Conversamos com a That, autora do mês de Março. Entre outras fanfics, ela é autora de When I’m Hurt. O papo foi divertido e leve e você poderá conferir na íntegra agora.

Fanfic Obsession: Sabemos que você tem várias fanfics publicadas, mas, sem dúvidas, When I’m Hurt é a mais conhecida entre elas. Quando começou a escrevê-la, você imaginou que ela seria tão bem aceita pelas leitoras?

That: Nunca tinha passado pela minha cabeça que seria bem recebida. Foi tudo num rompante, eu não tinha nada adiantado, era apenas a introdução e o primeiro capítulo, mas eu sabia que se eu não enviasse naquele dia, eu não enviaria mais. No começo foi tudo como eu sempre imaginei, poucos comentários, quase nenhuma repercussão. Só com o passar do tempo e dos capítulos tudo foi mudando, eu passei a receber uma quantidade significativa de comentários por atualização, era “reconhecida” e elogiada na tag quando dizia que era a autora. Mas foi quando eu recebi cerca de vinte e cinco comentários numa atualização que eu vi a proporção que tudo tinha tomado. Bem, vinte e cinco pode não parecer minha coisa comparado com algumas fics que existem, mas para mim… Nossa, para mim foi perfeito.

FFOBS: De onde surgiu a ideia para escrevê-la?

T: A minha ideia inicial era diferente, também era baseada numa música, só que o nome que eu tinha escolhido já estava em uso e eu não consegui pensar em outro. Nesse meio tempo eu vi a música ‘Band Aid’ da Pixie Lott numa fic e me apaixonei. Na primeira vez que eu ouvi, já brotaram milhões de ideias, de cenas, enfim, praticamente surgiu a história inteira na minha cabeça. Então eu adaptei o que eu tinha e transformei tudo naquela loucura que está publicada aqui.

FFOBS: Ainda sobre When I’m Hurt… Você sabia como seria todo o desenvolvimento da história desde o início ou, conforme foi escrevendo, surgiram ideias novas e você acabou mudando o rumo da história?

T: A história mudou completamente de rumo. A principal seria uma mulher mais independente, livre e desencanada por assim, mas como eu sou completamente louca por um drama, eu acabei transformando-a numa pessoa completamente confusa. Quando eu tive a ideia, eu sabia como começaria e como terminaria e agora vocês me perguntem: “E o meio?” Bem, essa foi a parte mais complicada. Eu tinha ideias aleatórias, imaginava cenas soltas e fazer disso tudo uma coisa só, foi uma tarefa árdua. Eu tinha algumas alucinações e depois queimava meus neurônios tentando montar o quebra-cabeça em que a fic se transformou para mim. E quando a história vira numa confusão para a própria autora, as coisas não estão indo por um caminho muito legal, certo? Então eu sentei e planejei tudo o que faltava, amarrei as pontas soltas e tentei deixar tudo da forma mais explicada que eu conseguia. Não sei se fiz um bom trabalho, mas fiquei contente com o resultado.

FFOBS: Algumas autoras de fanfics estão com a ideia de transformar suas histórias em livro e algumas até já fizeram isso. Você já pensou em transformar alguma de suas histórias em livro ou, até mesmo, em escrever algum?

T: Eu tenho um pensamento formado sobre isso, salvando algumas exceções. Em minha opinião fic é fic e livro é livro, não tem como uma fic se transformar num bom livro. Não quero ser polêmica ou desprezar os sonhos das autoras do site, só que eu creio que um livro precisa de um tipo de linguagem e abordagem que as fics não possuem. É óbvio que existem algumas que fogem a regra e eu até tive o prazer de betar uma, só que é algo que demanda de um talento da autora e escrever bem pode depender disso algumas vezes. É claro que uma boa escrita pode ser aprendida, basta ter vontade e disciplina. Se você tem uma ideia e acha que ela pode se transformar num bom livro, guarde-a. (Por favor, não me odeiem por isso!)

FFOBS: Uma coisa é certa: é impossível agradar a todos. Com isso, algumas autoras acabam recebendo comentários negativos em suas fanfics. Você acha que são apenas críticas construtivas ou acha que, às vezes, algumas leitoras acabam pegando pesado demais?

T: Com certeza tem algumas meninas que pegam pesado demais. Há uma enorme diferença entre um comentário negativo que te faz melhorar, que te faz crescer e outro que pode acabar com você. Eu já li fics que não gostei e por isso deixei de comentar, porque eu penso que se eu não tenho algo de bom para acrescentar, eu prefiro deixar tudo o que eu penso na minha cabeça.

FFOBS: Alguma das suas histórias é baseada em fatos reais? Se não, você pensa em escrever alguma desse tipo?

T: A minha vida não é tão legal ao ponto de transformá-la numa história atraente. Acho que escrever sobre como é chato o engarrafamento que eu pego para chegar à faculdade ou o trabalho chato que eu tinha no estágio, não agradaria ninguém. Prefiro deixar minha imaginação fluir e fazer com que ela me leve a lugares inexistentes. Pode parecer meio filosófico ou clichê, sei lá, mas eu acredito que qualquer tipo de leitura tem o poder de te transformar em qualquer coisa. Se eu posso ser uma princesa, uma vampira, uma bruxa ou até mesmo a garota mais popular do colégio por alguns instantes, por que eu vou querer continuar sendo apenas eu? Prefiro ser quem a autora quer que eu seja, é como se existisse mil Thaís dentro de uma só. Esse pensamento é altamente atrativo pra mim.

FFOBS: Falando nisso, você tem alguma outra fanfic em mente para dar andamento e enviar ao site?

T: Tenho sim, na verdade ela já está ocupando espaço no servidor, mesmo parada. (Me desculpe por isso, Gabee.) Só que eu sei que não tenho competência o bastante para dar conta de três fics em andamento ao mesmo tempo, então dei prioridade para as duas mais avançadas e deixar a que está no comecinho para depois. É uma história que eu sempre quis escrever, com uma temática que me agrada e que eu não encontro muito no site. Já passei da fase das fics colegiais, estou velha demais para isso. Nela os personagens estão na faixa dos trinta anos, tem dois filhos para criar e um casamento para fazer dar certo. Não sou casada e nem tenho trinta anos, mas se é para imaginar, quero imaginar como será o meu futuro e não ficar sonhando com coisas que deixei de fazer no passado.

FFOBS: Todas as autoras já passaram por algum momento de bloqueio. Como você lida com essa situação?

T: Eu tenho bloqueios corriqueiros. É muito mais fácil me encontrar reclamando que eu não consigo escrever, do que comemorando porque tudo está fluindo bem. Eu não vejo muitas alternativas nesse caso, não funciono bem sob pressão, então eu prefiro esperar a inspiração e as ideias surgirem, do que sentar e fazer com que tudo saia de qualquer maneira, porque eu sei que não vou gostar de nada que escrevi.

FFOBS: Você já passou por alguma situação desagradável com algum de seus leitores?

T: Não, nenhuma. Na verdade eu não nada do que reclamar, todas são lindas, simpáticas, carinhosas e tudo de melhor que pode existir no mundo. E eu preciso dizer que devo muito a elas. Sempre que eu penso em desistir de tudo, e isso é muito frequente, eu vou e leio os comentários. É a melhor forma de se motivar a continuar, não consigo nem expressar como é a sensação. Saber que tem alguém que gasta tempo lendo o que eu escrevi e ainda por cima elogia, é tudo o que precisamos. Só quero dizer que vocês são umas lindas e que quero morder todas.

FFOBS: Bom, essa entrevista vai terminando por aqui. Caso queira deixar algum recado final, fique à vontade!

T: Quero agradecer a todos que votaram em mim e dizer que é uma honra estar nessa lista que tem grandes nomes desse mundo de fics. Sinceramente, eu não me acho boa o bastante para estar entre elas, mas me sinto realizada por estar. Quero agradecer e parabenizar todas as responsáveis por manter esse site no ar, porque depois que eu entrei para a equipe, eu vi todo o trabalho que necessário. O Fanfic Obsession é o melhor site de fanfics interativas graças as pessoas por trás do mesmo e também graças aos seus leitores. Mais uma vez obrigada por tudo, de coração.