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Última atualização: 11/10/2021

Prólogo

“O mundo bruxo sofrerá com uma nova ameaça. Gêmeos nascidos na data mística do nono mês, nascidos entre rios e mares, ultrapassando continentes em um lugar não tão valorizado. Somente eles poderão salvar a comunidade bruxa, pois possuirão um poder que a nova ameaça desconhece…”


Os burburinhos começaram a rondar os corredores da Escola de Magia e Bruxaria de Hogwarts. E também pudera, todos os professores andavam apressados rumo à sala da diretora McGonagall, chamando a atenção dos alunos curiosos que estranharam a situação.
A notícia de que três alunos novos iriam entrar no meio do ano letivo e que Hermione Granger, ministra da magia, e Harry Potter, chefe do departamento de execução das leis da magia do ministério, estavam pelo castelo, já era de conhecimento de todos. Um clima estranho pairava no ar da escola mais segura do mundo e todos estavam curiosos para entender o porquê.
Marius, o zelador emburrado que era o terror dos alunos, odiava quando ficavam inquietos e falantes, seu trabalho sempre era triplicado quando algo que despertava os ânimos acontecia. A porta do Salão Principal estava abarrotada de bruxos dos mais variados anos, todos queriam entrar primeiro para conseguir os melhores lugares nas mesas de suas respectivas casas. Depois de muito trabalho para que tudo ficasse na mais perfeita ordem, os cochichos recomeçaram quando os professores se posicionaram na Mesa Principal acompanhados de ninguém mais, ninguém menos que Harry Potter e Hermione Granger.
Mas todos se aquietaram quando a enorme porta do Salão Principal se abriu, revelando a Diretora McGonagall, que carregava o Chapéu Seletor, sendo seguida por três pessoas que ninguém nunca tinha visto antes. Eles andavam um ao lado do outro, com as cabeças erguidas, sem nem olhar para o restante dos alunos que os encaravam sedentos por informações.
Eram os alunos novos.
O mais alto, e que estava do lado direito, possuía olhos azuis que pareciam não demonstrar nenhuma emoção por estar ali. Seus cabelos castanho-claros meio aloirados caiam até a metade da sua testa e combinavam com sua barba devidamente aparada. Ele estava com o uniforme padrão da escola, com a exceção de uma capa marrom que estava em seus ombros, parecia ser parte da roupa da Durmstrang. O rapaz do lado esquerdo era quase da mesma altura que o primeiro. Usava óculos redondos, tinha o cabelo loiro penteado perfeitamente em um topete, com alguns fios teimosos que insistiam em cair na sua testa. Seu uniforme era padrão e perfeitamente passado. Seu jeito de andar e a forma que segurava a mão da mulher que estava ao meio passavam a impressão de que ele era sério e protetor.
Mas, entre os dois homens, a menina se destacava. Sua pele era negra e ao mesmo tempo bronzeada, seus cabelos eram cacheados e pretos, que lembravam a noite. E tudo isso fazia o contraste perfeito com seus olhos azuis, traço este que era igual nos três. Ela usava o uniforme de forma incompleta, somente a blusa branca dobrada até os cotovelos, que revelava seu braço direito coberto por tatuagens com traços finos e únicos. O jeito que ela andava, mesmo de mãos dadas com o loiro, e mantinha seu olhar fixo no centro do Salão Principal transpirava confusão. Ela era o tipo certo de que daria trabalho na escola.
A professora Minerva colocou o Chapéu Seletor em um banquinho bem à frente da mesa dos professores e se dirigiu para o pódio esculpido com uma coruja na frente da cadeira da diretora. Os três novatos ficaram parados em linha reta à sua frente.
— Boa noite, alunos. Antes que possamos jantar, apresento-lhes os novos alunos de Hogwarts. — Minerva direcionou seu olhar para eles. — Sejam bem-vindos e saibam que Hogwarts é a escola de bruxaria mais segura do mundo.
Parecia uma mensagem subliminar que somente eles entendiam, assim como Harry e Hermione, que se entreolharam na mesa principal.
— O Chapéu Seletor definirá onde vocês irão pertencer.
E sem mais delongas, o artefato se pôs a cantar:

Não há nada escondido em sua cabeça
que o Chapéu Seletor não consiga ver
Por isso é só me porem na cabeça que vou dizer
Em que casa de Hogwarts deverão ficar.
Quem sabe sua morada é a Grifinória,
Casa onde habitam os corações indômitos.
Ousadia e sangue frio e nobreza
Destacam os alunos da Grifinória dos demais;
Quem sabe é na Lufa-Lufa que você vai morar,
Onde seus moradores são justos e leais
Pacientes, sinceros, sem medo da dor;
Ou será a velha e sábia Corvinal
A casa dos que tem a mente sempre alerta
Onde os homens de grande espírito e saber
Sempre encontrarão companheiros seus iguais.
Ou quem sabe a Sonserina será a sua casa
E ali fará seus verdadeiros amigos
Homens de astúcia que usam quaisquer meios
Para atingir os fins que antes colimaram.
Mas este ano farei mais que escolher
Ouçam atentamente a minha canção:
Embora condenado a separá-los
Preocupa-me o erro de sempre assim agir
Preciso cumprir a obrigação, sei
Preciso quarta-los a cada ano
Mas questiono se selecionar
Não poderá trazer o fim que receio.
Ah, conheço os perigos, os sinais
Mostra-nos a história que tudo lembra,
Pois nosso mundo corre perigo
Que vêm inimigos externos, mortais
E precisamos unir em seu seio
Ou ruiremos de dentro para fora
Avisei a todos, preveni a todos…
Daremos agora início à seleção.


— Cada ano esse Chapéu fica mais doido. — Uma voz masculina foi ouvida na mesa da Grifinória, fazendo risadas se espalharem pelo local.
— Silêncio, . — McGonagall ordenou e rapidamente o silêncio voltou. — .
O rapaz mais alto sentou no banco e a diretora colocou o Chapéu em sua cabeça.
— Eu vejo raiva em seu coração, mas também vejo medo… pelas barbas de Merlin… — apenas podia escutar. — Você será da Sonserina! — Bradou para todos.
Gritos vindos da mesa verde e prata explodiram pelo salão. A diretora retirou o chapéu de e ele, finalmente, direcionou um aceno para a mesa e sentou-se ao lado de um rapaz de cabelos negros.
.
O loiro soltou a mão da menina que permaneceu intacta, sem demonstrar nenhum tipo de emoção. O Chapéu foi colocado em sua cabeça e o artefato se pôs a pensar.
— Você vai ser extraordinário, se daria muito bem na Grifinória… você tem correspondência com a terra, não tem medo da dor nem do trabalho árduo. É paciente e leal. Aprenderia muito na Grifinória… Mas consigo ver seu coração. — O rapaz se remexeu no banco, nem ele sabia o que se passava em seu coração naquele momento. — Você será da Lufa-lufa!
ajeitou os óculos, sorriu em direção à negra que esperava sua vez, e seguiu em direção à mesa amarela e preta, que o aplaudia e gritava por conta do novo membro.
.
Os burburinhos pelas mesas voltaram, o recém lufano e ela eram irmãos. sentou no banco, Minerva nem chegou a encaixar o Chapéu Seletor em sua cabeça, prontamente ele gritou:
Sonserina!
Fazendo com que os professores se entreolhassem e Hermione e Harry encarassem a menina. Essa que os encarou de volta, dando um leve sorriso de canto.
A escolha era única e tinha sido feita.


Capítulo 1

, e foram acordados cedo pelos diretores de suas respectivas casas, Edmund Zabini e Emma Summerbee, e encaminhados para o escritório da diretora. O escritório ficava no terceiro andar e sua entrada era guardada por uma gárgula de pedra.
— Será que ela fala? — perguntou em um sussurro quase inaudível, fazendo rir baixo.
— Raramente, , mas fala. — Zabini respondeu e os três se entreolharam como se estivessem se perguntando como ele tinha escutado.
— Bola de pelo. — Summerbee disse a senha e gárgula se afastou, revelando uma enorme escadaria de pedra em espiral.
Os três pularam nas escadas após os diretores e foram levados para uma antecâmara, onde ficava um andar acima da torre, que possuía uma enorme porta de carvalho, exibindo a aldrava de latão polido de um grifo. Eles entraram no escritório amplo e muito bem iluminado por diversas janelas; era também muito bem decorado.
admirava os quadros dos antigos diretores de Hogwarts, parando em frente ao de Alvo Dumbledore, enquanto estava entretida com a quantidade gigantesca de livros que ocupavam as estantes do lugar. Já encontrava-se fascinado pela fênix ao lado da mesa de Minerva. Ele era perdidamente apaixonado por criaturas mágicas, mas quando colocou os olhos no animal sentiu algo diferente. Parecia que ele conhecia aquele grande pássaro escarlate do tamanho de um cisne, com sua plumagem vermelha e dourada, com bico e garras douradas e olhos verdes. Muito verdes. Normalmente fênixes tinham olhos negros. E como se o conhecesse, a criatura se pôs a cantar.
— Finalmente vocês se reencontraram — Minerva disse e a olhou sem entender. — Spykes é o nome dela. A fênix foi dada ao seu pai quando você e nasceram pelo melhor amigo dele, Rolf Scamander. Vocês irão conhecê-lo, é professor de Trato de Criaturas Mágicas. Mas o importante é que você, , é o verdadeiro dono dela. Spykes veio parar em Hogwarts porque seu pai não tinha como domesticá-la e você era uma criança.
sorriu e andou calmamente até a fênix, que baixou a cabeça para que ele pudesse acariciar sua cabeça.
— Sua varinha tem uma pena de Spykes. Vocês já estavam predestinados a ficarem juntos.
— Mas como isso é possível? Eu...
— Tem certas coisas que são destino, . E a amizade de Scamander e seu pai ainda é muito forte.
Antes que eles pudessem fazer ainda mais perguntas, Minerva pediu para que se sentassem nas três poltronas aveludadas que surgiram à frente de sua mesa.
— Precisamos conversar sobre as matérias que vocês irão estudar aqui em Hogwarts. Eu já tenho todo o histórico escolar de vocês, CASTELOBRUXO e Durmstrang mandaram ontem para que pudéssemos analisar. Os diretores ficaram responsáveis por verificar cada ementa escolar e é a mesma entre as escolas, então não terão problemas quanto a falta de conteúdo. Mas quanto às notas... — soltou um pigarro, coçando a cabeça em seguida.
era conhecido em Durmstrang por ter um raciocínio bastante rápido para números e poções, mas deixava a desejar bastante nas outras disciplinas. Não era falta de inteligência, mas sim preguiça. Ele achava certas disciplinas incrivelmente desinteressantes e deixava de estudar para elas, levando-o a ter algumas reprovações em seu currículo.
— Vamos analisar se você irá precisar de reforço, , não se preocupe. — Zabini explicou e deu um sorriso amarelo. Torceu internamente para que não o jogassem em aulas demais.
, ao contrário do primo, possuía um boletim escolar exemplar. Desde o primeiro ano, oscilava somente entre ótimo e excede as expectativas. Em CASTELOBRUXO focavam bastante em Herbologia e o rapaz era uma espécie de prodígio na matéria, o professor Neville Longbottom ficaria feliz de tê-lo em suas aulas.
variava entre O, E e Aceitável, mas tinha destaque notável e admirável em Transfiguração, fazendo com que a Diretora Minerva tivesse o desejo de dar aulas extras à aluna. Não era sempre que uma possível pupila aparecia pelo castelo.
— Vocês ainda têm o desejo de fazer Música dos Trouxas como matéria extra?
— Sim! — e responderam em uníssono, rapidamente.
A música era a paixão deles e eles sorriram um para o outro ao descobrir que tinham aquilo em comum. Os dois, mesmo sendo primos, não mantinham contato frequente.
, você fará Estudos Avançados em Feitiços, confere? — Zabini perguntou ao lembrar que a negra fazia a matéria na antiga escola.
— Sim, senhor. Tenho muito apreço por feitiços e transfiguração. — Minerva sorriu ao escutar da própria menina que ela gostava da disciplina.
poderia ser um talento nato. Das bruxas daquela idade, somente Hermione Granger tinha apreço pelas matérias mais difíceis da escola.
— No sexto ano vocês têm mais períodos livres, — avisou a diretora — portanto recomendo que os usem para estudar bastante.
Então Minerva entregou um pergaminho para cada um onde constavam os seus horários em Hogwarts. iria fazer, além das disciplinas obrigatórias, Runas Antigas, Adivinhação, Estudos Avançados em Feitiços e Transfiguração. tinha em seu horário Trato das Criaturas Mágicas, Estudos Avançados em Herbologia, Poções, Alquimia e Música dos Trouxas. Por fim, iria estudar Aritmancia, Estudos Avançados em Poções e Música dos Trouxas.
— Voltaremos a falar mais vezes sobre os horários de vocês no decorrer do ano e das situações...
— Isso tem relação com Hermione Granger e Harry Potter estarem sentados na mesa dos professores? — perguntou, interrompendo a diretora.
— Iremos tratar sobre isso em outro momento, Senhorita . Agora vocês têm aulas de feitiços, e é melhor correrem se não quiserem se atrasar para a aula do professor Malfoy.
Os três levantaram-se rapidamente e saíram da sala, guardando seus pergaminhos nos bolsos. O pai dos já tinha comentado sobre Malfoy no período em que estudou em Hogwarts e tremeu só de imaginar o professor, ao contrário de sua irmã que estava animada para conhecer o melhor mestre de feitiços depois de Severo Snape. Já só desejava não ser reprovado mais uma vez naquela disciplina infernal.
— Escadas malucas. — reclamou quando pisaram na escada que iria até o andar da sala de feitiços e ela começou a se mexer.
— Em Durmstrang não tinha tantas escadas assim.
— Essa escola é toda maluca, eu não sei como papai estudou aqui, de verdade.
— Eu já acho ela fascinante. — disse com um pequeno sorriso no canto dos lábios.
Desde o momento que conheceu Spykes, a fênix, ele ficou decidido em tentar descobrir o que mais o castelo tinha para lhe oferecer. Sabia que ali ele teria aula com os melhores dos melhores, e ver Potter e Granger na recepção deles era uma prova daquilo.

*


A sala de aula de feitiços ficava localizada no segundo andar, no lado Oeste. Na sala existiam quatro mesas grandes e compridas construídas com madeira de Bubinga, o tipo mais caro no mundo trouxa, que ficavam localizadas nos lados do lugar, deixando um enorme espaço bem no meio. Quando os primos chegaram, a turma já estava devidamente sentada e o professor Malfoy escrevia no quadro negro.
Antes que pudessem se acomodar, o homem virou.
— Bem-vindos um, dois e . Espero que o atraso não seja comum na minha aula.
o olhou com os olhos arregalados e sentiu um frio na espinha, ele claramente tinha receios com o professor. o imitou baixinho e sentou rapidamente, com os primos sentando ao seu lado em seguida.
— Já que todos estão devidamente acomodados, estávamos falando sobre feitiços não-verbais de desarmes em duelos. Espero que a senhorita não decepcione os ensinamentos que teve na sua antiga escola. — Draco andou até o meio da sala e fez sinal para que a novata levantasse. — Você irá participar de uma demonstração com a senhorita Clemment.
A aluna da Grifinória levantou com o ar de superioridade que exalava na sala inteira. balançou a cabeça negativamente quando Clemment encarou da cabeça aos pés.
— Se cumprimentem, — guiou e as duas obedeceram, fazendo a reverência. — Ergam suas varinhas — ambas brandiram as varinhas, permanecia sem esboçar nenhuma reação enquanto a outra estava com um sorriso debochado nos lábios — e no três, duelem.
— Vamos ver o quanto você aguenta, novatinha cheia de si.
As duas se deram as costas e deram cinco passos, Draco começou sua contagem e no três, viraram prontas para duelar. Antes mesmo que Clemment pudesse completar seu feitiço, bradou rapidamente e com uma segurança que Draco Malfoy só tinha visto em poucos alunos, inclusive nele mesmo.
Estupefaça. — O feitiço pensado por foi tão potente que arremessou Clemment para o final da sala, a fazendo bater contra o quadro e cair desacordada.
Draco correu para ver se a aluna estava bem, enquanto diversos elogios puderam ser escutados pelos alunos da Sonserina. soltou uma risada alta, tal qual o menino, também sonserino, com os antebraços cobertos por tatuagens. Esse que cruzou os braços e encarou a negra, impressionado. Os outros alunos olhavam assustados, era a primeira aula sobre desarmamento não-verbal e a novata tinha conseguido ser excelente. olhava a irmã orgulhoso, ele sabia que ela não iria deixar a provocação passar batido.
— Vou levá-la para a enfermaria. Cinco pontos para a Sonserina pelo feitiço ministrado perfeitamente e menos 10 pelas risadas, senhores e .
respirou fundo e voltou a sentar entre o irmão e o primo, mas sentiu-se incomodada com o rapaz que não parava de encará-la do outro lado da mesa.
— Tá olhando o quê? Perdeu alguma coisa aqui?
Bravinha. — Disse provocador, dando um sorriso cínico e desejou fazê-lo engolir a sua varinha.


Capítulo 2

O Salão Principal na hora do desjejum estava bastante agitado. As corujas chegavam com as correspondências e encomendas dos alunos de todas as casas, os estudantes conversavam animados com seus colegas sobre o que fariam no dia e até mesmo aproveitavam para discutir as respostas das lições da primeira aula. E na mesa da Corvinal não era diferente.
Os Corvinos conversavam sobre suas respectivas matérias, quadribol e abriam suas cartas, com exceção de , que enquanto devorava um pedaço de bolo de morango, estava concentrado em afinar seu violão.
adorava as quintas-feiras porque era o dia da semana que tinha três períodos da sua matéria preferida, Música dos Trouxas, e também porque dividia sala com seus melhores amigos, e . Era estranho que um Corvino fosse tão próximo assim de um Sonserino e Grifinório, mas eles eram.
E se davam muitíssimo bem.
colocou um grande pedaço de pudim na boca e levantou-se às pressas da mesa da Grifinória, indo em direção a , que parecia estar mais entretido com a leitura da revista de quadribol universitário do que com comer toda a refeição que estava à sua frente.
— Vamos, . — puxou o menino o fazendo quase cair do banco, batendo com suas pernas em quem estava ao seu lado.
— Meu Deus, homem, pra que essa pressa?
— Falta 10 minutos para a aula, bonitão, e não sei se você lembra, mas a sala fica na merda do sétimo andar.
deixou os ombros caírem. Só de lembrar que teria que subir tantas escadas e que mal tinha comido, seu corpo já começava a querer falhar de tanta preguiça. gritou o nome de no meio do Salão e o Corvino levantou-se rapidamente antes que o amigo gritasse novamente. Dos três, era o que falava mais alto, e naturalmente, sempre chamava atenção por gritar em momentos em que não deveria, como na noite em que os novatos chegaram e ele chamou o Chapéu Seletor de doido.
tinha um jeito único de ser.
— Vocês conseguiram afinar o violão? — perguntou assim que se juntou aos dois.
— Não consegui também, a única parte ruim dessa aula é que não podemos usar magia. — reclamou ao lembrar que passou a noite tentando afinar o violão, sem sucesso. — Somos bruxos e não podemos usar magia. Isso nem faz sentido.
— Na verdade, faz. A aula é Música dos Trouxas, não bruxos. — pontuou fazendo com que revirasse os olhos.
— Ainda bem que isso é um problema de vocês, o professor River só me passou tarefa de afinação de voz.
— Ninguém perguntou, .
— Ninguém mesmo. — completou, dando um tapa no pescoço de .
A tarefa de afinação de voz era muito melhor do que a de afinar instrumentos. era o único deles que veio de família trouxa e tinha muito mais costume com instrumentos musicais que os dois, mais até que que tinha só a mãe trouxa, mas fora criado no mundo bruxo.
— Ei! — Os três viraram para trás ao escutarem uma voz nada conhecida. — Vocês estão indo para a aula de Música dos Trouxas?
E então se deram conta que eram os meninos novos que tinham chegado na terça-feira. e .
— Sim! No sétimo andar, infelizmente. — respondeu. — Você é da Sonserina, né?
— Aham! Nós dois fazemos essa aula por sinal. É longe assim sempre? — Perguntou ao chegarem no sexto andar.
— Sempre. — fez uma careta e os meninos riram.
Toda aula reclamava por subir tantas escadas, ele realmente detestava.
— Por sinal, sou !
— E eu sou o . — O loiro falou pela primeira vez, ainda olhando para o violão que carregava.
adorava tocar e estava triste por não ter trazido o seu consigo para Hogwarts.
— Vocês tocam? — perguntou ao perceber o olhar do Lufano para o instrumento.
— Eu toco violão e , piano. Somos primos, aliás!
— Será que você consegue afinar nossos violões? — perguntou e sorriu, mas coçou a cabeça parecendo estar confuso.
Violões? Mas cadê o seu?
— Puta que pariu. — xingou, batendo a mão na testa.
havia esquecido o violão em seu dormitório que ficava do outro lado do castelo.
— Você vai ter que descer e ir buscar, cara. — soltou uma gargalhada, fazendo os outros rirem.
— Nem que me paguem mil galeões eu desço sete andares e atravesso o castelo para pegar essa porcaria. — Disse ao pisar no sétimo andar, a sala era ao final do corredor. puxou a varinha de suas vestes e bradou: — Accio violão.
E em menos de um minuto, para a tranquilidade do Sonserino, e dos amigos que não iam escutar as suas reclamações, o violão estava flutuando pela escadaria do sétimo andar.
— Agora sim.
— Olha, demos sorte, o professor ainda não chegou. — sentou no lado esquerdo onde estava acostumado a sentar.
Os cinco sentaram juntos, um pouco afastados do restante da classe que tinha apenas mais dez pessoas, e antes que os meninos pudessem pedir, estendeu a mão para que pudesse lhe dar o violão.
— Não tem muito mistério. — Disse paciente e começou a afinar o instrumento do mais novo colega. — Ensino depois!
E rapidamente terminou com o violão de , pegando o de em seguida.
— Como você consegue tocar? — Perguntou com a sobrancelha arqueada. Desafinado era pouco para aquele violão.
— Eu sempre pego o do .
— Então tá explicado porque o meu some toda vez e eu tenho que ficar fazendo feitiço para achar. — Disse com uma leve indignação em seu tom de voz, como se tivesse resolvido um mistério quase impossível.
— Feitiço? Quem está fazendo feitiço? — A voz do professor Teodorico Tremlett invadiu a sala e rapidamente passou o violão para , torcendo para que ele não tivesse prestado atenção.
— Ninguém, professor!
— Eu acho bom mesmo. Aliás, temos caras novas na nossa turma! e , vocês podem se apresentar?
— Oi! Eu sou o , sempre gostei de música pelo que me lembre e meu padrinho acabou me presenteando com um violão... — foi o primeiro a se apresentar, mas quando começou a falar do padrinho, parou.
Aquela era a única memória que tinha do padrinho e ele só tinha a notícia que o homem trabalhava em Hogwarts, mas não fazia ideia do sumiço. Nem se tinha relação com seus pais. Seus pais. A cabeça do loiro começou a trabalhar mais rápido do que ele conseguia organizar seus pensamentos, nem se deu conta que a classe o encarava como se estivessem esperando ele terminar sua fala.
— Sou o ! E a gente é da mesma família. — , ao perceber que tinha algo de errado com o primo, levantou-se, atraindo a atenção da turma para si. — Eu sempre estive na companhia de música também. Tive que aprender sozinho porque meus pais nunca foram ligados no mundo Trouxa, então até hoje não sabem bem o porquê de eu tocar o que toco. — Deu de ombros e arrancou risadas da turma — Eu toco violão, guitarra e piano. E acho que canto um pouco também.
— Uma família musical! Excelente, meninos, podem se sentar! Vejo que vocês já se enturmaram e isso é ótimo, vai ajudar bastante nas próximas atividades.
— Atividades, já? — perguntou no mesmo momento em que todos ficaram quietos, atraindo olhares não tão amigáveis do professor.
— Sim, , atividades. E vamos começar pelo Baile de Inverno.
Os burburinhos na sala começaram e os cinco se entreolharam apreensivos. Os que gostavam do Baile não queriam perder de jeito nenhum a noite da festa; os que não gostavam, não queriam perder a noite livre que poderiam ficar de bobeira pelo castelo, sem ter alguém enchendo a paciência para irem para os dormitórios ou saírem do pátio principal. Na Noite do Baile de Inverno, todos ganhavam.
— Mas profe…
— Todos vocês irão se apresentar na noite do baile. Vocês formarão grupos musicais! , e , vocês já estão perto de e , fiquem juntos. O restante de vocês pode se dividir, em trios ou grupos. A missão de vocês é compor uma música e apresentar na noite do Baile de Inverno, para toda a escola.
Os meninos estavam esperando tudo, menos aquilo. Mas os cinco estavam mais do que ansiosos para começar a trabalhar em equipe.
— Precisamos de um nome.
— E você de uma direção na sua vida, . Cale a boca e preste atenção. — retrucou, pela primeira vez estava totalmente focado na aula de Música dos Trouxas, a ideia de se apresentar em público lhe parecia incrível.
— ONE DIRECTION! Vamos nos chamar One Direction! — gritou, fazendo com que até mesmo o professor parasse a explicação da atividade.
— One Direction? Me soa bem, . Vocês já começaram bem.
Teodorico elogiou o grupo e todos olharam surpresos para , que tinha um sorriso em seu rosto como se tivesse acabado de ganhar a Taça das Casas.
*

A aula terminou e todos saíram animados com a nova atividade do professor Tremlett, mas sabia que algo tinha acontecido com o primo no início da aula.
— Você está bem, cara? — Perguntou baixo quando se afastaram dos outros três.
— Eu acho que preciso conhecer meu padrinho. Ele vai ter a resposta.
— Rolf Scamander?
— Sim! Acho que ele tem a resposta para as coisas que tem acontecido na nossa vida, na minha, sua, .
— Droga! — reclamou, fazendo todos pararem de andar. — Não vou ter aula de Trato de Criaturas Mágicas por três semanas.
— E você tá reclamando? — perguntou. — Como alguém poderia reclamar de conseguir dispensa de aula?
— Eu tiro notas boas nessa aula, não é, ? — O amigo somente fez sinal de positivo com a cabeça. — Professor Scamander me adora. Sei lá se alguém vai substituir ele.
— Professor Rolf Scamander não vai mais nos dar aula? Eu faço essa matéria também! — se intrometeu.
— Não sei, acabei de receber o aviso aqui no meu horário. — Bradou o pergaminho enfeitiçado que tinha o aviso que as aulas estavam canceladas. — Não sei se vão substituí-lo.
— Eu espero que ele volte logo.
— Eu também! Você vai adorar conhecê-lo.
sorriu. Ele realmente adoraria conhecer o seu padrinho. O que não via há muito tempo.

🐍


estava deitada no enorme sofá do Salão Comunal da Sonserina, que ficava localizado nas masmorras da escola. A negra gostava bastante da longa sala que provavelmente ficava abaixo do Lago de Hogwarts, com suas paredes de pedra rústica, de cujo teto pendiam correntes com luzes redondas e esverdeadas. O canto preferido de ali era aquele confortável sofá de couro que ficava bem na frente de uma enorme lareira que aquecia o ambiente inteiro.
Mas, mesmo com todo aquele ambiente confortável, luxuoso e impecável, sentia falta do Brasil. Do sol que pegava em todos os horários livres que tinha, as praias que frequentava nos feriados e férias com sua família. sentia falta de seus pais. E ela sabia que só tinha uma pessoa que poderia culpar por não ter mais nada daquilo.
— Ei, baixinha, como foi o primeiro dia? — perguntou ao empurrar a perna da prima para que pudesse sentar no sofá.
— Tirando a vontade de socar umas cinquenta vezes aquela insolente da Grifinória, foi um dia bom.
— Você, com vontade de socar alguém? Ninguém imaginou isso — provocou e recebeu um olhar nada amigável da prima, mas ainda assim mandou um beijo no ar para ela. — Quem é essa sua nova amiga?
— Aquela tal de Clemment, céus, quem ela pensa que é? Metida a sabichona, ficou comentando que ontem me deixou ganhar o duelo. Ela é maluca? Eu ganharia dela sem nem precisar pensar direito no feitiço.
— Nós sabemos disso, .
— Não é óbvio? — Perguntou demonstrando toda a sua irritação com a nova colega de classe.
— Ela não estava esperando ontem, e aquilo foi incrível! — elogiou verdadeiramente e a prima sorriu. — Você tem praticado aquele feitiço, não é?
— Não tanto quanto estava praticando quadribol. E agora, porque estou presa nesse castelo longe de casa, não posso mais praticar.
— Mas , você pode entrar no time de quadribol daqui e treinar.
— Você acha que eu devo?
— Eu posso falar com o menino que…
— Então quer dizer que a bravinha joga quadribol, é? — interrompeu e sentou ao lado do novo amigo, fazendo bufar, cheia de raiva.
— Aposto que jogo melhor que você. Aliás, quem é você?
soltou uma risada provocativa, levantou e estendeu a mão para a brasileira.
— Prazer, bravinha. , batedor e capitão do time. Bem vinda à Sonserina, aliás.
deu uma piscadela para e saiu do Salão em direção ao dormitório, deixando a negra, pela primeira vez, sem fala.
— Como eu ia dizendo, eu poderia falar com o menino que conheci hoje para você entrar no time, mas ele meio que já se apresentou. — coçou a cabeça e o encarou.
— Esse babaca é seu amigo? Desde quando?
— Hm… hoje? A gente faz a mesma aula, música dos trouxas.
— E ele ainda é músico? — perguntou indignada.
Como aquele arrogante poderia fazer tanta coisa e será que era bom em todas elas? Ele não tinha cara de ser nada excelente, pensou a negra.
— Ele é um cara legal, baixinha. Você vai conhecer ele melhor depois.
— Eu não quero conhecer melhor, . Não quero mesmo. — Foi convicta, mas o primo deixou escapar uma risada.
encarou o primo e voltou a ler seu livro. Fingir que estava lendo, na verdade, pois dentro de sua cabeça só passava o último diálogo que tinha tido com . Ninguém nunca a tinha deixado sem fala, nem mesmo quando era criança. sempre tinha tido uma resposta na ponta da língua para todas as situações, o que a colocava em problemas muitas vezes. Ela nunca era pega de surpresa.
Aquela tinha sido a primeira vez. Graças a , o menino que ela não queria conhecer melhor.




Continua...



Nota da autora: Oiii! Finalmente a atualização dessa história saiu e espero que vocês tenham gostado das interações, finalmente os meninos se conheceram! E o que será que Ralf Scamander sabe sobre a família da nossa PPs, hein? O gêmeo com toda a certeza irá descobrir.

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