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The Death Eater's Child / Extras de UNH






Última atualização: 13/09/2016

Capítulo 1


A garota fechou os olhos com força por breves instantes, a verdade, aos poucos, sendo processada. Engoliu a repentina vontade de gritar e ignorou as lágrimas que quiseram cair por seus olhos.
Desceu correndo os degraus que faltavam na escada, passou pela porta de entrada e correu o mais rápido que suas pernas lhe permitiram, ignorando os pingos grossos de chuva que caíram sobre sua pele, no momento em que deixou sua casa.
Não se importou com o frio que a atingiu por sair apenas de camiseta.
Correu sem rumo, deixando que as lágrimas caíssem incessantes.
Tropeçou na rua inúmeras vezes, mas não parou de correr, nem mesmo quando escorregou no calçada e caiu de joelhos, ralando-os, assim como as mãos pequenas. Levantou-se com certa dificuldade e, então, voltou a correr, sentindo a ardência dos novos machucados, mas não se importou.
Doía, mas não machucavam tanto quanto seu coração.
Seu coração estava despedaçado.

Sentia a respiração desregulada e a ardência no peito com a dificuldade para respirar corretamente, mas não parou de correr.
Continuou mesmo quando suas pernas imploraram por um descanso, continuou correndo até sentir a falta de ar lhe atingir por completo.
Correu até suas pernas fraquejarem, e ela, novamente, cair de joelhos.
Tossiu incontáveis vezes, até o ar voltar a entrar em seus pulmões.
Olhou ao redor, embora sua visão estivesse embaçada devido ás lágrimas, e a chuva forte não lhe permitisse ver muito adiante.
Levantou-se lentamente, andando até o ponto de ônibus próximo e sentando-se no banco que tinha por ali. Encolhendo-se.
Abraçou as próprias pernas e baixou o rosto, deixando as lágrimas caírem livremente e a dor em seu coração a consumir.

“Ela está ficando cada dia mais parecida com ele, não é?”

“Quando ela começa a gargalhar, parece que eu estou vendo-o na minha frente, jogando os cabelos para trás e tudo...”

“Tirando a cor dos cabelos, ela não tem quase nada de Victoria...”

“Ted... Ela precisa saber que os pais estão em Azkaban, não podemos esconder isso para sempre...”

“Não precisamos contar isso agora... Ela é muito nova para saber que os pais eram Comensais da Morte...”

“Ela tem perguntado tanto deles... Não sei mais o que dizer, Ted... Você acha que eu quero que saiba que os pais dela são assassinos? Que seguiam Você-Sabem-Quem?”

Aquilo doía tanto que chegava a ser físico, nada nunca doera tanto nela quanto aquilo.
Nem quando quebrara o braço, ao cair da vassoura de Dora no ano anterior, ou quando pegara uma das facas na cozinha para cortar um pedaço de bolo, e acabara cortando-se, aquilo não machucara tanto. Nem mesmo a vez que pegara a varinha de Ted e lançara um feitiço em si mesma, e tivera que passar dois dias no St. Mungus, nem aquilo doera tanto.
Nada que fizera na vida a machucara tanto quanto saber quem eram seus pais.
Chorou como nunca tinha chorado em sua vida.
Gritou o tanto que sua garganta lhe permitiu, gritou até ficar sem voz.

Queria tirar aqueles pensamentos da cabeça, mas eles pareciam cada vez mais grudados em sua mente, impregnados em suas poucas memórias.
Olhou para o céu escuro, deixando as gotas geladas da chuva caírem diretamente em seu rosto, misturando-se com as lágrimas.
No fundo, desejava que a chuva levasse junto toda a dor que sentia em seu peito. Queria que aquele sentimento escorresse, e fosse embora de alguma forma.
E, junto ás lágrimas, junto às poucas lembranças que tinha dos pais, desejava que eles próprios fossem embora.
Desejava que as coisas fossem diferentes.
Queria não ser filha deles.

Agora entendia o motivo de começar a usar o mesmo sobrenome de Dora, mesmo não sendo filha de Andy e Ted.
Agora fazia sentido eles ficarem nervosos ao falarem de seus pais.
E porque morava com os Tonks.
O porquê de não ter nenhuma outra foto dos pais.
Entendia também porque eles nunca apareciam em seus aniversários.
E porque nunca respondiam suas cartas...

“- Por que ele não pode vir no meu aniversário, tia?
- Ele precisa trabalhar escondido, é por isso que ele não veio, .
- Mas ele não responde minhas cartas, por que ele não responde minhas cartas? Ele não gosta de mim?
- Seu papai te ama, .
- Mas ele não quer falar comigo, tia. Por que?
- Ele quer... Ele só não pode...
- Eu fiz alguma coisa pra eles? É por isso que eles foram embora?
- Você não fez nada de errado, meu amor. Você não gosta de morar com a gente?
- Eu gosto... Mas eu quero meus papais... Por que eles nunca vieram me buscar?”

Agora ela sabia.
Eles estavam em Azkaban, à prisão dos bruxos.
Seus pais eram Comensais, seguidores do bruxo das trevas mais temido do mundo.
Seus pais eram pessoas ruins.
Será que aquilo queria dizer que ela também era uma pessoa ruim?
carregava o mesmo sobrenome, o sangue deles era o seu sangue.
Ela era tão ruim quanto os pais?
Como poderia se nem mesmo sabia quem eles eram?
Nem mesmo sabia o que tinham feito.
Tudo o que tinha era uma foto velha de seu pai, desgastada pelo tempo.

Fechou os olhos, tombando a cabeça para frente, os cabelos molhados cobrindo seu rosto.
“Ela está ficando cada dia mais parecida com ele, não é?”
Ela estava ficando igual á seu pai?
Ela estava se tornando uma pessoa ruim?
Ela seria levada para Azkaban junto a eles?
Sentiu um arrepio passar por seu corpo, encolheu-se ainda mais no banco.
O medo e o desespero dominavam seus pensamentos.
Aquilo explicava tantas coisas, que quanto mais se lembrava, mais seu coração apertava, mais o medo a dominava.
Tantas lembranças começavam a borbulhar em sua cabeça, que quanto mais pensava, mais tinha vontade de chorar.

“- Ué, por que você não está com seus pais?
- Eles... Eles não podem vir, por causa do trabalho...
- Ah. Minha mãe só pode sair um pouquinho, porque ela trabalha no St. Mungus! Quantos anos você tem?
- Seis. E você?
- Sete, vou fazer oito na próxima semana! Daqui a pouco vou pra Hogwarts!
- Você já sabe para que Casa você vai?
- Talvez Corvinal, meus pais dizem que eu sou esperta, e minha mãe era de lá. E você?
- Não sei... Meu pai era da Grifinória, minha mãe Sonserina...
- Caramba... Bem, você quer brincar? Ah, meu nome é Betty Summers. Qual seu nome?
- Black. O que foi?
- Você... Você... Eu tenho que ir embora, agora. Tchau.
- Por que? Você não quer mais brincar?
- Eu não quero brincar com você.”

Quantas vezes aquilo acontecera?
Quantas pessoas se afastaram dela quando descobriram seu nome?
Quantas vezes perguntara para Andy se tinha algum problema com ela, e a mulher negara?
Agora ela entendia, o problema realmente não era ela.
O problema era sua família.
O problema estava com seus pais.

“- Você sente falta deles, ne?
- Você conhece meus papais, Dora?
- Uhum... Seu pai é muito legal, era meu adulto preferido!
- Ele gostava de mim?
- É claro que sim, você era uma bebezinha fofinha. Ele fazia luzinhas saírem da varinha, pra você brincar!
- Eu não lembro disso...
- Você era muito pequena, . Mas ele gostava muito de você. E, eu lembro, você só ficava quieta quando estava com ele. Sempre chorava quando ele não ‘tava perto. Você era bem chorona, sabia?
- Hey!
- Eu ‘to brincando!
- Por que eu não consigo lembrar disso?
- Você não tinha nem dois anos quanto ele foi embora, foi ele quem te deu esse cachorro que você abraça toda noite.
- Eu sei!”

Quantas vezes desejara ter seus pais de volta?
Sempre pedira por isso quando soprava as velinhas em seu aniversário.
Sempre desejava tê-los novamente quando via uma estrela cadente.

“- Você acha que ele vem me ver, Dora?
- É claro que sim, qualquer dia ele aparece pra te buscar, mamãe disse que ele precisou viajar, por isso você mora com a gente agora.
- Eu queria que essa viagem terminasse logo e que ele viesse me ver.
- Você vai ver seu pai, . Papai disse que ele tem várias fotos suas, desde bebezinha, até agora.
- Por que eu não tenho mais fotos dele?
- Não sei... Talvez ele não goste de tirar, olha a minha mãe, ela odeia tirar foto, lembra? - Hm... Tá bom...
- O que foi?
- Será que ele olha pra foto igual eu faço antes de dormir?”

Agora ela sabia que eles nunca viriam.
E ela não queria mais que viessem.
Era tudo culpa deles.
Mas ela não tinha feito nada de errado, não tinha culpa.
Mas e se ninguém mais achasse isso?
E se as pessoas a culpassem por ser filha deles?
Como seria quando fosse para Hogwarts?
Ninguém seria seu amigo? Ninguém ficaria perto dela? Todos teriam medo?
Talvez nenhum professor fosse querer dar-lhe aulas. Talvez ela não fosse escolhida para nenhuma Casa, porque os alunos não iriam querê-la.
Talvez ela nem mesmo fosse para Hogwarts! Talvez Alvo Dumbledore não a quisesse em sua Escola, perto das outras crianças, com medo que ela pudesse machuca-los.
Mas o que ela poderia fazer?
Mandar uma carta para Dumbledore, pedindo para ele aceita-la? E se ele dissesse não?
Talvez nem mesmo lesse sua carta. Talvez respondesse dizendo que ela não poderia estudar lá.
Talvez se Andy e Ted dissessem que ela era uma boa pessoa, talvez as pessoas gostassem dela! Mas e se nem eles gostassem dela? E se também tivessem medo de deixar Dora com a garota? E se só a aceitassem enquanto ela era uma criança e não sabia fazer magia? Será que eles a mandariam embora? E se esperassem ela ter dezessete anos, e a mandassem para Azkaban?

queria fugir.
Ir para algum lugar distante, que ninguém a conhecesse.
Que ninguém soubesse quem eram seus pais.
Queria ser outra pessoa.
Queria ter outro nome, qualquer um.
Mas ela não poderia.
Não queria ser filha de seus pais, mas ela era.
E mesmo usando o sobrenome dos Tonks, aquilo não mudaria.
Ela era filha de dois Comensais da Morte.
Ela era uma Black.

Fim.



Nota da autora: 14/09/2016
Olá!
Cheguei, finalmente, com o último extra da fase "antes' de UNH!
Cês acham que é fácil ser filha de Sirius Black? Não é, meus amores. Tem que sofrer muito pra carregar esse sobrenome!
Mas por enquanto é isso aí, nos vemos em breve!
xxx Reh

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