Última atualização: 13/06/2016



Capítulo Único

Sirius acordara sentindo o corpo inteiro doer, como se estivesse em chamas, como se estivesse inteiramente quebrado. Estava de bruços no chão gelado, mal conseguia levantar-se, mas quando fizera, notou o lugar no qual estava;
Uma cela pequena toda em pedras, com grades de ferro e a frente uma minúscula janela, também com grades. Ergueu-se para olhar por ela, tudo o que conseguiu ver foi o mar que parecia cercar o local.
A voz impiedosa de Alvo Dumbledore chamou-o poucos segundos depois, ao virar-se Sirius deparou-se com o ex-diretor e Alastor Moody, encarando-o de forma hostil, olhando-o com nojo.
- Espero que goste da sua vista, é tudo o que você verá pelo resto da sua vida. – Almofadinhas olhou atônito para Olho-Tonto – Mas não se preocupe, pelo que soube, os Dementadores gostam de fazer visitar diárias aos presos! Bem-vindo à Azkaban, Sirius Black.


Black não tinha visto mais ninguém desde aquela noite, Dumbledore e Moody não quiseram ouvi-lo, deixaram-no lá e saíram, sem olhar para trás.
Alvo fora bem claro quando dissera que nada o tiraria dali depois do que ele fizera.
E por um segundo Sirius riu, riu de nervoso, mas aquilo não fora visto como uma coisa boa. Almofadinhas achara que Alvo e Alastor estivessem brincando com ele, não era possível que eles realmente achassem que Sirius Black tinha traído James Potter, levando-o á morte.
James era seu melhor amigo, era seu irmão para a vida.
Mas quando os dois deram-lhe as costas e se afastaram, Sirius gritou pedindo para que voltassem.
Pedindo-lhes para deixar-lhe se explicar.
Aquilo não era verdade, ele não trairia seus amigos.
Sirius não era um covarde.
Mas eles não voltaram, eles não o escutaram.
Deixaram-no lá, e não demorou para Black perceber que aquele era o pior lugar no mundo para ficar.
Não era só o cheiro de podre, não eram apenas as paredes frias, não era porque dormia no colchão fino ao chão e recebia uma comida horrível.
Era muito pior que tudo aquilo.
Ainda na primeira noite na prisão de Azkaban, Sirius fora apresentado aos guardas.
Aquela sensação era horrível, devastadora.
Assim como não esquecera a sensação de pegar sua filha no colo pela primeira vez, Sirius nunca esqueceria o que sentiu quando os Dementadores se aproximaram dele.
Eram dois sentimentos extremos em sua vida, inesquecíveis.
Parecia que tudo fora tirado dele no momento em que o Dementador se aproximara, todos os sentimentos bons, todas as lembranças. Parecia que até o calor de seu corpo tinha sido sugado, e no lugar ficara o frio, o vazio.
Sentira como se sua vida estivesse deixando seu corpo, como se a felicidade estivesse lhe abandonando e só sobrassem seus medos e incertezas, a esperança o deixara.
Foram apenas alguns minutos, mas o suficiente para fazê-lo perceber que precisava sair dali o mais breve possível, ou enlouqueceria.
Suas piores lembranças vieram á tona durante aqueles minutos, e só tivera vontade de acabar com a própria vida.
E fora assim nos dias que se seguiram em seu primeiro mês em Azkaban.
Sirius não tivera contato com mais ninguém de fora.
Mas ouvia os gritos dos bruxos e bruxas presos naquele lugar, sempre que os Dementadores apareciam pelos corredores.
Black sentia o vento frio e a aura angustiante que vinha junto com eles, os arrepios em sua espinha avisavam-no que eles chegariam mais cedo do que ele esperava, e os gritos ao redor apenas confirmavam que os Dementadores estavam ali, aproximando-se aos poucos de sua cela.
Ouvia os próprios gritos ao reviver cenas que tentara esquecer, pedindo, implorando para deixarem-no, para matarem-no.
Mas não aconteceria, não enquanto os Dementadores pudessem sugar suas energias, qualquer vestígio de felicidade seria tirado de Sirius Black, assim como sua sanidade.
E ele lembrou-se de Olho-Tonto, quando em uma reunião da Ordem da Fênix, informou que aqueles que eram levados á Azkaban nunca deixavam a prisão, ou morreriam ou enlouqueceriam.
Ninguém nunca saia daquele lugar.
E Sirius entendera o motivo.
Não eram só os Dementadores, era Azkaban.
Azkaban mudava as pessoas, fazia com que elas vivessem seus piores pesadelos.
A prisão parecia ser impregnada com aqueles sentimentos de miséria, dor, desesperança e medo. Era como se a angústia dos prisioneiros pudesse ser sentida através das paredes.
Era por isso que nenhum bruxo no Ministério costumava ir ao local, poucas vezes os Aurores entravam naquele lugar. Ninguém gostava de passar pelos Dementadores, ninguém gostava de presenciar os horrores de Azkaban.
Todos fechavam seus olhos para tudo aquilo.

Sirius estava sentado em sua cama, as costas apoiadas na parede fria de sua cela, duas semanas antes Bellatrix Lestrange fora trazida para a prisão, junto com tanto outros bruxos e bruxas, seguidores de Voldemort.
Bella riu quando viu Sirius ali, parecia mais insana que o normal, e Sirius achava que não era pela presença dos Dementadores.
A cunhada sempre fora louca.
Soube então que Bellatrix, Rodolfo, Rebastan e Batrô Crouch Jr. tinham sido pegos e acusados de utilizar a Maldição Cruciatus em Frank e Alice Longbottom, dois velhos e queridos conhecidos de Sirius, membros da Ordem da Fênix.
Os dois foram tão torturados que acabaram enlouquecendo, a ponto de serem levados para o St. Mungus, fato que sempre fazia Bellatrix gargalhar, contando detalhadamente o que tinha ocorrido naquela noite, e como os dois imploravam para eles pararem.


Sirius queria saber quando seria seu julgamento, quando teria a chance de explicar-se para poder sair dali o mais breve possível. Contaria sua versão da história, torcia para aquilo ser o suficiente. Das pessoas que o conheciam, Sirius não achava que algum deles pudesse acreditar que ele planejara a morte de James e Lily, mas então se lembrou do olhar frio de Dumbledore sobre ele, e suas esperanças diminuíam pouco á pouco.
Só queria poder voltar para sua casa, ver sua filha depois de tanto tempo.
Victoria sabia que ele era inocente, tinha esperanças de que ela explicaria para o que acontecera quando a filha crescesse, caso ele permanecesse naquele lugar maldito.
Desejava ver sua filha mais uma vez, não tivera tempo de despedir-se dela.
A garotinha talvez estivesse chorando, possivelmente sentisse saudades, tanto quanto Sirius sentia á falta dela.
Foi apenas quando, no final daquele dia, ele viu uma mulher alta e magra, com os cabelos loiros compridos, sendo arrastada aos gritos pelos corredores, passando enfrente a sua cela, que Sirius desesperou-se novamente.
Levantou-se no mesmo instante em que seus olhos encontraram com os da mulher.
- O que...? – murmurou quase sem voz, aproximando-se das grades, a mulher foi jogada para uma cela próxima á sua, ainda gritando. O significado daquilo, aos poucos, chegou até ele; era por isso que ela passara o dia fora de casa, por isso ela passava tanto tempo na casa dos Malfoy.
Sirius soltou o ar com força, passando a mão pelos cabelos pretos e sujos.
Sabia que a mulher possivelmente escolheria o lado de Voldemort, mas não achara que ela já tivesse o feito.
Não imaginara que já fosse uma infiltrada.
Que traíra á ele e sua própria filha.
Aquilo era loucura.
Insano.
Sirius que sempre se considerara melhor que sua família e sua estúpida política de Sangue-Puro, que desprezava qualquer apoio ao Lorde das Trevas, casara-se com Victoria achando que ela era igual á ele. Ela aparentava ser como ele. Embora, algumas vezes parecesse confusa, Sirius tinha certeza que ela era uma boa pessoa. Mas enganara-se.
Por Merlin, ele era muito estúpido!
Quantas vezes contara algumas das coisas que conversara com os amigos nas reuniões da Ordem? Quantas vezes confiara na mulher segredos que não deveriam ter sido revelados? E todo aquele tempo ela estivera ao lado de Voldemort!
Black batera forte com a cabeça contra a parede, queria socar-se por ser tão estúpido. Como não percebera aquilo antes? Era tão óbvio!
Todos aqueles sinais, bem embaixo de seu nariz, e mesmo assim Sirius não percebera!
Frustrado, jogou-se sobre o colchão fino, deixando os pensamentos fervilharem em sua cabeça.
Sirius Black era mais estúpido que um Trasgo!
Considerara-se tão esperto durante todo aquele tempo, quando na verdade estava sendo enganado por duas pessoas próximas á ele.
Sirius soltou uma risada rouca, frustrado com ele mesmo.
Como não percebera no dia que visitara Rabicho que o amigo estava tão estranho? Como não percebera que Rabicho era covarde demais para ser o Fiel do Segredo dos Potter?
Aquilo era sua culpa.
James e Lily, mortos porque ele dissera para James escolher Rabicho ao invés dele mesmo. Sirius sabia que ele seria a escolha óbvia, que Voldemort iria até ele.
Não que tivesse medo!
Sirius não era um covarde!
Nunca entregaria os amigos!
Mas sabia que ganharia tempo o suficiente se ficasse como isca, assim os Potter e Rabicho conseguiriam fugir caso necessário, assim como Victoria e ?.
Ninguém jamais imaginaria que Rabicho seria o Fiel do Segredo. Era um plano perfeito!
Mas Almofadinhas nunca contara que Pettigrew se aliaria á Voldemort.
Nunca cogitara que o Lorde das Trevas fosse procurar Rabicho como um seguidor.
Peter não era um bruxo muito bom, Sirius não diria nem mesmo razoável, mas parecia ter aprendido um ou dois truques com o novo mestre...
Mas o que mais o frustrava é ter ignorado todos os sinais claros de que Victoria já não era a mesma e que, talvez, nunca tivesse sido quem ele imaginara. Ela poderia muito bem ter fingido gostar dele durante todos aqueles anos! Poderia muito bem ter estado ao lado dele quando era conveniente á ela, e pensando bem, fora exatamente isso que ocorrera;
Em Hogwarts, por exemplo, ela só encontrava com Sirius fora dos horários, quando não corria o risco de nenhum colega da Sonserina encontra-la com o grifinório, deserdado pela própria família.
E mesmo assim Sirius fechou seus olhos, mesmo assim Sirius continuou a sair com ela. James alertara-o tantas vezes, Aluado que nem mesmo gostava de se envolver nesse assunto também dissera que era estranho; se ela gosta tanto de você, porque sempre te trata mal na frente dos outros? E mesmo assim, mesmo com todo mundo dizendo que aquilo não daria certo, mesmo quando Lily, que era de longe a pessoa mais responsável que ele conhecia, a mais sensata, mesmo quando ela lhe disse que talvez as coisas não fossem bem daquele jeito... Mesmo assim Sirius defendeu Victoria, tantas e tantas vezes. Chegou a brigar com James quando ele insinuara que ela sempre preferiria a família de verdade dela.
Black sempre dissera aos amigos que aquilo era tudo questões de influencia, ele bem sabia, porque era o mesmo com ele. Victoria só tinha medo de ser deserdada como Sirius fora.
Ela fora contra toda sua família quando decidira casar com Sirius!
Esse era o sinal que ele estava certo. Essa era a prova que fazia com que Almofadinhas confiasse na mulher, acreditasse que no fundo ela só estava assustada, mas que sempre escolheria á ele e a filha do casal, quando esta nasceu.
E foi quando este último pensamento veio á sua mente, que ele lembrou-se do que realmente significava Victoria e ele presos em Azkaban;
ficaria sozinha.
Ele não fazia ideia de com quem a garota estava, talvez Victoria nem mesmo tivesse passados os últimos dias com a filha.
Sirius levantou-se desesperado, correndo até as grades da cela, virando-se para o lado que ele vira a loira ser levada, gritando á plenos pulmões:
- Cadê a ? O que você fez com ela?
Pode ouvir a risada de Bellatrix, ecoando pelos corredores.
- A bebezinha ficou sozinha! A bebezinha ficou sem o papai! - a voz infantil vinha de encontro á seus ouvidos.
Sirius agarrou com força as grades, a raiva o dominando.
- Cale á boca! Cale á boca antes que eu mesmo te faça calar!
- Hahahah! E o que você vai fazer? – a risada irônica soou novamente, junto com um choro fingido, uma imitação do que seria uma criança – Cadê o papai da ? Ele tá em Azkaban é? Ele nunca mais ver a bebezinha?
- Cale á boca! – Almofadinhas gritou, sacudindo como podia a grade, nunca quis tanto ter sua varinha em mãos. A raiva que ele sentia por Bellatrix, assemelhava-se muito ao ódio por Voldemort e Rabicho.
- Ela está com Andrômeda. – a voz baixa de Victoria soou em meio aos gritos vindos dos outros Comensais que riam junto a Bellatrix. – Está com ela desde que você foi pego.
Sirius suspirou aliviado, sua garotinha estava em boas mãos.
Por um momento ele assustou-se com a ideia dela ter sido deixada com os Malfoy.
Black afastou-se novamente, voltando para seu colchão, deitando-se e ficando ali, com seus próprios pensamentos.


Não fazia ideia de há quanto tempo estava preso, mas julgando pelo tamanho de sua barba, diria que já fazia muito mais de um mês, talvez dois. E até então não tivera nenhuma resposta, nenhuma visita. Gritara que queria ver Olho-Tonto, precisava falar com o Auror, mas ninguém o escutava.
Os Dementadores não se importavam, apenas faziam suas visitas diárias.
Aos poucos, Sirius foi considerando a possibilidade de não haver um julgamento.
De não haver a possibilidade de explicar-se, de ser inocentado.
Sirius Black passaria o resto da vida em Azkaban.
E esse pensamento foi confirmado semanas depois, quando a Ministra da Magia, Emília Bagnold, foi até prisão.
A bruxa parecia ainda mais velha de perto, porém com uma agilidade que Sirius não imaginava ser capaz para alguém de sua idade. Ela fora á Azkaban junto de mais dois Aurores, para inspecionar a prisão e ver seus novos prisioneiros.
Sirius estava em sua cama quando ela chegou, sentado com as pernas compridas esticadas para fora do colchão. Os cabelos pretos já caiam alguns centímetros abaixo de seus ombros, enquanto ele mantinha os olhos fechados e a cabeça encostada á parede.
Sentia-se fraco, com fome e mantinha aquele incômodo aperto do coração, tanto pelo luto por causa de seus melhores amigos, tanto por saudades de sua filha, de quem ele não conseguira se despedir. Imaginava o que a pequena garotinha pensava sobre a falta do pai; se ela sentia sua falta tanto quanto ele sentia á dela, ou se ela nem mesmo lembrava-se mais dele.
A única certeza que tinha no momento era que a criança estava sendo bem cuidada por Andrômeda e Ted. Mas não parecia o suficiente, queria ele mesmo estar com sua filha e, também, com seu afilhado.
e Harry eram sua responsabilidade.
Foi quando escutou os gritos vindos dos outros prisioneiros, que percebeu que tinham visitas. O insultos vindos dos bruxos e bruxas ali presos, logo o fizeram perceber que quem estava era a Ministra e logo Almofadinhas á viu passeando pelo corredor, a cara fechada tanto pelo ambiente imundo no qual se encontrava, tanto por causa dos prisioneiros que ali estavam; em grande maioria, Comensais da Morte capturados.
A mulher passou na frente da cela de Sirius, e o homem levantou os olhos escuros para ela. Black estava mais magro e sujo, já não parecia aquele rapaz jovem, bonito e saudável que a mulher conhecera meses atrás, em uma reunião junto á Dumbledore.
Desviou o olhar poucos segundos depois, na intenção de continuar sua inspeção, mas Almofadinhas não perderia sua oportunidade, levantou-se o mais rápido que seu corpo cansado lhe permitiu, andando até a grade de ferro e segurando-a com a mão branca e ossuda.
- Quando será meu julgamento? – perguntou desesperado, queria dizer mais coisas, dizer que era inocente, que não trairia James. Mas não parecia ter forças, sua voz soara rouca, talvez pelo tempo que não a usara. A mulher o olhou com repugnância, mas não fora a Ministra quem respondera sua pergunta. Olho-Tonto estava logo atrás, Black nem mesmo o vira antes de escutar sua voz grave reverberar pelo local;
- Você não terá julgamento, irá apodrecer aqui que é seu lugar!
Sirius abriu a boca por alguns segundos, passou a língua pelos lábios finos e secos, tentando coordenar seus pensamentos, suas ações. Queria gritar, porém não tinha mais forças, sua garganta arranhava até quando engolia a própria saliva, devido aos gritos que dava sempre que os Dementadores se aproximavam dele.
- Eu... Não... Eu não... Por favor...
- Você irá morrer aqui, como tantos outros, Black. E será muito bem feito! – Moody voltou a respondê-lo, agora olhando para o lado, voltando a ignora-lo e a seguir Emília pelos corredores da prisão. O Auror usava um tampão preto no lugar que antes se via seu olho esquerdo.
Sirius fechou os olhos por alguns instantes, aquilo não poderia estar acontecendo com ele. Voltou a abri-los em tempo de ver os dois afastando-se pelo corredor, murmurando com tristeza;
- Eu preciso ver minha filha...
Alastor olhou-o por sobre o ombro, virando-se em seguida sem nada declarar.


Já fazia mais de seis meses que Black estava em Azkaban, acostumara-se com os gritos roucos que passara por sua garganta sempre que os Dementadores faziam suas visitas, e já se acostumara também com os gritos dos outros prisioneiros, o que no começo o acordava durante a noite.
Azkaban era o lugar que fazia os pesadelos tornarem-se reais, o lugar que trazia a tona as piores lembranças de seus moradores.
Sirius se sentia cada dia mais fraco e desamparado.
Pouco á pouco sua esperança ia embora, junto com sua felicidade e boa parte das lembranças boas que cultivava.
As ruins, entretanto, permaneciam com ele, mais vívidas do que nunca.
Mas Sirius era inocente, e mesmo que ninguém mais acreditasse nisso, ele sabia que era real. E esse pensamento os Comensais não conseguiriam arrancar dele.
Em uma tarde mais fria no final do inverno, Sirius estava encolhido no canto de sua cela, tentava pensar em qualquer coisa que o distraísse do frio que sentia.
Frio era uma sensação psicológica, não era? Ele fazia de tudo para colocar a mente em qualquer outro lugar, longe daquele frio, longe daquela loucura pertencente á prisão.
Via as mãos arroxeadas e, embora tivesse recebido mais algumas peças de roupa para passar o inverno rigoroso daquele ano, cogitara a possibilidade de o frio que sentia não ser apenas por causa da estação gelada em que estavam, embora tremesse, sentia como se sua própria alma congelasse, aos poucos, sufocando-o de dentro para fora.
Ainda tremia encolhido, quando ouviu passos e um bater em sua cela, levantou brevemente a cabeça, reconhecendo então Alastor, o qual não parecia interessado em olhá-lo por muito tempo;
- Prometi que lhe entregaria isso. – jogou um envelope pardo pela grade, dando meia volta e saindo, sem dizer mais nenhuma palavra, sem olhá-lo uma segunda vez.
Almofadinhas arrastou-se pelo chão frio, cansado demais para colocar-se em pé, até pegar o envelope e voltar para sua cama, embrenhando-se novamente das cobertas finas, virou o papel pardo em suas mãos, Sirius, estava escrito em tinta preta, após pensar um pouco, reconheceu a letra de Andrômeda.
Abriu o papel com as mãos trêmulas, e agora ele já não tinha mais certeza de era pelo frio ou pelo nervoso, de dentro retirou um pedaço de pergaminho e duas pequenas fotografias em preto e branco; Sirius sentiu as lágrimas chegarem aos seus olhos e o sorriso aos seus lábios finos e secos, seu corpo aqueceu-se no mesmo instante em que vira a primeira imagem; Na foto, a garotinha estava bem maior desde á última vez que Sirius a vira, tinha muito mais cabelo e os movimentos um tanto mais ágeis.
vestia uma blusa quentinha com touca, estava na sala e segurava o cachorro preto de pelúcia que tanto gostava, ria para a câmera enquanto andava até a pessoa que tirava a foto.
Era quase como se Almofadinhas conseguisse escutar sua risada alta e alegre, sempre seguida de um bater de palmas animados.
Ela estava bem, estava feliz.
Na segunda foto, a mais recente, tinha as mãos e parte do rosto sujo com bolo, enquanto uma vela de número dois aparecia na lateral. Os cabelos já cobriam sua cabeça por completo, os grandes olhos encaravam curiosos a foto, enquanto ela tentava segurar uma risada, colocando as mãos sujas sobre a boca.
Sirius sentiu um aperto no peito e a vontade de chorar aumentou, não sendo mais possível controlar.
Perdera o aniversário de sua filha.
já fizera dois anos, e há seis meses o pai já não estava mais presente em sua vida.
Almofadinhas passou vários minutos olhando aquelas fotos, sorrindo tristemente para elas, prendendo-se em cada detalhe.
A filha estava bem, estava segura e isso deveria ser o suficiente, mas a saudade que sentia apertava seu coração. Queria estar com ela, queria ele mesmo ter feito o bolo e tirado aquela foto, queria ter visto a reação dela ao abrir os presentes. Queria ser ele a abraça-la desejando um feliz aniversário quando ela acordasse pela manhã, mesmo que ela ainda não entendesse bem o que aquilo significaria.
O homem então suspirou profundamente, fungando baixinho e passando a mão pelo rosto magro, limpando as lágrimas que ainda escorriam. Pegou o pergaminho dobrado que tinha deixado de lado, abrindo-o em seguida e lendo atentamente a carta de Andrômeda;

“Sirius,

Prometi que não me demoraria, pois mesmo não querendo acreditar, Alastor e Alvo estiveram aqui em casa e nos fizeram ver o que você realmente fez. No fundo espero tanto que seja mentira, porque não consigo imaginar você ajudando Você-Sabe-Quem, especialmente quando envolvia James que sempre fora seu melhor amigo... Sinceramente não sei o que pensar quanto a isso... Mas também não é por isso que escrevo.
Alastor contou um pouco sobre sua estadia nesse lugar... Disse também que você perguntara sobre e, por pior que seja imaginar que você fosse o infiltrado da Ordem, sei o quanto se importa com ela, por isso achei justo te contar como ela está.
E também achei que você gostaria de ter uma pequena lembrança dela, por isso mando junto essas duas fotos.
Estamos cuidando muito bem dela, Dora adora tê-la em casa!
Sua filha é realmente muito esperta, já corre por todo lado e pula do sofá (e de todos os outros lugares que consegue subir!).
já está comendo sozinha faz algum tempo (embora faça bastante bagunça e se suje muito), e fala o tempo todo, começou com os pequenos barulhos de sempre, mas agora ela já consegue formar várias palavras e entender tudo o que dissemos. Bem, ainda tem algumas palavras que não conseguimos compreender muito bem, porque ela fala meio enrolado...
Ela continua andando agarrada com o cachorro de pelúcia por toda a casa, e não dorme se não estiver com ele ao seu lado.
No geral ela está muito bem, saudável e feliz.
Ela brincou muito e comeu bastante do bolo de chocolate de aniversário, semana passada.
Mas ela sente sua falta, Sirius!
Chorou por dias esperando você voltar quando foi preso, e ainda acorda á noite chamando pelo “papa”.
Deixamos uma foto de vocês dois juntos ao lado do berço, pois não gostaria que ela se esquecesse de você. Independente de tudo Sirius, você sempre foi um bom pai e a saudade que ela sente de você é a maior prova disso!
passa bastante tempo sentada no berço, olhando para a foto de vocês e falando diversas coisas, algumas não conseguimos entender, mas sempre tenho a impressão que ela quer te contar sobre seu dia.
Sua filha te ama, Sirius.

Andrômeda.”


Ás lágrimas voltaram a cair e o aperto em seu peito aumentou consideravelmente quando leu que ela sentia sua falta, que olhava para foto e que o chamava. Sirius leu e releu as partes que falavam da criança, sorrindo e visualizando em sua mente cada cena.
Queria poder abraça-la novamente, beijar-lhe a cabeça e dizer o quanto a amava, o quando sentia sua falta.
Queria protege-la.
Entendia o motivo de Andrômeda considera-lo culpado, Sirius não tivera a chance de se explicar, não tinha nem mesmo como responder aquela carta. Mas mesmo assim sentiu-se grato por saber que a cunhada deixara uma foto dele ao lado da cama de sua filha, que ela não deixaria esquecer-se dele.
Era importante para Sirius que sua filha lembra-se dele, mas ele queria que ela soubesse que ele era inocente, que não tinha feito nada daquilo.
Só não sabia como.
O medo então o atingiu ao imaginar o que aconteceria quando ela crescesse mais, se ela ainda sentiria sua falta e se ainda iria amá-lo como agora.
Doía imaginar que um dia sua filha poderia considera-lo culpado, assim como todos os outros.
Mas não valeria á pena pensar naquilo no momento, ainda teria alguns anos até ela começar a entender tudo aquilo e, Sirius esperava, até esse dia chegar ele já estaria fora de Azkaban.
Almofadinhas deitou a cabeça em seu travesseiro, ainda olhando para as duas pequenas fotos em suas mãos com um sorriso no rosto, assistindo rir em sua direção, como se estivesse em sua frente, rindo diretamente para ele.
No momento, aquilo era o suficiente para fazê-lo seguir enfrente naquele inferno;
Sua filha te ama, Sirius.

Fim

Nota da autora (Junho/2016): Olá!
A vidinha do Sirius, só piora, não é mesmo? Pobre alma, porém mesmo assim é amado por todos menos Victoria. Mas vamos ver se nos próximos extras ele melhora! Ou não.
O terceiro dessa ~super sequencia de extras de UNH~ será mais voltado a Victoria, porque a “coitada” não teve seu direito de resposta, não é?
O próximo extra serááááá::::
The Family’s Wrong Side, então quando você vir na att esse nome, clica lá pra saber o que tá acontecendo! HAHA Lembrando que: Vou mandar os próximos dois extras (porque também teremos o ponto de vista da filha do casal!), antes de mandar o último de UNH. E possivelmente ainda vou mandar o “especial” de Black&Diggory para o FFOBS ao mesmo tempo, porque quero que vocês continuem me amando ou não que ngm sabe o final de UNH ainda <3
Pra quem ainda não leu The Black’s Family Story, é só clicar aqui. E se você ainda não lê Uma Nova História, é só clicar aqui!
PS: Obrigada por quem perder uns minutinhos lendo (E COMENTANDO!!!) <3
PS-VIP: Obrigada a Berrie maravilhosa que fica me aguentando e faz as capas que eu peço <3
Xx

Extras
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