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Última atualização: 29/07/2020

Capítulo 1



O campus da UCLA era uma maravilha em tardes ensolaradas como aquela. Os alunos se espalhavam pelo gramado verde e aproveitavam o intervalo entre as aulas, como eu estava fazendo naquele exato momento. Só que, diferente das pessoas normais, naquele dia eu havia me sentido inclinada a escalar uma das árvores enormes que se espalhavam pelo campus. O galho onde eu estava sentada parecia bem firme de onde eu o observei minutos antes e, acomodada ali em cima, tive a confirmação.
Era legal observar tudo de lá e se algum dia eu precisasse espionar alguém, com certeza seria para aquele lugar que eu iria. A árvore tinha uma vista ótima e se eu estivesse com um binóculo, ficaria melhor ainda. Daria até para ver as salas do primeiro andar do Royce Hall. Infelizmente, eu não tinha motivo para espiar nada lá. Teria, se meu professor de história da dança tivesse aula ali para poder descobrir os podres dele e ameaçá-lo a me dar alguma nota quando eu precisasse, já que era a única matéria que estava me fodendo.
De qualquer forma, não estava ali para espionar ninguém. Precisava dar pelo menos uma lida no artigo para o teste de história da dança, que seria em meia hora. Eu ainda não tinha nada para fazer o Sr. Rogers me dar nota então não dava para contar com a sorte. Abri o arquivo com o que eu tinha para ler e onde tinha parado na última vez, mas mal terminei a parte sobre dança contemporânea antes da minha mente viajar para a coreografia que eu estava pensando para a prova final daquela disciplina.
There must be something in the water, cause everyday it's getting colder and if only I could hold ya... — comecei a cantarolar, os olhos fechados enquanto minha mente vagava.
Imaginar a prática era tão mais legal do que ter que aprender história da dança. Continuei cantarolando a música, às vezes fazendo uns movimentos com os braços, como na coreografia que eu estava imaginando. Quem me visse ali em cima iria, definitivamente, me chamar de louca.
— Como você subiu aí?
Eu estava tão concentrada nos passos criados na minha cabeça enquanto cantarolava desafinada a música da apresentação, que por um momento jurei que a voz tinha vindo da minha mente, mas não fazia o menor sentido, então abri os olhos e dei uma olhadinha lá para baixo, encontrando a fonte da voz. Um cara estava parado ao lado da árvore, semicerrando os olhos enquanto olhava para cima.
— Eu voei — respondi, num tom brincalhão. — E você? Como chegou aí?
— Você voou? Sério? — ele soltou uma risadinha. — Bom, eu só andei mesmo. — deu de ombros, me olhando com cara de quem queria rir novamente.
— Voei — assenti, segurando um sorriso. — Sou outra prima perdida do Superman, sabe? Só preciso erguer os braços e tô nos ares!
Para efeito, ergui os braços da forma que o Superman fazia sempre que ia voar, então ri porque devia estar parecendo meio louca, o que eu realmente era.
— Mas não conta para ninguém, tá? — levei o indicador aos lábios, indicando para ele manter segredo.
— Caramba! Eu sou super fã do Superman, será que você me consegue um autógrafo dele? Melhor, já quero um seu também, se não for pedir muito — soltou, com um meio sorriso ao entrar na brincadeira.
Soltei uma risada com sua resposta, adorando que ele tinha entrado na zoeira. Me inclinei um pouco para o lado e semicerrei os olhos, tentando descobrir se já tinha o visto por aí, mas duvidava. Ele era lindo demais para ter passado despercebido por mim. Seu cabelo castanho era levemente cacheado, batendo no queixo que combinava muito bem com sua barba fechada. Ele era exatamente o tipo de cara que eu cairia em cima em uma situação normal.
— Olha, o Superman é meio ocupado com esse lance de salvar o mundo e tudo, mas vou ver o que eu consigo — garanti, tentando me manter séria. — Quanto ao meu, eu dou sim! É muito bom ser reconhecida. Meus primos levam toda a fama. — revirei os olhos, como se isso fosse um estorvo.
— Juro que se você conseguir, vou te recompensar por isso — seu tom de voz pareceu um tanto sugestivo. — É sério? Desse jeito eu to achando que quem merece a fama é só você. Fiquei até tentado a ficar só com o seu autógrafo mesmo — piscou para mim e seu sorriso aumentou.
— Vai me recompensar? Gosto de como isso soa. Que tipo de recompensa você tem em mente? — mordisquei o canto da boca, não resistindo a maliciar isso. — Não é querendo me gabar, mas eu sou praticamente a mente por trás dos dois. Meu autógrafo vale mais do que você pensa. — Dei uma piscadinha para ele, mas não achava que dava para ele enxergar lá embaixo.
— Com certeza, vou. Que tal a gente se conhecer melhor e aí eu te mostro como vai ser essa recompensa? — pela forma como me encarou de volta, com certeza ele havia maliciado também.
— Gostei da sua proposta, vou aceitar — admiti. Definitivamente, iria querer conhecê-lo melhor.
— E já que você me contou um segredo seu, vou te contar um meu. Na verdade, eu sou o lobo mau. Estava andando por aqui à procura de alguma vítima indefesa — diminuiu um pouco o tom de voz, como se realmente estivesse me contando um super segredo. Arregalei meus olhos e um riso mal contido acabou escapando.
— O lobo mau? Uau! Tá perdido aqui no campus? Vem cá, o lobo mau só ataca garotas inocentes, né? Porque se for, eu sou uma peste.
— Esse lobo mau aqui é meio diferente. Na verdade, prefere meninas malvadas que ficam penduradas em árvores.
— Oh, oh… — abri a boca como se estivesse horrorizada. — É tarde demais para dizer que eu sou uma boa garota? A própria Chapeuzinho. Levo até doces para minha melhor amiga de vez em quando. Lobos não escalam árvores, né? — Uma risada mais alta ecoou com a minha tentativa de parecer uma boa garota.
— Ah, é mesmo? Sinto muito, Chapeuzinho, mas é tarde demais sim. Agora o lobo mau já sabe a verdade e vai é querer te devorar. Não escalamos árvores, mas será que vou ter que assoprar essa para te ver melhor?
Meu pescoço estava começando a doer por ficar olhando para baixo, assim como minha bunda por estar sentada em um lugar tão desconfortável. Eu devia descer logo e aproveitar para dar uma conferida melhor no lobo mau lá embaixo.
— Poxa! Mas tudo bem, consigo lidar. É muito errado eu ter achado esse “devorar” muito tentador? — retorci os lábios, em um biquinho culpado. — Ah, não, por favor. Não quero arriscar um osso quebrado caso esse seu sopro derrube a árvore. Desço de bom grado para a morte iminente.
Guardei o celular de volta na minha bolsa e a larguei na grama, torcendo para nada quebrar lá dentro. Olhei para baixo novamente e descer parecia muito mais difícil do que subir, mas com algum contorcionismo e me agarrando ao tronco da árvore, consegui chegar quase ao fim da árvore que nem era tão alta. Fui colocar o pé no buraquinho perfeito que o tempo havia feito na madeira, mas meu sapato derrapou e eu tombei de costas no chão. Puta merda!
O ar fugiu dos meus pulmões por um momento e fechei os olhos como se fosse amenizar a dor, mas, felizmente, eu já estava mais perto do chão e o impacto não foi tão ruim quanto poderia ter sido. Abri os lentamente e perdi o ar de novo quando vi o lobo mau pairando ao meu lado. De perto, ele era ainda mais bonito. Seus olhos eram castanhos como eu imaginei que seriam e era uma combinação matadora com o resto dele.
— Tá me vendo melhor agora, Seu Lobo? — zoei, abrindo um sorriso.
— Você está bem, Chapeuzinho? — questionou, em um tom preocupado. — Estou vendo melhor sim. Muito melhor, eu diria. Se você não tivesse me contado que é uma super heroína, acharia que é uma fada, de tão bonita que é — elogiou, retribuindo meu sorriso.
— Chapeuzinho? — arqueei uma sobrancelha com o apelido, achando divertido. — Ah, tô bem. Já caí de coisa pior. — balancei a cabeça em descaso e me sentei na grama, testando se nada estava realmente doendo. — Fada e super heroína? Por que não ser duas em uma? Mas muito obrigada. Você não é nada mal para um lobo também.
“Nada mal” era um grande eufemismo, mas tudo bem. Levantei da grama e bati na bunda para espantar algum resquício de grama que pudesse ter ficado preso no meu jeans, depois me voltei novamente para o cara, parando na frente dele. Agora dava pra notar que ele era alguns centímetros mais alto que eu, mas nada gritante.
— Posso saber o nome do lobo com cara de pirata, que tava tentando me devorar ainda agora? — questionei, suavemente, botando as mãos na cintura.
Não fazia ideia de onde o “pirata” tinha saído, mas ele definitivamente seria um ótimo. Ele tinha um ar de encrenca e um brilho arteiro no olhar. Com certeza seria um bom pirata, apesar da minha aleatoriedade com esse pensamento.
— Para provocar o lobo como você está fazendo, só pode ser a Chapeuzinho mesmo — respondeu, quando questionei meu apelido. — Pirata? Bem que eu sempre quis ter um navio estilo o de Piratas no Caribe, sabe? — sorriu, parecendo perceber a minha análise sobre ele e pelo jeito que seus olhos desceram em mim, o rapaz fazia o mesmo comigo. — . E você, Chapeuzinho, como se chama?
— Então parece que eu sou a Chapeuzinho sem o vermelho — ri, achando a situação toda cômica. — Nunca tentou roubar um, não? Aqui é Los Angeles, certeza que você deve encontrar. — o pior é que a imagem dele a la Jack Sparrow em um navio pirata parecia muito boa. Muito boa mesmo. — É um prazer te conhecer . A Chapeuzinho aqui também é conhecida como .
— Chapeuzinho das árvores, talvez? — ele riu junto comigo. — Seria o máximo, não é? Sempre tive vontade de roubar um e sair explorando os mares, mas sinto que não é algo para se fazer só. De repente, com a parceria certa… — sugeriu, mantendo um meio sorriso nos lábios. — O prazer é todo meu, .
— Chapeuzinho das árvores? Gostei — testei o apelido, decidindo que fazia sentido. — Deve ser incrível. E isso é você me convidando para ir explorar os mares com você? Porque se for, eu aceito. Nunca recuso esse tipo de convite de um lobo meio pirata que acabei de conhecer. Mas quero ser co-capitã, ok?
Era engraçado estar tendo esse tipo de conversa com alguém que eu conheci praticamente agora, até pra mim que não era tímida e tinha conversas nesse nível com minha melhor amiga. Mas ele exalava um ar de diversão e tinha um sorriso tão fácil que era impossível não se sentir à vontade e entrar na onda.
— Posso te confessar mais uma coisa? O meu sonho é navegar em um navio desses, atracar em uma ilha paradisíaca e nadar pelado no oceano — segredou, abaixando um pouco o tom de voz, de forma que tivemos que nos aproximar mais um pouco para que eu pudesse ouvi-lo bem. — Com certeza foi um convite. Ter uma co-capitã sexy como você vai ser melhor do que qualquer coisa que já imaginei.
— Nadar pelado é bem libertador, ainda mais em águas transparentes como as da Tailândia — falei baixinho também, não resistindo a dar uma olhada no corpo dele, o imaginando pelado. Era uma visão que iria adorar ver. — Convite super aceito, lobo pirata. Precisamos de um plano para conseguir o navio, né? Depois dessa ideia, continuar nadando pelada na piscina daqui não parece mais suficiente.
— Tailândia. Está aí um lugar que sou doido para conhecer. Vamos já colocar na lista de lugares por onde passar — ele respondeu, antes de erguer uma sobrancelha ao ouvir o que eu disse em seguida. — Você nada pelada na piscina do campus? Bom saber. Temos que planejar minuciosamente esse roubo — umedeceu os lábios.
Não vou negar que foi ótimo ver o brilho de malícia no seu olhar quando mencionei sobre a minha falta de roupas ao nadar na piscina do campus, o que não era nenhuma mentira. A água aquecida à noite era muito boa e nunca havia sido surpreendida com ninguém lá. Era bom saber que eu não era a única imaginando o outro pelado.
— Vou colocar como primeiro destino da lista — desenhei um sinal de “check” no ar. — A piscina do campus fica uma delícia à noite, não dá para resistir. Ainda mais quando eu tenho a chave. Você devia testar algum dia desses. — sorri inocentemente com a sugestão, piscando os cílios. — Com certeza. Planejar esse roubo vai implicar várias reuniões e noites adentro pensando nos detalhes, presumo.
— Ótimo. De lá, a gente segue para Filipinas e Austrália, o que você acha? — ele continuou, como se não tivéssemos acabado de nos conhecer. — Com você nadando lá eu tenho certeza de que fica mesmo. Pode ser que um dia desses eu teste mesmo, já que você tem a chave — retribuiu meu sorriso de forma enviesada. — Ah, isso vai mesmo. Eu acho que a gente poderia começar essas reuniões o quanto antes. Que tal amanhã à noite?
— Eu acho ótimo! Sempre quis surfar na Austrália mesmo que eu nem saiba como ficar em pé em uma prancha — ri, lembrando dos campeonatos de surfe que eu assistia e se passavam em Sydney. — Pode aparecer, vou adorar companhia. — passei a ponta da língua entre os lábios, encarando os olhos escuros de . — Marcamos para amanhã à noite então! E onde a gente vai fazer essa reunião?
— Conta saber ficar deitado na prancha? Se contar, podemos surfar também — o vi rir de volta enquanto seu olhar parecia indeciso entre encarar meus olhos ou minha boca. — Eu vou aparecer mesmo, viu? — e ali seus olhos se demoraram em meus lábios. — Fechado! Me diz onde é o seu dormitório, aí eu passo lá e a gente decide onde vai ser.
— Saber ficar deitado na prancha já é alguma coisa — lancei um olhar arteiro em sua direção. — Eu vou estar esperando — garanti, mordendo o inferior da boca enquanto minha mente viajava com a ideia desse encontro na piscina. — Moro no Hedrick Summit, dormitório 505. Tenho ensaio até às 20h, mas depois disso eu sou toda sua! Digo, do nosso plano.
Eu me considerava uma pessoa impulsiva e às vezes até sem noção, mas nunca tinha tido uma conversa assim com alguém que eu acabei de conhecer - em cima de uma árvore ainda mais -, então não conseguia parar de sorrir. Não que fosse um esforço manter uma conversa com um cara lindo e divertido assim, só era cômico demais. Tínhamos saído de uma conversa inocente para um roubo de navio e outras segundas intenções por baixo da fachada.
— Maravilha. Numa dessas a gente pode até aprender a surfar juntos — o olhar dele era tão arteiro quanto o meu. O vi passar a língua pelos lábios em reflexo ao que eu tinha feito e eu soube ali que nós tínhamos coisas interessantes em comum. — Então às 21h eu passo por lá. Meu plano vai gostar muito de ter você para ele — piscou em minha direção. — Tá sendo um prazer conversar contigo, Chapeuzinho das árvores, mas tenho uma aula daquelas daqui uns… — puxou o celular e soltou uma risada. — Na verdade, eu já to uns dez minutos atrasado, mas ainda quero o seu número antes de ir.
— Não é? A gente vai ter tempo para aprender a surfar nas ilhas paradisíacas do nosso cruzeiro — inclinei a cabeça para o lado, tamborilando os dedos distraidamente pela boca. — Então 21h será! Também vou adorar dar essa atenção para seu plano — pisquei de volta, soltando uma risada quando ele disse que já estava atrasado para aula. — Te dar o meu número é o mínimo que eu posso fazer depois de te atrasar dez minutos.
Estendi a mão para que ele me passasse o celular e quando fez isso, digitei o meu número, salvando o contato “Chapeuzinho ” porque o apelido era engraçado demais para deixar passar.
— Aqui está — entreguei o celular de volta para . — Já pode correr para sua aula com senso de dever cumprido, lobo mau.
— Perfeito. Vou te chamar no whatsapp para você salvar o contato do lobo mau — respondeu, sorrindo de canto ao olhar o que eu havia escrito. digitou por alguns segundos e eu não demorei a receber uma notificação da mensagem dele. — Vou nessa, Chapeuzinho — me encarou e por alguns segundos senti que hesitava em ir. Então o rapaz se aproximou de mim e, tocando de leve minha cintura, deixou um beijo em minha bochecha. — Foi realmente um prazer te conhecer, . Até amanhã. — murmurou, se afastando para me olhar mais uma vez.
— O prazer foi todo meu, — abri um sorriso, observando-o se afastar. — A gente se vê amanhã.
Dei uma última olhada quando ele virou de costas para mim novamente e corri até minha bolsa, passando a alça pelo ombro antes de tirar o celular do bolso da calça para salvar o contato de . Acabei rindo sozinha quando escrevi “lobo mau ” no contato e salvei. Aquela tinha sido a conversa mais louca que eu lembrava de já ter tido em um bom tempo, mas não era nem de longe uma coisa ruim. Eu adorava coisas espontâneas, ainda mais se envolvessem caras bonitos com sorrisos perigosos.
Conferi a hora no celular e meus olhos praticamente pularam quando vi que estava muito perto de chegar atrasada — de novo — à aula da Sra. Williams, que já me tinha em sua lista de odiados desde o primeiro atraso. Segurei firme a alça da bolsa e me apressei para chegar em tempo recorde ao outro lado do campus, onde era minha próxima aula, antes que a coreógrafa queridinha de Hollywood decidisse me expulsar por chegar cinco minutinhos atrasada.


🩰



— Você está atrasada! — Amy me acusou, assim que me aproximei da mesa.
— O cara que tá ensaiando a coreografia comigo chegou atrasado e eu não podia sair antes de terminar — expliquei, me largando na cadeira vazia ao lado dela.
— Tava atrasada pra aula também — Erin mordeu o canudo do milkshake, sorrindo maldosa. — Pra variar. Você devia ter visto o olhar da bruxa, .
Erin estudava comigo e era a fofoqueira do grupo sobre o que acontecia comigo nas aulas da Sra. Williams. Nos tornamos amigas logo de cara e ela se encaixou facilmente no meu grupo de amigos, que consistia em Amy, que dividia o quarto comigo desde o primeiro período, e Mark, o melhor amigo de Amy, que também se encontrou perfeitamente no nosso quarteto codependente.
— Mas eu sempre estou atrasada para a aula da Sra. Williams — fiz uma careta, puxando o copo de milkshake da mão de Erin para tomar um pouquinho. — Parece que o universo conspira contra mim quando sabe que eu tô indo para aula dela.
— Não dei permissão — Erin bateu na minha mão para pegar o copo de volta e eu soltei um grunhido irritado quando ela me privou do seu milkshake de baunilha.
— Ela fez alguma coisa dessa vez? — Amy perguntou.
— Surpreendente, mas não — apoiei os cotovelos na mesa, me inclinando para roubar um cookie de Amy. — Só me deu aquela encarada que daria medo até nos dementadores de Harry Potter e eu senti nas minhas costas porque não ousei olhar diretamente para aqueles olhos de Medusa.
— É pior do quando ela faz alguma coisa — Erin estremeceu. — Mas atrasou por que dessa vez?
— Encontrei um lobo no campus — respondi, casualmente, sabendo que minhas amigas ficariam confusas.
— Um lobo na UCLA? — Amy arqueou uma sobrancelha. — Eu sabia que você trabalhar em um bar não daria nada certo. Me conta, tá bebendo nas noites que você vai fazer bico no The Dome?
Erin riu.
— Infelizmente, não posso beber no expediente — dei uma mordida no cookie de gotas de chocolate e me recostei na cadeira. — A Rose descontaria do que eu ganho, o que já não é muito.
— Então o cheiro do álcool tá afetando o seu cérebro — Erin sugeriu, os olhos azuis brilhando com diversão.
— A amiga de vocês tá longe de procurar um grupo de AA, não se preocupem — falei, de boca cheia. — Eu conheci um lobo no campus, o nome dele é e ele vai passar no dormitório amanhã, o que significa que você precisa ir passear, Amy.
Ela choramingou, afundando o rosto entre os braços na mesa, o que fez o cabelo claro cobrir seu rosto. Tínhamos feito esse trato no primeiro período para podermos levar caras para o dormitório sem problemas e eu já tinha dormido nos sofás das áreas de lazer do Hedrick Summit inúmeras vezes por conta do acordo, assim como Erin já tinha feito o mesmo por mim.
— Ok — resmungou.
— Boa garota — dei três batidinhas na cabeça dela como se fosse um cachorro e recebi um tapa em resposta.
— Você conheceu o cara hoje e ele vai ao seu dormitório amanhã? — Amy arregalou os olhos. — Por que tanto tempo dessa vez?
— A gente nem vai fazer o que você tá pensando com essa sua mente suja — abri um sorriso inocente. — Vamos traçar um plano secreto.
— Um plano secreto com um lobo? — Erin semicerrou os olhos. — Ok, você comprou outro muffin daquele cara de química, que fica perambulando pelo campus? Porque aquilo tem maconha, não lembra de quando o Mark comprou um e chegou chapado à apresentação do trabalho?
A lendária apresentação do nosso amigo nos rendia risadas até hoje. Não estávamos no momento, mas os colegas de classe dele filmaram tudinho e Mark se tornou uma lenda no campus após uma fala cheia de filosofia que citou Madonna, Bin Laden, Ted Mosby, Freud e Stephen Hawking... Na apresentação de um protótipo que ele desenvolveu para uma das disciplinas de engenharia.
— Tô sóbria — garanti, rindo ao lembrar do vídeo. — Mas não vem ao caso, não posso dar muita informação pra vocês, é pra ser segredo.
— Eu nem me surpreendo mais com algumas coisas que você chega falando — Erin balançou a cabeça, desistindo do assunto. — Você vai trabalhar no final de semana?
— Não — lambi os dedos que estavam doces pelo cookie. — O que você tem em mente?
— Vai ter uma gincana de vôlei na praia no sábado — Amy respondeu. — Eu tô precisando desesperadamente de distração, a gente vai, né?
— Eu topo tudo — pisquei para as duas. — Precisa de distração do Taylor?
— Não fala o nome dele, por favor — minha amiga gemeu de desgosto. — Mas sim, é dele.
— Você sabe que o Mark ficaria feliz em quebrar o nariz daquele-que-não-deve-ser-nomeado — Erin sabiamente apontou.
— E eu também — acrescentei. — Já me ofereci faz tempo.
— Acho que castração é a única coisa que me daria paz — ela abriu um sorriso quase sádico.
— A gente pode resolver isso também — Erin mordeu o lábio, pensativa. — Eu tenho meus contatos.
Nós três rimos, mas eu não duvidava nem um pouco. Erin sempre tinha contatos para qualquer situação que precisássemos e alguns desses contatos eram suspeitos o suficiente para que eu acreditasse quando ela dizia que arranjaria um cara para castrar o ex-namorado tóxico da minha colega de quarto.
— Então vamos pensar sobre a castração, mas enquanto isso, vamos distrair a Amy na gincana sábado — decretei, gostando muito da ideia de passar o dia me bronzeando. — Mas a propósito, a gente não devia ir encontrar o Mark quando eu saísse do ensaio?
— Ai, que merda! — Erin quase gritou, empurrando a cadeira para trás. — Ele vai nos matar.
— Contanto que ainda faça o jantar, ele pode me matar depois que eu estiver de barriga cheia — Amy agarrou o último cookie do prato antes de se levantar. — Vamos logo antes que ele desista de fazer a lasanha por conta do atraso como da última vez.
Corri, seguindo as duas porta afora da cafeteria para encontrarmos Mark antes que a boa vontade do nosso amigo de nos presentear com seus dotes culinários fosse para o ralo.


Continua...



Nota da Dany: Olá, lindas! Eu tô tão animada com essa fic que meus olhos ficam como aquele emoji com corações saltando! Surtei de amores quando a Ste e eu decidimos escrever uma história com esse casal que a gente ama tanto e continuarei surtando a cada capítulo porque tenho zero controle sobre minhas emoções. Sou arriada por casais que começam como quem não quer nada, e esses dois prometem brincar muito com meu coração fraco. Espero que vocês gostem e não deixem de comentar o que acharam! Beijos.

Nota da Ste: Olá, loves! Assim como a Dany, eu estou aqui super empolgada por trazer essa história para vocês! Eu sou muito suspeita para falar desse casal porque eles são absolutamente TUDO para mim. A cada interação dos dois eu tenho milhares de surtos e espero que você gostem deles tanto quanto nós.
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