One and The Same

Última atualização: 31/08/2021

Capítulo 1 – O Destino

26 de outubro – Madison Square Garden, NY.

A multidão que se espalhava pelos arredores de Midtown Manhattan na 7th Avenue entre a 31st Street e 33rd Street denunciava o fim de mais uma atração que ocorreu no mais ilustre prédio daquela redondeza. Chegava ao fim mais um show da banda Karma’s Joke e com ele a esperança de que a noite também se findasse para as gêmeas e . Porém, tinha uma ideia bem diferente do que era comemorar o seu aniversário e não poderia fugir de nada do que a irmã tinha planejado por conta dos Dez Mandamentos – que a única semelhança que tinham com os das escrituras sagradas era o nome.
e suas irmãs da Kappa Kappa Phi Phi queriam de algum modo conseguir tirar fotos com , o vocalista da banda. achava desnecessário correr e gritar por conta de outra pessoa só porque ela era uma celebridade. Nada desse mundo era atrativo para a menina, mas ela assistia de bom grado a irmã e as demais meninas tentarem de todas as formas possíveis convencerem aos seguranças de que elas tinham que conhecer o tal cantor.

— Olá! — estava tão absorta em seus pensamentos que não se deu conta quando a menina ruiva se aproximou dela.
— Oi!
— Qual é o seu nome? — A ruiva estava se esforçando para puxar assunto com , até expunha os seus dentes brancos perfeitos. O fato é que a curiosidade venceu a sua indiferença. Não tinha como não ficar intrigado com a presença de alguém tão visivelmente deslocado.
. E você é?
— Charlotte... Charlotte Johnson.

A modelo e socialite ruiva com toda a certeza esperava que tivesse uma reação típica de alguém quando a conhece, no entanto, quando não obteve olhos arregalados ou uma boca aberta em choque achou no mínimo esquisito com um quê de engraçado.

— Como vai você? — não quis parecer mal-educada, então se esforçou para continuar com a conversa, a final de contas Charlotte não tinha aparecido ali do nada e para nada.
— Estou bem, obrigada. E você?
— Bem também.

Charlotte Johnson não conseguia desviar os olhos de . A menina que estava diante dela era linda, mas escondia toda a sua beleza com roupas que a deixavam com cara de tia. O fundo de sua mente até preferia que fosse dessa forma, pois tinha certeza que ao menor sinal de que ela tivesse passado por um simples episódio de Esquadrão da Moda, sua beleza não seria mais tão requisitada assim pelas milhares de empresas onde fazia campanhas.
Antes mesmo de Charlotte tentar falar algo novo para , foi interrompida por um abraço suado.

— E aí, Char! Quando eu te vi ali no meio da multidão, não acreditei.
— Fala aí, . — É claro que a modelo não recusaria mais uma chance de falar com o amigo. e Charlotte se conheceram durante uma campanha publicitaria para uma grife mega famosa. Desde então se tornaram amigos, mas como ambos não são bobos, um dia aquela amizade já tinha tido a sua cor.
Ao notar a presença de mais uma pessoa, se esforçou para ser o máximo educado que sua mente, após uns copos de bebida, permitia.
— Oi.
— Oi. — tinha certeza que sua irmã gêmea teria um treco quando a visse trocando apenas um oi com o seu atual sonho de consumo de homem. até diria que era o seu presente de natal adiantado.
— Eu sou Na-
, vocalista da Karma’s Joke. É, eu sei.
A indiferença de para com o homem não lhe afetou. Na verdade, apenas lhe deu carta branca para que tivesse o mesmo comportamento com ela.
— Então, Charlotte, não quer sair para beber com o pessoal?
— Mas... agora? — A mulher sorri ligeiramente preocupada.
— Sim, agora. Você pode? Vai ser legal, a gente vai naquela boate super badalada que abriu.
— Mentira... aí nossa... eu adoraria ir, mas não dá. Tenho uma sessão de fotos amanhã e não posso extrapolar hoje. Você sabe como é, né ? - É claro que sabia como é, no entanto, a diferença entre eles dois era que ele não se importava com nada disso. O homem gostava de viver de excessos e fazer jus a reputação de rockstar que tinha. No fundo, bem no fundo – como ele mesmo gosta de dizer, tinha um coração bom e era um bom menino. Quer dizer, se toda mídia do mundo esquecesse todas as mancadas que ele já deu diante das câmeras de repórteres e paparazzi.

não podia ligar menos para a conversa que estava acontecendo bem ao seu lado. Apenas pensava em quanto teria que ouvir de e as garotas por não ter avisado que estava bem ao seu lado. Ao lembrar da gêmea, rapidamente escaneou o local que já estava bem vazio, tamanha a demora dela apenas tentando – e falhando, diga-se de passagem – esbarrar com o homem que estava ao seu lado nesse momento, e a encontrou de frente para o palco argumentando com um segurança.

— Mas a gente marca outro dia, ok? — A ruiva não perderia o momento. O seu objetivo em ir naquele grandioso show da turnê da banda, era apenas se reaproximar do seu amigo. A fama dele seria super bem-vinda agora na carreira dela. A mulher fazia quase tudo para se manter relevante aos olhos da mídia. Ou seja, se para isso fosse necessário que ela voltasse a aparecer com , ela o faria de bom grado.
— Ah... sim, claro, com certeza. — nunca estaria decepcionado com a resposta, pois sabia que não era a falta dela que diminuiria a chance de dormir com alguém naquela noite. Afinal de contas, ele tinha muito o que comemorar. Era o primeiro show da banda no Madison Square Garden e aquilo por si só não era pouca coisa.
— Fabuloso! — Charlotte tinha um tom de voz demasiadamente animado para , mas ela sabia que aquilo deveria ser o mesmo tom de voz que teria se ouvisse a mesma resposta. — Eu devo ir agora, mas tenho certeza que vocês dois vão se dar super bem, então fiquem amigos.

foi tremendamente pega de surpresa porque a última coisa que ela e seriam eram amigos. e o rapaz não tinham nada a ver e era muito obvio. Enquanto ele ganhava a vida cantando rock e se divertia enchendo a cara, não poderia estar mais distante daquele universo. Nas horas vagas trabalhava em um laboratório da faculdade e quando não estava lá, era facilmente encontrada em uma sala de aula.

Então apenas para ser educada e porque sua irmã seria eternamente grata a ela por ter a apresentado o seu futuro marido, concordou com a cabeça e disse: — Por mim sim.
— Ahn... sim, sim. — Ouviu da boca do cantor e pela segunda vez na noite, viu os seus olhos serem brevemente encarados pelos do homem.
— Fabuloso! — mais uma vez Charlotte usava aquela palavra, a mente de não conseguiu conter um pensamento de que “fabuloso” seria o bordão da modelo e como aquilo em uma conversa mais longa deveria ser irritante. A noite dela estava cheia de momentos surpreendes já que o abraço de recebeu da socialite foi inesperado. — Peça o meu o meu telefone para o e me ligue. Adorei te conhecer.
— Hm.... sim, foi bom ter te conhecido. — disse ainda em choque com aquela declaração. Não era possível que Charlotte Johnson estava falando sério com ela, então apenas para ser educada ela disse o que disse, mas a verdade é que ela nunca pegaria aquele número de telefone.

Com um sorriso maior do que o necessário, segundo as concepções de , Charlotte proferiu “fabuloso” mais algumas vezes. Virou-se para o seu amigo e se despediu dele com um abraço apertado e um olhar intenso cheio de promessas para um futuro não tão distante.
A saída de Charlotte deixou e parados onde estavam. Ambos se encarando. ajeitou os óculos quando se cansou de sustentar o olhar do roqueiro. Alheia aos pensamentos de , ela não saberia que ele também não tinha o menor interesse nela, mas que a bebida já agia em seu cérebro e fez com ele não a deixasse só. Por mais esquisito que aquele momento fosse, nada seria comparado ao que o destino tinha preparado para aqueles dois.


Capítulo 2 – Começando uma difícil “amizade”

26 de outubro – Madison Square Garden, NY
é moreno, alto, bonito e sensual. Tem aos seus pés praticamente todas as mulheres com que ele troca um simples olhar. Seus hobbies incluem beber, até não saber como chegou em casa, e transar com desconhecidas por apenas uma noite, é óbvio. Sua profissão é ser adorando por centena de milhares de fãs enquanto canta sobre coisas loucas que ele viveu com seus companheiros de banda. Toda essa biografia é o que ele é, atualmente, no auge dos seus 21 anos.
Karma’s Joke tinha conseguido fazer história ao se apresentar para cerca de vinte mil pessoas, ou seja, casa cheia no Madison Square Garden. A casa de show onde ele sempre almejou tocar e finalmente tinha, esteve aos seus pés naquela noite. O show foi agitado, com uma estrutura de palco incrível e ninguém sabia ainda, mas a noite de hoje renderia um documentário para a Netflix. Não precisava ser dito que ele já tinha bebido taças de Dom Perignon 2002 — um champanhe de aproximadamente 300 dólares a garrafa — o suficiente para que o álcool fosse um fino filtro entre a realidade. A sua sorte era ter um organismo resistente, pois o que bebeu não era o suficiente para o deixar tão desorientado a ponto de saber que não daria certo seguir a recomendação louca de Charlotte para virar amigo da garota que estava ao seu lado.
— Eu acho que a gente não teve um começo muito bom. Vou recomeçar. Eu sou . Vim hoje com a minha irmã e umas amigas. Muito prazer.
Para o seu espanto quem decidiu puxar assunto foi a menina de óculos, exibindo um sorriso tímido, que estava do seu lado. Aparentemente ela não pensava como ele. Vai que ela achava que seriam bons amigos? Mesmo sabendo muito bem do contrário, ele decidiu não a deixar sem uma resposta.
— Muito prazer. Eu sou . Tem os meus irmãos no camarim. Eu vim com os caras da banda mesmo, mas meus irmãos quiseram me dar um apoio hoje.
— Entendo. — não podia falhar na missão de apresentar esse homem para a sua irmã . Então se apressou em ser direta com ele, afinal não queria mais nada além disso. Não era o seu objetivo naquela noite, mas agora que tinha a oportunidade não a deixaria passar, pois se tinha uma coisa na vida que ela aprendeu durante os seus 18 anos era a não desperdiçar oportunidades. — Olha, seria muito legal se eu pudesse te apresentar as meninas. Minha irmã é muito sua fã e me mataria se descobrisse que falei com você não os apresentei.
não escutou mais nada depois que deixou escapar pelos seus lábios que queria apresentar a ele “as meninas”. nunca foi bobo, ainda mais quando o assunto era pegar mulher, então ele aproveitaria a chance. Estava na cara que o álcool nas suas veias o fizeram ser mais esperançoso. Ele estava torcendo que as outras meninas tivessem uma aparência diferente da mulher que falava com ele naquele momento. Não que fosse feia, longe disso, mas todas as camadas de roupas somadas com a armação de seus óculos, não era algo que atraía o homem em questão.
ao avistar as meninas vindo em direção a ela não fez muita coisa. Apenas torceu para que não tivesse um ataque tardio de estrelismo quando as três mulheres finalmente fizessem algum contato com ele.
, meu anjo, tu acreditas que eu fiz a minha melhor encenação de todos os tipos de pessoas possíveis, mas nenhum segurança quis me ajudar a conhecer o gostoso do ?
é visivelmente o oposto de . Quer dizer, o máximo de oposto que elas podem ser quando alguém é gêmeo univitelino. Elas tinham tudo igual exceto o jeito de se vestirem e as duas tatuagens minúsculas que carregava — parece que não gostava tanto de Nutella a ponto de tatuar um pequeno pote no interior antebraço esquerdo ou não via necessidade de carregar a expressão “femme fatale” na costela do lado direito. A personalidade nem se conta mais por que desde o ventre as duas foram muito diferentes. Ambas precisam de óculos, mas já os tinha abandonado desde os quinze anos.
— Hmmm... , eu gostaria de te apresentar ao meu mais novo amigo. — disse assim que a gêmea calou a boca.
— Você não faz novos amigos facilmente. Vai me apresentar a quem? Ao seu amigo imaginário? — disse rindo.
— Bom... Alexis, e , esse é o meu mais novo amigo: . — disse ajeitando os seus óculos enquanto trazia a luz a presença do cantor. não tinha notado, no entanto, as demais meninas estavam se esforçando para fingir costume ao ver o homem.
— Prazer, meninas.
É claro que exibia o seu maior sorriso. Sua noite tinha se tornando mil vezes melhor ao conhecer as outras três mulheres. Para sua sorte nenhuma das mulheres que ele foi apresentado eram remotamente parecidas com . é loira de olhos verdes. Alexis tem o cabelo castanho claro e olhos castanhos. Ambas brancas. E aí tinha com os seus cabelos castanhos ondulados, olhos castanhos escuros e a pele âmbar. O mais engraçado é que ele achava ter bebido demais, pois tinha os mesmos cabelos castanhos, olhos castanhos escuros e pele âmbar de e isso não poderia ser verdade, só coisa da mente dele.
— Sou muito fã da banda. Meu nome é Alexis. — A mulher vestia uma calça preta skinny com um cropped branco de tela que tinha por baixo um bralet preto. não entendia muito de moda, porém aquele visual o agradou.
— Sou . Muito prazer. — A gêmea de se apressou em dizer assim que notou os olhares mais interessados em Alexis. Era uma preocupação desnecessária já que a sua amiga era comprometida e não oferecia risco, o seu medo era de mesmo.
— Adoro o som de vocês. Chamo-me . Enchanté. — A loira gastava todo o seu francês apenas para impressionar o cantor.
— Muito prazer. — Todas as artimanhas que recém-chegadas usaram ao se apresentar a ele não passaram despercebidas. gastou o seu tom de voz mais sedutor possível. Não que ele precisasse disso, mas não custava nada tentar causar uma boa impressão extra.
Após uns breves momentos, que para foram quase uma eternidade, de silêncio, o vocalista da banda decidiu usar algumas técnicas para seduzir as mulheres que nunca falharam com ele. Resolveu usar as coisas que ele como rockstar podia, ou seja, iria tratá-las como groupies. Uma noite de bebedeira e sexo louco com aquelas três era tudo o que ele precisava para comemorar em grande estilo. Só tinha um, porém, não era o seu tipo, mas no camarim dele tinha alguém que com toda certeza amaria conhecer aquela mulher.
, quero que você conheça os meus irmãos.
A menina não podia estar mais surpresa. Para uma amizade que nunca aconteceria — na mente dela é claro —, estava bem proativo em manter algum tipo de conversa com ela.
— Hmmm... está bem, eu vou. Elas podem ir comigo, né? — A hesitação de era uma característica dela mesma. Não gostava de mudar muito como a sua vida anda.
— Claro que sim. Podem ir sim.
— Então, vamos, né!!! — até que vinha se controlando bem, mas não conseguiu conter o entusiasmo ao ouviu a proposta do cantor. Mesmo que a proposta não tenha sido feita diretamente a ela, nesse momento ela tiraria proveito da licença gêmea dela e seria por um segundo.
ao ver o entusiasmo da negra e os sorrisos abertos das demais mulheres não pode conter a risada de felicidade. O seu plano estava funcionando. Se tudo desse certo ele acordaria no dia seguinte sem lembrar de nada e enroscado em três mulheres.


Capítulo 3 – Conhecendo a família (Parte I)

26 de outubro – Madison Square Garden, NY
Pelos corredores que levam aos camarins só se ouviam barulhos que os sapatos causavam ao tocar o piso de cimento queimado. O silêncio era tão real que caso alguém se esforçasse mais um pouco poderia tocá-lo com uma de suas mãos. Algumas das paredes amarelas com folhas de ofício coladas indicam as direções onde as salas uteis ao pessoal técnico estava. Quando houve uma mudança do piso, de cimento para carpete, o grupo de meninas se deu conta que estavam mais próximas de algum local mais importante para os cantores da noite. As paredes já não eram mais vazias e agora exibiam dezenas de fotos de lendas musicais que já haviam tocado lá antes.
— Chegamos! — declarou após passarem por uma porta branca que tinha escrito na porta o seu nome.
— Oi. — disse aos homens que estavam encarando os dois.
Era um ambiente hostil para . A mulher é tímida e se sentia muito fora da sua zona de conforto apenas por ter ido ao show daquela noite. A música que tocava no recinto era rock e as garrafas de bebidas estavam organizadas displicentemente por qualquer superfície que pudesse aguentar o peso delas cheias e vazias.
, Keaton e essa é a minha mais nova amiga. Seu nome é . — tinha um sorrisinho maroto nos lábios.
Os irmãos de estavam chocados com a menina que foram apresentados. Eles conhecem o suficiente para saber que nunca seria a mais nova amiga do irmão quase caçula. Algo também dizia a eles que a própria nunca seria a mais nova amiga dele. Depois de um pigarro de os demais homens se tocaram que aquele silêncio e suas caras de choque estavam muito constrangedor e passaram a se apresentar.
— Prazer. Eu sou .
estava se formando na faculdade, seria advogado, e aos poucos cuidava da parte legal da carreira de . Ele reconhece que se parecia com alguém que ele com certeza teria se tornado amigo caso esbarrasse na rua ou nos corredores da faculdade. Os seus olhos castanhos claros e cabelos castanhos eram bem semelhantes aos dos seus irmãos. A genética da família era forte e os traços similares entre eles não tinham como ser escondidos.
— Você parece ser muito legal. Sou .
O caçula rapidamente se apresentou após tirar um pouco da sua franja de cima dos olhos. Tinha um sorriso que chegava aos seus olhos castanhos. podia ser o mais novo dos homens, mas não era o mais burro. Ele viu algo em que não tinha visto, e sinceramente teve pena do irmão, pois sabia que ele estava deixando passar alguém que valia a pena ser conhecido.
— Gostei de você também. Keaton.
Keaton era o mais velho e dos quatro também era o mais ajuizado. Já era casado e com sua esposa Diana tinha uma filha. A esposa não quis levar a sobrinha de para o show porque sabia que era “pequena demais” para entender a dimensão do dia, na verdade, ela só não queria expor a menina às loucuras que o tio fazia quando em turnê. Keaton se casou assim que soube que amava Diana e contrariou as vontades, não tão veladas, de sua mãe.
— Eu sou e adorei conhecer vocês. — A verdade é que depois das apresentações, ela já não tinha mais nenhum desconforto. Sentiu-se mais segura na presença dos outros. Só se lembrou das demais meninas quando ouviu sua irmã tossir falsamente. — Ah, eu trouxe minhas amigas para conhecer vocês também. Se apresentem.
não precisava ouvir aquilo duas vezes. Mais do que nunca queria consolidar algum tipo de amizade com a família . Ela como futura jornalista precisaria ter uns nomes de peso na sua lista de contato para usar quando fosse trabalhar para algum portal de celebridades.
— Oi, eu sou Alexis. Gosto muito da banda do irmão de vocês. — Sua amiga ganhou a disputa velada de quem se apresentaria primeiro.
— Olá. Me chamo . sua gravata está torta. — A gêmea de tentou controlar o impulso, mas tinha reparado nisso desde que entrou e das poucas coisas que tinha em comum com a irmã era esse nervosinho de ver algo que poderia estar no lugar certo, muito bem alinhado e não estava.
O homem olhou logo para a gravata azul marinho que usava e a ajeitou. — Obrigado. — Sua agitação com os pormenores que um show da magnitude MSG deveria ter tinham feito ele dar umas boas corridas pelos bastidores.
— Meu nome é . — A loira disse. Desde que entrou no camarim e bateu os olhos no mais novo dos , se sentiu atraída. Então, como não tinha nada a perder e nem vergonha alguma, fez questão de falar diretamente com ele. — Oi, .
— O-oi. — O menino não saberia como reagir. Imediatamente se tornou tímido demais para continuar ali com todos eles, mas não poderia sair abruptamente. Sem contar que é uma mulher e tanto. Ele havia gostado da sua iniciativa, no entanto, não se sentia seguro para falar muito. Tinha medo de que suas palavras denunciassem o quão nervoso ele tinha ficado com um simples ‘olá’ vindo dela.
não podia acreditar que tinha visto uma de suas groupies trocar ele por seu irmão caçula. O que ele podia afirmar é que não ficou com raiva, apenas surpreso que seu irmãozinho tinha chamado atenção de um mulherão. É claro que para continuar com seu plano, ele convidou todas as meninas para se sentarem e ficarem à vontade pelo cômodo. Nenhuma delas recusou a oferta, as três mais soltas logo se sentaram enquanto timidamente se sentou em uma das poltronas.
imediatamente puxou um assunto qualquer com os rapazes e suas amigas imediatamente aceitaram as bebidas oferecidas por . continuava a observar como as coisas estavam evoluindo. Via que as meninas estavam bem tranquilas e que sua irmã o tempo todo deixava escapar um riso que indicava nervosismo cada vez que fala algo remotamente engraçado. A necessidade de consolidar aquela amizade era real para a sua gêmea e ela tentava muito cativar o cantor.
No entanto, quando sentiu que o assunto estava morrendo e que não havia mais nada que aquele lugar poderia proporcionar a eles todos, pensou em um modo de continuar com eles e sair dali.
— Hmmm... Que tal todos nós saímos daqui para ir em alguma boate badalada?
sentiu um calafrio correr pelo seu corpo. Se ela já tinha se sentido deslocada no show da Karma’s Joke, imagine como ela se sentirá dentro de uma boate. Aquele não era um local para ela mesmo e já estava planejando como sobreviver em um ambiente hostil a ela caso todos concordassem com o programa. raramente se arrependia de ter feito algo e quando isso acontecia era por causa de sua irmã . Se tudo desse certo, para a outra gêmea, ela poderia se arrepender de ter concordado com aquele mandamento.
— Não sei.... Tem que ver se eles vão querer ir e se eu tenho show amanhã. — amaria ir, mas queria ter certeza de que não estragaria a noite caso fosse levada para o mesmo programa.
— Eu já sei que sua resposta é não.
— Hey... eu não disse isso. Eu só tenho que fazer isso. Só isso. Pode ficar calma.
Ao ouvir a voz de alterada por algum tipo de indignação, abaixou a cabeça em descredito. Ela não podia acreditar que a seu pensamento não tinha se mantido na sua mente. O que ela também não podia crer é que ele a mandou ficar calma, porém ela mesma não havia dado indícios de que estava nervosa.
— Por mim vamos, mas estranhamente devo concordar com . — se pronunciou. Em sua mente ele estava em conflito, pois nunca era muito sensato com seus compromissos e essa fala é super incomum vindo dele.
— Eu tenho que dormir mais cedo, por causa do meu voo de amanhã. — disse sem nem perceber que sua fala pesava ainda mais o clima entre eles.
— Adoraria dormir cedo com você, mon chéri. — diretamente a . Ela não queria perder tempo mesmo em demonstrar que estava interessada nele. O homem por sua vez ficou bem vermelho com o que ela disse e a loira confirmou mais ainda que tinha achado ele a coisinha mais adorável do mundo.
que não aguentava mais o clima esquisito e a óbvia recusa que a irmã estava recebendo. Para ela estava claro como água que não queria nada além de uma groupie e a sua irmã era muito melhor aquilo tudo.
— Quer saber? Vamos embora, meninas. Eu acho que eles não precisam da nossa amizade. Eles são ricos e não precisam de mais fãs puxando os seus sacos e lambendo o chão onde pisam. — sabia bem que nunca mais veria aquela gente, então poderia dizer o bem entendesse e simplesmente sair. Ela diria verdades. Quer dizer, ela diria verdades que apenas mereceria ouvir, mas ela lembrou dos irmãos do homem. Eles não mereciam ser chamados de ricos mimados então ela se segurou o máximo que pode. Antes de sair da sala – praticamente fugida -, ela bufou de raiva, sem conseguir definir se a raiva era dela mesma ou de toda a situação que ela viveu em pleno dia de aniversário.
— Foi ótimo ter conhecido vocês. Tchauzinho. — Alexis diz dando uma boa olhada para todos eles pelo o que ela julgava ser a última vez.
— Tchau, . — disse enquanto dava um beijo na bochecha do homem que estava bem próximo dela. Ele definitivamente não era o tipo de cara que ela escolheria para terminar a noite caso ela estivesse procurando alguém, mas aquele dia tinha sido tão atípico que a mulher não podia mais se espantar com nenhuma atitude que ela viesse a tomar. Porém ao se dar conta do que havia feito deixou o cômodo rapidamente.
, me liga. — Se para eles não tinha ficado visível que estava interessada em , o ato dela escrever seu número de telefone com um marcador permanente na palma da mão do menino com certeza tinha deixado suas vontades as claras. — Au revoir, pessoal.
As quatro mulheres deixaram todos os homens que estavam dentro do camarim atordoados com a saída delas. O discurso inicial de e a sua saída dramática surpreendeu a todas elas, mas a noite de , Alexis e, principalmente da segunda aniversariante do dia, já tinha valido a pena por apenas terem conhecido , atual homem mais sexy da América.
Do lado de fora do camarim, as quatro pediram ajuda a um dos staffs para saírem do labirinto de paredes amarelas que era o backstage do Madison Square Garden. tinha uma leve cara feia, pois não tinha conseguido nada com o mais novo dos . estava alegre, mas no fundo da mente tinha uma interrogação girando porque ela não entendia como do nada havia trocado o pelo irmão mais velho engravatado. Alexis só tinha a cara amarrada porque lembrou que em nenhum dos momentos que teve com a família famosa não tinham sido registrados por nenhuma das câmeras de celular que elas tinham consigo. Já remoía a forma grosseira e abrupta que deixou o camarim de . Não era do seu feitio fazer aquele tipo de cena, porém ela não aguentava mais aquele ambiente. Ela não se sentia parte de nada e não queria mais ficar ali ou, pior, acabar o aniversário em uma boate qualquer.
— Gente, calma... eles vão acabar se arrependendo e vão nos procurar. — disse quando elas finalmente estavam do lado de fora. Ela não aguentava mais as caras fechadas de todas. Era o seu aniversário – tecnicamente o de também, mas não era como se ela pudesse escolher - e nada ruim podia acontecer, não no ano em que ela tinha planejado tudo.
— Está bom, . Pelo menos pude conhecer alguém da banda. — Não parecia muito, mas Alexis realmente era fã da Karma’s Joke.
— Nossa o é tão lindo. — não pode evitar que essas palavras saíssem pelos seus lábios.
— Ok, . Eu já sei disso, mas agora controle-se. — soltou com um grande sorriso nos lábios.
— Ok. — Aos risos, concordou com a amiga.
— Vamos para casa logo. — disse enquanto andava em direção ao carro que havia pedido pelo SafeHer – um aplicativo tipo o Uber, mas somente para mulheres - enquanto as demais meninas jogavam conversa fora.
As três outras meninas aos risos entraram no banco traseiro do sedan preto. Já se sentou no banco da frente e confirmou a motorista o trajeto da noite. Só depois das demais meninas começarem a contar para a piloto da noite as aventuras vividas, que ela se desligou de tudo focando apenas nas luzes que a cidade exibia em cada prédio e esquina. A sua maior vontade depois de tudo o que passou era comer o bolo de brigadeiro – que as duas irmãs fizeram, segundo a tradição delas - que estava dentro da geladeira de casa. Como todo aniversario programado por tinha sempre algo que ela, , não poderia viver se não fosse pela irmã, esse em que elas duas faziam dezoito anos não seria diferente, por isso ela nunca guardava mágoa quando ela fazia algo totalmente fora da sua rotina. Afinal de contas, ela nunca mais teria notícias daquelas pessoas e mesmo que tivesse – caso a sua gêmea contasse a última fofoca envolvendo a família – não mudaria a sua vida. Pelo menos era isso que pensava.


Capítulo 4 – A besteira

27 de outubro – Madison Square Garden, NY
O clima do camarim mudou completamente após a saída dramática das meninas.
ꟷ Caralho, elas foram mesmo embora. ꟷ disse exibindo uma expressão bem surpresa. Ele por ser O rockstar estava acostumado a ser a pessoa que realizava as saídas dramáticas e não ao contrário.
Quando o silencio começou a ficar muito constrangedor, tentou puxar um novo assunto.
ꟷ Você me disse que ia encontrar com a sua amiga, a.... ꟷ Realmente ele tenta lembrar o nome da ruiva que seu irmão encontrou mais cedo, mas ele sabe que conhece tantas pessoas que ele sempre se perdia nos nomes. ꟷ Como é o nome dela mesmo?
ꟷ A Charlotte. ꟷ respondeu enquanto jogava seu corpo em uma poltrona qualquer da mini sala que tinha lá.
ꟷ É, essa menina mesmo. Você não disse que a convidaria para ir comemorar com a gente, hein?
estava realmente tentando trocar o assunto porque cada vez mais via se formar um vinco na testa do seu irmão e se ele se esforçasse mais um pouco veria as engrenagens dele trabalhando para entender o que aconteceu minutos atrás.
ꟷ Hey, as suas novas amigas não viram você chamando Charlotte para sair não, né? ꟷ Keaton perguntou, mas não teve nenhuma reação da pessoa que ele queria, já que não conseguiu esconder a sua cara de derrota. Keaton não desistiu e pressionou mais um pouco o seu irmão mais novo. ꟷ Me responde, !
ꟷ Diz alguma coisa logo. ꟷ Emenda que até então só estava observando a situação.
bufou alto em um claro rendimento ao sentimento de frustração. Afinal naquele ponto não teria mais como contornar nada, ou seja, ele poderia ceder a sua pequena curiosidade se quisesse.
ꟷ Uma delas viu. ꟷ Então como se alguma revelação divina tivesse sido feita, percebeu o seu erro da noite. ꟷ Gente, eu acho que dei bobeira. Porque se eu tive tempo para sair com a Charlotte, quem viu deve ter pensado que eu não recusaria o seu pedido para sair. Bola fora para mim hoje.
Os três irmãos riram de . Bom ele realmente deu um furo, mas isso não era rotineiro e por conta disso os seus irmãos não perderam a oportunidade de dar uma boa risada com essa situação. Apesar de fazer cara de poucos amigos, no fim cedeu e teve que rir junto com eles da sua própria sorte. Quer dizer, falta de sorte. No entanto, rapidamente sua mente tinha um novo propósito, pois se sua diversão não foi com uma delas, seria com qualquer outra na boate que eles iriam. Ele sempre soube do seu potencial para atrair groupies, e hoje não seria diferente.
sinalizou a eles que deveriam ir logo para não chegarem em uma hora em que o ambiente estivesse caído. Então, eles se levantaram e começaram a pegar seus pertences pessoais até que viu algo parecido com um papel em uma das mesas do local.
, que papel é esse na mesa? ꟷ Foi perguntado ao mais novo porque ele estava mais próximo da mesa.
ꟷ Papel? Que papel? Onde está? ꟷ começou a olhar pela mesa até que encontrou o pedaço retangular de papel. Nem o olhou direito, apenas o entregou na mão de Keaton que estava mais perto dele. agradeceu a ele e logo se juntou com Keaton para ler as letras miúdas que estavam impressas lá.
esperou que os dois expressassem alguma reação, mas como ambos não falaram nada, seus últimos segundos de paciência se esgotaram.
ꟷ Então, vão falar ou não o que tem nesse papel?
ꟷ Melhor falarem logo, porque a gente vai chegar na pior hora lá na boate. ꟷ disse enquanto colocava o celular no bolso.
ꟷ É mesmo, vou pegar carona com vocês até o hotel. ꟷ Keaton os lembrou.
ꟷ Contém logo, anda. ꟷ disse exibindo uma leve inquietude, pois passou sua mão direita bagunçando o seu penteado. De fora, qualquer um diria que era apenas impaciência dele, mas quem o conhecia verdadeiramente diria que estava estampado nos seus olhos castanhos a curiosidade.
ꟷ É do seu interesse. Parece ser de uma das suas amigas. ꟷ lhe passou o papel assim que disse isso.
Assim que leu o conteúdo, percebeu que não era qualquer cartão de negócios. Era o cartão de negócios de e nele continha todos os seus contatos, do seu telefone e e-mail até todos os seus perfis nas mais variadas redes sociais.
ꟷ Bom... pensando pelo lado positivo, agora você pode telefonar para ela e sair quando quiser. ꟷ Disse após o longo silencio que o fez.
ꟷ Não, pode ficar. ꟷ Ele jogou o cartão na mão do caçula. ꟷ Já deu para mim. Eu quero curtir o grande feito dessa noite. Ou seja, se eu demorar mais um pouco dentro desse camarim, os caras da banda vão pegar as melhores meninas.
¬ꟷ Então, está bom! ꟷ Disse enquanto guardava o papel entre o celular e a capa para não perder.
ꟷ A gente deixa o Keaton no hotel e segue direto para 1OAK. ꟷ disse enquanto procurava uma garrafa de bebida cheia para continuar o esquenta até o clube.
One of A Kind, conhecida como 1OAK, é uma boate balada de Nova Iorque que apenas celebridades e pessoas com grana frequentam. Keaton disse a que gastar mil e quinhentos dólares por uma mesinha não valia de muito se ele não pudesse chegar depois de uma meia da madrugada caso se atrasasse. É claro que o seu irmão não lhe deu ouvidos e simplesmente fez o que queria. Keaton sabia que no calor do momento, em um eventual atraso, seu irmão culparia a todos, menos a si próprio.
Então os três seguiram pelos corredores do Madison Square Garden até alcançarem a saída onde o carro que os levariam até 1OAK percorreria um pouco mais de três quilômetros de distância até o clube incluindo a parada para deixar Keaton no The Standard Hotel onde ele escolheu se hospedar durante a sua visita.
Assim que os três irmãos restantes chegaram na 1OAK comemoraram com os outros membros da Karma’s Joke.
do seu jeito contido bebeu o suficiente para sair com uma groupie em cada braço, na parte babaca do seu cérebro aquilo seria a sua forma de compensar pela perda das meninas que ele teve mais cedo ainda no MSG. Ele saiu com duas e seus irmãos foram embora da mesma forma que eles chegaram, ou seja, juntos. Ambos beberam apenas o necessário para se divertirem, mas mesmo com as tentativas, eles não quiseram deixar o clube com ninguém porque estavam ali para curtir com seu irmão e de fato tinham feito isso enquanto permitiu. Não era ruim, mas eles dois pretendiam descobrir mais sobre quem eram aquelas mulheres que fizeram a saída dramática. podia desprezar o que houve, mas e se interessaram e mesmo que de longe tentariam descobrir melhor quem elas eram.


Capítulo 5 – O teste e a resposta

Anos mais tarde, Domingo – Sherman Oaks, Los Angeles, California.
Já tinha um certo tempo que Karma’s Joke não existia mais. havia deixado a banda por motivos não muito claros, mas que foram reportados aos fãs e mídia como algo que todos os membros da banda concordaram. As más línguas, ou seja, quase todos, colocavam a culpa em e seu grandioso ego, já que ele mal esperou a banda terminar para fazer todo tipo de projeto solo em absolutamente todas as áreas de entretenimento – de desfiles a peças na Broadway.
Os demais irmãos de continuaram demonstrando apoiá-lo em tudo, porém se aprofundaram em seus próprios projetos. Keaton se envolveu mais ainda com criação e desenvolvimento de aplicativos para smartphones e tablets e outros investimentos. abriu o seu escritório de advocacia para celebridades, pois teve bastante contato com esse mundo através do irmão roqueiro. O caçula se tornou engenheiro musical com um estúdio próprio; seus clientes nunca eram mega famosos por escolha dele mesmo porque a sua maior alegria é ajudar artistas no início de carreira. Ou seja, a família como todo estava em uma fase muito boa.
Mesmo com o passar dos anos, a popularidade de não caiu nem um pouco. Portanto, não foi esquisito o ver envolvido em uma ação realizada pela Vanity Fair, uma revista grande sobre entretenimento. Quem acertasse a pergunta poderia ser sorteado para uma chamada de vídeo com ele. Mesmo que a revista cuidasse de todos os aspectos da ação promovida, isso não impediu de que os irmãos , e que agora moravam juntos em uma casa na vizinhança de Sherman Oaks, escolhessem esse tipo de situação para tirarem sarro de alguns momentos da época em que era vocalista de sua banda e passava por esse tipo de evento na sua agenda.
e com o auxílio de algumas bebidas comentavam livremente sobre as loucuras que viveram e presenciaram. Incluindo o pequeno drama causado pelas gêmeas no pós-show no Madison Square Garden.
— Tá legal! Chega! Pode falar! — pedia a que ele finalmente confesse algo depois de anos.
— O que eu vou falar, hein? — diz aos risos enquanto sacode sua garrafa de Coors Light para descobrir se ela estaria vazia.
— Que você gostou daquela sua amiga! O que mais eu poderia pedir para você falar, cara? — A amiga em questão era uma das gêmeas.
— Eu nunca gostei dela. — fazia muita força mental para lembrar de quem ele estava falando e mesmo ao lembrar sabia que manteria a sua resposta porquê de fato nunca se interessou de verdade por ela. Pelo que ele se lembrava daquela noite, ela era bonita, mas qualquer coisa duraria pouco.
— Eu acredito em você. — disse em um tom irônico.
— Pode não acreditar, mas nunca estive interessado nela para algo com validade superior a uma noite. Eu gostei mesmo da Charlotte.
— Que? — Incapaz de esconder a sua cara de espanto, continua: — Eu escutei bem? A Charlotte? Cara, você tinha várias groupies naquele dia interessadas em você, mas tinha que manter os seus olhos na socialite. Você tá brincando comigo, não? — Quem escutasse essa fala vinda de não diria que ele era veementemente contra a agitada vida sexual do irmão mais novo.
— Eu sinto te decepcionar, mas eu não estou. E outra, você não entende bem isso. A Charlotte, além de bonita, se encaixa no quesito famosa e não me causaria tantos problemas na mídia caso fotos vazassem. — Agora tudo isso era um argumento levemente convincente para ser dito ao irmão, entretanto o real motivo era que ele apenas achava a mulher muito mais gostosa que as groupies daquele dia.
— Sério? Eu tenho certeza de que você já saiu algumas vezes com ela. Você saiu com ela quantas vezes, ? — não estava errado, de fato já saiu com Charlotte Johnson algumas vezes. Nenhuma delas antes daquele show mesmo que eles já estivessem em contato há tempos.
— Uma ou duas vezes. Sei lá..., Mas por que você está me fazendo essa pergunta depois de anos? — Não que ele estivesse realmente curioso, porém alguém tinha que dar um jeito de encontrar o momento em que sozinho veria que suas indagações eram despropositais. Infelizmente, era um mal de advogado, já que ele nunca admitiria ser fofoqueiro.
— Como você pode dizer que a Charlotte é a sua escolha por motivos profissionais. Você mal ligava para esse tipo de coisa, e eu sei por que fiz estágio com os seus advogados na época. Você tá maluco achando que me convence com isso.
— Eu sei, mas um dia eu vou porque eu estou sendo sincero. — E estava, parcialmente, mas estava. Não tinha motivos para não ser honesto, mesmo que fosse da sua maneira.
— Um dia cara, um dia. — que nunca foi completamente bobo principalmente quando o assunto era a sua família e os seus trejeitos.
Eles mantiveram o dia em algo que se resumiu a cervejas e programação de televisão para preencher a rotina daquele domingo em que ambos não tinham nada de muito importante. Algumas horas de programação inútil regada a bebida obviamente não renderam muita coisa boa de assunto e por mais que ambos quisessem sair dessas histórias do passado, não conseguiam. acaba lembrando a sobre o momento em que uma das meninas, das gêmeas foi a , deixou com eles um cartão empresarial com os seus contatos.
— O que eu vou fazer, agora? — questionava enquanto estava jogado em um dos sofás da sala de televisão da casa. A bagunça era enorme já que agora o local acumulava uma quantidade expressiva de pacotes de salgadinhos e garrafas vazias de cerveja. O álcool certamente era um fator que os deixava um pouco mais inconsequentes que o normal.
— Sobre o que? — tentava compreender qual era o assunto da vez já que eles tinham discutido de tudo antes e depois da partida de futebol americano que havia sido exibida naquela tarde.
— Sobre esse cartão, sobre a tal da , sobre toda essa confusão. Me ajuda.
não sabia se ria ou se realmente oferecia algum suporte ao irmão porque era extremamente fora do seu comportamento esse tipo pedido. Já tinham se passado anos desde os acontecimentos daquela noite e pelo jeito tinha um corpo mais resistente a bebida do que ele pensava já que o rapaz se lembrava de mais coisas que ele pensava. Portanto, ter algumas doses amais de álcool percorrendo a sua corrente sanguínea não foi a melhor coisa para o centro de ideias.
— Já sei! Podemos fazer um teste!
— Um teste? Para que um teste? — Para aquela ideia era a melhor coisa que seu irmão poderia ter dito. O seu único problema era fazer o seu cérebro alcoolizado captar o significado das palavras e ações daquele pensamento inovador do advogado.
— Um teste para saber quem delas te conhece melhor.
— Como você fará isso, ?
O mais velho passou a explicar o que havia pensado. O plano todo consistia em manipular digitalmente uma foto de quando criança e enviar para e Charlotte no intuito de que a mais rápida a responder ganhasse a chance de sair com o cantor. Obviamente adorou a ideia e não demorou para que ambos colocassem os dotes artísticos em uso no Photoshop.
Em poucos instantes a foto estava devidamente produzida, talvez não do jeito mais irreconhecível, no entanto para uma mente confusa por abuso de bebidas adultas era suficiente o compilado de filtros e efeitos que foram adicionados a uma imagem antiga de . Usando o número pessoal de , pois naquele momento o advogado não deixou a bebida ludibriar os seus pensamentos por completo, as fotos foram enviadas para os respectivos números das vítimas daquela ideia brilhante.
— Já enviei agora é só esperar as respostas.

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Domingo – South Beach, Miami, Florida.
Charlotte Johnson se encontrava em mais um de seus milhares compromissos da semana. Ela não sabia o significado de folga desde que o evento servisse para alavancar a sua carreira ao estrelato máximo. A ruiva estava em uma festa organizada por uma marca que estava interessada em tê-la como garota propaganda. Apesar de Charlotte fazer de tudo pela fama, ela não passava desapercebida pela mídia e justamente por isso podia ter umas cartas na manga. Uma delas era fazer um jogo duro com as empresas que a queriam. Um truque adquirido desde os primeiros sinais de popularidade e que não passava de um teatro para valorizar o seu contrato e ganhos. Com o passar dos anos, ela pode ter se consolidado na mídia e acumulado sucesso e dinheiro, mas nunca era ruim demais usar uns truques para se manter no topo da cadeia, ou pelo menos o mais próximo disso.
A festa estava sendo realizada em uma belíssima casa em South Beach e contava com algumas modelos notáveis do cenário da moda, como por exemplo Mckenna Fuller Devine, supermodelo e esposa do ex-baterista da Karma’s Joke. Muitos que estavam ali eram pessoas importantes e que fariam um upgrade pesado na rede de contatos de Johnson. Portanto é redundante dizer que ela usava o seu melhor vestido, tinha em seu rosto a melhor maquiagem e em adorno exibia as melhores peças de acessórios. Charlotte era uma bela visão naquela noite, mas não naquele momento. Agora a sua face se contorcia em algo que ela talvez não gostasse que outras pessoas vissem.
— Que merda é essa? — Foram as primeiras palavras que deixaram os lábios perfeitamente rosados por um batom da socialite. A estranheza em ter recebido a mensagem com uma foto duvidosa e uma frase mais duvidosa ainda soou para ela como uma brincadeira de péssimo gosto, algo que só poderia ter vindo de um erro causado pela sua assistente pessoal. — Isso só pode ser coisa da Lila. Essa menina ainda vai dar um jeito de perder esse emprego.
Com passos largos e um perfeito sorriso, Charlotte se dirigiu até o bar onde Lila estava. Em eventos assim, Lila, por ordens da própria chefe, não ficava grudada na mulher. Ela agia como mais uma convidada e só mantinha os olhos em Charlotte, pois ambas tinham um código combinado – era uma coçadinha discreta em um ponto do braço esquerdo – para alertar, somente depois do sinal, Lila chegava perto o suficiente para esperar o comando de Charlotte. No entanto, naquele momento os papeis estavam invertidos. Lila estava no bar com a sua bebida e checando os e-mails da chefe, fazendo a filtragem do que era importante.
Com apenas a sua chegada no espaço pessoal de Lila, Johnson se fez presente. Nessas horas era um benefício ter um perfume marcante como o que ela usava. Lila levanta os seus olhos da tela do celular e encara a chefe.
— No que posso ajudar, Miss Johnson?
Com um riso sarcástico a socialite apenas levanta a tela do celular e exibe a mensagem para a assistente.
— Como você me explica isso? Deu o meu número pessoal para algum dos seus amiguinhos? — O tom de voz da mais velha era ríspido o suficiente para que os seus sentimentos fossem passados com a devida intensidade.
— Eu não sei do que se trata e a senhorita sabe que trato meu emprego com bastante seriedade. Nunca faria isso.
— Resolva isso o mais rápido possível. Nada pode acabar com a minha noite. Dê um jeito nisso logo ou amanhã já pode começar as buscas por um novo emprego.
Essa fala de Charlotte só poderia ser aliada a uma saída dramática após ela deixar o aparelho nas mãos de Lila. O que quer que aquilo recebido pela chefe signifique, a menina não tinha o menor interesse em saber só queria manter o emprego e faria o que precisasse para atingir o objetivo. O protocolo dizia para ela não interagir com o número desconhecido, mas só por conta da ameaça a jovem fez questão de responder. A menina já nem se abalava tanto com as ameaças da chefe, só se deu ao trabalho de enviar uma resposta ao número e logo sem seguida o bloqueou e apagou todo o histórico de troca de mensagens. Com um suspiro exausto, Lila seguiu o resto da noite com as suas funções de garantir que Charlotte Johnson tivesse o melhor networking possível apenas parecendo estar se divertindo.

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Domingo – Maplewood, New Jersey.
Os anos se passaram e as gêmeas também não ficavam para trás em nada quando o assunto era seguir com a vida. havia se formado, com menções honrosas na faculdade, havia cursado o mestrado e agora estava no meio do doutorado. conseguiu alcançar o seu sonho de ser uma importante repórter para uma revista de entretenimentos e sua agenda telefônica continha os mais variados contatos de celebridades. As suas irmãs de Kappa Kappa Phi Phi, Alexis e , também haviam se formado em seus cursos e gozam de uma vida bem-sucedida em todos os aspectos. As quatro mulheres ainda dividiam casa, por questões financeiras mesmo, já que morar no centro da cidade de New York não era tão acessível assim, era mais vantajoso continuarem a morar fora do centro em um outro estado, porém em uma casa bem localizada e que oferecia a elas espaço e conforto.
Enquanto terminava a leitura do seu segundo livro do dia, pois domingo é um dia de descanso completo e descanso para era poder passar o dia todo intocada no seu quarto lendo, o seu celular apita anunciando a chegada de uma mensagem.
— Um dia eu ainda mato a por ficar dando o meu número para todas as promoções que envolvem artistas que ela não pode participar por conta do emprego. Não aguento mais esse tipo de mensagem.
Não era a intenção de , mas coincidentemente as gêmeas tinham número de telefones bem parecidos, a única diferença deles era um único número no final, número que o responsável por enviar a mensagem digitou errado fazendo com que sem querer a mensagem fosse envidada a gêmea que não se importava com nada daquilo e consequentemente não tinha a menor ideia do que aquilo tudo significava. Mesmo que aquilo não tivesse valor algum para ela, teve a gentileza de encaminhar a mensagem para a irmã, afinal de contas não poderia arruinar as chances dela de conseguir ganhar qualquer coisa. Era a regra número quatro dos Dez Mandamentos: ajudarás a sua irmã sempre. Isso não poderia ser violado por mais que não fossem mais as mesmas menininhas adolescentes que inventaram isso tudo.
Depois de receber as respostas de e rolar os olhos em incomodo por descobrir que aquela foto era de , responde o número estranho e segue com a leitura do seu livro. O que quer que fosse sair daquilo tudo não abalaria ela em nada porque aquele universo de fama não a importava. Não tanto quanto aquele livro.

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Domingo. – Sherman Oaks, Los Angeles, California.
A resposta de ambas as mulheres chega no celular de e os dois mal podiam conter a ansiedade para descobrir o resultado de suas perguntas.
revela que apenas , na verdade era , sabia quem era na foto, tornando Charlotte a pessoa que ele já imaginava que era: a errada para o seu irmão. É claro que não se conformou com o resultado obtido.
— Eu quero outro teste. Algo que seja mais preciso. Isso que você inventou não deu certo.
— Não, cara! Aceita isso. Acho que você só está se doendo tanto assim porque conhece a Charlotte a mais tempo.
— Sim, tem anos que eu conheço a Johnson. A Karma’s Joke ainda era uma banda quando nós começamos a nos relacionar.
— Isso tudo está servindo para te mostrar o quanto a gente se engana com as pessoas. A que mal te viu e foi super ousada, aparentemente é a que mais te conhece.
confuso em seus pensamentos nada sóbrios não conseguia entender o porquê dava importância a isso tudo. Era um caso de ego ferido. De algum modo saber que não poderia ter todas as mulheres que podia o atingia em cheio. Era um teste idiota que só servia para entregar muito mais de si mesmo do que sobre o valor daquelas mulheres. Naquele momento, ele não reconheceria, mas era um homem vazio justamente por estar cheio de si.
— Então o seu lado do teste ainda está de pé? Vai marcar o encontro. — Questiona que agora somente cumpria o papel de irmão mais velho implicante. Seria muito arriscado, pois depois de todos os anos que se passaram aquela aventura se desenvolve com base nas memórias do que foi aquela noite no Madison Square Garden. Tanto Charlotte quanto as gêmeas não eram mais as mesmas mulheres daquela noite. Portanto, não tinha ideia se ainda achava as desconhecidas atrativas como ele ainda achava que Charlotte Johnson era.
— Vou mandar a mensagem.
Depois de longos segundos, , agora usando o seu próprio número de celular, manda a mensagem convidando a “ganhadora” para o tal encontro. Achando que seu simples convite teria resultado imediato, tanto ele quanto o irmão ficaram na espera do desfecho para aquela brincadeira deles. A resposta, porém, não foi tão rápida quanto o esperado fazendo com que os dois rapazes adormecessem cada um em uma extremidade diferente do sofá com o celular no meio deles.
Naquela noite, esses homens alcoolizados e suas “infalíveis” ideias tentaram a acelerar o plano perfeito do destino para os reunir. No entanto, ainda tinha muito para ser testado e não foi dessa vez que os caminhos se cruzaram de modo real. Para todos os efeitos, não acredita em nada que números desconhecidos dizem e Charlotte não tem tempo a perder com contatos que não a servem profissionalmente. O único problema é que eles só descobririam tudo isso alguns momentos mais tarde.


Continua...



Nota da autora: E essa atualização que veio a passos de tartaruga de tão demorada? O importante é que ela tá aqui e eu só digo uma coisa: se preparem porque muito em breve eles devem se encontrar pessoalmente e vamos ver/ter muito mais confusão do que já temos lido!
Em todos os capítulos dessa fic eu trago umas curiosidades sobre o processo de escrita e os personagens. As curiosidades dessa atualização são: Coors Light é uma marca de cerveja real que os Jonas Brothers amam, mas que nunca vi vendendo aqui no Brasil. Sherman Oaks é um bairro de Los Angeles que Nick e Joe moraram juntos no ano de 2016. O capítulo se passa no domingo porque é geralmente esse o dia da semana em que as partidas da NFL (liga nacional de futebol americano) acontecem. Ah e a última: Mckenna Fuller Devine é a personagem principal de 07.Summer Alive e nessa fic conhecemos ela e o seu marido baterista no início de seu relacionamento. Recomendo a leitura. ;)
Enfim, espero que você esteja curtindo a fic e acompanhe porque tem muita coisa legal para vir pela frente. Beijoooo! <3

Outras Fanfics:
- 01.Here We Go Again
- 01.Weightless
- 04.Misery Business
- 04.Bloodline
- 04.The Man
- 07.Successful
- 07.Summer Alive
- 08.Better Man
- 11. Just Friends
- 14.Comeback
- Children’s Playbook


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