Última atualização: 02/02/2019

Good News

6:30 am.

Aquele barulho do despertador, indicava que já era hora de acordar. Desliguei o alarme e voltei para o canto, estava sentindo meu corpo tão cansado que cogitava a ideia de faltar a aula naquele dia. Foi quando meu celular começou a tocar continuamente, era o uma ligação de , sempre que eu bebia demais, aquele bobo agia como se fosse minha babá na manhã seguinte.

Bom dia flor do dia. — disse ele assim que eu atendi.
— Por que está me ligando a essa hora?! — reclamei mantendo meus olhos fechados.
Porque eu já imaginava que o despertador não te faria acordar de verdade. — ele riu do outro lado — Agora levante mocinha, você tem aula de redação agora cedo.
— Yah, você não é minha mãe. — semicerrei os olhos, vendo a hora no relógio da parede — Não vou a aula hoje.
Se você não descer em dez minutos, vou aí te tirar da cama. — ameaçou ele.
, você não pode invadir o dormitório feminino. — ri baixo, me espreguiçando de leve na cama.
Quer apostar? — sua voz estava séria — Agora levante e desça rápido.

Assim que ele encerrou a ligação, ergui meu corpo fechando a cara.

— Pabo. — o xinguei em sussurro.

Minha vontade era de deitar novamente e só sair daquela cama no dia seguinte, mas tinha que sobreviver a mais um dia. Me levantei e troquei de roupa em tempo record, assim que cheguei na rua, lá estava ele com seus livros de cardiologia geral. , apesar de chato e às vezes mal-humorado, era meu melhor amigo desde que me entendo por gente, já não conseguia imaginar como seria minha vida sem ele. Fazíamos tudo juntos, com exceção da Universidade da Korea.

Aquele traidor me abandonou no curso de jornalismo para fazer medicina, nunca imaginaria que ele tivesse aptidão para isso, mas seu talento era real.

— Chato. — disse emburrada.
— Sua boba, ainda vai me agradecer no final do dia. — ele riu de mim e segurou em minha mão — Vamos, eu te levou até seu prédio.

Eu o deixei me guiar, disfarçando um sorriso no meu rosto. Gostava de como cuidava de mim, principalmente em meus momentos de tpm, ou saudades de casa, atualmente eu estava me recuperando de um projeto de relacionamento que não havia dado certo. Algo que desde o início havia sido contra, mas eu estava tão deslumbrada com os cartões de poemas e declarações que recebia, acabei por não dar ouvidos a ele.

Seria mais fácil se meu melhor amigo gostasse realmente de mim, assim nossa promessa da infância iria se concretizar. Mas aquele bobo nunca teve coragem de se confessar para mim, com medo de não dar certo e perder até minha amizade, pabo.

— Está entregue. — disse assim que chegamos em frente ao prédio de humanas, onde tinha grande parte das aulas do meu curso de jornalismo.
— Até mais tarde. — não olhei para ele e segui me afastando.
— Yah. — ele segurou em meu braço — Por que está me tratando assim?! Sabe que quero seu bem.
— Vá para sua aula, você tem prova sobre doenças cardiovasculares hoje. — me afastei dele.
— Não vai me desejar boa sorte? — ele sorriu.
— Boa prova. — sorri de volta de forma automática, porém espontânea.

Ele piscou de leve e se virou indo em direção a rua. Tombei a cabeça de leve, em alguns momentos era ridículo essa parte da nossa amizade. Agíamos como um casal, sentíamos ciúmes um do outro, nossa promessa inquebrável era nunca nos afastar, mas no final, o que nos definia era somente amizade.

Algo que me frustrava bastante.

- x -

— Para de me enrolar e fala de uma vez, porque me fez vir correndo?! — reclamou ele um pouco emburrado — Pensei até que estivesse passando mal, ou algo do tipo.
— Pare de brigar comigo, seu bobo. — dei um tapa no seu braço direito na altura do ombro e me sentei no sofá.

A vista para o jardim lateral do prédio da biblioteca, onde nos encontramos era maravilhosa, principalmente no terceiro andar. Um ótimo lugar para se dar boas notícias.

— Eu não estou brigando, . — ele se sentou ao meu lado e soltou um fraco e cansado suspiro — Só estou um pouco cansado, aquela prova foi ridícula e cruel, definitivamente essa universidade está acabando comigo.
— Não diga. — segurei o riso — Isso que dá me abandonar por um estetoscópio.
— Já conversamos sobre isso. — ele moveu seu olhar para mim — Sempre gostei de medicina, é o que quero para o futuro.
— Não ter vida social e passar o dia enterrado em um hospital?!
— Não. Quero salvar vidas. — seu olhar sincero estava ali — Além do mais, você já é a minha vida social.

Ele desviou o olhar para frente e sorriu de canto.

— Folgado. — o empurrei de leve — Tome cuidado, posso não estar aqui para sempre.
— É uma ameaça? — ele voltou a olhar para mim, assustado — O que anda tramando? Ainda se lembra da nossa promessa?!
— Não estou tramando nada. — ri da cara dele — Estou brincando… Mas um dia, não serei somente sua melhor amiga.
— Não me diga que está com aquele pensamento se mudar novamente?! — essa pergunta soou com certa frustração.
— Não.
— Eu sei quando mente para mim.
— Já disse que não. — voltei meu olhar para ele — Você sabe, que sempre é a primeira pessoa pra quem eu conto tudo.
— Se não é isso, por que me chamou aqui? — perguntou confuso.
— Hum… Primeiro para agradecer por ter me obrigado a ir para aula… — eu abri a mochila e após remexer um pouco, acabei encontrando o que queria — Depois… Aqui está!
— O que é isso? — ele pegou o envelope da minha mão.
— Lembra daquele concurso de editorial de turismo que participei? — respondi indiretamente — Indicado pelo professor de redação editorial.
— O que tem?
— Eu ganhei.
— Sério? — ele abriu um largo sorriso — Eu disse que ganharia, seu artigo sobre Havana ficou impecável.
— Sim, e essa não é a boa notícia. — completei.
— Se não é, qual é?!
— Vamos para Havana. — respondi.
— Como assim vamos para Havana?!
— Aí dentro tem duas passagens e você é a única pessoa que eu consigo imaginar indo comigo para essa viagem. — expliquei tranquilamente.

Talvez, aquela viagem fosse uma oportunidade para finalmente, definirmos o que seríamos verdadeiramente um para o outro.

Havana, ooh na na
Half of my heart is in Havana, ooh na na…
- Havana Camila Cabello (feat. Young Thug)



Best Friends Forever

14 anos atrás...

Estávamos na segunda semana de férias, quando papai anunciou nossa mudança de cidade, eu já estava me habituando com a nova rotina escolar, tinha feito amizade com duas meninas bem gentis e agora tinha que ir embora. Eu não queria me mudar, a casa onde morávamos era grande e espaçosa, eu tinha um quarto legal e todo rosa como gostava, agora…

. — minha mãe deu dois toques na porta e entrou, estava com um olhar reconfortante, como só ela sabia fazer — Já terminou de guardar seus brinquedos na caixa?
— Temos mesmo que ir embora? — voltei meu olhar triste para ela — Justo agora que eu estava começando a gostar da escola?
— Minha querida, não se preocupe, a nova escola também será muito boa e divertida. — assegurou ela vindo em minha direção e se abaixando para ficar na minha altura — E você é a criança mais comunicativa e carismática do mundo, tenho certeza que vai fazer amizades fácil.
— Mamãe, estamos indo para o outro lado do mundo. — cruzei meus braços — E como vai ficar a vovó?
— Ficará bem, ela sabe que é preciso. — mamãe tocou de leve com o dedo indicador na ponta do meu nariz e sorriu com doçura — Temos que apoiar o papai, e será bom para todos nós no futuro.
— Tudo bem. — assenti ainda relutante por dentro.

Minha mãe sempre dizia que para uma criança de 7 anos, eu tinha uma personalidade muito forte, além de bons argumentos quando queria muito alguma coisa, porém desta vez eu não tinha conseguido fazê-los mudar de ideia sobre a mudança. Atravessaríamos o oceano até a cidade de Seoul, nossa nova morada, eu não entendia como conseguiria me adaptar à nova realidade.

Disfarcei minha decepção quando o caminhão de mudanças vieram buscar o pouco de caixas que papai enviaria, outro ponto negativo, nossas coisas só chegariam três meses depois da gente. Me mantive abraçada ao Poo, meu ursinho de pelúcia e segui até o táxi que já nos aguardava, passei o caminho todo olhando para fora do carro, tentando memorizar cada pequeno detalhe da cidade que um dia planejei explorar junto com minhas amigas.

- x -

— Finalmente chegamos. — disse mamãe assim que abriu a porta do apartamento e entrou carregando a minha mala, ajeitando sua bolsa no ombro esquerdo que já estava quase caindo, olhou para mim e sorriu — Viu, eu disse que não ia demorar muito.
— Vinte e cinco horas, dezessete minutos e nove segundos contando. — retruquei segurando o riso.
— Ah menina pare de complicar. — ela riu de mim — Venha, vamos colocar isso no seu quarto.

Assenti a seguindo em direção a um corredor estreito, até chegar a primeira porta que ocasionalmente era do meu novo quarto, todo branco e sem vida, porém para a janela do quarto andar, tinha uma boa vista para o centro do bairro, Hongdae. Minha mãe colocou a mala ao lado da cama e caminhou até a janela abrindo as cortinas, foi uma sorte termos alugado a casa já mobiliada.

— Você quer que eu te ajude?! — perguntou ela — Podemos nos divertir um pouco enquanto arrumamos tudo aqui.
— Não quero, estou com fome. — suspirei fraco, sentindo minha barriga reclamar um pouco.
— Ah, então precisamos comprar algo. — ela sorriu, mesmo sabendo que eu faria de tudo para não gostar daquele lugar, ainda assim mantinha seu sorriso acolhedor no rosto — Deixe sua mochila aqui, ok?!

Assenti a observando sair do meu quarto, bufei um pouco retirando a mochila das costas como uma menina mimada, coloquei em cima da cama junto com o Poo e saí do quarto. Assim que cheguei na sala papai já estava terminando que colocar a última mala para dentro, minha mãe falava no telefone, certamente numa ligação internacional contando que chegamos bem.

— Então mocinha, você está com fome?! — perguntou papai fazendo uma voz esquisita.
— Sim, estou. — coloquei a mão na cintura — Se não me alimentar eu vou ficar mal-humorada.

Eu não conseguia resistir, era mais forte que eu, a fome transformava meu bom humor de uma forma surpreendente. Ele começou a rir de mim e estendeu a mão.

— Vamos comer então. — falou com segurança.
— Onde? — perguntei curiosa.
— Na casa do meu amigo.

Foi neste momento que me lembrei do amigo do papai que o visitou no natal passado, tinha ouvido algumas conversas sobre papai trabalhar com ele em sua empresa, mas não imaginava que seria em outro lugar bem longe de casa. Mamãe terminou sua ligação e assentiu nossa partida, eu pensei que demoraria mais longos minutos, mas para minha surpresa a casa do amigo do papai ficava bem ao lado do nosso prédio.

— Curioso, você não me disse que seu amigo morava tão perto. — comentou minha mãe tão surpresa quanto eu.
— Eu havia me esquecido desse detalhes, me desculpa querida. — papai sabia que minha mãe odiava quando ele escondia algo dela — Foi meu amigo que indicou o apartamento nesse prédio ao lado, vagou há duas semanas, não foi proposital.
— Hum. — ela cruzou os braços o fitando séria, enquanto ele tocava a campainha.
— É a mais pura verdade querida. — meu pai se aproximou um pouco dela e beijou sua bochecha, depois piscou de leve.
— Jinho! — disse um homem de cabelos grisalhos ao abrir o portão — Que bom que já chegaram.
— Han. — meu pai foi até ele e o abraçou com entusiasmo — Eu te mandei um e-mail avisando a hora que desembarcaríamos.
— Ah, me esqueci que olhar isso. — o homem soltou um suspiro, por certo estava chateado consigo mesmo.
— Esta é minha esposa Maggie, você se lembra dela. — apresentou papai — E essa é a nossa pequena .
— Sejam bem-vindas a Seoul. — disse o homem dando um sorriso fechado.
— Agradecemos, eu e já estamos animadas para conhecer a cidade, principalmente a nova escola dela. — mamãe desviou seu olhar para mim e sorriu.

Era um fato que essa animação toda só partia dela, pois no que dependesse de mim, voltaria para nossa antiga casa e antiga vida. Assim que passamos pelo portão, me deparei com um tradicional jardim oriental, achei fofo, me lembrava alguns animes que via sempre, o que me leva a acreditar que se tivéssemos mudado para o Tokio, não teria sido tão estranho para mim.

A casa do ajusshi Han era grande e muito bonita, mas tinha um ar tristonho, mantive minha atenção em alguns porta-retratos em cima da mesa de canto embaixo da janela principal da sala, em quase todas havia uma mulher e um menino com ele.

— Nós soubemos sobre sua esposa, lamentamos muito. — disse papai para ele — Não deve estar sendo fácil.
— Bem, a saudade sempre estará presente, mas a dor está diminuindo. — disse o homem estendo a mão para que se sentassem.
— E o seu filho?! Como está? — perguntou mamãe.
— Triste, está sendo difícil tirá-lo do quarto, as aulas retornam daqui algumas semanas e não sei o que farei, estou pensando em contratar um professor particular. — respondeu.
— Mas isso não seria ruim?! — questionou papai — Talvez com outras crianças, ele possa superar essa perda, não é bom estar sozinho em momentos assim.
— Eu sei, mas não posso obrigá-lo a ir. — Han ajusshi respirou fundo e desviou o olhar para mim — Sua filha está crescendo bem.
— Sim, mais do que deveria. — concordou papai fazendo o amigo rir — Essa mocinha é muito independente.
— Ajusshi. — disse dando alguns passos até o sofá — Quantos anos seu filho tem?
— Hum… Ele é da sua idade.

Eu fiquei curiosa para saber como era o filho dele, mas fiquei com medo de pedir para vê-lo. As horas se passaram e após jantarmos na casa do ajusshi, voltamos para o apartamento, mamãe e papai comentavam sobre vários assuntos aleatórios, enquanto eu continuava com minha curiosidade em saber sobre o menino que não desceu para comer com as visitas.

— Mal educado. — disse ao chegar na janela do meu quarto e olhar para a casa do ajusshi Han.

Eu não entendia o que tinha acontecido com a esposa do ajusshi, meus pais nunca me diziam claramente os assuntos de adultos, só mencionaram uma vez que ela estava muito doente. Será que tinha ido para o céu?! Era a única explicação para o olhar triste do ajusshi Han.

- x -

— Acorda mocinha. — disse mamãe ao adentrar meu quarto e abrir as cortinas, deixando o sol entrar, já havia se tornado um hábito maldoso da parte dela.
— Omma… — murmurei me debatendo na cama — Eu não quero levantar agora.
— Pare de show que a Xuxa é loira, . — ordenou — Han nos convidou para o café da manhã, ele e seu pai passarão o dia trabalhando depois, então não podemos enrolar.
— Mas eu queria dormir mais um pouco. — mantive meus olhos fechados e cobri meu rosto.
— Nada disso. — ela puxou minhas cobertas e riu — Que gracinha, fica fofa com esse pijama da moranguinho.
— Omma?! — abri os olhos — Se o papai vai trabalhar depois, porque temos que ir?!

Boa pergunta!

— Porque fomos convidadas, além do mais, uma ajumma que trabalha lá vai nos levar para conhecer a cidade.

Estraga prazeres!

— O papai não prometeu fazer isso?!

2 x 1!

— O papai já passeou com a gente ontem. — retrucou de novo — Pare de construir argumentos para não levantar e vá trocar de roupa logo.

Bufei de leve e me levantei da cama, em duas semanas ali aquela já estava sendo nossa sétima visita a casa do ajusshi Han, e até agora não tinha visto seu filho, estava até começando a achar que ele nem tinha um. Sora ajumma era a empregada dele, foi ela quem nos recebeu naquele dia, enquanto o ajusshi Han se encontrava já em seu escritório esperando por papai.

Belo café da manhã!

Mamãe como sempre se entrosou fácil com ela e logo pegou amizade, claro que meu lado comunicativa havia sido mais dela que do papai. Aproveitei que ambas entreteram com o assunto sobre receitas coreanas, mamãe sonhava em aprender algumas por causa de papai, após anos casada com um coreano de dupla nacionalidade, ela queria aprender ainda mais seu outro lado da cultura.

Subi as escadas da casa silenciosamente, confesso que minha curiosidade sempre me motivou a fazer minhas travessuras, mas estava determinada a descobrir se o filho do ajusshi Han era real. Chegando no segundo andar, me deparei com algumas portas, agora teria que resolver o enigma de qual ele poderia estar, entrei na primeira porta, estava tudo vazio, sem móveis nenhum e o mesmo aconteceu com a segunda.

Aquilo me deu um pouco de medo, até que entrei na terceira porta e finalmente me deparei com um quarto normal.

— Oi… Tem alguém aqui?! — perguntei entrando.

Dei alguns passos até chegar no centro do quarto e percebi uma movimentação suspeita embaixo da cama, dei um passo para trás tentando não ficar com medo e respirando fundo, se eu gritasse os adultos saberiam que eu estava invadindo a cada do ajusshi. Mas o que eu faria? Fui abaixando lentamente até me ajoelhar, e inclinando meu corpo olhei debaixo da cama, pedindo ao Papai do céu para não ser nenhum monstro.

Foi então que meus olhos cruzaram com os de um menino assustado, ele tinha a mesma tristeza que o ajusshi Han no olhar, porém mais profunda. Ele segurava uma correntinha com um pingente na mão, tinha rastros de lágrimas em seu rosto, além da poeira na roupa.

— Oi, meu nome é . — disse abertamente — Qual o seu?!

Ele permaneceu em silêncio me olhando de forma curiosa e ao mesmo tempo confusa.

— Meu coreano nem é tão ruim assim. — sussurrei me emburrando — Porque ele não diz?!

Fiquei pensando por um tempo como poderia fazê-lo falar, será que estava paralisado de tanto ficar embaixo da cama?

— Tube bem, já que não quer falar, eu vou te chamar de… — ergui meu corpo ficando ajoelhada — Toby, eu sempre quis ter um cachorro chamado Toby.
— Eu não sou um cachorro, e meu nome não é Toby.

Ele falou?!

Senti um breve arrepio no corpo, e logo voltei a olhar embaixo da cama.

— Agora você fala. — fitei o olhar nele — Se não disser seu nome, vou continuar te chamando de Toby.
. — saiu tão baixo que quase considerei um sussurro.
— Quanto anos você tem Toby? — insisti brincando.
— Só vou dizer se me chamar pelo meu nome. — retrucou ele.

Estraga prazeres.

— Quantos anos você tem ? — reformulei a pergunta, já sabendo a resposta.
— Sete, e você?
— Também tenho sete, isso quer dizer que vamos estudar juntos. — constatei.
— Você vai morar aqui?! — perguntou ele.

Provavelmente já deve estar com medo de mim, mas ainda mantinha seu olhar curioso.

— Vou, não aqui na sua casa, mas no prédio aqui do lado. — respondi — Para ser realista, já estou morando lá.
— Aqui do lado?!
— Sim.
— Ah, aí está você mocinha. — disse minha mãe ao aparecer misteriosamente da porta — Estava te procurando, você não pode sair entrando pela casa dos outros sem pedir.
— Desculpa mãe. — ergui meu corpo voltando meu olhar para ela, fazendo carinha de inocente.
— Ela pode ficar aqui?! — soou a voz debaixo da cama.

Minha mãe me olhou confusa.

— Ah mamãe, este e o , filho do ajusshi Han, ele existe mesmo. — expliquei com naturalidade — Eu o descobri.
— Bem, já que o não se importa com sua presença aqui, pode ficar. — minha mãe sorriu, senti uma pontinha de orgulho por eu estar ali — Mas, você vai perder o café da manhã que preparamos.
— Não podemos comer aqui? — insisti.
— Hum…
— Por favorzinho! — fiz outra cara de inocente.

Ela assentiu rindo de mim e me fez descer para buscar a comida. Assim que retornamos, mamãe deixou a bandeja do café em cima do tapete do quarto e se retirou.

— Ela já foi, pode sair daí debaixo. — disse me sentando no chão.

Em instante, o menino rolou até sair completamente debaixo da cama e me olhou ainda curioso, eu bati a mão no pedaço do tapete ao meu lado para que ele se sentasse ali, segurei um breve riso assim como a vontade de chamar ele de Toby novamente.

— Você não está com fome?! — perguntei ao perceber que ele não comia nada, apenas me observava.
— Você come bem. — comentou.
— Estou em fase de crescimento, preciso comer bem. — expliquei — E você também.

Ele concordou e saiu correndo do quarto, provavelmente para lavar as mãos, assim que voltou se sentou ao meu lado novamente e começou a degustar junto comigo. Eu não imaginava, mas aquele era o início de tudo.

Depois daquilo, todas as manhãs eu corria para sua casa, para tomarmos café juntos, aproveitando que papai também ia para trabalhar.

, amanhã é o primeiro dia de aula. — comentou .
— Sim. — confirmei ao terminar de tomar o leite gelado do meu copo — O que tem?!
— Meu pai me perguntou se eu queria ir. — respondeu.
— E você vai?!
— Eu não sei. — ele desviou o olhar para a xícara de chá em sua mão — Eu não tenho amigos lá.
— Você tem eu. — como ele poderia ter me esquecido?

Ele me olhou.

— Eu sou sua amiga e vou estar lá. — completei.
— Você é minha amiga?! — estava ainda mais surpreso.
— Claro que sou, por isso venho todos os dias tomar café da manhã com você. — respondi com segurança.
— Eu não…
— Aqui. — eu peguei sua mão e entrelacei meu dedo mindinho com o dele — A partir de hoje, seremos oficialmente melhores amigos e nunca vamos nos separar… É uma promessa. Você promete também?
— Eu prometo. — assentiu ele.

Seus olhos brilharam de imediato, o que estranhamente fez meu coração se aquecer. era oficialmente o primeiro amigo que eu estava fazendo naquela nova cidade, por causa dele, durante esses dias até aquele momento, eu havia me esquecido completamente do meu desejo de voltar para o Brasil.

Eu queria muito ficar em Seoul agora, ficar ao lado do meu novo melhor amigo.

"Poderei alcançar o melhor da minha vida
Como se eu não vivesse sem arrependimentos
Com a mente que se agitou, e ficou
Cheias de esperanças
Estou curioso sobre o amanhã que não conheço."
- S.E.O.U.L / Super Junior & Girls' Generation



One More Time

Atualmente em Havana...

— Sinceramente, pensei que não chegaríamos nunca. — reclamou ao se remexer na poltrona do avião.
— Ah, deixe de ser chato. — eu ri da sua cara de entediado — Tivemos um voo bem tranquilo.
— Devo admitir que foi mesmo, até consegui ler meu livro. — ele levantou a mão direita mostrando o objeto.
— Ainda não acredito que deixei você trazer seus livros de medicina. — cruzei os braços o olhando meio indignada comigo mesma.
— Porque você sabe que eu terei uma semana de provas prática quando voltar. — ele abriu um largo sorriso — Foi um alívio terem me deixado faltar esses dias.
— Você é o melhor aluno daquele curso, eles tem obrigação disso. — retruquei.
— Falou a ganhadora do prêmio de melhor editorial. — ele riu.
— Olha, finalmente um sorriso.
— Eu estou rindo, é diferente.
— Deixa de ser chato.

Ri da careta que ele fez, logo o piloto anunciou que poderíamos desembarcar. No saguão principal do aeroporto, uma pessoa já estava à nossa espera com um cartaz escrito nossos nomes.

— Bom dia, eu sou Juan. — disse o homem dando um sorriso singelo, trajava uma camisa azul e jeans surrados — Bem-vindos a Havana.
— Obrigado. — sorri de volta e olhei para .

Pelo olhar de meu amigo, ele não parecia confortável.

— Bom dia. — o tom de voz de era quase um sussurro.

Já comecei a imaginar o que seria. sempre ficava mais silencioso que o habitual quando homens se aproximavam de mim. Era visível o ciúmes do meu melhor amigo, mas o bobo não dava o braço a torcer, o que me deixava ainda mais revoltada.

— Eu vou ajudar vocês com as malas. — disse ele pegando uma das malas.
— Você trabalha no albergue? — perguntou .
— Sim, o albergue é da minha mãe. — respondeu Juan — Nós temos um contrato de hospedagem com algumas universidades do mundo, para os alunos.
— Que incrível, deve ter gente do mundo todo lá. — comentei, ajeitando minha bolsa no ombro.
— Sim, muitos universitários se hospedam com a gente em todas as temporadas do ano. — assentiu com certa satisfação.

Seguimos até seu carro, em poucos minutos Juan estacionou em frente ao albergue, que possuía três andares. Eu estava deslumbrada com toda a arquitetura da cidade, as cores vibrantes das fachadas.

— Sejam bem-vindos! — uma senhora veio a nosso encontro, assim que entramos no lugar.
— Essa é minha mãe, Carmen. — explicou Juan enquanto colocava as duas malas que carregava ao lado da escada.
— Obrigado senhora. — disse ao retribuir o abraço que ela havia me dado.
— Por favor, pode me chamar de Carmen. — ela sorriu para mim — Este jovem e bonito rapaz só pode ser seu namorado.
— Não. — dissemos eu e juntos.
— Somos somente amigos. — completei meio sem graça.
— Ah. — Carmen voltou seu olhar para mim — Me desculpem.
— Sem problemas. — assegurei.
— Juan meu filho, leve as malas deles para os quartos. — ela continuou com sua atenção em mim e segurou em minha mão — Vocês devem estar famintos, venham, fiz um lanche para vocês.

Seguimos em para a cozinha, que nos pediu desculpas novamente por seu engano. permaneceu em silêncio a maior parte do tempo como sempre, observando tudo ao seu redor.

— Fiquei animada quando recebi o email da sua universidade, são poucos alunos que já vieram de Seoul. — comentou Carmen.

Ela nos serviu tortica de morón, biscoito típico do país acompanhado de uma refrescante limonada, nós comemos muito bem. Aqueles biscoitos tinham um sabor especial.

— Eu sempre tive curiosidades sobre o país e a cultura local, fiquei ainda mais feliz por poder vir. — comentou Carmen ao retirar outros biscoitos do forno.

Carmen se aproximou um pouco mais de mim.

— Ele não é muito de conversa, não é?! — comentou ela, sobre .

Ele estava sentado na cadeira perto da porta que dava para os fundos do albergue, mexendo no celular, enquanto tomava a limonada em seu copo.

— Não. — respondi segurando o riso — Ele é um pouco tímido.
— E você gosta dele. — disse Carmen em afirmação.
— Bem… — tentei me desviar.
— Não precisa fingir, está no seu olhar. — ela sorriu de forma gentil — Ele sabe?
— Que eu gosto dele?
— Sim.
— Não sei, às vezes acho que sabe e às vezes acho que é bobo demais pra perceber. — bufei de leve.
— Hum… Só vai saber se conversar sobre isso com ele.
— Conversar sobre o que? — Juan perguntou aparecendo misteriosamente atrás da mãe.
— Nada. — ela olhou para o filho — Já levou as malas para o quarto?
— Sim.
— Então, acho nossos novos hóspedes precisam descansar um pouco antes da festa. — Carmen lançou um olhar sugestivo para mim, então piscou.
— Festa?! — se levantou da cadeira.

Legal, agora ele está prestando atenção em nós.

— Sim. — Juan o olhou — Vocês chegaram em um dia bom, hoje é aniversário de um casal amigo da minha mãe, eles convidaram todos os hóspedes daqui do albergue.
— Que legal. — me senti animada de imediato.
— Tenho certeza que vão se divertir muito, mas festas noturnas em Havana são as melhores. — garantiu Carmen.

Apesar do olhar tedioso de , a ansiedade começou a tomar conta de mim. Juan nos conduziu até nossos quartos, eu ficaria no segundo o andar das meninas e no terceiro, o andar dos meninos. Juan nos explicou como funcionava o sistema do banheiro para quando fossemos tomar banho, e nos deu a chave dos quartos e armários. Os quartos eram duplos, e tinha dois armários grandes para os hóspedes guardarem suas coisas.

Para minha surpresa, ficaria o mesmo quarto em que Juan dormia, já eu por sorte fui instalada em um quarto vazio, pois a outra garota que se hospedava já tinha voltado para casa. Assim que entrei no meu quarto, retirei algumas peças de roupa para já escolher o que vestiria à noite, então guardei tudo no armário e coloquei as chaves na minha bolsa que ficaria comigo.

Minutos depois...

— Toc… Toc… — deu duas batidas na porta que estava entre aberta.
— Entra. — disse me virando para ele.
— Já guardou suas coisas? — perguntou ele.
— Sim. — abaixei o olhar, vendo o celular em sua mão — Você enviou mensagens aos nossos pais?
— Também. — respondeu ele entrando e fechando a porta.
— Também?! — indague.
— Enviei uma mensagem a minha orientadora, agradecendo por me ajudar com a dispensa para a viagem.
— Ah.

Aquela orientadora, tinha que admitir que odiava quando ele mencionava sobre ela. Sempre dizendo o quanto ela o ajudava em seus estudos e conseguia vagas em palestras para ele. Sora era cinco anos mais velha que nós dois, algumas esbarrei com ela, quando ir para o prédio de medicina ver , conseguia sentir que ela tinha interesses por ele pela forma que o tratava.

— O que foi? — ele me olhou preocupado.
— Nada. — suspirei fraco.
— Nada?! — ele riu dando alguns passos até mim então tocou com o dedo indicador de leve em meu nariz — Eu conheço esse seu olhar, já disse para não ficar com ciúmes da Sora.
— Quem disse que estou com ciúmes dela? — cruzei os braços.

Ele arqueou a sobrancelha direita e sorriu, aquele sorriso que me deixava com raiva e ao mesmo tendo com o coração acelerado.

— Vou acreditar então. — ele pegou em minha mão e me puxou para mais perto, me abraçando carinhosamente — Sua boba, por acaso não se lembra da nossa promessa?
— Qual delas?! — perguntei em sussurro.
— Aquela que diz que meu coração sempre vai estar perto do seu. — sussurrou ele de volta — Somos melhores amigos, não somos?!
— Sim. — senti minha voz falhar.

Não queria ser somente sua melhor amiga. Estava sendo ambicioso, assumo, mas queria muito mais que sua amizade.

— Acho melhor descansarmos um pouco, já que à noite… — ele se afastou um pouco.
— Não quer ir? — perguntei.
— Não me importo de ir. — respondeu daquela forma indireta de sempre — Você disse que queria aproveitar cada segundo aqui, então…

Ele sorriu novamente.

— Então?! — insisti para que ele continuasse.
— Darei o meu melhor para ser a viagem mais especial da sua vida! — seu olhar estava sereno.
— Komawo. — eu o abracei no impulso — Eu te amo!
— Eu também te amo.

Ele saiu do quarto me advertindo para não ficar eufórica pela festa e descansar um pouco. Foi o que eu fiz, após tomar uma ducha quente no banheiro feminino, coloquei meu pijama provisória mente e me deitei na cama um pouco, foi aí que senti os músculos do meu corpo relaxar de verdade. O que me levou a um longo cochilo.

- x -

— Uau. — foi a única coisa que consegui dizer sobre a decoração cativante do restaurante que Carmen nos levou.
— Tem muita gente aqui. — comentou .
— É uma festa. — eu ri da careta que ele fez para mim.
— Venham, quero apresentá-los aos anfitriões. — disse Carmen ao pegar sutilmente em minha mão.

Seguimos com ela, até a parte do bar. Carmen, nos apresentou ao senhor Rodrigues e a senhora Inês, e também seu sobrinho Enrico que mora com eles desde criança. Era engraçado, pois quanto mais Carmen me apresentava aos jovens rapazes da festa, mais demonstrava incomodado com aquilo. O que me divertia um pouco.

— Que cara fechada. — disse ao me sentar na banqueta ao lado de — Você disse que faria o seu melhor.
— Juro que estou tentando, mas a senhora Carmen não está ajudando. — ele me olhou emburrado — Por que ela tem que ficar te apresentando para todos os solteiros do lugar?
— Não acredito. — eu ri da cara dele — Toby está com ciúmes?!
— Yah… — ele fez careta — Sabe que não gosto quando me chama assim.
— Porque você age assim. — sorri para ele — Meu coração também está perto do seu.
— Você disse isso da última vez, até que me apresentou um garoto estranho que queria ser seu namorado. — ele voltou seu olhar para a bancada do bar.
— Por que você não fala de uma vez?!
— O que você quer que eu fale?!
! — a senhora Carmen me pegou pela mão e saiu me conduzindo pelo salão sem que eu pudesse lutar contra.

Talvez tivesse sido melhor assim. Eu não queria estragar a nossa primeira noite em Havana, mas estava com muitas coisas em meu coração que queria profundamente confessar para ele.

Seria tão mais fácil se finalmente se confessasse para mim da forma certa.

“Como nós fazemos você ser capaz de se apaixonar (outra vez)
Deixe-me entrar (outra vez)
Eu já te quero
Seus olhos me dizem que você também quer tentar (outra vez)
Não hesite mais (outra vez)”
- One More Time / Super Junior feat. Reik



Continua...



Nota da autora:
Hello meu povo... Então, como se eu não tivesse ficstapes para escrever, fics para atualizar, continuamos com esse lindo projeto de saga das cidades, que será inicialmente até meu aniversário (se tudo der certo e eu não mudar de ideia kkkk). Espero que gostem da nova capa assim como eu, Claris arrasou mais uma vez!!! Continuem acompanhando e aguardem por mais fics minhas na categoria ORIGINAIS do FFOBS!!!
Bjinhos...
By: Pâms!!!!
Jesus bless you!!!




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*as outras fics vocês encontram na minha página da autora!!


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