo a louça. – piscou, deu um sorriso bonito e correu até a pia.
- Você vai se molhar todo. Quer usar o avental? – a garota perguntou rindo, enquanto apontava para a proteção feita de material plástico, ao lado da porta da área de serviço.
- Sou craque em lavar louças. – o rapaz fingiu estar ofendido e os dois riram.
- Vou aspirar à sala, depois eu venho e guardo o que você lavou. – ela deu um sorriso bonito, apontando para o cômodo que havia acabo de mencionar.
A garota pegou as vassouras, o aspirador, alguns produtos de limpeza e um paninho, depois seguiu para sua jornada de limpar a parte de baixo da casa, incluindo sala, quarto de hóspedes e o banheiro que tinha lá, limparia a cozinha quando terminasse de lavar as louças. organizou o local da melhor maneira possível, o deixando confortável para os que chegariam ainda naquele dia e assim que terminou, voltou a cozinha, onde enxugava o que tinha lavado com um pano de prato e dispunha em cima da mesa, pra que pudesse guardar depois.
- Ei! Não precisa enxugar. – a garota riu, o vendo tão entretido no trabalho de casa.
- Eu já tinha terminado, e é uma forma de ajudar, fica menos trabalho pra vocês. – o rapaz deu um sorriso bonito, deixando-a encantada.
- Obrigada. – agradeceu, chegando perto e pegando as coisas pra guardar.
- Hey sweeties. – apareceu sorridente, na porta da cozinha. – Deu certo? Você colocou pra trabalhar, ? – os três riram.
- Escravinho! – a garota disse rindo.
- Lavei a louça. – ele disse sorridente e estufando o peito. riu alto, depois abraçou o amigo, enquanto ainda ria e guardava as coisas. – Estão com fome? Nós nem almoçamos hoje.
- Sim, , bastante. – fez uma careta, olhando para os dois. – Vamos fazer alguma coisa ou pedir comida?
- Vamos pedir, assim não suja nada. – deu de ombros, fazendo as duas garotas arregalarem os olhos com a ideia.
- Gênio! – o grito foi duplo e os três riram.
ligou pedindo a comida e o restaurante eleito foi o Nando’s. Eles conversavam bem entretidos, com o rapaz falando em como haviam sido os shows, quais os mais cheios, os mais insanos, os mais incríveis e os que com certeza, haviam marcado a memória dele, listando também os lugares que ele fazia questão em voltar algum dia. As duas ainda tentaram sondar algo sobre a nova turnê, mas foi em vão, ele logo mudou de assunto, pra não soltar algo sobre a grande surpresa que estava por vir e que agradaria a alguns, mas outros não.
Logo o frango com arroz temperado chegou, na concepção deles, uma das melhores comidas daquele lugar. O almoço foi rápido, sem muitas conversas e assim que terminaram, limparam o que estava sujo e ficaram conversando ainda pela cozinha.

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Ester chegou pouco antes do fim da tarde, acompanhada do filho mais novo, gêmeo de , parecia cansada pela viagem, mas não se deixava abater e sabia que resolveria logo todo o problema em que a filha havia se metido. Depois de ser muito bem recepcionada por e , de ter acomodado as malas e todos os cumprimentos feitos, a mulher queria saber direito como havia sido a confusão toda.
As duas garotas, com a pouca ajuda de , explicaram como tudo havia acontecido e que ainda estava no hospital, esperando alguns exames, segundo o que John havia dito. Também disseram que era quem mais havia ajudado com a garota e que se não fosse por ele, a situação poderia ter piorado. Ester conhecia muito bem os cinco meninos e todas as outras bandas que as garotas costumavam ouvir e que haviam sido muito presentes na adolescência.
- Vocês já comeram? – perguntou, preocupada.
- Já, , não se preocupe. – Ester respondeu sorridente, confortando a garota que era extremamente cuidadosa. – Eu vou pegar minha bolsa, vou buscar . – a mulher disse com um sorriso insosso, preocupado e até amedrontado. Depois subiu rapidamente as escadas do apartamento.
- Comemos em um restaurante no meio do caminho. – Ethan respondeu, rindo. – Eu não queria parar, mas a mãe me fez parar pra comer e comeu também.
- Você é louco, garoto. – disse o fazendo rir alto.
- Claro que não! Eu fiquei preocupado, que é louca! – ele acusou.
- Você já fez coisa pior, querido. – piscou, prendendo a risada e viu o garoto fazer um gesto, como se estivesse passando um zíper na boca, pedindo pra não tocar mais naquele assunto, ou as coisas piorariam para ele mais uma vez. As duas garotas levantaram as mãos em rendição. Os três riram e parecia confuso. – Ethan você capotou um carro!
- ! Fala baixo! – ele pediu desesperado, vendo as duas garotas e o rapaz rirem. – Se minha mãe escuta, ela vai me matar umas três vezes, de novo! – o garoto disse e começou a rir. – Toda vez que lembram disso, é outro sermão que eu levo. Pelo amor de Deus, deixa só à nanica levar sermão dessa vez. – Ethan esfregou o rosto e os quatro riram.
- Como você conseguiu isso? – perguntou meio incrédulo.
- Eu era um caso perdido, faz uns dois anos...
- Você quase morreu! – disse alarmada. – quase morreu por tabela, Ethan! A sua mãe quase morreu!
- Eu sei! – ele arregalou os olhos. – Eu sei! Por isso vocês sabem que eu mudei. Enfim, eu era muito irresponsável, e acabei capotando o carro na entrada de Brigthon. Meu caso foi complicado, eu realmente quase morri, mas quando voltei pra casa, minha mãe quase me mata. – ele riu de leve.
- Você é louco! – as duas falaram juntas. – Vê se aprende agora! – completou e o rapaz bateu continência, rindo.
- Ethan, eu estou indo pro hospital agora, não precisa ir se não quiser. Não tenho hora pra voltar e eu só volto com . – Ester disse passando pelo sofá onde eles estavam e beijou a cabeça do filho, depois acenou para os outros três. – Eu quero saber essa história direito com o Jonathan, sobre não poder sair. E se for preciso, eu quem vou dar alta a minha filha. – ela disse decidida, fazendo o filho prender a risada e afirmar concordando com ela.
- Tudo bem, mãe. – o rapaz respondeu com um sorriso grato.
- Tchau, queridos. – ela sorriu, acenando para os outros três, que também acenaram de volta e logo já estava fora daquele apartamento.
- Acho que o Chermont, hoje apanha da dona Ester. – Ethan soltou a risada que estava presa, fazendo , e gargalharem junto. Naquele ponto, Ethan era um dos que não gostava do namorado da irmã.
- Você também? – olhou pra ele, ainda tentando controlar as risadas.
- Ele? – perguntou rindo. – , meu querido, o nosso amiguinho aqui. – ela colocou a mão no ombro do garoto. – É o rei das tretas com o John. – o mais novo filho dos , arqueou uma de suas sobrancelhas, depois deu de ombros, como se aquilo não fosse nada demais.
- Mas o John parece ser um cara legal. – riu, no seu costume de sempre, de não ver maldade nas pessoas, ganhando o posto de uma das melhores pessoas do mundo.
- Só parece mesmo. Aquele ali não me engana. – Ethan fechou a cara. arregalou os olhos, parecendo surpreso, depois riu.
- Um da vida, eu sei. – riu, se dando conta de que Ethan e eram extremamente parecidos em alguns aspectos.– Você não estava fora da Inglaterra? – ela fez careta, perguntando ao garoto, mudando de assunto de uma vez.
- Sim, mas essa semana eu fui em casa. – ele riu – Ai, coincidiu tudo. Meu pai está capaz de ficar louco lá, disse que vem buscar a moto dela. – Ethan coçou a cabeça, sabia que a confusão seria incrivelmente maior.
-Ele vem buscar? – fez uma careta quando viu o garoto afirmar. – Você sabe do chororô que ela vai fazer, não sabe?
- Saber eu sei, mas eu não posso fazer muita coisa. E sem falar que ele manda deixar depois. não passa mais que duas semanas sem essa moto. – o garoto disse convicto.
- Eu preferia que ela ficasse com o carro, Ethan. – suspirou.
- Eu sei, , mas você sabe como é teimosa e insistente. Ela vai conseguir a moto de volta. – o garoto riu.
- Se a sua mãe deixar. – se pronunciou.
- É, também tem isso. – Ethan apontou pra ela. – Não sei se meu pai consegue convencer dessa vez.
- é imprudente assim? – fez uma careta.
- Não, cara, ela não é, mas eu era. Então por causa do que eu já fiz, às vezes, ela acaba sendo punida. – Ethan fez uma careta frustrada.
- Putz! Isso é uma droga, deve ser chato pra ela. – enrugou o nariz, vendo o irmão da garota e as duas amigas afirmarem.
Ethan suspirou, passando as mãos entre os cabelos, preocupado com a irmã.
- Preocupado? – perguntou fazendo careta, parecendo preocupada com o amigo. O garoto sorriu.
- Sempre. Dave e Noah devem estar pirando. – ele suspirou. – Pra mim, sempre será a mais nova, na verdade, pra gente. – Ethan riu um pouco sem humor.
- Ei, relaxa... Sua mãe está lá, vai dar certo! Tia Ester é uma super. – riu levantando o punho, fazendo o garoto rir verdadeiramente.
- Eu sei, mas quer saber? Eu vou ligar pra ela. – Ethan disse se mostrando decidido e tirou o celular do bolso.
- Ela está sem celular. Quebrou na queda. – fez uma careta e viu o rapaz fazer a mesma coisa, mas logo a garota ouviu seu aparelho de telefone tocar e o tirou do bolso do short. – Deve ser ela, Ethan. – ela tentou contornar a situação, depois viu que se tratava de . – É o . – o viu fazer uma careta desgostosa, totalmente oposto ao sorriso que escapou nos lábios de .
entendeu o recado e entregou o telefone a amiga, que estava mais do que feliz e principalmente ansiosa por aquela ligação, até mesmo depois de saber que nada seria desmarcado de uma hora pra outra. aumentou ainda mais o sorriso, mesmo sem ter a intenção e pegou rapidamente o celular, andando mais rápido ainda, até a cozinha.
- Oi, ! – saudou completamente animada e sorridente, se recostando a grande bancada daquela cozinha.
- ! – ele na mesma animação. – Tudo certo pra amanhã, não é?
- Sim, claro. – ela riu baixo. – Onde você está? – a garota mordeu a boca, esperando a resposta.
- Como assim? perguntou confuso.
- Se estivesse perto... – deu de ombros em um ato impensado. – Sei lá, pra você vir aqui.
- Quem está aí? – ele riu.
- E é preciso ter alguém aqui pra você vir, ? – a garota fingiu estar indignada, o fazendo rir abertamente e arrancar uma risada dela.
- Claro, não dá pra aparecer sem ter ninguém em casa. – o rapaz disse o óbvio, a fazendo rir mais um pouco.
- Bobo. – os dois riram.
- Em relação ao convite, queria ir sim, mas estou resolvendo umas coisas. Desculpa. – ele suspirou um tanto frustrado.
- Tudo bem, sem problemas. – ela respondeu de forma leve, mais ainda impregnada de curiosidade, decidiu perguntar o que ele fazia. – Que coisas? – a garota perguntou.
- Han?
- Você me disse que estava resolvendo umas coisas, fiquei curiosa. – ela mordeu a boca levemente.
- Comprando comida. – ele disse com um sorrido embutido na voz. – Pensei em te ligar, pedir ajuda. quase rasgou o rosto em um sorriso gigante. – Mas aí a garota resolveu cair de moto. – os dois riram.
- Pois é, eu sei. Até a mãe dela veio, junto com um dos irmãos. – a garota fazia desenhos aleatórios na bancada.
- Nossa! Esse tipo de coisa... Matam a gente de preocupação.
- Matam sim.
- Eu vi umas fotos mais cedo, aí liguei no seu telefone, mas estava com ela. – os dois riram e afirmou com um murmúrio. – Depois liguei pro .
- Caramba, já saiu foto? – a garota arregalou os olhos. Aquilo não era bom. – Droga! Isso vai causar uma baita confusão.
- Já, mas não se preocupa, vai ser bom. riu, achando bonitinha a preocupação dela.
- Como assim? – a garota fez uma careta confusa.
- vai ser dado como herói, o fandom vai enlouquecer. – o rapaz disse de forma simples e os dois riram alto.
- Ai, ... – resmungou ainda rindo.
- Mas é. – ele também ria. – ? Vou precisar desligar, tudo bem?
-Claro!
- Cheguei ao caixa.
- Tudo bem, .
- Se der, eu apareço por aí.
-Então faça dar certo. – ela foi incisiva, os dois riram. – Tchau, beijo.
- Beijo. – ele respondeu e em seguida os dois finalizaram a ligação.
Ela logo voltou à sala, onde Ethan, e , conversavam e pareciam bem entretidos na conversa. sentou onde estava anteriormente e ainda com o coração meio louco por causa da ligação, tentou prestar o mínimo de atenção na conversa.
- Não é, ? – a garota sacudiu a cabeça quando ouviu seu nome, depois voltou a atenção pra .
- Oi? – ela perguntou mais atenta.
- Nós vamos amanhã pra casa do , chamou o Ethan pra ir junto. – ele explicou prendendo uma risada. olhou pra , depois pra Ethan, que mantinham a visão focada nela.
- Ah, claro! – saiu de forma exagerada. – Os meninos todos estarão por lá. Você com certeza deveria ir, Ethan.
-Vou saber da , qualquer coisa eu apareço lá com ela. – ele sorriu agradecido.
- Ok, só não deixa de ir, vai realmente todo mundo e as meninas esperaram por isso. – riu, depois levantou do sofá, passando a mão na roupa.
- Tudo bem. – Ethan respondeu, simpático.
- Pessoal, eu acho que já vou. – deu um sorriso fechado, olhando pra gente.
- Já? – fez uma careta inconformada. – Tá cedo.
- Cedo, ? – ele riu levemente, estendendo a mão pra ela. – Já é quase noite. – o rapaz riu, ajudando a levantar. – Amanhã venho buscar vocês. Ou algum dos meninos vem. – ele segurou forte a mão da garota.
abaixou a postura, beijou testa de , depois cumprimentou Ethan com um aperto de mão, se despedindo dos dois, para logo em seguida, ir até a porta do apartamento, puxando pela mão.

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- Quer saber de uma coisa? – Ethan perguntou rindo, olhou pra ele, negando com um aceno e rindo junto. Ela já sabia o que ele ia dizer. – Aposto como tá rolando alguma coisa. – ele disse apontando na direção da porta e soltou uma gargalhada estridente.
- Não ainda, garoto. – ela estreitou os olhos, fazendo as risadas continuarem dentro da sala.
- Espere e você vai ver. – ele riu, depois coçou a cabeça. – A mãe está demorando. - o rapaz suspirou se mostrando bem mais preocupado.
- Liga pra ela. – deu de ombros.
- É, né? – ele pegou o telefone e ligou. – Mãe?
- Sou eu, gêmeo! – Ethan ouviu a voz da irmã, abrindo um sorriso mais do que aliviado.
- Nanica! – ele pronunciou o apelido de costume, fazendo a irmã rir. – Já foi liberada?
- Sim! Estou indo pra casa! respondeu mais animada do que nunca.
- Ainda bem, ou eu ia conversar com o Chermont. – o garoto pirraçou mais uma vez, ouvindo resmungar em concordância, dando joinha pra ele.
- Tá, tá Ethan. – ele ouviu um suspiro da irmã. – Já eu chego. Eu coloquei gesso! – ela soltou um grito, o fazendo rir alto, jogando a cabeça pra trás.
- Chega logo! Estou te esperando! E quero escrever no seu gesso! Até daqui a pouco, Nanica. – ele riu e fez barulho de beijo, depois desligaram.

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sabia o quanto a mãe era impossível e impulsiva, umas dez vezes até mais do que seu pai, e resolveria todo o problema da alta dentro de no máximo, uma hora. Ester era conhecida dentro daquele hospital e não era qualquer médico que iria prender sua filha ali com uma justificativa meia boca. Como a garota também sabia que receberia a bronca mais épica da sua vida, ela tinha a plena consciência que seria chamada de irresponsável, imprudente e afins, sem contar com os xingamentos que a pobre moto tomou, sem nem mesmo ter culpa na história toda. Porém, como toda mãe, Ester abraçou a filha, ressaltando o fato de que ela estava bem e a tiraria rapidamente dali.
A médica já era conhecida lá dentro, tinha uma carreira forte e estruturada, onde metade dela havia sido feita naquele hospital, levando em consideração seu trabalho como traumatologista e professora universitária. Jonathan havia sido um de seus alunos durante a graduação e residência e fazia tudo que a mulher mandava. E depois de resolver tudo que aconteceu do jeito que ela queria, foi mandada pra casa com algumas recomendações e alguns analgésicos, embora seu maior medo fossem das recomendações de sua mãe, quanto a Harley.
Durante a conversa, Ester mencionou ter conhecido , que estava no apartamento delas, quando a mulher chegou de viagem, como também que queria agradecer a pessoalmente por ter salvado a vida da garota.

As duas chegaram em casa quando já era quase noite e foram recebidas com comentários felizes e aliviados. Ethan esmagou a irmã em seus braços, a abraçando o mais forte que pode, mostrando o quanto estava com saudade e preocupado com ela. devolveu o celular de , depois os quatro jantaram algo que Ester tinha feito. John apareceu logo após o plantão, arrancando comentários maldosos do cunhado, sobre ele ter ido ali apenas para fazer à média. Charlie ligou dando uma bronca na filha, mas exalava preocupação na voz, e o mesmo aconteceu com os outros dois irmãos da garota, que pareciam mais preocupados até do que o esperado.
Quando se acomodaram para dormir, as meninas e Ethan se aglomeraram dentro do quarto de , para desenhar no gesso, cada uma delas escreveu algo legal ou engraçado com canetinha colorida, enquanto o garoto se ocupava em escrever a palavra “Nanica” em vários idiomas, mesmo que fosse preciso do Google translate para aquilo, contando também com a ajuda das meninas.

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A noite havia sido tranquila, principalmente depois de um dia tão cansativo e estressante. não havia sentido dores no braço machucado e conseguiu dormir bem, o mesmo rumo que os outros naquela casa tomaram e quando as garotas acordaram, passava das 09h00min.
- Oi. – disse rindo, ao ver que as duas amigas também estavam no corredor.
- Oi. – as duas responderam em conjunto.
- Cara, que cheiro bom de comida. – aspirou teatralmente o cheiro, fazendo as duas rirem.
- Ela fez café. Adoro café. – parecia extremamente animada com o possível café que sua mãe havia feito.
As três desceram as escadas mais do que apressadas, parecendo crianças no dia do natal, saindo dos seus quartos para abrir os presentes embaixo da árvore. E ao chegar à cozinha, encontraram a mesa repleta com de tudo um pouco, inclusive o tão sonhado café de .
- Bom dia, mãe! – a garota saudou.
- Bom dia, tia!
- Bom dia, meninas! – Ester falou animada, olhando pra elas, enquanto já tomava seu café.
, e , sentaram à mesa, em um silêncio fora do comum, começando a comer um pouco de cada coisa que tinha ali e após um bom tempo de silêncio, a falta de barulho foi quebrada com uma pergunta vinda de Ester.
- Que horas vocês vão? – ela perguntou colocando mais café na xícara.
- disse que ligava. – falou comendo panqueca, no momento em que Ethan apareceu na cozinha, ainda com cara de sono.
- Bom dia. – o rapaz foi simpático. Beijou a cabeça da mãe, coisa que ele fazia desde que conseguia lembrar e logo sentou perto da irmã, também procurando montar seu café.
- Você não vai? Chamamos o Ethan pra ir também. – perguntou inconformada pelo fato de a amiga ter desistido de ir. O garoto olhou de uma para outra, depois afirmou com um aceno contido.
- Não, acho que vou ficar em casa por hoje. – fez uma careta.
- Ah, que pena. – tomou um gole do leite, parecendo triste com a desistência da garota. – Lá seria incrivelmente legal.
- Deixa pra próxima. – deu de ombros. – E o John também disse que apareceria por aqui.
- Não se preocupem, vou ver se consigo tirar ela de casa. – Ethan piscou, fazendo-as rir. – Principalmente quando o John chegar. – o garoto completou e mostrou a língua em protesto.
- Vocês realmente deveriam ir. – reforçou o convite.
- Meu humor tá negro hoje. – levantou o braço engessado. – Só vou dar uma de chata e atrapalhar à tarde de vocês.
- Você não vai dar uma de chata, você é chata. – Ethan alfinetou a irmã, fazendo a mãe dos dois rirem.
- E você me ama. – respondeu à provocação do irmão e fazendo uma careta. Ouviram-se mais risadas.

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Já eram quase três da tarde, as meninas já tinham saído, mediante as piadinhas de Ethan sobre as duas estarem a procura de namorado e as desculpas de sobre não poder ir, havia ido buscá-las no apartamento, parecendo imensamente feliz, assim como elas. Os gêmeos estavam divididos entre procurar logo algo pra comer, ou escolher algum filme na TV pra assistir, enquanto Ester resolvia algo relacionado às suas aulas na universidade local de Bolton, já que ela precisaria passar, pelo menos, cinco dias em Londres.
Os dois, se empurrando como duas crianças nas brincadeiras, adentraram a cozinhas ávidos por bolo, classificados por eles, o melhor bolo do mundo. Pelo simples fato de ser bolo de mãe. E como dizem, comida de mãe, sempre será a melhor comida.
- De que é esse bolo? – perguntou, tomando um grande gole de suco, ao ver o irmão agarrado ao bolo, do outro lado da cozinha.
- De massa, . Ia ser de quê? Pedra? – Ethan usou de obviedade e ironia, sabendo que a irmã ia cair em uma crise de riso, era sempre daquele jeito. sempre ria de qualquer coisa.
E a garota que estava com a boca cheia de suco, rindo escandalosamente e tentando tapar a boca com a mão, pra que nada escapasse em cima da mesa, viu que estava sendo inútil fazer aquilo, já que o suco escapava por todos os lados, fazendo o rapaz rir mais ainda da situação da irmã. Soltando sons esquisitos, junto à risada e péssima entrada de ar.
- O que é isso? – Ester perguntou ao chegar à porta, sem entender o que se passava ali.
tirou a mão da boca para tentar explicar o que tinha acontecido e logo se engasgou com o suco remanescente na boca, começando a tossir fortemente e ficar vermelha.
- A nanica que é fraca pra rir. – Ethan tentou puxar o ar pra respirar e Ester soltou uma risada.
- Vocês não sabem nem comer bolo sem fazer bagunça. – a mulher começou dar alguns tapas nas costas da filha, inclinando a cabeça dela para baixo, sem conseguir controlar sua vontade de rir da situação toda. E quando conseguiu desengasgar a garota, ouviu batidas na porta do apartamento. – Ethan, atende lá. – ela pediu e o rapaz saiu da cozinha esfregando o rosto.
- M-mãe, para de rir... O-ou eu não consigo parar de rir. – disse em desespero, vendo a mãe rir mais ainda, enquanto a garota sentia a barriga doer.
- A sua risada é pior que a minha, garota. – Ester passou a mão no rosto e aos poucos, as duas iam recuperando o estado normal de respiração.
- Mãe, eu acho que o Ethan morreu no meio do caminho. – respirou fundo e enxugou as lágrimas do rosto.
- Deve ser o John, vai lá salvar seu namorado. – a mulher riu e sentou à mesa. A garota afirmou, depois levantou em um pulo, saindo da cozinha em seguida.
- Gêmeo, quem é? – ela entrou no ponto de visão da porta, ainda passando a mão no rosto, quando ouviu um grito.
- Cacete! Vocês são iguais. – a voz do saiu alta e esganiçada, o tom mostrava surpresa.
A garota arregalou os olhos, mirando sua visão na porta, boquiaberta com o aparecimento dele, que parecia estar quase como ela, mas por motivos diferentes e estava extremamente molhado, encharcado e ora olhava pra ela, ora olhava pro Ethan.
- Claro, nós somos gêmeos. Não ouviu falando? – o rapaz foi curto e grosso, encarando o estranho à porta.



Continua



Nota da autora: (28.12.2016) OOlá queridinhas lindas do meu coração! Feliz Natal! Feliz ano novo! Feliz vida nova! Feliz capítulo novo! Feliz tudo novo!
Primeiramente, quero pedir desculpas pela demora! Maaaaaas olha que capítulo lindo! Ficou tudo bem depois da queda! Siiim! Pois é!
Esse foi um capítulo meio paraaaado, mas não me matem. Apareceu família também, eu gosto disso! E sobre o Ethan, adoro ele! Gêmeo incrível!
Muito obrigada pelos comentários, vocês são incríveis! Ps: Espero que gostem da nova capa, fui eu quem fiz, literalmente HAHAHA! Pois é, eu gosto de desenhar de vez em quando e ainda vem mais algumas surpresinhas relacionadas a isso por aí! E aquela letrinha feia é a minha KKKKK

Beijinhos e até a próxima att!

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Nota da Beta: Meu Deus, quantas coisas aconteceram... Eu amei o beijo do casal , foi muito lindo de se ver <3 Demorou para o tomar uma atitude também, né? Enfim, realmente a é problemática, ela espatifada no chão preocupada com a moto, pobre hahahah! Continue logo <3




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