CAPÍTULOS: [PRÓLOGO] [01] [02]




Última atualização: 03/05/2017

Prólogo


Um mês antes

sabia muito bem que J.A.R.V.I.S. gostava de atormentar sua vida, só que existia um limite, e o dela era colocar o som mais irritante possível de alarme pela manhã. Para sua surpresa, Steve sequer se incomodava, sempre se levantando depois de alguns momentos e se espreguiçando, devolvendo com simpatia os desejos de bom dia que o sistema lhe dava. , por sua vez, apenas puxava o lençol sobre a cabeça e posicionava o travesseiro do soldado como um escudo para que a luz que atravessava as janelas não chegasse a seu rosto, fingindo que não existia até que Steve liberasse o banheiro e dava início à operação “fazer com que saísse da cama”.
- ... – ele cantarolava, se sentando na beirada da cama, próximo o suficiente para conseguir alcançar a cintura da mulher, apertando a região com as pontas dos dedos para que ela se contorcesse – Vai, levanta ou vou deitar em cima de você. Ambos sabemos que isso nunca termina bem para nenhum dos dois...
- Mais cinco minutos – pediu em um bocejo interrompido por risadas, segurando os pulsos do homem para fazer com que ele parasse, girando o corpo para outra beirada da cama, fazendo com que ele caísse ao seu lado – E já disse que não foi minha culpa você ter caído. Você é pesado e estava me sufocando, não percebi que tinha te empurrado em direção da cômoda...
Steve riu baixo em concordância, satisfeito ao ver a mulher se encolher surpresa depois de um beijo no pescoço.
- Cinco minutos então. J.A.R.V.I.S. vai estar contando, não vai, J.? – o soldado se deu por vencido, se distanciando da mulher e logo se pondo de pé.
- Estarei, senhor.
Resmungando baixo quando já estava sozinha no quarto, esticou o braço para pegar seu celular ao lado da cabeceira da cama. Já fazia um certo tempo que o aparelho lhe fora devolvido, mas evitava mexer nele por estar sempre na companhia de alguém. Era um costume antigo seu sempre checar a Linha do Papai – um canal seguro para momentos de emergência, que impossibilitava qualquer tipo de rastreamento –, mas não fizera isso desde que voltara para a Torre depois da temporada sobre o controle da HYDRA por um simples motivo: com certeza deveria ter algumas mensagens de Tony e Clint na esperança de que ela teria conseguido fugir de quem quer que fosse seu sequestrador, e todos haviam entrado em um acordo de que era melhor ela não ouvir nada daquilo. Ainda era algo muito recente, e com a recuperação lenta que estava tendo, poderia pôr tudo a perder. Já não concordava com aquilo tudo, por isso acessou a linha na primeira oportunidade que teve.
A primeira gravação era de Clint, algo padrão e codificado. Pedia alguma forma de contato, algum sinal de que ela estava bem e em segurança. Claramente fora uma medida desesperada, já que o protocolo seria ela enviar alguma mensagem a ele, coisa que nunca aconteceu. Depois vinha uma mensagem de Tony, praticamente um mês depois de seu sequestro pelo que entendera, sem nem um pouco do tom profissional que o arqueiro tentara fingir na sua mensagem. Pela sua voz mole e arrastada, provavelmente já tinha bebido demais, e talvez tivesse a esperança que ela magicamente teria acesso àquela mensagem, retornando a ligação em seguida. Um aperto insistente em sua garganta avisou de que talvez os outros estivessem certos, que ouvir aquilo não lhe faria bem nenhum, mas mesmo assim ela continuou. Não planejava tão cedo estar em uma situação que aquele canal fosse necessário, mas era melhor manter ele limpo.
A mensagem seguinte era em um código de toques estranho que ela não entendeu em um primeiro momento, o que a fez xingar o próprio nome por aquela linha não permitir repetições, e que definitivamente não era de nenhum dos Vingadores. Com aquilo ainda fresco na memória, ela se pôs a repeti-lo, tentando reconhecer o seu padrão para decifrá-lo. Depois de repeti-lo umas cinco vezes, e aquele incômodo no peito apenas se intensificar a cada tentativa, que tanto o reconheceu como também decodificou.
Espero que você consiga um dia voltar para casa.
Era um sistema de códigos da HYDRA, tão antigo que eles sequer o usavam mais. A mensagem seguinte também apresentava o mesmo código, constituindo-se de uma sequência numérica de onze dígitos. Com a respiração travada da garganta, decorou os números, os digitando com agilidade depois de fechar aquela linha, mas não antes de garantir que aquela ligação não poderia ser rastreada. Ela apertou o botão de chamada.
Quando sua mão trêmula conseguiu finalmente levar o aparelho ao ouvido, a ligação já estava no meio do terceiro toque, sendo atendida apenas no sexto. Seu coração batendo forte contra as costelas em expectativa talvez pudesse ser ouvido do outro lado da linha, onde o silêncio predominava. Quem quer que fosse, assim como ela, também prendia a respiração, sem saber o que fazer.
- Sim? – respondeu a pessoa do lado da linha, a voz baixa e grave, com um leve ruído de sua respiração pesada batendo no microfone. no mesmo instante ofegou, levando a mão livre à boca para tentar abafar qualquer som surpreso que ainda poderia vir a produzir. Só havia uma pessoa que ela poderia esperar usar aquele código, e aquela voz ela poderia reconhecer em qualquer lugar.
- Bucky?

Capítulo 1


Como toda manhã, e Steve encontraram com Natasha e Clint em um dos corredores dos quartos, e juntos seguiram para a cozinha. Eles eram sempre os primeiros a acordarem – claramente obrigada pelo Capitão –, mas um cheiro forte de queimado que dominava o andar deixava claro que alguém acordara mais cedo que eles, e aparentemente tivera alguns problemas para preparar sua refeição.
J.A.R.V.I.S. havia aberto as portas da sacada da cozinha a pedido de Petr para tentar disfarçar o cheiro forte que dominava o ambiente enquanto tentava retirar com uma espátula quebrada a massa que grudara na frigideira. Como estava cedo demais para estar acordado e já estava ali há um bom tempo, Petr sequer conseguiria monitorar seus arredores mesmo se quisesse, já que seu sono não ajudava em nada nesse quesito. O russo apenas percebeu que estava acompanhado quando indagações divertidas chegaram aos seus ouvidos.
- Ivanov, o que diabos...? – começou Natasha, quase rindo ao ver a cara de desespero do homem, que tinha até um pouco de massa crua de panqueca nos cabelos. A mulher apenas ergueu as mãos e garantiu uma boa distância entre eles enquanto se direcionava para a geladeira – Sabe de uma coisa? Não quero saber.
- Teve um ataque aqui? – perguntou Steve rindo um pouco, mas sinceramente preocupado. Não dava para uma pessoa sozinha fazer aquela zona toda, tinha que ter mais algum envolvido. Não era humano alguém chegar àquele nível de desastre sem ajuda.
- Banner estava tentando te ajudar e perdeu a paciência? – Clint se juntou, cruzando os braços em frente ao peito e apontando para cima com o queixo – Tem algo estranho até no teto.
- Eu não chequei direito se a tampa do liquidificador estava realmente fechada... – se explicou Petr, pegando um pano que já se podia considerar imundo que estava jogado na bagunça da pia para limpar superficialmente suas mãos antes de se adiantar para sua irmã.
- Não precisava disso tudo – disse , recuando alguns passos quando percebeu o cheiro de ovo que o homem que vinha de abraços abertos exalava – Abraços apenas depois de você tomar um banho, por favor.
- Ingrata – resmungou ele, se inclinando para ao menos beijar seu rosto, aproveitando que ela abaixara a guarda para a prender em seus braços, esfregando o cabelo sujo em seu rosto – Feliz aniversário.
- Mas seu aniversário é em ag... oh – estranhou Clint, só depois entendendo a falha que cometeram: a data de agosto fora escolhida por Howard e Maria Stark para driblar a mídia, mas não se tratava da data real do nascimento de . Ela havia nascido em abril, mais especificamente naquele dia – Qual é o recorde de planejar uma festa em cima da hora?
- Sem festas – avisou , só então conseguindo se livrar do aperto do irmão e praguejando baixo mesmo que rindo – Meu aniversário para vocês é em agosto, nada mudou. Para o Pete é só alguns meses antes.
- Santo Deus, alguém tentou destruir minha cozinha?! – ofegou Tony assim que entrou no ambiente, interrompendo o sermão apenas para parar ao lado da filha e lhe beijar o rosto – Feliz aniversário, coisinha.
- Coisinha não – reclamou ela, agora sem rir – Vovó odiava quando você me chamava assim.
- É legal saber seu aniversário de verdade – continuou Tony, ignorando a filha por completo. Sua intensão era pegar alguma coisa pronta na mesa, mas desistiu assim que se lembrou quem havia preparado aquilo tudo, indo para os armários procurar algum cereal.
- É só uma data, Tony. E eu gosto de comemorar em agosto, vamos manter assim.
- Nós vamos sair em missão no aniversário dela? – comentou Natasha, agradecendo quando Steve passou para ela os copos para colocar na mesa – Viu, Clint? Eu disse que não era perseguição com você.
- Melhor presente! Acabar com a HYDRA de vez, recuperar o cetro... Estou esperando isso há um ano. Já era tempo – lembrou a aniversariante do dia, arrancando algumas risadas em concordância. quase esticara o braço para pegar a caixa de cereais que Clint acabara de se servir, mas o olhar sério de seu irmão do outro lado da mesa a fez mudar de ideia. Petr havia se esforçado para lhe fazer algo legal, o mínimo que ela podia fazer era ao menos experimentar, mesmo que isso fosse resultar em uma intoxicação alimentar mais tarde. Ela retirou a panqueca do topo da pilha e colocou em um prato, cortando um pequeno pedaço e logo colocando na boca para não desistir, seus olhos se arregalando logo em seguida – Ah meu Deus...!
- O que foi? – questionou Petr, apreensivo. Sua experiência na cozinha não era das mais extensas, e já havia queimado a língua tantas vezes provando coisas quentes demais que seu paladar estava comprometido – Está ruim?
- Pelo contrário, isso está ótimo! – mal havia terminado de mastigar o primeiro pedaço e já cortava o segundo, revirando os olhos quando o irmão resmungou um ofendido “você parece surpresa” – Mas é claro que eu estou, já viu a aparência disso e o estado da cozinha?!
- Vamos, gente – disse Steve depois de alguns minutos enquanto se levantava, checando seu relógio antes – Saímos em uma hora.
Mesmo não tendo sido chamada, terminou o resto de panqueca que ainda estava em seu prato antes de colocar o utensílio na pia, seguindo o soldado para o elevador. Ela já estava mais do que acostumada com a seriedade de Steve antes de saírem em missão, mas tinha algo diferente daquela vez. Algo que ela confirmou assim que ouviu um “sim, Stark” quando perguntou se estava tudo bem.
- Você só me chama de Stark quando estou encrencada – ponderou ela, cruzando os braços e apoiando as costas na parede de metal do elevador – O que eu posso ter aprontado nos últimos cinco minutos?
- Por que não me contou que era hoje? – choramingou Steve, seus ombros caindo ainda mais quando a russa riu divertida – Eu não comprei nada e não dá para ir procurar alguma coisa na próxima meia hora.
- Se concentre no presente de agosto, esse que conta – lembrou , ambos agradecendo J.A.R.V.I.S. depois que o sistema informara que uniformes limpos haviam sido deixados alguns minutos atrás no quarto que dividam, ela andando mais a frente quando saíram do elevador, virando minimamente a cabeça para trás antes de fazer mais um ponto – E eu quero continuar o máximo possível com vinte e cinco anos.
Steve fechou a porta às suas costas com sorriso descrente nos lábios, imitando a mulher quando ela começou a se despir. Seu uniforme limpo estava em cima de sua mesa, sendo esse o lado do quarto para qual se direcionara, jogando a calça que usava de pijama próxima a porta do banheiro antes pegar as peças de seu traje, apreciando o cheiro de limpeza que seria nada menos do que uma memória nas próximas horas.
- Qual é a diferença de ter vinte e cinco ou vinte e seis? – perguntou ele, se virando para a mulher que checava se todas as partes do seu uniforme estavam juntas sobre a cama, já que um dia quase fora obrigada a sair sem colete pela peça ter se perdido na lavanderia. Agora era um hábito de todos checar os itens com antecedência.
- Perto demais dos trinta. Não tenho maturidade para isso – respondeu a russa, tirando o celular do bolso e ligando a tela apenas para garantir que não recebera nenhuma notificação. Antes que ela pudesse jogar o aparelho sobre o colchão e terminar de se ajeitar, Steve soltou um “idade é só um número”, fazendo com que perdesse o foco e começasse a rir, jogando o aparelho sobre os lençóis esticados em seguida – Gente velha que fala isso, Rogers.
- Ei, estou perto dos cem, esqueceu? – brincou ele, seus reflexos rápidos permitindo que conseguisse pegar a peça usada que tirara em sua direção antes de seguir para o banheiro.
- Só cala a boca e vai se ajeitar logo. Vou tomar outro banho – avisou ela, deixando a porta aberta depois de passar para garantir que conseguiriam se ouvir para acertar os últimos detalhes da missão – Petr me sujou de massa e não estou a fim de ficar com esse cheiro na viagem toda.
Já faziam meses que eles tinham ciência da localização do cetro, mas não podiam tomar uma decisão precipitada e colocar em risco todo o trabalho que vieram tendo no último ano. Aquela operação requeria muito mais cuidado dos que as últimas, e tinha que ser no tempo certo. Sokovia era a última base da HYDRA de que tinham conhecimento – se tivesse mais alguma, nem a própria HYDRA sabia de sua existência –, e com certeza haveria alguns truques na manga. Afinal, nenhum dos aprimorados já conhecidos havia aparecido até o momento, além de suas habilidades ainda serem um mistério. Erros não podiam acontecer de forma nenhuma naquele momento, eles tinham que garantir aquilo.
- Fecha para mim? – pediu quando retornou do banheiro, se sentando de costas para o soldado e segurando o cabelo úmido para frente. Como ainda não haviam conseguido pensar em algo para anular a toxina no ar que fora usada na Islândia, a única medida preventiva que Tony e Bruce conseguiram pensar foi reforçar os trajes da dupla de irmãos, adicionando um segundo colete ainda mais resistente por debaixo de todas as camadas, os fechos localizados no meio das costas para garantir que eles não tentariam retirar a peça em um momento de sanidade abalada, o que resultou em muitas reclamações. Não demorou muito para que sentir Steve se posicionando próximo a ela, os dedos do soldado invés de trabalharem nos fechos, passando por debaixo da alça do colete, deslizando o material sobre o ombro desprotegido da mulher – Eu pedi para fechar, não para abrir... Temos horário para cumprir, Capitão.
- Não é como se eles fossem sair sem a gente... – lembrou ele, rindo satisfeito ao ver a mulher se encolher com a respiração batendo em pescoço – É seu aniversário e eu não comprei nada, tenho que compensar de algum jeito.
riu descrente com a sugestão, até chegando a virar o corpo para ficarem frente a frente, mas os planos de ambos foram interrompidos por batidas fortes e bem ritmadas na porta do quarto.
- Eu espero que vocês estejam se vestindo, não tirando a roupa – a voz de Clint chegou até os dois depois de ele parar de esmurrar a madeira – Alguém ainda precisa checar os veículos e isso é com vocês dessa vez.
- Para colocar o uniforme, a gente tem que tirar a roupa, Barton. E já estamos subindo – gritou a resposta, mesmo sem saber se o arqueiro chegara a lhe dar ouvidos. Steve, em contraste com seu ar risonho, não estava nem um pouco feliz. Sabia que teria volta por ter feito Clint acordar mais cedo para checar todo o equipamento na última missão para dormir mais um pouco, agora não podia nem reclamar. Seu humor só melhorara quando a risada divertida de ecoou pelo quarto assim que ele se afastou para pegar o resto de seu uniforme – Vai terminar de se vestir no quinjet?
- Nós dois vamos – corrigiu ele, mal percebendo a expressão confusa da sua colega de quarto. Além de não ter fechado seu colete, não tinha colocado nem as calças ainda, enquanto ele apenas não vestira a parte de cima do traje sobre a regata branca, seus pés já protegidos pelas botas.
- Você quer que eu saia pelo prédio seminua? Esqueceu que meu pai mora aqui?
Steve ofegou um rápido pedido de desculpas, dessa vez travando todos os fechos do colete com agilidade, até mesmo entregando os calçados da ex-espiã e a puxando pela mão para deixar o quarto. Ela tivera que parar no meio do caminho para buscar as últimas peças que ainda não vestira, mesmo sem entender o motivo da repentina pressa do soldado. Checar o equipamento a ser utilizado na missão era uma tarefa um tanto demorada e cansativa, mas ainda tinha bastante tempo de sobra, não precisavam correr com nada. Quando questionou o homem, o sorriso travesso que ele exibira já era uma pista do tipo de resposta que estava para receber.
- Quanto mais cedo terminamos, mais tempo livre vamos ter, não é?

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Toda vez que tirava a mão de apoio do banco da moto, era obrigada a ouvir seu irmão ralhando com ela na frente do veículo, já que era fácil demais ela cair depois de alguma manobra brusca de última hora, mesmo ela conseguindo prever com um pouco de antecedência as escolhas de Petr. O problema não era usar apenas uma mão para atirar, mas sim estar usando apenas uma arma quando nem duas seriam o suficiente.
Aquela missão estava contando com o elemento surpresa, e não estava exatamente dando muito certo.
A equipe estava um pouco mais afastada do que eles inicialmente planejaram, a dupla de irmãos sendo os que ficaram mais para trás, tentando controlar a situação que os integrantes mais à frente não conseguiram. Um jipe com inimigos entrou no caminho dos ex-espiões, parecendo bastante determinados a acertar o veículo a frente, que Natasha conduzia. Mesmo sabendo que a irmã não conseguiria ouvir graças a todo o barulho que os cercavam e por estar incapacitado de sinalizar com as mãos, Petr assobiou para chamar a sua atenção, esperando apenas ela se virar para frente e guardar a arma no coldre para acelerar ainda mais a moto, diminuindo a distância entre os veículos para que ela pudesse pular no jipe. O cara que atirava para todo lado sequer viu o que o atingiu antes de cair para fora do veículo, seu companheiro ao volante tendo um destino bem parecido. mal teve tempo de se preocupar com o robô da HYDRA que pulara em sua traseira e já a tinha em sua mira, visto que segundo depois Thor o despedaçara com ajuda de seu martelo. O asgardiano até chegou a perguntar se estava tudo bem, e a resposta que obteve foi a mulher erguendo o braço direito o mais alto que conseguia para apontar para a torre de vigia cheia de atiradores, algo que ele logo tratou de dar conta.
passou então a brincar de “atropelar o máximo de pessoas possível”, rindo sozinha ao pensar que tirariam sua carteira de motorista para sempre se comentasse aquilo quando fosse renovar sua licença, não demorando muito para que alguém pedisse que ela focasse em seu trabalho. Por pura birra, não comentou o fato de todos, na mais perfeita sincronia, terem pulado ao mesmo tempo de uma falha funda demais no terreno, o que forçou ela, assim como Clint e Natasha, a abandonarem os jipes e partirem para luta direta no solo.
Alguém precisava ter registrado aquele momento.
- Merda! – seu pai praguejando chegou a seus ouvidos instantes mais tarde, parecendo ter colidido com alguma coisa.
- Olha a língua! – a repreensão de Steve veio logo em seguida, mentalmente conseguindo ver revirar os olhos mesmo ela estando alguns bons metros atrás – J.A.R.V.I.S., qual a visão daí de cima?
- O prédio central está protegido por algum tipo de escudo de energia. A tecnologia do Strucker vai além de qualquer outra base da HYDRA que tomamos.
- Ele estava nos esperando – comentou , tendo que se inclinar para trás no último segundo para não ser atingida pelo martelo voador que Thor convocava, seguindo com os olhos o trajeto da arma para repreender o deus – Cara, cuidado!
- O cetro está aqui – disse Thor, depois de brevemente se desculpar com a colega – Strucker não conseguiria tal defesa sem ele. , consegue dizer?
- Longe demais, porém capaz. Já disse que eu cortei relações com o cetro, não sei dizer onde ele está com tanta facilidade – explicou ela, pelo que parecia ser a terceira vez apenas naquela semana. Talvez um aviso por escrito seria mais efetivo? – Mas sim, provavelmente está. Vamos cruzar os dedos.
Alguma conversa aleatória foi iniciada em seguida, mas não prestou muita atenção, já que estava ocupada demais pensando em como derrubar o novo grupo de soldados que se aproximavam com o mínimo possível de esforço, por não ter muita noção ainda do que estavam prestes a enfrentar. Ela se lembrava de pelo menos dois aprimorados durantes suas breves visitas à base de Sokovia, e apenas tinha um conhecimento superficial sobre as habilidades de um deles, estavam andando em um território mais do que hostil.
- É, acho que perdemos o elemento surpresa – o comentário de Clint foi a primeira coisa que ela registrou depois de finalizar com o grupo, já tendo novos amiguinhos para brincar antes mesmo de soltar o braço recém quebrado do último inimigo que derrubara. Sua concentração estava bem direcionada até aquele momento, ela logo se dispersando quando seu pai resolveu quebrar seu recorde pessoal de tempo em silêncio.
- Espera, ninguém vai comentar que o Capitão disse “olha língua”?
O soldado que lutava com a mulher não teve muito tempo para estranhar sua oponente gargalhar brevemente, já que mesmo com a distração, ela não interrompeu a luta e logo o nocauteou.
- Eu tenho que ficar quieta – se explicou, aproveitando a pequena pausa para procurar Steve com os olhos – Caso contrário ele me acusa de perseguição.
- Escapou... E eu não faço isso – emendou Steve, assim que ouviu um “aham, sei” da colega, estranhando quando ela não retrucou. Inconscientemente, ele tentou a localizar nos arredores, temendo que ela tivesse sido atingida ou algo do tipo – Ás?
- A cidade vai ser atingida – alertou ela, J.A.R.V.I.S. em seguida emendando que a resposta ofensiva da HYDRA estava colocando civis em risco. A Legião de Ferro logo foi acionada, momentaneamente se distraindo com a reação negativa da população, quando voltou a prestar atenção no que devia, o cenário que estava inclusa estava um pouco mais estranho, uma presença diferente – Epa... Um aprimorado. Gente, é o velocista.
- Localização?
- Não dá para dizer quando ele não fica em um lugar, não é mesmo? – respondeu ela, levemente mal-humorada com a pergunta até que pertinente de seu irmão, sua postura mudando drasticamente quando conseguiu travar um possível trajeto do aprimorado, chutando até com mais força do que o necessário o rosto de um dos soldados – Gavião, está da sua área...! Barton, o bunker!
Natasha, que estava mais próxima, gritou pelo colega ao presenciar ele sendo atingido e saiu em seu auxílio.
- Rogers, talvez ele esteja indo para o seu lad... Já te atingiu – tentara mais um aviso, desistindo ao perceber que mais uma vez estava atrasa. Até aquele momento ela nunca percebera que sua fala não fora aprimorada com o resto de suas habilidades, que aquela limitação estúpida de produzir um som apenas depois do outro não permitia que acompanhasse seus sentidos mais rápidos que o normal.
- Obrigado pela tentativa, Ás – ofegou Steve, sem poder se dar ao luxo de parar por um segundo, já tendo que voltar para a luta. Os esforços de todos em manter as brigas próximas estavam surtindo efeito, já que agora ele, Thor e estavam praticamente dividindo a mesma luta, em um momento ou outro até conseguindo dar suporte entre eles. Sem trocar uma palavra sequer, Steve em um momento lançara seu escudo em direção às costas da mulher, que se abaixou no último instante para dar uma rasteira em outro soldado, já que o Capitão se encarregara de finalizar o anterior com quem ela lutava – Stark, precisamos entrar.
Minutos mais tarde, Tony comunicou que tinha derrubado o campo de energia, tempo o suficiente para o trio conseguir controlar momentaneamente a situação, até respirando um pouco enquanto se preparavam para continuar.
- O aprimorado, é o que você conhece? – questionou Thor, quando finalmente se aproximou do grupo com seus passos arrastados, já que não entraria em um combate de imediato, podendo se ocupar em tirar do cabelo alguns galhos que agora se confundiam com os fios presos na altura da nuca.
- Duvido que exista outro como ele, e espero que não exista.
- De nossos novos inimigos, nunca vi algo igual – comentou Steve, um tom brincalhão em sua voz que praticamente passou despercebido graças a sua postura mais séria de Capitão – Na verdade, eu não vi.
- Gente, o Clint está mal – comunicou Natasha, obrigando o trio a mudar de assunto – Vai precisar de extração, e o Petr está ocupado.
- Eu levo Barton para o jato, quanto antes melhor – disse o asgardiano, junto com os outros dois acompanhando a movimentação de um numeroso grupo de soldados, aproveitando a dupla apenas assentindo para determinar a estratégia dali para frente – Ivanov consegue controlar a situação aqui enquanto isso. Vocês e o Stark pegam o cetro.
- Entendido.
- Eles estão em formação de novo – comentou Thor, já girando o martelo em sua mão, assim como Steve erguera seu escudo na altura da cabeça. , em contrapartida, recusou dois passos – Milady, tampe os ouvidos.
A mulher sabia que não surtiria muito efeito, mas obedeceu mesmo assim, apenas por desencargo de consciência. O eco dos metais colidindo, mesmo que a energia direcionada para uma direção oposta à sua, sempre dava uma abalada em seus sentidos sensíveis, sendo necessário um segundo ou dois para que pudesse voltar a ação.
- Encontrem o cetro – Thor repetiu mais uma vez, apenas levantando voo quando fez com a mão que tinha entendido. Ela apenas voltou por inteiro ao normal quando a voz de seu pai voltou a ecoar em seu ouvido, tendo que buscar apoio no ombro de Steve enquanto ria.
- E pelo amor de Deus, olha a língua!
- Isso não vai parar tão cedo... – resmungou o soldado, delicadamente empurrando a mulher ao seu lado para que ela acompanhasse a corrida nem tão leve que precisavam iniciar.
- Isso sim é perseguição, coração.
O caminho até o prédio não era tão longe, mas, com uma ou outra interferência no trajeto, e Steve só chegaram em seu destino quando a situação já estava parcialmente sob controle, pelo menos no lado de fora. Clint já estava seguro no quinjet com Thor, Natasha já estava a caminho do seu show do dia, com Petr próximo apenas por precaução, monitorando os arredores apenas para caso algum desgarrado não fosse parado pela Legião de Ferro. Tony, por sua vez, já estava revirando o prédio quando eles chegaram, agora só precisavam se dividir.
- Quer tirar no impar ou par...? – sugeriu Steve, retirando seu capacete no meio tempo – Ou consegue dizer onde Strucker está?
- Ímpar – disse a mulher, mal prestando atenção no jogo enquanto reclamava mentalmente por não conseguir distinguir a energia que Strucker transmitia. Ela era muito boa em memorizar presenças, mas dois encontros rápidos, sendo com seu organismo levemente alterado, era demais até para ela – Certo, eu vou para a ala leste. Vou manter um olho no seu lado.
Steve apenas concordou e eles logos se dividiram, não demorando muito para que ele anunciasse que estava com o Barão, o que fez com que mudasse o foco de sua procura: de alguma forma, precisava pensar em um meio de encontrar aquele maldito cetro. Até o momento a mulher não sabia dizer se era ela que estava bloqueando o cetro ou a situação contrária, e, de alguma maneira, nenhuma parecia muito boa. Pelos níveis elevados de sua impaciência, o melhor era poder localizar a maldita arma e terminar aquilo de uma vez.
- , você não estava me monitorando? – depois do tom um tanto impaciente, a segunda coisa que ela estranhou foi ser chamada pelo primeiro nome, algo que Steve evitava com bastante sucesso durante as missões, normalmente se limitando ao seu codinome, já que os homens de sua família tinham prioridades ao sobrenome – Acabei de ser apresentado ao segundo aprimorado, e dessa vez eu vi. É a garota. Completamos os gêmeos. Não ataquem.
- Tenho o pressentimento que não estou sentindo a presença dela – confessou ela, depois de praguejar baixo e se direcionar para a área onde sentia a presença do soldado – Isso pode vir a ser bem problemático...
- Thor, estou com os olhos no prêmio – anunciou Tony, sem saber que praticamente fizera sua filha tropeçar no ar de ansiedade – , se quiser vir para cá para deslocamento mais seguro, já agradeço.
A russa mudou seu trajeto logo em seguida, passando a correr com mais empenho ao notar algumas mudanças no comportamento do pai, algo para o qual ela não encontrou explicação em um primeiro momento. Apenas quando se concentrou um pouco mais que ela notou que Tony não estava sozinho, que pelo menos uma presença ela sentia e reconhecia, outra já parecia quase um fantasma de tão oscilante.
- Stark? – chamou com desespero, optando por ignorar os outros colegas que pediam atualização de status, rapidamente trocando para uma linha particular, apenas para aquela sensação de algo estar errado quando o silêncio de Tony continuou – Droga! Pai? O velocista está aí.
Quando já descia apressada as escadas atrás da passagem secreta, Tony apareceu nos últimos degraus com o cetro na mão protegida pela luva da armadura, um pouco mais sério do que de costume. Por algum motivo que ela não conseguia ler, ele estava tenso, até mesmo parecia um pouco abalado. Ao ser questionado pelo seu estado, Tony em primeiro momento tentou desconversar, mas diante da insistência da filha, pediu que ela fizesse a varredura do local de onde ele acabara de sair. estava prestes a ralhar com o pai quando notou algo curioso e grande na sala secreta, atendendo assim o pedido do pai.
Assim que ficou de frente com a carcaça daquela criatura que ela sequer sabia o nome, compreendeu o estado do pai. Ela sequer havia participado da batalha propriamente dita, e, mesmo apenas tendo aparecido em NY depois da situação controlada e por pouco tempo, dizer que estava desconfortável era o mínimo. Tony ainda tivera muito mais contato do que ela, todo o incidente com o míssil e o portal em que ele quase ficara preso, era compreensível seu estado. Até a russa teve dificuldades de continuar seu trabalho, analisando o ambiente com o máximo de concentração que conseguira juntar. Depois da tarefa concluída, Tony já não estava mais na sala ao lado, tendo seguido para nave para deixar o cetro em um local seguro.
Assim que voltaram para o quinjet, todos já estavam prontos para retornarem para a Torre, logo voltando para o ar. No caminho até a cadeira do piloto para falar com o pai, passara carinhosamente a mão pelo cabelo de Bruce ao passar ao seu lado, conseguindo sem dificuldade identificar a música alta que saia de seus fones. Tony parecia bastante ocupado programando a rota da viagem, não dando respostas maiores do que de uma palavra quando ela pedia alguma informação. Sua postura estava um pouco mais tensa do que costumava ficar depois de uma missão, mas, como ele não parecia estar muito afim de papo, optou por deixar esse assunto para mais tarde, indo se juntar a Thor e Steve depois de checar como estava Clint, sob os cuidados de Natasha e Petr.
O cetro estava dentro de uma caixa de vidro resistente para garantir que ninguém tocaria a arma por acidente, já que ainda não sabiam como ela funcionava. teve que agradecer mentalmente por seu irmão e Steve estarem distraídos demais para notar sua breve hesitação quando o brilho da pedra oscilou provavelmente pela sua presença, como se reconhecesse um velho amigo – mesmo que de amigos eles não tivessem nada. Pouquíssimas vezes e o cetro dividiram o mesmo espaço, e todas trouxeram consequências catastróficas. Seu lado mais medroso temia que algo desandasse também naquela ocasião, mas ela sabia que agora era diferente. Tinha que ser.
- , nem sonhe – alertou Tony ao parar ao lado do asgardiano, a concentração com que sua filha encarava a arma começando a incomodar. Tinha uma boa confiança nem , mas não podia negar que ela poderia perder a noção por um momento e se deixar levar pela curiosidade. O engenheiro sentia que ela era uma peça importante para descobrir como o cetro funcionava, só que não parecia uma ideia muito inteligente fazer aquilo no ar.
- Não acredito que seria algo arriscado, mas estou cansada demais para tentar alguma coisa – explicou a russa ao pai, mesmo que seus olhos não desviassem do brilho azul da arma – Estou realmente apenas olhando.
- É bom, não é? – continuou Tony para os dois homens, que também observavam o cetro, embora com menos vontade do que a ex-espiã – Estamos atrás disso desde a queda da S.H.I.E.L.D.... Não que eu não goste das nossas missões em conjunto.
- Não, mas isso encerra tudo.
- Assim que descobrirmos para que foi usado – lembrou Steve, emendando o comentário de Thor – Não falo só de armas.
- Armas deveria ser a minha jurisdição, mas eu também não compreendo como – soltou Tony cansado – Banner e eu vamos examiná-lo antes de devolver para Asgard. Tudo bem para você? Só alguns dias até a festa de despedida. Você vai ficar, não vai, T-Hammer?
- Sim, ficarei – garantiu o asgardiano, sorrindo com a ideia – A vitória deve ser honrada com festividades.
- É, quem não gosta de festa? – começou Tony, seu tom de voz deixando claro que iria implicar com alguém, e o alvo não costumava variar muito – Capitão?
- Espero que isso ponha um fim nos Chitauri e HYDRA – disse Steve sério, não conseguindo manter o semblante ao ouvir resmungar um “você deve ser divertido à beça em festas” – Então sim, festa.
- ? – Tony se virou para a filha – Vai ser pelo seu aniversário também. Uma menção honrosa, já que você quer manter a data de agosto.
- Wilson não me chama de Party Hard por nada – respondeu ela risonha, dando alguns tapinhas no ombro do pai enquanto se afastava do grupo – Vou tirar um cochilo enquanto a gente não chega, me chamem se precisarem de mim.
Acabou que mal dormira no restante do trajeto. Clint passara todo o percurso também acordado, e ela acabou por lhe fazer companhia enquanto os outros descansavam um pouco. A nave apenas ficou movimentada quando estava prestes a pousar na Torre, Natasha e Petr a postos para levar o arqueiro para o laboratório de Bruce, onde a Dr.ª Cho estava acomodada naquela visita, com o próprio Bruce os seguindo mais atrás e sem tanta pressa. Thor saíra logo em seguida, com a caixa do cetro nos braços, rumando para o laboratório de Tony, onde os estudos seriam realizados pelos próximos dias, deixando apenas o trio a bordo. Tony terminava de desligar o quinjet e Steve organizava os materiais médicos que foram usados, jogando uma embalagem pela metade de gaze em para que ela acordasse, segundos antes de Maria Hill subir a bordo, seu tablet contra o peito.
- O laboratório está pronto, chefe.
- Na verdade, ele é o chefe – corrigiu Tony, levantando da cadeira do piloto com cuidado, já que estava naquela posição há muito tempo – Eu só pago por tudo, e crio tudo, e faço todo mundo parecer mais legal.
- Ei, eu também ajudo – resmungou no meio de um bocejo, esticando os braços o máximo possível para trás de sua cabeça até ouvir o estralo alto, seu ombro relaxando com o alívio momentâneo. Ela já deveria saber que deitar naquele banco era uma péssima ideia.
- Strucker? – disse Steve, parando ao lado da ex-agente para receber mais informações enquanto seguiam para fora da nave.
- Está com a OTAN.
- Os aprimorados?
- Pietro e Wanda Maximoff.
- Falei que era outro Peter – riu ao alcançar a dupla. Por ter tido sua mente desestabilizada pelo cetro depois de conhecer o garoto, ficara difícil se lembrar de seu nome. Pelo menos não viajara tanto em dizer que era uma das variantes de Peter, assim como o nome de seu irmão.
- Gêmeos. Órfãos aos dez anos quando um míssil atingiu o prédio deles – continuou Hill, se saindo muito bem na sua tarefa de ignorar a mais jovem dos Stark, como já era de costume – Sokovia tem um passado difícil. O lugar não tem nada de especial, mas os países em volta, sim.
- O que temos sobre as habilidades deles? – questionou Steve.
- Ele tem metabolismo acelerado, homeostase térmica aprimorada. O lance dela já é interferência neural, telecinese, e manipulação mental.
Hill educadamente respeitou o turno de seu interlocutor na conversa, mas um breve silêncio confuso se instalou. Steve até chegou a olhar para em busca de termos mais simples e compreensíveis para leigos, apenas para vê-la também assumir uma expressão confusa, mas por não conseguir encontrar uma forma menos elaborada para explicar de imediato.
- Ele é rápido e ela é estranha – concluiu Hill, logo concordando com a escolha de palavras da secretária.
- Bem, eles vão aparecer de novo – suspirou o soldado, sinalizando para que a namorada entrasse primeiro no elevador.
- Aqui diz que eles foram voluntários para os experimentos do Strucker – comentou Hill, os olhos passando rapidamente pelas informações no tablete que carregava – É loucura.
- Com licença que dois dos Vingadores foram voluntários para os experimentos, mais respeito, por favor – resmungou ofendida, mal tendo tempo de pedir apoio ao homem ao seu lado porque ele já emendou em seu comentário:
- Que tipo de monstro deixaria um cientista alemão fazer experiência em si mesmo para proteger o seu país?
institivamente levou uma mão a boca, não conseguindo comprimir a risada debochada que lhe subiu pela garganta. Ela já amava aquele homem por inúmeros motivos, aí ele ainda vinha com aquele tipo de comentário e com aquela frieza bem controlada apenas para fazer com que ela se sentisse ainda mais orgulhosa da escolha que fizera.
- Não estamos em guerra, Capitão – Hill tentou consertar seu comentário infeliz, mas tudo que conseguiu foi um “eles estão” da dupla antes das portas do elevador se fecharem.
- Eu poderia te beijar até amanhã por ter abaixado a bola dela – comentou depois de um tempo, finalmente se permitindo rir. Tinha que agradecer aos céus por sua boa memória e pela imagem da Hill contrariada que não se desfaria tão cedo. Steve, por outro lado, não pareceu compreender logo de cara o comportamento da namorada.
- Você parece que ficou mais irritada com a Hill do que eu.
- Não confio nela para qualquer situação. Aquela mulher era o braço direito do Diretor da S.H.I.E.L.D. e tem zero empatia, uma visão fechada e egocentrista demais para tal cargo – explicou a mulher, se apoiando na parede às suas costas – Nunca entendi como ela chegou a tal lugar.
- Nunca tinha reparado nisso – confessou Steve, repassando mentalmente algumas memórias que tinha da antiga agente. Sempre soube que não se dava muito bem com ela, mas nunca chegara a sair em busca de um motivo. Sendo bem sincero, era fácil demais ela pegar birra com alguém e vice-versa, então nem dava muito para se sentir culpado por não ter procurado se informar mais sobre o relacionamento das duas.
Como o silêncio se manteve por mais um tempo, Steve logo assumiu que o assunto anterior havia sido finalizado, já que parecia ter aberto mão de seu turno na conversa, sendo assim, havia todo um leque de possibilidades a sua disposição, mesmo o que o soldado tinha em mente não envolvesse exatamente fala. A mulher não pareceu entender de imediato suas intenções quando ele parou bem próximo a ela, seu olhar baixo travado em seus olhos confusos.
- Temos assuntos pendentes que não estou muito afim de manter em espera – lembrou ele, assistindo com cuidado a compreensão se apossar do rosto da ex-agente – J.A.R.V.I.S., mantenha o caminho limpo para nós.
- Pelo amor de Deus, Rogers! – ofegou risonha, em sincronia com o aviso do sistema de que o corredor até o quarto compartilhado estava seguro – Tenho quase certeza que você também tirou um cochilo no caminho de volta, mas você não quer, sei lá, tomar um banho e dormir?
- Gostei da ideia do banho... Essa missão nem foi tão pesada, e Super Soldado, lembra? – insistiu ele, a voz tão baixa que apenas a audição sobre-humana da mulher poderia registrar, o sorriso sugestivo dele inconscientemente se espelhando em seus próprios lábios – Não é tão fácil assim me cansar.
chegou a rir descrente e balançar a cabeça apenas para fazer graça. As mãos do soldado estavam apoiadas na parede do elevador à suas costas, seu corpo preso entre os braços ainda protegidos pelo uniforme – não que ela estivesse planejando fugir ou algo do tipo. Aproveitando da proximidade, ela apenas inclinou a cabeça minimamente para frente, já sendo capaz assim de capturar o lábio do homem, que interpretou aquele sinal como permissão para iniciar o beijo que estava esperando desde que embarcaram de volta para casa, horas atrás. Seu peito vibrou com uma risada profunda ao ouvir ofegar surpresa quando ele encaixou uma mão da parte de trás de seu joelho, fazendo com que instintivamente suas pernas se fechassem ao redor da cintura dele.
- Não é muito minha cara fugir de um desafio, não é? – brincou ela, praguejando baixo quando Steve mudou os lábios para seu pescoço, agradecendo por todo seu peso agora ser responsabilidade dele, visto que o homem abraçar sua cintura com mais empenho e murmurando contra seu ouvido chegava bem perto de ser crueldade.
- Feliz aniversário, doll.

Capítulo 2


Naquela mesma noite, a maior parte dos Vingadores se reuniu no laboratório principal de Tony, não para assistir a dupla de cientista trabalhar, mas sim para garantir a segurança nacional, caso o experimento não saísse como planejado. Com o objetivo de tentar desvendar como a HYDRA estava utilizando o cetro para aprimorar pessoas, havia se voluntariado tanto para a parte técnica como para cobaia. Seu irmão não havia sofrido nenhuma mudança quando submetido àquele procedimento, mas era mais seguro que fosse ela na outra ponta dos fios. Petr não tinha tanto autocontrole como a irmã, era melhor não arriscar.
Todos assistiam a mulher andar de um lado para o outro, ajustando coisas que eles sequer conseguiam compreender, apenas cientes de que deveriam ficar atentos quando ela plugou um par de eletrodos nas têmporas, puxando a cadeira mais próxima para se sentar e ficar encarando a máquina. Os computadores que monitoravam ambos mostravam dados que apenas Tony e Bruce entendiam, ocasionalmente perguntavam algo para a russa, que se limitava a respostas curtas. Sua consciência estava fora de jogo, mas o procedimento não estava sendo exatamente uma disputa: assim como quando fora voluntária em Sokovia, o poder do cetro não lhe afetava, precisava de sua permissão, algo que em hipótese algum poderia conceder ali. tinha completa confiança em sua mente, mas sabia que o restante da equipe imediatamente esperaria uma reencenação do episódio de 2012, e aquela falta de confiança poderia vir a abalar sua concentração.
Além de que vai lá saber o que poderia ser alterado se recebesse poder da arma. Melhor deixar quieto.
Mesmo com toda boa vontade de , eles não conseguiram muitos avanços com os dados que coletaram, já que mal compreendiam nem a mulher nem a arma. Dessa forma, logo a equipe foi dispensada. e Steve passavam a maior parte do tempo organizando as informações que adquiriam nos últimos meses, garantindo que não haviam deixado nada para trás. Ocasionalmente, Clint, Natasha e Petr se ofereciam para ajudar, embora o russo da equipe na verdade passasse a maior parte do dia na academia com Thor. Bruce e Tony ficavam no laboratório principal, tentando aproveitar da melhor maneira que podiam o pouco tempo que tinham com o cetro, já que ele seria devolvido para Asgard no domingo.
- Você não vai incluir mesmo a ? – perguntou Bruce no dia seguinte, depois de ver mais uma simulação falhar – Ela entende isso tudo mais do que nós dois juntos.
- Conheço minha filha, ela vai ser a primeira dizer não – suspirou Tony, quase deitando em cima das folhas espalhadas pelo chão em que ele trabalhava – E ela está apenas fingindo que quer colaborar com o cetro, na verdade tudo que ela quer é ele bem longe daqui.
- Acha que ela estava fingindo ontem? – o cientista se virou surpreso, tendo que controlar sua expressão ao notar passando pela porta principal, seu olhar divertido passando por todo o espaço, propositalmente evitando o cetro em cima de uma das mesas. Um tanto nervoso, Bruce murmurou um tímido oi, aproveitando a distância da mulher para discretamente mudar a tela em que trabalhava para uma de análise – Decidiu se juntar a nós?
- Na verdade, fui eu que chamei... – explicou Tony, sinalizando para a filha se aproximar enquanto se levantava para buscar algo na mesa ao lado – Mas se quiser ajudar, não vamos achar ruim. A especialista no cetro é você.
- Posso tentar de novo, mas... O pisca-pisca e eu no momento não somos exatamente BFFs – respondeu , uma hesitação estranha na voz que fez Bruce ficar receoso e acreditar na constatação da mulher. Talvez fosse o comentário de Tony que estivesse bagunçando suas interpretações, já que dificilmente conseguiria flagrar a jovem mentindo – Para que me chamou aqui então, se não é pelo cetro? – estranhou ela, seu olhar se tornando desconfiado quando uma possibilidade lhe atingiu – Eu já te disse que não quero continuar o projeto da Dama de Ferro, não é? Eu não preciso de uma armadura, só me atrasaria.
- Você já deixou isso bem claro – resmungou Tony, a contragosto. Se sentiria muito mais confortável com algo mais resistente que um tecido protegendo a filha, mas não iniciaria aquela discussão novamente, pelo menos não ali – Desse projeto eu só vou levar para frente aquela arma eletromagnética, pode vir a ser útil.
- Seja feliz com aquilo, e sem a minha ajuda. Se eu me envolver, vou querer fazer mil testes e minha cabeça volta a latejar só de pensar nisso.
- Nós vamos diminuir a frequência – lembrou o homem, mal dando atenção ao que a filha dizia visto que finalmente encontrara o tablet que tanto procurava, o tirando de debaixo de uma quantidade absurda de papéis.
- Que para mim continua sendo muita alta, então melhor eu manter distância – concluiu , olhando com curiosidade o aparelho que agora seu pai lhe oferecia – E agora eu fiquei curiosa, já que zeramos as possibilidades do seu chamado.
- Eu estou reconstruind... Na verdade, construindo outra mansão Stark – explicou ele, escondendo as mãos nos bolsos da calça para disfarçar seu nervosismo, mesmo sabendo que a mulher facilmente detectaria aquilo caso quisesse – Dessa vez em New York mesmo.
- E por que me quer nisso? – questionou ela, sem seus olhos abandonarem os esquemas da construção mesmo sem absorver muitas informações – Não sou arquiteta, nem esse tipo de engenheira.
- Quero que você pense no que fazer com seu quarto.
Quando olhou para ele como se estivesse de repente sob a mira de uma arma, Tony riu de leve, se adiantando para uma mesa um pouco mais distante, fingindo trabalhar em algo. Bruce mais ao fundo sequer mais se dava ao trabalho de aparecer ocupado.
- Não é uma intimação, certo? Nem um convite – esclareceu Tony, girando algumas vezes a cadeira na qual se sentara, a postura a filha permanecendo inalterável – Os últimos meses morando juntos foi legal? Foi, mas você já é bem crescidinha e eu sei disso. Só que eu seria um pai horrível se não tivesse um quarto só para você na minha casa. Sabe, para caso você queria ficar depois de uma festa, sei lá. Até o Pete tem um.
- Você falou sobre isso com o Pete? – indagou ela no automático, apenas depois percebendo que não era algo tão surreal assim. Sendo bastante sincera, qualquer coisa que passava por sua mente no momento parecia ser algo de outro mundo, tamanho estado de surpresa e questionamento em que se encontrava. Era algo tão simples e idiota, e mesmo assim ela não tinha se dado conta até o momento, precisava de mais alguns instantes para voltar ao seu estado normal.
- Sim, falei. Ia falar com você primeiro, mas você estava ocupada – contou o mecânico, começando a ficar preocupado quando a expressão da filha não suavizou. Tinha algo além perturbando sua mente, e, sem pensar duas vezes, ele já checava os níveis de atividade do cetro – ? Está tudo bem?
Talvez tenha sido os primeiros sinais de desespero na voz de Tony que a trouxe de volta, rapidamente pedindo desculpas à dupla apreensiva antes de puxar a cadeira mais próxima e se jogar nela, abandonando o tablet na mesa ao lado.
- Sim, é só que... Acho que só agora que eu me dei conta de que terminamos o trabalho – confessou ela, sem pensar muito bem no que estava dizendo. Era um pensamento até que bobo que lhe atingira, ainda mais da forma que lhe afetara – Nós acabamos com a HYDRA, recuperamos o cetro... Quero dizer, Thor voltando para a Asgard, você mudando para a mansão nova, Clint voltando p... fazer sei lá o que ele faz durante as folgas, mesma coisa a Romanoff... Acho que me senti um pouco perdida de repente.
Ambos os homens a acompanharam no breve silêncio. Ela facilmente conseguiria pegá-los mentindo caso dissessem que em nenhum momento aquele pensamento os atingira. Estavam quase que há um ano naquela missão, e só agora conseguiram um desfecho. Era um tanto estranho pensar em cada um seguindo seu caminho, mesmo que fosse o mais natural e esperado, e exatamente o que iria acontecer.
- Não que eu não tenha notado que não fui incluído na lista, mas... – brincou Bruce, tentando aliviar o clima antes de tocar em um detalhe que praticamente piscava em sua mente, implorando para ser abordado – O que Steve planeja fazer?
- Não faço ideia. Não estamos conversando muito ultimamente – explicou ela, demorando mais do que se orgulhava para entender o motivo do sorriso sugestivo do pai, resmungando um “não nesse sentido” enquanto revirava os olhos – Quero dizer, um tempo atrás nós falamos de voltar para a estrada, mas... Faz meses. Bem antes de eu entrar no modo Hail HYDRA. As coisas estão diferentes agora.
- É o que você quer?
- Não sei – respondeu ela, uma sinceridade em sua voz que nenhum dos dois cogitou questionar – Sei que não quero voltar para a S.H.I.E.L.D., e duvido que eles fossem me aceitar de volta, vão dizer que estou permanentemente comprometida. Além de achar que também não me encaixo mais nos padrões deles.
- De qualquer jeito, você merece uma folga, . Tivemos um ano exaustivo, você em especial, então desacelera – Tony desconversou, parando às costas da filha e apoiando ambas as mãos em seus ombros, que relaxaram minimamente com o aperto do pai – Vai colocar suas séries em dia e cansar de dormir. Qualquer coisa, se o tédio ficar insuportável demais, Pepper sempre pode te arrumar um cargo.
- Acho que eu prefiro a S.H.I.E.L.D. – cortou o assunto de imediato, se levantando antes que Tony começasse a levar aquilo a sério e J.A.R.V.I.S. colocasse a CEO na linha. Não que a mulher não gostasse de trabalhar na empresa da família, mas definitivamente não queria passar por aquele estresse tão cedo – Vou trabalhar no meu quarto e deixar vocês em paz.
A dupla assistiu a mulher deixar o laboratório, mantendo o silêncio até mesmo depois que as portas se fecharam às suas costas. Bruce estava, para dizer o mínimo, intrigado. Claro que o cientista sabia que os poderes de muitas vezes ficavam o tempo todo ligados, mas que ela deixava em uma espécie de funcionamento em segundo plano, dando atenção a eles apenas quando lhe convinha. Agora ele não sabia dizer se a mulher estava tão distraída assim ou se Tony tinha aprimorado suas habilidades de esconder informações da filha àquele nível.
- Steve estava procurando um apartamento no Brooklin – comentou Bruce depois de um tempo, quando ambos já tinham voltado a suas tarefas. O detalhe importante era que tanto ele como Tony presenciaram o soldado fazendo suas pesquisas.
- É, eu sei – suspirou o engenheiro, desistindo de fazer a anotação que pretendia na folha a sua frente, girando a caneta entre seus dedos para tentar dispersar aquele nervosismo – Se eu interferir e dar merda, eles vão querer me culpar. Melhor que eles se resolvam.
Bruce apenas riu.
- Sua fé nos dois vira e mexe me impressiona.
- Só não consigo ver minha filha vivendo no subúrbio, ok? – se explicou Tony, revirando os olhos quando notou que Bruce não concordava com ele – Fazendo coisa de gente normal. Se eles fizerem isso, vão terminar em menos de um mês.
- Prefere que ela volte para Manchester? – provocou o cientista, sabendo que se tratava de um assunto bem delicado. Aquela família era um prato cheio para qualquer terapeuta, e Bruce sabia que o amigo às vezes se arrependia de ter escolhido logo ele para conversar sobre aquelas coisas. Sabia que no fundo, se Tony pudesse escolher, iria querer que as coisas permanecessem daquela forma: sua filha a no máximo alguns andares de distância, mesmo que ele não quisesse admitir. Ele prezava demais o relacionamento que agora tinham, mesmo que não fosse o melhor de todos, e a possibilidade de não ter a filha ao seu lado sempre que quisesse talvez o assustasse.
- Já reparou que ela nunca mais chamou o Wilson pelo primeiro nome? – comentou Tony de repente, seu tom de voz deixando claro que não estava mais a fim de tanta conversa – O máximo de distância que ela puder manter da Inglaterra, ela vai manter. Conheço minha filha, mesmo que você não acredite nisso.
- Eu nunca disse isso, apenas que ela não gosta de agir seguindo determinados padrões – lembrou Bruce, agora com mais cuidado – Ou vai negar que o passatempo preferido dela é mostrar que os outros estão errados?
Tony não respondeu àquilo, estendendo o tratamento de silêncio por um longo período, até ser obrigado a tirar uma dúvida com o colega, e o clima mais leve – na medida do possível – voltando a habitar o ambiente, ambos continuando seus trabalhos sem maiores interrupções, até o ponto que o sono não podia ser mais ignorado, assim como os preparativos para a festa de despedida.

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Nos últimos dias, Steve notara sem muita dificuldade algumas mudanças sutis no comportamento da namorada, mas acabou por optar em não a questionar. Muita coisa estava acontecendo naquela semana, de coisas simples a mais complexas, essas últimas sendo um pouco mais preocupantes, mas que acreditava que era melhor se ela comentasse sobre se sentisse a necessidade, não por ser pressionada. Tirando isso, na maior parte do tempo estava tudo na mais perfeita ordem.
Quando estava próximo do horário combinado para a festa, Steve começou a se ajeitar bem antes que a mulher, que continuou sentada na cama que dividiam enquanto trabalhava em um projeto que ela não explicara, mas que o soldado sabia que era da nova Mansão Stark, já que ouvira Tony comentar sobre algo desse estilo com Petr dias atrás. O motivo de não ter tocado naquele assunto ainda a cada dia o incomodava um pouco mais, já que não fazia ideia do que a mulher planejava fazer agora que as obrigações deles como vingadores haviam sido concluídas, e esperava que conversassem sobre isso nos próximos dias, já que na última semana ou eles estavam na companhia de muita gente, ou com relatórios demais para terminar e analisar. Com a partida de Thor no domingo, assim como a provável de Clint e Natasha também, teriam mais tempo livre, e menos desculpas para não tocar naquele assunto. Steve não sabia ao certo o motivo de estar tão tenso com aquilo tudo: eles não tinham obrigação de fazer tudo junto, e suspeitava que sabia disso também. O problema era que, nos últimos meses, tudo que os envolvia não era discutindo, mas apenas determinado pelas circunstâncias. Em nenhum momento desde sua volta, eles pararam para conversar de fato como que eles como um casal ficava, mesmo depois que toda a situação se acalmou. Era óbvio que estavam juntos, nenhum dos dois discordaria daquilo, mas deveria existir um limite para eles fugirem daquele tipo de conversa, certo?
apenas deu sinais de que iria se arrumar para a festa quando ele já estava pronto, lançando uma piscadela em aprovação depois de admirar a escolha até que simples de vestimenta que ele escolhera – a camisa azul coberta pela jaqueta de couro marrom com a calça jeans de lavagem escura –, logo dizendo que ele já podia subir se quisesse, que ela ainda demoraria um pouco mais. Steve até se opôs em um primeiro momento, mas já estava começando a ficar com fome por ter pulado o jantar, optando assim por se juntar à equipe e os primeiros convidados que já haviam chegado. A primeira coisa que Steve notou foi a ausência do anfitrião, Rhodes explicando logo que nenhum dos Stark costumava obedecer aos horários que estipulavam, que pelo menos uma hora de atraso era o mínimo que devia esperar.
Tony realmente esperava exata uma hora, ainda acrescentou alguns minutos a mais na conta, mas conseguindo a atenção de todos do jeito que queria quando finalmente resolveu comparecer, resultando em alguns comentários surpresos.
Até Steve estranhara a escolha do vestido, mesmo que não tenha chegado a comentar a respeito. Era um modelo até que justo destacando suas curvas, mas o decote não era profundo e chegava a ser discreto, a saia terminava um pouco acima dos joelhos, e as alças largas nos ombros terminavam por equilibrar a peça, que seguia o mesmo tom de chumbo por toda sua extensão. Para os padrões Stark, aquilo era roupa para ir à igreja. Até mesmo a escolha da maquiagem era um tanto inusitada, sem os lábios pintados de cores escuras, e os olhos até que discretos. O único detalhe que não surpreendeu foi a escolha do salto, que, se não deixava ela da mesma altura que Steve, chegava bem perto.
Alguns rostos conhecidos e outros nem tanto interromperam o trajeto de até o bar, onde o maior grupo de pessoas da casa estava concentrado, um ou outro mais bem informado até chegando a lhe desejar parabéns pelos anos recém completados, sem conseguir manter sua atenção por mais tempo do que isso.
Seu pai a recepcionou logo com uma taça de Martini antes que ela pudesse cumprimentar o grupo, interrompendo rapidamente a história que Rhodes contava, mas que talvez ele tivesse ter desistido de contar, já que ninguém pareceu muito surpreso com o seu desfecho. Thor foi o encarregado de encerrar o assunto, dizendo que era sim uma história muito boa, seu sorriso debochado não abandonando seu rosto nem quando voltava sua atenção para o copo de cerveja que não vira sequer uma vez vazio durante toda a noite.
- E onde estão as damas, cavalheiros? – perguntou Hill ao trio, enquanto eles ainda riam – Só estou vendo o Capitão acompanhado...
- O Wilson já chegou? – perguntou sem pensar duas vezes, seus olhos passeando pela sala em busca da dupla, só mais tarde entendendo o motivo do riso do grupo – Quero registrar que não estava fazendo piada, foi uma pergunta inocente em um momento ruim. Falo com vocês mais tarde.
Steve, Sam e Petr estavam assistindo um grupo de veteranos jogando sinuca, provavelmente esperando a vez deles. Steve foi o primeiro a avistar a mulher se aproximando, deixando os dois falando sozinhos e se adiantando para ela, pegando uma de suas mãos e a girando em um movimento de dança, puxando pela cintura em seguida, os braços dela apoiados em seus ombros em seguida como se fosse a coisa mais natural do mundo. Algumas pessoas ao redor discretamente comentavam entre si sobre o casal, outros nem tanto, mas eles não estavam realmente prestando atenção.
- Linda, como sempre – comentou ele em um sussurro, aproveitando enquanto ria em agradecimento para emendar o plano que ele e Petr trabalhavam desde cedo – Quer zoar com a cara do Sam?
- Você achar que precisa perguntar me ofende.
Acabou que o plano maligno não salvava , que acabou sendo a dupla de Sam para o jogo, comprometendo assim sua própria imagem se tentasse complicar a vida de seu parceiro. Steve e Petr, por outro lado, estavam mais do que felizes. Assim que as pessoas entenderam quem iria jogar agora, aos poucos elas foram se fechando ao redor da mesa, até algumas apostas começando a ser fechadas.
tentara trapacear na hora de decidir quem começava para criar uma vantagem logo de cara, mas Steve já esperava aquilo, sendo assim ele a começar a partida. Sam balançou a cabeça em negação quando viu três bolas seguindo diretamente para a caçapa, e diversas outras que pareciam fáceis até para ele.
- Quero voltar no tempo e perguntar para o eu do passado por que diabos ele achou que era uma boa ideia entrar nesse jogo com vocês... – resmungou ele, apoiando o queixo em seu taco enquanto assistia Steve rondar a mesa em busca de uma posição melhor – Os três são bons demais com ângulos.
- Eu sou do seu time, Wilson.
- Mas você sozinha não consegue equilibrar a habilidade dos dois.
- Steve, troca comigo – o soldado apenas ergueu os olhos para a mulher, continuando a se preparar para a tacada enquanto ouvia o que ela dizia – Eu vou dar na cara dele.
Acabou que o receio de Sam tinha muitos fundamentos, já que agora eles lutavam apenas para não perder tão feio assim. Como tinha um pouco mais de habilidade que seu parceiro, estava encarregada de atrapalhar os adversários, dificultando a tarefa deles de terminar logo o jogo, assim como deixando os dois sem outra opção a não ser ajudar o lado deles, mesmo que sem querer. Petr praguejara baixo depois que encaçapou sem querer uma bola adversária, ficando ainda mais emburrado quando sua irmã riu com gosto enquanto rodava a mesa para decidir qual seria o próximo passo. Não demorou muito para que ela localizasse o alvo, ficando com aquele mesmo não sendo um dos mais fáceis de sua vida.
- , essa não vai dar – aconselhou Steve, assistindo a mulher se sentar de lado na beirada da mesa – Tenta outra.
- Ah coração, você vai se arrepender de ter dito isso... – debochou , se debruçando ainda mais sobre a mesa enquanto fazia os últimos ajustes da tacada, esquecendo disso tudo quando sentiu alguém parar perto demais, apoiando até uma mão em sua coxa. Intrigada, a mulher corrigiu sua postura, voltando a ficar em pé, mas nem o soldado nem sua mão saíram do lugar – Posso te ajudar com alguma coisa, Rogers?
- S-seu vestido não é tão comprido, estou apenas impedindo a visão dos outros, pode continuar – explicou Steve, tentando inutilmente disfarçar seu constrangimento ao pigarrear, o que apenas fez com que algumas pessoas próximas rissem – Finge que não estou aqui.
- Barton, o Capitão está atrapalhando a jogada da minha parceira – Sam gritou pelo arqueiro, que conversava com a Dr.ª Cho do outro lado da sala – Pode isso?
- Rogers, você pode olhar, não tocar!
Um riso coletivo dominou o ambiente, principalmente com Steve fingindo uma expressão culpada e erguendo as mãos em sinal de derrota, mesmo que não tivesse se afastado de fato, mas optou por não reclamar. Ela estava ocupada demais pensando em como até o DJ da festa estava do seu lado. Quando as pessoas próximas voltaram às suas conversas a parte, ou a prestarem atenção na partida, uma música bastante propícia começou a ser tocada, com enrolando para terminar sua jogada apenas para que a sincronia com a letra fosse maior.
Não só ela havia encaçapado a bola que Steve duvidara, como também encurralara uma adversária, as pessoas ao redor soltando alguns gritos animados e algumas palmas.
- I live for the applause, applause, applause... cantou alto, acompanhando a letra de Applause, o que apenas fez aumentar a animação dos espectadores.
Animação que não durou muito, já que um pouco depois Sam encaçapou uma bola adversária por engano e em seguida Petr finalizou o jogo, eles tendo que liberar a mesa para as próximas equipes.
- Me dá um pouco – pediu um pouco impaciente, quando ela e Steve acabaram por se juntar a Thor e um grupo de veteranos, que discutiam a bebida asgardiana que o deus não deixava mais ninguém provar. Os veteranos concordaram com entusiasmo, se juntando aos pedidos que deixassem a garota experimentar, assim como eles.
- , eu não acredito que seja uma decisão sábia... – Thor começou com cuidado, sabendo que seria difícil a convencer do contrário, ainda mais que o soldado ao seu lado estava claramente tirando o corpo e deixando que ele se virasse.
- Steve escondeu aquela garrafa que você deu para ele. Deixa de ser ruim e me deixa experimentar – insistiu ela – Minha tolerância é alta.
Thor acabou por se dar por vencido, pegando um copo limpo na mesa e preenchendo metade dele com o líquido. pegou o copo com receio, até cheirando a bebida em um primeiro momento para já se preparar pelo que estava por vir, mas o perfume não parecia com nada que ela já sentira, o único jeito era experimentar logo.
- Isso é... doce – constatou ela, suavizando a careta de expectativa quando percebeu que o gosto não era forte, pelo menos não como o álcool humano – Parece xarope.
- , n...! – Thor estava pronto para concordar com ela, até seu rosto perder a cor quando a viu virar o copo de uma vez, os veteranos comemorando sua ousadia – Pelas barbas de Odin, isso não vai terminar bem.
- Enche o copo – exigiu ela, esticando o objeto em sua direção. A voz da mulher, eles logo puderam constatar, já parecia um pouco alterada – Qual é, Thor! Deixa de ser mole, passa para cá.
Em algum momento eles acabaram se separando, já que agora conversa animadamente com alguns colegas do andar de seu laboratório, assim como algumas pessoas que Steve jurava ter visto em uma das festas das Indústrias Stark, então assumia que se tratava de acionistas, ou filhos, talvez. Ele e Sam seguiram para a parte superior da sala, onde podiam conversar mais livremente. Como andara ocupado nos últimos dias, só agora que o soldado conseguira fazer um resumo bem por cima de como fora a última missão de alguns dias atrás, rindo quando ele se apressou em dizer que estava apenas mantendo a imagem ao dizer que estava decepcionado de não ter participado.
- Vingar é o seu mundo... E seu mundo é doido – brincou Sam, respirando fundo quando percebeu que aquele assunto acabara. Tinha algo a mais tumultuando os pensamentos de seu amigo, isso ele podia dizer com facilidade, e talvez pudesse dar um palpite no motivo – Ainda não achou um lugar no Brooklin?
- Não acho que eu possa pagar um lugar no Brooklin – retrucou Steve rindo. Ele não recebia exatamente um salário, e um dia sua conta bancária zeraria. Aquela cidade como um todo havia se tornado cara demais, ainda não fazia ideia do que faria dali para frente.
- Já pensou em rachar o aluguel com a ? A menina pode comprar a cidade inteira, se quiser – lembrou Sam, rindo da própria piada por ser a mais pura verdade. Quando seu amigo não o acompanhou, ele soube que estava certo desde o começo – Você não falou disso com ela, não é? Tipo, morar juntos.
- Tony está terminando a mansão Stark, acredito que ela vai continuar morando com o pai.
- Estamos falando da mesma pessoa? – retrucou ele de imediato, a ideia lhe parecendo surreal mesmo tendo passado pouco tempo em sua companhia – gosta da independência, sem ninguém no pé dela. A garotinha do papai já cresceu, e você sabe bem disso.
- Eu não sei... As coisas ainda estão bem confusas, tanto entre nós como na família dela – Steve tornou a suspirar, encontrando mais um detalhe importante – E ainda tem o Pete. Tony provavelmente vai querer ter os dois por perto por mais tempo.
- O Stark perdido... Não vou mentir, queria odiar o garoto, mas ele até parece legal – resmungou Sam, apontando com a cabeça para o local que eles abandonaram a pouco tempo, onde um novo grupo se divertia – Se eu esquecer a surra na sinuca que você ajudou ele a me dar, claro.
- Foi ideia da – respondeu o soldado de imediato, seu olhar travado em algum lugar aleatório a sua frente, mas um sorriso discreto lhe entregando.
- Uhum, sei – concordou ele irônico, seu tom de voz mudando ao ver subindo as escadas, rindo quando ela pareceu tropeçar nos próprios pés – Falando na princesa...!
- Lá embaixo, sozinhos no bar – disse a mulher de uma vez, parando entre os dois. Sam foi o que mais demorou para localizar as pessoas a quem ela se referia, já que não fazia ideia do que se tratava.
- Dr. Banner e a Romanoff...? – disse ele confuso, só depois entendo o sorriso travesso da Stark. Com aquela distância, Sam nunca iria conseguir ouvir o que eles diziam, mas ela conseguia e não podia estar se divertindo mais – Mentira...!
- Levou mais tempo do que eu me orgulho para perceber isso.
- Mentira...!
- É a coisa mais adorável que você pode presenciar nessa Torre, juro. Queria fazer piada, mas totalmente entrei no barco – comentou ela animada, fazendo a dupla rir – Preciso de ajuda para pensar no nome do ship.
- Vamos assistir de mais perto – sugeriu Steve, já a puxando pela cintura – Sam?
- Nah, aqui de cima consigo ver mais coisa – desconversou ele, olhando em seguida para o relógio – E acho que já está quase na hora de eu caçar meu rumo também...
- Passa a noite aqui – ofereceu , se soltando de Steve para abraçar o amigo – O que não falta é quarto vago.
- Eu meio que me ofereci para levar uma amiga para casa, se é que me entende... – brincou ele, rindo mais quando levou um tapa nas costas da mulher – É bom te ver, Party Hard. O Capitão fica insuportável sem você.
- Ei...! – reclamou Steve, levemente ofendido, logo relaxando os braços por saber que não tinha muito como se defender – Verdade, mas ei.
Mesmo depois de se despedirem de Sam, o casal demorou um pouco mais para se aproximar do balcão do bar, se divertindo pela conversa codificada de Bruce e Natasha, e agradecendo a audição sobre-humana que permitia que eles pudessem disfarçar que estavam prestando atenção em conversas alheias. Assim que Natasha se afastou, voltando a se juntar ao grupo maior que se acomodara no meio da sala, Steve parou ao lado do cientista, abordando o assunto da forma menos sutil possível, o que apenas fez que Bruce ficasse mais sem jeito, principalmente quando decidiu entrar na conversa.
- Você deveria dar ouvidos a ele... – foi a primeira coisa que ela disse, dando um tapa de leve no ombro do soldado – Ele é a autoridade mundial quando o quesito é “esperar demais”.
- Ei!
- Dois anos, Rogers. Foi o tempo que demorou para você me beijar. Na verdade, minto – continuou ela, ignorando os pedidos quase desesperados de Bruce para que eles não brigassem em público, especialmente que obrigassem que ele assistisse – Eu que te beijei.
- Lógico que n... – Steve abandonou a frase pela metade, sendo possível identificar o exato momento que sua mente tirou toda sua certeza – Meu Deus, foi você que me beijou!
- O que o cara a moda antiga está querendo dizer... – retomou o assunto principal, deitando no balcão para puxar uma garrafa das prateleiras de baixo, seu olhar nunca abandonando o soldado ao seu lado mesmo que estivesse se direcionando ao cientista – Você deveria tomar alguma atitude. É isso que você não fez ainda.
- Por que eu estou receoso de aceitar conselho de vocês dois? – Bruce tentou brincar, mas mais uma vez ele havia sido posto um pouco de lado na conversa, Steve cruzando os braços enquanto repassava suas últimas ações mentalmente em busca de algo a que a mulher pudesse estar se referindo, e falhando.
- Está tentando passar alguma indireta para mim, Stark? – perguntou ele por fim, ficando ainda mais desconfiado quando começou a rir.
- E desde quando eu sou do tipo de pessoa que manda indiretas, Rogers? Eu fui aprendiz do Gavião Arqueiro... – ela passou por Bruce, parando ao lado do loiro, o queixo apoiado em seu ombro – Eu sou tão direta quanto uma flecha.
- Você está bêbada – constatou ele de imediato, mesmo sem conseguir identificar o cheiro característico de álcool em seu hálito – Esse trocadilho foi ruim demais, você nunca abaixaria o nível assim.
- Não vou mentir, faz sentido. E bem, não é uma festa de verdade se você não tem um Stark bêbado... – comentou a mulher, aparamente pensativa, sequer se opondo quando Steve tirou a garrafa ainda cheia de sua posse e devolveu ao balcão, com cuidado tomando suas mãos nas dele e a puxando sem pressa, para o que provavelmente era o caminho para os elevadores.
- Que tal dermos boa noite e descermos, hm?
- Já está querendo terminar com a festa, Capitão? – soltou ela, em um claro tom de advertência, mas nem se esforçando muito para se desvencilhar dos braços do soldado quando ele conseguiu a prender em um abraço de lado. não tinha realmente chegado à embriagues, mas não podia negar que a tal bebida asgardiana não era algo que seu organismo estava pronto para processar. Apenas queria saber qual o limite de paciência do homem com amigos bêbados.
- Ou querendo começar outra – sugeriu Steve, sabendo muito bem que a mulher não cederia fácil, que teria que oferecer algo que atraísse sua atenção, sabendo que obtivera sucesso ao ver seus olhos se arregalarem em surpresa e seus lábios se esticarem em um sorriso divertido. Quando Bruce entendeu, soltou um nervoso "gente, eu ainda estou aqui".
- Gostei da atitude, para variar! – comentou ela, rindo ainda mais quando Steve indagou um “o que você quer dizer?” – Eu não gosto dessa expressão, mas na falta de uma vai ser ela mesmo: eu que uso as calças nessa relação.
- Beleza, eu realmente não quero participar dessa conversa – se apressou Bruce em dizer, pegando sua garrafa e já se afastando. Aquilo definitivamente duraria um bom tempo e havia um limite que ele podia ouvir e ainda poder olhar na cara dos dois depois – Boa sorte, Cap.
- Brucie...! De verdade, agora – ainda conseguiu ser mais rápida que o cientista determinado a se afastar o mais rápido possível, segurando seu antebraço e se distanciando alguns passos de Steve, a mudança de sua postura clara em todos os seus gestos – Vocês dois? É bem legal. E ela beija muito bem, vantagem para você.
- Verdade – concordou Steve, só depois se questionando como a mulher podia saber aquilo – Espera, o que?!
- Faz muito tempo, e estávamos sob disfarce – explicou ela, sua voz saindo um pouco mais alta do que planejava pelo riso que estava tendo dificuldades para controlar. Alguém precisava registrar a expressões de Steve e Bruce, aquilo precisava ser preservado – Você acha que eu iria beijar a Romanoff assim, do nada?
- Ouvi meu nome, e foi exatamente isso que aconteceu – contou Natasha, se apoiando na proteção do andar superior.
voltou a rir, sem negar nem concordar com a colocação da conterrânea se afastando da dupla assim que a primeira pessoa a chamou ao longe, deixando que os dois discutissem entre eles as informações que esperavam que o outro tivesse e como poderiam obter mais. Clint em algum momento foi incluso na conversa, mas logo disse que preferia ficar de fora, já que aparentemente estava de férias durante a tal missão, e que até agora tudo que ele teve acesso foi o relatório final que elas produziram e diversas versões diferentes que elas sempre alteravam quando questionadas. Era um beco sem saída e eles nunca descobririam de fato o que acontecera.
Um pouco mais tarde, praticamente todos os convidados já haviam se despedido e ido embora, com exceção de alguns que já podiam ser considerados de casa, além dos que realmente eram. O grupo havia se acomodado no conjunto de sofás do andar inferior da sala, mantendo na maior parte do tempo conversas paralelas, apenas em alguns momentos abordando algum assunto que atraia a atenção de todos, assim como Steve resolveu continuar uma discussão daquele mesmo dia, se virando inconformado para ao seu lado.
- Fui eu que te beijei, cacete!
- Você ainda está pensando nisso?! – disse ela descrente, achando graça tanto pelo homem ainda estar remoendo aquilo como por seu pai e Hill terem gritado “olha a língua!”.
- Lógico, você me fez duvidar da minha memória! – continuou Steve, depois de reclamar que ele deixara aquela advertência escapar – Agora estou duvidando da sua.
- O que está acontecendo? – perguntou Rhodes – Sinto que perdi alguma coisa.
- Eles estão discutindo quem deu o primeiro beijo, ou algo assim – explicou Bruce rindo, constrangido tanto por lembrar da conversa como por ter que contar para os outros – Já faz um bom tempo.
- Está brincando, né? Eles ficaram sem assunto para discutir? – resmungou Tony – Nunca mais deixem esses dois beberem.
- Eu te beijei primeiro, e depois você tomou o controle.
chegou a abrir a boca para retrucar, até finalmente entender ao que o soldado se referia, mesmo assim sua expressão mudando de encrencada para indignada em um piscar de olhos.
- Você está chamando aquilo de beijo?! – questionou ela, rindo incrédula quando ele concordou – Aquilo foi beijo de 2ª série e acho que nem eles beijam assim mais. Está vendo a barra? Não força.
- Eu não estou classificando o tipo de beijo, e você acabou de provar meu ponto.
- Aceita logo que você além de ter demorado dois anos, ainda esperou que eu te beijasse.
- Eu n...! – Steve estava pronto para continuar negando, até perceber que a mulher não lhe dava mais atenção e digitava algo em seu celular – O que você está fazendo?
- Ligando para o Wilson. Ele estava lá, ele decide.
Enquanto os dois se resolviam – chegaram em um consenso que aquilo não importava, e que aquela discussão ficaria para outro dia –, o tema da conversa passou a ser o martelo de Thor e como deveria ter um truque para apenas ele conseguir erguê-lo. Como Clint iniciara a discussão, ele foi o primeiro a ser convidado para tentar, o que iniciou uma nova brincadeira no grupo. Eles foram em sequência: Clint, Tony, Tony e Rhodes - com os braços das armaduras ainda, causou bastantes risos de pena –, Bruce e sua tentativa de fazer graça que quase resultou em levantando para abraçá-lo por “ser precioso demais para esse mundo”, e por último Steve.
O cara era o Capitão América, a lenda viva, a pessoa que todos esperavam tomar a decisão certa e normalmente tomava. Então sim, todos ficaram na expectativa quando ele se levantou. E essa expectativa mudou para tensão para certo trio que pensou ver o martelo se mexendo. em um primeiro momento se virou para o irmão, que também buscara nela alguma explicação sobre o que acontecera, ambos de virando em seguida para Thor, que ria fingido enquanto Steve se afastava. Ele estava assustado, isso eles podiam dizer.
O deus aproveitou quando se levantou para tentar disfarçar melhor sua surpresa, sorrindo satisfeito enquanto ela contornava a mesa para ficar de frente para o martelo, seus dedos até passando de leve por cima da tira de couro na outra ponta do cabo.
- Vai tentar, Lady ? – comentou ele, seu tom de voz deixando claro que a ideia o divertia – Você seria uma rainha memorável.
- Pode me chamar de conservadora, mas eu prefiro chegar ao trono à moda antiga – contou ela, se jogando ao lado do asgardiano no sofá, apoiando o queixo em seu ombro – Casando com o rei.
Tony foi o primeiro a começar a rir, dizendo que Steve precisava ficar esperto com sua mulher, ou logo seria trocado. Thor por sua vez não deu muita atenção aos colegas que riam e faziam piadas, sua atenção concentrada no que a mulher viera fazer do seu lado. Pelo menos com ela ali podia tirar a dúvida que agora o atormentava.
- Ele conseguiu levantar e fingiu que não? – perguntou ele em um sussurro, passando um braço por trás de seu ombro para a manter próxima, fingindo um abraço carinhoso.
- Eu não sei, vim aqui te perguntar isso – contou ela, uma confusão genuína em seus olhos que o deus sequer pensou em questionar, mesmo que a situação não parecesse normal – Não dá para ser meio digno, dá?
- Como você não sabe dizer se ele ergueu ou não?
- Vocês me embebedaram! – lembrou ela, já na defensiva – Capaz de eu errar meu próprio nome se me perguntarem.
- Conveniente, não?
- Você que me deixou beber!
Enquanto os dois continuavam na discussão, o restante do grupo paralelamente discutia que Petr e Natasha também tentar, que negaram sem pensar duas vezes, acabando que Clint voltou ao seu ponto de que tudo não passava de um truque, com Tony logo intervindo com suas teorias de que não passava de uma tecnologia de reconhecimento. Foi nesse ponto que a dupla voltou a prestar atenção no que eles diziam, cientes de que não chegariam a lugar nenhum com aquilo.
- Bem, é uma teoria muito interessante, só que eu tenho uma melhor... – suspirou Thor, deixando seu copo sobre a mesa e já esticando a mão em direção ao cabo do martelo, girando a arma no ar antes de continuar – Vocês não são dignos.
A sala então se encheu de risos debochados, que provavelmente teriam durado pelo resto da noite se um som estridente não tivesse feito com que eles se dispersassem, indagações tumultuadas em seguida sobre o que era aquilo. Tony foi o primeiro a reagir, tirando seu celular do bolso e tentando descobrir o que acontecera, mas não conseguiu se concentrar por muito tempo, visto que uma nova voz se fez presente, o homem se virando assim como os outros para a área dos elevadores, onde uma armadura aos pedaços da Legião de Ferro parecia estar apenas esperando pela atenção de todos.

Continua...



Nota da autora: Olha como eu sou legal: faço greve de todo o resto, mas não das fanfics <3
Queria comentar o capítulo todo mas vou me resumir aos Science bros no começo porque adoro eles meio como casal discutindo as coisas açslkdaslkd
Sobre o resto, só sei gritar, então vou poupar vocês aqui.

Página da Autora: (Clique aqui para mais informações e saber as demais fanfics da autora.)

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