FFOBS - Please Have Mercy, por Débora Albino

Última atualização: 19/10/2018
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Capítulo 1


Ele tinha os olhos do pai, talvez fosse isso que me deixava tão tranquila quando olhava para ele. Era lindo, tão lindo que me perguntava como era possível ter gerado uma criança tão perfeita. Andrew tinha quase dois anos, mas seu modo de falar, agir e, claro, seu tamanho, dava a entender que era um garotão de mais idade.
Não queria estar voltando para New York, realmente não esperava ter que fazer isso. Se praticamente não tivesse implorado por ajuda com a tour da banda que ela cuida – entende-se por: oferecido-me uma grana muito alta –, eu não estaria de volta.
Não passava necessidade, longe disso, cuidava de uma boyband no Canadá que estava indo muito bem, mas a gravadora não me dava liberdade de levá-los para o resto do mundo, limitavam-me demais, e acabei aceitando a proposta de bem rápido. Era simples, eu iria assessorar a banda por pelo menos um ano – apenas durante a tour – e depois, nas palavras de , eu poderia fazer o que bem quisesse da minha vida.
Mas não era por isso que eu estava atônita, olhando o garotinho brincar pelo aeroporto, enquanto esperava minha amiga nos buscar; não era por isso que, desde quando aceitei a proposta, cerca de quatro meses atrás, eu não estava comendo direito, não estava dormindo direito e mal prestava atenção quando falavam comigo. O motivo era outro, algo bem maior.
Voltei à realidade quando vi Andrew correndo por entre as pessoas e, antes que eu pudesse me alarmar, vi sorrindo e pegando meu filho nos braços.
– Menina, você deu fermento para ele? – Andrew brincava com o colar da minha amiga.
Aquilo me fez rir, mas rir de nervoso.
– Pois é, ele cresceu muito desde sua última visita. – peguei minha mala e notei o pequeno muito distraído, o que era bom, visto que eu não teria as melhores expressões logo que decidisse começar a falar.
– Sinto muito não ter ido mais vezes, foi complicado para mim, a banda está fazendo o maior sucesso. – suspirou antes de colocar Andrew no chão, o pequeno estava inquieto e animado demais. – Suas malas já estão lá em casa, a melhor coisa foi tê-las despachado antes.
– Você sabe que não vou ficar um ano inteiro na sua casa, preciso de apenas um mês e já estarei em meu apartamento, com um quartinho lindo para o nosso Andrew. – o pequeno estava dando pulinhos enquanto caminhávamos até o estacionamento, eu era apaixonada naquela criança.
– Eu sei, . – revirou os olhos. – E é óbvio que arrumei o quarto do jeitinho que achei certo para o nosso pequeno Andrew
– Eu gosto de dolmi com a mamãe. – não segurei o riso.
Desde que nasceu dormia comigo. Claro que, quando ouviu minha amiga dizer sobre “quarto do Andrew”, alarmou-se, achando que teria que dormir sozinho
– Você vai continuar dormindo com a mamãe, meu amor. – levei meu olhar ao dele, que veio até minhas pernas e levantou os bracinhos, pedindo colo.
pegou minha bolsa e a pequena mochila do Andrew e logo meu pequeno estava em meus braços. Sentia-me a melhor mulher do mundo quando isso acontecia, como se fosse um escudo que impedia todo o mal de chegar perto do meu filho. Eu sabia que isso era uma ilusão, algo que eu criava para me sentir segura. Mentia para mim mesma, sabendo que o grande dia iria chegar e eu teria que estar pronta para isso.
Ajeitei o pequeno na cadeirinha e o dei um carrinho de pelúcia. Ele amava carros, desde pequeno não podia ver um carro colorido ou com algum desenho que ficava doido. Tentava tirar da cabeça que seu pai também era apaixonado por carros.
Já no banco do passageiro, começou a falar sobre a banda, o sucesso com o novo single, todos os planos para a tour, e eu só conseguia pensar: Por que ela não toca no assunto de uma vez? Parece estar cozinhando-me para comer mais tarde.
Mordi o lábio de nervoso, recebia todas as orientações da minha amiga. Diferente dela, eu não viajaria em todos os shows da tour; cuidaria das coisas aqui por New York. A tour não era mundial, então seria coisa fácil de se fazer. Agradeci por não ter que viajar tanto como ela faria, não gostava de levar Andrew para tantos lugares, ele ainda é muito pequeno. Já sabia de metade das entrevistas que teriam e todos os outros compromissos que eu daria conta, enquanto estaria em reunião com os patrocinadores de outras cidades.
No elevador, a conversa já tinha chegado às festas. Falava sobre contratar uma babá para ficar com Andrew e me jogar na balada com ela e as outras doidas. Doidas, sim, porque apoiar a amiga que engravidou do próprio chefe e fugiu com um bebê no ventre, só se for maluca ou se amar demais.

– SURPRESAAAAAAAAA!
Pisquei algumas vezes, ainda assustada pelos papeis coloridos que praticamente explodiram em meu rosto assim que entrei no apartamento da . Como não suspeitei? Óbvio que e fariam algo do gênero. Uma placa gigante, escrito “BEM-VINDA DE VOLTA” com as letras coloridas, algumas bexigas penduradas, uma mesa com docinhos e, sim, tinha um bolo. Comecei a gargalhar e Andrew me acompanhou, claro, adorava uma farra.
Ganhei um abraço coletivo e podia sentir meu coração em festa, no final das contas, era bom estar em casa de novo.
Depois de ouvir todas as novidades, como: a marca de estava decolando, suas roupas já passavam em alguns tapetes vermelhos e ela estava pronta para abrir uma filial em Barcelona, corajosa, eu diria; estava com muitos trabalhos, havia sido contratada para ser fotógrafa oficial da Teen Vogue e claro que estava em êxtase. Tudo caminhava muito bem para elas e para mim também, não é? Eu estava trabalhando no Canadá e agora estou aqui para trabalhar em algo maior e melhor.
– Eu preciso dizer. – se pronunciou. – Ele está a cara do !
Fechei os olhos e respirei fundo, iria começar tudo de novo.

************


New York 12:45am – 637 Hudson St
P.O.V

Estacionei em frente à Corsino, era uma das minhas cantinas italianas preferidas, e almoçar aqui hoje seria maravilhoso, é o primeiro dia de folga em meses! Eu preciso relaxar. Passar um tempo com meus irmãos, visitar o novo restaurante do meu pai e ficar com minha sobrinha eram ótimas opções.
Desci do Ford Mustang e ativei o alarme. Dei um leve sorriso ao olhar o carro, era realmente incrível.
Caminhei sem pressa até à cantina e esperava que já estivesse lá, ele sempre demorava demais para se arrumar, e eu estou com muita fome para ficar esperando se achar lindo no espelho. Respirei aliviado ao vê-lo distraído, mexendo no celular e rindo sozinho. Quando estava em seu ponto de visão, levantou-se e me abraçou. Depois de tanto tempo, era bom estar em casa.
me atualizou sobre o restaurante de nosso pai, as encrencas em que Frankie estava metendo-se e as aventuras de Kevin como pai. Obviamente, não deixou de falar sobre suas novidades, a banda estava fazendo um enorme sucesso, e eu estava realmente orgulhoso do meu irmão.
– Em todo lugar está tocando Cake by The Ocean, é óbvio que os ingressos da turnê esgotariam rápido. – comentei, enquanto abria a garrafa de água com gás.
Eu estava mais preocupado em comer mais lasanha, esse lugar é maravilhoso.
– O fato de ser um Brother também ajuda. – deu de ombros e sorriu.
Contra fatos, não há argumentos,
– Claro! Mas pode ter certeza que vai ser uma tour lucrativa. Vocês estariam terminando a Revival agora, não é? – perguntei.
Selena havia cancelado a turnê por problemas pessoais, deixando mais tempo para organizar suas coisas.
– Sim, mas com tudo o que rolou, vamos passar os feriados em casa, curtir esses poucos dias e depois ir a todo vapor. Sabe que nossa mãe vai ficar bem feliz com isso. – revirei os olhos.
Amava minha família, mas passar tais feriados com eles era tão cansativo às vezes.
, é só o 4 de julho e ação de graças, não natal e ano novo. Dona Denise tem que entender que os filhos tem outras festas para ir! – peguei o copo que estava sobre a mesa e dei um gole no refrigerante, se limitou a rir, não tinha muito o que comentar sobre os feriados. – Sempre passamos o quatro de julho em algum lugar com uma festa gigante, e esse ano você quer passar com nossa mãe?
– Não é questão de querer passar com ela, , é que, sei lá, talvez eu tenha conhecido alguém. – notei meu irmão torcer o lábio.
Bufei e revirei os olhos mais uma vez.
– Quem é a da vez? – perguntei. – A Sophie?
– Sim, vai dizer que ela não é incrível? – espalmou as mãos na mesa como se me perguntasse uma coisa óbvia, mas não era tão óbvio para mim.
– Ela é bonita e legal. – dei de ombros, era o que eu achava. – Vai deixar de passar o 4 de julho com seu irmão por causa de mulher?
, sem drama. – mostrou o dedo do meio, fazendo-me gargalhar em seguida.
Era divertido passar um tempo com , ao mesmo tempo eu sempre revirava o olhar quando ele falava de suas conquistas. Ele se apegava rápido demais, talvez com intensidade demais, e acabava com um coração partido. Não que eu já não tivera meu coração partido, mas optei por terminar um relacionamento anterior para curtir minha vida; isso não era errado, era? Longe de mim ser mulherengo ou qualquer outra coisa, apego-me facilmente também, mas evito me deixar levar, já que uma das vezes acabou sendo mais intensa que outras. Não gostaria de ter que lembrar, não era bom e me faria um idiota.
Ouvi meu celular apitar, busquei o aparelho, enquanto falava alguma coisa relacionada com a produtora dele. Sorri ao ver o nome da Lauren no visor. Pois é, eu teria compromisso essa noite.

************


2:30pm – Apartamento da
P.O.V

– Você vai precisar resolver isso, . – sentou-se ao meu lado.
e tinham ido embora e havíamos acabado de colocar o Andrew para dormir, ele estava exausto pela viagem e a pequena festinha.
– Eu sei , eu sei. – levei as mãos à cabeça. – Mas veja bem, como vou chegar para o e dizer: “Oi, lembra de mim? Sou a garota que expulsou você de casa quando você praticamente se declarou! Então, eu fugi porque estava grávida”. – bufei.
Não tinha como dizer isso, mas também não tinha como fugir disso.
– Por que você não se lembra que não passaram apenas uma noite juntos? Vocês saíram por quase um ano. – levou as mãos para o alto.
Era sempre assim, eu sabia que ela sempre tinha razão, mas nunca colocaria a mão na consciência para pensar em tudo como ela pensava
– Amiga, você disse certo! Nós saíamos apenas, era algo casual. – levantei-me e fui até a cozinha, precisava dessa conversa e precisava de bebida no organismo. – Como vou chegar para ele e dizer que do lance casual resultou um bebê?
– Você não precisa dizer dessa forma, aconteceu, foi algo sem planejar, sabe? Aquele clichê. – deu uma risada em seguida.
Peguei a long neck e voltei até a sala
– Sabe o que é clichê também? Engravidar de um superastro para faturar uma pensão gigante. – mordi o lábio. – Não tenho como falar isso para ele, .
– Ah, tá! Dizer para ele que você teve um filho, não tem como, mas olhar para ele e falar para sumir da sua vida, tudo bem! – minha amiga arqueou a sobrancelha e me senti um lixo por apenas um segundo.
– Vai dizer que era importante? Que éramos namorados e iríamos nos casar? – dei um longo gole na cerveja que tinha em mãos, era tão óbvio.
– Garota, para com isso! – levantou-se, sabia que isso acabaria acontecendo. – É do Andrew que estamos falando! Que se dane o que você pensa que aconteceu, tem o direito de saber da existência do filho!
– E se ele não se importar? Não seria pior Andrew ter um pai que não se importa? – perguntei.
Meu medo era de meu filho sofrer. Sabia que não era uma má pessoa, mas eu havia sido, e se isso gerasse uma vingança?
pode ser qualquer coisa na sua visão, mas ele não é um cretino! Se ele souber desse filho, vai cuidar e proteger da mesma forma que você faz. – levou as mãos na cintura e ficou olhando-me.
Dei mais um longo gole na cerveja, não queria ter que pensar em como vai ser quando descobrir.
– Ele vai acabar descobrindo, não vai? – levei meu olhar ao dela, que apenas assentiu. – Eu não vou contar agora, não consigo.
– Tá, então deixa ele descobrir, deixa ele ter raiva da mãe do filho dele! – bufou e saiu pisando forte em direção à cozinha. – Você está agindo errado e sabe disso! Eu deveria ter contado pro naquele dia que descobrimos.

Flashback
Os enjoos, a fome, a dor nos seios, eu sabia que isso poderia significar várias coisas, mas quando tudo isso vinha acompanhado de um atraso no ciclo menstrual, eliminamos nove de dez alternativas.
Estava sentada e já tinha arrancado todo o esmalte das unhas, não conseguia parar de mexer as pernas e mal olhava para o rosto das minhas duas amigas que estavam tentando me acalmar, mas notava-se que estavam mais nervosas que eu. ficava mexendo no cabelo e me olhava praticamente sem piscar, estava bebendo uma taça de vinho e nesse momento apenas balançava a taça de um lado para o outro, sem reação.
– Olha, vocês não estão ajudando. – comentei, passando a mão pelos cabelos e levantando-me. – Se vocês querem me acalmar, não fiquem aí com essas feições assustadas, quem devia estar era eu!
– Desculpa, . – balançou a cabeça ao invés da taça e me olhou. – Quer um gole de vinho? Vai que isso te acalma...
, alô! Se ela estiver grávida, não pode beber nada alcoólico! – pegou a taça das mãos da garota e virou todo o liquido garganta a baixo. – Ok, vou pegar mais.
– Eu odeio vocês! – grunhi e fui até a cozinha, peguei o copo d’água que estava comigo antes de ligar e avisar que estava com o exame em mãos
, isso é uma pergunta idiota, mas vou fazer de qualquer jeito. – a voz de já estava mais próxima. – Como? Quero dizer, vocês não se protegeram?
– Foi... – parei para me lembrar dos últimos encontros com . – Intenso...
– Essa não foi a pergunta, . – começou a rir. – Nem queremos saber sobre, aliás.
– Não, é que eu realmente estava pensando nisso enquanto vocês estavam olhando-me feito duas estátuas ,e claro que a gente se protegeu, em todas as vezes! – dei um gole na água que havia pegado. – sempre soube que eu não tomava remédios.
– Você e todo esse lance de remédios que vão te dar trombose venosa. – torceu o lábio. – E você não pensou em tomar a pílula do dia seguinte?
– Não, porque eu realmente não imaginei que iria estourar! – suspirei. – Cara, qual a probabilidade disso acontecer? Tipo, quantas pessoas transam só com camisinha e engravidam?
... – se aproximou. – Não fica pensando nisso...
– Concordo com a , a já deve estar chegando, e talvez tudo isso seja apenas uma menstruação atrasada e você está colocando coisas na cabeça. – pegou a taça da mão de e deu um longo gole.
– É, vocês tem razão. – respirei, um tanto aliviada. – Talvez seja só muito estresse e...
– MENINAS! – ouvimos a voz de na sala.
– AI, MEU DEUS. – e saíram correndo.
Fechei os olhos e ri, eu estava mesmo ferrada.
Fui até a sala, e estava em pé, com o envelope nas mãos. Olhou-me um tanto apreensiva e, antes de qualquer coisa, disse: “Não abri”, o que me deixou um tanto desesperada.
Fazer esse exame não foi difícil, peguei um dia de folga, fui em um laboratório do outro lado da cidade, onde realmente não me conhecessem como affair de . A sorte era que a médica era amiga da e aceitou me receber na calada da noite para coletar o sangue.
Não queria que ninguém, além das minhas amigas, soubesse que eu suspeitava estar grávida. Fiz praticamente jurar que não contaria nada ao , já que eles também estavam de casinho.
Peguei o envelope nas mãos e só então percebi que estava tremendo. Fiquei olhando meu nome durante um tempo, olhei as meninas, que estavam apreensivas, mas tentavam não dizer nada. Respirei fundo e abri o envelope de uma vez.
– Prestem atenção, se eu estiver grávida, ninguém vai ficar sabendo. – voltei a olhar as três.
– Ninguém, tipo, ninguém mesmo? – franziu o cenho. – Nem o ?
– Muito menos o ! – continuava olhando firme para cada uma. – Se vocês me prometerem isso, eu conto o resultado.
– Como se não fossemos ver a barriga crescendo. – disse e soltou um riso, sustentei meu olhar no dela, não precisaria dizer nada para ela entender. – Você não pode fazer isso!
– Posso, e você sabe que eu posso! – disse, um tanto ríspida. – Vocês são minha família aqui, e eu odiaria ter que deixá-las.
– Você está fazendo uma chantagem emocional com a gente? – perguntou. – , está querendo dizer que vai embora caso contemos isso para o ?
– Não, . – cruzou os braços. – Ela está querendo dizer que, se estiver grávida, vai embora, e apenas nós vamos ficar sabendo.
– O quê? Mas qual o motivo disso? – me olhava, um tanto triste. – Ele tem o direito de saber.
– Ele não é nada meu! – grunhi. – Não temos um relacionamento. Se eu estiver esperando um filho, ele vai ser muito bem-vindo, mas não quero o nessa história, pelo menos por um tempo.
– E como você acha que vai esconder? Você vai embora para sempre? Vai ficar sei lá onde até a criança ter 18 anos? – ainda de braços cruzados, deu alguns passos em minha direção, queria colocar na minha cabeça que aquilo era errado, mas eu sabia que era.
– Isso eu vejo no meio do caminho. A única coisa que estou pedindo para vocês é isso. – mordi o lábio. – Meninas, eu amo vocês, de verdade, mas isso é um assunto que eu tenho que resolver e eu quero resolver do meu jeito.
, sabemos que é errado, mas sempre apoiamos umas às outras. – colocou a mão no ombro da amiga. – É a vontade dela, vamos apoiar.
– Eu não devia fazer isso. Não é só a vontade dela que está em jogo, estamos falando de um bebê! – levou as mãos para cima, como se tentasse explicar o óbvio.
– É o bebê dela, ! – se exaltou. – Você tem que parar de querer ser nossa mãe 24 horas por dia! Seja nossa amiga acima de qualquer coisa!
relaxou os ombros, baixou os olhos, torceu o lábio e, ao voltar seu olhar a mim, assentiu. Dei um meio sorriso antes de tirar o papel do envelope e desdobrá-lo rapidamente. Passei os olhos por todos aqueles números e coisas que eu não entendia muito bem e parei na frase “Resultado final: BETA HCG POSITIVO – 3 semanas e 5 dias”.
Engoli seco e, por um momento, perdi o chão. O ar tinha se tornado sólido, e logo senti alguém me pegando pelo braço e meu corpo já estava no sofá.
Fim do Flashback

– Olha só, ele nem sabe que eu voltei, deixa a gente se encontrar e eu vejo o que fazer, ok? – suspirei, derrotada.
Iria esconder Andrew o máximo que pudesse, arcaria com as consequências depois.
– Eu só quero seu bem, , e quero o bem do meu afilhado. – sentou-se ao meu lado e me abraçou. – Vai ser bom para ele ter um pai.
– Eu sei, . – assenti. – Agora, deixe-me tomar essa cerveja antes que meu pequeno acorde.
– Tá, eu vou ter que encontrar o para resolver mais umas coisas do show da semana que vem. – levantou-se, pegando sua bolsa que estava na poltrona, e me olhou. – Descansa um pouco. Abasteci os armários, e se precisar de qualquer coisa que não tenha aqui, ligue-me!
– Pode deixar, mamãe! – zombei e recebi um gesto nada católico em resposta, pus-me a rir.
Decidi levantar e arrumar minhas roupas no quarto antes que Andrew acordasse e decidisse brincar de qualquer coisa e me impedisse.

***************


Apartamento do
P.O.V

Optei por passar o resto da tarde com meu irmão. Combinei de sair com a Lauren à noite e convenceria a ir à balada conosco, isso seria divertido.
Estávamos no estúdio, algumas letras saíam durante a conversa um tanto sem sentido que estávamos tendo. teria um compromisso com a , mas não se importou quando pedi para ficar no estúdio, deixando a imaginação fluir.
Pensei em dar uma passada no Kevin, ver Alena e perguntar mais uma vez a data que Angelina vai vir ao mundo. Estava ansioso para ser tio novamente e me perguntava se ficaria animado da mesma forma se um dia for pai. Ver meu irmão tão feliz e realizado com sua família me faz questionar se vou ter a mesma coisa, ou ser metade do que Kevin é como pai e marido.
Já pensei em me casar, é claro, mas e se a mulher com quem me casar não quiser ter filhos? Ou se ela simplesmente ter um filho e deixá-lo o tempo todo com uma babá? Claro que minha mãe já me cobra um casamento e cisma em dizer que meus relacionamentos não dão certo pela minha fama de mulherengo, e claro que eu também não me importo nem um pouquinho com isso. Ando querendo curtir cada segundo da minha vida.
Balancei a cabeça negativamente e me levantei. Coloquei o violão sobre a mesa e saí do estúdio, logo escutando e conversando animadamente, estavam no escritório, e eu realmente não queria ouvir nada de trabalho por hoje. Depois eu preciso conversar com para saber como ele consegue conviver assim com a depois de praticamente terem engolido-se em cada canto desse apartamento. Eles simplesmente fingem que nada aconteceu! Quando eu tive um relacionamento parecido, era complicado fingir que era apenas casual, mas eu me saía bem.
– Vamos, ! Você tem que ir com a gente. – a animação era mesmo contagiante. – A acabou de chegar e vai gostar de te ver!
Travei no corredor. Não, não era quem eu estava pensando, não podia ser. Dei alguns passos e entrei no escritório de uma vez, a reação de confirmou o que eu suspeitava.
Ela estava de volta, meu pesadelo particular, a única mulher que olhou nos meus olhos e disse que era só uma brincadeira, e aquilo me fez ficar estranho por um tempo. Eu não gostava dela, gostava?

Flashback
Era engraçado estar na casa dela. Todo esse tempo, entrei aqui no máximo dez vezes. nunca foi muito de formalidades, não gostava que eu a buscasse em casa, geralmente nos encontrávamos nos pubs ou em qualquer lugar e depois acabaríamos em meu apartamento, era o normal.
Quase um ano saindo com ela e o que mais me deixava um tanto frustrado e, ao mesmo tempo, feliz era que não era do tipo de mulher que se apega e fica grudenta, era independente demais e notava-se que não queria nada sério. Mas, mesmo sem querer, acabamos tendo algo sério, era o que eu sempre dizia quando ou outro amigo me perguntavam.
Ter esses pensamentos me faziam refletir se a melhor coisa da vida era sexo casual com a mesma mulher por um ano ou sexo casual com várias mulheres quando eu bem entendesse. Era uma ótima reflexão.
Ouvi-a resmungar alguma coisa e, quando olhei para o lado, sorri. Sentia-me bem com ela, e o fato de sermos tão livres nos deixava à vontade para curtir a vida. Talvez algum dia se tornasse algo sério, enquanto isso, que seja o casual na visão dela.
O apito me fez voltar à realidade e me virei de lado, procurando o que estava fazendo barulho, dando de cara com o celular da em cima da minha calça. Peguei o aparelho a fim de desligá-lo, mas apertei alguma coisa que fez abrir o e-mail que havia acabado de chegar.

“A/C Avery
De: Liv’s Produtions of Canada
Bom dia!
Agradeço a resposta.
Quando lhe fiz a proposta e você recusou, ficamos preocupados, pois queríamos muito que você trabalhasse conosco, e ouvir um não de uma das produtoras de maior sucesso em NY nos fez ficar um tanto desapontados.
Mas, veja só, depois de um mês, acredito que você tenha analisado bem melhor a proposta, e receber seu e-mail dizendo que chega aqui no sábado nos fez estourar um champanhe na reunião de ontem!
, piadas de lado, estamos ansiosos pela sua chegada e mais ansiosos ainda pelo que você vai fazer com essa boyband.
Conversaremos melhor no sábado. Assim que chegar, ligue-me!
Att,
Michael Liv,
Presidente”


Ela vai embora? Franzi o cenho. Desde quando o que a gravadora paga para ela é tão pouco a ponto de ir produzir uma boyband no Canadá?
– Deu de fuçar o celular alheio, ? – sua voz ainda era fraca, estava acordando e me pegou no flagra lendo o e-mail.
– Você pretendia me falar que vai embora? – olhei-a e notei que arregalou os olhos, engoliu seco e desviou o olhar. – Não estou te cobrando nada, , é só uma pergunta.
– Sei lá, eu teria que te falar, não é? – deu de ombros e sentou-se na cama, apoiou as costas na cabeceira e ainda não me olhava.
– Hoje é quinta feira, você vai sábado? – perguntei, sentia-me um tanto estranho, não queria demonstrar, mas estava decepcionado.
– Vou amanhã, . – mordeu o lábio e suspirou. – Eu realmente perdi a noção do tempo. Provavelmente te ligaria amanhã para me despedir, sei lá.
– Ligaria? Quanta consideração. – não consegui segurar o sarcasmo, eu estava sentindo-me mal por ter sido o último a saber.
– Qual é, , não temos nada sério, porque o drama? – se levantou e foi pegando suas roupas espalhadas pelo quarto.
– Estamos saindo tem quase um ano e você diz que não temos nada sério? – dei um riso e me levantei também, não tinha mais clima algum para continuar deitado.
– E temos? – ela fechava o sutiã e parou à minha frente, apenas de lingerie, foi difícil me concentrar.
– Você dorme com mais alguém, além de mim? – esforçava-me para não desviar o olhar de seu rosto, era meio complicado.
– Não, e você? – ela havia baixado o tom de voz, eu não estava surpreso pela resposta, mas me sentia aliviado.
– Não. – cruzei os braços. – Então acho que estamos em um relacionamento sério sem querer estar.
– Isso não é um relacionamento sério, nem chega a ser um relacionamento, . – revirou os olhos e vestiu os shorts que estava em suas mãos.
– Ok, mas também não é só sexo casual. – continuei fitando-a.
Não sei onde iriamos chegar com isso, mas era bom falar o que pensava.
– Para mim, sim. – respondeu enquanto vestia a blusa e caminhava apressada para o banheiro. – Não é por que trabalhamos juntos e nos vermos praticamente todos os dias que temos um relacionamento.
, não é só o fato de se ver. – balancei a cabeça negativamente. – Nós fazemos coisas de namorados, saímos de mãos dadas, marcamos de almoçar juntos, sentimos ciúmes um do outro.
– Você sente ciúmes, para mim é só sexo, . – ela não me olhava ao dizer, aquilo estava estranho, dificilmente dizia as coisas sem olhar nos meus olhos.
– O que está havendo? – vesti minha camisa e fui até o banheiro.
pegava sua escova de dentes e parecia apressada demais.
– Nada, você está falando o que pensa, e eu também. – deu de ombros e começou a escovar os dentes.
, você está nervosa e mal olha para mim. – encostei no batente da porta e continuei olhando-a. – Quer me falar alguma coisa?
– Você precisa escovar os dentes. – ela disse um tanto enrolado, ainda com a escova na boca, estendeu a mão e pegou minha escova, entregando-me.
– Eu tenho uma escova de dentes na sua casa, como você pode dizer que não temos nada? – peguei a escova de sua mão e voltei a bufar, aquilo estava tirando-me do sério.
cuspiu na pia, limpou o rosto com a toalha e virou-se de frente para mim.
– Por que nós não temos, ! – olhou-me firme, calei-me. – Não é por que postamos fotos fofas, saímos de mãos dadas, não é por que não escondemos de ninguém nosso lance que isso se torna um relacionamento sério!
– Ah, não? Pois me desculpe se eu quis ser o cara legal que levou a garota a sério. – aproximei-me. – Por que está agindo assim? Já conversamos sobre isso antes...
– Justamente por termos falado sobre isso antes, achei que você já tivesse entendido. – respirou fundo e levou uma das mãos à cabeça. – Acho que já deu esse lance entre nós dois.
– Espera, só por que você vai para o Canadá? – cruzei os braços.
Não via problema em ir visitá-la, gostava do que rolava entre a gente.
, qual seu problema? – franziu o cenho e ficou encarando-me.
Podia ver em seus olhos que estava escondendo alguma coisa, mas não adiantaria pressionar.
– Meu problema? , você não se ouve? Eu estou aqui dizendo que levo a gente a sério, que gosto de você e o que recebi em troca? Você escondendo-me alguma coisa e querendo deixar esse lance para trás. – dei as costas para ela e busquei minha mochila, a fim de guardar a escova de dentes.
Já que era assim, tudo bem.
– Você foi o primeiro a deixar bem claro que era algo casual, agora quer o quê? Que eu diga que te amo e que vou ficar aqui com você? Olha, , sinto muito. – ouvia sua voz atrás de mim, e ela estava realmente conseguindo me tirar do sério.
– Não, , eu sinto muito. – virei-me para ela. – No começo era mesmo casual e eu me deixei levar, talvez achando que você também tivesse se permitido. Posso olhar nos seus olhos e dizer que eu tenho um sentimento por você e não seria surpresa se soltasse um te amo qualquer dia desses. – estava feito, havia exposto literalmente tudo o que estava pensando.
Ela ficou sem ação, olhando-me atônita.
– Vai embora daqui. – disse, e quando abri a boca para falar alguma coisa: – VAI EMBORA AGORA, NICHOLAS! SOME DA MINHA VIDA!
Fiquei estático, olhando seus olhos marejados e, em poucos segundos as lágrimas começaram a rolar pelo seu rosto. Não sabia o que pensar, não sabia direito o que fazer, ao mesmo tempo que queria abraçá-la e dizer para esquecermos tudo aquilo, queria pegar minhas coisas e fazer o que ela estava pedindo.
Fim do Flashback

Aquela foi a última vez que a vi. Quando pensei em ligar, me disse que ela havia ido embora para o Canadá e a proibido de passar seu número. Foi complicado os dias seguintes, pensava no que poderia ter acontecido para as coisas terem tomado esse rumo. Gostávamo-nos, era nítido, mas quando expus meu sentimento, ela surtou! Nunca entendi e nunca quis tocar no assunto até hoje.
– A voltou? – continuei olhando para , que apenas suspirou e assentiu. – E ela vai voltar a trabalhar na gravadora?
– Não. – se pronunciou. – Fiz um contrato de um ano com ela, apenas para ajudar durante a tour.
– Pois é, as coisas vão ser pesadas, e não dava para contratar qualquer pessoa, tinha que ser alguém que confiássemos e precisávamos encontrar em pouco tempo. – a garota continuou explicando e obviamente não diriam o que eu queria saber.
– E ela aceitou assim, numa boa? – arqueei a sobrancelha.
Para quem queria ficar longe de mim, trabalhar para meu irmão não era a melhor das alternativas.
– Não, quem dera tivesse sido numa boa. – riu. – Vou pagar uma grana alta, mas precisei contratar apenas uma pessoa, já que ela é eficiente e faz o trabalho de duas.
– Basicamente isso. – assentiu. – Se ela não viesse, eu não poderia acompanhar a banda em todos os shows, mas como tudo deu certo, ficará por aqui enquanto eu cuido dos compromissos de viagem.
– Bom para vocês. – bufei e saí do escritório, ouvindo passos atrás de mim em pouco tempo.
– Você está bravo pelo quê? – reconheci a voz do meu irmão.
Nem eu sabia explicar o motivo da minha reação.
– Eu não estou bravo, só estou surpreso. – passei a mão pela nuca.
Ficava nervoso ao falar dela, ao lembrar dela.
– Você não esperava que ela te avisasse, não é? – parei no corredor e fechei os olhos, é talvez eu ainda tivesse essa esperança.
– Não, , ela só... – virei-me de frente para ele. – Ela me bagunça, tá legal? Isso vai passar, passou da outra vez. Foi só uma surpresa!
, ela está na casa da , se tem algo para resolver com ela, vá até lá e resolva! – colocou a mão em meu ombro. – Ela vai ficar um ano por aqui, trabalhando para mim, vocês vão se encontrar a qualquer momento.
– Mas não vá na minha casa hoje. – assustei-me ao ouvir logo atrás de . – Ela acabou de chegar, também está tensa com esse assunto, não acho que seja o momento.
– Vocês pararam para pensar que eu não tenho nada para conversar com ela? – disse ríspido. – Ela fez uma escolha, e eu fiz a minha quando ela se mandou para o Canadá.

************


Apartamento da – 5:00pm
P.O.V

Depois de dar banho em Andrew, deixei-o sentado no tapete da sala, cercado pelos brinquedos que as madrinhas decidiram dar para ele, e fui fazer alguma coisa para comermos quando chegasse. e estavam trabalhando e não poderiam vir à tarde, mas insistiam em irmos a algum pub enquanto não começo a trabalha. disse para eu ficar tranquila, hoje ainda era sexta, e eu teria o final de semana para receber as orientações e começar a todo vapor na segunda-feira.
Comecei a fazer panquecas, Andrew adorava, e com certeza não iria se importar de comer alguma coisinha antes de decidirmos se um pub à noite era uma boa ideia.
– Filho, o que acha de comer panquecas? – fui até a sala e ele estava entretido com um dinossauro que andava sozinho.
– Mamãe, alá! – apontou o brinquedo e aquilo me fez rir.
Andrew era o que me completava, e tudo o que ele fazia me deixava encantada.
– Que legal, meu amor! – caminhei até ele e comecei a passar a mão em seus cabelos e reparei que eles estavam começando a encaracolar. – Até isso igual ao seu pai.
Ri sozinha e balancei a cabeça. Mesmo se eu quisesse mentir, não teria como; Andrew é a cópia do pai, parece até quando era pequeno. Se puxou alguma coisa minha, foram as manias.
Voltei à cozinha e fiz um suco de laranja, seria bom para acompanhar as panquecas.
Muitas vezes pensei em ligar para e dizer o que aconteceu, mas algumas lembranças vinham à tona e meu medo não deixava. Perdi as contas das vezes em que disquei seu número e não tinha coragem de ligar, ou das vezes que escrevia um texto enorme e não enviava. Havia muitas coisas para serem resolvidas, e eu não fazia ideia de por onde começar.
Ouvi a porta fechando-se, e logo em seguida, Andrew dava gargalhadas. Sorri automaticamente.
– Estou sentindo cheiro de panquecas? – já estava próxima.
Cozinhar era o mínimo que eu podia fazer para agradecer toda ajuda que recebi na mudança.
– Está sim. – respondi. – E acabei de fazer um suco de laranja, Andrew não bebe refrigerante. – dei de ombros e sorriu, não faria diferença alguma para gente, não bebíamos tanto refrigerante.
– Consegui uma babá para o Andrew. – ela deixou sua bolsa sobre o balcão e me olhou. – É a vizinha, ela sempre cuida das crianças aqui do prédio e cobra superbarato.
– Não sei se é uma boa ideia, , deixar o Andrew com uma estranha. – mordi o lábio.
Ela não era uma estranha, eu me lembrava das vezes em que ela estava no playground com algumas crianças.
, você acha que eu deixaria meu afilhado com qualquer pessoa? Conheço a Steph, ela já cuidou da minha sobrinha também, então se você quer uma desculpa melhor, eu posso te dar. – pegou um dos morangos que eu havia colocado sobre a mesa.
Franzi o cenho. Ela poderia me dar uma desculpa melhor?
– Que porcaria você aprontou? – apoiei-me no balcão, esperando a bomba.
estava com , se ela não disse nada, eu já posso comemorar.
– Não, eu não falei nada sobre o Andrew. – ela revirou os olhos. – Mas eu estava lá conversando com o e convidei-o para ir ao pub com a gente amanhã. – deu de ombros.
Não teria problemas em encontrar , ele era um amigo incrível, não havia deixado de falar com ele, só não falávamos com frequência, afinal eu tinha um filho.
– E por que eu usaria isso de desculpa? Eu adoro o ! – peguei um morango e me inclinei para o lado.
Vi Andrew batendo palmas, acompanhando a música do desenho.
– Porque bem na hora que eu falei que você tinha voltado, surgiu no escritório com os olhos arregalados e ainda perguntou se você voltaria a trabalhar na gravadora deles. – mordeu a fruta em suas mãos e desviou o olhar do meu.
– O ? – engoli seco.
Não esperava que ele soubesse da minha volta tão cedo, e agora meu medo aumentara. O que dizer quando encontrá-lo?
– Sim, e eu tenho quase certeza que ele vai dar um jeito de ir ao pub amanhã, mesmo dizendo que não tem nada para conversar com você. – ela arqueou a sobrancelha. – Talvez seja um bom momento para dizer sobre nosso pequeno Andrew. – sorriu.
Minha garganta estava seca. Eu ainda não sabia muito bem como ia funcionar tudo isso, estava tentando não pensar, e agora minha amiga me jogou a bomba.

Sábado – 2:45pm
Shopping Center

havia decidido que precisávamos ver sua loja nova no shopping. Aproveitei para deixar Andrew com a Steph por algumas horas, ver se ele se adaptava com ela. Era uma boa garota, mas se meu filho me dissesse qualquer coisa ruim, cabeças iriam rolar.
escolhia um vestido para sairmos hoje à noite. Não estava animada para fazer o mesmo, estava tensa, tentando pensar no que diria para . Ele não sabe da existência do filho, e não imagino como vai ser quando descobrir. No final das contas, ganhei um vestido vermelho incrível da e, se eu não o usasse hoje à noite, com certeza ela iria me bater.
Aproveitamos para tomar um chopp, fazia muito tempo que eu não aprontava algo do gênero. Não estou reclamando, Andrew é tudo na minha vida, mas senti falta de beber com as amigas, conversar sobre homens ou sexo.
– O melhor da minha vida, sem dúvidas, foi o Patrick! – disse. – Não foi à toa que fiquei noiva dele por quase cinco anos!
– E ele conseguiu ser um babaca e te trair, isso me dá muita esperança na vida. – suspirou e rimos.
Éramos quatro mulheres solteiras, mas com um belo histórico de homens idiotas.
– O que eu tive com o George foi verdadeiro, eu só não aguentava mais, era muito grudento! Enjoei do amor bem rápido. – fez uma careta e deu um gole no chopp em seguida. – Eu não podia ir na padaria sem avisar, isso é vida?
– Acho até que um ano com ele foi muita coisa. – comentei. – Mas ele era bom de cama, né?
– Maravilhoso. – torceu o lábio. – Mas muito obsessivo. Não nasci para isso.
, e você com nosso querido ? – arqueou a sobrancelha.
Nós sabíamos o que tinha acontecido, só queríamos saber se ela ainda falava numa boa.
– Eu não quis colocar meu trabalho em risco namorando com o . Saímos por uns meses e fim, coisa mais natural que existe. – deu de ombros.
Ela jurava que iríamos engolir aquilo?
– Como se o fosse te mandar embora por ser ex dele. – dei um leve empurrão com o ombro em , que estava ao meu lado. – Ele também era superafim de você.
– Era, passado, disse bem certo. – deu um gole na bebida e me olhou. – Tipo você e o senhor , a diferença é que eu não tive um bebê.
– Nem fugiu quando o cara se declarou para você. – continuou e eu apenas mostrei o dedo do meio para as duas, estava ocupada demais gargalhando.
– Vocês são ridículas, como pude escolher as três como madrinha do Andrew? – balancei a cabeça e acabei rindo.
Eu não ligava mais para esse tipo de brincadeira, não quando vinha acompanhada de risadas.
– Você nos ama, meu bem! – disse o óbvio e me pus a rir novamente.
Claro que eu as amava e sabia que tinha escolhido a melhor família para meu filho.
, conseguiu me encaixar como fotógrafa da tour? – perguntou, animada.
Arqueei a sobrancelha. Ela não estava na Teen Vogue?
, você não foi contratada pela revista? Eles vão te deixar cobrir a tour assim, numa boa? – a amiga arqueou a sobrancelha, enquanto assentia e abria o maior sorriso.
– Ia ser ótimo para a gente fazer a cobertura completa da tour, pensa só! Exclusivo! – bateu palmas e revirou os olhos.
– Vou ver o que posso fazer. À propósito, – ela se virou para a amiga, que estava do seu lado direito –, eles amaram as jaquetas que você mandou. Vão usar no próximo photoshoot!
– YAY! Obrigada, amiga. – abraçou de lado. – Ter vestindo algo meu vai ser muito maravilhoso.
– Cala a boca, até a Cara Delevigne já usou algo assinado por você; seria muito fácil, já que não sabe dizer não para nossa querida amiga e ex-peguete. – fez a piada e foi o suficiente para todas na mesa começarem a rir.
– Com licença. – o garçom pigarreou. – O cavalheiro que está no balcão me pediu para servir uma rodada de chopp por conta dele. – Ethan, nome que pude ler em seu uniforme, colocou quatro canecas com a bebida em nossa mesa e, antes de se retirar, deixou na minha frente um pedaço de papel.
– Ai, meu Deus, isso é muito coisa de filme! – colocou a mão na boca e riu. – Você mal chegou e já está atraindo olhares...
– Arrasando, , é assim mesmo! – piscou e pegou o pedaço de papel, leu em poucos segundos e voltou a me olhar. – O bonitão ali se chama Mark, ele disse que seria um prazer ter você na lista de contatos dele, e tem um número de telefone aqui
– Amiga, ele é bem bonitão, já olhou? – fez um sinal com a sobrancelha e me inclinei um pouco para o lado, notando o rapaz de olhos claros, barba por fazer e um sorriso de parar o mundo.
– É, bem bonito. – dei de ombros, e quando ele notou que eu olhava, levantou o copo que tinha em mãos, como se estivesse cumprimentando-me. – Abri um sorriso e voltei a posição que estava anteriormente. – Vamos embora!
– Quê? – arqueou a sobrancelha. – Vai falar com ele!
– Não, eu preciso ir para casa ver o Andrew. – levantei-me e fui pegando minhas coisas. – Se vocês quiserem ficar, tudo bem, encontro vocês em casa.
, está maluca? – se levantou e veio até mim. – Não precisa se apavorar, se não quer falar com ele, é só não falar.
– Ok... – respirei fundo antes de me sentar novamente. – Eu não sou uma boa pessoa.
– Amiga, você só bebeu um chopp, não está bêbada para começar a desabafar. – torceu o lábio e ficou olhando-me. – Ah, você está falando do ?
– Sim. – suspirei. – Eu fui embora e ele perdeu os melhores momentos do filho, eu não sou a melhor pessoa para se relacionar. – levei as mãos à cabeça.
Não tinha o que esconder, era o que eu realmente pensava. Além de estar com as pessoas que acompanharam tudo, eu precisava mesmo colocar para fora.
, a gente nunca entendeu direito o porquê você foi embora daquele jeito, talvez um dia você conte para a gente, o que nós sabemos é que não foi apenas por ele ser . Mas, independentemente de qualquer coisa, não é por uma atitude idiota que vamos definir se você é uma boa ou uma má pessoa. – sorriu e colocou uma das mãos em meu braço.
Era bom ouvir aquilo, eu teria muito o que falar, mas aquele não era o lugar para isso.
– Até porque a gente sabe que você é má de nascença. – riu e logo me levou no embalo.
Eu realmente não tinha que me alarmar, não é?
– Olha, eu nunca fui a favor dessa história toda, mas consigo entender você um pouco. – me olhava. – Você não tem que se pressionar, vai descobrir em algum momento, você contando ou não.
– Eu queria que ele descobrisse por mim, mas não sei se vou ter coragem para isso. – peguei a caneca que havíamos ganhado do tal Mark e dei um longo gole na bebida.
– Não adianta você ensaiar, porque na hora com certeza vai ser diferente. – comentou e assenti. – Mas, se hoje à noite ele estiver no pub, não o evite...
– E se ele me evitar? – olhei para as três, e foi engraçado vê-las revirando os olhos ao mesmo tempo.
– Ele não vai te evitar, eu tenho certeza. – comentou. – Você precisava ver a cara dele quando entrou no escritório depois de ouvir seu nome!
– Mas, logo em seguida, disse que não tem nada para conversar comigo. – pisquei para minha amiga, que fez uma careta. – E é verdade! Ele não tem nada para conversar comigo, eu tenho.
– Mas você não vai fazer isso em uma balada, você pode usar a festa para convidá-lo para um café. – pegou um pouco de amendoim que estava sobre a mesa e eu já havia me esquecido.
Tomar um café? Aquilo não era uma opção, era?
– Gente, não! – neguei veemente com a cabeça. – Vamos deixar acontecer. Se ele falar comigo, eu vou ver o que vou poder fazer.
– Só não façam outro filho. – sussurrou e franzi o cenho, pegando vários amendoins e jogando em seu rosto.


Capítulo 2


Apartamento do – 7:30pm P.O.V
Eu não sabia o porquê estava fazendo aquilo. Eu deveria ligar para combinar aonde iríamos à noite, e não para desmarcar o encontro, ainda mais por esse motivo.
me bagunçou antes de ir e estava bagunçando agora que voltou, e isso que ainda nem a vi. Mas precisava vê-la, talvez para ter certeza que ela estava bem melhor sem mim e para mostrar que eu, com certeza, estava bem melhor sem ela.
Era um plano bem infantil. Que droga.
Torci o lábio e continuei olhando-me no espelho. Eu era um tremendo otário, a mulher me dá o maior fora e, quando volta, decido me arrumar e ir ao lugar que com certeza ela vai estar! É muita idiotice.
– Pensando no que, idiota? – ouvi entrando no quarto, e era uma boa ideia perguntar o que ele achava disso.
– Exatamente nisso. – Virei-me para ele. – Eu ‘tô sendo idiota de ir nesse pub, a vai estar lá, e isso não vai acabar bem!
– Não vai acabar bem se você falar alguma porcaria, como você sempre fala. – deu alguns passos e sentou-se na cama. – Você cancelou com a Lauren para ir no pub, e eu não entendi por que. Você mesmo disse que não tem nada para conversar com ela.
– E eu não tenho. – rangi os dentes. – Mas há dois anos ela olhou para mim quase chorando, mandando-me ir embora depois que eu praticamente disse que a amava.
– Você o quê? – arregalou os olhos. – Essa é nova!
– Não vou te dar detalhes. – passei a mão pelo rosto. – Mas, desde aquele dia, fico martelando o que aconteceu. A gente se gostava, , éramos o tipo de casal que daria certo sem precisar tentar. – sentei-me ao lado de .
Era uma confusão das grandes, e eu só queria uma explicação.
– Eu me lembro de vocês, , não precisa nem falar. – ele riu. – Você pode não acreditar, mas a nunca falou direito o motivo da ter ido embora para o Canadá.
– E o que ela te dizia? – olhei , que parecia pensar se podia ou não me dizer aquilo – sei que nunca quis tocar no nome da por aqui, mas ela voltou, agora não tem mais jeito.
– Cara, eu vou te contar, mas você não pode falar absolutamente nada sobre isso para . – me olhou sério, e apenas assenti. – Ela dizia que aconteceu alguma coisa com a , que ela não poderia contar e que, quando fosse o momento certo, precisaria da minha ajuda.
– Nossa, isso me ajudou muito. – fui irônico.
Aquilo não explicava nada, mas me deixou um tanto instigado.
– Eu sei, mas... – me olhou mais uma vez e respirou fundo. – Cara, eu vou estar realmente encrencado se souber disso...
– Desembucha, ! – dei um empurrão em seu ombro. – Eu não vou contar.
praticamente ficou um ano inteiro convencendo-me a contratar a , eu não planejava arcar com a grana que estou pagando para ela, eu nem sei se precisava de uma assessora aqui, a minha já dá conta do trabalho! – passou a mão pelo cabelo, parecia um tanto nervoso, e eu tentava encaixar as peças; não fazia sentido algum.
– Ela fez você contratar a amiga só para tê-la por perto? – franzi o cenho, aquilo era muito confuso. – Esse era o momento certo de você ajudá-la? Com dinheiro?
– Aquilo que te contei sobre economizar e contratar apenas uma ao invés de duas, é verdade. Eu disse que não planejei gastar, mas acabou dando certo. – deu de ombros. – Eu não sei o que aconteceu, ela realmente não me conta, mas disse que a bomba pode estourar a qualquer momento. – Aquilo era tudo o que eu não esperava.
Não sabia o que estava escondendo, mas se aquilo quer dizer que eu iria descobrir o motivo da mudança repentina de , tudo bem.
– Isso é coisa de filme! – dei uma gargalhada. – Elas não conseguiram ficar longe da amiguinha e fizeram de tudo para ela voltar, e você foi o trouxa que a contratou.
– Eu não sei, , mas acredito na ... – deu de ombros e levantou-se. – Ela parecia alarmada naquele dia, e a gente estava junto, ela não teria motivo algum para fazer uma brincadeira desse tipo.
– Tá, ! – continuei rindo. – Mudando de assunto, quando você vai voltar a morar aqui? Esse apartamento é enorme para uma pessoa só.
– Estou em negociação com um cara, acho que em menos de um mês estou de volta para te deixar feliz. – fez sinal de positivo com as mãos, fazendo-me balançar a cabeça e rir.
Meu irmão era um idiota.

10:30pm
Vintage Pub – NY

Música: Nick Jonas – Bacon Feat. Ty Dolla $ign


Pedi mais uma dose de whisky para o barman. me falava alguma coisa sobre a Sophie, acabei perguntando o por que não a trouxe; disse que ainda não estava preparado para aparecer com outra na frente de , o que foi bem engraçado.
era um pamonha, desmontava-se na frente da ex e ainda tinha medo dela, isso porque eles acabaram tornando-se grandes amigos depois de terminarem o que eles tinham, que era qualquer coisa, menos sexo casual. era o tipo de mulher que sabia separar o profissional do pessoal, e por isso era difícil saber se ela realmente estava bem com tudo aquilo.
nem sabia explicar o motivo de terem-se separado, acho que aquelas garotas combinaram essas coisas, porque não é possível! Virei a dose de uma só vez e voltei meu olhar a , que me fez um sinal, mostrando que o show iria começar agora.
entrou no pub, seguida de Jennifer e , sempre inseparáveis. Mas dessa vez eu sabia que ia ter outra pessoa, não seria como nas confraternizações onde encontrava as meninas, não seriam apenas as três.
Senti minha boca secar e me apoiei com mais firmeza no balcão. Pude vê-la caminhar sem pressa, estava rindo de alguma coisa que Jennifer estava falando. Por um momento, aquele clichê aconteceu comigo; parecia tudo em câmera lenta.
Desci o olhar por seu corpo. Ela usava um vestido vermelho um tanto curto e justo, os cabelos estavam soltos e, como sempre, a maquiagem era forte, e assim que se aproximaram, pude notar que o perfume também era. Aquele perfume ficaria em minha mente por pelo menos dois dias.
! – sorriu abertamente mais uma vez e abraçou meu irmão tão forte que ele chegou a fazer alguma brincadeira idiota. – Eu senti sua falta.
– Também senti a sua, . – ele sorriu. – Você está mais bonita. Não que não fosse antes, mas está diferente.
– Canadá me fez bem. – ela estava segurando as mãos do . – Desculpe-me não ter passado o endereço, era bem corrido por lá.
me manteve informado, tudo bem. – respondeu. – Vamos beber tequila, certo?
– A noite só começou, bro! – ela gargalhou e eu continuei lá, parado, como se fosse um babaca.
Não demorou muito e seu olhar encontrou o meu. Pude vê-la se desconcertar um pouco, engolir seco, dar um passo em minha direção, e eu já estava suando.
– Oi. – disse.
Foi o melhor que encontrei para dizer, ou eu poderia ter dito: “Oi, ”.
– Oi, . – ela pensou no mesmo que eu, com certeza. – Como você está?
– Bem, obrigado, e você? – arqueei a sobrancelha e pude ver que as meninas e estavam conversando e olhando fixo para nós, era engraçado.
– Estou bem. – ela sorriu. – Quanto tempo, né?
– Pois é, e eu não ganhei um abraço. – torci o lábio e pude vê-la ficar muito envergonhada. – Mas eu posso esperar, sem problemas.
– Vem cá, .
Ela sorriu e se aproximou, colocou os braços em volta de meu pescoço, e eu realmente tinha saído de órbita naquele momento. Senti nossos corações batendo em sintonia, podia sentir que ela tremia um pouco, aquilo era o que eu não esperava. estava desconcertada quando a envolvi em meus braços.
Apertei-a forte contra meu corpo, estava de olhos fechados, e tudo tinha voltado a ficar lento. Senti uma de suas mãos acariciando minha nuca, mordi meu lábio inferior e acabei suspirando.
Notei que o abraço durou tempo demais quando ela delicadamente foi desvencilhando-se, foi o momento em que eu a olhei, e ela estava com um sorriso tímido e abriu a boca para falar alguma coisa, mas a puxou rapidamente e ela já estava a caminho da pista de dança antes mesmo que pudesse dizer algo.
Levei meu olhar a que estava me olhando com um ponto de interrogação no rosto.
– Mais um whisky, por favor. – pedi ao barman, que assentiu e foi buscar minha bebida. – Que porra foi essa?
– Não sei. – respondeu. – Só vi a falando alguma coisa no ouvido da e ela puxando a bem rápido.
– Eu fui um idiota. – peguei o copo que acabara de ser deixado no balcão e olhei . – Eu não posso ceder para ela, tenho que mostrar que superei.
– O ponto está aí, querido irmão. – sorriu. – Você superou?
Fiquei olhando para o meu irmão por algum tempo. Minha cabeça processou um milhão de lembranças, e virei o whisky de uma só vez, fazendo sinal para o barman trazer mais um. Era uma pergunta complexa e diferente do que pode parecer, a resposta não era óbvia. Eu não sabia mais o que sentia por ela, tivemos bons momentos juntos e sentimentos estranhos aconteceram nessa época, mas depois do que aconteceu, eu já não sabia mais.
Talvez ela tivesse sido a mulher que mais me bagunçou, fez-me sair dos trilhos e me excluiu da vida dela com a mesma rapidez, ao mesmo tempo, o que aconteceu só serviu para me mostrar que eu nunca servi para isso. era a explicação clara do tipo de mulher para não se envolver, não ter nenhum vínculo. Eu havia superado, só tinha que colocar isso na minha mente.
Não tive tempo de responder à pergunta, havia aparecido e puxado pelo braço, levando-o para a pista de dança. Seria divertido ver a reação de Sophie quando visse a cena.
Busquei um charuto no bolso e fui até a área reservada para fumantes. Talvez encontrasse alguém para passar a noite no meio do caminho, mas antes disso, precisava tirar a imagem de da cabeça, esse era o primeiro passo.

Flashback

Pretty mind, silk thoughts
Start a fire when you turn the lights off
Oh my, my God
The way he made you he did a fine job


Ouvi as portas do carro serem travadas, olhei para o lado e agora eu estava ansioso demais.
Antes que ela pensasse em dizer qualquer coisa, eu já estava praticamente em cima dela, que me beijou com vontade, explorando cada centímetro de minha boca, e deslizou suas mãos por meu corpo. O vestido que usava deixou tudo muito mais fácil para mim.
Levei uma de minhas mãos até sua nuca, deixei a outra mão deslizar por suas costas, e ela se aproveitou para puxar minha camisa. Separamo-nos para terminar de tirar a peça, e aproveitou a deixa para virar o jogo. Empurrou-me bruscamente, fazendo-me encostar no vidro do veículo, e sentou-se em meu colo, o vestido que já era bem curto, acabou ficando mais ainda. Desci o olhar por seu corpo e mordi o lábio, minhas mãos foram parar em suas coxas e apertei sem delicadeza.
– Preciso te perguntar uma coisa… – ouvi sua voz sussurrar em meu ouvido, engoli seco e levei meu olhar ao dela.
– O quê? – mordi seu queixo, ela sorriu e desceu as mãos por meus braços.
– Você gosta de vermelho? – passou a língua por seus lábios e foi abaixando-se em minha direção, e aquilo não iria acabar bem.
– É minha cor favorita. – sorri maliciosamente. – Por quê?
– É a cor do meu lingerie essa noite. – disse enquanto roçava os lábios nos meus.
Fechei os olhos e pensei em muitas coisas impuras para fazer com ela por conta da frase.
– Garota, você vai me matar. – foi o que consegui dizer antes de puxá-la para mais um beijo.

I know you been hoping I give in
But I ain't feeling that feeling, no
Babe you right, maybe I'm tripping
The one thing I love more than being with you

And that's late nights, doing what I wanna do
I got sleep eyes; I woke up like this
Feel like
Aw shit, throw some bacon on it
One thing I love more than being with you
And that's no ties, no drama in my life


Senti suas mãos passearem por meu tórax, vez ou outra deixava as unhas fazerem o trabalho delas e me arrepiava a cada vez que isso acontecia. Com certeza meu pescoço ficaria muito marcado. Quando parávamos de nos beijar, ela aproveitava para deixar mais um pouco de marcas. Senti o quadril se movimentar lentamente sobre meu colo e arfei, apertando sua bunda em seguida, mostrando que gostava daquilo. Subi a mão livre pela parte interna de sua coxa e passei levemente pela intimidade, ainda coberta pela calcinha. Quando notei que já estava molhada, soltei um gemido baixo.
Desceu os beijos pelo meu pescoço, traçou um caminho de beijos por meu abdômen e, quando chegou a barra de minha calça, tratou de demorar-se ali. Brincou com o zíper da peça e me olhou, sorrindo. Mordia meu próprio lábio e apenas olhava o mais maliciosamente que conseguia. Abriu minha calça, e a boxer preta parecia um tanto pequena. Jogou seu cabelo para o lado e abaixou minha cueca devagar. Mesmo se eu dissesse que não estava gostando daquilo, meu membro teria me entregado, demoraria a esquecer o olhar que ela lançou a mim.
Sem pegar meu membro, passou a língua por ele todo. Soltei um gemido sôfrego, o que a fez sorrir. Com a mão, começou os movimentos de vai e vem, bem mais lentos que o normal. Passou a língua pela glande, fechei os olhos nesse momento, aproveitando toda aquela sensação e apoiando a cabeça no vidro do carro que já estava embaçado. Senti sua boca cobrir a extensão do meu pênis, e logo os movimentos de sucção começaram, chupando-o até onde conseguiu, e eu já estava perdendo a noção de qualquer outra coisa. As mãos dela ajudaram, completando os movimentos da boca, e ficou naquilo por algum tempo, eu a segurava pelos cabelos e impelia minha pele contra a sua boca para que eu fosse mais fundo. Ela sabia que eu não aguentaria muito tempo, tratou de diminuir a velocidade dos movimentos, o que intensificaram meus gemidos. parou o que estava fazendo e grunhi em reprovação.

Yeah I, I woke up like this
Feel like
Aw shit, throw some bacon on it
One thing I love more than being with you-ou-ou-ou
Yeah, you-ou-ou-ou
Yeah, you-ou-ou

Sizzling, white hot
Give me that sugar with the sweet talk
You're perfect, but I'm not
So how do we end up in the worst spot?


Senti ela ajeitando-se em meu colo e, quando abri os olhos para reclamar que ela havia parado, gemi alto mais uma vez. Encaixou meu membro em sua intimidade, de uma vez, fazendo-me apertar forte sua cintura. Pude vê-la rebolar vagarosamente sobre mim, enquanto descia as mãos por suas coxas, jogou a cabeça para trás e mordeu o lábio, tentando controlar gemidos estupidamente altos.
pressionava o quadril contra o meu, enquanto eu já não aguentava mais ficar devagar. Ela, por sua vez, inclinou-se em minha direção, dando-me um beijo rápido. Envolvi-a em meus braços, fazendo-a ficar praticamente deitada. Virou a cabeça de lado, apoiando-se em meu ombro e comecei a estocar com força, os gemidos já não eram mais possíveis de se prender. Senti uma mordida em meu ombro e arfei. Levou uma mão até minha nuca e fez movimentos com o quadril, a fim de fazer-me ir mais a fundo.
Os movimentos de se intensificaram, dizia frases desconexas ao pé do meu ouvido, deixando-me absorto e cada vez mais próximo de meu clímax. Distribui mordidas por seu pescoço e estocava cada vez com mais força. Levei uma de minhas mãos a seu seio, apertando-o. Eram incríveis as sensações que ela me proporcionava, e eu não entendia como, apenas queria fundir meu corpo com o dela de uma vez, poderia senti-la de todas as maneiras e nunca parecia o bastante.
gemia incontrolavelmente, o que me estimulava ainda mais. Cravou suas unhas em meus ombros com força, gemeu mais alto e senti seu corpo se contrair contra o meu; ela havia chegado lá. Continuei com meus movimentos rápidos e precisos, apertei sua bunda com força e gemi estupidamente alto pouco depois. Foi a minha vez de ter chegado ao céu, graças a ela.

I know you been hoping I give in
But I ain't feeling that feeling, no
Babe you right, maybe I'm tripping
The one thing I love more than being with you

And that's late nights, doing what I wanna do
I got sleep eyes; I woke up like this
Feel like
Aw shit, throw some bacon on it
One thing I love more than being with you
And that's no ties, no drama in my life


Fim do Flashback


P.O.V
Estava lá, dançando, bebendo e fingindo que não estava nervosa. Eu havia-me preparado durante o trajeto, coloquei na cabeça que já havia se passado muito tempo, eu não precisava evitar , tinha apenas que tratá-lo como se tudo estivesse bem. Imagine minha surpresa quando ele me tratou da mesma maneira. Isso me deixou mais tranquila. Talvez, quando for abordar o assunto Andrew com ele, as coisas saiam melhores que o planejado.
Fechei os olhos, lembrando-me do abraço que ocorrera há alguns minutos. Só percebi que demorou tempo demais quando me puxou e já foi dizendo “eu disse para não fazerem outro filho”.
Não faço ideia do que passou na cabeça dele, sei que na minha foram as coisas mais impróprias possíveis.

Yeah I, I woke up like this
Feel like
Aw shit, throw some bacon on it
One thing I love more than being with you-ou-ou-ou
Yeah, you-ou-ou-ou
Yeah


Fui até o bar. Precisava beber algo forte o bastante, talvez tivesse outro diálogo com ainda hoje e precisava estar com o psicológico preparado. Pedi uma tequila para o barman, que prontamente encheu o pequeno copo, e virei tudo de uma vez, sem parar para pensar. O líquido desceu rasgando minha garganta, mas isso não me impediu de tomar outra dose.
Apoiei-me no balcão e respirei fundo. Ele é só o de sempre, só o cara que você sempre gostou e não quis se envolver por saber que no final iria acontecer uma merda, sempre acontecia. Mas as noites com ele, ah! Eram as melhores de sua vida, e eu sabia que nunca iria superar.
Estava dançando, ainda próxima ao balcão. Tinha que aproveitar a noite, mesmo que minha mente só conseguisse processar a imagem daquele idiota.
Balancei a cabeça, rindo, e quando me virei para pedir mais uma dose, pude ver na sacada do pub, parado com um charuto entre os lábios e o olhar fixo em mim. Confesso que senti o corpo todo estremecer e não soube muito bem como reagir, mas eu escondi o filho dele por todo esse tempo, fingir mais uma noite não vai ser sacrifício. Virei mais uma dose de tequila e pedi um whisky, não para mim, para o .
– Pensando em quê, ? – disse assim que me aproximei.
Quem me olhasse de longe, diria que eu era a mulher mais confiante do local; quem me conhece, saberia na hora que eu poderia sair correndo para o banheiro e chorar muito a qualquer momento.
– O horário não vai me permitir te falar o que estou pensando. – ele sorriu e deu de ombros.
Quase tomei todo aquele whisky que tinha em mãos, mas não seria uma boa ideia.
– Sempre pervertido! Trouxe para você. – sorri e estiquei o braço, direcionando o copo para ele, que arqueou a sobrancelha por um segundo e pegou o copo de minhas mãos
– Tentando me embebedar? – perguntou, divertido, e aquilo me fez rir. – Porque, se for isso, está no caminho certo.
– É, eu imagino. – ri. – Na verdade, estou tentando te pedir desculpas.

Yeah I, I woke up like this
Feel like
Aw shit, throw some bacon on it
One thing I love more than being with you-ou-ou-ou
Yeah, you-ou-ou-ou
Yeah


– Desculpas? Vou ser obrigado a perguntar-lhe o motivo. – se apoiou em uma das colunas que havia no local, parecia muito interessado na conversa.
– Imaginei que você perguntaria. – respirei fundo. – Eu não agi certo com você, .
– Quando terminou comigo ou quando foi embora? – perguntou, levando o charuto aos lábios mais uma vez.
– Primeiramente, eu não terminei com você! Nós não tínhamos nada. – torci o lábio e, antes que ele dissesse alguma coisa, prossegui. – Segundo, eu não deveria ter simplesmente ido embora, tinha que ter-lhe contado tudo e pelo menos ter tentado continuar com aquilo que nós tínhamos.
– Que era algo sério. – respirei fundo mais uma vez para não mandá-lo à merda. – Você não entendeu, não é?
– Que você é um idiota que fica provocando-me? Isso eu entendi, sim! – fiz uma careta e ele riu. – Tem mais alguma coisa para entender?
– Quando eu digo que era algo sério, é porque era para mim. – continuou olhando-me e fiquei parada, prestando atenção em cada palavra. – Eu levava aquilo a sério, joguei-me de cabeça e esqueci de perguntar se você também tinha se jogado.
... eu. – engasguei, tinha um milhão de coisas para falar, mas tudo iria envolver o Andrew, e aquele não era o melhor momento.
– Tudo bem, . – ele apagou seu charuto e voltou a olhar-me. – Hoje eu entendo, sabe?
– Não, não é isso! – balancei a cabeça. – Talvez essa fosse a conversa que devíamos ter tido desde o início.
– O sexo era bom demais para pensarmos em conversar sobre. – disse naturalmente, e o olhei, incrédula, e comecei a gargalhar.
– Whisky já começou com a festinha. – balancei a cabeça. – Mas devo concordar com você.
se aproximou um pouco, sorriu de canto e cantarolou em meu ouvido:

Girl every time we get together it's a movie
You on top, got me feeling on your booty
Know you ready when there's other girls around
Won't admit it, but you're acting so different now
And it's hard to just let go like that
When your man with the party, you go way back
And the love's what keeps you coming back
And I'm loving with a bad bitch down my back


– Era isso que eu estava pensando quando você chegou. – disse quando finalizou a canção, e voltou a encostar-se na coluna
– Você não mudou nada, . – peguei o whisky de sua mão e dei um gole.
Se a conversa continuasse para esse lado, eu gostaria de não me lembrar muito bem no dia seguinte.
– Mudei muito, . – ele sorriu e pegou o copo de minhas mãos novamente. – Você só precisa me conhecer novamente.
– Também trago novidades do Canadá. – disse e arregalei os olhos no mesmo momento.
Que merda era essa? Não era para falar do Andrew aqui.
– Se você me passar seu telefone, podemos marcar alguma coisa e nos conhecermos melhor. – no maior tom galanteador, pegou seu celular no bolso e entregou em minhas mãos.
, eu não sei…– um pingo de juízo brilhou em minha mente.
Talvez tudo aquilo fosse cedo demais, porém Andrew era o ponto mais importante de tudo.
– Vamos lá, – ele me deu um leve empurrão em meu ombro. – Somos amigos, não somos?
– Acredito que sim. – olhei o aparelho em minhas mãos, eu teria que ter aquela conversa com ele, já fugi tempo o bastante. – Ok.
– Isso aí, garota! – ele riu e fez uma dancinha tosca como se comemorasse, continuava o de sempre. Terminei de marcar meu número e devolvi o aparelho nas mãos dele. – Aguarde minha ligação.
– Ansiosamente. – respondi e dei alguns passos, mantendo distância. – Vamos dançar?
– Claro. – virou o restante da bebida que ainda estava em suas mãos e me acompanhou até as meninas, que continuavam na pista com .
Seria uma idiota se pensasse que tudo o que rolou na sacada tinha passado despercebido. Assim que chegamos na rodinha, os olhares de todos foram imediatos, e eu não iria dizer nada; gostaria apenas que a noite durasse para sempre, pois por incrível que pareça, eu não queria receber aquela ligação do .
Sentia meu corpo ainda um tanto enérgico. Ouvir tantas coisas e ter tantas outras para falar não era a melhor situação para uma festa, mas eu estava saindo-me muito bem. Até dançar com eu tinha dançado! Só não fiquei muito tempo, porque minhas amigas quiseram ir ao banheiro e me arrastaram junto.
– Você explica a merda que está acontecendo? Eu estou confusa! – disse assim que fechamos a porta.
Havia algumas garotas no ambiente, mas nada que atrapalhasse.
– Não está acontecendo nada. – fui até a pia e me apoiei, a tequila estava fazendo seu papel.
– O abraço quando chegamos? Achei lindo, até pensei que você estava fazendo a meiga e mostrando para o mundo que havia superado, mas e todo aquele tempo conversando? Eu vi ele chegando bem perto do seu ouvido e já imagino o que disse! – completou, fazendo-me rir ao lembrar do que havia me falado.
– Vocês são engraçadas, infernizam-me para voltar a falar com o cara e, quando isso acontece, ficam me regulando? – franzi o cenho e olhei para as três através do espelho, era a única com sorriso no rosto.
– Eu estou do lado da . – pronunciou-se assim que percebeu meu olhar para ela. – Se nossa querida amiga voltou a falar com o , já é meio caminho andado para Andrew conhecer o papai.
, está bêbada? – perguntou e a amiga negou, ainda sorrindo.
– Não, estou dizendo o que é verdade. Imaginem que pé no saco eles não conversarem e ficarem se evitando! – cruzou os braços. – Ela chegou e mostrou para ele que tá tudo bem!
– Não só mostrei como falei para ele. – levei a mão à cabeça e, antes de mais perguntas, continuei. – A gente pediu desculpas, ele pegou meu telefone e disse que vai me ligar.
– Uou, isso é muito mais do que pensei. – balançou a cabeça e ficou olhando para baixo, como se processasse a informação.
– Estou orgulhosa de você, muito mesmo! – me abraçou por trás, e aquilo estava muito estranho, mas relevei, talvez fosse a tequila falando por mim.
– Vamos ver se ele vai ligar. Se não ligar, eu também não vou. – resmunguei. – E, sim, ele me disse sacanagem quando sussurrou no meu ouvido, mas eu consegui esquivar.
Na hora gargalhamos. Era de que estávamos falando, óbvio que, com o tanto de whisky que ele estava mandando para dentro, alguma sacanagem ia rolar. O que elas não sabiam era que o whisky era só desculpa, era o maior pervertido, e eu adorava tudo aquilo, mas era um segredo que eu só contaria se fosse antes de morrer. Gostava de deixar aquilo nas minhas lembranças, e com certeza eu teria ótimos sonhos essa noite.

The one thing I love more than being with you
And that's late nights, doing what I wanna do
I got sleep eyes; I woke up like this
Feel like
Aw shit, throw some bacon on it
One thing I love more than being with you
And that's no ties, no drama in my life
Yeah I, I woke up like this
Feel like
Aw shit, throw some bacon on it
One thing I love more than being with you-ou-ou-ou
Yeah, you-ou-ou-ou



Capítulo 3


Quinta-feira – 07:00am
Apartamento da


Ajeitei a mesa do café da manhã e chamei mais uma vez por . Fazia quase uma semana que ela pegara uma gripe muito forte, conseguiu ir trabalhar na segunda, mas no meio do caminho tive que buscá-la, minha amiga não estava bem. Provavelmente usar roupas curtas no pub naquele dia frio não foi a melhor das ideias. De qualquer forma, ela teria uma reunião importante com uma revista hoje e não podia ir, pediu-me para ir em seu lugar.
Não reclamei, estava cheia de papéis para ler, a tour estava aproximando-se e eu ainda não sabia muito bem por onde começar, nem de longe era como a boyband do Canadá, ter centenas de canais querendo uma entrevista com a banda que você produz é tudo o que eu buscava com a garotada de lá, maldita gravadora.
– Se você continuar gritando meu nome, Andrew vai acordar. – apareceu na cozinha com o rosto menos inchado do que ontem, e a voz já estava melhor.
– Não se preocupe com isso, ele tem o sono pesado. – sorri e me aproximei, levantando a mão até a testa de minha amiga. – A febre baixou.
– Pelo tanto de remédios que você me deu, se não baixasse, eu estaria morta. – comentou e sentou-se na cadeira. – Eu não sinto o gosto de nada, não sei por que tenho que comer.
– Olha só, não me estressa, não! – coloquei as mãos na cintura e a olhei. – Eu vou indo para a reunião, tem certeza que não devo deixar o Andrew com a Steph?
– Tenho, . – ela colocava um pouco de café em sua xícara. – Eu já estou bem melhor, e o Andrew tomou a vacina, como você mesma disse, a probabilidade de ele pegar meu resfriado é pequena.
– Mas existe a possibilidade. – torci o lábio. – Ok, você quem sabe. Qualquer coisa, me liga!
– Certo! – deu um gole no café. – Caramba! Eu estou sentindo o gosto!
– Você realmente está melhor. – sorri. – Isso me alivia. Enfim, eu preciso mesmo ir, o Gary é detestável e vai querer mendigar muito o preço da matéria.
– E você não vai deixar, eles querem o quê? Cobrir três shows de graça? Manda eles procurarem outra banda! – bufou e continuou sem me olhar, estava muito concentrada pegando os waffles.
– Não, eu vou negociar, você vai ficar quietinha aqui e cuidar do meu filho. – abaixei-me e dei um beijo na testa da minha amiga. Ela resmungou alguma coisa, mas eu realmente não quis ouvir.
Peguei minha bolsa, chaves do carro, a pasta que tinha separado e, antes de sair, olhei-me mais uma vez no espelho, verificando se estava tudo ok. Respirei fundo e sorri, tinha mais um empresário de sucesso para conquistar e alguns dólares para colocar na conta. Let’s go!

P.O.V

Ouvi fechar a porta e respirei aliviada. Odiava ficar doente, e quando ficava, era bom ter a casa toda para mim. Não estou reclamando da presença de minha amiga, pelo contrário, ela me ajuda muito, mas um dia no silêncio não seria demais, não é?
Já não sentia mais dores no corpo, minha cabeça já estava um tanto mais leve e a melhor parte era voltar a sentir o gosto da comida, isso sim era bom!
Terminei de tomar café e comecei a arrumar a mesa. faz uma mesa enorme de café para apenas nós duas, Andrew come algumas frutas de manhã e toma mamadeira, não sei para que tudo isso, mas tudo bem. Eu até acho legal acordar e ver a mesa cheia de coisas, guardar que é ruim.
Às vezes fico pensando, deveria contar para que todo meu plano deu certo. Claro que trouxe ela para NY propositalmente, não aguentava mais esconder sobre Andrew. tem que saber o mais rápido possível, e depois do pub, vejo que não está longe. vai enfrentar uma barra das grandes quando Andrew chegar à família , mas isso só ficaria pior com o passar do tempo, então o melhor agora é enfrentar tudo isso, e ela não está sozinha.
não ligou depois pub, não mandou mensagem, nem deu sinal de vida, o que adorou, pois o quanto mais ela puder adiar essa conversa, ela vai. É bem ridículo, mas não sou eu que tenho um filho, então não posso falar muita coisa, porque de qualquer forma ainda estou do lado de fora da história, já que tem algo que minha querida amiga se recusa a contar.
Mamãe? – pude ouvir a voz de Andrew, apresei-me em chegar até o quarto.
– Bom dia, querido. – sorri ao vê-lo sentado sobre a cama com os cabelos completamente enrolados e bagunçados. – Sua mamãe foi trabalhar.
Oi, tia . – ele sorriu e esticou os bracinhos em minha direção, peguei-o no mesmo momento.
– Oi, meu amor. – abracei-o forte, aquela criança era maravilhosa. – O que você acha de comer umas frutinhas?
Lavar o denti, titia! – ele forçou um sorriso, mostrando os pequenos dentinhos.
Eu podia morder aquela criança, não podia?
– Escovar os dentinhos? – perguntei e ele assentiu. – Vamos lá, garotão!
Levei Andrew até o banheiro e o ajudei a escovar os dentes, lavar o rosto e pentear aqueles cabelos idênticos ao do pai. Só a cor era igual à do cabelo de , porque os cachinhos que estavam surgindo o deixava ainda mais a cara de , e isso chegava a ser uma droga, porque imagina a realmente não gosta mais do cara e tem uma cópia dele em casa?
Ela poderia negar aos quatro ventos o que sentia pelo superastro, mas eu sabia e faria questão de jogar na cara dela quantas vezes forem necessárias.
Depois que Andrew terminou, perguntou se iria trocar de roupa, e eu disse que não, passaríamos o dia todo de pijama. Ele adorou a ideia.
Levei-o para tomar café, coloquei-o na cadeirinha e busquei na geladeira a salada de frutas que havia deixado pronta. Ele não comeria nem a metade, mas se eu não desse, ela teria um surto.
Enquanto ele brincava com os pedaços de fruta, busquei o leite no armário e fiz uma careta ao não me lembrar qual leite Andrew tomava. havia comprado outro tipo na segunda-feira, e não me recordei se podia continuar dando o leite antigo.
Fui até o quarto de , busquei na gaveta a receita da última visita de Andrew ao médico e consegui me livrar daquela situação. Andrew podia continuar tomando o antigo e só mudaria na próxima semana. Não queria ser responsável se Andrew tivesse um surto de diabetes!
Pois é, não basta a fisionomia, ele também tinha isso em comum com o papai; Andrew tem menos crises, é muito mais controlado, mas de qualquer forma todo cuidado é pouco.
Andrew quis assistir a Masha e o Urso, eu achava aquele desenho uma graça. Ajeitei o sofá retrátil e em poucos segundos tínhamos uma cama enorme na sala, cheia de cobertas, pois o vento frio ainda era incômodo, e coloquei vários travesseiros em volta de Andrew. Caso eu cochilasse, ele estaria seguro em rolar e não sair do sofá-cama. Ele estava com a mamadeira em mãos e parecia estar divertindo-se bastante.
Peguei meu celular e tirei uma foto de Andrew sentado, com a mamadeira e rodeado pelas cobertas. Ao fundo dava para ver a TV ligada, e o sorriso do garotinho era encantador. Enviei a foto no grupo das meninas com a legenda “Quem quer assistir Masha e o Urso?”.
Em poucos segundos, já tinha algumas respostas:
“Ai, meu Deus! Olha essa criança, olha esse cabelo enrolado! QUERO MORDER! – xx
“Que coisa maaaaais linda! , você prestou para fazer filho bonito, olha esse mini !!!!
“ Vocês parem com isso! Ridículas hahahaha. , está tudo bem? Ele comeu as frutas? Eu estou no intervalo da reunião, ainda vou demorar um pouco por aqui.
Respondi todas, mandando um pequeno texto para com o todos os detalhes desde o momento que ele acordou até agora. Caso ela não chegasse para o almoço, disse que traria alguma coisa do restaurante que tinha por perto. Por mim tudo bem, poderia passar o dia com aqueles waffles e fazer alguma coisa para o Andrew.
Eu já estava quase cochilando quando ouvi a campainha. Despertei rapidamente, e Andrew estava deitado, tomando mamadeira e com os olhos já baixos. Não poderia deixá-lo dormir agora, me mataria. A campainha tocou novamente e me sentei no sofá, gritando um “já vai” e fazendo Andrew dar um pulinho, assustado.
– Desculpa, meu amor. – peguei-o no colo e ele foi despertando. – Você não pode dormir agora, acabou de acordar!
Masha? – perguntou referindo-se ao desenho.
Levantei-me do sofá com ele no colo e caminhei até a porta. Para ter subido direto, só pode ser alguém da gravadora ou a própria , que deve ter esquecido a chave no carro e ficou com preguiça de descer buscar.
– Será que é a sua mamãe, Andrew? – comentei e ele abriu o sorriso, soltando a mamadeira para bater as palminhas, por sorte a mamadeira caiu em meu braço. Peguei-a rapidamente e coloquei no criado-mudo que tinha a minha direita e limpei com a mão as pequenas gotinhas de leite que caíram na região.
Mamãe! – Andrew continuou contente, batendo palminhas, e quando abri a porta, senti as pernas bambas.
Arregalei os olhos e fiquei olhando o homem à minha frente.
– Oi, . – ele sorriu e se apoiou no batente da porta. – Quem é o garotão?
, oi. – pigarreei. – Andrew, meu afilhado.
– Não sabia que você tinha um afilhado. – comentou. – Posso entrar?
– Depende, o que você veio fazer aqui? Não devia estar ensaiando? – arqueei a sobrancelha e só então percebi que estava com uma sacola nas mãos e aquilo cheirava bem.
– Já ensaiamos, e me contou que você estava gripada, trouxe alguns chás, torradas e uns chocolates, talvez isso te faça melhorar. – ele sorriu, e eu tenho certeza que só não dei um tapa na cara dele porque Andrew estava em meu colo; a propósito, olhava confuso para mim e .
– A sua sorte é que eu estou com fome. – fui para o lado, dando espaço para ele entrar, e esperava que ele não fizesse muitas perguntas sobre o bebê.
– Cadê a ? – perguntou e pude notar seu olhar fixo em Andrew.
Era difícil não olhar e notar que ele era uma cópia do irmão.
– Em uma reunião, eu estou bem melhor hoje, mas com esse tempo frio lá fora fiquei com medo de ir e piorar, ela foi no meu lugar. – dei de ombros e coloquei Andrew no sofá novamente, que voltou a atenção para a TV em que passava mais um desenho aleatório.
– Qual reunião? A da Rolling Stone? – perguntou e assenti. – ela vai conseguir conquistar o Gary, não vai?
– Não sei, eu disse que, se não tiver acordo, não é para ceder! – caminhei até a cozinha e estava atrás de mim. – Antes que você diga alguma coisa, Gary vai aceitar, ele será a primeira revista a cobrir a tour de vocês, acha que vai perder a chance?
– Ele é durão. – torceu o lábio. – Mas tem seu encanto, você a treinou muito bem.
– Formamo-nos juntas, querido . – sorri. – Vem cá, conte-me uma coisa, não vai ligar para ela?
– Não faço ideia e não entendo o porquê você quer tanto que eles voltem. – se levantou e foi até a sala, ficando ainda em meu campo de visão.
– Não é bem querer que voltem, é mais querer que conversem, eles têm grandes assuntos para tratar. – mordi o lábio e vi sentar-se ao lado de Andrew, era uma cena linda.
– Isso é assunto deles, , deixa para lá. – já não me olhava, estava entretido demais brincando com Andrew. – Ele é filho de quem?
– De uma amiga da faculdade, você não conhece. – disse enquanto via a água ferver e colocava o chá que havia trazido. – , é chá de quê?
– Tem de maçã, hortelã e maracujá. – respondeu e pude ouvir Andrew dar umas gargalhadas. – Vamos lá, garotão, me chame de tio !
– O quê? – franzi o cenho e voltei meu olhar à cozinha. – Por que quer que ele te chame de tio ?
– Porque é legal, ele é fofo, vai dizer que não? – apareceu na cozinha com Andrew nos braços. – Você nunca me contou que tinha um afilhado.
– Ela ficou fora por muito tempo, agora voltou a morar aqui com o marido e o bebê. Hoje precisou de alguém que ficasse com ele e aproveitou minha doença. – sorri e sentia meu coração descompassado, eu era péssima para mentir, mas era do tipo que cairia em uma mentira ruim como essa.
– Entendi. – sentou-se no banquinho com Andrew ainda nos braços. – Como eu me chamo? Tio , vamos lá, Andrew.
– Deixa o garoto! – comentei, rindo.
Queria ver a reação de quando soubesse que era realmente tio daquela criança que estava em seu colo.
Mama? – Andrew disse e me olhou, comecei a rir e tive que explicar que o pequeno estava pedindo a mamadeira, e não chamando pela mãe.
– Onde está a mamadeira dele? Posso pegar. – levantou-se e colocou Andrew sentado na cadeirinha.
Disse para onde havia deixado a mamadeira anteriormente e ele buscou no mesmo instante.
– Alena está te colocando em prática, você já pode ter um bebê! – fiz o comentário sem maldade, já esperando que ele dissesse algo sobre a Sophie.
– Quando te pedi um bebê, você não quis! – arregalei os olhos e virei-me em sua direção. – Tudo bem, eu só estava brincando.
– Até parece que eu teria um filho com o cara que nem era meu namorado, , volte para a realidade. – coloquei as mãos na cintura e ri, era um assunto bobo, mas ao mesmo tempo me fazia pensar no motivo de termos terminado.
– Se você engravidasse, teríamos que lidar com a minha mãe surtando, Kevin feliz, indiferente e um casamento às pressas. – ele me dava a mamadeira de Andrew. – Precisa esquentar.
– Casamento? – engoli seco e peguei a mamadeira. – Você iria querer casar?
– Claro! Ou você acha que iria deixar você e meu filho assim, no mundo? – ele franziu o cenho. – Que tipo de homem você acha que eu sou?
– Ei, acalme-se. – coloquei o leite em um copo e levei ao micro-ondas. – Eu só acho que casamento tem que ser por amor, e não por existir um bebê.
– Eu também acho. – pude ouvi-lo mexer em alguma coisa na mesa. – Por isso estou falando, eu gostava de você, não seria problema se tivéssemos que casar.
– Que papo é esse? O que você veio fazer aqui? – virei-me em sua direção rapidamente.
Aquela conversa não estava fazendo-me bem, até a gripe tinha me deixado melhor.
, nós estamos apenas conversando. – ele me olhou, assustado. – Eu gostava de você quando estávamos juntos, estamos falando de coisas que não aconteceram, qual o motivo do estresse? – apoiou o braço na mesa e ficou lá, encarando-me como se a conversa fosse a melhor que já tivemos em anos.
– Você está com a Sophie e vem na minha casa me falar da hipótese de termos tido um filho no passado, como você achou que seria minha reação? – cruzei os braços e sustentei o olhar.
O que ele queria com aquilo?
– Ok, , esqueceremos esse papo, tá legal? – levantou as mãos como se tivesse se rendido. – Achei que nossa amizade suportaria esse tipo de conversa, vejo que me enganei.
– É uma conversa estranha, pois terminamos faz alguns meses, acha mesmo que tenho cabeça para ficar remoendo as coisas? – fui até o micro-ondas que estava apitando e peguei o leite, colocando-o na mamadeira novamente. – Sou sua amiga e sua produtora, esse tipo de conversa vai rolar daqui um tempo, podemos deixar assim, concorda?
– Concordo, desculpe-me. – ele pegou a mamadeira de minha mão e voltou para o lado de Andrew.
Eu havia me exaltado, mas o assunto realmente me pegou de surpresa.
– Não precisa se desculpar, tudo bem, estou com tanta coisa na cabeça que acabei exaltando-me. – desliguei o fogão, peguei as canecas e comecei a preparar o chá.
Por um momento queria que estivesse bem longe e apenas minhas amigas estivessem aqui.
– Tio , cainho! – a voz de Andrew me fez virar o pescoço tão rápido que pude ouvir o estalo, o pequeno apontava um carrinho sobre o armário e estava com um sorriso de orelha a orelha.
O dia não podia ficar melhor.

Photoshoot – 01:10pm
P.O.V


Dei um gole no café antes de me jogar na poltrona confortável daquele estúdio. Não gostava de ensaio fotográfico justamente por conta da enrolação, então tinha que me virar para matar o tempo. O ensaio era para a Teen Vogue, e eu não tinha muito o que fazer a não ser ficar no celular ou conversar com a produção. Peguei meu celular e mais uma vez abri a janela dela e não conseguia enviar nada. Desde o pub, não tive coragem alguma de mandar mensagens ou ligar para . Senti-me intimidado por ela na festa, ainda mais quando ela me pediu desculpas e acabei deixando o whisky falar por mim, mas isso eram águas passadas. Saí com a Lauren no dia seguinte e descarreguei as energias necessárias para encarar bem a semana.
Mesmo assim, não conseguia deixar de pensar em chamá-la para sair, não necessariamente um jantar ou almoço, talvez apenas um café. Era uma ideia boa, poderíamos conversar tranquilos e conhecermos os novos e , que foi o combinado.
– Oi, ! – ouvi uma voz e despertei. – Vamos dar uma olhada nas fotos?
? – franzi o cenho. – Ah, é, comentou algo sobre isso.
– Fui contratada há duas semanas, antes só fazia um freelance para eles. – ela sorriu e fez sinal para irmos até um dos computadores que estavam no estúdio.
– Isso é muito legal, parabéns. – coloquei a mão sob seu ombro e a acompanhei. – Você vai fazer as fotos do segundo ensaio?
– Vou, não gosto de fazer fotos de estúdio, mas preciso me acostumar com a ideia. – deu de ombros. – Será que a conseguiu com a Rolling?
– O que a tem a ver? – franzi o cenho, não estava entendendo nada, só começaria as reuniões quando a tour começasse.
pegou uma gripe daquelas depois do pub, não tinha como adiar a reunião, porque você sabe que o Gary é um saco! – revirou os olhos e continuou. – Pediu para ir no lugar dela, e pela conversa no grupo, disse que ia demorar um bocado.
– Então foi você que disse para o sobre a gripe da . – ri enquanto me ajeitava em um dos banquinhos em frente ao computador.
– Sim, por quê? – olhou-me estranhando o comentário.
Talvez não tenha sido proposital, meu irmão decidiu levar um chá para a ex que está doente, quem nunca?
– Nada demais. Mostre-me as fotos, por favor. – mordi o lábio, prendendo o riso.
não estava tentando reconquistar a , estava?
me mostrou várias fotos, ajudei a escolher algumas e em pouco tempo já estava fazendo as poses que pedia, shoots de revista teen são sempre a mesma coisa. Iria terminar as fotos e ligar para agendando nosso café, não seria problema, ela já esperava minha ligação e eu ansiava pela conversa a sós; seria no mínimo interessante.
, seu celular está tocando freneticamente e irritando-me na mesma intensidade. – ela revirou os olhos e deu alguns passos até o computador. – Atenda enquanto eu dou uma olhada aqui.
– Valeu, . – agradeci e fui até minhas coisas que estavam em uma pequena mesa no canto do estúdio. – Alô?
– Fala, ! – reconheci a voz de Zac do outro lado da linha. – Quanto tempo!
– Zac! Tudo bem? – realmente fazia um bom tempo que não falava com ele, era um grande amigo.
– Estou ótimo! Está fazendo o que? – perguntou.
A animação de Zac era contagiante, adoraria saber o motivo.
– Agora estou aqui na teen vogue, fotografando, por quê? – sentei-se na poltrona e olhei , que ainda estava entretida com o computador.
– Vamos sair e tomar alguma coisa? Preciso te contar uma novidade. – a felicidade dele estava começando a ser irritante, ele estava muito animado.
– Por mim tudo bem, vou sair daqui alguns minutos, posso te encontrar onde?
Marquei de encontrar Zac em uma lanchonete próxima ao estúdio. Não faltava muito para terminar as fotos, e quando chamou, eu já tinha voltado ao meu lugar e estava finalizando o ensaio. acabou perguntando-me se eu ligaria para , aquilo me fez sorrir. Então ela estava mesmo esperando meu contato? Isso era ótimo.
Estacionei próximo ao local marcado e pude ver Zac fazendo um pedido para o garçom. Ativei o alarme do carro e caminhei até a mesa.
– E ai, ! – levantou-se e me abraçou. – Cara, quanto tempo!
– Você sabe como é ter uma vida corrida. – comentei e ri. – Mas faz tempo mesmo.
– Pois é, acho que última vez que te vi foi em alguma premiação. – sentou-se novamente. – E como estão as coisas?
– Foi no VMA, que eu lembre. – sentei-me de frente para Zac. – A correria de sempre, mas agora peguei um tempo de folga, acabei de finalizar uma tour com a Demi.
– Vi alguma coisa na TV, a tour foi bem legal, pena que não consegui ir em algum show. – torceu o lábio. – Quer comer ou beber alguma coisa? Pedi apenas uma água para mim.
– Um café, acho que seria bom, ainda estou sonolento. – peguei meu celular e o coloquei na mesa. – Eu estou realmente curioso, você poderia me dizer o que está rolando?
– Primeiro vou pedir seu café. – Zac riu e levantou a mão e o garçom estava na mesa rapidamente.
Fiz meu pedido e voltei a olhar meu amigo.
– Você está muito animado, por isso não vou perguntar se está com algum problema. – coloquei os braços sobre a mesa, tentando adivinhar o que Zac tinha para contar.
, lembra da ? – ele arqueou a sobrancelha e ficou olhando-me. – Lembra que eu tenho uma filha linda com ela?
– Lembro, vocês ficaram juntos há uns anos e tiveram aquela bebê, você surtou! – comentei, lembrando-me de quando Zac descobriu que iria ser pai.
Ele ficou muito aflito, não era namorado da , ela era apenas um casinho e, de repente, grávida!
– Pois é, quase morreu de chorar quando estava contando-me e, bom, você lembra como ficou o clima depois da notícia. – Zac suspirou. – Mas depois que a nasceu, eu descobri uma mulher que não imaginava na .
– Esse papo de homem apaixonado é muito medonho. – fiz uma careta e pude ouvir o garçom dar um risinho antes de colocar minha xícara sobre a mesa.
, é sério! Ela é a mulher da minha vida. – Zac gesticulava com as mãos, como se aquilo fosse me explicar o que ele estava sentindo, tive que me segurar para não rir.
– Cara, isso é muito legal, fico feliz por você. – dei um gole no café e voltei a olhar meu amigo, o que ele queria que eu dissesse?
– Eu vou me casar com ela! – ele disse, sorrindo, e engasguei.
Ele iria o quê? Casar? Zac Efron iria casar?
– Espera! – disse, ainda tossindo um pouco. – Você vai pedi-la em casamento?
– Eu já pedi, ontem. – sorriu abertamente mais uma vez e fiquei incrédulo. – , você não entenderia se eu dissesse que a chegou apenas para me mostrar o quanto a é incrível!
– Não, eu realmente não entenderia, não tenho filhos e não pretendo ter tão cedo. – disse enquanto tentava limpar o café que derramei em minha camisa.
– Por isso você pode achar absurdo, mas depois que a nasceu, comecei a passar mais tempo com a e não era como antes, que só saímos e tinha uma transa no fim da noite. A gente se conheceu de verdade, vimos que somos compatíveis. – Zac sorriu e deu um gole na água que estava sobre a mesa, eu ainda tentava entender a situação, era muito complexa para mim.
– Zac, meu amigo, não precisei me casar ou ter um filho com uma mulher para saber o que sentia por ela. Vocês estão passando muito tempo juntos desde quando a bebê nasceu e teve um longo caso com ela antes disso. – gesticulei com as mãos, tentando entender o raciocínio. – Agora você me diz que começou a sentir por ela algo diferente do que sentia antes de bebê?
– Não, , não comecei a sentir nada, eu descobri o que estava sentindo desde sempre. – Zac agora dizia calmo, como se explicasse para uma criança de três anos o que estava acontecendo. – e eu tínhamos algo, sentíamos algo e não assumimos nada até que chegou e tudo ficou mais claro.
– Olha, eu realmente não entendo nada, mas eu consigo ver o quanto você está feliz e fico feliz por você, Zac, torço muito para que isso dê certo. – fui sincero.
Se meu amigo estava feliz, por que eu lutaria contra? era uma ótima mulher, sempre divertida e pronta para nos acompanhar nas loucuras.
– Lembra quando você saía com a ? – engoli seco.
Por que todos decidiram lembrar da hoje? Zac, o assunto era você.
– Lembro um pouco, não foi nada sério. – dei de ombros e comecei a mexer no enfeite que tinha sobre a mesa, aquilo sim era tenso.
– Vocês podem ter dito para meio mundo que não foi nada sério, mas em qualquer lugar nós dizíamos que vocês eram um casal, de tão compatíveis, e depois que ela foi embora você se sentiu meio perdido, lembra disso? – ele arqueou a sobrancelha e me olhava firme.
Era tão visível tudo aquilo que tínhamos vivido?
– Não lembro de ter ficado perdido, mas enfim, o que isso tem a ver? – pigarreei e peguei minha xícara novamente, finalizando meu café.
– Eu e éramos assim, não tão discretos quanto vocês eram, mas foi o que aconteceu comigo! – essa foi a explicação, como se fosse me fazer entender tudo o que ele estava sentindo, mas aquilo só me deixou mais confuso em relação à .
– Ok, Zac, vamos fazer de conta que eu entendo tudo o que você quis dizer e repito, estou muito feliz por você, de verdade. – levei minha mão ao braço de Zac e dei um aperto, como se firmasse o que estava dizendo. – Mas não é porque a voltou que eu vou entender esse lance aí, foi só uma aventura, Zac.
– A voltou mesmo? – ele parecia animado de novo. – Então o Mark não estava pirando.
– O quê? – franzi o cenho.
Zac já a havia encontrado? Quem era Mark?
– Nada demais. – deu de ombros. – O primo da está de férias por aqui, e tem alguns dias que ele estava em um barzinho e pagou uma rodada de chopp para umas garotas e deu o telefone para uma delas. De início achamos engraçado. – Zac ia explicando e eu estava sentindo algo muito estranho, algo não ia sair bem.
– Ah, e o que a tem a ver com isso? – perguntei, um tanto receoso. – Ela estava nesse barzinho?
– Ele viu a foto daquele dia em que saímos juntos, lembra? Eu, você, e as meninas no Instagram da , e apontou para , dizendo que foi para ela que passou o telefone. – explicação dada, eu fechei a mão em punho, não sabia dizer o que estava sentindo, apenas sabia que não era a melhor sensação do mundo.
– Boa sorte para ele. – respirei fundo e tentei sorrir, era o que daria para ser feito.
– Pelo contrário. Segundo ele contou, a nem leu o papel, foi uma das meninas, e ainda depois disso começou a rir e nem deu moral para ele, mas bebeu o chopp que ele pagou. – Zac comentou, rindo. e aquilo me fez rir também, não sei nem se era de alívio.
– É bem a cara dela fazer isso. – balancei a cabeça negativamente e continuei rindo.
me surpreendia na maioria das vezes.
desconfiou que Mark estivesse pirando, porque estava no Canadá, mas agora que você disse, ela vai ficar muito feliz e com certeza vai chamá-la para o casamento. – não duvidava, as meninas aprontaram muito juntas, era comum nos encontrarmos nas baladas e passarmos a noite toda juntos, bem divertido.
– Acredito que vão querer se perder em uma balada, prepare-se para ficar com a a noite toda. – relaxei os ombros.
A conversa tinha voltado a ficar boa, já estava sentindo-me à vontade novamente.
– Você pode me ajudar, padrinhos são para isso. – Zac comentou e me olhou sorrindo, divertido, ouvi direito?
– Padrinho? Eu? – fiquei estático, Zac apenas deu de ombros.
Levantei-me, fui até meu amigo e o abracei, seria uma honra ser padrinho dele. Achava loucura, mas estaria lá, porque eu podia ser um babaca no quesito romance, mas era um amigo exemplar e sobre isso ninguém poderia contestar.

P.O.V

Gary Stone era a pior pessoa para se negociar, mas acho que todo esse tempo longe o fez sentir minha falta, pois ele aceitou minha proposta sem muito sacrifício. A revista faria uma entrevista exclusiva e um photoshoot com a antes da tour e cobririam dois shows, tudo isso por um preço que qualquer outra pessoa não pagaria, mas Gary Stone estava encantado por minha pessoa e aceitou rapidamente. Sou o máximo!
Adoraria chegar em casa e comemorar com uma cerveja. Se não estivesse gripada, seria uma boa alternativa. Preciso ligar para , dizer que ela pode agendar a reunião com a Teen Vogue, mas que a Rolling Stone ganhou o primeiro round.
Estacionei na garagem do prédio e peguei as sacolas com os lanches que havia comprado, não consegui chegar na hora do almoço, por isso vai ter que se contentar com McDonald’s e batatas fritas, claro que ela não iria se importar. Ouvi risadas quando estava abrindo a porta e a cena era linda: estava deitada no sofá-cama, Andrew estava em cima dela batendo palminhas e divertindo-se com o cabelo da madrinha.
– Isso, filho, embaraça todo o cabelo da sua madrinha, vai ser legal ver ela matando-se para pentear. – comentei enquanto deixava minha bolsa na mesa da sala de estar e caminhava até meu filho.
– Mamãe! – Andrew esticou os bracinhos e logo estava tentando ficar em pé, o problema era que ele estava tentando em cima da .
– Depois de me amar a manhã toda, ele tenta me pisotear, ótimo! – respondeu, debochando assim que peguei o garotinho.
– Deixa de drama, eu preciso muito lhe contar como foi a reunião! – comecei a brincar com Andrew. – Mas antes, diga-me, ele comeu? Deu muito trabalho?
, seu filho é um príncipe, qualquer coisa que damos ele fica tranquilo. – ela comentou, levantando-se e arrumando o cabelo, Andrew sabia como bagunçar a cabeça das mulheres.
– Que orgulho de você, meu amor! – abracei meu filho e dei vários beijinhos em seu rosto, fazendo-o gargalhar.
– As meninas estão vindo aqui. – caminhou até a cozinha, achei estranho ela não estar ansiosa para saber sobre a Rolling Stone.
– Ok, mas eu preciso lhe contar o que rolou. – coloquei Andrew na cadeirinha. – Quer brincar com os carrinhos, filho?
– Eu também preciso lhe contar. – apoiou-se na pia e cruzou os braços. – Mas você está em êxtase, então prossiga, vou esperar as meninas.
, o Gary comeu na minha mão, você não está entendendo! – estava rindo à toa enquanto ia até a sala pegar os carrinhos. – Amiga, ele nem contestou quando recusei que ele cobrisse três shows, no máximo disse apenas que queria uma entrevista exclusiva, o que foi muito simples pelo tanto que ele pagou.
– Você não abaixou o preço, né? Porque é a cara do Gary dizer que, já que ele não teria três shows, poderia pagar menos. – Quando voltei à cozinha, estava sentada, comendo torradas.
– Óbvio que não. – balancei a cabeça, rindo. – Pelo contrário, consegui subir o valor!
– OI, GENTE! – ouvimos as vozes familiares. – TROUXEMOS CERVEJA, ONDE VOCÊS ESTÃO?
– Na cozinha, vocês podem parar de gritar, temos uma criança no recinto! – super bem-humorada recepcionou as amigas.
Elas trouxeram cerveja, parece até que leram meu pensamento
– Andrew adora uma farra, está tudo bem. – dei de ombros. – Meninas, o Gary estava um amorzinho hoje!
– Jura que fecharam com a Rolling? – parecia desapontada quando chegou na cozinha, o que me deixou um tanto triste também, mas dessa vez não pude fazer nada.
– Você ainda não contou para ela? – arqueou a sobrancelha e ficou olhando , que apenas negou com a cabeça.
, fechamos, mas não fique triste, posso conseguir algo maior para a Teen Vogue. Amiga, eles me ofereceram muito, não tinha como negar. – Andrew derrubou um carrinho no chão, o qual peguei rapidamente e devolvi ao pequeno.
– Eu entendo, negócios são complicados, e quem sabe eu não consigo uma ponta na Rolling? – sorriu, era assim mesmo que devia pensar, ela era uma ótima fotógrafa, não iria demorar a receber propostas melhores.
– Mas gente, vocês precisavam ver a cara do Gary quando me viu, ele não pensava que seria eu. – peguei uma cerveja da sacola que as meninas trouxeram e abri. – Sério, acho que depois daquela discussão que tive com ele quando trabalhava para o , ele achou que eu tinha ido embora por conta disso.
– Bem a cara do Gary. – riu e abriu sua cerveja em seguida. – Mas e aí, o valor é alto? Estou perguntando como amiga, e não como funcionária da Teen Vogue!
– Eu sei, amiga. – ri. – É quase o dobro do que planejava, não dou só o mérito a mim, porque a apresentação que ela montou foi perfeita.
– Gary sempre quis te dar uns pegas. Viu-te agora depois de tanto tempo e achou que poderia pegar. – comentou e todas rimos.
Era uma verdade, aquele velho vivia dando em cima de toda produtora que aparecia.
, nós formamos uma ótima dupla! – levantou. – Mas vou aproveitar que você está em êxtase e lhe contar uma coisinha.
– Filho, para de derrubar os carrinhos, meu amor. – torci o lábio antes de abaixar e pegar o carrinho que Andrew havia derrubado.
Tio , mamãe! – ele bateu as palminhas, agitado, ria bastante, e eu apenas senti meu corpo gelar.
– Era nesse ponto que eu ia chegar. – suspirou e logo e estavam do lado dela.
– Por favor, digam-me que o Tio é o porteiro novo ou qualquer pessoa que não tenha o sobrenome . – fechei os olhos e controlava minha respiração.
Não era possível, o dia estava muito tranquilo para ser real.
me contou tudo nos mínimos detalhes. Desde o momento que chegou ao apartamento e até quando foi embora. Ela ligou para as meninas assim que ele saiu, não sabia se estava nervosa pelo ter conhecido o Andrew ou pelo comentário sobre casamento, eram muitas informações a serem processadas. Eu não iria brigar com minha amiga, ela não poderia ter previsto algo do gênero, e eu duvidava que não ficou abismado com a semelhança do pequeno com o , meu medo maior era abrir a boca e aparecer aqui feito um furacão querendo saber sobre a criança.
– É por isso que Andrew disse Tio e bateu palminhas, ficou o tempo todo brincando com ele de pegar os carrinhos que caíam no chão e fazia sempre algo engraçado, ele adorou a brincadeira. – finalizou a história e eu estava sentada, bebendo minha segunda cerveja e pensando em coisas horríveis a respeito de .
– Você acha mesmo que ele caiu na história da sua amiga casada ter se mudado para cá? – mordeu o lábio e parecia tão aflita quanto eu. – pode se fazer bobo às vezes, mas ele é mais esperto que muitos por aí.
– Ele é muito esperto, mas acho que, com o clima tenso que rolou com a conversa do casamento, ele deve ter desviado a atenção. – comentou e assentimos.
Espero realmente que isso tenha acontecido, não quero ter que lidar com um furioso hoje.
– Olha, essa história já começou errada, e eu vou ter que arcar com as consequências de qualquer forma, então vamos aguardar o aparecer. – respirei fundo e fechei os olhos.
Eu não tinha outra saída, não poderia simplesmente pegar minhas coisas e ir embora de novo.
, acho que você deveria falar com um advogado? – perguntou e colocou sua mão sobre a minha. – Se você tiver alguma dúvida, sabe?
– Eu fiz isso no dia que aceitei sua proposta, meu advogado sabe que a qualquer momento vai receber uma ligação minha. – respirei fundo mais uma vez e abri os olhos. – Vocês acham que eu não me preparei para vir para cá? Desde o primeiro momento que a mudança foi marcada, falei com Derek, contei sobre o Andrew não ter o sobrenome do pai, sobre não saber da existência dele, perguntei tudo!
– E ele? – perguntou receosa, todas tínhamos o mesmo medo, seria loucura não ter.
– Disse o óbvio! pode sim lutar pelo Andrew, ele não deixou o filho para trás, eu o obriguei a fazer isso sem ele sequer ter a chance de conhecer o filho! – rangi os dentes.
Meu coração se apertava ao pensar na hipótese de perder Andrew, seria capaz de qualquer coisa para que isso não acontecesse.
– Você sabe que, se conversar certinho com o , ele não vai fazer isso. Vai explodir quando souber, poderá falar coisas que não deve, mas não vai querer a guarda do Andrew, não depois de ver tudo o que você faz por ele. – colocou a mão em meu ombro, nem notei quando as lágrimas começaram a cair.
– Claro que ele vai! Primeiramente ele vai me odiar, depois vai me dizer as coisas mais horríveis do mundo e logo em seguida vai aparecer com advogados na minha casa, querendo levar meu filho. – sequei as lágrimas teimosas e abri um leve sorriso ao ver Andrew fazendo um biquinho.
Fez dodói, mamãe? – perguntou e me fez rir mais uma vez.
Ele era tudo para mim.
– Não, meu amor, mamãe só coçou o olho, está tudo bem. – peguei em sua pequena mão e dei um beijo.
Não iria perder meu filho.
, ele pode fazer tudo isso, mas você não vai ficar sem o Andrew, vamos lutar com você. – já estava ao meu lado, colocou a mão em meu ombro e deu um leve aperto. – Por isso, assim que se sentir pronta, conte para o , vamos cortar o mal pela raiz.
– Se abriu a boca, não vai demorar muito para ele te ligar, só precisamos saber como explicar essa situação. – pegou Andrew nos braços. – Mas depois de comer os maravilhosos cupcakes que a madrinha trouxe para você!
– Ele tomou os remédios? – perguntei olhando , que apenas assentiu.
Eu iria conseguir enfrentar isso, com certeza.
– Vamos conseguir, , confie mais em si mesma e em nós. Não é porque aquele palhaço é famoso que vai conseguir as coisas assim. Ele pode querer, mas vai ter que lutar muito. – disse e aquilo me fez sorrir, eu não iria admitir em voz alta, mas eu nunca devia ter ido para o Canadá.
Depois de ver as meninas tentando dar banho em Andrew e deixarem o banheiro inteiro molhado, foi a vez de vê-las tentando fazê-lo dormir. Essa seria novidade, Andrew estava se divertindo mais com e cantando para ele do que pensando em dormir, mas ele acabou cedendo, depois do banho era sempre a hora da soneca.
Joguei-me no sofá com as meninas e estávamos bebendo cerveja, exceto , que mesmo estando melhor, não beberia nada alcoólico até estar cem por cento.
– Eu deveria ligar para ele e contar antes do , não acham? – estava olhando fixamente a parede, as meninas estavam ao meu lado e pareciam olhar para o mesmo ponto que eu.
– A essa altura, já deve ter falado. – comentou antes de beber mais um gole da bebida em mãos. – poderia ter um ex menos fofoqueiro.
– Ele não é amigo do , é irmão! Ele tem a obrigação de contar. – respondeu e relaxou com limonada. – Ei! Ele não é meu ex.
– É sim. – dissemos as três em uníssono, e logo em seguida, Touch, da Little Mix, começou a tocar no ambiente.
– Santa mãe! É seu celular, ! – me olhou apavorada.
Eu sentia meu coração dar uns solavancos, não conseguia me mover, o que não foi problema, já que minhas amigas conseguiam.
– Pega. – ouvi e logo em seguida senti o aparelho em meu colo, e o nome de estava brilhando demais.
– Eu não vou conseguir. – praticamente sussurrei, ainda olhando a tela e ouvindo a música dizer “Just a touch of your love is enough to knock me off of my feet all week”.
– Por tudo o que é mais sagrado, atende esse telefone! – deixou a limonada de lado e ficou olhando-me, eu continuava travada.
, acaba logo com isso. – pegou o celular e colocou na minha mão. – Atende!
– Pelo menos escuta o que ele quer te falar! – deu um longo gole na cerveja e colocou a long neck na mesinha de centro.
– O celular parou. – comentei e vi o aparelho apagando.
Respirei um tanto aliviada e virei o restante da cerveja em um gole só.
– Seguinte, . – se levantou e logo fez sinal para as meninas levantarem também. – Você tem que atender a essa porcaria!
– Eu estou com a . – me olhou. – Você faz toda a pose de mulher decidida e, quando o telefone toca, fica pior que seu filho de quase dois anos!
– Fica tranquila, eu ligo para ele e conto se você não atender. – buscou o celular no bolso e me alarmei.
– PAREM! VOCÊS TRÊS! – levantei-me e coloquei a garrafa sobre a mesa. – Eu sei que vocês já fizeram isso, mas se coloquem no meu lugar!
– Disse certo, já fizemos isso, e hoje nos colocamos no lugar do Andrew. – disse, séria. – Eu sei que eu sou a que mais fica do seu lado, mas já chega! Se o contou para ele, não vai demorar até ele tocar a campainha.
– Você não vai enfrentar isso sozinha, . – deu um passo em minha direção. – Estamos com você para sempre.
– Olha, querem saber? – caminhei até a cozinha e peguei mais uma cerveja. – Ele não vai ligar mais.
– Claro que vai, ele deve estar desesperado por saber que tem uma cópia perdida por aí. – já estava atrás de mim, eu poderia socar as três a qualquer momento.
– Não, ele não vai ligar. – abri a cerveja e joguei a tampinha em qualquer canto, voltando até a sala rapidamente.
– Só porque você não atendeu, acha que ele não vai ligar? – continuava na sala, agora olhando-me pegar o celular. – Ou você vai desligar o telefone e desaparecer como fez há algum tempo?
– Não, porque agora quem vai ligar sou eu. – busquei a ligação perdida e apertei “discar”. Dane-se! Eu estava farta disso.
– Opa! Agora sim! – bateu palmas e sorriu. – , corre aqui!
– Estou indo, estava jogando a tampinha que a bonita fez questão de jogar em qualquer lugar. – fez uma careta e eu apenas voltei meu olhar para o aparelho, apertando para ligar o viva-voz.
– Alô? – atendeu, a confiança que estava comigo há alguns segundos havia se esvaído, travei por alguns segundos. – ?
, oi! – pigarreei, olhei para as três na minha frente, estavam atônitas. – Desculpa não ter atendido, eu estava no banho, aconteceu algo?
– Achei que não queria falar comigo. – riu fraco. – Na verdade, não, só queria saber, hum, se você está bem.
– Eu? Estou sim, tudo bem, e com você? – mordi o lábio inferior e pude ver revirar os olhos, segurei-me para não rir.
– Estou bem, obrigado. – ouvi a respiração um tanto pesada. – Então, vai fazer o que no domingo?
– Tenho que assinar uns papeis de manhã, coisas da banda do seu irmão. – respondi e logo estava fazendo sinais, mas eu não conseguia entender nada. – Mas por que a pergunta?
– Estava pensando, vamos sair e tomar um café? – perguntou e arregalei os olhos.
Como assim, não tinha falado nada? , e faziam sinal de positivo, respirei fundo antes de responder.
– Acho que à tarde vou estar livre, por mim tudo bem. – fechei os olhos, eu estava indo para um caminho sem volta, tinha que encarar.
– Ok, mando-lhe uma mensagem combinando certinho, pode ser? – ele parecia mais animado agora, o que me fez abrir um sorriso.
– Claro, ! Por mim, tudo bem. – a conversa estava desenvolvendo-se com as mesmas palavras, parecia que era a primeira que estávamos tendo, um tanto tímidos, sem saber o que falar.
– Legal! – ouvi mais um riso. – Sabe quem eu encontrei hoje?
– Não, quem? – sentei-me no sofá e dei de ombros ao olhar para as meninas.
Ele queria conversar, vamos conversar.
– Zac Efron. – respondeu. Automaticamente me veio muitas lembranças na mente. – Ele vai se casar!
– Está brincando? Com quem? – franzi o cenho, fazia muito tempo que eu não falava com Zac, na última vez eu ainda tinha alguma coisa com o .
– Com a , lembra que eles têm uma filha? – engoli seco.
Quando fui embora, estava grávida de três meses, a filha dela é pouco tempo mais velha que Andrew.
– Lembro, não cheguei a conhecer a pequena, mas vi algumas fotos. – olhei para as meninas, que tinham feições tensas.
A história de Zac e era basicamente a mesma que a minha, mas a escolha dela foi diferente.
– Então, ele me chamou para ser padrinho, acredita? – pude ouvir o som de algum vidro, provavelmente era pegando algo para beber.
– Caramba, isso é bem legal! – comentei. – Que bom que continuam amigos!
– Pois é, acabamos afastando-nos um pouco por conta da correria, mas pelo visto nada mudou, inclusive ele comentou que a com certeza vai chamar você para o casamento! – olhei para o lado e tinha voltado a beber sua limonada, estava na segunda cerveja e tinha ido dar uma olhada em Andrew.
– Ela já sabe que voltei? – arqueei a sobrancelha e vi as meninas negando.
Como ela poderia saber?
– Ela tem os contatos dela. – senti um leve sarcasmo, mas relevei, estávamos tendo uma boa conversa.
– Isso é medonho. – dei mais um gole na cerveja. – está aí?
– Está sim, ele estava contando-me sobre ter ido tomar chá com a . O que você pensa sobre? – não segurei o riso, aquele também era um assunto complexo, mas era para outra pauta.
– Penso que eles são bons amigos, está muito tranquila. – pigarreei e pude ver minha amiga fingir que não estava ouvindo, típico dela.
– Vamos esperar os próximos capítulos. – pude ouvir respirar pesado mais uma vez. – Preciso desligar, , mando-lhe mensagem, tá?
– Tudo bem, , fico no aguardo. – respondi tranquilamente.
Parte de mim estava muito mais tranquila, não fez o que estávamos pensando que faria.
sempre foi a mais inteligente de nós. – deu de ombros e me olhou quando desliguei o celular. – Ela fez o que era para você fazer.
– Nossa, , obrigada por me lembrar. – bufei antes de jogar o telefone no sofá. – Mas também, olhem a diferença do Zac para o , é quase absurda!
– Tenho que concordar com a , Zac Efron sempre foi mais família. – torceu o lábio e riu, uma lembrança me rodeou, balancei a cabeça voltando à conversa.
– Gente, o ponto aqui é que não disse nada para o . – parecia um tanto decepcionada. – Não que eu quisesse que ele contasse, mas não seria um problema.
– Para você, não é, linda? – dei um gole na cerveja que tinha em mãos. – sábado vou tomar café com o , que amor!
– Para com essa ironia, ele foi superfofo com você no telefone, ele gosta de você. – me deu um tapinha no ombro.
Revirei os olhos, só queria sexo fácil.
– Ele gosta até eu falar que ele tem um filho. – respirei fundo. – Isso vai ser mais difícil do que pensei.
– Sempre é mais difícil, querida . – sorriu e deitou-se em meu ombro. – Mas nós adoramos desafios.


Capítulo 4


Domingo 2:15pm

Andrew estava melhorando aos poucos, mas estava. Não consegui dormir na noite de quinta para a sexta, e se consegui cochilar por pelo menos duas horas ontem, foi muito. O pediatra não soube dizer se ele estava com virose, ou se foi efeito do cupcake com os remédios para diabetes. Isso já acontecera antes, por isso estava bem prevenida com remédios e já havia ligado para o pediatra dele, no Canadá, que me deu algumas orientações e disse que, se ele não estivesse melhor hoje, eu deveria procurar o pediatra daqui novamente.
O pequeno já não estava mais vomitando e a diarreia havia diminuído consideravelmente. Ele estava dormindo, e eu estava ao seu lado na cama, pensando em tirar mais um cochilo e com medo de não acordar caso algo acontecesse, mesmo essa hipótese já tendo sido descartada pela pediatra quando passei o que estava acontecendo.
havia ido pegar algumas coisas no trabalho, e eu tinha algumas coisas para resolver, mas ela havia me liberado até que Andrew melhorasse, eu só tinha que falar com , desmarcar o café que tínhamos combinado para hoje às 3h, mas eu não sabia qual desculpa usar.

“Oi, ! Tudo bem? Olha, estou meio sem tempo de explicar muita coisa, mas vamos remarcar o café? Surgiu-me uma reunião de última hora para resolver umas coisas que deixei para trás no Canadá, preciso aproveitar que a nova produtora da boyband está aqui e resolver isso.
Desculpa mesmo!!! Veja quando prefere remarcar e me avisa.
Beijos.”


Era perfeito. Ele não viria ao apartamento da por imaginar que eu estaria na rua resolvendo esse problema, eu poderia cochilar. Andrew não iria acordar tão cedo, ele também não tinha dormido nada, pobrezinho. Fechei os olhos e deixei o cansaço me levar, a cama nunca pareceu tão confortável.

– Tudo bem, , vamos cuidar da nossa família. – me olhava sereno, acariciava meu rosto e estava com Andrew ao seu lado. – É nosso filho, nada vai mudar isso.
– Aonde você está indo? – franzi o cenho e pude vê-lo se distanciar.
Eu tentava tocá-lo e não conseguia, era como se ele estivesse cada vez mais longe.
– Cuidarei de você. Nós vamos cuidar, não é, filho? – no mesmo instante, Andrew estava em seu colo e sorria abertamente, dando-me tchauzinho.
– Andrew, filho, fique com a mamãe! – tentei correr em sua direção, mas parecia impossível.
Conseguia sentir meu coração acelerado, algumas lágrimas já rolavam por meu rosto.
– Tchau, mamãe! Vou ficar bem com o papai! – ele acenava e o outro bracinho estava ao redor do pescoço do pai.
– Isso foi sua culpa, você fez uma escolha. – a voz de era grave, seu semblante agora mostrava raiva, e eu só conseguia chorar.
, por favor. – supliquei, ajoelhando-me no chão, implorando pelo meu filho, que me olhava e não entendia.

– DING DONG. – foi o som que saiu da boca de , fazendo-me o olhar estranho. – DING DONG.

Sentei-me na cama, ofegante, sentia gotas de suor descerem por minha testa. Olhei para o lado e fechei os olhos, aliviada. Andrew continuava dormindo feito um anjo. Isso foi desesperador. Claro que já tive pesadelos desse tipo antes, mas nunca me pareceram tão reais. Passei a mão levemente pelo rosto dele e fiquei ainda mais tranquila ao notar que não tinha febre.
Ouvi a campainha mais uma vez e me levantei rapidamente da cama, olhando o relógio ao passar pela sala. Pude constatar que dormi por quase duas horas, já é alguma coisa.
Travei antes de chegar na porta. Quem poderia ser? novamente? Ele tem a entrada autorizada pela . Olhei pelo olho mágico e quase caí de costas. Jura mesmo que ela veio até aqui? Mordi o lábio e ao abrir a porta, abriu o maior sorriso.
– DÉ! – abraçou-me forte e eu retribuí.
Era muito bom vê-la novamente, muitas das minhas lembranças têm a imagem da .
– Oi, ! – afrouxei o abraço e logo estávamos segurando as mãos uma da outra. – É bom te ver. Cadê a pequenininha?
– Zac está de folga hoje, levou ela na casa dos pais. – entrou e fechei a porta. – Depois que ele me confirmou sua volta, não pude deixar de confirmar com meus próprios olhos!
– Eu poderia falar para você me ligar, mas mudei de número. Desculpe não ter ligado, aconteceram muitas coisas. – engoli seco.
Eu poderia falar de Andrew para , ela era confiável, eu só não sabia qual reação esperar.
– Não tem problema, ! Também não fui te visitar no Canadá, a me deixa doidinha. – rimos.
Sabia bem do que estava falando-me, Andrew era calmo, mas quando decidia fazer a festa, ninguém segurava.
– Então, , quer beber alguma coisa? – havia me sentado no sofá e estava na poltrona à minha frente, o sorriso dela era contagiante, isso fazia falta nos meus dias.
– Não, obrigada! Na verdade, eu vim aqui para lhe dizer uma coisa. – dei um sorriso fraco, então ela não sabia que havia me contado sobre o casamento?
– Você vai se... – antes mesmo que eu pudesse terminar, ela já havia soltado a bomba.
– Quero que você seja minha madrinha! – fiquei estática, bateu palmas e apoiou as mãos em meus joelhos. – Claro que eu iria dar um jeito de te achar no Canadá e lhe fazer o convite, mas agora você voltou, tem esse lance com o , vai ser perfeito!
– Não! – disse rapidamente. se assustou, tirando as mãos de mim e ficando ereta na poltrona. – Desculpe, eu quero dizer que aceito ser sua madrinha, mas eu não tenho lance nenhum com o , não mais.
– O quê? – parecia realmente surpresa, sentou-se ao meu lado no sofá. – Então o Zac não me contou direito, eu achei que você tinha voltado para cá por conta do !
– Longe disso. – ri fraco. – Voltei por uma proposta incrível do , mas tenho coisas a resolver com o .
– Você gosta dele, não é? – deu-me um leve empurrão com o ombro, fazendo-me rir. – Vamos lá, é , todo mundo já teve ele como crush!
– Isso não vem ao caso, . – respirei fundo. – O que tenho para resolver com ele é mais importante do que um crush. – levantei-me, indo até a cozinha. – Vou preparar um café para a gente.
– Isso não pode destruir meus planos! – a voz de já estava no cômodo. – Imaginei todas aquelas pessoas que saíam com a gente entrando na igreja; você com o , com o , com a , porque elas são maravilhosas juntas!
– Espera, duas madrinhas entrando juntas? – comecei a gargalhar. – Você é incrível, !
– Não, realmente, não tinha parado para pensar nisso. – ela levou a mão até o queixo e ficou pensando. – Vou ter que encontrar par para elas, Zac vai me ajudar nisso.
– Você realmente quer todo mundo daquelas loucuras entrando juntos em seu casamento? – encostei-me na pia, ficando de frente para , ela era hilária.
, foi nessa loucura que conheci Zac, e foi nessa loucura que nasceu, é óbvio que vocês têm um papel importantíssimo na minha vida. – ela sorriu e deu alguns passos até mim. – Você foi a única que se distanciou, nós aqui continuamos falando-nos, só não saímos mais.
– Sobre eu ter ido embora... – fechei os olhos e respirei fundo antes de começar a falar.
Não fazia sentido esconder dela, mas eu teria que segurar as pontas para ela não dizer absolutamente nada para o Zac.
, você não tem que me explicar nada, oportunidades surgem e você agarrou a sua, consigo compreender isso. talvez não deu o apoio necessário, mas a gente pode resolver isso. – ela sorriu e piscou para mim, torci o lábio e nem precisei continuar a falar.
– Mamãe? – ouvi a voz ainda sonolenta de Andrew, estava próxima demais.
Foi quando se virou e viu o pequeno na porta da cozinha.
Agachei-me onde estava e Andrew correu para meus braços, deitou a cabeça na curva do meu pescoço e me abraçou forte. Mal tinha notado a presença da , que continuava petrificada olhando o pequeno. Eu não precisaria falar nada, qualquer pessoa que me conhecesse e olhasse meu filho saberia dizer quem era o pai. Levantei-me e olhei firme para minha amiga, que estava com a boca aberta em ‘O’, os olhos arregalados e fixos na criança.
Andrew foi despertando, ergueu a cabeça e olhou para , abriu um pequeno sorriso para ela, que pareceu despertar do transe e levou uma das mãos à cabeça.
– Eu preciso de uma vodca, whisky, qualquer coisa forte, por favor. – disse quase em um sussurro, dei alguns passos e coloquei Andrew na cadeirinha.
– Quer leite, filho? – perguntei e ele sorriu mostrando os dentinhos. – Certo, mamãe vai fazer para você. – disse enquanto pegava a garrafa de tequila em cima da geladeira, coloquei na frente .
– Obrigada. – agradeceu e abriu a garrafa, enchendo o pequeno copo que havia pegado no armário, e sentou-se de frente para Andrew.
– Eu não vou puxar o assunto, fique ciente. – coloquei o leite para esquentar, Andrew estava olhando-me e sorrindo, aproximei-me e dei-lhe um beijo no rosto.
– Ele é idêntico, sem tirar nem pôr! – virou uma dose de tequila e voltou a encarar o pequeno. – Como pode?
– Os genes são fortes. – dei de ombros. – Não pense que planejei isso.
– Quantos anos ele tem? – arqueou a sobrancelha e me olhou. – Ele parece poucos meses mais novo que a .
– E ele é. Quando você estava com três ou quatro meses, eu estava com quase dois. – sentei-me ao lado de Andrew, pude ver minha amiga encher o copo e virar mais uma dose.
– Deixe-me adivinhar, não faz ideia que tem um filho. – ela me fitou e apenas assenti. – Que merda!
– Pois é. – suspirei. – Estou preparando-me para esse acontecimento, não vai ser mole.
– Amiga, o vai pirar! Você escondeu isso dele, e me desculpa, mas ele tinha o direito de saber. – ela voltou a olhar o pequeno, que agora mexia nos brinquedos da cadeirinha.
– Tudo o que você vai falar eu já sei, juro! – levantei-me e fui pegar o leite dele. – Eu ia me encontrar com o hoje, mas Andrew está doente desde quinta-feira, começou a melhorar ontem, tive que desmarcar! – coloquei o leite na mamadeira e comecei a mexer para esfriar um pouco.
, preciso que você me explique tudo, desde o começo. – cruzou os braços e se ajeitou na cadeira. – Eu sei que você tem seus motivos, então me conte.
Dei a mamadeira para Andrew, sentei-me de frente para e comecei a contar tudo, desde o momento em que descobri a gravidez até agora. As reações foram as melhores e as piores ao mesmo tempo. não disse uma palavra sequer, ficou quieta, ouvindo-me contar tudo, e eu só parava quando Andrew me pedia alguma coisa, nem assim ela se manifestava. chegou quase no fim da conversa, estranhou a presença de , mas quando ouviu o que eu contava, sorriu. Ela sabia que estaria do lado dela, seria mais uma aliada para me convencer a contar tudo para o .
– E então eu desmarquei o café de hoje, mas assim que ele ler a mensagem vai responder, marcando novamente, e daí isso tudo vai acabar. – dei mais um gole na água, nem sei quantas vezes enchi esse copo no meio da história.
, você já pensou em escrever um best-seller? Porque todas as merdas que você apronta é coisa de sucesso nas prateleiras de qualquer livraria. – disse antes de respirar fundo e olhar diretamente em meus olhos. – O que você pretende fazer? Seja franca.
– Ela não tem ideia, está dando glória a Deus por não ter que encontrar o . – estava com o afilhado no colo. – Vou trocar a fralda dele, o garotão está melhorando!
– Ele não vomitou desde cedo, comeu certinho, acho que até amanhã já está cem por cento. – voltei meu olhar à . – Eu sei que preciso falar para ele, mas não vai ser simples, chegar e falar!
– Ninguém disse que seria. – sorriu. – Mas pare de adiar isso! Você só prejudica si mesma e mais ainda seu filho.
– Eu sei, eu sei. – ajeitei-me na cadeira. – Eu sei que não preciso lhe pedir para não contar nada, mas estou apenas reforçando.
– Mas eu não contaria nem que você me pedisse, você vai ter que usar toda a garra de mãe que você pelo jeito não descobriu que tem e resolver esse problemão que você criou! – ela disse firme e em seguida pegou uma de minhas mãos. – Mas quando a bomba estourar, nós estaremos bem atrás de você.
– Obrigada, . – sorri sincera e acariciei sua mão, que apertava a minha.
– Deixa de ser assim, ela disse o que nós estamos dizendo-lhe há meses! – apareceu na cozinha com Andrew nos braços e o colocou no colo da . – Já faz amizade, aproveita que ele está manhoso por causa da virose.
– Oi, garotão! – sorriu para Andrew, que me olhou um tanto perdido, mas incentivei o garoto a brincar com minha amiga.
– Eu não vou te falar nada, . – balancei a cabeça, rindo, e me distraí com a criança, eu não teria o que falar.
ficou conosco até a noite chegar, ela se divertiu horrores com Andrew e não parava de falar da semelhança com . Eu desviei o assunto inúmeras vezes, falando sobre o casamento, o que era ótimo, visto que tinha tantos planos, e eu esperava que tudo saísse perfeito em seis meses. A maluca queria fazer o casamento dos sonhos em 180 dias, eu não duvidava, quem tem dinheiro consegue em até menos.
fez lasanha para o jantar, não pôde ficar conosco, Zac ligou avisando que estava em casa e ela foi rapidamente ao encontro do noivo e da filha. Andrew ainda estava mais quietinho, recuperando-se da virose que o assolou durante esses dias, mas algumas gargalhadas já eram ouvidas, o que me aliviou muito o coração.
Depois de tomar um banho e jantar, me mandou ir dormir, ficaria cuidando de Andrew, que estava manhoso demais para ir dormir agora, e disse para eu descansar. Amanhã era um novo dia, e pelo andar da carruagem, eu poderia trabalhar normalmente, e por hoje poderia começar a olhar alguns anúncios de apartamento, queria ficar o menos possível na casa dos outros, já era complicado para mim sozinha, imagine agora com um filho? Sei que não liga, mas eu preciso de um cantinho para mim.
Meu celular apitou, avisando que havia recebido uma mensagem. Joguei-me na cama e peguei o aparelho, mordi o lábio ao ver o nome de .

, desculpe-me responder só agora, eu tive um dia bem corrido, acabei esquecendo-me completamente do nosso café, e parece que tudo saiu certo do mesmo jeito hahaha. Que tal terça-feira? Você vai estar trabalhando, eu sei, mas tem a pausa para o café, não tem?
Beijos, .”


Terça-feira? Seria um dia tranquilo, eu só tinha que levar os contratos da Rolling para o empresário da banda e ajeitar os últimos detalhes. Iria aproveitar para ver algum apartamento no meio do caminho, Andrew estaria com a Steph, então poderia aguentar o surto do quando falasse sobre.

“Por mim, tudo tranquilo, ... Nos vemos lá pelas 15h? Em qual lugar?”

“O que você acha de passarmos na Belle Ville?
É um ótimo lugar para comer alguma coisa e tomar um café... Não acha?”

“Ainda pouco era só um café, agora vamos até comer alguma coisa?
Hahahaha tô achando que você não mudou nada mesmo, !!!”

“Estou sendo cavalheiro hahahaha.
Temos muito o que conversar, vai bater fome!
Mas se quiser SÓ beber o café, tudo bem!”

“No fim das contas, você tem razão...
Ok, no Belle Ville às 15h, na terça? É isso?
Vou aproveitar e procurar um apartamento...”

“Apartamento? já está te trocando?”

“Não! Hahahaha. Eu não gosto de ficar na casa dos outros.
Com as economias do Canadá, consigo pelo menos alugar um...”


E a conversa fluiu, fiquei longos minutos conversando com , a sensação era boa. Por um momento, pareceu que eu nunca saí de New York, pareceu que ainda tinha um caso mal resolvido com e que amanhã eu iria encontrá-lo no estúdio e mais um dia de trabalho iria começar.
Cada vez mais o arrependimento me cutucava, todos os dias eu pensava em como seria se eu tivesse contado para ele que estava grávida e como as coisas estariam agora. Talvez seria bom para o meu filho ter a presença do pai, que com certeza faria tudo por ele.
No fim, as meninas sempre tiveram razão.

Terça feira 12:30pm
P.O.V


Terminei de ajudar minha mãe a tirar a mesa e revirei os olhos ao perceber que ela ainda não tinha saído da pauta. “Sophie não é uma boa mulher para você”. Ela nem sequer conheceu a garota pessoalmente, e só de ver fotos nas revistas, já pensa que a garota não é boa para mim. Mas eu já estava acostumado, aos olhos de Denise , nenhuma mulher seria boa o bastante.
– Mãe, diga-me qual mulher é boa para mim, porque todas que eu saio, você diz a mesma coisa! – coloquei os pratos na pia e me virei para olhá-la.
, você não entende, eu só quero o melhor para você e estou dizendo que Sophie Turner não é! Quando for, vou sentir e lhe dizer. – ela sorriu e aquilo me fez bufar mais uma vez.
Amo minha mãe, mas ser possessiva era um saco!
– Está certo, mãe, enquanto isso vou experimentando. – ela me olhou, incrédula, e aquilo me fez rir. – Preciso ligar para , acho que essa semana vamos anunciar a tour da banda.
– Isso é ótimo! Vão ser quantos meses, mesmo? – minha mãe caminhou até a sala e acompanhei.
– Cinco, mas os shows terão longas folgas, vamos nos jogar da divulgação do CD em entrevistas. – respondi. – Mas vamos anunciar no James Corden, e se não me engano, a gravação vai ser na quinta.
– E no feriado você vai estar aqui, certo? – arqueou a sobrancelha e ficou olhando-me, era o jeito dela de me ameaçar, funcionava.
– Claro! – sorri de nervoso – vou dar uma volta no parque, vai passar aqui mais tarde, vou esperar ele.
Minha mãe assentiu e voltou para a cozinha. Passei a mão pela nuca antes de fechar a porta e caminhar até o carro. Dar uma volta no parque foi uma desculpa, mas não era má ideia.
Estacionei em frente à minha doçaria preferida, comprar stickes e caminhar me faria pensar se minha mãe tinha razão sobre Sophie. Mesmo que ela sempre dissesse o mesmo sobre todas as garotas, eu sempre ficaria refletindo, geralmente mães nunca erram, não é? Tudo bem que Denise demorou longos anos para aceitar a Dani, Kevin teve que bater de frente muitas vezes, mostrar que, independentemente do que ela dissesse, ele se casaria com sua amada Danielle. No fim, deu certo.
ainda não teve a sorte. Minha mãe não gostou quando ele começou a namorar Delta, e quando achamos que as coisas iriam ficar bem com Olivia, lá vem Denise colocar algum defeito, e ela viu apenas duas vezes, o que foi melhor na visão de , levando em conta que o que eles tinham eram só problemas. No meu caso, só a Demi prestou, e é óbvio que Ashley nem precisou visitar minha família para ser jogada de escanteio. Minha mãe queria ver o desastre do 11 de setembro e não queria ver Blanda na frente dela. Tentou engolir , mas não precisou de muito esforço, já que logo depois fui chutado.
Ser trocado pelo carinha da boyband também não era uma de minhas melhores lembranças, mas e daí? Estou seguindo em frente.
Coloquei mais jujubas do que deveria no pacote. Pensar nessas coisas sempre me deixava um tanto irritado, talvez por não querer assumir que minha mãe tinha razão na maioria das vezes, mas veja bem, eu disse na maioria, porque Denise sabe como deixar uma pessoa desconsertada e não é do melhor jeito.
Atravessei a rua e já estava no parque, caminhando e pensando em como eu pude ter tanto azar em relacionamentos. É verdade que sou bem pegajoso, mas isso é resultado de tanto tempo carente. Balancei a cabeça, rindo, e mandei mais algumas jujubas para dentro, admirei o parque estar movimentado nesse dia um tanto frio, muitas crianças estavam divertindo-se perto das árvores, e aquilo me fez sorrir mais uma vez.
A garota sentada próxima às crianças me fez franzir o cenho, aquela era ? Ela não tinha um não-encontro com meu irmão hoje? Pela fisionomia triste, parece que não sou apenas eu com problemas no amor por aqui.
Caminhei em passos rápidos até , que arregalou os olhos quando cheguei em seu campo de visão.
– Oi, ! – sorri. – O que está fazendo aqui? Você não tinha marcado de tomar café com meu brother?
– O-oi, ! Pois é, o desmarcou e eu aproveitei para vir ao parque, mas já estava de saída! – levantou-se nervosa.
Se não estivesse frio, eu poderia dizer que ela estava tremendo por me ver.
– Mas já? Vamos conversar um pouco, trouxe jujubas! – mostrei o pacote em minhas mãos e ela sorriu, mas era um sorriso estranho.
– Obrigada, , mas eu preciso mesmo ir, tenho um milhão de coisas para resolver. – ela parou de me olhar, seu olhar estava buscando alguma coisa atrás de mim, e antes que eu pudesse me virar, senti alguém apertando minhas pernas.
– Tio ! – Andrew, o afilhado da estava abraçando-me pelas canelas, era algo engraçado de se ver.
Abaixei-me e abracei o pequeno.
– Você está cuidando dele hoje? – levei meu olhar à , que estava petrificada, parecia querer falar alguma coisa, mas nada saía, aquela garota voltou do Canadá superestranha. – Vem, Andrew, Tio vai te pegar no colo.
– Cainho? – ele perguntou e eu ri.
Ele queria voltar a brincar de derrubar os carrinhos, fazendo-me pegá-los e fazer algo engraçado ao devolver. Andrew era um encanto.
, como eu dizia, preciso ir. – esticou os braços para pegar Andrew. – Tenho coisas para fazer e perdi tempo demais aqui.
– Deixa eu me divertir um pouquinho com o garotão aqui, ele é muito fofo, né? – levei as mãos ao peito de Andrew e fiz algumas cócegas, ele gargalhou e bateu as pequenas mãos em meu ombro.
– Ele gosta de você. – suspirou, agora parecia decepcionada e eu não conseguia entender o motivo, qual a decepção em ter crianças gostando de você?
– Pois é! – sorri e levei o pacote de doces ao campo de visão do Andrew, curioso, colocou as mãos no plástico e ficou analisando, parecendo não saber o que era.
– Ele nunca comeu jujubas, deve estar perguntando-se o que é. – ela tinha a voz calma demais, parecendo prever o que aconteceria.
Como disse, ela estava estranha, então apenas continuei curtindo Andrew.
– Ele nunca comeu? Que bizarro, geralmente crianças atacam jujubas na primeira vez que veem. – ajeitei Andrew em meu colo e o vi com apenas uma jujuba em mãos, analisava como se fosse algo raro, olhava para e para o doce, como se estivesse comunicando-se com ela.
– Exatamente, mas Andrew toma alguns remédios para poder comer esse tanto de açúcar e ele já sabe que, antes de comer, tem que olhar bem e pedir, para ver se pode comer aquilo. – mordeu o lábio antes de continuar. – Ele tem diabetes.
– Sério? – torci o lábio e voltei a olhar o pequeno. – Tão novo e já com esse problema? Sei como é difícil, descobriu mais tarde que o Andrew, mas sofremos muito com isso.
– Pois é, com o pequeno as coisas são mais fáceis, ele tem menos crises é bem controlado, só se ele passa do limite no açúcar que algo acontece, mas é monitorado o dia todo para que isso não aconteça. – voltou a sentar-se, não me olhava, buscava qualquer coisa pelo parque, menos para mim.
Por um momento ela pareceu conformada? Não sei se era essa a palavra, mas era o que sua expressão transmitia.
– Você sabe que isso pode ser genético, não é? – Andrew olhava para mim, sorriu mostrando os dentinhos e voltou a olhar , que agora estava sentada.
. – ela respirou fundo, piscou algumas vezes, engoliu seco e me olhou, parecia trêmula, mas com certeza era pela brisa fria. – Claro que sei que pode ser genético, o Andrew...
, você está muito estranha. – disse assim que notei que ela havia travado novamente.
Eu não entendia, ela não era assim.
Mamãe, podi? – A voz de Andrew cortou o que pensei em falar, olhei em volta e não tinha mais ninguém, ele estava com o olhar fixo em e as mãozinhas esticadas, com o doce em uma delas.
estava de cabeça baixa, com as mãos entrelaçadas e, quando levou seu olhar ao pequeno, abriu um pequeno sorriso e disse: “Pode, filho”.
Tive que me sentar, senti as pernas vacilarem e rapidamente me lembrei que estava com uma criança nos braços. Coloquei Andrew, que agora estava devorando algumas jujubas, sentado no banco, no meio de mim e , que me olhava preocupada.


Capítulo 5


Eu não sabia direito o que pensar. Óbvio que havia notado a semelhança do pequeno com meu irmão quando cheguei à casa de , mas a história dela foi convincente, não foi? Ou eu estava distraído demais em falar sobre casamento que me perdi.
Fechei os olhos e respirei fundo, apoiei as costas no encosto do banco de madeira e voltei ao dia em que conheci Andrew, repassei todo o diálogo durante as horas que fiquei lá.
“Por que quer que ele te chame de tio ?”, a voz de ecoou nas lembranças. Ela havia ficado tensa quando me viu, mas achei que era apenas por não esperar minha visita quando estivesse doente, , você é um otário! Mas agora era óbvio, o tempo que ficou longe, a insistência de para que a amiga voltasse, o fato de não poder sair da cidade com a banda, ela mal sai de casa desde que chegou, como ninguém notou isso?
Abri os olhos rapidamente e ela continuava lá, aguardando alguma coisa, e eu nem sabia direito por onde começar.
– Ele. – pigarreei. – Ele é meu sobrinho?
– Sim. – respondeu sem pestanejar, voltando a olhar qualquer coisa menos em minha direção.
Eu tinha várias perguntas, mas estava sentindo um misto de raiva e preocupação ao olhar minha amiga.
– Você pretendia contar? – coloquei o pacotinho de jujubas no meio das pernas de Andrew, que estava divertindo-se com as que havia pegado anteriormente.
– Ainda pretendo. – ela se ajeitou no banco. – Era para eu já ter contado, mas ele desmarcou o café porque surgiu uma emergência com a série, disse que vai remarcar para sexta.
– Entendi. – torci o lábio e olhei para a frente, aquele gramado me deixava um tanto mais calmo. – Você vai me contar o que aconteceu?
– Com certeza. – ela assentiu mesmo já tendo afirmado. – Mas podemos ir para o apartamento? Não é por nada, mas você é famoso, paparazzi podem estar por aqui, e você sabe aonde vai dar!
Concordei. Estava no piloto automático, não conseguia pensar direito. havia chegado ao parque de táxi, então fomos em meu carro para o apartamento da . No caminho ela me contou tudo, desde quando descobriu a gravidez até a última mensagem trocada com . Confesso que não esperava muitas coisas vindas do , dizer o que disse e querer que uma garota lhe conte sobre a gravidez é muita coisa.
Não sabia desse episódio, talvez poucos saibam. Como ela mesmo disse, das meninas, é a única que sabe sobre o diálogo da boate antes de descobrir a gravidez.
Claro que nada justificava esconder Andrew por todo esse tempo, e era algo que não escondia, ela disse umas dez vezes que se arrepende demais e o arrependimento aumentou depois que ela chegou em New York, mas agora já estava feito, ela tinha apenas que resolver essa situação.
– A única coisa que lhe peço, , é que não conte nada para o . – colocou Andrew no sofá e virou-se em minha direção. – Eu tenho que contar.
– Eu não vou contar, eu ainda não sei direito como estou sentindo-me. – coloquei as mãos nos bolsos da calça e me apoiei no batente da porta. – Você sabe que isso não foi justo com ninguém.
– Sei, – suspirou. – Eu penso nisso todos os dias desde que fui embora, mas eu agi no impulso da coisa...
– Você não pensou em ligar? Ele surtaria de qualquer forma, mas talvez por telefone fosse mais fácil. – dei de ombros, não estava conseguindo me colocar no lugar dela, mas precisava tentar.
, eu tentei ligar inúmeras vezes, discava o número e desistia, escrevia mensagens enormes e até hoje elas estão no rascunho do meu celular e no meu e-mail, eu não tinha coragem! – sentou-se no sofá ao lado de Andrew, continuei parado, ouvindo-a. – Tudo aconteceu do pior jeito possível, quando disse aquelas coisas na boate, achei horrível, mas levei numa boa, pouco tempo depois eu estava grávida.
– Deve ter sido bem assustador. – fui até a cozinha, precisava de água, precisava colocar a cabeça no lugar. – Não sei por que disse algo do gênero, mas sei que daríamos um jeito se você tivesse contado quando descobriu.
– Eu não parei para pensar nisso, só queria estar bem longe daqui e depois eu já não tinha mais coragem alguma para voltar, usava a boyband que eu cuidava no Canadá de desculpa para não aparecer por aqui. – ela passou a mão pelos cabelos. – Quando me ligou, eu sabia qual o seria o final da história, mas resolvi enfrentar pelo Andrew, já não dava mais para fugir disso.
– Eu estou com um pouco de raiva de você, ao mesmo tempo, sinto-me angustiado por não poder te ajudar. – respirei fundo, comecei a andar de um lado para o outro na sala, estava com o copo d’agua em mãos e dava um gole a cada segundo.
– Não tem nada do que eu diga que vai fazer você me perdoar ou entender o que eu fiz, eu sei disso, mas eu vou consertar as coisas. Ainda não sei como, mas vou. – ela me olhava andar à toa, ao mesmo tempo que eu queria gritar e mandá-la calar a boca, eu queria correr e contar para meu irmão sobre seu filho, mas sabia que essa bomba, quando explodisse, iria pedaços para todo lado.
– Olha, você tem que contar para o logo. Quanto mais você demora, mais tempo você perde, e eu realmente estou em cima do muro, consigo entender seu lado, mas também vou entender a reação do meu irmão quando você contar. – fiquei parado na frente dela, tentando mostrar meu pensamento confuso e me encontrar também.
Não era qualquer notícia, tem um filho e não faz ideia.
– Eu vou contar, estou esperando esse encontro acontecer, vai ser a primeira coisa que vou falar, mas tudo parece estar conspirando contra, e tenho mais medo a cada dia que passa. – Andrew estava em pé, no tapete, brincando sabe-se lá do quê, eu não conseguia tirar os olhos dele, mas só conseguia pensar o porquê não reparei nisso antes, ele é a cara do meu irmão!
– E precisa esperar um encontro, ? – franzi o cenho. – Vai usar essa desculpa até quando? Se quiser, eu te levo no estúdio agora e você conta, ou você pode ligar e pedir pra ele vir até aqui e contar! Não acha que já se escondeu demais?
– Acredite, estou adiando dores de cabeça! Você acha que não pensei em contar no pub? Mas me diga, , eu estou aproveitando essa “desculpa” – fez aspas com as mãos – para trabalhar e curtir meu filho antes que seu irmão apareça com no mínimo dois advogados para querer levá-lo!
não... – engoli seco antes de terminar a frase.
Era difícil afirmar alguma coisa antes de ver a reação do pai. era calmo, mas ficava cego quando estava nervoso, e talvez não estivesse errada.
– Vai dizer que ele não faria isso? Claro que faria! E eu vou estar pronta quando isso acontecer, nem sei como, só sei que vou! E vou sim aproveitar o tempo enquanto esse encontro não acontece, porque depois, além do , vou ter sua mãe para melhorar a situação, e você já sabe que depois disso a guerra só vai estar no começo, mas não vai ser minha primeira batalha, . – estava em pé na minha frente, fuzilava-me com o olhar e eu podia ver lágrimas querendo sair, mas ela tomou fôlego e continuou. – Eu sei que errei, não escondo isso, mas eu vou lutar pelo meu filho até morrer, e se lutar com sua família vai ser a primeira coisa que vou ter que fazer, que seja assim. Você pode ficar do lado do seu irmão, mas precisa assumir que fugir não era tão sem fundamento depois de várias atitudes dele.
– Eu não estou do lado de ninguém, . – revirei os olhos. – Eu estou confuso, eu tenho você como uma grande amiga, mas não consigo ficar numa boa agora, e é claro que mudou muito, ele era um babaca naquela época. – sentei-me no sofá, coloquei o copo no chão e Andrew continuava a nossa frente, entretido demais para notar adultos em crise, eu gostaria de ser ele agora.
– Também tenho você como um grande amigo, . – ela respirou fundo e sentou ao meu lado no sofá. – E eu sei que as coisas não deviam ser assim, mas elas são, e eu tenho que arcar com as consequências.
– Se você conversar direitinho com o , acredito que ele vai só te odiar para sempre e não vai te matar. – inclinei-me um pouco para o lado, encostando-me no ombro de .
– Depois que ele ouvir a palavra filho, não vai ter nada “direitinho”. – ela ironizou, fazendo-me rir fraco.
Nossos olhares estavam em Andrew dançando como o desenho que passava na TV.
– Eu não sei, acho que se eu contasse, ou alguma das meninas, seria mais simples para você. – abracei de lado. – Você só teria que arcar com o resultado da explosão, e não com ela em si.
– Não, todo mundo já fez demais por mim, e eu já errei muito nessa história toda, preciso fazer isso. – ela continuou parada, acredito que estranhou o abraço surpresa.
– Além do mais ia rolar aquele clichê de descobrir pela boca de outra pessoa. – joguei a cabeça para trás e respirei fundo. – Eu ainda estou com raiva, mas entendo, e não sei se isso é relevante, mas você tem meu apoio, .
– Isso é muito relevante, , obrigada. – senti seus braços apertando-me contra si, dei um leve sorriso e beijei-a o topo da cabeça.
– Veja bem, entender é diferente de aceitar, e também vai ter meu apoio, sabe disso, não é? – apenas assentiu e deu uma risada, era bom tê-la de volta, mesmo com todas essas loucuras que só acontecem com ela.
– Você pode não aceitar o que fiz, mas aceita Andrew como sobrinho, certo? – agora me olhava, parecia apreensiva, fiz uma careta antes de responder.
– Ele já era meu sobrinho antes mesmo de tudo, não é Andrew? – disse e o pequeno me olhou, abriu um sorriso e bateu palmas.
Ele era apaixonante.

Apartamento do
05:12pm


Terminei de arrumar a última caixa e me joguei na cama, muitas coisas aconteceram ao mesmo tempo e ainda não consegui processar todas as informações. Fechei os olhos, tentando lembrar se já tinha mandado todas as outras caixas para o apartamento do . Voltaria a dividir com ele, era bem monótono estar sozinho. Mesmo saindo com a... SOPHIE!
Levantei-me bruscamente, busquei meu celular no bolso, e era tarde: cinco chamadas não atendidas. Passei tanto tempo na que esqueci de tirar o celular do silencioso, e com a notícia que recebi, esqueci também que havia marcado de encontrar a Sophie hoje. Eu estou muito ferrado! Como o cara esquece a garota que tá saindo?
Disquei os números dela rapidamente, procurando as chaves do meu carro pelos cômodos, iria encontrá-la e dar um jeito nisso.
“Hey! Aqui é a Sophie Turner, não posso te atender agora, mas deixe uma mensagem após o BIP, e eu com certeza vou dar um jeito de falar com você! Beijos”
– Sophie! Desculpe-me, olha, aconteceram tantas coisas hoje e eu... – mordi o lábio antes de continuar, controlando-me para não falar sobre . – Eu me perdi no horário e perdi nosso lanche, você já está a caminho de Barcelona? Por favor, retorne-me!
– Ela já está, sim, querido irmão. – ouvi a voz de e me virei, só então percebi que já estava na sala. – Lauren é amiga dela, lembra? Ela me ligou para dizer que não iríamos nos encontrar no final de semana porque estava com a Sophie embarcando para Barcelona.
– Cara, eu sou muito otário! – levei a mão à cabeça e ouvi rir. – Não sei por que você está rindo, você marca encontro com a e ainda com a Lauren no final de semana?
– Qual o problema? – ele entrou no apartamento e foi direto para a cozinha. – Irmão, eu não vou voltar com a só porque rolou aquela química no pub!
– Ninguém está dizendo que vocês vão voltar, . – caminhei até onde ele estava. – Estou dizendo que a não é dessas que vai dividir você, saca?
– Mas não vai precisar disso, não vamos ter mais nada. – ele deu de ombros e me fez revirar os olhos. – Ok, talvez uns pegas, nada além.
– Cala a boca! – apoiei-me no balcão. – De qualquer forma, o que você acha? Flores e chocolates vão fazer a Sophie me perdoar?
– Isso é bem clichê, mas pode funcionar. – pegava alguns amendoins no armário. – Você não vai tirar seus mantimentos daqui?
– Vou deixar isso pra Katryn. – disse, referindo-me à funcionária que limpava meu apartamento. – Já mandei a maior parte para o seu. Aliás, o que você veio fazer aqui?
– Dona Denise me ligou. – se apoiou na pia atrás de si e me olhou, divertido. – Ouvi por alguns minutos que Sophie Turner não era a garota certa para você, e ela me pediu para te dizer isso.
– Cara, nossa mãe precisa de férias, aquele restaurante está acabando com ela! – sentei-me no banquinho e bufei. – Todas as mulheres não são boas para nós! Já percebeu?
, o problema é que você se importa com o que ela diz. Eu sei que ela é nossa mãe e quer nosso bem, mas no quesito romance, desencane! – abriu uma cerveja e me entregou. – Ela vai colocar defeito em todas, igual fez com a Dani, mas Kevin foi lá e casou!
– Ela demorou, mas aceitou. – dei um gole na cerveja. – Eu não consigo não me importar, cara! Ela enche muito o saco com isso!
– Denise nos quer só para ela. – deu de ombros. – Tente apenas ouvir o que ela diz sem retrucar e fazer o que você quer, ela vai acabar aceitando no final.
– Filhos são complicados, talvez eu vá entender isso quando for pai. – torci o lábio e olhei para , ele fez uma careta e riu em seguida.
– Eu seria um péssimo pai. – comentou. – Mas daqui uns dez anos, quando eu tiver um filho, vou ter amadurecido, né?
– Dez anos? Não acha muito tempo? – engoli seco e tentei me concentrar em não falar nada sobre o filho que ele já tem.
– É só uma expectativa, sabe? Se vier antes, tudo bem, mas como não encontrei a mulher certa para isso, vamos deixar em dez anos mesmo. – deu um longo gole na cerveja e me olhou. – Será que vamos ter a sorte que o Kevin teve?
– Não sei, mas vamos ver, quem sabe em dez anos? – zombei e gargalhou, assentindo.
Meu irmão pode não ter encontrado a mulher certa para ter um filho, mas Andrew estava aí para mostrar que nem sempre as boas coisas seguem nossas expectativas ou são feitas do jeito certo. Essa explosão vai ser grande.

Segunda Feira 11:25am
P.O.V


Entrei no estúdio correndo. Eu não estaria atrasada se Gary tivesse aceitado que estivesse presente no photoshoot da banda. Ele era um velho tão ridículo que faria de tudo para tornar esse contrato insuportável só pelo prazer de nos ver pirando!
Ajeitei meu blazer e mandava mais uma mensagem para , avisando que já estava no prédio. Algo estava conspirando para eu não me encontrar com , não era possível! Depois que descobriu, fez visitas durante a semana e se uniu à para fazer a pressão psicológica.
No final de semana, estava atolado com a série, estavam gravando a season finale e ele estava bem longe de NY desde quinta-feira, chegou no domingo à noite e havíamos marcado para almoçar no Mannaja, restaurante preferido do , mas vejam só! Gary fez me ligar, alegando que, se todos da equipe não estivessem presentes, ele romperia o contrato, coisa que não dá para acontecer logo agora!
Respirei fundo inúmeras vezes para não o mandar à merda, cancelei com , e cá estou eu, pronta para passar o dia vendo a banda fazer suas poses e ajudar a responder e-mails de patrocinadores, coisa que eu poderia fazer em casa! Mas o Gary....
– Vejam só quem veio nos fazer companhia! – foi o que o velho disse assim que entrei no estúdio, fechei os olhos e repeti mentalmente: “mantenha o equilíbrio, o dia vai acabar”.
– Gary, minha presença é realmente necessária? São apenas algumas fotos e uma entrevista. – cruzei os braços e fiquei olhando-o sentado em uma poltrona na lateral do estúdio.
– Eu também não precisava estar aqui, senhorita , mas pelo preço que paguei não é nenhum esforço acompanhar os detalhes, não acha? – ele colocou os pés em cima da pequena mesa que havia em sua frente, apenas bufei e fui em direção à .
– Estava fácil demais, eu sabia. – ela disse entredentes assim que cheguei a seu lado. – ele não pagaria o dobro do que queríamos à toa, vai nos infernizar enquanto puder.
– Gary sendo Gary, ele nem precisa desse tanto de gente aqui. – revirei os olhos. – Mas é só hoje, depois ele vai nos infernizar nos dois shows, o que será infinitamente pior.
– Você não vai estar no primeiro, livrou-se. – olhava fixamente para a tela do celular enquanto resmungava.
– Eles foram se trocar? – perguntei, referindo-me à banda, assentiu. – Quantas fotos?
– Gary decidiu fazer uma edição especial apenas da , ou seja, teremos uma revista cheia de fotos maravilhosas. – ela me olhou e forçou um sorriso, esse velho sabe como acabar com uma equipe.
– E ele já planejava tudo, por isso aceitou tão facilmente o valor. – fechei os olhos. – Que raiva!
– Sem grunhir no meu estúdio, ! Isso aqui é um ambiente de paz! – Lá estava Stone atrás de mim, o dia iria render, com certeza!
? – abri os olhos e vi entrando no estúdio. – Não me diga que...
– A presença dela é importante aqui, , não acha? – Gary entrou no meio de nós e fez o que sabia fazer: ser inconveniente.
Nos intervalos do ensaio, conversei com , explicando que fui obrigada a cancelar com mais uma vez. Deixei Andrew com a Steph às pressas e corri para a Rolling Stone, não podíamos perder um contrato desse porte agora, nenhuma outra revista fecharia pelo mesmo valor, até porque estaríamos desesperados. resmungou algumas vezes, mas não se opôs à minha decisão, visto que o lance do contrato pesava para todos.
Fotos e mais fotos, e-mails, telefonemas, acabei adiantando muitas coisas. Depois que o programa do James Corden foi ao ar e a tour foi anunciada, os patrocinadores fizeram algumas exigências, e arrumar tudo aqui em um mês não seria simples.
Durante as entrevistas, recebi um telefonema de Steph alertando-me que o remédio do Andrew havia acabado, aproveitei uma brecha e enviei um WhatsApp para o pediatra, solicitando nova receita. Andrew havia feito o check-up durante a semana e havia me esquecido de solicitar a nova receita.
– Algum problema? – perguntou. – Você parece nervosa.
– Eu ‘tô nervosa! – grunhi. – Gary não podia ter feito isso! Eu acordei decidida a falar com o , sabia? Agora minha coragem já era, vou voltar a ficar travada só de pensar em falar com aquele ridículo!
, relaxa, vocês já remarcaram esse não encontro três vezes! Ele vai remarcar. – balançou a cabeça. – Qualquer coisa, você fica bêbada no dia, vai ter mais coragem!
– No momento eu queria estar bêbada para acabar com a raça desse velho! – olhei para o lado e Gary Stone estava animadamente irritando a banda, mas tentou manter a simpatia, como todos ali estávamos fazendo.
– Pensa no contrato, vamos lá, foco! – ouvi a risada da minha amiga e, por um segundo, quis ser uma serial killer.

Apartamento da 4:30pm

Foi infernal, passar todas aquelas horas com Gary tentando arruinar o dia foi o pior jeito de iniciar a semana. Eu só queria encher a cara e falar mal do dia de hoje, mas ainda tinha alguns e-mails para responder, e aproveitou para levar Andrew na festinha de aniversário de uma das crianças no prédio da .
Dei um banho nele, que estava adorando aquela agitação toda, escolheu uma camisetinha jeans, tênis e bermudinha para seu afilhado, aquilo me fez rir. Eles saíram e Andrew estava muito animado, parecia que iria descobrir um mundo novo e, na verdade, iria mesmo.
Até logo, mamãe! – ele acenava e sorria abertamente. – Eu ti amu!
– Eu te amo, filho. – acenei de volta e balancei a cabeça, rindo. – Divirtam-se!
– Piscina de bolinhas, cachorro-quente, bolo, você acha que não vamos nos divertir? – ela perguntou antes de sair e fechar a porta.
– Tenho certeza que vão. – falei sozinha enquanto ia até meu quarto.
Tomei um longo banho, precisava daquilo, o dia havia sido estressante demais. Antes de entrar no chuveiro, olhei meu celular, e não havia respondido a mensagem. Será que ele pensou que eu estava inventando desculpas? Não iria enviar outra mensagem, eu iria parecer desesperada demais, e era o que eu não estava. Depois do banho, voltei a olhar o celular, e nada. não estaria fazendo pirraça, não é? É bem a cara dele. Tanto faz, então!
Ajeitei o notebook na mesa da sala de estar, o celular ficou ao lado, busquei um suco na geladeira e me posicionei para responder todos os e-mails e finalizar os projetos que iniciou.

“Aos cuidados de: Robbins.
Boa tarde, !
Conversamos ao telefone há algumas semanas, gostaria que a banda...”


Blá-blá-blá, mais um e-mail de patrocinador querendo mais destaque do seu produto, já abri quantos e-mails assim em uma hora? Dez? No mínimo. Isso é um saco! Projetamos tudo durante meses e, quando falta menos de dois meses para a tour começar, eles decidem mudar alguma coisa, isso é de doer.

“Como estamos na festinha, ? Já chego aí! Xx
“A vai na festinha das crianças? Qual o sentido? –
“A sobrinha do meu crush também foi convidada, eu comentei sobre o Ethan no final de semana, não me digam que já esqueceram ¬¬ –
“Não é que esquecemos, amiga! Você e a trocam de crush muito rápido, não tenho memória para isso! Hahahahaha. –
“Que calúnia! Nós aproveitamos as oportunidades que a vida dá! É diferente... –
“RT na !!!!!!!! –
“Claro! Hahahahaha. –
“Queria beber tequila, e não estar aqui respondendo a esses patrocinadores pé no saco! –
“Podemos beber tequila no final de semana, não vejo problemas. –
“Vamos fazer uma social em casa! Mas e o Andrew? –
“Não vou deixar meu filho na Steph de novo só para beber!! >.<“
“Lembram do lance de motorista da rodada?
Podemos fazer o mãe da rodada!!! –
“Tipo, uma pessoa não vai poder beber e vai ficar cuidando do Andrew? –
“Olha, a ideia me parece bem interessante!”


Começamos a debater e aprimorar a ideia de “Mãe da rodada”, ri bastante enquanto falávamos sobre. Ao mesmo tempo que todas queríamos beber, queríamos cuidar do pequeno Andrew, e óbvio que não iríamos sair de casa. Jamais iria sair para beber com meu filho nos braços.
A campainha tocou, despertando-me da conversa e assustando-me ao mesmo tempo. Será que decidiu fazer uma visita de novo para o Andrew? Mas que tio babão eu arranjei para o meu filho. Levantei-me e deixei o celular no balcão. Se fosse o , eu realmente iria mandar uma foto para as meninas da cara de triste de ao não encontrar Andrew em casa.
Caminhei, rindo à toa até a sala, e ao abrir a porta, congelei. Não poderia ser real, eu não tinha me preparado para isso.
– Já que nosso encontro nunca sai, decidi vir até você e fazê-lo por aqui mesmo! me contou que você estava estressada por conta do Gary, e imaginei que teria saído, porque comentou algo sobre, e comprei dois cappuccinos e pensei em pedir uma pizza mais tarde, o que acha? – ele foi entrando e falando tudo muito rápido, deixando-me ainda estática na porta, sem saber direito como respirar.
– Oi, . – soltei o ar e voltei a prendê-lo, como se aquilo me desse coragem. – Eu estou confusa.
– Confusa? Com o quê? Marcamos e desmarcamos nosso café umas quatro vezes, e eu decidi não adiar mais. Sabia que você estava em casa e trouxe o café até você! – ele deu de ombros e sentou-se no sofá, colocando os copos de cappuccino sobre a mesa de centro.
– O lance da pizza até mais tarde... – engoli seco e fechei a porta. – Mais tarde que horas? A daqui a pouco vai chegar e...
– Liga para ela e pede para ela fazer companhia para o , sei lá! – ele deu de ombros e sorriu. – Não quero remarcar mais cafés, vamos lá, sente-se aqui e vamos conversar, . – deu dois tapinhas no sofá e sorriu novamente, aquilo seria difícil.


Capítulo 6

Torci o lábio e fiquei parada por alguns segundos, eu tinha que fazer aquilo, me preparei há meses e toda vez que era assunto, eu travava. Ele está bem na minha frente agora, quer tomar um café e conversar, isso pode não acabar bem, mas eu posso tentar deixar as coisas amigáveis antes da notícia, não posso?
- Ok, vou pegar alguns cookies na cozinha, vai bem com cappuccino, não acha? – disse e ele assentiu, caminhei até o cômodo ao lado e fechei o notebook.
- Eu conto as novidades primeiro ou você? – pude ouvi-lo e senti meu coração dar um solavanco, minhas novidades agora não, .
- Pode contar, aliás, fiquei sabendo que seu pai abriu um restaurante – pigarreei pegando o celular e enviando uma mensagem para , ela teria que segurar Andrew lá por um tempo.
- Sim, verdade, era o grande sonho dele, foi bem corrido sabe? – pude ouvir alguns barulhos, provavelmente estava se ajeitando da maneira que se sentisse mais confortável, vamos dizer assim.
- Pelas fotos que vi na internet, parece enorme! – separei alguns cookies em um potinho e levei até a sala. – Cappuccino de canela?
- Seu preferido – ele pegou o copo e me entregou, notei que ele havia tirado os sapatos, estava no canto do sofá, completamente relaxado.
- Obrigada – coloquei o pote na mesinha e me sentei ao lado de ), que deu um gole em seu café. – Como disse, vi umas fotos na internet, como se chama o restaurante mesmo?
- Nellie Southern Kitchen – ele desviou seu olhar do meu, pegando um cookie e sorriu fraco, dando de ombros.
- O nome da sua avó? Que linda homenagem – sorri sincera e ele assentiu. – Vi algo sobre ter dez mil metros quadrados, vocês realmente gostam de restaurantes enormes ou é impressão minha?
gargalhou e começou a contar a história do restaurante, eu lembrava de boa parte, já que quando iniciaram o projeto eu ainda estava em New York e acompanhei algumas vezes nas visitas a Belmont, local onde fica o comércio. Logo depois foi minha vez de contar algumas coisas da boyband, não demorei muito já que cortei a maior parte da história, ainda não ia saber do sacrifício de achar roupas com a barriga do tamanho de duas melancias. Ele se animou com o assunto música, o que não era novidade alguma e começou a falar sobre seu último CD e os planos para o próximo, contou sobre a grande ajuda que deu em todos os detalhes e é claro que engatamos uma longa conversa sobre e tentou saber dos detalhes das negociações, ele me fez muito feliz ao falar o quão asqueroso Gary Stone conseguia ser quando queria, acredito que não encontraria alguém que o amasse, velho chato!
O foco logo era e .
- Ela terminou com ele, sendo que uma semana antes eles estavam combinando de irem tirar férias no Hawaii – parecia buscar as lembranças. – O chegou até a convidar a gente, lembra?
- Lembro, sabe o que é mais engraçado? Ela não disse nada pra gente sobre isso, pegou todo mundo de surpresa – coloquei as pernas em cima do sofá, me sentando na posição de índio. – nunca te contou nada?
- Não – torceu o lábio. – Pior que ele sempre tenta fugir do assunto quando penso em comentar, mas se eles ficassem sozinhos juntos, não duvido que tenham uma recaída.
- Ah, isso é difícil saber, , a é muito mais complicada do que parece, ela pode morrer de amores pelo , mas se decidiu não ficar com ele, não vai ceder tão fácil – disse enquanto brincava com o copo vazio em mãos, o ambiente estava muito agradável.
- Eles se gostam, isso eu tenho certeza, não deixaria suas coisas de lado só pra agradar quando ela estava doente, ele ficou muito preocupado e correu pra cá, com direito a chás e torradas – arqueou a sobrancelha e me olhou, acabei rindo, realmente dava na cara quando estava afim de alguém.
- Você chegou na minha porta com cappuccinos, , não queira falar do seu irmão – levantei o copo e ele riu assentindo em seguida.
- Mas é diferente, eu assumo minha atração por você – ele piscou e pegou o celular no bolso – Vou olhar o cardápio da pizzaria para pedirmos depois.
- Ok – engoli seco e me levantei. – Vou levar esses copos e o que sobrou dos cookies.
- Você ficou envergonhada ou é impressão minha? – pude ouvir mais uma risadinha ao caminhar até o cômodo ao lado. – , não se acanhe.
- Não é isso – pigarreei. – Eu não esperava que você ainda se sentisse atraído depois de tudo o que rolou entre a gente.
- Uma coisa não tem nada a ver com a outra, na verdade eu posso ainda estar muito chateado pelo que rolou, mas não posso negar essa atração que sempre existiu entre nós, desde o inicio – a voz já estava atrás de mim, ele não iria ficar me perseguindo pela casa, iria?
- Nesse ponto posso dizer que você realmente mudou, , você não falava as coisas tão abertamente quando estávamos sozinhos – joguei os copos no lixo e peguei dois pratos no armário.
- Ponto pra mim! – ele comemorou – Prefere qual sabor, ?
- Qualquer um – não estou com fome e você também vai ficar quando eu te contar as novidades, querido .
- Certo, vou pedir de calabresa, mexicana e lombo – ele guardou o celular no bolso novamente – Você está diferente também, mas ainda não consegui definir se é algo bom.
- Por que? – perguntei sem olhar diretamente pra ele, ajeitei os pratos na mesa e busquei os talheres.
- Você anda muito apreensiva, pensa demais antes de falar, a de antes não era assim – sentou-se no banquinho, ficou me olhando, esperando uma reação talvez negativa.
- Muitas coisas aconteceram, , mas não tenho ideia de como começar a te contar – respirei fundo e coloquei os talheres na mesa, me apoiando e fitando com a mesma intensidade.
- Não tenha pressa, , vamos devagar dessa vez e vamos conversar sobre tudo o que temos dúvida – senti sua mão sob a minha, comecei a tremer, aquilo realmente não estava nos planos.
- Olha só, , eu não entendi muito bem – tirei minha mão da sua. – Você quer que voltemos a ser como antes?
- Não exatamente – ele riu – Quero dizer que não quero mais segredos entre nós, estamos nos conhecendo novamente e se no futuro a gente voltar a ter um relacionamento – ele riu ao dizer – Que seja da maneira certa.
- Isso não vai funcionar – sussurrei fechando os olhos em seguida, aquilo estava saindo dos eixos, quando eu imaginaria um tão direto dessa forma?
- Porque não? – ouvi alguns passos, ele já estava ao meu lado. – Estou propondo uma nova amizade, nada além disso.
- , aconteceram coisas... – respirei fundo. – Que você vai surtar quando eu te contar!
- Então não me conte agora, vamos comer a pizza, vou pedir daquela pizzaria da esquina e amanhã a gente pode se encontrar de novo pra falar sobre isso, não precisamos estragar o que está rolando – senti sua mão em meu ombro e meu corpo inteiro se arrepiou, gostaria de controlar melhor minhas emoções.
- Eu preciso te contar, devia ter contato desde quando cheguei – soltei o ar dos pulmões de uma vez, ouvi dar mais um risinho, minha garganta se fechava só de pensar no resto da noite.
- , vamos curtir o agora, amanhã é um novo dia, tá legal? – eu pensei em dizer algo, mas a campainha tocou e foi rapidamente até a sala.
Ok, eu precisava respirar, precisava tomar coragem e falar de uma vez sobre Andrew. Fui até o banheiro e lavei o rosto, respirava pesadamente, sentia meu coração acelerado, as mãos um tanto trêmulas e uma angústia que não conseguia explicar, só sabia que o último sentimento não tinha nada a ver com a presença de . Me olhei no espelho e podia ver minhas pupilas dilatadas, não transparecia desespero, mesmo sabendo que estava a ponto de explodir. é pai do meu filho, não faz ideia que tem um filho comigo, Andrew foi concebido e criado longe do pai por quase dois anos, eu não devia ter feito isso, de maneira nenhuma.
Eu vou sair do banheiro, olhar nos olhos de e dizer que temos um filho. Não, talvez fosse melhor começar contando a história desde o início. Talvez se disser logo de cara que temos um filho ele fique pasmo e não consiga falar, daí pode ser minha deixa pra começar a contar a história. Ok, eu não sei como fazer isso, apenas tenho que fazer.
Ouvi batidas na porta e despertei.
- , desculpa, mas seu celular estava tocando e eu atendi, é a , ela parece desesperada, quer falar com você – ouvi atrás da porta e meu coração deu um solavanco, minha amiga estava desesperada?
- O que? – abri a porta bruscamente assustando e tirando o aparelho de suas mãos. – Alô? ?
- ! – a voz estava embargada. – , me desculpa, eu me distraí por um segundo, achei que ele tinha tomado os remédios, me perdoa!
- O-o que houve? Eu não estou entendendo – meu coração doía, a angústia talvez tivesse sendo explicada agora, por um segundo eu perdi o chão.
- Ele comeu um brownie e começou a passar mal, parecia não conseguir respirar muito bem, eu não sei dizer, ! Vem pra cá! – A voz chorosa de minha amiga só me fazia perder o rumo mais um pouco, nem percebi quando me apoiei em , que continuava estático na minha frente, assustado.
- O que aconteceu? , você tá branca feito leite! – senti seus braços me envolverem pela cintura, já não sentia mais minhas pernas direito
- – respirei fundo tentando me controlar, mesmo sendo praticamente impossível. – Onde vocês estão?
- Eu não tive a intenção, foi apenas um minuto – ela gaguejou um pouco, me deixando ainda mais nervosa – Me perdoa, , me perdoa!
- ONDE VOCÊS ESTÃO, , pude sentir seu corpo vacilar e quando ouvi me dizer onde estavam, desliguei o celular rapidamente e olhei para aqueles olhos assustados – , preciso da sua ajuda.
Ele não conseguia pronunciar nem o próprio nome se eu pedisse e eu não queria ter aquele diálogo agora, apenas disse “te explico tudo depois” e peguei as chaves do carro dele, pendurada em suas calças. Como se estivesse no automático, ele me acompanhou até o estacionamento e despertou do transe quando me viu abrir a porta do lado do motorista.
Tirou as chaves da minha mão e quando pensei em contestar, ele apenas disse “Você está nervosa demais pra dirigir”.
No caminho, parecia um funeral, era um silêncio absoluto, podia sentir os olhares de sobre mim e eu não conseguia pensar em mais nada a não ser meu filho, precisava vê-lo e constatar que tudo estava bem. Tentei processar as informações que me passou e entender o ocorrido, mas minhas mãos trêmulas e coração acelerado doíam demais pra tentar entender qualquer coisa. acelerava e ultrapassava todos os veículos à nossa frente, mesmo sem dizer nada, eu conseguia ver preocupação em seu olhar, ou talvez ansiedade, não era fácil de traduzir.
A fachada do Grey Sloan entrou em meu campo de visão e quando estacionou, praticamente pulei do veículo, correndo em direção à recepção e podia ouvir a respiração acelerada de atrás de mim.
- Meu filho foi encaminhado pra esse hospital, onde ele está? – perguntei ofegante para a recepcionista que me olhou um tanto assustada.
- Qual o nome dele, senhora? – tentou me passar calma, mas eu só conseguia querer gritar e encontrá-lo o mais rápido possível.
- Andrew Avery – respondi e o braço de esbarrou no meu, não sabia se havia sido proposital e não queria ter que olhar para o rosto dele naquele momento.
- Ele está na pediatria, segundo andar – aquela mulher continuaria com aquela calma toda?
Corri mais uma vez e não tive paciência de esperar o elevador, subi as escadas o mais rápido que pude, sabia que estava logo atrás de mim e aquilo me deixava ainda mais aflita. Assim que cheguei na ala da pediatria, pude ver andando de um lado para o outro, em prantos, o que piorou quando ela me viu. Quando cheguei à sua frente, ela parou e ficou me olhando.
- , cadê ele? Cadê meu filho? – perguntei agoniada, me segurando pra não chorar junto.
- O Doutor Karev estava te esperando, ele não pode passar informação para quem não é da família – ela engoliu o choro e passou a mão no rosto, impedindo que mais lágrimas caíssem.
- E onde está esse Doutor? – perguntei e busquei com o olhar algum médico naquele recinto.
- Quarto 202 – ela apontou a porta a poucos metros de onde estávamos, não esperei mais nada, apenas caminhei até o local indicado deixando pra trás perguntando pra o que havia acontecido, a porta estava fechada e quando pensei em abrir, o médico saiu do quarto.
- Doutor Karev? – perguntei e ele assentiu. – Sou a mãe do Andrew, o que aconteceu?
- Desculpe, como você se chama? – ele piscou algumas vezes e parecia muito calmo, o que me aliviou por alguns segundos.
- Avery – engoli seco – Andrew está bem?
- Senhora Avery, seu filho está bem – ele sorriu e foi como se eu tivesse acumulado uma enorme quantidade de sangue na cabeça e instantaneamente tudo aquilo tivesse descido pelo meu corpo, nunca me senti tão feliz na minha vida.
- Foi mais uma crise? – perguntei e pude vê-lo assentir novamente. – Mas o que causou? Ele tomou os remédios.
- Recebi o prontuário dele e pude notar que está faltando uma dose do Actrapid, o que libera Andrew comer doces a qualquer momento do dia, você sabia disso? – ele arqueou a sobrancelha e foi quando me lembrei da ligação de Steph mais cedo, me alertando sobre o remédio que havia acabado.
- Sim, ele estava com a babá hoje e ela comentou, automaticamente solicitei a receita com o pediatra, mas imaginei que ela havia dado o último comprimido hoje, não que havia literalmente acabado – suspirei alto me amaldiçoando, estava tão concentrada em jogar ódio para Gary, que não prestei atenção em um detalhe importante do meu próprio filho.
- Exatamente, a sua amiga estava me contando que ele comeu um brownie na festa, foi o suficiente para a glicose explodir dentro dele e a crise acontecer – o Doutor colocou a mão em meu ombro – Seu filho está bem, por sorte o trouxeram rápido ao hospital, injetei uma dose de insulina e ele está dormindo agora.
- Eu achei que ele havia tomado o remédio, isso foi minha culpa – apertei os olhos e fiz força pra não dar um tapa em mim mesma.
- Senhora Avery, isso é mais comum do que se imagina, claro que a diabetes do seu filho é um tipo delicado, mas está tudo bem, você não é uma péssima mãe por isso – Doutor Karev apertou meu ombro e apenas assenti – Preciso atualizar o prontuário dele, se precisar de qualquer coisa, me chame.
- Obrigada Doutor – agradeci e abri os olhos, dando de cara com aquela porta fechada, eu só queria levar meu filho pra casa e esquecer tudo isso.
- Diabetes, seu filho tem diabetes....
Ouvi a voz de atrás de mim. Provavelmente ouviu toda a conversa e quando me virei, ele estava suando. Sua testa estava encharcada e seus olhos arregalados, a respiração sôfrega me fez querer sumir daquele lugar, queria estar bem longe do agora. Não era pra ser assim, ele não tinha que descobrir dessa forma. Depois de tudo que eu já fiz, não tinha que descobrir que Andrew era filho dele quando o pequeno teve uma crise de diabetes.
Não consegui pronunciar uma palavra, as lágrimas começaram a rolar pelo meu rosto, eu tentava me desculpar, mas as palavras simplesmente não saíam. Ele me olhava e tinha a boca semiaberta, estava incrédulo e tinha completa razão, não havia nada para ser dito naquele momento. Com tudo de errado que eu já tinha feito, não havia o que fazer para tentar amenizar o choque.
Quando finalmente conseguiu dizer alguma coisa, foi o que eu esperava, mas diferente do que planejei, não consegui dizer nem metade do que pratiquei durante meses.
- Esse garoto, é meu filho?
A voz rouca de sempre estava mais grave agora, seu semblante era fechado, a mão estava cerrada em punho e eu apenas o olhava, deixando as lágrimas caírem e vendo a raiva brilhar em seus olhos. Me aproximei um pouco, levando a mão até seu ombro, ele desviou bruscamente, estava bufando e acredito que a vontade era de me mandar pro inferno.
desviou o olhar do meu, caminhou até a porta e abriu de uma só vez, travando no mesmo local ao olhar o pequeno Andrew dormindo. Não posso afirmar o que pensou, mas a forma que ele olhou para o pequeno, me deixou um tanto aflita. Senti meu coração palpitar no mínimo dez vezes seguidas, meu corpo estava fervendo, com se eu tivesse acabado de fazer um treino pesadíssimo na academia. Meu olhar estava preso no homem travado na porta e eu poderia dizer que vi algumas gotas de suor escorrerem por sua nuca. Minha garganta estava seca, queria muito saber o que falar agora, não queria esperar outros capítulos, mesmo sabendo que a história havia acabado de começar.
Ele ficou parado, ofegante, mal piscava enquanto olhava para o pequeno que estava dormindo tranquilamente na maca com lençol de floresta.
estava bloqueando a passagem e eu ainda não havia entrado no quarto, mas consegui ver quando Andrew abriu os olhinhos e ameaçou chorar, ouvi o “mamãe” sair bem baixinho, entrei no quarto de uma vez, praticamente jogando pro lado, que continuava atônito, sem tirar os olhos de Andrew.
Abracei o pequeno e sorri aliviada, estava tudo bem, ele estava em meus braços, já havia descoberto e agora eu estava bem. Eu diria essas coisas a mim mesma e jamais assumiria que estava no olho do furacão, era agora que a história realmente começaria.
Abri os olhos e não vi ninguém, a porta continuava aberta, mas sem sombra de . Engoli em seco, era ruim saber que ele iria surtar, mas era ainda pior saber que ele deixou isso pra outra hora.
A segunda batalha iria começar. Abracei Andrew ainda mais forte, ele tossiu de leve e me olhou, já estava corando novamente.
- Tudo bem, mamãe?
- Vai ficar, meu filho – voltei meu olhar à porta – Vai ficar, eu prometo – senti os bracinhos em volta do meu pescoço novamente.
Uma coisa é certa, eu não sabia o porquê prometi aquilo para Andrew, eu não tinha ideia do que aconteceria depois que saísse do hospital, poderia esperar qualquer coisa da família , mas eu jamais quebrava minhas promessas, ainda mais uma promessa feita para meu filho. Não chorei, não sentia mais aquela angústia, meu coração estava em seu ritmo normal, mas eu me sentia uma mulher estupidamente forte e pronta para vencer aquilo.

Apartamento da
Quinta feira 01:40pm


Ele havia sumido. Há três dias ninguém tinha notícias de , comentou que ele havia cancelado todos os compromissos, nem sua melhor amiga sabia onde ele estava. Eu suspeitava que ele estivesse em New Jersey, na pequena casinha onde ele havia crescido, mas não seria tão previsível. Tentei continuar trabalhando normalmente, mas a cada vez que olhava meu filho, pensava em como seria meu próximo encontro com .

“Olá, .

Sei que onde quer que você esteja, vai ler esse e-mail. Você pode fugir de facebook, whatsapp e instagram, mas você jamais ficaria sem abrir seu e-mail.
, eu sei que te devo desculpas, aliás, perdão. O que fiz não foi certo e eu deveria ter te contado antes. Olha, eu não sei como escrever isso direito, não vou te contar tudo por aqui, quero olhar nos seus olhos para te contar como tudo aconteceu, você pode não querer me encontrar, mas você sabe que terá que fazer isso.
Nada do que eu disser vai fazer você entender minha atitude, mas eu preciso te contar tudo. Lamento que justo agora que estávamos nos entendendo, eu tenha dado essa mancada com você, mas é mais complicado do que parece.
Olha só, , eu estou aqui disposta a conversar e te ouvir, mesmo que seja só pra você dizer inúmeras vezes que eu não tinha o direito de fazer isso, eu realmente não tinha.
Apareça. Todos estão preocupados.

Att
Avery.”


Apertei o botão de enviar, as coisas já haviam acontecido e agora precisava encarar e eu também, não seria nada fácil, mas eu conseguiria. Estava pronta pra ouvir todas as ofensas que estavam entaladas na garganta dele desde o momento em que saiu do hospital, não era do feitio dele, mas aconteceria, ele estava com uma raiva descomunal e eu não tinha como culpá-lo.
Olhei Andrew que estava deitado, tomando sua mamadeira tranquilamente e me lembrei que precisava falar com o Doutor Karev sobre a nova dosagem do medicamento dele.

P.O.V
07:00pm


Coloquei o celular sob a mesa após terminar de ler o e-mail dela e respirei fundo, bem fundo, me controlando pra não ir até lá e mandá-la à merda. Continuei prestando atenção no que os advogados me falavam, mas tentava não absorver tudo tão rápido, eles tinham mais interesse em meu dinheiro do que qualquer coisa.
Eu tenho um filho. O que tinha na cabeça pra me esconder isso? Onde estava o erro? Nada nesse mundo poderia justificar a atitude, eu estava borbulhando de raiva.
Há alguns dias eu estava em meu loft, ninguém sabia da existência do mesmo, era aqui que eu me refugiava quando algo acontecia ou quando queria ficar sozinho. Não sei quanto tempo vou ficar aqui, sei que preciso pegar o máximo de informações que conseguir e depois ver se vou ter estômago para encontrar .
Raiva. A raiva que sentia era tão grande que eu não sei se me controlaria ao vê-la, tinha vontade de gritar e continuar sumido, não queria mais contato com tudo aquilo, não queria esse mundo.
Eu sou , estou em ascensão na minha carreira, tudo estava caminhando bem demais e ela chegou. Eu devia saber que pra ela voltar e agir como estava agindo, alguma coisa estava por vir, mas eu fui idiota o bastante pra não perceber.
- Senhor , alguma dúvida? – Jeffrey Heinolds, um dos dois advogados presentes, me olhava apreensivo, era um assunto delicado.
- Então eu posso lutar pela guarda da criança, mesmo as chances sendo baixas de ganhar, tendo em vista que ela é a mãe dele? – pigarreei pegando o charuto que havia deixado no canto da mesa e ascendendo novamente.
- Você tem alguns privilégios, – George, o segundo advogado, começou a falar – Ela é a mãe do menino, mas escondeu isso e agora que você descobriu, tem todo o direito de lutar pela guarda, sua fama também vai poder ajudar muito nesse quesito.
- Não quero ganhar a guarda por ser famoso, eu nem sei se quero a guarda – grunhi, eu não conhecia a criança, não poderia fazer isso apenas pra me vingar de .
- Isso é apenas uma das coisas que você pode fazer, Sr. – Jeffrey voltou a falar – Você nos chamou para saber o que poderia ser feito, essa é uma opção.
Assenti e deixei que continuasse me explicando tudo o que poderia ser feito, mas de qualquer forma, em minha mente só conseguia lembrar daquele rostinho. Eu sabia que antes de ter chamado advogados no loft, precisava ter conversado com meus pais, meus irmãos ou até mesmo com antes de colocar a justiça no meio disso.
Eles me falaram sobre processá-la, pegar a guarda, o quanto ser pai seria bom pra minha imagem na indústria, falaram inúmeras coisas enquanto eu apenas ouvia, durante horas foi isso que aconteceu, até eu agradecê-los e dizer que os procuraria quando decidisse algo.
Tinha uma pessoa que eu gostaria muito de conversar, mas teria que ir até a casa dele.
- Você não tem gravação? – ele olhou em seu relógio e abriu a porta do escritório, fazia um bom tempo que eu não passava por ali e agora estava em sua casa há algumas horas.
- Pois é, mas aconteceram umas coisas... – respirei fundo e me sentei na poltrona preta no lado direito da sala – Preciso conversar com você, Kevin.
- O que houve? Você não quer voltar com a banda logo agora que a Angelina vai nascer, não é? – ele arqueou a sobrancelha e caminhou em minha direção, aquilo me fez rir.
- Antes fosse isso – respirei fundo e não tinha mais porque enrolar - Kevin, como é ser pai?
- Você é bem estranho às vezes – ele riu – É a melhor coisa do mundo, .
- Quando você era mais novo, pensava em ser pai? – arqueei a sobrancelha, óbvio que já pensei em me casar e ter filhos, mas duvido que teria tanto jeito pra coisa como Kevin tem.
- Sim, essa sempre foi minha meta de vida, não sei o que estaria fazendo se não tivesse Dani, Alena e agora a Angel – Kevin deu de ombros, sorriu fraco e continuou me olhando – Talvez eu estivesse com esses projetos de agora, talvez não, mas eu posso te dizer que não tenho mais nada a pedir.
- Eu tenho um filho – soltei de uma vez, o olhar tranquilo do Kevin me deixou aflito e eu não sei explicar, apenas soltei a bomba de uma vez, meu irmão começou a rir.
- Você sempre faz essa brincadeira, mas nunca perde a graça – continuou rindo e levantou-se, buscando a jarra d’agua que estava em sua mesa.
- Kevin, eu adoraria estar brincando como sempre, mas dessa vez é sério – bufei alto e ouvi os passos se aproximando, ele colocou a jarra na mesa de centro e me olhava ainda achando graça.
- Com quem? Com a Olivia? – fez um barulho estranho com os lábios e voltou a rir, sentou-se na poltrona novamente e balançou a cabeça.
- Com a – fui direto, Kevin parou de rir, ficou mais apreensivo, me olhava esperando que eu fizesse a brincadeira de sempre, mas eu estava falando de , ele sabia que eu jamais faria uma brincadeira que a envolvesse
- ... – fez uma pausa – Ela voltou tem o que? Um mês? Você conseguiu engravidá-la em quatro semanas?
- É mais complicado do que parece – passei a mão pela nuca – Preciso da sua ajuda, Kevin, eu não sei o que fazer.
Meu irmão se ajeitou na poltrona e sem dizer nada me fez entender que era pra eu começar a falar. Expliquei desde o pub até o dia no hospital, Kevin estava atento, mas diferente do que pensei, não se assustou, não se alarmou nem nada do gênero. Deu um meio sorriso e encheu seu copo com água mais uma vez no dia.
- Você não vai me socar? – perguntei. Eu faria isso se fosse o contrário, de nós três, achava que eu seria o último a ter uma história dessas.
- , sou seu irmão mais velho, te socar é missão do – ele deu de ombros – Um filho com a , chega a ser irônico, não acha?
- Eu não sei o que pensar, Kevin, eu só queria sumir do mapa, esquecer que isso está acontecendo! – soltei o ar dos pulmões, me joguei pra trás, apoiando as costas na poltrona. Sentia a garganta seca e não passava mesmo bebendo água, era uma sensação horrível.
- Se você fizesse isso, eu te socaria! A família nunca deixa filhos pra trás, você não vai esquecer que tem um filho – Kevin foi um tanto ríspido, mas conseguia entender seu ponto de vista – Você quer saber o que eu faria?
- Acho que é melhor do que saber o que o faria, certo? – fechei os olhos e pude ouvir um risinho de Kevin – Falei com uns advogados antes de vir pra cá, mas não sei se devia fazer o que eles me orientaram.
- Falar com advogados antes de falar com a mãe do meu filho era algo que eu não faria – abri os olhos e vi Kevin relaxando os ombros – , você não ouviu nada do que ela tem a dizer e já falou com advogados?
- Kevin, ela escondeu tudo isso de mim, foi embora sem me dar a chance de saber que seria pai, o garoto tem quase dois anos e eu não vi nem dar os primeiros passos – disse entredentes, aquilo começava a me tirar do sério.
- – Kevin respirou fundo – De qualquer forma, você precisa ouvi-la, eu tenho certeza que se dependesse dela, não estaria aqui, ela escondeu por tanto tempo, não voltou só pelo dinheiro, voltou porque queria te contar sobre a criança.
- E daí? Porque não me contou na primeira vez que me viu? Porque não me ligou? Eu tinha o direito de saber, Kevin! – esbravejei, como Kevin poderia ficar do lado dela? Eu era a vítima nessa história, depois do Andrew, claro.
- Pelo que li nesse e-mail que você me mostrou, acredito que seria sensato você ouvir o que ela tem a dizer e depois você pode decidir o que fazer, se vai dar ouvidos aos seus advogados ou não, nesse momento tem que ter sensatez, , não dá pra agir no impulso – Kevin colocou a mão em meu joelho, me olhava sereno, me deixava um tanto mais calmo.
- Não sei, irmão, não sei – peguei meu copo sob a mesinha e dei mais um longo gole, eu precisava mesmo de um bom whisky.
- Sabe o que eu faria? Ficaria sozinho mais uns dias, colocando a cabeça no lugar, pensando em como sua vida vai ser daqui pra frente, analisaria o que os advogados disseram e a última coisa seria falar com ela – pensei em contestar, mas Kevin continuou – Você não precisa dizer uma só palavra quando estiver cara a cara com ela, apenas escute-a.
- Depois que ela terminar, saio sem falar nada? Isso não seria pior? – cruzei os braços e Kevin respirou fundo antes de prosseguir.
- Você está sofrendo com antecedência, irmão! A bomba já explodiu, não tem mais nada que te faça ficar desse jeito, você precisa colocar sua cabeça no lugar e ir conversar com ela, depois decidir o que fazer – ele torceu o lábio e continuou me olhando, assenti algumas vezes e nem era uma resposta, era apenas meu corpo reagindo de qualquer maneira.
- Uma bomba já explodiu, a pior delas vai explodir quando eu contar à nossa mãe – levei as mãos ao rosto prendendo o ar mais uma vez e acabei grunhindo de raiva – Isso vai acabar comigo, Kevin! Eu não estou pronto pra ser pai!
- , calma – meu irmão levantou-se e se agachou à minha frente – Eu também não estava pronto quando Alena chegou, mas eu aprendi, você vai aprender também.
- Não queira comparar, Kevin! Você se casou com a mulher da sua vida, a Alena pode ter vindo no susto, mas olha sua vida, olha a minha! – Me levantei nervoso e quase derrubei meu irmão, sentia meu coração praticamente saindo do corpo.
- Eu sei disso, mas mesmo em posições diferentes, surtamos da mesma forma – pude vê-lo caminhar até o bar no canto do seu escritório – Whisky?
- Sim, por favor! – fechei os olhos mais uma vez tentando regular a respiração – Eu vou morrer, Kevin, as coisas não estão funcionando direito desde que vi o rosto daquele garoto.
- Sem drama, – pude ouvi-lo rir – Como ele é?
- O que? – abri os olhos estranhando, Kevin queria saber como meu filho era?
- Andrew, como ele é? – colocou a bebida em um dos copos que estavam na bandeja e veio até mim.
- Ele é a minha cara – disse um tanto baixo, me lembrando daqueles olhos brilhantes e sua voz pedindo pela mãe.
- Isso é bom – me entregou o copo – Você se acalmou ao falar dele.
- Para de tentar entender, Kevin, eu não me acalmei, eu estou surtando e ao mesmo tempo tento organizar minha cabeça e parece que existem vários fios desencapados encostando e soltando faíscas! – virei todo o whisky de uma vez – EU TENHO UM FILHO!
- Sim, você tem – ele continuava calmo, eu iria socar aquele cara – E eu também tenho, se você acordá-la, eu vou te arrebentar.
- Desculpe – fui até a garrafa de whisky, enchendo o copo novamente.

Eu não tinha muitas alternativas a não ser seguir o conselho de Kevin, ainda não estava pronto pra falar com a minha mãe e sabia que antes de falar com ela, tinha que falar com , já que logo em seguida Denise iria querer acabar com a vida da mãe do meu filho.
Se eu tinha aceitado o fato que tinha um filho? Não sei dizer se aceitar era a palavra certa, mas eu estava repetindo várias vezes isso em minha mente, tentando fazer meu cérebro guardar a informação.
Dormir com Addison naquela noite foi o jeito de tentar relaxar, o que não funcionou e me fez virar a noite acordado, mesmo com uma mulher completamente nua ao meu lado, parecia que tudo estava perdido, eu teria que começar do zero, tinha a missão de ser pai e eu não nasci pra ser o pai que apenas dá dinheiro e vê às vezes, eu seria o melhor pai do mundo para Andrew, mas tinha a mãe dele no meio do caminho e a raiva que eu estava sentindo dela, iria complicar as coisas um pouco.
Tentava entender o que aconteceu, um motivo pra ter sumido com uma criança no ventre e não se importar nem um pouco com o futuro, não parar e pensar que talvez eu queria ser pai e mesmo que não quisesse, tinha o direito de saber.
Bufei me sentando na cama, peguei meu celular em cima do criado mudo e vi as mensagens do meu empresário, desmarquei todos meus compromissos por pelo menos duas semanas, não tinha cabeça pra nada, precisava colocar as coisas nos trilhos antes de voltar, isso é se eu conseguisse colocar alguma coisa em ordem, tinha no meio, nada seria tão simples.

Flashback

- Confie em mim, bro! Ela é tão boa quanto a minha produtora, você vai gostar – dizia enquanto aguardávamos a apresentação da nova contratada.
- Não se esqueça que você tem um desejo árduo pela sua produtora, deve ser por isso que sempre gosta de tudo que ela faz! – comentei sem deixar de rir, tinha esses fetiches.
- Minha atração pela não tem nada a ver com o fato que ela é uma ótima produtora, você não pode negar isso – ele deu de ombros e ouvimos a porta se abrir, meu empresário entrou seguido de .
- Ela desistiu, não quer mais ser minha produtora, estou muito triste – debochei em voz alta, fazendo revirar os olhos e gargalhar ao meu lado.
- Na verdade, Sr. , a está dispensando a banda Fifth Harmony para produzir você! – Meu empresário me olhou sorrindo e aquilo me pegou desprevenido.
- Estou me sentindo muito importante – Não poderia deixar de continuar irritando os presentes na sala.
- Pelo preço que oferecemos à ela, dispensar uma girlband é muita coisa – Tom estalou o pescoço e voltou a me olhar – Vamos pagar metade do que foi oferecido.
- E porque ela aceitou? Fifth Harmony está no melhor momento, porque ela quis o ? – perguntou franzindo o cenho, eu também estava curioso.
- Quem não quer ? Essa é a pergunta certa a fazer – dei de ombros e mais uma vez rolou os olhos, me empurrou com o ombro e Tom não segurou o riso.
- Falando sério agora, não sabemos direito o motivo, ela simplesmente escolheu por ser produtora do , talvez por já estar há anos nessa estrada, quis algo mais calmo – meu empresário explicou e aquilo me deixou um tanto confuso.
- Você tá querendo dizer que eu sou flopado? – Perguntei, estava muito animado naquela manhã, tudo era motivo pra piadas.
- Você transou muito na noite passada, só pode! – enfim falou alguma coisa e todos começamos a rir.
- Só estou tentando animar à todos, vocês são muito sérios – dei de ombros e ouvi a porta se abrir, os cabelos soltos impossibilitaram-me de ter uma visão de seu rosto logo de inicio, mas eu gostava do que via.
- Desculpe o atraso, foi difícil desligar o telefone – a voz suave e um tanto trêmula me chamou atenção, ela se virou para mim e sorriu.
- , seja bem-vinda – Tom estendeu a mão e ela retribuiu o ato – Suponho que você já conheça os presentes.
- Sim e não compreendo o que faz aqui, você não está satisfeito com sua produtora? – ela arqueou a sobrancelha e riu, pelo visto, eles já se conheciam a algum tempo.
- Estávamos conversando sobre negócios e quando vi, você já estava aqui – era um bom mentiroso, ele quis ficar para ver a apresentação dela, porque não diz a verdade?
- Certo – disse um tanto tensa e me olhou – É um prazer conhecê-lo, , espero que possa corresponder à suas expectativas profissionais, estou feliz em trabalhar com você.
Meu sorriso malicioso com certeza entregou que ela iria corresponder à muitas expectativas além das profissionais. Não diria que foi fácil tê-la em meus braços, talvez fosse isso que me prendeu tanto a ela, ou foi o fato de que quando a beijei pela primeira vez, parecia que era o único beijo que eu havia dado a vida toda. Não sabia explicar, ela não tinha nada demais na visão de qualquer pessoa, era uma mulher linda, com seus vinte e poucos anos, ria de tudo, acordava mau humorada, mas na hora do café era a melhor companhia possível, tinha amigas loucas o que a fazia ficar louca também, pude notar na primeira festa que fomos juntos, era uma garota comum, mas eu a via como uma mulher incrível, como se todas as outras ficassem ofuscadas perto dela e eu realmente não estava apaixonado.
Nos beijamos depois de quase seis meses de convivência, era mais um dia de reunião e ela como sempre tentava enfiar na minha cabeça que o plano da gravadora não tinha como falhar e eu teria que confiar nela, nem sei dizer o que aconteceu comigo, quando vi, já tinha puxado o corpo dela contra o meu e quando notei que ela não iria relutar, a beijei.
- Vocês estão namorando? – parecia animada demais – Isso é tão fofo! Vocês combinam!
- Não estamos namorando, deixa de frescura! – respondia e revirava os olhos enquanto terminava de assinar alguns papeis
- Estamos saindo, é esse o termo? – perguntei sem tirar os olhos do celular – Segundo a língua dos tabloides, o termo certo é affair!
- Eu não sou affair de ninguém, só pra início de conversa! – resmungou e pude ouvir começar a rir.
- Amiga, se vocês não estão namorando, você é o novo affair do – levei meu olhar a , que estava visivelmente querendo bater na amiga.
- Eu não sou! Quando a gente não estiver saindo mais, eu continuarei sendo produtora dele, enquanto as outras podem sumir do mapa, eu tenho que continuar aqui! – cruzou os braços e fez uma careta, me fazendo rir, aquela conversa não era necessária.
- Daí você vai ser minha produtora e ex-affair! – mordi o lábio ao ver se aproximar e começar a me dar tapas, em meio aos risos, a puxei para meu colo e a beijei, ela também havia começado a rir.

Fim do Flashback

Eram inúmeras lembranças em que estava presente, durante os meses que passamos juntos, não haviam brigas ou desentendimentos que afetasse nossa relação, a briga mais feia que tivemos resultou em sua mudança pro Canadá, tínhamos um relacionamento tranquilo até mesmo quando éramos apenas amigos, não entendo o que pode ter feito esconder tal coisa, sempre fui sincero demais com ela e achava que era recíproco.
- Bom dia – ouvi a voz de Addison e apenas me levantei rapidamente, havia muitas coisas a serem feitas.
- Addison, que bom que acordou, eu já estava de saída – peguei minha cueca que estava jogada pelo chão e a vesti no caminho para o banheiro – Desculpe se isso soa grosseiro.
- Tudo bem, você é , sempre atarefado – ela riu, aquilo me irritou, mas eu estava com o pavio muito curto há alguns dias – Já estou indo.
- Obrigado – fechei a porta do banheiro e respirei fundo, vamos resolver isso.


Capítulo 7

Grey Sloan Memorial Hospital
P.O.V
Terça-feira 02:45pm


Andrew estava fazendo um check-up, desde a última crise eu não dormi em paz, optei por fazer exames e ter certeza que tudo estava em ordem, por sorte, o Doutor Alex Karev conseguiu encaixá-lo na agenda e estava sendo super atencioso com meu filho. Estava na sala de espera, aguardando os exames serem finalizados e aproveitando o tempo para ver as últimas orientações da equipe antes da tour. Faltava poucos dias para dar início aos shows e eu ainda não tinha notícia alguma de , o que me deixava aflita visto que nem mesmo sabia dizer onde o irmão havia se enfiado. Eu sabia que ele teria que me encontrar, mas já se passaram oito dias e nem meu e-mail ele respondeu.
Realmente não dou a mínima se ele nunca mais quiser falar comigo, mas que não trate nosso filho dessa forma, ele não tem culpa de absolutamente nada.
- Senhorita Avery, o Doutor Karev está lhe chamando – a voz da enfermeira me despertou, me levantei apressadamente e caminhei até o quarto do meu pequeno.
- Boa tarde, Doutor – fechei a porta e caminhei até a lateral da maca onde estava Andrew – Oi, meu amor!
- Mamãe! Cainho novo! –ele brincava com um carrinho de corrida, era normal receber mimos dos médicos, talvez para conseguir distraí-los.
- Lindo, filho – passei a mão nos cachinhos e voltei meu olhar ao médico – E então, alguma novidade?
- Senhorita Avery, fico feliz em dizer que Andrew está bem, nenhuma mudança na diabetes, depois do novo remédio ele está ótimo, tudo está regulado e você não precisa fazer um check up uma vez por semana – torceu o lábio e sorriu, acabei rindo também, de nervoso.
- Fazia meses que ele não tinha uma crise daquelas me assustei muito – soltei o ar dos pulmões de uma só vez – Mas fico feliz em saber que está tudo bem.
- O tipo de diabetes do Andrew é delicado, pode ter uma crise mesmo tomando os remédios, claro que o ideal seria não deixar faltar, mas não se culpe – o Doutor sentou-se ao lado de Andrew e deixou o prontuário na poltrona e me olhou.
- É difícil não se culpar, fico lembrando que no mesmo dia fui avisada sobre a falta do remédio e tudo aquilo aconteceu – suspirei – Mas obrigada, Doutor.
- Por nada, fico feliz em poder ser o pediatra dele agora que vocês estão em New York – sorriu amigavelmente e bagunçou os cachos do Andrew – Esse garotão adora carros, conversamos sobre isso.
- Pois é – mordi o lábio – Eu havia solicitado uma receita com o pediatra do Canadá, você me deu outra no dia da crise, isso afeta alguma coisa?
- Não, já que você pegou o remédio receitado por mim, o outro é com a antiga dosagem, pode descartá-lo – o Doutor voltou a olhar o prontuário – Com essa última crise, as dosagens voltaram a aumentar, vamos regular isso para elas caírem.
- Mudei até meu jeito de trabalhar pra ficar mais perto dele, tentei consertar as coisas e vejo que isso não adiantou em nada – torci o lábio – Talvez seja hora de aprender que não posso protegê-lo de tudo.
- Você é mãe dele, mas o organismo dele tem vida própria, o que acontece devido à diabetes, você não tem controle, mas podemos ir tentando diminuir – ele sorriu e assenti em resposta, olhando meu filho brincar com o carrinho por entre suas pernas – Me desculpe se soar indelicado, senhora Avery, mas esse tipo de diabetes geralmente é genético, você tem?
- Primeiramente, não precisa me chamar de “senhora Avery” – fiz aspas com as mãos – Sei que é procedimento do hospital, mas eu realmente não gostei, pode ser só .
- Tudo bem – ele assentiu e reprimiu um sorriso – Você tem essa diabetes, ?
- Não – bufei – O pai do Andrew tem.
- Deve ser complicado pra você, o marido e o filho com esse tipo da doença – levantou-se e olhou o pager – Seu marido também tem acompanhamento médico?
- Eu não tenho marido – dei de ombros quando ele me olhou estranhando – Andrew nasceu de um relacionamento complicado, o pai descobriu sobre o filho na última vez que estávamos aqui.
- ? O pai dele é o , aquele cantor? – Karev parecia assustado e aquilo me deixou mais assustada ainda, qual o problema nisso?
- Sim, porque? – cruzei os braços e dei alguns passos em direção ao médico.
- Todas as enfermeiras falaram sobre estar no hospital naquele dia, eu estava tão absorto cuidando da crise do Andrew que não reparei na fisionomia do rapaz atrás de você na hora em que conversamos – Karev começou a rir – As enfermeiras são malucas nesse cara.
- Imagino – soltei os braços e me permiti rir da situação – O astro teen que vive sem camisa estava perambulando pelo hospital com uma criança que ele não tinha noção que é filho dele – revirei os olhos e fui até Andrew pegando-o no colo.
- Essa história parece ser boa – o médico deu uma olhada pelas janelas e se aproximou – Você poderia me contar em um jantar ou almoço, o que acha?
Fiquei em silêncio por alguns minutos, sei que apenas ouvia Andrew brincar com meu cabelo e rir sozinho. Pigarreei algumas vezes, pisquei muitas e o Doutor Alex Karev continuou me olhando sem pestanejar, tinha um sorriso malandro entre os lábios e eu realmente não conseguia pensar em nada além de: ele acabou de me chamar pra sair?


Saí apressadamente do hospital, peguei o primeiro táxi que apareceu na frente e continuava acelerada, eu estava ali preocupada com meu filho e ele me deu uma cantada? Isso só pode ser armadilha do universo, querendo que eu faça outra merda na vida como foi conhecer , esse infeliz não aparece há oito dias e acha que é o certo!
Estava tão enfezada naquele momento que coloquei Andrew sentado ao meu lado no banco, busquei o celular no bolso e disquei o número de , obviamente deu caixa postal direto, era hora de dar um recadinho pra ele.

“Você já parou para pen sar que eu sei bem a merda que eu fiz e que estou aflita esperando seu contato? Sério, , por favor, aparece! Eu sei que você quer gritar, falar inúmeras coisas grotescas e você tem todo o direito de fazer isso! Eu estou tentando segurar a barra e não te pressionar porque tudo saiu do jeito errado, mas eu não aguento mais! Eu só te digo uma coisa: não apareça no apartamento com advogados ou sei lá o que, porque se for assim, você não passa da porta! Vamos conversar como adultos, como era pra ter sido desde o começo.”

Desliguei o aparelho e pude ver o olhar assustado do motorista pelo retrovisor. Eu mandei uma mensagem para enquanto surtava e agora? Se ele já me odiava agora ele vai querer minha cabeça pro jantar!

- ! Oi! Quantas visitas.... – ele riu ao abrir a porta, no ponto em que eu estava, ele era a melhor pessoa pra conversar – Deixe-me adivinhar, esse garotão é o Andrew!
- Ah, que ótimo, já passou por aqui – suspirei entrando rapidamente na casa com meu filho nos braços.
- passou.. – ele sorriu ao me ver ficar sem reação – Sou o irmão mais velho, vulgo conselheiro, lembra?
- Kevin, eu não sei o que fazer! – coloquei Andrew no chão, ainda o segurando pela mão enquanto o mais velho fechava a porta – Aconteceu tudo errado!
- Primeiramente, oi Andrew! – Kevin se abaixou, ficando da altura do pequeno e estendeu-lhe a mão – Eu sou seu tio, pode me c hamar de tio Kevin.
- Otu tio, mamãe ? – me olhou estranhando, apenas s orr i e assenti - Oi!
- Meu Deus, ele é um mini ! – Kevin deu risada e pegou Andrew nos braços – Dani acabou de sair com Alena, ela iria gostar de conhecê-lo.
- Você já contou para ela? – perguntei e ele afirmou – O que ela disse?
- Depois de ter uma crise de risos? Que Andrew veio pra colocar nos trilhos – deu de ombros e sentou-se no sofá à sua direita – Sente-se, .
- Como você consegue estar calmo? Eu estou pirando! – grunhi e comecei a andar de um lado para o outro, rapidamente, como se aquilo fosse me acalmar.
- Na última vez que nos vimos, antes de saber do Andrew, eu notei que você estava nervosa, mas eu estava com pressa e sabia que você viria até mim – Kevin sentou-se no chão, sem me olhar, distraído com Andrew.
- Você passou lá pra pegar alguma coisa que a esqueceu, enfim – parei de frente pra ele – O pediatra do meu filho me chamou pra sair, sabia?
- Quê? – ele franziu o cenho e me olhou rapidamente - Não entendi.
- Oito dias, Kevin, oito dias sem sinal do seu irmão, ele viu o filho e sumiu do mapa, eu estou angustiada, sem saber o que fazer, como agir, como falar com as pessoas – voltei a andar de um lado pro outro, misturando os acontecimentos, literalmente surtando enquanto Kevin se dividia entre me dar atenção e mimar o sobrinho.
- , ou você respira e me conta as coisas na ordem certa ou eu vou te ignorar até entender os acontecimentos – pegou Andrew nos braços e levantou-se – Vamos achar uns brinquedos pra você, garotão!

Respirei fundo, tão fundo que chegou a doer por dentro. Me sentei no sofá e fechei os olhos, a imagem de vinha nitidamente em meus pensamentos e eu sentia o coração apertar. Culpa. Era tudo o que eu sentia, culpa por não ter feito as coisas do jeito certo, culpa por não acreditar que iria assumir o filho, culpa por não contar a ninguém sobre a porcaria que ficou meu psicológico depois das merdas que disse naquela noite na boate, medo do vinha a seguir, medo de encarar as consequências, medo de não ser boa o suficiente para proteger meu filho.
Eu estava explodindo, de dentro pra fora.
Kevin voltou pouco depois com uma sacola de brinquedos, eram vários carrinhos e homenzinhos fardados, explicou que eram brinquedos dele quando era pequeno e não via problema algum em dá-los para seu novo sobrinho. A conversa começou com o mesmo roteiro, contei toda a história que já estava enjoada de contar e sabia que a cena se repetiria inúmeras vezes, Kevin ficou em silêncio, me ouvindo e dando atenção à Andrew quando ele pedia, contei tudo, com detalhes e algumas caretas de Kevin me faziam rir.
Depois que finalizei, um silêncio absurdo tomou conta da sala, até Andrew havia parado de fazer barulho, engoli em seco quando o mais velho respirou fundo e desembestou a falar tudo aquilo que todos diziam e que todas as vezes fazia meu coração se apertar, o arrependimento me machucava um pouco mais a cada dia.

- Ok, , o disse isso tudo aí que você contou, mas mesmo assim você não podia ter feito o que fez, você tirou qualquer chance do meu irmão pelo menos pensar no que fazer – gesticulou com as mãos e estava visivelmente agitado, eu continuava com o coração apertado, era difícil ouvir verdades.
- Eu não pensei em nada, Kevin, mal pensei para te falar a verdade, do nada eu me vi no Canadá, sentada na cama e com as mãos na barriga – me apoiei no encosto do sofá, sabia que poderia falar, falar e falar, nada justificaria a atitude, mas eu também tinha o direito de falar o que passei, não tinha?
- Que você não pensou, não é novidade, olhe tudo o que você causou – disse um tanto ríspido, fechando os olhos em seguida, respirou fundo e continuou – Veja, , eu não estou te julgando, mas não vou ser o Kevin de sempre e achar um jeito de te confortar.
- Sei disso, não se preocupe – levei uma das mãos à cabeça – Não tem um dia que eu não pense em tudo isso e eu sei que nada vai justificar minha atitude, mas agora já aconteceu, não adianta pensar em como seria, tenho que pensar em como será!

- vai falar com você, conversei bastante com ele e um dos meus conselhos foi esse, ouvir o que você tem a dizer – Kevin deu de ombros – Não sei como ele vai reagir, talvez apenas te escute, vire as coisas e vá falar com os advogados novamente.
- Novamente? – levei meu olhar a Kevin e senti o corpo todo gelar, eu sabia que ele faria isso, estava preparada.
- Ele conversou com os advogados, mas não tomou decisão alguma, ficou até irritado com algumas orientações, ele vai tomar a decisão certa depois que conversar com você – Kevin pegou um carrinho que Andrew estava mostrando pra ele e voltou a atenção ao pequeno.
- Com decisão certa, você quer dizer o que? Que ele não vai querer a guarda do Andrew? Kevin, por favor – revirei os olhos e bufei, eu duvidava que não faria isso, ele queria me fazer sofrer e com certeza usaria Andrew.
- Você está tão afundada na sua culpa que não parou para pensar que se ele quisesse fazer isso, não ponderaria a ideia de conversar com você, sua raiva está sendo maior que sua sensatez, e com decisão certa, quero dizer guarda compartilhada – Kevin se levantou e foi até a cozinha – Odeio dizer isso, mas você está com o ego inflado.
- Ego inflado? Kevin, você está maluco? Estamos falando do meu filho aqui! – me levantei e o segui até o cômodo, desde quando a protagonista da história era eu?
- – ele se apoiou na pia e me olhou – Você está pensando que o vai te tirar a guarda do Andrew, sendo que ele nem parou pra conhecer a criança, só para se vingar de você! Você acha que iria fazer isso para deixar o filho com babás e beber um champanhe enquanto assiste você ficar indo atrás da justiça e tentar recuperar o filho mesmo sabendo que conhece os melhores advogados do país?
- Eu... – engoli seco e simplesmente não conseguia formular uma frase, Kevin cuspiu as coisas na minha cara de tal forma que eu só conseguia tentar processar as informações.
- Eu o que? Não tinha pensado nisso? , acorde! – caminhou até mim, colocando as mãos em meus ombros – Eu sei que deve ter sido horrível o que você passou, mas você teve tempo pra pensar e sentir tudo aquilo, agora é a vez do meu irmão passar por isso e tomar as decisões corretas, ele não quer vingança, ele quer o tempo dele.

Não sei dizer se foi o tapa na cara que me fez chorar ou se foi o alivio. Confiava em Kevin, se ele disse que não iria tirar Andrew de mim, ele realmente não iria. Abracei o mais velho e desabei enquanto ele me afagava os cabelos e dizia que tudo ficaria bem.
Fiquei mais algum tempo na casa de Kevin, não o bastante para encontrar Danielle e Alena, ficaria para outra oportunidade, eu só queria chegar em casa.


Apartamento da
Segunda Feira
3:45pm


A parte mais difícil de ter um filho é quando você tem que deixá-lo para ir trabalhar, eu não tinha que fazer isso na maioria das vezes, já que trabalhava mais em casa e dava conta do recado, mas com um mês para o início da turnê, as coisas saíram dos trilhos e optei por pagar Steph para ficar com Andrew essa semana, pelo menos na parte da tarde, que era quando eu estava acompanhando aos escritórios para finalizarmos tudo.
Os ingressos estavam esgotados em todo lugar, várias emissoras pediam entrevistas e diferente do que pensávamos, várias revistas queriam a na capa, ou seja, eu e estávamos atoladas até o pescoço.
Eu estava em casa, redigindo o contrato da , que conseguimos encaixar para fotografar a maioria dos shows, enquanto estava com os empresários, finalizando a burocracia. Graças a tudo isso, não tive tempo para pensar em , já que fazem exatos 15 dias que o bonito sumiu, até mesmo das redes sociais, nem paparazzi soltou alguma foto dele, aquilo me deixou maluca, mas depois de Kevin, eu apenas relaxei e deixei que a maré me levasse, ele queria sumir? Ok, que sumisse, se era tempo que ele precisava, que tivesse o tempo.
Não nego que estava ansiosa para ter logo aquela conversa, mas também estava deixando de me desesperar, o pior já havia passado.
- , eu terminei seu contrato, vou passar na Teen Vogue e já levo pra você assinar, ok? – disse enquanto fechava o notebook e colocava na bolsa.
- Tudo bem, , tem certeza que não quer que eu passe por aí mais tarde? – perguntou e ouvi algumas vozes, revistas são sempre uma loucura.
- Tenho, agendei uma visita em um apartamento e é caminho, não vai me atrapalhar em nada – peguei as chaves do carro e prossegui – foi com os rapazes hoje, vou aproveitar para não gastar com táxi.
- Jura que você vai se mudar logo agora? Vocês estão cheias de trabalho! – disse e assenti, mesmo sabendo que ela não estava vendo.
- Juro, eu não tenho móveis nem nada, então vou levar apenas as roupas e montar tudo, vou ter mais tempo pra isso durante a tour, acredite! – acabei rindo, era irônico ter mais tempo durante do que antes da tour, mas era a verdade. Fechei a porta do apartamento e caminhei até o elevador.
- Com a grana que você ganhou vendendo seu antigo apartamento, daria pra comprar outro, não acha melhor? – perguntou, eu havia faturado uma boa grana antes de ir para o Canadá e claro, seria muito bom se eu ainda tivesse a mesma quantia.
- Andrew nasceu, gastei muita grana, claro que não tudo e algumas coisas com a boyband lá eu tinha que arcar do meu próprio bolso, ou seja, tenho menos que a metade daquilo tudo – suspirei alto, o apito do elevador havia avisado que ele já se encontrava no andar – Amiga, vou desligar, estou entrando no elevador, até daqui a pouco!
se despediu e desligou, eu tinha um bom dinheiro guardado, mas não queria comprar um apartamento agora, daqui alguns meses quem sabe, apenas queria sair do apartamento da e ter meu próprio cantinho, deixar minha amiga com o apartamento só pra ela, eu sei o quanto privacidade é bom pra todos e eu também queria ter a minha. Poderia continuar deixando Andrew com Steph caso precisasse, essa garota ganha realmente muita grana cuidado de crianças, não é à toa que comprou seu apartamento com apenas 20 anos e já tem seu carro. Falando nisso, não seria uma má ideia comprar meu próprio carro, usado mesmo, apenas para não gastar com táxi ou ficar pegando o carro da amiga. Suspirei alto mais uma vez, ainda tinha tanta coisa para resolver na minha vida que me dava preguiça só de pensar.
Quando o elevador se abriu, balancei a cabeça negativamente e caminhei até o hall, meu celular apitou e quando olhei o visor, era mais um e-mail de patrocinador e eu só iria ler depois, dei de ombros e quando voltei a olhar pra frente, parei de andar no mesmo instante.
A garganta secou, não estava trêmula, mas sentia um calafrio que foi da ponta dos pés até o último fio de cabelo, meu coração deu uma leve travada e voltou a bater novamente, pelo menos eu esperava que tivesse voltado. Minhas pernas começaram a formigar e antes que tudo saísse do ar, eu pigarreei e respirei fundo vendo-o caminhar até mim.
- Precisamos conversar – disse, seu semblante era frio, olhava em meus olhos, mas eu não enxergava nada, os olhos castanhos pareciam sem vida.
- Vamos subir, – disse no mesmo tom e me virei, voltando até o elevador e já preparando meu psicológico para o que viria a seguir, eu não baixaria a guarda, mesmo sendo culpada, não iria me humilhar.

De repente, 12 andares pareceram infinitos, o silêncio ensurdecedor no elevador me deixara um tanto aflita, mas eu não deixaria transparecer nada, busquei a chave do apartamento em meu bolso e acabei levando um susto ao ouvir o apito do elevador, avisando que estávamos no andar certo, nem isso o fez esboçar alguma reação, ele olhava para frente, respirava pesado e não tirou as mãos dos bolsos da calça, não tinha expressão.
Quando abri a porta do apartamento e entrei, ele entrou logo em seguida e caminhou até a sala rapidamente, como se estivesse no piloto automático, tirou o celular do bolso, colocando-o sob a mesa de centro e me olhou, não sei dizer o que senti, mas o nó em minha garganta se formou, a única coisa que eu pensava era: “me desculpe!”
Não iria falar isso, precisava ser forte e ouvir as perguntas dele, respondê-las e não esperar reação alguma, ele tinha esse direito.
- Vou apenas desmarcar alguns compromissos, já venho aqui – disse e pude vê-lo assentir, pegou seu celular e se desligou do ambiente.
Praticamente corri até o banheiro, respirei fundo umas dez vezes e pude notar que estava tremendo ao mandar mensagem ao proprietário do apartamento, remarcando a visita para amanhã, aproveitei e mandei no grupo das meninas o que estava rolando, não parei para ver resposta, apenas não queria que nada, nem ninguém interrompesse o que iria começar por aqui. Me olhei no espelho, eu estava com o olhar assustado, isso tinha que sumir, eu não iria desabar na frente dele, pelo menos não logo de cara. Ri sozinha e engoli seco, voltei a me olhar no espelho e repeti mentalmente várias vezes: “você é uma mulher forte, você consegue o que quiser, tudo pelo Andrew.”
Soltei o ar dos pulmões de uma só vez, lavei o rosto e o sequei rapidamente, abri a porta e voltei até a sala, vamos ver por onde ele vai querer começar.
Me sentei no sofá de frente a poltrona onde estava, a única coisa que havia entre nós era a pequena mesa de centro, com uma jarra d’agua e um copo, havia deixado ali antes de sair e nem me lembrei de tirar quando eu também estava saindo, de qualquer forma, veio a calhar agora. Fiquei em silêncio, não sabia por onde começar e não sabia se ele iria falar algo, quando conversei com Kevin ele havia deixado claro seu conselho para , de não falar nada e apenas me ouvir, mas eu não sabia se ele iria seguir o que o irmão havia falado.
Levei meu olhar a ele que continuou mexendo no celular, respirou fundo algumas vezes e depois de deixar o aparelho na mesinha, me olhou e abriu a boca pra falar, mas pareceu pensar e fechou os olhos antes de começar.
- Por que? – ele perguntou, aquela realmente não era a pergunta que eu esperava e toda a calmaria de também me pegou de surpresa – Por que você foi embora sem me contar? Poderia ir para o Canadá se era sua vontade, mas por que não me contou?
- , eu tenho uma lista de coisas que passaram pela minha cabeça e que me ajudaram a não contar pra você, mas nenhuma delas vai justificar – fui sincera, até mais do que imaginei que seria, se a conversa terminasse desse mesmo jeito, teríamos um belo acordo no fim do dia.
- Mas eu quero que você me fale todas as coisas, quero saber desde o começo, tudo o que aconteceu, porque eu perdi os melhores momentos do meu filho, por culpa de uma atitude infantil da mãe dele, mas estou disposto a ouvir tudo – lá estava o sarcástico de sempre, talvez a raiva fosse descontada em mim por partes, como se estivesse numa conversa tranquila, mas sem deixar de me alfinetar.
- Tudo, tudo mesmo? Até daquelas merdas que você falou para todos nossos amigos? – arqueei a sobrancelha e ele franziu o cenho.
- Do que você está falando? Saímos juntos durante um ano, acha que lembro de todos os acontecimentos? – ele sorriu de canto, apoiando as costas no encosto da poltrona e ainda me fitando.
- Pois antes de me atacar, devia ter se lembrado quando você disse que você se prevenia levando as próprias camisinhas, pois todas as mulheres com quem você dormia poderiam furar o preservativo só para ter um filho seu, já que todas eram iguais! – praticamente cuspi o acontecimento, da roda de amigos, apenas e Zac estavam presentes no dia, mas era uma lembrança ainda muito viva em meus pensamentos.
- Se isso não vai justificar, qual o motivo de pegar uma lembrança da época em que dormíamos juntos? – ele se inclinou para frente, apoiando os cotovelos nas pernas e me olhando sério.
- Talvez porque toda aquela porcaria dita, deu a entender que eu só estava dormindo com você por interesse e três semanas depois eu estava grávida, depois de ouvir que todas queriam seu dinheiro! – grunhi mais uma vez, lembrar daquilo me fazia sair um pouco de órbita.

Flashback
Vintage Pub – New York – 12:40pm

Pedi mais um Martini ao barman antes de continuar meu diálogo com que estava mais alegre que o normal. Zac, e mais uns rapazes estavam na área VIP conversando assuntos de homens, o que nos obrigou a descer para a pista de dança e nos acabar.
comentava sobre a última discussão sem sentido que tivera com Zac, virei o Martini de uma só vez, eu não queria estar sóbria para ouvir sobre como tudo acabou com uma boa noite de sexo. A tour do havia acabado, tínhamos três dias livres e eu usaria um para ouvir falando sobre como Zac é um pervertido? Não, obrigada.
Fiz sinal para o barman me trazer outro Martini, voltei a olhar que agora estava falando sobre alguns brinquedinhos que ela adorou, eu não merecia aquilo, ainda não estava bêbada o bastante, mas senti o estômago revirar.
- , meu amor, eu te amo muito, mas aqui não é lugar pra gente falar sobre nossos parceiros na cama, vamos achar um dia e tomar um café, assistir algum filme e você pode se acabar de falar, o que você acha? – perguntei pegando o Martini e a olhando, ela fez uma careta, assentindo logo em seguida, aquela garota era doidinha.
- Vamos dançar então, por favor! – me puxou pelo braço e logo estávamos nos acabando na pista de dança mais uma vez na noite.

Não sei quanto tempo ficamos lá, sei que minha cabeça girava um pouco, eu estava longe de estar bêbada, mas estava meio tonta, o que me deixava tranquila. Iria dormir no essa noite, então a melhor coisa era não ficar bêbada, visto que ele já estava, até demais.
queria mais tequila, então subimos até a área VIP novamente, a garrafa estava com os rapazes, iria aproveitar e sentar um pouco, meus pés estavam me matando, acho até que minhas pernas eram falsas porque eu não parei de dançar um segundo e a única coisa que estava doendo eram meus pés.
Com o pub lotado reservar a área VIP era a melhor coisa, não gostava muito de se jogar na dança, ficava falando com os rapazes e me acompanhava em algumas músicas, mal sabia o quão sexy ele ficava dançando daquele jeito. O enorme banco, fazia um quadrado em volta da mesa cheia de bebidas e deixava um espaço bem pequeno, dando para passar apenas uma pessoa de cada vez. Aquela área, com aquele sofá vermelho juntamente com aquela mesa abarrotada de garrafas, valia uma nota, várias pessoas faziam de tudo para tentar se aproximar e ficar com quem estava nessa área e eu sempre dizia que achava absurdo o tanto que e os rapazes desembolsaram para apenas ficarem sentados lá se embebedando.
Quando me aproximei, o papo parecia animado demais, me olhou e deu dois tapinhas ao seu lado, dei alguns passos e me sentei, ele se aproximou e me deu um selinho demorado, voltando sua atenção aos rapazes.
Zac Efron, Tom Stevens, Mike e mais um rapaz que era novato ali, mas era convidado do Tom, então tudo bem. Os únicos acompanhados eram e Zac, o restante achava a companhia na noite o que ainda não era o caso, mas era a pauta da conversa.
Coloquei minha taça já vazia sobre a mesa e peguei outra que estava ao lado, mas com champanhe, dei de ombros, não iria levantar e buscar nada.
Senti a mão de pousar em minha coxa, ele não me olhou, apenas colocou sua mão ali, como se avisasse para qualquer outro que eu estava com ele, aquilo me fazia rir e talvez fosse de nervoso, lembrar que eu estava saindo com ele há praticamente um ano e não assumir que era algo sério, chegava a ser patético.
- Ainda tenho fé nas pessoas, não acho que se aproximam por conta da fama – Zac deu de ombros e começamos a rir, ele realmente era bobo.
- Zac, não seja ingênuo, irmão! – Tom se pronunciou – Não vamos generalizar, mas você é Zac Efron, aquele ali é , isso é um peso e tanto!
- Chega a ser bizarro o jeito que vocês falam sobre isso – sussurrou um tanto risonha, mas não deixava de ser verdade – São pessoas como qualquer um aqui.
- Se todos pensassem como você, eles não seriam os queridinhos das câmeras, – Mike riu e ela deu de ombros, eu não iria me pronunciar nesse assunto, vou continuar bebendo, aproveitando esse carinho de em minhas pernas e observar.
- Por exemplo, se pronunciou – Nunca na minha vida eu sairia com uma garota e usaria um preservativo que ela trouxe.
- Cara, isso é machista – Dan, o convidado do Tom, resolveu se manifestar – Qual o motivo disso?
- Qualquer maluca por aí gostaria de engravidar de para ter uma pensão maravilhosa todo mês – ele deu de ombros e aquilo me deixou horrorizada, que pensamento ridículo, !
- Seu ego é muito inflado, sério – Dan continuou a crítica, mas eu estava do lado dele, então que continuasse mesmo – Talvez a maioria das mulheres queiram ir para cama com você, não ter um filho.
- Cara, imagina a cena, a mulher chega pra mim dizendo que está grávida! – ele riu – Nem espero nascer pra fazer o DNA e depois que nascer, faço mais um para ter certeza!
- , você é nojento – se pronunciou e riu mais uma vez, obrigada , você disse o que eu queria dizer.
- Eu tenho medo que elas furem o preservativo com alfinete ou sei lá o quê, qualquer coisa é provável - ele deu de ombros e eu estava petrificada, em nenhum momento ele se virou para mim e disse alguma coisa que me tirasse da reta, no momento, parecia que eu me encaixava no estilo dessas mulheres que ele estava falando.
- Meu Deus, isso é muito coisa de filme! – Zac começou a rir – Ou você está deixando a tequila falar por você ou você é mesmo um babaca!
- Você diz isso porque levou sorte até agora, eu jamais iria aguentar o tranco de ter um filho com alguém que eu não tenho nenhum relacionamento, mas se fosse o caso, obviamente eu ficaria com a criança ou iria sumir do mapa – ele estava mesmo dizendo aquilo? Meu Deus do céu, que nojo, eu só consigo sentir aversão do que estava ouvindo.
- , você não é assim, cara! Isso é insano, acho que se realmente acontecesse você teria outra reação – Tom estava abismado, como todos na mesa, mas acabaram rindo poucos segundos depois
- Talvez eu realmente não seja, mas eu com certeza só vou ter um filho depois que estiver casado – virou mais uma dose de tequila – Mulheres são loucas, vocês sabem disso.
- Machista de merda – se levantou – Não vou ficar aqui ouvindo isso, vem .
Pude notar que só então se lembrou que eu estava no recinto, eu já havia tirado sua mão da minha perna no meio do diálogo, eu não estava grávida nem nada, mas que mulher gostaria de ouvir tudo aquilo do cara com quem está saindo? Ele era nojento! Caramba!
Eu esperava que aquilo fosse efeito do álcool ou apenas o fingindo ser quem não é na frente dos amigos, como era costume dele fazer. Eu achava ridículo, mas ele sempre fazia algo do gênero quando estava bêbado, então relevava, já que nunca havia chegado neste ponto. Para ele eu era mais uma louca que estava saindo com ele apenas por ser ? Então porque ele correu atrás de mim por meses?!
No caminho para casa, eu não disse nada. fechou a pequena janela que nos tirava da visão do motorista do veículo e me agarrou, ele estava completamente bêbado, eu não estava muito diferente, então achei desnecessário começar um diálogo naquele momento.

Fim do Flashback

Aquela lembrança parecia ter dado um tapa na cara de , ele ficou parado, sem expressão, mas olhava o nada e eu esperava que ele estivesse tendo apenas um pingo de consideração por mim, porque aquelas palavras iriam mexer com qualquer pessoa.
Claro que aquilo não justificava o que fiz, mas depois que descobri a gravidez, parecia que dormia e acordava com dizendo as mesmas asneiras do pub, aquilo me perseguiu por pelo menos seis meses, depois eu coloquei na minha cabeça que eu estava longe e nada mais poderia ser feito.
- Então é minha culpa? Você se assustou pelo que eu disse e decidiu não me contar nada? – ele não me olhava, continuou petrificado, a voz era tranquila.
- Não estou dizendo isso, – respirei fundo – Eu me alarmei, tomei decisões erradas e assumo isso, você não veio aqui para ouvir minhas desculpas e eu não vou te culpar.
- Do começo, – me olhou – Me conte do começo.

Assenti e comecei a contar, esperava que aquela fosse a última vez que eu contasse aquela história, visto que agora eu contava para a pessoa mais importante, a única pessoa que realmente tem relevância nessa história toda. Ele acendeu o charuto no meio da sala, iria ter um treco pelo cheiro que ficaria, mas eu iria dar um jeito nisso depois.
não tirou os olhos dos meus enquanto eu contava, talvez estivesse pensando em me matar assim que eu terminasse ou queria se certificar que eu não iria esconder nada. Eu não tinha mais o que esconder, mais do que nunca eu queria amenizar o fardo que estava carregando, a culpa nunca iria sumir, mas eu também sofri e ainda sofro com todas as coisas, não é a única vítima.
Ele parecia se controlar quando terminei, esperava que estivesse analisando todas as informações e que não fosse embora sem me dizer algo, talvez não conseguíssemos entrar em um acordo hoje, mas queria saber se eu o colocaria na vida de Andrew ou não.
Levantou-se, andou de um lado para o outro na sala, passou a mão pela nuca, e quando deu um soco na parede, fechei os olhos engolindo o choro, não iria desabar na frente dele, teria a noite toda para chorar se fosse o caso, mas não iria chorar na frente dele pra depois ele dizer que foi um teatrinho.
- VOCÊ... – ele fez uma pausa, talvez pensando se continuaria falando alto ou não – VOCÊ TIROU MEU DIREITO DE PAI, EU NÃO O VI NASCER, NÃO O VI DAR OS PRIMEIROS PASSOS, NÃO SEI NEM QUAL FOI A PRIMEIRA PALAVRA QUE ELE DISSE!
- Ok e lá vamos nós – disse baixo, provavelmente ele nem escutou, disse mais pra mim mesma do que pra ele, era o momento de extravasar.
- EU NÃO SEI NEM O QUE EU ESTOU SENTINDO AGORA! – ele estava ofegante, andando a esmo e fumando o charuto, cruzei os braços e apenas fiquei fitando-o – VOCÊ ACHOU QUE EU NÃO IRIA ASSUMIR MEU FILHO?
- , eu não sei o que...- nem precisei completar, ele veio em passos firmes em minha direção, bufando, tirou o charuto dos lábios e começou.
- VOCÊ NÃO SABE O QUE? NÃO SABE O QUE DIZER? O QUE PENSAR? – ele gargalhou alto, balançando a cabeça negativamente e voltando seu olhar a mim – E quanto a mim, ? Como você acha que estou?
- Perdido, confuso.. – dei de ombros, nem sabia porque continuava respondendo, mas não iria ficar calada, como se estivesse submissa à ele.
- VOCÊ NÃO PODIA TER FEITO ISSO COMIGO, NÃO PODIA! – ele voltou a gritar, se afastou de mim e foi até a janela do apartamento, respirou fundo inúmeras vezes e voltou a fumar seu charuto.
- QUE PORRA VOCÊ QUERIA QUE EU FIZESSE, ? ME RESPONDA! – explodi, ele iria continuar oscilando entre gritar e não gritar? Ok, eu também faria isso – VOCÊ É UM SUPER ASTRO, NÓS ÉRAMOS DOIS IDIOTAS QUE TRANSÁVAMOS SEMPRE E TRABALHÁVAMOS JUNTOS, SERIA O GOLPE PERFEITO: BOMBA! NICK JONAS ENGRAVIDOU A PRODUTORA!
- Sabe qual o teu problema? – ele se virou de frente pra mim, eu já estava em pé, de braços cruzados, esperando o próximo ataque.
- Não, eu não sei, me diga – fui sarcástica, ele caminhou até mim ficando à poucos milímetros de distância, eu sentia sua respiração, aquilo me desconcertou um pouco, mas acho que não deu pra perceber.
- Você sempre se importou com o que os outros pensavam de nós, eu era o artista, mas você se importava com a imagem que seria passada – deu alguns passos se afastando – Quando eu disse aquelas merdas na boate, eu achei que você iria ligar os pontos e ver que você não era como as mulheres que eu estava falando, posso ter falado de um jeito difícil de entender, mas eu sabia que você não era daquele jeito.
- E você queria que eu adivinhasse, ? Estávamos tão bêbados que mal me lembro como chegamos em casa e adivinha só, três semanas depois eu estava grávida! Depois de ouvir aquelas merdas, eu estava grávida, parecia coincidência demais, não acha? – revirei os olhos e ele apenas continuou fumando o charuto e me olhando, não sabia se ele voltaria a gritar, mas estava preparada caso o fizesse.
- Isso não justifica sua decisão – ele cuspiu a frase e voltou até a janela, talvez ficar perto demais o deixava fora de si.
- Nada justifica minha decisão, mas agora está feito! Não tenho como voltar atrás para refazer tudo isso, posso pedir desculpas, perdão, qualquer coisa! Nada vai apagar o que está feito – suspirei alto e me sentei novamente, eu já sabia do meu erro, mas ter que ouvir tudo o que eu já sabia dele, era exaustivo.
- E você voltou para quê, ? Escondeu ele um ano e oito meses e agora voltou, por que? – ele virou-se pra mim mais uma vez, se apoiou na janela e ficou me olhando.
- Justamente por não conseguir dormir uma noite sequer sem pensar no mal que estava fazendo para meu filho e para você mesmo, – frisei o apelido, não queria brigar, queria mostrar tudo o que estava pensando.
- E depois de todo esse tempo que você pensa nisso? Você teve nove meses antes dele nascer pra voltar e resolvermos isso juntos – a voz sôfrega me fez sentir uma pontada no coração, eu não desabei e ele também não iria desabar, não é?
- , você estava no auge da carreira, tinha acabado de lançar Close, se jogou no projeto do seu CD, eu iria estragar tudo! – mordi o lábio de nervoso, esse também era um dos motivos, mal tinha tempo pra respirar e imagine um filho bem naquele momento.
- , é de um bebê que estamos falando, minha carreira esperou tanto pra decolar, esperaria mais um tempo se fosse necessário, mas eu tinha que saber – ele suspirou derrotado, jogou o charuto pela janela, andou até a poltrona e sentou-se novamente – Eu não sei o que fazer, vou ser sincero com você, vou precisar de um tempo.
- Tudo bem – dei de ombros – Me desculpe, , de verdade, não tem um dia em que eu não pense nisso.
- Olha, , eu não sei te dizer quando, mas hoje não vai ser o dia em que eu vou te desculpar – ele me olhou mais uma vez, frio – Suas decisões não mexeram só comigo, mexeram com uma criança, com minha família, com a sua família e você só pensou em você, no seu sofrimento.
- Eu sei, mas eu estou aqui tentando me retratar, não estou? – torci o lábio e continuei olhando-o, ele parecia calmo, mas também dava para ver a decepção em seu rosto.
- Não, você está aqui porque o remorso não estava te deixando dormir, a culpa não estava te deixando funcionar direito já que quando você olha pro Andrew, você me vê – ele finalizou, levantando-se e pegando suas coisas sob a mesinha – Nos falamos depois.
- , espera, por favor – me levantei desesperada – Você não... não vai tirar o Andrew de mim, vai?
- Fique tranquila quanto à isso, – ele caminhou até a porta – Como eu disse, a culpa que você sente quando olha pro próprio filho, é a maior vingança que a vida te deu.
- Fico muito feliz que ele se pareça com você, – disse firme – Isso não é vingança alguma da vida. Seria se ele se parecesse comigo.
- Sem esse drama, por favor – revirou os olhos – , eu não sei o que você quer que eu diga!
- Eu não quero que você diga nada, quero que você seja o pai dele e se não quiser ser, faz de conta que ele nunca existiu – dei alguns passos em direção a ele, por um momento ele abriu a boca e depois riu, indignado.
- Agora você quer que eu seja o pai dele? Ah é, você não pensou se eu queria ser antes, porque você não pensou em mais nada a não ser ir embora – ele veio até mim, mais uma vez no dia – Eu não te devo explicação alguma, mas eu vou ser o pai dele sim, do mesmo jeito que eu teria sido se você não tivesse feito todo esse circo.
- Ok – foi o que respondi, ele estava com raiva e tinha o direito de descontar tudo em mim, eu sabia, mas não imaginava que iria doer como estava doendo agora.
- Eu não tenho mais nada pra falar com você agora, preciso pensar e ver como isso vai funcionar – ele voltou até à porta e saiu, sem se despedir.

Me ajoelhei no chão e desabei, chorei tudo o que estava engasgado até agora, não sabia se estava aliviada ou sufocada por todo aquele ódio que transbordou. Não tirava a razão dele, mas aquilo doía demais, era como se me faltasse o ar e eu só conseguisse sentir dor, apenas isso.

P.O.V
Quando fechei a porta, me encostei na parede e estava ofegante. Sentia o coração acelerado e fechei os olhos, me controlando. Eu havia conseguido mais do que esperava, agora sabia de toda história, poderia colocar minha cabeça no lugar e decidir o que fazer.
A voz de ainda estava em minha mente, talvez eu tivesse sim, um pouco comovido por tudo o que ela passou, mas ainda tinha raiva por tudo o que ela estava me fazendo passar e pior: fazendo o pequeno Andrew passar.
Sem bater, entrei novamente no apartamento dando de cara com ajoelhada no tapete, chorando, chegava até a soluçar.
Se tem uma coisa que me quebra, é ver alguém chorando, mas nem isso me fez baixar o tom pra ela.
- – pigarreei, ela levantou-se assustada e limpou o rosto rapidamente – Se eu não tivesse falado tudo aquilo na boate, você teria feito o que fez?
- Eu não sei, – sua voz estava um pouco embargada – Já te expliquei que não foi apenas aquele diálogo que me fez agir daquele jeito, foi um misto de coisas.
- Certo – respirei fundo – Mas o que eu falei foi um empurrão a mais.
- Não posso discordar – o rosto estava inchando, ela tentava controlar a voz – Você foi um perfeito babaca e eu acabei me deixando levar por aquela noite.
- Você não pensou em chegar em mim e dizer o que pensava? CARAMBA ! – me exaltei mais uma vez – NÓS TEMOS UM FILHO E NEM ISSO FEZ VOCÊ COLOCAR JUÍZO NA CABEÇA?
- Tanto fez como o Andrew está ai, mais bem cuidado do que nunca, com um ano e oito meses, sem precisar de você, – senti o tapa na cara, alguém estava querendo colocar as garras pra fora – E antes que você diga qualquer coisa, por mim, teria continuado sem a sua presença, mas daqui algum tempo, ele poderia me perguntar sobre o pai e ficar bravo comigo, então sim, , estou fazendo isso pelo meu filho, apenas por ele.
- Ótimo – foi o que consegui responder, ela me desarmou, talvez estivesse com esse discurso preparado desde que tudo aconteceu – Muito bom saber disso.
- Saber do que? , você não quer ser pai, muito menos de um filho meu – ela riu fraco – Eu vou entender se quiser fazer DNA e qualquer outra coisa pra confirmar que ele é seu filho, só não tente me fazer ficar pior com tudo isso.
- Sinceramente? Eu não estou dando a mínima para o que você está sentindo, da mesma forma que você se importou com o que eu sentiria quando chegasse, eu só quero saber do Andrew, em como vou entrar na vida dele, em como ele vai lidar com tudo isso – passei a mão pela nuca e continuei – Não quero DNA, infelizmente eu confiava tanto em você e sei que não saiu com mais ninguém na época em que estivemos juntos.
- Obrigada – ela agradeceu, não disse mais nada, ficou me olhando e parecia controlar o choro desde quando entrei.
- Vou te mandar uma mensagem, vamos combinar alguma coisa pra eu ter um tempo com ele e nós vamos ter que entrar em um acordo nisso tudo – abri a porta mais uma vez – Eu só queria entender o porquê você não deu nem um sinal de vida desde que foi para lá, só isso.
- Ok, , você quer saber isso, mas você também não deu sinal, eu fui embora e para você parece que foi a melhor coisa, porque você não mandou um e-mail, não deu uma ligação, NADA!! Você me permitiu tudo isso – disse numa velocidade tão grande que apenas parei para ficar olhando-a, eu poderia dizer a verdade, mas optei por continuar sendo frio.
- Não tente virar o jogo, – sorri torto – A única culpada nessa história toda é você, apenas você e nada do que disser vai mudar isso.

Não fiquei esperando resposta, saí mais uma vez do apartamento e caminhei apressadamente até o elevador. Sentia meu corpo todo quente, com certeza eu estava com o rosto vermelho, era normal quando eu ficava com raiva. poderia tentar achar inúmeros motivos para explicar sua decisão, mas nenhum deles me faria esquecer que por culpa dela, eu havia perdido boa parte dos acontecimentos na vida do Andrew.
Eu não pensava em ser pai tão cedo, isso é verdade, mas já que aconteceu, eu queria sim ter participado de tudo, eu posso ser um excelente pai e é isso que vou ser.


Capítulo 8

- Você foi um tanto rude, mas eu acho que teria falado a mesma coisa – Joe deu um gole no café que Kevin havia acabado de fazer.
- Eu pensei em não falar nada, apenas ouvir o que ela tinha a dizer e ir embora – cruzei os braços – Mas aquela mulher me bagunça de tal maneira, que eu não me segurei.
- Eu consigo entender ela um pouco – Kevin começou a falar – Eu tenho filhos e sei que faria de tudo por eles, mas também teria feito o que você fez, irmão.
- Agora tenho que pensar em como contar isso pra nossa mãe, vocês sabem o circo que ela vai fazer – fechei os olhos e mordi o lábio, eu não fazia ideia de como contar aquilo para Denise .
- Você pode contar para nosso pai primeiro, ele ajudaria a chegar nela – comentou e assentimos – Se bem que de qualquer forma ela vai surtar.
- Não é só chegar lá e dizer “mãe, tenho um filho” – fiz aspas com as mãos – Mas não sei outra maneira de iniciar esse diálogo.
- Você pretende falar com ela quando? – Kevin perguntou e dei de ombros – Tem que falar o mais rápido possível, porque dá pra ver na sua cara que alguma coisa aconteceu.
- Eu sei – soltei o ar dos pulmões – Vocês poderiam estar comigo, o que acham?
- Só tenho tempo livre agora – riu e Kevin acompanhou.

Não sei por quanto tempo fiquei parado analisando a fachada da casa dos meus pais. Estava tenso, Kevin e estavam do mesmo modo que eu, acho que ninguém gostaria de ter uma conversa daquelas com a mãe, ainda mais sabendo a forma que ela iria reagir, mas eu precisava falar, não poderia esconder meu próprio filho se eu queria ser um pai excelente. Eu queria isso e Andrew precisava disso.
Era uma boa hora, café da tarde da família , meu pai estaria presente e eles estavam em êxtase por ter os quatro filhos reunidos e mal sabia da bomba que estava por vir.
Eu poderia ter esperado mais alguns dias, preparar o terreno, esfriar a cabeça e planejar em como diria tudo aquilo à minha mãe. Mas não adiantaria nada, o surto seria o mesmo e talvez em maior proporção quando eu dissesse que havia demorado pra contar. Estava usando a raiva que ainda estava presente pra contar de uma vez e aproveitar pra dizer que eu tomaria as decisões sozinho, nada que ela dissesse iria mudar minha decisão.

- UM FILHO, NICHOLAS? COM UMA DESCONHECIDA? EU TE CRIEI PRA ISSO? - havia acabado de contar a novidade, meu pai estava estático na mesa, Frankie com um sorriso brincalhão nos lábios, e Kevin à postos, caso ela decidisse me bater.
- Ela não é uma desconhecida, mãe – continuei calmo, ainda teria muitos gritos pra ouvir na mesa, explicar a história não seria fácil.
- ME FALE O NOME DELA, DEVE SER MAIS UMA QUE QUERIA TE DAR O GOLPE E VOCÊ SE DEIXOU LEVAR – os olhos da minha mãe estavam soltando fogo, eu podia ver aquilo, ela tinha o rosto avermelhado e uma veia saltara em sua testa.
- Mãe, eu não vou falar, não quero que a senhora se meta nesse assunto, por favor – fechei os olhos e respirei fundo, continuando: - Eu só estou te comunicando e já sei o que fazer, não quero que você faça nada.
- EU QUERO SABER QUEM É ESSA GAROTA, NICHOLAS! – ela bateu na mesa, fazendo todos os presentes pularem sob as cadeiras, me levantei, ainda calmo e olhei em seus olhos.
- Pois a senhora descubra, eu não vou contar e meus irmãos também não vão, eu não quero que a senhora se meta nas minhas decisões.
- E quem garante que eu faria isso, ? – ela disse meu nome tantas vezes que já estava se tornando uma palavra estranha, mas ao menos ela tinha parado de gritar.
- Eu te conheço, mãe! – cruzei os braços – Você vai querer infernizar a vida dela e eu não quero que meu filho presencie algo do gênero.
- Então, você vai apenas pegar essa criança, sem ter certeza que é seu filho – ela deu um risinho – E nós nunca vamos conhecer a mãe dele?
- Não acho que devia te explicar isso – pigarreei – Mas eu não vou pegar a criança, eu tenho certeza que ele é meu filho e vocês vão sim conhecer a garota, mas não agora, tenho outras coisas pra resolver.
- COMO VOCÊ PODE TER CERTEZA QUE O FILHO É SEU? – lá estava minha mãe gritando novamente, a melhor parte era ver os presentes em absoluto silêncio, apenas observando.
- EU APENAS TENHO, MÃE! – me exaltei e me desculpei logo em seguida, aquela era minha mãe, não poderia sair gritando com ela.
- , faça um exame, comprove isso – ela caminhou até a pia e começou a mexer nos copos – Ou eu vou até o inferno e farei.
- Mãe, por favor – suspirei alto – A senhora não confia em mim?
- Isso não é questão de confiança, como você pode se descuidar e não se prevenir? Ela não tomou remédios? Isso não poderia ter acontecido com você – minha mãe se apoiou na pia e abaixou a cabeça.
- Nós não precisamos falar sobre isso, mãe – caminhei até ela e coloquei a mão em seu ombro – Eu não queria esconder isso da senhora, mas não quero que tome decisões por mim.
- Eu não te prometo isso, – ela se virou em minha direção e tinha os olhos marejados.
- Sei que não, por isso não vai ser agora que a senhora vai saber quem é a mãe do meu filho – dei um leve sorriso e abracei minha mãe – Eu vou ser um ótimo pai.
- Porque você não dá algum dinheiro pra ela e pega a criança? É isso que ela quer, dinheiro – me desvencilhei do abraço e franzi o cenho ao olhar a mulher à minha frente.
- Não é o que ela quer, você não a conhece – revirei os olhos – Não adianta te falar nada, eu cansei, já fiz a minha parte.
- Se não é dinheiro, é o que? Me diz? – ela estendeu os braços, como se pedisse uma explicação.
- Mãe, ela quer que eu seja um pai presente na vida do filho, disse até que se eu não quisesse, era pra falar que ela sumiria do mapa, você não entende – peguei as chaves do carro que estava no balcão ao lado – É por isso que escondo várias coisas de você.
- , deixe de ser ingênuo, filho – ela se aproximou – Ela está se fazendo de coitadinha agora, mas a única coisa que ela quer é seu dinheiro, vai usar a criança até o fim.
- Eu não deveria estar defendendo ela, mas a última coisa que ela precisa, é do meu dinheiro. Nem todas as mulheres são como a senhora me falou, mãe, algumas ainda valem à pena.
- Então você está apaixonado por ela? Só por causa do filho? – ela cruzou os braços e balançou a cabeça negativamente.
- Eu não estou apaixonado por ela, mãe! – Esbravejei mais uma vez – Ela é uma boa garota, ok? Eu vou trazer meu filho aqui pra vocês conhecerem, só não sei quando.
- O que você acha disso, Paul? – minha mãe cruzou os braços e olhou meu pai, que balançou a cabeça, como se estivesse acordando e me olhou.
- Me procure se quiser conversar, filho – disse sereno, recebendo um olhar diabólico da minha mãe.
- VOCÊS ESTÃO CONTRA MIM NESSA CASA? – voltou a gritar, levando as mãos pro alto e olhando todos a sua volta.
- Ninguém está contra você, Denise, eu apenas disse pra ele me procurar se quiser conversar, isso também é assunto de pai e filho – respirou fundo, tirou os óculos, coçou os olhos e voltou a me olhar – Vá, antes que isso piore.
- Obrigado, pai – coloquei a mão em seu ombro, dando um leve aperto, indo até a porta em seguida.

Quinta Feira
11:54


Carrinhos. Kevin me falou que Andrew adora carrinhos e acho que levar mais alguns não vai ser problema, posso levar alguns homenzinhos e talvez um bicho de pelúcia, não é? Droga! Eu não tenho ideia do que levar para meu filho. Pisquei algumas vezes, minha visão já estava embaralhada com esse tanto de brinquedos na minha frente, dispensei o auxílio da vendedora quando cheguei e agora não faço ideia do que levar. Ok, calma, ele é só uma criança, qualquer coisa que brilhe ou faça barulho ele vai gostar.
Busquei o celular no bolso e liguei para uma das pessoas que com certeza iria me ajudar.

- Oi, ! – ela atendeu e já continuou - Fiquei sabendo que você vai passar a tarde com o Andrew.
- Oi, – ri – Vou sim, preciso da sua ajuda, você é madrinha dele, não é?
- Eu, a e – ela gargalhou – Sim, ele tem três madrinhas, aliás a tá aqui comigo.
- Oi, – franzi o cenho – Ele tem três madrinhas? Porque isso?
- Longa história, melhor a gente te contar depois – ouvi alguns barulhos na ligação – OI NICK!
- Você colocou no viva-voz, ? – perguntei e ela afirmou – Estou olhando para várias prateleiras cheias de brinquedos e não faço ideia do que comprar pro Andrew.
- OWWWWWWN – ouvi as duas do outro lado da linha, revirei os olhos e continuei.
- Andrew gosta de carrinhos, não é? Pensei em levar alguns e talvez algo que brilhe ou faça barulho – dei de ombros – Definitivamente eu não sei o que comprar!
- Posso dizer que isso é fofo? comprando presentinhos para o filho, quem diria! – riu do outro lado da linha e pude ouvir acompanhar.
- A melhor parte é que ele está nervoso – a amiga completou a fase “vamos rir do ”.
- Vocês vão me ajudar? – bufei, foi a mesma reação que teve quando contei o que aconteceria.
- Vamos sim, mas me responde uma coisa, essa história de guarda compartilhada, vai funcionar? – perguntou e apenas balancei a cabeça, óbvio que já tinha contado sobre o que havíamos combinado.
- Eu espero que sim – suspirei alto – Você sabe que o único diálogo que quero ter com a é esse, apenas sobre meu filho.
- O que posso dizer? Vocês são dois idiotas! Se começarem a se tratar friamente, isso passa pro Andrew! – bufou do outro lado e aquilo me fez pensar um pouco – Não estou dizendo que vocês devem se amar, mas precisam dar um jeito de serem amigos novamente, tudo isso fica gravado na cabeça do pequeno.
- Vou avaliar seu comentário, e depois dou uma resposta – ri fraco – Mas andem, me ajudem com isso porque daqui a pouco a vai levar ele em casa.

Ouvi mais alguns risos e elas começaram a perguntar sobre os brinquedos que estavam na prateleira. Dois dias depois da visita à , mandei uma mensagem, aliás, um texto imenso propondo que entrássemos em um acordo para o bem do nosso filho. Ela me respondeu formalmente, da mesma maneira, aceitando o acordo e sugerindo uma guarda compartilhada. De início não entendi muito bem, não queria me encontrar com ela pessoalmente, então fiz uma ligação. Sim, resolvi por telefone meu problema com minha ex, sou um homem muito maduro. sugeriu que antes de qualquer coisa, eu passasse um tempo com Andrew, conhecesse as manias dele e me familiarizasse, já que o menino não tinha ideia de quem eu era. Combinamos que eu passaria a tarde com ele hoje e veríamos como ele vai reagir, faria visita a um apartamento próximo e depois iria se reunir com e o restante da banda para acertarem alguns detalhes.
Se eu estava nervoso? Claro que estava! Eu levo jeito com crianças, mas com ele é diferente, ele é meu filho, tem meu sangue e se algo acontecer, não posso simplesmente devolvê-lo à mãe.
Quando cheguei em casa, coloquei as sacolas com os brinquedos em cima do sofá e conferi se tinha tudo na cozinha, nunca se sabe o que a criança vai querer comer, sou um pai prevenido.
Olhei no celular e havia mandado uma mensagem, avisando que estava no prédio. Isso tem que funcionar, eu tenho que me sair bem, é meu filho e tudo vai dar certo, eu consigo, não é um bicho de sete cabeças.
A campainha tocou e só então percebi que estava andando de um lado para o outro enquanto pensava em todas aquelas coisas. Engoli seco e pisquei algumas vezes, olhando em direção à porta, eu não poderia correr e acho que nem queria, vamos lá, ! É só uma criança, as coisas vão funcionar.
Abri a porta esboçando o melhor sorriso que eu tinha e dei de cara com uma de braços cruzados, sem o pequeno Andrew. O sorriso se desfez, pude notar a mulher prender o riso e antes que eu pensasse em falar alguma coisa, ela se pronunciou.

- Andrew está lá embaixo com a , eu queria resolver com você sobre a guarda compartilhada antes de qualquer coisa – ela arqueou a sobrancelha e ficou me olhando – Posso entrar?
- Gostaria de dizer que não, mas ficar falando aqui no corredor não é uma boa ideia – dei espaço e ela entrou em meu apartamento, depois de tanto tempo, era estranho vê-la aqui.
- Sem enrolar, – ela virou-se pra mim, ainda de braços cruzados – Como você acha que isso vai funcionar?
- Você fica com ele nos dias da semana e eu fico com ele nos finais de semana, até ele se acostumar e depois podemos fazer quinzenal – dei de ombros – Mesmo que eu esteja trabalhando, contrato uma babá tempo integral pra ficar com ele enquanto eu estiver no palco ou algo do gênero.
- Claro, vai fazer o menino passar praticamente o dia todo com a babá e vai pegar ele nos intervalos – ela revirou os olhos – Andrew estranha as pessoas muito fácil quando eu estou longe.
- Eu sou o pai dele, vai ter que se acostumar com minhas decisões – cruzei os braços também e a encarei, ela respirou fundo uma única vez e assentiu.
- Acho que o certo é você ficar com ele hoje e na volta me dizer o que achou, você está tão animado com essa história que ainda não percebeu como é difícil ter uma criança – ela balançou a cabeça e ajeitou a bolsa no ombro.
- Você já chegou aqui nessa ignorância e queria que eu respondesse como? Dei minha ideia, não gostou, paciência – dei de ombros mais uma vez, sabia que a deixava irritada.
- Como você quer que a gente se trate? Você está com raiva de mim e mal me deixa entrar no assunto direito – suspirou alto e levantou as mãos pra cima, como se aquilo explicasse tudo.
- , vá fazer suas coisas e me deixe aqui com meu filho, nós vamos ter um tempo pra conversar quando você voltar, tudo bem? – mantive a calma, eu teria que conviver com ela se queria meu filho por perto, então vamos fazer as coisas do melhor jeito possível.
- Veja bem, qualquer coisa, qualquer coisa mesmo, você me liga ou manda uma mensagem – ela nem me olhou, digitava alguma coisa no celular enquanto falava – Não preciso nem dizer sobre a diabetes dele, você sabe muito bem como cuidar disso.
- Obrigado pela parte que me toca, – torci o lábio e reprimi um riso, ela estava mais nervosa que eu – Ele já almoçou?
- Sim, mas não pense que isso o deixa sem fome, esse garoto puxou você em vários sentidos, inclusive no quesito comer – guardou o celular e me olhou – está subindo com ele.
- Tudo bem – coloquei as mãos no bolso da calça, tentando não demonstrar que estava quase pirando.
- Na mochila dele tem fraldas, algumas roupinhas, sapatinhos e o leite dele – ela falava quase que automático, pela primeira vez em tanto tempo estávamos nos encarando, não sabia dizer o que estava acontecendo, mas não me afetou em nada.
- Ele ainda usa fraldas? – me encostei na parede – Ele tem um ano e oito meses, não é?
- Usa apenas pra dormir, ele pede pra ir ao banheiro – passou a mão pelos longos cabelos e voltou a falar – O aniversário dele está chegando.
- Quando é? – esse era um detalhe que eu realmente ainda não sabia, mas talvez não fosse a hora certa, visto que quando iria responder a campainha me fez voltar a ficar nervoso.

Nem me dei conta que travei, só vi caminhar e abrir a porta, segurava o pequeno pela mão, foi quando baixei meu olhar e o vi, era a primeira vez que estávamos frente a frente, quando o vi no hospital, ele estava dormindo e quando abriu os olhos eu já estava bem longe dali.
Agora eu estava ali, de frente com aquela cópia minha, ele vestia uma bermuda jeans, uma camisa cinza com uma camiseta xadrez por cima, os cabelos completamente encaracolados e aquele All Star eu tinha certeza que era coisa da . Eu seria um completo idiota se pedisse DNA daquele menino, ele era minha cara, até os olhos castanhos curiosos vasculhando cada centímetro do apartamento eram parecidos com os meus. Senti minhas mãos ficarem trêmulas, a boca estava seca, meu coração estava inquieto. Ele era perfeito.

- Filho, vem cá, a mamãe precisa conversar com você – sentou-se no chão e estendeu os braços em direção a Andrew, que prontamente correu até ela e sentou-se em seu colo.
- ‘Lugai’ bonitu, mamãe – ele disse e aquilo me fez sorrir, ele já falava muito bem e era um bom começo saber que ele gostou do apartamento.
- É sim, meu amor – ela acariciou os cabelos dele e respirou fundo antes de continuar – Andrew, lembra quando a mamãe explicou pra você, sobre aquele moço que deu você de presente pra mim?
- Sim - ele compreendia as coisas de uma forma muito simples, pra idade dele aquilo era incrível.
- Lembra que eu disse que esse moço, sempre seria muito especial, porque ele me deu o maior presente da minha vida? – ela perguntou e ele assentiu, aquilo me tocou, ela chegou a comentar de mim pra ele, de uma forma estranha, mas comentou.
- Sim, mamãe – Ainda de braços cruzados, não tirei os olhos dele, prestava toda atenção no que a mãe falava, era outra pessoa agora, talvez Andrew tivesse esse efeito sobre ela.
- Então, meu amor, hoje você vai conhecer esse moço e espero que você goste dele – ela levantou-se, pegou o garoto nos braços, que ainda estava atento às palavras da mãe.
- ‘Poquê’? – ele passou as pequenas mãos pelos cabelos da mãe, dava pra notar que eram muito colados, isso seria um pouco complicado pra mim.
- Filho, esse moço, é seu papai – ela disse calma, Andrew franziu o rosto e pareceu não entender muito bem – Eu sou sua mamãe e o , é seu papai.
- ? – ele estendeu as pequenas mãos pro lado, como se pedisse uma explicação, virou-se um pouco, deixando o pequeno na minha frente.
- Andrew, esse é o , nós vamos nos encontrar bastante com ele a partir de hoje – fixei meus olhos em meu filho, que parecia intrigado, olhando pra mim, de cima abaixo.
- Mamãe, sem ‘cabeio’ – ele disse baixinho, como se fosse um segredo, começando a rir logo em seguida, fazendo todos no ambiente gargalharem.
- Pois é, garotão, sem cabelo – ela ainda ria e me olhou rapidamente – A mamãe vai ver nossa casa nova e trabalhar, você vai ficar com o papai, tudo bem?
- Oi, Andrew! – me aproximei e estiquei os braços, ele não se mexeu, ficou me olhando e pareceu enrijecer o corpo e se agarrou na mãe.
- Não, mamãe – deitou o rosto no ombro de e os bracinhos estavam em volta de seu pescoço.
- Filho, é como se fosse a Steph, mas é o seu papai – ela tirou os braços dele devagar de seu pescoço, eu estava me sentindo estranho, era uma dor esquisita, talvez não esperasse isso do meu próprio filho.
- Andrew, olha o que eu trouxe pra gente – corri até o sofá pegando as sacolas e tirando alguns brinquedos de dentro, pude notar o olhar curioso do pequeno sobre mim.
- Arrasou, disse e só então me lembrei que ela estava no ambiente.
- Olha, filho, o comprou pra você! – tinha um sorriso um tanto surpreso, parecia não esperar meu gesto, mas eu realmente não queria prestar atenção nisso agora.
- Tenho um cachorrinho que anda sozinho, quer ver? – perguntei enquanto buscava o brinquedo citado, dei corda e coloquei no chão.
- Qué! – esticou os bracinhos e o colocou no chão, ele estava com os olhos vidrados no brinquedo e bateu palmas quando o cachorrinho latiu.
- Ele vai se acostumar, ok? É muito novo para ele – não percebi quando veio até mim, apenas assenti e voltei a atenção ao pequeno – Até depois.

Não respondi, me agachei, de frente para Andrew e o vi acenar para a mãe, estava bem distraído com o novo brinquedo. Eu ainda não sabia muito bem o que dizer, mas agora éramos apenas eu e ele, meu filho.
Abri todos os brinquedos novos, a cada brinquedo, uma gargalhada nova, o diálogo que rolava era apenas sobre cada coisa que o brinquedo novo fazia, posso dizer que ficamos por horas no mesmo lugar, apenas aproveitando a diversão.
Me peguei olhando pra ele durante um tempo, analisando cada detalhe de seu rosto, os dentinhos, as mãos, a felicidade e a gargalhada gostosa a cada nova descoberta.
Sentia uma coisa boa dentro do peito, não conseguiria explicar, mas não queria deixar de sentir aquilo.
Andrew era muito carinhoso, detalhista e estupidamente perfeito. Ok, é meu filho, sou bem suspeito de falar, mas diferente do que achei que poderia acontecer, eu estava realmente confortável com aquilo. Talvez as horas passadas com minha sobrinha me deixaram mais experiente com crianças, mas aquele era meu filho, parte de mim e eu me sentia o cara mais sortudo do mundo por isso.

- , fome! – ele colocou as mãos na barriga e me olhou, ok, era agora que eu me tornava um verdadeiro pai?
- Eu também estou com fome, amigão – me levantei e estiquei os braços, oferecendo colo, ele caminhou um tanto receoso e ergueu o corpinho em minha direção – O que você quer comer?
- Íche! – o peguei nos braços e aquela foi a melhor sensação do mundo, ele estava feliz por poder escolher o que comer.
- Vou deduzir que você quer um sanduíche, certo? – perguntei e ele assentiu animado, caminhamos até a cozinha e eu iria inaugurar a cadeira de bebê recém comprada.

Não poderia fazer um sanduíche no estilo que eu e gostamos, tínhamos uma criança no recinto, eu não tinha ideia de como fazer algo saudável, mas teria que aprender. já havia me alertado sobre fast-food para o Andrew, mas eu era o pai, certo? Crianças quando estão com o pai, fogem das regras da mãe, era isso o certo. Coloquei Andrew na cadeira dele e passei a mão algumas vezes pelo rosto, pensando por onde começar.
O pequeno estava atento enquanto eu picava os tomates e ficava de olho no fogão para não deixar o frango desfiado passar do ponto.

- , xixi! – ele disse e me fez olhar pra ele, como eu iria fazer isso?
- Ok, Andrew, vou te tirar da cadeira, me dê apenas um minutinho – desliguei o fogão e peguei o tomate picado, colocando-o em um recipiente.
- Xixi! – Andrew balançava as perninhas freneticamente e esticou os braços, parecia apressado.
- Estamos indo, amigão – sequei as mãos no guardanapo e caminhei até a cadeira, pegando meu filho nos braços mais uma vez.
- Ops! – franzi o cenho e continuei caminhando até o corredor, não sabia muito bem como ajudá-lo a fazer xixi, precisaria falar com Kevin depois da tarde de hoje.
- Já estamos chegando – sorri e logo em seguida senti meu lado direito ficar quente, não, ele não tinha... – Andrew, você fez xixi no papai?
- Diculpa – colocou as mãozinhas em meu rosto e ficou me olhando, como se estivesse muito constrangido.
- Eu não estou acreditando – comecei a rir, é a primeira vez com meu filho e ele faz o quê? Xixi em mim! Eu sou ótimo com crianças, é o que os tabloides vivem dizendo.
- Chão! – Andrew voltou a balançar as pernas e não demorei para colocá-lo no chão, minha camisa branca estava com uma bela mancha de xixi, meu filho começou a andar em direção aos brinquedos e tudo naquele momento estava cheirando a xixi.
- Andrew, acho que precisamos de um banho – disse e pude vê-lo pegar o cachorrinho de antes, que ainda estava no chão – Não, você não pode levar ele.
- Poquê? – ficou com a fisionomia triste, se agarrou no bichinho.
- Porque se molhar, vai estragar – me abaixei, ficando da altura dele e passei a mão por seus cachinhos – Podemos levar o Max Steel se você quiser.
- Sim! – soltou o cachorrinho e vasculhou pelo chão até achar o brinquedo, pegando-o e segurando em minha mão logo em seguida.
- Estamos preparados para esse banho? – perguntei e apertei a pequena mão na minha, vendo-o assentir e sorrir abertamente – Então vamos lá!
- Vamu! – Começou a saltitar enquanto caminhávamos até o banheiro, liguei as torneiras deixando a banheira encher enquanto eu tirava a roupa do pequeno.
- Papai vai ter que pegar uma bermuda pra te acompanhar – disse e ele estava olhando o brinquedo, tirando a roupa do mesmo em seguida – Max Steel também vai pro banho, beleza.
Me levantei e disse para Andrew me esperar ali, caminhei até o quarto e busquei uma das bermudas que eu usava na praia, coloquei-a rapidamente e voltei até o banheiro, Andrew estava sentado no tapete brincando e nem se importando se estava pelado ou não.
Tirei a camisa e coloquei no cesto de roupas sujas, antes de pegar o garoto voltei até a sala e a mochila que havia comentado estava em cima da cômoda do lado esquerdo, parecia até que ela sabia que o filho aprontaria alguma coisa e já havia separado tudo.
Já no banheiro novamente, peguei Andrew nos braços e entrei na banheira, água estava morna, ele se agarrou em mim e foi relaxando conforme eu pegava e molhava seus pés e braços devagar, pra ele se acostumar com a temperatura. Logo, estávamos sentados um de frente para o outro, nos divertindo com Max Steel enquanto eu tentava distraí-lo e ensaboar o cabelo encaracolado.
Ele era incrível, Andrew encantava qualquer um por onde passava, sem dúvida alguma, cada coisa nova que eu estava passando com ele, parecia mágico.

Não foi um bicho de sete cabeças vestir o Andrew, acho que o mais complicado foi tentar pentear os cabelos dele, era nitidamente algo que ele não gostava e eu não sabia se estava fazendo do jeito certo, era um assunto pra puxar com quando tivesse oportunidade.
Consegui finalizar os lanches, coloquei um desenho pra distrair o pequeno enquanto cortava os sanduíches ao meio e os colocava na frente de Andrew.
Olhou curioso e bateu palmas em seguida, parecia muito feliz em poder comer um sanduíche e aquilo me fez rir, talvez seja linha dura na alimentação do pequeno, visto que no último ataque que ele teve, ela se culpou mais do que nunca.

- Quer catchup, Andrew? – perguntei enquanto me sentava ao lado dele e pude vê-lo assentir - Legal, pelo jeito vamos fazer uma bagunça aqui.

Cada detalhe era essencial pra mim, reparei em tudo, desde as pequenas unhas cortadas, até ao cuidado com as roupinhas na mochila, eu poderia dizer qualquer coisa pelo que fez pra mim, mas sobre Andrew, ele era um bonequinho de vidro nas mãos dela, cuidava dele de uma maneira que eu duvidava que iria conseguir.
Uma criança feliz é uma criança bem alimentada e meu filho naquele momento era a criança mais feliz. Comeu um sanduíche e meio e os olhinhos já estavam pesando, na própria cadeirinha. Me levantei rapidamente e o peguei nos braços, ele despertou um pouco e ficou feliz quando o coloquei sentado no tapete com os brinquedos de anteriormente.

- Você fica aí enquanto o papai vai dar um jeito na cozinha, que tal? – me agachei ficando da sua altura e ele franziu o cenho, fazendo uma careta.
- Não! ! Brincá! – parecia irritado com a situação, eu acabei me derretendo mais um pouco por ele.
- Tá certo, pra quê limpar a cozinha, né? – me sentei no chão e peguei alguns soldados que estavam do meu lado e o vi ficar animado novamente.
- VOÁ! – ele ergueu o cachorrinho de pelúcia e jogou em mim desatando de rir logo em seguida.
- EI! – arqueei a sobrancelha e comecei a rir também e me aproximei – Isso vai ter volta.

Estiquei as mãos e ao tocá-lo, comecei a fazer cócegas em sua barriga. Andrew, ainda gargalhando, se jogou pra cima de mim e tentou me fazer parar, colocando as mãos em meu rosto.

Estúdio
Avery


Sala ampla, dois quartos medianos, uma cozinha planejada também mediana, sem sacada, sem vaga de garagem e o valor do aluguel era praticamente meu salário inteiro. Eu queria sair do apartamento da , mas queria algo que eu pudesse ficar por muito tempo, não só por uns meses, sem contar que eu teria que comprar móveis ainda, ou seja, aquele apartamento estava fora de cogitação.
agora falava sobre os intervalos durante a tour, contestava algumas festas, eu estava esperando a assinar o contrato e não parava de checar o celular, não mandou nenhuma mensagem desde que saí de lá e isso estava me fazendo pirar um pouco.
Obviamente eu menti quando disse que Andrew estranha as pessoas, ele é uma criança incrível, tranquila e pode estranhar de início, mas é só fazer algumas brincadeiras e ele se solta completamente. Não sei o que queria ganhar ao dizer que Andrew estranha as pessoas, talvez quisesse mostrar para que Andrew era muito acostumado comigo e não seria com qualquer mulher que ele iria se acostumar.

- Pode ser, ? – me despertou, percebendo que eu não tinha escutado, repetiu – Você se importa de continuar cuidando das coisas por aqui enquanto a nos acompanha nos shows?
- Ué, mas isso iria mudar? – franzi o cenho – Não é porque descobriu sobre o filho que eu estou disposta a deixá-lo aqui e me aventurar com vocês.
- Calma, , ele só perguntou – colocou a mão no meu ombro e respirei fundo – Ela está nervosa por que o pequeno está com o pai.
- Você acha que ele não vai se adaptar? – perguntou e acabei rindo um pouco.
- Andrew se acostuma rapidamente, ainda mais com o que comprou uma loja toda de brinquedos pra ele, deve estar se sentindo no paraíso!
- Não, pegou minha mão – Você acha que o não vai se adaptar?
- Eu realmente não sei, ele está maravilhado agora com a história de ter um filho, mas nós nem paramos pra ver como isso vai funcionar – suspirei alto – Não quero afastar Andrew dele, mas não quero que ele pense que tudo vai ser fácil.
- Ele precisa ver por si só – se pronunciou – Não adianta você tentar mostrar pra ele como vai ser difícil, ele está com raiva e tudo o que ele quer é te provar que ele vai ser um ótimo pai, mas não está preparado para todos os obstáculos.
- Inclusive xixi na roupa – começou a rir enquanto olhava o celular – me mandou uma foto dele com Andrew na banheira.
- Andrew fez xixi nele? - começou a gargalhar – Melhor afilhado do mundo!
- Eu não acredito – me deu o celular e comecei a rir, a foto era de ao lado de Andrew e pelo que consegui identificar, Max Steel estava fazendo parte do banho, Andrew estava com um sorriso enorme estampado no rosto.
- Está tudo bem, tá vendo? – disse e assenti, me sentindo a pior pessoa do mundo mais uma vez no dia.

retomou o assunto da turnê, os outros integrantes da banda haviam chegado e eu estava repassando tudo para eles, estavam ansiosos por iniciar uma tour, o laço criado entre eles deixava as coisas muito mais leves. A set list foi repassada no mínimo três vezes durante a reunião, qualquer detalhe era importante. teve que ir embora, recebeu uma chamada do chefe e se mandou, pelo menos o contrato estava assinado.
Algumas longas horas se passaram e eu já estava com aquela sensação de cabeça pesada. Eram muitos números, cidades e coisas a se fazer e tudo de uma vez não colaborou em nada.
deu uma carona aos presentes e eu decidi ficar mais um tempo com , já que ele queria pegar algumas coisas ainda e no fim iríamos pro mesmo lugar.
Me deitei no enorme puff preto, respirando fundo algumas vezes e tentando não pensar em nada, a cabeça chegava a doer pelo fato de ter muitas informações em pouco tempo. Ouvi andar de um lado para o outro, barulho de papéis, vidro e respirei mais fundo, tentando me imaginar em uma floresta, campo, qualquer lugar verde e sem barulho urbano, apenas pássaros, flores e o som de uma cachoeira era tudo o que eu queria nesse momento, sair de órbita, esquecer que tudo está acontecendo tão rápido que eu perdi totalmente o controle.
Talvez se eu tivesse escolhido Fifth Harmony, estaria rica e bem longe daqui. Ok, talvez apenas longe daqui. De qualquer forma eu poderia conhecer de outra maneira, já que é produtora do desde quando ele seguia carreira solo, era só uma questão de tempo até aparecer na minha vida e bagunçar tudo, como se fosse um furacão que estivesse esperando o momento certo de atacar e pronto, levou tudo.

- Ele também ficou confuso – ouvi a voz de e dei um pulo, por um momento eu realmente achei que estava sozinha.
- Que? – me sentei balançando a cabeça, já sentia menos dores agora.
- O , às vezes pego ele assim, deitado, parece que está dormindo, mas só está pensando em tudo o que rolou nessas últimas semanas – pegou uma garrafa de água no frigobar e me ofereceu – Com gás, né?
- Sim, por favor – relaxei os ombros e movimentei a cabeça de um lado para o outro – Difícil não pensar em tudo isso, mas eu fico pensando em como vai ser.
- Vocês vão criar uma rotina com isso, vai funcionar, , mas você precisa acreditar – me entregou a garrafa de água e se apoiou na parede, de frente pra mim.
- Eu acredito, , pode não parecer, mas eu torço para que isso dê certo, só não acredito que o vai me perdoar tão cedo – fechei os olhos e bufei, nem deveria me preocupar com isso.
- Ok, entendo, mas o que vai mudar se ele te perdoar? Vocês vão entrar em um acordo sobre o pequeno e vão ser obrigados a conviver. – deu de ombros, me olhou firme e prendeu o riso, vai saber o que está pensando.
- Sinto falta dele, – dei um gole na bebida em minhas mãos. – Mesmo com aquele caso mal resolvido, éramos ótimos amigos e isso me faz uma falta imensa.
- Você pode tentar reconquistar essa amizade, não é tão difícil, ele está com raiva, mas aposto que sente saudades de você também – pegou o celular e mexeu em alguma coisa antes de voltar seu olhar a mim.
- Ele pode sentir, mas a raiva é muito maior, , você conhece seu irmão, não vai ser simples – me inclinei para trás, encostando a cabeça na parede. – Andrew parece tão feliz ao lado do pai, sabia que ele não chamou o de pai?
- Óbvio que não chamou, ele é uma criança e não um robô que obedece os comandos da gente – revirou os olhos e prosseguiu – Ele vai chamá-lo de pai quando entender o que isso significa, ele sabe o que é uma mãe porque você sempre esteve presente, mas não faz ideia do que é um pai.
- Minha culpa, mais uma vez – torci o lábio – Mas e daí né, agora o vai recuperar o tempo perdido e logo tudo isso não vai passar de uma lembrança ruim.
- É o que esperamos que se transforme – deu de ombros e sorriu - Tente relaxar um pouco, sei lá, sair com alguém.
- Como é que é? – franzi o cenho e o fitei séria – De onde surgiu isso?
- Somos amigos, certo? – ele se abaixou e ficou bem próximo, apenas assenti – Você sabe que eu gosto muito de você e por isso não quero te ver mal.
- , eu vou te dar um soco – disse entredentes, ele estava querendo chegar onde com aquele assunto?
- Não vejo motivos pra isso, você acabou de confirmar que somos amigos e eu só queria te dizer o que eu penso – continuou me olhando, quando viu que eu não responderia, prosseguiu – Há quanto tempo você não saí com ninguém, quero dizer, com um homem.
- Isso é realmente relevante? – me levantei bufando, comecei a andar à esmo pelo cômodo, aquilo me deixava nervosa.
- Há quanto tempo, ? – pude vê-lo levantar-se e sentar no puff onde eu estava anteriormente.
- , onde você quer chegar com isso? Me responda que eu te respondo – me virei pra ele, um tanto trêmula, dei um gole na bebida em mãos e continuei tentando intimidá-lo com o olhar.
- , é nítido que sua mente só consegue pensar em Andrew e , desde quando você se mudou eu tenho certeza que você entrou em uma bolha imensa onde só existe esses dois assuntos a serem conversados – ele riu e balançou a cabeça, continuando – Agora você se estressa facilmente e já contou que com uma caneca de chopp já fica alegre demais, ou seja, há quanto tempo você não sai e não se diverte de verdade?
- Dois anos e pouco, sei lá – me sentei no chão, derrotada, era tão óbvio assim? Claro que abri mão de muita coisa depois que soube do Andrew, nada mais justo, era meu filho – Você queria o quê? Que eu deixasse meu filho com uma babá e me jogasse em baladas?
- Ninguém disse isso, – ele torceu o lábio – Seu medo te privou de tantas coisas que agora que você voltou, todo mundo te quer por perto e você não sabe mais o que é isso, não consegue conciliar – deu de ombros e continuou me olhando, eu mal sabia o que estava sentindo, tinha noção do que ele dizia, mas em nenhum momento disse em voz alta.
- Talvez seja isso, , mas tenho muitas coisas pra resolver antes de pensar em sair com alguém, não sinto falta disso, o único homem que preciso está com seu irmão nesse momento – respirei fundo ao terminar de falar, eu teria tempo pra pensar nisso em outra ocasião, depois de resolver as pendências.
- Eu não queria dizer com a brutalidade que vou dizer, mas você precisa de sexo, ! Transar vai te relaxar e as coisas vão parecer bem mais fáceis – ele notou que travei, não sabia o que dizer e acho que não havia nada a ser dito – Você está com algo reprimido aí e está com toda essa crise existencial, pronto, falei.

Silêncio. Eu apenas fiquei em silêncio durante todo o tempo que pegou suas coisas no estúdio, em silêncio no caminho pra casa, era como se eu tivesse saído da tal bolha agora e aqui fora estava barulhento demais.
- O pediatra do Andrew me chamou pra sair, alguns caras no Canadá também, mas eu não foquei nisso, , estava assustada demais para pensar em sair com alguém, eu estava grávida do e queria vomitar a cada vez que pensava nisso – disse rapidamente e pude notar prender o riso.
- Acho que o vômito é normal durante a gravidez – deu de ombros e riu quando fiz uma careta – , não vejo o porque você ainda não saiu com outras pessoas, quer dizer, agora você está aqui conosco novamente, podemos cuidar do pequeno e você pode relaxar.
- Como eu estaria relaxada sabendo que deixei meu filho com meus amigos para ir à um encontro? – franzi o cenho, não era uma opção pra mim, estava careta demais depois que Andrew nasceu.
- Tá vendo? É exatamente isso! Não basta você estar na bolha, quer levar seu filho junto! – ele balançou a cabeça e riu – Andrew está com agora e você está comigo, poderia ser o tal pediatra nesse momento aqui, te conhecendo melhor...
- Eu não quero me relacionar com ninguém! – grunhi, porque diabos eu estava tendo essa conversa com o ? Eu realmente perdi o controle da minha vida.
- Ninguém disse que você precisa se relacionar com alguém, ! – grunhiu de volta, me calando – Você precisa conhecer outras pessoas, sair do seu círculo social, já que o assunto é sempre o mesmo, precisa transar!
- Eu já entendi essa última parte – me encolhi no banco, nem as meninas tinham jogado tanta coisa na minha cara de uma vez.
- Você está ficando envergonhada ao falar de sexo! MEU DEUS O QUE ACONTECEU COM VOCÊ? – ele disse alto, tão alto que acabei fechando os olhos, era como se a frase estivesse fazendo furos na minha cabeça e por um momento, eu queria gritar.
- Andrew aconteceu – respirei fundo – Depois que ele nasceu eu realmente vivo em um mundo onde só ele importa, se ele estiver bem, eu vou estar bem.
- Eu entendo isso – ele parou o carro no sinal e me olhou – Não tiro sua razão, tudo realmente deve mudar muito quando se tem um filho, mas não acho que você tenha que se guardar dessa forma.
- Eu não sei, , pra mim está tudo bem assim – voltei a olhar pela janela – Quando eu achar que devo sair com alguém, vou sair, meu foco agora é resolver sobre a guarda compartilhada com seu irmão.
- Andrew e , pra variar – ele disse baixo, rindo logo em seguida, torci o lábio e voltei a pensar em tudo o que havia acabado de ouvir, talvez tivesse razão, talvez não.

Acabei perguntando sobre Sophie, ele não iria apenas saber da minha vida amorosa e pronto, eu também perguntaria obviamente isso não afeta em nada, sempre conversamos sobre essas coisas antes e agora não seria diferente. Acabei rindo quando ele contou que esqueceu de encontrá-la no dia em que descobriu que Andrew era seu sobrinho, ele era um desastre quando estava nervoso, coisa de .


Capítulo 9

No elevador, começou a contar sobre como era organizado e não conseguia imaginar como estaria se sentindo com uma criança bagunçando tudo pela casa, a cena seria cômica.
Respirei fundo algumas vezes enquanto o elevador não chegava ao destino, eu teria uma conversa com agora e talvez seria o começo de um ótimo convívio ou desastre. Eu só iria descobrir no meio do caminho, mas lá no fundo sabia que as coisas iriam se sair bem.
Quando a porta do elevador se abriu, pude ouvir aquele choro familiar, senti meu coração dar um solavanco e quando percebi, já estava abrindo a porta do apartamento, dando de cara com Andrew chorando no colo de um um tanto desesperado, balançando a criança e tentando conversar com ele, parecia agoniado. Ouvi um risinho e logo passou por mim, indo em direção ao quarto.

- ! Você chegou! Graças à Deus – ele caminhou até mim e voltou seu olhar ao Andrew – A mamãe está aqui, garotão.
- Oi, filho – disse e pude vê-lo abrir os olhinhos que estavam completamente úmidos, imagino que estava chorando já fazia algum tempo, ele esticou os bracinhos e praticamente se jogou em meu colo.
- Mamãe! – se aninhou em mim, escondeu o rosto na curva de meu pescoço e o silêncio reinou quase que imediatamente, só me lembrei de onde estava quando ouvi alguém suspirar alto próximo a mim.
- Ele estava com sono, depois do banho a gente comeu e brincou mais um pouco, mas percebi que ele queria dormir, quando o coloquei na cama, ele pediu por você e daí começou a chorar – coçou a nuca e caminhou até os brinquedos que estavam jogados no tapete, começando a pegar um por um.
- Tudo bem, ele nunca dormiu longe de casa, deve ter estranhado, é só a primeira vez que ele te vê, – disse tentando soar tranquila, sabia que seria assim no início, talvez estivesse empolgado demais.
- Mas você não disse que às vezes o deixava com uma vizinha? – perguntou ainda sem me olhar, colocava os brinquedos em uma caixa decorada com adesivos de super-herói.
- Ele nunca ficou mais de cinco horas com a Steph, ou eu o levava de manhã e buscava no almoço, ou levava depois do almoço, ainda dormindo em meus braços, ele acorda manhoso, mais fácil de lidar – olhei para o pequeno e ele já estava se entregando ao sono, parecia realmente cansado, me pergunto o que tanto aprontaram durante esse tempo.
- Imagino que com as meninas ele durma tranquilo – torceu o lábio e sentou-se no sofá, me olhando e dando sinal para me sentar também.
- Com a é mais fácil porque estamos morando com ela, mas as meninas nos visitavam bastante, então ele as reconhece facilmente e acaba ficando à vontade – me sentei ao lado de , estava com Andrew nos braços, não seria confortável sentar em uma das poltronas que haviam ali.
- Entendi – ele assentiu e fixou seu olhar na mesa de centro – É só a primeira vez que ele está aqui, não é?
- Exatamente, , mais alguns dias e ele já vai estar mais confortável com você, ele é só uma criança – sorri de canto, mesmo sabendo que ele não me olhava. – Ele dormiu, posso levá-lo para cama?
- Claro – me olhou de canto – Sabe onde fica, certo?

Apenas assenti e me levantei, depois de tanto tempo estava aqui novamente, haviam lembranças demais, risadas demais, tudo em excesso. Inclusive sentimento. Era praticamente impossível não se encantar por , o tempo que passamos juntos foi intenso e talvez se eu tivesse me entregado um pouco mais, estaríamos em outro patamar agora.
Quando entrei no quarto dele, aquele perfume bateu com tudo em meu rosto, ficaria com aquele cheiro na mente por alguns dias, tudo bem. A enorme cama com aqueles vários travesseiros, bem de frente com a janela que ia do teto ao chão, como disse, tudo em excesso. Era divertido acordar abrindo as cortinas e deixando a luz do sol invadir o cômodo, lembro-me que ele resmungava inúmeras vezes, jogava alguns travesseiros em mim e depois me puxava para a cama novamente, entre alguns risos, perdíamos algumas horas na cama, às vezes apenas trocando carícias, sem dizer nada. Eram bons momentos.
Coloquei Andrew na cama, ajeitei o edredom por cima dele e coloquei alguns travesseiros em volta também, ele não tinha costume de rolar enquanto dormia, mas nunca se sabe.
Caminhei até a enorme janela e tudo continuava no mesmo lugar, ainda não sabia o motivo do não ter comprado outro apartamento, esse era ótimo, mas com a vida que ele está levando, não aproveita nada do que tem por aqui, talvez por esse motivo trouxe para lhe fazer companhia.
Olhei em volta, tudo perfeitamente em ordem, sempre disse que tem mania de organização e ele sempre discordou, mas nós sempre dávamos um jeitinho de discordar mesmo, então tudo bem. Havia algo novo no quarto, um incrível mural de fotos colocado exatamente a parede do lado direito do cômodo, ao lado da enorme janela.

- ? – me virei rapidamente em direção à porta e pude ver – Desculpe, está tudo bem?
- Sim, eu só... – tinha que pensar rápido – Coloquei o Andrew ali e estava dando um tempo para ver se ele não acorda.
- Tudo bem – ele sorriu – Eu vou comprar umas cervejas, você quer alguma coisa?
- Cervejas? Tudo bem, legal, pode ser – havia ficado nervosa, imagina se é o que me pega aqui, como se estivesse procurando algo no quarto dele – Eu vou para a sala.
- Certo, está te esperando lá – passei por e ele me acompanhou. – Tentem não destruir a casa.
- Vou fazer o possível – disse baixo e acabei rindo – Eu quero paz, , cansei de brigas.
- Todos queremos, , todos queremos – ele piscou e pigarreou quando chegamos na sala – Bom, vejo vocês depois.
- Uma vodca também seria de bom grado, disse sem tirar os olhos do celular – Mas só se você quiser.
- Vodca é uma boa, amanhã a banda vem para cá – saiu falando sozinho, me sentei na poltrona ao lado do sofá onde estava, notei duas garrafinhas de cerveja sob a mesa de centro, o charuto já estava aceso entre os dedos dele.
- Acho que uma é para mim – disse me referindo à bebida sob a mesa e pegando uma garrafa em seguida, ele assentiu – Por onde quer começar, ?
- Continuo firme com a ideia de que você fica com ele dias de semana e eu fico nos finais de semana, se houver algum imprevisto, um avisa o outro – levou o charuto entre os lábios e me encarou.
- Tudo bem, mas você não fica tranquilo nos finais de semana, quando estiver no palco, vai deixar ele com quem? – franzi o cenho, conhecia a equipe de , sabia que eram confiáveis, mas estavam lá para cuidar do show e não do filho do cantor.
- , acabei de dizer que se houver imprevisto, um avisa o outro – ele respirou fundo – Posso te avisar e deixá-lo com você durante o show, não sei direito, estamos nos planejando para uma coisa que ainda não aconteceu.
- Acredito que estar preparado nunca é demais, é de uma criança que estamos falando – dei um gole na cerveja e ouvi gargalhar, é claro.
- Sério? Quando você engravidou e foi embora sem me contar, estávamos falando do que? – ele arqueou a sobrancelha e balançou a cabeça negativamente.
- , por favor – fechei os olhos e engoli seco – Eu só quero o melhor para o Andrew, se isso inclui agir de forma desesperada, vou continuar agindo.
- Acho que o melhor para o Andrew seria ter o pai presente desde o nascimento dele, talvez ele não estranharia quando o próprio pai tenta fazê-lo dormir – e lá estávamos nós entrando em uma discussão, eu teria que ser forte e não me deixar levar pelas provocações.
- Ok, nós podemos tentar do jeito que você falou, vamos ir adaptando a ideia com o passar do tempo – ignorei a provocação e talvez assim fosse mais fácil de levar as coisas.
- Gostaria que ele passasse o natal comigo e com minha família, os outros feriados nós podemos ir combinando – levou o charuto entre os lábios e evitava me olhar, talvez ficasse com raiva demais ao fazer.
- Natal? Bom, até hoje estávamos passando o natal com meus pais, mas posso trocar pelo ano novo, tudo bem – não estava disposta a brigar, então estava aceitando a maioria das coisas que estava propondo, mas não iria deixar de dizer o que achava.
- Seus pais sabem? – me olhou de canto – Quero dizer, sobre mim?
- É complicado – respirei fundo – Acho que isso vai ficar para um outro dia...
- Deixe-me adivinhar, eles me odeiam – riu e coçou a nuca – Não seria novidade.
- Eles amam você, fique tranquilo– mordi o lábio nervosa – Vamos ter tempo para conversar sobre isso, ok?
- Você saiu antes de me dizer a data de aniversário dele – virou-se para mim – Qual é?
- 10 de Agosto – fechei os olhos pois sabia que viria mais uma bomba por aí, enquanto Andrew nascia, recebia um prêmio pelo CD que alavancou mais ainda sua carreira solo.
- Last year was complicated foi premiado nesse dia – ele franziu o cenho, parecia tentar lembrar de algo – Dei uma tremenda festa, acho que que não estava comemorando apenas meu cd.
- Talvez – dei de ombros – Vai cair no meio da turnê, então vai ser fácil fazermos um bolinho de aniversário.
- Porque não uma festa? – ele me olhou – Eu gostaria de dar uma festa para ele.
- – pigarreei – Minha prioridade é encontrar um apartamento, se é que me entende – Meu financeiro não iria aguentar uma festa do estilo que gostaria de fazer.
- Eu quero dar uma festa para meu filho, desculpe se soar grosseiro, mas não precisa se preocupar em ajudar - colocou o celular sob a mesa de centro e relaxou os ombros, encostando-se no sofá
- Festa para nosso filho - dei ênfase ao dizer - E a própria mãe não vai ajudar? Você só pode estar brincando.
- O pai dele não ajudou por muito tempo, acho que não seria um problema - sorriu de canto e me olhou, provocativo.
- Quando envolve seu dinheiro, é um problema sim, se tem uma coisa que eu não quero e não preciso, é de você bancando as coisas - disse o mais calma possível e claro, um tanto áspera, era o que eu realmente pensava.

Já bastava ser julgada por desconhecidos quando todos ficassem sabendo, eu poderia lidar com isso, mas não queria e não iria lidar com querendo que Andrew tivesse tudo na hora que bem quisesse.
Ele arqueou uma sobrancelha e deu um gole na cerveja antes de voltar a me olhar.

- Imagino onde quer chegar com isso, mas quero ouvir de você - me olhou nos olhos - O que quer dizer, ?
- - respirei fundo - Eu não quero que você dê dinheiro para mim, nem mesmo para cuidar do Andrew.
- Claro, isso é super certo - disse irônico - Além de ser lei, eu quero fazer isso, quero dar uma boa vida ao meu filho.
- Nosso - corrigi mais uma vez - Você tem o direito, já pensei sobre isso.
- Ótimo, me conte sua ideia maravilhosa, como todas as outras - esticou um dos braços no apoio do sofá, revirou os olhos e deu mais um gole na cerveja.
- Você pode abrir uma conta para ele, coloque o valor que quiser lá - coloquei a garrafa que tinha em mãos sob a mesa - Quando estiver com ele, pode comprar o que quiser.
- Qual a diferença disso e uma pensão mensal? - a voz era calma agora, ele realmente parecia tentar entender.
- , eu não quero seu dinheiro, não preciso dele e você sabe disso - falava e gesticulava com as mãos ao mesmo tempo - Não vou tirar seu direito de querer dar uma boa vida ao Andrew, mas não quero esse dinheiro em minhas mãos.
- Tem muitas coisas dele que eu não sei, - suspirou - Como vamos entrar em um acordo?
- Olha, eu não quero o dinheiro em espécie, ok? - ele torceu o lábio - Coloque em uma conta, compre o que quiser para ele, mas saiba falar não.
- Não vejo necessidade nisso tudo, você está complicando coisas que podem ser bem simples - ele respirou fundo - Porque não posso dar o dinheiro diretamente para você?
- Eu não quero, ! - grunhi - Custa fazer isso?
- Só estou tentando entender - franziu o cenho - Você faz tudo ao contrário, .
- Talvez eu esteja pensando nas coisas que ainda vão acontecer - suspirei - Podemos começar assim?
- Não acho correto, mas posso tentar - ele relaxou os ombros e deu um longo gole na bebida - Eu sei ceder, acho que você poderia ceder na questão da festa.
- Posso tentar - torci o lábio - Pode ser uma festa mais íntima?
- Vamos aperfeiçoando com o tempo - comentou e eu estava começando a ficar menos tensa - Ele está precisando de algum remédio?
- Não, tudo foi reabastecido após a última crise, ele está bem - disse e pude ver assentir - Vou te manter informado sobre isso.
- Sobre tudo - me olhou torto e continuou - Conversei com minha mãe sobre ele.
- E ela está pirando, com certeza - peguei minha garrafa e bebi um pouco de cerveja - Ela sabe que sou eu?
- Não e acho que não é o momento certo para isso - foi minha vez de assentir - Mas ela vai te procurar, não tenha dúvidas.
- Não tenho, sua mãe é extremamente protetora e durante um tempo achei exagero, agora sou mãe - sorri de canto - Vou estar pronta para esse momento.
- E seus pais? O que acham disso tudo? - me olhou e acredito que foi a primeira vez desde que ele descobriu sobre Andrew que não vi raiva em seu olhar.
- Acho que podemos deixar essa história para outro momento - me levantei do sofá e olhei o relógio - Preciso ir para casa, vou chamar um táxi.
- Você não acha que já fugiu demais? - ele arqueou uma sobrancelha - Chega de esconder coisas.
- Na verdade não quero uma briga com você, podemos deixar o diálogo terminar assim, numa boa - caminhei até a cozinha para deixar a garrafa de cerveja.
- Não estamos brigando, estamos conversando e tentando dar um rumo, já que teremos que conviver para o resto da vida - não se levantou, continuou sentado e eu começava a ficar tensa novamente.
- Nos alfinetando a cada vez que nos vermos? Não vejo um bom rumo - voltei até a sala a tempo de vê-lo dar uma risada irônica.
- Você acha que eu gosto disso? Não consigo controlar minha raiva ao te ver, olhe tudo o que você causou! - seu semblante era nervoso, aquilo me deixava um tanto receosa.
- E você acha que precisa me lembrar? Fique tranquilo que vou carregar isso para sempre, já dói bastante sem ninguém falar - peguei meu celular e busquei o aplicativo para chamar um táxi.
- Nossa, que pena - disse sarcástico.
- Dispenso seu sarcasmo - o olhei séria - Dispenso até um diálogo com você se no final vamos acabar desse jeito.
- Como você acha que me sinto? - foi a vez dele de levantar e ir até a cozinha.

Não respondi sua pergunta, sentei-me novamente e respirei fundo, eu precisaria suportar tudo isso, mas não sei se estava disposta. Olhei o celular e o aplicativo do táxi estava aberto, mas sentia que precisava finalizar o assunto. Guardei o aparelho em minha bolsa e continuei em silêncio na sala, demorou um tempo para voltar onde eu estava, sentou-se ao meu lado e ficamos em silêncio por longos minutos.

- Me desculpe - disse quase sussurrando, não queria me desculpar mais uma vez, mas achava necessário.
- Encontrou um apartamento? - ele pareceu ignorar o que eu havia dito, mas sabia que tinha escutado.
- Muito dinheiro pra pouco espaço - comentei - Vou continuar na busca.
- Seria bom você morar aqui perto, pelo Andrew. - não pude prender o riso - O que foi?
- Você mora em um dos bairros mais caros de New York, acha mesmo que posso bancar um apartamento aqui? - continuei rindo sem olhá-lo.
- Posso ajudar com as despesas - ele deu de ombros e parecia que eu não havia dito nada há minutos atrás.
- Agradeço, mas vou encontrar algo bom e trazer Andrew aqui não vai ser sacrifício.
- Deixe de ser orgulhosa, . - ele balançou a cabeça negativamente - Você vai acabar entrando em problemas se continuar desse jeito.
- Se entrar, vou resolvê-los - o olhei de canto e pude vê-lo fechar os olhos.
- Você não é uma adolescente, você é mãe! Mãe do meu filho e não quero você se metendo em problemas, isso pode e vai afetá-lo, não consegue ver? - a voz de era ríspida, talvez tentasse se controlar para não gritar.
- Não vai ter problemas, . - apoiei as costas no sofá.

Mais alguns minutos em silêncio, acredito que essas pausas eram necessárias para controlarmos os nervos, era bom para ambos. acabou indo buscar outra cerveja na cozinha e me trouxe uma também, ficamos bebendo sem falar nada, sem olhar um para o outro, até chegar com várias sacolas e no olhar estranho.
Não disse nada, apenas caminhou até a cozinha e o único som que ouvíamos era o de garrafas que provavelmente estava guardando.

- Levo vocês para casa - quebrou o silêncio - Vou precisar resolver umas coisas ainda hoje, é caminho.
- Tudo bem, vou pegar o Andrew - suspirei alto e me levantei, caminhando até o quarto.
Deveria comentar sobre o susto que levei quando cheguei no carro de e vi que ele havia comprado uma cadeirinha que já estava colocada no banco de trás? Aquilo fez um nó se formar em minha garganta, ele realmente estava se dedicando.
Andrew ainda dormia e com o sono pesado dele, não foi difícil colocá-lo na cadeirinha e fechar o cinto, me sentei ao seu lado no banco de trás, mas logo vi o olhar de .

- Não sou táxi, venha para o banco da frente, por gentileza - ele disse ao sentar-se no banco do motorista e ajustar o retrovisor.
- Tenho medo que fotógrafos divulguem o que não é necessário no momento - comentei antes de caminhar até o passageiro e colocar o cinto de segurança.
- Não é mais desse jeito, eles preferem me fotografar em almoços ou festas - deu de ombros e fechou os vidros.
- Certo - eu olhava para o lado de fora, ligou o carro e em pouco tempo já estávamos a caminho do apartamento da .
- me disse algo importante hoje - ele começou a dizer e não esperou que eu comentasse - Precisamos nos tratar bem, pelo menos na frente do Andrew, ou então toda essa raiva e tensão passa para ele.
- É uma boa ideia - continuei olhando pela janela e vez ou outra olhava para trás, vendo Andrew dormindo tranquilo.
- Ótimo. - finalizou.

Não conseguia olhar para ele, mas sentia que ele também não conseguia olhar para mim, era uma sensação estranha, nada comum.

- Amanhã é sexta, você quer que eu traga o Andrew sábado pela manhã? - perguntei e o olhei rapidamente, a tempo de vê-lo assentir.
- Vou entrar em reunião agora, ver minha agenda, dar preferência para finais de semana livres e vamos nos falando - ele parou no sinaleiro e pude vê-lo observar Andrew pelo retrovisor.
- Durante a tour da banda, qualquer tempo livre que você tiver, poderá ficar com ele - busquei meu celular em minha bolsa. - Vou ter algumas coisas para fazer e te aviso.
- Ok - respondeu mais uma vez sem me olhar.
- Isso vai dar certo, . - sussurrei e pude notar que ele me olhou de canto.

Silêncio.
Ele continuaria me ignorando quando eu tentava me aproximar? Isso iria me tirar do sério.
Optei não falar mais nada até chegarmos em casa, precisava me conter. Andrew continuou dormindo quando chegamos e coloquei-o na cama, sentei-me ao lado e respirei fundo, sentindo as lágrimas enfim começarem a rolar pelo meu rosto.
Era só o começo dos problemas.

Sexta Feira

Andrew havia saído com e para brincar no playground enquanto eu fazia o almoço com a ajuda da , chorar praticamente a noite toda me fez acordar de bom humor e eu realmente não sabia explicar isso. Talvez as coisas finalmente comecem a funcionar, ou pelo menos essa tensão comece a sair de dentro de mim. Era o último fim de semana tranquilo, segunda começava a tour da e a correria viria junto.
terminava a lasanha, enquanto eu colocava os pratos na mesa e nós conversávamos sobre um apartamento que ela vira no dia anterior.
Meu celular vibrou insistente em meu bolso, limpei as mãos antes de olhar o visor e sorri ao ver o nome da minha mãe.

- Oi - atendi ainda sorrindo, sentia falta dela.
- Filha! Como está? - sabia que ela também sorria naquele momento.
- Tudo bem, mãe - me sentei no banquinho próximo ao balcão - E por aí?
- Estamos bem, morrendo de saudades! - ela riu - Onde está meu neto?
- No parquinho com as meninas, estou terminando o almoço - cocei a nuca - E o pai, tudo tranquilo?
- Sim, exatamente por isso liguei, seu pai vai receber um prêmio da corporação e vai ter um jantar em homenagem, ele quer muito que você esteja aqui. - minha mãe disse calma, ela sabia que eu odiava jantares da delegacia em que meu pai se aposentou.
- Que dia vai ser, mãe? - revirei os olhos e pude ver tirar o arroz da panela e colocá-lo em uma travessa de vidro.
- Um dia antes do feriado - mordi o lábio ao ouvir - Você sabe o quanto é importante para ele, .
- O feriado do 4 de julho? Jura? - bufei, estava tão animada para mostrar para o Andrew os fogos e toda a festança que é feita aqui em NY.
- Vai dizer que seu noivo não vai poder vir de novo? - ela indagou e gelei.

Essa parte era complicada, eu achei que depois que soubesse do Andrew, teria um tempo para ir até Acton e conversar com meus pais sobre o simples fato de que não é meu noivo. Argumentei dizendo que as datas não bateram até agora e ela já cansada disso, me disse que era para dar um jeito e levar , ou ela iria vir com meu pai até New York e resolveria o problema.
Desliguei o celular antes de respirar fundo e pensar no quanto estava ferrada. Óbvio que minha mãe não viria pra NY do nada, ela sabia que eu estava provisoriamente no apartamento de e não poderia ficar me visitando com frequência de qualquer maneira como fazia quando eu estava no Canadá. Mas meu pai viria.
Minha família é daquelas à moda antiga, cristã fervorosa, jamais admitiria que eu tivesse um filho sem estar em um relacionamento. Minha mãe era a típica dona de casa submissa ao marido e meu pai um policial aposentado que sofreu horrores quando a filha única decidiu sair de casa. Eu era independente demais para ser uma cópia da minha mãe e sonhava alto demais para ser uma policial como meu pai.
Como eu contaria a eles que a filha única inventou uma história de amor e que Andrew acabou de conhecer seu pai?

- , está tudo bem? - ouvi a voz de e voltei à realidade.
- Não - respondi rapidamente - Eu tô muito ferrada, .

Depois de contar tudo para as meninas, o silêncio só não reinava porque Andrew brincava com os carrinhos no chão, andando e rindo sozinho. Mal consegui comer, eu era uma bomba relógio, não era? Foram tantas ações sem pensar e tudo estava explodindo de uma vez bem no meio da minha fuça! Eu merecia isso.
Ouvi de que no quatro de julho a banda não teria shows e que eu poderia passar o feriado lá, mas não era isso que queria ouvir. Eu não tinha como fugir daquilo, precisava contar a verdade e arcar com mais consequências, como se não bastasse .
Deus particularmente tem um timing perfeito.

- Eu juro que tento te defender na maioria das vezes, mas eu não tenho salvação para você agora, - suspirou antes de pegar o copo à sua frente.
- Seu pai vai pirar - completou e me olhava parecendo querer me matar.
- Porque você demorou tanto para contar? - perguntou, tentando entender.
- Eu não sei - levei as mãos à cabeça - Depois que o Andrew nasceu, falei para eles que o pai do bebê estava em tour e durante o tempo que minha mãe ficou comigo, eu fingia que ele ligava.
- Você não foi pra Acton desde o nascimento do Andrew? - foi a vez de perguntar. Neguei com a cabeça.
- Meus pais vinham a cada três meses, era fácil driblá-los e quando meu pai quis falar com o no telefone, pedi para um dos meninos da boyband atender, foi tranquilo - fechei os olhos me lembrando enquanto falava.
- Meu Deus, ! - finalmente se pronunciou, levou uma das mãos ao rosto, apertou os olhos e bufou - Você se meteu em mais um problema!
- Quando aceitei sua proposta - disse referindo-me à - Eles pararam de ir nos ver e fiquei um tempo acreditando que chegaria aqui e logo em seguida os visitaria e contaria a verdade, mas com o lance do , eu simplesmente…. - dei de ombros e respirei fundo.
- Que droga! - dissemos em uníssono.
- Não vou nem perguntar se você sabe como vai contar, porque está escrito na sua cara que você não faz ideia! - tentou brincar, mas aquilo só me fez querer sumir.
- Eu juro que não sei o que aconteceu com você - tinha a voz mais baixa que o normal - Você era uma mulher tão independente, poderosa e destemida! Agora não pode ver um problema que já quer para você!
- Todo aquele tempo sozinha no Canadá, com uma barriga gigante, sem saber direito o que fazer da vida me fez ficar retraída e eu simplesmente não sei mais nada.

Apoiei a testa na mesa e ouvi a gargalhada de Andrew. Aquilo enchia meu coração, me dava forças, mas eu precisava me encontrar.
Me olhei no espelho mais uma vez antes de pegar minha bolsa e ir encontrar . Ele havia me ligado, disse que um amigo tinha um apartamento para alugar e era poucos quarteirões atrás do prédio dele, mas que o tal amigo iria fazer um preço bem bacana de aluguel. Aproveitaria a deixa para falar sobre o feriado, mas tentaria não arrumar brigas, o que era teoricamente impossível. Estava na sala com Andrew e , quando ouvimos a campainha tocar e nem me levantei, deixei ir até a porta a atender .
Ele usava uma camisa branca um tanto larga em seu corpo e uma calça jeans com um rasgo no joelho, não saberia dizer se era proposital e nem porque eu estava reparando na vestimenta dele.
Meu coração se encheu mais uma vez ao ver Andrew abrir um enorme sorriso e bater palmas ao ver o pai. , por sua vez, me lançou um olhar e voltou sua atenção ao pequeno, pegando-o nos braços. Por um momento, talvez um milésimo de segundo, vi os olhos de brilharem, como a tempos não via, ele acariciou o rosto de Andrew e o pequeno sorria enquanto colocava as pequenas mãos no rosto do homem que o tinha nos braços, era uma cena tão linda, Andrew se apegava tão rapidamente às pessoas, mas ver essa cena com o próprio pai me confortou, mesmo que brevemente. Eu estava no caminho certo.

- De qual amigo seu estamos falando? - perguntei enquanto me ajeitava com o cinto de segurança no carro de
- O Jeff, aquele que saiu algumas vezes quando a gente… - ele fez uma pausa, o bastante para eu entender.
- Ah, sim, me lembro dele - dei de ombros - E estamos falando de qual valor, ?
- Olha, Jeff estava praticamente vendendo esse apartamento, mas quando conversei com ele, disse que você não estava disposta a comprar no momento, afinal, é apenas você e o Andrew, não precisam de nada muito grande - ele falava sem tirar os olhos do caminho que estávamos percorrendo - Ele topou negociar.
- Certo, vamos dar uma olhada no apartamento e depois posso falar com o Jeff - disse e apenas assentiu.
- Eu estava com ele agora em reunião, por isso te liguei.
- Suspeitei de algo, já que você raramente usa telefone em reuniões - pude vê-lo sorrir de canto - Obrigada por isso, .
- Consegui o final de semana livre, você pode mesmo levar o Andrew amanhã de manhã ou prefere que eu vá buscá-lo? - praticamente ignorou mais uma vez o que eu havia dito, tudo bem, vamos nessa!
- Eu levo.

Não puxei mais nenhum assunto, o caminho não era tão longo e quando estacionou em frente ao prédio, eu nem queria descer. Aquilo era maravilhoso. Toda aquela fachada perfeitamente desenhada, cada detalhe dos degraus que direcionaram ao hall de entrada. Se aquilo era só o começo, como seria o apartamento em si?
Era grande, mas diferente do que eu pensava, não tinha todo o luxo da entrada, o que me aliviou instantaneamente. A sala era ampla, com sofás de cor preta e um tapete muito peludo de cor branca no meio da sala, a mesinha de centro era discreta, e obviamente eu a tiraria dali, pois pelo tamanho, Andrew teria problemas.
Quando chegamos à cozinha, era confortável, basicamente do tamanho da cozinha da , o armário planejado cheio de vidros e uma mesa com quatro cadeiras no centro, deixando o cômodo mais espaçoso. Dois quartos medianos, perfeitos para quem só tinha uma criança de quase dois anos que dormiria mais comigo do que em qualquer outro lugar, um dos quartos tinha a mobília neutra, uma cama de solteiro, criado mudo e um guarda roupas pequeno, eu mudaria aquilo para Andrew.
O outro quarto havia uma suíte, uma cama de casal simples e um guarda roupas grande demais para quem não tem quase nada para vestir, ri sozinha e só então notei que me acompanhava e parecia medir cada passo meu, analisando meu olhar e um tanto ansioso pelo que pude perceber. Havia uma espécie de escritório no fim do corredor, sem mobília alguma, apenas algumas caixas que provavelmente o proprietário viria retirar quando o apartamento fosse alugado, aquilo daria um bom ambiente de trabalho, era verdade. Suspirei alto antes de voltar à sala e pensar no que poderia fazer para aquele local extremamente claro, já que praticamente tudo era branco, ganhar mais vida.
- Podemos ir embora? - perguntei, ele me ignorava, então eu precisaria dar explicações?
- O que achou? Vai ficar? - disse rápido, fechando os olhos em seguida, como se tivesse arrependido.
- Você quer conversar agora, ? Ou apenas falar do que lhe convém? - arqueei a sobrancelha e cruzei os braços.
- - ele mordeu o lábio antes de me olhar firme - Estou tentando não criar atritos entre nós.
- Ignorando quando tento me aproximar? Não é a melhor maneira - dei de ombros - Me passe o contato do Jeff, vou fechar negócio diretamente com ele.
- Tudo bem, vou mandar uma mensagem avisando que você vai ficar com o apartamento e ele te liga, pode ser? - ainda me olhava e por um momento pareceu aliviado.

Foi minha vez de não responder. Me sentei no sofá e sentia meu coração acelerado, era real, eu estava finalmente iniciando minha vida do jeito certo. Já tinha um bom trabalho, agora um bom apartamento e meu filho havia conhecido o pai. Fechei os olhos ao me lembrar da última pendência. Ouvi gravar um áudio para Jeff e me vi com as mãos trêmulas. Como falaria? Como tentar me aproximar dele e logo em seguida soltar mais problemas? O Feriado é no próximo final de semana, bem no início da Tour e eu praticamente já resolvi todas as pendências do trabalho, poderia usar essa semana para ajeitar as coisas aqui no apartamento.
Senti o sofá afundar um pouco e quando abri os olhos, estava ao meu lado.

- O que você vai fazer no feriado? - perguntei calma, talvez eu não precisasse contar toda a verdade.
- Estava pensando em levar Andrew para conhecer meus pais, você sabe, eles ainda não o conhecem - ele disse e assenti, Denise também era um problema, mas pelo menos nunca escondeu isso.
- Você pode levá-lo esse final de semana? No feriado preciso ir para Acton - levei meu olhar para frente, onde era pra ter uma televisão e no momento era apenas um painel vazio.
- Acton? Vai ver seus pais? - apenas assenti como resposta - Você não quer falar sobre eles, não é?
- Não acho uma boa ideia - torci o lábio e pude vê-lo balançar a cabeça.
- Você sempre se deu bem com eles, houve alguma coisa? - ele pareceu receoso ao perguntar, mas optei por não prolongar a conversa.
- Não. Podemos ir? - me levantei rapidamente e ajeitei a blusa que usava.
- ...- suspirou alto e olhei-o, ele ficou alguns segundos me encarando, mas acabou não dizendo nada.
- Preciso ligar para o pessoal da tour, tenho alguns e-mails para enviar - me sentei novamente - Você tem algo para dizer ou podemos ir?

Silêncio. Estava sendo bem comum entre nós ficarmos em silêncio toda vez que estávamos a sós. Eu não sabia se deveria falar tudo o que pensava, mostrar coisas que não mostrei ou apenas deixá-lo entender o que ainda estava acontecendo. oscilava perto de mim, em vários momentos ele parecia baixar a guarda, tentar se aproximar e termos um convívio saudável. Outras vezes, ele parecia querer me dar socos e chutes.

- É muito complicado para mim - disse praticamente entredentes - Eu não te odeio, , mas ainda não sei lidar com isso.
- Se serve de consolo, você está se saindo muito bem - apoiei minhas costas no sofá e comecei a fitar o teto - Imaginei coisas piores, confesso.
- O que você pensou? - ele parecia calmo, mas meu coração continuava ansioso.
- A primeira coisa que pensei foi que você iria tirar a guarda do Andrew de mim, sei lá, acho que assisti muitos filmes e me esqueci que você se vinga de outras maneiras - acabei soltando um riso e senti-o se mexer no sofá.
- Eu me vingo? - sua voz agora era divertida, aquilo me fez baixar o olhar e fitar .
- Não sei se é uma vingança, na verdade - dei de ombros - Mas diferente do que pensei, você está me mostrando todos os dias que eu jamais deveria ter escondido Andrew por tanto tempo.
- Não é uma vingança - ele voltou a me encarar - Pelo menos, não uma vingança intencional - Acabei rindo e estranhamente, ele me acompanhou.
- Vamos nos adaptar, isso também é novo para mim.

Ele assentiu e antes de dizer alguma coisa, seu celular tocou.
Na volta para casa, voltou a falar sobre a festa do Andrew, ainda tínhamos mais de um mês para planejá-la, mas ele estava eufórico demais e já tinha praticamente todos os detalhes, adaptamos algumas ideias e no fim, a festa seria no terraço do apartamento que dividia com , muito melhor que a ideia de fazer em um salão imenso, com pessoas que só iriam para conhecer o filho do e de quebra, a mãe.

- Mamãe!! - assim que abri a porta, Andrew correu para meus braços e me babou inteirinha.
- O que você está comendo? - perguntei e logo vi seu olhar atrás de mim.
- Oi de novo, garotão! - riu e esticou os braços, Andrew praticamente se jogou no colo do pai.
- !!! - ele riu e começou a babar também.
- Gelatina, pessoal! Ele não sabe comer, se lambuza todo! - apareceu na sala com um guardanapo em mãos. - Eu estou cheirando a morango!!!
- Vai tomar um banho, amiga - disse entre risos e pude ouvir me acompanhar - Deixa que eu dou banho nele depois.
- Ele está muito animado hoje, pegou gelatina e passou no rosto todo, além de jogar pelo chão! - ela balançava a cabeça rindo enquanto caminhava até seu quarto.
- Tocando o terror, isso mesmo, filho, bate aqui - estendeu a mão na frente de Andrew que retribuiu, selando um hifive e espirrando o pouco de gelatina que o pequeno ainda tinha entre os dedos.
- Isso, seja a má influência - continuei rindo enquanto pegava alguns brinquedos espalhados pela sala.
- Claro que vou ser, isso é tão óbvio - respondeu e caminhava com Andrew até o centro da sala - Você realmente precisa de um banho.
- Max? - Andrew disse e tirou os olhos do pai, parecendo buscar algo e começou a balançar as perninhas.
- Max steel? - perguntou e Andrew assentiu inúmeras vezes - Pergunta para sua mãe onde ele está.
- Em algum lugar naquela caixa imensa de brinquedos - suspirei colocando meu celular e minha bolsa no canto do sofá - Vou pegar ele e umas roupas, daí você pode ir para o banho quando a sair, ok?
- Posso dar banho nele? - me olhou e sorri de canto, assentindo.

Caminhei até o quarto com alguns brinquedos em mãos, esperava que continuasse se esforçando para termos esse convívio tranquilo e por isso, havia decidido não falar nada sobre o feriado e quando estiver em Acton, contar a verdade para meus pais ou apenas simular uma separação, era muito melhor do que ter que lidar com um explosivo.

Flashback

- E quando vou conhecer o famoso, literalmente - riu antes de continuar - ?
- Não sei, mãe, ele é muito ocupado e faz poucos meses que estou cuidando da carreira dele - suspirei me jogando no sofá - A senhora pretende ficar quanto tempo?
- Seu pai está tirando férias com os outros aposentados da corporação, provavelmente vai voltar na outra semana, então posso aproveitar - ela fez uma careta quando me viu revirar os olhos - Tenha modos com sua mãe, !
- Não é isso, mãe - me ajeitei no sofá - Você fica impaciente quando estou trabalhando e dessa vez não é apenas um semestre de produção, pretendo cuidar da carreira do por no mínimo dois anos.
- Já mandei mensagem para algumas amigas, vamos tomar um café e fazer um tour, não se preocupe - ela sorriu antes de sentar-se ao meu lado - Posso ir almoçar com você, se quiser.
- Ai, senhora Avery, como lidar com você? - torci o lábio e ri em seguida, acompanhada de minha mãe.

O dia foi corrido, estava gravando um clipe e aquele era mais um dia em que ele estava feliz demais com qualquer coisa, o que era um problema, visto que ele acabava fazendo piada com a todo momento e atrasando praticamente tudo. Fazia algum tempo que eu ouvia indiretas dele, me chamava para jantar, para ajudar a ensaiar coisas do clipe - no caso, cenas mais quentes - eu acabava relevando, ele era um pedaço de mal caminho, obviamente, mas era meu chefe. Nunca soube se tudo o que ele falava era real, já que ele realmente sabia a hora de falar sério com todo mundo e comigo era um misto de brincadeira, mas se quiser eu quero.
Me perdi no tempo, quando dei por mim, estava ajeitando o camarim do e minha mãe entrou do nada.

- Mãe! Que susto - levei a mão ao peito, ela abriu aquela porta sem delicadeza alguma.
- Desculpe, filha - ela sorriu - Está uma confusão nesse corredor e quando me falaram que você estava aqui, abri a porta antes de ser atropelada por umas três dançarinas.
- Dia de gravação - suspirei alto - Nós não íamos nos ver no almoço?
- , passa da uma da tarde, você não me ligou, acabei decidindo vir aqui - ela olhou em seu relógio de pulso e voltou seu olhar a mim - Você comeu alguma coisa?
- Me perdi totalmente no horário, mãe, desculpe - fechei os olhos - hoje está impossível!

Antes mesmo que minha mãe respondesse, a gargalhada do astro preencheu o ambiente e logo em seguida, ele entrou com uma garrafa d'água em mãos, ainda rindo e nem notou minha mãe no cômodo, se aproximou de mim e lançou seu melhor olhar sedutor.

- , meu amor, vamos almoçar juntos hoje? - sorriu de canto e pude ver minha mãe prender o riso.
- Claro, ! Inclusive, minha mãe vai nos acompanhar - cruzei os braços ao responder e pude vê-lo olhar pra trás.
- Uau! - ele colocou a garrafa d'água sob a mesa antes de se dirigir à minha mãe - Podemos ver de onde você herdou tanta beleza, .
- Tenha santa paciência - murmurei - , essa é minha mãe, Grace Avery. Mãe, esse é meu chefe, .
- É um prazer conhecê-la, senhora Avery - ele pegou a mão direita de minha mãe e beijou, é um cretino mesmo!
- Quanto cavalheirismo, senhor ! - minha mãe não é boba, mas podia ver que ela estava adorando aquele charme todo de .
- Me chame apenas de , por favor - ele sorriu - Então, vamos almoçar juntos?

Claro que eu não queria ir almoçar com minha mãe e um tão animado como aquele, mas ele não tive opções, quando vi, ele estava caminhando com minha mãe pelos corredores e ela gargalhava de alguma idiotice que ele havia falado. Tudo bem, esse dia vai acabar.
Minha mãe havia se encantado completamente pelo , depois daquele almoço, ela sempre estava perguntando sobre ele e me dizendo que ele era um ótimo partido, já que não deixou de dar indiretas durante o almoço. Na última semana que minha mãe ficou conosco, ela acabou me acompanhando mais uns dois dias no trabalho e estava adorando me irritar, já que ficava horas conversando com ela.
de quebra acabou conhecendo meu pai quando me acompanhou para levar minha mãe no aeroporto, Jacob Avery não era de muitas palavras, mas disse que suas férias haviam acabado e ele aproveitou para descer em NY e voltar para Acton junto com minha mãe. notou que meu pai era bem fechado, logo de início. Trocaram apenas um “oi” e “até breve”.
Quando viajei para Acton, meses depois e contei para minha mãe que estava saindo com , faltou ela soltar confetes pela casa, foi engraçado.
Até que chegou o dia.

- Canadá? - Grace franziu o cenho - A menos de um ano você disse que pretendia cuidar da carreira do por pelo menos dois anos!
- Eu sei, mãe, as coisas mudaram de trajeto - estava apreensiva, meu pai não dizia nada, apenas olhava nós duas.
- Você veio aqui apenas pra dizer que vai se mudar? - minha mãe cruzou os braços - O que o acha disso?
- Ele me apoiou - fechei os olhos, era a primeira mentira do dia - Ele não conseguiu vir pois está gravando uma participação em um filme.
- Ele é bem atarefado, não é? - Meu pai finalmente abriu a boca.
- Sim - engoli seco - O senhor lembra quando o viu?
- Vagamente - murmurou e voltou a ler o jornal que tinha em mãos.
- .. - minha mãe não tirava os olhos de mim, parecia me analisar completamente.
- Eu… - sentia minha garganta secar, as mãos suando, seria mais complicado do que imaginei.
- O que te aflige, minha filha? - Grace Avery não era meu medo, Jacob Avery era.
- Eu estou noiva! - soltei de uma vez e meu pai deixou cair o jornal, enquanto minha mãe, por sua vez, abriu o maior sorriso.
- Noiva? Como assim, noiva? - meu pai enfim levantou-se, passou a mão pela nuca e estava visivelmente nervoso.
- finalmente pediu? Estava até demorando, pelo tempo que vocês estão juntos - Minha mãe riu e logo voltou a me olhar - E justo agora você vai para o Canadá?
- É…- respirei fundo antes de continuar - Preciso juntar dinheiro para o casamento.
- Seu noivo não é milionário? - Meu pai se pronunciou novamente, começou a andar de um lado para o outro - Mas você está certa, precisamos dar nossa parte.
- Jacob! - minha mãe o repreendeu - Não é como se fosse morrer solteira.
- Ela é uma criança, Grace! Esse rapaz, eu mal o conheço! - meu pai bufou e olhava minha mãe e em seguida para mim.
- Não o conhece porque toda vez que eu dizia para irmos para New York você adiava, o modo como você tratou o menino no aeroporto foi ridículo! - minha mãe já estava em pé, enquanto eu olhava para minhas próprias mãos, eu havia entrado em uma furada muito grande.

Meu pai murmurou algumas coisas, era óbvio que ele estava com ciúmes. Sempre me protegeu com unhas e dentes, ninguém poderia se aproximar de mim e quando namorei pela primeira vez o Josh, meu melhor amigo, parecia que o mundo iria desabar. No fim, Josh deve ter terminado comigo por medo do meu pai. Ou não. Respirei fundo e ouvi alguns passos, só então notei que meu pai havia ido para a cozinha.

- Não ligue para ele, vai se acostumar - minha mãe sorriu e sentou-se ao meu lado novamente.
- Mãe…- mordi o lábio, estava mais tranquila agora que meu pai não estava presente.
- Ora, , você ainda não se acostumou com seu pai? Ele acha que você nunca vai crescer - ela riu e me deu um tapinha no ombro.
- Dois meses - sussurrei e pigarreei antes de tomar coragem e olhar no fundo dos olhos de minha mãe.
- Você está noiva há dois meses? Demorou todo esse tempo para contar? - balançou a cabeça negativamente e apertou minhas mãos nas dela.
- Eu estou grávida, de dois meses….

Lembro-me como se fosse hoje do olhar de minha mãe, como se aquilo fosse a melhor coisa do mundo, quando na verdade era o início dos problemas.

FIM DO FLASHBACK

Peguei uma troca de roupas para Andrew e busquei o Max Steel na caixa de brinquedos que depois da visita à casa de , parecia cada vez menor. Preciso falar para ele dar uma maneirada nos brinquedos. Ouvi cantarolar em seu quarto, provavelmente já se trocando e tentando se acalmar para as inúmeras viagens que ela começaria a fazer durante essa semana. Caminhei até a sala e vi um Andrew travesso, tirando as próprias roupas no meio do cômodo e em pé, olhando a cena e parecia murmurar algo ao telefone.
- Claro, senhora Avery, será um prazer - arregalei os olhos e travei no mesmo momento.


Capítulo 10


Aquilo não estava acontecendo comigo de novo! Não podia. Quando finalmente eu havia começado a tentar resolver as coisas, algo acontece, eu já estava ficando farta disso, mas sabia que era inevitável. saiu do quarto e parou ao meu lado, olhando inúmeras vezes para meu rosto e voltando a olhar na sala.
Engoli seco e nem precisei explicar, quando ela ouviu o nome da minha mãe mais uma vez, apenas baixou a cabeça e suspirou alto.
- Eu fico tentando entender como Deus tem o timing perfeito quando o assunto é a sua vida. - ela deu um riso debochado e caminhou até a sala, vendo desligar o telefone.
- Vem, Andrew, acho que a tia precisa dar um banho em você - ela foi pegando as roupas que Andrew havia tirado, ele estava só de cueca pela sala.
- - já no colo de , o pequeno chamou pelo pai que o olhou e sorriu.
- Vai com a tia , filho, papai tem umas coisas pra resolver. - acariciou o rosto de filho, que fez bico, mas não relutou quando o levou até seu quarto.
- As roupas…- disse e entrei no quarto de minha amiga rapidamente, deixando as roupas do meu filho e o brinquedo em cima da cama.

- Boa sorte. - ela sussurrou e assenti, me retirando do cômodo.

Respirei fundo algumas vezes enquanto caminhava até a sala, àquela distância entre onde eu estava e onde ele estava era pequena, então eu dei passos curtos, tentando formular alguma coisa e me preparando para a raiva que provavelmente iria despejar sobre mim, obviamente estava pronta para rebater e deixar claro que em menos de uma semana eu estaria desmentindo tudo para meus pais e ele não precisaria ficar preocupado, o que estava me deixando triste era saber que justo agora, aliás, justo hoje que as coisas pareciam melhorar…

- , olha só.. - disse assim que o vi deixando meu celular em cima da minha bolsa, onde eu mesma havia deixado anteriormente.
- Desculpe, eu realmente não gosto da ideia de atender seu celular, mas segundos antes apareceu a notificação e era sua mãe dizendo que você tinha que atender, pois era urgente. - sentou-se e coçou a nuca antes de continuar - O celular começou a vibrar e eu te chamei, mas você não me ouviu.
- Ah…- franzi o cenho e me lembrei que provavelmente foi nesse momento que eu estava recordando sobre o dia em que conheceu minha mãe.
- … - ele olhou para o chão e depois me olhou novamente - Eu nem sei o que te falar.
- Olha, fica tranquilo, o jantar é na quinta, na sexta feira é o feriado, eu vou ter um longo tempo pra explicar pra eles tudo o que eu mesma criei, posso simular uma separação também, isso seria até mais fácil. - dei de ombros e sentei-me ao lado de .
- Sua família é cristã fervorosa, né? - ele perguntou e assenti - Qual o impacto que isso tem sob o Andrew?
- Enquanto estivermos longe, nenhum - suspirei - Mas as visitas podem diminuir, por um tempo, até eles entenderem e depois tudo volta ao normal.
- Eu compreendo. - ele fechou os olhos e mordeu o lábio - Minha mãe não fala comigo desde o dia em que contei sobre Andrew.
- Sua mãe é super protetora, não tem nada a ver com a igreja. - dei de ombros, por mais religiosa que fosse, Denise sabia diferenciar as coisas.

- Você vai na quinta de manhã? - perguntou e só então abriu os olhos.

- Sim, apenas uma hora de voo, eu poderia ir com o carro, mas Andrew não fica muito confortável em viagens longas. - torci o lábio antes de respirar aliviada, realmente sabia me surpreender quando queria. Essa calmaria toda me pegou desprevenida, mas eu poderia lidar melhor com as coisas sem um furacão em cada acontecimento.
- Tudo bem, você me mantenha avisado e não me faça como um cara horrível na separação, ok? - ele arqueou a sobrancelha e eu acabei rindo.

- Você vai levar o Andrew para conhecer seus pais esse final de semana sem ter conversado com sua mãe? - perguntei, queria tentar entender esse outro problema.
- Não, vamos almoçar com meu pai, minha mãe é a última coisa - ele engoliu seco - Ela vai me trazer mais problemas e eu não quero isso, em poucos dias pretendo voltar a gravar a série e tudo o que menos preciso é de problemas.
- Por isso você não está bravo por eu ter dito à minha mãe que somos noivos? - cruzei os braços e indaguei.
- , eu estou com milhões de coisas na cabeça, faz pouco tempo que descobri que tenho um filho, não sei administrar muito bem isso, então a última coisa que quero é saber como você vai se resolver com seus pais, quero apenas que isso não mexa com o Andrew - enquanto falava, mexia as mãos e olhava para o nada.

Assenti algumas vezes. Era novo para mim ver se esforçando de verdade para que não tivéssemos atritos, ao mesmo tempo me perguntava quando seria a explosão. Ele iria explodir em algum momento, era óbvio, nós sempre discordamos em alguma coisa e agora não seria diferente, eu estava concordando com algumas coisas porque eu estava ponderando muito, mas em algum momento iria bater de frente e era nessa hora que as coisas iriam ferver. Eu desconfiava, claro, não era o tipo de cara que esquecia a raiva facilmente, então, ainda pisava em ovos ao falar com ele e isso demoraria a mudar.

P.O.V


, você poderá estar conosco nessa comemoração? É tão importante para o Jacob ter a filha, o genro e o neto aqui.”
“Claro, senhora Avery, será um prazer”


Noivos. e eu éramos noivos na visão de seus pais e a minha única reação foi dizer que estaria presente. Meu Deus! Quantos problemas mais iria arrumar? Quando ela disse que não pensou direito nas coisas, achei até que era mais um fingimento dela, mas depois de tais acontecimentos posso ter certeza que ela foi apenas mentindo e depois achou que resolveria. Uma mulher tão empoderada e dona de si, de repente fica pior que o filho de quase dois anos na hora de se resolver com os pais. Será que ela pensou que isso nunca viria à tona? Pensou que voltar pra New York seria como os problemas que temos durante os shows, os quais ela resolvia em um piscar de olhos e todos ficavam abismados? Eu preciso ser franco, essa mulher sempre bagunçou minha mente, mas nunca imaginei que ela bagunçaria toda minha vida e pior: depois do Andrew, ela vai bagunçar para sempre.
Mas eu realmente não estava afim de brigas, aquela era a família dela, problema dela e eu não iria me misturar nisso, tinha coisas demais para resolver.
Essa semana voltaria a gravar um seriado e já estava planejando meu novo CD, minha carreira era o que me mantinha tranquilo com a vida e agora eu tenho um filho pra conciliar com tudo isso.

Desliguei o chuveiro e respirei fundo antes de sair do box.
A opção de tolerar não era a mais simples, eu preferia continuar ignorando-a até essa raiva passar, mas não queria que nada afetasse meu filho e talvez ter um convívio saudável com a mãe dele era um dos sacrifícios que eu teria que fazer. Ok, não era sacrifício algum tratar bem, era nítido o quanto estava arrependida e tentando ajeitar as coisas, mas o modo como ela me bagunçava não facilitou nada, muitas vezes olhar pra ela me fazia ter raiva e outras vezes, eu não sabia explicar o que sentia.
Pegar a guarda de Andrew era uma opção que eu tinha, claro que havia pensado nisso inúmeras vezes, era melhor do que pensar que eu estava me vingando de fazendo-a se arrepender todos os dias de ter feito o que fez. Isso poderia também ser uma vingança por ela ter ido embora quando me declarei? Não, claro que não…
Vesti minhas roupas enquanto pensava o quão rápido o mundo havia girado e agora eu estava nessa situação.

- Mas que merda! - bufei dando um soco na porta ao sair do banheiro.
- Olá - ouvi aquela voz e me assustei - Qual é, não é novidade me ver por aqui, no apartamento, no caso. No seu quarto eu sou realmente uma novidade.
- ? Aconteceu alguma coisa? - me alarmei, fazia poucas horas que eu havia deixado o apartamento dela.
- , eu tenho pouco tempo, acha que estou no supermercado - ela revirou os olhos - Eu ouvi a conversa de vocês na sala, sobre os pais dela.
- Tá e daí? - arqueei a sobrancelha e me sentei na cama, pude ver a mulher caminhar em minha direção.
- Ela omitiu algumas coisas - coçou a nuca antes de continuar - O pai dela, , ele é daquele tipo, sistemático, sabe?
- Me lembro de alguma conversa sobre isso, vagamente - dei de ombros, tentando recordar a conversa que tive com anos antes.
- Ele é daquele tipo que excluiria da família se descobrisse que ela é mãe solteira - mexia as mãos descoordenadamente - Ele jamais aceitaria.
- Como assim? Ele não pode deixar de ser pai dela. - me levantei, agora me sentia nervoso novamente.
- Ele é policial aposentado, daqueles bem marrentos, acha que é o dono da cidade - revirou os olhos mais uma vez - Foi um dos melhores do seu distrito, tem medo só do olhar dele.
- Por isso ela sempre comentou pouco sobre ele… - olhei para o chão lembrando-me da única vez que vi Jacob Avery.
- A senhora Avery é um amor, mas concorda com a ideia do casamento, ela pode não excluir da família, mas ficaria do lado do marido - a mulher à minha frente deu de ombros - Quando você perguntou qual impacto isso teria sobre o Andrew, o que ela te disse?
- Que enquanto estivermos longe, não teria impacto nenhum - olhei e ela assentiu.
- Exatamente, não terá impacto enquanto estiverem longe, mas eu duvido que a deixem voltar - A voz de agora era trêmula, parecia saber mais do que falava.
- Do que você está falando? - dei alguns passos ficando na frente dela e coloquei as mãos em seus ombros - Me conte o que sabe.
- , por favor, você nunca vai poder contar pra ela. Nunca! Ok? - ela pediu e concordei, respirou fundo algumas vezes, parecia se decidir.
- Isso envolve meu filho, , eu preciso saber. - engoli seco, o que escondia sobre a família?
- Exatamente por isso estou aqui, pelo Andrew - tirou minhas mãos de seus ombros e fechou os olhos antes de começar a falar - Na visão do pai da , ela é a ovelha negra da família, todos lá são advogados ou policiais e nunca saíram de Acton.
- E isso é um problema? Ela é bem sucedida agora, é uma mulher incrível - pude ver esboçar um sorriso com a última coisa que eu disse.
- , as mulheres da família Avery jamais saem de casa, tem apenas duas primas, que já são casadas e têm a família perfeita, elas foram criadas para isso - a mulher abriu os olhos e prosseguiu - decidiu fazer faculdade, seu pai não a impediu, mas queria que ela fizesse direito e continuasse na linhagem da família, coisa que ela obviamente não fez. Ela foi duramente criticada quando veio pra New York, a conheci quando estávamos a procura de um lugar pra morar.
- Certo…- eu não tinha muito o que falar, estava tenso com a conversa, jamais em meus maiores sonhos imaginaria que a família de era dessa forma.
- Em um certo dia, o pai dela veio em nosso apartamento e a discussão foi horrível, ele a humilhou verbalmente de todas as maneiras possíveis e só voltou a falar com ele depois de quase dois anos - agora andava de um lado para o outro em meu quarto - Quando finalmente ela foi visitar os pais em Acton, estranhei não ter voltado no dia em que me avisou que voltaria, tínhamos que apresentar nosso trabalho de conclusão de curso e ela simplesmente não atendia o celular e nem nada.
- Você não tentou falar com a mãe dela? - sentia minhas mãos suando, eles eram doentes?
- Foi a senhora Avery que me avisou para ir buscá-la, o senhor Avery simplesmente começou a fazer todo tipo de chantagem emocional que você pode pensar, ele dizia que se ela voltasse para New York ele iria morrer, que ela seria culpada, que o lugar dela era ali, em Acton, ajudando a mãe a cuidar da casa e caso contrário, iria esquecer que teve uma filha e ela não deveria procurá-los mais.
- E acreditou nisso tudo? - era difícil compreender como poderia ser tão submissa ao pai.
- Claro que não - riu e sentou-se na beira da cama - Mas a mãe dela havia dito sobre o início de infarto que seu pai tivera dias antes, ou seja, pra uma garota inocente como ela era e tão apegada à família, o que você acha que ela estava tentando fazer?
- Proteger….
- Exatamente, nem sempre foi essa mulher decidida que é hoje, a pressão psicológica que sofreu do pai afetou-a em vários aspectos. Ela preferiu abrir mão de tudo e ficar em Acton, com seus pais.
- E você foi buscá-la? - perguntei num fio de voz, talvez todas as atitudes impensadas dela começassem a ter algum sentido.
- Sim, a mãe dela sabia que se eu aparecesse lá, o pai dela não iria impedir, ele é assim - ela mordeu o lábio inferior - Na frente dos outros, o maior exemplo de pai.
- Você não disse que a senhora Avery fica do lado das decisões do marido? - sentei-me ao lado de , que parecia abatida ao se lembrar de tudo o que falava.
- E ela fica, mas ela é mãe! estava entrando em uma depressão profunda, os trinta dias que ela ficou lá, foram horríveis e como mãe, ela soube o que precisava ser feito.
- Certo…. - voltei a olhar o nada, era surpreendente descobrir tais coisas.
- O sonho dela de ser produtora foi a brecha mais fácil que ela encontrou de nunca estar em um lugar só - colocou uma das mãos em meu antebraço - E quando ela enfim resolveu se fixar em um lugar, chegou.

Olhei-a rapidamente antes de soltar um riso.

- Veja, , o que estou tentando te dizer é que se tornou esse mulherão que é, sozinha, os pais dela são basicamente um detalhe, ela ama-os com todas as forças, mas quando está perto deles, acaba voltando a ser uma menina retraída, cheia de medos. - continuei fitando , deixando-a finalizar - Se ela contar que se separou, corremos um risco tremendo de não vê-la por um tempo, pois ela sabe que os pais vão querer preservar a imagem da família.
- Eles não preservam? - franzi o cenho, a cada segundo havia uma revelação diferente.
- Desculpe se soar indelicado, mas pra eles, dizer para a família que namora um astro da música pop, não é grande coisa. Dizer que ela está noiva e tem um filho, sim.
- Eles são nojentos….- acabei soltando, era a coisa mais ridícula que eu já havia escutado na vida.
- São. Parece que estão presos no século passado - levantou-se - Você entendeu o que eu quis dizer?
- Você acha que eu devo ir com ela e fingir que temos um relacionamento por pelo menos quatro dias - era óbvio, essa seria a deixa perfeita para não termos problemas com os Avery - Em algum momento eles vão precisar saber da verdade.
- Concordo, mas com tudo o que e você estão passando agora, acha que é preciso saber a verdade agora? - arqueou a sobrancelha - Pense no Andrew.
- Ele é a única coisa que eu penso, - grunhi - envolveu a única pessoa que não era pra envolver em problemas, o Andrew!
- Olha, tenta fazer isso, pelo menos até as coisas na carreira dela voltarem nos eixos, vocês se adaptarem com a rotina do bebê e depois a gente volta a pensar nisso. Ela visita os pais uma vez no ano e com a mudança dela pra New York, eles não virão tão cedo, vai ter muito tempo pra adaptarem isso.

Me joguei na cama após sair. Quando eu disse que era sinônimo de problema, era a mais pura verdade. Eu sabia disso, desde o primeiro momento que pus meus olhos nela, sabia que quando a tivesse em meus braços, seria apenas o início da confusão. Ela era tempestade, as quatro estações do ano em um dia, era tudo da maneira errada e eu realmente poderia ter evitado, mas o desejo falou mais alto.

FLASHBACK

Tom, meu empresário, tentava de todas as maneiras me fazer aceitar a proposta de participar de uma série teen. Eu estava tão focado em meu novo CD que a última coisa que queria era adiar o projeto para ter que ficar meses gravando série.
Sempre gostei de atuar, mas no momento, queria apenas finalizar meu CD e dar início ao processo de divulgação. Porém, meu empresário tinha um sério problema quando eu negava algo. Era sempre assim, ele cuidava da minha carreira, geralmente eu aceitava tudo, o que deixava-o feliz, já que eram mais dólares em sua conta.
Antes de finalizarmos a reunião, pediu para que eu ficasse mais alguns minutos, o que não estranhei. Tom sabia muito bem como me ganhar, sabia que tinha argumentos plausíveis e me fazia ao menos repensar na ideia da série, ainda mais que a minha atração pela minha produtora começara a ficar evidente aos meus amigos.
Quase sete meses, ela não corresponde a nenhuma das minhas investidas, não caí em nenhuma cantada, apenas me ignora e continua a fazer seu trabalho.
Era o tipo de mulher independente, nunca havia encontrado acompanhada, cheguei a pensar que ela simplesmente não gostava de homens, mas minha suspeita dissipou-se quando a vi esbarrar com seu ex namorado em um dos meus shows. Eram do mesmo ramo de produtores, o cara ficou completamente desconcertado quando a viu, tentou chamar a atenção dela de várias maneiras, mas assim como fazia comigo, ela apenas ignorou.
Isso era instigante.

- …- ela sorriu colocando inúmeros papéis sobre a mesa - Me desculpe te pedir pra ficar, sei que já passa das dez da noite, mas eu preciso fazer isso.
- , devo dizer que você está magnífica hoje - ela usava uma saia justa de cor preta, que ia até o começo de seus joelhos, sua camisa social tinha apenas o primeiro botão aberto, deixando-a incrivelmente linda.
- Agradeço, chefe - ela sorriu antes de olhar para os mesmos papéis que havia acabado de colocar à sua frente.
- Tom pediu para que você me falasse da série, estou certo? - perguntei e ela assentiu - Eu posso ouvir o que você tem a dizer, mas seria muito melhor com um whiskey.
- Pensei nisso, mas não encontrei o whiskey e estava bem tarde pra ir atrás, mas tinha uma garrafa de vinho na geladeira - ela pegou a bebida em uma sacola no chão e colocou sob a mesa, ao lado de duas taças.

- Vinho? Vou aceitar - pude vê-la sorrir enquanto colocava a bebida roxa na taça e me entregava - , eu realmente acho que posso fazer a série depois, o diretor me permitiu isso.

- , veja bem - ela respirou fundo e pegou os papéis que estavam no canto da mesa e colocou todos eles na minha frente.

Ela tinha uma maneira de explicar as coisas que era surreal. Era firme ao olhar nos olhos e mostrar que o que ela falava era muito melhor do que eu estava pensando em fazer. era uma das produtoras mais difíceis de lidar que eu já tive, quando ela colocava algo na cabeça, não tirava nunca e conseguia me convencer em pouco tempo. Não tinha sido diferente essa noite, ela realmente me mostrou que eu poderia fazer a participação na série, que seria até melhor para a divulgação do meu novo projeto e que abriria portas para uma outra série que eu já tinha em vista a algum tempo, mas os produtores do canal ainda não tinham manifestado interesse algum por mim, o que havia me deixado frustrado.

me fez entender e encaixar os projetos atuais de uma maneira que chamasse atenção da produtora de tal série, fazendo assim com que eles me notassem e realmente agora fazia total sentido.
O assunto agora era leve, entre algumas risadas, ela explicava o porquê Tom jamais conseguiria me convencer, ele simplesmente pensa apenas em dólares e me deixar na mídia, não quer saber de tanto trabalho e ela adorava quando ela deixava tudo em suas mãos, já que ela não tinha preguiça alguma de fazer as coisas. Era uma mulher auto suficiente e não hesitava em deixar claro.

- Droga! - torci o lábio ao dizer e já estava sentada à minha frente, parecia um tanto ansiosa - Por que você sempre tem razão?
- Ah, , eu só enxergo as coisas por trás das câmeras, enquanto você está focado demais em ser perfeito na frente delas - ela deu de ombros e arregalou os olhos em seguida, já havíamos bebido umas boas taças durante as horas de conversa - Desculpa.
- É isso que aparenta? - arqueei a sobrancelha e ri em seguida - Realmente, eu sou perfeccionista, mas tento ser eu mesmo na maioria das vezes.
- Nós realmente não devíamos estar falando disso - ela suspirou e virou o restante de vinho que ainda havia em suas mãos.
- Faz de conta que não sou seu chefe - me ajeitei na cadeira e sorri - Diga o que quer dizer.
- Eu realmente prezo meu trabalho, - sorriu sem mostrar os dentes e colocou um pouco mais de vinho em sua taça.
- Ok, eu posso dizer o que penso então, já que não corro esse risco - dei de ombros, coloquei minha taça sob a mesa, apoiei as costas confortavelmente na poltrona e passei a língua pelos lábios antes de começar - Acho você muito sexy, de verdade, faz pelo menos sete meses que estou tentando ter uma chance e você simplesmente me ignora, qual é!
Eu nem sei se eu sou seu tipo de cara, você não me dá uma pista, às vezes acho que você está me olhando diferente, mas nunca sei se é da maneira que eu quero. - sorriu de canto e pareceu pensar um pouco antes de começar a falar.
- Primeiramente, você não tem que querer nada - ela cruzou as pernas e aquilo me fez descer o olhar, sua saia subiu um pouco e suas coxas me chamaram atenção - Eu não tenho um tipo de cara, isso é a maior mentira que dizem - pigarreou - Pode me olhar nos olhos agora.
- Desculpe - balancei a cabeça - Então, você só não está afim, correto?
- Nós realmente não deveríamos ter essa conversa - mordeu o lábio antes de se levantar - Você já aceitou a proposta, podemos aproveitar o fim de semana de folga.
- Não antes de você me responder - pude vê-la virar uma grande quantidade de vinho garganta abaixo - Ou você tem medo do que pode acontecer em seguida?
- Medo? - gargalhou sem me olhar - Existe um motivo pra não ser eu mesma quando frequento as after party’s depois dos shows ou premiações.
- E qual é? - levantei-me enquanto ela deixava sua taça de lado e juntava os papéis sob a mesa - Posso conhecer uma nova?
- Eu diria que você não gostaria de contratar a verdadeira - balançou a cabeça rindo, guardou os papéis em uma pasta e começou a escrever algo em um post-it azul.
- Ela é mais sexy do que essa que está na minha frente? - dei alguns passos, colocando minha taça ao lado da outra que já estava sob a mesa e parei a uma pequena distância da mulher à minha frente que parecia estar forçando uma concentração enquanto escrevia.
- , sério… - riu mais uma vez - O vinho começou a fazer um belo efeito, nem sei como ainda tenho meu emprego depois do que disse a alguns minutos.
- Você mantém seu emprego porque é competente, cuida de coisas que nem são da sua função e nunca a vi reclamar - dei de ombros - O vinho não tem nada relacionado ao fato de que você é extremamente sexy e assumo já ter ficado horas imaginando o gosto do seu beijo.

pareceu travar. Parou de escrever no instante em que sentiu minha mão tocar seu braço. Eu realmente estava nervoso, todas as investidas que já havia dado, nunca correspondidas até então, pareciam realmente mexer com ela ou eu só parei para notar agora. Ela não me olhava, mas podia ver seu peito subir e descer rapidamente, eu não era o único nervoso naquele cômodo. Acariciei seu antebraço levemente e mais uma vez ela balançou a cabeça negativamente, soltou a caneta e me olhou, aqueles olhos brilhavam e transbordaram uma luxúria que até então eu nunca havia notado. Era a primeira vez que uma mulher não se fingia de tímida ou fazia charme em uma investida, me senti realmente intimidado com aquele olhar. virou-se completamente de frente pra mim, o batom vermelho agora parecia mais convidativo, deu apenas um passo e pareceu pensar antes de dar mais um, ficando muito perto.

- Você é muito gostoso, muito mesmo e tenho certeza que sabe disso - colocou as mãos na cintura e mordeu o lábio antes de continuar - Sua segurança me irrita, se acha demais na maioria das vezes e não perde a chance de fazer uma brincadeira comigo ou qualquer outra mulher que passa. Você não vale o que come, francamente - sorriu e caramba! Ela estava dizendo tudo aquilo na minha cara? - Mas deixe-me adivinhar, nunca teve uma mulher com coragem para te falar que você não é tudo isso? É um gostoso, sim, mas descartável, na verdade.
- Eu ainda posso te demitir, - arqueei a sobrancelha e sorri de canto, era instigante.
- Mas não vai - passou a língua pelos lábios - Todas as produtoras que passaram por você, apenas obedeciam e depois que você as levava pra cama e elas perdiam o encanto, acabavam se demitindo, por não se acharem o suficiente para o astro .
- E você descobriu isso como? - cruzei os braços e franzi o cenho, esperando-a continuar.
- Você é o tipo mais previsível de homem, - deu ênfase em meu nome - E está visivelmente intimidado por ouvir tudo isso de sua produtora - levou a mão direita até a gola da minha camisa e brincou por uns segundos - Todas as suas investidas foram legais, mas te ignorar e te ver frustrado sempre salvou meu dia.
- E você está investindo agora? - baixei meu olhar e antes que ela tivesse qualquer reação, puxei-a pela cintura, colando meu corpo no dela.
- Estou te dando mais motivos para ficar horas imaginando, mas o brinde é que você pode imaginar além dos beijos dessa vez.

sorriu e não pensei muito antes de colar meus lábios nos dela, sem deixar que pensasse em hesitar. Demorei alguns segundos antes de colocar a outra mão em sua cintura e entender o que estava acontecendo. Quando sua língua pediu passagem, o gosto forte de vinho se misturou com a hortelã, provavelmente do chiclete que eu mascava antes da reunião. A melhor reunião que já tive, inclusive. Sentia suas unhas em minha nuca, me causando leves arrepios, mordeu meu lábio inferior e puxou antes de voltar a me beijar. Seria bem clichê dizer que sentia meu corpo em êxtase total? Porque era exatamente isso que estava acontecendo agora, parecia que era a primeira vez que estava beijando e eu realmente gostaria de ter beijado essa mulher antes.

Fim do Flash Back

Maldita hora que não me esquivei. Aliás, maldita hora que continuei investindo nela, que não dormiu comigo depois do primeiro beijo e ficou me provocando semanas a fio, até me fazer aparecer em seu apartamento na madrugada.

- ? - voltei à realidade quando ouvi - Tudo bem?
- É… vamos dizer que sim - me ajeitei na cama enquanto entrava no cômodo - Tudo certo com a Sophie?
- Sim, decidimos passar o feriado com nossa mãe e depois vamos para a casa dos pais dela, já que no dia seguinte tenho show - meu irmão sentou-se ao meu lado.
- Denise vai adorar recebê-la - debochei, minha mãe no fundo gostava da Sophie, só fazia cena pra ver o quanto ela aguentaria.
- Você vai levar o Andrew? - neguei com a cabeça - Você ainda não está falando com a mãe?
- Ela não atendeu minhas ligações no dia seguinte, não responde no whatsapp, então não, não estou falando com ela - dei de ombros - Marquei com nosso pai de almoçarmos aqui, pra ele conhecer o Andrew.
- Você precisa falar com Denise , sério - torceu o lábio, era um fato, mas eu realmente não queria pensar nisso agora.
- Falou o cara que conheceu meu filho antes de mim - debochei, empurrando-o com o ombro - Eu deveria ter te matado.
- Eu realmente não queria ser a pessoa a te contar isso - deu de ombros - Você descobriu no fim das contas.
- Da pior maneira possível - suspirei alto - Vou pra Acton no feriado.
- Acton? O que raios vai fazer lá? - se ajeitou ao meu lado, pegando seu celular no bolso e colocando-o no meio de nós.
- O pai da vai receber uma homenagem do distrito em que trabalhou, é super importante a presença da filha, neto e do genro - olhei de canto para que pareceu encaixar as informações na cabeça.
- Genro? Espera… - ele segurou o riso - Eles não imaginam?
- Na cabeça deles, somos noivos - fechei os olhos antes de continuar - Eu realmente não sei o que mais escondeu, mas pelo visto, vamos acabar descobrindo.
- E por que você simplesmente não conta a verdade para os pais dela? - pude ouvi-lo rir - Eu gostaria de ver como vai ser isso.
- Eu nem iria pra lá, pra início de conversa, mas veio aqui e me falou umas coisas - abri os olhos novamente e estava bem concentrado na conversa - Não é seguro para o Andrew deixá-la ir sozinha, os problemas iriam ser maiores.
- Não quero saber detalhes, acho que já entendi o suficiente - pegou seu celular e levantou-se - Vai falar com nosso pai sobre isso?
- Apenas o necessário.

Sábado
09:55am


Terminei de arrumar a mesa e agradeci mentalmente por ter trazido Andrew enquanto ele ainda dormia, poderia ter dado tempo de cozinhar, mas minha ansiedade me impediu, por isso, iria fazer a gentileza de trazer um almoço decente do nosso restaurante favorito e agora eu poderia me concentrar em como conversar com meu pai e explicar o fato que não estou sabendo lidar com a minha vida.
Fui até o quarto e separei as roupas que trouxe, ela disse que não queria Andrew passando o dia todo de pijama ao lado do avô, me limitei a rir. Trocamos algumas palavras e ela correu para ajudar , a tour começa depois de amanhã, ela realmente está pirando.

- Ei, garotão, vamos acordar - disse baixo enquanto puxava o edredom - Seu vovô vai chegar daqui a pouco.
Mais uma coisa que ele havia puxado de mim, o sono pesado. Não bastava ser uma cópia minha da cabeça aos pés, o garoto dormia como uma pedra. Ouvi dizer algo sobre ele dormir tarde na noite passada por estar hiperativo. Passei uma das mãos naqueles cachinhos e Andrew começou a despertar. Sentei-me ao lado dele na cama e continuei acariciando-o.
O sentimento era indescritível, toda vez parecia a primeira que eu estava com ele, meu coração acelerava e eu não sabia organizar minha mente, ele era um pedaço de mim, talvez o melhor pedaço, eu me sentia completo quando olhava aquele pedacinho de gente. Sentia meu corpo em êxtase total toda vez que estava perto dele. Queria conhecer mais detalhes, queria ouvi-lo rir sempre e ao mesmo tempo, parecia que era uma rotina antiga. Sentia Andrew conectado a mim de uma maneira diferente, coisa de outras vidas. Era incrível tê-lo perto. Meu filho.
Andrew coçou os olhos e abriu o sorriso ao me ver, me fazendo sorrir junto, pareceu observar o cômodo e sentou-se na cama, coçando os olhos mais uma vez. Um pingo de gente, como uma criatura tão pequena como aquela me fazia querer parar o tempo e só ficar ali, admirando-o?
Me surpreendi quando ele se arrastou pela cama e sentou em meu colo, colocando as mãozinhas em meu rosto, como sempre fazia.

- Bom dia, filho - sorri e coloquei minhas mãos sob as dele.
- , oi - sorriu e mostrou os dentinhos - Lavar o denti.
- Escovar os dentes e tomar um banho - peguei-o no colo e me levantei - Você vai conhecer o vovô!
- Vovô ‘Jacobi’? - perguntou e neguei com a cabeça, ele pareceu confuso.
- Vovô Paul, mas você pode chamá-lo apenas de vovô - caminhei até o banheiro enquanto ele me olhava curioso.

Dessa vez o banho não demorou, eu havia tomado banho antes dele chegar e Andrew conversava muito enquanto eu ensaboava seus cabelos e ele ria me jogando espuma. Vê-lo tentar escovar os dentes sozinho foi a melhor parte da manhã, não sabia explicar o que sentia com cada ação dele. Ajudei-o a se trocar, havia separado uma bermuda jeans, uma camisa cinza e me deixou a opção de colocar tênis ou uma alpargata azul. Optei pela segunda opção e Andrew estava agora sentado na cama, tomando a mamadeira que eu havia acabado de fazer, concentrado demais em me ver de frente para o espelho, trocando a camisa que havia molhado graças às espumas que ele havia jogado durante o banho.

- O que achou? Essa camisa é boa? - virei-me para o pequeno e ele fez uma careta - Ok, vou trocar.

Pude notar que toda camisa que colocava, Andrew olhava para a própria e negava com a cabeça, sem tirar a mamadeira da boca. Logo, percebi que ele queria que eu estivesse igual a ele. Comprovei o fato quando coloquei uma camisa cinza e ele tirou a mamadeira da boca e abriu o maior sorriso, deixando a mamadeira cair ao bater palminhas.

chegou em pouco tempo, reclamando que teve que pedir para Sophie esperar ele trazer a comida em casa, já que eu realmente não iria conseguir cozinhar, ele até tentou ficar bravo, mas ao ver Andrew gargalhar, amoleceu de imediato.

- Vem com o tio, mini - esticou os braços e Andrew desceu da cama, correndo até ele - Tudo bem com você?
- Oi - sorriu enquanto o ajeitava no colo - Eu vou ver o vovô ‘Pá’!

- Vai? Que ótimo! Você vai gostar bastante dele - meu irmão sorriu. Eu tirava a mamadeira que estava na cama e caminhei até a cozinha.
- Ele não conseguiu falar Paul, acho que ‘pá’ é a definição do nome - dei de ombros e pude ouvir me acompanhar até a cozinha
- Pra quase dois anos ele fala bem demais - assenti com a afirmação - Que horas o pai chega?
- Deve estar à caminho, provavelmente tentando deixar tudo em paz com a mamãe - suspirei alto enquanto colocava a mamadeira sobre a pia e abria as sacolas que trouxe.
- Acha que antes do feriado vai conseguir falar com ela? - Ouvi alguns risos de Andrew e me virei, vendo brincar com ele.
- Não sei, espero que sim na verdade, mas tenho medo do que ela pode fazer com a - peguei uma travessa de vidro no armário.
- Acredito que a não tem medo disso, ela vai bater de frente.
- Por isso mesmo, outra briga grande pode afetar tudo o que estamos tentando construir - coloquei o macarrão na travessa e guardei dentro do forno - O Travis não reclamou de fazer comida tão cedo?
- Ele resmungou algumas vezes, mas quando disse que era um caso urgente que você revelaria na mídia em algumas semanas, ele aceitou - respondeu, referindo-se ao dono do restaurante onde havia pego o almoço.
- Nem parei pra pensar nisso ainda - cocei a nuca - São tantas coisas a serem resolvidas, mas eu só queria ter mais tempo com o Andrew, entender o que sinto em relação a ele.
- É seu filho, - colocou o pequeno no chão e entregou-lhe as chaves do carro, onde havia um chaveiro enorme do Bart Simpson - Você o ama e só não entendeu isso ainda.
- Ele é uma parte de mim e cada dia que passa, vejo que é a melhor parte - me apoiei na pia e vi Andrew sentar no chão, entretido demais com o chaveiro.
- Você está me surpreendendo, irmão - me olhou sereno, sorriu de canto antes de continuar - Pensei que você não teria maturidade para lidar com isso.
- E não tenho, ! - fechei os olhos - Eu só não posso fingir que isso não muda nada na minha vida, tenho que assumir as consequências.
- Você pensou em fazer outra coisa quando Andrew apareceu? - abri os olhos e pude ver meu irmão cruzar os braços, sem me olhar.
- Claro que pensei - voltei a pegar as coisas na sacola - No início, achei que mandar um dinheiro por mês seria o suficiente, depois pensei em simplesmente fingir que nada tinha acontecido.
- Nunca pensou em pedir a guarda? - eu estava de costas, mas podia sentir o nervosismo que meu irmão tinha ao perguntar.
- Esse pensamento dissipou-se no momento em que Andrew passou aquela tarde comigo - peguei a salada e coloquei na geladeira - Olha como a cuida dele, ela praticamente deixou de viver, só por ele.
- Realmente…- ouvi um riso e notei que era Andrew, quando me virei, vi sentado no chão de frente para o pequeno.
- Depois daquela tarde eu também vi que não queria deixar de estar presente, olho cada detalhe dele e parece que sempre estivemos juntos, é difícil explicar, é como se fosse algo de outra vida - suspirei antes de me apoiar na mesa, olhando para meu filho.
- Você está se tornando um ótimo pai, eu estou orgulhoso, irmão - me olhou e sorriu mais uma vez, me fazendo apenas assentir em resposta.

teve que ir encontrar Sophie, mas não sem antes tirar o chaveiro do Bart e deixar com Andrew que agora parecia ter ganho o melhor presente do mundo. mandou mensagens perguntando se estava tudo bem e apenas enviei uma foto do pequeno no tapete da sala, sorrindo e mostrando seu novo chaveiro. Recebi um coração em resposta.
A campainha tocou e eu me senti nervoso, era meu pai, o cara que eu me espelhava pra ser quem sou e com certeza a ideia de um neto aparecer com quase dois anos na vida dele, não era lá uma prova que eu realmente gostaria de seguir os passos dele.
Respirei fundo antes de abrir a porta e lá estava Paul com uma caixa embrulhada com papel de carrinhos em mãos.

- Pai - abracei-o de lado e ele retribuiu - Que bom tê-lo aqui.
- Demorei pois não sabia o que comprar para meu neto - ele sorriu - Onde ele está?

Dei passagem para meu pai entrar e ele deu de frente com o pequeno ainda sentado no tapete da sala. Fechei a porta e pude ver meu pai parado com o olhar fixo em Andrew. O pequeno parou de dar atenção ao chaveiro que tinha em mãos e olhou para o homem à poucos metros dele. Dei alguns passos e parei ao lado de meu pai, parecia não acreditar no que estava vendo, os olhos agora brilhavam e podia ver algumas lágrimas se formarem nos cantos. Me sentia ansioso, garganta seca, queria dizer alguma coisa e as palavras simplesmente não saiam. Minhas mãos incrivelmente suavam no momento, eu queria muito ter mais controle sobre minhas emoções.
Andrew levantou-se e caminhou até meu pai, soltou o Bart que tinha em mãos e juntou as mãozinhas, olhando o mais velho. Olhou pra mim como se estivesse se perguntando quem era o homem.

- Filho, esse é o vovô Paul - disse e ele voltou a olhar meu pai, que sorria sem mostrar os dentes.
- Oi, vovô ‘Pá’ - o pequeno abriu um sorriso e acenou com uma das pequenas mãos.
- Meu Deus! - Meu pai colocou a caixa com o presente sob o sofá e voltou a olhar Andrew - Ele é idêntico a você!
- Kevin disse a mesma coisa - sorri e coloquei as mãos no bolso, olhando meu pai se agachar ficando na altura do pequeno.

- Olá, Andrew, tudo bem? - perguntou vendo o pequeno assentir e dar um sorriso - Vovô pode te dar um abraço?
- Podi - já havia notado que Andrew adorava abraços, no mesmo instante, ele abriu os bracinhos e se jogou no colo de meu pai, que parecia o homem mais feliz do mundo no momento.

Nem havia notado quando minha visão se embaçou. Aquele pequeno momento havia me emocionado de tal maneira que eu me perguntava se era por ver meu pai tão sereno, sem julgamentos, ou em como Andrew era uma criança perfeita. A única dor que eu sentia era por não ter participado de tudo desde o seu nascimento e eu faria de tudo para recuperar esse tempo.


Capítulo 11

- , eu não sei o que dizer. - Meu pai iniciou o diálogo depois de ficar uns bons minutos conhecendo o neto - Ele é encantador.
- É sim. - sorri colocando Andrew no cadeirão e vendo meu pai se ajeitar na mesa - Bem avançado para a idade, não acha?

- Sem querer ofender, mas nesse ponto ele não puxou você. - Meu pai acabou rindo e o acompanhei - Quero dizer, fisicamente ele é uma cópia sua fisicamente, mas os trejeitos, suponho que sejam da mãe.
- Vou ter que concordar… - torci o lábio enquanto colocava a refeição sob a mesa - Esse jeito espontâneo é com certeza herdado dela.
- E ela…- Paul encheu o pequeno copo de Andrew com suco, fechando-o com a tampa e colocando na frente do neto - Você vai me dizer quem é?
- Pai, é complicado. - suspirei alto sentando-me de frente para ele - Você não pode contar para a mãe enquanto eu não falar com ela, tudo bem?
- , me respeite! - ele franziu o cenho - Eu conheço muito bem Denise e se estou aqui agora é porque quero entender o que houve meu filho. Sua mãe vai demorar a compreender.
- Eu sei. - peguei o pequeno prato de Andrew e coloquei um pouco de macarrão e salada - Ela se chama .
- Belo nome. - deu de ombros enquanto se servia - E qual o problema com ela?
- Todos os possíveis, na verdade. - coloquei o prato de Andrew na frente dele, que ficou bem feliz ao ver macarrão - Ela é a garota problema, sendo sincero.
- E quando vou conhecê-la? - me olhou por cima dos óculos que estavam praticamente na ponta de seu nariz - Ou você vai me enrolar e não vai dizer que a atual produtora da é a mãe de seu filho?
- ? - arqueei a sobrancelha e meu pai apenas riu - É uma boca aberta mesmo!
- Ele não teve muita escolha na verdade. - meu pai pegou os talheres e ajeitou os óculos no rosto antes de continuar - Estávamos falando de negócios quando ele ligou pra ela e eu consegui ouvi-la dizer que esse final de semana você ficaria com Andrew.
- O senhor se lembra dela? - perguntei e pude vê-lo assentir.
- Vagamente, ela era acelerada demais no backstage, mas conseguia um belo resultado no final.
- Andrew coma a salada, filho. - dei um pedaço de tomate para ele, que já estava comendo tudo com as mãos e lambuzando-se todo - Vamos tomar outro banho pelo jeito.
- Acostume-se com isso. - meu pai sorriu - E como conseguiu sumir todo esse tempo?

Respirei fundo antes de começar a contar para meu pai, sem muitos detalhes, sobre toda a confusão que meu relacionamento com havia se tornado, ele me ouvia e dava atenção ao Andrew, que parecia eufórico demais com as brincadeiras do Senhor Paul.
Meu pai resmungou algumas vezes, outras apenas me olhou, quando terminamos de comer, ele pegou Andrew nos braços e caminhou até a sala, dando o incrível caminhão dos bombeiros que ele havia comprado mais cedo e Andrew não hesitou em abrir antes do almoço, para o pequeno brincar na sala enquanto eu buscava um pouco de sorvete na geladeira.

- Certo, então deixe-me ver se entendi, - Paul se ajeitou no sofá, sem tirar os olhos de Andrew - Vocês namoraram, brigaram, ela foi embora e voltou pra te contar que tem um filho seu?
- Dizendo dessa forma parece até mais simples. - dei de ombros entregando a taça com sorvete de morango ao meu pai - É sorvete diet, Andrew tem diabetes.
- Até isso? - arqueou a sobrancelha e se limitou em assentir - E vocês estão conseguindo lidar com isso, ? Você e a , no caso.
- Pai, - suspirei alto pegando Andrew no colo e me ajeitando no sofá - Eu não sei dizer para o senhor se o que estamos tentando é o correto, eu mal paro pra pensar no que está acontecendo, parece loucura demais.
- Um filho com quase dois anos no auge da sua carreira solo? Que isso! - ele foi irônico e não segurou a gargalhada - Você está com raiva dela?
- Muita. - Eu segurava a taça enquanto Andrew acabava com a sobremesa e parecia feliz demais por tomar sorvete naquele momento - Ela não tinha o direito.
- Realmente, não tinha. - meu pai olhou para os lados - Mas vai adiantar alguma coisa ficar batendo nessa tecla?
- Eu não estou batendo em tecla alguma, pai! - senti uma gota gelada cair em minha perna e nem precisei olhar para saber que Andrew havia derrubado sorvete - Não tenho o direito de sentir raiva?
- Claro que tem filho. - o mais velho colocou a taça com o doce entre as pernas antes de me olhar novamente - Mas vale à pena? Olhe esse garotão em seus braços, não perca tempo sentindo raiva, curta seu filho, você ganhou um presente de Deus.
- Eu sinto isso. - sorri ao olhar meu filho - A cada olhar dele, cada risada, tudo, eu vejo que ele chegou pra dar luz à minha vida.
- , cabô! - o pequeno tinha a boca toda lambuzada de sorvete, colocou as pequenas mãos em meu rosto, me fazendo notar que as mãos também estavam molhadas com o doce, fazendo eu e meu pai darmos risada.


Depois de dar outro banho em Andrew, desta vez com ajuda de meu pai que disse não perder a oportunidade de ficar mais um tempo com o neto, o pequeno estava cansado e eu ainda me tremia em colocá-lo para dormir, então optei por fazer uma chamada de vídeo com , quem sabe não funcionaria?

- Pai, só um segundo, vou ver o que consigo aqui, caso contrário vou ter que levá-lo para a mãe. - disse pegando meu celular e meu pai caminhou até a sala - Filho, o que acha de falar com a mamãe?
- Mamãe? - ele tinha os olhos baixos, mas parecia que não se entregaria fácil.
- Pois é, garotão. - solicitei a chamada de vídeo e aguardei - Ela pode ajudar a gente a tirar uma soneca, que tal?
- , oi! Tá tudo bem? - olhei sua feição preocupada no visor e prendi o riso - Cadê o Andrew?
- Calma, ele está aqui, tá tudo bem. - virei o aparelho e mostrei o pequeno deitado na cama - Ele está visivelmente com sono, mas não quer dormir e se eu tentar acho que ele vai acabar chorando como da outra vez.
- Que susto, ! - pude ouvi-la - Oi, filho!
- Oi! - ele acenou e abriu um pequeno sorriso - Casa?
- Essa também é sua casa, meu amor! - olhei Andrew que estava prestando atenção na mãe - Fala para o papai dar o celular na sua mão, vamos contar a história do unicórnio pra ele?
- Sim! - o pequeno sorriu antes de esticar os bracinhos e pedir o aparelho em minhas mãos. - Vem, !

Sorri de imediato e deitei-me ao lado de Andrew que pegou o celular nas pequenas mãozinhas e se aninhou em meus braços. Aquela definitivamente era a melhor sensação do mundo. Comecei a fazer um carinho em seu rosto e logo minha mão já estava nos cachinhos, enquanto que parecia estar encaixotando as coisas no apartamento da , contava uma história de um unicórnio solitário. Andrew completava a fala da mãe na maioria das vezes, ela sorria quando isso acontecia e logo continuava a conversar. Os olhos dela brilhavam ao olhar para o filho, era outra mulher agora, nada a ver com a minha produtora de alguns anos atrás, havia amadurecido uns dez anos nesse meio tempo, não no quesito aparência, ela continuava uma mulher extremamente sexy, mas sim em suas atitudes, parecia mais cuidadosa, menos aventureira e incrivelmente mais medrosa. Em certo momento, Andrew vacilou com o celular e logo despertou novamente, o que me fez pegar o aparelho e segurar enquanto Andrew se entregava ao sono.
Pude ouvir sua respiração ficar pesada, ele usava meu braço como travesseiro e eu realmente só conseguia admirar aquela pequena criatura dormindo colado a mim. Era incrível ter Andrew, era incrível ser pai dele. Eu nem me lembrava do que havia acontecido para chegar até aqui, cada momento com ele parecia pouco demais.

- Ele parece um anjo, quando está dormindo, claro. - Ouvi a voz de e só então me lembrei de que a ligação ainda estava ativa.
- Obrigado pela ajuda. - olhei-a pela tela e a mulher apenas assentiu - Talvez depois de hoje, as coisas comecem a melhorar.
- Ele gosta de música, sabia? - ela sorriu - E olha só, o pai dele é músico! Tente isso na próxima vez.
- É uma boa ideia. - dei de ombros - Meu pai está aqui e a primeira coisa que pensei no momento foi em te ligar, não queria ter que levá-lo tão cedo.
- Fez certo, , ele vai se acostumar logo. - mordeu o lábio antes de continuar - E seu pai, o que achou?
- Está apaixonado pelo neto, mal me deu atenção. - torci o lábio e pareceu respirar aliviada - Preciso ir, nos falamos depois.
- Até.

Desliguei o aparelho e coloquei-o em meu bolso antes de sair da cama com toda delicadeza do mundo para não acordar Andrew. Coloquei alguns travesseiros em volta do garoto e o cobri com uma manta. Eu iria ficar bobo admirando essa criaturinha todas às vezes? É isso mesmo? Ok, não me importo.
Sorri antes de caminhar até a sala e encontrar meu pai lendo alguma coisa no celular.

- Funcionou? - perguntou-me e assenti - Ouvi a voz da mãe dele?
- Sim, Andrew não está acostumado com minha casa, da última vez gritou tanto pela mãe e só dormiu quando ela chegou, resolvi apelar hoje. - Sentei-me no sofá e respirei fundo - Eu estou tentando me adaptar com isso.
- e eu conversamos há uns dias, você realmente está surpreendendo a todos, filho. - Meu pai deixou o celular de lado e virou-se pra mim - Está sendo um pai incrível.
- É a minha meta, mas confesso que às vezes paro pra pensar e talvez eu precisasse de mais tempo sozinho, sabe? Pra entender o que fazer. Aprender tudo na prática está me deixando maluco! - acabei desabafando e pude ouvir o homem ao meu lado rir.
- Você acha que quando vamos ter um filho, nós aprendemos tudo antes da criança nascer? - Continuou rindo e voltou a falar - Kevin, , você e Frankie foram uma surpresa atrás da outra, nem se eu tivesse lido todos os livros do mundo, ou ficasse sozinho durante os nove meses, saberia lidar com as surpresas que cada um de vocês me aprontou.

- O senhor acha que vou conseguir? - Olhei meu pai nos olhos e ele sorriu de uma maneira que me tranquilizou, me mostrando que eu estava realmente no caminho certo.

- Filho, mudando de assunto rapidamente. - ele pigarreou - Quando você pretende retomar seus compromissos? São coisas que não se pode deixar pra trás.
- Eu sei pai, tive uma reunião com a gravadora esses dias, até o feriado vou estar em estúdio e depois vou continuar as gravações da série e o projeto do CD - estalei o pescoço enquanto falava - Eu preciso ver em como vai ser pro Andrew tudo isso.
- Você pretende apresentá-lo para a mídia? - perguntou e pareceu receoso - Não acho que expor essa história seja uma boa ideia, pelo menos não para a mãe do garoto.
- Não, claro que não. - sorri nervoso - Não vou poder esconder Andrew por muito tempo, não quero ter que ficar sem levar ele em parques e tudo mais, já perdi grande parte da vida dele, não quero perder mais nada.
- E ? - arqueou a sobrancelha e me olhou curioso. Eu havia pensado em tudo isso há alguns dias, mas não pensava que seria mais uma coisa difícil a se fazer.

- Vou para Acton no feriado com ela e o Andrew, aproveito para falar disso. - Pude ver meu pai tirar os óculos e apertar os olhos, eu sabia o que ele estava pensando.
- , você pretende falar com sua mãe sobre não passar o feriado em casa? - respirou fundo e me olhou - Quero dizer, justo agora com o Andrew...
- Pai, ela não está falando comigo, vou mandar uma mensagem avisando e quando voltar tentarei resolver esse problema. - dei de ombros - Eu não posso ceder aos gostos dela.
- Não é questão de ceder, filho, vocês precisam conversar. - Meu pai colocou a mão em meu ombro - Vou tentar preparar o terreno pra você.

Assenti e meu pai voltou a falar de negócios. Ele estava preocupado por esse tempo que havia tirado para focar em Andrew e em como adaptar minha nova vida, mas meu pai era muito compreensivo e sabia que tudo o que eu estava fazendo era da melhor maneira possível. Jamais abandonaria minha carreira, então estava pronto para voltar.
Mesmo conversando por horas com meu pai, minha cabeça ainda ouvia falando inúmeras vezes sobre os pais de , em como ainda existem pessoas tão tradicionais que acabam barrando a vida dos filhos para saciar uma vontade ou sei lá o que, inexistente.

Disse para e meu pai que iria pra Acton no feriado, mas não faço ideia se o certo a fazer seria isso, talvez deixar contar a verdade ou simular uma separação fosse o correto, levando em conta que ela já nos colocou em problemas demais.
Porém, a maior parte de mim queria evitar problemas para Andrew e depois do que disse sobre a família Avery, eu estava pensando em uma coisa que com certeza iria surtar e mesmo aceitando, traria consequências para nós, mas eu não sabia dizer se tais consequências seriam tão ruins. Eu precisava conhecer a família Avery e constatar tudo o que havia dito. Eu faria isso.


Domingo
P.O.V.


Coloquei a última caixa no quarto, respirei fundo sentindo minhas mãos um tanto trêmulas, era oficial, eu estava começando minha vida. havia me presenteado com a cama e todos os móveis para o quarto do Andrew e eu nem queria pensar na luta que teria para fazê-lo se acostumar a dormir no quarto sozinho, mas sabia também que não dava mais pra ficar adiando isso. Por sorte, o apartamento era semi mobiliado, então muitas coisas eu poderia ir comprando por partes, sem me alarmar.
e estavam atoladas de trabalho e não podiam me ajudar hoje, estava no local do primeiro show da tour, estava sabe Deus onde, não havia conseguido falar com ele então minha opção foi deixar Andrew com a Steph, pelo menos teria tempo para deixar os quartos em ordem, já que pretendo estar definitivamente aqui até quarta feira.
Meu celular tocou me fazendo procurá-lo no meio das dezenas de roupas do Andrew espalhadas pelo chão, até encontrá-lo, havia parado de tocar. Havia algumas chamadas perdidas, mas a última era uma chamada de , logo em seguida uma mensagem avisando que chegaria mais tarde em casa, as coisas estavam muito corridas e pediu para que eu enviasse os e-mails agendados para os patrocinadores.
Caminhei até a sala e busquei o tablet em minha bolsa, verificando na caixa de e-mail e despachando para seus destinatários. Ouvi batidas na porta e respirei aliviada, havia pedido um almoço, já que não conseguia cozinhar nada por aqui, não havia comprado mantimentos ainda.

- ? - franzi o cenho ao vê-lo parado na porta.
- Vi uma chamada perdida sua havia avisado que você estava por aqui hoje. - deu de ombros e foi entrando - Aconteceu alguma coisa?
- Preciso lembrar que agora você mora a duas quadras da sua casa. - fechei a porta devagar, oscilações de humor do eram as piores - Não, eu precisava que alguém ficasse com o Andrew, estou arrumando as coisas e com ele aqui não teria como.
- Desculpe, eu estava em uma reunião e não podia atender. - ele colocou as mãos na cintura e me olhou - Deixou ele com quem?
- Steph estava livre. - caminhei até a cozinha, pegando o tablet novamente - Se quiser pode pegá-lo, vou demorar um pouco aqui.
- Não dá, preciso fazer uma videoconferência com o Tom, passo para vê-lo mais tarde. - Disse e parecia curioso, medindo cada espaço do apartamento.
- Faz muito tempo que não vejo o Tom. - sorri me lembrando do empresário de - Ele continua preguiçoso?
- Não, mas estou com menos trabalhos, então uma videoconferência anda resolvendo as coisas. - puxou uma cadeira e sentou-se - Ele ainda não sabe que Andrew é seu filho.
- E você pretende contar quando? - Arqueei a sobrancelha e o olhei de canto.
- Não pensei nisso ainda. - respirou fundo - , você vai pra Acton na quinta em qual horário?
- Se tudo correr bem, pela manhã, , preciso ver como a tour vai estar. - puxei uma cadeira e sentei-me também, ainda com os olhos no tablet.
- E voltam no domingo? - começou a mexer na toalha de mesa, parecendo analisar as informações.
- Não sei, vamos à programação, - sorri de canto ainda sem olhá-lo - Quinta tem o jantar do meu pai, sexta como é feriado tem almoço em família e a noite os fogos, sábado gostaria de levar Andrew nas barraquinhas da cidade à noite e domingo se minha mãe não inventar nada, podemos voltar. - cruzei as pernas embaixo da mesa e sorri lembrando da minha mãe.
- E seria domingo que você contaria tudo pra sua mãe? - ele pigarreou - No caso, sobre nós.
- Provavelmente, não quero estragar toda essa programação. - suspirei alto - Esse e-mail que a escreveu para o marketing está horroroso, por Deus!
- , eu vou com vocês.

Arregalei os olhos e por um momento parecia que eu não respirava direito. Deixei o tablet sob a mesa e olhei que estava com a feição séria e não parecia estar brincando.

- Desculpe o quê? - franzi o cenho, ele não tinha motivos para ir comigo.
- Eu acredito que esse não seja o momento certo para você contar a verdade para seus pais, nós estamos começando a lidar bem com isso e eu não acho que ter sua família contra nós será benéfico para o Andrew. - disse calmo, como se estivesse explicando isso para o próprio filho.
- espera. - balancei a cabeça e voltei a olhá-lo - Você está dizendo que é pra continuar mentindo?
- Não exatamente. - coçou a nuca - Estou dizendo que esse não é o melhor momento para contar a verdade e muito menos simular uma separação.
- Ok, deixa eu ver se estou entendendo. - coloquei o tablet no canto da mesa e estiquei as mãos sob o móvel - Você não quer que eu fale para meus pais a verdade e nem que eu simule uma separação, pois acredita que isso vá gerar mais problemas para nós.
- E afetará o Andrew. - disse e olhava minhas mãos fazerem gestos desconexos sob a mesa.

- Tudo bem. - ri de nervoso - E você quer ir por quê? Se eu não vou precisar falar nada, posso apenas dizer que você está muito atarefado e não pôde ir nada diferente do que falo há meses.
- Eu confirmei para sua mãe que estaria presente, . - disse firme - O mínimo que posso fazer é honrar minha palavra.

- , - levei as mãos à cabeça - E o que eu vou dizer? Aliás, são quatro dias, como isso vai funcionar? Eles vão notar de cara que não somos um casal.
- Nós podemos fingir que somos. - Disse tão calmamente que quis dar um soco na cara dele.
- Você bebeu? Fumou alguma coisa? Tá alucinando? - me levantei nervosa e fui até a sala - Você só pode estar brincando comigo!
- Então você prefere que eu vá, transpareça que tudo isso é uma farsa e seus pais descubram tudo? - Ele já estava na sala comigo, eu não estava acreditando na proposta que acabara de ouvir.
- , - respirei fundo - Não vá! Não há necessidade alguma da sua presença.
- Agradeço o carinho, . - sorriu debochando - Não pense que eu estou gostando da ideia, estou pensando em Andrew, apenas nele.
- O que você acha que vai acontecer com o Andrew? Acha que meus pais são que tipo de pessoas? - cruzei os braços e olhei parado no meio da sala.
- Me diga você, . - deu alguns passos até mim - O que você acha que vai acontecer quando contar pra sua família tradicional que você teve um filho e o próprio pai não ficou sabendo?

Engoli seco. Lembro-me de contar pouco sobre minha família para , mas o pouco dito era o bastante pra saber o quão controladores eram e os poucos minutos de e o senhor Jacob no aeroporto foram o bastante pra notar que meu pai seguia à risca a linha tradicional. Claro que eu não era o exemplo de filha, meu pai nunca disse uma única vez que tinha orgulho de mim e não perdia a oportunidade de jogar na cara a boa estabilidade de minhas primas na vida pessoal, já que se casaram com caras renomados na cidade e eram exemplo. Avery nunca havia se encaixado naquilo.

- Eu não contaria isso. - disse um tanto baixo - Estava formulando uma separação, acho que já é o suficiente.
- Do nada? Depois de eu ter falado com sua mãe e confirmar que estaria no jantar? - cruzou os braços e sorriu de canto. Aquele maldito sorriso.
- Por que raios você confirmou presença? - grunhi em direção a ele que apenas sentou-se no sofá e me olhou.
- Por que raios você disse a eles que estamos noivos? - me rebateu certeiro. Touché.

Me joguei no sofá ao lado de e me calei. Era sim uma sinuca de bico. Óbvio que meus pais desconfiariam se eu chegasse lá sem o , eu sempre dei um jeito de fingir que era presente na vida do filho, às vezes dava o telefone para um dos meninos da boyband que cuidava atender, se era chamada de vídeo, colocava uma voz masculina ao fundo, até mesmo da TV e fingia que era no telefone com alguém, durante as visitas fingia que estava em tour ou em qualquer canto do mundo fazendo qualquer coisa e claro, me tornei expert em montagens de photoshop. Eu merecia um prêmio.

- , eu não estou dizendo para você nunca falar, apenas acredito que agora não é o melhor momento, uma briga familiar agora afetaria Andrew de muitas maneiras. - se pronunciou e fechei os olhos. Obviamente Jacob Avery ficaria sem querer saber do neto por alguns meses e Grace jamais iria passar por cima de uma ordem do marido.
- Eu não acho uma boa ideia, desculpe. - fui franca, no momento qualquer coisa seria melhor do que levar para Acton.
- Não é uma boa ideia. - pude ouvi-lo bufar - Mas é uma saída no momento.
- Eu preciso analisar isso. - passei a mão pelos cabelos, era loucura!
- Se você encontrar outro jeito, me avise. - levantou-se e colocou as mãos nos bolsos - Eu não quero isso tanto quanto você.

Revirei os olhos e pude vê-lo sair do apartamento. Disse algo como “passo mais tarde ver o Andrew.”
Era uma piada, claro! Alguma força sobrenatural estava tirando onda com a minha cara e fazendo essa palhaçada comigo, só isso explica!
Isso não está acontecendo, não está!

- Pelo amor de Deus, Zac não entendeu até agora o que eu vim fazer aqui. - entrou no apartamento rapidamente.
- Me desculpa, eu precisava falar com alguém e pensei em você imediatamente. - Fechei a porta vendo minha amiga observar o local.
- Que apartamento bacana, ! Incrível! - ela sorriu e me olhou - Se mudou quando?
- Ainda não me mudei, na verdade. - sorri nervosa - me ajuda!
- Misericórdia, respira! O já descobriu sobre o filho, certo? - ela perguntou e assenti, havia contado a ela na época que ficou sumido por uns dias - O que pode ser pior?

Acabei contando tudo, estávamos na cozinha e aproveitei que o almoço havia chegado e dividi com minha amiga que deixou a filha e o noivo em casa depois de uma ligação desesperada minha. Surtos. Eu havia tido vários surtos desde que fiquei sozinha no Canadá, a ideia de estar fazendo a maior besteira da minha vida era frequente e me dava surtos diários. Pensei que depois que estivesse na história, tudo se ajeitava e nunca na vida imaginei que ele seria motivos para novos surtos. Doce ilusão.

começou a rir, aliás, gargalhava alto.

- Lembra quando eu disse pra você usar sua vida e vender pra uma editora? Use isso. - disse entre risos e bebeu um pouco d'água antes de prosseguir - , o que quer que eu te diga?
- Que isso é loucura e não pode ser feito, porque não pode ! - gesticulei com as mãos e ela apenas sorriu largamente.
- Você tem solução melhor? - arqueou a sobrancelha e neguei - sabe das coisas que seus pais já fizeram?
- Algumas coisas, mas não que eles me excluem da família se eu for separada. - dei de ombros - Nunca pensei que um dia precisaria apresentá-lo como meu noivo.
- , você criou uma bola de neve quando descobriu a gravidez, isso são apenas resultados. - ela colocou sua mão na minha - Você sabe que seus pais seriam terríveis se soubessem a verdade.
- Eu sei, mas eu vou ter que contar em algum momento, não vou?
- Sim, com certeza, mas você acabou de voltar pra New York, acabou de contar pro sobre o filho, acabou de pegar um apartamento pra retomar a vida. - apertou minha mão - Tá vendo a quantidade de “acabou” que eu disse? É tudo muito recente, muita coisa pra tentar resolver ao mesmo tempo.
- , eu sei! Mas envolver minha família no meio disso é demais! Acredito que eu só vou estar adiando um problema. - tentei me justificar, eu não estava pronta para enfrentar isso com ao meu lado.
- Concordo, mas eu acho que depois que esse turbilhão de coisas passarem, você vai ter mais coragem de enfrentar seu pai, talvez você precise passar por isso para resolver de uma vez! Ele não pode simplesmente esquecer que tem uma filha e um neto porque o relacionamento dela não deu certo, os tempos são outros, e você precisa ter mais amadurecimento para enfrentar essa parte da sua vida. - me olhava firme. Meus pais realmente eram a maior barreira que eu enfrentava a vida toda.
- Fingir que sou noiva do ? Isso é absurdo! - pigarreei - Quero dizer, fingir com ele do meu lado é insano!
- Você está é com medo do que vai sentir. - torceu o lábio - Sabe minha crise de riso quando você terminou de falar? É porque eu sei como ter um filho me deixou mais forte pra umas coisas e mais “pamonha” para outras - fez aspas com as mãos.
- Ah, não! Você também veio chapada pra cá? , esse é o menor dos problemas, porque e eu estamos nos aturando por pura obrigação!
- , tá bom, você pode falar o que quiser! - levantou-se - Já que não corre esse risco, qual o problema de ter um teatrinho por quatro dias na frente dos seus pais?
- O problema é o que vai acontecer depois, , você não está me ouvindo? - grunhi e cruzei os braços.
- Você não está SE ouvindo? - deu ênfase ao dizer - , se você acha que ir lá e simular uma separação vai dar certo, vá e faça isso! Aguente o tranco! Segure a barra de ter uma carreira se reiniciando, seus pais te ignorando e te deixando sem nenhuma estrutura familiar, um filho que não precisa passar por nada disso e seu psicológico mais ferrado do que já está! É uma escolha sua.

me calou. Era uma verdade que eu nunca tive uma boa estrutura familiar, mas as poucas vezes que tinha minha mãe por perto, me faziam ter força para continuar qualquer coisa que eu começava e o jeito turrão do meu pai me fazia rir, já que ele sabia que eu havia chegado muito longe e apenas não dava o braço a torcer. Seria sim muito difícil aguentar os julgamentos e a ausência deles logo agora em que tudo começava a se encaixar. Já estava me ajeitando financeiramente, profissionalmente e minha vida pessoal era a única coisa que estava plena desde sempre.

- Que ódio! - revirei os olhos, eu não tinha muita escolha.
- Você está com raiva por ter que dar razão ao , isso é compreensível. - riu - São só quatro dias, amiga.
- Vão parecer quatro anos. - bufei - Eu poderia não ir, mas aguentar meus pais aqui em New York não é uma opção.
- Ainda bem que você tem noção disso. - sorriu - Depois do feriado, você pode ir comigo ajudar na escolha do vestido?
- Como assim, já? - arregalei os olhos - Vocês já marcaram uma data?
- Não exatamente, mas planejamos para daqui um ou dois meses! - ela bateu palmas, animada.
- Como assim, não exatamente? - balancei a cabeça rindo - Explica isso.

sentou-se novamente, animada, começou a explicar que eles já estão morando juntos e desde que decidiram oficializar a união, ela começou a organizar as coisas sem uma data definida, afinal, não iriam se casar na igreja, seria algo mais íntimo, na casa de campo dos pais da e Zac apenas disse que quando tudo estivesse organizado, escolheriam uma data. Doidinhos, como sempre.
por fim acabou me ajudando a arrumar as roupas do Andrew na cômoda enquanto eu organizava as prateleiras com alguns dos milhões de brinquedos que o pequeno tinha.
Nem vi a hora passar, me deu carona até o apartamento de e comecei a pensar se pegava Andrew antes de tomar um banho ou depois. Meu corpo realmente pedia um longo banho.


FLASHBACK


Beijar meu chefe foi a pior coisa que eu poderia ter feito nessa vida, mas eu me sentia tão bem! Fazia quase um mês que eu havia me atracado, no bom sentido, com no escritório. Acreditei que depois do beijo ele largaria do meu pé, mas os jogos foram ficando cada vez mais excitantes. Não havia tido o prazer de dormir com ele, não ainda.
Além de adorar joguinhos, eu sabia que depois da transa, eu seria apenas mais uma que dormiu com o chefe, mas sabia também que ele não me esqueceria tão cedo após tal acontecimento.
Acertei em cheio quando depois do primeiro beijo, ele me cercava sempre que podia e todos os beijos às escondidas estavam me deixando um tanto zonza demais. Ele era um cara extremamente sexy e era compreensível que várias mulheres se deixassem levar, mas eu me garantia nesse quesito, gostava de me fazer de difícil e deixá-lo a ponto de bala na maioria das vezes, o que me fazia rir.
Meu corpo reagia naturalmente em todas às vezes que estávamos a sós, o seu toque era incrível e eu me esforçava na maioria das vezes pra não ser pega olhando-o com desejo, já que não queria descer do salto.
Hoje era nosso dia de folga e diferente dos outros, me perguntava se depois de ficar semanas a fio vendo-o todos os dias, não sentiria falta da sua presença e provocações diárias, mas não demorei muito a descobrir.
havia me mandado mensagens pela manhã, mas comecei a responder apenas a noite, estava muito focada em descansar para iniciar a rotina de gravações da nova série que finalmente havia sido convidado a gravar, porém meus sonhos com ele foram quentes demais e agora eu realmente estava pensando em outra coisa...

: Aproveitou seu dia de folga?

: Muito! Dormi o dia inteiro…

: Wow, sonhou comigo?

: Na verdade sim...

: Hm... Você poderia me contar como foi...

: Poderia, mas...

: Oh, c’mon, ... Sem “mas”...

: Você anda muito curioso, chefe! Hahaha.

: Você disse que sonhou comigo,
acredito que querer saber como foi não seja nada demais
a não ser que…


: Que? Hahaha

: Quem está curioso agora? RS Vamos jantar?

: Adoraria, mas acabei de abrir uma garrafa de vinho e estou curtindo essa vibe.

: Vinho me trás boas lembranças… qual você está bebendo?

: Hm...

Eu jamais iria perder a chance de jogar. Estava usando meu pijama de seda, que era apenas um short curto e uma blusinha praticamente transparente, vermelho. Estiquei as pernas no sofá e posicionei a garrafa de forma com que aparecessem minhas pernas completamente e um pouco da minha barriga, sabia que isso traria consequências e eu estava doida para tal. Tirei uma foto e enviei para .

: ... Belas pernas...

: Obrigada, querido…

: Pijama de seda? Você está me surpreendendo.

: Oh, ! Isso é de extrema importância.

: Sem deboches, querida, estamos indo tão bem…

enviou uma imagem.

E aquela visão era melhor que a dos meus sonhos. mandou uma foto dele sem camisa, de frente para o espelho, com uma taça vazia em mãos. Ri ao ver, mas desci o olhar por cada pedacinho descoberto de sua pele. Sua bermuda estava um tanto baixa e aquelas entradas em sua virilha me fizeram morder o lábio e agradecer por ter um chefe tão gostoso como aquele!

: Minha taça está vazia...

: Hm… isso é triste! Acho que você vai ter que vir aqui pra eu poder enchê-la!

: , não brinque comigo...

: A garrafa não vai ficar aqui a noite toda, !

Não me respondeu mais e meu coração começou a bater mais rápido. Eu sabia que naquele momento ele estava vindo até mim. Não morávamos muito longe, mas eu com certeza não tinha mais tempo de mandar uma mensagem cancelando e na verdade nem queria. Dessa vez quem estava imaginando e seus toques era eu e escapar dele em todas as oportunidades já estava se tornando uma tortura. Interfonei para o porteiro, avisando que poderia subir se aparecesse, ainda tinha minhas dúvidas, porque talvez, ele estivesse brincando comigo, apenas para saber até onde eu estava disposta a ir.
Em menos de 30 minutos a campainha tocou e minhas pernas trêmulas dificultaram meus passos até a porta. Sabia que era ele, sabia que amanhã provavelmente ele me trataria como tratou as outras, mas eu o queria e o queria muito!
Abri a porta e aquela perfeição estava parado no corredor, tinha a taça vazia nas mãos. Usava uma camisa de botões toda aberta, a mesma bermuda da foto, tênis e um olhar que me fez perder o foco por alguns segundos. Pude notá-lo medir meu corpo e passar a língua pelos lábios rosados.

- Deixou um pouco de vinho pra mim? - perguntou arqueando uma das sobrancelhas e deu alguns passos, entrando em meu apartamento.

Não queria falar, não dessa vez. Puxei-o pela camisa e ouvi a taça cair no chão.
O beijei com tanta intensidade que minhas pernas chegaram a vacilar e acredito que teria caído se suas mãos firmes não tivessem me segurado pela cintura. fechou a porta com um dos pés enquanto eu tirava sua camisa que estava ali como mero enfeite.

FIM DO FLASH BACK


Continua...



Nota da autora: Hey! Esse flash back desses dois me deixou toda desconsertada. HAHAHAHA E essa proposta do PP pra ir junto visitar os pais da PP no feriado, o que vocês acharam? Ela vai encontrar outra alternativa? Falando em família, pq o pai do PP é tão fofo e compreensivo? EU AMO UM PAI! <3 HAHAHAHA
Gente, vou fazer o possível pra enviar mais um cap ainda esse mês.
Agradeço MUITO se deixarem um comentário e se entrarem no grupo do face, é muito legal ver a carinha das leitoras por lá!
Obrigada por dar uma chance à Please Have Mercy.
Aguardo vocês no CAP 12! <3





Todo mundo vê que esse não casal, é um casal, só eles não veem. Ai ai ai. Confesso que tinha um recadinho que eu não sabia se era para colocar na nota, entre o sim e o não, não coloquei, mas guardei no coração. =^.^= Vem Cap. 12!!

Qualquer erro nessa fanfic ou reclamações, somente no e-mail.


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