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Última atualização: 25/12/2020

Prólogo

A Toca – Manhã de Natal de 1986

— Mamãe, Errol acabou de trazer isso aqui! – Percy Weasley entrou correndo na sala da casa, onde sua família estava reunida em volta de um velho pinheiro decorado com luzes encantadas e bolas mágicas, com algumas embalagens coloridas no chão ao redor.
Molly Weasley tirou a pequena Gina de seu colo, que brincava com a bruxinha de pano que a própria mãe costurara, e foi até Percy, que segurava um embrulho amarelo metálico nas mãos.
— O que é isso? – Ela perguntou, analisando o embrulho inesperado.
— Veio com isso aqui. – Percy entregou a ela um pergaminho enrolado.
Para Gui Weasley. – Molly leu, com o cenho franzido.
As crianças, que estavam sentadas no chão, viraram as cabeças rapidamente, Gui com o semblante confuso.
— O que?! Mamãe, por que Gui ganhou mais um presente de Natal? – Fred protestou, cruzando os braços.
— Isso é injusto e você disse que odeia injustiças! – Jorge acusou, jogando o suéter que a mãe tricotara por cima do ombro.
— Calados, os dois! – Molly rugiu, estendendo o embrulho para Gui.
— Eu não faço ideia do que seja. – O garoto ruivo de dezesseis anos se defendeu, sentindo os olhares acusadores de toda a família, enquanto pegava a embalagem.
— Anda, abre logo! – Carlinhos gritou.
Gui analisou o pacote brevemente e puxou as cordas douradas de fibra que o envolviam, desembrulhando-o e encontrando, com uma expressão bastante confusa, um estranho chapéu coco de veludo roxo, com grandes penachos coloridos envoltos por uma faixa verde esmeralda brilhante. Ele girou o chapéu nas mãos, perdido, e ouviu uma risada no fundo da sala.
— Esse é o chapéu mais feio que já vi na vida. – Carlinhos zombou, o olhar maldoso.
— Ora, quieto! – Molly disse. – Ande, filho, coloque o presente! Quem foi que enviou?
— Não faço ideia. – Gui deu de ombros e colocou o chapéu na cabeça.
Alguns segundos depois, uma voz irreconhecível saiu de dentro do chapéu e sussurrou nos ouvidos de Gui: Espero que goste do chapéu, babaca, e que fique bem claro que eu nunca mais quero ouvir falar de você. Esqueça que eu existo, o próximo presente pode não ser tão amigável assim. Um péssimo Natal e até nunca mais. Então, Gui sentiu as orelhas esquentarem um pouco e alguns gritinhos espantados vindos de seus irmãos. O grito de sua mãe foi mais alto e horrorizado.
— Pelas barbas de Merlim! – Molly gritou, levando as mãos até a boca que estava aberta em um “o”.
— O que? O que foi?! – Gui perguntou, exasperado.
Fred e Jorge trocaram um olhar que logo se transformou em gargalhadas.
— Ainda bem que não recebemos presentes assim, mamãe. – Jorge falou entre as risadas.
— Estamos muito contentes com nossos casacos, obrigado. – Fred disse, se jogando no chão de tanto rir.
— O que diabos está acontecendo?! – Gui gritou.
— O que é isso? – Rony gritou assim que entrou na sala, acompanhado de seu pai, segurando pratos de biscoito e bolinhos.
— Mas o que...? – Arthur perguntou, tentando entender a confusão, e arregalando os olhos quando bateu o olhar em Gui. – Por Merlim!
— Será que alguém pode me dizer o que está acontecendo? – Gui soltou um grito agudo, passando as mãos pelo rosto, um leve pânico tomando conta dele. Se ele estivesse certo sobre quem havia enviado aquele chapéu, e as chances de ele estar certo eram de 99%, ele teria muita sorte se seu nariz ainda estivesse em seu rosto.
— Alguém enviou um chapéu azarado para você! – Percy exclamou, tentando esconder o riso.
— Azarado?! – A voz de Gui saiu estrangulada e seus olhos estavam arregalados.
— Eu adorei o novo visual, irmão, acho que combinou bem com esse seu cabelinho idiota. – Carlinhos provocou e, com um movimento de sua varinha, fez um espelho que estava pendurado na parede da sala flutuar até Gui.
Gui controlou a vontade de mostrar o dedo do meio para o irmão mais novo e se virou para o espelho, se engasgando ao observar seu reflexo. Suas orelhas haviam crescido pelo menos cinco centímetros e murchado completamente, penduradas em sua cabeça como meias velhas no varal. Ele estava horrível.
— Eu não acredito nisso... – Ele sussurrou, passando os dedos pela pele pendurada.
— Você está parecendo um burrinho triste. – Rony comentou, comendo um biscoito enquanto observava o irmão.
— Ronald Weasley! – Molly tornou a gritar com mais um filho e foi até Gui, o afagando nos ombros. – Querido, quem te enviou isso?
Gui se olhou mais uma vez no espelho e sentiu o rosto ficar cada vez mais vermelho. Não de vergonha, mas sim de raiva. Quem é que ela pensava que era para fazer isso com ele?!
Ele jogou o chapéu no chão e saiu da sala batendo os pés, subindo as escadas e se trancando em seu quarto com uma batida de porta que estremeceu A Toca inteira.
Fred e Jorge correram até o chapéu jogado no chão e o tentaram pegar, mas Arthur fora mais rápido e o alcançou antes dos filhos.
— Nem pensar. Vou me livrar disso aqui antes que cause mais estrago. Um chapéu azarado, francamente... – Arthur saiu pela porta da sala, balançando a cabeça indignado.
— E eu vou tentar reverter a azaração nas orelhas de seu irmão. Carlinhos, fique de olho nas crianças. – Molly saiu apressada pelo corredor.
— Quem faria uma coisa dessas? – Percy questionou, dando biscoitos para Gina comer.
— Quem não faria? – Carlinhos riu, pegando também uma porção de biscoitos.
— Alguém sabe qual feitiço que foi usado? Eu achei incrível. – Jorge sorriu.
— Imagina só se nós fizéssemos algo assim com o nariz de Rony? – Fred comentou com um sorriso maldoso demais para uma criança de apenas oito anos.
— Ei! – Rony protestou, colocando a mão no nariz para se proteger, e saindo correndo quando os gêmeos correram ir atrás dele para fora da sala, arrancando gargalhadas animadas de Gina.
No andar de cima, Gui deu mais um grito frustrado enquanto sua mãe continuava a conjurar feitiços diversos para que suas orelhas voltassem ao normal.
A cada feitiço que eles lançavam, as orelhas de Gui aumentavam de tamanho e caiam cada vez mais. Gui grunhiu. Aquela garota era louca.



Capítulo 1

Londres, 1997.

— Senhorita , espero que a viagem tenha sido ótima.
abriu um largo sorriso para Tom e avaliou a curiosa decoração do Caldeirão Furado, sua moradia pela noite. Não era nada parecido com seu apartamento no Rio de Janeiro, mas serviria.
— Foi ótima, muito obrigada.
— Bem-vinda à Londres, senhorita. Deixe que eu...
— Eu não acredito que você finalmente está aqui!
Um furacão de cabelos roxos agarrou , que se desequilibrou e caiu de bunda no chão. Apesar da dor, gargalhou e abraçou sua atacante.
— Ai, Tonks! Quanta delicadeza!
Ninfadora riu e se levantou, estendendo uma mão para que se erguesse também.
— Não vou me desculpar por estar animada com a sua presença!
revirou os olhos, mas não conseguiu tirar o sorriso do rosto.
— Pensei que a minha chegada deveria ser discreta.
Tonks deu de ombros.
— Essa palavra não existe no meu vocabulário.
— Achei que fosse uma das principais características de uma auror.
— Não é como se eu fosse uma auror normal, de qualquer forma.
As duas riram e Tom limpou a garganta, chamando a atenção das duas.
— Levarei seus pertences até seu quarto, senhorita . Acredito que esteja em boas mãos agora.
sorriu em agradecimento e Tom desapareceu pelo corredor. Tonks puxou o braço da mulher e a arrastou até um canto do salão.
, você deveria ter me contado antes que estava vindo. Quando Moody disse que tinha entrado em contato com você, eu quase enlouqueci!
— Eu sei, eu sei! Mas foi de última hora, Alastor me pegou totalmente de surpresa, eu não tive nem como me preparar direito, me desculpa! – fez um bico exagerado para Tonks.
— E você vai aceitar? – Tonks questionou, ansiosa.
suspirou.
— É claro que você já sabe.
Tonks varreu o local com os olhos para garantir que ninguém estava ouvindo a conversa das duas e abriu um sorriso malicioso.
— Que Moody te fez uma proposta para ser o mais novo membro da Ordem da Fênix? Ou que ele te arrumou uma vaga como auror no Ministério Britânico caso você aceite? Claro que já sei. Ninguém esconde nada de mim.
riu.
— Bom, eu estou muito bem trabalhando como auror para o Ministério Brasileiro, se quer saber.
Tonks ergueu uma sobrancelha.
— Mas você está aqui.
deu um sorrisinho de lado.
— Fiquei curiosa. Não é todo dia que se recebe um convite desses, ainda mais... nas atuais circunstâncias. E é claro que eu sei da importância da Ordem, então no mínimo é uma proposta para se pensar.
Tonks mordeu o lábio, ansiosa.
— Moody jamais teria feito um convite desses se não confiasse em você, . Estamos precisando dos melhores ao nosso lado, mais do que nunca.
— Eu sei, por isso estou aqui.
— Então eu acho bom você ir para a cama agora mesmo, porque se você aceitar essa loucura toda, amanhã será seu primeiro dia como membro da Ordem e você precisa estar cem por cento para sua primeira missão.
— Que seria...?
— Não faço ideia.
— Achei que ninguém escondia nada de você.
Tonks mostrou a língua para a amiga.
— Eles conseguem quando se esforçam. Parece que a sua presença é importante demais para ser discutida abertamente nas reuniões da Ordem, acho que nem todos sabem que você está vindo.
— Alastor tem sorte por ter sido um auror com uma reputação que cruzou oceanos, senão eu jamais confiaria numa loucura dessas sem saber onde estou me metendo. – comentou com um suspiro profundo. Tonks deu uma risadinha.
— Ah, , você sabe bem onde está se metendo. – Ela se aproximou da amiga e piscou. – Lutar contra o lorde das trevas, acabar com os caras malvados, chutar umas bundas e quebrar alguns narizes.
riu.
— Você sabe exatamente o meu tipo de diversão favorita, Dora.
Tonks abriu um sorriso enorme.
— Depois do dia em que nos conhecemos naquela missão na Amazônia, impossível não saber.
— Urgh, ainda não acredito que fizemos mesmo aquilo! Capturar aqueles lobisomens safados foi maravilhoso! – deu um gritinho, relembrando a aventura que viveu com Tonks e mais alguns aurores na floresta em duas semanas de perseguição a alguns lobisomens que estavam atacando povoados indígenas. O Ministério Brasileiro estava com todos seus aurores sobrecarregados e pediu auxílio internacional. O auxílio chegou na forma de dois aurores britânicos, e Tonks era um deles. Com o mesmo espírito divertido, aventureiro e curioso, foi impossível Ninfadora e não se tornarem amigas em questão de minutos. O que foi um completo inferno para os outros aurores do caso, mas um sucesso total para a missão.
— Se você achou que aquilo foi emocionante, garota, você não faz ideia do que te espera por aqui. Anda, vamos subir logo que eu quero te contar algumas coisas, principalmente sobre esse negócio de lobisomens safados.
, que estava sendo arrastada por Tonks pelo corredor, puxou o braço da amiga, a fazendo parar.
— O que? Você está com problemas com lobisomens?
Tonks deu uma risada sem graça e suas bochechas ficaram imediatamente vermelhas, o que sabia que era muito raro para a talentosa metamorfomaga.
— Bom, eu tenho um problema.
arqueou as sobrancelhas.
— Tonks.
— E envolve um lobisomem.
— Ninfadora!
Tonks grunhiu, fechando os olhos como uma criança.
— Espero que você tenha trazido aquela bebida brasileira que eu adoro, , pois essa conversa será complicada.
balançou a cabeça, indignada. Tonks era mesmo uma caixinha de surpresas.
— Se chama cachaça, Dora, e algo me diz que eu não trouxe o suficiente para ouvir seja lá o que que você tenha para falar no tópico lobisomens safados.



Então Tonks estava apaixonada por um lobisomem. Uau.
riu, sozinha, ao encarar seu reflexo no espelho na manhã seguinte. Aquilo era realmente uma surpresa, julgando pelo modo como se lembrava de ter batalhado ao lado de Dora para capturarem os lobisomens brasileiros intransigentes.
Agora estava mais curiosa ainda para conhecer os membros da Ordem da Fênix. Ela sabia que era um grupo seleto, secreto e de confiança, mas cada vez mais estava se surpreendendo com as poucas coisas que descobria.
terminou de abotoar sua calça preta de couro ao mesmo tempo em que uma Tonks ligada no 220 bateu em sua porta para levá-la até a sede da Ordem.
— Bom dia, raio de sol. Como foi a noite? – Tonks questionou, entrando no quarto e se jogando na cama da amiga.
fez uma careta, se levantando e pegando suas botas de dentro da uma mala.
— Agradável, mas confesso que a limpeza deste lugar teria feito até minha mãe sair correndo.
Tonks deu de ombros, ainda esparramada no colchão.
— Seu quarto na sede da Ordem será melhor, pode confiar.
— Se tiver menos pulgas, já está ótimo.
— Pensei que vocês brasileiros estivessem acostumados com animais exóticos pela casa.
— Ninfadora, pela última vez, nós não temos macacos ou qualquer outro animal estranho em casa.
Ninfadora se apoiou nos braços e deu um pesado suspiro.
— Você não faz ideia do quanto isso é decepcionante.
riu e jogou um pé de meia perdido em Dora enquanto calçava suas botas de couro de dragão.
— Uau. – Tonks sibilou, olhando os sapatos de .
— Eu sei.
— Algo me diz que o salário para os aurores brasileiros são melhores do que os nossos.
riu.
— Eram da minha amiga Isadora, mas ela se tornou diretora do Centro de Pesquisa de Dragões Raros da América do Sul e decidiu se livrar de tudo o que ia contra a causa. Eu, como boa amiga, me ofereci para ficar com esses bebezinhos.
— Que caridosa.
— Obrigada. Agora, vamos. – se levantou e ajeitou a camiseta preta, se olhando no espelho. – Merlim me livre de deixar Moody esperando um segundo sequer.
Tonks riu, se levantando da cama e ficando ao lado da amiga no espelho.
— Eu adoro como você parece uma caçadora de vampiros sexy e perigosa.
— Desde que você não conte para ninguém sobre quando eu fui atacada por vampiros na Guatemala, eu aprovo essa definição, embora nada nesse mundo chegue ao nível Ninfadora Tonks de cool.
Tonks estalou a língua.
— Você tem razão.
Elas riram e Tonks estendeu a mão para . Segundos depois, as duas aparataram para fora do quarto do Caldeirão Furado.



Ok, aquilo sim era uma casa digna da sede de algo como a Ordem da Fênix.
não conseguia esconder o entusiasmo enquanto cruzava os corredores do que um dia fora a casa da família Black. Apesar de antiga, tudo ali tinha um ar de importância e sua mente imaginava como tudo deveria ter sido no passado. Deslumbrante, com certeza.
Alastor conduziu e Tonks até a sala de jantar e apontou para as várias cadeiras vazias, ele mesmo se atirando desajeitadamente em uma delas.
— Eu espero que tenha te dado motivos suficientes para querer ficar, . Não sou de insistir, mas a situação pede os melhores e estamos em desvantagem.
abriu um sorriso, se sentando ao lado de Tonks e de frente para Moody.
— Adorei a historinha sobre o garoto que sobreviveu, achei muito comovente. – Tonks riu e Moody revirou os olhos, o olho de vidro rodopiando algumas vezes mais. – Mas confesso que você já tinha meu sim antes mesmo de eu pisar em Londres. A Ordem pode ser um segredo, mas o caos que Você-Sabe-Quem está espalhando já chegou mais longe do que se possa imaginar. Qualquer bruxo com o mínimo de decência estaria disposto a lutar essa guerra. Podem contar comigo.
Tonks deu um gritinho animado e Moody se permitiu abrir um pequeno sorriso.
— Ótimo, porque você tem uma tarefa dentro de uma hora. Molly! – Alastor gritou, fazendo as duas garotas darem um pulinho de susto. – Molly, venha conhecer , e traga uma garrafa daquele velho whiskey de fogo dos Black. A ocasião merece uma pequena celebração!
Alguns segundos depois, uma mulher de meia idade ruiva apareceu na sala, carregando uma garrafa e alguns copos, com um sorriso simpático no rosto.
— Ah, Alastor! Que bom que conseguimos um novo membro! – A mulher, que conclui ser Molly, se pronunciou, colocando tudo sobre a mesa. Quando ela se virou para , uma leve expressão de assombro passou por seu rosto. – Oh, tão jovem!
riu e abriu a boca para se apresentar, mas Alastor fora mais rápido.
— Aos quinze anos essa diabrete já tinha lidado com mais criaturas mágicas do que Newt Scamander, Molly, não se deixe enganar pelo rostinho angelical. – revirou os olhos, querendo corrigir Moody pelo exagero, mas ele continuou a falar. – , conheça Molly Weasley. Molly, conheça , auror brasileira e especialista em criaturas mágicas. Principalmente as problemáticas.
O sorriso de vacilou por alguns segundos ao ouvir o sobrenome. Weasley. Os cabelos ruivos... Qual era a chance? Eram uma família grande, ela sabia, com certeza as chances seriam mínimas. Devia haver Weasleys espalhados por toda a Grã-Betanha.
— Querida, que prazer! Seja bem-vinda! – Molly lhe lançou um sorriso caloroso, impossível de não se corresponder. – Espero que você saiba onde está se metendo, sim? Tão nova, com certeza deve ser muito talentosa para que Alastor a tenha trazido até aqui.
deu uma risadinha.
— Obrigada, Molly. Espero que Alastor esteja certo e que eu consiga ajudar vocês. Prometo que darei meu melhor.
Molly afagou os ombros da garota.
— Tenho certeza de que sim, querida. Por favor, não hesite em me chamar caso precise de alguma coisa, sim? Qualquer coisa, .
O peito de se aqueceu brevemente com um calorzinho que há muito tempo ela não sentia. Eram raras as vezes em que sentia aquilo, amor materno. Em menos de um minuto, ela já sabia que Molly Weasley deveria ser uma ótima mulher e, provavelmente, uma ótima mãe.
— Ok, ok! Não a faça se sentir tão confortável assim, Molly, precisamos dela dura como aço para lutar ao nosso lado. – Alastor se pronunciou e Molly protestou, batendo no homem com um pano de prato, e a garrafa de whiskey que ele estava fazendo flutuar para encher os copos vacilou por um instante, pingando o álcool na mesa. Enquanto Molly saia da sala com um sorriso, um copo flutuou até e outro foi até Ninfadora. – Um brinde, sim? – Alastor ergueu um cantil prateado.
e Tonks ergueram os copos em suas mãos, mas um barulho vindo da entrada da casa os interrompeu.
— Parece que ele chegou mais cedo do que o esperado. Ótimo, , assim você conhece o seu parceiro de missão de uma vez. – Moody disse.
deu um sorriso, enquanto escutava passos se aproximarem.
Então, um rapaz cruzou a porta e prendeu a respiração por alguns segundos.
Não, não, não. Puta que pariu de merda de caralho de azar.
O homem, de longos cabelos ruivos, camisa azul escura, colete preto e calça de couro preta, com uma argola com um canino pendurado em uma das orelhas, olhava para com a mesma expressão de espanto que ela.
sentia como se tivesse voltado onze anos no tempo.
— Gui, esta é , auror brasileira. , este é Gui Weasley, ele é...
— O que ela está fazendo aqui?! – Gui Weasley bradou, espantado.
revirou os olhos e se levantou da cadeira.
— Eu já deveria imaginar que tinha alguma coisa errada nessa história. Que merda é essa, Weasley? Esperou dez anos para se vingar de mim e resolveu me trazer para Londres para tirar uma com a minha cara? – esbravejou, apontando um dedo para o rapaz.
Gui deu uma risada seca, sem humor.
— Por Merlim, você acha que eu tenho alguma coisa a ver com isso? Eu planejava nunca mais ver a sua cara na minha vida!
— Ótimo, porque foi exatamente isso o que eu deixei bem claro da última vez! – retrucou.
— Então o que diabos você veio fazer aqui?
— Eu vim atrás de você, Weasley. – desdenhou, erguendo a sobrancelha esquerda de forma irônica e fazendo Gui revirar os olhos. – Eu vim para fazer parte da Ordem, seu idiota.
— Parte da Ordem? O que?! Moody? – Gui se virou para Alastor.
Moody, calmamente, virou todo o conteúdo de seu cantil garganta abaixo e o apoiou na mesa suavemente. A calmaria de Alastor não combinava nada com as respirações aceleradas de Gui e e nem com o olhar extremamente confuso de Tonks.
— Eu realmente tinha esperanças de que a maior parte do drama deste ano se concentraria em Hogwarts com os adolescentes, e não nesta casa com os adultos. – Alastor disse, a voz assustadoramente contida.
respirou fundo, com pesar. Ele estava certo.
— Moody, desculpe, isso foi completamente ridículo. Eu não sei como pude agir desta forma.
— Talvez o fato de você ser uma descontrolada impulsiva e ardilosa tenha algo a ver com isso. – Gui retrucou, cruzando os braços de forma acusadora, e o fuzilou com o olhar.
— Ok, ok! De onde diabos vocês dois se conhecem? – Tonks finalmente se pronunciou.
— Ótimo, temos tempo para mais uma historinha antes de começarmos a trabalhar naquela coisa simples de salvar o mundo. – Moody falou, seco, e se levantou da cadeira. – Eu não quero saber qual é o problema entre vocês dois, só quero saber se isso vai afetar as missões da Ordem. Vocês irão trabalhar juntos e eu não quero nada interferindo. Acredito que eu não precise explicar a importância de vocês levarem isso à sério, certo?
— Nada vai afetar meu trabalho, Alastor, eu te garanto. – se pronunciou, o semblante sério.
Gui bufou.
— Você diz isso até me atacar. De novo.
— Você atacou Gui?! – Tonks questionou, arregalando os olhos, mas não parecendo muito preocupada com a acusação. Pelo contrário, tentava esconder um sorriso divertido.
— Sim, quer dizer, não exatamente, ele está exagerando, mas... – tentou se explicar, mas Alastor a interrompeu.
— Era uma missão como auror? Gui era seu alvo? – Ele perguntou.
— O que? Não! Eu tinha dezesseis anos e...
— Ótimo, porque eu não aceitaria que uma auror como você não fosse capaz de deixar pelo menos uma cicatriz em algum de seus alvos. Portanto, não me interessa. Weasley, você sabe qual é a próxima missão. Leve com você. E, por Merlim, nunca mais discutam na minha presença. – Ele saiu mancando pelo corredor afora. – Todos esses anos construindo uma carreira como o melhor auror de todos os tempos para isso, francamente...
— Eu não vou sair em missão com você. Isso seria um erro. – Gui suspirou, se jogando em uma das cadeiras.
riu, sem humor.
— Não seja um bebezão, Weasley.
— Uau, isso está realmente interessante, mas eu odeio não saber o que está rolando, galera. Moody pode não querer saber qual é o drama, mas eu vivo por um.
revirou os olhos para a amiga.
— Tonks, se lembra daquele garoto idiota que eu te falei uma vez, aquele que conheci quando estudei um semestre em Hogwarts e que foi um completo babaca comigo?
— Ah, por favor! – Gui desdenhou. – Dora, se lembra daquele chapéu que eu ganhei em um Natal? Aquele que minha mãe te contou uma vez, com aquela azaração ridícula nas minhas orelhas?
— Você tem sorte por não ter sido calças azaradas. – sibilou, baixinho.
Tonks bebeu um gole do whiskey em seu copo e abriu um grande sorriso.
— Eu consigo imaginar onde isso tudo vai levar, mas eu quero ouvir a narração completa. Por favor, continuem.
— Bom, conheça , a brilhante mente por trás de tudo isso. – Gui apontou com a mão para , que revirou os olhos mais uma vez. Tonks deu uma gargalhada tão alta que um dos quadros da parede acordou, reclamando.
— Obrigada pelo brilhante, Weasley. – pontuou, irônica.
— Obrigada, Merlim, por esse presente do destino para animar as missões da Ordem. – Tonks falou, olhando de forma lúdica para o teto da casa.
— Vai ser muito animado mesmo passar horas ao seu lado, Weasley.
— Você não costumava reclamar, . Pelo o que eu me lembro, gostava bastante.
— Oh, sim. Isso foi antes de você sumir do mapa como o maior escroto que já conheci, não é? Me lembro bem disso também.
Gui respirou fundo, passando as mãos pelos longos fios ruivos. Ele tinha se esquecido de como a personalidade de era forte e, aparentemente, o tempo só havia feito esse traço crescer mais ainda.
, eu...
se levantou, arrastando a cadeira de forma ruidosa.
— Me poupe, Weasley. Sem conversinha pra cima de mim. Eu levo meu trabalho muito à sério, então saiba que eu não vou deixar isso atrapalhar a minha missão aqui, ok? Espero que você pelo menos consiga ter a mesma maturidade dessa vez. – Ela disse, passando por ele em direção ao corredor.
— Então é bom que saiba que a próxima missão começa em uma hora e meia e eu preciso te passar todos os detalhes antes.
— Ótimo, volto aqui dentro de uma hora e você tem trinta minutos para me passar o que quiser. Não vou ficar mais tempo do que o necessário na sua companhia, eu só lido com ameaças de tortura em campo. – Ela virou o olhar para Tonks, que já tinha terminado todo seu copo de whiskey de fogo e estava enchendo o segundo. – Meu quarto é o do final do segundo andar à esquerda, certo? Ótimo. – Ela se retirou depois que a amiga assentiu, sem olhar para trás.
Gui jogou os braços estirados sobre a mesa e depois a cabeça no meio deles, gemendo feito um animal preso em uma armadilha.
— Eu não acredito nisso.
Tonks deu uma risadinha.
— Pense pelo lado positivo, Gui.
Ele ergueu a cabeça para ela, esperando uma continuação, mas ela apenas sorriu.
— ... Que seria...? – Ele questionou.
— Ah, eu não sei, mas deve ter algum, certo? – Ela deu de ombros, ainda sorrindo.
Ele deu uma risadinha sem humor.
— Você é péssima.
— O que está acontecendo aqui? – Molly surgiu pela porta da cozinha, a expressão preocupada. – Remo chegou agora pouco e estava me ajudando com o almoço quando ouvimos alguns gritos, está tudo bem? – Ela secou as mãos no avental preso em sua cintura.
Tonks se levantou com um pulo, virando o copo de uma vez só e abrindo um sorriso enorme.
— Acredito que Gui tenha algumas novidades para te contar, Molly! Pode deixar que eu ajudo no almoço enquanto Gui te conta tuuudinho sobre chapéus e o Brasil e sei lá o que. Tchauzinho!
Tonks desapareceu pela porta da cozinha enquanto Gui suspirava, recebendo um olhar confuso de sua mãe.


Continua...



Nota da autora: Eu não me aguentei e precisei escrever uma fic com mais um Weasley, não é?
Eu espero muuuuuito, de coração, que vocês gostem dessa nova aventura com o Gui, mais um grande gostoso desse universo maravilhoso de Harry Potter. Achei que seria muito interessante criar uma história em cima da tal amiga/namorada brasileira do Gui que enviou o tão falado chapéu azarado para ele, e então nós temos a nossa PP auror, brasileira e fodona ;)
Essa fic entrou para a atualização especial de Natal e faz parte de um universo compartilhado com duas outras autoras maravilhosas que decidiram que essa data merecia uma chuva de Weasleys. Quer fic natalina com o Carlinhos? Leia Where the wild things are, da maravilhosa Netuniana! Quer fic com o Rony? Corra para ler Where the unforgettable things are, da sempre sensacional Scairp.
Espero que vocês estejam ansiosos para saber o que vem por aí nessa história!
Não deixem de comentar e fazer essa autora feliz.
Com todo amor, Zurc.
Malfeito, feito.







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    Qualquer erro nessa fanfic ou reclamações, somente no e-mail.


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