CAPÍTULOS: [PRÓLOGO] [01]




Última atualização: 12/04/2017

Prólogo


Um mês antes

sabia muito bem que J.A.R.V.I.S. gostava de atormentar sua vida, só que existia um limite, e o dela era colocar o som mais irritante possível de alarme pela manhã. Para sua surpresa, Steve sequer se incomodava, sempre se levantando depois de alguns momentos e se espreguiçando, devolvendo com simpatia os desejos de bom dia que o sistema lhe dava. , por sua vez, apenas puxava o lençol sobre a cabeça e posicionava o travesseiro do soldado como um escudo para que a luz que atravessava as janelas não chegasse a seu rosto, fingindo que não existia até que Steve liberasse o banheiro e dava início à operação “fazer com que saísse da cama”.
- ... – ele cantarolava, se sentando na beirada da cama, próximo o suficiente para conseguir alcançar a cintura da mulher, apertando a região com as pontas dos dedos para que ela se contorcesse – Vai, levanta ou vou deitar em cima de você. Ambos sabemos que isso nunca termina bem para nenhum dos dois...
- Mais cinco minutos – pediu em um bocejo interrompido por risadas, segurando os pulsos do homem para fazer com que ele parasse, girando o corpo para outra beirada da cama, fazendo com que ele caísse ao seu lado – E já disse que não foi minha culpa você ter caído. Você é pesado e estava me sufocando, não percebi que tinha te empurrado em direção da cômoda...
Steve riu baixo em concordância, satisfeito ao ver a mulher se encolher surpresa depois de um beijo no pescoço.
- Cinco minutos então. J.A.R.V.I.S. vai estar contando, não vai, J.? – o soldado se deu por vencido, se distanciando da mulher e logo se pondo de pé.
- Estarei, senhor.
Resmungando baixo quando já estava sozinha no quarto, esticou o braço para pegar seu celular ao lado da cabeceira da cama. Já fazia um certo tempo que o aparelho lhe fora devolvido, mas evitava mexer nele por estar sempre na companhia de alguém. Era um costume antigo seu sempre checar a Linha do Papai – um canal seguro para momentos de emergência, que impossibilitava qualquer tipo de rastreamento –, mas não fizera isso desde que voltara para a Torre depois da temporada sobre o controle da HYDRA por um simples motivo: com certeza deveria ter algumas mensagens de Tony e Clint na esperança de que ela teria conseguido fugir de quem quer que fosse seu sequestrador, e todos haviam entrado em um acordo de que era melhor ela não ouvir nada daquilo. Ainda era algo muito recente, e com a recuperação lenta que estava tendo, poderia pôr tudo a perder. Já não concordava com aquilo tudo, por isso acessou a linha na primeira oportunidade que teve.
A primeira gravação era de Clint, algo padrão e codificado. Pedia alguma forma de contato, algum sinal de que ela estava bem e em segurança. Claramente fora uma medida desesperada, já que o protocolo seria ela enviar alguma mensagem a ele, coisa que nunca aconteceu. Depois vinha uma mensagem de Tony, praticamente um mês depois de seu sequestro pelo que entendera, sem nem um pouco do tom profissional que o arqueiro tentara fingir na sua mensagem. Pela sua voz mole e arrastada, provavelmente já tinha bebido demais, e talvez tivesse a esperança que ela magicamente teria acesso àquela mensagem, retornando a ligação em seguida. Um aperto insistente em sua garganta avisou de que talvez os outros estivessem certos, que ouvir aquilo não lhe faria bem nenhum, mas mesmo assim ela continuou. Não planejava tão cedo estar em uma situação que aquele canal fosse necessário, mas era melhor manter ele limpo.
A mensagem seguinte era em um código de toques estranho que ela não entendeu em um primeiro momento, o que a fez xingar o próprio nome por aquela linha não permitir repetições, e que definitivamente não era de nenhum dos Vingadores. Com aquilo ainda fresco na memória, ela se pôs a repeti-lo, tentando reconhecer o seu padrão para decifrá-lo. Depois de repeti-lo umas cinco vezes, e aquele incômodo no peito apenas se intensificar a cada tentativa, que tanto o reconheceu como também decodificou.
Espero que você consiga um dia voltar para casa.
Era um sistema de códigos da HYDRA, tão antigo que eles sequer o usavam mais. A mensagem seguinte também apresentava o mesmo código, constituindo-se de uma sequência numérica de onze dígitos. Com a respiração travada da garganta, decorou os números, os digitando com agilidade depois de fechar aquela linha, mas não antes de garantir que aquela ligação não poderia ser rastreada. Ela apertou o botão de chamada.
Quando sua mão trêmula conseguiu finalmente levar o aparelho ao ouvido, a ligação já estava no meio do terceiro toque, sendo atendida apenas no sexto. Seu coração batendo forte contra as costelas em expectativa talvez pudesse ser ouvido do outro lado da linha, onde o silêncio predominava. Quem quer que fosse, assim como ela, também prendia a respiração, sem saber o que fazer.
- Sim? – respondeu a pessoa do lado da linha, a voz baixa e grave, com um leve ruído de sua respiração pesada batendo no microfone. no mesmo instante ofegou, levando a mão livre à boca para tentar abafar qualquer som surpreso que ainda poderia vir a produzir. Só havia uma pessoa que ela poderia esperar usar aquele código, e aquela voz ela poderia reconhecer em qualquer lugar.
- Bucky?

Capítulo 1


Como toda manhã, e Steve encontraram com Natasha e Clint em um dos corredores dos quartos, e juntos seguiram para a cozinha. Eles eram sempre os primeiros a acordarem – claramente obrigada pelo Capitão –, mas um cheiro forte de queimado que dominava o andar deixava claro que alguém acordara mais cedo que eles, e aparentemente tivera alguns problemas para preparar sua refeição.
J.A.R.V.I.S. havia aberto as portas da sacada da cozinha a pedido de Petr para tentar disfarçar o cheiro forte que dominava o ambiente enquanto tentava retirar com uma espátula quebrada a massa que grudara na frigideira. Como estava cedo demais para estar acordado e já estava ali há um bom tempo, Petr sequer conseguiria monitorar seus arredores mesmo se quisesse, já que seu sono não ajudava em nada nesse quesito. O russo apenas percebeu que estava acompanhado quando indagações divertidas chegaram aos seus ouvidos.
- Ivanov, o que diabos...? – começou Natasha, quase rindo ao ver a cara de desespero do homem, que tinha até um pouco de massa crua de panqueca nos cabelos. A mulher apenas ergueu as mãos e garantiu uma boa distância entre eles enquanto se direcionava para a geladeira – Sabe de uma coisa? Não quero saber.
- Teve um ataque aqui? – perguntou Steve rindo um pouco, mas sinceramente preocupado. Não dava para uma pessoa sozinha fazer aquela zona toda, tinha que ter mais algum envolvido. Não era humano alguém chegar àquele nível de desastre sem ajuda.
- Banner estava tentando te ajudar e perdeu a paciência? – Clint se juntou, cruzando os braços em frente ao peito e apontando para cima com o queixo – Tem algo estranho até no teto.
- Eu não chequei direito se a tampa do liquidificador estava realmente fechada... – se explicou Petr, pegando um pano que já se podia considerar imundo que estava jogado na bagunça da pia para limpar superficialmente suas mãos antes de se adiantar para sua irmã.
- Não precisava disso tudo – disse , recuando alguns passos quando percebeu o cheiro de ovo que o homem que vinha de abraços abertos exalava – Abraços apenas depois de você tomar um banho, por favor.
- Ingrata – resmungou ele, se inclinando para ao menos beijar seu rosto, aproveitando que ela abaixara a guarda para a prender em seus braços, esfregando o cabelo sujo em seu rosto – Feliz aniversário.
- Mas seu aniversário é em ag... oh – estranhou Clint, só depois entendendo a falha que cometeram: a data de agosto fora escolhida por Howard e Maria Stark para driblar a mídia, mas não se tratava da data real do nascimento de . Ela havia nascido em abril, mais especificamente naquele dia – Qual é o recorde de planejar uma festa em cima da hora?
- Sem festas – avisou , só então conseguindo se livrar do aperto do irmão e praguejando baixo mesmo que rindo – Meu aniversário para vocês é em agosto, nada mudou. Para o Pete é só alguns meses antes.
- Santo Deus, alguém tentou destruir minha cozinha?! – ofegou Tony assim que entrou no ambiente, interrompendo o sermão apenas para parar ao lado da filha e lhe beijar o rosto – Feliz aniversário, coisinha.
- Coisinha não – reclamou ela, agora sem rir – Vovó odiava quando você me chamava assim.
- É legal saber seu aniversário de verdade – continuou Tony, ignorando a filha por completo. Sua intensão era pegar alguma coisa pronta na mesa, mas desistiu assim que se lembrou quem havia preparado aquilo tudo, indo para os armários procurar algum cereal.
- É só uma data, Tony. E eu gosto de comemorar em agosto, vamos manter assim.
- Nós vamos sair em missão no aniversário dela? – comentou Natasha, agradecendo quando Steve passou para ela os copos para colocar na mesa – Viu, Clint? Eu disse que não era perseguição com você.
- Melhor presente! Acabar com a HYDRA de vez, recuperar o cetro... Estou esperando isso há um ano. Já era tempo – lembrou a aniversariante do dia, arrancando algumas risadas em concordância. quase esticara o braço para pegar a caixa de cereais que Clint acabara de se servir, mas o olhar sério de seu irmão do outro lado da mesa a fez mudar de ideia. Petr havia se esforçado para lhe fazer algo legal, o mínimo que ela podia fazer era ao menos experimentar, mesmo que isso fosse resultar em uma intoxicação alimentar mais tarde. Ela retirou a panqueca do topo da pilha e colocou em um prato, cortando um pequeno pedaço e logo colocando na boca para não desistir, seus olhos se arregalando logo em seguida – Ah meu Deus...!
- O que foi? – questionou Petr, apreensivo. Sua experiência na cozinha não era das mais extensas, e já havia queimado a língua tantas vezes provando coisas quentes demais que seu paladar estava comprometido – Está ruim?
- Pelo contrário, isso está ótimo! – mal havia terminado de mastigar o primeiro pedaço e já cortava o segundo, revirando os olhos quando o irmão resmungou um ofendido “você parece surpresa” – Mas é claro que eu estou, já viu a aparência disso e o estado da cozinha?!
- Vamos, gente – disse Steve depois de alguns minutos enquanto se levantava, checando seu relógio antes – Saímos em uma hora.
Mesmo não tendo sido chamada, terminou o resto de panqueca que ainda estava em seu prato antes de colocar o utensílio na pia, seguindo o soldado para o elevador. Ela já estava mais do que acostumada com a seriedade de Steve antes de saírem em missão, mas tinha algo diferente daquela vez. Algo que ela confirmou assim que ouviu um “sim, Stark” quando perguntou se estava tudo bem.
- Você só me chama de Stark quando estou encrencada – ponderou ela, cruzando os braços e apoiando as costas na parede de metal do elevador – O que eu posso ter aprontado nos últimos cinco minutos?
- Por que não me contou que era hoje? – choramingou Steve, seus ombros caindo ainda mais quando a russa riu divertida – Eu não comprei nada e não dá para ir procurar alguma coisa na próxima meia hora.
- Se concentre no presente de agosto, esse que conta – lembrou , ambos agradecendo J.A.R.V.I.S. depois que o sistema informara que uniformes limpos haviam sido deixados alguns minutos atrás no quarto que dividam, ela andando mais a frente quando saíram do elevador, virando minimamente a cabeça para trás antes de fazer mais um ponto – E eu quero continuar o máximo possível com vinte e cinco anos.
Steve fechou a porta às suas costas com sorriso descrente nos lábios, imitando a mulher quando ela começou a se despir. Seu uniforme limpo estava em cima de sua mesa, sendo esse o lado do quarto para qual se direcionara, jogando a calça que usava de pijama próxima a porta do banheiro antes pegar as peças de seu traje, apreciando o cheiro de limpeza que seria nada menos do que uma memória nas próximas horas.
- Qual é a diferença de ter vinte e cinco ou vinte e seis? – perguntou ele, se virando para a mulher que checava se todas as partes do seu uniforme estavam juntas sobre a cama, já que um dia quase fora obrigada a sair sem colete pela peça ter se perdido na lavanderia. Agora era um hábito de todos checar os itens com antecedência.
- Perto demais dos trinta. Não tenho maturidade para isso – respondeu a russa, tirando o celular do bolso e ligando a tela apenas para garantir que não recebera nenhuma notificação. Antes que ela pudesse jogar o aparelho sobre o colchão e terminar de se ajeitar, Steve soltou um “idade é só um número”, fazendo com que perdesse o foco e começasse a rir, jogando o aparelho sobre os lençóis esticados em seguida – Gente velha que fala isso, Rogers.
- Ei, estou perto dos cem, esqueceu? – brincou ele, seus reflexos rápidos permitindo que conseguisse pegar a peça usada que tirara em sua direção antes de seguir para o banheiro.
- Só cala a boca e vai se ajeitar logo. Vou tomar outro banho – avisou ela, deixando a porta aberta depois de passar para garantir que conseguiriam se ouvir para acertar os últimos detalhes da missão – Petr me sujou de massa e não estou a fim de ficar com esse cheiro na viagem toda.
Já faziam meses que eles tinham ciência da localização do cetro, mas não podiam tomar uma decisão precipitada e colocar em risco todo o trabalho que vieram tendo no último ano. Aquela operação requeria muito mais cuidado dos que as últimas, e tinha que ser no tempo certo. Sokovia era a última base da HYDRA de que tinham conhecimento – se tivesse mais alguma, nem a própria HYDRA sabia de sua existência –, e com certeza haveria alguns truques na manga. Afinal, nenhum dos aprimorados já conhecidos havia aparecido até o momento, além de suas habilidades ainda serem um mistério. Erros não podiam acontecer de forma nenhuma naquele momento, eles tinham que garantir aquilo.
- Fecha para mim? – pediu quando retornou do banheiro, se sentando de costas para o soldado e segurando o cabelo úmido para frente. Como ainda não haviam conseguido pensar em algo para anular a toxina no ar que fora usada na Islândia, a única medida preventiva que Tony e Bruce conseguiram pensar foi reforçar os trajes da dupla de irmãos, adicionando um segundo colete ainda mais resistente por debaixo de todas as camadas, os fechos localizados no meio das costas para garantir que eles não tentariam retirar a peça em um momento de sanidade abalada, o que resultou em muitas reclamações. Não demorou muito para que sentir Steve se posicionando próximo a ela, os dedos do soldado invés de trabalharem nos fechos, passando por debaixo da alça do colete, deslizando o material sobre o ombro desprotegido da mulher – Eu pedi para fechar, não para abrir... Temos horário para cumprir, Capitão.
- Não é como se eles fossem sair sem a gente... – lembrou ele, rindo satisfeito ao ver a mulher se encolher com a respiração batendo em pescoço – É seu aniversário e eu não comprei nada, tenho que compensar de algum jeito.
riu descrente com a sugestão, até chegando a virar o corpo para ficarem frente a frente, mas os planos de ambos foram interrompidos por batidas fortes e bem ritmadas na porta do quarto.
- Eu espero que vocês estejam se vestindo, não tirando a roupa – a voz de Clint chegou até os dois depois de ele parar de esmurrar a madeira – Alguém ainda precisa checar os veículos e isso é com vocês dessa vez.
- Para colocar o uniforme, a gente tem que tirar a roupa, Barton. E já estamos subindo – gritou a resposta, mesmo sem saber se o arqueiro chegara a lhe dar ouvidos. Steve, em contraste com seu ar risonho, não estava nem um pouco feliz. Sabia que teria volta por ter feito Clint acordar mais cedo para checar todo o equipamento na última missão para dormir mais um pouco, agora não podia nem reclamar. Seu humor só melhorara quando a risada divertida de ecoou pelo quarto assim que ele se afastou para pegar o resto de seu uniforme – Vai terminar de se vestir no quinjet?
- Nós dois vamos – corrigiu ele, mal percebendo a expressão confusa da sua colega de quarto. Além de não ter fechado seu colete, não tinha colocado nem as calças ainda, enquanto ele apenas não vestira a parte de cima do traje sobre a regata branca, seus pés já protegidos pelas botas.
- Você quer que eu saia pelo prédio seminua? Esqueceu que meu pai mora aqui?
Steve ofegou um rápido pedido de desculpas, dessa vez travando todos os fechos do colete com agilidade, até mesmo entregando os calçados da ex-espiã e a puxando pela mão para deixar o quarto. Ela tivera que parar no meio do caminho para buscar as últimas peças que ainda não vestira, mesmo sem entender o motivo da repentina pressa do soldado. Checar o equipamento a ser utilizado na missão era uma tarefa um tanto demorada e cansativa, mas ainda tinha bastante tempo de sobra, não precisavam correr com nada. Quando questionou o homem, o sorriso travesso que ele exibira já era uma pista do tipo de resposta que estava para receber.
- Quanto mais cedo terminamos, mais tempo livre vamos ter, não é?

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Toda vez que tirava a mão de apoio do banco da moto, era obrigada a ouvir seu irmão ralhando com ela na frente do veículo, já que era fácil demais ela cair depois de alguma manobra brusca de última hora, mesmo ela conseguindo prever com um pouco de antecedência as escolhas de Petr. O problema não era usar apenas uma mão para atirar, mas sim estar usando apenas uma arma quando nem duas seriam o suficiente.
Aquela missão estava contando com o elemento surpresa, e não estava exatamente dando muito certo.
A equipe estava um pouco mais afastada do que eles inicialmente planejaram, a dupla de irmãos sendo os que ficaram mais para trás, tentando controlar a situação que os integrantes mais à frente não conseguiram. Um jipe com inimigos entrou no caminho dos ex-espiões, parecendo bastante determinados a acertar o veículo a frente, que Natasha conduzia. Mesmo sabendo que a irmã não conseguiria ouvir graças a todo o barulho que os cercavam e por estar incapacitado de sinalizar com as mãos, Petr assobiou para chamar a sua atenção, esperando apenas ela se virar para frente e guardar a arma no coldre para acelerar ainda mais a moto, diminuindo a distância entre os veículos para que ela pudesse pular no jipe. O cara que atirava para todo lado sequer viu o que o atingiu antes de cair para fora do veículo, seu companheiro ao volante tendo um destino bem parecido. mal teve tempo de se preocupar com o robô da HYDRA que pulara em sua traseira e já a tinha em sua mira, visto que segundo depois Thor o despedaçara com ajuda de seu martelo. O asgardiano até chegou a perguntar se estava tudo bem, e a resposta que obteve foi a mulher erguendo o braço direito o mais alto que conseguia para apontar para a torre de vigia cheia de atiradores, algo que ele logo tratou de dar conta.
passou então a brincar de “atropelar o máximo de pessoas possível”, rindo sozinha ao pensar que tirariam sua carteira de motorista para sempre se comentasse aquilo quando fosse renovar sua licença, não demorando muito para que alguém pedisse que ela focasse em seu trabalho. Por pura birra, não comentou o fato de todos, na mais perfeita sincronia, terem pulado ao mesmo tempo de uma falha funda demais no terreno, o que forçou ela, assim como Clint e Natasha, a abandonarem os jipes e partirem para luta direta no solo.
Alguém precisava ter registrado aquele momento.
- Merda! – seu pai praguejando chegou a seus ouvidos instantes mais tarde, parecendo ter colidido com alguma coisa.
- Olha a língua! – a repreensão de Steve veio logo em seguida, mentalmente conseguindo ver revirar os olhos mesmo ela estando alguns bons metros atrás – J.A.R.V.I.S., qual a visão daí de cima?
- O prédio central está protegido por algum tipo de escudo de energia. A tecnologia do Strucker vai além de qualquer outra base da HYDRA que tomamos.
- Ele estava nos esperando – comentou , tendo que se inclinar para trás no último segundo para não ser atingida pelo martelo voador que Thor convocava, seguindo com os olhos o trajeto da arma para repreender o deus – Cara, cuidado!
- O cetro está aqui – disse Thor, depois de brevemente se desculpar com a colega – Strucker não conseguiria tal defesa sem ele. , consegue dizer?
- Longe demais, porém capaz. Já disse que eu cortei relações com o cetro, não sei dizer onde ele está com tanta facilidade – explicou ela, pelo que parecia ser a terceira vez apenas naquela semana. Talvez um aviso por escrito seria mais efetivo? – Mas sim, provavelmente está. Vamos cruzar os dedos.
Alguma conversa aleatória foi iniciada em seguida, mas não prestou muita atenção, já que estava ocupada demais pensando em como derrubar o novo grupo de soldados que se aproximavam com o mínimo possível de esforço, por não ter muita noção ainda do que estavam prestes a enfrentar. Ela se lembrava de pelo menos dois aprimorados durantes suas breves visitas à base de Sokovia, e apenas tinha um conhecimento superficial sobre as habilidades de um deles, estavam andando em um território mais do que hostil.
- É, acho que perdemos o elemento surpresa – o comentário de Clint foi a primeira coisa que ela registrou depois de finalizar com o grupo, já tendo novos amiguinhos para brincar antes mesmo de soltar o braço recém quebrado do último inimigo que derrubara. Sua concentração estava bem direcionada até aquele momento, ela logo se dispersando quando seu pai resolveu quebrar seu recorde pessoal de tempo em silêncio.
- Espera, ninguém vai comentar que o Capitão disse “olha língua”?
O soldado que lutava com a mulher não teve muito tempo para estranhar sua oponente gargalhar brevemente, já que mesmo com a distração, ela não interrompeu a luta e logo o nocauteou.
- Eu tenho que ficar quieta – se explicou, aproveitando a pequena pausa para procurar Steve com os olhos – Caso contrário ele me acusa de perseguição.
- Escapou... E eu não faço isso – emendou Steve, assim que ouviu um “aham, sei” da colega, estranhando quando ela não retrucou. Inconscientemente, ele tentou a localizar nos arredores, temendo que ela tivesse sido atingida ou algo do tipo – Ás?
- A cidade vai ser atingida – alertou ela, J.A.R.V.I.S. em seguida emendando que a resposta ofensiva da HYDRA estava colocando civis em risco. A Legião de Ferro logo foi acionada, momentaneamente se distraindo com a reação negativa da população, quando voltou a prestar atenção no que devia, o cenário que estava inclusa estava um pouco mais estranho, uma presença diferente – Epa... Um aprimorado. Gente, é o velocista.
- Localização?
- Não dá para dizer quando ele não fica em um lugar, não é mesmo? – respondeu ela, levemente mal-humorada com a pergunta até que pertinente de seu irmão, sua postura mudando drasticamente quando conseguiu travar um possível trajeto do aprimorado, chutando até com mais força do que o necessário o rosto de um dos soldados – Gavião, está da sua área...! Barton, o bunker!
Natasha, que estava mais próxima, gritou pelo colega ao presenciar ele sendo atingido e saiu em seu auxílio.
- Rogers, talvez ele esteja indo para o seu lad... Já te atingiu – tentara mais um aviso, desistindo ao perceber que mais uma vez estava atrasa. Até aquele momento ela nunca percebera que sua fala não fora aprimorada com o resto de suas habilidades, que aquela limitação estúpida de produzir um som apenas depois do outro não permitia que acompanhasse seus sentidos mais rápidos que o normal.
- Obrigado pela tentativa, Ás – ofegou Steve, sem poder se dar ao luxo de parar por um segundo, já tendo que voltar para a luta. Os esforços de todos em manter as brigas próximas estavam surtindo efeito, já que agora ele, Thor e estavam praticamente dividindo a mesma luta, em um momento ou outro até conseguindo dar suporte entre eles. Sem trocar uma palavra sequer, Steve em um momento lançara seu escudo em direção às costas da mulher, que se abaixou no último instante para dar uma rasteira em outro soldado, já que o Capitão se encarregara de finalizar o anterior com quem ela lutava – Stark, precisamos entrar.
Minutos mais tarde, Tony comunicou que tinha derrubado o campo de energia, tempo o suficiente para o trio conseguir controlar momentaneamente a situação, até respirando um pouco enquanto se preparavam para continuar.
- O aprimorado, é o que você conhece? – questionou Thor, quando finalmente se aproximou do grupo com seus passos arrastados, já que não entraria em um combate de imediato, podendo se ocupar em tirar do cabelo alguns galhos que agora se confundiam com os fios presos na altura da nuca.
- Duvido que exista outro como ele, e espero que não exista.
- De nossos novos inimigos, nunca vi algo igual – comentou Steve, um tom brincalhão em sua voz que praticamente passou despercebido graças a sua postura mais séria de Capitão – Na verdade, eu não vi.
- Gente, o Clint está mal – comunicou Natasha, obrigando o trio a mudar de assunto – Vai precisar de extração, e o Petr está ocupado.
- Eu levo Barton para o jato, quanto antes melhor – disse o asgardiano, junto com os outros dois acompanhando a movimentação de um numeroso grupo de soldados, aproveitando a dupla apenas assentindo para determinar a estratégia dali para frente – Ivanov consegue controlar a situação aqui enquanto isso. Vocês e o Stark pegam o cetro.
- Entendido.
- Eles estão em formação de novo – comentou Thor, já girando o martelo em sua mão, assim como Steve erguera seu escudo na altura da cabeça. , em contrapartida, recusou dois passos – Milady, tampe os ouvidos.
A mulher sabia que não surtiria muito efeito, mas obedeceu mesmo assim, apenas por desencargo de consciência. O eco dos metais colidindo, mesmo que a energia direcionada para uma direção oposta à sua, sempre dava uma abalada em seus sentidos sensíveis, sendo necessário um segundo ou dois para que pudesse voltar a ação.
- Encontrem o cetro – Thor repetiu mais uma vez, apenas levantando voo quando fez com a mão que tinha entendido. Ela apenas voltou por inteiro ao normal quando a voz de seu pai voltou a ecoar em seu ouvido, tendo que buscar apoio no ombro de Steve enquanto ria.
- E pelo amor de Deus, olha a língua!
- Isso não vai parar tão cedo... – resmungou o soldado, delicadamente empurrando a mulher ao seu lado para que ela acompanhasse a corrida nem tão leve que precisavam iniciar.
- Isso sim é perseguição, coração.
O caminho até o prédio não era tão longe, mas, com uma ou outra interferência no trajeto, e Steve só chegaram em seu destino quando a situação já estava parcialmente sob controle, pelo menos no lado de fora. Clint já estava seguro no quinjet com Thor, Natasha já estava a caminho do seu show do dia, com Petr próximo apenas por precaução, monitorando os arredores apenas para caso algum desgarrado não fosse parado pela Legião de Ferro. Tony, por sua vez, já estava revirando o prédio quando eles chegaram, agora só precisavam se dividir.
- Quer tirar no impar ou par...? – sugeriu Steve, retirando seu capacete no meio tempo – Ou consegue dizer onde Strucker está?
- Ímpar – disse a mulher, mal prestando atenção no jogo enquanto reclamava mentalmente por não conseguir distinguir a energia que Strucker transmitia. Ela era muito boa em memorizar presenças, mas dois encontros rápidos, sendo com seu organismo levemente alterado, era demais até para ela – Certo, eu vou para a ala leste. Vou manter um olho no seu lado.
Steve apenas concordou e eles logos se dividiram, não demorando muito para que ele anunciasse que estava com o Barão, o que fez com que mudasse o foco de sua procura: de alguma forma, precisava pensar em um meio de encontrar aquele maldito cetro. Até o momento a mulher não sabia dizer se era ela que estava bloqueando o cetro ou a situação contrária, e, de alguma maneira, nenhuma parecia muito boa. Pelos níveis elevados de sua impaciência, o melhor era poder localizar a maldita arma e terminar aquilo de uma vez.
- , você não estava me monitorando? – depois do tom um tanto impaciente, a segunda coisa que ela estranhou foi ser chamada pelo primeiro nome, algo que Steve evitava com bastante sucesso durante as missões, normalmente se limitando ao seu codinome, já que os homens de sua família tinham prioridades ao sobrenome – Acabei de ser apresentado ao segundo aprimorado, e dessa vez eu vi. É a garota. Completamos os gêmeos. Não ataquem.
- Tenho o pressentimento que não estou sentindo a presença dela – confessou ela, depois de praguejar baixo e se direcionar para a área onde sentia a presença do soldado – Isso pode vir a ser bem problemático...
- Thor, estou com os olhos no prêmio – anunciou Tony, sem saber que praticamente fizera sua filha tropeçar no ar de ansiedade – , se quiser vir para cá para deslocamento mais seguro, já agradeço.
A russa mudou seu trajeto logo em seguida, passando a correr com mais empenho ao notar algumas mudanças no comportamento do pai, algo para o qual ela não encontrou explicação em um primeiro momento. Apenas quando se concentrou um pouco mais que ela notou que Tony não estava sozinho, que pelo menos uma presença ela sentia e reconhecia, outra já parecia quase um fantasma de tão oscilante.
- Stark? – chamou com desespero, optando por ignorar os outros colegas que pediam atualização de status, rapidamente trocando para uma linha particular, apenas para aquela sensação de algo estar errado quando o silêncio de Tony continuou – Droga! Pai? O velocista está aí.
Quando já descia apressada as escadas atrás da passagem secreta, Tony apareceu nos últimos degraus com o cetro na mão protegida pela luva da armadura, um pouco mais sério do que de costume. Por algum motivo que ela não conseguia ler, ele estava tenso, até mesmo parecia um pouco abalado. Ao ser questionado pelo seu estado, Tony em primeiro momento tentou desconversar, mas diante da insistência da filha, pediu que ela fizesse a varredura do local de onde ele acabara de sair. estava prestes a ralhar com o pai quando notou algo curioso e grande na sala secreta, atendendo assim o pedido do pai.
Assim que ficou de frente com a carcaça daquela criatura que ela sequer sabia o nome, compreendeu o estado do pai. Ela sequer havia participado da batalha propriamente dita, e, mesmo apenas tendo aparecido em NY depois da situação controlada e por pouco tempo, dizer que estava desconfortável era o mínimo. Tony ainda tivera muito mais contato do que ela, todo o incidente com o míssil e o portal em que ele quase ficara preso, era compreensível seu estado. Até a russa teve dificuldades de continuar seu trabalho, analisando o ambiente com o máximo de concentração que conseguira juntar. Depois da tarefa concluída, Tony já não estava mais na sala ao lado, tendo seguido para nave para deixar o cetro em um local seguro.
Assim que voltaram para o quinjet, todos já estavam prontos para retornarem para a Torre, logo voltando para o ar. No caminho até a cadeira do piloto para falar com o pai, passara carinhosamente a mão pelo cabelo de Bruce ao passar ao seu lado, conseguindo sem dificuldade identificar a música alta que saia de seus fones. Tony parecia bastante ocupado programando a rota da viagem, não dando respostas maiores do que de uma palavra quando ela pedia alguma informação. Sua postura estava um pouco mais tensa do que costumava ficar depois de uma missão, mas, como ele não parecia estar muito afim de papo, optou por deixar esse assunto para mais tarde, indo se juntar a Thor e Steve depois de checar como estava Clint, sob os cuidados de Natasha e Petr.
O cetro estava dentro de uma caixa de vidro resistente para garantir que ninguém tocaria a arma por acidente, já que ainda não sabiam como ela funcionava. teve que agradecer mentalmente por seu irmão e Steve estarem distraídos demais para notar sua breve hesitação quando o brilho da pedra oscilou provavelmente pela sua presença, como se reconhecesse um velho amigo – mesmo que de amigos eles não tivessem nada. Pouquíssimas vezes e o cetro dividiram o mesmo espaço, e todas trouxeram consequências catastróficas. Seu lado mais medroso temia que algo desandasse também naquela ocasião, mas ela sabia que agora era diferente. Tinha que ser.
- , nem sonhe – alertou Tony ao parar ao lado do asgardiano, a concentração com que sua filha encarava a arma começando a incomodar. Tinha uma boa confiança nem , mas não podia negar que ela poderia perder a noção por um momento e se deixar levar pela curiosidade. O engenheiro sentia que ela era uma peça importante para descobrir como o cetro funcionava, só que não parecia uma ideia muito inteligente fazer aquilo no ar.
- Não acredito que seria algo arriscado, mas estou cansada demais para tentar alguma coisa – explicou a russa ao pai, mesmo que seus olhos não desviassem do brilho azul da arma – Estou realmente apenas olhando.
- É bom, não é? – continuou Tony para os dois homens, que também observavam o cetro, embora com menos vontade do que a ex-espiã – Estamos atrás disso desde a queda da S.H.I.E.L.D.... Não que eu não goste das nossas missões em conjunto.
- Não, mas isso encerra tudo.
- Assim que descobrirmos para que foi usado – lembrou Steve, emendando o comentário de Thor – Não falo só de armas.
- Armas deveria ser a minha jurisdição, mas eu também não compreendo como – soltou Tony cansado – Banner e eu vamos examiná-lo antes de devolver para Asgard. Tudo bem para você? Só alguns dias até a festa de despedida. Você vai ficar, não vai, T-Hammer?
- Sim, ficarei – garantiu o asgardiano, sorrindo com a ideia – A vitória deve ser honrada com festividades.
- É, quem não gosta de festa? – começou Tony, seu tom de voz deixando claro que iria implicar com alguém, e o alvo não costumava variar muito – Capitão?
- Espero que isso ponha um fim nos Chitauri e HYDRA – disse Steve sério, não conseguindo manter o semblante ao ouvir resmungar um “você deve ser divertido à beça em festas” – Então sim, festa.
- ? – Tony se virou para a filha – Vai ser pelo seu aniversário também. Uma menção honrosa, já que você quer manter a data de agosto.
- Wilson não me chama de Party Hard por nada – respondeu ela risonha, dando alguns tapinhas no ombro do pai enquanto se afastava do grupo – Vou tirar um cochilo enquanto a gente não chega, me chamem se precisarem de mim.
Acabou que mal dormira no restante do trajeto. Clint passara todo o percurso também acordado, e ela acabou por lhe fazer companhia enquanto os outros descansavam um pouco. A nave apenas ficou movimentada quando estava prestes a pousar na Torre, Natasha e Petr a postos para levar o arqueiro para o laboratório de Bruce, onde a Dr.ª Cho estava acomodada naquela visita, com o próprio Bruce os seguindo mais atrás e sem tanta pressa. Thor saíra logo em seguida, com a caixa do cetro nos braços, rumando para o laboratório de Tony, onde os estudos seriam realizados pelos próximos dias, deixando apenas o trio a bordo. Tony terminava de desligar o quinjet e Steve organizava os materiais médicos que foram usados, jogando uma embalagem pela metade de gaze em para que ela acordasse, segundos antes de Maria Hill subir a bordo, seu tablet contra o peito.
- O laboratório está pronto, chefe.
- Na verdade, ele é o chefe – corrigiu Tony, levantando da cadeira do piloto com cuidado, já que estava naquela posição há muito tempo – Eu só pago por tudo, e crio tudo, e faço todo mundo parecer mais legal.
- Ei, eu também ajudo – resmungou no meio de um bocejo, esticando os braços o máximo possível para trás de sua cabeça até ouvir o estralo alto, seu ombro relaxando com o alívio momentâneo. Ela já deveria saber que deitar naquele banco era uma péssima ideia.
- Strucker? – disse Steve, parando ao lado da ex-agente para receber mais informações enquanto seguiam para fora da nave.
- Está com a OTAN.
- Os aprimorados?
- Pietro e Wanda Maximoff.
- Falei que era outro Peter – riu ao alcançar a dupla. Por ter tido sua mente desestabilizada pelo cetro depois de conhecer o garoto, ficara difícil se lembrar de seu nome. Pelo menos não viajara tanto em dizer que era uma das variantes de Peter, assim como o nome de seu irmão.
- Gêmeos. Órfãos aos dez anos quando um míssil atingiu o prédio deles – continuou Hill, se saindo muito bem na sua tarefa de ignorar a mais jovem dos Stark, como já era de costume – Sokovia tem um passado difícil. O lugar não tem nada de especial, mas os países em volta, sim.
- O que temos sobre as habilidades deles? – questionou Steve.
- Ele tem metabolismo acelerado, homeostase térmica aprimorada. O lance dela já é interferência neural, telecinese, e manipulação mental.
Hill educadamente respeitou o turno de seu interlocutor na conversa, mas um breve silêncio confuso se instalou. Steve até chegou a olhar para em busca de termos mais simples e compreensíveis para leigos, apenas para vê-la também assumir uma expressão confusa, mas por não conseguir encontrar uma forma menos elaborada para explicar de imediato.
- Ele é rápido e ela é estranha – concluiu Hill, logo concordando com a escolha de palavras da secretária.
- Bem, eles vão aparecer de novo – suspirou o soldado, sinalizando para que a namorada entrasse primeiro no elevador.
- Aqui diz que eles foram voluntários para os experimentos do Strucker – comentou Hill, os olhos passando rapidamente pelas informações no tablete que carregava – É loucura.
- Com licença que dois dos Vingadores foram voluntários para os experimentos, mais respeito, por favor – resmungou ofendida, mal tendo tempo de pedir apoio ao homem ao seu lado porque ele já emendou em seu comentário:
- Que tipo de monstro deixaria um cientista alemão fazer experiência em si mesmo para proteger o seu país?
institivamente levou uma mão a boca, não conseguindo comprimir a risada debochada que lhe subiu pela garganta. Ela já amava aquele homem por inúmeros motivos, aí ele ainda vinha com aquele tipo de comentário e com aquela frieza bem controlada apenas para fazer com que ela se sentisse ainda mais orgulhosa da escolha que fizera.
- Não estamos em guerra, Capitão – Hill tentou consertar seu comentário infeliz, mas tudo que conseguiu foi um “eles estão” da dupla antes das portas do elevador se fecharem.
- Eu poderia te beijar até amanhã por ter abaixado a bola dela – comentou depois de um tempo, finalmente se permitindo rir. Tinha que agradecer aos céus por sua boa memória e pela imagem da Hill contrariada que não se desfaria tão cedo. Steve, por outro lado, não pareceu compreender logo de cara o comportamento da namorada.
- Você parece que ficou mais irritada com a Hill do que eu.
- Não confio nela para qualquer situação. Aquela mulher era o braço direito do Diretor da S.H.I.E.L.D. e tem zero empatia, uma visão fechada e egocentrista demais para tal cargo – explicou a mulher, se apoiando na parede às suas costas – Nunca entendi como ela chegou a tal lugar.
- Nunca tinha reparado nisso – confessou Steve, repassando mentalmente algumas memórias que tinha da antiga agente. Sempre soube que não se dava muito bem com ela, mas nunca chegara a sair em busca de um motivo. Sendo bem sincero, era fácil demais ela pegar birra com alguém e vice-versa, então nem dava muito para se sentir culpado por não ter procurado se informar mais sobre o relacionamento das duas.
Como o silêncio se manteve por mais um tempo, Steve logo assumiu que o assunto anterior havia sido finalizado, já que parecia ter aberto mão de seu turno na conversa, sendo assim, havia todo um leque de possibilidades a sua disposição, mesmo o que o soldado tinha em mente não envolvesse exatamente fala. A mulher não pareceu entender de imediato suas intenções quando ele parou bem próximo a ela, seu olhar baixo travado em seus olhos confusos.
- Temos assuntos pendentes que não estou muito afim de manter em espera – lembrou ele, assistindo com cuidado a compreensão se apossar do rosto da ex-agente – J.A.R.V.I.S., mantenha o caminho limpo para nós.
- Pelo amor de Deus, Rogers! – ofegou risonha, em sincronia com o aviso do sistema de que o corredor até o quarto compartilhado estava seguro – Tenho quase certeza que você também tirou um cochilo no caminho de volta, mas você não quer, sei lá, tomar um banho e dormir?
- Gostei da ideia do banho... Essa missão nem foi tão pesada, e Super Soldado, lembra? – insistiu ele, a voz tão baixa que apenas a audição sobre-humana da mulher poderia registrar, o sorriso sugestivo dele inconscientemente se espelhando em seus próprios lábios – Não é tão fácil assim me cansar.
chegou a rir descrente e balançar a cabeça apenas para fazer graça. As mãos do soldado estavam apoiadas na parede do elevador à suas costas, seu corpo preso entre os braços ainda protegidos pelo uniforme – não que ela estivesse planejando fugir ou algo do tipo. Aproveitando da proximidade, ela apenas inclinou a cabeça minimamente para frente, já sendo capaz assim de capturar o lábio do homem, que interpretou aquele sinal como permissão para iniciar o beijo que estava esperando desde que embarcaram de volta para casa, horas atrás. Seu peito vibrou com uma risada profunda ao ouvir ofegar surpresa quando ele encaixou uma mão da parte de trás de seu joelho, fazendo com que instintivamente suas pernas se fechassem ao redor da cintura dele.
- Não é muito minha cara fugir de um desafio, não é? – brincou ela, praguejando baixo quando Steve mudou os lábios para seu pescoço, agradecendo por todo seu peso agora ser responsabilidade dele, visto que o homem abraçar sua cintura com mais empenho e murmurando contra seu ouvido chegava bem perto de ser crueldade.
- Feliz aniversário, doll.

Continua...



Nota da autora: Eu ia falar que olha como TRS2 já começa toda amorzinho, mas aí lembrei que tem cena de luta de cara no primeiro capítulo, achei ofensivo. Adoro cenas de luta, mas cumpri minha cota só no final de TRS1 e no começo desse ano, preciso de um tempo. MAS CEIS JÁ PEGARAM O CLIMA QUE ESSA FIC VAI SEGUIR, NE? Quem não gosta do Steve saidinho pode desistir de TRS agora porque é o que não vai faltar. Quase um ano de relacionamento estável (da forma deles e do jeito que o cenário permite, claro), ele já perdeu toda vergonha que ainda podia ter.
E algo que ceis perceberam com certeza foi a diminuição do tamanho do capítulo, e foi por um simples motivo: se eu fosse continuar com a média de TRS1, a gente acabava AOU em dois ou três capítulos. Por isso estamos voltando aos capítulos menores, e quem sabe assim eu consiga manter um ritmo de att legal o ano todo – mas não estranhem se voltar a ficar gigantão, ceis sabem que eu me empolgo fácil.

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