Última atualização: 07/10/2019
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Prólogo - Intro

Toronto, Canadá


A cantora se apoiou em uma bancada em frente ao espelho do camarim, terrivelmente cansada. Visualizou sua imagem, cabelos bagunçados e suor escorrendo, vestia o figurino apertado do show, que estava louca para tirar. Seu colo, exposto pela falta de pano, subia e descia de maneira frenética enquanto tentava recuperar o folêgo. Aquilo era demais para ela, precisa de uma pausa, precisava parar. Seu corpo não se sentia bem, sua mente não estava bem.
— Quantos show faltam? — Perguntou quando viu seu agente, mais conhecido como Gregóri Mortiem, entrar no ambiente.
— 15. — Respondeu receoso com a reação da mulher.
— Não dá para mim, está na hora de parar! — Falou alto, praticamente surtando. Levou as mãos na cabeça e fechou os olhos, tentando se controlar.
! Você é a cantora mais bem paga do mundo, e isso com 23 anos. Você não pode simplesmente parar. — Por mais que o rapaz concordasse com uma pausa, não podia cedê-la antes do fim da turnê. — Você vai ter duas semanas antes do início da gravação do próximo álbum.
A cantora virou rapidamente para o rapaz, sem acreditar no que tinha ouvido.
— Duas semanas? Você está louco?
— Se acalme! É tempo suficiente para colocar a cabeça no lugar.
— O problema é que não tenho esse tempo fora das mídias. São fofocas em todos os lugares, são fotos onde vou, xingamentos em todas as redes sociais. É uma pressão! Eu tenho que se a melhor, a número um.
— Você não tem que ser, você é! E não vai ser a mídia que vai tirar isso da , ok? — Gregóri falou aproximando-se e tentando acalmar mais ainda a fera. — Prometo que pedirei mais tempo de descanso, ‘tá bom?
A cantora concordou com a cabeça, abraçando-o, mas na verdade ela só queria dormir.

[...]


— Não sei mais o que fazer, .
Era quase meia-noite em Toronto, estava sentada perto da enorme janela de vidro que tinha no seu quarto de hotel apreciando a vista da cidade, enquanto conversava com sua melhor amiga por celular.
O que a Miss World precisa agora é dormir bem, tem uma entrevista amanhã e não quero que seu agente me culpe por olheiras. anie) falou de maneira séria e depois riu. — Compra uma passagem para voltar para casa, por favor!
— Eu queria, tenho saudades daí todos os dias, mas sabe que não posso. — abraçou os joelhos, querendo chorar. Fazia mais de oito meses que não sabia o que a palavra casa significava. — ‘Tô é para fazer isso escondido.
Pode fazer, não conto! — Ambas riram e logo ficaram em silêncio.
— Tenho que desligar. Promete que vai assistir minha entrevista amanhã?
Claro, e ainda vou ligar depois para falar da gafe que você vai passar.
A cantora se despediu e deitou na cama, tentando descansar um pouquinho.

[...]


10:40 a.m


— Voltamos mais uma vez com o McCoy Talk Show e nossa convidada do dia é a , mais conhecida como Miss World! — A apresentadora, Margaret McCoy, disse e a cantora sorriu para a câmera, dando um tchauzinho. — Nos diga, como ganhou esse apelido?
— Nossa, boa pergunta! — A mulher riu. — Meus fãs que começaram com esse apelido depois do Grammy ano passado, meus últimos dois álbuns fizeram sucesso por todo o mundo e isso é incrível! Fico extremamente feliz com o apoio que me dão, muito agradecida. Por isso estou sempre tentando melhorar.
— Que ótimo! Você é uma pessoa extremamente talentosa.
— Obrigada!
— Mas vamos falar de algo mais interessante. — Margaret fez uma pausa dramática e ficou tensa, o que mais odiava nessa entrevistas é que alguns apresentadores se metiam demais na vida dos outros, e a McCoy era muito boa nisso. — Tem lido as notícias que estão saindo sobre você?
— Não. Meu terapeuta acha que isso não faz bem para minhas crises, então só entro nas redes sociais para atualizados sobre a turnê. — sorriu de forma triste e toda a plateia suspirou com a apresentadora.
— Então você não faz ideia do que está acontecendo? — A mulher negou com a cabeça. — Nós ficamos sabendo que seu relacionamento com o está meio balançado…
— Sabe, ele está gravando um filme em Los Angeles e estou em turnê, relacionamento á distância não é tão fácil quanto parece. — Disse uma das suas respostas ensaiadas. O nervosismo já estava a mil e seu corpo falava que aquela conversa era uma zona de perigo.
— Então pelo que entendi, vocês ainda estão juntos? — concordou com a cabeça de forma discreta, mas não tinha certeza da resposta. — Então, surgiram alguns boatos sobre uma possível traição. — A mulher fez uma pausa e uma foto surgiu na tela atrás delas. — O estaria tendo um envolvimento com a Skye, a mulher com quem está contracenando.
— O que? — vasculhou com o olhar pelos bastidores, achando Gregóri do lado de uma das câmeras balançando a cabeça como se falasse “não diz nada”.
— Ela disse em uma entrevista que estava bem próxima do ator tão fora como dentro do set e surgiram algumas fotos deles juntos por aí. — Referiu-se a imagens que passavam no telão
— Não estava sabendo disso. — Tentou dizer de uma forma segura, mas na realidade estava confusa. Suas mão suavam frio e não sabia como sair daquela saia justa, acabara de saber que estava sendo possivelmente traída em rede internacional e não podia baixar a guarda naquele momento. A visão já estava quase turva e não conseguia ver as imagens que passavam no telão.
— Só quero dizer que sou mais vocês dois. — McCoy disse e a plateia concordou. sorriu de forma desconfortável e respirou fundo tentando tomar controle do próprio corpo.
— Podemos falar sobre outra coisa?
— Claro! Está correndo boatos sobre um novo álbum, pode confirmar?
Aquele era o grande momento no qual deveria anunciar que estaria sim trabalhando em um CD novo depois da turnê, mas não era isso que sua mente estava mandando fazer, a pressão midiática era enorme e seu corpo não aguentava mais. Lembrou da conversa da noite anterior com a , sobre largar tudo e ir embora, e por um instante pareceu a melhor opção, mesmo que aquilo significasse colocar a carreira em uma cova.
— Na verdade, tenho um anúncio a fazer… — Disse devagar estabelecendo equilíbrio emocional, mesmo que não conseguisse. — Vou dar uma pausa.
Escutou vários sons produzidos por uma plateia espantada, olhou para seu agente que estava com uma cara mista de “o que está acontecendo” com “vou te matar” e mandou um olhar como pedido de desculpas. Aquilo era o certo a se fazer, pelo menos era aquilo que achava.
— Depois do fim turnê? — Margaret perguntou ainda em choque, afinal a cantora mais bem sucedida estava tinha acabado de anunciar que daria um tempo na sua frente.
— Não, a partir de hoje.

[...]


Quando a entrevista acabou, entrou no seu camarim correndo e trancou a porta. Não queria falar com ninguém. Sentou com as costas para a parede e assumiu uma posição fetal, se permitindo finalmente chorar. Ignorou todas as batidas na porta naquele momento.
Sentiu as lágrimas escorrer pelo seu rosto e cedeu.
Cedeu toda a pressão da mídia.
Cedeu a tudo que falavam.
Achou que seria forte o suficiente para conseguir superar tudo de ruim que diziam, os boatos, os xingamentos, mas deixou ser controlada. Agora estava ali, chorando como uma menina de cinco anos que perdeu o brinquedo favorito.

levantou do chão e encarou o espelho da penteadeira, seu reflexo estava horrível: rímel escorrido e cabelos bagunçados.
— Você fracassou! — Foi a última coisa que disse a si mesma, antes de pegar um batom e atirar contra o espelho, quebrando-o.


Capítulo 1 - Take One

São Francisco, Estados Unidos


A cantora chegou na casa dos seus pais de madrugada, então aproveitou para dormir antes de encarar a família toda. Quando acordou, o reflexo do banheiro denunciava olhos inchados e cabelos bagunçados, tratou de tomar um banho quente para relaxar os músculos antes de descer a escada.
— Tia! — ouviu Gracy gritar e correr para abraçá-la assim que a avistou no último degrau.
— Oi, meu amor! Como você está? — agachou para pegar a pequena no colo. — Nossa, como você cresceu.
— Esqueceu que agora tenho quase cinco anos? — A menina cruzou os braços e a mulher riu. — Aprendi a soletrar meu nome! — Disse animada.
— E como é?
— G - R - A - C - E — A pequena disse com certeza e a mulher rindo ainda mais.
— É Y, meu amor, não E. — Corrigiu e a menor fechou a cara.
— Poxa, foi quase.
— Foi sim! — a colocou no chão, que voltou para o sofá para brincar com os brinquedos. A mulher andou até a cozinha, dando de cara com o seu pai de mangas dobradas enquanto fazia panqueca.
— Bom dia, papa! — Chamou a atenção do mais velho, que sorriu ao vê-la. A cantora o abraçou fortemente, deixando claro toda a saudade que sentia naquele momento.
— Bom dia, minha querida! Fico feliz que tenha voltado para casa, apesar de não ser pelo melhor motivo. — O homem grisalho sorriu de forma triste e ela retribuiu. — Quer conversar sobre?
— Acho que vou precisar de um advogado, o Gregóri vai mandar alguém vir me matar. — Fez graça.
— Não é para menos.
— Cadê a mama? E porque a Gracy está sozinha na sala?
— Ela não estava sozinha, você que não fala mais com sua irmã mais nova. — Madal adentrou a cozinha, sendo seguida pela sósia mirim dela, e abraçou em seguida. — Senti sua falta!
— Também senti. Desculpa não falar, você é baixinha demais para que notasse.
— Muito engraçadinha você. — A mais nova mostrou a língua e escutou um grito fino, assustando todo mundo.
— Não pode dá a língua, mocinha! — Gracy disse apontando o dedo para a mãe.
— Onde você aprende essas coisas?
— Com a vovó. — Deu os ombros e se sentou em uma das cadeiras com dificuldade.
— Falar dela, cadê?
— Trabalho. — Sr. respondeu entregando o prato para a filha mais velha. — E estou indo, mais tarde nós vamos ter uma conversa. — O homem de um beijo na bochecha das três antes de sair correndo.
A cantora sentou à mesa para comer e ficou sendo observada pelas outras duas.
— Tia, vamos shopping? Quero ir na casa de bolinhas. — A menor desceu da cadeira e parou do lado da mais velha.
— Não sei…
— Por favor, por favor. — A menininha implorou com as mãos juntas fazendo e sua mãe rir.
— Fazendo essa carinha não resisto.
— Eu sei, por isso que fiz! — Gracy sorriu de forma sapeca e correu para a sala.
As mulheres se entreolharam e riram, não acreditando no que tinham ouvido.

[...]


Westfield San Francisco Centre


As irmãs deixaram a pequena entre as bolinhas coloridas e decidiram tomar um café em um dos restaurantes do local.
— Como você está? — Madal puxou assunto depois de alguns minutos de silêncio. — Falando sério.
— Não sei, confusa? Não sei exatamente…
— Você falou com ele? — negou com a cabeça, encarando a xícara a sua frente, sem conseguir encarar a própria irmã nos olhos.
— Não tive coragem, acho que não tenho medo da verdade.
— Pois precisa achá-la, precisa de uma explicação. Sei que não é fácil, mas é necessário. Ele precisa te dar uma explicação. — concordou com a cabeça. — E sobre a pausa, tem algo a dizer?
— Estava na hora, sabe? Era um disco atrás do outro, uma turnê atrás da outra. Meu nome está estampado em quase todas as revistas, comentam sobre mim o tempo todo nas redes sociais, sentia-me intoxicada, sabe? Não posso andar com ninguém sem virar manchete. Tenho que regrar até minhas palavras se não posso acabar me tornando a maior vilã do ano.
— E como acha que vai conseguir dá um tempo disso? Não existe chá de sumiço! Olha, sei que é difícil, mas só o fato de você está sentada nessa cadeira chama atenção e vira notícia.
— Eu sei! — A cantora apoiou os cotovelos na mesa e levou as mão no cabelo, querendo chorar. Seu coração acelerou e teve que respirar fundo para poder se controlar. — Perdi o controle total da minha vida.
— Pois tome ele de volta, não deixe que tudo isso te controle. — Madal abraçou a irmã de forma desengonçada por conta da posição das cadeiras. — Agora larga essa depressão que precisamos pegar a madame.
— Como está se virando? — perguntou preocupada.
— Ser mãe aos 21 anos de uma criança de 4 não é fácil, mas nossos pais ajudam muito. — A mulher sorriu feito boba. — Fica cada dia mais esperta, e sente muito sua falta.
— E eu a dela, sinto falta de uma parceira para aprontar. — Disse fazendo a outra rir.
— Você é a mais velha e a mais bagunceira de todas.

As duas levantaram da mesa e começaram a andar em direção as escadas rolante.
— Vamos passar na loja de brinquedo, quero comprar a tal casa da LOL para a Gracy.
. — Madal parou a irmã com o braço. — Aquele negócio custa 700 dólares, vai comprar aquilo nem fodendo.
— Dessa maneira seria bom. — A cantora piscou para a irmã. — Mas vou me contentar passando o cartão para minha sobrinha.
— Ela está te extorquindo!
— Ela é muito interesseira, que nem a mãe dela. — riu saindo na frente, deixando a irmã abismada para trás.

[...]


Era por volta das oito da noite, estava no quarto da sobrinha cobrindo-a para dormir.
— Tia! — A pequena chamou a atenção da mais velha, que já estava perto da porta. — Sei que você não gosta mais de cantar, mas podia cantar para mim?
— Ôh, meu amor! — A cantora voltou e ajoelhou-se do lado da cama, vendo a menina se ajeitar de lado para encará-la com os olhinhos sonolentos. — Quem disse que não gosto de cantar?
— A mamãe disse que parou com os shows.
— Cantar é a coisa que mais gosto de fazer no mundo. — A mulher disse sorrindo, fazendo a menor sorrir também.
— Então, porque parou?
— Não parei definitivamente, só que existe coisas maiores que não estão sobre o nosso controle.
— Então, você vai deixar essas coisas atrapalhar? — Disse parecendo uma filósofa.
— Hum, que menina esperta! — fez cócegas na menina, que começou a rir e implorou que parasse. — Onde aprendeu isso?
— Em uma música. — A mulher sorriu largamente sabendo que era da sua autoria. — Canta ela para mim?
— Você quem manda!

[...]


Quando saiu do quarto da menor, encontrou sua mãe sentada no sofá da sala lendo algum livro, correu para abraçá-la, jogando-se em cima da mulher.
— Minha filha, você está louca? — Sra. perguntou assustada.
— Não, mas com muitas saudades! — Gritou de forma abafada pelo contato.
A cantora sentiu os braços da mais velha a envolver e finalmente se sentiu em casa.
— Se for chorar, não suja minha roupa! — ouviu sua mãe resmungar e levantou, sentando no móvel de maneira mais coerente. — Como você está?
— Tentando me recuperar. Passar o dia com a Madal e a Gracy ajudou a esquecer do meus problemas.
— Eu e sua mãe queríamos falar com você. — A cantora visualizou seu pai entrando na sala com uma xícara na mão, que a entregou. — Para acalmar. — Falou quando foi questionado sobre o conteúdo da chávena.
— Estou ouvindo. — Cruzou as pernas e deliciou-se com o chá, esperando o sermão.
— Estamos aqui para te apoiar. Sabe disso, não é? — O homem perguntou calmamente e a mais nova apenas afirmou com a cabeça. — Achamos que aqui não terá descanso.
— Mas meu dia foi ótimo! — Rebateu.
— Filha, saiu fotos sua no shopping. — A mais velha falou e obrigou a calar-se. — Então pensamos em algo, lembra da sua tia Amélia? — concordou. — Ela mora em uma ilha, chama Moorland, lá pela Austrália, achamos que seria uma boa.
— É pequena e não turística, certeza que ia ser ótimo para pensar e colocar a cabeça no lugar. E sua tia sempre disse que lá é como um paraíso na terra. — O homem completou o raciocínio da esposa.
— Obrigada por isso, mas acho que ficar aqui com vocês é o que preciso.
. — Sra. tomou a mão da filha, acariciando. — O que precisa é se encontrar.
A cantora suspirou, encarando seus pais. Eles só querem o bem, não é mesmo?
— Ok, mas ninguém pode saber disso! Tipo, ninguém. Só as meninas. — Referiu-se a irmã e a sobrinha. Os dois concordaram. — Quando vou?
— Já comuniquei a sua tia, amanhã de manhã pega um voo para Austrália e lá vai pro porto e depois terá um barco te esperando para levá-la para a ilha.
— Tudo isso antes de falar comigo? — A mulher levantou a sobrancelha, desconfiada.
— Se chama intuição de mãe.
— Fiquei com medo agora. — Brincou e se jogou para abraçar os dois. — Obrigada, amo vocês.
— Também amamos você. — Sr. falou fazendo carinho na cabeça da filha. — Agora vai dormir porque o voo é às sete.
— ‘Tá bom, ‘tô indo!

[...]


Quando chegou no quarto, tomou o que achou uma das piores decisões da sua vida: ligar para . Só não foi realmente a pior porque, como das outras vezes, ele não atendeu. Jogou-se na cama de bruços suspirando e colocando a mão na cabeça, aquela situação era uma merda.
Decidiu procurar as fotos que os paparazzi tiraram mais cedo, não demorou para conseguir achar uma matéria.

“CANDIDS: em San Francisco, na Califórnia.

A Miss World foi vista hoje (15) passeando pelo Westfield San Francisco Centre, na Califórnia, com sua irmã e sobrinha. Ela foi para a cidade natal, São Francisco, depois de descobrir sobre suposta traição e anunciar pausa na sua carreira. VEJA:

[ANEXO] Fotos dela pelo shopping.”

Não conseguiu ver todas as fotos, pois recebeu um pedido de vídeo chamada bem na hora, assustando-a.
— Porra, ! Quer me matar? — Perguntou assim que viu a amiga rir da cara dela, do outro lado da tela.
— Tinha que vê sua cara, foi hilário.
— Porque liga essa hora? — se sentou na cama, ajeitando o cabelo.
— Conseguiu falar com meu irmão? Ele falou com a mãe hoje cedo, mas não intervi.
— Ele não me atende, já falei!
— Não consigo entender, sabe? O é muito apaixonado por você, não sei de onde veio essa coragem. — Bethanie apoiou o rosto com a mão e fez uma cara desacreditada.
— Acho que provoquei isso.
— Como assim? — A mulher ficou confusa, se ajeitando e prestando mais atenção na conversa. — O que você não está contando?
A cantora respirou fundo, seria a primeira vez que iria falar sobre aquele assunto em voz alta.
— Pedi um tempo antes dos shows no Canadá. — Disse rápido.
— Como é? Mas vocês não se encontraram?
— Sim, e ai aconteceu. Ele pode ter interpretado de outra maneira e ter ficado com a atriz. Não o culpo, quem pediu foi eu.
— Mas não significa que terminaram, na verdade nem sabemos se essa história toda é verdadeira.
— Eu sei, mas não quero forçá-lo! Essa bomba estourou agora e com certeza o quer um tempo para pensar também. Deixa ele.
— Vocês não querem é encarar a realidade. — jogou para a amiga, que ficou calada. Seria isso? — Olha, sorte sua que estou com sono, amanhã a gente pode se encontrar?
— Sim, combinamos quando acordar. Boa noite!

Assim que desligou a vídeo chamada, correu para o Twitter para ver o que estavam falando sobre ela. A primeira coisa que viu foi que a hastag #StayStrongMissWorld reinava no training topics da rede social, amolecendo o coração da cantora. Tinha muitas fotos da sua carreira, com fãs, letras de músicas, momentos marcantes da carreira e muitas mensagens positivas. Lágrimas involuntárias desceram pelo rosto da mulher extremamente comovida. Decidiu agradecer em 280 caracteres:

@JolieBecker: Estou tentando recompor-me, pois em algum momento me perdi. Espero estar de volta em breve, mas no momento preciso tirar um tempo dos holofotes. Obrigada pelo apoio que dão, amo vocês. ❤️ #StayStrongMissWorld
Com amor, .

Feito isso, decidiu desinstalar o aplicativo, fazendo a mesma coisa o Instagram. Se fosse para cortar o mal, que fosse pela raiz, certo?

AVISO: A ilha Moorland não existe, é inteiramente fictícia. Pela localização que criei, o território pertencente a Austrália e está localizada pelo sudeste do país, em algum lugar pelo Mar de Tasman.


Capítulo 2 - Take Two

Em algum lugar pela Austrália...


Se tivesse uma palavra para definir a cantora nesse momento seria raiva, tinha passado a última hora discutindo com a companhia aérea por de extraviado sua bagagem, e no final deu em nada. Depois de toda discussão, pensou que isso podia ser um sinal dos deuses para abandonar um pouco da vida que tinha, se queria um tempo para recomeçar, que fosse direito. Colocou seu boné e óculos de sol, pegando um táxi até o porto da cidade, lá encontrou um homem à sua espera.

— Bom dia, senhorita ! Sua tia me pediu para vir buscá-la.

No trajeto, descobriu que o nome do rapaz era e suspirou ao lembrar de outro com mesmo nome, mas deixou esses pensamentos serem levados com o vento que sentia no rosto. A Austrália era realmente muito linda, então observou todo o trajeto e ficou encantada.

Los Angeles, Estados Unidos
10:27 A.M


tinha acabado de chegar no apartamento quando sua agente chegou com seu celular, assim que pegou o eletrônico percebeu que sua irmã estava ligando.

— Oi, , saudades!
— Saudades o caralho, . Olha, estou muito puta com você, viu? Ficou louco? — Ouviu a mulher disparar do outro lado da linha e se sentou no sofá, tentando assimilar as coisas.
— Do que você está falando, criatura?
— Como assim "do que você está falando?" — Imitou a voz do irmão, que o fez rolar os olhos, por mais que ela não pudesse ver. — Acha bonito o que fez?
— Mas o que foi que eu fiz?
— A madame vai fazer a desentendida agora? — colocou as mãos na cintura, como se estivesse brigando com ele frente a frente. — Como teve a coragem de trair a ?
— QUÊ?
— Quer dizer, vocês deram um tempo, então quer dizer talvez pudesse ficar com alguém, mas continuar sendo a
, respira! — pediu levemente irritado e confuso. — Como assim traí ? Ficou louca?
— Caralho, ! Onde esteve nos últimos dias?
— Gravando feito louco. Dá para explicar essa história?
— Saiu boatos que você estava ficando com a Skye, consequentemente traindo a Miss World. — falou tão rápido que dava para ser comparado como arrancar band-aid de uma ferida.
— Como assim? Eu não estava sabendo disso.
— Pois é. E a também não, descobriu no McCoy Talk Show… Ela está arrasada.
— Eu não traí a , você sabe o quanto eu a amo e a respeito. Por que ela não me ligou?
— Primeiro você não estava atendendo ninguém e segundo que segundo ela, vocês deram um tempo, então você poderia interpretar da maneira que quisesse. — listou nos dedos, mesmo que estivesse falando por telefone.
— É um personagem complexo, estou imerso nele. Só peguei no celular para falar com mãe… — suspirou, que confusão tinha se metido? — A está com você? Preciso muito falar com ela.
— Então… Eu não sei onde ela está.
— Puta merda, !
— Era para encontrar com ela hoje de manhã, mas a garota sumiu do mapa. Maday sabe onde ela está, só não quer dizer.
— Tentou ligar?
— É óbvio?!
— Se não te atende, quem dirá eu! deve me odiar agora.
— Que confusão! — disse rindo, porém nervosa.
— Descobre onde ela está, pelo amor de Deus! — Suplicou desesperado.
— Para quê? Você sumir de novo por conta do filme?
observou sua agente dar sinal para desligar, tinha uma entrevista marcada e precisava sair em cinco minutos.
— Eu tenho que desligar agora.
— É claro que tem. — rolou os olhos, conhecendo o discurso.
— Só descobre onde ela está que faço o resto!
— ‘Tá bom.
Eles se despediram e o rapaz foi se preparar para sua entrevista.

São Francisco, Estados Unidos


não sabia o que fazer para descobrir, então decidiu ligar para o pai da melhor amiga, insistir mais uma vez.
— Você poderia parar de me ligar?
— Eu preciso saber se minha amiga está bem! — Suplicou com voz de choro e o homem por um momento pensou em ceder.
— Ela precisa de um tempo para si mesma, ok? Deixe-a.
— Me diz pelo menos onde ela está?
— Não, . Tenha um bom dia!
Foi a última coisa que ele disse antes de desligar.

soltou um ar pesado pela boca antes de desabar de vez na cama, derrotada, não sabia mais o que fazer. Passou um tempo encarando teto, até uma lâmpada acendeu em cima da sua cabeça, trazendo consigo uma ideia.
— Já sei o que fazer.

Los Angeles, Estados Unidos


Depois da entrevista, Steinfeld foi direto para o apartamento que tinha alugado e se isolou dentro do quarto, precisava assimilar tudo que estava acontecendo. Pegou o celular e decidiu ler as notícias, buscou primeiro seu nome e achou em vários sites de fofocas sobre a "suposta traição". Não tinha nada muito concreto, só algumas fotos do set e "fontes próximas dos atores afirmam está rolando algo mais entres eles." Mentira! Ele nem suportava muito a Skye, achava-a chata na maior parte do tempo, mas como estava fazendo seu par romântico, tentava deixar algo mais ameno para que o pessoal não interferisse no profissional. Depois de ler todas as calúnias, digitou " ".
Tinha uma enxurrada de notícia sobre pausa na carreira e afastamento das redes sociais. Quando parou para assistir a entrevista, seu coração despedaçou em mil pedaços, a expressão de desapontamento no rosto da mulher era clara. Não queria perdê-la. Era apaixonado demais na mocinha para pensar em trai-la. Não queria que tivesse passado por aquilo, estava triste só em pensar um como ela se sentia naquele momento.
— Droga, ! Por que você é tão burro assim?
Checou todas a ligações perdidas e percebeu que tinha enumeras da cantora, óbvio que ele não tinha visto. Pensou no que poderia fazer e a única coisa a seu alcance era ligar, quem sabe por sorte ela não o atendia?

Moonlands, Austrália


Era quase cinco horas da madrugada quando o nome "" brilhou na tela do celular da cantora, ela estava na sala assistindo alguma programação na TV com sua tia enquanto tomava sopa. Ela estava sem sono e não sabia o que fazer.
— Ele não desiste, não é mesmo? — Ouviu Amélia dizer assim que encarou a tela do celular.
— Na verdade, é a primeira vez que me liga, não sei se estou preparada para falar com ele agora. — suspirou ainda olhando para o visor, dúvida cruel: atender ou não? — já ignorei tantas ligações de hoje, principalmente da
— Vamos fazer o seguinte: — Amelia disse pegando o celular da mão da mulher. — vou ficar com isso até você achar que está pronta e decida, se quiser falar com sua mãe, só usar o telefone fixo. Estamos de acordo?
encarou a mulher a sua frente e o pequeno aparelho que estava a sua frente.
— Estamos.


Capítulo 3 - Take Three

acordou naquela manhã cansada, eram quase 11 horas e tinha dormido pouquíssimo. Estava com o famoso Jet Leg. Pegou um vestido longo florido emprestado da sua tia e foi com a mesma dá uma volta pela vila.
O céu australiano estava azul como nunca, um calor altíssimo e a cantora só pensava o quanto queria pular nas águas claras ao redor da ilha. A vila em si era extremamente fofa, as casas e comércios eram bem parecidos arquitetonicamente, possuía cores vivas, mas o que predominava mesmo era o amarelo.
Passou em algumas lojinhas para comprar algumas roupas, já estava sem nenhuma, e ficou encantada ao notar que Amélia conversava com todo mundo com tanta intimidade. Apresentou a sobrinha para todos que via pela frente “veio passar um tempo comigo” “finalmente lembrou que tem uma tia”, a cantora apenas ria de tudo e cumprimentava todo mundo.
, vem cá. — Ouviu a tia chamar do lado de fora de uma loja de acessórios que estavam, a mulher estava distraída, extremamente encantada pelos colar de conchas que a vendedora mostrou, passara tanto tempo vivendo em roupas que recebia de marcas que não lembrava de ter passado um tempo escolhendo algo sem pensar na aprovação. Quando chegou do lado de fora da loja, a mulher e um rapaz jovem e extremamente bonito encostado em uma moto, ele usava camisa social aberta até o terceiro botão e uma cala marrom que ia até a canela. — Esse é , ajuda-me sempre na fazenda.
. — A mesma apresentou-se, recendo um sorriso encantador do rapaz.
— Achei legal apresentar vocês dois, tem quase a mesma idade, vão se identificar. — Falou se afastando um pouco e a cantora entendeu bem o que ela estava tentando fazer. — Vou ali dentro conversar com Anne.
— Gostando da ilha? — O rapaz perguntou, tentando não deixar um clima estranho entre ambos.
— Sim, muito bonita. — A mulher olhou ao redor, sem querer encará-lo.
— Já foi no mar?
— Ainda não, mas quero, tem tanto tempo que não tomo um banho de mar.
— Ótimo, uns amigos então indo andar de barco mais tarde, acho legal você ir. — fez uma careta, negando com a cabeça
— Não precisa me chamar para sair só porque minha tia pediu.
— Só estou tentando te enturmar um pouco e conhecer um pouco mais daqui. — deu os ombros e a mulher sentiu-se estúpida, não fazia mal curtir um pouco e esquecer dos problemas.
— Tudo bem, então, te encontro onde?
— Passo na casa de Amélia, pode ser? — A cantora concordou com a cabeça. — Te mando uma mensagem?
— Seria legal, mas fiz um trato e estou um pouco longe da tecnologia por enquanto. — Respondeu um pouco tímida, quem em pleno 2019 não tinha celular?
— Tudo bem, às três?
— Combinado, então.
— Preciso ir, tenho umas entregas a fazer. — O rapaz se despediu subindo na moto e dando partida, deixando-a para trás.
— Biquini, preciso comprar um biquini.

[...]


passou para pegar a cantora por volta das três da tarde, como combinado, indo até o porto, o mesmo que ela tinha chegado, lá ele a apresentou para três garotas e um garoto: Agnes, Briana, Rute e Stefânio. Todos foram extremamente simpáticos e logo sentiu-se aliviada por está em boa companhia. Entraram no barco, que já os esperava e iniciaram o passeio.
sentou em um canto do barco para apreciar um pouco mais do que o vento australiano a oferecia, sentia os fios de cabelos embaraçar uns nos outros e provavelmente teria trabalho para alinha-los novamente mais tarde.
— Posso tirar uma foto sua? — Ouviu Agnes falar enquanto apontava uma câmera fotográfica em sua direção.
— Claro. — Concordou fazendo pose.
— Te achei muito fotogênica. — A fotografa disse, indo mostrar a foto. — Quero te fotografar mais vezes.
— Eu amei demais. — Tinha sido uma captura e tanto, a linha do horizonte, a paisagem maravilhosa da Austrália, no final sentia-se apenas um detalhe em meio a todo.
— Posso te mandar depois.
— Vou adorar. — Falou sorrindo e envolveram em um assunto aleatório.
Se fosse em qualquer momento diferente, com certeza estaria editando a foto para postar no Instagram, mas agora só relaxar. Depois de alguns minutos de conversar e risadas, eles pararam em meio ao mar, tinha que confessar que estava receosa por estar ali e principalmente do lado da Austrália, o local dos animais bizarros. Não demorou muito para que pulassem e entrassem no mar, menos a cantora.
— Está com medo? — Ouviu perguntar perto do barco enquanto ela estava sentada admirando o alto mar.
— Vamos dizer que seu país não tem a melhor fama. — Disse, fazendo-o ri.
— Moro aqui a minha vida toda e nunca vi nada, acredito que não será hoje que verei.
— Não está me convencendo. — Ela respondeu risonha.
— Nem estou tentando. — Ele sorriu, dando os ombros e se afastou um pouco.
deu o braço a torcer, queria aproveitar bastante, então deixou a saída que vestia no barco e saltou do mesmo para a água, sentido seu corpo ser abraçado pelas águas azuis. Ao voltar para superfície e retirar as gotas que caiam dos olhos, percebeu que estava perto o suficiente daquele que tinha a convidado para estar ali.
— Perdeu o medo? — Perguntou com um sorriso que teve certeza que a mataria por dentro.
— Só achei que valia mais apena arriscar do quer ficar no barco. — Disse rindo, fazendo-o ri também.
Segundos depois já estavam com a galera, pulando, nadando e tirando altas fotos. não sabia a quanto tempo não se esgotava de tanto diverte-se à toa, sem pensar no amanhã, entretanto estava feliz no momento que se encontrava.

Quando voltaram pro barco, definitivamente para ir embora, já tinha escurecido, agora estavam todos mais calmos e cansados, conversando sobre qualquer coisa. sentou ao lado da cantora, oferecendo-a uma garrafa de refrigerante de maçã verde, que era bastante doce por sinal.
— Obrigada. — Agradeceu ajeitando-se no banco, dando-o espaço. — Então, quer dizer que você trabalha para minha tia?
— Na verdade, trabalho com meu pai, ajudo Amélia na época de colheita. — Contou. — E você? Ela comentou que veio para poder esquecer um pouco dos problemas da vida profissional.
— Não só profissional, mas isso não importa agora. — Soltou um pouco da respiração que prendeu por instantes, antes de continuar — Sou cantora, estou aqui tentando fugir um pouco da mídia.
— Então, quer dizer que a senhorita canta? — Perguntou interessado, aproximando-se mais da mulher, que concordou com a cabeça. — Acho que sei o lugar perfeito para você, então.
— Onde? — Encarou-o curiosa, vendo-o sorri de maneira travessa.
— Primeiro queria saber se você topa jantar comigo? — Perguntou e viu a mulher desviar a atenção dele para a garrafa que segurava.
respirou fundo antes de responder.
— Devido aos acontecimentos recentes na minha vida, não sei se estou preparada para um encontro. — Respondeu sincera.
— Não estou te propondo isso, apenas comer e conversar.
— E o lugar misterioso. — Ela lembrou e ele riu.
— Isso também.
voltou a encarar e sorriu. — Fechado então.

[...]


Quando atracaram no porto, desceram tudo que tinham levado e começaram a se despedir.
— Foi um prazer conhecê-la. — Agnes falou no ouvido da cantora, quanto a abraçava.
— Digo o mesmo.
— Vai ficar na ilha por quanto tempo? — Briana perguntou.
— Não sei. — riu a própria resposta. — Mas acredito que mais alguns dias.
— Ótimo, vamos marcar de nos encontramos novamente, ok?
— Marcado já.


Quando estacionou na frente da casa da tia da cantora, ambos desceram da moto para se despedir.
— Obrigada. — disse abraçando-o, pegando-o rapaz de supressa.
— Por? — Perguntou incerto envolvendo os braços ao redor da moça também.
— Pela tarde de hoje, estava precisando.
— Quando precisar. — Disse e afastaram-se, encarando a mulher nos olhos, aqueles que estava bastante encantando desde que a viu mais cedo. — Amanhã está de pé?
— Está sim. — Afirmou fechando os olhos, sentindo o sono pesar sobre seu corpo. — Vou entrar, boa noite.
— Boa noite.
depositou um beijo no rosto da mulher, antes da mesma afastar e entrar em casa.
Assim que entrou, percebeu que sua tia estava assistindo novela no sofá, cumprimentou e passou direto para o quarto que estava ocupando, querendo tomar um banho. O que ela queria na verdade era pegar o telefone e ligar para , contar tudo que aconteceu no dia, mas lembrou-se depois que não era a hora de comunicar-se. Para não perder as memórias boas, decidiu entrar no chuveiro e revivê-los em pensamentos.


[...]


09:47 a.m.

— Corta! — ouviu o diretor gritar atrás das câmeras.
Respirou fundo, sabendo que viria reclamação, tinha acabado de errar a mesma fala pela quarta vez. Não estava conseguindo concentrar-se direito no que acontecia.
, o que está acontecendo? — O diretor disse quando estava já perto suficiente.
— Desculpa, juro que vou acertar dessa vez. — disse tentando passar confiança.
— Não vai não, recomponha-se hoje. Não quero quer ter que atrasar um dia de gravação por sua causa, isso vai encarecer o filme. — O jovem ouviu o mais velho dizer e pensou “sem pressão, não é mesmo?”. — Galera, vou dar duas horas para vocês decorarem e organizarem o estúdio para gravarmos as cenas 10, 14 e 20. — Ele disse mais alto, chamando atenção de todos. — E você, quero que recomponha-se, amanhã vamos gravar em dobro.
O ator fechou os olhos tentando assimilar tudo que aconteceu, quando foi que sua vida virou de cabeça para baixo.

Assim que entrou no seu trailer, procurou o celular para se atualizar das notícias. Ninguém tinha ideia de onde estava, sem fotos, sem tuítes, nada. Metade da internet procurava incansavelmente por uma pista, outra metade pedia que apenas parassem e a deixassem descansar. ficou em cima do muro, queria que local se escondeu, ao mesmo tempo que preferia manter distância e deixá-la respirar.

O telefone tocou tirando dos pensamentos, percebeu que era ligando e resolveu ignorar, não queria falar com ela agora. Descansou o eletrônico na mesinha de centro e sentou no sofá, puxando o roteiro com a cena que estaria gravando hoje. Porque diachos não conseguia acertar as falas? Estava decepcionado consigo mesmo, não dava para deixar os problemas de sua vida pessoal afetar a profissional. Releu todas as frases mais algumas vezes e tentou contracená-las ali mesmo, entretanto não obteve sucesso. As palavras apenas desapareciam em sua mente. Atirou o roteiro mais longe possível extremamente frustrado com a situação que se encontrava.

Um aviso de notificação do Twitter apareceu e esse ele fez questão de olhar, mas revirou os olhos ao perceber que tinha sido a irmã.

@BethanieStarfield: Alguém avisa ao @ThomasStarfield que seria superinteressante se ele atendesse a irmã? Obrigada.

O rapaz riu, mas na verdade queria matá-la. Discou o número da mesma.
Resolveu falar comigo agora? — Ouviu-a dizer irritada do outro lado da linha.
— Resolveu explanar tudo na internet agora? — Devolveu no mesmo tom.
Olha, eu só te liguei porque descobri onde a está, mas se você não está interessado, problema seu.
— Como você descobriu tão rápido? — perguntou desconfiado, porém atento.
Grace. — Ela disse rapidamente.
— Como?
Grace, a sobrinha da .
— Eu sei quem é ela, quero saber o que você fez para obrigar uma garotinha dizer informações.
Nada que um bom sorvete não resolva. — A mulher deu os ombros do outro lado da linha e ele apenas revirou os olhos.
— E onde ela está agora?
A Grace? Em casa, deixei ela lá.
— A , não a Grace.
Ah, sim. Austrália. — Disse simples.
— Como assim Austrália? Tipo, do outro lado do mundo?
Na verdade, ali do lado se você for pelo Oeste.
— Para de me irritar, . — O ator pediu com olhos fechados tentando controlar a própria respiração.
Enfim, consegui a informação. E agora o que você pensa em fazer?
— Não sei, ela está bem, não tá? — Perguntou meio incerto.
Poxa, tive um trabalhão com a garotinha só para você vim falar isso?
— O que você quer que eu faça? — alterou um pouco a voz, arrependendo-se logo em seguida.
Ir até lá? constatou o óbvio.
— Estou no meio de uma gravação de um filme, não dá para “ir até lá” — Repetiu a frase tentando imitá-la;
Foda-se o filme, . A garota largou a carreira e uma turnê mundial e tu não pode largar um filminho?
— Não é tão simples assim.
Olhe, fiz o que pediu, faça o que quiser com essa informação.




Continua...



Nota da autora: Eu voltei o mais rápido que consegui, fim de unidade é terrível e, se querem, um conselho: só façam arquitetura se forem doidas, porque sinceramente kkk Enfim, espero que tenham gostado desse capitulo, aguardo os comentários de vocês.




Outras Fanfics:
Longs:
Poison Lips [Outros/Em Andamento]

Shorts:
La Finale [Futebol/Finalizada]
Casal Hollywood [Atores/Finalizada]
The New Boss [Outros/Finalizada]

Ficstape:
02. I'll Show You [Purpose/Finalizada]


Nota da beta: Eita, sei não se curti esse Raja, hein, Giih?! Vamos ver se esse australiano vai me conquistar, hahahaha.
Qualquer erro nessa fanfic ou reclamações, somente no e-mail.


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