Contador:
Última atualização: 25/12/2021

Halloween Party

Minha escolha foi de ficar no quarto com . Meu coração acelerou quando coloquei meu celular de volta no bolso da calça e recebi outro beijo dele em resposta a minha escolha. Poderia dizer que tivemos uma noite interessante e longa? Sim. Porém, um imprevisto na casa de seus pais e fez ir embora de imediato. Assim que nos despedimos na porta do meu quarto e me tranquei dentro, retirei o celular do bolso novamente para enviar uma mensagem de resposta a .

“Desculpa, mas não é noite de lua cheia e esta loba precisa descansar.” — enviei a ele.

“Que pena, a noite também é dos felinos, achei que quisesse se divertir. 
Mas soube que reclamou de dores no tornozelo. 
Desejo melhoras.” — digitou ele de volta.

Sorri de leve olhando para tela do celular, então coloquei o aparelho na bancada de estudos ao lado da minha cama. Caminhei até o armário e troquei de roupa. Logo senti mais uma pontada de dor no tornozelo, começando a latejar depois. Abri a mochila e retirei os analgésicos, tomei um com a água que estava na minha garrafinha, então me deitei. Não demorou muito, até que peguei no sono. No meio da madrugada ouvi vozes de Marg chegando, estranhei ela não ter dormido na mansão dos leões.

Na manhã seguinte, acordei com o olhar curioso de minha nova amiga para mim, ansiosa para que eu acordasse. Me espreguicei de leve e ergui meu corpo. Ela parecia apreensiva em começar a falar, mas se segurando.

— Fala Margareth, pode dizer todas as coisas que se passam em sua mente. — comentei olhando-a com tranquilidade.
— Só me diga uma coisa, qual dos dois beija bem? — perguntou ela exalando curiosidade.
— De onde tirou isso? — meu corpo gelou.
— Querida o campus está fervendo com as últimas notícias, fotos do seu beijo em na festa dos lobos, e fotos do seu beijo em na porta deste quarto. — ela cruzou os braços para mim, o olhar de: vai continuar negando?

Respirei fundo procurando as palavras mais adequadas para que ela não surtasse mais ainda.

— Calma Marg, eu não neguei nada até agora. — disse ponderadamente — E esse povo do campus são todos fofoqueiros.
— Não acredito que esse furo não veio de mim. — ela bufou frustrada — Não que eu queira fazer fama em cima de você amiga, mas já fazendo…
— Não se preocupe Marg, não te recrimino. — ri o olhar inocente dela — Mas, não tem nada rolando, e não existe triângulo amoroso, se isso já foi colocado em pauta.
— Tem certeza. — seu olhar de desconfiança era visível.
— Sim, eu ainda tenho meu foco total nos estudos. — olhei para o celular estranhando não ter despertado — E por falar nisso, hoje é meu primeiro dia de aula oficial e já estou atrasada.

Me levantei depressa da cama e troquei de roupa correndo. Foi o tempo de prender o cabelo com uma gominha qualquer que Marg me emprestou, jogar o caderno, minha agenda, carteira e celular na mochila e sair correndo com o mapa do campus na mão. Claro que os olhares e cochichos pelo caminho não faltaram. Tentei ignorar tudo e cheguei no auditório que seria a aula de história da arte e do design. Mais uma vez todos os olhares estavam direcionados para mim. A famosa caloura de Wisconsin que chegou atrasada.

— Me desculpe o atraso. — disse ao me direcionar apressadamente para o assento vazio ao fundo da arquibancada. 

A aula estava cheia. Assim que me sentei, percebi que o professor mantinha seu olhar impaciente para mim, assim como os outros. O que será que eu tinha feito de errado desta vez? Poxa, eu era somente uma caloura. Não poderiam me dar um desconto? Foi quando um veterano se levantou na primeira fileira. Meu coração gelou na hora. Era ali. Estava com um crachá de monitor. Ele veio até mim, pegou minha mochila que estava em cima da mesa e pegando em minha mão, me levou para frente, me colocando sentada na cadeira ao seu lado. Fiquei com vergonha? Claro, sem dúvidas nenhuma. E queria uma explicação de tudo aquilo.

Assim que me assentei e também, o professor Brown, deu início a aula. Além de história da arte, ele também era o Coordenador da Escola de Arquitetura, que oferecia cursos desta área e de todas que englobava design e desenho industrial. Dez minutos depois do professor apresentar o curso de design e a disciplina que nos ensinaria. O alpha percebeu meu nervosismo diante do ocorrido, e pegando meu caderno, começou a escrever.

“Você é um lobo agora, neste lugar, lobos se sentam na primeira fileira, até os professores sabem disso. Além do mais, o senhor Brown também é da alcateia.”

Eu virei meu olhar para ele depois que li. Era só o que me faltava. continuou olhando para frente como se nada tivesse acontecido. Então peguei a caneta de sua mão e escrevi também.

“Me dá um desconto, é o meu primeiro dia. E você? O que faz aqui? Veterano?”
“Não sabe ler? kkkkkkkk Sou seu monitor.”
“Meu monitor? Está aqui para me deixar nervosa.”
“E porque está nervosa?”
“Ainda pergunta?” 

Eu o olhei novamente. Então ele pegou a caneta de minha mão.

“Deveria prestar atenção na aula, isso vai cair na prova.”
“Se você deixar.” 

Ele sorriu de canto, mantendo a atenção no professor.

“Não podemos ser mais tecnológicos?” — escrevi.
“É proibido celulares nas aulas.” — escreveu ele segurando o riso.
“Que pré-histórico.” 

Bufei um pouco, ele riu baixo.

“Não ria de mim” — cruzei os braços e o olhei.
“Você fica sexy quando está zangada.”

— O que?! — soltei em voz alta, atraindo novamente a atenção de todos, quando dei por mim o que tinha feito, coloquei as mãos na boca — Me desculpe.

Notei risadas aleatórias, que cessaram assim que lançou seu olhar de alpha protetor.

— Algum comentário pertinente a aula senhorita Fletcher?! — o senhor Brown se aproximou de nós e pegou meu caderno — Interessante suas anotações senhorita Fletcher. — comentou após ler e colocar de volta na mesa.

Por mais que ele tentasse manter seu olhar em mim, o foco de sua fixação era em ao meu lado.

— Já que se mostrou tão aplicada mesmo com seu atraso inoportuno, espero da senhorita um artigo de 10 páginas sobre as influências da arquitetura clássica encontradas no design moderno industrial, sob o olhar da cultura funcional da Bauhaus. — pediu ele — Para ser entregue na sexta-feira.

O que? Quem? Onde? Pensei comigo.

— Tenho certeza que nossa caloura irá entregar o artigo mais impecável que já leu. — assegurou com firmeza.

Tem certeza que era pra mim e não para ele, senhor Brown? Pensei novamente.

— Assim espero. — o professor se afastou de nós.

Olhei para , desnorteada e raivosa ao mesmo tempo. Assim que a aula terminou, peguei minha mochila joguei nas costas e saí na frente espumando de raiva dele.

. — ele me chamou ao me alcançar, então segurou em meu braço para que eu parasse de andar.
— O que? — disse com agressividade.
— Está tudo bem? — perguntou ele.

Observando discretamente as pessoas parando para ver nossa pequena briga.

— Você ainda pergunta. — me soltei dele — Obrigada Alpha, graças a você tenho um artigo para entregar e nem sei como se faz isso, eu nem sei mais sobre o que é.
— As influências da arquitetura clássica encontradas no design moderno industrial, sob o olhar da cultura funcional da Bauhaus. — respondeu ele com serenidade.
— Fica longe de mim. — me afastei dele e segui para sala de desenhos onde seria a próxima aula.

Foi difícil me concentrar na aula de Representação Técnica. Primeiro por causa do relatório, depois pelos olhares de todos para mim. Claro que um vídeo da discussão no corredor com já estava correndo pelos celulares de geral. Para mim que vivi a vida inteira em uma cidadezinha pacata e tranquila, toda aquela exposição repentina não me fazia bem. 

As horas se passaram, na hora do almoço me refugiei dentro da biblioteca. O lado bom de se ter feito amizade com a atendente Lin? Ela já tinha reservado um cantinho cativo para mim, assim não seria incomodada. Mas claro, só até a parte B.

— Está mais calma?! — perguntou ao se aproximar de mim e se sentar no chão ao meu lado.
— Sou tão previsível assim que é fácil me encontrar aqui? — não me segurei e bufei um pouco.

Só queria ficar sozinha.

— Já percebi que não. — ele soltou uma risada baixa — Não estou chateado por ter me trocado pelo alpha, se vale saber. 

Voltei meu olhar atravessado para ele. A última coisa que queria naquele momento era me lembrar da disputa ridícula que ele tinha transformado minha estadia ali.

— Ok, não vou mencionar o assunto. — ele sorriu de forma gentil e desviou o olhar para minha mão — As influências da arquitetura clássica encontradas no design moderno industrial, sob o olhar da cultura funcional da Bauhaus. 

Percebi que segurou o riso e ficou observando minha reação.

— Até você? — soltei o livro e cruzei os braços — Não tem graça. Para vocês deve ter sido fácil chegar aqui, mas para mim não, eu tive que convencer meus pais a vir, convencer a universidade a me dar uma bolsa, convencer a mim mesmo que conseguiria, para mim estar aqui não é festas de fraternidade, é o meu futuro e o meu sonho.

Soltei um suspiro fraco, mas tinha desabafado finalmente.

— Se quiser posso te ajudar, conheço muitos veteranos que foram ótimos alunos em história da arte. — comentou ele.
— Pensei que você iria se oferecer. — brinquei.
— Meu curso é exatas, mas passa longe disso. — ele riu.
— Ela não precisa de você leãozinho. — reconheci a voz de Joy Tenebrae ao lado.

Voltamos nosso olhar surpreso para ela, que carregava quatro livros nos braços.

— O que faz aqui? — perguntei ao me levantar — O que é tudo isso?
— O que acha que está fazendo gatinha? — perguntou .
— Estou ajudando minha caloura de design. — ela voltou o olhar para mim — Tenho cinco artigos publicados sobre a Bauhaus e mais três sobre arquitetura clássica, minha monografia de conclusão de curso fala sobre ambos assuntos e neste momento sou a pessoa mais indicada para lhe ajudar. 

Ela olhou novamente para .

— Poderia deixar as damas a sós, majestade? — seu tom não parecia uma pergunta, mas sim uma ordem.
— Como pedido. — me olhou e me deu um beijo suave na bochecha — Te vejo depois?
— Não tenho certeza se terei tempo. — comentei deixando a resposta vaga.
— Te vejo depois. — confirmou ele.

Disfarcei o sorriso e o segui com o olhar até que sumiu em nosso campo de visão. Então, voltei minha atenção para Joy que se mantinha com a curiosidade no olhar.

— Posso saber realmente o que faz aqui? — indaguei — Sou uma caloura e já percebi que ninguém presta favores de graça aqui.
— Garota esperta. — ele sorriu de canto — Tenho dívidas com o alpha, ele me mandou aqui e eu vou te ajudar, você querendo ou não.

Eu não tinha como recusar. Depois do currículo exposto que ela tinha. Eu nem sabia o que era um artigo direito.

— Não tenho outra escolha. — suspirei fraco.
— Isso mesmo, você não tem. — ela riu de mim.

Pegamos mais dois livros referentes à metodologia científica e seguimos para uma mesa. Eu só teria essa matéria na próxima semana devido a uma viagem que a professora estava fazendo. E por mais que tivesse no dia seguinte, não conseguiria aprender o que preciso em uma aula. O que significava que se não fosse a ajuda de Joy, estava realmente encrencada. Passamos a tarde toda ali dentro, nem mesmo saímos para comer algo. Joy precisou acionar suas calouras recém ingressas a Delta Pi para nos levar um lanche.

Entretanto, uma coisa eu tinha que concordar, ela era super inteligente e dominava bem o assunto. Consegui aprender com ela em horas ali mais do que na aula cansativa do professor Brown. Quando demos conta, já marcava 10 horas da noite no relógio do celular, até mesmo Lin já tinha encerrado seu expediente e a garota da noite já se encontrava. 

— Por hoje é só, agora você só precisa ler os artigos que te enviei e esses dois livros aqui. O resto já fez suas anotações com as referências, então está tranquilo. — disse ela ao fechar o livro de arquitetura clássica.
— Ok, acho que consegui absorver tudo que me explicou sobre a diferença de revisão da literatura e estudo de caso. — assenti.
— Sem dúvidas então? — perguntou para confirmar.
— Sem dúvidas. — confirmei.
— Tudo certo então. — Joy sorriu para mim — Dívida paga, se tiver mais alguma dúvida, a Margareth tem meu contato, só pedir a ela.
— Ok, agradeço mesmo sendo uma dívida paga. — sorri meio sem jeito.

Juntamos as coisas e deixamos os livros no lugar. Assim que saímos da biblioteca, estava encostado em seu Porsche azul marinho de braços cruzados me esperando.

— O que faz aqui? — perguntei ao me aproximar dele.

Joy seguiu seu caminho até seu carro, mas observando de canto o que acontecia.

— Disse que te veria mais tarde. — ele sorriu de canto. 
— Disse que eu não tinha tempo. — ajeitei a mochila nas costas, porém ele pegou para carregar.
— Não precisa disso, meu dormitório fica aqui perto. — disse tentando pegar novamente.
— Não, faço questão. — ele se afastou do carro e abriu a porta para que eu entrasse.
— Uau, que lord. — comentei.
— Para uma lady. — disse ele com um sorriso subjetivo.
— Vou aceitar por estar cansada e meu tornozelo ainda está enfaixado, mas você não vai passar a porta do prédio. — o alertei.
— Não posso nem mesmo te carregar até seu quarto? — perguntou em seu nível de competitividade.
— Não começa. — entrei no carro, segurando o riso.

Assim que ele entrou no lado do motorista, deu a partida. Se contei três minutos ali dentro foi muito. me ajudou a descer, pois meu tornozelo havia latejando de repente.

— Você precisa ir ao médico. — disse ele num tom preocupado.
— Não precisa, estou bem. — argumentei — Eu só preciso descansar um pouco, ele só dói quando forço a perna, mas está tudo bem agora.
— Tem certeza? — ele reforçou.
— Tenho, estou bem.
— Mesmo assim… — ele me pegou no colo de surpresa — Vou te levar até seu quarto.
— Você realmente odeia perder não é?! — comecei a rir dele.
— Sim, eu odeio perder… — ele sorriu de canto — Mas pelo menos o primeiro beijo foi meu. — ele piscou d eleve.
— Ridículo. — eu bati em seu ombro — Já disse que não serei o troféu.
— Claro que não, você é bem mais valiosa que um troféu. — ele continuou com seu sorriso malicioso — E saiba que, deixou de ser uma competição assim que eu te beijei.

Meu coração deu uma pulsada forte.

— Pare de dizer besteiras King Lion. — disse o chamando pelo codinome. 
— Só estou sendo sincero. — e havia sinceridade em sua voz.

Assim que me colocou de pé na porta do meu quarto. O olhei meio sem graça por chamar tanta a atenção das pessoas em nossa volta.

— Vocês dois são realmente parecidos nisso, gostam de me deixar sem graça. — comentei ao retirar a chave do bolso.
— Não deveria, você é muito linda para isso. — ele sorriu de canto com malícia — E sexy também.
— Não diga essa palavra. — pediu ao entrarmos no meu quarto — A última vez que alguém falou que sou sexy, me custou um artigo.
— Hum… — ele certamente pegou a referência.
— Pronto, conseguiu, me trouxe até meu quarto e ainda entrou nele. — disse ao esticar a mão para minha cama, para que ele colocasse minha mochila.
— Estou feliz por isso, mas não satisfeito. — ele se aproximou mais de mim.
— Vai ter que se contentar com isso. — coloquei a mão na frente, encostando em seu tórax o parando — Preciso realmente tomar um banho e dormir, amanhã tenho mais aulas e um artigo de 10 páginas me esperando.
— Lamento por ter que fazer isso. — ele pegou em minha mão e sorriu — Se precisar de ajuda.
— Pode deixar que eu ligo para Joy. — brinquei o cortando.
— Você realmente gosta de fazer isso comigo. 

Assim que ele se aproximou mais, Marg entrou no quarto acompanhada de James. Ela se assustou a ver o “cunhado” ali comigo. 

— Uau. — e não deixou de esboçar sua reação — Achei que ainda tivesse na biblioteca com a Joy.
— Como sabia? — perguntei ingenuamente — Não precisa responder, agora todos sabem da minha vida.

Foi complicado não demonstrar minha chateação.

— A Joy me perguntou onde poderia te encontrar, eu automaticamente pensei na biblioteca. — explicou minha amiga — Está tudo bem? 
— Sim. — assenti — Minha carona já está de saída.

Olhei para , que assentiu. James aproveitou para sair com o irmão. O olhar de Margareth continuou em mim, olhar de: “amiga me conta tudo!”

— Não aconteceu nada, passei a tarde com a Joy coletando informações para o bendito artigo. — me sentei na cama dando um suspiro cansado.
— Amiga, esse é o artigo mais esperado do campus. — comentou ela segurando o riso — E será até publicado em nosso jornal online.
— O que?
— Pedido especial do professor Brown ao coordenador do curso de jornalismo. — ela desviou o olhar para o celular — Se precisar de ajuda para redigir.
— Agradeço, se ficar complicado eu te grito por socorro sim. — sorri para ela e me levantei da cama.

Um banho quente, roupas confortável e meu travesseiro, necessariamente nessa ordem. Mesmo preocupada consegui dormir bem naquela noite. O dias se passaram e minha rotina se estabeleceu da aula para o dormitório, até que finalmente a sexta, que mais parecia 13, chegou. Entrei no escritório do professor Brown e ele estava em reunião com . Foi somente ao olhar para o alpha que percebi sua ausência da minha vida todos aqueles dias. Estava tão neurótica com o artigo.

— Senhorita Fletcher. — disse o professor Brown ao erguer o corpo e me olhar.

continuou encurvado, desenhando sobre a planta pregada em sua prancheta. Parecia concentrado e não deu importância ao ouvir meu sobrenome.

— Aqui está o artigo professor. — disse ao esticar o envelope para ele — Formatado e impresso. 
— Não disse que era para imprimir. — retrucou ele.
— Tomei a liberdade, enviei para seu email e do monitor em pdf também. — expliquei com segurança.
— Muito bem. — ele pegou o envelope da minha mão, voltou-se para e o jogou em cima do seu desenho.

Percebi que o alpha soltou um suspiro forte, como se controla-se a raiva.

— Leia, revise, faça as devidas considerações e dê a nota que acha que vale, depois envie para a redação do jornal, será publicado na segunda pela manhã. — ordenou o professor.
— Sim, senhor. — pegou o envelope e se levantou.

Ele manteve o olhar longe de mim todo o tempo. Ao se locomover, se retirou da sala antes que eu pudesse falar algo.

— Mais alguma coisa professor? — perguntei.
— Não, apenas um conselho. — ele me olhou com seriedade — Não saia do foco e não tire nenhum outro aluno de seu caminho, quando pediu a bolsa de estudos, garantiu que seu desejo nesta universidade era puramente acadêmico.
— Mantenho esta palavra senhor. — assegurei a ele.
— Assim espero.

Me retirei de sua sala revoltada com tudo. Mas aquilo me serviu para voltar ao foco e somente estudar mais e mais. Entretanto, nada é como desejamos.

As semanas se passaram e uma movimentação repentina começou a surgir. O causador? O jornal do campus anunciando a próxima festa: Halloween Party. E adivinha quem iria organizar? Isso mesmo, os lobos. Claro que toda a cultura sobre lobisomem e tudo mais não deixaria que outra fraternidade orquestra-se esta festa. Uma das mais esperadas pelos universitários dali.

. — disse Isla ao me barra no corredor — Você não apareceu em nenhuma reunião da alcateia, o que houve?
— No contrato diz que calouros não são obrigados a ir no primeiro ano. — comentei.
— Você não é qualquer caloura. — ela cruzou os braços revoltada — Foi indicada pelo alpha, deve ir.
— Isla, eu gosto muito da sua amizade, mas não força tá, está ignorando a minha presença há semanas e eu não sou dessas que correm atrás de macho emburrado. — cuspi as palavras e me virei para a estante de livros — Ele nem olha na minha cara, acha mesmo que faz diferença minha presença nessa reunião?

Ela soltou uma gargalhada alta, chamando a atenção da atendente que conseguia nos ver. Então ela pediu desculpas gesticulando de uma forma estranha. E voltou a me olhar.

— Macho emburrado, adorei a colocação. — ela ficou um pouco mais séria, mantendo o olhar sereno — Meu irmãozinho é do tipo de pessoa que leva tudo ao pé da letra e a ferro e fogo, você disse para ele ficar longe, é o que ele está fazendo.

Ela explicava de uma forma tão simples e tranquila.

— O que? — me peguei embasbacada — Quando eu disse isso?
— No momento da raiva, no corredor do prédio, por causa de um artigo. — ela me refrescou a memória — E agora com sua amizade com o leão, o que não falta é comentários por aí.

Respirei fundo.

— Eu e somos somente amigos e nada mais. — assegurei a ela.
, não precisa me explicar nada, a vida é sua, você gosta de quem quiser. — disse ela.
— Não é questão de gostar e esse é o problema, não quero gostar de ninguém, pelo menos não posso gostar de ninguém agora. — me abaixei sentando no chão, foi como me sentir fraca ao dizer aquilo.
— Mas está gostando? — indagou ela se sentando ao meu lado.
— Talvez. — mantive o olhar nos livros — Não sei dizer.
— Você está gostando do King Lion? — perguntou.
— Esse é o problema, eu não sei por quem estou me apaixonando. — voltei o olhar temeroso para ela — E sinceramente não quero isso agora.
— Está com medo de se machucar?
— Estou com medo de atrapalhar a vida de alguém. — voltei meu olhar para os livros.

Já estava enraizado dentro de mim as palavras do professor Brown. 

— Bem, a melhor coisa que existe para não se apaixonar é distrações. — ela se levantou — Levante-se que a partir de hoje você será a minha caloura assistente.
— O que? — a olhei com espanto — Como assim?
— Tecnicamente você é caloura do meu irmão, mas tudo que é dele é meu, então será a minha caloura agora. — ela esticou a mão para me ajudar a levantar.
— E isso é bom? — perguntei ao segurar a mão dela.
— Claro que é, significa que quando eu me formar, você ficará em meu lugar como a organizadora dos eventos da Alpha Omega. — respondeu ela me puxando.

Por essa eu não esperava e nem almejava. Minha fase aprendiz de Isla, se iniciaria com a ajuda nos preparativos da Halloween Party. Eu queria aquilo? Não, não era minha ambição. Eu tinha escolha? Não, se tratando da Isla, não. Passamos todo o mês de outubro entre planilhas de gastos e custos, lista de convidados, impressão de convites e tudo mais que girava em torno da festa. A única coisa que sentia era cansaço físico e mental. 

— Lista de convidados?! — perguntou Isla ao se aproximar da janela do escritório da mansão dos lobos.
— Ok. — respondi permanecendo sentada no sofá de camurça, super confortável.
— Convites impressos? — continuou ela.
— Ok, serão entregues amanhã na primeira hora. — confirmei novamente.
— Dj?
— Confirmado.
— Buffet com as bebidas?
— Ok, o cardápio foi aprovado e será oferecido o que pediu. — mantive o olhar na prancheta nas minhas mãos.
— Isso é bom, detesto ser contrariada. — comentou ela rindo baixo.
— Isla preciso falar com… — entrou no rompante no escritório, porém se calou ao me ver lá — Volto mais tarde.

Ele deu meia volta para se retirar.

. — o chamei, porém fui ignorada.

Voltei meu olhar para Isla, que segurava o riso.

— Eu diria para ir, mas você não corre atrás de macho emburrado. — disse num tom irônico que só ela tinha.

Me peguei enfezada e coloquei a prancheta com a caneta na mesa de centro e me levantei. Segui atrás de . Não sabia para onde tinha ido então deduzi que pudesse ser seu quarto. Subi as escadas e continuei minha busca até chegar no quarto dele. A porta estava encostada, então aproveitei para entrar sem bater. O alpha já estava parado em frente a prancheta que tinha em seu quarto, não fiquei reparando nos detalhes arquitetônicos do lugar e me aproximei dele.

— O que faz aqui? — perguntou ele surpreso em me ver.
— Olha, agora ele não me ignora. — comentei com sarcasmo.

Ele respirou fundo.

— O que quer?
— Que pare de agir assim, de forma infantil como se eu não existisse. — cruzei os braços revoltada com ele.
— Foi você quem pediu para ficar longe. — explicou mantendo a serenidade no olhar.
— Pare de ser assim ok?! Eu estava em um momento de raiva, não era pra ficar semanas fingindo…

Eu fui parada por um beijo surpresa dele. Que além de me deixar desnorteada, foi tão intenso que fez meu corpo ceder sem o menor esforço. Meu coração novamente acelerou mais e mais, assim como as pernas bambearam. Logo a sanidade retornou e eu me afastei dele. Não, já estava decidida a não me apaixonar. Lobo ou leão, não importava, qual deles fosse.

— Você não pode fazer isso, e eu não estou nervosa agora. — disse colocando a mão em seu tórax o afastando — Não pode me beijar sempre que te der vontade.
— Tudo bem. — ele assentiu com um sorriso de canto de matar.

E sim, eu queria matar ele naquela hora.

— Eu… — dei um passo para trás desviando o olhar dele — Preciso voltar para… A Isla…
— Eu já entendi. — ele se aproximou novamente e me deu um beijo na testa bem demorado — Seja uma boa aprendiz, minha irmã gosta muito da sua amizade.
— Eu também gosto da amizade dela. — sorri e leve e me retirei.

Assim que cheguei no escritório, Isla manteve seu olhar curioso me esperando mencionar algo, mas me mantive em silêncio. Ela respeitou minha decisão de não compartilhar, o que me deixou aliviada e confortável.

--

Por fim…
A noite da festa chegou e eu me mantive jogada na cama vendo FRIENDS, enquanto Margareth se arrumava. Foi quando senti sua movimentação próxima da minha cama, retirei os fones do ouvido e a olhei.

— O que foi?! — perguntei.

Ela se mantinha parada com as mãos na cintura e um olhar indignado.

— O que está fazendo? — perguntou ela.

Dei uma olhada. Minha amiga estava vestida com o macacão de couro que comprou a prestação para festa, seu estilo mulher gato era para ninguém colocar defeito.

— Maratona de FRIENDS. — respondi tranquilamente.
— Não acredito que não vai à festa que ajudou a organizar. — retrucou ela.
— Estou tão cansada que não tenho forças para me levantar. — expliquei a ela.
— Pois trate de fazer brotar suas forças. — disse Isla ao aparecer de repente da porta puxando uma mala de rodinhas — Você achou mesmo que calouros tem o direito de ficar em casa? Pode ir se levantando, você é minha aprendiz, aja como tal.

Isla esbanjava charme com seu vestido sinuoso de rainha de copas. Ficava bem em qualquer look de tão fashionista que era.

— Isla, só hoje, nunca te pedi nada. — a olhei de forma chorosa.
— Não. — disse como se estivesse ordenando.
— Ok. — me levantei contrariada e segui para meu armário.
— Não, nem cheguei perto disso. — ordenou Isla — Acha mesmo que vai ir na minha festa com suas roupas surradas, nada de cosplay de zumbi.
— Agora eu gostei. — Margareth se sentou em sua cama — Faço questão de acompanhar o processo.
— Marg? — a olhei indignada.
— Marg nada, faz tempos que quero queimar suas roupas de estagiária desleixada de jornalismo. — ela bufou de leve.
— Nem todo mundo tem a alma de patricinha Barbie como vocês duas. — coloquei a mão na cintura.
— Hoje, você vai se vestir a altura de uma loba da alcateia e nada de reclamar. — disse Isla.

Ela tinha moral comigo, então faria aquilo sem contestar mais. Isla de emprestou um vestido preto estilo Mortiça da família Adams, valorizava bem minhas curvas e ainda tinha um rachado enorme na perna direita. 

— Uau, que linda. — disse Marg boquiaberta — Agora é que você não deixa de ser popular mesmo.
— Isla?! — olhei para ela — Não me sinto confortável.
— Deixa de ser uma chata, o vestido ficou lindo em você. — disse Isla.
— É apertado demais. — retruquei.

Ela se mostrou pensativa.

— Te dou duas escolha, preto Mortiça ou vermelho Jessica Rabbit. — ela cruzou os braços. — Então?
— Não tenho a opção do zombi? — perguntei.
— Não. — disseram as duas em coral.

Respirei fundo e dei uma olhada no vestido vermelho. Era menos transparente e o rachado não era tão grande assim. Eu não gostava de vestidos, mas há dias em que precisamos abrir uma exceção. Coloquei o vestido vermelho que me fez parecer aquelas espiãs internacionais em plena missão de seduzir o mafioso inimigo. Seguimos as três juntas para o bosque próximo ao campus. Uma surpresa preparada pela Alpha Omega para este ano. Um ambiente preparado que remetesse mesmo a temática. 

— Somos a atração da festa. — comentou Marg, assim que chegamos e os olhares vieram em nossa direção.
— Assim que eu gosto, chegada triunfal. — assentiu Isla ao dar um sorriso presunçoso.
— Hum. — resmunguei de leve.

Não gostava mesmo de ser o centro das atenções.

— Boa festa as duas. — Marg se afastou de nós e seguiu em direção a James, que a aguardava.
— Bem, aqui nos separamos, Chester está a minha espera. — ela me olhou — Já sabe quem será o sortudo da noite?
— Não tem sortudo. — assegurei a ela.
— Gostar de alguém não significa que vai atrapalhar o futuro dessa pessoa. — disse ela forma de conselho — Se alguém disse isso para você, não leve em consideração.

Ela parecia saber bem mais do que eu havia mencionado para ela.

— Como sabe sobre isso? — perguntei.
— É um pouco óbvio. — respondeu — O professor Brown é pai da Louise, depois do que me falou, imaginei que ele pudesse ter te coagido ou algo do tipo.
— Posso pedir que não mencione isso ao seu irmão? — disse.
— Segredo nosso. — assegurou ela — Mas se está mesmo gostando do meu irmão, não desista dele, tenho certeza que valerá a pena.

Ela se afastou de mim. Fiquei por um tempo parada ali na entrada improvisada. O olhar de e se mantinham fixos em mim. Ambos vestidos em trajes formais, desviando totalmente do propósito de se fantasiar. Eu me locomovi até a mesa de comidas, estava mesmo com fome, fazer maratona de séries te faz esquecer que tem que comer. 

Não demorou muito, até que se aproximou de mim.

— Com esse vestido, tem certeza que só veio pela comida desta vez? — brincou ele ao se colocar em meu lado.
— Em minha defesa, fui obrigada. — disse a ele que riu de mim — Calouros não podem faltar a festas no primeiro ano, como se amanhã eu não tivesse prova.
— Esqueça um pouco as obrigações acadêmicas e divirta-se um pouco. — aconselhou ele — Você e Isla fizeram um bom trabalho, soube que a ideia de ser no bosque foi sua.
— Achei mais apropriado, lobos vivem em bosques, coisas estranhas acontecem em bosques, e com a temática da festa, era algo bem óbvio a se pensar. — expliquei a ele.
— Sua lógica foi muito boa. — elogiou ele.
— É, acho que realmente tenho o sangue de lobos. — brinquei.

Nós rimos. 

— Me parece que o alpha não está gostando da nossa conversa. — comentou .
— Não começa com suas insinuações. — pedi a ele — Ou deixaremos de ser amigos.
— Somos amigos? — ele me olhou surpreso.
— É o máximo que posso te oferecer.
— Isso é uma facada em meu coração. — ele fez uma cena de uma faca sendo enfiada no seu coração, me fazendo rir.
— Pare de drama . — eu ri um pouco mais — Você é um bom amigo.
— Friendzone, você quis dizer. — ele me olhou sério.
— Não escolhi lados se é isso que está achando, eu só não quero me apaixonar agora. — fui sincera com ele.
— Está com medo de se apaixonar por mim? — ele deu um passo para mais perto de mim.
— Talvez. — coloquei a mão em seu tórax o mantendo afastado — Será doloroso para você ser somente meu amigo?
— Se eu disser que sim, vai mudar sua decisão? — perguntou ele.
— Não. — eu ri.
— Pelo menos terei o prazer de ficar próximo a você. — seu olhar intenso fez os pelos da minha nuca arrepiar.

O leão sabia como me envolver também. Logo sua mão tocou em minha cintura aproximando nossos corpos.

— Me dá a honra dessa dança? — perguntou ele.

Só neste momento percebi que tinham trocado o estilo de música, para contemplar os casais ali. Começamos a nos mover lentamente de acordo com o ritmo proposto da canção. Eu conseguia sentir a intensidade que ele passava para mim, parecia se segurar muito para não me beijar. Após a dança, me afastei um pouco dele e senti alguém me pegar pelo braço e me puxar para longe.

, agora você é minha. — disse Isla.

Ela era a pessoa.

— O que aconteceu? Algum problema? — perguntei.

Já que eu era a assistente na organização do evento.

— Não. — respondeu ela — Mas você como minha aprendiz vai me representar em um jogo. 
— Jogo? Que jogo Isla? — eu já estava ficando com receio dela.
— Verdade ou consequência. — disse ela.

Um frio na barriga veio em mim. Era só o que me faltava. Isla me levou até a roda que fizeram. Segundo ela, os presidentes, vices e conselheiros das fraternidades eram sempre os participantes, com ações válidas de colocar um calouro representante em seu lugar. Assim tornava tudo mais divertido. Isla como conselheira tinha me escolhido para ficar em seu lugar. Claro que ela não deixaria passar a oportunidade.

— Aqui está, minha representante. — disse ela ao me empurrar para sentar no toco de madeira.

Dei um sorriso fraco, ao ver sentado de frente para mim. 

— Me desculpe por isso, mas só assim para ver meu irmão participar pela primeira vez. — comentou ela em sussurros no meu ouvido.
— Você está me usando? — a olhei boquiaberta.
— Você é uma caloura. — ela piscou e sorriu.

Respirei fundo tentando não imaginar o que me aguardava. Assim que se sentou no toco destinado a ele e o olhar de mudou de tranquilo para irritado, um frio passou por minha espinha, junto com os cochichos em nosso redor. Claro que já estavam declarando o duelo de Titãs comigo ali no meio.

— Bem-vindo calouros representantes, vocês já sabem as regras do jogo, porém nossa versão é mais interessante. — anunciou Maya Sollary, líder da sororidade Tau Sigma — Antes de escolher verdade ou consequência, você pode optar por saber qual será o pagamento se não disser a verdade, se em três rodadas escolher verdade, terá que pagar uma consequência escolhida por mim. Sem direito a revogar.

Engoli seco as regras. Isla havia lhe convidado para ficar a frente do jogo. Claro, uma naja convicta tinha suas habilidades para isso. Dependendo da consequência, eu não teria escolha a não ser falar a verdade.

— Vou rodar primeiro, para quem vai responder, e depois para quem vai perguntar. — disse ela.

Parecia uma eternidade aquela garrafa girando. E para meu azar, caiu em mim recebendo a pergunta. Mais cochichos surgiram, e meu coração na mão. Prosseguiu Maya.

— Finnick o conselheiro felino da Delta Pi pergunta para , a representante loba da Alpha Omega. — disse Maya.
— Você está em algum relacionamento? Verdade ou consequência? — perguntou ele.

Essa era fácil, mas por curiosidade…

— Qual seria a consequência? — perguntei.
— Sair comigo amanhã. — disse ele fazendo tido rirem.

Essa era fácil a resposta.

— Escolho verdade. — disse confiante — Não estou em nenhum relacionamento.

Houve cochichos.

— Vamos novamente. — disse Maya.

Ela rodou algumas vezes e saíram outras pessoas. Porém em um certo momento…

— Hum… Louise pergunta para . — disse Maya, com os olhos brilhando.
— Você está interessado em nossa caloura de Wisconsin? Verdade ou consequência? — perguntou ela com o olhar direto em mim.
— Qual a minha consequência? — perguntou .
— Beijar ela na frente de todos. — disse Louise.

O que ela queria com isso?

— Não seria de todo uma má ideia. — ele voltou seu olhar para mim.

Permaneci imóvel, mas demonstrando minha indignação com as palavras dele pelo meu olhar.

— Mas, escolho a verdade. — disse — Estou muito interessado nela, e sabe disso.

Ele deu um sorriso de canto prepotente. Barulhos surgiram em nossa volta. Mais uma vez Maya girou. Todos torciam para que a garrafa caísse em mim e um dos lordes. 

— Agora sim. — Maya sorriu empolgada — pergunta a .

Meu corpo gelou.

— Você está interessada em alguém? Verdade ou consequência? — perguntou ele.

Admito, eu esperava uma pergunta assim de , mas não dele.

— Qual a consequência? — perguntei.

só lançou um sorriso subjetivo que me fez estremecer.

— Eu escolho verdade. — disse de imediato sem o deixar falar — Talvez, essa é a minha resposta. 

Eu não poderia mentir, pois era contra as regras e tinha pessoas ali, ou seja Isla, que saberia que não era verdade. Claro que ela não deixaria passar e eu teria que pagar. O olhar de Louise me fuzilava. Porém o sorriso continuava nos lábios de , deixando intrigado e nervoso visivelmente.

— E vamos de mais uma rodada. — Maya parecia se deliciar com tudo que acontecia.

Mais garrafas giradas neste meio tempo. Saíram algumas consequências em que beijos foram o pagamento, outra verdades que chocaram alguns.

— Interessante. — Maya sorriu com malícia — pergunta para .
— Você sente ciúmes da sua caloura de Wisconsin? Verdade ou consequência? — perguntou .
— Qual a consequência? — perguntou ele.
— Você sabe. — respondeu bem enigmático.
— Sim, eu tenho ciúmes dela. — voltou seu olhar para mim de forma intensa.

Meu coração acelerou. Maya girou novamente.

— Hum…. Joy pergunta para . — anunciou fazendo todos se alvoroçarem — Só lembrando que se a caloura escolher verdade, ela terá que pagar uma consequência.

Engoli seco com frio na espinha.

— Joy é com você. — finalizou Maya.
— Hum… — Joy lançou um sorriso malicioso — Você se sente atraída pelo alpha? Verdade ou consequência?
— Qual seria a consequência? — indaguei.
— Beijar o King Lion. — disse ela.

Tinha que ser a Joy. Era nítido que estava me encurralando, e de qualquer forma eu pagaria. Mas aquela pergunta tinha cara de Isla, será que a cat queen também devia para ela? A questão era, se eu respondesse iria me expor e não poderia mentir, pois já tinha conversado sobre isso com Marg. Mas se não respondesse, teria que beijar . Engoli seco.

— Escolho verdade. — disse confiante.

Minha sorte estava lançada nas mãos da naja.

— Sim. — assenti.

O olhar de demonstrou gostar das minhas palavras. O contrário do olhar de .

— Ok, agora vamos a minha consequência. — Maya soltou uma gargalhada maldosa — Você terá que ficar uma hora afastada na região do canal acompanhada pelo presidente da sua fraternidade e realizar o pedido que ele lhe fizer.

Respirei fundo. 
Assenti ao me levantar do toco de madeira. se manteve inexpressivo e se levantou também. Seguimos para a direção ordenada em silêncio. Ele mantinha um sorriso discreto no rosto. Assim que chegamos na famigerada árvore da corrida dos calouros, ele parou de frente para mim.

— Eu realmente achei que isso fosse algum plano maluco da Isla, mas olhando para você agora… — iniciei.
— Acha que fui eu quem orquestrou tudo isso? — perguntou ele.
— Sua pergunta me mostra isso. — revelei — Primeiro a Joy, agora… Vai me dizer que Maya também te deve favores. 
— Digamos que sim. — ele revelou mais seu sorriso.
— Quem neste lugar não te deve algo? — perguntei embasbacada.
— Os leões e você. — respondeu tranquilamente.
— Seu mercenário, os lobos por acaso são da máfia? Onde eu me meti? — perguntei indignada.
— Minha família tem muitos contatos, por isso posso prestar muitos favores. — explicou ele.
— Isso me choca.
— Verdade ou consequência? — disse ele ao segurar em minha mão.
— Você também, já estou em surto com esse jogo. — confessei.
— Preciso conferir algo. — explicou ele.
— O que?
— Você está apaixonada por mim? — direto e preciso.

Eu travei na resposta. Por não saber o que responder. Me pegou de surpresa sua indagação. 

Antes mesmo que eu pudesse pensar em reagir, se aproximou de mim, e me puxando para perto pela cintura, me beijou de forma doce e maliciosa, em toda sua intensidade. 

Irei te dar a emoção escondida
À curiosidade dos seus olhos
Você já está apaixonada por mim
Não tenha medo, o amor é o caminho
Meu amor, eu entendi
Você pode me chamar de monstro.
- Monster / EXO



Provas no Inverno

Depois da festa de Halloween, eu me mantive alheia a qualquer assunto sobre o beijo do Alpha e a amizade do King Lion. Era as semanas arrasadoras de provas que haviam chegado, faltando apenas quinze dias para o recesso de natal. Meu planner estava mais louco e em surtos do que eu, com trabalhos para entregas, artigos para ler, provas para fazer resenhas para escrever. Eu apenas ignorava as mensagens no grupo do whatsapp da fraternidade, e tinha até silenciado ele. 

Em alguns momentos chegavam mensagens de perguntando o motivo de não comparecer a tal festa. Mensagens da Isla brigando comigo por preferir ficar no meu quarto a participar das reuniões da fraternidade. De me convidando para passeios noturnos pelo bosque.

— Eu realmente estou desapontada com você, fletcher. — Isla entrou no meu quarto e cruzou os braços lançando um olhar desaprovador.
— O que eu fiz agora? — coloquei o marcador de páginas dentro do livro e o fechei, então olhei para ela.
— O que você fez? — ela soltou um suspiro cansado — Por que não foi na reunião de hoje?
— Pelo que soube era uma reunião administrativa e somente para altos cargos, eu sou uma caloura. — expliquei a ela.
— Você é minha assistente e a partir de hoje é obrigada a comparecer. — reforçou ela não dando importância ao meu argumento.
— Ok. — suspirei fraco — Mais alguma coisa?
— Hum… — ela me olhou como se me analisasse — Amiga, que cara é essa?
— De cansaço. — respondi voltando meu olhar para o livro fechado — Tive seminário hoje, prova ontem e amanhã vou organizar um workshop sobre desenhos à mão, croquis e técnicas de colorir.
— Uau, sua agenda está cheia. — brincou ela ao se sentar na minha cama.
— É porque não viu a sessão de provas, trabalhos e resenhas da semana que vem. — comentei com ela, tentando não surtar — E para completar com chave de ouro, nosso amado professor, senhor Brown, me pediu outro daquele artigos.
— Nossa, é qual? A segunda vez só nesse semestre? — perguntou ela.
— Terceira vez, em menos de quatro meses como se fosse mesmo fácil escrever um artigo. — a olhei — Ele quer me ferrar eu já entendi, e já nem sei quantos favores estou devendo para Joy.
— Pode acreditar que meu irmão não vai te deixar pagar nenhum. — ela riu — já percebeu a implicância do senhor Brown com você.
— Olha, se o problema é a Louise, eu entrego seu irmão de bandeja para ela. — confessei.
— Então eu virei um objeto para ser entregue assim? — a figura de apareceu na porta, de braços cruzados e me olhando com seriedade.

Voltei meu olhar para a janela. Confesso que me esforçava bastante para não encará-lo, ainda mais depois da Halloween Party. 

— Bem, eu tenho que ir, tenho que me preparar para apresentar um trabalho amanhã. — Isla se levantou da minha cama e seguiu para porta — Seja menos frio e mais cavalheiro, quem está sobre pressão aqui é ela, não você.

Minha veterana disse em alto e bom som, para que eu ouvisse, então saiu fechando a porta.

— Está tudo bem? — perguntei ele dando alguns passos até mim.
— Sim. — assenti — Estou bem, só cansada.

Continuei olhando para janela. Logo ele pegou em minha mão e me fez olhá-lo.

— Agora é você quem está me ignorando. — reclamou ele, com razão.
— Não estou te ignorando, só preciso de espaço, tenho muitas coisas para…  — respirei fundo, me sentindo levemente sufocada.

A pressão de Princeton estava sendo maior do que imaginei que seria. Querendo ou não, metade era por sua causa. me puxou para ele e me abraçou forte, fazendo-me sentir segurança.

— Me desculpa, sei que tenho parte nisso. — confessou ele, com um tom frustrado — Queria poder fazer algo para te ajudar.
— Graças a você, me tornei muito próxima da Joy. — brinquei em sussurro — Eu estou bem.
— Não está. — ele segurou em minha mão — Vamos dar uma volta.
— Eu tenho um workshop amanhã. — o alertei dos meus compromissos acadêmicos.
— Prometo te devolver a este quarto antes do amanhecer. — brincou ele.
— Estou falando sério.
— Eu também. — ele sorriu, tomando impulso para me beijar.

Porém, o barrei no meio do caminho com minha mão sobre seu tórax.

— Você me prometeu que seria uma amizade saudável e sem beijos. — o lembrei do nosso trato de dias atrás — Eu não quero me apaixonar agora.
— Tudo bem. — assentiu — Me desculpe.

Saímos do quarto e seguimos a pé para o bosque. Nossa caminhada noturna em meios as árvores foi silenciosa, porém relaxante apesar dos ventos frios do início do inverno.

--

— Eu não aguento mais isso. — disse desabando no chão da biblioteca segurando as lágrimas.

É claro que o senhor Brown usaria todas as suas armas para me perseguir naquela última semana de estudos do semestre letivo. Além da prova de quinta que parecia um absurdo cair tanto conteúdo em apenas 20 questões, também teria que lhe enviar o bendito artigo até sábado pela manhã. O tema? Processo criativo da bauhaus e sua contribuição para a metodologia do ensino do design atual. E claro que eu seria a única aluna a escrever isso. E eu tinha como contestar? Não, claro que não. Eu estava ficando maluca com tudo isso.

— Vai deixar Princeton te vencer? — a voz de soou ao meu lado.

 Levantei a cabeça e o olhei desanimada, com lágrimas se formando no canto.

— Não imaginava que ser um lobo seria tão pesado assim. — disse com um suspiro fraco — Não quero mais isso. 
— Ei. — ele se agachou e me olhou com ternura — Essa não é a caloura de Wisconsin super forte e determinada que conheci na Fire Party.
— Ela foi fuzilada pela semana de provas, e só estamos na terça-feira. — expliquei em minha defesa.
— Olha, até que não seria uma má ideia você se desligar dos lobos, eu poderia te conceder abrigo político. — brincou ele — Mas, fraternidade é pra vida toda, como uma família, se escolheu eles, deve permanecer com eles mesmo sendo atacada por isso.
— Estou surpresa por suas palavras. — e estava mesmo. 

Ele sorriu de canto e pegando em minha mão, se levantou me puxando consigo. 

— Que tal esquecermos um pouco essa pressão toda de ser um lobo e ter que lidar com o professor Brown, e nos divertimos um pouco. — sugeriu ele.
— Eu tenho prova de desenho técnico amanhã de manhã. — disse a ele.
— E seu que é a melhor aluna da sua sala. — contra argumentou pegando os dois livro da minha mão — Sei que vai se sair muito bem.
— E para onde pretende me levar?! — perguntei.
— Não se preocupe, não será para meu quarto. — brincou ele.
— Considerando você, até a biblioteca da pedra do rei é um local perigoso. — assegurei.

Nós caímos na gargalhada e seguimos até a senhora Hana. Desta vez ela quem estava no comando da biblioteca e não Lin, sua estagiária. Esperei até que ela registrasse no sistema os livros que estava pegando, então guardando na mochila, saímos do lugar. O carro de nos aguardava na porta, assim como os olhares curiosos e alguns celulares discretos. Tentei não me importar. Se tinha uma coisa que comecei a praticar nas últimas semanas é fingir que não sou o assunto principal do ano e seguir com minha vida acadêmica. 

Para minha surpresa, King Lion me levou em uma arena de paintball, algo que nunca imaginei ter perto do campus. Segundo ele, eu precisava desestressar e relaxar antes de voltar a rotina de provas, trabalhos, resenhas e artigos do professor Brown. Me desliguei de tudo e entrei no clima de diversão proposto por ele. Trocamos de roupa, ele com um macacão azul e eu com um laranja. Após uma breve explicação do funcionário sobre o funcionamento das armas, seguimos para o campo de batalha. Me deu um leve frio na barriga, quando o apito soou e a partida começou. 

King Lion tinha reservado aquele tempo especialmente para nós dois, e me perguntava quanto tinha saído do seu bolso para isso. Era surreal conviver com os herdeiros de Princeton e suas facilidades em conseguir as coisas através da fortuna e prestígio de suas famílias. Agora eu entendia a frustração de Margareth quando dizia que seu sonho de consumo era apenas ter grana para morar na mansão de sua fraternidade. 

Deixei minha mente relaxada e me diverti bastante ao longo daqueles 40 minutos de caçada ao leão. Foi engraçado quando ficamos frente a frente e se rendeu me deixando ganhar. Não foi muito justo, mas bem cavalheiro de sua parte. Do paintball, ele me levou ao Starbucks e pedimos dois frappuccinos de chocolate  acompanhados de fatias de torta de limão holandesa. Uma boa combinação na opinião dele.

— Obrigada. — disse ao terminar de mastigar o último pedaço da torta — Foi realmente uma tarde divertida, superou minhas expectativas.
— Olha só, então estou no caminho certo, te surpreender é meu novo objetivo de vida. — disse ele com um sorriso simples no rosto.
— Oh céus, acho que você pode ter objetivos melhores que impressionar uma loba. — brinquei o olhando.
— Eu gosto da sua companhia, e estou aprendendo a gostar da sua amizade. — confessou ele ao terminar a sua bebida.
— Bem, acho que já posso voltar para a realidade. — disse ao terminar minha bebida também.
— Não, só irá retornar para aquele estresse todo amanhã. — ele se levantou da mesa e deixou uma gorjeta para a atendente debaixo de seu prato — Agora vamos apreciar o horizonte.
— Apreciar o horizonte? — olhei curiosa.
— Se os lobos têm o bosque, os leões têm a savana inteira. — ele piscou de leve e estendeu a mão para mim — Vamos lá?
— Hum… — sorri de leve e segurei em sua mão.

Nosso destino misterioso? O terraço da mansão da fraternidade Theta Nu Gama. E sim, a vista da cidade proporcionada naquele lugar era única e impressionante. Olhar para o horizonte, fim de tarde ao pôr-do-sol era como estar em Wisconsin de novo, me trazendo lembranças de casa com sensação de aconchego. Me peguei um pouco emotiva no momento, percebendo meus olhos marejados.

— Está tudo bem? — perguntou ele ao segurar em minha mão.
— Sim. — desviei meu olhar para cima, vendo o céu escurecer — Só me lembrei de casa.
— Está com saudades? — perguntou ele.
— Nunca passei tanto tempo longe assim, mas já sabia que isso aconteceria. — confessei.
— Como se sente agora em relação a Princeton? — indagou ele.
— Mais relaxado e motivada. — me virei para ele com um sorriso no rosto — Obrigada por hoje, tem sido um bom amigo para mim.
— Sabe que gostaria de ser mais que isso. — a sinceridade na sua voz me estremecia um pouco.
— Não posso dar mais que isso. — fui sincera também.
— Eu sei, só preciso…

Ele se calou por um tempo, até que seu beijo desesperado veio de repente, assim como seus braços me trazendo para mais perto dele. Senti um frio estranho na barriga, com meu coração acelerado pela adrenalina da intensidade que ele colocava no beijo.

Quanto mais eu te conheço, meu coração estremece,
Tudo que eu consigo fazer é sorrir,
Será que devo tentar te roubar um beijo?
Isso vai me fazer ficar mais perto do seu coração? 
- Stand By Me / Boys Over Flowers OST (SHINee)



Christmas Day

As provas finais do semestre foram ainda mais intensas que as festas das fraternidades. Entretanto, uma pausa para o dia de ação de graças foi mais do que suficiente para recarregar as energias com o suave banquete oferecido pela Delta Pi. Joy sabia mesmo preparar uma recepção digna de realezas. 

— A garota que só vem pela comida. — brincou ao se aproximar de mim em risos.
— King Lion, chegou atrasado. — brinquei de volta — Geralmente você é bem pontual.
— Assuntos de família. — explicou ele — Precisei defender meu irmão caçula em seus atos inconsequentes.
— Aconteceu algo grave com James? — perguntei já me preocupando.
— Como o assunto não é meu, me abstenho de mencionar, mas acho que já notou a ausência da sua amiga. — comentou ele me fazendo reparar o fato.
— Ele terminou com a Margareth? — perguntei a ele.
— Descubra por si mesmo. — ele sorriu de canto e ergueu a taça em um brinde — Feliz dia de ação de graças.

Assim que se afastou de mim, ignorei os olhares em nossa direção e segui para a saída da mansão dos gatos. Do lado de fora, me parou na calçada ao segurar em minha mão.

— Aconteceu alguma coisa? — perguntou ele preocupado — O que o leão te disse?
— Fique tranquilo, não é nada relacionado a mim. — assegurei a ele — Mas preciso ir, Margareth pode estar em problemas e preciso descobrir.
— Quer que eu te leve? — se ofereceu.
— Não, e você precisa socializar. — segurei o riso — Principalmente com .
— Ha… Ha… — ele me olhou sério — É sério, se vocês não fossem tão orgulhosos, seriam bons amigos.
— Não diga. — seu tom irônico estava ali.
— Sim e já mencionei isso a ele, vocês dois são parecidos em alguns pontos, são determinados, charmosos e atraentes... E sabem ser persuasivos quando querem, além de ter praticamente todo mundo devendo favores a vocês. — eu cruzei os braços — Já notei que só lido com mafiosos mesmo.

Ele soltou uma gargalhada engraçada.

— Então, eu sou atraente? — ele deu um passo se aproximando mais, e eu recuei.
— Volte para a recepção, eu vou para o dormitório. — disse controlando o tom de ordem.

Me afastei dele e segui para o prédio. Assim que cheguei no meu quarto, me deparei com James sentado na cama da minha amiga com ela chorando abraçadas as suas pernas. Ele mantinha a mão direita apoiada em seu joelho, tentando consolá-la. Meu coração se cortou com a cena e fiquei ainda mais preocupada.

— Marg… — me aproximei deles — O que houve? Vocês não foram à recepção, fiquei preocupada.
— Amiga. — ela me olhou em lágrimas, parecia não conseguir falar mais nada.
— James?! — olhei para ele.
— É uma situação delicada. — começou ele.
— Deixe-nos sozinhas. — pediu Marg — Por favor.
— Tudo bem. — ele se levantou e aproximando dela, deu-lhe um beijo na testa e sorriu de leve — Me liga se precisar de mim.
— Eu vou ficar bem. — garantiu ela.

Esperamos em silêncio até que ele se retirou, então eu me sentei em sua cama, de frente para ela, olhando-a com ternura.

— O que houve amiga? — perguntei.
— Hoje pela manhã eu e James tivemos um encontro com sua mãe. — ela se esforçava para não chorar — Nessas últimas semanas ela descobriu sobre nós de alguma forma, não que nosso relacionamento fosse secreto, mas o que acontece em Princeton, fica em Princeton… 
— Ela quer que terminem? — perguntei.
— Sim… Mas isso não é a parte cruel…
— E qual seria a parte cruel?! — indaguei.
— Eu estou grávida de James, e sua mãe ordenou que eu tirasse o bebê… — ela voltou a chorar ainda mais.

Eu a abracei lhe confortando. Claro que tanto ela quanto James foram imprudentes em não se proteger no seu relacionamento. Uma criança agora dificultaria as coisas entre ambos principalmente no aspecto acadêmico. E agora com a rejeição da mãe dele, com sua ordem. Minha amiga estava passando por uma grande turbulência em sua vida. Queria poder lhe ajudar mais, porém, naquele momento somente um abraço parecia ser o bastante.

Na manhã seguinte, enviei uma mensagem a , pedindo para me encontrar na biblioteca. Não havia lugar mais tranquilo para uma conversa que lá no final do semestre. Somente uma nerd como eu frequentava biblioteca depois do final das provas. E sim, já estava me preparando para encarar o professor Brown em Estudos da História da Arte e do Design II, e sua perseguição insistente. Esperei por alguns minutos no meu corredor favorito da sessão de Arquitetura. Até que ele chegou com um sorriso animado no rosto.

— Bom dia flor do dia. — disse ele ao me cumprimentar com um beijo no rosto.
— Bom dia. — disse já me sentando no chão.
— O que foi? — ele se sentou ao meu lado.
— Margareth me contou sobre… — respirei fundo.
— Entendeu o motivo de eu não te contar? — perguntou ele com o olhar sereno — O assunto é delicado e não diz respeito a mim.
— Eu entendi. — assenti voltando meu olhar para a estante em nossa frente — O que vai acontecer? Sua mãe pode forçá-la a desistir do bebê?
— Não sei, eu disse meu irmão e o apoiaria sempre, e que ele deve ser responsável agora, já que não foi antes. — ele bufou um pouco — James sempre foi inconsequente como o assunto é mulheres e sexo, sempre deixando de se proteger… Não digo assim por ser a Margareth, fico até feliz que tenha acontecido com ela, mas… Imagina se ao invés de uma criança, fosse uma doença?

Eu voltei meu olhar para ele, que parecia um pouco mais sério.

— Imagina se meu irmão não tivesse em um relacionamento sério com ela e dormisse com uma em cada dia da semana? — continuou ele — Sempre tentei proteger James de si mesmo também e sua falta de respeito com as mulheres, neste contexto.
— Fico feliz que tenha esse tipo de preocupação e consciência. — disse a ele de forma tranquila — Concordo com você, várias pessoas se relacionam hoje em dia sem a preocupação de se proteger e ao próximo, é realmente uma mudança radical quando isso acontece, nem todo mundo está preparado para encarar a responsabilidade de se ter um filho.
— Como está sua amiga? — ele voltou seu olhar para frente — Quando meu irmão chegou ontem à noite, se trancou no quarto e não saiu até hoje pela manhã.
— Se Marg continuar com a gravidez, ele vai assumir, não é?! — eu toquei em sua mão, chamando sua atenção para mim — Minha amiga não o fez sozinha.
— É claro que vai, nem que para isso eu mesmo tenha que socar a cara dele. — assegurou — James não vai fugir da responsabilidade.

Sorri de leve por suas palavras.

— Acho que não será necessário, levando em conta o cuidado que ele teve com a Marg ontem. — comentei voltando meu olhar para frente também.
— Podemos mudar de assunto agora? — pediu ele.
— Sobre o que quer falar? — perguntei.
— Sobre o natal. — respondeu prontamente — Queria te convidar para passar o natal comigo, em Los Angeles.
— Uau. — aquilo me pegou de surpresa.

Eu não esperava pelo convite e por mais que sonhasse conhecer a cidade de Los Angeles, eu já tinha planos para o meu natal, e passava bem longe das pessoas de Princeton.

— Me sinto privilegiada por seu convite, mas… Tenho outros planos para o natal. — revelei a ele, mantendo a suavidade na voz.
— Vai passar com o alpha? — senti uma ponta de amargura.
— Não. — assegurei — Passarei o natal em casa com a minha família, estou com muita saudade dos meus pais. 
— Hum… Fico feliz por você e triste por mim. — ele segurou em minha mão e entrelaçou nossos dedos — Eu realmente queria mais tempo com você.
— Sempre podemos planejar as férias de verão. — brinquei — E você vai continuar com a ideia para Los Angeles?
— Talvez… Agora terei de refazer meus planos completamente. — ele riu — A culpa é sua, que vive me enxotando.
— Que dó, falando assim, até me coloca como a malvada da situação. — eu ri junto.
— Sua mercenária, roubou meu coração e quer me dar o seu em troca. — ele sorriu de leve me olhando com carinho.
— Pare de dizer isso, já falamos sobre o assunto, me apaixonar agora seria minha perdição. — expliquei novamente — Além do mais, me divirto muito com a nossa amizade.
— É recíproco. — ele abriu um sorriso singelo.

Sorriso esse que me deixou meio balançada.

Mais dias se passaram, sexta à noite recebi uma ligação da minha mãe, avisando que não poderia me buscar na estação de ônibus. Isso já me dava a ideia que teria que me virar para chegar em casa. Após meses fora e esta era a recepção dos meus pais para sua filha caçula. Voltei meu olhar para a cama de Margareth totalmente bagunçada. Ela estava arrumando sua mala para passar o natal com James em Chicago, na casa de uns amigos dele. Segundo o próprio, eles precisavam de um tempo longe de todos para definir o futuro dos três, os dois e o bebê. Isso me deixou mais aliviada, em ver que inicialmente o filhote de leão tinha sim a vontade de ter aquele filho.

— Acho que é só. — disse Margareth assim que fechou a terceira mala.

Gostaria de entender quando foi que suas roupas se multiplicaram e como elas cabiam naquele guarda-roupa minúsculo.

— Você está levando 3 malas para passar duas semanas? — perguntei embasbacada.
— Sim, tenho que ter opções, apesar de ser inverno, existe uma piscina aquecida na casa onde ficaremos, quero aproveitar o momento. — explicou ela com tranquilidade — Não é todo dia que isso acontece, estou levando roupa de banho.
— Ok. — me aproximei do meu armário e o abri, olhando as poucas roupas que tinha — E como vai ficar agora? Você e James? Vai mesmo morar com ele?
— Sim, estamos cogitando a ideia, mas só vamos decidir isso em nossa viagem. — assegurou minha amiga — E fique tranquila que irei te manter informada de tudo.
— Acho bom. — a olhei séria — Sabe que me preocupo com minha amiga.

Ela sorriu para mim e pegando o celular, mandou uma mensagem a James. Não demorou muito até que James apareceu curiosamente junto com . E por isso eu não esperava. Minha amiga ajeitou a colcha em cima de sua cama e se despedindo de mim, seguiu para sua viagem com o filhote de leão. Já o alpha permaneceu em silêncio observando me arrumar a minha mala. Ele também parecia inconformado pela minha programação de retornar a Wisconsin no natal.

— Vai mesmo ficar me olhando assim? Inconformado? — fechei minha mala e o olhei séria — Deveria estar projetando suas festividades da próxima semana.
— Não terá graça nenhuma sem você. — disse ele, permanecendo encostado na parede com as mãos nos bolsos da calça.
— Você não me tinha ano passado. — argumentei.
— Por isso até aqui todos os natais foram ruins. — ele sabia contra argumentar muito bem.
— Não vai me convencer a ir com você para Londres. — assegurei firme em minha decisão — Por mais tentador que seja conhecer a Kings Cross Station.
— Malvada. — reclamou ele.
disse a mesma coisa. — eu ri da sua careta.
— A parte boa, é que não aceitou o convite dele. — comentou .
— É recíproco. — disse aparecendo da porta que estava entreaberta.
— Não tem mais o que fazer? — perguntou .
— Posso perguntar o mesmo alpha? — o olhou atravessado.
— Ok, o meu quarto é a Suíça, e vocês dois parem com isso ou serão expulsos daqui. — olhei para eles série e expressiva, com o tom firme — Entenderam?

Eles assentiram e permaneceram em silêncio até que eu terminasse de juntar tudo. Então peguei minha mochila e a mala.

— Acho que estou pronta. — disse ao respirar fundo.
— E quando vai voltar? — perguntou se aproximando de mim e pegando minha mala.
— Eu ainda não sei. — respondi — Talvez uma semana antes das aulas retornarem.
— Você não pode voltar na semana das festividades de retorno. — disse ao pegar minha mochila, que particularmente estava pesada com alguns livros — Sua fraternidade não lhe disse isso.

Senti a indireta para o alpha. se moveu para a direção dele, porém eu o barrei no caminho.

— Eu estava planejando burlar as regras, obrigada por mencioná-las na frente do presidente da minha fraternidade. — argumentei mantendo o clima mais tranquilo — Belo amigo é você.
— Não quero que leve uma advertência. — brincou ele ainda em provocações.
— Eu não levaria, se fosse preciso eu mesmo a buscaria. — me defendeu.

Eu ri de ambos e sai primeiro do quarto. Após trancar a porta, segui até o táxi que me esperava. E sim, dispensei a carona de ambos para não dar oportunidade de brigas desnecessárias. Me despedi rapidamente dando um beijo na face de cada um e segui para a rodoviária. Cheguei em minha pacata cidade de Middleton no dia seguinte após horas de estrada. Para minha surpresa, meu irmão estava na estação esperando me.

— O que faz aqui? — perguntei ao vê-lo.
— Nosso pai me mandou vir te buscar, a princesinha dele. — ele fez uma careta com o olhar revoltado.
— Hum… — deu de ombros para sua reação e o entreguei a minha mala. 

Seguimos para a velha caminhonete do meu pai. Era um pouco estranho estar de volta, pelo fato de ter me acostumado com a agitação do campus. Mas feliz por estar novamente em casa e poder descansar minha mente dos estudos e todo o caos envolvendo as fraternidades. Assim que entrei em nossa casa, no rancho da família, Beth veio logo me abraçar com muita animação. Estava tão feliz em vê-la.

— Que bom que está de volta! — disse ela com empolgação. — Temos muitos assuntos para colocar em dia.
— Concordo. — eu disse.
— Só depois que der um abraço em seu pai. — protestou meu pai ao aparecer na porta da cozinha com a minha mãe.
— Claro que darei. — segui até eles e os abracei — Estava com saudades.
— Como foram os estudos? — perguntou minha mãe ao me apertar de leve — Fiquei preocupada com sua mensagem da semana de provas.
— Correu tudo bem, e sua filha é a melhor da turma, como o esperado. — assegurei a ela.
— Quanto orgulho temos de você, querida. — ela sorriu para mim.
— Mãe… Estou morrendo de saudade da sua comida. — disse com um olhar choroso.
— Que bom, pois preparei um jantar para minha filha querida. — ela segurou em minha mão me arrastando para a cozinha. — Fiz risoto de frango que tanto gosta.

Estar em casa me transmitia uma sensação maravilhosa e aconchegante. Beth resolveu dormir em nossa casa, ela estava mesmo é curiosa para descobrir as novidades sobre os dois amigos que arrumei em Princeton.

— Ok, deixa eu ver se entendi… — Beth sentou no beiral da janela e me olhou — Tanto o Alpha quanto o King Lion estão interessados em você, ambos são bonitos, atraentes, beijam bem e são os presidentes das duas maiores fraternidades, além da rivalidade entre ambos que aquece o campus, tem mais alguma informação??

Ela segurou o riso.

— Eu não sei, tá legal? Eu não… Eu não quero me apaixonar por ninguém, não foi para isso que segui para Princeton, menos ainda para ficar dividida entre os mais cobiçados do campus. — soltei um suspiro cansado — Eu só queria me manter invisível a todos e seguir com meu curso, me formar e ser uma boa profissional, sem chamar atenção.
— E no entanto, acabou chamando a atenção de dois gladiadores. — brincou ela — Essas coisas só acontecem com você mesmo.

Ela finalmente riu de mim.

— Isso é cansativo, principalmente pela perseguição que estou sofrendo com o professor Brown. — eu joguei em corpo sobre a cama e fiquei olhando o teto — Você não tem noção de quantos artigos eu tive que escrever só esse semestre. Dois de 20 páginas, e 3 de cinco páginas, isso tudo me deixou esgotada e desgastada com os estudos.
— Lamento por isso. — disse ela.
— E por mais que eu tente não culpar por isso, acabo sempre chegando à conclusão que eu deveria me afastar dele. — suspirei fraco.
— E você quer?
— Não, é curioso, mas eu me divirto tanto com ele e com o , o pior é que é na mesma proporção e isso é surreal. — ergui meu corpo e a olhei — Eu gosto dos dois e não tenho forças para me afastar deles, mas sinto que até mesmo minha amizade com possa vir a ser um problema, por causa da sua mãe.
— Pela atitude dela com a sua colega de quarto?! — supôs Beth.
— Sim, olha o que ela tentou fazer com a Margareth, imagina como se soubesse que o filho está disputando com outro garoto para conquistar uma reles plebeia como eu. — fui realista — O que ela faria contra mim?
— Bem, realmente, as coisas estão malucas para você. — admitiu Beth com um olhar generoso.

Passamos a noite aos risos com ela me contando as aventuras que teve com meu irmão tentando se esforçar com a faculdade de veterinária. Na manhã seguinte, segui para cidade com meus pais para as compras da ceia do natal. Foi legal rever alguns rostos conhecidos e acolhedores. Passamos na loja de roupas de Kily, minha mãe fez questão de me comprar um vestido novo para a ocasião. Como se minha intenção fosse mesmo participar da recepção da família. Eu já me preparava para ficar de pijama com minha maratona de CSI Las Vegas.

--

— Eu te dou cinco minutos para desligar esse notebook, se levantar dessa cama, colocar o vestido que te comprei e comemorar o natal com sua família. — disse minha mãe em tom de ordem e repreensão.
— Mãe… — a olhei com os olhos de criança abandonada.
— Mas mãe nada, você me passa meses longe e agora quer permanecer trancada no quarto, todos da família estão lá em baixo e querem te ver. — argumentou ela com um olhar curioso — Além do mais, não vou ficar fazendo sala para as suas visitas.
— Minhas visitas?! — a olhei confusa — Quais visitas?

Será que o pessoal do ensino médio estava lá embaixo?

— Levante, troque de roupa e desce em cinco minutos. — disse novamente ao abrir a porta do meu quarto — E não me faça voltar aqui.
— Ok mãe. — disse, observando-a se retirar.

Eu bufei um pouco ao olhar para o vestido que estava no encosto da cadeira à minha espera. Me levantei da cama e troquei de roupa. Eu não iria desligar o notebook, pelo contrário, minha estratégia seria mostrar as caras, cumprimentar a todos e quando minha mãe se distraísse, voltaria para o quarto. Deixei o cabelo solto, somente passando os dedos entre os fios para ajustar o volume causado pelo travesseiro. Então saí do quarto.

Meu corpo estremeceu e meu coração acelerou assim que terminei de descer os degraus e dar de cara com a realeza de Princeton sentada no sofá da sala, ambos com um pacote embrulhado nas mãos. O que e faziam aqui na minha sala, em Middleton? Queria mesmo me enlouquecer.

— Depois quando digo que são parecidos, querem brigar. — disse ao me colocar na frente de ambos, “minhas visitas” nas palavras da minha mãe — O que fazem aqui?
— Desejei passar o natal com você. — respondeu .
— E curiosamente tivemos a mesma ideia. — concordou — Então… Viemos te desejar um feliz natal.

Chocada eu estava e com toda razão.

Com ambos me olhando da forma mais serena e tranquila o possível.

Mal eles sabiam que internamente, eu estava em surto com meu coração acelerado.

O pior? 

O sorriso malicioso de ambos causavam impacto em mim na mesma proporção igualitária.

Eu tento lutar, mas, eventualmente, 
A resposta é o amor
It’s the love shot.
- Love Shot - EXO

 

Escolhas: A vida é feita de escolhas, mas nem sempre você quer fazê-las.” - by: Pâms



FIM?! Mais em 2021.



Nota da autora:
Mais uma fic, aprovietando as atts especiais de 2020. A fic ficará finalizada/hiatus por algum tempo, mas aguardem e nos vemos no dias dos namorados de 14 de fevereiro de 2021!
Bjinhos...
By: Pâms!!!!
Jesus bless you!!!




Outras Fanfics:
SAGA 4 Estações do Amor
| Manhã de Primavera | Noite de Verão | Madrugada de Outono | Tarde de Inverno |
SAGA BatB
| Beauty and the Beast | Beauty and the Beast II | 12. Brown Eyes | Londres | Cingapura
SAGA DC
| 14. Goodnight Gotham [Batman] | Gotham [Batman] | Aqua [Aquaman] |
SAGA Continuum
| Bellorum | Cold Night | Continuum | Darko | Dominos | Invisible Touch |
SAGA CITY
| Austin | Berlim | Chicago | Cingapura | Daejeon | Havana | Londres | Manaus | Manhattan | New York | Ouro Preto | Paris | Seoul | Tokyo | Vancouver | Vegas |
SAGA INYG
| I Need You... Girl | 04. My Answer | Mixtape: É isso aí | Seoul
SAGA MLT
| My Little Thief | Mixtape: Quem de nós dois | New York |
SAGA School
| School 2018 | School 2019 | School 2020 | School 2021 |
PRINCIPAIS
| 04. Swimming Fool | 05. Sweet Creature | Amor é você | Coffee House | Crazy Angel | Cygnus | Destiny's | Finally Th | First Sensibility | Genie | Midnight Blue | Mixtape: I Am The Best | Mixtape: Piano Man | Moonlight | Noona Is So Pretty (Replay) | Photobook | Purple Line | Princess of GOD | Smooth Criminal |
*as outras fics vocês encontram na minha página da autora!!


comments powered by Disqus