CAPÍTULOS: [Capítulo único]






Última atualização: 21/07/2016

Capítulo Único


Victoria fechou os olhos por alguns instantes, ignorando os gritos vindos das celas vizinhas. Ignorou o cheiro de podridão impregnado no lugar, ignorou as manchas de sangue em seu colchão, e tentou não pensar na sujeira do lugar. Fechou os olhos desejando estar em um lugar melhor do que aquele, desejando estar em sua casa.
Ignorou a sensação ruim em seu peito, a sensação de claustrofobia que aquele lugar lhe transmitia. Tentou mais do que tudo esquecer-se de que estava presa, que passaria o resto de seus dias naquela cela.
Embora, se fosse sincera consigo mesma, a falta de liberdade do momento era bastante semelhante com a prisão na qual estivera durante sua vida.
Victoria nunca fora verdadeiramente livre.
Sempre tivera que obedecer, sempre tivera que seguir.
Quando pequena era obrigada a fazer as vontades de sua mãe, vestia o que lhe era dado, conversava com quem lhe era permitido.
Sempre seguia suas irmãs mais velhas, eram seus exemplos.
Estivera ao lado de Andrômeda até completar seus onze anos, quando começou a frequentar Hogwarts; Victoria tinha entrado na Sonserina, junto com Bellatrix, Narcisa, Rodolfo e Andrômeda, mas a irmã mais velha já estava no último ano quando a garota entrou na Escola.
Sirius entrara em Hogwarts um ano antes dela e, apesar de continuar constantemente ouvindo os discursos das duas irmãs e irmão sobre como Sirius não era uma boa companhia (mesmo sendo da família), ela continuou a conversar com ele.
Sirius era seu melhor amigo desde que se lembrava.
Ele sempre a fazia rir, sempre a ajudava, sempre a protegia.
Sirius era diferente do resto da família;
Ele não se importava com os trouxas e sangue-ruins como o resto dos Black.
Almofadinhas, como gostava de ser chamado, tinha tudo o que Victoria desejava;
Coragem e liberdade.
Victoria queria ter o mesmo.
Queria ter coragem para ser tão livre quanto Sirius, fazer o que queria sem importa-se com a opinião do resto da família e amigos.
Mas Victoria era covarde demais para isso, aparentemente a coragem sempre ficava com os mais velhos da geração, fosse Sirius, ou Andrômeda - que ignorara todos e continuara a sair com o nascido-trouxa Ted Tonks.

E apesar de toda a contradição interna em que vivia, Victoria deixou-se levar pelo sentimento que crescera dentro de si, se deixara levar por todas as promessas feitas por Sirius de que eles podiam ser felizes juntos.
Ela ignorou todas as vozes que disseram que aquilo era um erro;
Sirius fora renegado pela própria família, assim como Andrômeda.
E se continuasse com aquilo, Victoria seguiria o mesmo caminho dos dois.
Mas por um longo tempo ela não se importou com tudo aquilo, quando Sirius finalmente pediu para ela decidir se queria continuar a sair com ele, Victoria aceitou sem pensar duas vezes;
Não queria mais esconder o que sentia, Sirius sempre fora o amor de sua vida!
Não fora rejeitada como ele, mas ficou semanas sem falar com os pais e irmãs, porque nenhum deles queria se aproximar dela.
Os únicos presentes em seu casamento foram os amigos de Sirius - James, Remo, Lily e Peter - juntos de Andrômeda e Ted. E fora ali, mais do que em qualquer outro momento no último ano em que decidira ficar ao lado de Almofadinhas, que ela se sentiu sozinha.
Por mais que estivesse feliz com Sirius, por mais que pudesse contar com a irmã mais velha (a qual já tinha uma criança), e mesmo com Lily tentando aproximar-se dela, ser sua amiga, Victoria continuava a sentir-se sozinha.
Não tinha mais sua família, suas irmãs não estavam mais ao seu lado. Andy por mais que a apoia-se, começara a própria família e não tinha mais tanto tempo para ficar com a mais nova.
Narcisa e Bella casaram-se para manter a linhagem de Puro-Sangue;
Embora Narcisa gostasse de Lucius Malfoy, Victoria sabia que a irmã quisera casar-se com alguém que poderia lhe dar todo o luxo que ela desejava.
E Bella e Rodolfo tinham se casado apenas para manter os bens da família – mesmo, é claro, que Victoria soubesse que eles vinham passando tempo demais juntos escondidos em salas e armários vazios na Escola -, os dois casaram-se não por amor, talvez por um pouco de atração, mas principalmente porque queriam manter o Sangue-Puro que tanto prezavam.

Victoria queria aproximar-se novamente das irmãs, mas não sabia o que fazer para isso, e quando finalmente recebeu um convite de Narcisa para visitá-la, no quarto mês de sua gravidez, acabara confirmando o que já suspeitava junto á Sirius;
Cisa e Bella tinham decidido seguir Lord Voldemort, e fora exatamente este o motivo do convite repentino:
Voldemort queria Victoria ao seu lado, assim como Bellatrix.

E por meses fora exatamente isso o que aconteceu, por mais que sentisse que traia a confiança de Sirius, Victoria continuou a passar as informações que sabia, não queria ser afastada novamente, não queria ser rejeitada.
Talvez Alfomadinhas pudesse conviver com o desprezo da família, mas ela não conseguia.
Ela não aguentava mais aquela situação, era ela quem ficava sozinha em casa quando Sirius partia em missões pela Ordem.

Se pudesse voltar ao tempo, Victoria talvez não tivesse escolhido Sirius Black como marido, não teria engravidado dele.
O amava mais do que conseguiria explicar, mas não fora uma boa escolha;
Sirius estava do lado errado da família.
Seria tudo tão mais fácil se eles tivessem seguido seu sangue.
Se Sirius seguisse os passos de todos os outros, e virasse um Comensal tudo estaria bem, nenhum deles correria perigo.
Porque Victoria bem sabia, com Sirius ao lado de Dumbledore e da Ordem da Fênix, era quase uma questão de tempo para ela perdê-lo para sempre.
E seu medo só aumentou após o nascimento da filha.
O que faria se os perdesse?
Victoria passara todas as informações que pudera, por mais que soubesse que Sirius ficaria furioso quando descobrisse, porque acreditava que assim ela os protegeria.
Os três estariam seguros!
Por mais que Sirius e Bellatrix se odiassem, a irmã e nenhum dos outros Comensais o atacariam. Matariam todos que aparecesse em seus caminhos, mas não Sirius.
Almofadinhas estaria a salvo, assim como .
Sua bebê estaria bem, longe de toda aquela confusão.
E aquilo bastou por algum tempo, as informações que ela repassara á Voldemort eram importantes, o ajudaram em suas conquistas, mas em determinado momento aquilo deixara de ser suficiente.
Ela precisava decidir seu lado, declará-lo em voz alta.
Victoria não era totalmente leal á Voldemort, e o Lord das Trevas sabia.

A mulher fechou os olhos, encostando a cabeça na parede gelada, ainda ouvia os gritos e risadas vindos de todos os lados, aos poucos todos pareciam enlouquecer, e não demoraria muito para o mesmo acontecer com ela, tinha certeza.
Queria poder voltar no tempo, voltar para o dia em que conversara com Narcisa, para o dia em que decidira a quem seria leal, queria ter agido diferente, ter pensado em alguma outra solução.


“A mulher andava de um lado para o outro, enquanto a mais velha continuava sentada no sofá, a pose imponente de sempre, como se nada pudesse abalá-la.
Draco e dormiam sobre as cobertas e almofadas que as duas mulheres colocaram ao chão.
- Você não pode permanecer nesta situação, Victoria. Precisa decidir, e logo.
- O que você faria se estivesse no meu lugar, Cisa? O que você faria se Lucius fosse da Ordem e sua família seguisse Você-Sabe-Quem?
Narcisa a olhou séria, colocou-se em pé, postando-se a frente da mais nova.
- Primeiramente eu não teria me casado com alguém que vai contra nossa família, nossos princípios…
- Eu o amo!
- Amor é coisa de criança! - Narcisa a cortou - Você querer sair com Sirius quando estavam no quarto ano era coisa de uma adolescente inconsequente. Mas você ter casado com ele, Victoria, foi irresponsável, você sabia o que aconteceria, e mesmo assim não pensou nas consequências que isso traria a você. O que esta acontecendo agora é sua culpa, você escolheu este caminho!
Victoria bufou impaciente, olhando para o lado e suspirando em seguida.
- Não preciso de seu sermão agora, Cisa, preciso de uma solução! Não posso voltar no tempo e não casar. - Victoria olhou suplicante para a irmã - O que você faria, Cisa?
Narcisa arqueou a sobrancelha, baixando o olhar para as duas crianças adormecidas próxima a elas, alheias a todos os problemas que as cercava.
- Eu faria o que fosse melhor para Draco.
- O que…?
Narcisa olhou para a irmã, puxando-a pelos ombros a voz uma oitava mais fina que o usual.
- Você sabe o que vai acontecer com vocês três se você deixá-lo, não é? Você não pode mudar de lado, Victoria. Deve permanecer fiel.
- Mas Sirius…
- Esqueça Sirius! Você se colocou nesta situação, e o colocou nisso também! Se você não foi mulher o suficiente para dar um basta nisso quando era mais nova, se você foi irresponsável o suficiente para casar-se com ele, agora dê um jeito de corrigir seu erro.
- Você acha que…
- Você-Sabe-Quem vai matá-la no momento em que você disser que não está mais ao lado dele, e não vai ser só a você. Sirius permaneceu vivo até agora porque Você-Sabe-Quem decidiu poupá-lo, apenas para conseguir as informações que ele precisava. Se você desistir, Victoria, vocês dois irão morrer, - Narcisa olhou para as crianças antes de voltar-se para a irmã - mas só depois de ver a sua filha sofrer. Você-Sabe-Quem não irá te perdoar, Victoria.
- Ele não pode… não tem… É só um bebê…
- Você acha que ele se importa? - Narcisa chacoalhou a irmã.
Victoria passou a mão pelos cabelos, desesperada, a respiração entrecortada e o coração acelerado, não tinha ideia do que fazer, de como sair daquela situação na qual ela mesmo se colocou, como a irmã repetira incansavelmente.
A loira olhou para uma foto próxima à lareira, na qual ela e Sirius riam, enquanto ele segurava no colo, e a mulher segurava o cachorro de pelúcia que a filha gostava.
Victoria mordeu o lábio inferior, fechando os olhos por breves momentos, quando tornou a abri-los olhou para a irmã, a decisão pela primeira vez em muito tempo, estampada em sua face.
Victoria resolveria todos os problemas que causara a si mesmo e a sua família, não importava mais se Sirius a odiaria, ela manteria sua bebê em segurança, longe de tudo aquilo.
- Ninguém nunca pode saber sobre isso, Cisa. Nunca.
- O que você vai fazer? - a outra perguntou com a sobrancelha arqueada.
- Eu serei a melhor Comensal que ele já teve.”


Se pensasse bem, ironicamente, Victoria conseguira tudo o que desejara em sua vida;
Ela se casara com o homem que amava e tivera uma filha com ele. A qual, ela sabia, seria parecida com Sirius;
tinha o mesmo ar curioso e aventureiro do pai, as mesmas expressões faciais e a mesma manha para quando queria algo que lhe era negado.
Tinha certeza de que quando crescesse, a garota teria o mesmo ar arrogante e impertinente de Sirius, e da própria Victoria, eram os genes dos Black.
Victoria então conseguira se reaproximar da família, embora não tivesse ocorrido exatamente como imaginara, mas tinha suas irmãs por perto.
Pode viver feliz com Sirius e por um tempo curto, porém precioso.
Victoria tivera a sua própria família, e não poderia ser mais grata por Sirius ser o pai de sua criança.
E, como prometera a si mesma, Victoria tornou-se a melhor Comensal que Voldemort tivera, melhor até mesmo que Bellatrix.
Seguiu todas as ordens do Lord das Trevas, matou e torturou todos que lhe eram mandado, sem que ninguém mais soubesse.
Fora ela quem dissera a Voldemort, que Rabicho era o Fiel do Segredo dos Potter.
Sentira o pesar por essa escolha, James era o melhor amigo de Sirius, mas não poderia arriscar a vida da sua família por causa deles.
Eram escolhas difíceis, mas necessárias.
Mas nenhuma fora mais difícil do que deixar Sirius e para trás.
A dor e o rancor expostos nos olhos de Sirius, a raiva que o homem sentira dela, o desprezo, nada poderia ser pior do que aquilo.
Desejara poder se explicar, contar-lhe de alguma forma o motivo de tudo aquilo, o motivo do abandono, mas não podia.
Quis gritar aos quatro ventos que Sirius não era um Comensal, que nunca trairia os Potter, que fora ela o tempo todo, mas não podia.
Mesmo que Voldemort estivesse morto, não poderia arriscar-se daquela forma, não poderia arriscar a vida de sua filha.
Sentia as lágrimas atingirem seus olhos e o coração apertar sempre que escutava os gritos de Sirius, quando os Dementadores se aproximavam. Não era isso que ela queria, se pudesse escolher, se pudesse fazer algo…
Sirius estaria em casa com , cuidando da criança e ensinando-lhe tudo o que podia, protegendo-a como ele fizera com Victoria.
Mas nada poderia fazer, Sirius permaneceria em Azkaban, assim como ela, mas diferente da mulher, ele era inocente e mesmo assim ninguém confiava em sua palavra, ninguém acreditava em sua inocência.
Sirius estava sendo privado de sua liberdade e de sua vida, por um erro dela.
Única e exclusivamente dela, e Victoria não poderia consertar este erro.
Talvez um dia pudesse contar a verdade aos dois, talvez com o tempo Sirius a perdoasse, afinal Victoria pensara na filha, e fora para protegê-la que era virara uma Comensal, fora apenas por que ela matara tantas pessoas.
Viveria com aquele peso em sua consciência e em seu coração.
Mas ao menos sua filha estava bem, e isso valia o esforço e compensava suas ações, suas escolhas.
teria o amor e carinho que os pais não poderiam lhe dar.
Por hora ela estava protegida, mas a garota cresceria com um peso enorme sobre suas costas;

Seria apontada na rua pelas escolhas que a mãe fizera, e seria julgada por causa de um crime que o pai não cometera.
tinha consigo um legado que não a pertencia, mas que lhe fora imposto pelas ações e escolhas de seus pais.
A criança viveria aprisionada em seu próprio corpo devido as suas linhagens.
A garota carregava o sangue sujo da família, e o sobrenome maldito dos pais;

era o legado dos Black.


Fim







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